Manual pratico-de-como-gerir-um-museu
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  • 1. Como Gerir um Museu: Manual Prático
  • 2. Como Gerir um Museu:Manual PráticoPUBLICAÇÃO :ICOM – Co n selh o In t er n acio n al d e Mu seu sMaiso n d e lUNESCO1, lam en t e Mio llis75732 Par is Ced ex 15Fr an çaO ICO M agradece ao Fundo Fiduciário do Grupo para o Desenvolvimento das Nações Unidas (UNDGTF)por tornar esta publicação possível.Editor e Coordenador: Patrick J. Bo ylanCoordenação do Secretariado do ICO M: Jennifer ThévenotConcepção e produção da capa original: Edward Moody DesígnImpressão: Franly S.A.Fotografia e outros créditos de ilustração:Sem p r e q ue n ão exist a id en t if icação , as f o t o g r af ias, d iag r am as,e o u t r as ilu st r açõ es est ão p r o t eg id as p o r d ir eit o s d e au t o r , d o au t o r d o cap ít u lo co r r esp o n d en t e.O ICOM ag r ad ece ao s au t o r es e ao s o u t r o s au t o r es p r o t eg id o s p o r d ir eit o s d e au t o r , p elo seu ap o io e co o p er ação .© 2004, ICOM, t o d o s o s d ir eit o s r eser vad o sISBN 92-9012-157-2
  • 3. ConteúdosPrefácio ................................................................................................................................................................................................................................................ v por A lissandra Cum m ins, Presidente do ICO MIntrodução.......................................................................................................................................................................................................................................... vii por Patrick Boylan, Coordenador e EditorOPapel dos Museus e o Código de Ética Profissional ................................................................................................................................................................... 1 por Geoffrey LewisHist ó r ia d o co leccio n ism o ; Os p r im eir o s m useus p úb lico s; Pad r õ es m ín im o s e ét ica p r o f issio n al; Ger ir o m useu; Aq uisição e m an ut en ção d o acer vo ;In t er p r et ar e ap r o f u n d ar o co n h ecim en t o - acesso ; Valo r ização e d ivulgação d o p at r im ó n io n at ur al e cult ur al; Ser viço p úb lico e b en ef ício p úb lico ;Tr ab alh ar co m as co m u n id ad es; Leg islação ; Pr o f issio n alism o .Gestão do Acervo............................................................................................................................................................................................................................... 17 por N icola LadkinDesen vo lver a p o lít ica d e gest ão d o acer vo ; Aq uisição e in co r p o r ação ; Ab at im en t o e ced ên cia; Num er ação e classif icação d o s o b ject o s d o acer vo ;Em p r ést im o s, Relat ó r io so b r e o est ad o d e co n ser vação ; Acer vo d e r eser va; Man useam en t o e m o vim en t ação d o acer vo ; Fo t o gr af ia; Segur o ; Acessop ú b lico ao acer vo ; Galer ias e salas d e exp o sição e m o st r a; In vest igação d o acer vo .Inventário e Documentação ............................................................................................................................................................................................................ 33 por A ndrew RobertsAq u isiçõ es, em p r ést im o s a lo n g o p r azo e in co r p o r ação ; Co n t r o lo d o in ven t ár io e cat alo gação ; Sin t axe e t er m in o lo gia; Num er ação , et iq uet ação eid en t if icação d o o b ject o ; Co n t r o lo d a m o vim en t ação e lo calização ; In co r p o r ação , co n t r o lo d o in ven t ár io e cat alo gação d a r eser va; Cat alo gação er ecu p er ação m an u al e in f o r m át ica; Im agen s; Acesso à In t er n et p ar a in f o r m ação so b r e o acer vo ; Recur so s h um an o s e f in an ceir o s; Cam p o s d e cat alo gaçãor eco m en d ad o s.Conservação e Preservação do Acervo.......................................................................................................................................................................................... 55 por Stefan MichalskiPr io r id ad es n a d ecisão e avaliação d o s r isco s; Red uzir a p er d a e o s d an o s f ut ur o s em 100 an o s o u m ais; Classif icação d o s r isco s p ar a o acer vo ; Os No veAg en t es d e Det er io r ação ; O ciclo d e p r eser vação d o acer vo : Passo 1: Co n f ir a o s p r in cíp io s - Passo 2: In sp ecção d o s r isco s - Passo 3: Plan o d e m elh o r ias p ar aa g est ão d e r isco d o acer vo ; Exem p lo s d e avaliaçõ es d e r isco esp ecíf icas e so luçõ es in d ivid uais; Gest ão d e r isco in t egr ad a d e p r agas (GIP); Gest ão d e r iscoin t eg r ad a su st en t ável p ar a a ilu m in ação , p o lu ição , t em p er at ur a e h um id ad e; Dir ect r izes d e ilum in ação p ar a o m useu; Dir ect r izes d e t em p er at ur a e d eh u m id ad e p ar a o m u seu ; Dir ect r izes d e p o lu ição p ar a o m useu; In t egr ar e ger ir t o d o s o s q uat r o agen t es.Exposição, Exibições e Mostras ...................................................................................................................................................................................................... 99 por Yani HerremanTip o s d e exp o siçõ es; O o b ject o : in t er p r et ação n o co n t ext o d a exp o sição ; Gest ão d a exp o sição em r elação a o ut r as act ivid ad es m useo ló gicas; Pr o ject o : op lan eam en t o b ásico e o p r o cesso ar t if icio so ; Elab o r ar o sum ár io d o p lan eam en t o ; Desen vo lver a exp o sição ; Pr o d ução e m at er iais; Co m p let ar a exp o sição ;Avaliar a exp o sição ap ó s o seu t ér m in o .
  • 4. Acolhimento do Visitante............................................................................................................................................................................................................... 113 por V icky WoollardQu ais são o s b en ef ício s p ar a o s m useus?; Quais são o s p r in cíp io s-b ase p ar a p r o p o r cio n ar ser viço s d e q ualid ad e ao visit an t e; Algu n s asp ect o s-ch ave aco n sid er ar n o d esen vo lv im en t o d a d eclar ação d e p o lít ica d o ser viço ao visit an t e; Def in ir e co m p r een d er o visit an t e; Tip o s d e visit an t es e as suasn ecessid ad es; Plan ear e g er ir o ser viço ao visit an t e; Ár eas esp ecíf icas a t er em at en ção ; Ch ecklist d o s p o n t o s d e vist a d o visit an t e.Educação do Museu no Contexto das Funções Museológicas ................................................................................................................................................. 129 por Cornelia Brüninghaus-KnubelAcer vo e ed u cação ; Desen vo lver e ger ir a ed ucação d o m useu; Ed ucação d o m useu e a co m un id ad e; Pr o ject ar p r o gr am as ed ucat ivo s: o s p r in cíp io sb ásico s; Esco lh a d o s m ét o d o s d e en sin o e ap r en d izagem n a ed ucação d o m useu ; Pub licaçõ es d o m useu; Tip o s d e m at er ial d id áct ico co m um m en t eu t ilizad o s em m u seu s; Act ivid ad es ext r a-m ur ais; Ed ucação in f o r m al.Gestão do Museu ............................................................................................................................................................................................................................. 145 por Gary EdsonEst r u t u r a d e g est ão ; Tr ab alh o d e eq uip a; Est ilo s d e Lid er an ça d e d ir ect o r as e o ut r o p esso al d e t o p o ; Elab o r ar a d eclar ação d e m issão ; Gest ão f in an ceir a;Seis r eg r as p ar a p lan ear o o r çam en t o ; Gest ão e ét ica d o m useu; O p r o cesso d e p lan eam en t o ; Assun t o s a co n sid er ar ; Avaliação ; An álise SWOT.Gestão do Pessoal ........................................................................................................................................................................................................................... 160 por Patrick BoylanCo m p r een d er a g est ão d e p esso al; Pr in cip ais cat ego r ias d o t r ab alh o e d o s f un cio n ár io s d o m useu; In f o r m ação , en vo lvim en t o e eq uid ad e d o p esso al;Recr u t ar e m an t er p esso al d e elevad a q ualid ad e; Mét o d o s e t écn icas d e selecção d e p r o m o ção e r ecr ut am en t o ; Req uisit o s m ín im o s p ar a um a d eclar açãoo u co n t r at o d as co n d içõ es d o em p r ego ; Gest ão , f o r m ação e d esen vo lvim en t o p r o f issio n al d o p esso al; Pr o ced im en t o s d iscip lin ar es e d e q ueixa; Saúd e eseg u r an ça n o t r ab alh o ; Co m o avaliar o s r isco s n o lo cal d e t r ab alh o : cin co p asso s p ar a a avaliação d e r isco .Marketing ......................................................................................................................................................................................................................................... 175 por Paal MorkIn t r o d u ção ao m ar ket in g ; A o r ien t ação act ual d o s m useus r elat ivam en t e à t eo r ia e p r át ica d o m ar ket in g ; Pr o d ut o , p r eço , p r o m o ção , lo cal; Plan eam en t oest r at ég ico d e m er cad o ; Missão e visão ; Fact o r es In t er n o s e ext er n o s; Gr up o s-alvo ; Pr o m o ção ; Pub licid ad e; Relaçõ es p úb licas; Cr iar a “m ar ca” d o m useu .Segurança e Prevenção de Acidentes do Museu........................................................................................................................................................................ 193 por Pavel JirásekQu em é o r esp o n sável p ela p o lít ica d e segur an ça e p ela sua ap licação ?; An álise d o r isco e p lan o d e segur an ça; Im p lem en t ação d o p lan o est r at égico p ar a ap r o t ecção d o m u seu ; Med id as p ar a assegur ar a segur an ça d a exp o sição e d as salas d e exp o sição ; Sist em a d e Det ecção d e In t r uso (SDI); Sist em a d e Co n t r o lod e Acesso (SCA); Cir cu it o Fech ad o d e Televisão (CFTV); Sist em a d e Alar m e e Det ecção Aut o m át ica d e In cên d io (SAI); O Plan o d e Em er gên cia.Tráfico Ilícito ................................................................................................................................................................................................................................... 214 por Lyndel ProttPr even ção ; In ven t ár io s; Ch ecklist d o Ob ject o ID; Legislação n acio n al; Tur ist as e visit an t es; Fo r m ação ; Det ecção ; Recup er ação ; Co o p er ação in t er n acio n al;Co n ven çõ es in t er n acio n ais; Recu p er ação o n d e as co n ven çõ es n ão se ap licam ; Lit ígio .Explicação G eral de Alguns Termos-C have U tilizados neste L ......................................................................................................................................... 223 ivroReferências e Informação A dicional ........................................................................................................................................................................................... 230Breve Biografia dos A utores ......................................................................................................................................................................................................... 236Código de Ética Profissional do IC M O .......................................................................................................................................................................................... 239
  • 5. Prefácio A lissandra Cum m ins, Presidente do ICO MA elaboração deste livro, Com o Gerir um Museu: Manual Prático, surgiu a pedido do Comité Intergovernamental da UNESCO paraa Protecção do Património Cultural do Iraque. Houve a necessidade de desenvolver um manual elementar que pudesse ser utilizadopelos formadores e formandos em cursos relacionados com o museu, como ferramenta para as pessoas que já trabalham em museusno Iraque e como documento de referência que providencia orientação para um estudo mais detalhado em determinados aspectos.Também será motivo de interesse para o leigo compreender os aspectos básicos de como gerir um museu. No entanto, para a utilidade desta publicação ser reconhecida através da comunidade internacional dos museus, a UNESCOdecidiu alargar a sua extensão e disponibilizá-la a todos os museus do mundo de língua árabe, assim como uma edição em inglês,para uma utilização mais vasta. Esta publicação é outro exemplo da resposta directa do ICO M à necessidade de dar formação profissional e aconselhamentoprático sempre que necessário. Na verdade, nos seus quase sessenta anos de existência, a ICO M procurou promover padrõesprofissionais de formação e prática profissional em conjunto com abordagens de colaboração no trabalho. Actualmente, um dosobjectivos estabelecidos pela organização permanece para aprofundar “a partilha do conhecimento e da prática profissional demuseu através de apoio mútuo internacional,” enquanto ao mesmo tempo incentiva activamente, novos modelos de colaboração. Amissão-chave do ICO M após estabelecer padrões profissionais e éticos para as actividades museológicas, é promover a formação e oavanço do conhecimento. O s autores dos doze capítulos utilizaram a sua extensa experiência em museu e técnica profissionalenquanto ao mesmo tempo representaram habilmente a/ s várias sociedade/ s multi-culturais nas quais vivemos. Gostaria de reconhecer, agradecidamente, o apoio financeiro do Fundo Fiduciário do Grupo para o Desenvolvimento das NaçõesUnidas na produção deste livro. A inestimável contribuição de todos os escritores que trabalham sob a redacção inspirada de PatrickJ. Boylan, também deve ser reconhecida. Finalmente, o pessoal do sector de programas do ICO M teve um papel fundamental napreparação e coordenação deste livro. Na minha opinião, juntos criaram uma ferramenta excelente tanto para o ensino académicocomo para a auto-aprendizagem directa, que apoiará, a nível mundial e durante os próximos anos, o desenvolvimento da profissãode museu. Alissandra Cummins, Presidente Conselho internacional de Museus (ICO M) v
  • 6. Introdução Patrick J. BoylanCom o Gerir um Museu: Manual Prático pretende providenciar 3 . como um recurso valioso nas discussões internas, sempreuma avaliação dos aspectos fundamentais das actividades do necessárias entre o pessoal e as autoridades administrativasmuseu, ansioso para servir as necessidades e expectativas dos seus sobre o desempenho actual e a futura política e direcção davisitantes e da comunidade em geral, no século XXI. sua própria instituição. O s museus devem permanecer fiéis aos valores tradicionais do Q ueremos sublinhar que Com o Gerir um Museu não deve sermuseu e continuar a enfatizar a preservação e desenvolvimento do considerado nem como um tipo de livro de ensino teórico nemacervo que providencia testemunhos físicos da cultura e do meio tão pouco como um manual de referência técnico, no entanto,ambiente do território escolhido pelo museu, quer este seja um com as suas discussões sobre temas e princípios importantes e ossimples local histórico ou arqueológico, uma cidade, uma região muitos exemplos práticos de “ boa prática”, os autores esperamou um país inteiro. que seja uma mais-valia tanto na formação profissional em museus De igual modo, porém, o museu contemporâneo tem de como no desenvolvimento da carreira e como uma importanteconcentrar-se fortemente na procura da excelência dos seus fonte de informação e aconselhamento técnico. Por outro lado,serviços para os seus mais variados públicos, quer sejam crianças esperamos que ajude o pessoal do museu num processo deem idade escolar, estudantes do ensino superior, visitantes gerais reforma e modernização interna das suas próprias instituições,da localidade, turistas nacionais ou internacionais ou tanto a nível de política como de prática.investigadores especializados. Em muitos pontos, o leitor encontrará exercícios práticos e Com o Gerir um Museu tem como objectivo servir vários temas importantes realçados. Embora alguns destes possam serpropósitos. Espera-se que a informação e aconselhamento na levados a cabo como um exercício a solo pelo leitor, estas tarefasactual “melhor prática” , tenham valor prático: são principalmente designadas para a discussão de grupo e1 . para novos ou futuros profissionais de museu com experiência exercícios práticos envolvendo vários membros do pessoal do mínima de como gerir um museu; museu. Idealmente, tal estudo ou grupos de trabalho devem ser2 . para os profissionais experientes e técnicos nas diversas áreas escolhidos entre várias especializações diferentes, posições de de trabalho especializadas do museu, explicando-lhes sobre as trabalho e níveis de responsabilidade da instituição de forma a responsabilidades e trabalho dos seus colegas de outros trazer várias perspectivas diferentes relevantes para a questão a departamentos e especialidades; estudar. Espera-se também que, estes exercícios sejam ainda mais vii
  • 7. Como Gerir um Museu: Manual PráticoIntroduçãovaliosos em programas de formação formal em museus e de desenvolvimento, gestão, documentação, conservação edesenvolvimento da carreira. preservação do acervo. Um tema recorrente na maioria dos capítulos é a necessidade A comunicação também é uma função muito importante dode todo o pessoal do museu cooperar entre si e trabalhar em museu e o papel da exposição e mostra, o emergente campoconjunto como uma equipa, para rapidamente desenvolver uma profissional do acolhimento ao visitante e da educação ecompreensão do trabalho e das responsabilidades de todas as aprendizagem sobre o museu tanto formal como informal, são empessoas que trabalham no museu. Nós vemos isto como uma contrapartida, examinados.necessidade prática, num mundo onde existe uma ênfase cada vez Tradicionalmente, a gestão era considerada como uma partemaior, em todas as organizações, para descentralizar o poder relativamente sem importância nas actividades museológicas,administrativo e a responsabilidade para um nível inferior, desde a maioria das funções administrativas fundamentais, taispraticável dentro da hierarquia ou da estrutura de pessoal. como a manutenção e a gestão dos edifícios do museu e as O s doze colaboradores deste Manual, de várias partes do operações financeiras e do pessoal, frequentementemundo, são peritos reconhecidos na sua área, com muitas décadas responsabilidade especializada pelos departamentosde experiência tanto prática como em trabalho de campo governamentais ou camarários competentes.especializado abrangido pelo seu capítulo, assim como muita Porém, a rápida tendência para a descentralização de taisexperiência de trabalho aconselhador e pedagógico em vários funções, e daí, a transferência de tais responsabilidades para osmuseus e outros órgãos do património mundiais. próprios museus, tornou a gestão geral de pessoal mais O objectivo de cada capítulo é providenciar aconselhamento importante e uma responsabilidade fundamental do director eprático e pontos para discussão. O texto principal de cada outro pessoal de topo, em particular. O m arketing também secapítulo é apoiado por informações adicionais, incluindo por tornou num aspecto importante do trabalho do museu nos dias deexemplo, dados técnicos e padrões-chaves, sugestões para hoje. Com os níveis do apoio público a declinarem, actualmenteexercícios práticos e tópicos de discussão para utilização interna, muitos museus, provavelmente a maioria, necessitam cada vezquer seja por um profissional individual, um pequeno grupo de mais de obter os seus gastos relacionados com a gestão, através deestudo, participantes em formação ou em programas ou exercícios actividades para angariação de fundos e geração de rendimentos.de desenvolvimento pessoal ou por todo o pessoal. Do mesmo modo, confrontados com o crescimento do crime O capítulo sobre o papel dos museus e da ética profissional internacional contra a propriedade cultural de todos os géneros,introduz as tradições, valores e padrões de conduta institucional e incluindo o acervo do museu e locais de património, aprofissional comuns que deverão estar por detrás de todas as preocupação pela segurança do museu é cada vez maisactividades museológicas especializadas e instituições relacionadas - importante, assim como a luta internacional contra o tráfico ilícitoos princípios pelos quais tudo o resto será desenvolvido. de antiguidades, obras de arte, espécimes de história natural e O próximo grupo de capítulos oferece uma perspectiva outros bens culturais roubados, adquiridos e transferidoscontemporânea da principal actividade museológica, mas também ilegalmente. Este Manual conclui desta forma, com capítulosdo que se expandiu em escala e complexidade nos últimos anos: sobre estes dois importantes tópicos. viii
  • 8. Como Gerir um Museu: Manual PráticoIntrodução Espera-se que os leitores constatem que Com o Gerir umMuseu: Manual Prático desafia e provoca a forma de pensar emrelação à sua compreensão sobre o papel e futuro potencial domuseu como um todo e à contribuição pessoal actual e potencialdo leitor, para manter e melhorar os seus serviços profissionais epúblicos. ix
  • 9. O Papel dos Museus e o Código de Ética Profissional Geoffrey Lewis Presidente, Comité de Ética do ICO M OPapel dos M useus que coleccionavam antiguidades naquele tempo, mas também,O s museus preservam a propriedade cultural mundial e pela mesma altura, existia uma colecção de antiguidades numainterpretam-na ao público. Esta não é propriedade comum. Tem sala próxima da escola do templo, com uma lápide que descreviaum estatuto especial na legislação internacional e normalmente, inscrições mais antigas em tijolo, encontradas no local. Istoexiste legislação nacional para a proteger. Faz parte do património poderia ser considerado como uma “etiqueta de museu”.natural e cultural mundial e pode ser de carácter tangível ou Apesar das origens clássicas da palavra “museu”, nem ointangível. Muitas vezes, o bem cultural providencia também a império grego nem o impérios romano dão exemplos de umreferência primária em vários temas da área, tais como museu, tal como nós o conhecemos hoje. O s locais de sacrifíciosarqueologia e ciências naturais, e por isso representa uma votivos instalados nos templos, por vezes construídos em câmarascontribuição importante para o conhecimento. É também, um especiais, estavam normalmente abertos ao público, muitas vezescomponente significativo na definição da identidade cultural, a mediante o pagamento de uma pequena taxa. Incluíam obras denível nacional e internacional. arte, curiosidades naturais assim como itens exóticos trazidos das partes mais longínquas do império mas eram principalmente uma H istória do Coleccionismo provisão religiosa. A veneração do passado e das suasAs colecções de objectos foram reunidas devido às suas personalidades nos países orientais também levaram à colecção deassociações pessoais ou colectivas ocorridas na antiguidade. O s objectos. As relíquias acumuladas nos túmulos dos primeirosartefactos encontrados nas câmaras funerárias do Paleolítico mártires muçulmanos, de entre as quais, as dedicadas a Imam-mostram indícios disto. No entanto, o desenvolvimento da ideia Reza em Meshed, no noroeste do Ira, estão actualmente instaladasde museu ocorre no princípio do segundo milénio AC em Larsa, num museu perto do túmulo. A ideia de al-waqf, envolvendo ana Mesopotâmia, onde cópias de antigas inscrições foram doação de propriedade para o bem público e com propósitosreproduzidas para uso educativo nas escolas daquele tempo. O s religiosos, também resultou na formação de colecções.níveis de evidência arqueológica do século sexto AC em Ur, Na Europa Medieval, as colecções eram a principalsugerem que não eram só os reis Nebuchadrezzar e Nabonidus prerrogativa das casas nobres e da igreja. Tais colecções tiveram 1
  • 10. Como Gerir um Museu: Manual PráticoOPapel dos Museus e o Código de Ética Profissionalimportância económica e foram utilizadas para financiar guerras eoutras despesas do estado. O utras colecções transformaram-se,alegadamente, em relíquias da Cristandade. Com o ressurgimentodo interesse pelo seu património clássico e facilitado pela ascensãode novas famílias comerciantes e bancárias, formaram-se colecçõesimpressionantes de antiguidades na Europa. A maisimpressionante das colecções era a formada e desenvolvida pelafamília Medici em Florença e eventualmente doada ao estado em1 7 4 3 para estar “acessível ao povo de Tuscany e a todas asnações”. Também se formaram colecções reais e nobres emmuitos outros países europeus. Antes do século dezassete, oaumento de interesse pela história humana, assim como pelahistória natural, levou à criação de muitas colecções especializadaspela intelligentsia da altura. O Museu Br it ân ico f o i est ab elecid o p o r act o p ar lam en t ar , d eclar an d o q ue o m useu n ão só er a "p ar a a in vest igação e en t r et en im en t o d o in st r uíd o e d o Este também foi o período em que foram estabelecidas as cur io so , m as p ar a a ut ilização ger al e b en ef ício d o p úb lico ". Ab r iu em 1759primeiras sociedades científicas; e algumas formaram as suas em Mo n t agu Ho use,próprias colecções. As melhores que se conheceram, tornaram-se Blo o m sb ur y (ver acim a) f o i co m p r ad o esp ecialm en t e co m est e p r o p ó sit o . In icialm en t e, o acesso p úb lico er a gr at uit o , em b o r a f o ssena Academia do Cimento em Florença (1 6 5 7 ), na Real n ecessár io so licit ar um in gr esso p ar a ser ad m it id o . Um visit an t e f r an cêsSociedade de Londres (1 6 6 0 ) e na Academia de Ciências de em 1784, o b ser vo u q ue o Museu er a exp r essam en t e "p ar a a in st r ução eParis (1 6 6 6 ). Antes desta altura, os sistemas de classificação do sat isf ação d o p úb lico ". O m useu in cluía an t iguid ad es clássicas, esp écim es d e h ist ó r ia n at ur al,mundo natural e artificial estavam disponíveis para ajudar os m an uscr it o s assim co m o et n o gr af ia, n um ism át ica e m at er ial d e ar t e. A leicoleccionadores a classificar o seu acervo. Isto reflecte o espírito f un d ad o r a r ef lect iu est e p en sam en t o en ciclo p éd ico d a alt ur a, d eclar an d osistemático, inquérito racional e a abordagem enciclopédica ao q ue "t o d as as ar t es e ciên cias est ão ligad as en t r e si". Mas as co lecçõ es d e h ist ó r ia n at ur al f o r am t r an sf er id as p ar a f o r m ar oconhecimento que emergia actualmente na Europa. Museu d e Hist ó r ia Nat ur al, ab er t o em 1881. O Primeiros M s useus Públicos Museus Enciclopédicos família Tradescant e previamente exibidas ao público, em sua casaO s museus públicos surgem devido ao espírito enciclopédico do em Londres. Com carácter enciclopédico, esta é umadenominado Esclarecimento Europeu. O Museu de Ashmolean, característica de dois outros museus famosos deste período inicial:criado pela Universidade de O xford em 1 6 8 3 , é geralmente o Museu Britânico, aberto em Londres em 1 7 5 9 e o Louvre,considerado o primeiro museu estabelecido por um órgão público Paris, em 1 7 9 3 ; ambos eram iniciativas do governo, o anteriorpara o benefício público. Foi baseado em grande parte, pelas resultado da aquisição de três colecções privadas e a posteriorcolecções eclécticas, de várias partes do mundo, reunidas pela “democratização” das colecções reais. 2
  • 11. Como Gerir um Museu: Manual PráticoOPapel dos Museus e o Código de Ética Profissional M useus da Sociedade Ambos os museus abrangiam as artes e ciências e estavamAs sociedades instruídas também estavam entre os primeiros preocupados com o avanço do conhecimento sobre os seusoriginadores dos museus públicos. Isto acontecia na Ásia. Em respectivos países. Nos Estados Unidos, a Charleston LibraryJacarta, a colecção da Sociedade de Artes e Ciência de Batavia foi Society de Sociedade da Carolina do Sul anunciou em 1 7 7 3 , ainiciada em 1 7 7 8 , eventualmente para se tornar o Museu Central sua intenção de formar uma colecção de “produções naturais,da Cultura Indonésia. As origens do Museu Indiano em Calcutá quer seja animal, vegetal ou mineral” com a perspectiva de exibirsão semelhantes, sendo baseadas nas colecções da Sociedade os aspectos práticos e comerciais da agricultura e medicina daAsiática de Bengal, iniciadas em 1 7 8 4 . província.Jam es Macie Sm it h so n q u er ia est ab elecer um a in st it u ição "p ar a o aum en t o Um d o s p r im eir o s m useus d a Am ér ica d o Sul f o i f un d ad o em Buen o s Air ese d if u são d o co n h ecim en t o en t r e o s h o m en s". Est e f o i o in ício d a em 1812 e ab r iu ao p úb lico em 1823 co m o m useu n acio n al. Dur an t e m uit o sin st alação d o r en o vad o m un d o cien t íf ico e ed ucat ivo co n h ecid o co m o a an o s est eva in st alad o n a un iver sid ad e. Act ualm en t e, o Museu d e Ciên ciasIn st it u ição d e Sm it h so n ian em Wash in gt o n DC. A legislação q ue a Nat ur ais Ar gen t in o em Buen o s Air es, f o i t r an sf er id o p ar a o seu act ualest ab elece p r o vid en cio u u m ed if ício p ar a alb er gar um a galer ia d e ar t e, ed if ício (acim a) em 1937. O acer vo ab r an ge t o d o s o s cam p o s d e h ist ó r iab ib lio t eca, lab o r at ó r io q u ím ico , salas d e co n f er ên cia, e galer ias d o m useu; n at ur al e h um an a m as é esp ecialm en t e esp ecializad o em p aleo n t o lo gia,"t o d o s o s o b ject o s d e ar t e e in vest igação cur io sa... h ist ó r ia n at ur al, p lan t as, an t r o p o lo gia e en t o m o lo gia.esp écim es g eo ló g ico s e m in er aló g ico s” p er t en cen t es ao s Est ad o s Un id o s,ser iam aco m o d ad o s lá. O p r im eir o ed if ício Sm it h so n ian (im agem acim a) f o it er m in ad o em 1855 e o Mu seu Nacio n al d o s Est ad o s Un id o s ab r iu t r ês an o s Museus Nacionaisd ep o is. As co lecçõ es r ap id am en t e am p liar am o ed if ício . O papel do museu contribuiu para a consciencialização e Ho je, o Mall em Wash in g t o n DC in t er age co m o s m useus esp ecializad o s identidade nacional desenvolvida inicialmente na Europa e comd a In st it u ição Sm it h so n ian . isto reconhecer que os museus eram as instituições apropriadas 3
  • 12. Como Gerir um Museu: Manual PráticoOPapel dos Museus e o Código de Ética Profissionalpara a preservação do património histórico de uma nação. Estepapel continua ainda hoje e é realçado frequentemente nosmuseus nacionais nos recentes estados estabelecidos ourestabelecidos. Expressões deste papel, no século XIX, incluem omuseu nacional de Budapeste, que surgiu em 1 8 0 2 e foiconstruído com dinheiro angariado de impostos voluntários; maistarde, veio a ser identificado com a luta para a independênciacheca. Em Praga, uma revivificação do nacionalismo conduziu àfundação do museu nacional em 1 8 1 8 e o seu novo edifício,fechado até 1 8 9 1 , ficou simbólico da revivificação nacionalcheca. Inicialmente, ambos albergavam acervos de artes e ciências O In st it ut o d a Jam aica f o i est ab elecid o em 1879 p ar a in cen t ivar a lit er at ur a, ciên cia e ar t e n a Jam aica. An t es d e 1891, exist ia um m useu d e ciên cia e n o an o seguin t e ab r iu um a galer ia d e r et r at o s. Act ualm en t e, ger e vár io s m useus d e h ist ó r ia e et n o gr af ia n as d if er en t es p ar t es d a ilh a. O m useu d e ciên cia - act ualm en t e d ivisão d e h ist ó r ia n at ur al –Em 1835, f o i est ab elecid o p elo g o ver n o egíp cio o Ser viço d e An t iguid ad es en co n t r a-se n o ed if ício d a sed e d o In st it ut o em Kin gst o n (acim a).p ar a p r o t eg er o s seu s lo cais ar q u eo ló gico s e ar m azen ar o s ar t ef act o s. Em 1858, cr io u -se u m m u seu m as a co lecção n ão f o i exib id a n um mas à medida que o acervo aumentava, foram transferidos paraed if ício p er m an en t e at é o Mu seu Egíp cio n o Cair o ser ab er t o em 1902 (veracim a). Lo g o ap ó s, alg u m as d as co lecçõ es f o r am t r an sf er id as p ar a f o r m ar outros edifícios. Na Hungria, por exemplo, isto conduziu àd u as n o vas in st it u içõ es f am o sas, o Museu Islâm ico (1903) e o Museu Có p t ico formação de museus especializados: Artes Aplicadas, Belas-Artes,(1908). Cultura Nacional e Ciência Natural. 4
  • 13. Como Gerir um Museu: Manual PráticoOPapel dos Museus e o Código de Ética Profissional M useus Especializados Museus G erais e LocaisO conceito de museu enciclopédico da cultura nacional ou A ideia de enciclopédico, expressa actualmente nos museusmundial diminuiu, durante o século XIX, a favor de cada vez comuns, permanece uma característica de muitos museusmais, museus nacionais de especialização. Isto também se regionais e locais. Estes desenvolveram-se a partir de colecções deacentuou onde os museus eram vistos como veículos para benfeitores e sociedades privadas, em particular em meados dopromover o design industrial e a realização técnica. século XIX. Na Inglaterra, os museus municipais eram vistos como As exposições internacionais de fabricantes contribuíram para a meios de providenciar instrução e entretenimento para aformação de alguns destes museus especializados, inclusive o população urbanizada crescente e desenvolveu-se no contexto deMuseu Victoria e Albert e o Museu da Ciência em Londres, o reformas para superar problemas sociais, resultado daTechnisches Museum em Viena e o Palais de la Decouverte em industrialização. O nde estes eram estabelecidos, num porto ouParis. noutro centro de comércio internacional, o acervo muitas vezes, reflectia a natureza geral do local. Estes museus locais e regionais também tiveram um papel importante na promoção do orgulho cívico. Museus ao Ar Livre Com a criação do Nordiska Museet em Estocolmo, surgiu na Suécia em 1 8 7 2 , um novo tipo de museu, para preservar aspectos do povo/ vida tradicional da nação Foi ampliado e angariou edifícios tradicionais, então reerguidos em Skansen, o primeiro museu ao ar livre. Na Nigéria, surgiu uma variação deste tema, onde muita da arquitectura tradicional era muito frágil para ser movimentada. Ao invés, trouxeram os artesãos para o Museu de Arquitectura Tradicional em Jos, para construírem exemplos de edifícios representantes das diferentes partes da Nigéria.Alg u n s an o s ap ó s a in d ep en d ên cia, o go ver n o n iger ian o f un d o u aCo m issão Nacio n al d e Mu seu s e Mo n um en t o s co m a r esp o n sab ilid ad e p ar a Museus de Trabalhoest ab elecer m u seu s n acio n ais n as p r in cip ais cid ad es. Ist o f azia p ar t e d e O utros museus desenvolveram workshops para demonstrar asu m a p o lít ica p ar a p r o m o ver o d esen vo lvim en t o d a id en t id ad e cult ur al e artes tradicionais e muitas vezes para serem exploradasu n id ad e n acio n al. Alg u n s d est es m useus d esen vo lver am o f icin as d et r ab alh o 1 o n d e se d em o n st r avam as ar t es t r ad icio n ais. O Jo s Museu m , um comercialmente para benefício do museu.d o s p r im eir o s m u seu s n acio n ais, d esen vo lveu o m useu d e ar q uit ect ur a Noutro local, os locais de trabalho e os locais industriais foramt r ad icio n al (im ag em acim a). preservados in situ e restaurados na sua condição de1 funcionamento anterior. Neste caso, realçou-se mais a NT: da versão original inglesa: “workshops” – estrangeirismo adoptado pela língua portuguesae de uso comum. preservação e manutenção dos processos históricos do que o 5
  • 14. Como Gerir um Museu: Manual PráticoOPapel dos Museus e o Código de Ética Profissionalequipamento utilizado para os alcançar e assegurar uma de desempenho que tanto o público como os colegas, esperamcontinuidade das capacidades associada a eles. alcançar de modo razoável, de tudo o relacionado com a provisão É neste nível que os aspectos intangíveis do património e a e execução dos serviços museológicos. Estes padrões podem sernecessidade para os preservar são particularmente aparentes. O desenvolvidos para satisfazer as exigências locais particulares e asconhecimento detalhado e as capacidades exigidas para fabricar exigências especializadas do pessoal do museu.um objecto são melhor transmitidas por meios orais e visuais epreservadas por técnicas multimédia. Tal abordagem pode ser G o museu eriraplicada de modo amplo em várias situações museológicas. Um serviço museológico eficaz requer a confiança do público a Museus no Local quem presta serviço. Toda a responsabilidade relacionada com aSempre que a propriedade local esteja a ser preservada, tanto em preservação e interpretação de qualquer aspecto do patrimóniolocais arqueológicos como em áreas de habitat natural, aplicam-se cultural tangível e intangível mundial, quer a nível local oucritérios diferentes. Haverá a preocupação particular para que o nacional, necessita de promover esta confiança. Para isso élocal possa ser mantido o máximo possível, em boas condições, necessário criar uma consciencialização pública sobre o papel elevando em consideração os factores ambientais, inclusive a propósito do museu e o modo pelo qual este é gerido.temperatura e o impacto que os visitantes possam ter no local. As Posição Institucionalinstalações interpretativas também necessitam de tratamento A protecção e promoção do património público exigem que aespecial para que estas possam ser alcançadas da melhor forma e instituição seja constituída correctamente e que providencie umadiscretamente tanto para o local como para os achados. permanência apropriada para esta responsabilidade. Museus Virtuais Deve existir uma constituição, estatuto ou outro documentoA disponibilidade de informações e tecnologias da comunicação público redigido, publicado e outorgado pela legislação nacional.trazem novas oportunidades aos aspectos interpretativos dos Deve declarar, de modo claro, a posição da instituição, o seumuseus. Isto pode manifestar-se de vários modos. Com este estatuto legal, missão, permanência e de natureza sem finspropósito, a oportunidade de reunir imagens digitais, lucrativos.particularmente de fontes diversas de modo a apresentar e a A direcção e omissão estratégica do museu normalmente sãointerpretar o património cultural e natural e comunicá-lo a um da responsabilidade do órgão administrativo. Devem preparar epúblico mais vasto, deve ser considerado actualmente, como uma dar publicidade à definição da missão, objectivos e políticas doresponsabilidade importante dos museus. museu. Também devem estabelecer o papel e a composição do órgão administrativo. Padrões Mínimos e Ética Profissional InstalaçõesO trabalho do museu é um serviço para a sociedade. Exige O órgão administrativo deve assegurar instalações e meiopadrões de prática profissional mais elevados. O Conselho ambiente adequados para que o museu desempenhe as funçõesInternacional de Museus (ICO M) estabelece padrões mínimos no básicas definidas na sua missão. O museu e o seu acervo devemseu Código de Ética. Estes são utilizados aqui para indicar o nível estar disponíveis a todos, a horas razoáveis e em períodos 6
  • 15. Como Gerir um Museu: Manual PráticoOPapel dos Museus e o Código de Ética Profissionalregulares com as normas apropriadas para assegurar a saúde, pessoal sejam tomadas de acordo com as normas do museu e comsegurança e acessibilidade dos seus visitantes e pessoal. Deverá a legislação vigente.existir considerações especiais na acessibilidade de pessoas comnecessidades específicas. Segurança Ética - Estudo de Caso 1O órgão administrativo deve garantir segurança apropriada paraproteger o acervo do museu contra furtos ou danos, em Du r an t e an o s, p lan eo u o r g an izar u m a exp o sição im p o r t an t e r elacio n ad a co m a su a ár ea m as a f alt a d e f in an ciam en t o sem p r eexposições, mostras, áreas de trabalho ou de armazenamento, ou o im p ed iu d e o f azer . A im p r en sa e a t elevisão f izer amquando em trânsito. Devem existir também políticas para proteger p u b licid ad e ao f act o d e n ecessit ar d e u m p at r o cin ad o r . Par a su ao público, funcionários, acervo e outros equipamentos, contra su r p r esa, u m a g r an d e em p r esa escr eve a o f er ecer -se p ar aacidentes causados pela natureza ou pelo homem. su p o r t ar o cu st o t o t al d a exp o sição , m ed ian t e a co n d ição d o seuA abordagem para assegurar ou indemnizar os recursos do museu n o m e ser asso ciad o co m a m esm a, em q u alq u er p u b licid ad e.pode variar. Porém, o órgão administrativo deve garantir que a Vo cê p ar t ilh a est as b o as n o t ícias co m u m co leg a q u e lh e d iz q u ecobertura seja adequada e inclua objectos em trânsito, sob a co m u n id ad e lo cal est á a d ir ig ir u m a cam p an h a co n t r a est aempréstimo e outros que possam estar sob a responsabilidade do em p r esa p o r q u e ela q uer d esen vo lver u m lo cal d e in t er esse cien t íf ico q u e t am b ém é sag r ad o p ar a o s p r im eir o s h ab it an t esmuseu. d a ár ea. Co m o p r o ced e? FinanciamentoÉ da responsabilidade do órgão administrativo assegurar que O director ou coordenador do museu é um posto chave eexistem recursos suficientes para manter e desenvolver as deve ser directamente responsável pelos seus actos e ter acessoactividades museológicas. Estes recursos podem advir do sector directo ao órgão administrativo. O s órgãos administrativos devempúblico, fontes privadas ou gerados pelas próprias actividades levar em consideração o conhecimento e as competênciasmuseológicas. Deve existir uma política definida de prática específicas necessárias para exercer o cargo. Estas qualidadesaceitável para todas as fontes de rendimento. A contabilidade dos devem incluir capacidade intelectual e experiência profissionalrecursos deve ser feita de forma profissional. específica, além de reconhecido comportamento ético. Independentemente da origem do financiamento, o museu É indispensável a admissão de profissionais qualificados, com asdeve manter o controlo sobre o conteúdo e integridade dos seus competências necessárias para responder ao conjunto dasprogramas, exposições e actividades. As actividades desenvolvidas responsabilidades a cargo dos museus. O s profissionais de museuspara gerar receitas, não devem comprometer as normas da devem ter oportunidades de formação permanente e deinstituição ou prejudicar o seu público. actualização profissional. Pessoal Alguns museus incentivam o trabalho voluntário. Nestes casos,O pessoal do museu é um recurso importante. O órgão o órgão administrativo deve ter normas estabelecidas sobre oadministrativo deve assegurar que todas as medidas relativas ao 7
  • 16. Como Gerir um Museu: Manual PráticoOPapel dos Museus e o Código de Ética Profissionaltrabalho voluntário que promovam o bom relacionamento entre objectos, ou quando os objectos ou espécimes foram preparadosos voluntários e os funcionários do museu. O s voluntários devem para manuseamento com fins pedagógicos.conhecer o Código de Ética do ICO M, assim como a legislação e A aquisição de objectos ou espécimes não mencionados naos regulamentos vigentes. política estabelecida do museu só deve ser feita em circunstâncias O órgão administrativo nunca deve exigir aos profissionais de excepcionais. Caso isto aconteça, o órgão administrativo devemuseus que ajam de maneira conflituante com as disposições da atender às recomendações profissionais disponíveis e à opinião delegislação nacional ou com outro código de ética profissional. todas as partes interessadas. Estas recomendações deverão abranger a importância dos objectos ou espécimes para o A quisição e Manutenção do Acervo património cultural ou natural, assim como o interesse de outros Política de Aquisições museus em coleccionar tais materiais. Mesmo nestasO s museus têm a responsabilidade de adquirir, preservar e circunstâncias, não devem ser adquiridos objectos sem título depromover o seu acervo. Este acervo constitui um património propriedade válido.público significativo que envolve o conceito de confiança pública. PropriedadeO órgão administrativo deve adoptar e divulgar uma declaração Nenhum objecto ou espécimen deve ser adquirido por compra,escrita sobre a política aplicada à aquisição, preservação e doação, empréstimo, legado ou troca, sem que o museuutilização do acervo. A política também deve esclarecer a situação comprove a validade do seu título de propriedade. Um atestadode qualquer material que não está registado, conservado ou ou um título de propriedade legal reconhecido em determinadoexposto. Por exemplo, podem existir certos tipos de colecções de país não é necessariamente um título de propriedade válido paratrabalho, em que é dada ênfase à preservação de processos os museus. Sendo assim, deverão ser feitos todos os esforços,culturais, científicos ou técnicos, ao invés dos próprios antes da aquisição, para garantir que qualquer objecto ou espécimen não tenha sido obtido ou exportado ilegalmente do seu país de origem ou de qualquer país intermediário, no qual possaÉtica - Estudo de Caso 2 ter sido adquirido legalmente (incluindo o próprio país doEst á a t en t ar r eu n ir u m a co lecção r ep r esen t at iva d a su a ár ea. museu). A obrigação de diligência deverá restabelecer o historialExist em alg u m as lacu n as q u e n ecessit am d e ser p r een ch id as. completo do bem desde a sua descoberta ou produção.Tam b ém t em vár io s esp écim es d o m esm o t ip o q u e f o r am Informação Relacionadao f er ecid o s ao m u seu , em b o r a est ejam asso ciad o s d e o u t r a f o r m a O contexto e associações de um objecto ou espécimen tambémco m p esso as, lo cais e o u t r o s m at er iais. Exist e u m co leccio n ad o r são muito importantes uma vez que providenciam informação quelo cal q u e t em d o is it en s q u e aju d ar iam a co m p let ar a su a aumenta em grande parte o conhecimento do item. Por estaco lecção e ele o f er ece-se p ar a t r o car est es it en s p o r aq u eles q u evo cê t em , d o m esm o t ip o . O q u e f az? razão, os museus não devem adquirir bens quando existam indícios de que a sua obtenção envolveu destruição ou deterioração não autorizada, não cientifica ou intencional de monumentos antigos, locais arqueológicos, geológicos, espécimes 8
  • 17. Como Gerir um Museu: Manual PráticoOPapel dos Museus e o Código de Ética Profissionalou habitats naturais. Da mesma forma, a aquisição não deve Q uando existirem poderes legais que permitam a cedência ouocorrer sem que as autoridades legais ou governamentais e o remoção de um objecto ou espécimen do acervo do museu, sóproprietário da terra, estejam cientes da descoberta. De igual deve ser feito com pleno conhecimento da importância domodo, não devem ser adquiridos espécimes biológicos ou mesmo, do seu estado (recuperável ou não, situação legal) e dageológicos recolhidos, vendidos ou transferidos em desacordo repercussão de perda de confiança pública que poderá resultar decom a legislação ou tratados locais, nacionais, regionais ou tal acção. A decisão de cedência deve ser da responsabilidade dointernacionais relativos à protecção das espécies ou conservação órgão administrativo, em conjunto com o director do museu e oda natureza. curador do acervo em questão. Por vezes, o museu poderá ter que agir como depositário No caso de acervo sujeito a condições especiais de cedência,autorizado de espécimes ou objectos sem proveniência certificada, devem ser integralmente cumpridos os requisitos e osilicitamente reunidos ou recuperados em território sob a sua procedimentos estabelecidos. Q uando a aquisição inicial foijurisdição. Só o deverá fazer com a aprovação total necessária da compulsória ou feita em condições especiais, estes requisitosautoridade administrativa. devem ser observados excepto quando o seu atendimento seja M aterial “Sensível” impossível ou prejudicial à instituição. Se for este o caso, aÉ preciso cuidado ao adquirir certos objectos ou espécimes, nos autorização deve ser obtida de acordo com os procedimentosquais possam existir sensibilidades particulares, cultural ou legais adequados.biologicamente. O acervo de restos mortais e material de carácter A política do museu sobre cedência deve estabelecer ossagrado só devem ser adquiridos caso possam ser preservados em métodos autorizados para o abatimento definitivo de um objectosegurança e tratados com respeito. Deverá ser feito de acordo do acervo, quer seja por meio de doação, transferência, troca,com os padrões profissionais, resguardando os interesses e venda, repatriação ou destruição, que permita a transferência deconvicções das comunidades, grupos religiosos e étnicos dos quais propriedade sem restrições para a entidade beneficiária. O acervoos objectos, quando conhecido, originam. Devem ser tomados do museu é um bem público e não pode ser considerado comocuidados especiais em relação ao ambiente natural e social dos um activo financeiro. O dinheiro ou compensação recebidos pelaquais originam espécimes botânicos e zoológicos vivos, assim cedência ou transferência de objectos e espécimes de um acervocomo em relação à legislação ou tratados locais, nacionais, do museu devem ser utilizados apenas, para benefício da colecçãoregionais ou internacionais relativos à protecção das espécies ou e principalmente em aquisições para a mesma.conservação da natureza. Devem ser mantidos registos completos de todo o processo de Abatimento no Inventário de Objectos e Espécimes do Acervo do cedência, dos objectos envolvidos e do seu destino. M useu Normalmente, todo o item cedido, deve ser preliminarmenteA natureza permanente do acervo do museu e a dependência do oferecido a outro museu.benefício privado para formar colecções torna qualquer remoção Conflitos de Interessede um item, um assunto sério. Por isso, muitos museus não têm É necessário avaliar cuidadosamente qualquer oferta de bens,poderes legais para dispor de espécimes. tanto para venda, doação ou outra forma de cessão que permita 9
  • 18. Como Gerir um Museu: Manual PráticoOPapel dos Museus e o Código de Ética Profissionalincentivo fiscal, por parte de membros do órgão administrativo, Conservação Preventivaprofissionais de museu, suas famílias ou pessoas vinculadas. Não A conservação preventiva é um elemento importante na políticadeve ser permitido a estas pessoas adquirirem objectos que de preservação do acervo do museu. A principal responsabilidadetenham sido abatidos ao acervo pelo qual eles eram responsáveis. dos profissionais de museus, é prover e manter um ambiente As políticas do museu devem assegurar que as colecções adequado para a preservação do acervo ao seu cuidado, quer este(permanentes e temporárias) e a informação relacionada, sejam esteja em reserva, exposto ou em trânsito.devidamente registadas e estejam disponíveis para utilização Conservação e Restaurocorrente e possam ser transmitidas às gerações vindouras, nas O museu deve monitorizar cuidadosamente o estado demelhores condições possíveis, levando em consideração o conservação do acervo para determinar quando um objecto ouconhecimento e recursos actuais disponíveis. A responsabilidade espécimen necessita de trabalho de conservação/ restauro e dosprofissional que envolve a preservação das colecções deve ser serviços especializados do conservador/ restaurador. O objectivoatribuída a pessoas com conhecimento e competências primordial deverá ser a estabilização do objecto ou espécimen.compatíveis, ou que sejam supervisionados de forma adequada. Todos os procedimentos relacionados com a conservação devem Documentação do Acervo ser documentados e reversíveis, e todos os elementos adicionados,A importância da informação relacionada com o acervo do museu bem como as alterações físicas ou genéticas devem estarrequer a sua documentação em conformidade com os padrões perfeitamente identificáveis no objecto ou espécimen original.profissionais. Isto deve incluir uma identificação e descrição Bem-estar de Animais Vivoscompleta de cada item, contexto, proveniência, estado de Q ualquer museu que mantenha animais vivos tem que assumir aconservação, tratamento e localização actual. Estes registos devem total responsabilidade pela saúde e bem-estar deles. O museuser mantidos em ambiente seguro e apoiados por sistemas de deve elaborar e implementar um código de segurança pararecuperação que permitam o acesso à informação pelos protecção do pessoal e dos visitantes, assim como dos própriosfuncionários do museu e outros utilizadores habilitados. O museu animais, aprovado por um especialista na área veterinária.deve tomar cuidado para evitar a revelação de informações Q ualquer modificação genética deve estar claramente identificada.pessoais delicadas ou outras, relacionadas com assuntos U tilização Pessoal do Acervo do Museuconfidenciais, quando os dados do acervo são disponibilizados ao Não deve ser permitido aos profissionais de museus, órgãopúblico. administrativo, famílias, pessoas vinculadas ou outros de se Prevenção de Acidentes apropriarem de bens do acervo do museu, para utilização pessoal,A natureza do acervo do museu exige que todos os museus mesmo que temporariamente.desenvolvam políticas para assegurar a protecção do acervo emcaso de conflito armado e de emergência e de outros acidentes Interpretar, Disponibilizar e Aprofundar o Conhecimentocausados pela natureza ou pelo homem. Referência Primária O s museus asseguram a referência primária em vários campos. Têm responsabilidades específicas com a sociedade, em 10
  • 19. Como Gerir um Museu: Manual PráticoOPapel dos Museus e o Código de Ética Profissionalconsequência da tutela, disponibilidade e interpretação do Recolha Excepcional de Referências Primáriasmaterial contido no seu acervo. Em casos muito excepcionais, um bem sem proveniência A política do acervo do museu deve salientar a importância do determinada pode ter um valor intrínseco tão importante para oacervo como fonte primária de informação. Deve evitar-se que conhecimento que seja de interesse público preservá-lo. A decisãoisto seja definido pelas tendências intelectuais circunstanciais ou de aceitar um bem desta natureza no acervo do museu deve serpela rotina do museu. tomada por especialistas no assunto em questão, sem preconceitos Disponibilidade nacionais ou internacionais.O s museus têm a responsabilidade de dar pleno acesso ao seu Investigaçãoacervo e às informações existentes, na medida dos possíveis, A investigação em material de fontes primárias efectuadas pelosrespeitando as restrições por razões confidenciais ou de segurança. profissionais de museu deve estar relacionadas com os propósitos e objectivos do mesmo, além de obedecer às normas legislativas, éticas e académicas.Ética - Estudo de Caso 3 O casionalmente, a investigação envolve técnicas analíticas destrutivas. Estas devem ser empreendidas ao mínimo. Q uandoTem p esq u isad o so b r e um t ó p ico r elacio n ad o co m o seu acer voq u e even t u alm en t e p r o vid en ciar á a b ase p ar a a exp o sição empreendidas, uma documentação completa do materialp r in cip al. Alg u n s d o s seu s ach ad o s p r o v id en ciam n o vas analisado, incluindo os resultados da análise e da pesquisar ef er ên cias, q u e p r o vavelm en t e ir ão at r air u m a p u b licid ad e efectuada, deve integrar o registo permanente do objecto.co n sid er ável p ela exp o sição . An t es q u e t en h a a o p o r t u n id ad e A investigação que envolva despojos humanos e material comp ar a p ub licar o seu t r ab alh o o u p r ep ar ar a exp o sição , u m significado sagrado deve ser realizada de acordo com os padrõesf in alist a em d o u t o r am en t o t elef o n a-lh e p ar a est ud ar o m esm oacer vo . Qu ais as in f o r m açõ es q u e lh e ir á d isp o n ib ilizar ? profissionais, tendo em consideração os interesses e as convicções da comunidade, grupos étnicos ou religiosos dos quais os objectos originam, sempre que isto for conhecido. Recolha de Campo Reserva de D ireitos de InvestigaçãoSe os museus empreenderem a sua própria recolha de campo, Q uando os profissionais de museu preparam material para umadevem desenvolver políticas consistentes com os padrões exposição ou para documentar a recolha de campo deve existiracadémicos e nacionais e direitos internacionais e obrigações de um acordo claro com o museu patrocinador sobre todos ostratado aplicáveis. direitos relativos ao trabalho realizado. O s trabalhos de campo só devem ser empreendidos com o Cooperação entre as Instituições e o Pessoaldevido respeito e consideração pelas comunidades locais, seus O s profissionais de museu devem reconhecer e apoiar arecursos ambientais, práticas culturais e esforços para valorizar o necessidade de cooperação e intercâmbio entre instituições compatrimónio natural e cultural. interesses e políticas de aquisição similares. Principalmente com instituições de ensino superior e serviços públicos, em que a 11
  • 20. Como Gerir um Museu: Manual PráticoOPapel dos Museus e o Código de Ética Profissionalinvestigação possa gerar acervos importantes, mas onde para os As informações apresentadas nas mostras e exposições devemquais não exista condições de segurança a longo prazo. estar bem fundamentadas, serem precisas e também levar em O s profissionais de museu também têm a obrigação de consideração, com responsabilidade, os grupos ou convicçõespartilhar os seus conhecimentos e experiências relevantes com representadas.colegas, eruditos e estudantes. Devem respeitar e reconhecer O acervo de despojos humanos e material com significadoaqueles com os quais aprenderam e devem transmitir os avanços sagrado deve ser exposto em conformidade com os padrõestécnicos e experiências que possam ser úteis a outros. profissionais e levando em consideração, quando conhecidos, os interesses e as convicções da comunidade, grupos étnicos ou Valorização e Divulgação do Património Natural e Cultural religiosos, dos quais os objectos originam. Este material deve serO s museus têm o importante dever de promover o seu papel exposto com bastante cuidado e respeito, sem ferir a dignidadeeducativo e atrair maiores audiências da comunidade, localidade humana de quaisquer povos. A solicitação para a retirada desteou grupo que representa. A interacção com a comunidade e a material da exposição pública, deve ser tratada com respeito epromoção do seu património fazem parte do papel educativo dos sensibilidade. As solicitações de devolução deste material deverãomuseus. ser tratadas da mesma forma. As políticas do museu devem M ostras e Exposições definir claramente os procedimentos para atender a estasAs mostras e exposições temporárias, físicas ou por meio solicitações.electrónico, devem estar em conformidade com a missão, política Exposição de M aterial sem Proveniênciae objectivos do museu. Não devem comprometer a qualidade, a O s museus devem evitar mostrar ou utilizar material de origempreservação e ou a conservação do acervo. questionável ou sem proveniência definida. Devem estar cientes que a exposição ou utilização deste material pode ser considerada como uma forma de incitamento ao tráfico ilícito de bensÉtica - Estudo de Caso 4 culturais. Publicação e ReproduçõesUm co leccio n ad o r lo cal t em u m a d as m elh o r es co lecçõ esp r ivad as d e m at er ial r elacio n ad o co m a su a ár ea, ap esar d e ele A informação publicada pelos museus, seja qual for o meio, devet er p er sp ect ivas n ão o r t o d o xas so b r e o m esm o . Vo cê m an t eve ser bem fundamentada, precisa e deve levar em consideração osb o as r elaçõ es co m ele n a exp ect at iva d e q u e o seu m u seu p o ssa assuntos académicos, sociedades ou convicções apresentadas. Asb en ef iciar co m isso . Cer t o d ia ele o f er ece-se p ar a em p r est ar a publicações do museu não devem comprometer os padrõessu a co lecção p ar a u m a exp o sição t em p o r ár ia, ao en car g o d o institucionais.m u seu , m ed ian t e d u as co n d içõ es: Qu e a exp o sição só exp o n h a O s museus devem respeitar a integridade do original aquandom at er ial d a sua co lecção e q u e ele ser á o r esp o n sável p o r t o d o o de cópias, réplicas, ou reproduções de peças do acervo utilizadasco n t eú d o d a et iq u et a e d a p u b licação . Vo cê aceit a a o f er t a? na exposição. Todas as cópias devem ser devidamente identificadas e permanentemente marcadas como fac-símiles. 12
  • 21. Como Gerir um Museu: Manual PráticoOPapel dos Museus e o Código de Ética Profissional Serviço Público e Benefício Público CooperaçãoO s museus utilizam uma vasta variedade de especializações, O s museus devem promover a partilha de conhecimentos,capacidades e recursos materiais que têm uma aplicação muito documentação e acervos com museus e organizações culturais dosmais vasta do que no próprio museu. Isto permite aos museus países e comunidades das quais os acervos originam. Apartilhar e prestar outros serviços públicos como actividades de possibilidade de desenvolver parcerias com museus em países ouextensão do museu. Estes serviços devem ser organizados de áreas que tenham perdido uma parte significante do seuforma a não comprometer a missão do museu. património, deve ser avaliada. Identificação dos Objectos e Espécimes D evolução de Bens CulturaisO s museus prestam frequentemente serviços de identificação ou O s museus devem estar preparados para iniciar o diálogo sobre ade opinião para o público. É necessário ter cuidado para assegurar devolução de bens culturais aos países ou povos de origem. Istoque o museu ou o indivíduo não procede de forma a poder ser deve ser feito de forma imparcial, baseado preferencialmente emacusado de tirar proveito, directa ou indirectamente, de tal princípios científicos, profissionais e humanitários, assim como naactividade. A identificação e a autenticação de objectos que se legislação local, nacional e internacional aplicável, ao invés deconsidere ou suspeite terem sido adquiridos, transferidos, acções governamentais ou políticas.importados ou exportados ilegal ou ilicitamente, não devem ser Restituição do Património Culturaldivulgadas até que as autoridades competentes sejam notificadas. Um país ou povo de origem, pode querer a restituição de um Autenticação e Valorização (Avaliação) objecto ou espécimen, que se prove ter sido exportado ouPodem ser feitas avaliações do acervo do museu para propósitos transferido em violação dos princípios estabelecidos nasde seguro ou indemnização. As informações sobre o valor convenções internacionais e nacionais. Desde que se possamonetário de outros objectos só podem ser fornecidas mediante comprovar que o património cultural ou natural faz parte daquelerequisição formal de outros museus ou de autoridades públicas ou país ou povo, o museu envolvido deve, se for legalmenteoutras governamentais legalmente competentes. autorizado, tomar as providências necessárias para cooperar na No entanto, caso o museu seja o beneficiário, a avaliação do sua restituição.objecto ou espécimen deve ser feita através de consultoria O bjectos Culturais de Países Ocupadosindependente. O s museus devem abster-se de comprar ou adquirir objectos culturais de um território ocupado. Devem respeitar Trabalhar com as Comunidades integralmente, toda a legislação e convenções que regulam aO acervo do museu reflecte o património cultural e natural das importação, exportação e transferência de materiais culturais oucomunidades da qual provem. Como tal, poderá ter um valor que naturais.vai além da propriedade comum e que pode envolver fortes Comunidades Contemporâneasafinidades com a identidade local, regional, nacional, étnica, As actividades museológicas envolvem frequentemente, umareligiosa ou política. É por isso, importante que a política do comunidade contemporânea e o seu património. As aquisições sómuseu leve em consideração estas responsabilidades. devem ser feitas de comum acordo, sem exploração do 13
  • 22. Como Gerir um Museu: Manual PráticoOPapel dos Museus e o Código de Ética Profissionalproprietário ou informante. O respeito pelo desejo da internacional, utilizada como referência na interpretação docomunidade envolvida deve prevalecer. Código de Ética do ICO M: A utilização do acervo de comunidades contemporâneas Convenção para a Protecção do Património Cultural emrequer respeito pela dignidade humana e pelas tradições e culturas caso de Conflito Armado (Convenção de Haia), 1 9 5 4 ,que o utilizam. Este acervo deve ser utilizado para promover o Protocolo [actualmente Primeiro Protocolo], 1 9 5 4 ebem-estar humano, desenvolvimento social, tolerância e respeito Segundo Protocolo, 1 9 9 9 ;pela defesa da expressão multisocial, multicultural e multilingue. Convenção sobre os Meios para Proibir e Prevenir a Financiamento dos Serviços Comunitários Importação, Exportação e Transferência Ilícita de BensA procura de recursos para o desenvolvimento de actividades que Culturais (1 9 7 0 ), UNESCO ;envolvam as comunidades contemporâneas deve assegurar que os Convenção para o Comércio Internacional de Espécies emseus interesses não são prejudicados pelas potenciais associações Extinção da Fauna e Flora Selvagem (1 9 7 3 );de patrocinadores. Convenção para a Diversidade Biológica (1 9 9 2 ), O NU; Apoio das Organizações da Comunidade Convenção para os Bens Culturais Roubados e ExportadosO s museus devem criar condições favoráveis para receber apoio Ilegalmente (1 9 9 5 ), UNIDRO IT;comunitário (por exemplo, associações de Amigos do Museu e Convenção para a Protecção do Património Culturaloutras organizações de apoio). Devem reconhecer a importância Subaquático (2 0 0 1 ), UNESCO ;desta contribuição e incentivar uma relação harmoniosa entre a Convenção para a Protecção do Património Culturalcomunidade e os profissionais de museus. Intangível (2 0 0 3 ), UNESCO . L egislação ProfissionalismoO s museus devem funcionar de acordo com a legislação O s profissionais de museus devem cumprir as normas e ainternacional, regional, nacional ou local e obrigações de tratado legislação vigente, manter a dignidade e honrar a sua profissão.do seu país. Para além disso, o órgão administrativo deve cumprir Devem salvaguardar o público contra comportamentoscom todas as responsabilidades legais ou quaisquer condições profissionais ilegais e condutas pouco éticas. Devem aproveitarrelativas aos vários aspectos, funcionamento e acervo do museu. todas as oportunidades para educar e informar o público sobre os Legislação Local e Nacional objectivos, propósitos e aspirações da profissão, a fim deO s museus devem atender à legislação nacional e local e respeitar desenvolver uma melhor compreensão pública sobre aas normas de outros países, sempre que estas interfiram com o seu contribuição dos museus para a sociedade.funcionamento. Familiaridade com a Legislação Vigente Legislação Internacional Todos os profissionais de museu devem estar familiarizados com aA ratificação da legislação internacional varia entre os países. No legislação internacional, nacional e local vigente e com asentanto, a política do museu deve reconhecer a seguinte legislação condições de prestação de serviços. Devem evitar situações que possam ser interpretadas como condutas impróprias. 14
  • 23. Como Gerir um Museu: Manual PráticoOPapel dos Museus e o Código de Ética Profissional Responsabilidade Profissional O princípio de confidencialidade está sujeito ao dever legal deO s profissionais de museu têm a obrigação de seguir as políticas e apoiar a polícia ou outras autoridades competentes naas normas da instituição empregadora. No entanto, podem investigação de bens suspeitos de roubo, aquisição ouperfeitamente opor-se às práticas que pareçam prejudiciais ao transferência ilegal.museu, à profissão e à ética profissional. Independência Pessoal Conduta Profissional Ainda que um profissional tenha direito à independência pessoal,A lealdade aos colegas e ao museu empregador é uma deve reconhecer que nenhum negócio ou interesse profissionalresponsabilidade profissional importante e deve basear-se na privado podem estar completamente desvinculados da instituiçãofidelidade aos princípios éticos fundamentais aplicáveis à profissão empregadora.como um todo. Devem obedecer ao disposto no Código de Ética Relações Profissionaisdo ICO M e conhecer os códigos e políticas aplicáveis ao trabalho O s profissionais de museus estabelecem relações de trabalho comem museus. numerosas pessoas dentro e fora do museu no qual trabalham. Responsabilidades Académicas e Científicas Espera-se que prestem os seus serviços profissionais de formaO s profissionais de museus devem desenvolver a investigação, eficiente e eficaz.preservação e utilização das informações referentes ao acervo. Por Consulta Profissionalisso, devem evitar executar qualquer actividade ou envolverem-se É responsabilidade profissional consultar outros colegas dentro ouem circunstâncias que possam resultar em perdas de informações fora do museu, quando o conhecimento disponível no museu foracadémicas e científicas. insuficiente para assegurar uma tomada de decisão eficaz. Tráfico e Comércio Ilícito Presentes, Favores, Empréstimos ou Outros Benefícios PessoaisO s profissionais de museus não devem apoiar, directa ou O s profissionais de museus não devem aceitar presentes, favores,indirectamente, o tráfico ou comércio ilícito de bens naturais e empréstimos ou outros benefícios pessoais que possam ser-lhesculturais. oferecidos devido às funções que desempenham no museu. Confidencialidade O casionalmente, pode ocorrer a doação ou recebimento deO s profissionais de museus devem manter sigilo sobre informação presentes por cortesia profissional mas isto deve ocorrer sempreconfidencial obtida em função do seu trabalho. As informações em nome da instituição envolvida.sobre bens levados ao museu para identificação são confidenciais e Empregos Externos ou Interesse em Negóciosnão devem ser divulgadas ou transmitidas a qualquer pessoa ou O s profissionais de museus, apesar de terem direito a uma relativainstituição sem a expressa autorização do proprietário. As independência pessoal, devem estar cientes que nenhum negócioinformações sobre o sistema de segurança do museu ou de privado ou interesse particular, pode estar completamentecolecções privadas e locais reservados, conhecidos no separado da instituição empregadora. Não devem ter outrodesempenho dos deveres oficiais, devem ser mantidos em sigilo emprego remunerado ou aceitar comissões externas que sejam, ouabsoluto. possam ser consideradas, incompatíveis com os interesses do museu. 15
  • 24. Como Gerir um Museu: Manual PráticoOPapel dos Museus e o Código de Ética Profissional Comércio de Património Natural ou Cultural O utros Conflitos de InteresseO s profissionais de museus não devem participar directa ou Na eventualidade da ocorrência de conflitos de interesse entre umindirectamente no comércio (compra ou venda visando lucro), de indivíduo e o museu, os interesses do museu devem prevalecer.património natural ou cultural. Utilização do Nome e Logótipo do ICOM Relações com Comerciantes O s membros do ICO M não podem utilizar a denominaçãoO s profissionais de museus não devem aceitar qualquer presente, “Conselho Internacional de Museus”, “ICO M” ou o seu logótipohospitalidade, ou qualquer outra forma de recompensa, por parte para promover ou apoiar qualquer actividade ou produto com finsdo comerciante, leiloeiro, ou outra pessoa como indução à lucrativos.compra ou alienação de bens do museu, ou para efectuar ouevitar uma acção judicial. Além disso, os profissionais de museus Resumonão devem recomendar comerciantes, leiloeiros, ou avaliadores O s museus têm um papel activo e múltiplo na sociedade.específicos a pessoas físicas. A diversidade da provisão tem um propósito comum: a preservação da memória colectiva da sociedade expressa através do património cultural e natural, tangível e intangível. NoÉtica - Estudo de Caso 5 entanto, para o fazer, só fará sentido se estiver associado à acessibilidade e interpretação dessa memória. Desta forma, osVo cê é esp ecializad o n o assu n t o e o seu m u seu in cen t iva o museus possibilitam a partilha, avaliação e compreensão do nossop esso al p ar a p ub licar d o cu m en t o s acad ém ico s. Um a g aler ia património.co m er cial, d a q u al o seu m u seu o casio n alm en t e co m p r a m at er ialb em d o cu m en t ad o p ar a o acer vo , est á act u alm en t e a o r g an izar O s responsáveis pelos museus e os que se preocupam emu m a exp o sição d e p r est íg io so b r e a su a ár ea. O d ir ect o r d a providenciar todos os aspectos relacionados com o museu, têmg aler ia co n vid a-o p ar a escr ever a in t r o d u ção p ar a o cat álo g o d a uma responsabilidade pública. Isto deve condicionar o seuexp o sição . Qu an d o vo cê vê a list a d o s b en s in clu íd o s n a comportamento, uma vez que essa responsabilidade não se limitaexp o sição , n o t a q u e alg un s n ão t êm p r o ven iên cia cer t if icad a e necessariamente, às questões administrativas, políticas ouvo cê su sp eit a q u e p o ssam t er sid o o b t id o s ileg alm en t e. Vo cê académicas. O Código de Ética do ICO M estabelece padrõesaceit a o co n vit e? mínimos que podem ser considerados como uma expectativa pública razoável e com a qual os praticantes do museu podem avaliar o seu desempenho. Colecções PrivadasO s profissionais de museus não devem competir com a suainstituição na aquisição de bens ou em qualquer actividade decolecta pessoal. No caso de actividades privadas de colecta, oórgão administrativo e o profissional de museu devem estabelecercompromissos que devem ser cumpridos escrupulosamente. 16
  • 25. Gestão do Acervo N icola Ladkin Professor Adjunto, Texas Tech University, Lubbock, TexasDa mesma forma que a gestão do museu é de importância vital acervo, e registo de dados, e em que medida o acervo apoia apara o desenvolvimento e organização de cada museu, também a missão e propósito do museu.gestão do acervo é vital para o desenvolvimento, organização e O termo “gestão do acervo” também é utilizado parapreservação do acervo que cada museu alberga. Embora as descrever as actividades específicas empreendidas pelo processocolecções do museu posam diferenciar-se uma das outras, em administrativo.conteúdo, partilham outras características semelhantes. Tod ascontêm inúmeros objectos individuais, vários tipos de objectos, Introdução à Gestão do Acervoespécimes, artes, documentos e artefactos, todos representativosdo “património natural, cultural e científico” (Código de Ética Quadro 1: Três elementos chave inter-relacionados com a gestão dopara Museus do ICO M, 2 0 0 4 ). Especificamente, muitas das acervo:colecções do museu são grandes e complicadas. Este capítulo é O registo do acervo p r o vid en cia u m a lin h a d e b ase p ar a auma introdução ao desenvolvimento da melhor prática r esp o n sab ilid ad e in st it u cio n al p ar a o s m u it o s e v ar iad o s o b ject o s, ar t ef act o s, esp écim es, am o st r as e d o cu m en t o s q u e o m u seuprofissional, organização e preservação do acervo, com o g u ar d a co m co n f ian ça p ar a as g er açõ es act u ais e f u t u r as d aobjectivo de assegurar que o acervo é gerido e preservado, de h u m an id ad e.forma correcta. A preservação do acervo é u m asp ect o act ivo im p o r t an t e n a g est ão A gestão do acervo é o termo aplicado aos vários métodos d o acer vo in ser id o so b t o d as as o ut r as act ivid ad es m u seo ló g icas.legais, éticos, técnicos e práticos pelos quais as colecções do O acesso controlado ao acervo p ar a ef eit o s d e exp o sição o umuseu são formadas, organizadas, recolhidas, interpretadas e in vest ig ação , p r een ch e a m issão d o m u seu n a ed u cação epreservadas. A gestão do acervo foca-se na preservação das in t er p r et ação ao m esm o t em p o q u e p r o t eg e o acer vo . A in scr ição , p r eser vação e acesso em it id as p o r escr it o t am b ém p o d em sercolecções, preocupando-se pelo seu bem-estar físico e segurança, u t ilizad as p ar a p r o vid en ciar u m a est r ut u r a p ar a a p o lít ica d ea longo prazo. Preocupa-se com a preservação e a utilização do g est ão d o acer vo . 17
  • 26. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do Acervo Uma gestão de acervo eficaz, é essencial para assegurar que o caso ainda não estejam definidos. Nesta fase, todos osacervo apoia a missão do museu. Isto também é vital para ter a profissionais de museu devem ser convidados a contribuir. Amaior parte dos (sempre limitados) recursos de tempo, dinheiro, política deve ser escrita de forma clara, de modo a ser um guiaequipamento, materiais, espaço físico e pessoal. De igual modo, a útil para o pessoal e o público. Tem que avaliar as necessidadesgestão do acervo requer uma politica e procedimentos do acervo em relação aos principais objectivos do museu.estabelecidos, claros e definidos que definam as actividades e Também deve incluir providências para revisão e actualizaçãotomadas de decisão quotidianas. periódica. Política de Gestão do Acervo A política de gestão do acervo pode englobar vários assuntosPara que a gestão de colecções tenha sucesso, as decisões sobre o sobre a gestão do acervo que podem ser especificamenteacervo do museu devem ser sempre tomadas de modo consistente escolhidos e documentados para se adaptarem às necessidades doe após consideração cuidadosa. Uma tomada de decisão eficaz seu museu. No entanto, devem ser abordados determinadosfundamenta-se numa política eficaz. Por essa razão, o documento assuntos fundamentais. Como referido no Q uadro 1 , estesmais importante do acervo do museu é a Política de Gestão do assuntos podem agrupar-se em registo de inscrição, preservaçãoAcervo. Baseada na declaração de missão do museu e noutros do acervo e acessibilidade ao acervo.documentos de políticas fundamentais, o propósito e objectivo do O Q uadro 2 , contém um exemplo de uma Política de Gestãomuseu são estabelecidos pelo tipo de acervo, investigação e do Acervo, para o acervo típico de um museu. A maior parte dospreservação do acervo. Uma vez documentada, a política de assuntos listados são discutidos mais à frente, detalhadamente,gestão do acervo serve como guia prático para o pessoal do neste capítulo, assim como os vários pontos que podem sermuseu e como documento público que explica como o museu incluídos em cada assunto da sua política de gestão do acervo.assume a responsabilidade pelo acervo ao seu cuidado. Também são disponibilizados documentos para procedimentos. A Política de Gestão do Acervo é considerado um documento Estes comentários referem os pontos mais básicos e gerais, mastão importante, que tem a sua própria secção no Código de Ética poderá incluir qualquer informação adicional ou necessária e útilpara Museus do ICO M, em que declara que o órgão às circunstâncias particulares do seu próprio museu e do seuadministrativo de cada museu deve adoptar e editar uma política acervo.do acervo redigida, que defina a aquisição, preservação e A importância do museu, com uma missão e um objectivoutilização do acervo. Sendo assim, ter uma política de gestão do claramente definido e a aderência a um Código de Éticaacervo é uma responsabilidade de ética profissional. reconhecido são ambas acentuadas nos capítulos anteriores. Claro D esenvolver a política de gestão do acervo que estes documentos são de importância vital na perspectiva daAntes de começar a desenvolver uma política de gestão do gestão do acervo ao influenciarem directamente, a composição doacervo, devem ser levados em consideração e incorporados vários acervo e ao afectarem a sua gestão e utilização. A política defactores. Desenvolver e delinear a política é uma oportunidade gestão do acervo, em conjunto com as declarações fundamentaispara rever e estabelecer os objectivos do museu e como os atingir, de políticas relacionadas como a documentação, conservação 18
  • 27. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do AcervoQuadro 2: Delinear a Política de Gestão do Acervo: Tabela de Sugestão do ÍndiceMissão e Ob ject ivo d o Mu seu Fo t o g r af iaCó d ig o d e Ét ica Pr even ção d e Acid en t esIn scr ição Seg u r oAq u isição e In co r p o r ação Acessib ilid ad e ao Acer voTít u lo d e Pr o p r ied ad e Válid o , Pr o ven iên cia e Ob r ig ação d e Seg u r an çaDilig ên cia Exp o siçõ esMat er iais “Sen síveis” e Pr o t eg id o s Co n t r o lo d o Am b ien t e Ad eq u ad oAvaliação e Au t en t icação Mo n it o r ização d o Acer vo em Exp o siçãoAb at im en t o e Ced ên cia Mat er iais d e Exp o sição Ap r o p r iad o sDevo lu ção e Rest it u ição Em b alag em e Tr an sp o r t eCat alo g ação , Nu m er ação e Id en t if icação In vest ig açãoIn ven t ár io Reco lh a d e Cam p oEm p r ést im o s Am b ien t e In t er n oRelat ó r io so b r e o Est ad o d e Co n ser vação e Glo ssár io /Pad r õ es Er u d it o s e In vest ig ad o r es Visit an t esDo cu m en t ação An álise Dest r u t ivaPr eser vação d o Acer vo Co lect a Pesso al e Ut ilização Pesso al d o Acer voAr m azen am en t o d o Acer vo Co n ser vação Pr even t ivaMan u seam en t o e Mo vim en t ação d o Acer vo Co n ser vaçãoExercício 1: Exam in e a t ab ela d e sug est ão d o ín d ice d a p o lít ica d e g est ão d o acer vo , n o q u ad r o acim a. Qu ais o s t ó p ico s p er t in en t es a u t ilizar n oseu m u seu ? Exist e alg u m assu n t o q u e seja ir r elevan t e? Exist e alg o esp ecial n o seu m u seu q u e exija a ad ição d e o u t r o s t ó p ico s? Qu ais ser iam ?Resu m a as su as co n clu sõ es e u t ilize-as co m o esb o ço d a p o lít ica d e g est ão d o acer vo p ar a o seu m u seu .preventiva e prevenção de acidentes, pode existir como apoio directo no desenvolvimento da política de gestão doseparado ou incluído nas secções principais da documentação da acervo. A Secção Dois, intitulada “O s museus que mantêmpolítica geral da instituição, dependendo da preferência do colecções, conservam-nas em benefício da sociedade e do seumuseu. desenvolvimento”, aborda, directamente, os principais elementos O Código de Ética para Museus do ICO M pode proporcionar da gestão do acervo, e faz-lhes referência ao longo do processo de 19
  • 28. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do Acervodesenvolvimento e providenciará muita orientação útil. ter condições ou restrições na sua utilização. O museu também deve providenciar a sua preservação e tratamento a longo prazo. Procedimentos para a G estão do Acervo Sugestões para a Política de AquisiçãoO s procedimentos para a gestão do acervo são as várias (ver também o capítulo sobre Ética)actividades nas quais as políticas de gestão do acervo se A aquisição é o processo de obtenção de um bem ou colecçãoconvertem em acções de gestão específicas. O s procedimentos para o museu. O s objectos podem ser adquiridos de váriassão muito úteis e providenciam a consistência da acção quando formas, por exemplo, através da recolha de campo, doação ouformalizada por documento escrito. legado ou através de transferência de outra instituição. O s procedimentos são necessários para implementar todas as Independentemente de como uma colecção é adquirida,áreas da política. O s assuntos dos procedimentos elaborados mais existem componentes éticos e legais aos quais a aquisição deveúteis, reflectem os assuntos abordados na política de gestão do obedecer. De uma perspectiva ética, o Código de Ética paraacervo. Museus do ICO M especifica que os museus devem adoptar uma Tal como a política de gestão do acervo, os procedimentos política de gestão do acervo documentada, referentes aos aspectospodem ser elaborados para um determinado assunto e éticos da aquisição. A política de aquisição deve abordar assuntosmodificados mediante solicitado para se ajustarem às necessidades como a relevância da colecção para a missão do museu, odo seu museu. perfeccionismo da sua documentação relacionada e os requisitos especiais para materiais cultural e cientificamente “sensíveis”. Inscrição Legalmente, a política de aquisição deve declarar que as aquisiçõesA inscrição do museu está relacionada com as políticas e não devem violar qualquer legislação e tratados locais, estatais,procedimentos pelos quais o acervo é adquirido e formalmente nacionais e internacionais.inscrito, nos registos de entrada da propriedade do museu e como Sugestões para os Procedimentos de Aquisiçãoeste é gerido, localizado e muitas vezes disposto, após o registo (ver também o capítulo sobre D ocumentação)inicial. A incorporação é a aceitação formal de um objecto ou colecção, Aquisição e Incorporação inserido no registo do museu e a sua incorporação no acervo doEstes são os métodos pelos quais o museu obtém o seu acervo. O s museu.métodos mais comuns são através de doação, legado e compra, A incorporação inicia-se com o recibo dos documentos detroca, recolha de campo e quaisquer outros meios pelos quais, o transferência de título. Normalmente, só os objectos adquiridostítulo (propriedade) é transferido para o museu. É muito para as colecções permanentes, são incorporados, ao contrário deimportante que se estabeleçam critérios para determinar o que se outros objectos que o museu possa obter para utilizar comoquer coleccionar. Todas as colecções e itens adquiridos têm que suportes da exposição, programas educativos e outros programaster um título válido, apoiar os objectivos do museu e não devem de apoio ou com fins lucrativos. 20
  • 29. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do Acervo O procedimento de incorporação inicia-se pela atribuição de Abatimento e Cedênciaum número de identificação único, a um objecto ou colecção, à (ver também o capítulo sobre Ética)medida que a sua entrada é registada no museu. Apoiado por um O abatimento é o processo de remoção permanente, de objectossistema comum, este número consiste normalmente numa sigla e acervo do registo do museu e pode ser feito por várias razões,para o museu, a data actual, seguida pelo número consecutivo da para refinar o foco da colecção, para repatriamento de objectos,ordem pela qual a colecção foi recebida, tudo separado por um para remoção de itens não recuperáveis, ou objectos deteriorados,ponto ou por um traço. Por exemplo, a vigésima incorporação em infestados. O s museus existem para benefício público, por isso o2 0 0 4 no Museu Nacional Arqueológico teria o número de abatimento pode ser controverso. Alguns museus estão proibidosincorporação MNA-2 0 0 4 -2 0 . Todos os objectos e de fazer o abatimento ao inventário, através de legislação nacionaldocumentação relativa à incorporação são reunidos e identificados ou através da sua própria política administrativa ou políticascom o número de incorporação para aquela incorporação, em institucionais. No entanto, todos os museus devem ter umparticular. Para mais informação sobre numeração e identificação, processo de decisão e registo legal de todas as disposiçõesver a próxima secção. permissíveis. A documentação do acervo do museu é uma parte vital da A cedência é o acto de remoção de objectos de colecçõesgestão do acervo. O s registos de inscrição são o primeiro passo a abatidos fisicamente no inventário do museu e a sua recolocação,seguir quando uma colecção dá entrada no museu. O s arquivos noutro local. Dependendo da legislação aplicável, as opções dede incorporação contêm todos os documentos relativos a cada cedência podem incluir transferência para outro museu ouincorporação. A organização e identificação dos arquivos podem instituição semelhante para propósitos educativos, destruição físicavariar, dependendo da forma como o museu está organizado e se ou deterioração de objectos e restituição a outro grupo ouutiliza papel, meios electrónicos, ou ambos, nos tipos de registos e pessoas.arquivos. Q ualquer que seja o sistema utilizado, os registos de Catalogação, numeração e identificaçãoincorporação são documentos de elevada importância legal, A catalogação é o processo de identificação, com pormenoresadministrativa e de curadoria que contêm informação sobre o descritivos, de cada objecto do acervo e a atribuição de umdoador ou fonte do acervo, título válido de propriedade, número de identificação único. Todos os objectos de acervoinformação sobre a avaliação do seguro, relatórios sobre o estado permanentes devem ser catalogados. As informações do catálogode conservação, inventários da incorporação que contenham mais devem incluir detalhes descritivos, classificação ou outrado que um objecto, fotografia, seguro e outros documentos identificação, dimensões físicas, proveniência (origem e hist orialpertinentes. Para mais informação sobre a incorporação e outros do objecto em termos de local do achado, propriedade prévia eprocedimentos de documentação, ver o capítulo sobre meios de aquisição), número de incorporação e local deDocumentação. armazenamento. O registo no catálogo também pode incluir uma 21
  • 30. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do AcervoQuadro 3: Conteúdos Possíveis para a Política de Abatimento e Cedência fotografia ou desenho e qualquer outra informação adicional aplicável.1 Declar ação so b r e co m o o ab at im en t o e a ced ên cia são avaliad o s. Numeração e identificação de objectos no acervo2 A au t o r id ad e p ar a ap r o var o ab at im en t o é n o m ead a p o r um co m it é o u g r u p o p ar t icu lar . A numeração e identificação do acervo são o processo de3 Su g est õ es p ar a o Pr o ced im en t o d e Ab at im en t o e Ced ên cia. associação de um número de identificação único a um objecto do4 As acçõ es p ar a o ab at im en t o e ced ên cia d e um o b ject o o u acer vo acervo e identificar ou etiquetar o objecto com esse mesmo b aseiam -se n a Po lít ica d e Gest ão d o Acer vo d o m useu.5 As r azõ es p ar a o ab at im en t o e ced ên cia f azem p ar t e d o s r egist o s d o número. O número pode ser o número da incorporação ou o acer vo e é m an t id a n a cu r ad o r ia. número do catálogo. É feito para que os objectos possam ser6 Os seg u in t es elem en t o s são id en t if icad o s: q uan d o , o n d e, p o r q uem e identificados, individualmente. so b q u e au t o r id ad e o co r r eu o ab at im en t o e a ced ên cia.7 Os r eg ist o s d e ab at im en t o in clu em a avaliação e a just if icação escr it a O método de identificação deve ser permanente de forma que p ar a o ab at im en t o , d at a d o ab at im en t o , in ven t ár io de o número fique permanentemente, e contudo seja reversível de o b ject o s/acer vo ab at id o s e m ét o d o d e ced ên cia. forma que possa ser removido, caso necessário. Isto pode ser feito8 To d o s o s r eg ist o s são m an t id o s p er m an en t em en t e e id en t if icad o s co m o “Ab at id o .” em objectos com superfícies lisas, aplicando uma base de material estável como acetato polivinilico (PVC), escrevendo o número em cima da base, e selando o número com uma capa, depois deQuadro 4: Elaboração da política do Processo de Catalogação secar. Posicione o número num local onde não esconda qualquer1 Os o b ject o s são cat alo g ad o s p ar a o b t er um r egist o d o s seus at r ib ut o s detalhe ou impeça a visão para investigação ou exposição. Nunca f ísico s e p r o ven iên cia (ver t am b ém o cap ít ulo so b r e Do cum en t ação , escreva o número directamente na superfície do objecto. n o m ead am en t e o r esu m o d o sist em a in t er n acio n al d e d escr ição d o o b ject o “Ob ject o ID” ). O s tecidos e outros objectos que não possam ser identificados2 São at r ib u íd o s e ap licad o s n ú m er o s d e id en t if icação d o cat álo go , a directamente, podem ser etiquetados com etiquetas penduradas t o d o s o s o b ject o s. ou rótulos cosidos. O s objectos bidimensionais em molduras3 Se o m u seu g er e, o u est á asso ciad o a escavaçõ es ar q ueo ló gicas e t r ab alh o s d e cam p o sem elh an t es, t o d o s o s esf o r ço s d evem ser podem ter etiquetas penduradas e presas aos ganchos ou arames. r ealizad o s p ar a in t eg r ar o cam p o d e r egist o n a cat alo gação As etiquetas ou rótulos devem ser feitos de material de arquivo e p er m an en t e, p o r exem p lo , u t ilizan d o o s sist em as d e cat alo gação e serem presos de forma a não danificar o objecto. Deve-se ter n u m er ação d e in co r p o r ação , d o m useu.4 Os o b ject o s são sem p r e cat alo g ad o s an t es d e t er em aut o r ização p ar a cuidado para que as etiquetas não se desassociem dos objectos a d eixar o m u seu , p o r em p r ést im o . que pertencem.5 A cat alo g ação é f eit a o m ais r ap id am en t e p o ssível p ar a evit ar a Alguns objectos muito pequenos e frágeis, como moedas, jóias acu m u lação .6 Sem p r e q u e se ver if iq u e u m a acum ulação d e in co r p o r ação e e espécimes de história natural como insectos, não podem ser cat alo g ação , o m u seu d eve elab o r ar e im p lem en t ar um p lan o p ar a marcados directamente ou terem etiquetas agarradas. Estes act u alizar a cat alo g ação , t ão r ap id am en t e q uan t o p o ssível, n um objectos devem ser colocados num recipiente como uma capa, p ad r ão aceit ável. envelope, bandeja, quadro, frasco ou bolsa feitos de material de 22
  • 31. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do Acervoarquivo (ver a secção sobre o armazenamento do acervo, neste colecção. Por outro lado, os empréstimos a instituições educativascapítulo). Assim, o número pode ser marcado directamente no ou públicas permitem aos museus partilhar o seu acervo erecipiente, ou na etiqueta que pode ser colocada dentro do aumentar e apoiar exposições e projectos de investigação comrecipiente com o objecto. A etiqueta dentro do recipiente deve objectivos educativos. Infelizmente, a experiencia comprova queser marcada a lápis em vez de a caneta de tinta, para prevenir a os empréstimos provocam tensão física extra nos objectos devidotransferência acidental da tinta. à sua acumulação, transporte e mais manuseamento do que o O s objectos bidimensionais sem moldura, como fotografias, habitual, e também aumenta os riscos de segurança e outros. Porlivros e documentos podem ser colocados em caixas, pastas ou estas razões é muito importante que a solicitação de empréstimosentre papel ou madeira. O número pode ser escrito a lápis no seja considerada cuidadosamente. Em particular, só os objectos,material incluído. que o conservador/ restaurador especializado experiente considere Alguns museus utilizam a técnica do código de barras para estáveis e sem risco significativo de manipulação adicional emarcar objectos, normalmente em conjunto com o número de transporte, etc., devem ser emprestados.incorporação ou do catálogo. Isto apoia em muito, o processo de A experiência demonstra que podem ocorrer divergências nasinventário. A técnica que produz o número e a etiqueta é condições e termos do empréstimo, por isso é muito importanteobviamente diferente, mas os princípios e procedimentos básicos que os empréstimos sejam completamente documentados dediscutidos acima são os mesmos quando se faz a identificação e forma que o que pede emprestado e o emprestador acordem emetiquetação com código de barras. conjunto, todas as condições do empréstimo. O s registos do Empréstimos empréstimo também devem estar disponíveis de forma que estesO s empréstimos são a remoção temporária ou re-indicação de um possam ser concluídos quando o objecto é devolvido: pode serobjecto ou acervo da sua propriedade ou localização normal. feito através da utilização de um documento de empréstimo O empréstimo de entrada é a solicitação de empréstimo pelo único. Aos acordos e outra documentação para empréstimosmuseu a um emprestador - proprietário ou outro proprietário externos e internos deve ser atribuído um número de empréstimonormal, que pode ser outro museu ou um indivíduo. Envolve a único. No caso de empréstimos internos, este número demudança de local, de objectos e acervo, mas não do título empréstimo pode ser processado e tratado quase da mesma forma(propriedade legal). O empréstimo de saída é o oposto: envolve o que o número de incorporação, enquanto o objecto estiver noempréstimo de acervo a outro museu. Novamente existe uma museu. Toda a documentação relacionada com empréstimosmudança de local, mas não de título. A maior parte da legislação externos e internos anteriores, deve ficar registadaou regulamentos do museu proíbem empréstimos externos a permanentemente no caso de empréstimos externos do acervo, eindivíduos ou entidades privadas, e mesmo quando não existem, durante um longo período de tempo (pelo menos dez anos) , ouestes empréstimos são desencorajados pois o indivíduo pode não permanentemente no caso de empréstimos ao museu.ter capacidades para preservar e manter em segurança um item da 23
  • 32. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do Acervo Relatório sobre o Estado de ConservaçãoQuadro 5: Empréstimos - normas e procedimentos O Relatório sobre o Estado de Conservação é um documentoElab o r ação d a Po lít ica d e Em p r ést im o s composto pela descrição escrita e visual do aspecto do objecto,1 Os em p r ést im o s d est in am -se a in vest igação , ed ucação , exp o sição , estado de preservação e qualquer defeito, a determinada altura. co n ser vação o u in sp ecção , O primeiro relatório sobre o estado de conservação deve ser2 Os em p r ést im o s t êm u m p er ío d o d e t em p o esp ecíf ico , m as p o d em ser r en o vad o s o u alar g ad o s p o r m út uo aco r d o feito quando o objecto é incorporado (ou adquirido por3 Os f o r m u lár io s d o em p r ést im o d evem m en cio n ar q ualq uer r eq uisit o empréstimo). É depois actualizado, sempre que o objecto é esp ecíf ico p ar a o em p r ést im o envolvido em qualquer actividade, como parte de uma exposição4 Os em p r ést im o s d e saíd a d est in am -se ap en as às in st it uiçõ es ap r o p r iad as ou mostra ou antes e depois de um empréstimo externo. Ao fazê-5 Os em p r ést im o s d e en t r ad a p o d em ser so licit ad o s a in st it uiçõ es e lo, qualquer dano que tenha ocorrido, será notado de imediato. in d ivíd u o s. O relatório sobre o estado de conservação também deve ser6 A r esp o n sab ilid ad e d e seg u r o (o u in d em n ização em vez d e segur o ) d e em p r ést im o s in t er n o s e ext er n o s d eve ser esp ecif icad o clar am en t e actualizado após qualquer dano acidental e antes do tratamento em t o d o s o s aco r d o s d o em p r ést im o . de conservação.7 Não p o d em ser f eit o s em p r ést im o s d e acer vo n ão in co r p o r ad o O formato mais útil para um relatório sobre o estado de8 Não se f azem em p r ést im o s co m f in s co m er ciais conservação é um documento padrão que induz o pessoal a recolher o mesmo tipo de informação, sempre que o relatório éSu g est õ es p ar a o Pr o ced im en t o d e Em p r ést im o1 A d ecisão p ar a p ed ir em p r est ad o o u e m p r est ar um o b ject o /acer vo preenchido. A existência de um glossário descritivo com as b aseia-se n as n o r m as d ef in id as n a Po lít ica d e Gest ão d o Acer vo d a condições, também é muito útil para este propósito. Se um termo cu r ad o r ia. técnico específico não for conhecido, será útil fazer uma descrição2 O r eg ist o d e em p r ést im o co m p let o in clui: a o n ú m er o d e em p r ést im o p ar a ef eit o s d e lo calização detalhada do que é observado. b a d at a d e in icio d o em p r ést im o Examine o objecto numa área limpa, bem iluminada. Uma c a d at a d e t ér m in o d o em p r ést im o lanterna e uma lupa ajudarão a mostrar pequenos detalhes. d o p r o p ó sit o d o em p r ést im o e o in ven t ár io d et alh ad o d o s o b ject o s em p r est ad o s Cuidadosamente, inspeccione todas as áreas do objecto, mas f o valo r d o seg u r o d o em p r ést im o não force a abertura de qualquer coisa que esteja fechada ou g o m ét o d o d e aco r d o d e r em essa / t r an sp o r t e dobrada. Faça um registo escrito do que observou e fotografe ou h a ap r o vação d o em p r ést im o p ela p esso a, p esso as o u ó r gão s au t o r izad o s (p o r exem p lo Dir ect o r , Co o r d en ad o r , Ór gão desenhe qualquer coisa que lhe pareça incomum ou qualquer Go ver n am en t al d e Licen ça d e Exp o r t ação ) evidência de dano. i q u alq u er r eq u isit o esp ecial, co m o r egr as d e exp o sição , O relatório deve incluir o número de incorporação ou do m an ip u lação esp ecial o u in st r uçõ es d e em b alagem ,3 Os p r azo s d o s em p r ést im o s são id en t if icad o s e p r o lo n gad o s, exigid o s catálogo do objecto, composição, tipo, local e extensão do dano, o u d evo lvid o s, co n f o r m e o caso , n o t ér m in o d o p er ío d o d o consertos prévios, nome do examinador e data do exame. em p r ést im o . 24
  • 33. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do Acervo D ocumentação contra incêndio.A documentação é uma parte crucial da gestão do acervo em Uma vez que o acervo normalmente, passa a maior parte dogeral, mas será tratada num capítulo especial que inclui tempo em armazenamento, é necessário que o mobiliário e osaconselhamento detalhado sobre as normas e procedimentos de materiais de embalagem, que estão em contacto com o acervo,documentação. sejam estáveis e não reactivos. O mobiliário de armazenamento Preservação do Acervo com finalidades de arquivo inclui armários e estantes com aço Armazenamento do acervo revestido ou alumínio esmaltado. O s objectos pequenos e estáveisO armazenamento do acervo refere-se ao espaço físico onde é são embrulhados, ensacados ou encaixotados antes de seremguardado o acervo quando não está em exposição ou sob colocados em armazenamento como camada de protecção entre oinvestigação. O termo também é utilizado para descrever os vários objecto e o meio ambiente. O s objectos que não possam sertipos de mobiliário, equipamento, métodos e materiais, utilizados embrulhados devido ao seu tamanho ou composição frágil, sãonos espaços de armazenamento do museu e acervo de estudo. armazenados de preferência em armários ou estantes embutidas.Muitas colecções passam a maior parte do tempo armazenadas. O s objectos devem manter algum espaço entre si de forma aAs áreas de armazenamento do acervo protegem os objectos permitir um manuseamento fácil. Não aglomere ou sobrecarreguecontra factores ambientais prejudiciais, acidentes, desastres e estantes e gavetas, uma vez que tornará difícil retirar os objectosroubo e preserva-os para o futuro. Por estas razões, o de modo seguro.armazenamento do acervo não é um espaço morto onde nada Existem vários tipos de materiais de arquivo estáveis queacontece, mas é o espaço onde existe uma activa preservação do protegem os objectos e não causam a sua deterioração. Estesacervo. materiais normalmente são mais caros que as caixas e cartões O edifício do museu provê a primeira camada de protecção comuns, mas os benefícios protectores que provêem, excedem osentre o meio ambiente externo e o acervo. As áreas de custos adicionais.armazenamento do acervo devem estar localizadas no interior do O s materiais de armazenamento recomendados incluem:edifício e se possível, afastado das paredes exteriores, para etiquetas sem ácido e sem lignina, etiquetas, papel, pastas,minimizar a flutuação ambiental. envelopes, molduras, caixas e tubos revestidos em carbonato de O armazenamento do acervo deve estar independente de todas cálcio, algodão, linho e tecidos de poliéster, fitas, cordas e fios;as outras actividades, e apenas o armazenamento do acervo deve fibra de poliéster e películas; sacos de polietileno e polipropileno,ocorrer neste espaço de forma que se possa controlar melhor o caixas de microespuma e molduras; adesivo celuloso; adesivo deseu ambiente físico. Deve ter níveis de luminosidade baixos, acetato de polivinil e acetona; e jarras e frascos de vidro comtemperatura estável e humidade relativa e sem poluentes tampas de polipropileno ou polietileno. Existem vários materiaisatmosféricos e pragas. O acesso físico ao acervo pelo pessoal deve sintéticos patenteados, muito utilizados no armazenamento doser restrito de forma a manter a segurança e deve ter protecção museu, como Tyvek™ Mylar™ e Marvelseal™ Nos vários , , . 25
  • 34. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do AcervoMo vim en t ação d o acer vo : as co lecçõ es f r ágeis são m o vid as d e m o d o Ar m azen am en t o de p r o t eção : o b ject o s f r ág eis d isp o st o sseg u r o em ap o io s in d ivid u ais, n u m car r o aco lch o ad o . in d ivid ualm en t e, em p r at eleir as aco lch o ad as, n um ar m ár io em b ut id o .materiais disponíveis, pode-se encontrar algo satisfatório para É porém importante evitar materiais que sejam quimicamentearmazenar todo o tipo de acervo do museu. Muitos dos materiais instáveis e que possam interagir quimicamente com os objectospodem ser utilizados para proteger vestuário e podem ser com os quais entram em contacto e que possam causar dano.construídas caixas especiais, bandejas, arquivos, apoios e montes Estes incluem madeira e produtos de madeira, papel e papelãopara apoiar e proteger espécimes ou obras de arte, em particular. particularmente ácido, celofane e fita-cola, fitas adesivas, espuma 26
  • 35. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do Acervode borracha e espuma de uretano, a maioria dos plásticos, documentação do acervo do museu. A fotografia não só é umremovedor de verniz, clipes e agrafos de metal para papel, registo visual de um objecto como também ajuda na investigação,etiquetas de borracha e colas com base de borracha. Se for educação e recuperação de um objecto, caso este estejanecessário utilizar materiais instáveis como madeira de arquivo, extraviado e como prova de defesa para reivindicar o seguro, porpode ser colocado um material de barreira estável como molduras perda ou roubo. A fotografia também documenta o estado desem ácido entre a estante e os objectos. conservação do objecto, a determinada altura, de forma que Manuseamento e movimentação do acervo possam ser feitas comparações no futuro.O acervo está em risco de dano elevado enquanto está a ser Por isso, é essencial que a fotografia seja de elevada qualidade.manuseado ou em movimento. No entanto, terá de existir um Embora as fotografias de grande formato (negativos de 6 cmx6 cmequilíbrio entre a protecção e a preservação, uma vez que será ou maiores) utilizadas como padrão pelo museu, e apesar demuito difícil estudar, expor ou utilizar espécimes e colecções do muitos museus mais antigos terem grandes arquivos de dispositivosmuseu, que não podem ser manuseadas. Para prevenir o dano é e negativos de filme do seu acervo, com a grande melhoria emessencial ter muito cuidado e utilizar o bom senso ao manusear lentes e filmes dos últimos 2 0 ou 3 0 anos, actualmente, asobjectos de qualquer tipo e tamanho. Algumas precauções muito fotografias a preto e branco de 3 5 mm são a medida preferidasimples podem reduzir em muito, este risco. Todos os objectos para efeitos de documentação. O filme a preto e branco é muitodevem ser manuseados como se fossem os mais valiosos e as mãos mais estável a longo prazo do que o filme a cores, podem serdevem estar limpas ou protegidas por luvas de algodão ou de utilizados com vários filtros especiais que podem aumentar aslátex limpas. Aquando da movimentação de objectos, é necessário características fundamentais do objecto na fotografia resultante edeterminar onde o objecto será posto antes de o ir buscar, e podem ser feitas em casa.planear antecipadamente, o trajecto de volta para se assegurar No entanto, a fotografia digital está a aumentar emque está livre de obstruções. popularidade e a diminuir em preço, e actualmente fotografias de Transporte um objecto de cada vez, ou ponha os objectos elevada qualidade podem ser impressas muito rapidamente, emnuma bandeja ou carro acolchoado, se houver a necessidade de impressoras a cores de jacto de tinta, extremamente baratas. Pormover vários objectos, a uma distância considerável. outro lado, a longevidade das imagens digitais para propósitos do Leve o tempo necessário e peça ajuda se o objecto for muito museu ainda tem que ser avaliada: naturalmente que qualquergrande ou pesado para ser movido facilmente por uma pessoa. imagem digital deve ser transferida imediatamente, da memória Nunca arrisque a sua própria segurança ou a segurança do da máquina fotográfica para o disco rígido do computador, fazerobjecto. cópias regulares num meio externo ao museu (por exemplo, num Fotografia computador de sistema remoto ou num CD de segurança,A fotografia é uma parte integrante e especializada da armazenado fora do museu). Q ualquer que seja o formato, as fotografias produzidas devem estar identificadas com o número de 27
  • 36. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do Acervoincorporação do objecto e organizadas de modo que possam ser providenciar alguma compensação monetária na infelicidade deencontradas e associadas facilmente ao objecto. danos ou perda de objectos e colecções. Sempre que exista um O s objectos devem ser fotografados como parte do seguro (ver abaixo), o objectivo do seguro acordado, é assegurarprocedimento de incorporação. O s objectos bidimensionais compensação monetária suficiente para reparar ou substituir oemoldurados devem ser fotografados verticalmente e podem ser acervo em caso de danos ou perda. O seguro varia muito emcolocados num cavalete ou em blocos acolchoados e apoiados relação ao que pode ser segurado e contra que riscos, onde e emnuma parede, se forem muito grandes. A lente da máquina que circunstâncias se aplica o seguro e como é feita a revindicaçãofotográfica deve estar paralela à face do objecto e os objectos do seguro. É necessário avaliar o acervo relativamente ao seudevem preencher o máximo possível da objectiva. Um objecto custo de substituição ou outro valor monetário regularmente, debidimensional que não esteja apoiado em nada deve ser colocado forma que o museu mantenha os valores do seguro actualizados.ao nível da máquina fotográfica posicionada sobre ele para tirar a (Na maioria dos contratos de seguro, se o acervo é geralmentefotografia. Isto pode ser feito facilmente utilizando um suporte subavaliado, a seguradora só será responsável pelo pagamento dapara cópias, mas também pode ser utilizado um tripé que se possa percentagem equivalente, de qualquer reclamação. Por exemplo,inclinar sobre a mesa de modo que a lente fique paralela à face do se o acervo é avaliado pelo museu em apenas 5 0 % do seuobjecto. O s objectos tridimensionais requerem um fundo com verdadeiro valor de mercado, a seguradora só pagará metade deuma superfície lisa que contraste com o objecto mas que não qualquer revindicação por perda ou restauro de danos relativo ainterfira com o mesmo. talvez um único objecto.) O s registos sobre o seguro e outros O s objectos pequenos podem ser colocados numa mesa registos de avaliação devem estar actualizados e, claro, emrobusta e os grandes podem ser colocados no chão numa condições seguras e com acesso limitado.superfície limpa e acolchoada. Pode ser necessário tirar várias No entanto, a política e prática em relação à utilização dofotografias de ângulos diferentes para registar a completa seguro difere muito de país para país e de museu para museuassimetria do objecto. Também pode ser necessária iluminação dentro do mesmo país. Na maioria dos países, o acervo dosespecial, e nesse caso, devem ser colocadas luzes onde melhor museus nacionais, propriedade do estado, não é assegurado e émostrem a forma, textura e contornos do objecto. normal existir uma indemnização oferecida pelo governo, em vez Seguro do seguro, aos proprietários dos empréstimos temporários e aO seguro do acervo é considerado geralmente, como parte longo prazo para os museus nacionais e talvez outros museusintegrante da gestão de risco, termo que descreve o processo para públicos. Sempre que seja permitido a utilização do seguroreduzir a probabilidade de danos ou perda do acervo, eliminando comercial, o museu tem que avaliar as suas exigências de seguro,ou pelo menos minimizando, os perigos. O seguro não é um cuidadosamente. Um agente de seguro independente,substituto para uma gestão e segurança do acervo inadequada. O s especializado em belas artes (normalmente conhecido comoobjectos e colecções únicas são insubstituíveis, mas o seguro pode “corretor da seguradora”) provavelmente, estará apto a 28
  • 37. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do Acervodeterminar o melhor seguro para cobrir as exigências e obterá elemento de segurança que tem de ser abordado na política decotações competitivas de várias companhias de seguros diferentes. gestão do acervo. Conservação do acervo G alerias e Salas de Exposição e MostraA conservação preventiva é tema de outro capítulo, mas é vital Existem vários tipos de exposição do museu. Podem seracentuar aqui que este é um aspecto muito importante da gestão exposições temporárias ou a longo prazo, de objectos do acervodo acervo. Tem que estar sob qualquer aspecto da política e do museu, exposições que contêm objectos emprestados poractividades museológicas e deve ser visto como responsabilidade outras instituições, ou exposições itinerantes. O utras exposições,de todo o pessoal, numa base contínua. O acervo também deve diferentes das que se podem visitar ou exposições temporárias,ser monitorizado regularmente, para determinar quando um contêm itens do acervo do museu, por isso os procedimentos daobjecto ou colecção necessita dos cuidados do conservador. gestão do acervo estabelecidos, são aplicados da mesma forma, Prevenção de Acidentes aos objectos nas galerias de exposição e aos objectos nas áreas deA prevenção e resposta a acidentes também são partes muito armazenamento.importantes das responsabilidades da gestão do acervo, mas isto é Transferir objectos das áreas de armazenamento seguras, para asdiscutido mais detalhadamente no capítulo sobre Segurança do galerias de exposição, expõe o acervo a uma variedade d eMuseu. No entanto, deverá ser acentuado aqui que, o objectivo é ameaças adicionais. As ameaças de segurança incluem roubo,assegurar a preparação e a prevenção, quer seja em possíveis vandalismo e manipulação sem autorização, enquanto as ameaçassituações de emergência, quer seja por desastres naturais,emergências civis como incêndio ou pelos efeitos de conflitoarmado, para não conduzir à perda ou danos sérios para o acervo Quadro 6: Questões de Segurança definidas na Política de Gestão do Acervodo museu. As medidas de prevenção necessárias incluem avaliação 1 O acesso f ísico ao acer vo , m esm o p ar a o p esso al, é r est r it o at r avésde risco, um bom plano e planta dos edifícios, mobiliário, d e lo cal f ech ad o e seg u r o e en t r ad a co n t r o lad aequipamento e sistemas e uma rotina eficaz de inspecções aos 2 O p esso al d o acer vo r esp o n sável p o r u m d et er m in ad o o b ject o ,sistemas e manutenção preventiva dos edifícios. A prevenção de co lecção o u ár ea d e ar m azen am en t o em p ar t icu lar , su p er visio n ar áemergência eficaz deve basear-se num plano elaborado, testado e o acesso d e o u t r o p esso al e visit an t esavaliado pelo menos uma vez por ano, e que define as medidas a 3 Os r egist o s d o p esso al co m acesso t êm d e ser m an t id o sserem tomadas, antes, durante e depois de qualquer emergência. 4 Ao s visit an t es n ão é p er m it id o o acesso ao s r eg ist o s d a ár ea d e ar m azen am en t o e o u t r as ár eas seg ur as d o m u seu. 5 O acesso p ar a f in s d e in vest ig ação b aseia-se n o p lan o d e Acesso Público ao Acervo in vest igação ap r o vad o , e t o d o s o s visit an t es são r eg ist ad o s d e Segurança m o d o sem elh an t e, ad eq uad am en t e n o t ér m in o d o p er ío d o d eA segurança é discutida mais detalhadamente no capítulo sobre em p r ést im o .Segurança do Museu. No entanto, o acesso físico ao acervo é um 29
  • 38. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do Acervode conservação comuns incluem choque e vibração, montagem e situações, podem ser utilizados materiais de arquivo que sirvam desuportes danosos à exposição, poluentes atmosféricos, flutuação barreira entre o material reactivo e o objecto do acervo.ambiental, luz, pragas e outros factores naturais. O controlo da Embalamento e transporteluz visível, luz ultra-violeta, temperatura e humidade relativa e Por vezes, como parte da produção da exposição é necessáriopoluentes atmosféricos para níveis seguros recomendados (ver o empacotar e transportar acervo do museu para outras instituições.capítulo sobre Conservação) representa um problema em Esta actividade é ainda mais arriscada do que manusear eparticular. Números elevados de visitantes geram calor corporal, movimentar o acervo, por isso a decisão para o fazer deve serhumidade e poluição para as galerias, enquanto a iluminação tomada após uma consideração muito cuidadosa. O s métodos denecessária para iluminar as exposições o suficiente para que embalagem e transporte são escolhidos com base nos requisitospossam ser vistas confortavelmente, pode causar danos a longo individuais dos objectos transportados, e apenas os objectosprazo a itens particularmente sensíveis à luz, como tecidos, estáveis devem ser transportados devido ao aumento de risco devestuário, pinturas e desenhos à base de tinta de água. danos. O s materiais de embalagem protegem antecipadamente, os Um bom planeamento e organização da exposição, segurança e objectos de todos os riscos possíveis e associados com o métodoutilização de materiais adequados também contribuem para o de transporte, em particular. O s materiais de embalagemcontrolo ambiente e protecção do acervo. Como obter um adequados, são os mesmos utilizados para o armazenamento doambiente controlado é abordado num capítulo posterior. acervo. Embora a espuma de uretano não seja material de M onitorização do acervo em exposição arquivo, é frequentemente utilizada para embalar objectos devidoAs galerias de exposição devem ser inspeccionadas regularmente às suas excelentes propriedades almofadadas. O materialpara qualquer evidência de danos ou perda de objectos em almofadado é utilizado, com base nas necessidades individuais dosexposição. O controlo do ambiente é alcançado por vários objectos mas os materiais de embalagem que têm contacto directométodos através de uma variedade de sistemas mecânicos e com os objectos devem ser de material de arquivo.manuais de monitorização das galerias de exposição para assegurar O método de transporte escolhido deve providenciar a melhorque os controlos do ambiente estão a funcionar eficazmente. protecção para os objectos e no mais curto espaço de tempo deComo monitorizar o ambiente é discutido mais detalhadamente deslocação. O s métodos de transporte comuns para os objectosnum capítulo posterior. do museu são por estrada e via aérea. O transporte por caminhos- M ateriais de exposição adequados de-ferro é utilizado menos frequentemente devido ao aumento deO s materiais seguros para utilização no armazenamento do acervo choque e vibração associado a este método. Por vezes, otambém são seguros para utilizar na apresentação da e na transporte marítimo é utilizado para objectos muito grandes eexposição. Muitos materiais utilizados na exposição não são de estáveis, mas o tempo de viagem é frequentemente muitocomposição de arquivo mas são comummente utilizados devido às demorado e pode ser difícil providenciar o controlo do clima asuas outras características desejáveis e baixo custo. Nestas longo prazo, num contentor de transporte. As companhias de 30
  • 39. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do Acervotransporte que têm experiência em transportar acervo dos museus Investigação internapodem providenciar uma ajuda valiosa no planeamento do A investigação por parte do pessoal do museu deve estartransporte do acervo do museu. relacionada com a missão e âmbito do museu. A investigação Sugestões para a Política de Transporte deve estar em conformidade com as normas académicasO s objectos são avaliados cuidadosamente, a nível de estabilidade, estabelecidas. A investigação por parte do pessoal tem queantes de serem transportados. Só os que são estáveis podem ser ocorrer no museu. Não deve ser permitido ao pessoal removertransportados. objectos do acervo do museu, mesmo que seja temporariamente,Q ue tiver a autoridade para tomar a decisão do transporte, tem para qualquer propósito.de ser identificado. Visitantes eruditos Sugestões para os Procedimentos do Transporte O s museus devem estabelecer políticas de segurança, de acesso eO método do transporte baseia-se nas necessidades do objecto, na manuseamento do acervo por eruditos e investigadores. O sdistância e duração do transporte. museus devem promover a utilização interna do seu acervo aos O s materiais de embalamento utilizados baseiam-se no tipo do eruditos e investigadores ao mesmo tempo que zelam pelamétodo de transporte escolhido e necessidades do objecto. segurança, protecção e manuseamento seguro do acervo durante a investigação. Investigação do Acervo Análise destrutiva Investigação Por vezes é necessário utilizar técnicas de análise destrutiva paraA investigação do acervo do museu e publicação dos resultados melhorar as pesquisas da investigação. Estas só devem ser levadasprovidencia o tipo adequado de acesso ao acervo e permite aos a cabo, após consideração cuidadosa. A proposta de pesquisamuseus levar a cabo a sua missão educativa e interpretativa. Torna deve ser submetida ao museu para avaliação. O museu mantém oa informação especializada disponível às várias partes interessadas título de propriedade e o abatimento do objecto. As partes nãoe providencia a base para exposições e programas educativos. É utilizadas do objecto são devolvidas ao museu. As informaçõesmuito importante que toda a investigação do museu seja legal, recolhidas substituem o objecto alterado ou destruído.ética e em conformidade com os padrões académicos e apoie a Sugestões para a Política de Investigaçãomissão do museu. A investigação erudita é vital para a missão educativa e serviço Recolha de Campo público do museu. Por essa razão, o pessoal do museu podeSempre que os museus empreendam recolha de campo, devem escolher o tema da investigação, iniciar e gerir a investigação,fazê-lo em conformidade com a legislação e tratados, e têm de procurar os recursos necessários para gerir a investigação eaderir aos padrões académicos estabelecidos. As populações locais disseminar os resultados da investigação de modo adequado.e as suas necessidades e desejos, também devem ser levadas em Toda a investigação apoia a missão do museu.consideração. 31
  • 40. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do Acervo Coleccionismo privadoO pessoal do museu tem frequentemente colecções pessoais,resultado do seu próprio interesse e actividades. No entanto,como o Código de Ética do ICO M torna claro, o pessoal nãodeve competir com as suas instituições na aquisição de objectosou colecção pessoal dos mesmos tipos de objectos que o seumuseu faz, uma vez que seria conflito de interesses se o membrodo pessoal utilizar o seu próprio conhecimento especializado parabenefício pessoal e não para o benefício do museu. Q ualquerdesvio permissível desta restrição deve ser discutido com o órgãoadministrativo do museu. C onclusãoReunir colecções é uma das funções primárias do museu e osobjectos que incluem o acervo tornam-se entre os activos maisimportantes do museu. A preservação, conservação e gestão doacervo preenchem as responsabilidades públicas do museu eajudam desta forma, a alcançar a missão do museu. Uma boagestão do acervo é uma das estratégias pelas quais se alcança apreservação e conservação. Adoptar e implementar as políticas epráticas da gestão do acervo recomendadas neste capítulo,providenciará uma base firme para implementar todas as maisvariadas estratégias para gerir um museu. 32
  • 41. Inventário e Documentação A ndrew Roberts Ex-Director dos Recursos de Informação, Museu de Londres Introdução O museu deve desenvolver uma estrutura em que as propostasUm dos recursos essenciais para gestão do acervo, investigação e de aquisições e empréstimos a longo prazo recorrem a um comitéserviços públicos é a existência de uma documentação precisa e interno para aprovação, em vez de serem aceites por um membroacessível. Este capítulo desenvolve os conceitos referidos no do pessoal. Q uando o museu faz uma aquisição ou empréstimo,capítulo sobre Gestão do Acervo, providenciando deve iniciar a elaboração de um arquivo com a informação sobreaconselhamento prático sobre os procedimentos relativos à o proprietário e os objectos. Este arquivo deve incluir uma folhadocumentação, incluindo a incorporação, controlo do inventário sumária, com dados sobre a fonte, esboço dos objectos, a suae catalogação. Discute os sistemas manuais e informáticos e de importância para o museu, o método de aquisição proposto (poracesso à informação através da internet. As directrizes baseiam-se exemplo, doação, compra, escavação), a conformidade daem normas bem estabelecidas. proposta com a política do acervo do museu, as recomendações do curador e outro pessoal especializado e a decisão do comité. O esboço dos objectos deve incluir uma autenticação da sua origem Aquisições, Empréstimos a Longo Prazo e Incorporação e uma avaliação do seu estado de conservação. Se possível, oO processo de incorporação suporta a incorporação de aquisições museu deve incluir uma fotografia ou imagem digital dos objectos.permanentes e empréstimos a longo prazo no acervo do museu Aquando da aquisição, caso seja aprovada, deve ser solicitado(ver o capítulo sobre Gestão do Acervo) (Buck e Gilmore, 1 9 9 8 ; ao proprietário uma transferência legal e formal, assinada, daHolm, 1 9 9 8 ; Conselho Internacional de Museus. Comité propriedade dos objectos (“transferência de título”). A cópiaInternacional para a Documentação, 1 9 9 3 ). Esta é uma fase assinada deste documento deve ser acrescentada ao arquivo,fundamental na documentação geral do acervo, registando a como prova da legalidade da aquisição.evidência legal da propriedade dos bens no acervo e Se o museu receber grupos de objectos regularmente, podeprovidenciando o ponto de partida para a total catalogação dos tornar-se mais eficaz se todo o grupo for tratado como uma únicabens individuais. aquisição, em vez de processar cada item como uma aquisição. 33
  • 42. Como Gerir um Museu: Manual PráticoInventário e DocumentaçãoExem p lo d e u m r eg ist o d e in co r p o r ação (r ep r o d u ção Ho lm , 1998, au t o r izad o p elo MDA). 34
  • 43. Como Gerir um Museu: Manual PráticoInventário e DocumentaçãoIsto aplica-se nomeadamente, em colecções arqueológicas, de de galeria ou para uma investigação prolongada, devido aohistória e de história natural. Deste modo, a aquisição total tem trabalho envolvido no tratamento dos objectos. Se o empréstimoum arquivo e um número de incorporação do grupo completo. for aprovado, deve ser finalizado com um acordo de empréstimoAos objectos individuais inseridos no grupo, podem ser atribuídos escrito que deve ser mantido no arquivo. O empréstimo deve sernúmeros individuais ao objecto, que podem ser subdivisões dos adicionado a uma sequência de número de empréstimo diferente.números de incorporação ou independentes do número deincorporação. Se o museu for o repositório de todos os achados de uma Exer cício : u t ilize as d ir ect r izes d e in co r p o r ação co m o b ase p ar a aescavação, deve discutir com o escavador, a possibilidade do elab o r ação d e u m a f o lh a su m ár ia d e in co r p o r ação , f o r m u lár io d e t r an sf er ên cia d e t ít u lo e r eg ist o d e in co r p o r ação .museu e do escavador, terem uma numeração comumaproximada. Pode ser possível ao museu atribuir um número deincorporação a toda a escavação, que será depois utilizado no Controlo do Inventário e Catalogaçãosistema de registo do campo desde o início da escavação. Este A segunda fase do sistema de documentação do museu é ométodo permitirá ao museu evitar a necessidade de renumerar e desenvolvimento e utilização da informação sobre os objectosmarcar os objectos individuais e ajudará a incorporar o acervo e individuais do acervo. O museu deve estabelecer registos sobreos registos da escavação no museu. Tal não será possível, no caso cada um dos bens do acervo e actualizá-los sempre que osem que alguns dos achados da escavação sejam retidos pelo objectos são examinados e utilizados. O s registos podem serescavador ou tenham estado em vários museus, e houve a utilizados como base para investigação, acesso público, exposição,necessidade de terem duas sequências de numeração. educação, desenvolvimento do acervo, gestão do acervo e Além dos arquivos de incorporação, o museu deve manter um segurança.registo de incorporação, com um checklist de todas as aquisições. Para suportar estas utilizações, os registos têm de estarIdealmente, o registo deve ser um volume de capa dura, com estruturados constantemente em categorias ou campos discretos,papel de qualidade de arquivo. Deve ter colunas para o número em que cada um deles possa guardar uma informação específica.de incorporação, data, fonte, método, descrição geral do grupo, A tabela 1 resume os campos do catálogo recomendados, estandonúmero de objectos que compõem o grupo e o nome ou rubricas estes mais detalhados no Apêndice. Recomenda-se que o museudo curador do museu. Deve ser mantido em local seguro, como adapte as directrizes deste capítulo como base para o controlo dopor exemplo num cofre à prova de fogo. Se possível, mantenha inventário e catalogação interna, com decisão de escolha dosuma cópia do registo noutro local. campos utilizados pelo museu. No caso de um empréstimo a longo prazo, o museu deve O s campos do inventário e do catálogo da Tabela 1 baseiam-seregistar também o motivo do empréstimo e a duração do acordo. em ideias desenvolvidas por cinco projectos existentes, aplicadosMuitos museus são relutantes em aceitar empréstimos a longo pela maioria dos museus. A abordagem global baseia-se noprazo, a menos que o objecto seja utilizado para uma exposição 35
  • 44. Como Gerir um Museu: Manual PráticoInventário e DocumentaçãoManual de Procedimentos da AFRICO M, desenvolvido pelo estudo em museus com acervo de arqueologia, antiguidades,ICO M e pelo Comité Coordenador da AFRICO M, para utilização etnologia, belas-artes, tradição, história e história natural.nos museus em África. Inclui mais de 5 0 campos, organizados em Independentemente da área de estudo, todos os registos devemquatro grupos principais (gestão do objecto, descrição do objecto, incluir vários conceitos principais, como o Número do O bjecto ehistorial do objecto e documentação do objecto) (coluna 3 na Nome do O bjecto (coluna 2 na tabela). O utros campos sãoTabela). O Manual foi publicado na versão inglesa, francesa e igualmente importantes para áreas de estudo individuais, como oárabe (Conselho Internacional de Museus, 1 9 9 6 e 1 9 9 7 ) e foi campo Título para acervo de Arte, o campo Período/ Data deutilizado como base para a formação de materiais. Produção para acervo de arqueologia e o campo Nome de O padrão da AFRICO M foi muito baseado num conjunto de Classificação para acervo de história natural.directrizes mais gerais desenvolvidas pelo Comité Internacional Alguns destes campos são particularmente importantes para apara a Documentação do ICO M (CIDO C) (Conselho gestão e segurança das colecções, como o Número do O bjecto,Internacional de Museus. Comité Internacional para a Localização Actual e Características Próprias. O utros campos sãoDocumentação, 1 9 9 5 ) (coluna 4 ). O terceiro modelo geral é o importantes para a investigação e acesso público, comopadrão ESPECTRO , desenvolvido pela Associação de Produtor/ Fabricante e Período/ Data de Produção. O s camposDocumentação para Museus do Reino Unido (MDA). Todo o pertinentes ao museu dependem das suas áreas de estudo e da suapadrão ESPECTRO é uma publicação significativa (Associação de importância entre a investigação e a utilização pública.Documentação do Museu, 1 9 9 7 ; Ashby, McKenna e Stiff, O “inventário” básico do acervo é composto por registos que2 0 0 1 ), mas o MDA também emitiu um manual de catalogação incluem os campos principais e os campos essenciais a áreas deque incorpora os campos principais (Holm, 2 0 0 2 ) (coluna 5 ). O estudo individuais. (no caso de obras de arte individuais equarto padrão é o O bjecto ID, desenvolvido como um guia arqueologia, os campos de inventário são os das colunas doespecífico para a informação, muito útil no caso de um objecto Campo O brigatório e do O bjecto ID, Tabela 1 (ver o capítuloroubado (ver o capítulo sobre Tráfico Ilícito) (Thornes, 1 9 9 9 ) sobre Tráfico Ilícito). A abordagem é desenvolver um inventário e(coluna 6 ). O padrão final é o Dublin Core (DC), desenvolvido um catálogo completo em separado, mas é mais eficaz pensarcomo meio para obter recursos de informação na Internet (Dublin nestes conceitos como um único recurso de informação que serveCore, 2 0 0 4 ) (coluna 7 ). cada dos um dos propósitos descritos acima. O desenvolvimento As versões publicadas destes cinco padrões podem ser do nível de informação do inventário é a principal prioridade.consultadas para informação mais detalhada. O texto completo da Deve incluir uma fotografia ou imagem digital do objecto.edição inglesa/ francesa do Manual da AFRICO M e os padrões do Sintaxe e terminologiaCIDO C e do O bjecto ID estão disponíveis na Internet (ver as Além de utilizar uma série de campos standards, é importante quereferências). o museu adopte uma sintaxe e terminologia consistente para as Campos do inventário e do catálogo entradas nos campos. As regras de sintaxe definem o modo comoO s campos da Tabela 1 são adequados para as principais áreas de a informação é estruturada no campo. As regras de terminologia 36
  • 45. Como Gerir um Museu: Manual PráticoInventário e Documentaçãodefinem as condições permitidas nesse campo. As decisões domuseu sobre a sintaxe e terminologia também devem ser Descrição dos campos do Método de Aquisição e da Data deincorporadas no manual de catalogação interno. Aquisição, retirados do apêndice: Um exemplo de controlo de sintaxe é o estilo utilizado para Método de Aquisição (cam p o o b r ig at ó r io )registar os nomes pessoais e organizacionais. O s registos do museu O m ét o d o p elo q u al o o b ject o f o i ad q u ir id o .são ricos em nomes (colectores, produtores, doadores, Exem p lo s: “escavação ”, “d o ação ”, “co m p r a”, “d esco n h ecid o ”conservadores, etc.), e estes podem ser compostos de vários O m an u al d a AFRICOM (cam p o 1.5) t em u m a list a d e t er m o s.elementos, por isso é importante seguir uma regra uniforme. Se omuseu não tiver uma regra estabelecida para nomes pessoais, Data de Aquisição (cam p o o b r ig at ó r io )pode ser útil rever a abordagem estabelecida pelas bibliotecas A d at a d e aq u isição d o o b ject o .principais do país, comparável com as Regras de Catalogação Exem p lo s: “2004/08/24”Anglo-Americanas (AARC), utilizadas nos países de línguainglesa. A abordagem standard para nomes pessoais do alfabeto Exercício: u t ilize as d ir ect r izes d o in ven t ár io e cat alo g açãoromano é colocar primeiro o apelido, seguido por uma vírgula, e co m o b ase p ar a o m an u al d o co n t r o lo d o in ven t ár io e d edepois as iniciais ou nome (por exemplo “Smith, John”). O s cat alo g ação in t er n o , co m d ecisão d a esco lh a d o s cam p o s enomes de organizações, pelo contrário, devem ser escritos da d o s co n t r o lo s d e sin t axe e t er m in o lo g ia u t ilizad o s p elomesma forma que são utilizados na organização e não devem ser m u seu .invertidos (por exemplo “H.J. Heinz Company Ltd”). Para nomes pessoais árabes, as directrizes da AARCaconselham que, no caso de um nome pessoal que contenha um estilo utilizado pela AFRICO M, é “ano/ mês/ dia”apelido ou um elemento comparável a um apelido, o catalogador (“YYYY/ MM/ DD”) (por exemplo, “2 0 0 4 / 0 8 / 2 4 ”). Umdeve utilizar esta parte do nome como entrada primária. No caso terceiro exemplo é a sucessão de conceitos que compõem ade um nome que não contenha um apelido ou um elemento definição do local de produção ou local do acervo em que acomparável a um apelido, o catalogador deve utilizar o elemento ordem preferida é de específica para geral (por exemplo, “Eiffelou combinação de elementos pelos quais a pessoa é mais Tower, Champ de Mars, Paris, France”).conhecida, como entrada primária. A entrada primária deve ser Pode ser necessário incluir duas ou mais entradas distintas nocolocada no princípio do nome, seguido de outros elementos (por campo individual, como os nomes de dois produtores envolvidosexemplo, “Malik ibn Anas”). Inclua uma vírgula depois da em fases diferentes da produção de um objecto ou os diversosentrada primária, excepto se for a primeira parte do nome (por materiais que compõem um objecto complexo. O museu deveexemplo, “Sadr al-Din al-Q unawi, Muhammad ibn Ishaq”). adoptar uma abordagem consistente ao modo como estas O utro exemplo de controlo de sintaxe, são as datas em que o entradas devem estar separadas, como a utilização de um ponto e 37
  • 46. Como Gerir um Museu: Manual PráticoInventário e DocumentaçãoExem p lo d e u m a list a d e t er m o s d e m at er iais (r ep r o d u zid a p elo vírgula entre entradas múltiplas (por exemplo „gold; silver‟).Co n selh o In t er n acio n al d e Mu seu s, 1996, au t o r izad o p elo ICOM). O padrão da AFRICO M também inclui exemplos úteis de M TERIA O A A O IN / M TERIA XD A L F NIM L RIG A U E M /M etal étaux: O IN A A RIG NIM L aluminum / aluminium terminologia para campos individuais nas edições inglesa/ francesa animal amber / ambre animal bone / os copper (and alloys) / cuivre (et alliages) gold / or e árabe (Conselho Internacional de Museus, 1 9 9 6 e 1 9 9 7 ). coral / corail egg shell / coquille iron (and alloys) / fer (et alliages) lead / plomb Incluem listas para Material e Técnica. feather / plume non identified metal / metal non identifié gut / boyaux silver / argent hair / pois(et cheveux, crin…) tin / étain Numeração, Etiquetação e Identificação do Objecto horn / corne zinc / zinc ivory / ivoire É importante atribuir um número único a cada objecto e mother of pearl / nacre Stones / Pierres leather (taned) / cuir (tanné) alabaster / albâtre relacioná-lo ao objecto, quer seja por uma etiqueta escrita, pearl / perl scale / écaille flint / silex granite / granit associada ao objecto, quer seja pela identificação no próprio sea shell / coquillage gypsum / gypse objecto (Conselho Internacional de Museus, Comité Internacional silk / soie lapidolite / lapidolite sinew / nerf (tendon…) lava / lave para a Documentação, 1 9 9 4 ). O número do objecto providencia skin (not tanned) / peau (non tanné) limestone / calcaire tooth / dent marble / marbre a ligação entre o objecto e a sua documentação e pode ser de tortoise shell / carapace sandstone / grés wax / cire schist / schist valor inestimável caso o objecto seja roubado ou extraviado. wool / laine serpentine / serpentine slate / ardoise Se o museu seguir o método de utilização de conjuntos de M TERIA O VEG BL O IN / M TERIA X A L F D O IN VÉG L E RIG ETA E RIG ÉTA E A U soap-stone / steatite stone (not precious and unidentified ) / pierre números de incorporação, o número do objecto pode ser um amber / amber (non précieuse et non identifié) subconjunto do número do conjunto ou ser independente do bamboo / bambou bark / écorse Precious and semi-precious stones / Pierres número do conjunto. Se o museu seguir o método de atribuição a calebash / calebasse précieuses et semi précieuses corn / mais agate / agathe cada objecto um número de incorporação único, o número do cotton / coton amethyst / améthyste dung / fumier aragonite / aragonite objecto será igual ao número da incorporação. O número deve flower / fleur cornelian / cornaline fruit / fruit diamond / diamante ser único no museu: se forem utilizados números semelhantes por grass / herbe leaf / feuille emerald / émeraude hematite / hematite dois ou mais departamentos ou em duas ou mais colecções, antes millet / mil nut / noix jasper / jaspe malachite / malachite do número, atribua um código para tornar o número total único. paper / papier obsidian / obsidienne No caso de um objecto proveniente de uma escavação, o peanut / arachid precious stone (unidentified) / pierre précieuse root / racine (non identifié) museu deve decidir se é possível utilizar o número atribuído na raphia / raphia quartz / quartz reed / roseau ruby / rubis altura da escavação ou se é necessário atribuir outro número ao resin / résine sapphire / saphir rubber / caoutchoue tourmaline / tourmaline objecto. rush / jone seeds / graine Processed material / Matérisux élaborés Se for possível acordar uma numeração comum com o straw / paille cement / ciment escavador, pode não ser necessário renumerar e identificar os thorn / épine clay / argile vegetal fibers / fibre végétable glass / verre objectos e ajuda na incorporação dos registos da escavação no wood / bois plaster / plâtre synthetic material / matériaux synthétique museu. Se este não for o caso, o número de escavação original M TERIA O INO A O IN / M TERIA X A L F RG NIC RIG A U D RIG M ’O IN INÈRA E L deve ser registado no registo do museu. 38
  • 47. Como Gerir um Museu: Manual PráticoInventário e Documentação Se o objecto é composto por duas ou mais partes, é ao registo do catálogo com o Número de Referência daimportante etiquetar ou identificar cada uma das partes, para o Conservação.caso de serem separadas, como por exemplo em mostra ou Da mesma forma, se for feito um relatório sobre o estado dedurante a conservação. Às partes poderão ser atribuídos números conservação do objecto, anote o estado e a data do estado deseparados, subdividindo o número do objecto (por exemplo, conservação no registo do catálogo e mantenha um relatórioatribuindo sufixos com letras). sobre o estado de conservação completo em arquivo (ver o Ver o capítulo Gestão do A cervo para directrizes sobre capítulo sobre Gestão do Acervo).etiquetagem e a identificação. As imagens produzidas durante o trabalho de conservação e aquando da preparação dos relatórios sobre o estado de Controlo da Movimentação e da Localização conservação, devem ficar no museu. Podem ser agregadas aoÉ importante que todas as alterações do local de armazenamento registo do objecto.sejam cuidadosamente acompanhadas. Isto permite ao museuencontrar um objecto rapidamente e ajuda a reduzir possíveis Abatimento e Cedênciaroubos ou extravio de objectos sem o museu dar conta. Se o objecto for removido do acervo, é essencial que aO s campos de catálogo recomendados incluem entradas informação sobre a remoção, seja acrescentada ao registo dodiferentes para Localização Normal e Localização Actual. A catálogo. O registo completo do catálogo deve permanecer noLocalização Normal é o local a longo prazo do objecto, tal como museu como prova do destino do objecto.a área de armazenamento ou galeria, enquanto a Localização Tal como numa nova aquisição, a proposta de reaquisição deveActual é onde o objecto se encontra actualmente, tal como a área recorrer a um comité interno para aprovação (ver o capítulode conservação ou em situação de empréstimo a outro museu. A sobre Gestão do Acervo).localização actual deve ser actualizada sempre que o objecto émovido, juntamente com a data, o motivo e a pessoa responsável. Incorporação, C ontrolo de Inventário e Catalogação da Reserva O museu tem que assegurar que a informação sobre o local de A menos que o museu esteja recentemente estabelecido, éum objecto ou acervo em particular, é mantida provável que o pessoal seja responsável pelo acervo existente,confidencialmente. Estas informações podem ajudar bastante os com registos incompletos e problemas como dificuldades emcriminosos, em caso de invasão do museu. encontrar objectos individuais e relacioná-los com os registos existentes. Além de introduzir novos procedimentos, pode ser Relatórios com Informações sobre a Conservação e a Condição necessário realizar um projecto de documentação de reserva paraSe o objecto tiver passado pela conservação, deve ser incorporada elevar a documentação e organização existente do acervo até aono registo do catálogo, uma referência ao trabalho de padrão exigido.conservação. Se existirem demasiados detalhes sobre o processo, O ponto de partida para o projecto da reserva deve iniciar-seserá mais eficaz guardá-los separadamente num arquivo, agregado na revisão do historial e extensão do acervo (Ashby, McKenna e 39
  • 48. Como Gerir um Museu: Manual PráticoInventário e Documentação Tabela 1. Cam p o s d e cat alo g ação r eco m en d ad o s e co r r elação co m o u t r as d ir ect r izes Cam p o Cam p o AFRICOM CIDOC MDA Ob ject o ID Du b lin Co r e Ob r ig at ó r io Gestão do Objecto No m e d o m u seu x 1.3 x x x Nú m er o d o o b ject o x 1.4 x x x Nú m er o d e in co r p o r ação x Mét o d o d e aq u isição x 1.5 x x Dat a d a aq u isição x 1.6 x x Fo n t e d a aq u isição x 1.7 x x Lo calização n o r m al x 1.8 x x Lo calização act u al x x x Dat a d a lo calização act u al x x x Mo t ivo d a lo calização act u al Resp o n sável p ela r em o ção Mét o d o d e co n ser vação x Dat a d e co n ser vação x Co n ser vad o r x Nú m er o d e r ef er ên cia d a co n ser vação x Mét o d o d e ab at im en t o /ced ên cia x Dat a d e ced ên cia x Dest in at ár io d a ced ên cia x Descrição do Objecto Descr ição f ísica 2.17 x x x Car act er íst icas p r ó p r ias 2.17 x Nú m er o d e r ef er ên cia d a im ag em 2.1 x x x No m e d o o b ject o /n o m e co m u m x 2.9/2.10 x x x x No m e lo cal 2.11/2.12 Tít u lo 2.13 x x x x No m e d e classif icação 2.8 x x x Cat eg o r ia p o r f o r m a o u f u n ção 2.2 x Cat eg o r ia t écn ica 2.3 Mat er ial x 2.14 x x Técn ica 2.15 x x x Dim en sõ es x 2.16 x x 40
  • 49. Como Gerir um Museu: Manual PráticoInventário e Documentação Tabela 1. Co n t in u ação Cam p o Ob ject o Cam p o AFRICOM CIDOC MDA Du b lin Co r e Ob r ig at ó r io ID Fo r m a d o esp écim en 2.4 Par t e d o co r p o 2.5 Sexo 2.6 Id ad e o u f ase 2.7 x x Co n t eú d o /assu n t o 2.18 x Tip o d e in scr ição / id en t if icação x Mét o d o d e in scr ição x Po sição d a in scr ição x Tr an scr ição d a in scr ição x Tr ad u ção d a in scr ição x Descr ição d a in scr ição 2.19 x x Avaliação d o est ad o d e co n ser vação 2.20 x Dat a d o est ad o d e co n ser vação História Co m en t ár io s h ist ó r ico s 3.26 Pr o d u t o r /Fab r ican t e 3.1/3.3 x x x x Lo cal d a p r o d u ção 3.2 x x x Per ío d o /d at a d a p r o d u ção 3.4/3.5 x x x Ut ilizad o r 3.8 x x Lo cal d a u t ilização 3.9 x x Per ío d o /d at a d a ut ilização 3.11 x x x Lo cal d o acer vo o u d a escavação 3.12 x x Ref er en cia/n o m e d o lo cal 3.15 x Co o r d en ad as d o lo cal 3.13 Co o r d en ad as d o o b ject o 3.14 Tip o d e lo cal 3.16 Id ad e/p er ío d o d a car act er íst ica 3.17/3.18 Co lect o r /escavad o r 3.21/3.22 X x Dat a d o acer vo /escavação 3.23 x x Mét o d o d o acer vo /escavação 3.24 x Nú m er o d o acer vo /escavação 3.25 x Documentação Ref er ên cia d a p u b licação 4 x x x 41
  • 50. Como Gerir um Museu: Manual PráticoInventário e DocumentaçãoStiff, 2 0 0 1 ). Esta revisão deve incluir uma descrição dos grupos Além do Número do O bjecto, o registo deve incluir detalhesprincipais do museu, inclusive acervos individuais e principais descritivos básicos (por ex., nome do objecto, nome da classe ouaquisições. Também deve descrever a informação disponível, categoria, titulo, material e dimensões) e a localização actual decomo a extensão da incorporação e registos do catálogo e armazenamento. Se possível, ao mesmo tempo, adicione umaarquivos, a quantidade de informação, a utilização de técnicas descrição física breve e anote qualquer característica própria,manuais e informáticas, etc. Se existirem falhas importantes nos inscrições ou marcas e o estado de conservação do objecto. Alémregistos e arquivos, provavelmente será necessário desenvolver disso, obtenha uma ou mais imagens do objecto, para referêncianovos registos de catálogo ou melhorar os existentes. É interna e como recurso para acesso a investigadores e ao público.prioritário, estabelecer registos que incluam todo o acervo, Pode levar muito tempo, registar todas estas séries decentrados nos campos do inventário. Todos os detalhes, podem conceitos e o museu tem de ser realista sobre a dimensão doser então agregados, à medida que o tempo e a capacidade do trabalho e sobre o que é realizável com os recursos disponíveis.pessoal permita, e à medida que o acervo é utilizado pelo pessoal Pode ser mais importante ter detalhes mais limitados sobre oe investigadores. Se o museu necessitar de realizar este trabalho acervo do que registar a informação em cada um dos campos.numa parte específica do acervo, esta pode ser a altura ideal para Será preferível realizar um projecto-piloto para testar o tempointroduzir uma aplicação informática e criar imagens do acervo dispendido e encontrar a melhor metodologia. É mais importante(ver abaixo). estabelecer um fluxo de trabalho mais eficaz para o trabalho de Provavelmente, o trabalho de reserva, necessitará de incluir imagem, incluindo se possível, o estabelecimento de umaverificações físicas do acervo em armazém e em mostra e a instalação-estúdio básica na loja.verificação dos detalhes nos registos e dados existentes, mais uma Se o museu tiver registos anteriores, estes podem ser utilizadosreconciliação entre os dois sistemas de informação (Holm, 1 9 9 8 ). como segunda fonte para o projecto de reserva. Por exemplo, seEsta actividade pode demorar bastante tempo, num museu com existirem registos ou cartões de catalogação antigos, asum acervo significativo, mas é um passo essencial para ter o informações podem ser utilizadas para fazer uma revisão completaacervo sob controlo. dos registos que correspondem a todos os números do objecto, O trabalho nos armazéns deve consistir numa verificação caso os objectos tenham ou não sido localizados. Assim que assistemática de cada objecto no armazém e o desenvolvimento de verificações físicas estejam completas, deve ser possível identificarum registo sobre o objecto. Se o objecto não tiver um Número os registos de objectos que ainda não foram localizados e inserirde O bjecto legível, pode ser possível localizá-lo, utilizando a estes registos para mostrar o estado actual dos objectos. O sdocumentação disponível, ou pode ser necessário atribuir um registos devem ficar no sistema, para referências futuras e paranúmero temporário, na esperança que seja substituído pelo que os objectos possam ser identificados posteriormente.número correcto numa fase posterior do projecto. É essencial que Além dos registos do catálogo, pode ser necessário estabelecero número temporário esteja associado ao objecto, utilizando uma novos arquivos de incorporação. Se o museu não tiver a certezaetiqueta. sobre se o acervo individual é aquisição, empréstimo a longo 42
  • 51. Como Gerir um Museu: Manual PráticoInventário e Documentaçãoprazo ou sobre a duração do empréstimo, pode ser necessário consulta frequente, tais como Localização Actual, Nome docontactar a fonte original para clarificação. Este pode ser um O bjecto, Produtor, Período/ Data de Produção e Localização doassunto sensível, uma vez que acarreta o risco de algumas fontes Acervo.pedirem a devolução dos objectos, mas é um passo necessário O sistema de catalogação informático armazena informações epara validar o estado do acervo. imagens sobre os objectos do acervo num formato mais flexível que o sistema manual (Holm, 1 9 9 8 ; Holm, 2 0 0 2 ; Conselho Internacional de Museus, 1 9 9 6 ). O sistema informático deveExer cício : elab o r e u m r elat ó r io q u e d ef in a o h ist o r ial d o acer vo e incluir uma base de dados subjacente, registo de dados e camposa d isp o n ib ilid ad e d e in f o r m ação so b r e o acer vo . de pesquisa, meios necessários para imprimir relatórios e transferir a informação a outros sistemas e procedimentos de apoio à base de dados. O sistema deve suportar uma catalogação eficaz e uma pesquisa alargada. Também deve permitir ao museu, armazenarExer cício : d esen vo lva u m p lan o p ar a a cat alo g ação d e r eser va d eu m acer vo esp ecíf ico . cópias de segurança dos seus registos em locais externos. Uma das opções é o sistema informático tirar o lugar ao registo manual, uma vez que a informação é registada directamente na Catalogação e Recuperação M anual e Informática base de dados. Uma opção alternativa é o sistema ser utilizado emO s dados do catálogo podem ser registados através de um sistema conjunto com os registos manuais, uma vez que estes são a basemanual ou informático. A técnica preferida depende das para o registo de entrada de informação na base de dados.competências e recursos do museu. Além de catalogar funções, o sistema informático pode ser A técnica mais eficaz no sistema manual é elaborar cartões ou utilizado para várias funções da gestão do acervo, comofolhas de registo, com espaços para os vários campos listados na incorporação, desenvolvimento da exposição, controlo do local eTabela 1 . O original destes registos pode ser armazenado com o gestão da conservação. O museu também pode considerar,Número do O bjecto, como autoridade primária sobre o acervo. proporcionar ao público e a investigadores, acesso on-line paraSe o museu tiver várias áreas de estudo diferentes, pode ser útil informação, tanto no próprio museu como na Internet.elaborar diferentes formulários para cada uma das áreas principais. O principal passo para introduzir uma aplicação informática éPor exemplo, um cartão de registo para arqueologia pode dar fazer uma análise funcional das exigências do museu. Isto pode sermais ênfase a campos do acervo, enquanto um cartão para arte feito através da revisão do historial e extensão do acervo,pode dar mais ênfase aos campos da produção. sumariando o estado actual da informação e os planos do museu Se os recursos o permitirem, o museu deve produzir uma cópia para desenvolver esta situação. Deve descrever o potencialem duplicado destes registos e armazená-la noutro local, como número de registos e a quantidade de informação a serum museu no estrangeiro (ver o capítulo sobre Tráfico Ilícito). O incorporada no sistema, o potencial número de imagens, amuseu também deve manter índices para os dados mais úteis e de dimensão de qualquer trabalho de reserva, a prioridade da 43
  • 52. Como Gerir um Museu: Manual PráticoInventário e Documentação Exemplo de um cartão de catalogação (reproduzido por Holm, 2002, autorizado pela MDA). 44
  • 53. Como Gerir um Museu: Manual PráticoInventário e Documentação Exem p lo d a p ág in a d e um a en t r ad a de r eg ist o in f o r m át ico (r ep r o d u zid o p o r Ho lm , 2002, au t o r izad o p ela MDA). 45
  • 54. Como Gerir um Museu: Manual PráticoInventário e Documentaçãocatalogação, gestão do acervo e acesso público e o potencialnúmero de utilizadores (pessoal, público e investigadores). Estesdados providenciam à gestão do museu a capacidade para decidircomo proceder na escolha de uma aplicação informática. A seguir ao trabalho na análise funcional, o museu podedecidir desenvolver uma nova aplicação informática, utilizando assuas próprias competências ou as de uma agência de software paraadaptar a base de dados geral de gestão de dados para opropósito. O utra alternativa será adquirir uma das aplicaçõesexternas, desenvolvidas e utilizadas por outros museus, como aslistadas pelo MDA, a Rede Informática dos Museus e outrosórgãos aconselhadores (ver Fontes). As aplicações maissignificativas do museu incluem vários módulos, que apoiam acatalogação, gestão do acervo e acesso público. Se o museudecidir investigar estas aplicações desenvolvidas externamente, aanálise funcional pode ser utilizada como base para uma Exem p lo d o r egist o d a cat alo gação e im agem d e r ef er ên cia n um adeclaração de requerimentos (Pedido de Propostas). Isto pode ser ap licação d e cat alo gação n a In t er n et : Museu d a Cer âm ica e d o Vid r o d e Lo n d r es, r egist o A27744, w w w .m useum o f lo n d o n .o r g.uk/cer am icsentregue aos potenciais vendedores e pode ser a estrutura para as (r ep r o d uzid o co m a aut o r ização d o Museu d e Lo n d r es).suas propostas, que podem ser avaliadas pelo museu. As imagens digitais são o recurso mais flexível, se o museu tiver Imagens acesso a máquinas fotográficas digitais e scanners e pessoal comAs imagens fotográficas, digitais e desenhos científicos do acervo competências para produzir imagens de boa qualidade. A melhorsão um recurso valioso, tanto para propósitos de referência forma recomendada é retirar uma imagem do arquivo e utilizá-lainternos como para utilização pelos investigadores e público. como fonte para as imagens derivadas em tamanho pequeno ouPodem ser mostradas, por exemplo, a agentes da autoridade e a do tamanho do ecrã. A imagem de arquivo pode ser gravadafuncionários das alfândegas e aos meios de comunicação, caso um noutro ficheiro, enquanto as imagens menores podem serobjecto tenha sido roubado (ver o capítulo sobre Tráfico Ilícito) e disponibilizadas on-line. O formato de imagem recomendado parapodem ser inseridas na Internet, se a colecção ficar disponivel on- imagens de arquivo é TIFF e para imagens de referência é JPEG.line. Idealmente, seria útil ter uma imagem global do objecto, Se o museu tiver fotografias convencionais, pode ser eficazmais uma ou mais imagens mais detalhadas sobre as características fazer cópias digitais para utilizá-las juntamente com as imagenspróprias e inscrições. 46
  • 55. Como Gerir um Museu: Manual PráticoInventário e Documentaçãodigitalizadas. Se uma terceira parte tiver imagens do acervo domuseu, como por exemplo no relatório da escavação ou numapublicação, estas também podem ser fontes potenciais. Comoreferido acima, um projecto de reserva é a oportunidade idealpara obter uma série de imagens digitais. Também é importanteobter a imagem à medida que se actualiza a incorporação e acatalogação. Se o museu utilizar um sistema de catalogação informático,deve ser possível acrescentar as imagens obtidas aos registos, deforma que a imagem principal faça parte do registo decatalogação. O Número de Referência da Imagem liga a imagemao registo da catalogação. Informação sobre o Acervo na InternetSe o museu estiver a desenvolver registos informáticos e imagens Exem p lo s d o r eg ist o d e cat alo gação e im agem d e r ef er ên cia n um a ap licação d e cat alo gação n a In t er n et : Museu d e Cer âm icadigitais, isto pode ser o começo para providenciar acesso à e Vid r o d e Lo n d r es, w w w .m useum o f lo n d o n .o r g.uk/cer am icsinformação sobre o seu acervo na Internet. (r ep r o d uzid o co m aut o r ização d o Museu d e Lo n d r es). Dependendo dos equipamentos e técnicas disponíveis domuseu, isto pode ser realizado dando acesso on-line a um módulo uma combinação de informações contextuais, imagens e registosde acesso público do sistema de catalogação do museu ou de catalogação básicos, como o historial do acervo e a capacidadecopiando informação do sistema interno para uma aplicação para navegar sobre os seus temas principais.específica da Internet. O s requisitos técnicos podem ser avaliados Se o museu decidir desenvolver um sistema de catalogação naem paralelo com a revisão do sistema informático. internet, pode ser útil discutir com outros museus o potencial Um aspecto fundamental ao considerar o desenvolvimento da para uma abordagem partilhada, como uma página de internet einternet, é identificar os potenciais utilizadores e fazer coincidir o um catálogo nacional partilhado.recurso da internet com o seu interesse. O museu tem de decidirqual a sua prioridade: apoiar os investigadores, público geral ou Recursos humanos e financeirosgrupos educativos. É provável que o principal interesse dos Um dos maiores custos associado à documentação é o trabalhoinvestigadores seja a flexibilidade para procurar e navegar nos envolvido no desenvolvimento de registos e em particular naregistos detalhados de catalogação e imagens. O público e os elaboração da catalogação de reserva. Além da contribuição doutilizadores para efeitos educativos podem ser mais inspirados por 47
  • 56. Como Gerir um Museu: Manual PráticoInventário e Documentaçãopessoal principal, este tipo de trabalho é muito compensador para informação geral (http:/ / www.mda.org.uk / ), inclusive cópias deo pessoal do projecto (temporário e voluntário), que pode uma série de Folhas de Factodesenvolver competências valiosas. (http:/ / www.mda.org.uk/ facts.htm). O utra organização O segundo ponto principal relacionado com o orçamento é o estabelecida há já bastante tempo é a Rede Informática doscusto do sistema informático, inclusive o equipamento e a Museus dos EUA (MCN), com um vasto aconselhamento paraaplicação informática da catalogação, programas de imagem, o membros (http:/ / www.mcn.edu / ).potencial acesso aos serviços da internet e a substituição regularou actualizada dos mesmos. Também será necessário fazer umorçamento para consumíveis, inclusive registos, formulários ecartões ou folhas de catalogação, caso utilize o sistema manual.Exer cício : elab o r e u m a r evisão d e o u t r o s lo cais d a in t er n et ,d esen vo lvid o s p o r m u seus co m in t er esses e acer vo s sem elh an t ese avalie t am b ém as n ecessid ad es d o s ut ilizad o r es, p ar aid en t if icar q u ais as in f o r m açõ es q u e ser iam ú t eis n a In t er n et eco m o est as in f lu en ciam a f o r m a d e cat alo g ação e im ag em . Par at er u m a id eia m elh o r , ver o caso d o s m u seu s ir aq u ian o sh t t p ://ico m .m u seu m /ir aq .h t m l. Fontes e ReferênciasVárias organizações internacionais e nacionais desenvolveramprincípios de documentação nos últimos 3 0 anos. Estes podemser consultados para aconselhamento e apoio adicional. O Comité Internacional para a Documentação do ConselhoInternacional de Museus (ICO M-CIDO C), é o principal órgãointernacional. O CIDO C pode ser contactado através do ICO M,ou aceder à página de Internet do CIDO C para informação geral(http:/ / www.cidoc.icom.org/ ). A MDA (Associação para aDocumentação do Museu) do Reino Unido é uma dasorganizações nacionais mais antigas. O site da MDA tem 48
  • 57. Como Gerir um Museu: Manual PráticoInventário e Documentação Apêndice. Campos de catalogação recomendados Informação sobre a aquisição Dados sobre a aquisição do objecto pelo museu, documentando o Gestão do objecto estado legal do objecto no acervo. Estas informações devem serIdentificação do objecto registadas quando o objecto for adquirido e incorporado noNome do museu (campo obrigatório) registo da catalogação.O nome de museu, incluindo o nome e a cidade ou cidade nas Número da incorporaçãoquais o museu está estabelecido. O número de incorporação geral do conjunto do qual o objecto Exemplo: Museu Árabe, Bagdad faz parte, caso o museu utilize a numeração do conjunto. Se oNúmero do objecto (campo obrigatório) Número do O bjecto for um subconjunto do número do conjunto,O número do objecto, atribuído pelo museu e marcado ou fixado este número da incorporação deve estar implícito no N úmero doao objecto. Se o museu utilizar o número do conjunto da O bjecto.incorporação, este número do objecto pode ser um subconjunto Exemplos:do número do conjunto ou independente do número do M étodo da aquisição (campo obrigatório)conjunto. Se o museu utilizar a atribuição do número (pessoal e O método pelo qual o objecto foi adquirido.intransmissível) da incorporação ao objecto, este número deve ser Exemplo: “escavação”, “doação”, “compra”, “desconhecido”igual ao número da incorporação. O número do objecto deve ser O manual da AFRICO M (campo 1 .5 ) tem uma lista deúnico no museu: se os mesmos números forem utilizados por dois termos.ou mais departamentos ou em duas ou mais colecções, antes de D da aquisição (campo obrigatório) atacada número, acrescente um código para tornar o número único. A data em que o objecto foi adquirido. Exemplo: IM 0 1 2 3 4 5 ,1 Exemplo: “2 0 0 4 / 0 8 / 2 4 ” No caso de um objecto proveniente de uma escavação, o Fonte da aquisição (campo obrigatório)museu deve decidir se é possível utilizar o mesmo número O nome da pessoa, grupo ou organização a quem o objecto foiatribuído na altura da escavação (numeração da adquirido.colecção/ escavação), ou se atribui um número do objecto Exemplos:independente. Se for possível acordar uma numeração comumaproximada, com o escavador, isto pode evitar a necessidade de Informação sobre o armazenamentorenumerar e marcar os objectos e apoiar a incorporação do Detalhes sobre a localização do objecto no museu ou numaregisto do acervo e da escavação no museu. Se este não for o entidade externa.caso, o número de escavação original deve ser registado no registo Localização normal (campo obrigatório)do museu. A localização normal do objecto, como a área de armazenamento ou galeria. Incluiu informação específica, de forma que o objecto 49
  • 58. Como Gerir um Museu: Manual PráticoInventário e Documentaçãopossa ser localizado facilmente. Actualize esta informação sempre M étodo de conservaçãoque o objecto seja movido para uma nova localização a longo O método primário ou técnica de tratamento utilizada durante oprazo. trabalho de conservação. Exemplo: Exemplo: “limpeza” , “reparação”Localização actual (campo obrigatório) D da conservação ataA localização actual do objecto, como meio de localização do A data do trabalho de conservação.objecto sempre que seja movido da sua localização permanente, Exemplo: “2 0 0 4 / 0 8 / 2 4 ”por exemplo aquando da sua conservação ou por empréstimo a Conservadoroutro museu. Actualize esta informação e o campo da data A pessoa que efectuou o trabalho de conservação.sempre que o objecto seja movido. Exemplos: Exemplo: Número de referência da conservaçãoD da localização actual (campo obrigatório) ata Ligação para uma informação mais completa sobre o trabalho deA data em que o objecto foi movido da sua localização actual. conservação, como dados sobre os métodos utilizados e osActualize esta informação sempre que o objecto seja movido. resultados do trabalho. Exemplo: “2 0 0 4 / 0 8 / 2 4 ” Exemplos:M otivo da localização actual Informação sobre o abatimento e cedênciaO motivo pelo qual o objecto foi movido da sua localização Registo da informação sobre a remoção, quando o objecto éactual. removido do acervo. O registo geral deve ficar no museu, deActualize esta informação sempre que o objecto seja movido. forma que este tenha provas sobre o destino do objecto. Exemplo: “conservação”, “empréstimo” M étodo de abatimento/cedênciaResponsável pela remoção O método pelo qual o objecto é removido do acervo.O membro do pessoal que moveu o objecto da sua localização Exemplo: “destruição”, “perda”, “transferência”actual. Actualize esta informação sempre que o objecto seja D da cedência atamovido. A data do abatimento e remoção do objecto. Exemplos: Exemplo: “2 0 0 3 / 0 1 / 1 2 ” Destinatário da cedênciaDados sobre a conservação O nome da organização que recebeu o objecto, caso o objectoInformação sobre o trabalho de conservação no objecto. seja transferido para outra organização.Complete esta informação sempre que o objecto seja motivo de Exemplos:conservação. 50
  • 59. Como Gerir um Museu: Manual PráticoInventário e Documentação Descrição do objecto investigadores e o público. A disponibilidade de uma imagem éA valiação descritiva geral particularmente valiosa se o objecto for roubado e se o museuD escrição física disponibilizar acesso on-line à catalogação. Se possível, incorporeUma descrição física geral breve, sumarizando os atributos físicos várias versões da imagem no próprio registo. O número dado objecto. Deve estar disponível, em caso de perda de dados na imagem pode ser comparável ao número do objecto ou numacatalogação da galeria ou da exposição, numa publicação ou num série independente.sistema on-line. Se o objecto é composto de duas ou mais partes, Informação sobre a classificação e o nomeclarifique-o na descrição. Não inclua informação sobre a condição Nome do objecto/nome comum (campo obrigatório)do objecto ou evidência de danos, reparações ou defeitos (ver os O nome comum do objecto, mais conhecido entre um membrocampos Avaliação da Condição e Características Próprias) do público ou investigador. Pode ser útil incluir um nome geral, Exemplo: “Lira da Rainha de Ur, Sul do Iraque, c.2 6 0 0 - seguido pelo nome técnico mais específico, de forma que a2 4 0 0 BC” informação seja comum ao utilizador geral e ao investigador. NoC aracterísticas próprias caso de um objecto arqueológico, de arte ou de história, esteApontamento específico sobre qualquer característica própria registo pode ser completado pelos dois campos da categoriadeste objecto que pode ser utilizada para ajudar a identificá-lo e a (Categoria por forma, função ou tipo e Categoria por técnica).distingui-lo de outros objectos semelhantes, em caso de roubo. No caso de um espécimen de história natural, este registo é para aInclua provas de danos, reparações ou defeitos, com dados forma não latina do nome, enquanto o nome latino é registado nodetalhados na informação do estado de conservação (ver o campo nome de Classificação.Avaliação do Estado de Conservação). O mita informações sobre Exemplos: “orquídea cometa”, “lápide cuneiforme”,inscrições e marcas (ver campos de Inscrição independentes). O “chávena”, “selo cilíndrico”, “lira”, “banco”trabalho durante o projecto do O bjecto ID estabelece que esta Nome localinformação é particularmente útil para os agentes da autoridade, O nome vernáculo do objecto ou o nome em outro idioma.em combinação com imagens do objecto mostrando as suas Exemplos:características. Registe a informação num estilo não técnico para Títuloque possa ser interpretado prontamente, pelos agentes da O título do objecto ou o nome dado ao objecto pelo seuautoridade. fabricante ou por referência à sua iconografia. Exemplo: “uma racha em linha na tigela, reparações na base” Exemplo:Fotografias e imagens digitais Nome de classificaçãoNúmero da referência da imagem O nome de classificação de um espécimen de história natural.Informação sobre uma ou mais fotografias ou imagens digitais que Exemplo: “angraecum sesquipedale”podem ser utilizadas para identificar o objecto e consultadas pelos 51
  • 60. Como Gerir um Museu: Manual PráticoInventário e DocumentaçãoC ategoria por forma, função ou tipo D imensões (campo obrigatório)Termo de classificação que descreve a forma física, função ou tipo As dimensões do objecto, inclusive a altura, comprimento e peso,do objecto. O método específico dependerá da área de estudo. caso apropriado. Utilize mm e gr como unidades. Exemplos: “recipiente”, “mobiliário” Exemplos: O manual da AFRICO M (campo 2 .2 ) tem uma lista de Forma do espécimentermos de exemplos. A forma física do espécimen de história natural. A Lista Vermelha Iraquiana de Antiguidades em Risco inclui Exemplos: “ovo” , “fóssil”várias categorias de objectos (lápide, cone, selo, placa, escultura, Parte do corporecipiente, jóia, manuscrito, fragmento arquitectónico, moeda) A parte específica do corpo representada pelo espécimen(http:/ / icom.museum/ redlist/ irak/ en/ index.html) biológico.C ategoria por técnica Exemplo: “crânio”Termo de classificação que descreve a técnica de produção do Sexoobjecto. O método específico deve ser registado no campo O sexo do espécimen.Técnica. A utilização deste campo de classificação dependerá do Exemplos: “ macho”, “desconhecido”tipo de acervo. Idade ou fase Exemplos: “cerâmica”, “cestaria” A idade da fase de evolução do espécimen. O manual da AFRICO M (campo 2 .3 ) tem uma lista de Exemplo: “adulto”termos de exemplos. Conteúdo/tema físicoC aracterísticas físicas Conteúdo/temaM aterial (campo obrigatório) Tema ou iconografia do objecto, inclusive a representação deO s materiais dos quais o objecto é feito. Pode ser necessário conceitos abstractos, pessoas, locais e eventos. Não incluaregistar duas ou mais condições. informação sobre inscrições e marcas (ver abaixo). Exemplos: “ouro”, “mármore”, “barro” Exemplo: “representação de um animal” O manual da AFRICO M (campo 2 .1 4 ) tem uma lista de Inscrições e marcastermos de exemplos. Informação sobre inscrições e marcas no objecto.Técnica Elabore detalhes separados sobre cada inscrição significativa noA técnica ou processo utilizado para criar o objecto. Pode ser objecto. Tal como as Características Próprias, estas informaçõesnecessário registar duas ou mais condições. podem ser úteis em caso de roubo, mas também são um valioso Exemplos: “dourado”, “imprimido”, “ tecido” recurso para investigadores, particularmente quando apoiadas por O manual da AFRICO M (campo 2 .1 5 ) tem uma lista de uma imagem.termos de exemplos. 52
  • 61. Como Gerir um Museu: Manual PráticoInventário e DocumentaçãoTipo de inscrição/marca HistorialO tipo de inscrição. Comentários históricos Exemplos: “inscrição”, “marca”, “assinatura”, “marca de Breve historial do objecto, para utilizar na catalogação da galeriaágua” ou exposição, publicação ou sistema on-line.M étodo de inscrição Exemplos:O método utilizado para produzir a característica. Informação sobre a produção Exemplos: “gravação”, “corte”, “estampado” Produtor/fabricantePosição da inscrição Pessoa, organização ou grupo social ou cultural que produziu oA posição da inscrição no objecto. objecto. No caso de um objecto complexo, pode ser necessário Exemplo: “base” registar dois ou mais nomes e qualificá-los com o papel da pessoa,Transcrição da inscrição grupo ou organização (“artista”, “gravador”, “designer”, etc.).Transcrição da fonte, no idioma original. Exemplo: Exemplos: Local da produçãoTradução da inscrição O local onde o objecto foi produzido.Tradução da fonte. Exemplo: “desconhecido” Exemplos: Período/data da produçãoDescrição da inscrição Período ou data da produção do objecto. O museu deve elaborarDescrição ou interpretação da inscrição. uma lista de termos para períodos. Exemplos: Exemplos: “Uruk III”, “6 0 0 -3 0 0 BC”Informação da C ondição Informação sobre a utilizaçãoResumo do estado de conservação do objecto, incluindo a Utilizadoravaliação e data do estado de conservação. Inclua uma descrição Pessoa, organização ou grupo social ou cultural que utilizaram oumais completa sobre a condição física do objecto nas estavam associados ao objecto.Características Próprias. Complete esta informação sempre que Exemplos:existir uma avaliação do estado de conservação. Localização da utilizaçãoAvaliação do estado de conservação O local onde o objecto foi utilizado ou associado com a históriaAvaliação da condição física do objecto. do objecto. Exemplo: “frágil” Exemplos:D do estado de conservação ata Período/data de utilizaçãoA data da avaliação do estado de conservação. Período ou data em que o objecto foi utilizado. Exemplo: “2 0 0 4 / 0 8 / 2 4 ” Exemplo: “6 0 0 BC” 53
  • 62. Como Gerir um Museu: Manual PráticoInventário e DocumentaçãoInformação sobre o local do acervo e da escavação Exemplos: “colecta à superfície”, “escavação”Local do acervo ou da escavação (proveniência) Numeração da colecta/escavaçãoA descrição geográfica do local onde o objecto foi encontrado ou Número de referência atribuído ao objecto pelo colector ouescavado. Deve incluir uma hierarquia de condições que definam escavador, caso seja diferente do Número do O bjecto.o local, de específico a geral. Exemplo: “ND9 9 9 9 ” Exemplo: “Nimrud, Iraque” D ocumentaçãoReferência/nome do local Referências da publicaçãoNome de referência ou código do local no sistema do museu ou Informação sobre as fontes publicadas ou imagens e outrasno sistema arqueológico relacionado. ilustrações do objecto, incluindo referências bibliográficas. Exemplo: .Coordenadas do localCoordenadas geográficas do local. Exemplos:Coordenadas do objecto no localCoordenadas relativas à localização do objecto. Exemplo: “SW3 7 ”Tipo de localTipo de local, de acordo com a tipologia estabelecida. Exemplo:Idade/período da característicaA idade/ período arqueológico ou geológico do local. Exemplo:Colector/escavadorColector ou escavador do objecto, inclusive o nome do indivíduoe de qualquer expedição. Exemplo:D da colecta/escavação ataData em que o objecto foi obtido. Exemplos: “1 9 2 1 ”M étodo da colecta/escavaçãoMétodo da colecta. 54
  • 63. Conservação e Preservação do Acervo Stefan Michalski Cientista de Conservação Sénior, Instituto de Conservação Canadense Introdução à preservação do acervo Estabelecer prioridades e avaliar os riscosA literatura sobre conservação e preservação pode parecer Fundamentalmente, toda a preservação do património,frequentemente ser dominada por uma enorme (e no final de incluindo o relativo ao acervo do museu, depende de duas fasescontas inalcançável) lista de coisas a fazer. Pode-se ficar tão da tomada de decisões:ocupado a seguir este bom conselho que nunca há tempo para 1 . Selecção: o que pode e deve ser preservado relativamenteolhar para trás e verificar se foi realmente o melhor método para aos recursos disponíveis do museu?alcançar o objectivo principal: preservar o acervo. Este capítulo 2 . Avaliação e gestão dos riscos: utilizar recursos humanos eadopta um método recentemente desenvolvido, de considerar a outros para reduzir possíveis danos.preservação e conservação do acervo como um todo, antes de se A fase de selecção é a preocupação principal de outrosfocalizar nos detalhes. capítulos deste livro (particularmente em O Papel dos Museus e o Ao mesmo tempo, a preservação do acervo continua um Código Profissional de Ética e Gestão do Acervo). Porém, énegócio muito prático que necessita de aconselhamento prático importante reconhecer que a natureza, escolha e historial dominucioso, em conjunto com este novo método de pensamento. acervo determinam em muito, as capacidades e os recursos que oPor esse motivo, este capítulo também contém muitos exemplos museu necessita para preservar o seu acervo.práticos e estudos de caso (baseados em casos reais ou em Nos museus pequenos e grandes, a maior parte do acervoconjunto com estes) utilizando a experiência do autor na chegou muito antes do pessoal actual. A decisão para a aquisiçãoinspecção e aconselhamento de museus, maiores ou menores, em de novos objectos, é muitas vezes tomada sem a consulta dosmuitos países, incluindo o Egipto e o Kuwait. Não é possível peritos sobre determinada preservação especial, por isso, cada vezabranger todos os detalhes sobre os procedimentos e normas de mais, as políticas de aquisição do museu exigem a avaliação dapreservação e conservação num capítulo introdutório tão breve, condição e da conservação antes da compra de bens adicionais oupor isso sempre que existam referências úteis, estas serão de aceitar doações. Como a remoção dos bens do acervoindicadas. (abatimento) é rara, e frequentemente dolosa na maioria dos 55
  • 64. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervocasos, o acervo do museu tem sempre tendência a aumentar. Por utilizados em outros campos, incluindo noutras áreas do museuoutro lado, também envelhece. para além da preservação do acervo. O capítulo sobre Segurança Estes factos originam dois dos principais problemas da do Museu provê informação sobre a gestão de risco em relaçãopreservação do acervo. Existe uma pressão constante sobre a aos riscos globais para o museu e para as suas instalações. Oreserva para que se tenha cada vez menos instalações para reserva capítulo sobre Gestão de Pessoal provê informação sobre os riscose investigação do que as necessárias e daí o consequente excesso. de saúde e segurança em relação ao pessoal e aos visitantes. EmAo mesmo tempo, a conservação precisa de incluir várias todas as aplicações permanece o mesmo conceito básico, reduzir acategorias de artefactos devido à idade do acervo. Muitos bens, possibilidade de perda.tais como metais arqueológicos ou maquinaria histórica, podem A gestão de risco do acervo não se baseia no próximo ano oudeteriorar-se muito mais rápido, a partir do momento em que nos próximos dez anos ou até mesmo na nossa própria vida.foram “salvos” pelo museu, do que quando estavam lacrados no Baseia-se na vida dos nossos filhos e nos filhos deles e assim porchão ou a serem utilizados na fábrica histórica. diante. A experiência na gestão de risco do acervo demonstrou Apesar dos museus terem a tendência de assumir que o único que o ponto de referência prático para se pensar em risco é demeio de resolver o desequilíbrio entre as necessidades do acervo e 1 0 0 anos. A principal competência na avaliação do risco éos recursos disponíveis é a procura de novo pessoal, instalações e conseguir encontrar todos os vários motivos por que, daqui a 1 0 0dinheiro, o museu e a sua comunidade devem de vez em quando, anos, o seu acervo estará em piores condições do quefazer a si próprios três perguntas: Por que motivo preservar estas actualmente, e descrever cada um desses motivos em palavrascoisas em particular? Q uais as coisas novas que queremos correntes. As secções posteriores darão sugestões de como o fazercoleccionar? Porquê? (Ver também o capítulo sobre Gestão do sistematicamente.Acervo.) Classificação dos riscos no acervo Reduzir possíveis perdas e riscos nos próximos 100 anos ou mais Existem vários métodos para classificar e listar as causas potenciaisNo seu uso quotidiano e como termo técnico, risco significa de perda e danos do acervo. No entanto, ao tentar compreenderapenas “possibilidade de perda” . No passado, os museus e planear a preservação, é necessário escolher um único ponto deutilizaram a palavra risco, apenas para a possibilidade de perdas vista sobre estas causas para depois aplicá-lo constantemente.raras e catastróficas, como incêndio, roubo, danos provocados Também é importante que a lista de causas seja completa, depela guerra ou desastres naturais principais. Neste capítulo, a forma que no nosso trabalho de preservação do acervo, não nos“possibilidade de perda” inclui os danos ao acervo, graduais e esqueçamos de nada.cumulativos, causados por agentes como humidade, insectos, luz e Este capítulo utiliza o ponto de vista do objecto para as causas,poluição. A preservação do acervo é a redução de toda e desenvolvido pelo Instituto de Conservação Canadense (CCI), equalquer perda futura, ou seja, gestão de risco do acervo. originalmente divulgado no cartaz de informação Estrutura de O s termos, risco e gestão de risco, são actualmente muito Preservação (disponível em papel e no site www.cci-icc.gc.ca). 56
  • 65. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do AcervoPor exemplo, as causas de quebra podem ser devidas a pessoal peritos especializados na gestão de risco (ver o glossário emsem formação aquando da manipulação segura de artefactos ou www.sra.org) mas as definições no dicionário comum contêm aum terramoto, mas em ambos os casos, a causa do próprio essência: Risco significa “possibilidade de perda”, perigo significaobjecto, o agente que age directamente no artefacto, é uma força “fonte de insegurança”. (A origem da palavra inglesa “hazard”física directa. Existem Nove Agentes de Deterioração que (azar, perigo) é a palavra árabe az-zahr, nome dado aos dadosprovocam danos ou perda para o acervo: 1 forças físicas directas, utilizados num jogo de sorte e azar. As palavras “perigo” e “sorte2 ladrões, vândalos e pessoal distraído, 3 incêndio, 4 água, 5 e azar” estiveram sempre ligadas aos negócios humanos). A listapragas, 6 contaminantes, 7 radiação 8 temperatura incorrecta e 9 de todos os perigos possíveis é indefinida, tal como a lista dehumidade relativa incorrecta. Estes agentes são listados mais todos os riscos possíveis. No entanto, a lista dos Nove Agentes dedetalhadamente na Tabela 1 . Deterioração é, misericordiosamente, completa. Esta classificação é válida para ajudar a pensar no âmago da Como exemplo de todas as condições (agente, perigo, risco)gestão de risco do acervo. Por exemplo, as forças físicas (agente considere o risco da cor que enfraquece num têxtil em mostra. Ode deterioração) ao agirem num objecto cerâmico ou numa agente de deterioração é a luminosidade que incide sobre acolecção inteira, podem causar deformação ou fractura ou perda superfície do artefacto. A intensidade deste agente pode serde superfície (riscos). O s riscos são basicamente os mesmos, se a medida por um fotómetro simples e relativamente barato. (Asforça física for provocada por um terramoto que lança objectos unidades de intensidade da luz são lux - lumens por metroao chão (perigo) ou provocadas por um curador que move quadrado). O perigo, neste caso, poderá ser o sistema deobjectos abarrotados durante as preparações para a exposição iluminação impróprio ou o projectista da exposição que planeia a(outro perigo). No entanto, se o artefacto estiver firmemente intensidade errada ou o preparador que colocou o têxtil muitoseguro por um apoio acolchoado, então está protegido de todos perto das lâmpadas ou o técnico de manutenção que utilizou asestes perigos. Por outras palavras, o apoio acolchoado reduz o lâmpadas de substituição erradas ou a luz do dia que incidiu norisco das forças físicas que podem ter muitas causas numa cadeia têxtil através de uma janela desprotegida (ou inadequadamentede causas. Noutro exemplo, os ladrões, vândalos e os distraídos protegida) ou o arquitecto que projectou as clarabóias ou o(pessoa que muda o artefacto para o local errado) agem todos da guarda que ao contrário das instruções recebidas, abre as cortinasmesma forma: agarram o artefacto e levam-no para um local especialmente concebidas para controlar a luz na sala.desconhecido. O s perigos, as últimas causas, podem variar desdecriminosos locais a investigadores distraídos, mas relativamente Apreservação do acervo envolve todo o pessoal do museuaos procedimentos de gestão de risco, os benefícios de acesso A Tabela 1 também mostra as relações com outras actividades econtrolado e a inspecção de inventário frequente, utilizando boa áreas do museu envolvidas no controlo de determinados riscos.documentação, estes serão os mesmos. Muitas actividades e especialistas do museu estão envolvidos, A tabela 1 relaciona os agentes com os riscos e os perigos. A directa ou indirectamente, com a preservação do acervo. Adistinção entre risco e perigo está tecnicamente definida por curadoria, gestão do acervo, documentação, exposição, segurança 57
  • 66. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervo Tabela 1. Os No v e Ag en t es d a Det er io r ação Perigos Riscos do Agente Algumas outras actividades e áreas Agente da Deterioração (Fontes e Atractivos do Agente) (Forma de perda ou dano e acervo vulnerável) envolvidas na gestão de cada risco Lista parcial Co n ser vação * . Ter r am o t o s. Guer r a.Forças físicas directas To d o o p esso al d o m useu n a Man ip ulação d ef icien t e. Qu eb r a, d ist o r ção , f ur o , en t alh es, ar r an h õ es, ab r asão , d et ecção , co n t r o lo e r esp o st a d ep o r ex:, ch o q u e, vib r ação , Ar m azen am en t o em excesso . To d o s o s ar t ef act o s. em er gên cia. Ed if ício s d e ser viço sab r asão e g r avid ad e Tr ân sit o d en t r o d e e f o r a d o d e lim p eza. m useu. Pr even ção d e em er gên cia, m useu e go ver n o .Ladrões, vândalos, pessoal Cr im in o so s p r o f issio n ais e 1 Per d a t o t al, a m en o s q ue seja r ecup er ad o . To d o s o sdistraído am ad o r es. Segur an ça. ar t ef act o s, m as esp ecialm en t e o s ar t ef act o s valio so s ei.e. n ão au t o r ização d e Púb lico ger al. Gest ão d o acer vo . p o r t át eis. Def o r m ação , esp ecialm en t e d e ar t ef act o sacesso e r em o ção h u m an a. Pesso al d o m useu . Cur ad o r es e in vest igad o r es. p o p u lar es o u sim b ó lico s.1 in t en cio n al Ar t ef act o s p r ecio so s m uit o Po lícia lo cal. 2 Per d a o u d esap ar ecim en t o . To d o s o s ar t ef act o s.2 n ão in t en cio n al visíveis. In st alação d a exp o sição . Sist em as Dest r uição t o t al sem r ecup er ação . Queim ad ur as. Dan o s Segur an ça (in cên d io ). To d o o eléct r ico s e ilum in ação d ef eit uo sa. p r o vo cad o s p elo f um o . p esso al d o m useu n a d et ecção .Incêndio In cên d io p r em ed it ad o . Fum o Dan o s co lat er ais p r o vo cad o s p ela água. To d o s o s Ser viço d e in cên d io lo cal. d evid o a d escuid o . ar t ef act o s. Co n ser vação * . Ed if ício s ad jacen t es. Mar cas o u f luxo s d e ef lo r escên cia em m at er iais In un d açõ es. Tem p est ad es. Co n ser vação * . p o r o so s. Telh ad o s d ef eit uo so s. Ligaçõ es d e Pr even ção d e em er gên cia, In ch aço d e m at er iais o r gân ico s. água e esgo t o s in t er n o s m useu e go ver n o . Co r r o são d e m et ais. d ef eit uo so s. To d o o p esso al d o m useu n aÁgua Disso lução d e co las. Lig açõ es d e água e esgo t o s d et ecção e r esp o st a à Divisão em cam ad as, co b er t ur a, d ef o r m ação d e ext er n o s d ef eit uo so s. em er gên cia. ar t ef act o s co m co m p o n en t es em cam ad as, So lt ur a, Can alização d o s sist em as d e Ser viço s d e lim p eza d as f r act ur a, co r r o são d e ar t ef act o s co m co m p o n en t es sup r essão d e in cên d io . in st alaçõ es. u n id o s. En co lh im en t o d e p an o s o u t elas em t ecid o . Paisagem cir cun d an t e. Co n ser vação . * 1 co n sum o , p er f ur ação , co r t es, t ún eis. Excr et a q uePragas Hab it at s d e veget ação p r ó xim o s Act ivid ad es n as in st alaçõ es. d est r ó i, d eb ilit a, d esf igur a o u caut er iza m at er iais,1 in sect o s d o p er ím et r o d o ed if ício . Ser viço s d e co m id a. esp ecialm en t e p eles, p en as, co ur o , co lecçõ es d e2 in sect o s n o civo s, aves, Hab it at s d e lixo . Plan o d a exp o sição . in sect o s, t ecid o s, p ap el e m ad eir a.o u t r o s an im ais En t r ad a d e m at er iais d e To d o o p esso al d o m useu . 2 co n sum o d e m at er iais o r gân ico s, d eslo cam en t o d e3 f u n g o s, b act ér ias (ver co n st r ução . Co m p an h ias d e co n t r o lo d e it en s m ais p eq uen o s. Sujid ad e d e f ezes e ur in a.Hu m id ad e Relat iva En t r ad a d e ar t ef act o s. p r aga ext er n a. Per f ur ação , sujid ad e d e m at er iais in o r gân ico s casoIn co r r ect a: h u m id ad e) En t r ad a d e p esso al, visit an t es. Bió lo go s ext er n o s p ar a sejam um o b st áculo p ar a alcan çar o m at er ial o r gân ico . Der r am am en t o d e co m id a. id en t if icação . 58
  • 67. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do AcervoHistória de caso sobre o trabalho de equipa do museu: luz solar e guardasUm a cu r ad o r a ad q u ir e u m t êxt il an t ig o d e u m a f am ília lo cal. Ela d esejo u -o d u r an t e an o s p ar a a co lecção d o m u seu . O t êxt il est eve g u ar d ad o n aar ca d o en xo val d o s b isavó s. Co n co r d ar am em d á-lo ao m u seu , em t r o ca d e p er m an ecer em m o st r a n u m lo cal p r o em in en t e. Ela est u d a ap ar ed e o n d e q u er p ô -lo e n o t a q u e a cer t a alt ur a d o d ia, o so l in cid e n a p ar ed e . As ven ezian as d a jan ela t in h am sid o ab er t as p ela em p r eg ad ad e lim p eza e o seg u r an ça m an t eve-as ab er t as p ar a ven t ilação . A cu r ad o r a p er g u n t a se p o d e f ech ar as ven ezian as m as eles r eclam am q u e ser ád esco n f o r t ável en q u an t o t r ab alh am . Ela t in h a lid o n alg u m sít io q u e a luz p o d ia d an if icar o s t ecid o s, m as n ão t em a cer t eza. O m u seu d ela é m u it o p eq u en o p ar a t er u m esp ecialist a, p o r isso co n t act a u m p er it o d o in st it u t o d e co n ser vação n acio n al. Dep o is d oco n t act o , ele aco n selh a-a q u e r ealm en t e, alg u m as d as co r es d o t êxt il q u e ela d escr eve, p r o vavelm en t e en f r aq u ecer ão sig n if icat ivam en t e n oesp aço d e d o is an o s, se est iver em exp o st o s a d u as h o r as d e lu z so lar d ir ect a p o r d ia, e at é m esm o a lu z d o d ia in d ir ect a n a sala p r o vavelm en t ecau sar á o d esvan ecim en t o em d ez an o s. Ela d ecid e co n cen t r ar -se em p r im eir o lu gar , n o r isco m aio r , a lu z so lar d ir ect a. Or g an iza u m a r eu n iãoco m a em p r eg ad a d e lim p eza e o seg u r an ça n o seu escr it ó r io . Co n vid a-o s a in sp eccio n ar o m ar avilh o so t êxt il, exp lica a su a r elação h ist ó r icaco m a co m u n id ad e e exp lica o d ilem a. Dep o is d e alg u m a d iscu ssão , o segu r an ça d iz q u e ag o r a co m p r een d e m elh o r o s m o t ivo s e q u e p o d ef ech ar as ven ezian as d ur an t e as d uas h o r as em q u e o so l é u m p r o b lem a. Ele p o d e t r o car d e lo cal p ar a p er t o d e o u t r a jan ela ab er t a sem so ld u r an t e aq u ela p ar t e d o d ia. Du r an t e a co n ver sa, a em p r eg ad a d e lim p eza o b ser vo u q u e n o an o p assad o , q u an d o ch o veu (q u an d o a cu r ad o r a est ava d e f ér ias), elad esco b r iu ág u a su ja n aq uela p ar ed e, p r o ven ien t e d e u m a f u g a d o t elh ad o , m as ela lim p o u -a. Ela d isse q u e n ão sab ia a q u em f alar so b r e oassu n t o . Talvez isso t am b ém p o ssa ser u m p r o b lem a? A cu r ad o r a ap er ceb e-se q u e ag o r a t em q ue d iscu t ir o caso co m o p r o ject ist a d aexp o sição e co m o h o m em r esp o n sável p elo t elh ad o d o ed if ício , p ar a r eso lver o r isco d a ág u a. A em p r eg ad a d e lim p eza e o segu r an ça sen t em -se m ais lig ad o s à co lecção d o m u seu e co m p r een d em q u e t am b ém t êm um p ap el f u n d am en t al a d esem p en h ar . Af in al d e co n t as, eles são op esso al q u e d iar iam en t e t o m a co n t a d a sala d e exp o sição e as su as o b ser vaçõ es são u m a valio sa p ar t e d a m o n it o r ização d o acer vo . Exercício: Lem b r e-se d e q u alq u er exp er iên cia d e t r ab alh o d e eq u ip a, p o sit ivo o u n eg at ivo , o u caso n ão t en h a aco n t ecid o , im ag in e o n d e eq u an d o n o seu m u seu , vo cê p u d esse est ar en vo lvid o n a p ar t ilh a d e t al co n h ecim en t o . Desen h e n u m a f o lh a d e p ap el, cír cu lo s q u er ep r esen t em p elo m en o s 3 o u m ais in d ivíd u o s d o seu m u seu e d em o n st r e at r avés d e set as q u e lig am o s cír cu lo s, q u ais o s co n h ecim en t o s o uact ivid ad es q u e são p ar t ilh ad as. Se exist ir em b ar r eir as o r g an izacio n ais en t r e o s in d ivíd u o s, d esen h e lin h as m ais g r o ssas en t r e o s d o is, d e m o d oa b lo q u ear as set as. O seu m u seu p ar ece-lh e est ar ligad o en t r e si?e gestão, todos têm de contribuir bastante. assunto teórico: é essencial assegurar que os recursos limitados do O trabalho de equipa e a partilha de responsabilidade são museu são utilizados de forma eficaz. Na experiência do autor, osreconhecidos actualmente como elementos essenciais da gestão e museus pequenos trabalham em equipa e partilham aactividade museológica moderna e aplicam-se essencialmente na responsabilidade, naturalmente. Estão mais habilitados parameta de uma preservação do acervo eficaz. Isto não é apenas um observar todo o conjunto, incorporar novos conselhos sobre 59
  • 68. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervo Cada uma destas fases do ciclo será explicada mais à frente neste 0 Partida capítulo. Observar o óbvio Novos Algumas coisas específicas, tal como a construção de uma sala Novos Recursos Conhecimentos de reserva melhor, podem trazer benefícios muito tempo após terem sido completados. O utro tipo de coisas, como monitorizar 1 Observar e avaliar a sala de insectos, tem que continuar indefinidamente (com o seu todos os próprio ciclo). Mais subtilmente, o planeamento e projecto da riscos nova sala e a decisão para disponibilizar tempo e recursos na monitorização do insecto, deve fazer parte do ciclo de preservação normal. 4 Implementar melhorias 2 Elaborar opções para as melhorias Quem assume o papel da liderança na preservação? Tradicionalmente, os museus fragmentaram o ciclo de preservação, especialmente os museus maiores. Muita da reorganização dos museus dos últimos 2 0 anos, centralizou as 3 Planear as melhorias em responsabilidades de preservação do acervo sob o Departamento coordenação com o plano ou unidade de Gestão do Acervo, podendo estar integrado ou geral do museu não, o Departamento de Conservação. Figura 1. Ciclo d e p r eser vação d o acer vo q ue d eve ser co o r d en ad o O Departamento de Segurança normalmente é independente co m o u t r o s ciclo s d e p lan eam en t o d o m useu. da unidade de Gestão do Acervo, enquanto o planeamento ocorre muitas vezes em cada Departamento separadamente,preservação e coordenar as várias fases da preservação do que o apenas com o Escritório do Director apto a coordenar a política epessoal dos grandes museus. Nos grandes museus, a hierarquia, a tomada de decisões. No entanto, num museu muito pequeno,especialização e competitividade desordena, muitas vezes, o estes são apenas papéis diferentes que uma ou duas pessoastrabalho de equipa e a partilha de responsabilidade. Em tais partilham.situações, só existirá uma perspectiva partilhada sobre a Num museu grande com um Departamento de Conservaçãopreservação, em parceria com outras funções do museu, se esta independente, o conservador principal é normalmente ofizer parte da liderança entusiástica da administração de topo. responsável pela supervisão da condição e inspecção do risco do acervo e pela elaboração de possíveis opções. Alternativamente, C de preservação do acervo iclo pode ser o gestor do acervo que conduz o ciclo de avaliação,A preservação do acervo é um processo infinito. As actividades enquanto os museus pequenos contratam muitas vezes umpodem ser generalizadas como um ciclo que se repete (figura 1 ). conservador com experiência em inspecção. Nalguns países o 60
  • 69. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervocusto pode ser suportado através de apoio governamental, de cada artefacto ou de todos os artefactos. Também podem serenquanto alguns países têm agências governamentais de receitas recolhidas informações sobre a estimativa do trabalho de restauropermanentes que provêem investigação e aconselhamento. Em necessário para cada artefacto estragado e até mesmo do trabalhoquaisquer destes casos o inspector ou os inspectores fazem um previamente executado.relatório que descreve os riscos e normalmente faz Todos estes temas relacionados com as diferentes inspecções erecomendações para melhorias. O relatório torna-se então parte o seu papel na vida do museu, é descrito detalhadamente noda documentação de planeamento do museu. excelente livro de Susan Keene, (Keene, 2 0 0 2 ). A própria Independentemente de quem lidera a inspecção e o organização da autora, o Instituto de Conservação Canadense,planeamento do ciclo de preservação, o Director tem que está a desenvolver um sistema informático que conterá muitasdesempenhar um papel fundamental, à medida que contribui para questões detalhadas, com uma enciclopédia de avaliações de riscotodo o processo de planeamento do museu. especializadas em muitas respostas possíveis, mas esta ferramenta só estará disponível no futuro. O utros tipos de inspecção de conservaçãoExistem várias outras possíveis formas de inspecção além do C omo é que a conservação e o restauro se encaixam?modelo descrito neste capítulo, com uma variedade de nomes, Há cem anos atrás, o único trabalho dos responsáveis pelapor exemplo inspecção de conservação preventiva, inspecção de preservação dos artefactos do museu era o restauro, i.e., oconservação ou inspecção ao acervo. conserto e reconstrução de objectos preciosos, um de cada vez. Algumas organizações desenvolveram formas de inspecção Nos últimos cinquenta anos, esta profissão transformou-se emespeciais que permitem recolher informação uniformizada, de “conservador/ restaurador”. A conservação engloba tratamentosvários museus duma região. As respostas fornecem uma descrição que limpam, estabilizam e fortalecem o artefacto. O sdas actividades de preservação dos museus e das suas instalações, conservadores também podem por vezes, restabelecer emas não provê qualquer análise sobre o que é mais importante reconstruir antigos danos, mas sem tentar enganar o espectador.para a preservação do acervo. Normalmente deixam essa Porém, ainda continua a ser o tratamento de um artefacto deresponsabilidade para o perito que executa a inspecção e cada vez.designam sempre um perito para interpretar as respostas. As O s conservadores reconhecem a necessidade de prevenir novosorganizações reconheceram este problema e elaboraram danos e descobriram que os métodos de prevenção podem serinspecções com directrizes de “boa prática”. Assim, o museu aplicados a colecções inteiras. Isto designa-se “conservaçãopode comparar a sua própria situação com a “melhor prática” preventiva” quando comparado com tratamentos quenacional ou local, relativa à preservação. actualmente são designados como “conservação provisória”. A Um tipo mais tradicional de inspecção de conservação é a abordagem descrita neste capítulo, a gestão de risco, expande ainspecção do acervo. Algumas destas foram informatizadas. O ideia de conservação preventiva, insistindo no método quepropósito de tais inspecções é a avaliação da gravidade dos danos compara a eficácia de cada categoria principal ou custo do item 61
  • 70. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervode preservação, actual ou planeado. organização. Após aconselhar os museus sobre a preservação do A conservação e até mesmo o restauro de alguns artefactos acervo durante muitos anos, chegou-se realmente à conclusão queespeciais, ainda são necessários em museus, especialmente em a maioria da preservação é alcançada por uma breve lista detrabalhos de belas artes ou artes aplicadas, materiais arqueológicos recomendações a que nós podemos chamar “As estratégiasou materiais históricos que o museu quer exibir. Para os grandes básicas de preservação” ou apenas “estratégias básicas”. Assim,museus, é natural que exista um Departamento de Conservação antes de proceder aos refinamentos da gestão de risco, é útilque executa todas estas funções e que também pode ter a conferir primeiro as coisas básicas. Estas são fornecidas no quadroresponsabilidade pelas ideias de preservação deste capítulo. Em intitulado “As estratégias básicas de preservação”. Geralmente,museus de tamanho pequeno e médio, a conservação só está espera-se que um grande museu não tenha esquecido nenhumadisponível através do contrato de um especialista independente, das coisas básicas, mas a lista aplica-se muitas vezes a museus maisou em muitos países, por uma entidade de conservação pequenos ou a museus maiores sem recursos.patrocinada pelo estado. Para uma definição detalhada do conservador/ restaurador pela Por que é que são tão básicos?organização internacional que os representa, ver a página do O s itens básicos da lista podem reduzir vários riscos diferentes deComité para a Conservação do ICO M em www.icomcc.org. uma vez só, quase sempre a baixo custo ou podem reduzir umTambém contém notícias de todas as suas conferências, grupos de único risco catastrófico que poderá afectar todas as colecções etrabalho e publicações. A outra agência internacional, que todos talvez o próprio museu. No caso dos primeiros dois (telhados,os que trabalham na preservação do acervo devem conhecer, é a paredes, etc.) acontece a mesma coisa. Um telhado e paredesICCRO M, www.iccrom.org, uma organização intergovernamental seguras restringem todos os nove agentes de deterioração, nemestabelecida em Roma em 1 9 5 9 . É a única instituição deste tipo sempre eficazmente, mas sempre numa grande extensão. Estecom mandato mundial para promover a conservação de todos os facto pode parecer tão óbvio como fácil, mas para muitos museustipos de património cultural, móvel e imóvel. Visa melhorar a que garantem um “telhado seguro” e “paredes seguras” não équalidade da prática de conservação provendo informação, assim tão fácil. Nos últimos anos houve muitos relatórios deaconselhamento e formação e aumenta a consciencialização sobre alguns dos museus internacionais mais famosos que sofreram fugasa importância de preservar o património cultural, particularmente de água extensas e perigosas para as colecções devido à falta damas não exclusivamente dos seus mais de 1 0 0 Estados Membros. sua manutenção ou renovação. Além disso, muitos dos artefactos grandes ou os que não se Passo 1: C onfira os itens básicos podiam deslocar, foram deixados no exterior. Na figura 2 , foi Lista dos itens básicos instalado um telhado simples em cima da parte mais importante eExiste uma máxima famosa sobre gestão chamada a Lei de Pareto vulnerável do local arqueológico, perto do museu associado. Porque diz que a maioria dos benefícios de uma organização (8 0 % ) é outro lado, talvez digam que o edifício moderno à volta do barcoalcançada por uma pequena fracção (2 0 % ) dos esforços da solar (figura 3 ) com as suas enormes janelas expostas ao sol do 62
  • 71. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do AcervoEstratégias básicas para a preservação do acervoEst r at ég ias b ásicas q u e evit am t o d o s o s ag en t es o u a m aio r p ar t e d eles, d e um a vez só .1 Telh ad o seg u r o . Seg u r o co n t r a a p r ecip it ação lo cal, co b r in d o t o d o s o s ar t ef act o s o r gân ico s (e d e p r ef er ên cia, a m aio r ia d o s ar t ef act o s in o r gân ico s.) En q u an t o ist o é ó b vio at é m esm o p ar a as p esso as ext er n as ao s m useus, t am b ém se ap lica a o b ject o s gr an d es, co m o veículo s h ist ó r ico s o u m áq uin as h ist ó r icas co m p in t u r as. Não se p o d e esp er ar q ue so b r evivam m uit o s an o s ap ó s est ar em exp o st o s à luz so lar e à t em p er at ur a.2 Par ed es, jan elas e p o r t as seg u r as, q ue b lo q ueiem a t em p er at ur a lo cal, p r agas lo cais, lad r õ es e vân d alo s am ad o r es.3 Or d em e lim p eza r azo ável n o ar m azen am en t o e n as exp o siçõ es. A p alavr a “r azo ável” é cr ucial. Não sign if ica gast ar a m aio r p ar t e d o seu t em p o em lim p eza o b sessiva q u e p r o vê m u it o p o uco b en ef ício e p o d e ser at é m esm o co n t r ap r o d ucen t e. Sign if ica m an t er a o r d em suf icien t e p ar a q ue o s o b ject o s n ão se esm ag u em u n s co n t r a o s o u t r o s, p ar a q ue a in sp ecção e a in vest igação sejam levad as a cab o f acilm en t e, p ar a q ue o s o b ject o s n ão est ejam n o ch ão e p ar a q u e a r ecu p er ação d o o b ject o p o ssa ser r ealizad a f acilm en t e. Sign if ica lim p eza suf icien t e p ar a q ue n ão sur jam h ab it at s d e p r agas, p ar a q ue o s m et ais n ão acu m u lem p ó co r r o sivo e p ar a q ue o s ar t ef act o s p o r o so s e d if íceis d e lim p ar , n ão p er m an eçam sujo s.4 In ven t ár io d iár io d o acer vo , co m a lo calização d o s ar t ef act o s e f o t o gr af ias ad eq uad as p elo m en o s p ar a a id en t if icação d o o b ject o em caso d e r o ub o , e m ais p o r m en o r izad as p ar a a id en t if icação d e n o vo s d an o s.5 In sp ecção r eg u lar d o acer vo , em r eser va e em exp o sição . Ist o é esp ecialm en t e im p o r t an t e em m useus q ue li m it ar am o s r ecur so s p ar a o ut r as est r at égias d e p r eser vação . O p er ío d o d e t em p o en t r e as in sp ecçõ es n ão d eve ser in f er io r ao t em p o q ue as p r agas d e in sect o s levam p ar a am ad ur ecer o s o vo s (ap r o xim ad am en t e 3 sem an as p ar a a t r aça d as r o up as). Não in sp eccio n e só o s d an o s n o vo s, sin ais d e r isco s n o vo s, m as t am b ém sin ais d e r o ub o s.6 Ut ilizar cap as, en velo p es o u en cap sulam en t o sem p r e q ue n ecessár io . Excep t o o n d e já exist ir em o ut r o s t ip o s d e caixas r ígid as, ist o in clui t o d o s o s o b ject o s p eq u en o s e f r ág eis, t o d o s o s o b ject o s f acilm en t e d an if icad o s p ela água, t o d o s o s o b ject o s f acilm en t e exp o st o s à p o luição lo cal, t o d o s o s o b ject o s f acilm en t e at acad o s p o r in sect o s. Est as p r o t ecçõ es d evem ser p elo m en o s à p r o va d e p ó , p r ef er ivelm en t e h er m ét icas, im p er m eab ilizad as e r esist en t es às p r ag as. O p o liet ilen o o u p o liést er t r an sp ar en t e é o m ais segur o , co m o cap as d e q ualid ad e p ar a co m id a (p o r exem p lo “Zip -Lo c” TM). Exist e um a lit er at ur a var iad a co m d et alh es d est es m ét o d o s p ar a t ecid o s, ar q uivo s, m o ed as, et c.7 Mo ld u r as d e ap o io f o r t es e est áveis p ar a t o d o s o s o b ject o s p lan o s d elicad o s, p ar a ap o iar e b lo q uear m uit o s d o s agen t es p o r d et r ás d o s o b ject o s. Ist o in clui m an u scr it o s, p in t u r as em t ela, p in t ur as em p ap el e car t ão , m ap as d e p ar ed e, t ecid o s est icad o s, im p r essõ es f o t o gr áf icas, (t an t o em r eser va co m o em m o st r a). Par a q u alq u er o b ject o q ue t en h a sup er f ícies d ian t eir as vuln er áveis à p o luição , água o u van d alism o , p r o vid en cie p r o t ecção em vid r o .8 O p esso al e vo lu n t ár io s t êm d e est ar em p en h ad o s n a p r eser vação , est ar em in f o r m ad o s e t er em f o r m ação ad eq uad a. Est r at égias b ásicas q ue f o cam um ú n ico ag en t e d e r isco elevad o p ar a a m aio r p ar t e o u p ar a t o d o o acer vo .9 Fech ad u r as em t o d as as p o r t as e jan elas. Devem ser p elo m en o s t ão segur as q uan t o as d e um a casa lo cal co m um e d e p r ef er ên cia m uit o m elh o r es.10 Sist em a d e d et ecção d e r o u b o (p o r m eio s h um an o s o u elect r ó n ico s). Tem d e t er um t em p o d e r esp o st a m en o r q ue o t em p o q ue o am ad o r leva p ar a ab r ir as f ech ad u r as o u jan elas. Caso n ão seja p o ssível, o s ar t ef act o s m ais valio so s d evem ser ar m azen ad o s em o ut r o lo cal m ais segur o , q uan d o o m useu est iver d eso cu p ad o .11 Sist em a au t o m át ico d e su p r essão d e in cên d io . I.e., jact o s asp er so r es (o u o ut r o s sist em as m o d er n o s). Ist o só p o d e ser co n sid er ad o in d isp en sável se t o d o s o s m at er iais d o ed if ício e t o d as as co lecçõ es f o r em ab so lut am en t e n ão in f lam áveis, p o r exem p lo , co lecçõ es d e cer âm ica, em caixas d e m et al o u vid r o n um ed if ício d e alven ar ia sem t r aves d e m ad eir a.12 To d o s o s p r o b lem as d e h u m id ad e t êm d e ser r eso lvid o s d e f o r m a co n t ín ua e r áp id a. A h u m id ad e é um agen t e r áp id o e agr essiv o , q ue p r o vo ca m uit o s r isco s, co m o m o d elação , co r r o são e d ist o r ção t o t al. Ao co n t r ár io d o f o go , in un d açõ es e in sect o s, a h um id ad e é t ão co m um q ue é t o ler ad a f r eq u en t em en t e. As d u as f o n t es h ab it uais d e h um id ad e são as p eq uen as f ugas d e água e a co n d en sação d evid o a gr an d es m ud an ças d a t em p er at ur a (co m o à n o it e). Mo va a co lecção p ar a lo n ge d a h um id ad e. Ar r an je a f uga d e água. Ven t ile co n t r a a co n d en sação .13 Nen h u m a lu z in t en sa, n en h um a luz so lar d ir ect a, n en h um a luz eléct r ica f o r t e, em q ualq uer ar t ef act o co lo r id o , a m en o s q ue a p esso a est eja segur a q ue a co lo r ação t em sen sib ilid ad e zer o à ilum in ação , p o r exem p lo , cer âm icas co zid as, vid r o esm alt ad o co zid o . 63
  • 72. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do AcervoFigura 2. Um a est r u t u r a sim p les d e um t elh ad o f o i co n st r uíd a p o r cim a d eu m a p ar t e p ar t icu lar m en t e im p o r t an t e d o lo cal ar q ueo ló gico p er t o d om u seu . No t e o d eclive su b t il e a caleir a p ar a m an t er a ch uva lo n ge d a ár eap r o t eg id a e evit ar p r o b lem as d e h um id ad e n as p ar ed es. Po uco cust o ,m u it a p r eser vação ef icaz. To d as as f o t o gr af ias d est e cap ít ulo são d o aut o r ,St ef an Mich alski, In st it u t o d e Co n ser vação Can ad en se, excep t o a f igur a 9e10, t ir ad as d u r an t e p r o ject o s ed u cat ivo s o u d e co n sult a p ar a a UNESCO o uICOM, n o Cair o , Asw an e n a Cid ad e d o Kuw ait , en t r e 1986 e 2002.deserto, não bloqueiam eficazmente o calor da temperatura local(a menos que o sistema de ar condicionado esteja a funcionar). No fim da escala das medidas muito simples e baratas taiscomo a utilização de capas de plástico apropriadas, protegendomolduras e vidros, podem fazer uma grande diferença na Figura 3. O Bar co So lar n o seu p r ó p r io ed if ício , ao lad o d aprotecção do acervo e na protecção contra a maioria dos vários gr an d e p ir âm id e.perigos de roubo e incêndio. A figura 4 e o exemplo seguinte A n ecessid ad e d e jact o s asp er so r es p ar a co n t r o lar o p er igo(figura 1 0 ) demonstram estes métodos de acção simples, mas d e in cên d io é ó b via, m as q uais o s r isco s d e h um id ad e e t em p er at ur a in co r r ect a p ar a o o b ject o ? Co m o p o d em o smuito eficazes. sab er ? Qual o m elh o r m ét o d o p ar a t er um co n t r o lo ef icaz? 64
  • 73. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervo simples inspecção de um museu pequeno poderia demorar três dias, com uma pessoa experiente, uma inspecção detalhada de um museu grande pode demorar vários meses e envolver várias pessoas. Q uer a inspecção seja simples, procurando riscos de prioridade elevada, quer seja detalhada procurando todos os riscos, grandes e pequenos, o princípio guia é “sistemático e inclusivo”. Na maior parte das vezes na preservação do acervo, o pessoal focalizou-se em hábitos antigos, na tendência de processos novos, em relatórios ad-hoc e em lidar com emergências, reais e burocráticas. Em resumo, é melhor uma inspecção simples do que nenhuma. Rápido é melhor que nunca. O aspecto crucial é rever o seu trabalho anterior, rever as suas actividades de preservação normais e olhar para o seu museu e o seu acervo atentamente, para procurar algo que possivelmente possa causar dano. Figura 4. Man u scr it o em p ap ir o em m o st r a n um m useu p eq uen o . Oque é que procuro, exactamente? In ser id o en t r e d u as cam ad as d e vid r o e t ap ad o . Um a f o r m a O inspector procura todos os possíveis riscos para o acervo. Esta é t r ad icio n al e m u it o ef icaz r elat ivam en t e ao cust o d e a parte mais difícil de explicar, da avaliação de risco, e claro, é a p r eser vação d o acer vo . Pr o vê um a vit r in a selad a q ue b lo q ueia a ág u a, p r ag as, co n t am in an t es e h um id ad e in co r r ect a. Pr o vê parte mais importante para fazer uma investigação útil. É a parte p r o t ecção d e m u it as, em b o r a n ão d e t o d as as f o r ças f ísicas. que mais beneficia a experiência, mas também é a parte que Po d e-se lim p ar f acilm en t e sem d an if icar o ar t ef act o . qualquer um pode fazer. Necessita de bom senso, inteligência razoável e boa perspectiva. Ajuda gostar do mundo material, ser Passo 2: Avaliar os riscos o que alguns poderiam chamar de pessoa prática, mas também Quando começar a fazer a pesquisa e quanto tempo levará? ajuda ser imaginativo, desde que a pessoa possa imaginar tudo oPara identificar os riscos para o acervo, pode-se reagir à medida que possa estar errado. Também ajuda gostar da colecção, umaque surgem as situações, como fez o curador no estudo de caso nº vez que isso normalmente desenvolve uma familiaridade especial e1 . Pode-se começar pela lista dos básicos, como na secção prévia uma forte preocupação pela segurança da colecção.e continuar a fazê-lo até ter terminado. Uma alternativa seria Existem duas fases desta procura: recolha dos factos einiciar imediatamente uma inspecção sistemática que tanto prognóstico dos riscos.descobrirá os básicos como também os não tão básicos. Uma 65
  • 74. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervo Recolha dos factos para prognosticar o risco procedimentos, atitudes, planeamento, assim como tambémO inspector inicia pela recolha de muitos factos, completamente muitas fontes de dados externas necessárias para a avaliação domotivado pelo próximo passo: prognosticar todos os potenciais risco (por exemplo, dados sobre inundações, terramotos,riscos para as colecções. O s factos são recolhidos melhor num sensibilidade à luz, etc.).padrão sistemático. Nas próximas secções encontra-se um modelo É mais fácil, mas não essencial, manter estas partes dade realização e prova. Estes factos não têm que conter qualquer inspecção separadas, simplesmente porque a parte visível envolveopinião ou especulação e é necessário entrar em acordo onde os caminhar à volta do museu, para inspeccionar coisas, tirar notas,factos terminam e as opiniões começam. tirar fotografias, enquanto a parte invisível envolve falar com o Depois, o inspector prognostica riscos específicos. Cada risco pessoal e analisar documentos pertinentes. Não é importante qualespecífico é predito imaginando um cenário específico de possível a parte que é realizada primeiro, mas é útil conhecer de modoperda ou dano, insinuado por cada facto investigado, ou geral a missão do museu, políticas de preservação e documentospossivelmente insinuado por vários factos unidos. O conceito de planeamento antigos, antes de inspeccionar o museu. Tambémfundamental é imaginar uma possível perda e encontrar os é muito útil ter cópias de uma planta do edifício para marcar osmelhores factos disponíveis para apoiar um prognóstico locais das observações.quantificável. Felizmente, muitos dos riscos sérios podem ser imaginados Inspecção de factos visíveisatravés do bom senso e calculados com exactidão. O utros riscos, Pode considerar-se que o acervo está inserido numa sequência decomo o enfraquecimento devido à luminosidade, são mais uma recipientes, como caixas dentro de caixas. Cada uma delasquestão de conhecimento científico. Para as inspecções simples, acrescenta uma camada de protecção (figura 5 ).não é necessário ser um perito para descobrir a maioria dos A inspecção de factos visíveis segue do exterior para o interior. Ograndes riscos. Só é necessário ser sistemático. inspector começa por observar o local, depois o edifício e todas as suas características, e só depois entra no edifício e observa o Fontes de factos: visíveis e invisíveis edifício pela perspectiva de cada sala. Para um padrão do autorA pesquisa de avaliação de risco confia em duas fontes de factos e mais aprofundado em várias pesquisas, ver o Apêndice “Exemploreduz tempo e esforço se forem abordados separadamente. do plano de inspecção do museu, com observações e fotografias.” 1 . Factos visíveis. Esta é a parte da inspecção em que nósolhamos com os nossos próprios olhos e fazemos observações. A Tirar fotografiaspessoa olha para o local, o edifício, as salas, o mobiliário e o As fotografias revelam muitos detalhes. Na experiência do autor,acervo. as fotografias formam não só elementos poderosos de um 2 . Factos invisíveis. Esta é a parte da pesquisa que leva em relatório, como também formam um registo prático para oconsideração o historial do museu, actividades actuais do pessoal, inspector. Por vezes só ao olhar a fotografia, nos apercebemos de 66
  • 75. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervo Local Normalmente, uma inspecção a um museu pequeno tirará entre 1 0 0 a 2 0 0 fotografias, um museu médio terá entre 3 0 0 a 4 0 0 . (Uma máquina fotográfica digital pode fazê-lo facilmente, até Edifício mesmo para um museu pequeno que queira disponibilizar o seu acervo na Internet, em tempo real). Salas do Acervo As fotografias devem ser sempre tiradas sistematicamente de acordo com um plano, e não à toa. É muito mais fácil para utilizá- Guarnições las depois. Especialmente em museus com várias salas, tire-as numa sucessão lógica. Pode ver um exemplo de sucessão de Embalagem, apoios fotografias no Apêndice “Exemplo do plano de inspecção do museu, com observações e fotografias” . No caso de também utilizar as fotografias para registar a iluminação do museu, Artefactos aprenda a tirar fotografias com flash do edifício, salas e exposições. Com pouca luz, pode ser necessário utilizar um tripé. Inspecção de factos invisíveis Antigamente, os inspectores paravam a sua inspecção após terem Figura 5. Cam ad as em r ed o r d o acer vo . visitado o edifício e o acervo. Isto omitia muitas das informações que determinam a preservação do acervo. A avaliação de riscocoisas que não reparámos quando estávamos em frente ao inclusiva necessita dos dados de plantas arquitectónicas, daobjecto: aquela sala tinha jactos aspersores de incêndio? Todos os documentação da política e planeamento, dos manuais demanuscritos estavam protegidos por vidro, ou apenas alguns? Em iluminação e projectos de exposições, etc. Também necessit a dostodos os casos as luzes estavam acesas? Um registo fotográfico factos não registados mas influentes, que só existem na memóriatambém preserva factos para comparar em inspecções futuras. do pessoal e até mesmo nos hábitos do museu. No passado, fazer cem fotografias boas com filme era O pessoal deixa sempre a porta das traseiras aberta em diasrelativamente caro, mas com o aparecimento de máquinas quentes, mesmo que a política oficial o proíba? As luzes em todosfotográficas digitais de 3 megapixéis ou mais, um inspector pode os mostruários da exposição estão acesas todas as noites em quetirar muitas fotografias a baixo custo e pode inseri-las nos os funcionários da limpeza precisam de trabalhar? Alguma vez orelatórios ou e-mails sempre que necessário. É especialmente útil telhado ou a canalização verteu? O nde? O curador leva ospara poder conferir a qualidade da fotografia imediatamente, e artefactos novos para a reserva sem primeiro os pôr emtirá-la novamente caso fique com muita luz, desfocada, etc. quarentena e sem verificar se existem infestações de insectos que 67
  • 76. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervo se possam rapidamente propagar pelo museu? O pessoal come nas áreas de reserva e dessa forma atrai roedores e pragas de insecto? O pessoal fuma lá? E assim por diante. Algumas das fontes importantes de informação sobre os riscos, serão encontradas no exterior do museu. Q uais são os perigos locais e regionais? O museu está localizado numa planície sujeita a inundação ou em risco de desabamento de terras? Q ual a probabilidade de terramotos? Q ual a frequência com que os perigos naturais identificados ocorrem e qual a tendência actual? (Alterações como a construção de novos edifícios de desenvolvimento ou estradas que obstruem a drenagem natural podem tornar-se a diferença principal e imediata ao risco de inundação). Até que ponto as colecções são sensíveis à luz e a níveis de humidade incorrectos? No Apêndice existe uma lista básica que fornece fontes típicas e perguntas úteis para factos invisíveis. Não se limite a esta lista: é apenas um ponto de partida. É necessário descobrir factos para a sua avaliação de risco que não estão nesta lista ou em qualquer lista disponível. Pode-se confiar em dois princípios guias nesta procura: imaginação e historial anterior. Suposição, significa permitir-se supor qualquer risco específico que pareça plausível. Por exemplo, observe o candeeiro de vidro sírio exposto com uma lâmpada de iluminação (figura 6 ). Suponha que a cor do design do candeeiro pode enfraquecer, se estiver aceso durante todo o dia. Alguém o confirmou, todas as cores são vulneráveis à luz, mas a outra pessoa riu-se e negou. Disse que a coloração em vidro não é sensível à luz. O utra pessoa, mais cuidadosa, disse que com os candeeiros de vidro colorido originais Figura 6. Can d eeir o d e vid r o , co m d eco r ação co lo r id a, não havia problema, mas os candeeiros posteriores com pinturas exp o st o e ilu m in ad o co m u m a lâm p ad a in t er n a. 68
  • 77. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervocoloridas eram um problema. Assim, face a este risco suposto baseados na opinião especializada (caso disponível), na opiniãoplausível, dirige-se imediatamente para os seus requerimentos: pessoal e nas políticas internas. O s temas foram muitas vezesNecessita de localizar factos sobre os candeeiros sírios, as várias fragmentados por vários departamentos. Estas realidades aindaformas de pinturas coloridas e os efeitos da luz. Exercício: Q ual fazem parte das decisões práticas do museu, mas um relatório daacha que deve ser a decisão sobre a iluminação caso não exista inspecção que avalia todos os riscos para o acervo providencia umqualquer informação disponível sobre o projecto de pintura do ponto de partida muito útil para as discussões.candeeiro? Actualmente existem apenas dois métodos testados de avaliaçãoO historial anterior da ocorrência de perigos no museu provê de risco inclusiva para o acervo do museu. Um, é o método defactos valiosos. Por exemplo, a pergunta “ quais os riscos de aritmética detalhado, desenvolvido por Waller (2 0 0 3 ) nummanipulação deficiente de artefactos pelo museu” pode conduzir grande museu nacional, e aplicado com sucesso em muitosa uma análise teórica difícil de controlar por um sistema museus médios e pequenos. O outro é um método que utilizacomplexo, ou também pode levá-lo a fazer uma pergunta simples escalas de ordem de grau simples desenvolvido pelo autor actual,a todo o pessoal: alguém se lembra de qualquer história sobre os aplicado com sucesso, a um grande número de museus, deartefactos terem sido derrubados, riscados ou danificados por tamanho pequeno e médio no Canadá, e ensinado em váriosmotivo de qualquer movimentação, desde há cinco, vinte anos cursos de formação, como nos cursos de 2 0 0 3 e 2 0 0 5 co-atrás? Assegure-se que explica que a intenção não é qualquer patrocinados pela ICCRO M e pela CCI. Apenas será apresentadaretribuição, mas sim a solução. O s nomes não são necessários, aqui a técnica de ordem de grau, mas uma boa inspecção eficazapenas as histórias. Descobrirá que a memória colectiva de todos pode ser sempre depois convertida numa avaliação aritmética,os museus contém histórias de tais eventos secundários, nunca caso desejado. As escalas de ordem de grau são comuns na gestãoregistadas antes. Recolha-as: as histórias são preciosas para de risco sempre que os não peritos fazem a avaliação.compreender a sua preservação do acervo. Note que a história As escalas da tabela 3 consideram os seguintes quatroanterior à colecta é uma forma lenta de “descoberta” institucional componentes da avaliação de risco:(o ideal seria que todas estas ocorrências tivessem sido Com que rapidez?investigadas correctamente e registadas na ocasião). Tal como Q ual a quantidade de danos para cada artefacto afectado?com toda a descoberta, o propósito é activar uma resposta para Q uanto do acervo foi afectado?melhorar a gestão de risco em relação às colecções. Q ual a importância dos artefactos afectados? A magnitude do risco é a soma destes quatro componentes. Avaliar os riscos para o acervo, com base nos factos As pontuações de cada uma das quatro escalas são somadasApós fazer uma lista de todos os riscos possíveis e imaginários, (NÃO multiplicadas). Esta pontuação total é a Magnitude desurge a pergunta: quais os riscos mais importantes e os menos Risco relativamente ao Risco Específico avaliado.importantes? Tradicionalmente, os museus tomaram tais decisões 69
  • 78. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervo De um modo geral, este simples sistema sugere as seguintes Tabela 3 . Escalas simples para a avaliação do riscocategorias de prioridade baseadas na pontuação total: Co m q ue r ap id ez? (t axa o u p r o b ab ilid ad e d e d an o s)9-10: Prioridade extrema. Possível perda total do acervo nos Riscos que ocorrem como eventos Pts Riscos que se acumulam gradualmente distintos próximos anos ou menos. Estas pontuações surgem Oco r r e ap r o xim ad am en t e um a vez p o r Os d an o s o co r r em ap r o xim ad am en t e 3 normalmente aquando de incêndios muito grandes ou an o 1 vez p o r an o Oco r r e ap r o xim ad am en t e um a vez a Os d an o s o co r r em ap r o xim ad am en t e probabilidades de inundação, terramoto, bombardeamento 2 cad a 10 an o s 1 vez a cad a 10 an o s e que felizmente, são raros. Oco r r e ap r o xim ad am en t e um a vez a Os d an o s o co r r em ap r o xim ad am en t e 16-8: Prioridade urgente. Possíveis danos ou perdas significativas cad a 100 an o s u m a vez a cad a 100 an o s Oco r r e ap r o xim ad am en t e um a vez a Os d an o s o co r r em ap r o xim ad am en t e numa porção significativa do acervo nos próximos anos. 0 cad a 1000 an o s u m a vez a cad a 1000 an o s Estas pontuações surgem normalmente devido a problemas Qu an t id ad e d e d an o s p ar a cad a ar t ef act o af ect ad o ? (p er d a p r o p o r cio n al d e valo r ) de segurança ou elevadas taxas de deterioração significativa 3 Per d a t o t al o u q u ase t o t al d o ar t ef act o (100% ) de luz brilhante, raios UV ou humidade. 2 Dan o s sign if icat ivo s m as lim it ad o s ao ar t ef act o (10% ) 1 Dan o s m o d er ad o s o u r ever síveis n o ar t ef act o (1% )4-5: Prioridade moderada. Danos moderados para alguns 0 Po u co s d an o s o b ser váveis n o ar t ef act o (0.1% ) artefactos possíveis nos próximos anos, ou danos ou perdas significativos possivelmente após várias décadas. Estas Qu an t o d o acer vo f o i af ect ad o ? (f r acção d o acer vo em r isco ) pontuações são comuns em museus onde a conservação 3 Tu d o o u a m aio r p ar t e d o acer vo (100% ) 2 Um a f r acção g r an d e d o acer vo (10% ) preventiva não foi uma prioridade. 1 Um a f r acção p eq uen a d o acer vo (1% )1-3: M anutenção do museu. Danos ou riscos moderados de perda 0 Um ar t ef act o (0.1% o u m en o s) nas próximas décadas. Estas pontuações aplicam-se até Qu al a im p o r t ân cia d o s ar t ef act o s af ect ad o s? (valo r d o s ar t ef act o s em r isco ) mesmo nas melhorias contínuas que os museus 3 Muit o m aio r q ue o valo r co m um (100 vezes o valo r co m u m ) conscienciosos têm que fazer após resolverem todos os 2 Maio r q ue o valo r co m u m (10 vezes o valo r co m u m ) assuntos de risco elevados. 1 Valo r n o r m al p ar a o acer vo Mais abaixo, neste capítulo, existem exemplos de trabalhos de 0 Ab aixo d o valo r co m u m p ar a o acer vo (1/10 d o valo r co m u m )avaliação de risco, utilizando estas escalas. Exemplo da pontuação máxima possível Não é necessário utilizar estas escalas na avaliação de risco. Um Co m q u e r ap id ez? 3 Qu an t id ad e d e d an o s p ar a cad a ar t ef act o af ect ad o ? 3inspector pode simplesmente utilizar termos como elevado, médio Qu an t o d o acer vo f o i af ect ad o ? 3e reduzido, para riscos ou “ necessita de ser feito este ano” versus Qu al a im p o r t ân cia d o s ar t ef act o s af ect ad o s? 1 Mag n it u d e d e Risco (t o t al d as q u at r o p o n t u açõ es) 10“pode esperar dez anos” . O que realmente interessa, é que no Notas: n ão é p o ssív el m ar car 11 p o n t o s. Se t o d o o acer vo est iv er em r isco , en t ão a im p o r t ân cia d e cad a ar t ef act o n ão p o d e ser m ais q u e m éd ia, e se f o r 10% d o acer vo ,final, o museu esteja apto para assumir uma posição, através de n ão p o d e ser m ais q u e 10 vezes o valo r co m u m .algum método racional e compreensível na inspecção, para fazer Caso d esejad o , q u aisq u er u m a d as escalas p o d e ser p o n t u ad a co m valo r es in t er m éd io s, p o r ex.: 2.5 70
  • 79. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervoalguma forma de avaliação e que, todo o museu e os seus vários Senso comum, boa gestão doméstica, mas existem complicaçõessistemas, sejam sistematicamente inspeccionados. Muitos autores notaram que, as estratégias da tradicional “boa gestão doméstica”, assemelha-se a uma boa preservação do Passo 3: Plano de melhorias para a gestão de risco do acervo acervo. Por outras palavras, muita preservação é bom senso. Na C inco fases de redução de risco do acervo realidade, a “lista dos básicos” apresentada anteriormente, seriaO s muitos, talvez milhares, métodos que os museus utilizam para muito familiar a uma empregada doméstica, há cem anos atrás.reduzir os riscos do acervo podem ser subdivididos em cinco Por outro lado, alguns hábitos de gestão doméstica podemfases: evitar, bloquear, detectar, responder, recuperar. danificar o acervo do museu.1 . Evite fontes e atractivos do agente. Por exemplo, desertos ou estradas poeirentas por perto, que2 . Bloqueie todo o acesso e caminho para o agente (caso falhe o depositam uma camada de pó de minerais finos no acervo e passo 1 ). depois a limpeza regular dos artefactos, parece ser uma boa ideia.3 . Descubra o agente no museu (caso falhem os passos 1 e 2 ). Infelizmente, surgem dois problemas: desgaste e fragmentação.4 . Resposta ao agente após presumir ou detectar a sua presença O desgaste ocorre quando se utiliza o mesmo pano do pó (caso contrário, o passo 3 é inútil). vezes sem conta. A menos que seja cuidadosamente limpo de5 . Recupere os efeitos do agente no acervo (conserve os pouco em pouco tempo, o pano enche-se de pó abrasivo e o artefactos, reconsidere o que correu mal e planeie processo de limpar o pó torna-se um processo de lixar melhorias). literalmente os artefactos. O autor viu uma colecção de mobiliárioAs primeiras quatro fases são prevenção de danos. A última fase é dourado no Egipto, desprovido de quase todo o dourado,conservação e restauro “provisório”, necessário apenas porque as simplesmente porque eram regularmente “ limpos” com o pano.fases preventivas falharam. Claro que, muitos dos danos no acervo Existe uma variação do problema do pano: os espanadores dedo museu ocorreram há bastante tempo ou antes da sua entrada penas. As penas gastam-se rapidamente e as espinhas das penasno museu. Nem sequer a melhor preservação do acervo eliminará tornam-se pontas afiadas que riscam as superfícies que espanam.a necessidade de conservação “provisória”. As superfícies pintadas das casas-museus históricas pequenas, Ao longo desta secção sobre o planeamento de melhorias, mostram frequentemente os múltiplos arranhões de gerações delembre-se que cada uma das cinco fases desempenha um papel espanadores de penas.fundamental e que uma gestão de risco com sucesso equilibra A fragmentação ocorre nos objectos complexos. Especialmentetodas as cinco. Mais tarde, ao pensar realmente na sua própria em estilos de mobiliário que utilizam talha elaborada e embutida,gestão de risco do acervo, lembre-se que cada uma das cinco fases comum nas artes decorativas islâmicas. O pano do pó ou oé um método poderoso para estimular o pensamento sobre o que espanador de penas arrancam fragmentos parcialmente enroladospoderá estar a falhar no seu museu. ou em camadas e espalham-nos para longe! Um funcionário da limpeza do museu questionado pelo autor (há alguns anos atrás) 71
  • 80. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervosobre este assunto defendeu-se furiosamente, e declarou que a os riscos seleccionados como significativos) o inspector de risco aofamília dele executava esta função há gerações. Era um erro de acervo elabora uma solução ou talvez várias opções para umadiplomacia discutir o assunto com o jovem perito, estrangeiro e solução. Se possível, o inspector calcula o custo ou pelo menos,na presença dos seus supervisores. Retroflectindo, é muito identifica o tipo e escala dos recursos necessários. Em termosimprovável que tenha mudado alguma coisa sobre a limpeza empresariais, isto permite ao museu ter um cálculo do custo-naquele museu. Teria sido melhor informar o curador que, mais eficácia: qual o risco por cada opção de controlo e quanto custatarde, poderia abordar discretamente o funcionário. esse controlo? Na secção sobre Exemplos de avaliações de risco Uma segunda complicação observada repetidamente pelo específicas e soluções individuais, existem exemplos individuais.autor, em museus com problemas de pó, é os danos devido à A recomendação de soluções individuais tem um bomágua. A forma institucional mais comum de limpeza do chão, no resultado caso a inspecção tenha identificado alguns riscos de nívelinterior e no exterior, observada pelo autor em todas as regiões elevado que têm soluções sem ligações. Em tais casos, umaquentes do mundo de Leste a O este, parece ser esfregar com simples lógica empresarial sugere que o museu deve implementargrandes quantidades de água, frequentemente lançada no chão em soluções para todos os riscos de nível elevado, em ordem de custopoças, de manhã antes do museu abrir ou imediatamente depois crescente.de fechar. Provavelmente, por um lado, o efeito refrescante e Encontrar soluções comuns para grupos de riscos também éagradável e por outro lado, a prevalência de chãos de azulejo e possível, mas pode requerer a exploração de opções e soluçõesparedes de pedra, sem componentes de madeira. Em parte, pode diferentes para cada um dos riscos de nível elevado. Por isso,ser o ritual de limpeza com água que ocorre em muitas culturas deve-se procurar opções que englobem os vários riscos. Pode seronde a água é escassa. História e sociologia à parte, o verdadeiro mais viável em termos de custo-eficácia gastar um pouco maisrisco relacionado com a preservação, é o risco de danos numa opção que resolve vários riscos do que implementar aprovocados pela água, como demonstrado na figura 7 . Aqui, opção de custo mais baixo, a cada risco.neste museu principal, ninguém com autoridade notou ou agiu O único dilema do planeamento surge quando muitos dossignificativamente para alterar a aparência dos artefactos, apesar riscos pequenos podem ser resolvidos a baixo custo e um riscodas pistas óbvias dadas pela folha de plástico que protege o olho. grande só pode ser resolvido a elevado custo. De facto, este não éNão existe qualquer dano sob o plástico. E os pregos que seguram tanto um dilema como a armadilha da gestão do risco, ou dao plástico estão a corroer muito rapidamente e a manchar a falácia em que muitos museus caíram e sofreram com o resultado.madeira cada vez mais. O bviamente a protecção de vidro é a Resolver os riscos de nível reduzido que nós podemos suportar,melhor para o sarcófago de madeira (figura 8 ). ou para os quais já nomeámos pessoal, faz-nos sentir que estamos realmente a fazer o nosso melhor para preservar o acervo. E Encontrar soluções individuais e mais tarde soluções comuns como referido no início deste capítulo, não é difícil gastar tempoPara cada risco identificado ou/ e avaliado (ou pelo menos todos com hábitos relacionados com os riscos de nível reduzido. 72
  • 81. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervo devido ao possível risco de água e queimaduras no chão. (É interessante notar que as fotografias antigas do museu do barco solar (figura 3 ) de alguns sites da internet turísticos não mostram qualquer jacto aspersor. Presumivelmente foram instalados depois, mas não existiam no projecto original.) Uma última nota para encontrar soluções: é um erro comum começar a pensar em melhorias da gestão de risco só aquando da construção ou compra de algo. Muitas das soluções para os riscos e perigos surgem dentro do intangível, como a formação do pessoal ou melhoria da comunicação. Por exemplo, um museu grande descobriu que cada vez mais, existiam erros de preservação em mostruários das novas exposições (iluminação, apoios, materiais poluentes.) O departamento de conservação e oFigura 7. Sar có f ag o d e m ad eir a n um a exp o sição ab er t a, n o an d ar d o departamento da exposição não se comunicaram regularmentem u seu . As m an ch as d e ág u a d evem -se ao s m uit o s an o s d e água esp alh ad a durante o projecto da exposição. A conservação só era obrigadan o ch ão d u r an t e a lim p eza d iár ia co m esf r egõ es m o lh ad o s, ump r o ced im en t o co m u m em clim as q uen t es e p o eir en t o s. A p r o t ecção d e pela política do museu a aprovar a exposição, nas fases finais dap lást ico em cim a d o o lh o r ed u ziu o r isco d e van d alism o e t am b ém o instalação. Por essa altura, era muito tarde ou muito caro, fazerp r o t eg eu d o s esg u ich o s d e ág u a. alterações. Resultou em hostilidade e numa relação de disfuncionamento. As melhorias eram simples, sem custos: exigiu- Vez após vez, vê-se museus que gastam meses de trabalho em se à conservação o envio de um representante para as reuniões doacolchoamento especial para tecidos em reserva e não fazem nada comité do projecto de exposição, do princípio ao fim. Mais tarde,para reduzir o risco dos 3 canos de água e de esgoto que cruzam o pessoal da conservação admitiu que não imaginavam que oo tecto daquela mesma colecção. O u museus que constroem projecto de exposição era uma tarefa tão complexa e que asarmários de madeira bonitos que resolvem o risco da pouca soluções de iluminação que propuseram, como ópticas de fibra,humidade em vez de planear e construir os armários para conter pudessem ser tão caras. (Para um recurso excelente sobre assuntosum provável terramoto de grande intensidade numa região de de conservação e sobre o processo dos project os de exposição,actividade sísmica elevada. O u museus que conservaram pinturas ver o CD-RO M intitulado Directrizes de Conservação daa custos elevados que entretanto caíram ao chão após a instalação Exposição: incorporar a conservação no planeamento, projecto eporque ninguém verificou se os ganchos eram fortes e finalmente, fabrico da exposição, pelos US National Parks (Raphael, c 2 0 0 0 ).os inúmeros museus que negligenciaram a instalação de jactosaspersores ou até mesmo a não instalação de jactos aspersores 73
  • 82. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervo integrado requer, entre outras coisas, a limpeza debaixo dos armários, menos vegetação à volta das paredes, mais artefactos novos em quarentena obrigatória, não autorização de comida nos escritórios do curador, próximo da reserva, etc. O controlo da humidade relativa integrado exige que o projecto do armário e os sistemas mecânicos de construção e a monitorização da conservação formem um sistema completo e tenham custo-eficácia. Implementar uma abordagem integrada depende da cooperação de muito pessoal do museu e dos seus departamentos. O trabalho de equipa contínuo depende do entendimento mútuo. As soluções integradas com sucesso iniciam- se sempre com uma boa comunicação. Encontrar soluções de preservação sustentáveisFigura 8. Sar có f ago n u m r ecep t áculo d e m useu m o d er n o . En q uan t o set o r n a ó b vio q u e b lo q u eia a ág u a o r igin ad a p ela lim p eza d o ch ão , n ão é Finalmente, o conceito mais moderno em preservação deó b vio se p o d e o u n ão b lo q uear as f ugas d e água p r o ven ien t es d o t ect o , património é “sustentável”. No Reino Unido, iniciou-se há poucoin sect o s, f u m o o u p o lu en t es. Exig e-se um a in sp ecção in t er n a o u p lan o d op r o ject o , e p r o vavelm en t e am b o s, p ar a f azer t ais avaliaçõ es. tempo, um novo programa universitário sobre património sustentável destinado a arquitectos, engenheiros e conservadores. Encontrar soluções de preservação integradas (www.ucl.ac.uk/ sustainableheritage) No verdadeiro sentido,A palavra integrada surgiu recentemente como outro ideal de sustentável significa que a organização não obtém mais do quegestão de preservação. Pretende trazer uma actividade pode devolver. Existem duas tendências actualmente utilizadas naindependente e isolada do sistema principal. preservação de património: ambiental e financeira. O objectivo não é só uma teoria principal, mas uma operação Q uando os pensadores da conservação do ambiente aplicaremholística prática. É um termo relativo, já que alguns o aplicam à sustentabilidade ao património, significa que um edifício-museuintegração do controlo de praga nas actividades museológicas, histórico é um recurso, e por essa razão, qualquer plano para ooutros propõem-no para todas as actividades de preservação do demolir e substituir por um edifício novo, terá que levar emmuseu. consideração que cada tijolo destruído e substituído por um novo, O desafio é: Um método integrado é um método amplo, representa um enorme “tirar sem dar” do ambiente.difuso e sistemático que se relaciona com muitas das actividades A um nível mais quotidiano, considere a iluminação do museu.museológicas independentes. Por exemplo, o controlo de praga As lâmpadas fluorescentes são “ lâmpadas de economia de energia” e ao utilizá-las na iluminação do museu, economiza-se 74
  • 83. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervotrês vezes mais energia. Em primeiro lugar, economiza-se na Planear inserido no planeamento do museu e não sólâmpada que consome muito menos electricidade do que as O ciclo de preservação do acervo só tem um significado,lâmpadas incandescentes (inclusive lâmpadas de halogéneo de quando inserido na estrutura organizacional que o possaquartzo, as preferidas pelos projectistas da exposição). Em implementar, como por exemplo, o seu museu. Noutros capítulossegundo, economiza-se na electricidade do funcionamento do ar deste manual, o planeamento e a gestão do museu são tratadoscondicionado, necessário quando o museu está repleto de como um todo. Existirão tempos e locais, identificados nolâmpadas incandescentes quentes (significativo em muitos museus, processo de planeamento para os líderes do ciclo de preservaçãoespecialmente em climas quentes). Terceiro, o tamanho do discutirem e planearem dentro do ciclo de planeamento principalsistema de ar condicionado pode ser menor, e consequentemente do museu. O objectivo das reuniões de planeamento do museua energia consumida pelo seu funcionamento e pela sua não é simplesmente a advocacia das necessidades de preservação,substituição, é menor. mas a colaboração criativa e imaginativa. Esteja atento aos outros Infelizmente, muitas das lâmpadas fluorescentes compactas interesses do museu.contêm uma quantidade significativa de electrónica complexa, e Lembre-se da história do caso do curador com a recenteesta resulta em lixo quando a lâmpada é substituída. O s modelos doação de um têxtil de um protector local importante. Além demais modernos de lâmpadas fluorescentes compactas têm a planear uma boa preservação da exposição (risco reduzido), oelectrónica separada da lâmpada (tal como acontece em todas as museu pode ainda considerar o aspecto relacionado com aslâmpadas fluorescentes grandes). E para além disso, e como relações públicas. Se mantiver o doador e outros doadores felizes,qualquer projectista de iluminação comprovará, a utilização de mais doações podem surgir. Também, as exposições elâmpadas fluorescentes com sucesso, em exposições do museu, departamentos educativos podem pedir para verem aspectosnão é fácil. sobre a conservação e preservação do têxtil, por exemplo, como é A outra qualidade de sustentabilidade surge no campo da que o museu tratou o têxtil, como é que o têxtil foi fabricadoeconomia. O s pragmáticos utilizam esta palavra simplesmente localmente, que tinturas históricas foram utilizadas e tudo opara dizer que as finanças locais do museu estarão equilibradas, relacionado com este círculo, e por que motivo é necessárionão só este ano, mas indefinidamente. Nas últimas duas décadas utilizar iluminação de baixa intensidade. Cada uma destasmuitos museus, a nível mundial, descobriram que não eram possibilidades é real, e cada uma delas ocorreu em museus comsustentáveis nestas condições. Parte dos seus custos operacionais sucesso.foi utilizada, muito para além dos seus recursos, na instalação de Alguns leitores deste capítulo ocuparão ou já ocupam, posiçõessistemas mecânicos complexos para controlo da temperatura e da importantes em agências do património nacional ou até mesmohumidade. Estes sistemas mecânicos caros foram estabelecidos por internacional. Está-se a pedir a estas agências para demonstrarem“padrões de conservação” examinados mais cepticamente na os seus resultados e o seu custo-eficácia. Tudo começou pelo seusecção Directrizes sobre a Temperatura e Humidade do Museu. próprio ciclo de preservação: avaliação (onde a inspecção de 75
  • 84. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervofactos intangíveis chama-se aconselhamento com grupos declientes), geração de opções, planeamento (coordenação com osgrupos de clientes, novamente) e só depois a implementação. Opróximo ciclo de avaliação avalia os resultados da implementaçãodo ciclo prévio e dos riscos novos ou não discutidos. De facto, o autor baseou o ciclo de preservação num modelode um conferencista sobre o desenvolvimento do programagovernamental onde a ideia de que o processo era um ciclocontínuo e não uma linha recta com um princípio e um fim, foiconsiderado uma inovação! Historicamente, o modelo do projectoda linha recta, com um fim, é compreensível. O s novos objectivostendem a ter uma breve Lista dos Básicos que podem ser atingidosuma vez e completados. No entanto, para os objectivos antigos, Figura 9. Man uscr it o s islâm ico s em exp o sição n um m useucomo a preservação do acervo num museu estabelecido, as p eq uen o , m o d er n o . Os exp o sit o r es p ar ecem t er sid o b emmelhorias não são óbvias, o custo-eficácia está longe do óbvio e os co n ceb id o s e a ilum in ação p ar ece ser d e b aixa in t en sid ad e, semresultados são frequentemente incertos. O ciclo deve ser repetido lâm p ad as d en t r o d o s exp o sit o r es. No t ext o , ap r esen t am -se exem p lo s d e avaliaçõ es d e r isco p ar a o acer vo , m ais p r ecisas,e devem ser introduzidos novos dados de avaliação. d est a sala. Exemplos de avaliações de risco específicas e soluções individuais É necessário fazer a medição com um fotómetro, mais aFigura 9 . Manuscritos islâmicos (livros em expositores horizontais, informação sobre o tempo de exposição, mais alguma informaçãofolhas soltas em expositores de parede) em mostruários de sobre os colorantes nos artefactos. Se, por exemplo, a intensidadeexposição iluminada por lâmpadas eléctricas. da luz nos manuscritos é de 1 0 0 lux e o curador aconselha que as Sala de exposição completa de manuscritos islâmicos, expostos luzes só sejam ligadas pelos seguranças quando os visitantescomo mostrado. Lâmpadas eléctricas modernas. Moderno, sólido, entrarem, (em média, 3 horas por dia, a maior parte dos dias porexpositores. Impressão global da preservação do acervo: ano), dá uma dose anual de luminosidade de 1 0 0 lx vezes 1 0 0 0excelente. Talvez existam riscos significativos para o acervo ou horas = 1 0 0 ,0 0 0 horas-lux por ano. As unidades maiorestalvez não. Só uma avaliação cuidadosa pode determiná-lo. podem ser expressas em milhões de unidades de horas-lux (Mlx h) Avaliação de risco de desvanecimento devido à luminosidade na (como por exemplo no Apêndice 4 deste capítulo). Sendo assim,figura 9 . as 1 0 0 ,0 0 0 horas-lux do anterior exemplo podem ser expressas em 0 .1 Mlx h. Se o colorante mais fraco dos manuscritos 76
  • 85. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervopertencer à categoria de sensibilidade elevada (tinta vegetal, por Considere a possibilidade de que a iluminação eléctrica não éexemplo) observa-se na tabela que se existir um filtro de raios UV de 1 0 0 lux, mas de 2 ,5 0 0 lux, (comum aos projectoresna lâmpada, aproximadamente 1 Mlxh causará então um modernos e típica da luz do dia indirecta numa sala com a janelaenfraquecimento notável. Demorará aproximadamente 1 0 anos. E aberta. Assuma que as exposições estão iluminadas 1 2 horas porse o enfraquecimento total demorar aproximadamente 3 0 vezes dia e não 3 . A taxa de enfraquecimento aumentaria 1 0 0 vezes.mais, então demorará 3 0 0 anos para o enfraquecimento total. Todos os anteriores totais saltariam 2 pontos, para 5 . 5 para os corantes de sensibilidade média, e 7 para os corantes deAssim, em termos de escala: sensibilidade elevada, um risco de prioridade urgente. NaCom que rapidez? 0 .5 realidade, se a exposição já tiver dez anos, na altura em que a(entre 0 e 1 ) avaliação for feita, quaisquer corantes de sensibilidade elevada jáQ ual a quantidade de danos? 2 teriam enfraquecido substancialmente. Na experiência do autor, o(esta é um a avaliação da curadoria, norm alm ente 1 - 2 ) pessoal acha que tais resultados são incríveis, impossíveis, mas euQ uanto do acervo? 2 vi muitos exemplos de exposições de museus, com cerca de 1 0(por exem plo, um m useu pequeno) anos, onde certos corantes foram completamente destruídosQ ual a importância dos artefactos? 1 naquele curto período, embora os artefactos tivessem cem anos.(por exem plo) O facto é que, as pessoas comuns, estudantes e proprietários nãoMagnitude total do risco 5 .5 deixam manuscritos e tecidos preciosos sob uma claridade diurna intensa, dia após dia, ano após ano. Ironicamente, só os museus, Se escolher utilizar uma estimativa baseada no inicio do com mandato de preservação, fazem isso.enfraquecimento, então a pontuação “Com que rapidez?” eleva- As opções para reduzir os riscos de desvanecimento pelase para 2 , mas a pontuação “qual a quantidade de danos?” reduz luminosidade são relativamente poucas e previsíveis.para 0 . O resultado é semelhante a um total de 5 . Q ualquer 1 Perigos de iluminação eléctrica. Reduzir o tamanho e númeroestimativa será correcta para propósitos de avaliação. Se tiver a das lâmpadas. Custo: de baixo (lâmpadas com amperagemnoção de que os corantes são todos os pigmentos minerais, mais baixa) a moderado (novas instalações de lâmpadas).excluindo o corante vermelho da raiz da planta ruiva, com 2 Perigo da luz do dia. Bloquear as janelas. Custo: de baixosensibilidade média à luz, então demora 3 0 Mlxh, quase 1 0 0 0 0 (pintura dos vidros, cortinas) a elevado (venezianas especiais,anos para o enfraquecimento total! Nestes exemplos extremos é cortinas, remodelação do espaço). Com manuscritos muitopreferível utilizar a categoria de poucos danos notáveis importantes e a claridade da luz do dia inevitável em museus(pontuação 0 ) que ocorrem em 3 0 0 anos (pontuação 0 .5 ) para com janelas, utilize reproduções fotográficas para exposição.obter um total de 3 .5 para o anterior exemplo. Este é um risco Custo: preço de uma fotografia.relativamente pequeno, não nulo, mas pequeno. Avaliação de risco de água na figura 9 : 77
  • 86. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervo O inspector tem de olhar para o tecto, talvez sobre as persianas aberta criam definitivamente uma situação de risco elevado,e verificar os canos. Verifique também o andar de cima, existe (infelizmente comum em museus modernos que têm exposiçõesuma casa de banho? Lavatório? Por exemplo, suponha que o abertas). Na figura 9 , porém, todos os manuscritos estão eminspector identifica uma casa de banho no andar de cima, mais 3 expositores bem elaborados, com tampas em vidro, firmementeoutros canos que atravessam a sala. Como ponto de partida, é lacradas. A inspecção aprofundada dos pormenores demonstraprecaução mas razoável calcular que cada um destes itens pode que seriam muito bons em caso de derramamento de água,romper-se uma vez em cada 3 0 anos. Esta é a sua validade especialmente os horizontais que se inclinam. Muitos expositoresesperada em termos industriais. Sendo assim, 4 fugas em 3 0 anos, de museus, novos e dispendiosos, são inúteis em caso dedá uma média de uma fuga em cada 1 0 anos. Calcule que cada derramamento de água, ou até piores do que não ter nada, umafuga abrange 1 / 1 0 da área da sala. Assim a avaliação de risco vez que conduzem a água até ao artefacto, através dos orifíciostorna-se: das lâmpadas. Expositores como os da figura 8 , são muito difíceisCom que rapidez? 2 de avaliar na questão de perigo de água. O autor calcula que(um caso a cada 1 0 anos) talvez apenas 1 dos 3 0 livros dos expositores da figura 9 ficariamQ ual a quantidade de danos? 2 ,5 molhados, se todos os expositores fossem borrifados com água.(podem -se perder m uitos quadros e pinturas com tintas à base de Além disso, todos os manuscritos simples expostos verticalmenteágua) estão encapados em capas de plástico com as extremidadesQ uanto do acervo? 1 lacradas. Aproximadamente 1 em cada 1 0 das capas de plástico(em cada caso, 1 / 1 0 da sala m olha-se) parece ter aberturas que permitiriam que a água entrasse porQ ual a importâncias dos artefactos? 1 cima. (As capas de plástico podem até ser melhores: eu calculo(com o o exem plo prévio) que apenas 1 das 1 0 0 dessas bolsas da figura 9 escoariam a água,Magnitude total de risco 6 .5 se o quadro se enchesse de água). Por isso, em livros abertos em expositores, o risco baixa de 1 ,5 para 5 pontos e para os Esta magnitude de risco está no nível de “prioridade urgente”, manuscritos encapados dentro dos expositores, baixa mais 1embora absolutamente nada possa acontecer durante 1 0 ou até ponto, para 4 , prioridade moderada.mesmo 3 0 anos. Esta é a natureza de perda “provável”. O As opções para reduzir o risco de água são:inspector não pode garantir fugas, mas como aconselhador, o 1 . Reencaminhar a canalização. Custo: moderado a elevado.inspector tem que advertir baseado em probabilidades. Mas 2 . Estabelecer um horário de manutenção especial para amesmo assim, quando se observa o exemplo, a estimativa parece canalização sobre a área de exposição.errada. 3 . Inspeccionar cuidadosamente e melhorar os fechos dos Está errado. A avaliação acima assume uma exposição aberta. expositores e os selos de encapsulamento, especialmente sob osO s tubos e a canalização por cima das instalações da exposição 78
  • 87. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervo canos para os tornar mais capazes para bloquear a água ainda mente. Aqui, considera-se o efeito das capas nas duas avaliações melhor do que o estimado. Custo: baixo. de risco mais difíceis: manipulação física e insectos. Se um museu pensar em projectar e comprar muitos Não existe qualquer dúvida que os conservadores do acervoexpositores ou muitos armários para reserva, e existir perigo de reconhecem as vantagens destas capas, feitas de polietilenoágua inevitável proveniente de cima, como um depósito de relativamente pesado, na protecção da manipulação física ereserva de água no telhado do museu, faz sentido projectar e insectos. O s curadores gostam da vantagem de uma identificaçãotestar protótipos resistentes à infiltração de água. segura e de manter os fragmentos juntos. O s cartões de Exercício: Veja a figura 8 . Como poderá determinar qual o identificação colocados dentro do capa, tornam-no mais forte erisco de entrada de água proveniente de cima? tornam os pedaços pequenos mais visíveis. O acervo de história Exercício: Vá e olhe para uma das suas salas de exposição. natural, acervo arqueológico e o acervo histórico, todos têm este Tente avaliar o risco de desvanecimento pela luminosidade e o material. Nós sabemos que isto é uma boa ideia, mas podem osrisco de água proveniente de cima. Comece por imaginar o benefícios ser avaliados verdadeiramente?futuro, os próximos 1 0 0 anos. Descreva o cenário a si próprio, e No caso de manipulação física, a melhor informação detente avaliá-lo com as escalas. Concentre-se: é mais fácil começar avaliação surge dos curadores e gestores do acervo ou doscom um tipo específico de artefacto, uma parte específica da sala. próprios utilizadores, especialmente em museus pequenos ondePratique a generalização depois. todos estes são uma única pessoa. Neste exemplo em particular, o curador que pôs as suas colecções de insígnias e distintivos em Figuras 10 e 11. capas, estava convencido que a taxa de danos era muito mais D caixas diferentes com pequenos distintivos em tecido uas baixa. A questão para ambos os curadores, especialmente paraAs figuras 1 0 e 1 1 são de dois pequenos museus do exército aquele que não tem a colecção em capas, seria: quais os danosdiferentes, no Canadá. Como muitos museus, os museus militares estimados que ocorreram nos objectos, devido ao manuseamento,coleccionam fardas, panos e grandes quantidades de coisas muito nos últimos1 0 anos, ou desde que estão no museu? Estapequenas que só têm valor quando inseridas em grupo ou grupos. estimativa incluiria o efeito de com que frequência estes objectosAo observar as figuras 1 0 e 1 1 , pode-se ver até agora que as foram procurados pelos utilizadores. Talvez o museu tenhacapas individuais de plástico com “fecho hermético” são um meio antecipado um grande aumento de utilizadores, 1 0 vezes maismuito bom a nível de custo-eficácia para reduzir o risco de água. utilizadores por ano aumentariam o risco de manipulação 1 0Também é um modo para reduzir o risco de manchas devido à vezes. Estas não são certamente avaliações fáceis, mas sãopoluição. Também poderiam ser pequenas peças de roupa, necessárias antes de o museu estabelecer a prioridade. Se já existirsapatos, chapéus, com linhas metálicas, de colecções islâmicas ou uma avaliação de risco mais fácil, como a avaliação de manchasetnográficas. O s benefícios da água e dos poluentes podem ser de prata ou risco de danos de água ou risco de perda decalculados, talvez não precisamente, mas com cenários óbvios em etiquetas, para justificar as capas, então a avaliação para a 79
  • 88. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervo Figura 10. Qu ad r o d e d ist in t ivo s e in sígn ias m ilit ar es em t ecid o , Figura 11. Quad r o d e d ist in t ivo s e in sígn ias m ilit ar es em t ecid o , sem id en t if icação o u sep ar ação , n um p eq uen o m useu can ad en se. cad a um n um a cap a d e p o liet ilen o in d ivid ual co m "f ech o h er m ét ico ", a m aio r ia co m car t õ es d e id en t if icação d en t r o , n um p eq uen o m useu can ad en se.protecção de força física é informativa, mas não essencial. humano, e possivelmente a humidade relativa está algures entre os Figura 3. Barco solar, risco de humidade relativa incorrecto? 4 0 % rh e os 6 0 % rh na maior parte do tempo, e fora destesO edifício-museu do barco solar da figura 3 não é obviamente valores noutras alturas. Isto não é irreverência, esta é a realidadetípico da arquitectura histórica local. É o oposto de paredes dos museus do mundo inteiro.pesadas e janelas pequenas. É o que é tecnicamente conhecido Exercício: Como poderá determinar a história da humidade ecomo um edifício de construção pobre e pesada, e tem uma área da temperatura de modo confiável?de janelas típicas do desejo de luminosidade do norte europeu. É Agora o Exercício mais difícil. Se realmente determinar a história da humidade e da temperatura, então e depois? Comoverdade que se chama barco solar, mas também é verdade que os calcularia o risco?faraós (os seus conselheiros técnicos) conservaram-no até há 5 0 Há muitos anos atrás, existiu a proposta, talvez quando oanos atrás, num subterrâneo, numa estrutura bem selada. É controlo da temperatura parecia tudo menos perfeito, de colocaraparentemente um edifício com controlo da temperatura, mas uma grande quantidade de gel de sílica ao redor do barco quequase sempre isso significa temperatura controlada para conforto agiria como um bom controlador da humidade (chamado de 80
  • 89. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervo“pára-choques”. (Ver Thomson 1 9 8 6 , ASHRAE 2 0 0 4 e outras durante 5 0 anos. Sorte? Penso que não. Eu acho que a melhorfontes). Será que era necessário? ciência disponível sugere que este tipo de artefacto de madeira A maioria dos leitores terá aprendido que aqueles artefactos de tem uma sensibilidade muito baixa de variação à humidade. Emadeira mostram algum grau de sensibilidade a variações de acho que os últimos 5 0 anos provaram isso. Por isso, os futuroshumidade. Alguns aprenderam que era muito sensível, outros gestores do acervo podem tirar vantagem do conhecimentonem tanto assim. As melhores avaliações de risco disponíveis adquirido pelo passado. Duas clarificações: 1 , Se existiremactualmente para esta questão podem ser encontradas numa fracturas pequenas e distorção observadas no barco, eu suspeitoextensa tabela disponível pelo autor. (A resposta: de pequeno a que seja a taxa rh de avaliação a longo prazo que esteja errada enenhum risco de fractura para até uns 4 0 % de variação numa não todas as variações. Disseram-me que os testes em câmarasestrutura como o barco solar, porque cada pedaço de madeira funerárias semelhantes deram 6 0 % rh estável. E 2 , note que nãopode expandir-se e contrair-se sem pressão. Afinal de contas, isto existe qualquer vantagem (além de evitar o constrangimento) umfoi projectado como um barco que fica molhado e seca sem museu ter exagerado na perfeição do seu controlo darachar. Só era necessário deixá-lo solto.) O risco incerto surgiria temperatura, no passado. O que quer que tenha acontecido nose qualquer peça tivesse sido “reposta” por uma resina). Na passado, pertence ao passado. A única coisa que importatabela de ASHRAE do Apêndice 3 , inclui-se uma simplificada mas actualmente são os dados para uma predição futura. Cominfelizmente, vaga estimativa de risco. A resposta mais rápida e variações de humidade em madeira, couro, pintura, tecidos, cola,precisa é: as variações de humidade não causam risco significativo papel, pergaminho (e outros materiais orgânicos) quanto maiorde fractura ou de disposição em camadas, no futuro, a não ser for o conhecimento sobre os riscos no passado, menos serão osque excedam todas as variações significativas do passado. Esta riscos avaliados no futuro.“pior variação de rh” anterior é designada de “variação da Exercício: O que proporia como plano lógico para calcular aimpermeabilização do acervo” (tempo de resposta suficiente dos “flutuação da impermeabilidade de rh” dos artefactos de madeiraobjectos, que no caso do barco excede 1 cm de densidade em no seu museu?todo o lado, em pelo menos um dia, e provavelmente durante Exercício: O s riscos das outras 3 formas de rh incorrecto NÃOmuitos dias para a maioria dos elementos. Assim, o principal seguem o mesmo conceito da “flutuação da impermeabilidade deponto de referência para a avaliação de risco não é a ciência do rh.” O s danos acumulados em cada evento, como a humidade,artefacto, mas o historial do agente. Com o barco solar, isto é não levam em consideração os anteriores eventos semelhantes.uma faca de dois gumes. Foi tirado de uma humidade muito Explique.estável de uma estrutura selada e fechada e colocado num edifíciomoderno de risco, exposto ao sol do deserto. Por outras palavras, Figuras 12 e 13. O leões de Tutankhamun so risco, caso exista, já foi eliminado, a menos que o desempenho As figuras 1 2 e 1 3 são apresentadas como um conto admonitóriodo edifício se deteriore radicalmente. E o barco permaneceu bem sobre a evidência histórica. Ao contrário do barco solar, o 81
  • 90. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do AcervoFigura 12. Um a d as cab eças d e leão n o acer vo d o Tut an kh am un . Figura 13. A m esm a cab eça d e leão d a f igur a 12, n um a f o t o gr af ia t ir ad aFo t o g r af ad o em 1986. Fr act u r a e d elap id ação d a cam ad a d e gesso p elo ar q ueó lo go n o d ia em q ue o t úm ulo f o i ab er t o . Em b o r a a f o t o gr af iad o u r ad a, d evid o ao en co lh im en t o d o s co m p o n en t es d e m ad eir a q ue est ão n ão seja m uit o clar a, cad a um a d as f r act ur as o u d elap id açõ es d e 1986 jáp o r b aixo . A q u est ão é, q u an d o o co r r er am est es d an o s? Quais o s r isco s d e exist e, m as n um gr au m ais b aixo .h u m id ad e in co r r ect a e t em p er at u r a in co r r ect a p ar a est e o b ject o ?artefacto da figura 1 2 evidencia sinais claros de danos provocados das suas implicações para a gestão do risco do futuro controlo depela humidade relativa incorrecta em 1 9 8 6 . Possivelmente, as humidade.variações de rh, possibilitaram uma taxa de rh incorrecta a longoprazo. Existe uma tendência nos museus para utilizar tal evidência Exercício: Q uais os tipos de artefactos importantes que existem nocomo prova de que os sistemas de controlo de temperatura seu museu com semelhantes evidências de acumulação gradual deactuais dos edifícios, são inadequados. Pode ser verdade que os danos provocados por rh incorrecto ou por qualquer outrosistemas do edifício eram inadequados, mas esta evidência em agente? Vá e inspeccione-os, cuidadosamente. É capaz de deduzirparticular, é fraca. Note na figura 1 3 que na hora da escavação, o quando ocorreram os danos, no passado? Q uais os métodos queartefacto evidenciava muitos dos mesmos danos, nos mesmos três poderia estabelecer que possam permitir ao museu provar que nolocais. O acesso a amostras com mais definição do que a espaço de um 1 ano ou 1 0 anos, podem ocorrer novos danos?fotografia original e a outras fotografias disponíveis entre as duasdatas, permitiriam uma interpretação mais precisa da evidência e 82
  • 91. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervo Gestão de risco de pragas integrado (GPI) inofensivos e insectos que morrem e depois se tornam o atractivo Introdução perigoso. Depois da limpeza total destes itens pelo insectos, elesO material nesta secção baseia-se no trabalho de Tom Strang do procuram mais…no seu edifício mais perto. O s animais daninhosInstituto de Conservação Canadense. O s seus artigos (Strang, e os insectos em geral são também atraídos por lixo,2 0 0 1 ) e os de outros (Pinniger, 2 0 0 1 ) publicados recentemente especialmente lixo de comida. O lixo deve ser mantido pelonesta área devem ser consultados, aquando do planeamento do menos 2 0 m, longe do edifício do museu, e frequentementeprograma completo de GPI do museu, especialmente se os danos esvaziado.provocados pelos insectos, são um problema historicamente Repetindo, o princípio fundamental da primeira fase da GPI:conhecido. Aqui, todos os conceitos fundamentais são providos o remova todo o habitat possível da área circundante. Isto aplica-sebastante, para um museu compreender a alteração de confiança a todas as camadas das estruturas da figura 5 . Uma das grandesno veneno para a confiança no GPI, e iniciar os seus métodos vantagens do tipo de expositores da figura 1 5 , quandoimediatamente. Como notado na secção prévia sobre os métodos comparado com os da figura 7 , é que se pode pedir aosintegrados, a indústria de controlo de pragas adoptou o conceito funcionários de limpeza que limpem o pó (flocos de pele humana,e a expressão muito antes dos museus. A GPI não só é útil por si cabelos, etc.) debaixo dos expositores, i.e., o habitat.só, como é útil como modelo de gestão de risco para todos os Evite também tudo o que se aplicar directamente a fontes. O soutros agentes de deterioração nos museus. insectos entram frequentemente no museu através de artefactos novos, ou através de materiais de construção, e frequentemente Evite fontes e atractivos através de materiais para mostras em exposições abertas. Por isso,As pragas foram o agente que iniciou a adição da palavra “o que outro princípio geral da GPI: quarentena e depois inspeccionaratrai” para esta expressão do controlo. As pragas não podem ser todos os materiais que entram, especialmente, o mesmo tipo deevitadas no ambiente externo, mas ao contrário dos poluentes, e material que compõe a sua mais importante ou a maioria comumtal como os ladrões, as pragas seguem tudo o que as atrai. E “algo das colecções… madeira para insectos de madeira, lã para insectosque atrai” e um caminho básico são um habitat agradável para as de lã, etc.pragas. Alguns podem tornar-se específicos: os piores atractivos são os Bloquear os caminhosque imitam as colecções vulneráveis. Pele, penas e lã em As várias áreas das estruturas da figura 5 , paredes seguras,colecções são especialmente vulneráveis a certos insectos, e esses telhado, portas, janelas, da “lista dos básicos”, falam todos com ainsectos são atraídos ao edifício do museu por, claro, pele, penas, GPI. Tal como as capas plásticas da figura 1 1 , que contêm os seuspêlo e qualquer coisa com o mesmo material (queratinas) ou preciosos artigos militares de lã. Num nível menos óbvio, a GPImaterial semelhante (quitinas) como insectos mortos. Assim, o refere-se a um “perímetro sanitário” â volta do edifício, que podehabitat inclui as árvores e arbustos que atraem pássaros ser aplicado metodicamente à volta de cada camada das estruturas 83
  • 92. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do AcervoFigura 14. Ar m azen am en t o d o acer vo n um m useu d e t am an h o m éd io . A Figura 15. Sala d e exp o sição d e um m useu gr an d e, h á 20 an o s at r ás, co mm et icu lo sid ad e g er al é b o a, n ão p ar ece exist ir q ualq uer f o n t e d e água exp o sit o r es t r ad icio n ais d e m useu, co m q uase 100 an o s. Os f un cio n ár io s d ep r o ven ien t e d e cim a, e t o d o s m en o s algun s d o s r ecip ien t es d e co zin h a lim p eza lim p am o p ó co m um esp an ad o r d e p en as, t o d as as m an h ãs. A luzem b r o n ze g r an d es, est ão ar m azen ad o s sem est ar em em p ilh ad o s, un s d o d ia en t r a n a sala. Se algum a co isa est iver em r isco aq ui d ep en d e d eem cim a d o s o u t r o s. Co m o aco n t ece em m uit o s m useus, exist e um co m o o acer vo est á exp o st o . Ao co n t r ár io d o caso d a f igur a 7, p o d e -seesp aço d e t r ab alh o n a ár ea d e ar m azen am en t o d o acer vo q ue d en un cia lim p ar f acilm en t e d eb aixo d est es exp o sit o r es, e f azer a in sp ecção am u it o s p er ig o s, co m o a p assag em co n st an t e d e p esso al, co m id a, r esist ên cia a in sect o s.b eb id as, e p ó co n sid er ável (n est e exem p lo as cer âm icas ar q ueo ló gicasest ão a ser cat alo g ad as e lim p as). Não se t em a cer t eza d e q uais são asm esas d e t r ab alh o e q u ais as m esas p ar a o s ar t ef act o s d o m useu. Q ualquer museu com acervos especialmente vulneráveis, como tecidos de lã, deve considerar a utilização de telas em qualquerda figura 5 . janela aberta que conduza a esse acervo, e em qualquer abertura Conceptualmente, isto sobrepõe-se com a remoção do habitat, de ventilação para os sistemas mecânicos.mas traduz a ideia principal da faixa estreita do habitat que age Provavelmente, um dos factores de sorte para os museus emcomo um caminho para os buracos e rachas da clausura. As telas climas secos e quentes, dado a falta de telas em janelas, foi a faltade rede são um detalhe importante, como em qualquer abertura simultânea de vegetação e habitat à volta do edifício. É umacom mais de 1 mm. As telas de rede contra insectos nas janelas, grande ironia e uma reversão infeliz que os museus modernoscomuns em algumas partes do mundo, não existem em muitas desses países se esforcem heroicamente para providenciaroutras. ambientes agradáveis, jardins com água, restaurantes, tudo para atrair pragas para o seu oásis e para as suas colecções! Estes 84
  • 93. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervomuseus devem pelo menos, levar em consideração o conceito de isole-a imediatamente e suavemente. Dispersar os insectos adultosperímetro sanitário, i.e., a distância de 1 m de relva e arbustos pelo acervo, não os isolando, não é útil. Para começar, embrulhe-sem pedras à volta de todo o edifício e ter um cuidado especial os em plástico e isole-os bem. Consulte a literatura e os peritoscom a remoção de lixo. (peritos genuínos, não os pulverizadores de veneno) para mais informações. Existem vários métodos novos para matar insectos D etecção (sem veneno) que os museus precisam de conhecer. Um dosO s insectos adultos entram no acervo, encontram o seu habitat e grupos é designado de “atmosferas controladas” ou “anoxia” edepositam os ovos. A larva e ou a fase da crisálida destrói os consiste numa bolsa cheia de ar sem oxigénio. O s outros métodosartefactos, torna-se adulta e propaga-se pelo acervo. são chamados de “térmico” e qualquer um deles utilizaNormalmente, este ciclo demora algumas semanas, por isso é vital temperaturas muito altas ou muito baixas (Strang, 2 0 0 1 ). O sdescobrir qualquer infestação antes do ciclo voltar a repetir-se. Se métodos com temperaturas altas podem utilizar técnicas a umse repetir duas, três vezes antes de o descobrir, as perdas custo extremamente baixo, tal como colocar os artefactosaumentarão exponencialmente. Um dos métodos mais úteis que infestados em polietileno preto ao sol durante um dia. Esteapareceu na GPI do museu nas últimas duas décadas é a utilização método “solar” está actualmente bem descrito na literatura sobresistemática de “armadilhas pegajosas” para insectos. Embora seja preservação do acervo (Brokerhof, 2 0 0 2 ).vendido para as casas como meio de matar insectos, a suautilização em museus não é para matar mas sim para detectar. Gestão de risco sustentável de iluminação, poluição, temperatura eEstas armadilhas pegajosas são colocadas ao longo do acervo, humidade, integradaespecialmente ao longo dos caminhos do insecto (extremidades Agestão de risco substitui os padrões rigorosos para o meioescuras de paredes, etc.) e depois inspeccionadas em intervalos ambiente do museuregulares, talvez uma vez por mês. É importante identificar as O s exemplos de trabalho da secção sobre Exemplos de avaliaçõesespécies de insecto, uma vez que muitos são inofensivos para o de risco específicos e soluções individuais apresentam umaacervo (ver referências sobre fontes de identificação). Por isso, é abordagem sobre a avaliação de risco e a redução de risco emimportante manter registos do que encontra e onde, e finalmente, temas como a iluminação e o controlo de humidade. Comoé importante estar atento a quaisquer “pontos negros” no seu referido no início deste capítulo, a maior parte doedifício e dar uma resposta. aconselhamento e directrizes sobre a preservação utilizam uma abordagem muito mais simples, baseado na “melhor prática” ou Resposta “padrões”. Isto é especialmente verdade nos últimos quatroEm resumo, mate as pragas. Mais precisamente, encontre a agentes da tabela 1 , iluminação, poluição, temperatura incorrectainfestação detectada pelas armadilhas pegajosas ou pela inspecção e humidade incorrecta, conhecidas colectivamente como o “meiorotineira das colecções, ou na quarentena do material adquirido e 85
  • 94. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervoambiente do museu”. As regras simples são muito mais fáceis de Várias complicações surgiram. O s espectadores mais velhosespecificar, mas o custo pode tornar-se muito alto e os benefícios não conseguem ver os detalhes com uma iluminação de 5 0 luxarbitrários. (nível de iluminação normalmente recomendado para tecidos Durante os anos setenta, os museus mundiais adoptaram sensíveis à luz, cores com base de água e manuscritos, e atépadrões rigorosos simples para o “ meio ambiente do museu”. mesmo os espectadores jovens não conseguem ver bem superfíciesEstes padrões baseavam-se em estimativas extremamente complexas ou escuras àquele nível de iluminação. Muitoscautelosas de alguns riscos e simplificação excessiva ou omissão artefactos não são muito sensíveis à luz e são mantido nacompleta, de outros riscos. Os objectivos eram escuridão sem qualquer razão. Por outro lado, muitos outros sãodesnecessariamente difíceis e caros em algumas situações e tão sensíveis à luz que uma iluminação ininterrupta tão baixa decontraproducentes em outras situações. Embora os museus 5 0 lux causará desvanecimento após muitos anos de exposiçãoestejam a substituir estes objectivos rigorosos gradualmente por permanente. O autor revisou toda a literatura sobre a visibilidade,directrizes mais flexíveis, os objectivos rigorosos ainda dominam assim como todos os dados úteis sobre o desvanecimento têxtil emuito do aconselhamento divulgado. Dominam completamente os desenvolveu uma directriz de iluminação geral. (Michalski, 1 9 9 7 )acordos de empréstimo entre museus, um facto importante para Nos últimos dez anos, a gestão de risco desenvolveu directrizesos grandes museus que querem exposições por empréstimo. de iluminação de outros autores. Todos começam com a mesma O texto dominante durante o último quarto de século nesta abordagem de avaliação de risco, i.e., quanto tempo demora atéárea foi O Meio A m biente do Museu por Garry Thomson um desvanecimento notável? Autores diferentes provêem(1 9 7 8 , 2 ª edição 1 9 8 6 ). Providencia ainda uma avaliação estratégias diferentes para simplificar a decisão para váriasexcelente sobre muitos assuntos, embora algum do seu material colecções. Eventualmente, porém, todas as directrizes deesteja actualmente desactualizado. iluminação baseadas num tempo aceitável para causar desvanecimento notável, necessitam de dados sobre aD irectrizes sobre a iluminação do museu sensibilidade à luz do acervo. O melhor resumo destes dadosDurante várias décadas, o padrão de iluminação dos museus surgiu numa directriz internacional recentemente publicada sobreespecificava que os tecidos e trabalhos em papel deviam ser a iluminação do museu (CIE 2 0 0 4 ) e é apresentado de formailuminados só a 5 0 lux e as pinturas e outras superfícies pintadas a breve no Apêndice Sensibilidade de materiais coloridos à1 5 0 lux. (Lux é a unidade internacional de intensidade de iluminação.iluminação SI). Para comparação, a luz solar directa pode atingir Alternativamente, pode decidir manter a directriz rigorosaaté 1 0 0 ,0 0 0 lux, a luz do dia indirecta 1 0 ,0 0 0 lux, os tradicional, ou seja, iluminar todos os artefactos a um nível muitoprojectores de iluminação 2 0 0 0 lux, a iluminação de escritório baixo, desde 5 0 lux a 1 5 0 lux e aceitar as complicações listadasdirecta na secretária normalmente atinge 7 5 0 lux e uma vela anteriormente.segurada na mão atinge 1 lux de intensidade). 86
  • 95. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervo Directrizes sobre a temperatura e humidade do museu As especificações de ASHRAE (Apêndice 3 ) utilizam oDurante várias décadas, o aconselhamento padrão sobre conceito de gestão de risco. Existe uma lista sobre os vários graushumidade e temperatura era simples e rigoroso: pretendia-se de controlo de variação, AA, A, B, C, D e os riscos de cada graualcançar 2 1 ° C com 5 0 % RH e muito pouca variação permitida. estão listados na coluna da direita da tabela. Existe também umaEste padrão desenvolveu-se aquando da preocupação com lista sobre o risco de materiais de arquivo quimicamente instáveispinturas e mobiliário na Europa e era realmente benéfico para sempre que existe uma temperatura próxima dos 2 1 C. Tambémestas colecções. Infelizmente, não era benéfico para o arquivo tenha em atenção que ao projectar um espaço de exposiçãomoderno e materiais em papel que necessitavam de condições temporário para receber exposições emprestadas, o espaço devefrescas e secas para uma maior duração (Michalski, 2 0 0 0 ). Não ser projectado para satisfazer as exigências de temperatura dosera benéfico para metais corroídos que necessitavam de condições emprestadores que normalmente são muito rigorosas.secas. Era desnecessariamente restrito a muitas colecções, como Na experiência do autor sobre o clima do deserto ou climaspinturas, artefactos de madeira e pergaminho apenas em risco próximos do deserto, os períodos de humidade contínua quesério em caso de humidade ou seca extrema, e pedra, cerâmica, atingem as regiões marítimas e tropicais são incomuns. As salasvidro estável e metais puros apenas em risco sério em caso de subterrâneas são incomuns na arquitectura tradicional, para que ahumidade. Finalmente, e como afirmado no tema sobre humidade contínua dos andares subterrâneos do armazenamentosustentabilidade, era um padrão caro para implementar ao nível não surja frequentemente. O s perigos mais comuns são ade edifício. temperatura média muito elevada e as variações extremas da Em 1 9 9 9 , um comité de cientistas de conservação e temperatura e humidade relativa entre o dia e a noite.engenheiros mecânicos da América do Norte acordou linhas de O s riscos de temperatura elevada não são na verdade grandesorientação mais precisas. Foram publicadas primeiro em 1 9 9 9 , para os materiais tradicionais. São um problema sério paranum novo capítulo do manual do engenheiro dos EUA para fotografias, papel dos últimos 1 5 0 anos, plásticos, materialmuseus, bibliotecas e arquivos e revistas em 2 0 0 3 (ASHRAE, audiovisual e meios de comunicação digitais. O risco é a2 0 0 3 ). O capítulo também contém uma excelente revisão sobre decadência muito rápida, a menos que seja utilizado equipamentoos tipos de risco para o acervo do museu, baseado nos subtipos de refrigeração. Assim, a preservação de materiais de arquivode temperatura incorrecta e humidade incorrecta devido aos modernos requer tecnologia de construção moderna.agentes da Tabela 1 . As temperaturas e humidades indicadas são Felizmente, os metais, cerâmica, vidro, madeira, couro,providas no capítulo de ASHRAE no Apêndice 3 . No entanto, pergaminho, retalhos de papel, pinturas a óleo, resinas naturais equem tomar as decisões relativamente às considerações sobre as cola animal têm um risco relativamente baixo, de temperaturas doespecificações do projecto para um edifício, deve levar em conta ar ocasionais até 4 0 °C. Estes materiais tradicionais, tais como otodo o capítulo, tanto para si próprio como para os engenheiros pergaminho, papiro e retalhos de papel, raramente são vistos emconsultores. museus e arquivos por terem sofrido perda devido ao calor seco. 87
  • 96. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do AcervoQ uando vistos em condições pobres, os agentes responsáveis museus pequenos em climas quentes é o equipamento de arquase sempre são forças húmidas, físicas (manipulação condicionado, como o da figura 1 6 . Funciona invariavelmenteinadequada), insectos, poluentes, raios UV e luz. (Isto não é para mal, e o triste facto é que frequentemente o ar condicionadojustificar a exposição ao ar livre ao sol do deserto. O bviamente, expõe a primeira exposição do acervo do museu a uma humidadeisto destrói estes materiais no espaço de alguns anos, devido aos relativa elevada (e a outra fonte de fugas de água). Mantenharaios UV muito intensos e a temperaturas de superfície de 1 0 0 ° C sempre os artefactos sensíveis à água ou à humidade afastados doou mais de luz solar directa). ar condicionado. Se planear instalar um ar condicionado novo, verifique o rh antes da instalação durante algumas semanas ou se possível meses, e depois verifique-o cuidadosamente após a instalação e operacionalidade do ar condicionado. As variações de humidade causam um risco moderadamente elevado, e são dados alguns exemplos de avaliação de risco na secção Exemplos de avaliações de risco específicas e soluções individuais 6 . O conceito “ à prova de rh” introduzido naquela secção é crítico para uma estimativa de risco de variação de rh. Por exemplo, se um ar condicionado introduzir novas e maiores variações de rh, pode exceder a protecção do rh do seu acervo. Em qualquer situação onde a humidade relativa está em questão, a percepção humana é geralmente incerta (com Figura 16. Mu seu t íp ico p eq u en o e sist em as d e ar co n d icio n ad o excepção da humidade extrema). A humidade relativa deve ser m o d er n o s o m n ip r esen t es. Fr eq uen t em en t e, est es t an t o causam medida (Fase da detecção) para fazer uma avaliação de risco m u it o s d an o s ao s ar t ef act o s co m o causam co n f o r t o ao s visit an t es e precisa. p esso al. Pr o vo cam f r eq u en t em en t e um RH elevad o e um a f o n t e d e g o t eir as d e ág u a (co n d en sação ), q ue n ão exist ia an t es. Directrizes sobre os poluentes do museu Nas regiões marítimas, i.e., próximas do mar ou do oceano, a O s poluentes atmosféricos são o gás, contaminantes líquidos ouhumidade contínua pode tornar-se um problema. Em edifícios de sólidos levados pelo ar, conhecidos por causar danos a objectos.estilo europeu modernos com armazenamento subterrâneo, e uma A maior parte de nós está familiarizado com fontes externas comotaxa de água elevada devido à proximidade do rio, então a a poluição urbana, areia do deserto, maresia, mas os museussustentação de humidade também pode ser um problema. Na também têm que levar em consideração as fontes internas, comoexperiência do autor, a única causa mais comum de humidade em materiais de construção e materiais de embalagem que emitem gases. 88
  • 97. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervo As directrizes tradicionais sobre as especificações dos poluentes manchar ou a deteriorar-se em muito mais doses. No caso dedo museu seguiram duas linhas de argumentação: os níveis desvanecimento devido à luminosidade, por exemplo, demoranaturais não parecem ser muito prejudiciais, e em caso de dúvida, cerca de 3 0 a 5 0 mais doses antes de ter perdido toda aescolha os melhores sistemas de filtragem disponíveis. Thomson coloração. Enquanto os dados apresentados na forma “pouco(1 9 8 6 ) propôs o ponto de referência dos níveis de poluição efeito observável” é útil para fixar objectivos, deve ser utilizadoocorrida naturalmente, uma vez que observou que o acervo em cuidadosamente aquando da pesquisa de risco geral, porquearquivo longe de áreas urbanas podia sobreviver sem danos define o início, em vez do fim, do risco cumulativo. Felizmente, asdurante séculos, enquanto o acervo em locais urbanos escalas de avaliação de risco podem lidar com esta diferença,frequentemente sofriam danos no espaço de décadas. como explicado anteriormente em alguns dos exemplos. Isto era uma abordagem útil para poluentes que ocorrem Aplicar as directrizes sobre os poluentes, torna-se muitonaturalmente num nível significativo, como dióxido de enxofre e complexo, muito rapidamente. Ao contrário da iluminação que éozono, mas não era útil para poluentes que ocorrem naturalmente um agente sem subcategorias e com só um tipo de risco, oem níveis extremamente baixos. Para tais poluentes, havia enfraquecimento, o poluente consiste em dúzias de partículas esimplesmente uma tendência para escolher a “melhor tecnologia gases, cada uma com diversas fontes, diferentes formas de risco,disponível” em determinados sistemas mecânicos. Na prática, diferentes taxas de danos e diferentes colecções que são atacadas.muito poucos museus optaram realmente por melhores sistemas Felizmente, existe uma lista dos problemas de poluição básicosdisponíveis. que surgem porque ou o poluente tem uma grande propagação Recentemente, Tétreault introduziu no Instituto de relativa aos seus danos, como pó pesado, ou porque certasConservação Canadense uma abordagem com directrizes sobre combinações particulares de poluente e materiais do artefactopoluentes na gestão de risco, baseado no conceito de “efeito conduzem a uma reacção química muito rápida. O s museusadverso observável” (EAO ). Inventou os termos relacionados, passaram por estas situações vezes sem conta (Lista da tabela 4 ).Nenhum Nível de Efeito Adverso O bservável (N NEAO ) e Dose Note que os métodos de redução de risco existem em apenasMínima de Efeito Adverso O bservável (DMEAO ). Estes termos duas abordagens, uma para poluentes externos e outra paraestavam incorporados nas directrizes sobre os poluentes no poluentes internos. As fontes externas são principalmentemanual dos engenheiros de ASHRAE, (ASHRAE 2 0 0 4 ) e é controladas pela Fase do Bloqueio e as fontes internas sãoexplicado em pormenor num manual inclusivo sobre poluição de principalmente controladas pela Fase da Prevenção. Considere oTétreault (2 0 0 3 ). No entanto, quaisquer que sejam os termos problema de colorantes em manuscritos. A pesquisa mostrou queformais pode-se reconhecer o mesmo conceito de risco utilizado os níveis de poluente nos piores níveis observados em situaçõesnas directrizes de iluminação, quer seja por perda notável ou urbanas podem enfraquecer completamente o colorante maisobservável. Mais precisamente, é uma perda “pouco notável” ou sensível num ano, se o colorante estiver exposto ao ar poluído.“pouco observável”. O artefacto continuará a enfraquecer ou a 89
  • 98. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do AcervoTabela 4. Os p r o b lem as d e p o lu ição b ásico s (ab r evi ação d a t ab ela d e m at er iais h ip er sen síveis d e Tét r eau lt (2003) e o u t r as f o n t es)Poluentes Material sensível Risco Perigos, Fontes Métodos de redução do riscoFontes externas (principais)Par t ícu las, Sujid ad e. Guar d e o s ar t ef act o s em exp o sit o r esesp ecialm en t e, To d o s o s ar t ef act o s, Co r r o são aceler ad a d e m et ais Ar eias, p ó . Po luição ur b an a, h er m ét ico s, p aco t es, ar m ár io s.silicat o s (ar eia) esp ecialm en t e p o r o so s co m b r ilh an t es. esp ecialm en t e t r áf ego . Red uza a en t r ad a d e ar ext er n o aocar b o n o (f u m o ) su p er f ície co m p lexa. Dan o s sub seq uen t es à lim p eza. ed if ício , esp ecialm en t e d ur an t e o sOzo n o p ico s d e t r áf ego o u p ico s d e Alg u n s co r an t es em aguar elas, t em p est ad es d e p ó .Dió xid o d e azo t o Po luição ur b an a ilu m in at u r as (ín d igo , car m esim , Desvan ecim en t o d a co r In st ale f ilt r o s n o s sist em as d o ed if ício .Dió xid o d e en xo f r e esp ecialm en t e t r áf ego f u csin a b ásico , cur cum in a.)Fontes internas (principais) Co m p o st o s d e b o r r ach a.Su lf u r et o d e Man ch as d a p r at a, (e lim p eza Lã q uan d o exp o st a a r aio s Pr at a Evit e t o d as as f o n t es list ad as d en t r oh id r o g én io sub seq uen t e ab r asiva.) UV. Hum an o s. d o s exp o sit o r es. Evit e t o d as as f o n t es list ad as em salas Mad eir a e p r o d ut o s d e f ib r a e m o b iliár io . d e m ad eir a.Ácid o s Car b o xilico s Ch u m b o . Man ch as d o ch um b o . Sele o u cu b r a q ualq uer f o n t e Óleo e p in t ur as alq uid icas. Car b o n at o s, co m o co n ch as. Ef lo r escên cia d as co n ch as. ut ilizad a n a co n st r ução . Pin t ur as à b ase d e água en q uan t o f r escas. Porém, sabe-se que as tintas à base de água e os manuscritos vidro fechada ou um livro firmemente fechado pode reduzir asobreviveram muito bem durante muitos séculos, até mesmo em entrada do poluente do factor 1 0 0 a 1 0 0 0 . Por outras palavras,algumas cidades com uma poluição historicamente pesada. o pior perigo de poluição urbano que traz um risco de perdaPorquê? Devido à protecção provida por um livro fechado, uma completa de cor no espaço de um ano, é reduzido para perdaarmação de vidro lacrada, quadro de madeira fechada, uma bolsa completa em talvez 3 0 0 anos. Assim, na escala de avaliação dede couro fechada ou até mesmo um envelope. O s modelos risco, para o mesmo perigo de poluição urbano, o risco baixa 2 -3científicos mostram que comparado ao ar livre, uma armação de pontos na escala “com que rapidez?” se utilizar uma armação de 90
  • 99. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervo vidro fechada. Além disso, pode-se ajustar todas estas estimativas G estão integrada de todos os quatro agentes pelos benefícios de edifícios fechados que demonstraram ter Estes quatro agentes, poluentes, luz/ raios UV, temperatura baixas concentrações antes de três a dez vezes abaixo dos níveis ao incorrecta, e humidade incorrecta, têm muitas características em ar livre. O ponto importante em todas estas estimat ivas, porém, é comum, cada uma delas sugerindo caminhos para a integração. sem dúvida a redução de risco mais importante, mais previsível e A Todos os quatro são agentes de deterioração “científicos” do mais custo-eficácia, a armação de vidro simples. A seguir, conhecimento moderno. O s cinco agentes anteriores (# 1 a veremos como as clausuras podem tornar-se o problema e não a # 5 ) são antigos na sua compreensão. solução. B Todos os quatro podem ser medidos de forma precisa através Um número considerável de literatura sobre conservação de instrumentos científicos ou metros. Na realidade, ao aborda questões sobre materiais de exposição seguros e perigosos, contrário dos cinco agentes anteriores antigos, a sua e como os testar, revistos no texto de Tétreault (2 0 0 3 ) e na sua intensidade não é facilmente calculada excepto através de mais breve publicação sobre revestimentos (1 9 9 9 ). Uma nova instrumentos. base de dados excelente na internet, fornecida pelo Centro para a C Todos os quatro estão fortemente associados com a engenharia Conservação do Q uebec, Canadá, descreve as utilizações e e projecto do edifício e das exposições e métodos de perigos de muitos materiais usados em exposições e armazenamento. armazenamento do museu. D Todos menos a luz/ raios UV chegam ao artefacto por(http:/ / preservart.ccq.mcc.gouv.qc.ca) deslocação do ar. Na experiência do autor ao inspeccionar museus em países E Todos menos a temperatura incorrecta podem ser bloqueados árabes, o único e mais comum problema de poluentes não são os por materiais finos, baratos e até mesmo materiais delicados. gases urbanos, mas as partículas: areia e pó, aumentados Implicações de A e B. O facto de estes agentes serem frequentemente pelo carbono dos motores a gasóleo dos científicos, e puderem ser medidos, foi uma dupla faca de dois autocarros e camiões. gumes na integração do museu. Por um lado, os conservadores e O senso comum diz-nos que um expositor fechado, um armário cientistas modernos conheciam bem os agentes científicos, fechado, um envelope fechado, quadro ou outros, reduz o risco sabendo como os medir e integrando-os num único conceito deste perigo. Nas figuras 8 e 1 5 , os artefactos em expositores prático: “o meio ambiente do museu.” O s museus recolheram estão bem protegidos do pó e de qualquer fonte. No entanto, os muitos dados ambientais e até mesmo os curadores estavam projectistas das exposições dos museus preferem frequentemente familiarizados com fotómetros e termohigrógrafo. Por outro lado, a exposição aberta ou o museu simplesmente não tem os recursos os conservadores e os seus cientistas tenderam a perder a para incluir objectos grandes. A limpeza diária do museu conduz a perspectiva do risco mais comum, não científico, como a outros problemas referidos anteriormente na secção sobre gestão manipulação incorrecta, pragas, água e até sujidade. doméstica e ilustrado na figura 7 . O museu deve ter acesso a um fotómetro, medidor de raios UV, higrómetro e termómetro. Muitos países descobriram a 91
  • 100. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervovantagem de utilizar uma agência regional ou nacional central queempresta estes instrumentos como um equipamento para museusmais pequenos e que não têm recursos para comprar ou calibrar.A medida para o poluente é mais complexa. Alguns dos poluentesmais importantes dos recintos fechados do museu que utilizamdosímetros de cor simples podem ser medidos. O s poluentesexternos são normalmente medidos através de outras agências e asinformações podem ser obtidas através delas. Uma excelenterevisão das possibilidades de medida de poluentes encontra-se emTétreault (2 0 0 3 ). Implicações de C e D: O controlo integrado da temperatura eiluminação do museu requer um entendimento mútuo entre osprojectistas de todos os sistemas do edifício e de toda a exposiçãoe sistemas de armazenamento. Figura 17. Tr ab alh o d e eq uip a e f o r m ação . Co n ser vad o r es e cien t ist as d e co n ser vação jo ven s d ur an t e um exer cício d e f o r m ação n o m useu. Implicações de E: Muitas soluções para a redução do risco em Ap r en d em a ut ilizar o s f o t ó m et r o s e o s h igr ó m et r o s e algun s d o scontaminantes, raios UV, luz e humidade incorrecta requerem elem en t o s b ásico s p ar a a in sp ecção ao acer vo . O exp o sit o r à sua f r en t epouco mais do que um saco opaco de material limpo. co n t ém um m o n t e d e m o ed as d e b r o n ze, f un d id as n um a m assa co r r o íd a co m ar eia e exp o st o p ar a m o st r ar co m o est e t eso ur o f o i en co n t r ad o p elo sConsequentemente uma das estratégias básicas listadas ar q ueó lo go s.anteriormente na Lista de Estratégias Básicas. preservação. A preservação eficaz a longo prazo depende da Conclusões: Continue gestão de risco, dos métodos integrados, do trabalho de equipa eA intenção deste capítulo é ensinar a atitude e a capacidade que da sustentabilidade. O s responsáveis pela preservação do acervopodem conduzir a uma preservação do acervo eficaz. Não pôde têm que compreender este conceito e gradualmente convencerdisponibilizar toda a informação necessária, apenas utilizar outros no museu, antes de eles próprios os puderem alcançar.exemplos úteis. As profissões de conservador/ restaurador e de A figura 1 7 é o local apropriado para terminar este capítulo.cientista de conservação, porém, está bem servido por um Mostra um grupo de conservadores e cientistas de conservaçãoconjunto de literatura técnica, facilmente localizado através de jovens no Egipto, num exercício de formação, há cinco anos atrás.publicações, e cada vez mais, bem servido pela internet (ver as Eles estão a aprender a utilizar os monitores ambientais, tais comoreferências no fim do capítulo). os fotómetros e as normas básicas para inspeccionar o edifício da O que surpreendeu várias vezes o autor, no mundo exposição relativamente a um determinado agente. É a pontemuseológico, é que apesar da boa vontade por parte do pessoal, é entre o seu trabalho normal que não envolveu qualquer inspecçãocomum a fragmentação notável e inconsistência das estratégias de e a possível tarefa futura para alguns deles, de conduzir uma 92
  • 101. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervoinspecção complexa de todos os riscos ao acervo. O expositor que Diplomaticamente, a maioria dos museus aprecia um relatórioestão a observar, enquanto discutem e partilham ideias, contém com algumas observações positivas!um tesouro de moedas, colocado no expositor pelo projectista Localpara exemplificar como os arqueólogos o descobriram. É uma Caminhe: À volta de todo o local, 1 0 m a 5 0 m afastado doargamassa de bronze corroído e sujidade, mostrando a cor verde edifíciopálida clássica da contaminação e corrosão activa do bronze, num Fotografias: perspectivas gerais (ângulo amplo) do local, à frenteexpositor de um apoio só. Exercício: Q uais são os riscos? Q ual a do edifício, do lado esquerdo, atrás, do lado direito.sua importância? Como pode descobrir? O que aconselharia ao O bservações a recolher:museu? Precisamos do relatório para a semana… Tipo de edifícios perto ou integrados? (fonte de incêndio, água, ladrões, vândalos) Declive da terra perto, altura/ distância dos rios e drenagem perto? (água) Apêndices Q uais os sistemas de abastecimento de água pública, drenagem e Apêndice 1: esgoto que consegue ver? Parecem estar em boas condições? O factos visíveis: sugestão para a inspecção, conjunto de s (água) observações básicas e conjunto de fotografias Bocas-de-incêndio disponíveis perto? (incêndio)Comentários gerais: Embora a sequência de fotografias ajude a Iluminação de vigilância nocturna? (ladrões, vândalos)organizar as fotografias, é essencial registar o número da fotografia Perímetro do edifíciocom qualquer nota sobre as observações e identificar nas Caminhe: À volta do perímetro do edifício, observe as paredes eobservações qual a sala, porta, colecção, etc. o telhado (Se necessário, aceda depois a uma perspectiva do Embora o último propósito da inspecção de avaliação de risco telhado)seja descobrir os riscos da colecção, lembre-se que a pesquisa é só Fotografias: perspectivas gerais (ângulo amplo) de frente, ladouma primeira fase de recolha de factos utilizados para calcular direito, atrás, lado esquerdo do edifício.riscos significativos ao acervo. Claro que, durante uma inspecção O bservações a recolher:observa-se e entende-se muitos dos riscos, e isto ajudará a Materiais de parede, aberturas, qualidade de construção?recolher as observações mais úteis, mas faça observações mesmo Rachas?se a porta ou a parede ou a embalagem esteja “em boas Aberturas? (impede todos os agentes de deterioração)condições”. Em qualquer inspecção sistemática, como esta ou a Aberturas na parede? Têm telas? (impede pragas, ladrões)de Waller (2 0 0 3 ) faz-se estimativas sobre todos os agentes e todo Iluminação nocturna? Boa perspectiva? (ladrões, vândalos)o acervo, de forma que o relatório descreva ambos os aspectos Perímetro próximo do edifício sem vegetação. Lixo armazenadobons e maus da actual gestão de risco do acervo. perto? (pragas) 93
  • 102. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervo Construção do telhado? Inclinado ou direito? Tipo de sistema de Salas do pessoal da manutenção, instalações sanitárias: pias,drenagem? Condição? Sinais de estragos? (água) canalização, drenos de descarga (água) Q ualquer outro perigo óbvio relacionado com o perímetro do Salas de preparação de comida e salas de serviço: como oedifício? anterior, mais lixo, limpeza (pragas) Portas e janelas Corredores, elevadores: facilidade de acesso, obstruções,Caminhe: À volta do perímetro do edifício, observe portas e limpeza (forças físicas em trânsito, pragas)janelas (Se necessário, aceda depois a uma perspectiva interior de Salas do acervocada porta e janela) Caminhe: Por cada sala com acervo. Primeiro, as salas de Fotografias: Identifique cada tipo diferente de portas. Faça pelo exposição, na sequência do visitante e depois o armazenamento.menos uma fotografia de cada tipo. Q ualquer porta com Em cada sala, caminhe à volta do perímetro, várias vezes,problemas especiais, faça uma fotografia. Tire fotos ampliadas das observando cuidadosamente, antes de tirar fotografias ou notas.fechaduras, aberturas, qualquer problema de más condições (tire- Passe por todas as salas antes de inspeccionar os acessórios ou oas sempre em sequência com a fotografia geral da porta/ janela.) acervo. O bservações a recolher: Fotografias: De grande plano angular de cada uma das 4 Materiais da porta, fechaduras, dobradiças, aberturas, selos, direcções, cada uma tirada tão longe quanto possível. Primeiro daqualidade de construção, (capacidade para impedir todos os parede com a porta e a partir daí siga os movimentos do ponteiroagentes) do relógio. Se as fotografias da parede não mostram todo o tecto Materiais da janela, fechaduras, aberturas, selos, telas, qualidade e o pavimento, tire fotos do tecto e do chão. Para cadade construção (capacidade para impedir todos os agentes) observação anterior significativa, sempre que um determinado Telas, cortinas, persianas? (ladrões, vândalos, luz, raios UV) risco é identificado, tire uma foto ampliada. Em que ocasião abrem? Porquê? (pergunte ao pessoal) O bservações a recolher: Q ualquer outro perigo óbvio relacionado com portas e janelas? Q ual o tipo de chão (i.e., altura do chão)? (risco de inundação Salas sem acervo (água)Caminhe: Por todos as salas e corredores sem qualquer acervo Q uais os sistemas de incêndio visíveis (jactos aspersores, portátil, Fotografias: perspectiva de ângulo amplo de cada sala, uma de detectores)?frente para a porta, outra defronte. Foto ampliada de qualquer Sistemas mecânicos especiais? (poluente, temperatura, rh,observação pertinente. controlo, água) O bservações a recolher: Canalização visível no tecto, nas paredes, próximo do chão? Passagens: tipo e altura das rampas de acesso (risco de artefactos (água)derrubados) Drenos do chão, colocação, válvula de segurança, condição? Salas de quarentena: utilização, acesso (pragas) (água, drenagem e reserva) 94
  • 103. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervo Sistemas de iluminação eléctricos, tipos de lâmpadas, média dos Colecções, apoios e embalagemníveis de lux, máximo? Caminhe: Até agora na inspecção, as colecções terão sido Q uais as portas e janelas, utilizadas nesta sala para a inspecção observadas várias vezes enquanto se inspeccionava as salas e osao edifício? (capacidade para impedir todos os agentes) acessórios. É tempo para reflectir sobre como inspeccionar as Q uais os materiais da parede, aberturas, qualidade de colecções, apoios e a embalagem. O propósito desta inspecção daconstrução? (capacidade para impedir todos os agentes) colecção não é obter uma perspectiva detalhada de cada Q ualquer outro perigo óbvio relacionado com a sala? artefacto. Isso é um dos objectivos de uma boa catalogação. O Acessórios propósito é descobrir o padrão actual dos riscos. AlgumasCaminhe: Em cada sala, identifique os vários tipos de acessórios observações podem aplicar-se a todas as colecções, outras podem(armários, expositores, estantes, barreiras para os visitantes). Faça aplicar-se a um artefacto especial, mas só se for muito importante.uma nota do total de cada tipo e quantos existem em cada sala. Fotografias: As fotografias serão associadas agora com cadaNão é necessário segregar acessórios semelhantes, excepto se a observação.diferença tiver significado para o risco. O bservações a recolher: Fotografias: Pelo menos uma fotografia geral de cada tipo de Tipo de apoios, materiais, qualidade, em quanto da colecção?acessório, e algumas fotos ampliadas da construção, fechaduras, (forças físicas, contaminantes)aberturas, qualquer exemplo de danos ou outros relacionados Tipo de embalagem, materiais, apoios, em quanto da colecção?com o risco. (capacidade para impedir muitos agentes, fonte de O bservações a recolher: contaminantes) Materiais de construção, vitrificação? (capacidade para impedir Finalmente, muito importante: Q ue partes das colecções seos agentes, fonte de contaminantes) encontram nas sequências do edifício, sala, acessório, apoio e Q ualidade e condição, aberturas? (capacidade para impedir os embalagem (ou sequência parcial ou no chão ou no exterior, etc.?agentes) Isto conduzirá à identificação e avaliação do risco e a Características de segurança, fechaduras? recomendações para melhorias, em conjunto com os factos Possibilidade de derrame de água? invisíveis do Apêndice 2 . Tenha em conta que este padrão de Estabilidade contra tombos, desmoronamento? (forças físicas, inspecção recolhe factos sistematicamente, tanto positivos comovandalismo) negativos que conduzem depois à avaliação do risco reduzido e Instalações de iluminação, tipo de lâmpadas, níveis de lux, filtros elevado. Ao invés, pode-se escolher, como fazem muitosde raios UV, qualidade e condição? (raios UV, iluminação, inspectores experientes, recolher apenas as observações quetemperatura incorrecta e rh, incêndio) conduzem a avaliações significativas dos riscos. É melhor revelar as Q ualquer característica de controlo especial da humidade, observações positivas da inspecção sem uma estimativa de riscopoluente? (por ex., o lixo é removido diariamente para uma distância de Q ualquer outro perigo óbvio relacionado com o acessório? 3 0 m do edifício) mesmo que exista um risco significativo 95
  • 104. Como Gerir um Museu: Manual PráticoConservação e Preservação do Acervorelacionado noutra parte do relatório (num teste de 2 semanas,foram recolhidos grandes números de insectos em armadilhaspegajosas nas salas do acervo e estes mostraram um aumentosignificativo na parede mais próxima da área de serviço decomida. Felizmente nenhum era traça, mas existe uma elevadaprobabilidade de infestação de traças em colecções têxteis ao arlivre, no espaço de alguns anos). A pêndice 2: L ista básica de factos invisíveis necessários e suas fontes Entrevistas ao pessoalQ uais os danos ao acervo que ocorreram no passado?Q uais as circunstâncias? Para os membros do pessoal da conservação ou não, quais osseus papéis formais e responsabilidades na preservação do acervo?Q uais as suas opiniões e conhecimento das realidades práticas? D ocumentosQ uais as políticas e procedimentos do museu, especialmente asrelacionadas com o acervo? Q uais os relatórios que existem de riscos anteriores, eventos,relatórios de planeamento? Construção dos edifícios, instalações, exposições? D ados externosPerigos externos, probabilidades? Respostas a todas as perguntas necessárias para completar asvárias estimativas do risco? 96
  • 105. Como Gerir um Museu: Manual Prático Conservação e Preservação do Acervo Apêndice 3. Esp ecif icaçõ es d a t em p er at u r a e h u m id ad e r elat ivas Co m p ilad o p o r Mich alski, S. In st it u t o d e Co n ser vação Can ad en se p ar a ut ilizar n o m an ual d e ASHRAE, p r im eir a p ub licação 1999 e d ep o is em 2004 (ASHRAE 2004). VARIAÇÕES MÁXIMAS E MÍNIMAS EM ESPAÇOS CONTROLADOS * Var iaçõ es BENEFÍCIOS/RISCOS DO ACERVO TIPO DE COLECÇÃO TOTAL OU MÉDIA ANUAL lig eir as e Classe d e Aju st es sazo n ais n o m ín im as co n t r o lo t o t al d o sist em a em esp aço s AA RH: sem alt er ação Sem r isco d e d an o s m ecân ico s p ar a a m aio r ia d o s ar t ef act o s e p in t u r as. Alg u n s m et ais e Pr ecisão d o ± 5% RH acim a d e 5° C; m in er ais p o d em d eg r ad ar -se caso 50% RH exced er o RH cr ít ico . co n t r o lo , sem ± 2° C ab aixo d e 5° C Qu im icam en t e in st ável em o b ject o s sem u so , n o esp aço d e d écad as. alt er ação sazo n al A Mais d e 10% RH, Pr ecisão d o ± 5% RH m en o s d e 10% RH co n t r o lo , alg u m a ± 2° C m ais d e 5° C; m en o s Risco p eq u en o d e d an o s m ecân ico s em ar t ef act o s d e vu ln er ab ilid ad e elevad a, sem r isco 50% RH d im in u ição o u d e 10° C m ecân ico p ar a a m aio r ia d o s ar t ef act o s, p in t u r as, f o t o g r af ias e livr o s. (o u m éd ia h ist ó r ica alt er açõ es RH: sem alt er ação Qu im icam en t e in st ável em o b ject o s sem u so , n o esp aço d e d écad as. an u al p ar a acer vo ± 10% RH sazo n ais, n ão acim a d e 5° C; p er m an en t e) ± 2° C am b o s m en o s d e 10° C Mais d e 10% ,MUSEUS GERAIS, T: valo r en t r e 15° C e B m en o s d e 10% RHBIBLIOTECAS DE GALERIAS DE ARTE 25° C Risco m o d er ad o d e d an o s m ecân ico s em ar t ef act o s d e vu ln er ab ilid ad e elevad a, r isco r ed u zid o Pr ecisão d o m ais d e 10° C, m asE ARQUIVOS: t o d as as salas d e p ar a a m aio r ia d as p in t u r as, m aio r ia d as f o t o g r af ias, alg u n s ar t ef act o s, alg u n s livr o s e sem r isco co n t r o lo , alg u m a ± 10% RH n ão acim a d e 30° Cleit u r a e d e r ecu p er ação , salas d e (No t e q u e as salas p ar a m u it o s ar t ef act o s e m u it o s livr o s. d im in u ição e ± 5° C b aixan d o oar m azen am en t o d e acer vo esco lh id as p ar a as Qu im icam en t e in st ável em o b ject o s sem u so , n o esp aço d e d écad as, excep t o se exist ir u m a t em p er at u r a d e n ecessár io p ar aq u im icam en t e est ável, exp o siçõ es r o t ação d e 30° C, m as p er ío d o s d e f r io n o in ver n o , d u p licam a d u r ação d e vid a. Ver ão . r evés m an t er o co n t r o loesp ecialm en t e d e em p r est ad as d evem d e RHm ecan icam en t e m éd io a est ar ap t as p ar a o t o t alvu ln er ab ilid ad e elevad a. esp ecif icad o em Elevad o r isco d e d an o s m ecân ico s em ar t ef act o s d e vu ln er ab ilid ad e elevad a, r isco m o d er ad o C Co m u m a m éd ia d e 25% RH a q u alq u er aco r d o d e p ar a a m aio r ia d as p in t u r as, m aio r ia d as f o t o g r af ias, alg u n s ar t ef act o s, alg u n s livr o s e r isco Pr evin e t o d o s o s 75% RH p o r an o em p r ést im o , r ed u zid o p ar a m u it o s ar t ef act o s e m u it o s livr o s. r isco s elevad o s T r ar am en t e a m ais d e 30° C, n o r m alm en t e 50% RH, Qu im icam en t e in st ável em o b ject o s sem u so , n o esp aço d e d écad as, excep t o se exist ir u m a ext r em o s. n o r m alm en t e ab aixo d e 25° C 21° C, m as p o r vezes, r o t ação d e 30° C, m as p er ío d o s d e f r io n o in ver n o , d u p licam a d u r ação d e vid a. 55% RH o u 60% RH). Elevad o r isco d e d an o s m ecân ico s sú b it o s o u cu m u lat ivo s p ar a a m aio r ia d o s ar t ef act o s e p in t u r as d evid o a f r act u r as p o r b aixa h u m id ad e, m as t am b ém d elam in ação e d ef o r m açõ es D co m h u m id ad e elevad a, q u e d ever ão ser evit ad o s esp ecialm en t e em f o lh ead o s, p in t u r as, p ap el Pr evin e a Seg u r o ab aixo d e 75% RH e f o t o g r af ias. h u m id ad e. Evit a o au m en t o d e d ef o r m ação e co r r o são r áp id a. Qu im icam en t e in st ável em o b ject o s sem u so , n o esp aço d e d écad as, excep t o se exist ir u m a r o t ação d e 30° C, m as p er ío d o s d e f r io n o in ver n o , d u p licam a d u r ação d e vid a. Ob ject o s q u im icam en t e in st áveis u t ilizáveis d u r an t e m ilén io s. Var iaçõ es d e RH co m m en o s d e Ar m azen am en t o f r io : - ± 10% RH ± 2° C u m m ês n ão af ect am a m aio r p ar t e d o s r eg ist o s em b alad o s co r r ect am en t e a est asBIBLIOTECAS DE ARQUIVOS 20° C 40% RH t em p er at u r as. (o in t er valo d o ar m azen am en t o t o r n a-se o d et er m in an t e d a d u r ação d e vid a).Ar m azen am en t o d e acer voq u im icam en t e in st ável (m esm o se f o r alcan çad o ap en as d u r an t e o r et r o cesso Ar m azen am en t o f r io : Ob ject o s q u im icam en t e in st áveis u t ilizáveis d u r an t e u m sécu lo o u m ais. Est es livr o s e d o in ver n o , est a é u m a van t ag em líq u id a p ar a est es 10° C 30% RH a 50% RH d o cu m en t o s t en d em a t er u m a vu ln er ab ilid ad e m ecân ica b aixa a var iaçõ es. acer vo s, co n t an t o q u e h u m id ad e n ão est eja in co r r id a) RH sem exced er u m p o u co d o valo r cr ít ico ,ACERVO DE METAL ESPECIAL Sala seca 0-30% RH n o r m alm en t e 30% RH,* Var iaçõ es lig eir as sig n if icam q u alq u er var iação ab aixo d o aju st e sazo n al. No en t an t o , co m o r ef er id o n o t ext o so b “Tem p o d e Resp o st a”, alg u m as var iaçõ es são m u it o lig eir as p ar a af ect ar alg u n s ar t ef act o s o u ar t ef act o sin clu so s. 97
  • 106. Como Gerir um Museu: Manual Prático Conservação e Preservação do AcervoApêndice 4. Sen sib ilid ad e d e m at er iais co lo r id o s à lu zVer são ab r eviad a d a t ab ela co m p ilad a em 1999 p o r Mich alski, S. n o In st it ut o d e Co n ser vação Can ad en se e p ub licad o em CIE. (2004).Par a u m a list a d e co r an t es m ais d et alh ad a em cad a cat ego r ia, ver a t ab ela d o CIE. Par a t in t as t êxt eis, ver a t ab ela d e Mich alski (1997.) Sensibilidade elevada à luz Sensibilidade média à luz Sensibilidade reduzida à luz Sem sensibilidade à luz f A m aio r ia d o s ext r act o s d e p lan t as, Palet as d e ar t ist as classif icad as co n seq u en t em en t e t in t as b r ilh an t es A m aio r ia m as n ão t o d o s o s co m o “p er m an en t e” (um a m ist ur a m ais h ist ó r icas e p ig m en t o s d e laca em Algun s ext r act o s d e p lan t as p igm en t o s m in er ais. d e p in t ur as p er m an en t es E d e t o d as as m ed iag : am ar elo s, lar an jas, h ist ó r ico s, p ar t icular m en t e o A p alet a “f r esca”, um a co in cid ên cia sen sib ilid ad e r ed uzid a à luz, p o r ver d es, p ú r p u r as, m u it o s d o s alizar in (ver m elh o m ais vivo ) co m a n ecessid ad e p ar a est ab ilid ad e exem p lo ASTM D4303 Cat ego r ia I; ver m elh o s, azu is. co m o a t in t ur a em lã o u em álcali. Win so r e New t o n AA). Ext r act o s d e in sect o , co m o lac co m o o p igm en t o d e laca em As co r es d o ver d ad eir o vid r o Co r es est r ut ur ais em in sect o s (se (am ar elo ), co ch o n ilh a (car m in e) em t o d as as m ed iag . Var ia ao esm alt ad o , cer âm ica (n ão co n f un d ir n ão exist ir em r aio s UV). t o d as as m ed iag . lo n go d a gam a d e m éd io e co m p in t ur as em esm alt e). Algun s ext r act o s d e p lan t as A m aio r p ar t e d as co r es sin t ét icas p o d e alcan çar a cat ego r ia Muit as im agen s m o n o cr o m át icas em h ist ó r ico s, esp ecialm en t e ín d igo an t er io r es co m o as an ilin as, t o d as as b aixa, d ep en d en d o d a p ap el, co m o t in t as d e car b o n o , m as a em lã. m ed iag . co n cen t r ação , sub st r at o e m at iz d o p ap el e a m at iz Im p r essõ es d e p r at a/gelat in a a Mu it o s co lo r an t es sin t ét ico s b ar at o s em agr essivid ad e. acr escen t ad a à t in t a d e car b o n o t em p r et o e b r an co , em p ap el n ão RC, t o d as as m ed ia.g A co r d a m aio r ia d as p eles e f r eq uen t em en t e sen sib ilid ad e e ap en as se n ão exist ir q uaisq uer Mu it o s t ip o s d e can et as d e f elt r o p en as. elevad a, e o p r ó p r io p ap el d eve ser , r aio s UV. in clu in d o as p r et as. A m aio r ia d as im p r essõ es a p o r p r ecaução , co n sid er ad o d e Muit o s p igm en t o s d e elevad a A m aio r ia d as t in t u r as u t ilizad as p ar a co r es d e f o t o gr af ias co m sen sib ilid ad e r ed uzid a. q ualid ad e m o d er n o s t in g ir p ap el n est e século . “cr o m o ” n o n o m e, p o r ex., Muit o s p igm en t o s d e elevad a d esen vo lv id o s p ar a ut ilização A m aio r ia d as im p r essõ es a co r es d e Cib ach r o m e. q ualid ad e m o d er n o s d esen vo lvid o s ext er io r , aut o m ó veis. Cin ab r in o f o t o g r af ias co m “co r ” n o n o m e, p o r ex., p ar a ut ilização ext er io r , aut o m ó veis (en egr ece d evid o à luz) Ko d aco lo rCat eg o r ias d e Blu e Wo o l 1 2 3 4 5 6 7 8 Acim a d e 8 aMlx h p ar ad esvan ecim en t o b n o t ó r io 0.22 0.6 1.5 3.5 8 20 50 120Pr esen ça d e r aio s UVPr o váv el Mlx h a p ar ad esvan ecim en t o b n o t ó r io 0.3 1 3 10 30 100 300 1000Sem r aio s UVdNo t as exp licat ivas p ar a a t ab ela:As "cat eg o r ias d e Blu e Wo o l ” são o p ad r ão in t er n acio n al (ISO) d e cat eg o r ias p ar a esp ecif icar a sen sib ilid ad e à lu z, b asead o em 8 t in t u r as azu is em lã, u t ilizad o co m o am o st r a d e r ef er ên cia n a m aio r ia d o s t est es d er esist ên cia à lu z.a. Mlx h é a u n id ad e o u d o se d e exp o sição à lu z. Ho r as Meg alu x. É in t en sid ad e d a lu z (lu x) m u lt ip licad a p elo t em p o d e exp o sição (h o r as).b . O d esvan ecim en t o n o t ó r io é d ef in id o aq u i co m o Escala Cin zen t a 4 (GS4), o p asso u t ilizad o n a m aio r ia d o s t est es à r esist ên cia à lu z co m o n o t ó r io . É ap r o xim ad am en t e ig u al a u m a d if er en ça d e co r d e 1.6 u n id ad es d eCIELAB. Exist em cer ca d e t r in t a p asso s n a t r an sição d e u m a co r b r ilh an t e p ar a q u ase b r an co .c. Rico em r aio s UV r eco r r e a u m esp ect r o sem elh an t e à lu z d o d ia at r avés d o vid r o . Est e é o esp ect r o g er alm en t e u t ilizad o p ar a o s d ad o s d e r esist ên cia à lu z d o s q u ais d er iva est a t ab ela. Est as exp o siçõ es são as m elh o r esaju st ad as ao s d ad o s q u e var iam ap r o xim ad am en t e u m p asso d a Blu e Wo o l.d . As exp o siçõ es calcu lad as p ar a a f o n t e d e ilu m in ação d e b lo q u eio d e r aio s UV d er ivam d e u m est u d o em 400 t in t as e ao s p r ó p r io s p ad r õ es d a Blu e Wo o l. Co m o t al, é ap en as p r o vável em co r an t es o r g ân ico s. Est asest im at ivas d em o n st r am b en ef ício s secu n d ár io s d e f ilt r ação d e r aio s UV p ar a co r an t es d e sen sib ilid ad e r ed u zid a, m as co m g r an d es m elh o r ias em co r an t es d e sen sib ilid ad e elevad a. Par a est im at ivas co n ser vad o r as, u t ilizea escala d e r ico em r aio s UV.f . "Sem sen sib ilid ad e" à lu z n ão sig n if ica u m a vid a d e co lo r ação g ar an t id a. Mu it o s co r an t es d est e g r u p o são sen síveis à p o lu ição . Mu it as d as m ed ia o r g ân icas g r ed ar ão /am ar elar ão se exist ir em r aio s UV.g . A p in t u r a m éd ia p ar t icu lar ap en as ap r esen t a p eq u en as d if er en ças n a t axa d e d esvan ecim en t o , é o co r an t e q u e im p o r t a n o d esvan ecim en t o , q u er seja em ó leo o u t em p er a, o u co r à b ase d e ág u a o u acr ílico . Noen t an t o , as m ed ia f azem g r an d es d if er en ças n as t axas d e d esco lo r ação d e p o lu en t es co m o o o zo n o e su lf u r et o d e h id r o g én io . 98
  • 107. Exposição, Exibições e Mostras Yani Herrem an Escola de Arquitectura, Universidade Nacional do MéxicoA maioria das pessoas que vão aos museus fazem-no com a ideia obras de arte” enquanto mostra é descrita como “apresentar parade visitar as galerias da exposição, e tentam ver tudo de uma vez, ver, expor”. As definições dos três termos variam de acordo comnuma única visita, o que não é certamente aconselhável. o país e o idioma: em espanhol todos os três são sinónimos,Concentrando-se apenas numa galeria em particular ou até enquanto em francês e inglês têm significados ligeiros oumesmo num objecto muito específico, numa única visita, pode ser definições diferentes. Também existem diferenças subtis namuitas vezes muito mais agradável e satisfatório. definição e utilização entre o inglês da América do Norte e o da As exposições e exibições públicas são sem dúvida as partes Inglaterra e da maioria dos outros países anglófonos.mais populares da maioria dos museus. É aqui que ocorre o Alguns dos principais projectistas especializados em exposição econtacto directo entre o visitante e o acervo do museu. É aqui museologistas deram definições mais detalhadas, incluindo, porque qualquer indivíduo, independentemente da idade, estatuto exemplo: “Uma exposição é um meio de comunicação que visasocial e económico, só ou em grupo, tem a oportunidade e o grandes grupos do público com o propósito de obter informações,espaço para ver o “objecto real”, e com a ajuda de certas técnicas ideias e emoções relativas à evidência material do homem e dode exposição, para comunicar ou interagir com ele. Belcher seu meio ambiente com a ajuda de métodos principalmente(1 9 9 1 ) escreveu muito perceptivamente que “Só a exposição visuais e dimensionais” (Verhaar e Meeter,1 9 8 9 ).proporciona um contacto controlado com o objecto real, Para o museologista principal (Burcaw, 1 9 9 7 ), a exposição éautêntico, e isto é o que faz com que as exposições do museu “a mostra de objectos, dependendo do interesse do espectadorsejam tão vitalmente importantes”. nos próprios objectos”, exibição é definida como “uma conotação Existem várias definições das palavras exposição, exibição e mais séria, importante e profissional do que a exposição. É amostra. Um dicionário principal, o Dicionário Completo da apresentação de ideias com a intenção de educar o espectador, ouLíngua Inglesa da Webster 2 , define exposição como “mostrar, no caso de uma exibição de arte, uma apresentação planeada detornar aparente ao olho ou à mente”, exibição como “mostra de objectos de arte por uma pessoa informada para constituir uma unidade”, ao mesmo tempo que define mostra como “uma2 NT: da versão original do inglês: “Webster Comprehensive Dictionary of the English Language, assembleia de objectos de natureza artística, histórica, científica oudefines display as “to show, to make apparent to the eye or the mind”, exhibition as “showing tecnológica pela qual os visitantes se movem de unidade emof works of art” while exhibit is described as “to present to view, to display”.” 99
  • 108. Como Gerir um Museu: Manual PráticoExposição, Exibições e Mostrasunidade numa sequência projectada com significado estético e/ ou utilizam exposições a longo prazo, que talvez possam durar entreinstrutivo”. um a três anos, como no Museu de Culturas Populares da Cidade A minha própria definição (Herreman, à imprensa) é “Uma do México. O utros, como o (enorme) Museu da Civilização, naexibição é uma comunicação média baseada nos objectos e nos Cidade do Q uebec, tem uma exposição principal muito pequena,seus elementos complementares, apresentados num espaço enquanto as galerias principais são dedicadas a exposiçõespredeterminado, que utiliza técnicas de interpretação especiais e temáticas com a duração de alguns meses, um ou dois anos.sequências de aprendizagem que visam a transmissão e Q uanto ao significado de exposição “temporária”, Belchercomunicação de conceitos, valores e/ ou conhecimento”. divide em “curto prazo”, com duração de um a três meses, “médio prazo”: três a seis meses e “longo prazo” que se espera Tipos de exposições uma duração para um período indefinido. As exposições a médioAs exposições são classificadas de acordo com diferentes critérios. ou a longo prazo podem ter muito êxito. Não têm oBelcher (1 9 9 7 ) dá várias abordagens aos tipos de exposição e constrangimento de serem obrigadas a seguir a política e linhadiscute entre outras coisas o termo muito utilizado “exposição histórica geral da exposição do museu e oferecem aos visitantes apermanente”, dizendo: “Permanente”, significa a longo prazo ao oportunidade de ver algo novo num espaço de tempo específico.invés de “temporário” . Como ele correctamente acrescenta, Em termos de projecto, podem utilizar materiais e sistemas deambos os termos são relativos, uma vez que as exposições apresentação mais contemporâneos e inovadores, satisfazerpermanentes são actualmente alteradas extensivamente e/ ou soluções mais atraentes e em moda, mas sem diminuir aperiodicamente trocam os objectos exibidos. Espera-se que este importância do objecto.tipo de exposição dure dez a quinze anos. O utros métodos comuns incluem exposições itinerantes que No meu próximo futuro (Herreman, à imprensa), eu podem ser tão simples como um único objecto ou grupo deproponho redefinir o que normalmente é designado de objectos “famosos” valendo milhões de dólares para pesquisar,“exposições permanentes”. Considerando que estas são planeadas juntar e viajar. Esta vasta categoria também inclui exposições quecomo parte de uma estrutura de conceitos, linha histórica ou são projectadas para circularem em autocarro, camiões outema principal do museu, seria melhor defini-las como exposições comboios. Este pode ser apenas um projecto ou um sistema“principais”. Do ponto de vista do projecto, este tipo de nacional completo como o famoso Rijskuntallningar sueco, serviçoexposições deve utilizar abordagens que não cansem o visitante, de exposição itinerante nacional, que leva exposições de todos osque não pareça ser rapidamente antiquado e deve utilizar tamanhos, a muitos locais ao longo do país.materiais que suportem a duração. Em geral, as exposições itinerantes pretendem oferecer a Na realidade, hoje em dia existem vários museus, oportunidade de serem vistas por uma população maior e maisprincipalmente os mais pequenos, que não têm ou visam ter diversa, em locais diferentes. Devido à sua natureza, o projecto daexposições “permanentes”, mas ao invés aproveitam a exposição itinerante necessita de levar em conta vários assuntos,oportunidade para apresentar diferentes temas e colecções que inclusive a necessidade de flexibilidade em termos de 100
  • 109. Como Gerir um Museu: Manual PráticoExposição, Exibições e Mostrasplaneamento, etc., de forma que possa ser provida em diferentes los e apreciá-los. O objecto do museu normalmente é consideradotamanhos e formas de galeria de exposição e facilidade de como uma peça única que representa muitas coisas diferentes, nãoinstalação, manutenção e montagem e desmontagem, assim como necessariamente a beleza, mas também a história, memória,facilidade de transporte entre as jurisdições. identidade ou informação científica entre outras coisas, para uma As exposições “famosas” que viajam por talvez três ou quatro pessoa ou grupo de pessoas. O objecto em si pode não serinstituições diferentes (cada uma das quais contribui para o custo) significativo mas o seu contexto ou historial podem sê-lo. Expô-tornaram-se muito na moda desde que alguns exemplos abriram los, ajuda a disseminar o conhecimento sobre o tema, colecção ecaminho como “Tutankahmen” e “O s Cavalos de San Marco, objectos individuais, enquanto ajuda o público geral ou o visitanteVeneza” nos anos setenta, e é actualmente característico do especializado a melhor compreendê-lo e a respeitá-lo.mundo globalizado. A maioria dos grandes museus organizou e No contexto de exposição, interpretação significa o grupo derecebeu este tipo de exposição que atrai inúmeros visitantes, acções e elementos que ajudam a explicar o conteúdo damuitas vezes oferecendo-lhes uma oportunidade única para ver exposição. O s curadores que levam a cabo a investigaçãoobjectos raros e preciosos, ou uma nova perspectiva sobre o necessária para uma exposição e o projectista que a interpreta eassunto em foco. comunica, interpreta o grupo de objectos e o conhecimento e O bviamente, estas exposições enfrentam problemas de informação que representam em benefício de um público maior.projecção, gestão, exigências e legislação, conservação e segurança O modo pelo qual isto é alcançado e como os objectos reais têmespeciais, o que as torna muito caras. significados ou são significativos para o seu público faz parte da comunicação e as técnicas da ciência de comunicação moderna Oobjecto: interpretação no contexto da exposição inclusive as semióticas e a psicologia são actualmente aplicadasQ uando estamos perante um mostruário e olhamos para os como parte do processo de projecção. Sabe-se que o objecto temobjectos lá dentro, transmitem-nos impactos diferentes. Podem significados diferentes de acordo com o contexto no qual estádespertar interesse, atracção ou repulsa, agrado, ou o facto de inserido, das suas relações com outros objectos, o local onde équerer saber mais sobre o que é mostrado. Estas respostas variam exibido, as cores que o envolvem e até mesmo as etiquetas quede indivíduo para indivíduo e são influenciadas pelas situações são utilizadas.emocionais e externas. As explicações psicológicas e perceptivasdo processo de exposição estão actualmente a ser estudadas por Gestão da exposição em relação a outras actividades museológicasinvestigadores em vários campos, inclusive psicologia, educação e Planear, enquanto se projecta e produz uma exposição, umaciência da comunicação. galeria completa ou um mostruário individual, depende de um Mas os objectos não comunicam por si só. Precisam do apoio trabalho de equipa eficaz. O que vemos quando entramos numainterpretativo que os curadores, pedagogos e projectistas lhes dão. galeria de exposição do museu é o produto final de uma longaIsto significa que um maior grupo de pessoas, a maioria das quais cadeia de processos organizados em conjunto e de actividades porprovavelmente não especializada no assunto, poderá compreendê- vezes levadas a cabo em sequência e outras vezes em simultâneo. 101
  • 110. Como Gerir um Museu: Manual PráticoExposição, Exibições e Mostras As exposições devem ser geridas da mesma forma que administrador e o pedagogo, assim como com o electricista,qualquer outra actividade museológica. O planeamento, carpinteiro, pedreiro, e outros tantos especialistas sempre queprogramação e orçamento total são hoje em dia uma parte do necessário, de acordo com o tipo de exposição. Em particular,trabalho de exposição tão importante como o projecto da própria existe a necessidade de ligações próximas com o pessoal dasexposição; uma boa gestão e a utilização eficaz de recursos relações públicas, segurança e pessoal de manutenção do edifício,(inclusive pessoal) facilitam em vez de inibirem um bom projecto para aspectos de publicidade, segurança e manutençãoda exposição. Porém, devido à complexidade destas diferentes respectivamente.tarefas não é surpreendente que tenha aparecido recentementeum novo especialista “Gestor do Projecto da Exposição” como a Projecto: processo básico de planeamento e projecçãopessoa que tem a responsabilidade de coordenar todo o Como previamente acentuado, fazer uma exposição é umdesenvolvimento e processo de produção da exposição e de processo complexo. Esta secção visa descrever de modo claro efacilitar o diálogo constante entre as diferentes partes envolvidas. simples, os passos principais de gestão e desenvolvimento na criação de uma boa exposição ou mostra. Estes processos são Quem é ou deverá ser o G estor do Projecto da Exposição? basicamente os mesmos consoante o tamanho ou o tema (ver oO tamanho do museu e, em particular, o número e Q uadro 1 e o comentário seguinte). Porém, os pormenoresdisponibilidade de pessoal e as suas especialidades, determina-o. variarão de acordo com o pessoal do museu e outros recursos e oSe o museu tem o profissional necessário e interno com pessoal especializado disponível para participar.competências administrativas, o curador ou o projectista tambémpodem agir como Gestor do Projecto da Exposição, enquantonum museu pequeno, o Director, quase sempre, também assume As cinco fases do processo de projecçãoesta responsabilidade. Porém, em muitos museus, particularmente 1. Plan eam en t o 2. In vest ig ação /In t er p r et açãonos países desenvolvidos, muitas vezes, as exposições são 3. Pr o ject odesenvolvidas, geridas e implementadas tanto por quaisquer 4. Pr o d u çãoprojectistas especialistas qualificados, trabalhadores individuais 5. In st alaçãoindependentes, ou por entidades especializadas em projectos quetrabalham sob contrato, e que neste caso, normalmente o museunomeará um membro apropriado do pessoal para agir como a Planeamentopessoa de contacto para trabalhar com a equipa “exterior” de O planeamento foi pesquisado e analisado arduamente porplaneamento e projecto. académicos, gestores e projectistas. Adoptou métodos e sistemas Se existir uma actividade museológica, verdadeiramente de outras disciplinas, particularmente da arquitectura, gestão dointerdisciplinar, esta é o projecto da exposição. O projectista, tem processo industrial e programas de informática. O s planeadores eque trabalhar em conjunto com o curador, o conservador, o projectistas podem ter abordagens diferentes sobre o 102
  • 111. Como Gerir um Museu: Manual PráticoExposição, Exibições e Mostrasdesenvolvimento da exposição mas concordam com as fases transversal da população local e outros visitantes potenciaisprincipais listadas acima. O planeamento da exposição pode ser sempre que possível. Porém, provavelmente não será possíveldefinido como as actividades que ajudarão (a) a determinar os satisfazer igualmente, todos os diferentes grupos de interesse doobjectivos e viabilidade do projecto desejado, (b) a organizar o público.processo de exposição levando em consideração os recursos O museu receptivo tem que decidir, por exemplo, qual ahumanos, técnicos e financeiros disponíveis, assim como a literatura e outros níveis de comunicação esperados e qual o graucalendarização e estimativas do custo. de conhecimento anterior do assunto, que o visitante detém. Por exemplo, na maior parte das vezes, um museu “geral” quererá Objectivos da exposição ou mostra exposições projectadas para o que normalmente é designado deEste primeiro tema é da maior importância uma vez que guiará “público geral”- provavelmente adultos com um nível detodos os aspectos da exposição. O conceito de “ projecto educação e alfabetização comum para aquele país ou cidade, emcompleto” foca-se no que queremos alcançar com a exposição. outros casos pode querer prestar especial atenção a indivíduosPor exemplo: queremos aumentar as características estéticas dos adultos com menos educação, enquanto utilizam etiquetas muitoobjectos na exposição? Q ueremos avaliar e transmitir a sua breves e claras, talvez com desenhos ou outras explicações visuais.importância científica ou histórica? No primeiro caso, a nossa Este pode ser bem o caso em muitos países em desenvolvimento emeta é transmitir uma experiência estética e agradável ao público, as exposições produzidas provavelmente seriam tambémenquanto no segundo, o objectivo é mais educativo. satisfatórias para crianças em idade escolar, entre as idades de talvez 9 e 1 3 . Por outro lado, um museu universitário que planeia Público-alvo uma exposição pedagógica para estudantes especializados noConhecer o público é algo que a prática museológica moderna assunto projectaria as exposições a um nível muito diferente,considera absolutamente básico em relação a quase todos os tipos levando em conta o conhecimento anterior e competênciasde actividade museológica, e especialmente em relação a esperadas desse público-alvo muito diferente. O conhecimento doexposições e mostras. Estas são os espaços públicos onde o público também permite ao projectista planear o espaço epúblico entra em contacto com os objectos e conceitos ou instalações necessários para a circulação, assim como espaços deinformações que representam ou ilustram. Para além da lazer.compreensão necessária por parte da comunidade do museu,aquando do desenvolvimento do projecto da exposição, também Viabilidadeé aconselhável identificar o grupo ou grupos-alvos, em relação a As exposições, assim como qualquer outro programa do museu,factores pertinentes, levando em consideração o facto de que têm de ser submetidas a um estudo completo de possibilidadesqualquer público é composto por muitos e variados tipos de antes de serem tomadas as decisões políticas finais.indivíduos, com idades, níveis de educação, gostos e interesses As exposições são o resultado material de uma combinação dediferentes. O bviamente, o museu visa servir um vasto corte várias capacidades e muito conhecimento, competências e 103
  • 112. Como Gerir um Museu: Manual PráticoExposição, Exibições e Mostras experiência, reunidas com gosto e até sensibilidade. AFactores a avaliar e a levar em consideração no estudo de viabilidade participação de vários especialistas será necessária para o alcançar,da exposição: mas não necessariamente desde o princípio. É aconselhável1 Os o b ject o s a ser exib id o s: d isp o n ib ilid ad e, co n ser vação e segur an ça. começar a actividade de planeamento com uma equipa de2 O esp aço d isp o n ível: t am an h o ; p o ssib ilid ad es d e acesso , in cluin d o d u r an t e a in st alação e p ar a visit an t es d ef icien t es q uan d o a exp o sição trabalho principal ou básica que incluirá o curador ou curadores est á ab er t a. especializados, o projectista, o conservador e o oficial da3 Recu r so s d e p esso al d isp o n íveis: p esso al in t er n o , co n t r at ad o o u educação. Neste pequeno grupo, será nomeado um coordenador co n su lt o r ext er n o , o u u m a co m b in ação d o s d o is. como Gestor do Projecto da Exposição. Nesta fase inicial, serão4 Calen d ár io : d o p r o g r am a g er al d as exp o siçõ es, even t o s e o ut r as nomeadas tarefas a cada membro de acordo com as suas act ivid ad es d o m u seu , t em p o n ecessár io p ar a p lan eam en t o e in st alação . competências. Provavelmente só os museus muito grandes com5 Cu st o : est im at iva d o o r çam en t o n ecessár io p ar a o p r o ject o , in cluin d o um enorme programa de exposição e um orçamento , grande o a co n st r u ção , t r an sp o r t e, p u b licid ad e, m an ut en ção e bastante para o suportar, terá tantos especialistas internos. Mas d esm an t elam en t o . até mesmo se este for o caso, hoje em dia, muitas instituições6 Qu em d eve ser a eq u ip a p r in cip al d a exp o sição , e co m o d eve est ar preferem trabalhar em conjunto com um consultor externo. Num o r g an izad a. museu de tamanho pequeno a médio, a maioria dos projectos podem ser contratados exteriormente. Neste caso vários projectistas e consultores de exposição qualificados e experientes submetem um formulário de Proposta com o plano do projecto, orçamento e o horário proposto para os vários elementos doComposição provável da equipa do projecto da exposição trabalho e os honorários pretendidos pelo consultor para o(o q u e o s p r o ject ist as ch am am d e “eq uip a d a exp o sição ”, “co m it é d a projecto e gestão da exposição. Se o projecto for organizado peloexp o sição ” o u “g r u p o d e t r ab alh o ”) Departamento de Projecto e Exposição interno, é da mesmaÉ p r o vável q u e ist o in clu a alg u m as o u t o d as as seguin t es cat ego r ias d e forma necessário que os mesmos planos e orçamentos sejamp esso al (o u co n su lt o r es ext er n o s), d ep en d en d o d o t am an h o e n at ur eza produzidos na fase de planeamento.d a exp o sição p r o p o st a o u d a n o va exp o sição : É importante que em qualquer caso, os orçamentos não incluam apenas as estimativas reais do orçamento, mas também osAdministrativo Profissional Técnicos Especialistas recursos humanos, materiais e da calendarização. Depois deMem b r o s d a ad m in ist r ação cu r ad o r (es) f o t ó g r af o p r ep ar ad o r es escolhido o projecto e o método de trabalho, a equipa daDir ect o r co n ser vad o r en g en h eir o d e ilu m in ação elect r icist as exposição interna agirá como um comité da direcção, enquanto oGest o r d o p r o ject o p r o ject ist a(s) en g en h eir o d e so m eq u ip a d e m o n t ag em , et c. esp ecialist a d a ed u cação en g en h eir o d e seg u r an ça Gestor do Projecto da Exposição é a pessoa responsável pelo contacto entre o grupo principal e toda a equipa interna ou contratada. 104
  • 113. Como Gerir um Museu: Manual PráticoExposição, Exibições e Mostras No caso de uma comunidade muito pequena ou museu localElaborar o Sumário do Planeamento. onde não exista qualquer possibilidade de desenvolver ouO Su m ár io d o Plan eam en t o d a exp o sição o u m o st r a p r et en d e construir as nossas exposições com especialistas internos ouap o iar o p r o cesso d a exp o sição , d ef in in d o as m et as, co n ceit o d a permanentes como o conservador, pedagogo e projectista, oexp o sição , h o r ár io s e o s r ecu r so s h u m an o s e f in an ceir o s Director, provavelmente o curador, pode assumir o papel den ecessár io s. Tam b ém é m u it o ú t il n a ap r esen t ação d o p r o ject o Gestor do Projecto. Pode acontecer que o museu possa pedir oao s d eciso r es, p at r o n o s o u co n selh o s ad m in ist r at ivo s e é apoio de outra instituição maior, quer seja um museu ou umat am b ém u m a f er r am en t a b ásica p ar a a an g ar iação d e f u n d o s.No r m alm en t e, o q u e se seg u e t er á d e co n t r ib u ir p ar a o universidade para ajudar na curadoria, projecto e montagem.d esen vo lvim en t o d o su m ár io d o p lan eam en t o e d e t o d as as O utro elemento importante do planeamento é calcular of ases sub seq u en t es n o p r o cesso d e exp o sição : tempo necessário para cada fase do projecto da exposição e coordenar cada uma delas com as outras partes do projecto.1 Deciso r es, em p ar t icu lar , o d ir ect o r e o Co n selh o o u Min ist ér io : ap r o vação o f icial e ap o io ad m in ist r at ivo ger al Geralmente, são utilizadas tabelas de horários e diagramas em2 Gest o r d o p r o ject o o u co o r d en ad o r ger al: co o r d en a o p r o cesso in icial rede como as ferramentas mais apropriadas. e ag e co m o o elo d e lig ação en t r e o s vár io s esp ecialist as O objectivo da equipa de planeamento deve ser produzir um3 Cu r ad o r es Esp ecialist as n a ár ea d e est ud o : p esq uisam e d et er m in am o co n ceit o e são o s p r in cip ais r esp o n sáveis p elo co n t eúd o d o sum ár io documento escrito (Sumário do Planeamento ou da Exposição) d a exp o sição que estabelece os objectivos e metas da exposição, conceito,4 Co n ser vad o r : aco n selh am en t o g er al e exigên cias d e co n ser vação público-alvo, equipa de trabalho e método de trabalho, resultados esp eciais5 Pr o ject ist a: aco n selh am en t o n o p r o ject o ger al e so luçõ es d e do estudo de viabilidade, descrição do processo de planeamento, in t er p r et ação e d a u t ilização ef icaz d o esp aço calendário e orçamento do projecto.6 Esp ecialist a d a ed u cação : aco n selh am en t o em asp ect o s ed ucacio n ais g er ais, co m o o r elacio n am en t o d as exp o siçõ es co m o cur r ículo esco lar , e co m u n icação , co m o a legib ilid ad e em r elação ao n ível d e D esenvolver a Exposição alf ab et ização Uma vez aprovado o sumário da exposição, cada membro da7 Ed if ício s e Pesso al d a Seg u r an ça: aco n selh am en t o em t o d o s o s equipa, começa a desenvolver os detalhes do conceito, asp ect o s so b r e a u t ilização d o ed if ício q ue in clui assun t o s co m o sist em as d e seg u r an ça, acesso ao eq uip am en t o e co n t r at ad o s, assim particularmente os objectos propostos, dados e informações que co m o o s asp ect o s r elacio n ad o s co m a segur an ça, acesso e segur an ça serão apresentadas na exposição. Provavelmente, isto envolverá d o p r o ject o alguma pesquisa especial por parte dos curadores para actualizar o8 Pesso al Ad m in ist r at ivo o u Fin an ceir o : ajud am a p r ep ar ar um a p r im eir a est im at iva d o s cu st o s e t r ab alh o e m o n it o r izam o conhecimento e a interpretação das colecções e temas a incluir. o r çam en t o ao lo n g o d e t o d o o p r o cesso , t am b ém co n t r at am e Aquando do projecto, pode ser necessário que os especialistas co m p r am p ar t icu lar id ad es p ar a t o d o s o s t r ab alh o s e m at er iais, da educação, e talvez também o pessoal comercial, façam uma in clu sive eq u ip am en t o , m at er iais, co n sult o r es ext er n o s, t r ab alh ad o r es in d ep en d en t es o u co n sult o r es e p esso al t em p o r ár io pesquisa sobre o público actual e potencial e sobre as abordagens diferentes para a interpretação e comunicação. 105
  • 114. Como Gerir um Museu: Manual PráticoExposição, Exibições e Mostras Q ualquer que seja o nome, isto pretende ser um documentoResponsabilidades típicas do curador relacionadas com o completo que lista, numa sequência rigorosa, as várias secções dadesenvolvimento da exposição exposição; os temas e os subtemas são classificados e organizadosOs d ever es d o cu r ad o r são , p r in cip alm en t e: hierarquicamente. Inclui detalhes de objectos ou artefactos a serem utilizados, material gráfico e todos os elementos de apoio1 Est ab elecer o co n ceit o como dioramas, modelos, réplicas e unidades móveis. No2 Desen vo lver u m en r ed o t em át ico e cien t íf ico3 Seleccio n ar o b ject o s o u o b r as d e ar t e e ilust r açõ es Projecto do Tema Central todos os componentes físicos da4 Red ig ir o u su p er visio n ar a d o cu m en t ação n ecessár ia exposição são determinados por um código que servirá como a5 Red ig ir o s co n t eú d o s d as et iq u et as e a in f o r m ação d o s p ain éis e o ut r a sua identificação ao longo dos processos de fabrico e instalação. in f o r m ação escr it a6 Aco n selh ar o p r o ject ist a so b r e o t em a cen t r al d o p r o ject o em Pode existir uma versão mais complexa do tema central que d esen vo lvim en t o adiciona uma descrição dos objectivos educativos e7 Aco n selh ar o p r o ject ist a n o d esen vo lvim en t o d o sist em a gr áf ico d o p r o ject o comunicacionais.8 Su p er visio n ar o d esen vo lvim en t o d o s gr áf ico s9 Su p er visio n ar a co n st r u ção d e m at er iais d e ap o io Sistemas da exposição10 Su p er visio n ar a in st alação o u m o n t agem d a exp o sição11 Escr ever o cat álo g o o u g u ia Muitos dos museus grandes e bem financiados têm mostras e sistemas de exposição padronizadas flexíveis e, muitas vezesNo en t an t o , é n ecessár io u m t r ab alh o em eq u ip a e é modulares, inclusive expositores, paredes e telas de exposição eaco n selh ável q u e o s seg u in t es m em b r o s d a eq u ip a t am b ém painéis móveis que permitem múltiplos usos e em modosp ar t icip em co m o cu r ad o r (es): aco n selh ad o r es ext er n o s diferentes. É provável que tais museus projectem e construamesp ecialist as em assu n t o s t em át ico s, p er it o d e in t er p r et ação ,d o cu m en t alist a, co n ser vad o r e p ed ag o g o d o m u seu . Os muitas das suas mostras a longo prazo e exposições temporáriasp r o ject ist as p o d em ser co n vid ad o s m as p o d em n ão p ar t icip ar (“permanentes”) neste sistema, utilizando os elementos dat ão act ivam en t e n est a p r im eir a f ase. exposição disponíveis e mostruários pré-fabricados modulares. Por outro lado, para ocasiões especiais ou determinadas exigências, podem ser necessários ou exigidos sistemas e As abordagens ao desenvolvimento da história ou do tema mobiliário, especialmente projectados e construídos para apodem diferir. Alguns especialistas preferem um método mais exposição. Estes podem ser produzidos interna ou exteriormente.descritivo enquanto outros, incluindo eu, preferem o sistema O s museus pequenos podem preferir fazer os seus mostruárioscopiado da técnica de fazer film es. Usando este modelo, o básicos da exposição no próprio museu ou através de contratadosobjectivo é desenvolver o “ enredo” (termo frequentemente locais, com perspectivas da sua eventual reutilização para outraspreferido pelos curadores) ou “ tema central” (o termo mostras ou exposições. Se projectados correctamente, não existenormalmente preferido pelos projectistas que pode incluir esboços qualquer razão para que estes não possam ser utilizados váriase outros indicadores visuais, assim como texto). vezes. A outra meta básica do projecto é encontrar o equilíbrio 106
  • 115. Como Gerir um Museu: Manual PráticoExposição, Exibições e Mostras elementos vitais no processo do projecto. O primeiro é aProcesso do Projecto importância da conservação preventiva. A presença do conservador especialista durante todo o processo artificioso,Ut ilizan d o o t em a cen t r al co m o g u ia, o p r o ject ist a d eve aconselhando os projectistas e preparadores, é essencial para umap r o ced er p ar a: exposição com sucesso. Segundo, nunca podemos sobrestimar as exigências de segurança e conservação dos objectos em mostra e1 avaliar e lo calizar o esp aço d a exp o sição d e aco r d o co m o s assu n t o s d o t em a cen t r al e o u t r as n ecessid ad es visu ais e d e enquanto estão a ser manuseados em trânsito para a exposição, co m u n icação , quer sejam a alguns metros do armazenamento do museu para o2 d et er m in ar o esp aço d e cir cu lação n ecessár io , in clu in d o as mostruário da exposição, ou por meio mundo no caso de um exig ên cias d e acesso ao s d ef icien t es, seg ur an ça n ecessár ia e objecto importante pedido emprestado para uma exposição n o r m as leg ais o f iciais co m o escad as d e in cên d io , temporária principal. O terceiro é a necessidade de levar em3 exam in ar e d ist r ib u ir o s o b ject o s p o r u n id ad es, secçõ es, consideração a futura manutenção da exposição na preparação do su b secção q u e co r r esp o n d am ao s t em as e sub t em as d o en r ed o e d o t em a cen t r al, projecto, tendo em conta que as áreas de circulação e lazer têm4 co n su lt ar o co n ser vad o r o u cu r ad o r em t o d o s o s assu n t o s que ser limpas, assim como os mostruários. O modo pelo qual r elacio n ad o s co m a co lecção , estas rotinas quotidianas podem ser levadas a cabo deve ser um5 co n su lt ar o s esp ecialist as d a ed u cação p ar a o n ível d e dos determinantes do projectista, uma vez que manter uma área in f o r m ação e est r ut u r a ed ucat iva d a lin h a h ist ó r ica, de exposição limpa é uma exigência básica para atingir os padrões6 p r o ject ar o sist em a d e m o b iliár io d a exp o sição : p ain éis, satisfatórios de conservação e de segurança. m o st r u ár io s d e exp o sição im ó veis e in d ep en d en t es, t elas, exp o sit o r es d e ar q uivo , exp o sit o r es em b lo co , exp o sit o r es d e m esa, p ain éis d e p ar ed e e o u t r o s elem en t o s d e p ar ed e, Produção e M ateriais7 p r o ject ar o sist em a g r áf ico e d e im p r essão ; d et er m in ar o É o processo de manufacturação ou fabrico dos vários elementos esq uem a d e co r es, d ist r ib u ição e co lo cação , que no fim criam uma exposição. Podem ser divididos em8 p r o ject ar o sist em a d e ilu m in ação . Co n su lt ar o esp ecialist a e trabalho de construção e produção especializada. O primeiro co n ser vad o r , abrange actividades como alvenaria e obras com tijolos e ladrilhos,9 p r o ject ar o sist em a d e so m . Co n su lt ar o esp ecialist a e o reboco, electricidade básica, instalação vídeo e áudio, fabrico de esp ecialist a d a ed u cação , mobiliário fixo e instalação eléctrica, enquanto o segundo inclui10 p r o ject ar o u t r as in st alaçõ es esp e ciais (caso n ecessár io ). Co n su lt ar o esp ecialist a e o co n ser vad o r . trabalho mais especializado como gráficos, reconstruções, moldes, arte, etc. O orçamento, tempo e técnicas disponíveis são factorescerto entre os objectos e o projecto da sua colocação, que nunca determinantes. O s museus pequenos podem ter exposiçõesdeve ser mais proeminente do que os próprios objectos. excelentes baseadas em simples painéis de madeira ou É extremamente importante sublinhar a consideração de três contraplacado que podem ser de produção fácil e barata, enquanto os museus com orçamentos de exposição mais 107
  • 116. Como Gerir um Museu: Manual PráticoExposição, Exibições e Mostras independentes e o mobiliário montado na parede e estruturas deElementos Principais do Trabalho de Produção exposição são postos no sítio. A área de funcionamento tem que ser completamente limpa, inclusive o vidro ou vitrificação acrílicaTrabalho de construção dos expositores e outras unidades de exposição e a iluminação é1 Esp aço s. Par ed e, r ep ar t içõ es o u t ect o s, caso exigid o s p elo t em a cen t r al, n a ár ea d e exp o sição esco lh id a. testada.2 Pr ep ar ação f ísica d o esp aço d a exp o sição : t r ab alh o d e gesso , Depois, a fixação de painéis do título, outras unidades de texto in st alação eléct r ica, p in t u r a. Aco n selh a-se a d elib er ação d e e gráficos, ilustrações e fotografias podem ser levadas a cabo pela co n ser vação . equipa do projecto ou contratado, após o qual a instalação dos3 Car p in t ar ia e p lást ico s4 Mo b iliár io e q u alq u er elem en t o d e ap o io . objectos originais pelos curadores ou conservadores pode5 Elem en t o s d e vid r o e acr ílico p ar a m o st r uár io s. começar. Q ualquer manequim com vestuário é vestido nesta fase e finalmente a iluminação é ajustada e testada, tanto para aTrabalho especializado eficácia em termos de iluminação, como para os níveis de6 Gr áf ico s: q u ad r o s, m ap as, d esen h o s, et iq uet as, t ít ulo s d e un id ad e d e iluminação seguros de acordo com as necessidades de conservação exp o sição , acordadas. Finalmente, o curador, conservador, especialista da7 Rep r o d u çõ es e r ép licas educação, projectista e qualquer outro especialista, e8 Mo d elo s e d io r am as9 Co n ju n t o s d e in d icaçõ es d e cir cu lação e r eco n st r uçõ es normalmente também o director, revê a mostra ou exposição e10 Salas t em át icas aprova o resultado final. Após isto, os mostruários são fechados e11 Man eq u in s p ar a vest u ár io efectua-se a limpeza total extra do espaço da exposição, pronto12 Ap o io s d o o b ject o para a abertura ao público. A valiar a exposição terminadasignificativos podem preferir materiais mais sofisticados. É Aconselha-se vivamente que cada nova exposição ou mostraimportante lembrar que qualquer que seja o sistema ou material temporária principal, que utilizam métodos reconhecidos sejamutilizado, o curador, conservador e especialista da segurança avaliadas. A maioria prefere a avaliação o mais cedo possível apósdevem estar envolvidos na decisão do fabrico, e que a estrutura a abertura: isto identificará rapidamente quaisquer erros ouda exposição tem de se puder mover e desmontar facilmente e ser problemas principais, tais como dificuldades de circulação, deacessível à limpeza diária. forma que se possa proceder às modificações necessárias. Porém, um dos investigadores principais em efectividade de Completar a exposição exposição, Chandler Screven (1 9 8 5 ), descreveu um método paraUma vez completo todo o trabalho do edifício, instalação realizar o processo durante a instalação da exposição, antes deeléctrica, decoração, paredes, fixação de painéis e de plataformas estar aberta ao público, e então descobriu e corrigiu erros eno chão e montagem de mostruários fixos, os mostruários imóveis problemas, o mais cedo possível. A avaliação também é sempre 108
  • 117. Como Gerir um Museu: Manual PráticoExposição, Exibições e Mostrasmuito importante para ajudar a encontrar melhores soluções e A exposição do museu é essencialmente uma forma desistemas de trabalho futuros. comunicação visual. Alcança-se pelos objectos de museu e obras de arte, apoiado pela utilização de gráficos e informação escrita na Exposições e comunicação e educação do museu forma de painéis de texto, legendas e etiquetas individuais doAs exposições e mostras públicas são o meio de comunicação objecto. O último objectivo deve ser a comunicação damais importante do museu. O seu potencial e capacidade de mensagem da exposição ou mostra num idioma escrito visual,comunicação são por isso, o principal assunto a ter em conta, preciso, claro e fácil de entender a qualquer nível ou níveis deaquando do planeamento e projecto da exposição, qualquer que interpretação que se pretendam, da mesma maneira que numseja o tema, método ou tipo. bom jornal ou revista. Existe actualmente uma variedade extensa de recursostecnológicos de meios de comunicação que podem ser aplicadosno projecto da exposição e muitos destes estão a ficarrelativamente baratos. Um bom projectista procurará aumentar acomunicação criando exposições atraentes que coloquem ênfasenos destaques desejados nos termos dos objectivos da exposição,frequentemente recorrendo à experiência das técnicas deiluminação de teatro. O objectivo de tudo isto é motivar ovisitante e aumentar a curiosidade. O s básicos da psicologia educacional também foram integradosno projecto da exposição, assim como conceitos didácticos,semióticos, princípios de projectos gráficos e, claro, arte eestética. O projectista do museu galardoado, Michael Belcher(1 9 9 1 ), diz que as exposições são concebidas como escultura,embora eu afirme que são até mais íntimas à arquitectura, desdeformas, sólidos, vãos, cor, textura, em conjunto com instrumentose processos técnicos, à medida que a exposição pretendecomunicar conceitos, sentimentos, factos ou entretenimento. Naverdade, em vários países principais a nível mundial, o projecto daexposição do museu é principalmente levado a cabo porarquitectos, em vez de profissionais especialmente formados emprojectistas de interior ou de museu. 109
  • 118. UNIDADE 2 2. TEMA 2. História e princípios 2.1. Sub t em a: Da Pr é-h ist ó r ia à Revo lução In d ust r ial Subunidade Observações Objectivo Mensagem Material da exposição Exposição técnica Et iq u et a d e Mo st r ar a p er sp ect iva in t r o d ução so b r e o Exp licar a co n ven iên cia d e2.1.1. In t r o d u ção h ist ó r ica p ar a Et iq uet a Tela d e sed a d esen vo lvim en t o in iciar a visit a ao m useu… co m p r een d er m elh o r … h ist ó r ico … Mo st r ar q ue aq uelas No p assad o , a en er gia Relação en t r e o s Et iq uet a Tela d e sed a o u p esso as p r im it ivas so lar n ão f o i exp lo r ad a2.1.2. O So l m o vim en t o s d o So l e Ilust r ação im agen s r eco n h eciam a ar t if icialm en t e, o s o clim a… Ob ject o d igit alizad as im p o r t ân cia… n o sso s an t ep assad o s… Cone de perspectiva Lar g ur a d e cir cu lação m ín im a r eco m en d ad a Co n e d e p er sp ect iva r eco m en d ad o 110
  • 119. Tomada de decisão Planeamento Tema central Tema científico Projecto gráfico Projecto interactivo Guião* Projecto do espaço Acesso Circulação Projecto Segurança Projecto Padrões ergonómicos para utilizadores de cadeiras de rodas (1) arquitectónico Conservação Psicologia Produção massiva Mobiliário da exposição Produção especializada Projecto da iluminação Meios audiovisuais Instalação massiva Instalação especializada * Também designado por Guião do ProjectoGráfico original Yani Herreman Padrões ergonómicos para utilizadores de cadeira de rodas (2) 111
  • 120. Mo st r u ár io s m ó veis e in d ep en d en t es Mo st r u ár io s d e p ar ed e. Asp ect o s a co n sid er ar n a selecção d o t ip o d e m o st r u ár io : 1. m an u t en ção ; 2. seg u r an ça; 3. co n ser vação ; 4. cu st o s; 5. visib ilid ad e; 6. f ácil m an u seam en t o . 112
  • 121. Acolhimento do Visitante V icky W oollard Conferencista sénior, Universidade da Cidade de Londres Introdução pelo museu no sentido físico, intelectual e social que permite aoTanto os decisores políticos nacionais como os indivíduos do visitante usufruir de uma visita informativa, agradável epessoal do museu têm de colocar o visitante no centro do museu, confortável. O s bons serviços ao visitante reduzem os níveis dedos seus serviços e recursos. desapontamento, desconforto e fadiga e ajudam o visitante a Este capítulo pretende: usufruir das exposições e dos eventos. Sem bons serviços ao estabelecer a base para aumentar os serviços ao visitante e dar visitante, as oportunidades de entretenimento e aprendizagem sãodefinições a certos termos e expressões; extremamente reduzidas e o número de visitas de retorno cairá. discutir os benefícios da implementação de serviços que O que é o acesso? O s serviços ao visitante são cruciais para adistribuirá uma experiência de qualidade a todos os visitantes; coordenação do acesso público ao museu. O acesso dá ao ter em atenção como se recolhe a informação sobre os visitante a oportunidade para utilizar instalações e serviços, vervisitantes, as suas perspectivas e experiências; exposições, assistir a conferências, investigar e estudar o acervo e discutir as necessidades dos vários grupos de visitantes, actuais conhecer o pessoal. Isto não só significa acesso físico, comoe potenciais; também inclui o acesso ao nível intelectual apropriado, sem definir os aspectos administrativos do Serviço ao Visitantes; preconceitos sociais e culturais. observar uma visita típica feita por um visitante como umchecklist a utilizar pelo pessoal dos museus. Perspectiva O objectivo é guiar o leitor pelos princípios para estabelecer e Durante as últimas duas décadas, os museus aumentaram cada vezgerir um serviço de qualidade ao visitante num museu grande ou mais as necessidades e as expectativas dos seus visitantes até aopequeno. topo do seu programa de trabalho. Esta preocupação e o esforço para oferecer uma variedade de experiências de qualidade ao Definições: visitante surgiram de vários factores. Oque são os serviços ao visitante?: São as providências tomadas Primeiro, os visitantes locais e internacionais, tornaram-se mais 113
  • 122. Como Gerir um Museu: Manual PráticoAcolhimento do Visitante eventos e das vendas de refrigerantes, providencia grande parteQuadro 1 dos recursos financeiros adicionais necessários. O aumento doSen t e-se e p en se d ur an t e u m m in u t o o u d o is. On d e u su f r u iu d e número de visitantes é uma medida de sucesso crua mas enfáticau m b o m ser viço r ecen t em en t e: n u m h o t el, n u m a lo ja, a b o r d o e, se contínuo, demonstra uma satisfação clara por parte dod e u m avião o u d e u m co m b o io , n u m b an co o u t alvez n u m visitante. Mas também a um nível mais aprofundado, existe ag ab in et e d o g o ver n o ? Em q u e co n sist iu o ser viço ? Co m o é q u eavalio u se o ser viço er a b o m o u n ão ? Receb eu u m so r r iso d e necessidade de um compromisso para a responsabilidade social,b o as-vin d as, in f o r m ação clar a e p r ecisa, in st alaçõ es lim p as e d e desenvolvimento nacional e identidade cultural.t r ab alh o , a sen sação d e q u e f o i d isp en sad o t em p o à su a O s próprios museus reconheceram que para seremq u est ão ? Exced eu as su as exp ect at ivas? Qu e t ip o d e ser viço e considerados participantes válidos e activos na sua sociedade, elesexp er iên cia r eceb em o s visit an t es n o seu m u seu ? Exced em as devem estar acessíveis a todos, valorizando a utilização real emexp ect at ivas d eles? termos de providenciar recursos para a actualização e debate intelectual e espaços para contemplação e inspiração.Exercício 1: Par a t o d o o p esso al: cad a m em b r o d o p esso alco n t r ib u i p ar a f azer d u as list as q u e n o m eiem as car act er íst icas Existe uma certa pressão nos governos, tanto a nível localq u e eles ach am q u e co n t r ib u em p ar a f azer u m ser viço d e como nacional, a necessidade de demonstrar aos cidadãos que osq u alid ad e e u m ser viço f r aco . Du r an t e a d iscu ssão aco r d em seus impostos foram sabiamente gastos e que o bem público éso b r e q u ais são as 10 car act er íst icas p o sit ivas p r in cip ais e visível e tangível. O turismo também pode ser um factorm an t en h a-as co m o a b ase p ar a est ab elecer u m p ad r ão q u e t o d o fundamental no aumento da receita nacional e do museu, e oso p esso al ap o iar á. museus e o património são frequentemente cruciais no pacote turístico. O investimento em museus é vital se este providenciar os padrões que o turista normal experiente espera receber,sofisticados e selectivos sobre onde desejam gastar o seu dinheiro actualmente.e o seu limitado tempo livre. A expectativa de ter determinado Quais são os benefícios para os museus?valor por dinheiro aumentou a expectativa de ter um bom dia Antes de se fazer alterações principais na gestão e investimento defora de casa. Mesmo quando a entrada é gratuita, eles querem a recursos, o museu tem de estar convencido de que haverágarantia de que o tempo e esforço que despenderam na visita, benefícios ao oferecer serviços de qualidade ao visitante. Estesserão recompensados pelo entretenimento, enquanto aprendem benefícios podem ser imediatos ou podem desenvolver-se com oalgo novo e se sentem bem-vindos e confortáveis nos meios tempo.ambientes. Elevar a moral do pessoal: Q uando um membro do público diz Actualmente existe uma forte competição para atrair os “obrigado” a um membro do pessoal, vai embora com sinaisvisitantes para longe dos museus. O s museus precisam de manter óbvios de contentamento, ou escreve notas louváveis no livro dosos seus visitantes actuais e incentivar novos à medida que se visitantes, imediatamente haverá uma reacção positiva. Taisapercebem que as receitas adicionais provenientes das lojas, expressões de satisfação do visitante, se partilhadas e elogiadas, 114
  • 123. Como Gerir um Museu: Manual PráticoAcolhimento do Visitanteelevará a moral do pessoal e em troca criará entusiasmo e energia O s museus conhecem os cortes orçamentais. Mas a demonstraçãorenovada para aceitar desafios corporativos. O museu ganha de um grupo leal de visitantes e da comunidade local podeespírito positivo para prosseguir. providenciar uma evidência persuasiva aos políticos, empresários e Potencial marketing: Com o sentimento dos visitantes de que o à imprensa de que a sua organização é próspera e que vale a penaseu tempo foi bem gasto, bem recebidos e incentivados a voltar, investir nela.eles tornam-se os “agentes da publicidade”. É provável que eles Profissionalismo: A prestação de serviços aos visitantes e outrocontem aos seus amigos e colegas, e regressem novamente com o público faz parte da verdadeira essência do museu. Aseu grupo de relacionamento. A maioria dos especialistas de singularidade de colecções e o lugar que ocupam nam arketing e publicidade dizem que a recomendação por boca é a compreensão, investigação e interpretação do passado necessitamforma mais eficaz de fazer publicidade. E é claro, é gratuita! de ser tornadas públicas para ganhar a confirmação da sua Formação de grupos de apoio (ou de “A migos”): os visitantes importância. Independentemente do seu empregador, comosatisfeitos e entusiásticos podem tornar-se apoiantes a longo profissão, o pessoal é de facto funcionário público e publicamenteprazo, apoiando o museu com tempo e/ ou dinheiro para ajudar o responsável pela preservação, gestão e interpretação destasmuseu a atingir os seus objectivos. O s apoiantes podem ser colecções para o benefício da sociedade. Negligenciar o público évoluntários, indivíduos que prescindem do seu tempo livre: por o equivalente a negligenciar as colecções relativamente àsexemplo reencaixando as colecções, ajudando na balcão de responsabilidades básicas do museu.informação, ou apoiando o pessoal na organização da biblioteca.O s apoiantes também podem ser indivíduos que doam dinheiro Quais são os princípios-base para providenciar serviços deou ajudam a aumentar os fundos para a compra de colecções ou qualidade ao visitante?para melhorar as instalações. Eles podem tornar-se “os amigos O s políticos, funcionários do governo, pessoal do museu e ocríticos “ - aqueles que no fundo têm os seus interesses mas que público necessitam todos de compreender os valores fundamentaisse sentem confiantes para oferecer perspectivas e sugestões do museu que informa e molda políticas e planos actuais ealternativas. Esta visão crítica às actividades museológicas é vital futuros. Alguns exemplos que os leitores possam considerarpara sustentar e melhorar padrões. Alguns apoiantes podem ter apropriados de acordo com as suas circunstâncias em relação aosligações úteis com outros grupos profissionais ou empresariais e visitantes actuais, virtuais e potenciais:assim darem aconselhamento em áreas de especialidade como aeducação ou decoração de interiores. 1 Direitos humanos e oportunidades iguais Advocacia: O investimento na criação de relações a longo prazo 2 Consulta aberta com todos os parceiros,com a vizinhança local é crucial para qualquer museu que deseja 3 Política e estratégia integrada de serviços ao visitantedemonstrar o seu valor à sociedade. Todos os museus têm de ter 4 A qualidade da experiência do visitante (actual ou virtual)apoio do seu público e esse apoio deve ser mantido e deve ser como responsabilidade profissional de todo o pessoaldesenvolvido através da partilha de tempo e recursos do pessoal. 115
  • 124. Como Gerir um Museu: Manual PráticoAcolhimento do Visitante1 .O Artigo 37º da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 reúnem pessoal para discutir vários assuntos desde o que se vende declara: no café, ao qual deve ser o logótipo do museu. Esta consulta“Toda a pessoa tem o direito a tomar parte livremente na vida pode economizar o custo em ideias, material ou equipamento quecultural da comunidade, a gozar das artes e a participar no podem não ser apreciados, desejados ou necessários.progresso científico e nos benefícios que dele resultarem”. Partedeste direito de participação na vida cultural é o direito ao acesso 3 .Providenciar uma política e estratégia integrada para os serviços aoa museus e às suas colecções, exposições, serviços e instalações, visitante.sem qualquer discriminação de idade, sexo, convicções religiosas A utilização de aconselhadores e grupos de visitantes é uma parteou culturais, inaptidões ou orientação sexual. fundamental da política de serviços ao visitante do museu. O papel desta política é estabelecer os princípios guia e os objectivos2. Consulta aberta com todos os seus parceiros definidos que o museu deseja atingir para os seus visitantes. APara o museu compreender completamente as necessidades do política deve ser acompanhada de um plano estratégico queseu público e visitantes, tem que estar em contacto com os seus mostra como os recursos (pessoais e financeiros) serão utilizadosvários grupos de público e outros com interesse legal, financeiro para atingir estas metas num determinado período de tempo.ou moral neles (actualmente muitas vezes designados como Veja, por favor, as referências a locais da Internet que discutem“parceiros”). Estes são todas as pessoas que são directa ou normas de serviço/ acesso ao visitante.indirectamente afectados pela acção do museu incluindofuncionários, funcionários do governo, a comunidade local ounacional, investigadores e outros profissionais de museu, assim Quadro 2como os visitantes. Vários museus estabeleceram acordos de Alguns aspectos-chave a ter em consideração no desenvolvimento da declaração de política de serviços ao visitante:consulta com os seus parceiros identificados, tanto na procura deindivíduos com determinadas competências (mas não 1. Pr in cíp io s b ase p ar a a p o lit ica d e ser viço s ao visit an t e,necessariamente visitantes do museu) como pelo trabalho com 2. Resp o n sab ilid ad es d o p esso al d o m u seu n o s p r o ced im en t o s d egrupos que regularmente visitam o museu, como professores e a co m u n icação , m o n it o r ização e in f o r m ação ,organização “Amigos do Museu”. 3. An álise d o s vár io s m ét o d o s p elo s q u ais o m u seu , o seu acer vo , Estes grupos e indivíduos podem ser convidados para dar g aler ias, ser viço s e in st alaçõ es est ão acessíveis ao s visit an t esresposta a uma única área, tal como uma exposição temporária, g er ais, visit as esp ecializad as e u t ilizad o r es, 4. Pad r õ es q u e o m u seu p r et en d e alcan çar ,ou manter contacto durante um período de tempo maior, 5. Necessid ad e d e f o r m ação d o p esso al e o alcan ce d est e,contribuindo talvez para o planeamento de acesso aos deficientes 6. Mo d o s d e co n su lt a e avaliação d o visit an t e e d a su a exp er iên cia,ou para materiais educativos. Isto tornou-se particularmente 7. Sist em as e vias d e co m u n icaçãopertinente para alguns museus/ centros de crianças quedesenvolveram um conselho de crianças/ jovens que regularmente 116
  • 125. Como Gerir um Museu: Manual PráticoAcolhimento do Visitante4.Oacolhimento do visitante (actual ou virtual) é uma responsabilidade famílias com crianças pequenas, pessoas com poucos rendimentos de todos os membros do pessoal e uma minoria cultural ou recentes comunidades de imigrantes.A administração de topo precisa de ter uma liderança forte para Muitas destas pessoas podem nunca ter ido a um museu e por issoassegurar que todo o pessoal compreende, que cada um deles não têm a mais pequena ideia do que um museu atractivo edeve contribuir para criar o melhor ambiente para os visitantes afectivo lhes pode oferecer. Para alguns podem existir barreirasterem acesso e usufruírem do acervo e das instalações. Não é só o (reais e perceptivas) que os impedem de vir. Podem serpessoal que tem contacto directo diariamente com os visitantes financeiras, como o custo insuportável da entrada, físicas, comoque é responsável. A responsabilidade dos que trabalham nos vãos de escadas na entrada e como parte da circulação interna, ou“bastidores”, quer seja um funcionário da limpeza, um sociais ou psicológicas, como a reputação de que o pessoal docatalogador ou um financeiro, é a mesma. museu não gosta de visitantes com crianças pequenas. O pessoalCompreender e responder às necessidades do visitante também do museu precisa de analisar e consultar honestamente sobre as“deve ser sempre levado em consideração aquando do acções necessárias para remover estas barreiras. O s serviços aoplaneamento e distribuição do trabalho do pessoal dos visitante podem permitir que o museu ganhe uma reputação“bastidores”. Por exemplo, os museus reconhecem que, graças positiva.ao, pelo menos em parte, desenvolvimento das páginas de O s visitantes virtuais são os que se relacionam e utilizam o seuinternet do museu, existe um aumento de inquéritos e pesquisa museu visitando a sua página de internet, por correspondência oupública sobre o acervo. Por este motivo, o pessoal tem vindo a por ordens de compras da loja pelo correio. Ao princípio, muitosanalisar todo o processo de registo de informação sobre cada museus estavam preocupados que os números dos visitantesobjecto de modo que no futuro possa ser transferido facilmente diminuíssem, caso disponibilizassem acesso aos serviços, colecçõesdo catálogo do museu ou outra base de dados para a página da e até mesmo às exposições pela internet, mas a experiênciainternet, num formato de fácil de acesso e leitura: no futuro, o actualmente demonstra que estes receios eram infundados. Nacatálogo pode necessitar de ser reformulado de forma que se realidade a internet tem sido vista como um aumento datorne um visitante amigo em vez de um registador amigo. consciencialização das pessoas relativamente aos museus, incentivando-as a fazerem uma visita real. Este planeamento para Definir e compreender o visitante visitar o museu encontra na página de internet informativa umPara se tornar um museu orientado para o visitante, é vital que dê excelente modo de preparar com antecedência a visita.primeiro atenção aos vários visitantes que actualmente prestaserviço (visitas actuais) e aos que deseja atrair no futuro (visitas Inquerir os seus visitantespotenciais). Se tiver uma página de internet, também terá O s inquéritos ao visitante fornecem-lhe informações sobre o seuvisitantes virtuais. visitante, os seus padrões de visita, necessidades e atitudes. O s O s visitantes potenciais também podem ser os menos prováveis resultados destes inquéritos demonstram como deve planear ode visitar os museus, por exemplo pessoas com deficiência, futuro. O s inquéritos ao visitante dividem-se em dois tipos: 117
  • 126. Como Gerir um Museu: Manual PráticoAcolhimento do Visitante QUADRO 4: EXERCÍCIO 1.QUADRO 3 Recolha de dados para conhecer os seus visitantes potenciais eCONHECER OS SEUS VISITANTES REAIS virtuaisVisit an t es Reais (o s q u e en t r am p ela p o r t a): q uan t o m ais so u b er Qu er seja em p eq u en o s gr u p o s d e p esso al, o u in d ivid u alm en t e,so b r e o s seu s visit an t es, m elh o r p o d er á p lan ear u t ilize as n o t as segu in t es p ar a an alisar as p o ssib ilid ad es d ean t ecip ad am en t e e p r ep ar ar -se p ar a eles. t r an sf o r m ar visit an t es p o t en ciais em visit an t es r eais e p ar a d esen vo lver e am p liar u m a co m u n id ad e d e visit an t es “vir t u ais”.1. Sab e q uem são o s seu s visit an t es r eais? Visit an t es p o t en ciais (aq ueles n ão -visit an t es q u e g o st ar ia d e2. En t r e est es, q u ais e q u an t o s f azem visit as r ep et id as? at r air p ar a o seu m u seu ). Po d em aju st ar -se b em ao p er f il d o s seu s3. Co m o é q u e o p er f il d o seu visit an t e act u al r ef lect e o d as visit an t es act u ais (t alvez in vest ig ad o r es), m as vo cê t em co m u n id ad es lo cais? É o m esm o o u d if er en t e? Ach a q u e d eve co n sciên cia q u e m u it o s m ais p o d er iam f azer uso d as su as salas r ef lect ir o p er f il d as suas co m u n id ad es lo cais? Quan t o s d eles vêm d e est ud o ). so zin h o s, em vez d e aco m p an h ad o s p ela f am ília o u em o u t r o s 1. O q ue é n ecessár io f azer p ar a at r air n o vo s o u vár io s t ip o s d e g r u p o s? visit an t es (p o r exem p lo er ud it o s e in vest igad o r es, f am ílias co m4 Qu an t o s são visit an t es lo cais, e q u an t o s são o s t ur ist as f o r a d a cr ian ças, gr up o s o r gan izad o s d e esco las e co légio s? r eg ião ? 2. O h o r ár io d e ab er t ur a é co n ven ien t e p ar a o s visit an t es ger ais o u5 Est á cien t e d e q ualq uer t en d ên cia sazo n al d e visit a? gr up o s esp eciais, co m o est ud an t es e in vest igad o r es q ue q uer em ver o acer vo d e r eser va?6 Exist em d if er en ças em n ú m er o s e t ip o s em h o r ár io s d if er en t es 3. Os p o r m en o r es so b r e o h o r ár io d e ab er t ur a e as co n d içõ es d e d a sem an a/m ês/an o ? acesso esp ecial ao acer vo est ão f acilm en t e d isp o n íveis? Visit an t es vir t u ais (o s q u e t êm acesso ao m u seu o u às su as in st alaçõ es e in f o r m açõ es p ela i n t er n et o u co r r eio )qualitativo e quantitativo. 4 Se já t iver a sua p r ó p r ia p ágin a d e in t er n et d o m useu, an alise-a O s inquéritos qualitativos fornecem informação sobre como as p ar a ver q uan t o am igável é o u t ilizad o r e o visit an t e.pessoas respondem à experiência do museu. Estes estudos 5 Quan t o s cliq ues são n ecessár io s p ar a aced er à in f o r m ação d o visit an t e?permitem às pessoas expressar as suas opiniões ou atitudes, ou 6 Est á im p lícit o n as im agen s e n o est ilo d e escr it a q ue o visit an t e éserem observadas na forma como gerem o seu tempo e andam b em r eceb id o ?pelas galerias. O s estudos quantitativos são a recolha de dados 7 O m useu r eco n h ece as d if er en t es n ecessid ad es d o s seus visit an t es?estatísticos, como por exemplo, quantas pessoas vivem numa 8 A p ágin a d e in t er n et suger e co n scien t e o u in co n scien t em en t ecerta área de distância do museu, quantas utilizam os transportes q ue o m useu t em um a h ier ar q uia d e visit an t es, co n sid er an d o empúblicos ou o carro, ou desde descobrir a percentagem de turistas p r im eir o o s in vest igad o r es e só d ep o is as f am ílias? 9 Se ain d a n ão t em a su a p r ó p r ia p ágin a d e in t er n et , o b ser ve vár iasa residentes locais. A maior parte dos museus utiliza a combinação p ágin as d e in t er n et d e m useus sem elh an t es d e vár ias r egiõ es ede ambos os tipos, através de vários métodos de recolha, como a p aíses, e avalie-o s ut ilizan d o as q uest õ es (5) a (8).entrevista pessoal com questões em aberto, por grupos de foco ou 10 Ut ilize est as an álises p ar a m elh o r ar a sua p r ó p r ia p ágin a d e in t er n et o u p r ep ar ar a sua f ut ur a p ágin a d e in t er n et d o m useu.localização. 118
  • 127. Como Gerir um Museu: Manual PráticoAcolhimento do Visitante Utilizar inquéritos ao visitante requer planeamento. Um pontoQUADRO 5: ALGUMAS TÉCNICAS DE INQUÉRITO AO VISITANTE importante a considerar no início é, quais serão os objectivos doQuestionários: São r ealizad o s p elo s p r ó p r io s visit an t es, q u e estudo e qual será a informação recolhida. Estas perguntasco m p let am u m a b r eve list a d e p er g u n t as, t alvez assin alan d o o determinarão o tipo de inquérito a realizar e quais as perguntas aq u ad r ad o ap r o p r iad o . As p er g u n t as m ais co m p lexas q u e p o d em fazer. Também é necessário pensar em como os dados serãon ecessit ar m ais q u e u m a p alavr a n as r esp o st as, exig em apresentados para facilidade de acesso (relatório, grelha den o r m alm en t e u m en t r evist ad o r q u e asseg u r e q u e é co m p let ad o figuras, lista de recomendações) e para qual o público (pore t am b ém alivia o visit an t e d e escr ever . A o f er t a d er ef r ig er an t es o u u m p eq uen o p r esen t e d a lo ja aju d ar á as p esso as exemplo, pessoal governamental ou projectistas da exposição). Éa r elaxar e ser á o r eco n h ecim en t o p elo f avo r q u e eles est ão a necessário reunir toda a recolha da informação para assegurarp r est ar . previamente que não existe duplicação. O u pode querer utilizar a informação como base para demonstrar tendências durante váriosGrupos de foco: São g r u p o s d e 5-9 p esso as r et ir ad o s d o p ú b licog er al, co n vid ad o s co m an t eced ên cia, p ar a p ar t ilh ar em o s seu s anos, em que neste caso terá de ter cuidado aquando da recolhap en sam en t o s so b r e cer t o s assu n t o s o u d esen vo lvim en t o s; co m o de dados das pesquisas sucessivas, utilizando os mesmos critérios.p er g u n t ar ao s p ais q uais p en sam ser em as car act er íst icas Podem ser recolhidas valiosas informações através de discussõesim p o r t an t es n ecessár ias p ar a f azer u m a visit a co m su cesso . É com visitantes, em forma de questionário breve, completado pelob o m p ar a exp lo r ar id eias m ais p r o f u n d am en t e e p ar a g an h ar oin t er esse d as p esso as p elo seu t r ab alh o . Po r ém co n so m e t em p o próprio visitante ou por um observador individual. Todos estese p r ecisa d e algu m a cap acid ad e d e g est ão d o gr u p o d e f o r m a dados recolhidos terão falhas ou falta de precisão (por exemplo,q u e t o d o s sin t am q u e p ud er am co n t r ib u ir co m p let am en t e. Os contagem dos números de entrada) ou através de tendênciap ar t icip an t es esp er am p elo m en o s r eceb er r ef r ig er an t es. inconsciente na escolha do pessoal a entrevistar – i.e. seleccionarInquéritos por correio e internet: Os q u est io n ár io s p o r co r r eio apenas os que parecem ter tempo livre). Se os dados forem parap o d em ser en viad o s p ar a p esso as cu jo s n o m es e en d er eço s ser válidos, o número de inquéritos é importante. Uma amostraf o r am r eco lh id o s n o livr o d e r eg ist o d e visit an t es, r eg ist o s d e de 5 0 0 pessoas geralmente é considerada necessária para umag r u p o s o u d e co r r esp o n d ên cia. Ist o p o d e ser r áp id o , ef icien t e e pesquisa do visitante geral num museu pequeno, 7 0 0 a 1 0 0 0b ast an t e b ar at o m as u m a vez m ais, p o d em r ep r esen t ar só u md et er m in ad o t ip o d e visit an t e. Se t iver u m a p ág in a d e in t er n et , pode ser o mínimo para um museu maior, enquanto a resposta doo s q u est io n ár io s d a p ág in a, p o d em ser d isp o n ib ilizad o s. visitante a uma exposição requer provavelmente, uma amostra de pelo menos 1 0 0 . (A página de internet internacional do GrupoLivro de Registo de Visitantes e Painéis de Comentários: É excelen t e de Estudos do Visitante - ver a bibliografia – disponibiliza muitop ar a cap t u r ar as p er sp ect ivas e id eias n ão so licit ad as d e p esso as.São f r eq u en t em en t e u t ilizad o s co m o m at er ial d e p r o m o ção e mais aconselhamento sobre estes pontos.)p o d em ser in d icad o r es d e at it u d es d a m aio r ia, m as n ão d eve ser Vale a pena considerar trabalhar em parceria com umao ú n ico g u ia. universidade ou empresa de pesquisa de mercado para ajudar a desenvolver algumas capacidades e conhecimento básico, sobre como realizar pesquisas que produzirão informação de qualidade. 119
  • 128. Como Gerir um Museu: Manual PráticoAcolhimento do Visitante Tipos de visitantes e as suas necessidades: estendem-se frequentemente aos primos e outros parentes eCada um de nós pode ser categorizado por critérios diferentes e podem ser componentes principais do sector turístico doméstico.ser inserido em grupos diferentes. Alguns museus, certamente uma minoria, sentem que as suas O s grupos descritos abaixo não são os únicos, e claro que um colecções não são apropriadas para crianças pequenas, mas comindivíduo pode encaixar em mais do que um grupo ao mesmo pensamento criativo, até mesmo tópicos intelectuais complexostempo ou em diferentes grupos durante o seu ciclo de vida. podem ser acessíveis através de exposições especiais, actividades Individuais: Estes tendem a fazer visitas por uma razão ou distribuição de folhetos e questões. O s grupos familiaresespecífica, provavelmente para ver uma colecção ou exposição em incluem adultos que podem voltar novamente. Um museu comparticular, ou com um interesse pela pesquisa a nível académico sucesso terá como objectivo acolher os grupos familiares em vezou para prazer pessoal, tais como estudantes independentes que de apenas os tolerar.querem informação detalhada sobre os itens ou colecções ou Grupos educativos: Dependendo do número de grupos quedeterminada orientação para outras fontes. É provável que visitam o museu e do papel do pessoal de educação do museu,assistam a conferências, secções de esclarecimentos e visitas pode ser necessário disponibilizar determinadas instalações:guiadas, providenciado pelo pessoal da curadoria e da educação. espaços para malas e casacos; espaço de reunião que permitirá aoEste grupo pode incluir o aposentado, cuja visão e audição pode grupo discutir os seus planos à chegada, um local para comerestar a deteriorar-se e que por esse motivo apreciará etiquetas refeições rápidas, no caso de ter sido uma viagem longa, e amaiores ou guias auditivos. Gostarão de ter tempo para estudar as distribuição de pequenas pranchas com clipes ou blocos de notasexposições ou pinturas e apreciariam assentos portáteis ou para escrever. Como muitos grupos podem chegar de autocarro,permanentes a uma determinada altura no espaço da galeria. pode ser necessário disponibilizar um ponto de encontro e um Grupos de adultos independentes: São frequentemente indivíduos parque de estacionamento para os autocarros. Para os grupos deadultos que formam grupos com propósitos sociais e algum do seu nível de ensino do colégio/ liceu e ensino superior quetempo no museu pode ser gasto a conversar ou a relaxar com os frequentemente incluem estudantes de arte, deve seroutros. O s museus oferecem ambientes “seguros” e estéticos disponibilizado a utilização de assentos portáteis para poderemonde as pessoas se podem encontrar e conversar. O museu esboçar. (Estes também podem ser utilizados para os visitantesprecisa de reconhecer esta função social e prover áreas de lazer mais idosos.)adequadas, cafés e outros pontos de reunião adequados para estespequenos grupos. Visitantes com necessidades especiais (deficiências físicas e Grupos familiares: Este grupo de visitantes tem uma variedade mentais):extensa de necessidades devido às várias idades e interesses. Todos os grupos anteriores podem incluir indivíduos que têmIncentivar as famílias significa que o museu incentiva o interesse necessidades e exigências especiais. As informações sobre ospela visita ao museu numa idade cedo e cria um padrão de serviços e as instalações disponíveis para os deficientes devem sercomportamento social para a vida. O s grupos familiares incluídas em toda a informação geral ao visitante. É importante 120
  • 129. Como Gerir um Museu: Manual PráticoAcolhimento do VisitanteQUADRO 6: EXERCÍCIO 2: Tornar o museu, amigo da família: QUADRO 8 - Turistas Nacionais e Internacionais:Ob ser ve a seg u in t e list a e d ecid a se o seu m useu é act ualm en t e am igoo u n ão d a f am ília. Os visit an t es d est e gr up o t en d em a n ão t er t em p o a p er d er , p o rId en t if iq u e m eio s p r át ico s sim p les n o s q uais as co isas p o d em ser isso p eq u en o s g u ias d o p er cu r so o u f o lh et o s n o s “p o n t o sm elh o r ad as. p r in cip ais” d o m u seu são u m a g r an d e aju d a. Ou t r a p r io r id ad e é 1. Exist em act ivid ad es, co m o act ivid ad es o u exp o siçõ es esp eciais o f er ecer t r ad u çõ es d o gu ia d o p er cu r so o u p r o vid en ciar visit as q u e en vo lvam as cr ian ças, esp ecialm en t e d ur an t e as f ér ias? Bo as g u iad as q u e p o d em o f er ecer id io m as d if er en t es o u g u ias co m r elaçõ es co m o p esso al d a Ed ucação ajud ar ão a p lan eá-las. Os g r avaçõ es. r ef r ig er an t es t êm d e ser a p r eço s b aixo s e t alvez o m useu p o ssa d isp o n ib ilizar u m lo cal p ar a as f am ílias e gr up o s co m er em o s seus Ou t r as q u est õ es a ser em levad as em co n sid er ação in clu em o p r ó p r io s p iq u en iq u es. seg u in t e: 2. As in st alaçõ es san it ár ias d evem in cluir san it as e lavat ó r io s ad eq u ad o s p ar a u t ilizad o r es m ais jo ven s e f r ald ár io s p ar a as m ães. 1. Se o p o st o d e t ur ism o lo cal o u t alvez um a co m p an h ia d e viagem (Est as in st alaçõ es est ão n o r m alm en t e co m b in ad as co m as p r o vid en ciar um guia, co m o p o d e assegur ar q ue o s guias t iver am in st alaçõ es san it ár ias p ar a d ef icien t es q ue en t r e o ut r as co isas, um p o uco d e f o r m ação so b r e o m useu e sat isf izer am o s p ad r õ es t am b ém p r ecisam d e m ais esp aço , o n ecessár io p ar a q ue o s exigid o s d e p r ecisão ? aju d an t es e o s aco m p an h an t es o s p o ssam ajud ar .) 2. O m useu p r ecisa d e levar em co n sid er ação a q uan t id ad e d e 3. Um a f am ília co m cr ian ças p eq uen as p o d e t r azer co n sigo cad eir as gr up o s o p o d em visit ar d e um a só vez? d e b eb é (“car r in h o s d e b eb é”). São p er m it id o s n as galer ias? 3. Exist em esp aço s o n d e o s gr up o s se p o ssam r eun ir e r elaxar ao ar 4. Ou o m u seu p o d e p r o vid en ciar cad eir as m en o r es o u m o ch ilas d e livr e? Qual o t am an h o m áxim o d o gr up o q ue o m useu p o d e b eb é? aco m o d ar n as galer ias, lo ja o u caf é? 5. Ou t r o m o b iliár io p o d e in clu ir cad eir as alt as d e caf é e caixas 4. Exist e um sist em a d e r egist o d isp o n ível d e f o r m a q ue o s guias p eq u en as p ar a as cr ian ças p o d er em est ar em p é d e f o r m a q ue p o ssam p lan ear an t ecip ad am en t e a visit a? p o ssam ver o s m o st r u ár io s d a exp o sição . 6. Lem b r e-se q u e u m a cr ian ça sat isf eit a q uer d izer um a f am ília sat isf eit a, e t am b ém q u e p r o vavelm en t e a cr ian ça visit an t e que todos os visitantes deficientes recebam a mesma qualidade de sat isf eit a cr esça e seja u m ad ult o visit an t e e even t ualm en t e u m atenção que o público geral e não seja tratados de forma p ai (e t alvez at é m esm o u m líd er p o lít ico co m r esp o n sab ilid ad e s p elas d ecisõ es p o lít icas e est ab elecim en t o d o m useu). condescendente. O s visitantes com necessidades especiais frequentemente são acompanhados por um amigo, parente ou2 acompanhante, e os museus que cobram frequentemente pelaQUADRO 7 admissão reconhecem-no dando entrada livre ao ajudante, e talvez 1. Qu al o t am an h o m áxim o d o g r up o q ue o m useu p o d e aco m o d ar n as vár ias ár eas f un d am en t ais, co m o galer ias ger ais, d et er m in ad a à pessoa inválida também. exp o sição esp ecial, lo ja o u caf é d o m useu ? Todo o pessoal pertinente deve ter formação por especialistas 2. Exist e u m sist em a d e r eg ist o d e gr up o s d isp o n ível d e f o r m a q ue que ou são incapacitados ou que trabalharam com pessoas com o s líd er es d a ed u cação p o ssam r eser var um a galer ia/esp aço co m an t eced ên cia, e t er a cer t eza d e q ue o ed if ício n ão est á várias deficiências. O s museus que tomaram providências especiais ab ar r o t ad o e é in seg u r o ? para pessoas com deficiência descobriram que estas também são bem-vindas por parte de outros visitantes. Providenciar rampas ou 121
  • 130. Como Gerir um Museu: Manual PráticoAcolhimento do Visitanteelevadores como alternativa às escadas, por exemplo, não só auditivos oferecem uma boa alternativa, mas podem causarajudam as pessoas em cadeiras de rodas, como também pais com problemas na utilização do equipamento de som. Muitos museuscrianças pequenas em carrinhos de bebé, ou qualquer outro que investiram em 3 planos dimensionais (mapas) da galeria para quetenha dificuldade em caminhar ou em transportar uma carga o indivíduo se possa sentir independente e não depender semprepesada. dos transeuntes. Alguns visitantes podem ser acompanhados por A nível local/ regional e nacional, o pessoal especializado pode um cão-guia treinado que precisará de água e claro, deve terestar disponível para providenciar aconselhamento e formação a acesso às galerias e a outros espaços públicos. (Ver Real Institutopessoal do museu para estabelecer os níveis mínimos de acesso e Nacional para os Cegos e a Associação de Museus – página deserviços ao visitante, que todos os museus devem atingir. Se esta internet de Prática Museológica.)ajuda não estiver disponível localmente ou no país deve ser O s visitantes com problemas de audição preferem que as visitaspossível trabalhar em colaboração internacional com outros guiadas regulares, conferências e outros eventos, tenham um diaprofissionais ou organizações que desenvolveram competências próprio e um intérprete disponível. Algum pessoal do museu devenesta área. ter formação em língua gestual, mas não nos podemos esquecer Para os utilizadores de cadeira de rodas: considere rampas, que alguns dos visitantes com problemas de audição, não utilizamsanitários especiais para acomodar a cadeira de rodas, assegure a língua gestual, mas sim a leitura pelos lábios. (Ver referência naque as exposições da galeria são visíveis de uma cadeira de rodas ligação para o Real Instituto Nacional para os Surdos – Reino(este também é um aspecto para crianças), confira se existe Unido, para exemplos e aconselhamento sobre uma boa prática.)espaço para manobrar a cadeira de rodas ao redor dos As pessoas com dificuldades de aprendizagem (designado demostruários da exposição, ao longo dos corredores e na loja e impedimento mental em alguns países) exigirá material especialcafé. Um grupo de aconselhamento de utilizadores com para ajudar a motivar o interesse deles e requer apoio sensível dodeficiência, tais como utilizadores de cadeiras de rodas e os com pessoal da galeria, tal como aqueles com problemas de saúdevisão e audição fraca, podem ser uma grande ajuda ao testar as mental. Recomenda-se que o pessoal do museu trabalhe eminstalações, planeamento de assentos, projectos da exposição. conjunto com especialistas nestas áreas que podem dar(Ver o parágrafo sobre Grupos de Apoio de Dodd e Sandell, aconselhamento profissional sobre qual será o material e as1998) actividades mais apropriadas, assim como providenciam formação Pessoas com pouca ou sem visão requerem etiquetas com letras do pessoal.maiores ou em Braille. O tamanho de letra recomendado, nãopode ser menos de 1 4 , mas o aconselhável para satisfazer um Planear e gerir os serviços ao visitantegrupo mais vasto é de 1 6 -1 8 pt. A impressão deve ser feita a Para assegurar que existe um compromisso forte nos serviços aopreto, em fundo branco ou amarelo. A maior parte dos museus visitante eficazes, embutido na organização a todos os níveis, odisponibilizam estas etiquetas em pastas à entrada da galeria ou ao museu pode estabelecer vários métodos pelos quais o pessoallado do mostruário da exposição para acesso fácil. O s guias pode coordenar, comunicar, partilhar experiências, planear e 122
  • 131. Como Gerir um Museu: Manual PráticoAcolhimento do Visitanteprestar serviços ao público. Em particular, é necessário envolver Devem existir locais de descanso nas galerias para permitir quepelo menos três grupos: o Director e outro pessoal de as pessoas se sentem e contemplem: uma área de descanso comadministração de topo, a equipa do serviço ao visitante e o grupo livros e outra informação de referência, incluindo talvez acessode comunicações do museu, como se segue: informático aos serviços de informação do museu, dá ao visitante um sentimento de independência e incentiva futura leitura, estudo OD irector e a Administração de Topo e visitas de retorno. A provisão de assentos dobráveis portáteis eCriar um interesse vasto por parte dos visitantes pelo museu leves, armazenados à vista ou pendurados na parede no canto darequer um compromisso do Director e da equipa da galeria pode ser uma opção mais barata.administração de topo (EAT). Têm de desenvolver estruturas A comunicação eficaz tem duas partes distintas. Sãoadministrativas adequadas, estabelecer metas, estabelecer normas, necessários bons canais de comunicação entre o pessoal paraavaliar pontos de sucesso e fraquezas. Para isso, é necessário reunir toda a informação necessária para o visitante, enquanto anomear um membro da equipa com responsabilidade total pelos comunicação com o visitante depende, em grande parte, daServiços ao Visitante. Este, deve assegurar que as reuniões da eficácia dos métodos de comunicação das informações. Estas duasEAT tem um programa de trabalho regular para os serviços ao partes têm que trabalhar em parceria e caso a pessoa tenhavisitante, que o orçamento contempla uma quantia adequada e necessidades ou seja deficiente de algum modo, a clareza edirigida aos serviços ao visitante, e deve manter reuniões regulares utilidade da informação será afectada. As informações incorrectascom a equipa de serviços ao visitante e o Grupo de Comunicações frustrarão tudo, enquanto as informações correctas mal(ver abaixo). A EAT tem de definir normas para os serviços ao comunicadas (por exemplo, através de sinalização defeituosa ouvisitante, tal como qual o acesso público a disponibilizar, abertura panfletos mal elaborados), não atingirão o objectivo e serão umde lojas para os visitantes, pesquisa em bases de dados, e desperdício de recursos. A EAT pode decidir estabelecer umprovidenciar orçamentos financeiros. A EAT também deve fazer grupo de comunicações/ informações (ver abaixo) para definirreferência a estes assuntos importantes no Relatório Anual. uma estrutura que melhore a velocidade e fluxo de comunicação, Relativamente a finanças, a EAT terá de considerar os quer a nível interno, quer para o público.investimentos nos serviços ao visitante, especialmente quando sãonecessários trabalhos de construção civil, instalações e Equipa de Serviços ao Visitanteremodelações. O ambiente físico do museu pode ter um grande A equipa pode incluir os recepcionistas (no balcão deimpacto no visitante, no modo como é feito para se sentirem atendimento aos visitantes e na central telefónica), pessoal deconfortáveis e na criação de motivação para ver exposições e segurança da galeria, pessoal de gestão de eventos especiais eparticipar em actividades. Coisas óbvias como a iluminação pessoal da educação. Na realidade, deve incluir todo o pessoal(artificial e luz do dia), andares, estilo e tipo de mobiliário e cor que lida com o público, numa base regular, se não diária. Seráda pintura tanto podem fazer qualquer um sentir-se tranquilo e necessário decidir sobre quem é responsável por quais deveres,relaxado como tenso e incómodo. como é que a equipa deve coordenar as suas actividades, e qual o 123
  • 132. Como Gerir um Museu: Manual PráticoAcolhimento do Visitantepropósito de cada actividade (educativo, entretenimento, e G rupo de Comunicação/Informaçãosegurança). A equipa dos serviços ao visitante deve estar É provável que este grupo reúna os representantes das várias áreasidentificada facilmente por uniformes, distintivos ou algum do trabalho museológico. O seu papel principal é estabeleceracessório particular como uma gravata ou lenço? Também é mecanismos pelos quais a informação é recolhida, conferida paraimportante tomar decisões em relação à organização de um precisão e disseminada numa variedade de formatos, parahorário de trabalho de forma que todas as áreas públicas tenham públicos diferentes. O propósito é assegurar que toda apessoal no horário de abertura do museu (provavelmente será informação é actualizada, precisa e acessível. Isto não é só paramais que o horário de funcionamento semanal normal para benefício do público mas também do pessoal. Provavelmente, oqualquer funcionário individual). grupo pode incluir um projectista gráfico em comunicação visual, O utra decisão de política importante será: como lidar com as alguém com boas competências editoriais, um defensor doreclamações? As organizações orientadas para este serviço público, membros da equipa dos serviços ao visitante e odefendem que os utilizadores devem dar sempre a sua opinião responsável pela internet ou editor da página de internet dosincera sobre as suas experiências, e pretende retirar lições das museu.reclamações dos que estão insatisfeitos, assim como outros As suas preocupações particulares incluirão:comentários e sugestões. Por exemplo, muitas notas proeminentes Informação: Q ue tipo de informação, para quem e como éda exposição dizem algo como: “Se estiver satisfeito com o que apresentada? Q uem provê a informação, com que frequência? Onós estamos a fazer, por favor divulgue aos seus amigos. Se, pelo ponto principal é estabelecer um período de tempo específicocontrário, não estiver satisfeito, por favor, informe-nos”. Pode ser para ter toda a informação – quer seja diária (por exemplo,uma boa ideia para ter um único sistema de avaliação para informação sobre os eventos das galerias, reserva de grupos,elogios, reclamações e outros comentários de visitantes e outros utilização das salas), semanal (i.e. absentismo do pessoal, recolhautilizadores, e para os que querem fazer sugestões para melhoria, do número dos visitantes), mensal (por exemplo, agenda dose que não querem designá-las como “reclamação”. eventos), trimestral (i.e. exposições temporárias) ou anual A equipa de serviços ao visitante e a administração de topo (conferir se toda a informação básica continua correcta pornecessitam de estabelecer sistemas para monitorizar e avaliar os exemplo, números de telefone, pormenores de viagens). A equipaserviços oferecidos. Após decidir o nível e padrão do serviço, o de comunicações também quererá revisar quais as informaçõ espessoal pode conferir regularmente se tudo está no local e no que podem ou devem ser disponibilizadas em vários idiomas.padrão estabelecido. Q uais os tipos de verificações e com que Sinalização para e no museu: É visível, de fácil de leitura (atéfrequência? Q uem as levará a cabo? Existem assuntos relacionados mesmo para turistas estrangeiros: talvez possam ser utilizadoscom atitude, cronometragem, precisão? Como serão estes símbolos ou pictogramas internacionais ou outros?) e nãosolucionados ao mesmo tempo que se mantém a moral e atravancada em espaços para ficar visualmente dominante emotivação do pessoal? confusa? O nde e quantos sinais devem ser colocados no exterior do museu? De onde as pessoas acedem ao museu: paragens de 124
  • 133. Como Gerir um Museu: Manual PráticoAcolhimento do Visitante autocarro, parque de automóveis ou a pé? As várias entradasQUADRO 9. Desenvolver Políticas e Procedimentos para os estão claramente identificadas (alguns museus têm entradasComentários e Reclamações dos Visitantes especiais para escolas ou para os que utilizam cadeira de rodas)?Qu aisq u er q u e sejam o s p r o ced im en t o s d et alh ad o s, é im p o r t an t e q ue om u seu t en h a e d ivu lg u e, u m a p o lít ica escr it a so b r e as r eclam açõ es e Orientação no interior do museu: O s museus podem ser edifíciosco m o lid ar co m est as. A p o lít ica e p r o ced im en t o s d evem in cluir : grandes e complexos, mas até mesmo exposições pequenas,• Os p r o ced im en t o s d e r eclam açõ es e co m e n t ár io s d evem ap licar -se a t o d o s q u e t êm co n t act o co m o m u seu e o s seu s ser viço s, q u er sejam visit an t es in clu in d o g r u p o s completas de material e dispostas numa orientação que dá voltas, esco lar es e d a f acu ld ad e, in vest ig ad o r es, u t ilizad o r es d o s ser viço s esp eciais d o m u seu podem fazer com que o visitante se sinta cansado e desorientado. co m o ser viço s d e ar q u eo lo g ia o u an t ig u id ad es, o u o s q u e f azem in q u ér it o s.• Os que reclamam ou elogiam, ou dão sugestões devem poder fazê-lo de qualquer modo Ninguém gosta de estar perdido. Isto cria tensão e ansiedade, conveniente: durante ou depois da sua visita, por escrito, por telefone, (ou pelos serviços de desperdício de tempo e pode impedir toda a aprendizagem e Internet onde o museu tem e-mail ou uma página da internet).• No caso d o s q u e f azem u m a r eclam ação o u co m en t ár io p esso alm en t e n o m u seu , d eve prazer que possivelmente possam ter sido adquiridos até aquele ser -lh es d ad o u m a o p o r t u n id ad e p ar a f alar em co m o cu r ad o r em ser viço o u o u t r o ponto. Devem estar disponíveis mapas de bolso bons, com mapas m em b r o sén io r d o p esso al, caso ele o u ela est ejam d isp o n íveis. de localização expostos nas entradas da galeria, nas escadas e nos• Formulários especiais para reclamações, comentários e outras avaliações são muito úteis, uma vez que ajudam a assegurar que toda a informação chave é registada, mas o museu deve elevadores. Todo o pessoal deve ter formação para dar orientação igualmente aceitar e actuar em relatórios verbais, telefonemas ou cartas. e direcções: as pessoas ficam frequentemente hesitantes em entrar• Em caso d e r eclam açõ es ver b ais o u p o r t elef o n e o f u n cio n ár io d eve r eg ist ar t an t a em locais, onde não sabem e não podem ver a saída. in f o r m ação q u an t o a p o ssível, p r ef er ivelm en t e em r eclam açõ es o f iciais e f o r m u lár io s d e co m en t ár io s. Em t o d o s o s caso s a d eve p ed ir -se à p esso a q u e f az a r eclam ação , o en d er eço p o st al o u o u t r a f o r m a d e co n t act o p ar a o q u al a r esp o st a (o u p ed id o d e Áreas específicas a ter em atenção in f o r m ação ad icio n al) p o ssa ser en viad a. Ponto de Recepção/A tendimento: Existir um ponto central onde os• To d as as r eclam açõ es d evem ser t r at ad as co n f id en cialm en t e, e jam ais exist ir q u alq u er t ip o d e d iscr im in ação co n t r a alg u ém , só p o r q u e f izer am u m a r eclam ação . visitantes podem pedir informação é essencial. Este ponto é• Os p r o ced im en t o s d e in vest ig ação e r esp o st a a t o d as as r eclam açõ es e co m en t ár io s identificado frequentemente por uma secretária, contendo mapas t am b ém d evem ser est ab elecid o s, e d eve m asseg u r ar q u e: da galeria e folhetos sobre os eventos, e é supervisionada por um - Exist em p r o ced im en t o s in t er n o s ad eq u ad o s p ar a in vest ig ar e r esp o n d er p r o n t am en t e a t o d as as r eclam açõ es e co m en t ár io s. funcionário na resposta a inquéritos. Para o museu este pode ser - To d as as r eclam açõ es e co m en t ár io s d evem ser r eco n h ecid o s im ed iat am en t e p o r também um ponto importante da segurança (verificação de escr it o (7 d ias n o r m alm en t e ser á r azo ável); est es r eco n h ecim en t o s d evem t er sem p r e u m d at a est ip u lad a p ar a in vest ig ar o assu n t o e en viar u m a r esp o st a. malas), e um controlo de emergência e saúde e de segurança (por - Se f o r im p o ssível cu m p r ir est a d at a, d ever á en viar -se u m a car t a o u m en sag em exemplo, conduzir uma evacuação com calma e segurança em ad icio n al exp lican d o a d em o r a, d en t r o d o p r azo o r ig in al est ab elecid o p ar a a r esp o st a. caso de incêndio). (Porém, todas estas responsabilidades podem• Se u m a r eclam ação f o r ju st if icad a, en t ão o m u seu d eve d escu lp ar -se t ão r ap id am en t e q u an t o p o ssível e exp licar q u e ir ão ser t o m ad as acçõ es p ar a p r even ir est e p r o b lem a, ser confusas, tanto para o pessoal como para o visitante.) Como caso su r ja n o vam en t e. este pode ser o primeiro ponto onde o visitante é acolhido pelo• To d as as r esp o st as d evem p er g u n t ar à p esso a q u e f az a r eclam ação o u su g est ão se elas pessoal do museu, é importante que a secretária esteja projectada est ão sat isf eit as co m a r esp o st a e co m o m o d o p elo q u al a r eclam ação f o i t r at ad a, e in f o r m á-lo s q u e p o d em levar o assun t o m ais ad ian t e se est iver em in sat isf eit o s. para dar as boas-vindas e ser acessível, a nível de condições físicasEXERCÍCIO: Ver if iq u e o s seu s p r o ced im en t o s act uais n o q ue d iz r esp eit o a como a altura, estar bem organizada, assim como o método er eclam açõ es, e elab o r e d ir ect r izes escr it as p ar a o f ut ur o . abordagem por parte do pessoal. A nomeação do pessoal 125
  • 134. Como Gerir um Museu: Manual PráticoAcolhimento do VisitanteQUADRO 10. Checklist dos pontos de vista dos visitantes QUADRO 11. Inquérito aos Serviços ao VisitanteOs exer cício s seg u in t es são o s m ét o d o s p elo s q u ais o m u seu m o n it o r iza e av alia o sp ad r õ es e p r o ced im en t o s est ab elecid o s. Os d ad o s r eco lh id o s aju d am a est ab elecer Exercício 4: Peça a algun s m em b r o s d o p úb lico (d e p r ef er ên cia a visit an t esp r io r id ad es n as su as acçõ es f u t u r as. A avaliação é o m ecan ism o d e ver if icação e n ão r egular es) p ar a f azer em o m esm o exer cício d o Exer cício 3, p ar a p o d eresco lh a d e p r o cesso s, d ecisõ es e r esu lt ad o s. co m p ar ar as r eacçõ es d o p úb lico e d o p esso al. Ist o p o d e ser f eit o ,A avaliação p o d e o co r r er em d if er en t es f ases d e u m a d et er m in ad a sér ie d e acçõ es. d eixan d o -o s f alar co n sigo , en q uan t o p assa. Dest a f o r m a e m ais um a vez, o s1. No in ício , a av aliação “co n f r o n t o ” exist e p ar a t est ar id eias o u p r o t ó t ip o s d u r an t e o p r o ject o . p o n t o s r eco lh id o s ser ão acr escen t ad o s à en o r m e list a d e t er m o s d e acçõ es2. A avaliação f o r m at iv a p er m it e f azer m u d an ças o u m elh o r ias, d o s ser viço s ao visit an t e.3. A avaliação su m ár ia d á a o p o r t u n id ad e d e r eu n ir u m a var ied ad e d e evid ên cias q u e r esu m em as f o r ças e f r aq u ezas d o p r o ject o , t ais co m o d ad o s p ar a acçõ es Exercício 5: Do is f un cio n ár io s d o m useu d evem visit ar ao m esm o t em p o , f u t u r as. um m useu p o uco co n h ecid o o u o ut r a at r acção p ar a visit an t es (lo cal d eExercício 3: Per g u n t e ao s d o is m em b r o s m ais n o vo s d o p esso al p at r im ó n io , p ar q ue d e d iver sõ es, cen t r o co m er cial: n ão im p o r t a se f o r(in d ep en d en t em en t e d o car g o : n ão im p o r t a se são u m f u n cio n ár io d e lim p eza, um a en t id ad e p úb lica o u co m er cial) e an o t ar em as co isas q ue ach ar amf u n cio n ár io d a g aler ia o u cu r ad o r ) p ar a t r ab alh ar em n a ch ecklist seg u in t e e b em o u as f alh as em r elação ao f act o d e ser em visit an t es. Quais o s p ad r õ esacr escen t ar em q u aisq u er q u est õ es. Ut ilize 3 co lu n as p ar a classif icar o est ad o d om u seu : (1) p ad r ão b o m (2) ad eq u ad o m as n ecessit a d e ser m elh o r ad o (3) q ue esco lh er am ut ilizar ? As suas r eacçõ es e co m en t ár io s p o d em f o r n ecerin ad eq u ad o . Ut ilize o s r esu lt ad o s p ar a aju d ar a f o r m ar o p lan o d e acção d u r an t e o in f o r m açõ es p ar a o s d eb at es co m as vár ias eq uip as/gr up o s. Est asp r ó xim o an o . Est e exer cício d eve ser r ep et id o p elo m en o s an u alm en t e p ar a ver se a o p o r t un id ad es d evem ser d ad as a t o d o o p esso al, esp ecialm en t e ao d asit u ação m u d o u . Clar o q u e o q u e d et er m in a “o b o m ” t em q u e ser d iscu t id o , o q u e eq uip a d e Ser viço s ao Visit an t e, assim co m o r ealça n as p esso as r eacçõ esin cen t iv a t o d o s à p ar t icip ação . im ed iat as (em o cio n ais e in t elect uais) q uan d o a p esso a exp er im en t a elaIndicadores gerais: Qu ais são o s in d icad o r es q u e d em o n st r am ao visit an t e q u e o seu p r ó p r ia um a sit uação .m u seu se p r eo cu p a co m eles e q u e est á p r eo cu p ad o co m a q u alid ad e d a su a visit a?Exist e u m b r ev e p ar ág r af o d e t o d a a su a lit er at u r a/lo cal d a in t er n et n u m q u ad r o àen t r ad a d o m u seu q u e d eclar a as su as in t en çõ es?Chegada: A est r ad a. O m u seu é d e f ácil lo calização ? Exist em b o n s sin ais d e d ir ecção formado em atendimento ao cliente e com aptidão para trabalhard o m u seu p ar a o s m o t o r ist as e o s p ed est r es? On d e est acio n ar o car r o ? Qu al ad ist ân cia a p é at é à en t r ad a? Exist em esp aço s p er t o d a en t r ad a p ar a p esso as com o público é essencial, uma vez que estarão sempred ef icien t es? concentrados nos visitantes e nos seus pedidos.Acolhimento e Orientação: Qu em d á as b o as-vin d as ao s visit an t es? Co m o so ur eceb id o ? São co r d iais e d ão in f o r m ação p r ecisa? Sab em o q u e f azer à ch eg ad a e Vestiários para guarda-chuvas, casacos e malas/carrinhos de bebé:o n d e são as in st alaçõ es: casas-d e-b an h o , vest iár io , b alcão d e in f o r m ação , salas d e Deve estar aberto no período de abertura do museu. É necessáriaest u d o , g aler ias? Co m o d escu b r o o q u e est á a aco n t ecer h o je? O q u e est ád isp o n ível p ar a a f am ília, cr ian ças, p esso as d ef icien t es, p esso as q u e d esejam f azer uma notificação para explicar o limite de responsabilidade doin vest ig ação ? Qu an t o t em p o t en h o , an t es d e en cer r ar ? Exist e cu st o d e en t r ad a,q u an t o , e exist e alg u m a co n cessão p ar a cr ian ças, id o so s? Po sso t ir ar f o t o g r af ias? museu. Está devidamente sinalizada perto da entrada? Como estáPo sso lev ar o m eu f ilh o n u m car r in h o d e b eb é? organizado o pessoal para ajudar nos períodos de mais trabalhoAs galerias: So u at r aíd o visu alm en t e p ar a as exp o siçõ es? Co n sig o ver b em o esp açoo u est á escu r o e m al ilu m in ad o ? Co n sig o ler as et iq u et as? A ilu m in ação est á b em (hora de encerramento)?d ist r ib u íd a? As g aler ias são b ar u lh en t as o u vazias? Co m p r een d o o co n t ext o e C asas-de-banho: Devem ser verificadas regularmente a nível deco n t eú d o in t elect u al d as exp o siçõ es? Po sso d esco b r ir m ais so b r e as exp o siçõ es d oq u e ap en as o q u e est á n as et iq u et as? On d e p o sso en co n t r ar essa in f o r m ação ? limpeza, sabão, toalhas e papel durante o horário de abertura ePo sso sen t ar -m e em q u alq u er lu g ar ? O m eu f ilh o p o d e ap r en d er ao n ível d ele e limpa regularmente e verificada diariamente que estão em ordem.p o d e ser en t r et id o ? Po d e v er -se t o d as as exp o siçõ es a u m a alt u r a co n f o r t ável?Co m o p asso d e u m lo cal p ar a o u t r o ? A q u em p o sso m e d ir ig ir , se t iver u m a O utras perguntas fundamentais incluem: Estão devidamenteq u est ão ? Co m o r eco n h ecê-lo s? Po sso b eb er o u co m er alg u m a co isa? Os sinalizadas? São adequadas para uma pessoa em cadeira de rodasr ef r ig er an t es são b ar at o s? Po sso sen t ar -m e n o ext er io r ? Exist em in st alaçõ essan it ár ias? ou para alguém mudar o bebé (fralda)? 126
  • 135. Como Gerir um Museu: Manual PráticoAcolhimento do VisitanteC ou Restaurante: A visita ao museu é cansativa e as pessoas afé ambiente físico. A cobertura de bancos e guarda-sóis têm de estarprecisam ter algum tipo de refrigerantes, particularmente quando disponíveis e, se for popular com famílias, algum equipamento deos visitantes normalmente permanecem no museu durante um jogos simples, talvez relacionado com os temas da colecção, seráperíodo longo, ou caso tenham viajado durante algum tempo muito popular. Este espaço também pode ser ideal para eventosantes de chegar ao museu. O tamanho da operação vai também ou pode ser alugado por contrato a privados.depender do orçamento geral do museu, uma vez que pelo menosnos museus mais pequenos, a receita da venda dos refrigerantes Resumonão cobre o custo total das despesas gerais do pessoal e do Para o visitante do museu obter o máximo da aprendizagem eequipamento. No entanto, oferecer chá ou café e um bolo podem oportunidades de entretenimento disponíveis, necessita de sefazer toda a diferença na experiência do visitante do museu. O sentir bem recebido, em segurança e seguros de que as colecçõescafé também é o local ideal para promover futuros eventos e estão em exposição pelo menos em parte para seu benefício e sãoexibir exposições, talvez das colecções de reserva. Se não for uma parte do seu património e compreensão do seu lugar napossível ter qualquer tipo destes serviços, talvez o museu possa sociedade actual.decidir ter uma fonte de água ou máquina de bebidas, no mínimo. O s visitantes satisfeitos são cada vez mais valiosos para osAL oja: Este é outro ponto óbvio onde os visitantes conhecem o museus, uma vez que são não só uma medida do sucesso depessoal, à medida que compram guias, catálogos, réplicas ou alguém, mas também se podem tornar visitantes de retornorecordações e pedem informação. Isto também aumenta a regulares e talvez até se envolverem mais de perto comoimportância das políticas dos serviços ao visitante e das partidários entusiásticos e defensores.comunicações. O que deve vender a loja e a que preço? Existe Para alcançá-lo, o museu e todo o seu pessoal precisam dealgo que as crianças possam comprar a um custo muito baixo? O s planear e estabelecer serviços e instalações ao visitante queclientes podem encomendar coisas fora do museu? Existe um provêem e melhoram o acesso público, a compreensão e o prazercatálogo de publicações, réplicas e recordações, e nesse caso este das colecções. Um visitante satisfeito é a prova de uma gestão doestá disponível na página de internet do museu? Q uais são os museu bem focalizada e profissional.horários de abertura da loja do museu? Q ual o espaço dearmazenamento da loja e dos seus produtos? Se o espaço for Informação Adicionallimitado como é que isso determina a variedade e quantidade dos A Associação de Museus (Reino Unido) e em particular a suaprodutos armazenados? A loja está bem iluminada e tem espaço publicação trimestral “Prática Museológica” provêem muitapara as pessoas verem o seu conteúdo? informação prática sobre uma variedade extensa de assuntosÁ ao ar livre: Ter um espaço ao ar livre, como um jardim ou um rea pertinentes, tais como Serviços ao Visitante, Acesso, Projecto,espaço para objectos muito grandes ou pesados para entrarem no Etiquetas. O s museus que se tornam membros institucionaismuseu, pode ser imensamente benéfico para os visitantes. Permite recebem cópias gratuitas e têm acesso, na página da internet, aoa contemplação e reflexão e com a vantagem de mudança do arquivo de temas anteriores. 127
  • 136. Como Gerir um Museu: Manual PráticoAcolhimento do VisitantePor favor, contacte o Editor, Associação de Museus, 2 4 CalvinStreet, Londres E1 6 NW, http:/ / www.museumsassociation.org, Existe muita literatura relacionada com os serviços ao visitante,estudos do visitante e atendimento ao consumidor em áreas paraalém dos museus, inclusive serviços de lazer, turismo, patrimónioe cultura, e também gestão empresarial. 128
  • 137. A Educação do Museu no Contexto das Funções Museológicas Cornelia Brüninghaus-Knubel Directora do Departamento da Educação, Wilhelm Lehmbruck Museum, Duisburg, AlemanhaPara que servem os museus? Q ual o objectivo de todos os A educação contínua a pessoas de todas as idades, desdeesforços na recolha, restauro e exposição de objectos? Não é crianças muito pequenas a pessoas aposentadas mais velhas – decertamente apenas uma terapia ocupacional para curadores ou menos de três a mais de noventa e três anos - pode ocorrer nospara os que fazem recolha de campo. Também não é só sobre o museus: O indivíduo usufrui da oportunidade de uma visitaorgulho de representar a cultura de uma nação ou do património aberta, informal e de comunicação com outros (de certo modo,comum mundial. Na verdade, isto acontece para tornar público o diferente do teatro e dos concertos) enquanto os grupos têmconhecimento e acervo do museu, a pessoas de todas as idades e experiências diferentes das do seu ambiente de aprendizagemestatuto social e deixá-los participar no conhecimento e cultura. habitual. O s serviços educativos dos museus também aumentam ePor conseguinte, é importante que toda acção museológica tenha complementam a compreensão e o entretenimento do acervo ecomo objectivo servir o público e a sua educação. das exposições. Porque é uma parte crucial dos objectivos gerais O s museus acrescentam valores especiais à escola formal e do museu, a educação deve ser considerada como uma das metassistema de ensino universitário, como parte do sector educativo principais da política do museu. Sem este compromisso deinformal. Aumentam a educação formal e oferecem diferentes política, a educação do museu tende a ser vista como uma meramodos de aprendizagem, entretenimento e discussão. Todos os táctica de m arketing com vista a aumentar o número de visitantes.profissionais de museu, qualquer que seja o seu trabalho ouespecialização em particular, precisam de ter uma convicção forte Colecções e educaçãona necessidade de partilha, com tantas pessoas de todas as idades Levando em consideração todas as relações de funcionamentoou níveis sociais como possível, do conhecimento da importância interligadas do museu, as actividades educativas do museu têmde descobrir e compreender as raízes da humanidade e a sua acima de tudo, de ser consideradas em relação à natureza docriação de cultura, assim como o património natural do nosso acervo. Q uer seja composto por artefactos ou espécimes deplaneta. história natural, objectos técnicos ou material de reserva, todo o 129
  • 138. Como Gerir um Museu: Manual PráticoA Educação do Museu no Contexto das Funções Museológicasacervo requer uma análise séria e trabalho de equipa com o precedentes, actualmente, as pessoas estão muitas vezes a pontopessoal científico, para desenvolver uma orientação educativa de esquecer ou negligenciar a sua própria história e tradiçõesespecífica e adequada. Assim que os objectivos sejam definidos, culturais e a falta conhecimento sobre outras culturas e sobre opodem ser estabelecidos programas educativos para promover património mundial mais vasto. O museu é o local perfeito parauma melhor compreensão dos objectos e outros aspectos da promover e incentivar a consciencialização para o patrimóniocuradoria e missão científica do museu. natural, cultural e artístico, através da investigação levada a cabo Isto deve ser feito tanto para as sessões pedagógicas sobre a por museus e outros no estudo da cultura material e imaterial eeducação do museu como para a orientação educativa e conteúdo preservada pelo museu e pela oportunidade de educar osdas exposições e mostras, permanentes e temporárias. Cada passo visitantes.deve ser guiado tanto pela responsabilidade para com o visitantecomo pela natureza e mensagem das colecções e objectos. Desenvolver e G a Educação do M erir useuTambém a escolha dos objectos para as exposições e mostras Se o museu se identificar como uma instituição com umpúblicas dependem dos temas inerentes à colecção e ao mesmo compromisso social e educativo forte, o estabelecimento de umtempo de interesse público. Provavelmente, isto varia de acordo serviço educativo eficaz deve ser visto como normal. Há nãocom os vários grupos-alvos designados, com temas actuais e muito tempo, em 1 9 6 5 , a 8 ª Assembleia Geral do ICO Mparticulares ou com as necessidades específicas da sociedade. adoptou como política oficial do ICO M uma declaração que na O s objectos ou espécimes do acervo do museu têm todo o perspectiva do aumento significativo do papel educativo e culturaltipo de informação. Seleccione qual é pertinente para os seus dos museus, eles devem empregar pessoal especialista emvários grupos de visitantes e qual o conteúdo que é importante educação do museu – quaisquer professores qualificados, a quemtransmitir. Depois, utilize este conhecimento para decidir quais os deve ser dada formação adicional nas disciplinas básicas do museuprogramas a estabelecer e métodos pelos quais os processos de ou pessoal académico (inclusive de curadoria) a quem deve seraprendizagem possam ser realizados. dada formação adicional sobre métodos educativos. Infelizmente quase quarenta anos depois, a educação ainda é, Património e educação muitas vezes, considerada apenas de importância secundária.Além disso, para muitos museus, especialmente os relacionados Mesmo onde já exista um departamento especializado nacom a comunidade, o conhecimento de tradições locais e cultura educação, é normal que ocupe uma posição e estatuto inferior naregional é crucial para estabelecer uma política museológica que hierarquia departamental do museu. O s melhores exemplos decombine o trabalho educativo e curatorial do museu. O s vários museus direccionados para os visitantes tinham pedagogos demuseus preservam uma variedade extraordinária de património de museu designados e já a trabalhar na equipa de desenvolvimentovários tipos, por exemplo, reflectindo fontes e valores nacionais do museu muito antes da abertura oficial. No entanto, aindaou internacionais. Num período de rápidas mudanças sem existem muitos museus que sobrevivem sem qualquer 130
  • 139. Como Gerir um Museu: Manual PráticoA Educação do Museu no Contexto das Funções Museológicasdepartamento da educação. Mesmo quando ficam conscientes fazer parte do ensino e de outro trabalho educativo.sobre as suas obrigações para com o público e decidem criar um A experiência demonstra que enquanto um único oficial dadepartamento de educação, normalmente este inicia-se apenas educação for melhor que nenhum, uma pessoa não poderá levar acom uma pessoa. Espera-se que este profissional solitário realize cabo todas as tarefas necessárias, especialmente quando as escolas,todas as várias tarefas descritas acima. faculdades, pais e o público em geral reconhecem o valor dos Q ual deve ser o tipo de pessoa? Na maioria dos países, não programas educativos oferecidos pelo museu. É ineficiente eexiste qualquer formação especializada que prepare as pessoas pouco económico para um oficial de educação altamentepara a profissão de educação do museu. Ao invés, os melhores qualificado, ter que empreender trabalhos de secretariado depedagogos dos museus actuais são formados (normalmente pós- rotina, como fazer reservas, enquanto distribui material degraduados) em várias áreas diferentes ao longo das suas carreiras. publicidade ou imprime material de ensino e aprendizagem devidoMuitos estudaram o tema do museu para o qual trabalham - por à falta do apoio administrativo necessário.exemplo, arqueologia, biologia, historia, física ou estudos da É provável que a exigência do público aos serviços educativoseducação ou psicologia que providenciaram o conhecimento faça com que seja necessário contratar pessoal especializadopedagógico básico, por isso é vital que o educador seja respeitado adicional para orientar, ensinar e gerir os seminários e outrasacademicamente pelos seus/ suas colegas da curadoria. Além da actividades educativas. O pessoal trabalhador-independente ou aformação museológica é absolutamente necessário, ter cursos de tempo parcial pode empreender muitas destas funções medianteespecialização (pós-graduação) ou ter experiência como aprendiz contratos e supervisão adequada. Porém, este pessoal deve serno museu. Alguns cursos de formação de professor podem ser formado pelo oficial da educação ou outros especialistas parasatisfatórios, mas é importante compreender que a aprendizagem manter padrões de qualidade. Esta formação e contínuodo museu pode ser muito diferente da aprendizagem das escolas, desenvolvimento profissional devem abranger uma variedadeparticularmente onde o país tenha uma tradição de ensino e extensa de tópicos, inclusive conhecimento actual deaprendizagem escolar muito formal. aprendizagem da teoria e psicologia, e informação sobre novas Uma vez que o museu decida estabelecer um serviço educativo pesquisas relacionadas com o tema do museu, assim comoe encontre um candidato que satisfaça as condições para o gerir, comunicação, apresentação e qualquer outro aspecto especialo novo oficial da educação tem que elaborar uma estrutura e pertinente do trabalho, como artes históricas e técnicas. Por estesdecidir uma política e programa. Isto tem que ser realístico em motivos, o pedagogo do museu deve ser um líder ou gestor, mastermos do que pode ser realizado de acordo com a situação do também um verdadeiro elemento da equipa.museu, particularmente pessoal, tempo, espaço e recursos As redes de trabalho dentro e fora do museu são essenciaisdisponíveis. Como mínimo, um serviço educativo eficaz requer para o trabalho do pedagogo. Podem ajudar na orientação para oum director profissional a tempo inteiro, capaz de lidar com a público e podem ser uma fonte de novas alianças e assim alargar oadministração e aspectos administrativos do trabalho, assim como horizonte profissional do pedagogo e do serviço oferecido. Mais 131
  • 140. Como Gerir um Museu: Manual PráticoA Educação do Museu no Contexto das Funções Museológicas importante, podem facilitar a resolução de problemas. Aqui, asAvaliar os Princípios e Prioridades para uma Política e Programa redes de trabalho com outros profissionais de museu devem serde Educação do Museu enfatizadas, especialmente para pedagogos do museu sem experiência.Co m o cad a m u seu é d if er en t e, o p ed ag o g o d o m u seu , em A comunicação com outros trabalhadores do museu, tanto noco n su lt a co m o s co leg as d a cu r ad o r ia, p r ecisam d e f azer alg u m asp er g u n t as b ásicas ao an alisar e p lan ear o ser viço ed u cat ivo . Est as museu como em outro local, pode ser particularmente valiosad if er ir ão d e aco r d o co m as cir cu n st ân cias, m as p o d em in clu ir : relativamente à troca de ideias, aconselhamento e experiência. Estes esforços comunicativos mantêm o pedagogo de museuRelativamente à situação geográfica: informado dos assuntos actuais, estudos e discurso, permitindo- 1. Ser ve u m a co m u n id ad e g r an d e o u p eq uen a? o/ a deste modo, satisfazer as necessidades da profissão e dos que 2. O am b ien t e en vo lven t e é u r b an o , in d ust r ial o u r ur al? servem. 3. O m u seu r elacio n a-se d e f o r m a ef icaz, co m a sua sit uaçãog eo g r áf ica? As redes de trabalho podem unir-se a nível nacional (por exemplo, associação dos museus) ou internacional (i.e. ConselhoRelativamente à estrutura social e cultural da população: Internacional dos Museus (ICO M) e os seus comités 4. Co m o ser ão o s visit an t es p o t en ciais? internacionais especializados). Se nenhumas destas forem 5. Qu ais o s visit an t es e o u t r o s ut ilizad o r es q ue q uer em o s q ue ven h am ao m u seu e p o r q u ê? satisfatórias ou acessíveis, podem ser criadas outras redes por sua 6. Qu ais são as t r ad içõ es cu lt u r ais d a co m un id ad e: p o d em ser ligad as própria iniciativa. Para além de tal contacto profissional é ao s o b ject ivo s e p o lít icas d o m useu? necessário dedicar muito tempo e paciência a estabelecer 7. Qu ais são o s p r o b lem as co n t em p o r ân eo s co m q ue a co m un id ad e contactos pessoais localmente: como especialista em t em d e lid ar ? comunicação, o oficial da educação do museu pode unirRelativamente a aspectos museológicos: instituições e pessoas, grupos e indivíduos e desenvolver vias para 8. Qu ais são as car act er íst icas f un d am en t ais d as co lecçõ es? a cooperação. 9. Qu ais são as su as o r ig en s? 10. Qu ais são as o b r ig açõ es d o m useu p ar a co m en t id ad es ext er n as, Educação do museu e a comunidade co m o o Est ad o , cid ad e, o u t r as en t id ad es f in an ciad o r es o u Como instituição de interesse público e para uso público, o museu d o ad o r es? como um todo, precisa de estar situado intelectualmente noRelativamente a finanças: centro da sua comunidade local, nacional ou internacional. O 11. Qu ais as f o n t es d e f in an ciam en t o d isp o n íveis esp ecif icam en t e pedagogo do museu tem um papel particularmente importante a p ar a o t r ab alh o ed u cat ivo ? desempenhar, desenvolvendo os fundamentos da missão, políticas 12. Qu al a u t ilização m ais ef icaz d o o r çam en t o d isp o n ível p ar a a e programa do museu. Eles trazem uma perspicácia valiosa e ed u cação d o m u seu d isp o n ível? especial ao processo de fazer política, devido ao seu contacto. 132
  • 141. Como Gerir um Museu: Manual PráticoA Educação do Museu no Contexto das Funções Museológicas artigo idade gravação instituição vídeo programa de estudos notas do professor interesses exibição objectivos outro público solicitações o que mais para quem duração quantos dia da escola programas para quem quando quais os objectos ano da escola quais os tópicos dia do museu do museu quais os temas título ano do museu ligações/relações o quê com discussão pessoas o quê sem como palestra tempo diapositivos dinheiro jogos patrocínio desenhos materiais representação equipamento demonstração espaço folhas de trabalho manuseamento fabrico documentos Fig. 1. Asp ect o s n o p lan eam en t o e ad m in ist r ação d o s p r o gr am as m useo ló gico s (d e Eileen Ho o p er -Gr een h ill, Ed ucação d o Mu seu e Galer ia, Leicest er Un iver sit y Pr ess, 1991)íntimo com o público e um excelente conhecimento das visitantes, o pedagogo do museu tem que contribuir com o seuexpectativas e possíveis reacções dos vários grupos da sociedade, e conhecimento para a administração geral do museu, por exemploparticularmente com os jovens que também devem ser valorizados quando estão a ser discutidas novas exposições. Como parte dacomo futuros visitantes do museu. equipa, o pedagogo deve ser capaz de contribuir com informação Tal como o perito do museu em relação ao público, vital sobre a percepção, capacidade intelectual e interesses doscompreender as necessidades e desejos dos vários grupos de grupos de visitantes. Isto requer uma definição clara de quais os 133
  • 142. Como Gerir um Museu: Manual PráticoA Educação do Museu no Contexto das Funções Museológicasgrupos que serão abordados e como. A partir da análise de umobjecto ou de um grupo deles, têm que ser desenvolvidos Elaborar Programas Educativos: Princípios Básicosprogramas pedagógicos. 1. Co m ece p elo co n h ecim en t o e exp er iên cia d e vid a d o p úb lico . Podem existir muitas abordagens diferentes: para o visitante 2. Pr o vid en cie o p o r t un id ad es d e co n ver sação e d iscussão p ar a ajud ar o sindividual, quer seja adulto ou criança, grupos especiais ou est ud an t es a lid ar co m id eias n o vas e a d esen vo lver o s ar gum en t o sescolas. Todos estes já não devem ser considerados apenas d eb at id o s“consumidores” de cultura ou conhecimento, mas membros do 3. Exp o n h a exp er iên cias em p r im eir a-m ão p ar a o sen so co m um e a m en t e, in cluin d o :processo de aprendizagem. Consequentemente, a meta do a. Ob ser varpedagogo do museu deve ser a comunicação dos vários valores e b. Descr everaspectos da história cultural ou natural, da arte ou ciência, aos c. To carvisitantes de tal forma, que estes os compreendam e os possam d. Mo vercomparar com a sua própria experiência no campo. e. Desen h ar f. Jo gar Escolha dos M étodos de Ensino e A prendizagem da Educação do 4. Deixe o est ud an t e o u o ut r o visit an t e d esco b r ir as suas exp r essõ es M useu p esso ais so b r e o q ue eles exp er im en t ar am 5. Disp o n ib ilize o p o r t un id ad e e t em p o p ar a a exp lo r ação in d ivid ualPara transmitir o significado do objecto do museu e aumentar a 6. Plan eie q ualq uer p r o gr am a o u visit a ed ucat iva cuid ad o sam en t e,compreensão, podem ser utilizados vários métodos educativos. levan d o em co n sid er ação p o r exem p lo , o h o r ár io an ual d a esco la lo calAlguns métodos e meios visam um receptor passivo. Aqui, o e est ação d o an o e h o r a d o d iaprocesso de aprendizagem evolui através do pensar, perceber, 7. Dê t em p o ao gr up o p ar a se ajust ar ao n o vo esp aço d e en sin o e ap r en d izagem d o m useuexaminar, reconhecer. O utros, incentivam o visitante a envolver- 8. Tr ab alh e n a p r ep ar ação d o p r o gr am a an t es d a visit a (p o r exem p lo ,se activamente e a examinar as colecções, exposições ou o objecto p r é-visit as o u cur so s d e f o r m ação p ar a o s p r ó p r io s p r o f esso r es d acultural individual a ser estudado, através de uma actividade esco la, o u a in f o r m ação escr it a e o s m at er iais d e ap r en d izagemestética, técnica, social ou de pesquisa. d ist r ib uíd o s an t ecip ad am en t e) e ap ó s a visit a. 9. Avalie cad a visit a o u p r o gr am a o r gan izad o e co n sid er e as p o ssíveis alt er açõ es p ar a a p r ó xim a vez. Etiquetas Gerais e Legendas Individuais de ExposiçãoComo mínimo, devem existir informações sobre cada objectoexposto, por exemplo, classificação, função, origem, material, do contexto do objecto individual ou grupos de objectos. O sidade e conteúdos. Porém, hoje em dia a maioria dos museus grupos de estudo do museu, organizados, que visitam as galeriasoferece muito mais informação do que esta, com painéis com públicas provavelmente necessitam de material didáctico extratexto e legendas individuais e etiquetas de objectos que detêm pertinente ao grupo por idades ou especialização dos estudantesinformação mais completa sobre o assunto da exposição geral e 134
  • 143. Como Gerir um Museu: Manual PráticoA Educação do Museu no Contexto das Funções Museológicas pergunta-resposta, os pedagogos do museu utilizam actualmente vários métodos de interacção. A participação activa da criança em idade escolar ou de outro participante é incentivada, levando em conta todos os sentidos e incentivando a auto-expressão. Em vez de lhes explicar tudo, deixe-os explorar e descobrir, descrever e experimentar o que vêem. O pedagogo do museu ajuda-os a descobrir o significado para si próprios. Meios Auditivos e Audiovisuais Como substituto para os guias humanos, os museus estão a utilizar sistemas de guias auditivos: gravadores ou leitores de CD portáteis Fig. 2. Exp lo r an d o u m t r ab alh o d e ar t e n a exp o sição d a e auscultadores com comentários para uma visita individual a uma escu lt u r a n o Wilh elm Leh m b r u ck Museum Duisb ur g, Alem an h a exposição em particular ou aos destaques de todo o museu. Alternativamente, estes comentários e informações podem estarem questão. disponíveis em vários pontos das exposições através de altifalantes O especialista da educação do museu pode ser de grande ajuda ou outros dispositivos auditivos que fornecem comentários e sonsaos colegas do museu que estão a planear e a projectar mostras e gravados (por exemplo, vozes de animal, programas de rádioexposições, oferecendo aconselhamento especializado em assuntos históricos, musica) que contribuem para o conteúdo dacomo compreensibilidade, nível linguístico, tipografia e desenho exposição.gráfico, comunicação, e também sobre o valor de um objecto O s guias auditivos podem fornecer muita informação muitoparticular ou grupos de objectos dentro do conceito e objectivos facilmente, mas isto pode ser à custa da conversação eda exposição. comunicação normal entre os visitantes, uma vez que a utilização limitada de sons gravados pode contribuir para a exposição. O s Visitas Guiadas e Diálogo Educativo meios audiovisuais têm um elevado potencial na educação doEntre os métodos de ensino do museu, a abordagem clássica museu, se utilizados de forma correcta. A passagem deconfia em grande parte no discurso mediano. Porém, o estilo de dispositivos3 com sons, filmes e clipes de vídeo/ TV podemdiscurso formal tradicionalmente utilizado com adultos educados promover uma recepção eficaz. Uma vantagem dos meiosdeve ser substituído pelo diálogo ou conversação menos formal, audiovisuais é a sua capacidade para trazer a informação doespecialmente ao trabalhar com crianças, jovens e pessoas sem mundo real do museu, por exemplo, processos de trabalho,grau académico. Para se distanciar do padrão do estilo escolar 3 NT: slideshows 135
  • 144. Como Gerir um Museu: Manual PráticoA Educação do Museu no Contexto das Funções Museológicascomportamento humano ou animal e ilustrações do meioenvolvente onde foi recolhido o objecto. Espaços EducativosA promoção da educação no museu tem que ser realizada emconjunto com a disponibilização de espaços adequados para estetrabalho. Podem ser áreas de exposição que se focalizam emexposições educativas projectadas para ilustrar um tópico emparticular, salas de aula, espaços para seminários ou outras áreasde estudo que podem ser utilizadas para um maior período detempo, por escolas e outros grupos educativos, assim como pelovisitante individual. Normalmente são disponibilizados espaçoseducativos do museu, especiais, com informação e material deapoio que permite o exame intensivo e activo dos tópicos Fig. 3. Wo r ksh o p d e t r ab alh o m an ual em exp o siçãoabrangidos. p er m an en t e so b r e a t r ad ição lo cal d e f ab r ico d e p ed r a-p o m es n o Lan d esm useum Ko b len z, Alem an h a Meios Visuais e Informáticos sistemas de aprendizagem informáticos possam conter eEm muitos casos, os gráficos, como diagramas, mapas e disponibilizar muita informação, acarreta consigo o perigo defotografias podem ser muito úteis para ilustrar um conceito e desviar a atenção das próprias exposições e do objecto original.atingir uma coerência eficaz. Cada vez mais, os museus utilizamcomputadores para o mesmo propósito. Com terminais Exposições Didácticas/Educativasinformáticos com ligação de rede e PCs individuais que utilizam Em contraste com uma apresentação mais tradicional, focada nosoftware especial, os visitantes podem aprender interactivamente objecto, uma exposição didáctica ou pedagógica ésobre um processo técnico, artístico ou científico ou sobre factos frequentemente focada no argumento. Isto atinge-se assegurandohistóricos, com múltiplas escolhas de informação que o utilizador que (1 ) os objectivos educativos são proeminentes ao conceito,pode seleccionar. (2 ) os conteúdos, projecto e apoio educativo devem estar Cada vez mais, esta informação de apoio está disponível a relacionados intimamente com o argumento a transmitir, e quepessoas longe do museu através de ligações da Internet, e em (3 ) o grupo-alvo em particular, para o qual a exposição é dirigidaalguns casos, através de “visitas virtuais” de apoio educativo e de tem uma prioridade. Com exposições educativas, devem serprogramas de informação dos museus, que excedem actualmente utilizados principalmente estilos de ensino activos.o número de admissões actuais. Embora as informações e os 136
  • 145. Como Gerir um Museu: Manual PráticoA Educação do Museu no Contexto das Funções Museológicas Oficinas de Trabalho4 PráticasAs oficinas de trabalho de actividades que podem ser geridas portrabalhadores independentes, especializados nas suas áreas comoartistas de trabalho, cientistas ou artesãos oferecem aos visitantesa possibilidade de explorar técnicas relacionadas com o fabrico epreservação de bens culturais, ou levar a cabo pesquisa ouinvestigação científica. Por exemplo, as artes tradicionais como acerâmica, madeira e trabalho em metal, arte culinária, fabrico defogo ou outras tradições locais podem ser experimentadas eredescobertas. Fig. 5. Exp er im en t an d o t écn icas: Of icin a d e Tr ab alh o d e f ab r ico d e p ap el n a exp o sição “Vo m zum d e Br ei Buch ” (Da Po lp a ao Livr o ), n o Kin d er m useum d es Hist o r isch en Museum s, Fr an kf ur t , Alem an h a, 1998/99 A arte é melhor compreendida através da experiência das técnicas originais de impressão, desenho, pintura, escultura e fotografia. Utilizar um microscópio, escavar, tirar fotografias e sistematizar informações sobre os objectos para recolha de arquivo podem dar uma introdução ao trabalho científico. Por exemplo, na arte, estas sessões, talvez quase obras-primas, são especialmente para o jovem, um meio vivo de transmitir os princípios estéticos e de desenho (forma e cor, espaço e Fig. 4. Bo las d e sab ão : act ivid ad es d e “ap r en d er b r in can d o ” n a composição). Aqui, os primeiros passos, para uma promoção de exp o sição “Seif en b lasen ” d o Kin d er m useum Mün ch en , Alem an h a criatividade e sensibilização dos bens culturais, podem ser facilmente atingidos. Mas as oficinas de trabalho de pintura e4 desenho não pertencem apenas ao programa educativo de um NT: workshops 137
  • 146. Como Gerir um Museu: Manual PráticoA Educação do Museu no Contexto das Funções Museológicasmuseu de arte: elas têm também o seu próprio local em museus Jogos de Aprendizagemde história natural e cultural. Transferir os objectos observados e Para as crianças, jogar um jogo imita as regras do mundo real.o conhecimento adquirido para uma forma artística podem Assim, os jogos e as brincadeiras podem ter um lugar importanteaprofundar a aprendizagem e a experiência sensitiva. no processo de aprendizagem. O s jogos de competição, jogos de habilidade, quebra-cabeças, questões, jogos históricos, etc., Exposições e Apoios Tácteis podem ser todos transferidos com sucesso para os contextos doAlguns museus incentivam o visitante a tocar em objectos reais museu.culturais seleccionados numa colocação controlada, tais comonuma exposição especial ou numa prancha com espécimes para D emonstrações Educativastocar ou providenciam amostras para manuseamento dos O s especialistas como artesãos, artistas, técnicos ou restauradoresmateriais cujo objecto foi feito, por exemplo, pedra, pele de podem demonstrar as suas artes e trabalho artístico no museu. O sanimal ou têxteis. Estes podem ser de valor inestimável, não só actores ou pedagogos talentosos podem fazer o papel de umapara os estudantes e os visitantes cegos ou parcialmente cegos, figura histórica. Aqui, a interacção com os visitantes é crucial.mas também para trabalhos com crianças. Desempenho de Papéis5 e Teatro do Museu Na educação do museu, o desempenho de papéis é normalmente uma experiência improvisada estruturada por direcções e orientações do líder do projecto (como o oficial da educação do museu) relativo ao carácter ou à história a representar, mas sem um enredo e direcção formal da acção. O tema para o desempenho de papéis num museu pode ser a improvisação do que pode acontecer após a cena descrita numa pintura ou numa representação de eventos históricos. O visitante pode misturar as interpretações do seu mundo contemporâneo com o contexto histórico. Esta forma de jogo pode ser incluída facilmente numa visita guiada e pode incluir os visitantes: isto é especialmente importante no trabalho com crianças e adolescentes. Para além Fig. 6. Visit an t e ceg o , ap r ecian d o a escult ur a d e Ossip Zad kin e disso, cada vez mais museus utilizam actualmente mais t o can d o -a co m as su as m ão s. Wilh elm Leh m b r uck Museum Du isb u r g , Alem an h a 5 NT: Role-play 138
  • 147. Como Gerir um Museu: Manual PráticoA Educação do Museu no Contexto das Funções Museológicasdesempenho teatral formal nos seus programas, utilizando ao “Kits” de Ensinomesmo tempo normalmente actores profissionais e a participação O s apoios educativos e os conjuntos de espécimes para tocarde crianças/ estudantes numa base de desempenho de papéis. podem ser reunidos em caixas, malas ou qualquer outro tipo de recipiente. Podem ser utilizados no museu como material pedagógico pelos próprios pedagogos ou como auto-explicação pelo próprio visitante. O s equipamentos pedagógicos também podem ser utilizados fora do museu como parte do serviço de empréstimo às escolas. Fig. 7. Desem p en h o d e Pap éis: escr ever co m o um m o n ge d o s t em p o s m ed ievais. Exp o sição “Vo m zum d e Br ei Buch ” (Da Po lp a ao Livr o ), n o Kin d er m useum d es Hist o r isch en Mu seu m s, Fr an kf u r t , Alem an h a, 1998/99 Tableau Vivant6 Fig. 8. Mat er ial d e em p r ést im o d o Kit so b r e a cult u r aAqui, os membros do grupo recriam pinturas e esculturas de ín d ia d a Am ér ica d o No r t e, Raut en st r auch -Jo estpessoas e grupos de pessoas, talvez utilizando réplicas dos trajes Museum f ür Vö lker kun d e, Kö ln , Alem an h ailustrados. Através desta experiência física, a postura, gestos e a O material que normalmente é reunido nestes kits focaliza-seexpressão facial podem ser melhor compreendidas e interpretadas em temas específicos relacionados com o acervo e programa geralem relação a si próprios. dos museus e oferece vários suplementos e apoios de aprendizagem, como informação escrita, desenhos, gravações de vozes ou música, réplicas, matéria-prima para ser tocada ou6 NT: Quadro vivo 139
  • 148. Como Gerir um Museu: Manual PráticoA Educação do Museu no Contexto das Funções Museológicasutilizada em trabalhos criativos, jogos, instruções de “como fazer” preservam, demonstrando que existe um trabalho real e excitantee folhas de trabalho. a ser realizado no museu. “Passeios de C ampo/D escoberta” (ver também a secção seguinte Programas de A poio de Eventos Educativos sobre Actividades Extra-M urais) (ver também sobre a Educação Informal)Q uando relacionadas com a exposição e tema da colecção, os O serviço educativo do museu também pode organizar e“passeios de campo” podem aumentar o foco do visitante para promover um programa de apoio para completar e aumentar asalém das paredes do museu, por exemplo, em visitas organizadas exposições ou mostras regulares ou temporárias. Estes incluema grutas e pedreiras relacionados com colecções geológicas; visitas frequentemente projecção de filmes e vídeos, peças de teatro ea monumentos, estátuas públicas e edifícios históricos relacionados concertos, discursos, cursos e conferências.com os museus de arte e cultura ou locais de escavações como Publicações do museuparte do programa educativo dos museus arqueológicos. Estes As informações sobre o acervo ou uma exposição temporáriatambém oferecem a oportunidade para conhecer pessoas também podem ser transmitidas através do método clássico, uminteressantes cujas profissões são pertinentes ao museu. Tais livro, brochura ou catálogo. O texto e as ilustrações podemactividades podem dar uma viva impressão de como os objectos consolidar o conhecimento e reactivar a experiência da exposição.de uma colecção estão relacionados com as vidas e actividades É importante que o museu tenha em atenção os leitores edos concidadãos. utilizadores pretendidos: as publicações, guias e catálogos para A ctividades de “Recolha/Documentação/Mostra” crianças e adolescentes têm de ser projectados adequadamente.A própria instituição do museu pode ser de interesse público, e O s textos devem ser compreensíveis e divertidos e p odem incluirnão apenas o próprio bem do museu. Sob este título, alguns banda desenhada e figuras. Em contraste, o leitor mais avançadomuseus desenvolveram uma actividade que leva o visitante aos apreciará informação e interpretação mais completa e também os“bastidores” do museu. Na instalação ou no projecto em mãos de resultados da investigação mais avançada realizada pelos curadoresuma exposição didáctica, as técnicas museológicas como a ou especialistas externos.recolha, investigação e exibição podem finalmente ser exploradas. Actividades Extra-MuraisO programa pode incluir entrevistas com os vários representantes Programas In Situ7das profissões dos museus, que observam e possivelmente Actualmente, o museu é considerado como uma instituição queparticipam em actividades de trabalho, desempenho de papéis ou deve ter uma relação forte e responsabilidade para com arestabelecimento do trabalho de museu como recolha, montagemde uma exposição, lidar com as dificuldades (por exemplo, roubo 7ou danos). Pretendem dar ao grupo educativo muito mais NT: da versão inglesa original “outreach programmes” – actividades de uma organização no contacto e fornecimento de um serviço ou aconselhamento às pessoas de uma comunidade,perspicácia sobre o valor dos museus e do seu património que especialmente fora dos seus centros habituais. 140
  • 149. Como Gerir um Museu: Manual PráticoA Educação do Museu no Contexto das Funções MuseológicasTipos de Material Didáctico normalmente utilizado em Museus sociedade. Tem que servir um público muito vasto e diverso, desde os utilizadores regulares entusiásticos e partidários, aos queOs m at er iais d e ap o io ao p r o cesso d o cu r r ícu lo f o r m al e exam esão u m p ed id o co m u m d as esco las. No en t an t o , t am b ém p o d em conhecem pouco ou nada do museu e do que este oferece e queser u t ilizad o s ap o io s p ed ag ó g ico s esp ecialm en t e p r ep ar ad o s em nunca visitam as instalações do museu. Em outros casos, a falta deest r ut u r as ed u cat ivas p assivas e act ivas, co m o u sem o r ien t ação interesse aparente ou de utilização do museu pode dever-se ap esso al d o p ed ag o g o d o m u seu , p ar a cr ian ças e est u d an t es d e dificuldades da acessibilidade geográfica ou à falta de sistemas det o d as as id ad es, d esd e o jar d im -d e-in f ân cia à ed u cação f o r m al e transporte adequados. Também as comunidades e os indivíduosin f o r m al d e ad u lt o s. economicamente desfavorecidos podem não poder dispor deExem p lo s d e t ip o s d e m at er ial p r o d uzid o s p ar a u t ilização in d ivid ual, tempo ou dinheiro para viajar até ao museu.in clu em : Fo lh as d e t r ab alh o O s programas in situ podem preencher esta falha, oferecendo Jo g o s d e ap r en d izag em im p r im id o s em car t azes gr an d es oportunidades de experiência e aprendizagem a escolas e Jo g o s d e car t as e d ad o s indivíduos que moram em locais sem museus, por exemplo áreas Teat r o s-m o d elo Livr o s e cat álo g o s d e b o lso rurais ou remotas. Pretendem alertar o público sobre o valor do Qu est õ es museu e dos seus serviços com o objectivo de que eventualmente Mat er iais d e ar t es e o f ício s Disp o sit ivo s au d io visu ais (leit o r es d e CD, gr avad o r es áud io , gr avad o r es será atraído para no futuro visitar o museu. d e víd eo e m áq u in as f o t o g r áf icas) O s autocarros ou carrinhas, com pessoal do museu ou talvez Ob ject o s e m at er ial p ar a t o car , ch eir ar , p r o var com voluntários ou professores locais formados pelo museu,Par a além d est es, o p ed ago g o d o m u seu p o d e u t ilizar o s podem ser utilizados para transportar unidades móveis queseg u in t es ap o io s n o seu en sin o , p ar a aju d ar a exp licar e contêm objectos e material educativo relacionados com a missãoap r o f u n d ar o co n h ecim en t o além d o o b ject o d o m u seu : do museu e organizados sob a forma de exposições ou actividades Qu ad r o s Diag r am as educativas de todos os tipos, como workshops, teatro do museu Map as ou kits de espécimes tocáveis. O valor educativo do programa é Acet at o s garantido pela contribuição conceitual e gestão profissional dos Co n ju n t o s d e d iap o sit ivo s Ap r esen t açõ es em Po w er Po in t e o ut r o s p r o gr am as in f o r m át ico s pedagogos do museu. sem elh an t es O s departamentos educativos dos museus empregam pessoas Text o s formadas e empenhadas (professores e outros pedagogos, Plan o s d e au la Film es projectistas, artesãos e outros especialistas) que podem trabalhar Págin a d a in t er n et d o m u seu so b r e o en sin o e ap r en d izagem com os vários grupos-alvo. Faz sentido enviar estes peritos para Rep r o d u çõ es e r ép licas fora do museu para trabalharem nos vários institutos vizinhos, Kit s p ed ag ó g ico s (o m u seu n u m a m ala, un id ad es p ed agó gicas m ó veis co m vár io s m at er iais e m eio s) centros da comunidade, com grupos minoritários ou nas escolas. 141
  • 150. Como Gerir um Museu: Manual PráticoA Educação do Museu no Contexto das Funções Museológicas Fig. 9. Car r in h a d o m u seu d o Mu seu Nacio n al em Gab o r o n e à ch egad a Fig. 10. En sin o co m o b ject o s d o Museu n a sala d e aula n um a d e u m a ald eia r em o t a n o Bo t su an a p ar a um p r o gr am a in sit u . ald eia r em o t a n o d eser t o d e Kalah ar i n o Bo t suan a. As bibliotecas locais, paços do concelho, escolas, edifícios pacotes de ensino sob a forma de versões em miniatura decomunitários ou outras jurisdições públicas, servem todos como mostras educativas. O s kits de empréstimo têm de serespaços temporários para receber estas mostras, mas o próprio armazenados, divulgados aos seus utilizadores potenciais, geridos eautocarro ou camião pode estar preparado como sala de mantidos em boas condições. Para além disso, muitos dos serviçosexposição móvel. O s programas pedagógicos são frequentemente de empréstimo do museu deste tipo, também oferecem às escolasprojectados em conjunto com organizações da comunidade local e a outros utilizadores, um serviço de entrega e de acervo.que podem disponibilizar pessoal para trabalhar com a exposição Assim, o serviço de empréstimo pode envolver uma carga deitinerante ou outro programa in situ. No entanto, quando estes trabalho significativa e por esse motivo envolve custos, que têmprogramas incluem espécimes originais, devem ser seguidos os de ser levados em consideração no planeamento deste serviço.procedimentos profissionais de segurança devidos. O utra forma in situ é o desenvolvimento de serviços de Recolha de Campoempréstimo, os quais podem providenciar em menor escala uma Ao seguir as ideias educativas contemporâneas que dão ênfase à aprendizagem através da experiência, o passeio de campo escolarversão do “museu móvel” ou “autocarro-museu” descrito. Com também pode ser adoptado como parte do programa educativoeste objectivo, os kits de material original ou por exemplo, os 142
  • 151. Como Gerir um Museu: Manual PráticoA Educação do Museu no Contexto das Funções Museológicasdo museu. Todas as colecções do museu são de origem exterior de teatro ou dança podem ser mais amplos e inspiradores aoao museu, em muitos casos localmente, por isso por que não serem apresentados, rodeados por objectos do museu.seguir as suas origens? Estes projectos podem fornecer uma O utro meio para atrair um público novo para o museu é oexperiência ao vivo, dando uma outra visão, por exemplo da convite de artistas famosos para um desempenho e comoescavação arqueológica e métodos arqueológicos do local onde os resultado atrair os seus fãs. As conferências e simpósios queobjectos do museu foram encontrados. envolvem os curadores e outros especialistas também são Durante a recolha de campo arqueológica, geológica ou frequentemente organizados em tópicos de interesse do museu:biológica, os estudantes e voluntários podem recolher e catalogar estes podem aprofundar o conhecimento e promover a discussãoespécimes, de forma que o participante se envolve activamente no de argumentos.processo de aprendizagem com o resultado de conhecimentosustentável. O s passeios organizados pelo museu a monumentos elocais, a outros museus e lugares para conhecer personalidadesinteressantes como os artistas nos seus estúdios ou os cientistasnos seus laboratórios ou estações arqueológicas, visam, não só, osgrupos escolares, como também os adultos interessados. Nestescasos, os pedagogos do museu actuam como projectistas doprograma, relacionando o museu ao mundo externo. Educação Informal Eventos e Actividades de Tempo LivreAlém de também serem educativos, os museus não são apenas umenorme local para a educação mas são também um local deentretenimento. As instalações do museu podem ser bonitas oupor outro lado, de grande interesse próprio. As colecções e as Fig. 11. Caixa-Museu p ar a f am ílias in d ivid uais q ue visit am o s m useus: jo go s p ar a d esco b r ir t r ab alh o s ilust r at ivo s, Wilh elmexposições podem criar um ambiente completo de imaginação e Leh m b r uck Museum Duisb ur g, Alem an h aemoção que pode ser apreciado pelo público. Assim, asactividades e eventos culturais e de entretenimento podem ser A partir do momento em que o museu passa a ser conhecidointegrados no programa. O utras formas das artes contribuírem por ter estes programas vários e chamativos, deve atrair grupospara um conceito de cultura mais vasto. Por exemplo, os mais sociais, por exemplo, instituições, empresas, associações eprogramas, incluindo leituras de poesia e desempenhos musicais, grupos de trabalho ou grupos de estudantes. Graças às suas 143
  • 152. Como Gerir um Museu: Manual PráticoA Educação do Museu no Contexto das Funções Museológicascapacidades, o pessoal do museu pode oferecer-se para projectareventos especialmente elaborados para as necessidades e interessesde tais grupos e isto pode ser uma oportunidade para o museuganhar um pouco de dinheiro e atrair ainda, um público maisvasto. No entanto, o museu tem que considerar cuidadosamentede que forma qualquer evento particular está relacionado com asua própria missão e objectivos.Isto não é um assunto apenas para os pedagogos do museu e paraos responsáveis pelas relações públicas: estas questões pertencemao âmago dos objectivos e políticas do museu e é provável que odirector e a administração de topo, possivelmente o órgãoadministrativo, necessitem de ser envolvidos para estabelecerempolíticas e directrizes para tais programas. Hoje, os jovens e os adultos escolhem actividades de tempolivre de qualidade e procuram recompensas e modos interessantesde passar o seu tempo. O s museus estão aptos a conhecer taisnecessidades através da aprendizagem activa. O ferecemoportunidades de ocupação de modo agradável, com conceitosrelacionados com o conhecimento. Por isso, os pedagogos do museu precisam de elaborar umavasta variedade de programas formais e informais, significativos eao mesmo tempo de entretenimento, de forma que até mesmodepois de um dia na escola ou no trabalho, a participação emworkshops, cursos ou eventos no museu lhes providencieexperiências que aumentem a sua qualidade de vida. 144
  • 153. Gestão do Museu Gary Edson Director Executivo, Museu da Universidade Técnica do Texas, Lubbock, Texas A maioria dos museus existe para benefício público, e para ter que normalmente toma muitas das decisões chave sobre o modo êxito, todos os aspectos das suas operações devem reflectir essa como o museu é organizado, os serviços que disponibiliza, e as obrigação e compromisso. Q ualquer organização que funcione pessoas que serve. Noutras tradições, a “administração” de uma para o interesse público tem que gerir correctamente os seus maneira ou de outra é considerada como uma parte importante negócios, mas os museus como “guardas” do património cultural, do trabalho e responsabilidades da maioria do pessoal profissional, natural e científico de um povo, região ou nação, têm a e provavelmente dos técnicos mais seniores, e não só do director responsabilidade específica de funcionarem, quase tanto quanto e dos seus ou suas colaboradoras e talvez um ou dois possível, de forma perfeita. O s museus que funcionam ou são departamentos administrativos, como o das Finanças e o do mantidos como parte da estrutura governamental, exige-se Pessoal. Por exemplo, no Reino Unido, actualmente o governo normalmente que funcionem de acordo com o sistema de gestão classifica quase 3 0 % dos trabalhadores de todo o país, como do órgão administrativo. Dentro desta limitação, porém, o museu tendo responsabilidades de administração significativas, e desde há deve manter os próprios sistemas e procedimentos operacionais relativamente pouco tempo, desde 1 9 6 4 , a formação formal em que seguem ao mesmo tempo, as práticas museológicas aceites. administração tem vindo a ser uma parte importante da estrutura O s directores provêem liderança, perspectiva e orientação que de qualificação nacional para os curadores do museu e outros fazem parte de uma boa administração. profissionais de museu. Em algumas tradições nacionais, a administração é utilizada Normalmente, o director é contratado ou designado pela para descrever o nível de autoridade dentro da estrutura autoridade administrativa, como um conselho de fiduciários, institucional onde são tomadas as decisões importantes. O gestor conselho de administração, Ministro da Cultura ou o governo mais sénior pode ser conhecido através de outros nomes como regional ou da cidade. O s poderes do director dependerão muito director ou oficial de chefia executivo (O CE) 8 , e é esta pessoa da legislação e regulamentos nacionais ou locais. Alguns directores têm a autoridade para tomar decisões operacionais do dia-a-dia,8 incluindo a contratação e disciplina do pessoal, enquanto sob NT: da versão inglesa original: “CEO - chief executive officer”. Em português, a forma mais comum destecargo é designada como Presidente ou Administrador. 145
  • 154. Como Gerir um Museu: Manual Prático Gestão do Museu outros sistemas esta responsabilidade pertence ao serviço de EXEMPLO DE POSSÍVEL EXERCÍCIO PRÁTICO pessoal do governo ou da cidade. É muito importante que todos aqueles com responsabilidades Exercício 1: Em r elação ao seu p r ó p r io m u seu , in vest ig u e e de administração neste sentido mais vasto compreendam os r esu m a a leg islação e r egu lam en t o s n acio n ais e lo cais p r in cip ais sistemas e estruturas administrativas e legislativas que se aplicam às q u e af ect am as o p er açõ es d o m u seu e a g est ão d o m u seu suas circunstâncias, assim como às legislações e regulamentos (in clu in d o a g est ão f in an ceir a e d e p esso al) apropriados e sob os quais têm que trabalhar. Na prática, estes variarão de país para país, e várias décadas depois da descolonização é mesmo comum pensar que a maioria dos factores que contribuem para o sucesso contínuo dos museus, um princípios e práticas administrativas e legislativas estabelecidas pelo dos mais importantes é a criação de uma equipa aderente e eficaz. anterior poder colonial ainda estão em uso e ainda afectam Sustentar esta equipa requer liderança, visão e um significativamente a administração do museu e a prática compromisso para o valor do esforço da equipa. A função mais profissional. poderosa de um gestor eficaz é inspirar outros a fazerem parte da No mundo árabe, por exemplo, ainda existem bastantes equipa. A transferência de poder de um ou mais para muitos diferenças administrativas, legislativas e até mesmo filosóficas envolve a delegação de tarefas e a partilha de responsabilidade. entre as antigas colónias e mandatos franceses, como a Argélia, A gestão eficaz do museu é uma responsabilidade que envolve Síria ou Líbano, e antigos territórios britânicos, como o Iraque ou todos os recursos e as actividades museológicas e todo o pessoal. Israel/ Palestina, enquanto são existem diferenças semelhantes na É um elemento necessário no desenvolvimento e progresso do África Subsaariana, Caribe, etc. Também existem grandes museu. Sem gestão própria, um museu não pode providenciar a diferenças de país para país na língua utilizada: a mesma palavra preservação e a utilização adequada do acervo, nem pode manter “gerência” 9 , actualmente universal em países de língua inglesa é e apoiar uma exposição e um programa educativo eficaz. Sem muito mais provável designar-se como “administração” 1 0 ou talvez uma gestão qualificada, pode perder-se o interesse e a confiança “gestão” 1 1 num país francês, espanhol ou italiano com tradição de pública e o reconhecimento e valor do museu, como instituição serviço público. ao serviço da sociedade, pode ser posto em perigo. Necessita de O papel fundamental da gestão do museu é apoiar a ser uma reflexão a um alto nível de desenvolvimento social com organização, independentemente do seu tamanho ou pessoal com várias competências educativas e de tomadas de complexidade, alcançando resultados consistentes para que a decisão. missão institucional possa ser articulada e cumprida. De todos os O museu moderno deve ser uma instituição informativa, profissional, sistemática (na conservação do acervo), agradável, e9NT. Versão original do inglês: “management”. socialmente activa, e discutivelmente os métodos tradicionais e as10 NT. Versão original do inglês: “admnistration”. práticas de administração estão a ficar cada vez mais obsoletas.11 NT. Versão original do inglês: “gestion”. 146
  • 155. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do Museu trabalho a ser feito, (3 ) decidir o método de trabalho a serVários tipos de museus baseados nas suas entidades ou realizado, e (4 ) gerir a relação entre as pessoas que fazem oorganizações de autorização, gestão e financiamento: trabalho e os outros elementos do museu. Estas actividades 1. Go ver n o - m u seu s q u e são est ab elecid o s e ger id o s p o r en t id ad es podem ser realizadas directa ou indirectamente, dependendo do g o ver n am en t ais lo cais, r eg io n ais o u n acio n ais. tamanho e extensão do museu, mas elas são, no entanto, 2. Pr ivad o - m u seu s f un d ad o s e ger id o s p o r in d ivíd uo s o u fundamentais ao processo de gestão. O s museus de cada país têm o r g an izaçõ es p r ivad as, p o ssivelm en t e p ar a lucr o co m er cial, que direccionar muitos dos mesmos assuntos (ou oportunidades) 3. Mu seu s d e f u n d açõ es, en t id ad es e so cied ad es n ão -lucr at ivas, apesar do tamanho da instituição, fonte de rendimentos, acervo (co n h ecid o s n a In g lat er r a co m o “m useus in d ep en d en t es” ou visitantes. 4. Mu seu s u n iver sit ár io s lig ad o s a f aculd ad es o u un iver sid ad es e n o r m alm en t e est ab elecid o s e m an t id o s p ar a f in s ed ucat ivo s d a Para entender melhor o processo de gestão do museu, pode u n iver sid ad e, ap esar d e m u it o s t er em um p ap el p úb lico ser importante adquirir maior discernimento sobre os métodos de im p o r t an t e. operação dos museus, e em particular quem ou o que autoriza o museu e a quem eles devem informar.Os m u seu s e en t id ad es sem elh an t es d e o r g an izaçõ es e .est ab elecim en t o s r elig io so s n o r m alm en t e p er t en cem ao g r u p o Estrutura de Gestão(3) acim a, excep t o n o s caso s em q u e são d a r esp o n sab ilid ad e d eu m m in ist ér io d o g o ver n o p ar a a r elig ião o u u m ó r g ão r elig io so Um assunto crucial da gestão é documentar a estrutura sob a qualf in an ciad o p elo est ad o , em q u e n est e caso p r o vavelm en t e são o museu é autorizado, governado e apoiado. Este processo muitom elh o r d esig n ad o s co m o m u seu s d o g o ver n o . básico é valioso para os museus existentes ou formados recentemente. Frequentemente a estrutura de gestão baseia-se em práticas anteriores mas falta uma documentação clara. Um Para fazer frente a muitos desafios novos, a gestão do museu simples diagrama ou um quadro organizacional podem serprecisa de compreender e aplicar os princípios de gestão utilizados para demonstrar as linhas de autoridade e a troca decontemporâneos retirados da pesquisa e a “melhor prática” em informação.negociação e gestão do serviço público através de vários campos, A maioria dos museus tem uma estrutura de gestão que incluiinclusive economia, legislação, psicologia, sociologia, informação e pelo menos três componentes - gestão, curadoria e actividades.tecnologia de comunicações e gestão de serviços de condomínio. Todos os elementos do museu podem ser as responsabilidades deExistem vários modelos diferentes a considerar, e não menos em uma pessoa ou podem acomodar muitas pessoas. Esta estruturarelação às abordagens legais e culturais do país em questão, mas a organizacional tripartida permite a distribuição de várias tarefas.preocupação para o processo de gestão usufrui actualmente de Pode ser ampliada para facilitar o aumento de actividadesigual importância na maioria dos países. enquanto mantém as linhas de comunicação directas e um O s aspectos fundamentais de uma boa gestão são: (1 ) procedimento de informação facilmente compreensível. Oseleccionar o pessoal certo para o trabalho, (2 ) determinar o 147
  • 156. Como Gerir um Museu: Manual Prático Gestão do Museu Autoridade administrativa controlo orçamental, a angariação de fundos e as relações públicas e m arketing são frequentemente uma parte da gestão institucional Director / Gestor que responde directamente ao director/ gestor. A questão importante é ter uma estrutura claramente definida com linhas de Curatorial Operacional comunicação estabelecidas. Todo o pessoal do museu deve saber onde se encaixam na organização e um simples diagrama pode Curador Curador de Curador de Divisão da Divisão da Divisão das mostrar a relação deles com os outros membros do pessoal. O de Arte Antropologia História Segurança Educação Exposições quadro organizacional é um mapa que define o sistema e descreve o fluxo de trabalho do museu e demonstra a atitude Gestor do Gestor do Gestor do Docentes Pessoal da Preparadores Acervo Acervo Acervo Segurança organizacional da instituição. Na estrutura organizacional mais comum, a autoridade Secretariado administrativa está no topo seguida imediatamente pelo director/ gestor. O resto do pessoal é organizado abaixo, deEst a est r u t u r a o r g an izacio n al h ier ár q u ica sim p lif icad a, p o sicio n a o acordo com a sua relação com as divisões primárias do museu.d ir ect o r /g est o r lo g o d ep o is d a au t o r id ad e ad m in ist r at iva e o r est o d o p esso ald o m u seu, ab aixo . A est r u t u r a “in t er m éd ia” t em p o uco s m em b r o s d o p esso al Esta disposição é conhecida como estrutura hierárquica que podeq u e r esp o n d em d ir ect am en t e ao d ir ect o r /gest o r . Exist em ap en as d uas resultar numa abordagem autoritária ou vertical da gestãop esso as n as p o siçõ es “m éd ias”d e g est ão . institucional. A segunda disposição, frequentemente designada de estrutura horizontal, abrange toda a linha de contacto com o Autoridade administrativa director/ gestor para dar a todo o pessoal, igual acesso. Director / Gestor Uma terceira alternativa que cada vez mais se está a tornar comum é a estrutura m atriz. Ao pessoal, em particular, ao pessoal de topo, são atribuídas responsabilidades “verticais” para uma Curador Curador de Curador de Divisão da Divisão da Divisão das especialização académica ou uma determinada especialização de Arte Antropologia História Educação Segurança Exposições profissional e para o seu pessoal como habitualmente. Mas, para Gestor do Gestor do Gestor do Docentes Pessoal da Preparadores além disso, eles têm a responsabilidade de gerir um tema Acervo Acervo Acervo Segurança específico que atravessa todas ou quase todas as barreiras das Secretariado estruturas do museu e do seu pessoal provavelmente através de um grupo de trabalho interno ou de um comité interdisciplinar.Est a est r u t u r a o r g an izacio n al h o r izo n t al sim p lif icad a p o sicio n a o Por exemplo, o curador sénior da arqueologia, responsável pord ir ect o r /g est o r lo g o d ep o is d a au t o r id ad e ad m in ist r at iva. Aum en t a o n úm er o gerir todo o pessoal arqueológico, acervo e serviços, tambémd o p esso al q u e t em acesso d ir ect o ao d ir ect o r /gest o r , e p o r co n seguin t eau m en t a o n ú m er o d e p esso as n as p o siçõ es “m éd ias” d e gest ão . pode liderar um grupo de trabalho responsável para desenvolver e 148
  • 157. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do Museumanter o plano de desenvolvimento estratégico de todo o serviço, hierarquia de pessoal têm a grande responsabilidade de manterenquanto o curador sénior de história natural pode ter uma cada pessoa da sua equipa, envolvida e apreciada, para queresponsabilidade do museu mais alargada sob o director da contribuam de boa vontade com os seus melhores esforços para opolítica da tecnologia da informação e comunicação e a sua bem do museu. Em resumo, todos os membros do pessoal devemimplementação. compreender que têm um papel significativo, ao tornar o museu, Apesar dos pormenores da disposição organizacional, no final, um contribuinte próspero para o eleitorado a quem prestatodos os elementos convergem para o director que é a ligação serviços.entre a autoridade administrativa e o pessoal. A estrutura actual Além da boa prática, o trabalho de equipa incentiva avaria, mas deve estar bem definida e deve-se ter cuidado no comunicação aberta e reduz os erros. Como resultado, osenvolvimento do pessoal de forma a atribuir-lhes alguns papeis indivíduos trabalham e aceitam ideias novas. O potencial para acomo decisores. Um modo para promover esta troca é ter um mudança aumenta e a renovação institucional é estimulada.comité de aconselhamento de gestão. Isto permitirá aos membros Existem muitos resultados positivos de autorização do pessoal.do pessoal reunirem-se regularmente, com o director e outros Um ambiente de franqueza e respeito mútuo é uma marca degestores de topo, para discutirem assuntos relacionados com as qualidade oficial de boa gestão, e isto tem que começar pelo/ aactividades operacionais. director/ a. Nos museus, como em todas as outras áreas da vida profissional, quando os gestores perdem a percepção da missão Trabalho de Equipa do museu, e pelo contrário, estão obcecados com assuntosComo já mencionado, os métodos e estruturas de gestão do relacionados com a organização como uma entidade independentemuseu tendem a reflectir as práticas prevalecentes da legislação do seu propósito, eles e a sua organização, provavelmente estãonacional, organização, conceitos de negócio e níveis de em rumo para o fracasso da gestão.desenvolvimento. Porém, actualmente reconhece-se que apesar Um elemento básico da formação e gestão da equipa é adestas influências, a estrutura organizacional e de gestão do museu confiança, que é mais que uma noção de acção legal ou ética. Aprecisa de promover um espírito de trabalho de equipa, confiança é a criação de relações positivas, ambas dentro e foracomunicação interna aberta e um sentido de propósito geral do museu. Facilita um sentido de segurança intelectual eaceite. Por este motivo, uma boa gestão do museu é também emocional baseado no respeito mútuo, honestidade e lealdade. Asobre o desenvolvimento do trabalho de equipa, desenvolvendo a confiança promove a troca aberta, avaliação construtiva e apercepção institucional e criando um ambiente onde todos os realização criativa. Estes elementos influenciam a capacidade domembros do pessoal possam trabalhar de forma eficaz e eficiente museu para atingir as suas metas. Um compromisso partilhadoem conjunto para atingir as metas institucionais. A formação da com respeito pelas qualidades individuais, mantendo umaequipa estende-se para além da gestão do museu ou do escritório comunicação aberta e promovendo a missão institucional édo pessoal. Todos os gestores, supervisores e líderes ao longo da 149
  • 158. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do Museuessencial para um museu funcional, de pensamento no futuro ecom orientação profissional. ESTILOS DE LIDERANÇA DE DIRECTORES E OUTRO PESSOAL DE TOPO Responsabilidade Pública TRADICIONAL: ―LÍDER ABSOLUTO‖ MODERNO: ―LÍDER DE EQUIPA‖O museu deve ter como parte da sua documentação, alguma Tem um p ap el ilim it ad o : o Líd er Esco lh e lim it ar o p r ó p r io p ap el d eforma de constituição, estatuto ou outro documento escrito que Ab so lut o in t er f er e em t ud o . líd er p ar a p ap éis p ar t icular es d aestabeleça o estatuto legal e financeiro do museu. Deve confirmar eq uip a: d elega o ut r asque o museu não está organizado de forma a dar lucros em r esp o n sab ilid ad es n ecessár ias em o ut r o s.benefício dos proprietários (excepto no caso de museus privados), Visa a co n f o r m id ad e: o Líd ere que a sua intenção é servir as necessidades do público. Ab so lut o t en t a f o r çar t o d o o Co n st r ó i at r avés d a d iver sid ad e d o O conceito “sem fins lucrativos” reforça a ideia de que p esso al a co n co r d ar e a ad o p t ar as p esso al: o Líd er d e Eq uip a avalia p r ó p r ias id eias d o líd er . p o sit ivam en t e as d if er en ças en t r equalquer receita adicional gerada pelo museu é exclusivamente as p esso as e vê-as co m o um a f o r çautilizada para o apoio da instituição e não para distribuição a d a o r gan ização .subscritores individuais. (Porém, reconhece-se que os governos e O Líd er So lo co leccio n a ad m ir ad o r es Pr o cur a act ivam en t e o t alen t oas autoridades civis em muitos países do mundo, consideram e sico f an t as, e r ejeit a q ualq uer um d en t r o d a o r gan ização : o Líd er d etodas as receitas do museu como rendimentos estatais – de facto, co m id eias n o vas o u d if er en t es d as Eq uip a n ão se sen t e am eaçad o p o rtaxas - e continuam a não autorizar o museu a reter e a utilizar suas. p esso as co m cap acid ad es esp eciaisnovamente as receitas próprias geradas pelos preços de ingresso, En t en d e q ue o p ap el f un d am en t al évenda de publicações, etc.). Tr at a t o d o o p esso al co m o d esen vo lver e m elh o r ar o s co legas: sub o r d in ad o s q u e t êm d e seguir o o Líd er d e Eq uip a in cen t iva o Esta ideia de museu de natureza não-lucrativa parece simples, Líd er Ab so lut o sem p er gun t as. cr escim en t o d as f o r ças p esso ais.mas o conceito é sofisticado porque se baseia na prática depropriedade filosófica, um aspecto muito importante do sector Fo m en t a um sen t id o d e m issão In d ica o s o b ject ivo s: o Líd er p ar a co m a o r gan ização : o Líd er d enão-lucrativo. A autoridade administrativa pode mudar e o Ab so lut o exp lica sucin t am en t e o Eq uip a p r o ject a a visão co m a q ualpessoal pode mudar, mas o “público” como entidade indefinida, q ue esp er a q ue cad a um f aça e o s o ut r o s p o d em agir à m ed id a q uecontinua “proprietário” do museu como um local de propriedade co m o o d eve f azer . se en caixam .de património cultural, natural e científico. O s parceiros daorganização não-lucrativa são o público e a autoridadeadministrativa do museu representa-os. A autoridade (Ad ap t ad o d a p esq uisa d e R.A. Belb in (1993). Pap éis d a Eq uip a n o Tr ab alh oadministrativa, quer seja um órgão público governamental ou (Lo n d r es: But t er w o r t h -Hein n em an )outro, ou os fiduciários de um museu não-governamental, têmresponsabilidade fiduciária pelo museu. Podem tomar decisões e 150
  • 159. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do Museudeterminar programas, exposições e colecções, mas não devemreceber benefícios como indivíduos apesar de saberem que agiram ELABORAR A DECLARAÇÃO DE MISSÃOcomo bons administradores e fiduciários responsáveis. Um determinado desafio para o museu e consequentemente A d eclar ação d e m issão t r aça o s o b ject ivo s d o m u seu e p o d e in cluir um a r ef er ên cia ao s f eit o s h ist ó r ico s d a sua in st it uição epara o director é identificar um público coerente e servido, p r eo cup açõ es d e r esp o n sab ilid ad enormalmente e não necessariamente pelos seus visitantes, e depois d ef in ir o p r o p ó sit o d o m useuprocurar envolver activamente aquele público tão completamente r esum ir o s o b ject ivo s d o m useuquanto possível, no desenvolvimento e actividades do museu. in cluir um a d eclar ação o u r esum o d o s p r in cíp io s p elo s q u ais o m useu(Ver os capítulos Marketing e Serviços ao Visitante). O público se p r o p õ e a f un cio n ar .do museu tem, assim, uma maior influência na gestão e estrutura EXERCÍCIO: Tr ab alh an d o co m g r u p o s p eq u en o s d e t alvez q u at r oorganizacional do museu. o u cin co p esso as d e est at u t o s e esp ecializaçõ es d if er en t es, elab o r e p r o p o st as p ar a um a n o va Declar ação d e Missão p ar a o seu Declaração de M issão m u seu .Existe uma ideia geral sobre o que se supõe ser a missão básica do Po d e p ed ir a alg u n s d o s gr u p o s p ar a t er em u m a ab o r d ag em m aismuseu, baseado talvez no nome do museu, na natureza do seu t r ad icio n al, en q u an t o p õ e as q u est õ es q u em ?, o q uê?, q u an d o ?,acervo ou na responsabilidade assumida pelo governo ou outra o n d e?, e p o r q u ê? em r elação ao p r o p ó sit o e m issão d o m u seu ,autoridade administrativa. Pode dizer-se que, fundamentalmente a act u alm en t e. Po d e p ed ir ao s o u t r o s gr up o s p ar a co n sid er ar em ao in vés, u m a ab o r d ag em d e “p er sp ect iva”, f o can d o -se n o q u e omissão de um museu de história, arte ou ciência é lidar com m u seu d eve ser n o f u t ur o .objectos relacionados com o assunto em questão. No entanto, Os vár io s g r up o s d evem en t ão , ap r esen t ar cad a u m a d as p r o p o st asactualmente reconhece-se que a missão do museu precisa de ser a t o d o o p esso al p ar a u m a d iscu ssão m ais ab r an g en t e.definida e publicada mais explicitamente, sob a forma deDeclaração de Missão que, entre muitas outras coisas, define aslimitações do acervo e delineia o papel e a identidade pública da pessoal para reconhecer, endossar e cumprir a missão estabelecidainstituição. A declaração de missão deve ser simples mas escrita pelo museu.cuidadosamente, descrever o que o museu é, o que faz, comoopera, como colecciona, onde opera, onde colecciona e por que Políticasrazão colecciona. A declaração de missão deve ser revista A declaração de missão é um documento básico para todos osregularmente e sempre que as circunstâncias autorizarem, pode museus como declaração do propósito, mas é necessário ir maisser actualizada, melhorada ou revista. adiante, considerando e definindo declarações da política Apesar da declaração de missão normalmente não ser um operacional e da política ou planos de desenvolvimento a médio edocumento legislativo, é importante para a administração e para o a longo prazo. As políticas definem a estrutura para alcançar as 151
  • 160. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do Museumetas da instituição – a sua missão. A maior parte da política Desenvolvimento de declarações de política e eventualmente do manual de políticainstitucional pode ter sido bem formulada externamente, por As p o lít icas são essen ciais p ar a um a b o a gest ão , e é im p o r t an t eexemplo, pela autoridade administrativa, como o governo ou a est ab elecer d o cum en t o s d e p o lít ica são s q ue r ef lict am o s valo r es euniversidade no caso de museus do governo ou da universidade, co n vicçõ es d o m useu, as exp ect at ivas d o p esso al, p r eser vação e uso d o acer vo , assun t o s f iscais, ut ilização d e p lan t a f ísica, e o ut r o s assun t o s q uerespectivamente. t êm im p act o d ir ect o co m a cap acid ad e d o m useu p ar a at in gir a sua Sempre que exista legislação nacional especial e políticas de m issão . As p o lít icas b em d ef in id as ajud am a ad m in ist r ação e o p esso al aautoridade administrativa aplicadas ao museu, cópias destes t o m ar d ecisõ es p r ó p r ias e a d ef in ir a est r ut ur a n a q ual p o ssam agir . Além d isso , as p o lít icas e a d o cum en t ação p ub licad a d isp o n íveldocumentos, devem ser reunidas para fácil acesso, r eassegur am ao p úb lico q ue a in st it uição co n sid er o u cuid ad o sam en t e ascuidadosamente estudadas e implementadas pelo órgão suas acçõ es.administrativo do museu, director e pessoal pertinente, de acordo As p o lít icas d o m useu p o d em ab r an ger vár io s assun t o s. Seguem -se exem p lo s d e t ó p ico s q ue são f r eq uen t em en t e d ef in id o s p o r p o lít icas:com as suas diversas responsabilidades. Sempre que exista esta 1. Aq uisiçãolegislação especial, etc., estas formarão o âmago da 2. In co r p o r açãodocumentação da política do museu, mas mesmo assim, haverá a 3. Ab at im en t o ao in ven t ár io 4. Pr eser vação e uso d o acer vonecessidade de definir declarações das políticas suplementares 5. Em p r ést im o srelativas a temas específicos do museu, 1 ) para definir a estrutura 6. Exp o siçõ esda tomada de decisão institucional, acções e outras questões e 2 ) 7. Pr o gr am ação e ed ucação p úb lica 8. Recur so s h um an o sdefinir o curso de acção para o museu, consideradas expedientes, 9. Recur so s f in an ceir o sprudentes ou vantajosas. 10. Avaliação d o p esso al Existem três tipos de políticas que os museus devem formular: 11. Saúd e e segur an ça d o p esso al e d o s visit an t es 12. Man ut en ção d as in st alaçõ es (ed if ício s)1 . Políticas filosóficas: que se dirigem aos assuntos éticos; 13. Ut ilização d as in st alaçõ es (ed if ício s)2 . Políticas de desenvolvimento de recursos: que definem a 14. Desast r es e p er igo s n at ur ais distribuição dos recursos principais; EXERCÍCIO: Po d e ser n ecessár io elab o r ar p o lít icas ad icio n ais p ar a sat isf azer as3 . Procedimentos de trabalho: que se preocupam com os assuntos n ecessid ad es esp ecíf icas d e um d et er m in ad o m useu. Em co n jun t o co m a operacionais. d eclar ação d e m issão , as p o lít icas e p r o ced im en t o s d ef in em o s n íveis d e Em muitas organizações, a autoridade administrativa, em r esp o n sab ilid ad e q ue o m useu t em p ar a o acer vo e p ar a o p úb lico q ue ser ve.consulta com o director, tem sido normalmente a maior 1. Em r elação ao seu m useu, q uais as ár eas d a p o lít ica list ad as acim a,responsável por gerar o primeiro e segundo tipo das políticas, q ue n ão t êm act ualm en t e, q ualq uer d eclar ação o u d o cum en t o d eenquanto o terceiro normalmente é desenvolvido pelo pessoal p o lít ica? 2. Exist em t o d o s o s d o cum en t o s d a p o lít ica act uais p ar a e ssas ár easatravés de consulta. Porém, actualmente nos museus que pensam q ue já est ão ab r an gid as at é à d at a, o u p r ecisam d e ser r evist o s?no futuro, a contribuição do pessoal nas políticas relativamente à 3. Exist e algum asp ect o esp ecial n o t r ab alh o o u r esp o n sab ilid ad es d ofilosofia e ética do museu, é considerada essencial, enquanto as seu m useu q ue n ão est á ab r an gid o p ela list a e q ue d eve t er um a d eclar ação o u d o cum en t o d a p o lít ica? 152
  • 161. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do Museudecisões sobre a distribuição de recursos financeiros e outros sem planeamento financeiro geralmente é descrito como gestãoo apoio do pessoal, podem ser contraproducentes. financeira, e enquanto as directrizes podem ser estruturadas Um bom princípio guia é o conceito moderno de cuidadosamente pela autoridade administrativa, a implementação“subsidiariedade” (já definido nos principais tratados fica a cargo do director/ gestor do museu e subsequentemente, doconstitucionais da União Europeia e nos seus quadros de emprego pessoal.aplicados aos seus 2 5 estados membros). Isto insiste que a A gestão financeira é vista por muitos como um dos aspectostomada de decisão e a responsabilidade devem ser sempre mais difíceis da gestão do museu - algo a ser deixado para osdelegadas ao nível mais baixo possível em qualquer governo ou contabilistas ou guarda-livros nos escritórios administrativos dohierarquia de emprego. Se as políticas são projectadas para museu ou talvez ao Ministério. Na verdade, é essencial que todosatisfazer necessidades específicas, então as pessoas mais o pessoal que ajuda a preparar orçamentos ou no controlo dequalificadas para identificar e tomar a responsabilidade por essas projectos e despesas, tenha uma compreensão dos princípiosnecessidades, são os indivíduos com o maior conhecimento da financeiros e prática orçamental e controlo de despesa, e aorganização - o pessoal em questão. Também é muito importante documentação orçamental e os procedimentos de controloassegurar que os procedimentos e as atitudes internas tenham a financeiros internos têm de ser simples e utilizáveis.certeza que as recomendações de política podem surgir de pessoal Em termos mais simples, o orçamento anual é uma ferramentade qualquer nível da organização: o director e o responsável pela de gestão e um documento do planeamento, definida em termoscuradoria e os departamentos académicos não são as únicas monetários. Porém, a orçamentar é mais do que o equilíbrio entrepessoas a ter boas ideias sobre as operações e o modo de gerir o os rendimentos esperados com as despesas. Indica o dinheiro quemuseu. se espera estar disponível das várias fontes (auxílios governamentais, preços de ingresso, comércio, doações e Gestão Financeira patrocínio), o dinheiro necessário (para continuidade dasA maioria dos museus está, em grande parte, sujeito à legislação e operações - através de projectos e melhorias planeadas ou outrasao controlo nacional financeiro e contabilístico e a uma alterações de acordo com o plano de desenvolvimento anual) e aautoridade administrativa que determina as práticas financeiras da diferença entre os dois. O orçamento também permite à gestãoinstituição dentro destas limitações legais. A autoridade pode determinar as alternativas mais apropriadas para a alocação dediferir e o nível de controlo financeiro pode diferir, mas poucos recursos, quer sejam para novos desenvolvimentos ou comomuseus têm o controlo completo e irrestrito sobre todos os resultado de alterações de políticas ou prioridades. O orçamentoaspectos das suas finanças. Apesar do nível de flexibilidade ou da é, assim, uma declaração de intenção, utilizada para guiar asfonte de financiamento, todos os museus têm a obrigação de actividades de uma instituição e que autoriza a gestão do museu aserem responsáveis pelo dinheiro que lhes é atribuído. O processo decidir como utilizar os recursos financeiros de forma mais eficaz.de desenvolvimento orçamental, contabilidade dos fundos e 153
  • 162. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do Museu categoria ou compromisso financeiro para outro. Diferenças entreRequerimentos e regulamentos financeiros as despesas e as receitas que ultrapassem mais do que quantiasO p esso al d o m u seu r esp o n sável p elo co n t r o lo e p o lít ica incidentais das quantias planeadas exigem a atenção daf in an ceir a r eq u er o co n h ecim en t o so b r e o f u n cio n am en t o d a administração de topo. Também, nestas circunstâncias, pode serleg islação e d o s r eg ulam en t o s f in an ceir o s q u e se ap licam ao solicitado um relatório prévio à autoridade administrativa, umam u seu , n o seu t r ab alh o n o m u seu e d e q u alq u er leg islação o u vez que na maioria dos sistemas administrativos, quer sejamn o r m as d o ser viço p ú b lico o u f in an ceir o q u e se ap licam à governamental ou não-governamental sem fins lucrativos, oco n d u t a d o p esso al d o m u seu (p o r exem p lo , m ed id as an t i -co r r u p ção t ais co m o r est r içõ es em aceit ar d o açõ es o u f avo r es). director ou outro gestor e responsável pelo orçamento estáAlém d isso , p o d e exist ir alg u m a leg islação o u n o r m as esp eciais proibido de gastar mais do que as quantias autorizadas, sem aso b r e assu n t o s co m o : aprovação do Ministério, Conselho ou órgão governamental ou 1. a u t ilização d as r eceit as g er ad as p ela ven d a d e in gr esso s regulador. 2. a u t ilização d as r eceit as g er ad as p ela lo ja d o m useu 3. p r o d u t o s q u e p o d em ser ven d id o s n a lo ja d e m useu A maioria dos museus recebe rendimentos de diversas fontes. 4. p ag am en t o (co m p en sação ) ao s t r ab alh ad o r es Frequentemente, o principal apoio vem do governo, mas mesmo 5. d isp o n ib ilizar ser viço s e seg ur o m éd ico o u/e so cial ao p esso al neste caso, o rendimento adicional pode advir dos preços de 6. im p o st o s 7. p r o cesso s d e co m p r a e co n t ab ilid ad e ingresso, da loja de recordações, doações ou serviço de comidas e 8. p r át icas co r r u p t as e co n f lit o s d e in t er esse bebidas, apesar de em muitos países, ainda não ser permitido aosEXERCÍCIO: museus governamentais e civis e entidades culturais semelhantes,Descu b r a q u ais as leis f in an ceir as e r egulam en t o s p r in cip ais q ue se manter as suas receitas dos bilhetes de ingresso ou qualquer outroap licam ao m u seu e ao t r ab alh o d o seu p esso al, e elab o r e um a list a e um rendimento que obtenham, mas ao invés, é-lhes exigido queb r eve r esu m o d est es, e d isp o n ib ilize um a p ast a (co m có p ias) sem p r ed isp o n ível a t o d o o p esso al. paguem tudo, imediatamente, ao ministério das finanças ou à câmara municipal. No caso dos museus fora do controlo directo do governo, ou A relação entre os objectivos da missão e os recursos onde os regulamentos tradicionais do governo foram alterados, osfinanceiros são essenciais e a formulação do orçamento deve ser museus podem ter várias oportunidades de financiamentovista como uma parte integrante do planeamento e processo de próprio, tais como:gestão. Como instrumento de controlo de gestão, assim que seinicia o ano orçamental, o orçamento é utilizado para localizar as 1. Bilhetes de ingresso 6 . Contribuições voluntárias 2. Loja de recordações 7 . Patrocínios de empresasdespesas e as receitas actuais em relação aos objectivos planeados. 3. Serviço de comidas e bebidas 8 . Consolidação e fusãoSinais de diferenças entre as despesas e o plano orçamental 4. Comércio 9 . Publicaçõesassinalam a necessidade de abrandar a velocidade das despesas ou 5. Instalações e serviços de turismo 1 0 .Pagamentos para “excursões”o aumento das receitas, ou de transferir recursos de uma das agências de viagens 154
  • 163. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do Museu Actualmente, a maioria dos museus enfrenta desafios normalmente de duração limitada, variando de um plano para umfinanceiros, particularmente na redução de subsídios edifício principal, até a uma exposição temporária ou outrogovernamentais e no constante aumento dos custos operacionais. evento especialEsta situação pode alterar-se, aumentar ou reduzir, dependendo Após serem elaborados e aprovados, os orçamentos sãodo museu e do país, governo ou organização anfitriã. desenvolvidos como “ projecções” (ou “previsões”), normalmente O sistema de contabilidade utilizado pelo museu reflecte baseados nas melhores estimativas da gestão do museu, utilizandoindubitavelmente, as exigências da autoridade administrativa. O os registos anteriores. Após o dinheiro ser gasto ou recebido, asprocesso deve identificar se os fundos específicos são restritos, ou contas finais são redefinidas como “ reais”. As projecções sãoseja, se são apenas utilizados para determinados propósitos, ou feitas quando o orçamento está a ser elaborado e as reais são oirrestritos, permitindo uma maior flexibilidade e tomada de resultado da contabilidade dos fundos recebidos e gastos, quandodecisão pelo director/ gestor e pessoal do museu. o projecto está completado ou no término do ano orçamental, O orçam ento operacional do museu lida com as actividades quando a despesa real é igual à da projecção, apesar de ambasfinanceiras diárias do museu num período contabilístico aprovado poderem ser diferentes. Alguns sistemas de contabilidade(normalmente um período contínuo de 1 2 meses - normalmente governamentais e outros e normas, permitem em certasdependente da contabilidade nacional ou governamental e ano condições, a transferência de fundos de uma conta para outrafiscal). Esta distribuição ou partilha podem basear-se nas despesas (frequentemente designado por “virement” 1 2 ) para satisfazer asdo ano anterior ou podem ser determinadas pelas actividades exigências do museu, mas outros sistemas não permitem estamuseológicas. É preparado anualmente para demonstrar as flexibilidade.receitas e as despesas esperadas durante o ano actual. Reflecte a É importante entender que o orçamento deve ser um processorelação entre o rendimento antecipado e o planeamento das em constante actualização e não algo feito uma vez por ano edespesas. Apesar de determinar o orçamento operacional geral ignorado o resto do tempo. Um orçamento é um documento dedurante o próximo ano, a autoridade administrativa pode colocar funcionamento que deve ser revisto mensalmente pelo director,as quantias ou proporções, alocadas a certas categorias de outros membros do pessoal apropriados como direcçõesdespesa, geralmente uma medida tomada ao nível da gestão de departamentais e (provavelmente), os membros da autoridadetomada de decisão, enquanto o director dispõe de muita governativa do museu. Este escrutínio é importante porque nem aflexibilidade nestes limites. receita nem a despesa podem ser preditas com total precisão. A O orçamento normal do museu geralmente descreve todas as revisão regular é a única forma da gestão do museu saber onde sedespesas autorizadas (e quaisquer alvos de rendimentos de encontra financeiramente a tempo de fazer os controlosreceitas) da organização e todo o quadro financeiro da necessários na despesa ou nos projectos. Para compararorganização. Em contraste com este, o plano orçam ental só está 12relacionado com um determinado projecto ou actividade, NT: termo francês:”virement” - transferência administrativa de fundos de um orçamento para outro. 155
  • 164. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do Museu recursos, e não menos do seu acervo. Certamente que, existeSeis regras para planear o orçamento: legislação nacional relativa à responsabilidade, no entanto o assunto de responsabilidade ética não é limitada pelas fronteiras 1. Seja esp ecíf ico ao elab o r ar as p r o jecçõ es. políticas ou nacionais. Para satisfazer os padrões de ética 2. Não seja m u it o o p t im ist a n as suas p r o jecçõ es. institucionais aceites, cada museu deve ter uma política de gestão 3. Faça u m o r çam en t o r ealíst ico . financeira que, entre outras coisas, define quem tem a autoridade 4. Est ab eleça o r çam en t o s in t er n o s m ín im o s. para gastar os fundos institucionais, a natureza de materiais ou 5. Dist in g a en t r e cu st o s f ixo s (p o r exem p lo , p esso al p er m an en t e, objectos que podem ser comprados e o método de controlo d esp esas d e co n st r u ção , ser viço s) e o r çam en t o s d e p r o gr am as o u p r o ject o s esp eciais. orçamental. Devem manter-se registos de todas as despesas, 6. Não su b est im e as d esp esas ext r as. fontes de rendimento e todas as alterações ao orçamento . Devem realizar-se relatórios regulares sobre o estado financeiro da instituição, disponíveis às autoridades próprias. Um processo deorçamentos entre anos de forma eficaz, o ano fiscal ou financeiro orçamento aberto (transparente) é o melhor método para evitardeve permanecer o mesmo, excepto se existirem razões problemas e suspeitas.compulsórias para a alteração. A responsabilidade pública do museu gira à volta da justiça A “Folha de Balanço” do museu é uma declaração da situação ética das suas actividades inclusive a preservação e uso do acervo,financeira geral numa determinada data, detalhando entre outras assim como a própria administração institucional. Acoisas todos os activos financeiros da organização, como dinheiro responsabilidade ética é comprovada através da interacção dentrono banco, o valor das instalações e do equipamento, juntamente e fora da organização e o modo pelo qual o museu gere as suascom detalhes do que o museu deve àquela data, assim como actividades. Um museu ético é aquele em que todos osqualquer empréstimo e contas não pagas. Apesar de ser um participantes reconhecem os valores principais e onde essesmodelo muito familiar no mundo do negócio, cada vez mais os valores estão definidos no contexto da missão do museu.países, governos e autoridades reguladoras de entidades não-lucrativas, exigem actualmente aos departamentos e serviços dogoverno e às entidades não-governamentais, que adoptem Planeamentosistemas e normas de contabilidade empresariais, inclusive a Um bom planeamento do museu deve ser uma actividade holísticapreparação e publicação de uma folha de balanço e relatório que leva em consideração uma grande perspectiva da história dofinanceiro anual. museu, missão, acervo, pessoal, instalações, financiamento, apoio da comunidade, público, estatuto político, ameaças locais e Ética e Gestão do Museu regionais e outras potencialidades ambientais e sociais na tomadaExistem vários assuntos éticos relacionados com a política e gestão de decisões que guiarão o museu no futuro. Este processo dedo museu, particularmente a utilização do seu dinheiro e outros planeamento permite ao museu avaliar, redefinir e implementar a 156
  • 165. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do MuseuPlaneamento I - O processo do planeamentoEm t er m o s m ais sim p les, o m u seu p r ecisa d e p lan ear p ar a r eaf ir m ar o u Planeamento II – assuntos a considerar:alt er ar a su a m issão - p o r q u e exist e, q u al o seu p r o p ó sit o e o q ue f az, ep ar a aco r d ar em r elação à sua p er sp ect iva - o n d e q uer ch egar e o q ue Elem en t o s d o m u seu q u e d evem ser levad o s em co n sid er açãoq u er f azer n o s p r ó xim o s an o s. O ú lt im o p r o d ut o d o p r o cesso d e aq u an d o d o p r o cesso d e p lan eam en t o :p lan eam en t o é u m g u ia p ar a g er ir as act ivid ad es m useo ló gicas. Não ép r o p ó sit o d o p lan o , d ecid ir o q u e d eve ser f eit o n o f ut ur o , m as d ecid ir o - Missãoq u e d eve ser f eit o act u alm en t e, d e f o r m a q ue as co isas q ue se d esejam , - Or gan izaçãoaco n t eçam n o f u t u r o . - To m ad a d e d ecisãoÉ p r o vável q u e o p lan eam en t o in clu a algun s o u t o d o s d o s seguin t es: - An gar iação d e f un d o s 1. Planeamento Financeiro: Assun t o s r elacio n ad o s co m o f in an ciam en t o - Alo cação d e r ecur so s n ecessár io e act u al d o m u seu e a sua cap acid ad e p ar a af ian çar - Avaliação d e d esem p en h o r ecu r so s suf icien t es p ar a ap o iar act ivid ad es p ar a a execução d a sua - Ef icácia o r gan izacio n al m issão est ab elecid a. 2. Necessidades e Envolvimento da Comunidade: Plan ear as vár ias n ecessid ad es d a co m un id ad e p ar a cap acit ar o m useu n o d esen vo lvim en t o d e r esp o st as ef icazes r elat ivas à sua m issão e Avaliação p r io r id ad es. A f ase f in al n o p r o cesso d e p lan eam en t o é a au t o -avaliação . É u m 3. Planeamento de Recursos Humanos: Assun t o s r elacio n ad o s co m o m ét o d o im p o r t an t e p ar a d et er m in ar a ef icácia d o m u seu e u m r ecr u t am en t o , f o r m ação e m an ut en ção d e p esso al q ualif icad o su f icien t e co m cat ego r ias d iver sas e ad eq uad as p ar a p r een ch er as valio so m ét o d o p ar a d ecid ir o valo r o u p r o p ó sit o d a m issão n ecessid ad es d o p esso al e d o ser viço vo lun t ár io . in st it u cio n al. 4. Organizacional/Estrutural: Assu n t o s q ue avaliam a est r ut ur a d o m useu Ten d o est ab elecid o as su as m et as at r avés d o seu p r o cesso d e p ar a d et er m in ar a m elh o r co n f igur ação p ar a co n h ecer em as p lan eam en t o , o m u seu t em d e d esen vo lver est r at ég ias p ar a n ecessid ad es act u ais e f u t u r as d o m useu e d a co m un id ad e at r avés at in g ir e avaliar essas m et as e o b ject ivo s. d e ser viço s d e q u alid ad e/cu st o -ef icácia. 5. Comunicações/Marketing/Visibilidade: Est es assun t o s q uest io n am Po r exem p lo , u m a au t o -avaliação in st it u cio n al p r et en d e aju d ar o so b r e co m o o m u seu se p o d e t o r n ar m ais visível e in f o r m ar o m u seu e o seu p esso al a: p ú b lico so b r e a su a m issão e ser viço s, e co n sid er a q uais o s r ecur so s n ecessár io s p ar a execu t ar o s p r o cesso s d e co m o gan h ar m aio r visib ilid ad e. - Id en t if icar as n ecessid ad es d a so cied ad e; 6. Contribuição para Programas de Trabalho Nacionais: Quer o m useu f aça - Def in ir a su a r elação co m a m issão d o m u seu ; p ar t e o u n ão d o s m u seu s n acio n ais o u d o s ser viço s d e an t iguid ad es, - Avaliar as su as cap acid ad es co m o m u seu ; o p r o g r am a d e t r ab alh o in st it u cio n al d o m useu d eve ap o iar o - Avaliar o seu am b ien t e ext er n o ; au m en t o d e co n scien cialização e ad vo cacia d e assun t o s n acio n ais - Fixar o b ject ivo s p ar a o m u seu ; co m o a co n ser vação , f in an ciam en t o , r esp o n sab ilid ad e e p ad r õ es. - Seleccio n ar est r at ég ias p ar a o m u seu ; 7. Serviço Efectivo: Assu n t o s q u e se r elacio n am co m a avaliação e o s - Plan ear p r o g r am as p ar a a cu r ad o r ia, exp o sição , ed u cação e r esu lt ad o s d e ser viço s, p r o g r am as e exp o siçõ es, p ar a m ed ir a o u t r o s p r o g r am as p ú b lico s p ar a o m u seu ; ef icácia d o m u seu n a sat isf ação d as n ecessid ad es d as p o p ulaçõ es- - Est ab elecer u m o r çam en t o f u t u r o p ar a o m u seu ; alvo e asseg u r ar q u e o s ser viço s m ar gin ais ser ão m elh o r ad o s o u - Avaliar o d esem p en h o g er al d o m u seu . ext in t o s. 157
  • 166. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do Museu imprevisíveis. O planeamento deve focar-se em atingir o melhorAnálise SWOT “equilíbrio” entre a organização e o ambiente no qual actua.Um d o s m ét o d o s p ar a an alisar o s act ivo s in st it u cio n ais é Neste contexto, ambiente significa as condições que existemch am ad o SWOT. Est e p r o cesso n ão é u m f im p o r si só , m as u m dentro e fora da organização e que influenciam as suasm ét o d o p ar a a r eco lh a d e in f o r m ação a u t ilizar n o p r o cesso d e actividades.p lan eam en t o . Est a t écn ica ap ela a u m exam e d a in st it u içãor elat ivam en t e a: Par a ser u m líd er co m su cesso d a in st it u ição , o d ir ect o r d o m u seu d eve m an t er o s seg u in t es p o n t o s f u n d am en t ais: - St r en g h t s (Fo r ças) - Weakn esses (Fr aq u ezas) - Op p o r t u n it ies (Op o r t un id ad es) 1. visio n ar as m et as in st it ucio n ais, - Th r eat s (Am eaças) 2. af ir m ar valo r es in st it ucio n ais, 3. m o t ivar o p esso al,EXERCÍCIO: 4. ger ir r esp o n sab ilid ad es in st it ucio n ais,Reú n a p eq u en o s g r u p o s d e p esso al, p ar t ilh e id eias so b r e o m useu e 5. at in gir a un ião n o t r ab alh o ,co n sid er e-as n as q u at r o cat eg o r ias. 6. exp licar d esaf io s e o p o r t un id ad es, 7. ser vir co m o um sím b o lo , 8. r ep r esen t ar o m useu e o gr up o ext er n am en t e, esua missão, programação e exposições e servir o público. Existe 9. r en o var o p esso al e o s co m p r o m isso s in st it ucio n ais.uma ligação próxima entre o processo de planeamento e om arketing uma vez que o planeamento tem que preceder om arketing e a análise de m arketing do museu faz parte do Comentários Finaisprocesso de planeamento. O emprego no museu é uma confiança pública que envolve Planear ajuda a desenvolver uma gestão com sucesso como grande responsabilidade e os papéis da administração de topobase para uma forte administração pela autoridade supervisora, inclusive o director, estão entre as responsabilidades menos bemuma boa gestão pelo director e pessoal, utilização eficaz dos definidas no museu contemporâneo. Esta ambiguidade deve-se àfundos, e o desenvolvimento de programas de avaliação muita variedade dos deveres administrativos que incluem váriasconstrutivos por todos os participantes na avaliação de eficácia do actividades do museu, assim como as capacidades tecnológicas,museu no cumprimento da sua missão. Q ualquer museu do políticas e sociais, necessárias para orientar o museu em tempo demundo pode ser melhorado, e um planeamento eficaz é uma incertezas e exigências. O director deve ser ao mesmo tempo,parte importante da garantia de qualidade e do processo de representante público, defensor do serviço e profissional demelhoria contínua. museu e ser também capaz de assegurar os recursos essenciais Sem um programa de planeamento e avaliação contínuo, o para o museu ao mesmo tempo que mantém a integridade daesforço do museu pode ser negligenciado, com resultados instituição. Ele ou ela tem que ter habilitações escolares e 158
  • 167. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão do Museuadministrativas para promover a missão do museu, assim comocapacidades de comunicação excelentes, particularmente acapacidade para explicar aspectos principais e secundários masessenciais que podem não ser entendidos pelo público. O processo de gestão do museu é muitas vezes desafiante, massempre recompensador para as pessoas empenhadas em servir osinteresses do público, proteger as pessoas da comunidade epromover a boa vontade e compreensão. Uma boa gestão tem deter sustentabilidade institucional, ética profissional, respeito,lealdade, honestidade e dedicação. O s directores do museu etodos os outros profissionais e pessoal administrativo comresponsabilidades administrativas, tem que cumprir os seusdeveres com integridade e em conformidade com os mais estritosprincípios éticos, assim como os mais elevados padrões deobjectividade. 159
  • 168. Gestão de Pessoal Patrick J. Boylan Professor Emeritus, City University London Pessoal do museu: a chave para a eficácia do museu de uma boa gestão e liderança de pessoal. Este deve ser umO s funcionários do museu, quer sejam remunerados ou requisito para os directores e chefes de departamento e chefes devoluntários, são o recurso mais vital da instituição. Apesar da secção responsáveis pela supervisão de outro pessoal.importância do acervo, sem o pessoal do museu que faz a Nomeadamente, como a grande maioria das decisões da gestãocuradoria e a conservação do acervo e da exposição ou por outro de pessoal são tomadas na “linha da frente” pelo profissional elado, disponibiliza-o ao seu público, mesmo que os tesouros mais pessoal supervisor, não especializados em recursos humanos, todoimportantes do museu tenham pouco valor ou utilização real, se o pessoal de nível superior e médio, independentemente das suasnão existir conservação preventiva adequada (nem que seja especializações e deveres principais, têm de ter uma compreensãomínima), o acervo quase de certeza que se deteriorará até se razoável sobre a legislação relativa aos procedimentos dostornar eventualmente, completamente perdido. funcionários do museu e de qualquer outra legislação nacional Da mesma forma, enquanto for muito provável que os bons pertinente.procedimentos de segurança envolvam a utilização de barreiras Ainda, todo o pessoal tem o direito de saber quais os termos efísicas e dispositivos electrónicos, estes também dependem de condições de emprego, em conjunto com qualquer regra geral dopessoal eficaz para a sua própria operação e monitorização. O s pessoal. Sempre que possível, todas estes devem estar redigidosmuseus maiores, pelo menos, também precisam de muito em linguagem simples, e devem existir cópias, facilmenteprofissional administrativo e outro e pessoal de apoio para disponíveis para consulta a qualquer momento, por parte dostrabalhar em áreas importantes como manutenção de edifícios, funcionários.gestão de recursos humanos (pessoal) e financeiro, trabalho de O s outros capítulos deste Manual pretendem apresentar umaprojecto e exposição e marketing e relações públicas. orientação para uma “melhor prática”, relevante para quase todos os museus ou instituições semelhantes, em qualquer parte do Compreender a Gestão de Pessoal mundo. Porém, em contraste com estes princípios de recursosAté mesmo onde exista pessoal especializado ou gestores de humanos, normas e procedimentos adoptados pelo museu,recursos humanos funcionários pelo museu, é essencial ainda que incluindo as condições do contrato de trabalho e as condições demais pessoal de topo do museu também compreenda os princípios trabalho, têm de basear-se normalmente, em conformidade com a 160
  • 169. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão de Pessoal antigas colónias britânicas e territórios sob a sua alçada, como oEXERCÍCIO PRÁTICO PARA IDENTIFICAR FACTORES-CHAVES Iraque, Jordão, a maioria dos Estados do Golfo ou Israel e aSOBRE OS TERMOS E CONDIÇÕES DE EMPREGO Palestina. 1. Elab o r e u m a list a co m as p r in cip ais leg islaçõ es e n o r m as n acio n ais q u e r egem o s t er m o s e co n d içõ es d e em p r eg o n o Principais categorias do trabalho museológico e dos funcionários do p aís museu 2. Se o seu m u seu f o r p ú b lico , r esu m a t am b ém o s r eg ulam en t o s Mais uma vez, as tradições nacionais têm um papel fulcral ao o u aco r d o s g o ver n am en t ais p r in cip ais q u e r egem as determinar a natureza e variedade dos empregos do museu. co n d içõ es d e em p r eg o d a in st it u ição Nalgumas tradições ainda continua a existir apenas uma estreita 3. Além d est es, vo cê t em alg um Man u al d e Recu r so s Hu m an o s o u variedade de funcionários do museu, com apenas duas categorias Aco r d o Lab o r al q ue d ef in am d et alh ad am en t e o s p r o ced im en t o s e co n d içõ es d e em p r eg o ? predominantes: especialistas altamente formados que trabalham principalmente com acervos ou programas de investigação especializados do museu – designados por “eruditos-curadores” -legislação e regulamentos nacionais do país relativo ao emprego, e a segurança, manutenção de edifícios e outro pessoal de apoio.em conjunto com os princípios e normas de emprego do Porém, em outras tradições museológicas, talvez até em paísesministério do emprego ou outra autoridade administrativa no caso ou museus aparentemente muito similares, pode existir umade museus públicos e entidades relacionadas. variedade muito diversa de pessoal especializado, abrangendo É importante reconhecer que podem existir diferenças talvez vinte ou mais profissões especializadas. Estas outrassignificativas entre estas legislações e normas, de país para país. especializações incluem conservação e restauro científico, recolhaMesmo várias décadas ou mais após o fim da colonização, ainda de campo, documentação, educação e interpretação, e pessoalpersistem grandes diferenças baseadas nos sistemas legislativos e especializado em serviços ao visitante, em conjunto com váriostradições do antigo colonizador ou muitas vezes, nos poderes especialistas em deveres administrativos, de gestão e financeiros.mandatários dos vários sistemas legislativos nacionais e nos (Ver também a secção sobre a estrutura organizacional, noprincípios e normas do emprego geral, e especialmente nos capítulo sobre Gestão deste Manual).relativos aos serviços públicos. Um bom indicador do alcance e da diversidade potencial da Ainda persistem grandes diferenças entre as tradições da lei de profissão museológica podem ser actualmente encontrados, naemprego e as de contrato, e consequentemente na prática e lista das agências especializadas da profissão reconhecidas pelonormas da gestão de pessoal, em países com uma tradição de Conselho Internacional de Museus (ICO M) e pelos seus ComitésDireito Civil (Lei Romana), desenvolvidas sob antigas gestões Internacionais (ver o Q uadro 2 ).francesas, como a Argélia, Líbano, Síria ou Tunísia,comparativamente às do sistema de direito comum inglês das 161
  • 170. Como Gerir um Museu: Manual PráticoGestão de Pessoal de experiência ou formação relativa ao seu papel e deveresQUADRO 2: específicos, deve existir alguma informação e compreensão básicaPRINCIPAIS RAMOS DE ESPECIALIZAÇÂO DA PROFISSÃO DO MUSEUENCONTRADOS NOS VÁRIOS COMITÉS INTERNACIONAIS ESPECIALIZADOS que se aplicam a todo o pessoal. (Ver o Q uadro 3 ).DO ICOM QUADRO 3: 1. Dir ect o r es d e m u seu e ch ef es execut ivo s INFORMAÇÃO BÁSICA PARA TODO O PESSOAL 2. Cu r ad o r es q u e t