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O FOTOLIVRO E A MUDANÇA NO PARADIGMA DA LINGUAGEM FOTOGRÁFICA
 

O FOTOLIVRO E A MUDANÇA NO PARADIGMA DA LINGUAGEM FOTOGRÁFICA

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Este trabalho pretende estudar a fotografia desde o seu surgimento até os dias atuais, levando em consideração o seu objetivo primordial, suas influências e suas evoluções, analisar temas como ...

Este trabalho pretende estudar a fotografia desde o seu surgimento até os dias atuais, levando em consideração o seu objetivo primordial, suas influências e suas evoluções, analisar temas como sua origem, o instante fotográfico, a fotografia como arte, como ela influenciou a sociedade no cotidiano, a fotografia como artefato e a natureza da imagem digital.

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    O FOTOLIVRO E A MUDANÇA NO PARADIGMA DA LINGUAGEM FOTOGRÁFICA O FOTOLIVRO E A MUDANÇA NO PARADIGMA DA LINGUAGEM FOTOGRÁFICA Document Transcript

    • 9UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃOCENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIASCURSO DE DESENHO INDUSTRIALLUCIANA SANTOS SOUSAO FOTOLIVRO E A MUDANÇA NO PARADIGMA DA LINGUAGEMFOTOGRÁFICASão Luís2007
    • 10LUCIANA SANTOS SOUSAO FOTOLIVRO E A MUDANÇA NO PARADIGMA DA LINGUAGEMFOTOGRÁFICAMonografia apresentada ao Curso de DesenhoIndustrial da Universidade Federal doMaranhão, para obtenção do grau de Bacharelem Desenho Industrial.Orientadora: Prof. ª Raquel NoronhaCo-Orientador: Prof.° Dr. Anselmo CardosoPaivaSão Luís2007
    • 11LUCIANA SANTOS SOUSAO FOTOLIVRO E A MUDANÇA NO PARADIGMA DA LINGUAGEMFOTOGRÁFICAMonografia apresentada ao curso de graduação deDesenho Industrial da Universidade Federal doMaranhão, para obtenção do grau de Bacharel emDesenho Industrial.Orientadora: Prof. Raquel NoronhaCo-Orientador: Prof. Dr. Anselmo PaivaAprovado em: / /BANCA EXAMINADORAProf.° Dr. Anselmo Cardoso de Paiva (Co-Orientador)Doutor em InformáticaProfº. Esp. Francisco de Assis LoboEspecialista do Departamento de Desenho e TecnologiaProfª. Raquel Gomes Noronha (Orientadora)Professora Especialista
    • 12A Deus.A todas as pessoas que, assimcomo eu, são apaixonadas pordesign e pela fotografia.
    • 13AGRADECIMENTOSAo autor da minha vida, Jesus Cristo, que tem me cercado diariamente com Suafidelidade, não me deixando desistir.Aos meus pais, Edmilson e Ana, pelo amor, incentivo e por tudo que fizeram para queeu chegasse aonde cheguei.Ao meu irmão, Ulysses, pelo apoio e companheirismo.Aos amigos: Marcelo, pelas dicas, Guto Carvalho, pela ajuda que chegou na horacerta, Maycon, pelos momentos que me socorreu, Denise, por toda força nas horas precisas.A todos os amigos que me incentivaram, apoiaram-me e lutaram junto comigo aolongo desses anos.À Prof.ª Raquel, minha orientadora, que me deu a maior força e me acompanhou nessafase tão importante da minha vida.Ao Prof.° Dr.Anselmo, meu co-orientador, pelos momentos de auxilio e aprendizado.
    • 14“A fotografia não apenas reproduz oreal, recicla-o – um procedimentofundamental numa sociedade moderna.Na forma de imagens fotográficas,coisas e fatos recebem novos usos,destinados a novos significados, queultrapassam as distinções entre o belo eo feio, o verdadeiro e o falso, o útil e oinútil , bom gosto e mau gosto.”Susan Sontag
    • 15RESUMOEste trabalho pretende estudar a fotografia desde o seu surgimento até os dias atuais,levando em consideração o seu objetivo primordial, suas influências e suas evoluções,analisar temas como sua origem, o instante fotográfico, a fotografia como arte, como elainfluenciou a sociedade no cotidiano, a fotografia como artefato e a natureza da imagemdigital.Abordar-se-á a mudança de paradigmas na linguagem fotográfica, desde os processoscom as chapas de prata até o advento da fotografia digital. A fotografia digital contribuiu paraque as pessoas aumentassem o número de cliques, deixando para trás o papel fotográfico einvadindo os computadores e sites pessoais, mas com a vantagem que qualquer pessoa domundo pode visualizá-las. Em contrapartida, com toda essa tecnologia, foi-se perdendo oantigo costume de manusear as imagens impressas.Mas o mercado fotográfico tem crescido muito nos últimos cinco anos, designers têminvestidos em produtos, já existentes, atribuindo a fotografia como elemento fundamental pararenovar a estética, torná-lo exclusivo, e até mesmo, abrir novos caminhos para fotografiadigital, além do computador. E o produto que vêm sendo mais requisitado pelos clientes é oFotolivro, o qual será alvo de discussão, observando seus aspectos semânticos, simbólicos eestéticos a partir do advento da fotografia digital e como ele tem sido a nova tendência nomercado fotográfico.Palavras-chave: fotografia, paradigmas, fotografia digital, fotolivro
    • 16ABSTRACTThis work intends to discuss photography from origin to nowadays, considering itmain purpose, its influences and its developments; to analyse themes like origin, moment ofclick, photo like art, how its influenced society in nowadays, photo like workmanship andnature of digital image.It will discuss changes of patterns in photo language, from process with silver foil to arrival ofdigital photo. Digital photo has been motivated increase of clicks, making people to forsakephoto paper and it entered on web and personal computer, with a advantage that people cansee them everywhere. On the other hand, because of this tecnology, people have abandonedold-fashioned customs of using primed image.Nevertheless, photo market improved so much last five years. Designers have been investedin products which existed before, giving photo main element to renew esthetics, becoming itexclusive and openning new ways to digital photo beside of computer. Between thereproducts, photobook is the most required by clients and it will be the subject of discussion,considering semantic, simbolic and esthetics aspects, from arrival of digital photo and how ithas been new tendency photo market.Word-key: photography, paradigms, digital photography, photobook
    • 17SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO........................................................................................................92 ORIGENS DA FOTOGRAFIA ............................................................................113 HISTÓRIA DA FOTOGRAFIA NO BRASIL....................................................153.1 Dom Pedro II e Dumond .......................................................................................163.2 Cronologia do Advento da Fotografia no Brasil .................................................174 DA IMAGEM CONGELADA NO TEMPO AO INSTANTEFOTOGRÁFICO ...................................................................................................214.1 A Fotografia como Arte.........................................................................................235 INFLUÊNCIAS FOTOGRÁFICAS NA ESTÉTICA.........................................255.1 A Influência da fotografia no cotidiano ...............................................................255.2 A Influências da fotografia no Cinema ................................................................285.3 Álbuns de Fotos de Família e o Papel Social da Fotografia................................315.3.1 Instantâneo .............................................................................................................315.3.2 Crianças ..................................................................................................................325.4 A Fotografia como Artefato ..................................................................................336 A NATUREZA DA IMAGEM DIGITAL ...........................................................366.1 Resolução ................................................................................................................376.2 Cor...........................................................................................................................386.3 Captura ...................................................................................................................416.4 Visualização ............................................................................................................436.5 Armazenamento .....................................................................................................456.5.1 Compressão de Arquivos.......................................................................................466.5.2 Formatos de Arquivos ...........................................................................................476.6 Processamento ........................................................................................................497 A FOTOGRAFIA DIGITAL ................................................................................507.1 Analógica x Digital.................................................................................................557.2 Depoimentos de Fotógrafos...................................................................................578 O FOTOLIVRO E A MUDANÇA NA LINGUAGEM FOTOGRÁFICA .......598.1 Fotoprodutos...........................................................................................................628.2 Fotolivro..................................................................................................................639 CONCLUSÃO ........................................................................................................70
    • 18Sousa, Luciana SantosO Fotolivro e a mudança no paradigma da linguagem fotográfica/ Luciana Santos Sousa. – São Luís, 2007.75f.Impresso por computador (fotocópia).Orientador: Raquel Noronha.Co-Orientador: Anselmo Cardoso Paiva.Monografia (graduação) – Universidade Federal do Maranhão,Curso de Desenho Industrial, 2007.1. Fotografia – Paradigmas 2. Fotografia Digital 3. Fotolivro I.Título.CDU 77
    • 191 INTRODUÇÃOO homem sempre procurou alguma forma de reproduzir sua imagem. Mesmo na épocadas cavernas eles já traçavam alguns desenhos nas paredes para expressar suas idéias eanseios.Esse desejo de registrar imagens levou várias pessoas a tentarem inventar algum meioque capturasse a imagem humana, de maneira que pudessem registrar na lembrança, a suaprópria existência.Surgiu a pintura, técnica a qual poucas pessoas tinham acesso, por ser cara e pelademora no seu processo. Depois de séculos de experimentos, nasce a fotografia como umagrande novidade, para revolucionar os métodos de impressão no papel. A fotografia aparecepara provar que algo existe, para gravar uma cena real em imagem estática e, também, paraprojetar a imagem humana. Temos os famosos retratos de família da grande burguesia do finaldo século XIX e início do século XX como os paradigmas fotográficos de outrora. Foi, semdúvida, a primeira manifestação artística a surgir dentro do sistema industrial.Mas, com o passar dos anos, paradigmas foram sendo construídos, edificando umalinguagem fotográfica que, com o avanço da tecnologia, e conseqüentemente, com novasdescobertas, esses mesmos paradigmas vêm sendo quebrados e mudados de maneirasurpreendente.Este trabalho pretende, de modo analítico, contribuir para o estudo da fotografia desdea sua invenção até os dias de hoje, comparando essa mudança no modo de ver a fotografiacomo arte, como artefato e como objeto de trabalho. Com um mercado aquecido por essarevolução tecnológica, os produtos se multiplicam. Nosso caso de estudo é a análise de umproduto contemporâneo: o Fotolivro. Inserido neste “sistema de objetos”, o Fotolivro provocao desejo de ele próprio ser possuído, e aumenta a dinâmica da distribuição de imagens naatualidade.Para isso, analisar-se-á o produto Fotolivro em seus aspectos semânticos, simbólicos eestéticos a partir do advento da fotografia digital, discutindo o uso da fotografia na sociedadecontemporânea para que se possa entender as características mercadológicos da fotografiaenquanto um artefato.Assim, o trabalho se dividirá em sete capítulos obedecendo a uma ordem cronológica.No primeiro e segundo capítulos abordarão as origens da fotografia, analisando seusinventores e idealizadores, e também suas origens a nível nacional.
    • 20No terceiro capítulo comentar-se-á sobre um grande marco na história da fotografia,que é o instante fotográfico e, também, discutir um fato que vem sendo questionado até osdias de hoje: a fotografia como obra de arte, levando em consideração opiniões de escritoresque contribuíram significativamente para o tema, como Susan Sontag e Walter Benjamin.Já no quarto capítulo será estudado como a fotografia influenciou, e influencia, aestética e o cotidiano da sociedade, incluindo o fotojornalismo, o cinema, os álbuns de fotosde família e o papel social da fotografia, e ainda a fotografia como artefato, tópico no qualserá debatido os pontos de vista de autores com Jean Baudrillard, Vilém Flusser, entre outros.O surgimento da Imagem Digital será discutido no capítulo cinco, no qual serárelatado as informações relevantes para o tema em debate, como a sua natureza, resolução,cor, captura, visualização, armazenamento e processamento. Serão, ainda, abordadosconceitos importantes para o entendimento do advento da Fotografia Digital, cujascaracterísticas e conceituação serão tratadas no capítulo seis. Aqui, abordar-se-á, como afotografia tornou-se acessível, gerando um prazer em fotografar entre muitas pessoas, quais asvantagens que ela trouxe e as últimas novidades sobre fotografia. Também se verá asdiferenças entre a fotografia analógica e a digital, e pra finalizar, uma entrevista com trêsfotógrafos profissionais, daqui de São Luís (MA), falando de suas experiências na fotografia ecomparando esses dois tipos de tecnologia.E no último capítulo, far-se-á um estudo pormenorizado sobre a nova linguagemfotográfica, os paradigmas que foram quebrados, e outros que foram resgatados, como atransformação dos álbuns de fotografias tradicionais aos fotologs e os tipos de álbuns virtuaisna era digital. O estudo também mapeará os novos produtos que têm surgido com a integraçãoda fotografia a eles, e o Fotolivro, um livro de fotos personalizado ao gosto do cliente, sendoapontando como a nova tendência quando se fala em fotografia digital.
    • 212 ORIGENS DA FOTOGRAFIADepois de séculos de tentativas e experimentos, a fotografia nasce com o objetivo deaperfeiçoar os métodos de impressão no papel, o que até então só se conseguia através daxilogravura. Etimologicamente, a fotografia se define como “a arte de escrever com a luz”; “éa luz que determina a qualidade da foto, através do conceito de exposição, isto é, da relaçãoentre a quantidade de luz e o tempo de sua incidência sobre o material sensível. Definida pelafórmula “E=it”, a exposição (E) é igual ao produto da intensidade da luz (i) pelo tempo deincidência (t)”. (BERNARDO, 2002)Ao mesmo tempo, a fotografia surge como uma obra de arte, gerando umaconcorrência natural entre pintores e fotógrafos.Durante um século, a defesa da fotografia se identificou com a luta para estabelecê-la como uma bela-arte. Contra a crítica de que a fotografia era uma cópia mecânica esem alma da realidade, os fotógrafos alegavam que se tratava de uma revolta davanguarda contra os padrões comuns da visão, uma arte tão digna quanto a pintura.(SONTAG, 1977, p.143)Em meados de 1727 o alemão John H. Schullze descobriu que os sais de prata eramsensíveis à luz. Uma descoberta que, apesar de não ir muito longe, ajudou Joseph NicéphoreNiepce, que em 1826 na França, quase um século depois, conseguiu fixar uma imagem pormeio de uma câmara. Ele uniu dois fenômenos previamente conhecidos, um de ordem física(óptica, dispositivo de captação da imagem) e outro de ordem química (característicafotossensível dos sais de prata): a "câmera obscura". A câmara escura originalmente consistianum quarto totalmente sem luz com um orifício em uma das paredes através do qual seprojetava na parede oposta uma imagem invertida. Niepce produziu a primeira fotografia domundo, tirada da janela de sua casa, sendo exigidas cerca de oito horas de exposição à luzsolar.Figura 1: câmera obscura11Câmera obscura. Fonte: www.mnemocine.com.br/fotografia/historia_foto.htm
    • 22Quase dez anos mais tarde Louis-Jacques Mandé Daguerre lançou o daguerreótipo,processo em que uma placa de cobre prateada e polida, submetida a vapores de iodo, formavauma camada de iodeto de prata. Exposta à luz numa câmara escura, essa placa era reveladaem vapor de mercúrio aquecido, que aderia às partes onde a luz incidia e mostrava asimagens, fixadas por uma solução de tiossulfato de sódio, produzindo uma imagem bastantedetalhada, porém única. Este invento foi colocado gratuita e democraticamente à disposiçãodo público. Daguerre (apud SONTAG, 2004) definiu seu invento assim: “o daguerreótipo nãoé meramente um instrumento que serve para desenhar natureza; ele dá à natureza o poder dereproduzir a si mesma”.Perlman (apud Cardilli, 2007)Simultaneamente o inglês William Henry Fox Talbot, inventa o "desenho fotogênico”,um papel sensível à luz. Este papel era impregnado de iodeto de prata e exposto à luz numacâmara escura, a imagem era revelada com ácido gálico e fixada com tiossulfato de sódio.Surgia o primeiro sistema positivo-negativo, muito parecido com o processo fotográfico emuso hoje, podendo ser utilizado para gerar inúmeras imagens positivas. Deu-se o nome de ocalótipo (de kalos, ou seja, de “belo”).Figura 2: câmera usada por Daguerre2Apesar do método de Fox Talbot se aproximar mais da evolução posterior dafotografia, pois ele obedecia à natureza íntima da fotografia, foi o daguerreótipo que começoua ser explorado tornando-se mais popular, pois atendia à demanda por retratos exigida pelaclasse média durante a Revolução Industrial, lembrando, conceitualmente, a pintura por seucaráter de imaginação singular e rara.Com o tempo, percebe-se que tanto a pintura influenciou a fotografia - conhecimentossobre massa, linha, tom, contraste, profundidade e iluminação passaram a ser preocupação dosfotógrafos; como a fotografia influenciou a pintura: com o “instantâneo”, apresentado pela2Câmera usada por Daguerre. Fonte: www.mnemocine.com.br/fotografia/historia_foto.htm
    • 23fotografia, o enquadramento perfeito, realidade da pintura, deixou de existir, não se excluíamais componentes da cena que estava nos limites da “moldura”. (BALAN, 2007)Em 1901, com o surgimento da câmera Brownie-Kodak, e, em especial, com aindustrialização da produção e revelação do filme, a fotografia expande-se para o mercado emmassa. O nome Kodak, segundo (Focus, 2002), correspondia à onomatopéia do som doobturador, e sua pronúncia era quase idêntica em todos os idiomas do mundo.As primeiras fotografias eram em preto e branco. Mas isso sempre foi um dilema paraprofissionais e amantes da fotografia. André Borges Lopes, na revista Professional Publish,diz que “a arte de resumir em gradações de cinzas a infindável paleta de cores do mundo realrequer conhecimento técnico, habilidade e sensibilidade extrema”.Mas, com o progresso da química, tornou-se possível a produção de filmes coloridos.O físico James Clerk Maxwell foi quem tirou a primeira fotografia colorida permanente, noano de 1861. Em 1907, surge o primeiro processo industrial de produção de fotografiascoloridas, o Autochrome Lumière. Este era baseado em pontos tingidos de extrato de batata(1/3 de vermelho, 1/3 de azul e 1/3 de verde). Na década de 1930, a moderna fotografia emcores é lançada pelos filmes compostos Kodachrome (1935) e Agfacolor (1936).O filme colorido instantâneo foi introduzido pela Polaroid em 1963, permitindo queum positivo fosse obtido em 60 segundos após a exposição. Uma invenção totalmenterevolucionária, criado por Edwin Land nos EUA. O papel era revelado de dentro da própriacâmera, dando chance a uma correção rápida de erros ou imperfeições, vantagem ausente dafotografia durante quase um século.Há quem diga que as fotos em preto e branco sempre continuarão andando em paralelocom as coloridas. Muitos fotógrafos profissionais não abrem mão de produzir ensaiosmonocromáticos, mesmo que esses sejam casualmente. A verdade é que os registros em pretoe branco nunca desapareceram, diferindo a fotografia do cinema e, principalmente, datelevisão.Nos ensaios em preto e branco há uma carga de dramaticidade e uma carga emocionaldiferenciada do colorido, são resultados que quase não mostram o tempo, fazem desaparecertons de pele e dão mais seriedade aos olhares e gestos.De acordo com Vilém Flusser, em seu livro A Filosofia da Caixa Preta, “as fotografiasem preto-e-branco são a magia do pensamento teórico, conceitual, e é precisamente nisto quereside seu fascínio. Revelam a beleza do pensamento conceitual abstrato. Muitos fotógrafospreferem fotografar em preto-e-branco, porque tais fotografias mostram o verdadeirosignificado dos símbolos fotográficos: o universo dos conceitos”. (FLUSSER, 1983, p.23)
    • 24Segundo (BERNARDO, 2002),pesquisadores da Universidade Paris-Sud encontraram uma forma de produzir umfilme fotográfico dez vezes mais sensível que a luz, o que torna possível fotografarem lugares escuros sem necessidade de flash e sem prejuízo para as cores. Oprincípio da descoberta é o seguinte: a câmara fotográfica enfoca a luz refletida porum objeto numa película feita de plástico e revestida de uma capa química compostapor dois tipos diferentes de cristais fotossensíveis. Quando uma partícula de luzchamada fóton alcança um dos cristais, um elétron se desprende do cristal e secombina com o outro cristal. Quando o filme é revelado, os cristais que tomaram umelétron escurecem e se prendem ao plástico, enquanto o resto é levado pelo líquidorevelador – o resultado é o negativo. (BERNARDO, 2002)A partir daí outros aperfeiçoamentos foram acontecendo: o foco automático, aexposição automática... Outra revolução igual só aconteceria com o advento da câmaradigital.
    • 253 HISTÓRIA DA FOTOGRAFIA NO BRASILSegundo (LEITE, 2002), a invenção de Daguerre chegou ao Brasil no ano de 1840,trazida por Abade Louis Compte. O francês foi o autor das três primeiras fotos tomadas emsolo brasileiro.O Jornal do Commércio da época registrou:“É preciso ter visto a cousa com os seus próprios olhos para se fazer idéia da rapideze do resultado da operação. Em menos de 9 minutos, o chafariz do Largo do Paço, aPraça do Peixe e todos os objetos circunstantes se achavam reproduzidos com talfidelidade, precisão e minuciosidade, que bem se via que a cousa tinha sido feitapela mão da natureza, e quase sem a intervenção do artista." (LEITE, 2002)Nessa época, o Brasil ainda era um país agrário e escravocrata. Sua principaleconomia era voltada para a cultura do café, que tinha como foco o mercado exterior, poisdependia dele para importações de outros produtos. Leite (2002) relata como era ocomportamento da sociedade nesse período.A sociedade dominante ainda cultuava padrões e valores estéticos arcaicos,puramente acadêmicos, já ultrapassados em seus países de origem, que só seriamquestionados e combatidos com a Semana de Arte Moderna de 1922. Os Senhoresdo Café e a sociedade como um todo, tinham uma visão de mundo infinitamenteestreita e só poderiam receber a fotografia como mágica divertida, mais umainvenção européia maluca. (LEITE, 2007)Segundo (FUJIFILM, 2007), Daguerre ficou conhecido mundialmente como inventorda fotografia. Mas, ironicamente, aqui no Brasil existe outra história. Hércules RomualdFlorence, francês, nasceu em Nice, em 1804, onde foi pintor autodidata e estudou artesplásticas. Aos 20 anos de idade resolveu vir para o Brasil à procura de emprego no Rio deJaneiro, dedicando-se a uma série de invenções e experimentos. Trabalhou como caixeiro deuma casa comercial e vendedor de livros e participou de uma das maiores expediçõescientíficas realizadas no Brasil, desenhando a Fauna e Flora brasileira.Figura 3: HérculesFlorense33Hércules Florense. Fonte: www.fotosombra.com.br/fotografia.htm
    • 26E como nesse tempo quase não existia recursos para impressão gráfica, Florencerealizou várias pesquisas para encontrar fórmulas alternativas de impressão usando a luz solar.Na década de 30, ele inventa seu próprio meio de impressão, a Polygrafie, onde imprimiafotograficamente diplomas maçônicos e rótulos de medicamentos. Em 1832, para ironia dahistória, ele faz uma descoberta isolada de um processo de gravação através da luz, quenomeia de Photographie. Apesar de ter descoberto três anos antes de Daguerre, seu processoera mais eficiente.No ano seguinte, Florence aperfeiçoa seu invento, passa a utilizar uma chapa de vidroem uma câmara escura, cuja imagem é transmitida por contato para um papel sensibilizado.Estreou a técnica “Negativo/Positivo”, aplicada até hoje na fotografia.Em (Leite, 2002) se vê que:O Nitrato de Prata, agente sensibilizante e princípio ativo da invenção de Florence,tinha um pequeno inconveniente: a imagem após revelada, passava por uma solução"fixadora" que removia os sais não revelados, mantendo a durabilidade da imagem.Constatou que a amônia além de ter essa função, também reagia com os saisoxidados durante a revelação, rebaixando o contraste da imagem final. Conformeseu diário, passou a usar a urina, rico em amônia como fixador "fiz isso por acaso"!De fato, um dia enquanto revelava, esqueceu de preparar o Fixador tradicional.Como a vontade de urinar apareceu de repente, não poderia abrir a porta de seulaboratório, com risco de velar seus filmes. Acabou urinando em uma banheira e naconfusão, acidentalmente passou suas chapas para lá. Além de descobrir a própriafotografia, descobriu também o processo mais adequado para a fixação da imagem,que atualmente foi substituído pelo "Tiossulfato de Amônia" utilizado atualmente nafotografia Preto & Branco, Colorida, Cinema, Artes Gráficas e Radiologia. (Leite,2002)Mas para Florence ficar internacionalmente conhecido, foi necessário um trabalhoincansável e irredutível de quatro anos do jornalista e professor Boris Kossoy, pesquisando erestituindo métodos e técnicas que o levou a publicar o livro “1833: a Descoberta Isolada daFotografia no Brasil" (editora Duas Cidades, 1980). Nele, Kossoy inseriu a reprodução dosmétodos registrados por Florence nos laboratórios do Rochester Institute of Technology.Ainda hoje é possível ver alguns exemplares de Florence no Museu da Imagem e doSom, SP. Trabalhos que só ficaram sendo conhecidos pelos habitantes de sua cidade, e poralgumas pessoas na Capital de São Paulo e Rio de Janeiro.3.1 Dom Pedro II e DumondCompte registrou alguns ângulos da fachada do Paço e algumas vistas ao seu redorpara uma apresentação especial para o Imperador D. Pedro II, o qual se apaixonou
    • 27profundamente pela fotografia, sendo o primeiro brasileiro a adquirir uma câmara, na épocacom menos de 15 anos de idade. Começou a produzir imagens e se dedicar a fotografiaDivulgou a nova técnica pelo Brasil, patrocinando grandes exposições e trazendo os melhoresfotógrafos da Europa.Outro que também se encantou pela fotografia foi o jovem Santos Dumond, que, emuma das suas viagens à Paris, comprou seu primeiro equipamento fotográfico. E logo montouseu laboratório no Brasil, começou registrando vôos dos pássaros até planejar os primeirosprincípios da aviação.3.2 Cronologia do advento da fotografia no BrasilSegue uma cronologia do advento da fotografia aqui no Brasil. Avanços queocorreram durante quase um século (ENCICLOPÉDIA BRASILEIRA, 2001):1860-1900 – Imigrantes europeus trazem as novas tecnologias fotográficas ao país, como ocolódio úmido (negativo feito sobre placas de vidro sensibilizadas com uma solução química).Proliferam estúdios de retratistas nas principais cidades brasileiras. O alemão AlbertoHenschel abre escritórios no Recife, em Salvador, no Rio e em São Paulo e transforma-se noprimeiro grande empresário da fotografia brasileira. Nessa época também se destacam WalterHunnewell, que faz a primeira documentação fotográfica da Amazônia, Marc Ferrez, queproduz imagens panorâmicas de paisagens brasileiras, e Militão Azevedo, o primeiro aretratar sistematicamente a transformação urbana da cidade de São Paulo.1900 – São publicadas as primeiras fotos da imprensa brasileira na Revista da Semana. Nosanos seguintes, outros jornais e revistas intensificam o uso de fotografias, entre eles O Malho,Kosmos, A Vida Moderna, Fon-Fon, Careta e Paratodos.1901 – O fotógrafo Castro Moura introduz no país o cartão-postal.1904 – Valério Vieira realiza pesquisas de montagens fotográficas com vários negativosdesde início do século XX. Seu auto-retrato Os 30 Valérios recebe medalha de prata na FeiraInternacional de Saint Louis (EUA). Em 1922, Vieira ganha medalha de ouro na mesma feirapela maior impressão fotográfica do mundo, uma panorâmica da cidade de São Paulo de 16 mx 1,4 m.1911 – Primeiro fotógrafo oficial da prefeitura do Rio de Janeiro, Augusto Malta registracenas do Carnaval carioca, dando início ao fotojornalismo.1928 – O engenheiro químico Conrado Wessel funda, em São Paulo, a primeira fábrica depapel fotográfico da América Latina. Posteriormente, ela é comprada pela Eastman Kodak,
    • 28quando a empresa norte-americana se instala no Brasil. A atividade de Wessel contribui para adifusão da fotografia no país entre as décadas de 30 e 50.1935 – Fundação da Revista São Paulo, publicação com projeto gráfico arrojado, que valorizao fotojornalismo e a fotomontagem, na qual se destacam o trabalho de Benedito JunqueiraDuarte e de Theodor Preissing.1939 – Fotógrafos de origem alemã imigram para o Brasil trazendo influências do movimentoBauhaus, como a ênfase nas formas e no grafismo e o uso de recursos como ampliação,montagem, dupla exposição e solarização, entre outros. Destacam-se os trabalhos deHildegard Rosenthal, Hans Gunter Flieg, Fredi Kleeman e Alice Brill.Década de 40 – Auge do fotoclubismo, movimento que reunia profissionais de diferentesáreas interessados na prática da fotografia como uma forma de expressão artística. Osprimeiros fotoclubes surgem no início do século XX, mas é a partir dos anos 30 que passam ater papel de destaque na formação e no aperfeiçoamento técnico dos fotógrafos brasileiros. Osprincipais são o Photo Club Brasileiro, fundado no Rio de Janeiro em 1923, e o Foto CineClube Bandeirante, criado em São Paulo em 1939, cuja atuação é fundamental para odesenvolvimento da fotografia de autor no país. Entre os expoentes do fotoclubismo estãoThomas Farkas, José Oiticica Filho, Eduardo Salvatore, Chico Albuquerque, José Yalenti,Grigóri Varchávchik, Hermínia de Mello Nogueira Borges, Nogueira Borges, Geraldo deBarros e Gaspar Gasparian.1946 – Geraldo de Barros e José Oiticica Filho impulsionam a fotografia de autor, que deixade se preocupar com o retrato da realidade e busca novas formas de expressão artística. Elesrompem com a tradição pictorialista predominante até os anos 40 e disseminada pelosfotoclubes.1947 – Lançamento da revista Iris, a mais antiga publicação brasileira especializada emfotografia [...].1948 – O fotógrafo Chico Albuquerque faz a primeira campanha publicitária fotográfica nopaís.1948-1950 – O Museu de Arte de São Paulo (Masp) realiza as primeiras exposições defotografia em museus brasileiros, com os trabalhos de Thomas Farkas (1948) e de Geraldo deBarros (1950). Nesse período, os dois criam no Masp um laboratório fotográfico e umprograma de cursos de fotografia, que contribuem para a formação de diversos profissionaisnos anos seguintes.Década de 50 – A revista O Cruzeiro e o Jornal do Brasil dão grande impulso aofotojornalismo brasileiro ao destinar um espaço destacado nas reportagens para as fotografias,
    • 29até então usadas como acessórios do texto. Entre os principais nomes desse período estão JeanManzon, Luiz Carlos Barreto, Indalécio Wanderley, Ed Keffel, Luciano Carneiro, JoséMedeiros, Peter Scheier, Flávio Damm e Marcel Gautherot.1952 – Lançamento da revista Manchete, que procura estabelecer uma narrativa visualindependente do texto em suas reportagens.Década de 60 – Período de auge da fotorreportagem no país, com o surgimento das revistasRealidade (1966) e Veja (1968) e do Jornal da Tarde (1966). Profissionais como MaureenBisilliat, David Drew Zingg, Claudia Andujar, Luigi Mamprin, George Love e Walter Firmofazem imagens informativas e de grande qualidade estética. Destaca-se ainda o trabalho deLuís Humberto, que consegue realizar fotos irônicas sobre a situação do Brasil sob regimemilitar apesar do controle da censura.1965 – A Fundação Bienal de São Paulo introduz a fotografia em suas exposições oficiais.Década de 70 – Surgem inúmeras oficinas e escolas de fotografia no país, como a Enfoco e aImagem e Ação, em São Paulo, que impulsionam a fotografia de autor. A falta de lugaresespecializados para exposições leva à criação de diversas galerias (como a Fotóptica e aÁlbum) e ao aparecimento de grupos como o Photogaleria, com atuação no Rio de Janeiro eem São Paulo, que busca inserir a fotografia no mercado de arte do país.1970-1975 – Claudia Andujar e George Love desenvolvem o workshop de fotografia noMuseu de Arte de São Paulo (Masp), que influencia a produção de dezenas de fotógrafospaulistas nas décadas seguintes.1976 – O historiador brasileiro Boris Kossoy divulga publicamente as experiências deHércules Florence no III Simpósio Internacional de Fotografia da Photographic HistoricalSociety of Rochester (EUA), comprovando seu pioneirismo.1979 – Criação do Instituto Nacional de Fotografia da Funarte (Fundação Nacional de Arte),órgão do Ministério da Cultura. A iniciativa marca o começo de uma política oficial para aárea, o que possibilita o mapeamento da produção fotográfica da época.Década de 80 – A imprensa intensifica o uso de fotos com a introdução do sistema digital detransmissão de imagens, que permite o envio através da linha telefônica. A fotografiabrasileira torna-se conhecida no exterior por meio da participação em exposiçõesinternacionais e da publicação do trabalho de fotógrafos brasileiros em revistas estrangeiras.Entre os principais nomes do período estão Sebastião Salgado, Cristiano Mascaro, Miguel RioBranco, Luiz Carlos Felizardo, Hugo Denizart, Cláudio Edinger, Mario Cravo Neto, ArnaldoPappalardo, Kenji Ota e Marcos Santilli.
    • 301981 – Sebastião Salgado é o único profissional a documentar a tentativa de assassinato dopresidente norte-americano Ronald Reagan, o que lhe dá grande destaque internacional.Radicado na França, Salgado é reconhecido mundialmente como um dos mestres da fotografiadocumental contemporânea. Nos anos 80 e 90 publica grandes fotorreportagens de denúnciasocial, em livros como Sahel: l’Homme en Détresse (1986), Trabalhadores (1993) e Terra(1997).Década de 90 – A fotografia deixa de ser utilizada apenas como imagem bidimensional eobjetiva e passa a fazer parte de instalações, representando elementos abstratos, comosensações, sentimentos e emoções. São seguidores dessa linha Rosângela Rennó, EustáquioNeves, Rubens Mano e Cássio Vasconcellos. Na fotografia documental, destacam-se ostrabalhos de Luiz Braga, Elza Lima, Tiago Santana, Gal Oppido, Ed Viggiani e EduardoSimões, entre outros.1996 – O Centro de Comunicações e Artes do Senac de São Paulo inicia acordo decooperação internacional com o Rochester Institute of Technology, nos Estados Unidos, o quepermite um intercâmbio maior entre fotógrafos dos dois países.1997 – O Instituto Cultural Itaú inaugura o setor Fotografia no Brasil no Banco de DadosCulturais/Informatizado. O banco fornece, além de nomes de profissionais brasileiros ouestrangeiros que trabalham no país, textos sobre técnicas fotográficas, críticas de exposições efotografias digitalizadas dos mais diversos temas.1999 – O Senac de São Paulo dá início ao primeiro curso superior de fotografia do Brasil.Do ano de 2000 até hoje foram muitos avanços que estarão sendo discutidos nodecorrer do trabalho. O mercado fotográfico cresceu tanto que surgiram outros meios decapturar uma imagem além da câmera fotográfica. Novas linguagens nasceram despertandonovos desejos e quebrando velhos paradigmas em relação à fotografia.
    • 314 DA IMAGEM CONGELADA NO TEMPO AO INSTANTE FOTOGRÁFICODesde o surgimento da fotografia, sempre houve certa rivalidade com a pintura. Esta,até então, era a arte mais requisitadas entre as famílias da época. Era o meio que eles tinhamde reproduzir a imagem do homem.Nessa época, levava-se muito tempo para concluir a “obra de arte”, tanto utilizando apintura como a fotografia. Walter Benjamin relata como era o tão exaustivo procedimentopara fotografar uma pessoa:“A fraca sensibilidade luminosa das primeiras chapas exigia uma longa exposição aoar livre. Isso por sua vez obrigava o fotógrafo a colocar o modelo num lugar tãoretirado quanto possível, onde nada pudesse perturbar a concentração necessária aotrabalho. [...] O próprio procedimento técnico levava o modelo a viver não ao sabordo instante, mas dentro dele; durante a longa duração da pose, eles por assim dizercresciam dentro da imagem, diferente do instantâneo [...]”. (BENJAMIN, 1994, p.96)As pessoas tinham que ficar “congeladas no tempo” até que a imagem se projetasse nacâmera. Mas com novos descobrimentos na fotografia, essa situação foi mudandopaulatinamente.Susan Sontag diz que quando a fotografia entrou em cena, entrou como uma atividadearrogante, pois parecia ultrapassar e rebaixar a pintura, sendo uma inimiga da outra.Ninguém jamais encontrou uma litografia ou gravura – métodos populares maisantigos de reprodução mecânica – de uma pintura que fosse mais satisfatória ouestimulante do que a própria pintura. Mas fotos, que transformam detalhesinteressantes em composições autônomas, que transformam cores naturais em coresfulgurantes, proporcionam satisfações novas e irresistíveis. (SONTAG, 1977, p.162)As pinturas da época tinham sempre o enquadramento perfeito. Mas a fotografiaexerceu uma enorme influência na pintura em relação a essa questão. Como se sabe,antigamente, para se obter a fotografia necessitava-se um grande tempo de exposição. Poressa razão, as fotos sempre registravam cenas sem idéia de ação e movimento. Porém, afotografia ganhou força e espaço, apresentando o “instantâneo”.Diferentemente da pintura, a máquina fotográfica registrava o centro de interessedentro de suas margens, mas não excluía componentes da cena que estavam noslimites da "moldura". Pessoas passavam a ser registradas pela metade, no limite dopapel fotográfico. (BALAN, 2007)
    • 32Com isso, pintores como Tolouse-Lautrec (1864-1901) e Edgar Degas (1834-1917)aderiram a novidade e se destacaram inovando em suas obras.Tolouse-Lautrec (1864-1901) que ganhou fama pela pintura, além de quadros, decartazes, caricaturas, cardápios de restaurantes, foi um dos primeiros a registrar emsuas telas o "instantâneo". Em suas obras, apesar dos traços impressionistas, oenquadramento passava a retratar o espaço enquadrado como se fosse umafotografia. (BALAN, 2007)Um exemplo é a tela "No Circo Fernando”, na qual no primeiro plano aparece oassunto principal e de fundo, as pessoas são cortadas ao meio.Figura 4: No Circo Fernando, por Tolouse-Lautrec4Edgar Degas também manifesta em suas obras a influência do enquadramento dafotografia.O desenvolvimento da câmara fotográfica exerceu influência nas composições deDegas. Suas imagens são sempre deliberadamente cortadas nas bordas do quadro,como se fosse uma foto mal enquadrada. (BALAN, 2007)Em (Foto Sombra, 2007) é comentado sobre o surgimento da Polaroid, câmera querevolucionou o conceito da fotografia.O ano de 1947 seria marcado pelo aparecimento de uma invenção totalmenterevolucionária: a fotografia instantânea, a Polaroid, criada por Edwin Land. Aopossibilitar a contemplação imediata da fotografia feita, a Polaroid fechava um cícloimportante, restando com a daguerreotipia, que também tinha revelação imediata,permitindo a correção rápida de erros ou imperfeições, vantagem ausente dafotografia durante quase um século. Em 1963, Land surpreenderia novamente omundo ao lançar o filme instantâneo colorido. (Foto Sombra, 2007)4No Circo Fernando, Tolouse-Lautrec. Fonte: http://www.willians.pro.br/fotogra.htm
    • 334.1 Fotografia como obra de arteDesde seu nascimento, a fotografia causou certa dúvida em relação à sua natureza: eraconsiderada uma obra de arte ou não?Como já foi mencionado, a fotografia surgiu com a intenção de reproduzir a imagemhumana. Ela nasceu como uma obra de arte, um dos motivos pelo qual foi comparada com apintura – pelo menos essa era a idéia primordial. Segundo Benjamin, algo para serconsiderada obra de arte precisava registrar o “aqui e agora”, capturando a mais intensa aurado momento, “uma figura singular, aparição única de uma coisa distante, pois mais perto queela esteja”.Escritores renomados – como Walter Benjamin, Susan Sontag, Roland Barthes, entreoutros – discutiram sobre esse fato, expressando suas idéias em um assunto que já foi tãopolêmico.Muito se escreveu, no passado, de modo tão sutil como estéril, sobre a questão desaber se a fotografia era ou não uma arte, sem que se colocasse se quer a questãoprévia de saber se a invenção da fotografia não havia alterado a própria natureza daarte. (BENJAMIN, 1994, pag. 176)Segundo Barthes (1984, p. 21), muitos não a consideram arte, por ser facilmenteproduzida e reproduzida, mas a sua verdadeira alma está em interpretar a realidade, e nãosomente copiá-la. Nela há uma série de símbolos organizados pelo artista e o receptor osinterpreta e os completa com mais símbolos de seu repertório.Benjamin (1994, p. 101) explica esse ponto em discussão falando sobre a necessidadede registrar o instante fotográfico, sugando a aura da realidade presente naquele momento: aemoção, a memória, a lembrança, a beleza do momento... E com a era da reprodutibilidadetécnica, a fotografia passa a ter esse ‘privilégio’ de ser reproduzida, com isso, ela perderiaessa aura do momento, deixando de ser obra de arte. “A obra de arte reproduzida é cada vezmais a reprodução de uma obra de arte criada para ser reproduzida”. (BENJAMIN, 1994, p.171)Mas Sontag (1977) diferencia a fotografia da pintura em relação a ser ou não obra dearte, já que vinham sendo comparadas. A fotografia sempre levou vantagem em cima dapintura. “Nada há de surpreendente no fato de os pintores, de Delacroix e Turner a Picasso eBacon, terem usados fotos como subsídio visual, mas ninguém espera que os fotógrafosrecebam auxílio da pintura”. (SONTAG, 1977, p. 162)A verdade é que ela sendo ou não obra de arte, teve uma incomparável influência, nãosó na pintura, como em diversas áreas que serão discutidas no próximo capitulo.
    • 34Contudo, Sontag ainda completa o assunto afirmando que a fotografia foi – aprincípio, de má vontade, depois, com entusiasmo – declarada como uma bela-arte,anunciando (e criando) ambições novas para a arte. E à medida que o tempo foi passando,esses valores de ser obra única foram desaparecendo, “a obra de arte depende cada vez menosde ser um objeto único, um original feito por um artista individual”.As fotos tornaram-se a tal ponto a experiência visual dominante. Atualmente “éinevitável que a arte esteja, cada vez mais, destinada a terminar como fotos. Um modernistateria de reescrever a máxima de Pater de que toda arte aspira à condição da música. Hoje, todaarte aspira à condição da fotografia”. (SONTAG, 1977, p. 165)E finalmente, um fato muito importante a ser comentado. Com o conceito do digital,as fotografias começaram a trilhar por um caminho diferente em relação à sua trajetória deprodução. Antes da era digital, a produção das obras de arte tinha um “começo” e o “fim”.Normalmente se sabia que uma obra estava pronta quando o autor a assinava. Hoje édiferente, ainda que o artista a considere acabada, ela nunca está acabada realmente, pois tudoé potencialmente um início para novas obras. Ainda mais com softwares de edição deimagem, como o conhecido photoshop, que possibilita a mudança parcial – ou até total daimagem original – deixando-a completamente diferente.É como relata April Greiman (1900) apud Lenara Verle (1996), uma das primeirasartistas a utilizar o computador Macintosh: “A tinta nunca seca no Universo do Mac. Vocêpode parar de trabalhar em uma peça a qualquer hora que quiser. Mas você pode também,anos depois, ressucitar um documento e trabalhar nele como se nunca tivesse parado. Tudoestá sempre vivo.” (Greiman 1990, p.57)
    • 355 INFLUÊNCIAS FOTOGRÁFICAS NA ESTÉTICANeste capítulo, abordar-se-ão questões relativas à influência da fotografia no cotidianoda sociedade, a sua importante função no cinema, o papel social das fotografias incluindoálbuns de fotos de família e as crianças em especial, o marco do instantâneo e a fotografiacomo artefato. Desenvolver-se-á análises a partir de autores como Christopher Phillips, TomGunning, Susan Sontag, Vilém Flusser, entre outros, com fins de se compreender como afotografia exerceu, e ainda exerce um papel fundamental na vida do ser humano, contribuindoem diversas áreas e em diversos objetivos.5.1 A influência da fotografia no cotidianoJá com 90 anos de existência, nos anos 20 do século passado, a fotografia torna-sesímbolo da nova era da máquina. Numa época em que há uma explosão de inventos - como otelefone, microscópio, lupa, microfone, automóvel, avião entre outros – “a fotografia encarnaos princípios (economia, precisão, objetividade, estandardização, reprodutibilidade) quepresidem a emergência de um universo tecnológico”. (PHILLIPS, 1994)O autor comenta que a fotografia aparece como um meio de aprender a nova realidadeda metrópole. Pelo fato de que a vida no meio urbano cada vez mais se distanciava do campoe das cidades do interior, com o formigamento de atividades, dinamismo da cidade, metrôs,bondes, etc., e com isso não se podia distinguir os detalhes da arquitetura, mas a extensão dosentido da vista oferecia a câmera fotográfica, que era acolhida como uma adaptaçãonecessária e útil.Przyblyski (2001) enfatiza o fato que a fotografia era vista, cada vez mais, como umaferramenta para registrar episódio em tempo “real”, e não apenas rostos e lugares. As pessoasqueriam que a câmera (incômoda e pesada) se voltasse à eventos contemporâneos e queestivesse presente nos momentos de acontecimentos significativos.Susan Sontag (1977) compara a câmera fotográfica de então a um carro ou uma arma,por ser muito simples manuseá-la e, porque são máquinas de fantasia cujo uso é viciante. O“fotografar” não requer nenhuma habilidade ou conhecimento especializado. “É tão simplescomo virar a chave de ignição ou puxar o gatilho”. (SONTAG, 1977, p.24)Mas a fotografia influencia também de outra forma, mostrando seu lado de horror.“Fotos chocam na proporção em que mostram algo novo”, afirma Sontag ao falar sobre omundo da fotografia que mostra os bastidores das guerras sangrentas ao deixarem pessoas,
    • 36inclusive crianças, marcadas pelo resto de suas vidas, isso quando continuam a viver. Imagensde explorados, oprimidos, famintos, massacrados e outros, dilacera os sentimentos dos que asolham, fazendo com que fiquem paralisados e anestesiados. Ela analisa ainda: “sofrer é umacoisa; outra coisa é viver com imagens fotográficas do sofrimento, o que não reforçanecessariamente a consciência e a capacidade de ser compassivo”. (1977, p.30)Um exemplo dessa realidade é foto, muito conhecida, Vulture (O Urubu), mostrandouma figura esquelética de uma pequena menina, totalmente desnutrida, recostando-se sobre aterra, esgotada pela fome, e a ponto de morrer, enquanto num segundo plano, a figura negraexpectante de um abutre se encontra espreitando e esperando o momento preciso da morte dagarota. (METAMOFORSE DIGITAL, 2006)Figura 5 Vulture (O Urubu), por Kevin Carter5Gunning (2001) relata as diversas áreas em que a fotografia foi de extremaimportância no século XIX, a qual se tornou um meio moderno e singular de representação,mudando o cotidiano da sociedade. Considerada produto da tecnologia moderna, a fotografia,sendo meio mecânico, é capaz de gerar uma imagem com apenas a mínima intervençãohumana.Uma das situações onde a fotografia desempenhou um papel incomparável foi noprocesso de investigação policial. Gunning (2001) comenta:A fotografia tornou-se a ferramenta ideal do processo de investigação policial, umindício moderno definitivo, em razão de três aspectos entrelaçados: sua condição deíndice, que deriva do fato de que, desde que uma fotografia resulta de umaexposição a uma entidade preexistente, ela mostra diretamente a marca da entidade epode portanto fornecer evidência sobre o objeto que retrata; seu aspecto icônico,pelo qual produz uma semelhança direta com seu objeto, o que permitereconhecimento imediato, e sua natureza separável, o que lhe permite referir-se a umobjeto ausente estando separada dele em espaço e tempo. Como um indício, a5Vulture (O Urubu), por Kevin Carter. Fonte: http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=873
    • 37fotografia tornou-se parte de um novo discurso de poder e controle. (GUNNING,1995, p. 45)Na criminologia, a fotografia também mostrou – e ainda mostra – seu valor. Comomostra Gunning (2001) ao dizer que ela trabalhou em duas direções: uma demarcando suaousadia de capturar a evidência de um crime, o próprio ato desviante; e a outra, a fotografia éutilizada para marcar e não perder de vista o criminoso, exercendo uma função essencial emnovos sistemas de identificação.A fotografia influenciou também o fotojornalismo. Uma simples transposição dafotografia em forma de gravuras para as páginas de jornais e revistas fez toda diferença.A primeira fase do fotojornalismo tem como principal ponto um despertar para umanova possibilidade para o fotógrafo, que até então se dedicava a retratar paisagens efamílias. Este novo modo de ver e de atuar, traz para a fotografia uma força capaz deinfluenciar os seus leitores devido ao seu realismo. A esta fase também se deve adescoberta de duas características necessárias ao fotojornalismo, a primeira delas é avelocidade, que marca o tempo de revelação e publicação, quanto mais rápido oprocesso mais atual é a fotografia; e a distância, pois era preciso estar o maispróximo possível do objeto fotografado, ou acontecimento, o que tornava a fotomais “real”. (OLIVEIRA, 2005)Oliveira (2005) conta que o retrato começa a se de despedir em 1940 dos jornais erevistas, e substitui-se pelo flagrante.Como todas essas evoluções, “o trabalho do fotógrafo é cada vez mais respeitado, osjornais e revistas não querem só as fotos de agências especializadas, mas querem umfotojornalista permanente, qualificado, que possa muitas vezes fazer a reportagem, anotandoos dados e fotografando, quando o repórter não pode estar diante do fato, o mercado passa aexigir muito mais deste profissional”. (OLIVEIRA, 2005)Como exemplo de fotos que marcaram época, temos uma tirada por Steve McCurry,em 1985, dentro do acampamento de refugiados Nasir Bagh, no Paquistão, durante a guerracontra a invasão soviética. Sharbat Gula, a órfã que aos 12 anos (em 1985) se tornou a capamais famosa e mais vendida da National Geographic, em todos os seus 117 anos deexistência, com seus olhos verdes que cativaram o mundo e se tornaram um símbolo damiséria e do sofrimento do povo afegão. (CORREIOWEB, 2002
    • 38Figura 6: Sharbat Gula, por Steve McCurry65.2 Influências da fotografia no cinemaO cinema surgiu, tecnicamente, do princípio das fotografias animadas. De acordo com(BALAN, 2007), em 1896 na feira russa de Nizh.Novorod, aconteceu a primeira exibição decinema, à partir da idéia de exibição de fotografias seqüenciais desenvolvida pelos francesesIrmãos Lumière.Esse princípio de fotografias seqüenciais é bem conhecido, pois até hoje os desenhosanimados, animações e, até mesmo, em filmes o utiliza. Mas há uma grande diferença dosresultados daquele tempo. Pois o avanço tecnológico viabilizou, no cinema, a passagem de 24exposições de fotos paradas por segundo de movimento, permitindo, através do obturador,que cada fotograma seja projetado duas vezes.Ainda, sobre o processo de fotografias seqüenciais:Os estudos dos irmãos Lumière mostraram que a visão humana tem umacaraterística fundamental para viabilizar a impressão do movimento: a "persistênciada visão". A retina, superfície interna do globo ocular que tem a função detransformar a luz projetada em sua superfície em impulsos elétricos que são levadosao cérebro pelo nervo óptico, demora um determinado tempo para regeneração. Coma exibição seqüencial de 48 fotografias por segundo o tempo de mudança de quadroé mais rápido que o tempo de regeneração da visão. Com a apresentação sucessivade fotos, a seqüência é entendida, para o olho humano, como contínua, dando aimpressão do movimento. (BALAN, 2007)As fotos dessa época eram registros de cenas sem ação, sem movimento. Até mesmoporque para se tirar uma foto gastava-se muito tempo de exposição:A fotografia, para ser realizada, necessitava de um tempo de exposição de até umahora, para que o filme fosse sensibilizado pela luz. Este tempo de exposição foi6Sharbat Gula, por Steve McCurry. Fonte: www.backfocus.info
    • 39diminuindo para alguns segundos de exposição por volta de 1860 e finalmente nadécada de 1870 conseguiu-se que em apenas 1/60 de segundo de exposição, a luzficasse registrada na camada sensível do filme. Era o surgimento da fotografiainstantânea, o que viabilizou a invenção do cinema. (BALAN, 2007)Pode ser citado, também, outros avanços da fotografia e da pintura que influenciaramo cinema nessa época. Pintores impressionistas, como Degas e Toulouse Lautrec, destacaram-se por utilizarem “a fotografia para reproduzir, na pintura, o instante do movimento. Essamaneira de captar a imagem de forma inusitada, muito explorada pela arte fotográfica, acaboutambém por influenciar o cinema na exploração da perspectiva ou na composição da cena e, e,mais especificamente, no uso das nuances cromáticas”. (GUIMARÃES, 2007)Não se pode deixar de citar os fotógrafos Eadweard Muybridge (1830-1904) e ManRay (1890-1976), que também revolucionaram o modo de fotografar. Eadweard Muybridgeficou famoso para o movimento por capturar um cavalo galopando usando vinte quatrocâmeras e capturar o movimento dos homens e das mulheres. Já Man Ray, “estabeleceu comoo retrato e o fotógrafo da forma”. Ele revolucionou a arte da fotografia com suas fotosexperimentais com solarization. (FAMOZZ, 2007)Figura 7: Movimento de homem correndo, por Eadweard Muybridge7Figura 8: por Man Ray87Movimento de homem correndo, por Eadweard Muybridge.Fonte: http://pt.famozz.com/photographers/eadweard-muybridge8Por Man Ray. Fonte: http://pt.famozz.com/photographers/man-ray
    • 40Talvez a maior contribuição da fotografia para o cinema tenha sido a prática dafotografia instantânea. Daí em diante, foi só evolução, e ainda não paramos. A produçãocinematográfica se aperfeiçoa à medida que novas tecnologias vão surgindo, permitindoefeitos especiais jamais imaginados antes.Um exemplo demonstrado que os elementos da composição de imagem migraram dapintura para a fotografia, cinema e depois televisão é a abertura da novela “A Indomada” daRede Globo.Figura 9: Cenas da novela "A Indomada"9Percebe-se que a fotografia está presente em todas as áreas da sociedade atual. Comoconclui Carvalhal (2000), “a fotografia é muito importante no jornalismo, na publicidade, namoda, no design gráfico/de comunicação. A fotografia está indelevelmente ligada àarquitetura, à engenharia, às artes plásticas, ao restauro artístico, à arqueologia, astronomia,medicina, investigação científica...”.Hoje a fotografia está presente nos mais variados filmes, contribuindo de maneiraextraordinária para que os profissionais da parte técnica surjam com efeitos surpreendentes.Um exemplo clássico (e talvez o primeiro) desse efeito é o Bullet-Time, do filme Matrix.O efeito fez tanto sucesso que, segundo (PUGLIESE, 2003), “a utilização do Bullet-Time por outras produções gerou uma certa banalização incrível do efeito. Filmes como OsPicaretas, Todo Mundo em Pânico, Gigolô por Acidente e diversos outros acabaram porextrapolar demais nas brincadeiras e/ou satirizações”.O Bullet-Time é um efeito usado principalmente na cena em que Neo fica cara-a-cara com o agente Smith; a famosa cena do desvio das balas. A idéia para a criação9Cenas da novela "A Indomada". Fonte: http://www.willians.pro.br/cinema.htm
    • 41do efeito foi até de certa forma simples, entretanto exigiu um pouco de trabalho parapassá-la do plano teórico ao plano prático. Os irmãos Wachowski pegaram váriascâmeras (muitas!) e as posicionaram em círculo. Num estúdio de fundo azul, KeanuReeves treinou por várias vezes os movimentos que iria executar, e os fezrapidamente. Ai entra o pessoal da parte técnica: eles editaram a cena, adicionaramos efeitos das balas, deram uma lenta rotação de 360º à tomada e inseriram-na noambiente em que ela estava sendo executada.(PUGLIESE, 2003)Figura 10: Cenas do filme Matrix105.3 Álbuns de fotos de família e o papel social da fotografiaQuando se estuda o tema fotografia, os álbuns de família sempre foram referência paraanálises. Enfatiza-se o “instantâneo” e as “crianças nos álbuns familiares”.“Concebo os álbuns de fotos de família como uma verdadeira expressão dalembrança social. Eles evocam e transmitem a lembrança de elementos que merecemser conservados, respeitados e incorporados à memória familiar”. (JONAS, 1996,p.105)5.3.1 InstantâneoPrzyblyski (2001) comenta que, por meados de 1871, “as pessoas tinham que ficarimóveis para serem vistas pela câmera [...] ou não estavam em questão”. Foto que mostrava osdois exteriores da fotografia na época, sua força; e a sua limitação cada vez mais notável: “aincapacidade da fotografia para registrar movimento”. (PRZYBLYSKI, 2001, p. 356). Ela dizque o instantâneo só veio a existir, de fato, a partir da invenção da câmera caixote portátil.(2001, p. 359)10Cenas do filme Matrix. Fonte: pille.iwr.uni-heidelberg.de/~photo01/ch01.html
    • 42Antigamente, para se tirar as fotos de família precisavam de toda uma preparação.Reunia-se a família, colocavam-se todos na “posição certa” e se tirava a foto. Mas como citaIrène Jonas (1996), “Hoje, parece que, ‘sorria, olha o passarinho!’ deu lugar à espontaneidadedo ato fotográfico”. Novos princípios foram surgindo, e aquela história de que precisavavoltar-se somente para o fato de se fazer fotografar, ao sorriso obrigatório... a pose, a postura,perde o lugar para o instantâneo. “Surpreender o sorriso espontâneo, fotografar sem ser visto eser fotografado sem se dar conta, são as novas regras do jogo familiar”. (JONAS, 1996,p.107)Figura 11: Retrato de família, por Walter Salles Jr11Sontag faz uma relação da tecnologia e a fotografia quando ela cita os avançostecnológicos, que só afirmam que “o progresso da fotografia tornou-se ainda mais literal osentido em que uma foto permite o controle sobre a coisa fotografada”. Entre esses avançosestá o fato que surgiram...[...] meios de fotografar coisas inimaginavelmente pequenas, bem comoinimaginavelmente distantes, como as estrelas; tirar fotos independente da próprialuz (fotografia infravermelha) e libertou a imagem-objeto de seu confinamento aduas dimensões (holografia); reduziu o intervalo entre tirar a foto e poder segurá-lanas mãos (desde a primeira Kodak, quando revelar um rolo de filme e devolvê-lo àsmãos do fotógrafo amador demorava semanas, até a Polaroid, que ejeta a imagemem poucos segundos); não só pôs as imagens em movimento (cinema) mas tambémconseguiu seu registro e sua transmissão simultânea (vídeo) – essa tecnologia tornoua fotografia um instrumento incomparável para interpretar o comportamento, prevê-lo e nele interferir. (SONTAG, 1977, 173-174)5.3.2 CriançasPor muito tempo, as fotografias eram de adultos. Mas houve uma mudança brusca.Irène Jonas relata que “a representação da criança ocupa agora a maior superfície da imagemem detrimento do contexto no qual se encontra”. Segundo a autora, isso ocorreu devido aoaparecimento dos zooms e dos flashes integrados, as fotos de crianças sozinhas tornaram-se11Retrato de família, por Walter Salles Jr. Fonte: www.paginas.terra.com.br/arte/dubitoergosum/editor10.htm
    • 43muito comum hoje em dia. Primeiros passos, primeiros sorrisos e choros, primeiro dentinhosão momentos indispensáveis que despertam nos pais a vontade de registrar para recordardepois. (1996, p.106)De acordo com Sontag, um estudo que foi feito na França mostrou que a maioria dascasas tem uma câmera, porém, casas que apresentam crianças têm a probabilidade duas vezesmaior de ter pelo menos uma câmera em relação às casas sem crianças. (SONTAG, 1977, p.19)5.4 A fotografia como artefatoBaudrillard escreve, em seu livro O sistema dos objetos, como as pessoas sãoapegadas a determinados objetos antigos, como se fossem “retratos de família”. Pegar umobjeto antigo faz lembrar-se de um passado ainda presente, e realmente é assim que acontececom as fotografias.Baudrillard diz que o objeto tem duas funções: “uma que é a de ser utilizado, e a outraa de ser possuído. A primeira depende do campo de totalização prática do mundo peloindivíduo, a outra um empreendimento de totalização abstrata realizada pelo indivíduo sem aparticipação do mundo”. (BAUDRILLARD, 1997, p.94)Ele ressalta a idéia que os objetos não são apenas “objetos”, mas espelhos que refletemas imagens, não as reais, mas aquelas desejadas. “O objeto é aquilo que melhor se deixa“personalizar” e contabilizar de uma só vez. E para uma contabilidade subjetiva dessanatureza não existe nada de exclusivo, qualquer um pode ser possuído, investido, ou, dentrodo jogo colecionador, ordenado, classificado, distribuído”. (BAUDRILLARD, 1997, p.98)O autor fala ainda sobre “objeto seqüestrado”: nos casos em que o indivíduo se vê “tãoapaixonado” pelo seu objeto, chegando a gerar ciúmes. Ele toma posse daquele objeto, não oempresta pra ninguém porque o tal objeto pode “se perder ou se deteriorar”. “Somos sempreciumentos de nós mesmos. É a nós que guardamos e vigiamos. Somos nós de queusufruímos”. (BAUDRILLARD, 1997, p. 106)Przyblyski (2001) coloca a fotografia como um artefato quando diz que “posicionar-sediante do olho da câmera, a fotografia parece surgir, pode ser um modo de ocupar a própriahistória, tornado-a visível e transformando-se em um artefato”. Mas deixa bem claro que essaafirmação tem uma ampla convicção cultural...
    • 44[...] não apenas quanto à aptidão da fotografia para a descrição topográfica efisionômica, mas também quanto à facilidade com que a fotografia, com base emsua propensão silenciosamente mecânica para “contar a verdade”, lidava comdemandas mais complexas relacionadas à posse e à presença. (PRZYBLYSKI, 2001,p. 353)Vilém Flusser comenta que, “grosso modo, há dois tipos de objetos culturais: os quesão bons para serem consumidos (bens de consumo) e os que são bons para produzirem bensde consumo (instrumento)”. E nesse contexto ele nos surpreende com uma dúvida, já que elediz que a intenção do aparelho fotográfico é produzir fotografias, por isso, ele parece serinstrumento. A dúvida é: “fotografias serão bens de consumo como bananas e sapatos? Oaparelho fotográfico será instrumento como o facão produtor de banana, ou a agulhaprodutora de sapatos?”. (FLUSSER, 1983, p.13)Flusser continua falando sobre a intenção dos instrumentos, que é a de “arrancarobjetos da natureza para aproximá-los do homem”. E quando isso ocorre, a forma dos objetosé modificada, e esse “produzir e informar” ele chama de “trabalho”. (1983, p.13)O escritor faz uma análise dos instrumentos em relação à Revolução Industrial:Quando os instrumentos viraram máquinas, sua relação com o homem se inverteu.Antes da revolução industrial, os instrumentos cercavam os homens; depois, asmáquinas eram cercadas por eles. Antes, o homem era a constante da relação, e oinstrumento era a variável; depois, a máquina passou a ser relativamente constante.Antes os instrumentos funcionavam em função do homem; depois grande parte dahumanidade passou a funcionar em função das máquinas. Podemos afirmar que osóculos (tomados como photo-aparelhos fotográficos) funcionavam em função dohomem, e hoje, o fotógrafo, em função do aparelho? (FLUSSER, 1983, p. 14)E conclui que os fotógrafos não trabalham, eles agem. “O fotógrafo produz símbolos,manipula-os e os armazena. Escritores, pintores, contadores, administradores sempre fizeramo mesmo. O resultado deste tipo de atividade são mensagens: livros, quadros, contas,projetos”. Sendo assim, não servem para serem consumidos, mas para informarem: “seremlidos, contemplados, analisados e levados em conta nas decisões futuras”. (FLUSSER, 1983,p. 14). Para o autor, o f ato da fotografia não necessitar de aparelhos para sua distribuição,esta se tornou arcaica.E verdade que existem dispositivos, e que recentemente foram inventadasfotografias eletrônicas, que exigem distribuição por aparelhos. Porém, o que contaem fotografias é a possibilidade de serem distribuídas arcaicamente. Por seremrelativamente arcaicas, as fotografias relembram um passado pré-industrial, o daspinturas imóveis e caladas, como em paredes de caverna, vitrais, telas. Ao contráriodo cinema, as fotografias não se movem, nem falam. Seu arcaísmo provém dasubordinação a um suporte material: papel ou coisa parecida. (FLUSSER, 1983,p.27)
    • 45O autor continua o pensamento fazendo uma diferença entre “objetos que têm valorenquanto objetos”.A fotografia é o primeiro objeto pós-industrial: o valor se transferiu do objeto para ainformação. Pós-indústria é precisamente isso: desejar informação e não maisobjetos. Não mais possuir e distribuir propriedades (capitalismo ou socialismo).Trata-se de dispor de informações (sociedade informática). (FLUSSER, 1983, p.27)Segundo ele, não tem muito sentido querer possuir a fotografia, pois enquanto objetotem valor desprezível, mas que seu valor está na informação que transmite.Será se, realmente, o valor da fotografia enquanto objeto é desprezível? Será queFlusser não levou em consideração que o fato das pessoas guardarem imagens de pessoasqueridas, de momentos memoráveis e únicos, não fazem da fotografia um objeto que despertanas pessoas a vontade de colecioná-las? O fato é que Baudrillard comenta que há umadiferença entre ‘coleção’ e ‘acumulação’ de objetos. Acumulação de objetos nada mais é queamontoamento de velhos papéis, armazenamento de alimentos, por exemplo; e coleção“emerge para a cultura: visa objetos diferenciados que têm freqüentemente valor de troca, quesão também “objetos” de conservação, de comercio, de ritual social, de exibição – talvezmesmo fonte de benefícios”. (BAUDRILLARD, 1997, p. 106)E quando se fala de fotografias, percebe-se que ela se encaixa entre esses objetos decoleção, não sendo somente “objetos de informação” e nem somente para reprodução daimagem humana.Hoje, com a tecnologia da imagem digital, tirar fotos passa a ser um desejo aindamaior. Mostrar fotos de viagens, casamentos, aniversários, formaturas e outros, para amigos econhecidos (ou até mesmo desconhecidos, tratando-se de fotos na internet) faz com que oscomputadores “transbordem” com o acúmulos de mega, giga bites de imagens armazenadas.Com a era da informação a todo vapor, paradigmas na linguagem fotográfica vêm sendoquebrados e ressurgindo de forma inovadora.
    • 466 A NATUREZA DA IMAGEM DIGITALO mercado da fotografia digital vem crescendo com uma grande intensidade nosúltimos dez anos. Para se entender melhor a fotografia digital, estudar-se-á, nesse capítulo, aimagem digital e alguns de seus conceitos.Imagem Digital é o resultado da partição de uma imagem em uma matrizbidimensional finita, cujas células (pixels) recebem valores correspondentes à intensidadeluminosa naquela região.Uma imagem pode ter variação contínua ou discreta. Na fotografia, por exemplo, ostons variam de claros a escuros e as cores variam de vermelho até azul, alcançando assim,“todo” o espectro de cores visíveis. Com isso, as cenas obtidas são reproduzidas fielmente acena original, pois as variações sempre se dão de forma contínua (sem variações abruptas ou“degraus”). Nesse caso, é uma imagem com variação contínua de tons e cores (imagemnatural).Figura 12: Exemplo amostragem e quantização12Já a imagem digital, é composta por pontos discretos de tons e/ou cores, ou brilho, enão por uma variação contínua. A imagem contínua é dividida em uma série de pequenospontos que irão conter uma determinada tonalidade (gray-scale) ou cor (colorido). Essespontos são chamados pixel (picture element), sendo a menor unidade de uma imagem digital.Junto a este processo, devem-se descrever cada ponto por um valor digital. Esses processos dedivisão da imagem contínua e de determinação dos valores digitais de cada ponto são12Exemplo amostragem e quantização.Fonte: http://www.inf.ufes.br/~thomas/graphics/www/apostilas/CIV2801AcvCompGraf.pdf
    • 47chamados de amostragem e quantização, respectivamente. A combinação destes doisprocessos é o que se denomina de digitalização de imagens. (VIANNA, 2007)A disposição dos pixels em uma imagem digital se faz através de fileiras horizontais everticais, onde cada pixel se une a outro, como em um quadriculado. Quanto mais pixel tiveruma imagem, maior será a qualidade dela (fator também conhecido como resolução).Para compreender a natureza da Imagem Digital, precisam-se entender os conceitosque com ela se associam: resolução, cor, captura, visualização, armazenamento eprocessamento.6.1 ResoluçãoA resolução de uma imagem baseia-se na razão entre o número de pixels obtido e otamanho da imagem real. A medida pode se dá em pontos por polegada ou DPI (dots perinch), ou ainda em outra unidade equivalente.A resolução está diretamente relacionada com o número de pixels e linhas, e com agama de intensidades de brilho que se pode ter em uma imagem. Ambos os aspectos sãoconhecidos como resolução da imagem, podendo ser definida por dois fatores: a “resoluçãoespacial” e a “resolução de brilho” (ou “resolução de cores” ao se tratar de imagenscoloridas). O termo “resolução espacial” (nesse caso, espacial se refere ao espaço 2D) é usadopara descrever quantos pixels compõem a imagem digital, desse modo, quanto maior onúmero de pixels maior será a “resolução espacial”.Figura 13: Exemplo resolução espacial13Cada pixel em uma imagem digital significa a intensidade luminosa de umdeterminado ponto da imagem original. Sendo assim, o conceito de “resolução de brilho”13Exemplo resolução espacial.Fonte: http://www.inf.ufes.br/~thomas/graphics/www/apostilas/CIV2801AcvCompGraf.pdf
    • 48refere-se à quão preciso é o brilho de cada pixel para representar a intensidade luminosa daimagem original. Como exemplo, adotando-se uma imagem digital que possua somente tonsde cinza, se forem utilizados 3 bits, o brilho pode ser convertido em somente 8 tons de cinza,ao passo que se forem utilizados 8 bits, este valor passará para 256 tons. A figura a seguirapresenta imagens com diferentes “resoluções de brilho”.Figura 14: Exemplo resolução de brilho14Existem dois tipos de resolução, a ótica e a interpolada. A resolução ótica é o númeroabsoluto de pixels que o sensor da imagem consegue adquirir fisicamente durante a captura(ETRONICS, 2007). Sendo assim, a resolução ótica equivale justamente à realidade. Mascom todo o avanço da tecnologia, existem softwares integrados nas câmeras, ou até mesmosqualquer programa editor de arquivos de imagens, que “criam” alguns pixels falsos. Essessoftwares escolhem a amostra mais próxima da posição desejada e toma o seu valor comovalor desta posição, ou seja, eles avaliam os pixels ao redor de cada pixel que o cerca“imaginando” como seria um novo pixel vizinho, em relação à cor e brilho. Este processo édenominado “interpolação”. Mas na verdade, esses “novos pixels” produzidos apresentaminúmeras deficiências, pois a interpolação nada mais é do que aumentar o tamanho doarquivo, e por conseqüência, a qualidade final da imagem fica comprometida.Outro ponto em relação ao número de pixel, como já foi comentado anteriormente, équando se amplia muito uma imagem digital, chega um momento que os pixels irão aparecermultifacetados, efeito chamado “pixelização”. Concluindo, dessa forma, que quanto maior foro número de pixel em uma imagem, mais ela aceitará ampliações com qualidade..14Exemplo resolução de brilhoFonte: http://www.inf.ufes.br/~thomas/graphics/www/apostilas/CIV2801AcvCompGraf.pdf
    • 496.2 CorQuando se fala em cor, automaticamente lembra-se de luz. O branco é a presença daluz, já o preto, a ausência dela. Uma imagem com um bit é monocromática, normalmentepreto-e-branco. Com dois bits, tem quatro cores (22). Com quatro bits, tem 16 cores (24). Comoito bits, tem 256 cores (28).Figura 15: Exemplo de cores15Ao percorrer pelo espaço, a luz às vezes se comporta como uma onda, e outras comouma partícula. O processo de reprodução das cores se dá assim:A luz, vista pelos olhos humanos, constitui uma faixa relativamente estreita de suaenergia magnética irradiada, que se distribui aproximadamente entre 400 e 700 nm2.Esta faixa constitui o chamado espectro visível, e dentro dele cada comprimento deonda produz um estímulo diferente na parte posterior de nossos olhos – assim sãopercebidas as cores. A mistura de todos os comprimentos de onda do espectrovisível é o que chamamos de luz branca [...]Antes dos 400 nm¹ existe a chamada luz ultravioleta, invisível para a vista humana.A partir dos 400 nm, a luz passa a ser perceptível, e é de um violeta profundo,tornando-se azul na medida em que o comprimento da onda se aproxima de 450 nm.Esse azul vai cedendo lugar à um verde azulado por volta dos 500 nm, e a partir dos580 nm começa a surgir o amarelo. Já nos 600 nm o amarelo vai passando para ovista humana não consegue mais enxergar a luz, que passa ao infra-vermelho.(ETRONICS, 2007)Tudo o que vemos (ou fotografamos) reflete raios de luz. Quanto mais próximosestiverem de uma fonte de luz, mais perceptível será. Por isso é muito importante conhecer asensibilidade necessária para um sensor de imagem capturar as cores, como as fotocélulas quecompõem um sensor para perceberem a luz e, até mesmo, como o chip do sensor processaessas informações.15Exemplo de coresFonte: http://www.inf.ufes.br/~thomas/graphics/www/apostilas/CIV2801AcvCompGraf.pdf
    • 50Quando se visualiza essas imagens no monitor do vídeo, vê-se nas cores diferentes dasnaturais. Pois elas são baseadas em três cores primárias – vermelho, verde e azul (em inglês;red, green and blue, ou RGB). Quando se mistura as cores primárias, duas a duas, produzem-se as cores secundárias, que são: magenta (R+B), amarelo (R+G) e ciano ou turquesa (G+B).O RGB são cores que se sobrepõe até formar a cor branca, sendo, por essa razão, chamadas decores aditivas. Mas há também outra classe de combinação de cores, onde as cores primáriasestão associadas aos pigmentos magenta, ciano e amarelo, que, quando combinadas, geram ascores secundárias vermelho, verde e azul. Em (MARQUES FILHO; VIEIRA NETO, 1999)diz que essas combinações são chamadas de cores subtrativas; pois quando cada pigmento, aoser depositado em fundo branco, subtrai parte da luz branca incidente, fazendo com que reflitasomente a cor correspondente ao pigmento. Diferenciando-se da combinação aditiva, nasubtrativa a junção das três cores primárias ou de uma secundária com sua primária opostageram o preto.Figura 16: Mistura de cores primárias e secundárias: (A) mistura aditiva; (B) mistura subtrativa16Segue abaixo quatro modelos de representação da cor, que permite a especificação decores em um formato padronizado e aceito por todos (MARQUES FILHO; VIEIRA NETO,1999):• Modelo RGB - em geral, os valores máximos de R, G e B estão normalizados na faixa de 0 a1. Este modelo é o mais utilizado por câmeras e monitores de vídeo.• Modelo CMY - baseado nos pigmentos ciano, magenta e amarelo (em inglês; cyan, magentaand yellow). Algumas pessoas usam o termo CMYK, acrescentando o preto (black, em inglês).Usado em impressoras, fotocopiadoras coloridas...• Modelo YIQ - basicamente, este modelo “foi desenvolvido sob o princípio da duplacompatibilidade, que norteou os projetos de TV colorida para garantir a convivência entre osistema colorido e o sistema preto e branco (P&B) já existente”. Possui como vantagem16Mistura de cores primárias e secundárias.Fonte: http://www.inf.ufes.br/~thomas/graphics/www/apostilas/CIV2801AcvCompGraf.pdfA) B)
    • 51principal a capacidade de permitir a separação entre a componente de brilho (Y) e ascomponentes de cromaticidade (I e Q). Empregado no padrão NTCS de TV em cores.• Modelo HSI – permite separar os componentes de matiz, saturação e intensidade (em inglês;hue, saturation and intensity) da informação de cor em uma imagem, da forma como o serhumano as enxerga. Utilizada intensamente em sistemas de visão artificial baseados nomodelo de percepção de cor do ser humano.6.3 CapturaPara se capturar uma imagem é necessário, primeiramente, um sensor e umdigitalizador. Em (MARQUES FILHO; VIEIRA NETO, 1999) é explicado que o sensorconverte a informação óptica em sinal elétrico e o digitalizador transforma a imagemanalógica em imagem digital. O primeiro processo na conversão de uma cena realtridimensional em uma imagem eletrônica é a redução de dimensionalidade. Uma cena 3-D éconvertida, por meio de uma câmera digital, digitalizador de sinal de vídeo ou outrodispositivo, em uma representação 2-D apropriada. Mas há também aqueles dispositivos queconvertem uma imagem comum (2-D), normalmente são o papel e os filmes fotográficos, emuma imagem digital. O mais conhecido é o scanner.Segundo a Enciclopédia Itaú Cultural Artes Visuais (2005), scanner é um aparelhoque converte os mais diferentes tipos de imagens realizadas em processos convencionais –fotografias, desenhos e mapas, ou até mesmo textos – em imagens digitais.Scanners coloridos trabalham criando imagens vermelhas, verdes e azuisseparadamente, e depois quando unidas, formam a imagem definitiva. Existem basicamentetrês tipos de scanner: manual, de mesa ou de cilindro. De acordo com (SCURI, 1999) osscanners dispõem de uma fonte de luz em forma de uma linha que varre a imagem impressa emede a quantidade de luz refletida ou transmitida em cada ponto. A luz capturada éconvertida em um sinal elétrico através de um conjunto de foto-detectores que tambémformam uma linha. O sinal elétrico é finalmente digitalizado e enviado ao computador.O objetivo do scanner se resume em três resultados: visualização somente emmonitores, edição e futura impressão, e análise científica. Isso implica na escolha da DPI a serutilizada, que é o fator mais crítico no uso do scanner. Para cada caso existe uma DPIapropriada.As câmeras digitais possuem dispositivos chamados CCD (Charge Coupled Device,ou seja, Dispositivo de Carga Acoplada) ou CMOS (Complementary Metal Oxide
    • 52Semiconductor). Segundo (NOVACON, 2007), no CCD cada pic (sinal elétrico gerado noponto da “placa” sensível (substrato) pela excitação de um fóton advindo da luz ambiente queforma a imagem) desloca um sinal de luz, convertido em um sinal elétrico (pixel), que quandodisposto em série, é armazenado num sistema (chip) de memória digital. Suas resoluçõesvariam de 640x480 à milhares de pixels. No caso do CMOS, cada pic é confundido com umpixel, já que eles possuem sua própria conversão carga-voltagem, que produz os sinaisdigitais.Em (ETRONICS, 2007) é exposto que o CCD contém diodos fotossensíveis, oufotocélulas. No curto espaço de tempo em que o obturador se abre, cada fotocélula grava aintensidade ou brilho da luz que a atinge por meio de uma carga elétrica; quanto mais luz,maior a carga. O brilho que é gravado por cada fotocélula se armazena como uma série denúmeros binários podendo ser usados para reconstruir a cor e o brilho dos pontos da tela ou datinta que imprimirão a imagem a partir de uma impressora.Em (SGARBI, 2007) se tem o processo do CCD numa captura de uma imagem:O CCD captura a luz em pequenas partículas em sua superfície chamadas defotosites; recebem este nome devido ao modo como a carga elétrica é lida após aexposição: Os fotosites absorvem a luz emitida em forma de carga elétrica. Cadadescarga elétrica irá representar um pixel. As descargas elétricas formam filas, sendoa primeira fila transferida para um dispositivo de leitura. Aí o sinal é levado a umamplificador e daí para um conversor de análogo para digital. Uma vez a fila tenhasido lida, sua carga elétrica no dispositivo de leitura é apagada e todas as filas semovem para a fila vazia. A próxima fila então entra no dispositivo de leitura. Asdescargas em cada fila estão "acopladas" aquelas da fila de cima de modos quequando se move, a próxima fila desce para preencher o vazio. Deste modo, cada filapode ser lida, uma de cada vez, capturando a imagem de cima para baixo.Conforme apresentado em (NOVACON, 2007) há algumas diferenças básicas entre osdois dispositivos:CCD- exige um chip extra para digitalização;- produz imagens mais uniformes, ainda que com mais consumo de energia;- por ser de mais simples execução torna-se apto a ser fabricado em formatos maiores;- para uso médico, científico e industrialCMOS- não é necessário, pois o substrato do mesmo é constituído do mesmo material que oscircuitos;
    • 53- integrados (chips), sendo a decodificação inclusive mais fácil, pois o sinal já sai digital noprimeiro estagio;- proporciona construção de aparelhos mais compactos e com mais economia de consumo deenergia;- por sua complexidade inicial limita o numero de pontos possíveis, pois pontos que setornarem defectivos no processo de fabricação inutilizam toda a “chapa” (transdutor);- aos custos de produção, estes crescem exponencialmente proporcionais à área do transdutor,com perdas e rejeitos também exponencialmente maiores para áreas maiores;- usados na segurança, de PC, e periféricos.Como foi visto, nenhum dos dois sistemas pode ser considerado superior ao outro,pois cada um deles possui melhor desempenho em funções divergentes.6.4 VisualizaçãoO monitor e a impressão são os dois modos mais comuns pra visualização. Os doistipos de monitores mais conhecidos são o CRT (Cathodic Ray Tubes), tubo de raioscatódicos, e o LCD (Liquid Crystal Display), monitores com uma película de cristal líquido.Figura 17: modelos de CRT x LCD17Segue algumas comparações entre um CRT e um LCD (ALECRIM, 2006): Um monitor LCD é muito mais fino que um monitor CRT, ocupando menos espaçofísico; Um monitor LCD é mais leve que um monitor CRT, facilitando seu transporte; porém,eles são mais frágeis; A tela de um monitor LCD é, de fato, plana. Os modelos CRT que possuem essacaracterística têm, na verdade, uma curvatura mínima;17Modelos de CRT x LCD. Fonte: http://i.dell.com/images/global/learnmore/crt_vs_lcd_b.jpg
    • 54 A área de exibição de um monitor LCD é maior, já que nos monitores CRT a carcaçacobre as bordas do tubo de imagem. Isso não ocorre em aparelhos com LCD; O consumo de energia de um monitor LCD é muito menor; Há pouca ou nenhuma emissão de radiação em um LCD; Os monitores LCD ainda não funcionam tão bem em múltiplas resoluções, já o CRT dáessa liberdade pra quem precisa mudar sua resolução para diferentes aplicativos, O preço dos monitores LCD ainda é superior aos monitores CRT.O tamanho da imagem nos monitores depende de três fatores – a resolução domonitor, o tamanho da tela, e o número de pixels na imagem. A resolução de um monitor élimitada por sua largura e altura em pixels. Normalmente as imagens apresentadas são embaixa-resolução, aproximadamente 72 DPI.As resoluções de tela são múltiplas de 4x3 (640x480, 800x600, 1024x768), resultandoem pixels quadrados. A melhor resolução pra ser utilizada vai depender do tamanho da tela domonitor. Em (ETRONICS, 2007) é explicado que se for usada uma imagem com a resoluçãode 800x600 pixels em dois monitores com tamanhos de 14” e outro de 21”, ela aparecerá comtamanho bem diferentes, pois os pixels (como não tem dimensão), irão se acomodar parapreencher todo o espaço da tela. Além da capacidade do próprio equipamento em apresentardeterminados modos de resolução, é a placa de vídeo do computador que determina aresolução do monitor.A qualidade das imagens geradas pelas impressoras depende de muitos fatores, entreos principais estão o papel, a tinta, a umidade do ar e o modelo da impressora, podendochegar a altíssimas resoluções.As impressoras são dispositivos que apresentam imagens definitivas em sua saída,normalmente em papel. Várias tecnologias de impressão estão disponíveis no mercado, porémas mais conhecidas são a matricial, a jato de tinta e a laser. A impressora matricial são as maisacessíveis financeiramente, mas são ruidosas e não possibilitam a reprodução de imagens dealta resolução. Na tecnologia a jato de tinta pode se obter imagens monocromáticas epolicromáticas de alta resolução, sem muito ruídos e com preço acessível. Já as impressoras alaser usam o mesmo princípio das maquinas fotocopiadoras, tendo como elemento deimpressão o toner (pó capaz de ser carregador eletrostaticamente). (MARQUES FILHO;VIEIRA NETO 1999, pag. 311).O tipo da impressora influenciará muito na resolução de uma boa impressão. Nasimpressoras jato de tinta serão necessários pelo menos uns 300 dpi para simular uma foto.Caso, a imagem tenha sido obtida por escaneamento a partir de uma revista ou folha impressa,
    • 55conterá pequenos pontos, chamados de retícula, e será mais difícil a imagem ficar correta(existe um filtro no Photoshop, o Gaussian Blur, para atenuar esse efeito).Segundo (SCURI, 1999), o sistema de cor usado na maioria das impressoras é CMYK.E como algumas impressoras operam apenas com quatro cores, há dois grandes problemasenvolvendo impressão de imagens. Trata-se da fidelidade da cor impressa, quenecessariamente se precisa converter de RGB para CMYK e o fato da grande maioria dasimpressoras imprimirem somente com quatro cores, sendo que estas não são combinadas.Com isso, “para capturar os milhões de cores de uma fotografia, a impressora tem que usarum recurso para enganar a vista humana, gerando um padrão aceitável de pontos paravisualização. Este processo é chamado de halftoning ou dithering (meio tom)”. (ETRONICS,2007)O processo de halftoning é feito arranjando os pontos imprimíveis em pequenosgrupos chamados células, e utilizando-se esses grandes pontos formados por célulasem unidades para a impressão dos pixels. Cada célula mede 5 por 5 ou 8 por 8pontos. As três ou quatro cores primárias são combinadas num determinado padrão,que a vista humana percebe como cores intermediárias. Para cores menos saturadas,a impressora deixa alguns pontos sem imprimir e simula assim brancos de cor. Esteprocesso é utilizado faz muito tempo em impressão industrial, e pode ser percebidose você olhar uma fotografia de revista com uma lupa. (ETRONICS, 2007)Ainda na mesma referência tem-se que existem também as impressoras porsublimação de tinta, que possuem esse nome “por utilizarem tinta sólida que, por um processoque é conhecido cientificamente como “sublimação”, é convertida em estado gasoso eaplicada no papel sem passar pela fase líquida”. Quando se imprime fotografias coloridas, nãoexiste nada parecido com o resultado obtido por este tipo de impressora. São produzidasimagens fotorealísticas com tons contínuos como as que são criadas pelo laboratório de fotos.Essas impressoras são recomendadas para profissionais de desktop publishing, agências ebureaus para provas, lay-outs e apresentações. (ETRONICS, 2007)6.5 ArmazenamentoAs imagens digitais são armazenadas em arquivos de bitmaps – pixels ordenadosindividualmente. Como exemplo da relação entre cor e pixel na hora da impressão, em(ETRONICS, 2007) se vê que quando uma pequena área de uma imagem de 640 x 480 pixelsé ampliada, os pequenos pixels misturam-se a tons contínuos do mesmo modo que fotosampliadas num jornal apresentam uma mistura de pontos indefinidos. Cada um dos pequenos
    • 56pixels pode ter uma escala de cinza ou uma cor. Utilizando-se 24 bits de cor, cada pixel podeassumir qualquer uma das 16 milhões de cores possíveis. Todas as fotografias e pinturasdigitais são em bitmaps, e qualquer tipo de imagem assim pode ser salva ou exportada. Defato, quando se imprime qualquer formato de imagem numa impressora laser ou jato de tinta,a imagem é primeiro convertida (rasterized) tanto pelo computador como pela impressora embitmap, de tal modo que seja impresso em forma de pontos.Ainda que os arquivos bitmaps, apesar de serem muito usados, sofrem de doisproblemas inevitáveis: o primeiro é que os bitmaps só podem ser impressos ou visualizadosno tamanho designado pelo número de pixels existentes na imagem. Caso imprima-se ouvisualize-se em outro tamanho pode resultar numa imagem totalmente distorcida. E o outroproblema é que para manter a qualidade, o arquivo salvo deve ter informações precisas sobrecada pixel e cores, gerando arquivos bitmaps muito grandes. “Para diminuir este problema,alguns formatos gráficos, como GIF e JPEG foram criados para armazenar imagens numformato comprimido”. (ETRONICS, 2007)6.5.1 Compressão de ArquivosA compressão ocorre quando se duplica a informação, eliminando tudo o que não tivervalor ou salvando de modo resumido, de forma que o tamanho do arquivo reduza. Quando aimagem é editada ou apresentada, o processo de compressão é revertido.No mundo da Imagem Digital existem dois tipos de compressão: com perda (lossycompresssion) e sem perda (lossless compression).Em (SCURI, 1999) é mencionado que os métodos com perdas são baseados no fato deque pequenos detalhes podem ser eliminados de forma que não serão notados de imediato. Ométodo que mais se sobressai entre as compressões com perdas é o JPEG (Join PhotographicExperts Group), que, de acordo com (MARQUES FILHO; VIEIRA NETO 1999), foiestabelecido em 1991, projetado para comprimir imagens naturais coloridas emonocromáticas com até 65536 x 65536 pixels.A maioria das câmeras digitais utiliza o sistema de compressão com perda devido opequeno espaço de armazenamento ser complicado e caro e, em geral, a qualidade é mantidapor meio do JPEG em qualidade máxima de compressão.A compressão sem perdas comprime uma imagem de tal maneira que a qualidade émantida. Ainda que pareça a ideal, não proporciona redução significativa do arquivo, quegeralmente fica reduzido a um terço do tamanho original.
    • 57Dentre os métodos sem perdas, existe o Código de Huffman, RLE (Run LenghtEncoding), LZW (Lempel-Ziv & Welch), JBIG (Join Bi-level Image Experts Group). Cada umdesses métodos utiliza uma técnica diferente que em geral lhe dá o nome, sendo que o maisempregado é o LZW (Lempel-Ziv-Welch), produzindo compressão de 50 a 90% tanto emarquivos GIF como TIFF, segundo (ETRONICS, 2007).6.5.2 Formatos de ArquivosConforme apresentado em (Scuri, 1999), apresenta-se aqui alguns dos formatos dearquivos padronizados que já estão bem estabelecidos no mercado e suas respectivascaracterísticas.Quadro 1: quadro comparativo entre os formatos de arquivos18Segue os formatos mais conhecidos e usados:JPEGPronunciado, aqui no Brasil, como “jota-peg”, é o formato mais conhecido e utilizadoatualmente. Em (ETRONICS, 2007) é citado duas características do JPEG: a primeira é queele apesar de utilizar um esquema de compressão que sofre perdas, “o grau de compressão (econseqüente perda de qualidade) pode ser ajustado. Em resumo, muita compressão, muitaperda, pouca compressão, pouca perda”. E a outra é que este formato suporta 24 bits de cores.Uma vantagem em relação ao GIF, o outro tipo de arquivo muito utilizado na Internet, quesuporta apenas 8 bits. O formato JPEG não possui transparência.GIF18Quadro comparativo entre os formatos de arquivos.Fonte: www.tecgraf.puc-rio.br/~rtoledo/cg1/apostila%20imagem%20digital.pdf.
    • 58O formato GIF (Graphics Interchange Format) é muito usado na Internet para artes edesenhos. Armazena apenas imagens RGB com 256 cores ou menos, apropriado para imagenscom baixa qualidade e imagens tons de cinza. Possui duas características importantes: aprimeira é que o fundo pode ser transparente, e a segunda é que suporta várias imagens nummesmo arquivo, dando a opção de criar uma animação capaz de simular um pequeno filme,possibilitando trabalhar com fotos, já que não é um formato adequado para fotografias, poréma resolução tem que ser baixíssima e com a qualidade muito ruim. Segundo (Scuri, 1999) esseformato usa compressão LZW para comprimir a imagem. Essa compressão é parecida com ausada no formato de arquivo compactado ZIP, gerando ótimos resultados.TIFFUm formato sem perdas de qualidade, levando vantagem a formatos com o JPEG e oGIF. O TIFF (Tag Image File Format) “é largamente aceito e praticamente reconhecido porqualquer software e sistema operacional, impressoras, etc. Além disso, é o formato preferidopara aplicações em editoração eletrônica”. (ETRONICS, 2007). O TIFF também é um modode cores de 24 bits.PNGÉ um formato gráfico para o qual muitos navegadores da web oferecem suporte. Deacordo com o (OFFICE.MICROSOFT, 2007), ele é adequado para compactar e armazenarimagens gráficas, sem perda de dados da imagem gráfica quando ela é descompactada. Oformato png oferece suporte para a transparência variável de imagens e controle do brilho daimagem em diversos computadores. Ele é usado para uma série de elementos gráficos, desdeimagens pequenas (como marcadores e faixas) até imagens complexas (como fotografias).CCD RAWSão arquivos econômicos, se tratando de memória, e não podem sofrer alterações, porisso servem como negativos digitais.Quando um sensor de imagem captura informação que gera uma imagem, algumascâmeras digitais permitem que se salve um arquivo não processado, ainda “cru” (porisso é chamado RAW). Este formato contém tudo o que a câmera digitalizou. O
    • 59motivo para seu uso é livrar o processador da câmera digital da tarefa de realizar oscálculos necessários para otimização da imagem digital, possibilitando que isso sejafeito no computador. Uma imagem em RAW terá, depois de aberta no computador eotimizada, de ser salva num formato qualquer para ser utilizada. (ETRONICS, 2007)Ainda em (ETRONICS, 2007), é explicado que esse formato apresenta a vantagem degerar um arquivo menor do que no formato TIFF (pelo menos 60%). Já que o computador temmuito mais capacidade de processamento que a câmera, a imagem final também terá melhorqualidade do que se for diretamente salva pela própria câmera em formatos JPEG ou TIFF.Mas é necessário que o usuário tenha domínio de técnicas de otimização de imagem parapoder aproveitar este formato.BMP - Windows BitmapFormato mais trivial dentro no Windows. Por não utilizar nenhum algoritmo decompressão, apresenta as imagens com maior tamanho.6.6 ProcessamentoA área de Processamento Digital de Imagens tem crescido notoriamente nos últimosanos. Muitas áreas vêm utilizando sistemas de processamento digital de imagens, tais como:reconhecimento de padrões (indústria), medicina, agricultura, pesquisas espaciais,meteorologia, etc.O fator qualidade é o fator comum em todas as classes de processamento. Ele diz queexistem duas subdivisões em qualidade de imagem. São elas: fidelidade e inteligibilidade.No primeiro caso estamos preocupados em aproximar a imagem processada daimagem original ou de um padrão estipulado que a melhor represente. No segundocaso, nos preocupamos com a informação que conseguimos extrair da imagem, sejapelo olho humano, seja por algum processamento. (SCURI, 1999)Ainda em (SCURI, 1999), há uma alerta para os programas direcionados paraeditoração eletrônica, pois necessitam ter um cuidado muito grande com a fidelidade narepresentação da cor da imagem; e os programas direcionados a processamento de imagenscientíficas em geral se preocupam com a informação contida na imagem, e não com afidelidade da cor.
    • 607 FOTOGRAFIA DIGITALQuando Vilém Flusser escreveu isto, em 1983, não sabia a febre que viria ser afotografia digital:As características que distinguem a fotografia das demais imagens técnicas serevelam ao considerarmos como são distribuídas. As fotografias são superfíciesimóveis e mudas que esperam, pacientemente, serem distribuídas pelo processo demultiplicação ao infinito. São folhas. Podem passar de mão em mão, não precisamde aparelhos técnicos para serem distribuídas. Podem ser guardadas em gavetas, nãoexigem memórias sofisticadas para seu armazenamento. (FLUSSER, 1983, p.26)Ele diz que o que diferencia as fotografias das demais imagens técnicas é que elas sãofolhas. Que para que elas sejam distribuídas, de nada precisam. Mas passou o tempo em que,quando se lembrava de fotografias apenas imaginava-se papel.Barthes diz em seu livro A Câmara Clara (1984), que a fotografia é a prova de quealgo existiu. Sontag, em Sobre Fotografia, completa dizendo que “uma foto equivale a umaprova incontestável de que determinada coisa aconteceu”. (2004, p.16) E ainda Donis A.Dondis (1997), em sua obra Sintaxe da Linguagem Visual assinala que a fotografia é aexpressão da realidade. Mas com o surgimento da fotografia digital, as citações desses autoresjá não têm mais validade. “Os efeitos viabilizados pelos computadores cada vez mais velozescom softwares cada vez mais sofisticados e amigáveis permitem a manipulação digital daimagem que impossibilita determinar o que é real e o que é imaginário”. (BALAN, 2007)Com o advento do computador, a fotografia digital tem crescido de uma formaavassaladora. E todo esse sucesso da fotografia digital começou, principalmente, da“necessidade de um sistema que enviasse imagens capturadas por sensores remotos eretransmitidas via rádio para a Terra”. (ETRONIC, 2007). Daí nasce uma nova era dafotografia, que tem aumentado e se aperfeiçoado de uma forma “assustadora”. Hoje elas estãopor todos os lados, das câmeras elas vão para o computador, para a web, pra TV, jornais,livros e revistas, viajando pelos fios telefônicos, satélites ou mesmo pelo ar.As principais vantagens apresentadas pela fotografia digital é o abandono da emulsãofotossensível, eliminando custo com filmes e revelações, já que as câmeras digitais utilizamsensores por fotocélulas e representadas em modos de números binários pelo computador; apossibilidade de visualizar imediatamente o resultado das fotos na própria câmera, nocomputador ou até mesmo na TV, descartando rapidamente o que não interessa; refazê-laquantas vezes forem preciso até que sejam satisfatórias; o benefício de editar e corrigir asdiferenças de cor e luz através de softwares específicos, sem a necessidade de recorrer ao
    • 61processamento laboratorial e às grandes perdas de tempo e algumas dessas câmeras aindaoferecem a possibilidade de produzir vídeos.E quanto às suas desvantagens primárias, destacam-se o custo inicial das câmerasdigitais ainda é bem elevado, apesar de já ter caído consideravelmente - segundo (ETRONIC,2007), a causa do preço alto é o sensor de imagem, através do qual a imagem é capturada eformada no equipamento; consomem muita energia e a resolução baixa das imagens (jpg) nascâmeras mais acessíveis.De acordo com (IDG NOW!, 2007), a primeira imagem digital completou 50 anosnesse ano, responsável por ter aberto caminho para as imagens de satélites, scanners, códigode barras, etc.Ela tinha 176 pixels, 5 x 5 cm e foi feita pelo americano Russell Kirsch. (...) Aimagem granulada de um bebê, de apenas 5 centímetros por 5 centímetros, foi feitapor Russell Kirsch, no National Bureau of Standards (NBS, agora conhecido porNational Institute of Standards and Technology, ou NIST). (...) Em 2003, os editoresda revista Life escolheram a pequena foto do bebê, feita por Kirsch, como uma das100 fotografias que mudaram o mundo. (IDG NOW!, 2007)Figura 18: Primeira imagem digital19Daí em diante, a tecnologia surpreende a cada instante. As câmeras estão cada vezmenores e com um potencial cada vez maior, fazendo com que a linguagem da fotografiavenha se modificando dia após dia. Só o fato de que, antigamente, para saber se a foto estavaboa ou não, teria que esperar serem reveladas. Porém, essa espera, hoje, “adquire graus deintoleráveis, valorizando o resultado imediato, já que a demanda por produtividade nãosuporta o desperdício com imagens "imperfeitas”. (IDG NOW!, 2007)Ver, fotografar e deletar: essas são trilogias bem corriqueiras da fotografia amadoracontemporânea. Desde que a câmera digital possibilitou que seus usuários vissem asfotografias no instante mesmo em que eram feitas (ou alguns centésimos desegundos depois), houve uma mudança significativa na experiência fotográfica.(SANZ, 2006)19Primeira imagem digital.Fonte: http://idgnow.uol.com.br/computacao_pessoal/2007/05/25/idgnoticia.2007-05-25.3211821373
    • 62De acordo com (TERRA, 2007), a maior imagem digital do mundo tem 143 GB. Aimagem, criada pela empresa canadense Aperio, possui a qualidade de um Terapixel (umtrilhão de pixels) e o formato BigTiff – formato inventado pela empresa para utilização emanálises de exames médicos.A maior imagem digital do mundo tem mais de um milhão de pixels de largura econsistem em 225 cópias de slides de exames de câncer de mama combinados. Aimagem foi comprimida em um arquivo de 143 GB e pode ser visualizada no sitehttp://bigtiff.org/terapixel.htm."Esta melhoria no formato torna possível criar uma resolução muito grande paraimagens digitais para a análise de medulas ósseas", disse Douglas Tkachuk, médicoe professor da Universidade de Toronto. (TERRA, 2007)E esse avanço na tecnologia tem proporcionado – o que antes não acontecia – que umgrande número de pessoas tenham acesso à fotografia. Os preços dos equipamentos estãocaindo, pois o sensor de imagem vem atingindo um nível tecnológico satisfatório, segundo(ETRONICS, 2007)No Brasil, a demanda por câmeras digitais aumenta a cada dia. Dados retirados de(PHOTOIMAGEBRAZIL, 2007), uma Feira Internacional de Imagem que aconteceanualmente aqui no Brasil, comprovam o fato:De acordo com levantamento realizado pela empresa de pesquisas IDC, osconsumidores brasileiros compraram 2,5 milhões de câmeras digitais em 2006contra 1,5 milhão de unidades no ano anterior, um dos maiores institutos depesquisas de mercado do mundo.O IDC mediu o mercado latino americano como um todo, que também navega nasaltas ondas do crescimento: 4,3 milhões de câmeras digitais foram comercializadasna região em 2005 contra nada menos que 6,7 milhões de unidades em 2006, ou umsalto acima de 55%. O Brasil detém pouco mais do que 37% de todo o mercadolatino.O IDC também comprova que metade das câmeras digitais comercializadas noBrasil no segundo semestre de 2006 foram de 6 megapixels, ou seja, o consumidornacional não se orienta mais apenas pelo preço, mas por sofisticações técnicas erecursos. (PHOTOIMAGEBRAZIL, 2007)Mas não para por aí. Fotos digitais são capturadas também a partir de celulares,palmtops e mp5. O mercado tem crescido tanto que a maioria dos novos modelos de celulareslançados possui câmeras digitais integradas, possibilitando o usuário tirar fotos a hora quequiser. Facilidade e acesso à fotografia para aqueles que não gostam de perder “um só clique”da vida. Ainda mais que, como a concorrência é grande, tantos das marcas dos celulares comodas operadoras de telefonia móvel, há aparelhos com preço bem acessível.
    • 63A mais nova foi o lançamento do mp5, aparelho que “também” serve para fotografar.Eles têm memória interna e ainda aceita cartões SD para guardar as músicas, fotos, vídeos...Figura 19: Modelo de mp520A explicação é aquela velha de guerra: MP3 é o que toca música, MP4 também tocavídeo e MP5 faz tudo e ainda tira fotografias. É uma espécie de telefone celularsofisticado que não faz ligação. Aliás, seguindo o pensamento da "escadinhatecnológica" (...) seriam os celulares os MP6? (FELITTI, 2007)Dados revelam que 56% dos brasileiros usam câmeras digitais semanalmente. Deacordo (IDG Now!, 2007), um estudo da Qualibest, realizado em novembro de 2006 com2.106 pessoas, afirma que mais da metade dos brasileiros usam sua câmera digital pelo menosuma vez por semana, incluindo celulares.O IDC apontou que a Canon atingiu liderança do setor nos EUA em 2006, seguida pelaNikon, graças à introdução de câmeras reflex de baixo custo. A Canon vendeu 6,1 milhões decâmeras no EUA em 2006, mais de um milhão de unidades a mais que 2005, de acordo comos dados. Já a Sony atingiu um tímido crescimento de 3% em vendas, enquanto a Kodak, líderdurante 2005, sofreu uma queda de 31% nas vendas referente a 2006. A Nikon teve um fortedesempenho e viu suas vendas.E em relação às marcas de celulares com câmeras mais usadas foi Motorola (37%),Nokia (21%), LG (11%), Siemens (10%), Samsung (8%) e Sony Ericsson (7%).Dos entrevistados, apenas 56% da amostra disse passar as fotografias tiradas para ocomputador, para criar álbuns ou imprimir os arquivos. E 49% dos entrevistados afirmaramque imprimir arquivos em casa ainda é mais caro que em lojas especializadas. (IDG Now!,2007)Feiras internacionais sobre fotografia, como a Photokina e a PhotoPlusExpo, acontecemanualmente em vários pontos do planeta. Com stands enormes, dão palestras e discutem20Modelo de mp5. Fonte: http://www.atera.com.br/figuras/mp5dyn512sv.GIF
    • 64assuntos relacionados à fotografia, apresentando seus lançamentos e oferecendo informação emanuseio dos equipamentos digitais.A Photokina2006 fez destaques em alguns pontos:A tendência de esnobar com câmeras compactas com número cada vez mais elevadode megapixels parece ter um fim. O motivo é bem simples: dez megapixels sobreum chip de 6 mm não fazem muito sentido – a maioria das lentes não conseguetrabalhar com uma definição tão alta. Novos processadores de imagem, no entanto,aumentam a rapidez das compactas.Também a tendência de câmeras cada vez menores esbarra em limites. Não são tantolimites técnicos e, sim, os displays de até três polegadas que freiam aminiaturização. Não adiante ter um display grande se a definição é baixa.Na Coréia, já são vendidos celulares com câmeras de até 10 megapixels. fotostiradas com câmeras digitais cada vez mais avançadas são impressas analogicamenteno papel; e os celulares multimídia ainda estão longe de substituir as câmerasdigitais. (DW-WORLD.DE, 2006))Segundo (FOTOLAB, 2006), a PhotoPlusExpo 2006 destacou, entre outros temas, oÁlbum Panorâmico. Álbuns vincados, sem corte das páginas, com várias opções deacabamentos, com capas com desing muito elegante e a utilização de materiais bemalternativos.Outra área muito interessante que a fotografia digital está contribuindo é a fotografia3d. Vários programas estão surgindo e, de uma forma surpreendente, criam mundos virtuais.A partir de uma fotografia, é possível chegar a um modelo tridimensional de um objeto.Figura 20: Foto 3D21O programaencontra diferentes elementos de cada imagem, e cria uma rede que representarelações entre diferentes fotos. A partir disso, o programa pode determinar onde acâmara estava posicionada para cada tomada. Isto produz uma nuvem de pontos emtrês dimensões, como se cada foto estivesse projetada da posição original da câmara.(MUNDOGEO, 2006)21Foto 3D. Fonte: http://www.mundogeo.com.br/noticias-diarias.php?id_noticia=6696
    • 65Com eles podem se criar desde rostos de pessoas até prédios, ou qualquer outra coisaque se tenha pelo menos uma vista em uma foto.O que tem feito muito sucesso entre os internautas são os programas que visualizamem três dimensões várias regiões do mundo. A partir de fotografias aéreas por satélites, osprogramas criam um “mundo virtual da Terra”. O Google Earth é o programa que tem sedestacado mais, por ser o pioneiro. Mas no ano passado a Microsoft lançou um concorrente, éo Virtual Earth 3D. Ambos funcionam conectados à internet e necessitam de umaconfiguração adequada do PC para que funcionem corretamente.O Google Earth já dispõe de um simulador capaz de fazer com que o usuário“caminhe” pelas ruas e visualizem os edifícios, lojas e demais elementos, totalmente em 3D.Mas esse privilégio ainda não está valendo pra todas as cidades do Brasil, por enquantoapenas os grandes centros. Mas com todos os avanços na tecnologia, logo estaremosconhecendo qualquer lugar do mundo através desses programas.Numa palestra proferida no GEOBrasil 2006 (Congresso e Feira Internacional deGeoinformação), “foi divulgada a capacidade de armazenamento necessária para modelar omundo todo em três dimensões: 22 petabytes, sendo que um petabyte equivale a mil terabytesou um milhão de gigabytes”. (MUNDOGEO, 2006)7.1 Analógica x DigitalCom o advento da tecnologia das câmeras digitais, o uso das câmeras analógicas vemcaindo aos poucos. Mas existem perguntas que ainda não se calaram, tipo: a fotografia digitalvai desbancar a fotografia analógica? A fotografia analógica está perdendo seu valor? Emqual processo a foto fica melhor? Com a prontidão da fotografia digital, perdeu-se o sentidode fazer “arte com a realidade”?Baseado (WILSON, 2005), percebe-se que as maiores vantagens da fotografia digitalem relação a analógica é a possibilidade da visualização imediata do resultado das fotografias,a eliminação do custo com filmes e sua revelação, além da sistematização do gerenciamentodas imagens. Vantagens essas que tornam fácil a utilização das imagens, pois já são arquivosdigitais, em apresentações com recursos de multimídia sem nenhuma perda de qualidade,diferindo da fotografia analógica, pois estas necessitam serem digitalizadas, resultando, namaioria das vezes, na perda da qualidade do material original.
    • 66Os autores do artigo ressaltam que os filmes negativos precisam de ampliações, o quetambém pode influenciar na qualidade final das fotografias, além de utilizarem um processode revelação químico muito sensível.Na verdade, o que acontece atualmente é que a digitalização dos filmes fotográficosconvencionais vem se tornando inevitável. Pois, grande parte dos laboratóriosfotográficos não mais utilizam o “antigo” processo químico de revelação analógica àbase de substâncias reveladoras e fixadoras, mas sim, os filmes fotográficosconvencionais são digitalizados (transformados em “imagens digitais” e não em“fotografias digitais”) para, então serem revelados pelo processo digital. Resumindo,a imagem original ou fonte é a “fotografia analógica”, porém o método de revelaçãoé o digital. (WILSON, 2005)Eles chamam atenção na importância de se diferenciar a terminologia “fotografiaanalógica”, “fotografia digital” e “imagem digital”.Quando uma fotografia analógica é digitalizada, esta é convertida em uma imagemdigital e não em uma fotografia digital. Pois, esta última é somente um tipo deimagem digital que é adquirida com o uso de câmeras fotográficas digitais.(WILSON, 2005)No quesito qualidade a fotografia digital está na frente, mas quando as fotografias vãoparar em papel fotográfico, ambas ficam bem semelhantes. As maiores preocupações dafotografia digital vêm sendo o preço alto das câmeras, a imperdoável corrida pelamodernização dos equipamentos e a imaturidade da linguagem.Figura 21: modelo câmera digital22Em uma entrevista realizada por (RODRIGUES, 2007), alguns fotógrafosprofissionais relataram suas experiências com o digital e como essa tecnologia afetou seusdia-a-dia.Mais de 70% disseram que a fotografia digital ajudou muito no trabalho deles,principalmente pelo tempo que economizam na hora de produzir as imagens. Mas todos22Modelo câmera digital. Fonte: http://www.feradigital.com.br/loja/images/h201.JPEG
    • 67reclamaram da fragilidade dos equipamentos em relação a seus preços. O que o indivíduoeconomiza com filmes e revelações, gasta com o equipamento digital; até mesmo porque elesficam defasados rapidamente. Foi comentado, também, o fato de que muitas pessoasfotografam sem se preocupar com os conhecimentos de técnica fotográfica, simplesmenteporque conhecem o photoshop. Pessoas que confiam apenas no photoshop e não querem ter otrabalho de estudarem a percepção e o controle da luz na hora de fotografarem.A cada ano são lançados novos modelos com tecnologias mais avançadas para omercado fotográfico, tanto no digital como no analógico. Esse impulso faz com queprofissionais da área tenham um leque de variedade na escolha do seu equipamento.7.2 Depoimentos De FotógrafosPara complementar essa análise, vejamos abaixo os depoimentos de fotógrafos sobreessa nova linguagem e suas diferenças e vantagens em relação à fotografia analógica.- Qual a maior vantagem da Fotografia Digital em relação à Fotografia Analógica?Albani Ramos – Apesar do custo inicial, a fotografia digital torna-se mais acessível emrelação ao custo.Edgar Rocha – O filme da analógica se restringia a poucas pessoas, com a digital já é umpouco diferente.A digital nos permite conseguir luzes que com a outra não era possível, temos mais opções deluz na hora de fotografar. Ela está mais perto da literatura do que da fotografia.E a agilidade da digital também é uma vantagem, muito simples passar as fotos para ocomputador.Na verdade, com a digital a gente “se livrou” do laboratorista, do papel fotográfico, dasquímicas, da revelação e da angústia... se você saísse para fotografar no interior da Amazônia,por exemplo, e chegasse aqui na hora da revelação visse que tinha dado errado...As máquinas digitais estão ficando muito boas. É um caminho novo. É irreversível.Meireles Júnior – Praticidade, imediatismo...- A qualidade da digital pode ser tão boa quanto à analógica?A. R. – Não. Essa realidade ainda está muito longe.Em um filme, uma película de 100 ASA tem 20 milhões de pontos, já um frame digital tem ametade desses pontos.Essa diferença se observa, principalmente, em laboratórios de revelação, quando se comparaas duas imagens, digital e analógica, percebendo a qualidade de cada uma.
    • 68E.R. – Isso é importante. Algumas pessoas visam somente à qualidade absurda nas fotos. Eunão quero isso. Eu que já sou fotógrafo profissional há mais de 40 anos, não quero a superqualidade, eu quero a beleza, quero outra coisa, quero o subjetivo e não o objetivo, queroluzes... Você consegue ler imagens que a parte do escuro aparece, e com a analógica apareciaum contraste muito forte.A digital aprofundou mais o mistério da fotografia.M.J. – Pode. Hoje já pode. Existem equipamentos profissionais com uma qualidade muitoboa. Cada ano as empresas lançam modelos mais sofisticados. Há um tempo atrás eleslevavam dez anos para lançar um novo modelo, hoje lançam de ano em ano. Eles têminvestido muito.- O que a Fotografia Digital facilitou na profissão do fotógrafo?A. R. – Facilitou, principalmente, com quem trabalha com fotojornalismo. E também, naquestão financeira. Mas quanto ao fotojornalismo – que exige que as fotos estejam prontas omais rápido possível – houve uma grande contribuição.Na época em que eu trabalhei com fotojornalismo (com matérias impressas), antes da digital,o fotógrafo tinha que revelar suas imagens num laboratório próprio, esperar secar, scannear eenviar para a redação da revista, para que ela pudesse ser publicada no dia seguinte. E com adigital, isso mudou. As pessoas fotografam e logo em seguida “descarregam” as imagens nocomputador e “enviam” pra qualquer lugar do mundo em questão de segundos.E.R. – Essa parte é emocional, né?Você vai lá pro interior, daqui a pouco você só procura uma bateria, antes acabava o filme.Facilitou muito, também, por que você está fotografando e logo olha o resultado, virou umvício.E a agilidade também é interessante.M.J. – A questão do filme. Era um incômodo, uma “angústia” tirar fotos em lugares que nãohavia laboratório de revelação (em uma mata, por exemplo), porque teria que esperar chegarao estúdio ou mandar para o laboratório pra você saber se ficaram legais, se realmente era issoque você queria. Se não, teria que voltar mais uma vez ao lugar para fotografar de novo. Ecom o digital, é tudo mais prático. Tirou as fotos, olhou na mesma hora pelo visor, nãogostou, tira outras e descarrega em um laptop. E se precisar, já envia para o cliente viainternet.
    • 698 O FOTOLIVRO E A MUDANÇA NA LINGUAGEM FOTOGRÁFICAVive-se um momento no qual a velocidade em que a informação se espalha está maisveloz do que jamais registrado antes. O avanço tecnológico permite, a cada dia, criar umanova geração em que a cultura se difere cada vez mais da época em que não existia esseinteresse pelo consumo de bens materiais voltado para o imediatismo. A explosão da eradigital, em especial da fotografia digital, desperta o desejo por equipamentos sofisticados commúltiplas funções. A comunicação e divulgação dos fatos que acontecem diariamente exigemum curto prazo de tempo para se dissipar. Imagens precisam ser produzidas tornando-serealidade de forma rápida e eficaz.Uma mudança radical é percebida em relação ao paradigma da linguagem fotográfica,cujo assunto que se irá concentrar este capítulo.Antes a fotografia era um privilégio das famílias burguesas do final do século XIX einício do XX. As coleções portáteis eram localizadas nas salas de jantar ou nas mesas decentro dos ambientes domésticos, formando os verdadeiros símbolos da intimidade familiar.Com sua capa de couro, cada álbum estava apto para exaltar as marcas de distinção socialdaquele grupo. Esses álbuns eram constituídos de fotografias cuidadosamente selecionadas,classificadas e organizadas. “A sobriedade da pose dos retratos, a escolha dos trajes de festa,as cenas de batizado, das cerimônias matrimoniais e até das cenas de morte constituem osmarcos da passagem temporal em que a linha de vida de uma família é contada por essascoleções portáteis.” (SANZ, 2006)Sontag (2004) exemplifica esse comportamento na vida da sociedade em relação àsfotos de família:[...] hoje todos os adultos podem saber com exatidão como eles, seus pais e seusavós eram quando crianças – um conhecimento que não era acessível antes dainvenção da câmera, nem mesmo para aquela pequena minoria em que era costumeencomendar pinturas de seus filhos. A maioria desses retratos era menos informativado que qualquer instantâneo. E mesmo os muito ricos tinham, em geral, apenas umretrato de si mesmos e de seus antepassados quando crianças, ou seja, uma imagemde um momento da infância, ao passo que hoje é comum a pessoas ter muitas fotosde si mesma em todas as idades, uma vez que a câmera oferece a possibilidade deum registro completo. (SONTAG, 2004, p.181)E hoje, com as mudanças na linguagem fotográfica, principalmente com o surgimentodo digital, esses valores vêem sendo “substituídos”. Os álbuns de família modernos sãoobjetos de uso próprio. Com o instantâneo ficou mais “simples” de se fotografar. Com osurgimento da câmera digital, basta sentir a vontade de fotografar e pronto, mais uma foto foi
    • 70registrada. “O impulso de tirar fotos é, em princípio, indiscriminado, pois a prática dafotografia está agora identificada com a idéia de que tudo no mundo poderia se tornar maisinteressante por meios da câmera”. (SONTAG, 2004, p.127)Claudia Sanz (2006) comenta o fato das pessoas fotografarem diariamente qualquermomento para que depois ele venha ser recordado. Fotografar – além do sentido de memória– para suprir a necessidade de presença no instante, para “realizar” o agora, intensificando-o,como se, sem as imagens, o momento se torna menos vibrante. “Não é apenas umacontecimento singular que ‘merece’ ser fotografado, mas é o fato de ser fotografado que otorna acontecimento”. Olhar as fotos no momento em que se tira, não está ligado somente auma experiência de qualidade estética, mas também está relacionada com um rito decelebração do presente, vivido, individual ou coletivamente através do visor.As novas tecnologias são desenvolvidas para nos poupar tempo. Ricardo Hantzschel(1999/2000) fala que o intuito final é a velocidade, a agilização dos meios de produção, e queas possibilidades criativas vem a reboque em forma de subproduto. “As inovaçõestecnológicas apenas tornaram a sua captura algo simples, corriqueiro, verdadeiramente banal.E é da cultura humana dar maior valor ao que é conquistado com dificuldade, o que é raro.”(HANTZSCHEL, 1999/2000)O autor ainda chama atenção pra uma diferença entre o suporte analógico e o digital,que ao ser manipulada uma cópia em papel, seu original químico (o negativo) permaneceinalterado, ou seja, por comparação, a cópia alterada é uma imagem única.Se o negativo fotográfico é alterado, ele sofre uma irreparável perda de materialinformativo, uma vez que seu suporte não retorna ao que era originalmente, sendoportanto também uma imagem única (em relação a imagem original), emborapassível de se reproduzir em várias cópias. Quanto ao suporte digital, qualqueralteração cria uma imagem única, sem qualquer perda de informação daquela que aoriginou. De fato, após a criação de qualquer outra imagem, é impossível saber qualdelas é a original, qual foi gerada primeiro, ou mesmo se existiu a qualquer tempo osreferentes por ela representados. Como se vê, não se trata de uma mera troca dosuporte antigo pelo novo; trata-se de uma nova forma de pensar e perceber aimagem. (HANTZSCHEL, 1999/2000)Ainda falando sobre fotos familiares, nota-se uma forte alteração quando se pensa qualo futuro dessas tantas fotos tiradas hoje, já que o número de cliques aumenta a cada dia e quecada vez menos as fotos transformam-se em papel. Segundo Christian Cruz (2006), de cadadez fotos, uma é ampliada em papel e as outras nove continuam arquivadas na memória docomputador.Mas o grande estouro do momento está na internet. Nela as pessoas colocam suasfotos – independentemente da ocasião – em weblogs (diários eletrônicos publicados na web),
    • 71fotologs (espécie de diário fotográfico virtual), sites de relacionamentos, com a finalidadecompartilhar publicamente suas experiências íntimas. Dessa forma – não só celebridades, mas“pessoas comuns” também – encontram uma forma de construir sua identidade. Sanz (2006)menciona que as fotografias e os textos veiculados nesses espaços virtuais não se referemsomente a relatos da vida cotidiana, são novas modalidades de expressão e comunicação,novas narrativas do “eu” que, em vez de estarem ocultas no interior do indivíduo ou nossegredos de uma família, estão sendo edificadas a partir da sua exposição. “Parece haver,portanto, uma reformulação nos modos como as imagens de nós mesmos passam a serconstruídas, como se existíssemos à medida que fôssemos capazes de fazer saber queexistimos.” (SANZ, 2006)Números confirmam esta explosão dos blogs através de relatórios divulgados pelaempresa Technorati – que rastreia o que está sendo publicado na blogosfera (mundo dosblogs) e acompanha o crescimento dos blogs no mundo todo. Em um relatório de fevereiro de2006, a empresa afirma que (MÜLLER, 2006):- Rastreia hoje mais de 27.2 milhões de blogs, 1.2 milhões de posts diários;- aproximadamente 50.000 por hora;- A blogosfera dobra de tamanho a cada 5 meses e meio;- A blogosfera é hoje 60 vezes maior do que era há 3 anos;- Em media, um blog é criado a cada segundo do dia;- 13.7 milhões de bloggers continuam postando 3 meses depois da criação de seus blogs.Em (SANZ, 2006) diz que a compulsão por fotografar produz um forte desejo quesupere, ao mesmo tempo, a necessidade de intensificar, por intermédio da imagem, o presente,e a necessidade de contrapor-se a um pânico de esquecimento criado pelo excesso deinformação. Assim, fotografar seria um modo de encorpar os, instantes, mas, também de“salvá-los” – usando uma metáfora da informática –, sabendo que o presente torna-se passadorapidamente. Todas as imagens criadas, tantos as do passado recente quanto as do passadomais distante, convivem juntas dispostas como produtos simultaneamente acessíveis. É comodisserta Sontag (2004): “Fotos podem ser mais memoráveis do que imagens em movimentoporque são uma nítida fatia do tempo, e não um fluxo. [...] Cada foto é um momentoprivilegiado, convertido em um objeto diminuto que as pessoas podem guardar e olhar outrasvezes”. (2004, p.28)Mas o fato das pessoas estarem fotografando mais – seja por câmera fotográfica,celular ou outros –, principalmente fotos digitais, os computadores estão sendo o principalespaço de armazenamento dessas fotos. As pessoas querem registrar cenas importantes de
    • 72suas vidas, família, amigos ou até mesmo portfólios e trabalhos publicitários, colecioná-las emostrar para outras pessoas. Sontag (2004) ressalta que assim como tirar fotos soa como“quase obrigatório” para aqueles que viajam, a paixão de colecioná-las tem um apelo especialpara os que se acham confinados. “As coleções de fotos podem ser usadas para criar ummundo substituto, em harmonia com imagens enaltecedoras, consoladoras ou provocantes”.(2004, p.178)8.1 FotoprodutosNo mundo moderno, produtos têm sido lançados com um detalhe que faz todadiferença: a fotografia. Elas vêm ganhando novas “formas”.Designers têm dado vazão ao fetichismo em objetos já existentes. Denis (2000)explica que fetichismo seria como “investir os objetos de significados que não lhe sãoinerentes”.Seria colocar significados em um produto que não fosse a sua função principal. Elelembra que se um elemento não contribuir para o cumprimento desta tarefa – ou pior ainda, seinterferir com o seu cumprimento – é considerado supérfluo, e segundo os preceitos doFuncionalismo, constitui um erro de design. Mas o autor chama de ingênua, de simplista, essatese de que a forma deve seguir a função.Se a forma é determinada exclusivamente pela função, como queria oFuncionalismo, então deveria existir uma gama limitada de formas para cada tipo deobjeto. O que encontramos historicamente é justamente o contrário: uma variedadequase infinita de soluções para um mesmo problema de design. (DENIS, 2000, pag.31)As fotografias digitais têm “achado” outros lugares para se “instalarem” além docomputador. São os chamados Fotoprodutos. Produtos já existentes, mas com uma funçãodiferente agregada a eles. E qual seria essa função? Talvez torná-lo mais belo, mais atrativo,mais “exclusivo”? Seja qual for a função, é um mercado que tem crescido muito nos últimosdois anos.O designer está podendo se inspirar bastante nessas novas tendências, unindo aestética, a funcionalidade, a inovação e outros valores importantes numa concepção deproduto.[...] a função do designer não é de atribuir ao objeto aquilo que ele já possui, aquiloque já faz parte (in haerere) da sua natureza, mas de enriquecê-lo, de fazer colar –aderir mesmo (ad haerere) – significados de outros níveis bem mais complexos doque aqueles básicos que dizem respeito apenas à sua identidade essencial. (DENIS,2000, p. 35)
    • 73De acordo com Vivian Pereira (2006), um relatório da Photo Marketing Association(PMA) divulgou que os fotoprodutos representaram 13% do mercado americano de serviçosfotográficos em 2005.Alguns desses fotoprodutos são os quebra-cabeças, que depois de montadostransformam-se em pôster, chamando atenção mais das crianças; os cubos fotográficos,podendo comportar 6 fotos, fáceis de manusear e podem ser limpos com pano úmido semestragar as fotos, pois seus lados são laminados; existem as luminárias com formato circular,permitindo o uso de uma foto, e as luminárias horizontais, que permite o uso de duas fotosdiferentes; há ainda calendários de parede, mouse pads, pôsteres e painéis com as fotos sobreacrílico e, finalmente, o Fotolivro – o produto mais solicitado – que é um álbum de fotografiaspersonalizado, encadernado e podendo ser montado pelo próprio cliente.Figura 22: modelos de fotoprodutos: quebra-cabeça, mouse pad, cubos e luminárias, respctivamente.23Algumas empresas desse ramo têm se destacado aqui no Brasil, como a Digipx(www.digipix.com.br), a Fusão (www.fusao.com.br) e a Uniko (www.uniko.com.br).8.2 FotolivroComo já visto nos capítulos anteriores, com o advento da fotografia digital, as fotosestão deixando de ser objetos e se tornando conjunto de pixel, uma expressão matemática. Ecom isso, a digital acabou com um dos ícones da época da fotografia analógica: o prazer demanusear as imagens impressas.Muitas dessas fotos que estão no computador nem chegam à impressão. Poucaspessoas ainda revelam suas fotos, colocando-as em um álbum, e mostram para os amigos. Naverdade, os álbuns de fotografias estão deixando de ser folheados para serem clicados com omouse, podendo ser visualizadas no computador pessoal ou em qualquer lugar do mundo23Modelos de fotoprodutos. Fonte: http://www.fabianaguedes.com/site/modules/news/article.php?storyid=16
    • 74através da internet em fotologs ou álbuns virtuais. Assim, quando se quer olhar os detalhes,não se pega mais a foto impressa para olhar mais de perto e analisá-la, mas sim, aumenta-se ozoom no monitor. Segundo Fernando Pereira (2007), há algumas diferenças cruciais quandose compara esses dois métodos de visualização.A primeira é que antes víamos a foto pela luz refletida no papel. Hoje a vemos coma luz emitida pelo monitor. Com isso, há diferenças em aspectos visuais, como nastexturas, nas cores e na nitidez: uma foto com pouca nitidez no monitor não tem asuavidade que apresenta no papel. No entanto, a maior diferença que isso causa nãoé nas minúcias visuais, e sim na atitude do olhar. A visualização das fotos nos meiosdigitais é muito mais rápida e frenética. Com isso, as imagens virtuais precisam serclaras e objetivas; há pouco espaço para sutilezas, detalhes e interpretações maiselaboradas, já que o botão "fechar" pode ser um caminho mais fácil do que umaobservação mais atenta. Essa forma de olhar reflete-se na forma de fazer fotos evice-versa, criando um círculo que alimenta uma linguagem mais anti-séptica.(Pereira, F, 2007)Mas uma revolução aconteceu no mercado fotográfico, é o Fotolivro. Através deperspectivas analíticas sobre o produto, conclui-se que ele é a nova tendência mundial em setratando de fotografias impressas.O Fotolivro é um livro produzido com alta qualidade de acabamento e impressão feitaem papel couché, da mesma forma dos de fotografia profissionais, mas feito com as imagensde cada pessoa, de forma personalizada. De acordo com Marcos Perlman, presidente efundador da DigiPix, empresa pioneira do ramo no país, o Fotolivro é, na fotografia digital, aprimeira grande novidade no que diz respeito a ver as fotos fora da tela do computador.(CARDILLI, 2007)Essa relação livro - fotografia não veio ser discutida somente agora. Percebe-se queSontag (2004) já tratava desse assunto quando escreveu Sobre Fotografia.Durante muitas décadas, o livro foi o mais influente meio de organizar (e, em geral,miniaturizar) fotos, assegurando desse modo sua longevidade, se não suaimortalidade – fotos são objetos frágeis, fáceis de rasgar e de extraviar –, e umpúblico mais amplo. A foto em um livro é, obviamente, a imagem da imagem. Mascomo é, antes de tudo, um objeto impresso, plano, uma foto, quando produzida emum livro, perde muito menos da sua característica essencial do que ocorre com umapintura. (SONTAG, 2004, p. 15)Mas o Fotolivro surge como uma solução para que as fotos digitais não fiquem pro“resto de suas vidas” no computador, até que um bug tecnológico surja como uma traçavirtual e as destruam para sempre. Marco Perlman, diz que tudo pode ser feito em umFotolivro, como por exemplo, álbuns de casamento, de viagens, de bebês, de formatura,brindes, catálogos, portfólios, trabalhos publicitários. (Vivian Pereira, 2006)
    • 75Seria interessante colocar aqui um trecho de Sontag, ao falar sobre inovação do livrousando fotografias.Reabilitar fotos antigas, atribuindo a elas um contexto novo, tornou-se umimportante ramo na indústria do livro. (...) Uma foto também poderia ser descritacomo uma citação, o que torna um livro de fotos semelhante a um livro de citação. Eum modo cada vez mais comum de apresentar fotos em forma de livro consiste emassociar fotos a citações. (SONTAG, 2004, p.86,89)O objetivo do Fotolivro é de registrar momentos que merecem ser lembrados por todaa vida em um livro de fotos personalizado, com qualidade profissional e diagramaçãoatraente. E bem aqui, destaca-se mais uma mudança no paradigma da linguagem fotográfica,do tradicional álbum de fotos a uma solução para impressão de imagens fotográficas digitais,harmonizando a tecnologia e a qualidade das impressões digitais com o resgate de antigoscostumes.No Brasil o mercado está crescendo agora, com apenas cerca de um ano, mas nosEstados Unidos o fotolivro já tem um mercado consolidado. Segundo um relatório da PhotoMarketing Association, as impressões de fotos digitais aumentaram 61% no último ano, sendoque os pedidos feitos online cresceram 150%. Perlman (apud Cardilli, 2007) conta quequando trouxeram para o Brasil, a idéia era mudar o conceito. A idéia não é revelar um bolode fotos, e sim contar uma história, colocando a emoção das pessoas em um livro bonito.Essa questão de oferecer ao consumidor um produto inovador e atraente, que possasensibilizar a todos, gerando, também, o desejo de possuir um fotolivro, é comentada porDenis (2000) quando ele diz que o trabalho de design se resume cada vez mais a estimularnovos desejos de consumo, atribuindo um valor de novidade ou de diferenciação estética aartefatos preexistentes. Até então, a fotografia digital tinha algumas semelhanças com aanalógica, exceto pelo prazer instantâneo de ver as fotos no momento em que são tiradas e noacúmulo de arquivos no computador por “toda a vida”. Hoje, tem-se essa opção de criar umlivro para mostrar as memórias pessoais de forma mais charmosa apresentadas em papel, enão dentro do computador.O produto tem sido alvo de discussão e divulgação em Feiras e Eventos sobrefotografia no mundo inteiro. Segundo Fabiana Guedes (2007), na última Photokina (set/06),maior feira de produtos fotográficos do mundo, realizada em Colônia, na Alemanha, oFotolivro foi apontado como sucesso absoluto, demonstrando que ele se transformará na novafebre mundial no mercado fotográfico.
    • 76Figura 23: Modelo de Fotolivro24Para a confecção do produto, o cliente escolhe se ele mesmo deseja montá-lo ou enviarsuas fotos para uma empresa especializada desenvolver o projeto, acrescido de uma taxa pelamão-de-obra. Caso ele escolha fazer por conta própria na sua casa, deve fazer o download doD-Book, um software disponível gratuitamente pela Digipix (www.fotolivro.com.br), quepode ser manuseado quando estiver off-line (desconectado da internet). Lembrando que aDigipix opera apenas a parte industrial do negócio, ela trabalha em parceria com outrasempresas. O processo de diagramação é bem simples, envolve a escolha das imagens, layout,sobrecapa e finalização. O D-Book traz todas as ferramentas necessários à diagramação de umlivro, possui um sistema de layouts dinâmicos sem limitação de modelos predeterminados,manuseio das imagens e aplicação de molduras nas fotos. Depois de concluído o processo demontagem, é possível a visualização do livro completo em PDF antes da aquisição doproduto. Depois de diagramado é só enviar para a empresa e esperar chegar em casa,incluindo na conta o preço do envio.Os Fotolivros são, literalmente, feitos ao gosto do cliente, de forma que fiquempersonalizados e exclusivos para cada consumidor. Os tipos oferecidos pela Digipix, variandono tamanho, formato e preço, são esses (ITEM COMUNICAÇÃO, 2006):Fotolivro Super - Encadernado com capa dura e com uma sobrecapa laminada,disponível em diversos tamanhos (A3, A4 e A5), nos formatos retrato, paisagem ou quadrado.Seu número de páginas varia entre 20 e 150 (dependendo do número de fotos impressas) e ascapas podem ser produzidas nas cores azul claro, azul marinho, preta, branca, amarela, verde,laranja e vermelha. A impressão e a montagem são feitas em oito dias úteis.Fotolivro Standard – Encadernado com capa dura (sem impressão), com umaimagem colada sobre ela. Disponível em dois tamanhos (A4 e A5), nos formatos retrato,24Modelo de Fotolivro. Fonte: http://www.fotolab.com.br/writeable/prodo/imagens/304.jpg
    • 77paisagem ou quadrado. O número de páginas varia entre 20 e 150 (dependendo do número defotos) e as capas podem ser produzidas nas cores azul, preta e vermelha. A impressão e amontagem são feitas em três dias úteis.Fotolivro Espiral - Encadernado com espiral metálica e capa plástica transparente. Aprimeira imagem do fotolivro é a imagem da capa criada por meio do D-Book. Disponível emdois tamanhos (A4 e A5), nos formatos retrato, paisagem ou quadrado. O número de páginasvaria entre 20 e 150 e as capas podem ser produzidas nas cores azul marinho, azul royal,branca, preta e vermelha. A impressão e a montagem são feitas em três dias úteis.Fotolivreto – Encadernado e grampeado de forma semelhante a uma revista,disponível em um só tamanho (A6), nos formatos retrato, paisagem e quadrado. O número depáginas é fixado em 20 e as cores da contra-capa podem ser escolhidas com o D-Book. Aimpressão e a montagem são feitas em três dias úteis.Figura 24: Modelo de Fotolivro25Outros dois lançamentos aguardados para esse ano são os:Premium – é um produto sofisticado, impresso em folhas de papel couché comgramatura 250 g/m2 (os modelos atuais são impressão em papel de 170 g/m2) envernizadas eencadernado com capa dura revestida com a imagem da capa. Será oferecido nas versõesfosco e brilho, no tamanho GG (A3) - 30x3 cm e 30x42 cm.Basic – será uma opção moderna e prática para as mais diversas aplicações.Pessoas que já utilizaram esse serviço e encomendaram um Fotolivro, seja como fotospessoais ou como portifólios ficaram bastantes impressionadas com o resultado, que segundoCardilli (2007), a perspectiva é de que ele tenha uma porcentagem importante futuramenteaqui no Brasil. Perlman completa , (apud Cardilli, 2007), dizendo que as pessoas precisavamde uma pretexto para voltar a imprimir fotos. No futuro, esse produto pode substituir parte dasrevelações normais, em ocasiões especiais. “Esse foi um modo de voltar ao hábito antigo deter álbuns de fotos, de uma maneira mais desenvolvida tecnologicamente, com modernidade”.25Modelo de Fotolivro. Fonte: http://www.maniadephoto.com.br/web/m3.asp?cod_pagina=1501
    • 78O que ainda vem sendo discutido é o preço do produto. Para Perlman, (apud Cardilli,2007), falta às pessoas costume para perder a concepção de que o produto é caro. O fotolivroé a idealização de um produto com um alto significado agregado no qual, na realidade, seperde o conceito do ‘quanto custa’ ou do ‘quanto vale’. Na hora da compra de um produtocomo esse, o que fala mais alto é a emoção, e não o racionalismo.O Fotolivro apresenta outra vantagem: ele não se limita a uma quantidade mínima paraser produzido para impressão. A impressão e entrega pode ser encomendada independente donúmero de unidades.Mas não pára por aí, depois de pronto, o Fotolivro ainda pode ser complementado peloscrapbooking, uma técnica para decoração de álbuns fotográficos. Daniela Zambelli (2007)explica que o trabalho de scrap é totalmente personalizado, começando com a escolha dasfotos que vão compor o trabalho. O mais indicado é começar o trabalho e a escolha das fotosantes de sua revelação, mas isso só é possível se as imagens forem captadas através demáquinas digitais, pois com os arquivos no computador, é possível trabalhar as imagenspreviamente e revelar em tamanhos e cores diferenciados para compor as páginas do álbum.Tudo é minuciosamente trabalhado, o tipo, tamanho, as cores do álbum, os temas, eles devemestar em harmonia, valorizando a fotografia para um resultado gostoso de ser visto e revistocentenas de vezes. Zambelli (2007) ressalta que fazer scrap é uma arte, precisa-se ter o domda criatividade, é preciso gostar muito de papel, recortar, colar, pintar e bordar.Figura 25: Modelo de scrapbook2626Modelo de scrapbook.Fonte: http://www.scrapartist.com/gallery/showphoto.php?photo=50027&limit=recent
    • 79Com esses e outros produtos, vê-se a importância do design no mercado fotográfico evice-versa. Produtos que têm surgido, ou ressurgido, através da simples inserção da fotografianeles, vêm quebrando o paradigma na linguagem fotográfica e ao mesmo tempo trazendo ocostume antigo de ter álbuns de fotografias, de modo mais tecnológico e com um ar demodernidade.
    • 809 CONCLUSÃOAo analisar a fotografia desde sua invenção, percebe-se que valores antes atribuídos aela vieram sendo substituídos por outros, ou simplesmente começaram a andar juntos. Dopreto-e-branco ao colorido, do processo químico ao digital, da obra de arte à banalização, darestrita burguesia do século XIX à global quantidade de pessoas, dos álbuns de família aosfotologs e álbuns virtuais, do incômodo peso dos equipamentos às pequeninas câmeras quecabem na palma da mão, das várias horas necessárias para se registrar uma pose aoinstantâneo, do álbum fotográfico padronizado ao Fotolivro.Depois do filme colorido e do instantâneo, talvez o advento da fotografia digital tenhasido o evento mais revolucionário da fotografia. O “simples” fato de poder visualizar asimagens no momento em que elas são registradas, o fim de gastos com filmes e revelações e afacilidade para descarregar as fotos em um computador contribuíram para que a digitalultrapassasse a analógica.E esse avanço tecnológico proporcionou às pessoas aumentarem o número de cliques.Agora para se fotografar não precisa ter, necessariamente, uma câmera digital, mas empresasapostam cada vez mais em agregar uma câmera em produtos já existentes ou lançar um novoproduto no mercado com uma câmera embutida, como por exemplo celulares e mp5.Com isso, as pessoas fotografam mais, gerando um mundo cheio de imagens digitais,que são armazenadas nos computadores ou cd’s, ou então, recheando os sites específicos parafotografias, incluindo blogs, fotologs, e álbuns virtuais, que graças à internet, pessoas domundo inteiro podem ver essas imagens.No seu artigo O quarto iconoclasmo (2001), Arlindo Machado nos aponta umaperspectiva diferente das previsões que foram feitas no início da era digital, que os impressosiriam acabar, que só haveria e-books. Essa previsão caiu por terra. Nunca se trocou tantas“cartas”, tantas mensagens como o fazemos hoje, e podemos pensar que estão apenas no meiodigital, mas as estatísticas apontam para um enorme aumento da quantidade de papéis geradasnos escritórios e residências de todo o mundo. No caso da fotografia, ao contrário do queproferiu Vilém Flusser, ela não foi fadada à gaveta empoeirada. Ela ganhou o mundo, e apossibilidade de ser compartilhada em uma escala global. É, certamente, uma decorrência daexistência de uma rede mundial de computadores, mas essencialmente, atende a um únicodesejo humano de se comunicar e compartilhar suas experiências.A internet abriu novos caminhos, novas linguagens em relação à fotografia. Aspessoas tem trocado experiências compartilhando suas fotos de maneira que qualquer outra
    • 81pessoa em qualquer lugar que esteja possa “enviar” comentários. Tem sido uma espécie dereality show, as pessoas podem “postar” fotos pessoais para que todos vejam.Por outro lado, o número de fotos em papel vem caindo significativamente, e o métodopara visualizá-las tem sido apenas através de monitores.Mas ao estudar as tendências contemporâneas da fotografia, conclui-se que a novidadedo momento são os fotoprodutos. Produtos existentes aparecem com “uma cara nova”, demodo que vem chamando a atenção do consumidor, principalmente quando o produto é oFotolivro, que, como se viu no decorrer do capítulo sete, é a grande tendência no mercadofotográfico. Um mercado que está crescendo agora no Brasil, com cerca de um ano apenas,mas que já se aposta nesse novo sucesso, que nos Estados Unidos e em outros países já estáem plena expansão.O Fotolivro nasce com o objetivo de resgatar os álbuns de fotografias, mas com umatecnologia totalmente diferente e a qualidade das impressões digitais, resgatando antigoscostumes, de manusear as imagens impressas olhando as fotos mais detalhadamente. E eleatrai clientes pelo fato que, alem de ser um produto de qualidade, são personalizados, nenhumFotolivro sai igual ao outro.
    • 82REFERÊNCIASALECRIM, Emerson. Monitores LCD (Liquid Crystal Display). 26 ago. 2006. Disponívelem: http://www.infowester.com/monlcd.php. Acesso em: 18 jun. 2007BALAN, Willians Cerozzi. A Estética: evolução histórica da luz na composição daimagem. Disponível em: http://www.willians.pro.br/cinema.htm. Acesso em: 02 jul. 2007BARTHES, Roland. A câmara clara: nota sobre a fotografia. 2. ed. Rio de Janeiro: NovaFronteira, 1984.BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. In: Obrasescolhidas. v1. São Paulo: Brasiliense, 1994.______. Pequena história da fotografia. In: Obras escolhidas. v1. São Paulo: Brasiliense,1994.BERNARDO, Gustavo. A arte de escrever com luz: memória, fotografia e ficção, 2002.Diponível em: www.paginas.terra.com.br/arte/dubitoergosum/editor10.htm. Acesso em: 12mai. 2007CARDILLI, Juliana. Fotolivro resgata velhos álbuns de fotos no século 21. Disponível em:http://participeg1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,AA1405147-6174,00.html. Acesso em:07 ago. 2007CARVALHAL, António. A Fotografia Na Sociedade Contemporânea. 2000. Disponívelem: http://sepia.no.sapo.pt/sepfotte.html. Acesso em: 30 jun. 2007CORREIOWEB. O Reencontro, 15 mar. 2002. Disponível em:http://www2.correioweb.com.br/cw/2002-03-15/mat_36423.htm. Acesso em: 19 jul. 2007CRUZ, Christian Carvalho. Preserve a memória em livro. Disponível em:http://www.terra.com.br/istoedinheiro/430/estilo/preserve_livros.htm. Acesso em: 18 jan.2007.DENIS, Rafael Cardoso. Design, cultura material e o fetichismo dos objetos. ARCOS.Design, cultura material e visualidade. vol. único (1998), ESDI/UERJ. Contra Capa Livraria.DONDIS, Donis A. Sintaxe da linguagem visual. São Paulo: Martins Fontes, 1997.DW-WORLD.DE. Photokina mostra tudo para a boa fotografia. 27 set. 2006 Disponívelem: http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,2187600,00.html. Acesso em: 07 jul. 2007ENCICLOPÉDIA BRASILEIRA – Artes – Fotografia – Fotografia no Brasil, 2001.Disponível em: http://br.geocities.com/vinicrashbr/artes/fotografia/fotografianobrasil.htm.Acesso em: 10 abr. 2007
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