Revista indústria naval
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  • 1. Agosto 2010 INDÚSTRIA Setorial NAVAL Pré-sal impulsiona indústria nacional Recursos para a modernização Novos polos produtoresValor Setorial Indústria Naval FROTA RENOVADA Investimento em estaleiros é recorde
  • 2. CARTA AO LEITOR | Valor Econômico S.A. Diretora de Redação Vera Brandimarte Conselho Editorial FROTA COM BANDEIRA Aluízio Maranhão Gomes da Silva, Antonio Manuel Teixeira Mendes, Celso Pinto, João Roberto Marinho, Luiz Frias, Nicolino Spina, Otavio Frias Filho, Roberto Irineu Marinho e Vera Brandimarte Diretor-Presidente Nicolino Spina Conselho de Administração Antonio Manuel Teixeira Mendes, Luiz Frias, Paulo César Pereira Novis, Roberto Irineu Marinho Diretora de Redação Vera Brandimarte Diretora-Adjunta de Redação Claudia Safatle Diretora de Conteúdo do Valor Online Raquel Balarin Editores Executivos NACIONAL Célia de Gouvêa Franco, Cristiano Romero, José Roberto Campos, Pedro Cafardo A Diretor-Presidente indústria naval brasileira, que chegou a ser a segunda mais Nicolino Spina Diretor Financeiro Carlos Alberto Arroyo Ponce de Leon importante do mundo no fim dos anos 1970, precisou es- Diretora de Projetos Especiais Rosvita Saueressig Laux perar longos 13 anos para retomar as entregas de navios de Diretor-Adjunto de Projetos Especiais Carlos Raíces grande porte à Petrobras, interrompidas em 1997, numa encomen- Diretor de Negócios Digitais Rubens Pedretti Jr. da realizada ainda nos últimos anos da década de 1980. Em maio Diretor de TI Mauricio Ribeiro deste ano, num ato simbólico, o Estaleiro Atlântico Sul lançou ao Diretora de Assuntos Jurídicos e RH Daphne Murahovschi Sancovsky mar o primeiro petroleiro produzido no país desde então. Diretor de Circulação e Marketing Eduardo Guterman As perspectivas delineadas daqui para frente, no entanto, suge- rem uma fase de crescimento vigoroso da produção, graças não só Unidade de Projetos Especiais Revista s • Suplementos • Seminários a fatores conjunturais, mas especialmente em função das possibili- Diretora Rosvita Saueressig Laux dades abertas pela descoberta das reservas de petróleo no pré-sal e Diretor-Adjunto Carlos Raíces pela exigência crescente de conteúdo nacional, embutida na políti- Gerente de Publicidade Nacional Katiane Oliveira ca desenhada pelo governo a partir de 2004. Gerente de Publicidade – Brasília Luiza Pupe A indústria tem dado mostras de eficiência ao se dedicar ao fi- Gerente de Publicidade – Rio de Janeiro Paulo Roberto Santos da Costa lão aberto pela exploração de petróleo a grandes profundidades na Equipe de Publicidade São Paulo – Andréa Cheunamann, Elizabeth Resende, Ligia Xavier, Marco Leal, Susy plataforma marítima e atravessa, agora, uma fase de consolidação. Trucolo, Wagner Fonseca Claro; Rio de Janeiro – Haydée Figueiredo; Brasília – Joana Ferreira Analista de Publicidade: Elza Favorito A marca dessa nova etapa pode ser expressa no pacote de encomen- Setorial das de embarcações de grande porte despachado pela Transpetro. Editora: Tânia Nogueira Alvares O Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) con- Editora-Assistente: Maria Cândida Vieira Repórteres e Colaboradores: Adriana Aguilar, Anamárcia Vainsencher, Célia Demarchi, Denise templa 49 navios em duas etapas, com entrega prevista até 2015. O Bueno, Genilson Cezar, Gilberto Pauletti, Gleise de Castro, Jacílio Saraiva, Juan Garrido, Lauro Vei- ga Filho, Luiz Maciel, Roberto Rockmann, Rosangela Capozoli, Simone Goldberg, Vladimir Goitia programa inclui desde os gigantescos Suezmax, com capacidade Revisão: Mauro de Barros para 1,05 milhão de barris e 157 mil toneladas de porte bruto (TPB), Pesquisa e Revisão Técnica: Valor Data Gerente: Willian Volpato até navios para transporte de derivados claros (gasolina, diesel, Pesquisadores: Andrea Rodrigues dos Santos, Edgard Kanamaru, Eni Ribeiro dos Santos, Marcio Lorencini Ferreira, Marcos Roberto de Andrade Silva, Murilo Giovaneli, Robinson Moraes querosene, nafta e óleo lubrificante) e gaseiros, com 4 mil TPB ou Arte 7,2 milhões de litros. Editor de Arte/Fotografia: Silas Botelho Editor-Assistente de Arte: Renato Brandão A movimentação de cargas por navegação comercial também Coordenação de Arte: Eli Sumida Assistente de Arte: Thomas Camargo Coutinho e José Vicente da Veiga Pesquisa de Fotos e Imagens: Fernanda Prado registra recuperação da demanda, com a retomada do comércio Capa: Navio João Cândido/ Estaleiro Atlântico Sul – Divulgação Agência Petrobras mundial, maior ritmo de produção nas fábricas, safra recorde de Paginação e Editoração Eletrônica Grecco Comunicação grãos e novos investimentos em infraestrutura. Com mais de 8 mil Comercialização quilômetros de litoral e cerca de 40 mil quilômetros de rios e lagos CASA DE SUCESSO REPRESENTAÇÃO COMERCIAL navegáveis, o potencial náutico do Brasil é ainda subutilizado, mas E ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS LTDA. já chama a atenção até mesmo de grandes fabricantes internacio- Rua: Irmã Pia, nº 422, 3º andar – Jaguaré – CEP.: 05335-050 São Paulo – SP – Fones: (11) 3768-1025 ou 1157 ou 1192 nais de iates e lanchas esportivas, que anunciam investimentos na Marisa Stephano Feba e Paulo Feba – Diretoria Daiane Vila Nova Rodrigues – Executiva de Negócios construção de estaleiros no país.4 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 3. ÍNDICE | 10 10 CONJUNTURA Inclui NÚMERO DE FATURAMENTO MAIOR* 5,5 Estaleiros ESTALEIROS* Em R$ bi hões Navios 5,0 Plataformas 34 Petróleo e gás puxam ritmo de investimentos 48 de produção de petróleo CARTEIRA DE 42 ENCOMENDAS* 2007 2008 2009 2010 ( st mat v ) 229 navios Dados pen s dos a soc a os do S nav l 20 FINANCIAMENTO Petrobras negocia acordo pioneiro Mais crédito Financ amentos do Fundo da Marinha Mercante em R$ b lhões 13 2,4 2009 Empregos em expansão Em m l postos de traba ho 39 0 2007 40 3 2008 46 5 22 SEGUROS Múltis disputam os contratos de riscos 2009 11 2008 26 NAVEGAÇÃO COMERCIAL 2007 0 72 0 66 19 6 2004 0 46 2006 2006 2005 12 6 14 4 2004 2005 Aumento de 68% no transporte de cargas Capacidade de transporte Capac dade da frota de navios brasileiros 30 LOGÍSTICA À procura de opções mais competitivas 3,5 milhões Em m l TPB** contratada 2004 2005 2006 2007 58 19 3 2 55 2 466 8 de toneladas de porte bruto (TPB) Capac dade mundial Em mil TPB** entregue 2004 2005 2006 2007 17 3 45 3 67 3 50 1 34 HIDROVIAS Mais barcaças no sistema Tietê-Paraná 2008 531 7 1,1 bilhão 2008 101 4 36 de toneladas de porte PORTOS 2009 871 1 2009 13 2 bruto (TPB) 36 Gargalos crônicos de infraestrutura 38 PORTOS PRIVADOS Empresas investem em terminais próprios 40 SUDESTE Rio concentra 50% da capacidade 46 NORDESTE Benefícios fiscais atraem estaleiros 50 SUL Rio Grande forma cadeia produtiva 54 NORTE E CENTRO-OESTE Uso de transporte fluvial ainda é pouco explorado 56 TECNOLOGIA União para obter soluções inovadoras 60 PROJETOS 40 62 Mercado restrito para a engenharia nacional CONSTRUTORAS Grandes grupos disputam novos nichos 66 INSUMOS Siderúrgicas investem para cortar custos 68 EQUIPAMENTOS Fabricantes enfrentam concorrência da China 72 MOTORES Parceria ajuda a estrear no mercado 74 TINTAS Produto especial para navios e plataformas 78 SERVIÇOS Estrutura de apoio à operação em alto-mar 50 80 FORNECEDORES Incentivo para aumentar o conteúdo local 82 RECURSOS HUMANOS Preocupação com a falta de profissionais 84 SUSTENTABILIDADE Plano de ação a favor do ambiente 86 TURISMO NÁUTICO Estímulo para atrair mais barcos de lazer 88 LUXO Brasil é novo destino de iates e lanchas 90 INDICADORES6 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 4. CONJUNTURA | POR SIMONE GOLDBERG PETRÓLEO E GÁS PUXAM RITMO DE INVESTIMENTOS Novos petroleiros, embarcações de apoio, plataformas e navios-sonda de perfuração estimularam a construção de 18 estaleiros O Brasil já foi um dos maiores ção Naval e Offshore (Sinaval). A construtores navais do mun- carteira de pedidos nos esta- do. Hoje, em meio à compe- leiros nacionais até 2014, tição global, esse pódio dos cam- segundo a entidade, peões é ocupado por países asiá- soma 300 embarca- ticos, como Coreia do Sul, China e ções, é fortemen- Japão. Mas há um título que voltou te concentrada a ser verde-amarelo: o país toca, no atendimento atualmente, o maior programa de da Petrobras e de investimentos offshore do mundo, outras empresas do estimulando a indústria naval. segmento offshore e vai Só a Petrobras vai investir, até demandar investimento 2014, US$ 108,2 bilhões na área de próximo a R$ 10 bilhões. São exploração e produção. Desse total, mais de 50 encomendas de navios- US$ 78 bilhões serão aplicados no petroleiros e de produtos, cerca de desenvolvimento da produção, o 140 embarcações de apoio maríti- que inclui a construção de dezenas mo, oito cascos de navios-platafor- de sistemas submarinos como no- mas (FPSO), três plataformas, cin- vas plataformas e dutos marítimos co navios porta-contêineres, dois de escoamento de produtos. Há pla- graneleiros e cerca de 70 comboios nos de encomendas navais da esta- fluviais e rebocadores. Somente em tal em curso, como o Programa de 2010, o faturamento estimado para Modernização e Expansão da Frota o setor é de R$ 5,5 bilhões. (Promef) para a construção de pe- “O novo plano de negócios da troleiros, o Empresas Brasileiras de Petrobras prevê que a produção de Navegação (EBN) para afretamento óleo e gás praticamente duplique de navios a serem construídos por até 2020. O aumento da produção empresas nacionais e o Programa com os campos do pré-sal é uma das de Renovação da Frota de Apoio Ma- premissas fundamentais para os rítimo (Prorefam). novos planos. Parcela significativa O fornecimento de novos pe- de nossas novas embarcações será troleiros, embarcações de apoio empregada no alívio das platafor- marítimo, plataformas e sondas mas da bacia de Santos e no trans- de produção estimulou a constru- porte de petróleo até os terminais”, ção de 18 novos estaleiros no país, avalia Sérgio Machado, presidente segundo o Sindicato Nacional da da Transpetro, braço logístico e de Indústria da Construção e Repara- transportes da Petrobras.10 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 5. INFOGRÁFICO: MULTISPRETOMADA FIRMEPanorama da indústria naval no Brasil Inclui NÚMERO DEFATURAMENTO MAIOR* 5,5 • Estaleiros ESTALEIROS*Em R$ bilhões • Navios 4,8 5,0 • Plataformas de produção 34 de petróleo CARTEIRA DE 4,2 ENCOMENDAS* 229 navios *Dados apenas dos associados do Sinaval 2007 2008 2009 2010 (estimativa) Mais crédito Empregos em expansão Financiamentos do Fundo 2,4 Em mil postos da Marinha Mercante, 2009 de trabalho 40,3 39,0 2008 46,5 em R$ bilhões 1,3 2007 2009 1,1 2008 2007 0,72 0,66 19,6 2004 0,46 2006 2006 2005 12,6 14,4 2004 2005Capacidade de transporte Capacidade da frota de navios brasileiros 3,5 milhões de toneladas de porte Em mil TPB** contratada bruto (TPB) Em mil TPB** entregue 2004 5,8 2004 17, 3 2005 19,3 2005 45,3 2006 2,55 Capacidade mundial 2006 67,3 2007 2.466,8 2007 50,1 2008 531,7 1,1 bilhão 2008 101,4 2009 871,1 de toneladas de porte 2009 13,2 bruto (TPB) **Tonelagem de porte bruto. Fonte: Sinaval
  • 6. CONJUNTURA | Há ainda o que o mercado cha- ma de Promefinho: programa de renovação da frota hidroviária da estatal destinado ao projeto de es- coamento de etanol pela Hidrovia Tietê-Paraná. Lançado em março, o Promef Hidrovias prevê a cons- trução de 80 barcaças e 20 empur- radores. As propostas técnicas de 13 empresas, recebidas no final de junho pela estatal, serão analisadas nos próximos dois meses. Na primeira fase do programa EBN, 19 navios estão contratados junto a empresas de navegação que irão construí-los – no caso de pos- suírem estaleiros próprios, como a Navegação São Miguel – ou man- dar construir em outros estaleiros nacionais, como é o caso da Global Transportes Oceânicos e da Panco- ast, entre outras. A previsão é que essas embarcações estejam em ope- ração entre 2011 e 2014. Desde já, a Petrobras pretende aumentar essas contratações. “Enca- minhamos para o mercado o EBN 2, que são mais 20 navios”, diz o dire- tor de abastecimento, Paulo Rober- to Costa. Somado ao EBN 1, os dois programas totalizarão 39 embarca- ções. Costa lembra ainda os 49 na- vios encomendados pela Transpetro dentro do Promef. “A Petrobras tem hoje 88 navios de grande porte para serem construídos nos próximos anos, todos no Brasil.” Dos 49 navios do Promef, 46 fo- ram licitados. As encomendas acer- Sérgio Machado, da Transpetro: prioridade para o atendimento às plataformas da tadas somam US$ 4,7 bilhões. Entre os estaleiros vencedores estão os “O Brasil está retomando sua para atender a própria demanda da fluminenses Mauá (que faz quatro indústria naval. A consistência da Petrobras e de outros segmentos, e concorre nos três pendentes), Eisa demanda e a modernidade dos es- como mineração e cabotagem. Há Ilha (com quatro navios), Superpe- taleiros credenciam nossa indús- a Marinha, que acena com investi- sa (três) e Rio Nave (cinco) e os per- tria a competir também no merca- mentos em ampliação da esquadra, nambucanos Estaleiro Atlântico Sul do internacional”, diz o presidente além de armadores estrangeiros (EAS), com 22 encomendas, e Pro- do EAS, Angelo Bellelis. O estaleiro para atender o mercado brasileiro mar, com oito pedidos. Com sede no investiu cerca de R$ 1,8 bilhão de e outros.” O Estaleiro Atlântico Sul Rio, uma nova unidade do Promar 2008 a 2010. Sua capacidade de lançou ao mar, em maio, o primeiro será construída em Pernambuco processamento é de 160 mil tonela- navio do Promef. pelo STX Brazil Offshore (ex-Aker das de aço por ano. A avaliação positiva de Bellelis Promar), de controle coreano, com Para Bellelis, as perspectivas encontra respaldo na realidade. Es- investimento de US$ 100 milhões. são “ótimas”, graças à demanda da taleiros como o Eisa Ilha têm enco- O Promef, que busca conteúdo na- Transpetro e ao pré-sal, que traz mendas não só da Transpetro, mas cional de cerca de 70%, foi elaborado maisoportunidadesemplataformas também da Marinha, para quem o antes de uma avaliação de necessi- offshore, mais navios e equipamen- Eisa faz barcos-patrulha, e da Log- dades do pré-sal. Uma nova fase do tos. “Armadores privados também In, empresa privada de logística, programa está em análise. têm necessidades de embarcações que encomendou navios de carga.12 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 7. SILVIA COSTANTI / VALOR de navios de apoio marítimo para atender à demanda da Petrobras.” Além da construção de navios, o mercado de manutenção e constru- ção de plataformas também agita o setor. A Iesa, que cuida da manu- tenção e modernização de seis pla- taformas em operação na bacia de Campos e duas na bacia de Santos, integra o consórcio Quip, respon- sável por construir módulos da pla- taforma semissubmersível P-55 e da P-63, um navio-plataforma (FPSO). Ambas serão feitas no Rio Grande do Sul. “Os atuais contratos compõem uma carteira de aproximadamente R$ 1 bilhão”, afirma o diretor finan- ceiro e administrativo da Iesa Óleo & Gás, Irajá Galliano Andrade. Outro executivo da empresa, o diretor de engenharia José Eduardo Catelli Soares de Figueiredo, diz que um dos focos atuais é a produção de módulos para plataformas, porque a empresa está fazendo este tipo de peça para a P-55. “Deveremos inves- tir algo em torno de R$ 30 milhões numa espécie de fábrica de módu- los.” Figueiredo destaca que a Iesa está atenta à demanda por novas plataformas para atender ao pré- sal e ao crescimento da produção. “Estamos preparados para atuar em novos nichos, como o da construção de plataformas de perfuração.” A P-55 e a P-63 têm valor de contrato de US$ 2,9 bilhões. Há ainda 28 navios-sonda embacia de Santos e ao transporte de petróleo até os terminais licitação pela Petrobras, que serão construídos no Brasil, com entrega Ainda tem pedidos da Venezuela tros dos quais com contrato para prevista entre 2013 e 2018 e valor para fornecer petroleiros. prestar serviço à Petrobras –, além avaliado pelo mercado em cerca de Outros representantes dos bons da expansão do estaleiro em Niterói US$ 25 bilhões. Até 2018, a Petro- ventos que sopram na indústria na- e da construção de nova unidade in- bras vai contratar 58 sondas. Muitas val são a Companhia Brasileira de dustrial em São Gonçalo, ambos no estão sendo encomendadas no exte- Offshore (CBO) e o Estaleiro Aliança, Estado do Rio de Janeiro. rior, enquanto a indústria nacional seu controlado. O Aliança tem em O investimento total é de se prepara para responder às novas carteira oito navios de apoio maríti- US$ 828,8 milhões, dos quais 90% pressões de demanda. mo em construção – aqueles que le- financiados pelo banco com recur- Vários estaleiros estão “nascen- vam suprimentos às plataformas de sos do Fundo da Marinha Mercante do” motivados por essas sondas. Um petróleo –, com entregas previstas (FMM). A ampliação em Niterói está deles será fruto do consórcio Galvão/ de 2010 a 2012 para a própria CBO. em etapa final e a construção da se- Alusa e deve ficar em Quissamã, no E pretende ampliar sua produção. gunda unidade, o Aliança Offshore, norte do Estado do Rio de Janeiro. O Banco Nacional de Desenvolvi- teve as obras de terraplenagem ini- Outro estaleiro fluminense, o Mauá, mento Econômico e Social (BNDES) ciadas, segundo o presidente da CBO assinou contrato de arrendamento aprovou financiamento para a cons- e do Estaleiro Aliança, Luiz Maurício com a construtora Andrade Gutier- trução de 19 navios de apoio maríti- Portela. “A expansão do Estaleiro rez, também de olho na produção mo do tipo PSV 3000 e 4500 – qua- Aliança visa à construção e reparos de sondas. Mais um novo empre- INDÚSTRIA NAVAL ValorSetorial 13
  • 8. CONJUNTURA | LEO PINHEIRO / VALOR No final do ano passado, o conselho diretor do Fundo da Marinha Mer- cante (FMM) aprovou prioridades para a construção de 253 navios, o que representa investimentos de R$ 8,9 bilhões e outros R$ 2,3 bilhões para a implantação e modernização de mais 15 estaleiros. Em meados de junho, uma nova lei autorizou a União a conceder até R$ 15 bilhões aos agentes financeiros do FMM – os bancos federais – para viabilizar os projetos aprovados. Para o gerente do departamento de gás e petróleo e cadeia produti- va do BNDES, Vinícius Samu de Fi- gueiredo, o país tem, com o pré-sal, uma oportunidade como há anos não surgia para desenvolver o setor naval. “O setor de óleo e gás é, sem dúvida, o grande ‘drive’ dessa de- manda. Só ele é suficiente para sus- tentar uma retomada da indústria.” Figueiredo demonstra certa preo- cupação em relação aos anúncios de novos estaleiros, principalmente aqueles voltados para a construção dos navios-sonda em licitação pela Petrobras. “Há dúvidas sobre se essa demanda específica vai se manter, e o risco é termos estaleiros esvazia- dos no futuro.” No entanto, Figueiredo vê espa- Ariovaldo Rocha, do endimento anunciado é o Eisa Ala- senvolvimento Produtivo (PDP), ço para estaleiros dedicados a em- Sinaval: nova fase goas, do grupo Sinergy (que contro- o setor desfruta de uma série de barcações de apoio marítimo, para de expansão com la o Mauá e o Eisa do Rio), que exigi- desonerações fiscais, entre elas IPI, navios de grande porte e platafor- navios graneleiros rá investimento de R$ 1,5 bilhão. PIS-Pasep e Cofins, além de finan- mas. E defende um esforço maior na e porta-contêineres “A indústria naval brasileira pas- ciamento oficial mais barato para produção de barcos de apoio, que sou por um período de recuperação projetos com maior índice de na- são feitos de acordo com o pedido entre 1999 e 2007. As encomendas cionalização de componentes, uma do cliente e, por isso, não dependem da Transpetro consolidaram o setor das metas da PDP. A segunda meta tanto de economia de escala, como com a construção de navios-petro- é ampliar a participação da bandei- os grandes petroleiros. Neles, o Bra- leiros de grande porte. É a fase em ra brasileira na marinha mercante sil tem chance de ser competitivo. “É que nos encontramos”, diz o presi- mundial. Nos últimos dois anos, muito difícil competir com a Coreia dente do Sinaval, Ariovaldo Rocha. houve um aumento superior a 25% do Sul em navios de grande porte. Para ele, a próxima fase será de ex- no número de embarcações na frota Ela faz, em um estaleiro apenas, cem pansão, com o aumento da deman- de bandeira nacional e a geração de navios por ano. Nosso maior e mais da por navios porta-contêineres e mais de 25 mil empregos na cadeia moderno estaleiro não faz cinco.” navios-graneleiros, diversificando produtiva do setor. O gerente do BNDES lembra que é clientes para além do setor de petró- “Com os estaleiros em operação preciso desenvolver tecnologia. “Por leo e gás. O executivo acredita que contínua, o atendimento aos de- enquanto, os projetos desses barcos o país está no caminho certo, com mais segmentos, além do petróleo de apoio vêm de fora.” Existe hoje o aumento dos investimentos e ex- e gás, vai ocorrer. Uma das metas no BNDES uma carteira de projetos pansão do emprego direto no ramo mais importantes é a construção de avaliados em R$ 29,6 bilhões em – de 2 mil, em 2000, para 46, 5 mil, uma frota própria de navios para o financiamentos para o setor naval, em 2010. Os empregos indiretos comércio exterior brasileiro, prin- somando os que estão em perspecti- chegam a 230 mil pessoas. cipalmente porta-contêineres e va, carta-consulta, enquadrados, em Contemplado na Política de De- graneleiros”, diz Rocha, do Sinaval. análise e aprovados.14 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 9. CONJUNTURA | LEO PINHEIRO / VALOR Irajá Andrade, Segundo o Sinaval, o país está dos Reis, que construirá a P-61. avaliação do Sinaval é de uma neces- da Iesa: carteira construindo capacidade produti- O consórcio Quip fará a P-63 no sidade de 55 plataformas até 2020, de cerca de va capaz de dar conta da demanda Estaleiro Rio Grande (RS) e parte incluindo as 48 que a OGX, empresa R$ 1 bilhão em atual e da estimada. Isso indica (módulos) da P-55, que está em do grupo EBX – do empresário Eike modernização uma geração de 60 mil empregos construção no Estaleiro Atlântico Batista –, vai precisar e serão feitas diretos em 2014 e cerca de 240 mil Sul (EAS). As outras duas platafor- no estaleiro do grupo, o OSX. Este indiretos. Só em plataformas de mas em construção são a P-58 e a estaleiro, que inicialmente seria ins- produção de diversos tipos, a de- P-62, que terão os cascos conver- talado em Santa Catarina, negocia manda é avaliada em mais de 150 tidos em Cingapura e os diversos com o governo do Rio de Janeiro sua unidades até 2020. módulos e a montagem final rea- ida para o Estado. O investimento é De acordo com o plano de ne- lizados no Brasil, mas ainda sem avaliado em R$ 2,5 bilhões. gócios da Petrobras, até 2015 as ne- estaleiros definidos. Para Floriano Martins, vice-pre- cessidades de plataformas superam Para o pré-sal, há carta de in- sidente da Sociedade Brasileira de 140 unidades (incluindo as fixas, as tenção assinada com a Engevix Engenharia Naval (Sobena) e pro- de pernas tensionadas e os navios- para a construção, no Estaleiro Rio fessor da Coppe-Instituto Alberto plataforma de produção) e colocam Grande (RS), de oito cascos de pla- Luiz Coimbra de Pós-Graduação uma demanda de 491 barcos de taformas do tipo FPSO (sigla em e Pesquisa de Engenharia da Uni- apoio e especiais. Até o final de 2010, inglês para plataforma flutuante, versidade Federal do Rio de Janeiro segundo a Petrobras, haverá sete que produz, processa, armazena (UFRJ), apesar das boas perspecti- plataformas em construção no país, e escoa petróleo). O contrato está vas do setor, há gargalos que pre- a serem entregues entre 2011 e 2104 avaliado em US$ 3,5 bilhões, e a cisam ser superados, como falta e que vão operar no pós-sal. Entre Engevix vai investir cerca de R$ de infraestrutura e de mão de obra elas estão a P-56 e a P-57, em produ- 400 milhões para adaptar o esta- qualificada, defasagem tecnológi- ção no estaleiro Brasfels (do grupo leiro às necessidades da obra. ca e a necessidade de estruturação Keppel, de Cingapura), em Angra Para as petrolíferas privadas, a da cadeia produtiva.16 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 10. FINANCIAMENTO | POR ADRIANA AGUILAR PETROBRAS NEGOCIA ACORDO PIONEIRO Apesar da elevada expansão da oferta de crédito, empresa negocia pacto com bancos para facilitar o empréstimo aos fornecedores A Petrobras está negociando O acordo cogita a criação de um agente financeiro credenciado com seis grandes bancos, banco de dados para o armazena- pelo FMM, o Banco do Brasil (BB) em uma iniciativa pionei- mento das informações de cada soma oito operações contratadas de ra, um acordo para que toda a ca- empresa. Com esse histórico, os 2009 até julho de 2010, totalizando deia de fornecedores da indústria bancos reduziriam a percepção de R$ 900 milhões em financiamentos. naval tenha acesso ao crédito. A risco em relação às empresas, libe- “O crescimento da construção na- perspectiva é de que o acordo seja rando o crédito rapidamente. Para val se consolidou no país, inclusive fechado ainda neste ano. Segundo mitigar os riscos e garantir agilida- com a entrada de empresas estran- alguns bancos, as reuniões com a de nas contratações, os contratos geiras se associando às brasileiras, Petrobras ocorrem desde o último de garantia seriam padronizados. o que demonstra credibilidade no trimestre de 2009. Atualmente, os A Petrobras seria favorecida pela negócio. Estamos em outro estágio, fornecedores da indústria naval, redução geral de preços, decorren- que é o fortalecimento e desenvolvi- quando solicitam financiamento, te de menor custo financeiro em mento do setor de navipeças brasi- enfrentam custos mais elevados e, toda cadeia produtiva. leiro”, diz Débora Teixeira, diretora muitas vezes, têm o pedido negado A ação da Petrobras é um reforço do departamento do FMM. por não conseguirem comprovar para a indústria naval, cuja deman- As condições atrativas – emprés- geração de caixa suficiente para o da crescente por embarcações no- timo de até 20 anos e taxas de juro pagamento dos compromissos. vas, aliada à ampliação e moderni- reduzidas – justificam a demanda Hoje, a Petrobras é a âncora zação da infraestrutura na constru- pelos recursos do FMM. Uma reso- da cadeia produtiva da indústria ção naval, tem elevado o volume de lução do Conselho Monetário Na- naval. O objetivo é que a capaci- financiamentos. Nos últimos anos, cional, de dezembro de 2009, fixou dade de a estatal saldar seus com- os empréstimos para a indústria novas condições financeiras para as promissos financeiros seja um naval passaram de R$ 500 milhões operações com dinheiro do fundo. facilitador para os fornecedores. para R$ 2 bilhões. Os recursos são do Por essa norma, quanto maior o con- Segundo o sistema proposto, o Fundo da Marinha Mercante (FMM) teúdo nacional do projeto, menor o banco analisaria a forma de paga- e o principal repassador do dinhei- custo do dinheiro emprestado, o mento do empréstimo com base ro continua sendo o Banco Nacional que estimula o fortalecimento da na expectativa de geração de caixa de Desenvolvimento Econômico e indústria naval local. O aumento do de cada contrato ligado indireta- Social (BNDES), que desembolsará índice de nacionalização das enco- mente à Petrobras. R$ 1,8 bilhão em 2010. Como novo mendas da Petrobras é uma política do governo para fortalecer a indús- tria brasileira, associado ao traba- Mais recursos lho desenvolvido pelo Programa de Ano BNDES FMM Mobilização da Indústria Nacional (em R$/milhões) (R$/milhões) de Petróleo e Gás Natural. Os financiamentos com recursos 2005 393,70 472,17 do FMM, dependendo do empreen- 2006 500,94 1.069,40 dimento, têm prazo máximo de 20 2007 982,65 876,17 anos, com taxa de juro que pode va- 2008 1.047,99 1.608,85 riar de 2% a 7% ao ano, acrescida da 2009 1.787,03 2.051,07 Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), 2010 1.799,25* 1.148,62** hoje em 6% ao ano, ou da variação do dólar americano. Fica a critério da Fonte: BNDES e FMM. *Perspectiva de desembolso total em 2010. ** Até julho de 2010 empresa a escolha de um dos inde-20 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 11. DIVULGAÇÃO Nos últimos três anos, houve um incremento de recursos no se- tor naval devido, principalmente, ao Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef 1 e 2), bem como a ampliação do número de projetos com as descobertas do pré-sal. Também o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado em janeiro de 2007, in- cluiu a indústria naval como um setor prioritário. Em maio de 2008, o setor foi incluído na Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP). O BNDES conta com uma cartei- ra de projetos contratados na área de R$ 11,4 bilhões com recursos do FMM. Aí estão incluídos projetos do Promef 1 (da Transpetro), platafor- mas, navios de apoio, embarcações de navegação de interior e estaleiros. Desse total, restam R$ 9,2 bilhões, que serão desembolsados em três anos. No financiando da expansão da frota da Transpetro (Promef 1), foram licitados 23 navios–tanque. Os financiamentos do banco atin- giram R$ 4,7 bilhões, em fase de desembolso. Já o Promef 2 prevê a construção de 26 navios-tanque. Ainda em julho, o BB aprovou o financiamento de R$ 110,58 milhões em contratos assinados pela Trans- petro e pelo estaleiro Superpesa, do Rio de Janeiro, para a construção de três navios de transporte de com- bustível para embarcações, chama- dos de bunkers. Credenciado como agente financeiro do FMM desde 2009, o BB apresenta oito operações contratadas em moeda estrangeira e nacional por diferentes empresas. O montante das oito operações somaSandro Kohler Marcondes, do BB: curva intensa de aprendizagem no setor cerca de R$ 900 milhões. Na carteira de análise do BB, háxadores. Também pode haver uma Por isso, o Tesouro ofereceu R$ 15 29 projetos que totalizam R$ 6,8 bi-combinação deles. O custo total do bilhões de outra fonte em 2009. lhões. Mais de 90% dos recursos sãofinanciamento será dado pelo custo Em 2010, de janeiro a julho, o para a cadeia de óleo e gás, ou seja,financeiro, mais os spreads da insti- FMM recebeu novos projetos, que fornecedores da Petrobras. O BB temtuição repassadora dos recursos. somam R$ 8,5 bilhões. A expecta- estruturado negócios para um seg- Em dezembro de 2009, o Conse- tiva é de que a avaliação seja feita mento que continuará crescendolho Diretor do Fundo da Marinha na próxima reunião do Conselho nos próximos anos. “Desde o inícioMercante aprovou projetos no valor Diretor do FMM. O orçamento para de 2009, estamos em uma curva in-de R$ 14,2 bilhões para financiar desembolsos em 2010 para as obras tensa de aprendizagem e as empre-o setor. A arrecadação própria do em andamento e contratações clas- sas do setor naval estão interessadasFMM, no entanto, ao longo da exe- sificadas como prioritárias, firma- em conhecer o trabalho do BB”, diz ocução das obras (até 2014), não era das neste ano ou em anos anterio- diretor da área comercial do banco,suficiente para atender à demanda. res, são de R$ 4 bilhões. Sandro Kohler Marcondes. INDÚSTRIA NAVAL ValorSetorial 21
  • 12. SEGUROS | POR DENISE BUENO MÚLTIS DISPUTAM OS CONTRATOS DE RISCOS Abertura do mercado de resseguro coincide com maior demanda por apólices de cobertura e atrai grande número de seguradoras ANNA CAROLINA NEGRI / VALOR O s contratos de seguros da ros aqui por ser a principal parceira indústria naval brasileira de grandes estaleiros sediados em estão entre os mais disputa- Cingapura e que começam a ganhar dos no mundo. O país está longe de contratos também no Brasil. ser o maior mercado neste segmen- “Tudo isso sem falar na explora- to, liderado por Cingapura. Mas é ção de petróleo, que exige grande o que mais interesse desperta pelo investimento na construção de em- grande potencial de negócios. “Be- barcações de apoio, principalmente neficiado com investimentos signi- para a exploração da camada pré- ficativos, o setor reluz para os exe- sal, bem como para a moderniza- cutivos de seguros e de resseguros ção da frota”, acrescenta Mauricio de todo o mundo”, diz Maria Hele- Aguiar Giuntini, ex-oficial da ma- na Carbone, diretora da “marine” rinha mercante contratado pela da AON Risk, uma das principais Liberty International Underwriters, corretoras do mundo. divisão internacional responsável “A área naval passou a fazer parte pelos grandes riscos do grupo Li- do foco de investimentos de várias berty Mutual. seguradoras que ainda estão se es- Até pouco tempo atrás, a indús- truturando para atender à deman- tria naval no Brasil estava limitada da”, conta Ângelo Colombo, diretor aos seguros dos 54 navios da frota da subsidiária do grupo alemão da subsidiária da Petrobras, a Trans- Allianz, maior seguradora do mun- petro, com seguro restrito a apólice do em valor de mercado. Os grupos de reparo naval. O contrato foi por negociam coberturas e serviços muitos anos administrado pela dentro das necessidades dos clien- SulAmérica e desde o ano passado tes locais e contratos de resseguros tem como líder a seguradora japo- automáticos para atender à deman- nesa Tokio Marine. A licitação era re- da explosiva esperada para os pró- alizada praticamente sem qualquer ximos 15 anos, devido ao aqueci- concorrência, uma vez que mais de mento dos negócios para estaleiros, 90% do risco dependia do valor do embarcadores, administradores de resseguro, operação que por quase portos e empresas de transporte. 70 anos ficou monopolizada no Bra- “A Transpetro impulsionou a re- sil. Sem concorrência, o seguro ti- tomada da indústria naval e os esta- nha coberturas e preços limitados. leiros buscam contratos no mundo Dois anos após a abertura do todo, pois não há como depender só mercado, o cenário é bem diferen- da estatal”, diz João Baptista Bárba- te. “O Brasil é investment grade, a ra, corretor da Colemont Brasil Insu- indústria naval se moderniza e o rance e Reinsurance, especializada mercado de seguros se internacio- em seguros navais. Segundo Jacques nalizou e conta com quase cem res- Bergman, presidente da subsidiária seguradores no país”, analisa Felipe local da canadense Fairfax, o grupo Smith, diretor da Tokio Marine. Em Felipe Smith, da Tokio Marine: mercado se internacionalizou está negociando contratos de segu- março, a empresa fechou parceria22 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 13. Nossos Negócios Soluções CompetitivasÁrea Naval – Shiprepairer’s Liability, Marine TPL, Builders’s Risk e Operation’s Risk Riscos de Engenharia A FOUR CORRETORA DE SEGUROS está a 20 anos atuando no Mercado da Indústria Naval, atendendo a clientes Seguro Garantia como o Estaleiro Atlântico Sul, STX Brasil Offshore entre outros. Recentemente realizou assessoria completa para Responsabilidade Civil, D&O diversos estaleiros com referência ao FUNDO GARANTIDOR DA CONSTRUÇÃO NAVAL (FGCN), através do SINAVAL, Riscos Diversos Equipamentos entidade para qual presta consultoria para demandas em seguros. Riscos Patrimoniais, Operacionais e Nomeados Especializada na Indústria Naval, desenvolve programas de seguros específicos atendendo às reais necessidades dos Programas de Benefícios clientes. Empresas que necessitam destes serviços (Saúde e Vida em grupo) encontram na FOUR CORRETORA DE SEGUROS a parceria para soluções ágeis e competitivas. Transportes Este é o diferencial da FOUR CORRETORA DE SEGUROS. Avenida Presidente Roosevelt, 15 - Niterói - RJ - CEP 24.360-066 Telefone: 55 (21) 3611-4100 | www.fourcorretora.com.br
  • 14. SEGUROS | GUSTAVO LOURENCAO / VALOR rado e chega até o momento em que negócios do Lloyd’s no Brasil e, nos a embarcação está em plena opera- últimos três anos, saiu de US$ 30 ção, com apólices que garantem o milhões de prêmios para os atuais vai e vem das mercadorias transpor- US$ 60 milhões. tadas mesmo com a ação de piratas Não há estatísticas do quanto ou da fúria da natureza. essa indústria movimenta. Dados da Aos poucos, ganha fôlego a co- Susep mostram prêmios de R$ 200 bertura de construção naval, apólice milhões no ramo embarcações. Po- semelhante à de riscos de engenha- rém incluem riscos de embarcações ria de construção de um empreen- de passeio e não consideram o se- dimento. “Este é o filé-mignon da in- guro de garantia para a construção dústria”, diz Paulo Barrocas, gerente do navio, nem mesmo o seguro que de riscos de transporte do IRB Brasil garante os riscos materiais e de res- Re. Dos 49 navios do Programa de ponsabilidade civil que envolvem a Modernização e Expansão da Frota, construção de um navio. Boa parte 46 já foram contratados, com inves- desse valor expressa o contrato de timento de US$ 4,7 bilhões. seguros da frota da Transpetro, que O índice de sinistralidade é prati- é segurada através de clubes de se- camente zero. O maior risco é quan- guro de responsabilidade civil, que do o navio vai ser lançado. “Quando são formados por associações cente- há acidente, ele leva boa parte do nárias de armadores de navios. Jacques Bergman, com o grupo Schahin para o seguro lucro, pois o custo é elevado pelo Douglas Sakamoto, da Munich da Fairfax: de equipamentos e navios destina- valor da embarcação e dos estragos Re do Brasil, diz que o mercado para contratos com dos à perfuração e manutenção de que ele causa em volta”, diz Maria o segmento de embarcações comer- grandes estaleiros poços em águas oceânicas e aguar- Helena, da AON. Já no reparo naval, ciais de longo curso deve manter o de Cingapura da outros contratos de sondas de as seguradoras amargam perdas pe- atual cenário, com a prática de pre- perfuração em águas profundas em los gargalos dos portos brasileiros, ços competitivos acentuada pelo construção na Coreia e na China e frota de navios com idade avançada apetite dos novos players que vieram que devem chegar ao Brasil no pró- e urgência na reformulação de um com a abertura do resseguro. O úni- ximo ano. novo arcabouço regulatório para o co segmento que enfrenta alguma Os produtos ofertados começam setor naval. dificuldade é o seguro para opera- na garantia de que a empresa con- É um dos principais mercados do ção de plataformas, impactado pelo tratante terá sua encomenda no pra- Lloyd’s of London. “Principalmen- maior desastre ao meio ambiente zo e nas condições acertadas no con- te com a abertura do mercado de causado pela explosão da platafor- trato, passa pelas garantias exigidas resseguros”, diz o representante da ma Deep Horizon, da British Petro- do banco financiador do projeto de empresa no Brasil, Marco Castro. A leum, no Golfo do México, em abril que o valor do empréstimo será hon- carteira naval representa 30% dos deste ano e que só em meados de ju- lho teve o vazamento controlado. Aparentemente, as perdas para Principais seguros as seguradoras estão limitadas a US$ 3,5 bilhões. Os contratos para Builders Risk Contratada pelo estaleiro para se proteger de danos durante o período de construção a operação de plataformas estão (construtor naval) até o final do período de teste do navio nos primeiros meses de operação sendo revisados e o setor aguarda Casco e máquinas Apólice contratada pelos proprietários de navios e protege a embarcação com relação a um realinhamento de coberturas danos materiais, inclusive ao motor e preços devido à possível alteração Reparador naval Cobre eventuais prejuízos causados a terceiros pelo reparador naval em razão dos na legislação americana de polui- serviços prestados ção por óleo quanto ao limite de Operador portuário Cobre danos materiais causadas pelo operador a terceiros responsabilidade dos proprietários de navios. Algumas seguradoras de- Guerra e greves Protege a embarcação com relação a danos materiais em áreas de guerra e greve cidiram sair desse tipo de cobertura Loss of Hire Cobre a perda de receita dos embarcadores por paralisações em razão do dano material coberto diante da dúvida sobre a segurança Protection Cobre responsabilidade civil do transportador aquaviário, sendo as maiores capacidades da tecnologia para exploração de & Indemnity ofertadas pelos clubes de investimentos dos quais os armadores são sócios petróleo em águas profundas. Ou- Strikes Protege contra a paralisação da embarcação por atos de greve, bloqueios e outros tras reduziram a oferta, e as que fi- caram estão mais exigentes do que Taxas de hipotecas Protege os interesses do credor hipotecário nunca. Seguros ligados à operação e riscos adicionais de plataformas devem registrar rea- Fonte: Aon Risk juste médio de até 50% nos preços.24 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 15. Experiência globalno estaleiro local O grupo STX Europe, especializado na construção de navios para operações Pipelayer offshore, dedica toda a experiência e tecnologia internacional ao estaleiro da STX Europe no Brasil. São 15 estaleiros localizados no Brasil, Finlândia, França, Noruega, Romênia e Vietnam. É o apoio RSV global a soluções locais na produção de petróleo offshore. AHTS PSV Praça Alcides Pereira 1 – Ilha da Conceição Niterói - RJ – CEP: 24.050-350 – Brasil Tel: 21 2718-9090 – Fax: 21 2718-9080 www.stxeurope.com
  • 16. NAVEGAÇÃO COMERCIAL | POR LAURO VEIGA FILHO AUMENTO DE 68% NO TRANSPORTE DE CARGAS Retomada do comércio mundial e safra recorde de grãos elevam a participação do modal na logística O s caminhos da navegação ção interior, acumulou crescimento tados no comércio exterior, onde o comercial brasileira seguem de 68%, saindo de 435,71 milhões de fluxo de cargas sofreu redução de praticamente paralelos aos toneladas em 1999 para 732,93 mi- 20,2% na importação, para 91,50 novos rumos tomados pela indús- lhões de toneladas em 2009, quan- milhões de toneladas, e de 3,3% na tria naval, com boas perspectivas de do a crise nos mercados internacio- exportação, que somou 439,77 mi- crescimento e previsão de taxas su- nais produziu um recuo de 4,6% em lhões de toneladas. periores àquelas antecipadas para relação a 2008, conforme dados da Na década, no entanto, houve a economia como um todo, avalia Agência Nacional de Transportes crescimento nas duas pontas, com o vice-presidente-executivo do Sin- Aquaviários (Antaq). destaque para as vendas externas dicato Nacional das Empresas de A navegação em água doce ex- (mais 40%), enquanto as compras Navegação Marítima (Syndarma), perimentou o maior crescimento, variaram 4,3% (desconsiderado Roberto Galli. O modal, completa num salto de 88,5%, mas sua parti- 2009, no entanto, as importações ele, oferece custos mais baixos, me- cipação no total ainda é modesta, cresceram 30,8% desde 1999). Os nores riscos e maior segurança. representando em torno de 4% do dados disponíveis até maio, segun- Mas as operadoras logísticas e volume movimentado, algo próxi- do a Fundação Centro de Estudos empresas de navegação calibram mo a 31,4 milhões de toneladas, em do Comércio Exterior (Funcex), seus negócios de olho também na 2009. Com mais de 72% das cargas mostram um crescimento acumu- melhoria esperada para as condi- transportadas por navios e outros lado de 10,6% no volume exporta- ções gerais da economia, com o iní- tipos de embarcação, num total de do e de 41,5% para as importações, cio do que parece ser uma retomada 531,28 milhões de toneladas, a na- sempre em relação aos primeiros dos negócios no comércio mundial, vegação de longo curso apresentou cinco meses de 2009, o que parece maior ritmo de produção nas fábri- avanço de 79,5% na década, tendên- confirmar as previsões de cresci- cas, safra recorde de grãos e novos cia interrompida apenas em 2009, mento da demanda por fretes no investimentos em infraestrutura. quando o segmento experimentou front externo. Em volume, aponta Na última década, a movimentação recuo de 6,5% em relação a 2008. Galli, o transporte marítimo mo- de cargas por navegação, incluindo Esse movimento foi influenciado vimenta 94% das exportações e 96% longo curso, cabotagem e a navega- pelos menores volumes movimen- das importações, respondendo por 82% dos valores exportados e por 73% das compras externas. Gastos com afretamento Abatida pela crise da dívida ex- Em US$ milhões* terna nos anos 1980 e por decisões Ano Cabotagem Longo Apoio Apoio Dragagem Total equivocadas de política econômica, curso marítimo portuário a marinha mercante submergiu ao longo dos anos 1990, lembra Galli. 2004 77,8 800,1 238,7 2,0 - 1.118,6 Com a quebra dos mais tradicio- 2005 262,0 1.237,2 306,2 9,1 - 1.814,5 nais estaleiros, a participação dos 2006 79,3 1.787,1 399,6 37,0 33,7 2.336,7 navios de bandeira brasileira caiu abaixo de 3%, concentrada princi- 2007 98,2 1.565,3 543,0 74,7 - 2.281,2 palmente no segmento de contêi- 2008 135,8 2.120,1 765,2 18,6 - 3.039,7 neres. “Efetivamente, as operado- 2009 71,0 2.206,0 971,4 14,9 - 3.263,3 ras se voltaram para a cabotagem, Total 764,7 10.168,4 3.353,7 157,1 33,7 14.477,6 que ainda responde por uma fatia muito abaixo da ideal na matriz de Fonte: Antaq . * Valores arredondados transporte do país (representando26 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 17. ALINE MASSUCA/VALORem torno de 1% das cargas, segun- da. Em seis anos, essas despesas fo- Redução de impostos e meno- Roberto Galli,do a Antaq)”, afirma Galli. ram multiplicadas em quase cinco res encargos, com tratamento dife- do Syndarma: Para ele, as condições físicas do vezes, já que representaram apenas renciado na cobrança do Imposto modal temBrasil, com relevo favorável, costa US$ 452,6 milhões em 2003. Em de Renda sobre tripulações em- custos baixos eextensa e mais de 40 mil quilôme- sete anos, foram gastos US$ 10,16 bi- barcadas, fazem parte do cardápio riscos menorestros de rede hidrográfica, dos quais lhões, valores suficientes para finan- sugerido.apenas 16 mil quilômetros são ciar a produção interna de quase 66 “As empresas de navegação es-aproveitados para transporte, “ofe- navios, segundo o Sindicato Nacio- trangeiras, mesmo quando ope-recem grande oportunidade para nal da Indústria da Construção e Re- ram na cabotagem, estão isentas docrescimento do modal aquaviário, paração Naval e Offshore (Sinaval). recolhimento do Imposto sobre aprincipalmente na cabotagem” – Incluindo as demais modalida- Circulação de Mercadorias e Servi-segmento que apresenta “potencial des de navegação, as despesas totais ços (ICMS) sobre combustíveis, por-para transporte ainda não adequa- do Brasil com afretamento de navios que a operação é classificada comodamente avaliado”. avançou 7,4% no ano passado, atin- se fosse uma exportação. Isso gera A baixa participação brasileira gindo US$ 3,26 bilhões e acumulan- desvantagens para as empresas bra-tem trazido outro tipo de perda do US$ 14,47 bilhões desde 2003 – o sileiras”, observa Galli. Ele defendepara a economia, refletida no cresci- que é mais de duas vezes superior a maior celeridade no ressarcimentomento acelerado das despesas com todo o investimento projetado pela do Adicional de Frete e o uso desseafretamento de navios de bandeira Petrobras Transporte S.A. (Transpe- crédito no pagamento de financia-estrangeira. Os números da Antaq tro) até 2018. Parte da solução, diz mentos contratados para a compramostram que o país desembolsou Galli, estaria na implantação do que de embarcações.US$ 2,2 bilhões em 2009 com afre- ele classifica como “ajustes norma- A Antaq estima que o país traba-tamento de embarcações de longo tivos”, que permitiriam equalizar lha hoje com uma frota de 82 navioscurso, mais 4% em relação ao ante- a carga tributária imposta aos ope- na cabotagem e 105 embarcaçõesrior, embora os dados do comércio radores nacionais àquela exigida de dedicadas à prestação de serviços deexterior tenham demonstrado que- navios com bandeira estrangeira. apoio marítimo, basicamente no su- INDÚSTRIA NAVAL ValorSetorial 27
  • 18. NAVEGAÇÃO COMERCIAL | primento de plataformas offshore, recuo de 6% na receita líquida, o A ampliação do Estaleiro Aliança segmentos que têm atraído maiores grupo conseguiu ampliar seu re- encontra-se em fase final e permi- investimentos das operadoras logís- sultado líquido em 20%, passando tirá ao grupo atender à crescente ticas e de empresas de navegação. de R$ 99 milhões para R$ 119,09 demanda da Petrobras por novas Primeiro operador privado de milhões, correspondentes a uma embarcações de apoio, diante das contêineres, com participação rentabilidade patrimonial de previsões de instalação de platafor- de 18% nesse mercado, e um dos 43,6%. O braço logístico do grupo, mas para a exploração de petróleo maiores nos segmentos de opera- tocado pela Libra Logística, ex- no pré-sal. Ao final da expansão, ção portuária e logística de comér- pandiu as receitas líquidas em 8%, estima Portela, o estaleiro passará a cio exterior, com receitas líquidas para R$ 60 milhões. empregar diretamente perto de 1,2 na faixa de R$ 700 milhões em O Grupo Fischer, controlador da mil pessoas, gerando outras 3 mil 2009, o Grupo Libra revisou seu Companhia Brasileira de Offshore colocações de forma indireta. planejamento estratégico em mea- (CBO) e do Estaleiro Aliança, pre- A expansão do estaleiro em Ni- dos de 2009 e decidiu reforçar in- para-se para investir US$ 828,8 mi- terói, que passa a ser equipado com vestimentos na área de terminais. lhões na construção de 19 navios um “shiplift” com capacidade para Uma das três empresas do grupo, de apoio marítimo, na expansão movimentar barcos com até 5,5 a Libra Terminais deverá ampliar do estaleiro em Niterói e na im- mil toneladas, abrirá novos espaços sua capacidade de movimentação plantação de nova unidade indus- para docagem e reparos em navios de cargas para 2,4 milhões de TEUs trial em São Gonçalo (RJ). Segundo da própria CBO. Também permitirá (unidade de medida equivalente a Luiz Maurício Portela, que preside um aumento na capacidade de mo- 20 pés) até 2013. a CBO e o Estaleiro Aliança, 90% vimentação de cargas por meio da O investimento incluirá melho- dos recursos, num valor de US$ extensão da linha atual de guindas- rias e obras de modernização nos 745,9 milhões, serão financiados tes e com instalação de um outro, portos de Santos – que terá as uni- pelo Banco Nacional de Desenvol- com 100 toneladas de peso. Um novo dades do grupo integradas em um vimento Econômico e Social (BN- cais, com 300 metros de extensão, único porto de atracação com mais DES), com recursos do Fundo da construído ao longo da extensão da de 1,7 quilômetro, com capacidade Marinha Mercante (FMM). linha de guindastes, vai aumentar a para receber navios acima de 15 mil O projeto mais do que duplicará capacidade de atracação. TEUs – e do Rio de Janeiro. No segun- a frota atual da CBO, formada por 17 As obras de terraplenagem para do semestre, serão iniciadas as obras navios de apoio marítimo. Nesse novo construção da nova unidade de pro- para expansão do berço de atraca- lote encomendado e em fase de cons- dução do grupo, o Aliança Offshore, ção no terminal da Libra no porto trução, os quatro primeiros navios, foram iniciadas. De acordo com Por- carioca, preparando-o para receber de acordo com Portela, dispõem de tela, “a opção de construir uma nova supernavios a partir de 2012. contratos assegurados pela Petrobras. unidade industrial em área fora do No ano passado, a despeito de “A proposta da CBO é participar das estaleiro, em Guaxindiba, São Gon- uma queda de 18% na movimen- licitações da estatal para conquistar çalo, foi resultado da decisão estra- tação de contêineres, num reflexo contratos para os demais 15 navios tégica de manter o núcleo produtivo da crise no mercado global, e do com construção programada.” no Estado do Rio de Janeiro”. Comércio exterior Movimentação de cargas por navegação Movimentação de cargas – em mil toneladas* Em mil toneladas* Importações Exportações Total 700.000 569.325 559.046 Ano Longo curso Cabotagem Interior Total 531 277 502.919 473.057 600.000 454.629 447.837 447.136 439.771 2004 447.136 148.419 25.165 620.720 412.909 390.083 500.000 351.588 2005 473.057 150.112 26.249 649.419 400.000 2006 502.919 163.520 26.394 692.833 300.000 2007 559.046 168.456 27.215 754.717 114.696 111.208 95.548 200.000 91.506 90.011 82.975 2008 568.405 167.342 32.576 768.323 100.000 2009 531.277 170.253 31.401 732.931 0 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Fonte: Antaq. *Valores arredondados Fonte: Antaq. *Valores arredondados28 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 19. O desafio offshore CBO – Companhia Brasileira de OffshoreFrota atual 19 navios de apoioEm construção 21 navios de apoioEstaleiro próprio Niterói – RJBase de operações Macaé – RJ Estaleiro AliançaExpansão do estaleiroImplantação do estaleiro de reparos navaisImplantação da Aliança Offshore em São GonçaloA CBO – Companhia Brasileira de Offshore e oEstaleiro Aliança, empresas do Grupo Fischer,respondem ao desafio da produção de petróleooffshore com investimentos em expansão da frotade navios e na ampliação da capacidade produtivado Estaleiro Aliança.www.grupofischer.com.br
  • 20. LOGÍSTICA | POR LAURO VEIGA FILHO DIVULGAÇÃO Lançado ao mar em maio, o Jacarandá tem capacidade de 38 mil TPB À PROCURA DE OPÇÕES MAIS COMPETITIVAS Operadoras especializadas, exportadores de soja e montadoras escolhem o caminho das águas para garantir maior eficiência O crescimento acelerado da oferecem uma relação mais favorá- se a essa tendência e deflagrou um economia e o clima de incer- vel de custos, como o hidroviário e projeto de quase R$ 1 bilhão, a ser tezas em relação ao comér- o ferroviário”, diz o diretor de nave- executado até 2013. A empresa, que cio mundial obrigam as empresas gação da Log-In Logística Intermo- tem participação da Vale, dona de a buscar alternativas mais com- dal, Rômulo Otoni. 31,3% do seu capital, encomendou petitivas para fazer seus produtos Especializada na oferta de ao Estaleiro Ilha S.A. (Eisa) cinco chegarem aos principais mercados. soluções integradas para movi- porta-contêineres, cada um com “Há uma crescente busca por maior mentação portuária e transporte capacidade para 2.800 TEUs (uni- eficiência na operação logística, multimodal de contêineres porta dade equivalente a 20 pés), e dois o que tem favorecido modais que a porta, a Log-In buscou antecipar- graneleiros de 80,1 mil TPB.30 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 21. DIVULGAÇÃO / CARLOS MILLER LOGÍSTICA | mil deixarão de trafegar neste ano. Nos últimos seis ou sete anos, a em- presa investiu ao redor de R$ 150 milhões em logística. Na comparação de custos, se- gundo ele, o frete hidroviário che- ga a ser em média 50% mais barato que o rodoviário e 40% mais com- petitivo que o ferroviário. O uso combinado de hidrovia e ferrovia de São Simão, no sul de Goiás, a Santos agrega vantagens ambien- tais. Nos cálculos de Ballan, toman- do-se como base um volume de 800 mil toneladas, o sistema evita emis- sões de 71,59 mil quilos de monó- xido de carbono (CO) em relação ao transporte integral por rodovia. Desde 2005, a Ford incremen- tou sua logística de exportação e importação de veículos a partir de Camaçari, na Bahia. O terminal portuário privativo Miguel de Oli- veira ostenta a marca de 500 mil Rômulo Otoni, da Os cinco porta-contêineres rece- e da Argentina (Buenos Aires e Zá- veículos movimentados. Localiza- Log-In: projetos berão R$ 625,2 milhões, enquanto rate). Cada viagem de navio, segun- do entre a Baía de Todos os Santos e em execução até outros R$ 301,9 milhões serão des- do ele, retira das estradas 2,8 mil a Baía de Aratu, este é o único porto 2013 somam tinados aos dois graneleiros, num caminhões, reduzindo emissões privativo da montadora no mun- quase R$ 1 bilhão total de R$ 927,1 milhões, com re- de carbono na mesma proporção. do e transformou-se em “uma das cursos do Fundo da Marinha Mer- A Log-In vai dobrar sua capacida- bases” do sistema de logística que cante (FMM) e apoio financeiro do de de movimentação de cargas de a empresa decidiu adotar para dar Banco Nacional de Desenvolvimen- 7 mil para 14 mil TEUs até 2013. eficiência e rapidez às operações de to Econômico e Social (BNDES). Responsável pela operação do comércio exterior, segundo a asses- O investimento vai reforçar a sistema logístico da Caramuru soria da Ford. capacidade de oferta da empresa, Alimentos, Antônio Ismael Ballan, Com capacidade para 6.024 segundo Otoni, suprindo uma ne- diretor de logística, vai comandar o veículos, além de receber navios de cessidade crescente do mercado transporte de cerca de 900 mil to- grande porte, com até 200 metros, por alternativas mais favoráveis de neladas de soja, farelo de soja e mi- o terminal encurtou a distância e logística. Na comparação entre o lho pela hidrovia Paranaíba-Tietê- o tempo de transporte entre a fá- primeiro semestre e idêntico pe- Paraná no trecho entre São Simão brica de Camaçari e os locais de ríodo de 2009, considerando-se (GO) e os terminais de Anhembi e embarque dos veículos. O inves- apenas a navegação costeira, os Pederneiras, no interior paulista. timento “eliminou o trânsito de volumes transportados pela Log-In Dali, a carga segue por cami- caminhões-cegonha em áreas ur- cresceram de 51,36 mil para 75,82 nhão ou trem até o porto de Santos, banas de Salvador”. mil TEUs, mais 47,6%. que utiliza, na segunda modalida- Segundo a montadora, um mo- “Há mais de 15 anos, o setor não de, os serviços da MRS Logística. A derno sistema de radiofrequência investia em construção de navios Caramuru, maior processadora de fornece a localização precisa des- desse porte para a marinha mer- soja de capital nacional, responde ses veículos, dando rapidez e se- cante”, diz Otoni. O primeiro navio, pela movimentação de metade das gurança à operação. “O porto Ford o Log-In Jacarandá, com operação cargas de longo curso transporta- tem eficiência operacional compa- prevista para o início de 2011, foi das pela hidrovia. rada aos mais eficientes do mundo lançado ao mar no dia 27 de maio, O volume deste ano representa- e registra também um dos melho- com 38 mil toneladas de porte rá um avanço de até 20% em relação res índices de qualidade. Tudo isso bruto. A exemplo do Jacarandá, ao ano passado. A escolha desse contribui para que os veículos Ford os demais porta-contêineres vão modal evitou o trânsito de mais de cheguem com preços mais compe- reforçar o serviço de cabotagem, 20 mil caminhões-bitrem apenas titivos para o consumidor final”, atingindo os principais portos bra- na área de abrangência da hidro- diz Edson Molina, diretor de logís- sileiros, do Uruguai (Montevidéu) via. Ballan estima que outros 24,3 tica da Ford para a América do Sul.32 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 22. HIDROVIAS | POR ROBERTO ROCKMANN MAIS BARCAÇAS NO SISTE Escoamento fluvial de etanol ganha incentivos do Promef e vai exigir a construção de 80 barcaças e de 20 empurradores C om 2.400 quilômetros de vias navegáveis, o sistema hidroviário Tietê-Paraná liga os Estados de São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Paraná e tem um pé no exterior, com interligação com o vizinho Paraguai. Relevante rota para o escoamento dos produtos brasilei- ros no Brasil e no Mercosul, com influência sobre uma área de 1,5 milhão de quilômetros quadrados, o sistema opera abaixo de sua capa- cidade. Estima-se que atualmente sejam transportados quatro mi- lhões de toneladas anuais de pro- dutos pelo sistema, cerca de 20% da capacidade da hidrovia. Uma das usuárias pioneiras desse modal de transporte é a Caramuru Alimen- tos: do terminal hidroviário de São Comboio de barcaças da Caramuru Alimentos na Hidrovia Tietê-Paraná: agroindústria Simão, em Goiás, a soja e o farelo de soja alcançam todo o mercado in- via. O primeiro consórcio engloba ce como velocidade, consumo de ternacional depois de percorrer os a Intecnial e a NM Engenharia e combustível, capacidade de carga rios Paranaíba,Tietê e Paraná. Construções; o segundo é formado e de manobra, além do controle de A atual subutilização do siste- pela Egesa Engenharia, Estaleiro emissões. A análise levará de 30 a ma, no entanto, pode mudar: um Heromalo e Navegação Guarita; o 60 dias, sendo seguida da abertura projeto da Transpetro de escoa- terceiro por Estaleiro de Constru- e análise das propostas comerciais. mento de etanol contribuirá para ção Naval Arealva Ltda., MPG Shi- A tendência é de que o contrato seja elevar o transporte de cargas na pyard, CMI Construções Metálicas- assinado no último trimestre deste hidrovia e reforçar essa opção lo- ICEC; outro por Concórdia Shipyar- ano. Somente após o encerramento gística na matriz de transportes do ds BV e Mendes Júnior; um por SPI da licitação, a Transpetro poderá País. Subsidiária de transportes da Astilleros e Superpesa Industrial anunciar o valor da proposta co- Petrobras, a Transpetro recebeu, (Estaleiros Unidos do Rio Tietê); e, mercial vencedora. em 30 de junho, seis propostas téc- por último, o Estaleiro Rio Magua- Apelidado pelos executivos do nicas e comerciais para a constru- ri, que concorre sozinho. setor de Promefinho, pelo valor de ção de comboios de empurradores A partir do recebimento das investimento ser bem menor do e barcaças, dentro do contexto do propostas, a comissão de licitação que as encomendas de petrolei- Programa de Modernização e Ex- analisa as propostas técnicas, que ros, o projeto prevê que, a partir pansão da Frota (Promef)-Hidro- contemplam itens de performan- de 2013, a Transpetro faça o trans-34 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 23. MA TIETÊ-PARANÁ DIVULGAÇÃO hidroviário emite três vezes menos gás carbônico e consome quase quatro vezes menos combustível do que o rodoviário, a redução da emis- são de dióxido de carbono chega a 195% com o uso da hidrovia. O pro- jeto também representa o ingresso da Transpetro na movimentação de etanol na região, além de marcar o início da operação de comboios flu- viais da empresa no país. Os investimentos no segmento também poderão despertar o in- teresse de outros players no modal hidroviário, como alternativa de escoamento da produção. “Acredi- tamos que o modal hidroviário seja um projeto estruturante. A partir da criação da logística, haverá con- dições necessárias à expansão das áreas produtivas e ao atendimento da demanda. Acreditamos, inclusi- ve, que no futuro outras empresas investirão na construção de bar- caças, terminais e infraestruturas para a manutenção de comboios, bem como a própria utilização da hidrovia”, diz o presidente da Transpetro, Sergio Machado. “Mes- mo após o início das operações dos comboios da Transpetro, o uso da hidrovia irá saltar de aproximada-investe no transporte multimodal integrado a partir de São Simão, em Goiás mente 20% para 35% de sua capaci- dade total, o que demonstra o gran- porte fluvial de etanol, em uma o combustível atingirá diversos de potencial restante de expansão operação que demandará a cons- terminais, incluindo os de São Se- do modal na região.” trução de 20 empurradores e de 80 bastião (SP) e Ilha D’Água (RJ), de Com oito mil quilômetros de barcaças, com geração de pelo me- onde será possível exportar etanol. costa e mais de 40 mil quilômetros nos 400 empregos diretos e 1.600 O uso do modal hidroviário repre- de rios navegáveis, o Brasil ainda ex- indiretos. A construção da nova sentará para a empresa não apenas plora pouco o modal aquaviário e as frota hidroviária seguirá as pre- custos econômicos mais eficientes, hidrovias como meio de transporte, missas fundamentais do Promef: mas também ganhos ambientais. mas esse cenário pode mudar ao fabricação no Brasil, conteúdo na- O transporte do etanol por vias flu- longo das duas próximas décadas. cional de 70% e competitividade viais substituirá o equivalente a 40 “Cabe observar o esforço do gover- internacional dos estaleiros após a mil viagens de caminhão por ano. no federal em elevar a participação curva de aprendizado. Cada comboio tem capacidade do modal aquaviário dos atuais 13% A intenção da Transpetro é de para transportar 7,2 mil metros cú- para 29% nos próximos 15 anos, que o etanol produzido nas regi- bicos de etanol, ou 7,2 milhões de conforme descrito no Plano Nacio- ões Centro-Oeste e Sudeste seja litros. Com os 20 comboios em ope- nal de Logística e Transportes. Ou transportado pela hidrovia para a ração, a capacidade anual de trans- seja, há excelentes perspectivas para refinaria de Paulínia (Replan), no porte chegará a quatro bilhões de o desenvolvimento desse modal no interior paulista. De lá, por dutos, litros de etanol. Como o transporte Brasil”, afirma Machado. INDÚSTRIA NAVAL ValorSetorial 35
  • 24. PORTOS | POR ROBERTO ROCKMANN GARGALOS CRÔNICOS DE INFRAESTRUTURA Deficiências como número reduzido de berços de atracação e falta de dragagem acabam se refletindo em custos maiores C om os preços do açúcar em e celulose investem diante da cres- país), que poderia ser outro vetor alta, exportadores correram cente demanda chinesa, empresas de demanda da indústria naval, para produzir e embarcar a agrícolas ampliam sua produção avança lentamente. A Hidrovia Tie- mercadoria para o exterior em ju- para o exterior e a indústria de pe- tê-Paraná, por exemplo, opera com nho e julho, mas enfrentaram um tróleo e gás poderá posicionar o 20% de sua capacidade. problema que tem se revelado crô- Brasil entre os maiores exportado- No setor marítimo, os pro- nico no país: congestionamentos res de óleo do mundo. Os desafios blemas são muitos, afirma Peter na hora do embarque, o que levou da infraestrutura portuária para Wanke, professor do Coppead da o tempo de espera no porto, nor- atender a demanda serão tão gran- Universidade Federal do Rio de Ja- malmente de 12 dias, a dobrar, em des quanto as encomendas bilioná- neiro (UFRJ) e sócio do Instituto de alguns casos. Mais de 90% dos pro- rias da indústria naval. Logística e Supply Chain (Ilos). “A dutos que entram e saem do país “Os portos são um gargalo para falta de melhor diálogo e integra- passam pelos terminais portuários a economia brasileira e podem ser ção entre porto, ferrovia, rodovia que, nos últimos anos, registraram um obstáculo para a indústria na- e hidrovia desincentiva a cabo- acentuado crescimento na movi- val, que, depois de anos paralisada, tagem. Em paralelo, em muitos mentação de volume e de valor. retoma sua atividade”, diz o pesqui- portos, falta ainda infraestrutura Em 2009, a corrente de comércio sador Julio Vicente Rinaldi Favarin, física, como berços de atracação, o do Brasil com o exterior chegou a do Centro de Estudos em Gestão que contribui para a formação de US$ 280 bilhões e deverá superar Naval da Escola Politécnica da Uni- filas de navios. O porto de Vitória US$ 300 bilhões neste ano. versidade de São Paulo (USP). “Para opera quase sem folga, enquanto, O vigor não irá parar por aí. Nes- os portos não serem um entrave por conta da falta de infraestrutu- ta década, mineradoras deverão à economia, são fundamentais ra, 40% das cargas que iriam para o aumentar em mais de 100 milhões investimentos na infraestrutura porto de Salvador vão para outros de toneladas anuais suas exporta- portuária, melhoria dos acessos ro- Estados”, afirma Wanke. A falta ções, siderúrgicas estão instalando doviários e ferroviários, profissio- de dragagem e de aprofundamen- novas plantas, fabricantes de papel nalização da gestão e redução da to de alguns portos impede que burocracia”, diz o presidente da As- navios maiores atraquem ou que, sociação Brasileira dos Terminais quando eles aportem, não estejam Movimentação Portuários (ABTP), Wilen Manteli. totalmente carregados. Em milhões de toneladas Se de um lado as deficiências da “O Brasil precisaria estruturar 550 Públicos Terminais privados infraestrutura portuária elevam melhor sua matriz completa de 500 494,3 custos e dificultam o dia a dia do transportes, com maiores investi- 475,9 473,1 transporte marítimo, de outro con- mentos em portos e ferrovias. Só 450 tribuem para inibir o potencial do assim conseguirá reduzir custos”, 400 setor naval. O país possui mais de afirma Wanke. Pesquisa do Ilos 40 mil quilômetros de vias interio- mostra que os custos logísticos no 350 res navegáveis e 8 mil quilômetros Brasil estão em 11,5% do PIB, acima 300 278,8 274,0 de costa, mas só 14% do transporte dos 8,5% nos Estados Unidos. 259,8 interno de cargas é feito por hi- Maior porto da América Latina 250 drovias, com 60% da circulação de e do Brasil, por onde circula um 200 2007 2008 2009 mercadorias sendo por rodovias. quarto do comércio exterior bra- Fontes: Antaq e Instituto de Pós-Graduação A navegação de cabotagem (trans- sileiro, Santos tem batido recor- e Pesquisa em Administração da UFRJ porte entre portos de um mesmo des históricos neste início de ano36 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 25. ANNA CAROLINA NEGRI/VALO de movimentação de cargas. Com de, cujas obras previstas para três uma tonelada de carga transporta- Em Santos, maior cerca de 80% dos bens sendo trans- anos já duram dez. da, o navio consegue percorrer 500 porto do Brasil, portados por acessos rodoviários, Os investimentos devem am- quilômetros, enquanto o caminhão filas constantes em dias de grande movimentação, pliar e melhorar os serviços por- percorre 100 quilômetros. para embarcar caminhoneiros chegam a esperar tuários. Uma das intenções do Recentemente, a Transpetro mercadorias mais de 30 horas para desembar- governo é incentivar a navegação anunciou que irá investir na con- car suas cargas. As filas não ocor- de cabotagem. Trabalha-se com a tratação de comboios para realizar rem apenas em terra. meta de que, em 15 anos, o trans- o transporte de etanol na Hidrovia A burocracia é outro problema porte aquaviário dobre sua parti- Tietê-Paraná, o que pode reforçar a verificado nos portos públicos, cipação na matriz de transportes importância do modal como opção cuja administração está nas mãos e represente 29% das cargas trans- de transporte e fazer outras empre- do governo. “É fundamental que portadas. A Secretaria Especial de sas despertarem para o segmento. haja uma agência executiva que dê Portos (SEP) vem trabalhando na Com recursos do Programa de continuidade às políticas e que seja implantação do Projeto de Incen- Aceleração do Crescimento (PAC), atrelada ao Estado e não a governos. tivo à Cabotagem (PIC). Atualmen- foi criado, em 2007, o Plano Na- Precisaria haver profissionalização te, o país possui 34 portos públicos cional de Dragagem, que prevê a na administração, para que ela seja marítimos. Desses, 21 têm condi- aplicação de mais de R$ 1,5 bilhão baseada em critérios de eficiência e ções de trabalhar com cabotagem, em recursos para dragagem de 18 mérito”, diz Manteli. mas poucos ainda o fazem. portos públicos. O maior aprofun- Há outros obstáculos como a Funcionários da SEP têm visitado damento dos portos permitirá que dificuldade de obtenção de licen- o país e procuram reforçar as vanta- recebam navios maiores, o que me- ças ambientais e a atuação do Tri- gens da cabotagem. Em média, o lhora a competitividade do impor- bunal de Contas da União. “Muitas custo do frete na cabotagem é 10% tador e do exportador. A realização vezes, vemos que a boa vontade do menor que o custo do frete rodovi- da Copa de 2014 também fará com governo para em outras esferas, ário, principalmente pela capacida- que cresça a movimentação de na- então muitos empreendimentos de de movimentar grande volume vios transatlânticos na costa bra- começam a andar e param. Isso de cargas. Pela cabotagem há um sileira, exigindo investimentos de é um sério entrave”, afirma. Um menor custo de combustível – com R$ 740 milhões em terminais de sete exemplo é o porto de Rio Gran- cinco litros de combustível se leva portos para receber os turistas. INDÚSTRIA NAVAL ValorSetorial 37
  • 26. PORTOS PRIVADOS | POR ROBERTO ROCKMANN EMPRESAS INVESTEM EM TERMINAIS PRÓPRIOS Para aumentar a competitividade e aproveitar o aumento da demanda, companhias implantam projetos de R$ 12 bilhões G randes empresas brasileiras 450 milhões de toneladas anuais seu sistema norte para 230 milhões de diversos setores da indús- de minério de ferro em 2014 (em de toneladas anuais até 2015. tria e agricultura estão pla- 2008, quando os efeitos da crise O projeto prevê que a Estrada de nejando mais de R$ 12 bilhões em mundial foram menores, a produ- Ferro Carajás seja ampliada em 100 investimentos em portos e termi- ção da empresa de minério foi de quilômetros para que se interligue nais privativos nos próximos anos 300 milhões de toneladas). Um dos à serra sul da mina, sejam dupli- no Brasil. O cenário positivo da focos dessa expansão está em Cara- cados 605 quilômetros de trilhos economia nacional e as boas pers- jás (PA), uma das províncias mine- e seja construído um quarto píer pectivas de crescimento dos países rais mais ricas do mundo, com 7,2 no terminal marítimo de Ponta da emergentes, com destaque para a bilhões de toneladas métricas de Madeira. De acordo com a empresa, China, estão fazendo as empresas reservas provadas e prováveis, além o investimento no terminal maríti- prever aumento de produção e fa- de volume substancial de recursos mo é de US$ 2,6 bilhões, a maior in- zendo-as tirar do papel tanto pro- minerais com alto teor de ferro e versão em infraestrutura portuária jetos de ampliação de terminais reduzido grau de impurezas. da América Latina. quanto de novos portos. Movimen- Na Serra Norte de Carajás, está Estrategicamente próximo dos tos que deverão ampliar a competi- sendo desenvolvido um projeto mercados americano e europeu, o tividade da economia brasileira. que deverá adicionar 30 milhões terminal marítimo de Ponta da Ma- “Para as grandes empresas, que de toneladas anuais à Vale. Com a deira está localizado em São Luís, têm fôlego e musculatura, investir entrada em operação prevista para no Maranhão, hoje é o primeiro em em portos ou terminais privativos o primeiro semestre de 2012, ele movimentação de minério de ferro é uma forma de ampliar compe- compreende uma nova usina de be- no país. Sua estrutura é composta titividade, suprindo uma lacuna neficiamento e investimentos em de três píeres. Com a expansão da do poder público”, afirma Peter ativos de logística para aumentar a produção de minério de ferro em Wanke, professor do Coppead da capacidade de descarga, estocagem Carajás, a Vale irá ampliar a capa- Universidade Federal do Rio de Ja- e carregamento do terminal marí- cidade da ferrovia e do terminal, neiro (UFRJ) e sócio do Instituto de timo de Ponta da Madeira. O orça- que receberá um novo píer e terá Logística e Supply Chain (Ilos). “Há mento de investimento para 2010 sua capacidade ampliada em 100 um interesse grande da área de mi- é de US$ 480 milhões, segundo in- milhões de toneladas anuais. neração, siderurgia e agronegócio formações da empresa. Com as obras iniciadas em mar- na construção de terminais privati- Na Serra Sul de Carajás, a Vale ço, o quarto píer terá profundidade vos. Essas empresas buscam ampliar está implementando um dos maio- mínima de 25 metros, dois berços de sua produção e escoá-la com maior res projetos da história da indús- atracação e capacidade para receber eficiência”, diz o presidente da Asso- tria de mineração mundial, que navios de até 400 mil toneladas de ciação Brasileira dos Terminais Por- em sua fase inicial deverá adicionar porte bruto (TPB). Com uma ponte tuários (ABTP), Wilen Manteli. 90 milhões de toneladas anuais à de acesso de 1.620 metros, terá capa- Uma das três maiores minera- sua capacidade. A empresa planeja cidade de carregamento de dois na- doras do mundo, a Vale pretende investir US$ 11,2 bilhões na mina, vios simultaneamente, em um total investir neste ano US$ 2,6 bilhões com início das operações no se- de 53 navios por mês. O prazo final em logística, o que inclui projetos gundo semestre de 2013. Grande para o término das obras é em 2014, em portos e ferrovias, para apoiar parte dos recursos, cerca de US$ 7,8 no entanto, no segundo semestre de seu ambicioso plano de expansão bilhões, refere-se à expansão da in- 2012, um berço do novo píer deverá da capacidade de minério de ferro. fraestrutura de logística – ferrovia e entrar em operação. A intenção da empresa é aumentar terminal marítimo –, para aumen- No Sudeste, a Vale está investin- sua capacidade de produção para tar a capacidade de embarque do do na modernização portuária do38 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 27. DIVULGAÇÃOcomplexo de Tubarão (ES). Entre asprincipais ações está a instalaçãode barreiras de ventos no entornodos pátios para reduzir a velocida-de do vento e impedir que arrasteparticulados das pilhas de miné-rio, pelotas e carvão. Ao todo, sãonove quilômetros de tela. Cadabarreira terá uma vez e meia a al-tura da pilha do produto protegi-do, o que resultará em estruturasentre 19 e 30 metros de altura. Outra empresa que prevê gran-des investimentos no setor é aLLX, subsidiária do Grupo EBX,holding do empresário Eike Batis-ta. Um dos projetos desenvolvidospela empresa é o superporto doAçu, localizado em São João daBarra, no norte fluminense, pró-ximo às bacias de exploração depetróleo do Rio de Janeiro e doEspírito Santo. Do início de 2007até março de 2010, foi investidoR$ 1,2 bilhão no empreendimen-to, que deverá consumir até suaconclusão mais R$ 4,3 bilhões. O porto será uma nova alterna-tiva para o escoamento da produ-ção dos Estados do Centro-Oeste edo Sudeste, que sofrem prejuízoscom a falta de acessos logísticos.O empreendimento deve movi-mentar 60 milhões de toneladasde minério de ferro por ano, alémde 46,4 milhões de metros cúbi-cos de petróleo, 10,2 milhões detoneladas de produtos siderúrgi-cos, 12,6 milhões de toneladas decarvão e 5 milhões de toneladasde granéis sólidos. As obras deconstrução devem ser concluídasentre o fi m de 2011 e início de2012, com o começo das opera- empresas que irão se instalar no dois berços para atracação de na- Wilen Manteli,ções previsto para 2012. complexo industrial do porto. No vios, o empreendimento receberá da ABTP: busca O superporto do Açu contará momento, a LLX possui cerca de investimentos de R$ 1,8 bilhão de eficiênciacom um complexo industrial con- 60 memorandos de entendimen- para movimentação de 50 milhões no escoamentotíguo, que abrangerá siderúrgicas, to assinados ou em negociação de toneladas de minério de ferro da produçãousina termelétrica da MPX (em- com empresas interessadas em se por ano, com possível expansãopresa de energia do Grupo EBX), instalar no empreendimento. para 100 milhões de toneladas porcimenteiras, polo metalmecâni- Outro projeto desenvolvido ano. O porto terá como principalco, usinas de pelotização de mi- pela LLX é a construção do porto cliente a produção de minério denério, estaleiro da OSX (empresa Sudeste, um terminal portuário ferro do sistema sudeste da MMXde equipamentos e serviços para a privativo de uso misto que está em (outra empresa da holding EBX) eindústria offshore do Grupo EBX) fase de instalação na Ilha da Ma- de outros produtores de metal doe unidade de tratamento de pe- deira, em Itaguaí (RJ). Com área de quadriláterro ferrífero de Minastróleo. A previsão é de que sejam 52 hectares, profundidade de 21 Gerais que não exportam por faltainvestidos US$ 36 bilhões pelas metros e estrutura offshore com de opção logística. INDÚSTRIA NAVAL ValorSetorial 39
  • 28. FABIO ROSSI / AGÊNCIA O GLOBO SUDESTE | POR SIMONE GOLDBERG Estaleiro Mauá constrói quatro navios que fazem parte do Promef40 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 29. RIO CONCENTRA50% DA CAPACIDADEPetróleo puxa demanda por equipamentos, mas projetosincluem submarinos para a Marinha e navios graneleirosO Rio de Janeiro foi sede do O Estado aposta em vários pro- O grupo EBX está investindo “primeiro” estaleiro brasilei- jetos navais. Um deles, em Itaguaí, R$ 6,3 bilhões no superporto do Açu ro. Cerca de trinta anos após é uma parceria entre a Odebrecht e e no porto do Sudeste, ambos noo descobrimento, os colonizadores o grupo DCNS, controlado pelo go- Rio. O superporto do Açu servirá deportugueses construíram as duas verno francês, para construir sub- centro logístico para as regiões Cen-primeiras embarcações “nacionais” marinos para a Marinha brasileira. tro-Oeste e Sudeste. Terá dez berçosna cidade, com madeira nativa e As obras de terraplenagem foram de atracação – quatro para minériomão de obra indígena. Este pionei- iniciadas em junho passado. Outra de ferro, dois para movimentaçãorismo deixou raízes, mas, depois área que vem sendo preparada pelo de petróleo, um para carvão e trêsdo auge entre 1970 e 1980, a cons- governo do Estado e prefeituras para para produtos siderúrgicos, escória,trução naval mergulhou na crise. empreendimentos navais e offsho- granito e ferro-gusa – e profundida-Agora renasce, estimulada pelo re é o norte fluminense, que terá o de de 21 metros, capaz de receberpetróleo. O Rio tem 51,25 % do total canal que corta os municípios de navios com capacidade de até 220da capacidade do setor, podendo Campos e Quissamã dragado para mil toneladas.processar 288 mil toneladas de aço permitir o tráfego de embarcações Já o porto do Sudeste é um termi-por ano, de acordo com o Sindicato de grande porte. nal privativo de uso misto que estáNacional da Indústria da Constru- “A licitação já está andando. sendo construído em Itaguaí, nação e Reparação Naval e Offshore Em três meses a obra começa e em Baía de Sepetiba, com dois berços de(Sinaval). E se prepara para nova até 18 meses fica pronta”, afirma a atracação de navios de grande portefase de negócios bilionários. subsecretária de Desenvolvimento para embarque de minério de ferro. O setor naval fluminense res- Econômico do Estado, Renata Caval- Os dois portos têm previsão de ini-ponderá por R$ 3,7 bilhões dos canti. Um dos grupos cotados para ciar seus serviços em 2012.R$ 20,3 bilhões estimados em in- se instalar ali é o consórcio Galvão/ A Petrobras também arrendouvestimentos da indústria de trans- Alusa, que já comprou área de olho o estaleiro Inhaúma, ex-Ishibras,formação na região entre 2010 e em encomendas de navios-sonda na zona portuária do Rio. Ele será2012, segundo a Federação das In- para a Petrobras e de outras embar- usado, por meio de concessão, paradústrias do Estado do Rio de Janei- cações. Outro é o coreano STX Brazil a conversão de navios em platafor-ro (Firjan). “O potencial de atração e Offshore, que é especializado em mas FPSOs. O estaleiro fluminensegeração de negócios e empregos no barcos de apoio à produção maríti- Mac Laren Oil já demonstrou inte-Rio é enorme. Ele movimenta uma ma de petróleo. resse em usar a área.grande cadeia produtiva, que inclui Há ainda grande expectativa Os R$ 2,2 bilhões em encomen-desde setores como o metalmecâ- sobre a possibilidade de o estaleiro das da Transpetro a estaleiros donico até o de mobiliário”, observa OSX, do grupo EBX, do empresário Rio estão distribuídos por 16 petro-o gerente de novos investimentos e Eike Batista, ficar no Rio e não em leiros. Entre eles, o Eisa, do grupoinfraestrutura, Cristiano Prado. Santa Catarina, como estava previs- Sinergy, do empresário Germán Estaleiros como o Eisa, o Super- to. Isso porque a licença ambiental Efromovich, que fará quatro naviospesa, o coreano STX Brazil Offsho- ainda não foi concedida pelas au- Panamax. O Mauá (também do Si-re (ex-Aker Promar) e o Brasfels, de toridades catarinenses e o estaleiro nergy) faz outros quatro naviosCingapura, têm carteira recheada entrou com o mesmo pedido junto de produtos. O estaleiro Superpe-de pedidos. Só as encomendas da ao governo fluminense. O investi- sa constrói três embarcações tipoTranspetro, braço de logística da Pe- mento é avaliado em US$ 2 bilhões bunker e o Rio Nave, cinco navios detrobras somam R$ 2,2 bilhões, den- e, se vier mesmo para o Rio, ficará no produtos. O Mauá passa por reestru-tro do Programa de Modernização e Complexo Portuário do Açu, em São turação com o objetivo de unificarExpansão da Frota (Promef). João da Barra, no norte fluminense. sua gestão com o Eisa. INDÚSTRIA NAVAL ValorSetorial 41
  • 30. LEO PINHEIRO / VALOR SUDESTE | Além da Transpetro, outros clien- tes movimentam os negócios. O Eisa tem contratos com a Marinha, em- presas de logística e até encomendas do exterior. Sua carteira conta cinco embarcações para a Log-in Logística (três porta-contêineres e dois navios para transporte de bauxita), quatro navios-patrulha para a Marinha e ainda dez outros petroleiros para a PDVSA, da Venezuela. O Superpesa é outro estaleiro que tem investido para atender ao aumento dos pedidos. “Foram cerca de R$ 4 milhões na infraestrutura da unidade de Campo Grande. E mais R$ 2,5 milhões para adequar as con- dições da unidade Ilha do Fundão”, diz o assessor comercial, Roberto Silva. Avaliada em US$ 52 milhões, a carteira do Superpesa inclui três navios tipo bunker para a Transpe- tro, duas balsas oceânicas para a Su- perpesa Intermodal e ainda blocos estruturais para embarcações para o STX Brazil Offshore. O estaleiro participa da licitação para fornecer 80 balsas e 20 empurradores para a Transpetro. O STX constrói atualmente onze embarcações de apoio à atividade offshore. Fez, entre outros investi- mentos, um aporte de R$ 6,5 mi- lhões em uma oficina própria de corte de aço. “Antes encomendáva- mos o aço já processado, pronto para Complexo Portuário do Açu, em São João da Barra, no norte fluminense ser usado no casco das embarcações, mas, para reduzir custos e melhorar Technip), no valor de US$ 1,2 bilhão. Outro contrato é com a Navegação o planejamento, decidimos trazer Já para a P-57, cuja licitação foi São Miguel, que ficou com três em- esta etapa para dentro do estaleiro”, ganha pela americana Single Buoy barcações para transportar bunker diz o chefe do departamento comer- Mooring, em 2008, o Brasfels está (combustível marítimo), que serão cial, Guilherme Vieira. A carteira de construindo quatro módulos e fará construídas no estaleiro que está encomendas do estaleiro totaliza a integração do casco com esses mó- sendo implantado pelo grupo em US$ 1,3 bilhão, e o cronograma de dulos. A plataforma ficará no mar São Gonçalo. entregas vai até o final de 2013. do Espírito Santo e poderá produzir A Delima Comércio e Navegação O estaleiro Brasfels, em Angra dos 180 mil barris diários. No começo vai operar três navios de bunker, Reis, está preparando um “upgrade” deste ano, a partir do contrato en- que serão feitos pelo estaleiro Re- em suas instalações. Vai ampliar a tre a Petrobras e a Floatec Singapo- nave, de Niterói. A Pancoast (subsi- área física, incluindo o dique seco, re Pte Ltd, uma joint-venture entre a diária da grega Pancoast Trading) e adquirir maquinário para aumen- Keppel Fels e a Ray J. McDermott, o e a Kingfish Navegação do Brasil tar a capacidade de processamento Brafels ganhou o direito de cons- (subsdiária da britânica Kingfish (hoje de 50 mil toneladas de aço por truir a P-61, um empreendimento de Trading) ficaram com sete navios. ano) e construir navios de até 300 US$ 1 bilhão. A primeira está acertando com o mil toneladas de porte bruto (TPB). A Petrobras também contratou estaleiro Rio Nave a construção dos Em sua carteira constam, entre ou- 19 navios para afretamento dentro quatro navios que irá operar para a tras, a plataforma semissubmersível do programa Empresas Brasileiras Petrobras e a Kingfish ainda estuda P-56, contratada pela Petrobras ao de Navegação (EBN). Eles devem para quem delegar a produção de consórcio FSTP (Keppel Fels Brasil e ser construídos no Brasil até 2014. seus navios.42 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 31. SUDESTE | POR JACÍLIO SARAIVA PRÉ-SAL FORTALECE ESPÍ Aumento da extração de petróleo nos Estados atrai estaleiros e movimenta prestadores de serviços O s Estados de São Paulo e do Espírito Santo podem ga- nhar dois novos estaleiros até 2012. O Jurong Aracruz, a 70 quilômetros de Vitória (ES), está em fase de licenciamento ambien- tal, mas já participa de licitações da Petrobras para a construção de sondas de perfuração, avaliadas em mais de US$ 5 bilhões. Com opera- ções em São Paulo, Santa Catarina e na Bahia, a TWB Construção Na- val decide ainda neste ano em qual dos três Estados vai construir uma planta especializada em barcos de alumínio de alta tecnologia. Com a expectativa de aumen- to da frota de embarcações, a Na- vegação São Miguel, empresa de transporte de combustível sedia- da no Guarujá (SP), espera faturar R$ 33 milhões em 2010, quase R$ 10 milhões a mais que o obtido no ano passado. Em julho, a Petrobras Endora Barboza, do Jurong: estaleiro vai impulsionar a cadeia de fornecedores e desen anunciou que estuda a construção de um polo gás-químico no Espí- barcos de apoio, reparos navais e em mais de US$ 5 bilhões. “A locali- rito Santo para utilizar a produção serviços offshore. zação da planta favorece o atendi- de gás natural da região. A produ- “Na fase de operação, serão ge- mento às atividades de exploração ção comercial na camada pré-sal rados 5,5 mil empregos diretos e e produção das bacias de Campos, do Estado, no campo de Baleia indiretos”, afirma Endora Barbo- no Rio de Janeiro, e de Santos, no Franca, foi iniciada, com a entrega za, relações públicas do estaleiro. litoral paulista.” de 13 mil barris diários de óleo leve O Jurong Aracruz vai entrar no O crescimento da exploração de e a expectativa de atingir 100 mil mercado com uma capacidade de petróleo no Espírito Santo – que barris por dia, até o fim do ano. processamento de 4 mil toneladas oferece 413 quilômetros de litoral Com investimento de R$ 800 de aço ao mês. “Dependendo dos – também deve estimular a che- milhões, o Estaleiro Jurong Ara- contratos, essa autonomia poderá gada de mais empresas do setor cruz, na Barra do Sahy, em Aracruz dobrar ou triplicar com a utiliza- naval. O Estado é o segundo maior (ES), deve começar a funcionar ção de três turnos de trabalho.” produtor de petróleo no país e a em dezembro de 2011. O empre- Atualmente, a empresa partici- produção estimada até 2013 é de endimento de 82,5 hectares será pa de duas licitações da Petrobras, 500 mil barris por dia. Em setem- especializado na construção de que incluem a construção de nove bro de 2008, inaugurou a extra- plataformas, sondas de perfuração, sondas de perfuração, avaliadas ção de óleo na camada pré-sal, no44 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 32. RITO SANTO E SÃO PAULO LEO PINHEIRO / VALOR citados e de matéria-prima. A ex- cios vão crescer com o aumento da pectativa da executiva é que a ins- frota e a duplicação da rede de car- talação no Espírito Santo estimule regamento da Petrobras”, afirma o aumento da cadeia de serviços Antônio de Carvalho Jr, gerente re- e produtos, além do desenvolvi- gional da empresa em Santos (SP). mento do setor metalmecânico na A Navegação São Miguel trans- região e nos Estados vizinhos. porta derivados de petróleo, abas- O projeto de implantação do es- tece navios que operam no porto taleiro está sendo orientado para de Santos e constrói barcaças e o desenvolvimento da região do rebocadores próprios no estalei- entorno. A companhia anunciou ro que mantém no Rio de Janeiro. programa de cooperação com o Com uma área de 2,4 mil metros Instituto Federal do Espírito San- quadrados mais atracadouro no tos (Ifes), que levará 15 estudan- Guarujá, emprega 110 funcioná- tes de mecânica e três professores rios. “Transportamos 150 milhões para uma especialização técnica de litros de combustível por mês e em construção naval no instituto devemos chegar a 175 milhões de politécnico Ngee Ann Polytechnic, litros mensais até o final de 2011.” em Cingapura. O intercâmbio tem Os números da São Miguel po- duração de um ano e garante aos dem engordar ainda mais se a TWB técnicos emprego no estaleiro. Construção Naval optar por São A Jurong Shipyard é vinculada Paulo para construir seu novo esta- à SembCorp Marine de Cingapu- leiro, voltado para embarcações em ra, um conglomerado que faturou alumínio. Os Estados da Bahia e de US$ 4 bilhões no ano passado, com Santa Catarina também concorrem negócios na construção naval, ge- para sediar a planta. A decisão sai ração de energia, construção de ainda neste ano e o início da pro- refinarias e exploração de óleo e dução está previsto para 2012. gás em alto-mar. Cerca de um ter- “O empreendimento está em ço das ações da companhia per- projeto, mas deve gerar até 500 tence ao governo de Cingapura. A empregos”, afirma Reinaldo dos empresa é considerada uma das Santos, diretor-presidente da TWB. maiores construtoras de platafor- A ideia de Santos é criar uma estru-volver o setor metalmecânico mas de perfuração em águas pro- tura com capacidade de montar ao fundas do mundo e é responsável mesmo tempo até duas embarca- campo de Jubarte, uma das maio- por mais de 50% da produção diá- ções de 50 metros de comprimento. res jazidas encontradas no país. ria de petróleo no mar brasileiro. “Nosso principal contrato está vol- No início de abril, a petroleira nor- A empresa está no país há 14 tado às demandas do pré-sal.” te-americana Anadarko anunciou anos e tem operações nos Estados Com faturamento de R$ 100 mi- que a jazida encontrada no campo Unidos, China e Oriente Médio. lhões no ano passado, a TWB man- Wahoo, na área do pré-sal da bacia Dois anos depois de chegar ao tém uma base no Guarujá e atua de Campos, mas no litoral do Es- mercado nacional, comprou a par- na construção de embarcações de pírito Santo, pode conter mais de ticipação acionária no Estaleiro apoio offshore em Navegantes (SC) 300 milhões de barris. Os testes no Mauá, no Rio de Janeiro. Em 2007, e com transporte marítimo na tra- poço indicam uma vazão superior com o término da joint venture vessia Salvador-Itaparica (BA). Atu- a 15 mil barris de óleo, além de 4 entre o Mauá e a Jurong Shipyard, almente, conclui a transferência milhões de metros cúbicos de gás foi criada a Jurong do Brasil. da operação no Sul do Brasil para natural por dia. De olho nesse mercado, a Nave- a Keppel Sigmarine, de Cingapura. Para Endora, apesar da revitali- gação São Miguel-Skymar Serviços “Venderemos só os ativos”, explica. zação da indústria naval brasileira, Marítimos, no Guarujá (SP), espe- “Vamos atender os contratos em ainda há carência de mão de obra ra aumentar seu faturamento em andamento e completar as nego- experiente, de fornecedores capa- R$ 10 milhões neste ano. “Os negó- ciações para o novo estaleiro.” INDÚSTRIA NAVAL ValorSetorial 45
  • 33. NORDESTE | POR JACÍLIO SARAIVA Estaleiro Atlântico Sul lançou em maio seu primeiro navio
  • 34. DIVULGAÇÃO: AGÊNCIA PETROBR BENEFÍCIOS FISCAIS ATRAEM ESTALEIROS Com localização estratégica, três fabricantes de navios devem investir, até 2012, mais de R$ 3 bilhões na região O Nordeste deve receber, pelo atual capacidade de processamen- coreana WIA e fabricados na Chi- menos, três novos estalei- to do EAS, de 160 mil toneladas de na. Cada um terá capacidade para ros até 2012, com investi- aço por ano, possibilita a entrada 1,5 mil toneladas. “Juntos, os equi- mentos superiores a R$ 3 bilhões. de novas encomendas”, diz Angelo pamentos podem içar até 2,7 mil Com pouca tradição na indústria Bellelis, presidente do estaleiro. toneladas, o que reduz o tempo naval, a região caminha para se A ideia de implantar o EAS em de passagem dos navios no dique transformar em um polo produti- Pernambuco começou em 2005. Os seco.” Quando os dois guindastes vo, com empreendimentos em Per- grupos Camargo Corrêa, Queiroz estiverem operando, o EAS poderá nambuco, Bahia e Alagoas. Donos Galvão e a PJMR Empreendimentos edificar um navio do tipo Suezmax de complexos no Rio de Janeiro, formaram uma sociedade e, com em menos de 20 blocos, com maior como o grupo Synergy, do Estalei- o suporte tecnológico da coreana velocidade na produção. ro Mauá, investem na área. Samsung Heavy Industries, lança- O primeiro navio do estaleiro, Para especialistas, o início da ram a empresa. Dois anos depois, a lançado em maio, foi feito com exploração do pré-sal e os contra- planta industrial passou a ser cons- 256 blocos. A embarcação do tipo tos com a Petrobras e a Transpetro, truída no porto de Suape. Suezmax, batizada de João Cândi- além de incentivos dos governos Em abril, a sociedade ganhou do, tem 274 metros de comprimen- estaduais, atraem os aportes para mais força com a entrada da to e capacidade para transportar a região. Em Ipojuca, a 40 quilôme- Samsung na composição acioná- 1 milhão de barris de petróleo. É tros de Recife (PE), o novo Estaleiro ria. A companhia é considerada a primeira embarcação de grande Atlântico Sul (EAS) entregou seu uma das líderes mundiais da in- porte construída no Brasil e entre- primeiro navio neste ano e tem 22 dústria de construção naval. O gue à Petrobras em 13 anos. encomendas até 2015, no valor de novo EAS tem 22 encomendas de Na área de qualificação profis- US$ 3,4 bilhões. A estimativa é que navios e cascos de plataforma até sional, o programa de formação de os novos estaleiros gerem mais de 2015, no valor de US$ 3,4 bilhões. soldadores e montadores, funções 10 mil empregos no Nordeste. Ini- Para dar conta dos pedidos, inves- mais demandadas no empreendi- ciativas para a qualificação de mão te em novas tecnologias de produ- mento, está avaliado em R$ 12 mi- de obra começaram, com investi- ção e na capacitação de pessoal. lhões. Inclui ações de recrutamen- mentos de R$ 12 milhões. “O bom desempenho ocorre por to e capacitação, com a construção O EAS, primeira grande empre- conta da retomada da indústria de um centro de treinamento esti- sa do setor a se instalar na região, naval, capitaneada pela Petrobras mado em R$ 3,5 milhões. produz navios cargueiros – petro- e Transpetro”, afi rma Bellelis. Criado em 2007, o programa leiros, conteineiros, graneleiros, O estaleiro pernambucano tem conta com o apoio do governo mineraleiros e de cargas gerais –, 1,6 milhão de metros quadrados de de Pernambuco, de prefeituras além de plataformas offshore, uni- terreno, área industrial coberta de municipais e do Serviço Nacio- dades de perfuração e embarcações 130 mil metros quadrados e um di- nal de Aprendizagem Industrial para a indústria de óleo e gás. Com que seco de 400 metros de extensão, (Senai). A fase de recrutamento, investimentos de R$ 1,8 bilhão, o 73 metros de largura e 12 metros de realizada em cinco municípios empreendimento, localizado no profundidade. A área de cais inclui do entorno do porto de Suape, Complexo Industrial Portuário de uma zona de acabamento com 730 gerou um banco de talentos com Suape, a 40 quilômetros de Recife metros de extensão, equipada com 5 mil pessoas. Cerca de 2 mil pro- (PE), entrou em operação em se- dois guindastes de 35 toneladas. fi ssionais formados no centro de tembro de 2008. O faturamento em Em breve, terá dois guindastes treinamento do EAS atuam na 2009 alcançou R$ 757 milhões. “A do tipo Goliath, projetados pela operação industrial. INDÚSTRIA NAVAL ValorSetorial 47
  • 35. NORDESTE | LEO CALDAS / VALOR Argentina, Venezuela e Alemanha, além de empresas nacionais como Petrobras, Transpetro, Vale, Log-In e Astro Marítimo. Segundo Wel- ber, a primeira fase do empreen- dimento pode gerar cerca de 5 mil empregos diretos, com uma capa- cidade de processamento de 160 mil toneladas de aço ao ano. Mesmo antes de ser inaugura- do, o Eisa-Alagoas negocia com a Vale a construção de um navio de 400 mil toneladas e 360 metros de comprimento para transporte de minério. “Também estamos con- correndo para construir navios- sonda da Petrobras, que irão ope- rar no pré-sal.” Apesar de não ter histórico na indústria naval, o Estado de Ala- goas oferece boas condições para a implantação do empreendimento em Coruripe, segundo Weber. “O local possui águas calmas e bom nível de calado. Há ainda facilida- Angelo Bellelis, Para a contratação de funcio- xima ao EAS. As estimativas são de de de acesso pela rodovia BR-101 e do EAS: ação nários mais graduados, o EAS gerar 10 mil empregos na região, fica a 80 quilômetros do porto de inclui centro selecionou especialistas no Rio entregar o primeiro navio em de- Maceió.” O governo alagoano es- de treinamento de Janeiro e Santa Catarina, tra- zembro de 2012 e outras sete em- tuda a implantação de uma escola de mão de obra dicionais centros formadores de barcações até o fim de 2014. As en- profissionalizante na cidade. mão de obra no setor. Além disso, comendas fazem parte do Progra- Na Bahia, o Estaleiro Enseada contratou cerca de cem soldadores ma de Modernização e Expansão do Paraguaçu, sociedade entre brasileiros que trabalhavam no da Frota (Promef) da Transpetro. a Odebrecht, OAS e UTC, vai ser Japão, com experiência em indús- No município de Coruripe, a construído próximo à foz do Rio tria naval e construção de plata- 80 quilômetros de Maceió (AL), o Paraguaçu, em Maragogipe, na formas. O número de empregados Grupo Synergy, dono do Estaleiro região metropolitana de Salvador. na operação do estaleiro passou Ilha S.A. (Eisa) e do Estaleiro Mauá, O investimento é de cerca de R$ 2 de 1,1 mil pessoas em dezembro no Rio de Janeiro, prepara-se para bilhões, com capacidade para pro- de 2008 para 3,8 mil funcionários construir o Eisa-Alagoas. A licença cessar 60 mil toneladas de aço ao em junho de 2010. ambiental prévia foi liberada e o ano. A construção de navios-sonda “O complexo conta com uma po- empreendimento de 200 hectares para a Petrobras e a montagem de sição estratégica em relação ao cha- vai exigir R$ 1,3 bilhão. topsides, unidades que equipam as mado Triângulo de Ouro, que tem “Terá capacidade para fazer qual- plataformas, estão entre os princi- como vértices o Golfo do México, a quer tipo de embarcação, princi- pais interesses dos investidores. A costa ocidental africana e a região palmente grandes navios e projetos previsão é que as obras comecem do pré-sal, três pontos importantes especiais como navios-sonda”, diz o no fim de 2010 e que o estaleiro para o presente e o futuro da indús- gerente de projetos do Eisa-Alago- seja aberto em 2012. tria do petróleo”, diz Bellelis. as, Max Welber. O estaleiro está na De acordo com Vincent Baron, Prova disso é que o porto per- etapa de obtenção da licença de ins- diretor da consultoria Naxentia, nambucano acaba de atrair um talação, que pode ser finalizada até a indústria naval brasileira vai se- novo estaleiro. O Promar, do gru- o fim de agosto – a previsão é que a guir impulsionada pela explora- po PJMR e da STX Brazil Offshore, unidade comece a operar no segun- ção do pré-sal e por novas rodadas resultado de um investimento do semestre de 2012. de financiamento dos projetos. Só de R$ 300 milhões, nem saiu do Uma das ideias dos investidores com o a exploração da nova cama- papel e tem oito navios gaseiros é aproveitar a expertise e a cartei- da de petróleo, as estimativas in- encomendados, que representam ra de clientes conquistada pelo dicam a necessidade de construir US$ 536 milhões. Será construído Estaleiro Ilha, que entrega navios 45 novas plataformas e mais 70 em uma área de 80 hectares, pró- para os Estados Unidos, Noruega, navios petroleiros.48 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 36. SUL | POR GILBERTO PAULETTI RIO GRANDE FORMA CADEIA PRODUTIVA Empresas do porte da Engevix, Wilson, Sons e Quip se instalaram no polo gaúcho ao lado de fornecedores de equipamentos e serviços T écnicos chineses da Shan- milhões de metros cúbicos de gás e ghai Zehenhua Port Machi- se conectar com 11 poços de óleo e nery (ZPMC), maior fabri- gás, simultaneamente. Seu destino cante de equipamentos portuários final é o campo de Roncador, na ba- do mundo, realizam atualmente os cia de Campos. O investimento de testes finais nos gigantescos guin- US$ 1,65 bilhão vai proporcionar 3,5 dastes instalados no Estaleiro Rio mil empregos diretos e exige 70% de Grande 1. Construído pela WTor- conteúdo nacional nos equipamen- re, arrendado à Petrobras por dez tos. A plataforma deve iniciar sua anos e recentemente adquirido operação no próximo ano. pela Engevix por R$ 410 milhões, O consórcio Quip S.A. (liderado o estaleiro conta com o maior di- pela Queiroz Galvão, UPC Enge- que seco do país, com 350 metros nharia e Camargo Corrêa e com de comprimento e 135 metros de participação da Iesa e da PMJR) é o largura. Nele, o consórcio Quip responsável pelo projeto e também iniciou a montagem dos equipa- vai construir e montar a terceira mentos da plataforma P-55. plataforma, a P-63, provavelmente Os planos não param por aí. Em Um dique dessa dimensão per- em Rio Grande. O casco, porém, está outro terreno, em frente ao ERG 1, mite a docagem simultânea de dois sendo adaptado na Europa e é do do outro lado da rodovia, a WTor- petroleiros tipo VLCC (Very Large navio BW Nisa. Os investimentos so- re construirá o ERG 3, destinado Crude Carrier), com 300 toneladas mam US$ 2,3 bilhões e 2,5 mil em- a indústrias de fornecedores que de porte. A escavação do dique pregos diretos estão previstos. pretendem se instalar em volta contou até com o acompanhamen- A construção do Estaleiro Rio dos estaleiros. Ao mesmo tempo, a to de arqueólogos para investigar Grande 1 demandou planejamen- WTorre Residencial dará a largada, se havia alguma manifestação cul- to rigoroso. “Quando a obra estava na cidade de Rio Grande, a um pro- tural de povos antigos da região. no pico, chegamos a ter 1.600 em- jeto orçado em R$ 105 milhões, fru- O investimento foi de quase US$ 4 pregados e cem empresas instala- to de licitação realizada pela pre- bilhões e gerou 3,5 mil empregos das, servindo e fornecendo algum feitura, para a construção de 2.400 diretos e 7 mil indiretos. produto ou serviço. Era uma obra unidades habitacionais do projeto A P-55 começou a nascer em Per- equivalente a três Maracanãs”, Minha Casa, Minha Vida. nambuco. O Estaleiro Atlântico Sul afirma o diretor-superintenden- Fora dessas duas áreas, mas ain- (EAS) é o responsável pelo casco, te da WTorre Engenharia, Sérgio da dentro dos limites do superpor- que descerá o litoral brasileiro até Lindenberg. O terreno onde será to, a Wilson, Sons construirá um Rio Grande. Lá, receberá os módu- erguido o Estaleiro Rio Grande 2, estaleiro de 120 mil metros quadra- los para se transformar numa FPSO ao lado do ERG 1, também foi com- dos (área seis vezes superior à que a gigante, capaz de processar 180 mil prado pela Engevix e tem projeto empresa tem no município paulista barris de óleo por dia, comprimir 6 aprovado para oficinas e um cais. do Guarujá) para produzir até oito50 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 37. DIVULGAÇÃO Plataforma P-55 inicia operação em 2011 e vai exigir US$ 1,6 bilhãoembarcações de apoio a platafor- Transportes Marítimos vai receber além de outros equipamentos. Amas, rebocadores e navios de pe- US$ 50 milhões de investimento expectativa da Keppel é colocarqueno porte (até 300 toneladas de por conta da venda do estaleiro a nova unidade em operação nacapacidade). “O projeto está orçado de Navegantes (SC) à empresa metade de 2010. Quando as obrasem US$ 140 milhões com verba do Keppel Singmarine, de Cinga- estiverem totalmente prontas, oFundo da Marinha Mercante e par- pura. A TWB pretende construir estaleiro poderá produzir oitoticipação de 10% a 20% da própria um novo estaleiro, em local ain- embarcações por ano.Wilson, Sons”, diz o vice-presidente da não defi nido, focado em alta Reinaldo Pinto dos Santos, pre-da área de rebocadores, offshore e tecnologia. Hoje, a TWB produz sidente da TWB, diz que a produ-estaleiros, Arnaldo Calbucci. três embarcações por ano. Seu fa- ção da empresa, hoje focada em A empresa construirá um centro turamento em 2009 foi de R$ 100 ferry boats e estruturas de alumí-de treinamento de mão de obra. “Na milhões e para este ano há expec- nio, passará a contar com barcosprimeira fase das obras, a previsão é tativa de atingir o mesmo valor. de apoio offshore e outras embar-de empregar 800 pessoas. Quando o A Singmarine pertence ao cações em aço. As embarcaçõesestaleiro estiver a plena carga, essas grupo Keppel, que no Brasil pro- com até 150 metros são usadasvagas aumentarão para duas mil. duzia para a Petrobras platafor- para transporte de suprimentos eNossa previsão é começar as obras mas offshore e navios de grande de outros equipamentos às plata-até o final deste ano e terminá-la 18 porte, em seu estaleiro de Angra formas de petróleo.meses depois”, afirma Calbucci. dos Reis (RJ). O investimento está Para Chow Yew Yuen, presiden- No polo naval de Santa Catari- programado para a construção de te da Keppel O&M nas Américas,na, a TWB S.A. Construção Naval e uma nova plataforma, novo cais, o investimento no estaleiro de INDÚSTRIA NAVAL ValorSetorial 51
  • 38. SUL | SILVIA COSTANTI / VALOR RJ funcionários soma 290 emprega- dos, mais 600 terceirizados, que trabalham numa área de 100 mil metros quadrados. O diretor comercial da Detroit Brasil, Josuan Moraes, diz que acre- dita na “ampliação da produção de petróleo no país, com a exploração da camada pré-sal, e no aumento da demanda do sistema Petrobras e de outras petroleiras por em- barcações e equipamentos e pla- taformas”. Ele acha que os inves- timentos em infraestrutura por- tuária, previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), demandarão mais embarcações de apoio. “Tenho certeza de que haverá expansão no transporte de cabotagem no Brasil e inserção no mercado internacional por parte dos estaleiros brasileiros.” Um projeto de porte que ainda depende de licença ambiental é o estaleiro da OSX, subsidiária da OGX , de Eike Batista, que poderá ser instalado em Santa Catarina ou no Rio de Janeiro. O projeto prevê investimentos da ordem de R$ 1,7 bilhão e prevê 3.500 empregos na fase de construção e 4 mil quando Arnaldo Calbucci, Navegantes reforça a estratégia este ano, o estaleiro de Navegantes começar a operar. A OSX atende- da Wilson, Sons: de atender melhor o mercado e deve fabricar uma segunda unida- rá em especial à OGX, companhia novo estaleiro os clientes e complementa a linha de do ferry boat Ivete Sangalo, feito do Grupo EBX. A empresa estima terá 120 mil da Brasfels, em Angra dos Reis em alumínio e usado no transpor- uma demanda de 48 plataformas metros quadrados (RJ), pertencente ao grupo Keppel te marítimo na Bahia, além de um offshore com custo de US$ 30 bi- FELS, ao oferecer uma platafor- rebocador e uma balsa oceânica, lhões. Elas poderão ser adquiridas ma completa de produtos para o que serão entregues à Tranship, pela OSX Leasing e afretadas para a setor de óleo e gás. No comunica- empresa brasileira de navegação, OGX para suportar seu crescimen- do divulgado no site da empresa, ainda neste ano. to nos próximos dez anos. Yuen destaca os planos da Petro- Instalado em Itajaí, o Estaleiro O foco da unidade de negócio bras para expandir as operações Detroit Brasil Ltda. começou suas de construção naval é a construção, e fretar 147 embarcações offshore atividades no Brasil em 2002. É o montagem e integração de unida- construídas no Brasil nos próxi- braço naval no Atlântico de sua ma- des de E&P – plataformas de pro- mos cinco anos. “Para isso, vamos triz chilena, que tem 99% da empre- dução fixas e flutuantes e sondas de trazer nossa expertise em constru- sa. Seu foco é a construção e reparos perfuração. A OSX firmou um con- ção naval às portas do Brasil para de embarcações de serviço sob en- trato com a Hyundai, que engloba a suprir essa demanda robusta por comenda, principalmente reboca- transferência de tecnologia para as embarcações de apoio.” Na pri- dores portuários e oceânicos de até operações da empresa, know-how e meira fase, serão gerados 500 em- 100 toneladas, barcos de pesquisa e treinamento da equipe. pregos diretos. Hoje, a TWB tem navios de apoio à atividade offshore O estaleiro terá uma planta com 200 empregados em Navegantes. de plataformas de petróleo. capacidade suficiente para proces- Além da operação em Santa Nos dois últimos anos, a Detroit sar 80 mil toneladas por ano no es- Catarina, a TWB é concessionária Brasil entregou ao mercado mais de tágio inicial e previsão de integrar de transporte marítimo na Bahia 20 embarcações. Neste ano, serão módulos, movimentando 220 mil e detém outro estaleiro no Gua- mais 14 barcos. Na sua carteira há toneladas de aço anuais, com capa- rujá (SP), usado para reparos das 32 encomendas da Vale, Camorim, cidade de expansão para 460 mil embarcações em operação. Para Tranship e Starnav. Seu quadro de toneladas por ano.52 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 39. NORTE E CENTRO-OESTE | POR JUAN GARRIDO USO DE TRANSPORTE FLUVIAL AINDA É POUCO EXPLORADO Eclusas nos rios Tocantins e Araguaia e a Hidrovia Teles Pires- Tapajós são fundamentais para consolidar a indústria da região A mudança gradativa que abrirá um novo canal de escoamen- opera na Hidrovia Tietê-Paraná, vem ocorrendo na matriz to fluvial no Norte. Segundo Fábio comenta que traria inúmeros be- de transportes brasileira, Vasconcelos, diretor comercial do nefícios para o país a interligação com maior utilização do transpor- Estaleiro Rio Maguari, o maior do das bacias Amazônica e do Paraná- te hidroviário, abre novas opor- Pará, isso abre a perspectiva de Paraguai. Essa conexão poderia ser tunidades e perspectivas para os construção de milhares de novas feita por meio de canais artificiais estaleiros da região Norte, onde es- embarcações fluviais para atender à nos mesmos moldes das hidrovias tão localizadas as principais hidro- demanda de transportes que deverá que interligam a Europa há mais vias do país. “Em mais ou menos inevitavelmente ocorrer. de 200 anos, o que abriria um cor- dez anos a indústria naval amazo- Na visão de Vasconcelos, é im- redor logístico unindo Belém (PA) nense estará solidificada”, aposta portante que se dê prioridade ao a Buenos Aires, na Argentina. Os Matheus de Oliveira Araújo, presi- transporte hidroviário, por ser eco- benefícios seriam inúmeros para o dente do Sindicato da Construção nômica e ecologicamente mais efi- Brasil e os países do Mercosul. Com Naval de Manaus (Sindnaval). Hoje ciente que os demais modais. “Isso o incremento da navegação no Rio os estaleiros de Manaus constroem vai reduzir o custo Brasil e aumen- Tocantins, haveria até a possibili- embarcações com capacidade para tar a competitividade dos produtos dade de se instalarem estaleiros em 5 mil a 10 mil toneladas, mas têm brasileiros, além de gerar centenas Estados do Centro-Oeste – hoje ine- condições de fabricar artefatos do de milhares de empregos diretos e xistentes –, ainda que, no caso do porte dos que navegam pelo Rio indiretos na construção naval e no Mato Grosso, a tendência seja a de Mississipi, nos Estados Unidos, que transporte fluvial.” fazer encomendas de chatas, em- chegam a transportar mais de 22 A conclusão das demais eclusas purradores e outras embarcações mil toneladas. nos rios Tocantins e Araguaia, as- da indústria instalada no Amazo- Só nos limites do território ama- sim como a viabilidade da Hidro- nas e no Pará – pela facilidade de zonense, a bacia fluvial do Rio Ama- via Teles Pires-Tapajós são conside- comunicação fluvial. zonas tem quase 7 mil quilômetros radas fundamentais não só para o Nas grandes “estradas de água” de extensão, contando com afluen- incremento da indústria naval do do Amazonas navegam mais de tes como Solimões, Juruá, Madeira, Norte como para inserir o Centro- 60 mil embarcações. Segundo Ma- Purus e Negro. A indústria naval do Oeste na roda naval fluvial. “Ao con- theus, do Sindnaval, 60% são feitas Amazonas abriga cerca de 30 mil trário do que se pode supor, tanto em aço e 40% em madeira. Cerca de trabalhadores em mais de 65 em- as eclusas como a hidrovia devem 45% dessa frota é de embarcações presas e espera agregar nos próxi- ser encaradas como prioridade na- mistas, transportando passagei- mos anos mais 30 mil empregados, cional e não apenas local, porque ros e carga, 35% integra o sistema principalmente por influência dos vão beneficiar todo o setor mineral rodofluvial e 20% está voltada para negócios petrolíferos. e agroindustrial das regiões Norte esporte e lazer. Dos 65 estaleiros de Também a inauguração próxi- e Centro-Oeste, importantes para a Manaus, sete são grandes e os de- ma das eclusas do Rio Tocantins balança comercial brasileira.” mais, pequenos e micros. No Esta- em Tucuruí (localizada a cerca de Um especialista ligado a uma do como um todo há 85 estaleiros 400 quilômetros de Belém do Pará) grande empresa de navegação, que e estima-se que funcionem 30054 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 40. DIVULGAÇÃO Estaleiro Rio Maguari é líder no Norte em embarcações de açoinstalações de reparos, a maioria O presidente do Sindnaval co- Para Vasconcelos, o caminhona informalidade. “Das 1,2 mil em- menta que os amazonenses recep- natural de crescimento do Esta-barcações lançadas anualmente, a cionaram em julho missões da leiro Rio Maguari coincide comgrande maioria é elaborada pelos China, interessadas em levantar o a demanda de embarcações desete grandes estaleiros de Manaus.” potencial naval do Estado. “Em me- apoio às plataformas marítimas O setor está em expansão, de- ados do mês foi assinada uma carta de extração de petróleo. Ele dizvendo investir R$ 80 milhões em de intenção para instalação de um que o planejamento da empresa2010 e espera faturar US$ 160 mi- estaleiro chinês para produção de prevê a manutenção do mercadolhões, receita 60% superior à de embarcações de 70 mil toneladas atual, de construção de embarca-2009. “Nossos negócios andam em Manaus”, conta, acrescentando ções fluviais e rebocadores portu-de vento em popa, porque temos que o modelo de negócio poderá ser ários, mas com o investimento naincentivos fiscais da Superinten- uma joint venture com algum esta- ampliação e capacitação tecnoló-dência da Zona Franca de Manaus leiro existente ou a construção de gica do estaleiro. “Já estamos com(Suframa) e, em função de nossas uma nova instalação mesmo. a primeira fase praticamente con-águas profundas, com leitos de rio Para Matheus, basta que o pri- cluída, visando à construção deformatados”, diz Matheus. meiro grande estaleiro estrangeiro embarcações offshore”, diz. O Fundo da Marinha Mercante – capaz de construir embarcações O Estaleiro Rio Maguari é líder(FMM), com recursos repassados acima de 80 mil toneladas – se ins- na construção naval da região Norteatravés do Banco Nacional de Desen- tale no Estado, para que venham em embarcações de aço. A empresavolvimento Econômico e Social (BN- um segundo e um terceiro, atraídos processa cerca de 30 mil toneladasDES), do Banco do Brasil ou do Banco pelo potencial do offshore. “Por isso, de aço por ano, com faturamentoda Amazônia, é a principal fonte de tenho alertado os associados do anual próximo a R$ 100 milhões.financiamento à construção naval Sindnaval de que, se a gente não se “Estamos entre os sete maiores esta-no Norte. “Mas é fundamental que organizar, os japoneses, chineses e leiros brasileiros e geramos cerca deo Ministério dos Transportes conti- coreanos – que dominam hoje 80% 1,6 mil empregos diretos e indire-nue a buscar mais recursos para o da construção naval no planeta – tos, utilizando tecnologia de pontaFMM, para que este possa atender a poderão tomar conta do nosso mer- que automatiza a produção atravéstoda a demanda atual e futura”, de- cado, seduzidos pelas perspectivas de softwares de projeto e equipa-fende Vasconcelos. de encomendas da Petrobras.” mentos de última geração.” INDÚSTRIA NAVAL ValorSetorial 55
  • 41. TECNOLOGIA | POR GENILSON CEZAR UNIÃO PARA O fortalecimento da indús- tria naval por conta dos in- vestimentos na exploração e produção de petróleo na camada OBTER SOLUÇÕES do pré-sal abre um vasto campo de oportunidades de negócios e gigantescos desafios tecnológicos para a Petrobras e também para INOVADORAS universidades, instituições e cen- tros de pesquisa e desenvolvimen- to e empresas brasileiras do setor de tecnologia da informação e de telecomunicações. Universidades e centros de pesquisa formam A Petrobras criou uma gerência executiva de pré-sal, que coordena rede com a Petrobras para enfrentar desafios todas as atividades de exploração e produção na área, sob o coman- da exploração de petróleo em águas profundas do do engenheiro José Miranda Formigli Filho. Atualmente, a unidade concentra boa parte dos esforços na montagem de um polo LEO PINHEIRO / VALOR de excelência de fornecimento de tecnologia para a cadeia produtiva de petróleo e gás, no Rio de Janei- ro, onde está instalado o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Le- opoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), responsável pelas ativi- dades de pesquisa e desenvolvi- mento (P&D) e engenharia básica da empresa. O polo tecnológico do Rio é o mais avançado na área de petró- leo e gás, devido à presença de outros provedores de P&D, como o Instituto Gênesis, da Pontifícia Universidade Católica (PUC), e do Centro de Tecnologia da Universi- dade Federal do Rio de Janeiro, a Redetec, mas a estatal desenvolve outras iniciativas em parcerias com universidades e instituições de pesquisas em vários Estados. Em Florianópolis, está em fase de implantação o Instituto do Petró- leo, Gás e Energia (INPetro), no Sapiens Parque, fruto de uma par- ceria entre a Petrobras e a Univer- sidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com investimentos de R$ 32 milhões. A intenção do INPetro, que começa a operar em março de 2011, é consolidar as pesquisas na José Formigli área e também criar em seu entor- Filho, da Petrobras: no oportunidades para que em- polo de excelência presas de base tecnológica sejam para a cadeia constituídas para explorar as apli- produtiva cações em desenvolvimento.56 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 42. Também em Santa Catarina, a 2.500 metros); a redução dos camada de sal que chega, em al-deve ser instalado um Instituto custos na perfuração de poços, guns pontos, a dois mil metros dede Tecnologia Naval, o ITN, para por meio de utilização de novas espessura. Essas características tor-capacitação de profissionais de tecnologias e aperfeiçoamento de nam aquela província sem similar enível médio e superior, como re- procedimentos; o suprimento de constituem um desafio tecnológicosultado de uma parceria entre materiais especiais; a operação sem precedentes na indústria.o governo do Estado e o grupo de plantas de gás complexas nas Maior operadora em águasEBX, que projeta investimentos de unidades de produção; e o geren- profundas do mundo, com 22%US$ 1,7 bilhão em um estaleiro em ciamento do gás carbônico (CO2) das operações nesse horizonteBiguaçu, próximo da capital. “Os no gás associado ao petróleo, para submarino, a Petrobras se vale dafabulosos investimentos que a Pe- reduzir as emissões. longa experiência e tecnologiatrobras anuncia para os próximos Os reservatórios do pré-sal bra- acumuladas nos últimos anos. O20 anos na exploração de petróleo sileiro são constituídos por rochas desenvolvimento da produção nano fundo do mar vão atrair a aten- carbonáticas de origem microbial, área do pré-sal passa, entre outrasção tanto de empresas e institui- sobre as quais ainda pouco se co- questões, pela defi nição do me-ções brasileiras como de organiza- nhece no mundo. Além disso, as lhor modelo geológico, pela geo-ções internacionais que já estão se maiores acumulações de hidrocar- metria de poço mais econômicaorganizando para virem ao país”, bonetos encontradas na bacia de e adequada ao reservatório e pelaavalia José Eduardo Fiates, diretor Santos estão localizadas em águas garantia de escoamento do petró-de inovação da Fundação Certi ultraprofundas e abaixo de uma leo pelos dutos. No caso de Tupi,(Centros de Referência em Tecno-logias Inovadoras), incumbida demontar a rede de universidades e Rede capacita mão de obrainstituições de pesquisas que dará OSX e governo catarinense montam Instituto Técnico Navalsuporte ao ITN. Para a Petrobras, os projetos O Instituto Técnico Naval, uma parceria entre o estaleiro OSX e o governo de Santa Ca-para desenvolver a produção no tarina, pretende montar uma rede de transferência de conhecimento tecnológico entrepré-sal apresentam muitos desa- instituições e centros de pesquisas nacionais e internacionais para suprir a demanda defios, tanto tecnológicos como de mão de obra, de aproximadamente dez mil pessoas, que será empregada, nos próximosgestão. Como tornar mais lucra- cinco anos, no estaleiro da companhia, que pertence ao grupo EBX.tivos os negócios para viabilizar “Buscamos referências internacionais, como convênios com o Massachusetts Instituteoperações que ainda não podem of Technology (MIT), dos Estados Unidos, o Norwegian University of Science and Tech-ser feitas com a tecnologia dispo- nology, da Noruega, e o Naval Architecture & Marine Engineering, de Michigan (EUA).nível. Um exemplo: drenar a mes- Vamos contar com a formação, treinamento, pesquisa e desenvolvimento de instituiçõesma área e o mesmo volume com o universitárias locais, juntamente com o Senai. E pretendemos fomentar melhoresmenor número de poços possíveis condições de capacitação à cadeia de fornecedores do estaleiro para atender às nossaspara reduzir custos. necessidades e aos projetos que vamos construir”, explica José Jorge Araújo, gerente- Segundo técnicos da estatal, executivo do OSX. Outra fonte de conhecimento será a coreana Hyundai, que tem con-a Petrobras e seus parceiros (BG trato de transferência de tecnologia com o estaleiro, além de treinamento da equipeGroup e Galp Energy) têm extraí- brasileira, inclusive na Coreia.do muito mais que petróleo da Segundo José Eduardo Fiates, diretor de inovação da Fundação Certi, o papel do insti-acumulação de Tupi, na bacia de tuto, instalado dentro do Sapiens Parque, em Florianópolis, será o de articular o planeja-Santos, no litoral sudeste brasilei- mento dessa rede e gerar competências nas várias áreas de capacitação, como instrumen-ro. O Teste de Longa Duração (TLD) tação, automação industrial e mecatrônica. A expectativa é que ele entre em operação atéfeito no local desde maio de 2009 o final do ano. “O objetivo é fazer um levantamento das várias competências tecnológicastem permitido obter informações para tornar disponíveis programas de capacitação e laboratórios que possam ser utiliza-fundamentais não só para o Pro- dos também por outros agentes da indústria brasileira.”jeto Piloto de Tupi, que entra em Para Rui Gonçalves, presidente da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia, ooperação no fim deste ano, mas fortalecimento do setor naval amplia as oportunidades de negócios para as empresas datambém para os demais sistemas área de TI e de telecomunicações do Estado, que hoje já respondem por um faturamento dede produção a serem implantados R$ 1,2 bilhão. “Um grande fator positivo é a possibilidade de criação de um arranjo produtivonas áreas do pré-sal. do setor naval com as empresas de tecnologia locais”, diz Gonçalves. Outros temas em estudo são a Um exemplo é a ESSS, criada por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarinacaracterização e previsibilidade (UFSC), que entregou à Petrobras a primeira versão do Simulador Integrado de Cimentação dede reservatórios carbonáticos não Poços de Petróleo. “As perspectivas são de mais negócios com os investimentos que estãoconvencionais e heterogêneos; a sendo feitos na exploração do petróleo”, confia Marcus Vinicius Reis, vice-presidente da em-garantia de escoamento do óleo presa, que deve registrar receita em torno de R$ 20 milhões neste ano.em águas ultraprofundas (2.100 INDÚSTRIA NAVAL ValorSetorial 57
  • 43. TECNOLOGIA | DIVULGAÇÃO a Petrobras está desenvolvendo soluções para outras questões técnicas importantes, como, por exemplo, o tratamento ideal do dióxido de carbono (CO2) produ- zido. Além disso, como os primei- ros testes realizados indicam pre- sença maciça de gás associado em toda a área, outro grande desafio tecnológico a vencer, de acordo com a estatal, é a concepção de plantas e métodos para processar e exportar o gás produzido a dis- tâncias que chegam a quase 300 quilômetros da costa. Para antecipar essas soluções, a Petrobras criou, no fi nal de 2007, um programa multidisciplinar que acompanha as várias fases de desenvolvimento da área. Em parceria com universidades bra- sileiras e internacionais, além da cadeia de fornecedores, o Progra- ma Tecnológico para o Desenvol- vimento da Produção dos Reser- vatórios do Pré-sal (Prosal) está cuidando da gestação e desen- volvimento de tecnologias para viabilizar o aproveitamento das novas descobertas. Na área de engenharia de po- ços, os técnicos têm se debruçado sobre questões inéditas, como o desvio das perfurações dentro da zona de sal, pois construir poços em estratos geológicos em que a espessura salina chega a dois qui- lômetros é uma operação delicada e incomum na indústria do pe- tróleo. Dada a complexidade dos José Eduardo Fiates, da Fundação Certi: interesse de organizações internacionais reservatórios, os técnicos estudam a possibilidade de instalar, ali, sis- informações fundamentais sobre desenvolver plantas compactas temas de completação seca, o que a melhor geometria de poço para para separar o CO2 e o gás natural possibilitaria melhor controle da aqueles reservatórios. em ambiente offshore. produção de óleo, por meio de in- A Petrobras também tem o com- Segundo a Petrobras, são vários tervenções rápidas. promisso de evitar emissões de di- os desafios que evidenciam a ne- Outra frente de estudos está vol- óxido de carbono. O Projeto Piloto cessidade de um grande esforço tada para soluções que aumentem de Tupi injetará o CO2 produzido para fornecer as soluções tecnoló- a taxa de penetração e reduzam os no próprio reservatório. O gás na- gicas necessárias para desenvolver custos de perfuração, além de de- tural será exportado via gasoduto economicamente a produção da senvolver uma estratégia comum para a plataforma de Mexilhão, nova província. Num mundo em para a construção de poços de alta a ser instalada em águas rasas da que descobertas como essas são produtividade, mesmo com as ca- bacia de Santos. De lá seguirá para cada vez mais escassas, o que faz racterísticas heterogêneas do reser- instalações em terra e, depois de a diferença, segundo a Petrobras, vatório. O Teste de Longa Duração, tratado, será entregue ao merca- é ir atrás do desconhecido. “É de- em vigor desde 2009, e o Projeto do consumidor. Suprir o mercado senvolver novas soluções e inven- Piloto de Tupi, que começa a operar consumidor e evitar emissões en- tar maneiras de fazer o melhor uso no final deste ano, proporcionarão volve outro desafio tecnológico: delas”, diz um técnico da estatal.58 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 44. PROJETOS | POR CELIA DEMARCHI DIVULGAÇÃO Projeto da Projemar feito em 3D para a plataforma P-47 da Petrobras MERCADO RESTRITO PARA A ENGENHARIA NACIONAL Escritórios brasileiros são contratados apenas para detalhar projetos de embarcações que já vêm prontos do exterior A s empresas de engenharia projetos que os estaleiros com- Estudos e Projetos de Engenharia. naval voltaram a vicejar no pram no exterior ou de empresas “Fomos buscar outros segmentos, Brasil, puxadas, principal- estrangeiras aqui instaladas. como estaleiros e portos.” mente, pelos investimentos da Pe- Extremamente disputado, esse Um dos nichos que hoje deman- trobras, que estabeleceu níveis ele- mercado é dominado por empre- dam muito trabalho são as plata- vados de nacionalização, de pelo sas tradicionais de países como formas de produção de petróleo. menos 65%, das embarcações que Noruega, Holanda, Itália, Austrá- Normalmente, a Petrobras costuma navegam no país. Há muito traba- lia, Inglaterra e Estados Unidos. importar o projeto básico e contra- lho no horizonte, portanto, mas “Fizemos muitos projetos no pas- tar empresas como a Planave para poucas vezes os escritórios nacio- sado, mas com a crise deixamos trabalhar na fase seguinte, de de- nais são contratados para projetar essa área, que, é claro, continuou talhamento, uma espécie de custo- embarcações. Eles são chamados se desenvolvendo no mundo”, diz mização. “É um volume de projetos para fazer o detalhamento dos Harald Gübitz, diretor da Planave muito grande”, afirma Gübitz.60 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 45. Ainda há remanescentes da desse campo da engenharia no Bra- mais a demandas ambientais. Umépoca de ouro do setor, que con- sil. “Os clientes compram o projeto exemplo é o navio criado para atinuaram atendendo à reduzida básico e fazem o detalhamento aqui. Log-In para transporte de bauxitademanda nacional ou a pedidos Mas esses projetos exigem muito in- da Alunorte, atualmente em cons-do exterior. É o caso da carioca vestimento e levam no mínimo oito trução no Eisa. O navio tem caracte-Projemar Estudos e Projetos de En- meses para ser desenvolvidos.” rísticas exclusivas para transitar emgenharia, originária do antigo es- Mesmo no ramo de transporte rota específica e delicada, de cercataleiro Emaq, do qual foi subsidiá- marítimo, o projeto brasileiro não de mil quilômetros pelos rios Trom-ria, tornando-se independente em decolou ainda. Walter Buschini, betas e Amazonas – entre o porto de1995. “Visualizamos investimentos vice-presidente do grupo TWB, Trombetas e o porto Vila do Conde,pesados em águas profundas e nos conta que a empresa foi buscar na em Barcarena, no Pará.direcionamos para a área de óleo Austrália o projeto do ferry boat Segundo Garcia Neto, a tendên-e gás”, conta Tomazo Garcia Neto, Ivete Sangalo. Com estrutura em cia é as empresas buscarem cadapresidente da Projemar, que proje- alumínio e movida a diesel e gás, vez mais navios com motores maistou a maior parte das embarcações a embarcação liga Salvador à Ilha eficientes, que emitam menos CO2 , eque estão em operação na bacia de de Itaparica. “O armador não quer com sistema de lastro capaz de evi-Campos e participa de projetos de ver papel, apresentação, mas o na- tar o transporte acidental de espé-plataformas da Petrobras. A em- vio pronto, e saber como funcio- cies animais e vegetais para outrospresa teve de investir em capaci- na.” As empresas estrangeiras com ambientes, em especial no caso detação ao multiplicar o número de representação no Brasil vendem o embarcações que trafegam em ro-funcionários para 350. E foi buscar projeto e dão suporte quando há tas internacionais.receita no exterior. Há três anos, de necessidade de adaptação. “É um Ainda que o país tivesse hoje80% a 85% do faturamento vinha de mercado muito cativo.” empresas de engenharia capacita-países como Cingapura, Portugal e A demanda de navios não é das em quantidade suficiente paraEstados Unidos. Agora, a razão se exclusiva das petroleiras, já que produzir os projetos dos vários ti-inverteu: entre 70% e 75% da receita outros setores da economia tam- pos de embarcação, provavelmentevem do mercado interno. bém estão aquecidos. No caso da elas não conseguiriam atender à Também a Kromav Engenharia Projemar, a carteira recente inclui demanda. “Uma das grandes preo-Naval e Offshore – formada em um “mineraleiro” para a Vale, com cupações é com mão de obra. Não1996 por engenheiros oriundos capacidade para carregar 400 mil estamos conseguindo encontrar en-do antigo estaleiro Ishibras – vol- toneladas de minério e transpor- genheiros jovens e experientes, mastou a encontrar águas tranquilas tá-lo para a China. O navio embute apenas com mais de 45 anos. Cadaem 2002, a partir de contratos conceitos exclusivos de logística e vez mais temos de usar softwarescom companhias como Hallibur- transporte e adapta-se aos portos em 3D, maquetes eletrônicas”, dizton, Petrobras e Odebrecht. Sua da companhia, o que lhe possibili- Vahia. “Não vamos ter gente quan-receita desde então se multipli- ta ganho de velocidade. do o pré-sal estiver a pleno vapor.cou por oito e agora aumenta pelo Segundo Garcia Neto, esse tipo Tanto que já estão vindo as empre-menos 15% a cada ano, segundo o de embarcação atende cada vez sas de fora”, acrescenta Gübitz.sócio-diretor Ricardo Vahia. “Co-meçamos com 25 profissionais.Hoje temos 130.” A empresa atua em projetosbásicos, detalhamento e FEED(Front-End Engineering Design– etapa anterior à obra, de análi-se da consistência do projeto sobseus inúmeros ângulos e eventuaisimpactos). Participa de projetos e Projeto do navio-concebe modificações em plata- sonda de perfuraçãoformas petrolíferas e também faz desenvolvido peladetalhamento de projetos de na- Projemar em conjuntovios, como o petroleiro Suezmax, com a Huismando Estaleiro Atlântico Sul. Segundo Vahia, é no segmentode PSV (Platform Supply Vessel), DIVULGAÇÃObarcos de apoio offshore, que maisse buscam projetos no exterior, oque dificulta o desenvolvimento INDÚSTRIA NAVAL ValorSetorial 61
  • 46. CONSTRUTORAS | POR GLEISE DE CASTRO GRANDES GRUPOS DISPUTAM NOVOS NICHOS Empresas de engenharia civil se qualificam para construir navios e plataformas, estimuladas pela política de maior índice de nacionalização A indústria naval se tornou Andrade Gutierrez, Mitsui e a no- um novo e importante rueguesa Aker Yards, que se desli- mercado para as grandes garam depois da entrega de pré- construtoras brasileiras. O renas- qualificação para a construção de cimento dessa indústria já exibe navios para a Transpetro. “Foi um cifras capazes de acirrar a compe- desafio muito grande para uma tição entre grupos como Camargo empresa conservadora. Durante Corrêa, Odebrecht, UTC, Andrade muito tempo, o negócio ficou na Gutierrez, Queiroz Galvão e WTor- corda bamba, sai, não sai, porque re. Mas, como avalia Carlos Came- o investimento foi grande. Coloca- rato, diretor-superintendente da mos lá R$ 1,8 bilhão.” área naval e offshore da Camargo A construtora tem ainda parti- Corrêa, haverá espaço para todos. cipação de 27,25% na Quip S.A., es- “O mercado que vem aí é muito pecializada na implantação de pro- grande.” Ele se refere à exploração jetos de plataformas de petróleo de petróleo do pré-sal, que ainda offshore na modalidade EPC (En- não começou, mas promete mul- gineering, Procurement and Cons- tiplicar os investimentos hoje pre- truction, ou seja, contratos que en- vistos para as áreas de óleo e gás. globam engenharia, fornecimento competitivo, e ganhou dimensão A Camargo Corrêa foi a precur- de materiais e construção). Soman- muito maior com o pré-sal. São sora ao investir na construção do do o Atlântico Sul e a Quip, a área contratos de alto valor agregado. Estaleiro Atlântico Sul, em Pernam- naval representa 18% dos negócios Só que o risco é maior.” Segundo buco, mesmo quando os ventos não da Camargo Corrêa. ele, a construção de plataformas pareciam favoráveis. “Desde 2003, Fernando Barbosa, diretor-su- é mais complexa do que a de na- estamos estudando esse setor.” O perintendente da Odebrecht En- vios, com custo maior de mão de executivo percorreu toda a costa genharia Industrial, também vê obra, que representa 35% do total, brasileira checando condições de a indústria naval como um nicho ante 25% na construção de navios. navegação, geológicas, geotécni- bastante promissor. “O Brasil é um Materiais e equipamentos somam cas, tributárias, de tempo, de ca- país com mão de obra qualificada e 55% e engenharia e gerenciamento lado e de proteção ambiental para tem tecnologia para atender a esse de equipamentos, 10%. Na produ- descobrir a melhor localização. desafio de construção de embarca- ção de navios petroleiros do tipo O Atlântico Sul começou a ser ções para o pré-sal e para armado- encomendado, materiais e equi- desenhado bem antes da desco- res em geral.” O grupo tem longa pamentos respondem por 60% e berta do pré-sal e resistiu à saída experiência de atuação na cons- administração, por 15%. precoce de sócios de peso como trução de plataformas de petróleo. A Odebrecht começou a ope- Odebrecht, que deixou o negócio “O mercado de plataformas é pro- rar no segmento de plataformas ainda na fase de estruturação, missor, como também bastante offshore para a Petrobras no final62 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 47. CLAUDIO BELLI / VALOR Carlos Camerato, da Camargo Corrêa: setor representa 18% dos negóciosda década de 1970, construindo Shipbuilding). O casco foi feito lá e o sociou-se com a Construtora OASpequenas unidades em seu cantei- restante, no Brasil. Em 1990, expan- (que tem 25% do projeto) e a UTCro de obras em Água de Meninos, diu sua operação para a Inglaterra, Engenharia (com outros 25%) paraem Salvador. Como as demais for- mas, com o declínio da extração na a construção do Estaleiro Ensea-necedoras, seguiu o desenvolvi- região, encerrou suas atividades. da do Paraguaçu, na Bahia, onde,mento da estatal, que a partir da No Brasil, a Odebrecht opera hoje além de plataformas, pretendedécada seguinte passou a desco- com canteiros de obras para pla- construir embarcações para a ex-brir mais petróleo em alto-mar. taformas em Paranaguá (PR) e São ploração de petróleo.Quando a definição de águas pro- Roque do Paraguaçu (BA). O estaleiro baiano em Marago-fundas passou de 100 metros a 200 O grupo passou a mirar agora a gipe, região metropolitana de Sal-metros para mil metros, na década construção de navios e outras em- vador (BA), está participando dade 1990, a companhia venceu “um barcações demandadas pelo setor licitação bilionária da Petrobrasrito de passagem”, na definição do de petróleo e gás. “Com o pré-sal, para a construção de 28 navios-executivo, de unidades fi xas para verifica-se uma demanda grande sonda de perfuração de poços deplataformas flutuantes. para plataformas que deverão ser petróleo. Caso saia vencedor, tal O marco foi a construção da construídas no Brasil, porque a empreendimento vai alavancar oP-18, fabricada para a Petrobras em Petrobras tem trabalhado cada vez investimento. Caso não seja con-Cingapura, em sociedade com o mais com conteúdo local”, diz Bar- templado, a decisão das três em-estaleiro FELS (Far East Levingston bosa. Com participação de 50%, as- presas, segundo Barbosa, é seguir INDÚSTRIA NAVAL ValorSetorial 63
  • 48. CONSTRUTORAS | ALINE MASSUCA / VALOR Fernando Barbosa, da Odebrecht: mercado tem risco maior com o investimento por fases, à 60 mil toneladas de aço por ano. diretor-superintendente, Ricardo medida que forem fechadas as As obras estão previstas para co- Pessoa. Segundo ele, enquanto as encomendas, com foco em outras meçar no fi nal de 2010 e terminar construtoras conseguem o retorno concorrências da Petrobras. “Tra- no fi nal de 2012. do investimento em um shopping ta-se de um investimento a partir Também tradicional no mer- center em três a quatro anos, o de do zero. A vantagem é que já tí- cado offshore, a UTC Engenharia um estaleiro chega até 15 anos. “O nhamos a área e o licenciamento tem na indústria naval 25% a 30% investimento em um estaleiro tem do Ibama.” Se ganhar um dos lo- de seus negócios, participação que retorno mais rápido, de cerca de tes da licitação, o estaleiro deverá pode aumentar com a demanda seis anos, se agregar uma indús- investir cerca de R$ 2 bilhões, com prevista para a exploração do pré- tria offshore.” R$ 1,7 bilhão fi nanciado pelo Fun- sal. “Estaleiro hoje é tudo, incluin- Já a Andrade Gutierrez, que do da Marinha Mercante (FMM), do construção de plataformas, ainda não atuava na área offshore, na construção de uma unidade porque só a fabricação de navios arrendou o centenário estaleiro com capacidade para processar não justifica o investimento”, diz o Mauá, de Niterói (RJ), o primeiro construído na América Latina, que era controlado pelo grupo Sy- As encomendas da Petrobras nergy. Com o contrato de arrenda- Plano de construção de novas embarcações até 2020 mento, que prevê a opção de com- pra no final, a construtora passa Tipo de embarcação De 2009 De 2013 De 2016 Total a se situar no Rio para atender ao a 2013 a 2015 a 2020 mercado offshore. Navios de grande porte para 44 5 0 49 A Queiroz Galvão, além da so- transporte de petróleo e derivados ciedade com a Camargo Corrêa no Barcos de apoio offshore 92 50 53 195 Estaleiro Atlântico Sul e na Quip, Plataformas de produção 17 10 25 52 liderou o consórcio Top-55, respon- sável pela junção do casco dessa Sondas de perfuração 58* plataforma semissubmersível com Totais de embarcações por período 153 65 78 296 seus módulos de processo, obra que será realizada no Estaleiro Rio Fonte: Petrobras. *Das 58 sondas, 32 já foram contratadas no exterior e 28 serão contratadas até 2018. Algumas serão fretadas e não compradas Grande, no Rio Grande do Sul.64 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 49. INSUMOS | POR VLADIMIR GOITIA SIDERÚRGICAS INVESTEM PARA CORTAR CUSTOS Ganhos de qualidade e competitividade são importantes para enfrentar os preços menores dos fornecedores internacionais A carteira de quase 300 en- Heavy Industries, o maior do pla- comendas de petroleiros, neta, consome 650 mil toneladas gaseiros, navios de apoio de aço naval por ano. No Brasil, o marítimo, rebocadores portuá- consumo anual dos 34 estaleiros rios, embarcações para navegação associados ao Sinaval tem oscilado interior (rios e lagoas), navios por- entre 300 mil e 370 mil toneladas, ta-contêineres e graneleiros deve embora tenham capacidade de exigir pelo menos 2 milhões de to- processar 562 mil toneladas/ano. neladas de aço naval (chapa grossa Até o momento, a Usiminas de alta resistência) até 2015, esti- é a única siderúrgica no Brasil a ma o Sindicato Nacional da Indús- produzir aço naval. Mas dentro de tria da Construção e Reparação poucos anos terá de enfrentar con- Naval e Offshore (Sinaval). Com o correntes como a Gerdau e a alemã preço médio da tonelada em cerca Schulz. Os insumos siderúrgicos para uso em setores que demandam de US$ 800, esse volume equivale navais respondem por 60% (20% da materiais com requisitos de desem- a pelo menos US$ 1,6 bilhão nos estrutura do casco e 40% de máqui- penho especial e mais restritivo. próximos cinco anos de fatura- nas e equipamentos) do custo total No início de agosto, inaugurou, mento para os fornecedores. dos navios de grande porte. em Ipatinga (MG), a produção de Só o Programa de Modernização A capacidade atual da Usimi- aço de alta resistência para o setor e Expansão da Frota (Promef) da nas, de 2 milhões de toneladas de naval e para a produção de petró- Transpetro, que prevê a construção chapa grossa por ano, vai crescer leo do pré-sal com tecnologia de de 49 embarcações até 2013, de- para 2,5 milhões de toneladas em ponta da acionista Nippon Steel. mandará 680 mil toneladas. Desse 2012, informa Sérgio Leite, vice- Com isso, será a primeira vez fora volume, cerca de 150 mil (22% do presidente de negócios. Sua expec- do Japão que começam a ser apli- total) foram adquiridas até agora. tativa é que a demanda mais do cadas técnicas de resfriamento Portanto, ainda falta comprar 530 que duplique em cinco anos, das acelerado a frio de chapas grossas. mil toneladas (78%), operação a car- atuais 80 mil toneladas/ano (que “Estamos plenamente capacitados go da Transpetro, que atua como in- corresponde a 4% da capacidade para atender à demanda da indús- termediária nas negociações entre atual da empresa) para 200 mil to- tria naval”, afirma Leite. estaleiros e siderúrgicas. neladas/ano (10%). Em 2006, era de A Gerdau, por sua vez, anunciou São cifras importantes, mas apenas 34 mil toneladas. no início de julho investimentos ainda modestas se comparadas A Usiminas está investindo cerca de R$ 2,4 bilhões para implantar aos 8 mil navios em construção de R$ 29 milhões em pesquisa e ino- o primeiro laminador de bobinas em estaleiros em todo o mundo, vação, 50% a mais em relação a 2009. a quente em sua usina de Ouro principalmente na Coreia do Sul e Grande parte dos recursos vem sen- Branco (Açominas), com capacida- na China, líderes com 67% do mer- do direcionada ao desenvolvimen- de instalada de 820 mil toneladas cado. Só o sul-coreano Hyundai to de aços com alto valor agregado por ano. O novo equipamento deve66 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 50. SILVIA COSTANTI / VALOR Marcelo Buenmo, da Schulz: R$ 20 milhões para produzir “tubos tlad”entrar em operação no início de timentos no Brasil, onde, até ago- compra de um equipamento de cor-2012, junto com um laminador de ra, já aplicamos R$ 150 milhões.” te a plasma de alta densidade parachapas grossas, e vai ampliar a pro- A Schulz se instalou no país há 12 aprimorar a qualidade do corte dedução de 1 milhão para 1,1 milhão anos, embora sua primeira unida- estruturas tubulares. Marques ava-de toneladas por ano. de fabril tenha começado a produ- lia que cada navio construído pelos A multinacional alemã Schulz já zir apenas em maio de 2007. estaleiros brasileiros consome peloanunciou a construção de sua quar- A Açotubo, maior distribuidora menos 160 toneladas de tubos. Esseta unidade de produção em Cam- de tubos e barras de aço da Améri- insumo naval representa entre 30%pos, no Rio de Janeiro. Serão aplica- ca Latina, também vê um mercado e 35% das vendas totais da Açotubo.dos R$ 20 milhões para produzir tu- promissor pela frente. Nos últi- Com a provável alta do pre-bos bimetálicos – conhecidos como mos quatro anos, investiu R$ 150 ço dos produtos siderúrgicos, a“tubos tlad”, de aço-carbono com milhões na ampliação do estoque Transpetro informa que continua-revestimentos resistentes à corrosão de tubos, na renovação da frota de rá importando aço naval para su-sem costura, solução desenvolvida distribuição, na customização e prir a demanda de seu programaem conjunto com a Petrobras. qualidade dos produtos e na capa- de modernização da frota. “A nos- A partir de 2011, a Schulz vai citação dos funcionários. “Estamos sa política de licitação não mudoufabricar entre 600 e 800 toneladas nos estruturando para atender ao desde o início do Promef (2004), epor mês. “Numa segunda etapa, aumento da demanda”, conta José não vai mudar.” De acordo com ae dependendo da demanda, tere- Ricardo Marques, gerente da filial assessoria da empresa, “a Transpe-mos condições de duplicar a pro- da Açotubo no Rio. tro continuará a pagar pela tone-dução”, explica Marcelo Bueno, A empresa estima em pelo me- lada de aço o valor que o mercadodiretor-executivo do grupo para a nos 30% o crescimento da venda de mundial paga por ele”. Ou seja,América Latina. “Estamos apenas tubos e barras de aço para este ano. vence a licitação a siderúrgica quena metade do nosso ciclo de inves- A Açotubo investiu R$ 1,5 milhão na oferecer preço mais competitivo. INDÚSTRIA NAVAL ValorSetorial 67
  • 51. EQUIPAMENTOS | POR GLEISE DE CASTRO FABRICANTES ENFRENTAM CONCORRÊNCIA DA CHINA Desafio é aumentar a produção nacional, que sofre com a carga tributária, o custo do dinheiro e o câmbio sobrevalorizado LEO PINHEIRO / VALOR A fabricação de um navio re- quer uma grande quantida- de de peças e componentes, que vão muito além de casco e mo- tor. Como uma cidade flutuante, ele precisa de parafusos a quadros de distribuição de energia elétrica, sistemas de comunicação, siste- mas de comando, radares, hélices, bombas, caldeiras, compressores, sistemas de tratamento de água e esgoto, móveis, banheiros, portas e janelas. Esse conjunto tão diversi- ficado, conhecido como navipeças, representa cerca de 40% do custo de uma embarcação e várias empresas brasileiras se movimentam para fornecê-las aos estaleiros. Para isso, precisam superar vá- rios obstáculos. Com o declínio do setor naval, a indústria brasileira de navipeças praticamente desa- pareceu. Várias dessas empresas, ao fecharem sua linha naval, se concentraram em fabricar peças e componentes para a indústria em geral. Agora, se candidatam a se tornar fornecedoras de peças e equipamentos para os navios que estão sendo construídos no Brasil. A principal barreira a ser venci- da é a competição com os produtos importados, principalmente da China. Segundo o Sindicato Na- cional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Si- naval), que reúne os estaleiros, o motor principal tradicional, a com- bustão, e o sistema de comando e máquinas do leme precisam ser importados, porque exigem maior escala de demanda para que pos- Alberto Machado, da Abimaq: uma política para o setor de peças e componentes igual à da indústria naval sam ser fabricados no país. Mas os68 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 52. DIVULGAÇÃOdemais equipamentos podem serproduzidos parcial ou, em algunscasos, totalmente no Brasil. O desa-fio, para o Sinaval, é o aumento doíndice de conteúdo local dos naviospetroleiros e de apoio marítimoem construção no país. Com preçosmais altos do que no mercado in-ternacional, peças e equipamentostendem a ser comprados de forne-cedores estrangeiros. As empresas nacionais podemfornecer entre 65% e 70% dos equi-pamentos necessários à fabricaçãode um navio, de acordo com Alber-to Machado, diretor-executivo daárea de petróleo e gás da Associa-ção Brasileira da Indústria de Má-quinas e Equipamentos (Abimaq).No entanto, a maior parte dasnavipeças ainda é importada. “OBrasil tem hoje, na verdade, umaindústria bastante desenvolvidade cascos. É como erguer a estru-tura de um prédio, com cimento,pedra e ferro do Brasil, e depoistrazer de fora tinta, piso, portas,janelas e maçanetas.” Para Machado, as dificuldadescomeçam na engenharia básica.Quando o projeto do navio é im-portado, ele especifica produtos Luiz Franciscofabricados no exterior. “A especi- Gerbase, daficação pode salvar ou matar uma Altus: mercado deindústria.” Outro problema é que eletrônicos é deo produto importado costuma re- R$ 600 milhõesceber estímulos no país de origem,como financiamento facilitado e comprar produtos na China”, diz pode ser competitiva “do portãoisenção de impostos. Nesse caso, Machado. “Não é a indústria bra- para fora”, porque não conta comnão há como competir e, por isso, sileira que não é competitiva, é o financiamento de longo prazo e aas empresas brasileiras reivindi- Brasil que não é competitivo, com juros baixos, como os importados,cam igual tratamento para a pro- sua alta carga tributária, alto cus- e arca com uma série de impostosdução local. “A indústria naval foi to do dinheiro e taxa de câmbio que, no caso dos sistemas eletro-estimulada com financiamento do sobrevalorizada.” eletrônicos, resulta em diferençaFundo da Marinha Mercante, em Os fabricantes de componentes de 25% a mais no preço final.condições equivalentes às do mer- eletroeletrônicos, que integram o Para ele, o conteúdo local decado internacional, com encomen- conjunto de navipeças, criticam os navios e barcos de apoio no Bra-das que garantem uma carteira critérios adotados para definir os sil precisa ser elevado para 82%.mínima para viabilizar seus inves- incentivos à indústria naval. “Os Segundo Galvão, só aço e servi-timentos e com benefícios fiscais. benefícios que os estaleiros recebe- ços atingem 75% do conteúdo deSó que isso tudo não migrou para a ram para a retomada dessa indús- uma embarcação, não incluindoindústria de navipeças.” tria deveriam ser estendidos a toda a cadeia produtiva. Ele se refere O que os fabricantes querem é a cadeia de fornecedores”, diz Paulo à norma da Agência Nacional douma política que dê o mesmo tra- Sergio Galvão, diretor regional no Petróleo (ANP) para a exploração etamento às empresas de peças e Rio de Janeiro da Associação Brasi- produção de petróleo, que estabe-equipamentos. “Não tem nenhum leira da Indústria Elétrica e Eletrô- lece conteúdo local mínimo parasentido usar dinheiro da marinha nica (Abinee). Sem isso, segundo sistemas ou famílias de produtos.mercante, que é da nação, para ele, a indústria de peças navais não Na área eletroeletrônica, esse li- INDÚSTRIA NAVAL ValorSetorial 69
  • 53. DIVULGAÇÃO EQUIPAMENTOS | (RJ). Está desenvolvendo também ceria com empresas internacionais, a câmara frigorífica para um dos desenvolve a automação do sistema navios em construção no Atlântico de gerenciamento de energia de na- Sul, de Pernambuco. Mas não con- vios e de plataformas de petróleo. seguiu vender os interiores para Com seis anos de atuação na indús- esse estaleiro, que optou, segundo tria naval, forneceu sistemas elétri- Canato, por trazer o equipamento cos para 50 embarcações, das quais interno da China. 35 em operação. “A empresa se pre- A subsidiária brasileira da di- parou durante muitos anos, com namarquesa Aalborg, fabricante engenharia, fábrica, tecnologia e de caldeiras, não consegue vender capacidade produtiva e, agora, está seus produtos para a indústria na- surfando essa onda da recuperação val brasileira. Perdeu para a subsi- da indústria naval”, diz Umberto diária chinesa do mesmo grupo o Gobbato, diretor-superintendente fornecimento de caldeiras para o da WEG Automação. primeiro petroleiro da Transpetro, A Altus, fabricante de sistemas do tipo Suezmax (para as dimen- de automação, é fornecedora das sões do Canal de Suez), produzido plataformas de petróleo da Petro- pelo Atlântico Sul e lançado ao mar bras e está otimista com as pos- em maio, e para outro do tipo Pa- sibilidades que estão se abrindo namax (para o Canal do Panamá), na indústria naval. Luiz Francisco Juliano Canato, mite é de 60% para cada sistema, que está sendo construído no mes- Gerbase, presidente da empresa, da Dânica-Norac: com exceção de sistemas de tele- mo estaleiro. Recentemente, o mes- estima que o mercado de equipa- condições iguais comunicação, cujo nível mínimo é mo aconteceu com o aquecedor de mentos eletrônicos para equipar às dos produtos de 40%. Os fabricantes querem que óleo térmico para outro navio, em os navios que estão sendo cons- importados esse critério seja estendido para construção no estaleiro Mauá, só truídos venha a se situar entre a indústria naval. “O setor está se que desta vez as caldeiras virão da R$ 500 milhões e R$ 600 milhões. recuperando com estímulo do go- Aalborg da Holanda. “Temos capa- “A indústria naval utiliza muita verno para gerar de 45 mil a 50 mil citação para fazer as caldeiras no automação e a gente acredita que empregos aqui. Ele pode gerar o Brasil. O grande problema é que pode fornecer esses equipamen- dobro disso se a cadeia produtiva não conseguimos ser competitivos tos. Mas é preciso que a Petrobras completa for beneficiada.” com as caldeiras produzidas no ex- continue com sua política de con- O peso dos impostos no custo terior”, diz Alberto Crespo, diretor teúdo local, que esta seja eficaz e dos equipamentos produzidos de vendas e marketing da Aalborg que chegue aos fornecedores.” no Brasil chega a 40%, calcula Ju- Industries Brasil. Produtos que exigem escala, liano Canato, gerente comercial Segundo Crespo, os obstáculos como sistemas de comando de da Dânica-Norac, fabricante de são os preços do aço, 50% mais al- navios e radares, devem continuar interiores marítimos. “O que que- tos do que no mercado internacio- sendo importados. A Vision Mari- remos é igualdade de condições. nal, e o custo da mão de obra, item ne representa no Brasil fabricantes O governo, que fala tanto em con- em que não dá para competir com internacionais desses equipamen- teúdo nacional, deveria cobrar im- os chineses, sem contar os impos- tos, como a divisão Sperry Marine postos dos importados ou nos dar tos. A diferença de preços, segun- da americana Northrop Grum- isenção.” A Dânica, fornecedora do ele, já foi de 39% e, agora, é de nan, fabricante de ponte integra- de equipamentos para a indústria 25% a 30%. “Abaixo disso, se não da de navegação (painel com ins- em geral, criou sua divisão naval houver uma grande mudança, es- trumentos de comando do navio). há três anos para fabricar produ- quece”, afirma. Com os investimentos previstos tos e soluções destinados ao inte- Mais otimista, a WEG colhe os para o pré-sal, registrou aumento rior de navios e de plataformas de resultados de uma preparação de considerável do nível de consultas petróleo, um variado leque que anos para atuar na indústria naval. sobre os equipamentos com que engloba pisos, painéis de parede, Além de tintas, fornece o pacote trabalha, que incluem produtos tetos, portas, todo o mobiliário, completo para a propulsão elétrica eletrônicos, de automação e com- banheiros modulares e toda a dos navios, uma nova tecnologia pressores. Para Celso Pinheiro, parte elétrica, hidráulica e de ins- destinada a substituir a propulsão sócio-gerente da empresa, além da trumentação. Tem vários projetos a combustão, que utiliza óleo die- concorrência, o problema do setor em andamento no estaleiro Santa sel. O pacote inclui o motor princi- é a carência e deficiência de mão Cruz, de Aracaju, e no Mauá, do pal, inversores, geradores elétricos, de obra. A Vision Marine, que pres- Rio, e acabou de fechar negócio painéis elétricos de baixa e média ta assistência técnica, treina seus com o Brasfels, de Angra dos Reis tensão e transformadores. Em par- funcionários no exterior.70 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 54. MOTORES | POR ROSANGELA CAPOZOLI PARCERIA AJUDA A ESTREAR NO MERCADO Com custo até 15% superior às concorrentes estrangeiras, estatal Nuclep associa-se à Wärstsilä para disputar concorrência Heliônidas Pires, da Wärtsilä Brasil: demanda firme por conta das O mercado de motores navais comendas. A conjuntura não eli- ganho de escala, a empresa se tor- sempre foi abastecido por mina o potencial da empresa de se nará competitiva.” multinacionais de gran- transformar na única empresa da Depois do esfriamento da de- de porte. Um motor para petro- América Latina e a nona do mun- manda por conta da crise financeira leiro, por exemplo, custa entre do a produzir motores marítimos global, o mercado de motores volta US$ 4 milhões e US$ 5 milhões, e só eletrônicos, afirma Marcelo Melo a receber maior volume de pedidos. é fabricado sob encomenda. Com o Moraes, gerente-geral de projetos “A procura está bastante ativa por crescimento do comércio bilateral especiais da estatal. conta da Petrobras, Log-In e PDVSA. e a promessa de saltos na extração A Nuclep fechou parceria com a Não podemos reclamar. Está ocor- de petróleo na área do pré-sal, os própria Wärstsilä para participar rendo uma reconstrução da indús- estaleiros nacionais devem produ- de uma concorrência. “Se tiver- tria naval”, diz Heliônidas Pires, di- zir quase 50 navios apenas dentro mos sucesso, dentro de um ano e retor da área “ship power” da Wärt- do Programa de Modernização e meio a Nuclep produzirá os moto- silä Brasil Ltda. Uma das maiores do Expansão da Frota (Promef), volu- res”, diz Moraes. Com investimen- mundo em produção de motor, a me que abre oportunidade para a tos da ordem de R$ 20 milhões, a Wärstsilä tratou de ampliar seu es- entrada de uma empresa brasilei- empresa aguarda ter o primeiro copo de negócio. “A empresa está se ra na disputa desses contratos. pedido em mãos para começar a dedicando mais a soluções. Além de Para entrar nessa briga em fabricação. “Temos 50% da linha motores, produzimos eixos, hélices, condições de igualdade, a estatal de produção pronta, só falta mon- propulsão, sistemas de automação, Nuclebrás Equipamentos Pesados tar os equipamentos. Confi rmada entre outros itens. É bem mais que S.A. (Nuclep) obteve a transferên- a primeira encomenda, a empre- só motor a diesel.” cia de tecnologia da finlandesa sa está apta a fabricar.” Segundo No contrato firmado com a Wärstsilä. E está com tudo pronto ele, a capacidade instalada oscila Quip, consórcio que reúne a Quei- para iniciar a fabricação, mas en- entre seis e dez motores por ano. roz Galvão, UTC Engenharia, Iesa frenta a desvantagem de ter custos “O que emperra são os preços que e PJMR, além do fornecimento de até 15% superiores aos dos concor- ficam até 15% acima do interna- três módulos de geração de energia rentes estrangeiros – o que acabou cional. Mas, a partir do momento para a plataforma P-63, o contrato resultando em baixo nível de en- que entrar em operação e obtiver prevê que a empresa seja a respon-72 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 55. DIVULGAÇÃO Behrendt, subgerente da STX Bra- zil Offshore S.A., que pertence ao grupo STX Europe, cujo acionista principal é o conglomerado corea- no STX Corporation. Satisfeito com o volume de negócios, o executivo diz que o incremento das vendas nos últimos dois anos manteve-se regular, influenciado pela política governamental de desenvolvimen- to da indústria naval e pela deman- da de empresas como a Petrobras e Transpetro. “A perspectiva de ven- das é animadora e deverá aumen- tar a partir de 2013, influenciada pela manutenção das políticas governamentais, surgimento de novos estaleiros e aumento da ca- pacidade produtiva.” Depois de crescer 26% em 2008, o faturamento da STX somou US$ 21,03 bilhões no ano passado, 12,5% acima de 2008. A redução da velocidade de expansão deu-se em decorrência da recessão global. A expectativa para 2010 é atingir cerca de US$ 24,2 bilhões. Behrendtencomendas de empresas – entre outras, Petrobras, Log-In e PDVSA diz que a empresa está em processo de definição de novos projetos no Brasil e a expectativa é de aumentar sável pela supervisão dos equipa- registrou 90 milhões de euros em os investimentos. Além de projetos mentos. A previsão é que os módu- novos pedidos no mundo. “O Bra- em fase embrionária, o grupo pos- los sejam entregues e instalados na sil ficou dez anos estagnado na sui um estaleiro e estuda a possibi- unidade que está sendo construída área da indústria naval. Hoje, é lidade de fabricar motores. no porto de Rio Grande, em julho autossuficiente em petróleo e tem O Rio de Janeiro vai ganhar um de 2011. A P-63 – que é do tipo FPSO produtos para exportar, mas a fro- estaleiro de navios, sondas e pla- (Floating, Production, Storage and ta da Petrobras é antiga”, lembra. taformas de petróleo do Grupo Offloading), com capacidade para De acordo com o Ministério de Mendes Júnior e uma fábrica de processar e armazenar petróleo, Minas e Energia, o Brasil será capaz motores e turbinas de navios da além de prover a transferência do de exportar 20 milhões de barris Daihatsu, em Maricá. A constru- petróleo e/ou gás natural – será de petróleo por ano até 2019. O mi- ção dos dois empreendimentos co- instalada no campo de Papa Terra, nistro Márcio Zimmermann afir- meçará neste ano. O investimento na bacia de Campos (RJ), e deman- ma que o Brasil recebeu entre US$ 6 no estaleiro da Mendes Júnior para dará investimentos de mais de R$ 1 bilhões e US$ 7 bilhões de um acor- construção e reforma de navios bilhão. Sua capacidade de proces- do fechado com a China em 2009 e plataformas de petróleo pode samento é de 150 mil barris por dia por empréstimos em troca de pe- chegar a R$ 400 milhões. O negó- de óleo e 1 milhão de metros cúbi- tróleo, que tem valor de US$ 10 bi- cio foi oficializado na Prefeitura cos por dia de gás natural. Além da lhões. No primeiro ano do acordo, de Maricá, após várias rodadas de plataforma P-63, o desenvolvimen- a Sinopec recebeu 150 mil barris negociação dos empresários com to do campo de Papa Terra con- de petróleo por dia. O volume vai o governo municipal e será via- templa a utilização da plataforma aumentar para 200 mil barris por bilizado por uma parceria públi- P-61, que está sendo construída dia nos próximos nove anos. co-privada. A indústria japonesa pela Floatec no estaleiro Brasfels, “Nossa expectativa é de que os Daihatsu deve investir, a partir de em Angra dos Reis. “Nesse projeto, estaleiros brasileiros possam cons- dezembro, mais de US 20 milhões estamos fornecendo toda geração truir entre 20 e 30 navios por ano, na montadora de turbinas e moto- elétrica”, diz Pires. o que representará uma demanda res de navios a ser construída em No primeiro trimestre, a área por motores marítimos de cerca de terreno doado pela prefeitura, en- de “ship Power” da multinacional cem unidades por ano”, prevê Jens tre Bambuí e Ponta Negra. INDÚSTRIA NAVAL ValorSetorial 73
  • 56. TINTAS | POR ROSANGELA CAPOZOLI PRODUTO ESPECIAL PARA NAVIOS E PLATAFORMAS Indústria investe em tecnologia e lança revestimentos especiais para atender ao aumento da demanda, previsto em 14% em 2011 DIVULGAÇÃO Dilson Ferreira, da Abrafati: cresce aplicação de tintas anticorrosivas nas embarcações O s fabricantes de tintas des- acordo com os investimentos do Em 2009, a receita encolheu para tinadas à indústria naval governo nos projetos de infraes- US$ 3,03 bilhões e 1,23 bilhão de investem em novas tecno- trutura”, diz Dilson Ferreira, pre- litros, diante de uma capacidade logias, expansão da capacidade sidente-executivo da Associação instalada de 1,4 bilhão de litros instalada e lançamento de produ- Brasileira dos Fabricantes de Tin- por ano. Desse total, cerca de 15% tos para atender a uma demanda tas (Abrafati). A entidade aglutina corresponde a tintas destinadas que aumenta a pleno vapor. Neste cerca de 30 empresas e responde à indústria como um todo, cujo ano, o volume de tintas para a in- por 85% da produção de tintas em faturamento respondeu por 25%. dústria naval deve acompanhar geral no país. Após contabilizar um primeiro se- a expansão do setor de tintas em Se a previsão para 2010 se con- mestre com acréscimo de 15%, ante geral, com crescimento de 5% a cretizar, ainda assim ficará aquém a igual período de 2009, a Abrafati 7%. Para 2011, há expectativa de dos 8,2% obtidos em 2008, quan- reviu as projeções para o ano. um aumento na procura de tintas do a indústria de tintas faturou Entre os motivos, Ferreira cita para navios de 14%. “A demanda US$ 3,19 bilhões e despejou no as perspectivas favoráveis que por tintas industriais cresce de mercado 1,24 bilhão de litros. existem para as tintas imobili-74 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 57. TINTAS | DIVULGAÇÃO taladas no Brasil, Estados Unidos, Portugal e China. Juntas faturaram no ano passado US$ 8 bilhões. Segundo Domingos Cipriano, o navio João Cândido, o primeiro do Promef, lançado em maio, com 274 metros de comprimento e capaci- dade para transportar 1 milhão de barris de petróleo, recebeu 300 mil litros de tinta da marca Sherwin- Williams/Euronavy. A empresa tem filial em Taboão da Serra, na Gran- de São Paulo. Também fazem par- te do grupo a unidade de tintas Fernando Macedo, industriais e aerossol em Sumaré, da Akzo Nobel: setor interior de São Paulo; a divisão naval brasileiro Lazzuril, voltada para a indústria deverá dobrar nos automotiva, instalada em São Ber- próximos cinco anos nardo do Campo; e a divisão Pulver- lack, que comercializa tinta em pó. árias, automotivas – originais e dutos, que serão cerca de seis em “A demanda por essas tintas repintura – e para tintas indus- 2010. Dados da companhia apon- continuará aumentando nos próxi- triais. Os incentivos do gover- tam que a receita bruta da WEG mos anos, em função dos grandes no federal para as indústrias da caiu 6,6% em 2009 em termos no- projetos em desenvolvimento de construção, automobilística e de minais. Por setor de negócios, as longo prazo, como aqueles relacio- eletrodomésticos tiveram papel áreas de equipamentos eletroele- nados à exploração de petróleo e importante na retomada. No caso trônicos industriais e de motores gás, à construção de hidrelétricas e do segmento industrial, a fabrica- para uso doméstico recuaram 18% à implantação de sistemas de trans- ção de tintas para manutenção de e 8%, respectivamente, enquan- porte público”, diz Ferreira. fábricas, pintura de plataformas to equipamentos para geração, Fernando Macedo, gerente-ge- marítimas e outras áreas ganham transmissão e distribuição e tin- ral da unidade de tintas marítimas impulso. “Um dos fatores é a ex- tas e vernizes, ao contrário, subi- e protetores da holandesa Akzo ploração e produção de petróleo, ram 15% e 6%, respectivamente. Nobel, concorda com o presidente o que demanda investimentos em Nuno Eduardo Domingos Ci- da Abrafati. “A indústria marítima plataformas e navios que usam priano, global account manager da brasileira está se tornando cada vez tintas anticorrosivas.” Sherwin-Willians/Euronavy, afir- mais eficaz e nos próximos cinco “Nos últimos cinco anos, a de- ma que a empresa lidera com um anos esse mercado deverá dobrar.” manda por parte da área naval market share entre 60% e 70% na Macedo não divulga a capacidade tem crescido entre 20% e 30%”, área de revestimentos e proteção instalada da companhia, que fica diz Reinaldo Richter, diretor-su- marítima para aplicação em na- em São Gonçalo, no Estado do Rio. perintendente da WEG Equipa- vios, plataformas offshore, tanques “Nossa capacidade de produção mentos Elétricos, que também de armazenamento, aço, concreto nos permite acompanhar o cresci- atua na área de tintas. Para dar e pavimentação. “Apostamos no mento do mercado até 2020.” conta dos pedidos, a empresa aquecimento do setor de pintura Macedo afirma que a produção sediada em Guaramirim, Santa marítima no Nordeste e no Sul, du- no primeiro semestre deste ano Catarina, está investindo cerca rante o ano de 2010. O Programa de ficou 10% acima da verificada em de US$ 7 milhões no biênio 2009- Modernização e Expansão da Frota igual período de 2009. “Devemos 2010 na ampliação da capacida- (Promef) propiciará o crescimen- crescer dois dígitos em 2010 sobre de instalada, que passará de 700 to econômico, além de incentivar o ano anterior.” A empresa holan- toneladas para 1,1 mil toneladas o progresso e o desenvolvimento desa faturou R$ 1,8 bilhão no ano mensais. “Esperamos um cres- de novas tecnologias em diversas passado no Brasil, o que correspon- cimento de 12% no faturamento indústrias.” Pelos seus cálculos, de a 5% da receita global da Akzo neste ano sobre o anterior.” a produção de tintas para o setor Nobel. Para 2010, a previsão é colo- A empresa, que tem entre seus marítimo deverá crescer entre 20% car cinco novos produtos no mer- clientes a Marinha do Brasil, Pe- e 30% neste ano sobre 2009 e os in- cado. Além de abastecer o mercado trobras e Transpetro, investe de vestimentos em pesquisas de novos brasileiro, a fábrica de São Gonçalo 2% a 2,5% de sua receita em pes- produtos somam US$ 100 milhões, atende à demanda de outros países quisa e lançamento de novos pro- distribuídos entre as fábricas ins- da América Latina.76 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 58. SERVIÇOS | POR CELIA DEMARCHI ESTRUTURA DE APOIO À OPERAÇÃO EM ALTO-MAR Cresce a demanda por balsas oceânicas, balsas-guindaste, rebocadores, transporte de suprimentos e suporte logístico A s companhias de serviços gias, porque a disponível não aten- antigos estaleiros e está estimu- marítimos ancoraram jun- de às necessidades de transferência lando a abertura de outros, gra- to às plataformas de produ- offshore. Os navios que estão sen- ças à indústria de petróleo e gás. ção de petróleo. Essas embarcações do concebidos pela Aqualog têm, A trajetória da Superpesa, do Rio gigantescas com suas demandas além do motor híbrido, projeto e de Janeiro, exemplifica esse cená- colossais tornaram-se o quinhão design diferenciados dos conven- rio. A empresa opera, para clientes mais cobiçado. A razão para isso é cionais monocasco e catamarã. como Shell, Chevron, Petrobras cristalina: o país tem intenção de A fabricação de embarcações e OGX, equipamentos próprios nacionalizar sua frota e os investi- de apoio ocupou a capacidade dos como balsas oceânicas, balsas- mentos anunciados da Petrobras somam R$ 250 bilhões entre 2010 e 2014, mais R$ 462 bilhões após 2014, em 645 projetos. Para acom- panhar tal dinamismo, o segmen- to terá de investir algo entre 40% e 60% daqueles valores, estima Wal- ter Boschini, diretor da Aqualog, empresa do grupo TWB, localizada no Guarujá, em São Paulo. A Aqualog, que faz afretamento de embarcações de apoio a gran- des construtoras de estruturas marítimas e de transporte aquá- tico, pretende juntar-se às presta- doras de serviços para petroleiras e suas terceirizadas. A empresa sonda essas companhias para ava- liar o interesse em um novo tipo de embarcação crew boat de apoio offshore (que leva água, alimentos e ferramentas para as plataformas) que alçaria o Brasil a um novo pa- tamar tecnológico, segundo Bos- chini. Seriam pioneiros navios híbridos, com motores movidos a diesel ou a eletricidade, ou elétri- cos, mais ágeis e confortáveis em relação à frota em operação. A Aqualog prevê investir RS$ 70 milhões para lançar os primeiros modelos até meados de outubro. Para Boschini, as embarcações de apoio carecem de novas tecnolo- Walter Boschini, da Aqualog: investimento de R$ 70 milhões para lançar embarcações78 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 59. guindaste offshore e portuárias, nuseio espia, balsas, rebocadores, Em vez de fabricar e afretar em- rebocadores, embarcações de su- balsas-guindaste e de lançamento barcações, a Nitshore Engenharia e primentos para plataformas e ser- de dutos submarinos. Esse merca- Serviços Portuários, de Niterói (RJ), viços de apoio. Quando a demanda do está pulsante”, diz. escolheu explorar outro nicho: o de cresceu, a companhia teve de par- Com o início da recuperação da logística. A empresa, que assumiu a tir para uma unidade própria de indústria naval, nos anos 2000, o operação da base de apoio logístico construção naval, diz João Alberto faturamento da Superpesa apenas do porto de Niterói há quatro anos, Machado Alves, vice-presidente da com serviços, área que representa atua em todo o ciclo do petróleo, da Superpesa. “Tivemos dificuldade atualmente 45% de suas vendas, sondagem à exploração, de acordo para sermos atendidos pelos esta- cresceu três a quatro vezes, chegan- com Wilson Coutinho, diretor-pre- leiros, que estavam muito sucate- do a R$ 220 milhões por ano. sidente da Nitshore. “O movimento ados. Quando tiveram demanda, Para Roberto Monteiro, diretor em nosso porto é frenético.” sua capacidade operacional foi financeiro e de relações com inves- Ele diz que a empresa recebe fer- rapidamente esgotada.” tidores da OSX, empresa de serviços ramentas especiais, de perfuração, Ao ganhar mais experiência em do grupo EBX, a grande demanda por exemplo, importadas, faz o de- construção naval, a empresa pas- por embarcações no país mal co- sembaraço alfandegário e as trans- sou a fabricar embarcações para meçou. Ele se refere em especial a porta até as plataformas. Como as terceiros. Ganhou licitação para embarcações de grande porte, que companhias começam a comprar construir três navios bunker para demandam estaleiros portentosos, ferramentas e equipamentos com a Transpetro e disputa mais uma dos quais o Brasil só dispõe, por meses de antecedência, pode acon- concorrência da estatal com três enquanto, de um – o recém-cria- dicioná-los até o momento em que outros grupos para fabricar 80 do Atlântico Sul, em Pernambuco. serão utilizados. Um terceiro servi- balsas e 20 empurradores. “Faze- “Não fabricamos sondas de perfu- ço é o de abastecimento das embar- mos navios de suprimento, de ma- ração, por exemplo, e não há um só cações de apoio às plataformas com navio SPSO construído no Brasil, ao água e matérias-primas. DANIEL WAINSTEIN / VALOR menos nenhum pronto. Os estalei- Para atender mais clientes e me- ros médios não têm produtividade lhorar a produtividade, a empresa para esse tipo de embarcação. Nesse planeja criar filiais – uma ao norte caso, tamanho é, sim, documento.” do Estado do Rio de Janeiro, outra Para suprir essa lacuna, a OSX no Espírito Santo e outra em São construirá um grande estaleiro, Paulo. O objetivo é reduzir a dis- com capacidade inicial de proces- tância máxima entre suas bases e sar 180 mil toneladas por ano. Para os pontos de perfuração no mar não perder tempo com eventuais para 300 quilômetros. Atualmente, reviravoltas, está fazendo licen- a distância é de 500 quilômetros, ciamento ambiental de duas áreas considerados o porto e a área de ar- para o empreendimento – uma em mazém da empresa, de 500 mil me- Biguaçu (SC) e outra perto do mu- tros quadrados, em Guaxindiba, nicípio de São João da Barra (RJ). município de São Gonçalo, a cerca A OSX fabricará plataformas de de 20 quilômetros de Niterói. Para produção fixas e flutuantes e son- abrir as filiais, o que está negocian- das de perfuração para a indústria do, a Nitshore terá de investir entre de petróleo, com tecnologia da RS$ 90 milhões e R$ 100 milhões. parceira sul-coreana Hyundai. As Promissor e concorrido, o seg- embarcações comporão sua frota mento embute riscos dos mais sé- para afretamento a indústrias de rios, relacionados à segurança e ao petróleo e gás, inclusive offshore, meio ambiente. Nesse ponto as em- e deverão atender às necessidades presas de serviços deparam com da OGX, a empresa do grupo EBX um problema: escassez de mão de voltada à exploração de petróleo. A obra qualificada e certificada para OSX está prestes a entregar à OGX, lidar de maneira correta com equi- inclusive com pessoal operacional, pamentos e processos. Trata-se do sua primeira plataforma, com a maior gargalo, na opinião de Al- qual dará partida à sua produção ves, da Superpesa: “A mão de obra petrolífera. Construída pelo esta- não está sendo formada na mesma leiro da Sansumg na Coreia do Sul, velocidade da demanda. O que fa- a plataforma exigiu investimentos zemos é ‘roubar’ os profissionaiscom novas tecnologias, além de motor híbrido de US$ 600 milhões. uns dos outros.” INDÚSTRIA NAVAL ValorSetorial 79
  • 60. FORNECEDORES | POR GILBERTO PAULETTI INCENTIVO PARA AUMENTAR O CONTEÚDO LOCAL Nacionalização cresce para 75%, provoca encomendas adicionais de US$ 17,8 bilhões e abre espaço para 755 mil empregos O governo federal lançou, em vestimentos de R$ 260 milhões. No dezembro de 2003, o Pro- portal do Prominp há 40 mil currí- grama de Mobilização da culos de profissionais qualificados Indústria Nacional de Petróleo e para consulta de interessados. Gás Natural (Prominp) para po- A indústria naval brasileira está tencializar o desenvolvimento da incluída também entre os setores indústria nacional de petróleo e que poderão contar com financia- gás natural e de seus fornecedores, mentos da Financiadora de Estudos onde se inclui a construção naval. e Projetos (Finep), que destinará Segundo o coordenador-executivo, R$ 130 milhões para enfrentar os José Renato Ferreira de Almeida, “o desafios que surgirem a partir das melhor indicador dos resultados descobertas de reservas na camada obtidos pelo Prominp foi o aumen- do pré-sal a serem exploradas pela to do conteúdo local dos projetos Petrobras. A Finep tomou por base de investimento, que passou de 57% o diagnóstico do Prominp sobre os em 2003, quando foram investidos gargalos na cadeia de fornecedores US$ 6 bilhões, para 75% em 2009 do setor de petróleo e gás. Como vencedor das licitações com inversões de US$ 32 bilhões.” O primeiro edital prevê R$ 100 para montar a P-53, a P-55 e a P-63, O aumento do índice de conteúdo milhões para o desenvolvimento plataformas offshore da Petrobras, local representou encomendas adi- de projetos em sistema de coope- o consórcio Quip S.A. também sofre cionais de US$ 17,8 bilhões no mer- ração entre empresas da cadeia com a carência e com a preparação cado nacional e a geração adicional produtiva e instituições científicas de mão de obra qualificada. O dire- de 755 mil empregos. Até o final e tecnológicas, que ofereçam solu- tor de suporte corporativo, Marcos deste ano, está prevista a formação ções para os desafios tecnológicos Reis, elogia a iniciativa do Prominp, de 78 mil profissionais em cursos gerados ou ampliados a partir das porém diz que é apenas um come- gratuitos de qualificação. descobertas de reservas na cama- ço e usa a imagem do “barril acin- Para fazer frente à necessidade da do pré-sal. turado” para reforçar a ideia das de pessoal qualificado, foi estru- Além da indústria de cons- dificuldades. “Disputamos a tapa a turado, em 2006, o Plano Nacio- trução naval, o programa vai dar contratação de bons soldadores (sa- nal de Qualificação Profissional prioridade aos segmentos de vál- lário de R$ 2 mil, em média) ou cal- (PNQP), com cursos de nível básico, vulas, conexões/flanges, umbili- deireiros (R$ 1,2 mil a R$ 1,5 mil). O médio, técnico e superior, em 175 cais submarinos, caldeiraria e ins- nível médio e técnico seria a cintura categorias profissionais ligadas às trumentação/automação. Os R$ 30 do barril”, explica Reis. No fundo do atividades do setor de petróleo e milhões restantes são para apoiar, barril, o trabalhador não qualifica- gás natural. A indústria naval é um criar, adequar e capacitar labora- do e, na tampa, os de nível superior. dos segmentos beneficiados. Estão tórios de instituições de ciência e Talvez a variação salarial de um pro- envolvidas cerca de 80 instituições tecnologia, que deverão atender às jetista, dependendo da experiência, de ensino em 17 Estados, com in- demandas dos fornecedores. seja a mais significativa referência.80 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 61. LEO PINHEIRO/VALOR José Renato de Almeida, do Prominp: em 2009, investimentos de US$ 32 bilhõesUm iniciante pode começar com R$ não atingido. Na P-55, com orça- avançar tecnologicamente. Ele usa3 mil e o experiente chegar a R$ 21 mento da Quip estimado em R$ a P-53 como exemplo. “No Rio Gran-mil. Os setores de construção civil, 800 milhões, cada 1% não atingido de do Sul, acabamos por contratarmecânica e offshore são os maiores custaria ao consórcio uma multa três empresas que, antes, nuncademandantes desse profissional. de R$ 1,6 milhão. tinham fornecido para o setor. A Junto com a Petrobras, a Quip, que O estímulo da política de in- Metasa, metalúrgica especializadatem 240 engenheiros no seu quadro centivo aos setores naval e de pe- em estruturas metálicas, tinha ba-de funcionários, montou até cursos tróleo e gás pode ser medido pelo sicamente a construção civil comode alfabetização em Rio Grande (RS) número de solicitações de registro cliente. Ela produziu as estruturase qualificou 200 operários. Somado de patentes por parte da indústria metálicas dos módulos da P-53 numa isto, há as exigências de contrato, brasileira no Instituto Nacional de total de 5,1 mil toneladas. Outra, decomo o rigor no cumprimento dos Propriedade Industrial (INPI). Hoje pintura industrial, a Cidal, tambémprazos. A P-55, por exemplo, deverá constam 478 pedidos, 199 deles so- entrou na cadeia produtiva pelaestar pronta em 31 meses. E o índi- mente da Petrobras, para o setor de primeira vez. A Intecnial montou asce de nacionalização é sempre cres- prospecção de petróleo, de 2000 a tubulações do dique seco. Em San-cente. “Para montar a P-53, o índice 2010. E da indústria de construção ta Catarina, embora tradicional noera de 55%, e nós chegamos a 78,5%, naval, as mesmas solicitações, no mercado, a WEG, fabricante de mo-uma folga considerável”, diz o dire- mesmo período, somam 587, sen- tores, também não trabalhava comtor. Para a P-55 o índice exigido pela do 67 da Petrobras. o setor. Isso tudo foi uma misturaPetrobras é de 75%. Segundo Reis, essa política pro- de pressão pela nacionalização, por A multa por não cumprir o ín- porciona ao mercado nacional a evolução nos processos de produçãodice definido é de 20% em cada 1% oportunidade de crescer, além de e por avanços tecnológicos.” INDÚSTRIA NAVAL ValorSetorial 81
  • 62. RECURSOS HUMANOS | POR VLADIMIR GOITIA PREOCUPAÇÃO COM A FALTA DE PROFISSIONAIS Empresas e entidades de classe fazem acordos para preparar trabalhadores em diversas áreas, principalmente engenheiros A indústria naval emprega mil empregos diretos e outros 160 mais de 46 mil pessoas, mil indiretos. Para tripular esses e esse contingente deve navios, serão necessários mais de aumentar para 60 mil em 2014. 2 mil profissionais – 850 deles ofi- Como cada emprego direto nos ciais. Todos precisarão ser admi- estaleiros gera uma média de tidos por concurso público, com quatro empregos na indústria for- salários que podem variar entre necedora e de serviços, os postos R$ 5 mil e R$ 20 mil. A marinha mer- indiretos devem pular de 180 mil cante, impulsionada pelo comércio para 240 mil no período, segundo exterior, também deve demandar o Sindicato Nacional da Indústria essa categoria de profissionais. da Construção e Reparação Naval Já a Petrobras precisará de tra- Fernando Palmezan Neto, do Seesp: é preciso e Offshore (Sinaval). balhadores de 185 categorias para Boa parte das vagas poderá ser preencher mais de 200 mil novos mento Industrial (Iedi) avalia que, preenchida por pessoas que tra- empregos. Desse total, serão neces- de todos os desafios de qualificação balharam nos tempos áureos da sários pelo menos 60 mil engenhei- profissional no curto prazo, o ensi- indústria naval brasileira e depois ros para a exploração de petróleo no de engenharia é o maior. migraram para outros setores. dos campos do pré-sal. Ocorre que Essa deficiência levou a Fede- Agora, com seu renascimento, os o modelo educacional atrai apenas ração Nacional dos Engenheiros trabalhadores começam a ser reab- 400 mil jovens para os vestibulares (FNE) e o Sindicato dos Engenhei- sorvidos. Algumas empresas estão de engenharia a cada ano e apenas ros no Estado de São Paulo (Seesp) “importando” dekasseguis brasi- 8% (32 mil) se formam. a criar um Instituto de Ensino Su- leiros que foram para o Japão em “O número representa metade perior na área de engenharia de busca de trabalho. É o caso do Es- do que precisamos para nos man- inovação. “Estamos na fase de de- taleiro Atlântico Sul (EAS), em Per- termos competitivos em diversos finição dos cursos que vão compor nambuco. Em dezembro de 2009, a segmentos”, diz Carlos Cavalcante, esse instituto, que não terá fins lu- empresa começou a selecionar 200 superintendente do Instituto Euval- crativos”, diz Fernando Palmezan candidatos com experiência na in- do Lodi (IEL), criado pela Confede- Neto, diretor do Seesp. A ideia é dústria naval e construção de pla- ração Nacional da Indústria (CNI), formar engenheiros qualificados, taformas petrolíferas. para promover a interação entre que tenham características que o Mas há gargalos maiores em indústria e universidade. Para ele, mercado precisa. outros segmentos. A frota própria é fundamental que não apenas se O sindicato vem conversando da Transpetro deve passar de 52 forme esse contingente adicional, com empresas, entre elas a Petro- navios para mais de cem em 2014 mas se viabilizem especializações bras, para definir, inclusive, par- com o Programa de Moderniza- para que o grupo possa atuar em cerias que permitam viabilizar o ção e Expansão da Frota (Promef), um mercado competitivo. O Insti- projeto. Palmezan avalia que o ins- que, segundo a empresa, abrirá 40 tuto de Estudos para o Desenvolvi- tituto poderá iniciar as atividades82 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 63. DANIEL WAINSTEIN / VALOR e de pós-graduação em 13 Estados. “Estão previstos investimentos superiores a R$ 30 milhões ape- nas na ampliação das estruturas e equipamentos para atendimento à demanda do Prominp no período 2010 e 2011”, conta Regina Torres, diretora de operações do Senai. Na próxima etapa do Prominp, entre novembro deste ano e julho de 2011, está prevista a realização de 37 mil matrículas em cursos para a área de petróleo e gás em 35 centros tecnológicos e de educação profis- sional do Senai em 18 Estados. Preocupados com a qualifica- ção e capacitação de seus traba- lhadores, a Rede Empresarial do Petróleo, Gás e Energia do Paraná (RedePetro-PR) fechou, no início de julho, parceria com o grupo educacional paranaense Uninter para formação de profissionais. No Paraná, estima-se que existam en- tre 16 mil e 20 mil vagas em peque- nas e médias empresas fornecedo- ras de produtos e serviços para a Petrobras. Isso sem considerar os trabalhos referentes ao pré-sal. A questão é que a Petrobras exi- ge qualidade nos produtos de seus fornecedores e boa gestão admi-dobrar o número de formandos em engenharia para não importar mão de obra nistrativa, trabalhista e ambiental. A estatal atribui notas de um a dez em 2012. “Precisamos estimular a Numa outra frente, o Programa nos seus processos de qualificação. demanda de alunos que se interes- de Mobilização da Indústria Nacio- Se a candidata tiver nota um em sam pela área e dobrar o número de nal de Petróleo e Gás Natural (Pro- meio ambiente, por exemplo, nem formandos. Dessa forma, não preci- minp), que integra o Plano Nacional é chamada. “Daí que demanda cor- saremos importar mão de obra.” de Qualificação da Petrobrás, vem porativa de capacitação técnica e Segundo o Instituto Nacional desenvolvendo ações voltadas para profissional está cada vez maior”, de Estudos e Pesquisas Educacio- solucionar a falta de profissionais diz Moacyr Paranhos, diretor de nais (Inep), existem no país 1.406 para atender às demandas geradas operações do Uninter, que tem 140 cursos de engenharia, 40% em pelos empreendimentos previstos mil alunos no Brasil. instituições públicas e 60% em nas áreas de petróleo e gás. Em julho, o Uninter apresentou privadas. Entre os cursos mais O Serviço Nacional de Apren- para a RedePetro Brasil – 15 Redes- procurados estão engenharia elé- dizagem Industrial (Senai), que Petro, que representam mais de trica e civil, com 12% e 11%, res- é a maior entidade executora dos 750 empresas que fabricam bens pectivamente. Para José Roberto cursos do Prominp, destinará ou prestam serviços aos segmentos Cardoso, professor de engenharia neste ano R$ 1,6 bilhão à educa- de exploração, produção, refino, elétrica da Escola Politécnica da ção profissional e tecnológica e a transporte e distribuição de petró- Universidade de São Paulo, há de- serviços técnicos e tecnológicos. leo e gás natural – o Projeto Inova- ficiências em todas as áreas de en- Esse montante se refere a 81% da dor de Capacitação, que servirá de genharia no Brasil. “Precisamos previsão de receitas de contribui- base para elaborar cursos para as estimular a procura do curso de ções do Sistema Senai para 2010 empresas. Num primeiro momen- engenharia pelos jovens, porque (R$ 2,03 bilhões). Entre abril de to, serão atendidas empresas do o mercado tem demanda suficien- 2007 e março deste ano, foram re- Sul. Mas os parceiros têm intenção te para suprir o dobro de forman- alizadas 34.957 matrículas em 61 de ampliar o programa para aten- dos na área por ano.” cursos de formação inicial, técnica der às redes de outros Estados. INDÚSTRIA NAVAL ValorSetorial 83
  • 64. TURISMO NÁUTICO | POR LUIZ MACIEL ESTÍMULO PARA ATRAIR MAIS BARCOS DE LAZER Existem no Brasil cerca de 700 pontos de apoio oficiais no litoral, incluindo marinas, iates clubes e garagens náuticas A lguns anos atrás, ao atracar tomando um tempo enorme. E se seu veleiro “Paratii 2” em chegar de bermuda, que é um traje Palma de Maiorca, o nave- usual de bordo, é obrigado a voltar gador Amyr Klink foi abordado para trocar de roupa.” por um funcionário da marina an- Mas há gargalos ainda mais im- tes mesmo de desembarcar. Iden- portantes para resolver, na opinião tificou-se, declarou o propósito da dele. O primeiro é a falta de estímu- visita, quantos dias pretendia ficar lo fiscal a empresas internacionais e deu alguns detalhes do barco, de fretamento de barcos de lazer. que sempre chama a atenção por “Por que elas viriam se instalar onde passa com seu inusual casco aqui pagando o dobro do que é de alumínio sem pintura. Com as exigido delas em outras partes do informações anotadas em um for- mundo?”, questiona. Outro entrave mulário, o anfitrião já se despedia, é a dificuldade de habilitação legal quando o brasileiro lhe perguntou, para pilotos e tripulantes que quei- afinal, para onde deveria se dirigir ram fazer apenas navegação turís- que vêm ao Brasil até os passeios para fazer a entrada oficial na ilha, tica. “Para operar um barquinho de jangada às piscinas naturais de que pertence ao arquipélago es- com turistas entre Paraty e Ubatu- Maceió”, explica o diretor de finan- panhol das Baleares. “Já está feita, ba é preciso ter a formação de um ciamento e promoção de investi- amigo. Aproveite a estada.” marinheiro profissional, o que é mentos do ministério, Hermano Amyr gosta de lembrar essa his- complicado e leva tempo. O resul- Carvalho. Ele concorda em parte tória sempre que lhe pedem a opi- tado disso é a informalidade, que com as observações de Amyr, mas nião sobre o turismo náutico no tira o acesso dos pescadores e mes- não é tão pessimista. “Já corrigi- Brasil. “Enquanto aquelas ilhotas tres amadores ao financiamento e mos algumas distorções e estamos faturam uma enormidade, cerca de ao seguro. E sem seguro não existe empenhados em aprimorar a legis- 4 bilhões de euros por ano só com o negócio de charter, não existe tu- lação para fazer o setor deslanchar. a guarda de 7 mil iates, o Brasil se rismo náutico”, argumenta. Desde 2006, por exemplo, o limite dá ao luxo de perder milhares de De fato, embora essa modalida- de permanência de barcos estran- postos de trabalho por questões de turística tenha entrado recente- geiros em nossa costa passou de burocráticas”, acusa. “Lá a chegada mente para a lista de prioridades do três meses para dois anos, renová- de um barco estrangeiro é saudada Ministério do Turismo, ninguém veis por mais dois”, rebate. e resolvida em questão de minu- sabe ao certo o tamanho dela no Segundo Carvalho, a conjuntura tos, porque as marinas também Brasil. “Estamos justamente traba- é favorável para o desenvolvimen- têm função fiscalizadora. Aqui, o lhando num diagnóstico, que deve to do turismo náutico no Brasil e o visitante tem de passar pela Anvi- ficar pronto em três meses. Não é fá- ministério está atento às oportuni- sa, pela Polícia Federal, pela Recei- cil, porque turismo náutico inclui dades, como a que se abriu recente- ta Federal, em várias repartições, desde os cruzeiros internacionais mente com a saturação do mercado86 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 65. DIVULGAÇÃO Navio da Royal Caribbean: temporada deve receber 1 milhão de passageirosde cruzeiros no Caribe. “O país está cruzeiros internacionais quando tempo todo, mas eles não vêm aoatraindo cada vez mais cruzeiros reclassificou para fretamento a Brasil por falta de informação.”marítimos, o que acaba estimulan- atividade desses navios, livran- Segundo a Marinha, existem nodo toda a cadeia de prestadores de do-os de impostos mais pesados. Brasil cerca de 700 pontos de apoioserviços de turismo. Na temporada “Agora falta estender esse bene- oficiais no litoral, incluindo mari-passada, vieram para cá 18 navios, fício às empresas estrangeiras de nas, iates clubes e garagens náuti-que transportaram mais de 700 mil charter. Elas virão para cá assim cas. É quase tanto quanto a Chinapassageiros. Na próxima, serão 20 que deixarem de ser penalizadas está construindo neste momentonavios, incluindo o maior do mun- com as alíquotas de importação.” para atrair turistas náuticos parado, da Royal Caribbean, e o total Segundo o consultor náutico, foi a sua costa. Para o engenheiro Ro-de passageiros pode se aproximar com o uso inteligente de incenti- naldo Basílio, que representa nade um milhão.” O compromisso de vos fiscais que Fort Lauderdale, na América Latina a americana Wes-adequar o país para receber a Copa costa americana da Flórida, e La trec, maior construtora de mari-do Mundo em 2014 e a Olimpíada Rochelle, na França, se transfor- nas do mundo, esse número é su-em 2016 também está puxando os maram em potências náuticas e bestimado. “Pelo que conheço doinvestimentos nos portos brasilei- enriqueceram. “As cidades brasi- nosso litoral, devemos ter mais doros, principalmente nas seis cida- leiras poderiam seguir o mesmo que o dobro disso, sendo que pelodes-sede que recebem grandes em- exemplo, principalmente as do menos 50 marinas são tão bembarcações – Rio de Janeiro, Salvador, Nordeste, que estão mais próxi- equipadas quanto as melhores doRecife, Fortaleza, Natal e Manaus. mas do Caribe e dos Estados Uni- mundo”, garante Basílio, que já O consultor Walter Garcia nota dos. Há 10 mil barcos passando ao acompanhou a construção de 90que o Brasil entrou para a rota dos norte do Piauí e do Maranhão o marinas no Brasil e no exterior. INDÚSTRIA NAVAL ValorSetorial 87
  • 66. LUXO | POR LUIZ MACIEL BRASIL É NOVO DESTINO DE IATES E LANCHAS Grandes estaleiros internacionais começam a investir no mercado interno, que neste ano deve movimentar US$ 570 milhões M aior fabricante de lan- dispõem os americanos (um bar- chas esportivas e iates co para 20 habitantes) e os suecos do mundo, a italiana (um para sete). Considerados ape- Azimut-Benetti reuniu mil convi- nas os barcos de lazer, com mais de dados numa festa náutica em Can- quatro metros de comprimento e nes, na França, no final de junho. A casco de fibra de vidro, a esquadra estrela do evento era o novo barco brasileira é ainda mais irrelevan- Azimut 64, uma joia de 19 metros te – não chega a 70 mil, segundo de comprimento e US$ 6 milhões, a Associação dos Construtores de na qual os presentes puderam pas- Barcos (Acobar). Mas esse núme- sear pela Côte d’Azur. A principal ro pequeno revela uma fantástica notícia que saiu do encontro, po- perspectiva de crescimento, apoia- rém, foi outra e tinha a ver com o da pelo bom comportamento da Brasil. “Vamos construir o maior economia brasileira, o que explica estaleiro coberto do mundo em o interesse de grandes fabricantes Itajaí, no Estado de Santa Catari- internacionais. na”, anunciou o presidente da em- “A produção de lanchas vinha presa, Paolo Vitelli. crescendo 10% ao ano em média, No mercado náutico brasileiro, antes da crise, e estamos retoman- o movimento da Azimut-Benetti do esse ritmo em 2010”, diz Eduar- era esperado há um ano, desde do Colunna, presidente da Acobar. o rompimento da parceria com Em 2009, o segmento de embarca- a Intermarine, o maior estaleiro ções de passeio ficou estagnado, o de lanchas de luxo do país. O que que pode ser contabilizado como não se imaginava é o alcance que uma pequena vitória diante da essa iniciativa terá, envolvendo queda generalizada do mercado investimentos de 80 milhões de náutico nos centros maiores. euros em cinco anos, uma plan- A expectativa da Acobar é fechar ta industrial de 200 mil metros 2010 com US$ 570 milhões na ven- quadrados e a meta de colocar na da de barcos novos e usados, ante água cem barcos por ano. “É mais os US$ 520 milhões em 2009. As pe- da metade do que se produz hoje quenas embarcações de alumínio, no segmento de barcos de luxo usadas por pescadores de fim de acima de 38 pés”, nota o consultor semana e para a execução de servi- Marcio Dottori. ços, estão fora dessa conta e repre- Com mais de 8 mil quilômetros sentariam cerca de US$ 20 milhões. de litoral e cerca de 40 mil quilô- As importações devem alcançar metros de rios e lagos navegáveis, o US$ 60 milhões. No total, entre na- Brasil explora pouco seu potencial cionais e importadas, cerca de 16 náutico. A frota nacional é de 650 mil embarcações deverão ser co- mil unidades, o que significa uma mercializadas em 2010, das quais embarcação para 300 habitantes, metade voltada ao lazer – algo como em média. É muito menos do que 4,5 mil de fibra e 3,5 mil jet skis. Paolo Vitelli, da Azimut-Benetti: com início das88 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL
  • 67. É na estreita faixa das lanchas o mercado de usados. Quando a ex- da Bayliner, a marca de lanchas de de luxo acima de 38 pés (ou 11,5 pansão de consumo chega ao seg- pequeno e médio portes mais ven- metros), porém, que estão os mento das lanchas de luxo, o volu- dida do mundo, tem interesse em grandes negócios. As duas cente- me de negócios dá um salto maior produzir no Brasil – especula-se que nas de unidades que são vendidas do que o PIB e atrai a atenção de in- investiria US$ 50 milhões em outro no Brasil por ano representam vestidores, como está acontecendo. porto catarinense, São Francisco do US$ 380 milhões. Para alguns grandes estaleiros Sul. E o estaleiro italiano Cessa Ma- Uma característica do mercado internacionais, abalados pelo can- rine está à procura de uma parceria náutico é a sua divisão em várias celamento de encomendas a partir para fabricar alguns modelos, es- faixas de preço. Quem entra nesse de 2008, o emergente mercado náu- capando das alíquotas brasileiras mundo está sempre sonhando com tico brasileiro é uma ótima novida- de importação, que encarecem os uma embarcação maior e mais bo- de. Além da Azimut-Benetti, que barcos em mais de 70%. nita, o que empurra a produção em está se instalando em Itajaí, o gru- Os estímulos fiscais oferecidos todas as faixas de preço e alimenta po americano Brunswick, detentor pelo governo catarinense foram vitais para a vinda da Azimut-Be- GUSTAVO LOURENCAO/ VALOR netti, que deve iniciar suas opera- ções em agosto. A empresa espera entrar em ritmo de produção nor- mal no final de 2011, empregando mil funcionários na montagem de seis modelos, entre eles a recém- lançada Azimut 64 e duas lanchas acima de 80 pés. A decisão de se instalar aqui tem a ver com o perío- do de dificuldades enfrentado pela Intermarine, desde que perdeu seu comandante, Gilberto Ramalho, em um acidente de helicóptero em 2009. Agora, com a obrigação de assinar seus próprios projetos, a Intermarine ensaia uma reação com um novo modelo, a 540, que tem encontrado boa receptividade no mercado. A empresa prefere não divulgar os próprios números nem comentar os movimentos dos con- correntes. Além da cearense Inace e da paulista MCP (que fabricam os maiores barcos nacionais, sob en- comenda), o mercado de barcos de luxo é disputado, entre outros, pela Ferreti, pela catarinense Schaefer e outras marcas importadas. “Para crescer nesse mercado é preciso acompanhar a lógica dos compradores e estar sempre proje- tando barcos maiores. Quem não fi- zer isso deixa de atender a seus pró- prios clientes”, diz Márcio Schae- fer, da Schaefer Yachts, que espera entregar sua primeira lancha de 60 pés, a Phantom 600, no final do ano. Ele acaba de fechar um acordo com o estaleiro italiano Arno para a construção de uma versão brasilei- ra da Leopard 24, de 24 metros, que aqui será batizada de Phantom 800operações em agosto, meta da empresa é vender cem barcos por ano e deverá ir para a água em 2012. INDÚSTRIA NAVAL ValorSetorial 89
  • 68. INDICADORES | Estaleiros Evolução do emprego Capacidade produtiva por Estado Em mil empregados Ceará 2,67% Outros 2,14% 50 46,5 45 40 39,0 40,3 Pernambuco 35 28,47% 30 25 Rio de Janeiro 20 19,6 Rio Grande do Sul 51,25% 5,34% 15 14,4 12,7 10 6,5 7,5 5 4,0 Santa Catarina São Paulo 1,9 8,36% 1,78% 0 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Fonte: Sinaval. Elaboração: Valor Data Fonte: Sinaval. Elaboração: Valor Data Implantação de novos estaleiros Ampliação de estaleiros Por Estado - em R$ milhões Por Estado - em R$ milhões 2.500 220 2.395,0 2.283,0 200 193,0 2.000 180 160 140 1.500 125,0 120 107,0 1.100,0 100 1.000 80 60 500,0 476,0 500 40 302,0 132,0 20 16,0 81,6 70,0 0 0 PE BA AL ES RS SC CE RJ SP RJ PE BA AM Fonte: Sinaval. Elaboração: Valor Data Fonte: Sinaval. Elaboração: Valor Data Comércio exterior Mercadorias Movimentação de cargas no longo curso - em milhões de toneladas Principais mercadorias movimentadas no país - em 2009 Importação Exportação 500 Outros 450 447,8 454,6 439,8 Açúcar 3,10% 24,26% 412,9 400 390,1 Produtos 350 siderúrgicos 2,17% Minério de ferro 36,58% 300 Bauxita 3,80% 250 Celulose 1,99% 200 150 111,2 114,7 Combustíveis, 100 83,0 90,0 91,5 óleos minerais e produtos 23,81% 50 Soja 0 2005 2006 2007 2008 2009 4,29% Fonte: Antaq. Elaboração: Valor Data Fonte: Antaq. Elaboração: Valor Data90 ValorSetorial INDÚSTRIA NAVAL