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  • 1. ESTUDOS DA REPÚBLICA ABRIL - 2010 PROJETO BRASILIDADE IDENTIDADE NACIONAL E AUTOESTIMA
  • 2. Slide 1 APRESENTAÇÃO Slide 1 A República é uma empresa especializada em Pesquisa de Opinião que assume o compromisso com o Brasil e a sociedade de, periodicamente, divulgar Estudos que revelem o que pensam e sentem os brasileiros. O objetivo com os Estudos da República foi ir além do que qualquer instituto de pesquisa jamais foi para construir um referencial único, uma base de sustentação para outros projetos, capaz de servir às universidades, aos governos, às empresas e organizações da sociedade como instrumento da construção de um país melhor. O primeiro dos Estudos da República, uma profunda investigação sobre o povo brasileiro, é o Projeto Brasilidade . O Projeto Brasilidade é uma pesquisa sobre a autopercepção do brasileiro após mais de 20 anos de democracia e estabilização econômica. Investiga qual o impacto desse período sobre a identidade nacional e a autoestima do brasileiro. Partindo dos clássicos como Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Hollanda, Darcy Ribeiro e Roberto DaMatta, a República mobilizou um grupo de antropólogos, psicólogos, cientistas políticos, sociólogos e outros profissionais para ouvir e investigar pessoas de todas as regiões do Brasil e descobrir o que significa ser brasileiro no Século XXI. COMEÇAMOS PELAS RAÍZES DO BRASIL PARA ABRIR UM DIÁLOGO COM OS BRASILEIROS
  • 3. Slide 1 OBJETIVOS DOS ESTUDOS DA REPÚBLICA Slide 1 <ul><ul><li>Compreender os padrões de comportamento da sociedade; </li></ul></ul><ul><ul><li>Identificar tendências sociais; </li></ul></ul><ul><ul><li>Estruturar um banco de dados que permita acompanhar a evolução da sociedade brasileira; </li></ul></ul><ul><ul><li>Ajudar a produzir uma agenda positiva e fortalecer a autoestima dos brasileiros; </li></ul></ul><ul><ul><li>Permitir uma reflexão crítica das raízes da identidade nacional; </li></ul></ul><ul><ul><li>Contribuir para a formação de uma cidadania ativa e consciente. </li></ul></ul>
  • 4. Slide 1 A CONSTRUÇÃO Slide 1 3. OS BRASILEIROS EM 2010 3.1. Perfil sociodemográfico 3.5. Opiniões 3.3. Identidade 3.4. Sentimentos 1. UM NOVO BRASIL 2. IMAGENS DOS BRASILEIROS 3.2. Hierarquia de Necessidades
  • 5. Slide 1 Slide 1 1. UM NOVO BRASIL Desde a década de 90, o Brasil vem passando por importantes transformações nos planos econômico e social. Da mesma forma, vem se alterando a maneira como o país é percebido pela comunidade internacional.
  • 6. Slide 1 Slide 1 O Brasil vem passando nas últimas décadas por um processo social bastante favorável. Os dezesseis anos de estabilização macroeconômica, com crescimento e inflação baixa, iniciada com o Plano Real em 1994, a modernização da indústria para fazer frente aos produtos importados, um novo alinhamento da economia mundial, o aumento da escolaridade da população e políticas sociais de redistribuição de renda, como os programas Bolsa Escola e depois Bolsa Família, vêm produzindo uma mobilidade social ascendente, especialmente nas classe C e D, uma queda acentuada da pobreza (especialmente da miséria absoluta) e uma diminuição (mesmo que lenta) das desigualdades sociais. UM NOVO BRASIL: ESTABILIDADE ECONÔMICA E MOBILIDADE SOCIAL
  • 7. Slide 1 Slide 1 Com o fim da Guerra Fria surge uma breve unipolaridade centrada nos Estados Unidos (sobretudo em função do seu poderio econômico e bélico). A recente crise financeira, que tem origem exatamente na economia americana, e atinge o mundo todo, abala esta conformação geopolítica. O processo de multipolarização acentua-se. Ganha força o bloco econômico composto por países emergentes (BRIC - Brasil, Rússia, Índia e China). Ao longo do período aumenta também a credibilidade da economia brasileira, e o país conquista o Investiment Grade . A forma e a rapidez com que o Brasil consegue superar a crise financeira de 2009, superávits sucessivos na balança comercial, a descoberta de petróleo e gás no Pré-Sal e a condição tecnológica para explorá-los, entre outros aspectos reforçam a credibilidade e a posição internacional do país e fazem com que, cada vez mais, o Brasil figure como um parceiro estratégico, liderando os países do Cone Sul e assumindo posição de destaque no cenário internacional. UM NOVO BRASIL: CREDIBILIDADE INTERNACIONAL
  • 8. Slide 1 Slide 1 Na política, vivencia-se um longo período de estabilidade institucional e governança democrática. Desde o fim da ditadura militar, em 1985, e a primeira eleição presidencial em 1989, já são também mais de 20 anos. As crises pelas quais passaram algumas instituições (seja no Executivo, Legislativo ou Judiciário) e o fato de, delas terem saído, fazem com que o sistema político brasileiro se revele maduro. Com eleições sucessivas, os cidadãos vêm exercitando e, aos poucos, adquirindo maior consciência cívica. Finalmente, no esporte, a escolha do Brasil para sediar a Copa de 2014 e, do Rio de Janeiro, as Olimpíadas de 2016, vem coroar esse processo histórico. UM NOVO BRASIL: ESTABILIDADE DEMOCRÁTICA
  • 9. Slide 1 Slide 1 2. IMAGENS DOS BRASILEIROS Ao longo da história do Brasil vários intelectuais vêm refletindo sobre a questão da identidade nacional. Dessa produção, surge um mosaico rico que permite identificar traços antropológicos dos brasileiros.
  • 10. Slide 1 IMAGENS DOS BRASILEIROS Slide 1 EVOLUCIONISMO e MODERNISMO Alguns autores pioneiros na interpretação do Brasil, fortemente influenciados por teorias européias, avaliavam a sociedade brasileira a partir de uma perspectiva evolucionista (que representava a aceitação de uma evolução linear da história humana, cujo ponto final seria a sociedade européia). Nessa linha, destacam-se Sílvio Romero, Euclides da Cunha e Nina Rodrigues. Formas de vida e valores associados ao folclore e à cultura popular são vistos como uma “sobrevivência” de uma etapa inferior de evolução cultural das sociedades. As crenças, ritos, religiões nativas seriam a expressão da mente “primitiva”, “ignorante”, carente, portanto, de uma visão técnica, informada e racional do mundo “civilizado”. Essas práticas sociais estariam fadadas ao desaparecimento, sendo substituídas, com a modernização, por outras formas “superiores”. Estes autores apontam a “mestiçagem” entre brancos, negros e índios, baseados na teoria da evolução das espécies de Darwin, como a causa principal da suposta inferioridade cultural brasileira; para Silvio Romero haveria um “branqueamento da população, salvando-a da degeneração”. Com o Movimento Modernista, nos anos 1920 (que era muito mais uma tendência estética que uma ideologia), ganham força as chamadas culturas populares e uma nova visão sobre o Brasil se afirma. Por meio da obra de autores como Manoel Bomfim, Mário de Andrade, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Câmara Cascudo, entre outros, as manifestações culturais (indígenas, africanas e também algumas tradições portuguesas), antes consideradas sinônimo do atraso, passam a ser interpretadas como fontes genuínas da identidade nacional brasileira. A rigor, só se pode falar de BRASILIDADE a partir da inovação introduzida por estes autores, desse olhar afirmativo da cultura nacional.
  • 11. Slide 1 Slide 1 CONCILIAÇÃO E EROTISMO - OS “ANTAGONISMOS EM EQUILÍBRIO” DE GILBERTO FREYRE Gilberto Freyre recusa o evolucionismo e não interpreta a “mestiçagem” como um problema, uma deformação biológica (afirma que, em princípio não existem raças superiores ou inferiores). Ao contrário, passa a apontar o vigor das tradições culturais nativas como fonte de uma identidade nascente. Uma identidade nova, original e marcada pelos “antagonismos em equilíbrio”, pela possibilidade de convivência pacífica de valores e culturas diversas. Freyre aponta então um primeiro traço da brasilidade – a capacidade de conciliação. Outro traço do brasileiro afirmado pelo autor de Casa-Grande&Senzala seria o enorme papel desempenhado pelas paixões, sobretudo de natureza sexual (o erotismo patriarcal) – “uma atmosfera de intimidade e calor que, sem descartar os antagonismos, torna possível a convivência”. Criam-se “zonas de confraternização”, uma ambiguidade essencial que aproxima heranças culturais distintas e até grupos opostos (como senhores e escravos) e faz com que seja possível uma convivência íntima e próxima. Mais tarde, Paulo Prado, em Retrato do Brasil , vai dizer que a história do país representa o desenvolvimento desordenado de duas obsessões – a luxúria e a cobiça. A consequência desses dois desejos irrefreáveis seria a melancolia (um abatimento físico e moral). IMAGENS DOS BRASILEIROS
  • 12. Slide 1 Slide 1 O “HOMEM CORDIAL” DE SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA Para Holanda, um dos traços da brasilidade seria “um fundo emotivo extremamente rico e transbordante”. O brasileiro é o “homem cordial”, alguém que age pelo coração, muito mais que pela racionalidade. O “homem cordial” é o contrário do recatado e polido. Implica em generosidade e espontaneidade. Para o autor de Raízes do Brasil , o brasileiro seria avesso a formalidades e ritualismos sociais, tendo horror a hierarquias e distâncias sociais. Por isso, deseja sempre estabelecer intimidade. Suas relações se baseiam na simpatia e amizade e, no reverso, na antipatia. “No Brasil, é precisamente o rigorismo do rito que se afrouxa e se humaniza.” Linguisticamente isso se traduz na preferência pelo emprego do prenome e não do sobrenome e por um “pendor acentuado para o emprego dos diminutivos, a terminação inho ”, colocando as pessoas mais próximas do coração. Holanda afirma que a “cordialidade” estaria limitada ao estágio colonial e ao contexto rural. IMAGENS DOS BRASILEIROS
  • 13. Slide 1 Slide 1 O “JEITINHO BRASILEIRO” O primeiro autor a tratar do jeitinho foi Guerreiro Ramos no livro Administração e estratégia de desenvolvimento , de 1966. Para o autor, o jeitinho seria uma categoria central da sociedade brasileira. Seria um traço comum nas sociedades latino-americanas, o que o autor chama de “processos crioulos”, assentados em uma raiz comum – o formalismo. Guerreiro Ramos fala da distância presente nas sociedades latino-americanas entre as instituições sociais, políticas e jurídicas e as práticas sociais. O rigor da lei, o formalismo, seria uma recurso das classes dominantes (uma ideologia, em sentido marxiano) utilizada para frear ou adiar as tensões sociais e buscar o desenvolvimento. O jeitinho seria uma resposta da sociedade a essa estratégia de dominação, um mecanismo de adaptação às situações perversas da sociedade brasileira. Na visão de Guerreiro Ramos, o jeitinho era um simples reflexo de um estágio do desenvolvimento e estava fadado a desaparecer na medida em que as sociedades se desenvolvessem e se industrializassem e as leis passassem a ser mais realistas e universais, já que mais próximas das práticas sociais. IMAGENS DOS BRASILEIROS
  • 14. Slide 1 Slide 1 O “JEITINHO BRASILEIRO” Neste campo específico, dando sequência às reflexões de Guerreiro Ramos, Roberto DaMatta afirma que o jeitinho é fruto da existência, no Brasil, de um “sistema social dividido e até mesmo equilibrado entre duas unidades sociais básicas: o indivíduo (o sujeito das leis universais que modernizam a sociedade) e a pessoa (o sujeito das relações sociais, que conduz ao pólo tradicional do sistema). “ Entre os dois o coração do brasileiro balança.” O jeito seria um “estilo de navegação social” – uma forma harmoniosa (“até mesmo legítima”) de resolver um problema “provocando uma junção inteiramente casuística da lei (impessoal e distante das práticas sociais) com a pessoa que a está utilizando”. A desconfiança das pessoas e das instituições estaria por trás da prática do jeitinho . IMAGENS DOS BRASILEIROS
  • 15. Slide 1 Slide 1 O “JEITINHO BRASILEIRO” No livro O Jeitinho Brasileiro – A arte de ser mais igual do que os outros, Lívia Barbosa define o jeitinho como um mecanismo de navegação social (assim como DaMatta) que se localiza num continum entre o favor (pólo positivo) e a corrupção (pólo negativo): A autora afirma no prefácio da edição de 2005 do seu livro, que “a posição que se encontra o jeitinho está cada vez mais próxima da corrupção.” IMAGENS DOS BRASILEIROS
  • 16. Slide 1 Slide 1 No livro Dando um Jeito no Jeitinho, Lourenço Stelio Rega propõe um modelo para se pensar o jeitinho brasileiro. Afirma que no Brasil existe um círculo vicioso cujo eixo motor seria o jeitinho . O “JEITINHO BRASILEIRO” IMAGENS DOS BRASILEIROS
  • 17. Slide 1 Slide 1 As afirmativas feitas por Lourenço Stelio Rega, Guerreiro Ramos e Roberto DaMatta sobre o modo de operação e os fundamentos da prática do jeitinho não se baseiam em pesquisas de opinião e sim em observações e análises históricas. A hipótese central que está por trás das teorias dos autores seria a de que o cidadão dá um jeitinho por que o Estado/Governo não responde às demandas dos cidadãos ou porque as leis não estão em sintonia com as práticas sociais. O “JEITINHO BRASILEIRO” IMAGENS DOS BRASILEIROS
  • 18. Slide 1 Slide 1 O COMPLEXO DE VIRA-LATA DE NELSON RODRIGUES O dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues cunha uma expressão, bem ao seu estilo ácido e irônico, para afirmar que a autoestima baixa é um dos traços da brasilidade. A expressão “complexo de vira-lata” originalmente se refere ao trauma sofrido pelos brasileiros em 1950, quando a Seleção Brasileira foi derrotada pelo Uruguai na final da Copa do Mundo em pleno Maracanã. Na oportunidade, Rodrigues disse que o brasileiro “tem alma de vira-lata”. E que o Brasil só teria se recuperado do choque (ao menos no campo futebolístico) em 1958, quando ganhou a Copa do Mundo pela primeira vez. Contudo, para Rodrigues, o fenômeno não se limitava somente ao campo futebolístico. Segundo ele: “por 'complexo de vira-lata' entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo” ou “O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem”. E conclui Nelson Rodrigues: “Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a autoestima .” IMAGENS DOS BRASILEIROS
  • 19. Slide 1 Slide 1 <ul><li>Mesmo que não seja possível um balanço homogêneo da produção intelectual sobre a identidade nacional, o que certamente redundaria em uma interpretação simplista, pode-se concluir que a visão predominante sobre o caráter dos brasileiros é negativa . </li></ul><ul><li>Predominam alguns traços que marcam os brasileiros: </li></ul><ul><li>Miscigenação (vista inicialmente como uma degeneração), </li></ul><ul><li>só posteriormente interpretada como capacidade de conciliação; </li></ul><ul><li>Caráter emocional e pouco polido, avesso a formalismos; </li></ul><ul><li>Tendência às paixões e ao erotismo; </li></ul><ul><li>Um jeito de lidar com o poder e as instituições que se aproxima por demais da corrupção; </li></ul><ul><li>Baixa autoestima. </li></ul>
  • 20. Slide 1 Slide 1 Projeto Brasilidade confirma os traços apontados por Gilberto Freyre Pesquisa mostra que traços do “homem cordial” estão presentes na sociedade brasileira de hoje Projeto Brasilidade mostra que o jeitinho está muito vivo e é essencial para o brasileiro Projeto confirma teorias sobre as razões da ocorrência do jeitinho Pesquisa mostra que hoje predomina a interpretação positiva do jeitinho brasileiro Projeto Brasilidade aponta melhora da autoestima do brasileiro IMAGENS DOS BRASILEIROS Gilberto Freyre: Capacidade de conciliação e erotismo Sergio Buarque Holanda: Cordialidade Guerreiro Ramos: Fim do Jeitinho Lidia Barbosa: Jeitinho tendência de interpretação negativa, associado à corrupção DaMatta e Stelio Rega: Jeitinho como produto da distância entre as Leis e o Estado e a sociedade Nelson Rodrigues: Complexo de Vira-Lata
  • 21. Slide 1 Slide 1 3. OS BRASILEIROS EM 2010 NESTE TRABALHO SERÁ FEITA UMA CONTRAPOSIÇÃO ENTRE OS TRAÇOS HISTÓRICOS E CULTURAIS E A AUTOIMAGEM DOS BRASILEIROS EM 2010. Uma visão negativa dos brasileiros ainda sobrevive, mesmo depois das grandes transformações pelas quais vem passando a sociedade? Quais os impactos dessas mudanças na identidade nacional e na autoestima dos brasileiros?
  • 22. Slide 1 METODOLOGIA Slide 1 <ul><li>Qualitativa, via 4 Grupos Focais </li></ul><ul><li>Cidade de São Paulo </li></ul><ul><li>Moradores da capital que migraram de cidades de todas as regiões do país </li></ul><ul><ul><li>1 grupo AB, 20 a 40 anos, ambos sexos </li></ul></ul><ul><ul><li>1 grupo AB , acima de 40 anos, ambos os sexos </li></ul></ul><ul><ul><li>1 grupo CD, 20 a 40 anos, ambos sexos </li></ul></ul><ul><ul><li>1 grupo CD, acima de 40 anos, ambos sexos </li></ul></ul><ul><li>Quantitativa, com aplicação de questionário estruturado </li></ul><ul><li>Amostra estratificada e desbalanceada de 1.272 entrevistas nas maiores cidades brasileiras, representativas de suas regiões </li></ul><ul><li>Homens e Mulheres, de 18 a 70 anos, classes A a E (Critério Brasil) </li></ul><ul><li>A margem de erro da pesquisa é de 2,8 pontos percentuais, para mais ou para menos para o conjunto do Brasil. </li></ul><ul><li>O intervalo de confiança é de 95,5% </li></ul><ul><li>Posteriormente a amostra passou por processo de ponderação de forma a reconstituir a real proporção de cada segmento de classe, sexo, idade e cidade na população geral do Pais </li></ul>MÓDULO QUALITATIVO MÓDULO DE QUANTIFICAÇÃO A coleta de dados da pesquisa quantitativa foi realizada no mês de março (5 a 12 ) de 2010.
  • 23. Slide 1 PERFIL DA AMOSTRA Slide 1 REGIÃO Brasil, principais cidades
  • 24. Slide 1 PERFIL DA AMOSTRA Slide 1 SEXO Mulheres são maioria.
  • 25. Slide 1 PERFIL DA AMOSTRA Slide 1 IDADE Jovens são maioria.
  • 26. Slide 1 Slide 1 3.1. PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO
  • 27. Slide 1 PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO Slide 1 ESCOLARIDADE Norte e Nordeste ainda têm maiores índices de analfabetismo. Correlação entre classe social, renda e escolaridade é muito forte: 80% dos analfabetos estão na classe D e 53% dos que têm curso superior estão na classe A. A escolaridade é determinante na posição de classe do indivíduo. Dos que estudaram só até a 3ª série do fundamental, 75% vivem com uma renda familiar de até R$ 725; dos que fizeram curso superior, 83% ganham mais de R$ 2 mil.
  • 28. Slide 1 PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO Slide 1 IDADE POR ESCOLARIDADE Analfabetismo é questão geracional: na faixa de 60 a 70 anos a média de analfabetos é de 27%; entre 40 e 59 anos cai para 14%, e nas pessoas com até 30 anos a média despenca para 4%. A escolaridade sobe de forma acentuada entre as gerações mais novas - se entre as pessoas de 60 anos ou mais, apenas 22% estudaram até o ensino médio ou superior, entre os jovens de 25 a 29 anos, 59% já foram no mínimo até o ensino médio.
  • 29. Slide 1 Slide 1 PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO RENDA 63% das famílias vivem com uma renda de menos de R$ 1.193,00 por mês. Nordeste (seguido pelo Norte) concentra população com rendas mais baixas e Sul mais altas.
  • 30. Slide 1 Slide 1 PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO TIPO DE TRABALHO O trabalho autônomo, ou informal, é muito alto no Brasil. Trabalhadores que recebem menos exercem atividade autônoma.
  • 31. Slide 1 Slide 1 PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO CLASSE POR TIPO DE TRABALHO Quanto mais baixa a classe social, maior a força do trabalho autônomo.
  • 32. Slide 1 Slide 1 PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO ESTADO CIVIL Casados são maioria. Faixa dos 50 a 59 anos concentra maior percentual de divorciados.
  • 33. Slide 1 Slide 1 PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO FILHOS Membros da classe B têm menos filhos e da classe D mais filhos.
  • 34. Slide 1 Slide 1 PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO Com filhos/Idade Têm filhos 67% Não têm filhos 33% 25/29 – 52.3% 18/24 – 27.9% 30/39 – 78.2% 40/49 – 88.1% 50/59 – 84.6% 60/64 – 89.1% 65/70 – 85.8% FILHOS Vem diminuindo a cada geração a presença de filhos. Quase 28% dos jovens de 18 a 24 têm filhos. Vida adulta começa cedo.
  • 35. Slide 1 Slide 1 PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO NÚMERO DE FILHOS Quantidade de filhos é questão geracional – 52% das pessoas com mais de 50 anos têm 3 filhos ou mais; na faixa de 40 a 49, a média de mais de 3 filhos cai para 43% e na de 30 a 39 anos, para 37%. Membros da classe D têm mais filhos – 12% têm mais de cinco. Classe A tem menos filhos. Quanto mais baixa a escolaridade, maior a chance da pessoa ter mais filhos.
  • 36. Slide 1 Slide 1 PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO NÚMERO DE PESSOAS QUE MORAM NO DOMICÍLIO A média de pessoas por domicílio é de 3,75.
  • 37. Slide 1 Slide 1 PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO RELIGIÃO Católicos são maioria, mas evangélicos avançam rapidamente. Católicos são mais presentes no Norte (85%) e Nordeste (75%) e Evangélicos no Centro-Oeste (31%). 14% da população do Sul do país declara não ter religião. Evangélicos são mais presentes nas classe C e D. 90% têm religião: religiosidade um traço marcante da brasilidade.
  • 38. Slide 1 Slide 1 PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO EMPREGO Emprego cresce, mas desemprego ainda é muito alto. Entre os desempregados destacam-se as mulheres, pessoas com ensino fundamental, jovens de 18 a 24 anos, membros da classe D (refletindo a baixa escolaridade).
  • 39. Slide 1 Slide 1 PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO EMPREGO E DESEMPREGO POR REGIÃO Regiões Nordeste e Norte têm maior desemprego.
  • 40. Slide 1 Slide 1 PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO ESCOLARIDADE POR EMPREGO Quanto mais alta a escolaridade, maior a empregabilidade. Apenas 2% dos que têm curso superior estão desempregados, para mais de 20% dos que só fizeram o fundamental.
  • 41. Slide 1 Slide 1 PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO Estágios de Vida Nos domicílios de classe D o número de dependentes é maior (25%). Nordeste apresenta o maior número de pessoas que dependem da renda de outrem (29%). Centro-Oeste apresenta maior percentual de população produtiva (78%) e menor índice de dependentes (8%). Os produtivos são mais casados e têm filhos (79%).
  • 42. Slide 1 Slide 1 PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO Idade por Estágios de Vida Mais da metade das pessoas com idade de 50 a 64 anos são ainda produtivas. Somente depois de 65 anos começa a subir o percentual de pessoas que saem do mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, 55% das pessoas com idade de 18 a 24 anos já estão trabalhando. O maior percentual de pessoas produtivas está na faixa etária dos 25 aos 49 anos.
  • 43. Slide 1 Slide 1 PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO DNA População que se autodefine como branca Brancos 53,8% da População DNA Índios e Negros 33% DNA Negro 28% DNA Branco Europeu 39% Norte Sul Nordeste 54% 66% 44% População Brasileira IBGE/2006 (autodefinição) Brancos 53,8% Pardos 39,1% Negros 6,2% Amarelos 0,9 % Estudo realizado pela UFMG em 2007. DNA de amostragem de população declarada branca em todas as regiões do Brasil. Miscigenação é um dos traços mais marcantes da brasilidade.
  • 44. Slide 1 Slide 1 PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO Acesso Internet Maioria não tem acesso à internet. Mas percentual dos que já acessam a rede é bastante alto e a tendência parece ser de crescimento.
  • 45. Slide 1 Slide 1 PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO Acesso Internet por região
  • 46. Slide 1 Slide 1 PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO Acesso Internet Existe correlação direta entre escolaridade e classe social/renda e acesso à internet. Internet é ainda privilégio de ricos e com escolaridade alta.
  • 47. Slide 1 Slide 1 PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO Não tem acesso 75,4% Tem filhos 67% Não tem 33% Tem acesso 24,6% Acesso Internet por filhos 75% dos brasileiros que têm filhos, ainda não têm acesso à internet. A exclusão digital é muito acentuada. Com isso, vislumbra-se o quanto ainda terá de ser percorrido para se ter índices comparáveis de inclusão digital.
  • 48. Slide 1 Slide 1 3.2. Hierarquia de Necessidades
  • 49. Slide 1 HIERARQUIA DE NECESSIDADES Slide 1 2010: Três tipos de Brasileiros
  • 50. Slide 1 HIERARQUIA DE NECESSIDADES Slide 1 5% Autoestima 23% Realização em todas as áreas 8% Relacionamentos 38% Sobrevivência pura e simples Sobreviver 38% Aprimoramento Pessoal, Social e Espiritual 36% Conquistar Posição 26% Podemos considerar em 2010, três grupos de brasileiros, representando três diferentes situações: Aprimoramento Pessoal………………….36% Recuperar, impulsionar e/ou usufruir dos relacionamentos pessoais, estudar, cuidar da saúde, da estética, da beleza corporal e da plenitude espiritual Consolidar a posição conquistada....27% Ter e prover estabilidade e segurança Lutar pela mais pura e simples sobrevivência………………………........…37%
  • 51. Slide 1 HIERARQUIA DE NECESSIDADES Slide 1 Modelo de Maslow : 3) então partir para o aprimoramento pessoal e espiritual: necessidade de autorrealização necessidade de estima necessidades sociais 2) depois conquistar segurança (busca de proteção contra ameaça ou privação) 1) primeiro quer garantir suas necessidades básicas (alimento, sono, abrigo, reprodução da espécie), Teoria de Maslow A teoria de Maslow é conhecida como uma das mais importantes teorias de motivação. Para ele, as necessidades dos seres humanos obedecem a uma hierarquia, ou seja, uma escala de valores a serem transpostos. Isto significa que no momento em que o indivíduo realiza uma necessidade, surge outra em seu lugar, exigindo sempre que as pessoas busquem meios para satisfazê-la. Poucas ou nenhuma pessoa procurará reconhecimento pessoal e status se suas necessidades básicas estiverem insatisfeitas.
  • 52. Slide 1 HIERARQUIA DE NECESSIDADES Slide 1 SOBREVIVÊNCIA 36% APRIMORAMENTO 37% ESTABILIDADE 27% 82% das classes C/D/E Mais mulheres que homens (56%) Valorizam principalmente: situação política, religiosidade, saúde e moradia. Maior presença de pessoas acima de 40 anos. Valorização da situação política: segmento é o alvo dos Programas Sociais. Distribuído entre as classes, porém com maior concentração das classes A/B/C. Mais homens que mulheres (58%) Preocupam-se principalmente com sua valorização profissional, moradia, educação/estudos e o seu trabalho. Maior presença de pessoas entre 25 e 50 anos. Acompanham o noticiário econômico. Maior concentração das classes A e B. Mais mulheres que homens (56%). Valorizam primordialmente aspectos relacionados ao lazer, à espiritualidade, ao cuidado com relacionamentos pessoais e qualidade de vida. Maior presença de pessoas entre 18 e 30 anos e maiores de 50 anos.
  • 53. Slide 1 HIERARQUIA DE NECESSIDADES Slide 1 Sobreviventes Estabilidade Aprimoramento % % % Lazer 45 Espiritualidade/religiosidade 38 38 Relacionamentos pessoais 38 Preservação do meio ambiente 28 35 Qualidade de vida 33 Casa/moradia 36 30 Situação econômica e social do Brasil 30 Educação/estudos 28 Trabalho/profissão 28 Situação política do Brasil 38 Saúde/bem-estar 37 Movimento Verde Programas Sociais Informação Religiosidade/ Espiritualidade AS 3 SITUAÇÕES DOS BRASILEIROS X ASPECTOS MAIS VALORIZADOS DA VIDA
  • 54. Slide 1 HIERARQUIA DE NECESSIDADES Slide 1 Esses três grupos de brasileiros representam, sem dúvida, um dos mais surpreendentes traços do Brasileiro 2010. O modelo de Maslow ajuda a entender o momento da sociedade brasileira: mostra como a mobilidade social de um grande contingente de brasileiros que ascende da condição de luta pela sobrevivência para um estágio de consolidação de uma posição conquistada é um aspecto determinante na mudança da estrutura da sociedade. Sem dúvida, há uma correlação entre as alterações na pirâmide socioeconômica e os resultados aqui verificados. Também é possível entender o Brasileiro em 2010, a partir desta perspectiva, em relação ao seu comportamento social, político, ecológico e seu grau de consciência cidadã.
  • 55. Slide 1 HIERARQUIA DE NECESSIDADES Slide 1 O grupo que busca o APRIMORAMENTO , que tem suas necessidades de sobrevivência e de segurança garantidas, mostrou-se heterogêneo: reúne a elite econômica e cultural do país; acolhe a maior parcela dos movimentos emergentes do Brasil: na cultura, na estética, na tecnologia, no engajamento ecológico e na consciência cidadã; ao mesmo tempo, mostra seu lado etnocêntrico, preconceituoso e soberbo. Por se encontrar em posição privilegiada no país, julga-se melhor que os demais. Muitos dos que criticam nossa pequenez são filhos do privilégio e da corrupção. O grupo que busca a ESTABILIDADE é representado principalmente pelos profissionais em cargos de alguma responsabilidade. Estão focados nos seus objetivos profissionais e em melhorar sua performance, empregabilidade e produtividade. Além disso, cuidar da família, dos pais ou sogros, irmãos desempregados, amigos que perderam a posição devido uma fusão entre multinacionais. Reclamam muito das mazelas do país e esperam que alguém dê conta de resolvê-las porque eles não têm tempo. Já os que lutam pela simples SOBREVIVÊNCIA se dizem mais felizes, mais otimistas e mais patriotas. Sua vida, de fato tem melhorado nos últimos anos. Há um maior conforto e há o reconhecimento por isso. Poder comprar é tão mais importante que ser bem atendido que, neste momento, importa pouco. A mobilidade social existe, certamente com outro nome, e carrega uma enorme vontade de não ficar só nisso.
  • 56. Slide 1 Slide 1 3.3. Identidade
  • 57. Slide 1 Slide 1 Mais batalhador Mais alegre Mais solidário Mais criativo/inovador Mais prestativo Mais justo Mais bonito Sempre dá um Jeitinho Mais sofrido Mais patriota Jogo de cintura Menos amigo Menos inteligente Menos corajoso Menos competitivo Menos agressivo Menos consumista Menos estressado A autoimagem do brasileiro
  • 58. Slide 1 Slide 1 “ Significa que o brasileiro é uma pessoa que tem que trabalhar muito, lutar muito e ao mesmo tempo ele tem muita fé. Ele acredita muito naquilo que ele... Pra mim é isso, fé e muita luta é ser brasileiro.” “ Brasileiros para mim são pessoas alegres, super alegres, uma alegria constante, frente aos países... Eu não estou falando porque eu conheço, mas eu sei. São pessoas que se ajudam em qualquer situação, independente do ciclo de amizade, caiu uma casa ali: “Vamos lá, vamos ajudar, vamos fazer alguma coisa!” são pessoas que estão sempre se doando. São pessoas... Aqui é uma figurinha que ela roubou de mim! (risos) nós temos diversas crenças, mas todo mundo voltado em fé, em acreditar que vai ser melhor, que acreditam num futuro melhor. E brasileiro é muito alegre e gosta muito de festa! Então, independente de todos os problemas que nós temos no país, são pessoas que estão sempre com o sorriso aberto.” “ Pra mim o brasileiro é uma mistura de raças, sempre! Festeiro, até esta reportagem dizia assim que queriam acabar com a quermesse. Eu resolvi recortar. Festa, o brasileiro é muito festivo. O povo gosta de comemorar, é Copa do Mundo, tudo é motivo e isso é muito bom. É um povo alegre e eu acho isso super positivo. E aqui eu achei um vestido que está feito de jornal que eu vou mostrar pra vocês que mostra tudo o que o brasileiro tem – beleza, amor, força, paz, fé. Tudo está escrito aqui. Porque é tudo o que a gente tem mesmo, é o valor da gente mesmo.” Autoimagem Brasileiro - Dados Qualitativos
  • 59. Slide 1 Slide 1 “ Jeitinho” o DNA do Brasileiro A população avalia o “jeitinho brasileiro” como atributo relevante mais exclusivo para definir a brasilidade (que apresenta maior diferença entre ser humano em geral e brasileiro). Ou seja, a diferença mais significativa entre os atributos apontados para o ser humano (e também amigo e inimigo) e o brasileiro é o “jeitinho”. Características Batalhador Alegre e Feliz Jeitinho Ser Humano 30,9% 29,8% 6,8% Brasileiro 37,6% 37,1% 22,0% Amigo 20,2% 49,1% 2,2% Inimigo - - 0,7% Diferença (ser humano – brasileiro 6,7% 7,3% 15,2% O “jeitinho” não é apontado nem como uma qualidade, que poderia ser atribuída a um amigo, e nem como um defeito, que seria associada a um inimigo.
  • 60. Slide 1 Slide 1 Membros da classe A, curso superior, moradores do Norte são os que mais apontam o jeitinho como característica definidora do brasileiro. Em função do perfil dos estratos que avaliam o jeitinho como uma característica a definir o brasileiro (classe A, escolaridade superior) e do fato dele não figurar como um defeito e ou mesmo como um atributo genérico do ser humano e apenas como uma característica própria do brasileiro pode-se inferir que: O JEITINHO É VISTO COMO UMA DIMENSÃO MUITO MAIS POSITIVA QUE NEGATIVA. “ Jeitinho” o DNA do Brasileiro
  • 61. POSITIVO “ Jogo de cintura.” “ Característica do povo artista (igual brasileiro não existe).” “ Um jeito de resolver os problemas, mantendo a alegria, não perdendo a fé.” “ É um jeito de conseguir as coisas.” “ Criatividade e improviso.” “ Se virar com pouco e fazer muito, esse é um jeitinho brasileiro.” “ O jeitinho é um resumo da brasilidade – da alegria, da felicidade, do otimismo.” Slide 1 Slide 1 A título de ilustração e para reforçar o argumento anterior, pode-se ver que na pesquisa qualitativa também realizada no estudo predominou esta visão positiva do jeitinho. “ Jeitinho” o DNA do Brasileiro – Dados Qualitativos
  • 62. Slide 1 Slide 1 AMBIGUIDADE “ Meios e métodos não legais que o povo busca para buscar a tranqüilidade.” Sobrevivência - “Eu acho que é malandragem, mas também é uma coisa de sobrevivência.” “ É dar um jeito para tudo. Às vezes não é nem o correto, mas...” “ Às vezes não é seguir o procedimento correto, mas no final os fins justificam os meios.” “ Ao mesmo tempo em que é útil, algumas pessoas usam para benefício próprio ou para a maldade.” NEGATIVO “ Um jeito de levar vantagem.” “ Se faz de santo mas é um diabinho por trás.” “ Oportunista.” “ Aceitação social de crimes &quot;menores&quot;, sobretudo quando praticados em função de uma necessidade, tem que saber os motivos da pessoa.” “ As &quot;pequenas&quot; corrupções do dia a dia, furar fila, ou deixar o amigo entrar, etc.” &quot;O jeitinho da malandragem.&quot; “ Jeitinho” o DNA do Brasileiro – Dados Qualitativos
  • 63. Slide 1 Slide 1 Acomodado Flexível Corajoso Sempre dá um jeitinho Patriota Consumista Competitivo Estressado Inteligente Batalhador Bonito/atraente Prestativo Alegre e feliz Nada sensual Criativo Justo Batalhador TRAÇOS DA BRASILIDADE APRIMORAMENTO ESTABILIDADE SOBREVIVÊNCIA Batalhador Prestativo Acomodado Flexível (adaptável) Sempre um jeitinho Patriota Alegre e feliz Criativo/inovador Como se veem os diferentes Brasileiros
  • 64. Slide 1 Slide 1 <ul><li>Se autodefine como um sobrevivente., um “batalhador”. Lutador permanente, que já nasceu em desvantagem. Tem menos, sabe menos, pode menos. Por isso transforma essas fraquezas em fonte de energia: precisa de menos, aprende com a vida, adapta-se facilmente (e essa é sua grande virtude) inventa o que precisa. </li></ul><ul><li>Não se acha amigo, mas se sabe solidário, pois sabe que a ajuda salva a quem precisa. Amanhã poderá ser ele a precisar. Menos amigo, porque se ficar amigo tem que ajudar, criar os filhos do amigo, emprestar dinheiro, o nome para compras no crédito ou o próprio cartão de crédito. </li></ul><ul><li>Acredita ser patriota. Não que isso represente uma adesão ao país oficial até por que sente vergonha dos governantes, dos políticos e da política. Acredita no brasileiro, na sua força de vontade, no seu potencial. </li></ul><ul><li>Tem um jeito próprio e mais alegre de se relacionar com os outros e tocar a vida – um jeitinho brasileiro – hoje cada vez mais identificado como ginga, jogo de cintura, adaptabilidade, inventividade e criatividade, que difere essa gente da dureza e frieza dos europeus. </li></ul><ul><li>Menos inteligente e corajoso, vê na competitividade e agressividade características ruins, que não combinam com a alma do brasileiro. </li></ul>A autoimagem do brasileiro
  • 65. Slide 1 Slide 1 Consciência de ser brasileiro Um lutador, otimista que gosta do convívio e vive com pouco. Um ser alegre, emocional e musical, que busca mais diversão que dinheiro, vive o presente e tem na adaptação e na flexibilidade a sua maior ferramenta de sobrevivência.
  • 66. Slide 1 Slide 1 Consciência de ser brasileiro A percepção do brasileiro como batalhador é vista de modo mais acentuado nas regiões Centro-Oeste (31%) e Norte (35%). Já a característica de nunca perder a esperança recebe maior destaque nas classes socioeconômicas A (32%) e B (27%) e nas regiões Norte (39%) e Nordeste (28%). É também na região Norte (48%) que o amor pelo futebol é citado com maior destaque como sendo uma característica definidora do brasileiro. “ Eu amo cada vez mais o meu país. Eu agradeço a Deus e vejo que é uma terra abençoada.” “ Eu fico orgulhosa do Brasil, quando olho lá fora e tem um monte de guerras.”
  • 67. Slide 1 Slide 1 3.4. Sentimentos
  • 68. Slide 1 Slide 1 Outros aspecto foram citados com menos expressão (menos de 15%). O que mais traz orgulho de ser brasileiro Sente orgulho das belezas naturais, do Carnaval, dos símbolos nacionais (bandeira, hino), mas sobretudo, do povo - do seu espírito, capacidade, do seu jeito.
  • 69. Slide 1 Slide 1 O que mais traz orgulho de ser brasileiro O orgulho da beleza natural do país é citado principalmente pelos brasileiros situados na classe de consumo A (51%) e pelos moradores das regiões Norte (70%) e Sul (68%). O jeito de ser do brasileiro é apontado como critério de satisfação sobretudo pelos moradores da região Norte (67%). E o Carnaval é destaque principalmente pela classe D(40%) e pelos moradores das regiões Norte (61%) e Sudeste (39%). Além da tríade que aponta os principais aspectos de aprovação, também foram citados como elementos que representam as preferências dos brasileiros a música popular brasileira, o hino nacional – citado principalmente pelos brasileiros da classe A (40%) e aqueles que moram na região Norte (51%) - o espírito brincalhão do povo brasileiro, a cultura e a tradição brasileiras e o fato de ver a bandeira do Brasil nas competições hasteada junto às bandeiras que representam as grandes potências mundiais.
  • 70. Slide 1 Slide 1 O que mais envergonha o brasileiro Rejeitar os políticos e os partidos é um dos traços da brasilidade. Mesmo que se replique em outros países. Sentir-se maltratado pelos governos e rejeitar a forma como o Estado vem atendendo o cidadão é outro traço da brasilidade.
  • 71. Slide 1 Slide 1 Aprimoramento Estabilidade Sobrevivência Vergonha dos Governos, dos Políticos, dos Partidos, do mau uso das verbas públicas, da má qualidade dos serviços públicos, da Democracia Brasileira. 73.1% 67.2% 61.5% Traço do brasileiro 2010 Existe uma unanimidade nacional negativa. Vergonha dos políticos e da forma como é governado. Sem vislumbrar uma saída, até a Democracia é questionada. Tipos de brasileiro e o que mais envergonha
  • 72. Slide 1 Slide 1 Índice de autoestima – orgulho de ser brasileiro
  • 73. Slide 1 Slide 1 Região por orgulho de ser brasileiro Populações do Nordeste e Sudeste têm mais orgulho de ser brasileiro. As do Sul e Norte menos.
  • 74. Slide 1 Slide 1 Escolaridade por orgulho de ser brasileiro Quanto menor a escolaridade maior (analfabeto e fundamental) o orgulho de ser brasileiro sempre.
  • 75. Slide 1 Slide 1 Classe social e sexo por orgulho de ser brasileiro Mais ricos são os que têm mais orgulho. Mulheres têm mais orgulho de serem brasileiras que os homens.
  • 76. Slide 1 Slide 1 Índice de autoestima – orgulho de ser brasileiro De modo geral, a maioria dos brasileiros (78%) afirma ter orgulho do Brasil. Mais da metade (57%) destaca que tem sempre muito orgulho de ser brasileiro e 22% dos entrevistados afirmam que na maior parte do tempo têm orgulho de ser brasileiro. Há uma percepção positiva dos indivíduos em relação ao país. Essa avaliação de ordem positiva implica em uma autoestima mais elevada. Os que se mostram mais orgulhosos do Brasil são os respondentes situados na classe A (86%), lembrando que a média geral de 79%, assim como os de faixa etária compreendida entre 65 e 70 anos (83%) e as pessoas com menor escolaridade. O Nordeste é a região que apresenta maior orgulho do país (88%). Já o Sul do país é a região que apresenta o menor nível de orgulho do Brasil (56%).
  • 77. Slide 1 Slide 1 As expectativas para o futuro Maioria da população é otimista em relação ao futuro do Brasil.
  • 78. Slide 1 Slide 1 As expectativas para o futuro Populações do Norte e Sudeste são as mais otimistas. Moradores do Sul, os mais pessimistas. Membros das classes mais altas têm uma clara tendência de serem mais otimistas em relação ao futuro do Brasil. Da mesma forma, as pessoas com faixa etária compreendida entre 25 a 39 anos são mais otimistas. Pessoas com escolaridade média ou superior acreditam mais no futuro do país.
  • 79. Slide 1 Slide 1 <ul><li>O que as pessoas viram sobre o Brasil do futuro: </li></ul><ul><li>Predominam visões positivas sobre o país. As pessoas são otimistas e têm esperança de que o país seja melhor, que avança e tem tecnologia moderna. </li></ul><ul><li>“ Parece que tudo tinha mudado para melhor”, “País mais justo”, “Futuro bem melhor”, “País de primeiro mundo”, </li></ul><ul><li>“ Modernidade tecnológica/ avanço na tecnologia”, “Tecnologia, tecnologia benéfica”, “Vários prédios em construção”. </li></ul><ul><li>Existe, nas pessoas com mais idade, uma tendência de voltar para o interior, diminuir o ritmo, trabalhar menos e se </li></ul><ul><li>encontrar com a paz e a tranquilidade do seu lar, segurança, família, a casa dos país: </li></ul><ul><li>“ Calma, sem a correria de hoje, mais serenidade”, “Eu me vi em casa”, “Paz e tranquilidade”, “Interior – aquela coisa boa, sem violência”, “Fotos da família”. “Eu quero voltar para a minha cidade, para o interior, para a minha família, largar para longe a violência, o trabalho sem fim.” </li></ul>Para avaliar as percepções dos brasileiros sobre o futuro do Brasil a República utilizou uma técnica inovadora de pesquisa qualitativa nos grupos focais que foram realizados em São Paulo. No livro O Código Cultural , de Clotaire Rapaille, é apresentada uma nova forma de condução de pesquisas que possibilita uma abordagem mais profunda e a identificação de elementos pré-conscientes. As pessoas são convidadas a fecharem os olhos e o moderador conduz um relaxamento e depois sugere que os participantes façam uma viagem mental que as transporte para outros lugares e, nestes novos espaços, digam o que estão vendo sobre o tema sugerido. As expectativas para o futuro – Dados Qualitativos
  • 80. Slide 1 Slide 1 <ul><li>Fala-se da natureza também como um desejo e como algo que precisa ser protegido e que precisa voltar a ser como era antes: </li></ul><ul><li>“ Muito verde”, “O verde da Amazônia voltando”, “mas tem que cuidar para ter”, “Natureza, muita mata”. </li></ul><ul><li>Predominam imagens de crianças, “muitas crianças”. Existe um desejo por melhorias sobretudo na área da saúde e da segurança: </li></ul><ul><li>“ Bom atendimento médico” , “estudo”, “crianças nas escolas”, “Tinha cartazes sobre educação”, </li></ul><ul><li>“ Não tinha escolas e hospitais particulares, era tudo público”, “Menos violência”, “avanços na saúde”. </li></ul><ul><li>A imagem da felicidade é muito frequente: </li></ul><ul><li>“ Casais felizes com casas”, “Pessoas brincando, felicidade”, “Povo feliz e vibrante”, “Um povo alegre”, “Um povo feliz”, “Felicidade”. </li></ul><ul><li>Contudo, alguns são menos otimistas e têm dificuldade de projetar o Brasil do futuro: </li></ul><ul><li>“ Um país mais difícil: construções inacabadas, crianças jogadas na rua”, “Fome”, “Crianças na rua”, “Sonho com um país melhor, mas difícil de visualizar”, “Crianças pedindo esmola”. </li></ul>As expectativas para o futuro – Dados Qualitativos
  • 81. Slide 1 Slide 1 3.5. Opiniões
  • 82. Slide 1 Slide 1 Opiniões sobre o Brasil
  • 83. Slide 1 Slide 1 CONCLUSÕES
  • 84. Slide 1 CONCLUSÕES Slide 1 Diferente do que já foi afirmado por vários autores, que o Brasil é um país sem identidade ou com uma identidade em formação, os dados do PROJETO BRASILIDADE permitem dizer que existe uma identidade nacional assentada em um elevado grau de coesão das opiniões em torno de características identificadas como típicas dos brasileiros. Existem poucas diferenças nas percepções acerca dos atributos da brasilidade quando varia classe social, idade, sexo, escolaridade, etc. A pesquisa qualitativa confirma essas afirmações. Mostra uma consistência nas opiniões e a presença de vários consensos nas áreas avaliadas, independente do perfil do grupo. Existe uma clara coesão quanto ao aspecto identidade nacional: predomina uma visão do brasileiro como batalhador e com alta capacidade de superação, que mantém a alegria, mesmo que na adversidade e que faz uso do “jeitinho”, visto sobretudo como um recurso de adaptação social (“a gente é diferente, improvisa, faz muito com pouco”).
  • 85. Slide 1 CONCLUSÕES Slide 1 “ O brasileiro é aquele que acredita na luta. E, mesmo com toda dificuldade segue em frente, com fé e esperança, com a certeza de que o amanhã será sempre melhor.” A força da identidade nacional também é demonstrada quando se avalia o que as pessoas mais gostam no Brasil e como sabem que são brasileiros. O grau de coesão também é muito elevado. Existem alguns matizes regionais ou de classe, mas o que predomina é uma identidade nacional bastante clara e definida. Existe uma identidade que é nacional e não a sobreposição de identidades regionais. Na pesquisa, destacam-se aspectos na brasilidade que apontam para a questão da cordialidade (Holanda) e da capacidade de conciliação (Freyre) - “Conviver bem com todo tipo de gente”, “adorar conviver com os amigos”, se emocionar e vibrar com facilidade. U m dado muito importante é que há uma tendência de avaliar de maneira positiva o jeitinho . Esse é também um indicador de que a autoimagem nacional está melhorando, já que está-se avaliando um fenômeno marcado pela ambiguidade através do seu ângulo positivo.
  • 86. Slide 1 CONCLUSÕES Slide 1 De modo geral, a maioria dos brasileiros tem orgulho do Brasil. Mais da metade tem sempre muito orgulho de ser brasileiro. Mesmo assim, a relação com o Brasil não é incondicional, baseada em uma visão apaixonada e cega que não permite ver também os defeitos. “ Uma coisa é ter orgulho, outra é você reconhecer que o país ainda tem problemas graves.” “ Eu tenho orgulho, mas tenho momentos de tristeza”. “ É igual a gente que tem irmão. Eu posso bater nele, mas se alguém encostar, vai se ver comigo”. “ Por exemplo: tua filhinha, mesmo que ela caísse, você teria orgulho dela. O mesmo acontece com o meu orgulho pelo Brasil. Mesmo ele tendo todos esses problemas, eu gosto dele, tenho orgulho dele.” A pesquisa revelou que quanto mais as pessoas ascendem na escala de necessidades, mais críticas e exigentes ficam, aumentando a pressão sobre políticos e governos.
  • 87. Slide 1 CONCLUSÕES Slide 1 “ Eu sinto orgulho quando um brasileiro ganha um jogo ou uma corrida; eu sinto orgulho. E ainda mais quando o hino toca. Tem vezes em que eu me emociono mesmo. Eu, felizmente já tive oportunidade de ir para outros países e eu falo mesmo; que sou do Brasil. Eu uso a camisa e mostro com orgulho que sou brasileiro.” “ Você não sente orgulho por um político ter um castelo? Exatamente, mas assim, eu não gosto de alguns brasileiros. Mas isso faz parte do Brasil. Mas de mim eu tenho orgulho. Tá certo. Mas aqui no Brasil o que mais pega é a corrupção. Mas tem sempre os dois lados.” Há uma tendência do brasileiro passar a avaliar cada vez melhor o país. Essa avaliação positiva implica necessariamente em uma autoestima mais elevada. Esses dados: orgulho, avaliação positiva do país (a nação se moderniza e é respeitada) e a predominância de uma visão de futuro positiva apontam para uma ruptura (ao menos nesse momento) com o “complexo de vira-lata” de Nelson Rodrigues.
  • 88. Slide 1 CONCLUSÕES Slide 1 O PROJETO BRASILIDADE revela de fato um novo Brasil, importantes mudanças em relação ao brasileiro de outrora. Uma sociedade mais complexa e rica que não cabe mais nos estereótipos. O fardo histórico está sendo largado pelo caminho e novos traços de brasilidade sendo incorporados. O brasileiro inicia a nova década com muita esperança. Passou por enorme turbulência e pouco se abalou. A pobreza diminuiu, a classe média aumentou e a desigualdade pouco mudou. Diminuiu a insatisfação. Até aqueles que ainda não foram beneficiados estão vendo alguém que foi. O consumo de itens de conforto manteve a economia. Sem dúvida, um passo importante. Que traz consigo uma enorme responsabilidade: manter o espaço conquistado e avançar, atendendo às velhas e novas demandas da sociedade brasileira. A educação será o desafio da próxima década. Não conseguiremos ser um país de classe média em 2015, se um esforço colossal não for dirigido à formação desses brasileiros. Com ela virá o respeito, responsabilidade social, consumo consciente, consciência cidadã e outros comportamentos emergentes já identificados e que representarão os brasileiros das próximas décadas. Não é um produto acabado, inicia nova década, sente-se como nação, mais altiva, como povo, mais esperançoso e como brasileiro mais cidadão.
  • 89. Slide 1 Slide 1 CONCLUSÕES JUVENTUDE – População ainda jovem, mesmo que a tendência seja de envelhecimento já que aumenta a expectativa de vida e cai a taxa de natalidade. FORÇA DAS MULHERES – Mulheres já são maioria. ESCOLARIDADE CRESCENDO – Escolaridade aumenta de maneira acentuada com o passar dos anos e gerações; analfabetismo em queda. O foco agora deve ser a qualidade do ensino, especialmente o público. Com certeza o aumento da escolaridade contribuiu para a mobilidade social ascendente. FAMÍLIA É FUNDAMENTAL - Maioria é casada e 2/3 da população tem filhos. Mas o número de filhos cai bastante de geração a geração. Quanto maior a escolaridade, menos filhos.
  • 90. Slide 1 Slide 1 CONCLUSÕES - BRASILIDADE 2010 RELIGIOSIDADE - 90% têm alguma religião. Católicos são maioria, mas evangélicos vem crescendo muito mais rápido. MERCADO DE TRABALHO MAIS QUALIFICADO - O desemprego é ainda alto, sobretudo para a mão de obra desqualificada. Mas o perfil dos desempregados também revela que o país vem se modernizando, já que a exigência para a ocupação de postos de trabalho vem subindo. VIVER COM POUCO - A renda média é baixa - 70% das famílias vivem com menos de R$ 2 mil/mês. Isso após dados indicarem que 26 milhões de brasileiros melhoraram sua capacidade de consumo.
  • 91. Slide 1 Slide 1 CONCLUSÕES - BRASILIDADE 2010 GRANDE MISCIGENAÇÃO RACIAL E CULTURAL - Alta miscigenação (mescla das etnias branca, negra, indígena e oriental). Essa mistura tem mais de 500 anos e aumenta a cada dia. A esta mescla étnica, devem corresponder traços culturais (também mesclados), que nos ajudem a definir a personalidade, a alma do brasileiro. I NTERNET GANHA FORÇA, MAS EXCLUSÃO DIGITAL É GRANDE - Renda e escolaridades baixas são as principais barreiras para o acesso à internet. MENOS GENTE PARA DIVIDIR A RENDA - Dados históricos mostram que, quanto maior número de pessoas e dependentes em um mesmo domicílio, ou seja, quanto mais gente a dividir a mesma renda, maior a pobreza. No Brasil o número de moradores em um mesmo domicílio e também de dependentes vem caindo, o que ajuda a explicar a diminuição da miséria (hoje a média nas cidades pesquisadas é de 3,7, ou seja 3 a 4 pessoas).
  • 92. Slide 1 Slide 1 CONCLUSÕES - BRASILIDADE 2010 EXISTEM TRÊS TIPOS DE BRASILEIROS . os que lutam pela sobrevivência (36%) . os que aspiram a estabilidade (27%) . os que buscam o aprimoramento (37%) Revela uma sociedade nova, respirando mais, uns mais felizes pelo acesso a um maior conforto e os demais aliviados, menos culpados por desfrutarem desses e outros confortos mais.
  • 93. Slide 1 Slide 1 CONCLUSÕES - BRASILIDADE 2010 A IMAGEM DO BATALHADOR É A MAIS FORTE A DEFINIR A BRASILIDADE. Se autodefinir como um batalhador, esse é o maior consenso que se pode obter no Brasil (não há nenhuma diferenciação estatisticamente relevante por qualquer variável que se analise). CONVIVER COM A CORRUPÇÃO É UM TRAÇO DA BRASILIDADE. A corrupção: é percebida como algo inerente à sociedade brasileira. Hoje ela estaria mais visível. 2/3 dos brasileiros acreditam que ela aumenta a cada dia. MAIORIA AVALIA QUE O PODER DE COMPRA DOS BRASILEIROS AUMENTOU 7 em cada 10 brasileiros avaliam que o povo brasileiro está podendo comprar mais . Essa percepção é mais intensa no Nordeste e no Centro-Oeste.
  • 94. Slide 1 Slide 1 CONCLUSÕES - BRASILIDADE 2010 HOJE BRASILEIROS SE CONSIDERAM MAIS AMADURECIDOS E INFORMADOS E, MAIS CRÍTICOS EM RELAÇÃO AO GOVERNO. Maioria acha a população está mais madura e crítica em relação as falhas do governo. Também acha que as pessoas estão mais informadas, que a ideia de que o brasileiro tem memória curta é coisa do passado. As pessoas que têm curso superior são as que menos consideram que os brasileiros estão ficando mais críticos e informados. OS BRASILEIROS PERCEBEM QUE O PAÍS ESTÁ MELHORANDO. Maioria acha que o Brasil está se transformando e modernizando. Está também sendo mais respeitado internacionalmente. A população do Nordeste é a que mais percebe essas transformações.
  • 95. Slide 1 Slide 1 CONCLUSÕES - BRASILIDADE 2010 PESQUISA MOSTRA QUE QUANTO MAIS AS PESSOAS SOBEM NA ESCALA DE NECESSIDADES, MAIS CRÍTICAS FICAM EM RELAÇÃO AOS POLÍTICOS E AOS GOVERNOS. No processo de ascensão na escala de hierarquia de necessidades, quando o cidadão sai da sobrevivência, vai para a segurança e busca o aprimoramento, existe um aumento do grau de crítica em relação aos políticos e partidos, como também à qualidade dos serviços prestados pelo Estado. Ou seja, na medida que o país avança, a pressão da sociedade sobre o Estado, por combate à corrupção e qualidade nos serviços públicos, tende a aumentar . 78% TÊM ORGULHO DE SER BRASILEIROS . A autoestima dos brasileiros está bastante alta. Se existe uma percepção dominante de que o país está se transformando e melhorando, as pessoas estão mais maduras, críticas e informadas, o poder de compra vem subindo e a há uma expectativa otimista para o futuro: EXISTE UMA CLARA TENDÊNCIA DA AUTOESTIMA CONTINUAR A SUBIR.
  • 96. Slide 1 Slide 1 CONCLUSÕES - BRASILIDADE 2010 BRASILEIRO NÃO GOSTA DE POLÍTICA Diz que prefere futebol porque quando o juiz rouba, é suspenso e até expulso do esporte. Na política não. A política só é boa para quem está nela. A corrupção sempre existiu e conviver com ela é um traço da brasilidade. De modo geral, a classe política, dentro e fora dos governos, é uma casta que está acima e distante do povo. Outro traço importante: até muito recentemente, o caminho do voto não vinha mudando a realidade política do país. Mas a cada eleição o eleitor vem percebendo seu poder. Ganhar consciência é o primeiro passo para mudar. PATRIOTISMO: ORGULHO & VERGONHA O brasileiro ama o país e seus símbolos, sente orgulho. Sente vergonha dos políticos, dos partidos e dos governos. É como se fossem coisas separadas: o país e seus governos /políticos. Estes têm representado o mal, o descaso, o desrespeito, a exclusão. “Pela primeira vez na história desse país…” esse quadro pode estar mudando.
  • 97. Slide 1 Slide 1 CONCLUSÕES - BRASILIDADE 2010 JEITINHO BRASILEIRO É CADA VEZ MAIS UM TRAÇO POSITIVO DA BRASILIDADE Jeitinho passa a ser cada dia mais sinônimo de adaptação e flexibilidade – pode trafegar do “defeito à qualidade”. Com melhores condições e acesso, ele vira criatividade e capacidade de resolução de problemas, algo muito valorizado no Brasil formal. Ao lado da característica “batalhador”, o “jeitinho” é a grande marca do brasileiro em 2010. BRASILEIRO É UM OTIMISTA Continua uma forte característica. Apesar de tudo, as coisas estão melhorando, há um sentimento de maior autoestima. Há uma felicidade pelo acesso ao conforto. Há uma postura mais altiva nas reclamações contra os serviços públicos, contra os abusos e intolerância.
  • 98. Slide 1 Slide 1 RESPONSÁVEL TÉCNICO RODRIGO MENDES RIBEIRO PRESIDENTE DA REPÚBLICA OPINIÃO Sociólogo e cientista político com MBA em Marketing e mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Rodrigo Mendes Ribeiro é diretor-geral da República - Opinião dos Brasileiros , empresa de pesquisa de opinião pública. Desde 2004, o sociólogo e cientista político – que participou de mais de 500 projetos de pesquisa em todo o Brasil – coordena as pesquisas de concepção e avaliação da campanha de esclarecimento ao eleitor “Vota Brasil”, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Professor de pós-graduação na UFMG, Ribeiro atuou como professor de pós-graduação em várias universidades e é autor dos livros Marketing Político - o poder da estratégia nas campanhas eleitorais e Marketing eleitoral: aprendendo com campanhas municipais vitoriosas. Desde 2002 é diretor da Associação Brasileira de Consultores Políticos em Minas Gerais.
  • 99. Slide 1 OBRAS CONSULTADAS Slide 1 BARBOSA, Lívia. O Jeitinho Brasileiro – a arte de ser mais igual do que os outros . Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. BETELHO, André et SCHWARCZ, Lilia Motitz (ORG.). Um enigma chamado Brasil: 29 interpretes e um país . São Paulo: Companhia das Letras, 2007. CHAUI, Marilena. Brasil: mito fundador e sociedade autoritária . São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 7ª Reimpressão, 2007. DAMATTA, Roberto. Carnaval, Malandros e Heróis – para uma sociologia do dilema brasileiro . Rio de Janeiro: Rocco, 6ª edição, 1997. _______. O que faz o Brasil, Brasil? Rio de Janeiro: Rocco, 1986. FREYRE, Gilberto. Casa-Grande & Senzala . Rio de Janeiro: Record, 34ª. Edição, 1998. HOLANDA, Sérgio Buarque. Raízes do Brasil . São Paulo: Companhia das Letras, 26ª edição, 1995. LEITE, Dante Moreira. O Caráter Nacional Brasileiro . São Paulo: Unesp, 7ª edição, 2007. PENN, Mark J. MIcrotendências . Rio de Janeiro: Best Seller, 2008. PRADO, Paulo. Retrato do Brasil: ensaio sobre a tristeza brasileira. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. REGA, Lourenço Stelio. Dando um jeito no jeitinho . São Paulo: Mundo Cristão, 2000. RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro . São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

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