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Material utilizado para a 1ª aula de História e Cultura Africana e Afro-brasileira na Universidade Bandeirantes-Anhanguera, no Curso de Pós-graduação Lato Sensu em História e Cultura Africana e …

Material utilizado para a 1ª aula de História e Cultura Africana e Afro-brasileira na Universidade Bandeirantes-Anhanguera, no Curso de Pós-graduação Lato Sensu em História e Cultura Africana e Afro-brasileira.

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  • Boa Noite, somente vi de fato agora, mas quero participar e concluir esse curso. Sou Bacharelado em Sociologia Política na FESPSP, concluí em 2011 - meu e-mail: zakariasbrasil@hotmail.com meu telefone residencial: 11 29868734
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  • 1. Universidade BandeiranteUniversidade BandeiranteAnhangueraAnhangueraHistória e Cultura Africana e Afro BrasileiraHistória e Cultura Africana e Afro BrasileiraMário Alves da Silva FilhoMário Alves da Silva Filho
  • 2. Matéria e ementaMatéria e ementa• África Colonial e moderna - política esociedade.- Abordar-se-ão os elementos culturais quemodelaram a identidade da África pré-colonial e discutir suas transformaçõeshistóricas a partir das invasões árabes doséculo VII e europeia do século XV e suainfluência político-social até o século XX.
  • 3. Imagens sobre África
  • 4. Cena do filme Madagascar em que a África é o habitat natural de váriasespécies animais. O único ser humano africano que aparece é um guia turístico,o qual perde a liderança para a “velhinha” de Nova Iorque. Os animais têmcaráter humano e sua “sociedade” aparece como tribal, supersticiosa e tendoum líder desequilibrado. Os personagens principais, vindos do Zoológico deNova Iorque, ensinam aos habitantes naturais da África a desvalorizarem aviolência e a valorizarem a amizade e os salvam, resolvendo os seus problemasde forma diplomática e não “supersticiosa”.
  • 5. Macrorregiões da África
  • 6. O mundo muçulmano africanoO mundo muçulmano africano• A partir do século VII da era cristã, apesar das dissidências e lutas intestinas, oA partir do século VII da era cristã, apesar das dissidências e lutas intestinas, omundo muçulmano foi capaz de conservar através dos séculos uma unidade quemundo muçulmano foi capaz de conservar através dos séculos uma unidade quetranscendia as divisões de tempo e de espaço: a língua árabe; um conjunto detranscendia as divisões de tempo e de espaço: a língua árabe; um conjunto deconhecimentos comuns, transmitidos por uma sequência conhecida de professores,conhecimentos comuns, transmitidos por uma sequência conhecida de professores,que preservava a comunidade moral; os mesmos e imutáveis locais deque preservava a comunidade moral; os mesmos e imutáveis locais deperegrinação (Meca e Jerusalém) e a crença num mesmo Deus único.peregrinação (Meca e Jerusalém) e a crença num mesmo Deus único.• O Norte do continente africano, do mar Vermelho ao Atlântico, era parteO Norte do continente africano, do mar Vermelho ao Atlântico, era parteintegrante deste mundo. O Egito e o Magrebe (Região do norte da África formadaintegrante deste mundo. O Egito e o Magrebe (Região do norte da África formadapela Tunísia, Argélia e Marrocos; o grande magrebe inclui também a Líbia e apela Tunísia, Argélia e Marrocos; o grande magrebe inclui também a Líbia e aMauritânia) foram palcos de acontecimentos marcantes, tanto para a evolução doMauritânia) foram palcos de acontecimentos marcantes, tanto para a evolução doIslã (Islam em árabe significa “submissão”, “entrega”, derivada de outra palavraIslã (Islam em árabe significa “submissão”, “entrega”, derivada de outra palavra– Salam - que significa paz. No sentido religioso, Islã significa “total submissão– Salam - que significa paz. No sentido religioso, Islã significa “total submissãovoluntária à vontade de Deus - Allah”) como para a história da humanidade.voluntária à vontade de Deus - Allah”) como para a história da humanidade.
  • 7. Islamização da ÁfricaIslamização da África• Como aponta Ney Lopes é em 639 que se inicia o processo de islamização daComo aponta Ney Lopes é em 639 que se inicia o processo de islamização daÁfrica pelo estabelecimento de comunidades muçulmanas no Egito.África pelo estabelecimento de comunidades muçulmanas no Egito.• Segundo o mesmo autor, em 640 acontecem as primeiras investidas do GeneralSegundo o mesmo autor, em 640 acontecem as primeiras investidas do General‘Amr Ibn al-‘As nas terras do‘Amr Ibn al-‘As nas terras do Bilad as-SudanBilad as-Sudan (País dos Negros), região que(País dos Negros), região quecompreende o sul do deserto do Saara, desde a fronteira do Mar Vermelho até ocompreende o sul do deserto do Saara, desde a fronteira do Mar Vermelho até oGolfo da Guiné, no Atlântico, abrangendo toda a faixa saeliana (da costa Leste àGolfo da Guiné, no Atlântico, abrangendo toda a faixa saeliana (da costa Leste àCosta Oeste, ou seja, desde as atuais Somália e Etiópia ao Senegal e Mauritânia).Costa Oeste, ou seja, desde as atuais Somália e Etiópia ao Senegal e Mauritânia).•A difusão do Islã, no Bilad as-Sudan foi um processo relativamente pacífico até oséculo XVIII, excetuando-se os processos de escravização, aos quais serviu derespaldo ideológico. O Islã foi por séculos um fator de integração política, maspoucas foram as regiões que tiveram a religiosidade dos povos modificada emprofundidade. "O Islã acabou sendo mais manipulado do que manipulador".(Coquery-Vidrovich, 1985)• De maneira geral, o Islã era uma religião de letrados e de príncipes. Estes oostentavam como cenário de prestígio para uso externo. As religiões tradicionaiseram a verdadeira devoção dos chefes africanos, em particular dos sultões hauçás.•Os muçulmanos que viviam nessa região e eram dirigidos por "pagãos" oupseudo-muçulmanos, encontravam-se na contradição entre a fé e as obrigações desúditos, tanto fiscais como militares. Muitos deles foram atraídos para participardos jihad, isto é, do "esforço" para restabelecer a integralidade do Islã, na região.
  • 8. • O Egito foi a primeira região da África a ser ocupada pelosO Egito foi a primeira região da África a ser ocupada pelosárabes muçulmanos. O afrontamento que aí se verificava entreárabes muçulmanos. O afrontamento que aí se verificava entreas duas Igrejas cristãs, a ortodoxa bizantina no poder e a copta,as duas Igrejas cristãs, a ortodoxa bizantina no poder e a copta,abriu espaço para a conversão rápida dos egípcios ao Islã. Asabriu espaço para a conversão rápida dos egípcios ao Islã. Asquestões abstratas e metafísicas envolvidas na disputa entrequestões abstratas e metafísicas envolvidas na disputa entrecristãos estavam distantes da compreensão da maioria dos fiéis,cristãos estavam distantes da compreensão da maioria dos fiéis,que foram seduzidos pela clareza e simplicidade da mensagemque foram seduzidos pela clareza e simplicidade da mensagemda nova religião.da nova religião.• Vários outros fatores contribuíram para a arabização eVários outros fatores contribuíram para a arabização eislamizacão do Egito, como a chegada de grande número deislamizacão do Egito, como a chegada de grande número deimigrantes de origem árabe, as conversões sinceras, e ainda, aimigrantes de origem árabe, as conversões sinceras, e ainda, abusca de vantagens fiscais e sociais, a decadência da Igrejabusca de vantagens fiscais e sociais, a decadência da Igrejacopta, a substituição progressiva da língua copta local pelocopta, a substituição progressiva da língua copta local peloárabe, graças à liberdade religiosa e à tolerância do poder emárabe, graças à liberdade religiosa e à tolerância do poder emface aos não muçulmanos.face aos não muçulmanos.
  • 9. • Apesar de o Islã estar presente no continente aficano desde muitoApesar de o Islã estar presente no continente aficano desde muitocedo, menos de dez anos do início da pregação de Muhammad, estecedo, menos de dez anos do início da pregação de Muhammad, estefoi sendo estabelecido frouxamente, ou seja, sem o peso da ortodoxiafoi sendo estabelecido frouxamente, ou seja, sem o peso da ortodoxiaárabe, culminando em que muitos dos costumes e crenças pré-árabe, culminando em que muitos dos costumes e crenças pré-islâmicas acabaram se amalgamando a práticas islâmicas. Ney Lopesislâmicas acabaram se amalgamando a práticas islâmicas. Ney Lopesaponta que só com a ascenção do Império Almorávida (Séc. XI),aponta que só com a ascenção do Império Almorávida (Séc. XI),considerada uma dinastia de muçulmanos rigorosos é que as coisasconsiderada uma dinastia de muçulmanos rigorosos é que as coisasmudam de figura, iniciando-se uma campanha de puritanismo, amudam de figura, iniciando-se uma campanha de puritanismo, aqual, na verdade, não ocorreu, pois a prática de alguns costumesqual, na verdade, não ocorreu, pois a prática de alguns costumesreligiosos não foram abandonados pelos africanos.[1]religiosos não foram abandonados pelos africanos.[1]• Pode-se afirmar que o desenvolvimento do Islã em África não sePode-se afirmar que o desenvolvimento do Islã em África não selimitou tão-somente ao aspecto religioso, mas desempenhou umlimitou tão-somente ao aspecto religioso, mas desempenhou umpapel chave na consolidação de uma nova ordem social: sedentária,papel chave na consolidação de uma nova ordem social: sedentária,urbana e comercial, a qual acabou se estendendo a múltiplasurbana e comercial, a qual acabou se estendendo a múltiplasgeografias, nas quais gerou realidades sociopolíticas diversas,geografias, nas quais gerou realidades sociopolíticas diversas,extrapolando, sem dúvida, o âmbito religioso.extrapolando, sem dúvida, o âmbito religioso.[1] LOPES (2008). Op. Cit., p. 33.
  • 10. • Trimingham apresenta dois períodos históricos da expansão do IslãTrimingham apresenta dois períodos históricos da expansão do Islãna região do sael: no primeiro período o Islã é adotado como umana região do sael: no primeiro período o Islã é adotado como umareligião de classe e não parece, ainda, incompatível com outrasreligião de classe e não parece, ainda, incompatível com outrasreligiões africanas; no segundo vê-se produzir uma mudança radical,religiões africanas; no segundo vê-se produzir uma mudança radical,a ênfase está na singularidade e exclusividade do Islã e suaa ênfase está na singularidade e exclusividade do Islã e suaincompatibilidade com os cultos autóctones, ainda que, na prática,incompatibilidade com os cultos autóctones, ainda que, na prática,subsistam numerosas possibilidades de acomodação.[1] Vê-se, assim,subsistam numerosas possibilidades de acomodação.[1] Vê-se, assim,que as possibilidades de amalgamento, sincretismo e adaptações sãoque as possibilidades de amalgamento, sincretismo e adaptações sãobastante fortes. Assim, observa Martine Quéchon:bastante fortes. Assim, observa Martine Quéchon:– Do contato da cultura animista e da cultura islâmica surge umDo contato da cultura animista e da cultura islâmica surge umsincretismo que facilita o processo de mudança religiosa. Esta mudançasincretismo que facilita o processo de mudança religiosa. Esta mudançaacontece gradualmente a partir de uma condição preparatória, na qualacontece gradualmente a partir de uma condição preparatória, na qualcertos aspectos da religião e da cultura islâmicas são adotados, sem que acertos aspectos da religião e da cultura islâmicas são adotados, sem que areligião ou a vida social sejam afetadas. O ponto de ruptura é atingidoreligião ou a vida social sejam afetadas. O ponto de ruptura é atingidoquando é o Islã, e não mais a religião tradicional, que passa a governar aquando é o Islã, e não mais a religião tradicional, que passa a governar avida.[2]vida.[2][1] TRIMINGHAM, J. S.. The phases os Islamic Expansion. In: LEWIS, I. M.. Islam in Tropical Africa.Londres: Oxford University Press, 1966, p. 128-129[2] QUÈCHON, Martine. Réflexions sur certains aspects du syncrétisme dans l’Islam oust-afrcain. Paris:Editions de lEcole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, Cahiers d’études africaines. Vol. 11, nº 42, 1971,p. 212.
  • 11. • Agustín Gorostegui diz que o processo de islamização doAgustín Gorostegui diz que o processo de islamização doBilad as-SudanBilad as-Sudan foi bastante lento, mais por adoção que porfoi bastante lento, mais por adoção que pormeios violentos. Um processo em que o tempo exerceu ummeios violentos. Um processo em que o tempo exerceu umpapel importante. A adesão dos africanos ao Islã sepapel importante. A adesão dos africanos ao Islã seproduziu, em princípio, só entre as pessoas mais influentesproduziu, em princípio, só entre as pessoas mais influentesda sociedade. Com o passar do tempo, o Islã foi ganhandoda sociedade. Com o passar do tempo, o Islã foi ganhandomais adeptos, mas sempre ao modo dos africanos e segundomais adeptos, mas sempre ao modo dos africanos e segundoa maneira de ser africana.[1]a maneira de ser africana.[1]• Passaram séculos antes deste Islão elitista e minoritárioPassaram séculos antes deste Islão elitista e minoritáriopenetrar nas generalidades das populações urbanas, nospenetrar nas generalidades das populações urbanas, noscampos, nos habitantes das regiões à beira do deserto, noscampos, nos habitantes das regiões à beira do deserto, nosgrupos do interior. Até ao século XVIII os centros regionais,grupos do interior. Até ao século XVIII os centros regionais,parcialmente islamizados continuaram cercados por umparcialmente islamizados continuaram cercados por um“mar animista”.[2]“mar animista”.[2][1] GOROSTEGUI, Agustín A.. Islam em Africa Subsahariana. Revista Cuadernos,Madrid: Fundación Sur, 2009, p. 5.[2] DONINI, Giovanni. Op. Cit. p. 47-48.
  • 12. • Essa penetração gradual era baseada em dois alicerces:Essa penetração gradual era baseada em dois alicerces:- Conhecimento do Alcorão, mesmo que parcial e essencial para os- Conhecimento do Alcorão, mesmo que parcial e essencial para osrecém-convertidos executarem as cinco orações diárias (um dos cincorecém-convertidos executarem as cinco orações diárias (um dos cincoPilares do Islã) em que alguns versículos do Alcorão eram recitados; ePilares do Islã) em que alguns versículos do Alcorão eram recitados; e-Educação inseparável da instrução, na medida em que elas mantêmEducação inseparável da instrução, na medida em que elas mantêmrelações complementares: a primeira oferece a leitura, a escrita e arelações complementares: a primeira oferece a leitura, a escrita e acompreensão da mensagem (compreensão da mensagem (ar-risalaar-risala) e das ciências religiosas () e das ciências religiosas (Usul al-Usul al-fiqhfiqh); a segunda se refere à socialização do jovem crente, baseada na); a segunda se refere à socialização do jovem crente, baseada naformação técnica e na aprendizagem de valores morais indispensáveisformação técnica e na aprendizagem de valores morais indispensáveispara a formação de sua personalidade islâmica e sua inserção social napara a formação de sua personalidade islâmica e sua inserção social nacomunidade muçulmana (comunidade muçulmana (UmmaUmma).).Assim, a Mesquita (Assim, a Mesquita (MasjidMasjid), elemento aglutinador da identidade), elemento aglutinador da identidadeislâmica, o qual criava um sentimento de pertença, era o lugar de cultoislâmica, o qual criava um sentimento de pertença, era o lugar de cultoe debates, que influenciavam sobremaneira o dia a dia da comunidade ee debates, que influenciavam sobremaneira o dia a dia da comunidade eservia, também, de lugar de formação. Algumas se tornaram,servia, também, de lugar de formação. Algumas se tornaram,progressivamente, centros de altos estudos em várias áreas doprogressivamente, centros de altos estudos em várias áreas doconhecimento, além das ciências religiosas. As escolas (conhecimento, além das ciências religiosas. As escolas (MadrasaMadrasa))formavam eruditos e sábios, os quais eram enviados para difundir aformavam eruditos e sábios, os quais eram enviados para difundir acultura e o saber islâmicos a outros lugares da África.cultura e o saber islâmicos a outros lugares da África.
  • 13. 1º Fase de conquista do Magrebe1º Fase de conquista do Magrebe• A conquista do Magrebe pelos árabes iniciou-se em 642. AA conquista do Magrebe pelos árabes iniciou-se em 642. Aregião era habitada pelos berberes que viviam organizados emregião era habitada pelos berberes que viviam organizados emgrandes confederações degrandes confederações de kabilas (tribos).kabilas (tribos). Umas resistiram, outrasUmas resistiram, outrasaderiram aos ocupantes e se converteram ao Islã ao longo doaderiram aos ocupantes e se converteram ao Islã ao longo doperíodo que durou a conquista.período que durou a conquista.• Em 643, os árabes conquistam, sem encontrar resistência, aEm 643, os árabes conquistam, sem encontrar resistência, aTripolitânia e a Cirenaica, duas grandes regiões ao norte da LíbiaTripolitânia e a Cirenaica, duas grandes regiões ao norte da Líbiaatual. Na época, o Imperador Bizantino as havia anexado aoatual. Na época, o Imperador Bizantino as havia anexado aoEgito. Trípoli foi em seguida ocupada, bem como Waddan, o maisEgito. Trípoli foi em seguida ocupada, bem como Waddan, o maisimportante oásis da região.importante oásis da região.• A Tunísia atual foi conquistada em 647 pelo novo governador doA Tunísia atual foi conquistada em 647 pelo novo governador doEgito, à frente de 20 mil cavaleiros de elite. A região foi tomadaEgito, à frente de 20 mil cavaleiros de elite. A região foi tomadaapós uma batalha decisiva contra o governador bizantino doapós uma batalha decisiva contra o governador bizantino doMagrebe. Mas a conquista da região ainda não estava consolidadaMagrebe. Mas a conquista da região ainda não estava consolidadaquando as tropas árabes decidiram terminar esta campanha emquando as tropas árabes decidiram terminar esta campanha em649.649.
  • 14. 2ª Fase da conquista do Magrebe• Com a fundação da dinastia omíada, em 661, retoma-se a expansão. Nesta fase,um dos fatos mais importantes foi a criação da cidade de Cairuão, base militar e ocentro da administração da região. Com ela nascia a primeira provínciamuçulmana da África do Norte, batizada Ifríquia, na região da atual Tunísia.• Líderes berberes representavam obstáculos ao avanço. O maior deles foiKusayla, chefe berbere que dominava o Magrebe central. Ele tomou Cairuão e setornou o primeiro chefe berbere a governar um território árabe-muçulmano, semabjurar ao Islã ao qual se convertera. Recusou-se a se submeter a uma potênciaestrangeira e, ao mesmo tempo, os Omíadas não podiam aceitar que um chefelocal não árabe, mesmo sendo muçulmano, assumisse o poder em Ifríquia.• Colocava-se assim a problemática das relações conflituosas entre árabes e nãoárabes na construção do mundo islâmico, que iria se manifestar futuramentetambém na península Ibérica e, mais amplamente, no processo deenfraquecimento da dinastia omíada no poder. Em 690, Kusayla foi derrotado.• Outras tribos resistiram, como a liderada por Kahina, a chefe de uma kabilaberbere, mas a maioria delas acaba se convertendo ao Islã.• Em 702 construiu-se o porto de Tarshish, hoje Tunis, que se tornou umimportante centro marítimo da província de Ifríquia. Esta passou a sersolidamente organizada, tornando-se o apoio principal da estrutura árabe noNorte da África.
  • 15. Árabes, berberes e a independência do Magrebe• A total conquista do norte da África se dá em 711, mudando completamente suasestruturas sociais e étnicas, modo de vida, maneira de pensar e a concepção demundo. Havia uma nova população que se espelhava no oriente muçulmano eárabe, e adquiria um forte sentimento de pertencer a esse mundo.• Na época, ser árabe era ser muçulmano e vice-versa. O poder centralencontrava-se nas mãos dos omíadas, uma aristocracia da Meca, que já haviatransgredido os princípios democráticos das origens do islã, ao não conceder aosconvertidos os mesmos privilégios dados aos muçulmanos de origem árabe.• Na conquista da África do norte, os berberes foram tratados como cidadãos desegunda categoria, como estrangeiros derrotados, apesar da sua conversão eparticipação maciça nas conquistas da expansão muçulmana à Europa. Elesaderiram assim à dissidência Kharijita e se afastaram da ortodoxia sunitarepresentada pelos omíadas.• Em 741 ocorreu um levante geral dos muçulmanos berberes contra aadministração omíada, reclamando que eram excluídos da repartição dos benstomados aos inimigos, colocados na linha de frente nas batalhas mais violentas,que seus rebanhos eram capturados e abatidos, e as jovens e as mulheres berbereseram raptadas. Este levante marcou o início da independência do Magrebe. Apartir desta data, e durante toda a Idade Média, o Islã no norte da África daráprovas de sua independência política face a Bagdá, para onde foi transferida acapital do califado sob a dinastia abássida, que sucedeu à dinastia omíada.
  • 16. As dinastias• Em Ifriquia, os fatímidas (ramo Xiita do Islã) fundaram uma dinastia doimpério que se estendeu do Atlântico à Síria e durou mais de dois séculos.• Um duelo de grandes dimensões pela hegemonia opôs, no século X, os omíadasda Espanha aos fatímidas de Ifríquia, através dos respectivos aliados napopulação berbere.• A política imperial dos fatímidas os levou ao Mediterrâneo, sobre o qualconquistam a supremacia graças à posse da Sicília. Palermo tornou-se umaimportante base naval. A frota fatímida pilhava regularmente as margens doAdriático, a costa do mar Tirreno e o sul da Itália. Ela devastou também a costameridional da França, tomou Gênova e fez uma incursão ao longo da costacalabresa.• Conquistam o Egito em 969, construíram uma nova capital, Al-Qahira, o Cairo,e transferiram para lá o centro do seu império (foi nesta época que se constroi aprimeira universidade do mundo, Al-Azhar). Este deslocamento para leste docentro do Estado fatímida teve profundas consequências sobre a história da Áfricado Norte.• Em Ifríquia assumiu então uma nova dinastia, os ziristas, que se tornou aprimeira família reinante de origem berbere, inaugurando o período onde o poderpolítico passou a pertencer exclusivamente a dinastias berberes: almorávidas,almoadas etc.• Estas dinastias expandiram suas conquistas no norte da África, incluindo granderegião ao sul da Espanha, e marcaram, já com os almoadas, no início do séculoXII, o apogeu da unificação do Magrebe e do ocidente muçulmano.
  • 17. Fases da expansão do Islã pela África:- 1ª Fase: Berbere (Séc. XI ao XIII)• Correspondente à jihad (“guerra santa”) dos almorávidas, com a influênciaislâmica vinda notadamente da Espanha, com a conquista do Magrebe e dosatuais Mali, Senegal e Gana.• O Islã entra na África pelo Norte. Não foi fácil, pois encontrou reação feroz doshabitantes autóctones. Apesar de a campanha militar ser muito efetiva, aconversão ao Islã se dava de forma lenta, as quais se iniciam nas cidades,especialmente entre os governantes, e posteriormente ao campo. Isso reforça ateoria de vários estudiosos de que o Islã é uma religião essencilamente urbana.• Não se pode deixar de apontar que o Califado de Córdoba, já estabelecido noséculo X, exerce profunda influência na penetração do Islã pela África, pois osberberes, nesta época, eram a base expansionista do Islã à Espanha. O movimentodos almorávidas é fruto da tentativa de se dominar a rota ocidental do ouro e dotráfego de caravanas que abasteciam a Europa.• Com a conversão dos tucolores do Senegal e dos soninques do Mali e Gana eles,conhecidos comerciantes, acabaram se tornando os propagandistas do Islã pelaÁfrica Ocidental, contribuindo para união de várias tribos e povos nômades. Istoacabou por melhorar sua situação sócio-econômica, baseando-se no princípiocomunitário islâmico (ummah), que oferecia grande atrativo à nova religião.• Os almorávidas são derrotados por outra dinastia: os almoadas da Espanha, quedescontentes com as ações daqueles iniciam uma campanha para derrotá-los.
  • 18. 2ª Fase: Mandinga (Séc. XIII ao XV)• Hegemonia de Gana e Mali e ascenção do Império Mandinga, que unificou grandeparte da África Ocidental. A jihad é deixada de lado e outras formas de expansão sãoutilizadas, como, por exemplo, o Sufismo e o comércio, maiores responsáveis pelaexpansão islâmica.• Os Sufis foram os maiores divulgadores do Islã na África do Oeste, pelo dinamismocom o qual se caracteriza, que conferiu ao Sufismo enorme grau de adaptabilidade àsculturas locais, fazendo com que ele se tornasse um dos principais veículos deislamização das populações.• A dinastia dos Keita se estabelece como grande Império do Mali. Os Keita criam umapretensa ligação ancestral e familiar com Bilal Ibn Rabah, um escravo etíope, libertopelo Profeta Muhammad, e que se tornou o primeiro Muadhdhin (aquele que convocaos muçulmanos para as cinco orações dirárias). Bilal, um escravo negro e não árabe,teve papel de destaque na nascente comunidade muçulmana. Com a pretensa ligaçãodos Keita com a figura de Bilal estes adquirem um status diferenciado, alcançandogrande prestígio. Não podemos deixar de avaliar, também, que nesse jogo de podermilitar a grandeza do Império e o sucesso econômico, levado a cabo pelo clã dos Keita,foram elementos importantes para criar uma nova percepção de poder. Além disso, o“poder espiritual”, que o Sufismo pretensamente proporcionava, foi também muitoútil, sendo utilizado para promover a sua própria posição, com um capital simbólicoque poderia promover a ascensão social.• A influência das Ordens Sufis na composição social da sociedade tribal não é umanovidade, pois nos primórdios do desenvolvimento da estrutura do Sufismo no Saara,as bolsas de estudo oferecidas e a piedade dos dervixes, verificada na distribuição dozakat, funcionavam como capital simbólico que as famílias, comunidades e tribospoderiam utilizar para melhorar sua posição social. Como a adesão ao Sufismo seiniciava pelos mais abastados, incluam-se os governantes, era possível a mobilização derecurso e de capital de vários tipos, culminando em atrair cada vez mais pessoas.
  • 19. 3ª Fase: Songai (Séc. XV ao XVII)• Com o declínio do Mali, na metade do Séc. XV, nasce ao longo do rio Níger o impériosongai, fundado por Sunni Ali, que prospera graças a menor distância às rotas docomércio.• Há uma nova jihad, especialmente contra os “pagãos” e contra comunidades cujoshabitantes não praticavam o Islã que os dirigentes Songai entendiam como ideal,apesar de estes praticarem, também, um Islã bastante sincrético.• No final do Séc. XVI e início do XVII a tradição do império islâmico tinha sidoreprimida; em seu lugar os muitos pequenos estados lutavam entre si para conquistarescravos e terras. Essas guerras eram feitas entre estados muçulmanos e não-muçulmanos; entre governos muçulmanos por disputa de terras e poder. Destesembates, cristãos, muçulmanos ou “pagãos” acabavam se tornando escravos.• Os Imperadores Songai são influenciados pelo jurista, Muhammad al-Maghili,contratado para elaborar um tratado sobre a jihad. Al-Maghili diz ao Soberano: “Aspessoas deste país pretendem ser muçulmanas e assim o são exteriormente: tem umaMesquita, uma comunidade, a oração da sexta-feira, a prática das cinco orações, masesses que descrevi mesclam o verdadeiro com o falso e, desta maneira, perdem-se, poisconvertem-se em pagãos sem se darem conta. A aplicação da jihad está justificadacontra esses infiéis. Contra eles opere a guerra, mate aos seus homens, submeta àescravidão suas mulheres e crianças, apodere-se de seus bens. Matar aos homensinjustos, perversos e seus comparsas, ainda que rezem, jejuem e vão em peregrinação àMeca, não é pecado; mate-os...”• Assim, há a justificativa teológica para que uma campanha jihadista seja feita contraqualquer um, mesmo muçulmano, o que contraria entendimentos jurídicos anteriores.
  • 20. 4ª Fase Fulani ou Peule (Séc. XVIII e XIX)• Inicia-se com a jihad de Uthman Dan Fodyo (Futi, Fodio), o qual funda o reinode Sokoto (na atual Nigéria).• Uthman Dan Fodyo possuía cultura islâmica invejável. Aos trinta anos játinha discípulos que o consideravam um homem extremamente pio e dotado debaraka (poder espiritual). Foi convidado para ser o educador dos filhos devários governantes, o que fez durante muito tempo. Esses governantes sediziam muçulmanos e dervixes, mas continuavam com as práticas religiosastradicionais. Isso não agradava Dan Fodyo, que começou a criticarabertamente esse comportamento, resultando em seu abandono da Corte. Emseguida, Dan Fodyo se insurge, declarando guerra aos governantes. Como eraestrito na observância do Islã promove intensas perseguições aos “pagãos” eàqueles que, para ele, não praticavam o Islã “corretamente”.• Há que se lembrar que a corte era composta pelos reis locais (os Ọba), porgrandes comerciantes e pelos conselheiros e alguns deles pertenciam à algumaTariqa (Ordem Sufi) e estes, mesmo que se aliassem a Uthman Dan Fodyo,acabaram sendo vistos como suspeitos, o que os levou à prisão e à escravidão.• Mas com o começo do século XIX, a antiga casta respeitada de comerciantes,geomantes e conselheiros torna-se suspeita, precisamente por seusconhecimentos. Sabiam escrever, e escreveram tudo o que viram. Estacuriosidade e esta exatidão lhes foi funesta: foram levados à prisão,
  • 21. 4ª Fase Fulani ou Peule (Séc. XVIII e XIX) - Continuação• Em sua obra, Tamiyz al-Muslim min al-kafirin, Uthman Dan Fodyo descreve oitocategorias de pessoas que existem no Bilad as-Sudan, classificando-as em fiéis(muçulmanas) ou infiéis, sendo destacadas três delas, para nossa análise, asseguintes categorias:- 4ª - Os infiéis que nunca aceitaram o Islã, nesse caso são claramente infiéis;- 5ª - Os que misturam práticas infiéis e islâmicas. Eles aceitaram o Islã, masnão conseguiram abandonar as antigas práticas pagãs. São definitivamenteinfiéis;- 6ª - A sexta categoria, como a quinta, mescla práticas pagãs com islâmicas.Desdenham da religião de Deus e negam (algumas) determinações da shari’ah.São também infiéis.• As pessoas que se enquadram nas três categorias, das oito elencadas por DanFodyo, são as que podem ser escravizadas, portanto, apesar de em duas delas oscategorizados terem abraçado o Islã, não são considerados como muçulmanos “deverdade”, o que permitia que os considerados “verdadeiros” muçulmanospudessem escravizá-los, com a permissão de Allah. Mais uma vez pode-seobservar a influência que o jurista Muhammad ibn Abd al-Karim al-Maghili,citado anteriormente, exerceu em Dan Fodyo.• Uthman Dan Fodyo foi inspirador para outros movimentos jihadistas, levados acabo no Mali, Senegal, Namíbia, Níger e Chade

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