Olhos Mudos

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sintese de anexo desenvolvido durante meu curso de mestrado na UERJ

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Olhos Mudos

  1. 1. A arte on-line convoca olhos vorazes para admirá-la. <ul><li>Os olhos hoje têm que ter fome. </li></ul><ul><li>Ter boca, dentes, mãos e unhas. </li></ul><ul><li>Os olhos da atualidade têm que ser nevrálgicos. </li></ul><ul><li>Para agarrar e descobrir novos mundos. </li></ul><ul><li>Para acessar infinitas possibilidades criativas. </li></ul><ul><li>Graça Taguti e Alex Cabistani </li></ul>
  2. 2. Olhos mudos, cegos, surdos. <ul><li>BEIGUELMAN, Giselle . Olhos mudos . In: _______. Link-se : arte / mídia / política / cibercultura. São Paulo: Periópolis, 2006. p. 59-65.  </li></ul>
  3. 3. “ Arte on-line é bem mais que arte criada para a internet. Mas depende desta mídia para se realizar. Seja ela e-poesia, cinema interativo, hiperdrama, web arte ou outra categoria que se invente.” <ul><li>Giselle é professora da pós-graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP, colaboradora das revistas Trópico, Leonardo, Iowa Web Review e Cybertext. Coordena, com Marcus Bastos, o Grupo de Pesquisas &quot; net art: perspectivas criativas e críticas &quot;, no CNPq, cujo portal, hospedado na Fapesp , é co-dirigido por Vera Bighetti </li></ul>
  4. 4. Um tipo de arte que lida com diversos tipos de conexão, navegadores, velocidade de tráfego, qualidade de monitor... <ul><li>Seu trabalho aparece em antologias importantes e obras de referência devotadas às artes digitais on line. Seus projetos foram apresentados em exposições como 25a Bienal de São Paulo. Sua obra e biografia podem ser encontradas no site www.desvirtual.com seu estúdio de criação digital. </li></ul><ul><li>Suas pesquisas têm como referência teórica o desconstrutivismo de Jacques Derrida, a análise de arqueologias discursivas baseadas na obra de Michel Foucault e os princípios críticos de Félix Guattari (particularmente as noções de heterogênese maquínica e caosmose). </li></ul>
  5. 5. - What We Will – “A broadband interactive drama”. (Autores: Giles Perring • James Waite • John Cayley • Douglas Cape). Trabalha com fotografia panorâmica em um tour de cerca de 1 hora. Requer Apple Quicktime version 5.0.2 - 6.5.2, 7 (but not 7.1.1) . <ul><li>Uma exploração que permite vistas panorâmicas a partir de diferentes ângulos e posições dentro de uma mesma imagem. </li></ul><ul><li>O trabalho é excepcional porque demanda navegação entre dois panoramas superpostos. No site, o que ocupa o quadro superior da tela põe o observador na posição do controle do relógio da catedral de St, Paul, em Londres. Além da visão privilegiada que se tem da cidade, aí esta a chave para se entrar na narrativa, também panorâmica e interativa, que se passa no quadro inferior. </li></ul>
  6. 7. “ ... Entra-se no mundo no mundo cotidiano dos personagens, penetrando em seus quartos, nas estações de metrô que utilizam, e compartilhando seus momentos que intercalam suas atividades...” <ul><li>“ What We Will” é invenção narrativa, pois pode-se percorrer um tempo linear ou não-linear. Escolhe-se criar a própria sequência de acontecimentos. Disparar som e articulações novas, clicando em envelopes que aparecem em todas as cenas, nem sempre fáceis de encontrar . </li></ul>
  7. 8. Momento de reinventar a cronologia. <ul><li>Pela linkagem de imagens sucessivas, cria-se não apenas um jogo interessante de planos, que incluem a investigação de técnicas pré-cinematográficas – os panoramas – em um ambiente pós-cinematográfico. </li></ul><ul><li>Usa-se a abusa-se daquilo que confere especificidade à imagem digital: sua possibilidade de ser mapeável, transformando-se em imagem-interface, atualizando a linguagem e os códigos visuais, no contexto híbrido da Internet. </li></ul>
  8. 9. Narkes é um auto-retrato digital captado em webcam. De origem grega significa torpor e dá luz ao nome de Narciso, personagem da mitologia grega que preferia viver só, olhando o mundo através de um espelho entorpecedor, Também é o nome de uma planta, cuja flor bonita e de vida curta é venenosa. <ul><li>Abordando não só deslocamento do eu intermediado por máscaras, a construção/desconstrução de uma personagem e a tentativa de buscar sentido na experiência do cotidiano, típico dos auto-retratos, Narkes está impregnado da discussão digital da representação: o corpo aprisionado na tela de bordas claramente definidas, em um não-lugar desprovido de espacialidade, tratado com particular descaso. </li></ul>
  9. 11. Neste projeto de Helga Stein, percebe-se as fronteiras da fotografia e do vídeo, da Internet e das instalações computadorizadas. Um auto-retrato estilhaçado da artista é dado ao olhar canibal do público. <ul><li>Helga expõe em Narkes , não apenas a sociedade do espetáculo, mas a sociedade de controle, denunciada por Deleuze. A autora revela a emergência de um corpo escaneável, em detrimento da noção de um corpo bioquímico, que se viabiliza e realiza pela tela e através das lentes. </li></ul>
  10. 12. Um mistério além da captação do olhar. <ul><li>Em Narkes , o interesse plástico gera desgaste do significado da figura pela repetição sistemática de movimentos mecanizados, desprovidos de emoção e pelo desfoque extremado. Mais uma boneca do que um corpo vivo, que assume mobilidade restrita, fria e mórbida, o corpo videográfico é modulado, manipulado digitalmente e exposto de forma objetiva. Apropriação, justaposição e fragmentação da própria imagem geram significados repletos de mistério e, descontextualizados, têm seu sentido original alterado em tênues fronteiras. </li></ul>
  11. 13. Narkes ironiza o mundo dos apáticos <ul><li>“ Narkes” brinca e desdenha do mundo dos que são incapazes de iniciar a “Guerrilha do Sofá”, conclamada por Ivana Bentes (UFRJ) , contra o mundo chato que “Tudo se confessa diante das câmeras e na TV. E tanto a confissão quanto a vigilância se tornam entretenimento, espetáculo e, frequentemente, tédio”.(...) A televisão realiza o cruzamento do panoptismo com o confessionário, como pensados por Foucault e Deleuze para caracterizar as sociedades disciplinares e de controle </li></ul>
  12. 14. Os olhos devassam a alma <ul><li>&quot;Confessam-se os crimes, os pecados, os pensamentos e os desejos; confessam-se passado e sonhos, confessa-se a infância; confessam-se as próprias doenças e misérias; emprega-se a maior exatidão para dizer o mais difícil de ser dito; confessa-se em público, em particular, aos pais, aos educadores, ao médico, àqueles a quem se ama, a si próprios (...) &quot; </li></ul>
  13. 15. Agora convém prestar atenção à arte generativa de Vera Bighetti, que ataca as ilusões antropocentristas. <ul><li>Em projetos como Acaso/ By Chance, Vera parece exigir a performance de um endoespectador , dotado de olhos em distintas partes do corpo, que se configura e se dá ao trabalho de ser formatado para uma experiência transitória. </li></ul>
  14. 16. O que importa são os exercícios de subversão, que impliquem o trânsito de interfaces, agenciadoras de alteridades fractais.
  15. 17. . Acaso : Acontecimento incerto ou imprevisível; sucesso imprevisto, casualidade, eventualidade. Acontecimento que não tem o grau de determinação normal que o homem poderia prever.         “                                                                    
  16. 19. Acaso trabalha com a informação e a desinformação de modo que se tornem indistintas. Assim, perdem seu sentido original e se embaralham em novo contexto para uma nova informação. A imediatez da recepção e transmissão da informação, em tempo real, garante seu caráter de imprevisibilidade. <ul><li>Execução do projeto Ele é constituído de páginas em htm com uma série de links que podem ou não ser ativado ao passar o mouse. As imagens foram captadas da televisão por meio de uma maquina fotográfica e posteriormente manipuladas. O mesmo procedimento foi usado para a captação dos movies em AVI, que depois foram manipulados no Adobe Premier para serem finalizados em Shockwave do Flash como pequenos GIFS. </li></ul>
  17. 20. É preciso tornar-se cúmplice da máquina e ceder à lógica das parcerias, que jogam com a alteridade de papéis de criador e criatura, expondo as ambivalências entre o visível e o invisivel, o lugar do código e o lugar da imagem. <ul><li>O efeito multiplicador da velha televisão agora pelo sistema digital com imagens, câmeras, webcam e polifonia sonora está reforçando cada vez mais seu caráter super-reativo e construindo um campo globalizado do imaginário coletivo. O espaço perde suas dimensões quando acessamos endereços espalhados pelo mundo. O projeto Acaso prescinde do movimento do corpo para reunir e relacionar textos, imagens, sons, construindo a informação na relação da interação que substitui o movimento e conseqüentemente diminui o tempo. </li></ul>
  18. 22. history of moving images <ul><li>ASCII - The Official History of Net.art volume III - Neste trabalho, filmes que marcaram a história do século XX são convertidos em código ASCII e transmitidos por um sistema de animação programado em java. Utilizado desde 1920, o ASCII é uma evolução do código Morse e era a base das velhas teleprinters, entre as quais o Telex foi o sistema mais popular até 1980, que converte sinais eléytricos um unidades matemáticas de 8bits, as quais são recombinadas em 256 símbolos. Com esse instrumental, procura-se interrogar não a história do cinema, mas as formas da produção da imagem no século XX. </li></ul><ul><li>Assistimos ao desfiles de cenas-código de filmes como king kong (1933) Psycho ( Psicose, 1960) Star Trek (1966) Blow Up (1966), concluindo com Deep Throat (Garganta Profunda, 1972) </li></ul>
  19. 23. Os versos libertários de Mario de Andrade <ul><li>Canto da minha maneira. Que me importa si me não entendem? Não tenho forças bastantes para me universalizar? Paciência. Como o vário alaúde que construí, me parto por essa selva selvagem da cidade. Como o homem primitivo cantarei a princípio só. Mas canto é agente simpático: faz renascer na alma dum outro predisposto ou apenas sinceramente curioso e livre, o mesmo estado lírico provocado em nós por alegrias, sofrimentos, ideais. Sempre hei de achar também algum, alguma que se embalarão à cadência libertária dos meus versos. </li></ul>
  20. 24. Versos que não se escrevem para olhos mudos <ul><li>Mas todo esse prefácio, com todo o disparate das teorias que contém, não vale coisíssima nenhuma. Quando escrevi “Paulicéia desvairada” não pensei em nada disto. Garanto porém que chorei, que cantei, que ri, que berrei… Eu vivo! </li></ul><ul><li>Aliás versos não se escrevem para leitura de olhos mudos. Versos cantam-se, urram-se, choram-se. </li></ul>
  21. 25. Versos que demandam interação <ul><li>Que não souber cantar não leia Paisagem n.º 1. Quem não souber urrar não leia Ode ao Burguês. Quem não souber rezar, não leia Religião. Desprezar: A Escalada. Sofrer: Colloque Sentimental. Perdoar: a cantiga do berço, um dos solos de Minha Loucura, das Enfibraturas do Ipiranga. Não continuo. Repugna-me dar a chave de meu livro. </li></ul>
  22. 26. Versos autônomos e renovados <ul><li>Quem for como eu tem essa chave. </li></ul><ul><li>E está acabada a escola poética “Desvairismo”. </li></ul><ul><li>Próximo livro fundarei outra. </li></ul><ul><li>E não quero discípulos. Em arte: escola = imbecilidade de muitos para vaidade dum só.” </li></ul>

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