Edição de maio de 2010
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Edição de maio de 2010. Boa leitura!

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Edição de maio de 2010 Edição de maio de 2010 Document Transcript

  • ANO IV VOL.21 BIMESTRAL - MAIO DE 2010 DISTRIBUIÇÃO GRATUITA • NA ARTÉRIA • FARPAS DA HISTÓRIA • FESTAS JUNINAS MONUMENTO BRÁS CUBAS
  • Sumário EDITORIAL Edição 21 - Ano 4 - Maio 2010 Olá, leitores: 4 TROVAS 5 PREVISÕES Nesta edição de Santos Carolina Ramos Arte e Cultura, mais uma vez faz-se evidente 6 SE NÃO FOSSE O BRASIL, JAMAIS o intuito de oferecer ao BARACK OBAMA TERIA NASCIDO nosso leitor, o que há de Fernando Jorge melhor, em matéria de 7 NA ARTÉRIA texto, abrindo um leque Raquel Naveira de páginas diversifica- das. 8 SERVIÇOS ADUANEIROS: JURISDIÇÃO OU Tanto no trabalho, bem CIRCUNSCRIÇÃO elaborado, sobre Festas Vadison Espinheira do Carmo Juninas, de autoria do renomado intelectual 9 FIDEL PAREDON CASTRO Hernâni Donato, ou Ives Gandra da Silva Martins na singela mini-crôni- 10 FESTAS JUNINAS ca de Valéria Pelosi, Hernâni Donato pode ser constatada a alta qualidade que se 12 CORAÇÃO TEUTO-BRASILEIRO faz presente nos de- Maria Zilda da Cruz mais articulistas. 13 NO TEMPO DA CANETA TINTEIRO Na capa, destacamos João Marcos Cicarelli a homenagem ao fun- dador de Santos, Brás 14 O RECADO Cubas, cujo monumen- Edna Gallo to, de mármore carra- 15 FILA DE BANCO ra - obra do escultor Mario Azevedo Alexandre italiano Lorenzo Mas- sa - foi inaugurado em 16 FARPAS DA HISTÓRIA 26 de janeiro de 1908, Cláudio de Cápua na atual, Praça da Re- 16 ADÉLIA E ADERBAL pública, no Centro da Valéria Pelosi cidade. 17 NOTAS CULTURAIS Boa leitura 18 ESPAÇO DO LIVRO O Editor. Expediente LEI ROUANET Editor - Cláudio de Cápua. MTB 80 A Revista Santos Arte e Cultura é Jornalista Responsável - Liane Uechi. MTB 18.190. aprovada pelo Ministério da Cultu- Editoração Gráfica - Liane Uechi ra e beneficiada pela Lei Rouanet Designer Gráfico - Mariana Ramos Gadig Capa: Liane Uechi de Incentivo à Cultura. Os patroci- End.: Rua Euclides da Cunha, 11 sala 211. Santos/SP. nadores poderão abater 100% do E-mail: revistaartecultura@yahoo.com.br valor doado no imposto de renda. Participaram desta edição: Carolina Ramos; Cláudio de O benefício é válido para pessoas Cápua; Edna Gallo, Fernando Jorge; Hernâni Donato; jurídicas tributadas com base no Ives Gandra da Silva Martins, João Marcos Cicarelli; lucro real, sendo o valor limitado a Maria Zilda da Cruz; Mario Azevedo Alexandre; Raquel 4% do imposto de renda devido. Naveira; Vadison Espinheira da Cruz e Valéria Pelosi. Pessoas físicas que fazem a decla- Os autores têm responsabilidade integral pelo con- ração completa do IR também po- teúdo dos artigos aqui publicados. Distribuição Gra- dem abater suas doações. O limite tuita. 5000 exemplares. neste caso, é de 6% do Imposto de Renda. 3
  • TROVAS TROVAS Mais importante, por certo, Nas lavouras de café, que um elogio suspeito, ou nos vinhedos fecundos, é sentir vibrar por perto os imigrantes, com fé, mais do que aplausos, respeito! levantaram novos mundos! Carolina Ramos Luiz Antonio Cardoso Da incerteza eu tiro o véu, De joelhos e mãos postas, chego a flutuar no espaço... mente aberta e esclarecida Avisto a porta do céu, busco encontrar as respostas quando ganho o teu abraço! para os mistérios da vida! Lucila Decarli Antonio Claret Marques Nosso amor é tão intenso Escravo do teu mistério e a confiança entre nós morro de amor, se preciso. fala tanto que o bom senso De que vale o meu império deixa o ciúme sem voz. se não tenho o teu sorriso?! Joana D’Arc da Veiga Laérson Quaresma de Moraes A aurora que me fascina, Entre os véus da noite, imerso, encanta e me dá alegria, insone em meu travesseiro, fala da força divina escrevo apenas um verso abrindo a porta do dia. e a saudade...um livro inteiro! Áurea Navarro Turini Maria Lúcia Daloce Gosta de Trovas? A “União Brasileira de Trovadores”, seção de Santos, reúne-se, na última terça-feira de cada mês, no IHGS, av. Conselheiro Nébias, 689, às 20h30. Compareça! Maio - Santos Arte e Cultura 4
  • PREVISÕES CAROLINA RAMOS Cruzam o espaço, com asas cibernéticas, múltiplas fruímos dele e fomos muito além do que nos era permitido! mensagens fantasmas, que vêm assombrar as telas do nos- O mesmo não se deu com o tal discernimento, por onde an- sos computadores. Mensagens enviadas por mãos amigas, dará? que clicam teclas com o mesmo pasmo que irá assaltar A resposta aí está, evidente em cada canto e em quem as recebe, e que, por sua vez, acrescentará exclama- cada reação! Filme de terror, seriado, que se desenrola em ções, comedidas ou não, de crédito ou descrédito, ao passá- cenas apavorantes, superadas a cada dia que passa! las adiante. E a cada dia que passa, aumenta a ansiedade e a E nesse vai-vem de e-mails, que levam e trazem suspeita inquietante de que a paciência d’Aquele Pai celes- fatos, presságios, previsões e profecias, arrastadas através tial tenha, ou não tenha limites! dos tempos (algumas vezes, como agora, apontando datas Limites pré-estabelecidos, por certo, não terá.! Po- alarmantes, porque convergentes e próximas), vamos dei- rém, depois de tais barbaridades e inconsequências acumu- xando que nossas mentes galopem à procura de água com ladas, quem ousará afirmar algo definitivo a esse respei- açúcar que nos acalme, ou de um estabilizador de idéias, to?! que permita um meio termo de tranquilidade. Haverá ainda esperança de solução para tanto des- Secas, chuvas, enchentes, ciclones, trovoadas ho- calabro?! A resposta é difícil! mas, sempre é válido tentar. méricas, alternadas de raios, tremores sísmicos, terremotos E vale, como último recurso, abrir bem os olhos, olhar para violentos, tsunamis, vulcões, desvios comportamentais, cri- atrás e lavar a consciência, com alvejante e escova bem mes, drogas, estupros, selvageria, corrupção! Cruzes! O dura para alijar a sujeira e as nódoas de muitos séculos! E poço das calamidades escancarado parece transbordar vale ainda, principalmente, agarrar com muita força essa ante os nossos olhos, induzindo-nos a supor que o pior ain- mão que nos deu tanto, e rogar que nos conceda um pou- da está por vir! quinho mais desse precioso tempo, que já expira rápido de- Convenhamos que, este nosso pobre mundinho mais! bem que está precisado de uma boa sacudidela! De uma Quem sabe, então, após exame coletivo de consci- faxina severa ! Profunda e radical! ência, o remorso consiga impor mudanças radicais, indis- Abusamos demais, e demais continuamos a abu- pensáveis à heróica e derradeira chance de reparar o mal sar, da paciência (ainda bem que Infinita!) de um Deus-Pai! feito?! Um Pai que além de nos ter dado tudo, também nos deu o Para náufragos dos próprios erros, essa tentativa livre arbítrio para dispormos desse tudo, com discernimento extrema de salvação sempre há de se afigurar difícil! Até e a bel-prazer! mesmo impossível! Mas, para sorte nossa, há um Deus que Quanto ao bel-prazer, não houve problemas, usu- é Pai e para Ele, nada é! Carolina Ramos é poetisa e escritora, Presidente do Conselho Nacional da União Brasileira dos Trovadores - UBT e da UBT/Santos; Secretária Geral do Instituto Histórico e Geográfico de Santos. Pertence à Academia Santista de Letras - ASL e a Academia Feminina de Ciências, Letras e Artes de Santos - AFCLAS 5 Maio - Santos Arte e Cultura
  • SE NÃO FOSSE O BRASIL, JAMAIS BARACK OBAMA TERIA NASCIDO FERNANDO JORGE Na noite de 25 de setem- nome do pai e que é agora, aos bro de 1956, estreou no Teatro quarenta e seis anos, o primeiro Municipal do Rio de Janeiro a negro a ocupar a presidência dos peça Orfeu da Conceição, do po- Estados Unidos. eta brasileiro Vinícius de Morais Eis um detalhe perturbador: com- (1913-1980). Esta peça é uma parando duas fotografias, descobri adaptação do mito grego do len- enorme semelhança física entre o dário cantor Orfeu, cuja lira, dota- brasileiro Breno Mello, o Orfeu do da de sons melodiosos, amansa- filme Orfeu Negro, e o queniano va as feras que vinham Barack Hussein Obama, pai do fi- deitar-se-lhe aos pés. Filho da lho da americana Stanley Ann Du- musa Calíope, ele resgatou a sua nham. esposa Eurídice do Inferno, após No começo da década de 1980, ela ter sido picada por serpente. A ao visitar o seu filho em Nova York, história de Vinícius decorre numa a senhora Stanley o convidou a ver favela carioca, durante os três o filme Orfeu Negro. Segundo o de- dias de carnaval. poimento do próprio Barack, no Em 1959, o diretor fran- meio do filme ele se sentiu entedia- cês Marcel Camus transpôs a do, quis ir embora. Disposto a fazer peça para o cinema. Daí surgiu o isto, desistiu do seu propósito, no filme Orfeu Negro, com músicas momento em que olhou o rosto da de Luiz Bonfá e Tom Jobim, a ne- mãe, iluminado pela tela. A fisiono- gra atriz americana Marpessa Dawn, os negros brasileiros mia da senhora Stanley mostrava deslumbramento. Então o Breno Mello, Lourdes de Oliveira e Adhemar da Silva. Cheio filho pôde entender, como se deduz da sua autobiografia, de belas imagens, como a do romper do sol na favela, a do porque ela, tão branca, tão anglo-saxônica, uniu-se ao seu aparecimento da Morte numa central elétrica, e ainda com o pai, tão negro, tão africano... som dos sambas empolgantes, a película baseada na obra Não há dúvida, a sexualidade às vezes percorre do letrista de “Garota de Ipanema”, além de alcançar grande caminhos misteriosos, que alteram de modo decisivo os ru- sucesso comercial, ganhou a Palma de Ouro do Festival de mos da história universal. Se não fosse o fascínio da branca Cinema de Cannes e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro mãe de Barack Obama pelo filme Orfeu Negro, ela não se em Hollywood. entregaria ao rapaz queniano, um preto africano. Pois bem, nesse ano de 1959, uma jovem america- A rigor, sem o Brasil, sem a história do poeta brasi- na de dezesseis anos, extremamente branca, sem um pingo leiro Vinícius de Morais, o filme Orfeu Negro não existiria. de sangue negro, chamada Stanley Ann Dunham, nascida Portanto, se não fosse o Brasil, jamais Barack Obama teria no Kansas, resolveu assistir em Chicago ao primeiro filme nascido. estrangeiro de sua existência. Foi ver o Orfeu Negro, só com Apresenta uma lógica perfeita, a nossa conclusão. atores negros, paisagens brasileiras, música brasileira, his- E como ele foi eleito, o meu país, a pátria de Lula, será a tória brasileira. Ela saiu do cinema em estado de êxtase, causa da mudança da história dos Estados Unidos. Aliás, o maravilhada. Adorou aqueles negros encantadores de um Brasil já mudou essa história... país tropical e logo admitiu: “Nunca vi coisa mais linda, em toda a minha vida.” Depois de tal arrebatamento, a jovem Stanley em- barcou para o Havaí. E ali, aos dezoito anos, ela se tornou Fernando Jorge é jornalista, membro do Conselho de Ética do colega, numa aula de russo, de um jovem negro de vinte e Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, três anos, Barack Hussein Obama, nascido no Quênia. A o petropolitano Fernando Jorge é autor do livro “A Academia do moça branca do Kansas, influenciada pelo filme Orfeu Ne- Fardão e da Confusão”, lançado pela Geração Editorial, onde gro, entregou-se a ele e dessa união inter-racial, nasceu em mostra numerosos erros de português cometidos pelos membros 4 de agosto de 1961 um menino, a quem ela deu o mesmo da Academia Brasileira de Letras. Maio - Santos Arte e Cultura 6
  • NA ARTÉRIA RAQUEL NAVEIRA Na artéria, na veia, nos pul- pela luz/ Que incide no lago/ Imagens sos, no peito, é por esse mapa sanguí- distorcidas/ Da realidade./ neo azulado, à flor da pele, que corre o O poeta é um cisne/ De celeste onipo- amor. A sede desesperada de amar e tência,/ Transbordando audácia,/ Seu ser amada, de sentir-se viva, embora canto amoroso/ É prenúncio de morte/ com a alma fragmentada. Para si/ E para o mundo./ Na Artéria é o título do livro da O poeta é um cisne,/ Anjo elegante/ Li- atriz e escritora, Clarisse Abujamra. gado por corrente de prata/ A uma cas- Acompanha o livro, que vem dentro de ta superior./ uma caixa, um CD em que ela imprime O poeta é um cisne,/ Um nobre/ Nave- a cada frase o seu tom de voz ao mes- gando/ No reino infinito do espírito./ mo tempo suave e dramático, na trilha Clarisse, mulher nas asas do cisne./ sensível criada por André Abujamra. Nesse poema em prosa, nes- sa carta de folhas soltas como plumas, um cisne branco, um rei, um anjo, um poeta, conduz a amada ao exílio de Mantua, onde Romeu chorou amarga- mente a separação de sua Julieta. Amar é mesmo ser cordeiro imolado todos os dias, num eterno ritu- al de sacrifício. Lutando entre a Carne e o Espírito, a menina/mulher quer ca- rinho, quer morte, quer vida, excitadís- sima. É preciso sobreviver à soli- dão, aos desencontros, ao silêncio, à velhice estampada na face de nossa própria mãe. Vem o antigo questiona- mento: “_ Espelho, espelho meu...” E a voz de Cecília: “_ Em que espelho fi- cou perdida a minha face?” Se o amado é cisne, a amada é bailarina, de postura perfeita. Cristal que se estilhaça. Perdoar ainda é o único cami- nho para o encontro com o outro ( ou Outro) e exige força sobre-humana. O cisne é a paz, a lucidez, a clara resis- tência. E na artéria, sim, corre o ver- melho do Amor, canalizado e oculto. Uma vez escrevi este poema pensando que o poeta é um cisne: O poeta é um cisne,/Ave imaculada/ Raquel Naveira é graduada em Direito e Cheia de poder e graça;/ Nas noites de Letras, Mestre em Comunicação e Letras pelo Mackenzie e Doutoranda em Literatura lua/ Despe seu manto de plumas/ E Portuguesa, na USP. Professora das Pós- anda nu/ Despejando sêmen e espu- Graduação da UNINOVE, poeta, escritora mas./ com diversos títulos publicados. Pertence a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras e O poeta é um cisne,/ Druida vestido de ao Pen Clube do Brasil branco,/ Pontífice sagrado/ Inspirado 7
  • SERVIÇOS ADUANEIROS: JURISDIÇÃO OU CIRCUNSCRIÇÃO? VADISON ESPINHEIRA DO CARMO Tenho notado a confusão que se faz entre jurisdi- pode exercer) e competências (capacidade decorrente de ção e circunscrição, sendo normalmente o emprego daquela profundo conhecimento que alguém tem sobre um assunto , de forma equivocada. São conceitos diferentes. Jurisdição é ou, é o poder que a lei outorga ao agente público para o uma coisa; circunscrição é outra coisa. Para bem adequar o desempenho de suas funções) em circunscrições, e não em que é jurisdição, valho-me do que dizem doutrinadores ilus- jurisdição, como é o caso das autoridades policiais, que se- tres e juristas notáveis. Todos eles afirmam que jurisdição é gundo o Código de Processo Penal em seu art. 4º: "A polícia própria e exclusiva do Poder Judiciário. judiciária será exercida pelas autoridades policiais no territó- Michel Temer: (Elementos de Direito Constitucional, 18ª rio de suas respectivas circunscrições e terá pôr fim a apura- edição, Malheiros Editores, página 170). Marcus Cláudio Acquaviva: ção das infrações penais e da sua autoria." Dicionário Jurídico Acquaviva – Edição de Luxo – Jurídica Brasileira, página 857. Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery: (Có- Isso serve para as demais autoridades administrati- digo de Processo Civil comentado e Legislação do Processo Civil vas. Vale dizer: o exercício de suas atribuições e competên- extravagante em Vigor – 6ª edição, Editora Revista dos Tribunais, cias nas áreas territoriais delimitadas chamadas circunscri- página 252). José Cretella Júnior: (Manual de Direito Administrati- ções. vo). José Afonso da Silva: (Curso de Direito Constitucional Positivo. 15ª edição Revista. Malheiros Editores, São Paulo-SP, página 550). Um equivoco bastante acentuado do uso indevido Gilmar Ferreira Mendes, Inocêncio Mártires Coelho e Paulo Gustavo de jurisdição, ao invés de circunscrição, encontra-se no De- Gonet Branco – CURSO DE DIREITO CONSTITUCIONAL – 2ª edi- creto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, que regulamenta ção, Editora Saraiva, 2008, página 18. Athos Gusmão Carneiro: JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA- 16ª Edição, Editora Saraiva, pági- a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, nas 6, 9, 11, 12, 14, 15. Galeno Lacerda, citado pôr Athos Gusmão o controle e a tributação das operações de comércio exte- Carneiro, mesma obra página 6. Código de Processo Civil. Título I rior, dizendo o seu art. 3º: A jurisdição dos serviços aduanei- – Da Jurisdição e da Ação – Capítulo I – da Jurisdição: "Art. 1º . A jurisdição civil, contenciosa e voluntária, é exercida pelos juízes, em ros estende-se pôr todo território aduaneiro e abrange: I – a todo o território nacional, conforme as disposições que este código zona primária, constituída pelas seguintes áreas demarca- estabelece." das pela autoridade aduaneira local: a) a área terrestre ou Enfim, Jurisdição (juris=direito, dição=dizer) signifi- aquática, contínua ou descontínua, nos portos alfandega- ca "dizer o direito". O poder de dizer o direito é do Poder dos; b) a área terrestre, nos aeroportos alfandegados; e c) a Judiciário, a quem é atribuído o poder jurisdicional, ou seja, área terrestre, que compreende os pontos de fronteira alfan- a jurisdição, isto é, a quem compete dizer o direito. No Esta- degados; e II – a zona secundária, que compreende a parte do de Direito Brasileiro cabe ao Poder Judiciário exercer o restante do território aduaneiro, nela incluídas as águas ter- poder de jurisdição (dizer o direito) e mais ninguém. ritoriais e o espaço aéreo. Vejo agora o vocábulo circunscrição, no seu melhor Isso, não é jurisdição mas sim circunscrição. significado. Marcus Cláudio Acquaviva: "Divisão de caráter "As autoridades são adstritas a pautar sua conduta administrativo, destinada a delimitar o alcance territorial das pelas normas de direito, devendo agir cumprindo a lei." "a atribuições de um órgão público." (Obra citada página 314). aplicação da lei, pôr si, não é atividade jurisdicional." Ou seja, é o espaço peculiar a certos órgãos administrativos Tanto as autoridades delegado de polícia, como as para o exercício de sua competência. autoridades dos serviços aduaneiros, não exercem jurisdi- Grande Dicionário Larousse Cultural da Língua ção, esta exclusiva dos magistrados, membros do Poder Ju- Portuguesa : Linha que limita a extensão de uma área, de diciário. Deve, portanto, o Decreto nº 6.759/2009 sofrer revi- uma superfície . Divisão administrativa, militar ou religiosa são, no sentido de alterar jurisdição para circunscrição. de um território. As autoridades administrativas exercem suas atri- Vadison Espinheira do Carmo é auditor-Fiscal da Receita buições (o que é imputado, conferido a alguém a função de Federal do Brasil aposentado, Professor-Mestre (Adminis- alguma coisa ; o conjunto de atividades que uma pessoa tração) Universitário, Contador e Advogado. Maio - Santos Arte e Cultura 8
  • FIDEL PAREDON CASTRO IVES GANDRA DA SILVA MARTINS em meus escritos, livros, conferências sempre ataquei todas as ditaduras de esquerda ou de direita, - principalmen- te as de Pinochet e de Fidel, embora Pinochet tenha feito do Chile uma na- ção desenvolvida e Fidel uma das mais atrasadas economias das Américas-, implantadas por Hitler ou Stálin, Mus- solini ou Ceacescu, Franco ou Mao. Não posso, portanto, reconhecer como democratas aqueles que atacam os di- tadores de direita, mas acariciam o ego dos ditadores da esquerda. Tal compor- Em 1958, eu era estudante legiado de acadêmicos franceses, in- tamento faccioso e contraditório denota de Direito. Nossa turma, formada por cluídos nesse número os que foram que não passam de aprendizes de dita- pessoas que viriam mais tarde a desta- fuzilados depois de 1958. dores. car-se - como Sydney Sanches, Márcio Infelizmente, a perseguição a Cuba é uma ditadura. E se o Tomás Bastos e Claudio Lembo -, no opositores e os 100.000 prisioneiros Brasil interveio, sem razão, na demo- regime aberto e descontraído do Presi- políticos mencionados no referido livro, cracia hondurenha, cuja Constituição dente Juscelino Kubitschek, ora se de- ou os 20.000 mencionados por Fidel, impunha a destituição de Zelaya, por dicava, fora os assuntos curriculares, à em entrevista a revista “Playboy” ame- seu artigo 239, não há porquê, tanto literatura, ora aos temas políticos. En- ricana, em 1967, demonstram que a ti- nas ditaduras em gestação, como na tre nossos contemporâneos, estavam rania cubana é, ainda, uma das maio- Venezuela e no Irã, como na cinquen- Lygia Fagundes Telles, Paulo Bonfim, res máculas da política latino-americana, tenária ditadura cubana, não apoiar os Mário Chamie, Ivete Senise Ferreira, que bem ou mal, procura os caminhos movimentos legítimos do povo destes Manoel Gonçalves Ferreira Filho, Dal- da democracia. países em prol da democracia e do efe- mo Florence, Dalmo Dallari e outros Muito me impressiona, portan- tivo respeito aos verdadeiros direitos que participavam também das diversas to, que se lance, no Brasil, um Plano humanos. vertentes de atividades acadêmicas, Nacional de Direitos Humanos, inspira- no Largo de São Francisco. do nas idéias de alguns amigos de Fil- Dr. Ives Gandra da Silva Martins Lembro-me, também, de que del Castro que, para além de permane- é professor emérito das Universidades o meu grupo em particular, prezando cerem fiéis e orgulhosos desta amizade, Mackenzie, UNIFMU, UNIFIEO, UNIP, da Escola de Comando e Estado-Maior do profundamente, como futuros advoga- a ponto de se acotovelarem a cada Exército - ECEME; Presidente do Centro dos, a liberdade e o direito de defesa, oportunidade de serem ao lado dele fo- de Extensão Universitária. sentia-se, naqueles tempos, violentado tografados, calam-se, inexplicavelmen- diariamente pelas notícias sobre o re- te, ante as contínuas violações a tais gime de Fidel Castro, especialmente direitos perpetradas em Cuba, assim os famosos “paredóns”, para os quais como na Venezuela de Chávez e no Irã os adversários políticos do governo de Ahmadinejad, dois outros amigos cubano eram enviados para fuzilamen- preferenciais do presidente Lula, nos to, sem defesa. últimos tempos. Estou convencido de Nós o apelidávamos de Fidel que, se o Presidente Lula tivesse man- “Paredón” Castro e o tínhamos por ge- tido sua independência e postura de nocida. magistrado assumida nos primeiros No último dia 21 de março, a seis anos de presidência, seria hoje o Folha de São Paulo publicou uma ma- nome mais cotado para o Prêmio Nobel téria sobre os “paredóns”. A dúvida co- da Paz. A desfiguração de sua imagem locada é se teriam sido apenas 3.820 deveu-se, desde o episódio de Hondu- os fuzilamentos (números oficiais) ou ras, à defesa intransigente de ditadores 17.000, segundo “O livro negro do Co- como Castro. munismo”, escrito em 1998 por um co- Democrata que sempre fui, Maio - Santos Arte e Cultura 9
  • FESTAS HERNÂN Junho: Santo Antônio, São João, São Pedro... viva- intermédio dos santos - pedidos que não faltem as chuvas, aa! não haja pragas e as colheitas sejam abundantes. Mastro, fogueira, música, dança, pipoca, pinhão, ti- O mais, danças, doces, músicas, brincadeiras vai ração de sorte, baile caipira e muita coisa gostosa e bonita. por conta dos costumes de cada povo e cada lugar. No Bra- Agora, pare e pense: por que, tudo isso? Como foi sil, continuamos seguindo os usos correntes em Portugal que começou? O significado é só de alegria, divertimento? mas que são, na verdade, universais. Vamos lá, à explicação. Mas e os santos? Esquecemos deles? Imaginem como seria a vida do homem oito ou nove Bem, aconteceu que as festas de Santo Antônio, mil anos atrás, nesses dias que correspondem ao nosso São João, São Pedro coincidiram no mês de junho. mês de junho. Para nós, no hemisfério sul, o 23 de junho é o Não dá para saber com certeza se eles se tor- do solstício de inverno, quer dizer, momento em que o sol naram tão populares por causa da festa ou ficou mais longe da terra. O povo olhava o sol - do qual de- se eles é que tornaram as festas tão po- pendia em tudo - que parecia parado, indeciso entre sumir e pulares. começar o caminho de volta para iluminar e aquecer a Terra. Santo Antônio é o santo mais Os homens, apavorados, chamavam o sol de volta, com ora- querido do Brasil. Em 1980, eram ções, presentes (frutas, espigas, doces etc) e uma fogueira. 222 as frequesias a ele dedicadas. O sol, vendo as fogueiras, encontraria lá no escuro do céu, o E isso, igualmente, por todo o país. caminho de volta. E a alegria da vida nova, quentinha, clara, Tão atuante na vida nacional que florida romperia depois de alguns dias, em flores, frutos, foi até nomeado coronel do Exér- boas colheitas. cito, com vencimentos e tudo, pois Portanto, as festas juninas são um rito, ou seja um a ele recorriam, nos tempos colo- modo de suplicar ao Céu, ao poder que governa o mundo, niais quando a situação ficava di- que não deixe a vida perecer, o coração do homem entriste- fícil. Sendo invocado para resolver cer. Elas são um canto de ressureição. O que deve fazer dificuldades, encontrar coisas per- você participar com mais alegria e respeito. didas, aconselhar as pessoas em A fogueira é, portanto, um modo de rezar. Veja-a dificuldades, terminou sendo esco- assim. Ela não só ilumina, “canta” com o chiar da lenha seca, lhido pelas moças para descobrir faz estalar a pipoca e assar o pinhão, a batata, a moranga bons noivos o que o santo só encontra mas também atrai, chama, é guia. Até o começo do século se muito solicitado até por certos usos passado, em noites escuras, fogueiras eram acesas em pi- nem um pouco confortáveis como o de fa- cos de morros e pátios de fazenda, para guiar as criaturas zer descer uma imagem até o escuro de um perdidas. A fogueira, na festa junina, chama os fiéis para lou- poço de onde apenas seria retirado quando apa- var o santo, adorar a Deus e alegrar-se com os irmãos. Pular recesse o desejado noivo. fogueira sem queimar os pés seria provar a Deus a confiança São João, primo de Jesus, nasceu no dia mais fes- no Seu poder de proteger os fiéis. tivo para os povos antigos que adoravam o sol e o fogo. As O mastro, que leva as figuras dos três santos e festas, juntaram-se. Existe até a crença de que nesse dia, mais espiga de milho, garrafinha de água, porunguinha com prudentemente, São João dorne o tempo todo para não ver leite, pedaço de rapadura e um ovo lá no fundo como base os excessos de comer, de beber, de brincar, de namorar e para o madeiro, quer dizer que homens erguem a Deus por também porque gosta tanto de fogueira que, atraído pelas
  • S JUNINAS NI DONATO muitas, muitíssimas, acesas no seu nho, as comemorações correm por dia, baixaria do céu o que provocaria conta de São Pedro, o santo chaveiro um incêndio universal. Daí se cantava que pode fechar esse tempo com mais assim: ou menos alegria. Até o fim do século Se São João soubesse 19, no dia 13, três bandeiras eram has- Quando era o seu dia, teadas diante das casas que se dispu- Descia do céu à terra nham a solenizar os três santos. Costu- Com prazer e alegria. mava-se “surrupiar” aquela de São Pedro e avisar a família furtada (que - Minha mãe, quando é bem estava sabendo de tudo) de que a meu dia? devolução seria no dia 29 desde que - Meu filho, já se houvesse festança boa para receber a passou! bandeira. - Numa festa tão Nessa devolução da bandeira, bonita todos os chamados Pedros compare- Minha mãe não ciam com um laço colorido no braço, me acordou? sendo o cortejo aberto por uma senho- ra viúva (pois o costume diz que o san- - Acorda, to enviuvou e por isso protege espe- João! cialmente viúvos e viúvas) e por um - Acorda, pescador, por ter sido ele também pes- João! cador. São João está Hoje, em vez de três bandei- dormindo, ras diante da casa, três “retratos” dos Não acorda, santos figuram nos mastros, perto da não! fogueira. E agora que sabemos de mais São várias as sor- algumas coisas e de alguns porquês tes que se tiram na relativos às festas juninas, vamos co- noite de São João. O meçar os preparativos para participar estudioso Barão de Stu- delas com ainda maior alegria? dart tentou uma relação des- sas sortes e contou dezenas de- las. Já em 1583, o jesuíta Fernão Hernâni Donato é contista, romancista, biógrafo Cardim observou que São João, com e historiógrafo. Membro da sua festa, atraia e alegrava os caboclos Academia Paulista de Letras. e indígenas. É, portanto, a mais tradi- Presidente de Honra do Instituto cional do país. Histórico e Geográfico de São São Pedro. No dia 29 de ju- Paulo.
  • CORAÇÃO TEUTO-BRASILEIRO MARIA zILDA DA CRUz Dolli é pequena: uma estatura nem um pouco de modelo de passarela. Mas... por seu fazer agiganta-se como um modelo de bem realizar e de tenacidade. Sua história de vida envolve-se em lutas e conquis- tas pelo trabalho honesto. Ela assistiu e enfrentou os apertos da II Guerra Mundial, quando bem jovem. A pátria, sua querida Alema- nha, envolvia-se no caos físico e em idéias totalitárias. Pare- cia o cenário de uma realidade surrealista; os bons fugindo e os maus avançando. Sob o céu bombas explodiam e a terra se cobria na perda da inocente vida de milhares de pessoas, enterrando nomes, idades, sonhos e ideais de viver digna- Da triste experiência de guerra, ela fez do limão mente. Era como se o trovão estivesse nas mãos dos ho- uma limonada: voltando a paz à Alemanha, ajudou a plantar mens, que do céu faziam descer artefatos engenhosos e em Bonm, capital do país por algumas décadas, um canto mortíferos, trazendo o zumbido do fim. significativo da cultura brasileira. Lá, numa casa acolhedora, A jovem e pequena Dolli estremecia a cada revoada a nossa literatura lota estantes e obras de arte enfeitam o dos pássaros de ferro, cuspindo a morte. Ela logo compreen- alegre ambiente, na cidade natal do grande Beethoven. deu que precisava fugir a tudo isso. Alimentava, dentro de si, Hoje, ela dirige com eficiência a Casa Teuto-brasi- o desejo de vida para o construir. Jamais destruir o bem dos leira, pois o seu idealizador faleceu. Os milhares de livros outros. Suas idéias eram antagônicas as que prevaleciam, brasileiros, cuidadosamente catalogados, abrem-se a brasi- no momento, no solo alemão. A pátria sofria nas mãos de leiros e alemães no abraço da paz. O carinho prevalece para quem de passagem no poder. E ela sofria no coração a an- todos. É um pedaço repartido de chão, além do Atlântico, gústia do mal reinante. Pisava-se no perigo a todo instante. numa língua e clima bem diferenciados dos nossos; o calor Urgia garantir a própria sobrevivência. Por sorte, em sua do sol mora dentro da casa e respeita a brancura da neve, fuga sem destino, encontrou inesperadamente, em plena quando ela chega lá fora. rua, um grupo que abraçava a vida e por isso fugia. Um mes- Essa grande pequena criatura já comemorou seus mo querer os irmanava: escapar da guerra e depois retornar, noventa anos de vida e de forma bem elevada. Não quis no momento propício, para louvar a existência e tirar dos es- presentes, apenas, contava com a presença amiga para um combros a pátria querida. concerto de belas e profundas músicas alemãs, no ambiente Esse grupo amedrontado e coeso veio para o Brasil guardado e sagrado para os brasileiros pisarem, como um e aqui ficou por algum tempo. O tempo suficiente para criar chão extensivo da própria pátria para políticos e intelectu- raízes com a nossa gente, amar uma outra pátria. Não eram ais. pessoas quaisquer; todas de bom nível universitário, não se Outros meses continuam sendo vividos na década entregaram a choramingo de autopiedade. Trabalharam e dos noventa anos. Sempre firme no trabalho, ainda dirige a colaboraram com as gentes dos lugares onde se instalaram. Casa Teuto-Brasileira e um escritório de assuntos culturais Mais tarde, com idas e vindas entre o Brasil e a Alemanha, brasileiros. Na grandeza do seu agir, ela constrói com amor contraíram uma ponte de ricas trocas culturais, além de mui- a amizade entre dois povos. Muito agradecemos por ser as- tas amizades contínuas e sinceras. sim: derrubando fronteiras e aproximando culturas. A jovenzinha eficiente, tra- O coração da pequena e querida D. Dolli bate forte balhadora, bastante in- e firme, no contínuo ritmo de uma teuto-brasileira! teligente, logo se destacou como o braço direito do or- ganizador do grupo – Prof. Görgen, um Maria Zilda da Cruz é Mestra e Doutora em Psicologia pela entusiasta do povo Universidade de São Paulo. Presidente da Academia Femi- brasileiro. Aos poucos nina de Ciências, Letras e Artes de Santos. Membro da Di- Dolli sentiu amar uma retoria da Academia Santista de Letras. segunda pátria: o Brasil! Maio - Santos Arte e Cultura 12
  • NO TEMPO DA CANETA TINTEIRO JOÃO MARCOS CICARELLI “Quando o carteiro chegou e o meu nome gritou com uma carta na mão...” Ah, quanta saudade sinto das Antigamente, na escola cartas! A espera ansiosa e aquela indis- primária, a professora ensinava aos farçável emoção ao identificar o reme- alunos como escrever cartas e estrutu- tente pela caligrafia no envelope. rar o texto com precisão e delicadeza. Cartas de juras de amor eter- Era de boa educação iniciar uma carta no, cartas de rompimento, cartas de a um amigo nesses termos: Como vai pais aconselhando filhos e de filhos você? E os seus, como estão? Estimo aconselhando-se com os pais. Cartas que todos estejam bem. de amigos, cartas de conforto, cartas E seguia por aí afora. Na co- de alegria e também de dor. Havia o municação eletrônica a coisa funciona costume das cartas de luto trazerem mais ou menos assim: Aí cara tb vc ta a uma tarja preta no envelope. fim (ou afim?) de esticar na night hoje Cartas trocadas entre perso- é sexta (ou cesta? Na dúvida vai 6ª) to nalidades, políticos, literatos, artistas e a fim (de novo!) de ter um bfs. amantes apaixonados. Cartas que, Para quem não é iniciado ex- posteriormente, tornaram-se preciosos plico que tb é tudo bem ou também, vc acervos culturais de grande valia para é você, e bfs é bom fim de semana. A estudiosos e historiadores. moderna linguagem eletrônica exige E agora, como fica? Não se pouco. Abreviar é preciso, pontuar não escrevem cartas como antigamente. é preciso, diria Fernando Pessoa se Não sou contra os novos meios de co- moderno fosse. Imaginem se Pero Vaz municação pessoal, porém temo perder de Caminha tivesse passado um e-mail parte do registro da história. Tudo bem, para El Rey. Provavelmente não sabe- arquiva-se e-mail, mas será que os jo- ríamos que aqui tudo em se plantando vens estão preocupados com isso? dá. Além do mais, a escrita eletrônica me Ah, as cartas! Para aqueles parece tão impessoal, tão manipulá- que não sabem o que é isso, deixo aqui vel... a perfeita definição dada pela escritora Já a carta manuscrita tem vida, Lucia Helena Monteiro Machado: “Car- vibra, retrata com fidelidade o estado ta é um e-mail que as pessoas passa- de espírito do autor naquele momento. vam quando ainda sabiam ler e escre- Aquele pequeno borrão na carta de ver, e tinham o que dizer.” despedida, não será uma lágrima trai- É a marcha inexorável do tem- çoeira? E essa letrinha agora miúda e po. Aprendi com Adauto Santos que vacilante, não estaria dizendo que mi- “quando o novo chega o velho tem de nha amiga está melancólica? parar.” Então paro por aqui. Aposento a Uma carta escrita à mão é pena. bfs pra vcs. mais que a alma refletida no papel, é também atestado de consideração, de João Marcos Cicarelli é jornalista respeito. A carta manuscrita é o mais e escritor. bonito artesanato da comunicação. Ela parece dizer: olha, sou peça única, criada só para você. 13 Maio - Santos Arte e Cultura
  • O RECADO EDNA GALLO O expediente terminara. Os funcionários já haviam nervoso com o comentário. Então, não era impressão sua. ido embora e João estava sozinho na sua empresa. Dirigiu- Ela também sentira o perfume. Resolveu, então, ficar algum se à escrivaninha, apanhou uma pasta e começou a exami- tempo sem tocar naquela documentação. nar alguns papéis importantes, referentes à parte que teria Um dia, resolveu levar os tais papéis para casa. de pagar à esposa de seu sócio Felipe, falecido recente- Quem sabe longe do ambiente de trabalho aquilo não voltas- mente. se a se manifestar, porém, mais uma vez escutou ruídos na Maquinava uma maneira de trapacear com o di- porta, e sentiu aquele aroma tão seu conhecido. Chamou a nheiro da viúva. Ela era completamente alheia aos negócios esposa e contou-lhe o que estava acontecendo. Decidiu ras- do marido. Sempre vivera para o lar, atenta as tarefas de gar todas as anotações que fizera e jogou-as no lixo. Fez a dona de casa. Mulher simples, confiava totalmente na ho- contabilidade novamente. Não omitiu um centavo. As contas nestidade desse homem que fora companheiro de trabalho foram feitas com a maior honestidade. de seu esposo e, posteriormente, sócio nesse bem sucedido A viúva recebeu a parte dela. Tudo o que lhe per- empreendimento. tencia estava ali, tostão por tostão. João compreendera o Com a morte de Felipe, João ficara só na adminis- recado. tração da firma e, sentindo-se senhor da situação pensou logo em ficar com tudo, propondo então à viúva a compra da parte dela. Sem ter condições ou prática para gerir os negó- cios e ainda com filhos adolescentes para educar, ela con- cordou com a venda. Empregaria o dinheiro na compra de imóveis e viveria da renda dos mesmos. Já era tarde e ele permanecia ainda no escritório. Formado em contabilidade, ele estudava uma forma de pa- gar um valor bem menor que o real. Tinha que fazer tudo direito, usar a cabeça, de modo que ela jamais desconfiasse que a importância a receber era maior que aquela que ele ia lhe pagar. A viúva confiava nele a ponto de dispensar a as- sessoria de um bom advogado. Começou a subtrair dados, escondeu documentos, e quando estava adulterando algumas somas ouviu um ba- rulho no trinco da porta, como se alguém a estivesse abrin- do... De repente, sentiu um cheiro de perfume ao seu redor. Arrepiou-se todo. Aquela era a fragância que Felipe usava. Largou tudo o que estava fazendo e saiu correndo com o coração descompassado. Esperou passar alguns dias e voltou a fazer a con- tabilidade. Desta vez, porém, não ficou só. Aproveitou o ho- rário de expediente e, cercado de pessoas à sua volta, na certa aquele fato estranho, talvez até fruto de sua imagina- ção, não aconteceria outra vez. Sentou-se e começou a rever a papelada. A idéia de trapaça não fora afastada. As intenções eram as mes- mas. De repente o barulho na porta e o perfume exala no ar. Não era possível! Chamou a secretária. Ela entrou e foi logo Edna Gallo é poetisa e Trovadora Livros publicados: “Alvoradas e dizendo: “Nossa, que sala perfumada.”João ficou ainda mais Crepúsculos” e “Brisa de Outono” Maio - Santos Arte e Cultura 14
  • FILA DE BANCO MARIO AzEVEDO ALEXANDRE Uma das melhores terapia que exis- essa mesma senhora me chamou e disse: te, é a fila do banco, se você parar para -Você é aposentado? analisar, vemos pessoas introvertidas, -Sim, porém eu me trato muito bem e não estou como vocês acabadas. extrovertidas, pacatas, valentes, impa- - Como assim? cientes, já na fila dos idosos, observa- - Olha bem, minha senhora, a idade às vezes faz as pessoas julgarem se mos senhoras que dão um toque de são aposentados ou não. beleza para enfrentar a fila dos apo- - Como eu pratico exercícios, sentados, são lindas senhoras, com sou vegetariano, não bebo e nem cabelos feitos, lábios pintados, bolsas fumo, não faço fofocas, são motivos de modernas, sapatos novos, segurando minha idade aparentar menos. suas bolsas com as duas mãos. Elas ficaram espantadas com Como bom brasileiro, também a minha resposta, porém ao virar as enfrento filas de banco, com meu pro- costas para me retirar, olhei para elas blema físico, tenho o privilégio de pe- e sorri, quando notaram que eu tinha gar o caixa específico dos idosos, ges- uma deficiência, que somente aparece tantes e deficientes, observo que quando estou andando, parado numa quando entro nessa fila, senhores e se- fila fica difícil descobrir. nhoras falam no pé do ouvido sobre a Na minha opinião, deveria minha pessoa, será que ele é aposen- haver uma fila de caixa somente para tado ou deficiente? poetas, escritores, jornalistas, eles não Outro dia, na Caixa Econômi- podem perder tempo, são observado- ca Federal, banco social, fiquei na fila res do tempo, do espaço e do momen- dos aposentados quase meia hora, es- to, e quem sabe, de repente, na rotina tando já na boca do caixa, observei que do cotidiano, ele possa fazer uma poe- duas senhoras, aparentemente distin- sia ou mesmo uma crônica, como essa tas, falavam de mim, apontando o dedo, que acabaste de ler. como se eu estivesse aproveitando a fila menor, cochichavam muito e com certeza não estavam falando de nove- las. Mario Azevedo Alexandre é contador, advogado, escritor, - Imagine só, esse senhor, não professor e membro da Academia tem cara de aposentado, e está apro- Santista de Letras e do Instituto veitando nossa fila, é um absurdo! Histórico e Geográfico de Santos. Quando terminei o serviço, 15 Maio - Santos Arte e Cultura
  • FARPAS DA HISTÓRIA CLÁUDIO DE CÁPUA General Osório (Luiz Manuel Osório), herói da Guerra do Paraguai, homem franco, leal e por atos de bravu- ra na frente de batalha, recebera do Imperador Pedro II, o título de Marquês de Erval. Osório era conhecido na cor- te, como aquele que nunca fizera uma bajulação ao Imperador. Tratava-o com respeito, mas sem perder a altivez. Certa vez, em uma audiência com o Im- algum fato desabonador? Se tem, é um perador, Dom Pedro II pôs-se a cochi- serviço a mim e ao exército revelá-lo. lar, e o Marquês de Erval deixou cair a - É moço demais...diz o Impe- espada interrompendo o sono do mo- narca. Houve uma rápida troca de far- rador, justificando. - Isso é bom... diz o ministro. ADÉLIA & pas: - Por certo general, sua espa- Poderá com mais frequência, supervi- ADERBAL sionar as nossas fronteiras. VALÉRIA PELOSI da não caia assim no Paraguai? O Imperador aproximou a - Claro que não majestade, no boca do ouvido do ministro e disse em Paraguai não havia tempo para dormir. tom confidencial: Noutra ocasião, de acordo - Falam que ele é muito mu- com o jornalista Leôncio Correia, do Adélia & Aderbal, lherengo. Correio da Manhã, de 17 de junho de Osório desandou a gargalhar. 1927, o general Osório, que na ocasião sociedade peculiar. - Isso é virtude Majestade! Se era Ministro da Guerra, indicou a pro- isso impedisse promoção eu hoje ainda moção de um jovem coronel a brigadei- seria soldado raso! Um entra com a árvore, o ro (Gen de brigada), mas o Imperador ignorou a indicação e não assinou a tal Cláudio de Cápua é aviador, jornalista e promoção. escritor. Pertence ao Instituto Histórico e outro com o cipó, um com o Em “O Brasil Anedótico”, Hum- Geográfico de Santos, à Academia berto de Campos nos conta a seguinte Paulistana de História. É sócio-fundador da pescoço outro com a corda. versão. Osório interpela o Imperador. União Brasileira de Trovadores - Seção de - Vossa Alteza tem ciência de São Paulo. www.de-capua.com Par perfeito. Valéria Pelosi é cronista, mestra doutora em Psicologia pela PUC São Paulo 16
  • NOTAS CULTURAIS NOTAS CULTURAIS CONTOS DE TIA LENITA A Livraria Saraiva, do Morum- PRÊMIO APCA bi Shopping, recebeu no dia 24 de abril O compositor dezenas de crianças para o lançamen- Eduardo Escalante re- to do livro “Contos da Tia Lenita”. Nele, cebeu o Prêmio APCA a autora, Maria Helena Alvim conta 18 (Associação Paulista de histórias que ouviu quando criança, do Críticos de Artes) - Os jardineiro que cuidava das flores de Melhores das Artes de sua casa no interior de Portugal. São, 2009. portanto, narrativas da Foi um Prêmio Espe- cultura popular lusitana, cial de Composição passadas de geração a pela Ópera "O Paga- geração. dor de Promessas", de O livro traz ilus- sua autoria. trações de Leonor Alvim Brazão, que traduzem a graça e a vivacidade das narrativas. VIRADA LANÇAMENTO CULTURAL “CANTARES” PAULISTA No Clube Democrático, de São A Virada Cultural Paulista, Paulo, em jantar bastante concorri- realizada pela Secretaria de Estado do, foi lançado, neste 24 de abril, o da Cultura, é o maior evento cultural livro de trovas “Cantares”, de auto- do interior e litoral de São Paulo e ria de Marina Bruna, uma das mais reuniu em 2010, 29 cidades, entre as inspiradas trovadoras do Brasil. quais Santos. Sua importância está em oferecer oportunidade de acesso à Na foto, Marina Bruna entre as consagra- atividades culturais, a mais de um mi- das trovadoras, Carolina Ramos e Selma lhão de pessoas, graças a uma pro- Pati Spinelli gramação variada e gratuita (mais de 700 atrações). Este ano, o evento levou ao DEIXANDO SAUDADE.... público espetáculos de dança, peças Armando Nogueira de teatro, shows e exposições. Áurea Navarro Morreu em 29 de Turini março, com 83 anos, Faleceu, no dia 5 o jornalista e aviador de abril, com 102 Armando Nogueira. anos incompletos Ex-diretor de jorna- a poetisa e trova- lismo da TV Globo dora, Aurea Navarro Turini. Na- de 1996 a 1990 e autor de dez livros, Nogueira nasceu em Xapuri, no Acre, tural de Jaú, há muito radicada e formou-se em direito no Rio. Em em Santos, tinha uma legião de 1950 começou a carreira de jornalis- amigos e admiradores. Perten- ta no Diário Carioca, trabalhou ainda cia à União Brasileira de Trova- na Revista Manchete, em O Cruzei- dores, seção de Santos, além ro, Jornal do Brasil. Iniciou no telejor- de participar de várias coletâne- nalismo em 1959, na antiga TV Rio. as, é autora do livro de poesias Ícone do jornalismo esportivo, No- “Jorro de Luzes”, edição de gueira cobriu todas as Copas do 1996. Mundo a partir de 1954. 17
  • Espaço do Livro CLÁUDIO DE CÁPUA O SEGUNDO MUNDO de PARAG KHANNA “O Segundo Mundo”, livro de autoria do indiano Parag Khanna, especialista em geopolítica e relações internacionais. O autor tem 31 anos e possui um curriculo onde constam sua atuação como consultor de política externa da campanha para presidente, de Barack Obama, e sua participação, por seis anos, como membro do Conselho de Rela- ções Internacionais, do Foro Econômico Mundial de Genebra, em Da- vos. Este livro é inovador, Parag Khanna rebatiza o rótulo de “Se- gundo Mundo” que antes era aplicado aos países do bloco socialista. Na atual conjuntura mundial, o termo se refere a mais de 40% das nações que possuem as características do Primeiro e do Terceiro Mundo, ao mesmo tempo, entre estes países o Brasil, Rússia, Polônia e o Irã. O autor analisa as estratégias objetivando a conquista das nações emer- gentes, de acordo com o pensamento dos Impérios da União Européia e da China, graças aos equívocos da diplomacia Americana nas últimas décadas. O “Segundo Mundo” é um livro esclarecedor para quem quer entender a Globalização. NUNCA ANTES NA VIDA APERTADA HISTÓRIA DESTE PAÍS Trata-se de uma com- Com uma espera de 83 pilação irreverente das anos, o público tem à frases do presidente disposição a segunda Luis Inácio Lula da Sil- edição de Vida Aperta- va, em seus discursos da, de Luiz (Lili) Leitão. presidenciais. Marcelo O organizador da obra, Tas, diretor, apresen- Roberto S. Kahlmeyer tador e roteirista de TV - Mertens presta assim mantém seu perfil ao justa homenagem ao unir jornalismo e hu- poeta, que considera mor. um fenomeno literário. Maio - Santos Arte e Cultura 18
  • Janeiro Santos Arte e Cultura 19