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Semear Leitura para colher leitores: desafio

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  • 1. ESTADO DA PARAÍBA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO E CULTURAESCOLA ESTADUAL DE CURSO NORMAL EM NÍVEL MÉDIO SÃO JOSÉ SEMEAR LEITURA PARA COLHER LEITORES: DESAFIO DO ENSINO INFANTIL Lucimeire Cavalcanti Dias da Cunha São José de Piranhas – PB Dezembro de 2007 1
  • 2. SEMEAR LEITURA PARA COLHER LEITORES: DESAFIO DO ENSINO INFANTIL 2
  • 3. Lucimeire Cavalcanti Dias da CunhaSEMEAR LEITURA PARA COLHER LEITORES: DESAFIO DO ENSINO INFANTIL TCC – Trabalho de Conclusão de Curso – apresentado ao Curso de Formação de Professores para o ensino fundamental (1ª fase) da Escola Estadual de Curso Normal em Nível Médio São José, em cumprimento às exigências para a obtenção do título de professor, orientado pela Professora Especialista Márcia Suzette de Sousa França Rolim. São José de Piranhas – PB Dezembro de 2007 3
  • 4. ESTADO DA PARAÍBA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO E CULTURAESCOLA ESTADUAL DE CURSO NORMAL EM NÍVEL MÉDIO SÃO JOSÉ Lucimeire Cavalcanti Dias da Cunha SEMEAR LEITURA PARA COLHER LEITORES: DESAFIO DO ENSINO INFANTIL BANCA EXAMINADORA Prof. Esp. Márcia Suzette de Sousa França Rolim Examinador (a) Examinador (a) São José de Piranhas – PB Dezembro de 2007 4
  • 5. A DeusPor iluminar os nossos passos, pela constante presençaem nossas vidas, pelas oportunidades que nos foramdadas, por colocar ao nosso lado a Professora MárciaSuzete (Suzy) que nos orientou com responsabilidade erespeito fazendo com que conseguissemos finalizar estetrabalho, apesar de todas as dificuldades existentes, pois,aprendemos que, o importante é termos a capacidade desacrificar aquilo que somos para sermos aquilo quepodemos ser. 5
  • 6. Aos que AmamosSe hoje comemo uma conquista, esta se deve àqueles queestiveram ao meu lado em todos os momentos; quefizeram de meus sonhos seus próprios objetivos e de meusobjetivos sua própria luta. Quero compartilhá-la comvocês... Pessoas tão especiais, que não pouparamesforços para que o sorriso que hoje trago no rosto fossepossível. A vocês, que me ofereceram sempre o melhorque puderam me dar, através de seu olhar de apoio, desua palavra de incentivo, de seu gesto de compreensão,de sua atitude de segurança, mesmo quando me veio odesânimo. Nos momentos importantes, suportaram aminha ausência; nos dias de fracasso, respeitaram meussentimentos e enxugaram minhas lágrimas. Se hoje estouaqui é porque vocês acreditaram em meu sucesso ecaminharam ao meu lado! “Muito obrigado” 6
  • 7. “Você tem que ser o espelho da mudança que estápropondo. Se eu quero mudar o mundo, tenho quecomeçar por mim”. (Gandhi) 7
  • 8. SUMÁRIOCAPAFOLHA DE ROSTOCONTRA-CAPAFOLHA PARA PARICÊ DA BANCA EXAMINADORADEDICATÓRIAAGRADECIMENTOSEPÍGRAFESUMÁRIORESUMO ________________________________________________________________091. INTRODUÇÃO ________________________________________________________10 1.1 – CONTEXTUALIZAÇÃO ____________________________________________11 1.2 - JUSTIFICATIVA __________________________________________________13 1.3 - PROBLEMA/HIPÓTESE/OBJETIVOS DO TRABALHO _________________ 19 1.4 - ESTRUTURA _____________________________________________________202. PROBLEMATIZAÇÃO _________________________________________________ 22 2.1 - ENSINO INFANTIL: O PAPEL DA ESCOLA NAFORMAÇÃO DE LEITORES COMPETENTES ________________________________ 26 2.2 – O APRENDIZADO INICIAL DA LEITURA E SUASCONCEPÇÕES __________________________________________________________ 29 2.3 – LITERATURA INFANTIL: O FANTÁSTICO MUNDODA REALIDADE _________________________________________________________35 2.4 – O PROFESSOR-LEITOR E SUA IMPLICAÇÃO NAFORMAÇÃO DO ALUNO-LEITOR __________________________________________383. RELATIVIZAÇÃO DA EXPERIÊNCIA ____________________________________43 3.1 – ASPECTOS HISTÓRICOS DA ESCOLA CAMPO_______________________44 3.2 – ASPECTOS FÍSICOS ______________________________________________45 3.3 – ASPECTOS FUNCIONAIS _________________________________________ 47 3.4 – COMO A ESCOLA SE ORGANIZA PEDAGOGICAMENTE ______________50 3.5 – METODOLOGIA: COMO DETECTAMOS O PROBLEMA ______________ 51 3.6 – PROPOSTA DE INTERVENÇÃO ___________________________________ 534. PESQUISA COMO TRABALHO SÓCIO-EDUCATIVO ______________________ 555. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS _____________________________________ 56 8
  • 9. RESUMOA reflexão sobre o ensino da leitura na escola, com um olhar “apurado” para o ensinoinfantil, é muito importante nos dias de hoje. Nesta reflexão é primordial analisar osfatores que impedem a formação de sujeitos leitores para que se possa apresentarcaminhos de renovação e qualificação na prática pedagógica relativa à leitura. Umtrabalho de leitura e de formação de leitores precisa abordar tipos diversificados detextos, pois o mundo está em mudança constante e é preciso avançar de acordo com atecnologia. No âmbito escolar percebemos que os alunos cada vez mais se afastam edesinteressam pela leitura e é aí que se questiona a prática pedagógica, o ensino e oincentivo da leitura em sala de aula e as propostas de ação que podem levar as criançasa se tornarem "Leitores competentes". Investir na formação de leitores é uma tarefaurgente. É preciso apostar que é possível ir muito além da alfabetização e que sujeitosleitores são capazes de olhar reflexivamente a realidade à sua volta, e capazes de fazer aopção de mudá-la de alguma forma.PALAVRAS –CHAVE: Ensino Infantil – Leitura – Leitores competentes 9
  • 10. INTRODUÇÃO1.1.Contextualização 10
  • 11. As exigências educativas da sociedade contemporânea são crescentes e estãorelacionadas às diferentes dimensões da vida das pessoas: ao trabalho, à participaçãosocial e política, à vida familiar e comunitária, às oportunidades de lazer edesenvolvimento cultural.O mundo passa atualmente por uma revolução tecnológica que está alterandoprofundamente as formas de trabalho e de interação, onde, numa economia cada vezmais globalizada, a competitividade desponta como necessária à subsistência humana.No afã de auto-superar o homem moderno terminou o século XX em desarmoniaconsigo mesmo, sem reflexão crítica sobre as suas reais necessidades, as quais deveriampermear o próximo milênio.Sobre este prisma, torna-se oportuna a discussão sobre as formas de lidar com os novostempos e, portanto, emergir o discurso sobre a qualidade de ensino nas escolas,atentando para a ascensão no nível de educação de toda população e detectando osfatores que possam atender às novas exigências educativas que a própria vida cotidianaimpõe de maneira crescente no meio social.Neste sentido, um dos instrumentos imprescindíveis para uma formação geral e quepossibilite cidadãos críticos, autônomos e atuantes, nesta sociedade em constantemutação, seria a prática de leituras variadas que promovam, de maneira direta ouindireta, uma reflexão sobre o contexto social em que estão inseridas, uma vez que omovimento dialético da leitura deve inserir o leitor na história deste milênio e oconstituir como agente produtor de seu próprio futuro. 11
  • 12. As fracas experiências com a leitura afastam o leitor do contexto social e cultural, fazcom que desconheça o que de mais profundo o homem pensou e escreveu sobre si,alienando-se das informações e, conseqüentemente obsta sua participação ativa e efetivana sociedade em que está inserido.Por esta perspectiva, obvia-se a necessidade da formação de leitores, pois se percebeque sua participação no contexto social depende de sua visão de mundo, de seus valores,de seus conhecimentos, de sua reflexão e visão crítica, enfim, da leitura comoinstrumento do conhecimento.Nesta perspectiva, o exercício da leitura transcende, em muito, a utilização de materiais,muitas vezes empregados como modismos em sala de aula. A formação do leitor impõe-se como prioridade a ser seguida, pressupondo a figura do professor como interlocutorativo no diálogo da leitura, a fim de instigar e promover leitores que estejam à procurade respostas às suas próprias indagações e a desconfiar dos sentidos das letras impostaspor textos insignificantes para, desta forma, encontrar nos livros, a fonte de suasabedoria e inspiração, resgatando a história do conhecimento, tão necessária nos novostempos, em que as mudanças são rápidas e atropelam o próprio “saber humano”.A Escola insere-se neste contexto como instrumento hábil a implementar a leitura naEducação Infantil e Séries Iniciais, motivando os jovens leitores através de umamudança de concepção, ou seja, transformando a leitura como algo agradável, fonte nãoapenas de informação, mas principalmente de lazer. 12
  • 13. É o que se pretende ao longo deste trabalho conclusivo de curso, através da escritabaseada numa pesquisa bibliográfica atualizada com o tema, demonstrar aos leitores arelevância do educador na formação de novos leitores, numa concepção de que, semrupturas no processo ensino-aprendizagem, a leitura pode ser empregada comomecanismo de lazer, cultura e formação.1.2 - JustificativaA alfabetização, a leitura e a produção textual têm sido alvo de grandes discussões porparte dos estudiosos da Educação, já que há muitos anos se observam algumasdificuldades de aprendizagem e altos índices de reprovação e evasão escolar. Dentre asquestões mais focalizadas, destaca-se o ensino da língua materna. A dificuldade, apósanos de escola, de o aluno escrever um texto coeso e coerente culminando nainsegurança lingüística demonstra o fracasso das práticas lingüísticas das aulas.A voz do professor raras vezes é ouvida no coro daqueles que denunciam a situação.Não é de surpreender, pois faz parte do processo de diminuição do professor deixá-losem acesso à palavra escrita, seja, como leitor, porque não detém recursos financeirossuficientes para adquirir o que é instrumento para seu trabalho, seja como escritor,porque não é um representante social da elite formadora de opiniões, embora tenha que,representá-la em sala de aula. 13
  • 14. A função primordial da escola seria, para grande parte dos educadores, propiciarem aosalunos caminhos para que eles aprendam, de forma consciente e consistente, osmecanismos de apropriação de conhecimentos. Assim como a de possibilitar que osalunos atuem, criticamente em seu espaço social. Essa também é a nossa perspectiva detrabalho, pois, uma escola transformadora é a que está consciente de seu papel políticona luta contras as desigualdades sociais e assume a responsabilidade de um ensinoeficiente para capacitar seus alunos na conquista da participação cultural e nareivindicação social. (Soares, 1995:73)Entretanto, Foucambert (1994) enfatiza que, faz-se necessário o surgimento de doismovimentos sociais: um de reinvenção da escola e outro de desescolarização da leitura.Para que o primeiro se estabeleça, faz-se necessário uma intervenção das instâncias emovimentos de educação popular; e uma verdadeira mudança de postura política. Já aconcretização do segundo passa pela conscientização dos membros da sociedade emrelação à importância e poder da leitura enquanto ato e aprendizado social possibilitadorde transformação, o qual se caracteriza e se realiza a partir das práticas familiares esociais de leitura.Compartilhando de concepções semelhantes, Kramer (2001) também acredita que oacesso à alfabetização (enquanto desenvolvimento de uma postura reflexiva sobre alíngua), à leitura e à escrita é um direito do cidadão e que, portanto, exige ocomprometimento com um projeto de sociedade que vise à democratização e à justiçasocial. Ela também defende que a escola não deve assumir sozinha o compromisso comas mudanças que precisam ser efetivadas nesta área. Kramer argumenta que é necessáriotanto o desenvolvimento de um projeto econômico como de um projeto de emancipação 14
  • 15. cultural dentro e fora da escola, que favoreça o contato dos indivíduos com o bemcultural produzido pela humanidade em todas as áreas do conhecimento. Deste modo,ela parece propor um acesso às várias leituras, que não apenas a do escrito: a leitura daescultura, da pintura, do movimento, da dança, da fotografia, da música...Foucambert (1997) defende que os professores precisam apresentar ações determinantestanto dentro como fora da escola, não esperando, de maneira passiva, que este tipo demudança seja germinado na sociedade. Deste modo, ele parece também acreditar que oprofessor apresenta-se como uma peça fundamental deste processo, postulando que omesmo pode engendrar o início desta mudança. Todavia, Foucambert (1997) sustentaque: assim como acontece com o leitor-aprendiz,torna-se necessário que o professor tenha acesso, em processo de formação inicial ou continuada, ao poder da escrita para que possa colocar-se em uma posição que lhe permita a construção de um novo ponto de vista em relação à atividade de leitura e à sua natureza.Diz Foucambert (1997) que somente a aproximação do professor com a informaçãopertinente e, portanto, com o escrito, pode-lhe conceder a liberdade de escolha sobre oque é possível fazer em sala de aula. É esta informação teórica que permite a esseprofissional a ampliação de sua percepção, via reflexão e distanciamento do real, econseqüente ampliação de sua ação. Para ele, formar-se professor é ter acesso aosinstrumentos que possibilitem a formação do leitor, compreende-los, agir sobre eles etransformá-los. 15
  • 16. No entanto, não é isso que tem sido evidenciado em nossa realidade educacional. Aformação de professores por si só, hoje, não parece garantir este poder. Pelo contrário, oque se observa em cursos de formação de professores e em professores em serviço deformação com a escrita e, portanto, com a leitura é uma relação técnica, mecânica e,quase sempre, sem motivação e prazer.Pensa-se, portanto, que a mudança deve partir de uma reestruturação dos cursos deformação inicial e continuada de professores, em que o aspecto afetivo destes sejaresgatado, vivenciado e trabalhado, a fim de se possibilitar os acontecimentos, ocontrole das emoções, o desenvolvimento da sensibilidade e das habilidades de saberouvir empaticamente, saber respeitar as diferenças e saber observar.Ao adquirir essas habilidades o professor perceberá que a linguagem tem como objetivoprincipal à comunicação sendo socialmente construída e transmitida culturalmente.Portanto, o sentido da palavra instaura-se no contexto, aparece no diálogo e altera-sehistoricamente produzindo formas lingüísticas e atos sociais. A transmissão racional eintencional de experiência e pensamento a outros requer um sistema mediador, cujoprotótipo é a fala humana, oriunda da necessidade de intercâmbio durante o trabalho.(Vygotski, 1998:07)Mas, freqüentemente o aprendizado fora dos limites da instituição escolar é muito maismotivador, pois a linguagem da escola nem sempre é a do aluno. Dessa maneirapercebemos a escola que exclui, reduz, limita e expulsa sua clientela: seja pelo aspectofísico, seja pelas condições de trabalho dos professores, seja pelos altos índices de 16
  • 17. repetência e evasão escolar ou pela inadaptabilidade dos alunos, pois, a norma cultapadrão é a única variante aceita, e os mecanismos de naturalização dessa ordem dalinguagem são apagados. (Soares, 1995: 36)A análise das questões sobre a leitura e a escrita está fundamentalmente ligada àconcepção que se tem sobre o que é a linguagem e o que é ensinar e aprender. E essasconcepções passam, obrigatoriamente, pelos objetivos que se atribuem à escola e àescolarização.Muitas das abordagens escolares derivam de concepções de ensino e aprendizagem dapalavra escrita que reduzem o processo da alfabetização e de leitura a simplesdecodificação dos símbolos lingüísticos. A escola transmite uma concepção de que aescrita é a transcrição da oralidade (Cagliari, 1989: 26). Parte-se do princípio de que oaprendiz deve unicamente conhecer a estrutura da escrita, sua organização em unidadese seus princípios fundamentais, que incluiriam basicamente algumas das noções sobre arelação entre escrita e oralidade, para que possua os pré-requisitos, aprenda edesenvolva as atividades de leitura e de produção da escrita.Mas a escrita ultrapassa sua estruturação e a relação entre o que se escreve e como seescreve demonstra a perspectiva de onde se enuncia e a intencionalidade das formasescolhidas. (Guimarães, 1995:08) A leitura, por sua vez, ultrapassa a meradecodificação porque é um processo de (re) atribuição de sentidos. 17
  • 18. Os que se baseiam em uma visão tradicional da leitura e da escrita continuam a ver oaprendizado dessas práticas como o acesso às primeiras letras, que seria acrescidolinearmente do reconhecimento das sílabas, palavras e frases, que, em conjunto,formariam os textos, e, após o conhecimento dessas unidades, o aluno estaria apto a lere a escrever. (Cagliari,1989: 48) Essa seria uma concepção de leitura e de escrita comodecifração de signos lingüísticos transparentes, e de ensino e aprendizagem como umprocesso cumulativo.Já na visão contemporânea a construção dos sentidos, seja pela fala, pela escrita ou pelaleitura, está diretamente relacionada às atividades discursivas e às práticas sociais asquais os sujeitos têm acesso ao longo de seu processo histórico de socialização. Asatividades discursivas podem ser compreendidas como as ações de enunciado querepresentam o assunto que é objeto da interlocução e orientam a interação. A construçãodas atividades discursivas dá-se no espaço das práticas discursivas.(Matencio,1994:17)Como dito anteriormente, estamos propondo que enfatizemos as práticas discursivas deleitura e escrita como fenômenos sociais que ultrapassam os limites da escola. Partimosdo princípio de que o trabalho realizado por meio da leitura e da produção de textos émuito mais que decodificação de signos lingüísticos, ao contrário, é um processo deconstrução de significado e atribuição de sentidos. Pressupomos também que a leitura ea escrita são atividades dialógicas que ocorrem no meio social através do processohistórico da humanização. 18
  • 19. Adotar esse ponto de vista requer mudança de postura, pois a diferença lingüística não émais vista como deficiência (Ceccon, 1992:62). O trabalho com a leitura e a escritaadquire o caráter sócio-histórico do diálogo e a linguagem preenche a representaçãosocial: a palavra está sempre carregada de um conteúdo ou de um sentido ideológicoou vivencial. (Baktin, 1992:95)Nessa perspectiva, a evolução histórica da linguagem, a própria estrutura do significadoe a sua natureza psicológica mudam de acordo com o contexto vivido. A partir dasgeneralizações primitivas, o pensamento verbal eleva-se ao nível dos conceitos maisabstratos. (Vigotski, 1997:30). Não é simplesmente o conteúdo de uma palavra que sealtera, mas o modo pelo qual a realidade é generalizada em uma palavra. O significadodicionarizado de uma palavra nada mais é do que uma pedra no edifício do sentido;não passa de uma potencialidade que se realiza de formas diversas na fala. (Vigotski,1998:156).1.3 – Problema, hipótese e objetivos do trabalho.A falta de estímulo à leitura, por parte dos educadores do ensino infantil, na E.E.E.I. FSanta Maria Gorete, na cidade de São José de Piranhas – PB colabora para que o alunoconceitue a leitura apenas como objeto de ensino e não de aprendizado, partindo doproblema exposto, levantam-se as seguintes hipóteses: leitura é apenas decodificarsímbolos; a convivência com pessoas letradas é um estímulo à leitura; a leitura é uminstrumento de aprendizagem; a falta de motivação por parte do professor atrapalha aaprendizagem do aluno. 19
  • 20. Sendo assim, objetivamos com este trabalho científico, provar que é preciso haverestímulo por parte dos educadores para que seja desenvolvido o gosto pela leitura emseus alunos; identificar as dificuldades que o professor encontra para estimular o aluno apraticar o ato de ler; verificar se a falta de estímulo à leitura provoca no aluno umretardamento em seu aprendizado; especificar métodos que possam ser utilizados noensino-aprendizagem no que se refere à leitura para que os alunos desenvolvam suashabilidades.1.4 – EstruturaO trabalho está estruturado em cinco capítulos. O primeiro é a Introdução: apresenta oassunto de forma contextualizada divida em contextualização, justificativa, problema,hipóteses e objetivos do trabalho, além da estrutura; o segundo é a Problematizarão:representando a base teórica da fundamentação do trabalho. O terceiro é a Relativizaçãoda experiência: são as características históricas, físicas, funcionais levantadas a respeitoda Escola Estadual de Ensino Infantil e Fundamental Santa Maria Gorete, que são osmétodos utilizados para chegar-se a definição da área de estudo, como por exemplo, sualocalidade, ponto de referencia, a área construída, seu quadro funcional e o número dealunos matriculados, a metodologia que mostra como detectamos o problema, e aspossíveis deduções encontradas a partir da análise de observação e uma proposta deintervenção visando contribuir com a melhoria do desempenho da escola campo. Oquarto é a pesquisa como trabalho sócio-educativo: mostrando o nosso ponto de vistacom relação ao tema escolhido e citando as considerações finais do trabalho. O quinto e 20
  • 21. último capítulo são as Referências Bibliográficas: apresenta as fontes de pesquisa donosso TCC – Trabalho de Conclusão de Curso. 21
  • 22. A PROBLEMATIZAÇÃOSemear leitura para colher leitores: Desafio do Ensino Infantil 2- A PROBLEMATIZAÇÃO: 22
  • 23. Origem e Importância da LeituraDesde os primórdios da civilização o homem busca habilidades que lhe torne mais útila vida em sociedade e que lhe possa tornar mais feliz. A criação de mecanismos quepossibilitassem a disseminação de seu conhecimento tornava-se um imperativo desaber/poder, que ensejava respeito e admiração pelos companheiros de tribo.Daí o surgimento das inscrições rupestres, simbologia, posteriormente e num estágiomais avançado das civilizações, os hieróglifos e as esculturas que denotavam suaprópria e mais nobre conquista: a conquista de ser.Nesse contexto surge a escrita e a leitura como imanentes à própria história dacivilização.Ao longo da história, a leitura foi vista como uma fonte de aprendizagem e deconhecimento. Foi assim desde a antiguidade, precisamente a partir dos séculos V e VIa.C, quando a prática da leitura em voz alta foi bastante difundida. Já na Idade Média,no final do século XI até o século XIV, com o desenvolvimento da alfabetização, aspráticas de escrita e de leitura, antes separadas, aproximaram-se e se tornaram funçãouma da outra. A escola passa, então, a ser vista como o principal espaço onde se dará oensino de leitura. Posteriormente, na Idade Moderna, entre os séculos XVI e XVIII, aspráticas de leitura estiveram condicionadas à escolarização, às opções religiosas e aocrescente ritmo de industrialização. 23
  • 24. Já no transcorrer deste século a imprensa escrita desenvolveu mais nitidamente suafunção educativa, penetrando nos vários setores da vida social, agindo intensamente naformação do imaginário coletivo. Tornou-se, sobretudo, o principal veículo paradifundir visões de mundo, normas e valores de caráter ideológico dominante. Por outrolado, aguçou a capacidade crítica dos leitores, ainda que num número insuficiente parauma sociedade que clama por iguais condições de acessibilidade ao conhecimento.Pode-se afirmar que a imprensa ao longo da história serviu, sobretudo, à classedominante que acreditava no papel da leitura como um elemento auxiliar do processo deinculcação ideológica, colaborando para a reprodução das estruturas sociaisexcludentes.Nas últimas décadas do século XX, a expansão da tecnologia digital e das redes decomunicação virtual por meio de computador desenvolveu novos suportes de leitura quese somaram ao formato do livro impresso. Os discos rígidos, disquetes, cd - rom,multimídia, mostraram-se como novas alternativas para o ato de leitura, pois o textoeletrônico permite que o leitor interfira em seu conteúdo tornando-se um co-autor.O leitor diante da tela pode intervir nos textos, modificá-los, reescrevê-los, fazê-losseus; ele torna-se “um dos autores de uma escrita de várias vozes ou, pelo menos,encontra-se em posição de construir um texto novo a partir de fragmentos recortados ereunidos”. (CHARTIER, 1994, p. 103). Ainda assim, o progresso não possibilita iguaisoportunidades de leitura e escritura à maioria da população brasileira. 24
  • 25. A criação dessa disponibilidade, que chamamos escrita e leitura, criam outrasdisponibilidades, pois ela é a básica, dela provém as demais. Através da leitura e daescrita o homem conseguiu estreitar os laços de afetividade com seus semelhantes,harmonizar os interesses, resolver os seus conflitos e se organizar num estágio atual dacivilização, com a abstração a que nomeamos “Estado”. O homem se organizoupoliticamente.Mas voltando-nos ao campo do conhecimento humano, que é o que por ora nosinteressa, o mito poético que sempre embalou o homem, a fantasia dos deuses,descortinaram as portas do saber, originando a busca da informação, do saber humano,do seu prazer.Com o desenvolvimento da linguagem, a força das mensagens humanas aperfeiçoou-sea tal ponto de ser imprescindível à sua própria existência. A busca do conhecimentotornou-se imperativa para novas conquistas e para o estabelecimento do homem comoser social, como centro de convergência de todos os outros interesses.Na busca desse conhecimento, que se perpetua ao longo da história da civilização,percebe-se que quanto mais cedo o homem iniciar, mais cedo germinará bonsresultados. Ou seja, a infância como uma fase especial de evolução e formação do ser,deve despertar-lhe para este mundo, o mundo da simbologia, o mundo da leitura.Podemos dizer que a imaginação humana é imperiosa para a construção doconhecimento, e conhecimento também é arte, daí a importância da Educação Infantilpara enriquecer essa imaginação da criança, oferecendo-lhe condições de liberação 25
  • 26. saudável, ensinando-lhe a libertar-se no plano metafísico, pelo espírito, levando-a a usaro raciocínio e a cultivar a liberdade e o hábito da leitura. 2.1- Ensino Infantil: O papel da escola na formação de leitores competentesNumerosos estudos nos fazem supor que os livros preparados para a infância remontamao final do século XVII. Antes disso, as crianças, vistas como adultos em miniatura,participavam desde a mais tenra idade, da vida adulta.Naqueles tempos não havia histórias dirigidas especificamente ao público infantil, poisa infância, enquanto período de desenvolvimento humano, com particularidades quedeveriam ser respeitadas, inexistia.As profundas transformações ocorridas no âmbito social e econômico, principalmentecom o advento do Capitalismo e da Supremacia burguesa, fizeram com que surgisseuma nova organização familiar e educacional, na qual a criança passou a ocupar umespaço privilegiado. Com intuito de capacitar cidadãos a fim de enfrentar um mercadode trabalho tão competitivo já naquela época, tornava-se imperioso o preparo eficientedas crianças para o trabalho e, consequentemente, para um desenvolvimento socialsustentável.Nesse sentido, reorganiza-se a Escola para que atenda às novas exigências, repensando-se todos os produtos culturais destinados a infância e, dentre eles, especialmente o livro. 26
  • 27. Surge assim a Literatura Infantil, criada com uma concepção ideológica comprometidacom um destinatário específico: a criança, embora persistissem resquícios ideológicosamalgamados à transmissão de valores da sociedade então vigente.Com o passar dos tempos e com o surgimento de novos autores, os livro infantis vãogradativamente sofrendo transformações e promovendo, através da disseminação deuma leitura prazerosa e ao mesmo tempo vinculada à construção do conhecimento, umalargamento vivencial para as crianças.Nesta direção, a Escola, como espaço socializador do conhecimento, fica com a tarefaprimordial de assegurar aos seus alunos o aprendizado da leitura, devendo fazer circularem seu meio uma diversidade de materiais, com conteúdos ricos e variados, quepromovam a formação de leitores livres. Concebe-se assim, a prática da leitura, nãocomo habilidades lingüísticas, mas como um processo de descoberta e de atribuição desentidos que venha possibilitar a interação leitor-mundo. Conforme FREIRE (1996):“(...) O ato de ler não se esgota na decodificação pura da palavra escrita (...) A leiturado mundo precede a leitura da palavra.”Sob este prisma, o professor precisa estar capacitado e preparado para provocar em salade aula, a partir de leituras diversificadas, discussões que conduzam os alunos aoestabelecimento de elos com outras realidades, permitindo assim, a efetivação do realsentido do que está sendo lido, em consonância com o discurso de SOARES (1995): “A 27
  • 28. leitura na escola, tem a função de desacomodar o aluno, despertar-lhe o senso crítico,romper com a alienação(...) já que ler não é apenas decodificar signos gráficos.”Por esta perspectiva, é oportuno reforçar a assertiva de que o professor deve selecionardiferentes tipos de textos, literários ou não, que projetem a vida contemporânea do localonde os alunos estão inseridos, bem como de outros lugares e tempos, os diversospontos de vistas, estimulando discussões, reflexões e confrontos entre os alunos. Com avirada do milênio a escola, visando incentivar o hábito da leitura, busca construirmecanismos eficientes a fim de competir com o advento dos recursos visuais, auditivose multimídia, a que alguns poucos alunos já têm acesso.O desenvolvimento intelectual da população representa um fator político-social básicopara o alcance do progresso e aspiração de toda a sociedade. O Brasil intitula-se comoEstado Democrático de Direito e que tem como um dos seus fundamentosconstitucionais básicos a educação como “direito de todos e dever do Estado e dafamília (...)”. A amplitude que enseja a formação desses agentes se inicia na EducaçãoInfantil e Séries Iniciais, e esta não pode estar à margem da modernidade.Nesta ótica, não há como negar os avanços tecnológicos, no entanto, a Escola deve estaratenta ao uso que se faz dos recursos eletrônicos e definir com clareza quais objetivos aserem atingidos com o seu uso. 28
  • 29. A utilização inadequada dos meios eletrônicos como mecanismo básico do ensino eleitura induzem a formatação do conhecimento, ao contrário do que ocorre na leitura dolivro, quando o tempo da reflexão assegura um diálogo em que as experiências de vidasão compartilhadas, como diz Bárbara Vasconcelos : “(...) O livro desempenha um papel importante na vida e na formação do ser humano, pois através dele nos tornamos mais sensíveis ao mundo e capazes de entender nossas próprias reações. O livro incrementa a missão de educar, pois fornece as crianças informações, lazer, cultura, propiciando ao leitor elaborar seu próprio conhecimento, enriquecer seu vocabulário, facilitar a escrita, agilizar o raciocínio e aguçar a imaginação. Assim, ao incentivarmos a leitura, estamos deflagrando um movimento para desenvolver pessoas críticas, participativas, criativas e preparadas para construir a nação do futuro .”A Escola, incumbida então da função de promover a formação do leitor, terá que reveras condições, muitas vezes restrita, a que impõe a leitura aos seus alunos. 2.2 - O aprendizado inicial da leitura e suas concepções É preciso superar algumas concepções sobre o aprendizado inicial da leitura. Aprincipal delas é a de que ler é simplesmente decodificar, converter letras em sons,sendo a compreensão conseqüência natural dessa ação. Por conta desta concepçãoequivocada a escola vem produzindo grande quantidade de “leitores” capazes de 29
  • 30. decodificar qualquer texto, mas com enormes dificuldades para compreender o quetentem ler.O conhecimento atualmente disponível a respeito do processo de leitura indica que nãose deve ensinar a ler por meio de práticas concentradas na decodificação. Ao contrário épreciso oferecer aos alunos inúmeras oportunidades de aprenderem a ler usando osprocedimentos que os bons leitores utilizam. É preciso que antecipem, que façaminferências a partir do contexto ou do conhecimento prévio que possuem, queverifiquem suas suposições. É disso que se está falando quando se diz que é preciso“aprender a ler, lendo”.A escola, espaço que convencionamos como sendo específico e privilegiado do saber,no que concerne à leitura, precisa rever suas práticas, mormente diante de leiturasimpostas em salas de aulas onde faz imperar um dualismo: de um lado algumas escolasque, ao pretenderem uma rápida atualização com o presente, assimilam o novo sem adevida reflexão utilizando inadequadamente instrumentos modernos de ensino etornando seus leitores passivos diante de imagens efêmeras. Em contraposição, outrasescolas utilizam textos fragmentados de manuais didáticos como único meio auxiliarpara a leitura, objetivando o trabalho de unidades curriculares como mera fixação ememorização de conteúdos, quase sempre aleatórias à realidade dos alunos.Neste sentido, esta ambigüidade da prática educativa tornam os alunos alheios arealidade que os circundam, tornando-os vulneráveis a dominação de uma minoria quepensa e se mantêm bem informados. Parte-se então do pressuposto que a prática da 30
  • 31. leitura significa a possibilidade de domínio através de um instrumento de poder,chamado linguagem formal, pois é desta forma que estão escritas as leis que regemnosso país, e assim perceber os direitos que se tem, o direito das elites que, com umdiscurso ideológico em prol da liberdade e da justiça, os mantêm na condição dedetentores do Poder.Práticas de leitura para as crianças têm um grande valor em si mesmas, não sendosempre necessárias atividades subseqüentes, como o desenho dos personagens, aresposta de perguntas sobre a leitura, dramatização das histórias etc. Tais atividades sódevem se realizar quando fizerem sentido e como parte de um projeto mais amplo. Casocontrário, pudesse oferecer uma idéia distorcida do que é ler.A criança que ainda não sabe ler convencionalmente pode fazê-lo por meio da escuta daleitura do professor, ainda que não possa decifrar todas e cada uma das palavras. Ouvirum texto já é uma forma de leitura.É de grande importância o acesso, por meio da leitura pelo professor, a diversos tipos demateriais escritos, uma vez que isso possibilita às crianças o contato com práticasculturais mediadas pela escrita. Comunicar práticas de leitura permite colocar ascrianças no papel de “leitoras”, que podem relacionar a linguagem com os textos, osgêneros e os portadores sobre os quais eles se apresentam: livros, bilhetes, revistas,cartas, jornais etc.As poesias, parlendas, trava-línguas, os jogos de palavras, memorizados e repetidos,possibilitam às crianças atentarem não só aos conteúdos, mas também à forma, aos 31
  • 32. aspectos sonoros da linguagem, como ritmo e rimas, além das questões culturais eafetivas envolvidas.Manter grande parte da população escolar perto do alcance desta linguagem formal, esteé o grande desafio, a fim de que, com uma visão crítica e reflexiva e através dodiscernimento, não se permita a perpetuação de sua condição de dominados.Neste sentido torna-se oportuno citar FOUCAMBERT (1994, p. 121): “(...) a leitura aparece também como um instrumento de conquista de poder por outros atores, antes de ser meio de lazer ou evasão. O “acesso a leitura” de novas camadas sociais implica que leitura e produção de texto se tornem ferramentas de pensamento de uma experiência social renovada; ela supõe a busca de novos pontos de vista sobre uma realidade mais ampla, que a escrita ajuda a conceber e a mudar, a invenção simultânea e recíproca de novas relações, novos escritos e novos leitores. Nesse sentido torna-se leitor pela transformação da situação que faz que não se o seja.”Assim, a leitura como prática social faz a diferença para aqueles que dominam,tornando-os distintos cultural e socialmente.Faz-se necessário que as escolas revejam as condições restritas impostas ao ensino daleitura. Entretanto mudar as condições de produção da leitura na escola não significaapenas alterar os instrumentos de sua codificação e decodificação, vai muito mais além: 32
  • 33. Conforme Paulo Freire (2003, p. 11): “(...) o ato de ler não se esgota da decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da palavra (...) linguagem e realidade se prendem dinamicamente.”Exige-se da escola, principalmente, o redimensionamento de todo o trabalho educativoque engloba: ousadia, seleção de materiais variados, espaço para socialização, respeito aopiniões divergentes, enfim novas propostas de trabalhos pedagógicos com leiturascríticas e variadas.Reafirmamos que o exercício e prática da leitura transcendem ao uso de materiais comomeios auxiliares de ensino, empregados como modismos em sala de aula ou comoatividade ligada a lição e a intenção didática instrucional.Além da leitura como informação e, conseqüentemente, como fonte de acesso aoconhecimento e ao poder, o mais importante é a capacidade de se aliar isso ao prazer eentretenimento, pois é de se deduzir, por essa linha de pensamento que, a contráriosenso, o prazer na prática da leitura levará automaticamente o leitor ao conhecimento.Assim, a leitura singular dos livros didáticos deve ceder espaço aos livros de literaturainfantil, jornais, revistas, gibis, bulas de remédios, receitas caseiras, etc., que fazemparte dos objetos de uso cotidiano, articulado a uma leitura significativa e, portanto,compreensiva e mais agradável como processo pedagógico. 33
  • 34. Leitura é conhecimento, e o conhecimento é um processo de construção em que oprotagonista é o aluno, e respaldando tal assertiva é oportuno citar Paulo Freire: “Uma educação que procura desenvolver a tomada de consciências e a atitude crítica, graças à qual o homem escolhe e decide, liberta-o em lugar de submetê-lo, de domesticá-lo, de adaptá-lo, como faz com muita freqüência a educação em vigor num grande número de países do mundo, educação que tende a ajustar o indivíduo à sociedade em lugar de promovê-lo em sua própria linha.” Há muito a se discutir, refletir e pesquisar para que se consiga concretizar de maneiraefetiva, nas salas de aula, esta audaciosa proposta. Para isso, se faz mister uma mudançana postura dos educadores e também da consciência de que, como enfatizamos noscapítulos iniciais, exigirá a quebra de alguns paradigmas no processo educativo.Trata-se de um primeiro passo e de um grande desafio: romper barreiras para melhorensinar, visando, sobretudo, uma educação que permita ao aluno o exercício pleno desua cidadania e o seu desenvolvimento como pessoa humana através do hábito de ler,não apenas como fonte de conhecimento, mas também como informação e prazer! 34
  • 35. 2.3- Literatura infantil: O fantástico mundo da realidade “Um livro infantil, para o quarto de uma criança, é um objeto tão importante e mais indispensável do que o berço” FoucambertUma das formas de recreação mais importante para a criança, principalmente no que serefere ao seu desenvolvimento e crescimento intelectual, psicológico, afetivo e espiritualé a leitura.A literatura infantil, como meio de comunicação e modalidade da leitura, também é umdos mais eficientes mecanismos de recreação e lazer, servindo como um método práticode terapia educacional.Os condicionamentos impingidos pela vida moderna, tais como a massificação dainformação pela televisão, os programas televisivos inadequados, a comunicação viaciberespaço, os filmes infantis instigando à violência, dentre outros aspectos, despejamsobre a criança informações que cercam a sua capacidade imaginativa, culminando numalheamento de perspectiva crítica.A literatura desempenha papel fundamental na vida da criança, não apenas pelo seuconteúdo recreativo que desempenha, mas também pela riqueza de motivações,sugestões e de recursos que oferece ao seu desenvolvimento. 35
  • 36. Em seu descobrimento da vida, a criança está ávida por descobrir e entender a realidadecircundante, deslumbrando os mistérios que a aproximam do mundo exterior atravésdos símbolos, da leitura infantil. Nessa curiosidade e deslumbramento deverá encontrarestímulos sadios e enriquecedores que serão a tônica de sua motivação e crescimentocomo pessoa humana.Portanto, deve-se estimular e propiciar ao alcance das crianças os livros infantis, dosContos de Fadas, poesias, os mitos, folclore, fábulas, teatro, permitindo-lhe penetrar emseu universo mágico dos sonhos. É o caminho não apenas de sua descoberta, mastambém um dos mais completos meios de enriquecimento e desenvolvimento de suapersonalidade.Com a leitura e os livros a criança e o jovem encontrarão caminhos, crescerão e sedesenvolverão na busca de soluções para as suas inquietações e problemas de ordemintelectual, social, afetiva, ética e moral.A leitura infantil é um dos fatores básicos para a criança buscar a sua realização comopessoa humana, incumbindo às novas gerações uma grande responsabilidade quanto àmudança de concepção ideológica, de maneira a que o hábito da leitura seja propugnadodesde a mais tenra idade, contribuindo em sua formação sob todos os aspectos.Por razões evidentes, não poderíamos deixar de fazer alusão a um dos maiores nomes daliteratura infantil: Monteiro Lobato. 36
  • 37. Monteiro Lobato tornou-se o maior clássico da literatura brasileira; Não escreveuapenas livros para crianças, mas sim criou um novo universo para elas. Foi original emseus escritos, embora utilizasse o rico acervo da literatura clássica infantil de todo omundo. Sua maior fonte de inspiração foi a própria criança: os ingredientes de suavivência, suas fantasias, suas aventuras, seus jogos e brinquedos, e tudo que povoassesua imaginação.Bárbara Vasconcelos, em sua obra “A literatura Infantil”, retrata bem a importância daobra de Monteiro Lobato: “É importante que a criança viva em seu mundo, sem ser perturbada, para que ela seja criança enquanto for criança. Lobato realizou uma obra onde a criança, desinibida e autêntica, é livre para ser criança. E é isso que é importante. Ele não mente à criança, mas não lhe impõe os problemas. A criança merece beleza e respeito, sem precocidade vulgares, sem permissividades, porque o nosso objetivo é dar-lhes condições de crescer. É isso que faz a obra de Lobato.”A criação literária de Monteiro Lobato contribuiu sobremaneira para a educação,inspirando as novas gerações para o hábito da leitura, num mundo cheio de fantasia ebeleza, fazendo com que sua presença fique viva nos lares, nas escolas e,principalmente, nos corações das crianças.Sua obra infantil tem servido de inspiração para educadores e homens de teatro noBrasil e no exterior, motivo de orgulho nacional. 37
  • 38. 2.4 – O professor-leitor e sua implicação na formação do aluno-leitorO trabalho direto com crianças pequenas exige que o “professor do ensino infantil" 1tenha uma competência polivalente. Ser polivalente significa que ao professor cabetrabalhar com conteúdos de naturezas diversas que abrangem desde cuidados básicosessenciais até conhecimentos específicos provenientes das diversas áreas doconhecimento. Este caráter polivalente demanda, por sua vez, uma formação bastanteampla do profissional que deve tornar-se, ele também, um aprendiz, refletindoconstantemente sobre sua prática, debatendo com seus pares, dialogando com asfamílias e a comunidade e buscando informações necessárias para o trabalho quedesenvolve. São instrumentos essenciais para a reflexão sobre a prática direta com ascrianças a observação, o registro, o planejamento e a avaliação.A implementação e/ou implantação de uma proposta curricular de qualidade depende,principalmente dos professores que trabalham nas instituições. Por meio de suas ações,que devem ser planejadas e compartilhadas com seus pares e outros profissionais dainstituição, podem-se construir projetos educativos de qualidade junto aos familiares e1 O corpo profissional de grande parte das instituições de educação infantil de todo o país, hoje, é aindaformado, em sua grande maioria, por mulheres. Este Referencial dirige-se ao professor de educaçãoinfantil como categoria genérica. 38
  • 39. às crianças. A idéia que preside a construção de um projeto educativo é a de que se tratade um processo sempre inacabado, provisório e historicamente contextualizado quedemanda reflexão e debates constantes com todas as pessoas envolvidas e interessadas.Para que os projetos educativos das instituições possam, de fato, representar essediálogo e debate constante, é preciso ter professores que estejam comprometidos com aprática educacional, capazes de responder às demandas familiares e das crianças, assimcomo às questões específicas relativas aos cuidados e aprendizagens infantis.É de suma importância, que o professor incentive o gosto pela leitura, para que asociedade tenha seus indivíduos como sujeitos da sua história, homens e mulheres quefaçam cultura e que impulsionem a transformação, fundamentados em princípioshumanos de liberdade e solidariedade.A leitura, nas escolas, tem caráter secundário ao da escrita, apesar de ambascaminharem juntas; a escrita toma todo tempo, enquanto a leitura é vista como umaatividade extra na aula que, normalmente, acontece, quando os alunos terminam a lição,ou quando sobra tempo. A leitura precisa ocupar horário “nobre” da aula. A escolaprecisa viabilizar tempo para a leitura.Nem sempre os professores estabelecem boas relações com os livros e com a leitura; háalguns que afirmam que não gostam de ler; outros que não vêem a leitura como lazer;outros que as poucas leituras que fazem são quase que, exclusivamente, para apreparação das aulas. 39
  • 40. Se o professor formador de leitores não tem o gosto pela leitura, como irá despertar ointeresse dos alunos pelo prazer de ler?Talvez, esse professor não tenha tido oportunidades de se tornar um bom leitor na suafase de escolarização ou profissionalização. Outros fatores, como, condições salariais oude trabalho, falta de infra-estrutura, pouco ou nenhum tempo para ler, contribuemnegativamente para a má formação do professor-leitor.Mas se os professores não forem leitores, dificilmente poderão compartilhar com seusalunos os mistérios, encantos e alegrias que se podem alcançar pela leitura.Primeiramente, compete ao professor leitor fazer a “leitura” da sala de aula, como sefosse um texto a ser compreendido. Se, na leitura de textos, necessitamos de estratégiasou instrumentos auxiliares de trabalho, também para a leitura da classe precisamosobservar, intuir, imaginar a realidade de cada aluno, suas condições sociais, culturais eeconômicas para, então, o educador ser capaz de interagir, intervir e construircriticamente o conhecimento.Assim, o educador é um elemento impulsionador, mediador da leitura, criando em suasala de aula condições para que seus alunos possam ler. Dessa forma, ao conquistar oato de ler, dentro das condições propícias, o professor e o aluno estarão ampliando seusconhecimentos, participando ativamente da vida social, alargando a visão de mundo, dooutro e de si mesmo, o que poderá ser revertido em incremento do trabalho pedagógico. 40
  • 41. É a partir desta perspectiva que Foucambert (1994), em sintonia com Smith (1999) eSolé (1998), defende um ensino de leitura no qual se aprende a ler lendo, onde oaprendiz pode estar em contato com os mais diversos tipos de textos sociais dos quaisprecisa e se utiliza no cotidiano, e no qual o único pré-requisito para este aprendizado éa capacidade de questionar sobre as coisas do mundo. Por outro lado, Foucambert(1994; 1997) e Smith (1999) vão mais longe ao afirmarem que a leitura não pode serensinada e que a responsabilidade do professor é facilitar o aprendizado desta atividadeatravés do acesso da criança a uma variedade de textos. Para estes autores, ashabilidades de leitura são desenvolvidas por meio da imersão na escrita e na prática daleitura, não podendo ser ensinadas de maneira isolada e descontextualizada das práticassociais. Deste modo, entende-se que os referidos autores diferenciam a atividade deorientação, na qual o professor-leitor experiente tem a função de tornar possível aaprendizagem desta atividade.Segundo esta proposta, o professo-leitor, para facilitar a entrada da criança no mundo daleitura e escrita, deve ler pra ela, mostrando-lhe como os escritos que circulam nocotidiano podem ser usados a fim de que a mesma compreenda os sentidos. SegundoSmith (1999), a criança só é capaz de compartilhar deste mundo, quando compreende oseu significado, sendo este o descobrimento da diferença entre a fala e escrita os doisinsights necessários para o aprendizado inicial da leitura.É preciso, então, um professor-leitor, que compartilhe com os alunos o passaporteimprevisível e maravilhoso da leitura. É preciso que os professores conheçam a naturezada literatura, as obras, os autores, que saibam selecionar textos e tenham se apropriadodo conhecimento para estabelecer, com os alunos, as relações possíveis. Quando uma 41
  • 42. criança não encontra utilidade na leitura, o professor deve fornecer-lhe outros exemplos.Quando uma criança não se interessa pela leitura, é o professor quem deve criarsituações mais envolventes. O próprio interesse e envolvimento do professor-leitor coma leitura servem como modelo indispensável: ninguém ensina bem uma criança a lerbem se não se interessa pela leitura.Lendo diversos gêneros e portadores textuais, ouvindo contos, notícias, poemas, textosinformativos, histórias em quadrinhos é que oportunizaremos o acesso a tudo o que aescrita e a leitura representa, dentro e fora da escola. Ou seja, os alunos precisam saberque lemos por diferentes razões e que não lemos todos os textos da mesma forma.Portanto, na formação de leitores, é necessário dominar as diferentes estratégias deleitura (antecipação – inferência – decodificação – verificação), pra adequá-las aosdiferentes objetivos e situações presentes no mundo letrado. O domínio das estratégiasde leitura decorre de uma prática viva do ato de ler de um lado, vivenciando osdiferentes modos de ler existentes nas práticas sociais de outro, respondendo aosdiferentes propósitos de quem lê. 42
  • 43. RELATIVIZAÇÃO DA EXPERIÊNCIAFonte: Arquivo pessoal 43
  • 44. 3.1 - Aspectos históricos da escola campo A Escola Estadual de Ensino Infantil e Fundamental Santa Maria Gorete está localizada a rua Inácio Lira, centro, ao lado da Igreja Matriz São José.A escola foi construída pela paróquia com a colaboração voluntária da comunidade nodia 10 de março de 1962 com o objetivo de suprir as necessidades algumas famíliaspobres, tendo como mentor o Padre José Gálea, que por alguns anos supriu todas asdespesas da escola.No início de sua fundação, a escola não possuía prédio próprio, funcionava em um salãoque era dividido ao meio pelas cadeiras dos alunos onde as professoras fundadoras juntocom o padre ensinavam há mais ou menos 36 alunos da periferia. Raimunda MendesCavalcanti e Judite Inácio foram as primeiras professoras a lecionarem na Escola SantaMaria Gorete que até então não era estadual. No dia 19 de maio de 1983 com o grandeapoio e esforço do Padre Antônio de Sousa a escola passou a ser realmente do estado. Apartir de então, foram contratados professores, ampliação do prédio e todas as despesaseram custeadas pelo Governo do Estado.O nome Escola Santa Maria Gorete foi uma homenagem a uma santa a qual o padreJosé Gálea, seu fundador tinha devoção religiosa. No início de seus trabalhoseducacionais a escola funcionava apenas com a primeira fase do Ensino Infantil, emvirtude de sua trajetória e da grande procura por vagas, os administradores responsáveispela mesma, solicitaram ao Governo do Estado junto a Secretaria da Educação e Cultura 44
  • 45. a ampliação do Ensino Fundamental no ano de 2000, para possibilitar todas as séries emuma só escola.A lei estadual que regimenta a escola é a LDB (Lei de Diretrizes e Bases). Ainda hoje aescola mantém um vinculo muito grande com a Igreja católica, pois o prédio ondefunciona a mesma é patrimônio da igreja e todos os meses o Governo do Estado paga oaluguel ao sacerdote representante maior da igreja na cidade local.3.2 - Aspectos físicosSala de aula: dimensão, arejamento e iluminação.Cada sala mede aproximadamente 7x8 metros. Sistema de ventilação e iluminação éprecário, pois quando se escreve na lousa faz-se necessário fechar todas as janelas,ficando a sala de aula escura e sem nenhuma ventilação, a iluminação das lâmpadas nãosão suficientes devido algumas estarem queimadas. As salas não dispõem deventiladores.Salas especiais, leitura e vídeo: como são utilizadas.Por não disponibilizar de muito espaço físico a escola não possui sala de vídeo e deleitura. Quando os professores precisam utilizar algum outro recurso (vídeo, tv, etc), omaterial é deslocado para as salas de aula. 45
  • 46. Pátio para recreação, educação física, auditório e outros.A escola não possui um pátio para recreação. A recreação é feita em uma quadra deesporte com dimensões favoráveis e em boas condições de uso. Não dispõe também deauditório, qualquer evento da escola é feito na quadra de esportes.Salas para o setor de administraçãoA sala de administração não é apropriada, dividindo em uma mesma sala: secretaria,administração e biblioteca.BibliotecaA biblioteca funciona na secretaria da escola, é consultada de forma lenta, pois nãodispõe de livros que atendam as necessidades dos alunos. 46
  • 47. 3.3 – Aspectos funcionaisCorpo técnico-administrativoO corpo técnico-administrativo é formado por sete pessoas. Uma diretora formada em Letras e concursada; um secretário com Ensino Médio completo e concursado; um técnico de nível médio com Curso Superior e concursado readaptado com Curso Superior e concursado e três auxiliares de secretaria: um com Curso Superior e dois com Ensino Médio, sendo todos contratados. Quadro demonstrativo Nome Situação CargoMaria da Silva Lima Inácio Diretora Efetivo José Lira Neto Secretário Efetivo Edna Pereira Faustino Técnico Nível Médio EfetivoFrancisca Batista de Araújo Professora readaptada Contrato Vicente (secretaria) Maria Edileuda de S. Auxiliar de secretária Contrato Cavalcanti Edilene Alves Roberto Auxiliar de secretária Contrato Jaci Bento de Lira Auxiliar de secretária ContratoCorpo docente e técnico-pedagógicoO corpo docente é formado por 21 professores, sendo 6 da primeira fase e 15 dasegunda fase. Irá interessar-nos apenas os professores da primeira fase do EnsinoFundamental. 47
  • 48. Quadro demonstrativo Série Nome Formação Número Situaçã de alunos o Pré I Alecsandra Moreira Cavalcanti Superior incompleto 18 Contrato1ª E “F” Valdenisa Pereira de Freitas Magistério 23 Contrato Tavares 1ª A Tereza Cristina Gonçalves Magistério 19 Efetivo Ferreira 2ª A Maria do Céu Moreira Magistério 28 Efetivo Cavalcanti 3ª A Maria Pereira Lima de Assis Superior completo 32 Efetivo 4ª A Maria Aparecida de Sousa Superior completo 26 Efetivo CavalcantiCorpo de funcionários O corpo de funcionário de apoio é formado por sete funcionários: cinco auxiliares de limpeza/merenda e dois vigilantes, sendo todos contratados. 48
  • 49. Quadro demonstrativo de funcionários de apoio Cargo SituaçãoNome Maria do Socorro da Silva Auxiliar de limpeza e Contrato Alcântara merendeira Maria Eliana de S. Lins Auxiliar de limpeza e Contrato merendeira Maria Elma G. da Silva Auxiliar de limpeza e Contrato merendeira Maria Juraci A. Amorim Auxiliar de limpeza e Contrato merendeira Eurique Cavalcanti de Auxiliar de limpeza Contrato Sousa Antônio Bazílio Braga Vigilante Contrato José Petrônio do Vigilante Contrato Nascimento3.4 - Como a escola se organiza pedagogicamenteCom a implantação da Lei complementar 11.274 de 06 de fevereiro de 2006 a EscolaEstadual de Ensino Infantil e Fundamental Santa Maria Gorete passa a ter a 9ª série doEnsino Fundamental, ficando as séries divididas em 9 anos.Para ter um maior desenvolvimento educacional a escola desenvolve o Projeto PolíticoPedagógico (PPP) que abrange o lado pedagógico, administrativo e social da escola.Esse projeto tem como principal objetivo destacar a real situação de sua escola,buscando soluções para os problemas apresentados. 49
  • 50. A escola não possui um orientador pedagógico, mas cada final de bimestre osprofessores reúnem-se para fazer o planejamento bimestral das atividades. Osprofessores são orientados por uma pessoa da 9ª Regional de Ensino, que nem semprevem aos planejamentos. A maior necessidade docente na parte pedagógica é justamenteessa falta de orientação, os professores desejariam ter um maior acompanhamento emsuas atividades escolares.Apesar de não ter todo um acompanhamento pedagógico o plano de ensino passadodurante os planejamentos é seguido ao máximo pelos professores e estesconseqüentemente tentam passar o máximo de conhecimento para seus alunos nãosomente o que tem nos livros didáticos, mas conhecimentos que eles levam para vidacomo cidadãos conscientes e críticos. Todos os dias em sala de aula os alunos estãosendo avaliados, não somente por provas escritas, mas principalmente pela assiduidade,comportamento e participação nas aulas. Assim, o tipo de avaliação adotada pela escolaé qualitativa, ou seja, o alvo principal não é a nota e sim o aprendizado dos alunos.3.5 - Metodologia: como detectamos o problema?A partir de estágio feito em todas as etapas na E.E.E.I.E.F. Santa Maria Gorete,detectamos um grave problema que permeia a educação atual e conseqüentemente, assalas de aula pelas quais passamos: o trabalho com a leitura. Porém, foi o EnsinoInfantil que mais nos chamou a atenção por ser este o início de toda a formaçãoeducacional. 50
  • 51. Desde o estágio de participação até o de regência percebemos a grande dificuldade queos alunos têm em relação à leitura. Os professores pelos quais passamos não têm ohabito de ler em sala de aula, “ler por prazer”, quando fazem uma leitura já querem algoem troca dos seus alunos. Com isso, as crianças no início de sua vida de verdadeirosleitores, não conseguem ler por prazer. Durante os nossos estágios tentamos fazerdiferente, todos os dias no início da aula fazíamos uma roda de leitura, cada dia dasemana ficavam três alunos faziam a leitura para os colegas e todos comentavam otexto. No começo estranharam, mas logo se acostumaram e amaram a idéia e atéfalavam que “ler é melhor que escrever”.Diante desta grande problemática onde os alunos não estão abertos à leitura, vimos agrande necessidade de tentarmos amenizar este problema. Desde cedo os alunos não sesentem motivados a ler. Onde estará o problema? Em casa, na escola, no professor ouno próprio aluno?Aprendizagem, motivação e interesse tem que vir por parte de todos (família, escola,professor e aluno) para que juntos possam buscar reais soluções para tal situação.Um dos maiores impasses para que os alunos não gostem de ler desde as séries iniciais éa não importância que os professores dão a leitura, preocupando-se apenas com aescrita. Falam que é primordial aprender a escrever, claro que é, mas, se a criançaapenas escreve sem saber ler, ela está apenas reproduzindo o que se está vendo. Naverdade será a partir da habilidade da leitura que o aluno irá desenvolver seupensamento crítico e conseqüentemente aprenderá a escrever, com uma diferença,porque se o aluno sabe ler, ele sabe o que escreve. 51
  • 52. Os professores por estarem sobre carregados, não buscam melhorias para aaprendizagem dos seus alunos e também não são verdadeiros leitores, as leituras quefazem são por “obrigações” impostas pela profissão, não lêem por prazer. Os alunosvêem tudo isso e sentem-se desmotivados, ficando cada vez mais alheios a leitura.As pessoas têm uma visão errônea do professor do pré-escolar, achando que a funçãodestes é única e exclusiva para brincar com os alunos, mas é nesta fase da escola que oprofessor despertará o prazer dos alunos pela leitura. Eles ainda não sabem ler, massabem ouvir; através da audição, a criança passa a apreender conhecimentos com aleitura compartilhada pelo professor, roda de conversa entre colegas, desenvolvendoassim suas verdadeiras habilidades de leitores que lêem por prazer e não por puraobrigação.3.6 – Proposta de intervençãoCom a ideologia na prática pedagógica de que: a sala de aula é o ambiente ideal paraque os alunos construam conhecimentos e consequentemente sejam bons leitores,estamos lançando à E.E.E.I.F Santa Maria Gorete alternativas de promoção de leitura,objetivando despertar o interesse e a vontade de ler por parte dos alunos através dasseguintes ações: a) Utilização de textos literários somados ao trabalho com livros didáticos; b) Dramatizações com a participação dos alunos; c) Atividades com ORIGAMI, arte japonesa que constitui na dobradura artística de papéis, criando personagens das histórias; d) Feira de leitura: 52
  • 53. e) Manipulação de argila e construção de maquetes, fundamentados na releitura das histórias; f) Realização de atividades com os diversos gêneros textuais como, por exemplo, com bulas de remédios, para troca de informações, experiências e conselhos; g) Criação de caixinhas de remédios e elaboração de bulas com base em algum medicamento natural conhecido; h) Exploração de receitas culinárias; i) Trabalho com jornais; j) Leitura de histórias em quadrinhos:As histórias em quadrinhos têm um efeito surpreendente como mecanismo de incentivoà leitura. Tais histórias atraem os alunos pela identificação que estes fazem com algunspersonagens, semelhante ao mundo fático. A fantasia transforma a leitura emmodalidade de ensino e de prazer.A realização destas propostas pedagógicas, como alternativas e complementares, poderáestimular nos alunos à vontade e o prazer da leitura. 53
  • 54. Há muito a se discutir, refletir e pesquisar para que se consiga concretizar de maneiraefetiva, nas salas de aula, esta audaciosa proposta. Para isso, faz-se necessário umamudança na postura dos educadores e também da consciência de que, como enfatizamosnos capítulos iniciais, exigirá a quebra de alguns paradigmas no processo educativo.Trata-se de um primeiro passo e de um grande desafio: romper barreiras para melhorensinar, visando, sobretudo, uma educação que permita ao aluno o exercício pleno desua cidadania e o seu desenvolvimento como pessoa humana através do hábito de ler,não apenas como fonte de conhecimento, mas também como informação e prazer!4 – Pesquisa como trabalho sócio-educativoAo longo dessas linhas buscou-se inspiração, sobretudo, na crença e firme convicçãocomo educadoras, de que o futuro está na educação, principalmente na EducaçãoInfantil e Séries Iniciais.O desfio do novo educador, daquele adequado ao mundo contemporâneo, estájustamente em fazer frente às ideologias dominantes que insistem em práticaseducativas tradicionais e descomprometidas com o objetivo máximo da educação,centro para onde deveriam convergir todos os interesses: o aluno. 54
  • 55. Nesse desiderato, comprometidos com o amanhã e com o futuro de nossos filhos, denossa história, e porque não dizer de nossa própria existência, incumbe-nos, através deum discurso pragmático e não meramente dogmático, persuadir o público que temcompromisso com a educação, na realidade da família ao professor, da Escola aopróprio Estado, a implementar ações voltadas para a formação do futuro cidadão, sendoo incentivo ao hábito da leitura o mais ideal dos instrumentos para essa conquista.O nosso intuito com este trabalho de conclusão de curso é que este não seja apenas umdocumento obrigatório para obtenção do título de professor, mais que seja um ponto dereferência na busca por soluções no processo de leitura e escrita. Nos realizaremos aindamais se este tema fomentar em outros educadores o desejo de continuar este nossotrabalho, fazendo dele fonte de pesquisa e inquietação.Que as vicissitudes do cotidiano nos permita avançar através da leitura, rumo auma Sociedade Livre, Justa e Igualitária, valores supremos de qualquer nação!5 – Referências BibliográficasBAKTIN, Mikail. Maxismo e filosofia da linguagem. 6ed. São Paulo: Hucitec, 1992.CAGLIAI, Luiz Carlos. Alfabetização e lingüística. São Paulo: Scipione, 1989.CARVALHO, Bárbara Vasconcelos de. A Literatura Infantil: Visão Histórica e Crítica.4ª ed. Global. São Paulo. 1985.CECCON, Claudius (org). A vida na escola e a escola da vida. 24.ed. Rio de Janeiro:Vozes, 1992.CHARTIER, Roger. Cultura Escrita, Literatura e História. Porto Alegre: ArtesMédicas,2001.FOUCAMBERT, J. A leitura em questão. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994._______________. A criança, o professor e a leitura. Porto Alegre: Artes Médicas,1997. 55
  • 56. FREIRE, Paulo. Professor sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar. 2ªed. São Paulo:Olho d’água, 1995.__________. A importância do ato d ler: em três artigos que se completam. 45ªed. SãoPaulo: Cortez, 2003.GUIMARÃES, Elisa. A articulação do texto. 4ªed. São Paulo: Ática, 1995.KRAMER, S. Alfabetização, leitura e escrita: Formação de professores em curso. SãoPaulo: Ática, 2001.MATENCIO, Maria de Lourdes Meirelles. Leitura, produção de texto e a escola.Autores associados: São Paulo, 1994.SMITHI, F. Leitura significativa. 3ªed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999.SOARES, Magda. Linguagem e escola: uma perspectiva social. 13ªed. São Paulo:Ática, 1995.SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura. 6ªed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.VYGOTSKI, Liev Semiónovittch. A formação social da mente. 2ªed. São Paulo:Martins Fontes, 1997.____________. Pensamento e linguagem. 2ªed. São Paulo: Martins Fontes, 1998. 56