Adenauer novaes-psicologia-e-mediunidade

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Adenauer novaes-psicologia-e-mediunidade

  1. 1. Psicologiae Mediunidade
  2. 2. 1ª Edição Do 1º ao 5º milheiroCriação da capa: Objectiva Comunicação e Marketing Direção de Arte: Rafael Oliveira Foto da capa: Michel Ray Modelo de capa: Paulo Fagundes Revisão: Hugo Pinto Homem e Sílzen Furtado Copyright 2002 by Fundação Lar Harmonia Rua da Fazenda, 560 – Piatã 41650-020 atendimento@larharmonia.org.br www.larharmonia.org.br fone-fax: (071) 286-7796 Impresso no Brasil ISBN: 85-86492-11-6 Todo o produto deste livro é destinado à manutenção das obras da Fundação Lar Harmonia
  3. 3. Adenáuer Novaes Psicologia e mediunidade FUNDAÇÃO LAR HARMONIA CNPJ/MF 00.405.171/0001-09 Rua da Fazenda, 560 – Piatã41650-020 – Salvador – Bahia – Brasil 2002
  4. 4. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)Novaes, Adenáuer Marcos Ferraz de Psicologia e mediunidade. – Salvador: Funda-ção Lar Harmonia, 10/2002.173p. 1. Mediunidade. I. Novaes, Adenáuer MarcosFerraz de, 1955. - II. Título. CDD – 154.63 Índice para catálogo sistemático: 1. Mediunidade: Psicologia 154.63
  5. 5. A mediunidade, antes de ser uma faculdade espírita, é umfenômeno do inconsciente perispiritual, cuja estruturação se deunos primórdios da evolução anímica, quando da passagem doanimal ao humano. “O Espiritismo anda no ar; difunde-se pela força mes-ma das coisas, porque torna felizes os que o professam.” AllanKardec. “O perispírito representa importantíssimo papel no or-ganismo e numa multidão de afecções, que se ligam à fisiolo-gia, assim como à psicologia.” Allan Kardec. Aos médiuns incompreendidos e incompreensíveis a si próprios.
  6. 6. ÍndicePsicologia e mediunidade 9A subjetividade do mediúnico 13Definição de mediunidade 18Mediunidade e alegria 20Verifique se é hora de cuidar de sua mediunidade 22Pequenos exercícios práticos 25Aos psiquiatras 30Aos que lidam com desobsessão 35Aos psicólogos, terapeutas e curadores da alma 37Pequenas dificuldades e simples soluções 42Sinais e sintomas característicos da mediunidade 48Mediunidade e sintonia 52Fenômenos psíquicos resultantes 55Invasões psíquicas 58O eu cindido no fenômeno mediúnico 61Os complexos autônomos e a mediunidade 65Cuidados com o desenvolvimento 68Mediunidade e sonhos 72Alterações somáticas 75Mediunidade e gravidez 78Obsessão e transtornos psíquicos 80Características da obsessão nos médiuns ostensivos 84
  7. 7. Desobsessão e psicoterapia 87Infância e mediunidade 91Adolescência e mediunidade 94Mediunidade institucional e caritativa 97Teste sua sensibilidade mediúnica 99Reuniões de desenvolvimento mediúnico 116Reuniões mediúnicas de desobsessão 119Como lidar com os espíritos 122Os maus espíritos ou obsessores 125Medo de espíritos desencarnados 128Inconsciente, intuição, pressentimento e mediunidade 131Diferenças entre anímico e mediúnico no psiquismo 134O proveito da mediunidade 138Mediunidade e sexo 141A mediunidade no feminino 144A mediunidade no masculino 146Mediunidade no solteiro e no casado 149Mediunidade e homossexualidade 152Mediunidade e conhecimento intelectual 156Mediunidade nos animais 159Mediunidade, mediunismo, magia e bruxaria 161Mediunidade e fluidoterapia 164Uso da mediunidade nas diversas situações da Vida 167Novas perspectivas 172
  8. 8. Psicologia e mediunidade Este livro foi escrito no solo de seis países quando em via-gem proferindo palestras e, noutra oportunidade, em férias comfamiliares. Escrevi no Brasil, em Portugal, na Espanha, na França,na Suíça e nos Estados Unidos. Nessas viagens, as idéias iam evinham como se fossem folhas ao vento que tocavam suavementea terra para reiniciarem um novo ciclo. Em cada cidade por ondepassei, escrevi um pouco sem a preocupação de formar capítu-los. Ora iniciava um capítulo, ora complementava outro. Às ve-zes, as idéias desapareciam de minha mente para reapareceremdias depois sem que tivesse a preocupação e o controle sobreelas. Assim se sucede sempre que escrevo. Sinto como se asidéias estivessem disponíveis à espera de minha boa vontade emcaptá-las. Creio que os espíritos desencarnados que porventurame inspiraram, tiveram que ter a paciência de me acompanhar ede esperar minhas ocupações e meu lazer para se incumbirem desuas tarefas junto a mim. Devem ter tido muito trabalho, mas as-sim é com a vida, pois em tudo deve existir paciência de parte aparte. Este não é um manual sobre mediunidade, pois que AllanKardec já o escreveu com o nome de O Livro dos Médiuns, oqual aconselho o leitor estudar para melhor compreensão do tema. Este livro contém apenas algumas idéias e suposições, sen-
  9. 9. 10 adenáuer novaesdo um simples ensaio sobre a fronteira entre o que é psicológicoe o que é mediúnico. Não tive a pretensão de me aprofundar nostemas naturalmente relacionados com a prática mediúnica, nemtampouco trazer verdades novas. Caso alguma afirmação aquicontradiga o que se encontra na obra de Allan Kardec, deve oleitor ficar com ele e suas judiciosas observações, entendendoque meu equívoco se deve à dificuldade em me fazer entender. Este trabalho, como disse, também não é um estudoaprofundado da mediunidade nem pretende substituir os com-pêndios existentes sobre o assunto. Trata-se de escritos a partirde algumas leituras do autor e de suas observações clínicas. Gostaria que o leitor tomasse para si o que aqui escrevo afim de que possa entrar em contato com sua própria mediunidade,colocando-a a serviço de seu crescimento pessoal. Quando as-sim fizer estará dando um importante passo em sua evolução epara sua felicidade. Não há quem, em tendo contato com relatos sobre fenô-menos mediúnicos, não tenha se perguntado se é ou não médiumou capaz de realizar aqueles fenômenos. Da mesma maneira, aque-les que, constatando sua mediunidade, não tenham se perguntadose o que a produz vem ou não de si mesmo, e não de algumespírito desencarnado. Para ambas as perguntas, a resposta é amesma: sim e não. Ninguém é capaz sozinho de realizar um fenô-meno mediúnico sem o concurso de algum espírito como tambémtoda produção mediúnica contém elementos de quem se colocacomo intermediário. O fenômeno mediúnico é espiritual e psicológico ao mes-mo tempo, pois ele se processa por via do inconsciente humano,o qual se localiza no perispírito. O conhecimento da psiquê hu-mana é fundamental para a compreensão de como se processauma comunicação mediúnica. Quanto mais se estudar o psiquismohumano mais próximo se chegará do espiritual. A Psicologia, quando despreza as possibilidades de influ-ências espirituais na vida do ser humano, deixa de compreendê-
  10. 10. psicologia e mediunidade 11lo adequadamente e assim não consegue criar uma psicoterapiaeficaz. Porém, está próximo o dia em que a ciência psicológicautilizar-se-á dos postulados espíritas em suas teses. Não há saídaà Psicologia senão admitir o Espírito . Se tal não ocorrer, terá de 1mudar de nome para Comportamentologia. Da mesma, o Espi-ritismo terá de se aprofundar cada vez mais no estudo da psiquêdo ser humano encarnado, a fim de fazê-lo melhor entender ofenômeno mediúnico. Um dos objetivos neste trabalho é estreitar a relação entreo Espiritismo e a Psicologia trazendo questões fronteiriças parasubsidiar um estudo mais detalhado ao leitor mais exigente. É umpequeno ensaio, como disse antes, sobre a interface entre o psi-cológico e o espiritual, no qual busco analisar as possíveis interfe-rências entre o psiquismo de um desencarnado e de um encarna-do. Busco provocar idéias que falem sobre as implicações namente encarnada e na vida dos médiuns, da atuação da faculdademediúnica que todo ser humano possui. O litígio existente entre Psicologia e Espiritismo é aparente.São conhecimentos para a evolução humana que não estão emconfronto nem se contrariam. A Psicologia ainda incorporará emseu campo aquilo que o Espiritismo vem afirmando ou então teráque surgir um novo saber humano que unirá o psíquico ao espiri-tual. O Espiritismo, por sua vez, quando se propõe a educar o serhumano quanto à imortalidade da alma, não necessita do que hojea Psicologia alcançou, mas se acaso quiser, e creio que sim, tam-bém contribuir para o processo de auto-transformação do indiví-duo, terá que adotar algumas propostas da maioria das escolaspsicológicas. Peço ao leitor que faça o teste proposto no corpo destelivro a fim de melhor se familiarizar com seu conteúdo e tambémperceber como se encontra sua sensibilidade mediúnica. É um1 Chamo de Espírito a essência espiritual, princípio inteligente, independente doperispírito e do corpo físico. Chamo de espírito a personalidade, constituída deEspírito e perispírito, encarnada ou desencarnada.
  11. 11. 12 adenáuer novaessimples teste que não tem a pretensão de ser infalível, mas quecertamente o levará a cuidar melhor de sua mediunidade. Apóster respondido às questões, caso você tenha dúvidas, aplique-asem outra pessoa e compare os resultados. Você constatará que amediunidade é universal e que todos nós deveríamos prestar maisatenção a ela. Independente do resultado a que o teste chegue,procure esclarecimentos sobre mediunidade em O Livro dosMédiuns. Um outro objetivo deste modesto trabalho é a tentativa depopularização da mediunidade como faculdade natural no serhumano, bem como mostrar os inconvenientes que decorrem desua não percepção. Desculpe-me o leitor se vier a parecer que quero por de-mais psicologizar a mediunidade ou torná-la produto exclusivodo inconsciente. Quero apenas torná-la acessível ao humano paraque ele cada vez mais se espiritualize. Salvador Outubro de 2002
  12. 12. A subjetividade do mediúnico O mediúnico é subjetivo por natureza, pois ocorre peloinconsciente humano. Não pertence à consciência muito emboradeva tornar-se consciente para o crescimento humano. Sua obje-tividade deverá ser colocada a serviço do ser humano em suabusca pela felicidade. Por mais que sejamos preconceituosos com a mediunidade,considerando-a produto religioso ou fruto de crendice popular,ela interfere intensamente no estado psíquico e emocional do serhumano. Não é ela uma faculdade extra-humana nem tampoucoadquirida exclusivamente no exercício de práticas transcendentese místicas, pois sua aquisição é fruto do desenvolvimento da cons-ciência nos milênios de evolução da espécie. Ela se estruturou noser humano a partir de seu contato com a morte como fenômenonão controlável e catalisador de acesso ao inconsciente, tantopara aquele que desencarna como também para os seus, que fi-caram. A mediunidade é uma aquisição evolutiva do espírito emface de seu refinamento, possibilitando-o perceber uma dimen-são energética acima da vibração típica do corpo físico. Ela permite uma comunicação entre seres através doperispírito em freqüências que superam aquela que ocorre comos sentidos físicos e por meio dos centros cerebrais. Sua percep-ção pelo ser humano foi possível graças à evolução de seu apare-
  13. 13. 14 adenáuer novaeslho cerebral, pois quando este se mostrou maduro e com o córtexdesenvolvido, a faculdade tornou-se perceptível. Seu alcance é maior do que aquele que usualmente se ob-serva na prática da desobsessão. Como se trata de algo adquiri-do pela evolução do espírito em benefício de seu próprio pro-gresso e felicidade, sua utilidade transcende o auxílio espiritual adesencarnados. Como tudo o que é adquirido pelo espírito em evolução,sua estruturação se localiza no perispírito, instrumento com o qualo Espírito se comunica com o mundo. As faculdades humanasforam adquiridas e desenvolvidas no contato do Espírito com amatéria, cujo produto resultante, de um lado, foi a constituição doperispírito, e, do outro, a absorção pelo primeiro do conheci-mento das leis de Deus. Os estudos de Allan Kardec, principalmente aqueles cons-tantes em O Livro dos Médiuns, proporcionaram um olhar maisobjetivo e crítico sobre a mediunidade, tornando-a perceptívelaos meios intelectuais. Isso, por si só, não a tornou popular ouesgotou seu estudo e sua compreensão. Estudos maisaprofundados, bem como sua constante utilização, a tornarão umimportante meio de comunicação do ser humano. A mediunidade é faculdade humana e deve ser utilizada paraa felicidade do ser encarnado ou do desencarnado. Seu não usopromove atrofia e limitações evolutivas. Quando digo uso, nãome refiro àquele decorrente da prática espírita, de utilidade ób-via, mas à ampla aplicação na Vida em geral, principalmente nasricas relações humanas. Sua não utilização pode ser comparada à atrofia decorren-te do não uso das asas, que fez surgir espécies de aves de vôobaixo e limitado, como os pavões, incomparavelmente belos, mascujos apêndices lhes servem mais como enfeites. As práticas místicas e ritualísticas de povos primitivos, nasquais o fenômeno mediúnico era referenciado, revelam a forçapsíquica da mediunidade que atravessa os séculos com a mesma
  14. 14. psicologia e mediunidade 15atratividade. Os metapsiquistas e parapsicólogos do passado seocuparam, e se ocupam, em demonstrar a veracidade do fenô-meno mediúnico enquanto que os espíritas de hoje lhe mostram oalcance, a serviço do bem estar dos médiuns e na prática da ca-ridade aos desencarnados. Ir além disso, que é necessário, é dis-seminar o uso da mediunidade na vida prática do ser humano semtorná-la instrumento de degradação dos valores morais já con-quistados. O ser humano jamais poderá viver sem esta excelente fa-culdade, inerente à sua atual condição: estar conectado à matériapelo perispírito. Sua utilização representa um degrau acima naevolução espiritual e é fundamental para o desenvolvimento psi-cológico do indivíduo. Sem seu uso não se avançará muito naevolução; por outro lado, o uso que fará dessa faculdade permi-tirá que avance na escala evolutiva, desatrelando-se de forma trans-cendente da matéria bruta, da mesma forma que outrora o réptilalçou vôo na condição de ave portadora de asas para gozar desua natural liberdade. As polaridades da evolução (material e intelectual) são ex-tremos que revelam, entre si, um espectro muito largo de possibi-lidades evolutivas. Entre elas (as polaridades) existem processosa se desenvolverem para que se alcancem níveis evolutivos supe-riores. Um deles é o desenvolvimento e uso da mediunidade. O exercício da mediunidade não é um ato que pertence aoespírito desencarnado. A mediunidade pertence ao médium que,embora não seja autor do fenômeno que porventura se produza,pode, às vezes, sob certas condições, provocá-lo. A educaçãoda faculdade é responsabilidade do médium que deve colocá-la aserviço de situações que transcendem a da ajuda a desencarnadosnecessitados de esclarecimentos. A mediunidade é mais do queuma faculdade para a desobsessão de espíritos. É uma janela doEspírito para as dimensões existenciais do universo. A consciência, por parte do médium, de que é portador dafaculdade mediúnica contribui para seu desenvolvimento em face
  15. 15. 16 adenáuer novaesda permanente ligação que ela favorece com o espiritual. É essaconsciência que o fará educá-la a serviço de sua realização pes-soal. Por enquanto usamos a mediunidade como instrumento paraobtenção de algum favor proveniente das forças espirituais. Ain-da a usamos numa relação de troca. Queremos com ela obteralguma vantagem sobre algo com o qual não sabemos lidar obje-tivamente. Muitas vezes estabelecemos uma relação com os espíritoscomo o fazemos com Deus. Atribuímos a eles um certo poderdivinatório de tudo fazer em nosso favor. Nem sempre o conse-guem. Bom quando o fazem. Porém, independente do resultadodo pedido, isso demonstra que os colocamos num certo lugar dedetentores do poder e a nós de eternos pedintes. Eles são pesso-as. Nada mais do que isso. A cultura mítica de reverenciar osespíritos favorece uma relação subserviente e desigual, depreci-ando a mediunidade. Se de um lado malbaratamos a mediunidade, estimulandoseu uso exclusivamente na esfera institucional, do outro, em facede ser a mente humana por demais complexa, a psicologia vemnegando com veemência a possibilidade das comunicaçõesmediúnicas. Porém, quanto mais o conhecimento avança, mais sedesprende o véu da ignorância quanto aos intrincados processospsíquicos. É no estudo do inconsciente e das capacidadesintelectivas humanas que se descobrirá a existência do perispírito,sede dos processos psicológicos e mediúnicos do ser humano.Isolar o mediúnico do anímico-psicológico, por enquanto, é comoquerer separar a água do vinho. Eles estão intimamente ligadosnuma feliz interdependência. A mediunidade é uma faculdade tão subjetiva que não nosdamos conta da gama de fenômenos que só ocorrem por contade sua existência. Por exemplo, as ligações amorosas entre osespíritos encarnados e desencarnados, também ocorrem pelasvias da mediunidade sem que, na maioria dos casos, eles se dêem
  16. 16. psicologia e mediunidade 17conta. Da mesma forma, as transmissões de saber e de sentimen-tos ocorrem pela faculdade mediúnica que as criaturas possuem. Será sempre um desafio ao ser humano transcender suamaterialidade. Por muito tempo buscará em seu corpo e de acor-do com paradigmas enraizados nas estruturas cerebrais explica-ções para o psiquismo humano. A linha divisória entre o que ématerial e o que é espiritual inexiste. Mesmo aqueles que se en-contram desligados do corpo físico têm dificuldade em estabele-cer a diferença entre uma dimensão e outra.
  17. 17. Definição de Mediunidade Não é fácil encontrar-se uma definição precisa de mediunidade.Suas correlações e enraizamentos com a estrutura cerebral, com operispírito e com a própria natureza íntima do Espírito é muito intensae por demais complexa. Prefiro aqui defini-la de várias formas a fimde melhor expor seu conceito e com o intuito de ampliar sua compre-ensão. O leitor verá que as definições serão incompletas e que me-lhor seria reuni-las numa só. Não o faço por conta da natureza trípliceda mediunidade. Tal qual a luz, que pode ser definida como onda ecomo partícula, a mediunidade pode ser definida como faculdadeorgânica, psicológica e espiritual simultaneamente. É uma faculdade do Espírito que o permite comunicar-se comoutros que estejam em freqüência vibratória diferente. Por extensão,permite que o Espírito que esteja encarnado se comunique com ou-tros sem o uso dos sentidos físicos sensoriais, numa alta freqüência,acima da que o cérebro capta ou emite da realidade. Ela só é expli-cável graças à existência do perispírito, que possui propriedades quecapacitam o cérebro a conectar-se numa faixa freqüencial acima deseu nível. Pode-se admitir que haja um sistema mediúnico composto dasestruturas cerebrais e dos elementos perispirituais, os quais possibili-tam que uma conexão interdimensional se estabeleça. É uma faculda-de que contém um componente na estrutura cerebral e outro naperispiritual.
  18. 18. psicologia e mediunidade 19 O uso que o indivíduo faz dessa faculdade estimula seudesenvolvimento e aperfeiçoamento das conexõesinterdimensionais em diferentes níveis evolutivos. As percepçõesficam cada vez mais nítidas, isto é, as conexões se tornam maiscompletas. A mediunidade tende a se acentuar quando há uma certadisposição do indivíduo em que o fenômeno ocorra. Parece queo fato de se sentir capaz de produzi-lo, influencia na ocorrênciado fenômeno, aumentando a parte anímica que ele sempre apre-senta. A vontade e o desejo das mentes envolvidas favorecem aexistência do fenômeno, mesmo quando ocorre à revelia de umadelas. É uma faculdade que predispõe o indivíduo ao contato comoutras pessoas que se encontrem em dimensões que ultrapassamo sistema tridimensional humano típico. O contato constante do ser humano, desde os primórdiosde sua evolução, com espíritos desencarnados promoveu altera-ções no campo cerebral permitindo o surgimento de circuitosneuronais capazes de captar pensamentos emitidos por campostetradimensionais. Trata-se da formação de conexões de neurôniosem rede, ainda não identificada, que possibilita tal tipo de comu-nicação. Isso é genético na espécie humana. A mediunidade permite a existência do fenômeno da co-municação entre espíritos em níveis dimensionais diferentes. Dá-se uma conexão entre as mentes de duas pessoas. Essa conexãose dá por justaposição, não existindo contato físico, pois ocorreuma espécie de indução, à semelhança do que se dá com osurgimento da energia elétrica. A mediunidade é uma faculdade humana e está relacionadaa uma certa disposição cerebral específica, provavelmente torna-da possível após a formação da camada cortical cerebral no hu-mano. É uma aquisição decorrente da evolução anímica e estáumbilicalmente relacionada ao perispírito.
  19. 19. Mediunidade e alegria Sinto falta da alegria e da espontaneidade no trato das pes-soas com a mediunidade. Mediunidade diz respeito a espíritos eestes se relacionam com a morte, o que induz ao medo e à triste-za. Essa cadeia de palavras e sentimentos dificulta a relação damediunidade com a alegria. É claro que estamos lidando com umassunto muito sério, porém falamos de algo que deve trazer felici-dade e paz a quem dele se utiliza. Não precisamos ser carrancu-dos ou atormentados ao estudar ou exercitar a mediunidade. Elaé faculdade do Espírito e para o Espírito e visa, sobretudo, suafelicidade. O contato com os espíritos, por mais desequilibrados quesejam ou mesmo doentes, deve ser num clima cordial, afetivo eespontâneo, pois tanto a doença quanto o desequilíbrio arrefe-cem-se em contato com a alegria. Um médico ou quem visite aum doente internado deve estabelecer uma conexão emocionalque eleve seu estado de humor e de confiança. Do contrário,contribuirá para reduzir suas defesas imunológicas em face doambiente pesaroso ou grave que se estabelecerá. No trabalho de desobsessão, isto é, de contato com espí-ritos desencarnados em condição agressiva ou hostil, indepen-dente da atitude segura e do estado de oração, não se deve es-quecer da alegria íntima, a qual passará para as pessoas e para oambiente onde se encontram. Quando falo de alegria não me re-
  20. 20. psicologia e mediunidade 21firo a gargalhadas ou ao desrespeito às pessoas doentes, mastranqüilidade e confiança para lidar com as experiências da vida.Tampouco a alegria se trata de brincadeira ou de futilidade, masde um estado íntimo de equilíbrio e satisfação pessoal. O estado de alegria íntima não prejudica a ocorrência dofenômeno mediúnico, tampouco influirá na qualidade das comu-nicações. A alegria no ser humano será sempre um catalisadordos estados de paz e equilíbrio que atrai os Bons Espíritos. A vida nos convida à alegria a fim de superarmos vivênciasaversivas que se encontram no inconsciente, estruturadas nas di-versas experiências reencarnatórias. A mediunidade está atrela-da, provavelmente, a experiências que contêm medo, tensão,morte, poder, dentre outras. Para modificarmos tais emoções pre-cisamos viver experiências de alegria com a mediunidade. Os desconfortos provocados pela faculdade mediúnica sãodecorrentes da percepção exclusiva que se faz de alguns de seusefeitos. Na maioria das vezes a mediunidade provoca sensaçõesdesconhecidas e desagradáveis no ser humano e isso o leva arenegá-la em face dos desequilíbrios decorrentes. Geralmente o desabrochar da mediunidade ostensiva se fazacompanhar de perturbações e sofrimentos para o indivíduo. Nemsempre é fácil atravessar esse período de dores e incertezas comalegria. Muitos distúrbios emocionais aparecem por conta das difi-culdades em se lidar com a própria sanidade na fase em que amediunidade desabrocha com muita intensidade. O preconceitocontra o exercício da faculdade mediúnica também vem dessesinconvenientes. A melhor maneira de atravessar essa fase é encararum estudo sério a seu respeito junto a pessoas mais experientes. O desabrochar da mediunidade ostensiva provoca essesinconvenientes porque o ser humano ainda vive uma espécie deinfância em sua evolução, sendo a faculdade uma recente aquisi-ção. Quando mais maduro verá o grande valor que ela tem comoimpulsionadora de seu desenvolvimento psíquico. Verá que seuuso trará mais ganhos que perdas.
  21. 21. Verifique se é hora de cuidar de sua mediunidade Leia atentamente as perguntas abaixo e responda sim ounão. Elas podem apresentar indícios de incômodos com suamediunidade. Não são patologias, mas sinais indicadores de quevocê deve se preocupar com sua mediunidade. 1. Alguma vez já lhe chegou às mãos um livro espírita paraque lesse? Em caso negativo, procure conhecer sua mediunidade,ao menos teoricamente, lendo O Livro dos Médiuns assim comooutras obras de Allan Kardec; 2. Suas conversas com os amigos sempre acabam por gi-rar em torno do espiritual? Caso você tenha preconceito em rela-ção a esse assunto verifique sua proximidade com o místico e otranscendente ou quão distanciado se encontra. Estar lendo estelivro, por exemplo, é um dos indícios; 3. Tem lhe ocorrido sonhar com pessoas que já faleceramou ter sonhos premonitórios? Verifique a quantidade e freqüênciacom que se lembra de seus sonhos, sobretudo aqueles nos quaisaparecem pessoas que já morreram e passe a anotá-los; 4. Ultimamente você tem recorrido à religião ou a práticasmísticas para solução de seus conflitos? Quando o fizer aproveitetambém para refletir sobre seus processos internos não resolvidos;
  22. 22. psicologia e mediunidade 23 5. Você tem presenciado fenômenos espíritas ou ouvidorelatos sobre eles que lhe despertaram a curiosidade? Caso ne-gativo, passe a verificar a ocorrência de fenômenos em sua vida,para os quais você não encontre uma solução lógica e racional; 6. Já lhe ocorreram fenômenos de sincronicidade , os quais 2lhe têm causado surpresa? Em caso negativo, passe a observar afreqüência com que eles podem estar ocorrendo em sua vida erelacione-os com seu mundo interior; 7. As pessoas a sua volta costumam convidar-lhe a quebusque sua espiritualidade? Caso não tenha acontecido, aproveiteagora para atender ao apelo e entrar em contato com o sagradoem você. Não espere mais tempo, pois a vida nos convida demuitas maneiras quando estamos preparados; 8. Tem surgido, internamente em você, o desejo forte de seligar a uma religião ou ao desenvolvimento de sua mediunidade?Não espere que o desejo surja; dedique-se desde já a seudesenvolvimento espiritual, a fim de não desencarnar sem iniciaro encontro com o divino; 9. Têm ocorrido alterações freqüentes na qualidade de seusono? Verifique se você tem tido muita insônia ou pesadelos, poisesses são fortes indícios de influências espirituais. Em caso positivo,busque ajuda espiritual e psicológica. Em caso negativo, nadaque se preocupar; 10. Você tem tido sensações de desmaio, falta de ar, medosem causa aparente, taquicardia e sensação de presenças a suavolta? Caso esses sintomas ocorram simultaneamente, procurelogo lidar com sua mediunidade, pois ela está relacionada a essasocorrências. Caso você tenha dito sim a pelo menos um terço dasafirmações acima, é sinal de que sua mediunidade está precisando2 Principio da conexão acausal. Quando dois fenômenos, sendo um deles interno e ooutro externo, se correlacionam sem que haja uma lógica explicação para tal, diz-seque se trata da sincronicidade. Por exemplo: pensar numa pessoa e em seguidaobservar alguns números do telefone dela na placa de um carro que vê passar na rua.
  23. 23. 24 adenáuer novaesde que você a ela se dedique com seriedade. Vá em frente. Nãoperca mais tempo. Tenha certeza de que será muito importantepara sua vida e para seu futuro espiritual. Dedicar-se à mediunidade é estudá-la e exercitá-la visandosua própria felicidade, bem como fazer de seu uso um dos vetoresda realização pessoal. Exercer a mediunidade apenas para ajudaro próximo pode ser equívoco, pois faltará o ajudar-se a si mesmocolocando-a a serviço do processo de desenvolvimento espiritual.Algumas pessoas passam a encarnação dedicando-se ao exercícioda mediunidade a serviço do próximo, e chegando a certa idadeperguntam-se para quê e qual o seu significado na própriarealização pessoal. O exercício da mediunidade não está dissociado doprocesso de realização pessoal, pois a vida exige que cada um,além de ajudar o próximo, observe a si mesmo e cuide de seumundo íntimo.
  24. 24. Pequenos exercícios práticos Exercitar a mediunidade é uma atividade que requer estu-do em face da complexidade do assunto e dos inconvenientesque podem ocorrer. Ocupar-se com o fenômeno espiritual não écomo lidar com o material, visto que o primeiro, ao contrário dosegundo, ultrapassa os limites da mente consciente, penetrando oinconsciente de quem o exercita. Os exercícios aqui descritos nãovisam preparar a pessoa para o trabalho mediúnico nos moldescomuns de um Centro Espírita, mas apenas contribuir para aflexibilização psíquica de quem pretende lidar com os espíritos. Aespera em oração numa reunião mediúnica, visando uma comuni-cação espiritual, não se constitui, propriamente, num exercíciopara o desenvolvimento da mediunidade, mas tão somente umestado pré-disponível à ocorrência de um contato mediúnico. Damesma forma, a confiança, a segurança, a paciência, a tranqüili-dade e a paz interior são condições desejáveis à mente de quempretenda uma comunicação de ordem elevada. É sempre acon-selhável que o exercício da mediunidade se faça acompanhar nãosó dessas condições psicológicas como também de estudo ade-quado das questões pertinentes ao assunto. Além dessa espera,do estudo e das condições íntimas apontadas, é necessário quese exercite a faculdade de forma direta e consciente. Por essemotivo, elaborei alguns exercícios preparatórios ao desenvolvi-mento da faculdade mediúnica em si, os quais não excluem o es-
  25. 25. 26 adenáuer novaestudo, a oração, bem como outros requisitos recomendados porAllan Kardec para o trato com os espíritos. Os exercícios que relacionei não são suficientes a quemqueira trabalhar mediunicamente, pois são apenas preparaçãopsicológica para o inicio do desenvolvimento da faculdade. Àquelesque alcançarem êxitos nesses exercícios, aconselho a que procu-rem uma instituição espírita, se dediquem ao estudo e recebamorientação de pessoas mais experientes com a mediunidade. Evite fazer estes exercícios indiscriminadamente. Escolhaum deles por um período de tempo, só iniciando outro tipo apósavaliar resultados anteriores. 1. Coloque-se disponível à captação de idéias novas, emmesmo dia e horário na semana, por uma hora. Escolha um localsilencioso de sua casa no qual nada o incomode. Sentado à mesa,coloque algumas folhas de papel ofício e caneta à sua frente e,por aquele período de tempo, aguarde o impulso natural de es-crever alguma idéia que não lhe seja habitual. Antes do início doexercício, faça uma oração, a fim de atrair os Bons Espíritos.Faça o exercício no mínimo durante dois meses e no máximo porquatro meses. Mostre a eventual produção a alguém que sejaexperiente com mediunidade. As eventuais manifestações quepossam lhe deixar com receios ou ocorrências desagradáveis, queporventura aconteçam, devem ser levadas à mesma pessoa ex-periente, antes de se dar continuidade ao exercício. 2. Peça a um amigo que separe três objetos quaisquer semque você saiba quais e coloque-os dentro de uma caixa de sapa-to, fechando-a e embrulhando-a com papel de presente. Em pre-sença dele, e num local em que não haja interferência de tercei-ros, tente, apenas colocando uma de suas mãos em cima da cai-xa, perceber e descrever quais objetos se encontram em seu inte-rior. Seu amigo anotará suas observações. Você deverá estar sen-tado, a caixa à sua frente em cima de uma mesa. Antes de colocar
  26. 26. psicologia e mediunidade 27a mão sobre a caixa você deverá fazer uma oração, a fim de atrairos Bons Espíritos. Peça a seu amigo que repita a experiência pordez vezes, com diferentes objetos e apresente os resultados noúltimo dia. Leve os resultados a uma pessoa experiente emmediunidade. 3. Escolha um mesmo dia e horário da semana, durantepelo menos dois meses e no máximo por quatro meses, por umahora, sozinho no quarto onde você dorme. Sente-se em sua cama,após uma oração a fim de atrair os Bons Espíritos, feche os olhose passe a observar as possíveis imagens que lhe ocorram na men-te. Observe também se você ouve vozes dentro de você. Colo-que um pequeno despertador ao seu lado. Previna-se para nãoser incomodado naquela uma hora. Após meia hora abra os olhose, munindo-se papel e caneta, anote suas observações e visões,caso ocorram. Reinicie o exercício para completar-se a outra meiahora. Leve os resultados a uma pessoa experiente em mediunidade. 4. Semelhante ao 2, peça a um amigo que lhe leve um ob-jeto de uso pessoal que pertence a alguém que você não conhe-ce. Não há importância se a pessoa é falecida ou não. De possedo objeto, tocando-o diretamente por alguns minutos, concen-trado nele e após orar aos Bons Espíritos, você tentará captar asvibrações que nele estão impregnadas. Tente repetidas vezes du-rante uma hora por dia. Durante uma semana repita a experiênciacom o mesmo objeto. Faça o exercício por dez semanas, comdez diferentes objetos, de dez diferentes pessoas. Antes de cadaexercício, peça ao seu amigo para anotar suas impressões sobreeles verbalizadas. Tente também captar as histórias associadasaos objetos. Procure concentrar-se o suficiente a fim de captardados realmente identificadores das personalidades às quais per-tencem. Ao final das dez semanas, peça ao seu amigo os dadosde seus respectivos donos e apresente-os, com as observaçõesanotadas, a alguém experiente em mediunidade.
  27. 27. 28 adenáuer novaes 5. Escolha um mesmo dia e horário da semana durante nomínimo dois meses e no máximo por quatro meses; por uma hora,deite-se confortavelmente num local onde você não possa serperturbado. Escolha um horário em que não esteja com sono.Após uma oração pelos Bons Espíritos, feche os olhos e imagine-se na casa de um amigo, na qual você nunca esteve, nem saiba adescrição minuciosa de seu interior. Tente sentir-se deslocandopelo interior da casa. Faça também algumas tentativas de desdo-brar-se para locais conhecidos. Com ou sem sucesso nestas ten-tativas, faça o exercício para locais desconhecidos, os quais vocêtenha meios posteriores de checar. 6. Faça este exercício uma vez por semana, num mesmodia e sempre ao deitar-se. Pense numa ou mais pessoas que vocêsaiba já ter desencarnado. Pessoas que você conheceu de perto.Faça uma oração por elas, desejando-lhes, onde estiverem, paze harmonia. Peça aos Bons Espíritos que, se possível, coloquemvocê em contato com aquelas pessoas e que você se lembre doencontro ao acordar. Faça este exercício por, no mínimo, doismeses e, no máximo quatro meses. Verifique o resultado, obser-vando se houve aumento do número de vezes em que você selembrou de seus sonhos e se aqueles desencarnados neles apare-ceram, por até dois meses depois. 7. Escolha um local silencioso e agradável. Sente-se oudeite-se fechando os olhos. Faça uma oração aos Bons Espíritos.Procure centrar seu pensamento em algum assunto de seu inte-resse que não esteja relacionado a um conflito específico. Apósescolher o tema, medite em torno dele, questionando-se sobre oconceito que tem a seu respeito. Em seguida visualize um objetoque a ele esteja relacionado em seus mínimos detalhes. Ao formaro objeto em sua mente pinte-o com a cor azul. Faça-o tornar-seazul bem claro e em seguida faça-o diminuir ao tamanho da palmade sua mão. Visualize então a figura de um ser espiritual à suafrente. Dê-lhe então o objeto de presente.
  28. 28. psicologia e mediunidade 29 8. Faça este exercício por dois meses seguidos e sempreao dormir. Após deitar para dormir procure relaxar o máximopossível, ficando imóvel na cama em posição de decúbito dorsal(com o ventre para cima). Procure não se mexer em hipótesenenhuma. Não há problema se você pegar no sono. Caso issoaconteça, tente no dia seguinte. Deitado sem se mexer e de olhosfechados imagine que seu corpo está subindo, isto é, que ele estálevitando. Não faça qualquer esforço físico para isso. Apenasimagine que seu corpo sobe. Sinta-o leve e planando acima dacama. Caso você não durma durante o exercício, faça-o por pelomenos dez minutos e no máximo por vinte minutos. Após essetempo, relaxe e durma normalmente.
  29. 29. Aos psiquiatras Pretensão de minha parte querer algo ensinar aos médicospsiquiatras, no que diz respeito a assuntos de sua área profissio-nal. Um psicólogo é apenas um profissional que “enxerga” o sercomportamental, buscando entender-lhe as razões e motivaçõesa fim de mostrá-las visando sua adequação psíquica. Porém, umpsicólogo que acrescenta uma percepção espiritual, talvez tenhaalgo a dizer, sem arrogância e destituído de qualquer intenção dedesmerecer ou diminuir a psiquiatria. A abordagem da psiquiatriaainda gira em torno do sintoma e da química que supostamente oprovoca. Quando não aliada a uma psicoterapia, a ação dospsicofármacos por ela utilizados será apenas paliativa e, às vezes,protelatória de uma efetiva cura. Da mesma forma, em certoscasos, sem os psicofármacos será impossível ao doente suportara pressão do inconsciente sobre sua consciência. Imprescindíveis os recursos dos psicofármacos, principal-mente nas tendências auto-destrutivas. Sem eles, em certos ca-sos, não é possível ao indivíduo portador de graves transtornospsíquicos, conter ou reduzir os efeitos da pressão que sofre naconsciência. Medicações administradas em doses adequadas atin-gem o sistema nervoso central inibindo a captação pelo córtexcerebral dos impulsos oriundos do inconsciente perispiritual. O córtex cerebral é extensão da consciência na qual o egose fixa para lidar com a realidade. Sua inibição permite ao ego
  30. 30. psicologia e mediunidade 31proteger-se da força exercida pelas imagens emocionais oriundasdo inconsciente. Quando o psiquiatra prescreve uma medicação,sabe que estará atingindo apenas parte da consciência, inibindoparcialmente a ação do inconsciente. Não estará reduzindo a to-talidade dos sintomas nem sequer atingindo a causa, em face dese encontrar ela, na maioria dos casos, no inconsciente. Penetrarneste requer mais do que uma substância química. É necessárioentendê-lo em sua linguagem simbólica e carregada de proces-sos. Os sintomas são representações de processos psíquicos nãoresolvidos, os quais são por eles aliviados. Será sempre necessá-ria uma psicoterapia a fim de se alcançar a raiz do problema. A compreensão da mediunidade é uma das ferramentas parase entender melhor a mente humana e suas relações com o espi-ritual. A mediunidade possibilita que a ligação virtual entre a cons-ciência e o inconsciente seja mais intensa, em face da excitaçãocerebral (cortical e subcortical) que ela provoca. Certas substâncias químicas inibem parcialmente aquela li-gação, reduzindo o nível de exposição da consciência e, em par-ticular, do ego, às influências psíquicas. Por outro lado, outrassubstâncias ampliam de tal forma a ligação da consciência com oinconsciente excitando a camada cortical, provocando descon-trole insuportável ao indivíduo. Em alguns casos, a retirada ou mudança abrupta de medi-cação pode provocar alterações significativas no comportamentodo indivíduo. De um lado, por conta da interação já havida entreas substâncias medicamentosas e os neurotransmissores e, poroutro lado, por causa da alteração do campo de ligação entre aconsciência e o inconsciente que a mudança provocaria. A mu-dança ou retirada brusca de certas medicações, em alguns indiví-duos em surto psicótico, sob intenso processo de obsessão, ecom tendências auto-destrutivas, pode provocar a desestruturaçãodo ego e conseqüente suicídio. A obsessão, por via da mediunidade, é componente sem-pre presente na psicose, pois esta se caracteriza pela abertura
  31. 31. 32 adenáuer novaesinadequada entre o inconsciente e a consciência sem o devidocontrole do ego. Tal abertura amplia a sensibilidade do indivíduoàs percepções espirituais. A psiquiatria não reconhece, ou pelo menos não aplica, astécnicas psicoterápicas na descoberta das causas e no tratamen-to das afecções mentais. Menos ainda fazem os psiquiatras quenão utilizam a desobsessão, pois não reconhecem a possibilidadeda existência dos espíritos e da mediunidade como componentessempre presentes na psicopatologia. Os processos mentais, excluídos aqueles provocados porproblemas neurológicos, merecem tratamento psicológico, psi-quiátrico e espiritual. Às vezes requer apenas um deles e, em al-guns casos, dois ou os três combinados. Saber reconhecer quan-do um problema deve ser tratado como psiquiátrico, psicológicoou espiritual é fundamental para a eficácia de sua cura. Em alguns casos, nos quais a psicose está presente, a com-plexa operação de internação da pessoa poderia ser evitada se otratamento espiritual fosse utilizado, o qual contribui para o seuequilíbrio psíquico e espiritual. Em tais casos, a família exerceriaimportante papel no tratamento quando assumisse a responsabi-lidade sobre seu doente e o considerasse também como um sin-toma da morbidez do grupo. Em meus pacientes que se encontram sob tratamento psi-quiátrico, nos quais noto existir uma contribuição das influênciasespirituais aversivas, quando não se torna possível recomendar-lhes o recurso espírita, costumo fazer orações por eles. Algumasvezes, quando o psiquiatra é receptivo ao espiritual, entro emcontato com ele, informando-lhe quanto à problemática da ob-sessão. Em alguns casos, quando há receptividade de algum mem-bro da família, alerto para que o grupo busque o recurso no Espi-ritismo. Um outro aspecto importante a se colocar é sobre a conta-minação a que está sujeito o profissional que lida com apsicopatologia. O profissional médico ou psicólogo que lida com
  32. 32. psicologia e mediunidade 33a psicopatologia (principalmente psicoses e a esquizofrenia) nãopercebe o campo mediúnico a que está exposto. Por estar nacondição de quem quer ajudar, mesmo que o faça profissional-mente, sofre as influências agressoras, de “quem” (espíritosdesencarnados) deseja prejudicar seus pacientes. Seria prudenteque eles buscassem algum tipo de prevenção, no mínimo procu-rar conhecer a mediunidade, seus inconvenientes e perigos. Apossibilidade de “contaminação psíquica” é muito maior do quese possa imaginar. Por comparação, pode-se lembrar da conta-minação às infecções a que os médicos estavam sujeitos nas ci-rurgias quando não usavam luvas. A psiquiatria e a psicologia devem se unir para o tratamen-to dos transtornos psíquicos. É imprescindível que um psiquiatraconheça os fundamentos da psicologia para melhor avaliar seupaciente, tanto quanto é importante ao psicoterapeuta o entendi-mento sobre a ação dos psicofármacos e o funcionamento dosneurotransmissores para uma melhor compreensão dos sintomase do comportamento dos seus. Provavelmente, num futuro próxi-mo, deva surgir uma ciência que combine estes dois grandes cam-pos do saber. Porém, ambas juntas ou isoladas serão sempresuperficiais se não se debruçarem sobre a faculdade mediúnicado ser humano. Por mais que estude o cérebro, a neurologia e aneuropsiquiatria não encontrarão a raiz da mediunidade tateandoestruturas cerebrais que apenas lhe dão suporte no físico. A ação dos espíritos desencarnados no tratamento das pes-soas portadoras de transtornos psíquicos, bem como o que se pro-cessa no mundo íntimo de alguém quando procura uma instituiçãoreligiosa, espírita ou não, são o lado oculto do tratamento espiritu-al, porém, exercem importância capital nas curas dos transtornosmentais. Tenho observado que os pacientes psicóticos que iniciamum tratamento espiritual simultaneamente ao tratamento psicológi-co se libertam mais cedo da dependência química de psicofármacos,bem como diminuem o tempo em permanecem doentes. A recomendação para que o psiquiatra conheça a
  33. 33. 34 adenáuer novaesmediunidade é para melhor entender e orientar seu paciente, comotambém para si próprio, pois sua vulnerabilidade e exposição àsinfluências espirituais nocivas são muito sutis e imperceptíveis. Poreste motivo, a ignorância quanto à mediunidade é um duplo mal.Com o tempo de exercício profissional as defesas naturais que opsiquiatra utiliza vão se desestabilizando, o que o torna cada vezmais vulnerável aos ataques psíquicos. É fundamental que a psiquiatria se dedique ao estudo damente humana, não apenas como se fosse uma bio-máquina, mas,como uma estrutura psíquica que se liga a outras por via damediunidade.
  34. 34. Aos que lidam com desobsessão A profilaxia às afecções psíquicas se inicia com a buscapela harmonia do próprio indivíduo, nos esforços que fez em semelhorar como pessoa. Além disso, ao que se conhece com onome de reforma íntima, deve-se acrescentar o desenvolvimentoequilibrado da mediunidade. O trabalho de esclarecimento às entidades desencarnadas,bem como os esforços para que os complexos processos queprovocam tragédias e sofrimentos que duram séculos se resol-vam, são atividades ligadas à desobsessão, que trazem importan-te contribuição ao equilíbrio e à harmonia do planeta. É um traba-lho quase anônimo e silencioso que as instituições espíritas exe-cutam através de seus trabalhadores. Uma sessão de desobsessãopode, quando bem conduzida e com propósitos típicos, equivalera algumas sessões de psicoterapia. Conversar com os espíritosdesencarnados através de médiuns experientes é uma arte querequer, além de habilidades específicas, muita paciência, humil-dade e amor. Lidar com o psíquico do outro exige que o próprioesteja em harmonia. O trabalho de autotransformação é funda-mental, a fim de se evitar a contaminação psíquica. Tenho vistoalguns operários da desobsessão com graves transtornos psíqui-cos, e outros, após certo tempo, não realizados na vida pessoal.
  35. 35. 36 adenáuer novaesÉ preciso se estar atento não só ao doente desencarnado comotambém ao suposto sadio encarnado que o atende, pois nem sem-pre o ´médico se cura a si mesmo´. As recomendações para queutilize a oração, para que vigie, para que se melhore, são úteis,porém necessitam de detalhamento maior. A oração étranqüilizadora e induz a um estado de paz e equilíbrio íntimo.Porém, ela não resolve por si só os problemas pessoais. A vigi-lância é oportuna, pois induz a um estado de alerta quanto àspossibilidades de equívoco, mas sozinha não soluciona os confli-tos íntimos da personalidade. A reforma íntima requer o contatodireto com o próprio processo de vida e encarar os problemasde frente sem fugir da responsabilidade pessoal. O Centro Espírita que possui reunião de desobsessão deve-ria criar um grupo terapêutico específico para aqueles que nela tra-balham. O grupo seria coordenado por pessoas habilitadas a lidarcom os processos psíquicos humanos e que saibam acolher devida-mente aqueles que desempenham tão delicada função. Por outrolado, o trabalhador da desobsessão, quando não sentir satisfeita suanecessidade íntima de auto-transformar-se e estiver com problemaspsicológicos, pode e deve buscar ajuda individual especializada. Nemsempre o curador consegue curar a si mesmo. É comum o trabalha-dor da desobsessão achar que seus problemas psicológicos se de-vem à obsessão, descuidando-se de seu mundo íntimo. Trabalhar com a desobsessão assemelha-se a lidar com fogo,que exige habilidade e cuidados pessoais a fim de evitar-se quei-maduras. Não é atividade para amadores nem se admite ingenui-dade. Lida-se com o psíquico e o espiritual simultaneamente. O trabalhador da desobsessão deve buscar estudar e co-nhecer os mecanismos inconscientes e o funcionamento da psiquêhumana. Ela funciona no desencarnado à semelhança do encar-nado. Quanto mais conheça uma, mais se familiarizará com a ou-tra. Deve dedicar-se ao estudo das técnicas psicoterápicas paramelhor exercer sua atividade, bem como para se prevenir quantoàs contaminações psíquicas.
  36. 36. Aos psicólogos, terapeutas e curadores da alma Quem lida com a psiquê humana sabe que está diante dealgo por demais complexo para achar que tem o domínio do quenela ocorre. Sempre se lida com hipóteses que, mesmo queconsideradas valiosas e pareçam tudo explicar sobre ofuncionamento da mente humana, são sempre incompletas eparciais. Psicólogos e terapeutas sabem que lidam com a matériaprima de Deus sendo, portanto, bastante complexa e fascinantepara caber numa só teoria. Sabem que devem aproveitar todasas teorias psicológicas quando estão lidando com os conflitospsíquicos humanos. Além delas estão descobrindo que é precisolidar com o fenômeno espiritual e com a mediunidade. Aquelesque consideram suficiente uma teoria psicológica como pano defundo de sua percepção dos processos de seus pacientes estãopor demais atrasados em relação àqueles que utilizam um poucode cada escola psicológica. Mesmo estes últimos, continuamatrasados por desprezarem a mediunidade de seus pacientes. A psiquê humana é um vasto campo a ser explorado, sobreo qual muito se escreveu e ainda se escreverá (como agora ofaço). Os limites a ela impostos, como se seus intrincadosmecanismos estivessem contidos na estrutura cerebral, contribuempara a permanente ignorância que ainda temos sobre os conflitos
  37. 37. 38 adenáuer novaeshumanos. O cientificismo empirista, não permitindo aos teóricos dapsicologia a possibilidade de admitir que algo escapasse aos seusdomínios, levou a que grandes pensadores não ousassem além doslimites de sua época. Embora incapaz de tudo explicar, poder-se-ia admitir, a partirdos conhecimentos da física quântica, que a estrutura cerebral gerasseum campo tetra-dimensional no qual os fenômenos psíquicospudessem ocorrer. Nesse campo virtual encontraríamos a mente eseus processos. Nem esta hipótese é considerada, que dirá a daexistência do perispírito como sede da psiquê humana. Ainda estamoslonge de uma psicologia do Espírito que possa englobar a gamaimensa dos processos envolvendo a mediunidade. O terapeuta, que se encontra atuando no século vinte e um,não pode mais ser conivente com a ignorância do saber científico arespeito da mente humana, devendo ir em busca de conhecimentossobre a mediunidade. Quando o fizer saberá que, independentementeda crença, fé ou teoria psicológica que adote, ou que seu pacientepossua, os fenômenos mediúnicos interferem sobremaneira no sentir,pensar e agir do ser humano. Pelo desconhecimento da mediunidade,muitos tratamentos dos transtornos mentais e das inadequações noagir do ser humano se tornam prolongados ou não são eficazes. Perdem muito os profissionais, e conseqüentemente seuspacientes, que não têm um conhecimento teórico e prático adequadosobre as influências da mediunidade no sentir, pensar e agir do serhumano. Não se trata de transformá-los em espíritas, muito menosem lhes impor uma crença que modifique ou perturbe seu olharcientífico. A compreensão de que os processos psíquicos se estruturamem uma ou mais existências do Espírito, e sob os mais diversospapéis, permite não só uma maior percepção sobre a personalidadede quem se atende como também contribui para a redução do tempode cura. Tal compreensão independe da crença religiosa do paciente,bem como de que a ele seja verbalizado qualquer postuladodoutrinário.
  38. 38. psicologia e mediunidade 39 Trata-se da aquisição de uma ferramenta imprescindível queotimizará a percepção do que se passa na psiquê humana. Porcomparação, é como se um astrônomo deixasse de usar umbinóculo para observar os fenômenos do universo e o fizesse comum poderoso telescópio eletrônico. É por falta daquele conhecimento que as anamneses sãoparciais e os diagnósticos e prognósticos incompletos. Sem ele apsicoterapia se limita ao aqui e agora, sem levar o indivíduo aoencontro com o si mesmo a que se referia C. G. Jung. As terapiasbreves, bem como aquelas que situam as causas dos conflitoshumanos no corpo físico, vêem apenas ´a ponta do iceberg´.Desprezar a mediunidade e as experiências acumuladas nas vidassucessivas é enxergar o indivíduo com um só olho e com miopia. Por enquanto, é o Centro Espírita, cujos fundamentosteóricos se baseiem nas obras de Allan Kardec e que possuapessoas que conheçam a psiquê humana, que se encontra maisapto a acolher os portadores de transtornos mentais, dos quais amediunidade seja um dos veículos. O Espiritismo encarado apenas como uma religião, ousimples crença, concorre para o preconceito e a negação deimportantes teses a respeito da psiquê humana. A possibilidadede aceitar a existência de uma sensibilidade supra-sensorial noindivíduo, a qual pode contribuir para desestabilizá-lopsiquicamente, levaria o profissional à compreensão mais precisadas afecções mentais. O indivíduo é muito mais do que aquilo que os cinco sentidoscomportam, pois o pensar é um ato não sensorial. O que ele pensae sente contém elementos influenciados não só pelas experiênciasacumuladas ao longo de muitos séculos em diversas vidas, bemcomo pelas interferências espirituais favorecidas pela mediunidade. Em meus atendimentos no consultório tento enxergar meupaciente com todas as lentes disponíveis a fim de captar o máximopossível sobre ele mesmo. Faço observações e questionamentosque nem sempre são por ele entendidos, mas que me trazem
  39. 39. 40 adenáuer novaesimportantes subsídios para auxiliá-lo no que busca. Aconselho aoprofissional ou ao entrevistador num Centro Espírita, quando noatendimento terapêutico a alguém, que se lembre das seguintesobservações: 1. Questione a pessoa sobre suas crenças a fim de terconhecimento sobre seu campo consciencial e sua relação com osagrado; 2. Aprofunde-se na percepção do que ela diz quanto aoque fira ou ultrapasse o senso comum e que possa ser atribuído auma causa não convencional; 3. Não se esqueça de que sua (do profissional) crença,componente possível da transferência, fundamentará a expressãode seu cliente. Por este motivo, questione-lhe sobre temas queultrapassem a sua e a crença dele; 4. Lembre-se de que os sintomas resultantes das influênciasprovocadas pela sensibilidade mediúnica não são diferentesdaqueles apresentados pelos processos psicológicos naturais. Adistinção é difícil e exige, além de conhecimentos de ambos oscampos de saber, tempo de observação; 5. Não se deixe enganar pela afirmação pura e simples deseu paciente, que acredita tratar-se de um processo exclusivamentepsicológico ou, ao contrário, exclusivamente espiritual. Ambos oscampos, via de regra, se interpenetram; 6. Mesmo tendo conhecimento e percepção de que se tratade sintomas resultantes da faculdade mediúnica não educada, evitecolocar a seu paciente, pois ele poderá não lhe entender, por nãoser detentor dessas noções. Ainda que as tenha, evite da mesmaforma, a fim de não transformar uma sessão de análise ou deterapia numa consulta espiritual; 7. Não levante hipóteses precipitadas sobre as causas dossintomas que um paciente apresente. Espere sempre se acercarde maiores informações sobre todos os aspectos que envolvem avida, crenças e valores da pessoa;
  40. 40. psicologia e mediunidade 41 8. Procure, quando possível, acercar-se de informações sobrea vida familiar e hábitos de seu paciente junto a pessoas que comele convivem. Nem sempre ele informa ou acha relevantes certasalterações de comportamento; 9. Questione-lhe sobre seus inimigos, suas decepções, seusamores, suas relações profissionais, seu lazer, com quem vive, quemedicamentos utiliza, quem o indicou, como são suas relaçõesfamiliares e, sobretudo, sobre sua queixa principal; 10. Analise seu pensar (curso, forma e conteúdo) e suasemoções (alterações do humor); 11. Procure observar seu comportamento na entrevista(agitação, tiques, expressão facial, estereotipias, hipo ouhiperatividade); 12. Procure saber sobre sua conduta, no que diz respeito aojuízo da realidade e falhas de caráter; 13. Informe-se sobre sua vida intelectual e sobre suaslimitações de compreensão no campo da inteligência; 14. Observe sua linguagem (gírias, erros, qualidade econteúdo); 15. Procure perceber sobre sua memória, no que diz respeitoà fixação, retenção e evocação; 16. Na entrevista observe a respeito de sua consciência,principalmente a atenção, a orientação, a vontade, a vivência dotempo e do espaço (unidade e identidade do eu); 17. Verifique como está a afetividade dele (euforias, elação,exaltação, êxtase, ansiedade, depressão, apatia, inapropriação,ambivalência, medos, fobias, pânico); Essas são algumas das observações que podem ser feitassobre uma pessoa, as quais nem sempre são conseguidas apenasna primeira entrevista ou sem ajuda da família. Outras observaçõessurgem a partir do relato do paciente sobre seus sintomas, quepodem revelar aspectos importantes a respeito da natureza espiritualde seu problema.
  41. 41. Pequenas dificuldades e simples soluções Reuni aqui neste capítulo alguns questionamentos que fize-ram parte de minha iniciação quando dos primeiros contatos como Espiritismo e a mediunidade. As respostas aqui assinaladas fo-ram aquelas que me aliviaram a consciência e me tranqüilizaramquanto ao exercício da mediunidade. São simples questionamentose respectivas respostas que podem ser úteis àqueles que se en-contram iniciando o contato com a mediunidade. 1. Aos que sentem influências psíquicas espirituais e nãosabem o que fazer e como vencer a dificuldade. Em todos os casos de suspeita de influência espiritual asrecomendações básicas são: procurar uma pessoa conhecedorado assunto, ou um Centro Espírita, para esclarecer-se; utilizar-seda oração nos momentos de aflição; ler sobre o assunto e nãoconsiderar que é loucura ou simples imaginação. Para vencer adificuldade é preciso ter paciência e tranqüilidade evitando que omedo tome conta da consciência. 2. O que fazer com a mediunidade quando não se querexercê-la institucionalmente. É um equívoco pensar que a mediunidade só pode ser
  42. 42. psicologia e mediunidade 43exercida na tarefa de esclarecimento a entidades desencarnadase num Centro Espírita. Quando a mediunidade for um incômodoe não se queira exercitá-la da forma convencional, deve-se bus-car outras formas de uso que aliviem a tensão provocada peloinconsciente aberto devido à sua manifestação. Antes de encon-trar aquelas formas é necessário e imprescindível que se a conhe-ça. Estudá-la em primeiro lugar. Aconselho a que se inicie pelaleitura de O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec. Após isso,algumas possibilidades são indicadas abaixo. a) Dedicar-se a uma atividade, profissional ou não, na qualo aconselhamento a terceiros faça parte; b) Dedicar-se a uma atividade de cura, a exemplo do pas-se, do Reiki, massagem terapêutica, etc.; c) Participar de grupos de ajuda mútua, a exemplo dasOrganizações Não Governamentais (ONGs) que visem a solida-riedade e a paz social; d) Praticar a meditação, levando a sério suas próprias in-tuições; e) Fazer retiros espirituais, visando entrar em contato comsua natureza essencial; f) Participar de trabalhos terapêuticos em grupo a fim deconectar-se ao sentido principal de sua vida. Independente dessas formas, que são uns poucos exem-plos dentre muitos, a pessoa poderá, se o quiser, preparar-se emalgum Centro Espírita para dar passes, estudar a mediunidade oumesmo, aos poucos, desenvolvê-la em grupos adequados. 3. Como lidar com o desejo de comunicar-se apenas comBons Espíritos e com o chamado “Anjo de Guarda”. Caso você se enquadre nesta categoria, isto é, seja um dosque só querem se comunicar com espíritos bons, não se esqueçade que existem todos os tipos de pessoas desencarnadas. Mes-mo só querendo se comunicar com os bons, você está cercado
  43. 43. 44 adenáuer novaesde outros que não o são e que podem também querer estabelecercontato com você. Querer se comunicar apenas com os bonspode significar que você ainda se relaciona com o espiritual paraobter vantagens. Não se esqueça de que ´seu´ “Anjo de Guarda”é uma das representações do que de bom existe em você, o qualdeve ser buscado. 4. Como lidar com a vontade de ter uma mediunidade pre-cisa e a inveja de quem a tem. A mediunidade é aquisição do Espírito e, de acordo com aintensidade, significa dedicação ao longo de várias encarnações.É preciso se dedicar a ela com afinco. Possuir uma mediunidadeprecisa confere ao médium responsabilidade para colocá-la aserviço da própria evolução e da comprovação da imortalidadeda alma. Por outro lado, ter uma mediunidade tão ampla, colocao médium em contato muito intenso com o espiritual, o que exigematuridade a fim de lidar com as invasões psíquicas decorrentes.Portanto, para realizar aqueles desejos é preciso estudo, dedica-ção, seriedade, humildade e paciência. 5. Como compreender a si mesmo estando em sintonia comos espíritos e com a vida material simultaneamente. É preciso que o médium se perceba como espírito imortal e,como tal, deve realizar-se, independente do trabalho que executacom sua mediunidade em favor do Espiritismo. O trabalho espíritanão é o meio de realização pessoal, mas uma das dimensões davida do médium, que deve conter outras dimensões de realização.O médium deve levar uma vida normal como qualquer outro serhumano sem precisar se considerar um missionário da humanidade.O exercício da mediunidade não deve ser mais importante do queas demais atividades da pessoa em sociedade. O médium deveestabelecer uma relação com os espíritos, de tal forma, que hajamútuo interesse pelo autodesenvolvimento pessoal.
  44. 44. psicologia e mediunidade 45 6. Como enfrentar uma crise existencial na qual o exercícioda mediunidade se encontra em cheque. As crises existenciais são momentos importantes para oEspírito, nas quais ele tem a oportunidade de tomar decisões fun-damentais para sua evolução. Todo ser humano enfrenta crises navida, principalmente após a meia idade. Não deve o médium pen-sar que seria diferente para com ele. Suas crises são como as detodo ser humano. O exercício da mediunidade sendo colocadoem cheque significa pouca consistência em sua inserção nos seuspropósitos pessoais e espirituais na vida. É necessário que o mé-dium entenda o significado do exercício da mediunidade na suarealização pessoal. Seria importante que ele entendesse que suavida espiritual engloba sua vida material, sendo esta última seugrande e atual campo de realização. 7. Como trabalhar mediunicamente estando com desejode fazer sexo. A atividade sexual do ser humano é ocorrência comum aosespíritos, não sendo algo que lhes seja desconhecido. O estadoemocional do médium é o que é relevante no momento do exercí-cio institucional da faculdade. Deve o médium, de acordo comsuas possibilidades e condições de vida, realizar seu desejo, ava-liando as influências que acarretarão em sua mente emocional deforma a que não o atrapalhe no exercício da mediunidade. É me-lhor que a atividade sexual seja realizada e adequadamente satis-feita a fim de que não se apresente como obstáculo ao exercíciopretendido, quer seja pela fixação mental do ato durante o servi-ço mediúnico ou pela repressão indevida. 8. Como ser médium e resolver o medo dos espíritos. O medo no contato com os espíritos é natural e decorre doinstinto de autopreservação. O médium deve ter consciência desua imortalidade e de que os espíritos desencarnados não podemfazer o que querem. Tampouco costumam pôr em risco a vida de
  45. 45. 46 adenáuer novaesseus médiuns. A melhor maneira de reduzir o medo é enfrentan-do-o com determinação e confiança em Deus. Entendendo queos espíritos são pessoas tão comuns como o próprio médium,talvez ele diminua seu medo na medida que for se conscientizandoda falibilidade e fragilidade deles. É importante que o médium nãoatribua tanto poder aos espíritos desencarnados. 9. Como lidar com o deslumbramento decorrente do con-tato com os espíritos. É comum ao médium iniciante, ao receber boas e elogiosascomunicações dos espíritos, deslumbrar-se e achar que é um pri-vilegiado. Não sabe ele que esse fato pode ser o começo de umagrande e solitária responsabilidade. É importante que o médiumse conscientize de que é um intermediário dos espíritos e que aqualidade do que recebe, embora tenha sua contribuição, deveráser submetida ao juízo crítico de pessoas mais experientes, parasua própria segurança. Para lidar melhor com o deslumbramento,deve o médium sempre submeter a outrem as comunicações querecebe. 10. Como lidar com aquelas pessoas interessadas em ob-ter mensagens de desencarnados, que não sabem que istoindepende do médium. É muito importante para o médium que ele seja transparenteno exercício de sua mediunidade. Deve sempre que necessárioesclarecer às pessoas sobre como funcionam as comunicações dosespíritos. Dizer-lhes que não se tem o domínio sobre a vida dosespíritos e que, mesmo que queiram se comunicar, nem sempre oconseguem. A quem lhe pede, recomendar paciência e explicar aimportância da oração em favor da pessoa desencarnada, dando aentender que o ciclo dela na Terra já se findou. Fundamental é ter-se a humildade de admitir a incapacidade de obter o que se pededevido ao livre arbítrio dos espíritos e, quando for o caso, a de-pender das restrições do tipo de mediunidade que se possui.
  46. 46. psicologia e mediunidade 47 11. Como lidar com a obsessão mesmo sendo um médiumexperiente. Todo médium, por mais experiente que o seja, está sujeitoà obsessão por conta das influências espirituais a que está expos-to. É aconselhável a todo médium, de tempos em tempos, trocarexperiências com outros, mesmo que exerça sua faculdade hámuito tempo. O exercício prolongado da mediunidade, como ode qualquer atividade humana, leva a um padrão típico (rígido) defazê-lo. É possível que esse padrão, se não percebido, leve aatitudes que podem se tornar extemporâneas e inconvenientespor causa da evolução da sociedade. Aqueles comportamentossão válidos num cenário cultural de uma época e podem ser des-necessários num novo contexto social. Tudo se transforma na na-tureza e com o exercício da mediunidade não pode ser diferente.Submeter-se a um processo de análise psicoterapêutica faz bema qualquer pessoa, mas se o médium experiente não o fizer, po-derá valer-se de freqüentes diálogos com pessoas tão experien-tes quanto ele. É só ter um pouco mais de humildade. 12. Como lidar com espíritos que desejam comunicar-se ecuja produção seja intelectualmente inferior. Quando o médium verificar, após submeter sua produçãoa pessoas mais experientes, que se trata de algo de qualidadeinferior, deve dialogar com os espíritos que com ele se comuni-cam orientando-lhes para que amadureçam mais as idéias quepretendem passar a fim de que se tornem mais adequadas aomeio que pretendem atingir. Deve sempre ser transparente comeles e estar preparado para não postergar a decisão de pararcom o exercício, se for o caso.
  47. 47. Sinais e sintomas característicos da mediunidade Muito embora Allan Kardec tenha dito que “Nenhum in-dício há pelo qual se reconheça a existência da faculdademediúnica.” , podemos estabelecer pelo menos alguns sinais 3identificadores da ocorrência de alterações no indivíduo que pos-sam ser atribuídas a algum tipo de interferência mediúnica. A afir-mação de Allan Kardec talvez diga respeito ao reconhecimento apriori, em face da inexistência de sinais externos nos médiuns oumesmo por conta da exigência da presença dos espíritos para suaocorrência. Por enquanto a mediunidade não foi detectada organica-mente, mas apenas pelos efeitos que produz. Nenhum médium,por mais experiente que seja, garante que pode controlar a de-monstração da sua faculdade. A mediunidade é uma faculdadepsíquica e, como todo fenômeno subjetivo, não se submete, doponto de vista experimental, à observação e repetição. Há, porém, alguns indícios que podem nos levar futura-mente à sua detecção e comprovação. Eles são subjetivos e facil-mente podem ter explicações psicológicas inconscientes ou mes-mo parapsicológicas anímicas. No seu conjunto, numa mesma3 O Livro dos Médiuns, Cap. II p. 78, FEB.
  48. 48. psicologia e mediunidade 49pessoa, podem apontar para a existência da faculdade denomi-nada de mediunidade. São eles: 1. Idéias e sentimentos inusitados na forma de pressenti-mentos que acabam por se concretizar. Ocorre também como seo indivíduo já soubesse antecipadamente o que irá ocorrer, per-mitindo-lhe agir de acordo com uma certeza interna; 2. Forte dose de intuição quanto às pequenas ocorrênciasdo cotidiano. Geralmente coloca o indivíduo num estado deconsciência de quem tem o domínio dos eventos do dia, sem lhegerar qualquer ansiedade; 3. Arrependimentos tardios após atitudes inadequadas quepoderiam ter sido evitadas. São situações freqüentes de ausênciade vontade própria, nas quais parece haver uma outra personali-dade no controle, trazendo desconforto momentâneo; 4. Alterações constantes na forma, no conteúdo e no cursodos pensamentos promovendo desvio na elaboração das idéias.Apresentam-se como falhas ou ausências no pensar, provocandosérias alterações na vida profissional, afetiva e familiar da pessoa; 5. Alterações orgânicas e da senso-percepção não atribu-íveis a fatores funcionais nem a interferências psicossomáticas.Tais alterações podem ir do desconforto orgânico a alteraçõessignificativas nos cinco sentidos físicos, os quais podem se tornarhipo ou hiper-sensíveis; 6. Ocorrências repetitivas de sonhos premonitórios ou desonhos freqüentes com pessoas que já morreram. Freqüentessonhos nos quais eventos futuros são vistos pelo sonhador, en-volvendo terceiros ou a si mesmo, como também sonhos compessoas, parentes ou não, já desencarnados e que parecem que-rer transmitir alguma mensagem;
  49. 49. 50 adenáuer novaes 7. Sensações constantes de presenças à sua volta, ou deterceiros, de seres invisíveis. Ocorre como se algo envolvesse apessoa e lhe transmitisse a sensação de alguma companhia nãovisível. Às vezes, a pessoa sente uma alteração em seu estado deconsciência; 8. Ruídos e pancadas à sua volta não atribuíveis a fatoresfísicos conhecidos. São ruídos que parecem vir de dentro de pa-redes ou de objetos maciços como pancadas fortes e rápidas; 9. Audição de vozes aparentemente oriundas do interior dacabeça. Sons de palavras ou de músicas que soam no interior dacabeça e que não se originam de lugar externo; 10. Superexcitação motora seguida de forte desejo de es-crever. Às vezes, inicia-se com um forte desejo de escrever oucom uma persistente idéia inusitada sobre algum tema. Muitasvezes, tal desejo é acompanhado de tremores num dos braços, oqual apresenta movimentos repetitivos sem controle conscienteda pessoa; 11. Sensação descontrolada de que poderá ser tomadopor algo, seguido de forte desejo de falar. Apresenta-se, muitasvezes, como um desconforto toráxico e uma necessidade de gri-tar ou chorar. Pode, também, surgir como se alguma parte docorpo fosse acometida de uma intensa dor aguda; 12. Facilidade na obtenção de cura de doenças alheias,pelo simples desejo de obtê-la ou pela proximidade ao doente. Apessoa, pelo desejo consciente ou não, percebe a cura ou melho-ra de doenças em terceiros pelo contato físico ou por sua simplespresença; 13. Produção de conhecimentos não atribuíveis ao saber
  50. 50. psicologia e mediunidade 51do indivíduo e à sua revelia. Quando, após a simples atividade deescrever ou de falar em público, a pessoa observa ou alguém lhediz que o que produziu é de excelente conteúdo e de qualidadesuperior aos conhecimentos intelectuais que possui. 14. Obtenção de índices acima dos níveis aceitáveis nascartas Zenner . Quando feito o teste Zenner, o percentual de acer- 4tos na retro-cognição e na pré-cognição apresenta níveis acimada média; 15.Achados psicométricos em experiências típicas. Quan- 5do o índice de acertos nos detalhes de objetos no testepsicométrico é superior ao normal; 16. Constantes experiências emocionais de “déjà vü”.Quando a pessoa tem freqüentes experiências emocionais de terestado em determinados lugares antes, sem conscientemente tê-los conhecido.4 Teste que utiliza um baralho de 25 cartas com cinco naipes (linhas onduladas,círculo, quadrado, estrela e cruz) para identificar as faculdades paranormais de retro-cognição, pré-cognição, dentre outras.5 Vem de Psicometria, faculdade que permite ao indivíduo entrar em contato com ahistória pregressa do objeto que toca, captando-lhe as vibrações dos eventos queocorreram em seu entorno, nele impregnadas.
  51. 51. Mediunidade e sintonia Sintonizar com os espíritos é colocar-se predisponível aocontato psíquico com eles de forma consciente ou inconsciente,não só pelo pensar como também pelo sentir. Naturalmente jáestamos sintonizados com eles por conta do nosso padrão psí-quico de pensar e sentir. Nossos atos não só resultam desses doispadrões como também das influências do meio no qual são exe-cutados, incluindo aí as interferências psíquicas de encarnados ede desencarnados. Pensamentos e sentimentos são a base de nossas ações. Opensar humano consciente é monofocal, não sendo possível suafixação em mais de uma idéia simultaneamente, muito embora sepossa reter distintas captações num mesmo instante. Quando qui-sermos sintonizar com os espíritos devemos desfocar o pensa-mento de uma idéia fixa para que possamos captar outra idéiaque porventura esteja disponível à consciência. O foco do pensa-mento não direcionado favorece a captação de idéias provenien-tes de mentes desencarnadas que se coloquem numa freqüênciasimilar à nossa. Sintonizar com um pensamento ou idéia alheia é uma ativi-dade que exige disponibilidade para desligar-se do próprio pen-sar até o início da recepção da onda mental externa. O foco dopensamento é conseguido quando o ego, centro da consciência,assenhora-se de uma idéia específica, associando outras disponí-
  52. 52. psicologia e mediunidade 53veis em seu campo. O ego voltado exclusivamente para uma idéia,combinado com a pregnância de uma emoção específica configu-ra uma freqüência psíquica. A freqüência psíquica é, então, a uniãode uma idéia com um sentimento específico. A pregnância é apropriedade que envolve um objeto em uma qualidade que nãolhe pertence, mas que a ele se agrega de forma imperceptível. Quando desejamos nos comunicar com os espíritosdesencarnados estaremos numa determinada freqüência psíquicapara tal. Se quisermos mudá-la teremos de alterar a emoção ou opensamento. O estado de oração é uma forma de mudança deambos. A sintonia não se dá apenas por um momento e em esta-do de oração, mas principalmente pelo modo de ser do indiví-duo, pela sua natureza íntima, pelos sentimentos e idéias de que éportador. A sintonia momentânea que se pretende fazer com umdesencarnado infeliz, inseguro, doente ou algo parecido, duranteuma reunião mediúnica, não se faz emitindo maus pensamentosou sentimentos negativos, mas por uma predisposição psíquicavoluntária. Sintonizar é estar na mesma freqüência psíquica deoutrem, podendo captar e emitir pensamentos simultaneamente. Ter bons pensamentos não é só simplesmente construir boasidéias no momento em que se queira conectar com os espíritosdesencarnados voltados para o Bem, mas também estabelecerum estilo de vida pessoal que favoreça naturalmente seusurgimento. Bons pensamentos contribuem para a sintonia comBons Espíritos. Bons sentimentos fortalecem a ligação do indiví-duo com aqueles espíritos, na medida que foram construídos combase na bondade e no amor. A amorosidade da pessoa é uma dasformas mais seguras de construir sentimentos superiores. Muito embora não se deva cultivá-los, o fato de ter mauspensamentos, assim como ter raiva, não impede o contato comos Bons Espíritos, visto que se trata de possibilidades humanasnaturais. Adotar ou livrar-se rapidamente dos maus pensamentose da raiva, pode ser um equívoco, pois devemos, antes, questio-
  53. 53. 54 adenáuer novaesnar-nos sobre sua causa e procedência, para depois ocupar-nosem redirecionar a energia psíquica que eles mobilizam. Pessoas desencarnadas ou não, de distintas índoles e ní-veis evolutivos diferentes, boas ou más, podem sintonizar-se, cons-ciente ou inconscientemente, quando se encontram numa mesmafreqüência vibratória.
  54. 54. Fenômenos psíquicos resultantes A grande maioria dos sintomas presentes nas psicoses enoutros transtornos psíquicos, os quais alteram significativamenteo curso e o conteúdo do pensamento, é acentuada pela existênciada faculdade mediúnica, ainda embrionária no ser humano e, por-tanto, sem a devida educação. A penetração de pensamentos de um desencarnado namente de um encarnado pode provocar uma série de transtornosnaquele que recebe a interferência. Quando há uma forte ligaçãoentre ambos, estruturada em experiências por eles vividas anteri-ormente, o transtorno é mais sério e tende a alterar significativa-mente o curso das idéias do encarnado. Quando o desencarnadoteve alguma relação com vidas passadas do encarnado, sua pre-sença no campo psíquico deste promove sensações e emoçõesque se assemelham às que tiveram no passado. O desencarnadotende a sensibilizar conteúdos psíquicos arquivados no inconsci-ente evocando-os à consciência ou alterando seu campo. Aquelapresença provocará várias alterações no estado psíquico e emo-cional do encarnado de forma inconsciente. Quanto mais consci-ente o médium seja de sua faculdade e quanto mais ele se conhe-ça interiormente, menos perturbação ela lhe trará. Essa espécie de invasão psíquica, quando ocorre, parece
  55. 55. 56 adenáuer novaesuma falha no curso do pensamento sobre o qual se perde o con-trole, passando-se a ter outra ordem de idéias, que, se não forpercebida, determina a vivência num plano fantasioso. É exata-mente essa mistura de pensamentos que provoca perturbaçõespsíquicas e desarrumação no psiquismo do encarnado, podendoevoluir para uma psicopatologia. A faculdade mediúnica, inerente ao ser humano, permiteuma alteração na fronteira entre o inconsciente e a consciência.Favorece a permeabilidade de conteúdos até então inconscientesem direção à consciência, sem o controle do ego. Essa invasãopsíquica facilita associações automáticas de conteúdos aversivosexistentes tanto na consciência quanto no próprio inconsciente.Esses conteúdos aversivos se relacionam aos aspectos admitidoscomo sobrenaturais ou ligados à morte. Resultam em associa-ções que interferem no estado psíquico geral promovendo trans-tornos que, muitas vezes, se assemelham aos das psicoses. Qual-quer ser humano está sujeito a essas invasões, porém nem emtodos, que felizmente representam a grande maioria, este fato evoluipara uma patologia psíquica. A mediunidade flexibiliza a penetração do ego no inconsci-ente favorecendo um grau maior de autodescobrimento dos con-teúdos simbólicos lá existentes. Com ela, o indivíduo se mostramais conhecedor de si mesmo e daquilo que normalmente é ocul-to. Ela o coloca num estado alterado de consciência que lhe per-mite estar mais disponível às captações dos eventos emitidos porencarnados, tanto quanto por desencarnados. Esse contato constante com os conteúdos simbólicos in-conscientes, bem como com as emissões mentais de encarnadose de desencarnados, poderá levar o indivíduo ao desequilíbriopsíquico ou ao brilhantismo intelectual, a depender de seu nívelde maturidade espiritual. A forma como o indivíduo utiliza suamediunidade concorrerá para a ocorrência de perturbações psí-quicas. Na maioria dos casos, a mediunidade faz com que o indiví-
  56. 56. psicologia e mediunidade 57duo se sinta fora do mundo real e deslocado de sua época. Mui-tas vezes, percebe as coisas sob uma ótica diferente do sensocomum, o que o faz sentir-se estranho e esquisito.
  57. 57. Invasões psíquicas As invasões psíquicas a que o ser humano está sujeito nãodecorrem da mediunidade, mas são por ela facilitadas. São ocor-rências comuns no psiquismo humano sem serem patologias. Sãoidéias e emoções que se conectam abruptamente ao ego, o qualfica por elas afetado. As invasões são irrupções inconscientes que assomam àconsciência por força de fortes e densos complexos estruturadosem vidas passadas, que podem promover graves transtornos psí-quicos. Os complexos podem ser acionados por conta de meca-nismos automáticos, os quais decorrem de eventos externos quea eles se conectam, ou por força de influências espirituais. São afecções do psiquismo cuja erradicação é de difícilalcance em face das íntimas conexões internas. O ego conectadoa um forte complexo, terá dificuldade dele desligar-se sem ajudaexterna. Da mesma forma, a ligação entre um desencarnado e umencarnado, por causa de um forte sentimento entre eles, dificil-mente é desfeita sem que um deles se modifique. Todo ser humano possui guardadas no inconsciente, expe-riências de vidas passadas que, pela intensidade da energia emo-cional gerada quando foram vividas, ficam emitindo freqüênciascaracterísticas, que permitem atrair (ou são percebidas) outrasmentes que se encontram no mesmo padrão. São exatamente essasexperiências e suas emoções típicas que revestem nosso modo
  58. 58. psicologia e mediunidade 59de pensar, sentir e agir. Elas facultam as invasões psíquicas sem aintervenção da vida consciente. As irrupções psíquicas, quando mais intensas e desequilibra-das, provocam as psicoses e outros transtornos graves da perso-nalidade. Quanto maior a intensidade emocional e quanto mais cons-ciente ela tenha sido vivida no passado, mais abrupta poderá ser airrupção no presente. Por ser uma extensão da consciência, as alterações químicasprovocadas no córtex cerebral interferem nas irrupções psíquicas.Medicações que inibem o sistema nervoso central diminuem o campoda consciência acessível ao ego, reduzindo as irrupções da consci-ência, porém limitam a vida e as possibilidades de crescimento doindivíduo. Muito embora não seja ela que as provoque, as irrupçõesabruptas do inconsciente serão favorecidas pela mediunidade, cujaexistência amplia o campo de acesso da consciência ao inconscien-te. Para se reduzir os efeitos dessas naturais irrupções deve-sebuscar trazer equilibradamente os conteúdos inconscientes à cons-ciência. Expressar o inconsciente é fundamental ao desenvolvimen-to psíquico do ser humano. A expressão adequada do inconsciente, buscando entendero mito pessoal que vivencia, os processos repetitivos, os padrõesde comportamento pessoal, os símbolos e rituais adotados na vida,contribuem para a redução das irrupções abruptas do inconsciente.A compreensão destes processos e a busca de seu significado trans-cendente levarão à manifestação do inconsciente sob o controle doego. Quanto mais o indivíduo entender os símbolos que permeiamsua vida, melhor ele a conduzirá, com ou sem as invasões psíquicas. Tais invasões podem ocorrer durante o sono por via do alí-vio psíquico promovido pelos sonhos. Uma das formas de se evitara possibilidade dos sonhos serem veículos de processos que de-sencadeiem esse tipo de invasão psíquica é o hábito salutar de in-terpretar os símbolos contidos neles.
  59. 59. 60 adenáuer novaes A prevenção das irrupções psíquicas se promove no pen-sar, no agir e no sentir em equilíbrio e harmonia, por parte doindivíduo, no processo de buscar uma boa relação com os con-teúdos do inconsciente. Entender a subjetividade do mundo, bemcomo saber interpretar adequadamente os símbolos da vida, éfundamental para uma equilibrada assimilação dos conteúdos doinconsciente.
  60. 60. O eu cindido no fenômeno mediúnico Todo indivíduo que exerce a mediunidade ostensivamentee por muito tempo flexibiliza naturalmente a relação entre a cons-ciência e o inconsciente de tal forma que as portas deste últimoficam por demais abertas. É natural que corra o risco de assimilaros símbolos existentes no inconsciente, vivenciando-os novamente.O ego não só fica exposto às influências dos complexos comotambém à maior possibilidade de identificar-se com personas 6vividas em outras encarnações. A identificação do ego com umapersona do passado reencarnatório pode ocorrer sempre queuma experiência emocionalmente forte tenha sido vivida pelo es-pírito sem que ele tenha conseguido dela desligar-se. A mediunidade exercida com equilíbrio exige um ego ma-duro e estruturado a fim de que essa possibilidade seja reduzida.6 O termo persona deriva das máscaras que os atores gregos usavam para os diversospapéis ou personalidades que interpretavam. É o aspecto ideal do eu que se apresentaao mundo e que se forma pela necessidade de adaptação e convivência pessoal. É oque se pensa que é. Muitas vezes a persona é influenciada pela psiquê coletivaconfundindo nossas ações como se fossem individuais. Ela representa um pactoentre o indivíduo e a sociedade, sendo um conjunto de personalidades ou umamultiplicidade de pessoas numa só. A identificação do ego com a persona, quandoocorre, provoca o afastamento de nossa identidade pessoal, isto é, corremos o riscode não sabermos quem realmente somos. (Conceito extraído do livro ´Sonhos:mensagens da alma´, do autor)
  61. 61. 62 adenáuer novaesQuando ela ocorre dá-se uma espécie de cisão no ego que ficadividido entre a realidade atual e os conteúdos inconscientes. Umego maduro e estruturado é aquele que, dentre outras qualida-des, guarda uma estreita relação com o Self, é auto-determinado,sabe evitar identificar-se com a psiquê coletiva, bem como sepa-ra sua vida privada de sua tarefa mediúnica. O médium cujo egoé maduro não se auto-intitula missionário nem aceita tal condição.Não vive exclusivamente este papel, por conta da necessidadede viver a vida na matéria, imerso nas ocupações normais da so-ciedade encarnada. A cisão do eu, típica na esquizofrenia, pode ocorrer nofenômeno mediúnico em face da profunda conexão entre mentesque se alinham numa mesma freqüência, quando uma delas su-cumbe à outra. Na esquizofrenia a cisão não tem o devido con-trole nem é consciente ao indivíduo, que, impossibilitado de qual-quer coisa fazer, se vê em realidades distintas e conflituosas. Nummomento se vê envolvido por uma experiência vivida no passadoreencarnatório, noutro se vê em contato com entidadesdesencarnadas e noutro ainda se percebe vivendo na realidadeatual. Muitas vezes as três experiências emocionais se juntam pro-movendo um grande transtorno psíquico. No fenômeno mediúniconão é muito diferente, porém o eu que se cinde não perde o do-mínio sobre aquele que deseja se comunicar, nem tampouco so-bre suas próprias experiências pregressas. Mesmo nos momentos de lucidez e de efetivo contato coma personalidade atual, consciente da realidade, o portador daesquizofrenia sabe que sua mente vive em constante instabilidade,na qual a cisão pode ser inevitável. No transtorno psíquico, a cisão do eu caracteriza-se pelaperda do controle sobre a consciência, onde o ego não consegueo domínio de seus conteúdos, isto é, torna-se incapaz de manter-se como ordenador daquele campo. No fenômeno mediúnico,muito embora possa haver perda do controle sobre a consciên-cia, o próprio médium, temporariamente desconectado de parte
  62. 62. psicologia e mediunidade 63dela (córtex), mantém o controle sobre o que ocorre. A consci-ência é mantida, porém a energia psíquica não está totalmentevoltada para seus conteúdos, o que caracteriza um estado altera-do dela. Essa cisão decorre de um poderoso mecanismo dedesconexão do ego, que perde sua autonomia pelo predomínioque permite a outro ego expressar-se. Quando o ego se identifica com uma ou mais personas(ego-identidade) , ou quando se conecta com um intenso com- 7plexo emocional inconsciente, pode também, caso não haja con-trole do médium, haver uma cisão. A cisão do ego-identidade presente decorre de uma fragi-lidade por conta da não aceitação de si mesmo e de uma identifi-cação externa não consciente. A identificação do ego atual comuma persona passada também decorre da intensidade como elafoi vivida, da importância que atribui a ela e das influências espiri-tuais que ele atrai. O fortalecimento do ego-identidade é fundamental para queaquela identificação não se dê ou para que tenha pouca influên-cia. Esse fortalecimento, que será importante para evitar a cisãodo eu (ego), é favorecido pelos estímulos maternos e paternos naidade infantil (primeira infância) até a adolescência. Estimular éidentificar reais qualidades na criança e verbalizar a ela sua im-portância e uso adequado de suas habilidades. No início da puberdade (geralmente a partir dos 9 anos) areencarnação do espírito ainda está por se completar e o ego-identidade que ele está formando ainda se encontra tímido e nãoconstituído integralmente. É nessa fase que o indivíduo se tornasuscetível aos estímulos oriundos de figuras referenciais (pai, mãe,irmãos mais velhos, amigos etc.), como também propenso à assi-milação dos componentes característicos de personas de vidaspassadas.7 O ego é uma função da consciência que tem a propriedade de associar conteúdos,dando-lhes energia psíquica. É também um complexo. Quando o Espírito o tomacomo representação de sua identidade, torna-se ego-identidade.
  63. 63. 64 adenáuer novaes A mediunidade explícita nesta fase tende a contribuir paraa cisão do eu, se não devidamente educada. A criança que a apre-sente deve ser devidamente orientada, sem repressões dogmáticas,nem estímulo ao uso irresponsável. Nas esquizofrenias e em certas psicoses nas quais o eu seencontra cindido, a mediunidade também é componente que contri-bui para que tal cisão ocorra. Nelas a educação mediúnica deveser feita a partir da provocação de um temporário bloqueio.

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