Jornalismo em 140 caracteres no Twitter
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Trabalho de conclusão de curso para a obtenção do título de Bacharel em Jornalismo.

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UFMA - 2011

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    Jornalismo em 140 caracteres no Twitter Jornalismo em 140 caracteres no Twitter Document Transcript

    • UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL - JORNALISMO LEANDRO RODRIGUES SANTOS JORNALISMO EM 140 CARACTERES:O Twitter do Portal Imirante.com como uma ferramenta de produção do conteúdo jornalístico no ciberespaço São Luís 2011
    • LEANDRO RODRIGUES SANTOS JORNALISMO EM 140 CARACTERES:O Twitter do Portal Imirante.com como uma ferramenta de produção do conteúdo jornalístico no ciberespaço Monografia apresentada ao Curso de Comunicação Social, habilitação Jornalismo, da Universidade Federal do Maranhão para a obtenção do grau de Bacharel em Jornalismo. Orientadora: Prof. Ms Larissa Leda Fonseca Rocha São Luís 2011
    • Santos, Leandro Rodrigues Jornalismo em 140 caracteres: O Twitter do Portal Imirante.com comouma ferramenta de produção do conteúdo jornalístico no ciberespaço/Leandro Rodrigues Santos. – São Luís, 2011. 88f. Orientador: Prof. Ms. Larissa Leda F. Rocha. Monografia (Graduação) _ Universidade Federal do Maranhão, Curso deComunicação Social, 2011. 1. Twitter. 2. Jornalismo. 3. Ciberespaço. I.Título. CDU 070:004.738.5
    • LEANDRO RODRIGUES SANTOS JORNALISMO EM 140 CARACTERES: O Twitter do Portal Imirante.com como uma ferramenta de produção do conteúdo jornalístico no ciberespaço Monografia apresentada ao Curso de Comunicação Social, habilitação Jornalismo, da Universidade Federal do Maranhão, como requisito para a obtenção do grau de Bacharel em Jornalismo. Orientadora: Prof. Msc Larissa Leda Fonseca RochaAprovada em ____/____/_____ BANCA EXAMINADORA _____________________________________________ Prof. Msc Larissa Leda Fonseca Rocha (Orientadora) Departamento de Comunicação Social - UFMA _________________________________________ _________________________________________
    • À Deus, fonte de toda a vida e inteligência na Terra.À minha mãe, que sempre esteve ao meu lado desde o primeiro momento da minha vida.
    • AGRADECIMENTOS Depois de um longo caminho percorrido, depois de inúmeros trabalhosrealizados e incontáveis noites de sono perdidas, passados 4 anos, chega-se ao final docurso e com a certeza de que todo isso valeu muito a pena. E chegando ao final dessatrajetória, o prêmio maior que um aluno pode conseguir é ter ser esforço, perseverança efé refletidos em uma monografia feita com tanta dedicação e esmero. No entanto, era impossível eu chegar até onde cheguei sem contar com ajudasdiretas e indiretas. Como já diria o bom e velho ditado: uma andorinha só não faz verão.Por isso, muito eu tenho a agradecer à aqueles que contribuíram de alguma forma comeste trabalho. Primeiramente gostaria de agradecer a Deus, fonte de toda forma inteligente naTerra e meu grande sustento em todos os momentos da vida. Sem Ele presente na minhavida, eu não seria absolutamente nada. À minha amada e guerreira mãe Rosenite Rodrigues, que sempre soube mostra-me os caminhos certos a seguir na minha vida, me proporcionando educação dequalidade apoio nos momentos difíceis e por todos os sacrifícios para que eu pudesseconcluir esta etapa da minha vida. À minha prima Luciana Domingues, que sempre este presente ao meu lado aolongo desses 22 anos de minha vida me apoiando e incentivando e por quem eu tenhotanto carinho, respeito e admiração. À minha professora e orientadora Larissa Leda, pela paciência que teve comigoe por ter me ajudado a aprofundar cada vez mais este trabalho. Sem ela, com toda acerteza, eu não teria conseguido realizar essa monografia. À jornalista Roberta Gomes que me passou todas as informações sobre oTwitter do Portal Imirante.com. Agradeço muito a sua colaboração. Sua ajuda foi deextrema importância para a conclusão deste trabalho. Aos professores Francisco Gonçalves, Geder Luis Parzianello, EstherMarques, Paulo Pellegrini, Eveline Cunha, Soares Júnior e Jamil Marques pelasmaravilhosas aulas que serviram como base para este estudo.
    • À Poliana Ribeiro, a quem eu devo minha eterna gratidão por ter me ajudadocom a revisão deste trabalho e por ter me preparado para o mercado de trabalho, meensinando lições valiosas que eu vou levar para o resto da minha vida. Às locutoras da Rádio Universidade Fm Gisa Franco, Maira Nogueira e ValMonteiro por terem me ajudando em minha trajetória na 106,9, me dando importantesaulas sobre locução. Aos meus grandes amigos e companheiros de Radio Universidade: Amy Loren,Andrea Barros, Anna Paula, Anna Tygrezza, Cristiany Pires, Emilly CasteloBranco, Frank Dyone, Henrique Gomes, Liliane Cutrim, Marcos Belfort, PollyanaEscalante, Rayssa Oliveira e Verislene Alves. Eu não chegaria até aqui se eu não contasse com as amizades de ElizabethBezerra, Pedro Aragão e, principalmente, Wyllyane Rayana, que foi quem me ajudoutambém na normatização e revisão desse trabalho. A amizade de vocês é muitoimportante para mim. E é claro que eu não poderia esquecer os meus grandes e eternos amigos do 3ºanos do Ensino Médio que me proporcionaram infinitas horas de alegria e que até hojeainda me proporcionam essas felicidades: Charles Romualdo, Isis Barros, ThallesFrança, Carina Camara, Ludymilla Soeiro, Samara Costa e Grazyelle Carneiro.Adoro Vocês. A todos vocês, meu MUITO OBRIGADO.
    • “A tecnologia que inunda o mundo de hoje, e a ciênciaque a serviu, não o invadem apenas na parte exteriordo homem, mas ainda os seus domínios interiores.Assim o que daí foi expulso não deixou apenas o vaziodo que o preenchia, mas substituiu-o pelo quemarcasse a sua presença. O mais assinalável dessapresença é, por exemplo, um computador. Mas será aobra transaccionável por um parafuso?” Vergílio António Ferreira
    • RESUMO Este trabalho objetiva analisar de forma pormenorizada o Twitter como umsuporte para a produção do conteúdo jornalístico no ciberespaço, tomando como baseprincipalmente o Twitter do Portal Imirante.com (@imirante). Tendo em vista ascaracterísticas e especificidades dessa ferramenta, além das particularidades dowebjornalismo, o trabalho faz uma abordagem a respeito das rotinas de produçãojornalística no Twitter, analisando principalmente as notícias postadas na ferramenta, afrequência que ocorrem essas postagens e de que forma elas ocorrem, de acordo com ostweets publicizados. Para isso, foi necessário o trabalho com alguns conceitos como ode Mídias Sociais, Interação Mediada por Computador e Ciberespaço. Nossos objetivosalcançam a análise da forma como dá-se a influencia do Twitter na produção jornalísticada Internet. Palavras-chave: Twitter, Jornalismo, Ciberespaço
    • ABSTRACT This study aims to analyze in detail the Twitter as a support for the production ofthe journalistic content in the cyberspace, using as ground the Twitter of PortalImirante.com (@imirante). In view of the characteristic and specificities of thisappliance, beyond the particularities of web journalism, this study does an approachabout the routines of journalistic production on Twitter, considering especially the newsthat are posted in the appliance, how these posts occur and how often they occur,according to the tweets that are publicized. To this end, some concepts were worked outduring this study as Social Media, Computer-Mediated Interaction and Cyberspace. Ourgoals reach the analysis of how the Twitter influences the journalistic production on theInternet. Key-words: Twitter, Journalism, Cyberspace
    • LISTADE FIGURASFIGURA 1: Modelo tradicional da Pirâmide Invertida .................................... 47FIGURA 2: Modelo da Pirâmide Deitada ........................................................... 48FIGURA 3: Primeira versão do Twitter no ano de 2006 .................................... 58FIGURA 4: Postagens do Twitter marcadas como favoritas .............................. 61FIGURA 5: Primeira mudança do Twitter .......................................................... 63FIGURA 6: Segunda página inicial do Twitter ................................................... 64FIGURA 7: Página atual do Twitter ................................................................... 64FIGURA 8: Página atual do Twitter do Portal 65Imirante.com ..............................FIGURA 9: Gráfico que mostra crescimento do Twitter .................................... 66FIGURA 10: Página do Twitter mostrando manchete com link ......................... 72FIGURA 11: Página do Portal Imirante.com referente à postagem do Twitter .. 73FIGURA 12: Postagem do Twitter direcionando para o Portal Na Mira ............ 74FIGURA 13: Página do “Na Mira” referente à postagem do Twitter ................. 74FIGURA 14: Exemplo de postagem mais informal ............................................ 75FIGURA 15: Atualização do Twitter com várias postagens de uma só vez ........ 77FIGURA 16: Participação na produção de conteúdo pelo Twitter ..................... 78 SUMÁRIO
    • 1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS ................................................................... 142 NOVAS TECNOLOGIAS E MÍDIAS SOCIAIS ..................................... 182.1 Novas tecnologias e alteração na sociabilidade .......................................... 182.2 As Comunidades Virtuais ou Redes Sociais ............................................... 242.3 Alterações nos processos de produção e transmissão das informações ... 262.4 As Mídias Sociais .......................................................................................... 302.4.1 Participação do público na produção de conteúdo no ciberespaço .......... 302.4.2 Formação das Mídias Sociais .................................................................... 343 JORNALISMO NA INTERNET .................................................................. 373.1 As fases do jornalismo na internet .............................................................. 393.1.1 Um pouco da história da internet .............................................................. 393.1.2 Fase Transpositiva ...................................................................................... 433.1.3 Fase Metafórica .......................................................................................... 443.1.3 Fase Multimidiática ................................................................................... 443.2 Características do jornalismo na internet ................................................. 453.2.1 Hipertextualidade ....................................................................................... 463.2.2 Interatividade ............................................................................................. 483.2.3 Multimidialidade ........................................................................................ 503.2.4 Personalização ........................................................................................... 513.2.5 Memória ...................................................................................................... 523.2.6 Atualização Contínua ................................................................................. 534 O TWITTER .................................................................................................... 554.1 O serviço de microblogging ......................................................................... 554.2 História do Twitter ....................................................................................... 574.3 Funcionamento do Twitter .......................................................................... 594.4 Números do Twitter ..................................................................................... 655 O TWITTER COMO UMA FERRAMENTA DE PRODUÇÃOJORNALÍSTICA NO CIBERESPAÇO 675.1 Estudo de caso: O Twitter do Portal Imirante.com (@imirante) ............ 716 CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................................... 80
    • REFERÊNCIAS ................................................................................................. 83APÊNDICE ......................................................................................................... 871 CONSIDERAÇÕES INICIAIS Com o crescente avanço e a popularização da Internet é possível observar, acada dia, o surgimento de Novas Tecnologias de Comunicação e Informação (NTCI),tecnologias essas que dinamizam o processo de troca de conteúdos dentro dociberespaço.
    • É interessante observar que não são apenas as produções realizadas dentro dociberespaço que ganham uma nova configuração graças ao surgimento dessas novastecnologias. A sociedade também é fortemente influenciada por essas novas“tendências” que modificam a relação que as pessoas mantêm com o conteúdo que édisponibilizado ciberespaço. Recuero (2009a) também discute sobre as influencias que a Internet e as novastecnologias digitais causam na vida das pessoas. Segundo a autora, tais tecnologiasdigitais que surgem diariamente são responsáveis por provocar mudanças consideráveisna sociedade em geral, mudanças essas que se desenvolvem de forma bastante rápida. Por conta dessa velocidade com que ocorre essas mudanças, a natureza, osmotivos e os possíveis desdobramentos do impacto das novas tecnologias na sociedadesão processos extremamente complexos. Diante desse quadro, Recuero considera que éimpossível resistir à tentação de um determinismo tecnológico no qual a tecnologia éque define o modo de organização de uma sociedade, onde as transformações sociaisestão diretamente ligadas às transformações tecnológicas da qual a sociedade seapropria para se desenvolver e se manter. É nesse contexto de mudanças que surge então a chamada Sociedade daInformação, onde o contínuo desenvolvimento das Novas Tecnologias de Comunicaçãoe Informação refletiu principalmente sob os modos de ser, agir, se relacionar e existirdos indivíduos dessa sociedade, propondo dessa forma novos modelos de comunicaçãoe novos parâmetros de sociabilidade. Nessa perspectiva, pode-se observar que também há uma alteração nos processosde produção e difusão das informações no ciberespaço. As informações agora passarama ser produzidas em uma velocidade nunca vista anteriormente e difundidas em umavelocidade maior ainda. As consequências dessa mudança também podem ser facilmente percebidas naprodução jornalística. Para Crucianelli (2010) o impacto dessas novas ferramentas nasproduções dos conteúdos jornalísticos no ciberespaço tem sido muito evidente, pois elastêm propiciado a abertura de novos leques de atuação para o profissional dessa área. Segundo a autora, as novas tecnologias, além de estar causando o surgimento denovos espaços para a prática jornalística, têm influenciado diretamente o modo de
    • produção da notícia no ciberespaço. A grande quantidade de softwares, aplicativos erecursos que a cada dia são disponibilizados leva também a uma mudança decomportamento do próprio jornalista que trabalha com essas novas ferramentas, pois éde extrema importância que este profissional conheça todas as funcionalidades que asNovas Tecnologias de Comunicação e Informação para que este as use de formaeficiente no momento da produção e difusão do conteúdo jornalístico no ciberespaço. O Twitter é um exemplo de uma dessas novas tecnologias que rapidamentetornou-se bastante popular entre os mais diversos segmentos da sociedade, comoveremos no decorrer deste trabalho. Criado por Evan Willians, Biz Stone e Jack Dorsey,o serviço é prático e ágil e permitiu, ao longo dos quatro anos de existência, diferentesapropriações. Quando o Twitter foi criado, por exemplo, utilizava como slogan apergunta “What are you doing?” (O que você está fazendo?) que estava diretamenterelacionado com conteúdo que os usuários postavam. Agora com o slogan “What´shappening? (O que está acontecendo?) o Twitter passou a ter um caráter maisinformacional, sendo utilizado pelas empresas jornalísticas para este fim. A partir de então, o Twitter vem se consolidando como uma grande ferramentapara o uso jornalístico, sendo cada vez mais usado pelos profissionais da área quedesejam transmitir o conteúdo jornalístico dentro do ciberespaço de forma maisdinâmica em virtude da própria funcionalidade da ferramenta e dos recursos que eladisponibiliza. A rotina de produção do conteúdo jornalístico no Twitter deve levar emconsideração não apenas as características do webjornalismo, mas também asespecificidades da ferramenta. O principal objetivo deste trabalho é justamente analisarde que forma dá-se a produção jornalística nesse serviço. Para tal fim, é de extremaimportância que antes sejam feitas algumas considerações iniciais que foram divididasnos capítulos desse trabalho. No capítulo 1, faz-se uma abordagem a respeito do surgimento das NovasTecnologias de Comunicação e Informação, o impacto destes dispositivos na sociedadee o reflexo desse impacto nos modos de pensar, agir e de se relacionar dos indivíduos. Achamada Sociedade em Rede e o modo de organização desta sociedade, tomando comobase as concepções de Castells (2003), também serão discutidos durante o referidocapitulo.
    • Baseados nos conceitos de Alex Primo (2007) à respeito da interação mediadapor computador, nessa primeira parte do trabalho busca-se também analisar de queforma dá-se essa interação e em quais aspectos ela se distingue das formas de interaçãoconvencionais. Como uma das consequências das novas formas de interação causadaspelo impacto das novas tecnologias observa-se o surgimento das chamadasComunidades Virtuais que, baseados nas ideias de Raquel Recuero (2009), tambémserão estudados nessa primeira parte. Tudo isso, dentro das ideias sobre o ciberespaço,defendidas por Margaret Wertheim (2001). Ainda neste capítulo, pretende-se fazer uma incursão a respeito das MídiasSociais e das Redes Sociais debruçando-se principalmente sobre as principais distinçõese semelhanças entre elas e também de que forma o Twitter pode ser enquadrado em umadessas duas categorias. Já o capítulo 2 debruça-se sobre as características e especificidades doJornalismo na Internet. Tendo como suporte o pensamento de autores como MarcosPalácios (2003), Elias Machado (2006), Luciana Mielniczuk (2001) e J.B.Pinho (2003),primeiramente será feita uma análise sobre a evolução do webjornalismo ao longo dotempo, passando pelas fases transpositiva, metafórica até chega na fase multimidiáticaque é aquela em que o webjornalismo se encontra atualmente, não deixando demencionar também os recursos que caracterizavam cada fase descrita acima. Ainda nesse capítulo será feita uma abordagem detalhada sobre as principaiscaracterísticas do webjornalismo nessa terceira fase (hipertextualidade,multimidialidade, interatividade, personalização, atualização e memória) e como taiscaracterísticas influenciam na rotina de produção do jornalismo no ambiente virtual.Pretende-se também debruçar-se sobre o modo como as características dowebjornalismo manifestam-se no Twitter. O capítulo 3 dedica-se a esmiuçar de forma profunda o funcionamento doTwitter. Primeiramente faz-se um resgate histórico sobre a ferramenta, descrevendo ocenário no qual nasceu. Discute-se nesse capítulo também as funcionalidades daferramenta, debruçando-se sobre sua evolução ao longo do tempo e os novos recursosque foram sendo disponibilizado acompanhando cada mudança.
    • Já o 4 e último capítulo do trabalho analisa esmiuçadamente de que forma dá-sea produção jornalística voltada para o Twitter. Tomando como objeto de estudo oTwitter do Portal Imirante.com (@imirante) nesse capítulo será abordado as rotinas deprodução jornalísticas nesse suporte, analisando também de que maneira o processocomunicacional e o conteúdo jornalístico têm sofrido mudanças por contas dos recursosda ferramenta. Utilizando principalmente as idéias de pesquisadoras como Gabriela Zago(2008) e Magaly Prado (2010) pretende-se discorrer sobre a forma como a notícia éproduzida no Twitter do Portal Imirante.com. Para isso, foram analisados vários tweetspublicizados pela ferramenta ao longo dos meses de Maio e Junho com o objetivo deentender principalmente como acontece a produção desses tweets, quem realiza apostagem deles e com que frequência ocorrem essas postagens.2 NOVAS TECNOLOGIAS E MÍDIAS SOCIAIS2.1 Novas tecnologias e alteração na sociabilidade Com o crescente avanço da Internet, a cada dia é possível observar o surgimentodas chamadas Novas Tecnologias de Comunicação e Informação que contribuemdiretamente para a dinamização dos processos de produção e de transmissão de
    • conteúdos dentro do ciberespaço1. O advento da comunicação mediada pelo computadortem permitido que haja uma potencialização da capacidade de interação entre osindivíduos, ocasionando com isso o surgimento de novos padrões de sociabilidade. Anecessidade da interação e da sociabilidade é uma característica inerente a todo equalquer ser humano. Dentro do ciberespaço, essa característica potencializa-se aindamais. As condições para o estabelecimento do cenário como vemos hoje começa a sedesenvolver a partir do século XV, com a invenção da imprensa por Gutemberg, e maisadiante nos séculos XIX e XX, com a consolidação dos meios de comunicaçãoeletrônicos como o rádio e a televisão. Com o desenvolvimento técnico de cada suporte,a informação passou a ser processada e transmitida de maneira mais rápida graças aosrecursos que foram sendo gradativamente incrementados, contribuindo para aaproximação dos indivíduos de diferentes lugares físicos e o estreitamento dos laçossociais que se formam. O impacto dos novos dispositivos comunicacionais na sociedade refletiuprincipalmente nos modos de ser, agir e de se relacionar dos indivíduos, propondo,consequentemente, novas formas de interação social que nesse caso passam a serchamadas de interação mediada. Tal impacto traduziu-se principalmente no fato de queos indivíduos começaram a utilizar esses novos dispositivos para produzir, transmitir eadquirir as informações, ao invés das fontes tradicionais que eram os indivíduos comquem se relacionavam no dia-a-dia. Nessa perspectiva, a noção de interatividade assumenovos contornos, à luz desta interação mediada pelas novas ferramentas de comunicaçãoe informação. (THOMPSON apud MARCELO, 2001. p.41). O desenvolvimento dos dispositivos comunicacionais propõe novas formas emodelos de interação. Nessa perspectiva, Primo (2007) chama atenção para o fato deque nesse processo, a interação passa então a dissociar-se do ambiente físico paraestender-se no espaço virtual, proporcionando, dessa forma, uma ação à distância.1 O termo “Ciberespaço foi citado pela primeira vez em 1984 pelo escritor norte americano WiliamGibson no livro de ficção científica Neuromante e depois aplicado em larga escala pelos criadores eusuários das redes digitais. Para Pierre Lévy (1999, p. 92) o ciberespaço pode ser definido como sendoum espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial das memórias dos computadores. Em outraspalavras, pode-se dizer que o ciberespaço constitui-se como uma virtualização da realidade, onde asinterações sociais são ainda mais intensificadas.
    • Como consequência, surge então o que o autor conceitua como Interação Mediada,em que as formas de comunicação entre os indivíduos dão-se por intermédio de algumsuporte técnico. Segundo Primo: Nas interações mediadas, como em cartas, ou em conversas telefônicas, o diálogo ocorre, mas remotamente no espaço e/ou tempo. Por serem mediadas por um meio técnico, decorre um estreitamento das deixas simbólicas possíveis. Por exemplo, as deixas simbólicas associadas à presença física não estão presentes via carta ou telefone, ficando acentuadas as diferenças particulares da escrita e da voz. (PRIMO, 2007, p. 20). Nessa perspectiva, o autor estabelece duas formas de interação: a interaçãoreativa e a interação mútua. A interação reativa está diretamente relacionada com aprevisibilidade e com a automatização das trocas, onde cada clique na tela docomputador, por exemplo, corresponde a uma função previamente estabelecida. Nestecaso, a interação reativa tem seu funcionamento baseado na relação de um certoestímulo e de uma determinada resposta. Supõe-se que nessa forma de interação, ummesmo estímulo acarretará a mesma resposta cada vez que se repetir a interação. Já na interação mútua, o desenvolvimento dos processos interativos é negociadoentre os próprios usuários, onde é estabelecido um diálogo dentro do ambiente virtual.Essa forma de interação é caracterizada por relações interdependentes e processos denegociação, em que cada usuário participa diretamente da construção do diálogo,afetando-se mutuamente. Ainda para o autor, a interação mútua constitui-se através de açõesinterdependentes, ou seja, cada usuário influencia o comportamento do outro, e tambémtem seu comportamento influenciado. Isso também ocorre entre os interagentes e seuambiente. Dessa maneira, a cada evento comunicativo, a relação se transforma. Além da interação mediada, Primo cita também a interação do tipo quasemediada também como um tipo de processo interativo. Como esse tipo de interaçãoapresenta um caráter monológico, ou seja, o fluxo de comunicação dá-se em sentidoúnico, dos produtores para um número indefinido de receptores potenciais, não existeuma reciprocidade da mesma forma que é possível ser observada nas interações reativae mútua. No entanto, o autor considera que ainda sim a interação quase mediada deveser considerada um processo interativo, pois há uma troca de informações.
    • Apesar de serem complexas as relações que são estabelecidas entre os usuáriospor meio desses tipos de interações, Primo considera que um estudo mais aprofundado arespeito dos reais impactos da interação mediada com computador sob a sociabilidadedos indivíduos deve levar em consideração uma série de outros aspectos. Ao estudar-se interação mediada por computador em contextos que vão além da mera transmissão de informações (como na educação à distância), tais discussões tecnicistas são insuficientes. Reduzir a interação a aspectos meramente tecnológicos, em qualquer situação interativa, é desprezar a complexidade do processo de interação mediada. É preciso que se estude não apenas a interação mediada por computador, mas a interação através da máquina. (PRIMO, 2007, p. 30-31) O fato é que com o crescente avanço dessas tecnologias, o que se pode observaré que cada dia novos paradigmas são criados, outros são modificados e outros deixamde existir completamente. A constante evolução dos sistemas digitais, por exemplo, vemcausando profundas mudanças no modo como os indivíduos se relacionam. Nessaperspectiva, Ethevaldo Siqueira (apud PRADO, 2010. p.35) traçou um panorama dasprincipais alterações pelas quais a sociedade tem passado nos últimos tempos,enumerando 13 mudanças de paradigmas desde o final do século XX e neste início deséculo XXI. Tais mudanças concentram-se no âmbito: do analógico ao digital; do espaçofísico ao virtual, na medida em que os processos de interação social deixaram ser face aface e passaram a se concentrar também no ciberespaço; do átomo a bits; dos serviçosfísicos aos móveis, na medida em que o Twitter, por exemplo, deixou de ser acessadoapenas nos computadores e notebooks convencionais e passou a fazer parte também deplataformas móveis como celulares, iPhones, iPads e BlackBerries; dos procedimentoscoletivos aos pessoais, na medida em que há uma certa “individualização” dentro darede; da banda estreita à banda larga; dos equipamentos dedicados à multifuncionais; dabaixa a alta velocidade de transmissão; da comunidade por fio à sem fio; do monopólioestatal ao privado; do protocolo fechado ao aberto; dos processos unidirecionais aosinterativos; e por fim da comunicação de círculos a comunicação de pacotes. Como pode ser observado, as novas tecnologias de comunicação e informaçãoderam uma nova configuração e dinâmica para os processos de interação social. Asociedade passou a ser fortemente influenciada por essas tecnologias, ao passo em quetais tecnologias surgem devido às necessidades da própria sociedade que foramsurgindo com o passar do tempo.
    • Esta ideia é compartilhada por Pierre Lévy (1999). De acordo com o autor, asrelações que agora se estabelecem nessa nova sociedade são criadas principalmenteentre os atores sociais que inventam, produzem, utilizam e interpretam de diferentesformas essas tecnologias emergentes em benefício próprio. Por outro lado observa-se que o impacto dessas novas ferramentas na sociedadetambém pode conduzir a um efeito completamente contrário ao citado acima,culminando em um processo de isolamento social dentro da própria rede. Nestes casos oindividuo pode abandonar as interações sociais face a face da vida real para voltar-seúnica e exclusivamente para as relações mediadas por computador, caracterizando o queCastells (2003) chama de individualismo em rede. Para Castells, esse individualismo em rede está intimamente relacionado comum padrão social e não com o acúmulo de pessoas isoladas. Nessa perspectiva, o autorentende que o desenvolvimento tecnológico pode aumentar as possibilidades doindividualismo em rede e se tornar a forma dominante de sociabilidade. O papel mais importante da Internet na estruturação das relações sociais é sua contribuição para o novo padrão de sociabilidade baseada no individualismo... Cada vez mais, as pessoas estão organizadas não simplesmente em redes sociais, mas em redes sociais mediadas por computador. Assim, não é a Internet que cria um padrão de individualismo em rede, mas seu desenvolvimento que fornece um suporte material apropriado para a difusão do individualismo em rede como forma dominante de sociabilidade. (CASTELLS, 2003, p.109). De um modo ou de outro, novas relações emergiram na sociedade a partir docontínuo desenvolvimento dessas tecnologias2. O reflexo de tudo isso pode serclaramente observado nas interações sociais que se estabelecem a partir de agora,grande parte delas por mediações de aparatos tecnológicos. Nesta nova sociedade, oconceito de distância dentro do ciberespaço, por exemplo, foi totalmente repensado. A reformulação do conceito de distância dá-se principalmente em virtude daprópria natureza do ciberespaço. Para Margareth Wertheim (2001) o ciberespaço crescede maneira exponencial, pois a cada dia surge um novo site, que tem a possibilidade deligar-se com milhões de outros já existentes formando, dessa maneira uma grande rede2 A pesar da importância da discussão, o trabalho não se propõe especificamente a debruçar-se sobre osimpactos das novas tecnologias na formas de interação social. Mais informações sobre esse assuntopodem ser encontradas no livro “A Galáxia da Internet”, de Manuel Castells e também nos artigosdisponíveis nos links: <http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2007/resumos/R1533-1.pdf> e<http://www.bocc.uff.br/pag/marcelo-ana-sofia-Internet-sociabilidade.pdf.>
    • sem limitações de espaço físico. Vale ressaltar que, dentro do ambiente virtual, aslimitações físicas são inexistentes. A afirmação de que o ciberespaço não é feito de partículas e forças físicas pode ser óbvia, mas é também revolucionária. Por não estar ontologicamente enraizado nesses fenômenos o ciberespaço não está sujeito às leis da física e, portanto, não está preso pelas limitações dessas leis. Em particular, esse novo espaço não está contido em nenhum complexo hiperespacial dos físicos. Seja qual for o número de dimensões que os físicos acrescentem às suas equações, o ciberespaço continuará “fora” de todas elas. Com o ciberespaço, descobrimos um “lugar” além do hiperespaço. (WERTHEIM, 2001, p. 167) Essa mesma ideia do crescimento exponencial do ciberespaço também édiscutida por Sataella (apud PRADO p. 182) ao afirmar que esse crescimento dá-setambém graças as comunicações interativas que se estabelecem entre os própriosusuários da rede (interação dialógica) e também entre os usuários e os computadores(interação reativa) Ironicamente, Wertheim considera ainda o fato de que o ciberespaço, apesar deser um subproduto da tecnologia física, desenvolvido a partir dos chips decomputadores e outras tecnologias derivadas desses produtos, “não está tampoucoconfinado à concepção puramente fisicalista do real”. (WERTHEIM, 2001, p.167). Apesar do ciberespaço não ser dotado de propriedades físicas, isso nãoimplicaria dizer, segundo a autora, que esse espaço na Internet não seja um lugar real,uma vez que é dentro do ciberespaço que ocorrem alguns processos de interação social,que influenciam diretamente o comportamento dos indivíduos fora do ambiente virtual. Nesse sentido, podemos ver o ciberespaço como uma espécie de res cogitans3 eletrônica, um novo espaço para o exercício de um daqueles aspectos da humanidade que não encontrava morada na imagem puramente fisicalista do mundo. Em suma, num determinado sentido, o ciberespaço se tornou um novo domínio para a mente. Em particular, tornou-se um novo domínio para a imaginação; e até, como muitos ciberentusiastas afirmam agora, um novo domínio para o “eu”. (WERTHEIM, 2001, p. 170) Nessa perspectiva, o ciberespaço possibilita que pessoas possam criar,coletivamente ou individualmente, um mundo de experiências diferentes daquelasobservadas fora do ambiente virtual. Wertheim considera que nesse mundo, o indivíduopode não apenas expressar seus próprios desejos, como também pode compartilhar deoutras experiências de indivíduos interligados na rede.3 Para Reneé Descartes, res cogitans significa “coisa pensante”, ou “sujeito pensante”.
    • O fato é que o ciberespaço está mudando drasticamente as relações sociais quese estabelecem a partir de agora. As interações feitas através do computador estãocondicionando o surgimento de grupos sociais na Internet com característicascomunitárias. Tais grupos seriam capazes de estabelecer novos padrões de sociabilidadee ainda criar fortes laços sociais, justamente por causa da “proximidade” que ocomputador disponibiliza para os usuários. Como consequência de todo esse processo, observa-se a ascensão de novospadrões de interação social, padrões esses que passaram a ser mediados principalmentepelo computador. Graças às novas ferramentas de comunicação emergentes dociberespaço, a sociedade está experimentando mudanças nos seus mais diversossegmentos. Recuero (2009a) discute sobre o papel transformador que as novastecnologias exercem sob a sociedade. Segundo ela: As tecnologias digitais ocupam um papel central nas profundas mudanças experimentais em todos os aspectos da vida social. A natureza, motivos, prováveis e possíveis desdobramentos dessas alterações por sua vez, são extremamente complexos, e a velocidade dos processos tem sido estonteante. Diante de um tal quadro, é impossível resistir à tentação do determinismo tecnológico, que traduz em respostas encantadoramente simples a máxima de que a tecnologia define a sociedade. (RECUEROa, 2009, p.12)2.2 As Comunidades Virtuais ou Redes Sociais Como consequência dos novos padrões, podemos observar o surgimento daschamadas Comunidades Virtuais ou Redes Sociais. Tais comunidades podem serdefinidas como um grupo de pessoas que possuem algum nível de relação ou interessemútuo e estabelecem laços sociais por meio da mediação do computador. Essa definiçãoacabou ganhando um novo significado dentro do ciberespaço, o que já foi chamado derelationship sites (sites de relacionamento) e hoje são conhecidos como Redes Sociais. Rheingold também faz uma definição do que seriam essas ComunidadesVirtuais. Segundo ele: As Comunidades Virtuais são agregadores sociais que surgem da rede, quando uma quantidade suficiente de gente leva adiante essas discussões públicas durante um tempo suficiente, com suficientes sentimentos humanos, para formar redes de relações sociais no ciberespaço. (RHEINGOLD, apud RECUERO, 2009a, p. 137)
    • Nessa perspectiva, os principais elementos que formam as comunidades virtuais,segundo o autor, seriam as discussões públicas, as pessoas que se encontram ereencontram através da Internet, o tempo e o sentimento. “Esses elementos, combinadosatravés do ciberespaço, poderiam ser formadores de relações sociais, constituindo-se emcomunidades” (RECUERO, 2009a, p. 137). A formação das comunidades virtuais está diretamente relacionada também coma capacidade de interconexão de redes sociais de todos os tipos, que contribuíram dessamaneira para a reinvenção dos processos interativos da sociedade. (CASTELLS, 2003). Ainda para Manuel Castells (2003, p.107), a grande transformação dasociabilidade nas sociedades complexas ocorreu justamente devido a substituição decomunidades espaciais, isto é, baseadas em um espaço geográfico, por redes comoformas fundamentais de sociabilidade. A própria dinâmica vivida pela sociedade atualmente também favorece aformação das comunidades virtuais. Com o contínuo avanço das ferramentas decomunicação, as pessoas estariam buscando novas possibilidades de interação umascom as outras e formando tais comunidades, uma vez que, por conta da velocidade comque se processam todas as informações do dia a dia, os indivíduos já não conseguemmais encontrar espaços para estabeleceram, face a face, qualquer tipo de interação. Porisso, a necessidade de buscar novas formas de sociabilidade dentro do ciberespaço.Como exemplos de comunidades virtuais podemos citar o Orkut4, Facebook5 e oMySpace6, por exemplo. A falta de tempo, o medo e mesmo o declínio dos terceiros lugares7 podem ser conectados ao isolamento das pessoas, ao atomismo e a efemeridade das relações sociais. No entanto o aumento do uso de ferramentas de comunicação mediadas por computador poderia representar, justamente, um4 O Orkut foi criado no dia 24 de Janeiro de 2004 pelo engenheiro turco Orkut Büyükkökten. Trata-se deuma rede social gerenciada pelo Google que tem o objetivo de aglutinar pessoas e com isso estabeleceruma rede de relacionamentos.5 O Facebook é uma rede social criada em 2006 e, assim como o Orkut que tem o objetivo reunir pessoaspara que elas possam manter uma interação no ciberespaço. Hoje o Facebook possui mais de 400 milhõesde usuários ativos no mundo.6 Criado em 2003, o MySpace também é uma rede social que possui foco no compartilhamento deconteúdos como fotos, vídeos e outros arquivos multimídia.7 De acordo com a idéia de Oldenburg (apud RECUERO, p.136) existem três lugares que são de grandeimportância para o indivíduo: O lar, que consiste no primeiro lugar, onde está a família; o trabalho queconsiste no segundo lugar; e os parques e espaços de lazer, que representam o terceiro lugar, aqueles ondeos indivíduos vão para construir laços sociais.
    • esforço no sentido contrário, em direção ao social [...] Através do advento da comunicação mediada por computador e sua influência na sociedade e na vida cotidiana, as pessoas estariam buscando novas formas de conectar-se, estabelecer relações e formar comunidades já que, por conta da violência e do ritmo da vida, não conseguem encontrar espaços de interação social. (RECUERO, 2009a, p. 136) É interessante destacar que as comunidades virtuais na maioria das vezesformam-se em torno de assuntos comuns entre os próprios integrantes desta rede,independendo de fronteiras ou demarcações territoriais físicas, seguindo sempre umpadrão. Segundo Recuero (2009a, p.142), “esses padrões seriam referentes ao modo derelação entre os atores da rede e auxiliam o cientista a encontrar quem pertence e quemnão pertence a um determinado grupo”. Algumas dessas comunidades virtuais tiveram sua origem a partir do encontrovirtual de pessoas com interesses próximos; outras surgiram de comunidades offline, ouseja, desconectadas que passaram a utilizar a rede para expandir e otimizar suas ações. Nas comunidades virtuais pressupõe-se uma relação entre os seus membrosintegrantes. Nesses espaços, os indivíduos estabelecem interações uns com os outros,independentemente do lugar onde essas pessoas se encontram, uma vez que os aparatostecnológicos utilizados nessa interação possibilitam que haja essa aproximação entre aspessoas, anulando completamente a distância que existe entre esses usuários. Valedestacar também que as trocas de informações entre esses usuários são feitas a umavelocidade estonteante. Uma das principais características das comunidades virtuais é adesterritorialização, ou seja, a inexistência de um espaço físico para o estabelecimentodas relações sócias entre os usuários. Nessa perspectiva, Recuero discute: Assim, o território da comunidade pode estar associado a algum espaço institucionalizado no próprio espaço virtual ou mesmo restrito a um elemento de identificação. Um canal de chat, por exemplo, pode constituir um espaço onde as interações são mantidas. O mesmo pode acontecer com um conjunto de weblogs. A compreensão de um espaço onde as interações podem ser travadas é, assim, fundamental para que os atores saibam onde interagir. (RECUERO, 2009a, p. 144) Muitas comunidades virtuais também podem estender sua existência para fora darede. Isso garante que os vínculos e os interesses do grupo que se formaram dentro dociberespaço sejam propagados para além do ambiente virtual, o que faz com que sejaaprimorado o trabalho desenvolvido e, consequentemente, as conquistas dessascomunidades.
    • 2.3 Alterações nos processos de produção e transmissão das informações O impacto de novas tecnologias em nossa sociedade não é assunto novo. Asmudanças que ela tem provocado nos diversos segmentos da sociedade são as maissignificativas possíveis. Diante dessas transformações, o que se percebe é que estáhavendo uma reorganização da sociedade em torno do produto que é fortementeinfluenciado pelo contínuo desenvolvimento das novas tecnologias, que é a informação.Nessa perspectiva, a sociedade passou a produzir, consumir e transmitir a informaçãoem uma velocidade nunca vista até agora em nenhum outro momento da história. Dentro das próprias comunidades virtuais já é possível observar uma novadinâmica no processo de produção e transmissão das informações. Para Castells (2003)tais comunidades possibilitam o surgimento de uma comunicação livre e horizontal, semnenhuma forma de censura ou dominação pelos grandes conglomerados midiáticos A partir dessas alterações, é possível observar claramente o surgimento dachamada Sociedade da Informação, como passou a ser denominadas por vários autores.Esta pode ser mais bem compreendida a partir de um contexto de mudanças profundas,no qual o contínuo desenvolvimento tecnológico reconfigurou drasticamente o modo deser, agir, se relacionar e existir dos indivíduos e, principalmente, propôs novos modelosde comunicação. Ao longo do tempo, a informação deixou ser um processo local para se apresentar em âmbito global. Reconfigurou o tempo e o espaço, acelerando as práticas e encurtando as distâncias. Tornou possível um novo tipo de sociabilidade, na qual a presença física já não é essencial para que haja uma relação, sendo possível interagir com quem quiser, a hora que quiser e ser participativo dentro da sociedade por meio de um espaço virtual. (MORAES; KOHN. 2007, p. 4) Nesta nova sociedade, os paradigmas e conceitos que antes eram utilizados paradefinir a comunicação de massa sofreram modificações com o advento dessas novastecnologias com o intuito de atender as crescentes demandas desta sociedade cada vezmais ávida por informações em tempo real8. É interessante observar que a introdução das novas tecnologias no cotidiano daspessoas abriu um mundo novo de oportunidades, principalmente no que diz respeito àprodução e difusão de conteúdo. Dentro dessas oportunidades pode-se destacar a8 Informação em tempo real, neste caso, refere-se à velocidade com que as informações são processadas etransmitidas para o público em geral.
    • “possibilidade de acessar informações à distância, navegar na informação sem limitaçãode espaço ou tempo, combinar informações reconstruindo o conteúdo, acesso imediato aconteúdos com custos quase inexistentes ao veículo utilizado”. (LIMA, 2000. p.43). Outra conseqüência do desenvolvimento dessas novas tecnologias decomunicação e informação está diretamente relacionada com a alteração das percepçõesde tempo e espaço. Hoje com a gama de aparatos tecnológicos que podem serfacilmente acessados pelo homem, os processos de produção e circulação dasinformações passaram a acontecer em uma velocidade nunca vista anteriormentealterando, dessa forma, os paradigmas que antes eram utilizados para definir as noçõesde tempo. Em conseqüência desse fenômeno temos a possibilidade real de conexãoentre os indivíduos de diferentes partes do mundo por meio da informação. Dentro do ciberespaço, as noções de tempo e espaço ganham uma novaconfiguração, uma vez que várias coisas acontecem no mesmo período e em um curtoespaço de tempo. No ambiente virtual, devido à velocidade com que as informações sãoprocessadas e transmitidas, existe uma conexão maior entre os produtores dainformação e o público para quem essa informação é destinada e, consequentemente,um maior feedback desse público, o que leva a uma ilusão de proximidade entre eles. Essa velocidade com que as informações são processadas também possuiconsequências diretas nas noções de tempo. No ciberespaço as informações sãoprocessadas em uma velocidade muito superior em relação a dos processosconvencionais da vida real e por essa razão realiza-se mais coisas de maneira bem maisrápida dentro do ambiente virtual. Ao enviar um e-mail, por exemplo, um usuário gastamuito menos tempo do que enviando uma carta para um destinatário. A partir dessas alterações de espaço e tempo causadas pelo contínuo avanço dosnovos dispositivos de comunicação podemos nos aproximar do que McLuhan (apudLIMA, 2000) conceituou de Aldeia Global. Com a grande massificação das tecnologiascomunicacionais, temos a possibilidade de estender as nossas relações em escala global,permitindo o estabelecimento de interações com indivíduos localizados em espaçosgeográficos distintos. O planeta contrai-se numa única comunidade, global, cujos elementos comunicam entre si, à distância, através da mediação eletrônica [...] Esta nova comunidade emergente não se caracteriza pela passividade. Os membros desta nova comunidade partilham uma experiência única: podem
    • trocar entre si pontos de vista multissensoriais, como se, de fato, vivessem na mesma aldeia. Os media da Era Eletrônica assumem a árdua tarefa de conduzir o Homem a representar o papel de protagonista no “teatro global” em que vive... (MARCELO, 2001, p. 72) Ainda segundo McLuhan (apud. MARCELO, 2001, p. 70), a comunicação atualcaracteriza-se, na sua essência, por recorrer a uma escala global. A ligação às redestelemáticas permite-nos estar on-line. O planeta torna-se “transparente”,proporcionando-nos “ver” muito além do que os nossos olhos alcançam, o que constituiuma experiência exorbitante da realidade. O fato é que estamos vivenciando a consolidação de uma sociedade no qual osprocessos de produção e transmissão das informações deixaram de acontecer de formalinear e unidirecional para se tornarem processos mais interativos e complexos no qualas novas ferramentas disponíveis no ciberespaço assumiram um papel de extremaimportância nesta nova configuração da sociedade. A combinação entre hardwares compactos e de alta velocidade com softwarescada vez mais fáceis de serem operados foi um dos fatores que permitiu esta novadinâmica da sociedade, além de possibilitar ao indivíduo uma conectividade com omundo e, principalmente, uma relação mais interativa com a informação eletrônica queé colocada em sua disposição, fato este jamais conseguido com outro tipo de tecnologiacriada pelo homem até então. O universo comunicacional desta nova Era, que resulta da interação mediada pelo computador, abandona aparentemente a interação direta entre os sujeitos, para dar lugar a um outro universo comunicacional, onde a interação entre os sujeitos é mediada e em que a informação circula a uma velocidade vertiginosa por redes cada vez mais complexas, que ligam o Homem a um mundo. (MARCELO, 2001, p 51) A partir desta nova configuração, qualquer tipo de conteúdo pode ser facilmenteobtido e transmitido de forma quase que instantânea para qualquer lugar do mundo. Adistância de um lugar para outro, por exemplo, passou a ser algo quase que desprezíveldiante da possibilidade de conexão entre vários pontos dentro do ambiente virtual. Mediante essa nova dinâmica de produção das informações dentro do universode possibilidades que o ambiente virtual disponibiliza, um dos grandes problemas quesurge com esta questão já não é mais a falta de informação, mas sim a seleção adequadaou a filtragem daquela informação que realmente nos pode ser útil. (LIMA, 2000, p.02).
    • Em decorrência deste fato, a cada dia surgem novas ferramentas que ajudam ointernauta a filtrar essa verdadeira “avalanche” de informações e conteúdos que existemdentro do ciberespaço. No Twitter9, por exemplo, através da opção Follow (emportuguês, seguir), o usuário tem a possibilidade de escolher qual perfil deseja seguir ecom isso selecionar as informações que deseja receber. Vale destacar que não é apenas o Twitter que apresenta uma ferramenta parafiltra as informações. Os mecanismos com marcadores de RSS10 também ajudam muitona seleção do que o internauta deve consumir, funcionando, dessa maneira como umaforma interessante de filtrar apenas informações de fato interessantes para o usuário. É importante levar em consideração também que as redes sociais hoje setornaram importantes ferramentas para selecionar a avalanche de conteúdo que provemdo ciberespaço. Redes Sociais, Comunidades Virtuais e Fóruns de Discussão também se tornaram ambientes favoráveis para se chegar a determinados assuntos atraentes, pois muitas vezes as pessoas procuram saber algo que não estão conseguindo achar com facilidade na mídia ou não conseguem encontrar em nenhum buscador. O que fazem? Vão diretor perguntar aos grupos formados na rede e nas comunidades relacionadas com os temas procurados. (PRADO, 2010, p.53) Nessa mesma perspectiva, Recuero (2009a) defende a idéia de que as redessociais podem ser usadas como ferramentas que auxiliam os atores sociais na função degatekeepers, selecionando as informações mais importantes e publicando para outrosusuários. Ainda segundo a autora o papel da rede social pode ir mais longe: além defiltrar, uma rede social pode qualificar, complementar e repercutir um determinadoassunto. Uma informação que é passada adiante no Twitter, por exemplo, raramente éfeita é sem algum tipo de qualificação, um julgamento de valor ou uma observaçãodaquele que a passa. O próprio “retweet” é um instrumento que qualifica umainformação, lida e considerada relevante pela rede.2.4 As Mídias Sociais9 O Twitter é uma mídia social criada em 2006 pelo empresário e desenvolvedor de softwares JackDorsey que permite os usuários enviarem e receberem pequenos textos (tweets) de no máximo 140caracteres.10 A sigla RSS tem mais de um significado. Alguns a chamam de RDF Site Summary, outros adenominam Really Simple Syndication. Há ainda os que a definem como Rich Site Summary. O fato éque com este mecanismo, o internauta tem a possibilidade de reunir, em um único ambiente, conteúdosproduzidos por diversas fontes, sem a necessidade de acessar cada um dos sites responsáveis por eles.
    • 2.4.1 Participação do público na produção de conteúdo no ciberespaço Como se sabe, o advento das novas ferramentas de comunicação possibilitouuma nova dinâmica na produção das informações, principalmente no ambiente virtual.Com essas novas ferramentas, os conteúdos passaram a ser produzidos em umavelocidade nunca vista anteriormente e serem transmitidos em uma velocidade maiorainda. Desde que a Web 2.011 se instalou, serviços colaborativos de informaçãotambém se estabeleceram, o que resultou no surgimento de novos espaços para aprodução e a publicação de conteúdos. Nesta perspectiva, o internauta deixou de receberpassivamente toda esta gama de conteúdos que provem do ambiente virtual. Tendo à suadisposição uma infinidade de recursos, o internauta passou agora a produzir tambémseus próprios conteúdos no ciberespaço, aumentando dessa maneira os processos deinteração com outras pessoas dentro das comunidades virtuais, por exemplo. Neste novouniverso, cada usuário da Internet torna-se um produtor de informações em potencial,contribuindo diretamente para uma descentralização dos processos de produção edivulgação das informações. Prado (2010) ainda chama atenção para o fato de que, com o barateamento doscustos da produção e a não necessidade de concessões governamentais dentro dociberespaço, o usuário tem à sua disposição uma gama de ferramentas que ensinam,passo a passo, como produzir e distribuir livremente o conteúdo, seja este através detextos, áudios vídeos, gráficos ou qualquer outro recurso multimídia. No ciberespaço, então, cada sujeito é efetivamente um potencial produtor de informação: serviços colaborativos de informação, comunidades, blogueiros ou microblogueiros jornalistas - que vivem o fato e relatam em suas páginas pessoais. E, se a velocidade da informação também é um dos resultados da Internet, no caso do Twitter, é possível acompanhar eventos em tempo real. (LEMOS, 2008, p. 02) Alguns sites como o Wikipédia12, por exemplo, já oferecem uma opção para queos internautas possam modificar o conteúdo dos artigos apresentados pelo site e até11 Web 2.0 é um termo criado em 2004 pela empresa americana OReilly Media para designar umasegunda geração de comunidades e serviços na web, centrada nos mecanismos de busca como Google,nos sites de colaboração do internauta, como a Wikipédia e o YouTube, e nos sites de relacionamentocomo o Facebook e Orkut. 12 Criada em 15 de janeiro de 2000, a Wikipédia é uma enciclopédia virtual livre, onde pessoasde todo o mundo podem acessar e modificar os artigos que ela disponibiliza para consulta, desde quesejam preservados os direitos de cópia e modificações. Atualmente ela conta com mais de 17,6 milhõesde artigos cadastrados.
    • mesmo escrever novas publicações, fato este que evidencia esta participação maciça dopúblico na produção de informações, ou seja, o usuário passa a ser co-autor do conteúdodesses sites. Outro exemplo da participação do público na produção de conteúdos para aInternet pode ser observado no site sul-coreano Oh My News13, criado em fevereiro de2000 pelo jornalista Oh Yeon Ho e que tem como proposta o lema “Every citizen is areporter” (Todo cidadão é um repórter). Através deste site, cidadãos comuns podemenviar reportagens e outras publicações e uma equipe de jornalista do próprio site faz otrabalho de edição dessas reportagens. Em 2004 o site ganhou uma versão internacionale hoje já conta com aproximadamente 40 mil repórteres-cidadãos que diariamentefornecem uma grande quantidade de publicações de todas as partes do mundo. Os blogs também representam hoje uma importante ferramenta de participaçãodo público na produção de conteúdo para a Internet. Com os blogs, o internauta dispõeda liberdade de fazer postagens sobre diversos assuntos que na grande maioria das vezesnão são pautados pela mídia tradicional, o que acaba contribuindo dessa maneira para oprocesso de democratização da comunicação. Outros exemplos da produção de conteúdos pelos internautas podem serobservados em vários outros sites de notícias que também já oferecem opções para queo público possa contribuir com algum tipo de conteúdo, seja através de imagens, vídeos,textos ou áudio, por exemplo. No portal Imirante.com14 pode-se observar o “Vc noImirante”; o portal G115 tem o “Vc no G1”; no portal O Globo16, o público podeparticipar através do espaço “Eu repórter”; e no portal Terra17 tem o “VC Repórter”. É interessante observar que esta participação do público na produção deconteúdos não é um fenômeno recente. No período da ditadura militar no país, porexemplo, muitas pessoas publicavam seus textos em fanzines e jornais alternativos ouentão colocavam no ar rádios livres, comumente chamadas de piratas, para expor suasopiniões e defender um determinado ponto de vista. No entanto, no processo de13 <http://www.ohmynews.com>14 <http://www.imirante.com>15 <http://www.g1.com>16 <http://oglobo.globo.com>17 <http://www.terra.com.br>
    • produção de conteúdo nesse período não havia um feedback sistemático ou em volumesignificativo daqueles que eram os destinatários da informação, o que era dificultadopela ausência de aparatos técnicos que facilitassem esse retorno do emissor ao receptor,refletindo na qualidade do conteúdo que era produzido. O fato é que as tecnologias digitais têm servido como motivador para uma maiorinterferência do público receptor no processo de produção das notícias. Além disso, aparticipação do público na produção de informações vem contribuindo diretamente paraa quebra do monopólio da grande mídia e a democratização da comunicação,culminando dessa maneira, na ascensão do chamado jornalismo participativo18,principalmente na Internet. Outro fator que motiva o desenvolvimento do webjornalismo participativo é a vulgarização de máquinas de fotografia digital e celulares que podem captar fotos ou vídeos e enviar mensagens multimídia. Essas tecnologias de comunicação móvel facilitam o registro e divulgação de fatos no momento em que eles ocorrem. As empresas jornalísticas passaram a contar com a pulverização de fontes de imagens e informações, mesmo onde não haja qualquer jornalista ou repórter-fotográfico. (PRIMO E TRASEL, 2006 p. 04) Deve-se levar em consideração também que a participação do público naprodução das informações também se deu por causa de um descontentamento por partedo indivíduo em relação à mídia como ela se apresenta atualmente. Muitas vezes, porcausa da parcialidade com que a mídia trata alguns assuntos de interesse público, osleitores acabam produzindo, eles próprios, a informação que os interessa e com isso quebram omonopólio da imprensa tradicional que, muitas vezes, pauta um determinado assuntoapenas por interesse próprio e não por interesse público. As Novas Tecnologias de Comunicação e Informação permitiram que houvesseuma espécie de inversão do poder nas relações de comunicação contemporânea. O queantes era domínio dos grandes grupos de mídia e das corporações, hoje também é deposse dos usuários de Internet, contribuindo diretamente para a formação de uma mídiamais independente e democrática. Para Caparelli (apud PRIMO e TRASE, 2006, p.06), “a imprensa alternativasurge toda vez que o bloqueio da informação por parte do poder obrigou a numerososgrupos formarem seus próprios canais de expressão”. Nesta perspectiva, com o contínuo 18 O Jornalismo Participativo pode ser definido como aquele produzido por qualquer integrante deuma sociedade que tenha acesso a informações de interesse público e decida publicá-las, semnecessariamente ter alguma formação técnica em jornalismo. (Gillmor apud PRIMO e TRASE, 2006).
    • avanço das ferramentas digitais, a cada dia abre-se o espaço para que as produçõesindependentes ganhem ainda mais evidência. Além disso, o internauta, devido aoconhecimento mais aprofundado que possui sobre o ciberespaço, tem uma facilidademaior para buscar fontes primárias de informações, podendo servir como mediação parao jornalista profissional. Dentro do ciberespaço, graças aos vários softwares gratuitos disponíveis na rede,o internauta tem a possibilidade de produzir livremente uma infinidade de conteúdosque antes eram produzidos apenas pela mídia tradicional, o que acaba contribuindodiretamente para a formação deste jornalismo participativo. Nesse sentido, asinformações são produzidas por todos e para todos. Outro projeto de webjornalismo participativo é o Wikinews19 baseado no modelo Wiki, em que todo interagente pode publicar textos ou editar as contribuições dos outros, usando para isso apenas um browser comum. Ou seja, no Wikinews qualquer pessoa pode publicar notícias e editar aquelas publicadas por outros colaboradores. O internauta que identifica um erro ou acredita ter alguma informação a mais pode modificar o texto original da notícia, fazendo correções ou acréscimos. (PRIMO E TRASEL, 2006 p. 13) Além disso, devido ao espaço na Web ser ilimitado, muito diferente dos veículosde massa tradicionais que possuem várias limitações técnicas, o internauta tem apossibilidade de buscar uma série de outras fontes dentro do ciberespaço que possamajudá-lo a reunir uma série de outras informações para uma determinada matéria.2.4.2 Formação das Mídias Sociais Como o ciberespaço é um local infinito em virtude das contínuas e ilimitadasinterações que podem ser feitas dentro dele, abre-se espaço para as produçõesindependentes, que antes não tinham espaço para a divulgação na mídia tradicional,fazendo com que cada vez mais os usuários produzam algum tipo de conteúdo. Como consequência desta participação cada vez mais acirrada do público naprodução das informações, pode-se observar o surgimento das chamadas MídiasSociais, também chamadas de New Media (Novas Mídias). Vale destacar que osurgimento recente das mídias sociais também tem criado novas formas de mobilizaçãoe organização, que alteram a dinâmica de interação entre os atores da sociedade.19 A página do Wikinews oferece o botão Edit (editar), onde o internauta tem a possibilidade de modificaro texto da notícia ou página em questão, acrescentando também links e outros recursos multimídia atravésde formulários de fácil utilização. Ao clicar em Save (salvar), a nova versão é publicada e a antiga entraem um histórico que registra as versões anteriores. Através deste recurso pode-se reverter a notícia parauma versão antiga em caso de vandalismo ou erros.
    • As Mídias Sociais podem ser definidas como ferramentas, baseadas nosfundamentos tecnológicos da Web 2.0, que possibilitam a interação social a partir docompartilhamento ou da criação de informações nos mais diversos formatos. O nome sedá porque tais ferramentas são sociais, ou seja, são abertas a todas as pessoas parainteração e inserção de informações e conteúdos; e são mídias, pois não deixam de serum meio de transmissão de informações. As mídias sociais permitem, além da comunicação e publicação propriamente ditas, uma efetividade nunca antes vista em termos de transmissão de conceitos, iniciativas de mobilização, estruturação de redes colaborativas e diversas formas de ação social coordenada, dando aos seus usuários um inaudito poder de barganha frente aos tradicionais detentores do poder nos campos sociais da comunicação e da política. (RABELO, 2010, p. 03) É importante fazer uma ressalva para a distinção entre as Mídias Sociais e asRedes Sociais. Como foi exposto anteriormente, as Redes Sociais caracterizam-se pelaaglutinação de pessoas dentro de um espaço virtual previamente determinado, onde osindivíduos dessa rede se relacionam com um ou mais indivíduos, formando verdadeirascomunidades dentro do ciberespaço. As redes sociais na Internet são constituídas porelementos “que servem de base para que a rede seja percebida e as informações arespeito dela sejam apreendidas” (RECUERO, 2009a, p.25). Dessa forma, para a autora,os elementos que compõem as redes sociais na Internet são atores e conexões. Nesse caso, o principal objetivo das Redes Sociais é formar grupos deindivíduos, com interesses em comum, que possam manter algum tipo de relação dentrodo ambiente virtual. Como exemplos de Redes Sociais pode-se citar o Orkut, Facebook,MySpace, LinkedIn20e Formspring21. Já por outro lado, as Mídias Sociais possuem o foco na divulgação deinformações na Internet. Para André Telles, “as Mídias Sociais são sites na Internetconstruídos para permitir a criação colaborativa de conteúdo, a interação social e ocompartilhamento de informações em diversos formatos”. (TELLES, 2010, p. 10).Exatamente como um blog, que ao mesmo tempo dissemina conteúdo e abre espaçopara os leitores interagirem, estas mídias seriam ferramentas que tem como objetivo o20 O LinkedIn é uma rede social lançada em maio de 2003 que tem o objetivo de formar relacionamentosvoltado para o ambiente empresarial.21 O Formspring foi lançado em Novembro de 2009 e permite que usuários enviem perguntas para outrosusuários. Todas as perguntas enviadas são guardadas na caixa de entrada e quem recebeu as perguntasdecide se responde ou não a elas e as publica em seu perfil.
    • compartilhamento de conteúdo, sendo que as relações que podem se formar ficam emsegundo plano. Apesar dessa distinção entre as mídias e as redes sociais, muitas vezes esses doisconceitos se confundem justamente por causa da forma como cada indivíduo utilizaessas ferramentas, ou seja, a definição entre Rede Social e Mídia Social vai dependerúnica e exclusivamente dos objetivos do internauta. O Twitter, por exemplo, pode serusado como mídia social, tendo como objetivo apenas difundir conteúdo, ao mesmotempo em que o microblog pode ser usado como rede social, apenas para seguir amigose conversar entre eles.
    • 3 JORNALISMO NA INTERNET É difícil negar que o desenvolvimento das Novas Tecnologias de Comunicação eInformação trouxe consigo profundas mudanças em diversos segmentos da sociedade.Nessa perspectiva instala-se um novo contexto e pode-se afirmar com segurança que asociedade, da forma em que está organizada atualmente, é fruto do contínuodesenvolvimento dessas ferramentas. As tecnologias de comunicação periodicamente resultam em significativas transformações na sociedade e causam grandes mudanças de hábitos e comportamentos. Cada um no seu tempo, o telégrafo, o telefone e o aparelho de fac-símile deixaram suas marcas no comércio, na vida profissional e no nosso cotidiano. Agora chegou a vez da Internet, oferecendo amplos recursos técnicos e um novo suporte para as mais diversas atividades. (PINHO, 2003, p. 57.) Os meios de comunicação também foram fortemente influenciados pelodesenvolvimento dessas novas tecnologias. Com a chegada da Internet, por exemplo, foipossível observar uma mudança dos meios tradicionais para este novo suporte. Norádio, a primeira emissora que passou a disponibilizar seu conteúdo apenas na Internetfoi a Rádio Totem no ano de 199822; nos jornais impressos, a mudança de suporte para oambiente virtual pode ser observada inicialmente na fase transpositiva do jornalismo23; ecom relação à TV, hoje também já é possível acompanhar a programação de algumasemissoras através da Internet. A partir desse momento, as informações passaram a ser produzidas, transmitidase consumidas a uma velocidade nunca vista anteriormente, fato este que também alteroudrasticamente o modo de fazer e pensar o jornalismo utilizando como suporte a Internet.22 Um ano antes, em 1997, já foi possível observar uma experiência de radiojornalimo na Internet, quando asemissoras Jovem Pan Am, Bandeirantes, CBN e a Rádio Eldourado AM começaram a disponibilizar oconteúdo no ambiente virtual.23 A fase transpositiva do jornalismo será melhor analisada mais adiante quando serão abordadas as fases dojornalismo na Internet.
    • As novas tecnologias alteraram os modos convencionais de compreensão do tempo e doespaço24, noções essenciais para o exercício e consumo do jornalismo. Se tais noçõesmudam – e junto com elas a compreensão da sociabilidade e do homemcontemporâneos – muda junto o conceito sobre o jornalismo. Para Alves (2006), o contínuo desenvolvimento das novas tecnologias decomunicação disponíveis no ciberespaço contribuiu diretamente para a alteração dosparadigmas que antes eram utilizados para definir os processos comunicacionais,contribuindo dessa forma para a alteração também das rotinas de produção jornalística. A Internet, no entanto, não é apenas um novo meio, como foram o rádio e a TV, cada um acrescentando um canal sensorial à comunicação existente: o sentido da audição, no caso do rádio, e o da visão, no caso da TV. A web representa uma mudança de paradigma comunicacional muito mais ampla que a adição de um sentido. Ela oferece um alcance global, rompendo barreiras de tempo e espaço como não tínhamos visto antes. A indexação do meio digital permite a acumulação de conteúdo, rompendo os paradigmas comunicacionais que o jornalismo tinha criado. (ALVES, 2006, p. 95) Além do surgimento dessas novas ferramentas de comunicação e informação,pode-se dizer que o acesso facilitado à Internet, a produção móvel de conteúdo e aparticipação do público também estão influenciando diretamente a maneira de fazerjornalismo nos dias atuais. Tais influências se deram principalmente nos processos deapuração, produção, publicação e circulação da informação no ciberespaço. Para Pavik e Ross (apud DEUZE, 2006, p.19), o impacto dessas novasferramentas de comunicação no jornalismo torna-se melhor compreendido quando sãoanalisados quatro aspectos fundamentais dessa influência: o impacto nas produções dasnotícias nesse suporte, na dinâmica de funcionamento das redações, no modo detrabalho dos jornalistas e nas relações que se estabelecem entre os jornalistas e opúblico. Apesar desta influência ser bem mais evidente nos dias atuais, Deuze (2006)considera ainda que a atividade jornalística sempre foi dependente dessas novasferramentas. Segundo ele: O jornalismo tem sido sempre dependente da tecnologia. De modo a alcançar estatuto público e chegar à audiência de ‘massas’, a profissão conta com a tecnologia para a recolha, edição, produção e disseminação da informação. Desde o aparecimento dos primeiros jornais na Europa, durante o século XVII, a tecnologia tem permitido que o jornalismo se organize em torno de24 As novas noções de tempo e espaço foram trabalhadas no primeiro capítulo deste trabalho.
    • uma premissa básica: a transmissão rápida e perceptível de informação. (DEUZE, 2006, p.17) A utilização da Internet pelo jornalismo, segundo Deuze, deu-se principalmenteem meados dos anos 90, momento este em que a presença da Internet ficava cada vezmais evidente entre as redações dos jornais tornando-se, consequentemente, umaplataforma para a divulgação de conteúdos. Graças a essas novas ferramentas de comunicação, o jornalismo estáexperimentando mudanças que alteram completamente as rotinas de produçãojornalística dentro do ciberespaço. Tendo como suporte a Internet, a notícia passa agoraa ser apresentada em um novo formato que leva em consideração todas as característicase especificidades do ambiente virtual. É interessante observar que essas novas ferramentas, além de abrirem um novoespaço para a produção jornalística, estão fazendo com que os profissionais que atuamnessa área se adaptem a esta nova realidade do fazer jornalístico. Nessa perspectiva, éde extrema importância que os profissionais que trabalham nessa área tenham um amploconhecimento dessas novas tecnologias para tirar o proveito de todas as potencialidadesque o ambiente virtual proporciona para a produção jornalística. O jornalista online tem que fazer escolhas relativamente ao(s) formato(s) adequado(s) para contar uma determinada história (multimídia), tem que pesar as melhores opções para o público responder, interagir, ou até configurar certas histórias (interatividade) e pensar em maneiras de ligar o artigo a outros artigos, arquivos, recursos, etc., através de hiperligações (hipertexto).(DEUZE, 2006, p.18) Para Mielniczuk (2004), o momento pelo qual passa o webjornalismo naatualidade promove rupturas no modelo de jornalismo para Internet e investegradualmente no uso de tecnologias para a web. Nessa perspectiva, os vários softwaresde publicação, como o Twitter, por exemplo, integraram-se de vez nas rotinas deprodução jornalística para a web, permitindo que fosse explorado todas aspotencialidades que esse meio disponibiliza.3.1 As fases do jornalismo na Internet3.1.1 Um pouco da história da Internet Para entender como a produção jornalística vem se desenvolvendo ao longo dotempo utilizando como suporte a Internet, é importante analisar primeiramente como
    • ocorreu o processo de desenvolvimento da Internet, desde a sua concepção até que elaapresente as especificidades que possui nos dias atuais. Para Castells (apud PRADO, 2010, p. 09), “a criação e o desenvolvimento daInternet nas três últimas décadas do século XX forma consequência de uma fusãosingular de estratégia, militar, grande cooperação científica, iniciativa tecnológica einovação contracultural”. O princípio de uma conexão entre computadores pode ser observado no ano de1969 quando a Advanced Reserch Projects Agency (ARPA – Agência de Pesquisa eProjetos Avançados), um órgão criado em 1958 pelo Departamento de Defesa NorteAmericano, desenvolveu o Arpanet, uma rede de computadores que servia para garantira comunicação emergencial entre universidade e institutos de pesquisa a serviço doexército, caso os Estados Unidos sofressem algum tipo de ataque. A primeira mensagem a ser enviada por esse novo sistema de comunicaçãoocorreu às 22h30min do dia 29 de outubro de 1969 em um laboratório na Califórnia. Amensagem enviada foi a palavra “lo”, que na verdade era para ser “login”, mas nomomento do envio da mensagem a conexão caiu e demorou mais de uma hora para serrestabelecida novamente. Depois de aproximadamente um mês foi estabelecida aprimeira conexão estável entre quatro computadores. O público tomou conhecimento desse novo sistema no ano de 1972, durante arealização da I Conferência sobre Comunicações Computacionais, na cidade deWashington, no qual a Arpanet foi capaz de conectar 40 máquinas e o TerminalInterface Processor (TIP). O tráfico de informações utilizando a Arpanet cresceurapidamente. Entre os usuários desse novo sistema estavam principalmentepesquisadores universitários com trabalhos na área de segurança e defesa, foco principalda Arpanet. A Arpanet rapidamente expandiu-se para além das fronteiras norte-americanas.A Inglaterra e a Noruega, por exemplo, foram os dois primeiros países a estabeleceremuma conexão internacional através da University College de Londres e da Royal RadarEstablishment. Em 1990, o Brasil passou a fazer parte da rede mundial de computadoresjuntamente com Argentina, Áustria, Bélgica, Chile, Grécia, Irlanda, Coréia, Espanha eSuíça.
    • O cenário do final dos anos 80 era este: muitos computadores conectados, mas principalmente computadores acadêmicos instalados em laboratórios e centros de pesquisa. A Internet não tinha a cara amigável que todos conhecem hoje. Era uma interface simples e muito parecida com os menus dos BBS25. Mas, enquanto o número de universidades e investimentos aumentava em progressão geométrica, tanto na capacidade de hardwares como dos softwares usados nas grandes redes de computadores, outro núcleo de pesquisa, até bem modesto, criava silenciosamente a World Wide Web (Rede de Abrangência Mundial), baseada em hipertexto e sistemas de recursos para a Internet. (FERRARI, 2003, p.16) Paralelamente ao desenvolvimento da Arpanet, tem-se também o surgimento deuma primeira experiência que mais adiante viria a se tornar o e-mail da forma comoconhecemos atualmente. Essa primeira experiência foi desenvolvida pelo engenheiroRay Tomlinson, idealizador de um software chamado SNDMSG (Send Message) quepermitia que qualquer pessoa que estivesse conectada com a Arpanet pudesse trocarmensagens. O grande marco nesta nova criação foi a utilização do sinal “@” 26 (arroba),sendo possível identificar quem estava enviando as mensagens. Em 1991 a Internet27 experimentou um verdadeiro boom logo após a criação daWorld Wide Web28 (WWW) pelo programador inglês Tim Bernes – Lee, que trabalhavano Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN – Conseil Européene pour laRecherche Nucléaire), localizado em Genebra, na Suíça. A World Wide Web constitui-se como um modo de organização das informações e dos arquivos dentro dociberespaço que utiliza o Hypertext Markup Language (HTML) como a linguagempadrão para o desenvolvimento de pagina na Internet, o Hypertext Transport Protocol(HTTP), que é o protocolo de transmissão de dados entre os servidores e o UniformResource Locator (URL), um sistema de endereçamento próprio que permite identificare acessar um serviço na Web.25 Bulletin Board Systems – Sistema de Boletim Eletrônico. É um software que permitia que usuários seconectassem usando um programa de terminal e uma linha telefônica. A interface desse programa erabastante rudimentar, sem gráficos ou imagens, apenas texto e todas as atividades eram desenvolvidasusando apenas o teclado.26 Em inglês, a arroba é lida como “at”, significando “em”. Dessa maneira é possível identificar que ousuário está localizado em um determinado domínio.27 A expressão Internet surgiu a partir da expressão inglesa INTERacion or INTERconnection betweencomputer NETworks, ou seja, Interação ou Interconexão entre Redes de Computadores.28 Muitas pessoas confundem a Web com a própria Internet. No entanto, a Internet teve a sua origem nadécada de 1960 com o desenvolvimento da Apranet e a Web refere-se a apenas um dos serviçosoferecidos pela Internet. Deve-se levar-se em consideração também que a Web refere-se à parte gráfica daInternet, em que é possibilitada a interação.
    • A popularização da Internet teve início a partir do ano de 1993, quando oestudante de computação norte-americano Marc Andreessen desenvolveu a versão 1.0do navegador Mosaic. O programa inovou por ser totalmente gráfico, o que tornava anavegação pela Internet mais leve. A partir de então, a Internet cresceu vertiginosamente como uma rede global decomputadores. Os números que representam esse crescimento são extremamentesignificativos. Em 2009, por exemplo, eram mais de 1.73 bilhões de usuáriosespalhados ao redor de todo o mundo; aproximadamente 247 bilhões de e-mail foramtrocados todos os dias; eram 234 milhões de sites registrados até Dezembro de 2009. Osnúmeros fazem parte de um relatório divulgado pelo Pingdon, um site demonitoramento de conteúdos digitais. Atualmente, é justo afirmar que esses númerosreferentes ao crescimento da Internet no mundo cresceram de forma exponencial. Com esse desenvolvimento, ela foi capaz de modificar drasticamente os padrõesde comportamento da sociedade. Com a atividade jornalística aconteceu a mesma coisa:pelo fato do jornalismo ser uma atividade bastante dinâmica, ele facilmente éinfluenciado pelo desenvolvimento de novas tecnologias que atingem os meios decomunicação e, consequentemente, a produção jornalística. O desenvolvimento do jornalismo na Internet29 deu-se mais precisamente nofinal da década de 1990, período este em que a Internet experimentou um verdadeiroboom e começou a adentrar também no ambiente das redações, obrigando, dessamaneira, que houvesse uma readaptação das práticas jornalísticas dentro do ambientedas redações. “No início, sob o olhar de desconfiança de muitos jornalistas... asempresas fora, entrando na web vagarosamente. Era preciso experimentar, testar oretorno e ver se realmente o sistema digital funcionava” (PRADO, 2010, p.31) Nesta perspectiva, a produção jornalística no ciberespaço foi se modificandogradativamente conforme, a Internet foi sendo introduzida nas redações. Com isso,pode-se observar o surgimento de 3 fases distintas do jornalismo na Internet: FaseTranspositiva, Metafórica e Multimidiática.3.1.2 Fase Transpositiva29 A partir desse desenvolvimento surge então o conceito de web 1.0, a primeira geração da Internetcomercial, na qual os sites que faziam parte desta geração não possuíam recursos interativos.
    • Na Fase Transpositiva, ou primeira geração do jornalismo na Internet observava-se umaadequação com relação a forma de se publicar e acessar o conteúdo pelo meio digital.Nesta fase havia apenas uma transposição, ou seja, uma mudança de suporte, no qual ostextos que eram escritos nos jornais impressos eram transcritos para o modelo digital, semqualquer tipo de alteração no conteúdo. Na maioria das vezes, profissionais na área de design e computação eram osresponsáveis por realizar esta transposição, pois apenas eles possuíam o conhecimentodos códigos necessários para realizar as postagens das matérias. Nesse período asredações dos jornais não possuíam uma equipe exclusiva de jornalistas quetrabalhassem com o conteúdo digital sendo que Internet ainda era vista comdesconfiança pelos profissionais mais experientes da época. Nessa geração as rotinas de produção jornalística para a Web eram totalmenteligadas com as rotinas do jornalismo impresso uma vez que material era atualizado acada 24 horas, de acordo com o fechamento da edição impressa do jornal. Adisponibilização do material jornalístico no ambiente virtual dava-se apenas parapreencher certo espaço, ignorando todas as potencialidades que esse novo ambienteproporciona. Nos Estados Unidos, os primeiros jornais a disponibilizarem o conteúdo noambiente virtual foram o The Nando Times, em 1994, e o The San Jose MercuryCenter, em 1995. No Brasil, no ano de 1995, o jornal “Folha de São Paulo” coloca naInternet sua primeira página. Pouco tempo depois foi a vez dos periódicos “O Globo” e“Jornal do Brasil” disponibilizarem suas versões no ciberespaço. Nesse mesmo períodoa Revista Veja também começava a criar sua versão online, que era atualizada com amesma periodicidade do veículo impresso. É interessante observar que os primeiros jornais a disponibilizaram suas páginasna Internet estavam vinculados aos grandes conglomerados midiáticos que jácomeçavam a investir, mesmo que timidamente, nessa nova tendência, o que levariafuturamente à formação dos primeiros portais de notícia. Empresas tradicionais como as Organizações Globo, o grupo Estado (detentor do jornal O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde) e a Editora Abril se mantêm como os maiores conglomerados de mídia do país, tanto em audiência quanto em receita de publicidade. Foram eles que deram os primeiros passos na Internet brasileira, seguidos pelo boom mercadológico de 1999 e 2000... (FERRARI, 2006, p.27)
    • 3.1.3 Fase Metafórica Na década de 2000 inicia-se a segunda geração do jornalismo online, época emque surge o portal de notícias IG e o jornal Último Segundo. Foi nessa época quesurgiram também os primeiros blogs e fotologs, que contribuíram para uma maiordinamização da produção de conteúdos na Internet. Nessa fase alguns recursos disponíveis no ciberespaço começaram a ser usadospara dar um maior dinamismo na produção das notícias para este suporte,principalmente no que diz respeito à utilização do hipertexto e às várias outraspossibilidades que este recurso disponibiliza como, por exemplo, as listas das últimasnotícias e matérias relacionadas. Nesta geração foi iniciada, ainda que timidamente, a produção do conteúdoexclusivamente para o meio digital. Os primeiros recursos interativos começaram aaparecer como, por exemplo, o uso de e-mail e fórum de debates. Um layout dos jornaispróprio para o ciberespaço também começou a ser pensado nessa fase. Para Luciana Mielniczuk, foi nessa fase que o webjornalismo começou a tomaras características e especificidades que ele apresenta atualmente. Segundo ela: O cenário começa a modificar-se com o surgimento de iniciativas tanto empresariais quanto editoriais destinadas exclusivamente para a Internet. São sites jornalísticos que extrapolam a idéia de uma simples versão para a Web de um jornal impresso e passam a explorar de forma melhor as potencialidades oferecidas pela rede. Tem-se, então, o webjornalismo. (MIELNICZUK, 2001, p. 02)3.1.3 Fase Multimidiática Na terceira e atual fase do jornalismo na Internet consolida-se a produção deconteúdos exclusivamente para o ambiente virtual. Nesta terceira fase, as publicaçõesonline passam a juntar definitivamente a hipermídia com a produção das notícias,aprofundando, dessa forma, a hipertextualidade e outros recursos multimidiáticos comoa integração de áudios, imagens ou então vídeos às notícias. Para Plavlik (apudMielniczuk, 2001, p.07) o aspecto mais importante desta fase são as narrativashipermidiáticas que possibilitam que o leitor navegue através das informações emmultimídia.
    • Nessa fase, a produção jornalística beneficia-se de todas as potencialidades queo ambiente virtual disponibiliza como interatividade, multimidialidade,hipertextualidade, atualização contínua, acesso a bancos de dados (memória) e apersonalização, potencialidades essas que serão analisadas mais rigorosamente aindaneste capítulo. Babosa (2008) vai mais além ao afirmar que, devido às crescentes inovaçõestecnológicas, o webjornalismo já se encontra em um quarto estágio de desenvolvimentoonde os conteúdos advindos desse novo modelo são estruturados principalmente embanco de dados. Nessa perspectiva, o conteúdo jornalismo que advêm desse novomodelo surge devido uma maior aproximação entre os campos da comunicação einformática. A identificação de uma quarta geração para o desenvolvimento, edição, formato de produtos, criação de conteúdos, construção de narrativas jornalísticas hipermídia, experimentação com novos gêneros jornalísticos, assim como novos modos para a apresentação e visualização das informações, no ciberjornalismo, leva em conta diversos fatores, tanto os de cariz infra-estrutural e tecnológicos como aqueles mais diretamente relacionados à atividade jornalística nas redes. (LARRONDO; BARBOSA; MIELNICZUK. 2008. p.02)3.2 Características do jornalismo na Internet Com o advento da Internet e a influência desta nos meios de comunicação demassa, é perfeitamente razoável deduzir que novas rotinas de produção jornalísticaapareçam no ciberespaço. O modo de pensar e fazer o jornalismo nesse novo suportedeve levar em consideração todas as potencialidades que este novo meio disponibiliza ea mudança de linguagem que exige. Cada suporte, seja o rádio, a televisão ou o impresso, por exemplo, tem a suaespecificidade e isso se reflete na produção jornalística deste meio. Dentro do ambientevirtual, o jornalismo passa a apresentar características específicas que permitem umaanálise em estudo mais detalhado de como são desenvolvidas as rotinas de produçãonesse novo suporte. De acordo com Marcos Palácios, as principais características apresentadas poreste novo suporte são: Hipertextualidade, Interatividade, Multimidialidade,Personalização, Memória e Atualização Contínua. É importante levar em consideração
    • que tais características influenciam diretamente os processos de produção, transmissão erecepção do conteúdo jornalístico no ciberespaço. Essas seis características refletem as potencialidades oferecidas pela Internet ao jornalismo desenvolvido para a Web. Deixe-se claro, preliminarmente, que tais possibilidades abertas pelas Novas Tecnologias de Comunicação (NTC) não se traduzem, necessariamente, em aspectos efetivamente explorados pelos sites jornalísticos, quer por razões técnicas, de conveniência, adequação à natureza do produto oferecido ou ainda por questões de aceitação do mercado consumidor.. (PALÁCIOS, 2003, p. 03) Apesar dessa nova dinâmica que o ambiente virtual possibilita para o jornalismo,Prado (2010) chama atenção para o fato de que, seja no ciberespaço ou então emqualquer outro suporte, a atividade jornalística sempre vai apresentar o mesmo esquemade produção na notícia, seja com o planejamento da reportagem, a pesquisa do tema, aprocura das fontes e personagens e na apuração das informações obtidas.3.2.1 Hipertextualidade Trata-se da principal característica da produção jornalística no ciberespaço.Refere-se a um padrão de organização das informações dentro do ambiente virtual ondeo internauta tem a possibilidade de obter uma gama de informações disponíveis napágina do veículo em que ele está lendo a notícia ou então em qualquer outro site. Tal possibilidade de navegação entre as páginas dentro do ambiente virtual só épossível graças ao hipertexto que faz a conexão dos vários materiais disponíveis nociberespaço através dos links, contribuindo para que o internauta tenha uma informaçãomais detalhada sobre um determinado assunto. Para Lemos (2008) na construção dehipertextos, é de responsabilidade do jornalista construir segmentos textuais que tenhamum sentido completo e que permitam a construção de relações de sentido, mesmo seacessados em uma ordem diferente. Ainda para o autor, a produção de hipertextosprevê, na definição dos links, diferentes leitores e intenções de leitura e diversos efeitosde sentido. O Hipertexto utilizado no ambiente das redes telemáticas vai permitir a em uma mesma tela a coexistência de textos, sons e imagens, tendo como elemento inovador a possibilidade de interconexão quase instantânea através de links, não só entre partes de um mesmo texto, mas entre textos fisicamente dispersos, localizados em diferentes suportes e arquivos integrantes de uma teia de informação constituída pela Web. (MIELNICZUK; PALÁCIOS. 2001 p.01)
    • Diferentemente dos meios de comunicação convencionais, onde o público éobrigado a seguir um caminho já determinado pelos jornalistas em uma leitura lineardas informações, através do hipertexto, o internauta tem a possibilidade de montar seupróprio caminho de leitura, buscando as informações que mais lhe interessa,caracterizando dessa maneira uma leitura não-linear do conteúdo. Deve-se levar emconsideração também o fato de que o hipertexto está diretamente relacionado com acapacidade que a mente humana tem em associar diferentes idéias, o que leva ointernauta a ter uma facilidade maior em realizar uma leitura não-linear de umadeterminada informação no ambiente virtual. É interessante observar que dentro do ambiente virtual, por meio dessa leituranão-linear, garantida através das várias conexões obtidas por meio dos links, asinformações são organizadas por meio da pirâmide deitada, em contraponto com atradicional pirâmide invertida do jornalismo. Por meio da pirâmide invertida, o jornalista organiza a notícia em uma ordemdecrescente de importância, no qual a informação mais importante fica no início dareportagem e a menos importante, no final. Nesse modelo de organização da notícia, éde fundamental importância que o lead (o quê, quem, onde, quando, como e por que)esteja respondido de forma clara e objetiva logo no inicio da notícia. FIGURA 1: Modelo tradicional da Pirâmide Invertida Fonte: CANAVILHAS, 2006 Já na pirâmide deitada, proposta por Canavilhas (2006), a informação é dispostaem quatro níveis de leitura, em que o primeiro representa a Unidade Base, que vairesponder as perguntas essenciais como o “o quê”, “quem” “quando” e “onde”; osegundo refere-se ao Nível de Explicação, que responde ao “por quê” e ao “como” eoferece mais informações a respeito de um determinado fato; o terceiro trata do Nível deContextualização, que oferece mais informações a respeito do fato estudado, através de
    • recursos multimidiáticos como fotos, vídeos, áudio e infografia, por exemplo; e por fimo Nível de Exploração, que oferece aos usuários uma série de outros fatos relacionadoscom a notícia que é analisada. FIGURA 2: Modelo da Pirâmide Deitada Fonte: CANAVILHAS, 2006 No Twitter, por exemplo, a hipertextualidade pode ser observada no final decada tweet30, no qual é disponibilizado um link para que o internauta possa buscar maisinformações a respeito daquela notícia que é postada no perfil do Twitter de umadeterminada empresa jornalística.3.2.2 Interatividade A interatividade pode ser definida como um conjunto de formas e recursos quepermitem que o usuário possa estabelecer uma relação mais próxima com os jornalistasresponsáveis pela publicação de uma determinada notícia na web. Através de e-mails,chats online, fóruns de discussão, por exemplo, o internauta tem essa possibilidade deinteração e ainda contribui diretamente no processo de produção das notícias. Baseados nos conceitos de interação e de nível de interação propostos por Primo(2008), no Twitter, por exemplo, pode-se observar que os elementos oferecidos por essaferramenta vão possibilitar uma interatividade. Através do link “Reply” (responder),existe a possibilidade de o jornalista ou qualquer outro usuário possa responder a uma30 Refere-se a postagem de cada perfil do Twitter. O tweet será analisado mais rigorosamente no capítuloseguinte, referente as características e especificidades do Twitter.
    • determinada publicação em sua Timeline. Outra forma de interação também pode serobservada com a Direct Message (mensagem direta), que pode ser enviada paraqualquer usuário do Twitter, desde que este seja um dos seus Followers (seguidores) A natureza desse suporte permite que o feedback dos jornalistas com relação aosinternautas seja mais visível, se comparado com os meios de comunicação tradicionais,onde o processo de comunicação é realizado em apenas uma única direção: dosjornalistas para o público. Mielniczuk (2001) vai mais além ao afirmar que diante da tela do computador ointernauta estabelece uma relação não apenas com os produtores da notícia, mastambém com o computador, com a própria notícia, através do hipertexto, e também comos outros internautas. Segundo a autora, “neste contexto, não se pode falarsimplesmente em interatividade e sim em uma série de processos interativos. Adota-se otermo multinterativo para designar o conjunto de processos que envolvem a situação doleitor de um jornal na Web.” (MIELNICZUK, 2001, p.03). Por isso, dentro do ambientevirtual é possível observar duas possibilidades de interação: a primeira está diretamenterelacionada com a utilização dos recursos hipertextuais e multisequenciais e restringe-seao âmbito da experiência que o usuário tem em navegar as diversas páginas dentro dociberespaço; a segunda refere-se às possibilidades decorrentes da interação entreusuários, que pode gerar, por exemplo, novos gêneros jornalísticos. É importante chamar atenção para o fato de a interatividade, apesar de ser bemmais acentuada no ambiente virtual, não ser exclusiva desse espaço. Nas mídiastradicionais o público também interage com os produtores de notícia através de e-mails,telefones, cartas e outros recursos. Por isso é justo afirmar que a Internet, de certaforma, potencializou, com exceção da hipertextualidade que é própria do ambientevirtual, não apenas a interatividade, mas todas outras características que hoje são usadaspara definir o jornalismo na Internet. Hoje, a grande maioria dos sites já disponibiliza uma série de recursosinterativos para que o público possa, além de ter uma relação mais próxima com oseditores de conteúdo de um determinado site jornalístico, contribuir diretamente para aprodução do conteúdo no ciberespaço. Exemplo desse recurso pode ser observado nasseções “Vc no Imirante” do portal “Imirante.com”, onde o internauta pode contribuirenviando textos ou fotos sobre um determinado fato.
    • Todas essas possibilidades de interação caracterizam o que Deuze e Alves(2006) chamam de jornalismo-cidadão, ou seja, graças a esses novos recursosinterativos, a produção do conteúdo jornalístico na Internet deixou de ser exclusividadedos jornalistas, deixando margem para o surgimento das chamadas Mídias Sociais. Às vezes, a interação do público ultrapassa as opiniões que proferem nos simples comentários, suas preferências registradas nos rankings, seus votos em enquetes, tópicos em fóruns, textos na Wikipédia jornalística; os internautas querem mais e mais, e a rede favorece mais e mais a participação... quando não somente o internauta envia textos, fotos, vídeos etc., mas sim passa a participar sistematicamente, como um colaborador, um jornalista colaborador, um prosumer31 em meio a uma inteligência coletiva. (PRADO, 2010, p. 51)3.2.3 Multimidialidade A multimidialidade caracteriza-se pela utilização de vários recursos, além dotexto, que possibilitam que o usuário tenha um maior conhecimento sobre asinformações que são transmitidas. Entre tais recursos destaca-se o uso de fotos, vídeos,áudios, infográficos e slides, por exemplo. No Twitter, o usuário também tem apossibilidade de compartilhar fotos, vídeos e outros recursos multimidiáticos por meiode várias ferramentas que podem ser agregadas ao Twitter. Para Bolós (apud MIELNICZUK, 2004), assim como o jornalismo impresso,radiofônico e televisivo possuem uma linguagem própria, o webjornalismo tambémpossui uma linguagem específica denominada linguagem múltipla, em que todos ossuportes já conhecidos devem ser utilizados. Segundo ela, nesse novo formato devemser incluídos recursos textuais, sonoros e visuais para contar as diversas possibilidadesinterativas apresentadas pelo ambiente virtual. A multimidialidade está diretamente relacionada também com o processo deconvergência de mídias, típico do ambiente virtual. Para Palácios (2003), esse processode convergência só foi possível graças ao processo de digitalização da informação e aposterior circulação dessa informação em diversas plataformas e suportes. A multimidialidade obriga também a uma transformação no que diz respeito àcultura e ao comportamento do jornalista. Agora esse profissional deve-se ater a nãomais apenas o texto propriamente dito, mas sim a todos os outros recursos e31 O termo inglês Prosumer vem da junção das palavras producer (produtor) e consumer (consumidor). Otermo foi criado por Alvin Toffler e serve para designar indivíduos que são produtores e consumidores dainformação. Os prosumers usam as redes sociais para falar o que querem e são lidos, ampliando dessamaneira sua rede de influência no ambiente virtual
    • possibilidades que o ambiente virtual proporciona como a integração entre o áudio,vídeo, imagens e animações em uma só notícia. Os repórteres de mídia impressa, por exemplo, privilegiam a informação; os de TV buscam cenas emocionantes, sons e imagens para serem transmitidos junto com o texto da notícia. Já os jornalistas online precisam sempre pensar em elementos diferentes e em como eles podem ser complementados. Isto é, buscar palavras para certas imagens, recursos de áudio e vídeo para frases, dados que poderão virar recursos interativos e assim por diante. (FERRARI, 2003, p. 48)3.2.4 Personalização Nos sites de cunho jornalístico, a personalização está diretamente relacionada aotipo de informação que o usuário deseja receber do site. Consiste na configuração dosconteúdos jornalísticos de acordo com o interesse de cada internauta. Além disso, a personalização também está relacionada com o fato de ousuário/leitor percorrer um caminho próprio de navegação, optando por linksdisponíveis e ao mesmo tempo construindo uma forma particular de leitura dentro dociberespaço. O filtro de informações constitui-se como uma importante forma depersonalização. Os sites de notícias oferecem atualmente diversas maneiras para que ousuário tenha a possibilidade de filtrar a avalanche de informações que está disponívelno ambiente virtual. Entre as formas de personalizar está a utilização do filtro de RSSno qual o usuário pode sistematizar as informações que deseja receber. As páginas personalizadas já fazem parte do cotidiano de quem acessa o webjornalismo. Programas gratuitos no quais o internauta monta manualmente um menu de assuntos e escolhe um a um o jornal que deseja ler a respeito de cada tema são prática comum de quem está familiarizado com a web 2.0. Isso resolve o problema de que gosta de um caderno de um jornal e um caderno de outro jornal e não quer comprar ou assinar ao mesmo tempo os dois periódicos impressos ou mesmo ter que entrar em duas webpáginas. (PRADO, 2010, p. 89) Outra ferramenta bastante interessante de personalização de conteúdo pode servista com o site Newscred (http://www.newscred.com), em que o internauta tem apossibilidade de montar o seu próprio jornal com as editorias que mais lhe interessa. Já pelo Twitter, o internauta tem a possibilidade de personalizar o conteúdo quedeseja receber, e assim filtra a gama de informações que provém do ambiente virtual,
    • através da opção “Follow” (seguir). Por meio desta opção, o internauta seleciona osperfis de onde deseja receber as informações. Apesar de parecidos, existe uma diferença entre a personalização e acustomização de um determinado conteúdo. Enquanto a customização está diretamenterelacionada com o fato de modificar o formato de um conteúdo, adaptando ao agrado decada internauta, a personalização é menos executável pela pessoa e mais pelas ações dosdesigners do site, ou seja, é a própria navegabilidade do site que reage conforme ocaminho do internauta (PRADO, 2010, p.90)3.2.5 Memória A memória está diretamente relacionada com a possibilidade de armazenamentodos conteúdos jornalísticos que diariamente são produzidos dentro do ambiente virtual.Em grande parte dos sites de cunho jornalístico, essa característica do webjornalismo ébem mais evidente nas seções de “busca”, onde o usuário tem a possibilidade de fazeruma procura dos assuntos que desejar. Este recurso é de fundamental importância, uma vez que, através dele, tem-se apossibilidade de relacionar uma determinada notícia com outras anteriores a ela e assimcontextualizar um acontecimento, dando uma informação mais completa para o leitor. O recurso da memória só é possível porque os sites são estruturados emtecnologias de bases de dados que facilitam a busca e organização das informaçõesdisponíveis no ciberespaço. Até meados dos anos 90 do século passado uma Base de Dados era um conjunto de dados alfanuméricos (cadeiras de caracteres e valores numéricos). Hoje uma Base de Dados costuma armazenar textos imagens, gráficos e objetos multimídia (som e vídeo), aumentando muito as proporções das necessidades de armazenamento e a complexidade dos processos de recuperação e processamento de dados. (MACHADO, 2006, p.17) Para Machado (2006), o potencial da memória vai muito além do simples fato defazer uma busca de acontecimentos passados; este recurso apresenta os subsídiosnecessários para aumentar o coeficiente de previsão das notícias. Sendo assim, segundoo autor, toda organização jornalística deveria adotar a tecnologia de base de dados queoferece o suporte para a organização das informações e permita a atualização constanteda memória armazenada.
    • No Twitter, a busca por assuntos passados pode ser feita por meio da opção“Search” (procurar) que aparece logo acima da Home Page ou então através de uma“Hastag” (o símbolo que representa uma hastag é o “#” e é usado antes da palavra quese deseja obter mais informações). Além disso, outras ferramentas também podem seragregadas ao Twitter que auxiliam no processo de busca de informações como, porexemplo, o Visible Twitter32 que possibilita a busca de um determinado assunto atravésde palavras chaves.3.2.6 Atualização Contínua Esta característica está diretamente relacionada com a propriedade que a Internettem de transmitir o fato jornalístico quase ao mesmo tempo em que este acontece e comgrande riqueza de detalhes, tornando a cobertura nesse suporte bastante ágil, secomparada com as mídias tradicionais. Em grande parte dos sites jornalísticos, essa característica pode ser observada naseção de “últimas notícias”, onde são postados os acontecimentos mais recentes. Nestecaso, a Internet leva vantagem sobre alguns veículos, uma vez que, enquanto nos jornaisum determinado fato apenas vai ser noticiado um dia depois de ele ter ocorrido e norádio e na TV esse mesmo acontecimento leva algum tempo para ser apurado para sódepois tornar-se de conhecimento público, no ambiente virtual o público tem apossibilidade de acompanhar o fato quase no mesmo instante em que este se desenvolve Porém, a atualização contínua não é exclusividade do webjornalismo, uma vezque, no radiojornalismo também é possível observar a rápida atualização do conteúdo,especialmente com as transmissões ao vivo. Deve-se levar em consideração a Internetpotencializa o recurso da atualização contínua, pois, com o passar do tempo, a notíciatorna-se mais precisa e ela pode ser ainda integrada com outros recursos multimídiacomo fotos, vídeos, gráficos, por exemplo. No Twitter, por exemplo, a atualização dá-se de forma bastante rápida emvirtude da própria especificidade da ferramenta, que limita que cada postagem sejarealizada em apenas 140 caracteres, possibilitando, dessa forma, que o processo deprodução da informação no ciberespaço torna-se mais rápido.32 http://www.visibletwitter.com
    • Deve-se levar em consideração também que a atualização no Twitter está garantida através de ferramentas que fazem o agendamento da postagem de um determinado tweet, como por exemplo, o Future Tweets33. Além disso, o Twitter ainda pode ser atualizado por meio dos vários dispositivos móveis que existem hoje como celulares, smartphones e iPads, por exemplo, o que possibilita ao Twitter um caráter bastante instantâneo e dinâmico. É interessante observar que todas as características do webjornalismo analisadas apenas são possíveis porque a informação no ciberespaço está organizada no que Machado (2006) conceitua de Base de Dados. Esse modelo de organização permite que o conteúdo jornalístico no ambiente virtual possa ser organizado e hierarquizado de tal maneira que o usuário possa encontrar informações interdependentes e inter relacionados entre si. “Para os usuários, as coleções de itens disponibilizadas na forma de Base de Dados, possibilitam uma diversidade de operações como ver, navegar, buscar ou armazenar informações. Do mesmo modo que a narrativa literária ou cinematográfica é um plano arquitetônico na Modernidade, a Base de Dados emerge como uma forma cultural típica para estruturar as informações sobre o mundo/realidade na cultura dos computadores.” (MACHADO, 2006, p.17) 4 O TWITTER33 http://www.futuretweets.com
    • 4.1 O serviço de microblogging Antes de falar do Twitter especificamente, juntamente com suas características eespecificidades, faz-se necessário fazer uma abordagem a respeito do Microblogging,serviço este em que está incluso o Twitter. Segundo Zago, (2008c), os microblogs surgem em um contexto detransformações dentro dos próprios blogs, mediante as constantes inovaçõestecnológicas que alteraram drasticamente suas principais características e fizeram comque novos elementos fossem incorporados aos blogs tradicionais. Nos últimos anos, tem se observado, em escala global, uma espécie de “crise” no conceito de blog, na medida em que há uma imensa variedade de tipos de blogs, e nem todos obedecem a todas as características iniciais do formato. Novos elementos também foram incorporados aos blogs, alguns deles decorrentes do advento das tecnologias de informação e comunicação, como no caso da possibilidade de atualização por dispositivos móveis, ou o surgimento de widgets34 e ferramentas especiais para blogs. (ZAGO, 2008c, p.06) Ainda nesse contexto de mudanças, como consequência da incorporação dessasnovas ferramentas no conceito original do blog, tem-se o surgimento de outrasferramentas derivadas do blog como, por exemplo, tumblelogs35, videologs36, fotologs37,audioblogs38 entre outros. Vale destacar que o surgimento e a funcionalidade de cadaum desses dispositivos estão diretamente relacionados com o objetivo dos usuários e noque Zago (2008c) conceitua de diário de navegação (logs). Para Zago (2008a) o serviço de microblogging assemelha-se bastante aos blogstradicionais. A diferença reside no fato de que as postagens nesse serviço sãorelativamente curtas, com menos de 200 caracteres, se comparadas com as publicaçõesdos blogs convencionais. Ainda para a autora, os microblogs podem ser considerados34 O widget é um componente de software que viabiliza interação com o usuário, podendo ser milhares deaplicativos como, por exemplo, um calendário, um mapa, um relógio ou alguma outra ferramenta.35 Os Tumblelog são variações de blog que possibilitam a postagem de pequenos posts de diversos tiposde mídia como fotos e vídeos, por exemplo.36 Também consiste em uma variante do blog tradicional, onde os conteúdos que são postados são vídeosdo interesse do próprio usuário.37 Os Fotologs são blogs de fotos, ou seja, sites que permitem que você coloque fotos na Internet comfacilidade e rapidez.38 Os Audioblogs são um tipo de blog que utilizam publicações de áudio.
    • “blogs simplificados” na medida em que possuem as mesmas funcionalidades dos blogsconvencionais, no entanto, de forma simplificada. Deve-se levar em consideração o fato de que o prefixo “micro” no microblog,além de estar diretamente relacionado com o tamanho dos textos que são postados,refere-se também aos dispositivos móveis que são utilizados para fazer as postagens,dada a versatilidade do formato, como, por exemplo, smartphones, iPods ou aparelhoscelulares. Além das características do formato blog em versão simplificada, os microblogs também apresentam duas características adicionais, que os identificam: a mobilidade e a arquitetura aberta de informações. A mobilidade se traduz pelo fato de que as atualizações podem tanto ser feitas quanto recebidas através de dispositivos móveis. Já a arquitetura aberta de informações se dá pelo fato de que as ferramentas de microblogs, em geral, possuem a API39 liberada. A API são pacotes de programação de dados, que permitem diversas recombinações por parte de desenvolvedores, o que pode culminar na criação de ferramentas derivadas (o que inclusive pode resultar em novas maneiras de se atualizar e receber atualizações) e também na criação de mashups40. (ZAGO, 2008a, p.4) O tamanho das informações que são postadas nos Microblogs deve-se também àprópria dinâmica que é estabelecida no ciberespaço que, devido a velocidade em quesão processadas as informações, os textos devem ser os mais breves possíveis, o queexige do usuário um avantajado poder de síntese para passar as informações que desejaem um espaço bastante reduzido. Essa dinâmica está diretamente relacionada ao que Lima (2000) chama de “Leida Economia das Palavras”, em que a prolixidade ou a transmissão de informaçõeslongas e detalhas para explicar um determinado fenômeno são deixadas de lado e abre-se espaço para as publicações mais rápidas e dinâmicas, no qual “busca-se a menorunidade possível de conhecimento que possa sobreviver sem conectores com outrasidéias” (LIMA, 2000, p.05)39 Sigla em inglês para Application Programming Interface. Refere-se a conjunto de ferramentas ou dedados que permitem criar uma aplicação derivada de um determinado site ou programa.40 Os Mashups são ferramentas na web que utilizam conteúdos de mais de uma fonte para criar um novotipo de serviço, ou seja, é a combinação de dois aplicativos que podem complementar e melhorar a ofertade um determinado serviço. O Google Maps é um ótimo exemplo de Mashup, pois nele é possível ter oconteúdo do site, mas com incrementos do Flickr, Wikipedia, YouTube ou um serviço de anúncios, porexemplo, e agregar conteúdos em um só lugar.
    • Os microblogs permitem que os usuários compartilhem entre si, além demensagens curtas, imagens, vídeos e outros tipos de arquivos. Certamente, o serviço demicroblogging ganhou força e popularidade logo após a criação do Twitter. No entanto,outros serviços de microblogging também merecem destaque como, por exemplo, oJaiku41, criado em Fevereiro de 2006 que também permite a postagem de informaçõesem até 140 caracteres; e o Pownce42, criado em Junho de 2007 que também tem comofoco o compartilhamento de informações. No entanto, diferentemente do Twitter e doJaiku, o Pownce permitia ao usuário, além da publicação de informações, o envio dearquivos de música, vídeos e fotos. As primeiras ferramentas específicas para microblogging só foram aparecer no começo de 2006. Desde 2006, foram criadas centenas de ferramentas de microblogs, a maior parte delas surgidas a partir da inclusão de novas funcionalidades ao que já oferecia o Twitter, uma das ferramentas pioneiras e atualmente a mais popular em escala global. Outros serviços surgiram a partir de derivações regionais, baseadas em localização geográfica. (ZAGO, 2008c, p. 08)4.2 História do Twitter O surgimento do Twitter está diretamente relacionado com a história de duasgrandes empresas de serviços para Internet: a Odeo Enterprise e a Obvious Corporation.Alguns anos antes do Twitter ser criado, o programador e co-fundador do Twitter, EvanWillians, criou o serviço Blogger que pouco tempo depois foi comprado pelo Google.Em pouco tempo, ele e Biz Stone, na época um funcionário do Google, deixaram ogigante da Internet para fundar uma nova empresa chamada Odeo Enterprise. A Odeo é uma empresa que oferece serviços de podcasting43. Porém, este tipo deserviço não era dominado com perfeição por Evan Willians e, em pouco tempo, aempresa perdeu o foco e sofria uma concorrência desleal com a Apple e outras empresasde renome no âmbito da informática. Por outro lado, um dos produtos da Odeo estavaapenas começando a ganhar força no cenário: o Twitter.41 http://www.jaiku.com.42 O Pownce tinha como endereço http://www.pownce.com. No entanto, em Dezembro de 2008 oscriadores do microblog anunciaram que o serviço deixaria de funcionar.43 Podcasting é uma forma de publicação de arquivos de áudio pela Internet que permite aos usuáriosacompanhar a sua atualização. A palavra é uma junção de iPod –aparelho que toca arquivos digitais deáudio – e broadcasting que significa transmissão de rádio ou tevê.
    • Em pouco tempo, este novo serviço se tornou a parte mais importante da Odeo.Por esse motivo, Evan Willians e Biz Stone decidiram criar uma nova empresa quepossuía o Twitter como o produto principal. Daí surgia a Obvious Corporation. Jack Dorsey se juntou à equipe e começou a desenvolver novas maneiras para osusuários utilizarem o Twitter. Em março de 2006, o Twitter se separou da Obvious parase tornar uma empresa, a Twitter Incorporated. A idéia do Twitter surgiu durante uma reunião de pauta em que Jack Dorseydiscutia a possibilidade de criar uma ferramenta que pudesse permitir a troca rápida demensagens entre usuários, similar ao SMS dos aparelhos celulares. Chamadoinicialmente de Status, o pré Twitter tinha como conceito exatamente o envio demensagens curtas através do celular. O nome Twitter, que veio logo em seguida, foiinspirado em um pássaro que, para manter os outros pássaros ao seu redor sobre o queestava acontecendo, emitia constantemente um som bastante estridente. FIGURA 3: Primeira versão do Twitter no ano de 2006 Fonte: SPYER, 2009 A explosão do Twitter aconteceu no ano de 2007, durante o South bySouthewest (SXSW), um festival que teve como foco inovações na área de tecnologia.O festival atraiu muitos criadores e empresários do ramo tecnológico para mostrar osmais recentes projetos e idéias do ramo. Durante o evento, foram colocadas duas telasde 60 polegadas no principal local de encontro, mostrando as mensagens que eramtrocadas via Twitter. A idéia era que os usuários pudessem acompanhar o que aconteciadurante o festival, através da troca de mensagens curtas.4.3 Funcionamento do Twitter
    • O Twitter está estruturado com seguidores e pessoas a seguir, em que cadausuário tem a possibilidade de escolher quem deseja seguir e assim receber asatualizações dessa pessoa. O nome de cada usuário é precedido pelo sinal “@”, que vaipermitir saber quantas vezes este usuário foi citado por outras pessoas na rede. Importante característica da ferramenta, é que ela atua segmentando o público. Quando um indivíduo opta por seguir um e não outro, ele age de acordo com seus interesses. Quem possui conta no Twitter segue as pessoas que postam assuntos que vão ao encontro do que procura, seja para se informar ou para manter relações e laços com outro alguém. (DEITOS, 2010, p.49) Em outras redes sociais como o Facebook ou o Orkut, por exemplo, para quefosse estabelecida uma conexão entre dois usuários seria necessário que essa duaspessoas tivessem algum tipo de vínculo na vida real. No Twitter, essa peculiaridade édeixada de lado na medida em que nessa mídia social uma pessoa pode acompanhar asatualizações de outras sem necessariamente terem algum tipo de vinculo na vida real. Ao escolher “seguir” uma pessoa, você passa a acompanhar suas publicações aopasso que ela será notificada por email que você a está acompanhando e decidirá se querseguir você também. Dessa forma, o usuário passa a ter duas listas de contatos noTwitter: uma das pessoas segue e outra das pessoas que o seguem. No Twitter, as pessoas podem seguir e serem seguidas. Não é preciso uma ação recíproca. Isso faz com que cidadãos comuns consigam ter acesso a informações vindas de noticiários, artistas famosos e amigos próximos. Tudo isso sem necessariamente ter suas twittadas seguidas por eles. É uma ferramenta de nicho. As pessoas seguem apenas os perfis que são de seu interesse e, consequentemente, isso abre a possibilidade para que o usuário acesse apenas temas de seu interesse. A informação deixa de ser de massa, produzida para todos, e passa a ser produzida para um grupo específico que se encaixa por determinado conteúdo. (DEITOS, 2010, p.16) O Twitter funciona a partir do envio de mensagens curtas com no máximo 140caracteres, os chamados tweets, que são visualizadas pelos seguidores ou followers. Asatualizações no Twitter surgem em ordem cronológica inversa, ou seja, as últimasatualizações aparecem no topo da lista. (Zago, 2008a) Java et al. (2008) divide as postagens realizadas no Twitter em 4 categoriasdistintas: relatos de cotidiano, na medida em que os usuários postam mensagensrelativas às suas vidas pessoais; conversação, quando dois ou mais usuários utilizamessa ferramenta para se comunicar com outros usuários; compartilhamento de URL’s,
    • quando o usuário indica endereços eletrônicos de outros sites; e por fim as postagensreferentes às notícias, quando essa ferramenta é utilizada para a prática jornalística.44 No Twitter existe a possibilidade de o usuário reproduzir o que foi dito por outrousuário através de um recurso chamado de Retweet (RT’s). Para Recuero (2009c), osretweets são formas de difundir uma informação que alguém considera relevante. Aindasegundo a autora ao retweetar, o usuário passa uma certa credibilidade à informação narede do autor original e, ao mesmo tempo, recebe-se as benesses de trazer algo que sejaconsiderado relevante para sua própria rede no Twitter. Desta maneira, a autoraconsidera que o RT não se resume apenas a uma forma de difundir informações, mas deconstruí-las como informações relevantes. No entanto, é importante levar-se em consideração o fato de que usando oretweet, não existe necessariamente uma produção de conteúdo, uma vez que o usuárioapenas filtra e depois faz circular uma informação que anteriormente já foi postada poroutro usuário. Porém, Deitos (2010) chama atenção para o fato de existir casos em que,mesmo fazendo o retweet, o usuário faz um comentário antecedendo ou sucedendo umapostagem. Dessa forma, já há configuração de conteúdo próprio. Nesta mídia social também existe a possibilidade de enviar mensagem emparticular para os usuários, através das Direct Messages (Mensagens Diretas) ou DM,que são armazenadas em uma caixa de entrada. Atualmente várias ferramentas estãodisponíveis no ciberespaço que enviam automaticamente uma DM assim que um novousuário começa a seguir um novo perfil, por exemplo. Um usuário pode apenas enviaruma Direct Messages para aquelas pessoas que o seguem. Outro recurso que o Twitter disponibiliza é a hastag, simbolizada pelo caractere#. Este símbolo vem sempre precedido por alguma outra palavra e funciona como umaespécie de buscador dentro do próprio Twitter, procurando por todos os tweets quepossuem a palavra que vem acompanhada com a hastag. De forma semelhante, usando a hastag, o usuário pode listar os assuntos queconsidera interessantes para depois vê-los novamente. Isso se deve ao “Favorites”, noqual o usuário clica na opção, “favorite this tweet”. (favoritar essa tweet) e ao fazê-lo, o44 Essa categoria será melhor analisada no capítulo seguinte deste trabalho.
    • usuário poderá clicar novamente no favorites, na barra lateral à direita da tela, e ter arelação das postagens anteriormente vistas. FIGURA 4: Postagens no Twitter marcadas como favoritas Fonte: <http://www.twitter.com>. Acesso em 22 de Maio de 2011 Os Trending Topics ou TT’s também é outro recurso que o Twitter disponibilizapara os usuários. Ele consiste em uma lista em tempo real dos nomes que forampostados com maior freqüência no Twitter pelo mundo todo. Os Trending Topicsapenas são possíveis graças às hastags. O Twitter também possibilita que os usuários alterem o background de suapágina inicial, fazendo o upload de uma determinada imagem para torná-la como fundoda página. Alguns usuários se utilizam dessa funcionalidade para acrescentar maisinformações sobre si mesmo ou então incluir outras redes sociais onde podem serencontrados. O Twitter está disponível em 10 idiomas (português, italiano, espanhol, inglês,francês, alemão, turco, russo, coreano e japonês), e sua interface gráfica amigável
    • apresenta características que possibilitam que qualquer pessoa, com um conhecimentorazoável em informática, domine as suas funcionalidades. Atualmente existe uma série de aplicativos que podem ser integrados ao Twitterpara dar uma maior dinamização ao processo de produção das informações ou entãopersonalizar o conteúdo. Além disso, ainda existem plugins 45 que possibilitam que oTwitter estabeleça uma conexão com outras redes sócias existentes, entre elas oFacebook, Formspring.me e o Skoob, por exemplo. Como exemplos desses aplicativos pode-se o citar o Twitpic, uma ferramentaque permite o compartilhamento de fotos entre os usuários; o SocialOomph.com, umaferramenta que permite que sejam enviadas mensagens automáticas para as pessoas quecomeçarem a te seguir; o TweetDeck, um aplicativo gratuito que oferece praticamenteas mesmas funcionalidades do Twitter; o Twhirl, um aplicativo que oferece um corretorortográfico; o Tweepz, um ferramenta que possibilita encontrar novos usuários porcidade ou palavra-chave; o Favoltter, que permite descobrir quem marcou comofavoritos os tweets; o Twitter Counter, uma ferramenta do Twitter que possibilita gerarum gráfico com o número de seguidores que determinado usuário possui, quantosganhou por dia, mês ano e quando começou a tweetar, dentre outros aplicativos. O Twitter também pode ser acessado a partir de dispositivos móveis graças àutilização de aplicativos. Tais aplicativos vão depender do aparelho que o usuárioutiliza, do acesso à Internet 3G ou da disponibilidade de redes wi-fi. O TwitterBerry,por exemplo, é para quem usa BlackBerry; Tweetie ou TweetDeck são para iPhones; OTwitter for Android, aplicativo oficial para smartphones baseados no sistemaoperacional Android; Tweets60 para smartphones da Nokia; Twikini e Quakk paraWindows Mobile; e Dabr para equipamentos da Palm. É importante destacar que antes do Twitter apresentar as feições atuais, o serviçopassou por uma série de modificações que deram uma maior dinamização nas postagense ainda contribuíram diretamente para melhorar a funcionalidades dos recursosoferecidos. Tais mudanças concentraram-se principalmente na Home Page domicroblog.45 Um plugin é um programa que permite a utilização de novos recursos que não estão presentes nalinguagem HTML, na qual são criadas as páginas, promovendo alguma funcionalidade adicional.
    • Em setembro de 2009, o Twitter anunciou sua nova página inicial. Além denovas cores e formato mais dinâmico, a página ganhou também uma enorme barra debusca e três linhas de Trending Topics, que são os assuntos que estão sendo maisdiscutidos no momento: a primeira para assuntos que são tendência nesse minuto, asegunda para tendências do dia e a terceira para tendências da semana. FIGURA 5: Primeira mudança do Twitter Fonte:< http://tecnoblog.net/11924/twitter-refaz-pagina-inicial>. Acesso em 22 de Maio de 2011 Em março de 2010, o Twitter colocou no ar a sua nova página inicial. A novahome page da rede social apresentava uma seção intitulada “See who’s here” (“Olhequem está aqui”), onde ficavam em destaques twitters de pessoas ou empresas famosas. A página continha mais alguns elementos, como uma breve explicação do que ée para que serve o Twitter e um grande botão amarelo convidando o visitante a criar suaconta. Fica claro que o principal objetivo dessa nova página inicial era ganhar maisnovos usuários.
    • FIGURA 6: Segunda página inicial do Twitter Fonte: <http://tecnoblog.net/19156/twitter-ganha-nova-pagina-inicial>. Acesso em 22 de Maio de 2011 Finalmente, no dia 14 de Setembro de 2010 o Twitter apresentou a sua maisrecente versão. A principal novidade foi a possibilidade de o usuário abrir os links defotos e vídeos diretamente na página da rede social, sem a necessidade de ir para umaoutra página. A ideia foi justamente facilitar a troca de links entre os usuários domicroblogging. Nesta nova versão, os internautas contam também com atalhos de teclado eainda com a possibilidade de ver mini-perfis sem precisar entrar na página do usuário.Outra mudança aconteceu na exibição dos textos. Quando o usuário clica em um tweet,o site mostra informações relacionadas à mensagem, como as respostas dadas por outrosusuários ou ao autor. Pode ainda aparecer um mapa com o local de onde o tweet foipostado. FIGURA 7: Página atual do Twitter Fonte: <http://www.twitter.com>. Acesso em 22 de Maio de 2011
    • FIGURA 8: Página inicial do Twitter do Imirante.com Fonte: <http://www.twitter.com/@imirante>. Acesso em 21 de Maio de 2011 É importante levar em consideração que essas mudanças vieram sempreacompanhadas de novos recursos e funcionalidades e ainda com uma interface muitomais dinâmica a cada nova versão. A principal mudança ao longo dessas transformaçõesfoi a mudança do slogan do Twitter de “What are you doing?” (O que você estáfazendo) para “What’s happenning?” (O que está acontecendo), tornando o Twitter umaimportante ferramenta de comunicação utilizada entre as redações jornalísticas. Essamudança acabou estimulando também cada vez mais a participação do público para aprodução de conteúdos no ciberespaço utilizando essa ferramenta.4.4 Números do Twitter Pode-se dizer que um dos motivos que tornaram a ferramenta tão popular é amaneira simples que ela possui de atualizar conteúdos, ou seja, transmitir e retransmitirinformações. De acordo com uma reportagem da revista INFO, em janeiro do anopassado, por exemplo, o Twitter registrou 73,5 milhões de usuários únicos, um aumentode 8% em relação ao mês anterior, quando foram registrados 65,2 milhões de usuários. Como consequência desse crescimento da utilização da ferramenta, o Twitteranunciou que alcançou a marca de 50 milhões de tweets por dia. Isto significa que acada segundo, 600 mensagens são postadas na rede social. Em janeiro de 2010 forammais de 1,2 bilhão de tweets, cerca de 39 milhões de mensagens por dia. Há quatro
    • anos, eram cinco mil tweets a cada 24 horas. Em 2008, este número subiu para 30 milmensagens por dia e, um ano depois, chegou a 35 milhões de tweets. FIGURA 9: Gráfico que mostra crescimento do Twitter Fonte: <http://info.abril.com.br/noticias/Internet/twitter-alcanca-50-milhoes-de-posts-por- dia-23022010-8.shl>. Acesso em 18 de Junho de 2011 Já em abril do ano passado a Revista Época divulgou uma reportagem, intitulada“República do Twitter”, mostrando que o serviço de microblog já bateu a marca dos 100milhões de usuários e mostra o Brasil como se segundo país em número de twitteiros,com mais de 10 milhões de contas abertas, perdendo apenas para os Estados Unidos. Areportagem ainda mostra que a cada minuto os usuários inserem 36 mil novos tweets narede, no planeta todo.
    • 5 O TWITTER COMO UMA FERRAMENTA DE PRODUÇÃOJORNALÍSTICA NO CIBERESPAÇO Como já foi citado nos capítulos anteriores, a emergência de novos dispositivoscomunicacionais está dando uma nova dinâmica no modo de pensar e fazer ojornalismo. Tais mudanças podem ser mais facilmente vistas nos processos de apuração,produção, transmissão e recepção do conteúdo jornalístico, principalmente dentro doambiente virtual onde existe um dinamismo muito maior se comparado ao ambientereal. Para Vonsovicz (2010), vive-se hoje um momento de convergência midiática,onde, a cada dia, são estabelecidas mudanças em estratégias empresariais, tecnológicas,na elaboração e distribuição de conteúdos em distintas plataformas, no perfilprofissional dos jornalistas e nas formas de acesso aos conteúdos. Nessa perspectiva, a chamada convergência jornalística possibilita umaintegração entre as ferramentas, os suportes e as rotinas de produção, de forma que osjornalistas produzam um determinado conteúdo e ele possa ser distribuído entre asdiversas outras mídias como o rádio, a TV, a Internet ou o impresso, por exemplo,sempre respeitando as especificidades de cada suporte. O desenvolvimento das tecnologias culminou na união das mídias. Sites jornalísticos oferecem conteúdos híbridos aos internautas, ou seja, os materiais postados na rede não contem apenas texto e fotografias, há recursos vindos da televisão e do rádio, unidos num só ambiente. Esta hibridização ficou conhecida como a convergência das mídias, com isso, as ferramentas que estão disponíveis no jornalismo passam a ser agregadas num único local, resultando em um novo espaço de informação. (NASCIMENTO; RIBEIRO; VELASCO, 2010, p.02) Em tempos de convergências tecnológicas, fruto de uma proliferação de suportese uma diversidade de espaços comunicacionais propiciados pela Web 2.0, nos quais sepodem realizar trocas de informações (ZAGO, 2008, p.01), as novas ferramentas decomunicação e informação causam um grande impacto na produção jornalística nociberespaço e, consequentemente, acaba criando novas possibilidades para produção epublicação de informações. Atualmente, o Twitter configura-se como uma dessaspossibilidades. Lemos (2008) chama atenção para o fato de que o surgimento a cada dia denovas tecnologias de comunicação e informação, em especial o Twitter, contribuem
    • diretamente para um processo de reconfiguração do discurso no ciberespaço. O usodessas novas ferramentas, segundo a autora altera, portanto, o discurso jornalístico“convencional”, em termos de linguagem. O uso de novos recursos técnicos expande as possibilidades de novas formas de relacionamento e de situações comunicativas, e pode propiciar o surgimento de discursos diferenciados e, portanto, de novos gêneros textuais. Neste sentido, recursos como o twitter dão origem a “novas linguagens” – algumas delas de caráter colaborativo. Portanto, nestes casos, não é um só enunciador da palavra, mas enunciadores que colaboram e produzem novas linguagens e novos discursos. A produção dos hipertextos, aí inseridos, altera o processo de autoria e o poder do discurso. (LEMOS, 2008, p. 04) O Twitter recentemente se popularizou de uma forma bastante acentuada entreos internautas devido à simplicidade dos recursos que são apresentados por essaferramenta e também pela agilidade na divulgação das informações que são postadasnessa mídia social. Pode-se dizer que tais recursos são de extrema importância para aapropriação do Twitter como uma ferramenta de produção do conteúdo jornalístico nociberespaço, fazendo com que a ferramenta se torne uma valiosa fonte de informação. O número limitado de caracteres no Twitter possibilita uma rápida atualização que pode acontecer através do celular, por exemplo, já que o texto curto limitado pela ferramenta de 140 caracteres é o mesmo do SMS dos celulares. O uso móvel para postagem de conteúdo permite que o usuário o faça de qualquer lugar e assim, o formato toma um caráter de produção na rua, no lugar do acontecimento. (DEITOS, 2010, p.56) Apesar do objetivo inicial do Twitter ser a troca de mensagens entre os usuários,sempre respondendo em 140 caracteres a pergunta que a ferramenta tem como slogan“What’s happening”, o próprio formato do Twitter permite que a ferramenta sejareinventada, criando novas funções. Prova disso é que essa ferramenta pode ser usadatanto como uma rede social, objetivando o estreitamento de laços sociais nociberespaço, quanto como uma mídia social, que tem como foco a produção livre deconteúdo na Internet.46 Como acontece diante de cada nova ferramenta ou serviço da web, tanto os indivíduos quanto as organizações jornalísticas estão aos poucos criando novos usos para o Twitter, adaptando a técnica às suas necessidades, e superando a fase inicial de estranhamento com relação à nova ferramenta. É nesse contexto que surgem novas apropriações, a partir de experimentações de uso, que acabam se transformando em exemplo para que outras organizações também pensem em novos usos para o formato. (ZAGO, 2008a, p. 13) Nessa perspectiva, Recuero (2009b) defende que, desde o seu início, o Twitterassume uma dupla faceta em seu uso e apropriação: foi, ao mesmo tempo, uma46 A distinção entre Rede Social e Mídia Social foi analisada no primeiro capítulo deste trabalho.
    • ferramenta de conversação e uma ferramenta de informação, o que justifica o númerocrescente de empresas jornalísticas adotando essa ferramenta para a produção doconteúdo noticioso. Ainda para a autora, o Twitter vem se destacando como ferramenta informativanão apenas porque permite que informações especializadas e com credibilidadecirculem, mas, igualmente, porque possibilita que essas informações geremconversações, debates e, através deles, novas informações. Diante dessa dupla faceta apresentada pelo Twitter, no que tange o caráterjornalístico dessa mídia social, Zago (2008b) argumenta, por exemplo, que as empresasjornalísticas apropriam-se do Twitter para realizar a difusão de conteúdos noticiosos nociberespaço a partir de “coberturas minuto a minuto, difusão de últimas notícias,informação sobre bastidores da publicação jornalística e envio de atualizações diretas dolocal do acontecimento.” (ZAGO, 2008b, p.05). A autora ainda defende a idéia de que a utilização deste microblog como umaferramenta para o jornalismo vem se consolidando principalmente por causa daversatilidade do sistema de publicação decorrente da limitação de tamanho de cadapostagem, fazendo com que seja ampliada a cobertura jornalística de um determinadofato como uma sequência de updates. E, à medida que esse uso do Twitter como umaferramenta jornalística cresce, novas formas de utilização vão sendo criadas eaperfeiçoadas. A combinação de aparatos móveis de comunicação e Twitter é bastante útil no que se refere à cobertura de determinados acontecimentos. Apesar dos usuários regulares do Twitter estarem à frente da imprensa no que diz respeito a incidentes inesperados de grande mobilização pública, a mídia vira o jogo em eventos planejados com antecedência. O caráter minimalista e de fácil manuseio do microblog é ideal para coberturas relativamente longas e com muitos updates. (SILVA; CHRISTOFOLETTI, 2010) Os próprios recursos que são disponibilizados pelo microblog facilitam aprodução jornalística por meio dessa ferramenta. Dentro do microblog, por exemplo,existe a possibilidade de contar a notícia não apenas através de textos, mas também pormeio do compartilhamento de fotos, infográficos, vídeos e outros recursos através dosinúmeros aplicativos que podem ser integrados ao Twitter, o que reforça o caráter damultimidialidade presente no webjornalismo. É interessante ressaltar também que no
    • Twitter existe a possibilidade de uma interação ainda maior entre os jornalistas e opúblico. Vale destacar também que o surgimento a cada dia de novos perfis no Twitter deempresas jornalísticas contribui diretamente para que a ferramenta se transforme em umgrande agregador de notícias no ciberespaço sendo usado para, além da divulgação deinformações, a publicação de conteúdos adicionais a uma reportagem, divulgação defontes e outros serviços. É esse poder informacional que coloca no Twitter um valor instantâneo de consumo, mesmo que para isso seja preciso entrelaçar-se em uma rede. Se um jornalista tiver uma rede social bem articulada, ele poderá usufruir mais ainda da ferramenta, seja para procurar fontes e personagens para suas matérias, seja para dar em primeira mão uma notícia urgente. (CARREIRO, 2009, p.08) Para Carreiro (2009), a rapidez com o que o Twitter pode ser atualizado,decorrente da limitação de caracteres dessa ferramenta, potencializa e ajuda nacobertura de fatos importantes. Para comprovar isso, o autor utiliza como exemplo ostremores de terra sentidos na cidade de São Paulo no ano de 2008, em que rapidamenteforam criadas hastags47 sobre o assunto para facilitar o acompanhamento do caso e omovimento em prol da renúncia do presidente do Senado, José Sarney, que figuroualgumas horas durante alguns dias entre os tópicos mais comentados do Twitter, ficandoconhecido como #forasarney no Twitter. O editor-chefe do jornal inglês The Guardian, Alan Rusbridger, reuniu 15argumentos que ajudam a mostrar de que forma o Twitter se tornou tão popular entre asempresas jornalísticas atualmente. Segundo ele, o Twitter é uma espetacular forma dedistribuição; é o lugar onde os fatos se tornam de conhecimento público mais rápido;funciona como uma ferramenta de pesquisa; é uma ferramenta de agregação; funcionacomo uma ferramenta para produzir reportagens; é uma fantástica forma de marketing;possibilita a conversação entre duas ou mais pessoas; é mais diversificado; possibilita aalteração do padrão de escrita; é um ambiente nivelado pela relevância; traz novosvalores; possui longo alcance em termos de atenção; cria comunidades; muda a noçãode autoridade; e funciona como um agente de mudanças.47 As hastags e as suas especificidades foram estudadas no terceiro capítulo deste trabalho.
    • Devido à versatilidade e ao fácil manuseio da ferramenta, o uso do Twitter pelosprofissionais da comunicação dá-se de forma bastante variada, o que mostra apredisposição dessa ferramenta para a produção jornalística em várias formas. Os jornalistas procuram por um diferencial. Alguns procuram nessa ferramenta uma maneira de se aproximar do leitor através das características de mensageiro instantâneo. Muitas pessoas permanecem conectadas a ferramenta durante boa parte do dia, isso faz com que a troca de informações seja constante e rápida. Além disso, o Twitter dá um tom imediatista às informações publicadas. Outros jornalistas procuram divulgar no Twitter o material hospedado em outros sites ou blogs. Através do uso de links, já que a ferramenta limita o número de caracteres, muitos postam lá para dirigir os leitores a outras ferramentas comunicacionais da Internet. Isso acontece tanto para divulgação de material próprio quanto de outros materiais que são de interesse ou gosto pessoal de quem posta. (DEITOS, 2010, p. 05). Apesar do Twitter ser usado como uma importante ferramenta para a produçãode conteúdo no ciberespaço, Zago (2008a) chama atenção para o fato de que existemoutros microblogs que também desempenham a mesma função de colaborar naprodução e transmissão de informações na Internet. Segundo a autora, veículos franceses de comunicação como a RTL Info e aFrance 24 postam atualizações em perfis próprios no Frazr, um serviço demicroblogging de características regionais com versão em língua francesa. No Jaiku, asempresas jornalísticas podem criar canais (ao invés de perfis) para distribuição deconteúdo, como no caso do #BBCWorld13. Ainda dentro da linha de jornalismo emmicroblogs, há o site argentino 20Palabras, inspirado na idéia do Twitter, cuja propostaé tanto a produção quanto a disponibilização de notícias a partir de dispositivos móveis,em textos que contenham no máximo 20 palavras.5.1 Estudo de caso: O Twitter do Portal Imirante.com (@imirante) O Twitter do portal Imirante.com foi criado no ano de 2009, quando o microblogcomeçou a ficar mais em evidência. De acordo com a jornalista Roberta Gomes, editorade conteúdo do portal, o motivo da criação dessa ferramenta para o portal foi o de oTwitter ser uma ferramenta ágil na divulgação dos conteúdos, apresenta recursos defácil manuseio e as informações postadas no microblog são organizadas de uma maneirabastante dinâmica. Zago (2008a) chama atenção para o fato de que a brevidade com que sãodispostas as informações no Twitter - do Twitter do Portal Imirante.com, por exemplo -
    • obedecendo ao limite de 140 caracteres, faz com que seja necessário pensar umaprodução de conteúdo próprio, que se adapte às especificidades dessa ferramenta. Nessa perspectiva, a necessidade da brevidade para divulgar a notícia peloTwitter leva o @imirante a utilizar, na maioria das vezes, o tradicional lead em suaspostagens como uma forma de ser o mais objetivo possível, passando o máximo deinformação com um número reduzido de caracteres. Vale ressaltar também que aspostagens no microblog seguem os princípios básicos dos manuais de redação dejornalismo na Internet, ou seja, são objetivas, diretas e contam com poucos adjetivos. Além do lead nas postagens no Twitter, há também o uso frequente demanchetes que objetivam chamar a atenção do leitor e encaminhá-lo para o portalImirante.com, onde o usuário vai ter a possibilidade de obter a informação com umamaior riqueza de detalhes. Nesse caso, as manchetes são seguidas por links. “O uso delink como um complemento da informação traz a informação mais completa ao leitor ecria um maior sentido de complementaridade e dinamicidade”. (DEITOS, 2010, p. 51) FIGURA 10: Página do Twitter mostrando manchete com o link Fonte: <http://www.twitter.com/@imirante> Acesso em 04 de Junho de 2011
    • FIGURA 11: Página do portal Imirante.com referente à postagem do Twitter Fonte: <http://imirante.globo.com/noticias/2011/06/04/pagina275911.shtml>. Acesso em 04 de Junho de 2011 Para Zago (2008a), a superficialidade das informações que são postadas noTwitter, decorrente da limitação de caracteres que essa ferramenta apresenta, écompensada pelo fato de que se podem aprofundar as informações através doshipertextos, a partir da junção de links que complementam as informações postadas noTwitter. Nessa perspectiva, Carreiro (2009) chama atenção para o fato de que no Twitterexiste a possibilidade de repercutir a notícia através da rede de contatos de cada leitor,adicionando comentários e novos links e informações ao que já foi noticiado. Além das postagens no Twitter que direcionam o usuário para obter ainformação mais detalhada no portal Imirante.com, existem aqueles tweets que levam oleitor para outros sites como o Na Mira 48 e o Imirante Esportes49, sites estes que tambémfazem parte do portal Imirante.com.48 http://www.imirante.globo.com/namira49 http://imirante.globo.com/esporte
    • FIGURA 12: Postagem do Twitter direcionando para o portal Na Mira Fonte: <http://www.twitter.com/@imirante>. Acesso em 19 de Junho de 2011 FIGURA 13: Página do “Na Mira” referente à postagem do TwitterFonte:< http://imirante.globo.com/namira/noticias/2011/06/19/pagina277172.shtml>. Acesso em 19 de Junho de 2011 No Twitter do Portal Imirante.com existem postagens mais informais, que tem oobjetivo de dialogar com o internauta. Neste caso, o link ao final de cada postagemdireciona o leitor para o portal Na Mira que também faz parte do Imirante.com. No
    • entanto, tais postagens acontecem de forma esporádica, não tão frequentes como aspostagens convencionais. Já essas postagens mais informais, que dialogam com os seguidores, elas são mais esporádicas. Às vezes porque o trabalho está tão voltado para parte formal do sistema, que acabamos deixando um pouco o Twitter de lado. Como todo profissional que gerencia uma conta de mídia social de um grande veículo sabe, minuto a minuto tem alguém querendo uma informação, uma posição, criticando ou elogiando. No entanto, estamos incrementando esse foco no Twitter. A ideia é que toda a equipe esteja conectada e possa dialogar com o nosso internauta e seguidor. (Roberta Gomes)50. FIGURA 14: Exemplo de postagem mais informal Fonte: <http://www.twitter.com/@imirante>. Acesso em 06 de Junho de 2011 Como foi dito anteriormente, no Twitter existe a possibilidade de contar anotícia não apenas através de textos, mas também por meio do compartilhamento defotos, infográficos, vídeos e outros recursos através dos inúmeros aplicativos que podemser integrados à ferramenta, fato este que reforça o caráter da multimidialidade presenteno webjornalismo51. No entanto, essa característica é deixada um pouco de lado no Twitter do portalImirante.com, uma vez que nele não existe o compartilhamento de outros recursosmultimídia que poderiam ajudar a contextualizar melhor a informação que é transmitidaao público. No @imirante.com, o único recurso multimidiático que é disponibilizado éo link ao final de cada postagem que direciona o usuário para o portal Imirante.comonde ele poderá obter mais informações a respeito do assunto.50 Entrevista realizada por e-mail no dia 28 de Março de 201151 As características do webjornalismo e a forma como elas se manifestam no Twitter do portalImirante.com foram analisadas no 2º capítulo deste trabalho.
    • De todas as características do webjornalismo, a atualização é uma das que maisse destaca no Twitter do portal Imirante.com. As atualizações feitas no microblogocorrem várias vezes durante o dia, visto que as postagens são automáticas52. De acordocom a jornalista Roberta Gomes, as atualizações no Twitter são feitas através do feed denotícias RSS que reúne as últimas atualizações do portal Imirante.com e as postadiretamente no Twitter, fazendo com que haja vários posts sequenciais de uma só vez.Em virtude disso, algumas vezes são postados vários tweets de uma só vez e em outrosmomentos a postagem dos tweets é reduzida. Tudo vai depender das atualizações queforem feitas no portal Imirante.com em um determinado momento. A versatilidade do formato, entretanto, pode levar a variações no seu funcionamento. É possível até mesmo criar um robô para captar o conteúdo produzido no âmbito de um RSS feed de um blog ou webjornal, por exemplo, e transpô-lo para o Twitter no formato manchete + um link para o texto original, em atualizações automáticas. (ZAGO, 2008a, p. 09) Nessa mesma perspectiva, Silva e Christofoletti (2010) chamam atenção para ofato de que apesar de em alguns momentos serem disparados vários posts de uma sóvez, como acontece no microblog do portal Imirante.com, existe sempre o cuidado deque cada atualização traga uma informação completa, autossuficiente e sem havernecessariamente uma relação uma com a outra. Dessa maneira, o internauta nuncaprecisa ler a próxima postagem para entender a anterior.52 Além das postagens automáticas do conteúdo, como a maioria dos meios de comunicação presentes noTwitter, também existem aquelas postadas por algum redator do Imirante, chamando para uma enquete,perguntando a opinião sobre determinado assunto e informando alguma notícia de última hora que tenhachegado à redação do Imirante.com.
    • FIGURA 15: Atualização no Twitter com várias postagens de uma só vez Fonte: <http://www.twitter.com/@imirante>. Acesso em 05 de Junho de 2011 Deve-se também levar em consideração o fato de que, em algumas situações,devido essa atualização automática que existe no @imirante, feita através do feed denotícias RSS, não existe uma produção própria voltada para as especificidades daferramenta, visto que existe apenas uma reprodução da manchete do portalImirante.com para o Twitter, respeitando as especificidades da ferramenta. Sobre essa peculiaridade, Zago (2008a) comenta: Mesmo assim, trata-se de uma possibilidade interessante, na medida em que possibilita aos veículos jornalísticos terem presença na ferramenta Twitter sem que efetivamente precisem produzir um conteúdo específico para ser veiculado na ferramenta. Entretanto, ao apenas reproduzir o conteúdo do site do jornal, não se cria algo propriamente novo: usa-se o Twitter como um mero suporte para leitura e acompanhamento de feeds, resultando em um produto jornalístico bem mais característico da primeira fase do webjornalismo do que propriamente algo inovador. (ZAGO, 2008a, p.11) No Twitter, abre-se espaço para a participação do público na produção deconteúdo justamente por causa da facilidade que na postagem das informações e pelofato também do microblog ser uma ferramenta gratuita e de fácil manuseio. Devido essafacilidade na produção, no Twitter do Imirante.com existe bastante interatividade entreos usuários e os responsáveis pelas postagens no microblog, o que torna o Twitter umaplataforma que coloca o jornalista mais próximo do seu público.
    • Como consequência desse processo, muitas reportagens do portal Imirante.comacabam sendo feitas com a participação do público na postagem de conteúdos nosmicroblogs. Um exemplo disso pode ser observado na reportagem feita pelo portal nodia 14 de Abril de 2011, onde a matéria sobre as fortes chuvas que atingiram São Luísnesse dia foi feita a partir dos relatos dos leitores sobre a situação. Dessa forma, oTwitter atua como fonte de informação, legitimando as diversas vozes na coberturajornalística. FIGURA 16: Participação na produção de conteúdo pelo TwitterFonte: <http://imirante.globo.com/noticias/2011/04/14/pagina271498.shtml>. Acesso em 05 de Junho de 2011 A possibilidade de enviar conteúdos multimídias a partir de dispositivos móveis,como celulares, por exemplo, também é percebida como uma atividade complementarao jornalismo que utiliza essa ferramenta, contribuindo diretamente não apenas parauma participação do público cada vez mais acentuada na produção dos conteúdos, mastambém para as várias formas de contar a notícia através dos recursos multimidiáticosque o ciberespaço disponibiliza.
    • A possibilidade de obter novas informações pelo Twitter de maneira ágil é vistatambém como uma vantagem da utilização do Twitter como uma ferramenta para aprática do jornalismo. A vantagem está na agilidade com que a informação pode chegar ao internauta, na maneira simples e direta que temos para noticiar e, claro, a possibilidade de estar mais perto desse internauta, dialogando com ele a todo instante. Uma grande vantagem do Twitter é a possibilidade que temos de obter imagens, informações da rua, sem sair da frente do computador. Muitas vezes, matérias são feitas com o conteúdo que os próprios twitteiros postam. E eles gostam de saber que aquela foto, informação ou comentário foi importante para uma matéria jornalística. (Roberta Gomes) Em virtude das características e especificidades apresentadas pelo Twitter, pode-se dizer que tais aspectos contribuem diretamente para novas formas de produção deconteúdo e novas maneiras de distribuí-lo para o público.
    • 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS As rotinas de produção jornalísticas em todos os suportes, seja na TV, no rádio,no impresso ou na Internet, estão mudando. A introdução das Novas Tecnologias deComunicação e Informação nas práticas jornalísticas está sendo diretamente responsávelpor essa mudança. O surgimento de microblogs, em particular o Twitter, está fazendocom que o modo de pensar e fazer o webjornalismo se adapte às particularidades doserviço. É de extrema importância, portanto, que o jornalista que trabalha com o Twitterconheça de forma aprofundada todos os seus recursos e funcionalidades para que elepossa utilizar a ferramenta da melhor forma possível aliada com a prática do jornalismona Internet. Na chamada Era da Informação, onde o contínuo desenvolvimento deferramentas digitais proporciona grandes mudanças na produção de conteúdos nociberespaço, pode-se dizer que o Twitter tem revolucionado o campo das mídias sociaisatraindo, dessa forma, a atenção de pesquisadores e jornalistas, que enxergam noserviço um potencial mecanismo de comunicação e um subsídio importante para aprática jornalística no ciberespaço. O Twitter configura-se hoje como uma verdadeira agência de notícias com arepercussão dos fatos em tempo real. A objetividade da ferramenta, refletida nos 140caracteres que são disponibilizados para contar a notícia, juntamente com a linguagempersuasiva, fez com que empresas jornalísticas se apropriassem desta ferramenta paradifusão de informações curtas e rápidas dentro do ambiente virtual. No entanto, deve-se levar em consideração o fato de que as características eespecificidades do Twitter podem ser melhor aproveitas quando existe uma produção deconteúdo voltado para a veiculação nessa ferramenta. O que muitas vezes se observa noTwitter do Portal Imirante.com é uma adaptação das notícias do site para seremveiculadas pelo Twitter. O que pode ser observado também nas publicações realizadas pelo Twitter doPortal Imirante.com é que existe uma potencialização de algumas das características dowebjornalismo como, por exemplo, a atualização e a hipertextualidade, bastantepresentes na ferramenta. Por outro lado, o emprego da multimidialidade, que poderia
    • contribuir para contar a notícia com uma maior riqueza de detalhes através de áudios,vídeos e infográficos, não é bem evidenciado do @imirante. O Twitter também potencializa o jornalismo participativo em que leitores ejornalistas produzem juntos os materiais publicados. Prova disso foi a reportagemveiculada no dia 14 de Abril de 20111, no qual usuários postaram seus comentários arespeito de uma forte chuva que caia neste dia e, a partir desses comentário, foi feita areportagem. Apesar de a atualização ser a característica que mais se sobressai no Twitter, aferramenta não deve ser vista como uma concorrente à imprensa tradicional. O serviçoconstitui-se como uma forma alternativa de produção e de distribuição de conteúdo, quepode ser utilizada para diversas finalidades. No caso do @imirante, por exemplo, aspostagens em sua grande maioria servem para atrair o usuário para o PortalImirante.com. Por isso, deve-se ainda ressaltar que o microblog, por si só, não éjornalístico, assim como todas as mídias sociais não são, sozinhas, centros deinformação. Prova disso é que o Twitter pode ser usado tanto para a divulgação deinformações como para o estabelecimento de algum tipo de interação entre dois ou maisusuários. Como uma ferramenta de uso jornalístico, muito profissionais da área utilizam oserviço para a busca de pautas, realizar coberturas minuto a minuto, ter umaproximidade maior com possíveis fontes para uma determinada reportagem entre outrasutilidades que a todo o momento surgem como novas apropriações dos jornalistas naferramenta. Nessa perspectiva, é natural que novas descobertas sejam feitas apenas como passar do tempo e o com o conhecimento mais aprofundado da ferramenta pelosprofissionais da área. Além das várias mudanças de apropriação da ferramenta para fins jornalísticosfeitas pelos profissionais da área, o próprio Twitter está em constante transformação,uma vez que a cada dia surgem nos recursos e funcionalidades que imediatamente sãodisponibilizados para os usuários. Em virtude disso, as rotinas de produção jornalísticano Twitter do Portal Imirante.com analisadas nesse trabalho constantemente serãoalteradas por causa da variação da ferramenta com o passar do tempo.
    • O fato é que a grande quantidade de contas que são criadas diariamente noTwitter, tanto por empresas jornalísticas como por profissionais da imprensa, mostraque este serviço de microblog está cada vez mais em evidência. A cada semana, maisjornais, revistas, rádios e portais utilizam o serviço para divulgar informações e ficarmais próximo do público, deixando clara a importância do Twitter nos dias atuais comouma ferramenta de uso jornalístico.
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    • APÊNDICE Apêndice 1 - Entrevista com a Jornalista Roberta Gomes, Editora de Conteúdodo Portal Imirante.com.Assunto:Re: Monografia TwitterDe: Roberta Gomes (robertagomes@mirante.com.br)Para: leoparentesantos@yahoo.com.br;Data: Seg, 28 Mar 2011 21:51:12Em 25 de março de 2011 08:19, Leandro Santos <leoparentesantos@yahoo.com.br> escreveu:1 - Quando foi criado o Twitter do Imirante.com? O Twitter do Imirante.com foi criado em 2009, quando o microblog começou a ficarmais em evidência e a necessidade de estar presente nessa rede foi bastante forte.2 - Dentre as várias mídias sociais que existem, por que a necessidade de criar estaespecificamente? O Twitter, como sabemos, é uma mídia social diferenciada. Ela preza mais porconteúdo que por "aparência", digamos assim. O que vale é o que você diz, o que vocêinforma, o que você consegue mobilizar. Além disso, ela é ágil, simples e agregainformações, conteúdo de uma maneira bem dinâmica.3 - Quais os tipos de informações que são postadas no Twitter do Imirante.com? Bom, nós temos as postagens automáticas do nosso conteúdo, como a maioria dosmeios de comunicação presentes no Twitter também tem e temos também aquelas postadaspor algum redator do Imirante, chamando para uma enquete, perguntando a opinião sobredeterminado assunto e informando alguma notícia de última hora que tenha chegado àredação do Imirante.com.4 - Com que frequencia acontece essas postagens? As postagens automáticas do nosso conteúdo, como a própria forma de fazer já diz, sãode acordo com as postagens feitas no sistema do portal. Existe um delay de alguns minutos,mas postada uma matéria no Imirante.com, logo depois ela estará no Twitter, entãopodemos dizer que ela é diária, de hora em hora, de meia em meia hora. Automáticamesmo. Já essas postagens mais informais, que dialogam com os seguidores, elas são maisesporádicas. Às vezes porque o trabalho está tão voltado para parte formal do sistema, queacabamos deixando um pouco o Twitter de lado. Como todo profissional que gerencia umaconta de mídia social de um grande veículo sabe, minuto a minuto tem alguém querendouma informação, uma posição, criticando ou elogiando. No entando, estamos
    • incrementando esse foco no Twitter. A ideia é que toda a equipe esteja conectada e possadialogar com o nosso internauta e seguidor.5 - Quais as vantagens do uso dessa ferramenta para o portal Imirante.com? A vantagem está na agilidade com que a informação pode chegar ao internauta, namaneira simples e direta que temos para noticiar e, claro, a possibilidade de estar mais pertodesse internauta, dialogando com ele a todo instante. Uma grande vantagem do Twitter é apossibilidade que temos de obter imagens, informações da rua, sem sair da frente docomputador. Muitas vezes, matérias são feitas com o conteúdo que os próprios twitteirospostam. E eles gostam de saber que aquela foto, informação ou contário foi importante parauma matéria jornalística.6 - Existe mais interatividade com os internautas usando este tipo de mídia social? Com certeza! Não temos como comparar a interatividade que o Twitter, e até mesmoFacebook ( que é mais elaborado e tem outras funções), possibilita, com a que apenas o sitee os contatos por e-mail nos ofertam. Como disse anteriormente, essa é uma ferramentaágil, imediata. Atualmente, muitos dos twitteiros estão conectados diretamente do celular,então, qualquer menção ou postagem no microblog é lida quase que instantaneamente.7 - O que você percebeu na produção jornalística do portal Imirante.com desde quando foiadotada esta ferramenta? Houve alguma alteração nas rotinas de produção jornalísticas? Um exemplo concreto tivemos no início do mês de março, quando, pelo Twitter,interagimos com os nossos seguidores sobre um assunto que estava na enquete do portalImirante.com. Eles deram opinião, contaram suas experiências. Resultado: participaçãorecorde na enquete. E como já citei antes, o Twitter passa a ser fonte jornalística. Nãoqueremos apenas que as pessoas nos sigam, mas nós temos que ficar atentos aos nossosseguidores, porque neles está a fonte de informação, a sugestão de matéria.