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Brasil - Primeira república
 
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    Brasil - Primeira república Brasil - Primeira república Presentation Transcript

    • Primeira República
    • 3º ANO “A”
    • O que é República? República é o regime político em que o chefe deEstado é eleito pelo povo de forma direta ou indireta, pormeio de uma assembleia representativa, para cumprirum mandato por “tempo determinado”. A república podeser parlamentarista, sistema em que o poder seconcentra no Parlamento, ou Presidencialista, em que oChefe de Estado detém também a chefia de governo. Pordefinição, a organização política republicana estávoltada para a gestão do interesse comum dasociedade.
    • 1. A Proclamação da República A resistência dos setores conservadores do Estadobrasileiro à abolição da escravatura fazia sentido. Asobrevivência do império se entrelaçava à do escravismo,numa imagem invertida da articulação entre osmovimentos abolicionista e republicano. Quando osescravos foram libertos, a vitória republicana tornou-seuma questão de tempo.
    • Proclamação da República, pintura de Benedito Calixto, 1893
    • Na década de 1860, uma cisão do Partido Liberal criouo Partido Liberal Radical. A nova organizaçãoreinvidicou reformas políticas e econômicas, como aabolição da escravidão, maior autonomia para asprovíncias e a extinção do Poder Moderador. Na décadade 1870, o grupo liberal radical deu origem ao PartidoRepublicano. Nos últimos anos do império, as campanhas dosabolicionistas e dos republicanos se esforçavammutuamente. Mobilizações, comícios e conferênciasagitaram as ruas do Rio de Janeiro, onde alguns líderesabolicionistas, como Silva Jardim, propunham umaaproximação com os setores populares da sociedade.
    • Outros republicanos procuravam obter o apoio doExército, temendo não ter forças suficientes paraderrubar o regime. A Monarquia brasileira caía emprofundo descrédito, inclusive por parte dosmonarquistas, que deferiam duras críticas ao imperador. Muitos militares encontravam no positivismo ajustificativa teórica para sua convicção de que o Exércitodeveria ocupar papel de maior destaque na sociedadebrasileira. Associadas aos ideais republicanos, essasnoções fizeram numerosos adeptos na Escola Militar enos quartéis.
    • Positivismo Doutrina filosófica que surgiu na França, no século XIX,sob orientação de Auguste Comte. O Positivismo afirma queo único conhecimento válido é aquele alcançado pela ciência.Comte defendia a ideia de que o altruísmo deveria se sobreporao egoísmo para a sociedade alcançar o bem comum. Opositivismo teve em Benjamim Constant, participante daproclamação da República, um dos seus principaisrepresentantes no Brasil. O lema Ordem e Progresso dabandeira brasileira tem inspiração positivista.
    • O Exército, que conquistara prestígio depois daGuerra do Paraguai, passou a ocupar no imagináriosocial a ideia de “salvador da pátria”. A propagandarepublicana, as críticas à família real e o crescimento doprestígio do Exército incentivaram o Clube Militar,fundado em 1887 e presidido por Deodoro da Fonseca, aconspirar contra a realeza. O ano de 1889 foi marcado por boatos e conversaçõessigilosas. Difundiram-se notícias de que o governoestaria disposto a reaparelhar a Guarda Nacional paraconter os republicanos e também a deslocar os militaresmais radicais para guarnições em áreas distantes do Riode Janeiro.
    • No dia 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoroda Fonseca, escolhido para liderar o golpe militar,dissolveu o gabinete imperial e proclamou a Repúblicano Brasil. Para que não houvesse dúvidas quanto aosentido da manifestação das tropas, a “proclamação civilda República” foi feira na Câmara dos Vereadores do Riode Janeiro pelo abolicionista José do Patrocínio, comapoio de membros do Partido Republicano. Nesse primeiro momento, apesar das divergências queexistiam entre os diversos partidários do republicanismo,os representantes do Exército contaram com o apoio degrande parte da elite cafeicultora do oeste paulista – paraquem o império representava um entrave àmodernização econômica e à maior autonomia.
    • Também obtiveram a simpatia de setores daincipiente classe média, desejosa de maior participaçãopolítica. As camadas populares não participaram daderrubada do imperador. Indo ainda maislonge, Aristides Lobo, ministro do interior do governoprovisório de Deodoro da Fonseca, comentou: “o povoassistiu bestializado”. A República resultou da incapacidade da Monarquiade se reformular e lidar com as mudanças sociais eeconômicas que vinham ocorrendo nos últimos anos doimpério.
    • 1º Resumo 1. O Declínio do Segundo Reinado A crise do Império foi resultado das transformaçõesprocessadas na economia e na sociedade, a partir doséculo XIX, somando-se conduziram importantessetores da sociedade a uma conclusão: a Monarquiaprecisava ser superada para dar lugar a um outro regimepolítico mais adaptado aos problemas da época. A crise do Império foi marcada por uma série dequestões que desembocaram na Proclamação daRepública.
    • 1.1 Questão Abolicionista Os senhores de escravos não se conformaram com aabolição da escravidão e com o fato de não terem sidoindenizados. Sentindo-se abandonados pela Monarquiapassaram a apoiar a causa republicana, surgindo oschamados Republicanos de 13 de Maio (chamadaassim por causa da data em que a Lei Áurea foi assinada).As principais leis que contribuíram para o fim daescravidão no Brasil foram: 1850: Lei Eusébio de Queiroz 1871: Lei do Ventre Livre 1885: Lei dos Sexagenários 1888: Lei Áurea
    • 1.2 Questão Religiosa A questão religiosa consistiu num conflito entre doisbispos, D. Vital e D. Macedo Costa, que insistiram emaplicar no país determinações papais que não haviamobtido a aprovação (placet) do Imperador, comodeterminava a constituição. Esse poder de veto imperialchamava-se beneplácito. Processados e condenados, o assunto serviu paraafastar a igreja do trono.
    • 1.3 Questão Militar Durante o Império havia sido aprovado o projetoMontepio, pelo qual as famílias dos militares mortos oumutilados na Guerra do Paraguai recebiam uma pensão.A guerra terminara em 1870 e em 1883 o montepio aindanão estava pago. Os militares encarregaram então otenente-coronel Sena Madureira de defender os seusdireitos. Este, depois de se pronunciar pela imprensa,atacando o projeto Montepio, foi punido.
    • A partir de então, os militares ficaram proibidos dedar declarações à imprensa sem prévia autorizaçãoimperial. O descaso que alguns políticos e ministrosconservadores tinham pelo Exército levava-os a punirelevados oficiais, por motivos qualificados comoindisciplina militar. As punições disciplinares conferidasao tenente-coronel Ernesto Augusto de Cunha Matos,provocou revolta em importantes chefes do Exército,como o Marechal Deodoro da Fonseca.
    • Deodoro da Fonseca: executor de umamudança construída ao longo do tempo
    • 2. Proclamação da República O Governo Imperial, percebendo, emboratardiamente, a difícil situação em que se encontrava como isolamento da Monarquia, apresentou à Câmara dosDeputados um programa de reformas políticas; do qualconstavam: liberdade de fé religiosa; liberdade de ensinoe seu aperfeiçoamento; autonomia das Províncias;mandato temporário dos senadores. Entretanto, as reformas chegaram tarde demais. Nodia 15 de novembro de 1889, o Marechal Deodoro daFonseca assumiu o comando das tropasrevoltadas, ocupando o Quartel General do Rio deJaneiro.
    • Na noite do dia 15, constituiu-se o Governo Provisórioda República dos Estados Unidos do Brasil. D. Pedro II,que estava em Petrópolis durante estes acontecimentos,recebeu, no dia seguinte, um respeitoso documento donovo Governo, solicitando que ele se retirasse do País,juntamente com sua família. Proclamada a República, no mesmo dia 15 denovembro de 1889, forma-se um governo provisório,sendo o chefe do governo Marechal Deodoro da Fonseca.
    • 2. Os primeiros tempos daRepública A transição para o novo regime foi feita sem grandesconflitos, alterações socioeconômicas ou participaçãopopular. O Brasil continuou a ser um paísagroexportador, longe dos interesses dos que defendiamum projeto de ampla industrialização. A Repúblicabrasileira também não incorporou em seu projetopolítico as classes menos favorecidas da população. Issogerou descontentamentos nos grupos que desejavammodificações estruturais mais profundas com o adventodo regime republicano.
    • Dessa forma, o modelo da República que se instalouem território nacional não representava o pensamentode todos os que haviam se engajado em sua defesa desdeo período imperial. Ainda assim, a proclamação da República inaugurouuma nova ordem política no país. O centralismo,presente no período imperial, foi substituído pelofederalismo, defendido principalmente pelas elites dooeste paulista e de Minas Gerais. O poder político passoua ser controlado pelas oligarquias rurais. Todavia, issonão aconteceu de imediato. Os dois governos iniciais doBrasil foram constituídos pelos militares: os marechaisDeodoro da Fonseca e Floriano Peixoto.
    • Esse período da Primeira República (1889-1894)correspondeu à República da Espada, sob a hegemoniado Exército. Até que fossem realizadas eleições e o país tivesse umanova Constituição, o marechal Deodoro da Fonsecaliderou um Governo Provisório (1889-1891). O marechal dissolveu as assembleias provinciais e ascâmaras municipais, demitiu os presidentes dasprovíncias e indicou novos dirigentes para eles. Umaelite civil (ligada aos grandes proprietários) e militar(principalmente do Exército) assumiu o aparelhoadministrativo, e os municípios tornaram-se peçasfundamentais no cenário público em decorrência daautonomia política e financeira que adquiriram com ofederalismo.
    • As negociações políticas na Primeira Repúblicaenvolveram os vários partidos republicanos de expressãoregional ou estadual, como o mineiro, o paulista e ofluminense. Dentre os partidos republicanos, destacou-se o PRP(paulista), elemento fundamental nas articulaçõespolíticas do período. O PRP representava a centroeconômico mais importante do Brasil naquele momento:o oeste paulista cafeicultor. Apoiado por MG, favoreceuvários presidentes ao país, conseguindo manter ahegemonia paulista praticamente se oposição até 1930.
    • Alegoria da República, quadro de Manuel LopesRodrigues pertencente ao acervo do Museu de Arte da Bahia
    • 2.1 A crise econômica As reformas político-administrativas do Estado foramseguidas por medidas econômicas também necessáriasao funcionamento da República. Uma das primeirasdecisões tomadas pelo então ministro da Fazenda, RuiBarbosa, em 1890, foi a política de incentivo à criação deempresas industriais e comerciais no país. Rui Barbosa acreditava que o melhor estímulo àindustrialização seria acabar com a falta de crédito nopaís. Para isso, ele permitiu que alguns bancos privadosemitissem papel-moeda.
    • Esse dinheiro seria emprestado, o que na visão doministro, mobilizaria a economia brasileira. Na verdade,a facilidade de crédito induziu o surgimento de empresas“fantasmas” – que só existiam no papel -, cujas açõeseram negociadas na Bolsa de Valores e se valorizavamsem a menor fiscalização do governo. Centenas depessoas passaram a aplicar suas reservas na Bolsa,adquirindo ações baratas para posterior revenda. Esseclima de especulação criado pela abundância denegócios e empresas ficou conhecido comoEncilhamento. A especulação era favorecida pelaabundância de dinheiro circulando no país.
    • Encilhamento O term0 é uma alusão ao hipódromo, local onde os cavalossão encilhados e preparados para a corrida.
    • Os falsos empreendedores, que captava empréstimossem jamais investir num negócio, tivera altos lucrosdurante o Encilhamento. Além de contribuir para a especulação, a nova políticaeconômica fez aumentar a inflação. O resultado final foiuma grande crise: a moeda perdeu valor, as importaçõescresceram, empresas e bancos faliram e os cofrespúblicos ficaram vazios.
    • 2.2 A primeira ConstituiçãoRepublicana No final de 1890, Deodoro da Fonseca convocoueleições para a Assembeia Constituinte, que no início de1891 promulgou a Constituição Republicana do Brasil.A carta refletiu a hegemonia dos defensores doliberalismo de influência norte-americana. Após a promulgação da Constituição, os progressistasescolheram o novo presidente. Como naquela época erapermitido votar em candidatos de chapas diferentes, ocargo de presidente da República foi ocupado pelomarechal Deodoro da Fonseca e o de vice-presidentepelo marechal Floriano Peixoto.
    • 2.3 O governo constitucional deDeodoro O marechal Deodoro permaneceu na presidência daRepública após a promulgação da Constituição, em 1891.Graças à pressão dos militares sobre os deputados, eleacabou eleito com uma pequena vantagem em relação aoseu oponente, Prudente de Morais – representante doscafeicultores. O fracasso da política econômica de Rui Barbosa,somado à nomeação de ministros conservadores, como obarão de Lucena, um antigo monarquista que passou aocupar o cargo de ministro da Fazenda, desgastou aautoridade de Deodoro, que passou a enfrentar forteoposição no Congresso e gerou uma crise política.
    • A tensão cresceu quando, em 3 de novembro de 1891,um decreto do Executivo fechou o Congresso,anunciando a convocação de novas eleições e umarevisão constitucional. A resistência ao autoritarismo do governo federal foiorganizada por SP, MG, RJ, PE e PA, com a apoio daMarinha e de setores do Exército. Paralelamente a essamovimentação, os ferroviários deflagraram uma greve naestrada de ferro Central do Brasil, o que trazia sériosriscos para o abastecimento da capital federal. Doente ereceando uma guerra civil, Deodoro renunciou em 23 denovembro de 1891. A renúncia de Deodoro levou à presidência daRepública Floriano Peixoto.
    • Marechal Deodoro da Fonseca
    • 2.4 O governo de Floriano Peixoto Para conseguir apoio popular, Floriano tomoumedidas como diminuição dos preços dos aluguéis dascasas dos operários, isenção de impostos sobre a carnepara baratear o produto e controle dos preços dosgêneros de primeira necessidade. Outras iniciativasvisavam combater os efeitos do Encilhamento, tais comoincentivar a industrialização e fiscalização e aplicação doerário público. Mas essas medidas não foram suficientespara evitar uma forte oposição civil e militar sob a formade movimentos rebeldes, como a Revolução Federalista,no Rio Grande do Sul, e a Revolta da Armada, no Rio deJaneiro.
    • 2.5 A Revolução Federalista De 1893 a 1895, as terras do Sul serviram de cenárioaos violentos combates da Revolução Federalista,travados entre os partidários de oligarcas gaúchos: de umlado, os federalistas (maragatos), liderados por GasparSilveira Martins; de outro, os republicanos (chimangosou pica-paus), seguidores do positivista Júlio deCastilhos. Os federalistas defendiam a instalação de umregime parlamentarista nos moldes do que existiu noSegundo Reinado.
    • Já os republicanos defendiam um presidencialismoforte, centralizador, no estilo do governo de FlorianoPeixoto. O confronto ultrapassou as fronteiras gaúchas,estendendo-se a Santa Catarina, ao Paraná e até aoUruguai. Embora Floriano tivesse enviado tropasfederais aos estados sulistas, somente em 1895, nogoverno de Prudente de Morais, é que seria assinado umacordo de paz na região.
    • 2.6 A Revolta da Armada Em agosto de 1893 ocorreu a Revolta da Armada. Omovimento resultou da disputa pelo poder entre osoficiais do Exército e da Marinha, representantes degrupos sociais distintos: enquanto a força terrestrereunia basicamente elementos dos setores médios, aMarinha, mais elitista, representava as classesoligárquicas. Também contribuiu para conflito o fato deo almirante Custódio de Mello, ministro da Marinha, sercandidato à sucessão de Floriano, mas este apoiava o civilPrudente de Morais.
    • No dia 13 de setembro, navios da Armada começarama bombardear a cidade do Rio de Janeiro. Contando como apoio de São Paulo e a adesão popular, o governo tratoude organizar uma reação à revolta. Os rebeldes abriramnovas frentes de batalha no Sul do país, mas nãopuderam resistir à contraofensiva governamental. Emmarço de 1894, a rebelião estava vencida e, pela força, aRepública consolidava-se. O rigor de Floriano Peixoto ante os dois movimentosrevolucionários valeu-lhe o cognome “Marechal deFerro”.
    • 2º Resumo 1. República da Espada (1889-1894) 1.1 Governo de Deodoro 1ª Fase: Governo Provisório• Decreto de banimento da Família Real• Convocação da Assembleia Constituinte• Resistências à República, na Marinha• Eleição indireta de Deodoro• Encilhamento (Rui Barbosa)
    • 2ª Fase: Governo Constitucional Crise econômica Oposição dos cafeicultores Fechamento do Congresso 1ª Revolta da Armada (Custódio de Melo) Renúncia de Deodoro
    • 2.2 Governo de Floriano Peixoto Assumiu inicialmente sob apoio dos cafeicultorespaulistas Não cumpriu a Constituição no que tange às novaseleições Perda do apoio dos cafeicultores 2ª Revolta da Armada Revolução Federalista no sul do país Reconquista do apoio da elite cafeeira Congelamento de aluguéis e gêneros alimentícios Consolidador da República
    • 2.3 Características da Constituição de 1891 Copiada da constituição dos Estados Unidos Adotou o sistema presidencialista Fim do poder moderador Legislativo federal bicameral e estadual unicameral Voto aberto e universal masculino para os maiores de21 anos alfabetizados Fim do voto censitário Separação Igreja e Estado Mandato de 4 anos para presidente
    • 3. A República das Oligarquias Enquanto o Exército esmagava os focos dedescontentamento armado, os grupos oligárquicos,principalmente o cafeeiro, preparavam-se para assumiro controle da República. No processo sucessório à presidência, o grupo maisbeneficiado foi o paulista, que apoiou Floriano e, naseleições de 01/03/1894, elegeu Prudente de Morais,ligado ao PRP. A partir desse momento, o poder políticopassou a ser controlado pelas elites agrárias,notadamente de MG e SP, no período que ficouconhecido como República Oligárquica.
    • 3.1 Mecanismos de sustentaçãopolítica Para garantissem-se no poder, as elites rurais criaramtrês instrumentos: a política dos governadores, a políticado café com leite e a Comissão de Verificação de Poderes. Constituída no governo de Campos Sales (1898-1902),a política dos governadores consistia em um acordofirmado entre o presidente da República e os presidentesde estado (governadores), para que estes apoiassemcandidatos ao congresso – senadores e deputados – fiéisao governo federal. Em troca, o Executivo não interferirianas eleições estaduais, garantindo a permanência dosmesmos grupos no poder.
    • Para viabilizar a política dos governadores, o governofederal criou a Comissão Verificadora de Poderes.Composta por 5 parlamentares, essa Comissão ganhou odireito de diplomar os candidatos que interessavam aogoverno federal e “degolar” os opositores, ou seja,impedir que eles tomassem posse. Para isso, dizia-se quecandidatos haviam cometido irregularidades durante acampanha eleitoral, algo corriqueiro em um período emque fraudes e outras ilegalidades definiam as eleições emtodos os níveis. Apenas os deputados e senadoresconiventes com a política federal eram legitimados paraassumir cargos públicos. Desse modo, o Executivo podiacontar com um Congresso, sempre disposto a aprovar osprojetos do governo.
    • A consolidação do compromisso entre o governofederal e os presidentes de estado facilitou o predomíniopolítico dos dois estados mais fortes da época: MG e SP.Além de economicamente dominantes, eles garantiam omaior número de cadeiras no Congresso Nacional. Achamada política do café com leite consistiu naalternância de paulistas e mineiros na presidência daRepública durante toda a Primeira República.
    • O Coronelismo O coronelismo é um dos elementos fundamentais para secompreender o funcionamento da República das Oligarquias.O título de coronel surgiu no período regencial. Eranormalmente concedido aos grandes fazendeiros quepatrocinavam a Guarda Nacional, responsável pelamanutenção da ordem interna do país, reprimindo as revoltassociais. Com a proclamação da República e o fim da GuardaNacional, os coronéis mantiveram o prestígio e o respeitodesde então. Esses indivíduos cultivavam a prática políticada troca de favores e dessa mantinham sob sua ‘proteção’ umasérie de afilhados em troca de obediência.
    • Os coronéis exerciam sua influência política na vizinhançade suas propriedades rurais – áreas consideradas comocurrais eleitorais. No período de eleição, os dependentes docoronel votavam nos candidatos apoiados por ele, em umaprática que ficou conhecida como voto de cabresto. Essaindução de escolha era facilitada pelo sistema eleitoral emvigor, no qual o voto era aberto. Para votar, o cidadão dirigia-se à mesa eleitoral, escrevia o nome do candidato e assinavaao lado. Como era fácil saber em quem o eleitor tinha votado,o coronel podia pressioná-lo. Esse sistema, que favorecia afraude eleitoral, garantindo a perpetuação das oligarquiasrurais no poder.
    • O coronelismo facilitou a corrupção e o uso de cargospúblicos para conquistar privilégios privados. Essas sãopráticas que continuam presentes no Brasil e em vários paísesdo mundo na atualidade.
    • Voto de Cabresto
    • 3.1 A primazia do setor primário Durante a Primeira República, o estímulo àsatividades agroexportadoras esteve entre as prioridadesdo governo federal. O café , o “ouro verde”, representou oprincipal produto de exportação. No início do século XX,o café já havia se expandindo para diversas áreas decultivo além de São Paulo, como por exemplo, MinasGerais. A cultura cafeeira beneficiou-se da abertura de linhasde crédito, dos preços favoráveis no mercadointernacional e do grande contingente de imigranteseuropeus, empregados como mão de obra nos cafezais.
    • A maioria dos imigrantes utilizados nas fazendas decafé provinha de regiões rurais do continente. Elesentraram no país durante o fim do século XIX e início doXX e contribuíram para aumentar o número dapopulação brasileira. Nesse período, o Brasil recebeugrande quantidade de italianos, espanhóis, portugueses,entre outros, que foram trabalhar nos cafezais de SP, MGe RJ. Com o passar dos anos, muitos dos imigrantesabandonaram os cafezais e seguiram em direção àscidades, em busca de melhores condição de vida etrabalho.
    • Já no início do século XX, entre 1901 e 1909, a lavouracafeeira enfrentou momentos de crise provenientes dasuperprodução, responsável pela queda nos preços epelos gastos com o armazenamento do produto. Por isso,os governos estaduais decidiram interferir no mercado egarantir um preço mínimo para o café. Para evitar prejuízos aos cafeicultores, o governofederal firmou em 1906, na cidade paulista de Taubaté,um acordo com os presidentes de estado de SP, MG e RJ.O Convênio de Taubaté determinou que os governosdos três estados comprariam a safra prevista de café porum preço fixado com antecedência, de maneira queevitasse a desvalorização;
    • que seriam solicitados empréstimos no exterior para osgovernos estaduais, a fim de que estes pudessem adquiriro produto; e que os estoques seriam armazenados efornecidos mais tarde ao mercado de acorde com aprocura. Com esse mecanismo, ao cofres públicos seriamonerados, uma vez que os estados teriam de contrairdívidas no exterior para a compra das safras, e os gastosseriam repassados ao povo por meio do aumento dosimpostos. Além do café, o Brasil exportava em grandequantidade borracha, cacau e cana-de-açúcar. Desde ostempos do império, o látex era extraído de seringueirasespalhadas pela floresta amazônica.
    • Porém, no início do século XX, o crescimento daindústria automobilística favoreceu e bom preço daborracha no mercado externo e, com isso, levou aoaumento ao aumento do extrativismo, especialmenteentre 1905 e 1913. Mas, a partir desse ano, a produçãobrasileira entrou em declínio por causa da concorrênciada produção dos seringais cultivados na Ásia pelosingleses. Também originário da Amazônia, utilizandoprincipalmente pela industria do chocolate, o cacauocupou igualmente posição de destaque na pauta deexportações. Aclimatado no sul da Bahia, no final doimpério a região tornou-se a principal produtora dopaís.
    • Incorporada à economia desde os tempos coloniais, acana-de-açúcar teve alguns momentos de expansãodurante a República Oligárquica, principalmente nosanos 1920. Entretanto, o uso de açúcar de beterraba naEuropa determinou a queda nas exportações e nospreços do produto, direcionando a produção para omercado interno.
    • 3.4 O desenvolvimento industrial Em decorrência da própria estrutura econômica dopaís, predominantemente agrícola desde os temposcoloniais, nas quatro décadas da Primeira República aindústria brasileira esteve relegada ao segundo plano. Entretanto, a concentração de capitais acaboucontribuindo para a expansão da atividade industrial emalgumas cidades (São Paulo e Rio de Janeiro) e regiõesbrasileiras (RS, PE, MG, PR, BA e SC). Forambasicamente iniciativas localizadas, por vezescomplementares à agricultura, que não representaramuma industrialização efetiva.
    • O dinheiro necessário às instalações industriaisprovinha de investidores brasileiros, principalmentecafeicultores, imigrantes enriquecidos e do capitalfinanceiro internacional. À medida que aumentava onúmero de empresas, cresciam o mercado de trabalho, apopulação urbana, o comércio e a prestação de serviços. A maior concentração de estabelecimentos industriaisocorreu no RJ e em SP. Pode-se afirmar que, em SP, ocapital industrial nasceu do capital cafeeiro: as crisesperiódicas de superprodução de café abriram caminhopara o deslocamento de capitais para novas áreas deinvestimentos, entre elas o setor industrial. Foi o caso daindústria têxtil, que se originou, em grande parte, docomércio de tecidos.
    • Mulheres e crianças formavam um segmentoimportante da mão de obra empregada nas fábricas e emgeral recebiam salários mais baixos para tarefas similaresàquelas exercidas pelos homens adultos. As condições de trabalho eram rigorosas, às vezesbrutais: a jornada variava entre 10 e 12 horas diárias e osoperários constantemente eram punidos multas ouagressões físicas. Não havia legislação trabalhista quegarantisse ao assalariado descanso semanal, férias ouremunerações. O tamanho das fábricas variava: desde pequenasoficinas até indústrias que reuniam centenas deoperários.
    • Os investimentos concentravam-se em indústriasleves de bens de consumo – setores têxtil, de alimento,bebidas, calçados, chapéus e fumo – que tinham custosiniciais relativamente pequenos e não demandavamtecnologia sofisticada. Durante a 1ª Guerra Mundial, a necessidade desubstituir importações acabou ampliando a variedade deitens produzidos, tais como cimento, ferro, aço, e papel.Nos anos 1920, algumas empresas estrangeiras chegarama finalizar no Brasil produtos químicos e farmacêuticos;outras se estabeleceram nos ramos de carnes congeladase de mineração.
    • 3.5 A modernização nas cidades Entre o fim do século XIX e início do século XX,cidades brasileiras como Rio e São Paulo passaram porum processo de modernização, inspirado no que ocorreuem Paris entre 1853 e 1870. A capital francesa urbanizadaservia de modelo para outras cidades do mundo, comseus bulevares, ruas largas repletas de cafés e butiques.O contraste entre o cenário luxuoso de Paris e as vielasestreitas, sujas, sem saneamento e iluminação do Rio deJaneiro era evidente.
    • Apesar disso, homens de negócios, grandesproprietários, altos funcionários e políticos influentes,acompanhados de suas famílias, exibiam hábitos e modaeuropeus. Essa atitude, que vinha desde os últimos anosdo império, acentuou-se durante a fase republicana. Graças ao esforço modernizador empreendido pelosgovernos, verificamos a criação de novos bairros, aexpansão de serviços de esgotos, água canalizada etransporte coletivo nas principais cidades do Brasil. EmMG, um projeto urbanístico gestado por engenheiros deuorigem a Belo Horizonte. No centro do Rio, áreas ocupadas desordenadamenteforam desapropriadas e as habitações coletivasdemolidas para dar espaço às novas avenidas e aosestabelecimentos.
    • Havia um esforço para eliminar tudo o querepresentasse entrave ao progresso e fugisse dos padrõesde beleza e higiene. Alguns dos indivíduos desalojados durante asreformas foram abrigar-se nas recentes vilas operárias,nos subúrbios da cidade. Outros se transferiram para asencostas dos morros e beira dos rios, em locaisdesvalorizados. Os antigos e decadentes casebres deramlugar a imponentes edificações e a ruas mais largas,propícias para a circulação dos bondes elétricos, de finaisdo século XX, e para o incipiente fluxo de automóveis,introduzidos no início do século XX nas grandes cidadesbrasileiras.
    • Ainda no Rio, em 1904, surgiu a Avenida Central(atual Avenida Rio Branco), planejada para dar maioracessibilidade ao porto da cidade. Em São Paulo, foramfeitos grandes projetos arquitetônicos, liderados porRamos de Azevedo. Também data dessa época aocupação mais efetiva da Avenida Paulista. As principais cidades brasileiras, agora reformuladas,tornaram-se locais de intensa circulação de pessoas,ideias e mercadorias – estas últimas expostas emprofusão nas vitrines das lojas. Os artigos de luxo,considerados da “última moda”, chegavam da Europa nosportos do Rio e de São Paulo e impulsionavam as vendas.Nesse período, eram importados roupas, móveis, livros,objetos de decoração etc.
    • Apesar dos esforços empregados na modernização, asgrandes cidades da Primeira República enfrentavamproblemas com a criminalidade e com a inundações. Asenchentes preocupavam os moradores, comodenunciava Lima Barreto, falando sobre o Rio de Janeiroem 1915.
    • As enchentes no Rio de Janeiro “As chuvaradas de verão, quase todos os anos, causam nonosso Rio de Janeiro, inundações desastrosas. Além dasuspensão total do tráfego, com uma prejudicial interrupçãodas comunicações entre os vários pontos da cidade, essasinundações causam desastres pessoais lamentáveis, muitasperdas de haveres e destruição de imóveis. De há muito que a nossa engenharia municipal se devia tercompenetrado do dever de evitar tais acidentes urbanos. [...] O Rio de Janeiro, da avenida, dos squares [praças], dosfreios elétricos, não pode estar à mercê de chuvaradas, maisou menos violentas, para viver a sua vida integral. Como estáacontecendo atualmente, ele é função da chuva. Umavergonha! [...]
    • O Prefeito Passos, que tanto se interessou peloembelezamento da cidade, descurou completamente desolucionar esse defeito do nosso Rio. Cidade cercada de montanhas e entre montanhas, querecebe violentamente grandes precipitações atmosféricas, oseu principal defeito a vencer era esse acidente dasinundações. Infelizmente, porém, nos preocupamos muito com osaspectos externos, com as fachadas, e não com o que há deessencial nos problemas da nossa vida urbana, econômica,financeira e social.” BARRETO, Lima. Vida urbana. P. 18. Versão digitalizada do site Domínio Público. Disponível em www.dominiopublico.gov.br. Acesso em 28 nov. 2009.
    • 3.6 A imprensa na PrimeiraRepública Desde os tempos da colônia, existiam pequenosdiários que circulavam pelo território da Américaportuguesa. Mas foi somente após a criação da ImprensaRégia, durante a presença da Corte portuguesa no Brasil,que houve acréscimo na produção gráfica, com oaparecimento de jornais de publicação mais regular. Em fins do século XIX, já no império, a imprensaaperfeiçoou-se: houve melhorias nas técnicas deprodução e impressão e aumento nas tiragens deexemplares.
    • Nesse mesmo período, jornais como o Estado de S.Paulo (cujo nome original até 18/11/1889 era Província deSão Paulo) e outros faziam severas críticas ao governoimperial e contribuíram para a divulgação dos ideaisrepublicanos no país. Após a proclamação da República, em 1889, parte daimprensa ajudou a criar entre os brasileiros uma imagempositiva do regime, associando-se à modernidade e aoprogresso. Acompanhando o processo de melhorias nas oficinasgráficas, surgiu também maior número de revistas decunho literário, político, satírico e as que traziamvariedades. A Kosmos, lançada em 1904 no RJ, porexemplo, era produzida em papel especial e tinha projetográfico elaborado.
    • 4. Os movimentos sociais naRepública das Oligarquias Durante o período que compreende a RepúblicaOligárquica ocorreu uma série de movimentos sociaisque refletia a frustração da sociedade com políticaimplementada pelas elites brasileiras. Por meio deles,camponeses, operários, marinheiros e pobresexpressavam suas reivindicações, normalmenteassociadas às precárias condições de vida e de trabalho. Os movimentos populares da Primeira Repúblicarevelavam, também, o enorme descaso do governodiante das necessidades básicas dos setores menosfavorecidos da população.
    • 4.1 Movimentos rurais Nas três primeiras décadas da República, o Brasil eraum país tipicamente agrário. Calcula-se que cerca de70% da população habitava o campo nesse período.Homens, mulheres e crianças viviam em condições demiséria e sofrimento, vinculados às atividades agrícolas.A maioria dos produtores rurais não era proprietária dasterras em que trabalhava e não tinha acesso à assistênciamédica e à educação. Esse cenário desfavorávelcontribuiu de forma significativa para a origem dasagitações sociais que ocorreram na zona rural durante aPrimeira República.
    • Para o historiador Boris Fausto, esses movimentospodem divididos em três grandes grupos: “os quecombinaram conteúdo religioso com carência social; osque combinaram conteúdo religioso com reivindicaçãosocial; os que expressaram reivindicações sociais semconteúdo religioso”.
    • Guerra do Canudos (1893-1897) O movimento de Canudos ocorreu em 1893, no interior daBahia, em um arraial fundado pelo beato Antônio VicenteMendes Maciel, conhecido como Antônio Conselheiro. Nascido em Quixeramobim, no Ceará, em 1830,Conselheiro foi comerciante, caixeiro e escrivão. Abandonadopela esposa, decidiu sair pelo sertão como pregador. Emmeados de 1874, já caminhava pelo interior acompanhado dealguns fiéis e nos dez anos seguintes percorreu os sertões doCeará, Pernambuco, Sergipe e Bahia construindo ereformando capelas, igrejas e cemitérios.
    • Criticado pela Igreja, Conselheiro e seus seguidoresfixaram-se numa fazenda abandonada, próxima ao RioVaza-Barris, interior da Bahia. Nesse lugar, conhecidocom Canudos, fundaram o arraial de Belo Monte. Formado por casas construídas em regime de mutirão,dividindo os frutos do trabalho na terra e amparando osidosos e doentes, o povoado atraiu muita gente. Apopulação do núcleo chegou a atingir 30 mil pessoas.Marcada por forte misticismo, essa gente acreditava queConselheiro era um enviado divino que traria a paz, afartura e a felicidade.
    • Além da agricultura, o povoado dedicava-se aoartesanato e criava animais, que complementavam aalimentação e forneciam couro, utilizado como matéria-prima. O excedente da produção era vendido nosmunicípios vizinhos. No arraial havia duas escolas, lojas,oficinas e diversas moradias. A administração era dacompetência de Conselheiro e de doze chefes, quecuidavam das finanças, das construções, dos registros denascimento, entre outras atividades. Não havia polícianem impostos.
    • Aos olhos dos fazendeiros, do governo e do clero, acomunidade de Canudos era um péssimo exemplo. Osfazendeiros temiam perder a mão de obra, o governo nãoaceitava a autonomia de Canudos e a Igreja ressentia-seda liderança espiritual de Conselheiro. Quatro expedições foram organizadas pelo governoestadual e federal e enviadas à região para prenderAntônio Conselheiro e acabar com a comunidade deCanudos entre 1896 e 1897. As três primeiras falharamem seus objetivos. Os sertanejos mostravam grandecoragem e habilidade militar, fustigando as tropas comataques inesperados.
    • A repercussão da terceira derrota foi enorme, e nãotardou para que a imprensa e políticos atribuíssem aConselheiro a intenção de restaurar o império. Foi nesseclima de franca hostilidade que o governo federalresolveu destruir o arraial. Para isso, organizou novaexpedição, comandada pelo general Artur Oscar deAndrade Guimarães. Cerca de 7 mil soldados com 18canhões investiram contra Canudos. Os combatesiniciaram-se em junho, e em agosto chegou à região oministro da Guerra, Carlos Machado Bittencourt, àfrente de mais 3 mil soldados.
    • Em outubro, quando ocorreu a ofensiva final contraCanudos, praticamente toda a população local já haviasido exterminada. Os poucos sobreviventes foram feitosprisioneiros. A Guerra de Canudos foi relatada pelo engenheiro eescritos Euclides da Cunha, enviado em 1897 pelo jornalO Estado de S. Paulo para cobrir os acontecimentos naregião. Dessa experiência, surgiu a obra Os sertões.
    • A Guerra do Contestado (1912-1916) Situada entre os rios Uruguai, Iguaçu e Negro e afronteira da Argentina, a região do Contestado eradisputada por Santa Catarina e Paraná por causa da ricafloresta existente e da extensa plantação de erva-mate. Aárea atraiu grandes companhias, que expulsavam osposseiros locais. A situação agravou-se com a construção de um trechoda estrada de ferro São Paulo-Rio Grande do Sul.
    • No final da obra, grande parte dos trabalhadorescontratados tinha o projeto de permanecer na região.Contudo, os especuladores e as grandes companhiasmadeireiras exigiram a saída imediata deles, impedindo-os de ocupar os trechos próximos à ferrovia. A multiplicação do número de trabalhadores sem-terra criou um clima propício a agitações e conflitos. Foinesse contexto que surgiu Miguel Lucena Boaventura,ex-soldado do Exército que se fazia chamar de “monge”José Maria.
    • Beato e curandeiro, o “monge” ajudava os caboclos epregava uma sociedade igualitária. Seu propósito eraresistir aos que pretendiam expulsar a população queseguiu o líder confiante na promessa de justiça divina. Os primeiros choques armados ocorreram em 1912. Deum lado, a milícia da Monarquia Celeste, cujosintegrantes raspavam o cabelo e ficaram conhecidoscomo “pelados”; do outro, os “peludos”, que eramjagunços contratados pelas empresas, policiais esoldados do Exército.
    • Apesar de inferiorizada em armas e equipamentos, airmandade cabocla resistiu até 1915, quando o generalSetembrino de Carvalho, à frente de 7 mil soldados ecom o apoio da artilharia e da aviação, forçou ossobreviventes a renderem-se. A Guerra dos Pelados estendeu-se por mais de 250 milquilômetros quadrados e matou cerca de 6 mil pessoas.
    • O cangaço O movimento conhecido como cangaço teve início nofinal do século XIX, estendendo-se até meados da décadade 1940. Os cangaceiros integravam grupos armadosviolentos, que sobreviviam por meio de saques epilhagens. Em geram, homens e mulheres do sertãoaderiam ao cangaço para fugir da miséria ou para vingar-se de alguém poderoso.
    • Os primeiros bandos de cangaceiros atuavamvinculados às ordens de um coronel, na defesa constanteou esporádica de seus interesses. Esses jagunços agirammuitas vezes em conflitos que envolviam brigas entrefamílias e rivalidades entre oligarquias locais. No final do século XIX, formaram-se bandos decangaceiros independentes, que não se subordinavam anenhum chefe local. Dentre estes últimos, o mais conhecido é VirgulinoFerreira da Silva, o Lampião, personagem de aventurascantadas nos versos de literatura de cordel. Lampiãoassumiu a liderança do seu grupo em 1922.
    • Alguns escritores afirmam ter sido Lampião umaespécie de Robin Hood da caatinga, alguém que atacavae roubava os fazendeiros em nome dos pobres.Entretanto, outros pesquisadores do cangaço nãocompartilham dessa opinião. Os bandos de cangaceiros eram perseguidos pelas“patrulhas volantes” das polícias estaduais, masconseguiam esgueirar-se pela caatinga. Essa forçaspoliciais agiam com tanta brutalidade quanto oscangaceiros, e no meio dessa luta as maiores vítimaseram os sertanejos.
    • Lampião, Maria Bonita e outros cangaceirosmorreram numa emboscada em 1938. O cangaço perdeuforça na década seguinte, quando o governo federalorganizou melhor a repressão e as indústrias do Sudesteabsorveram mão de obra nordestina. Ao criar novasoportunidades de trabalho, as fábricas atraíramsertanejos que deixaram de ver no cangaço um meio desobrevivência.
    • 4.2 Movimentos urbanos A aceleração do desenvolvimento industrial foiacompanhada pelo processo de crescimento das cidades,principalmente no Sul e Sudeste. A população cariocaquase triplicou entre 1900 e 1920, chegando a mais de 1,4milhão de habitantes. São Paulo passou de 40 mil para889 mil e Porto Alegre de 74 mil para 256 mil habitantesno mesmo período. Belém, Recife e Salvador tambémapresentaram crescimento expressivo.
    • As cidades brasileiras possuíam uma composiçãosocial bastante diversificada, com operários, burguesiaindustrial, mercantil e financeira, camadas médias(professores, médicos, advogados, engenheiros),funcionários públicos, intelectuais, setores populares esegmentos marginalizados, como os moradores de rua. A modernização difundida entre o fim do século XIX einício do século XX nos grandes centros urbanos nãocontemplou todas as regiões e camadas sociais da mesmamaneira.
    • Ao contrário, muitos indivíduos pobres viram-sedesajolados de suas habitações, pressionados pelodesemprego, pelas péssimas condições de vida e pelosbaixos salários. Foi nesse contexto que parte dapopulação urbana menos privilegiada demonstrou suainsatisfação por meio dos movimentos sociais queocorreram durante a Primeira República.
    • A Revolta da Vacina (1904) Durante o governo de Rodrigues Alves (1902-1906), osaneamento e a modernização do Rio de Janeirotornaram-se prioridades. Nessa época, os serviçospúblicos urbanos eram muitos precários. A falta detratamento de água e esgoto, principalmente nosarredores das cidades e nos cortiços, agrava a falta dehigiene. Tais condições contribuíram para adisseminação de doenças e epidemias – sarampo, febretifoide, tuberculose, varíola – que vitimavam milhares depessoas.
    • As benfeitorias eram necessárias até mesmo paramelhorar a imagem da capital federal no exterior. Paraefetivá-las, o presidente recorreu a empréstimosestrangeiros. O prefeito do Rio, Pereira Passos, mandou derrubarcasebres e cortiços para abrir avenidas, expulsando parteda população, que se mudou para os morros. Praças,cemitérios e canais de drenagem foram reformados,proibiu-se a circulação de mendigos e animais e foraminstituídas visitas domiciliares de agentes sanitaristaspara remover tudo que fosse considerado prejudicial àhigiene. A população se revoltava com as vistorias nascasas feitas sem nenhum esclarecimento.
    • O combate as epidemias foi entregue ao médicosanitarista Oswaldo Cruz, que passou a implementaruma série de medidas de higiene pública com o objetivode combater a febre amarela, a peste bubônica e avaríola. No Congresso e na imprensa surgiram manifestaçõescontrárias ao “despotismo sanitário” de Oswaldo Cruz.Em 1904, a aprovação do projeto de vacinaçãoobrigatória contra a varíola para os brasileiros com maisde seis meses de idade acendeu o estopim da revoltapopular, que culminou em novembro com a Revolta daVacina.
    • Durante mais de uma semana a população enfrentou apolícia nas ruas, organizando barricadas, lutas corporaise quebradeiras. Depois de retomar o controle dacidade, o governo prendeu mais de mil pessoas e asdeportou para o território do Acre.
    • A Revolta da Chibata (1910) No início do século XX, os marinheiros de baixapatente levavam uma vida de parcos salários, exaustivajornada de trabalho e castigos corporais pordesobediência ao regulamento da Marinha – umapenalidade abolida desde a proclamação da República,mas que, na prática, continuava a vigorar na frota deguerra brasileira. Os marinheiros eram na maioria negros e mestiços,geralmente recrutados à força e pressionados pelafamílias a ingressar nas Forças Armadas.
    • Em 1910, os marinheiros dos encouraçados MinasGerais e São Paulo revoltaram-se no Rio de Janeiro,chefiados pelo gaúcho João Cândido Felisberto,apelidado Almirante Negro, e reivindicavam o fim doscastigos corporais, folgas semanais e melhores salários.Os rebeldes enviaram um telegrama ao presidente daRepública, Hermes da Fonseca (1910-1914), comunicandoa decisão de bombardear a cidade do Rio de Janeiro casonão fossem atendidas suas solicitações. A revolta recebeu o apoio de deputados de oposição,que pressionaram o governo federal a ceder às exigênciasdos marinheiros. O Congresso votou o fim dos castigoscorporais na Marinha e anistiou os participantes darevolta.
    • Entretanto, o decreto de anistia foi descumprido e ogoverno passou a perseguir e prender os marujos. Umasuposta revolta também integrada por marinheiros naIlha das Cobras foi o fato culminante para a perseguiçãoe prisão dos rebeldes. O governo ordenou que o Exército atacasse a ilha ederrotasse seus opositores. Os poucos sobreviventesforam deportados para a Amazônia, para trabalhosforçados nos seringais. O Almirante Negro foi julgadoem 1912 e inocentado.
    • Charge de Loureiropublicada em O Malho,1910.Revolta da Chibata: dianteda ameaça de bombardeiodo Rio de Janeiro, o governoconcedeu anistia aosrevoltosos, mas retrocedeuposteriormente.
    • 4.3 O movimento operário A Constituição de 1891 pouco se preocupava comquestões sociais. Por isso, as relações de trabalho nascidades eram definidas pela emergente burguesiaindustrial, mercantil e financeira. O operariadobrasileiro foi formado basicamente pelos imigrantes,somados a trabalhadores provenientes de regiões maispobres do Brasil.
    • Num primeiro momento, surgiram as ligas operárias eas sociedades de resistência. De modo geral,reivindicavam melhores salários, menor jornada detrabalho, assistência ao trabalhador doente ouacidentado e regulamentação do trabalho feminino einfantil. Logo em seguida começaram a ser organizadossindicatos, primeiro por ofício e depois por uma mesmaatividade econômica, que atuaram por meio de greves emanifestações de caráter acentuadamentereivindicatório. À frente dessas mobilizações, militantesanarquistas e socialistas desenvolviam um importantetrabalho de conscientização política.
    • 4.4 As influências do anarquismo edo socialismo O PSB foi fundado em 1902 com um programamarxista. Nas suas lutas no Brasil, os socialistas daquelaépoca enfatizaram problemas econômicos e anecessidade de mudanças sociais. O anarquismo foi a mais importante correnteorganizatória do movimento operário no início daRepública. Propunha mudanças na estrutura dasociedade para substituir o Estado burguês por umaforma de cooperação entre indivíduos livres.
    • Além de criarem ligas de resistência e sindicatos, osmilitantes anarquistas organizaram greves que visavamreivindicações imediatas e o fortalecimento dasolidariedade entre os trabalhadores. Também fizeramda imprensa operária um meio eficaz de difusão epropaganda. Dentre os periódicos anarquistas,destacaram-se: A Lanterna (1873), La Battaglia,publicado de 1904 a 1912, e La Barricata (1904-1919). Ossocialistas, por sua vez, publicaram entre 1900 e 1915 osemanário Avanti (mais tarde Avante), que chegou acircular diariamente.
    • 4.5 As greves As mobilizações e greves operárias durante aRepública Oligárquica giraram em torno dereivindicações salariais, melhores condições de trabalho,reconhecimento dos direitos trabalhistas e sindicais euma legislação previdenciária. Elas representaram oprincipal instrumento de resistência dos trabalhadoresdesde o início do regime republicano atéaproximadamente os anos 1920.
    • A maior mobilização do proletariado brasileiro noperíodo viria com a Greve Geral de julho de 1917, iniciadana cidade de São Paulo e com repercussões no restantedo país. Dela participaram operários da indústria têxtil ealimentícia, gráficos e ferroviários. Em São Paulo osgrevistas entraram em choque com forças policiais, edeste confronto resultou a morte de um operário, cujoenterro paralisou a cidade. O movimento terminou com um acordo de aumentosalarial e a promessa do atendimento de outrasreivindicações dos trabalhadores. As paralisações deinspiração anarquista estenderam-se até 1919, em SãoPaulo e em outros estados.
    • Durante os anos 1920, ocorreram greves em reação àspéssimas condições de trabalho, aos salários baixos e aocusto de vida elevado. Algumas categorias obtiveramconquistas, mas o país continuou sem ter uma legislaçãotrabalhista até 1943, quando foi promulgada aConsolidação das Leis do Trabalho (CLT).
    • 4.6 Surgem os comunistas Poucos meses depois da greve de 1917, mobilizações demaior impacto derrubaram a ordem burguesa na Rússiae levaram os operários ao poder. Nos anos seguintes, ainfluência da Revolução Russa estendeu-se aomovimento operário internacional. Vários grupospassaram a se mobilizar no intuito de formar um partidosemelhante ao Partido Bolchevique, que liderou arevolução socialista na Rússia. Em 1921 já existiamgrupos comunistas nas cidades do Rio, Recife, Juiz deFora, São Paulo e Santos. Em 1922, foi fundado o PCB,que se constituiu posteriormente, numa organização deâmbito nacional
    • 5. O tenentismo
    • 6. A crise dos anos 1920
    • 7. A semana de Arte Moderna
    • 7.1 Os herdeiros da Semana deArte Moderna
    • 3º Resumo1. República Oligárquica (1894-1930)
    • Resumo Geral
    • Lembre-se!• Um golpe militar derrubou a Monarquia e estabeleceu noBrasil o regime republicano, em 15 de novembro de 1889.Apesar da mudança da forma de governo, o poderpermaneceu nas mãos das elites brasileiras, garantindo amanutenção da desigualdade social.• Durante o fim do século XIX e início do século XX, oscentros urbanos brasileiros passaram por um processo demodernização que transformou o cenário de cidades com Rioe São Paulo, mas as melhorias realizadas não beneficiaramgrande parte da população.• A Primeira República (1889-1930) foi uma época deintensos movimentos sociais que revelavam a indignaçãopopular perante as políticas públicas adotadas pelosgovernantes, mas também foi um período de grandeefervescência cultural, representada pela Semana de ArteModerna de 1822.
    • QUESTÕES(PARTE 1)
    • 1. (UFGO)I. A suspensão dos alvarás que proibiam as manufaturas noBrasil permitiu que o país tivesse um consideráveldesenvolvimento industrial.II. A pequena dimensão do mercado interno brasileiro e obaixo poder aquisitivo da população foram fatores quetolheram o desenvolvimento industrial brasileiro.III. O grande momento no processo industrial brasileiro foi aII Guerra Mundial, quando se instaurou um sistema quesignificava mudança na estrutura da economia,principalmente em seu aspecto qualitativo.a) I, II e III são corretasb) I, II e III são incorretasc) I e II são corretasd) I e III são corretase) II e III são corretas
    • 2. (MACK)I. As facções liberal e realista da época da independênciabrasileira conciliaram suas divergências para organizar emanter a unidade política do país.II. Segundo alguns historiadores, Deodoro e Florianodesempenharam papel de simples substitutos do PoderModerador, na mesma tradição centralizadora do Império,sem alterar as estruturas do país.III. Os ressentimentos dos oficiais com a chamada QuestãoMilitar, de 1884 – 1885, foram capitalizados em prol da causarepublicana.a) I, II e III são corretasb) I, II e III são incorretasc) I e II são corretasd) I e III são corretase) II e III são corretas
    • 3.(UnB)I. A principal característica da economia brasileira, segundoCelso Furtado, na primeira metade do século XX, é aemergência de um sistema cujo principal centro dinâmico é omercado interno.II. Ao desenvolvimento industrial brasileiro que sucede àprosperidade cafeeira, corresponde uma acentuadaconcentração regional de renda.III. A integração do Nordeste à economia industrializadaobedece a um planejamento prioritário que se iniciou nogoverno Vargas.a) I, II e III são corretasb) I, II e III são incorretasc) I e II são corretasd) I e III são corretase) II e III são corretas
    • 4. (PUCC)I. A crescente procura de áreas favoráveis ao cultivo docafé contribuiu para o povoamento da costa paulistana,em princípios do século XX.II. O excesso de produção cafeeira agravou os problemasfinanceiros da República Velha.III. A decadência do café nas regiões do Vale do Paraíbase iniciou a partir da queda da Bolsa em 1929.a) I, II e III são corretasb) I, II e III são incorretasc) I e II são corretasd) I e III são corretase) II e III são corretas
    • 5. (FUVEST)I. O debate sucessório de 1910 se caracterizou pela reação às“candidaturas oficiais”.II. As dissensões entre os grupos militares e oligarquiatradicional, que apoiaram a candidatura Hermes da Fonseca,culminaram na intranquilidade política que caracterizou seuquadriênio.III. O grupo mineiro do “Jardim da Infância” representou, nogoverno Afonso Pena, a reação ao “Bloco” de PinheiroMachado.a) I, II e III são corretasb) I, II e III são incorretasc) I e II são corretasd) I e III são corretase) II e III são corretas
    • 6. (PUC) A Rebelião de Canudos foi fruto:a) Do fanatismo religioso de populares sem condiçõeseconômicas de subsistência;b) Do desejo de restaurar a monarquia portuguesa noBrasil;c) Da conspiração de grupos conservadores;d) Da organização de grupos de jagunços no sertão;e) N.D.A
    • 7. (FMU) Rui Barbosa teve atuação destacada comoministro da Fazenda do Governo Provisório. Entre asmedidas que implantou salienta-se:a) Ampliação do crédito à lavoura, com indenização aosdonos de escravos, em conseqüência da abolição;b) Reforma do sistema de crédito, com incentivo ao setorindustrial;c) Política tarifária, estimulando a importação de bensde consumo interno;d) Organização da legislação de sociedades anônimas,visando atrair investimentos estrangeiros no setorindustrial.
    • 8. (PUC) A base da economia brasileira durante aPrimeira República foi o café e isto se deveu:a) À mudança de regime político, à liberdade de açãodada aos proprietários pela Constituição e aosassalariados italianos;b) Ao incentivo dado aos plantadores de café, á aceitaçãodo nosso produto pela Inglaterra e à libertação dosescravos;c) À decadência da industrialização, à Guerra deSecessão dos Estados Unidos e à decadência damineração;d) À qualidade das terras, ao clima favorável, à imigraçãoeuropéia e à aceitação do nosso produto no mercadoexterno.e) N.D.A
    • 9. (PUC) O tenentismo constituiu um dos elementosbásicos:a) Da revolução brasileira de 1930;b) Da guerra contra Rosas e Oribe;c) Da guerra do Paraguai;d) Da Questão Militar do II Reinado;e) N.D.A
    • 10. (FACULDADES OBJETIVO) A partir da Revolução de1930, desenvolveu-se definitivamente um novo setor naeconomia brasileira:a) caféb) indústria urbanac) indústria do açúcard) Exportaçãoe) N.D.A
    • QUESTÕES(PARTE 2)
    • Os participantes da Revolta da Chibata (1910-1911) exigiamdireitos de cidadania garantidos pela Constituição da época.As limitações ao pleno exercício desses direitos, na PrimeiraRepública, foram causadas pela permanência de:(A) hierarquias sociais herdadas do escravismo(B) privilégios econômicos mantidos pelo Exército(C) dissidências políticas relacionadas ao federalismo(D) preconceitos étnicos justificados pelas teorias científicas
    • QUESTÕES(PARTE 3)
    • COMENTÁRIO QUESTÃO ANTERIOR:O episódio conhecido como Revolta da Chibatacorrespondeu a uma sublevação armada de marinheiros.Descontentes com as condições precárias de trabalhoque então vigoravam na Marinha, os revoltosos exigirammelhorias, alegando os direitos constitucionaisgarantidos pela ordem política republicana. Entre osproblemas enfrentados pelos marinheiros, muitos,naquele momento, afrodescendentes, destacava-se aaplicação de castigos físicos, representando, para osgrupos hierarquicamente subalternos, a permanência deheranças escravistas e a limitação do pleno exercício dacidadania.
    • 1- Proclamada a República inicia-se um novo período naHistória política do Brasil: “A República Velha ouPrimeira República”.A respeito dos primórdios da República é corretoafirmar. A fase e o primeiro presidente da Repúblicaforam respectivamentea)República Oligárquica e Hermes da Fonsecab)República da Espada e Deodoro da Fonsecac)República da Espada e Floriano Peixotod)República Oligárquica e Prudente de Moraise)República da Espada e Campos Sales.
    • 2- A chamada “Política dos Governadores”, instituída a partirdo governo de Campos Salles, caracterizava-se por:a) permitir que a escolha do Presidente da República fosseresultado de um consenso entre os governadores e destaforma manter o grupo político no poder.b) tornar os governadores um mero instrumento do poder doPresidente da República e impedir a formação de novaslideranças contrárias ao governo federal;c) acordo político que consistia na troca de favores entre osgovernos federal, estadual e municipal para manter os grupospolíticos no poder.d) tornar os governadores representantes de um federalismoliberal e democrático com objetivo de renovar as liderançaspolíticas;e) promover, através dos governadores, a desarticulação dasoligarquias locais e promover a renovação dos grupospolíticos e lideranças locais.
    • 3- "Não é por acaso que as autoridades brasileiras recebem oaplauso unânime das autoridades internacionais das grandespotências, pela energia implacável e eficaz de sua políticasaneadora das epidemias [...]. O mesmo se dá com a repressão dosmovimentos populares de Canudos e do Contestado, que nocontexto rural [...] significavam praticamente o mesmo que aRevolta da Vacina no contexto urbano". Nicolau Sevcenko. Arevolta da vacina.De acordo com o texto, a Revolta da Vacina, o movimento deCanudos e o do Contestado foram vistos internacionalmente comoMOVIMENTOS :a) provocados pelo êxodo maciço de populações saídas do camporumo às cidades logo após a abolição.b) retrógrados, pois as agitações provocadas por estes movimentospopulares dificultavam a modernização do país.c) decorrentes da política sanitarista de Oswaldo Cruz.d) indícios de que a escravidão e o império chegavam ao fim paradar lugar ao trabalho livre e à república.e) conservadores, porque ameaçavam o avanço do capital norte-americano no Brasil.
    • 4- Os movimentos messiânicos eram mais comuns do Brasil do queimaginávamos. Além de Canudos, várias revoltas envolvendoseguidores destes movimentos eclodiram durante a primeirametade de século passado. Como o Messianismo foi possível?a)Devido a concentração latifundiária, o estado de miséria doscamponeses, a prática do coronelismo e a forte religiosidadepopular.b)Devido unicamente a religiosidade do sertanejo que encontravanas práticas do messias um conforto para a vida miserável queestava submetido.c)Devido ao grande poder dos líderes messiânicos cujo prestígio eramedido pela quantidade de eleitores que controlasse conseguindodesta forma se eleger para os cargos políticos.d)Em virtude do temor que as profecias dos beatos causavam àpopulação mais pobre, preferindo resignar-se a vida deperegrinações e orações para salvação da alma.e)Em razão do clima de insegurança que assolava o campo causadopelo banditismo obrigando a população mais pobre abrigarem-senos movimentos messiânicos para se proteger.
    • 5-O coronelismo foi uma peça importante da perversa engrenagemque impedia a representatividade política da maioria da população,principalmente a parcela da sociedade mais carente. Podemosdefinir o coronelismo como:a)Sistema de poder cujo grupo político que alternava-se no poderfederal como forma de garantir a manutenção dos privilégios aosseus respectivos Estados.b)Sistema de poder que consistia na troca de favores entre o poderestadual e municipal a fim de garantir seus interesses políticosutilizando práticas fraudulentas para vencer as eleições.c)Sistema de poder no qual o coronel era uma peça secundária esua participação era ofuscada pela Comissão de Verificação, pois naprática era esta quem declarava os candidatos eleitos.d)Sistema de poder baseado no coronel o líder político local,grande proprietário de terras que usava jagunços para formar oscurrais eleitorais, através de práticas de intimidação ao eleitor.e)Sistema de poder político que arregimentava grande número deseguidores a partir de suas pregações religiosas que convenciam osmais pobres a se submeterem ao seu controle.
    • 6- A Primeira República ou República Velha foi um período daHistória política do Brasil que se caracterizou pelo afastamento doideal da República. O que deveria ser um governo para todos naprática era um governo de poucos. Sobre os fatos com os quaispodemos caracterizar a Primeira República estão:I- Com o “voto de cabresto” os coronéis dominavam as clientelasrurais e manipulavam as eleições;II- A política dos governadores consagrava a troca de apoio entre ogoverno federal e as oligarquias estaduais mantendo o mesmogrupo político no poder.III- A política do café com leite foi o domínio da sucessãopresidencial pelos cafeicultores de São Paulo e de Minas Gerais quealternavam-se na presidência da República.IV- O Movimento dos Tenentes - o Tenentismo - quepossuía caráter militar contribuiu para consolidar os governos daPrimeira República.V- As fraudes eleitorais eram exceção e não regra neste período,devido ao rigoroso trabalho de fiscalização do processo eleitoradoefetuado pela Comissão de Verificação.I, II E III ESTÃO CORRETAS.
    • 7-Embora fossem movimentos ligados a questão agrária e a falta dejustiça no campo Canudos e o Cangaço possuem finalidadesdistintas. Em relação a esta diferenciação dos objetivos do Cangaçoe de Canudos podemos afirmar como correto que:a)O cangaceiro tinha um fim social na sua prática, pois busca aposse da terra e a justiça social, saqueando e roubando dos ricospara doar aos pobres. Eram considerados os justiceiros pobres.b)O cangaceiro não tinha nenhum fim social na sua prática, nãobusca a posse da terra e tampouco a justiça social. Lutasimplesmente pela sobrevivência praticando a violência.c)O cangaceiro é um tipo de bandido social que procura aplicar ajustiça contra os desmandos dos poderosos no sertão nordestino.d)Canudos não tinha nenhum fim social na sua prática, não buscaa posse da terra e tampouco a justiça social. Luta simplesmentepela sobrevivência praticando o fanatismo religioso.e)Canudos tinha um fim social, mas não busca a posse da terraapenas a justiça social mesmo que fosse alcançada por métodosviolentos justificados pelo fanatismo religioso.
    • 8- Sobre a Revolta de Canudos, assinale a alternativaINCORRETA.A) O seu principal líder foi Antônio Conselheiro.B) Os sertanejos de Canudos lutavam contra a injustiça ea miséria persistente na região.C) Caracterizou-se como um movimento de carátermessiânico.D) A Guerra de Canudos foi tema do livro “Os Sertões”,do escritor Euclides da Cunha.E) Os revoltosos de Canudos receberam apoioincondicional dos coronéis da região.
    • 9) Os vaqueiros e os peões do interior escutavam oConselheiro em silêncio, intrigados, atemorizados,comovidos... Alguma vez, alguém o interrompia para tiraruma dúvida. Terminaria o século? Chegaria o mundo ao ano1900? Ele respondia (...) Em 1896, mil rebanhos correriam dapraia para o sertão e o mar se tornaria sertão e o sertão mar(...). Mario Vargas LlosaO carismático Antonio Conselheiro, de que fala o textoacima, liderou a Revolta de Canudos em 1897. Podemosapontar como principais fatores da revolta:a) o crescimento e a modernização da economia nordestina.b) o apoio incondicional do sertanejo à Monarquia.c) a impossibilidade de adaptação do sertanejo aos valoresrepublicanos.d) o abandono em que vivia o sertanejo, o coronelismo e aluta pelo acesso à terra.e) a oposição contra a Igreja Católica, aliada dosmonarquistas.
    • 10) (UFRJ97)- “Canudos ficava num cenário que lembrava aspaisagens descritas na Bíblia: uma região árida repleta de caatingas,rodeada por cinco serras ásperas e atravessada por um rio, o Vaza-Barris. Decidido a permanecer naquela autêntica fortaleza natural,e isso não deve ter escapado à percepção de Conselheiro, ele e seugrupo entraram em ação para construir uma comunidade ondeestivessem livres do incômodo das autoridades religiosas católicas epolíticas, bem como das leis republicanas, dos "coronéis", dos juízes,dos impostos, da justiça arbitrária, da política etc”.(COSTA, Nicola S. Canudos – Ordem e Progresso no Sertão. SãoPaulo, Moderna, 1990.)O movimento de Canudos (1896-97), liderado pelo beato AntônioVicente Mendes Maciel, o "Antônio Conselheiro", no sertãonordestino, é um dos mais conhecidos exemplos de movimentosmístico-populares que marcou o início da República no Brasil. Asproblemáticas sociais que deram vida àquele movimentopermanecem, até hoje, em grande parte sem solução.A) Cite e justifique dois motivos pelos quais o povoado de Canudosincomodava as “autoridades políticas locais e religiosas”.
    • QUESTÃO ANTERIOR:A) Cite e justifique dois motivos pelos quais o povoadode Canudos incomodava as "autoridades políticas locaise religiosas”.Permitir o acesso a terra e combater a injustiça.Ao permitir o acesso a terra a experiência de Canudosacabava na prática com a dependência dos sertanejos aosfavores do coronel destruía o esquema de manutençãodo poder das elites políticas ao reagir em relação asujeição da população pobre ao mando dos coronéise padres representantes do poder vigente.
    • QUESTÕES(PARTE 4)
    • 1) (UFS) - "...o chefe político lhes dava roupa, cachaça euma papeleta de voto..." Ao texto pode-se associar, naevolução política brasileira, o:a) mercantilismo e a Colôniab) encilhamento e o Impérioc) centralismo e a Regênciad) coronelismo e a República Velhae) caudilhismo e a República Nova
    • 2) (UNIFENAS) - O objetivo da Coluna Prestes, que nadécada de 1920 percorreu milhares de quilômetros peloBrasil, era:a) combater o sistema oligárquico vigente;b) apoiar a campanha civilista;c) defender a ordem no governo Artur Bernardes;d) promover a constitucionalização do País;e) reagir contra a ditadura quase declarada do governoArtur Bernardes.
    • 3) (UNESP)-A Semana de Arte Moderna de 1922, quereuniu em São Paulo escritores e artistas, foi ummovimento:a) influenciado pelo cinema internacional e pelas idéiaspropagadas nas Universidades de São Paulo e do Rio deJaneirob) de renovação das formas de expressão com aintrodução de modelos norte-americanos;c) de contestação aos velhos padrões estéticos, asestruturas mentais tradicionais e um esforço de repensara realidade brasileira;d) desencadeado pelos regionalismos nordestinos egaúcho, que defendiam os valores tradicionais;e) de defesa do realismo e do naturalismo contra asvelhas tendências românticas.
    • 4) (FATEC) - O episódio de Canudos foi:a) o resultado da introdução de tecnologia moderna e deforma capitalista no Nordeste, alterando sua tradicionalestrutura latifundiária. Daí o caráter monarquista domovimento de Antônio Conselheiro;b) um incidente diplomático em que se envolveram o Brasil ea Argentina, devido à disputa fronteiriça de Canudos;c) a revolta militar contra o governo de Prudente de Morais,ocorrida no Estado de São Paulo, em 1901, liderada porAntônio Conselheiro;d) o escândalo financeiro provocado pelo ministroBernardino de Campos, durante a presidência de Prudente deMorais;e) a revolta ocorrida no sertão da Bahia, nos últimos anos doséculo XIX, em que os sertanejos, sob a liderança de AntônioConselheiro, resistiram durante meses a várias expediçõesmilitares enviadas pelos governos estadual e federal;
    • 5) (MACKENZIE) - Governadores de São Paulo, Minas Geraise Rio de Janeiro reuniram-se no Convênio de Taubaté, em1906, tendo em vista:a) impedir qualquer intervenção do Estado na economiacafeeira;b) criar mecanismos que evitassem a queda do café, atravésda compra de estoques excedentes pelo governo comempréstimos externos;c) evitar novos cultivos, reduzir financiamento, visandoajustar oferta e procura sem intervenção do governo;d) atuar no mercado externo, reduzindo a concorrência deoutros países produtores de café e expandindo o mercadointerno;e) defender uma política agrícola voltada para a policultura,rompendo com a dependência em relação ao café, nossoproduto chave na balança de pagamentos.
    • 6) (FUVEST) -Caracteriza o processo eleitoral durante aprimeira República, em contraste com o vigente noSegundo Reinado:a) a ausência de fraudes, com a instituição do votosecreto e a criação do Tribunal Superior Eleitoral;b) a ausência de interferência das oligarquias regionais,ao se realizarem as eleições nos grandes centros urbanos;c) o crescimento do número de eleitores, com a extinçãodo voto censitário e a extensão do direito do voto àsmulheres;d) a possibilidade de eleições distritais e a criação denovos partidos políticos para as eleições proporcionais;e) a maior participação dos eleitores das áreas urbanasao se abolir o voto censitário e se limitar aosalfabetizados.
    • 7)(UFS) -O Brasil a partir da primeira Guerra Mundial(1914/1918) e em decorrência de seus efeitos, sofreudiversas transformações, dentre elas:a) o incremento da política de incentivo à produção desoja;b) o fim do monopólio estatal sobre as atividadesextrativistas;c) a aceleração do processo de industrialização no eixoSão Paulo/Rio de Janeiro;d) a eliminação das barreiras alfandegárias entre zonarural e zona urbana;e) o aprofundamento do fenômeno da ruralização noeixo Norte/Nordeste.
    • 8-(MACKENZIE) - Em 3 de outubro eclodiu a revoluçãode 1930, pondo fim à República Velha. Dentre as causasdeste episódio histórico destacamos:a) a vitória da oposição nas eleições e o temor derevanchismos nas oligarquias derrotadas;b) a dissidência das oligarquias nas eleições de 1930,fortalecendo a Aliança Liberal, derrotada, contudo, pelafraude da máquina do governo;c) o programa da Aliança Liberal não identificado com asclasses médias urbanas;d) a sólida situação econômica do núcleo cafeeiro noinício da década de trinta;e) o apoio dos jovens militares, tenentistas, à políticaoligárquica nos anos vinte.
    • QUESTÕES(PARTE 5)
    • I. Na primeira República a expressão "socialização de perdas" pode seraplicada às sucessivas compras de excedentes da produção da indústrialeve nacional por parte do governo.II. Apesar de seus limites regionais, a burguesia do café constitui-se numaclasse articulada, capaz de expressar seus interesses através do PRP(Partido Republicano Paulista) e de suas associações de classe.III. Controlados por uma elite reduzida, os partidos republicanosdecidiam os destinos da política nacional e indicavam os candidatos àpresidência da República.IV. A República concretizou a autonomia estadual, dando plena expansãoaos interesses de cada região. No plano político, houve a formação departidos republicanos restritos a cada Estado, sendo que fracassaram outiveram vida efêmera as tentativas de organização de partidos nacionais.V. A maioria da população brasileira votou, ao longo da PrimeiraRepública, para a escolha de seus representantes junto às AssembléiasLegislativas, Câmara do Deputados, Senado e Presidência da República,sendo que o presidente eleito indicava os Governadores.Acerca da Primeira República (1889-1930) é correto APENAS o afirmadoem:II, III e IV
    • PUC SP JULHO 2005A Constituição brasileira de 1891:a) permitiu a plena democratização do país, com asuperação do regime militar.b) criou um quarto poder, o Moderador, que atribuíaplenos poderes ao Imperador.c) separou o Estado, agora republicano, da IgrejaCatólica.d) manteve a permissão para a existência de mão de obraescrava.e) eliminou os resquícios autoritários do varguismo.