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  • 1. ANO IV VOL.19 BIMESTRAL - JANEIRO DE 2010 DISTRIBUIÇÃO GRATUITA • ANO QUE VAI... • ESPERANÇA • O HOMEM ANO QUE VEM.. ESSE DESCONHECIDO ESTAÇÃO ANA COSTA
  • 2. Sumário EDITORIAL Edição 19 - Ano 4 - Janeiro 2010 4 TROVAS Olá, leitores: 5 ANO QUE VAI... ANO QUE VEM... Nessa primeira edi- Carolina Ramos ção do ano renova- 6 CINCO PROVAS HISTÓRICAS DA PASSAGEM mos nossa proposta DE JESUS POR ESTE MUNDO de reunir e trazer Fernando Jorge ao leitor um seleto e conceituado grupo 7 SEM ALARDE de articulistas, assim Cláudio de Cápua como, informações so- 8 PARADIGMA bre eventos culturais Manuel Cambeses Júnior e artísticos. Na capa, continua- 9 A RELEVÂNCIA DOS TRIBUNAIS DE CONTAS mos a destacar nosso Ives Gandra da Silva Martins patrimônio históri- 10 CLAUDEL E MILHAUD NO BRASIL co, belas edificações Sonia Sales e cenários santistas que por vezes, pas- 11 O HOMEM - ESSE DESCONHECIDO sam despercebidos na José Valdez de Castro Moura rotina urbana, mas 12 FILOSOFIA CLÍNICA E FILOSOFIA DA MENTE que marcam de for- Monica Aiub ma indelével a vida do santista. É o caso 13 MARIA ANTONIETA da antiga e bela Esta- Raquel Naveira ção Ferroviária Ana 14 GOVERNADORES GERAIS DO BRASIL Costa, que restaura- DE 1549 A 1808 da pelo Grupo Pão de Açúcar, funciona Douglas Michalany hoje como o Fórum 15 ARMAZENAGEM DE MERCADORIA da Cidadania, abri- NÃO É SERVIÇO PÚBLICO gando eventos sociais Vadison Espinheira do Carmo e culturais. Com essa edição da- 16 ESPERANÇA mos as boas-vindas a Edna Gallo esse esperançoso 2010! 16 A MÁQUINA GENÉTICA José Alberto Neves Candeias Boa leitura 17 NOTAS CULTURAIS O Editor. 18 ESPAÇO DO LIVRO Expediente LEI ROUANET Editor - Cláudio de Cápua. MTB 80 A Revista Santos Arte e Cultura é Jornalista Responsável - Liane Uechi. MTB 18.190. aprovada pelo Ministério da Cultu- Editoração Gráfica - Liane Uechi ra e beneficiada pela Lei Rouanet Designer Gráfico - Mariana Ramos Gadig Capa: Liane Uechi de Incentivo à Cultura. Os patroci- End.: Rua Euclides da Cunha, 11 sala 211. Santos/SP. nadores poderão abater 100% do E-mail: revistaartecultura@yahoo.com.br valor doado no imposto de renda. Participaram desta edição: Aldo José Alberto; Carolina O benefício é válido para pessoas Ramos; Cláudio de Cápua; Douglas Michalany, Edna jurídicas tributadas com base no Gallo, Fernando Jorge; Ives Gandra da Silva Martins, lucro real, sendo o valor limitado a José Alberto Neves Candeias, José Valdez de Castro 4% do imposto de renda devido. Moura; Manuel Cambeses Júnior, Monica Aiub; Raquel Pessoas físicas que fazem a decla- Naveira, Sonia Sales e Vadison Espinheira do Carmo. ração completa do IR também po- Os autores têm responsabilidade integral pelo con- dem abater suas doações. O limite teúdo dos artigos aqui publicados. Distribuição Gra- neste caso, é de 6% do Imposto de tuita. 5000 exemplares. Renda. 3
  • 3. TROVAS TROVAS Distância não é o espaço Abro a cortina do sonho que separa almas amantes, e num gesto de quem vela, é quando, num mesmo abraço, me deito a seu lado e ponho as almas ficam distantes!... meus sonhos nos sonhos dela... Carolina Ramos Gilvan Carneiro da Silva Olhaste... nada foi dito, Nem sempre a fronte grisalha mas consegui decifrar todo respeito merece, um conto de amor, escrito porque um jovem canalha no apelo do teu olhar! também um dia envelhece. Vanda Fagundes Queiroz Sebas Sundfeld Não posso nunca na vida Anoitece... vejo a lua, lamentar minha pobreza, e a saudade, do meu jeito, pois tenho a família unida te enxerga na escura rua e ainda o pão sobre a mesa! e soluça no meu peito... José Antonio de Freitas Marisa Rodrigues Fontalva Vai, Brasil, entra em ação Cansei de crer totalmente e um novo tempo inaugura: nos meus sonhos de menino. - não se agiganta a Nação Nem sempre o que agrada a gente que não investe em Cultura!!! também agrada ao Destino. Darly O. Barros Arlindo Tadeu Hagen Gosta de Trovas? A “União Brasileira de Trovadores”, seção de Santos, reúne-se, na última terça-feira de cada mês, no IHGS, av. Conselheiro Nébias, 689, às 20h30. Compareça! Janeiro - Santos Arte e Cultura 4
  • 4. ANO QUE VAI... ANO QUE VEM... CAROLINA RAMOS Dois mil e nove escoou-se como água entre os de- nhecido e nos empurra para frente. Assustados, poderemos dos, sem deixar saudades, pelo menos para a grande maio- fechar os olhos, por instantes, para fugir à visão dos desca- ria. Será impressão pessoal ou o tempo está mesmo pas- labros que rolam por aí, a ponto de fazerem chorar o próprio sando mais depressa do que nunca?! No decorrer de janeiro, céu, com as desastrosas conseqüências que apoquentam apagaremos os vestígios do Natal passado e, após uma nossos irmãos de norte a sul do Brasil, com suas vidas qua- gestação onírica de nove meses, lá pelo mês de outubro, já se submersas pelas chuvas que outras regiões imploram! o comércio se agilizará a engalanar-se novamente com rou- Pobre Angra dos Reis! Pobre São Luiz do Paraitinga, tão pagens natalinas, antecipando, cada vez mais cedo, os pre- pacata e singela! Poderemos, sim, fechar os olhos para con- parativos para o novo Natal! É fácil pintar mentalmente uma versar com Deus e pedir-Lhe que nos livre de tais calamida- cena, usando-se apenas imagens guardadas nas nossas des aqui chegadas através da mídia, quase nos levando a emoções projetadas na tela da mente e que, por si só, criam desistir da esperança! Esperança que recrudesce quando um quadro sugestivo e bonito. É só tentar. Comecemos por vemos aquele homem simples e cheio de determinação pro- imaginar uma noite. Não uma noite qualquer, mas Aquela meter a si mesmo, ante as ruínas da igrejinha secular: “Nós Noite azul, transparente, cravejada de estrelas e, entre es- vamos reconstruir tudo! Tjjolo por tijolo!” E temos certeza de tas, uma de brilho muito especial predestinada a iluminar o que assim será! palco onde se há de realizar a redenção da humanidade. Mas os mesmos veios de comunicação, não nos Uma gruta, onde instalada uma estrebaria. Nela, um Homem trazem apenas notícia calamitosas. No ano passado, nos im- simples a zelar por uma doce Mulher. Entre as palhas da pactou aquela notícia surpreendente de que a arte vem res- manjedoura, um lindo Menino, que embora semelhante aos gatando valores insuspeitados, adormecidos na alma de demais, guarda no olhar um brilho diferente, profundo, a pre- gente jovem carente, gente que quer e que merece acreditar nunciar a sublimidade da sua missão redentora! Carneiros, na vida! A Orquestra de Meninos da favela do Recife é prova pastores, um humilde jumento e uma vaquinha de olhos tris- de que nem tudo está perdido! De que ainda há brasas sob tes, a ruminar pensamentos também tristes, como se adivi- as cinzas e o que falta é decisão, fôlego e vontade de soprá- nhasse o martírio insinuado pelas sombras em cruz projeta- las! Gente capaz e idealista ainda existe, graças a Deus! E das pelo berço tosco, no qual o Menino sorri, acalentado aí está o que essa gente boa consegue fazer, quando não pela ternura materna. No céu, anjos e a auspiciosa mensa- lhe tolhem os passos! gem: “Glória a Deus nas alturas e Paz na Terra aos homens E já que falamos em Orquestra, impossível deixar de boa vontade”... Este, o inconfundível quadro que recebe- de lembrar aquela que engrandece o meio cultural santista, mos através de séculos de sagrada história e que alimenta a formada por nossos jovens e dirigida pelo talentoso maestro nossa fome de fé. Mensagem pura, transcendental, que pa- Beto Lopes que faz brilhar a prata da casa, deixando aberto rece ainda carecer de maior entendimento e de boa vontade o caminho para o filho Pablo - aquinhoado com dotes gené- para ser compreendida e seguida. A paz custa a encontrar o ticos de pai, mãe, avós, e tios, felizes membros dessa po- modo certo de abrandar o coração dos homens e a desper- derosa fonte artística que é a família Peres – e que nasceu tar neles a boa vontade de acolhê-la e repassa-la como he- para esbanjar talento! rança aos que virão depois! Brigamos pela paz! Matamos Uma admiração muito grande nos obriga a abrir os pela paz! E morremos ingloriamente por uma paz utópica, olhos e a unir as mãos num aplauso bastante comovido. E, manipulada pelas paixões e ambições humanas, que resulta quase sem sentir, passamos a temer um pouco menos esse num bem, cobiçado, sim, mas, infelizmente, tão difícil de ser amanhã que chega e, quem sabe, até a acreditar um pouqui- alcançado! nho mais nele, porque, graças a Deus, a matéria ainda não E lá se foi mais um dos nossos Natais certinhos, ou conseguiu abafar de todo a sensibilidade humana! seja, dentro dos costumeiros moldes. Natal das compras compulsórias, apesar dos medos. Natal dos Papais Noéis gorduchos, de alegria postiça, a suar em bicas; dos presen- tinhos aninhados sob o pinheiro de brilho falso e transitório; das mesas repletas de quitutes, ou modestamente supridas para a ceia tradicional. O nosso Natal, da família aconchega- da sob um mesmo teto. Tempo em que as almas ficam mais sensíveis, a ternura é mais ternura a saudade é mais sauda- de, porque é no Natal que as ausências doem mais do que nunca. E, aí, rapidinho, chega o Ano Novo! E, ao invés de Carolina Ramos é Secretária Geral do Instituto Histórico e Geográfico de Santos (IHGS) e Presidente fecharmos os olhos para compor um cenário clássico de da União Brasileira de Trovadores UBT- Santos. Perten- sublime encantamento, temos de mantê-los bem abertos ce à Academia Santista de Letras e à Academia Femini- pois a diferença é gritante! É o momento da conscientização, na de Ciências, Letras e Artes de Santos (AFCLAS). momento que pede cautela já que abre o portal do desco- 5 Janeiro - Santos Arte e Cultura
  • 5. CINCO PROVAS HISTÓRICAS DA PASSAGEM DE JESUS POR ESTE MUNDO FERNANDO JORGE Eu li, no número 450 da revista Época, as cados pela mais merecida das infâmias. O nome deles seguintes linhas de Hildeberto Aquino: se originava de Cristo, que sob o reinado de Tibé- “Jesus é a maior ilusão da humani- rio, havia sofrido a pena de morte por um de- dade, à custa da qual oportunistas se lo- creto do procurador Pôncio Pilatos”. cupletam. De sua efetiva existência, Comentário do grande historiador inglês não há uma só prova cabal, científica, Edward Gibbon (1737-1794) sobre esta irrefutável. Tudo se resume a inten- evocação do autor de Dialogus de ora- cionais conjecturas com o propósi- toribus: to de iludir e oprimir os incautos e “A crítica mais cética deve res- deles sugar até a última gota de peitar a verdade desse fato extraor- consciência... e de dinheiro”. dinário e a integridade desse tão fa- Para o Hildeberto Aqui- moso texto de Tácito.” no, portanto, Jesus é uma cria- Prova histórica número 4. A car- ção dos vigaristas. Um perso- ta de procônsul Plínio, o Jovem nagem inventado por alguém (62-114, após JC), enviada ao im- que apenas quis causar a alie- perador Trajano. Eis dois trechos nação de todos nós e arrancar da carta: dinheiro dos crédulos, dos ingê- “...maldizer Cristo, um verdadei- nuos, dos trouxas... Hildeberto ro cristão não o fará jamais... can- pertence à família dos “Novos tam (os cristãos) hinos a Cristo, Ateus”, da qual fazem parte o fi- como a um Deus...” lósofo americano Daniel Dennet e Prova histórica número 5. Um o zoólogo britânico Richard Da- trecho do capitulo XXV do livro quinto wkins. Ambos, em 2006, lançaram da obra Vitae duodecim Caesarum (Os manifestos dedicados a contestar a doze césares), escrita pelo historiador existência de Deus. romano Suetônio (cerca de 70-130 d.C). Agora vamos revelar como de Nesse trecho do capítulo no qual evoca o fato Jesus Cristo existiu (e ainda existe), imperador Tibério, ele assim menciona o Na- desmentindo a afirmativa do materialista Hil- zareno: deberto Aquino. “Expulsou de Roma os judeus, que instigados por Prova histórica número 1. A bela Bíblia sagrada. um tal Chrestus (Cristo), provocavam frequentes tumu- Ela não é apenas um livro religioso, é também um magnífi- tos.” co livro histórico. Tudo que apresenta sobre Jesus Cristo, a Estas cinco provas históricas, citadas por nós, Palestina, o Egito, a Assíria, o Império Romano, as regiões destroem totalmente a infeliz declaração de Hildeberto do Oriente, os seus reis, os seus profetas, os apóstolos, Aquino, que garantiu que “não há uma só prova cabal, tudo tem o cunho da verdade. científica, irrefutável”, da passagem de Jesus por este Prova histórica número 2. O texto do historiador mundo. Hildeberto, você tem autoridade para invalidar as judeu Flávio Josefo, da época de Cristo. Ele evocou a in- informações da Bíblia, os textos dos historiadores Flávio comparável figura deste no capítulo terceiro do volume Josefo, Suetônio e Cornélio Tácito, do procônsul Plínio, o XVIII da obra Antiguidades judaicas. Reproduzo aqui o seu Jovem? Você despreza a opinião do insigne historiador in- texto: glês Edward Gibbon sobre o escrito de Tácito, onde este “Entretanto existia, naquele tempo, um certo Je- se refere a Jesus Cristo? sus, homem sábio... Era fazedor de milagres... ensinava de Por favor Hildeberto, leia mais, estude mais, ad- tal maneira que os homens o escutavam com prazer... Era quira mais conhecimentos. Não desrespeite a nossa fé o Cristo, e quando Pilatos o condenou a ser crucificado, com afirmativas absurdas, insensatas, nascidas de uma esses que o amavam não o abandonaram e ele lhes apa- profunda carência de cultura. receu no terceiro dia...” Como estamos vendo, o historiador Flávio Josefo mencionou, inclusive, a ressurreição do Verbo Divino! Prova histórica número 3. O texto de Públio Cor- nélio Tácito, um dos maiores historiadores da Antiguidade (56-57 AC), embora fosse pagão, na parte XV dos seus Escritor e jornalista, Fernando Jorge é autor Anais: do livro “O Aleijadinho”, cuja 7ª edição foi “Nero infligiu as torturas mais refinadas a esses lançada pela Editora Martins Fontes. homens que sob o nome comum de cristãos, eram já mar- Janeiro - Santos Arte e Cultura 6
  • 6. SEM ALARDE CLÁUDIO DE CÁPUA Na década de sessenta, ini- grande cineasta Anselmo Duarte , ga- ciei-me pelos caminhos da literatura e nhador da cobiçada “Palma de Ouro”, do jornalismo. Conheci muita gente im- de Cannes, a quem, em 1979, asses- portante, fiz muitas amizades, meus sorei na divulgação do filme: “Sargento amigos, quase sempre, tinham o dobro Getúlio”, por ele dirigido. da minha idade e isso não foi nada Todos já se foram e, como todos, bom. Nestes quarenta anos de vida qualquer dia destes, sem alarde, eu profissional e social, quase todos aque- também me vou. les que privaram da minha amizade já se foram. Sou paulistano, e a paulicéia do meu tempo era diferente, o frio era frio pra valer e havia a garoa, que, de tão fina, antes de tocar o chão bailava no ar. Sinto saudades de tantos amigos que já se foram, entre eles, Jorge Cos- ta, autor de “Abre a Janela”; a estima- da amiga Elza Larangeira, normalista e cantora singela; Glauce Rocha, que fa- leceu nos últimos capítulos da novela “Hospital”, da saudosa TV Tupi, onde ela era atriz principal e eu, ator coadju- vante; José Mauro de Vasconcellos, autor do livro “Best Seller”, “meu Pé de Laranja Lima”, de cuja adaptação tive a sorte de participar, por indicação de Walther Avancini, grande diretor de no- velas, os dois também já se foram; Oswaldo de Barros, diretor artístico da Rádio Record e artista do cinema na- cional, com o qual mantive por alguns anos sociedade na produtora “Fulgu- rante”. Também, por alguns anos, esti- ve ligado a grandes mestres do pincel, entre eles: Frederighi; Darwin Pereira, Reboco, Castelani, Helio, Bequerini, Mário Beltrane, grande pirogravurista, todos eles já se foram. Recentemente, meu irmão de ideal, o poeta Ruy Alvin, nascido em Santos e criado em Portu- gal. O último do qual tenho notícia é o Cláudio de Cápua é aviador, jornalista e escritor. Pertence ao Instituto Histórico e Geográfico de Santos, à Academia Paulistana de História. É sócio-fundador da União Brasileira de Trovadores - Seção de São Paulo. www.de-capua.com 7
  • 7. PARADIGMA MANUEL CAMBESES JR. O termo Guerra Fria foi batizado por um conhecido a este outro modelo. Já em seu livro “Confiança”, surgido em político e economista norte-americano de nome Bernard Ba- 1995, o autor reconsidera muitas de suas ideias e convic- ruch e popularizado pelo célebre jornalista Walter Lippman. ções sobre a homogeneização dos valores para concluir que Entre 1945 e 1989, a ordem mundial encontrou-se regida o mundo continua sendo um lugar marcado pela diversidade pelas normas definidas pela Guerra Fria. Nestas condições de culturas e, portanto, de valores. o planeta ficou dividido em dois grandes blocos enfrentados Entre os modelos emergentes encontramos o denominado em uma intensa competição pela supremacia. “Dois Mundos”. Este pretende explicar a orientação dos no- Quando acompanhávamos os acontecimentos em vos tempos sob a ótica de “zonas de paz e prosperidade” e El Salvador ou na Nicarágua, nos anos oitenta do século “zonas de conflito e regressão”. Baseado nele, cairiam todas passado, por exemplo, podíamos não estar entendendo, aquelas teorias que visualizavam o mundo a partir de uma muitas vezes, as raízes desses conflitos mas, os situávamos clara linha divisória entre países e regiões que marcham dentro de um marco de referência bastante conhecido. Sabí- para cima e os que caminham para baixo. Entre aqueles que amos que se tratava de mais um capítulo da Guerra Fria. sustentam este pensamento, encontram-se autores como: Neste sentido, a mesma constituía-se em modelo. Jacques Attali, Robert Gilpin e Jean Christophe Ruffin. O pri- O termo “paradigma” encontra-se na moda em nossos meiro profetizou sobre um mundo formado por algumas pou- dias. Na essência, este pode definir-se como uma visão sim- cas ilhas de riqueza em meio a um mar de pobreza global. O plificada do mundo e que busca proporcionar um sentido de segundo referiu-se ao surgimento de um “Novo Muro de Ber- direção. É exatamente por isso que ao enquadrar-se qual- lim” entre a prosperidade crescente do mundo industrializa- quer conflito regional, qualquer enfrentamento étnico ou cul- do e a miséria irreversível do terceiro mundo. O último assi- tural, dentro do contexto de uma competição entre as super- nala que, entre os hemisférios Norte e Sul, não existe potências, a Guerra Fria passou a assumir o caráter de articulação possível e que são duas esferas totalmente di- “modelo”. Com a queda do Muro de Berlim sua preeminência vorciadas que se movimentam em direção contrária. desapareceu. A partir desse momento, apareceram novos Outro dos novos paradigmas é o do “caos”. Segundo essa paradigmas disputando o lugar que durante quarenta e cinco visão, o mundo está adentrando em uma era de quebra da anos correspondeu ao período da bipolaridade mundial. autoridade governamental, de crises e secessão dos Esta- O primeiro dos modelos surgidos à luz do esfacelamento dos; de intensificação dos conflitos étnicos, tribais e religio- da União Soviética e também o mais simplista deles foi o sos; de consolidação das máfias criminais internacionais; de proclamado no livro de Francis Fukuyama: “O fim da Histó- proliferação indiscriminada de armas de destruição em mas- ria”. De acordo com o autor, o mundo estava chegando a um sa; de expansão do terrorismo e de generalização de migra- ponto definitivo em seu processo evolutivo, como resultado ções massivas. Entre os que sustentam esta tese encon- da homogeneização de valores e crenças. O duplo triunfo da tram-se autores como: Patrick Moynahan, Zbignew democracia e da economia de mercado passaria a unificar Brzezinski, Walter Saqueur e Michael T. Klare. A diferença as diversas regiões do planeta, brindando-lhes com um claro fundamental entre os apologistas desta linha e dos que es- denominador comum. Ainda que esse modelo tenha sido posam as ideias contidas no modelo dos “Dois Mundos” é questionado por seu excessivo otimismo, são muitos, ainda, que para uns o caos é seletivo enquanto que, para outros, é os que crêem que, com a imposição dos valores da econo- global. mia de mercado e da democracia, o mundo está se voltando Os diversos paradigmas, que se manejam nos dias para um lugar muito mais seguro e apto para a prosperidade atuais, encontram-se em uma escala de graduação que ilimitada. abarca desde o acendrado otimismo do “Fim da História” até Outro dos paradigmas que surgiram com o ocaso da o acentuado pessimismo dos cultores do caos. A verdade, Guerra Fria diz respeito ao aspecto cultural. Seu máximo ex- como sempre ocorre, deve encontrar-se em algum ponto in- poente é Samuel Huntington, para quem “a cultura e as iden- termediário entre os dois extremos e deve incluir boa parte tidades culturais estão dando forma aos padrões de coesão, das ideias sustentadas por cada um dos modelos apresenta- desintegração e conflito no mundo pós Guerra Fria (...) e as dos. políticas globalizadas estão sendo reconfiguradas ao redor de linhas culturais”. Com diversas variáveis e matizes, este Manuel Cambeses Jr. é Coronel-Aviador; membro paradigma cultural é também esposado por autores como do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil, Lawrence Harrison, Thomas Sowel, Roger Peyreffite e Ben- conselheiro e vice-diretor do Instituto Histórico-Cul- jamin Barber. Muito curiosamente o próprio Fukuyama, após tural da Aeronáutica haver divulgado sua teoria, parece ter acolhido com simpatia Janeiro - Santos Arte e Cultura 8
  • 8. A RELEVÂNCIA DOS TRIBUNAIS DE CONTAS IVES GANDRA DA SILVA MARTINS Quando dos trabalhos Haveria, se tal movimento pros- constituintes de 87/88, propugnei, perasse, um fantástico retrocesso no meu livro “Roteiro para uma constitucional, pois as críticas dos ad- Constituição” (Ed. Forense, 1987), ministradores públicos até hoje contra que os Tribunais de Contas deve- o modelo de fiscalização consagrado riam fazer parte do Poder Judiciário, na lei maior, sobre serem infundadas, como um verdadeiro poder respon- improcedentes e inconsistentes, de- sabilizador da administração públi- correm apenas de interesses contra- ca. riados. Justificava a proposta - di- É necessário que o povo tenha versa da classificação como órgão conhecimento de que tais Tribunais auxiliar do Legislativo, que hoje os- desempenham o relevante papel de tentam essas Cortes, dedicadas a não permitir a malbaratação do dinhei- examinar os orçamentos préviamen- ro público, dos nossos tributos, dos te, durante sua execução ou após - esforços da sociedade em criar rique- sustentando que poderia o Brasil zas, retirando, o governo, parcela des- inovar, criando um Poder Judiciário te trabalho da comunidade para gas- com uma tríplice vertente, ou seja: tar, algumas vezes bem, muitas vezes um Tribunal Constitucional para pre- mal, aquilo que o cidadão duramente servação da ordem e da lei maior, conseguiu ganhar. podendo inclusive ter Cortes de derivação; um Tribunal de Os Tribunais de Contas são, portanto, os grandes Administração da Justiça, com duplo ou tríplice graus de ju- protetores das comunidades contra os “trens da alegria”, os risdição e Tribunais de Contas para a União e Estados – ad- desperdícios, os privilégios auto-concedidos, que, sem sua mitia também Cortes Municipais -, transformado em poder fiscalização, teriam um crescimento expressivo. fiscalizador e responsabilizador da Administração Pública, Em livro que será veiculado pela Revista dos Tribu- com a mesma autonomia e independência de que sempre nais, (“Uma breve teoria do poder”), lembro Montesquieu usufruiu o Poder Judiciário. que, ao formular a teoria moderna da tripartição dos pode- A proposta encontrou séria oposição entre consti- res, fê-lo, como dizia, porque é necessário que o poder con- tuintes para os quais preparara o roteiro, mas o resultado foi trole o poder, pois o homem não é confiável no poder. ter outorgado, a Constituição de 1988, poderes maiores aos Este controle, no Brasil, na União Européia, na Tribunais de Contas do que tinham até a promulgação da- grande maioria dos países democráticos, é feito pelos Tribu- quela lei suprema. nais de Contas, instituições que devem ser preservadas, E seu papel relevante percebe-se na atuação alta- como garantia da democracia e do bom funcionamento das neira de controlar as contas públicas, denunciando todas as demais instituições. operações em que se vislumbra lesão ao Erário, ou por su- Deve-se fulminar, portanto, no nascedouro, o movi- perfaturamento, ou por privilégios auto-outorgados, ou por mento, que tem sido, algumas vezes, noticiado pela mídia. A facilidades inadmissíveis nos regimes democráticos, em que democracia o dinheiro público é do povo. brasileira de- Levanta-se, agora e todavia, por força de interes- pende da atu- ses contrariados em diversas administrações públicas, movi- ação dos Tri- mento para a extinção de tais Cortes, porque muitos dos que bunais de tiveram projetos, licitações, contratações ou gerenciamento Contas. das obras públicas impugnadas sentem-se cerceados na li- berdade, não poucas vezes irresponsável, de gastar, ines- crupulosamente, os recursos da Fazenda. Dr. Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das Universidades Ma- ckenzie, UNIFMU, UNIFIEO, UNIP, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército - ECEME; Presidente do Centro de Extensão Universitária. Janeiro - Santos Arte e Cultura 9
  • 9. CLAUDEL E MILHAUD NO BRASIL SÔNIA SALES 2009 foi o ano da França no Brasil, e ainda é tempo de relembrar Paul Claudel, o grande poeta e drama- turgo francês que, como pouca gente sabe, viveu durante um ano no Brasil em missão diplomática para aumentar o comércio Brasil e França, no que se saiu muito bem. Quan- do Claudel chegou ao Brasil, em 1º de fevereiro de 1917, já era uma celebridade, mas estranhamente quase não se tem referências acerca desta sua passagem pelo nosso país. Poderíamos dizer talvez que dele ficou alguma influ- ência nos largos versos da poesia de Augusto Frederico Schmidt. Em seu livro “Carlos Oswald – Pintor da Luz e dos Reflexos”, Maria Isabel Oswald Monteiro, conta-nos que Paul Claudel e Darius Milhaud Henrique Oswald, o grande compositor, promovia em sua casa constantes saraus, num dos quais seu filho, o pintor dia 1º de maio de 1950, honrado pelo Papa numa cerimônia Carlos Oswald, conheceu Paul Claudel, então ministro da pública sem precedentes. França no Brasil: Claudel, fortemente influenciado pela religião católi- “Tanto ele como o seu secretário Darius Milhaud, ca e pela poesia de Rimbaud e dos simbolistas, como eles se eram fervorosos entusiastas do folklore brasileiro, que naque- horrorizava com o materialismo da vida. Em seus poemas, le tempo começava a interessar os ambientes musicais do rejeitava a métrica tradicional em favor de longos e exaltados Rio. Se não me engano, Milhaud foi um dos primeiros (pelo versos livres, hoje chamados “versos claudelianos”, por sua menos entre os estrangeiros) a aproveitar-se das músicas admiração aos “Salmos”, e voltados para sua devoção a populares da nossa gente e com Luciano Gallet e Villa–Lobos Deus. De todos os seus trabalhos em poesia lírica podemos constitui ao meu ver, o primeiro grupo de pioneiros vulgariza- destacar “Cinq Grandes Odes” de 1910, e “Le Soulier de Sa- dores do nosso folklore.” tin” de 1929. Escrevia peças extraordinariamente longas que Carlos Oswald conhecia a obra de Claudel e logo se duravam algumas vezes onze horas. A mais famosa delas foi tornaram amigos. Poeta moderno, Claudel amava principal- “Le Partage du Midi”de 1906. Nos últimos anos escreveu tex- mente o barroco brasileiro e era um profundo conhecedor de tos para serem musicados, como “Jeanne d’Arc au bücher” arte. Tão bem se relacionaram, que Claudel solicitou a Carlos de 1939, uma ópera – oratório com música de Arthur Honeg- Oswald um cenário para um balé criado por ele e por Milhaud, ger. que mais tarde também musicou vários dos seus textos. Sua aversão ao nazismo tornou-se notória quando Darius Milhaud (1892 – 1974) chegou ao Brasil mui- escreveu uma carta aberta para a Conferência Mundial Ju- to jovem, como secretário particular de Claudel. Nascera em daica de 1935, condenando as Leis de Nuremberg como Marselha, membro de família judaica, e foi um dos mais pro- “abomináveis e estúpidas”. Uma de suas enteadas era casa- líficos compositores do século XX. No Rio entrou em contato da com um judeu, Paul Louis Weiller, condenado pelo tribu- com músicos brasileiros, tanto eruditos como populares, mui- nal de Vichy em outubro de 1940. Claudel foi a Vichy e inter- tos dos quais permaneceram seus amigos, e ao voltar para a cedeu por ele; quando Weiller conseguiu escapar (com a França, influenciado pelo Brasil, dedicou duas composições ajuda de Claudel, segundo as autoridades) e voou para Nova ao nosso país: Le boef sur le toit, op. 58, e Saudades do Bra- York, Claudel fez saber ao governo de Vichy o seu repúdio às sil, op. 67b. Sabe-se que Carlos Oswald pintou o seu retrato leis anti–semitas em vigor. Corajosamente escreveu e publi- à maneira cubista, e que ele o levou consigo para sua terra cou uma carta ao Grão-Rabino Israel Schwartz, em 1941, na natal. qual expressava o desgosto, o horror e a indignação que to- Paul Claudel nasceu em Villeneuve-sur-Fére em 6 dos os franceses decentes, principalmente os católicos, sen- de agosto de 1868, era filho de fazendeiros da classe média tiam a respeito das injustiças e violências que estavam sen- e irmão mais jovem da escultora Camille Claudel. Aos dezoito do praticadas contra seus compatriotas de origem judaica. anos, inacreditavelmente para um jovem, experimentou uma As autoridades de Vichy, em represália, responderam isolan- súbita conversão, no dia de Natal de 1886, em plena Catedral do a sua casa e deixando-o em observação. de Notre Dame de Paris, tornando-se católico fervoroso e as- Paul Claudel morreu em Paris, em fevereiro de sim permaneceu pelo resto de sua vida. 1955, e é considerado o expoente máximo da poesia católica Casou-se em 1906 com Sainte-Marie Perrin e passou longos francesa. anos longe da França, em função diplomática: América, Chi- na, Brasil e Itália entre outros, e como Embaixador, em Tó- quio, Washington e Bruxelas. Em 1935, retirou-se para o seu Sônia Sales é membro titular da Academia Carioca de castelo em Brangues. Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Foi eleito em 1944 para a Academia Francesa, e no Janeiro - Santos Arte e Cultura 10 10
  • 10. O HOMEM ESSE DESCONHECIDO JOSÉ VALDEZ DE CASTRO MOURA Muitos autores, sejam deus. E, aí, Blaise Pascal, ao refletir so- religiosos ou não, têm feito bre a fraqueza do caniço, explicitou o esta indagação: ”Que é o Ho- quanto o Homem é original e singular. mem?”. E, essa pergunta Dessa opinião compartilhava um tem uma enorme di- amigo que foi para o Plano Maior, um mensão: biológica, prelado, de quem guardava os seus ar- sociológica, psicoló- tigos publicados nas décadas de seten- gica e cultural. ta e oitenta no Jornal do Brasil, que per- Homem! Ser com- tenceu a Academia Brasileira de Letras, plexo e difícil de ser o Cardeal Primaz do Brasil: D.Lucas desvendado como Moreira Neves. Visitei-o em 1995, em afirmou, certa vez, Salvador, onde residia, e, em conversa Edgar Morin, soció- afável e cristã fez esta colocação: ”No logo, antropólogo e mundo conturbado em que vivemos, filósofo francês, quando crescem o egoísmo e a arro- autor de “ Os sete gância, torna-se cada vez mais neces- saberes neces- sário que o homem pense na sua pe- sários para a quenez ante a grandeza de Deus-Pai”. educação no fu- Por outro lado, não podemos es- turo”. Diferencia quecer que Santo Agostinho e São To- o homem dos más de Aquino enxergaram o homem outros seres como um princípio material intimamente vários atribu- unido a uma alma, para procurar a ver- tos, sobretudo dade e praticar o bem. Dessa maneira, a sua capaci- torna-se insustentável o argumento, a dade de re- resposta materialista de que o Homem é fletir sobre si ”um ser corporal o qual fenece com o mesmo, o advento da morte física”, que, de um seu proces- certo modo, surge nos escritos de Karl so histórico e, em última análise, a sua Marx e do antropólogo Levy Strauss. autoconsciência. Enfim, um Ser Especial que, O Rei Davi em seus Salmos pergun- com sua linguagem carregada de sim- tou: ”Que é o homem para dele Te lem- bolismo, expressa um pensamento, tem brar? Tu (referindo-se a Deus) o fizeste consciência do viver, do sofrer, do amar pouco menos do que um Deus, coroan- e da sua finitude. Surgiu, portanto o Ho- do-o de glórias e de beleza; sob os seus mem, pela força criadora de Deus, ser pés tudo colocaste para que domine as pensante, diferente de todos os outros obras com as suas mãos”. animais, que deve lutar pelo seu aper- Considero Blaise Pascal, grande feiçoamento interior e do mundo que o Filósofo Francês( 1623-1662) que criou rodeia, cuidando, antes que seja tarde uma doutrina filosófica baseada no ra- demais, do planeta que habita, para ser ciocínio lógico e na emoção, autor da digno da bondade do Criador. frase: ”O coração tem razão que a pró- pria razão desconhece”, um grande in- José Valdez de Castro Moura é dagador sobre o Homem, divisando nele Médico, Prof.Universitário,Mestre e um confronto: o infinito de Deus e o fini- Doutor pela U.S.P.Membro de to humano. Afirmou: ”O Homem é um várias Entidades Culturais do Brasil caniço que pensa”. Caniço que conhece e do Exterior. a sua fragilidade e que pode chegar a 11
  • 11. FILOSOFIA CLÍNICA E FILOSOFIA DA MENTE: ÁREAS NOVAS, INTERSEÇÕES MARCATES MONICA AIUB Trabalhando no consultório de filosofia clínica e ob- ônus ao Estado. servando o quanto modificações nos estados e processos Embora tenhamos desenvolvido instrumentos im- mentais (sentimentos, pensamentos, sonhos, desejos, do- portantes para o mapeamento cerebral, conseguimos identi- res, etc.) acabavam por provocar alterações em estados físi- ficar áreas ativadas, tempestades elétricas, localizar tumo- cos, coloquei-me a pesquisar como tais questões eram abor- res, mas não conseguimos encontrar pensamentos, dadas pela filosofia. Nisso, me deparei com a filosofia da sentimentos, dores, desejos, sonhos, crenças... e o proble- mente. ma continua: como nossos estados mentais interferem em Disciplina surgida em 1949, com a publicação do nossos estados físicos? E a relação inversa, como se dá? livro de Gilbert Ryle, The Concept of Mind, no qual o autor Este é o problema da causação mental, que verificando clini- afirma que o problema mente-corpo não passa de um pseu- camente, fui movida a pesquisar. do problema, um problema de linguagem.Tal declaração pro- É interessante observar que, dependendo do fun- vocou uma retomada do problema filosófico proposto inicial- damento teórico do qual se parta, a orientação para o traba- mente por Descartes, em 1641, quando publicou as lho terapêutico se define. Por exemplo, os materialistas, de- Meditações da Filosofia Primeira, afirmando serem mente e fensores da teoria da identidade acreditam que estados corpo duas substâncias diferentes: a mente, res cogitans, mentais são idênticos a estados cerebrais. Assim sendo, se imaterial, inextensa; e o corpo, res extensa, material, ocu- alterarmos os estados cerebrais por meio de medicamentos pando lugar no espaço. Ao mesmo tempo em que formula o ou intervenções cirúrgicas, imediatamente alteraremos os dualismo de substâncias, Descartes afirma existir uma rela- estados mentais. A partir desta teoria, as psicoterapias não ção causal entre mente e corpo, não explicando como é pos- teriam lugar, sendo substituídas por tratamentos farmacoló- sível que diferentes substâncias, material e imaterial, pos- gicos ou cirúrgicos. sam interagir causalmente. Já o materialismo não reducionista emergentista, Quando, em 1949, Ryle retoma o problema, rea- que defende que a mente emerge do funcionamento cere- cende a discussão, provocando o surgimento de várias e bral, mas não se reduz ao cérebro, podendo retroagir sobre diferentes teorias sobre o assunto. Todas inconclusivas, mas ele, derivaria um tratamento misto com medicamentos e psi- tentando elucidar alguns aspectos sobre as relações exis- coterapia, a fim de atingir tanto os estados mentais quantos tentes entre nossos pensamentos e nosso corpo. A década os físicos, uma vez que nos seria impossível, mesmo que de 1990, declarada pelo governo americano como a década acompanhássemos os processos de emergência do mental, do cérebro, foi um período de investimento em pesquisas identificar, após tais processos, quais desordens teriam ori- sobre o funcionamento do cérebro, em tecnologia para o ma- gem em estados físicos ou em estados mentais. peamento e a compreensão de nosso cérebro. A aposta Você já pensou em qual é a teoria da mente que americana contava com um objetivo básico: encontrar for- conduz a terapêutica de seu médico? E qual a teoria da mas para minimizar os transtornos mentais, que causavam mente que conduz as escolhas em sua vida? São estas as um grande número de afastamentos do trabalho, gerando relações que venho pesquisando e apresento os primeiros resultados no livro Filosofia da Mente e Psicoterapias (WAK, 2009), obviamente, inconclusivo, pois a pesquisa continua, e cada vez mais me instiga às aproxi- mações com a fi- losofia clínica. Monica Aiub é filósofa clínica, presidente da ANFIC – Associação Nacional de Filó- sofos Clínicos, fundou e dirige o Interse- ção – Instituto de Filosofia Clínica de São Paulo. E-mail: monica_aiub@uol.com.br Site: www.institutointersecao.com Janeiro - Santos Arte e Cultura 12
  • 12. MARIA ANTONIETA Pintura de 1775, de Jean-Baptiste Gautier-Dagoty RAQUEL NAVEIRA Sempre fui apaixonada pela A atriz Kirsten Dunst é perfeita no história trágica da rainha Maria papel de Maria Antonieta: alva Antonieta. Maria Antonieta nasceu como um lírio, entediada, adoles- em Viena, Áustria, em 1755, filha cente, fútil, alienada, manipulada do Imperador Francisco I e de Ma- por forças superiores a ela, bus- ria Teresa. Casou-se com o delfim cando, com todas as forças, apren- da França, mais tarde Luís XVI. der a viver e a sobreviver. Envolvi- Esse casamento tornou-a o centro da em rígidas regras de etiqueta, das intrigas relativas à aliança aus- ferrenhas disputas familiares, intri- tríaca, criando-lhe muitos inimigos. A gas insuportáveis, exilada e sozinha, jovem e inexperiente princesa pouco ela decide criar um universo à parte, fez para pôr termo ao estado de coisas no qual pode se divertir e aproveitar a que se criara, agindo, pelo contrário, de mocidade. Enquanto isso, fora das pare- molde a agravá-lo, após a ascensão do des do palácio, sem que ela se dê conta, a marido ao trono, imiscuindo-se em questões revolução ferve como uma caldeira prestes a políticas. Seis meses apenas depois de ter-se explodir. tornado soberana, os ataques contra ela se avoluma- Roupas, jóias, perucas, sapatos, carruagens, cavalos, vam. O favoritismo que dispensava aos amigos, os gastos louças, biscoitos (os famosos “brioches”), bolos, bebidas, inúteis que fazia, a conduta escandalosa nos negócios públi- bolhas de champanhe, tudo gira e espuma na tela. A trilha cos, constituíam fatores que comprometiam sua reputação. tecno do filme sugere que é, antes de tudo, um filme sobre A situação financeira aflitiva do povo francês, provocada por os perigos da adolescência, quando somos incapazes de ministros corruptos escolhidos por ela, transformara-a no avaliar o peso dos nossos atos, provocando efeitos e desdo- símbolo do ódio popular pelo regime vigente. A revolução se bramentos muitas vezes surpreendentes e desastrosos em aproximava; em 14 de julho de 1789 houve a queda da Bas- nossas vidas e nas vidas das pessoas que nos rodeiam. tilha; quando o rei e a família foram removidos de Versalhes O filme dá aquela sensação de que termina na me- para as Tulherias, Maria Antonieta compreendeu que esta- lhor parte, que ficou inacabado, pois não conta o trágico e vam condenados. Os membros da corte francesa fugiram de conhecido fim da rainha. Parece que faltou alguma coisa, Paris e as monarquias da Europa, alarmadas com o rumo mas é essa falta que gera a polêmica, o recorte particular, a que os acontecimentos tomavam na França, consideraram a obra aberta. É o olhar moderno e inteligente de Sophia Cop- possibilidade de uma intervenção. A rainha, através de emis- pola. sários secretos, implorou ao irmão que enviasse um exército Um filme de alma feminina, de uma estética magne- austríaco para salvar a família real. Dois anos se passaram tizante, que conseguiu mostrar um ângulo novo para duas e como os socorros não vinham, ela decidiu fugir da França. antigas histórias: a da rainha e a da adolescência perdida de Partiu numa noite com a família, sob disfarce, para Malmédy, cada uma de nós. na fronteira oriental, mas foram detidos e obrigados a voltar Pensando na infeliz Maria Antonieta, escrevi este a Paris. Tal fato serviu para aumentar as suspeitas de traição poema: “Sonhei que era Maria Antonieta,/ Tinha um castelo que pesavam sobre Maria Antonieta e o marido. A hostilida- perfumado/ Como uma flor na floresta;/ Tinha uma sala de de do povo parisiense se intensificava, as Tulherias foram espelhos/ E lagos para ver minha silhueta;/ Tinha um palco invadidas e a rainha sujeitada a humilhações extremas. Nos de seda/ Para representar uma opereta;/ Tinha um colar bri- últimos meses de 1793, removida para a Conciergerie, ela lhante/ Como a cauda de um cometa;/ Tinha bolos e licores/ demonstrou fortaleza de ânimo. Enquanto se encontrava na Para os convivas de minha saleta;/ Tinha criados que me prisão, fizeram-se duas tentativas de salvá-la. Todavia, foi anunciavam,/ Inclinados ao som de uma trombeta;/ Tinha o conduzida ao tribunal revolucionário e acusada de traição. ar frio e distante/ De uma intrigante estatueta;/ Tinha um ves- Morreu na guilhotina. tido branco/ Para dançar no bosque como uma ninfeta;/ Ti- Sophia Coppola, a cineasta, conheceu a biografia nha um sonho de colombina/ Feito de vôo e pirueta;/ Tinha de Maria Antonieta em 2000, através da historiadora france- tanta fortuna/ O meu sonho de Maria Antonieta...// Terá sido sa Evelyne Lever. Na época, Sophia adquiriu os direitos de em hora importuna? Terá sido recordação funesta?/ Onde a adaptação do livro para o cinema. Lever trabalhou como festa?/ O fausto?/ Nada mais resta.../ Coube-me um canto consultora técnica do filme, preparando um dossiê sobre a de sarjeta/ E o ressoar estranho/ De uma risada do capeta.” rainha, de forma a evitar erros sobre sua história. O governo francês concedeu à equipe de filmagens uma permissão especial para que rodasse cenas no Palácio Raquel Naveira é graduada em Direito e Letras, Mestre em Comu- nicação e Letras pelo Mackenzie e Doutoranda em Literatura Por- de Versailles. No célebre Salão de Espelhos foi rodada a des- tuguesa, na USP. Professora das Pós-Graduação da UNINOVE, lumbrante cena do baile de casamento entre Maria Antonieta e poeta, escritora com diversos títulos publicados. Pertence a Aca- Luís XVI. O filme foi vencedor do Oscar de Melhor Figurino. demia Sul-Mato-Grossense de Letras e ao Pen Clube do Brasil 13 13 Janeiro - Santos Arte e Cultura
  • 13. GOVERNADORES GERAIS DO BRASIL DE 1549 A 1808 DOUGLAS MICHALANY 1549/1553 – Tomé de Sousa 1687/1688 – Matias da Cunha 1553/1557 – Duarte da Costa 1690/1694 – Antônio Luís Gonçalves da Câmara Coutinho 1557/1572 – Mem de Sá 1694/1702 – João de Lencastre 1573/1578 – Luís de Brito e Almeida (da capitania de Ilhéus 1702/1705 – Rodrigo da Costa para o Norte) 1705/1710 – Luís César de Meneses 1574/1577 – Antônio Salema (da capitania de Porto Seguro 1710/1711 – Lourenço de Almada para o sul) 1711/1714 – Pedro de Vasconcelos e Sousa 1578/1581 – Lourenço da Veiga 1714/1718 – Pedro Antônio de Noronha (Marquês de Angeja) 1581/1583 – Bispo da Bahia, Câmara Municipal de Salvador – com o título pessoal de vice-rei e Cosme Rangel de Macedo 1718/1719 – Sancho de Faro e Sousa (Conde de Vimieiro) 1583/1587 – Manuel Teles Barreto A partir de 1720 todos os governadores foram 1587/1591 – Dom Antônio Barreiros, Cristóvão de Barros e nomeados com o título oficial de vice-rei. Anteriormente a Antônio Coelho de Aguiar essa data, os que o fizeram foi por sua própria 1591/1602 – Dom Francisco de Sousa determinação. 1602/1607 – Diogo Botelho 1720/1735 – Dom Vasco Fernandes César de Meneses 1608/1612 – Dom Diogo de Meneses e Siqueira (depois Conde de Sabugosa) 1612/1617 – Gaspar de Sousa 1735/1749 – André de Melo e Castro (2º Conde das 1617/1621 – Dom Luís de Sousa Galveias) 1622/1624 – Diogo de Mendonça Furtado 1749/1755 – Dom Luís Pedro Peregrino de Carvalho 1624/1625 – Dom Marcos Teixeira e Antão de Mesquita e Meneses e Ataíde (10º Conde de Atouguia) Oliveira 1755/1760 – Dom Marcos de Noronha (6º Conde dos 1625/1626 - Dom Francisco de Moura Rolim Arcos) 1626/1635 – Diogo Luís de Oliveira 1760/1763 – Dom Antônio de Almeida Soares Portugal de 1635/1638 – Pedro da Silva Alarcão d’Eça e Melo (1º Marquês de Lavradio) 1639/1640 – Dom Fernando de Mascarenhas (Conde da 1763/1767 – Dom Antônio Álvares da Cunha (1º Conde da Torre) Cunha), 1º vice-rei a servir na cidade do Rio de Janeiro 1640/1641 – Dom Jorge de Mascarenhas (Marquês de 1767/1769 – Dom Antônio Rolim de Moura Tavares (1º Conde Montalvão) – com o título pessoal de vice-rei de Azambuja) 1641/1642 – Dom Pedro da Silva, Luís Barbalho e Lourenço 1769/1779 – Dom Luís de Almeida Soares Portugal de de Brito Correia Alarcão d’Eça e Melo e Silva Mascarenhas (2º Marquês de 1642/1647 – Antônio Teles da Silva Lavradio e Conde de Avintes) 1647/1649 – Antônio Teles de Meneses 1779/1790 – Luís de Vasconcelos e Sousa (futuro Conde de 1649/1653 – João Rodrigues de Vasconcelos e Sousa Figueiró) 1654/1657 – Jerônimo de Ataíde 1790/1801 – Dom José Luís de Castro (2º Conde de 1657/1663 – Francisco Barreto de Meneses Resende) 1663/1667 – Vasco de Mascarenhas (Conde de Óbidos) – 1801/1806 – Dom Fernando José de Portugal e Castro (2º com o título pessoal de vice-rei Marquês de Aguiar) 1667/1671 – Alexandre de Sousa Freire 1806/1808 – Dom Marcos de Noronha e Brito (8º Conde dos 1671/1675 – Afonso Furtado de Mendonça Castro do Rio e Arcos) Meneses (Visconde de Barbacena) Dom Marcos de Noronha e Brito foi o último dos 1675/1678 – Álvaro de Azevedo, Antônio Guedes, Agostinho vice-reis, pois com a chegada ao Brasil do Príncipe-Regente de Azevedo Monteiro e Cristovão de Burgos de Contreiras D. João, em 1808, iniciava-se uma nova fase político- 1678/1682- Roque da Costa Barreto administrativa. 1682/1684 – Antônio de Sousa Meneses 1684/1687 – Antônio Luís de Sousa de Meneses (Marquês Douglas Michalany é Presidente Emérito da das Minas) Academia Paulista de História. Janeiro - Santos Arte e Cultura 14
  • 14. ARMAZENAGEM DE MERCADORIA NÃO É SERVIÇO PÚBLICO VADISON ESPINHEIRA DO CARMO Diz o artigo 175 da Constitui- coletividade ou ção Federal: "Incumbe ao Poder Públi- simples conveni- co, na forma da lei, diretamente ou sob ências do Esta- o regime de concessão ou permissão, do." sempre através de licitação, a presta- Os ser- ção de serviços públicos." viços considera- E o que são serviços públi- dos públicos de cos? competência da Lúcia Valle Figueiredo – Curso União são aque- de Direito Administrativo, Malheiros les taxativamente Editores, página 54, edição 03-1994, mencionados na diz que: "Serviço público é toda ativida- Constituição Fe- de material fornecida pelo Estado, ou deral no artigo 21, pôr quem esteja a agir, no exercício da inciso X (serviço pos- função administrativa, se houver per- tal e o correio aéreo missão constitucional e legal para isso, nacional), XI (os serviços de teleco- com o fim de implementação de deve- municações), XII Serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens, serviços res consagrados constitucionalmente, e instalações de energia elétrica e o aproveitamento energéticos dos cursos de relacionados à utilidade pública, que água, navegação aérea, aeroespacial e a infraestrutura aeroportuária, serviços de deve ser concretizada sob regime pre- transportes ferroviário e aquaviário entre portos brasileiros e fronteiras nacionais, valente de Direito Público." ou que transponham os limites de Estado ou Território, serviços de transporte ro- Maria Sylvia Di Pietro: "toda doviário interestadual e internacional atividade material que a lei atribui ao de passageiros, os portos marítimos, Estado para que a exerça diretamente fluviais e lacustres), XV (os serviços ou pôr meio de seus delegados, com o oficiais de estatística, geografia, geolo- objetivo de satisfazer concretamente gia e cartografia de âmbito nacional), e às necessidades coletivas, sob regime ainda XXII (serviços de polícia maríti- jurídico total ou parcialmente público." ma, aeroportuária e de fronteiras), José Cretella Júnior: "Serviço XXIII (serviços e instalações nucleares público, em sentido amplo, é toda ativi- de qualquer natureza). dade que as pessoas jurídicas públicas Como se vê, armazenagem exercem, direta e indiretamente, para a de mercadoria não consta como servi- satisfação das necessidades públicas, ço público a ser prestado pelo Poder mediante procedimentos típicos do di- Público. Logo, não está sujeito a licita- reito público, fundamentados em prin- ção, não se submetendo portanto ao cípios publicisticos." (Manual de Direito regime de concessão ou permissão. Administrativo). Dessa forma, os Portos Se- José Afonso da Silva – Curso cos e os CLIA’s, cuja atividade princi- de Direito Constitucional Positivo, Ma- pal é de armazenagem de mercadoria, lheiros Editores, 15ª Edição Revista, não exercem serviços públicos delega- página 767 : "O serviço público é, por dos, quer por concessão, quer por per- natureza, estatal." missão. Hely Lopes Meirelles – Direito Administrativo Brasileiro, 35ª Edição, Vadison Espinheira do Carmo é audi- página 332, Malheiros Editores: "é todo tor-Fiscal da Receita Federal do Bra- aquele prestado pela Administração ou sil aposentado, Professor-Mestre por seus delegados, sob normas e con- (Administração) Universitário, Conta- dor e Advogado. troles estatais, para satisfazer necessi- dades essenciais ou secundárias da 15 Janeiro - Santos Arte e Cultura
  • 15. ESPERANÇA EDNA GALLO O que seria da criatura humana sem a esperança? recida a todos nós. Ter esperança é saber perseverar, ter Na certa, sem ela não haveria objetivos, sonhos, realiza- confiança no bem, no positivo e até mesmo naquilo que nos ções. parece impossível. Ela é uma energia que É ela que nos estimula a viver, lutar, alimenta a alma, redobrando-nos o âni- prosseguir e ainda nos dá a certeza de mo, a coragem, fazendo-nos permane- que mais cedo ou mais tarde conseguire- cer firmes nos propósitos de vitória. mos alcançar nossas metas, concretizar os ide- Devemos cultiva-la sempre em ais e aspirações. Mesmo que haja fracassos, insu- nossos corações, pois ela nos aju- cessos, a chama da esperança reacende dentro de nós, da a descortinar novos horizontes. Se nos- impulsionando-nos a novas tentativas. sos passos tropeçarem nas pedras do caminho ou surgirem Não devemos jamais esmorecer diante dos obstá- impedimentos aos nossos mais caros anseios, vamos con- culos que surgem nos afligindo, pois ela nos mostra que os tinuar de braços dados com a esperança e haveremos de caminhos se renovam, as oportunidades se multiplicam, as remover as barreiras, continuar a jornada e vencer. mudanças ocorrem e as soluções chegam trazidas pelo tempo. Se hoje, dificuldades nos aborrecem, a esperança Edna Gallo é poetisa - Trovadora- Livros publicados: novamente nos aponta o amanhã cheio de promessas. Cada “Alvoradas e Crepúsculos” e “Brisa de Outono” alvorecer é sempre uma nova possibilidade de sucesso ofe- A MÁQUINA GENÉTICA JOSÉ ALBERTO NEVES CANDEIAS Nunca se falou tanto em genética como em nosso “dia a cia de algo improvável, ou da mais necessária probabilidade de dia”, o que pode e deve entusiasmar-nos como sendo um sinal da sobrevivência. Hoje em dia, os seres humanos são máquinas gené- boa iniciativa de popularizar os avanços da ciência, ou parte deles, ticas sobreviventes. dada a extensão da literatura biológica e melhor esclarecendo al- O DNA de um passado longínquo fazia parte dos genes? guns aspectos teóricos desta junto a amadores interessados. Com grande probabilidade, não tal como o conhecemos hoje, fa- Os genes são o elemento fundamental da vida humana e zendo parte dos bilhões e bilhões de células do nosso organismo, de outros animais e plantas, bactérias e vírus, o que justifica o dito células estas que contêm um núcleo com dois pares de cromosso- de Sagan: “afinal somos todos primos”. Todos os genes são iguais, mos, um dos pares provenientes do pai e outro da mãe. O conjunto mostrando as diferenças nos seus efeitos, em função da estrutura de genes recessivos de ações ignoradas ou prejudiciais. do seu corpo, que os vai transferindo para a descendência. Vez por Qualquer dos seres já mencionados, de animais, vege- outra surgem genes perturbadores durante o processo biológico da tais, bacterianos e virais, são máquinas de sobrevivência contra as mutação, que podem causar desastrosas influências ou consequên- múltiplas ações que podem prejudicá-los na constante atividade cias adversas em outros genes dos seres humanos e outros seres, favorável. Talvez não devamos esquecer que as tecnologias cientí- fixando-nos nós nos seres humanos, para simplificar e nunca por ficas de nossos dias poderão aprimorar os genes com vistas a ali- snobismo (sine nobilitate). mentar esperanças para os nossos descendentes, estimulando sua O termo “simplificar”, que usamos, não corresponde à re- criatividade. Só assim será possível prevenir erros nascidos de in- alidade que teremos de enfrentar analisando a estrutura formal fluências sociais, com forte impacto no desenrolar de nossas ativi- (corpo) e sua estrutura genética (gene). dades. Que tipo de intervenção junto aos genes, mercê da ação de Nunca um fator, genético ou ambiental, pode considerar- novas tecnologias, será possível vir a acontecer é, de momento, de se como causa das diferenças formais entre os descendentes, ten- interesse marginal, muito embora a emergência da Biologia Mole- do estas um enorme contingente de antecedentes causais. São cular possa ajudar-nos naquele exercício meramente especulativo. estas diferenças que podem ser o elemento importante nas lutas da Tal possibilidade técnica - que repetimos, não conhecemos - daria sobrevivência e da competição, tanto no complexo processo evolu- aos genes ainda maior saliência no seu papel para surgimento de tivo, como no próprio dia-a-dia. O efeito da ação de cada gene de- gerações mais bem amparadas socialmente. E se tal hipotética in- pende da presença de outros genes, do ambiente genético, poden- tervênção tecnológica levasse ao aumento das taxas de serotonina do acontecer a presença de genes bons, de genes letais e genes nos descendentes? Então, a realidade seria bem operante, como semiletais. resultado da melhoria da autoestima, que sempre acompanha os Apesar da passividade, os genes humanos são obriga- altos índices de serotonina. dos a desempenhar suas ações de modo a que os problemas dos Esta informação, ainda, não nos permite levar muito lon- descendentes, no futuro, sejam adequadamente previstos, num ge nossa análise, uma vez que pouco sabemos das reações bio- verdadeiro jogo de probabilidades. químicas entre os genes, o cérebro e o comportamento. Sabemos Esta previsão dos genes sobre o que o futuro irá oferecer, que pessoas portadoras de baixas taxas de serotonina são mais parece usar aquilo que chamamos de simulação, tão frequente nos inclinadas a atitudes impulsivas. E é só! Ou pelo menos, julgamos seres humanos, mas difícil de imaginar nas atividades dos genes, ser só! que poderiam, então, criar uma decisiva intervenção no comporta- mento da máquina genética, tendo em vista a sobrevivência. Sur- José Alberto Neves Candeias é Mestre, Doutor, professor ge, por obrigação, a necessidade de especular sobre a enorme titular aposentado da USP, com especialização em Londres, multiplicidade de tipos de genes habéis para comandar a ocorrên- Estados Unidos e Tóquio, em Biologia Molecular Janeiro - Santos Arte e Cultura 16
  • 16. NOTAS CULTURAIS NOTAS CULTURAIS “SANTOS DUMONT - DOMADOR DO ESPAÇO” Em noite concorrida, 9 contou com presenças ilustres, dentre as quais, autoridades, de dezembro, foi lançado o livro intelectuais e acadêmicos, bem como amigos e familiares, “Santos Dumont - Domador do que prestigiaram o evento. Espaço”, de autoria do jornalis- O livro narra a saga e a determinação do brasileiro ta e aviador, Cláudio de Cápua. Santos Dumont, que legou ao mundo a capacidade de ven- O lançamento ocorrreu na cer os ares, reduzindo distâncias e proporcionando avanços Aliança Francesa, em Santos e imensuráveis à humanidade. JOGOS FLORAIS DE CAXIAS DO SUL AGITANDO O VERÃO SANTISTA O talento santista será mais xias do Sul) e Academia Caxiense de Os fins de semana do verão uma vez reconhecido, durante entrega Letras. A poetisa santista Carolina Ra- santista continuarão a ser animados com das premiações no “II Jogos Florais de mos foi uma das vencedoras do concur- as tendas instaladas na praia, com diver- Caxias do Sul”, concurso nacional que so cultural, com a crônica “Nos Trilhos sas atrações culturais. Durante o dia, o ocorre anualmente promovido pela UBT da História”. A premiação acontecerá espaço abriga uma vasta programação (União Brasileira de Trovadores - Ca- nos dias 27 e 28 de fevereiro. semanal onde são oferecidas oficinas de leitura, de dança de salão, roda de capo- CHORINHO NO AQUÁRIO eira, brincadeiras educativas, ginástica, Todos os sábados, a partir das 19h, os santistas e visitantes podem apre- dentre outros. Já à noite, as Tendas re- ciar, gratuitamente, o melhor do Chorinho. Em frente ao Aquário Municipal, na cebem a população com as melhores Praça Vereador Luiz La bandas e variado repertório, para aque- Scala, na Ponta da les que gostam de dançar e curtir boa Praia. A iniciativa é música. A programação é gratuita e rea- uma parceria entre a lizada pela Prefeitura de Santos, por Prefeitura Municipal e meio da Secult (Secretaria de Cultura). as empresas Tecondi e Informações: 3226-8000. Termares, que patroci- nam o evento. No pró- ximo sábado, dia 30 de janeiro, está programa- da a apresentação do grupo Chorocabanos. Janeiro - Santos Arte e Cultura 17
  • 17. Espaço do Livro CLÁUDIO DE CÁPUA O SÍMBOLO PERDIDO de DAN BROWN O segredo do texto de Dan Brown é entrelaçar fatos verdadeiros, com conspirações, que misturam personagens da história, com obras de grandes mestres da arte, envolvendo religiões ou sociedades secretas e símbolos para serem decifrados. “O Símbolo Perdido” é seu quinto livro e o terceiro que lança tendo Robert Landgon, professor universitário e simbologista, como personagem central de uma trama, que se desenrola toda em Washington. Neste romance, o professor Landgon tem que salvar seu amigo, Peter Salomon, de um jovem gigante loiro, que ocupa alto grau na maçonaria e traz o corpo todo tatuado por símbolos esotéricos. Mal’akh é o gênio do mal, nesta história de Brown, ele quer descobrir os segredos ocultos nos meandros do Capitólio, erguido como templo maçônico para idolatrar a imagem do primeiro presidente americano e gran mestre maçom, George Washington. Dan Brown, em entrevista à TV americana, afirma que 97% de suas histórias são alicerçadas em fatos verdadeiros. Sem dúvida, Dan Brown descobriu um modo mágico de prender a atenção do leitor. O ENIGMA DE BARTHOLOMEU VINHO - medicamento para o coração e a alma ÁUREO RODRIGUES JOÃO INÁCIO DA SILVA FILHO O professor e pesquisador de histó- O renomado médico Santista Áu- ria, João Inácio relata a vida do pri- reo Rodrigues, aborda um dos meiro cientista experimental das mais antigos prazeres da humani- Américas, Bartholomeu Lourenço dade: o vinho. Além de relatar sua de Gusmão. Ao resgatar os misté- origem, modo de escolha, de utili- rios desse incompreendido e fasci- zação e de manutenção, faz um nante inventor, resgata a memória interessante paralelo medicinal, e a glória desse homem que dedi- mostrando as virtudes terapêuticas cou sua vida à ciência. da bebida. Janeiro - Santos Arte e Cultura 18
  • 18. Janeiro Santos Arte e Cultura 19