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TCC Educação Ambiental - A EA como recurso pedagógico para o ensino da Ética

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TCC Educação Ambiental - A EA como recurso pedagógico para o ensino da Ética

  1. 1. MAURICIO FERREIRA SANTOS JUNIORA EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO RECURSO PEDAGÓGICO PARA O ENSINO DA ÉTICA CURITIBA 2010
  2. 2. 2 MAURICIO FERREIRA SANTOS JUNIORA EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO RECURSO PEDAGÓGICO PARA O ENSINO DA ÉTICA Artigo apresentado a UNICID como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Educação Ambiental. Orientadora: Profa. Siderly do Carmo Dahle de Almeida CURITIBA 2010
  3. 3. 3RESUMOA relação do homem com o Meio Ambiente está condicionada pelo seu grau deconsciência sobre esta relação: A qualidade do Meio Ambiente, que implica naqualidade da vida humana, depende da ação do homem sobre o seu habitat. Sendoassim, é presumível que se atue sobre os princípios que orientam a condutahumana, ou seja, sobre a Ética, para que se possa garantir o equilíbrio destarelação. Neste sentido, o presente artigo busca identificar elementos conceituais,que fundamentam as idéias de preservação ambiental e o sentido da ética,procurando estabelecer uma relação de interdependência entre ambos. Para tanto,recorremos à pesquisa qualitativa, por se tratar de recurso mais adequado àabordagem de temas sócio-ambientais, a partir de investigações bibliográficas,prioritariamente filosóficas. Os resultados obtidos constituem a soma de reflexõessobre alguns aspectos envolvidos no assunto, tais como conceitos de ética eEducação Ambiental e o enfoque pedagógico da sua relação. Finalizando, inferimossobre a necessidade da Educação Ambiental como recurso pedagógico para oensino da Ética.Palavras-chave: Educação ambiental, Ética, Pedagogia.1 INTRODUÇÃO O homem e o Meio Ambiente possuem uma relação de interdependência,sem a qual não seria viável a existência humana. As conseqüências desta relaçãosão mediadas pelo grau de consciência ética sobre os conceitos de Humanidade eEcologia. Por este motivo, são envidados os mais diversos esforços no sentido desensibilizar a sociedade para as questões ambientais, a partir do ensino da Ética.Nesta direção, dispomos da Educação Ambiental, que pressupõe um conjunto defatores pedagógicos, dentre os quais, a Ética desempenha um papel fundamental. Ocorre, no entanto, que o empenho para a assimilação de valores éticos temconstituído um enorme e difícil desafio para os promotores da conscientizaçãoecológica social. Assim, buscando contribuir com recursos teóricos para umareflexão sobre as demandas da Ética, o presente estudo consiste em identificar, nouniverso pedagógico da Educação Ambiental, elementos conceituais que favoreçam
  4. 4. 4a compreensão e sensibilização para as questões éticas, invertendo o sentidohabitual que busca, no ensino da Ética, elementos para a Educação Ambiental. Muito se tem dito a respeito dos princípios éticos que fundamentam aconsciência ambiental. Sabe-se que a Ética constitui uma fonte de orientação emotivação do comportamento humano, cujo efeito é de fundamental importância aorelacionamento do homem com o meio ambiente, no entanto, são escassas asabordagens a respeito das implicações da Educação Ambiental sobre a consciênciaética como um todo, ou seja, a contribuição da Educação Ambiental na formaçãoética da sociedade. É fato que disseminar valores como Moral, Ética, Cidadania, não é tarefasimples de ser executada, sobretudo na sociedade atual em que o utilitarismoassumiu profundas dimensões paradigmáticas. Portanto, diante do comportamentoconsumista e da insensibilidade social para tais questões de ordem filosófica, nãoseria o exercício pragmático da Educação Ambiental, cuja metodologia se apropriade elementos utilitários, um recurso pedagógico para o ensino da Ética? A buscapelo conhecimento do Meio Ambiente e dos elementos que com ele interagem, nãopoderiam promover o desenvolvimento da consciência ética? Procurando responder a tais indagações buscamos, neste artigo, enfocar asrelações entre a Educação Ambiental e o ensino da Ética no sentido de definir queelementos constitutivos do primeiro se prestam ao fomento do segundo. Assim,esboçamos determinados fundamentos pedagógicos e filosóficos que orientam aprática da Educação Ambiental, bem como os mesmos princípios relativos ao ensinoda Ética, procurando estabelecer as relações entre estes e aqueles. Dado o caráter filosófico desta abordagem, assim como a natureza doselementos investigados, a pesquisa segue a orientação do modelo de examequalitativo, tendo como matéria de exploração determinado referencial bibliográfico,citado ao final deste trabalho, sobre o qual aplicamos a respectiva metodologia.Desse modo, as teorias sobre a Ética e suas formas de abordagem, assim como ametodologia da Educação Ambiental e seus conceitos, constituem o ponto de partidadas investigações, bem como o referencial balizador para a condução das reflexões.2 CONCEITOS DE ÉTICA
  5. 5. 5 O termo ‘conceito’, que tem por definição o significado de ‘entendimento’,‘opinião’, implica uma condição de ponto de vista, ou seja, de relatividade a umdeterminado juízo de valor. Sendo assim, é necessário que a compreensão daspremissas, aqui mencionadas, esteja permeada por um senso de ponderaçãorelacional. Partindo deste princípio, abordamos o sentido da Ética, cujos conceitosvariam de filósofo para filósofo, e que, mesmo guardando alguma definição emcomum, concebê-la, na essência, exige reflexão sobre a sua natureza ideológica.Por outro lado, quando falamos de Ética nos referimos ao sentido filosófico quetranscende o próprio significado da palavra, nos referimos ao mundo das idéias,“que nasce quando se passa a indagar o que são, de onde vêm e o que valem oscostumes” (CHAUI, 2005, p.310). A Ética reúne em si a soma dessas idéias, provocando a necessidade de umcódigo de valores que harmonize as relações humanas, cuja “valoração é o próprioesforço do homem em transformar o que é naquilo que deve ser” (SAVIANI, 1985,p.41) Dito isto, e para conduzir o nosso raciocínio, tomemos como ponto de partidao significado etimológico do vocábulo: Ética, do grego Ethos, exprime o sentido decomportamento, associado à idéia de valor, ou seja, expressa a idéia de caráter.Desse modo, podemos afirmar que a Ética traduz um valor inerente à maneira deser do homem, “que constantemente avalia e julga suas ações para saber se sãoboas ou más, certas ou erradas, justas ou injustas” (SOUZA, 1995, p.179). Por outro lado, é fundamental ressaltar que o caráter humano é tambémresultante de sua cultura, segundo afirmam os teóricos do Relativismo Cultural,cujo bem e o mal, o certo e o errado constituem valores inerentes à identidade decada cultura. Tal conceito encontra apoio no pensamento do antropólogo FranzBoas, que destaca a importância da singularidade cultural construída a partir dahistória única de uma sociedade, quando afirma que: As noções metafísicas do homem podem ser reduzidas a poucos tipos que têm distribuição universal; o mesmo ocorre com relação às formas da sociedade, leis e invenções. Alem disso, as idéias mais complicadas e aparentemente ilógicas e os costumes mais curiosos e complexos aparecem entre algumas poucas tribos aqui e ali, de tal maneira que fica excluída a suposição de uma origem histórica comum. (BOAS, 2004, p.26)
  6. 6. 6 Assim, é importante perceber a extensão do universo permeado pela Éticapara que se possa compreender as suas implicações sobre a conduta humana e oque desta se origina no sentido de condicionar a primeira. Vejamos agora uma abordagem filosófica sobre o tema a fim de nossituarmos na dimensão de sua essência, nos deixando envolver pela construçãológica traçada por Aristóteles: Estou falando da excelência moral, pois é esta que se relaciona com as emoções e ações, e nestas há excesso, falta e meio termo. Por exemplo, pode-se sentir medo, confiança, desejos, cólera, piedade, e, de um modo geral, prazer e sofrimento, demais ou muito pouco, e, em ambos os casos, isto não é bom: mas experimentar estes sentimentos no momento certo, em relação aos objetos certos e às pessoas certas, e de maneira certa, é o meio termo e o melhor, e isto é característico da excelência. Há também, da mesma forma, excesso, falta e meio termo em relação às ações. Ora, a excelência moral se relaciona com as emoções e as ações, nas quais o excesso é uma forma de erro, tanto quanto a falta, enquanto o meio termo é louvado como um acerto; ser louvado e estar certo são características da excelência moral. A excelência moral, portanto, é algo como eqüidistância, pois, como já vimos, seu alvo é o meio termo. Ademais é possível errar de várias maneiras, ao passo que só é possível acertar de uma maneira (também por esta razão é fácil errar e difícil acertar – fácil errar o alvo, e difícil acertar nele); também é por isto que o excesso e a falta são características da deficiência moral, e o meio termo é uma característica da excelência moral, pois a bondade é uma só, mas a maldade é múltipla. (ARISTÓTELES, 2001, p.42) A excelência moral aristotélica exprime um sentido de equilíbrio, de justapostura mediada pela razão, e não é difícil perceber o seu caráter absolutista,quando afirma que só há uma possibilidade de acerto, enquanto as possibilidadesde erro são inúmeras. Porém, como entender o sentido de excesso ou falta, quequalificam os modos de ser correto? Qual a medida, usada pelo filósofo, paraidentificar este ponto de equilíbrio? Poderíamos buscar a resposta em afirmativas como: “a idéia de que algumacoisa é errada depende do impacto que ela tem, não apenas sobre aqueles que apraticam, mas também sobre outras pessoas” (NAGEL, 2007, p.64), ou de que“todos têm uma razão para fazer o que é certo e evitar o que é errado” (Idem, p.74).Estas poderiam ser boas justificativas, se não fossem incapazes de assegurar osentido do absoluto, ou seja, que “o argumento moral tenta apelar para a capacidadede motivação imparcial que se supõe existir em todos nós” (Idem, p.80). Neste sentido, partimos para uma outra perspectiva conceitual da Ética, destavez formulada por Espinosa, que tem como pressuposto a singularidade de cadaindivíduo e para o qual, “o conhecimento do bem ou do mal não é outra coisa senão
  7. 7. 7a afecção de alegria ou de tristeza, na medida em que temos consciência dela”(ESPINOSA, 2004. p.349) . O filósofo afirma que: Chamamos bem ou mal àquilo que nos é útil ou prejudicial à conservação de nosso ser (...), isto é (...), o que aumenta ou diminui, favorece ou entrava a nossa potência de agir. E assim, na medida em que (...) percebemos que uma coisa qualquer nos afeta de alegria ou de tristeza, chamamo-la “boa” ou “má”; e por conseguinte, o conhecimento do bem ou do mal não é outra coisa senão a idéia da alegria ou da tristeza, que se segue necessariamente da afecção de alegra ou de tristeza (...), mas essa idéia está unida à afecção da mesma maneira que a alma está unida ao corpo (...); isto é (...), esta idéia não se distingue, de fato, da própria afecção, ou seja (...), da idéia de afecção do corpo, a não ser tão somente pelo conceito; logo, este conhecimento do bem e do mal, não é outra coisa senão a própria afecção, na medida que dela temos consciência. (ESPINOSA, 2004, p.349) Ora, se o sentido do bem e do mal se encontra intimamente relacionado aorespectivo sentimento de alegria e tristeza, obviamente se opõe ao conceitoaristotélico, cuja razão refuta o princípio dos afetos, e ratifica a hipótese de que osentido da Ética deriva de um entendimento holístico sobre os mais variados fatoreshumanos. Diante do que vimos até aqui concluímos que, apesar de suas multifacesconceituais e aspectos diversos, a essência da Ética nos parece falar de algototalizante, absoluto, e é desta essência que se ocupa o ensino da mesma. Ora,como tratar de um tema, que toca nossas verdades mais essenciais e, portanto,absolutas, quando os meios para tanto nos parecem tão relativos e diversos? Comoexplorar a abstração desse conteúdo, e dela elaborar um material tangível capaz deestimular os mais diversos modos da percepção humana?2.1 REFLEXÕES SOBRE O ENSINO DA ÉTICA Procurando respostas para esta questão encontramos, no contexto dasteorias pedagógicas, alguns elementos para a orientação de nossas reflexões, namedida em que buscamos um corpo utilitário que abrigue nossas abstrações. Tomando como referência a metodologia adotada pelo sistema educacionalque, em observação às diretrizes dos Parâmetros Curriculares Nacionais, tenta,através de (pseudo)dinâmicas interdisciplinares, ou por (pseudo)abordagens detemas transversais, ou ainda, pela velha e tradicional aula expositiva (recurso usadopela maioria), explorar os conceitos e aplicações da Ética no sentido de sensibilizar
  8. 8. 8a massa de aprendizes para as questões da cidadania, a partir do conhecimento dajustiça, do respeito mútuo, da solidariedade e do diálogo (PCN, 1998, p.45),deduzimos que a práxis de tais métodos, em verdade, tem se mostrado estéril, dadoos resultados obtidos. O princípio da educação bancária é totalmente conflitante com a natureza dadisciplina, visto que a estrutura curricular, que contempla essa metodologia, pareceser incapaz de dar conta das demandas de ordem pragmática, exigidas naaprendizagem. O currículo não pode ser interpretado apenas como uma reunião deconteúdos inscritos nas disciplinas, mas, como um conjunto dos vários modosde aprendizagem, que observe não somente as estabelecidas pelo processo deformal de escolarização, entendido como currículo real, mas também por novasformas de abordagem de valores adquiridos nas vivências comunitárias, das quaisintegram todo o contingente escolar, e que estão subtendidas por um“currículo oculto”. (LIBÂNEO, 2004, p.173) No entanto, o conjunto dos elementos contemplados pelo “currículo oculto”,do qual, em parte, integra o exercício da Ética, na prática, são tratados a partir deabordagens casuais, o que não garante a efetividade da aprendizagem, pois, carecede elaborações. É necessário, portanto, perceber a dimensão orgânica do processoeducacional, e suas implicações, para entender as exigências dainterdisciplinaridade como elemento fundamental ao exercício do ato comprometido,que resulta da capacidade de atuar e refletir, obtida pela aprendizageminterdisciplinar, tão bem concebida por Paulo Freire (1983, p.77). “O elemento decisivo na opção interdisciplinar de Freire, entretanto, é acentralidade que atribui ao sujeito da educação e sua compreensão do carátercomplexo desse sujeito” (PUIGGRÓS, 1999, p.110), o que justifica uma proposiçãoexploradora dos conteúdos abstratos da Ética que deles retire elementos concretos,capazes de serem assimilados pelos mais diversos padrões de percepção humana.Freire, assim, nos abre caminho para uma abordagem empírica do universocomplexo da Ética, a partir de dinâmicas interdisciplinares, que elegem o aprendizcomo sujeito central da aprendizagem, considerando sua complexidade e replicandoesta ação em cada participante deste processo. Ainda, segundo Freire (1996, p.41), o conceito de ética é função de umarelação onde o eu é reconhecido no outro e, para tanto, se faz necessário descobriro outro em toda a sua dimensão, completa Ruscheinky (2002, p.81).
  9. 9. 9 Na reflexão oriunda da contribuição freireana, fica evidenciado que são as relações que envolvem o ser humano no desenvolvimento de sua existência (...) A educação ambiental que defendemos tem como principal tarefa a de desvendar essas relações, tornando-as o quanto mais claras possíveis, para que as ações e decisões dos sujeitos sejam o mais corretas possíveis. O espaço primordial onde isso tende a suceder-se será justamente o espaço da ética. (RUSCHEINSKY, 2002, p.81) Por este motivo é imprescindível a definição de um ambiente relacional a fimde tornar possível a prática e a reflexão sobre ética. Neste sentido, a escola constituio fórum, por excelência, de tais atividades, como o Ministério da Educação, em seudocumento de Introdução aos Parâmetros Curriculares, destaca a necessidade decaracterizar a escola como um espaço de vivência construtiva e não uma merainstituição informativa: A necessidade de que a educação trabalhe a formação ética dos alunos está cada vez mais evidente. A escola deve assumir-se como um espaço de vivência e de discussão dos referenciais éticos, não uma instância normativa e normatizadora, mas um local social privilegiado de construção dos significados éticos necessários e constitutivos de toda e qualquer ação de cidadania, promovendo discussões sobre a dignidade do ser humano, igualdade de direitos, recusa categórica de formas de discriminação, importância da solidariedade e observância das leis. (PCN, 1998, p.16) Observamos, porém, que a teoria se encontra muito longe da prática, de ondese deduz haver uma inaptidão ética da própria estrutura educacional. O que fazer, então, para que a escola se aproprie de uma pedagogiavivificante, com práticas eficientes de ensino da Ética?2.2 ÉTICA E CONSCIÊNCIA AMBIENTAL Na busca de um argumento que atenda à questão anterior, identificamosalguns tópicos que estão intimamente relacionados ao tema, dentre eles, aConsciência Ambiental. Podemos nos arriscar numa definição de consciência ambiental dizendo quese trata do conhecimento ético adquirido no exercício de interação com o meioambiente. O estabelecimento desta relação pressupõe a existência de fatorescondicionantes dos mútuos objetivos, como troca, sustentabilidade edesenvolvimento.
  10. 10. 10 A consciência ambiental é, pois, uma percepção de valores derivada de umprocesso orgânico, denominado vivência, do qual se absorve uma compreensãosistêmica, e não fragmentada, da realidade vivenciada. Portanto, o modelo estruturaldeste processo de aprendizagem está montado nos princípios damultidisciplinaridade, interdisciplinaridade e transversalidade da abordagem doconhecimento. O ensino, inclusive o ensino formal, a consciência pública e o treinamento devem ser reconhecidos como um processo pelo qual os seres humanos e as sociedades podem desenvolver plenamente suas potencialidades. O ensino tem fundamental importância na promoção do desenvolvimento sustentável e para aumentar a capacidade do povo para abordar questões de meio ambiente e desenvolvimento. Ainda que o ensino básico sirva de fundamento para o ensino em matéria de ambiente e desenvolvimento, este último deve ser incorporado como parte essencial do aprendizado (ONU/CNUMAD, 2001, p.239) Ora, isto nos faz lembrar de tudo o que já dissemos a respeito da Ética, e nosfaz concluir que há uma enorme similaridade conceitual entre o sentido desta e o daConsciência Ambiental. Se tomarmos, por exemplo, o conceito de Ecologia Profunda(CAPRA, 1997, p.25) observaremos que a definição de ética, formulada por Freire(1996), se ajusta perfeitamente, ressaltando o caráter relacional de ambos. Portanto, é evidente que a idéia da consciência ambiental só é concebívelcomo um processo de ética aplicada, assim como o conceito de visão só faz sentidodiante da aplicação da luz. Esta íntima e indissolúvel relação nos desperta para aspossibilidades de manejo sobre um elemento, intencionando obter resultados nooutro, como, analogamente, interferimos no universo microscópico a partir damanipulação de elementos macroscópicos. Deste modo, podemos tratar dasquestões ambientais a partir do ensino da Ética, pois sabemos que, para odesenvolvimento da consciência ambiental, o entendimento ético é essencial, mas,poderíamos, percorrendo o caminho inverso, despertar a percepção ética a partir daeducação ambiental?2.3 A EDUCAÇÃO AMBIENTAL E O ENSINO DA ÉTICA “Entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais oindivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades,
  11. 11. 11atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem deuso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.”(Lei 9.795 - Art.1º) A conservação do meio ambiente é, portanto, seu objetivo primeiro, mas, orecurso para tanto consiste da conscientização ambiental. Ora, se uma sociedadepossui formação ética, obviamente dispensa qualquer esforço de preservação domeio ambiente. Salientamos, ainda, que qualquer desenvolvimento obtido no campoda Ética, implica, não só em ganhos ambientais, mas de todo um contexto social.Isto nos conduz a uma mudança de foco, entendendo se tratar de uma questãointerpretativa de tais conceitos, ou seja, de identificação epistemológica dahierarquia dos respectivos valores. Não existe uma saída fácil para o problema ético da educação ambiental. Muito menos uma saída unilateral ou unidirecional. Mas existem caminhos capazes de apontar perspectivas para pensarmos a dimensão ética da educação ambiental (...) A hermenêutica apresenta-se como uma abordagem privilegiada para tratar esse “limiar epistemológico” da educação ambiental. (GRÜN, 1996, p.101) Diante disto, entendemos ser a Ética, a grande meta da humanidade, cujaconscientização ambiental, além de garantir a qualidade do nosso bem natural,constitui um fator importantíssimo para a formação da consciência ética. Assim, aquiinvertemos o sentido habitual da abordagem sobre conscientização ambiental emfunção de uma consciência ética, entendendo que esta última se faz a partir doexercício da primeira. Dito isto, nos resta identificar o modo de transferência de uma consciênciapara outra e, neste sentido, o processo de abordagem interdisciplinar parece atenderà necessidade: Um trabalho de conscientização ambiental perpassa obrigatoriamente pela visão holística de Homem. Nesta visão, a interdisciplinaridade faz-se necessária. Torna-se fundamental a contribuição da Filosofia, melhor dizendo, do filosofar, enquanto modo de refletir a respeito de sim próprio e do mundo; das Artes, como representações do mundo humano; das Ciências Biológicas e Ambientais, estudo da própria vida e das relações entre seres; da Educação Física, como consciência do corpo no mundo; das Ciências Sociais, como permanência e dinâmica do homem na vida, a sociedade. Todas têm um peso extraordinário nesse trabalho de conscientização, pois só assim pode-se perceber de que forma o homem constrói sua história, sua vida e sua morte. (BRANCO, 2003, p.12) Mais uma vez observamos a similaridade entre os mecanismos deabordagem do ensino da Ética e da Educação Ambiental, o que ratifica a nossaposição anterior. A concepção pedagógica de exploração destes temas tende a
  12. 12. 12obedecer ao mesmo princípio holístico de interpretação dos fenômenos humanos e,portanto, a traçar diretrizes metodológicas semelhantes que, por vezes, seconfundem: Como a realidade funciona de um modo sistêmico em que todos os fatores interagem, o ambiente humano deve ser compreendido com todos os seus inúmeros problemas. Tratar a questão ambiental, portanto, abrange toda a complexidade da ação humana: se quanto às disciplinas do conhecimento ela é um tema transversal, interdisciplinar, nos setores de atuação da esfera pública ela só se consolida numa atuação do sistema como um todo, sendo afetada e afetando todos os setores: educação, saúde, saneamento, transportes, obras, alimentação, agricultura, etc. (PCN, 1998, p.23) Uma metodologia que observe tais similaridades conceituais e umaorientação hierárquica dos valores socioambientais, se utilizando, para tanto, deuma abordagem interdisciplinar, surge com o nome de Ecopedagogia, que, tendocomo fundamento a viabilização de uma consciência ética planetária, vemdesenvolvendo procedimentos sintonizados com o ideal preconizado pela EcologiaProfunda. Essa nova pedagogia reforça a idéia de que o planeta Terra é um organismo vivo. De acordo com ela, é através do ensino de que os seres vivos e o planeta dependem um do outro para co-evoluirem e continuarem a existir que o ser humano conseguirá desenvolver uma sociedade planetária, que tenha responsabilidade e comprometimento perante todas as formas de vida. (SILVA, 2009, p.149) A Ecopedagogia não se limita, portanto, a um conjunto de métodos voltadospara o exercício de uma educação ambiental, mas, constitui uma ferramenta de“utilidade ética”, cujo objetivo maior é a construção de uma sociedade consciente desua integração com um planeta vivo que, como tal, exige uma relação ética entrecultura e natureza (Carta da Terra, Cacique Seatle, 1854). O ensino da Ética dispõe aqui dos mais consistentes recursos pedagógicospara uma efetiva aprendizagem dos seus conceitos e, sobretudo, de suaaplicabilidade, de tal modo que a Ecopedagogia poderia ser intitulada deEticopedagogia, sem que exigisse maiores adequações estruturais para atender àdemanda curricular. Portanto, não se trata de “reinventar a roda”, dada a existência de eficientesrecursos pedagógicos, mas, de esclarecimento epistemológico sobre asconsciências ética e ambiental e suas respectivas dimensões e valores. A partirdesta perspectiva, entendemos ser possível reunir elementos para a formaçãoefetiva de uma sociedade mais consciente, mais equilibrada, mais comprometida;promotora de inter-relacionamentos éticos que se traduzem em produções auto-
  13. 13. 13sustentáveis para a própria sociedade e para o meio ambiente como um todoindissolúvel.3 CONCLUSÃO As reflexões registradas neste artigo perpassam por distintos campos doconhecimento, tais como a Filosofia, a Pedagogia e o Meio Ambiente, na intençãode alinhavar um trajeto que conduza nossos propósitos de ensino da Ética a umâmbito de efetiva aprendizagem. Neste sentido, acreditamos que as incursões por estes universos nostrouxeram boas referências para exercícios junto às dinâmicas pedagógicas deensino da Ética, além de nos proporcionar maior esclarecimento sobre aspossibilidades de uma Filosofia aplicada. Por fim, entendemos que a Educação Ambiental constitui um recursoinesgotável de apoio à aprendizagem de diversos conhecimentos, visto que suametodologia de abordagem interdisciplinar favorece o exercício da reflexão sobre osprocedimentos, fundamental à efetividade do ato responsável.REFERÊNCIASARISTÓTELES. Ética a Nicômacos. Brasília: UNB, 2001.BOAS, Franz. Antropologia Cultural. Rio de Janeiro: Zahar, 2004BRANCO, Sandra. Educação Ambiental – Metodologia e Prática de Ensino. Rio deJaneiro: Dunya, 2003.BRASIL. Lei 9.795/1999 – Política Nacional de Educação Ambiental. Brasília: MMA,1999.
  14. 14. 14BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais – Introdução aos ParâmetrosCurriculares Nacionais. Brasília: MEC/SFE,1998BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais – Temas Transversais: Ética.Brasília: MEC/SFE,1998CAPRA, Fritjof. A Teia da Vida. São Paulo: Cultrix, 1997CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 2005.ESPINOSA, Baruch de. Os Pensadores / Espinosa - Ética Demonstrada à Maneirados Geômetras. São Paulo: Nova Cultural, 2004.FREIRE, Paulo. Educação como Prática da Liberdade. Rio de Janeiro: Paz eTerra, 1983.FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia – Saberes necessários à práticaeducativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996GRÜN, Mauro. Ética e Educação Ambiental – A conexão necessária. Campinas:Papirus, 1996.LIBÂNEO, José Carlos. Organização e Gestão da Escola: Teoria e Prática.Goiânia: Alternativa, 2004.NAGEL, Thomas. Uma Breve Introdução à Filosofia. São Paulo: Martins Fontes,2007.ONU/CNUMAD. Agenda 21. Curitiba: IPARDES/UFPR, 2001.PUIGGRÓS, Adriana. Paulo Freire do Ponto de Vista da Interdisciplinaridade. In:STRECK, Danilo R. et al (Org.). Paulo Freire - Ética, Utopia e Educação. Petrópolis:Vozes, 1999.RUSCHEINSKY, Aloísio. Educação Ambiental – Abordagens múltiplas. São Pulo:Artmed, 2002.SAVIANI, Dermeval. Educação: do Senso Comum à Consciência Filosófica. SãoPaulo: Cortez, 1985.SILVA, Nathiele K. Takemori; SILVA, Sandro Menezes. Educação Ambiental eCidadania. Curitiba: IESDE, 2009.SOUZA, Sonia Maria Ribeiro de. Um Outro Olhar – Filosofia. São Paulo: FTD,1975.

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