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Mar me quer

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Transcript

  • 1. Mar me quer Mia Couto ....Desktopmia coutobiografia mia.doc
  • 2. Primeiro Capítulo
    • “ Deus é assunto delicado de pensar, faz conta um ovo: se apertarmos com força parte-se, se não seguramos bem cai.”
    • (Dito do avô Celestiano, reinventando um velho provérbio macua )
  • 3. Resumo
    • Zeca Perpétuo é um pescador, “velho reformado do mar”, negro preguiçoso, vizinho de Dª Luarmina, por quem está apaixonado . A gorda mulata havia sido dona de uma beleza estonteante. O amor de Zeca não lhe interessa, mas às vezes gosta de lhe provocar ciúmes como no dia em que lhe conta que um homem lhe chamou dólingui ou darilingue . Luarmina, aliás Albertina da Conceição Melistopolous, apenas gosta de ouvir do vizinho suas “exactas memórias”. Zeca , desejoso de matar o passado, furta-se a esse desiderato e vai contando outras histórias, como, por exemplo, a de Maria Bailarinha. Fica ,no entanto, pensativo em relação à demanda de Luarmina.
    • A mulata tem o hábito de, todos os fins de tarde, desfolhar uma infinidade de flores, ao mesmo tempo que vai desfiando o cantochão: Mar me quer, bem me quer…
  • 4. “ Sou feliz só por preguiça. A infelicidade dá uma trabalheira pior que doença: é preciso entrar e sair dela, afastar os que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção da alma que nem chegou a falecer.” “Sim, porque futuro é uma coisa que existindo nunca chega a haver. Então eu me suficiento do actual presente.” “Minhas visitas são para lhe caçar um descuido na existência, beliscar-lhe uma ternura.” “Mas é pena eu e a vizinha não nos simetricarmos.” “(…) a mulata (…) vai desfolhando infinitas flores. Ao fim de um tempo, todo o pátio está forrado a pétalas, o chão espantado a mil cores.”
    • Citações
  • 5. Segundo capítulo
    • “ Lançamos o barco, sonhamos a viagem: quem viaja é sempre o mar.”
    • (Dito de meu avô Celestiano)
  • 6. Resumo
    • Zeca prossegue, desfiando a sua paixão por Dª Luarmina e revela que a mulata vive com um grande desgosto, o de nunca ter sido mãe. Também aceitava mal o envelhecimento:
    • “ – Perdi o tempo, mas o tempo, esse é que não se esquece de mim.”
  • 7. Citações “É uma pena a senhora andar por aí fatigando os seus olhos pelo mundo. Devia era, logo de manhã, passar um sonho pelo rosto. É isso que impede o tempo e atrasa a ruga. Sabe o que faz? Estende-se aí na areia, oblonga-se deitadinha, estica a alma na diagonal.” (Zeca para Dª Luarmina)
    • “ (Arco-íris ) Tem o serviço só de fantasiar, de ensinar o céu a sonhar “ (Zeca Perpétuo)
    • “ - Sabe o que dava jeito? Era a gente os dois nos combinarmos, está a perceber, Dona Luarmina?
    • - Ajuíze-se, Zeca.
    • - Faz conta somos verbo e sujeito.
    • - Já conheço essa sua gramática…
    • - A senhora, minha boa Dona, nem sabe quanto enriquece minha retina. (…)”
    • “ - Quer mesmo me apaladar?
    • - Se quero, Dona!
    • - Então me desfie uma memória sua, uma verdadeira…”
    • (conversa entre Dª Luarmina e Zeca Perpétuo)
  • 8. Terceiro capítulo
    • “ A canoa se fez ao mar, um cisco entrou nos olhos de Deus”
    • (Dito do avô Celestiano)
  • 9. Resumo
    • Zeca conta a Luarmina a história do pai, Agualberto Salvo-Erro, o que a deixa muito sensibilizada.
    • Agualberto trazia sempre no barco uma moça misteriosa que encontrara algures. E que ia deixar não se sabia onde, antes de regressar a casa. A mulher virava costas ao mar e ignorava a evidência. Um dia, houve uma tempestade. A moça caiu à água, Agualberto foi salvá-la e perdeu-se no mar. Porém, quando já todos o julgavam perdido, o pescador reapareceu mas os seus olhos tinham ficado azuis. Endoideceu. O velho passou a levar água doce e comida à sua amada todas as tardes. De tanto mergulhar, cegou e saiu de casa de vez. A mulher, com o desgosto, enlouqueceu.
  • 10. “ A partir desse dia meu pai se adentrou em si mesmo, toda a hora sentado na praia contemplando o horizonte.” “Quando o azul lhe saiu dos olhos também meu pai se emboreou de casa.” “No mesmo tempo tive que atender também o desjuízo de minha mãe.” “Assim, minha mãe vestia ausência com panos de mentira.” (A mãe de Zeca nunca falava da ausência do pai, que os abandonara, porque “nunca se diz a um menino que ele é órfão”)
    • Citações
  • 11. Quarto capítulo
    • “ Chaminé que construísse em minha casa não seria para sair o fumo, mas para entrar o céu.”
    • (Dito do avô Celestiano)
  • 12. Resumo
    • Logo pela manhã, Zeca encontra Dª Luarmina mergulhada numa poça e pede-lhe para o deixar entrar também a ele na água. A mulata acede ao desejo do velho pescador, mas eis que o mar se enche de peixes mortos boiando. Luarmina fica muito assustada e Zeca, para desanuviar o ambiente, conta-lhe a história da origem dos peixes, na versão do avô Celestiano. Porém, Luarmina continua angustiada e triste. A vida de costureira não a tinha preenchido e não gostava de estar numa casa vazia de filhos. Pede uma vez mais a Zeca que lhe conte histórias de família.
  • 13. “ Espreitei pela esquina dos olhos: a gorda Luarmina estava flutuando, embevencida, parecia um navio repousando em desenho de criança.” “Nunca, sobre o mar, se haviam formado tais nuvens: feitas de plumas, ágeis de suster peso. Foi então que estalou a tempestade, castigo dos divinos deuses. Os relâmpagos rasgavam as aves, como facas luminosas. Milhares de asas tombaram nas ondas e foram ganhando embalo das correntes, como se continuassem voagens em líquidas vagas.” “Ela (Luarmina) queria ser outra coisa, queria crescer de si mais gente, ter filhos, nascer-se em outras vidas.”
    • Citações
  • 14. Quinto capítulo
    • “ O mar tem um defeito: nunca seca. Quase prefiro o pequenito lago da minha aldeia que é muito secável e a gente sente por ele o mesmo que por criatura vivente, sempre em risco de terminar.”
    • (Dito do avô Celestiano)
  • 15. Resumo
    • Agualberto Salvo-Erro, já louco, abençoava os anzóis dos pescadores para garantir o êxito da safra. Sentava-se na berma do cais e emitia uns sons ininteligíveis. Os pescadores aguardavam dele ordens para ir para a faina.
    • Entretanto, a mãe de Zeca morreu. No dia do funeral, embora estivesse mau tempo, foi pescar à procura de paz de espírito. O pai foi ter com ele e prenunciou-lhe que iria morrer ”afogado em lençol, faz conta os panos virassem ondas de água.” Fez também prometer ao filho que fosse todas as semanas ao Fundo do China levar comida e água-doce àquela que ele tinha amdo acima de tudo. Depois explicou-lhe que a bênção dos anzóis era apenas uma fantasia.
  • 16. “ Agualberto Salvo-Erro aguardava vozes que lhe haveriam de desembocar.” “Mas este homem, meu pai, como sobrevivia? De longe, eu me curiositava.” “ É que, naquele preciso momento, um esticão na linha me indicava a presença de um peixe namordiscando o anzol.” “O homem enfiou dois dedos grossos na boca da lata e retirou o verme estremexente, reviravirando-se no vazio.”
    • Citações
  • 17. Sexto Capítulo
    • “ O caracol se parece com o poeta: lava a língua no caminho da sua viagem”
    • ( Dito – mas não acredito – do meu avô)
  • 18. Resumo
    • Zeca Perpétuo detesta gaivotas, por isso, persegue-as. Com pena dos bichos, Dª Luarmina recolhe-as numa gaiola, Numa noite de insónia, Zeca Perpétuo deita-lhes fogo. Perante a dor da vizinha, Zeca arrepende-se e explica-lhe as causas de tanta raiva, contando-lhe a história de Henriquinha, sua defunta mulher. Todos os domingos, Henriquinha ia ao cimo da duna vermelha e despia-se perante quem quisesse vê-la. Um dia, avisado do que estava a acontecer, Zeca mudou o calendário e seguiu-a. Ofuscado pela atitude da mulher. Zeca empurrou-a. Ao mesmo tempo que Henriquinha caía, Zeca ouviu a estridência de uma gaivota e nunca mais houve sinal da mulher. A partir daí, o velho marinheiro não tolerava a presença de gaivotas perto de si.
  • 19. “ Nessa tarde, eu me varandeava, olhando o oceano.” “Dona Luarmina sempre quisera saber o motivo de eu me dedicar na matança das gaivotas. Coitados, dizia ela, são pássaros cheios de brancura, enfeitando o céu de sonhos marinhos.” “Aos domingos, em fecho de tarde, ela (Henriquinha) saía pelos atalhos rumo à Igreja de Nossa Senhora das Almas. (…) Olhando aquela mulher, da varanda, me atravessava um arrepio como se aquela marcha desenroscasse os fechos da minha alma. Depois, contemplando seu traseiro ceramicando a saia eu me conciliava comigo mesmo. Uma esposa assim belíssima e devotada a Deus era uma agradádiva.” “Ainda hoje me custa lembrar quanto eu me insujeitava a tais vexames. A mulher andava a brincar ao gato sem rato?”
    • Citações
  • 20. Sétimo capítulo
    • “ O coração é uma praia”
    • (Provérbio macua, citado pelo velho Celestiano)
  • 21. Resumo
    • Zeca Perpétuo alucina. Pensa que está a afogar-se ora em água ora em sangue. Ele interpreta esses sinais como um castigo por ter desobedecido ao pai.
    • O velho Agualberto pede ao filho para o acompanhar aos lugares onde ele quer morrer. Leva com ele um coral preto, o único da sua espécie e que lhe pertence. Levava outros pedaços de coral que ia deixando em diferentes lugares, como por exemplo no bosque onde estão Esperança e Subidora do Sol… as árvores de Agualberto.
    • Foi durante este percurso que o velho chamou pela primeira e última vez “filho” ao Zeca.
  • 22. “ E nos afastámos, calcorrendo a margem do rio. Meu pai seguia a meu lado, parecia dispensar meus olhos. Será que, sem redondura nos olhos, ele ainda via?” “Seu pedido era esse: que o guiasse para esses lugares onde ele queria espalhar suas mortes.” “Levei-o para o interior de um bosque onde ele carpinteirara as madeiras do seu primeiro e único barco. O velho rodou pela clareira, apalpou cada um dos troncos como se fosse corpo de mulher. E chamou cada uma das árvores por um nome.” “Foi a única vez que me chamou de filho. (…) Ouvir da boca dele essa palavra poderia ser uma infância nascendo. Mas era o adeus dela.”
    • Citações
  • 23. Oitavo capítulo
    • “ Quando sentiu que estava morrendo, meu avô Celestiano chamou a mulher e pediu-lhe:
    • - Deixa-me fitar teus olhos!
    • E ficou, embevecido, como se a sua alma fosse um barco deitado num mar que eram os olhos de sua amada.
    • - Tens frio?, perguntou ela vendo-o tremer.
    • - Não. És tu que estás a chorar.
    • - Chorar, eu? Começou foi a chover.”
    • (Lembrança de minha avó sobre o último instante do velho Celestiano)
  • 24. Resumo
    • Zeca Perpétuo está muito doente. Dona Luarmina vai visitá-lo para lhe mudar a cama, ensopada de suor. Zeca pede-lhe para lhe contar uma história. Luarmina quer dançar com Zeca mas ele não pode.
    • O velho diz à mulata que a doença de que padece é um castigo por não ter cumprido o pedido do pai.
    • Luarmina revela a Zeca que ele cumpriu esse pedido porque ela é a mulher que o pai levava no barco.
    • Após esta confissão de Luarmina a vida de Zeca foi saindo dele, por partes, à medida que caía no sono.
  • 25. “ Minha doença piorou: (…) Mal palpebrejo, a dobra do lençol se converte em água e, no instante seguinte, tudo se avermelha e eu desaguo em rios de sangue. Se durmo me afogo, se vigio me foge o juízo.” “Fiquei, aberto da boca, alma escancarada.” “Todas as vezes que a gorda mulata despetalou flores, nesse «mar me quer-bem me quer», afinal, era já o meu amor que desfiava aquele gesto dela?” “De igual maneira que meu pai morreu em porções, agora eu caía no sono às partes, uma de cada vez. Primeiro, foi a memória que tombou em abismo, inexistindo. Como se o mar ensinasse, por fim, minhas lembranças a adormecer.”
    • Citações
  • 26. Mia Couto Guia Turistico de Moçambique
    • Trabalho realizado por Altina Fernandes e Ilona Kulyk.

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