Aplicação de defensivos agrícolas

39,475 views
39,230 views

Published on

Published in: Technology

Aplicação de defensivos agrícolas

  1. 1. UFMT-UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO FAMEV-FACULDADE DE AGRONOMIA E MEDICINA VETERINÁRIA CURSO DE AGRONOMIA TECNOLOGIA DE APLICAÇÃO DE DEFENSIVOS AGRÍCOLAS Marcos Ferreira da Costa – ENGº AGRÔNOMO – UFMT/AGOSTO 2009Tecnologia de Aplicação de Agroquímicos O aumento da população mundial exige da agricultura cada vez maiseficiência e competitividade. À medida que as áreas cultivadas foram setornando maiores, a quantidade de produtos químicos utilizada no controle depragas e doenças foi aumentando. Entretanto, devem ser considerados os efeitos da produção, formulação,transporte, manuseio, armazenamento e aplicação dos agroquímicos agrícolassobre o meio ambiente, visto serem a maioria deles poluidores oucontaminantes ambientais, quando mal manejados.3 O emprego de agroquímicos apresenta dois pontos cruciais para oambiente: eles são biocidas e alguns muitos persistentes, podendo sertransportados para outros locais por água e vento, por exemplo, e tambémacumular na cadeia alimentar.3 As ciências diretamente relacionadas, Entomologia, Fitopatologia,Matologia, Acarologia, Nematologia, etc., fornecem as informações necessáriaspara se lançar mão das diferentes formas de controle do problemafitossanitário. Uma vez optado pelo controle químico, em época correta de seuuso, cabe ao processo de aplicação garantir que o controle seja efetuado comeficiência, economia e segurança.3 Muito se tem escrito sobre os agroquímicos disponíveis, seus efeitos naspragas, doenças e nos organismos que não sãoo alvo, porém pouco sobre como devem ser aplicados de forma segura ecorreta. 1 A falta de treinamento das pessoas envolvidas na aplicação dessesprodutos e o desconhecimento da ação dos mesmos sobre o organismohumano e sobre o ambiente têm resultado no aumento dos riscos à saúdehumana, bem como na agressão ao meio ambiente. A aplicação de agroquímicos quando feita de maneira errada sempre ésinônimo de prejuízo, além de gerar desperdício, pode causar resistência eaumentar os riscos de contaminação de pessoas e do ambiente.2 1
  2. 2. Até 70% dos produtos pulverizados nas lavouras podem ser perdidospor má aplicação, escorrimento e deriva descontrolada.2 A aplicação de agroquímicos é multidisciplinar, vai além do homem queopera o pulverizador, envolve agrônomos, biólogos, químicos, economistas,engenheiros, médicos e físicos. 1Conceitos básicosAo final desse módulo você será capaz de:*Entender a finalidade da aplicação de agroquímicos 2
  3. 3. *Definir e entender os principais conceitos utilizados na tecnologia deaplicação*Entender características das gotas pulverizadas como diâmetro,espectro e densidade A aplicação eficiente tem como finalidade a colocação do produto noalvo para que o mesmo atue com a esperada eficácia. A determinação da dosagem e dos procedimentos operacionais estádiretamente relacionada com a economia. Finalmente a proteção dos aplicadores, dos consumidores dos produtosproduzidos na área tratada e do próprio ambiente está intrinsecamente ligadosà segurança. O objetivo de toda aplicação de agroquímicos para o controle de pragas,doenças e plantas infestantes é cobrir o alvo com a máxima eficiência e omínimo esforço. A primeira fase, essencial em todo o processo, é a identificação do alvobiológico, sendo este um dos aspectos mais negligenciados das operações deaplicações de agroquímicos. Além da indefinição do “alvo biológico”, ou seja, do exato local ondedeverá ser aplicado o produto químico, os agricultores em geral se defrontam,com frequência, com vários problemas que dizem respeito à tecnologia deaplicação de agroquímicos. Escolha de pontas, determinação de volume depulverização, seleção adequada do equipamento, calibração e manutenção sãodúvidas frequentes no campo.Alguns conceitos básicos são importantes para um melhor entendimento datecnologia de aplicação. São eles: • Vazão • Pressão • Volume de pulverização • Dose • Faixa de deposição • Diâmetro de gota • Densidade de gota • Espectro de gotas • DerivaVeremos a seguir cada um desses itens detalhadamente.Vazão 3
  4. 4. Vazão: quantidade, em volume, por unidade de tempo. Em hidráulica ou em mecânica dos fluidos, define-se por vazão, ovolume por unidade de tempo, que se escoa através de determinada seçãotransversal de um conduto livre (canal, rio ou tubulação com pressãoatmosférica) ou de um conduto forçado (tubulação com pressão positiva ounegativa). Isto significa que a vazão é a rapidez com a qual um volume escoa.4 É o volume de determinado fluido que passa por uma determinadaseção de um conduto por uma unidade de tempo.Na aplicação de agroquímicos a unidade usualmente adotada é litros porminuto (l/min), embora existam outras unidades: • m3/s - Metro cúbico por segundo • m3/h - Metro cúbico por hora • l/s - Litro por segundo • l/h - Litro por hora • ft3/s - Pé cúbico por segundo • gal/s - Galão (US) por segundo • gal/min - Galão (US) por minuto (gpm)A vazão de cada ponta varia de acordo com a suas características de fabricação, apressão de serviço.PressãoPressão: força aplicada a uma superfície, por unidade de área. A pressão ou tensão mecânica (símbolo: p) é a força normal(perpendicular à área) exercida por unidade de área.4A unidade no sistema internacional (SI) para medir a pressão é o Pascal (Pa).A pressão exercida pela atmosfera ao nível do mar corresponde aaproximadamente 101 325 Pa (pressão normal), e esse valor é normalmenteassociado a uma unidade chamada atmosfera padrão (símbolo atm). A pressão relativa define-se como a diferença entre a pressão absoluta ea pressão atmosférica. Os aparelhos destinados a medir a pressão relativa sãoo manômetro e também o piezômetro. A pressão atmosférica mede-se com um barômetro, inventado porTorricelli. Atmosfera é a pressão correspondente a 0,760 m de Hg de densidade13,5951 g/cm³ e numa aceleração da gravidade de 9,80665 m/s2 Psi (pound per square inch), libra por polegada quadrada, é a unidadede pressão no sistema inglês/americano: 1 psi = 0,07 bar ;1 bar = 14,5 psiEm tecnologia de aplicação, utilizam-se principalmente as unidade Bar e Psi. 4
  5. 5. Volume de pulverizaçãoVolume de pulverização: quantidade de solução (água + defensivo)distribuída, por unidade de área (L/ha). A tendência atual é reduzir o volume de líquido aplicado, o que leva ànecessidade de gotas menores para melhor cobertura. No entanto, a utilização de gotas pequenas aumenta o risco de deriva,por outro lado, gotas muito grandes acarretam desperdício de defensivo, osquais podem ser depositados em excesso nas superfícies externas dasplantas, não atingindo os pontos internos, ou se perdem por escorrimento. A redução do volume de pulverização leva à necessidade de umatecnologia mais apurada, tanto por parte do construtor do equipamento, quantopor parte do técnico envolvido na aplicação.Se o volume for menor do que o necessário, a cobertura pode não ser satisfatória, e sefor maior poder haver escorrimento que implica em desperdício de produto e possíveisdanos a natureza.DoseDose: quantidade de produto (agroquímico), em peso ou volume,distribuído por unidade de área (kg/ha ou Litro/ha).Varia de acordo com o ALVO, produto e com o objetivo da aplicação. Suadeterminação é feita pelo Engenheiro Agrônomo responsável.Faixa de deposiçãoFaixa de deposição: largura da área tratada relativa a uma passada doequipamento. Define a quantidade de princípio ativo ou de gotas aplicadas por unidadede área, ao longo de uma faixa tratada longitudinal e transversalmente. Essa distribuição de gotas na faixa é de grande importância na análisede um tratamento. A melhor distribuição é aquela que acompanha o mais próximo possívela localização da praga ou doença a ser controlada e o faz de maneira contínua. 5
  6. 6. Dizemos que uma faixa de deposição é descontínua quando numamesma área tratada, encontramos pontos em que a deposição do princípioativo ou a quantidade de gotas depositadas é diferente.Diâmetro de gotaDiâmetro de gota: tamanho da gotas, expresso por seu diâmetro, emmícrons (1/1000 mm). A nuvem de gotas pode ser formada ou composta de gotas grandes e/oupequenas, homogêneas ou não. Para se expressar numericamente o tamanho das gotas ou ascaracterísticas do fluxo pulverizado, utiliza-se em geral como parâmetro, odiâmetro da mediana volumétrica (DMV). DMV é o diâmetro da gota que divide o volume aplicado por uma ponta,em duas partes iguais. Uma constituída de gotas menores e outra constituídade gotas maiores que o DMV.Aplicação eficiente requer cobertura adequada da superfície-alvo com gotas de tamanhoapropriado. No caso de serem produzidas gotas muito grandes, superiores a 800 µm,não ocorre boa cobertura da superfície, tampouco boa uniformidade de distribuição. Asgotas muito grandes, pelo seu peso, normalmente não se aderem à superfície da folha eterminam no solo. No caso de gotas muito pequenas, geralmente ocorre boa coberturasuperficial e uniformidade de distribuição da calda, mas essas gotas podem evaporar emcondições de baixa umidade relativa ou serem levadas pela corrente de ar.Densidade de gotasDensidade de gotas: número de gotas por unidade de área. 6
  7. 7. Esse parâmetro tem grande importância no controle de pragas, doençase plantas infestantes.Como parâmetros indicativos, utilizam-se as seguintes coberturas paraprodutos não sistêmicos ou de baixa translocação, atendendo ainda ascondições climáticas existentes: • Herbicida - 20 a 30 gotas/cm2 com diâmetros de 200 a 300 micra. • Inseticida - 50 a 70 gotas/cm2 com diâmetros de 50 a 200 micra. • Fungicida - 70 a 100 gotas/cm2 com diâmetros de 100 a 200 micra. À medida que se reduz o volume de aplicação, a tendência é utilizar gotasmenores. O número e tamanho de gotas que se depositam por unidade de área dosolo ou da superfície foliar desempenha um papel preponderante na eficáciadas aplicações.Espectro de gotasEspectro de gotas: variabilidade no tamanho das gotas produzidas porum equipamento de pulverização. É a classificação das gotas por tamanho, em percentagem de volume oude número de gotas, o qual pode ser homogêneo, quando todas as gotas sãodo mesmo tamanho, ou heterogêneo, quando o tamanho das gotas é diferente. Uma pulverização com espectro de gotas heterogênea resultará por umlado, em gotas grandes que escorrerão pelos alvos, representando perda deproduto químico e poluição ambiental e por outro lado, em gotas pequenas queserão levadas pelos ventos (deriva) e finalmente uma quantidade pequena degotas que será aproveitada. Uma aplicação técnica requer um espectrohomogêneo de gotas. Os principais fatores que influenciam o espectro de gotas produzidas pordeterminado ponta são: vazão nominal, ângulo de pulverização, pressão dolíquido, propriedades da calda e tipo de ponta.DerivaDeriva: desvio da trajetória das partículas liberadas pelo equipamento. Quando as partículas não atingem o alvo, provocam uma perda, quandoessa ocorre dentro da cultura (material que não é coletado pelas folhas e cai nosolo), pode ser considerada como endoderiva (ou deriva tolerável), enquanto 7
  8. 8. que as perdas para fora da área tratada podem ser consideradas devido à exoderiva (ou deriva intolerável). De qualquer maneira, a intensidade da deriva está relacionada com o tamanho da gota, da distância que foi liberada em relação ao alvo, a sua velocidade de lançamento e da velocidade do vento. Quando se trabalha com caldas aquosas, os problemas de evaporação e deriva devem ser analisados em conjunto, uma vez que à medida que perde peso por evaporação, a gota fica mais sujeita ao arrastamento pelo vento, podendo inclusive desaparecer por completo antes de chegar ao alvo. Evaporação* A água é o diluente (líquido usado para reduzir a concentração do ingrediente ativo de uma formulação para a aplicação), mais comumente utilizado nas pulverizações. Porém, a água apresenta uma pressão de vapor relativamente alta, fazendo com que haja uma diminuição do volume da gota produzida. A intensidade da evaporação depende de vários fatores, dos quais os mais importantes são: (a) a proporção de líquidos não voláteis ou partículas sólidas existentes na mistura; (b) temperatura e umidade do ar e a velocidade do vento; (c) tamanho da gota e (d) o tempo que a gota permanece no ar. À medida que a água vai evaporando, as gotas diminuem de peso e, portanto, reduzindo a possibilidade de impactar o alvo. Gotas do mesmo tamanho podem ter comportamentos diferentes, se diferentes forem as condições ambientais, como mostram os dados da tabela abaixo. Portanto, a observação das condições de temperatura e umidade relativa do ar é muito importante para uma aplicação correta.Comportamento de gotas de diversos tamanhos, em diferentes condiçõesambientais:Diâmetro tempo até distância de tempo até distância deinicial (mm) extinção (s) queda (m) extinção (s) queda (m) 50 12,5 0,13 3,5 0,032 100 50 6,7 6,7 1,8 200 200 81,7 81,7 21 Temperatura = 20,0 ºC Temperatura = 30,0 ºC ∆ t = 2,2 ºC ∆ t = 7,7 ºC U. R. = 80,0 % U. R. = 80,0 % Uma das relações matemáticas para a previsão do tempo de vida t (em segundos) de uma gota em função do seu diâmetro d (em micrometros) e das condições ambientais (depressão psicrométrica, isto é, a diferença entre as temperaturas indicadas pelos termômetros de bulbo seco e de bulbo úmido), é a seguinte: 8
  9. 9. Tempo de vida da gotasO que afeta a aplicação?Ao final desse módulo você será capaz de:*Conhecer e entender os fatores que interferem na aplicação deagroquímicos e suas interelações*Saber classificar uma pulverização segunda as normas do ConselhoBritânico de Proteção de CulturasAlguns fatores devem ser analisados antes e durante a aplicação deagroquímicos, para se obter uma máxima eficiência: • Clima • Solo • Alvo • Princípio ativo • MáquinaVeremos a seguir cada um desses itens detalhadamente.Clima Fatores climáticos, como temperatura, umidade relativa do ar evelocidade do vento, devem ser monitorados, com o objetivo de se escolher omomento ideal de aplicação. Altas temperaturas, baixas umidades e fortes ventos constituem-se emcondições propícias à evaporação e à deriva. 9
  10. 10. Fonte: TeeJet Desta forma, as aplicações devem ser realizadas, preferencialmente,nas primeiras horas da manhã, ou no final do dia. De maneira geral, deve-se seguir as seguintes recomendações para aescolha do momento ideal de pulverização: • Velocidade do vento entre 3 e 10 km/h, • Temperatura máxima entre 27 e 30° C • Umidade relativa do ar superior a 60% Quando não for possível seguir essas recomendações, a aplicação deve serprecedida de maiores cuidados, para se evitar a perda do defensivo, seja porevaporação ou deriva. A escolha de ponta de pulverização “anti-deriva” e da pressão ideal detrabalho são exemplos de cuidados que devem ser tomados durante asaplicações de defensivos em condições ambientais desfavoráveis. Utilizaçãode adjuvantes anti-deriva e assistência de ar também contribui para umaaplicação mais segura.Solo A textura do solo pode influenciar na dose do produto a ser utilizada,principalmente em defensivos que visam ao solo. Geralmente as doses para solos argilosos são maiores que para solosarenosos, já que os argilosos possuem maior quantidade de colóides, queinibem o princípio ativo de alguns defensivos. 10
  11. 11. Outro fator importante é a topografia. Em áreas declivosas, pode-setornar inviável a aplicação com máquinas tratorizadas, uma vez que asegurança da operação pode ficar bastante comprometida.Alvo Aquilo que foi escolhido para ser atingido pelo processo de aplicação(planta hospedeira ou suas partes, organismo nocivo, planta infestante, soloetc.). Em função do tipo desse alvo, a pulverização a ser produzida deverá tercaracterísticas específicas para melhor atingi-lo. Dessa forma, uma aplicação de herbicida (em pré-emergência) sobre osolo, é mais fácil de ser feita quando comparada com a de um inseticida decontato, quando o inseto a ser controlado fica na superfície inferior das folhas.Por outro lado, a praga, pode estar disponível ou exposta em temporelativamente curto ou em locais diferentes durante o processo. Oconhecimento do ciclo evolutivo da praga e também da planta cultivada é umaspecto importante para a definição da estratégia de controle. Assim sendo, o defensivo deve ser usado da forma mais eficientepossível, o alvo real tem que ser definido em termos de tempo e espaço, demaneira a ser aumentada a porcentagem de produto que o atinge em relaçãodaquilo que foi emitido pela máquina aplicadora. As principais características a serem observadas referem-se ao local,tamanho, mobilidade e forma de propagação.Um bom conhecimento do alvo permite escolher a técnica de aplicação, oequipamento, a periodicidade e o defensivo a ser utilizado.Princípio Ativo O princípio ativo é o componente tóxico do defensivo nas formulaçõescomerciais. Atualmente, existe no mercado uma infinidade de produtos que devemser analisados criteriosamente quanto à dosagem, à técnica de aplicação, àforma de atuação e à formulação.Máquina O sucesso de uma aplicação fitossanitária depende da regulagem, damanutenção e das características operacionais da máquina aplicadorautilizada. Grande importância tem sido dada ao agroquímico e pouca à técnica deaplicação. A utilização de equipamento adequado e em boas condições é fatorprimordial para obtenção dos resultados desejados. 11
  12. 12. População de gotas Uma aplicação eficiente pressupõe uma perfeita cobertura da superfíciee uma distribuição uniforme das gotas produzidas.Caso se utilize um bico depulverização que produza gotas muito grandes, não haverá uma perfeitacobertura da superfície e tampouco haverá uma boa uniformidade dedistribuição, a não ser que se utilize grande volume de líquido. Trabalhandocom gotas menores, consegue-se, geralmente, uma melhor coberturasuperficial e uma maior uniformidade de distribuição. As gotas muito grandes, devido ao seu peso, terminam no solo porescorrimento. As gotas muito pequenas podem evaporar em condiçõesclimáticas de baixa umidade relativa, ou serem levadas pela corrente de ar,provocando a perda de produto devido ao fenômeno da deriva. Na figura abaixo é possível verificar que, dividindo uma gota grande de400 µm de diâmetro em gotas de 200 µm, obtém-se oito gotas, com a mesmaquantidade de água. Se dividirmos essa mesma gota de 400 µm em gotas de50 µm é possível obter 512 gotas. Isso demonstra que é possível obter boacobertura, mesmo trabalhando com pequenos volumes de pulverização. Em aplicações de fitossanitários deve-se cuidar para que não apareçamgotas nem muito grandes, nem muito pequenas. Os estudos têm demonstradoque gotas menores que 100 µm são arrastadas com facilidade pelo vento esofrem deriva (MARQUEZ, 1997 e LEFEBVRE, 1989). Da mesma forma, nãose recomenda utilizar gotas maiores que 800 µm, devido a sua facilidade emescorrer. De acordo com o tipo produto a aplicar é possível definir um númeromínimo de gotas por unidade de superfície. Geralmente, no caso de culturas debaixo porte, recomenda-se utilizar os tratamentos de acordo com o Quadro 1.QUADRO 1 – Recomendação da população de gotas para os tratamentos emculturas de baixo porte 12
  13. 13. VOLUME DE CALDA COBERTURA PRODUTO TRATAMENTO (L/ha) (gotas/cm2) Pré-plantio 200-500 20-40 Herbicidas Pré-emergência 150-300 20-30 Pós-emergência 150-300 30-40 Inseticidas 300-400 20-30 Fungicidas 300-400 50-70 De modo geral, não se recomenda aplicar um volume de calda acima de400 L/ha, nem abaixo de 100-150 L/ha, sem um monitoramento rigoroso dascondições climáticas principalmente.Classificação das aplicações Um dos aspectos importantes no manejo das pulverizações em relaçãoà deriva está relacionado com o conhecimento do espectro de gotas. Com oobjetivo de estabelecer um sistema pragmático de classificação qualitativa deuma população de gotas, o Conselho Britânico de Proteção de Culturas (BritishCrop Protection Council - BCPC), na Inglaterra, desenvolveu um sistema declassificação das pulverizações geradas pelos diferentes equipamentos,levando-se em consideração a propensão das mesmas em produzir deriva. Foram sugeridas cinco categoria de “Qualidade de Pulverização”: MuitoFina (Alta Deriva); Fina (Média Deriva); Média (Baixa Deriva); Grossa (MuitoBaixa Deriva) e Muito Grossa (Extrema Baixa Deriva). Esse sistema baseou-sena análise do espectro do tamanho de gotas comparado com determinadostipos de bicos usados como referências para o limite entre categorias. Oespectro de gota dos bicos a serem analisados deve ser medido com o mesmoequipamento, condições e ao mesmo tempo que os bicos de referência. Pulverizações limites entre as categorias de qualidade de pulverização de acordo com o critério do Conselho Britânico de Proteção de Culturas. 13
  14. 14. Categorias de Qualidade de Pulverização de acordo com a B.C.P.C.(*) Dados baseados nas pontas de pulverização de jato plano da série XR TeeJetChristofoletti, 1999.Equipamentos para aplicação de agroquímicosAo final desse módulo você será capaz de:*Conhecer os equipamentos para aplicação de agroquímicos*Entender o princípio de funcionamento, de forma a permitir o seu correto*funcionamento e manutençãoEquipamentos para aplicação de agroquímicos 14
  15. 15. Existem no mercado diversos tipos de equipamentos para aplicação dedefensivos, cada um com suas características de funcionamento.Para o agricultor é importante saber as vantagens e desvantagens da utilizaçãode cada equipamento, de forma a obter o melhor desempenho e menor custode utilização.Pulverizadores hidraúlicos São equipamentos capazes de fragmentar o líquido em gotas devido apressão exercida sobre a mistura (água + produto), proveniente de uma bombahidráulica.Exemplos de pulverizadores hidraúlicos: • Pulverizador costal manual • Pulverizador motorizado • Pulverizador de barraPulverizador costal manual Fonte: Empresa Jacto 15
  16. 16. Recomendado para aplicação de defensivos em pequenas áreas, oude uso doméstico, para aplicação de inseticidas em plantas ou animais. É constituído por um pequeno depósito e uma bomba de pistom,acionada pelo operador através de uma alavanca. A bomba de pistom possuiduas válvulas. A válvula inferior deixa passar líquido do depósito para dentro dacamisa do cilindro. A válvula superior, localizada na ponta do pistom, admite olíquido da camisa do cilindro para dentro da câmara de compressão, formadapor um cilindro oco. Durante a utilização desses pulverizadores, é necessária a verificaçãodessas válvulas, bem como de seu estado de conservação. Além dessasválvulas, existe uma bucha de couro ou plástico fixada na ponta do pistom, quetem uma influência muito grande no perfeito funcionamento do pulverizador. Écomum ocorrer o seu endurecimento devido à falta de lubrificação correta ouao prolongado tempo de uso.Alguns cuidados devem ser observados durante as operações com essesequipamentos: 1. Manter sempre uma velocidade constante de caminhamento durante a aplicação; 2. Manter sempre a pressão constante com acionamento da bomba cadenciado, ou utilizar válvula de pressão constante. As principais perdas com este equipamento estão relacionadas à falta decontrole do tamanho das gotas, à escolha incorreta das pontas depulverização, não conseguindo a densidade necessária para o controle químicoem situações adversas de umidade relativa baixa e temperaturas altas, e avazamentos. 6Pulverizador motorizado É uma máquina utilizada principalmente para aplicação de defensivosagrícolas em culturas anuais ou perenes. Também é muito utilizado naaplicação de agroquímicos em áreas urbanas ou em instalações para criaçãode animais. Possui um motor elétrico ou de combustão interna para acionamento dabomba hidráulica. É constituído por uma estrutura suporte, onde estão fixados o motor,bomba de êmbolos, regulador de pressão e pistolas de pulverização commangueiras flexíveis. O reservatório é independente e possui sistema deagitação. Montado nessa estrutura, pode ter rodas, podendo ser tracionadopelo homem, animal ou trator.5 16
  17. 17. Pulverizador de barraConstitui um dos pulverizadores mais utilizados na agricultura, principalmenteem grandes áreas. É constituído, geralmente, por um chassi, um depósito para colocaçãoda mistura de defensivo, uma bomba, uma câmara de compensação, comandocom registro de múltiplas saídas com alavanca, válvula reguladora de pressão,manômetro, filtros, agitador de calda, mangueiras flexíveis e barra depulverização, onde são montados os bicos hidráulicos. O circuito hidraúlico da maioria do pulverizadores é representado noesquema abaixo: Adaptado de: Empresa TEEJET O chassi no pulverizador de arrasto (ligado a barra de tração do trator)tem rodado alto, para possibilitar um vão livre adequado e bitola regulável. No 17
  18. 18. pulverizador montado (ligado ao sistema de três pontos) há pontos de engatepara o acoplamento e pontos de apoio para estacionamento. O reservatório apresenta capacidade volumétrica bastante variável. Osde maior capacidade possuem quebra-ondas no seu interior. Na parte superiordo tanque há uma abertura, por onde se faz o reabastecimento, inspeção elimpeza do interior do mesmo. É provido de filtro de malha fina e resistente, oude metal perfurado. O material de construção do reservatório pode ser polietileno de altadensidade, principalmente nos menores, e resina de poliéster com reforços emfibra de vidro ou fibra de vidro com revestimento interno de resina, nos demaior capacidade. Podem ter indicadores de nível na sua parede ou commangueira transparente externa. O agitador de calda pode ser hidráulico ou mecânico, sendo que, namaioria dos pulverizadores, os dois funcionam conjuntamente. Na agitação hidráulica, utiliza-se o retorno do líquido da bomba, quepassa pelo regulador de pressão, fazendo-o sair através de um tubo rígidoinstalado no fundo do reservatório e longe do bocal de sucção da bomba. Olíquido pode vir também por uma derivação dos bicos. A agitação mecânica normalmente é realizada por uma ou mais hélicesou pás, montadas em uma árvore paralela e próxima a parede do fundo doreservatório. Essa agitação por vezes, é auxiliada pela existência de quebra-ondas no interior do reservatório. A bomba é um dos órgãos essenciais do pulverizador. Pode seracionada pela tomada de potência do trator ou pelo sistema hidráulico. A câmara de compensação amortece as pulsações causadas pelasbombas de pistão, permitindo leitura constante do manômetro. Com bombas dotipo centrífuga por exemplo, não há necessiade desta câmara. O conjunto de comandos deve estar ao alcance do operador. Constitui-se de registros de múltiplas saídas com alavanca de controle, válvulareguladora de pressão e manômetro. O número de vias de saída é variável edepende principalmente do tamanho da barra do pulverizador. As tubulações são estruturas flexíveis de plástico ou de borracha,reforçados. São utilizadas para fazer a ligação entre os vários órgãos dopulverizador. Em alguns equipamentos utilizam-se barra húmidas, em que olíquido é deslocado junto a barra e sua parte interna. Os filtros são elementos protetores do circuito hidráulico, retirando domesmo eventuais impurezas. São posicionados na abertura de abastecimentodo reservatório, na sua saída, no início de cada seção da barra e junto aosbicos. 18
  19. 19. A barra de pulverização constitui-se na estrutura de suporte dasmangueiras e bicos. Normalmente é construída em estrutura metálica ou PVC,de seção quadrangular ou circular, podendo alcançar cerca de 30 m decomprimento. Normalmente é articulada em seções para recolhimento duranteo transporte. Pode apresentar mecanismo nivelador e dispositivo de segurançacontra choques em obstáculos. Alguns equipamentos mais modernos possuemsensores de altura que controlam automaticamente a distância da barra emrelação ao alvo. As mangueiras são normalmente de plástico flexível com reforços denáilon. Na traseira do pulverizador pode haver carretéis ou enroladores pararecolher as mangueiras. Os bicos são constituídos por corpo, capa, filtro e ponta. Os jatosproduzidos apresentam configuração em leque ou em cone, segundo o tipo deponta. O reabastecedor consta de um bocal específico para a sucção de águalevando-a da fonte para o reservatório. Há duas mangueiras, sendo uma a queune a bomba e outra que liga a bomba ao reservatório.Os pulverizadores de barra podem ser do tipo: • Pulverizadores montados e de arrasto • Pulverizadores autopropelidosPulverizadores montados e de arrasto A maior parte dos pulverizadores montados (ligados ao sistemahidráulico do trator) e de arrasto (ligados a barra de tração do trator) possuemtodos os componentes semelhantes, mudando apenas em forma e tamanho. Os pulverizadores montados em tratores, conhecidos também por“pulverizadores de três pontos”, normalmente são equipados com barras de 12a 16 metros de comprimento e operam em velocidades de 5 a 8 km/hora. Sãogeralmente encontrados no mercado brasileiro com capacidade de carga deagroquímicos entre 400 a 800 litros. 19
  20. 20. Pulverizador montado Os pulverizadores tracionados ou de arrasto, normalmente, sãoequipados com barras de 18 a 24 metros de comprimento e operam emvelocidades de 6 a 10 km/hora. São encontrados no mercado brasileiro emgeral com capacidade de carga de agroquímicos entre 1.000 a 3.000 litros. Pulverizador de arrasto Levando-se em consideração as especificações técnicas dessespulverizadores tratorizados montados e tracionados, seria possívelteoricamente, desenvolver um rendimento diário de área aplicada em torno de60 a 80 hectares por dia pelos tracionados e de 30 a 40 hectares aplicadospelos pulverizadores de três pontos. No entanto, devido aos vários problemas de planejamento e logísticadurante as operações de controle químico com esses pulverizadores, a maior 20
  21. 21. parte deles não consegue chegar a 50% desse rendimento operacionalestimado.6 Entre os problemas mais comuns relacionados a pulverizadoreshidráulicos estão a falta de um manômetro funcionando, bicos de pulverizaçãoentupidos, desgastados ou danificados, corpo de bico simples sem a presençada válvula anti-gotejante, abraçadeiras de corpo de bico quebradas e“amarradas” com tiras de borrachas ou arame.6 Todos esses problemas acontecem pela falta de manutenção nospulverizadores e resultam na ineficiência das aplicações de agroquímicos,colocando em risco a sanidade da cultura tratada,Pulverizador Autopropelido Pulverizadores autopropelidos, autopropulsados ou automotrizes sãomáquinas agrícolas com grande capacidade de carga e alto rendimentooperacional, utilizadas nas aplicações de agroquímicos equipadas com motor,cabine e sistemas de pulverização (bombas, barras, bicos, etc) em uma mesmaplataforma, em um mesmo chassi. São máquinas de alto desempenho, podem substituir cinco ou seiscojunto trator-pulverizador, conseguem desenvolver velocidades entre 15 a 30km/h durante as pulverizações nas culturas em campo e até 70 km/h durante o 21
  22. 22. translado. As barras de pulverização possuem total acionamento hidráulicocom sistema auto-nivelante e medem entre 20 até 30 metros de comprimento. 6 Normalmente apresenta motor diesel, de quatro tempos, sistema dedireção e barra de pulverização. Apresenta barra que pode ser posicionada naparte anterior ou posterior da máquina, com altura regulável. 5 Conta com sistema de compensação com comando hidráulico para cadalado da barra, permitindo manter a mesma paralela ao solo em terrenosirregulares ou em curva de nível. O chassi pode ser rígido ou articulado com estrutura reforçada.Apresenta cabine climatizada, isolando o contato direto do operador comeventual deriva da aplicação. 5 Um pulverizador autopropelido com capacidade de carga para 3.000litros, com barras de pulverização com 27 metros de comprimento é capaz deconseguir um rendimento operacional aproximado de 500 hectares em umúnico dia de trabalho. Se esse equipamento não estiver corretamente calibradoe regulado, serão muitos hectares aplicados de maneira incorreta, com grandesprejuízos para os produtores. 6 Não somente o pulverizador autopropelido precisa ser bem projetado eavançado, mas também a tecnologia em bicos e pontas de pulverizaçãotambém precisa ser corretamente formatada para as condições de trabalho 22
  23. 23. desse equipamento para que seja possível conseguir a total eficiência nasaplicações de agroquímicos. O monitoramento da qualidade nas aplicações de agroquímicosrealizadas nesses pulverizadores é de extrema importância, pois um erro deapenas 10 cm em uma faixa de aplicação de 27 metros (comprimento da barra)poderá resultar em uma área de 400 metros quadrados sem deposição deagroquímicos, em somente 100 hectares aplicados. Em um dia de aplicação,essa falha na faixa terá provocado uma área sem proteção química em tornode 2.000 m². 6Pulverizadores pneumáticosOs pulverizadores pneumáticos, também são conhecidos no campo comoatomizadores.Tipos de atomizadores: • Atomizador tipo canhão • Atomizador costal motorizadoAtomizador tipo canhãoFonte: Empresa Jacto O atomizador tipo canhão é geralmente utilizado em culturas anuais ouarbustivas, permitindo aplicação de defensivo numa faixa, de acordo com osfabricantes, de 30 a 40 metros de largura. Propicia boa capacidadeoperacional do conjunto trator-atomizador. 23
  24. 24. Neste equipamento, existe um ventilador acionado pela tomada de forçado trator responsável pela corrente de ar que promoverá a quebra do líquidoem gotas de pequeno diâmetro. Com excesão do ventilador, o aspectoconstrutivo é semelhante a um pulverizador hidráulico. Possui algumas limitações de uso, principalmente devido à deriva e àevaporação das gotas, ocasionadas por ventos, velocidade excessiva e baixaumidade do ar, dentre outras. Outro limitante é a determinação da faixa deaplicação, que em campo é difícil execução pelo tratorista.Atomizador costal motorizadoGeralmente empregado em pequenas áreas, em instalações avícolas ousimilares. Esse atomizador geralmente possibilita sua utilização para a aplicaçãode defensivos líquido ou pó seco. Neste caso, deve-se ter o cuidado de retirar obocal atomizador. Os atomizadores costais motorizados, quando forem utilizados naaplicação de defensivos em plantas perenes de porte alto, devem possuir umabomba centrífuga para conduzir a calda até o bocal atomizador. Possui um motor dois ou quatro tempos, responsável pela geração dacorrente de ar. Em geral, a ergonomia deste equipamento não é muito boa. 24
  25. 25. Pulverizadores hidro-pneumáticos São também chamados de atomizadores tipo cortina de ar. Essespulverizadores constituem uma das alternativas viáveis para aplicação dedefensivos em culturas perenes, tais como citrus, macieiras, pessegueiros,cafeeiros, etc. São também muito utilizados nas pulverizações em videiras, porém,necessitam de algumas modificações no direcionamento dos bicos e naregulagem dos defletores de ar, devido à arquitetura foliar da cultura da uva,permitindo aplicação de defensivo. Propicia boa capacidade operacional doconjunto trator-atomizador. Correspondem a aproximadamente 15% do total dos pulverizadores emoperação no Brasil. São equipados com reservatórios de calda deagroquímicos com capacidade entre 200 a 4.000 litros e no arco depulverização são instalados os bicos, geralmente do tipo cone vazio ou cheio. O sistema de assistência de ar é formado por um ventilador de grandevazão, que com o auxílio de defletores expele o ar na forma de um lequeperpendicular à direção de caminhamento da máquina. Os ângulos de aberturadesses defletores são regulados e ajustados de acordo com a altura dasplantas a serem pulverizadas. Alguns equipamentos possuem regulagem doângulo das pás do ventilador permitindo alterar a velocidade de saída do ar.Isso permite evitar a perda de defensivo. 25
  26. 26. As principais causas de perdas com esses equipamentos são: 1. Distribuição incorreta dos bicos no arco de pulverização, o que resulta na liberação de gotas muito acima das copas das árvores. 2. Falta de controle no tamanho das gotas pulverizadas, produzindo gotas muito finas. 3. Alto volume nas aplicações em altas pressões de trabalho. Deriva com pulverizadores hidro-pneumáticos A correta seleção e disposição dos bicos no arco de pulverizaçãopossibilita que a maior parte do volume de calda a ser aplicado sejadirecionado para a região mediana e superior da copa das plantas,possibilitando depositar com eficiência as gotas nos ponteiros, quenormalmente são áreas de difícil acesso, com o mínimo de perdas porevaporação e deriva.Termo-nebulizadores São equipamentos capazes de produzir gotas com diâmetro menor que50µm. Utilizados geralmente para aplicação de inseticidas dissolvidos em óleo(diesel), que ao serem colocados em contato com uma superfície aquecida, ouar quente, sofrem evaporação. 26
  27. 27. Pulverizador eletrostático O princípio de funcionamento do pulverizador eletrostático baseia-se emtransferir cargas elétricas às gotas, as quais quando se aproximam do objetoaterrado (planta) com carga de sinal contrário a sua, são fortemente atraídas aeste. Fonte: Juan José Olivet As gotas geradas são carregadas eletricamente e aceleradas em direçãodo alvo aterrado através de um campo elétrico, principalmente quandopróximas deste alvo.5 Um estudo foi realizado pela EMBRAPA7 sobre um bocal eletrostático,comparado-o a uma aplicação convencional, para a cultura do tomate. Osresultados mostraram que o pulverizador eletrostático pode depositar até 70%do agrotóxico aplicado, enquanto que a pulverização convencional podedepositar somente 30% do agrotóxico aplicado, para a cultura do tomate. Oestudo também mostra que a aplicação eletrostática possibilita uma reduçãoreal na dose do produto aplicado, sem perda da eficácia de controle e tambémuma sensível redução de contaminação por parte do aplicador. 27
  28. 28. Fonte:VM CONTROLE DE PRAGAS Em locais fechados, como galpões, armazéns e tubulações, permitemaplicação dos inseticidas de forma econômica, uma vez que, por se tratar deuma nebulização, ocorre uma completa ocupação do interior das instalações,utilizando baixo volume de pulverização.Pulverizador centrífugo Os pulverizadores centrífugos são equipamentos para a aplicação dedefensivos agrícolas que utilizam o processo chamado atomização centrífugapara a subdivisão do líquido em gotas menores. Neste processo, a subdivisão é obtida através da introdução do líquidosob baixa pressão no interior de um mecanismo giratório, que pode ser umcilindro de tela, escova circular ou mesmo um rotor ranhurado. O maior desenvolvimento destes equipamentos se deu somente nasúltimas duas décadas, como conseqüência da dificuldade para controlar aderiva das gotas pequenas e uniformes, que são produzidas com essa técnicade pulverização, nas diferentes condições ambientes. Também o grandeavanço da pulverização hidráulica contribui para esse desenvolvimento tardio. Inicialmente esses pulverizadores, utilizados para a aplicação deinseticida, aplicavam gotas na ordem de 80 micras, o que as tornavam bastantesujeitas à deriva. Entretanto pesquisadores com o objetivo de reduzir a faixa devariação do tamanho de gotas desenvolveram um pulverizador de gotascontroladas (CDA), equipamento este que por meio do disco rotativo produziagotas de tamanho muito uniforme e centradas em um tamanho médio de 250micras, as quais apresentam ótima eficiência biológica e menorsusceptibilidade a evaporação e deriva. A pulverização centrífuga é uma alternativa bastante utilizada nasaplicações aéreas, entretanto sua utilização nos equipamentos terrestres deve 28
  29. 29. ser bastante criteriosa, sendo recomendada somente em explorações agrícolascapazes de manejar bem esta técnica. Em condições ambientais apropriadas (brisa moderada) pode se realizaraplicações fitossanitárias em baixo volume sobre cultivo baixos com bonsresultados. As maiores dificuldades para uma correta aplicação aparecemquando a velocidade do vento aumenta, o que incrementa muito aderiva.Também quando não existe vento algum, ocorre um depósito somentesuperficial sem penetração do produto no interior da folhagem tratada. Outro problema é a falta de mão de obra e assistência técnicaespecializada. Além disso, a pulverização centrífuga somente opera comeficiência quando o volume aplicado é pequeno o bastante para impedir que seinunde o disco rotativo. Existe um fluxo máximo permitido, por exemplo 1,5ml/seg para o equipamento “Herbi”. Em contrapartida a pulverização centrífuga apresenta uma série debenefícios que a torna viável em determinadas condições. As gotas produzidas resultam em um tamanho extraordinariamenteuniforme, adequadas para os tratamento de baixo (BV) e ultra baixo (UBV)volume ( 1 a 50 L/ha). Com a utilização de gotas muito pequenas se consegueuma boa cobertura com baixos volume de calda, no entanto, existe maiordificuldade para controlar e dirigir este tipo de gotas pequenas em condiçõesatmosféricas desfavoráveis. Este método de trabalho teve sua origem na "Aviação Agrícola" e emequipamentos manuais, para regiões com escassez de água. Seu uso temcrescido nos equipamentos terrestres, a medida que se desenvolvem produtosquímicos adequados para essa forma de aplicação. 29
  30. 30. Análise operacional e econômica das técnicas deaplicação A análise operacional e econômica das diferentes técnicas de aplicaçãopermite a seleção do equipamento mais adequado e do procedimento maisapropriado para as distintas situações. A análise operacional envolve basicamente a determinação dacapacidade da máquina pulverizadora e do seu rendimento. A capacidade équantidade de trabalho executada em uma unidade de tempo, e é muitoimportante para se fazer o planejamento dos tratos culturais. Uma formasimplificada de se calcular essa capacidade, observada em condições reais deoperação, é através da seguinte fórmula: • Cco = capacidade de campo operacional (hectare/hora) • TPe = tempo de preparo (acoplamento, regulagem e calibração da máquina) • Tr = tempo de reabastecimento do tanque pulverizador • Td = tempo de deslocamento, indo e vindo para o tempo de abastecimento • Tv = Tempo de virada nas cabeceiras • TPr = Tempo de produção Já a análise do custo de um sistema de pulverização, deve levar em conta ocusto de utilização de todos os componentes, isto é, do trator, do pulverizadore, quando houver, da carreta tanque. É de fundamental importância não se perder de vista, nesta análise, ocomponente biológico do problema. As medidas a serem preconizadas nuncadeverão afetar a eficácia do controle do problema fitossanitário que se pretenderesolver. Além disso, uma aplicação mais rápida e mais barata não deveprovocar maiores riscos ao operador e ao ambiente.Cálculo da produção diária*Para calcular a produção diária de pulverizadores de barra, pode se usar: 30
  31. 31. Onde, • T - capacidade do tanque, em litros • q - vazão total da barra, em L/min • J - jornada diária de trabalho, em minutos • Q - volume de pulverização, em L/ha • Ab - tempo gasto de abastecimento, em minutos • E - fator que indica eficiência operacional (%)Vazão totalPara obter a vazão de calda aplicado ao longo da barra em um determinadotempo usa-se a fórmula:onde, • q - vazão total da barra, em L/min • Q - volume de pulverização em L/ha • V - velocidade em, Km/h • f - faixa de aplicação da barra, em metros • 600 - fator de conversão de unidadesTempo de abastecimentoPara determinar o tempo de reabastecimento, considera-se todo o tempo gastodesde a interrupção da pulverização, quando termina a calda, até o reinício daaplicação, podendo-se calcular pela fórmula:onde, • Td - tempo de deslocamento até o local de abastecimento • Tprep - tempo de preparo do pulverizador para abastecimento • Tench - tempo de enchimento do tanque • Tmist - tempo de preparo da mistura 31
  32. 32. Eficiência operacionalO cálculo da eficiência operacional é feito usando a fórmula:onde, • E - eficiência operacional • Tpulv - tempo real de pulverização, em minutos • Tcampo - tempo total do pulverizador no local de trabalho, em minutos, menos o tempo de abastecimentoFonte de consulta: Manual técnico sobre orientação de Pulverização. EmpresaJacto. 32p.Pontas de pulverizaçãoAo final desse módulo você será capaz de:*Conhecer as principais pontas de pulverização disponíveis no mercado*Aprender a selecionar a ponta de pulverização mais adequada a cadacondição de aplicação*Entender a importância da correta seleção da ponta de pulverizaçãoBicos hidráulicos e pontas de pulverização Os bicos hidráulicos são dispositivos utilizados nos pulverizadores parasubdivisão do liquido em gotas, capazes de promover uma distribuiçãouniforme do defensivo sobre a superfície de aplicação. Os bicos fragmentam o liquido pela ação da pressão exercida por umabomba, que força o líquido passar por um orifício, adquirindo velocidade eenergia no difusor para subdividir-se em pequenas gotas ao sofrer o impactocom o ar. Existem diferentes tipos de bicos no mercado, cada qual comcaracterísticas específicas para uma determinada aplicação. Essas variaçõessão importantes, pois permitem utilizar aquele que seja mais adequado a cadasituação, minimizando assim as perdas de produtos fitossanitários emelhorando a qualidade da aplicação. 32
  33. 33. O que se chama genericamente de bico é o conjunto de peças colocado nofinal do circuito hidráulico, através do qual a calda é emitida para fora damáquina. Fonte: Empresa TeeJetEsse conjunto é composto de várias partes, das quais a ponta de pulverizaçãoé a mais importante, regulando a vazão, o tamanho das gotas e a forma do jatoemitido.Os principais tipos de pontas são: • pontas de jato cônico vazio; • pontas de jato cônico cheio; • pontas de jato plano ou em leque; • pontas de impacto ou de jato plano defletor; • pontas de indução de ar.As pontas de pulverização possuem três funções básicas: 1. DETERMINAM A VAZÃO (Quantidade) 2. PRODUZEM AS GOTAS DE TAMANHO DETERMINADO (Qualidade) 3. PROPORCIONAM A DISTRIBUIÇÃO DO LÍQUIDO PULVERIZADO (Qualidade)Características das pontas de pulverização A ponta de pulverização é um componente de fundamental importânciaem um pulverizador, pois dele depende a vazão e a qualidade das gotasproduzidas. Dessa forma influência diretamente a qualidade da pulverização. Existe uma grande variedade de pontas no mercado. Pontas queformam diversos ângulos de pulverização, que trabalham em pressões 33
  34. 34. diferentes, que produzem gotas de vários tamanhos e que têm vazõesdiferentes.São característica das pontas de pulverização • Ângulo do Jato • Tamanho de gotas • Posicionamento • DurabilidadeA seguir veremos cada um desses ítens em detalhes.Ângulo do jato As pontas de pulverização são projetados para produzir os jatos depulverização, com um dterminado ângulo em uma certa pressão.À medida que se varia a pressão, varia-se o ângulo do jato de pulverização. • Aumenta a pressão = Aumenta o ângulo do jato de pulverização. • Diminui a pressão = Diminui o ângulo do jato de pulverizaçãoOs mais comuns no mercado são os de 80 e 110 graus, sendo que este últimoapresenta duas grandes vantagens: • Possibilita trabalhar com a barra mais próxima do alvo, diminuindo a deriva. • Menor influência, em termo de uniformidade de distribuição, pela oscilação da barra. 34
  35. 35. Tamanho e espectro de gotas Nas décadas passadas, pouca atenção se dava à uniformidade dedistribuição durante as aplicações de produtos fitossanitários, pois se buscavamolhar bem a cultura, o que se conseguia mediante volume de calda bastantealto. Atualmente, entretanto, existe uma tendência em reduzir o volume decalda, visando diminuir os custos e aumentar a eficiência da pulverização. Ouso de menor volume de calda aumenta a autonomia e a capacidadeoperacional dos pulverizadores e diminui os riscos de contaminação ambiental. Assim, o conhecimento do tamanho das gotas pulverizadas tornou-seessencial, para garantir um recobrimento mínimo do alvo. Caso seja desejadoque o produto aplicado recubra a maior parte da superfície-alvo, como no casode tratamentos com produtos de contato, as gotas devem ser finas. Casocontrário, podem ser mais grossas, evitando problemas de deriva. Os estudos têm mostrado que gotas menores que 100 mm sãoarrastadas com facilidade pelo vento, produzindo o fenômeno da deriva, egotas maiores que 800 mm tendem a escorrer da superfície das folhas. As gotas muito grandes, devido ao seu próprio peso, atingem o solo porescorrimento. As gotas pequenas possuem uma menor massa de líquido,podendo evaporar em condições de baixa umidade relativa ou serem carreadaspelo vento, provocando a perda de produto por deriva. Atualmente, o diâmetro da mediana numérica (DMN), o diâmetro damediana volumétrica (DMV) e o coeficiente de homogeneidade têm sido osparâmetros mais utilizados para caracterização de uma população de gotas. O diâmetro da mediana numérica é o diâmetro que divide umapopulação de gotas em duas partes numericamente iguais. Deve ser analisadoem conjunto com o diâmetro da mediana volumétrica (DMV), possibilitando aavaliação do espectro de gotas e do coeficiente de homogeneidade. O diâmetro da mediana volumétrica é definido, segundo MATUO (1990),como o diâmetro que divide uma população de gotas em duas metadesvolumetricamente iguais. É de se esperar que o valor do DMV esteja maispróximo do limite superior das classes de diâmetros, pois o volume de poucasgotas grandes equivale ao de muitas gotas pequenas. 35
  36. 36. Diâmetro da mediana volumétricaClassificação das gotas em função do DMV, expresso em µm DMV (µm) Classificação <100 aerossóis e névoas 100 - 200 gotas finas 200 - 300 gotas médias 300 - 425 gotas grossas > 425 gotas muito grossasFonte: WILKINSON et al., 1999. O coeficiente de homogeneidade é definido pela relação entre odiâmetro da mediana volumétrica e o diâmetro da mediana numérica. Umapopulação de gotas é considerada homogênea quanto mais próximo de um foro valor do coeficiente de homogeneidade (MATUO, 1990). Para valoresinferiores a 1,4 , o conjunto de gotas é considerado homogêneo. De acordocom CARRERO (1996), o coeficiente de homogeneidade varia de acordo como tipo de bico.Valores do coeficiente de homogeneidade Coeficiente de Tipos de Bico homogeneidade Bico defletor ou de 5 – 10 impacto Bico tipo leque 2–5 Bico tipo cone 2-5Fonte: CARRERO, 1996. Já o espectro de gotas é a caracterização da pulverização em funçãodas gotas de diferentes tamanhos produzidas pelo equipamento. O espectroseria homogêneo, se todas as gotas fossem do mesmo tamanho. Tendo gotasde tamanhos diferentes, o espectro é heterogêneo. O espectro é considerado estreito, se a diferença entre as gotas maiorese menores for pequena; se essa diferença for grande, o espectro é amplo ou 36
  37. 37. largo. A caracterização numérica do espectro pode ser feita utilizando-se osdados da avaliação da curva do percentual do volume acumulado em relaçãoao diâmetro das gotas.Determinação do tamanho e espectro de gotas A determinação do tamanho e espectro de gotas pode ser feitadiretamente com as gotas no ar, ou por meio da medição indireta dos impactosproduzidos pelas gotas em alvos artificiais. As medições indiretas simulam oimpacto em alvos naturais e são importantes para estudo de escorrimento e deeficácia biológica. Já as medições diretas são importantes para se avaliar o potencial dederiva das aplicações, sendo preferidas por muitos pesquisadores nos últimosanos, apesar do custo elevado, por apresentarem boa precisão e altasensibilidade. A determinação da dimensão das gotas pode ser feita utilizando váriastécnicas, desde as mais antigas, que incluem os microscópios de bolso comum retículo, até as mais modernas, que utilizam raios laser. 37
  38. 38. Classificação de pulverização por tamanho de gotas Capacidade de retenção Suscetibilidade aVMD(µ) Classificação Uso pelas folhas deriva < 50 Aerosol Boa Ocasiões específicas Alta51 - 100 Neblina Boa Ocasiões específicas Alta101 - 200 Fina Boa Boa cobertura Média201 - 300 Média Média Maioria Baixa > 300 Grossa Ruim Herb. Solo e Fertilizantes Muito baixa Densidade de gotas X produtos Número de impactos Produto Gotas/cm² Inseticida 20 a 30 Herbicidas (pré-emergentes) 20 a 30 Herbicidas (pós-emergentes) 30 a 40 Fungicidas (sistêmicos) 30 a 40 Fungicidas (de contato) > 70 Posicionamento das pontas Os bicos devem ser colocados na barra com espaçamento iguais entre si, que podem ser de: 35 cm; 40 cm; 50 cm; etc. Para se trabalhar com bicos de jato plano (leque) é necessário que estejam posicionados com um ângulo de 4º a 6º aproximadamente em relação a barra. As capas de engate rápido normalmente já fornecem essa angulação. Caso contrário, deve-se utilizar chaves apropriadas para isto. 38
  39. 39. Dessa forma, ocorrerá o cruzamento necessário entre os jatos paramanter a uniformidade da distribuição ao longo da barra, desde que semantenha uma altura mínima compatível com o ângulo do jato. Vale lembrarque para pontas de jato cônico não é possível evitar este contato entre os jatosadjascentes, o que leva a menor uniformidade de distribuição.Durabilidade das pontasA durabilidade de uma ponta, depende muita da forma com trabalha essaponta, levando em conta alguns aspectos, como:Pressão As pontas de "jato leque" são projetadas para trabalhar com baixapressão, em uma faixa que varia entre 15 a 60 lbf/pol². Nas pontas do tipo jatocônico a faixa de trabalho varia entre 60 a 200 lbf/pol², acima disso essaspontas perdem sua características, sofrendo aumento de vazão e de ângulo,desgastando-se rapidamente.Deve-se levar em consideração que quanto maior a pressão, menor é otamanho das gotas, possibilitando a ocorrência de deriva.Qualidade da água Em relação a qualidade da água alguns ítens influenciam diretamente nadurabilidade das pontas e também na eficiência dos defensivos aplicados,como: • Porcentagem de elementos químicos como cloro, enxofre, cálcio, magnésio, entre outros. • Deverá ser o mais limpa possível, ou seja, sem algas, areia, lodo ou qualquer tipo de matéria orgânica.Tipo de produto Os produtos usados na pulverização têm formulações bem variadas edentre eles os pó-molhaveis e suspensão concentrada possuem abrasividaderelativamente alta, devido as particulas sólidas que aceleram o processo dedesgaste das pontas.Limpeza das pontas Não se deve utilizar instrumentos metálicos, como: agulhas, arames enem tão pouco canivetes. Também é incorreto o uso de gravetos de madeira,pois acabam quebrando dentro do orifício da ponta. O correto é usar uminstrumento que não danifique o orifício com um escova com cerdas de nylon(escova de dentes), ou ar comprimido. 39
  40. 40. MaterialA tabela abaixo mostra uma estimativa da vida útil da pontas de acordo com omaterial.Vida útil estimada de pontas de pulverização de jato plano Vida útil (horas)Material de fabricação do bicoCerâmica +400Poliacetal 400Aço inoxidável 400Naylon 200Latão 100Troca de pontasDurante a utilização dos bicos de pulverização, é importante atentar tambémpara outro fator: os bicos devem ser trocados quando sua vazão diferir mais de10% em relação a média de vazão de todos os bicos.IdentificaçãoSegundo a Norma ISO 10626, os bicos hidráulicos (pontas) à pressão de 3 bardevem ter as seguintes cores de identificação em função de sua vazão: Código de cores da pontas hidráulicas Cor Laranja Verde Amarelo Azul Vermelho Marrom Cinza Branco Vazão (L/min) 0,4 0,6 0,8 1,2 1,6 2,0 2,4 3,2 Fonte: ISO 10625 40
  41. 41. Com relação a designação dos bicos, existe uma variação quanto aosfabricantes e órgãos de pesquisa. Adiante seguem alguns exemplos utilizados:Segundo a BCPC (British Crop Protection Council) tem-se:F110/1.44/2.5F: bico tipo leque (fan)110: ângulo de abertura em graus1.44: vazão nominal dos bicos (L/min)2.5: pressão de trabalho (bar)Algumas empresas utilizam apenas a designação110 02110: ângulo de abertura em graus02: vazão nominal dos bicos a 40 lbf.pol² (10-1 gal/min)Ponta tipo coneOs bicos com pontas do tipo cone são formados pelas seguintes partes: • corpo; • filtro; • caracol; • ponta; • porca de fixação. 41
  42. 42. 1. Bico tipo cone vazio Os bicos do tipo cone vazio têm como característica uma deposição dolíquido maior na porção mais externa do cone. Possuem um padrão dedistribuição com menos líquido no centro, aumentando depois um pouco paravoltar a cair bruscamente, nos extremos. Não são, em geral, recomendadospara aplicação de herbicidas. São geralmente aconselhados para aplicação deinseticidas, fungicidas e dessencantes, em culturas com grande massa foliar,onde a penetração do jato e a cobertura são críticas. Trabalham normalmente com uma pressão de 2 a 10 bar, produzindo umângulo de 70º a 80º e gotas muito pequenas, o que favorece a deriva. Sãomontados na barra portabicos com uma distância entre 0,25 m e 0,50 m, parapermitir alcançar o volume necessário de fitossanitário por área tratada(CHRISTOFOLETTI, 199110). Também são recomendas para aplicação defertilizantes foliares). Como esses bicos trabalham a altas pressões, têm uma vida útil muitopequena quando são fabricados em latão. Por esta razão, os fabricantespreferem construí-los de material cerâmico, que propicia maior durabilidade. Como característica principal, tem-se a boa capaciade de penetração ecobertura dos alvos, no entanto, em geral apresentam alto risco de deriva.Recentemente, lançou-se no mercado uma variável desta ponta com induçãode ar, com isto, reduziu-se o risco de deriva, em função das gotas de maiordiâmetro, no entanto, a cobertura ficou comprometida.2 Bico tipo cone cheio Os bicos do tipo cone cheio operam normalmente a baixas pressões (1 a3 bar), produzindo gotas grandes e menos sujeitas à deriva, e um ângulo deabertura de 80º. As gotas produzidas por esse tipo de bico são normalmente maiores queas de outros tipos, operando à mesma pressão. São recomendados para aaplicação de herbicidas sobre o solo ou sistêmicos. Para uma melhoruniformidade de distribuição na barra, recomenda-se que os bicos estejammontados com uma inclinação de 30 a 45º, em relação ao plano vertical(CHRISTOFOLETTI, 199110). 42
  43. 43. Ponta tipo lequeOs bicos com pontas do tipo leque são formados pelas seguintes partes: • corpo; • filtro; • ponta; • capa.Os bicos tipo leque são os mais utilizados na área agrícola devido a suadiversidade de utilização. Fonte: Empresa TeeJetProduzem um jato plano à saída do bico, formando um ângulo característicoem forma de leque. 43
  44. 44. Apresentam uma concentração maior de líquido na parte central do jato,mas com boa uniformidade de distribuição do líquido, em função dasobreposição apropriada. Esses bicos encontram-se normalmente no mercado com ângulo deabertura de 60, 80 e 110º, sendo mais comum os dois últimos. Quanto maior oângulo formado pelo bico, menor é o tamanho das gotas, podendo ser montadoa uma distância maior na barra portabicos. São ideais para a aplicação de herbicidas em área total, onde senecessita maior uniformidade de distribuição. No entanto, atulmente tambémtem sido utilizado para aplicação de inseticidas e fungicidas com sucesso, deforma a evitar o risco de deriva nas aplicações com pontas de jato cônico vazio. Operam melhor a pressão de 2 a 4 bar, permitindo uma cobertura maisuniforme. Utilizando pressões mais baixas é possível conseguir tamanho maiorde gotas, para reduzir a deriva, mas a uniformidade de distribuição diminui.Para melhor uniformidade de distribuição ao longo de uma barra, recomenda-se uma sobreposição de aproximadamente 30%, em cada lado do jato.8 Existem outros modelos de ponta tipo leque que usam uma faixa maiorde pressão. Também existem pontas de jato plano duplo, mais recomendadospara aplicação em que se deseja boa cobertura e penetração entre as folhas.Para aplicação entre as linhas da cultura, ou sobre as linhas, existem as pontastipo leque com perfil de distribuição uniforme (Even) ( ALBUZ, 199211). 44
  45. 45. Ponta de impacto Fonte: Empresa TeeJet As pontas de impacto, da mesma forma que as pontas tipo leque,produzem um jato em forma de leque, com um ângulo de pulverização grande,variando de 110 a 140º. O efeito de divisão do líquido em gotas produz-se pelo impacto do jatocom uma superfície plana. Como possuem um orifício de saída circular, sãomenos sujeitos a entupimentos. Possuem maior deposição de líquido nas extremidades do jato. Podemtrabalhar a pressões muito baixas (0,7 a 1,8 bar), produzindo gotas grandes,diminuindo o problema da deriva. Essas pontas são recomendados para a aplicação de herbicidassistêmicos a baixo volume, bem como para aplicação utilizando pulverizadorescostais de acionamento manual. 45
  46. 46. Ponta de indução de ar ou arejadora Fonte: Empresa TeeJet As pontas com indução de ar têm como característica a produção degotas grandes, contendo ar no seu interior, próprias para aplicação de produtossistêmicos. Consistem basicamente de um ponta, contendo no seu interior umventuri responsável pela aspiração do ar. Este é misturado com o líquido emuma câmara antes da formação do jato. Algumas vezes tem-se observado o entupimento do orifício de entradade ar, eliminando o efeito do borbulhamento. Isso tem ocorrido principalmenteem locais onde o próprio movimento do trator causa excesso de poeira. Vale ressaltar que ainda não se têm um bom entendimento sobre oprocesso de impacto da gota formada por essa pontas com o alvo, contudosabe-se que a mesma ao impactar com o alvo quebra-se em pequenas gotas,melhorando a cobertura portanto, o simples fato de ter uma gota grossa nãonecessariamente implica em um tratamento ineficiente com a aplicação deinseticida e fungicida.CalibraçãoAo final desse módulo você será capaz de:*Aprender a teoria da calibração de pulverizadores*Adequar a regulagem do pulverizador ao receituário agronômico 46
  47. 47. CalibraçãoPara se fazer a calibração dos aplicadores de agroquímicos, é importantedeterminar alguns parâmetros, tais como:Volume ou taxa de pulverização (Q)O volume de pulverização, ou a quantidade de calda (água + defensivo)aplicado uniformemente por unidade de área, depende de: • Tipo de equipamento; • Tipo de produto químico; • Estágio de desenvolvimento da cultura; • Formulação do produto químico; • Condições climáticas.O volume de pulverização pode ser calculado, utilizando a fórmula:em que:Q - volume de pulverização (L/ha)q - vazão por bico ou do total de bicos (L/min)v - velocidade de trabalho (km/h)f - faixa de pulverização por bico ou total dos bicos (m)NOTA:Quando for utilizado a vazão por bico, a faixa de pulverizaçãoconsiderada deverá ser correspondente à produzida por um bico apenas.Quando se utilizar a vazão total, a faixa de pulverização deverá sercorrespondente ao comprimento da barra.A quantidade de produto químico a ser colocada no tanque será calculadapela fórmula:em que:Pr - quantidade de produto químico por tanque (kg ou L)Ct - capacidade do tanque (L) 47
  48. 48. Q - volume de pulverização (L/ha)D - dosagem de defensivo (kg/ha ou L/ha)Faixa de pulverização (f)É a largura da faixa tratada por um bico ou bocal atomizador, a cadapassada do pulverizador, medida no solo.Mede-se a faixa de pulverização conforme os exemplos a seguir:Pulverizador costalA faixa de pulverização por bico é igual ao espaçamento entre duaspassadas sucessivas, em metros. Faixa de pulverização em culturas anuais (Fonte: Jacto S. A.). Aplicação de defensivos em culturas anuais A faixa pulverizada pelo pulverizador costal é igual à largura tratadapelo bico .No caso do pulverizador costal motorizado a faixa de pulverização édeterminada medindo-se a largura aplicada entre cada passada. Aplicação de defensivos em culturas perenes A faixa de pulverização é igual à metade do espaçamento entre aslinhas da cultura, em metros. 48
  49. 49. Faixa de pulverização em culturas perenes (Fonte: Jacto S. A.).Pulverizador de barraA faixa de pulverização é igual a distância entre os bicos montados na barrado pulverizador. Faixa de aplicação do pulverizador de barra.Atomizador tipo canhão de arA faixa de pulverização é igual à distância entre cada passada em metros. Oalcance do jato atomizador é estabelecido pelo fabricante ou em ensaio decampo.Métodos práticos de calibraçãoAntes de realizar a calibração de qualquer pulverizador é importante verificar: • Funcionamento da bomba hidráulica; • Condições dos filtros; • Estado dos bicos; 49
  50. 50. • Funcionamento dos registros ou regulagem da vazão; • Funcionamento dos manômetros ou registros de regulagem da pressão; • Estado das tubulações; • Funcionamento dos agitadores, etc. Faixa de pulverização do atomizador tipo canhão (Fonte: Jacto S. A.).Atomizador tipo cortina de ar (turbo-atomizador)A faixa de pulverização é igual ao espaçamento entre as linhas da cultura,em metros. Faixa de pulverização do atomizador cortina de ar (Fonte: Jacto S. A.). 50
  51. 51. Calibração do pulverizador costal manualPara se fazer a calibração do pulverizador costal, deve-se seguir os seguintespassos:1o) Marcar uma área igual a 100 metros quadrados (10 m x 10 m);2o) Encher completamente o tanque do pulverizador; Demarcação da área (Fonte: Jacto S. A.).3o) Aplicar na área, por faixa, usando uma cadência igual a de trabalho;4o) Medir a quantidade aplicada;5o) Determinar o volume de pulverização aplicando a seguinte fórmula:em que:Q – volume de pulverização (L/ha)V - volume gasto na área (L)Calibração do pulverizador de barraParte I - Trator em movimento1o) Marcar um percurso de 30 a 50 metros;2o) Escolher a velocidade para aplicação;3o) Regular a rotação da TDP em 540 rpm;4o) Determinar o tempo gasto, em segundos, para percorrer o percurso. 51
  52. 52. Demarcação do percurso.Parte II - Trator Estacionado1o) Com a mesma aceleração, regular a pressão dos bicos;2o) Coletar o volume por bico no tempo gasto para percorrer o percurso;3o) Calcular o volume aplicado, utilizando a fórmula:Ou então use o seguinte cálculo: Área = f x 50 m.Logo, tem-se:Correções necessáriasa) Volume de aplicação abaixo do desejado: • Aumentar a pressão nas pontas (dentro da faixa recomendada para cada ponta); • Diminuir a velocidade; • Trocar as pontas utilizados por pontas de maior vazão.b) Volume acima do desejado: • Diminuir a pressão; • Aumentar a velocidade de deslocamento; • Trocar as pontas utilizados por pontas de menor vazão. 52
  53. 53. Obs. De forma geral, se o volume de pulverização diferir mais de 25% dovolume desejado, trocar as pontas, caso contrário, alterar a pressão detrabalho e a velocidade de pulverização. Em geral, os agricultores no campodispõe de um recipiente graduado que dispensa a realização do cálculos,fornecendo uma leitura direta do volume de pulverização.Aplicação aérea*Ao final desse módulo você será capaz de:*Conhecer os princípios básicos da aplicação aérea*Compreender as potencialidades e os riscos da aplicação aéreaAplicação aérea* A aviação agrícola possui um papel fundamental no aumento de ganhode produtividade, pela sua natureza de rápida e eficaz cobertura. O aviãoagrícola, nada mais é que uma máquina aplicadora como qualquer outra,porém apresenta particularidades, não apenas por ser uma máquina que voa,mas pelas características dinâmicas envolvidas na aplicação. Sem dúvida, a aplicação aeroagrícola funciona e é uma ferramentavaliosa na agricultura, quando realizada dentro de critérios técnicos bemdefinidos e acompanhada por pessoal técnico especializado. O uso de aviões para fins agrícolas começou antes da Segunda GuerraMundial. Inicialmente o número de aeronaves era pequeno. Empregavam-seaviões militares modificados. Com o tempo a atividade foi se desenvolvendo eno final da década de 40 surgiu o primeiro avião projetado e construído parafins agrícolas. 53
  54. 54. A aplicação aérea, assim como a aplicação terrestre, apresentavantagens e desvantagens. Como principal vantagem tem-se a grandecapacidade operacional, isto é, a possibilidade de tratamento de grandes áreasem pequeno tempo. Como conseqüência deste alto rendimento, possibilita também arealização do tratamento no momento mais oportuno para o controle seja deplantas daninhas, de doenças ou de insetos.Além disso, evita a compactação do solo e as injúrias às culturas, tãofreqüentes nas aplicações tratorizadas. Estima-se uma perda causada peloamassamento das plantas de até 5% do rendimento, dependendo da cultura.No entanto, se operação não for bem executada, dentro dos parâmetrostécnicos recomendados, a aplicação aérea pode causar a deriva dosdefensivos (arrastamento pelo vento) para áreas vizinhas. Além disso, como o volume de pulverização (água + defensivo) ébastante reduzido, muitas vezes inferior a 40 litros por hectare, a dificuldade decobertura do alvo é maior e, portanto, requer estratégias que assegurem a boadeposição e cuidado redobrado com as condições climáticas durante asaplicações. Um fator bastante controverso com relação a aplicação aérea refere-seao custo. De forma simplista o custo da aplicação aérea é superior ao daterrestre. No entanto, se forem computados os custos de amassamento ecompactação, esta relação se inverte.Estas generalizações, porém, são bastante perigosas, pois dependem de cadasituação. Um fator que influencia bastante é a distância da área a ser aplicadaaté a pista de decolagem. Quanto maior for esta, mais onerosa será aplicação.Outro fator que limita a aplicação aérea é a presença de muitos obstáculos naárea e relevo muito acidentado. Outra controvérsia com relação ao uso do avião agrícola é que o mesmosomente é viável em grandes áreas. Contudo, se as áreas forem próximas àpista de pouso, a aplicação é viável mesmo em pequenas áreas.Deve ficar claro que tanto a aplicação aérea, como a terrestre, são eficientes etêm seu campo de aplicação. Ninguém irá recomendar que se encostem pulverizadores tratorizados eautopropelidos nos galpões, quando os mesmos puderem trabalhar, e secontratem empresas de aviação agrícola para fazer as aplicações dedefensivos. No entanto, quando a capacidade operacional instalada de máquinasnão for suficiente, ou as condições climáticas não forem favoráveis, comolongos períodos chuvosos que empeçam a entrada de tratores, a aplicaçãoaeroagrícola é uma boa opção, tanto do ponto de vista econômico, como doponto de vista técnico. 54
  55. 55. As duas formas de aplicação apresentam vantagens e desvantagens.Estas devem ser bem avaliadas e contornadas utilizando-se de técnicasadequadas. As aeronaves agrícolas vêm apresentando melhorias contínuas, deforma a promoverem aplicações mais eficientes e mais seguras do ponto devista ambiental. A indústria química também tem auxiliado na segurança das aplicações.Produtos químicos (adjuvantes) têm sido desenvolvidos para serem aplicadosjunto com os defensivos agrícolas, permitindo menor risco de evaporação eperda por deriva. Portanto, a aplicação aérea é uma importante ferramenta que osagricultores podem e devem se utilizar para obter o sucesso tão desejado.Características importantes da aeronave agrícola O emprego de aviões com fins agrícolas iniciou em todo mundo de formaimprovisada, com a adaptação de aviões principalmente militares. No entanto,com o aumento de sua utilização, os projetistas passaram a desenvolveraeronaves especificamente agrícolas, visando entre outras coisas tornar aoperação mais eficiente e segura.As características consideradas desejáveis em um avião agrícola são: • Grande capacidade de carga, o que requer motor de grande potência, fuselagem aerodinamicamente “limpa” e redução do peso do avião vazio; • Ser capaz de decolar, atingindo 16 metros de altura, a partir de pistas semi-elaboradas, consumindo não mais de 400 metros de distância, ao nível do mar; • Velocidade de cruzeiro em torno de 160 km/h (100 mph), combinada com baixa velocidade de stol (65 – 100 km/h) (velocidade de mínima sustentação); • Boa estabilidade e manobrabilidade, especialmente em curvas, e o sistema de comando do equipamento agrícola deve requerer pouco esforço do piloto, de forma a reduzir fadiga; • Visibilidade o mais irrestrita possível, para frente a para trás, bem como visibilidade lateral, especialmente nas curvas; • Para proteção, em caso de acidentes, é considerado essencial que o motor e o tanque de produtos agrícolas possam estar colocados à frente da cabine, e uma estrutura especial da fuselagem, forte o suficiente, deve proteger o piloto de danos físicos, mesmo quando houver “pilonagem” do avião (capotar o avião para frente); • Outros itens de segurança importantes incluem controles e comandos simples, de fácil identificação manual, e suspensórios de segurança, retráteis e com fixação segura na fuselagem do avião, além da ausência de protuberâncias, saliências e alavancas pontiagudas; 55
  56. 56. • Cabine vedada, impedindo a penetração de gases e vapores dos produtos aplicados; • Os produtos líquidos devem poder ser colocados no tanque por tubulações a partir do fundo do tanque. Os produtos sólidos podem ser colocados pela abertura superior do tanque de produtos, sendo que, neste caso, a abertura deve ser de grandes dimensões; • O revestimento da fuselagem do avião deve permitir fácil e rápida inspeção da estrutura, motor e equipamento agrícola, bem como fácil e rápida limpeza e lavagem de todo o avião, interna e externamente; • O projeto e construção devem visar a facilidade de manutenção, e os materiais utilizados devem ser resistentes à corrosão, típica do uso.Costuma-se subdividir as aeronaves agrícolas em duas categorias (Monteiro,20069): • Aeronaves agrícolas leves: aeronaves com motores de potência abaixo de 300 HP e capacidade de carga abaixo de 1000 litros. • Aeronaves agrícolas pesadas: aeronaves com motores de potência superior a 300 HP, podendo chegar a 1200 HP, e capacidade de carga acima de 1000 litros, chegando a 3000 litros em equipamentos destinados ao combate a incêndio florestal. É importante frisar também que, apesar do uso em menor escala, asaplicações aéreas podem ser feitas por helicópteros, também chamados deaeronaves de asa móvel. Eles não necessitam de velocidade de deslocamentolinear para adquirir força de sustentação. Nestes equipamentos, de forma similar as aeronaves de asa fixa, tambémhá um vórtice de ponta de asa, que pode prejudicar a uniformidade dedistribuição, caso a colocação dos bicos ou atomizadores na barra não sejafeita de forma adequada. No entanto, o efeito “downwash” promovido pelashélices do rotor, aliado às velocidades mais baixas, favorece a deposição dasgotas no alvo e a minimização da deriva. Em geral, o custo de aplicação e manutenção de helicópteros é superioraos aviões, no entanto, eles apresentam vantagens como facilidade de trabalhoem pequenas áreas e áreas com topografia irregular, possibilidade de empregoem tarefas não relacionadas ao meio agrícola em épocas de pouca utilização,boa manobrabilidade, que evita a aplicação em áreas não-alvo e facilidade depouso e decolagem. Sem dúvida, a aplicação com helicóptero apresentagrande potencial, como por exemplo em grandes áreas de reflorestamento. Quantick32(1990) destaca em seu livro “Manual del piloto agrícola” que atécnica de vôo agrícola exige do piloto agrícola uma habilidade e um campo deconhecimento bastante diferenciado de outros tipos de pilotos, pois estes, alémda operação na condução da aeronave, tem que ter conhecimentos sobre osprodutos a serem aplicados, seus riscos de manipulação, exigências técnicasnecessárias à correta pulverização e todos os aspectos que minimizem osproblemas de contaminação ambiental. 56
  57. 57. O avião agrícola brasileiro A aeronave agrícola (EMB) “Ipanema”, fabricada pela Empresa Brasileirade Aeronáutica (EMBRAER) – fez o seu vôo inaugural em 31 de julho de 1970e, desde então, é o único avião agrícola em escala comercial de fabricaçãonacional. Existem atualmente novas propostas em desenvolvimento de novasaeronaves por outros fabricantes, tais como a IPE e a KLAUSS, que pretendemlançar no mercado modelos agrícolas .Em produção experimental há aEmpresa ASA, em Minas Gerais, que produz o modelo Falcão, mas de usorestrito. O Ipanema foi fabricado em diferentes versões ao longo do tempo, todascom a mesma fuselagem básica, tendo sofrido alterações, de modelo amodelo, principalmente no motor (potência e tipo de combustível), hélice, perfilde asa e sistema de comandos. Assim, o primeiro Ipanema lançado - EMB-200– era equipado com motor a carburador de 260 HP e hélice de passo fixo.Avião agrícola brasileiro Ipanema. Fonte: Wellington P. A. Carvalho. Seguiu-se a este, o modelo EMB-200A, com o mesmo motor, porém,com hélice de passo variável. O EMB-201, terceira versão da série, foiequipado com motor mais potente – 300HP – com injeção direta decombustível, e o EMB-201A foi basicamente o mesmo avião, porémincorporando aperfeiçoamentos no sistema de comandos e no perfil de asa. Atualmente, o Ipanema é produzido pela subsidiária da EMBRAER, aIndústria Aeronáutica Neiva S.A., sediada em Botucatu, SP. A partir de 1992, aNeiva iniciou as entregas de seu modelo mais recente, o EMB-202,descontinuando a produção do EMB-201A. O EMB-202 incorporou várias eimportantes modificações em relação aos modelos anteriores, tendo a destacaros seguintes aspectos: 1. Ampliação do tanque de produtos com maior volume, de 680 litros para 950 litros, mantida a mesma capacidade em peso (750 kg). Este 57
  58. 58. aumento permitiu proporcionar um melhor aproveitamento da capacidade de carga quando das aplicações de produtos com baixo peso específico, em especial sementes; 2. Inclusão de amortecedores do trem de pouso com pastilhas de poliuretano; 3. Incorporação do sistema agrícola com acionamento eólico, com melhoria no desempenho das bombas e redução do arrasto aerodinâmico. 4. Motor: Lycoming, 320 HP, 2.700RPM, 6 cilindros (Motor a álcool) e Lycoming, 300 HP, 2.700RPM, 6 cilindros (Motor a gasolina). Os aviões agrícolas produzidos pela indústria brasileira saem de fábricacom perfis de asa dotados de winglets. Este perfil de ponta de asa proporcionamenor turbilhonamento nas extremidades da asa, o que resulta numa melhorqualidade na uniformização das faixas de pulverização.Equipamentos para aplicação por via líquida Na aplicação de produtos químicos, dois conceitos são importantes edefinem as ações e procedimentos operacionais em qualquer tipo de operação:pulverização e aplicação. Pulverização tem sido atribuída ao processo degeração de gotas, que sofre influência do tipo de bico/atomizador, tipo deponta, pressão de trabalho, angulação da barra em relação ao vento relativo,volume de calda, tipo de produto e calda trabalhada. Na aplicação, fatores como condições meteorológicas (vento, umidaderelativa e temperatura), arquitetura da planta, estágio de crescimento e altura 58
  59. 59. de vôo têm uma influência significativa seu sucesso. Portanto, pulverizaradequadamente é tão importante quanto aplicar corretamente. A deposição do produto no alvo é importante para o sucesso de umaaplicação. Desde o momento em que a gota é gerada no equipamentoaplicador, inicia-se o processo denominado de aplicação, que representa odeslocamento das partículas até o alvo. Neste caso, o alvo poderá estarposicionado nos mais diversos locais, nas partes inferiores ou superiores deuma planta. Isto faz com que seja necessário diferenciar o tamanho de gotasgeradas, a fim de se conseguir obter a deposição efetiva do produto. Para isso, é necessário então que ocorra uma cobertura com densidadeapropriada, dependendo da natureza do produto e objetivo da aplicação. Se forrealizada uma aplicação de um produto que atue por contato, por exemplo,uma maior cobertura será necessária. Em uma aeronave agrícola, o circuito hidráulico para a aplicação deprodutos por via líquida é semelhante a um pulverizador terrestre. Inclui:depósito (chamado de hopper), bomba, válvulas de controle, manômetro, filtrose elementos pulverizadores. Os elementos pulverizadores são os responsáveispela quebra do liquido em gotas de tamanho determinado. Em geral, osequipamentos mais usados são os que utilizam energia hidráulica e os queutilizam energia centrífuga. Os bicos hidráulicos são dispostos numa barra, de seção circular ou comformato aerodinâmico, colocada atrás e abaixo do bordo de fuga das asas. Elespodem ser de jato plano ou de jato cônico, inclusive semelhantes aosempregado em aplicações terrestres. A escolha do tipo de ponta a ser instaladana aeronave está intimamente relacionada ao tipo de gota necessária. Quando a gota é gerada, há a necessidade então de se levar aspartículas de forma segura ao alvo, e todo o produto que não atinge este alvo,irá se constituir em perda, aumentando os a contaminação ambiental eampliando os custos de controle. Em geral gotas de menor diâmetros são maisindicadas para uma boa cobertura do alvo, no entanto estão mais sujeitas aoprocesso de deriva. Com o objetivo de se reduzir a deriva, uma das opções de escolhaindicará a necessidade de geração de gotas maiores, no entanto, somente odiâmetro de gota e volumes não são suficientes para se manter uma boaaplicação; é necessário também que se observe as condições meteorológicas,estágio de desenvolvimento da planta entre outros fatores. Alguns destes fatores podem influenciar na qualidade da pulverizaçãoproduzida em uma aeronave agrícola (CHRISTOFOLETTI, 199934 ): • Tipo de bico de pulverização (jato sólido, plano ou cônico); • Pressão de pulverização; • Vazão do bico; • Velocidade do ar (velocidade de vôo); • Orientação do bico (em relação ao fluxo de ar); 59
  60. 60. • Velocidade relativa líquido / ar. A mudança da angulação do bico em relação ao vento relativo altera deforma significativa o tamanho de gotas nas aplicações por via aérea, em virtudedo impacto de saída das gotas em relação ao vento relativo. Tamanho de gotas na pulverização aérea em função da posição do bico em relação ao fluxo de ar. Fonte: Christofoletti, 2005. Outro sistema muito utilizado para quebrar o liquido em gotas são osatomizadores rotativos. Nestes equipamentos, o tamanho da gota é obtido pelarotação de telas ou discos do equipamento. Maiores rotações implicam emmenores tamanho de gotas Nestes casos a pressão interfere no volumeaplicado e não diretamente na qualidade da gota gerada, que fica sob ainfluência da rotação obtida. Esta por sua vez, em geral depende do ajuste do ângulo das pás. Osatomizadores rotativos são equipamentos que necessitam de elevada precisãode fabricação. Uma de suas caracteristicas, que os diferenciam dos bicoshidráulicos, é formação de gotas com espectro de gotas estreito, isto é, comuma amplitude de tamanhos pequena. Esta caracteristica é importante e vantajosa para esses equipamentos,pois permite aplicações mais técnicas, com possibilidade de menores perdasde produto, seja por gotas excessivamente grandes ou pequenas. 60

×