Pink Floyd e a Filosofia?02/13Colégio Internato dos CarvalhosLuís Afonso Brandão
IntroduçãoSerá realmente possível relacionar um tema tão universal como a filosofia com a música dosPink Floyd? Apesar des...
Pink Floyd- Breve apresentação        Os Pink Floyd foram uma banda de rock progressivo, originária de Inglaterra, Londres...
The WallThe Wall conta a história de Pink, estrela mundial de rock, que irá entrar numa crise psicótica,com as suas própri...
iremos passar com essa pessoa, e que farão parte do enriquecimento da nossa experiênciaenquanto humanos.De todo o álbum, a...
The Dark Side of the MoonThe Dark Side of the Moon foi um álbum extremamente marcante na história da música, econstitui um...
“Us and Them”Este tema fala da descriminação, das diferenças entre os homens e da guerra. Aceitamospessoas que são semelha...
da vida, o auge antropogénico, conclui as nossas experiências de vida. Não acredito, comomuitas outras pessoas, que o obje...
ConclusãoApós ter concretizado este trabalho, perguntei a mim mesmo se era capaz de responder àpergunta que lancei no iníc...
Bibliografia  1- REISCH, George - Pink Floyd and Philosophy careful with that axiom, Eugene! Editora     Open Court. 2008 ...
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Pink floyd

  1. 1. Pink Floyd e a Filosofia?02/13Colégio Internato dos CarvalhosLuís Afonso Brandão
  2. 2. IntroduçãoSerá realmente possível relacionar um tema tão universal como a filosofia com a música dosPink Floyd? Apesar desta sugestão parecer um pouco difícil de aceitar, a verdade é que afilosofia e o pensamento filosófico são algo que nos acompanha toda a vida. Podemosfacilmente ouvir as músicas dos Pink Floyd apreciando-as somente ao nível musical, mas umaanálise mais aprofundada das letras das músicas revela-nos um ideia, uma moral, e muitasvezes uma crítica à própria sociedade. A fantástica combinação da música existencial,cinemática e não comercial, e as letras que acompanham a melodia, pode muitas vezes servirde convite ao diálogo filosófico e a conversas intelectuais. Temas levantados por” Dark Side ofthe Moon”, tais como a passagem do tempo, a morte ou mesmo a loucura, tinham já sidocuidadosamente analisados pelos antigos gregos.Neste trabalho, proponho-me abordar sucintamente o controverso álbum e filme “ The Wall “,e o aclamado “The Dark Side Of The Moon” e integrá-los na matéria de Filosofia do 10º ano.Estou ciente de que não conseguirei abordar todas as possíveis interpretações que possam serextraídas destas músicas, mas espero conseguir resumir o ponto de vista filosófico queconsegui assimilar das mesmas. Penso que as letras de Roger Waters dão-nos a liberdade deencontrar nelas a nossa própria filosofia, e por isso a sua compreensão atende muito àambiguidade e à individualidade. 1
  3. 3. Pink Floyd- Breve apresentação Os Pink Floyd foram uma banda de rock progressivo, originária de Inglaterra, Londres,em 1965 e marcada pelo uso de letras filosóficas e espetáculos extremamente elaborados. Deentre os seus maiores sucessos destacam-se The Dark Side Of the Moon (1973), Wish YouWere Here (1975), Animals (1977), The Wall (1979) and The Final Cut (1983). O seualinhamento era constituído por Syd Barett, David Gilmour, Nick Mason, Roger Waters, RichardWright, e o grupo esteve ativo de 1965 a 1995. Em 2005 os membros da banda reuniram-se paratocarem no Live8, para apelar aos líderes mundiais para que perdoassem a dívida financeira aospaíses Africanos. A sua música marcou a geração dos anos 80 e o seu legado musical é muitas vezesassociado à imagem do foco de luz que atravessa um prisma e que se divide nas cores do arco-íris,e que serviu de capa para o Álbum The Dark Side of the Moon. Esta imagem pode ser interpretadacomo a separação, a desintegração do sistema de valores humanos ou simplesmente odesconcerto do mundo. Decomposição da luz solar, capa do album The Dark Side of The Moon (1973). 2
  4. 4. The WallThe Wall conta a história de Pink, estrela mundial de rock, que irá entrar numa crise psicótica,com as suas próprias memórias. Em criança, Pink fora um rapaz normal, sufocado pela atençãoda sua mãe e as suas tentativas de compensar a falta de uma figura paterna que morrera nasegunda guerra mundial. Na escola, a sua criatividade é contida por um professor estúpido ecruel, mas que na verdade está apenas por sua vez a descarregar a dor que lhe é causada pelasua mulher psicopata. Em adulto Pink casa-se com uma bela mulher que o irá trair, este sente-se cada vez mais pressionado pelos agentes dos seus traumas, e vai cada vez mais perdendo ocontacto com a realidade, até que decide isolar-se de tudo e todos e construir um muro.Perante toda a dor que sofreu ao longo da sua vida através das relações que estabeleceu comoutras pessoas, Pink decide deixar de comunicar com todas as pessoas que lhe são próximas,para evitar sofrer outra vez. No entanto, é óbvio que ninguém é capaz de viver assim e aoisolar-se na sua própria cabeça, Pink vai destruindo a sua sanidade mental, é levado a“tribunal” e julgado pelos agentes da sua instabilidade mental. O juiz declara então que omuro deve ser derrubado e condena Pink à dor do convívio humano.The Wall levanta uma questão filosófica extremamente pertinente: será que a não integraçãode um indivíduo na sociedade pode ser resolvida através da criação de um universo alternativona nossa própria mente? Ao recusarmos o contacto com os nossos semelhantes estamos arenunciar a uma parte de nós mesmos, a uma constituinte do comportamento humano, que éa comunicação.Pink luta para ser Deus do seu próprio mundo, e para ultrapassar a dor trazidapelas suas memórias, de maneira a encontrar paz de espírito ou simplesmente uma saídarápida da situação em que se encontra. A atenção exagerada da sua mãe, a falta do seu pai, aopressão escolar foi condicionante da ação de Pink e tornaram-se nos próprios tijolos que esteusou para se alienar. No entanto, a atitude de Pink não irá resolver os seus problemas, e comovemos no filme, mesmo dentro do seu muro Pink continua a ser perseguido pelas suasmemórias, e recusa-se a lidar com os seus problemas, o que irá criar para ele uma situaçãoinsustentável.O amor e o afeto são algo que parte da natureza do ser humano, e não existe amor semsofrimento. Todos nós somos vítimas do amor, e Pink não é o único sofredor no mundo, mas adebilidade mental não lhe permite esquecer o passado e olhar em frente. Na verdade, osofrimento de Pink é derivado do sofrimento da sua mãe pela perda do seu marido, dosofrimento do professor causado pela sua mulher, e o sofrimento que a namorada de Pink lhecausa é talvez resultante da falta de atenção que este lhe dá por estar demasiado isoladodentro do seu próprio mundo, e trata-se portanto do sofrimento autoinfligido de Pink. Todosnós nos sujeitamos ao amor e portanto todos nos sujeitamos ao consequente sofrimento.Todos nós, por exemplo, criamos laços com outras pessoas, mas sabemos que eventualmentetodas essas pessoas irão falecer. E no entanto sujeitamo-nos a essa dor pelos momentos que 3
  5. 5. iremos passar com essa pessoa, e que farão parte do enriquecimento da nossa experiênciaenquanto humanos.De todo o álbum, a música que teve indiscutivelmente maior impacto foi” Another brick in theWall pt2”, e o seu famoso refrão “We don’t need no education”. Se extrairmos este verso daletra e o analisarmos individualmente, é possível afirmar com toda a certeza que se trata dealgo sem sentido, pois o conhecimento e a aprendizagem são atitudes características eindispensáveis do ser humano. Mas seria mesmo isto que Waters quereria transmitir? O versoque imediatamente se segue a este é” We don’t need to false control”. Percebemos então queo alvo da crítica de Roger Waters não é o conceito de escola ou o ideal de educação, mas sim osistema de educação contemporâneo, mais precisamente o sistema de educação britânico. Oque o músico talvez quisesse dizer fosse algo como “We don’t need this education”, referindo-se mais concretamente à opressão da criatividade, à fútil uniformização dos alunos a que elepróprio esteve sujeito, retratando a escola como uma fábrica de robôs, e tornando-os empeças para um muro que separa as pessoas.Com este tema, Waters cativou imensos fãs que seconseguiam rever nessa mensagem.O muro em The Wall, pode também ser destacado como o distanciamento dos Pink Floyd aosfãs que assistiam aos concertos, mas que não entendiam o verdadeiro significado da suamúsica, e estavam la apenas pela “festa”, e para ficarem “confortably numb”. E essecomportamento levou a que Roger Waters tivesse a ideia de construir um muro que separavaa banda da audiência, e que lhes permitia manter a distância e a sua identidade, no espetáculoThe Wall ao vivo. O símbolo dos martelos cruzados, varias vezes referido em The Wall. A cruz formada pelos dois martelos, e as cores sugerem uma referência à cruz suástica do regime de Hitler. Os martelos são a representação de um objeto vicioso, manipulável e determinado para uma função. 4
  6. 6. The Dark Side of the MoonThe Dark Side of the Moon foi um álbum extremamente marcante na história da música, econstitui uma crítica generalizada da sociedade consumista atual, à religião organizada comalgumas referências a Sid Barett, ex-líder da banda e que fora afastado devido ao abuso deLSD, e à sua loucura. O conjunto de todos estes fatores que incidem sobre a sociedade todosos dias, conduz à alienação e à dependência dos bens materiais. Os Pink Floyd retratam entãoneste álbum a crise de valores e autodestruição do homem.Os valores são guias de ação, ajudam-nos a tomar decisões e são completamente opcionais,pessoais e bipolares. Neste retrato de um mundo desconcertado, os Pink Floyd afirmam que ahumanidade trocou valores como a família, a amizade e a paz pelos contravalores tais como oódio, a guerra, a manipulação e a ganância e acima de tudo, a humanidade desprezou um valorde carácter universal, obrigatório e imutável: a dignidade do ser humano.“Este disco era uma expressão de empatia política, filosófica e humanitária que estava loucapara sair.”-Roger WatersPara entender melhor este álbum talvez seja pertinente definir primeiramente o que é aalienação.Alienamo-nos, quando deixamos de comunicar ou quando nos apartamos de algo com quedevíamos estar eternamente ligados, ou com que nos queremos relacionar. Podemosalienarmo-nos da nossa família e dos nossos amigos, quando deixamos de conseguircomunicar com eles, não porque estamos fisicamente longes deles, mas porque não somoscapazes de exprimir empatia para com eles não nos conseguimos relacionar. A música dos PinkFloyd fala da dor da frustração da incapacidade de comunicar. As tecnologias também noslevam a alienação pois pode levar-nos a separarmo-nos de tudo o que nos rodeia.Podemos também referir-nos à alienação na nossa vida profissional, pois somos muitas vezesforçados pela pressão do dinheiro, a executar tarefas entediantes e repetitivas, e perdemos anoção do mundo à nossa volta. É simples relacionar o tema da alienação com a música, pois aarte é necessariamente uma forma de comunicação, e quando um artista sente que os seus fãsnão compreendem a sua mensagem, sente que é incapaz de comunicar com eles. 5
  7. 7. “Us and Them”Este tema fala da descriminação, das diferenças entre os homens e da guerra. Aceitamospessoas que são semelhantes a nós, afastamo-nos das que são diferentes e atribuímos-lhes umrótulo, que irá caracterizar todos os outros como eles, um estereótipo. É também referidoneste tema o assunto da instrumentalização dos soldados, também abordado nas aulas defilosofia do primeiro período. O primeiro verso afirma que nós e eles somos pessoas normais eiguais, sem quaisquer conflitos pessoais e que somos manipulados para lutarmos uns contra osoutros. Os soldados não têm a liberdade de escolher lutar por uma causa em que nãoacreditam e são tratados com valor venal pelos generais que sentam diante de um mapa,indiferentes a todo o sofrimento que as suas ações causam.“Money”Neste tema, há uma forte crítica à sociedade consumista, e a própria música tem um tomsatírico. Na letra, há a sugestão de que, o objetivo da vida é trabalhar para ganhar muitodinheiro, e com ele “comprar” a felicidade através de bens materiais. Como diz o primeiroverso, arranja um bom emprego com um bom salário e tudo estará bem. Mas será que odinheiro é capaz de resolver problemas existenciais e metafísicos bem mais complicados? Éóbvio que não, como demonstram vários dos outros temas de este álbum. O apego pelodinheiro irá ser, entre outras razões, a causa da destabilização do sistema de valores.“Time”O controlo da passagem do tempo é uma das ambições que o homem mais procura alcançar,mas sem obter qualquer resultado. Este é certamente um tema que pede reflexão eponderação, e com o qual todos nos podemos relacionar, pois estamos todos sujeitos à dor dapassagem do tempo. Vivemos metade da nossa vida despreocupados, e ignorantes a ela, masquando nos apercebemos dos anos que temos atrás de nós, de que não os podemosrecuperar, percebemos também que perdemos o “tiro da partida”, da corrida contra o tempo.A questão colocada por esta música é, em que ponto da nossa vida é que devemos começar acorrer contra o tempo? No fundo, o tempo que passamos despreocupados foram de facto osmelhores anos da nossa vida, porque perdemos a noção da sua passagem, e ainda nãopercebemos que tempo, não é algo que o dinheiro possa comprar, e que não distingue classessociais ou hierarquias, mas apenas puro determinismo biológico. Ninguém sabe quanto tempovai viver, quantos anos lhe faltam, de que experiência lhe irá a morte privar. Qual será então aresposta a esta pergunta? Mais uma vez, esta conclusão está submetida à interpretaçãopessoal de cada um, mas pessoalmente, eu penso que a única maneira de viver a vida aomáximo, é vive-la próximo dos nossos instintos naturais, satisfaze-los e, quando chegar a hora,receber a morte de braços abertos, como um velho amigo, pois a beleza de todas as coisasestá no facto de todas elas serem temporárias, e a morte seria, por outras palavras, o clímax 6
  8. 8. da vida, o auge antropogénico, conclui as nossas experiências de vida. Não acredito, comomuitas outras pessoas, que o objetivo da nossa existência seja deixar uma marca para asgerações vindouras, pois no fundo as nossas vivências são pessoais.Mesmo que a minha vida seja destacada de todas as outras, é impossível alguém viver o queeu vivi da mesma maneira. Que importam as minhas ações senão o seu valor pessoal? Asminhas intenções apenas me dizem respeito a mim, e portanto seria impossível um terceirocompreender completamente a minha ação, por mais que se relacione com o seu objetivo. 7
  9. 9. ConclusãoApós ter concretizado este trabalho, perguntei a mim mesmo se era capaz de responder àpergunta que lancei no início do mesmo: seria mesmo possível relacionar uma banda musicalcom a filosofia. Apercebi-me então que apesar da pesquisa que fiz em torno do assunto,continuei sem ter uma opinião definida sobre o assunto. Descobri imediatamente que a formacomo os Pink Floyd tratavam as temáticas dos valores da sociedade, da corrupção do homem eda loucura diferiam completamente da abordagem filosófica de, por exemplo, Nietzsche mas,tal como referi anteriormente, a filosofia não é algo imutável e determinado, e tal como afilosofia é individual, também os métodos de filosofar são únicos e pessoais, e por isso, pensoque é de facto possível filosofar através da música, e acredito que a presença do pensamentofilosófico em algumas das músicas dos Pink Floyd contribuiu indiscutivelmente para o grandesucesso desta banda.Na minha opinião, faria todo o sentido apresentar a longa-metragem “The Wal” aos alunos doensino secundário, não só para alargar a sua cultura geral no campo da arte, mas também parafomentar o dialogo em torno da crítica que Roger Waters faz ao sistema de educaçãobritânico, principalmente no conhecido tema “Another brick in the Wall”, no sentido de levaros alunos a refletir sobre a situação que eles próprios vivem na sua escola, e conhecer as ideiasdos mesmos sobre a natureza dos conteúdos lecionados pelos professores, os métodos deensino praticados, e como estes podem ser melhorados para que os alunos tirem melhorproveito destes conhecimentos para as suas próprias vidas. Deixo aqui esta proposta. 8
  10. 10. Bibliografia 1- REISCH, George - Pink Floyd and Philosophy careful with that axiom, Eugene! Editora Open Court. 2008 2- THOMAS, Nagel. O que quer dizer tudo isto? Editora Gradiva. 1987 3- WARBURTEN, Nigel - Elementos básicos da Filosofia. Editora Gradiva. 1995 9

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