Jorge Amado

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Jorge Amado

  1. 1. JORGE AMADO uma história de amor O GatoMalhado e aAndorinha Sinhá
  2. 2. JORGE AMADO O GatoMalhado e aAndorinha Sinhá <ul><li>Introdução </li></ul><ul><li>Esta é a história de um gato que se apaixona por uma andorinha causando estranheza em todos os outros animais que habitavam um parque. A Andorinha está prometida ao Rouxinol mas, ao mesmo tempo, incentiva o amor do Gato. Acontecem juras, o Gato escreve poemas, eles passeiam juntos enquanto as outras personagens condenam o amor impossível. </li></ul>
  3. 3. Romance <ul><li> </li></ul><ul><li>Quando Jorge Amado escreveu este romance, estava a pensar como prenda de anos para o seu filho mais velho, João, quando completava um ano de idade. Estava ele exilado em Paris, em 1948. </li></ul><ul><li>Chamo-lhe romance devido ao tema que se trata: “uma história de amor” e algumas características apresentadas. Este subtítulo da obra faz-nos imaginar um romance entre as personagens principais, com um carácter dinâmico. É uma narrativa onde há uma mescla entre o diálogo, a narração e a descrição das personagens. O que vamos encontrar é um amor impossível entre um gato e uma ave, inimigos por natureza. </li></ul><ul><li>Mas este romance está impregnado de um outro género narrativo e passo a citar Jorge Amado na sua Dedicatória : “ Ao concordar, em Agosto de 1976, com a publicação desta velha fábula[...].” </li></ul>
  4. 4. O Romance e a Fábula <ul><li>A narrativa utiliza principalmente animais para destacar conclusões moralizantes, a fábula é, antes de mais, uma metáfora de diferentes tipos humanos sociais. </li></ul><ul><li>Existem características da fábula, o cenário é um mundo dos animais, o parque, um lugar delimitado e circundante, onde o tempo está dividido em estações do ano. Cada personagem emite a sua voz na narrativa e representa uma voz social. </li></ul><ul><li>A fábula impõe uma escolha que a Andorinha terá de fazer no fim: ‘o amor de Rouxinol ou o amor do gato?’ Contudo, esta escolha já estava predefinida pelas outras personagens. O seu número de personagens é reduzido, assim como na diversidade de espaços e há uma pequena complexidade da acção </li></ul>
  5. 5. As Categorias da Narrativa Acção <ul><li>A acção principal da história é o desenrolar da paixão entre o Gato e a Andorinha. As suas sequências narrativas são traduzidas numa linearidade, conciliando com o tempo cronológico da história </li></ul><ul><li>Ela começa com quem conhece a história – o Vento – chegando ao ouvido do narrador. Este último conta-nos a paixão através da intensidade das conversas e dos passeios entre as personagens principais. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Tudo se passa à volta da história de amor entre os dois : os comentários das outras personagens, o tempo, a maneira como são tratados e como eles tratam os apaixonados. O clímax está no fim da “Primavera”, onde estes começam a se afastar, dado que a Andorinha estava prometida para o Rouxinol. </li></ul><ul><li>O narrador considera-se um revolucionário na estrutura da narrativa quando este conta o capítulo inicial da obra nos meandros da história: </li></ul>
  6. 6. As Categorias da Narrativa Acção <ul><li>“ [...] Em verdade a história, pelo menos no que se refere à Andorinha, começara antes.[...]Como não posso mais escrevê-lo onde devido, dentro das boas regras da narrativa clássica, resta-me apenas suspender mais uma vez a acção e voltar atrás. É sem dúvida um método anárquico de contar uma história, eu reconheço. Mas o esquecimento pode ir por conta do transtorno que a chegada da primavera causa aos Gatos e aos contadores de histórias.” </li></ul><ul><li>Faz um encaixe de capítulos, cuja narração é interrompida, para ser mais tarde retomada. A história tem um desfecho triste entre as personagens principais, mas termina com a Manhã a ganhar a rosa azul prometida no início da história pelo Tempo. </li></ul>
  7. 7. As Categorias da Narrativa Tempo <ul><li> </li></ul><ul><li>A história principal é narrada de acordo com um tempo cronológico : as estações do ano e de acordo com os sentimentos das personagens principais. Na Primavera , o Gato e a Andorinha conhecem-se. </li></ul><ul><li>No Verão o Gato apercebe-se que está apaixonado pela Andorinha e fica com ciúmes por ela sair com o Rouxinol. No Outono , o Gato sofre com as outras personagens, devido à má fama que o Gato tivera no passado (mau, rabugento, perigoso, temido). Escrevia poemas, para a amada, de modo apaixonado, nostálgico. O Inverno é caracterizado pela separação dos amantes – a tristeza, de certo modo, acompanha-os. </li></ul><ul><li>O Narrador altera a ordem cronológica ao utilizar algumas analepses e prolepses, que servem como uma narração abreviada para explicar melhor algum assunto. É o caso do “Capítulo inicial, atrasado e fora do lugar”. O próprio narrador é inteligente ao dizer que foi “por um erro de estrutura ou por moderna sabedoria literária”. </li></ul>
  8. 8. As Categorias da Narrativa Espaço - físico, social e psicológico. <ul><li>O espaço físico da história é um parque, onde as personagens se movem, visto com muita clareza pelas personagens: é o lugar onde eles vivem. </li></ul><ul><li>Em termos de espaço social , diríamos que o Gato é um vagabundo, que vive no parque, livre de impedimentos porque todos o temiam. A Andorinha já é uma “flor de estufa”, muito bem protegida pela sua classe social, a classe social alta. Diria que seria um amor impossível também devido às suas diferenças de classes sociais </li></ul><ul><li>Quanto ao nível psicológico , o Gato Malhado sofre uma experiência que lhe abrir as portas para as recordações, a memória de uma paixão idealizada, romântica e sofrida. Esse sofrimento fá-lo crescer no seu interior. </li></ul>
  9. 9. As Categorias da Narrativa Narrador <ul><li>Narrador </li></ul><ul><li>Não participa da história. Ele é heterodiegético, ou seja, é totalmente alheio aos acontecimentos que narra. Por isso, a sua narração é feita na 3ª pessoa: </li></ul><ul><li>“ A história que a Manhã contou ao Tempo para ganhar a rosa azul foi a do Gato Malhado e a Andorinha Sinhá; [...] Eu a transcrevo aqui por tê-la ouvido do ilustre Sapo Cururu [que contou o caso] para provar a irresponsabilidade do amigo [...].” </li></ul><ul><li>O seu ponto de vista é de uma focalização externa, onde o narrador é um mero observador, exterior aos acontecimentos. Narra aquilo que pode apreender através dos sentidos: ele não penetra no interior das personagens. </li></ul>
  10. 10. Personagens <ul><li>Cada animal tem uma carga simbólica bem definida. A caracterizações das personagens é feita ou pelas outras personagens ou pelo narrador.  </li></ul><ul><li>Gato Malhado Personagem principal. olhos pardos que reflectiam maldade, feio, corpanzil forte e ágil, de riscas amarelas e negras. Tinha meia-idade, egoísta, mau humorado, convencido. Vivia como se fosse um vagabundo, carente de carinhos. A caracterização indirecta verifica-se pela maneira como as personagens reagiam após o Gato ter conhecido a Andorinha, porque, até então, ninguém lhe dava atenção e afecto. Escrevia-lhe sonetos (plagiados), falava bem com aqueles que ele tratava mal. Mesmo assim, a sua fama de mau persegue-o até ao fim da obra. </li></ul>As Categorias da Narrativa
  11. 11. As Categorias da Narrativa Personagens <ul><li>Andorinha Sinhá Personagem principal. A Andorinha é risonha, alegre, aventureira, bela, gentil, uma jovem que adora conversar e mantinha boas relações com todos. A sua vida era cristalina até que conheceu o Gato Malhado. A Andorinha viu-o como um desafio: ouvira falar muito mal dele, e até fora proibida de chegar perto dele, mas essa situação aguçou-lhe mais a vontade de conhecê-lo melhor. O narrador acha-a “louquinha” por esta querer falar com o inimigo.  </li></ul>
  12. 12. As Categorias da Narrativa Personagens <ul><li>Cobra Cascavel Figurante. É um animal que, por si só, tem uma carga simbólica poderosa e importante. É o animal mais temível de todos. Morava fora do parque e foi afugentada pelo Gato. </li></ul>
  13. 13. As Categorias da Narrativa Personagens <ul><li>Manhã e Tempo A Manhã é vista como uma figurante. É uma funcionária relapsa, preguiçosa, fanática por uma boa história, distraída, sonhadora. Ela apaga as estrelas e acende o Sol.  </li></ul><ul><li>O Tempo, também figurante, é o Mestre de tudo e de todos. </li></ul>
  14. 14. As Categorias da Narrativa Personagens <ul><li>Rouxinol Personagem secundária. É belo, gentil, raça volátil. É o professor de canto da Andorinha e pretendente. É com ele que a Andorinha vai casar. Ele desperta ciúmes no Gato, porque é uma ave. </li></ul>
  15. 15. As Categorias da Narrativa Personagens <ul><li>Reverendo Papagaio Personagem secundária. Tinha passado algum tempo num seminário e dava aulas de religião. Por debaixo da capa religiosa, é um hipócrita, covarde e devasso, que fazia propostas indecentes ao público feminino. É o único que falava &quot;a língua dos homens&quot;. </li></ul>
  16. 16. As Categorias da Narrativa Personagens <ul><li>Galo Don Juan de Rhode Island Personagem secundária. O Galo, polígamo, “maometano”, devasso orgulhoso (nota-se até no nome!). Foi o juiz do casamento da Andorinha e do Rouxinol. </li></ul>
  17. 17. As Categorias da Narrativa Personagens <ul><li>Sapo Cururu Personagem secundária. Companheiro do Vento, o Sapo é quem conta a história da obra ao narrador. Ele é visto como um ilustre, um intelectual, um académico, que vai denunciar para o leitor que o Gato plagiou sonetos.  </li></ul>
  18. 18. As Categorias da Narrativa Personagens <ul><li>Cães Figurantes. Serviam para ajudar a compor o ambiente do parque. </li></ul><ul><li>Pata Pepita e o Pato Pernóstico São figurantes. Ajudam a compor o ambiente no que diz respeito à vida social do parque. Uma das frases que eu acho importante para ilustrar a condenação do amor do Gato e da Andorinha vista pelas personagens é dita pela Pata: “pata com pato, [...] andorinha com ave, gata com gato”. </li></ul><ul><li>Pombo-Correio Personagem secundária. Fazia longas viagens, levando a correspondências do parque. Tinha boa índole, mas era visto como um tolo porque a Pomba-Correio traia-o com o Papagaio </li></ul>

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