Your SlideShare is downloading. ×
  • Like
Amor inteiro trecho inédito
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Thanks for flagging this SlideShare!

Oops! An error has occurred.

×

Now you can save presentations on your phone or tablet

Available for both IPhone and Android

Text the download link to your phone

Standard text messaging rates apply

Amor inteiro trecho inédito

  • 1,593 views
Published

 

Published in Education
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Be the first to comment
    Be the first to like this
No Downloads

Views

Total Views
1,593
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
1

Actions

Shares
Downloads
3
Comments
0
Likes
0

Embeds 0

No embeds

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
    No notes for slide

Transcript

  • 1. Amor Inteiro Trecho Inédito Maribell Azevedo® 2012 Maribell Azevedo
  • 2. Capítulo 1 Já tinha feito aquele trajeto tantas vezes, que mesmo se me distraísse, acreditoque não erraria o caminho, acho que minhas pernas me levariam seguramente na direçãocorreta, como sendo guiadas por um piloto automático. Acompanhado por Maggie, passo sorrindo pela recepção do hospital ecumprimento uma enfermeira muito séria que responde de forma seca ao meu bom dia.Sorrio ainda mais. O que posso fazer? Sinto-me feliz. As pessoas costumam ter aversãoa entrar em hospitais, porém eu não. Tinha motivos de sobra para contar os segundos atéchegar a hora de poder estar aqui. Por trás dessas paredes brancas e impessoais, seencontrava o meu bem mais precioso, o cofre do meu coração. Marina. Procurei passar o máximo de tempo possível com ela, apesar de sua atenção quetambém era dividida com familiares e amigos. Porém nos dias em que conseguimosficar juntos, tendo sua companhia exclusiva durante conversas tranquilas, percebi que aminha Marina continuava ali, perdida em algum lugar na sua mente. Seu sorrisocontinuava exatamente o mesmo, assim como seu jeitinho tímido de olhar e sua voz...Céus! Como tinha sentido falta do som da sua voz! E durante a noite enquanto aadmirava dormir, a lembrança de seu pedido, para que eu a buscasse caso algum dia elase perdesse em um lugar estranho ou perigoso, me assombrava constantemente. Eu lheprometi ir até o fim do mundo se fosse necessário e que não haveria força capaz de tirá-la de mim. Só não poderia imaginar que essa força, seria ela mesma. Após longos dias, finalmente ela receberia alta, com uma série de restriçõesfísicas e emocionais, mas isso era esperado, sua recuperação ainda estava emandamento. Ela tinha sobrevivido àquele terrível acidente, no qual o carro que dirigiafoi violentamente atingido, depois de despertar do coma, melhorava progressivamente acada dia, o que deixava a todos muito felizes e cheios de esperança. Nós sabíamos quemesmo assim, seu estado ainda iria requerer certos cuidados, porém todos estavam maisdo que dispostos a cooperar, tê-la com vida e saúde, era o mais importante. Marina em breve voltaria para casa, e finalmente poríamos um fim aquela farsaridícula de ainda sermos apenas irmãos. Era difícil prever sua reação, a angústia aeuforia e o medo povoavam minha mente, estava ficando cada vez mais complicadoesconder meus sentimentos. Conforme tinha combinado com nossos pais, eu tinhacumprido com minha parte, atuando como seu irmão e nada mais. Só eu sei o quanto® 2012 Maribell Azevedo
  • 3. agir assim, havia me custado, se não fosse abençoado diariamente com sua presença esorriso, talvez não teria suportado. Nos últimos dias tínhamos conversado bastante, contei piadas e históriasengraçadas da nossa infância, também levei um baralho para jogarmos juntos e passar otempo. Aos poucos fui revelando mais detalhes de minha vida, sempre com a esperançade que subitamente lembrasse alguma coisa sobre nós, mas até o momento ouvia cadainformação com a mesma expressão surpresa e olhar curioso. Naquela noite enquanto jogávamos, comentei animadamente sobre minhaprofissão e ela vibrou ao saber os personagens que já havia representado. — Meu irmão é um ator famoso, e eu adoro esse personagem! — falouempolgada — Sempre tive uma quedinha por ele! — Como é que é? — perguntei bem humorado. — Você sempre teve umaquedinha por quem? — Por esse herói que você representou. — respondeu com olhar sonhador. —Lembra como ele era descrito no livro? Nossa! Você deve ter ficado perfeito no papel! — É mesmo, por quê? — sabia que era crueldade perguntar aquilo, mas nãoresisti. — Ah, bem... — ela estava com as bochechas vermelhas agora. — Acho que vocêse encaixa na descrição do típico herói romântico. Algo em você me lembra daquelespríncipes dos contos de fadas, tipo A Bela Adormecida, essas coisas. — respondeu umpouco encabulada. Fiquei olhando pra ela, sorrindo levemente, lembrando da descrição que ela tinhafeito de mim ao nos conhecermos na infância, era muito parecida com aquela atual eisso mais uma vez confirmava minha teoria de que Marina poderia começar adesenvolver os mesmos sentimentos por mim, pelo menos aquela era minha esperança. — Bati! — exclamei jogando a última carta na sua frente. — Ei! — reclamou. — Confessa que você me contou essa história do filme, sópra me distrair do jogo! — Puxa, acho que você esta começando a se lembrar de mim! — brinqueisorridente e recolhendo as cartas da cama. Ela estava sorrindo também, olhei para seus olhos alegres e era incrível afelicidade que aquela simples visão proporcionava, me sentia muito animado por vê-labem e por tê-la comigo, mesmo que não exatamente como gostaria, pelo menos nãoainda, mas ao vê-la tão bem disposta, era fácil acreditar que nada era impossível.® 2012 Maribell Azevedo
  • 4. — Já é tarde, melhor irmos dormir. — falei depois de consultar o relógio em meupulso. — Amanhã será um grande dia, por isso é importante que você descanse bem,nada de excessos. — Isso é ridículo! O Dr. Sanders já disse que assinará minha alta amanhã, entãoque diferença faz dormirmos cedo ou tarde? Se é que vou conseguir dormir! Só depensar que amanhã nesse mesmo horário, estarei em casa, deitada em meu quarto! Estoutão animada! — falou com aquele sorriso radiante que me deixava sem ar. — Sim, isso vai ser maravilhoso! — falei alegre, diante de seu entusiasmo. —Nada como dormir na nossa própria cama. — e com sorte dormindo comigo, penseimaliciosamente. Sorri ao ver sua expectativa, que não era maior que a minha. Aproximei-me parabeijar-lhe a testa, desejando-lhe boa noite, mas ela moveu a cabeça muito rápido e obeijo saiu naquele pequeno espaço entre o nariz e os lábios. Ficamos parados por brevessegundos que pareceram durar para sempre, com o choque prendi a respiração, vi oslábios dela, tremerem ligeiramente, passei a língua nos meus e suspirei, soltando o arprofundamente. Tive que usar de todo meu autocontrole para não deixar a bocaescorregar mais pra baixo, afastei-me e vi um olhar surpreso e envergonhado. — Desculpe. — murmurou constrangida. — Tudo bem. — falei fingindo naturalidade. — Bem, acho que estamos meioeufóricos, então vou apagar a luz, pra nos ajudar a relaxar e dormir. — Claro. — falou com o rosto corado e de olhos baixos. Esperei que ela deitasse e se cobrisse, depois apaguei a luz e me sentei na poltronareclinável que iria me servir de cama. Minha mente e corpo pareciam fervilhar diantedas emoções despertadas por nosso quase beijo, fechei os olhos com força, tentandocontrolar a respiração apressada. O clima de alegre ansiedade, agora parecia substituídopor puro magnetismo entre nós. Segurei com força os braços da poltrona, eu precisavame controlar. Ela estava tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Aquilo estava mematando. — Dan, eu... — falou insegura, sua voz tímida ecoando pelo quarto. — O quê? — perguntei tentando disfarçar minha tensão. — Nada demais. — respondeu depois de um tempo. — Só quero te desejar boanoite. Deus! — pensei em tormento. — Eu te amo! Como, te amo! No entanto tudo o que falei, no tom mais calmo que consegui foi:® 2012 Maribell Azevedo
  • 5. — Boa noite, Marina. — Durma bem. – ela murmurou antes de se virar, dando-me as costas. Fiquei por um bom tempo observando-a na penumbra, aos poucos percebi que elajá estava adormecida pela maneira como respirava serenamente. Podia perceber ocontorno de seus ombros, parecia tão pequena e frágil deitada ali. Seu cabelo compridoe cacheado se esparramava pelo travesseiro em lindas ondas. Como queria nadar nessemar escuro, mergulhar nessas águas perfumadas, me perder em suas profundezas. — Amanhã. – sussurrei antes de fechar os olhos e finalmente adormecer. ***® 2012 Maribell Azevedo