Os índios chamavam-lhe o Homem Branco Bom
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Os índios chamavam-lhe o Homem Branco Bom Os índios chamavam-lhe o Homem Branco Bom Document Transcript

  • Tiragem: 50985 Pág: 6 País: Portugal Cores: Cor Period.: Diária Área: 29,32 x 36,96 cm² ID: 27932041 10-12-2009 | P2 Âmbito: Informação Geral Corte: 1 de 4 Os índios chamavam-lhe o Homem Branco Bom No sábado festeja-se o fim da expedição de Pedro Teixeira, o explorador português que subiu o rio Amazonas no século XVII. Mas “Curiua-Catu”, o Homem Branco Bom e Amigo, é homenageado já hoje no Senado brasileiro. Para que ninguém esqueça o que fez por Portugal e pelo Brasil O “chamamento da Amazónia” é lembrado nestes dias em que o mundo discute o aquecimento global
  • Tiragem: 50985 Pág: 7 País: Portugal Cores: Cor Period.: Diária Área: 28,64 x 36,80 cm² ID: 27932041 10-12-2009 | P2 Âmbito: Informação Geral Corte: 2 de 4 esquecido que precisa de ser “A Pedro Teixeira se trajecto”, explica a investigadora. ou oitocentos casais” cada: “Aqui Isabel Coutinho recuperado”, diz ao P2 por telefone Incluindo os canibais. acabam-se as flechas furadas a Pedro Teixeira: sabe quem é? Aloizio Mercadante, o senador deve quase metade do Nessa grande expedição, perigosas e, ainda que as haja por Provavelmente não. Mas na Ajuda, brasileiro que está a lançar um Pedro Teixeira fixou uma série de todo o rio, não matam como as do em Lisboa, há uma estrada com o movimento para “resgatar a nosso território actual. territórios até então desconhecidos, Sul”, escreve. seu nome. Em Cantanhede, onde memória, reconhecer e valorizar Mais de 62 por cento como as ilhas das Areias ou Santa A documentação sobre este nasceu, há uma estátua. No Brasil, a imensa contribuição” que este Luzia. Na viagem de regresso a conquistador do Brasil é esparsa. onde morreu a 6 de Junho de 1641, português de Cantanhede, no da Amazónia está em Belém do Pará descobre o rio Negro “Em Portugal pouca coisa há”, diz o seu rosto foi estampado nas notas distrito de Coimbra, teve na História território brasileiro (onde mais tarde se ergueu a cidade Anete Costa Ferreira, lembrando de cinco cruzeiros; e quando o do Brasil. A sessão de homenagem de Manaus) e o rio Madeira, um que o historiador Jaime Cortesão Papa João Paulo II, em 1980, fez que se realiza hoje, às 10h00, por causa dele” grande afluente do Amazonas. (também de Cantanhede) uma viagem entre Belém do Pará e no Senado Federal, em Brasília, Um dos feitos mais importantes da apresentou no IV Congresso de Manaus viajou num navio de guerra para comemorar os 370 anos da expedição é a fundação do povoado História Nacional no Brasil, em que tinha o seu nome. expedição de Pedro Teixeira, o de Franciscana, oficializada a 16 1949, O significado da expedição Os índios brasileiros chamavam- “desbravador” português, partiu de Agosto de 1939. Obedecendo de Pedro Teixeira à luz de novos lhe “Curiua-Catu”, o Homem Branco de uma proposta sua. Para o às ordem do governador, Pedro documentos. Em 2002 foi realizado Bom e Amigo, e quase no final da sua senador, a contribuição daquele Teixeira toma posse desse o documentário Curiua-Catu: A vida foi nomeado capitão-mor do a quem chamam o conquistador território, mas diz que o faz para Grande Expedição de Pedro Teixeira Grão Pará. Fez-se acompanhar por da Amazónia no processo de a Coroa portuguesa (e não para a 1637-1639, realizado por Carlos índios numa expedição que partiu constituição e afirmação da espanhola). Com a nova povoação, Barreto. de Gurupá, a 28 de Outubro de 1637, soberania territorial foi decisiva e o navegador quis homenagear todos Para contrariar a dispersão de com duas mil pessoas. Subiram os deve ser celebrada por portugueses os missionários franciscanos. documentos e mesmo a falta de rios Amazonas e Negro e chegaram e brasileiros. informação ainda mais detalhada, à cidade de Quito, actual capital do “A Pedro Teixeira se deve quase Sem amazonas Anete Ferreira vai começar dentro Equador, voltando a Belém do Pará metade do nosso território actual. No documento que se encontra na de dias uma investigação no Museu 26 meses depois da partida (a 12 de Mais de 62 por cento da Amazónia Biblioteca da Ajuda, Teixeira conta Naval e no Arquivo Público de Belém Dezembro de 1639). O rio Amazonas está em território brasileiro por ainda que, tanto na ida como na do Pará, e em São Luís do Maranhão. passava, assim, a pertencer na causa dele”, explica, lembrando volta da expedição do rio Amazonas, Passará também pela Catedral de sua totalidade a Portugal (que que a região, além de património não viu as amazonas descritas Belém, onde está sepultado. permanecia sob o domínio da Coroa da humanidade, tem a maior durante a viagem de Francisco de Para ajudar a resgatar a memória espanhola). Um feito extraordinário concentração de água doce do Orellana, explorador espanhol que do explorador, a Portugal Telecom para a época. planeta e é a mais importante antes navegara parte do Amazonas. associa-se à homenagem de hoje “Pedro Teixeira é um herói floresta tropical. As ditas amazonas foram descritas no Senado, lançando o Prémio GERD LUDWIG/CORBIS Agora que o Brasil “deixou por Carvajal, frade que acompanhou Pedro Teixeira para estudantes de ser um problema na agenda um projecto de lei para que o nome Orellana, como “mulheres sem portugueses e brasileiros, dos 12 aos internacional e passou a ser parte da de Pedro Teixeira seja inscrito neste peito, guerreiras, e que não 18 anos. Os três melhores trabalhos solução”, é possível que o país olhe Livro de Aço. Propõe também que a aceitavam o homem no seu habitat”, sobre a vida e o impacto dos feitos para a sua história com “orgulho e história da expedição do navegador conta Anete Costa Ferreira. de Teixeira na história de Portugal e auto-estima”. E à medida que isso português passe a fazer parte dos Apesar de nunca se ter cruzado do Brasil irão ter como prémio uma acontecer, acrescenta Mercadante, currículos escolares no Brasil. com elas, Teixeira relata que lhe viagem cultural ao Brasil (se forem o Brasil terá obrigatoriamente de A expedição de Pedro Teixeira chegaram muitas notícias das portugueses) ou a Portugal (se forem reconhecer a imensa contribuição era composta por 70 canoas (45 amazonas. Diz mesmo que estariam brasileiros). Será ainda lançado um de Portugal. de grandes dimensões, com vinte “a seis jornadas” do sítio em que site em português e inglês dedicado a “No momento em que o mundo remadores cada). Acompanhavam se encontravam e que teriam 300 perpetuar a memória do explorador está discutindo o efeito de estufa, o explorador 70 soldados aldeias ou mais, com “quinhentos português “Curiua-Catu”. em que há uma grande preocupação portugueses e 1200 índios, muitos com o aquecimento global, sinto deles “flecheiros” (arqueiros), que que esse chamamento da Amazónia levaram as suas mulheres e filhos. é muito importante para o debate”, Teixeira (cuja data de nascimento diz o popular Mercadante, líder da se situa entre 1570 e 1585) era de bancada do PT e vice-presidente ascendência nobre e foi para o Brasil do Parlamento do Mercosul, que é em 1607, conta a autora do livro ainda cronista do jornal O Globo e A Expedição de Pedro Teixeira – A tem mais de 30 mil seguidores no Sua Importância para Portugal e o Twitter. Futuro da Amazónia (ed. Ésquilo). Esta brasileira, Anete Costa Ferreira, O pedido do governador é investigadora de ciências sociais Pedro Teixeira era um militar que e história luso-amazónica e estará participou na fundação da cidade hoje na sessão de homenagem em de Belém, a capital do estado do Brasília. Pará, e que depois se destacou O navegador falava o tupi – língua em várias missões militares, com origem no povo tupinambá combatendo holandeses, ingleses – e essa era uma das razões pelas e franceses. Quando dois padres quais era tão acarinhado pelos e quatro soldados espanhóis índios. “Sempre fez amizade com os chegaram perdidos a Belém, com a índios, o que lhe valeu de muito”, novidade de que o rio Amazonas era explica ao telefone a partir do Brasil navegável, o governador do estado esta especialista, que hoje vive em do Grão-Pará e Maranhão pediu Portugal. a Pedro Teixeira para organizar a Os índios que embarcaram com o expedição até Quito (na época parte português nesta expedição iam em do vice-reinado do Peru). busca da Terra sem Mal, a morada No regresso, com testemunhas dos antepassados, segundo os índios espanholas, Teixeira vai registando tupi e guarani, um território onde a posse das terras para o reino de as pessoas não envelheciam. “A Portugal. “Como naquela época tribo Tupinambá acreditava nisso e Portugal estava subordinado à à medida que a expedição decorria Coroa espanhola, o livro que foi ficando decepcionada. Os índios relata essa epopeia, em 1641 achavam que iam chegar à Terra [Novo Descobrimento do Grande sem Mal e, como a viagem não era Rio Amazonas e a Viagem de Pedro aquilo que pensavam, começaram Teixeira Águas Arribas, de Frei a enfraquecer”, diz Anete Costa Cristobal d’Acuña] acaba sendo Ferreira. queimado e isso não foi valorizado A descrição desta expedição nem pela historiografia portuguesa chega até nós através de um nem brasileira”, explica o senador, documento que está na Biblioteca que quer chamar a atenção para este da Ajuda (Relazion del General Pedro “vulto histórico” que parece estar Teixeira de el rio de las Amazonas condenado ao esquecimento. para el Senhor Príncipe, 1639). “É o O seu nome não consta do Livro diário de bordo que Pedro Teixeira dos Heróis da Pátria (ou Livro de Aço) fez durante a viagem. Esse é o grande que está no Panteão da Liberdade e documento que o celebrizou, é um da Democracia Tancredo Neves, em levantamento geral da fauna, da Brasília, e nem sequer figura na lista flora, do minério, dos costumes... de candidatos. Mercadante preparou Entra tudo o que ele foi vendo no seu
  • Tiragem: 50985 Pág: 1 País: Portugal Cores: Cor Period.: Diária Área: 12,62 x 6,50 cm² ID: 27932041 10-12-2009 | P2 Âmbito: Informação Geral Corte: 3 de 4 Brasil homenageia hoje português que “conquistou” a Amazónia Pág. 6/7
  • Tiragem: 50985 Pág: Principal - 1 País: Portugal Cores: Cor Period.: Diária Área: 5,82 x 7,26 cm² ID: 27932041 10-12-2009 | P2 Âmbito: Informação Geral Corte: 4 de 4 Pedro Teixeira Brasil recupera português que “conquistou” a Amazónia P2