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A ( ) intervenção.B ( ) treinamento.C ( ) batida.D ( ) simulação.E ( ) confronto.RESPOSTAS CORRETAS: 1. A 2. C 3. CA capac...
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* Preposições e Locuções Prepositivas (verbo assume a forma de infinitivo): por, por causa de,em vista de, em virtude de, ...
localidade do Ceará. As expressões que retomam, no texto, a expressão “o berço” são:A) Ipu – município – região norte – “V...
Ao longo dos anos, Pedro acabou desenvolvendo uma sensibilidade muito apurada em seutrabalho. Graças a essa habilidade, ap...
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sobrava-lhe tempo para pensar. Sentiu saudades das ovelhas e dos carneiros. Mais para sedistrair, passou a imaginar que ca...
seguir.a) Na linha 4, após a palavra “frigorífico”, o vocábulo “congelando” está empregado em sentidoconotativo.b) A subst...
empresas já foram encontradas em circunstâncias bem mais simples e por alguns dos nossosmenos nobres antepassados.d) Afina...
Felizmente todo o deserto tem seus oásis, nos quais a natureza, por umfaceiro capricho, parece esmerar-se em criar um pequ...
-causas/conseqüências-enumeração, etc.b) Também pode haver contra-argumentos, ou seja, idéias contrárias aosargumentos apr...
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passa o casamento atual, preparando o leitor a aceitar a suatese: a separação, o fim do casamento que não dá certo.5º e 6º...
Foi batizada com o nome de Lisete. Às vezes parecia sorrir pedindo desculpas pordormir tanto. Comer, quase não comia, e fi...
Voltamos para casa com o guardanapo vazio e o coração vazio também. Antes de dormir, pedia Deu para salvar Lisete.No dia s...
TEXTOA Amiga" Ele chegou ao bar, pálido e trêmulo. Sentou-se.- Por enquanto, nada - desculpou-se ao garçom.- Estou esperan...
 nosso dever de cidadão - tanto meu quanto seu - observar o que existe de errado  Ée denunciar, sempre que preciso." En...
É bastante comum a procura por exercícios de interpretação de textos. Com as mudanças no NovoENEM, o modelo de exercícios ...
Marilávamos passar a noite lá, esperando.Sete beijinhos para você.”E depois vinha a assinatura:“Maricá”                   ...
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_Exercícios de Português TIPOLOGIA TEXTUAL1) Qual a tipologia textual do trecho apresentado abaixo?Dona Julieta chamou os ...
d) O texto descritivo está centrado no objeto.e) O personagem-narrador leva o verbo normalmente à terceira pessoa.7) Assin...
Produção de Texto                                                                                         (2º bimestre)   ...
espera dos acontecimentos. No fim da tarde a mãe chegou do trabalho. Não tardou em descobrir ointruso e a expulsa-lo, sob ...
( ) A televisão aliena o homem por requisita-lo inteiramente para si, uma vez que as informações quetraz são bombardeadas ...
como ele mesmo admite, como a família mesmo admite, que eles tinham medo do próprioacusado.”______________________________...
Eis um pequeno resumo dos tipos textuais já estudados aqui no blog. Se você não leu as aulas    anteriores,               ...
d) Não apresenta clímax em sua estruturae) O enredo é prioritário2. (EV) O predomínio de adjetivações é comumente encontra...
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  1. 1. Os usos sociais da internet: conexão inseguraConteúdosTecnologia e sociedade, usos sociais de aparatos tecnológicos, cultura de massa e internetHabilidadesConstruir uma compreensão crítica e historicamente contextualizada das novas tecnologias decomunicação como a Internet e entender as determinações sociais e culturais que explicam ossentidos dados a tais ferramentasTempo estimadoDuas aulasLya Luft faz, em sua coluna da VEJA, sérias críticas ao que a ela considera os maus usos das novasformas de comunicação possibilitadas pela internet. Ainda assim, ela se mostra uma usuáriafrequente, como muitos de nós. Navegando online fazemos pesquisas, buscamos informação etravamos contatos com pessoas do mundo todo. Assim como para a escritora, usar o computadordiariamente é parte da rotina de um grande número de brasileiros, comprovadamente um dos paísesque mais se conectam mundialmente. Mas as mudanças relacionadas ao novo meio de comunicaçãocausam também profunda apreensão, ao abrirem fronteiras novas, que são exploradas por criminosose todo tipo de pessoas sem escrúpulos. Nas aulas aqui sugeridas, discuta com a moçada as formaspelas quais a sociedade incorpora e lida com as possibilidades criadas por novidades tecnológicas.Atividades1ª aula - Converse com os jovens sobre a internet e tente descobrir como eles usam essa tecnologia.Quem tem blog na sala? Todos possuem perfil no Orkut? Se não possuem, quais os motivos? Algunspreferem manter sua privacidade, como relata Lya Luft? Ou, pelo contrário, não se pode mais escaparde marcar encontros e manter contato com os amigos pelo MSN? Quantos já usaram câmeras paraconversar com parentes e amigos distantes?Após ouvir os alunos, discuta as semelhanças e diferenças entre as diversas ferramentas que elesrelatam usar. Que sites ou programas servem mais para paquera ou para assuntos profissionais?Quem tem acesso à internet, em casa ou numa lanhouse, usa para fazer pesquisas para a escola? Osmeninos usam a rede de forma diferente das meninas? Alguém já foi vítima de golpes ou alvo dealguém espalhando mentiras online?Mostre para a galera que as tecnologias são utilizadas de muitas formas diferentes e que essadiversidade é parte fundamental da forma como o ser humano interage com seu meio. Gruposdistintos atribuem significados diversos a ferramentas novas e antigas e o surgimento de umatecnologia possibilita a observação desse processo de forma única. O crescimento e a mudança dosusos e sentidos da internet, mesmo no curto espaço de tempo em que ela existe, demonstra amultiplicidade de formas possíveis de interagir com uma tecnologia e a maneira criativa pela qual aspessoas recriam sua utilidade, para fins nem sempre previstos pelos criadores. Esse tipo de análise,focada nos aspectos sociais das tecnologias, é um campo em franco crescimento no Brasil e nomundo, que ajuda a entender as formas pelas quais a cultura e as sociedades interagem com aparatostecnológicos. Longe de serem apenas ferramentas inertes ou que impõem um determinado uso para aspessoas, as tecnologias são criativamente reinterpretadas pela sociedade.Para seus alunos O Mapa da Conectividade
  2. 2. Com a ajuda de um mapa-múndi, mostre que os países asiáticos da costa do Pacífico, a Europa e osEstados Unidos estão muito a frente do resto do mundo em conexão com a internet. Segundolevantamento de 2008 da ComScore, instituição especializada em pesquisas sobre o uso da rede,existem 308,8 milhões de internautas asiáticos, 232,8 milhões de europeus e 183,8 milhões de norte-americanos. O Brasil possui 59 milhões, a maioria nos grandes centros urbanos do sudeste e do sul dopaís. São quase 800 milhões de pessoas conectadas, criando e recriando usos para a rede.2ª aula - Nessa segunda parte, aprofunde os temas levantados na primeira aula, oferecendo um poucomais de contexto histórico para pensar as tecnologias de informação. Comente com a classe, porexemplo, que algumas ferramentas anteriores à internet passaram por processos de adaptação emudança semelhantes, como o telefone.Thomas Alva Edison elaborou os princípios de gravação e reprodução do som em 1877. Tanto elequanto Alexander Graham Bell dividem a fama de terem inventado o telefone, uma outra tecnologiaatualmente muito difundida. Quando surgiram, essa máquina de reprodução e gravação de sons nãoconseguiu empolgar seus contemporâneos. Era muito difícil, há mais de 100 anos, prever a revoluçãocausada pela telefonia, tanto nos negócios quanto na nossa vida pessoal. Quem consegue imaginarum mundo no qual só se consegue ouvir a voz dos amigos e parentes pessoalmente? Leve os alunos apensar que nossos celulares permitem esse contato a qualquer tempo e lugar. E o que dizer dostocadores de MP3? A ideia de escutar em qualquer lugar música baixada da internet nunca estevepresente nos planos daqueles que inventaram tais tecnologias, mas usos como esses que definem,hoje, as nossas relações com elas - com imenso prejuízo para a indústria fonográfica, por exemplo.Uma tecnologia desenhada para gravar e reproduzir som desenvolveu-se em grande escala apenasquando começou a ser utilizada para fins aparentemente banais: bater papo e escutar músicas. Damesma forma, a internet só tornou-se a força desestabilizadora que é hoje quando começou a seradaptada para usos do cotidiano. Desenhada para fins militares pelos EUA, ela parte de um princípiode transmissão descentralizada de informação. A rede foi concebida para permitir a comunicação nocaso de um holocausto nuclear: mesmo com uma parte do sistema destruída ele, como um todo,permanece funcionando, pois a informação consegue ser transmitida por rotas alternativas. Detalhestécnicos à parte, a internet foi rapidamente adotada por centros de pesquisa e universidades, para, porfim (no final dos anos 1980), ser liberada para o mercado consumidor.Muitos de nós vivemos uma época, muito recente, na qual não havia internet, email, Youtube, Orkutou MSN. Colocar fotos da nossa vida particular para qualquer um do planeta ver, escrever diáriosonline ou ter acesso instantâneo via mensagens era inconcebível. Mesmo assim, uma grande parteganhou tanta familiaridade com essas ferramentas que já não consegue se imaginar sem acesso a elas.Ainda hoje, novas formas de uso de tecnologias ligadas à internet continuam a ser desenvolvidas,com possibilidades e usos imprevisíveis. Alguns filósofos, como Pierre Lévy, pensam que a conexãodo planeta via web levará a uma forma original de inteligência mundial, aumentando as nossascapacidades cognitivas por meio de redes virtuais. Se isso vai ocorrer ou não, o fato é que já vivemosnum mundo transformado, e a exploração das novas fronteiras tecnológicas permanece um projetoaberto.Conclua encomendando um texto dissertativo onde os estudantes avaliem o impacto da internet emsuas vidas, comentem o uso que fazem dela e projetem perspectivas pessoais - como, por exemplo, aimportância da rede na profissão que pretendem seguir.Quer saber mais?
  3. 3. BIBLIIOGRAFIAA inteligência coletiva, Pierre Lévy, Editora Loyola, tel: (11) 2914.1922Cibercultura, Pierre Lévy, Editora 34, tel.:(11) 3032-6755
  4. 4. DicasO trabalho é uma das contribuições que damos à vida, mas não se deve jogar nele todas as nossasexpectativas de realizações. Finalmente, ria das coisas à sua volta, de seus problemas, de seus erros,ria da vida. E... ame. Antes de tudo, a você mesmo!02/04/2010Compreensão e interpretação de textos, Tipologia textual, exercícios (Português)GUERRA DO TRÁFICO no Rio mata garotoUma bala perdida interrompeu o sonho de Carlos Henrique da Silva, 11 anos, de serum craque no futebol. Ele jogava no mirim do Botafogo e foi morto durante operaçãopolicial no Complexo da Maré (zona norte do Rio). No confronto, outras sete pessoasmorreram. 0 corpo de Carlos ficou estendido no chão por 11 horas. Ele estava na colo do pai,nobanco traseiro do automóvel. Voltavam de uma festa, junto com um amigo da família,quedirigia o carro.O motorista entrou numa favela. Ali havia uma festa junina, onde a mãe de Carlos oaguardava. 0 tiro de fuzil acertou a cabeça do garoto.INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS1) Assinale a alternativa CORRETA, de acordo com o texto acima.A( ) Carlos foi morto no Complexo da Maré (zona norte do Rio).B( ) O garoto de onze anos, ao regressar de um treino no Botafogo, foi atingido por uma bala emorreu.C( ) O garoto que morreu jogava no juvenil do Botafogo.D( ) O tráfego no Rio foi o motivo principal da morte.E( ) Carlos, sua mãe e um amigo voltavam de uma festa no momento da tragédia.2) Assinale a alternativa CORRETA, de acordo com o texto acima.Na frase ... uma bala perdida interrompeu o sonho de Carlos Henrique da Silva, a expressãobala perdida significa:A( ) que o projétil foi desferido acidentalmente.B( ) que o tiro veio de um revólver perdido.C( ) que o projétil desviou-se do alvo.D( ) que o tiro veio do meio da festa.E( ) que o projétil estava sem validade.3) Assinale a alternativa CORRETA.Se a frase Ele jogava no mirim do Botafogo e foi morto durante operação policial, no complexoda Maré... fosse redigida em linguagem informal, o vocábulo operação poderia ser substituídopor:
  5. 5. A ( ) intervenção.B ( ) treinamento.C ( ) batida.D ( ) simulação.E ( ) confronto.RESPOSTAS CORRETAS: 1. A 2. C 3. CA capacidade comunicativa que permite ao usuário de uma língua compreender eproduzir textos surge na infância mas pode, deve e tem de ser alargada ao longo da vida. Quemacha que tudo o que se pode aprender em leitura se esgota no Primeiro Grau pensa que ler éoperação destinada apenas a decodificar signos lingüísticos e descobrir um sentido único para otexto. No entanto, o leitor não só recebe sentidos do texto, como também lhe atribui sentidos:ele dialoga com o autor. E mais: para interpretar o texto e atribuir-lhe significado, lança mãode conhecimentos extra-linguísticos: do mundo, do assunto em questão, de outros textos quecontribuem para sua interpretação. Em suma, o leitor torna-se mais eficiente à medida que lêmais, de maneira cada vez mais ativa e inquisidora. Assim, adote os seguintes passos para umaboa compreensão de textos:Leia o texto mais de uma vez, minuciosamente, para encontrar a resposta correta;Na terceira ou quarta leitura do texto, pode-se destacar as palavras e expressões-chave.É necessário limitar-se às informações contidas no texto.Tente compreender o texto, fragmentando-o em parágrafos ou mesmo, em períodos; fica maisfácil interpretar.Sempre restam duas alternativas consideradas possíveis. Nesse caso, é necessária uma novaleitura.Coesão: é uma forma de recuperar, em uma sentença B, um termo presente na sentença A.Exemplo:“Pegue algumas peras. Coloque-as sobre a mesa.”Nesse caso, o elemento responsável pela coesão textual, ou seja, pela ligação existente entre asduas orações é o pronome as, porque ele recupera, semanticamente, na segunda sentença, otermo algumas peras.
  6. 6. Através de sinônimos, podemos obter o seguinte texto:“As revendedoras de automóveis não estão mais equipando os carros para vendê-los mais caro.O cliente vai lá com pouco dinheiro e, se tiver que pagar mais caro o produto, desiste e asagências têm prejuízo.”Usando o recurso da elipse, obtemos outra versão:“As revendedoras de automóveis não estão mais equipando-os para vendê-los mais caro. Ocliente vai lá com pouco dinheiro e, se tiver que pagar mais, desiste e as revendedoras têmprejuízo.”Como vimos anteriormente, a coesão é um processo que cuida da articulação semântica entreas sentenças de um texto. Há ainda, um outro mecanismo que cuida da ligação sintática dassentenças: é a articulação sintática, e pode ser de:OPOSIÇÃO - quando se faz por meio de dois processos:Coesão é um processo que cuida da articulação semântica entre as sentenças de um texto.-a coordenação adversativaa subordinação concessiva.- empregando os seguintes articuladores (conjunções):- mas, porém, contudo, todavia, entretanto,- embora, ainda que, apesar de, conquanto,Vejamos alguns casos:
  7. 7. Ex.: A polícia conseguiu prender os ladrões, mas as jóias ainda não foram recuperadas.no lugar de mas poderíamos usar qualquer um outro articulador da coordenaçãoadversativa, em outras posições.Ex.: A polícia conseguiu prender os ladrões; as jóias, entretanto, ainda não foram recuperadas.A coordenação adversativa, quando empregada, faz um encaminhamentoargumentativo contrário ao da oração anterior frustrando a expectativa do destinatário.Imaginemos uma situação em que determinada pessoa tenha solicitado um empréstimobancário e, voltando ao banco para saber sobre a aprovação do cadastro obtém a seguinteresposta:- Fizemos um grande esforço para conceder-lhe este empréstimo.Até esse momento da frase ele não sabe se conseguiu ou não o empréstimo; a conclusão poderáser ou não favorável.. . . portanto, você poderá levar, ainda hoje, o dinheiro. ou. . . mas você não poderá levar o dinheiro por motivos alheios a nossa vontade.Utilizando um articulador subordinativo concessivo:Ex.: Embora tenhamos feito um grande esforço para conceder-lhe o empréstimo, vocênão poderá levar o dinheiro por motivos alheios a nossa vontade.CAUSA - principais articuladores sintáticos de causa:* Conjunções e locuções conjuntivas (o verbo e conjugado normalmente): porque, pois, como,por isso que, já que . . .
  8. 8. * Preposições e Locuções Prepositivas (verbo assume a forma de infinitivo): por, por causa de,em vista de, em virtude de, devido a, em conseqüência de, . . .Ex.: Não fui visitá-lo, porque estava com pressa de voltar.Não fui visitá-lo, em virtude de estar com pressa de voltar. Ou Em virtude de estar com pressade voltar, não fui visitá-lo.CONDIÇÃO - o principal articulador de condição é o se; leva o verbo para o futuro dosubjuntivo ou para o presente do indicativo com valor de futuro. Ex.:Se você enviar hoje, poderei receber amanhã.Se você enviar hoje, posso receber amanhã.Outros articuladores de condição: caso, contanto que, desde que, a menos que, a não ser que.Ex.:Caso você envie hoje, poderei receber amanhã. (pres. Subj.)A menos que você preste atenção, vai errar. (Observe que o advérbio não é desnecessário.)FIM - a forma mais comum de manifestar finalidade é utilizando preposição para. HÁ, ainda: afim de, com o propósito de, com a intenção de, com o intuito de, etc. Ex.:Os preços precisam subir, para que haja uma recuperação dos custos.Os preços precisam subir, para haver uma recuperação dos custos.Jorge promoveu Jonas, com o objetivo de angariar mais votos.QUESTÃO COMENTADA:.O berço de Mílton Dias é Ipu. Ele nasceu na pequena rua da Goela do seu torrão natal.O município tem 403 km2 e fica a 391 km de Fortaleza. A cidade da bica em que Iracema, deAlencar, se banhava está na região norte do Estado e seu padroeiro é São Sebastião. A bica doIpu é uma queda d’água que surge por entre o Despenhadeiro da Morte e desprende-se de umaaltura de 180m, formando um “Véu de Noiva” que encanta a todos os visitantes da pequena
  9. 9. localidade do Ceará. As expressões que retomam, no texto, a expressão “o berço” são:A) Ipu – município – região norte – “Véu de Noiva” – pequena localidade do Ceará.B) torrão natal – município – bica do Ipu – Despenhadeiro da Morte – “Véu de Noiva”.C) Ipu – torrão natal – município – cidade da bica – pequena localidade do Ceará.D) pequena rua – torrão natal – município – bica do Ipu – “Véu de Noiva”.E) Ipu – torrão natal – município – região norte – pequena localidade do Ceará.Comentário - A questão trata de leitura, precisamente coesão referencial. O candidato deve sercapaz de identificar as expressões que se referem a "o berço". Está correta a opção C. O berçoé retomado no texto pelas expressões "Ipu", "torrão natal , "município", "cidade da bica" e"pequena localidade do Ceará". "Região Norte", nas opções A e E, não retoma berço", porqueo segundo está localizado no primeiro, mas não o substitui. Do mesmo modo, "Véu de Noiva",nas opções A, B e D, retoma o termo "bica do Ipu"e não, "berço". "Despenhadeiro da Morte",na opção B, também não retoma "berço", refere-se ao local onde fica a bica do Ipu.Finalmente, "pequena rua", na opção D, refere-se a uma rua da cidade onde o escritor nasceu enão à cidade onde nasceu.*****EXERCÍCIOS*****Leia o texto a seguir para responder às questões 1 e 2.História para ninar executivosHavia um pastor chamado Pedro – como aliás se chamam todos os pastores de histórias comoesta. Ele tinha um jeito todo especial para cuidar de seu rebanho. Até parece que os bichinhosreconheciam esse talento e o admiravam por isso. Acho que se pudessem falar e escolher opróprio pastor, sem dúvida Pedro seria o favorito. Ele sabia criar um climaorganizacionalmuito especial, como, por exemplo, dar nome para cada carneirinho e ovelhinha, respeitando oshábitos e costumes de cada um.
  10. 10. Ao longo dos anos, Pedro acabou desenvolvendo uma sensibilidade muito apurada em seutrabalho. Graças a essa habilidade, aprendeu a identificar com rapidez quando havia umaovelha mais estressada no grupo. Mas descobriu também que a causa não era tão importanteassim. O que realmente interessava era, fosse qual fosse a circunstância, neutralizar oproblema. Se não agisse com vigor, o rebanho inteiro poderia se contaminar com ocomportamento de uma ovelha, tornando-se incontrolável em alguns minutos.Para se defender de situações como essa, Pedro cercou-se de uma série de ferramentas. Aprimeira delas foi estabelecer sensores que o alertassem com antecedência sobre fatos muitasvezes despercebidos, mas com potencial para se transformarem em sérios problemas para orebanho.Assim, se uma ovelha apresentasse uma tendência à histeria, berrandodesnecessariamente e provocando contínua ansiedade no grupo, era implacável na punição.Também sabia reconhecer e premiar os melhores colaboradores.QUESTÃO 1Os trechos destacados em negrito, a seguir, constam no texto original do autor e devemretornar a seus lugares. A esse respeito, julgue os seguintes itens.a) É correta a inserção de Pois animais, assim como os homens, têm as suas idiossincrasias. nofinal do primeiro parágrafo, na forma de um comentário ao que havia sido expostoanteriormente.b) É correto inserir As razões, a experiência o ensinou, podiam ser múltiplas. Ora umferimento ou um problema orgânico, ora uma ameaça externa, como a proximidade deum predador. no segundo parágrafo, imediatamente após o segundo período.c) É correto inserir Paralelamente, uma vez identificado, liquidava com presteza o focodo problema, evitando futuros aborrecimentos ou recorrências. imediatamente após oprimeiro período do terceiro parágrafo.d) É correta a inserção de Foi assim até mesmo com Elvira, a sua ovelha favorita, quefoi transformada em costeletas, por mais que isso tenha entristecido Pedro. no final doquarto parágrafo, por ser a exemplificação da afirmativa nele contida.e) O trecho Quando Eduardo, um carneiro caolho e coxo, alertou o rebanho com seus frágeis edesafinados balidos sobre a proximidade de um lobo, Pedro não só deixou de castrá-lo comotambém assegurou sua aposentadoria por velhice. O que, convenhamos, no mundo ovino, não épouca coisa!, por não ter relação com a última idéia expressa, deve constituir um sexto
  11. 11. parágrafo.QUESTÃO 2A respeito das idéias contidas no texto, julgue os itens que se seguem.a) O texto classifica-se como uma fábula ou um apólogo, por atribuir a seresinanimados características de seres humanos.b) O texto apresenta uma forte conotação religiosa, haja vista a inserção, já no início danarrativa, do nome bíblico “Pedro”.c) Pelo emprego de algumas palavras e expressões, percebe-se o tom irônico empregado nahistória.d) Com o trecho “Mas descobriu também que a causa não era tão importante assim” (L. 9-10),há uma crítica ao tratamento dispensado aos empregados pelos patrões.e) As atitudes do pastor estão fundadas na seguinte máxima: uma ovelha ruim põe a perdertodo o rebanho.Leia o texto abaixo, que apresenta lacunas a serem preenchidas, para responder àsTexto questões 3 e 4Um dia, o dono do pasto decidiu desfazer-se do negócio e vendeu a área para umaconstrutora, que resolveu fazer um condomínio de lazer de luxo. Mas era preciso dar um ar denatureza sem os seus problemas inerentes, como insetos em geral e animais que pudessem sujaro ambiente. ___I___, criar ovelhas, até pela falta de espaço, não se enquadrava no novo cenário.Assim, o dono indenizou Pedro e vendeu o rebanho para um frigorífico, congelando o assunto.Pedro, nessa altura, decide mudar-se para a capital. Passam-se os anos e, para resumira história, vamos encontrá-lo trabalhando numa grande empresa, num setor que na época sechamava departamento de pessoal – ou DP, que alguns maldosamente diziam ser as iniciais dedepartamento de polícia. Hoje, com tanta gente sofisticada trabalhando na área, ninguém maisse refere a DP, mas a recursos humanos. Pedro foi inicialmente contratado para anotaralterações funcionais dos empregados nas suas carteiras de trabalho. Nessa função mecânica,
  12. 12. sobrava-lhe tempo para pensar. Sentiu saudades das ovelhas e dos carneiros. Mais para sedistrair, passou a imaginar que cada um dos empregados fotografados naquelas carteiras detrabalho era um membro de seu falecido rebanho.___II___, quando começava a se afeiçoar aosrostos, eles eram trocados. Descobriu que___III___ era o acentuado número de demissões de funcionários, muitos praticamenterecémcontratados.Veio-lhe a lembrança desagradável dos tempos de pasto, quando o mesmo fatoocorria toda vez que o dono resolvia vender parte do rebanho para abate. Neste caso,___IV___, tinha como interferir.Procurou o diretor da empresa e se ofereceu para cuidar do processo de seleção. Sua tese eraque uma escolha correta evitava um desligamento profissional desnecessário. A estratégia deucerto, as demissões diminuíram, e ele foi promovido para o lugar de seu chefe.Agora, tinha de administrar um rebanho de gente. Lembrou-se do seu modelo de puniçõese recompensas e o adaptou às novas circunstâncias. Adotou também o critério de chamar atodos pelos seus nomes, ___V___ os encontrava casualmente nos corredores da empresa.Pedro não se esquecera das lições do pasto. Suas ferramentas, incluindo os sensores que oalertavam a respeito de problemas em potencial, continuavam a ser adotadas. Inventou váriossensores, mas, o mais importante, manteve o rebanho sob controle. Fosse ele constituído degente ou de carneiros, era fundamental evitar futuros problemas.QUESTÃO 3Julgue os itens a seguir, de acordo com a adequação sintática e semântica dos termos aocontexto.a) Definitivamente é uma palavra adequada ao preenchimento da lacuna I.b) No entanto, Todavia e Contudo são conectivos adversativos que servem para ocupar alacuna II.c) A expressão a conseqüência, ou outra sinônima, completa adequadamente a lacuna III.d) Qualquer conjunção ou locução conjuntiva que apresente circunstância proporcionalcompleta adequadamente a lacuna IV.e) A conjunção quando ou a locução adverbial temporal sempre que completamadequadamente a lacuna V.QUESTÃO 4Ainda com referência às relações morfossintáticas e semânticas do texto, julgue os itens a
  13. 13. seguir.a) Na linha 4, após a palavra “frigorífico”, o vocábulo “congelando” está empregado em sentidoconotativo.b) A substituição de “Mais” (L. 14) por Mas não altera o sentido do período.c) Substituindo o verbo “afeiçoar” (L. 17) por acostumar ou habituar, perde-se a críticacolocada pelo autor à conduta de Pedro.d) Na linha 19, “lembrança” traz o sentido de recordação e exerce a função sintática de núcleodo sujeito do verbo vir.e) A mudança de “era fundamental evitar futuros problemas” (L. 33) para evitarem-se futurosproblemas era fundamental não acarreta alterações de sentido e está sintaticamente correta.QUESTÃO 5 Texto IIIPois bem, meus jovens colegas. Assim foi que Pedro se tornou um bem-sucedido executivo derecursos humanos – nome para o qual, aliás, foi um dos pioneiros a propor que a área fosserebatizada. Nunca mais sentiu saudade nem do antigo DP nem do campo. Isso me faz pensarque, no fundo, a humanidade caminha em grandes círculos. Por vezes, as respostas aosproblemas mais complexos com que defrontamos nas empresas já foram encontradas emcircunstâncias bem mais simplórias e por alguns de nossos menos nobres antepassados. Afinal,tudo se passa como se estivéssemos num velho teatro onde o público tem a sensação de estarvendo novas peças. Na realidade, o que muda é apenas o cenário, pois o enredo é rigorosamenteo mesmo!Este parágrafo apresenta-se distribuído nos itens abaixo, com mudanças estruturais. Julgue-osquanto à correção gramatical.a) Pois bem, meus jovens colegas, foi assim que Pedro se tornou um bem sucedido executivo:trabalhou em recursos humanos, nome que, aliás, foi um dos pioneiros a propor para a suaárea.b) Nunca mais sentiu saudades: nem do antigo DP e nem do campo, o que me faz pensar que nofundo, a humanidade caminha em grandes círculos.c) Por vezes, as respostas aos problemas de maior complexidade com que nos defrontamos nas
  14. 14. empresas já foram encontradas em circunstâncias bem mais simples e por alguns dos nossosmenos nobres antepassados.d) Afinal, tudo se passa como se nos encontrássemos em um velho teatro em que nós, o público,tivéssemos a impressão de estar vendo peças novas.e) Haja vista que o enredo é rigorosamente o mesmo, na realidade muda apenas o cenário!GABARITO1: C-C-E-C-E 2: E-E-C-C-C 3: C-C-E-E-C 4: C-E-C-C-C 5: E-E-C-C-C2. TIPOLOGIA TEXTUALA estrutura e a composição do parágrafo se relacionam com as idéias que queremosexpressar. Temos idéias reunidas num parágrafo, quando elas se relacionam entre si pelo seusentido. Dentro do mesmo parágrafo podemos ter diferentes idéias, desde que elas, reunidas,formem uma idéia maior. São qualidades principais do parágrafo, a unidade e a coerência.Operíodo contém um pensamento completo que, embora se relacionando com os anteriores ou seampliando nos posteriores, forma um sentido completo.Era uma borboleta. Passou roçando em meus cabelos, e no primeiro instantepensei que fosse uma bruxa ou outro qualquer desses insetos que fazem vidaurbana; mas, como olhasse, vi que era uma borboleta amarela. (Rubem Braga)Temos aqui um parágrafo, com dois períodos. O primeiro período tem apenas uma idéia. Osegundo, tem várias, mas forma um todo. No total, o primeiro e o segundo período formam umbloco homogêneo, o parágrafo.O período pode ser simples (como, no exemplo, a frase: “Era uma borboleta”) oucomposto (como a frase: “Passou roçando (...) borboleta amarela”). No período simples temosapenas uma oração, no período composto temos várias orações articuladas entre si.A predominância de períodos longos ou curtos na composição de um texto depende muito doestilo de quem escreve. Na linguagem moderna predomina o uso de períodos curtos.Depois, as coisas mudaram. Há duas explicações para isso. Primeira, que nostornamos homens, isto é, bichos de menor sensibilidade. Segunda, o governo, quemexeu demais na pauta dos feriados, tirando-lhes o caráter de balizas imutáveis eamenas na estrada do ano... Multiplicaram-se os feriados enrustidos, ou dispensas deponto e de aula, e perdemos, afinal, o espírito dos feriados. (Carlos Drummond deAndrade)Nesse parágrafo de Carlos Drummond de Andrade, escritor brasileiro contemporâneo,os períodos curtos predominam. Em escritores do Romantismo, os períodos longos eramfreqüentes e abundantes, como, por exemplo, neste trecho de José de Alencar:
  15. 15. Felizmente todo o deserto tem seus oásis, nos quais a natureza, por umfaceiro capricho, parece esmerar-se em criar um pequeno berço de flores e deverdura concentrando nesses cantinhos de terra toda a força de seivanecessária para fecundar as vastas planícies.O uso de períodos curtos oferece a vantagem de maior clareza de pensamento (e, emúltima análise, de comunicação), evitando-se o perigoso entrelaçamento de frases em que sepode perder quem utiliza períodos muito longos.No período composto os pensamentos podem se articular por coordenação ousubordinação. Quanto à tipologia vejamos o texto dissertativo, narrativo, descritivo,persuasivo.Dissertação é um texto que apresenta idéias, opiniões, reflexão ou julgamento sobre umdeterminado assunto. A dissertação apresenta uma estrutura determinada:ESTRUTURA DO TEXTO DISSERTATIVOa) Apresentação do assunto (idéia principal a ser desenvolvida).b) Posicionamento do autor sobre o assunto.(Argumentos)2. Desenvolvimento(Contra-argumentos)a) Defesa do posicionamento do autor, através de argumentos.A argumentação para tornar-se mais convincente e verdadeira pode valer-sede :-exemplos-citações-fatos acontecidos-dados comprovados
  16. 16. -causas/conseqüências-enumeração, etc.b) Também pode haver contra-argumentos, ou seja, idéias contrárias aosargumentos apresentados. No final, faz-se um balanço e os argumentosdevem prevalecer. Na verdade, os contra-argumentos também sustentam aidéia defendida, o posicionamento do autor.3. Conclusãoa) Retomada de idéia principal e conclusão.b) Podem-se apresentar sugestões sobre o assunto.Veja o texto:O casamento atualAnna Narbone de Faria1O casamento atual, como todas as demais instituições, sofreu incríveis modificações. Se a moçaainda aguarda o cavaleiro montado em um corcel branco e que a faça feliz para toda a vida, vaimorrer de velha, nessa espera.O cavaleiro se desmistificou. Já não vem mais montado, mas sim a pé sofrendo as agruras deum mercado de trabalho.cada vez mais difícil para o homem e mais exigente com a suacapacidade.A mulher tem mais condições de trabalho, por aceitar ganhar menos, trabalhar em qualquerhora, deixando de ver reconhecidas, pelas suas necessidades, as suas qualidades de operária.O casamento já não diz mais "até que a morte nos separe", pelo menos não se pensa assim, enem o homem diz para a mulher "mulher minha não trabalha fora de casa". A família é
  17. 17. sustentada pelos dois, ou pelo trabalho da mulher quando o homem fica desempregado.Também os casais já não têm uma casa grande, muito menos quatro a seis filhos para educar.A vida atual exigiu que o apartamento de dois ou trêsquartos fosse a morada da família. Os pais trabalham, os filhos ficam por conta da avó, oupermanecem sozinhos, ou em cursos que auxiliam sua vida escolar. Raramente, a família seencontra durante a semana.Dentro dessas modificações, fica mais fácil a separação quando as desavenças aparecem. E énesse 1 Anna Narbone de Faria é advogada, especialista em Direito de Família.exato momento que se vê, realmente, que o casamento não foi feito para durar, mas paraproduzir felicidade. Desde os filhos, todos querem ser felizes. Se não há entendimento, melhorviver separados do que juntos einfelizes. Os próprios filhos, quando adolescentes, são os quepedem aos pais pela sua separação, tendo em vista as brigas constantes.A separação é um mal necessário. Todavia, ela precisa respeitar as pessoas que fazem parte dafamília. É necessário estabelecer um critério para a pensão alimentícia, pois os filhos precisamcontinuar estudando no lugar onde foram matriculados, sem que sejam retirados dos colégiosque freqüentam, tudo por uma vingança do pai para com a mãe ou vice-versa. Os filhosprecisam continuar a contar com a presença dos pais e seus problemas continuam a ser tãoimportantes quanto eram, quando a família estava unida.O pai e a mãe têm o direito de procurar novos companheiros, pois é imposição da novasociedade. Por sua vez, precisam ser respeitados pelos antigos companheiros, porque de nadasão culpados.A família nunca se separa, nem se desestrutura. Quem se separa são as pessoas. E essas só sedesestruturam se não avaliarem bem as suas responsabilidades perante a família.Observe como a autora organiza suas idéias, seguindo a estrutura de texto dissertativo.O casamento atual.Introdução1º parágrafoIntrodução e síntese.A autora apresenta a síntese (o resumo) que irá ser ampliadanos parágrafos seguintes.Desenvolvimento 2º/3º/4º parágrafosInicia-se a argumentação. A cada parágrafo, a autoraapresenta argumentos que mostram as modificações por que
  18. 18. passa o casamento atual, preparando o leitor a aceitar a suatese: a separação, o fim do casamento que não dá certo.5º e 6º parágrafos Continuando sua argumentação, a autora posiciona-se arespeito da separação e defende a tese de que é melhorviver separados do que juntos e infelizes.Conclusão7º parágrafoConcluindo, a autora reafirma a tese da separação e asustenta com um novo argumento: a família não sedesestrutura se as pessoas têm consciência de suasresponsabilidades perante ela.A narração é um tipo de texto em que se contauma história real ou imaginária, através de fatossucessivos que vão ocorrendo num tempo dinâmico, progressivo.Notícia de jornal, histórias em quadrinhos, anedota, romances, novelas, contos, crônicas sãotextos narrativos que contam uma história.As narrativas chegam até nós através de várias linguagens: pela palavra (linguagemverbal: oral e escrita), pela imagem (linguagem visual ), pela representação (linguagem gestual)e outras.Para que haja a narração é preciso um narrador (sujeito que pratica o ato de narrar),personagens, tempo dinâmico, espaço, ações. Nesta unidade, você vai ler dois textosnarrativos muito interessantes e perceber como foi explorada essa forma de escrever.LiseteClarice LispectorUma tarde eu estava andando pelas ruas para comprar presentes de Natal. As ruasestavam muito cheias de pessoas comprando presentes. No meio daquela gente toda vi umagrupamento, fui olhar: era um homem vendendo vários micos, todos vestidos de gente e muitoengraçados. Pensei que todos de casa iam ficar adorando o presente de Natal, se fosse ummiquinho. Escolhi uma miquinha muito suave e linda, que era muito pequena.Estava vestida com saia vermelha, e usava brincos e colares baianos. Era muitodelicada conosco, e dormia o tempo todo.
  19. 19. Foi batizada com o nome de Lisete. Às vezes parecia sorrir pedindo desculpas pordormir tanto. Comer, quase não comia, e ficava parada num cantinho só dela.No quinto dia comecei a desconfiar que Lisete não estava bem de saúde. Pois não eraNarrar é contar uma história através de fatos que vão ocorrendo num tempoprogressivo. Para que esses fatos se encadeiem, é necessário que haja umnarrador, personagens, tempo, espaço e ações. normal o jeito quieto e calado dela.No sexto dia quase dei um grito quando adivinhei: "Lisete está morrendo ! Vamos levá-la a umveterinário !" Veterinário é médico que só cuida de bichos.Ficamos muito assustados porque já amávamos Lisete e sua carinha de mulher. Ah, meu Deus,como nós gostávamos de Lisete ! E como nós queríamos que ela não morresse ! Ela já faziaparte de nossa família. Enrolei Lisete num guardanapo e fomos de táxi correndo para umhospital de bichos.Lá deram-lhe imediatamente uma injeção para ela não morrer logo. A injeção foi tão boa queaté parecia que ela estava curada para sempre, porque de repente ficou tão alegre que pulavade um canto para outro, dava guinchos de felicidade, fazia caretinhas de macaco mesmo, estavadoida para agradar a gente. Descobrimos, então, que ela nos amava muito e que nãodemonstrava antes porque estava tão doente que não tinha forças.Mas, quando passou o efeito da injeção, ela de repente parou de novo e ficou toda quieta e tristena minha mão. O médico então disse uma coisa horrível: que Lisete ia morrer.Aí compreendemos que Lisete já estava muito doente quando a comprei.O médico disse que não se compram macacos na rua porque às vezes estão muito doentes.Nós perguntamos muito nervosos:E agora ? Que é que o senhor vai fazer ?Ele respondeu assim:Vou tentar salvar a vida de Lisete, mas ela tem que passar a noite no hospital.
  20. 20. Voltamos para casa com o guardanapo vazio e o coração vazio também. Antes de dormir, pedia Deu para salvar Lisete.No dia seguinte o veterinário ligou avisando que Lisete tinha morrido durante a noite.Compreendi então que Deus queria levá-la. Fiquei com os olhos cheios de lágrimas, e não tinhacoragem de dar esta notícia ao pessoal de casa. Afinal avisei, e todos ficaram muito, muitotristes. De pura saudade, um de meus filhos perguntou:Você acha que ela morreu de brincos e colar ?Eu disse que tinha certeza que sim, e que, mesmo morta, ela continuaria linda.Também de pura saudade, o outro filho olhou para mim e disse com muito carinho:Você sabe, mamãe, que você se parece muito com Lisete ?Se vocês pensam que eu me ofendi porque me parecia com Lisete, estão enganados.Primeiro, porque a gente se parece mesmo com um macaquinho; segundo, porque Lisete eracheia de graça e muito bonita.Obrigada, meu filho, foi isso que eu disse a ele e dei-lhe um beijo no rosto.A descrição é um tipo de texto que procura retratar, através de palavras, as características deuma pessoa, de um objeto, de um animal, de uma paisagem ou de uma situação qualquer.Um bom texto descritivo é aquele que permite que o ser descrito seja identificado pelo que eletem de particular, de característico em relação aos outros seres da mesma espécie.Os textos que apresentaremos a seguir descrevem animal, objeto e pessoa.
  21. 21. TEXTOA Amiga" Ele chegou ao bar, pálido e trêmulo. Sentou-se.- Por enquanto, nada - desculpou-se ao garçom.- Estou esperando uma amiga.Dali a dois minutos estava morto.Quanto ao garçom que o atendeu, esse adorava repetir a história, mas sempreacrescentava ingenuamente:- E , até hoje, a grande amiga não chegou! "Texto persuasivo (geralmente solicitado na forma de uma carta) é endereçado auma pessoa específica, única, a quem o interlocutor (que o escreve) deverá tentar convencer,persuadir, a respeito de determinado assunto do conhecimento de ambos.Além da parte formal, cabeçalho com data e o cumprimento inicial, o escritor se despede aofinal.Ao desenvolver esse texto, durante a argumentação deverão estar presentes as marcas deinterlocução.Observe essas marcas simples de interlocução nos exemplos abaixo:Como o senhor pode bem verificar, algumas pesquisas são fraudulentas e visamconfundir as pessoas."
  22. 22.  nosso dever de cidadão - tanto meu quanto seu - observar o que existe de errado Ée denunciar, sempre que preciso." Entendo que lhe seja difícil admitir estar errado." ( lhe = ao senhor) "Geralmente o assunto proposto para a esse tipo de texto é polêmico e atual, cabendo a vocêdiscuti-lo e, muitas das vezes, usando os próprios argumentos do interlocutor fortalecer suaoposição a ele. Tal recurso é a conta-argumentação que, bem sucedida, enriquece seu texto.
  23. 23. É bastante comum a procura por exercícios de interpretação de textos. Com as mudanças no NovoENEM, o modelo de exercícios de português deixou de ser baseado no decoreba e passou-se avalorizar o conhecimento contextualizado da Língua Portuguesa. É por isso que o exercício deinterpretação abaixo pode ajudar seus alunos a melhorar na compreensão de texto. Ele pode serusado também comoatividade complementar para que eles desenvolvam o gosto pela leitura. Coisas que pegamos no quintal… DE MARICÁ PARA MARICOLÁBruxa bonita não tem vez!Vejam vocês que Maricolá se jogou no mar porque suas irmãs, Maricá, e Marilá, a transformaramnuma pessoa horrorosa. Ela estava pensando como recuperar sua vassoura para se locomover commais facilidade, no fundo do mar ou quem sabe, até, voltar para o penhasco, quando...Nesse instante bateram na porta. Marcelina, a sereia-secretária, veio nadando apressadinha,murmurou um “com licença” e foi atender.Era o Peixe-Serra, o correio do fundo do mar, trazendo uma carta presa ao serrote.- Diga pra dona da casa botar luz na entrada da gruta. Custei pra achar o número e isso não está certo!– queixou-se ele.- Deve ter acontecido alguma coisa com os peixes de iluminação. Mas também, por que não trabalhade dia? São horas de entregar cartas?- Aí no envelope está escrito “urgente”, o que quer dizer “o mais depressa possível”. Pode ser atéuma questão de vida ou morte. Ande, menina! Corra pra dentro e entregue a carta. Se tiver respostaeu levo.Marcelina obedeceu resmungando:- Não é urgente coisa nenhuma! Está amarrada com uma pedrinha e isso quer dizer que é mais umacarta cheia de desaforos das bruxas do alto do penhasco. Dona Guiomar vai ler e jogar no lixo.Mas depois viu que a carta estava endereçada a Maricolá. Estava escrito no envelope:Exma. Srta.Maricolá Alvissareira da PenhaAos cuidados da Dona Guiomar MarazulAlameda das Esponjas Vermelhas nº 25URGENTE- Aquela bruxa esquisita mal chegou e já está recebendo cartas, e ainda por cima, carta urgente –pensou Marcelina desconfiada. Entregou a carta a Maricolá e ficou parada diante dela olhando-a comgrande curiosidade.Era uma carta de Maricá. A bruxinha leu e fez a cara mais espantada do mundo. Nunca pensou que airmã pudesse escrever uma coisa assim tão carinhosa. A carta dizia:“Querida Franguinha Gorducha, como vai? Não se resfriou ainda na água fria? Estamos muitopreocupadas e achamos que está na hora de você voltar. Sabe que se ficar mais tempo pode virarum marisco, um tubarão ou uma água-viva! Estamos mais do que preocupadas, estamosAPAVORADAS.Por favor, irmãzinha, pegue lápis e papel e escreva à sua vassoura, pedindo para ela ir buscarvocê. E depressa ouviu? A carta tem que ser enviada para a Praia do Mar-Virado. Eu e a
  24. 24. Marilávamos passar a noite lá, esperando.Sete beijinhos para você.”E depois vinha a assinatura:“Maricá” Maria Heloisa Penteado (Adaptado de Maricá, Marilá e Maricolá.Questão 01- Procure no texto as palavras que significam:a) mais que preocupadasb) morro alto de pedrac) o mais depressa possíveld) carta destinada a MaricoláQuestão 02 - Responda as questões, de acordo com o texto:a) Por que o Peixe-Serra pediu para botar luz na entrada da gruta?b) Que motivo levou o Peixe- Serra a não esperar o dia para entregar a carta?c) O que fez Marcelina pensar que a carta havia vindo do penhasco?d) Por que Maricolá ficou espantada ao perceber que a carta era carinhosa e vinda de Maricá?QUESTÃO 03 - Respondaa) Por que o texto se chama “De Maricá para Maricolá”?b) Que outro título você daria para esse texto? Justifique sua resposta.QUESTÃO 04 - Leia os fatos e complete com as causas que levaram cada um a acontecer.a) Maricolá se jogou no mar.Causa –b) Maricá enviou uma carta a Maricolá.Causa –QUESTÃO 05 - A saudação da carta é “Querida Franguinha Gorducha...”a) Por que será que Maricá saudou Maricolá dessa forma?b) O que você pensa que Maricolá achou desse fato? Justifique sua resposta.
  25. 25. Dicas para analisar, compreender e interpretar textos É comum encontrarmos alunos se queixando de que não sabem interpretar textos. Muitos têmaversão a exercícios nessa categoria. Acham monótono, sem graça, e outras vezes dizem: cada umtem o seu próprio entendimento do texto ou cada um interpreta a sua maneira. No texto literário, essaidéia tem algum fundamento, tendo em vista a linguagem conotativa, os símbolos criados, mas emtexto não-literário isso é um equívoco. Diante desse problema, seguem algumas dicas para vocêanalisar, compreender e interpretar com mais proficiência.1º - Crie o hábito da leitura e o gosto por ela. Quando nós passamos a gostar de algo, compreendemosmelhor seu funcionamento. Nesse caso, as palavras tornam-se familiares a nós mesmos. Não se deixelevar pela falsa impressão de que ler não faz diferença. Também não se intimide caso alguém digaque você lê porcaria. Leia tudo que tenha vontade, pois com o tempo você se tornará mais seleto eperceberá que algumas leituras foram superficiais e, às vezes, até ridículas. Porém elas foram o pontode partida e o estímulo para se chegar a uma leitura mais refinada. Existe tempo para cada tempo denossas vidas. Não fique chateado com comentários desagradáveis.2º - Seja curioso, investigue as palavras que circulam em seu meio.3º - Aumente seu vocabulário e sua cultura. Além da leitura, um bom exercício para ampliar o léxicoé fazer palavras cruzadas.4º - Faça exercícios de sinônimos e antônimos.5º - Leia verdadeiramente. Somos um País de poucas leituras. Veja o que diz a reportagem, a seguir,sobre os estudantes brasileiros. Dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa)revelam que, entre os 32 países submetidos ao exame para medir a capacidade de leitura dos alunos,o Brasil é o pior da turma.A julgar pelos resultados do Pisa, divulgados no dia 5 de dezembro, emBrasília, os estudantes brasileiros pouco entendem do que lêem. O Brasil ficou em último lugar,numa pesquisa que envolveu 32 países e avaliou, sobretudo, a compreensão de textos. No Brasil, asprovas foram aplicadas em 4,8 mil alunos, da 7a série ao 2º ano do Ensino Médio.http://www.seduc.ce.gov.br/cfe/artigo2.htm
  26. 26. 6º - Leia algumas vezes o texto, pois a primeira impressão pode ser falsa. É preciso paciência para leroutras vezes. Antes de responder as questões, retorne ao texto para sanar as dúvidas.7º - Atenção ao que se pede. Às vezes a interpretação está voltada a uma linha do texto e por issovocê deve voltar ao parágrafo para localizar o que se afirma. Outras vezes, a questão está voltada àidéia geral do texto.8º - Fique atento a leituras de texto de todas as áreas do conhecimento, porque algumas perguntasextrapolam ao que está escrito. Veja um exemplo disso:Texto:Pode dizer-se que a presença do negro representou sempre fator obrigatório no desenvolvimento doslatifúndios coloniais. Os antigos moradores da terra foram, eventualmente, prestimososcolaboradores da indústria extrativa, na caça, na pesca, em determinados ofícios mecânicos e nacriação do gado. Dificilmente se acomodavam, porém, ao trabalho acurado e metódico que exige aexploração dos canaviais. Sua tendência espontânea era para as atividades menos sedentárias e quepudessem exercer-se sem regularidade forçada e sem vigilância e fiscalização de estranhos.(Sérgio Buarque de Holanda, in Raízes)- Infere-se do texto que os antigos moradores da terra eram:a) os portugueses.b) os negros.c) os índios.d) tanto os índios quanto aos negros.e) a miscigenação de portugueses e índios.(Aquino, Renato. Interpretação de textos, 2ª edição. Rio de Janeiro : Impetus, 2003.)
  27. 27. Resposta: Letra C. Apesar do autor não ter citado o nome dos índios, é possível concluir pelascaracterísticas apresentadas no texto. Essa resposta exige conhecimento que extrapola o texto.9º - Tome cuidado com as vírgulas. Veja por exemplo a diferença de sentido nas frases a seguir.a) Só, o Diego da M110 fez o trabalho de artes.b) Só o Diego da M110 fez o trabalho de artes.c) Os alunos dedicados passaram no vestibular.d) Os alunos, dedicados, passaram no vestibular.e) Marcão, canta Garçom, de Reginaldo Rossi.f) Marcão canta Garçom, de Reginaldo Rossi.Explicações:a) Diego fez sozinho o trabalho de artes.b) Apenas o Diego fez o trabalho de artes.c) Havia, nesse caso, alunos dedicados e não-dedicados e, passaram no vestibular, somente, os que sededicaram, restringindo o grupo de alunos.d) Nesse outro caso, todos os alunos eram dedicados.e) Marcão é chamado para cantar.f) Marcão pratica a ação de cantar.
  28. 28. 10º - Leia o trecho e analise a afirmação que foi feita sobre ele.“Sempre fez parte do desafio do magistério administrar adolescente com hormônios em ebulição ecom o desejo natural da idade de desafiar as regras. A diferença é que, hoje, em muitos casos, arelação comercial entre a escola e os pais se sobrepõe à autoridade do professor.” (VEJA, p. 63, 11maio 2005.)Frase para análise. Desafiar as regras é uma atitude própria do adolescente das escolas privadas. E esse é ogrande desafio do professor moderno.1 – Não é mencionado que a escola seja da rede privada.2 – O desafio não é apenas do professor atual, mas sempre fez parte do desafio do magistério. Outraquestão é que o grande desafio não é só administrar os desafios às regras, isso é parte do desafio, hátambém os hormônios em ebulição que fazem parte do desafio do magistério.11º - Atenção ao uso da paráfrase (reescritura do texto sem prejuízo do sentido original).Veja o exemplo:Frase original: Estava eu hoje cedo, parado em um sinal de trânsito, quando olho na esquina,próximo a uma porta, uma loirona a me olhar e eu olhava também.(Concurso TRE/ SC – 2005)A frase parafraseada é:a) Parado em um sinal de trânsito hoje cedo, numa esquina, próximo a uma porta, eu olhei para umaloira e ela também me olhou.
  29. 29. b) Hoje cedo, eu estava parado em um sinal de trânsito, quando ao olhar para uma esquina, meusolhos deram com os olhos de uma loirona.c) Hoje cedo, estava eu parado em um sinal de trânsito quando vi, numa esquina, próxima a umaporta, uma louraça a me olhar.d) Estava eu hoje cedo parado em um sinal de trânsito, quando olho na esquina, próximo a uma porta,vejo uma loiraça a me olhar também.Resposta: Letra C.A paráfrase pode ser construída de várias formas, veja algumas delas.a) substituição de locuções por palavras;b) uso de sinônimos;c) mudança de discurso direto por indireto e vice-versa;d) converter a voz ativa para a passiva;e) emprego de antonomásias ou perífrases (Rui Barbosa = A águia de Haia; o povo lusitano =portugueses).12º - Observe a mudança de posição de palavras ou de expressões nas frases.Exemplosa) Certos alunos no Brasil não convivem com a falta de professores.b) Alunos certos no Brasil não convivem com a falta de professores.c) Os alunos determinados pediram ajuda aos professores.d) Determinados alunos pediram ajuda aos professores.
  30. 30. Explicações:a) Certos alunos = qualquer alunob) Alunos certos = aluno corretoc) Alunos determinados = alunos decididosd) Determinados alunos = qualquer alunoVeja as diferenças entre analisar, compreender e interpretar1. O que se pretende com a análise textual?- identificar o gênero; a tipologia; as figuras de linguagem;- verificar o significado das palavras;- contextualizar a obra no espaço e tempo;- esclarecer fatos históricos pertinentes ao texto;- conhecer dados biográficos do autor;- relacionar o título ao texto;- levantar o problema abordado;- apreender a idéia central e as secundárias do texto;- buscar a intenção do texto;- verificar a coesão e coerência textual;- reconhecer se há intertextualidade.2. Qual o objetivo da análise?- levantar elementos para a compreensão e, posteriormente, fazer julgamento crítico.
  31. 31. 3. Para compreender bem é necessário que o leitor:- conheça os recursos lingüísticos.Por exemplo, a regência verbal não compreendida pelo leitor podelevá-lo ao erro. Veja: Assisti o doente é diferente de assisti ao doente. No primeiro caso, a pessoaajuda ao doente; no segundo, ela vê o doente.- perceba as referências geográficas, mitológicas, lendárias, econômicas, religiosas, políticas ehistóricas para que faça as possíveis associações.- esclareça as suas dúvidas de léxico.- esteja familiarizado com as circunstâncias históricas em que o texto foi escrito. Por exemplo, paraentender que, no poema Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, o advérbio aqui e lá é,respectivamente, Portugal e Brasil, você tem que saber onde o poeta escreveu seu poema naquelaépoca.- observe se há no texto intertextualidade por meio da paráfrase, paródia ou citação.4. Afinal o que é interpretar?- Interpretar é concluir, deduzir a partir dos dados coletados.5. Existe interpretação crítica?- Sim, a interpretação crítica consiste em concluir os dados e, em seguida, julgar, opinar a respeitodas conclusões.Professor adora complicar na prova!Será mesmo que o professor adora complicar na prova? Não, mas ele deseja que você amplie ovocabulário e compreenda os enunciados. E isso vem com a prática, a leitura e o estudo. Podemoscomeçar pela leitura de alguns verbos, que são utilizados nos enunciados de muitas provas.Afirmar: certificar, comprovar, declarar.
  32. 32. Explicar: expor, justificar, expressar, significar.Caracterizar: distinguir, destacar o caráter, as particularidades.Consistir: ser, equivaler, traduzir-se por (determinada coisa), ser feito, formado ou composto de.Associar: estabelecer uma correspondência entre duas coisas, unir-se, agregar.Comparar:relacionar (coisas animadas ou inanimadas, concretas ou abstratas, da mesma natureza ouque apresentem similitudes) para procurar as relações de semelhança ou de disparidade que entre elasexistam; aproximar dois ou mais itens de espécie ou de natureza diferente, mostrando entre eles umponto de analogia ou semelhança.Justificar: provar, demonstrar, argumentar, explicar.Relacionar: fazer comparação, conexão, ligação, adquirir relações.Definir: revelar, estabelecer limites, indicar a significação precisa de, retratar, conceituar, explicar osignificado.Diferenciar: fazer ou estabelecer distinção entre, reconhecer as diferenças.Classificar: distribuir em classes e nos respectivos grupos, de acordo com um sistema ou método declassificação; determinar a classe, ordem, família, gênero e espécie; pôr em determinada ordem,arrumar (coleções, documentos etc.).Identificar: distinguir os traços característicos de; reconhecer; permitir a identificação, tornarconhecido.Referir-se: fazer menção, reportar-se, aludir-se.Determinar:precisar, indicar (algo) a partir de uma análise, de uma medida, de uma avaliação;definir.Citar:transcrever, referir ou mencionar como autoridade ou exemplo ou em apoio do que se afirma.Indicar:fazer com que, por meio de gestos, sinais, símbolos, algo ou alguém seja visto; assinalar,designar, mostrar.Deduzir:concluir (algo) pelo raciocínio; inferir.Inferir-se: concluir, deduzir.Equivaler:ser idêntico no peso, na força, no valor etc.Propor:submeter (algo) à apreciação (de alguém); oferecer como opção; apresentar, sugerir.Depreender:alcançar clareza intelectual a respeito de; entender, perceber, compreender; tirar porconclusão, chegar à conclusão de; inferir, deduzir.Aludir:fazer rápida menção a; referir-se.
  33. 33. _Exercícios de Português TIPOLOGIA TEXTUAL1) Qual a tipologia textual do trecho apresentado abaixo?Dona Julieta chamou os filhos mais novos para uma conversa séria. Era uma manhã de domingo, odia estava claro e ensolarado. Pediu a eles que compreendessem a situação do pai, que não tinha nomomento condição de colocá-los em uma escola melhor.a) dissertação subjetivab) descriçãoc) narração com alguns traços descritivosd) dissertação objetiva com alguns traços descritivose) narração com alguns traços dissertativos2) Assinale o trecho com características dissertativas.a) Era um homem alto, escuro, vestindo paletó cinza-claro.b) Encontrei os dois amigos numa pracinha perto daqui.c) Os ajudantes levaram a mesa para o palco.d) Nossa rua sempre foi escura, com muitas árvores nas duas calçadas.e) É importante manter o equilíbrio, pois só assim conseguimos resolver os problemas.3) Marque o texto com características narrativas.a) O ideal é que todos colaborem. Caso contrário, o Brasil continuará sem rumo.b) Rodrigo e Juliana estavam na sala, quando ocorreu a explosão.c) Ela tem olhos azuis e cabelos louros. Não parece brasileira.d) Minha casa tem dois andares. Os quartos ficam na parte de cima.e) A inteligência humana deve ser usada para o bem.4) Assinale a frase que não possui coesão textual.a) Ainda que gritassem, ninguém atenderia.b) Parou cedo de estudar; está, pois, com dificuldades no mercado de trabalho.c) Não obstante ter domínio do inglês e do alemão, foi contratado imediatamente.d) Mal cheguei, fui apresentado ao pesquisador.e) Conquanto fale muito, jamais me perturbou.5) Assinale o erro na mudança de discurso.a) - Fale mais alto, exigiu o professor.O professor exigiu que fale mais alto.b) Disse o funcionário: - Estou no banheiro.O funcionário disse que estava no banheiro.c) - Lerei o estatuto, garantiu o associado.O associado garantiu que leria o estatuto.d) O passageiro pediu que eu por favor o ajudasse.- Ajude, por favor, pediu-me o passageiro.e) O homem falou que estivera fora por mais de quinze anos. O homem falou: - Estive fora por mais de quinze anos.6) Assinale a afirmativa errada.a) Na dissertação, o centro é a idéia.b) No discurso direto é empregado um verbo de elocução.c) Há três tipos de discurso: direto, indireto e indireto livre
  34. 34. d) O texto descritivo está centrado no objeto.e) O personagem-narrador leva o verbo normalmente à terceira pessoa.7) Assinale a afirmativa errada.a) O texto dissertativo divide-se cm introdução, desenvolvimento e conclusão.b) O trecho seguinte não apresenta coesão textual: A não ser que estudes, serás reprovado noconcurso.c) O texto narrativo tem como base o fato.d) Falta de coerência é o mesmo que falta de lógica.e) Um texto pode ser narrativo e apresentar elementos descritivos.8) Marque a afirmação correta em relação ao texto abaixo:“Senti tocar-me no ombro; era Lobo Neves. Encaramo-nos alguns instantes, mudos, inconsoláveis.Indaguei de Virgília, depois ficamos a conversar uma meia hora. No fim desse tempo, vieram trazer-lhe uma carta; ele leu-a, empalideceu muito e fechou-a com a mão trêmula.” (Machado de Assis, inMemórias Póstumas de Brás Cubas)a) É texto dissertativo com alguns elementos descritivos.b) Não se trata de texto narrativo, pois não há personagens.c) É um texto descritivo, com alguns elementos narrativos.d) O texto não apresenta personagem-narrador.e) Trata-se de uma narração, sem nenhum traço dissertativo.9) Assinale a alternativa que apresenta trecho com discurso indireto livre.a) - Pegue o brinquedo, disse a mãe.b) O homem saiu tarde. Será que vou conseguir? Àquela hora seus familiares já estavampreocupados.c) Todos garantiram que fariam o melhor possível.d) Ela indagou na recepção como deveria se vestir.e) Afirmou, de modo a não deixar dúvidas: - Já corrigi as provas10) (AFTN) Indique a opção que completa com coerência e coesão o trecho abaixo (extraído doManifesto dos “Pioneiros da Educação Nova”).Na hierarquia dos problemas nacionais, nenhum sobreleva em importância e gravidade ao daeducação. Nem mesmo os de caráter econômico lhe podem disputar a primazia nos planos dereconstrução nacional. Pois, se a evolução orgânica do sistema cultural de um país depende de suascondições econômicas,a) subordina-se o problema pedagógico à questão maior da filosofia da educação e dos fins a quedevem se propor as escolas em todos os níveis de ensino;b) é impossível desenvolver as forças econômicas ou de produção sem o preparo intensivo dasforças naturais;c) são elas as reais condutoras do processo histórico de arregimentação das forças de renovaçãonacional;d) o entrelaçamento das reformas econômicas e educacionais constitui fator de somenos relevânciapara o soerguimento da cultura nacional;e) às quais se associam os projetos de reorganização do sistema educacional com vistas àrenovação cultural da sociedade brasileira.
  35. 35. Produção de Texto (2º bimestre) Tipologia textual - exercíciosA) Numere os parágrafos a seguir, identificando o tipo de redação apresentado:(1) descrição (2) narração (3) dissertação( ) O rapaz, depois de estacionar seu automóvel em um pequeno posto de gasolina daquela rodovia,perguntou a um funcionário onde ficava a cidade mais próxima. Ele respondeu que havia um vilarejoa dez quilômetros dali.( ) O rapaz, depois de estacionar seu automóvel em um pequeno posto de gasolina daquela rodovia,perguntou: Onde fica a cidade mais próxima? Há um vilarejo a dez quilômetros daqui  respondeu o funcionário.( ) Nas proximidades deste pequeno vilarejo, existe uma chácara de beleza incalculável. Ao centroavista-se um lago de águas cristalinas. Através delas, vemos dança rodopiante dos pequenos peixes.Em volta desse lago pairam, imponentes, árvores seculares que parecem testemunhas vivas de tantashistórias que se sucederam pelas gerações. A relva, brilhando ao sol, estende-se por todo aquele local,imprimindo à paisagem um clima de tranqüilidade e aconchego.( ) Acreditamos firmemente que só o esforço conjunto de toda a nação brasileira conseguirá venceros gravíssimos problemas econômicos, por todos há muito conhecidos. Quaisquer medidaseconômicas, por si só, não são capazes de alterar a realidade, se as autoridades que as elaboram nãocontarem com o apoio da opinião pública, em meio a uma comunidade de cidadãos conscientes.( ) As crianças sabiam que a presença daquele cachorro vira-lata em seu apartamento seria alvo damais rigorosa censura de sua mãe. Não tinha qualquer cabimento: um apartamento tão pequeno quemal acolhia Álvaro, Alberto e Anita, além de seus pais, ainda tinha de dar abrigo a um cãozinho! Osmeninos esconderam o animal em um armário próximo ao corredor e ficaram sentados na sala à
  36. 36. espera dos acontecimentos. No fim da tarde a mãe chegou do trabalho. Não tardou em descobrir ointruso e a expulsa-lo, sob os olhares aflitos de seus filhos.( ) Joaquim trabalhava em um escritório que ficava no 12º andar de um edifício da Avenida Paulista.De lá avistava todos os dias a movimentação incessante dos transeuntes, os freqüentescongestionamentos dos automóveis e a beleza das arrojadas construções que se sucediam do outrolado da avenida. Estes prédios moderníssimos alternavam-se com majestosas mansões antigas. Opresente e o passado ali se combinavam e, contemplando aquelas mansões, podia-se, por alto,imaginar o que fora, nos tempos de outrora, a paisagem desta mesma avenida, hoje tão modificadapela ação do progresso.( ) Dizem as pessoas ligadas ao estudo da Ecologia que são incalculáveis os danos que o homem vemcausando ao meio ambiente. O desmatamento de grandes extensões de terra, transformando-as emverdadeiras regiões desérticas, os efeitos nocivos da poluição e a matança indiscriminada de muitasespécies são apenas alguns dos aspectos a serem mencionados. Os que se preocupam com asobrevivência e o bem-estar das futuras gerações temem que a ambição desmedida do homem acabepor tornar esta terra inabitável.( )O candidato à vaga de administrados entrou no escritório onde iria ser entrevistado. Ele se sentiainseguro, apesar de ter um bom currículo, mas sempre se sentia assim quando estava por ser testado.O dono da firma entrou, sentou-se com ar de extrema seriedade e começou a lhe fazer as perguntasmais variadas. Aquele interrogatório parecia interminável. Porém, toda aquela sensação desagradáveldissipou-se quando ele foi informado de que o lugar era seu.( ) Estava parado no ponto de ônibus, quando vi, a meu lado, um rapaz que caminhava lentamentepela rua. Ele tropeçou em um pacote embrulhado em jornais. Observei que ele o pegou com todo ocuidado, abriu-o e viu, surpreso, que lá havia uma grande quantia em dinheiro.( ) O objeto tem o formato semelhante ao de uma torre de igreja. É constituído por um único fiometálico que, dando duas voltas sobre si mesmo, assume a configuração de dois desenhos (umdentro do outro), cada um deles apresentando uma forma específica. Essa forma é composta por duasfiguras geométricas: um retângulo cujo lado maior apresenta aproximadamente três centímetros e umlado menor de cerca de um centímetro e meio; um dos seus lados menores é, ao mesmo tempo, a basede um triângulo eqüilátero, o que acaba por torna-lo um objeto ligeiramente pontiagudo.
  37. 37. ( ) A televisão aliena o homem por requisita-lo inteiramente para si, uma vez que as informações quetraz são bombardeadas em frações de segundos, não permitindo o menor desvio de sua atenção e nemuma reflexão mais aprofundada devido à rapidez e à quantidade de informações.B) Nos parágrafos abaixo, identifique a modalidade de redação e justifique sua resposta: “Tinha seis ou sete anos, nunca se lembrou bem. Foi até o criado-mudo, a pedido do pai, apanhar o relógio. Relógio do avô... No ato de pegar, deixou-o cair. Relógio quebrado. Surra. Uma surra violentíssima, inesquecível.” _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ “No tribunal da minha consciência, O teu crime não tem apelação. Debalde tu alegas inocência, E não terás minha absolvição. Os autos do processo da agonia, Que me causaste em troca ao bem que eu fiz, Chegaram lá daquela pretoria Na qual o coração foi o juiz.” _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ “É um elemento perigoso, mesquinho, mentiroso, cruel, mau caráter, violento.” _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ “Configura-se a qualificadora de surpresa quando a morte da vítima se verificou, estando ela a barbear-se deitada, na cadeira do barbeiro, sem ter visto o réu que a apunhalou por trás; aí existe a surpresa. Porque ele pegou a vítima realmente de surpresa. E não é a primeira vez que eles se desentendiam. Estavam há quinze dias em franco desentendimento; então ele poderia,
  38. 38. como ele mesmo admite, como a família mesmo admite, que eles tinham medo do próprioacusado.”_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ “Deveu-se o acidente à imprudência ou imperícia do motorista que conduzia o carro do Réu,uma vez que, como foi apurado mediante perícia, efetuada pelo Departamento de Trânsito, o Réuencontrava-se alcoolizado.”_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ “No dia 10 de janeiro de 2001, cerca de 12horas, quando o Autor dirigia o veículo de suapropriedade, marca Fiat, da fabricação de 1999, placa n° 0965, no cruzamento da Rua SenadorDantas com a Rua Moreira da Glória teve o referido veículo abalroado pelo carro de placan°8745.”_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ “Isaltina Pereira, céd. ident.RG987 654 (SSP-SP), CPF 908 776 654-65, brasileira, casada,professora, residente e domiciliada em São Paulo.”_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ “Por essas razões, com fundamento no art. 40, § 3°, da citada Lei n° 6515/77, combinada como art. 267, III, do Código Civil, postula a requerente a condenação do requerido pagamento deverba para o alimento e a instrução dos filhos.”_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  39. 39. Eis um pequeno resumo dos tipos textuais já estudados aqui no blog. Se você não leu as aulas anteriores, seguem os links: I. Interpretação de Texto - Concurso II. Tipologia Textual - Descrição III. Tipologia Textual - Narração IV. Tipologia Textual - Dissertação => Texto Narrativo (sequência de fatos) Conta como aconteceu, acontece ou acontecerá algo (real ou imaginário); É necessário uma introdução, um clímax e um desfecho; O enredo é prioridade; Fundamental é situar o tempo e o espaço físico onde ocorrem os fatos; Dar preferência ao verbo de ação, ao dinamismo, para tornar mais viva a narrativa; O pretérito perfeito e o mais-que-perfeito do indicativo predominam na narrativa; O autor adota a postura de narrador. => Texto Descritivo (sequência de aspectos) Descreve como é um objeto, uma pessoa, uma paisagem, uma cena...; Apresenta o cheiro, a cor, as sensações como aspectos importantes; A finalidade da descrição é fazer ver e sentir; O presente do indicativo e/ou pretérito imperfeito do indicativo predominam na descrição; Os adjetivos estão sempre presentes no texto; O autor adota a postura de observador. => Texto Dissertativo (sequência de análises) Texto objetivo; Convence o leitor por meio de fatos, dados estatísticos, citações, publicações...; O predomínio verbal é o presente do indicativo e do subjuntivo; O autor adota a postura de argumentador. Exercícios 1. (EV) Sobre o texto narrativo, pode-se afirmar: a) A estrutura textual é semelhante ao texto descritivo b) A postura do autor é de argumentador c) Há, exaustivamente, o uso de presente do indicativo.
  40. 40. d) Não apresenta clímax em sua estruturae) O enredo é prioritário2. (EV) O predomínio de adjetivações é comumente encontrado no texto:a) Narrativob) Informativoc) Descritivod) Dissertativoe) Epistolar3. (EV) Duas características são representativas do modo de organização dissertativa, assinale-as:a) Introdução e clímaxb) Argumentação e sensaçãoc) Seqüência de fatos e de aspectosd) Verbos de ação e objetividadee) Convencimento e descrição4. (EV) Leia o texto a seguir: Parceria Reeditada"Viviane Pasmanter estreou na TV em 91, na novela “Felicidade”, de Manoel Calos, dirigida porDenise Saraceni. Ela deverá voltar a trabalhar com Denise em “Ciranda de pedra”, nova novela das18h". O Globo 08/02/08A opção que melhor justifica o título do texto é:
  41. 41. a) o fato de Viviane Pasmanter ter estreado na TV em 1991.b) de a atriz ter sido dirigida por Denise Saraceni.c) por ter trabalhado com Denise Saraceni na novela “Felicidade”d) por ter trabalhado com Denise Saraceni em “Felicidade” e trabalhar novamente com ela em“Ciranda de pedra”.e) Viviane Pasmanter trabalhar em uma novela de Manoel Carlos.5. (EV) O verbo estrear aparece conjugado no texto (estreou). Indique o modo e o tempo a quepertence este verbo.a) indicativo / presenteb) subjuntivo / pretérito imperfeitoc) indicativo / pretérito imperfeitod) indicativo / pretérito perfeitoe) imperativo / afirmativo6.(EV) O uso das aspas em alguns vocábulos do texto é justificado por/pela:a) sempre se usa com os substantivos.b) participação de Viviane em novelas da TV Globo.c) não estar empregada em seu sentido originald) participar duas vezes de novelas dirigidas por Denise Saraceni.e) ser o nome da novela, por isso o uso das aspas.7.(EV) No segmento: “Ela deverá voltar a trabalhar...”. O elemento sublinhado é classificadomorfologicamente por:a) artigob) preposiçãoc) pronome
  42. 42. d) advérbioe) substantivo8. (EV) “Ela deverá voltar a trabalhar com Denise...” O segmento destacado é classificadosintaticamente como:a) Adjunto adverbial de modob) Adjunto adverbial de companhiac) Adjunto adverbial de lugard) Adjunto adverbial de negaçãoe) Adjunto adverbial de pessoa9. (EV) “Ela deverá voltar...”. A locução verbal pode ser substituída, sem alteração semântica, porum verbo simples, assinale-o:a) voltab) voltariac) voltarád) poderá voltare) voltou10. (EV) “Viviane Pasmanter estreou na TV...”. Nesse período o verbo “estreou” concorda com seusujeito “ Viviane Pasmanter”, marque a alternativa em que tal concordância NÃO ocorre:a) A atriz se atrasou para a peça.b) Roberto Carlos cantou no Canecão.c) Dá-se aulas de Língua portuguesa.d) Edson Celulari ainda é fiel a Claudia Raia.e) Suzana Vieira desfilou no carnaval.11. Leia o texto a seguir:Para fazer uma boa compra no ramo imobiliário, não basta ter dinheiro na mão. É imprescindível queo comprador seja frio, calculista e bem informado. Na hora de comprar um imóvel, a emoção é um
  43. 43. dos maiores inimigos de um bom negócio. Assim, por mais que se goste de uma casa, convém mantersempre um certo ar de contrariedade. Se o vendedor perceber qualquer sinal de emoção, isso poderácustar dinheiro ao comprador. Não é por outra razão que quem compra para especular ou apenas parainvestir costuma conseguir um melhor negócio do que quem está à procura de um lugar para morar.Segundo o texto:a) Os vendedores, via de regra, buscam ludibriar os compradores, e vice-versa.b) O vendedor costuma aumentar o preço do imóvel quando o comprador não está bem informadosobre o mercado de valores.c) O mercado imobiliário oferece bons investimentos apenas para quem pretende especular.d) No ramo imobiliário, uma atitude que aparente indiferença pode propiciar negócio mais vantajosopara o comprador.e) No mercado imobiliário, o comprador realiza melhor negócio adquirindo uma propriedade de quenão tenha gostado muito.12. Segundo o mesmo texto:a) Quanto maior a disponibilidade financeira do comprador, maior a probabilidade de sucesso nonegócio imobiliário.b) Disponibilidade econômica não é o único fator que possibilita a realização de um bom negócio.c) O vendedor, por preferir negociar com investidores, desfavorece o comprador da casa própria.d) Gostar de uma casa é psicologicamente importante em qualquer tipo de compra, seja ela pararesidência ou para investimento.e) O mercado imobiliário oferece oportunidades mais seguras para o investidor que para oespeculador.GABARITO1. E2. C3. D4. D5. D6. E7. B8. B9. C10. C11. D12. B
  44. 44. Português para Concurso: na aula anterior, falei sobre alguns conceitos básicos pertinentes a uma boa interpretação de texto, tais como interlocutor, conceito de texto, dicas de leitura etc. Sabemos que essa, muitas vezes, tira o sono de qualquer candidato a Concurso Público, porém interpretar um texto não é tão difícil assim... Basta atentar a alguns aspectos importantes: identificar o tipo do texto, o método argumentativo, a ideia principal (tópico frasal), as relações de significado entre os períodos...Todavia, antes de estudarmos algo mais profundo, temos de partir de um início, é óbvio! Começaremos, então, pelo modo discursivo, ou seja, como um texto se organiza. Você já deve saber que existem três tipos de organização textual, em nossa língua, são eles: descrição, narração e dissertação. Como o objetivo do [Português para Concurso] é passar o máximo de informação, além de prezar pela qualidade desta, dividirei a aula em 3 partes: 1ª Descrição (conceito, exemplos de textos, características e estrutura), 2ª Narração e 3ª Dissertação, vamos à aula! TIPOLOGIA TEXTUAL 1) DESCRIÇÃO: é descrever um objeto, uma pessoa, um lugar. Requer observação cuidadosa, para tornar o que vai ser descrito em um modelo inconfundível, porém, não se trata de enumerar uma série de elementos, mas transmitir sensações, sentimentos. É criar o que não se vê, mas se percebe ou imagina; é não copiar friamente uma imagem, mas deixá-la rica, pois o ser e o ambiente são aspectos importantíssimos na descrição. Existem duas possibilidades de descrição: a) Descrição objetiva: quando o objeto, o ser, a cena, são apresentadas no seu sentido real. Exemplo: "Sua altura é 1,85m. Seu peso, 70Kg. Aparência atlética, ombros largos, pele bronzeada. Moreno, olhos negros, cabelos negros e lisos". b) Descrição subjetiva: quando há maior participação da emoção, ou seja, quando o objeto, o ser, a cena, a paisagem são apresentados em sentido figurado. Exemplo: "Nas ocasiões de aparato é que se podia tomar pulso ao homem. Não só as condecorações gritavam-lhe no peito como uma couraça de grilos. Ateneu! Ateneu! Aristarco todo era um anúncio; os gestos, calmos, soberanos, calmos, eram de um rei..." ("O Ateneu", Raul Pompéia) Estrutura: a) Introdução: a perspectiva do observador focaliza o ser ou objeto e distingue seus aspectos gerais.
  45. 45. b) Desenvolvimento: capta os elementos numa ordem coerente com a disposição em que eles se encontram no espaço, caracterizando-os objetiva e subjetivamente, física e psicologicamente. c) Conclusão: não há um procedimento específico para conclusão. Considera-se concluído o texto quando se completa a caracterização. Características: a) Presença de Substantivos e Adjetivos. O dia transcorria amarelo, frio, ausente do calor alegre do sol. b) Frases curtas dão um tom de rapidez ao texto. Vida simples. Roupa simples. Tudo simples. O pessoal, muito crente. c) Sensibilidade para combinar e transmitir sensações física (cores, formas, sons, gestos, odores) e psicológicas (impressões subjetivas, comportamentos). d) Verbos de estado e) Linguagem metafórica Exemplos: Darcy Ribeiro (fragmento) Um dos mais brilhantes cidadãos brasileiros, Darcy Ribeiro provou ao mundo que um homem de nada mais precisa além da coragem e da força de vontade para modificar aquilo que, por covardia, simplesmente ignoramos. Ouvi-lo, mesmo que por alguns instantes, nos levava a conhecer sua sabedoria e simplicidade, era um verdadeiro intelectual cuja convivência com os índios o fez adquirir invejável formação humanística.
  46. 46. Darcy tinha a pele clara, olhos negros e curiosos, lábios finos e trazia em seu rosto marcas de quem já deixou sua marca na história, as quais harmoniosamente faziam-lhe inspirar profunda confiança. Apesar de diabético e lutar contra dois cânceres, não fez disso desculpa para o comodismo ante os seus ideais maiores, ele sabia o que queria, e não mediu esforço para conseguir. Descrição de Objeto – Clarinete (fragmento) Um elemento clássico e imprescindível num concerto, o clarinete, com seu timbre aveludado, é o instrumento de sopro de maior extensão sonora, pelo que ocupa na banda de música o lugar do violino na orquestra. O clarinete que possuo foi obtido após o meu nascimento, doado como presente de aniversário por meu bisavô, um velho músico, do qual carrego o nome sem tê-lo conhecido. O clarinete é feito de madeira, possui um tubo predominantemente cilíndrico formado por cinco partes dependentes entre si, em cujo encaixe prevalece a cortiça, além das chaves e anéis de junção das partes, de meta. Sua embocadura é de marfim com dois parafusos de regulagem, os quais fixam a palheta bucal. Sua cor é confundivelmente marrom, havendo partes em que se encontra urna sensível passagem entre o castanho-claro e o escuro. Possuindo cerca de oitenta centímetros e pesando aproximadamente quatrocentos gramas, é facilmente desmontável, o que lhe confere a propriedade de caber numa caixinha de quarenta e cinco centímetros de comprimento e dez de largura... Na aula passada, estudamos o texto descritivo: estrutura, característica, conceito etc. Seguem os links para os que não leram sobre o assunto: I. Tipologia Textual - Descrição II.Interpretação de Texto - Concurso Nas provas de Português, em todos os Concursos, estão presentes textos das mais diversas naturezas, por exemplo, persuasivo, informativo, humorístico, didático... Contudo, vale lembrar que todos estes se organizam em três modos: descrição, narração e dissertação. Hoje estudaremos detalhadamente o texto narrativo. Acompanhe a aula: NARRAÇÃO: narrar é relatar fatos e acontecimentos, reais ou fictícios, vividos por indivíduos, envolvendo ação e movimento. Estrutura:
  47. 47. a) Introdução: apresenta as personagens, localizando-as no tempo e no espaço. b) Desenvolvimento: através das ações das personagens, constrói-se a trama e o suspense que culmina no clímax. c) Conclusão: existem várias maneiras de se concluir uma narração, por exemplo, esclarecer a trama. Características: a) Verbos de ação, discursos direto, indireto e indireto livre. b) Imaginação para compor uma história cativante que entretenha o leitor, provocando expectativa. Pode ser romântica, dramática ou humorística. c) A narrativa deve tentar elucidar os acontecimentos, respondendo às seguintes perguntas essenciais: O QUÊ? - o(s) fato(s) que determina(n) a história; QUEM? - a personagem ou personagens; COMO? - o enredo, o modo como se tecem os fatos; ONDE? - o lugar ou lugares da ocorrência QUANDO? - o momento ou momentos em que se passam os fatos; POR QUÊ? - a causa do acontecimento. Exemplos: Além do espelho, lembranças. Um dia, quando encerrava meu trabalho, fixei a atenção em um simples objeto da minha sala. Caminhei, paulatinamente, ao seu encontro e, à medida que me aproximava, sentia meu ego explodir em sensações indescritíveis. Ali, diante dele, parei. Meu reflexo testemunhava as marcas do passado e trazia, à tona, as lembranças da infância e da adolescência. As imagens, agora, misturavam-se, comprometendo minha lucidez. Senti meu corpo flutuar e minha visão apagar-se, de forma que eu me concentrava em recordações, apenas. Assim, momentos depois, revia meus irmãos e vizinhos correndo em volta da mesa, mamãe fazendo o jantar, papai,lendo o jornal, os cães brincando no jardim e, também, meus amigos de colégio, antigos casos amorosos. Recuperei o bom senso, por um instante, mas não durou mais que isso, pois, novamente, brotam outros pensamentos: o nascimento dos filhos e a ascensão profissional. Minutos depois, tudo acabara. Diante de mim havia só um espelho, cujo reflexo já não era de um cenário fantasioso de minha mente. EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO Aulas 45 a 49 Tipologia Textual
  48. 48. (DPF-CESPE-UnB/02)Texto V Individualistas e comportados. E daí?1 Cientistas sociais e filósofos de inúmeras correntesgarantem: a geração de 90 é ambígua. Explica-se: osadolescentes dessa época buscam o bem-estar individual4 mas também consideram o conceito “viver dignamente”como um direito da humanidade. Só que eles nãopretendem se fatigar nas lutas sociais, nem se sentem7 atraídos por bandeiras políticas ou cartilhas ideológicas.Em uma pesquisa recente na França, o item justiça social"foi classificado como um dos menos importantes por10 moças e rapazes na faixa dos l4 aos 17 anos.Imediatamente, a geração que ouve Madonna, diverte-secom Steven Spielberg e devora sanduíches passou a ser13 chamada de “novos individualistas”. O filósofo e escritorfrancês Laurent Joffrin, autor do livro Um Toque deJuventude, celebra com otimismo os “moralistas de blue16 jeans”: “eles não são apáticos como se supõe. Seusinteresses vão além do prazer imediato e da puradistração", explica Joffrin. Mais cético, seu colega Alain19 Finkelkraut acredita que os jovens dos anos 90 se apóiam em relacionamentos superficiais e valores distorcidos.
  49. 49. “Comportam-se como se a vida fosse um grande22 videoclip...”, lamenta. Enquanto os intelectuais batemboca, os ingleses que cresceram ouvindo a baladaconservadora de Margaret Thatcher hoje insistem que a25 vida comportada é muito melhor. Em uma pesquisa darevista Look Now, moças e rapazes de 15 a 24 anosconfessam gostar de boas roupas, querem ser vistos como28 pessoas sensíveis e responsáveis, pretendem ter umacarreira sólida e fazer fortuna. Desnecessário dizer que aDama de Ferro adorou os resultados da pesquisa. Laura Greenhalg. Sociedade dos poetas vivos. In: Elle, ago./1990, p.35 (com adaptações).24) Aplicando conhecimentos acerca de tipologia, estrutura e organização de um texto emparágrafos, julgue os itens a seguir, segundo as idéias desenvolvidas no textoV.1) O texto é essencialmente dissertativo, podendo ser distribuído em parágrafos, dos quais ointrodutório iria até "cartilhas ideológicas" (l.7).2) O primeiro período (l. 1-2) contempla a idéia geral do texto, resgatando na palavra "ambígua" ocomportamento da juventude: apático e superficial.3) Na linha 13, inicia-se uma passagem narrativa que se estende até "lamenta" (l.22) e que conta arotina da juventude francesa da época.4) A pesquisa relativa aos ingleses, cujos resultados aparecem a partir do antepenúltimo período dotexto, agradou a liderança conservadora porque mostra que os jovens britânicos são idealistas,consumistas, alienados e ambiciosos.5) Ao se distribuir adequadamente em parágrafos, faltaria um fechamento que resgatasse a idéiabásica desenvolvida no texto e desse caráter conclusivo ao título proposto.
  50. 50. (ICMS/SP/02)Texto 1Que falta nesta cidade? .................VerdadeQue mais por sua desonra?............HonraFalta mais que se lhe exponha ......VergonhaO demo a viver se exponha,por mais que a fama a exalta,numa cidade onde faltaVerdade, Honra e Vergonha.(Gregório de Matos. Poesia)27) Assinale a alternativa correta quanto à construção e à articulação de idéias da 1ª estrofe doTexto I.a) As perguntas formuladas pelo poeta são respondidas parcialmente.b) o jogo rítmico de perguntas e respostas favorece o efeito satírico do poema.c) Os qualificadores que finalizam os versos indicam as características da cidade.d) As rimas presentes no interior de cada verso contribuem para um esvaziamento semântico.e) O emprego de linguagem figurada compromete a clareza das informações.(PF-CESPE-UnB/97) O anônimo 1 Tão logo o carteiro entregou a correspondência, Eduardo foi em busca daquiloque, a experiência já lhe ensinara, certamente estaria ali: a carta anônima. De fato, não tardou aencontrar o envelope, àquela altura familiar, o seu nome e endereço escritos em neutra letra deimprensa, e a nenhuma indicação de remetente (alguns missivistas anônimos usam pseudônimo.Aquele não fazia concessões, nada fornecia que pudesse alimentar especulações com respeito àidentidade). 7 Com dedos um pouco trêmulos – a previsibilidade nem sempre é o antídoto daemoção – Eduardo abriu o envelope. Continha, como de outras vezes, uma única folha de papel
  51. 51. ofício manuscrita em letra de imprensa. Como de hábito, começava afirmando: "Descobri teusegredo.". Nova linha, parágrafo, e aí vinha a acusação. 12 No presente caso: desonestidade. “Todos acham que você é um homem sério,correto”, dizia a carta, “mas nós dois sabemos que você não passa de um refinado patife. Vocêestá roubando seu sócio, Eduardo. Há muito tempo. Você vem desviando dinheiro da firma para asua própria conta bancária. Você disfarça o rombo com supostos prejuízos nos negócios. Seusócio, que é um homem bom, acredita em você. Mas a mim você não engana, Eduardo. Eu sei detudo que você está fazendo. Conheço suas trapaças tão bem como você”. 19 Eduardo não pôde deixar de sorrir. Boa tentativa, aquela, do missivista anônimo.Desonestidade na firma, isto não é tão incomum. Com um sócio tão crédulo como era o Ênio,Eduardo de fato não teria qualquer dificuldade em subtrair dinheiro da empresa. 23 Só que ele não estava fazendo isso. Em termos de negócios, era escrupulosamentehonesto. Mais que isto, muitas vezes repassara dinheiro para a conta de Ênio – um trapalhão emmatéria de finanças – sem que este soubesse. Honesto – e generoso. Contudo, como certoscaçadores tão pertinazes quanto incompetentes, o autor da carta anônima atirara no que vira eacertara no que não vira. 29 Eduardo enganava Ênio, sim. Mas não na firma. Há meses – em realidade, desdeque aquela história das cartas anônimas começara – tinha um caso com a mulher do sócio, Vera:grande mulher. Claro, não poderia garantir que não sentia um certo prazer em passar para trás oamigo que sempre fora mais brilhante e mais bem sucedido do que ele, mas, de qualquer forma, istonada tinha a ver com a empresa. Desonestidade nos negócios? Não. Tente outra, missivista. Quemsabe na próxima você acerta. Tente. Tente já.36 Sentou à mesa, tomou uma folha de papel ofício e escreveu, numa bela masinconspícua letra de imprensa: "Descobri teu segredo."Moacyr Scliar. Correio Braziliense, Caderno Dois, p 2, 21/12/97 (com adaptações)35) Com referência à tipologia textual e ao nível de linguagem do texto, julgue os itensseguintes.1) A história acerca das cartas anônimas, conforme contada pelo autor, apresentando-se na forma deuma narrativa curta, densa, exemplifica o que é conhecido por conto.2) O trecho entre aspas situado nas linhas de 12 a 18 possui várias marcas de oralidade: registrostípicos da língua falada, transpostos para a língua escrita.3) O texto apresenta algumas expressões típicas da linguagem vulgar, como, entre outras, „patife‟,„trapaças‟, „trapalhão‟.4) Os trechos registrados entre aspas no texto estão dispostos na forma de discurso indireto.5) As passagens descritivas são predominantes nos quatro últimos parágrafos.
  52. 52. 36) Moacyr Scliar, consagrado ficcionista brasileiro, tem um estilo de escrita em que a preocupaçãocom a escolha vocabular e com o ritmo da frase não turvam o potencial comunicativo do texto.Com base nesse aspecto, julgue os itens a seguir.1) O Em "Eduardo foi em busca daquilo" (l. 1/2), o termo sublinhado refere-se ao que "aexperiência já lhe ensinara" (l. 2).2) Todos os travessões (linhas 7, 25, 26 e 29) estão empregados para ampliar e destacar as idéiasanteriormente expostas.3) O uso de frases curtas ao lado das frases de maior extensão, principalmente no sexto parágrafo, éum recurso estilístico ligado ao ritmo da prosa, utilizado para dar densidade ao texto, prendendo ointeresse do leitor.4) Ao destacar a figura feminina com "Vera: grande mulher" (l. 31), o narrador dá duasinformações, simultaneamente: que ela era valorosa e também robusta.5) Com a passagem "Desonestidade nos negócios? Não." (l. 34), o autor usa de um recursoestilístico denominado apóstrofe.TEXTO 2 José Rainha e a democracia no Brasil O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), José Rainha, foicondenado por um júri popular de Pedro Canário, no norte do Espírito Santo, a 26 anos e 6 mesesde prisão sob a acusação de ter participado de dois assassinatos cometidos durante a invasão deuma fazenda. A pena teve como fundamento um inquérito policial militar.Cumpre ressaltar quequando a pena ultrapassa 20 anos, a lei determina automaticamente a realização de um novojulgamento, já marcado para 20 de setembro. 9 Está claro que esta condenação foi meramente política, com o intuito de calar a grandeliderança do maior e mais organizado movimento de massa que se contrapõe à atual políticagovernamental no Brasil. A promotoria não tinha sequer prova de que José Rainha estava presentenos episódios que levaram ao assassinato. Nenhuma testemunha de acusação foi ouvida emplenário.15 O julgamento se deu com base em depoimentos colhidos ainda durante a fase deinquérito, numa repartição militar, sem a presença de advogados dos acusados. Legalmente, estetipo de depoimento não pode ser levado em consideração. Nada que incriminasse José Rainha foi

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