EXTRATIVISMO DA CARNAÚBARelações de produção, tecnologia e mercados
Série: Documentos do Etene.Obras já publicadas na série:V. 01 –	 Possibilidades da Mamona como Fonte de Matéria-Prima para...
Maria Odete Alves, Enga Agrônoma  Mestre em Desenvolvimento Rural e Pesquisadora do BNB-ETENE                        Jacks...
Presidente:                                        Roberto Smith                                          Diretores:      ...
Conselho Editorial José Sydrião de Alencar JúniorFrancisco das Chagas Farias Paiva José Maurício de Lima da Silva    Ozeas...
AGRADECIMENTOS     Aos colegas DEMÉTRIO Gomes Crisóstomo e Maria TERTULIANA MaiaAraripe, da Central de Informações do ETEN...
PREFÁCIO     Grande fonte de riqueza no Nordeste em tempos idos, a carnaúba já foi oícone de uma civilização existente na ...
mentos, acompanhado de manual de instruções, na tentativa de ajudar, de formaprática, aqueles que lidam com a atividade.  ...
SUMÁRIOLISTA DE TABELAS. ..............................................................................13	                ...
6.2.2.2 – Ações de entidades não-governamentais...........................1257 – CONSIDERAÇÕES FINAIS E SUGESTÕES DE POLÍT...
LISTA DE TABELASTabela 1 –	 Média da Produção de Pó, Cera e Fibra de Carnaúba	            nos anos de 2001, 2002 e 2003. ....
Tabela 13 – Custo de Produção de um Quilo de Cera de Origem em	           Fábrica Artesanal – 2005...........................
LISTA DE FOTOSFoto 1 – Carnaubal no Município de Russas (CE) ................................ 29Foto 2 – Folha da Carnaube...
Foto 28 – Máquina Guarany Ciclone, de Propriedade da Foncepi	         (Piripiri, PI).........................................
LISTA DE FIGURASFigura 1 –	Roteiro de Viagens Durante a Pesquisa de Campo............. 27Figura 2 –	Mapa de Ocorrência de ...
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LISTA DE SIGLASALICEWEB	   Sistema de Análise das Informações de Comércio	           Exterior via Internet do Ministério d...
FONCEPI	      Fontenele Ceras do Piauí, S/AFUNCAP	       Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento	             Cientí...
De longe é hostiário suspenso      do templo azul, claro, imenso                do infinito...         O leque da carnaube...
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INTRODUÇÃO     A decisão de realizar a presente pesquisa partiu de uma demanda oriunda daárea de políticas de desenvolvime...
e)	 que novos produtos químicos e/ou naturais são concorrentes da cera?      f)	 que custos de produção são considerados n...
1 – PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS     Para a realização desta investigação, adotou-se uma abordagem dialética, deacordo com ...
Tabela 1 – Média da Produção de Pó, Cera e Fibra de Carnaúba nos Anos de           2001, 2002 e 2003                      ...
viagens entre novembro de 2005 e março de 2006 para os Estados do Ceará,Piauí e Rio Grande do Norte. A primeira durou do d...
campo. Optou-se pela elaboração de roteiros de entrevistas específicos para cadaum dos atores, abordando as seguintes temá...
2 – CARACTERÍSTICAS AGRONÔMICAS E DISTRIBUIÇÃO   GEOGRÁFICA     A carnaubeira (Copernicia prunifera (Miller) H. E. Moore) ...
resistente a elevados teores de salinidade. Apresenta também elevada capacidadede adaptação ao calor, suportando 3.000 hor...
Foto 2 – Folha da Carnaubeira             Fonte: Autores.                                   [...] são campanuladas, amarel...
Foto 3 – Flores da Carnaubeira           Fonte: Autores.            Foto 4 – Frutos da Carnaubeira            Fonte: Autor...
entanto, experimentou sucessivas quedas de produção, acumulando uma reduçãode 52% no ano de 2006, relativamente a 1990. Qu...
34     Tabela 3 – Quantidade Produzida, em Toneladas, na Extração de Carnaubeira por Tipo de Produto Extrativo (1990 – 200...
Figura 2 – Mapa de Ocorrência de Carnaúba (Fibra ou                         Pó, ou Cera) na Área de Atuação do BNB, no    ...
Tabela 4 – Somatório do Valor da Produção nos Anos de 1990 a 2006, na Extração          da Carnaubeira por Tipo de Produto...
Foto 5 – Carnaubal Plantado em Russas, CE              Fonte: Autores.      Mais recentemente, com a implantação do Projet...
Foto 6 – Queimada de Carnaubal em Limoeiro do                  Norte, CE         Fonte: Autores.os donos serem absenteísta...
ocorrência de carnaubais no Piauí são as microrregiões de Campo Maior, BaixoParnaíba Piauiense, Litoral Piauiense, Valença...
Estado, era uma atividade em extinção. Se cultivada, uma plantação de carnaúbasó poderia ser explorada pelo menos oito ano...
que, se mantendo, extinguiria todo o carnaubal em 18 anos (ALBUQUERQUE;CESTARO, 1995).     Atualmente, de acordo com os da...
causando manchas foliares (BRAUN; FREIRE, 2002 apud FREIRE; BARGUIL,2006). No entanto, outros estudos, ainda não publicado...
3 – PRODUTOS DA CARNAUBEIRA: USOS E MERCADO      Da carnaubeira tudo se aproveita. Sem esquecer que a planta é tambémutili...
é indicado como medicamento auxiliar no tratamento de doenças como sífilis,gota, reumatismo agudo e crônico, pele ressecad...
e sais minerais úteis na composição de alimentos para pessoas convalescentes emulheres em período de lactação.            ...
geléia da polpa, que já se encontra em fase de teste sensorial. O caroço poderiafuncionar também como excelente combustíve...
Foto 11 – Confecção Artesanal Foto 12 – Artesanato de Palha em Jericoacoara (CE)          de Vassouras em Fonte: Autores. ...
folha de carnaúba. Em entrevista, o artista afirmou que desde 1995 trabalha com talode carnaúba, uma excelente alternativa...
Foto 15 – Chapéus em Fase de Acabamento numa Fábrica                      Localizada em Sobral (CE)            Fonte: Auto...
Foto 16 – Artesanato de Cestarias e Móveis                        de Carnaúba (Porto das Barcas,                        Pa...
Foto 18 – Papel Artesanal de Palha de Carnaúba                Fonte: Autores.da terra das culturas de subsistência (feijão...
móveis rústicos, devido à forma cilíndrica retilínea e à resistência de sua madeiraaos agentes naturais (chuvas e salinida...
laqueadores e impermeabilizantes. Na papelaria, é componente para fabricaçãode papel-carbono, lápis de cera, cola, grafite...
da Carnaúba ser símbolo do Ceará e a derrubada ser proibida por lei, sabe-se queesta acontece para dar lugar a atividades ...
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Extrativismo da carnaúba relações de produção tecnologia e mercados 2008

  1. 1. EXTRATIVISMO DA CARNAÚBARelações de produção, tecnologia e mercados
  2. 2. Série: Documentos do Etene.Obras já publicadas na série:V. 01 – Possibilidades da Mamona como Fonte de Matéria-Prima para a Pro- dução de Biodiesel no Nordeste BrasileiroV. 02 – Perspectivas para o Desenvolvimento da Carcinicultura no Nordeste BrasileiroV. 03 – Modelo de Avaliação do Prodetur/NE-II: base conceitual e metodológicaV. 04 – Diagnóstico Socioeconômico do Setor Sisaleiro do Nordeste BrasileiroV. 05 – Fome Zero no Nordeste do Brasil: construindo uma linha de base para avaliação do programaV. 06 – A Indústria Têxtil e de Confecções no Nordeste: características, desa- fios e oportunidadesV. 07 – Infra-Estrutura do Nordeste: estágio atual e possibilidades de investi- mentosV. 08 – Grãos nos Cerrados Nordestinos: produção, mercado e estruturação das principais cadeiasV.09 – O Agronegócio da Caprino-Ovinocultura no Nordeste BrasileiroV.10 – Proposta de Zoneamento para a CajuculturaV.11 – Pluriatividade no Espaço Rural do Pólo Baixo Jaguaribe, CearáV.12 – Apicultura Nordestina: principais mercados, riscos e oportunidadesV.13 – Cotonicultura nos Cerrados Nordestinos: produção, mercado e estru- turação da cadeia produtivaV.14 – A Indústria de Calçados no Nordeste: características, desafios e opor- tunidadesV.15 – Fruticultura Nordestina: desempenho recente e possibilidades de polí- ticasV.16 – Floricultura: caracterização e mercadoV.17 – Floricultura: perfil da atividade no Nordeste brasileiroV.18 – Setor Sucroalcooleiro Nordestino: desempenho recente e possibilida- des de políticasV.19 – Vitivinicultura Nordestina: características e perspectivasV.20 – Extrativismo da Carnaúba: relações de produção, tecnologia e mercados
  3. 3. Maria Odete Alves, Enga Agrônoma Mestre em Desenvolvimento Rural e Pesquisadora do BNB-ETENE Jackson Dantas CoêlhoEconomista, mestrando em Economia Rural e Pesquisador do BNB-ETENE EXTRATIVISMO DA CARNAÚBA Relações de produção, tecnologia e mercados Série Documentos do ETENE N0 20 Fortaleza Banco do Nordeste do Brasil 2008
  4. 4. Presidente: Roberto Smith Diretores: João Emílio Gazzana Luíz Carlos Everton de Farias Luíz Henrique Mascarenhas Corrêa Silva Osvaldo Serrano de Oliveira Paulo César Rebouças Ferraro Pedro Rafael Lapa Ambiente de Comunicação Social: José Maurício de Lima da Silva Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste – ETENE Superintendente: José Sydrião de Alencar Júnior Coordenadoria de Estudos Rurais e Agroindustriais – COERG Maria Odete Alves Coordenadora da Série Documentos do ETENE Maria Odete Alves Editor: Jornalista Ademir Costa Normalização Bibliográfica: Rodrigo Leite Rebouças Revisão Vernacular: Antônio Maltos Moreira Diagramação: Vanessa Teixeira Internet: http://www.bnb.gov.br Cliente Consulta: 0800 728 3030 Tiragem: 1.700 exemplares Depósito Legal junto à Biblioteca Nacional, conforme Lei n0. 10.994 de 14/12/2004 Copyright © by Banco do Nordeste do Brasil Alves, Maria Odete. A474e Extrativismo da carnaúba: relações de produção, tecnologia e mercados / Maria Odete Alves, Jackson Dantas Coêlho. – Fortaleza: Banco do Nordeste do Brasil, 2008. 214 p. - (Série documentos do ETENE, 20). ISBN 978-85-7791-020-5 1.Extrativismo da carnaúba. 2. Economia. I. Coelho, Jackson Dantas. II. Título. CDD 633.85
  5. 5. Conselho Editorial José Sydrião de Alencar JúniorFrancisco das Chagas Farias Paiva José Maurício de Lima da Silva Ozeas Duarte de OliveiraJosé Maria Marques de Carvalho Maria Odete AlvesBiágio de Oliveira Mendes Júnior Paulo Dídimo Camurça Vieira Ademir da SIlva Costa
  6. 6. AGRADECIMENTOS Aos colegas DEMÉTRIO Gomes Crisóstomo e Maria TERTULIANA MaiaAraripe, da Central de Informações do ETENE, pela prontidão em fornecer osdados necessários ao desenvolvimento do trabalho e à NADJA Holanda de Oliveira,pela montagem dos mapas. Aos colegas Francisco Raimundo EVANGELISTA, CARLOS ALBERTO Fi-gueiredo Júnior e MARCOS FALCÃO Gonçalves, pela leitura e contribuições aotexto final deste documento. Aos bolsistas da COERG ABRAHÃO Macario Silva Netto e JULIANA AlvesAraújo, pelo valioso auxílio durante a tabulação de dados, TIAGO Almeida Saraiva,pela elaboração das planilhas do CD-ROM encartado neste documento, assimcomo aos colegas da CIEST, pela definição do seu leiaute final. Aos colegas técnicos de campo, pela articulação com os atores locais eviabilização das entrevistas na maioria dos municípios visitados (AURELIANONogueira de Oliveira: Russas e Limoeiro do Norte (CE); RICARDO MesquitaAlencar: Mossoró, Apodi e Felipe Guerra (RN); PEDRO Rodrigues de Sousa:Campo Maior e Piripiri (PI)). Ao Agente de Desenvolvimento João Edivaldo Nogueira DO VAL, que nosauxiliou no trabalho em Parnaíba (PI) e ao Gerente Geral da Agência de Espe-rantina GENÍLSON José Dias, que nos acompanhou durante as visitas realizadasnesse Município. Ao Engenheiro Agrônomo Francisco Hélio Mota Dias, técnico do Escritórioda Emater em Granja (CE) que, além da grande contribuição com seus conhe-cimentos sobre a região e o extrativismo da carnaúba, nos acompanhou durantetodas as visitas realizadas no Município. Aos diretores da ONG Instituto Carnaúba, em Sobral, Osvaldo Aguiar eExpedito Torres, que nos acompanharam durante as visitas realizadas em Sobrale Cariré. A todos os atores da cadeia do extrativismo da carnaúba nos três estadosprodutores, pelas entrevistas concedidas e valiosas contribuições, sem as quaiseste trabalho não teria sido concretizado.
  7. 7. PREFÁCIO Grande fonte de riqueza no Nordeste em tempos idos, a carnaúba já foi oícone de uma civilização existente na Região, como escreveu Manuel Correia deAndrade. Atualmente, mesmo que por decreto, essa palmeira voltou a ocuparo seu lugar de direito, o de símbolo do estado do Ceará, apesar do desrespeitoexpresso pela derrubada de carnaubais para inserção de culturas mais lucrativas,tanto no Ceará como no Rio Grande do Norte. Ainda é grande o desconhecimentoacerca das potencialidades da “árvore da vida” brasileira, fato em parte geradopelo limitado número de pesquisas realizadas do fim da década de 1940 até osdias atuais. Na tentativa de resgatar o conhecimento dessa riqueza, produzida unicamen-te no Nordeste (especificamente no Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte), estapublicação apresenta os resultados da pesquisa que abordou, de forma ampla,aspectos agronômicos, distribuição geográfica da carnaubeira, mercado da cera,tecnologia utilizada e relações sociais de produção, trazendo também uma síntesedo histórico da intervenção do Estado, assim como sugestões de políticas parao setor como um todo. A pesquisa aborda todos os produtos do extrativismo e suas utilidades, emespecial a cera, que tem maior valor econômico na “árvore da vida” e é matéria-prima com dezenas de aplicações na indústria cosmética, farmacêutica, informáticae de polimento. Os processos, desde o corte da palha até a industrialização da cera, sãodescritos e analisados detalhadamente, permitindo ao leitor a percepção dastecnologias utilizadas no extrativismo e relações sociais existentes. No entanto, odesafio oferecido pela complexidade desses fatores pouco atrai estudiosos paracompreender a atividade e contribuir com propostas de solução para os problemassociais e tecnológicos envolvidos. Este desinteresse reflete-se no reduzido númerode publicações científicas abordando o tema. Mas, sem dúvida alguma, a contribuição mais importante deste trabalho deveser atribuída ao esforço de estimar custos e lucro líquido do processo extrativo,aspecto jamais explorado, pelo menos no nível de complexidade aqui proposto.Esse esforço originou um CD contendo uma planilha para elaboração de orça-
  8. 8. mentos, acompanhado de manual de instruções, na tentativa de ajudar, de formaprática, aqueles que lidam com a atividade. Espera-se que essa pesquisa, conjugada com outras atualmente em realizaçãonos três Estados de ocorrência da palmeira, extrapole os muros do conhecimentoacadêmico e transforme-se em soluções para a cadeia produtiva da carnaúba,especialmente para os segmentos que estão na base do extrativismo e trabalhamarduamente, não só de julho a dezembro, mas durante todo o ano e, conformeafirmou Hélio Mota, engenheiro agrônomo técnico do Escritório da Emater emGranja-CE, “feito escola de samba, que quando termina o desfile, começa a tra-balhar na fantasia para o ano seguinte”. José Sydrião de Alencar Júnior Superintendente do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste - ETENE10
  9. 9. SUMÁRIOLISTA DE TABELAS. ..............................................................................13 .LISTA DE FOTOS...................................................................................15LISTA DE FIGURAS................................................................................17LISTA DE GRÁFICOS..............................................................................17LISTA DE SIGLAS. .................................................................................19 .INTRODUÇÃO....................................................................................... 3 21 – PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS............................................252 – CARACTERÍSTICAS AGRONÔMICAS E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA..................................................................................293 – PRODUTOS DA CARNAUBEIRA: USOS E MERCADO.......................433.1 – A Raiz..........................................................................................433.2 – O Palmito....................................................................................443.3 – O Fruto (amêndoa)......................................................................453.4 – A Folha (palha)............................................................................463.5 – O Caule (tronco)..........................................................................513.6 – A Cera..........................................................................................524 – PROCESSO PRODUTIVO: ATORES, RELAÇÕES SOCIAIS E TECNOLOGIA.................................................................634.1 – Etapa 1: arrendamento, corte, transporte e secagem da folha 654.2 – Etapa 2: extração do pó cerífero................................................764.3 – Etapa 3: beneficiamento do pó cerífero.....................................824.3.1 – Processo artesanal...................................................................824.3.2 – Processo industrial..................................................................885 – PROCESSO PRODUTIVO: ESTIMATIVAS DE CUSTO E RECEITA......93 .5.1 – Etapas 1 e 2: arrendamento, corte, secagem e extração do pó....94 .5.2 – Etapa 3: beneficiamento do pó cerífero.....................................995.2.1 – Produção de cera de origem.................................................... 995.2.2 – Produção de cera industrial................................................... 02 16 – POLÍTICAS E AÇÕES DE APOIO À ATIVIDADE............................... 07 16.1 – Intervenção Estatal Planejada: dos anos 1940 à década de 1980 1076.2 – Ações não Planejadas: dos anos 1990 aos dias atuais.............1136.2.1 – Financiamento da produção..................................................1136.2.2 – Outras ações de apoio à atividade........................................1216.2.2.1 – Ações de entidades públicas. .............................................121 . 11
  10. 10. 6.2.2.2 – Ações de entidades não-governamentais...........................1257 – CONSIDERAÇÕES FINAIS E SUGESTÕES DE POLÍTICAS...............1357.1 – Etapas de Campo......................................................................1377.1.1 – Financiamento da produção..................................................1377.1.2 – Investimento em tecnologia..................................................1397.2 – Etapa Industrial........................................................................140 .7.2.1 – Investimento em tecnologia..................................................1407.2.2 – Etapa comercial.....................................................................140REFERÊNCIAS.................................................................................... 142APÊNDICE A: Estimativas de custo e receita no extrativismo da carnaúba.................................................................151APÊNDICE B: A Fazenda Raposa e o experimento com genótipos de carnaubeiras produtoras de cera...........................184 .APÊNDICE C: Emulsão de cera de carnaúba: uma técnica inovadora de conservação pós-colheita.......................................193APÊNDICE D: Substitutos da cera de carnaúba.................................194APÊNDICE E: Projetos de pesquisa em execução no BNB e Agenda de Pesquisa ....................................................198ANEXO A: Quantidade produzida (em toneladas) na extração de carnaubeira por tipo de produto extrativo (2004) – mu- nicípios do Nordeste brasileiro.......................................202ANEXO B: Carta da carnaúba.............................................................211ANEXO C: Pauta de reivindicações do Sindicarnaúba......................21312
  11. 11. LISTA DE TABELASTabela 1 – Média da Produção de Pó, Cera e Fibra de Carnaúba nos anos de 2001, 2002 e 2003. ......................................26 .Tabela 2 – Somatório da Produção Obtida nos Anos de 1990 a 2006, em Toneladas, na Extração de Carnaubeira por Tipo de Produto – Brasil e Unidades da Federação......................33Tabela 3 _ Quantidade Produzida, em Toneladas, na Extração de Carnaubeira por Tipo de Produto Extrativo (1990 – 2006) – Brasil e Unidades da Federação.......................................34 Tabela 4 – Somatório do Valor da Produção nos Anos de 1990 a 2006, na Extração da Carnaubeira por Tipo de Produto Extrativo – Brasil e Unidades da Federação....................36 .Tabela 5 – Composição da Cinza das Raízes da Carnaubeira – Dados em Percentuais......................................................44 Tabela 6 – Produção de Cera de Carnaúba, em Tonelada, no Brasil – 1920-2006.........................................................................56Tabela 7 – Remuneração Média dos Trabalhadores nas Fases de Corte, Transporte e Secagem da Palha de Carnaúba – com Base em Diária.................................................................75 .Tabela 8 – Remuneração Média dos Trabalhadores nas Fases de Corte, Transporte e Secagem da Palha de Carnaúba – Base em Milheiro......................................................................75Tabela 9 – Variação e Remuneração Média Diária dos Trabalhadores na Fase de Extração do Pó Cerífero por “Bateção” Mecânica – Base em Diárias.............................................81Tabela 10 – Estimativa de Custo de Bateção Mecânica de um Milheiro de Palhas de Carnaúba (7,50kg de Pó Cerífero) – Bateção Própria; Máquina Própria – 2005. .....................95 .Tabela 11 – Custo de Bateção Mecânica de Um Milheiro de Palhas de Carnaúba (7,50kg de Pó Cerífero): Parâmetros e Formas de Pagamento Diversas Observadas em Campo – 2005.......96Tabela 12 – Resumo de Custo e Receita no Extrativismo da Carnaúba – um Milheiro de Palha (7.5kg de Pó Cerífero): Diversos Parâmetros Observados em Campo, considerando Produção e Venda de Pó – 2005. .....................................98 . 13
  12. 12. Tabela 13 – Custo de Produção de um Quilo de Cera de Origem em Fábrica Artesanal – 2005..................................................99Tabela 14 – Resumo de Custo e Receita no Extrativismo da Carnaúba – um Milheiro de Palha (7,5kg de Pó Cerífero): Diversos Parâmetros Observados em Campo, com Produção de Pó, Produção e Venda de Cera de Origem – 2005....101Tabela 15 – Resumo de Custo e Receita com Aquisição de 7,5kg de Pó Cerífero, Produção de Cera de Origem, Ensacamento e Transporte e Venda de Cera de Origem – Taxa de Juros de 5% a.m. – 2005................................................................102Tabela 16 – Resumo de Custo e Receita com Aquisição de 7,5kg de Pó Cerífero, Produção de Cera de Origem, Ensacamento e Transporte e Venda de Cera de Origem – Taxa de Juros de 0,53% a.m. – 2005...........................................................102Tabela 17 – Estimativa da Produção e do Faturamento Anual (2003) por Empresas Produtoras de Cera de Carnaúba. Piauí. 2003......................................................................104Tabela 18 – Estimativa do Custo de Produção Mensal de Cera de Carnaúba. Piauí..............................................................105Tabela 19 – Custo de Uma Tonelada de Cera de Carnaúba Tipo Um 106Tabela 20 – Custo de uma Tonelada de Cera de Carnaúba Tipo Três 106Tabela 21 – Financiamento do BNB à Cadeia Produtiva da Carnaúba, por Estado, Período 1998-2006. ....................................116 .Tabela 22 – Financiamento do BNB para a Cadeia Produtiva da Carnaúba, por Porte, Período 1998-2006......................117 .Tabela 23 – Financiamento do BNB para a Cadeia Produtiva da Carnaúba, por Finalidade, Período 1998-2006..............119Tabela 24 – Financiamento aos Miniprodutores, por Finalidade, Período 1998-2006.........................................................119Tabela 25 – Financiamento do BNB para a Cadeia Produtiva da Carnaúba, por Ano, Período 1998-2006.........................12014
  13. 13. LISTA DE FOTOSFoto 1 – Carnaubal no Município de Russas (CE) ................................ 29Foto 2 – Folha da Carnaubeira............................................................. 31 .Foto 3 – Flores da Carnaubeira. ........................................................... 32 .Foto 4 – Frutos da Carnaubeira............................................................ 33Foto 5 – Carnaubal Plantado em Russas (CE) ....................................... 37Foto 6 – Queimada de Carnaubal em Limoeiro do Norte (CE). ........... 38 .Foto 7 – Boca-de-leão em Felipe Guerra (RN) ...................................... 42Foto 8 – Xarope Composto com Raiz da Carnaubeira ........................ 43Foto 9 – Broto Terminal da Folha da Carnaubeira............................... 45Foto 10 – Frutos da Carnaubeira.......................................................... 46Foto 11 – Confecção Artesanal de Vassouras em Felipe Guerra(RN).... 47Foto 12 – Artesanato de Palha em Jericoacoara (CE)........................... 47Foto 13 – Coberta com Palha de Carnaúba em Jericoacoara............... 47Foto 14 – Peças Decorativas de Talo de Carnaubeira........................... 48Foto 15 – Chapéus em Fase de Acabamento numa Fábrica Localizada em Sobral (CE)....................................................................... 49Foto 16 – Artesanato de Cestarias e Móveis de Carnaúba (Porto das Barcas, Parnaíba, PI) ............................................................. 50Foto 17 – Peças Decorativas de Talos de Carnaúba (Porto das Barcas, Parnaíba, PI).......................................................................... 50 .Foto 18 – Papel Artesanal de Palha de Carnaúba................................. 51Foto 19 – Tipos de Cera de Origem...................................................... 55Foto 20 – Cera Industrial Tipo Um, Três e Quatro em Escama e Atomizada............................................................................. 55Foto 21 – Vareiro em Limoeiro do Norte (CE)...................................... 68Foto 22 – Aparador/Enfiador em Limoeiro do Norte (CE).................... 69Foto 23 – Acessórios Utilizados pelo Vareiro para Proteção de Ferimentos, em Limoeiro do Norte (CE)............................... 70Foto 24 – Carroça de Transportar Palha para o Lastro........................ 71Foto 25 – Lastro para Estender a Palha, em Russas (CE)...................... 72Foto 26 – Trinchador da Palha para Produção de Vassouras, em Felipe Guerra (RN)................................................................. 76Foto 27 – Mulher Trabalhando no Riscado da Palha de Carnaúba, em Cariré (CE)........................................................................ 77 15
  14. 14. Foto 28 – Máquina Guarany Ciclone, de Propriedade da Foncepi (Piripiri, PI)............................................................................ 78Foto 29 – Máquina Guarany Ciclone Atual, em Apodi (RN)................. 80Foto 30 – Homem Batendo Palha na Atual Máquina Guarany Ciclone, em Felipe Guerra (RN) .......................................................... 80Foto 31 – Trabalhadores na Máquina Guarani Ciclone: Falta de Proteção, em Felipe Guerra (RN)........................................................... 81 Foto 32 – Minhocão, em Felipe Guerra (RN)........................................ 82 .Foto 33 – Caldeira para Cozimento do Pó Cerífero, em Felipe Guerra (RN)............................................................................ 83Foto 34 – Prensa da Cera de Origem, em Felipe Guerra (RN).............. 83Foto 35 – Gamela de Resfriamento e Secagem da Cera de Origem, em Felipe Guerra (RN) .......................................................... 83Foto 36 – Recozimento da Cera de Origem em Latas de Querosene, em Cariré (CE)........................................................................ 85Foto 37 – Prenseiro (ou Prensador) de Cera de Origem, em Felipe Guerra (RN) ........................................................................... 86Foto 38 – Ensacamento da Cera em Escamas, em Piripiri (PI)............. 89 .Foto 39 – Cera de Carnaúba Atomizada, em Piripiri (PI)..................... 9116
  15. 15. LISTA DE FIGURASFigura 1 – Roteiro de Viagens Durante a Pesquisa de Campo............. 27Figura 2 – Mapa de Ocorrência de Carnaúba (Fibra, ou Pó, ou Cera) na Área de Atuação do BNB, no Ano de 2006.......................... 35Figura 3 – Fluxograma dos Processos Extrativo e Industrial da Carnaúba no Nordeste Brasileiro. .......................................64 .Figura 4 – Atores Sociais no Processo Produtivo da Carnaúba............ 65Figura 5 – Fluxograma do Refino da Cera Bruta (de Olho ou da Palha)...........................................................89Figura 6 – Fluxograma do Refino da Cera do Pó (de Olho ou da Palha)....................................................................................90Figura 7 – Fluxograma do Processamento da Borra de Cera de Carnaúba na Indústria. ........................................................90 . LISTA DE GRÁFICOSGráfico 1 – Participação Percentual (em Relação ao Valor Total de Exportações) da Cera de Carnaúba na Pauta dos Três Estados Produtores.......................................................... 54 Gráfico 2 – Produção de Cera de Carnaúba, em Tonelada, no Brasil – 1920-1979 / 1990-2006. ................................................... 57 .Gráfico 3 – Evolução dos Volumes de Cera de Carnaúba Exportados de 1937 a 2006................................................................. 57Gráfico 4 – Principais Países de Destino das Exportações de Cera de Carnaúba (em kg) – Acumulado 2001/2006. ................... 58 .Gráfico 5 – Evolução do Preço Médio Real de Cera de Carnaúba – 1937 a 2006...................................................................... 61 17
  16. 16. 18
  17. 17. LISTA DE SIGLASALICEWEB Sistema de Análise das Informações de Comércio Exterior via Internet do Ministério do DesenvolvimentoACC Adiantamento de Contrato de CâmbioABNT Associação Brasileira de Normas TécnicasAGF Aquisições do Governo FederalAPA Área de Proteção AmbientalBB Banco do BrasilBNB Banco do Nordeste do BrasilBCB Banco Central do BrasilCACEX Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S.ACCA Centro de Ciências AgráriasCNPq Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e TecnológicoCODECE Companhia de Desenvolvimento do CearáCOFINS Contribuição para o Financiamento da Seguridade SocialCONAB Companhia Nacional de AbastecimentoCSCPC Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da CarnaúbaDNOCS Departamento Nacional de Obras Contra as SecasEGF Empréstimo do Governo FederalETENE Escritório Técnico de Estudos Econômicos do NordesteEMATERCE Empresa de Assistência Técnica e Extensão RuralEMBRAPA Empresa Brasileira de Pesquisa AgropecuáriaEPECE Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do CearáFACIC Federação das Associações do Comércio, Indústria, Serviços e Agropecuária do CearáFAEC Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do CearáFAPEPI Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do PiauíFETRAECE Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do CearáFIEC Federação das Indústrias do Estado do CearáFINAME Financiamento de Máquinas e EquipamentosFINEP Financiadora de Estudos e Pesquisas 19
  18. 18. FONCEPI Fontenele Ceras do Piauí, S/AFUNCAP Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e TecnológicoIBAMA Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e EstatísticaICMS Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de ServiçosIPCA Índice Nacional de Preços ao Consumidor AmploIPI Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPT Instituto de Pesquisas TecnológicasIRPJ Imposto de Renda Pessoa JurídicaISS Imposto Sobre ServiçosMCT Ministério da Ciência e TecnologiaMDA Ministério do Desenvolvimento AgrárioMDIC Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio ExteriorMIN Ministério da IntegraçãoNUTEC Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial do CearáPDI Pesquisa, Desenvolvimento e InovaçãoPIS Programa de Integração SocialPROGER Programa de Geração de Emprego e RendaPROMOVALE Programa de Valorização Rural dos Vales IrrigáveisPRONAF Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura FamiliarPROVARZEAS Programa Nacional de Aproveitamento Racional de Várzeas IrrigáveisSDE Secretaria de Desenvolvimento EconômicoSEAGRI Secretaria de Agricultura e Pecuária do Estado do CearáSEBRAE-CE Serviço de Apoio às Pequenas e Médias Empresas do CearáSESEMAR Assessoria e Apoio aos Povos das Serras, Sertão e MarSINE-RN Sistema de Emprego e Renda do Rio Grande do NorteSNA Sociedade Nacional de AgriculturaUFC Universidade Federal do CearáUFPI Universidade Federal do PiauíUNICAMP Universidade Estadual de CampinasUNEB Universidade do Estado da Bahia20
  19. 19. De longe é hostiário suspenso do templo azul, claro, imenso do infinito... O leque da carnaubeira é uma bandeira, quebra-luz do sol a pino; e o palmito, esgalgo, fino, é esbelto equilibrista- pés poisados nas margens dos ribeiros e lagos brasileiros, com um disco plúmbeo na crista. Nessas palmas recortadas e espalmadas ao vento como exóticas pantalhas, - na pobreza dessas palhas, quanta esplêndida riqueza dadivosa natureza encerra, para glória da terra, minha terra que de luz se inunda e a deusa Flora preferiu, fecunda! Carnaubeira, eu te amo, desde a fina raiz tonificante, que é suave e refrescante; e o caule que serve de cumeeira às casas grandes, aos palácios e choupanas, - até os renovos verdejantes de que se tira a cera e faz a vela que ilumina o pobre e a palha com que se cobre o lar e tece esteiras, redes, cofos, abanos e chapéus!Da Costa Andrade e Simplício Mendes 21
  20. 20. 22
  21. 21. INTRODUÇÃO A decisão de realizar a presente pesquisa partiu de uma demanda oriunda daárea de políticas de desenvolvimento do BNB, a qual requeria um mapeamentoda ocorrência de carnaubeiras na região Nordeste, com o objetivo de analisar apertinência de financiar projetos oriundos da região de Campo Maior, no Estadodo Piauí. Na ocasião, os gestores da agência bancária instalada naquele municípioquestionavam sobre a restrição ao financiamento de custeio para as atividades deextração de pó da cera de carnaúba em algumas regiões do Estado, decorrentede um normativo interno datado de 1995. Ao iniciarmos os primeiros levantamentos exploratórios para responder àdemanda, observamos o quão era difícil o entendimento do setor, em virtude dacomplexidade das relações sociais, de produção e comerciais. Por outro lado,constatava-se o pouco interesse de estudiosos e pesquisadores pelo setor, tra-duzido no reduzido número tanto de publicações científicas que o explicassemquanto de pesquisas que contribuíssem para resolver os problemas de defasagemtecnológica. Este conjunto de fatores, aliado à grande importância econômica e social queparecia ter o extrativismo da carnaúba para três Estados nordestinos (Ceará, Piauíe Rio Grande do Norte), levou a Superintendência do Etene a tomar a decisão derealizar o presente estudo, que pretendeu, além de cobrir o vácuo de informaçõesatualizadas, servir de instrumento de reflexão para os que atuam no setor e deorientação para gestores que definem e elaboram políticas públicas. Diante docenário inicialmente observado, relacionaram-se algumas questões básicas queserviriam de subsídio para a elaboração do roteiro de pesquisa, quais sejam: a) qual a área de ocorrência de carnaubais no Brasil? Qual a área explorada? b) quais os municípios com maior concentração de carnaubais? c) existe um sistema de cultivo para a exploração da carnaúba? d) quais os principais produtos da carnaúba? Por extrativismo, entende-se como sendo “o processo de exploração dos recursos vegetais nativos que compreende a coleta ou apanha de produtos como madeiras, látex, sementes, fibras, frutos e raízes, entre outros, de forma racional, permitindo a obtenção de produções sustentadas ao longo do tempo, ou de modo primitivo e itinerante, possibilitando, geralmente, apenas uma única produção” (IBGE, 2002). 23
  22. 22. e) que novos produtos químicos e/ou naturais são concorrentes da cera? f) que custos de produção são considerados na coleta do pó e no benefi- ciamento da cera? g) qual o nível de tecnologia nos processos de coleta e beneficiamento do pó e da cera? Tem havido modernização? h) qual o nível de organização do setor? Qual o nível de qualificação da mão-de-obra envolvida? i) qual a variação da quantidade e da capacidade instalada das empresas processadoras de cera? j) existem usos alternativos para a planta industrial da carnaúba? k) quais os mercados explorados: local, regional, nacional, internacional? l) quais os quantitativos e preços de mercado praticados ano a ano? Quais os principais concorrentes brasileiros e onde estão instalados? m) existem ou existiram incentivos fiscais à exploração da atividade? Quais? n) existem ou existiram políticas de financiamento da produção? Quais? o) quais os fatores de competitividade do setor extrativista da carnaúba? O presente documento, resultante final do estudo, é dividido em seis capítulos,mais as considerações finais e sugestões para formulação de políticas. No primeiro,consta a metodologia utilizada para a realização do trabalho de investigação; nosegundo, a descrição das características botânicas e fisiológicas da carnaubeira,o tipo de condição edafoclimática ao qual a carnaubeira se adequa, bem comosua distribuição geográfica no Brasil; o terceiro capítulo é dedicado aos principaisprodutos da carnaubeira, suas utilizações e mercado, em especial a cera, principalproduto comercial dessa palmeira; o quarto capítulo refere-se às relações sociaisentre os diversos atores da cadeia produtiva e ao nível de tecnologia utilizadono processo produtivo; no quinto capítulo, são feitas estimativas de custos nasetapas de corte, extração e beneficiamento do pó cerífero; no sexto capítulo, éfeito um resgate histórico das políticas de apoio à atividade, em especial as definanciamento, abordando também a ação de entidades de classe e de organizaçõesnão-governamentais.24
  23. 23. 1 – PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Para a realização desta investigação, adotou-se uma abordagem dialética, deacordo com o proposto por Minayo (2002, p. 24), na qual se utiliza ao mesmotempo da pesquisa quantitativa e qualitativa, numa tentativa de abarcar “[...] osistema de relações e o modo de conhecimento exterior do sujeito, mas tambémas representações sociais que traduzem o mundo dos significados”. Essa aborda-gem, por um lado, permite o aprofundamento da análise dos significados, motivos,aspirações, crenças, valores e atitudes, bem como da compreensão das estruturase instituições resultantes da ação humana; por outro, permite que determinadosfatos e fenômenos sejam quantificados, o que admite uma melhor explicaçãodestes, à medida que confere um elemento qualificador a mais. O universo da pesquisa foi o Nordeste brasileiro, focando-se nas áreas deocorrência da carnaubeira associada à existência de atividade extrativista. A coletade informações constou de duas etapas: a primeira, em que se buscaram infor-mações secundárias nas diversas fontes (bibliografia existente, bancos de dados,Internet, documentos oficiais); a segunda constou de uma pesquisa de campo nasprincipais áreas extrativas da carnaúba. A definição das áreas para a realização da pesquisa de campo foi feita combase em alguns critérios: a) os dois municípios com as médias mais elevadas em termos de produção de pó,cera e fibra, nos anos de 2001, 2002 e 2003 (Tabela 1), em cada estado produtor; b) inclusão de municípios ausentes na amostra inicial, mas que se situavamna rota para se chegar aos demais; c) municípios não-apontados na Tabela 1, mas que contavam com indústriasde chapéus e de cera, bem como a concentração de corretores, entidades declasse e de apoio à atividade, os quais, se avaliou, poderiam oferecer contribui-ções importantes para a investigação, em vista do conhecimento sobre a cadeiaprodutiva como um todo. De acordo com dados da Produção Extrativa Vegetal do IBGE referentes aos anos de 2001, 2002 e 2003. Ao iniciar o estudo exploratório (aqui entendido como a fase de construção do projeto de pesquisa, em que houve acesso ao primeiro material bibliográfico e documental), novas situações foram-se colocando, apontando para a limitação do apoio somente nos dados de produção extrativa fornecidos pelo IBGE. Diante dessa nova situação, tomou-se a decisão de expandir a amostra, de forma a abarcar toda essa realidade. 25
  24. 24. Tabela 1 – Média da Produção de Pó, Cera e Fibra de Carnaúba nos Anos de 2001, 2002 e 2003 Anos Totais Município 2001 2002 2003 TOTAL Média Campo Maior - PI - [pó] 286 1.588 2.230 4.104 1.368 Piripiri - PI - [pó] 928 810 896 2.634 878 Granja - CE - [pó] 792 807 806 2.405 802 Camocim - CE - [pó] 756 787 785 2.328 776 Batalha - PI - [pó] 255 651 605 1.511 504 Russas - CE - [cera] 600 720 750 2.070 690 Granja - CE - [cera] 314 320 318 952 317 Apodi - RN - [cera] 297 324 276 897 299 Morada Nova – CE - [cera] 300 297 290 887 296 Aracati - CE - [cera] 170 182 191 543 181 Felipe Guerra – RN - [cera] 130 124 128 382 127 Canindé - CE - [fibra] 166 111 715 992 331 São Gonçalo do Amarante - CE 217 221 216 654 218 - [fibra] Pacatuba - CE - [fibra] 90 99 104 293 98 Lavras da Mangabeira - CE - [fibra] 85 86 88 259 86 Granja - CE - [fibra] 85 86 86 257 86 Uruoca - CE - [fibra] 25 25 26 76 25Fonte: IBGE (2002). Assim, durante a pesquisa de campo, foram ouvidos os seguintes atores:trabalhadores do corte da palha, da máquina de bater e da indústria artesanal; ren-deiros descapitalizados e capitalizados; proprietários e responsáveis terceirizadospor máquinas de bater palha; pequenos proprietários descapitalizados; grandesproprietários capitalizados; donos de fábricas artesanais de cera; industriais dacera; industriais-exportadores da cera; corretores; representantes de entidades declasse; industriais da palha (chapéus); donos de indústrias artesanais de vassouras;trabalhadores da indústria artesanal de vassouras e chapéus; representantes deONGs, representantes de institutos de pesquisas e da Universidade. No total,foram realizadas 30 entrevistas. Para a articulação com os diversos atores e agendamento de visitas, contou-secom o conhecimento e a colaboração decisiva dos diversos técnicos de campo eagentes de desenvolvimento do BNB espalhados pelo Nordeste. Foram realizadas26
  25. 25. viagens entre novembro de 2005 e março de 2006 para os Estados do Ceará,Piauí e Rio Grande do Norte. A primeira durou do dia 29 de novembro a 2 dedezembro de 2005, partindo-se de Fortaleza com destino aos Vales do Jaguaribe(no Ceará) e do Apodi (no Rio Grande do Norte); a segunda viagem foi realizadaentre os dias 8 e 13 de janeiro de 2006, tendo como destino os Vales do Acaraú(no Ceará), do Parnaíba, do Longá e do Mato (no Piauí). Em Fortaleza, Caucaia eMaracanaú, onde existe uma concentração de indústrias de cera e de corretores,as visitas foram realizadas nos intervalos das demais, entre outubro de 2005 emaio de 2006 (Figura 1).Figura 1 – Roteiro de Viagens durante a Pesquisa de CampoFonte: Elaboração própria. Após a demarcação das áreas a serem visitadas e dos atores a serem ouvi-dos, partiu-se para a definição dos instrumentos de coleta das informações em 27
  26. 26. campo. Optou-se pela elaboração de roteiros de entrevistas específicos para cadaum dos atores, abordando as seguintes temáticas: processo produtivo, relaçõesde produção, tecnologia, produtos, mercado, organização, políticas para o setor(financiamento para produção e pesquisa), assistência técnica e carga tributária.Utilizaram-se, também, a observação direta, a participação em seminários e o regis-tro fotográfico de atores, equipamentos, fatos, eventos e momentos consideradossignificativos para a pesquisa. No decorrer do processo, relatórios de cada umadas entrevistas foram elaborados e, ao final, todas as informações sistematizadasem uma matriz temática lógica, seguindo-se uma análise interpretativa e posteriorincorporação ao texto final deste documento.28
  27. 27. 2 – CARACTERÍSTICAS AGRONÔMICAS E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA A carnaubeira (Copernicia prunifera (Miller) H. E. Moore) é uma plantanativa do Nordeste brasileiro que, em condições normais, cresce em média cercade 30cm por ano, atingindo a maturidade botânica (primeira floração) entre 12 e15 anos de idade, podendo alcançar uma altura superior a 10 metros e produzirentre 45 e 60 folhas anuais (Foto 1). A planta possui um tronco reto e cilíndrico com diâmetro entre 15 e 25centímetros. Geralmente, ocorre nos pontos mais próximos dos rios, preferindosolos argilosos (pesados), aluviais (de margens de rios) e com a capacidade desuportar alagamento prolongado durante a época de chuvas, além de ser bastanteFoto 1 – Carnaubal no Município de Russas (CE)Fonte: Autores A literatura também traz o nome Copernicia cerifera Mart. É apenas uma de vinte e uma espécies que compõem o gênero Copernicia, nome dado em homenagem ao astrônomo Nicolau Copérnico, devido à copa redonda da palmeira. 29
  28. 28. resistente a elevados teores de salinidade. Apresenta também elevada capacidadede adaptação ao calor, suportando 3.000 horas de insolação por ano. SegundoDuque (2004), a idade das palmeiras, o tipo de solo, o clima e a proximidadecom o mar são fatores que influenciam na produção de cera. A densidade dos carnaubais está diretamente relacionada com o teor deargila no solo. Nos solos aluvionares com teores mais altos, há maior ocorrênciada carnaubeira, enquanto nos tabuleiros, fora da calha do rio, o teor de argila nosolo é menor e, em razão disso, os carnaubais são mais escassos e menos densos(ALBUQUERQUE; CESTARO, 1995). As folhas da carnaubeira são dispostas de modo a formar um conjunto esfe-roidal e a copa apresenta tonalidade verde levemente azulada, em conseqüênciada cera que recobre a lâmina, em forma de leque de até 1,5m de comprimento,de superfície plissada com a extremidade segmentada em longos filamentos maisou menos eretos e rígidos (Foto 2). A lâmina da folha é afixada ao tronco porpecíolos rígidos de até 2 metros de comprimento, recobertos parcialmente, prin-cipalmente nos bordos, de espinhos rígidos em forma de “unha-de-gato” (RISCHNETO, 2004). O pó que recobre a palha é uma conseqüência de sua adaptação às regiõessecas, dado que esta camada de pó reflete a luz, o que ameniza danos ao ma-quinário fotossintético, por reduzir o aquecimento das folhas. A camada de pódificulta a perda de água por transpiração e protege a planta contra o ataque defungos (MOREIRA; SILVA, 1974 apud MESQUITA, 2005). Este pó, ao passarpelo processo de cozimento, gera a cera de carnaúba. O principal aproveitamento econômico da carnaúba dá-se pelo corte das fo-lhas, que é feito no período seco (verão), variando, portanto, de julho a dezembro,dependendo da região e da extensão do período sem chuvas. Quando frondosa,a carnaubeira pode chegar a produzir 60 folhas por árvore, o que geralmenteacontece em anos de período chuvoso com boa precipitação pluviométrica. Sobre as características das flores e estames da carnaubeira (Foto 3), Corrêaapud Carvalho (1982) diz que: Deve-se ressaltar que os solos aluviais da caatinga nordestina, em geral, apresentam elevado teor de acidez.30
  29. 29. Foto 2 – Folha da Carnaubeira Fonte: Autores. [...] são campanuladas, amareladas, dispostas em espádices de mais de 2m. de comprimento e protegidas por espata tubulo- sa; ovário ligeiramente piloso, estilo relativamente espesso e estigma 3-lobado, estames formando anel carnoso 6-dentado, os dentes correspondendo ovóide-globosa, de 2cm., glabra, luzidia, amarelo-esverdeada, roxo-escura na maturação, com albúmen branco e duro, adocicado, adstringente. A carnaubeira ocorre no Nordeste brasileiro nos vales dos rios da região dacaatinga, principalmente do Parnaíba e seus afluentes (Piauí), do Jaguaribe, doAcaraú e do Cauípe (no Ceará), do Apodi (no Rio Grande do Norte) e do médioSão Francisco. Também pode ser encontrada nos Estados do Pará, Tocantins,Maranhão e Goiás, no entanto, sem produção de pó. Informações sobre a produção brasileira de carnaúba são apresentadas nasTabelas 2 e 3. Os dados são agregados por estados produtores, a partir dos princi-pais produtos extrativos (cera, pó e fibra), numa série de 17 anos (1990 a 2006).Na Tabela 2, é possível observar o somatório desta série, por estado produtor e,na Tabela 3, os mesmos dados, porém desagregados ano a ano. Segundo Carvalho (1982), outra espécie de carnaubeira existe ainda no Paraguai, Argentina e Mato Grosso, sem produção de cera, sob a denominação de Copernicia australis Becc., ou carandá, como é chamada no Centro-Sul brasileiro. Ela também vegeta nos banhados e campos pantanosos. 31
  30. 30. Foto 3 – Flores da Carnaubeira Fonte: Autores. Foto 4 – Frutos da Carnaubeira Fonte: Autores. Segundo dados do IBGE (Tabela 2), o produto de maior representatividade noBrasil é o pó (em torno de 220 mil toneladas) que, apesar da queda na produçãodurante a primeira metade dos anos 1990 (Tabela 3), com perda de 39% entre osanos de 1992 e 1996, conseguiu recuperar-se e apresentar uma variação positivano ano de 2006 relativamente aos anos de 2000 (59,7%), 2001 (56,5%), 2002(27,9%), 2003 (16,5%), 2004 (9,8%) e 2005 (0,7%). A produção de cera, no32
  31. 31. entanto, experimentou sucessivas quedas de produção, acumulando uma reduçãode 52% no ano de 2006, relativamente a 1990. Queda razoável, também experi-mentou a produção de fibras, que passou de 2.876 toneladas (1990) para 2.298toneladas (2006), equivalendo a uma redução de 20% na produção (Tabela 3). A ocorrência da exploração da carnaubeira para produção de pó cerífero,segundo o IBGE (2008), predomina nos Estados do Piauí e Ceará, conforme sepode observar na Figura 2. A partir do somatório da produção dos anos de 1990a 2006 (Tabela 2), é possível atestar que o Ceará é o primeiro produtor de cera(32.153 toneladas) e o segundo de pó (82.624 toneladas), enquanto a situaçãoinversa ocorre com o Piauí: primeiro produtor de pó (128.528 toneladas) e se-gundo de cera (16.693 toneladas).Tabela 2 – Somatório da Produção Obtida nos Anos de 1990 a 2006, em Toneladas, na Extração de Carnaubeira por Tipo de Produto – Brasil e Unidades da Federação Produto CERA PÓ FIBRA  Estado Quant. % Quant. % Quant. % CE 32.153 48,6 82.624 37,7 34.149 97,6 PI 16.693 25,3 128.528 58,6 0 0,0 RN 16.473 24,9 334 0,2 581 1,7 PB 186 0,3 0 0,0 0 0,0 BA 0 0,0 0 0,0 9 0,0 MA 562 0,9 7.758 3,5 233 0,7 AM 33 0,0 0 0,0 0 0,0 BRASIL 66.100 100,0 219.244 100,0 34.972 100,0Nota: Municípios com percentual zero indicam produção inexpressiva, embora existente, em relação ao total.Fonte: IBGE (2007) Em termos de valores de produção de cera, ao longo do mesmo período(Tabela 4), o Ceará lidera com 46%, seguido por Rio Grande do Norte e Piauí,com participações próximas entre si, 26 e 28%, respectivamente. Há ainda geraçãode valores pela produção de cera no Maranhão, Paraíba, Bahia, Pará e Amazonas,mas em parcela mínima, sem representatividade. Na mesma Tabela, observa-seque, em termos de valores de produção de pó, as posições se invertem: o Piauíé responsável por 54%, o Ceará por 42% e chama atenção o fato de o Maranhãoregistrar maior participação que o Rio Grande do Norte, já que este, tradicional-mente, é o estado citado como um dos três produtores de pó e cera da região (e 33
  32. 32. 34 Tabela 3 – Quantidade Produzida, em Toneladas, na Extração de Carnaubeira por Tipo de Produto Extrativo (1990 – 2006) - Brasil e Unidades da Federação Pro- Ano UF 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 duto Cera 6.581 6.883 6.531 5.188 4.916 5.228 2.592 2.203 1.959 2.264 2.399 2.883 3.120 3.418 3.600 3.209 3.130 BR Pó 11.611 12.178 12.861 11.538 12.137 12.164 7.782 7.940 8.260 10.774 12.072 12.315 15.079 16.556 17.559 19.143 19.279 Fib. 2.876 2.754 2.667 2.121 1.938 2.078 1.820 2.488 1.904 1.419 1.428 1.384 1.383 1.984 2.165 2.264 2.298 Cera - - - - - - 2 3 3 3 3 3 3 3 3 3 4 AM Pó - - - - - - - - - - - - - - - - - Fib. - - - - - - - - - - - - - - - - - Cera - - - - - - - - - - - - - - - - - PA Pó - 3 - - - - - - - - - - - - - - - Fib. - - 0 - - - - 0 0 - - - - - - - - Cera 16 26 23 20 14 14 42 55 52 39 38 37 37 37 37 37 38 MA Pó 121 159 197 528 655 644 595 479 480 488 485 469 484 474 498 501 501 Fib. - 13 19 21 21 20 28 10 8 14 12 12 11 11 11 11 11 Cera 2.242 3.020 2.863 2.472 2.319 2.456 354 291 304 231 19 122 - - - - - PI Pó 5.771 6.612 6.649 6.285 6.972 6.974 3.765 3.617 4.036 6.652 7.366 7.518 9.994 10.778 11.997 11.733 11.809 Fibra - - - - - - - - - - - - - - - - - Cera 2.069 2.157 2.043 1.572 1.492 1.707 1.310 1.135 911 1.336 1.686 2.018 2.260 2.640 2.850 2.430 2.537 CE Pó 5.702 5.386 5.994 4.708 4.491 4.525 3.404 3.829 3.731 3.622 4.210 4.317 4.595 5.274 5.027 6.877 6.932 Fib. 2.860 2.727 2.638 2.092 1.909 2.051 1.776 2.459 1.880 1.390 1.401 1.356 1.356 1.967 1.991 2.119 2.177 Cera 2.213 1.644 1.573 1.116 1.083 1.044 873 710 682 647 645 696 818 735 707 737 550 RN Pó 17 18 21 17 19 22 17 14 13 12 10 12 5 30 37 33 37 Fib. 12 11 9 8 7 7 16 19 15 16 16 16 16 6 163 134 110 Cera 40 36 28 8 8 7 10 10 8 8 8 6 2 2 2 2 1 PB Pó - - - - - - 0 0 - - - - - - - - - Fib. - - - - - - - - - - - - - - - - - Cera - - - - - - - - - - - - - - - - - BA Pó - - - - - - - - - - - - - - - - - Fib. 5 4 - - - - - - - - - - - - - - - Nota: Os municípios sem informação para, pelo menos, um produto da extração da carnaúba não aparecem nas listas. No Piauí, a fonte não revela dados de produção para fibra nem para cera (no período 2002 a 2006). Fonte: IBGE (2007)
  33. 33. Figura 2 – Mapa de Ocorrência de Carnaúba (Fibra ou Pó, ou Cera) na Área de Atuação do BNB, no Ano de 2006 Fonte: IBGE (2007)do planeta). Nas viagens de campo, constatou-se que a produção de pó no Piauíé bem mais forte do que mostram os dados do IBGE, embora não se registre aexistência das fábricas artesanais de cera tão comuns nos Estados do Ceará e RioGrande do Norte. Os dados relativos ao Rio Grande do Norte e Maranhão, noentanto, suscitam dúvidas. Quanto à fibra de carnaúba, o levantamento do IBGE coloca o Ceará comoo gerador de valor quase absoluto, cabendo uma pequena fração ao Rio Grandedo Norte, Bahia e Maranhão. No Ceará, são encontrados carnaubais em diversas regiões, tanto no sertãoquanto no litoral. No litoral, em virtude da implantação dos perímetros irrigados àsmargens dos rios, bem como do desenvolvimento da carcinicultura, perderam-segrandes quantidades de árvores de carnaúba, conforme explícito no documento daSecretaria de Desenvolvimento Econômico (CEARÁ, 2003). A maior ocorrênciase dá nos vales dos rios Jaguaribe e Acaraú. 35
  34. 34. Tabela 4 – Somatório do Valor da Produção nos Anos de 1990 a 2006, na Extração da Carnaubeira por Tipo de Produto Extrativo – Brasil e Unidades da FederaçãoValores em mil reais de 2007 Produto CERA PÓ FIBRA  Estado Valor % Valor % Valor % CE 197.295 45,4 318.240 41,6 23.112 97,8 PI 121.137 27,8 410.581 53,8 0 0,0 RN 111.491 25,6 1.039 0,1 203 1,0 PB 722 0,2 0 0,0 0 0,0 BA 0 0,0 0 0,0 37 0,1 MA 4.411 1,0 34.368 4,5 279 1,1 AM 75 0,0 0 0,0 0 0,0 PA 0 0,0 5 0,0 0 0,0 BRASIL 435.131 100,0 764.233 100,0 23.631 100,0Nota: Os municípios sem informação para, pelo menos, um produto da extração da carnaúba não aparecem nas listas.Fonte: IBGE (2007) No Vale do Jaguaribe, até a década de 1970, a economia girava em tornoda carnaúba. Foi durante esse período que a carnaubeira se expandiu para alémdas várzeas, chegando à caatinga por meio de plantios feitos entre as linhas deplantações de feijão. No Distrito de Flores, em Russas, conforme se pode obser-var (Foto 5), vários campos de carnaúba implantados ainda permanecem nos diasatuais. Diversas famílias da região, a exemplo dos Estácios, dos Jerônimos e dosRemígios, extraíam suas riquezas da carnaubeira. Ainda na década de 1970, com a implantação do Promovale, programa dogoverno estadual que utilizou recursos do Provárzeas, houve uma grande devas-tação de carnaubais para implantação de culturas irrigadas, principalmente nosmunicípios de Limoeiro do Norte e Morada Nova, reduzindo significativamente aocorrência de carnaubais nesses dois municípios. Valores atualizados pelo IPCA do IBGE, tomando como índice inicial o do mês de junho de cada ano, cujo valor será atualizado e, como final, o mês de dezembro de 2007, utilizando metodologia de atualização disponível na página da Internet do Bacen (2007). Escolheu-se como mês final dezembro de 2007, por refletir um valor mais próximo do dos dias atuais; se a atualização ocorresse somente no período em foco, 1990-2006, os valores já estariam desatualizados em mais de um ano.36
  35. 35. Foto 5 – Carnaubal Plantado em Russas, CE Fonte: Autores. Mais recentemente, com a implantação do Projeto de Irrigação Chapadõesde Russas, várias áreas de carnaubais foram eliminadas, para instalação de culturasirrigadas, principalmente arroz. Referido projeto ainda se encontra em implanta-ção e, portanto, continua contribuindo para a erradicação de diversos carnaubaisno Vale do Jaguaribe. Isso pode ser percebido facilmente até quando se transitapelas estradas da região (Foto 6). Apesar da proibição do Ibama, ainda hoje seobservam queimadas, mesmo às margens das estradas. De acordo com dados do IBGE para 2006, a maior produção de pó no Cearáé observada, na ordem, nos municípios de Moraújo, Granja, Camocim, Coreaú,Santana do Acaraú e Morrinhos. Na produção de cera, destacam-se os municípiosde Russas, Granja, Morada Nova, Aracati, Cariré e Santana do Acaraú. A utiliza-ção de fibra tem mais importância nos municípios de Canindé, São Gonçalo doAmarante e Pacatuba. O município de Sobral, embora não apareça com represen-tatividade nos dados do IBGE, em termos de produção de fibra, possui 10 fábricasde chapéus legalmente constituídas, além de outras informais e de menor porte,as quais contam com fornecedores de palha em vários municípios de toda a regiãoadjacente. De acordo com informações obtidas em campo, no Vale do Acaraú,20% das palhas do tipo “olho” são destinados à produção de chapéus. Algumaspropriedades rurais com carnaubais não estão sendo exploradas, em virtude de Ver no subitem 4.1, a definição de palha tipo “olho”. 37
  36. 36. Foto 6 – Queimada de Carnaubal em Limoeiro do Norte, CE Fonte: Autores.os donos serem absenteístas e desenvolverem atividades urbanas, sem interesseno extrativismo da carnaúba. Dessa forma, não as exploram e não as arrendam aterceiros, alegando que a atividade não é lucrativa. A inviabilidade econômica, noentanto, não estimulou a devastação da carnaúba na região de Sobral. Aliás, emtodo o Vale do Acaraú, não se observa a derrubada de carnaubais. Outra região do Ceará sem representatividade nos dados do IBGE, mas comocorrência de carnaubais e produção de pó significativa é o Vale do Rio Cauípe,no município de Caucaia, onde se observou a existência de diversas indústriasartesanais de cera e cerca de 30 mil hectares de carnaubais nativos, ainda nãototalmente explorados. Segundo relatos, essa é a região que produz a cera demelhor qualidade no Estado. Segundo afirmação de entrevistados, nessa regiãotambém não ocorre a devastação dos carnaubais. Verifica-se uma grande preo-cupação, por parte daqueles que a exploram, com a preservação, principalmenteem virtude de sua grande importância econômica para a população local, poisgrande parte tem o sustento (sobrevivência) na exploração da carnaúba. Comoafirmou um entrevistado, “Sem ela, o que seria o povo de Catuana? Por viveremdela, sabem do seu valor e não a devastam”. Trata-se de região pobre, na quala produção agrícola é puramente de subsistência. Assim, a extração da cera decarnaúba é a principal atividade econômica local. No Piauí, os campos de carnaubais ocorrem principalmente em grandespropriedades, associados a culturas de subsistência. Os principais pólos de38
  37. 37. ocorrência de carnaubais no Piauí são as microrregiões de Campo Maior, BaixoParnaíba Piauiense, Litoral Piauiense, Valença do Piauí, Alto Médio Canindé, Picose Floriano. De acordo com dados do IBGE para 2006, os principais municípiosprodutores de pó no Estado do Piauí são, na ordem, Campo Maior, Piripiri, Picos,Piracuruca, Batalha e Castelo do Piauí. Importante observar que, embora o IBGEnão apresente dados de produção de cera ou fibra no estado do Piauí, a publicaçãoPIAUÍ (2002) coloca a produção de cera nesse Estado com uma representaçãode 87% do total produzido no Brasil e 40 a 50% da produção nordestina. Omesmo documento cita a cera de carnaúba como o principal produto da pautade exportações do Estado do Piauí. No município de Campo Maior (PI), existem grandes extensões de carnaubaisnativos de diversas densidades. Por tamanha representatividade, o município éconhecido pela alcunha de “Terra dos Carnaubais”. Conforme informações doprojeto Mapeamento Espacial e Zoneamento da Carnaúba no Piauí (REALIZA-DO..., 2005), realizado em 2005 por pesquisadores da Universidade Federal doPiauí, a carnaúba está presente em 140 dos 223 municípios do Estado. Segundoeste levantamento, Luzilândia é o município que se destaca com a maior área deocorrência com carnaúba (31,39%), seguido de Joaquim Pires (26,78%) e CampoMaior (24,6%). Em números absolutos, porém, é em Campo Maior que existe amaior cobertura de área com carnaúba (409,36km²), seguido por Joaquim Pires(204,25km²) e Luzilândia (231km2). No Rio Grande do Norte, a carnaúba era nativa do Vale do Assu. SegundoAndrade (1986) apud. Alburque e Cestaro (1995), na várzea do Assu, no iníciodos anos 1960, havia seis milhões de carnaubeiras ocupando uma área de 25 milhectares, mais de 62% da várzea. A densidade em determinados trechos era tãoalta que mal podia-se caminhar pelo carnaubal. Restou pouco dos carnaubais nativos porque eles deram lugar às culturas“nobres” ou mais rentáveis, com a transferência gradual dos trabalhadores paraestas novas atividades. Muitas das pequenas usinas que elaboravam a cera fecha-ram as portas e, com elas, as casas comerciais exportadoras. Restou apenas ovocativo para a região, a terra dos carnaubais, que passou a ser de Campo Maior(PI). As culturas extrativistas deram lugar às exploradas racionalmente (melão, uva,maracujá, mamão e uva), com apoio da técnica, sendo tal passagem sustentadano fato que os produtos emergentes são mais rentáveis e atrativos para o capita-lista. Em meados dos anos 1980, já se dizia que o extrativismo da carnaúba, no 39
  38. 38. Estado, era uma atividade em extinção. Se cultivada, uma plantação de carnaúbasó poderia ser explorada pelo menos oito anos depois, tempo mais que suficientepara outras atividades econômicas atraírem capital e impedirem o desenvolvimentoda atividade carnaubeira. Com esse baixo grau de competitividade, a introduçãode outras culturas é facilitada (CRUZ, 1995). Com a substituição da cera por sintéticos derivados do petróleo, a produção foidrasticamente reduzida e a carnaúba passou a ser utilizada para fabricação de lenha ecarvão e para alimentar outras atividades produtivas do vale (VALÊNCIO, 1995). A construção da barragem Armando Ribeiro Gonçalves, no Vale do Assu, queé “maior que a do Orós, no Ceará” e “duas vezes superior à Baía de Guanabara”,trouxe consigo a destruição do município de São Rafael, obrigando a transferênciada população de dez mil habitantes, o soterramento de um potencial de recursosminerais e arqueológicos, além de vastos carnaubais. A barragem era parte doprojeto de irrigação do Baixo Assu, comandado pelo Dnocs no final da décadade 1970. Este reservatório tem capacidade de armazenamento de 2,4 bilhões demetros cúbicos, complementado por um perímetro público de irrigação de 9 milhectares (ARANHA, 1995). O lago da barragem inundou 13.135 hectares de ca-atinga hiperxerófila e 5.750 hectares de carnaúba e, na área do perímetro irrigado,eliminou 2.620 hectares de caatinga e 4.370 hectares de carnaúba, perfazendoentão quase 10.000 hectares de carnaúbas submersas (VALÊNCIO, 1995). Com a perenização do rio Piranhas-Assu, depois da construção da barragemArmando Gonçalves, houve condições para o desenvolvimento da agricultura ir-rigada do vale. Muitas empresas agrícolas se instalaram no Estado do Rio Grandedo Norte para explorar a fruticultura tropical à custa de incentivos fiscais, quedeveriam ser pagos com uma suposta geração de muitos empregos. O que hou-ve, na realidade, foi uma rápida destruição de carnaubais. Além disso, a práticainadequada da agricultura irrigada elevou a salinização dos solos (CARVALHO,1992 apud ALBUQUERQUE; CESTARO, 1995). As áreas mais atingidas por essa redução encontram-se nos municípiosde Assu, Ipanguaçu e Carnaubais, já que eles foram os mais favorecidos com aintrodução da agricultura comercial no vale do Açu na década de 1980. Algunsdados comprovam: em 1966, havia uma área de 447km2 ocupados por carnaubais,que, em 1988, restringiam-se a cerca de 194km2, uma queda de 56% em apenas22 anos. Uma ação devastadora que ocorreu numa taxa média de 11km2/ano,40
  39. 39. que, se mantendo, extinguiria todo o carnaubal em 18 anos (ALBUQUERQUE;CESTARO, 1995). Atualmente, de acordo com os dados do IBGE para 2006, os municípiosde Apodi, Felipe Guerra e Açu são os principais produtores de cera de carnaúba.Observações locais confirmam tais municípios como maiores produtores de cera, aolado de Mossoró, Carnaubais e Ipanguaçu; apenas o município de Triunfo Potiguartem produção expressiva de fibra (Figura 2), acompanhado de cinco outros comprodução irrisória. De acordo com a fonte IBGE, registra-se produção irrisória depó nesse Estado no ano de 2004, dado contestável pela realidade verificada durantea pesquisa de campo, em que se observou a ocorrência de carnaubais e extraçãode pó nos municípios de Mossoró, Apodi e Felipe Guerra. Importante registrarque, apesar de tamanha devastação de carnaubais nesse Estado, atualmente seobservam campos com espera de corte por dois e até três anos. O cultivo de camarão também é uma atividade que, em muitas áreas dessesmunicípios, ocupou o lugar dos carnaubais. A carnaubeira é uma planta resistente a pragas e doenças. De pragas naturais,existem relatos sobre o gafanhoto, que, de vez em quando, danifica a palha, etambém o parasitismo de uma trepadeira de origem africana (Cryptostegia gran-diflora R, Br.), conhecida por “boca-de-leão”, “unha-de-moça”, “viúva-alegre”ou “banana-braba”, dependendo da região. Esta trepadeira pode chegar a matara planta ao tornar-se sua hospedeira. No Vale do Jaguaribe, não se ouviram relatos da existência da “boca-de-leão”,em virtude de sua rara ocorrência. Os predadores naturais também são raros.Relatos foram feitos sobre uma lagarta e gafanhotos gigantes, os quais teriamatacado alguns carnaubais há alguns anos. Observou-se, porém que são pragasisoladas, não recorrentes, conforme constatado durante pesquisa de campo. Nas regiões visitadas do Piauí, não há registro da invasora “boca-de-leão”,por lá chamada de banana-braba. No entanto, essa trepadeira ocorre freqüentemente em carnaubais da regiãode Felipe Guerra, no Rio Grande do Norte (Foto 7), e em algumas regiões donoroeste cearense, como em Granja. Segundo informação da Embrapa, até 2002, apenas o fungo Pseudocercosporacoperniciae Braun Freire havia sido catalogado como patógeno da carnaúba, 41
  40. 40. causando manchas foliares (BRAUN; FREIRE, 2002 apud FREIRE; BARGUIL,2006). No entanto, outros estudos, ainda não publicados, conduziram análisessobre a presença dos fungos Aspergillus niger, Cladosporium cladosporioides ePenicillium citrinum no endosperma de frutos da carnaubeira. Durante a quadra invernosa de 2006, foi detectada uma infecção generalizadaem frutos de carnaubeiras adultas, no município de Chorozinho (CE), causando umaqueda drástica dos frutos. O isolamento do patógeno aconteceu no laboratório deFitopatologia da Embrapa Agroindústria Tropical, e o exame microscópico reveloutratar-se de espécie do gênero Colletotrichum. Esta foi a primeira constatação daocorrência de antracnose em frutos de carnaubeira no Brasil (FREIRE; BARGUIL,2006). Durante a pesquisa de campo, nada se ouviu a respeito das patologiasrelatadas no comunicado técnico da Embrapa. Foto 7 – Boca-de-leão em Felipe Guerra, RN Fonte: Autores.42
  41. 41. 3 – PRODUTOS DA CARNAUBEIRA: USOS E MERCADO Da carnaubeira tudo se aproveita. Sem esquecer que a planta é tambémutilizada na arborização urbana e no paisagismo de praças e jardins, dela se apro-veita da raiz ao broto terminal. Apesar disso, sob o ponto de vista econômico,praticamente não houve avanços. Carvalho (1982), ao comparar o contido nosescritos de M. A. Macedo, de 1855 e 1867, com a situação que observava em1935, chegou à conclusão que pouca mudança havia ocorrido entre um períodoe outro. Essa observação continua válida para os dias atuais.3.1 – A Raiz Em ampla revisão bibliográfica sobre as utilidades da raiz da carnaubeira,Carvalho (1982) encontrou referências sobre propriedades medicinais, das quaisos próprios indígenas já tinham conhecimento, pois a usavam freqüentemente paracurar afecções cutâneas. O autor cita também sua utilização, na forma de chá,como depurativo e diurético, bem como no tratamento de sífilis e reumatismo,adicionada em xaropes. Johnson (1972) também cita o uso das raízes como diu-rético e depurativo. De fato, nas casas de produtos naturais, em Fortaleza (CE),encontrou-se um xarope composto de 11 plantas medicinais, dentre as quais araiz de carnaúba (Foto 8). Este produto, denominado de “Carnaúba Composta”,é um fitoterápico produzido pela “Divisão de Manipulação Homeopática” de umaindústria de produtos naturais da cidade de Suzano, São Paulo. O “Composto” Foto 8 – Xarope Composto com Raiz da Carnaubeira Fonte: Autores. 43
  42. 42. é indicado como medicamento auxiliar no tratamento de doenças como sífilis,gota, reumatismo agudo e crônico, pele ressecada, doenças venéreas, além dedepurativo e diurético, dentre outras indicações. Das cinzas das raízes, é possível extrair o sal, que pode substituir o sal-de-cozinha, o qual também seria utilizado pelos indígenas e sertanejos em áreas deocorrência da palmeira. Johnson (1972) informa que pedaços de raízes podemser queimados e as cinzas geradas utilizadas como sal em alimentos. Este sal foianalisado pelos químicos Theodor e Gustavo Peckolt e apresentou em sua com-posição elevado teor de cloro, sódio e potássio, conforme mostrado na Tabela5 a seguir.Tabela 5 – Composição da Cinza das Raízes da Carnaubeira: dados em percentuais Componentes Proporção (%) Água 18,539 Ácido carbônico 1,109 Cloro 37,666 Ácido sulfúrico 6,456 Magnésia 0,142 Cal 0,032 Potassa 13,679 Soda 21,511 Sílica, substâncias orgânicas etc. 0,850Fonte: Carvalho (1982, p. 22)3.2 – O Palmito O palmito da carnaúba (broto terminal), conhecido em algumas regiões comobarriga-amarela, é comestível (Foto 9). Embora se saiba que a sua retirada provocaa morte da palmeira, existem relatos de sua utilização como alimentação humana ede animais. Johnson (1972), assim como Macedo apud Carvalho (1982), refere-seà utilização do palmito como alimento para diferentes animais e na alimentaçãohumana (na forma de goma) durante a seca de 1845. Em sua composição, segundoanálise realizada por Peckolt apud Carvalho (1982), encontram-se lecitinas, fósforo De acordo com publicação de 1934 dos pesquisadores, citada por Carvalho (1982).44
  43. 43. e sais minerais úteis na composição de alimentos para pessoas convalescentes emulheres em período de lactação. Foto 9 – Broto Terminal da Folha da Carnaubeira Fonte: Autores.3.3 – O Fruto (amêndoa) Na forma de cacho e com aparência preta (quando maduro) e esverdeada(quando ainda não atingiu a maturação), o fruto da carnaubeira é composto porcasca e amêndoa (Foto 10). Na amêndoa encontram-se a polpa e o caroço. Apolpa, quando maduro o fruto, tem sabor adocicado e é bastante apreciada porcrianças. Daí se extraem uma espécie de farinha e um leite que, à semelhança doleite extraído do babaçu, pode substituir o leite do coco-da-baía na alimentaçãohumana. O óleo extraído da amêndoa é comestível e pode ser utilizado na ali-mentação humana. O caroço é basicamente aproveitado pelos animais de criação.Torrado e moído, pode ser utilizado na composição de mingaus e em substituiçãoao café na alimentação humana (CARVALHO, 1982; RISCH NETO, 2004). Outrapossibilidade de utilização do fruto se delineia a partir de pesquisa atualmente emdesenvolvimento pela Embrapa-Agroindústria Tropical. Trata-se da produção de 45
  44. 44. geléia da polpa, que já se encontra em fase de teste sensorial. O caroço poderiafuncionar também como excelente combustível, de interesse, inclusive, dos paísesdesenvolvidos, onde é maior a preocupação com a preservação ambiental. Noentanto, somente o desenvolvimento de pesquisas poderá lançar luzes sobre asdiversas possibilidades de uso que pode ou poderia ter. Foto 10 – Frutos da Carnaubeira Fonte: Autores.3.4 – A Folha (palha) A palha (folha seca), depois da cera, é o produto da carnaúba que tem maisimportância econômica no Nordeste, principalmente na produção artesanal. Aatividade artesanal existe nos três estados produtores, aproveitando a palha naconfecção de inúmeros objetos como tarrafas, escovas, cordas, chapéus, bolsas,vassouras, cestas, assentos de cadeiras e sofás, colchões, redes e esteiras, alémde sua utilização em cobertura de construções rústicas e como adubo, se triturada(Fotos 11, 12 e 13). No Ceará, existem arranjos produtivos de artesanato de carnaúba nosmunicípios de Palhano (conhecida pela alcunha de terra da palha) e Itaiçaba.Ambos municípios possuem tradição na atividade, produzindo artigos comofruteiras, jogos americanos, cestas para café da manhã, porta-copos, travessas,bolsas e cestas, descansos de prato, até luminárias, com preços que variam deR$ 0,25 a R$ 18,00. Nestes arranjos, de acordo com o Ipece (2001; 2002),o governo estadual tem atuado no sentido de organizar e capacitar os artesãos,46
  45. 45. Foto 11 – Confecção Artesanal Foto 12 – Artesanato de Palha em Jericoacoara (CE) de Vassouras em Fonte: Autores. Felipe Guerra (RN)Fonte: Autores. Foto 13 – Coberta com Palha de Carnaúba em Jericoacoara (CE) Fonte: Autores.a fim de solucionar os problemas envolvendo produção, compra de insumos,armazenamento de matéria-prima e produtos finais, capital de giro e comercia-lização dos produtos. As peças apresentadas na Foto 14 são produzidas por um artista francês que viveem Canoa Quebrada (CE). São peças decorativas, confeccionadas a partir do talo da 47
  46. 46. folha de carnaúba. Em entrevista, o artista afirmou que desde 1995 trabalha com talode carnaúba, uma excelente alternativa de material reciclável que permite desenvolvera criatividade, diante da grande riqueza e diversidade de opções de uso. Foto 14 – Peças Decorativas de Talo de Carnaubeira Fonte: Autores. Ainda no Ceará, no Sobral, existe uma concentração de fábricas de chapéusde palha, as quais são responsáveis pela exportação para estados como SãoPaulo e Amazonas, e países como Argentina, Venezuela e Espanha (Foto 15).O chapéu é confeccionado a partir da palha-olho, sendo que, de cada olho, épossível produzir um chapéu simples. Existe uma prática entre empresários daatividade de terceirizar a produção do chapéu cru (ou chapéu bruto). Por meiode um agenciador, o empresário faz a palha chegar a diversos trabalhadores (emgeral, mulheres), os quais produzem as peças em suas residências, no meio ru-ral, recebendo entre 0,25 e R$ 0,65 por cada uma, dependendo do modelo. Jána fábrica, as peças passam por um processo de acabamento antes de seguirempara o mercado consumidor, sendo vendido por preços que variam de R$ 0,40a R$ 2,00, dependendo do modelo. Para garantir a oferta de palha que serve dematéria-prima, alguns empresários financiam rendeiros na fase do corte da folha.O processo de preparação da palha para produção de chapéus é totalmente ma-nual, já que ela, quando submetida à máquina de triturar para extração do pó,fica inutilizada para o artesanato.48
  47. 47. Foto 15 – Chapéus em Fase de Acabamento numa Fábrica Localizada em Sobral (CE) Fonte: Autores. No Rio Grande do Norte, o artesanato de palha de carnaúba predominanas regiões de Trairi e no vale do rio Assu, com trabalhos de destaque nascidades de Assu, Ipanguaçu, Upanema, São Rafael, Pedro Avelino, São José deCampestre, e zona metropolitana de Natal. A carnaúba é uma das maiores fontesde matéria-prima para o artesanato do estado. O processo de preparação da palhaé totalmente manual, desde sua coleta à elaboração de vários tipos de tranças,esteiras e produtos intermediários, que entram na confecção de utensílios de mesa,bolsas, cestas, baús e chapéus (SINE-RN, 2005). Nesse estado, o artesanato de palha de carnaúba teve sua origem nas co-munidades indígenas que habitavam as terras antes da invasão européia. Teve seuapogeu nas décadas de 1930 e 1940, tornando-se uma grande força econômicado Vale do Assu, região onde atualmente se desenvolvem várias culturas atravésdo sistema de irrigação e de muitas riquezas naturais (COUTINHO, 2006). No Piauí, a palha de carnaúba é muito utilizada no artesanato de cestaria, trança-dos e tapetes, no município de Ilha Grande de Santa Isabel. Pedro II é um importantecentro de produção de tecelagem manual no estado, produzindo mantas, tapetese bolsas. Em Parnaíba, no Porto das Barcas, encontra-se artesanato de cestarias,móveis e peças decorativas feitos com talos de carnaúba (Fotos 16 e 17). Outra utilização que pode ter a palha de carnaúba é na indústria de papel.Macedo apud Carvalho (1982), já em 1855, fazia recomendações nesse sentido. 49
  48. 48. Foto 16 – Artesanato de Cestarias e Móveis de Carnaúba (Porto das Barcas, Parnaíba – PI) Fonte: Autores. Foto 17 – Peças Decorativas de Talos de Carnaúba (Porto das Barcas, Parnaíba – PI) Fonte: Autores.No entanto, só recentemente, o assunto despertou o interesse de estudiosos.A professora Tereza Neuma de Castro Dantas, da Universidade Federal do RioGrande do Norte, vem realizando pesquisas com a produção artesanal de papela partir da palha, utilizando a técnica da reciclagem, cujos resultados são anima-dores (Foto 18). Quando triturada, na forma de bagana, a palha pode ser utilizada comoalimentação de ovinos e também como excelente fertilizante agrícola, no preparo50
  49. 49. Foto 18 – Papel Artesanal de Palha de Carnaúba Fonte: Autores.da terra das culturas de subsistência (feijão e milho) e frutícolas. Essa qualidadeela adquire após o processo de secagem ao sol e trituração mecânica. Segundopesquisa conduzida pela Embrapa, o uso da palha ou bagana de carnaúba permiteque o pomar cresça mais rapidamente, com maior uniformidade e precocidade.A bagana decompõe-se rapidamente, apresentando baixa relação entre carbonoe hidrogênio, e assegura maior umidade e menor temperatura do terreno. Destaforma, garante-se a produtividade e a fertilidade do solo, além da melhoria daqualidade da fruta cultivada (SNA, 1999). Da palha, é ainda possível extrair um sal e um álcali (empregado no fabri-co de sabão), sobre os quais pouco se sabe, por falta de estudos específicos(GICO, 1995).3.5 – O Caule (tronco) O tronco da carnaubeira é bastante resistente ao esmagamento e tem gran-de durabilidade em quaisquer obras expostas ou imersas na água salgada. Umavantagem é que não é suscetível ao cupim. Quando maduro, o tronco da carnaubeira também tem grande utilização,principalmente na construção civil, na forma de vigamentos, cata-ventos, mesas,portas, cobertas, caibros e ripas, currais, porteiras e lenha para combustão. Devidoà sua durabilidade na água salgada, pode ser também utilizado na construção depostes, pontes e mourões de cercas. Trabalhado ou serrado, pode ser utilizadona confecção de artefatos torneados (bengalas, utensílios domésticos, caixas) e 51
  50. 50. móveis rústicos, devido à forma cilíndrica retilínea e à resistência de sua madeiraaos agentes naturais (chuvas e salinidade) e biológicos (cupim e outros insetos).Johnson (1972) relata sobre a utilização do tronco também em prensas paramandioca. Em publicações de 1855 e 1867, Macedo apud Carvalho (1982) registra suaadmiração pelo elevado uso que é dado ao tronco da carnaubeira na construçãocivil de algumas cidades cearenses: 2/3 das construções de Aracati, metade dasconstruções de Icó e 1/3 das construções de Crato. No decorrer do século passado, a utilidade da carnaubeira como fonteprodutora de cera se sobrepôs ao seu uso como fonte de madeira, ficando esterestrito à construção civil nas áreas de grande ocorrência natural. A carnaubeira tem tido também muita utilização no paisagismo: em Fortale-za, várias avenidas, espaços de passeio, estacionamento de lojas e condomíniosestão ornamentados com a palmeira, o que supõe, pelo seu lento crescimento,que elas tenham sido transplantadas de seus locais de origem, o que obviamenteanula sua utilidade de produtora de pó e de palhas para o artesanato. É certo quenem sempre os cuidados devidos são tomados no transplante e manutenção dacarnaubeira nos novos locais (como observar o solo em que serão recolocadas),o que pode causar a morte da palmeira.3.6 – A Cera A cera, obtida do pó que recobre as folhas, é considerada o principal produtoda carnaubeira. No passado, teve grande importância como produto de exporta-ção; além disso, foi muito utilizada na iluminação de casas, sob a forma de velas,principalmente no meio rural nordestino. Apesar de ter sido substituída totalmente ou em parte, na composiçãode alguns produtos (Apêndice D), atualmente, a cera ainda é empregada nacomposição de diversos outros. Na área médica, é utilizada em revestimentode cápsulas, cera dental, produtos de tratamento de cabelo e pele. É empre-gada também em cosméticos (batom, rímel e creme de barbear) e produtosde limpeza, filmes plásticos, adesivos e fotográficos; utilizada na confecção devernizes, tintas, esmaltes, lubrificantes, sabonetes, isolantes, graxas de sapatoe para polimento (pisos e carros), bem como na composição de revestimentos,52
  51. 51. laqueadores e impermeabilizantes. Na papelaria, é componente para fabricaçãode papel-carbono, lápis de cera, cola, grafite. Na informática, é componentena confecção de chips, tonners de impressoras e código de barra. Outrasindústrias que a utilizam: alimentícia (polimento de frutas e queijos, goma demascar, doces, refrigerantes); automobilística (capas de assento de automóveise polimento de pintura); cerâmica; explosivos e fósforo (com auxílio do ácidopícrico, substância presente na cera); embalagens de papelão para produtos ali-mentícios e revestimento de latas; frutas e flores artificiais, vegetais desidratados;poliéster; borracha e materiais elétricos (CERA..., 2003; CARNAUBEIRA...,2003; MACHADO E CIA, 2004; RISCH NETO, 2004; PONTES INDÚSTRIADE CERA, 2005). A cera de carnaúba é considerada um produto nobre, tendo os mercadosinterno e externo garantidos, principalmente pela exigência cada vez maior porprodutos naturais e ecologicamente corretos. Além da infinidade de aplicações,a extração da cera não causa danos ao meio ambiente, pois as folhas retiradas nacolheita são repostas no ano seguinte, atendendo também a exigência de algunsmercados por produtos de qualidade e base natural. O custo de oportunidadedo trabalho com a extração também é nulo, já que é praticada no período deentressafra de outras culturas. A cera é refinada de acordo com variadas classificações e utilizada indus-trialmente em diversas áreas, em muitos casos, sem substitutos perfeitos, comrelevância na pauta de exportações do Piauí e figurando também, em menorpercentual, nas pautas do Ceará e Rio Grande do Norte (Gráfico 1). A tendênciano Ceará é de discreta elevação no período 2003-2006, mas sem recuperar arepresentatividade que tinha no final da década de 1990. No Piauí, nos mesmosquatro anos, a tendência é de elevação mais pronunciada da cera na pauta deexportações do Estado, fato que se comprova na atenção que o governo estadualtem dedicado ao produto, que só perdeu espaço no período 2003-2005 emvirtude da elevação nas exportações de soja. No Rio Grande do Norte, tanto a tendência de queda como a irrisória par-ticipação do produto na pauta de exportações, durante os oito anos observados,comprovam a decadência que o extrativismo da carnaúba vem sofrendo no Estado.Aparentemente, é perceptível que a importância do produto na pauta de exporta-ções de cada Estado está relacionada ao grau de conservação da palmeira. Apesar 53
  52. 52. da Carnaúba ser símbolo do Ceará e a derrubada ser proibida por lei, sabe-se queesta acontece para dar lugar a atividades mais lucrativas, cujos produtos tambémestão presentes na pauta de exportações, como a carcinicultura. Já no Piauí, ondese observou grande densidade de carnaubais conservados (mesmo que alguns nãosejam regularmente explorados) a participação da cera na pauta de exportação ébem mais expressiva. Participação da Cera de Carnaúba na Pauta de Exportações de cada Estado Produtor 40,00 Participação percentual 35,00 30,00 25,00 CE 20,00 PI 15,00 RN 10,00 5,00 0,00 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 AnoGráfico 1 – Participação Percentual (em Relação ao Valor Total de Exportações) da Cera de Carnaúba na Pauta dos Três Estados ProdutoresFonte: Brasil. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (2007). A cera produzida artesanalmente é denominada de cera de origem e classifi-cada em três tipos: amarela ou cera olho, obtida a partir do “pó de olho”; arenosae gorda, obtidas do “pó de olho” (Foto 19). A cera arenosa, de cor verde- acin-zentada, contém 6% de água em média; a cera gorda, de cor negro-esverdeada,difere da arenosa por não conter água em sua composição. Na produção industrial, obtém-se uma cera de melhor qualidade, denomi-nada de cera industrial, classificada também em três tipos: Um, Três e Quatro10(Foto 20). Na Tabela 6 (e Gráfico 2) a seguir, observa-se a produção de cera noBrasil nos anos de 1920 a 2006, exceto 1980 a 1989, por falta de dados.De 1920 a 1972, a tendência é de elevação, chegando ao máximo de 22 miltoneladas. Deste ano em diante, a produção começa a cair, chegando ao nível10 A descrição detalhada da classificação da cera encontra-se nos itens 4.3.1 e 4.3.2.54

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