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Formação de leitores críticos lucimeire cavalcanti dias.docx

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O papel da escola na formação de leitores críticos.

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Transcript

  • 1. 1 O PAPEL DA ESCOLA NA FORMAÇÃO DE LEITORES CRÍTICOS1 Lucimeire Cavalcanti Dias2Resumo O presente artigo tem como objetivo enfocar a prática pedagógica do professor diante daformação de leitores críticos. Buscou-se então identificar os problemas encontrados naaprendizagem, identificar as dificuldades que o professor encontra para estimular o aluno apraticar o ato de ler, compreender como se dá o possesso de ensino-aprendizagem da leiturana escola e verificar se a falta de estímulo à leitura provoca no aluno a visão de que se deve com abordagem exploratória,ler apenas por dever. A pesquisa é do tipo quanti/qualitativa,descritiva. O instrumento utilizado para a coleta de dados foi uma observação diária e umaentrevista oral e escrita. Os sujeitos da pesquisa serão constituídos pelos docentes do EnsinoFundamental I que lecionam o 4º ano (02 professores) e pelos discentes que compreendem o naano em questão (60 alunos) Escola Estadual de Ensino Infantil e Fundamental Santa MariaGorete. Os dados coletados apontam que existe uma deficiência por parte dos professores,pois, na maioria das vezes estes não utilizam um dos instrumentos imprescindíveis para umaformação geral e que possibilite cidadãos críticos, autônomos e atuantes, no caso o ato de ler.No âmbito escolar percebemos que os alunos cada vez mais se afastam e desinteressam pelaleitura e é aí que se questiona a prática pedagógica, o ensino e o incentivo da leitura em salade aula e as propostas de ação que podem levar as crianças a se tornarem "Leitores críticos".É preciso apostar que é possível ir muito além da alfabetização e que sujeitos leitores sãocapazes de olhar reflexivamente a realidade à sua volta, e capazes de fazer a opção de mudá-lade alguma forma.Palavras-chave: Aprendizagem. Metodologia. Leitores críticos.SummaryThis article aims to focus on the pedagogical practice of teachers training of critical readers.Sought then to identify the problems encountered in learning, identify the difficulties that theteacher is to stimulate the student practicing the Act of reading, understand how the possessedthe teaching of reading in the school and check whether the lack of stimulating reading causesthe student to view that should be read only by duty. The search is of type quanti/qualitative,with the exploratory, descriptive approach. The instrument used for collecting data was a dailyobservation and an oral interview and writing. The subject of the survey will be formed byteachers in elementary school I teach 4th year (2 teachers) and by students who understand theyear in question (60 students) in the State school education of children and FundamentalSanta Maria Gorete. The data collected suggest that there is a deficiency on the part ofteachers, because often they do not use one of the indispensable instruments for generaltraining and enabling citizens and vocal critics, freelance, in case the Act of reading. In school1 Trabalho apresentado a Faculdade Integrada de Patos, como pré-requisito parcial de Conclusão do curso de PósGraduação em Língua, Linguística e Literatura.2 Professora Graduada em Língua Portuguesa e Língua Inglesa pela URCA, Professora do Ensino Infantil eFundamental I Fase pela Escola Normal em Nível Médio são José e Coordenadora Pedagógica do ProjovemAdolescente.
  • 2. 2we realize that students increasingly alienated and losing by reading and questioned thepedagogical practice, teaching and encouragement of reading in the classroom and theproposals for action that can lead children to become "critical". You must bet that you can gofar beyond literacy and that subject readers are able to look reflexively reality around them,and capable of making the option to change it somehow.Keywords: learning. Methodology. Critical readers.Introdução A alfabetização, a leitura e a produção textual têm sido alvo de grandes discussões porparte dos estudiosos da Educação, já que há muitos anos se observam algumas dificuldades deaprendizagem e altos índices de reprovação e evasão escolar. Dentre as questões maisfocalizadas, destaca-se o ensino da língua materna. A dificuldade, após anos de escola, de oaluno escrever um texto coeso e coerente culminando na insegurança linguística demonstra ofracasso das práticas linguísticas das aulas. Partindo deste princípio, julguei oportunodesenvolver este tema. com abordagem exploratória, descritiva. O A pesquisa é do tipo quanti/qualitativa,instrumento utilizado para a coleta de dados foi uma observação diária e uma entrevista oral eescrita. O estudo foi realizado na Escola Estadual de Ensino Infantil e Fundamental SantaMaria Gorete localizada a rua Inácio Lira, centro, São José de Piranhas-PB. Os sujeitos da pesquisa serão constituídos pelos docentes do Ensino Fundamental Ique lecionam o 4º ano (02 professores) e pelos discentes que compreendem o ano em questão na( 60 alunos) Escola Estadual de Ensino Infantil e Fundamental Santa Maria Gorete. A falta de estímulo à leitura, por parte dos educadores observados e entrevistados, naE.E.E.I. F Santa Maria Gorete, na cidade de São José de Piranhas – PB colabora para que oaluno conceitue a leitura apenas como objeto de ensino e não de aprendizado, partindo doproblema exposto, objetivo com este trabalho científico, provar que é preciso haver estímulopor parte dos educadores para que seja desenvolvido o gosto pela leitura em seus alunos;identificar as dificuldades que o professor encontra para estimular o aluno a praticar o ato de
  • 3. 3ler e verificar se a falta de estímulo à leitura provoca no aluno um retardamento em seuaprendizado. Sobre este prisma, torna-se oportuna a discussão sobre as formas de lidar com osnovos tempos e, portanto, emergir o discurso sobre a qualidade de ensino nas escolas,atentando para a ascensão no nível de educação de toda população e detectando os fatores quepossam atender às novas exigências educativas que a própria vida cotidiana impõe de maneiracrescente no meio social. Neste sentido, um dos instrumentos imprescindíveis para uma formação geral e quepossibilite cidadãos críticos, autônomos e atuantes, nesta sociedade em constante mutação,seria a prática de leituras variadas que promovam, de maneira direta ou indireta, uma reflexãosobre o contexto social em que estão inseridas, uma vez que o movimento dialético da leituradeve inserir o leitor na história deste milênio e o constituir como agente produtor de seupróprio futuro. Formar um leitor crítico não é tarefa fácil, entretanto fica claro que se trata de algoextremamente significativo para o aluno. Na verdade, o que almejo, é analisar a participaçãoda escola na formação de leitores críticos, já que acredito na hipótese de que é preciso haverestímulo por parte dos educadores aos seus alunos para que seja efetivada a formação deleitores críticos e que a leitura não deve ser encarada nem pelo professor nem pelo alunocomo uma obrigação, um dever, e sim como uma atividade prazerosa. Para tanto, o professordeve demonstrar paixão pela mesma e apresentá-la como fundamental para a formaçãointelectual dos educandos. Assim, é essencial para o sucesso com o trabalho da leitura em sala de aula, a utilizaçãode um universo textual amplo e diversificado, fazendo-se necessário que o aluno entre emcontato com os vários tipos de textos que circulam socialmente, para adquirir autonomia eescolher o tipo de texto que mais se encaixa com o seu gosto ou com as suas necessidades.Por isso, é importante proporcionar aos alunos diversificadas situações nas quais a leituraesteja em foco, pois se aprende a ler lendo e a interpretar o que leu interpretando. Asestratégias de leitura envolvem vários tipos de conhecimentos e várias habilidades do leitor aomanusear o texto. A leitura é uma atividade que está presente na escola em todas as atividades queenvolvem as disciplinas do currículo. Lê-se para ampliar os limites do próprio conhecimento.Por isso, precisa se fazer presente na vida do estudante, não como algo paralelo do seu ensino-
  • 4. 4aprendizagem, mais como alguma coisa essencial para o desenvolvimento cognitivo eprincipalmente dentro de um contexto real de leitura e análise de textos, para que o ato de lerpossa passar a fazer sentido para os alunos. O texto se modifica a cada leitura que se realiza, porque o leitor coloca nele suasexperiências, seus conhecimentos, aspectos da sua cultura, sua visão de mundo e também asua opinião a respeito do tema exposto e à medida que lê o texto, vai ampliando os seushorizontes a respeito do tema que nele está exposto. Por isso, trabalhar com a leitura na salade aula é necessário que se crie situações com as quais os alunos possam ler os textos, não sóuma, mas várias vezes, para perceber que seu conteúdo é uma fonte inesgotável deinformação e de criação de novos conceitos. Aprender a ler e se tornar um leitor crítico que além de realizar leitura compreende otexto, exige empenho, tanto por parte do aluno quanto por parte de quem propõe o trabalhocom a leitura, no caso a escola. É preciso que ambos entendam que não se lê só para aprendera ler, mas sim para responder as suas necessidades pessoais.O aprendizado inicial da leitura e suas concepções É preciso superar algumas concepções sobre o aprendizado inicial da leitura. Aprincipal delas é a de que ler é simplesmente decodificar, converter letras em sons, sendo acompreensão consequência natural dessa ação. Por conta desta concepção equivocada a escolavem produzindo grande quantidade de “leitores” capazes de decodificar qualquer texto, mascom enormes dificuldades para compreender o que tentem ler. O conhecimento atualmente disponível a respeito do processo de leitura indica quenão se deve ensinar a ler por meio de práticas concentradas na decodificação. Ao contrário épreciso oferecer aos alunos inúmeras oportunidades de aprenderem a ler usando osprocedimentos que os bons leitores utilizam. É preciso que antecipem, que façam inferênciasa partir do contexto ou do conhecimento prévio que possuem, que verifiquem suas suposições.É disso que se está falando quando se diz que é preciso “aprender a ler, lendo”. A escola, espaço que convencionamos como sendo específico e privilegiado do saber,no que concerne à leitura, precisa rever suas práticas, principalmente diante de leiturasimpostas em salas de aulas onde faz imperar um dualismo: de um lado algumas escolas que,
  • 5. 5ao pretenderem uma rápida atualização com o presente, assimilam o novo sem a devidareflexão utilizando inadequadamente instrumentos modernos de ensino e tornando seusleitores passivos diante de imagens efêmeras. Em contraposição, outras escolas utilizamtextos fragmentados de manuais didáticos como único meio auxiliar para a leitura,objetivando o trabalho de unidades curriculares como mera fixação e memorização deconteúdos, quase sempre aleatórias à realidade dos alunos. Neste sentido, esta ambiguidade da prática educativa tornam os alunos alheios arealidade que os circundam, tornando-os vulneráveis a dominação de uma minoria que pensae se mantêm bem informados. Parte-se então do pressuposto que a prática da leitura significaa possibilidade de domínio através de um instrumento de poder, chamado linguagem formal,pois é desta forma que estão escritas as leis que regem nosso país, e assim perceber os direitosque se tem, o direito das elites que, com um discurso ideológico em prol da liberdade e dajustiça, os mantêm na condição de detentores do Poder. Práticas de leitura para as crianças têm um grande valor em si mesmas, não sendosempre necessárias atividades subsequentes, como o desenho dos personagens, a resposta deperguntas sobre a leitura, dramatização das histórias etc. Tais atividades só devem se realizarquando fizerem sentido e como parte de um projeto mais amplo. Caso contrário, pudesseoferecer uma idéia distorcida do que é ler. A criança que ainda não sabe ler convencionalmente pode fazê-lo por meio da escuta daleitura do professor, ainda que não possa decifrar todas e cada uma das palavras. Ouvir umtexto já é uma forma de leitura. É de grande importância o acesso, por meio da leitura pelo professor, a diversos tiposde materiais escritos, uma vez que isso possibilita às crianças o contato com práticas culturaismediadas pela escrita. Comunicar práticas de leitura permite colocar as crianças no papel de“leitoras”, que podem relacionar a linguagem com os textos, os gêneros e os portadores sobreos quais eles se apresentam: livros, bilhetes, revistas, cartas, jornais etc. As poesias, parlendas, trava-línguas, os jogos de palavras, memorizados e repetidos,possibilitam às crianças atentarem não só aos conteúdos, mas também à forma, aos aspectossonoros da linguagem, como ritmo e rimas, além das questões culturais e afetivas envolvidas. Manter grande parte da população escolar perto do alcance desta linguagem formal, esteé o grande desafio, a fim de que, com uma visão crítica e reflexiva e através do discernimento,não se permita a perpetuação de sua condição de dominados. Neste sentido torna-se oportuno citar Foucambert :
  • 6. 6 a leitura aparece também como um instrumento de conquista de poder por outros atores, antes de ser meio de lazer ou evasão. O acesso a leitura de novas camadas sociais implica que leitura e produção de texto se tornem ferramentas de pensamento de uma experiência social renovada; ela supõe a busca de novos pontos de vista sobre uma realidade mais ampla, que a escrita ajuda a conceber e a mudar, a invenção simultânea e recíproca de novas relações, novos escritos e novos leitores. Nesse sentido torna-se leitor pela transformação da situação que faz que não se o seja. (1994, p. 121) Assim, a leitura como prática social faz a diferença para aqueles que dominam,tornando-os distintos cultural e socialmente. Faz-se necessário que as escolas revejam as condições restritas impostas ao ensino daleitura. Entretanto mudar as condições de produção da leitura na escola não significa apenasalterar os instrumentos de sua codificação e decodificação, vai muito mais além. ConformePaulo Freire: o ato de ler não se esgota da decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da palavra linguagem e realidade se prendem dinamicamente. (2003, p. 11) Exige-se da escola, principalmente, o redimensionamento de todo o trabalho educativoque engloba: ousadia, seleção de materiais variados, espaço para socialização, respeito aopiniões divergentes, enfim novas propostas de trabalhos pedagógicos com leituras críticas evariadas. Reafirmamos que o exercício e prática da leitura transcendem ao uso de materiais comomeios auxiliares de ensino, empregados como modismos em sala de aula ou como atividadeligada a lição e a intenção didática instrucional. Além da leitura como informação e, consequentemente, como fonte de acesso aoconhecimento e ao poder, o mais importante é a capacidade de se aliar isso ao prazer eentretenimento, pois é de se deduzir, por essa linha de pensamento que, a contrário senso, oprazer na prática da leitura levará automaticamente o leitor ao conhecimento. Assim, a leitura singular dos livros didáticos deve ceder espaço aos livros de literaturainfantil, jornais, revistas, gibis, bulas de remédios, receitas caseiras, etc., que fazem parte dos
  • 7. 7objetos de uso cotidiano, articulado a uma leitura significativa e, portanto, compreensiva emais agradável como processo pedagógico. Leitura é conhecimento, e o conhecimento é um processo de construção em que oprotagonista é o aluno, e respaldando tal assertiva é oportuno citar Paulo Freire: Uma educação que procura desenvolver a tomada de consciências e a atitude crítica, graças à qual o homem escolhe e decide, liberta-o em lugar de submetê-lo, de domesticá-lo, de adaptá-lo, como faz com muita frequência a educação em vigor num grande número de países do mundo, educação que tende a ajustar o indivíduo à sociedade em lugar de promovê-lo em sua própria linha .(1994, p. 37)O professor-leitor e sua implicação na formação do aluno-leitor Aprender a ler e se tornar um leitor crítico que além de realizar leitura compreende otexto, exige empenho, tanto por parte do aluno quanto por parte de quem propõe o trabalhocom a leitura. É preciso que ambos entendam que não se lê só para aprender a ler, mas simpara responder as suas necessidades pessoais. Faz-se necessário prosseguir com Solé (1998,p.58-59), ao afirmar que “os alunos devem ver na leitura algo interessante e desafiador, umaconquista capaz de dar autonomia e independência. E devem estar confiantes, condição estapara enfrentar o desafio e aprender fazendo”. O estudante precisa sentir-se estimulado paradesenvolver uma prática constante de leitura, precisa deparar-se com situações com as quaispossa raciocinar, refletir e progredir cognitivamente precisa esforçar-se para se encaixar noperfil do leitor crítico e para isso, dois pontos são de suma importância: o tipo de materialutilizado e a proposta pedagógica que se realiza dentro da instituição de ensino investigada. : “Assim, as professoras entrevistadas afirmam que Primeiramente, utilizo o livro didático professora 1, entrevistaadotado pelo colégio, mas também livros, revistas, jornais, vídeo”. (em 10/04/2011). “ Utilizo diversos materiais, desde o livro didático adotado como outrasfontes: jornal, revista, livros de literatura, telas, vídeos, rádio, entre outros”. (Professora 2,entrevista em 10/04/2011). professora 1 e professora 2 deixaram claro Com relação ao segundo ponto arespectivamente que: “ Conhecer novas palavras, como são escritas e também a informação
  • 8. 8que é de suma importância.” (entrevista em 10/04/2011). “Ajudar o educando a formar seusenso crítico, como também compreender melhor o mundo onde está inserido, desenvolver acapacidade de interpretação e produção de texto, ampliar o vocabulário”. (entrevista em10/a4/2011). Não se pode negligenciar que o livro didático exerce uma grande influência nasescolhas do professor nas práticas de leitura, o que pode ser explicado pelo fato de muitasvezes ser este o material de leitura mais acessível ao professor. Não se pretende aqui fazer acondenação sumária do livro didático, apesar de vários estudos já terem apontados osmalefícios que os mesmos podem trazer ao processo de ensino-aprendizagem. Entendemosque o grande perigo ocorre quando o professor se deixa dominar pelo livro didático,abandonando o caráter polissêmico da atividade de leitura para legitimar a sua autoridade apartir dos modelos prontos veiculados na material didático. Os professores em questão parecem ter por consenso da necessidade do uso de textosvariados e relacionados a realidade do educando. Quando temos em mente que uma leituracrítica, deve além de gerar conhecimentos, propor atitudes e analisar valores, de forma atornar mais aguçada a percepção do leitor diante da vida, devemos também ter claro que nãobasta ficarmos restritos à realidade local do educando. Sem sombra de dúvidas, esse é oprimeiro passo para a produção de sentidos, porém a formação do leitor crítico pressupõe oacesso ao conhecimento de forma globalizada que permita ao leitor reorganizar o seu contextoimediato, mas também interagir com realidades mais amplas da sociedade organizada. Em relação à questão de como poderia descrever, resumidamente, a maneira que sedesenvolve as atividades de leitura com seus alunos, o que se observou foi a confusão nas De acordo com oetapas para o processamento da leitura por parte dos professores.depoimento da professora 2 quando diz: Deixo que cada aluno escolha o que quer ler, claro que dou as informações necessárias para cada aluno. Depois peço a eles que façam um resumo e apresente aos colegas de sala, dando a liberdade para perguntas sobre o livro. Esse trabalho é feito individualmente. (entrevista em 10/04/2011).. Os professores não estão preocupados com o ambiente e com o prazer proporcionadopela leitura ao aluno, como também desconhecem as etapas do processamento da leitura pelosleitores e não levam em conta, segundo seus próprios depoimentos, o conhecimento prévio do
  • 9. 9aluno ou seu entendimento com relação ao texto lido. Ficando evidente que não haverácompreensão, não haverá criticidade, pois o leitor não será capaz de questionar, discutir,aquilo que não compreendeu. Entendemos que o ambiente é importante e que a leitura devenas devidas proporções, ser uma fonte de prazer para o leitor. Nossa sociedade, carece deleitores que investiguem, desconfiem e busquem reorganizar a realidade. Os professores pesquisados são unânimes em definir a sala de aula, como ambiente Nesse sentido, a professora 1 diz que:mais utilizado para se desenvolver as aulas de leitura.“ A sala de aula é o ambiente onde sempre desenvolvo as aulas de leitura e algumas vezes fora,como em casa, por exemplo, pois, não temos uma boa biblioteca para desenvolver essasatividades”. (entrevista em 10/04/2011). No que se refere às dificuldades, muitas vezes o professor exclui sua parcela deresponsabilidade, como se tudo na sala de aula girasse em torno do leitor e do texto, sem queeste tivesse sua parcela de participação no fracasso ou sucesso das práticas de leitura. Comoficou claro em depoimentos coletados durante este trabalho de pesquisa, feitos pelasprofessoras 1e 2 sequencialmente: “Há uma grande dificuldade de ler com compreensão, omais comum é o aluno fazer a decodificação do código escrito.” (entrevista em10/04/2011)..”Os alunos em geral, com raras exceções gostam de ler, pois não tem o hábito deleitura e consequentemente sentem-se desmotivados diante do ato de ler.” (entrevista em10/04/2011). Por isso, entendemos que é uma necessidade formar o leitor crítico e argumentamostambém que fazer do aluno um leitor com este perfil é uma urgência dentro das instituiçõesescolares, pois o rendimento escolar de determinados alunos é marcado pelo fracasso, emvirtude de não serem bons leitores e também, bons interpretadores de textos e/ou enunciados,que não estão presentes só em Língua Portuguesa, mas em todas as disciplinas do currículoescolar. Desenvolvendo habilidades de leitura crítica, certamente este aluno passará a terdesempenho melhor nas demais disciplinas com as quais tem contato na escola. Para Solé : o leque de objetivos e finalidades que faz com que o leitor se situe perante um texto é amplo e variado: devanear, preencher um momento de lazer e desfrutar, procurar uma informação concreta; seguir uma pauta ou instruções para realizar uma determinada atividade (cozinhar, conhecer as regras de um jogo); informar sobre um determinado fato (ler o jornal, ler um livro de consulta sobre a Revolução Francesa); confirmar ou refutar um conhecimento prévio; ampliar a informação obtida com a leitura de um texto na realização de um trabalho, etc. (1998, p.22)
  • 10. 10 É importante que o leitor perceba que existem várias possibilidades de se transmitiruma informação através de um texto e que o mesmo varia à medida que muda o conteúdo queestá exposto, mas não é só isso, muda também a estrutura do texto. Um texto informativo temuma linguagem objetiva e não se confunde com os textos de natureza literária ou artística, queutiliza a subjetividade, e a criatividade prevalece para encantar o leitor. Que por sua vezdifere-se do texto narrativo, uma vez que relata fatos e acontecimentos e do texto descritivo,que representam objetos e personagens que participam do texto narrativo. Já o textoargumentativo, procura convencer o leitor, propondo ou impondo uma interpretação.Conclusão Conforme atesta a análise desenvolvida ao longo deste trabalho, os professores daescola em questão, em grau maior ou menor, não têm total conhecimento das práticasnecessárias a formação de leitores críticos. Embora essa urgência esteja marcada em muitas desuas colocações, as ações pedagógicas por eles desenvolvidas, segundo seus relatos, nospermitem afirmar que não é possível alcançar plenamente a formação desse tipo ideal deleitor. Não se trata, entretanto, de fazer a condenação pública do professor, imputando-lhetoda a culpa pelo insucesso de uma prática que não depende exclusivamente de seu trabalho,já envolve outras instâncias da ordem social estabelecida. Percebe-se, portanto, que é urgente a implementação de um processo de formaçãocontinuada que assegure ao professor a reparação das eventuais lacunas deixadas ao longo deseu processo de formação, principalmente considerando o contexto específico e aspeculiaridades do estabelecimento em questão, que impõem desafios maiores aos professores,enquanto mediadores do processo de leitura. Dessa forma, a formação de leitores críticos,nessa realidade, pressupõe a reação às formas de dominação a uma ideologia que, tantoquanto aquela representada pela escola, pode também levar a alienação e ao conformismo. Há muito a se discutir, refletir e pesquisar para que se consiga concretizar de maneiraefetiva, nas salas de aula, esta audaciosa proposta. E foi com esse intuito, que a questão dopapel da escola na formação de leitores críticos, tornou-se foco deste estudo, pois se trata deum primeiro passo e de um grande desafio: romper barreiras para melhor ensinar, visando,sobretudo, uma educação que permita ao aluno o exercício pleno de sua cidadania e o seudesenvolvimento como pessoa humana através do hábito de ler, não apenas como fonte deconhecimento, mas também como informação e prazer!
  • 11. 11ReferênciasFOUCAMBERT, J. A leitura em questão. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.FREIRE, Paulo. Professor sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar. 2ed. São Paulo: Olhod’água, 1994.______. A importância do ato d ler: em três artigos que se completam. 45ed. São Paulo:Cortez, 2003.SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura. 6 ed. Porto Alegre: ArtMed, 1998.

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