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Extrativismo da carnaúba relações de produção tecnologia e mercados 2008
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  • 1. EXTRATIVISMO DA CARNAÚBARelações de produção, tecnologia e mercados
  • 2. Série: Documentos do Etene.Obras já publicadas na série:V. 01 – Possibilidades da Mamona como Fonte de Matéria-Prima para a Pro- dução de Biodiesel no Nordeste BrasileiroV. 02 – Perspectivas para o Desenvolvimento da Carcinicultura no Nordeste BrasileiroV. 03 – Modelo de Avaliação do Prodetur/NE-II: base conceitual e metodológicaV. 04 – Diagnóstico Socioeconômico do Setor Sisaleiro do Nordeste BrasileiroV. 05 – Fome Zero no Nordeste do Brasil: construindo uma linha de base para avaliação do programaV. 06 – A Indústria Têxtil e de Confecções no Nordeste: características, desa- fios e oportunidadesV. 07 – Infra-Estrutura do Nordeste: estágio atual e possibilidades de investi- mentosV. 08 – Grãos nos Cerrados Nordestinos: produção, mercado e estruturação das principais cadeiasV.09 – O Agronegócio da Caprino-Ovinocultura no Nordeste BrasileiroV.10 – Proposta de Zoneamento para a CajuculturaV.11 – Pluriatividade no Espaço Rural do Pólo Baixo Jaguaribe, CearáV.12 – Apicultura Nordestina: principais mercados, riscos e oportunidadesV.13 – Cotonicultura nos Cerrados Nordestinos: produção, mercado e estru- turação da cadeia produtivaV.14 – A Indústria de Calçados no Nordeste: características, desafios e opor- tunidadesV.15 – Fruticultura Nordestina: desempenho recente e possibilidades de polí- ticasV.16 – Floricultura: caracterização e mercadoV.17 – Floricultura: perfil da atividade no Nordeste brasileiroV.18 – Setor Sucroalcooleiro Nordestino: desempenho recente e possibilida- des de políticasV.19 – Vitivinicultura Nordestina: características e perspectivasV.20 – Extrativismo da Carnaúba: relações de produção, tecnologia e mercados
  • 3. Maria Odete Alves, Enga Agrônoma Mestre em Desenvolvimento Rural e Pesquisadora do BNB-ETENE Jackson Dantas CoêlhoEconomista, mestrando em Economia Rural e Pesquisador do BNB-ETENE EXTRATIVISMO DA CARNAÚBA Relações de produção, tecnologia e mercados Série Documentos do ETENE N0 20 Fortaleza Banco do Nordeste do Brasil 2008
  • 4. Presidente: Roberto Smith Diretores: João Emílio Gazzana Luíz Carlos Everton de Farias Luíz Henrique Mascarenhas Corrêa Silva Osvaldo Serrano de Oliveira Paulo César Rebouças Ferraro Pedro Rafael Lapa Ambiente de Comunicação Social: José Maurício de Lima da Silva Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste – ETENE Superintendente: José Sydrião de Alencar Júnior Coordenadoria de Estudos Rurais e Agroindustriais – COERG Maria Odete Alves Coordenadora da Série Documentos do ETENE Maria Odete Alves Editor: Jornalista Ademir Costa Normalização Bibliográfica: Rodrigo Leite Rebouças Revisão Vernacular: Antônio Maltos Moreira Diagramação: Vanessa Teixeira Internet: http://www.bnb.gov.br Cliente Consulta: 0800 728 3030 Tiragem: 1.700 exemplares Depósito Legal junto à Biblioteca Nacional, conforme Lei n0. 10.994 de 14/12/2004 Copyright © by Banco do Nordeste do Brasil Alves, Maria Odete. A474e Extrativismo da carnaúba: relações de produção, tecnologia e mercados / Maria Odete Alves, Jackson Dantas Coêlho. – Fortaleza: Banco do Nordeste do Brasil, 2008. 214 p. - (Série documentos do ETENE, 20). ISBN 978-85-7791-020-5 1.Extrativismo da carnaúba. 2. Economia. I. Coelho, Jackson Dantas. II. Título. CDD 633.85
  • 5. Conselho Editorial José Sydrião de Alencar JúniorFrancisco das Chagas Farias Paiva José Maurício de Lima da Silva Ozeas Duarte de OliveiraJosé Maria Marques de Carvalho Maria Odete AlvesBiágio de Oliveira Mendes Júnior Paulo Dídimo Camurça Vieira Ademir da SIlva Costa
  • 6. AGRADECIMENTOS Aos colegas DEMÉTRIO Gomes Crisóstomo e Maria TERTULIANA MaiaAraripe, da Central de Informações do ETENE, pela prontidão em fornecer osdados necessários ao desenvolvimento do trabalho e à NADJA Holanda de Oliveira,pela montagem dos mapas. Aos colegas Francisco Raimundo EVANGELISTA, CARLOS ALBERTO Fi-gueiredo Júnior e MARCOS FALCÃO Gonçalves, pela leitura e contribuições aotexto final deste documento. Aos bolsistas da COERG ABRAHÃO Macario Silva Netto e JULIANA AlvesAraújo, pelo valioso auxílio durante a tabulação de dados, TIAGO Almeida Saraiva,pela elaboração das planilhas do CD-ROM encartado neste documento, assimcomo aos colegas da CIEST, pela definição do seu leiaute final. Aos colegas técnicos de campo, pela articulação com os atores locais eviabilização das entrevistas na maioria dos municípios visitados (AURELIANONogueira de Oliveira: Russas e Limoeiro do Norte (CE); RICARDO MesquitaAlencar: Mossoró, Apodi e Felipe Guerra (RN); PEDRO Rodrigues de Sousa:Campo Maior e Piripiri (PI)). Ao Agente de Desenvolvimento João Edivaldo Nogueira DO VAL, que nosauxiliou no trabalho em Parnaíba (PI) e ao Gerente Geral da Agência de Espe-rantina GENÍLSON José Dias, que nos acompanhou durante as visitas realizadasnesse Município. Ao Engenheiro Agrônomo Francisco Hélio Mota Dias, técnico do Escritórioda Emater em Granja (CE) que, além da grande contribuição com seus conhe-cimentos sobre a região e o extrativismo da carnaúba, nos acompanhou durantetodas as visitas realizadas no Município. Aos diretores da ONG Instituto Carnaúba, em Sobral, Osvaldo Aguiar eExpedito Torres, que nos acompanharam durante as visitas realizadas em Sobrale Cariré. A todos os atores da cadeia do extrativismo da carnaúba nos três estadosprodutores, pelas entrevistas concedidas e valiosas contribuições, sem as quaiseste trabalho não teria sido concretizado.
  • 7. PREFÁCIO Grande fonte de riqueza no Nordeste em tempos idos, a carnaúba já foi oícone de uma civilização existente na Região, como escreveu Manuel Correia deAndrade. Atualmente, mesmo que por decreto, essa palmeira voltou a ocuparo seu lugar de direito, o de símbolo do estado do Ceará, apesar do desrespeitoexpresso pela derrubada de carnaubais para inserção de culturas mais lucrativas,tanto no Ceará como no Rio Grande do Norte. Ainda é grande o desconhecimentoacerca das potencialidades da “árvore da vida” brasileira, fato em parte geradopelo limitado número de pesquisas realizadas do fim da década de 1940 até osdias atuais. Na tentativa de resgatar o conhecimento dessa riqueza, produzida unicamen-te no Nordeste (especificamente no Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte), estapublicação apresenta os resultados da pesquisa que abordou, de forma ampla,aspectos agronômicos, distribuição geográfica da carnaubeira, mercado da cera,tecnologia utilizada e relações sociais de produção, trazendo também uma síntesedo histórico da intervenção do Estado, assim como sugestões de políticas parao setor como um todo. A pesquisa aborda todos os produtos do extrativismo e suas utilidades, emespecial a cera, que tem maior valor econômico na “árvore da vida” e é matéria-prima com dezenas de aplicações na indústria cosmética, farmacêutica, informáticae de polimento. Os processos, desde o corte da palha até a industrialização da cera, sãodescritos e analisados detalhadamente, permitindo ao leitor a percepção dastecnologias utilizadas no extrativismo e relações sociais existentes. No entanto, odesafio oferecido pela complexidade desses fatores pouco atrai estudiosos paracompreender a atividade e contribuir com propostas de solução para os problemassociais e tecnológicos envolvidos. Este desinteresse reflete-se no reduzido númerode publicações científicas abordando o tema. Mas, sem dúvida alguma, a contribuição mais importante deste trabalho deveser atribuída ao esforço de estimar custos e lucro líquido do processo extrativo,aspecto jamais explorado, pelo menos no nível de complexidade aqui proposto.Esse esforço originou um CD contendo uma planilha para elaboração de orça-
  • 8. mentos, acompanhado de manual de instruções, na tentativa de ajudar, de formaprática, aqueles que lidam com a atividade. Espera-se que essa pesquisa, conjugada com outras atualmente em realizaçãonos três Estados de ocorrência da palmeira, extrapole os muros do conhecimentoacadêmico e transforme-se em soluções para a cadeia produtiva da carnaúba,especialmente para os segmentos que estão na base do extrativismo e trabalhamarduamente, não só de julho a dezembro, mas durante todo o ano e, conformeafirmou Hélio Mota, engenheiro agrônomo técnico do Escritório da Emater emGranja-CE, “feito escola de samba, que quando termina o desfile, começa a tra-balhar na fantasia para o ano seguinte”. José Sydrião de Alencar Júnior Superintendente do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste - ETENE10
  • 9. SUMÁRIOLISTA DE TABELAS. ..............................................................................13 .LISTA DE FOTOS...................................................................................15LISTA DE FIGURAS................................................................................17LISTA DE GRÁFICOS..............................................................................17LISTA DE SIGLAS. .................................................................................19 .INTRODUÇÃO....................................................................................... 3 21 – PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS............................................252 – CARACTERÍSTICAS AGRONÔMICAS E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA..................................................................................293 – PRODUTOS DA CARNAUBEIRA: USOS E MERCADO.......................433.1 – A Raiz..........................................................................................433.2 – O Palmito....................................................................................443.3 – O Fruto (amêndoa)......................................................................453.4 – A Folha (palha)............................................................................463.5 – O Caule (tronco)..........................................................................513.6 – A Cera..........................................................................................524 – PROCESSO PRODUTIVO: ATORES, RELAÇÕES SOCIAIS E TECNOLOGIA.................................................................634.1 – Etapa 1: arrendamento, corte, transporte e secagem da folha 654.2 – Etapa 2: extração do pó cerífero................................................764.3 – Etapa 3: beneficiamento do pó cerífero.....................................824.3.1 – Processo artesanal...................................................................824.3.2 – Processo industrial..................................................................885 – PROCESSO PRODUTIVO: ESTIMATIVAS DE CUSTO E RECEITA......93 .5.1 – Etapas 1 e 2: arrendamento, corte, secagem e extração do pó....94 .5.2 – Etapa 3: beneficiamento do pó cerífero.....................................995.2.1 – Produção de cera de origem.................................................... 995.2.2 – Produção de cera industrial................................................... 02 16 – POLÍTICAS E AÇÕES DE APOIO À ATIVIDADE............................... 07 16.1 – Intervenção Estatal Planejada: dos anos 1940 à década de 1980 1076.2 – Ações não Planejadas: dos anos 1990 aos dias atuais.............1136.2.1 – Financiamento da produção..................................................1136.2.2 – Outras ações de apoio à atividade........................................1216.2.2.1 – Ações de entidades públicas. .............................................121 . 11
  • 10. 6.2.2.2 – Ações de entidades não-governamentais...........................1257 – CONSIDERAÇÕES FINAIS E SUGESTÕES DE POLÍTICAS...............1357.1 – Etapas de Campo......................................................................1377.1.1 – Financiamento da produção..................................................1377.1.2 – Investimento em tecnologia..................................................1397.2 – Etapa Industrial........................................................................140 .7.2.1 – Investimento em tecnologia..................................................1407.2.2 – Etapa comercial.....................................................................140REFERÊNCIAS.................................................................................... 142APÊNDICE A: Estimativas de custo e receita no extrativismo da carnaúba.................................................................151APÊNDICE B: A Fazenda Raposa e o experimento com genótipos de carnaubeiras produtoras de cera...........................184 .APÊNDICE C: Emulsão de cera de carnaúba: uma técnica inovadora de conservação pós-colheita.......................................193APÊNDICE D: Substitutos da cera de carnaúba.................................194APÊNDICE E: Projetos de pesquisa em execução no BNB e Agenda de Pesquisa ....................................................198ANEXO A: Quantidade produzida (em toneladas) na extração de carnaubeira por tipo de produto extrativo (2004) – mu- nicípios do Nordeste brasileiro.......................................202ANEXO B: Carta da carnaúba.............................................................211ANEXO C: Pauta de reivindicações do Sindicarnaúba......................21312
  • 11. LISTA DE TABELASTabela 1 – Média da Produção de Pó, Cera e Fibra de Carnaúba nos anos de 2001, 2002 e 2003. ......................................26 .Tabela 2 – Somatório da Produção Obtida nos Anos de 1990 a 2006, em Toneladas, na Extração de Carnaubeira por Tipo de Produto – Brasil e Unidades da Federação......................33Tabela 3 _ Quantidade Produzida, em Toneladas, na Extração de Carnaubeira por Tipo de Produto Extrativo (1990 – 2006) – Brasil e Unidades da Federação.......................................34 Tabela 4 – Somatório do Valor da Produção nos Anos de 1990 a 2006, na Extração da Carnaubeira por Tipo de Produto Extrativo – Brasil e Unidades da Federação....................36 .Tabela 5 – Composição da Cinza das Raízes da Carnaubeira – Dados em Percentuais......................................................44 Tabela 6 – Produção de Cera de Carnaúba, em Tonelada, no Brasil – 1920-2006.........................................................................56Tabela 7 – Remuneração Média dos Trabalhadores nas Fases de Corte, Transporte e Secagem da Palha de Carnaúba – com Base em Diária.................................................................75 .Tabela 8 – Remuneração Média dos Trabalhadores nas Fases de Corte, Transporte e Secagem da Palha de Carnaúba – Base em Milheiro......................................................................75Tabela 9 – Variação e Remuneração Média Diária dos Trabalhadores na Fase de Extração do Pó Cerífero por “Bateção” Mecânica – Base em Diárias.............................................81Tabela 10 – Estimativa de Custo de Bateção Mecânica de um Milheiro de Palhas de Carnaúba (7,50kg de Pó Cerífero) – Bateção Própria; Máquina Própria – 2005. .....................95 .Tabela 11 – Custo de Bateção Mecânica de Um Milheiro de Palhas de Carnaúba (7,50kg de Pó Cerífero): Parâmetros e Formas de Pagamento Diversas Observadas em Campo – 2005.......96Tabela 12 – Resumo de Custo e Receita no Extrativismo da Carnaúba – um Milheiro de Palha (7.5kg de Pó Cerífero): Diversos Parâmetros Observados em Campo, considerando Produção e Venda de Pó – 2005. .....................................98 . 13
  • 12. Tabela 13 – Custo de Produção de um Quilo de Cera de Origem em Fábrica Artesanal – 2005..................................................99Tabela 14 – Resumo de Custo e Receita no Extrativismo da Carnaúba – um Milheiro de Palha (7,5kg de Pó Cerífero): Diversos Parâmetros Observados em Campo, com Produção de Pó, Produção e Venda de Cera de Origem – 2005....101Tabela 15 – Resumo de Custo e Receita com Aquisição de 7,5kg de Pó Cerífero, Produção de Cera de Origem, Ensacamento e Transporte e Venda de Cera de Origem – Taxa de Juros de 5% a.m. – 2005................................................................102Tabela 16 – Resumo de Custo e Receita com Aquisição de 7,5kg de Pó Cerífero, Produção de Cera de Origem, Ensacamento e Transporte e Venda de Cera de Origem – Taxa de Juros de 0,53% a.m. – 2005...........................................................102Tabela 17 – Estimativa da Produção e do Faturamento Anual (2003) por Empresas Produtoras de Cera de Carnaúba. Piauí. 2003......................................................................104Tabela 18 – Estimativa do Custo de Produção Mensal de Cera de Carnaúba. Piauí..............................................................105Tabela 19 – Custo de Uma Tonelada de Cera de Carnaúba Tipo Um 106Tabela 20 – Custo de uma Tonelada de Cera de Carnaúba Tipo Três 106Tabela 21 – Financiamento do BNB à Cadeia Produtiva da Carnaúba, por Estado, Período 1998-2006. ....................................116 .Tabela 22 – Financiamento do BNB para a Cadeia Produtiva da Carnaúba, por Porte, Período 1998-2006......................117 .Tabela 23 – Financiamento do BNB para a Cadeia Produtiva da Carnaúba, por Finalidade, Período 1998-2006..............119Tabela 24 – Financiamento aos Miniprodutores, por Finalidade, Período 1998-2006.........................................................119Tabela 25 – Financiamento do BNB para a Cadeia Produtiva da Carnaúba, por Ano, Período 1998-2006.........................12014
  • 13. LISTA DE FOTOSFoto 1 – Carnaubal no Município de Russas (CE) ................................ 29Foto 2 – Folha da Carnaubeira............................................................. 31 .Foto 3 – Flores da Carnaubeira. ........................................................... 32 .Foto 4 – Frutos da Carnaubeira............................................................ 33Foto 5 – Carnaubal Plantado em Russas (CE) ....................................... 37Foto 6 – Queimada de Carnaubal em Limoeiro do Norte (CE). ........... 38 .Foto 7 – Boca-de-leão em Felipe Guerra (RN) ...................................... 42Foto 8 – Xarope Composto com Raiz da Carnaubeira ........................ 43Foto 9 – Broto Terminal da Folha da Carnaubeira............................... 45Foto 10 – Frutos da Carnaubeira.......................................................... 46Foto 11 – Confecção Artesanal de Vassouras em Felipe Guerra(RN).... 47Foto 12 – Artesanato de Palha em Jericoacoara (CE)........................... 47Foto 13 – Coberta com Palha de Carnaúba em Jericoacoara............... 47Foto 14 – Peças Decorativas de Talo de Carnaubeira........................... 48Foto 15 – Chapéus em Fase de Acabamento numa Fábrica Localizada em Sobral (CE)....................................................................... 49Foto 16 – Artesanato de Cestarias e Móveis de Carnaúba (Porto das Barcas, Parnaíba, PI) ............................................................. 50Foto 17 – Peças Decorativas de Talos de Carnaúba (Porto das Barcas, Parnaíba, PI).......................................................................... 50 .Foto 18 – Papel Artesanal de Palha de Carnaúba................................. 51Foto 19 – Tipos de Cera de Origem...................................................... 55Foto 20 – Cera Industrial Tipo Um, Três e Quatro em Escama e Atomizada............................................................................. 55Foto 21 – Vareiro em Limoeiro do Norte (CE)...................................... 68Foto 22 – Aparador/Enfiador em Limoeiro do Norte (CE).................... 69Foto 23 – Acessórios Utilizados pelo Vareiro para Proteção de Ferimentos, em Limoeiro do Norte (CE)............................... 70Foto 24 – Carroça de Transportar Palha para o Lastro........................ 71Foto 25 – Lastro para Estender a Palha, em Russas (CE)...................... 72Foto 26 – Trinchador da Palha para Produção de Vassouras, em Felipe Guerra (RN)................................................................. 76Foto 27 – Mulher Trabalhando no Riscado da Palha de Carnaúba, em Cariré (CE)........................................................................ 77 15
  • 14. Foto 28 – Máquina Guarany Ciclone, de Propriedade da Foncepi (Piripiri, PI)............................................................................ 78Foto 29 – Máquina Guarany Ciclone Atual, em Apodi (RN)................. 80Foto 30 – Homem Batendo Palha na Atual Máquina Guarany Ciclone, em Felipe Guerra (RN) .......................................................... 80Foto 31 – Trabalhadores na Máquina Guarani Ciclone: Falta de Proteção, em Felipe Guerra (RN)........................................................... 81 Foto 32 – Minhocão, em Felipe Guerra (RN)........................................ 82 .Foto 33 – Caldeira para Cozimento do Pó Cerífero, em Felipe Guerra (RN)............................................................................ 83Foto 34 – Prensa da Cera de Origem, em Felipe Guerra (RN).............. 83Foto 35 – Gamela de Resfriamento e Secagem da Cera de Origem, em Felipe Guerra (RN) .......................................................... 83Foto 36 – Recozimento da Cera de Origem em Latas de Querosene, em Cariré (CE)........................................................................ 85Foto 37 – Prenseiro (ou Prensador) de Cera de Origem, em Felipe Guerra (RN) ........................................................................... 86Foto 38 – Ensacamento da Cera em Escamas, em Piripiri (PI)............. 89 .Foto 39 – Cera de Carnaúba Atomizada, em Piripiri (PI)..................... 9116
  • 15. LISTA DE FIGURASFigura 1 – Roteiro de Viagens Durante a Pesquisa de Campo............. 27Figura 2 – Mapa de Ocorrência de Carnaúba (Fibra, ou Pó, ou Cera) na Área de Atuação do BNB, no Ano de 2006.......................... 35Figura 3 – Fluxograma dos Processos Extrativo e Industrial da Carnaúba no Nordeste Brasileiro. .......................................64 .Figura 4 – Atores Sociais no Processo Produtivo da Carnaúba............ 65Figura 5 – Fluxograma do Refino da Cera Bruta (de Olho ou da Palha)...........................................................89Figura 6 – Fluxograma do Refino da Cera do Pó (de Olho ou da Palha)....................................................................................90Figura 7 – Fluxograma do Processamento da Borra de Cera de Carnaúba na Indústria. ........................................................90 . LISTA DE GRÁFICOSGráfico 1 – Participação Percentual (em Relação ao Valor Total de Exportações) da Cera de Carnaúba na Pauta dos Três Estados Produtores.......................................................... 54 Gráfico 2 – Produção de Cera de Carnaúba, em Tonelada, no Brasil – 1920-1979 / 1990-2006. ................................................... 57 .Gráfico 3 – Evolução dos Volumes de Cera de Carnaúba Exportados de 1937 a 2006................................................................. 57Gráfico 4 – Principais Países de Destino das Exportações de Cera de Carnaúba (em kg) – Acumulado 2001/2006. ................... 58 .Gráfico 5 – Evolução do Preço Médio Real de Cera de Carnaúba – 1937 a 2006...................................................................... 61 17
  • 16. 18
  • 17. LISTA DE SIGLASALICEWEB Sistema de Análise das Informações de Comércio Exterior via Internet do Ministério do DesenvolvimentoACC Adiantamento de Contrato de CâmbioABNT Associação Brasileira de Normas TécnicasAGF Aquisições do Governo FederalAPA Área de Proteção AmbientalBB Banco do BrasilBNB Banco do Nordeste do BrasilBCB Banco Central do BrasilCACEX Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S.ACCA Centro de Ciências AgráriasCNPq Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e TecnológicoCODECE Companhia de Desenvolvimento do CearáCOFINS Contribuição para o Financiamento da Seguridade SocialCONAB Companhia Nacional de AbastecimentoCSCPC Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da CarnaúbaDNOCS Departamento Nacional de Obras Contra as SecasEGF Empréstimo do Governo FederalETENE Escritório Técnico de Estudos Econômicos do NordesteEMATERCE Empresa de Assistência Técnica e Extensão RuralEMBRAPA Empresa Brasileira de Pesquisa AgropecuáriaEPECE Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do CearáFACIC Federação das Associações do Comércio, Indústria, Serviços e Agropecuária do CearáFAEC Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do CearáFAPEPI Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do PiauíFETRAECE Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do CearáFIEC Federação das Indústrias do Estado do CearáFINAME Financiamento de Máquinas e EquipamentosFINEP Financiadora de Estudos e Pesquisas 19
  • 18. FONCEPI Fontenele Ceras do Piauí, S/AFUNCAP Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e TecnológicoIBAMA Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e EstatísticaICMS Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de ServiçosIPCA Índice Nacional de Preços ao Consumidor AmploIPI Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPT Instituto de Pesquisas TecnológicasIRPJ Imposto de Renda Pessoa JurídicaISS Imposto Sobre ServiçosMCT Ministério da Ciência e TecnologiaMDA Ministério do Desenvolvimento AgrárioMDIC Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio ExteriorMIN Ministério da IntegraçãoNUTEC Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial do CearáPDI Pesquisa, Desenvolvimento e InovaçãoPIS Programa de Integração SocialPROGER Programa de Geração de Emprego e RendaPROMOVALE Programa de Valorização Rural dos Vales IrrigáveisPRONAF Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura FamiliarPROVARZEAS Programa Nacional de Aproveitamento Racional de Várzeas IrrigáveisSDE Secretaria de Desenvolvimento EconômicoSEAGRI Secretaria de Agricultura e Pecuária do Estado do CearáSEBRAE-CE Serviço de Apoio às Pequenas e Médias Empresas do CearáSESEMAR Assessoria e Apoio aos Povos das Serras, Sertão e MarSINE-RN Sistema de Emprego e Renda do Rio Grande do NorteSNA Sociedade Nacional de AgriculturaUFC Universidade Federal do CearáUFPI Universidade Federal do PiauíUNICAMP Universidade Estadual de CampinasUNEB Universidade do Estado da Bahia20
  • 19. De longe é hostiário suspenso do templo azul, claro, imenso do infinito... O leque da carnaubeira é uma bandeira, quebra-luz do sol a pino; e o palmito, esgalgo, fino, é esbelto equilibrista- pés poisados nas margens dos ribeiros e lagos brasileiros, com um disco plúmbeo na crista. Nessas palmas recortadas e espalmadas ao vento como exóticas pantalhas, - na pobreza dessas palhas, quanta esplêndida riqueza dadivosa natureza encerra, para glória da terra, minha terra que de luz se inunda e a deusa Flora preferiu, fecunda! Carnaubeira, eu te amo, desde a fina raiz tonificante, que é suave e refrescante; e o caule que serve de cumeeira às casas grandes, aos palácios e choupanas, - até os renovos verdejantes de que se tira a cera e faz a vela que ilumina o pobre e a palha com que se cobre o lar e tece esteiras, redes, cofos, abanos e chapéus!Da Costa Andrade e Simplício Mendes 21
  • 20. 22
  • 21. INTRODUÇÃO A decisão de realizar a presente pesquisa partiu de uma demanda oriunda daárea de políticas de desenvolvimento do BNB, a qual requeria um mapeamentoda ocorrência de carnaubeiras na região Nordeste, com o objetivo de analisar apertinência de financiar projetos oriundos da região de Campo Maior, no Estadodo Piauí. Na ocasião, os gestores da agência bancária instalada naquele municípioquestionavam sobre a restrição ao financiamento de custeio para as atividades deextração de pó da cera de carnaúba em algumas regiões do Estado, decorrentede um normativo interno datado de 1995. Ao iniciarmos os primeiros levantamentos exploratórios para responder àdemanda, observamos o quão era difícil o entendimento do setor, em virtude dacomplexidade das relações sociais, de produção e comerciais. Por outro lado,constatava-se o pouco interesse de estudiosos e pesquisadores pelo setor, tra-duzido no reduzido número tanto de publicações científicas que o explicassemquanto de pesquisas que contribuíssem para resolver os problemas de defasagemtecnológica. Este conjunto de fatores, aliado à grande importância econômica e social queparecia ter o extrativismo da carnaúba para três Estados nordestinos (Ceará, Piauíe Rio Grande do Norte), levou a Superintendência do Etene a tomar a decisão derealizar o presente estudo, que pretendeu, além de cobrir o vácuo de informaçõesatualizadas, servir de instrumento de reflexão para os que atuam no setor e deorientação para gestores que definem e elaboram políticas públicas. Diante docenário inicialmente observado, relacionaram-se algumas questões básicas queserviriam de subsídio para a elaboração do roteiro de pesquisa, quais sejam: a) qual a área de ocorrência de carnaubais no Brasil? Qual a área explorada? b) quais os municípios com maior concentração de carnaubais? c) existe um sistema de cultivo para a exploração da carnaúba? d) quais os principais produtos da carnaúba? Por extrativismo, entende-se como sendo “o processo de exploração dos recursos vegetais nativos que compreende a coleta ou apanha de produtos como madeiras, látex, sementes, fibras, frutos e raízes, entre outros, de forma racional, permitindo a obtenção de produções sustentadas ao longo do tempo, ou de modo primitivo e itinerante, possibilitando, geralmente, apenas uma única produção” (IBGE, 2002). 23
  • 22. e) que novos produtos químicos e/ou naturais são concorrentes da cera? f) que custos de produção são considerados na coleta do pó e no benefi- ciamento da cera? g) qual o nível de tecnologia nos processos de coleta e beneficiamento do pó e da cera? Tem havido modernização? h) qual o nível de organização do setor? Qual o nível de qualificação da mão-de-obra envolvida? i) qual a variação da quantidade e da capacidade instalada das empresas processadoras de cera? j) existem usos alternativos para a planta industrial da carnaúba? k) quais os mercados explorados: local, regional, nacional, internacional? l) quais os quantitativos e preços de mercado praticados ano a ano? Quais os principais concorrentes brasileiros e onde estão instalados? m) existem ou existiram incentivos fiscais à exploração da atividade? Quais? n) existem ou existiram políticas de financiamento da produção? Quais? o) quais os fatores de competitividade do setor extrativista da carnaúba? O presente documento, resultante final do estudo, é dividido em seis capítulos,mais as considerações finais e sugestões para formulação de políticas. No primeiro,consta a metodologia utilizada para a realização do trabalho de investigação; nosegundo, a descrição das características botânicas e fisiológicas da carnaubeira,o tipo de condição edafoclimática ao qual a carnaubeira se adequa, bem comosua distribuição geográfica no Brasil; o terceiro capítulo é dedicado aos principaisprodutos da carnaubeira, suas utilizações e mercado, em especial a cera, principalproduto comercial dessa palmeira; o quarto capítulo refere-se às relações sociaisentre os diversos atores da cadeia produtiva e ao nível de tecnologia utilizadono processo produtivo; no quinto capítulo, são feitas estimativas de custos nasetapas de corte, extração e beneficiamento do pó cerífero; no sexto capítulo, éfeito um resgate histórico das políticas de apoio à atividade, em especial as definanciamento, abordando também a ação de entidades de classe e de organizaçõesnão-governamentais.24
  • 23. 1 – PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Para a realização desta investigação, adotou-se uma abordagem dialética, deacordo com o proposto por Minayo (2002, p. 24), na qual se utiliza ao mesmotempo da pesquisa quantitativa e qualitativa, numa tentativa de abarcar “[...] osistema de relações e o modo de conhecimento exterior do sujeito, mas tambémas representações sociais que traduzem o mundo dos significados”. Essa aborda-gem, por um lado, permite o aprofundamento da análise dos significados, motivos,aspirações, crenças, valores e atitudes, bem como da compreensão das estruturase instituições resultantes da ação humana; por outro, permite que determinadosfatos e fenômenos sejam quantificados, o que admite uma melhor explicaçãodestes, à medida que confere um elemento qualificador a mais. O universo da pesquisa foi o Nordeste brasileiro, focando-se nas áreas deocorrência da carnaubeira associada à existência de atividade extrativista. A coletade informações constou de duas etapas: a primeira, em que se buscaram infor-mações secundárias nas diversas fontes (bibliografia existente, bancos de dados,Internet, documentos oficiais); a segunda constou de uma pesquisa de campo nasprincipais áreas extrativas da carnaúba. A definição das áreas para a realização da pesquisa de campo foi feita combase em alguns critérios: a) os dois municípios com as médias mais elevadas em termos de produção de pó,cera e fibra, nos anos de 2001, 2002 e 2003 (Tabela 1), em cada estado produtor; b) inclusão de municípios ausentes na amostra inicial, mas que se situavamna rota para se chegar aos demais; c) municípios não-apontados na Tabela 1, mas que contavam com indústriasde chapéus e de cera, bem como a concentração de corretores, entidades declasse e de apoio à atividade, os quais, se avaliou, poderiam oferecer contribui-ções importantes para a investigação, em vista do conhecimento sobre a cadeiaprodutiva como um todo. De acordo com dados da Produção Extrativa Vegetal do IBGE referentes aos anos de 2001, 2002 e 2003. Ao iniciar o estudo exploratório (aqui entendido como a fase de construção do projeto de pesquisa, em que houve acesso ao primeiro material bibliográfico e documental), novas situações foram-se colocando, apontando para a limitação do apoio somente nos dados de produção extrativa fornecidos pelo IBGE. Diante dessa nova situação, tomou-se a decisão de expandir a amostra, de forma a abarcar toda essa realidade. 25
  • 24. Tabela 1 – Média da Produção de Pó, Cera e Fibra de Carnaúba nos Anos de 2001, 2002 e 2003 Anos Totais Município 2001 2002 2003 TOTAL Média Campo Maior - PI - [pó] 286 1.588 2.230 4.104 1.368 Piripiri - PI - [pó] 928 810 896 2.634 878 Granja - CE - [pó] 792 807 806 2.405 802 Camocim - CE - [pó] 756 787 785 2.328 776 Batalha - PI - [pó] 255 651 605 1.511 504 Russas - CE - [cera] 600 720 750 2.070 690 Granja - CE - [cera] 314 320 318 952 317 Apodi - RN - [cera] 297 324 276 897 299 Morada Nova – CE - [cera] 300 297 290 887 296 Aracati - CE - [cera] 170 182 191 543 181 Felipe Guerra – RN - [cera] 130 124 128 382 127 Canindé - CE - [fibra] 166 111 715 992 331 São Gonçalo do Amarante - CE 217 221 216 654 218 - [fibra] Pacatuba - CE - [fibra] 90 99 104 293 98 Lavras da Mangabeira - CE - [fibra] 85 86 88 259 86 Granja - CE - [fibra] 85 86 86 257 86 Uruoca - CE - [fibra] 25 25 26 76 25Fonte: IBGE (2002). Assim, durante a pesquisa de campo, foram ouvidos os seguintes atores:trabalhadores do corte da palha, da máquina de bater e da indústria artesanal; ren-deiros descapitalizados e capitalizados; proprietários e responsáveis terceirizadospor máquinas de bater palha; pequenos proprietários descapitalizados; grandesproprietários capitalizados; donos de fábricas artesanais de cera; industriais dacera; industriais-exportadores da cera; corretores; representantes de entidades declasse; industriais da palha (chapéus); donos de indústrias artesanais de vassouras;trabalhadores da indústria artesanal de vassouras e chapéus; representantes deONGs, representantes de institutos de pesquisas e da Universidade. No total,foram realizadas 30 entrevistas. Para a articulação com os diversos atores e agendamento de visitas, contou-secom o conhecimento e a colaboração decisiva dos diversos técnicos de campo eagentes de desenvolvimento do BNB espalhados pelo Nordeste. Foram realizadas26
  • 25. viagens entre novembro de 2005 e março de 2006 para os Estados do Ceará,Piauí e Rio Grande do Norte. A primeira durou do dia 29 de novembro a 2 dedezembro de 2005, partindo-se de Fortaleza com destino aos Vales do Jaguaribe(no Ceará) e do Apodi (no Rio Grande do Norte); a segunda viagem foi realizadaentre os dias 8 e 13 de janeiro de 2006, tendo como destino os Vales do Acaraú(no Ceará), do Parnaíba, do Longá e do Mato (no Piauí). Em Fortaleza, Caucaia eMaracanaú, onde existe uma concentração de indústrias de cera e de corretores,as visitas foram realizadas nos intervalos das demais, entre outubro de 2005 emaio de 2006 (Figura 1).Figura 1 – Roteiro de Viagens durante a Pesquisa de CampoFonte: Elaboração própria. Após a demarcação das áreas a serem visitadas e dos atores a serem ouvi-dos, partiu-se para a definição dos instrumentos de coleta das informações em 27
  • 26. campo. Optou-se pela elaboração de roteiros de entrevistas específicos para cadaum dos atores, abordando as seguintes temáticas: processo produtivo, relaçõesde produção, tecnologia, produtos, mercado, organização, políticas para o setor(financiamento para produção e pesquisa), assistência técnica e carga tributária.Utilizaram-se, também, a observação direta, a participação em seminários e o regis-tro fotográfico de atores, equipamentos, fatos, eventos e momentos consideradossignificativos para a pesquisa. No decorrer do processo, relatórios de cada umadas entrevistas foram elaborados e, ao final, todas as informações sistematizadasem uma matriz temática lógica, seguindo-se uma análise interpretativa e posteriorincorporação ao texto final deste documento.28
  • 27. 2 – CARACTERÍSTICAS AGRONÔMICAS E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA A carnaubeira (Copernicia prunifera (Miller) H. E. Moore) é uma plantanativa do Nordeste brasileiro que, em condições normais, cresce em média cercade 30cm por ano, atingindo a maturidade botânica (primeira floração) entre 12 e15 anos de idade, podendo alcançar uma altura superior a 10 metros e produzirentre 45 e 60 folhas anuais (Foto 1). A planta possui um tronco reto e cilíndrico com diâmetro entre 15 e 25centímetros. Geralmente, ocorre nos pontos mais próximos dos rios, preferindosolos argilosos (pesados), aluviais (de margens de rios) e com a capacidade desuportar alagamento prolongado durante a época de chuvas, além de ser bastanteFoto 1 – Carnaubal no Município de Russas (CE)Fonte: Autores A literatura também traz o nome Copernicia cerifera Mart. É apenas uma de vinte e uma espécies que compõem o gênero Copernicia, nome dado em homenagem ao astrônomo Nicolau Copérnico, devido à copa redonda da palmeira. 29
  • 28. resistente a elevados teores de salinidade. Apresenta também elevada capacidadede adaptação ao calor, suportando 3.000 horas de insolação por ano. SegundoDuque (2004), a idade das palmeiras, o tipo de solo, o clima e a proximidadecom o mar são fatores que influenciam na produção de cera. A densidade dos carnaubais está diretamente relacionada com o teor deargila no solo. Nos solos aluvionares com teores mais altos, há maior ocorrênciada carnaubeira, enquanto nos tabuleiros, fora da calha do rio, o teor de argila nosolo é menor e, em razão disso, os carnaubais são mais escassos e menos densos(ALBUQUERQUE; CESTARO, 1995). As folhas da carnaubeira são dispostas de modo a formar um conjunto esfe-roidal e a copa apresenta tonalidade verde levemente azulada, em conseqüênciada cera que recobre a lâmina, em forma de leque de até 1,5m de comprimento,de superfície plissada com a extremidade segmentada em longos filamentos maisou menos eretos e rígidos (Foto 2). A lâmina da folha é afixada ao tronco porpecíolos rígidos de até 2 metros de comprimento, recobertos parcialmente, prin-cipalmente nos bordos, de espinhos rígidos em forma de “unha-de-gato” (RISCHNETO, 2004). O pó que recobre a palha é uma conseqüência de sua adaptação às regiõessecas, dado que esta camada de pó reflete a luz, o que ameniza danos ao ma-quinário fotossintético, por reduzir o aquecimento das folhas. A camada de pódificulta a perda de água por transpiração e protege a planta contra o ataque defungos (MOREIRA; SILVA, 1974 apud MESQUITA, 2005). Este pó, ao passarpelo processo de cozimento, gera a cera de carnaúba. O principal aproveitamento econômico da carnaúba dá-se pelo corte das fo-lhas, que é feito no período seco (verão), variando, portanto, de julho a dezembro,dependendo da região e da extensão do período sem chuvas. Quando frondosa,a carnaubeira pode chegar a produzir 60 folhas por árvore, o que geralmenteacontece em anos de período chuvoso com boa precipitação pluviométrica. Sobre as características das flores e estames da carnaubeira (Foto 3), Corrêaapud Carvalho (1982) diz que: Deve-se ressaltar que os solos aluviais da caatinga nordestina, em geral, apresentam elevado teor de acidez.30
  • 29. Foto 2 – Folha da Carnaubeira Fonte: Autores. [...] são campanuladas, amareladas, dispostas em espádices de mais de 2m. de comprimento e protegidas por espata tubulo- sa; ovário ligeiramente piloso, estilo relativamente espesso e estigma 3-lobado, estames formando anel carnoso 6-dentado, os dentes correspondendo ovóide-globosa, de 2cm., glabra, luzidia, amarelo-esverdeada, roxo-escura na maturação, com albúmen branco e duro, adocicado, adstringente. A carnaubeira ocorre no Nordeste brasileiro nos vales dos rios da região dacaatinga, principalmente do Parnaíba e seus afluentes (Piauí), do Jaguaribe, doAcaraú e do Cauípe (no Ceará), do Apodi (no Rio Grande do Norte) e do médioSão Francisco. Também pode ser encontrada nos Estados do Pará, Tocantins,Maranhão e Goiás, no entanto, sem produção de pó. Informações sobre a produção brasileira de carnaúba são apresentadas nasTabelas 2 e 3. Os dados são agregados por estados produtores, a partir dos princi-pais produtos extrativos (cera, pó e fibra), numa série de 17 anos (1990 a 2006).Na Tabela 2, é possível observar o somatório desta série, por estado produtor e,na Tabela 3, os mesmos dados, porém desagregados ano a ano. Segundo Carvalho (1982), outra espécie de carnaubeira existe ainda no Paraguai, Argentina e Mato Grosso, sem produção de cera, sob a denominação de Copernicia australis Becc., ou carandá, como é chamada no Centro-Sul brasileiro. Ela também vegeta nos banhados e campos pantanosos. 31
  • 30. Foto 3 – Flores da Carnaubeira Fonte: Autores. Foto 4 – Frutos da Carnaubeira Fonte: Autores. Segundo dados do IBGE (Tabela 2), o produto de maior representatividade noBrasil é o pó (em torno de 220 mil toneladas) que, apesar da queda na produçãodurante a primeira metade dos anos 1990 (Tabela 3), com perda de 39% entre osanos de 1992 e 1996, conseguiu recuperar-se e apresentar uma variação positivano ano de 2006 relativamente aos anos de 2000 (59,7%), 2001 (56,5%), 2002(27,9%), 2003 (16,5%), 2004 (9,8%) e 2005 (0,7%). A produção de cera, no32
  • 31. entanto, experimentou sucessivas quedas de produção, acumulando uma reduçãode 52% no ano de 2006, relativamente a 1990. Queda razoável, também experi-mentou a produção de fibras, que passou de 2.876 toneladas (1990) para 2.298toneladas (2006), equivalendo a uma redução de 20% na produção (Tabela 3). A ocorrência da exploração da carnaubeira para produção de pó cerífero,segundo o IBGE (2008), predomina nos Estados do Piauí e Ceará, conforme sepode observar na Figura 2. A partir do somatório da produção dos anos de 1990a 2006 (Tabela 2), é possível atestar que o Ceará é o primeiro produtor de cera(32.153 toneladas) e o segundo de pó (82.624 toneladas), enquanto a situaçãoinversa ocorre com o Piauí: primeiro produtor de pó (128.528 toneladas) e se-gundo de cera (16.693 toneladas).Tabela 2 – Somatório da Produção Obtida nos Anos de 1990 a 2006, em Toneladas, na Extração de Carnaubeira por Tipo de Produto – Brasil e Unidades da Federação Produto CERA PÓ FIBRA  Estado Quant. % Quant. % Quant. % CE 32.153 48,6 82.624 37,7 34.149 97,6 PI 16.693 25,3 128.528 58,6 0 0,0 RN 16.473 24,9 334 0,2 581 1,7 PB 186 0,3 0 0,0 0 0,0 BA 0 0,0 0 0,0 9 0,0 MA 562 0,9 7.758 3,5 233 0,7 AM 33 0,0 0 0,0 0 0,0 BRASIL 66.100 100,0 219.244 100,0 34.972 100,0Nota: Municípios com percentual zero indicam produção inexpressiva, embora existente, em relação ao total.Fonte: IBGE (2007) Em termos de valores de produção de cera, ao longo do mesmo período(Tabela 4), o Ceará lidera com 46%, seguido por Rio Grande do Norte e Piauí,com participações próximas entre si, 26 e 28%, respectivamente. Há ainda geraçãode valores pela produção de cera no Maranhão, Paraíba, Bahia, Pará e Amazonas,mas em parcela mínima, sem representatividade. Na mesma Tabela, observa-seque, em termos de valores de produção de pó, as posições se invertem: o Piauíé responsável por 54%, o Ceará por 42% e chama atenção o fato de o Maranhãoregistrar maior participação que o Rio Grande do Norte, já que este, tradicional-mente, é o estado citado como um dos três produtores de pó e cera da região (e 33
  • 32. 34 Tabela 3 – Quantidade Produzida, em Toneladas, na Extração de Carnaubeira por Tipo de Produto Extrativo (1990 – 2006) - Brasil e Unidades da Federação Pro- Ano UF 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 duto Cera 6.581 6.883 6.531 5.188 4.916 5.228 2.592 2.203 1.959 2.264 2.399 2.883 3.120 3.418 3.600 3.209 3.130 BR Pó 11.611 12.178 12.861 11.538 12.137 12.164 7.782 7.940 8.260 10.774 12.072 12.315 15.079 16.556 17.559 19.143 19.279 Fib. 2.876 2.754 2.667 2.121 1.938 2.078 1.820 2.488 1.904 1.419 1.428 1.384 1.383 1.984 2.165 2.264 2.298 Cera - - - - - - 2 3 3 3 3 3 3 3 3 3 4 AM Pó - - - - - - - - - - - - - - - - - Fib. - - - - - - - - - - - - - - - - - Cera - - - - - - - - - - - - - - - - - PA Pó - 3 - - - - - - - - - - - - - - - Fib. - - 0 - - - - 0 0 - - - - - - - - Cera 16 26 23 20 14 14 42 55 52 39 38 37 37 37 37 37 38 MA Pó 121 159 197 528 655 644 595 479 480 488 485 469 484 474 498 501 501 Fib. - 13 19 21 21 20 28 10 8 14 12 12 11 11 11 11 11 Cera 2.242 3.020 2.863 2.472 2.319 2.456 354 291 304 231 19 122 - - - - - PI Pó 5.771 6.612 6.649 6.285 6.972 6.974 3.765 3.617 4.036 6.652 7.366 7.518 9.994 10.778 11.997 11.733 11.809 Fibra - - - - - - - - - - - - - - - - - Cera 2.069 2.157 2.043 1.572 1.492 1.707 1.310 1.135 911 1.336 1.686 2.018 2.260 2.640 2.850 2.430 2.537 CE Pó 5.702 5.386 5.994 4.708 4.491 4.525 3.404 3.829 3.731 3.622 4.210 4.317 4.595 5.274 5.027 6.877 6.932 Fib. 2.860 2.727 2.638 2.092 1.909 2.051 1.776 2.459 1.880 1.390 1.401 1.356 1.356 1.967 1.991 2.119 2.177 Cera 2.213 1.644 1.573 1.116 1.083 1.044 873 710 682 647 645 696 818 735 707 737 550 RN Pó 17 18 21 17 19 22 17 14 13 12 10 12 5 30 37 33 37 Fib. 12 11 9 8 7 7 16 19 15 16 16 16 16 6 163 134 110 Cera 40 36 28 8 8 7 10 10 8 8 8 6 2 2 2 2 1 PB Pó - - - - - - 0 0 - - - - - - - - - Fib. - - - - - - - - - - - - - - - - - Cera - - - - - - - - - - - - - - - - - BA Pó - - - - - - - - - - - - - - - - - Fib. 5 4 - - - - - - - - - - - - - - - Nota: Os municípios sem informação para, pelo menos, um produto da extração da carnaúba não aparecem nas listas. No Piauí, a fonte não revela dados de produção para fibra nem para cera (no período 2002 a 2006). Fonte: IBGE (2007)
  • 33. Figura 2 – Mapa de Ocorrência de Carnaúba (Fibra ou Pó, ou Cera) na Área de Atuação do BNB, no Ano de 2006 Fonte: IBGE (2007)do planeta). Nas viagens de campo, constatou-se que a produção de pó no Piauíé bem mais forte do que mostram os dados do IBGE, embora não se registre aexistência das fábricas artesanais de cera tão comuns nos Estados do Ceará e RioGrande do Norte. Os dados relativos ao Rio Grande do Norte e Maranhão, noentanto, suscitam dúvidas. Quanto à fibra de carnaúba, o levantamento do IBGE coloca o Ceará comoo gerador de valor quase absoluto, cabendo uma pequena fração ao Rio Grandedo Norte, Bahia e Maranhão. No Ceará, são encontrados carnaubais em diversas regiões, tanto no sertãoquanto no litoral. No litoral, em virtude da implantação dos perímetros irrigados àsmargens dos rios, bem como do desenvolvimento da carcinicultura, perderam-segrandes quantidades de árvores de carnaúba, conforme explícito no documento daSecretaria de Desenvolvimento Econômico (CEARÁ, 2003). A maior ocorrênciase dá nos vales dos rios Jaguaribe e Acaraú. 35
  • 34. Tabela 4 – Somatório do Valor da Produção nos Anos de 1990 a 2006, na Extração da Carnaubeira por Tipo de Produto Extrativo – Brasil e Unidades da FederaçãoValores em mil reais de 2007 Produto CERA PÓ FIBRA  Estado Valor % Valor % Valor % CE 197.295 45,4 318.240 41,6 23.112 97,8 PI 121.137 27,8 410.581 53,8 0 0,0 RN 111.491 25,6 1.039 0,1 203 1,0 PB 722 0,2 0 0,0 0 0,0 BA 0 0,0 0 0,0 37 0,1 MA 4.411 1,0 34.368 4,5 279 1,1 AM 75 0,0 0 0,0 0 0,0 PA 0 0,0 5 0,0 0 0,0 BRASIL 435.131 100,0 764.233 100,0 23.631 100,0Nota: Os municípios sem informação para, pelo menos, um produto da extração da carnaúba não aparecem nas listas.Fonte: IBGE (2007) No Vale do Jaguaribe, até a década de 1970, a economia girava em tornoda carnaúba. Foi durante esse período que a carnaubeira se expandiu para alémdas várzeas, chegando à caatinga por meio de plantios feitos entre as linhas deplantações de feijão. No Distrito de Flores, em Russas, conforme se pode obser-var (Foto 5), vários campos de carnaúba implantados ainda permanecem nos diasatuais. Diversas famílias da região, a exemplo dos Estácios, dos Jerônimos e dosRemígios, extraíam suas riquezas da carnaubeira. Ainda na década de 1970, com a implantação do Promovale, programa dogoverno estadual que utilizou recursos do Provárzeas, houve uma grande devas-tação de carnaubais para implantação de culturas irrigadas, principalmente nosmunicípios de Limoeiro do Norte e Morada Nova, reduzindo significativamente aocorrência de carnaubais nesses dois municípios. Valores atualizados pelo IPCA do IBGE, tomando como índice inicial o do mês de junho de cada ano, cujo valor será atualizado e, como final, o mês de dezembro de 2007, utilizando metodologia de atualização disponível na página da Internet do Bacen (2007). Escolheu-se como mês final dezembro de 2007, por refletir um valor mais próximo do dos dias atuais; se a atualização ocorresse somente no período em foco, 1990-2006, os valores já estariam desatualizados em mais de um ano.36
  • 35. Foto 5 – Carnaubal Plantado em Russas, CE Fonte: Autores. Mais recentemente, com a implantação do Projeto de Irrigação Chapadõesde Russas, várias áreas de carnaubais foram eliminadas, para instalação de culturasirrigadas, principalmente arroz. Referido projeto ainda se encontra em implanta-ção e, portanto, continua contribuindo para a erradicação de diversos carnaubaisno Vale do Jaguaribe. Isso pode ser percebido facilmente até quando se transitapelas estradas da região (Foto 6). Apesar da proibição do Ibama, ainda hoje seobservam queimadas, mesmo às margens das estradas. De acordo com dados do IBGE para 2006, a maior produção de pó no Cearáé observada, na ordem, nos municípios de Moraújo, Granja, Camocim, Coreaú,Santana do Acaraú e Morrinhos. Na produção de cera, destacam-se os municípiosde Russas, Granja, Morada Nova, Aracati, Cariré e Santana do Acaraú. A utiliza-ção de fibra tem mais importância nos municípios de Canindé, São Gonçalo doAmarante e Pacatuba. O município de Sobral, embora não apareça com represen-tatividade nos dados do IBGE, em termos de produção de fibra, possui 10 fábricasde chapéus legalmente constituídas, além de outras informais e de menor porte,as quais contam com fornecedores de palha em vários municípios de toda a regiãoadjacente. De acordo com informações obtidas em campo, no Vale do Acaraú,20% das palhas do tipo “olho” são destinados à produção de chapéus. Algumaspropriedades rurais com carnaubais não estão sendo exploradas, em virtude de Ver no subitem 4.1, a definição de palha tipo “olho”. 37
  • 36. Foto 6 – Queimada de Carnaubal em Limoeiro do Norte, CE Fonte: Autores.os donos serem absenteístas e desenvolverem atividades urbanas, sem interesseno extrativismo da carnaúba. Dessa forma, não as exploram e não as arrendam aterceiros, alegando que a atividade não é lucrativa. A inviabilidade econômica, noentanto, não estimulou a devastação da carnaúba na região de Sobral. Aliás, emtodo o Vale do Acaraú, não se observa a derrubada de carnaubais. Outra região do Ceará sem representatividade nos dados do IBGE, mas comocorrência de carnaubais e produção de pó significativa é o Vale do Rio Cauípe,no município de Caucaia, onde se observou a existência de diversas indústriasartesanais de cera e cerca de 30 mil hectares de carnaubais nativos, ainda nãototalmente explorados. Segundo relatos, essa é a região que produz a cera demelhor qualidade no Estado. Segundo afirmação de entrevistados, nessa regiãotambém não ocorre a devastação dos carnaubais. Verifica-se uma grande preo-cupação, por parte daqueles que a exploram, com a preservação, principalmenteem virtude de sua grande importância econômica para a população local, poisgrande parte tem o sustento (sobrevivência) na exploração da carnaúba. Comoafirmou um entrevistado, “Sem ela, o que seria o povo de Catuana? Por viveremdela, sabem do seu valor e não a devastam”. Trata-se de região pobre, na quala produção agrícola é puramente de subsistência. Assim, a extração da cera decarnaúba é a principal atividade econômica local. No Piauí, os campos de carnaubais ocorrem principalmente em grandespropriedades, associados a culturas de subsistência. Os principais pólos de38
  • 37. ocorrência de carnaubais no Piauí são as microrregiões de Campo Maior, BaixoParnaíba Piauiense, Litoral Piauiense, Valença do Piauí, Alto Médio Canindé, Picose Floriano. De acordo com dados do IBGE para 2006, os principais municípiosprodutores de pó no Estado do Piauí são, na ordem, Campo Maior, Piripiri, Picos,Piracuruca, Batalha e Castelo do Piauí. Importante observar que, embora o IBGEnão apresente dados de produção de cera ou fibra no estado do Piauí, a publicaçãoPIAUÍ (2002) coloca a produção de cera nesse Estado com uma representaçãode 87% do total produzido no Brasil e 40 a 50% da produção nordestina. Omesmo documento cita a cera de carnaúba como o principal produto da pautade exportações do Estado do Piauí. No município de Campo Maior (PI), existem grandes extensões de carnaubaisnativos de diversas densidades. Por tamanha representatividade, o município éconhecido pela alcunha de “Terra dos Carnaubais”. Conforme informações doprojeto Mapeamento Espacial e Zoneamento da Carnaúba no Piauí (REALIZA-DO..., 2005), realizado em 2005 por pesquisadores da Universidade Federal doPiauí, a carnaúba está presente em 140 dos 223 municípios do Estado. Segundoeste levantamento, Luzilândia é o município que se destaca com a maior área deocorrência com carnaúba (31,39%), seguido de Joaquim Pires (26,78%) e CampoMaior (24,6%). Em números absolutos, porém, é em Campo Maior que existe amaior cobertura de área com carnaúba (409,36km²), seguido por Joaquim Pires(204,25km²) e Luzilândia (231km2). No Rio Grande do Norte, a carnaúba era nativa do Vale do Assu. SegundoAndrade (1986) apud. Alburque e Cestaro (1995), na várzea do Assu, no iníciodos anos 1960, havia seis milhões de carnaubeiras ocupando uma área de 25 milhectares, mais de 62% da várzea. A densidade em determinados trechos era tãoalta que mal podia-se caminhar pelo carnaubal. Restou pouco dos carnaubais nativos porque eles deram lugar às culturas“nobres” ou mais rentáveis, com a transferência gradual dos trabalhadores paraestas novas atividades. Muitas das pequenas usinas que elaboravam a cera fecha-ram as portas e, com elas, as casas comerciais exportadoras. Restou apenas ovocativo para a região, a terra dos carnaubais, que passou a ser de Campo Maior(PI). As culturas extrativistas deram lugar às exploradas racionalmente (melão, uva,maracujá, mamão e uva), com apoio da técnica, sendo tal passagem sustentadano fato que os produtos emergentes são mais rentáveis e atrativos para o capita-lista. Em meados dos anos 1980, já se dizia que o extrativismo da carnaúba, no 39
  • 38. Estado, era uma atividade em extinção. Se cultivada, uma plantação de carnaúbasó poderia ser explorada pelo menos oito anos depois, tempo mais que suficientepara outras atividades econômicas atraírem capital e impedirem o desenvolvimentoda atividade carnaubeira. Com esse baixo grau de competitividade, a introduçãode outras culturas é facilitada (CRUZ, 1995). Com a substituição da cera por sintéticos derivados do petróleo, a produção foidrasticamente reduzida e a carnaúba passou a ser utilizada para fabricação de lenha ecarvão e para alimentar outras atividades produtivas do vale (VALÊNCIO, 1995). A construção da barragem Armando Ribeiro Gonçalves, no Vale do Assu, queé “maior que a do Orós, no Ceará” e “duas vezes superior à Baía de Guanabara”,trouxe consigo a destruição do município de São Rafael, obrigando a transferênciada população de dez mil habitantes, o soterramento de um potencial de recursosminerais e arqueológicos, além de vastos carnaubais. A barragem era parte doprojeto de irrigação do Baixo Assu, comandado pelo Dnocs no final da décadade 1970. Este reservatório tem capacidade de armazenamento de 2,4 bilhões demetros cúbicos, complementado por um perímetro público de irrigação de 9 milhectares (ARANHA, 1995). O lago da barragem inundou 13.135 hectares de ca-atinga hiperxerófila e 5.750 hectares de carnaúba e, na área do perímetro irrigado,eliminou 2.620 hectares de caatinga e 4.370 hectares de carnaúba, perfazendoentão quase 10.000 hectares de carnaúbas submersas (VALÊNCIO, 1995). Com a perenização do rio Piranhas-Assu, depois da construção da barragemArmando Gonçalves, houve condições para o desenvolvimento da agricultura ir-rigada do vale. Muitas empresas agrícolas se instalaram no Estado do Rio Grandedo Norte para explorar a fruticultura tropical à custa de incentivos fiscais, quedeveriam ser pagos com uma suposta geração de muitos empregos. O que hou-ve, na realidade, foi uma rápida destruição de carnaubais. Além disso, a práticainadequada da agricultura irrigada elevou a salinização dos solos (CARVALHO,1992 apud ALBUQUERQUE; CESTARO, 1995). As áreas mais atingidas por essa redução encontram-se nos municípiosde Assu, Ipanguaçu e Carnaubais, já que eles foram os mais favorecidos com aintrodução da agricultura comercial no vale do Açu na década de 1980. Algunsdados comprovam: em 1966, havia uma área de 447km2 ocupados por carnaubais,que, em 1988, restringiam-se a cerca de 194km2, uma queda de 56% em apenas22 anos. Uma ação devastadora que ocorreu numa taxa média de 11km2/ano,40
  • 39. que, se mantendo, extinguiria todo o carnaubal em 18 anos (ALBUQUERQUE;CESTARO, 1995). Atualmente, de acordo com os dados do IBGE para 2006, os municípiosde Apodi, Felipe Guerra e Açu são os principais produtores de cera de carnaúba.Observações locais confirmam tais municípios como maiores produtores de cera, aolado de Mossoró, Carnaubais e Ipanguaçu; apenas o município de Triunfo Potiguartem produção expressiva de fibra (Figura 2), acompanhado de cinco outros comprodução irrisória. De acordo com a fonte IBGE, registra-se produção irrisória depó nesse Estado no ano de 2004, dado contestável pela realidade verificada durantea pesquisa de campo, em que se observou a ocorrência de carnaubais e extraçãode pó nos municípios de Mossoró, Apodi e Felipe Guerra. Importante registrarque, apesar de tamanha devastação de carnaubais nesse Estado, atualmente seobservam campos com espera de corte por dois e até três anos. O cultivo de camarão também é uma atividade que, em muitas áreas dessesmunicípios, ocupou o lugar dos carnaubais. A carnaubeira é uma planta resistente a pragas e doenças. De pragas naturais,existem relatos sobre o gafanhoto, que, de vez em quando, danifica a palha, etambém o parasitismo de uma trepadeira de origem africana (Cryptostegia gran-diflora R, Br.), conhecida por “boca-de-leão”, “unha-de-moça”, “viúva-alegre”ou “banana-braba”, dependendo da região. Esta trepadeira pode chegar a matara planta ao tornar-se sua hospedeira. No Vale do Jaguaribe, não se ouviram relatos da existência da “boca-de-leão”,em virtude de sua rara ocorrência. Os predadores naturais também são raros.Relatos foram feitos sobre uma lagarta e gafanhotos gigantes, os quais teriamatacado alguns carnaubais há alguns anos. Observou-se, porém que são pragasisoladas, não recorrentes, conforme constatado durante pesquisa de campo. Nas regiões visitadas do Piauí, não há registro da invasora “boca-de-leão”,por lá chamada de banana-braba. No entanto, essa trepadeira ocorre freqüentemente em carnaubais da regiãode Felipe Guerra, no Rio Grande do Norte (Foto 7), e em algumas regiões donoroeste cearense, como em Granja. Segundo informação da Embrapa, até 2002, apenas o fungo Pseudocercosporacoperniciae Braun Freire havia sido catalogado como patógeno da carnaúba, 41
  • 40. causando manchas foliares (BRAUN; FREIRE, 2002 apud FREIRE; BARGUIL,2006). No entanto, outros estudos, ainda não publicados, conduziram análisessobre a presença dos fungos Aspergillus niger, Cladosporium cladosporioides ePenicillium citrinum no endosperma de frutos da carnaubeira. Durante a quadra invernosa de 2006, foi detectada uma infecção generalizadaem frutos de carnaubeiras adultas, no município de Chorozinho (CE), causando umaqueda drástica dos frutos. O isolamento do patógeno aconteceu no laboratório deFitopatologia da Embrapa Agroindústria Tropical, e o exame microscópico reveloutratar-se de espécie do gênero Colletotrichum. Esta foi a primeira constatação daocorrência de antracnose em frutos de carnaubeira no Brasil (FREIRE; BARGUIL,2006). Durante a pesquisa de campo, nada se ouviu a respeito das patologiasrelatadas no comunicado técnico da Embrapa. Foto 7 – Boca-de-leão em Felipe Guerra, RN Fonte: Autores.42
  • 41. 3 – PRODUTOS DA CARNAUBEIRA: USOS E MERCADO Da carnaubeira tudo se aproveita. Sem esquecer que a planta é tambémutilizada na arborização urbana e no paisagismo de praças e jardins, dela se apro-veita da raiz ao broto terminal. Apesar disso, sob o ponto de vista econômico,praticamente não houve avanços. Carvalho (1982), ao comparar o contido nosescritos de M. A. Macedo, de 1855 e 1867, com a situação que observava em1935, chegou à conclusão que pouca mudança havia ocorrido entre um períodoe outro. Essa observação continua válida para os dias atuais.3.1 – A Raiz Em ampla revisão bibliográfica sobre as utilidades da raiz da carnaubeira,Carvalho (1982) encontrou referências sobre propriedades medicinais, das quaisos próprios indígenas já tinham conhecimento, pois a usavam freqüentemente paracurar afecções cutâneas. O autor cita também sua utilização, na forma de chá,como depurativo e diurético, bem como no tratamento de sífilis e reumatismo,adicionada em xaropes. Johnson (1972) também cita o uso das raízes como diu-rético e depurativo. De fato, nas casas de produtos naturais, em Fortaleza (CE),encontrou-se um xarope composto de 11 plantas medicinais, dentre as quais araiz de carnaúba (Foto 8). Este produto, denominado de “Carnaúba Composta”,é um fitoterápico produzido pela “Divisão de Manipulação Homeopática” de umaindústria de produtos naturais da cidade de Suzano, São Paulo. O “Composto” Foto 8 – Xarope Composto com Raiz da Carnaubeira Fonte: Autores. 43
  • 42. é indicado como medicamento auxiliar no tratamento de doenças como sífilis,gota, reumatismo agudo e crônico, pele ressecada, doenças venéreas, além dedepurativo e diurético, dentre outras indicações. Das cinzas das raízes, é possível extrair o sal, que pode substituir o sal-de-cozinha, o qual também seria utilizado pelos indígenas e sertanejos em áreas deocorrência da palmeira. Johnson (1972) informa que pedaços de raízes podemser queimados e as cinzas geradas utilizadas como sal em alimentos. Este sal foianalisado pelos químicos Theodor e Gustavo Peckolt e apresentou em sua com-posição elevado teor de cloro, sódio e potássio, conforme mostrado na Tabela5 a seguir.Tabela 5 – Composição da Cinza das Raízes da Carnaubeira: dados em percentuais Componentes Proporção (%) Água 18,539 Ácido carbônico 1,109 Cloro 37,666 Ácido sulfúrico 6,456 Magnésia 0,142 Cal 0,032 Potassa 13,679 Soda 21,511 Sílica, substâncias orgânicas etc. 0,850Fonte: Carvalho (1982, p. 22)3.2 – O Palmito O palmito da carnaúba (broto terminal), conhecido em algumas regiões comobarriga-amarela, é comestível (Foto 9). Embora se saiba que a sua retirada provocaa morte da palmeira, existem relatos de sua utilização como alimentação humana ede animais. Johnson (1972), assim como Macedo apud Carvalho (1982), refere-seà utilização do palmito como alimento para diferentes animais e na alimentaçãohumana (na forma de goma) durante a seca de 1845. Em sua composição, segundoanálise realizada por Peckolt apud Carvalho (1982), encontram-se lecitinas, fósforo De acordo com publicação de 1934 dos pesquisadores, citada por Carvalho (1982).44
  • 43. e sais minerais úteis na composição de alimentos para pessoas convalescentes emulheres em período de lactação. Foto 9 – Broto Terminal da Folha da Carnaubeira Fonte: Autores.3.3 – O Fruto (amêndoa) Na forma de cacho e com aparência preta (quando maduro) e esverdeada(quando ainda não atingiu a maturação), o fruto da carnaubeira é composto porcasca e amêndoa (Foto 10). Na amêndoa encontram-se a polpa e o caroço. Apolpa, quando maduro o fruto, tem sabor adocicado e é bastante apreciada porcrianças. Daí se extraem uma espécie de farinha e um leite que, à semelhança doleite extraído do babaçu, pode substituir o leite do coco-da-baía na alimentaçãohumana. O óleo extraído da amêndoa é comestível e pode ser utilizado na ali-mentação humana. O caroço é basicamente aproveitado pelos animais de criação.Torrado e moído, pode ser utilizado na composição de mingaus e em substituiçãoao café na alimentação humana (CARVALHO, 1982; RISCH NETO, 2004). Outrapossibilidade de utilização do fruto se delineia a partir de pesquisa atualmente emdesenvolvimento pela Embrapa-Agroindústria Tropical. Trata-se da produção de 45
  • 44. geléia da polpa, que já se encontra em fase de teste sensorial. O caroço poderiafuncionar também como excelente combustível, de interesse, inclusive, dos paísesdesenvolvidos, onde é maior a preocupação com a preservação ambiental. Noentanto, somente o desenvolvimento de pesquisas poderá lançar luzes sobre asdiversas possibilidades de uso que pode ou poderia ter. Foto 10 – Frutos da Carnaubeira Fonte: Autores.3.4 – A Folha (palha) A palha (folha seca), depois da cera, é o produto da carnaúba que tem maisimportância econômica no Nordeste, principalmente na produção artesanal. Aatividade artesanal existe nos três estados produtores, aproveitando a palha naconfecção de inúmeros objetos como tarrafas, escovas, cordas, chapéus, bolsas,vassouras, cestas, assentos de cadeiras e sofás, colchões, redes e esteiras, alémde sua utilização em cobertura de construções rústicas e como adubo, se triturada(Fotos 11, 12 e 13). No Ceará, existem arranjos produtivos de artesanato de carnaúba nosmunicípios de Palhano (conhecida pela alcunha de terra da palha) e Itaiçaba.Ambos municípios possuem tradição na atividade, produzindo artigos comofruteiras, jogos americanos, cestas para café da manhã, porta-copos, travessas,bolsas e cestas, descansos de prato, até luminárias, com preços que variam deR$ 0,25 a R$ 18,00. Nestes arranjos, de acordo com o Ipece (2001; 2002),o governo estadual tem atuado no sentido de organizar e capacitar os artesãos,46
  • 45. Foto 11 – Confecção Artesanal Foto 12 – Artesanato de Palha em Jericoacoara (CE) de Vassouras em Fonte: Autores. Felipe Guerra (RN)Fonte: Autores. Foto 13 – Coberta com Palha de Carnaúba em Jericoacoara (CE) Fonte: Autores.a fim de solucionar os problemas envolvendo produção, compra de insumos,armazenamento de matéria-prima e produtos finais, capital de giro e comercia-lização dos produtos. As peças apresentadas na Foto 14 são produzidas por um artista francês que viveem Canoa Quebrada (CE). São peças decorativas, confeccionadas a partir do talo da 47
  • 46. folha de carnaúba. Em entrevista, o artista afirmou que desde 1995 trabalha com talode carnaúba, uma excelente alternativa de material reciclável que permite desenvolvera criatividade, diante da grande riqueza e diversidade de opções de uso. Foto 14 – Peças Decorativas de Talo de Carnaubeira Fonte: Autores. Ainda no Ceará, no Sobral, existe uma concentração de fábricas de chapéusde palha, as quais são responsáveis pela exportação para estados como SãoPaulo e Amazonas, e países como Argentina, Venezuela e Espanha (Foto 15).O chapéu é confeccionado a partir da palha-olho, sendo que, de cada olho, épossível produzir um chapéu simples. Existe uma prática entre empresários daatividade de terceirizar a produção do chapéu cru (ou chapéu bruto). Por meiode um agenciador, o empresário faz a palha chegar a diversos trabalhadores (emgeral, mulheres), os quais produzem as peças em suas residências, no meio ru-ral, recebendo entre 0,25 e R$ 0,65 por cada uma, dependendo do modelo. Jána fábrica, as peças passam por um processo de acabamento antes de seguirempara o mercado consumidor, sendo vendido por preços que variam de R$ 0,40a R$ 2,00, dependendo do modelo. Para garantir a oferta de palha que serve dematéria-prima, alguns empresários financiam rendeiros na fase do corte da folha.O processo de preparação da palha para produção de chapéus é totalmente ma-nual, já que ela, quando submetida à máquina de triturar para extração do pó,fica inutilizada para o artesanato.48
  • 47. Foto 15 – Chapéus em Fase de Acabamento numa Fábrica Localizada em Sobral (CE) Fonte: Autores. No Rio Grande do Norte, o artesanato de palha de carnaúba predominanas regiões de Trairi e no vale do rio Assu, com trabalhos de destaque nascidades de Assu, Ipanguaçu, Upanema, São Rafael, Pedro Avelino, São José deCampestre, e zona metropolitana de Natal. A carnaúba é uma das maiores fontesde matéria-prima para o artesanato do estado. O processo de preparação da palhaé totalmente manual, desde sua coleta à elaboração de vários tipos de tranças,esteiras e produtos intermediários, que entram na confecção de utensílios de mesa,bolsas, cestas, baús e chapéus (SINE-RN, 2005). Nesse estado, o artesanato de palha de carnaúba teve sua origem nas co-munidades indígenas que habitavam as terras antes da invasão européia. Teve seuapogeu nas décadas de 1930 e 1940, tornando-se uma grande força econômicado Vale do Assu, região onde atualmente se desenvolvem várias culturas atravésdo sistema de irrigação e de muitas riquezas naturais (COUTINHO, 2006). No Piauí, a palha de carnaúba é muito utilizada no artesanato de cestaria, trança-dos e tapetes, no município de Ilha Grande de Santa Isabel. Pedro II é um importantecentro de produção de tecelagem manual no estado, produzindo mantas, tapetese bolsas. Em Parnaíba, no Porto das Barcas, encontra-se artesanato de cestarias,móveis e peças decorativas feitos com talos de carnaúba (Fotos 16 e 17). Outra utilização que pode ter a palha de carnaúba é na indústria de papel.Macedo apud Carvalho (1982), já em 1855, fazia recomendações nesse sentido. 49
  • 48. Foto 16 – Artesanato de Cestarias e Móveis de Carnaúba (Porto das Barcas, Parnaíba – PI) Fonte: Autores. Foto 17 – Peças Decorativas de Talos de Carnaúba (Porto das Barcas, Parnaíba – PI) Fonte: Autores.No entanto, só recentemente, o assunto despertou o interesse de estudiosos.A professora Tereza Neuma de Castro Dantas, da Universidade Federal do RioGrande do Norte, vem realizando pesquisas com a produção artesanal de papela partir da palha, utilizando a técnica da reciclagem, cujos resultados são anima-dores (Foto 18). Quando triturada, na forma de bagana, a palha pode ser utilizada comoalimentação de ovinos e também como excelente fertilizante agrícola, no preparo50
  • 49. Foto 18 – Papel Artesanal de Palha de Carnaúba Fonte: Autores.da terra das culturas de subsistência (feijão e milho) e frutícolas. Essa qualidadeela adquire após o processo de secagem ao sol e trituração mecânica. Segundopesquisa conduzida pela Embrapa, o uso da palha ou bagana de carnaúba permiteque o pomar cresça mais rapidamente, com maior uniformidade e precocidade.A bagana decompõe-se rapidamente, apresentando baixa relação entre carbonoe hidrogênio, e assegura maior umidade e menor temperatura do terreno. Destaforma, garante-se a produtividade e a fertilidade do solo, além da melhoria daqualidade da fruta cultivada (SNA, 1999). Da palha, é ainda possível extrair um sal e um álcali (empregado no fabri-co de sabão), sobre os quais pouco se sabe, por falta de estudos específicos(GICO, 1995).3.5 – O Caule (tronco) O tronco da carnaubeira é bastante resistente ao esmagamento e tem gran-de durabilidade em quaisquer obras expostas ou imersas na água salgada. Umavantagem é que não é suscetível ao cupim. Quando maduro, o tronco da carnaubeira também tem grande utilização,principalmente na construção civil, na forma de vigamentos, cata-ventos, mesas,portas, cobertas, caibros e ripas, currais, porteiras e lenha para combustão. Devidoà sua durabilidade na água salgada, pode ser também utilizado na construção depostes, pontes e mourões de cercas. Trabalhado ou serrado, pode ser utilizadona confecção de artefatos torneados (bengalas, utensílios domésticos, caixas) e 51
  • 50. móveis rústicos, devido à forma cilíndrica retilínea e à resistência de sua madeiraaos agentes naturais (chuvas e salinidade) e biológicos (cupim e outros insetos).Johnson (1972) relata sobre a utilização do tronco também em prensas paramandioca. Em publicações de 1855 e 1867, Macedo apud Carvalho (1982) registra suaadmiração pelo elevado uso que é dado ao tronco da carnaubeira na construçãocivil de algumas cidades cearenses: 2/3 das construções de Aracati, metade dasconstruções de Icó e 1/3 das construções de Crato. No decorrer do século passado, a utilidade da carnaubeira como fonteprodutora de cera se sobrepôs ao seu uso como fonte de madeira, ficando esterestrito à construção civil nas áreas de grande ocorrência natural. A carnaubeira tem tido também muita utilização no paisagismo: em Fortale-za, várias avenidas, espaços de passeio, estacionamento de lojas e condomíniosestão ornamentados com a palmeira, o que supõe, pelo seu lento crescimento,que elas tenham sido transplantadas de seus locais de origem, o que obviamenteanula sua utilidade de produtora de pó e de palhas para o artesanato. É certo quenem sempre os cuidados devidos são tomados no transplante e manutenção dacarnaubeira nos novos locais (como observar o solo em que serão recolocadas),o que pode causar a morte da palmeira.3.6 – A Cera A cera, obtida do pó que recobre as folhas, é considerada o principal produtoda carnaubeira. No passado, teve grande importância como produto de exporta-ção; além disso, foi muito utilizada na iluminação de casas, sob a forma de velas,principalmente no meio rural nordestino. Apesar de ter sido substituída totalmente ou em parte, na composiçãode alguns produtos (Apêndice D), atualmente, a cera ainda é empregada nacomposição de diversos outros. Na área médica, é utilizada em revestimentode cápsulas, cera dental, produtos de tratamento de cabelo e pele. É empre-gada também em cosméticos (batom, rímel e creme de barbear) e produtosde limpeza, filmes plásticos, adesivos e fotográficos; utilizada na confecção devernizes, tintas, esmaltes, lubrificantes, sabonetes, isolantes, graxas de sapatoe para polimento (pisos e carros), bem como na composição de revestimentos,52
  • 51. laqueadores e impermeabilizantes. Na papelaria, é componente para fabricaçãode papel-carbono, lápis de cera, cola, grafite. Na informática, é componentena confecção de chips, tonners de impressoras e código de barra. Outrasindústrias que a utilizam: alimentícia (polimento de frutas e queijos, goma demascar, doces, refrigerantes); automobilística (capas de assento de automóveise polimento de pintura); cerâmica; explosivos e fósforo (com auxílio do ácidopícrico, substância presente na cera); embalagens de papelão para produtos ali-mentícios e revestimento de latas; frutas e flores artificiais, vegetais desidratados;poliéster; borracha e materiais elétricos (CERA..., 2003; CARNAUBEIRA...,2003; MACHADO E CIA, 2004; RISCH NETO, 2004; PONTES INDÚSTRIADE CERA, 2005). A cera de carnaúba é considerada um produto nobre, tendo os mercadosinterno e externo garantidos, principalmente pela exigência cada vez maior porprodutos naturais e ecologicamente corretos. Além da infinidade de aplicações,a extração da cera não causa danos ao meio ambiente, pois as folhas retiradas nacolheita são repostas no ano seguinte, atendendo também a exigência de algunsmercados por produtos de qualidade e base natural. O custo de oportunidadedo trabalho com a extração também é nulo, já que é praticada no período deentressafra de outras culturas. A cera é refinada de acordo com variadas classificações e utilizada indus-trialmente em diversas áreas, em muitos casos, sem substitutos perfeitos, comrelevância na pauta de exportações do Piauí e figurando também, em menorpercentual, nas pautas do Ceará e Rio Grande do Norte (Gráfico 1). A tendênciano Ceará é de discreta elevação no período 2003-2006, mas sem recuperar arepresentatividade que tinha no final da década de 1990. No Piauí, nos mesmosquatro anos, a tendência é de elevação mais pronunciada da cera na pauta deexportações do Estado, fato que se comprova na atenção que o governo estadualtem dedicado ao produto, que só perdeu espaço no período 2003-2005 emvirtude da elevação nas exportações de soja. No Rio Grande do Norte, tanto a tendência de queda como a irrisória par-ticipação do produto na pauta de exportações, durante os oito anos observados,comprovam a decadência que o extrativismo da carnaúba vem sofrendo no Estado.Aparentemente, é perceptível que a importância do produto na pauta de exporta-ções de cada Estado está relacionada ao grau de conservação da palmeira. Apesar 53
  • 52. da Carnaúba ser símbolo do Ceará e a derrubada ser proibida por lei, sabe-se queesta acontece para dar lugar a atividades mais lucrativas, cujos produtos tambémestão presentes na pauta de exportações, como a carcinicultura. Já no Piauí, ondese observou grande densidade de carnaubais conservados (mesmo que alguns nãosejam regularmente explorados) a participação da cera na pauta de exportação ébem mais expressiva. Participação da Cera de Carnaúba na Pauta de Exportações de cada Estado Produtor 40,00 Participação percentual 35,00 30,00 25,00 CE 20,00 PI 15,00 RN 10,00 5,00 0,00 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 AnoGráfico 1 – Participação Percentual (em Relação ao Valor Total de Exportações) da Cera de Carnaúba na Pauta dos Três Estados ProdutoresFonte: Brasil. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (2007). A cera produzida artesanalmente é denominada de cera de origem e classifi-cada em três tipos: amarela ou cera olho, obtida a partir do “pó de olho”; arenosae gorda, obtidas do “pó de olho” (Foto 19). A cera arenosa, de cor verde- acin-zentada, contém 6% de água em média; a cera gorda, de cor negro-esverdeada,difere da arenosa por não conter água em sua composição. Na produção industrial, obtém-se uma cera de melhor qualidade, denomi-nada de cera industrial, classificada também em três tipos: Um, Três e Quatro10(Foto 20). Na Tabela 6 (e Gráfico 2) a seguir, observa-se a produção de cera noBrasil nos anos de 1920 a 2006, exceto 1980 a 1989, por falta de dados.De 1920 a 1972, a tendência é de elevação, chegando ao máximo de 22 miltoneladas. Deste ano em diante, a produção começa a cair, chegando ao nível10 A descrição detalhada da classificação da cera encontra-se nos itens 4.3.1 e 4.3.2.54
  • 53. Foto 19 – Tipos de Cera de OrigemFonte: Autores.Foto 20 – Cera Industrial Tipos Um, Três e Quatro em Escama e AtomizadaFonte: Autores.mais baixo em 1998, com 1.959 toneladas. Mesmo no período da II GuerraMundial (1939-1945), quando foi grande a demanda por cera de carnaúbapela indústria bélica norte-americana, a produção média representou apenas53% da verificada no período 1969-1975, pouco antes do declínio. As secas,apesar de aumentar o período de luminosidade, não aumentam a produçãode cera, ainda que possa ser observado aumento em 1959 e 1971, anos emque sucederam grandes secas11.11 Em ano de inverno ruim (pouca chuva), ocorre redução no número de folhas produzidas, reduzindo, em conseqüência, a quantidade de pó extraída. 55
  • 54. Tabela 6 – Produção de Cera de Carnaúba, em Tonelada, no Brasil – 1920 -1979 /1990-2006 Quant. Quant. Quant. Quant. Ano Ano Ano Quant. (t) Ano Ano (t) (t) (t) (t) 1920 3.514 1940 9.892 1960 10.982 1980 13.071 2000 2.399 1921 3.904 1941 11.326 1961 11.445 1981 12.121 2001 2.883 1922 5.004 1942 8.852 1962 12.102 1982 11.240 2002 3.120 1923 4.341 1943 9.505 1963 11.767 1983 10.423 2003 3.418 1924 4.993 1944 10.719 1964 13.031 1984 9.665 2004 3.600 1925 5.219 1945 12.583 1965 12.729 1985 8.962 2005 3.209 1926 6.123 1946 11.633 1966 12.217 1986 8.310 2006 3.130 1927 7.350 1947 9.083 1967 17.434 1987 7.706 1928 7.735 1948 11.370 1968 17.658 1988 7.146 1929 7.225 1949 9.735 1969 20.135 1989 6.626 1930 7.940 1950 10.625 1970 20.378 1990 6.581 1931 8.321 1951 11.312 1971 21.636 1991 6.883 1932 7.262 1952 10.490 1972 22.120 1992 6.531 1933 8.599 1953 7.686 1973 19.368 1993 5.188 1934 8.059 1954 6.284 1974 19.225 1994 4.916 1935 7.785 1955 5.606 1975 18.103 1995 5.228 1936 10.675 1956 7.799 1976 18.633 1996 2.592 1937 10.577 1957 8.770 1977 16.650 1997 2.203 1938 9.961 1958 8.970 1978 16.700 1998 1.959 1939 11.421 1959 10.179 1979 14.000 1999 2.264Fonte: 1920-1946 – Johnson (1972); 1947-1979 – IBGE apud Casadio (1980); 1990-2006 – IBGE (2007).Nota: Casadio (1980) ressalta que, de 1947 a 1958, o volume de produção aparentemente foi subestimado, e de 1958 a 1979, superestimado. Não foi encontrada nenhuma referência bibliográfica da produção de cera no período 1980-1989. Os números que figuram em itálico nesta tabela foram obtidos da seguinte forma: VF = VP (1 + i)^t, onde VF é valor futuro, VP é valor presente, i é a taxa e t é o tempo. Considerando VP a produção do ano de 1979 e VF a produção de 1990, e o tempo igual a 11 anos (1990-1979), chega-se a uma taxa de -6,63229% por ano na produção. Então, diminui-se a produção de cada ano (de 1979 até 1988) dessa taxa, para obter-se a produção estimada. Apesar de ausentes, os dados de 1980 a 1989 podem ter uma tendênciade baixa, já que a produção de 1979 é de 14 mil toneladas, quando a de 1990não chega a sete mil, uma queda de 50%. Alguns fatores podem ter contribuídopara essa queda: nesse período, observa-se uma redução acentuada no volumede cera exportado (Gráfico 3), bem como no preço médio real (Gráfico 5). Alémdisso, este evento coincide com o fim da política de aquisições e empréstimosgovernamentais para financiamento da safra, por volta de 1985. Nesse período,56
  • 55. 25.000 20.000 Toneladas 15.000 10.000 5.000 0 AnosGráfico 2 – Produção de Cera de Carnaúba, em Tonelada, no Brasil – 1920- 2006Fonte: 1920-1946 – Johnson (1972); 1947-1979 – IBGE apud Casadio (1980); 1990-2006 – IBGE (2007).Nota: Casadio (1980) ressalta que de 1947 a 1958 o volume de produção aparentemente foi subestimado, e de 1958 a 1979, superestimado. Não foi encontrada nenhuma referência bibliográfica da produção de cera no período 1980-1989, e os pontos em vermelho correspondem às projeções realizadas para esse período, conforme nota explicativa da tabela anterior. 18.000 16.000 14.000 T o n e la d a s 12.000 10.000 8.000 6.000 4.000 2.000 0 37 40 49 73 79 82 85 88 91 97 00 43 46 52 55 58 61 64 67 70 76 94 03 06 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 20 20 20 19 19 19 AnosGráfico 3 – Evolução dos Volumes de Cera de Carnaúba Exportados de 1937 a 2006Fonte: D’Alva (2007), citando dados do Anuário Estatístico do Brasil, 1937 a 1969, do Anuário Estatístico do Comércio Exterior, 1970 a 1989, e do Sistema AliceWeb do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.o governo federal adotou uma política de desestímulo à atividade, oferecendoum preço mínimo desvantajoso para o produtor e vendendo o grande estoque decera e pó que possuía. No que se refere a mercado, pode-se citar que internamente existe deman-da principalmente pelos tipos Três e Quatro, direcionada para as indústrias deprodutos de limpeza e polimento. Na fabricação de ceras de polimento paraassoalhos, são utilizados os tipos Três e Quatro da cera de carnaúba, enquantopara o polimento de automóveis e calçados, a cera utilizada é a do Tipo Um, amais cara. Nestes mercados, há três substitutos: o hidrogenado de mamona, a 57
  • 56. parafina e a cera microcristalina. O fato de a formulação dos produtos não serfixa, no mercado de polimento, favorece a substituição da cera de carnaúba poroutros compostos sintéticos ou vegetais, desestimulando o seu consumo. Valeressaltar que o crescente uso da parafina tende a piorar a qualidade do produto(CASADIO, 1980). O preço no mercado interno é mais estável que no mercado externo; oscompradores são de diversos portes, pulverizados. No caso do Piauí, os princi-pais compradores de cera são os Estados do Rio Grande do Sul, Paraná, SantaCatarina, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Amazonas, Goiás e Pará. Valeressaltar também que foi no Piauí onde ocorreu a primeira exportação de cera,em 1894, para Londres e Manchester (PIAUÍ, 2002). O mercado externo é bastante volátil. A demanda advém de indústrias dequímica fina e informática, sendo as ceras do Tipo Um e Três as mais vendidasna Europa. Para os países em desenvolvimento, a cera mais vendida é a do TipoQuatro. Os principais compradores são Estados Unidos, Dinamarca e Espanha 1% 2% 1% 5% 6% ESTADOS UNIDOS DINAMARCA 9% ESPANHA FRANCA URUGUAI ALEMANHA 76% ITALIAGráfico 4 – Principais Países de Destino das Exportações de Cera de Carnaúba (em kg) – Acumulado 2001/2006Fonte: Brasil. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (2007).58
  • 57. (Gráfico 4). Outros importantes compradores são Holanda, Itália, França, México,Espanha, Formosa, Índia, Bélgica, Chile, Reino Unido, Taiwan, China, Paquistãoe África do Sul (PIAUÍ, 2002). Casadio (1980) afirma que, do ponto de vista da demanda, há três mercadosprincipais para a cera de carnaúba: a) cosméticos; b) papel-carbono e c) polimento. No primeiro, a demanda é inelástica (um aumento/redução no preço do quiloda cera tende a gerar uma redução/aumento em menor proporção na quantidadedemandada); nos dois últimos, a demanda aparenta ser elástica (um aumento/re-dução no preço do quilo da cera tende a gerar uma redução/aumento em maiorproporção na quantidade demandada). A inelasticidade do mercado de cosméticos é explicada pelo fato de as suasformulações já virem prontas das matrizes no exterior, sendo muito pequena amargem técnica de alteração, o que não permite mudanças significativas na quan-tidade demandada. Há três substitutos para a cera de carnaúba neste mercado:a cera microcristalina (importada da Alemanha), a cera Montana (importada dosEUA) e as de base parafínica (CASADIO, 1980). No caso do mercado de papel-carbono e de polimento, a demanda é apa-rentemente elástica porque as formulações dos produtos não são fixas, admitindoquantidades de cera variáveis. Para o papel-carbono, a introdução da cera Montanaagrega mais qualidade ao fabrico do papel e a adição do poliéster aumenta suadurabilidade (CASADIO, 1980). A elasticidade cruzada (variação na quantidade demandada de um bem substituto,em razão da variação do preço do bem principal) é baixa para o mercado de cosméticose alta para o mercado de polimento e papel carbono (CASADIO, 1980). Vale dizer,para o mercado de cosméticos, um aumento/redução no preço da cera de carnaúbanão causará um aumento/redução em maior proporção da quantidade procurada deum substituto, enquanto para o mercado de polimento e papel-carbono, o aumento/redução da quantidade procurada do substituto será maior, proporcionalmente, queo aumento/redução do preço verificado na cera de carnaúba. 59
  • 58. Um fator a favor da cera de carnaúba é que sua substituição por ceras sintéticasnunca foi total, ocorrendo parcialmente em algumas atividades, como na indústria fo-nográfica, de polidores e de papel-carbono, não compreendendo a demanda mundial(D’ALVA, 2007). Muito embora o Nordeste seja monopolista na produção de cera decarnaúba, o oligopsônio dos importadores é mais forte economicamente, o que permiteque ditem os preços de compra, depreciando os termos de troca e enfraquecendo oselos mais desprotegidos da cadeia produtiva, proprietários e rendeiros. Da mesma forma que acontecia no passado, os importadores embolsam amaior fatia dos lucros, pois, além de determinarem o preço, agregam valor aotransformar a cera na sua variada gama de aplicações. Produtores, rendeiros eoutros elos que compõem a cadeia são desfavorecidos, devido à menor capa-cidade de articulação e de agregação de valor ao produto in natura. Tal fato seconfirma na trajetória do preço da cera a partir de 1995 (Gráfico 5), quando alibra/peso da cera Tipo Três, a mais comercializada, foi vendida pelas indústriascearenses a U$4,00, o que equivalia, na cotação média da época, a R$ 8,11/kg.Em 1999/2000, a libra/peso só alcançou o preço de US$1,50 (R$ 6,08/kg),tendo sido comercializada em 2003 por US$ 0,75 (R$ 5,07/kg), preço que im-possibilita aos industriais melhor remunerar os produtores e rendeiros (CEARÁ.SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, 2003)12. De acordo comos dados colhidos na pesquisa de campo (novembro/2005 a fevereiro/2006), ospreços médios foram de R$ 10,29/kg para o Tipo Um, R$ 4,04/kg para o TipoTrês e R$ 3,84/kg para o Tipo Quatro. Os tipos atomizados (ver item 4.3.2) sãomais caros: o Tipo Um é vendido por R$ 10,50/kg e o Tipo Três por R$ 4,56/kg,na média das poucas indústrias que os produzem. No auge da II Guerra Mundial, o quilo da cera chegou a valer US$ 26, dadaa sua utilidade não só como insumo de explosivo, mas como lubrificante e protetorde armamentos no inverno (BEZERRA, 2005). A tendência dos preços durantetoda a década de 1960 foi de queda, pois começaram a surgir substitutos. Novaelevação só aconteceu em meados da década de 1970, ainda assim bem menorque a ocorrida na II Guerra, provavelmente devido à crise do petróleo, que en-careceu a matéria-prima de fabricação da cera parafínica, substituta da cera decarnaúba em algumas aplicações.12 Nestes cálculos, foram consideradas as médias obtidas com as cotações existentes na página de Internet do Bacen (2007), que são de R$ 0,92/US$ para o ano de 1995, R$ 1,84/US$ para o período de 01/07/1999 a 30/06/2000 e R$ 3,07/US$ para o ano de 2003.60
  • 59. 30,00 25,00 20,00 U$ 15,00 10,00 5,00 0,00 37 40 43 46 52 55 61 64 67 70 73 76 79 82 88 91 97 00 03 06 49 58 85 94 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 20 20 20 AnosGráfico 5 – Evolução do Preço Médio Real de Cera de Carnaúba – 1937 a 2006Fonte: D’Alva (2007), citando dados do Anuário Estatístico do Brasil, 1937 a 1969, do Anuário Estatístico do Comércio Exterior, 1970 a 1989 e do Sistema Aliceweb do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Os valores em dólares dos preços médios de exportação foram convertidos para preços de 2006 utilizando como fator de correção o Consumer Price Index, índice de correção inflacionária norte-americano calculado pela Autoridade Monetária dos Estados Unidos. Pelo exposto neste capítulo sobre a diversidade de produtos originários dacarnaúba, não é difícil concluir que dela tudo se aproveita. Por outro lado, é ine-gável a observação de que a grande importância econômica é dada à cera, o queremete à necessidade de conhecer sua cadeia produtiva como um todo, a qual, éimportante ressaltar, encerra complexidade. Optou-se, então, por dedicar capítulosespecíficos para análise das etapas do processo produtivo e dos custos em cadauma delas. Assim, no Capítulo 4, a seguir, são apresentados o funcionamento dosistema de produção como um todo e as relações entre os atores que compõemos diversos elos, bem como a tecnologia utilizada; no Capítulo 5, a estimativa decustos e receita em cada uma das etapas de produção. 61
  • 60. 62
  • 61. 4 – PROCESSO PRODUTIVO: ATORES, RELAÇÕES SOCIAIS E TECNOLOGIA A carnaubeira é uma planta de crescimento lento, mas que atinge elevadoporte, o que dificulta a atividade de corte das folhas. Apesar disso, não houveevolução da pesquisa em termos de melhoramento genético de forma a torná-laprecoce, de menor porte e com maior quantidade de folhas; não se registram,também, estudos sobre as possibilidades de consórcio com culturas agrícolas epastagens, ou mesmo o seu potencial na realização de reflorestamento e recupe-ração de áreas salinizadas pelo processo de irrigação13. Experiências sobre o cultivo atual de carnaúba não se verificaram por ocasiãoda pesquisa de campo. Observou-se, no Vale do Jaguaribe (CE), em terrenosmais elevados, a existência de campos de carnaubais plantados, provavelmentena década de 1970, segundo informações locais, devido à valorização da cera epara aproveitar as entrefileiras em plantações de culturas alimentares. Indicaçõessobre plantios no Ceará (início do século XX), Rio Grande do Norte (século XIX)e Piauí (início do século XX), são feitas por Johnson (1972). Com relação aos processos extrativo e industrial da carnaúba, a Figura 3, aseguir, representa o fluxograma, que se inicia com o corte da folha e é concluídocom o refinamento da cera. Estima-se que a atividade no Nordeste (Estados do Piauí, Ceará e Rio Grandedo Norte) ocupe, direta e indiretamente, em torno de 200 mil pessoas, sendoque a maior concentração de ocupações é no período de safra, no campo, nasfases de corte, secagem e extração do pó14. Nas indústrias de cera, o número depessoas ocupadas não ultrapassa mil.13 A Dissertação “Efeito da Salinidade Induzida no Desenvolvimento e Crescimento Inicial de Carnaúba (Copernicia prunifera): suporte à estratégia em solos salinizados”, de autoria de Sâmia Jainara Rocha Holanda, foi defendida recentemente (ano de 2006) no Programa de Desenvolvimento do Meio Ambiente (PRODEMA), da Universidade Federal do Ceará. Trata-se de estudo inicial sobre o comportamento da carnaubeira em diversos níveis de salinização do solo, o que representa uma importante contribuição para futuros trabalhos voltados para a recuperação de áreas salinizadas a partir do reflorestamento com carnaúba.14 Na verdade, o trabalho no extrativismo da carnaúba ocorre durante todo o ano. Segundo depoimento do técnico da Emater-CE (Escritório de Granja), Agrônomo Hélio Mota Dias, essa atividade funciona “como uma escola de samba: quando termina o desfile, começa a trabalhar na fantasia”. No mês de fevereiro já estão sendo fechados os acordos de exploração entre dono da terra e rendeiro; no mês de maio já se observam trabalhadores se organizando para a atividade, buscando a vara de bambu (que, após retirada da mata, é amarrada para ficar reta e exposta ao sol para adquirir leveza), recebendo adiantamento pelo trabalho a realizar a partir de agosto. 63
  • 62. Palmeira de Carnaúba Corte folha Olho Seleção Palha Secagem ao Sol Manual Batenção Mecânica Pó “De Cacete” (mais puro) De Máquina (com impurezas) Palha (Artesanato) Palha (Cobertura solo) Formação de Cera No Local (cera bruta de origem) Por Refinadores Figura 3 - Fluxograma dos Processos Extrativo e Industrial da Carnaúba no Nordeste Brasileiro Fonte: Pesquisa de campo (2006). A cadeia produtiva da carnaúba envolve o proprietário rural (nem sempreprodutor de cera), o rendeiro (arrenda o carnaubal, contrata trabalhadores paraas operações de campo e, às vezes, faz o beneficiamento artesanal – pode sertambém proprietário rural), o trabalhador extrativista (faz o corte e a secagem dapalha), o operador da máquina de bater e ajudantes (fazem o trabalho de separaçãoentre pó e palha), a riscadeira e o batedor de palha (fazem a separação entre pó epalha, quando a extração do pó é manual), o trabalhador da indústria artesanal decera (elabora a cera de origem: prenseiro ou prensador, fogueiro ou cozinhador), oartesão que trabalha com a palha, o fabricante de chapéu ou vassoura, o industrial(ou refinador) da cera (que realiza o beneficiamento ou refino, podendo tambémfazer o papel de exportador), o corretor de exportação, o atravessador, o agiotae o importador. A ilustração a seguir, elaborada por D’alva (2007), representa osatores sociais da cadeia produtiva da atividade (Figura 4). Nos subitens 4.1, 4.2 e 4.3, que se seguem, serão abordados detalhada-mente os aspectos tecnológicos e sociais nos diversos segmentos do processoprodutivo da carnaúba, agrupados em etapas, aqui denominadas de “Etapa 1”,“Etapa 2” e “Etapa 3”.64
  • 63. Figura 4 – Atores Sociais no Processo Produtivo da CarnaúbaFonte: D’alva (2007).4.1 – Etapa 1: arrendamento, corte, transporte e secagem da folha Essa etapa envolve o proprietário rural, o rendeiro e o trabalhador extrati-vista. O arrendamento é resultante de uma negociação entre proprietário e ren-deiro, na qual o rendeiro adquire o direito de explorar o carnaubal pelo períodode uma safra. A determinação do valor do arrendamento é feita com base “noolho”, conforme declararam, em entrevista, os próprios rendeiros. O termo, naverdade, é uma representação simbólica de um acordo informal entre rendeiro eproprietário, que tem como base a quantidade de palhas medida em milheiros,levando em conta as condições de acesso, a distribuição e o porte das árvores,o tempo entre o último corte e o próximo (período de descanso) e as condiçõesdo solo. A condição socioeconômica do rendeiro e do proprietário (as quais sãoresponsáveis pelo maior ou menor poder de barganha de cada um na negociação)também influencia na definição do valor final do arrendamento. Dependendo decomo se apresenta a situação decorrente da composição de todos estes fatores,o valor do arrendamento pode variar de R$ 2,00 a R$ 7,00 por milheiro e podeser feito em dinheiro ou na forma de pó, conforme se apurou no ano de 2006. Historicamente, o rendeiro tem sido financiado pelos refinadores ou poragiotas e atravessadores, sendo submetido às condições de preço e pagamentopor eles definidas. Nos últimos anos, alguns refinadores deixaram de financiar aetapa de campo, reduzindo as opções de fontes de custeio para tais atividades. Dentro da categoria de rendeiros, é possível identificar uma diferenciação,decorrente da melhor ou pior condição que cada um tem de acesso a capital. 65
  • 64. D’alva (2007) classificou-os em “capitalizados” e “descapitalizados”, para dis-tinguir entre os que, respectivamente: a) arrendam quantidades superiores a 2.000 milheiros; começam o corteno início da safra e param quando se iniciam as chuvas; podem ser donos demáquinas de triturar, de indústrias artesanais de cera, agiotas e atravessadores daprodução de outros rendeiros; b) arrendam quantidades inferiores a 2.000 milheiros; a duração do perí-odo de corte vai depender da disponibilidade de capital; participam do trabalhoem campo; alugam máquinas de triturar palha; tomam dinheiro emprestado deagiotas; vendem o pó ou a cera de origem para atravessadores, que, às vezes,são os agiotas. Para D’alva (2007), o rendeiro apresenta grande capacidade empresarial, perfilrequerido para uma pessoa obter sucesso no exercício da atividade. Segundo omesmo autor, os rendeiros, em geral, são pessoas que conhecem profundamenteo processo extrativo, por serem provenientes de famílias de trabalhadores ruraise de terem trabalhado na atividade desde a infância. A pesquisa de campo mos-trou que isso é verdade para a realidade do extrativismo nos Estados do Ceará eRio Grande do Norte. No Piauí, no entanto, em geral, os rendeiros são grandesproprietários, originários de famílias com posse dessas terras, não tendo vínculocom o trabalho direto em campo. Em geral, o rendeiro transporta o produto até a indústria, onde é realizadaa análise do teor de pureza e, com base neste, feito o pagamento. Em algumasregiões, observa-se a prática de entregar o pó contra a assinatura de uma notapromissória, a título de “adiantamento”, pelo tempo que durar a realização daanálise da qualidade do pó, feita pelo receptor do material, não havendo possi-bilidades de contestação do resultado, visto que o rendeiro, nesse momento, jáestá comprometido com o montante recebido. O corte dos carnaubais é feito por trabalhadores reunidos em turmas, cujonúmero e quantidade de trabalhadores são definidos de acordo com a maior oumenor quantidade de palhas (em milheiros) a ser derrubada durante uma safra. Ostrabalhadores podem ser contratados diretamente pelos proprietários e rendeirosou por um terceiro, que faz a intermediação e é contratado por produção.66
  • 65. A atividade envolve trabalhadores especializados nas funções de vareiro,aparador e enfiador, formando a “vara” ou “terno”. O vareiro é aquele que,com uma vara de bambu, corta as folhas da palmeira e é denominado tambémde derrubador, cortador, foiceiro ou taboqueiro. O aparador é aquele queapara os talos da folha com uma faca, retirando os espinhos, sendo tambémconhecido por cambiteiro ou desenganchador. Em geral, o trabalho de cadavareiro requer o de dois aparadores. O enfiador recolhe as folhas do chão, jásem os espinhos, amarrando-as em feixes de 20, 25 ou 50 folhas, dependendoda região em que trabalha15. Em geral, a turma que compõe a “vara” é formada por membros com laçosfamiliares. O vareiro é o trabalhador com maior especialização e mais experiência,responsável pela operação mais perigosa, o corte das folhas na árvore, feito comuma foice presa à extremidade de uma vara de bambu. As varas de bambu sãode três tipos, de acordo com a altura da planta (variando de 5 a 12 metros decomprimento), conhecida como “vara de cortar olho”. O talo seco da palha servepara amolar a foice, com ajuda de terra e pedra de amolar. As funções complementares são: junteiro, carroceiro, lastreiro, bombeiro ecozinheiro. O junteiro é também conhecido por moieiro, recolhedor ou ajuntador,sendo responsável por juntar os cambos (feixes) preparados pelo enfiador, fazen-do a contagem da palha (com um instrumento feito da ponta do olho da palha)e verificando se os cambos estão completos. O carroceiro é conhecido tambémcomo tangedor, comboieiro ou carregador. Coloca os cambos (feixes) no animal(burro ou jumento) ou carroça para transporte da palha até o local de secagem,onde a palha permanecerá de 6 a 12 dias, dependendo da região. Observou-seque no Vale do Jaguaribe (CE), além desses dois meios de transporte, é comuma utilização de caminhões. Nesse caso, o transporte de palha ocupa entre duase quatro pessoas. No Rio Grande do Norte, observou-se que o principal meiode transporte ainda é a carroça puxada a boi ou burro, que ocupa somente duaspessoas, pelo fato de existir uma haste fixa no centro da carroça, na qual ficampresos os feixes de palha. O lastreiro estende as palhas no lastro (que é o local onde são postas asfolhas tipo palha e olho para secar, geralmente no próprio chão), sendo também15 Em algumas regiões, observou-se que um único trabalhador exerce as funções de aparador e enfiador, além da de junteiro, que será descrita à frente. 67
  • 66. denominado de espalhador ou estendedor. O bombeiro abastece todo o grupode água para consumo. Em algumas regiões, esta figura não existe, sendo cadatrabalhador responsável pelo provimento de água para consumo próprio. Da mesmaforma, em algumas regiões, o cozinheiro se faz presente em cada turma de cincotrabalhadores, sendo responsável pelo preparo do alimento. Nas regiões em quenão há a figura do cozinheiro, cada trabalhador fica responsável pela provisão desua alimentação. Pode-se observar, ainda, a figura do mateiro e/ou do fiscal, que tem o papelde conferir a palha que cai quando cortada pelo vareiro. Este trabalhador é dispen-sável nos casos em que a remuneração dos demais é feita com base em milheirosde palhas derrubados, quando há maior preocupação do grupo em aumentarsua produtividade, não havendo necessidade de fiscalização; o mateiro tambémé responsável por juntar os restos de palha que permanecem pelo campo após otrabalho dos demais (Fotos 21 e 22). Foto 21 – Vareiro em Limoeiro do Norte (CE) Fonte: Autores.68
  • 67. Foto 22 – Aparador/Enfiador em Limoeiro do Norte (CE) Fonte: Autores. Esses trabalhadores, por via de regra, são desprovidos de organização e capital(terra, recursos financeiros ou outros bens). Por isso, vendem sua força de trabalho aorendeiro, o qual determina as condições de trabalho e remuneração. A mão-de-obraocupada nessa fase é basicamente masculina e não há a presença de crianças. Emalguns casos, como os observados em Cariré (CE), Russas (CE) e Felipe Guerra (RN),encontram-se mulheres no campo exercendo atividades mais leves ou que exigemmaior delicadeza de movimentos, a exemplo da separação de palha e olho (no lastro).A ocupação é sazonal, sempre no período de estiagem. Quando não há atividadeextrativa (em geral, de janeiro a julho), os trabalhadores vendem dias de serviço notrabalho da agricultura. É baixo o nível de escolaridade dos trabalhadores. As condições físicas de trabalho em campo são precárias, pois o processoextrativo é rudimentar, insalubre, inseguro, além de árduo, utilizando-se ferramentasprimitivas e com sérios riscos: as hastes pontiagudas das folhas podem cair sobreo operador com alta velocidade, podendo, inclusive, mudar de direção pela açãodo vento; ao realizar a operação de corte, o vareiro puxa a foice em sua direção,o que aumenta a probabilidade de a folha cair sobre ele e provocar acidentespessoais (inclusive cegueira) ou na palmeira (que pode resultar em sua morte16); omanuseio da vara de bambu que suporta a foice pode provocar também problemasde coluna cervical. Por tudo isso, a operação exige perícia do trabalhador. Como16 A morte da palmeira ocorre no caso de corte equivocado da “barriga amarela”, broto terminal que não tem pó e é responsável pela sobrevivência da árvore. 69
  • 68. forma de proteger-se de ferimentos durante a derrubada das palhas, o vareiroutiliza óculos escuros, bonés, chapéus, camisas e calças longas (Foto 23). Foto 23 – Acessórios Utilizados pelo Vareiro para Evitar Ferimentos, em Limoeiro do Norte (CE) Fonte: Autores. No entender de Ikeda (IPT, 2002), essa ferramenta de corte da folha podereceber aperfeiçoamentos de forma a tornar a operação menos árdua e perigosa.Este pesquisador sugere a utilização de uma vara de alumínio temperado (bem maisleve que a utilizada atualmente) e lâminas auto-afinantes na foice, ou substituí-lapor tesouras de corte. Para proteção do corpo, o vareiro poderia utilizar escudosde material transparente, de forma que o corte pudesse ser efetuado com a varana posição mais próxima da vertical, o que reduziria o peso e, conseqüentemente,o esforço humano na operação. A quantidade de folhas cortadas por vareiro durante um dia de trabalhosofre influência de outros fatores, além dos já citados, como altura das árvores,densidade do campo e vegetação existente. Mesmo assim, o vareiro consegueobter elevada produtividade no trabalho de corte (laça três a cinco folhas de cadavez e corta de oito a doze milheiros de folhas por dia). Além disso, a operação é70
  • 69. simples e de baixo custo, o que reforça a resistência dos trabalhadores em mudarde ferramenta. Em geral, são cortadas de 35 a 40 folhas por palmeira, as quais, após derru-badas, sofrem o corte do talo e são amarradas em feixes com 20, 25 ou 50 folhas,dependendo da região e tipo de transporte utilizado. Os feixes, presos de doisem dois, formam os “cambos”, os quais servem de base para o pagamento aostrabalhadores, se for o caso de serem remunerados por produtividade (milheirosderrubados). A coleta dura, em média, 120 dias, no período do verão (em quenão há ocorrência de chuvas). Do local do corte, as folhas são levadas ao lastro para secagem17 e estendidasseparadamente conforme o tipo, “olho” (mais novas, ainda fechadas) e “palha”(mais velhas, completamente abertas), onde permanecem por um período de 8 a10 dias, dependendo da região e da insolação. Elas produzem o “pó de olho” eo “pó de palha”, respectivamente, sendo o primeiro mais valorizado por contermenos impurezas e produzir cera de melhor qualidade. O transporte das folhasaté o lastro pode ser feito por jumento, carroça (puxada a boi ou burro) ou cami-nhão, dependendo da região e das condições financeiras do rendeiro/proprietário(Fotos 24 e 25). Foto 24 – Carroça de Transportar Palha para o Lastro Fonte: Autores.17 O lastro é uma área escolhida no campo, ao ar livre, em cujo solo batido estendem-se as folhas para secagem ao sol. 71
  • 70. Foto 25 – Lastro para Estender a Palha, em Russas (CE) Fonte: Autores. Em virtude da elevada perda de pó durante o processo de secagem das fo-lhas, algumas tentativas de melhoria foram realizadas ao longo dos anos, dentreas quais, pode-se citar a introdução do método de, com uma faca, cortar em tirasas folhas ainda verdes (o que os trabalhadores denominam de riscar) e antes deserem espalhadas no lastro para secagem. Isso evitaria a perda de pó nas folhasfechadas no processo de secagem, bem como reduziria o tempo de secagem.Essa inovação, citada por Johnson (1972) também foi observada na fala de en-trevistados. O mesmo autor cita a construção de um muro baixo circundando aárea de secagem, como forma de redução da perda do pó por causa do vento.No entanto, não se observou a existência desse aparato durante a pesquisa decampo. Em 1934, Bayma (1958) sugeriu a construção de um forno de secagemcom controle de temperatura e umidade, como forma de reduzir a área e otempo de secagem. Algumas tentativas de eliminar a secagem ao ar livre foramfeitas também pela Companhia Johnson18, tendo sido realizadas a partir de 1937,18 A SC Johnson é uma companhia norte-americana fabricante de produtos de limpeza que, na década de 1930, utilizava a cera de carnaúba como principal matéria-prima para a elaboração de seus produtos. No ano de 1935, Herbert Johnson Junior, presidente da empresa, partiu de Racine, Wisconsin (EUA) para Fortaleza, em um hidroavião modelo Sikorsky S-38C, o “Spirit of Carnaúba”. A razão da longa (e heróica) viagem para o Brasil (já que apenas Charles Lindenberg havia cruzado o Atlântico em um vôo oceânico, em 1927) era conhecer a região de origem da cera de carnaúba e investigar a sustentabilidade da palmeira que a produzia, se era possível cultivá-la a fim de ter uma fonte de recursos renováveis e manejáveis. O percurso, chamado de “Expedição Carnaúba”, foi realizado em quase dois meses, por conta de problemas técnicos e climáticos, totalizando 168 horas de vôo. Johnson Jr. pousou na Barra do Ceará, construiu moradia e laboratório para estudos (a Fazenda Raposa) e logo após instalou em Fortaleza sua primeira fábrica de cera no Brasil, a Ceras Johnson. Em 1998, o filho Sam e os netos Fisk e Curt Johnson refizeram o percurso, numa réplica do Sikorsky72
  • 71. experiências com estufa, armazém ventilado e ar quente em quartos ventilados(JOHNSON, 1972). Nos anos de 1950, a Companhia Morais S. A., localizadaem Parnaíba (PI), fez outra tentativa de inovação na secagem do pó, conformecitado por Johnson (1972), que consistia num grande forno de tijolo aquecidopor ar quente, com capacidade de secar 10 mil folhas em 4 horas e rendimentoem pó 50% a mais que o método de secagem no lastro. A mais recente alternativa tecnológica de secagem das folhas de carnaúbasurgiu entre os anos de 2001 e 2002, a partir de experiência de desenvolvimentode um secador solar, no município de Campo Maior (PI). O objetivo era testar atecnologia no que concerne ao tempo de secagem, aos índices de rendimento equalidade do pó cerífero e da cera em relação ao método tradicional. O protótipode secador foi construído pelos professores Raimundo Tomaz da Costa Filho eJosé Antonio S. S. Filho, do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federaldo Piauí (UFPI), resultado de parceria BNB/Fapepi/UFPI. De acordo com informações do relatório final da pesquisa apresentado aoBNB-Etene, este secador é constituído de uma estufa com paredes de plásticoflexível transparente e teto de telhas de PVC transparentes, apresentando algumasvantagens importantes relativamente ao secador tradicional: necessitar de menostempo de insolação (20 a 30 horas); conferir maior teor de cera pelo aproveita-mento integral do pó; melhor qualidade da cera e do pó obtidos (pelo menor teorde impurezas e umidade), com conseqüente redução dos custos de produção eelevação do preço do produto final; ganho na ordem de 28% para a folha-palhae 14% para a folha-olho em termos de rendimento do pó cerífero, ao se utilizarigual tempo de secagem para as duas condições; aumento de 34% e 22% parafolha-palha e folha-olho, respectivamente, em termos de rendimento em cera. A grande desvantagem deste secador solar é que, além de ser fixo, apresentacusto elevado, o que limitou a adesão por parte dos responsáveis pela atividade nocampo. Em depoimento oral, o pesquisador do IPT, Saburo Ikeda, após participaçãonuma equipe de trabalho para um breve diagnóstico da atividade, afirma que osecador solar é uma alternativa que apresenta as possibilidades de solucionar osproblemas existentes na etapa de secagem das folhas. Entretanto, para que seja S-38C, em homenagem ao espírito aventureiro do patriarca, para ver o que ele havia construído no Ceará, aproveitando a oportunidade para doar algumas das aquisições a entidades do Estado (CARNAUBEIRA..., 2005). 73
  • 72. viável economicamente, necessita ser transformado num equipamento móvel eportátil, de modo que permitisse o seu deslocamento até o campo, de forma areduzir a distância de transporte das folhas. Tal proposta até o momento destapesquisa ainda não se concretizara em projeto. Verifica-se que nenhuma das inovações com a secagem mecânica chegou aser adotada nas áreas onde ocorre o extrativismo da carnaúba. Até os dias atuais,o que se observa em campo é a utilização do método tradicional de secagemao sol, em que a palha é estendida em campo aberto, exatamente como descritonos diversos documentos que tratam do desenvolvimento da atividade desde seusprimórdios. Embora não existam pesquisas para quantificar a perda de pó ceríferona etapa de campo, estimativas de alguns autores mostram que é bastante elevadae ocorre durante o corte da folha, no transporte para o lastro, na secagem e naextração propriamente dita. Somente na operação de secagem, a mais demorada(dura entre seis e doze dias), ocorre perda de cerca de 20% de pó, de acordocom D’alva (2007 citando documento do Ministério da Agricultura de 1949),principalmente no manuseio das folhas secas, mas também pela exposição ao ventoe à chuva. Porém, o maior desperdício ocorre na operação de extração do pó19,em torno de 40%, de acordo com Johnson (1972). As relações trabalhistas nas operações de campo são precárias em todas asregiões, não existindo vínculo formal. A remuneração nas atividades de corte,transporte e secagem pode ser feita com base em dias trabalhados – em torno de50 horas por semana, nove nos dias normais, mais cinco ou sete horas no sábado20–­ (Tabela 7), ou na quantidade de milheiros derrubados por dia (Tabela 8). No Valedo Jaguaribe (CE), predomina o pagamento do serviço por milheiro derrubado; noVale do Acaraú, predomina o pagamento com base em diárias; no Rio Grande doNorte, o sistema mais utilizado é o de diárias. No Piauí, se utilizam ambos os parâ-19 Ver descrição de todo o processo no item 4.2.20 Vale destacar o verificado no Distrito de Catuana, município de Caucaia (CE), em que se observaram duas situações distintas. O horário definido pelos trabalhadores residentes em Catuana é de 5 horas da manhã até às 14 horas, motivo de insatisfação para os proprietários/rendeiros que gostariam de contar com carga de trabalho mais larga. Por isso, e pelo fato de a mão-de-obra local ser reduzida, em contingente, contratam o trabalho de homens que se deslocam de Santana do Acaraú, Morrinhos, Moraújo e Coreaú, e que se submetem a horário de trabalho mais elástico, até às 16 horas, resultando em maior produção diária que aquela obtida pelos trabalhadores locais. Em geral, os trabalhadores oriundos de outros municípios chegam a Catuana durante o mês de agosto, lá permanecendo até a véspera de Natal, no mês de dezembro. A sistemática adotada no lugar é a seguinte: no mês de fevereiro, os proprietários/rendeiros adiantam dinheiro para os trabalhadores dos outros municípios, para que eles trabalhem suas lavouras, como forma de assegurar que essa mão-de-obra lhes servirá durante o segundo semestre do ano, ocasião em que será descontado o montante adiantado no início do ano.74
  • 73. metros21. Num e noutro sistema, a variação de valor é bastante ampla, o que dificultaa elaboração de tabelas de remuneração e gastos com a atividade. Nas Tabelas 7 e 8,são apresentadas as médias das remunerações observadas em campo, num esforçode sistematização necessária para a realização dos cálculos do Capítulo 5.Tabela 7 – Remuneração Média dos Trabalhadores nas Fases de Corte, Transporte e Secagem da Palha de Carnaúba – com Base em Diária Valores em Reais Função Remuneração média diária Vareiro 15,00 Aparador 12,50 Enfiador 12,50 Ajuntador 12,50 Carroceiro/comboieiro 12,50 Lastreiro 12,50 Mateiro 11,50 Bombeiro 10,00 Fiscal 11,50 Cozinheiro 10,00Fonte: Pesquisa de campo (2006).Nota: (*) É comum encontrar em campo um único trabalhador exercendo as três funções (aparador, enfiador, ajuntador) e sendo remunerado somente por uma.Tabela 8 – Remuneração Média dos Trabalhadores nas Fases de Corte, Transporte e Secagem da Palha de Carnaúba – Base em Milheiro Valores em Reais Função Remuneração média por milheiro de palha derrubado Vareiro 3,00 Aparador 1,30 Enfiador 1,30 Ajuntador 0,70 Carroceiro 1,10 Lastreiro 1,20 Mateiro 1,00 Bombeiro Remuneração por diária Cozinheiro Remuneração por diáriaFonte: Pesquisa de campo (2006).Nota: (*) Considerando-se a média de 10 milheiros de palha derrubados por dia.21 Observou-se uma tendência de se fazer o pagamento na base de milheiros quando existe uma situação favorável na área, sem vegetação em torno dos carnaubais; do contrário, a preferência é pelo pagamento em diárias. 75
  • 74. 4.2 – Etapa 2: extração do pó cerífero Finalizada a secagem das folhas ao sol, inicia-se o processo de retirada dopó cerífero, que pode ser manual (através do método do riscado e batimento dapalha com cacete), gerando o “pó de cacete”, ou com a utilização de máquinasprovidas de um equipamento denominado “triturador de facas”, geralmente mo-vidas a diesel, montadas em caminhões, gerando o “pó de máquina”. Segundo D’alva (2007), o processo de “bateção” foi inteiramente manual atéa década de 1940. Johnson (1972) afirma que, originalmente, a “bateção” pararetirada do pó cerífero era feita no local de secagem. As palhas eram colocadassobre um pano e batidas com uma vara. Com o passar do tempo, esse trabalhopassou a ser realizado em pequenas construções fechadas, a fim de reduzir asperdas do pó pelo vento e chuva. Esse processo continua sendo utilizado nas áreasem que há produção artesanal a partir das palhas. Durante a pesquisa de campo,observou-se, em Felipe Guerra (RN), a existência de uma construção dessa natureza,em atividade, numa fábrica de vassouras. Na construção, denominada “catimbóia”,composta por uma porta e uma janela, repousava sobre uma espécie de banco, otrinchador (composto de uma série de facas montadas verticalmente, nas quais sepassam as palhas para dividi-las em tiras de largura apropriada para a produção devassouras) (Foto 26) e onde, em seguida à trinchagem, procedia-se à “bateção” paraextração do pó. Este trabalho é inteiramente realizado por homens. Foto 26 – Trinchador da Palha para Produção de Vassouras, em Felipe Guerra (RN) Fonte: Autores.76
  • 75. Em Cariré (CE), verificou-se o trabalho de extração do pó cerífero numapequena construção fechada denominada de “paiol”, com apenas uma porta epequena abertura para ventilação. Nesse caso o método utilizado era o “riscado”da palha, operação realizada por mulheres (Foto 27). Essa operação é feita so-mente com palha-olho, como forma de preservá-la para a fabricação de chapéus,vassouras ou outro tipo de artesanato de palhas. A atividade de riscar a palha éinsalubre, em virtude da grande quantidade de pó que se dissipa e pelo fato deocorrer em ambiente fechado e sem nenhuma proteção22. Após serem riscadas,as palhas passam pelo processo de “bateção”, que é feito por homens. Nessaregião do Vale do Acaraú, observa-se com freqüência a extração do “pó de olho”dessa maneira, para abastecer de palhas as várias fábricas de chapéus existentesno município de Sobral. Além disso, muitas mulheres têm o hábito de produzirchapéus para serem vendidos no mercado local (feiras livres e mercearias). Foto 27 – Mulher Trabalhando no Riscado da Palha de Carnaúba, em Cariré (CE) Fonte: Autores. Em campo, observou-se a seguinte remuneração média diária dos trabalha-dores na extração manual do pó cerífero: trinchador, R$ 20,00/dia; batedor, R$12,00/dia; riscadeira, R$ 6,00. A extração mecânica do pó cerífero é feita em máquinas de bater palhasinstaladas em carrocerias de caminhões ou em reboques puxados por tratores, a22 No entanto, durante a pesquisa de campo, uma das mulheres que trabalhava no “riscado”, ao ser interrogada sobre o assunto, afirmou viver deste ofício há mais de 50 anos e nunca haver sentido nada de errado com seus pulmões. 77
  • 76. fim de serem locomovidas de lastro em lastro. Extraem-se, em média, 7,5kg depó por cada milheiro de palha triturado. Tais máquinas são um aperfeiçoamentoda Guarany-Ciclone, que funcionou até meados da década de 1960, quando omecânico potiguar Francisco Moreira Pinheiro, com algumas inovações, tornou-amais leve e potente, transformando-a em três tipos, de acordo com nova capacidadede trituração num dia de 12 horas de funcionamento: Tipo A (100 milheiros depalhas); Tipo B (200 milheiros de palhas); Tipo C (300 milheiros de palhas). Esteé o modelo atualmente utilizado em todos os campos em que, no próprio lastro,procede-se à extração e ao ensacamento do pó. A máquina Guarany-Ciclone, que foi patenteada em 1938 pelo piauienseDemerval Rodrigues, era pequena, pesava cerca de 280kg e batia 50 milheirosde palhas por dia (Foto 28). Foto 28 – Máquina Guarany Ciclone, de Propriedade da Foncepi (Piripiri, PI) Fonte: Autores. Até chegar ao atual modelo e, paralelamente, ao uso da Guarany-Ciclone,diversas experiências foram realizadas, buscando melhorar o método de extraçãodo pó cerífero. A primeira invenção, de autoria do senhor Evaristo Miguel Reis,proprietário de pequeno campo de carnaúba no Piauí, ocorreu em 1935. Con-sistia em submergir as palhas em água quente e agitá-las de modo que a cera sedesprendesse (JOHNSON, 1972). Segundo Johnson (1972), por vários anos pesquisadores da Companhia Jo-hnson desenvolveram experimentos na tentativa de produzir um substituto para a78
  • 77. Guarany-Ciclone. No entanto, os resultados finais de todos eles apresentaram-seem desvantagem comparativamente aos obtidos com o modelo existente, cujo usoe aceitação se ampliavam em virtude, também, de sua fácil adaptação ao sistemajá estabelecido no extrativismo da carnaúba. Mais recentemente, em viagem de observação realizada pelas áreas de extra-tivismo da carnaúba, no Estado do Piauí, o pesquisador do IPT, Saburo Ikeda (IPT,2002) comenta que o equipamento atualmente utilizado oferece possibilidadesde melhorias significativas, desde que sejam introduzidas algumas inovaçõestecnológicas, utilizadas em colheitadeiras. Segundo ele, utilizando tal tecnologia,não haveria trituração das folhas, o que ofereceria duas vantagens: pó de melhorqualidade, pela isenção de restos de palha; preservação da palha para a utilizaçãoartesanal ou na construção civil. As atuais máquinas de bater palha (Foto 29) podem pertencer ao rendeiro oua terceiros. Num e noutro caso, pode haver terceirização da máquina. É comuma terceirização para o chefe da turma de trabalhadores (motorista), conforme oobservado em Granja (CE)23. O trabalho de “bateção” (Foto 30) requer as se-guintes ocupações: a) um motorista/maquinista/chofer/operador (conduz o trator até o lastro e também faz o trabalho de manutenção da máquina); b) um a dois empurradores/cevadores/alimentadores/metedores (com a função de alimentar a máquina com as palhas a serem trituradas); c) um a três feixeiros/encostadores/carregadores/palheiros (trabalham fora da máquina, levando os feixes de palha do lastro até a máquina); d) um a três baganeiros (retiram a bagana e a espalham no campo); e) um cozinheiro. O trabalho realizado na máquina é feito em ambiente fechado e sem ven-tilação, com pouca luz e sem uso de máscara (para proteger nariz e boca do23 No caso observado, a máquina é alugada ao motorista, que contrata e paga o grupo com base em diárias, responsabilizando-se também pela alimentação. Alguns rendeiros/proprietários, ao invés de alugarem a máquina ao motorista, preferem fazer o pagamento diretamente aos trabalhadores, inclusive motorista, com base em diárias e, nesses casos, fornecendo a alimentação ao grupo. Quando a contratação é realizada nessas bases, segundo informações de entrevistados, ocorre queda na produção diária, criando a necessidade de contratar mais um trabalhador para exercer a função de fiscal. 79
  • 78. Foto 29 – Máquina Guarany Ciclone Atual, em Apodi (RN) Fonte: Autores. Foto 30 – Homem batendo Palha na Atual Máquina Guarany - Ciclone, em Felipe Guerra (RN) Fonte: Autores.excesso de pó suspenso no ar), aumentando o risco de doenças nos olhos e nospulmões, situação agravada pelo forte calor de verão nessa região (Foto 31).Uma desvantagem desse método com relação ao manual é a de deixar restosde palha triturada em meio ao pó, dificultando as fases industriais de extração eclareamento da cera. O pó resultante da “bateção” cai diretamente num grande cilindro de lona(minhocão) que permanece acoplado à máquina durante todo o processo e deonde se recolhe o pó para sacos de ráfia de 40 a 60 kg (Foto 30).80
  • 79. Foto 31 – Trabalhadores na Máquina Guarany Ciclone: Falta de Proteção, em Felipe Guerra (RN) Fonte: Autores. Foto 32 – Minhocão, em Felipe Guerra (RN) Fonte: Autores. A variação e a média da remuneração diária dos trabalhadores nessa etapaé apresentada na Tabela 9.Tabela 9 – Variação e Remuneração Média Diária dos Trabalhadores na Fase de Extração do Pó Cerífero por “bateção” Mecânica – Base em Diárias Valores em Reais Função Remuneração média diária Motorista/maquinista/chofer/mecânico 14,00 Empurrador/metedor 13,50 feixeiro/encostadores/carregadores/palheiros 12,50 Baganeiro 13,50 Cozinheiro 10,00Fonte: Pesquisa de campo (2006). 81
  • 80. Observaram-se três formas de pagamento pelo serviço de extração de pó:por quilo de pó (média de R$ 0,29/kg, em 2006), por milheiro de palha (médiade R$ 2,00/milheiro, em 2006) ou em percentual de pó (média de 20%, em2006). Pode ser pago integralmente ao dono da máquina (se ele próprio for oresponsável pela extração) ou dividido entre este (que receberá em torno de 20%)e o responsável pela extração, quando a máquina de extração é terceirizada (emtorno de 80%).4.3 – Etapa 3: beneficiamento do pó cerífero Existem dois tipos de processamento do pó a se considerar: o artesanal eo industrial. O artesanal produz a chamada cera de origem; o industrial produza cera refinada, a partir do refino do pó, da cera de origem ou da borra da cerade origem.4.3.1 – Processo artesanal Sabe-se que existem diversas pequenas indústrias artesanais de cera nos Es-tados do Ceará e Rio Grande do Norte, embora não se disponha de informaçõesquanto ao número. Durante a pesquisa de campo foi possível visitar algumas,bem como ouvir relatos da existência de outras, tanto no Ceará quanto no RioGrande do Norte. No Piauí, entretanto, não se obteve registro da existência deprodutores de cera artesanal. Acredita-se que o fato de a exploração ocorrerprioritariamente em grandes propriedades contribui para a ausência de indústriasartesanais, tendo em vista que nos demais estados elas predominam nas pequenasunidades rurais. Observou-se a existência de fábricas de tamanhos diversos, com escalas deprodução distintas, em condições de manutenção as mais variadas. Os equipa-mentos básicos são a caldeira a lenha, a prensa e o tanque de secagem, podendohaver variações, de acordo com a região e a escala de produção. Na caldeira (Foto 33), coloca-se o pó a ser beneficiado, com a adição deágua, para aquecimento, utilizando-se madeira de algaroba como combustível. As prensas utilizadas (Foto 34) têm um filtro feito com malha e palhas decarnaúba. Geralmente, são rústicas e sua operação exige grande esforço dostrabalhadores.82
  • 81. Foto 33 – Caldeira para Cozimento Foto 34 – Prensa da Cera de Origem, do Pó Cerífero, em Felipe em Felipe Guerra (RN) Fonte: Autores. GuerraFonte: Autores. Os tanques rasos, construídos em cimento, no chão, ou de placas retangularesde madeira, denominados de gamelas (Foto 35), servem para resfriar e secar acera, gerando uma forma sólida, denominada de “pão de cera de carnaúba”. Foto 35 – Gamela de Resfriamento e Secagem da Cera de Origem, em Felipe Guerra (RN) Fonte: Autores. 83
  • 82. O beneficiamento compreende as etapas de cozimento do pó, prensagem,filtragem, recozimento, solidificação, quebra e embalagem. Um proprietário defábrica artesanal localizada no município de Felipe Guerra (RN), em entrevista,discorreu sobre o processo de beneficiamento do pó cerífero: o pó extraído porbatimento manual ou mecânico é misturado à água na caldeira, na proporção de200kg para 15 latas (de 18 litros cada), a fim de ser cozido a uma temperaturaem torno de 120ºC, o que demora cerca de 3 horas. Com o aquecimento e fer-vura, parte da cera (cerca de 90kg) já sai pronta (cera de borra), na forma líquida.Quando no ponto ideal (a cera líquida se eleva), o líquido escoa pela aberturalateral superior da caldeira, caindo dentro de um tambor (Foto 33). Em seguida, este material é transportado para o tanque de recarga, aí perma-necendo por cerca de 5 horas, a fim de que ocorra resfriamento e solidificação.O material que permanece na caldeira, após esta primeira etapa, é denominadode borra e é levado para a prensa por cerca de 10 minutos, gerando aproximada-mente 60kg de cera úmida. Depois de prensada, é levada novamente para ferver(recozimento), só que, agora, em latas de querosene (Foto 36), por volta de 40minutos e, em seguida, submetida novamente ao processo de prensagem, obten-do-se, ainda, entre 30 e 35kg de cera que irá para o resfriamento e solidificaçãono tanque. Tal como descrito pelo produtor, no final do processo, acumulam-secerca de 180kg de cera de origem, o equivalente a um rendimento do pó emtorno de 90%, bastante superior à média observada, em torno de 64% (4,8kg decera/7,5kg de pó). O líquido restante, após a retirada da borra, é denominadode barreiro. O barreiro é fervido e prensado e, o que sobra desse processo é oricum da palha, que vai funcionar como adubo orgânico24. A cera de origem obtida pode ser de três tipos: a partir do beneficiamentodo “pó de olho”, obtém-se a cera amarela ou “cera olho”; do “pó de palha” seobtêm dois tipos, a arenosa, verde-acinzentada, com 6% de água em média, e acera gorda, negro-esverdeada, a qual difere da arenosa por não ter água em suacomposição (Foto 19, Capítulo 3).24 Neste caso, o rendimento de cera gira em torno de 90%, que diverge bastante do rendimento mencionado na literatura e de outros relatos obtidos durante a pesquisa de campo (ver estimativas de custo e receita no Capítulo 5). Bayma (1958) sugere um rendimento de 63%, ao afirmar que, de 2.000 folhas, se extraem 15kg de cera; cartilha elaborada pelo Sebrae sugere rendimentos de 80% e 60% na cera de origem originária de pó olho e pó palha, respectivamente (SEBRAE-CE, 1994); durante a pesquisa de campo em Felipe Guerra (RN), ouviu-se o relato de que existe uma variação no rendimento de cera de acordo com o tempo de descanso dado às plantas para realização do corte das folhas, que pode ser de um ano (pó de um ano), ou dois (pó de dois anos), sendo que o pó de um ano permite um rendimento de 65 a 70% de cera, enquanto o de dois pode atingir um rendimento de 75% de cera.84
  • 83. Foto 36 – Recozimento da Cera de Origem em Latas Querosene, em Cariré (CE) Fonte: Autores. D’alva (2007) afirma que, além da utilização de água, lenha e pó cerífero naprodução de cera de origem, pode ocorrer a introdução de ácido oxálico, produ-to químico que serve de catalisador no processo de decantação de impurezas eclareamento da cera amarela, único fator de contaminação ambiental. O mesmoautor menciona relato de um produtor sobre a possibilidade de substituiçãodesse insumo por suco de limão ou raspa de marmeleiro (planta que compõe avegetação da caatinga). As desvantagens no processo artesanal de obtenção da chamada cera deorigem são: a) ausência de controle de temperatura na fusão do pó e utilização de recipientes inadequados, que, quando em contato direto com o fogo, queimam partes do “pão de cera”, gerando muitas vezes um produto de qualidade inferior, ao ser analisada nos laboratórios industriais; b) exposição dos trabalhadores envolvidos na fusão do pó ao risco de aci- dentes (queimaduras), devido à ausência de equipamentos de segurança apropriados25. O número de ocupações na indústria artesanal de cera é muito baixo. Segundoinformou um entrevistado de Catuana, distrito do município de Caucaia (CE), a25 Existem relatos de acidentes provocados pelo vazamento de cera quente da caldeira, bem como no momento da prensagem. 85
  • 84. ocupação da mão-de-obra está ligada ao número de prensas, da seguinte forma:cada prensa destinada à produção de cera branca (olho) ocupa 02 pessoas, pelofato de o cozimento ser rápido e exigir muita atenção; cada prensa destinada àprodução de cera preta (palha) ocupa 01 pessoa. Essa quantidade, no entanto, évariável, dependendo da escala de produção e das condições de funcionamento.As funções na indústria artesanal são as de fogueiro e prensadores (Foto 37),cujas remunerações variam entre R$ 10,00 e R$ 15,00 por dia. As condiçõesde trabalho são precárias, principalmente dos trabalhadores envolvidos na fusãodo pó, que, devido à ausência de equipamentos de segurança apropriados, estãoexpostos ao risco de acidentes; além disso, os empregos não são formais. Foto 37 – Prenseiro (ou Prensador) de Cera de Origem, em Felipe Guerra (RN) Fonte: Autores. Observou-se, em algumas indústrias artesanais, a existência de um espaçoreservado à extração manual do pó de folhas “olho”, que é a forma utilizadaquando se pretende utilizar a palha para fins artesanais, a fim de não danificá-la.86
  • 85. Essa situação cria ocupações em duas funções: “riscado” (feito por mulheres26) e“bateção” (feita por homens). Noutras indústrias artesanais, ao invés da criaçãodo espaço reservado ao riscado, o proprietário entrega as folhas “olho” aos ar-tesãos, os quais realizam por conta própria o trabalho de “riscado” e “bateção”e, em contrapartida, comprometem-se a entregar o pó extraído, ficando com apalha para fabricar suas peças artesanais. Essa transação é feita com base em laçosde confiança e não envolve recursos financeiros, segundo informou um dono defábrica artesanal. É importante ressaltar que, quando existe a destinação da palha para a produ-ção artesanal (vassouras, chapéus, cestos, tapetes etc.), eleva-se significativamenteo número de ocupações femininas na atividade, desde a etapa de extração do pó,que passa a ser feita manualmente conforme descrito anteriormente, até a produçãodos diversos produtos artesanais. Na zona norte do Estado do Ceará, por influênciadas diversas fábricas de chapéus instaladas em Sobral, várias mulheres ocupam-sena elaboração deste produto, principalmente nos municípios de Sobral, Massapê,Uruoca, Martinópole, Granja e Camocim. Tanto no meio urbano quanto no rural,observam-se mulheres sentadas nas calçadas de suas casas confeccionando chapéussob encomenda de intermediários que os negociam com as fábricas. Outro trabalho que tem envolvido a mão-de-obra feminina, principalmentena região do Vale do Jaguaribe e do Acaraú, é a produção de embalagem (umaespécie de “camisa” de palha), utilizadas pela Ypióca27 nas suas aguardentes tipoexportação, atualmente ocupando em torno de cinco mil artesãs, de acordo cominformações obtidas em vídeo informativo sobre a empresa. De acordo com D’alva (2007), as indústrias exportadoras absorvem a quasetotalidade da cera de origem produzida nas diversas fábricas artesanais, transaçãorealizada, em geral, com a utilização de atravessadores que, por vezes, são pa-gos antecipadamente para garantir o fornecimento à indústria. O comércio localresponde por uma pequena porção, principalmente na forma de cera polidora emestado sólido e não-refinada.26 Em Cariré (CE), mulheres que riscavam a palha numa fábrica artesanal, trabalhavam de meio-dia às 16 horas e recebiam R$ 5,00/milheiro de palha riscado.27 Indústria de aguardente de cana-de-açúcar instalada no Distrito de Messejana, município de Fortaleza (CE). 87
  • 86. 4.3.2 – Processo industrial A transformação do pó em cera pelo processo industrial pode ser realizadade três formas, conforme representado nas Figuras 5, 6 e 7: a) refino da cera bruta, a cera de origem obtida em processo artesanal (de olho ou da palha); b) refino do pó para posterior produção da cera; e c) processamento da borra da cera de carnaúba originária do processamento artesanal e industrial. A transformação ocorre em duas etapas: destilação e refinação. Nas indústrias mais estruturadas, observa-se uma seqüência de procedimentosque se inicia com a pesagem da matéria-prima, etiquetagem e classificação. Emseguida, é feita a destilação e o refino. Na destilaria, o pó, a cera bruta e a borra passam pelo processo de destilaçãoutilizando solvente (aguarrás, benzina ou éter) adicionado de palha de arroz (parafacilitar a extração da cera), transformando-se em cera gorda. Os equipamentosbásicos utilizados na destilaria são a caldeira28 (aquecida a gás natural ou a lenha29),os extratores e os destiladores. Na refinaria, é feita a filtragem, a centrifugação, a clarificação (agente químicona proporção adequada e adição de peróxido de hidrogênio), a escamação (quefornece o produto final frio e em forma de escamas) e a embalagem da cera oriundada destilaria. A cera líquida é depositada em um tacho de ponto, segue para ofiltro-pressão, depois é conduzida para um tacho de clareamento e, em seguida,para as escamadeiras (ambos fabricados em aço inoxidável, a fim de impedir acorrosão) e expedição. São necessárias 36 horas para completar o processo deprodução de 15 toneladas de cera (Foto 38). Concluído o processo de industrialização, a cera de carnaúba apresenta-se emtrês tipos: Um, Três e Quatro. O Tipo Um é o de melhor qualidade, originário do“pó de olho”, proveniente da folha do olho da carnaúba e tem utilizações nobres,28 Existem quatro tipos de caldeira, classificação com base na capacidade: Tipo A (1.000kg); Tipo B (2.500kg); Tipo C (4.000kg); Tipo D (6.000kg).29 Em campo, observou-se apenas uma indústria com caldeira aquecida a gás natural e que, em virtude do elevado custo do processo, os empresários discutiam a possibilidade de retorno ao aquecimento a lenha.88
  • 87. Foto 38 – Ensacamento da Cera em Escamas, em Piripiri (PI) Fonte: Autores. CERA BRUTA (Olho ou Palha) Extração por Solvente Filtração ou Centrifugação Clarificação Legenda: Solidificação Depósito Operação Embalagem Embalagem Cera Tipo Cera Tipo Um Quatro Transporte Figura 5 – Fluxograma do Refino da Cera Bruta (de Olho ou da Palha) Fonte: Ceará. Secretaria de Desenvolvimento Econômico (2003).tais como nas indústrias cosmética, farmacêutica, alimentícia e em emulsões. Osoutros dois tipos se originam do “pó de palha”: a cera Tipo Três, de cor marrom-escura, é filtrada, sendo normalmente utilizada em tintas, vernizes e cera parapolimentos; a cera Tipo Quatro é preta, centrifugada, empregada normalmentena fabricação de papel carbono (Foto 20, capítulo 3). Algumas indústrias vêm introduzindo inovações tecnológicas no processode refino de cera de carnaúba. Cite-se o processo de extração de cera que jávem sendo feito sem a utilização de palha de arroz, com redução do tempo de 89
  • 88. PÓ Extração por Solvente Filtração ou Centrifugação Clarificação Solidificação Legenda: Escamação Escamação Depósito Embalagem Embalagem CERA TIPO Operação QUATRO CERA TIPO UM EM ESCAMA EM TABLETES Transporte Figura 6 – Fluxograma do Refino da Cera do Pó (de Olho ou da Palha) Fonte: Ceará. Secretaria de Desenvolvimento Econômico (2003). BORRA DE CERA Extração por Solvente Filtração Centrifugação Clarificação Legenda: Escamação Escamação (Tambor) Depósito Embalagem Embalagem Operação CERA CERA EM ESCAMA EM TABLETES Transporte Figura 7 – Fluxograma do Processamento da Borra de Cera de Carnaúba na Indústria Fonte: Ceará. Secretaria de Desenvolvimento Econômico (2003).residência em 5 vezes, promovendo economia significativa em solvente e energia;destilação a vácuo produzido por venturi, com o objetivo de recuperação de sol-vente; produção de cera pulverizada por moinho a jato de ar (micronização) ou90
  • 89. Foto 39 – Cera de Carnaúba Atomizada, em Piripiri (PI) Fonte: Autores.outro processo semelhante, porém diferente no tratamento químico dado à cera(atomização). Tanto a micronização quanto a atomização deixam a cera Tipo Umcom aparência semelhante ao leite em pó em cor e textura (Foto 39). Outra inovação diz respeito à utilização da cera na forma de emulsão paraconservação de frutas e hortaliças na pós-colheita (Apêndice C). Apesar dessas inovações, a atividade continua exportando a cera na formade commodity, quando deveria exportar derivados da cera, com maior valor agre-gado, sugerindo a necessidade de desenvolvimento tecnológico que contemplenovos produtos. De fato, embora saiba das inúmeras utilizações que se dão à cera de carnaúba,a indústria brasileira não possui o domínio sobre a tecnologia de transformação.A quase totalidade da cera produzida no país (estima-se em mais de 95%) é ex-portada na sua forma bruta. Nos países importadores, o produto passa por pro-cessos de refinamento e transformação, tornando-se componente na formulaçãode diversos produtos comercializados no mundo inteiro. O domínio tecnológicobrasileiro ocorre somente sobre produtos de limpeza e de polimento para asso-alhos e automóveis, destinados ao mercado interno e, mais recentemente, sobrea emulsão para conservação de frutas, ainda em teste, mas cujos resultados já semostram positivos. Na etapa de beneficiamento industrial se observam melhores condições nasrelações trabalhistas, tendo em vista que se verificam o emprego formal, o turno 91
  • 90. diário de 8 horas e salário em torno de 2 mínimos/mês, já inclusos os adicionaisde insalubridade e horas extras. Além disso, todas as etapas do beneficiamentosão conduzidas por máquinas operadas por funcionários, sendo observadas asnormas de segurança do trabalho. Constatou-se, também, o cuidado com a ma-nutenção dos equipamentos. Mesmo assim, o processo de beneficiamento do pó de carnaúba apresentauma série de riscos nas suas diversas atividades (solventes, caldeira, prensa, refi-naria), que podem provocar acidentes químicos, com queimaduras etc.; doençasprovocadas pelo elevado nível de ruído ou relacionadas à postura incorreta. O processo produtivo é intensivo em tecnologia. Observam-se muitas indús-trias com pequeno contingente de pessoal trabalhando no fabrico da cera, geral-mente menos de dez pessoas, devido ao alto grau de automação das atividades emtodas as etapas. Dentro das indústrias, todas localizadas no meio urbano, o nívelde escolaridade dos trabalhadores, em geral, é superior ao observado no campo,a maioria com o primeiro grau completo. A mão-de-obra ocupada é masculina,exceto alguns casos nos trabalhos de laboratório onde ocorrem as análises daqualidade do pó recebido do campo. No que se refere à questão ambiental, a indústria de cera apresenta pou-cos problemas. A poluição por pó na indústria é mínima. O solvente utilizado écompletamente enclausurado. Trata-se de produto caro e inflamável, o que fazcom que todos que o manuseiam tenham muito cuidado com a manutenção e asegurança.92
  • 91. 5 – PROCESSO PRODUTIVO: ESTIMATIVAS DE CUSTO E RECEITA Durante a pesquisa de campo, ouviram-se depoimentos – em todos ossegmentos da cadeia produtiva da carnaúba – sobre as dificuldades de se manterproduzindo cera de carnaúba, diante do atual nível de preços no mercado. Algunsrendeiros queixam-se de estarem “pagando para trabalhar”; industriais sentem-sereféns de importadores, responsabilizando-os pela queda nos preços internacionaisda cera. Também na literatura consultada, observaram-se reflexões sobre o assunto,confirmando a problemática que enfrenta a atividade. D’alva (2007), por exemplo,afirma que “sob o atual nível de preços, a margem de lucratividade da atividadeé mínima e,em alguns casos, negativa”. De fato, de acordo com informações co-lhidas em campo, observa-se que a atividade enfrenta uma série de dificuldadesem virtude de problemas ligados à tecnologia no processo extrativo (responsávelpelos baixos rendimentos e qualidade do pó), capital para financiar o custeio daatividade (atualmente os agiotas emprestam a juros que variam entre 5 e 8% aomês), preços (observa-se a formação de oligopsônio) e formas de comercialização,principalmente quando se trata de pequenos produtores/rendeiros. Tudo isso per-meado pela insuficiência de formas de organização e de associativismo em tornodesta atividade econômica e por graves problemas de desarticulação entre os elosda cadeia produtiva, que a faz assemelhar-se mais a uma cadeia alimentar. Essa problemática tem reflexos negativos, inclusive, na obtenção de informa-ções que retratem claramente a real situação da atividade e que possam servir desubsídio para a adoção de políticas de apoio. Não se têm, por exemplo, dadosexatos sobre custos de produção, rentabilidade e lucratividade nas diversas eta-pas da exploração da atividade. Nas etapas de campo e na fabricação artesanal,a coleta dessas informações torna-se difícil, visto que inexistem controles dosprocessos de produção. No processo industrial, embora se realizem controles, oacesso é dificultado por se tratar de segmento bastante fechado devido à acirradaconcorrência entre empresas. Diante das dificuldades mencionadas, faz-se necessário ressaltar que oscálculos aqui realizados podem não refletir totalmente a realidade da atividade;representam estimativas a partir do que foi possível obter em campo e na biblio-grafia consultada. Para estimar os custos relativos ao arrendamento, corte, secagem, extraçãoe beneficiamento do pó, bem como da receita obtida com a comercialização do 93
  • 92. pó e da cera de origem e industrial, tomou-se como base a média dos númerosobservados durante a pesquisa de campo, em que, na maioria dos itens, registrou-se uma variação de, no mínimo, 20% para mais ou para menos. Alguns dados,porém, foram extraídos de publicações sobre a atividade. Todas as informaçõesque serviram de parâmetro para a realização dos cálculos e as tabelas resultan-tes das estimativas de custo e receita estão disponíveis nas tabelas 21 a 28 doApêndice A30.5.1 – Etapas 1 e 2: arrendamento, corte, secagem da palha e extração do pó Além da falta de informações por inexistência de registro de controle dasatividades, os dados referentes a custos nas etapas 1 e 2 são bastante variáveisem virtude da diversidade de condições de campo. O rendimento da máquina de bater, por exemplo, apresenta grande variação.Alguns fatores influenciam no teor de pó das palhas, tais como regularidade doinverno, quantidade de pó perdida no processo de secagem, nível de umidadeda palha, dentre outros. Tudo isso, aliado ao diâmetro utilizado nos furos da tela(se maior, haverá mais rendimento de pó, porém com menor grau de pureza), fazcom que o rendimento da máquina apresente uma variação de cinco a dez quilosde pó por milheiro de palha batido. Nestas etapas, observou-se a adoção de diversos parâmetros na contrata-ção de serviços, o que exigiu a realização de cálculos utilizando cada um dessesparâmetros (ver Tabelas do Apêndice A), como forma de abarcar a realidade dosetor e com o objetivo de oferecer uma indicação sobre qual(ais) parâmetro(s) maisvantajoso(s) do ponto de vista de quem contrata e de quem presta os serviços. Nos serviços de corte e secagem, observou-se a adoção de dois parâmetrosdistintos de contratação: milheiros de palhas derrubados; diárias trabalhadas. Na extração do pó, a máquina pode ser própria ou de terceiros e os serviçosde bateção podem ser próprios ou terceirizados; quando a bateção é terceirizada,os serviços podem ser pagos com base em quilos de pó extraídos ou milheiros30 Encontra-se afixado na contracapa desta publicação 01 CD-ROM contendo três planilhas elaboradas em Excel, nas quais são realizados cálculos de custo e receita no extrativismo da carnaúba. As Tabelas do Apêndice A são resultantes de simulações realizadas em tais planilhas.94
  • 93. de palhas batidos. O menor custo por milheiro de palhas batido (R$ 1,35) éalcançado quando o produtor/rendeiro utiliza máquina própria e se responsabi-liza pela contratação e pagamento da mão-de-obra – máquina própria; bateçãoprópria – (Tabela 10). O maior custo (R$ 2,18) é alcançado quando a máquinae a bateção são terceirizadas e o pagamento dos serviços é feito com base emquilos de pó extraídos (Tabela 11).Tabela 10 – Estimativa de Custo de Bateção Mecânica de um Milheiro de Palhas de Carnaúba (7,50kg de Pó Cerífero) – Bateção Própria; Máquina Própria – 2005 Valor Unitário Valor Total Itens Quantidade Unidade (R$) (1) (R$) 1. Máquina de bater     0,38 Óleo diesel (2)  0,15 litro 1,94 0,29 Graxa/lubrificante (3) 0,0075 litro 6,00 0,05 Manutenção máquina (4) 5,00 % ao ano 0,82 0,04 2. Operadores da máquina       0,70 Motorista/mecânica (5) 0,0075 h/d 14,00 0,11 Empurrador (6) 0,015 h/d 13,50 0,20 Baganeiro 0,015 h/d 13,50 0,20 Feixeiro 0,015 h/d 12,50 0,19 Subtotal       1,08 3. Juros sobre empréstimo 5,00 % x 5 meses 1,08 0,27 Custo Total       1,35Fonte: Pesquisa de campo e Gomes et al. (2006).Notas:(1) Média regional observada durante pesquisa de campo. Para os operadores de máquina, consideraram-se os valores mais freqüentes observados na pesquisa de campo (2006).(2) Para cada 1.000kg de pó batido são gastos 20 litros de óleo diesel. É necessário 0,15 litro para um milheiro (7,5kg); o litro custa R$ 1,94 (GOMES et al., 2006).(3) Para cada 1.000kg de pó batido é gasto um litro de lubrificante. É necessário 0,0075 litro para um milheiro, com o litro custando R$ 6,00 (GOMES et al., 2006).(4) Segundo informação de Gomes et al. (2006), o valor de uma máquina (usada) é R$ 6.600,00, tendo vida útil de 10 anos de 120 dias, o que gera uma depreciação diária R$ 5,50 (R$ 6.600/1.200 dias). O percentual de depreciação aqui indicado é obtido de R$ 5,50/120 dias, que resulta em 4,583%, arredondado para 5%.(5) Se, para a produção de 1.000kg por dia é necessário uma diária de um motorista, para a produção de 7,5kg é necessário 0,0075 diária.(6) O mesmo raciocínio aplicado para o motorista vale para os casos do empurrador, baganeiro e feixeiro; a diferença é que, ao invés de um diarista, são demandados dois, conforme relatos ouvidos na pesquisa de campo, o que dobra as quantidades em relação ao motorista. 95
  • 94. Tabela 11 – Custo de Bateção Mecânica de um Milheiro de Palhas de Carnaúba (7,50kg de Pó Cerífero): Parâmetros e Formas de Pagamento Diversos Observados em Campo – 2005 Valor Valor Item de Forma de Parâmetro Adotado Unidade Unitário Total Gastos Remuneração (R$) (R$) Máquina própria; 1 De acordo com Tabela 10 1,35 1,35 bateção própria Máquina própria; bateção Pgto. ao 2 terceirizada; pgto. Responsável 7,5 0,24 1,80 com base em quilos bateção Kg de pó de pó extraídos Máquina própria; bateção Pgto. ao terceirizada; pgto. 3 Responsável 1,0 2,00 2,00 com base em Milheiro bateção milheiros de palhas de palhas batidos Máquina terceirizada; Pgto. ao bateção Dono 4 terceirizada; pgto. Máquina e 1,0 2,00 2,00 Milheiro com base em Responsável de palhas milheiros de palha bateção batidos Máquina Pgto. ao terceirizada; Dono bateção 5 Máquina e 7,5 Kg de pó 0,29 2,18 terceirizada; pgto. Responsável com base em quilos bateção de pó extraídosFonte: Pesquisa de campo (2006). De acordo com o apresentado na Tabela 11 anterior, as condições emtermos de posse da máquina e as decisões do rendeiro/produtor em relação àsformas de contratação de serviços influenciarão no valor final do custo com arealização das etapas 1 e 2 do extrativismo da carnaúba e, conseqüentemente,no lucro líquido que obterá ao final do processo, de modo que o maior valor(R$ 10,37) equivale a cerca de 179% do menor valor (R$ 5,78), conforme sepode observar no resumo apresentado na Tabela 12 a seguir. Também na Tabela 12, verifica-se que o custo total mais elevado (R$ 14,92)é 44,4% superior ao menor custo observado (R$ 10,33). O maior custo é obtido96
  • 95. quando são adotados simultaneamente os seguintes parâmetros: no corte dapalha, o pagamento é feito com base em milheiros derrubados; na bateção, sãoutilizados máquinas e serviços terceirizados e pagamento feito com base emquilos de pó extraídos. O menor custo é obtido quando são adotados simul-taneamente os seguintes parâmetros: no corte da palha, o pagamento é feitocom base em diárias trabalhadas; na bateção, são utilizados máquina e serviçospróprios. Significa que, em termos de custos, a atividade é mais interessantepara o rendeiro que faz o pagamento do corte com base em diárias trabalhadas,dispõe de máquina de bater e ele próprio se encarrega de contratar pessoalpara a realização dos serviços. O custo total médio (R$ 1,25/kg de pó extraído) estimado por Gomeset al. (2006) para as etapas 1 e 2, durante pesquisa realizada no Piauí, éinferior ao custo calculado no presente estudo (a partir de dados encontradospara a região como um todo), cuja média é de R$ 1,71/kg de pó extraído,conforme apresentado na Tabela 12. O primeiro representa cerca de 73%do segundo. O lucro líquido por quilo de pó extraído é, em média, R$ 1,05(Tabela 12). Importante observar que a maior parcela das despesas com as etapas 1e 2 é absorvida nas operações de corte e secagem, um percentual médio de55,7% do total. Os juros pagos sobre empréstimo para financiamento da ati-vidade chegam a representar 9,1% das despesas. Na bateção, assim como noarrendamento, observam-se custos médios de cerca de 16%. O detalhamentodestes custos pode ser observado nas tabelas de números 1 a 20 apresentadasno Apêndice A deste documento. Estes percentuais podem ser comparados comos obtidos por GOMES et al. (2006) para o Estado do Piauí, distribuídos daseguinte forma: arrendamento – 14%; corte e secagem – 67%; bateção – 19%.Observam-se, assim, divergências entre os percentuais obtidos em ambas aspesquisas, as quais podem ser explicadas, mesmo que parcialmente, pelo fatode, no caso da pesquisa do Piauí não terem sido levados em conta os juros sobreempréstimos, comuns nessas etapas da atividade (tendo em vista que rendeirosrecorrem principalmente a agiotas e podem pagar taxas que variam de 5 a 8%ao mês). Além disso, enquanto na presente pesquisa se adotou o valor de R$2,00 para o arrendamento de um milheiro de carnaubal, na pesquisa sobre oPiauí o valor utilizado foi R$ 1,87. 97
  • 96. Tabela 12 – Resumo de Custo e Receita no Extrativismo da Carnaúba – um Milheiro de Palha (7,5kg de Pó Cerífero): Diversos Parâmetros Observados em Campo, Considerando Produção e Venda de Pó – 2005 PARÂMETROS ADOTADOS EM CAMPO CUSTO RECEITA LUCRO FONTE NO CORTE TOTAL BRUTA LÍQUIDO (TABELA NA BATEÇÃO DA PALHA DA PALHA (R$) (R$) (R$) APÊNDICE A) Bateção   13,71 6,99 1 própria Pgto. base 14,50 6,20 2 Máquina kg pó própria extraídos Bateção Pgto. terceirizada base Milheiros milheiros 14,72 5,98 3 de palhas palha derrubados batidos Pgto. base 14,92 5,78 4 kg pó extraídos Máquina Bateção Pgto. terceirizada terceirizada CONSI- base DERAN- milheiros 14,72 5,98 5 DO palha PRODU- batidos 20,70 ÇÃO E Bateção   10,33 10,37 6 VENDA própria DE PÓ Pgto. base 11,12 9,58 7 kg pó Máquina extraídos própria Bateção Pgto. terceirizada base milheiros 11,34 9,36 8 Diárias palha trabalhadas batidos Pgto. base 11,54 9,16 9 kg pó extraídos Máquina Bateção Pgto. terceirizada terceirizada base milheiros 11,34 9,36 10 palha batidos Média por quilo de pó extraído 1,71 2,76 1,05 -Fonte: Pesquisa de campo (2006) e D’alva (2007, p. 170). Após a extração, o pó é recolhido em sacos comuns, para depois ser con-duzido aos locais de transformação em cera de origem ou refinada (Etapa 3),conforme processo descrito no item 4.3 anterior. As estimativas de custo e receitadessa etapa são apresentadas no item que se segue.98
  • 97. 5.2 – Etapa 3: beneficiamento do pó cerífero5.2.1 – Produção de cera de origem O custo de produção da cera de origem é de R$ 0,28 por cada quilo, confor-me mostrado na Tabela 13. Este custo unitário, que inclui a depreciação dosequipamentos e os juros sobre empréstimo pelo período de dois meses,é pouco superior ao calculado por D’alva (2007) para explorações emBeberibe (CE), o que é aceitável, levando-se em conta que este autor nãoconsiderou em seus cálculos os juros sobre empréstimo; pouco abaixo dodeclarado por um proprietário de fábrica artesanal, segundo o qual, o custode fabricação da cera é de R$ 0,33/kg.Tabela 13 – Custo de Produção de um Quilo de Cera de Origem em Fábrica Artesanal – 2005 VR. VR. TOTAL ITENS DO ORÇAMENTO UNID. QUANT. UNITÁRIO (R$) (R$) Operários da prensa e caldeira (1) kg de cera 1,00 0,05 0,05 Lenha (2) m3 0,003 10,00 0,03 Água (3) litro 2,91 0,029 0,084 Pano de nylon para prensa um 0,01 1,00 0,01 Ácido oxálico (sal de azedo) kg 0,003 5,00 0,015 Depreciação equipamentos vb - - 0,064 Subtotal 0,25 Juros sobre empréstimo % x 2 meses 5,00 0,25 0,03 CUSTO UNITÁRIO 0,28Fonte: Pesquisa de campo (2006) e D’alva (2007, p.170).Notas: (1) Considerou-se a média de R$ 25,00 pagos por um dia de trabalho atrelado à produção de 500kg de cera, de acordo com o observado em campo; (2) Para produzir 150kg de cera, é necessário 0,5m3 de lenha (algaroba), conforme D’alva (2007, p. 170); (3) Segundo um informante (dono de fábrica), para cada 200kg de pó levados à caldeira são necessárias 15 latas (de 18 litros) de água (270 litros), equivalendo a 1,35 litro para cada quilo de pó. Considera- se que, para produzir um quilo de cera, é necessário 1,45kg de pó, o que exigirá 2,91 litros de água. O valor da água foi baseado em D’alva (2007, p. 170). O lucro líquido obtido pelo produtor de cera de origem varia em decorrênciada amplitude da exploração, que influencia no montante do custo gerado, que, por 99
  • 98. sua vez, sofrerá uma variação em decorrência dos parâmetros adotados, conformejá mencionado no item 5.1 anterior. Assim, se o produtor de cera explora tambémas atividades de corte, secagem e extração do pó, os itens de custos destas etapasserão acrescidos ao custo total apresentado na forma de resumo na Tabela 14,com detalhamento no Apêndice A (Tabelas 11 a 20). O lucro líquido mais favorável para o rendeiro/produtor (R$ 10,89) acontecequando ele contrata os serviços de corte da palha com base em diárias trabalhadase utiliza máquina de bateção e serviços próprios e, além disso, é dono de fábricaartesanal, acumulando o negócio de produção e venda de cera de origem, conformeresumo apresentado na Tabela 14 (ver detalhamento na Tabela 16 do ApêndiceA). Custo e receita médios por quilo de pó extraído, neste caso, representam,respectivamente, R$ 1,88 e R$ 1,12 (Tabela 14). Porém, se o produtor se ocupa apenas da produção e comercialização dacera de origem, necessita adquirir o pó cerífero. Neste caso, o custo que teria comarrendamento, corte, secagem e extração é substituído pelo custo de aquisiçãodo pó, que varia de acordo com a proporção adquirida por tipo de pó (olho epalha), conforme exemplo-resumo apresentado na Tabela 15 (Detalhamento nasTabelas 21 a 28 do Apêndice A). Assim, não haverá receita de bagana, já que oprodutor da cera não é responsável pelo arrendamento. Nessas condições, se oprodutor tomar dinheiro emprestado a taxas de 5% a.m. durante dois meses, teráprejuízo na atividade, independente do tipo ou proporção de pó adquirido, sendoa situação menos desconfortável, aquela em que todo o pó é do “tipo olho”, aindaassim, acumulando prejuízo de R$ 0,49 por cada 7,5kg de pó transformado emcera (Tabela 15). Importante destacar que esta situação surge em decorrência deo produtor recorrer ao mercado paralelo para adquirir recursos para custeio daatividade, a taxa de juros média de 5% ao mês. Por outro lado, considerando-se queo produtor recorrerá ao BNB, cuja taxa de juros sobre empréstimos do FNE (FundoConstitucional de Financiamento do Nordeste) será de 0,53% a.m31, modifica-seo perfil do lucro líquido. Neste caso, haverá prejuízo quando o produtor utilizar80% de pó de palha para produção da cera. A melhor situação é aquela em que oprodutor utiliza apenas pó olho, na qual o lucro líquido atinge R$ 3,01 por cada31 Essa taxa foi calculada da seguinte forma: o custeio pelo FNE-RURAL tem taxas de 5% a.a. para miniprodutores e 7,25% a.a. para pequenos produtores. Fez-se a média ponderada pelos valores financiados de 1998 a 2006 para esses dois portes de produtor, o que resultou em 6,37% a.a., correspondendo a uma taxa de 0,53% a.m., considerando o regime de juros simples.100
  • 99. 7,5kg de pó adquiridos e transformados em cera, embora acarrete também nocusto mais elevado (R$ 39,59). Ressalte-se que, nos cálculos sobre empréstimosdo FNE, não se levou em conta o rebatimento de 25% sobre o pagamento dosjuros ao qual o produtor terá direito caso faça em dia o pagamento das parcelasdo empréstimo.Tabela 14 – Resumo de Custo e Receita no Extrativismo da Carnaúba – um Milheiro de Palha (7,5kg de Pó Cerífero): Diversos Parâmetros Observados em Campo, com Produção de pó, Produção e Venda de Cera de Origem – 2005 PARÂMETROS ADOTADOS EM CAMPO FONTE CUSTO RECEITA LUCRO (TABELA NO CORTE TOTAL BRUTA LÍQUIDO NA BATEÇÃO DA PALHA APÊNDICE DA PALHA (R$) (R$) (R$) A) Bateção   15,05 7,51 11 própria Pgto. base Máquina kg pó 15,84 6,72 12 própria extraídos Bateção Pgto. base terceirizada milheiros Milheiros 16,06 6,50 13 palha de palhas batidos derrubados Pgto. base kg pó 16,26 6,30 14 CONSIDE- extraídos RANDO Máquina Bateção PRODU- terceirizada terceirizada Pgto. Base ÇÃO milheiros 16,06 6,50 15 DE PÓ, palha PRODU- batidos 22,56 ÇÃO E Bateção VENDA   11,67 10,89 16 própria DE CERA Pgto. base DE Máquina kg pó 12,46 10,10 17 ORIGEM própria extraídos Bateção Pgto. base terceirizada milheiros Diárias 12,68 9,88 18 palha trabalhadas batidos Pgto. base kg pó 12,88 9,68 19 extraídos Máquina Bateção Pgto. base terceirizada terceirizada milheiros 12,68 9,88 20 palha batidos Média por quilo de pó extraído 1,88 3,00 1,12 -Fonte: Pesquisa de campo (2006) e D’alva (2007, p. 170). 101
  • 100. Tabela 15 – Resumo de Custo e Receita com Aquisição de 7,5kg de Pó Cerífero, Produção de Cera de Origem, Ensacamento e Transporte e Venda de Cera de Origem – Taxa de Juros de 5% a.m. – 2005 FONTE CUSTO LUCRO RECEITA (TABELA TIPO DE PÓ TOTAL LÍQUIDO BRUTA (R$) APÊNDICE (R$) (R$) A) CONSIDERANDO 80% pó palha + 21,31 19,56 -1,75 21 A AQUISIÇÃO DE 20% pó olho PÓ CERÍFERO 50% pó palha + 29,47 28,20 -1,27 22 50% pó olho 100% pó palha 15,86 13,80 -2,06 23 100% pó olho 43,09 42,60 -0,49 24Fonte: Pesquisa de campo (2006) e D’alva (2007, p. 170).Tabela 16 – Resumo de Custo e Receita com Aquisição de 7,5kg de Pó Cerífero, Produção de Cera de Origem, Ensacamento e Transporte e Venda de Cera de Origem – Taxa de Juros de 0,53% a.m. – 2005 CUSTO LUCRO FONTE RECEITA TIPO DE PÓ TOTAL LÍQUIDO (TABELA BRUTA (R$) (R$) (R$) APÊNDICE A) CONSIDERANDO A 80% pó palha + 19,58 19,56 -0,02 25 AQUISIÇÃO DE PÓ 20% pó olho CERÍFERO 50% pó palha + 27,07 28,20 1,13 26 50% pó olho 100% pó palha 14,57 13,80 -0,77 27 100% pó olho 39,59 42,60 3,01 28Fonte: Pesquisa de campo (2006) e D’alva (2007, p. 170).5.2.2 – Produção de cera industrial A estrutura de custos da produção industrial de cera de carnaúba não foge daestrutura padrão de uma empresa capitalista formada por custos fixos e variáveis.Compõem os custos fixos a mão-de-obra indireta (remuneração e encargos sociaisde empregados ocupados em atividades administrativas, pro-labore dos proprie-tários e honorários de contador), depreciação dos bens de capital, manutençãoe conservação dos bens de capital, seguro contra risco de sinistro, material deexpediente e material de limpeza.102
  • 101. Os custos variáveis são compostos de mão-de-obra direta (remuneraçãoe encargos sociais de pessoal alocado no processo produtivo), material direto(insumos de produção), transporte de pó cerífero, impostos e contribuições (IPI,PIS, COFINS, ICMS, ISS e IRPJ)32. As indústrias contam ainda com os custos de comercialização, ligados aosgastos com transporte até o porto do Pecém (Ceará) e à comissão de 3% pagaaos corretores que negociam a venda com os importadores. Como se pode observar, a estrutura de custos é relativamente simples. Ogrande problema enfrentado nesta pesquisa refere-se à dificuldade de obtençãode dados. Se, por um lado, a bibliografia sobre o assunto é escassa, por outro,observa-se a reticência entre os empresários, eximindo-se de prestar informaçõesdetalhadas de custo e receita. Trata-se de segmento bastante fechado, em quegrande parte dos empresários mantém o sigilo sobre as informações de sua em-presa, conseqüência da concorrência acirrada na atividade. Gomes et al. (2006) realizaram uma pesquisa entre industriais do Estadodo Piauí com o objetivo de estimar os custos de produção, a rentabilidade, a lu-cratividade e o valor adicionado. Na ocasião da pesquisa (janeiro a setembro de2004), treze indústrias se encontravam em funcionamento. Deste total, somenteseis responderam ao questionário aplicado, dos quais três foram excluídos emvirtude de apresentarem omissões ou informações incompletas que comprometiamos cálculos. Assim, as estimativas foram realizadas com base apenas nos dadosfornecidos (referentes ao ano de 2003) por três das treze indústrias piauienses. Nas Tabelas 17 e 18 a seguir, elaboradas por Gomes et al. (2006), cons-tam os resultados das estimativas realizadas para produção e faturamento anual(Tabela 17) e estimativa de custos de produção mensal de cera de carnaúba(Tabela 18). Para a realização dos cálculos da Tabela 17, o volume da cera foi medido combase na classificação oficial (Tipos Um, Três e Quatro). Em média, a produçãoanual foi de 637 toneladas, atingindo um faturamento médio de cerca de R$ 3,4milhões, equivalente ao preço de R$ 5,34 por cada quilo de cera, correspondente32 No Piauí, as indústrias exportadoras recebem incentivos fiscais dos governos estadual (ICMS) e federal (PIS, Cofins, IPI) por tempo determinado. 103
  • 102. a US$ 1,74/kg33. Durante a pesquisa de campo, no ano de 2006, verificou-sea seguinte cotação média da cera de carnaúba no mercado internacional: TipoUm Escamada – US$4.38/kg; Tipo Três Escamada – US$1.74/kg; Tipo QuatroEscamada – US$ 1.52/kg. A média calculada para os três tipos é de US$ 2.54/kg,portanto num patamar acima do observado por Gomes et al. (2006). A despeito de a definição dos preços da cera no mercado internacional partirdo grupo de importadores, o retorno financeiro da atividade é significativo, emboraa margem de lucro seja bastante instável, em virtude das constantes flutuações nacotação, conforme análise dos resultados financeiros de uma indústria piauiense,realizada por Azar (2004). Esta autora observou que, no caso específico daempresa analisada, a margem média de lucro é de 40%, embora possa variar de20 a 60%.Tabela 17 – Estimativa da Produção e do Faturamento Anual (2003) por Empresas Produtoras de Cera de Carnaúba: Piauí 2003 Receita ( em mil Empresa Produção (t) Preço (R$/t) reais) Tipo Um - 350 Tipo Um - 8.000,00 2.800,00 Tipo Três - 600 Tipo Três - 4.000,00 2.400,00 A Tipo Quatro - 400 Tipo Quatro - 3.500,00 1.400,00 Total (empresa A) 1.350 Não se aplica 6.600,00 B Tipo Um - 200 Tipo Um - 8.310,00 1.662,00 Total (empresa B) 200 Não se aplica 1.662,00 Tipo Um - 110 Tipo Um - 7.600,00 836,00 Tipo Três - 200 Tipo Três - 3.600,00 720,00 C Tipo Quatro - 50 Tipo Quatro - 3.300,00 165,00 Total (empresa C) 360 Não se aplica 1.721,00Fonte: Gomes et al. (2006, p. 16). Considerando-se a média das três empresas estudadas, observam-se custosfixos de 5,7% e custos variáveis de 94,3%, sendo que a maior parte dos custosvariáveis (90,7%) refere-se a custos com insumos que entram diretamente naprodução (pó cerífero, palha de arroz, solvente, argilas, papel para filtrar, peróxidode hidrogênio) e embalagens (Tabela 18).33 Cotação média do dólar para 2003, no valor de R$ 3,07 (BACEN, 2007).104
  • 103. Tabela 18 – Estimativa do Custo de Produção Mensal de Cera de Carnaúba: Piauí Empresa Empresa Composição % % Empresa C (3) % A (1) B (2)1 Custos Fixos 23.061, 44 5,34 29.546,37 2,22 20.768,68 9,531.1 Mão-de-obra 8.248,94 6.800,00 12.730,581.1.1 Salários 2.120,00 3.200,00 3.001,001.1.2 Encargos sociais 528,94 3.200,00 229,581.1.3 Pró-labore 4.000,00 0,00 6.240,001.1.4 Enc. sociais (pró-labore) 880,00 0,00 1.760,001.1.5 Honorários do contador 720,00 400,00 1.500,001.2 Depreciação 5.291,67 13.870,37 2.554,941.3 Manut./ conservação 970,83 1.250,00 424,501.4 Seguro 550,00 0,00 4.167,001.5 Água / luz / telefone 7.000,00 3.200,00 500,001.6 Mat. de expediente 400,00 250,00 350,001.7 Material de limpeza 600,00 200,00 41,661.8 Outros ... 3.976,00 ...2 Custos variáveis 408.275,33 94,65 1.306.780,00 97,78 197.322,98 90,472.1 Mão-de-obra 14.204,70 29.400,00 4.775,352.1.1 Salários 10.600,00 14.700,00 4.436,002.1. 2 Encargos sociais 2.644,70 14.700,00 339,352.1.3 Mão-de-obra s/carteira 960,00 0,00 0,002.2 Cons. de mat. direto 359.030,63 1.205.870,00 181.611,582.4 Impostos e contrib. 12.540,00 10.560,00 3.248,562.4.1 PIS 5.940,00 5.500,00 578,452.4. 2 COFINS ... 5.060,00 2.670,112.4. 3 IPI ... ... ...2.4.4 ICMS ... 13.119,95* 6.687,49*2.4.5 IRPJ 6.600,00 ... ...2.5 Custo de comercializ. 22.500,00 60.950,00 7.687,492.5.1 Frete da cera 6.000,00 10.935,00 ...2.5.2 Comissão s/ vendas 16.500,00 41.000,00 1.000,002.5.3 Despesas financ. ... 9.015,00 ...TOTAL (1+2) 431.336,77 1.336.326,30 218.091,66Custo Unitário 3,83 6,68 3,41Fonte: Gomes et al. (2006, p. 13).Nota: Sinal convencional utilizado: ... Dado não disponível.(1) Empresa A: IPI, Cofins e ICMS - Isenta;(2) Empresa B: IPI - Isenta; * ICMS - saldo credor;(3) Empresa C: * ICMS a recolher; este valor está incluído no custo de comercialização. 105
  • 104. Azar (2004) apresenta duas tabelas com o cálculo dos custos de produçãode uma tonelada de cera de carnaúba tipos Um e Três34. Para a produção de umatonelada da cera tipo Um são gastos R$ 8.678,40, o equivalente a R$ 8,67/kg.A produção de cera tipo Três apresenta custo de R$ 4.920,00, inferior em cercade 43% aos custos de produção da cera Tipo Um, correspondendo a R$ 4,92por cada quilo produzido (Tabelas 19 e 20).Tabela 19 – Custo de Uma Tonelada de Cera de Carnaúba Tipo Um Insumos Unidade Quantidade Preço Unitário (R$) Valor Total (R$) Pó branco kg 1.200 5,00 6.000,00 Solvente kg 120 2,70 324,00 Diatomita kg 20 1,95 39,00 Peróxido hidrog. kg 30 2,58 77,40 Fulmont kg 20 2,00 40,00 Ácido oxálico kg 2 4,00 8,00 Lenha m3 5 12,00 60,00 Energia 250 0,20 50,00 Mão-de-obra   130,00 Enc. Sociais   100,00 Casca de arroz saco 20 0,50 10,00 Deprec. de equip.   100,00 Tributos   1.380,00 Corretagem   360,00 TOTAL     8.678,40Fonte: Azar (2004), Anexo 5, citando Palha Branca – Óleos e Ceras.Tabela 20 – Custo de uma Tonelada de Cera de Carnaúba Tipo Três Insumos Unidade Quantidade Preço Unitário (R$) Valor Total (R$) Pó branco kg 1.700 1,70 2.890,00 Solvente kg 160 2,70 432,00 Diatomita kg 20 1,95 39,00 Peróxido de hidrog. kg 80 2,58 206,00 Fulmont kg 20 2,00 40,00 Ácido oxálico kg 1 4,00 4,00 Lenha m3 7 12,00 84,00 Energia 300 0,20 60,00 Mão-de-obra   130,00 Enc. sociais   100,00 Casca de arroz Saco 20 0,50 10,00 Deprec. de equip.   100,00 Tributos   660,00 Corretagem   165,00 TOTAL       4.920,00Fonte: Azar (2004), Anexo 5, citando Palha Branca – Óleos e Ceras.34 Segundo Azar (2003), a cera Tipo Quatro apresenta os mesmos custos que a do Tipo Três.106
  • 105. 6 – POLÍTICAS E AÇÕES DE APOIO À ATIVIDADE A literatura sobre o extrativismo da carnaúba aponta para alguns fatores queseriam os responsáveis pela atual situação de fragilidade e conseqüente perdade representatividade da cera nas pautas de exportações dos Estados do Piauí,Ceará e Rio Grande do Norte (CASADIO, 1980; IPT, 2002; CARNAUBEIRA...,2003; BEZERRA, 2005): a) descoberta de substitutos vegetais, como a cera de candelila, ou minerais,como a cera Montana, que, embora não possuam o mesmo brilho, cor, dureza eponto de fusão, são mais baratas; b) regime de oligopsônio imposto pelos importadores; c) ausência de uma política de garantia de preços mínimos, existente nopassado; d) ausência de conhecimento gerencial e técnico sobre a atividade; e) ações fraudulentas de alguns exportadores, no passado, que adulteravam acoloração da cera, através de anilinas e mistura de matérias estranhas ao produto; f) ausência de incentivos à produção e crédito, por parte do governo fede-ral, reclamação que vem desde primórdios do século passado, conforme atestaCarvalho (1982) ao relatar discursos e apresentações de projetos-lei nas câmarasdo Legislativo em 1934; g) desorganização da atividade, principalmente no processo de comercialização. Vale ressaltar que, mesmo sendo o Brasil o único produtor de cera de car-naúba no mundo, o preço tem sofrido grandes variações. Isso é fruto de umacrise estrutural que persiste desde o final da Segunda Guerra Mundial, provocadapor um conjunto de fatores, dentre os quais se inclui o direcionamento dado àspolíticas públicas. Para melhor entendimento dessa problemática apresenta-se aseguir uma síntese das políticas e principais ações direcionadas à atividade desdeos anos 1940.6.1 – Intervenção Estatal Planejada: dos anos 1940 à década de 1980 As intervenções públicas planejadas para a atividade de carnaúba iniciaram-sena década de 1940, encerrando-se no final dos anos 1980. 107
  • 106. Desde o final da Segunda Guerra Mundial, o extrativismo da carnaúba temsofrido diversas crises, em geral, seguidas de políticas públicas de apoio, porémcom efeitos negativos para a atividade como um todo. Para compreender essaproblemática, é fundamental entender como funciona o jogo de forças que in-fluenciam o governo na definição de políticas. Sobre este assunto, D’alva (2007)fez uma competente revisão, com análise crítica, da qual se apresenta um resumoneste texto. Logo após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), com o reaquecimentodo comércio internacional, instalou-se uma onda especulativa no mercado da cerade carnaúba e uma brusca elevação artificial de sua cotação, seguida de declíniosignificativo35. Essa crise fez com que empresários e políticos ligados à atividadeexercessem pressão junto ao governo federal, dando origem à primeira políticaplanejada no ano de 1948, durante o governo de Eurico Gaspar Dutra. Após aimplantação dessa política, outras se seguiram, causando impactos importantes.A última política estruturada foi posta em prática no final dos anos 1980. Este segmento, que, em suas reivindicações, utilizava o discurso da impor-tância social da atividade, na verdade não fazia esforços por políticas que fossemcapazes de mudar a estrutura vigente de comercialização. A força política da atividade conseguiu que medidas aprovadas durante ogoverno Gaspar Dutra incluíssem a concessão dos primeiros financiamentos paraa atividade, sancionando uma lei especial de crédito que permitia a efetivação degrandes financiamentos para a cera, com juros subsidiados e recursos oriundos dodepósito constitucional do plano de defesa contra os efeitos da seca no Nordeste,contrariando parecer emitido por técnicos do Banco do Brasil após realização depesquisa sobre a problemática da atividade36. Mesmo com uma série de medidas dirigidas à atividade ao longo dos anos,os preços seguiram declinando desde o período do pós-guerra, muito embora35 No pós-guerra, houve crescimento da demanda internacional por cera de carnaúba. Proprietários de carnaubais e exportadores se aproveitaram dessa situação para obter ganhos a partir de especulação comercial, elevando o preço artificialmente. Em 1946, o preço atingiu a maior cotação do pós-guerra. Essa especulação comercial induziu a que os importadores se unissem em torno da Amerwax (American Wax Importers and Refiners Association), organização de compradores internacionais que conseguiu impor uma queda dos preços.36 A pesquisa explicava que a queda de preços era de natureza comercial, decorrente de uma reação dos importadores à elevação dos preços. O documento recomendava cautela na análise de pedidos de financiamento, evitando, desta forma, contribuir para valorização artificial da cera e conseqüente prejuízo à atividade como um todo.108
  • 107. de forma não-sistemática, passando também por fases de elevações bruscas nacotação em 1974 (durante a primeira crise do petróleo) e em 1995 (após a im-plantação do Plano Real), todas elas seguidas de quedas significativas no preço37.Da mesma maneira que na primeira crise, na segunda e na terceira, políticos eempresários pressionaram o governo federal e conseguiram que novas medidasfossem adotadas em defesa da atividade. O apoio inicial do Estado a esse segmento, com financiamento subsidiado, naverdade funcionou como um habilitador para que o exportador passasse a atuarno mercado especulativo. Esta forma de atuação induziu a que os importadoresse articulassem, numa ação em defesa de seus interesses, passando a atuar deforma organizada, tomando para si o poder de definição do preço da cera, fa-zendo-o recuar38. Com a queda dos preços do produto, teve início uma acirradaconcorrência entre os próprios exportadores, gerando uma guerra de preçoscom práticas comerciais irregulares, que consistia em exportar o produto porvalor abaixo do preço mínimo, recebendo comissão “por fora”, o que contribuíatambém para a queda dos preços. Essa prática ficou conhecida como “CâmbioNegro” ou “Câmbio Português”. Em 1954, houve uma intervenção estatal na área de comércio exterior,comandada pela Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil (Cacex), queconsistia na criação de dois subcomitês de acompanhamento das exportaçõese regulação dos preços mínimos de exportação (um em Fortaleza e outro emParnaíba). Esses subcomitês eram compostos por técnicos da Cacex, técnicos doMinistério da Fazenda e representantes de exportadores. A intenção era moralizaro comércio e melhorar o preço da cera. No entanto, tal medida não logrou efeitospositivos para a atividade como um todo, pois as práticas comerciais irregularescontinuaram repetindo-se. Em 1958, houve nova intervenção estatal, com o “Plano de Defesa das Cota-ções de Cera de Carnaúba”, que consistia na compra de parte da cera dos expor-tadores, pelo preço mínimo, e formação de estoque, com o objetivo de “moderara oferta e aliviar pressões baixistas”. Esta política não funcionou, à medida queocorreu uma queda em 65% nas cotações, além de persistir o comércio irregularda cera, resultando na venda do produto de volta aos exportadores em 1969.37 Ver Gráfico 5, no capítulo 3, p. 6138 Trata-se da Amerwax, entidade norte-americana que, desde então, exerce o controle do mercado mundial de ceras vegetais. Para se ter uma idéia, as normas técnicas de padronização e classificação da cera são determinadas por essa entidade. 109
  • 108. Em 1968, o IV Plano diretor da Sudene contemplava a carnaúba, com umaproposta de “Racionalização e modernização da carnaúba”, a qual destinava 10%da aplicação anual da agropecuária para essa atividade. Nos anos 1970, o governo decretou o fim da política da Cacex. Mas,nessa mesma década, o grupo de industriais da cera de carnaúba se beneficioudos incentivos fiscais para projetos de investimentos industriais, o denominado34/18, o qual proporcionou a consolidação da primeira geração de industriais– exportadores –, que era formada principalmente pelo grupo que se articulavaem torno da entidade “Centro de Exportadores”, no Piauí. Com esses financia-mentos, houve a modernização do maquinário, porém sem mudanças no proces-so de beneficiamento e sem criar novo produto, ou seja, a atividade continuouexportando matéria-prima. Em 1972, a própria Sudene elaboraria um diagnóstico da carnaúba, denomi-nado de “Estudo de mercado de produtos agropecuários do Nordeste – Carnaúba”,o qual apontava para um mercado saturado, com baixo crescimento da exportaçãoe queda no preço. O mesmo documento afirmava ser a cera um produto de re-duzida importância econômica para os estados produtores. O fato de continuara produção aumentando em 7% ao ano era interpretado como conseqüência daimposição da situação de penúria da população e da falta de alternativas de ocu-pação e de geração de renda no campo. Por outro lado, documento de 1970, daprópria Sudene, colocava o produto como responsável por 2,5% das exportaçõesnordestinas e 16,9% das exportações do Ceará, sendo o terceiro produto da pautade exportações deste Estado. As propostas feitas a partir do diagnóstico foram: a) revigorar a posição dos produtores no processo de comercializaçãoatravés de sua associação em cooperativas; b) criar novas fontes de emprego e renda, notadamente por meio da inten-sificação do Plano Regional de Irrigação39; c) modernizar o processo produtivo por intermédio de programa de orien-tação técnica e financiamento. Na verdade, os proponentes dessa política percebiam que o extrativismo da39 Proposição que, na verdade, significava uma fuga da atividade.110
  • 109. carnaúba representava um obstáculo à modernização que pretendiam, o qual nãoera somente físico, mas também econômico e sociocultural, por ocupar terrasaluvionais férteis, envolver imenso contingente populacional e encerrar um modode vida específico e estruturado, inserido na cultura local. Portanto, era necessáriodesarticular essa civilização para dar espaço à reprodução do capital monopolista,de interesse de indústrias fornecedoras de insumo e de bens de capital. Importante observar que, ao mesmo tempo que propunha o incentivo à or-ganização no processo de comercialização (item a) e modernização do processoprodutivo (item c), o documento sugeria a substituição de carnaubais por culturasde irrigação com alto padrão tecnológico (item b). Essa era a proposta de moder-nização da carnaúba, política que foi posta em prática, tanto no Vale do Jaguaribe eCuru (CE) quanto do Assu (RN), promovendo a erradicação de milhares de hectaresde carnaubais nativos. No Ceará, esta proposta avançou, com a implantação doPerímetro de Irrigação de Morada Nova, que desapropriou 12.500 hectares noVale do Banabuiú, eliminando cerca de 3,75 milhões de carnaubeiras. E poderiater ido além, com o completo extermínio dos carnaubais do Vale do Jaguaribe,caso o projeto de irrigação do Baixo Jaguaribe tivesse sido implantado, pois estedesapropriaria uma área de quase 62 mil hectares. Trata-se, portanto, de ação contraditória do Estado, por meio da qual pro-curava atender, ao mesmo tempo, os interesses de elites distintas: se por umlado, concedia incentivos aos industriais – exportadores da cera –, por outro,disponibilizava todas as condições aos proprietários rurais, estimulando-os asubstituírem seus carnaubais por culturas irrigadas com tecnologia modernaque demandaria insumos e bens de capital, criando um mercado para empresasatuantes nessa área. Durante a crise do petróleo, em 1974, em meio à valorização artificial dacera e nova onda especulativa, o governo reorientou a Política de Garantia dePreço Mínimo (PGPM) executada pela Comissão de Financiamento da Produção(CFP), de forma a contemplar a cera de carnaúba. Isso ocorreu como resultadode uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para a Carnaúba, instalada em1968 com o objetivo de investigar a deterioração dos preços da cera e outrasirregularidades. A conclusão do trabalho sugeria a realização de pesquisas cien-tíficas, bem como o apoio à atividade por meio de incentivos fiscais e creditícios,incentivo ao consumo interno, controle da qualidade da cera e reformulação dapolítica de exportação. No entanto, seu principal objetivo era a inclusão da cera 111
  • 110. na PGPM40. Paralelamente a isso, um grupo de industriais articulava-se politica-mente, com o intuito de fechar o mercado de exportação de cera de origem. Em1970, foi estabelecido um regime de cotas por um período máximo de cinco anose conseqüente extinção a partir de 1975. A PGPM foi efetivamente operada entre 1971 e 1994, sendo operacionaliza-da por dois mecanismos: as Aquisições do Governo Federal (AGF)41 e Empréstimosdo Governo Federal (EGF). Entre 1971 e 1988, o governo fixou preços mínimospara a cera e pó cerífero e fez aquisições, resultando em estoque considerável.Entre 1988 e 1994, o governo cessou as aquisições e liquidou os estoques, depoisde diversos problemas, como a substancial concentração das aquisições originadasde grandes proprietários e a dificuldade para estocar as crescentes safras de ceraque chegavam aos armazéns42. Em teoria, a PGPM deveria estabilizar a renda do agricultor, colocando seuproduto no mercado em condições compensadoras e comprando sua produçãopor um preço viável economicamente, anulando assim os efeitos maléficos domercado e protegendo-o de riscos inerentes à atividade. Na prática, a políticaproduziu efeitos extremamente negativos, pois favoreceu exportadores, grandesprodutores e comerciantes de cera, concedendo subsídios à exportação e garan-tindo a aquisição do produto a preços vantajosos. A PGPM não realizou os efeitos distributivos a que se propôs, uma vez queos pequenos produtores tiveram acesso restrito aos seus benefícios. Um dosfatores que impediam o acesso dos pequenos aos preços mínimos do governo40 Os recursos utilizados na PGPM eram originários do Tesouro Nacional; a administração das operações e definição dos preços era de responsabilidade da CFP; técnicos das secretarias de agricultura dos governos estaduais faziam a classificação do produto; o Banco do Brasil autorizava e pagava as operações e os custos de armazenamento na Cibrazem (Companhia Brasileira de Armazenamento).41 O governo fixa, antes do plantio, um preço mínimo para cada produto, comprometendo-se a adquiri-lo na época da colheita a esse preço mínimo, se o preço de mercado ficar abaixo do preço mínimo (BACHA, 2003).42 Um dos grandes problemas que aconteceram durante a efetiva existência dessa política foi relatado em entrevista, ano de 2006, concedida por técnico que trabalhou na CFP durante o período de 1978 a 1990 (no início do governo Collor houve uma fusão entre CFP Cibrazem e Cobal – Companhia Brasileira de , Alimentos, passando a denominar-se Conab – Companhia Nacional de Abastecimento). Segundo ele, a corrupção foi uma constante na PGPM: “no caso da compra de pó, muitos produtores vendiam o de 50% de pureza, que era classificado como de 60% pelos funcionários corruptos e o governo ‘levava gato por lebre’” (Depoimento oral, 2006). Em meio aos inúmeros problemas, o governo tomou a decisão de fixar um preço mínimo desestimulante, cessou com as aquisições e vendeu todo o estoque para as indústrias. Na ocasião, “houve até quem propusesse afundar o estoque de cera em alto-mar ou mesmo queimá-lo, a exemplo do que ocorrera com o café” (Depoimento oral, 2006).112
  • 111. era a perversa estrutura de financiamento e comercialização, na qual o rendeiroe o pequeno produtor, descapitalizados, recorriam ao financiamento de grandesproprietários e comerciantes, aos quais vendiam a cera na folha, ou seja, adiantavamo dinheiro para o corte de palhas e produção da cera, recebendo o pagamentoem produto a um preço bem inferior ao mínimo. A cera comprada na folha eraposteriormente vendida ao governo pelos grandes proprietários e comerciantes,reais beneficiários da política. A cera de carnaúba continua fazendo parte da lista de produtos da PGPM(desde 1989 sob a responsabilidade da Conab), que continua fixando preçosmínimos anuais para o produto, mas sem qualquer validade, já que não há maisoperações de AGF para a cera de carnaúba.6.2 – Ações não-planejadas: dos anos 1990 aos dias atuais6.2.1 – Financiamento da produção A partir dos anos 1990, com a implantação do modelo neoliberal no governobrasileiro, o Estado sofreu drástica redução. Os financiamentos, antes fartos esubsidiados, passaram a ser restritos, afetando diversas atividades econômicas,dentre as quais o segmento industrial da cera de carnaúba. Os segmentos de rendeiros, pequenos proprietários e donos de fábricasartesanais descapitalizados, antes excluídos da possibilidade de financiamento emvirtude da inadequação das políticas, hoje o são pela inexistência delas. Assimcomo no passado, vêem-se obrigados a recorrer a agiotas ou aos industriais dacera para obtenção dos recursos necessários ao custeio das atividades de corte,extração do pó e produção de cera de origem, cujas taxas mensais, conformeobservado em campo, variam entre 5 e 10% a.m. Uma forma de financiamento da produção no campo perdurou por algunsanos, quando importadores disponibilizavam financiamentos aos industriais, que,por sua vez, os repassavam aos rendeiros/pequenos produtores. De acordo comdepoimentos de industriais-exportadores, tal linha deixou de existir em decor-rência da desvalorização da cera no mercado internacional. Alguns industriais-exportadores ainda a realizam, com recursos próprios, “adiantamento” do valordo pó ou cera bruta para os rendeiros/pequenos produtores, conforme visto nos 113
  • 112. Estados do Piauí e Ceará, mas já não é uma prática tão comum. Geralmente essanegociação ocorre somente quando há uma relação de confiança entre industrial erendeiro/produtor43. Porém, mesmo com todos os problemas decorrentes dessastransações, elas perduram, em virtude das dificuldades de acesso ao financiamentodos bancos e da indisponibilidade de recursos próprios, incluindo o capital degiro para a comercialização. A falta deste último lhes tira a liberdade de barganharmelhores preços para os produtos comercializados com as indústrias, além decriar uma pressão pela necessidade de saldar o compromisso já assumido como agiota na ocasião do custeio, apressando, assim, a venda do produto, muitasvezes resultando em prejuízos na atividade como um todo. No segmento industrial-exportador, é comum a utilização do Adiantamentode Contrato de Câmbio (ACC) como forma de financiamento da exportação dacera. No entanto, os empresários reclamam dos prejuízos decorrentes da valo-rização cambial do real frente ao dólar durante o Governo Lula. De acordo comdepoimento oral, não raro ocorre de os industriais embarcarem a mercadoria porum preço e receberem a menor, dias depois, devido à valorização da moeda. O segmento industrial-exportador, assim como no passado, continua atri-buindo ao governo as responsabilidades pelos problemas atuais da atividade. Ementrevistas, a maioria deles foi categórica na cobrança por uma política de preçosmínimos. As reivindicações apresentadas em entrevistas com industriais-exportadoressão: a) a operacionalização das políticas de proteção cambial (hedge); b) a equalização das taxas de câmbio; e c) a redução de taxas para o ACC. Observou-se, também, a reticência de alguns quanto à possibilidade de ogoverno disponibilizar financiamento para o pequeno produtor ou o rendeiro,segundo os quais criaria mais um problema, pois contribuiria para a disponibili-dade de maior volume de pó e cera no mercado, que, aliado ao baixo consumointerno, depreciaria ainda mais o valor do produto no mercado internacional.43 Numa das indústrias visitadas, o responsável declarou que deixou de fazer o financiamento dos rendeiros e produtores porque era muito comum pegarem o dinheiro e os sacos de embalagem, retirarem o pó do carnaubal e vendê-lo à vista para outra indústria, deixando o financiador no prejuízo.114
  • 113. Porém, segundo informações da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, todaa cadeia produtiva da cera de carnaúba necessita de financiamentos (CEARÁ,2003). Segundo a mesma fonte, a atividade precisaria de recursos da ordem deR$ 100 milhões. Os industriais carecem de crédito para financiar a produção decera e formar estoques que possam ser vendidos na entressafra, através da Bolsade Valores Regional; e os produtores necessitam de recursos para financiar aatividade extrativa do pó. Numa breve pesquisa entre os bancos oficiais, verificou-se que, embora nãoexistam linhas de financiamento específicas, há diversas possibilidades de finan-ciamento para a atividade como um todo. No Banco do Brasil, a atividade pode ser financiada através dos Empréstimosdo Governo Federal (EGF)44, Finame Especial, Proger Rural, Programa Nacionalde Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) grupos C e D, e pelas Cédulasde Produto Rural (CPR)45 (MAGALHÃES, 2003). O BNB, embora não coloque à disposição linhas específicas de financiamentopara a atividade, aplicou cerca de R$ 9 milhões na cadeia produtiva da carnaúba,de 1998 até 200646. Foram beneficiados produtores de micro, mini, pequeno emédio portes, principalmente nos Estados do Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte,para a aquisição isolada de matéria-prima, aquisição isolada de matéria-prima einsumos, capital de giro, custeio, investimentos fixos e semifixos e investimentorural (Tabela 21). Em números arredondados, no período 1998-2006, o Estado da Federaçãoque deteve o maior financiamento do BNB para a cadeia produtiva foi o Piauí(total de 257 operações)47, em volume pouco maior que o do Ceará, R$ 4,944 O EGF é um empréstimo aos produtores rurais para que estoquem os produtos e os vendam na época da entressafra, para evitar que o governo forme altos estoques. Sem a opção de venda ao governo (AGF), o produtor deve pagar o empréstimo ao agente financeiro quando vencido, não podendo vender o produto ao governo ao preço mínimo vigente. Com a opção de venda, vencido o empréstimo, o produtor vende o produto ao governo pelo preço mínimo vigente, caso o preço de mercado seja inferior ao preço mínimo (BACHA, 2003).45 A CPR é um título que somente produtores rurais ou suas cooperativas podem emitir, a qualquer tempo, mesmo após o produto colhido ou acabado, e os recursos são provenientes dos compradores. O negócio é realizado entre produtor e comprador, e o BB participa garantindo o cumprimento da obrigação assumida pelo produtor por meio do aval e propiciando a venda da CPR nos canais de venda disponíveis: leilão, balcão de agronegócios e balcão da agência.46 Todos os valores que figuram neste capítulo foram atualizados pelo IPCA-IBGE, de junho de cada ano, a partir de 1998, até dezembro de 2006, segundo metodologia do Bacen (2007).47 ale ressaltar que o número de operações pode não ser igual ao número de clientes, ou seja, pode acontecer de V 115
  • 114. milhões (55%) contra R$ 3,9 milhões (44%), respectivamente. Em terceiro lugarestá o Rio Grande do Norte, com R$ 59,7 mil (menos de 1%), que, a despeito deser um dos três maiores produtores de cera da região, figura em último entre osestados que receberam financiamento do BNB, com irrisório volume financiado.Conforme constatado durante a pesquisa de campo no Rio Grande do Norte, amaior empresa, localizada em Mossoró, encontrava-se em dificuldades financeirasem 2006, tendo fechado suas portas ainda naquele ano; os pequenos produtorestambém se queixavam da dificuldade de acesso ao financiamento.Tabela 21 – Financiamento do BNB à Cadeia Produtiva da Carnaúba, por Estado, Período 1998-2006 Total por UF (R$) UNIDADE DA FEDERAÇÃO Operações Valor Contratado Ceará 251 3.967.585,93 Piauí 257 4.972.268,46 Rio Grande do Norte 6 59.764,33 TOTAL 514 8.999.618,72Fonte: BNB (2006).Nota: Valores atualizados pelo IPCA/IBGE, segundo metodologia do Banco Central. O porte do produtor é definido por alguns parâmetros estabelecidos pelasnormas internas do BNB, como renda ou faturamento do tomador (pessoa físicaou jurídica), podendo variar de uma linha de financiamento para outra. Quatroforam os tipos financiados: os pequenos produtores receberam o maior volumefinanciado pelo Banco no período, com R$ 3,8 milhões, o que corresponde a 43%do volume financiado e 15% do total de operações, seguidos pelos miniprodutores,com R$ 2,5 milhões (27% do volume financiado), pelos de médio porte, com R$2,4 milhões (26%) e micro, com R$ 295 mil (3%). A média financiada por operação no porte de miniprodutor foi de R$ 5.961,17(Tabela 22). As operações de pequeno e médio porte, embora significativas emvolume (69%), provavelmente foram direcionadas a pequenas e médias indústriasde cera, que exigem maiores somas de capital, com média de R$ 397.547,25para porte médio e R$ 48.143,93 para pequeno porte. um mesmo cliente possuir mais de uma operação, principalmente ao longo de uma série histórica de nove anos. Quando o texto mencionar médias, entenda-se que se trata de média por operação, não média por cliente.116
  • 115. Tabela 22 – Financiamento do BNB para a Cadeia Produtiva da Carnaúba, por Porte, Período 1998-2006 Total por Porte (R$) PORTE Operações Valor Contratado Valor médio Micro 14 294.894,44 21.063,89 Mini 414 2.467.926,15 5.961,17 Pequeno 80 3.851.514,63 48.143,93 Médio 6 2.385.283,50 397.547,25 TOTAL 514 8.999.618,72 17.508,99Fonte: BNB (2006).Nota: Valores atualizados pelo IPCA/IBGE, segundo metodologia do Banco Central. Segundo Munn apud Soares (2007), a definição ampla de investimento é oemprego de capital com finalidade de lucro, seja em negócios, fazendas, imóveis,títulos, mercadorias ou mesmo instrução. As normas internas do BNB consideramcomo investimento rural (agrícola ou pecuário) os créditos diretamente relacio-nados com a atividade produtiva ou de serviços, destinados a aumentar a rendado produtor. Tais créditos só podem ser concedidos mediante apresentação deprojeto técnico (BNB, 2007). O custeio classifica-se em (BNB, 2007): a) agrícola (gastos do ciclo produtivo de lavouras periódicas, entressafra e colheitas de lavouras permanentes ou da extração de produtos vegetais espontâneos ou cultivados, incluindo beneficiamento primário da pro- dução e armazenamento no estabelecimento rural); b) de beneficiamento ou industrialização de produtos agropecuários (despesas com mão-de-obra, manutenção e conservação de equipamentos, aquisição de materiais secundários, sacarias, embalagem, armazenagem etc.); c) pecuário (gastos com lavouras temporárias destinadas a ração animal, processo de ensilagem, fenação, desidratação e tratamento de restos culturais para alimentação animal, inclusive aquisição de insumos e mão- de-obra, aquisição de insumos veterinários e rações formuladas). O financiamento para capital de giro possibilita à empresa os recursos finan-ceiros necessários para que ela possa funcionar, comprando ou vendendo seus 117
  • 116. produtos. A aquisição isolada de insumos ou de insumos e matéria-prima vedaao cliente a possibilidade de financiar outros itens que não estes. As finalidadesclassificadas por “não-especificadas” e “outros” agregam quaisquer outras finali-dades não-enquadráveis nas categorias anteriores48. Em relação aos totais investidos, de 1998 a 2006, R$ 4,2 milhões foramaplicados em custeio, pouco menos da metade do valor total financiado, sendotambém a finalidade de maior demanda, com 46% do número total de operaçõese também do valor total financiado. Com a finalidade investimento fixo e capitalde giro, foram investidos cerca de R$ 2,55 milhões, ou 28% do total financiadono período. Nesta finalidade são enquadrados financiamentos a indústrias, razãodo baixo número de operações realizadas. Em capital de giro, foram aplicados R$ 591,6 mil, representando aproxi-madamente 7% do volume financiado. E o investimento rural representou 6% dovolume financiado no período, R$ 555,6 mil. Estes dados confirmam a grandereclamação dos produtores nas entrevistas realizadas, referente à escassez derecursos para capital de giro, que ajudariam a enfrentar a sazonalidade da pro-dução49 (Tabela 23). Realizando o cruzamento de porte versus finalidade (Tabela 24), para os mi-niprodutores, os financiamentos destinam-se sempre ao custeio e ao investimentorural. São R$ 2,05 milhões distribuídos em 182 operações de custeio e R$ 419,8mil em 232 operações de investimento rural. Somando as duas finalidades, são225 operações no Ceará, com um total de R$ 1,13 milhão; no Piauí, são 184,com um total de R$ 1,27 milhão, e no Rio Grande do Norte, apenas 5 operações,com R$ 58 mil financiados. Conforme esperado para uma atividade extrativa, nostrês estados, a finalidade de custeio sempre é mais representativa que a de inves-timento: no Piauí e Ceará, 83% do financiamento aos miniprodutores foram paracusteio, enquanto no Rio Grande do Norte, a proporção sobe para 97%.48 Podem, eventualmente, representar financiamentos a indústrias, o que explicaria o baixo número de operações efetuadas.49 Em entrevistas realizadas com gerentes de agências do BNB, constatou-se que o financiamento mais comum para o extrativismo da carnaúba é o de custeio, geralmente direcionado aos proprietários de carnaubais e rendeiros. Os últimos normalmente só são financiados mediante apresentação de garantias reais ou aval dos proprietários. O financiamento de capital de giro geralmente destina-se a empresas, mas é bem pouco representativo em comparação ao custeio.118
  • 117. Tabela 23 – Financiamento do BNB para a Cadeia Produtiva da Carnaúba, por Finalidade, Período 1998-2006 FINALIDADE Total por Finalidade (R$) Operações Valor Contratado Aquisição isolada de matéria-prima 2 66.211,18 Aquisição isolada de matéria-prima e insumos 1 21.151,39 Capital de giro 9 591.641,29 Custeio 238 4.219.462,38 Investimento fixo e capital de giro 4 2.554.814,88 Investimentos fixos 1 6.818,10 Investimento rural 237 555.611,52 Investimentos semifixos 1 23.971,90 Não-especificada 16 902.123,83 Outros 5 57.812,25 TOTAL 514 8.999.618,72Fonte: BNB (2006).Nota: Valores atualizados pelo IPCA/IBGE, segundo metodologia do Banco Central.Tabela 24 – Financiamento aos Miniprodutores, por Finalidade, Período 1998- 2006 UF_MUN Porte Finalidade No. Op. Valor Contratado MINI CUSTEIO 120 940.071,86 CE   INVESTIMENTO RURAL 105 197.641,34 MINI Total CE   225 1.137.713,20 MINI CUSTEIO 59 1.051.642,08 PI   INVESTIMENTO RURAL 125 220.569,43 MINI Total PI   184 1.272.211,51 MINI CUSTEIO 3 56.385,11 RN   INVESTIMENTO RURAL 2 1.616,33 MINI Total RN   5 58.001,44  TOTAL 414 2.467.926,15Fonte: BNB (2006).Nota: Valores atualizados pelo IPCA/IBGE, segundo metodologia do Banco Central. 119
  • 118. Pelos dados, conclui-se que o perfil do tomador que lida com carnaúbageralmente é o miniprodutor, que solicita recursos para custeio e investimentorural em atividades desenvolvidas nos Estados do Piauí, Ceará ou Rio Grande doNorte, enquadrado no FNE-Rural ou Pronaf-B. Os recursos encontram-se tambémmuito concentrados nos pequenos e médios produtores. Os anos em que o BNB destinou maiores volumes de financiamento à atividadecarnaubeira foram 1998, 2000 e 2006 (Tabela 25). No entanto, o crédito foimuito concentrado no ano de 1998, com a média de R$ 296 mil por operação,caindo em 2000 e 2006 para R$ 25 mil e R$ 18 mil por operação, respectiva-mente. O ano em que os recursos foram mais distribuídos na atividade foi 2004,com a média de R$ 5,6 mil por operação. Como o papel do BNB é desenvolvera região, é interessante que o crédito siga essa tendência de desconcentração doperíodo 1999-2006, a fim de que mais produtores sejam favorecidos. O fato de apenas 514 operações haverem sido realizadas num período denove anos (cerca de 57 por ano) demonstra que o BNB tem potencial de aumen-tar a clientela envolvida com o extrativismo da carnaúba, ainda que se restrinja atrês estados. Caso venha a ser formulada uma política específica para a atividade,acredita-se que os recursos tenderão a ser mais bem distribuídos e o número deoperações ampliado.Tabela 25 – Financiamento do BNB para a Cadeia Produtiva da Carnaúba, por Ano, Período 1998-2006 Total por Ano (R$) ANO Operações Valor Contratado 1998 8 2.373.154,78 1999 15 455.089,39 2000 80 2.049.196,60 2001 55 663.350,73 2002 19 197.140,11 2003 98 629.250,36 2004 123 695.260,73 2005 48 710.018,71 2006 68 1.227.157,31 TOTAL 514 8.999.618,72Fonte: BNB (2006).Nota: Valores atualizados pelo IPCA/IBGE, segundo metodologia do Banco Central.120
  • 119. 6.2.2 – Outras ações de apoio à atividade6.2.2.1 – Ações de entidades públicas Merecem destaque algumas ações de entidades públicas desenvolvidas ouem desenvolvimento em prol da atividade. A Petrobras vem desenvolvendo trabalho, através do qual investiga tecnologiaspara a cera de carnaúba em duas linhas: compatibilidade entre a cera de carnaú-ba e a parafina originária do petróleo, sob a responsabilidade do seu Centro dePesquisa do Rio de Janeiro e estudo da molécula de hidrocarbonetos, em parceriacom a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Na primeira linhade pesquisa, existe o pressuposto de que há uma tendência mundial de mudançada rota de produção de lubrificantes, para uma rota que não produz parafina, aotempo em que cresce a demanda por parafinas. Partindo desta realidade, a Petro-bras pretende estimular a utilização da cera de carnaúba (já que é uma parafinanatural) em conjunto com as parafinas originárias do petróleo. Na segunda linha deinvestigação, pesquisadores estudam o craqueamento térmico visando à obtençãode lubrificantes, emulsões, graxas e aditivos originários da cera de carnaúba. O BNB-Etene financiou três pesquisas que se encontram em execução pelaEmbrapa: uma delas aborda a bagana como alimentação de ovinos; a segunda,objetiva a pesquisa de genótipos superiores de carnaubeira para o Nordeste (verApêndice B); a terceira, trata do desenvolvimento de tecnologias de manejo dasfolhas e utilização dos frutos da carnaubeira50. Apóia também dois projetos sociaisrelacionados à carnaúba, um deles executado pelo Instituto Sertão e o outro peloInstituto Carnaúba, ambos no Estado do Ceará (ver descrição no item b a seguir). Outro projeto apoiado pelo BNB-Etene é executado pela UFRN (UniversidadeFederal do Rio Grande do Norte), através do seu Núcleo Temático da Seca, quese propõe a promover o inventário dos estoques de informação sobre a carnaúba,disponíveis no acervo do Núcleo e produzir um catálogo digital descritivo dasinformações inventariadas, para consulta local ou remota (UFRN, 2002). Esse50 Com relação ao último tópico, trata-se da caracterização do fruto da carnaubeira de várias regiões, pensando em formas de utilização do produto. Já foi feita a caracterização, assim como testes para formulação de geléia da polpa. No momento, estão sendo realizados: teste sensorial da geléia a partir da formulação utilizando diferentes concentrações de insumos (ácido cítrico, conservantes e pectina), com o objetivo de chegar a uma formulação com boa aceitabilidade sensorial e de características físico-químicas e microbiológicas adequadas; teste de armazenamento de três meses. 121
  • 120. projeto é coordenado pela profa. Terezinha de Queiroz Aranha, pesquisadora eentusiasta da carnaúba. A mesma universidade, através da equipe da professoraTereza Neuma de Castro Dantas, realiza atualmente pesquisas com a produçãoartesanal de papel a partir da palha, utilizando a técnica da reciclagem. No ano de 2001, o BNB-Etene financiou o desenvolvimento de um secadorsolar para palha de carnaúba, num trabalho de pesquisadores da UFPI (Universi-dade Federal do Piauí) em parceria com a Fapepi (Fundação de Amparo à Pesquisado Estado do Piauí)51. Além da parceria com o BNB, a UFPI (através do Núcleo de Referência emCiências Ambientais do Trópico Ecotonal do Nordeste – Tropen), vem realizandotrabalho que envolve diagnóstico e projeção de cenários para a atividade extrativada carnaúba no Estado do Piauí. É também do Piauí a iniciativa de encontrar soluções para os problemas tec-nológicos da atividade. No ano de 2002, tentou-se uma parceria entre a Fapepi(Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí) e o IPT (Instituto de PesquisasTecnológicas) de São Paulo. Na ocasião, foi formada uma equipe de trabalho en-volvendo técnicos do IPT, do MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia), da Fapepie da UFPI (Universidade Federal do Piauí). Esta equipe realizou visitas técnicasorganizadas pelo MCT e Fapepi às zonas produtoras de cera do Estado do Piauí,com o objetivo de “identificar oportunidades de cooperação técnica entre a Fapepie o IPT para apoiar a indústria da cera de carnaúba do Piauí, principalmente nasetapas de colheita e secagem das folhas de carnaúba” (IPT, 2002, p. 1). O relatório final das visitas técnicas apontava para a necessidade de “umaabordagem integrada em toda a cadeia produtiva nas suas três fases: agrícola,industrial e comercial”, recomendando a realização de estudos e desenvolvimentode pesquisas em todas elas, conforme o que se segue (IPT, 2002, p. 6): - Fase Agrícola: desenvolvimento de uma ferramenta de corte de folhas decarnaúba com utilização de tecnologias modernas conhecidas; desenvolvimentode secador solar móvel e portátil para folhas de carnaúba; desenvolvimento de umnovo “batedor” de folhas de carnaúba para extração de pó de cera. - Fase Industrial: realização de pesquisas para introdução de inovações51 Detalhes sobre os resultados dessa pesquisa são apresentados no capítulo 3.122
  • 121. tecnológicas para modernizar todos os processos do sistema produtivo da cera(extração, filtração, destilação, clareamento, escamação, pulverização). - Fase Comercial: criação de um sistema de informação para monitorar con-tinuamente as demandas nacional e internacional de cera de carnaúba, estatísticade produção, produtividade, investimentos e custos fixos e operacionais pratica-dos; realização de estudos prospectivos visando identificar novos produtos ousubprodutos da cadeia produtiva da cera de carnaúba. A parceria proposta não se concretizou. Segundo informação verbal do técnicodo IPT, provavelmente por falta de recursos para tocar os projetos propostos. No ano de 2005, pesquisadores da UFPI realizaram um mapeamento doscarnaubais no Estado do Piauí. O estudo foi financiado pela Finep/CNPq/MCT,através da Fapepi. É também da UFPI o grupo de pesquisadores que realizou recentemente umapesquisa com o objetivo de estudar o potencial industrial dos frutos da carnaúba.Foi realizada uma análise físico-química da polpa e da casca e feita a desidrataçãodesta. Foi preparado o doce de fruto de carnaúba em calda e feita uma análisefísico-química do produto. As análises físico-químicas demonstraram que os frutossão homogêneos quanto a peso e diâmetro e apresentam baixa acidez, tendo comoprincipal componente os açúcares. Trata-se, no entanto, de estudo preliminar, querequer maior aprofundamento na investigação (GOMES et al., 2004). O governo do Piauí concede também incentivos fiscais para instalação deindústrias de cera52 e tem realizado operações de blitz periódicas a fim de im-pedir o escoamento de pó e cera para estados vizinhos sem a devida fiscalizaçãotarifária (LOBÃO, 2004).52 A lei estadual nº 4.503, de 10.09.92, institui incentivo fiscal relativo ao Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS às empresas responsáveis por empreendimentos industriais ou agroindustriais prioritários no Piauí, na implantação, relocalização ou revitalização. O prazo do investimento é de 10 anos, contados a partir do primeiro faturamento da empresa. As condições dos incentivos são as seguintes: a) empreendimentos sem similar no Piauí: dispensa de 100% do ICMS devido nos primeiros cinco anos; do 6º a 7º ano dispensa de 60% do ICMS devido; do 8º ao 10º dispensa de 30% do ICMS devido. Para os empreendimentos que, na sua implantação, empreguem mão-de-obra local equivalente a mil empregos diretos, haverá dispensa de 100% do ICMS devido nos primeiros oito anos e de 60% do 9º ao 10º ano; b) empreendimentos com similar no Piauí: dispensa de 60% do ICMS devido nos cinco primeiros anos; de 40% no 6º e 7º anos; 20% do 8º ao 10º ano e, na hipótese de ampliação do empreendimento, serão dispensados 60% do ICMS devido nos primeiros três anos e 40% no 4º e 5º anos (BNB, 2007). 123
  • 122. O governo do Estado do Ceará, entre os anos de 2003 e 2006, por meiode sua Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), realizou algumas açõesimportantes em prol do extrativismo da carnaúba: em julho de 2003, concluiu umdiagnóstico da “Cadeia produtiva da cera de carnaúba”; em novembro do mesmoano, realizou um seminário sobre a carnaúba, denominado de “Carnaúba: umafonte sustentável de geração de emprego e renda” e, através de Decreto, instituiua Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Carnaúba (CSCPC); em março de 2005,foi criado Decreto que instituiu a carnaúba como “Árvore símbolo do Estado doCeará”; em fevereiro de 2006 foi assinado Decreto de criação do “Parque Estadualdas Carnaúbas”, no município de Granja. A CSCPC tem o objetivo de ser um fórum de discussão, articulação e reivin-dicação para a atividade como um todo. É da CSCPC a iniciativa de encaminharum Ofício à Conab solicitando a normalização da PGPM para o ano de 2003e de retorno das AGFs, com o objetivo explícito de evitar queda de preços dosprodutos pó e cera. No ano de 2004, a CSCPC realizou uma oficina sobre custode produção de pó e cera para subsidiar a Conab no estabelecimento do preçomínimo dos produtos nas safras 2004/2005 (CSCPC, 2006). Em 2005, a CSCPC elaborou um projeto de divulgação sobre a importância eo potencial socioeconômico e ambiental da carnaúba, tendo como piloto o muni-cípio de Caucaia, envolvendo 25 escolas municipais e oito estaduais, projeto esteque, ao cabo de um ano, deveria ser replicado no município de Maracanaú. Em dezembro de 2005, a CSCPC promoveu novo seminário com o objetivode divulgar ações de pesquisa, desenvolvimento, conservação ambiental, mercado,comercialização e artesanato da carnaúba, com participantes dos Estados do Ceará,Piauí e Rio Grande do Norte. Ao final deste seminário, foi proposta a elaboraçãode uma “Carta da Carnaúba” com base nos temas discutidos no evento e com oobjetivo de contribuir para o fortalecimento da atividade (Anexo B). Em 2006, ainda no governo Lúcio Alcântara, a Câmara Setorial era compostapelas secretarias estaduais do Desenvolvimento Econômico (SDE), Agricultura (Se-agri), Ciência e Tecnologia (Secitece), Trabalho e Empreendedorismo (Sete), alémda Companhia de Desenvolvimento do Ceará (Codece), a Associação Caatinga, oSindicarnaúba, o Sincarnaúba, a Federação das Associações do Comércio, Industria,Serviços e Agropecuária do Ceará (Facic), a Federação dos Trabalhadores da Agricul-tura do Ceará (Fetraece) e a Federação da Agricultura do Estado do Ceará (Faec).124
  • 123. No momento (ano de 2007), com a mudança de governante, as atividadesda Câmara e os projetos envolvendo carnaúba no Ceará aguardam o anúncio dediretrizes de políticas estaduais para os próximos quatro anos.6.2.2.2 – Ações de entidades não-governamentais a) Entidades de Classe Centro de Exportadores do Ceará: Essa Entidade representou os interesses dos industriais-exportadores até o anode 2002, mas já vinha perdendo sua influência desde metade dos anos 1990. Eraliderada por Manoel Machado (dono do extinto Bancesa e da Empresa MachadoS.A., que paralisou as atividades em 1995), o qual veio a falecer pouco depoisque o Banco Central providenciou a liquidação extrajudicial do Bancesa em 2002.Em seguida, as instalações do Centro foram fechadas. Sindicarnaúba – Sindicato das Indústrias Refinadoras de Cera de Carnaúba do Estado do Ceará No início dos anos 1990, em meio à restrição imposta pelo Estado ao apoioda atividade e diante do enfraquecimento do Centro de Exportadores do Ceará,os industriais-exportadores da cera fundaram um sindicato, o Sindicarnaúba, queteria como objetivo trabalhar pelos interesses dos associados, os refinadores decera do Estado do Ceará (Depoimento oral de Marco Antônio de Melo, secretáriogeral). No entanto, atualmente, apenas seis indústrias são filiadas: Ceras Johnson,Ceras Vegetais do Ceará, Rodolfo G. Moraes, Pontes, Cera Peles, Foncepi. Todosos sócios são exportadores, os quais controlam 80% do total da cera refinada.Outra função do Sindicato, segundo seu secretário geral, é servir de elo entreindústria de cera e Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) e entreindústria de cera e sociedade civil. No entendimento de Marco Antonio, é boaa comunicação entre os filiados do Sindicato, exceto quando o assunto é preçode venda ao exterior. Ao lado da Câmara Setorial, o Sindicarnaúba é atualmente o principal fórumde reivindicações dos industriais-exportadores, sendo a principal delas o retornodos empréstimos e aquisições de cera de carnaúba pelo governo. Porém, dife-rentemente do que ocorreu no passado, o segmento não tem obtido apoio àssuas reivindicações. 125
  • 124. Com relação à problemática que perdura desde o pós-guerra em torno dacotação da cera no mercado internacional e das práticas comerciais irregulares, oSindicato não tem exercido papel determinante na busca de solução e não expli-cita, em seu plano de reivindicações, a preocupação com a situação53: os preçoscontinuam sendo determinados pelo grupo de importadores; a mesma posturade desconfiança e descumprimento de acordos continua sendo praticada pelosindustriais-exportadores. A declaração do empresário Marc Theophile Jacob, emseu sítio na Internet (JACOB, 2007), é sintomática da situação: “muitas vezes discordamos dos nossos concorrentes no setor da cera de carnaúba, pois supomos que eles adotam práticas de concorrência desleais”. Vários depoimentos orais de diversos industriais, tomados durante a pes-quisa de campo, corroboram o discurso de Jacob, dentre os quais merecemdestaque: “O sindicato se reúne, mas não decide nada. O que é de- cidido não é cumprido, a concorrência impera e não há cooperação”. “[...] existe mais concorrência que cooperação entre os in- dustriais da cera, apesar da existência de algum diálogo. O problema do preço, por exemplo: o sindicato determina um preço de venda da cera, no entanto, isso não tem funciona- do, pois o empresário, quando sai da reunião, desobedece à determinação”. “Não há consciência da necessidade da união e cada expor- tador tem um preço diferente”. “Meu sentimento é de que a concorrência é muito maior que a cooperação: os empresários são muito desconfiados entre si”. Observa-se, também, que alguns industriais-exportadores descobrem brechaspara se beneficiarem das regras da política de isenção fiscal adotada pelo Estadodo Piauí. Atores do próprio segmento denunciam que é recorrente a evasão deimpostos por parte de algumas empresas instaladas naquele Estado, as quais de-duzem o ICMS do preço do produto e o exportam para outro Estado utilizandoa via de transporte ilegal, vendendo-o mais barato. Em texto disponibilizado nosítio da Internet, o Sr. Marc Jacob declara:53 Ver no Anexo C texto da pauta de reivindicações do Sindicato.126
  • 125. “Agora, por exemplo, amparados pelos incentivos fiscais concedidos pelo Estado do Piauí, quando nem montaram as refinarias a que se comprometiam para receberem as isenções (industriais), estão remetendo a cera para as suas congêneres do Ceará, onde se creditam pelo ICMS que vem discriminado na Nota Fiscal embora não pago, devido à isenção que os ampara.”54 (JACOB, 2007). De fato, em 2003, a Secretaria da Fazenda do Piauí recebeu denúnciasde que o pó da cera de carnaúba estaria saindo do Estado de forma ilegal, so-bretudo na 4ª Região Fiscal, localizada em Oeiras, fato que levou à instalaçãoda denominada “Operação Cera de Carnaúba”, com o objetivo de combater asonegação fiscal do produto (LOBÃO, 2007). O fato é que algumas empresasrefinavam o produto no Piauí e faziam a exportação a partir de outro Estado.Em agosto de 2003, foram revogados os incentivos fiscais de empresas de cerade carnaúba irregulares e, em seguida, no mês de setembro, as empresas comatuação irregular foram intimadas, através de Decreto, a instalar equipamentosde filtragem e escamação da cera de carnaúba, de modo a possibilitar, dentrodo próprio Estado, a fabricação da cera de carnaúba filtrada e escamada, prontapara ser exportada (LOBÃO, 2007a). A ação do Estado do Piauí de combate à sonegação fiscal montada em agostoe novembro de 2003, segundo matéria divulgada em janeiro de 2004 por Lobão(2007a), surtiu efeitos positivos, pois, em mais de 100 anos, pela primeira vez,o Piauí ocupou o primeiro lugar em volume de exportação de cera de carnaúba(US$ 967 mil), superando, em novembro de 2003, os Estados do Ceará (US$865 mil) e Rio Grande do Norte (US$ 255 mil). Em termos de volume de cera,as exportações do Piauí alcançaram 45,68% do total, enquanto o Ceará foi res-ponsável por 34,69% e o Rio Grande do Norte, por 19,62%. A operação, segundo Lobão (2007a), em 2004, continuava sendo realiza-da em duas frentes, consistindo na fiscalização permanente da saída do pó decarnaúba (a fim de evitar que o produto saia sem o pagamento do ICMS) e dasindústrias de cera que recebem isenção, de forma que não exportem para outroestado o produto refinado.54 Diante da política adotada pelo Estado do Piauí, de incentivos fiscais, algumas indústrias exportadoras cearenses instalaram congêneres naquele Estado, com o objetivo de tirarem proveito da guerra fiscal instalada entre os Estados. 127
  • 126. Sincarnaúba – Sindicato dos Produtores Rurais de Cera do Estado do Ceará O Sincarnaúba é outra entidade de classe existente na atividade, para re-presentar os interesses de produtores artesanais de cera e tem como presidenteo Sr. Carlos Augusto Almada. De acordo com depoimento do seu presidente, aentidade foi criada em 2003, com ações voltadas para melhorar a qualidade da ceraartesanal, alcançar melhores preços para a cera e buscar financiamento junto aosórgãos oficiais, reunindo cerca de 200 produtores artesanais de cera de carnaúbade várias regiões do Ceará. Apesar de um número significativo de associados, aparticipação em discussões deixa a desejar, considerando o baixo desempenho daentidade. Segundo declaração do Sr. Almada, o relacionamento da entidade como Sindicarnaúba (refinadores) existe no momento de discutir preços do produto. Centro dos Exportadores do Piauí No Piauí, existe atualmente um “Centro dos Exportadores” que funcionamais como promotor de eventos sobre a atividade e menos como entidade deagregação de esforços para solucionar os problemas da atividade. b) Organizações não-governamentais Algumas organizações não-governamentais têm manifestado sua preocupaçãoquanto à manutenção da atividade extrativa, quatro delas no Ceará e uma no RioGrande do Norte. Tais organizações atuam à margem da ação governamental,muitas vezes exercendo papel fundamental em comunidades não-alcançadas pelacapilaridade das instituições públicas, conforme se observa a seguir. No Ceará, o Instituto Sertão, o Instituto Carnaúba e o Instituto Sesemarrealizaram uma parceria para a execução do Projeto Rede Carnaúba, o qual via-bilizou a organização do manejo e produção extrativista da carnaúba em quatroassentamentos (Aragão, Nova Terra, Cacimbas e Mufumbo), por meio de açõesde capacitação, assessoria, investimento e custeio. Formou-se um conselho comlideranças dos assentamentos, responsável pela co-gestão do projeto, adquiriu-seum caminhão, uma máquina de bater palha de carnaúba e formou-se um fundorotativo coletivo para o custeio da produção, além de capacitações de liderançase assentados. Como resultado, os assentamentos passaram a trabalhar de formaautônoma e coletiva os seus carnaubais, realizando anualmente o corte e benefi-ciamento das palhas para a produção e comercialização conjunta do pó cerífero decarnaúba, gerando um significativo incremento de renda na atividade extrativista128
  • 127. (da ordem de 400%), 75 novos empregos e adoção de práticas agroecológicasde manejo dos carnaubais como redução de queimadas e reflorestamento (INS-TITUTO SESEMAR, 2006). Além deste, outros projetos têm sido executados por essas e outras organi-zações, conforme apresentado a seguir: - Instituto Sertão Com sede em Fortaleza, essa ONG foi constituída em 1999. Dentre outrosobjetivos, busca pesquisar e desenvolver alternativas para que as comunidadesrurais e urbanas periféricas alcancem sua sustentabilidade, através do planejamentoparticipativo e integrado (D´ALVA, 2004). Um de seus eixos de ação nas comunidades rurais inclui o Projeto Árvore daVida, que enfoca a conservação, recuperação e extrativismo da carnaúba. As açõesdeste projeto já contemplaram uma pesquisa sobre o desmatamento de carnaubaisno Vale do Jaguaribe, denúncias de desmatamentos ilegais, pesquisa sobre umaplanta exótica invasora (Cryptostegia grandiflora), assessoria a grupos de traba-lhadores extrativistas em Santana do Acaraú, Miraíma e Beberibe, implantação deparcelas de manejo e reflorestamento e unidades de beneficiamento de cera decarnaúba, e publicação de uma cartilha educativa (D´ALVA, 2004). No ano de 2001, a entidade foi convidada pela prefeitura de Beberibe paradar assessoria a pequenos produtores, proprietários de fábricas artesanais queproduzissem entre 30 e 100 arrobas de cera. Conseguiram recursos do Pronafpor via do Banco do Brasil e mais dois contratos de investimento com o BNB paraaquisição de duas máquinas de bater palha a juros de 3% a.a. Houve problemasdevido ao aumento do valor dos arrendamentos pelos proprietários, mas, mesmoassim, o grupo ganhou por livrar-se dos agiotas, aos quais pagavam 8% a.m. Aidéia é, a partir dessa experiência, conseguir uma política pública para carnaúbana esfera municipal. Atualmente o Instituto Sertão coordena a execução de um projeto financiadopelo BNB-Etene para implantação do Programa Municipal de Conservação e UsoSustentável da Carnaúba no município de Beberibe, que tem por objetivos o mape-amento dos carnaubais existentes e áreas degradadas, implantação de uma unidadede reflorestamento, melhorias nas unidades de beneficiamento da cera e capacitaçãopara artesanato. O projeto tem previsão de conclusão no ano de 2007. 129
  • 128. Instituto Carnaúba Fundado em janeiro de 2001, no município de Sobral, esta entidade atua emoito municípios num raio de 50km em torno dessa cidade (Meruoca, Alcântaras,Massapê, Santana do Acaraú, Forquilha, Groaíras, Cariré e Sobral). Trabalhaquatro grandes ecossistemas: a) Serra da Meruoca (APA em processo de criação, a partir de um projeto apresentado pelo senador Inácio Arruda); b) Vale do Acaraú (comitê de bacias); c) Caatinga (convivência com o semi-árido); d) Ambiente Urbano (Programa Cidades do Semi-árido). A carnaúba, neste contexto, tem a ver tanto com o ecossistema do Vale doAcaraú quanto da Caatinga, riqueza natural que deveria (segundo depoimento oraldos dirigentes da entidade, Osvaldo Aguiar e Expedito Torres) resgatar o bem-estar econômico e social das comunidades que vivem de sua exploração, fonte deemprego e renda na época da seca. Há uma preocupação da ONG de trabalhar oresgate da cultura, da sobrevivência, do desenvolvimento econômico. Também esta organização, com apoio de recursos do BNB-Etene, realizatrabalho em prol da atividade. Trata-se de um estudo propositivo do ArranjoProdutivo Local (APL) da exploração e manejo da cultura da carnaúba, paraconstruir uma proposta de revitalização dos carnaubais na região noroeste doEstado do Ceará, em forma de estudo a ser entregue ao BNB-Etene em 2007.Este estudo conta com a participação dos atores envolvidos no arranjo, dentro davisão de desenvolvimento territorial, considerando os aspectos ambiental, sociale econômico, e visa diagnosticar potencialidades e problemas através dos dadosjá existentes e a construção de novos conhecimentos. Outro trabalho importante desta ONG foi realizado durante o ano de 2005.Com o objetivo de documentar, em fotografia, o processo produtivo social eambiental do carnaubal, no sentido de trabalhar a recuperação da carnaúba e decontribuir para a sua valorização por parte da própria população local, o InstitutoCarnaúba produziu, com o patrocínio do Supermercado Pinheiro, uma série defotos mostrando todo o processo produtivo da carnaúba, bem como as relaçõessociais de produção. As fotos foram feitas pelo fotógrafo Alcides Mota, que,130
  • 129. atualmente, realiza trabalhos na área socioambiental. As fotos, que registram acarnaúba no entorno do rio Acaraú, nas comunidades de Bonfim e Várzea Redonda(Sobral, CE) e de Boa Esperança (Cariré, CE), já passaram por exposição nos cincoSupermercados Pinheiro, nos municípios de Sobral, Itapipoca e Fortaleza, alémde outros locais de circulação pública, como a rodoviária, a Casa de Cultura e oSalão de Exposições da Diocese, em Sobral, o Salão de Exposição do CongressoNacional, em Brasília, e o aeroporto Pinto Martins, em Fortaleza. A exposição conta também com amostras de cera de olho e palha, além depeças de artesanato local fabricadas com palha de carnaúba. A iniciativa é relevante,pois mostra ao público em geral, em locais de grande circulação, a importância so-ciocultural da atividade, assim como sua capacidade de gerar emprego e renda. Instituto Sesemar O instituto Sesemar (Serra, Sertão e Mar) foi fundado em 2003 por iniciativade um grupo de técnicos e agentes comunitários de base que atuam na região deItapipoca, onde mantém sua sede. A área de atuação corresponde a São Gonçalodo Amarante, Paracuru, Paraipaba, Trairi, Itapipoca, Amontada, Itarema, Miraíma,Itapajé, Irauçuba, Tejuçuoca, General Sampaio, Apuiarés, Pentecoste, São Luísdo Curu, Umirim, Tururu e Uruburetama. O principal trabalho dessa entidade em prol da atividade de carnaúba foi desen-volvido nas áreas de organização do manejo e produção, em parceria com as ONGsInstituto Sertão e Instituto Carnaúba, conforme descrito no início deste subitem. Associação Caatinga Esta é outra organização com atuação no semi-árido cearense, que conta comuma rede de parcerias e tem uma preocupação com a preservação da carnaúba.Criada em 1998, tem por missão contribuir para a conservação das plantas, animaise comunidades naturais que representam a biodiversidade da caatinga, bem comopara a difusão de experiências de sucesso e práticas exemplares. Entre as açõesque desenvolve, pode-se citar a criação e gestão de áreas protegidas, fomento àpesquisa, educação e capacitação (ASSOCIAÇÃO CAATINGA, 2005). ONG Carnaúba Viva Uma quinta ONG também vem realizando trabalhos em prol da atividade.Trata-se da Carnaúba Viva, sediada em Assu (RN), criada a partir da idéia da 131
  • 130. Petrobras de substituir as lâminas de alumínio que antes revestiam os dutos detransporte de vapor, por esteiras de palha de carnaúba. A parte mais importantedesse processo, acima da economia milionária para a estatal, é a possibilidade degeração de trabalho e renda para quem antes vivia à mercê do assistencialismogovernamental (HUDSON, 2004). A ONG foi pensada a partir da constatação da necessidade de organizaçãoda produção a fim de que a Petrobras pudesse adquiri-la. Foi preciso ampliar aprodução para atender a demanda, empregando um número maior de artesãos.O grupo que fabrica as mantas, inicialmente composto de 50 mulheres do assen-tamento Palheiros III, em Upanema, hoje conta com 300 artesãos dos municípiospotiguares de Assu, Itajá, São Rafael, Upanema, Pendências, Macau, Afonso Be-zerra, Apodi, Mossoró e um grupo de Aracati, no Ceará, que também fornece asmantas para complementar a produção do Rio Grande do Norte. O dinheiro obtidocom a venda das mantas, segundo relatos, melhorou a vida de muitas pessoas,devolvendo a elas sua dignidade (HUDSON, 2004; COUTINHO, 2006). O volume de cada pedido contratado varia em função da demanda da estatal,mas a Carnaúba Viva já chegou a produzir até 1.000 mantas e 5.000 cintas em umsó mês. Desde o início do contrato, em 2004, a Carnaúba Viva faturou R$ 266mil, fabricando 17.558 mantas grandes e 8.940 médias. Além das mantas e cintas,os artesãos que participam do projeto produzem peças artesanais decorativas eutilitárias. Segundo a coordenadora do projeto, Gracia Margarida Ramalho, oscontratos de fornecimento de mantas e cintas para a Petrobras são uma garantiapara os artesãos, que antes não tinham perspectivas de trabalho e sofriam coma estiagem que assola a região. Na opinião dela, todos eram pessoas carentes,com grandes dificuldades financeiras e privações, mas que agora resgataram acidadania, juntamente com a cultura do trabalho com a palha de carnaúba. Esteprojeto tem como parceiros o Sebrae do Rio Grande do Norte, que, através doProjeto Cadeia Produtiva do Petróleo, do Gás e Energia do Estado, está capacitandoos artesãos visando melhorar a qualidade dos produtos oferecidos à Petrobras(COUTINHO, 2006). A ONG conquistou, com o trabalho das mantas de palha de carnaúba, em2005, o primeiro lugar na categoria inovação social na região Nordeste, doPrêmio Finep de Inovação Tecnológica, e se colocou como uma das finalistas doprêmio Objetivos de Desenvolvimento do Milênio Brasil (ODM Brasil), também132
  • 131. em 2005, destacando-se entre os 10 melhores projetos da Petrobras em 2006(COUTINHO, 2006). 133
  • 132. 134
  • 133. 7 – CONSIDERAÇÕES FINAIS E SUGESTÕES DE POLÍTICAS A principal atividade econômica desenvolvida em torno do extrativismo dacarnaúba na região Nordeste do Brasil, a extração do pó cerífero, gera elevadonível de ocupação no campo, muito embora seja realizada sob baixos níveis deprodutividade, principalmente devido ao baixo nível tecnológico, provocando umaperda estimada em cerca de até 60% de pó durante as operações de corte, secagemda palha, trituração para extração e elaboração da cera de origem. A reversão em termos de ganhos sociais é bastante limitada, em decorrênciaprincipalmente de suas atividades, no geral, estarem baseadas em relações deproduções bastante atrasadas, em que predomina o trabalho informal e, prin-cipalmente, submissão do segmento primário ao intermediário e deste, por suavez, ao setor industrial. No contexto das relações de produção estabelecidas, os proprietários de car-naubais geralmente participam indiretamente do processo produtivo, enquanto osrendeiros (arrendatários dos carnaubais, em geral, donos de máquinas de triturarpalha e também, normalmente, pequenos proprietários rurais) atuam diretamente,estabelecendo relações informais de trabalho com os trabalhadores extrativistas,no sentido de que não existem compromissos trabalhistas formais e, muito menos,o estabelecimento de um sistema de assalariamento rural. A estrutura fundiária em boa parte das regiões produtoras (principalmenteEstados do Ceará e Rio Grande do Norte) é bastante fragmentada, sendo que amaior parte das explorações de carnaubais é feita por rendeiros. É importante registrar a crise estrutural que persiste na atividade desde ofinal da Segunda Guerra Mundial, fruto de um conjunto de fatores que resultouem elevado nível de desarticulação e desorganização da cadeia produtiva comoum todo, fazendo-a assemelhar-se mais a uma cadeia alimentar. Apesar de contarcom um sindicato representativo dos refinadores e uma Câmara Setorial, cujo papelexplícito é de discussão e reivindicação de benefícios para a atividade soluções nãotêm sido encontradas para os graves problemas que afetam todos os segmentos,principalmente aqueles relacionados à determinação da cotação da cera (desdeos anos 1940, os preços vêm sendo estabelecidos pelos importadores), à posturade desconfiança entre os diversos atores e ao recorrente descumprimento deacordos entre eles. 135
  • 134. No campo, a inexistência de linhas de financiamento específicas para o custeioda atividade leva os rendeiros a recorrerem aos industriais ou atravessadores, sub-metendo-se, por vezes, a juros incompatíveis com sua capacidade de pagamento.Isso acaba sendo também um impedimento para que sejam feitos investimentosem equipamentos que poderiam contribuir para melhoramentos tecnológicos eaumento do rendimento da atividade extrativa. Outro fator a considerar é que a atividade conta com muitos produtores depó e cera bruta no campo e com poucos industriais refinadores que exportamcera; conta com menos ainda importadores de cera, que não são necessariamenteindustriais, mas grandes distribuidores que compram a cera e a repassam paraindustriais no exterior, a quem cabe elaborar o produto e vender para diversospaíses (inclusive Brasil), para emprego nas indústrias nacionais. A conjugação detodos estes fatores parece criar um estado de incapacidade dos industriais emdefinir os preços da cera em patamares aceitáveis, bem como permite a interfe-rência dos intermediários e importadores na formação do preço. Após décadas de políticas direcionadas para o industrial–exportador (décadasde 1940 a 1980), desde os anos 1990 não se planejam políticas para a ativida-de. Vários atores queixam-se da descapitalização e atribuem isso ao fato de nãoexistir política pública específica, com linhas de financiamento adequadas e aofato de os refinadores não cumprirem as determinações acordadas nas reuniõesdo Sindicato, principalmente aquelas referentes a preços. Atualmente recorremaos bancos para obter o ACC (Adiantamento de Contrato de Câmbio), a fim derealizarem a transação de exportação da cera. Se, por um lado, observa-se a inexistência de políticas públicas específicaspara financiamento dos diversos segmentos da atividade, por outro, se registra umelevado nível de endividamento e inadimplência dos agricultores e empresáriosjunto ao sistema financeiro. Registro importante a fazer é com relação à substituição de carnaubais porculturas irrigadas, processo ocorrido com maior intensidade na década de 1970,com estímulo do governo. Esse processo se verificou com grande intensidade noCeará e Rio Grande do Norte, sendo ainda perceptível em regiões onde a carnaúbatem grande adensamento, como no Baixo Jaguaribe. Durante a viagem da pesquisa de campo à zona rural do município de Russas,presenciou-se a derrubada de um carnaubal para plantação de arroz. Ao perceber136
  • 135. a presença de pessoas de fora, o responsável pelo serviço logo procurou saberquem estava testemunhando a cena, temendo tratar-se de fiscais do Ibama. A devastação das carnaubeiras traz vários danos ao meio ambiente: prejudicao solo, que fica desprotegido, retirando seus nutrientes e favorecendo a ação daerosão e assoreamento dos rios; elimina uma fonte de alimento para os animais,que é o fruto que cai quando maduro, e contribui para o aumento da temperaturaambiente, pela maior concentração de raios solares sobre o solo. Uma forma dereduzir os danos provocados pela derrubada dos carnaubais é trabalhando com oreflorestamento. Para isso, no entanto, serão necessários estudos sobre os aspectosgenéticos da planta com o objetivo de se entender sua fisiologia e obter menorporte e maior precocidade. Uma outra forma seria o enquadramento das áreas deocorrência de carnaubais como reservas extrativistas, de forma que se permitisse aatividade secularmente praticada com a garantia de que os carnaubais não fossemerradicados para implantação de culturas de ciclo curto ou mais lucrativas. Em vista deste diagnóstico e da importância da atividade em termos econô-micos e sociais para o Nordeste, considera-se fundamental que o governo federalviabilize institucionalmente uma estrutura normativa e executiva – a exemplo do queestá sendo trabalhado na atividade sisaleira nordestina – para coordenar um tra-balho conjunto dos diversos órgãos públicos (Ministérios do Trabalho e Emprego,do Desenvolvimento Agrário, do Desenvolvimento Social e Segurança Alimentar,da Cultura, BNB, Embrapa, Universidades e Sebrae), dos governos estaduais, dasprefeituras municipais e das entidades da sociedade civil organizada atuantes nasáreas de extrativismo da carnaúba, com o objetivo de se elaborar e implementaruma política integrada para o desenvolvimento da atividade. No âmbito do BNB, sugerem-se as seguintes ações de apoio à atividade, nasprincipais etapas, conforme apresentado a seguir:7.1 – Etapas de Campo7.1.1 – Financiamento da produção Tendo em vista que grande parte da exploração dos carnaubais é feita pelorendeiro, é importante pensar-se em formas de financiamento do custeio de suasatividades. O custeio vai contribuir para reduzir a dependência que este segmentotem dos industriais-exportadores, tendo em vista que em torno de 95% do que se 137
  • 136. produz é destinado ao mercado externo. O financiamento do custeio irá favorecera formação de estoque, permitindo que o agricultor espere o melhor momentopara comercializar seu produto. O financiamento ao rendeiro pode funcionartambém como um incentivo ao surgimento de pequenas indústrias, caso permitaa aquisição de máquinas e equipamentos. O financiamento para custeio de arrendamento e das atividades de corteda folha até a fabricação da cera de origem deve obedecer às seguintes con-dições: a) entrada do projeto no BNB = julho; b) primeiro desembolso (incluindo o arrendamento) = agosto; c) número de parcelas de desembolso = 02; d) número de parcelas de reembolso = 01 parcela, 03 meses após o fim do ciclo (o fim do ciclo ocorre mais ou menos no mês de fevereiro. Portanto, o reembolso deverá ocorrer no mês de maio). Ainda em termos de financiamento, poder-se-ia pensar em crédito de custeiodas seguintes formas: a) Projetos-piloto com crédito rotativo solidário em duas frentes (ONGs como o Instituto Sertão e o Instituto Carnaúba têm experiência com crédito rotativo solidário e poderiam servir de fonte de consulta para eventual elaboração de política semelhante pelo BNB): (i) assentamentos; (ii) grupos de pequenos produtores. b) crédito de custeio para rendeiros (conforme orçamentos apresentados no capítulo 5). Para o caso de estocagem de cera e pó cerífero, pode-se verificar a possibilidade de utilização da linha FNE-Giro Insumo; c) crédito de custeio para a produção de cera de origem nas regiões onde existem fábricas artesanais (ver orçamento no capítulo 5). Neste caso também se pode verificar a possível utilização da linha FNE-Giro Insu- mo; d) estabelecimento de fundo de aval entre os municípios e o BNB, como garantia do custeio aos rendeiros.138
  • 137. 7.1.2 – Investimento em tecnologia a) Ampliar os trabalhos de pesquisa, com envolvimento dos órgãos respon- sáveis, que versem sobre tecnologias de seleção, propagação de espécies nativas e exóticas do gênero Copernicia. Observar o comportamento delas em plantios ordenados e em consórcio com culturas agrícolas e pastagens, visando alcançar resultados que reflitam em aumento da produtividade futura, pelo fato de poder assegurar carnaubeiras mais vigorosas em siste- mas ordenados e com espaçamento definido, cuja exploração compense os custos; as pesquisas poderiam também identificar novos produtos ou subprodutos da cadeia produtiva da cera de carnaúba e melhorar geneti- camente a palmeira, a fim de torná-la precoce, de menor porte e com mais copas, permitindo maior número de folhas, para melhorar a produtividade. Pesquisas direcionadas ao aproveitamento energético dos frutos e amêndoas também poderiam ser conduzidas, conforme comentado no item 3.3; b) melhoramentos tecnológicos em diversas fases do processo extrativo para elevar o rendimento do pó e reduzir o esforço humano: (i) no corte das folhas, é possível estimular o desenvolvimento de uma ferramenta que substitua a foice convencional, utilizando tecnologias modernas já conhecidas; (ii) na secagem, a separação do pó cerífero poderia ser realizada de ma- neira mais rentável e com qualidade controlada, através da utilização de secador solar, que deveria ser móvel e de fácil montagem/desmontagem, a fim de reduzir as perdas do pó cerífero; (iii) na extração do pó, o batimento mecânico das folhas secas também necessita de melhorias, já que, além da perda, origina-se um pó com mais impurezas que pelo batimento manual. Como sugestão, poderia ser em- pregado equipamento semelhante às colheitadeiras de café. A proposta do professor Saburo Ykeda, do IPT, é de se projetar uma máquina que separe o pó da folha seca da carnaúba por equipamento vibratório, podendo a coleta do pó ser realizada através de equipamento aspirador, operação que poderia ser efetivada dentro do próprio secador solar. 139
  • 138. 7.2 – Etapa Industrial7.2.1 - Investimento em tecnologia A fase industrial também necessita de pesquisas que busquem inovaçõestecnológicas para a extração, filtragem, destilação, clareamento, escamação e pul-verização, bem como estimular e apoiar a pesquisa tecnológica para novos usos:cosméticos, fármacos, emulsão etc. É fundamental que órgãos públicos articulem-se entre si e com universidades e indústrias para trabalhar o desenvolvimento detecnologia de novos produtos da cera de carnaúba55, como lubrificantes de altaqualidade, que empreguem a fabricação de cera em larga escala, a fim de queisso desvie parte da produção exportada para o consumo interno, melhorandoo preço da cera exportada. Existe a possibilidade de utilização da cera comouma “parafina natural”, já que há tendência de redução na produção de parafinamineral, conforme apresentado no subitem 6.2.2.1 deste documento. Outrasaplicações possíveis seriam a fabricação de plástico para a indústria alimentícia,já que o filme convencional derivado de petróleo pode ser responsável pelaocorrência de câncer intestinal, e a substituição da parafina utilizada em algunsfármacos (a exemplo do repelente natural a base de citronela) pela parafina dacera de carnaúba.7.2.2 – Etapa comercial a) Seguindo recomendação de pesquisadores da Universidade Federal do Piauí (UFPI, 2002), considera-se que a comercialização da cera também poderia ser beneficiada com a criação de um sistema de informações para monitorar continuamente as demandas nacional e internacional de cera de carnaúba, estatísticas de produção, produtividade, investimentos e custos fixos e operacionais praticados. Tal sistema permitiria o diagnóstico das variações de mercado, preço, demanda e oferta, viabilizando um planejamento seguro para a atividade. No entanto, tal empreitada, para55 Pesquisas realizadas nos últimos anos apontam a existência do triacontanol na cera de carnaúba, um álcool alifático de cadeia longa (C30H61OH), que tem a propriedade de promover o crescimento de diversas culturas hortícolas, frutíferas e ornamentais, apresentando também relevantes resultados no aumento da fotossíntese em diversas plantas. Ele pode ser ainda obtido da cera de cana-de-açúcar e de abelha (RIES, 1991apud FREIRE; BARGUIL, 2006; RAMANARAYAN; SWAMY, 2004 apud ANDRADE, 2005; CHEN et al., 2002 apud ANDRADE et al., 2005).140
  • 139. se concretizar, necessita da colaboração e apoio do segmento industrial- exportador;b) seria razoável pensar-se na montagem de laboratórios em órgãos públicos para servir de apoio aos pequenos produtores e rendeiros, de forma a resguardá-los de possíveis problemas quanto ao resultado da análise de qualidade do seu produto, atualmente realizada pelo comprador. Entre- tanto, é impraticável pensar-se nisso para as Ematers, devido à deficiência de pessoal e logística, fruto do sucateamento pelo qual passaram nos últimos vinte anos, a não ser que os estados tomem a decisão de realizar um trabalho de reconstrução delas;c) realizar um estudo de demanda pelos produtos, em especial pó e cera, como forma de se medir o tamanho do mercado e o potencial de cres- cimento. Tudo o que se colheu em campo sobre a atividade é estimativa, não havendo certeza quanto ao total realmente demandado, seja para exportação, seja para mercado interno. 141
  • 140. REFERÊNCIASA RENDA que vem da carnaúba. O POVO, Fortaleza, 28 out. 2003.Caderno Ceará. Disponível em: http://www.noolhar.com/opovo/cea-ra/410096.html. Acesso em: 03 jan. 2005.ABOISSA ÓLEOS VEGETAIS. Cera de carnaúba. Disponível em: http://www.aboissa.com.br. Acesso em: 20 dez. 2004.ADITAL. Tapebas reverenciam a natureza e reafirmam tradição localna festa da Carnaúba. Disponível em: http://www.adital.org.br/asp2/noticia.asp?idioma=PTnoticia=4049. Acesso em: 19 jan. 2004.ALBUQUERQUE, F. M. F.; CESTARO, L. A.. Estudo comparativo das áreasde carnaubais no Baixo-Açu nos anos de 1966 a 1988, 1992. In: ARA-NHA, T. de Q. (Org). Sesquicentenário da cidade do Assu: 1845-1995.Natal: Departamento Estadual de Imprensa, 1995. p. 205-212.ANDRADE, A. P. S. de et al. Efeito da cera de carnaúba hidrolisada (CCH)sobre o desenvolvimento de plântulas de chicória (Chicorium endiviaL.). Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2005. Disponível em:http://200.210.234.180/horta/Download/Biblioteca/45_0475.pdf.Acesso em: 01 ago. 2007.ARANHA, T. de Q. (Org). Sesquicentenário da cidade do Assu: 1845-1995. Natal: Departamento Estadual de Imprensa, 1995.ASSOCIAÇÃO CAATINGA. O surpreendente mundo da caatinga. Fortale-za, 2005. Folheto.BACHA, C. J. C. Economia e política agrícola no Brasil. São Paulo: Atlas,2003.BACEN. Correção de valores. Disponível em: http://www4.bcb.gov.br/pec/correcao/indexCorrige.asp?u= corrige.aspid=correcao. Acessoem 30 mar. 2007.BAYMA, C. Carnaúba. Produtos rurais, Rio de Janeiro: Ministério daAgricultura, n. 9, 1958.BEZERRA, J. A. A árvore da vida. Revista Globo Rural, São Paulo, ano 20,n. 233, p. 50-57, mar. 2005.142
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  • 149. APÊNDICES 151
  • 150. Apêndice A – Estimativas de Custo e Receita no Extrativismo da CarnaúbaParte 1 – Informações utilizadas nos cálculos de custo e receita 1. Informações utilizadas como parâmetro para a realização dos cálculosde custos: a) É realizado um corte/ano; b) São derrubados 10 milheiros de palhas por trabalhador, por dia. Cada turma de corte é composta de quatro vareiros. Assim, são derrubados 40 milheiros de folhas por dia; c) Arrendamento = R$ 2,00/milheiro de folhas (neste caso, não se utilizou a média, mas o valor observado com maior freqüência); d) Trabalhadores no corte e secagem: i) considerando o pagamento em diárias: - Vareiro = R$ 15,00; - Aparador = R$ 12,50; - Comboieiro = R$ 12,50; - Lastreiro = R$ 12,50; - Fiscal =R$ 11,50; ii) considerando o pagamento com base em milheiros de palha: - Vareiro = R$ 3,00 - Aparador/Enfiador = R$ 2,80; - Ajuntador = R$ 0,50; - Entregador + arrumador = R$ 2,00; - Lastreiro = R$ 1,20; - Comboieiro =R$ 1,10; e) Alimentação para 10 animais que fazem o transporte das folhas do campo ao lastro = 1,5 litro de milho/animal/dia; preço do milho = R$152
  • 151. 0,50/litro; f) Custo de “bateção” = R$ 0,29/kg de pó batido: cerca de 20% (R$ 0,05) pago ao proprietário da máquina; cerca de 80% (R$ 0,24) pago ao responsável pela “bateção”; ou pagamento de R$ 2,00 pelo aluguel da máquina de bater; g) Rendimento na “bateção” da palha na máquina: 7,5kg de pó/milheiro de palha; h) Diárias dos trabalhadores na máquina de cortar palhas: - Motorista/maquinista/chofer/mecânico = R$ 14,00; - Empurrador = R$ 13,50; - Feixeiro/encostador/carregador/palheiro = R$ 12,50; - Baganeiro = R$ 13,50; i) Saco para pó = 24kg de pó/saco, ao preço de R$ 0,50/saco; j) Barbante para fechar sacos = 200 sacos/rolo, ao preço de R$ 3,50/ rolo; k) Diária dos trabalhadores na fábrica artesanal: - Prenseiro = R$ 12,50 - Fogueiro = R$ 12,50 2. Informações utilizadas como parâmetro para a realização dos cálculosde receita a) Rendimento da palha em termos de tipo de pó: 20% pó olho; 80% pó palha; b) Preços de venda do pó cerífero: - Olho = R$ 5,00/kg; - Palha = R$ 1,70/kg a) Rendimento da cera de origem em relação ao pó: - Pó olho: 80% de cera 153
  • 152. - Pó palha: 60% de cera a) Preço de venda da cera de origem: - Cera branca = R$ 7,00 - Cera arenosa =R$ 2,80 a) De cada milheiro de palhas obtêm-se, em média, 4kg de borra; b) Preço de venda da borra = R$ 0,40/kg; c) A bagana extraída de milheiro de palhas é vendida por R$ 3,00. 3. Juros sobre empréstimos = 5% a.m., durante 2 meses. Considerou-seo período de cerca de dois meses entre o início do processo produtivo (corte dapalha) e a entrega da primeira carga de cera e borra, em torno de 7 toneladas(levando em conta que o transporte será feito por um caminhão TOCO, comas seguintes características: largura: 2,4m; comprimento: 7,0m; altura: 4,30m;capacidade: 7 toneladas) (SDR, 2008).Parte 2 – Cálculo das estimativas de custo e receita Utilizando os parâmetros descritos no item anterior, nesta Parte, são apre-sentadas as Tabelas com as estimativas a partir de cálculos realizados nas planilhasconstantes do CD-ROM encartado nesta publicação. 1. Sem produção de cera de origem no campo, ou seja, os custos refe-rem-se somente às etapas de arrendamento, corte e secagem da palha, extração,ensacamento e transporte do pó. a) Os serviços em campo são pagos com base em milheiros de palhas derrubados.154
  • 153. Tabela A1 – Arrendamento, Corte e Secagem de um Milheiro de Palha, Extração, Ensacamento e Transporte de Pó (1) – Bateção com Máquina e Serviço Próprios – Custo e Receita – 2005 VALOR ITENS DE CUSTOS  QUANT. UNIDADE VR. UNIT (2) TOTAL ETAPAS 1 e 2 1. Arrendamento 1 Milheiros fls. 2,00 2,00 2. Corte e secagem em milheiros       8,76 derrubados - Vareiro 1 milheiros fls. 3,00 3,00 - Aparador/enfiador/junteiro 1 milheiros fls. 3,30 3,30 - Comboieiro/carroceiro 1 milheiros fls. 1,10 1,10 - Lastreiro 1 milheiros fls. 1,20 1,20 - Fiscal (mateiro) 1 milheiros fls. 1,00 0,00 - Alimentação para 10 animais (3) 0,3124 kg 0,50 0,16 3. Extração do pó (bateção)   1,25 Máquina própria; bateção própria 1 0 1,08 1,08 - Sacos para o pó (4) 0,3125 unid. 0,50 0,16 - Barbante (5) 0,002 rolo 3,50 0,01 4. Transporte pó (6) 7,5 kg pó 0,06 0,45 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   12,46 5. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 12,46 1,25 TOTAL CUSTO ETAPAS 1 E 2   13,71 CUSTO TOTAL GERAL 13,71 VALOR ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE VR. UNIT (2) TOTAL RECEITA BRUTA       20,70 -Bagana   kg 3,00 3,00 -Pó cerífero (7,5kg)       17,70 Pó olho (20%) 1,5 kg 5,00 7,50 Pó palha (80%) 6 kg 1,70 10,20 LUCRO LÍQUIDO 6,99Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007); Gomes et al. (2006).Nota: Os textos explicativos das notas 1 a 10 desta Tabela estão disponíveis no final deste Apêndice (p.183). 155
  • 154. Tabela A2 – Arrendamento, Corte e Secagem de um Milheiro de Palha, Extração, Ensacamento e Transporte de Pó(1) – Bateção com Máquina Própria, Serviço Terceirizado e Pagamento com Base em Quilos de Pó Extraídos – Custo e Receita – 2005 ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE VR. UNIT(2) VALOR TOTAL ETAPAS 1 e 2 1. Arrendamento 1 milheiros fls. 2,00 2,00 2. Corte e secagem em milheiros       8,76 derrubados - Vareiro 1 milheiros fls. 3,00 3,00 - Aparador/enfiador/junteiro 1 milheiros fls. 3,30 3,30 - Comboieiro/carroceiro 1 milheiros fls. 1,10 1,10 - Lastreiro 1 milheiros fls. 1,20 1,20 - Fiscal (mateiro) 1 milheiros fls. 1,00 0,00 - Alimentação para 10 animais (3) 0,3124 kg 0,50 0,16 3. Extração do pó   1,97 Máquina própria; bateção terceirizada; pgto. com base em 7,5 kg de pó 0,24 1,80 quilos de pó extraídos - Sacos para o pó (4) 0,3125 unid. 0,50 0,16 - Barbante (5) 0,002 rolo 3,50 0,01 4. Transporte pó (6) 7,5 kg pó 0,06 0,45 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   13,18 5. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 13,18 1,32 TOTAL CUSTO ETAPAS 1 E 2   14,50 CUSTO TOTAL GERAL 14,50 ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE VR. UNIT (2) VALOR TOTAL RECEITA BRUTA       20,70 -Bagana   kg 3,00 3,00 -Pó cerífero (7,5kg)       17,70 Pó olho (20%) 1,5 kg 5,00 7,50 Pó palha (80%) 6 kg 1,70 10,20 LUCRO LÍQUIDO 6,20Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007); Gomes et al. (2006).156
  • 155. Nota: Os textos explicativos das notas 1 a 10 desta Tabela estão disponíveis no final deste Apêndice (p.183).Tabela A3 – Arrendamento, Corte e Secagem de um Milheiro de Palha, Extração, Ensacamento e Transporte de Pó(1) – Bateção com Máquina Própria, Serviço Terceirizado e Pagamento com Base em Milheiros de Palhas Batidos – Custo e Receita – 2005 VALOR ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE VR. UNIT(2) TOTAL ETAPAS 1 e 2 1. Arrendamento 1 milheiros fls. 2,00 2,00 2. Corte e secagem em milheiros       8,76 derrubados - Vareiro 1 milheiros fls. 3,00 3,00 - Aparador/enfiador/junteiro 1 milheiros fls. 3,30 3,30 - Comboieiro/carroceiro 1 milheiros fls. 1,10 1,10 - Lastreiro 1 milheiros fls. 1,20 1,20 - Fiscal (mateiro) 1 milheiros fls. 1,00 0,00 - Alimentação para 10 animais (3) 0,3124 kg 0,50 0,16 3. Extração do pó   2,17 Máquina própria; bateção milheiro de terceirizada; pgto. com base em 1 2,00 2,00 palhas milheiros de palhas batidos - Sacos para o pó (4) 0,3125 unid. 0,50 0,16 - Barbante (5) 0,002 rolo 3,50 0,01 4. Transporte pó (6) 7,5 kg pó 0,06 0,45 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   13,38 5. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 13,38 1,34 TOTAL CUSTO ETAPAS 1 E 2   14,72 CUSTO TOTAL GERAL 14,72 VALOR ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE VR. UNIT (2) TOTAL RECEITA BRUTA       20,70 -Bagana   kg 3,00 3,00 -Pó cerífero (7,5kg)       17,70 Pó olho (20%) 1,5 kg 5,00 7,50 Pó palha (80%) 6 kg 1,70 10,20 LUCRO LÍQUIDO 5,98Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007); Gomes et al. (2006).Nota: Os textos explicativos das notas 1 a 10 desta Tabela estão disponíveis no final deste Apêndice (p.183). 157
  • 156. Tabela A4 – Arrendamento, Corte e Secagem de um Milheiro de Palha, Extração, Ensacamento e Transporte de Pó(1) – Bateção com Máquina e Serviço Terceirizados, Pagamento com Base em Quilos de Pó Extraídos – Custo e Receita – 2005 VALOR ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE VR. UNIT(2) TOTAL ETAPAS 1 e 2   1. Arrendamento 1 milheiros fls. 2,00 2,00 2. Corte e secagem em       8,76 milheiros derrubados - Vareiro 1 milheiros fls. 3,00 3,00 - Aparador/enfiador/junteiro 1 milheiros fls. 3,30 3,30 - Comboieiro/carroceiro 1 milheiros fls. 1,10 1,10 - Lastreiro 1 milheiros fls. 1,20 1,20 - Fiscal (mateiro) 1 milheiros fls. 1,00 0,00 - Alimentação para 10 animais (3) 0,3124 kg 0,50 0,16 3. Extração do pó   2,35 Máquina terceirizada; bateção terceirizada; pgto. com base em 7,5 Kg de pó 0,29 2,18 quilos de pó extraídos - Sacos para o pó (4) 0,3125 unid. 0,50 0,16 - Barbante (5) 0,002 rolo 3,50 0,01 4. Transporte pó (6) 7,5 kg pó 0,06 0,45 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   13,56 5. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 13,56 1,36 TOTAL CUSTO ETAPAS 1 E 2   14,92 CUSTO TOTAL GERAL 14,92 VALOR ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE VR. UNIT (2) TOTAL RECEITA BRUTA       20,70 -Bagana   kg 3,00 3,00 -Pó cerífero (7,5kg)       17,70 Pó olho (20%) 1,5 kg 5,00 7,50 Pó palha (80%) 6 kg 1,70 10,20 LUCRO LÍQUIDO 5,78Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007); Gomes et al. (2006).Nota: Os textos explicativos das notas 1 a 10 desta Tabela estão disponíveis no final deste Apêndice (p.183).158
  • 157. Tabela A5 – Arrendamento, Corte e Secagem de um Milheiro de Palha, Extração, Ensacamento e Transporte de Pó(1) – Bateção com Máquina e Serviço Terceirizados, Pagamento com Base em Milheiros de Palhas Batidos – Custo e Receita – 2005 VR. VALOR ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE UNIT(2) TOTAL ETAPAS 1 e 2   1. Arrendamento 1 milheiros fls. 2,00 2,00 2. Corte e secagem em milheiros       8,76 derrubados - Vareiro 1 milheiros fls. 3,00 3,00 - Aparador/enfiador/junteiro 1 milheiros fls. 3,30 3,30 - Comboieiro/carroceiro 1 milheiros fls. 1,10 1,10 - Lastreiro 1 milheiros fls. 1,20 1,20 - Fiscal (mateiro) 1 milheiros fls. 1,00 0,00 - Alimentação para 10 animais (3) 0,3124 kg 0,50 0,16 3. Extração do pó   2,17 Máquina terceirizada; bateção Milheiro de terceirizada; pgto. com base em 1 2,00 2,00 palhas milheiros de palha batidos - Sacos para o pó (4) 0,3125 unid. 0,50 0,16 - Barbante (5) 0,002 rolo 3,50 0,01 4. Transporte pó (6) 7,5 kg pó 0,06 0,45 tempo Subtotal taxa a.m.(%)   13,38 (meses) 5. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 13,38 1,34 TOTAL CUSTO ETAPAS 1 E 2   14,72 CUSTO TOTAL GERAL 14,72 VR. UNIT VALOR ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE (2) TOTAL RECEITA BRUTA       20,70 -Bagana   kg 3,00 3,00 -Pó cerífero (7,5kg)       17,70 Pó olho (20%) 1,5 kg 5,00 7,50 Pó palha (80%) 6 kg 1,70 10,20 LUCRO LÍQUIDO 5,98Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007); Gomes et al. (2006).Nota: Os textos explicativos das notas 1 a 10 desta Tabela estão disponíveis no final deste Apêndice (p.183). 159
  • 158. b) Os serviços em campo são pagos com base em diárias trabalhadas.Tabela A6 – Arrendamento, Corte e Secagem de um Milheiro de Palha, Extração, Ensacamento e Transporte de Pó(1) – Bateção com Máquina e Serviço Próprios – Custo e Receita – 2005 VALOR ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE VR. UNIT(2) TOTAL ETAPAS 1 e 2   milheiros 1. Arrendamento 1 2,00 2,00 fls. 2. Corte e secagem em diárias       5,69 trabalhadas - Vareiro 0,1 diárias 15,00 1,50 - Aparador/enfiador/junteiro 0,05 diárias 12,50 2,50 - Comboieiro/carroceiro 0,05 diárias 12,50 0,62 - Lastreiro 0,05 diárias 12,50 0,62 - Fiscal (mateiro) 0,025 diárias 11,50 0,29 - Alimentação para 10 animais (3) 0,3124 kg 0,50 0,16 3. Extração do pó   1,25 Máquina própria; bateção própria 1 0 1,08 1,08 - Sacos para o pó (4) 0,3125 unid. 0,50 0,16 - Barbante (5) 0,002 rolo 3,50 0,01 4. Transporte pó (6) 7,5 kg pó 0,06 0,45 taxa tempo Subtotal   9,39 a.m.(%) (meses) 5. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 9,39 0,94 TOTAL CUSTO ETAPAS 1 E 2   10,33 CUSTO TOTAL GERAL 10,33 VALOR ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE VR. UNIT (2) TOTAL RECEITA BRUTA       20,70 -Bagana   kg 3,00 3,00 -Pó cerífero (7,5kg)       17,70 Pó olho (20%) 1,5 kg 5,00 7,50 Pó palha (80%) 6 kg 1,70 10,20 LUCRO LÍQUIDO 10,37Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007); Gomes et al. (2006).Nota: Os textos explicativos das notas 1 a 10 desta Tabela estão disponíveis no final deste Apêndice (p.183).160
  • 159. Tabela A7 – Arrendamento, Corte e Secagem de um Milheiro de Palha, Extração, Ensacamento e Transporte do pó (1) – Bateção com Máquina Própria, Serviço Terceirizado e Pagamento com Base em Quilos de Pó Extraídos – Custo e Receita – 2005 VALOR ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE VR. UNIT(2) TOTAL ETAPAS 1 e 2   milheiros 1. Arrendamento 1 2,00 2,00 fls. 2. Corte e secagem em diárias       5,69 trabalhadas - Vareiro 0,1 diárias 15,00 1,50 - Aparador/enfiador/junteiro 0,05 diárias 12,50 2,50 - Comboieiro/carroceiro 0,05 diárias 12,50 0,62 - Lastreiro 0,05 diárias 12,50 0,62 - Fiscal (mateiro) 0,025 diárias 11,50 0,29 - Alimentação para 10 animais (3) 0,3124 kg 0,50 0,16 3. Extração do pó   1,97 Máquina própria; bateção terceirizada; pgto. com base em quilos de pó 7,5 Kg de pó 0,24 1,80 extraídos - Sacos para o pó (4) 0,3125 unid. 0,50 0,16 - Barbante (5) 0,002 rolo 3,50 0,01 4. Transporte pó (6) 7,5 kg pó 0,06 0,45 tempo Subtotal taxa a.m.(%)   10,11 (meses) 5. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 10,11 1,01 TOTAL CUSTO ETAPAS 1 E 2   11,12 CUSTO TOTAL GERAL 11,12 VALOR ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE VR. UNIT (2) TOTAL RECEITA BRUTA       20,70 -Bagana   kg 3,00 3,00 -Pó cerífero (7,5kg)       17,70 Pó olho (20%) 1,5 kg 5,00 7,50 Pó palha (80%) 6 kg 1,70 10,20 LUCRO LÍQUIDO 9,58Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007); Gomes et al. (2006).Nota: Os textos explicativos das notas 1 a 10 desta Tabela estão disponíveis no final deste Apêndice (p.183). 161
  • 160. Tabela A8 – Arrendamento, Corte e Secagem de um Milheiro de Palha, Extração, Ensacamento e Transporte do Pó (1) – Bateção com Máquina Própria, Serviço Terceirizado e Pagamento com Base em Milheiros de Palhas Batidos – Custo e Receita – 2005 VALOR ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE VR. UNIT(2) TOTAL ETAPAS 1 e 2   1. Arrendamento 1 milheiros fls. 2,00 2,00 2. Corte e secagem em diárias       5,69 trabalhadas - Vareiro 0,1 diárias 15,00 1,50 - Aparador/enfiador/junteiro 0,05 diárias 12,50 2,50 - Comboieiro/carroceiro 0,05 diárias 12,50 0,62 - Lastreiro 0,05 diárias 12,50 0,62 - Fiscal (mateiro) 0,025 diárias 11,50 0,29 - Alimentação para 10 animais (3) 0,3124 kg 0,50 0,16 3. Extração do pó   2,17 Máquina própria; bateção milheiro de terceirizada; pgto. com base em 1 2,00 2,00 palhas milheiros de palhas batidos - Sacos para o pó (4) 0,3125 unid. 0,50 0,16 - Barbante (5) 0,002 rolo 3,50 0,01 4. Transporte pó (6) 7,5 kg pó 0,06 0,45 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   10,31 5. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 10,31 1,03 TOTAL CUSTO ETAPAS 1 E 2   11,34 CUSTO TOTAL GERAL 11,34 VALOR ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE VR. UNIT (2) TOTAL RECEITA BRUTA       20,70 -Bagana   kg 3,00 3,00 -Pó cerífero (7,5kg)       17,70 Pó olho (20%) 1,5 kg 5,00 7,50 Pó palha (80%) 6 kg 1,70 10,20 LUCRO LÍQUIDO 9,36Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007); Gomes et al. (2006).Nota: Os textos explicativos das notas 1 a 10 desta Tabela estão disponíveis no final deste Apêndice (p.183).162
  • 161. Tabela A9 – Arrendamento, Corte e Secagem de um Milheiro de Palha, Extração, Ensacamento e Transporte do Pó (1) – Bateção com Máquina e Serviço Terceirizados, Pagamento com Base em Quilos de Pó Extraídos – Custo e Receita – 2005 VALOR ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE VR. UNIT(2) TOTAL ETAPAS 1 e 2   1. Arrendamento 1 milheiros fls. 2,00 2,00 2. Corte e secagem em diárias       5,69 trabalhadas - Vareiro 0,1 diárias 15,00 1,50 - Aparador/enfiador/junteiro 0,05 diárias 12,50 2,50 - Comboieiro/carroceiro 0,05 diárias 12,50 0,62 - Lastreiro 0,05 diárias 12,50 0,62 - Fiscal (mateiro) 0,025 diárias 11,50 0,29 - Alimentação para 10 animais (3) 0,3124 kg 0,50 0,16 3. Extração do pó   2,35 Máquina terceirizada; bateção terceirizada; pgto. com base em quilos 7,5 Kg de pó 0,29 2,18 de pó extraídos - Sacos para o pó (4) 0,3125 unid. 0,50 0,16 - Barbante (5) 0,002 rolo 3,50 0,01 4. Transporte pó (6) 7,5 kg pó 0,06 0,45 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   10,49 5. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 10,49 1,05 TOTAL CUSTO ETAPAS 1 E 2   11,54 CUSTO TOTAL GERAL 11,54 VALOR ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE VR. UNIT (2) TOTAL RECEITA BRUTA       20,70 -Bagana   kg 3,00 3,00 -Pó cerífero (7,5kg)       17,70 Pó olho (20%) 1,5 kg 5,00 7,50 Pó palha (80%) 6 kg 1,70 10,20 LUCRO LÍQUIDO 9,16Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007); Gomes et al. (2006).Nota: Os textos explicativos das notas 1 a 10 desta Tabela estão disponíveis no final deste Apêndice (p.183). 163
  • 162. Tabela A10 – Arrendamento, Corte e Secagem de um Milheiro de Palha, Extração, Ensacamento e Transporte do Pó (1) – Bateção com Máquina e Serviço Terceirizados, Pagamento com Base em Milheiros de Palhas Batidos – Custo e Receita – 2005 VALOR ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE VR. UNIT(2) TOTAL ETAPAS 1 e 2   1. Arrendamento 1 milheiros fls. 2,00 2,00 2. Corte e secagem em diárias       5,69 trabalhadas - Vareiro 0,1 diárias 15,00 1,50 - Aparador/enfiador/junteiro 0,05 diárias 12,50 2,50 - Comboieiro/carroceiro 0,05 diárias 12,50 0,62 - Lastreiro 0,05 diárias 12,50 0,62 - Fiscal (mateiro) 0,025 diárias 11,50 0,29 - Alimentação para 10 animais (3) 0,3124 kg 0,50 0,16 3. Extração do pó   2,17 Máquina terceirizada; bateção milheiro de terceirizada; pgto. com base em 1 2,00 2,00 palhas milheiros de palha batidos - Sacos para o pó (4) 0,3125 unid. 0,50 0,16 - Barbante (5) 0,002 rolo 3,50 0,01 4. Transporte pó (6) 7,5 kg pó 0,06 0,45 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   10,31 5. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 10,31 1,03 TOTAL CUSTO ETAPAS 1 E 2   11,34 CUSTO TOTAL GERAL 11,34 VALOR ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE VR. UNIT (2) TOTAL RECEITA BRUTA       20,70 -Bagana   kg 3,00 3,00 -Pó cerífero (7,5kg)       17,70 Pó olho (20%) 1,5 kg 5,00 7,50 Pó palha (80%) 6 kg 1,70 10,20 LUCRO LÍQUIDO 9,36Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007); Gomes et al. (2006).Nota: Os textos explicativos das notas 1 a 10 desta Tabela estão disponíveis no final deste Apêndice (p.183).164
  • 163. 2. Com produção de pó e cera de origem no campo, ou seja, os custosreferem-se às etapas de arrendamento, corte e secagem da palha, extração dopó, elaboração e transporte da cera de origem. a) Os serviços em campo são pagos com base em milheiros de palhas derrubados.Tabela A11 – Arrendamento, Corte e Secagem de um Milheiro de Palha, Extração do Pó, Produção de Cera de Origem, Ensacamento e Transporte da Cera(1) – Bateção com Máquina e Serviço Próprios – Custo e Receita – 2005 VALOR ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE VR. UNIT(2) TOTAL ETAPAS 1 e 2   1. Arrendamento 1 milheiros fls. 2,00 2,00 2. Corte e secagem em milheiros derrubados       8,76 - Vareiro 1 milheiros fls. 3,00 3,00 - Aparador/enfiador/junteiro 1 milheiros fls. 3,30 3,30 - Comboieiro/carroceiro 1 milheiros fls. 1,10 1,10 - Lastreiro 1 milheiros fls. 1,20 1,20 - Fiscal (mateiro) 1 milheiros fls. 1,00 0,00 - Alimentação para 10 animais (3) 0,3124 kg 0,50 0,16 3. Extração do pó   1,25 Máquina própria; bateção própria 1 0 1,08 1,08 - Sacos para o pó (4) 0,3125 unid. 0,50 0,16 - Barbante (5) 0,002 rolo 3,50 0,01 4. Transporte cera (6) 7,5 kg cera e borra 0,06 0,45 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   12,46 5. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 12,46 1,25 TOTAL CUSTO ETAPAS 1 E 2   13,71 ETAPA 3 Produzir cera? Sim   1. Custo da Cera de origem (4,8kg por milheiro) 1,22 Operários da prensa e caldeira (8) 1 Kg cera 0,05 0,05 Lenha (9) 0,003 m3 10,00 0,03 Água (10) 2,91 litro 0,03 0,084 Pano de nylon para prensa 0,01 unid. 1,00 0,01 Ácido oxálico (sal de azedo) 0,003 kg 5,00 0,015 Depreciação equipamentos - vb - 0,064 CUSTO UNITÁRIO       0,25 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses) 1,22 2. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 1,22 0,12 TOTAL CUSTO ETAPA 3 1,34 CUSTO TOTAL GERAL 15,05 VALOR ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE VR. UNIT (2) TOTAL RECEITA BRUTA       22,56 -Cera de origem (4,8kg)   18,48 Do pó olho (80%) 1,2 kg 7,00 8,40 Do pó palha (60%) 3,6 kg 2,80 10,08 -Borra 2,7 kg 0,40 1,08 LUCRO LÍQUIDO 7,51Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007); Gomes et al. (2006).Nota: Os textos explicativos das notas 1 a 10 desta Tabela estão disponíveis no final deste Apêndice (p.183). 165
  • 164. Tabela A12 – Arrendamento, Corte e Secagem de um Milheiro de Palha, Extração do Pó, Produção de Cera de Origem, Ensacamento e Transporte da Cera (1) – Bateção com Máquina Própria, Serviço Terceirizado e Pagamento com Base em Quilos de Pó Extraídos – Custo e Receita – 2005 VR. VALOR ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE UNIT(2) TOTAL ETAPAS 1 e 2  1. Arrendamento 1 milheiros fls. 2,00 2,00 2. Corte e secagem em milheiros       8,76 derrubados - Vareiro 1 milheiros fls. 3,00 3,00 - Aparador/enfiador/junteiro 1 milheiros fls. 3,30 3,30 - Comboieiro/carroceiro 1 milheiros fls. 1,10 1,10 - Lastreiro 1 milheiros fls. 1,20 1,20 - Fiscal (mateiro) 1 milheiros fls. 1,00 0,00 - Alimentação para 10 animais (3) 0,3124 kg 0,50 0,16 3. Extração do pó   1,97 Máquina própria; bateção terceirizada; pgto. com base em quilos de pó 7,5 Kg de pó 0,24 1,80 extraídos - Sacos para o pó (4) 0,3125 unid. 0,50 0,16 - Barbante (5) 0,002 rolo 3,50 0,01 4. Transporte cera (6) 7,5 kg cera e borra 0,06 0,45 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   13,18 5. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 13,18 1,32 TOTAL CUSTO ETAPAS 1 E 2   14,50 ETAPA 3 Produzir cera? Sim   1. Custo da Cera de origem (4,8kg por milheiro) 1,22 Operários da prensa e caldeira (8) 1 kg cera 0,05 0,05 Lenha (9) 0,003 m3 10,00 0,03 Água (10) 2,91 litro 0,03 0,084 Pano de nylon para prensa 0,01 unid. 1,00 0,01 Ácido oxálico (sal de azedo) 0,003 kg 5,00 0,015 Depreciação equipamentos - vb - 0,064 CUSTO UNITÁRIO       0,25 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   1,22 2. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 1,22 0,12 TOTAL CUSTO ETAPA 3 1,34 CUSTO TOTAL GERAL 15,84 VR. UNIT VALOR ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE (2) TOTAL RECEITA BRUTA       22,56 -Cera de origem (4,8kg)   18,48 Do pó olho (80%) 1,2 kg 7,00 8,40 Do pó Palha (60%) 3,6 kg 2,80 10,08 -Borra 2,7 kg 0,40 1,08 LUCRO LÍQUIDO 6,72Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007); Gomes et al. (2006).Nota: Os textos explicativos das notas 1 a 10 desta Tabela estão disponíveis no final deste Apêndice (p.183).166
  • 165. Tabela A13 – Arrendamento, Corte e Secagem de um Milheiro de Palha, Extração do Pó, Produção de Cera de Origem, Ensacamento e Transporte da Cera – Bateção com Máquina Própria, Serviço Terceirizado e Pagamento com Base em Milheiros de Palhas Batidos – Custo e Receita – 2005 VR. VALOR ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE UNIT(2) TOTAL ETAPAS 1 e 2  1. Arrendamento 1 milheiros fls. 2,00 2,00 2. Corte e secagem em milheiros derrubados       8,76 - Vareiro 1 milheiros fls. 3,00 3,00 - Aparador/enfiador/junteiro 1 milheiros fls. 3,30 3,30 - Comboieiro/carroceiro 1 milheiros fls. 1,10 1,10 - Lastreiro 1 milheiros fls. 1,20 1,20 - Fiscal (mateiro) 1 milheiros fls. 1,00 0,00 - Alimentação para 10 animais (3) 0,3124 kg 0,50 0,16 3. Extração do pó   2,17 Máquina própria; bateção terceirizada; pgto. milheiro de 1 2,00 2,00 com base em milheiros de palhas batidos palhas - Sacos para o pó (4) 0,3125 unid. 0,50 0,16 - Barbante (5) 0,002 rolo 3,50 0,01 kg cera e 4. Transporte cera (6) 7,5 0,06 0,45 borra Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   13,38 5. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 13,38 1,34 TOTAL CUSTO ETAPAS 1 E 2   14,72 ETAPA 3 Produzir cera? Sim   1. Custo da Cera de origem (4,8kg por milheiro) 1,22 Operários da prensa e caldeira (8) 1 Kg cera 0,05 0,05 Lenha (9) 0,003 m3 10,00 0,03 Água (10) 2,91 litro 0,03 0,084 Pano de nylon para prensa 0,01 unid. 1,00 0,01 Ácido oxálico (sal de azedo) 0,003 kg 5,00 0,015 Depreciação equipamentos - vb - 0,064 CUSTO UNITÁRIO       0,25 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   1,22 2. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 1,22 0,12 TOTAL CUSTO ETAPA 3 1,34 CUSTO TOTAL GERAL 16,06 VR. VALOR ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE UNIT (2) TOTAL RECEITA BRUTA       22,56 -Cera de origem (4,8kg)   18,48 Do pó olho (80%) 1,2 kg 7,00 8,40 Do pó palha (60%) 3,6 kg 2,80 10,08 -Borra 2,7 kg 0,40 1,08 LUCRO LÍQUIDO 6,50Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007); Gomes et al. (2006).Nota: Os textos explicativos das notas 1 a 10 desta Tabela estão disponíveis no final deste Apêndice (p.183). 167
  • 166. Tabela A14 – Arrendamento, Corte e Secagem de um Milheiro de Palha, Extração do Pó, Produção de Cera de Origem, Ensacamento e Transporte da Cera(1) – Bateção com Máquina e Serviço Terceirizados, Pagamento com Base em Quilos de Pó Extraídos – Custo e Receita – 2005 ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE VR. UNIT(2) VALOR TOTAL ETAPAS 1 e 2  1. Arrendamento 1 milheiros fls. 2,00 2,00 2. Corte e secagem em milheiros derrubados       8,76 - Vareiro 1 milheiros fls. 3,00 3,00 - Aparador/enfiador/junteiro 1 milheiros fls. 3,30 3,30 - Comboieiro/carroceiro 1 milheiros fls. 1,10 1,10 - Lastreiro 1 milheiros fls. 1,20 1,20 - Fiscal (mateiro) 1 milheiros fls. 1,00 0,00 - Alimentação para 10 animais (3) 0,3124 kg 0,50 0,16 3. Extração do pó   2,35 Máquina terceirizada; bateção terceirizada; 7,5 kg de pó 0,29 2,18 pgto. com base em quilos de pó extraídos - Sacos para o pó (4) 0,3125 unid. 0,50 0,16 - Barbante (5) 0,002 rolo 3,50 0,01 kg cera e 4. Transporte cera (6) 7,5 0,06 0,45 borra Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   13,56 5. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 13,56 1,36 TOTAL CUSTO ETAPAS 1 E 2   14,92 ETAPA 3 Produzir cera? Sim   1. Custo da Cera de origem (4,8kg por milheiro) 1,22 Operários da prensa e caldeira (8) 1 kg cera 0,05 0,05 Lenha (9) 0,003 m3 10,00 0,03 Água (10) 2,91 litro 0,03 0,084 Pano de nylon para prensa 0,01 unid. 1,00 0,01 Ácido oxálico (sal de azedo) 0,003 kg 5,00 0,015 Depreciação equipamentos - vb - 0,064 CUSTO UNITÁRIO       0,25 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   1,22 2. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 1,22 0,12 TOTAL CUSTO ETAPA 3 1,34 CUSTO TOTAL GERAL 16,26 VR. UNIT ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE VALOR TOTAL (2) RECEITA BRUTA       22,56 -Cera de origem (4,8kg)   18,48 Do pó olho (80%) 1,2 kg 7,00 8,40 Do pó palha (60%) 3,6 kg 2,80 10,08 -Borra 2,7 kg 0,40 1,08 LUCRO LÍQUIDO 6,30Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007); Gomes et al. (2006).Nota: Os textos explicativos das notas 1 a 10 desta Tabela estão disponíveis no final deste Apêndice (p.183).168
  • 167. Tabela A15 – Arrendamento, Corte e Secagem de um Milheiro de Palha, Extração do Pó, Produção de Cera de Origem, Ensacamento e Transporte da Cera(1) – Bateção com Máquina e Serviço Terceirizados, Pagamento com Base em Milheiros de Palhas Batidos – Custo e Receita – 2005 VALOR ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE VR. UNIT(2) TOTAL ETAPAS 1 e 2  1. Arrendamento 1 milheiros fls. 2,00 2,00 2. Corte e secagem em milheiros derrubados       8,76 - Vareiro 1 milheiros fls. 3,00 3,00 - Aparador/enfiador/junteiro 1 milheiros fls. 3,30 3,30 - Comboieiro/carroceiro 1 milheiros fls. 1,10 1,10 - Lastreiro 1 milheiros fls. 1,20 1,20 - Fiscal (mateiro) 1 milheiros fls. 1,00 0,00 - Alimentação para 10 animais (3) 0,3124 kg 0,50 0,16 3. Extração do pó   2,17 Máquina terceirizada; bateção terceirizada; milheiro de 1 2,00 2,00 pgto. com base em milheiros de palha batidos palhas - Sacos para o pó (4) 0,3125 unid. 0,50 0,16 - Barbante (5) 0,002 rolo 3,50 0,01 kg cera e 4. Transporte cera (6) 7,5 0,06 0,45 borra Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   13,38 5. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 13,38 1,34 TOTAL CUSTO ETAPAS 1 E 2   14,72 ETAPA 3 Produzir cera? Sim   1. Custo da Cera de origem (4,8kg por milheiro) 1,22 Operários da prensa e caldeira (8) 1 kg cera 0,05 0,05 Lenha (9) 0,003 m3 10,00 0,03 Água (10) 2,91 litro 0,03 0,084 Pano de nylon para prensa 0,01 unid. 1,00 0,01 Ácido oxálico (sal de azedo) 0,003 kg 5,00 0,015 Depreciação equipamentos - vb - 0,064 CUSTO UNITÁRIO       0,25 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   1,22 2. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 1,22 0,12 TOTAL CUSTO ETAPA 3 1,34 CUSTO TOTAL GERAL 16,06 VALOR ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE VR. UNIT (2) TOTAL RECEITA BRUTA       22,56 -Cera de origem (4,8kg)   18,48 Do pó olho (80%) 1,2 kg 7,00 8,40 Do pó palha (60%) 3,6 kg 2,80 10,08 -Borra 2,7 kg 0,40 1,08 LUCRO LÍQUIDO 6,50Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007); Gomes et al. (2006).Nota: Os textos explicativos das notas 1 a 10 desta Tabela estão disponíveis no final deste Apêndice (p.183). 169
  • 168. b) Os serviços em campo são pagos com base em diárias trabalhadas.Tabela A16 – Arrendamento, Corte e Secagem de um Milheiro de Palha, Extração do Pó, Produção de Cera de Origem Ensacamento e Transporte da Cera (1) – Bateção com Máquina e Serviço Próprios – Custo e Receita – 2005 VALOR ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE VR. UNIT(2) TOTAL ETAPAS 1 e 2  1. Arrendamento 1 milheiros fls. 2,00 2,00 2. Corte e secagem em diárias trabalhadas       5,69 - Vareiro 0,1 diárias 15,00 1,50 - Aparador/enfiador/junteiro 0,05 diárias 12,50 2,50 - Comboieiro/carroceiro 0,05 diárias 12,50 0,62 - Lastreiro 0,05 diárias 12,50 0,62 - Fiscal (mateiro) 0,025 diárias 11,50 0,29 - Alimentação para 10 animais (3) 0,3124 kg 0,50 0,16 3. Extração do pó   1,25 Máquina própria; bateção própria 1 0 1,08 1,08 - Sacos para o pó (4) 0,3125 unid. 0,50 0,16 - Barbante (5) 0,002 rolo 3,50 0,01 4. Transporte cera (6) 7,5 kg cera e borra 0,06 0,45 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   9,39 5. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 9,39 0,94 TOTAL CUSTO ETAPAS 1 E 2   10,33 ETAPA 3 Produzir cera? Sim   1. Custo da Cera de origem (4,8kg por milheiro) 1,22 Operários da prensa e caldeira (8) 1 kg cera 0,05 0,05 Lenha (9) 0,003 m3 10,00 0,03 Água (10) 2,91 litro 0,03 0,084 Pano de nylon para prensa 0,01 unid. 1,00 0,01 Ácido oxálico (sal de azedo) 0,003 kg 5,00 0,015 Depreciação equipamentos - vb - 0,064 CUSTO UNITÁRIO       0,25 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   1,22 2. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 1,22 0,12 TOTAL CUSTO ETAPA 3 1,34 CUSTO TOTAL GERAL 11,67 VALOR ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE VR. UNIT (2) TOTAL RECEITA BRUTA       22,56 -Cera de origem (4,8kg)   18,48 Do pó olho (80%) 1,2 kg 7,00 8,40 Do pó palha (60%) 3,6 kg 2,80 10,08 -Borra 2,7 kg 0,40 1,08 LUCRO LÍQUIDO 10,89Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007); Gomes et al. (2006).Nota: Os textos explicativos das notas 1 a 10 desta Tabela estão disponíveis no final deste Apêndice (p.183).170
  • 169. Tabela A17 – Arrendamento, Corte e Secagem de um Milheiro de Palha, Extração do Pó, Produção de Cera de Origem, Ensacamento e Transporte da Cera(1) – Bateção com Máquina Própria, Serviço Terceirizado e Pagamento com Base em Quilos de Pó Extraídos – Custo e Receita – 2005 VALOR ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE VR. UNIT(2) TOTAL ETAPAS 1 e 2  1. Arrendamento 1 Milheiros fls. 2,00 2,00 2. Corte e secagem em diárias trabalhadas       5,69 - Vareiro 0,1 diárias 15,00 1,50 - Aparador/enfiador/junteiro 0,05 diárias 12,50 2,50 - Comboieiro/carroceiro 0,05 diárias 12,50 0,62 - Lastreiro 0,05 diárias 12,50 0,62 - Fiscal (mateiro) 0,025 diárias 11,50 0,29 - Alimentação para 10 animais (3) 0,3124 kg 0,50 0,16 3. Extração do pó   1,97 Máquina própria; bateção terceirizada; 7,5 kg de pó 0,24 1,80 pgto. com base em quilos de pó extraídos - Sacos para o pó (4) 0,3125 unid. 0,50 0,16 - Barbante (5) 0,002 rolo 3,50 0,01 4. Transporte cera (6) 7,5 kg cera e borra 0,06 0,45 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   10,11 5. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 10,11 1,01 TOTAL CUSTO ETAPAS 1 E 2   11,12 ETAPA 3 Produzir cera?: Sim   1. Custo da Cera de origem (4,8kg por milheiro) 1,22 Operários da prensa e caldeira (8) 1 kg cera 0,05 0,05 Lenha (9) 0,003 m3 10,00 0,03 Água (10) 2,91 litro 0,03 0,084 Pano de nylon para prensa 0,01 unid. 1,00 0,01 Ácido oxálico (sal de azedo) 0,003 kg 5,00 0,015 Depreciação equipamentos - vb - 0,064 CUSTO UNITÁRIO       0,25 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   1,22 2. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 1,22 0,12 TOTAL CUSTO ETAPA 3 1,34 CUSTO TOTAL GERAL 12,46 VALOR ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE VR. UNIT (2) TOTAL RECEITA BRUTA       22,56 -Cera de origem (4,8kg)   18,48 Do pó olho (80%) 1,2 kg 7,00 8,40 Do pó palha (60%) 3,6 kg 2,80 10,08 -Borra 2,7 kg 0,40 1,08 LUCRO LÍQUIDO 10,10Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007); Gomes et al. (2006).Nota: Os textos explicativos das notas 1 a 10 desta Tabela estão disponíveis no final deste Apêndice (p.183). 171
  • 170. Tabela A18 – Arrendamento, Corte e Secagem de um Milheiro de Palha, Extração do Pó, Produção de Cera de Origem, Ensacamento e Transporte da Cera(1) – Bateção com Máquina Própria, Serviço Terceirizado e Pagamento com Base em Milheiros de Palhas Batidos – Custo e Receita – 2005 VALOR ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE VR. UNIT(1) TOTAL ETAPAS 1 e 2  1. Arrendamento 1 milheiros fls. 2,00 2,00 2. Corte e secagem em diárias trabalhadas       5,69 - Vareiro 0,1 diárias 15,00 1,50 - Aparador/enfiador/junteiro 0,05 diárias 12,50 2,50 - Comboieiro/carroceiro 0,05 diárias 12,50 0,62 - Lastreiro 0,05 diárias 12,50 0,62 - Fiscal (mateiro) 0,025 diárias 11,50 0,29 - Alimentação para 10 animais (3) 0,3124 kg 0,50 0,16 3. Extração do pó   2,17 Máquina própria; bateção terceirizada; pgto. com milheiro de 1 2,00 2,00 base em milheiros de palhas batidos palhas - Sacos para o pó (4) 0,3125 unid. 0,50 0,16 - Barbante (5) 0,002 rolo 3,50 0,01 4. Transporte cera (6) 7,5 kg cera e borra 0,06 0,45 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   10,31 5. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 10,31 1,03 TOTAL CUSTO ETAPAS 1 E 2   11,34 ETAPA 3 Produzir cera?: Sim   1. Custo da Cera de origem (4,8kg por milheiro) 1,22 Operários da prensa e caldeira (8) 1 Kg cera 0,05 0,05 Lenha (9) 0,003 M3 10,00 0,03 Água (10) 2,91 litro 0,03 0,084 Pano de nylon para prensa 0,01 unid. 1,00 0,01 Ácido oxálico (sal de azedo) 0,003 kg 5,00 0,015 Depreciação equipamentos - vb - 0,064 CUSTO UNITÁRIO       0,25 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   1,22 2. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 1,22 0,12 TOTAL CUSTO ETAPA 3 1,34 CUSTO TOTAL GERAL 12,68 VALOR ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE VR. UNIT (2) TOTAL RECEITA BRUTA       22,56 -Cera de origem (4,8kg)   18,48 Do pó olho (80%) 1,2 kg 7,00 8,40 Do pó palha (60%) 3,6 kg 2,80 10,08 -Borra 2,7 kg 0,40 1,08 LUCRO LÍQUIDO 9,88Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007); Gomes et al. (2006).Nota: Os textos explicativos das notas 1 a 10 desta Tabela estão disponíveis no final deste Apêndice (p.183).172
  • 171. Tabela A19 – Arrendamento, Corte e Secagem de um Milheiro de Palha, Extração do Pó, Produção de Cera de Origem, Ensacamento e Transporte da Cera(1) – Bateção com Máquina e Serviço Terceirizados, Pagamento com Base em Quilos de Pó Extraídos – Custo e Receita – 2005 VALOR ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE VR. UNIT(2) TOTAL ETAPAS 1 e 2  1. Arrendamento 1 milheiros fls. 2,00 2,00 2. Corte e secagem em diárias trabalhadas       5,69 - Vareiro 0,1 diárias 15,00 1,50 - Aparador/enfiador/junteiro 0,05 diárias 12,50 2,50 - Comboieiro/carroceiro 0,05 diárias 12,50 0,62 - Lastreiro 0,05 diárias 12,50 0,62 - Fiscal (mateiro) 0,025 diárias 11,50 0,29 - Alimentação para 10 animais (3) 0,3124 kg 0,50 0,16 3. Extração do pó   2,35 Máquina terceirizada; bateção terceirizada; - vb 0,29 2,18 pgto. com base em quilos de pó extraídos - Sacos para o pó (4) 0,3125 unid. 0,50 0,16 - Barbante (5) 0,002 rolo 3,50 0,01 4. Transporte cera (6) 7,5 kg cera e borra 0,06 0,45 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   10,49 5. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 10,49 1,05 TOTAL CUSTO ETAPAS 1 E 2   11,54 ETAPA 3 Produzir cera? Sim   1. Custo da Cera de origem (4,8kg por milheiro) 1,22 Operários da prensa e caldeira (8) 1 kg cera 0,05 0,05 Lenha (9) 0,003 m3 10,00 0,03 Água (10) 2,91 litro 0,03 0,084 Pano de nylon para prensa 0,01 unid. 1,00 0,01 Ácido oxálico (sal de azedo) 0,003 kg 5,00 0,015 Depreciação equipamentos - vb - 0,064 CUSTO UNITÁRIO       0,25 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   1,22 2. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 1,22 0,12 TOTAL CUSTO ETAPA 3 1,34 CUSTO TOTAL GERAL 12,88 VALOR ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE VR. UNIT (2) TOTAL RECEITA BRUTA       22,56 -Cera de origem (4,8kg)   18,48 Do pó olho (80%) 1,2 kg 7,00 8,40 Do pó palha (60%) 3,6 kg 2,80 10,08 -Borra 2,7 kg 0,40 1,08 LUCRO LÍQUIDO 9,68Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007); Gomes et al. (2006).Nota: Os textos explicativos das notas 1 a 10 desta Tabela estão disponíveis no final deste Apêndice (p.183). 173
  • 172. Tabela A20 – Arrendamento, Corte e Secagem de um Milheiro de Palha, Extração do Pó, Produção de Cera de Origem, Ensacamento e Transporte da Cera(1) – Bateção com Máquina e Serviço Terceirizados, Pagamento com Base em Milheiros de Palhas Batidos – Custo e Receita – 2005 VALOR ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE VR. UNIT(2) TOTAL ETAPAS 1 e 2  1. Arrendamento 1 milheiros fls. 2,00 2,00 2. Corte e secagem em diárias trabalhadas       5,69 - Vareiro 0,1 diárias 15,00 1,50 - Aparador/enfiador/junteiro 0,05 diárias 12,50 2,50 - Comboieiro/carroceiro 0,05 diárias 12,50 0,62 - Lastreiro 0,05 diárias 12,50 0,62 - Fiscal (mateiro) 0,025 diárias 11,50 0,29 - Alimentação para 10 animais (3) 0,3124 kg 0,50 0,16 3. Extração do pó   2,17 Máquina terceirizada; bateção terceirizada; milheiro de 1 2,00 2,00 pgto. com base em milheiros de palha batidos palhas - Sacos para o pó (4) 0,3125 unid. 0,50 0,16 - Barbante (5) 0,002 rolo 3,50 0,01 4. Transporte cera (6) 7,5 kg cera e borra 0,06 0,45 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   10,31 5. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 10,31 1,03 TOTAL CUSTO ETAPAS 1 E 2   11,34 ETAPA 3 Produzir cera?: Sim   1. Custo da Cera de origem (4,8kg por milheiro) 1,22 Operários da prensa e caldeira (8) 1 kg cera 0,05 0,05 Lenha (9) 0,003 m3 10,00 0,03 Água (10) 2,91 litro 0,03 0,084 Pano de nylon para prensa 0,01 unid. 1,00 0,01 Ácido oxálico (sal de azedo) 0,003 kg 5,00 0,015 Depreciação equipamentos - vb - 0,064 CUSTO UNITÁRIO       0,25 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   1,22 2. Juros sobre empréstimo (7) 5,00 2 1,22 0,12 TOTAL CUSTO ETAPA 3 1,34 CUSTO TOTAL GERAL 12,68 VR. UNIT VALOR ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE (2) TOTAL RECEITA BRUTA       22,56 -Cera de origem (4,8kg)   18,48 Do pó olho (80%) 1,2 kg 7,00 8,40 Do pó palha (60%) 3,6 kg 2,80 10,08 -Borra 2,7 kg 0,40 1,08 LUCRO LÍQUIDO 9,88Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007); Gomes et al. (2006).Nota: Os textos explicativos das notas 1 a 10 desta Tabela estão disponíveis no final deste Apêndice (p.183).174
  • 173. 3. Sem produção de pó a) considerando taxa de juros de 5% a.m. sobre empréstimo – mercado paraleloTabela A21 – Aquisição de Pó (80% Pó Palha + 20% Pó Olho), Produção, Ensacamento, Transporte e Venda de Cera de Origem – Custo e Receita – 2005 ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE VR. UNIT (R$) VALOR TOTAL (R$) 1. Aquisição do pó cerífero 7,5 kg - 17,70 % Pó olho 20 % 5 7,50 % Pó palha 80 % 1,7 10,20 2. Transporte cera 7,5 kg cera e borra 0,06 0,45 3. Custo da cera de origem (para 4,8kg) 1,22 Custo da Cera de origem (unitário) 0,25 Operários da prensa e caldeira (1) 1 Kg cera 0,05 0,05 Lenha (2) 0,003 m3 10,00 0,03 Água (3) 2,91 litro 0,03 0,084 Pano de nylon para prensa 0,01 unid. 1,00 0,01 Ácido oxálico (sal de azedo) 0,003 kg 5,00 0,015 Depreciação equipamentos - vb - 0,064 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   19,37 4. Juros sobre empréstimo 5,00 2 19,37 1,94 CUSTO TOTAL GERAL 21,31 ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE VR. UNIT. (R$) VALOR TOTAL (R$) RECEITA BRUTA       19,56 -Cera de origem (4)   18,48 Do pó olho (80%) 1,2 kg 7,00 8,40 Do pó palha (60%) 3,6 kg 2,80 10,08 -Borra 2,70 kg 0,40 1,08 LUCRO LÍQUIDO -1,75Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007).Notas:(1) Considerou-se a média de R$ 25,00 pagos por um dia de trabalho atrelado à produção de 500kg de cera, de acordo com o observado em campo.(2) Para produzir 150kg de cera, é necessário 0,5m3 de lenha (algaroba), conforme D’alva (2007, p. 170).(3) Segundo um informante (dono de fábrica), para cada 200kg de pó levados à caldeira são necessárias 15 latas (de 18 litros) de água (270 litros), equivalendo a 1,35 litro para cada quilo de pó. Considera-se que, para produzir um quilo de cera, é necessário 1,45kg de pó, o que exigirá 2,91 litros de água. O valor da água foi baseado em D’alva (2007, p.170). (4) Os percentuais indicados referem-se ao rendimento do pó empregado na fabricação da cera, diferindo assim dos percentuais empregados na aquisição do pó, que se referem a quantidades. 175
  • 174. Tabela A22 – Aquisição de Pó (50% Pó Palha + 50% Pó Olho), Produção, Ensacamento, Transporte e Venda de Cera de Origem – Custo e Receita – 2005 ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE VR. UNIT (R$) VALOR TOTAL (R$) 1. Aquisição do pó cerífero 7,5 kg - 25,12   % Pó olho 50 % 5 18,75   % Pó palha 50 % 1,7 6,37 2. Transporte cera 7,5 kg cera e borra 0,06 0,45 3. Custo da cera de origem 1,22 Custo da Cera de origem (unitário) 0,25 Operários da prensa e caldeira (1) 1 kg cera 0,05 0,05 Lenha (2) 0,003 m3 10,00 0,03 Água (3) 2,91 litro 0,03 0,084 Pano de nylon para prensa 0,01 unid. 1,00 0,01 Ácido oxálico (sal de azedo) 0,003 kg 5,00 0,015 Depreciação equipamentos - vb - 0,064 Subtotal Taxa a.m.(%) tempo (meses)   26,79 4. Juros sobre empréstimo 5,00 2 26,79 2,68 CUSTO TOTAL GERAL 29,47 ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE VR. UNIT. (R$) VALOR TOTAL (R$) RECEITA BRUTA       28,20 -Cera de origem   27,30 Do pó olho (80%) 3 kg 7,00 21,00 Do pó palha (60%) 2,25 kg 2,80 6,3 -Borra 2,25 kg 0,40 0,90 LUCRO LÍQUIDO -1,27Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007).Notas:(1) Considerou-se a média de R$ 25,00 pagos por um dia de trabalho atrelado à produção de 500kg de cera, de acordo com o observado em campo.(2) Para produzir 150kg de cera, é necessário 0,5m3 de lenha (algaroba), conforme D’alva (2007, p.170).(3) Segundo um informante (dono de fábrica), para cada 200kg de pó levados à caldeira são necessárias 15 latas (de 18 litros) de água (270 litros), equivalendo a 1,35 litro para cada quilo de pó. Considera-se que para produzir um quilo de cera é necessário 1,45kg de pó, o que exigirá 2,91 litros de água. O valor da água foi baseado em D’alva (2007, p.170). (4) Os percentuais indicados referem-se ao rendimento do pó empregado na fabricação da cera, diferindo assim dos percentuais empregados na aquisição do pó, que se referem a quantidades.176
  • 175. Tabela A23 – Aquisição de Pó (100% Pó Palha), Produção, Ensacamento, Transporte e Venda de Cera de Origem – Custo e Receita – 2005 ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE VR. UNIT (R$) VALOR TOTAL (R$) 1. Aquisição do pó cerífero 7,5 kg - 12,75 % Pó olho 0 % 5 0 % Pó palha 100 % 1,7 12,75 kg cera e 2. Transporte cera 7,5 0,06 0,45 borra 3. Custo da Cera de origem 1,22 Custo da Cera de origem (unitário) 0,25 Operários da prensa e caldeira (1) 1 kg cera 0,05 0,05 Lenha (2) 0,003 m3 10,00 0,03 Água (3) 2,91 litro 0,03 0,084 Pano de nylon para prensa 0,01 unid. 1,00 0,01 Ácido oxálico (sal de azedo) 0,003 kg 5,00 0,015 Depreciação equipamentos - vb - 0,064 tempo Subtotal taxa a.m.(%)   14,42 (meses) 4. Juros sobre empréstimo 5,00 2 14,42 1,44 CUSTO TOTAL GERAL 15,86 ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE VR. UNIT (R$) VALOR TOTAL (R$) RECEITA BRUTA       13,80 -Cera de origem   12,60 Do pó olho (80%) 0 kg 7,00 0,00 Do pó palha (60%) 4,5 kg 2,80 12,6 -Borra 3,00 kg 0,40 1,20 LUCRO LÍQUIDO -2,06Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007).Notas:(1) Considerou-se a média de R$ 25,00 pagos por um dia de trabalho atrelado à produção de 500kg de cera, de acordo com o observado em campo.(2) Para produzir 150kg de cera, é necessário 0,5m3 de lenha (algaroba), conforme D’alva (2007, p.170).(3) Segundo um informante (dono de fábrica), para cada 200kg de pó levados à caldeira são necessárias 15 latas (de 18 litros) de água (270 litros), equivalendo a 1,35 litro para cada quilo de pó. Considera- se que para produzir um quilo de cera é necessário 1,45kg de pó, o que exigirá 2,91 litros de água. O valor da água foi baseado em D’alva (2007, p.170). (4) Os percentuais indicados referem-se ao rendimento do pó empregado na fabricação da cera, diferindo assim dos percentuais empregados na aquisição do pó, que se referem a quantidades. 177
  • 176. Tabela A24 – Aquisição de Pó (100% Pó Olho), Produção, Ensacamento, Transporte e Venda de Cera de Origem – Custo e Receita – 2005 ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE VR. UNIT (R$) VALOR TOTAL (R$) 1. Aquisição do pó cerífero 7,5 kg - 37,5 % Pó olho 100 % 5 37,5 % Pó palha 0 % 1,7 0 2. Transporte cera 7,5 kg cera e borra 0,06 0,45 3. Custo da Cera de origem 1,22 Custo da Cera de origem (unitário) 0,25 Operários da prensa e caldeira (8) 1 kg cera 0,05 0,05 Lenha (9) 0,003 m3 10,00 0,03 Água (10) 2,91 litro 0,03 0,084 Pano de nylon para prensa 0,01 unid. 1,00 0,01 Ácido oxálico (sal de azedo) 0,003 kg 5,00 0,015 Depreciação equipamentos - vb - 0,064 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   39,17 4. Juros sobre empréstimo 5,00 2 39,17 3,92 CUSTO TOTAL GERAL 43,09 ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE VR. UNIT. (R$) VALOR TOTAL (R$) RECEITA BRUTA       42,60 -Cera de origem   42,00 Do pó olho (80%) 6 kg 7,00 42,00 Do pó palha (60%) 0 kg 2,80 0 -Borra 1,50 kg 0,40 0,60 LUCRO LÍQUIDO -0,49Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007).Notas:(1) Considerou-se a média de R$ 25,00 pagos por um dia de trabalho atrelado à produção de 500kg de cera, de acordo com o observado em campo.(2) Para produzir 150kg de cera, é necessário 0,5m3 de lenha (algaroba), conforme D’alva (2007, p.170).(3) Segundo um informante (dono de fábrica), para cada 200kg de pó levados à caldeira são necessárias 15 latas (de 18 litros) de água (270 litros), equivalendo a 1,35 litro para cada quilo de pó. Considera-se que para produzir um quilo de cera é necessário 1,45kg de pó, o que exigirá 2,91 litros de água. O valor da água foi baseado em D’alva (2007, p.170). (4) Os percentuais indicados referem-se ao rendimento do pó empregado na fabricação da cera, diferindo assim dos percentuais empregados na aquisição do pó, que se referem a quantidades.178
  • 177. b) considerando taxa de juros de 0,53% a.m. sobre empréstimo – recursos do FNE: (O custeio pelo FNE-Rural tem taxas de 5% a.a. para miniprodutores e 7,25% a.a. para pequenos produtores. Fez-se a média ponderada pelos valores financiados de 1998 a 2006 para esses dois portes de produtor, o que resultou 6,37% a.a., correspondendo a uma taxa de 0,53% a.m., considerando o regime de juros simples)Tabela A25 – Aquisição de Pó (80% Pó Palha + 20% Pó Olho), Produção, Ensacamento, Transporte e Venda de Cera de Origem – Custo e Receita – 2005 ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE VR. UNIT (R$) VALOR TOTAL (R$) 1. Aquisição do pó cerífero 7,5 kg - 17,70 % Pó olho 20 % 5 7,50 % Pó palha 80 % 1,7 10,20 kg cera e 2. Transporte cera 7,5 0,06 0,45 borra 3. Custo da cera de origem (para 4,8kg) 1,22 Custo da Cera de origem (unitário) 0,25 Operários da prensa e caldeira 1 kg cera 0,05 0,05 (1) Lenha (2) 0,003 m3 10,00 0,03 Água (3) 2,91 litro 0,03 0,084 Pano de nylon para prensa 0,01 unid. 1,00 0,01 Ácido oxálico (sal de azedo) 0,003 kg 5,00 0,015 Depreciação equipamentos - vb - 0,064 tempo Subtotal taxa a.m.(%)   19,37 (meses) 4. Juros sobre empréstimo 0,53 2 19,37 0,21 CUSTO TOTAL GERAL 19,58 ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE VR. UNIT. (R$) VALOR TOTAL (R$) RECEITA BRUTA       19,56 -Cera de origem   18,48 Do pó olho (80%) 1,2 kg 7,00 8,40 Do pó palha (60%) 3,6 kg 2,80 10,08 -Borra 2,70 kg 0,40 1,08 LUCRO LÍQUIDO -0,02Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007).Nota:(1) Considerou-se a média de R$ 25,00 pagos por um dia de trabalho atrelado à produção de 500kg de cera, de acordo com o observado em campo.(2) Para produzir 150kg de cera, é necessário 0,5m3 de lenha (algaroba), conforme D’alva (2007, p.170).(3) Segundo um informante (dono de fábrica), para cada 200kg de pó levados à caldeira são necessárias 15 latas (de 18 litros) de água (270 litros), equivalendo a 1,35 litro para cada quilo de pó. Considera- se que para produzir um quilo de cera é necessário 1,45kg de pó, o que exigirá 2,91 litros de água. O valor da água foi baseado em D’alva (2007, p.170). 179
  • 178. Tabela A26 – Aquisição de Pó (50% Pó Palha + 50% Pó Olho), Produção, Ensacamento, Transporte e Venda de Cera de Origem – Custo e Receita – 2005 ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE VR. UNIT (R$) VALOR TOTAL (R$) 1. Aquisição do pó cerífero 7,5 kg - 25,12   % Pó olho 50 % 5 18,75   % Pó palha 50 % 1,7 6,37 kg cera e 2. Transporte cera 7,5 0,06 0,45 borra 3. Custo da cera de origem 1,22 Custo da cera de origem (unitário) 0,25 Operários da prensa e caldeira (1) 1 kg cera 0,05 0,05 Lenha (2) 0,003 m3 10,00 0,03 Água (3) 2,91 litro 0,03 0,084 Pano de nylon para prensa 0,01 unid 1,00 0,01 Ácido oxálico (sal de azedo) 0,003 kg 5,00 0,015 Depreciação equipamentos - vb - 0,064 tempo Subtotal taxa a.m.(%)   26,79 (meses) 4. Juros sobre empréstimo 0,53 2 26,79 0,28 CUSTO TOTAL GERAL 27,07 ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE VR. UNIT. (R$) VALOR TOTAL (R$) RECEITA BRUTA       28,20 -Cera de origem   27,30 Do pó olho (80%) 3 kg 7,00 21,00 Do pó palha (60%) 2,25 kg 2,80 6,30 -Borra 2,25 kg 0,40 0,90 LUCRO LÍQUIDO 1,13Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007).Notas:(1) Considerou-se a média de R$ 25,00 pagos por um dia de trabalho atrelado à produção de 500kg de cera, de acordo com o observado em campo.(2) Para produzir 150kg de cera, é necessário 0,5m3 de lenha (algaroba), conforme D’alva (2007, p.170).(3) Segundo um informante (dono de fábrica), para cada 200kg de pó levados à caldeira são necessárias 15 latas (de 18 litros) de água (270 litros), equivalendo a 1,35 litro para cada quilo de pó. Considera- se que para produzir um quilo de cera é necessário 1,45kg de pó, o que exigirá 2,91 litros de água. O valor da água foi baseado em D’alva (2007, p.170).180
  • 179. Tabela A27 – Aquisição de Pó (100% Pó Palha), Produção, Ensacamento, Transporte e Venda de Cera de Origem – Custo e Receita – 2005 ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE VR. UNIT (R$) VALOR TOTAL (R$) 1. Aquisição do pó cerífero 7,5 kg - 12,75   % Pó olho 0 % 5 0   % Pó palha 100 % 1,7 12,75 kg cera e 2. Transporte cera 7,5 0,06 0,45 borra 3. Custo da Cera de origem 1,22 Custo da Cera de origem (unitário) 0,25 Operários da prensa e caldeira (1) 1 kg cera 0,05 0,05 Lenha (2) 0,003 m3 10,00 0,03 Água (3) 2,91 litro 0,03 0,084 Pano de nylon para prensa 0,01 unid. 1,00 0,01 Ácido oxálico (sal de azedo) 0,003 kg 5,00 0,015 Depreciação equipamentos - vb - 0,064 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   14,42 4. Juros sobre empréstimo 0,53 2 14,42 0,15 CUSTO TOTAL GERAL 14,57 ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE VR. UNIT. (R$) VALOR TOTAL (R$) RECEITA BRUTA       13,80 -Cera de origem   12,60 Do pó olho (80%) 0 kg 7,00 0,00 Do pó palha (60%) 4,5 kg 2,80 12,60 -Borra 3,00 kg 0,40 1,20 LUCRO LÍQUIDO -0,77Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007).Notas:(1) Considerou-se a média de R$ 25,00 pagos por um dia de trabalho atrelado à produção de 500kg de cera, de acordo com o observado em campo.(2) Para produzir 150kg de cera, é necessário 0,5m3 de lenha (algaroba), conforme D’alva (2007, p.170).(3) Segundo um informante (dono de fábrica), para cada 200kg de pó levados à caldeira são necessárias 15 latas (de 18 litros) de água (270 litros), equivalendo a 1,35 litro para cada quilo de pó. Considera- se que para produzir um quilo de cera é necessário 1,45kg de pó, o que exigirá 2,91 litros de água. O valor da água foi baseado em D’alva (2007, p.170). 181
  • 180. Tabela A28 – Aquisição de Pó (100% Pó Olho), Produção, Ensacamento, Transporte e Venda de Cera de Origem – Custo e Receita – 2005 VALOR TOTAL ITENS DE CUSTOS QUANT. UNIDADE VR. UNIT (R$) (R$) 1. Aquisição do pó cerífero 7,5 kg - 37,50   % Pó olho 100 % 5 37,50   % Pó palha 0 % 1,7 0,00 kg cera e 2. Transporte cera 7,5 0,06 0,45 borra 3. Custo da cera de origem 1,22 Custo da cera de origem (unitário) 0,25 Operários da prensa e caldeira (8) 1 kg cera 0,05 0,05 Lenha (9) 0,003 m3 10,00 0,03 Água (10) 2,91 litro 0,03 0,084 Pano de nylon para prensa 0,01 unid. 1,00 0,01 Ácido oxálico (sal de azedo) 0,003 kg 5,00 0,015 Depreciação equipamentos - vb - 0,064 Subtotal taxa a.m.(%) tempo (meses)   39,17 4. Juros sobre empréstimo 0,53 2 39,17 0,42 CUSTO TOTAL GERAL 39,59 VALOR TOTAL ITENS DE RECEITAS QUANT. UNIDADE VR. UNIT. (R$) (R$) RECEITA BRUTA       42,60 -Cera de origem   42,00 Do pó olho (80%) 6 kg 7,00 42,00 Do pó palha (60%) 0 kg 2,80 0 -Borra 1,50 kg 0,40 0,60 LUCRO LÍQUIDO 3,01Fonte: Pesquisa de campo (2006); D’alva (2007).Notas:(1) Considerou-se a média de R$ 25,00 pagos por um dia de trabalho atrelado à produção de 500kg de cera, de acordo com o observado em campo.(2) Para produzir 150kg de cera, é necessário 0,5m3 de lenha (algaroba), conforme D’alva (2007, p.170).(3) Segundo um informante (dono de fábrica), para cada 200kg de pó levados à caldeira são necessárias 15 latas (de 18 litros) de água (270 litros), equivalendo a 1,35 litro para cada quilo de pó. Considera- se que para produzir um quilo de cera é necessário 1,45kg de pó, o que exigirá 2,91 litros de água. O valor da água foi baseado em D’alva (2007, p.170).182
  • 181. PARTE 3: Notas explicativas das tabelas 1 a 20 deste Apêndice(1) Um milheiro de palha derrubado produz, em média, 7,5kg de pó.(2) Média diária regional observada durante pesquisa de campo, exceto arrendamento, em que se utilizou o valor mais freqüente.(3) Considerando o consumo de 1,5 litro de milho por cada animal, em um dia de trabalho, o consumo diário de 10 animais (transporte de 40 milheiros de palha) será de 15 litros. Portanto, o consumo correspon- dente ao transporte de um milheiro de palha será de 0,375 litro/milheiro (15litros/40 milheiros), o equivalente a 0,3124 kg/milheiro (0,375 litro x 0,833kg/litro), considerando a densidade para o milho de 0,833 kg/litro, conforme levantado por Luna e Klein (2001). Ao preço de 0,50 por kg de milho, tem-se um custo de R$ 0,156 (0,3124kg x R$ 0,50).(4) Cada saco armazena 24kg de pó (GOMES et. al, 2006). É necessário 0,3125 saco para armazenar 1 milheiro.(5) Um rolo de barbante custa R$ 3,50, suficiente para fechar 200 sacos (GOMES et al., 2006). Para 7,5kg de pó, que ocupa 0,3125 saco, seria necessário 0,00156 rolo de barbante, a maior 0,002, que gera R$ 0,007, arredondado para R$ 0,01.(6) O rendeiro paga R$ 0,06 por cada quilo de pó transportado (GOMES et al., 2006). O transporte de 7,5kg de pó sai por 0,45.(7) Juros simples: subtotal *(taxa ao mês/100)* tempo em meses.(8) Considerou-se a média de R$ 25,00 pagos por um dia de trabalho atrelado à produção de 500kg de cera, de acordo com o observado em campo.(9) Para produzir 150kg de cera, é necessário 0,5m3 de lenha (algaroba), conforme D’alva (2007, p. 170).(10) Segundo um informante (dono de fábrica), para cada 200kg de pó levados à caldeira são necessárias 15 latas (de 18 litros) de água (270 litros), equivalendo a 1,35 litro para cada quilo de pó. Considera-se que, para produzir um quilo de cera, é necessário 1,45kg de pó, o que exigirá 2,91 litros de água. O valor da água foi baseado em D’alva (2007, p. 170). 183
  • 182. Apêndice B – A Fazenda Raposa e o Experimento com Genótipos de Carnaubeiras Produtoras de Cera 56 A Fazenda Raposa é uma propriedade da Universidade Federal do Ceará,doada pela família Johnson, com cerca de 140 hectares, que contém coleções dogênero Copernicia, frutos das experiências das Indústrias Johnson na década de1940, abandonadas posteriormente. Nessa Fazenda, vem sendo desenvolvido um experimento referente a projetode pesquisa financiado pelo BNB-Etene para a “seleção de genótipos superiores decarnaubeira (Copernicia sp)”57. O projeto tem como objetivo avaliar e selecionargenótipos de carnaubeira produtoras de cera e palha e as utilizáveis como plantasornamentais, por meio da avaliação de materiais nativos e introduzidos. Para atingir o objetivo geral preestabelecido, os pesquisadores pretendemcaracterizar os genótipos das carnaubeiras nativas e introduzidas a partir de umacoleção de plantas existentes na Fazenda Raposa, a qual dispõe atualmente de 21acessos58 (Tabela B1 e Fotos B1 a B9), para, a partir daí, identificar, selecionare propagar aquelas que têm características correlacionadas positivamente comprodução de cera e palha e para utilização na ornamentação.Tabela B1 – Espécies de Carnaúba e Respectivos Países de Origem continua No. da Espécie Nome Científico Origem 1 Copernicia alba Paraguai 2 Copernicia baileyana - 3 Copernicia burretiana “hibrida” Cuba 4 Copernicia cowellii Cuba 5 Copernicia.curtissii - 6 Copernicia glabrescens - 7 Copernicia hospita Cuba 8 Copernicia macroglossa - 9 Copernicia prunifera BR Nativa 10 Copernicia prunifera (C.prunifera x C. alba) USA Híbrido Florida 11 C������������������������������������������������ opernicia �������������������������������������� prunifera (C.prunifera x C. baileyana) BR Híbrido 12 Copernicia hospita x Copernicia prunifera USA Híbrido Florida 13 Copernicia rígida - 14 Copernicia shaferi BR Híbrido56 Relatório de visita realizada à Fazenda Raposa em 23/11/2005 em companhia dos pesquisadores Levy de Moura Barros, Everton Rabelo Cordeiro e Roberto César Mesquita, os quais concederam entrevista que dá suporte às informações de campo.57 A pesquisa está sendo conduzida pela seguinte equipe: Coordenador: Roberto César Magalhães Mesquita (Embrapa); Coordenador Adjunto: Marlos Alves Bezerra (Embrapa); Demais membros da equipe: Antonio Teixeira C. Junior (Embrapa), Arlete Aparecida Soares (UFC), Claudivan F de Lacerda (UFC) e Levi de Moura . Barros (Embrapa).58 Por acesso entende-se qualquer elemento constituinte de um banco de germoplasma, seja espécie pura ou híbrida.184
  • 183. conclusão No. da Espécie Nome Científico Origem 15 Copernicia sheferi BR Híbrido 16 Copernicia sheferi BR Híbrido 18 Copernicia tectorum - 19 Copernicia x textilia BR Híbrido 20 Copernicia x vespertilionum BR Híbrido 21 Copernicia yarey -Fonte: Pesquisa de campo, Fazenda Raposa (2007). Foto B1 – Tronco da Copernicia prunifera, Carnaubeira Brasileira Fonte: Autores. Na Embrapa, esta é a primeira pesquisa voltada para a carnaubeira. Observa-seum grande vácuo em termos de informações científicas para esta planta. Não seidentificam pesquisas que busquem melhorar geneticamente a palmeira. As plantastêm ciclo longo, crescem lentamente e são extremamente altas, podendo chegar a40 metros. Há carência de estudos relacionados com a redução do ciclo, a altura,bem como para ampliar o número e tamanho das folhas, melhorar a produção decera ou mesmo para descobrir novos usos que possam ser dados aos produtosextraídos de toda a planta. 185
  • 184. Foto B2 – Árvores de Copernicia alba, originária do Paraguai Fonte: Autores. Foto B3 – Árvore de Copernicia macroglossa, origem não-identificada Fonte: Autores.186
  • 185. Foto B4 – Árvore de Copernicia cowellii, originária de CubaFonte: Autores.Foto B5 – Árvores de Copernicia glabrescens, origem não-identificada (Frente) e Copernicia hospita, Originária de Cuba (ao Fundo)Fonte: Autores. 187
  • 186. Foto B6 – Árvore de Copernicia hospita, originária de Cuba Fonte: Autores. Foto B7 – Árvore de Copernicia baileyana, origem não-identificada Fonte: Autores.188
  • 187. Os técnicos da Embrapa despertaram para a necessidade de realizar estapesquisa a partir de uma provocação feita por membros da câmara setorial dacarnaúba, cujas reuniões ocorrem sistematicamente em Fortaleza, Ceará. A partirdisso, um grupo de pesquisadores se reuniu para buscar as primeiras informaçõessobre a atividade. A primeira descoberta foi sobre a existência de uma coleção degenótipos na Fazenda Raposa, de propriedade da UFC, doada pela CompanhiaJohnson na década de 1960. Os entendimentos iniciaram-se em 2001 e, apósdiversas tentativas, finalmente, no ano de 2003, o grupo teve acesso a essa co-leção. Com isso, os pesquisadores recorreram ao BNB para obter recursos paratocar o projeto, o qual foi aprovado em 2004. Segundo informação oral dos técnicos, além deste projeto junto ao BNB-Ete-ne, a Embrapa mantém outro com recursos próprios, para o qual há uma segundaetapa ocorrendo na indústria. Há uma desconexão muito grande entre campo eindústria, outra razão para o enfraquecimento da cadeia produtiva. O projeto tenta retomar a pesquisa iniciada por volta do ano de 1940, poruma equipe da S. C. Johnson Son Inc. Relatórios elaborados por esses pesqui-sadores, à época, resgatados e analisados pelos atuais pesquisadores, dão algumasindicações interessantes, tais como o fato de que as espécies de origem cubana C.hospita e C. cowelli podem produzir as maiores quantidades de cera, chegando aquadruplicar, se comparadas com a espécie nativa. Essa é, portanto, na visão dospesquisadores, a planta que tem maiores perspectivas de, num futuro próximo, sehouver confirmação dos dados científicos, substituir a espécie nativa nordestina. Os pesquisadores comentaram que não houve melhoramento no processoprodutivo da cera, e não há preocupação de fazer cultivo da planta, por falta dedados sobre um sistema de produção viável para a cultura. Também informaram que,empiricamente, relaciona-se o corte das folhas da carnaúba à influência da Lua. Na Fazenda Raposa, existem oito campos com coleções de carnaúba, dosquais três foram visitados. Um deles, com área de aproximadamente 0,5 hectare,é ocupado com mais ou menos 90% de plantas C. hospita. Os técnicos ainda nãodispõem de dados quantitativos sobre rendimento e desempenho das palmeiras,já que o projeto está em fase inicial. Observou-se, em campo, que a C. hospita apresenta grande produção defrutos, que tem grande valor calórico e poderia ser uma alternativa de produçãode energia para combustão (Foto B8). 189
  • 188. Existe um projeto de um jardim botânico a ser instalado na Fazenda, elaboradopor Burlemax. Infelizmente, até o momento, o projeto ainda não saiu do papel. Oestado geral da propriedade reflete o abandono que algumas instituições públicasdispensam ao seu patrimônio, sucateado pela falta de verbas do governo federal.Os campos que estão com as coleções visitadas são pequenos, conforme docu-mentado na (Foto B9) e estão brocados, razoavelmente limpos, mas a propriedadenão dispõe de vigilância, sendo constantemente invadida por pessoas estranhas,que caçam e praticam outros atos ilícitos. Partes do acervo de pesquisa, doadopela família Johnson com a propriedade, também não foram localizadas. Foto B8 – Produção de Frutos da C. hospita (Carnaubeira Cubana) Fonte: Autores.190
  • 189. Foto B9 – Visão do Campo de Carnaubais Plantados na Fazenda RaposaFonte: Autores. 191
  • 190. Apêndice C – Emulsão de Cera de Carnaúba: uma técnica inovadora de conservação pós-colheita Uma alternativa de utilização de cera de carnaúba no mercado interno pode serna forma de emulsão para conservação de alimentos, principalmente frutos e hortali-ças, conforme vêm atestando diversos experimentos. Principalmente, em se tratandode conservação de alimentos a serem exportados para países do primeiro mundo,que se mostra bastante promissora, principalmente em função do apelo ecológicoe natural. Esta inovação, além de proporcionar qualidade, segurança e durabilidadea alimentos perecíveis, protege contra danos mecânicos, contaminação microbianae diminui os resíduos e as perdas no pós-colheita. Além dessas possibilidades, épossível enriquecer a película do produto com vitaminas e agentes antimicrobianose melhorar o aspecto externo da fruta, em virtude do seu brilho intenso. Numa rápida pesquisa na Internet, encontraram-se alguns artigos de divulga-ção de resultados de experimentos feitos com a cera de carnaúba para analisar oseu potencial de utilização, na forma de emulsão ou pulverização, como protetorda casca e redutor da perda de matéria fresca de frutos e hortaliças. Pesquisadores da UNEB (Universidade do Estado da Bahia) avaliaram osefeitos de cobertura de cera de carnaúba na conservação de goiabas ‘Paluma’,armazenadas sob refrigeração e em condição ambiente, pelo período de 12 dias,em experimento instalado no Vale do Submédio São Francisco. Foram avaliadasas seguintes características: perda de massa, deterioração, teores de sólidos so-lúveis totais (SST), acidez titulável (AT), teor de ácido ascórbico, clorofila total efirmeza da polpa. Ao final do experimento, os pesquisadores observaram que, aose revestir o fruto com cera de carnaúba, ocorre diminuição de perda de massae degradação de clorofila, assim como se verifica aumento de sua vida útil, massomente quando mantido sob condição ambiente (RIBEIRO et al., 2005). Também com goiaba (var. Pedro Sato), os pesquisadores Jacomino et al.(2003) realizaram experimento para verificar o efeito da cera de carnaúba na vidaútil no pós-colheita. Analisaram-se as seguintes variáveis: perda de massa; teorde sólidos solúveis totais (SST); teor de ácido ascórbico e coloração da casca eda polpa. As principais conclusões do experimento foram que a cera de carnaúbaamplia o tempo de conservação da variedade de goiaba, bem como retarda oamadurecimento, reduzindo a incidência de podridões e perda de massa, confe-rindo brilho maior ao fruto.192
  • 191. Carvalho Filho, Honório e Gil (2006), da Universidade Pública de Navarra– Pamplona, Espanha, fizeram uma avaliação da qualidade de cerejas cobertas compelículas comestíveis à base de zeína e cera de carnaúba, aplicados na forma deimersão e pulverização, durante um período de 52 dias, utilizando testemunhas.Foram analisadas as seguintes características: perda de peso, deterioração, teorde sólidos solúveis totais e acidez total. As conclusões mostraram que a emulsãode cera de carnaúba apresentou melhores resultados em todos os parâmetros.Na forma de imersão, a cera de carnaúba foi capaz de retardar a podridão até oquadragésimo quinto dia de conservação do fruto59. Funcionou como uma barreiracontra a perda d’água e como promotor do retardamento do amadurecimentodos frutos. Outra pesquisa foi realizada por Marcela Chiumazrelli, estudante do cursode Engenharia Agrícola da Unicamp, sob a orientação de Marcos David Ferreira60,para analisar o efeito da cera de carnaúba em tomates. Emulsões de cinco tipos decera foram testadas em diferentes concentrações e temperaturas durante o períodode dois anos. Os resultados mostraram que a cera de carnaúba é uma soluçãobarata e de fácil aplicação para a redução de perdas do tomate no pós-colheita,pois faz aumentar o período de conservação do fruto. Dentre as diversas ceras utilizadas na forma de emulsão como películaprotetora de frutas, a de carnaúba apresenta algumas vantagens. Segundo ospesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC), Ícaro Vieira e Fca. NoéliaMendes, a cera de carnaúba apresenta uma propriedade de formação de filme nasuperfície em que é aplicada, o que a faz produzir o melhor polimento e com avantagem de apresentar alto brilho. Além disso, trata-se de produto não-tóxico eque não agride o meio ambiente (VIEIRA; MENDES, 2005).59 O tempo médio de conservação da cereja, após a colheita, é de 30 dias, se armazenada sob resfriamento a vácuo, em sacos plásticos, com mistura gasosa rica em CO2 (ANDRÉ et al., 1982 apud CARVALHO FILHO; HONÓRIO; GIL, 2006).60 O trabalho de Marcela, denominado “Redução de perdas pós-colheita de tomate de mesa com utilização de coberturas de comestíveis”, concorreu ao XX Prêmio Jovem Cientista, na categoria estudante e obteve o primeiro lugar. 193
  • 192. Apêndice D – Substitutos da Cera de Carnaúba Relacionam-se, a seguir, as ceras substitutas da de carnaúba. Elas foram sendoadotadas ao longo do tempo por questões técnicas e financeiras, mas muitos autoresdefendem a tese de que, em algumas aplicações, elas não substituem a cera de car-naúba com plena eficiência. As ceras de candelila, licuri e cana-de-açúcar são cerasde origem vegetal, enquanto a microcristalina e a montana, de origem mineral. a) Candelila Bennet apud Bayma (1958) diz que a candelila não se saponifica nem seemulsiona tão rapidamente quanto a cera de carnaúba, tampouco se misturabem com a cera de licuri. E o tipo comercial é parecido com a cera arenosa dacarnaúba, contém certa quantidade de água que, antes da utilização industrial,é preciso eliminar pela ação do calor. Ela é mais mole que a cera de carnaúbae pode ser extraída de três vegetais diferentes (Pedilanthus pavonis, Euphorbiaantisyphilitica, Zus. e Euphorbia cerifera). O pó cerífero cobre toda a superfície do arbusto, exceto as raízes. Extrai-sea cera mergulhando os feixes ou molhos de plantas em água fria, ferve-se em se-guida, e depois de resfriada, retira-se a cera que flutua na superfície para secá-la.Pode ser também extraída pelo fogo direto, vapor ou pela ação da benzina. A ceratambém tem cor escura, tem aspecto lustroso, cheiro aromático, é quebradiça e,quando aquecida, tem cheiro semelhante à cera de abelha (Bayma, 1958). Atualmente a cera de candelila tem sido utilizada na indústria de cosméticose de polimento de calçados. Há também uma empresa mexicana que comercializauma cera híbrida de candelila e carnaúba, tendo por base a primeira, apresen-tando uma composição química intermediária entre as duas ceras, preservandoo equilíbrio entre os hidrocarbonetos naturais da cera de candelila e o conteúdode ésteres da cera de carnaúba. O objetivo é reunir o melhor das duas ceras – aemoliência, proteção contra umidade e baixo coeficiente de expansão/contraçãoda cera da candelila e o brilho, dureza e facilidade de emulsificação da cera decarnaúba (Multiceras, 2007). b) Licuri6161 Bayma (1958) chama atenção para o fato de que a literatura comumente confunde licuri com ouricuri. A primeira é uma palmeira do semi-árido, produtora de cera e ouricuri é uma palmeira amazônica, que não produz cera e é comumente usada pelos seringueiros para coagular látex.194
  • 193. Esta cera provém de outra palmeira, o licurizeiro, muito comum no sudoesteda Bahia, e foi descoberta como similar da cera de carnaúba em 1935. É umapalmeira aclimatada ao semi-árido, que produz cera similar à de carnaúba, seja porcaracteres organoléticos, seja pelas constantes físico-químicas e pela composição,contando com ponto de fusão semelhante ao da cera de carnaúba. A cor é muitosemelhante à da cera gordurosa da carnaúba, e a textura também é semelhante.Mas a diferença apreciável está na percentagem de cinzas. Bayma (1958) relata que a cera era extraída por processos ainda mais rudi-mentares que o da carnaúba, e da mesma forma que ocorria com esta, tanto araspagem da folha adicionava clorofila ao pó como também, propositadamente ounão, substâncias de origem mineral ou vegetal eram adicionadas ao pó do licuri,o que desvalorizava o produto nos centros consumidores. Atualmente não háregistro de pesquisa direcionada à cera do licuri. Os estudos estão mais voltadospara os frutos e sua utilidade como alimento, podendo também ser as palhasaproveitadas no artesanato. c) Cana-de-açúcar Segundo Bayma (1958), a cana-de-açúcar também produz cera, na formade uma substância branca e pulvurenta que se encontra no exterior dos colmos,próximo aos nós da Saccharum s.p. É uma cera dura e de ponto de fusão maisbaixo que o da cera de carnaúba. No entanto, a concentração da cera na plantaé baixa (um quilo por tonelada de colmos) e não existe um processo prático eeconômico de extrair essa cera. Tal fato se confirma na pesquisa conduzida em 2003, por pesquisadores daUniversidade de Campinas (Unicamp), sobre cera da torta de filtro, um subprodutoda indústria sucroalcooleira que pode ser descartado ou utilizado como fertilizante.Segundo a pesquisadora Thaís Maria Ferreira de Souza Vieira, o resíduo dá origema uma cera com propriedades químicas e físicas próximas às das ceras de carnaúbae abelha, com potencial para aplicação na indústria alimentícia, farmacêutica, decosméticos e de limpeza (PESQUISA..., 2003). Da mesma forma que ocorre com a carnaubeira, a cera da cana está presentena superfície, formando uma película que protege a planta contra desidratação edo ataque de microorganismos e insetos. A cana é moída e o caldo extraído para aprodução de açúcar ou álcool, gerando entre alguns subprodutos a torta de filtro.Para separar a cera dos outros materiais é usado um solvente, da mesma forma 195
  • 194. que para purificar o produto. A pesquisadora diz que, para cada tonelada de cana,gera-se 30 quilos de torta de filtro, e o rendimento da cera purificada varia de 2a 4%, de acordo com a pesquisa realizada (PESQUISA..., 2003). d) Microcristalina A cera microcristalina é obtida do craqueamento (quebra) da nafta; como opróprio nome sugere, é oriunda de cristais muito pequenos, identificados como“cera amorfa” (sem forma definida). Sua estrutura molecular consiste de umamistura complexa de hidrocarbonetos que incluem parafinas normais, ramificadas,compostos monocíclicos e policíclicos e tem excelentes propriedades termo-plásticas e de repelência à água (MEGH CERAS e EMULSÕES, 2007). Entre asceras minerais, talvez seja a que mais concorre com a de carnaúba em termos deaplicações, pois está presente na composição de polidores de pisos e automóveis,produtos de limpeza, cosméticos e farmacêuticos (fio dental). e) Montana A cera Montana é uma cera betuminosa, extraída da linhita (éster fóssilobtido do carvão), por solvente. As reservas desse mineral no planeta existemnas Montanhas Rochosas (EUA) e Alemanha (D’ALVA, 2004). É um tipo de cerasobre o qual a literatura faz pouca referência. Mesmo em páginas de buscadoresde Internet, são poucas as referências textuais à cera Montana. f) Substitutos sintéticos Importante se faz diferenciar ceras sintéticas de ceras minerais. D’alva(2004) deixa bem clara tal distinção, ao abordar em seu trabalho, em tópicosseparados, a cera Montana e microcristalina e as ceras sintéticas, dizendo queestas são produzidas a partir da síntese industrial de polímeros, como polietilenoe polipropileno. As ceras sintéticas, segundo Johnson (1972) teriam três vantagens sobre asceras naturais: (i) preço razoável e constante; (ii) ausência completa de impurezas; e (iii) a composição e as qualidades podem ser variadas para se adaptarem à fórmula específica para a qual forem destinadas. O mesmo autor acreditava196
  • 195. que a cera de carnaúba não cairia em desuso pelo fato de possuir um amplo leque de aplicações, em cuja totalidade não poderia ser substituída. A tabela D14 traz uma série de produtos que costumeiramente eram fabri-cados com cera de carnaúba e passaram a ser fabricados com substitutos.Tabela D1 – Lista de Produtos que Passaram a ser Fabricados com Substitutos da Cera de Carnaúba Produto Tipo de Cera ou outro substituto Cosméticos em geral (1) Ceras parafínica / Microcristalina / Montana / Candelila (3) e (4) Creme para cabelo (5) Parafina Fio/fita dental (5) Microcristalina Limpeza (5) Microcristalina Long-play (LP) (2) Candelila Papel carbono (1) Licuri / Montana / Poliéster Polidor de automóveis (5) Microcristalina Polidor de calçados (2) Candelila Polidor de móveis (5) Parafina Polidor de piso (1) Microcristalina / Parafina / Hidrogenado de Mamona Vela (5) ParafinaFonte:(1) Casadio (1980, p. 52-53).(2) Carvalho (1982, p. 224).(3)http://www.paodeacucar.com.br/detalhe.asp?categoria=catPerfumariaHigienesubcategoria=ca tTinturaColoracaoidproduto=1672138. Anúcio de tintura de cabelo. Acesso em 19/06/07.(4) http://sbrt.ibict.br/upload/sbrt5579-2.html. Acesso em 19/06/07. Diz que a candelila é usada também em batons e cremes.(5) Pesquisa direta em supermercados de Fortaleza.Nota: atualmente o Long-Play (LP) ainda é fabricado, mas de forma bastante restrita (para colecionadores) e foi substituído pelo CD. No caso das ceras polidoras de automóveis, há uma mistura de cera de carnaúba com microcristalina. 197
  • 196. Apêndice E – Projetos de Pesquisa em Execução no BNB e Agenda de Pesquisa No intuito de sistematizar as pesquisas existentes sobre carnaúba no BNB,segue (Tabela E1) uma lista com nomes dos projetos, objetivos, proponentes eprazos e valores (financiados e estimados). O objetivo é avançar na montagemde uma agenda de pesquisa (Tabela E2) de modo a contribuir para a solução doproblema estrutural secular instalado no setor.Tabela E1 – Projetos em Execução com Apoio do BNB-ETENE Valor Proponente/ Prazo Pesquisa Objetivo financiado Parceiros final (R$) Promover o inventário dos estoques de Acesso à informação sobre carnaúba, disponíveis UFRN / informação sobre no acervo do Núcleo Temático da Seca 26/01/08 50.612,86 FUNPEC carnaúba da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Embrapa Aproveitamento Caprinos / da bagana de Fundação carnaúba como Determinar o potencial da bagana de de apoio à fonte de alimento carnaúba como alimento para ovinos no 07/10/07 44.000,00 pesquisa e ao para ovinos semi-árido nordestino. agronegócio no Nordeste brasileiro brasileiro (FAGRO) Implantação de um programa municipal de conservação e uso Programa de sustentável da carnaúba no município conservação e de Beberibe, incluindo mapeamento uso sustentável Instituto dos carnaubais existentes e áreas 31/07/07 54.224,00 da carnaúba no Sertão degradadas, implantação de unidade de município de reflorestamento, melhoria das unidades Beberibe de beneficiamento de cera e capacitação para o artesanato. Seleção de Avaliar e selecionar genótipos de Genótipos carnaubeira produtoras de cera, palha e Superiores de as utilizáveis como plantas ornamentais, EMBRAPA 12/12/08 33.100,00 Carnaubeira por meio da avaliação de materiais (Copernicia sp) nativos e introduzidos. Realizar um estudo propositivo do Arranjo Produtivo Local da exploração e manejo da carnaúba, buscando construir uma proposta de revitalização dos Instituto Carnaúba, árvore carnaubais na região noroeste do Ceará, de Ecologia 18/10/07 23.231,00 da vida com a participação dos atores envolvidos Social no arranjo, visando diagnosticar Carnaúba potencialidades e problemas, através dos dados já existentes e a construção de novos conhecimentos.Fonte: BNB (2007).198
  • 197. Tabela E2 – Agenda de Pesquisa para a Carnaúba continua... Previsão de Realização Valor Proponente/ Pesquisa Objetivo (ano Investimento Parceiros início/ano (R$) conclusão) A – ETAPAS DE CAMPO Fundação Desenvolver máquina que torne a Projeto Farelo de Núcleo de bagana aproveitável na alimentação A definir A definir Carnaúba Tecnologia de ruminantes Industrial Utilização de sistemas de Realizar estudos dos parâmetros secagem solar de secagem solar em termos Embrapa para redução da engenharia operacional para Agroindústria de perdas desenvolvimento/adequação de Tropical / pós-colheita de sistemas de secagem visando Universidade A definir A definir pó da palha de à consolidação de tecnologias Federal do carnaúba e frutas duráveis e de baixo custo, com Ceará / Instituto tropicais com maiores possibilidades de agregação Sertão agregação de de valor a produtos do semi-árido. valor Aspectos Aproveitar recursos naturais Universidade agronômicos, regionais, contribuindo para o Federal químicos e fortalecimento e desenvolvimento A definir A definir do Ceará / farmacológicos de produtos biotecnológicos de EMBRAPA da carnaúba impacto social. Explorar técnicas viáveis de Aperfeiçoamento melhoramento nas etapas de do corte e corte e de batimento das folhas batimento A definir A definir A definir da carnaubeira, a fim de reduzir das folhas da o desperdício de pó cerífero e carnaubeira aumentar a produtividade. Estudar aspectos genéticos e Genética e fisiológicos da carnaubeira, de fisiologia da forma a torná-la precoce, de menor A definir A definir A definir carnaubeira porte e com mais folhas, para melhorar a produtividade. Efeito da Estudar o comportamento da salinidade carnaubeira em diversos níveis de induzida no Universidade salinização do solo, o que pode desenvolvimento Federal do A definir A definir contribuir para a recuperação e crescimento Ceará de áreas salinizadas, a partir do inicial da reflorestamento com carnaúba. carnaúbaFonte: BNB (2007). 199
  • 198. Tabela E2 – Agenda de Pesquisa para a Carnaúba continuacão Previsão de Realização Valor Proponente/ Pesquisa Objetivo (ano Investimento Parceiros início/ano (R$) conclusão) B – ETAPA INDUSTRIAL Universidade 1ª. Etapa: Montar estruturas básicas Federal do 04/2008 A definir de análise de cera e parafinas. Ceará Universidade 2ª. Etapa: Modernizar métodos de Desenvolvimento Federal do 04/2009 A definir análise de cera e parafinas. e utilização Ceará de métodos 3ª. Etapa: Definir composições de cera Universidade modernos para e parafinas pelos métodos modernos Federal do 04/2010 A definir análise de cera desenvolvidos na 2ª. Etapa. Ceará de carnaúba e Universidade parafinas 4ª. Etapa: Produzir ceras e parafinas Federal do 04/2011 A definir na qualidade exigida para refino Ceará Universidade 5ª. Etapa: Formular novos produtos à Federal do 04/2012 A definir base de cera de carnaúba. Ceará Desenvolvimento de uma “parafina Reduzir o uso da parafina mineral, natural” a base Petrobras A definir A definir derivada do petróleo. de cera de carnaúba Estudo da Realizar o craqueamento térmico molécula de (“quebra”) da molécula da cera, para hidrocarbonetos obtenção de lubrificantes, emulsões, Petrobras A definir A definir da cera de graxas e aditivos originários da cera carnaúba de carnaúba. Aperfeiçoamento dos processos de extração, Buscar inovações tecnológicas que filtragem, melhorem os processos industriais de A definir A definir A definir destilação, fabricação de cera de carnaúba. clareamento, escamação e pulverização Investigação Buscar inovações tecnológicas que do potencial aproveitem o provável potencial energético A definir A definir A definir energético dos frutos, inclusive para do fruto da biocombustível. carnaubeira Investigação do potencial de utilização do triacontanol Avaliar o efeito do triacontanol no no crescimento crescimento e desenvolvimento de A definir A definir A definir de culturas diversos tipos de culturas. hortícolas, frutícolas e ornamentais.Fonte: BNB (2007).200
  • 199. Tabela E2 – Agenda de Pesquisa para a Carnaúba conclusão Previsão de Realização Valor Proponente/ Pesquisa Objetivo (ano Investimento Parceiros início/ano (R$) conclusão) Fabricação de Substituir o uso do filme filme plástico convencional, que, derivado do A definir A definir A definir para a indústria petróleo, pode ser responsável pela alimentícia ocorrência de câncer intestinal. C – ETAPA COMERCIAL Desenvolvimento de um sistema de informações Permitir o diagnóstico das para monitorar variações de mercado, preço, continuamente a demanda e oferta, viabilizando A definir A definir A definir demanda nacional um planejamento seguro para a e internacional de atividade. cera, estatísticas de produção e custos. Servir de apoio aos pequenos produtores e rendeiros, de forma Montagem de a resguardá-los de possíveis Governos laboratórios em A definir A definir problemas quanto ao resultado da estaduais órgãos públicos análise de qualidade do seu produto (pó ou cera bruta). Censo sobre Levantar o número de ocupações a atividade gerado pelo extrativismo e indústria extrativa e da cera de carnaúba no Nordeste, A definir A definir A definir industrial da bem como enumerar e identificar as carnaúba no fábricas artesanais e indústrias que Nordeste processam pó e cera. Medir o tamanho real do mercado Estudo de para cera e pó de carnaúba e o demanda por potencial de crescimento, já que o A definir A definir A definir pó e cera de que se tem sobre isso na literatura carnaúba não passa de mera estimativa.Fonte: BNB (2007). 201
  • 200. continua...Anexo A – Quantidade Produzida (em Toneladas) na Extração de Carnaubeira por Tipo de Produto Extrativo (2006) – Municípios do Nordeste Brasileiro Município Cera Pó Fibra Aldeias Altas - MA - - 0 Araioses - MA 36 413 - Barão de Grajaú - MA - 10 - Barreirinhas - MA - 14 - Caxias - MA 0 - - Codó - MA 1 - 2 Coroatá - MA - - 0 Duque Bacelar - MA - - 1 Magalhães de Almeida - MA - 61 - Peritoró - MA 0 - 0 Pinheiro - MA - - 7 Santa Quitéria do Maranhão - MA - 1 - São Bernardo - MA - 2 - Timbiras - MA - - 0 Alto Longá - PI - 43 - Altos - PI - 117 - Amarante - PI - 46 - Aroazes - PI - 18 - Aroeiras do Itaim - PI - 58 - Arraial - PI - 34 - Assunção do Piauí - PI - 30 - Barra D’Alcântara - PI - 10 - Barras - PI - 87 - Batalha - PI - 414 - Beneditinos - PI - 43 - Boa Hora - PI - 3 - Bom Princípio do Piauí - PI - 59 - Boqueirão do Piauí - PI - 108 - Brasileira - PI - 36 - Buriti dos Lopes - PI - 298 - Buriti dos Montes - PI - 91 - Cabeceiras do Piauí - PI - 41 - Cajazeiras do Piauí - PI - 80 -Fonte: IBGE (2006). Nota: Os municípios sem informação para pelo menos um produto da extração vegetal não aparecem nas listas.“0” indica produção irrisória, mas existente. “-” indica que não há produção.202
  • 201. continuaçãoAnexo A – Quantidade Produzida (em Toneladas) na Extração de Carnaubeira por Tipo de Produto Extrativo (2006) – Municípios do Nordeste Brasileiro Município Cera Pó Fibra Cajueiro da Praia - PI - 69 - Campinas do Piauí - PI - 74 - Campo Largo do Piauí - PI - 5 - Campo Maior - PI - 1.047 - Capitão de Campos - PI - 48 - Caraúbas do Piauí - PI - 120 - Castelo do Piauí - PI - 396 - Caxingó - PI - 243 - Cocal – PI - 42 - Cocal de Telha - PI - 5 - Cocal dos Alves - PI - 8 - Coivaras - PI - 93 - Conceição do Canindé - PI - 41 - Domingos Mourão - PI - 192 - Elesbão Veloso - PI - 42 - Esperantina - PI - 116 - Floresta do Piauí - PI - 35 - Floriano - PI - 187 - Francisco Ayres - PI - 52 - Guadalupe - PI - 33 - Ilha Grande - PI - 231 - Itainópolis - PI - 52 - Itaueira - PI - 60 - Jaicós – PI - 104 - Jatobá do Piauí - PI - 19 - Jerumenha - PI - 40 - Joaquim Pires - PI - 111 - Joca Marques - PI - 1 - José de Freitas - PI - 73 - Juazeiro do Piauí - PI - 81 - Lagoa Alegre - PI - 304 - Lagoa de São Francisco - PI - 6 -Fonte: IBGE (2006). Nota: Os municípios sem informação para pelo menos um produto da extração vegetal não aparecem nas listas.“0” indica produção irrisória, mas existente. “-” indica que não há produção. 203
  • 202. Anexo A – Quantidade Produzida (em Toneladas) na Extração de Carnaubeira por Tipo de Produto Extrativo (2006) – Municípios do Nordeste Brasileiro Município Cera Pó Fibra Lagoa do Sítio - PI - 1 - Luís Correia - PI - 315 - Luzilândia - PI - 217 - Madeiro - PI - 3 - Massapê do Piauí - PI - 75 - Matias Olímpio - PI - 70 - Miguel Alves - PI - 36 - Milton Brandão - PI - 10 - Monsenhor Hipólito - PI - 39 - Morro do Chapéu do Piauí - PI - 166 - Murici dos Portelas - PI - 166 - Nazaré do Piauí - PI - 51 - Nossa Senhora de Nazaré - PI - 143 - Nossa Senhora dos Remédios - PI - 26 - Nova Santa Rita - PI - 5 - Novo Oriente do Piauí - PI - 25 - Novo Santo Antônio - PI - 7 - Oeiras - PI - 293 - Paquetá - PI - 75 - Lagoa Alegre - PI - 304 - Lagoa de São Francisco - PI - 6 - Lagoa do Sítio - PI - 1 - Luís Correia - PI - 315 - Luzilândia - PI - 217 - Madeiro - PI - 3 - Massapê do Piauí - PI - 75 - Matias Olímpio - PI - 70 - Miguel Alves - PI - 36 - Milton Brandão - PI - 10 - Monsenhor Hipólito - PI - 39 - Morro do Chapéu do Piauí - PI - 166 -Fonte: IBGE (2006). Nota: Os municípios sem informação para pelo menos um produto da extração vegetal não aparecem nas listas.“0” indica produção irrisória, mas existente. “-” indica que não há produção.204
  • 203. Anexo A – Quantidade Produzida (em Toneladas) na Extração de Carnaubeira por Tipo de Produto Extrativo (2006) – Municípios do Nordeste Brasileiro Município Cera Pó Fibra Parnaíba - PI - 349 - Passagem Franca do Piauí - PI - 3 - Patos do Piauí - PI - 92 - Pau D’Arco do Piauí - PI - 6 - Pedro II - PI - 150 - Nova Santa Rita - PI - 4 - Picos - PI - 729 - Pimenteiras - PI - 221 - Piracuruca - PI - 620 - Piripiri - PI - 857 - Porto - PI - 7 - Prata do Piauí - PI - 2 - Frecheirinha - CE - - 1 General Sampaio - CE - 0 1 Graça - CE - 28 - Granja - CE 332 835 89 Groaíras - CE 23 - 22 Guaiúba - CE - 0 - Ibaretama - CE 2 2 - Ibiapina - CE - - 2 Ibicuitinga - CE 3 5 - Icapuí - CE - 38 - Independência - CE 0 0 4 Ipu - CE - - 2 Ipueiras - CE - 5 3 Regeneração - PI - 30 - Ribeira do Piauí - PI - 156 - Santa Cruz do Piauí - PI - 111 - Santa Cruz dos Milagres - PI - 14 - Santo Inácio do Piauí - PI - 138 - São Félix do Piauí - PI - 3 -Fonte: IBGE (2006). Nota: Os municípios sem informação para pelo menos um produto da extração vegetal não aparecem nas listas.“0” indica produção irrisória, mas existente. “-” indica que não há produção. 205
  • 204. Anexo A – Quantidade Produzida (em Toneladas) na Extração de Carnaubeira por Tipo de Produto Extrativo (2006) – Municípios do Nordeste Brasileiro Município Cera Pó Fibra São Francisco do Piauí - PI - 53 - São João da Fronteira - PI - 85 - São João da Serra - PI - 56 - São João do Arraial - PI - 1 - São José do Divino - PI - 162 - São José do Peixe - PI - 102 - São José do Piauí - PI - 22 - São Miguel do Tapuio - PI - 295 - Sigefredo Pacheco - PI - 10 - Simplício Mendes - PI - 31 - Sussuapara - PI - 94 - União - PI - 32 - Valença do Piauí - PI - 45 - Várzea Grande - PI - 21 - Wall Ferraz - PI - 39 - Acaraú - CE - 41 20 Alto Santo - CE 46 17 - Amontada - CE - 89 10 Apuiarés - CE - 4 3 Aquiraz - CE 0 5 59 Aracati - CE 230 57 - Aracoiaba - CE 6 21 - Banabuiú - CE 5 2 - Barro - CE - - 4 Barroquinha - CE - 42 - Beberibe - CE 28 7 - Bela Cruz - CE - 166 16 Boa Viagem - CE - - 0 Camocim - CE - 741 1 Canindé - CE - 147 808 Capistrano - CE - 4 - Caridade - CE - 6 24Fonte: IBGE (2006). Nota: Os municípios sem informação para pelo menos um produto da extração vegetal não aparecem nas listas.“0” indica produção irrisória, mas existente. “-” indica que não há produção.206
  • 205. Anexo A – Quantidade Produzida (em Toneladas) na Extração de Carnaubeira por Tipo de Produto Extrativo (2006) – Municípios do Nordeste Brasileiro Município Cera Pó Fibra Cariré - CE 132 263 40 Carnaubal - CE - - 1 Cascavel - CE 32 22 - Caucaia - CE 75 - 37 Chaval - CE - 40 1 Choró - CE 7 1 - Chorozinho - CE - 33 - Coreaú - CE - 636 61 Croatá - CE 2 3 7 Cruz - CE - 38 4 Eusébio - CE - - 4 Farias Brito - CE - - 6 Forquilha - CE - 53 29 Fortim - CE - 1 - Frecheirinha - CE - - 1 General Sampaio - CE - 0 1 Graça - CE - 29 - Granja - CE 339 848 90 Groaíras - CE 23 - 22 Guaiúba - CE - 0 - Ibaretama - CE 2 2 - Ibiapina - CE - - 2 Ibicuitinga - CE 3 4 - Icapuí - CE - 41 - Independência - CE 0 0 3 Ipu - CE - - 2 Ipueiras - CE - 5 3 Iracema - CE 0 0 - Irauçuba - CE - 4 2 Itaiçaba - CE 73 17 19Fonte: IBGE (2006). Nota: Os municípios sem informação para pelo menos um produto da extração vegetal não aparecem nas listas.“0” indica produção irrisória, mas existente. “-” indica que não há produção. 207
  • 206. Anexo A – Quantidade Produzida (em Toneladas) na Extração de Carnaubeira por Tipo de Produto Extrativo (2006) – Municípios do Nordeste Brasileiro Município Cera Pó Fibra Itaitinga - CE - - 1 Itapipoca - CE - 81 45 Itapiúna - CE - 15 - Itarema - CE 107 - 10 Jaguaretama - CE 1 0 10 Jaguaribara - CE - 0 2 Jaguaribe - CE - 0 3 Jaguaruana - CE 82 6 12 Jijoca de Jericoacoara - CE - 11 6 Juazeiro do Norte - CE - - 8 Lavras da Mangabeira - CE 6 - 94 Limoeiro do Norte - CE 51 57 - Maranguape - CE - 1 5 Marco - CE - 154 5 Martinópole - CE - 35 16 Massapê - CE - 57 26 Miraíma - CE - 14 9 Missão Velha - CE - - 5 Morada Nova - CE 298 17 - Moraújo - CE - 1.918 27 Morrinhos - CE - 292 31 Mucambo - CE - 34 - Nova Russas - CE 1 - 15 Ocara - CE 4 - - Pacajus - CE - - 0 Pacatuba - CE - 5 144 Pacujá - CE - 36 - Palhano - CE 8 5 5 Paracuru - CE - 4 3 Pires Ferreira - CE - - 2 Poranga - CE 0 - 2Fonte: IBGE (2006). Nota: Os municípios sem informação para pelo menos um produto da extração vegetal não aparecem nas listas.“0” indica produção irrisória, mas existente. “-” indica que não há produção.208
  • 207. Anexo A – Quantidade Produzida (em Toneladas) na Extração de Carnaubeira por Tipo de Produto Extrativo (2006) – Municípios do Nordeste Brasileiro Município Cera Pó Fibra Potiretama - CE 0 2 - Quixadá - CE 3 4 - Quixeramobim - CE 0 2 - Quixeré - CE 7 4 - Reriutaba - CE 84 97 16 Russas - CE 713 - 32 Santana do Acaraú - CE 115 317 41 São Gonçalo do Amarante - CE - 10 217 São João do Jaguaribe - CE 1 1 - Senador Sá - CE - 100 - Sobral - CE 45 49 - Tabuleiro do Norte - CE 9 1 - Tejuçuoca - CE - 1 2 Tianguá - CE - 2 3 Trairi - CE - 19 38 Tururu - CE - 2 4 Ubajara - CE - - 1 Umari - CE - - 2 Umirim - CE - 1 1 Uruoca - CE - 161 26 Varjota - CE - - 1 Viçosa do Ceará - CE 1 27 29 Açu - RN 39 - 1 Apodi - RN 243 - - Augusto Severo - RN 6 - 0 Caraúbas - RN 11 - - Carnaubais - RN 34 - 1 Felipe Guerra - RN 121 - - Frutuoso Gomes - RN - 1 - Governador Dix-Sept Rosado - RN 7 - - Grossos - RN 1 - -Fonte: IBGE (2006). Nota: Os municípios sem informação para pelo menos um produto da extração vegetal não aparecem nas listas.“0” indica produção irrisória, mas existente. “-” indica que não há produção. 209
  • 208. Anexo A – Quantidade Produzida (em Toneladas) na Extração de Carnaubeira por Tipo de Produto Extrativo (2006) – Municípios do Nordeste Brasileiro conclusão. Município Cera Pó Fibra Ipanguaçu - RN 18 - 3 Ipueira - RN - - 1 Lagoa de Pedras - RN - 11 - Lucrécia - RN - 1 - Mossoró - RN 37 - - Paraú - RN - 7 - Pendências - RN 4 - - Tibau - RN 7 - - Severiano Melo - RN 7 - - Timbaúba dos Batistas - RN - - 7 Triunfo Potiguar - RN - 17 97 Upanema - RN 17 - - São José da Lagoa Tapada - PB 1 - - Sousa - PB 1 - -Fonte: IBGE (2006). Nota: Os municípios sem informação para pelo menos um produto da extração vegetal não aparecem nas listas.“0” indica produção irrisória, mas existente. “-” indica que não há produção. 210
  • 209. Anexo B – Carta da Carnaúba62 A Carta da Carnaúba objetiva contribuir com proposta de interesse da ativi-dade, com vistas ao fortalecimento da Cadeia Produtiva da Carnaúba nos Estadosdo Ceara, Piauí e Rio Grande do Norte. Proposições da Carta da Carnaúba:1) Criar uma Rede Regional de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Tecnológi- ca, com vistas a estabelecer um ambiente favorável entre instituições públicas, privadas e organizações não-governamentais, interessadas em contribuir para o fortalecimento da cadeia da carnaúba;2) Incentivar, nos pólos concentradores de carnaubais, a pesquisa cooperativa visando aprimorar a difusão e transferências de tecnologias, voltadas para a melhoria da produção e produtividade agrícola, industrial e artesanal, com foco na sustentabilidade ambiental.3) Promover gestão junto à Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial (Nutec), no sentido de concluir, a curto prazo, a descrição das Normas Técnicas da Cera da Carnaúba, com vistas a sua aprovação na Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT;4) Articular a criação de um Comitê Gestor de PDI, constituído de repre- sentantes do Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí, com atribuições de propor e desenvolver ações e projetos de interesse regional para o segmento da carnaúba;5) Propor às instituições financiadoras de PDI e extensão tecnológica (MCT CNPqFundos Setoriais, Fundeci, Funcap, MDA, MIN entre outras), que os editais contemplem temas de interesse do setor da carnaúba;6) Promover gestão junto ao Banco do Nordeste do Brasil, no sentido de concluir e divulgar o diagnóstico sobre a carnaúba;7) Articular junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) a inclusão da carnaúba e seus produtos na linha de financiamento do Pronaf, MDA, BB e BNB;62 Extraído de CSCPC (2006). 211
  • 210. 8) Divulgar os resultados obtidos, a partir do uso da bagana da carnaúba como complemento alimentar animal e incentivar um melhor aproveitamento dos produtos advindos da carnaúba;9) Propor ao Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA, Sebrae e governo do Estado programa integrado, nas áreas concentradoras de carnaubais, que incentive a organização da produção, associativismo e comercialização dos produtos da carnaúba;10) Incentivar as instituições de ensino e pesquisa a elaborar projeto com vistas à obtenção de palha com maleabilidade e espessura adequadas à confecção de produtos inovadores;11) Estimular no mercado o desenvolvimento de máquinas para “farelo” de carnaúba e extração de bagana.12) Promover a disseminação dos secadores solares;13) Elaborar um plano de capacitação que contemple trabalhadores, produtores e artesãos;14) Regulamentar a profissão do extrativista da carnaúba;15) Promover a melhoria das condições de trabalho do extrativista;16) Promover um levantamento e diagnóstico do estado de conservação das áreas de carnaubais, possibilitando realizar ações de proteção e melhoramento das suas condições atuais;17) Cobrar a aplicação da lei estadual Nº 27.413 e Lei de Crimes Ambientais, vi- sando obtenção de melhorias na situação de conservação dos carnaubais;18) Colaborar com a criação de Unidade de Conservação Municipal da Fazenda Raposa no município de Maracanaú (CE). Fortaleza, Ce – Fevereiro / 2006212
  • 211. Anexo C – Pauta de Reivindicações do Sindicarnaúba63a) Linhas de financiamento para produtores e exportadores de EGF;b) política de Garantia de Preço Mínimo da cera bruta ao produtor, com garantia de compra pelo governo federal (AGF);c) incentivo às exportações para fomentar um aumento do mercado consumi- dor;d) pesquisa nas utilizações do produto, para se agregar valor e se deixar de exportar a cera de carnaúba apenas como uma matéria-prima;e) pesquisa em toda a cadeia produtiva: melhoria genética da palmeira, do corte e secagem de palhas e extração do pó cerífero;f) agregar mais lucro ao produtor, com a modernização da cadeia produtiva e produção de cera, celulose e artesanato;g) incentivar o reflorestamento em áreas de desertificação ou devastação em decorrência de outras culturas.63 Material extraído de D’alva (2007). 213
  • 212. ÁREA DE LOGÍSTICA Ambiente de Gestão dos Serviços de Logística Célula de Produção Gráfica OS 2008-04/2.756 - Tiragem: 1.700214