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frigoríficos. (Ver Mapa 2). Para Veltz (1996), que trabalha com a noção de“territórios-rede”, os territórios são mais que ...
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Considerações Finais        As interações entre economia de exportação e as estruturas produtivas deMato Grosso do Sul são...
Referências BibliográficasALMEIDA, Mansueto. Desafios da real política industrial brasileira do século XXI.Textos para Dis...
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Lisandra lamoso comércio exterior e estruturas produtivas no mato grosso do sul

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Paper apresentado durante o I Simpósio de Pesquisa e Extensão da Faculdade de Ciências Humanas da UFGD, em 2010.

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Lisandra lamoso comércio exterior e estruturas produtivas no mato grosso do sul

  1. 1. COMÉRCIO EXTERIOR E ESTRUTURAS PRODUTIVAS NO MATO GROSSO DO SUL1 Lisandra Pereira Lamoso A função de fornecedor de bens primários é o papel tradicionaldesempenhado pelos países latino-americanos na Divisão Internacional doTrabalho. Ao longo dos séculos, essa participação passou por transformaçõessocioespaciais nas principais economias. No Brasil, Chile, Argentina e México oprocesso de industrialização ocorreu com base no modelo de substituição deimportações se desenvolveu com peculiaridades que resultam em maiorinternacionalização econômica (Brasil, Chile), maior subordinação à hegemonianorte-americana (México, Equador, Colômbia, Argentina até o Governo Menen),movimentos em busca de maior emancipação política (Venezuela, Bolívia e, doponto de vista diplomático, também o Brasil). No caso brasileiro, a substituição de importações se desenvolveusegundo os impulsos partidos do centro dinâmico da economia capitalista,basicamente no seguinte movimento: em períodos de expansão da economiainternacional houve um esforço de produção de mercadorias orientadas para ocomércio exterior. Segundo Rangel, “a economia brasileira, desde a descoberta,desenvolve-se como complemento de outras economias – dos países que,sucessivamente ocupam a vanguarda no desenvolvimento da humanidade”(RANGEL, 2005, p. 322). Nos períodos de contração econômica internacional,ocorreu um rearranjo das estruturas produtivas internas no sentido de provocar asubstituição dos produtos importados. O parque industrial formado predominantemente pelas intervençõesdiretas do Estado no setor produtivo (estatais) bem como pelos seus subsídios1 Este texto apresenta um resumo de alguns resultados obtidos nos projetos de pesquisa “Uso doTerritório pelos Principais Grupos Exportadores de Mato Grosso do Sul” (auxílio financeiro doCNPq) e “Comércio Exterior, Empresas e Interações Espaciais” (com bolsa CNPq). Os resultadosparciais foram apresentados durante mini-curso no Projeto de Extensão “Geografia e Ensino”, sobcoordenação do Prof. Sedeval Nardoque. 1
  2. 2. diretos ao capital privado nacional, que ocorreu com intensidade durante o períodomilitar, resultou em um movimento crescente de aumento das exportações deprodutos semi-manufaturados e manufaturados e a redução das exportações deprodutos primários, que pode ser observada na Figura 1, sendo em 1979 omomento de inversão das características primário-exportadoras brasileiras. Esseprocesso passou por uma nova inversão nos primeiros anos do século XXI, comorepercussões das políticas neoliberais de redução do Estado, privatizações, maiorabertura às exportações e valorização cambial, implantadas durante o GovernoFernando Henrique Cardoso (1995-2003). A partir de 2000 houve uma tendênciade aumento das exportações de bens primários e de redução das exportações deprodutos industrializados (Ver Figura 1). Os dados absolutos em milhões de dólares foram convertidos emporcentagens para visualizarmos a participação de cada classe no conjunto das 2
  3. 3. exportações. Os dados absolutos são mascarados pelas alterações no câmbio,além dos dados relativos permitirem captar a perda de competitividade daprodução industrial brasileira no mercado internacional. O Governo Lula (2004-2010), em seu primeiro mandato, procurou revertero desmonte do Estado com a elaboração de políticas de planejamento de médio elongo prazo colocando em vigor a Política de Industrial, Tecnológica e deComércio Exterior (PITCE) e, posteriormente no segundo mandato, a Política deDesenvolvimento Produtivo (PDP) (BARROS e PEREIRA, 2008). A PITCE foielaborada no contexto de sucessivas crises internacionais que chamaram aatenção da América Latina após a derrocada do México e da Argentina, com apreocupação em três áreas de atuação: a) promover o desenvolvimentotecnológico e a inovação; b) melhorar a eficiência do sistema produtivo e c)expandir as exportações (ALMEIDA, 2010). A expansão das exportações foipautada estrategicamente pela política de governo com o objetivo de manter osresultados da estabilidade financeira já adquirida e procurar o que Coutinho (2003)chamou de “sustentabilidade macroeconômica”. Para mantê-la o poder públicoavaliou que era condição sine qua non a obtenção de um elevado superávitcomercial. Este teria como objetivo “reduzir a vulnerabilidade do balanço depagamentos, recuperar um volume expressivo das reservas próprias de divisas eviabilizar uma queda segura e irreversível da taxa de juros” (COUTINHO, 2003,p.334). Embora refém da estabilidade financeira que coloca em pauta o controleinflacionário como principal medida e mesmo sem rompimentos radicais comomodelo herdado do antecessor segundo (SADER,2010), a PDP retomou oplanejamento de médio e longo prazo em busca de um projeto de reconstruçãonacional. No segundo mandato, ao diagnosticar que o país apresentava umaestrutura produtiva diversificada e com consideráveis vantagens comparativas naprodução de produtos agropecuários, minerais e siderúrgicos, foi dada ênfase aampliação das exportações. A PDP traçou quatro macro-metas para a retomadado planejamento com visão de longo prazo: a) Aumento da taxa de investimento,ou seja, da formação bruta de capital fixo; b) Ampliação das exportações 3
  4. 4. brasileiras no comércio mundial; c) Elevação do investimento em Pesquisa &Desenvolvimento e d) Ampliação do número de Pequenas e Médias empresasexportadoras. (MDIC, 2010). Com essa política em curso, os sub-espaços daeconomia nacional tão variados quanto variadas são suas formaçõessocioespaciais, inserem-se na economia internacional de forma distinta. Nossoobjetivo foi, com a contextualização desse novo papel do Estado no planejamento,diagnosticar, num primeiro momento, como o Mato Grosso do Sul tem suasestruturas produtivas reorganizadas em função do estímulo ao comércio exterior. A Figura 2 apresenta o comportamento das exportações do estado apartir do ano 2000, dividido em três categorias: produtos básicos, semi-manufaturados e manufaturados. Para os produtos básicos (soja, minério de ferro)houve uma tendência de crescimento, com pequena inflexão após 2004 que podeser explicada pelo período de secas e perdas na safra agrícola, além dosembargos devido à febre aftosa no rebanho bovino. A queda pós 2008 resulta daredução das exportações de minério de ferro devido à crise financeirainternacional. 4
  5. 5. A exportação de produtos semi-manufaturados manteve uma pequenatendência de expansão, que tem sido exaltada pela mídia e pelo setor industrial,assim como para os manufaturados. Torna-se necessário registrar que osprincipais grupos que dominam o comércio exterior de Mato Grosso do Sul sãoempresas de capital privado estrangeiro ou com matrizes localizadas em outrasunidades da federação. Do total da pauta de exportações em 2009, 77,83% foiformada por empresas transnacionais ou por grupos cujas matrizes não selocalizam no estado. (Ver Tabela 1).Tabela 1 – Participação das principais empresas exportadoras no total exportado peloMato Grosso do Sul no ano de 2009 e a variação entre 2008-2009.Ordem Empresa Participação Variação no valor percentual total ocorrida de 2008 para 2009. 1 Bertin* 11,71 219,14 2 ADM do Brasil Ltda. 11,21 -21,13 3 Seara Alimentos S/A 8,47 -17.73 4 Cargil Agrícola S/A 7,49 69,25 5 JBS S/A 4,64 11,03 6 Bunge Alimentos S/A 4,54 -47,68 7 VCP –MS Celulose 4,20 -- 8 Tavares de Melo Açúcar e Álcool S/A 4,01 -- 9 Urucum Mineração S/A 3,65 -51,28 10 Frigorífico Minerva S/A 3,56 42,04 11 Frigorífico Independência S/A 3,10 -74,10 12 Doux-Frangosul S/A 2,91 -2,20 13 BRF Brasil Foods S/A 2,80 -- 14 Cooperativa Agropecuária Mouraoense 2,39 160,48 Ltda. 15 Mineração Corumbaense Reunida S/A 1,70 -75,69 16 Louis Dreiffus Commodities S/A 1,45 -60,20* Incorporado pelo Grupo JBS.Fonte: SECEX, 2010 Organizado por: Lisandra Lamoso A Tabela 1 apresenta a variação da participação das dezesseis principaisempresas ocorrida entre o ano de 2008 e 2009. A cadeia produtiva da carne 5
  6. 6. bovina, cuja pecuária extensiva tem sido base da formação socioespacial doestado (BERTHOLI, 2006) recuperou os patamares anteriores ao embargo, mastambém reflete a capacidade de abate, processamento e exportação do GrupoJBS, que é o maior produtor mundial do setor. As exportações da soja em grãos,minério, e açúcar apresentaram queda em função da redução da demanda porcommodities e pelos impactos da menor demanda chinesa para o período pós-crise. A PDP ao priorizar o movimento de exportação, reforçou as estruturasprodutivas baseadas nas corporações transnacionais e nos grupos privadosespecializados na produção de commodities, com atuação no agronegócionacional e internacional. A expressão territorial dos números da economia de exportação produzuma valorização da área que forma a Bacia do Rio Paraná, onde se concentramas estruturas produtivas voltadas para a exportação. Na Bacia do Rio Paraguaipermanece, por foca de efeitos naturais, a exploração de minerais metálicos emCorumbá, cujo escoamento para exportação ocorre pela Hidrovia do Rio Paraguai.O setor de carnes, privilegiado com os aportes do BNDES para o Grupo JBS, sefortalece tendo como localização a porção mais central do estado, a capitalCampo Grande, e o município de Naviraí (que possui uma unidade de abate),também o internacionalizado, Marfrig (em Bataguassu), que além do setor decarnes é proprietário da Seara Alimentos (Sidrolândia e Dourados), outroimportante grupo exportador. O complexo soja está localizado no divisor dasbacias, no eixo da BR 163 e da Ferronorte que são canais que permitem a fluideze a eficiência do planejamento logístico. O crescimento da produção de celulose éacompanhado da expansão da área de reflorestamento, que ocupa a Região doBolsão e tem sua centralidade no município de Três Lagoas, com a instalação daVCP Papel e Celulose. (Ver Mapa 1)2. Nesse processo, as estruturas produtivasformam territórios da exportação com maior concentração na porção meridional doestado, onde atuam as cooperativas, tradings, agroindústria de aves e suínos e os2 A autora agradece a colaboração dos Professores Adelsom Soares Filho e Charlei Aparecido daSilva, e do Técnico de Laboratório Ângelo Franco do Nascimento Ribeiro (membros da equipe doprojeto) na orientação para elaboração dos mapas. 6
  7. 7. frigoríficos. (Ver Mapa 2). Para Veltz (1996), que trabalha com a noção de“territórios-rede”, os territórios são mais que repositórios de objetos técnicos, mastêm prente um conjunto de relações imateriais que também é apropriada, como atradição econômica, a experiência acumulada pelos agentes econômicos epolíticos, conhecer os caminhos da comercialização, do crédito, as relações comos prestadores de serviços como motoristas, mecânicos, escritórios deplanejamento etc. 7
  8. 8. 8
  9. 9. Considerações Finais As interações entre economia de exportação e as estruturas produtivas deMato Grosso do Sul são intensas na medida em que a política industrial em vigor(Política do Desenvolvimento Produtivo) estimula o comércio exterior como partedo processo de desenvolvimento econômico desejado para o país. Tal política,que implica também no fortalecimento dos grupos privados nacionais com aportesde capital do Estado, resulta no fortalecimento do setor do agronegócio que atuano Mato Grosso do Sul. Este setor abrange a classe dos pecuaristas (subordinados ao capitalindustrial e comercial dos grupos frigoríficos), do complexo soja (dominado pelastradings transnacionais e pelas cooperativas exportadoras, entre as quais maiordestaque cabe à Coamo) e pela produção de minério, exportado na forma bruta.Essa configuração provoca uma extração da renda para as matrizes dos gruposexportadores (tanto internacionais quanto aqueles localizados no próprio territórionacional, mas em outras unidades da federação) e não acelera a verticalizaçãodor processos industriais no estado. Além do tradicional par carnebovina/complexo soja, o modelo de crescimento tem permitido a expansão de doissetores: biodiesel (com o crescimento da área plantada de cana e a expansão donúmero de usinas) e da produção de celulose. Ambos, embora parte docrescimento industrial e das exportações do estado, implicam externalidadesnegativas na forma da exploração intensiva e extensiva da força de trabalho e emimpactos sócio-ambientais na forma de aumento da renda da terra para a classede proprietários capitalistas e imposição de modelos de baixa diversidadebiológica e alta dependência das oscilações da demanda internacional, comprováveis impactos nas arrecadações do poder público, no emprego e na rendados trabalhadores do setor. 9
  10. 10. Referências BibliográficasALMEIDA, Mansueto. Desafios da real política industrial brasileira do século XXI.Textos para Discussão. São Paulo : IPEA, 2010. Versão para revisão. 71p.BARROS, Octavio de; PEREIRA, Robson Rodrigues. Desmistificando a tese dadesindustrialização: reestruturação da indústria brasileira em uma época detransformações globais. In: BARROS Octavio de; GIAMBIAGI, Fabio (Org.) Brasilglobalizado. Rio de Janeiro : Campus, 2008. p.299-330.BERTHOLI, Anderson. O lugar da pecuária na formação sócio-espacial sul-matogrossense. 2006. Dissertação (Mestrado em Geografia). Centro de Filosofiae Ciências Humanas. Universidade Federal de Santa Catarina, 2006.COUTINHO, Luciano; SARTI, Fernando. A política industrial e a retomada dodesenvolvimento. In: LAPLANE, Mario et. al. Internacionalização edesenvolvimento da indústria no Brasil. São Paulo : Editora da Unesp/Instituto deEconomia da Unicamp, 2003. p.333-347.MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO. Estatísticasde comércio exterior – DEPLA.< http://www.mdic.gov.br > Acesso em: 25 ago.2010.__________ . Política de Desenvolvimento Produtivo. Disponível em<http://www.mdic.gov.br/pdp/ > Acesso em: 2 de set. 2010.RANGEL, Ignácio. Ciclo, tecnologia e crescimento. In: BENJAMIM, Cesar (org).Obras reunidas. v.2, São Paulo: Contraponto, 2005. p. 255-408.SADER, Emir. Brasil, de Getúlio a Lula. In: SADER, Emir e GARCIA, MarcoAurélio (orgs). Brasil, entre o passado e o futuro. São Paulo : Editora da FundaçãoPerseu Abramo/Boitempo, 2010. pp. 11-29.SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço – técnica e tempo, razão e emoção. SãoPaulo : Hucitec, 1996.VELTZ, Pierre. Mundialización, ciudades y territórios. Barcelona : Editorial Ariel,1996. 10

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