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  • 1. Departamento de BioquímicaInstituto de Química
  • 2. 2 Drogas e Bioquímica Qual é o barato?Departamento de Bioquímica - Instituto de Química Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Professores Alexandre Dermargos Oliveira (dermargos@iq.usp.br) Elaine Cristina Favaro (ecfavaro@iq.usp.br) Flávia Riso Rocha (flaviarr@iq.usp.br) Larissa Martins Gonçalves (larissa@iq.usp.br) Luiz Eduardo Cabral von Dannecker (luizcvd@iq.usp.br) Maria Clara Maia Ceolin (mcceolin@uol.com.br) Paromita Majumder (majumder@iq.usp.br) Sérgio de Paula Moura (spmoura@yahoo.com) Silvia Lopes de Menezes (slmenez@iq.usp.br) Supervisor Bayardo B. Torres (bayardo@iq.usp.br)
  • 3. 3 USP 2003Cronograma Dia Período Tema abordado Apresentação do curso Manhã Estatísticas sobre o uso de drogas06/01/03 Conceitos básicos Introdução ao sistema nervoso Tarde Alucinógenos Cocaína Manhã07/01/03 Cafeína Tarde Anfetaminas Manhã Heroína08/01/03 Álcool Tarde Inalantes Manhã Tabaco09/01/03 Tarde Maconha Manhã Debate sobre legalização Palestra sobre tratamento e detecção10/01/03 Tarde Avaliação do curso Encerramento
  • 4. ÍndiceCRONOGRAMA...........................................................................................................................3ESTATÍSTICAS E CONCEITOS BÁSICOS.............................................................................6 I LEVANTAMENTO DOMICILIAR SOBRE O USO DE DROGAS NO BRASIL.........................................................6COCAÍNA....................................................................................................................................15 POTENCIAL DE ABUSO DA COCAÍNA....................................................................................................15 MODO DE AÇÃO NO SNC (SISTEMA NERVOSO CENTRAL)......................................................................16 VIAS DE ADMINISTRAÇÃO DA COCAÍNA...............................................................................................16 METABOLISMO...............................................................................................................................17CAFEÍNA.....................................................................................................................................19ANFETAMINAS..........................................................................................................................23 ATIVIDADE 1.................................................................................................................................23 ATIVIDADE 2.................................................................................................................................24 BIOSSÍNTESE DA ADRENALINA..........................................................................................................25 COMPARAÇÃO DAS ESTRUTURAS.......................................................................................................26 MODO DE AÇÃO DAS ANFETAMINAS.................................................................................................26ÁLCOOL......................................................................................................................................27INALANTES................................................................................................................................32 TOLUENO......................................................................................................................................32 BROMOPROPANOS...........................................................................................................................34 N-HEXANO...............................................................................................................................35 BENZENO......................................................................................................................................35 NITRITOS......................................................................................................................................37TABACO......................................................................................................................................39 ATIVIDADE 1.................................................................................................................................39 ATIVIDADE 2.................................................................................................................................40 ATIVIDADE-3.................................................................................................................................42 ATIVIDADE-4.................................................................................................................................44MACONHA..................................................................................................................................47
  • 5. APOPTOSE ....................................................................................................................................54 QUANDO A MÍDIA FALA SOBRE A MACONHA........................................................................................62 DETECÇÃO DE CANABINÓIDES EM AMOSTRAS BIOLÓGICAS .....................................................................64APÊNDICES................................................................................................................................66ESTATÍSTICAS E CONCEITOS BÁSICOS...........................................................................67 DADOS ESTATÍSTICOS.....................................................................................................................67 I LEVANTAMENTO DOMICILIAR SOBRE O USO DE DROGAS NO BRASIL (OUTROS DADOS)..............................68 CUSTOS SOCIAIS DECORRENTES DO USO ABUSIVO DE DROGAS.................................................................70 USO DE DROGAS ENTRE CRIANÇAS E ADOLESCENTES.............................................................................70 DROGAS E VIOLÊNCIA......................................................................................................................71 DROGAS E TRÂNSITO.......................................................................................................................73 DROGAS E TRABALHO......................................................................................................................74 DROGAS E AIDS...........................................................................................................................75 CONCLUSÕES.................................................................................................................................77 BIBLIOGRAFIA................................................................................................................................77 CONCEITOS GERAIS: DEPENDÊNCIA, ABSTINÊNCIA, TOLERÂNCIA.............................................................78 OUTROS ALUCINÓGENOS..................................................................................................................88 PARA PESQUISAR MAIS.....................................................................................................................90ÁLCOOL......................................................................................................................................92 O ÁLCOOL NO ORGANISMO...............................................................................................................92 ÁLCOOL E DOENÇAS........................................................................................................................95 SÍNDROMES AGUDAS DE ABSTINÊNCIA..............................................................................................101INALANTES..............................................................................................................................102 EFEITOS DOS INALANTES NO CÉREBRO.............................................................................................104 ENTREVISTA................................................................................................................................105 MORTE CARDÍACA SÚBITA E SUBSTÂNCIAS DE ABUSO......................................................................107
  • 6. Estatísticas e Conceitos BásicosI Levantamento domiciliar sobre o uso de drogas no Brasil Realizado com 8589 pessoas, 12 a 65 anos, outubro a dezembro de 2001, em 107 municípios com mais de 200 mil habitantes. Fonte: http://noticias.ul.com.br/inter/reuters/2002/09/04/ult27u25577.jhtmUsuários de drogas (%) Consumo de Ansiolíticos (%)Álcool 68,7 EUA 5,8Tabaco 41,1 Brasil 3,3Maconha 6,9Solventes 5,8Orexígenos 4,3 Consumo de Cocaína (%)Ansiolíticos 3,3 EUA 11,2Cocaína 2,3 Holanda 3,7Xaropes (codeína) 2,0 Dinamarca 3,1Estimulantes 1,5 Reino Unido 3,0Anticolinérgicos 1,1 Espanha 3,0Alucinógenos 0,6 Brasil 2,3Crack 0,4Merla 0,2 Consumo de AnorexígenosHeroína 0,1 ou Estimulantes (%) EUA 6,6Consumo de drogas na vida, Holanda 2,0exceto tabaco e álcool (%) Alemanha 2,0EUA 38,9 Suécia 2,0Brasil 19,4 Brasil 1,5Chile 17,1 Consumo de Heroína (%)Consumo de Maconha (%) EUA 1,2EUA 34,2 Brasil 0,1Reino Unido 25,0Dinamarca 24,3 Pessoas que seEspanha 22,2 consideram dependentes (%)Chile 16,6 Álcool 11,2Brasil 6,9 Tabaco 9,0Bélgica 5,8 Maconha 1,0Colômbia 5,4 Pessoas que se consideramConsumo de Solventes (%) dependentes de álcool (%), por faixaEUA 7,5 etáriaBrasil 5,8 12 A 17 ANOS 5,2Espanha 4,0 18 a 24 15,5Colômbia 1,4 25 a 34 13,5 > 35 10,3 TOTAL 11,2
  • 7. Primeira Análise Bom, este é o panorama das drogas no Brasil, segundo a pesquisa da SENAD(Secretária Nacional Anti-Drogas). Você concorda com os resultados obtidos nestapesquisa? Eles são similares aos que você encontra a sua volta, no seu bairro, na suaescola, etc...Distribuição das prevalências de consumo de substâncias psicoativas na vida, por anoe localidade. Amostra com adolescentes em idade escolar (Dados em porcentagem) RibeirãoLocal EUA Londres Ontário Paris México Brasil PretoAno de coleta 1985 1988 1987 1977 1978 1989 1990Faixa etária 14 – 18 11 –16 14 – 18 14 – 18 14 – 18 13 – 18 13-19N 17000 3073 4267 499 3408 12335 1025Álcool 92,0 63,3 68,1 80,0 57, 80,5 88,9Tabaco 69,0 18,7 24,0 82,0 46,6 29,8 37,7Maconha 54,0 11,7 15,9 23,0 3,0 3,6 6,2Anfetaminas 26,0 3,2 3,1 4,0 3,7 4,1 **Solventes 18,0 11,0 6,1 - 4,4 18,6 31,1Cocaína 17,0 1,9 3,8 - - 0,8 2,7Barbitúricos 12,0 - 3,3 6,0 1,5 2,2 --Tranqüilizantes 12,0 2,7 3,0 6,0 2,2 7,8 --Alucinógenos 12,0 1,9 - - - 0,7 1,6Opiáceos 10,0 - - - - 0,5 0,3** Corresponde aos medicamentos (anfetaminas, tranqüilizantes, xaropes, barbitúricos e anticolinérgicos)= 10,5 %Fonte: Muza, GM; Bettiol, H; Barbieri, MA Consumo de substâncias psicoativas poradolescentes escolares de Ribeirão Preto, SP (Brasil). I - Prevalência do consumo porsexo, idade e tipo de substância Rev. Saúde Pública, 31 (1): 21-9, 1997
  • 8. Segunda Análise Há diferença entre o consumo de drogas nos paises desenvolvidos quando comparado com os paises em desenvolvimento? Porcentagem de uso de drogas psicotrópicas por adolescentes de escolas com segundo grau, das redes pública e particular, de acordo com as categorias de usuários (dados ponderados). Pelotas, RS, 1998. N=2.410 Faixa etária (anos) SexoDrogas 10 a 12 13 a 15 16 a 18 19 Masculino FemininoÁlcool 48,9 84 95 92 86,6 87,6Tabaco 10,1 43 46 47,7 40,1 43Maconha 1,1 9,8 18,1 17,7 16,6 12,4Solventes 6,9 11,8 13,5 8,2 14,6 9,9Cocaína 0,5 1,6 4,2 6,6 4,5 2,4Ansiolíticos 2,1 7,6 9,9 7,1 5,7 10,1Anfetamínicos 0,5 2,4 5,3 9,5 2,9 5,5Outros * 3,8 3,5 2,8 1,9 4,2 2,1Alucinógenos 0,5 1,8 1,8 1,3 2,1 1,3Opiáceos 1,1 0,4 0,7 1,2 0,7 0,7 * Xaropes, barbituricos, orexígenos, anticolinérgicos Fonte: Tavares, BF; Bériab, JU e Lima, MS Prevalência do uso de drogas e desempenho escolar entre adolescentes Rev Saúde Pública 2001;35(2):150-158
  • 9. Terceira Análise Nota-se alguma diferença no consumo de drogas, analisando-se por faixa etáriae sexo? Observe as drogas licitas e ilícitas. E explique porque há um consumo maiorde ansiolíticos e anfetamínicos em adolescentes do sexo feminino.Características sociodemográficas dos Variável %pacientes de um centro de tratamentopara dependência de drogas doNEPAD/UERJ, 1986-1993 (N = 468)Variável %Sexo Masculino 87,7 Feminino 12,3Idade 10 - 20 anos 23,7 21 -30 anos 54,8 > 30 anos 21,1Situação marital solteiro 62 casado 26,3 separado 11,7Raça Brancos 65,7 Pardos 24,6 Negros 9,8Situação ocupacional Trabalham e/ou estudam 58,4 Não trabalham e nem estudam 41,4Fonte: Passos, SRL, Camacho, LABCaracterísticas da clientela de um centro detratamento para dependência de drogas, Rev.Saúde Pública, 32 (1): 64-71, 1998.Características da historia pessoal dospacientes de um centro de tratamentopara dependência de drogas doNEPAD/UERJ, 1986-1993 (N = 468)
  • 10. Pais separados 35,9Pais com companheiro 16Adotado 4,6Abandonado 13,6Pai ausente 49,6Rendimento escolar Repetição de ano 49,8 Expulsão 4,2Abuso físico 16Morte dos pais 14Relacionamento sexual Nenhum parceiro 54,2 Parceiro único 37,4 Múltiplos parceiros 7,1Procura ao serviço Espontânea 85,4 Não espontânea 14,6
  • 11. Quarta Análise Existe uma associação muito forte entre drogas e sexo. A maior evidencia dissoestaria em filmes (por exemplo, Kids, Cristiane F, entre outros), em propagandas(Campanha contra AIDS do governo) e em “jargões”, como: Sexo, drogas e rock´n roll.Analisados os dados estatísticos você concorda com esta afirmação?Quinta Análise A Holanda, uma monarquia parlamentar e majoritariamente cristã é o país maispermissivo e tolerante do planeta, em matéria de sexo, drogas e suicídio. Lá épermitida a união civil de homossexuais, há uma legislação que controla ofuncionamento de bordéis e, recentemente, o Parlamento aprovou a eutanásia. Já o consumo de drogas não é definido pela legislação. Em contrapartida, éadmitido pela polícia e pelos tribunais. A tolerância abrange apenas a maconha ealguns alucinógenos, classificados de “drogas leves” pelas autoridades holandesas.Cocaína e heroína, ao contrário, são “drogas pesadas” e estão proibidas. A oferta de Cannabis, nome científico da maconha, consta dos cardápios de1.500 bares e cafés (coffee shops) da Holanda. Cada consumidor pode comprar no
  • 12. máximo 5 gramas por dia para uso próprio, afastando assim os consumidores das“drogas leves” do mercado negro. Algumas pessoas contrárias à legalização de drogas leves, utilizam o argumentode que sem punição, o uso vai aumentar e usam alguns dados como este: “a Holandaliberou o uso de maconha e ele subiu 400%. Nos Estados Unidos, o uso de álcool caiu50% com a Lei Seca (1920-33) e só voltou ao nível anterior em 1970.”1. Comparandocom o gráfico acima, você concorda com estas afirmações? Como é o consumo dedrogas (maconha e cocaína) na Holanda comparada com os seus vizinhos europeus ecom o nosso Brasil?Conceitos Gerais: Dependência, Abstinência, Tolerância"Entre meus 16 e 23 anos, fiz de tudo que um drogado pode fazer. Fumei maconha,usei cocaína e crack. Depois que meu pai morreu, torrei uma poupança que ele haviadeixado e fui vendendo tudo o que havia em casa. Minha mãe internou-me em umaclínica, mas eu fugi - eles apenas trocavam a dependência da droga pela dosremédios. Mergulhei de novo na droga e certa vez fiquei oito dias praticamente semdormir, acordando e fumando sem parar. Via minha mãe chorando e não sentia nada.Em maio de 1997, aceitei ir para o Recanto de Vida, porque não era uma clínica.Acordava às 6 da manhã, fazia educação física, cuidava de plantas, aprendia acozinhar. Acabei gostando de cumprir as tarefas de todo dia. Quando saí, achando queestava bom, tive uma recaída; ironicamente, esta foi a melhor coisa que me aconteceu,pois me fez perceber que apenas eu, ninguém mais, poderia mudar a minha vida.Nesta segunda vez, internado por convicção, melhorei de verdade. Aprendi os meiosde me defender. Fiz um curso de consultor terapêutico e trabalho na própria Revim, acomunidade onde estive. Sei, hoje, que a grande alegria não é receber, mas ajudar".André Luiz G. Ribeiro, 29 anos, monitor.1 Texto adaptado da Revista Época (Edição 152 de 16/04/2001) e dos siteshttp://www.antidrogas.com.br/legislacao.asp e http://www.terravista.pt/Meco/1185/pshol2.html.
  • 13. André com certeza conhece histórias de pessoas que foram dados comoperdidos no mundo das drogas. Alguns melhoraram, outros pioraram, uma porçãoretornaram seguidas vezes para uma clínica e, por fim, passaram a viver uma vidapraticamente normal. Passaram? Então por que há tanta gente que não volta? Por que outros morremde overdose? E quem garante que no futuro o dependente não vai voltar a consumir?São perguntas desafiadoras, numa sociedade onde meninos começam a consumircola, crack e maconha antes dos 12 anos e onde parece não ter fim o drama de figurascomo o ex-Polegar, Rafael Ilha Pereira, que com 26 anos de idade e dez dedependência, vive saindo de uma crise para entrar em outra. Não é preciso serespecialista para saber que, para cada Dinei (o jogador de futebol do Corinthians, quese safou da cocaína - ver depoimentos na próxima página) há um Maradona (o jogadorargentino que não consegue livrar-se dela); que para um Zé Ramalho (o cantor deMPB, outro a vencer a dependência), ou um Eric Clapton (que também se curou e atéabriu uma clínica para ajudar outros dependentes), há uma Elis Regina (a cantora quemorreu de overdose em 1982), ou um Chet Baker (o trompetista que se matou ao fimde uma longa dependência). Enfim, nesse campo é preciso ter cautela antes de secantar vitória. ‘As drogas de abuso constituem um grupo farmacológico extremamente heterogêneo, pouco existe em comum entre a morfina, a cocaína e os barbitúricos. O único elemento que os une é o fato das pessoas derivarem prazer da sensação produzida por essas substancia e tenderem a querer a repetir a mesma experiência. Isto se torna problemático, quando o desejo e tão intenso que passa a dominar a vida do individuo, impedindo de viver uma vida aceita pela sociedade e quando o próprio hábito causa danos ao individuo e ou a comunidade” .Você acabou de ler dois textos. O primeiro foi adaptado da Revista Galileu e o segundode um livro (Farmacologia Aplicada, Rang e Dale). Com base nos relatos acima, nosgráficos a seguir e com os seus conhecimentos prévios, como você definiria: • Dependência • Tolerância • Abstinência
  • 14. Usuarios que se tornam dependentes, em % nos EUA Inalantes Tranquilizantes Alcool Aluciongenos Maconha Estimulantes Sedativos Cocaina Heroina Nicotina (1996) 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 Fonte: The Economist/EMCDDA 2000 Annual Report, FDA, SAMHSAIntensidade de tolerâncias farmacocinética e farmacodinâmica e dependênciaspsíquica e física induzidas por fármacos de uso não médico Fármaco Tolerância Dependênci Dependênci a psíquica a física Etanol ++ +++ +++ Barbitúricos ++ +++ +++ Opióides ++++ ++++ ++++ Anfetaminas +++ +++ + Cocaína + +++ + LSD +++ + ++ Maconha + + Solventes voláteis ++ + Nicotina ++ ++ ++OBS.: A intensidade da dependência física é ilustrada pela magnitude da síndrome deabstinência correspondente.
  • 15. CocaínaPotencial de abuso da cocaína Observe a figura abaixo, ilustrando um dos experimentos clássicos utilizado emtoxicologia de drogas de abuso. Neste experimento, o animal tem à sua disposiçãouma alavanca que, quando pressionada leva à aplicação de um estímulo elétrico emdeterminada região do seu cérebro, mais especificamente, na região do sistemalímbico. Este experimento é feito variando-se a freqüência (ou seja, a intensidade)destes estímulos. Utilizando-se esta metodologia, foi obtida a curva em linha cheia (vide gráficoabaixo). Como poderia ser explicado o perfil desta curva? A curva em linha tracejada mostra uma outra situação: neste caso, o animal,antes de ser submetido à condição descrita acima, recebe uma injeção intraperitonealde cocaína e observa-se uma alteração no seu comportamento em relação aos“apertões” na alavanca. Como foi alterado o seu comportamento? Como isto poderiaser explicado? Como você imagina o comportamento do animal no máximo de resposta
  • 16. alcançada (y ~ 70)? Qual seria a explicação para em ambos os casos ser atingido ummáximo de resposta (platô)? Avaliação de reforço primário da cocaína Camundongo (+) administração de cocaína Camundongo (-) administração de cocaína 90 80 70 "Apertões"/ min 60 50 40 30 20 10 0 0 20 40 60 80 100 Frequência do estímulo (Hz)Adaptado de: Wise et al,1992. Self-stimulation and drug reward mechanisms. Ann N YAcad Sci. 1992 Jun 28;654:192-8.Modo de ação no SNC (sistema nervoso central) 1. Apresentação da animação do efeito da cocaína no SNC no computador (peça auxílio a um dos professores). 2. Volte ao exercício anterior. Sabendo agora qual o mecanismo de ação da cocaína no SNC (sistema nervoso central), você teria hipóteses adicionais que pudessem explicar o perfil dos gráficos apresentados?Vias de administração da cocaína A cocaína pode ser administrada de diferentes modos: pela via oral (através dochá de coca ou mascando as folhas de coca), por via intravenosa, pulmonar (quandofumada) e nasal (aspiração do pó de cloridrato de cocaína). Abaixo temos um gráficoque relaciona os níveis plasmáticos de cocaína no passar do tempo para as diferentes
  • 17. vias de administração apresentadas. A partir destes dados, descreva cada via deadministração com relação a: -Pico de concentração plasmática -Duração dos efeitos da cocaína -Tempo para iniciar o efeito -Intensidade do efeito Relembrando o conceito de reforço primário de uma droga: qual via deadministração da cocaína faz com que o usuário experimente um reforço maior paravoltar a usar a droga? Para responder, leve em conta também as seguintes informações:Concentração Plasmática Via Pureza % (teor de cocaína) Oral Mascar folha de coca: 0,5-1 Intranasal 20-80 i.v. 7-100 Pasta de coca: 40-85 Intrapulmonar Base livre: 90-100 (fumada) Crack 50-95Metabolismo Além do efeito central da cocaína, responsável pelo efeito prazeroso decorrentedo uso da droga, ocorrem também efeitos periféricos decorrentes do seu uso, comomidríase, hipertermia, taquicardia, aumento da pressão arterial, tremores e arritmias.Sabemos também que a cocaína possui uma meia-vida de ~50 minutos.
  • 18. OBS: t1/2 =meia-vida= tempo que leva para diminuir à metade o nível de uma substância no organismo em decorrência de sua metabolização. Diferentes metabólitos podem ser formados a partir da cocaína. Dentre estes, oprincipal é a benzoilecgonina, que pode ser encontrada na urina 2 a 5 dias após o usoda droga (ou após 10 dias para altas doses) e é usada para detecção de usuários.Observe abaixo a reação que gera a benzoilecgonina. Cocaína Cocaína Benzoilecgonina Os usuários de cocaína muitas vezes costumam associar esta droga comoutras. Dentre estas associações, podemos citar como exemplo o bazuco, quandomaconha e cocaína são fumadas juntas, ou mesmo os speedballs, combinação decocaína com heroína. Contudo, a associação mais freqüente é a com o álcool, umdepressor do sistema nervoso central. Entretanto, tal associação gera, mediantereação entre a cocaína e o etanol, o metabólito denominado cocaetileno (estruturaabaixo), que é eqüipotente à cocaína e que possui meia-vida de ~ 2 h. Cocaetileno 1. Como você explicaria a razão para se associar a cocaína com o etanol? 2. Quais devem ser as conseqüências da geração de cocaetileno no organismo?
  • 19. CafeínaFigura 1: Conteúdo de cafeína em alimentos populares, bebidas, refrigerantes e energéticos (Slavin &Joensen. Caffeine and sport performance. The Physician and Sports Medicine, 13:191-193, 1995). Produtos Cafeína (mg) Produtos Cafeína (mg) Café (xícara de 150 mL) Produtos com chá De máquina 110-150 Chá instantâneo 12-28 De coador 64-124 (Xícara de 150 mL) Instantâneo 40-108 Chá gelado 22-36 Descafeinado inst. 2-5 (Xícara de 350 mL) Chá Chocolate (Granel ou Saquinhos) (xícara de 150 mL) Feito a partir de mistura 6 Chocolate ao leite (28g) 6 Chocolate de conf. Infusão de 1 minuto 9-33 (28g) 35 Infusão de 3 minutos 20-46 Energéticos Infusão de 5 minutos 20-50 (mg/250mL) Refrigerantes (mg/350mL) Flash Power 80 Red Bull 80 Coca-Cola 46 Medicamentos Diet Coke 46 (mg/cápsula) Pepsi Cola 38.4 Diet Pepsi 36 Vivarin 200 Guaraná 30 Tylenol 0-30 Soda/Sprite 0 Aspirina 0-30Figura 2: Classificação do usuário em relação à ingestão diária de cafeína (Adaptadode Daniels et al., 1998; Graham & Spriet, 1991; Van Soeren et al., 1993). Quantidade de cafeína (mg/dia) Possibilidade de Habilitação Tipo de Usuário >720 Sim Usuário intencional 450-720 Sim Usuário moderado 120-150 Sim Usuário habitual
  • 20. 30-100 Não Usuário não habitual <20 Não Não usuário Escreva nesta página as suas perguntas sobre a cafeína que você acha quepossam vir a serem esclarecidas nesta aula de bioquímica - alguma dúvida oucuriosidade que você sempre quis ver respondida sobre a cafeína, seus efeitos esensações.
  • 21. MecaniMecanismo de Mecani1) o hormônio se l2) a Proteína G é a3) a Proteína G ati Funcionamen4) a adenilato cicla receptores de Efeitosde AMPc (adenosicíclico) Os receptores d
  • 22. EfeitosEfeitos na fad Efeitosreceptores delocalizados n cafeína: estimEfeitos na pe Efeitosreceptores de
  • 23. AnfetaminasAtividade 1 Elaborar em grupo um esquema a partir do texto “Anfetamina e Doping”utilizando cartolina, canetas coloridas e régua. Apresentar a montagem do esquema para a classe.Texto 1: Anfetamina e o Doping A anfetamina, a metanfetamina, a dextroanfetamina e outras, por induziremestimulação do SNC, propiciam maior quantidade de trabalho físico, e estão incluídascomo substâncias proibidas em competições esportivas. Essas drogas liberam grandesquantidades de adrenalina dos neurônios. A adrenalina, transportada pela correntesangüínea até as células musculares, liga-se a sítios receptores específicos namembrana celular do músculo e ativa a proteína G. Assim que estes sítios namembrana plasmática são ocupados, a adenilato ciclase é convertida de um estado derepouso inativo a um estado de atividade máxima. A adenilato ciclase produz o AMPcíclico (AMPc) a partir de ATP. O AMP cíclico está no interior da célula e ficaaumentado no músculo de 100 vezes ou mais. O AMP cíclico ativa a proteína quinasee esse é o primeiro passo numa amplificação em cascata que converte a proteínaquinase de sua forma inativa em ativa. Esta por sua vez transforma a fosforilase b(inativa) em fosforilase a (ativa) e esta estimulação da fosforilase promove a quebra doglicogênio produzindo grandes quantidades de glicose1-fosfato e, a partir dessa,glicose-6-fosfato. A conversão da fosforilase b a fosforilase a é considerada comomecanismo para aumentar a velocidade da glicogenólise. Por outro lado, não só afosforilase é ativada por uma elevação na concentração de AMP cíclico, mas também aproteína-quinase ativa converte a glicogênio-sintase ativa em sua forma inativa. Assim,o desdobramento e a síntese de glicogênio não ocorrem simultaneamente, um aspectoimportante do controle metabólico do glicogênio. Embora o músculo esquelético contenha pouca quantidade de glicogênio,quando comparado ao fígado, o glicogênio muscular é essencial ao organismo porquesua quebra pela fosforilase ativa fornece uma fonte imediata de glicose 6-fosfato para
  • 24. ser metabolizada na glicólise até ácido lático e para produção de ATP, fornecendoenergia para as atividades violentas e rápidas.Atividade 2 Os professores receberam um crachá contendo parte de uma frase de doistextos: “Rebite e Ecstasy”. O grupo deve se organizar de modo a colocar as frases emuma seqüência lógica. Em seguida cada grupo deve apresentar as frases para orestante da classe. O outro grupo fará a leitura do texto e se julgar necessário deveráfazer alguma alteração na ordem das frases.Texto 2: Rebite• a pessoa tem insônia, inapetência, sente-se cheia de energia fala mais rápido ficando “ligada”• anfetaminas afetam os comportamentos humanos• ao parar de tomar a pessoa sente astenia ficando deprimida• bastante aumentado e excessivamente prolongado e a pessoa “apaga” de repente• caminhoneiros ingerem comprimidos conhecidos como rebites• doses exageradas provocam paranóia e alucinações• já imaginou as conseqüências se isso ocorre quando se está dirigindo?• o cansaço aparece horas mais tarde quando a droga já se foi do organismo• o principal fator de risco é quando passa o efeito, podendo acontecer antes do esperado• o sono vem mais rapidamente do que o habitual• o tempo de ação não é inteiramente previsível• os efeitos dependem da dose, do peso, da personalidade e da sensibilidade de cada um• produzem dilatação da pupila deixando os motoristas ofuscados pelos faróis à noite• provocam taquicardia, hipertensão, broncodilatação• se uma nova dose for tomada as energias voltam, mas com menos intensidade
  • 25. Texto 3: Ecstasy• a liberação excessiva danifica terminações nervosas interferindo na tomada de decisão, julgamento e memória• a serotonina acaba e a biossíntese não atende a demanda• associado a bebidas alcoólicas pode provocar choques cardiorespiratórios• chega-se ao estado de depressão e esgotamento entre 6 e 8 horas após ingestão da droga• conhecido como ecstasy, X, E, XTC, Adam e tem intensa atividade psicotrópica• é o mesmo sítio ativado por drogas psicodélicas• é vendida na forma de pó, drágeas ou em cápsulas• está associado ao humor, euforia, as sensações amorosas• facilita a comunicação devido à supressão do medo e da insegurança• interfere nos neurônios que contém serotonina• liberando todo o seu estoque mesmo sem impulso nervoso• MDMA em 1912 foi sintetizado e patenteado pela Merck• nas raves os usuários costumam ingerir litros de água• por dificultar a sua recaptação e estimular sua liberação pelos neurônios pré- sinápticos• provoca espasmo muscular, elevação da temperatura até 42 ºC e intensa desidrataçãoBiossíntese da Adrenalina
  • 26. Comparação das EstruturasModo de Ação das Anfetaminas
  • 27. Álcool MAPA I ALIM TO EN S POLISSA RÍD S CA IO PROTEÍN S A LIPÍD S IO Glicose A inoácidos m Ácido Graxo CO 2 N D A + N D A H FAD FA H D 2 A P+P D i O2 H2O ATP MAPA II POLISSACARÍDIOS PROTEÍNAS LIPÍDIOS GLICOSE AMINOÁCIDOS ÁCIDOS GRAXOS Asp Gly Leu Glu Ala Ile Ser Lys Cys Phe NAD+ NADH Lactato Piruvato (3) CO2 Acetil-CoA (2) CO2 Asp – aspartato Oxaloacetato (4) Citrato (6) Gly – glicina Ala – alanina Malato (4) Isocitrato (6) Ser – serina Cys – cisteína CO2 Leu – leucina Fumarato (4) α Cetoglutarato (5) Ile – isoleucina CO2 Succinato (4)
  • 28. O metabolismo do etanol inicia-se com as seguintes reações: OH O Enzima 1 H3C CH2 + NAD+ H3C C H + NADH + H+ Etanol Acetaldeído O O Enzima 2 H3C C H + H2O + NAD+ H3C C O- + NADH + 2 H+ Acetato O O Enzima 3 H3C C O- + ATP + CoA H3C C CoA + AMP + PPi Acetil-Coenzima AQuestões para Estudo 1. Quatro indivíduos, da mesma idade, peso e altura, fizeram adições à sua dieta. O indivíduo A adicionou 63 g de carboidrato; B, 28 g de lipídio; C, 63 g de proteína e D, 36 g de etanol. Consultando a tabela seguinte, prever qual dos indivíduos ganhará mais peso. Alimento Valor calórico (kcal/g) Carboidrato 4 Lipídio 9 Proteína 4 Etanol 7 2. Usando o Mapa II, estabelecer entre carboidratos, proteínas e lipídios, quais são as interconversões possíveis. 3. A quantidade celular de [NAD+ + NADH] é pequena e constante. Se houver uma ingestão de grandes quantidades de etanol, qual forma da coenzima deve predominar? 4. Que conseqüência acarreta a ingestão de grande quantidade de etanol sobre o equilíbrio entre piruvato e lactato? 5. Na condição descrita em 3 e 4, é possível converter glicina, alanina, serina e cisteína a glicose?
  • 29. 6. Sabendo que a conversão de aminoácidos a glicose (gliconeogênese) é um processo importante para a manutenção da glicemia (concentração plasmática de glicose) durante os períodos de jejum, qual a conseqüência da alta ingestão de etanol sobre o nível glicêmico? 7. Indivíduos em pré-coma alcoólico são habitualmente tratados por administração intravenosa de glicose. Este procedimento é justificável? 8. A maior parte dos efeitos da embriaguez (náuseas, vômitos aumento da pressão arterial, rubor facial e desconforto geral) é provocada por níveis elevados de acetaldeído. Com base nas seguintes informações, comparar a sensibilidade a etanol entre as populações ocidental e oriental: a. A atividade da enzima 1 é maior nos orientais do que nos ocidentais. b. A atividade da enzima 2 é maior nos ocidentais do que nos orientais. 9. O medicamento Dissulfiram inibe a enzima 2. Por que sua administração é utilizada na tentativa de recuperação de alcoólatras? 10. Observe as reações de metabolização do etanol e indique qual metabólito do Mapa II terá sua concentração aumentada. 11. As concentrações dos metabólitos do Ciclo de Krebs são sempre constantes. Com base na sua resposta da questão anterior e nos equilíbrios do Mapa II, o que pode acontecer com as células hepáticas de um consumidor crônico de álcool (alcoolismo). 12. Sabendo que os lipídios precisam de proteínas para ser transportados do fígado para o tecido adiposo, que conseqüência terá a alta ingestão de etanol?Etanol no sistema nervosoEfeitos diretos na membrana: Da mesma forma que os hipnóticos, sedativos e agentes anestésicos gerais, oálcool é solúvel nos lipídios das membranas celulares, o que a torna mais densa emecanicamente estável. Este fato interfere em inúmeros processos que exigemmudanças rápidas e reversíveis na estrutura da membrana. As mudanças rápidas nos fluxos de Na+ e K+ que são as bases do potencial deação, sofrem redução. A condução do impulso nervoso e a contração muscular(músculos lisos, esqueléticos e cardíacos) são, portanto, deprimidas frente à
  • 30. concentração de álcool relativamente alta. Quanto menor o diâmetro da fibra nervosa,maior será o efeito de uma dada quantidade de etanol. O transporte ativo de Na+, K+ e aminoácidos diminui em decorrência da inibiçãoda ATPase da membrana. Esta inibição diminui processos como, por exemplo,recaptura de noradrenalina nas terminações nervosas simpáticas, que é relacionadacom canais de Na+. O álcool fluidifica as membranas, dissolvendo o componente lipídico ediminuindo a viscosidade. Com o tempo, a membrana celular torna-se mais rígida emenos sensível ao efeito fluidificante do álcool. Estas alterações seriam consistentescom o desenvolvimento de tolerância (devido à menor sensibilidade da membrana,precisar-se-ia maior quantidade de álcool) e na ausência de álcool, o desarranjo damembrana pode contribuir para o aparecimento dos sintomas de abstinência. De fato,as membranas de células sinápticas de animais tolerantes ao álcool mostramresistência aos efeitos do etanol. Todavia este mecanismo é incapaz de explicar toda acomplexidade dos fenômenos de tolerância e dependência física.Etanol x GABA Para entender a ação do álcool é preciso examinar o papel dosneurotransmissores – moléculas que fazem a comunicação entre as células nervosasna altura das sinapses. A molécula de GABA (ácido gama-aminobutanóico), sintetizadoa partir do aminoácido glutamato, normalmente age ligando-se num sítio específico doscanais iônicos da célula nervosa de uma sinapse, inibindo a atividade celular. Essainibição resulta da distorção causada pelo GABA na estrutura local da membrana dacélula, alargando na essência os canais através dos quais os íons Cl- podem passarem direção à célula. A concentração interna mais alta desses ânions modifica a diferença depotencial através da membrana e a célula torna-se incapaz de disparar(hiperpolarização). O neurotransmissor GABA é responsável pela maior parte dainibição de sinapses do Sistema Nervoso Central. A molécula de etanol liga-se à mesma proteína que a molécula de GABA, masnuma posição vizinha, e a distorce ligeiramente. Em conseqüência, o GABA pode seligar mais facilmente à proteína. Portanto, a presença de etanol no fluido que circundaa sinapse influencia indiretamente o disparo e a voltagem graças à membrana da
  • 31. célula nervosa, através do fortalecimento da ligação da molécula de GABA e daabertura dos canais de Cl-. Outro efeito fisiológico que acompanha a ingestão de bebidas alcoólicas é a suainterferência na produção de alguns hormônios antidiuréticos, o que conduz à secreçãoexacerbada de água. O álcool também causa a dilatação dos vasos sangüíneos,resultando num aumento da do fluxo de sangue através dos capilares subcutâneos, oque dá coloração rosada à face, juntamente com a sensação de calor.Questões para Estudo 1. 1 A partir do texto acima, explique se o álcool é depressor ou estimulante do SNC. 2. A figura abaixo mostra um esquema do canal de cloreto estimulado por GABA e os sítios de ligação para diversas drogas. Explique o que pode ocorrer se um indivíduo consumir álcool em associaçãocom as seguintes drogas: Aspirina, Valium (benzodiazepínico), Fenobarbital(antiepilético).
  • 32. InalantesTolueno Figura 1. Danos ao cérebro de uma pessoa que abusava de tolueno As imagens acima demonstram visivelmente atrofia (encolhimento) do cérebrode uma pessoa que abusava de tolueno (B), comparado ao cérebro uma pessoanormal (A). Nota-se o tamanho menor e o grande espaço vazio (preto) no cérebro dapessoa que abusava de tolueno (O círculo externo branco, em ambas as imagens, é ocrânio). (site: http://www.nida.nih.gov/DrugPages/Inhalants.html)
  • 33. Figura 2. Deterioração das Fibras Nervosas em uma pessoa que abusava de inalantes As regiões coradas mais escuras mostram áreas onde as fibras nervosasperderam a sua camada isolante, essa porção de tecido foi removida do cérebro deuma pessoa que abusava de inalantes.(site: http://www.nida.nih.gov/DrugPages/Inhalants.html) Figura 3
  • 34. Bromopropanos Foi realizado um estudo com ratos expostos a 1000 ppm de 2-bromopropano e1-bromopropano. Durante as 5 primeiras semanas de exposição, ratos do grupo de 1-bromopropano começaram a andar com dificuldade, com o seu membro inferior sendoarrastado pelo chão com a pata virada para cima. Esses membros acabaram sofrendoparalisia. Os outros ratos demonstraram os mesmos sinais após 6 semanas deexposição. O peso corpóreo dos ratos paralisados diminuiu drasticamente e eleschegaram a emagrecer seriamente. Então, eles foram sacrificados para estudohistopatológico. O estudo histopatológico consiste em fazer lâminas com as células dos ratos everificar se houve alguma mudança nos seus tecidos e células. No caso desses ratosforam feitas lâminas dos neurônios e foi observado que no caso dos ratos controles,não expostos a bromopropanos, esses neurônios estavam normais. Porém, quandoforam analisados os neurônios dos ratos expostos a 1000 ppm de 2-bromopropano foiverificado o acúmulo de neurofilamentos nos nódulos de Ranvier, formando estruturasaumentadas como bolas (figura 4.). Além disso, também foi observado, nos ratosexpostos a 1-bromopropano, a destruição do axônio e da mielina dessas regiõesafetadas. (Environmental Research Section A 85, 48-52, 2001) Figura 4.PERGUNTA:1. O que é anatomicamente a camada isolante?2. O nosso corpo funciona através de sinais que chegam no nosso cérebro atravésdos neurônios, o que você esperaria se esses sinais fossem bloqueados ousimplesmente diminuíssem?
  • 35. n-HEXANO O termo neuropatia (danos ao neurônio) por hexacarbonetos tem sido aplicadopara uma síndrome que induz quimicamente axonopatia, danos ao axônio, porque osagentes conhecidos por produzir essa axonopatia possuem todos 6 carbonos na suaestrutura. n-pentano, com 5 carbonos, e n-heptano, com 7 carbonos, nãodemonstraram indução a neuropatias nem distúrbios na velocidade de condução donervo. A exposição a n-hexano, com 6 carbonos, gera metabólitos como 2-hexadiona,5-hidroxi 2-hexadiona, 2,5-hexadiona, que são os responsáveis por esse efeito. (J.Toxicol. Environ. Health 6:621-31 1980) Assim como no exercício anterior, já está bem estabelecido que a neuropatia éprecedida de acúmulo neurofilamentos nos nódulos de Ranvier, no axônio. Esseacúmulo de neurofilamentos tem sido associado ao bloqueio da rapidez no transporteaxonal. Em resumo, a reunião de proteínas filamentares presentes no neurôniopróximas aos nódulos de Ranvier resultam na agregação neurofilamentar, levando aobstrução do transporte do impulso nervoso no axônio, e assim, causando adegeneração do neurônio. (Brain Res, 133:107-18) Uma diminuição da energia do metabolismo também tem sido proposta paraexplicar o mecanismo de ação neurotóxica desses compostos com 6 carbonos.Estudos levam a hipótese de que esses compostos inibem as enzimas da viaglicolítica, dependendo da dose. A inibição dessas enzimas também tem demonstradobloqueio na velocidade de condução no axônio. (Brain Res. 202:131-42, Ann. Rev. Pharmacol.Toxicol. 22: 145-66)PERGUNTAS:1. Um fabricante de cola lançou a seguinte campanha: “Não é tóxica por não contertolueno”, mas na sua formulação essa cola contém n-hexano. Será que a informaçãopassada pelo fabricante é verdadeira?2. Qual é a implicação da inibição das enzimas da via glicolítica?Benzeno Assistir ao software – RADICAIS LIVRES
  • 36. A grande produção de metabólitos de benzeno no fígado é demonstrada peloseu transporte na medula óssea e outros órgãos. Figura 5. Aumento na Produção Dano ao DNA Benzeno HQ, HB e HT de Radicais LivresTabela 1. Impacto dos metabólitos do benzeno: a hidroquinona (HQ), a p-benzoquinona (BQ) e a 1,2,4-benzenotriol (BT), na produção de radicais livres e fatoresantioxidantes em células (Environmental Health Perspectives 104(6), 1996). Fator HQ BQ BT Superóxido ↑ ↑ ↑ Óxido Nítrico ↑ ↑ = Peróxido de Hidrogênio ↑ ↑ ↑ Catalase ↓ ↓ = SOD ↓ = ↓ Vitamina C = = = Glutationa (GSH) ↓ = ↓Legenda: (=) sem mudança, (↓ diminuição, (↑) aumento )Tabela 2. Número de linfócitos B (x 106/baço) em ratos que inalaram 0, 1, 10, 100 e200 ppm de benzeno por até 8 semanas (média de 3 ratos) (Toxicology 118: 137-148, 1997). Ar BenzenoSemanas de Exposição (controle) 1 ppm 10 ppm 100 ppm 200 ppm1 semana 70 ± 2 78 ± 9 63 ± 2 45 ± 8 31 ± 32 semanas 68 ± 6 62 ± 7 44 ± 6 27 ± 1 10 ± 24 semanas 68 ± 7 72 ± 6 63 ± 2 17 ± 7 5± 28 semanas 86 ± 1 82 ± 1 93 ± 9 27 ± 1 7 ± 0.2PERGUNTAS:1. De acordo com o esquema e a tabela mostrados o que se pode dizer dopotencial efeito tóxico do benzeno?
  • 37. 2. Além dos efeitos neurológicos e ao DNA, a análise da tabela leva a outrasimplicações no organismo?NitritosFigura 6. Gráfico demonstrando a viabilidade de macrófagos tratados in vitro comnitritos.Figura 7. Viabilidade in vitro de nitritos inalantes. Macrófagos, células de defesa, foramexpostos por 45 minutos a 0, 1,5, 3 ou 6 mM de isobutil, isoamil ou butil nitrito. Célulasviáveis foram contadas usando exclusão por trypan blue (substância azul que penetraem células mortas, mas não consegue penetrar em células vivas). Várias concentrações de isobutil, isoamil, butil nitrito e peroxinitrito foramadicionados a culturas de células. Depois de 45 min. as preparações mitocondriaisforam testadas quanto à respiração celular, os resultados estão demonstrados nográfico acima. (Toxicology Letters 132, 2002, 37-45)
  • 38. PERGUNTA:Descubra as palavras omitidas e encontre o texto relacionado às figuras anteriores.Esse estudo demonstrou uma dramática _____________ de células viáveis,macrófagos em cultura. Sugerindo que os ____________ __________ podem matardiretamente ____________ em cultura. A ________ significante da respiração (%)ocorreu em _________ concentrações de agente.
  • 39. TabacoAtividade 1 Interprete, com ajuda da legenda, o mecanismo de ação da acetilcolina no“centro da recompensa".Legenda:1. Neurônio periférico que “conversa” com neurônios do “centro da recompensa” através da liberação deacetilcolina. O local onde ocorre essa “conversa” (onde são liberados os neurotransmissores) é a fendasináptica.2. População de receptores de acetilcolina na membrana dos neurônios que formam “centro darecompensa”3. Receptor de acetilcolina: proteína situada na membrana da célula neuronal composta de 5subunidades. Essa estrutura funciona como um canal, permitindo a passagem de cátions quandoestimulada por acetilcolina.4. Acetilcolina: neurotransmissor que se liga ao receptor de acetilcolina promovendo mudanças naestrutura do mesmo, levando à abertura do canal.5/6. Cátions (ex: Sódio): com o canal aberto, podem “entrar” na célula promovendo formação de correnteelétrica nos neurônios. Após ter compreendido o mecanismo de ação da acetilcolina, você seria capazde interpretar a animação do “mecanismo de ação da nicotina”? ReceptorCopyright 1996 Gayle Gross de Nunez and SAVANTES Molécula dehttp://www.neuroguide.com/nicotine.html Nicotina
  • 40. Atividade 2 Como visto na animação, a nicotina atua no mesmo receptor da acetilcolina,ocasionando sua abertura e consequente passagem de cátions para dentro doneurônio, promovendo a formação da corrente elétrica. Entretanto, diferenças naativação desse “canal” determinam efeitos característicos dos dois compostos, o queexplica parte do mecanismo responsável pela dependência por nicotina, comoveremos:“Pesquisas recentes mostram que a corrente elétrica gerada pela ligação deacetilcolina em seus receptores é de grande intensidade mas de curto espaço detempo, ou seja, no caso do funcionamento normal do cérebro, há uma grandeestimulação do neurônio durante pouco tempo. Ao contrário, a nicotina estimula essesneurônios gerando corrente de pouca intensidade mas durante longo intervalo detempo, o que em parte poderia explicar o processo de dependência gerado pelanicotina.”Adaptado de: Dani et al, 2001. Cellular mechanisms of nicotine addiction. Pharmacology, Biochemistry,and Behavior. 70, 439-446 As questões abaixo visam esclarecer o trecho acima: 1. Sabendo que na fenda sináptica existem várias enzimas com atividade de estearase (enzimas que quebram ésteres) qual composto, nicotina ou acetilcolina, permaneceria por mais tempo na fenda sináptica? Observe as estruturas abaixo para responder a questão. N N O N Acetilcolina Nicotina O
  • 41. 2. Em um experimento (visando diferenciar a ação da nicotina/acetilcolina) foram isolados neurônios que possuíam os reptores de acetilcolina, como os mostrados no esquema anterior. A resposta desses neurônios, frente aos dois compostos, pôde ser determinada através do uso de eletrodos que mediram a corrente gerada devido à entrada de cátions. Os resultados obtidos foram os seguintes: Estimulação dos neurônios com: Medida da corrente neuronal ( após última adição de Acetilcolina ) Acetilcolina durante 3 min +++++ Acetilcolina durante 3 min + reforço de +++++ Acetilcolina durante 3 min Nicotina durante 3 min + reforço de Acetilcolina + durante 3 min Analisando os dados da tabela, qual a diferença na função desses receptoresquando os mesmos são pré-tratados com nicotina ou acetilcolina?Você poderia propor a causa de tal diferença? 3. Um dos fatos mais marcantes em relação à dependência de nicotina é o aumento do número de receptores de acetilcolina nos neurônios das pessoas que fumam. Baseando-se nas respostas anteriores, qual seria a razão de tal aumento observado nos fumantes? Preencha a tabela abaixo, utilizando a mesma notação da Questão-2, sugerindoqual seria a “resposta” desse aumento do número de receptores na corrente deneurônios provenientes de um grupo de fumantes regulares e um grupo de fumantesque permaneceram em estado de abstinência durante 1 semana?Estimulação dos neurônios com acetilcolina Medida da corrente neuronalFumantes regularesFumantes em abstinência durante 1 semana 4. O grupo de fumantes que permaneceram sem fumar durante 1 semana apresentaram comportamentos muito característicos da “Síndrome de Abstinência” provocada pela retirada de nicotina do organismo. Baseando-se na
  • 42. diferença da “medida da corrente neuronal” proposto no exercício anterior, você conseguiria imaginar a causa dos comportamentos mostrados no desenho abaixo?Atividade-3 “Foi-se o tempo em que cigarro na mão era sinônimo de bad boy oudesajustado, uma imagem sedutora para os que sofriam os revezes das explosõeshormonais. Hoje, a nicotina é mais democrática, atinge todas as tribos: playboys,patricinhas, a galera do fundão, nerds e skatistas. “O cigarro já pegou todo mundo” dizRonaldo Pelazari*,16, fumante desde os 14 que está tentando parar por ordem médica-ele sofre de asma e já teve uma parada respiratória. Segundo especialistas, a adesãodos adolescentes ao tabaco é facilitada por duas características: eles subestimam adependência e se iludem que podem parar quando quiserem. De acordo com dados daOMS (Organização Mundial da Saúde) 90% dos adultos fumantes começaram a fumarentre 5 e 18 anos, sem perceber o efeito viciante da nicotina.”Adaptado de “Fumaça na Matinê” in Revista da Folha, 15 de Setembro, 2002. *nome fictício. O tabaco, por ser uma droga lícita e “socialmente aceita”, é muitas vezes tidocomo menos perigoso do que as substâncias ilícitas, levando a impressões erradas,principalmente por parte dos adolescentes. A nicotina é o componente do cigarro
  • 43. responsável pela dependência do ato de fumar e seu poder viciante já foi testado comomostra esse estudo utilizando a mesma metodologia do experimento de auto-administração em animais visto no exercício para cocaína. Assim como já descrito, um eletrodo é adaptado na cabeça do camundongopermitindo a estimulação elétrica específica da região do cérebro denominada “centroda recompensa”. O camundongo é acondicionado em uma gaiola contendo umaalavanca que, se pressionada, permite a descarga elétrica de freqüência controladanessa região cerebral do camundongo. Para cada ajuste de freqüência do eletrodo (0Hz / 10Hz / 20Hz....90Hz / 100Hz)foi anotada a quantidade de vezes por minuto que o camundongo pressionava aalavanca nos moldes do experimento já mostrado. Entretanto, nesse experimento, foiadministrada ao camundongo, ao invés de cocaína, uma injeção de nicotina, sendo osresultados resumidos no seguinte gráfico:Adaptado de: Wise et al,1992.Self-stimulation and drug reward mechanisms. Ann N Y Acad Sci. 1992Jun 28;654:192-8. 1. Comparando o perfil de resposta a diferentes estímulos elétricos nos dois grupos de camundongos (tratados ou não com injeção de nicotina), verificamos claramente que os tratados com nicotina apresentam um comportamento de A valiação de r e fo r ço pr im ár io d a nicotina Camundongo (+) administração de nic otina Camundongo (-) adminis traç ão de nic otina 80 70 60 "Apertões"/ min 50 40 30 20 10 0 0 20 40 60 80 100 Frequência do estímulo (Hz) “múltiplos apertões/min” em freqüências de estímulo elétrico baixas, que ainda não eram capazes de promover resposta no grupo de camundongos controle.
  • 44. Considerando o “mecanismo de ação” da nicotina qual seria a causa de tal diferença nos dois grupos? 2. Comparando esse experimento com visto para cocaína é possível o cigarro de tabaco (nicotina) ser considerado uma droga que causa “menos dependência” do que outras drogas? 3. Recorde as seguintes definições e responda a pergunta a seguir:Reforço primário: efeitos farmacológicos agradáveis decorrentes de ação de umasubstância no “centro da recompensa” do cérebro, que condicionam sua auto-administração contínua.Reforço secundário: atitudes sociais ou estímulos ambientais que contribuem parafortalecer um padrão de comportamento de auto-administração da droga inteiramenteindependente de seus efeitos farmacológicos. Quais os “prós” e os “contras” que podem ser levantados em relação a esse tipode experimentos com animais que estabelecem o “poder viciante” de uma droga?Atividade-4 A folha de tabaco, além da nicotina, possui em sua constituição mais de 500compostos químicos. Entretanto, durante o ato de fumar, cerca de 5000 compostosdiferentes são formados sendo que 80 deles já foram descritos como tendo potencialcarcinogênico. O alcatrão é uma mistura destes compostos formada porhidrocarbonetos aromáticos policíclicos, nitrosaminas, íons metálicos entre muitosoutros. Em 1979, Bruce Ames criou um teste bastante sensível para a rápidadeterminação do potencial carcinogênico de compostos químicos. O teste, conhecidocomo “Teste de Ames”, consiste no uso de bactérias para determinar o risco de certassubstâncias em causar câncer.
  • 45. Basicamente, os agentes carcinogênicos são capazes de alterar o materialgenético dessas bactérias permitindo que elas cresçam em um meio carente denutrientes. Isso porque essa “alteração no material genético” permite que a bactériaproduza o nutriente que não está disponível no meio de cultura, podendo assim semultiplicar com facilidade. Observe esquema abaixo: Agente com potencial carcinogênico Agente não carcinogênico Meio carente de nutrientesAdaptado de: Ames, B.N.,1979. Identifying environmental chemicals causing mutations and cancer.Science. 204: 587-593. Um aluno utilizou o “teste de Ames” para determinar o potencial carcinogênicoda nicotina e do alcatrão. Eles “semearam” uma mesma quantidade de “bactérias deAmes” em diferentes placas contendo meio carente de nutrientes e verificaram ocrescimento das bactérias após 2 dias (tempo suficiente para verificar se houvecrescimento) nas diferentes condições, conforme esquema seguinte:Resultados observados (obs: Cada “bolinha” presente na placa representa uma colônia de bactériasconstituída de milhares de indivíduos):Placa 1: bactérias de Ames (+) aplicação de água no centro da placa.Placa 2: bactérias de Ames (+) aplicação de nicotina no centro da placa.Placa 3: bactérias de Ames (+) aplicação de alcatrão no centro da placa.Placa 4: bactérias de Ames (+) aplicação de alcatrão no centro da placa (+) extrato de fígado decamundongo.Placa 5: bactérias de Ames (+) aplicação de alcatrão no centro da placa (+) extrato de fígado decamundongo exposto cronicamente à ingestão de etanol.
  • 46. 1. Através dos resultados observados nas placas 2 e 3, o que pode ser dito sobre o potencial carcinogênico da nicotina e do alcatrão? As placas 3, 4 e 5 representam condições diferentes de teste do potencialcarcinogênico do alcatrão. Com base nessas diferenças, responda as questões abaixo: 2. Qual seria a razão da diferença dos resultados encontrados nas placas 3 e 4? Qual dos experimentos, placas (3 ou 4), deve correlacionar melhor com o que realmente ocorre no organismo humano? 3. Utilizando extrato de fígado de rato submetido cronicamente à ingestão de álcool (placa 5) verificamos o maior crescimento das bactérias de todo o experimento! Você poderia propor uma causa provável de tal resultado? Qual seria o perigo da associação entre álcool e nicotina no que se refere ao risco de câncer?
  • 47. MaconhaTexto 1 – O Uso da Cannabis(http://www.quimica.matrix.com.br/artigos/maconha/planta.html) “A espécie mais consumida é a Cannabis sativa (hemp): uma planta da famíliaCannabaceae, que há séculos tem sido cultivada por causa de sua fibra, suassementes e seu poder narcótico: das folhas e flores, duas drogas são extraídas: amarijuana e o hashish. Ao contrário do que muitos podem acreditar, o uso destaplanta como narcótico é, de longe, ultrapassado por suas fibras e sementes. O cultivo do hemp teve origem na Ásia central; na China, por exemplo, existemregistros do uso das fibras de hemp mesmo antes do ano 2800 A.C.. O hemp é umaplanta que cresce em zonas temperadas e é cortada anualmente. Pode atingir 5 metrosde altura, mas a altura média oscila entre 2 a 3 metros. As folhas são digitadas e asflores são pequenas e amareladas. As fibras são obtidas através de uma série de operações, incluindo odesfolhamento, a secagem, esmagamento e agitação, que separam as fibras damadeira, resultando em longas e finas fibras, de cerca de 1,8 metros. Estas fibras sãofortes e duráveis, e são utilizadas para a fabricação de cordas, cabos, esponjas,tecidos (similar ao linho) e fios. O óleo é obtido das sementes (cerca de 30% em peso)e é utilizado para o preparo de tintas, vernizes, sabões e óleo comestível. O maior usodas sementes, entretanto, é para a alimentação de pássaros domésticos. Os maioresconsumidores das sementes de hemp são a Itália, UK, Bélgica, Alemanha e França. Também da China vem o primeiro registro do uso da Cannabis sativa por seusefeitos narcóticos: no ano 2700 A.C. a cannabis era utilizada na medicina chinesacomo um analgésico, anestésico, antidepressivo, antibiótico e sedativo. No decorrer dahistória, vários povos encontraram usos medicinais para a cannabis. Maisrecentemente, no século XIX, a planta era indicada para o tratamento da gonorréia eda angina! O principal ingrediente ativo na Cannabis sativa é o tetrahidrocannabinol(THC), que está presente em praticamente todas as partes da planta, masprincipalmente nas flores e na resina das fêmeas. O uso como narcótico para fins não medicinais, entretanto, é bastante difundidono mundo inteiro, através de várias formas de preparto e consumo da erva. Marijuana,hashish, charas, ghanja, bhang, kef e dagga são algumas das maneiras que a
  • 48. cannabis pode ser consumida. Hashish - o nome deriva da secção dos Mohammedanconhecidos como Hashishin ou "assassinos", que, liderados pelo Persa Hasan-eSabba, combateram as Cruzadas nos séculos XI e XII - é a forma mais potente doconsumo de cannabis (contém cerca de 15% de THC!), sendo cerca de 12 vezes maisforte do que a marijuana. Consiste, basicamente, na resina liberada pelas plantas(cannabin). Usuários africanos comem (misturado com bolos ou biscoitos) ou fumam ohashish; muitas vezes, utilizam o "cachimbo-dágua" - bong ou narguilé - para suavizara forte fumaça. Poucas regiões, entretanto, produzem plantas ricas em resinas osuficiente para a preparação do hashish. Esta droga foi introduzida na Europa duranteo período de Napoleão, e ainda hoje é bastante utilizada, sendo uma das formas maiscomuns na França e Inglaterra da cannabis. Na Índia, o hashish é preparado de umamaneira ligeiramente diferente e é chamado de charas. Ghanja é uma forma menos popular da cannabis; ao contrário do hashish echaras, que contém somente a resina das plantas, a ghanja é preparada também comas flores, folhas e alguns galhos da cannabis. Mesmo assim, a ghanja éparticularmente potente, pois é preparada com plantas selecionadas, generosamentericas em resina. Muito comum na Índia, a ghanja é fumada em cachimbos ou emcigarros. Também da Índia vem o bhang, uma preparação parecida com a ghanja masisenta das flores da cannabis. Por isso, contém menos resina e é menos potente.Muitas vezes, o bhang é também transformado em uma bebida: as folhas sãoreduzidas a um fino pó que é macerado com água. Após a ebulição, obtém-se umlíquido bastante narcótico, que também é utilizado em vários rituais Hindus. É,literalmente, um chá de cannabis. A marijuana é a forma preferencial do consumo da cannabis no hemisférioocidental. Consiste na mistura de várias partes da planta seca: folhas, galhos, flores esementes. É uma forma bem branda de consumo, tal como o bhang da Índia.Tipicamente, é fumada em cigarros (baseados) ou cachimbos. Ocasionalmente,entretanto, é ingerida sob a forma de chás ou cozida na forma de bolos. A potência damarijuana varia muito, em função da planta utilizada. O uso milenar da planta por suas sementes e fibras vem sido dificultado: emmuitos lugares o cultivo da cannabis é proibido, mesmo que para fins não narcóticos.Algumas variedades geneticamente modificadas - incapazes de produziremquantidades apreciáveis de cannabinóides - foram introduzidas na agricultura. Hoje,mesmo no Brasil, é possível se encontrar roupas e outros artefatos produzidos comfibras de cânhamo.”
  • 49. Texto 2 – Maconha e a Ciência(http://www.quimica.matrix.com.br/artigos/maconha/ciencia.html) “Tudo começou com um grande erro. Em 1855, a Sociedade Farmacêutica deParis ofereceu um prêmio para o primeiro cientista capaz de isolar o princípio ativo daCannabis sativa. O contemplado foi J. Personee (J. Pharm. Chim. 1855, 28, 461–463),um químico francês. Nem um mês se passou para que a comunidade científica daépoca constatasse o equívoco: o óleo extraído por Personee não era ativo! Nãocontinha nenhum componente com atividade fisiológica - ao contrário da cannabis. FoiVignolo, um químico italiano, que descobriu o erro: o óleo de Personee era rico emsesquiterpenos, substâncias abundantes na cannabis, mas sem atividade biológica.Durante várias décadas, a busca pelo princípio ativo da cannabis continuou, em todo omundo. Enquanto que a morfina, a cocaína, a estricnina, a cafeína e outrosalcalóides eram isolados e caracterizados, nenhuma novidade aconteceu com acannabis. Isto porque, ao contrário dos alcalóides - que são facilmente isolados naforma de sais - os terpenóides (tal como o THC) requerem técnicas químicas maisapuradas, inexistentes até 80 anos atrás. O primeiro químico a obter um extrato ativoda cannabis foi Wood, em 1896, na Cambridge University (J. Chem. Soc. 1899, 75, 20-36). Segundo palavras do próprio autor: "O óleo vermelho é extremamente ativo e,tomado em doses de 0,05 g induz intoxicação seguida de sono. Os sintomasproduzidos por ele são característicos da Cannabis indica e, como nenhum dos outrosprodutos parece apresentar esta ação, esta substância deve ser considerada como ocomponente ativo da planta.” A história do THC na química é ainda mais bizarra: tivemos conhecimento daversão sintética antes de isolarmos a versão natural! Em 1930, Cahn isolou ocannabinol - extraído a partir do óleo de Wood. Na época, acreditava-se que ocannabinol fosse o principal ingrediente ativo da cannabis. O químico americanoAdams e o britânico Todd, na década de 1940, desenvolveram várias rotas sintéticaspara análogos do cannabinol. Para sua surpresa, uma das rotas levou a um compostocom intensa atividade biológica, muito maior do que o cannabinol. Era o ∆ -9-THC (J.Amer. Chem. Soc. 1949, 71, 1624-1628). Dentre os vários derivados preparados, o ∆ -9-THC era o mais ativo. Os químicos da época, então, desconfiaram que a cannabisdeveria ter, também, este terpenóide. Entretanto, foi somente em 1964 que a primeiraisolação do ∆ -9-THC na forma pura ocorreu. Os químicos Gaoni and Mechoulam
  • 50. obtiveram, de uma extração com hexano de uma amostra de hashish, várioscannabinóides, entre ele o ∆ -9-THC, na forma cristalina. Maior até do que dos usuários, o interesse dos cientistas pela marijuana estásempre se renovando: todos ficam fascinados pelo poder que as substâncias contidasnesta planta exercem sobre o homem. Entretanto, foi somente em 1988 que a pesquisasobre a maconha deu um grande salto: Howlett et al. (Mol. Pharmacol. 33, 297-302)descobriram a existência de neurorecpetores para os compostos cannabinóides: isto é,determinados grupos de proteínas existentes em alguns neurônios cujo objetivo eraunicamente o de se ligar a compostos com estrutura química semelhante a doscannabinóides. Howlett chamou estes receptores de CB1; em 1993, outro grupo dereceptores para cannabinóides foi descoberto, desta vez por Munro et at. (Nature1993;365:61). Munro chamou este novo grupo de receptores como CB2.Receptores cannabinóides CB1 e CB2, sequenciados pelo GenBank. Ambos receptores sãopolipeptídeos com sete a-hélices transmenbrana e possuem N-terminais extracelulares glicosilados e C-terminais intracelulares. O receptor CB1 é maior do que o receptor CB2, nas regiões intra e extra celular.Na região transmembrana os dois receptores tem 78% de similaridade. Diversas pesquisas, desde então, mostraram que os efeitos farmacológicosda marijuana são mediados por estes dois receptores. Ambos ativam mecanismosde transdução similares, incluindo a inibição da adenilato ciclase e de canais de Ca 2+do tipo N. O CB1 ocorre no cérebro, onde é responsável por efeitos característicos dacannabis (relaxação, bem-estar, analgesia, aumento da percepção áudio-visual,depressão da atividade motora, analgesia e catalapsia) e também no sistema nervosoperiférico. Aí, os receptores CB1 são localizados pressinapticamente e sua ativação
  • 51. pode produzir uma supressão da liberação de neurotransmitores. Os principaissintomas da ativação destes receptores são a estimulação do apetite, vasodilatação(particularmente dos vasos conjuntivos), taquicardia e inibição da mobilidade intestinal.Os receptores CB2, até agora, somente foram localizados fora do SNC (sistemanervoso central), principalmente em células do sistema imunológico. Muitos autoresrelacionam a ativação destes receptores com imunosupressão, efeitos anti-inflamatórios e analgesia associada a processos inflamatórios. Ao contrário dosreceptores CB1, pouco se sabe, ainda, sobre este grupo de receptores. Era quase inconcebível para a maior parte dos neurologistas que o cérebroanimal fosse gastar parte de seus nutrientes e mecanismos simplesmente paraelaborar um receptor para uma substância provinda de uma planta. Tal como com amorfina, a descoberta de receptores biológicos para cannabinóides exógenos levantoua possibilidade para a existência de cannabinóides endógenos. Muitos químicos ebioquímicos, então, focaram seus esforços no sentido de descobrir candidatos aocupar esta posição: cannabinóides endógenos. O primeiro ligante cannabinóide endógeno a ser isolado foi a etanolamida daaraquidonila, chamada de anandamida. O nome vem da palavra "ananda", cujosignifica em sânscrito é "prazer". Tão logo esta descoberta foi anunciada, centenas deveículos de comunicação publicaram manchetes como "Descoberta a molécula doprazer", ou "Cérebro produz maconha". Obviamente, um péssimo jornalismo científico,como sempre. Na verdade, a anandamida tem poucos efeitos similares ao THC, alémde ser facilmente hidrolisada quando em contato com o receptor. Porém, váriassituações estimulam o organismo a despejar grandes quantidades de anandamida nasfendas sinápticas: autores sugerem que esta droga esteja relacionada a momentos derelaxamento, prazer e calma. Um derivado sintético da anandamida - a metanandamida- possui uma potência mais elevada e maior estabilidade e mostrou-se portadora degrande efeito fisiológico. Outros derivados eicosanóides capazes de se ligarem aosreceptores cannabinóides já foram isolados dos mais distintos tecidos humanos. Entreestes, o 2-arachidoniglicerol, considerado um dos mais potentes cannabinóidesendógenos. (...) Tão logo se fez a descoberta dos receptores cannabinóides e doscannabinóides endógenos, cientistas do mundo todo passaram a brincar de químicaorgânica e sintetizar os mais variados agonistas e antagonistas cannabinóidespossíveis, para estudar as suas atividades biológicas. Embora o número seja imenso,os agonistas cannabinóides (incluindo os sintéticos) podem ser separados em 4
  • 52. grandes grupos: não-clássicos, clássicos, aminoalquilindols e eicosanóides. Ogrupo clássico são os derivados do dibenzopirano - tal como o THC. O grupo não-clássico consiste em substâncias bicíclicas ou tricíclicas, similares ao THC, mas sem oanel pirano. O mais comum é o agonista sintético CP55940. Os demais grupos têmestruturas bastante distintas da do THC. Os cannabinóides antagonistas exercem um efeito completamente oposto nosreceptores CB1 e CB2 do que o dos agonistas. O composto SR141716A (patenteadopela empresa francesa Sanofi Recherche), por exemplo, é um dos antagonistas maisestudados. Seus efeitos, em ratos, incluem a supressão do apetite, o incremento da
  • 53. mobilidade intestinal, a melhora da memória recente e aumenta a liberação deneurotransmissores por neurônios centrais e periféricos. Enquanto o debate sobre a liberação da maconha para uso medicinal continua,vários cannabinóides sintéticos já estão sendo utilizados pela indústriafarmacêutica ou estão prestes a entrar no mercado. A tabela abaixo mostra algumasaplicações terapêuticas para agonistas e antagonistas do sistema cannabinóideendógeno. Uso terapêutico para drogas cannabinóides Drogas Uso agonistas do CB1 • Tratamento do câncer • Dor pós cirúrgica • Anticonvulsivo • Antispástico em escleroses múltiplas agonistas do CB1 periférico • Incrementador do apetite • Disfunções glandulares agonistas do CB2 • Dor inflamatória periférica • Immunosupressão antagonistas do CB1 • Deficiência de memória • Tratamento da obesidade • Dependência alcoólica antagonistas do CB1 periférico • Disfunções glandulares Desde a sua descoberta, os endocannabinóides e os exocannabinóides têm sidofoco de centenas de trabalhos de química e bioquímica. Os receptores CB1 e CB2 jásão considerados alvos para muitas terapias farmacêuticas. E é este, agora, o campode ação para os pesquisadores e cientistas que trabalham com temas relacionados àcannabis. Isto prova que, de fato (como proclamam aos quatro ventos os defensoresda liberação da marijuana) a natureza nos deu a maconha com um objetivo: o de
  • 54. nos tornar cientes da existência dos receptores cannabinóides em nossos própriosorganismos!”Questões para discussão 1. De acordo com as informações do texto, o que é mais relevante, o uso da Cannabis como narcótico ou como fonte de fibras e sementes? Por quê? E na sua opinião, o que é mais importante? Justifique sua escolha. 2. Qual a relação de tempo entre o uso da Cannabis e a pesquisa científica a ela relacionada? No que estava focalizado o interesse dos cientistas pela planta? Por quê? 3. Como se desenvolveu a pesquisa sobre a maconha (tempo, linearidade, etc.)? Isto é comum na pesquisa científica?Apoptose
  • 55. Os gráficos abaixo foram todos retirados de artigos científicos que tratam dosefeitos da maconha ou do THC em células. Faça uma análise e procure identificar sehá evidências de apoptose.Artigo 1 – Campbell, V. A. (2001) Neuropharm. 40, 702-709.Tipo celular estudado: cultura primária de neurônios do córtex de ratos % de neurônios em degeneração Fig. 1. (a) Porcentagem de neurônios em degeneração: neurônios expostos a THC (5 µ M) por 30-160 min. Os resultados foram expressos como média para 5 observações, *,** estatisticamente relevantes. (b) Porcentagem de células com fragmentação de DNA: pré-incubação de neurônios com o antagonista do receptor CB1 AM251 (10 µ M) por 30 min. Os resultados foram expressos como média para 7 observações, ** estatisticamente relevantes.
  • 56. Artigo 2 – Ruiz, L. R., Miguel, A., Díaz-Laviada, I. (1999) FEBS Lett.. 458, 400-404.Tipo celular estudado: cultura de células de próstata humanas Fig. 1. Metabolismo oxidativo mitocondrial. A: células cultivadas em meio sem soro e na presença de concentrações crescentes de THC por 3 dias. B: células cultivadas em meio sem soro na ausência (°) e na presença (•) de 1 µ M THC pelos tempos indicados. Cada ponto representa determinações em triplicata e os resultados são baseados em pelo menos 3 experimentos independentes. Fig. 4. Porcentagem de células apoptóticas. B: análise quantitativa de 3 experimentos independentes. Significantemente diferentes (*,** estatisticamente relevantes) versus incubação com veículo.
  • 57. Artigo 3 – Sarafian, T. A., Tashkin, D. P., Roth, M. D. (2001) Toxicol. Applied Pharm. 174, 264-272.Tipo celular estudado: cultura de células de câncer de pulmão humanasCitação – “Ensaios TUNEL realizados 12 e 24 h depois da exposição à fumaça demaconha revelaram que menos de 1 % das células mortas foram coradaspositivamente para fragmentação de DNA característica de apoptose (dados nãomostrados).” Fig. 1. Porcentagem de viabilidade celular. Curso de tempo para a morte de células A549 que segue a exposição por 20 min à fumaça de cigarros de maconha (MJ), placebo (Plac) ou tabaco (Tob) de massa equivalente. (...) os valores representam médias de 4 determinações; o experimento foi repetido 2 vezes com resultados similares. Fig. 8. Porcentagem de células mortas. A concentração de THC indicada foi adicionada e as células foram mantidas em um incubador de CO2 a 37 ºC por 24 h. Os resultados mostrados são representativos de 3 experimentos com resultados semelhantes.
  • 58. Artigo 4 – Chan, G. C., Hinds, T. R., Impey, S., Storm, D. R. (1998) J. Neurosci.. 18(14), 5322-5332.Tipo celular estudado: cultura primária de neurônios do hipocampo de ratosCitação – “Os neurônios corticais em cultura foram muito menos sensíveis ao THC doque neurônios de hipocampo (dados não mostrados).” Fig. 1. Porcentagem de viabilidade celular. Os neurônios foram tratados com várias concentrações de THC a altas doses (A) (em µ M): quadrados abertos, 3,5; triângulos abertos, 5,0; círculos cheios, 7,5; triângulos cheios, 10; quadrados cheios, 20; ou baixas doses (B) (em µ M): quadrados abertos, 0,20; triângulos abertos, 0,38; círculos cheios, 0,50; triângulos cheios, 1,0; quadrados cheios, 2,0. Em C, os neurônios foram tratados com 3,5 µ M THC pelos períodos indicados (15, 30 ou 45 min ou 20 h), seguidos pela remoção da droga e reincubação em meio condicionado overnight.
  • 59. Artigo 5 – Zhu, W., Friedman, H., Klein, T. W. (1998) J. Pharm. Exp. Therapeutics 286, 1103-1109.Tipo celular estudado: cultura primária de macrófagos peritoneais e linfócitos do baçode camundongosFig. 3. Porcentagem de fragmentação de DNA e viabilidade celular. As células de baçoforam incubadas por 2, 4 e 24 h com THC ou DMSO. Um total de 900 células foicontado por amostra. Os dados são representativos de 4 experimentos.Artigo 6 – Sánchez, C., Galve-Roperh, I., Canova, C., Brachet, P., Guzmán, M. (1998) FEBS Lett.. 436, 6-10.Tipo celular estudado: cultura de células de gliomaFig. 1. Metabolismo oxidativo mitocondrial. A: as células foram cultivadas em meio semsoro na ausência (°) e na presença (•) de 1µ M THC pelos tempos indicados. B: ascélulas foram cultivadas em meio sem soro na presença das concentrações indicadasde THC por 5 dias. Os resultados correspondem a 4 experimentos diferentes.
  • 60. Fig. 3. Fragmentação de DNA. Ascélulas foram tratadas com e sem 1 µ MTHC por 5 dias as como na Fig. 1. Umgel representativo está sendo mostrado.Resultados similares foram obtidos em2 outros experimentos.Fig. 5. (...) Células de glioma C6.9,astrocitoma U373 MG, neuroblastomaN18TG2, astrócitos primários eneurônios primários foram cultivadoscom 1 µ M THC por 5 (glioma C6.9) ou10 dias (...). Os resultados estãoexpressos como uma porcentagem decélulas sobreviventes com respeito aincubações do respectivo controle (...) ecorrespondem a 4 diferentes culturaspara cada tipo celular. *significativamente diferentes (p<0,01)versus incubações sem adição.
  • 61. Artigo 7 – Mckallip, R. J., Lombard, C., Martin, B. R., Nagarkatti, M., Nagarkatti, P. S. (2002) J. Pharm. Exp. Therapeutics 302, 451-465.Tipo celular estudado: suspensão de baço e timo de camundongosFig. 7. Porcentagem de células viáveis in vitro. Os timócitos foram cultivados por 16 h.Em A, os dados foram expressos como porcentagem de decréscimo na viabilidadecelular quando comparado com o controle. Os dados são uma média de culturas emtriplicata. Asteriscos indicam diferenças estatisticamente significantes entre os gruposde tratamento THC e THC + SR144528.Fig. 8. Viabilidade celular in vivo. Camundongos foram injetados com veículo ou váriasconcentrações de THC (1, 5, 10, 20 e 50 mg/kg massa corpórea) intraperitonealmente.O timo e o baço foram armazenados 24h depois e a viabilidade foi determinada. Osdados representam uma média de grupos de 4 camundongos.
  • 62. Quando a mídia fala sobre a maconha...Matéria 1 – Chocolate sem culpa: é só comer sem exagerosFonte: jornal O Estado de São Paulo, 16/04/2000(http://www.jt.estadao.com.br/suplementos/domi/2000/04/16/domi005.html) “(...) O chocolate, além de sua forma utilizada na Páscoa como ovo, apresentaalgumas características interessantes. Quem não conhece a situação de ansiedadeintensa e busca incessante por um pedaço de chocolate para tranqüilizar? Estasituação pode parecer uma desculpa para o consumo deste alimento; porém, há cercade dois anos, um grupo de pesquisadores americanos publicou uma matéria científicaem que demonstravam a presença de uma substância química presente no chocolateque teria grande poder de redução da ansiedade. Esta substância, que segundo os pesquisadores teria uma estrutura químicasemelhante ao princípio ativo da maconha, provocaria agudamente uma certatranqüilidade e poderia provocar cronicamente a dependência. Evidentemente, a dosedesta substância é muitas vezes menor no chocolate. (...)”  A que substância o texto se refere? Justifique sua escolha.Matéria 2 – A verdade sobre a maconhaFonte: revista Superinteressante, agosto/2002(http://www2.uol.com.br/super/revista/reportag/0802/1791.html) “(...) Danos cerebrais - "Maconha mata neurônios." Essa frase, repetida hádécadas, não passa de mito. Bilhões de dólares foram investidos para comprovar que oTHC destrói tecido cerebral – às vezes com pesquisas que ministravam doses deelefante em ratinhos –, mas nada foi encontrado. Muitas experiências foram feitas em busca de danos nas capacidades cognitivasdo usuário de maconha. A maior preocupação é com a memória. Sabe-se que ousuário de maconha, quando fuma, fica com a memória de curto prazo prejudicada.São bem comuns os relatos de pessoas que têm idéias que parecem geniais durante o"barato", mas não conseguem lembrar-se de nada no momento seguinte. Isso aconteceporque a memória de curto prazo funciona mal sob o efeito de maconha e, sem ela, as
  • 63. memórias de longo prazo não são fixadas (é por causa desse "desligamento" damemória que o usuário perde a noção do tempo). Mas esse dano não é permanente.Basta ficar sem fumar que tudo volta a funcionar normalmente. O mesmo vale para oraciocínio, que fica mais lento quando o usuário fuma muito freqüentemente. Há pesquisas com usuários "pesados" e antigos, aqueles que fumam váriosbaseados por dia há mais de 15 anos, que mostraram que eles se saem um pouco piorem alguns testes, principalmente nos de memória e de atenção. As diferenças, noentanto, são sutis. Na comparação com o álcool, a maconha leva grande vantagem:beber muito provoca danos cerebrais irreparáveis e destrói a memória. (...)”  Compare o que diz o texto com os experimentos que você analisou. Você acredita que a maconha mate neurônios? Justifique.Matéria 3 – Canna medicinalisFonte: revista Galileu, agosto/2002(http://galileu.globo.com/edic/124/rep_maconha.htm)“(...) O que acontece no organismo A substância ativa da planta, o THC, age no cérebro em 20 minutos. 1. Após ser tragada, a droga leva aos pulmões toxinas como o alcatrão, que prejudicam o aparelho respiratório, e o THC, que segue para a circulação sangüínea. 2. Parte do THC chega ao estômago, fígado e depois aos rins e é eliminada pela urina. 2a) Outra parte chega ao baço; acredita-se que nele o THC reduza a produção de linfócitos e enfraqueça o sistema de defesa do organismo. 2b) Há pesquisas que apontam redução pelo THC dos níveis do hormônio sexual masculino testosterona, podendo provocar infertilidade temporária. 3. No cérebro, entre as várias substâncias conhecidas como receptores, existe uma que é ativada pelo THC.
  • 64. 3a) No cerebelo, que regula o equilíbrio, postura e coordenação motora, o THC provoca letargia, redução no controle dos movimentos e desorientação espacial e temporal. 3b) No hipocampo, o THC reduz a atividade de neurônios relacionados à memória de curto prazo. 3c) No córtex cerebral, que regula a percepção pelos sentidos, o THC pode promover alterações transitórias nas sensações pelo tato, visão e audição. 4. O THC estimula também o aumento da produção de serotonina, substância que promove sensação de prazer (...).”  Por que o texto menciona somente um receptor para o THC? Os efeitos descritos estão de acordo com o que você já estudou? Justifique.Detecção de canabinóides em amostras biológicasFonte: Satub, C. (1999) J. Chromatography B, 733, 119-126. A detecção de drogas de abuso em urina começou a ser estudada a partir dosanos 80 e hoje já atinge dimensões industriais. Com o aprimoramento dos métodosanalíticos, o interesse dos toxicologistas passou a ser sua determinação - qualitativa equantitativa – no sangue e em outras matrizes biológicas, como saliva, cabelo e urina emecônio. No caso da maconha, sãoanalisados não somente o THC mastambém seus principais metabólitos(THC-COOH e OH-THC) e outroscanabinóides, como o CBO e o CBN,conforme mostram as estruturas aolado. No entanto, o uso destes examesé ainda bastante discutido, inclusive noâmbito legal.
  • 65. As análises envolvem extrações líquido-líquido (LLE) ou líquido-sólido (SPE) edepois uma cromatografia gasosa (GC) ou líquida (HPLC). Veja abaixo um exemplo decromatograma. Sua tarefa é então discutir a eficácia e adequabilidade das análises em cada umdos casos abaixo a partir dos dados do gráfico a seguir. Você deve também verificarquais das matrizes biológicas poderiam ser utilizadas em cada caso e quais suaslimitações. SANGUE SALIVA SUOR CABELO  Caso 1 – João nota que seu filho Felipe tem mostrado um comportamento estranho. Às vezes chega em casa rindo à toa e de olhos vermelhos. João quer então fazer um teste para saber se o filho anda fumando maconha.  Caso 2 – A empresa Supimpa está realizando uma seleção para vagas de auxiliar geral e, para evitar futuros problemas com os novos funcionários, quer incluir nos exames médicos um teste para verificar se algum deles é usuário de maconha.  Caso 3 – Caio acaba de ser internado em uma clínica para dependentes de álcool. Os médicos querem saber se ele consome também a maconha, embora o rapaz negue.
  • 66. Apêndices
  • 67. Estatísticas e Conceitos BásicosDados EstatísticosIdade da primeira experiência com as substâncias psicoativas. Dados em porcentagem,em amostra realizada com adolescentes escolares em Ribeirão Preto, SP, 1990 (Fonte:Muza, GM; Bettiol, H; Barbieri, MA Consumo de substâncias psicoativas por adolescentes escolares deRibeirão Preto, SP (Brasil). I - Prevalência do consumo por sexo, idade e tipo de substância Rev. SaúdePública, 31 (1): 21-9, 1997). 70,00 60,00 Tabaco Alcool 50,00 Solventes 40,00 Medicamentos Maconha 30,00 Cocaina Alucinogenos 20,00 Opiaceos 10,00 - < 11 anos 11 – 13 anos 14 – 16 anos 17 – 20 anos A influência da idade na magnitude do consumo de substâncias psicoativas éum dos mais notáveis e consistentes achados da literatura, onde invariavelmente oconsumo cresce com a idade. No entanto, as taxas de prevalência de uso desubstâncias psicoativas de uso ilícito esboçam uma desaceleração importante nosanos finais da adolescência. Dados da literatura, de alguma forma, têm se mostradocoincidentes com os achados do presente estudo.
  • 68. Análise multivariada hierarquizada de fatores associados ao uso na vida de drogaspsicotrópicas (exceto álcool e tabaco) entre adolescentes de escolas com segundograu, das redes pública e privada. Pelotas, RS, 1998. N=2.410 (Fonte: Tavares, BF; Bériab,JU e Lima, MS Prevalência do uso de drogas e desempenho escolar entre adolescentes Rev SaúdePública 2001;35(2):150-158). Características Usuários (%) Classe Social A 28,7 B 30,6 C 26,6 D 19,4 E 22,4 Turno Diurno 24,2 Noturno 33,4 Faltas à escola nos últimos 30 dias 0 20,5 1a3 23,2 4a8 34,2 9 ou + 37,7 Nº de reprovações escolares 0 19,9 1 31,5 2 31,3 3 ou + 40,4I Levantamento domiciliar sobre o uso de drogas no Brasil (outros dados) • Faixa etária de 15 a 25 anos é a com maior consumo e também a faixa que mais conhece os tratamentos e os efeitos da dependência. • 60,9 % acham que é muito fácil comprar maconha, 45,8 cocaína e 21,1 % heroína.
  • 69. Algumas particularidades da pesquisa por regiãoREGIÃO NORTEUso na vida de qualquer droga exceto álcool e tabaco: o mais baixo do Brasil.(15,9 %)Dependência de álcool: 2a maior do Brasil.Uso na vida de MERLA é o maior do Brasil, seguido do Centro Oeste, com 0,8%.REGIÃO NORDESTE1/3 da População já fez uso de qualquer droga, exceto álcool e tabaco.Dependência de álcool é a maior do país (16,9%)Dependência de maconha é a 2a maior do Brasil (1,2%).Uso na vida de SOLVENTES é o maior do Brasil (9,7%).Uso na vida de Orexígenos é o maior do Brasil (11,2%).REGIÃO CENTRO OESTE18,9% da População já fizeram uso de qualquer droga, exceto tabaco e álcool.Uso na vida de maconha é o menor do BR (5,0%).Igual à Região Norte.Nenhum uso de heroína ou alucinógeno.REGIÃO SUDESTEUso na vida de qualquer droga exceto álcool e tabaco foi de 16,9%.Dependência de maconha a menor do Brasil (0,7%).Uso na vida de cocaína (2,6%) e crack (0,4%) são o 2O maior do Brasil, perdendoapenas para Região Sul (cocaína-3,6% e crack- 0,5%)Não houve relato de uso na vida de heroína na região.REGIÃO SULUso na vida de qualquer droga exceto álcool e tabaco foi 17,1%.Dependência de tabaco foi o maior do BR (12,8%).Dependência de maconha foi a maior do Brasil (1,6%).Usos na vida de maconha (8,4%) e cocaína (3,6%) foram os maiores do Brasil.Uso na vida de orexígenos foi o menor do Brasil (1,0%).
  • 70. Custos sociais decorrentes do uso abusivo de drogas No Brasil, os custos decorrentes do uso indevido de substâncias psicoativas sãoestimados em 7,9% do PIB por ano, ou seja, cerca de 28 bilhões de dólares (In:Secretaria de Estado da Saúde/SP,1996). Destacamos o custo decorrente dotratamento de doenças ligadas ao uso de tabaco, que corresponde a 2,2% do PIBnacional e cerca de 0,3% do PIB, são utilizados para a assistência especializada notratamento das drogas ilícitas. No triênio de 1995 a 1997, mais de 310 milhões de reais foram gastos eminternações decorrentes do uso abusivo e da dependência de álcool e outras drogas.Ainda neste mesmo período, o alcoolismo ocupava o 4º lugar no grupo das doençasque mais incapacitam, considerando a prevalência global. Finalmente, devemos considerar os transtornos mentais associados ao uso eabuso de substâncias psicoativas. As Psicoses Alcoólica e por Drogas, bem como asSíndromes de Dependência do Álcool e de outras Drogas são o primeiro motivo deinternações psiquiátricas. Os gastos totais relativos ao diagnóstico de Dependência deDroga (CID 304) passaram de US$902.886,29 em 1993 para US$2.919.933,94 em1997. No total, os gastos diretos em internações que podem decorrer do uso desubstâncias psicoativas, em hospitais gerais da rede do SUS, chega a R$601.540.115,33.Uso de drogas entre crianças e adolescentes O último levantamento do CEBRID, realizado em 1997, revela que o percentualde adolescentes que já consumiram drogas (uso na vida) entre os 10 e 12 anos deidade é altíssimo: 51.2% usaram álcool; 11% usaram tabaco; 7.8% solventes; 2%ansiolíticos e 1.8% já se utilizaram de anfetamínicos nessa faixa etária. Nas 10 capitaispesquisadas, cresceu a tendência para o uso freqüente de maconha entre crianças eadolescentes. O uso freqüente de cocaína e de álcool também aumentou em seiscapitais. Quanto ao uso pesado de drogas, isto é, 20 vezes ou mais no mês, tambémexperimentou um aumento nas 10 capitais para a maconha e, para o álcool, em oitocapitais. A situação agrava-se entre as crianças e adolescentes em situação de rua.Segundo levantamento de 1993, o uso na vida de drogas por esta população
  • 71. apresentava os seguintes percentuais: 82.5% em São Paulo, 71.5% em Porto Alegre,64.5% em Fortaleza, 57% no Rio de Janeiro e 90.5% em Recife (Noto et.al., 1993). Asdrogas mais comumente usadas por crianças e adolescentes em situação de rua são:o tabaco, com um uso diário de 71% em São Paulo e 68.5% em Recife; os inalantes,com 42% em Recife e 24.5% em São Paulo; a maconha - 25% em Recife e 13.5% emFortaleza; e o álcool (29% em Recife e 6.5% em São Paulo). Cocaína e derivados sãomais consumidos nas capitais do Sudeste do país (6% em São Paulo e 4.5% no Rio deJaneiro) e anticolinérgicos nas capitais nordestinas (18.5% em Recife e 8% emFortaleza).Drogas e violência Usuários de drogas, muitas vezes, afirmam que esse hábito prejudica apenas aeles mesmos. Porém, para que essas substâncias cheguem aos usuários, há toda umarede criminosa articulada, com conseqüências sérias para a sociedade. Estudosmostram que o tráfico de drogas e a violência estão cada vez mais associados. Nacidade de São Paulo, por exemplo, o narcotráfico foi o responsável pela condenaçãode 11% da população carcerária local 2. Somando-se a essa estatística as cifrasreferentes a roubos, homicídios e outras ações criminosas relacionadas ao tráfico, em 3todo o Brasil, o que se tem é um quadro preocupante, que o UNDCP quer ajudar amudar. Para isso, o UNDCP e o Governo brasileiro começaram, em 1998, um conjuntode ações coordenadas na área de controle do narcotráfico e do crime. São, ao todo,quatro projetos que envolvem questões importantes da criminalidade: fortalecimentodos órgãos responsáveis pela segurança pública; coordenação entre essasinstituições; controle dos produtos usados na fabricação de drogas e processamentode informações referentes à criminalidade no País. É um trabalho de longo prazo, masque já mostra resultados significativos. Para enfrentar o crime organizado e o tráfico de drogas internacional, a PolíciaFederal está passando por uma reformulação. Atualização profissional, modernização2 Os dados de 1997 foram retirados da pesquisa Urban Crime and Violence in Brazil, porPaulo Sérgio Pinheiro (São Paulo: USP, 1998).3 Escritório das Nações Unidas para o Controle de Drogas e Prevenção ao Crime.
  • 72. da Academia de Polícia e contratação de novos agentes são apenas alguns pontos damudança. O aumento da violência e da criminalidade, especialmente nos centros urbanos,está diretamente vinculado a fatores como desemprego e distribuição desigual deriqueza, numa relação evidente com o tráfico de substâncias ilícitas. Investigações doDepartamento de Investigações sobre Narcóticos (DENARC) de São Paulo, empesquisa com 981 traficantes, usuários e dependentes de drogas, constatou que, decada 100 traficantes, 75 estão desempregados e que, de cada 100 usuários edependentes, 76 estão sem emprego. Entre os usuários dependentes detidos, amaioria está na faixa etária entre 15 e 30 anos e possui o 1º grau incompleto (87,4%).Essa população encontra-se impossibilitada para a competição e inserção no mercadode trabalho. Pesquisas realizadas nos EUA mostram a relação entre o consumo de drogas eatos de violência naquele país, em 1997: • · 68% dos homicídios culposos; • · 62% dos assaltos; • · 54% dos assassinatos; e • · 44% dos roubos. Quanto ao uso de álcool, comprovaram que 2/3 dos casos de espancamento decrianças ocorrem por pais embriagados. O mesmo ocorre nas agressões entre maridoe mulher. No Brasil, pesquisadores do CEBRID (1996), analisando 19.000 laudoscadavéricos no IML Central de São Paulo, comprovaram que, de cada 100 corposvítimas de morte não natural, 95 tinham álcool no sangue.Fontes: Escritório das Nações Unidas para o Controle de Drogas e Prevenção ao Crime e Departamentode Investigações sobre Narcóticos de São Paulo. É corriqueira a associação entre drogas e violência, especialmente no que dizrespeito ao tráfico de substâncias ilícitas. No entanto, as dimensões sociais eeconômicas subjacentes são usualmente obviadas, dando-se ênfase a aspectossensacionalistas que limitam a compreensão do problema e legitimam atitudesrepressivas. O aumento da violência e da criminalidade, especialmente nos centros
  • 73. urbanos, está diretamente vinculado a fatores como o desemprego e a distribuiçãodesigual da riqueza, e nesse sentido deve entender-se, também, a violênciarelacionada com o tráfico de substâncias ilícitas. A relação entre desemprego, tráfico e consumo de drogas, aliás, já foicomprovada por vários estudos nos EUA e Europa. Recentemente, o jornal Folha deSão Paulo publicou pesquisa realizada pelo Departamento de Investigações sobreNarcóticos (DENARC) nesse estado, com 981 traficantes, usuários e dependentes dedrogas. O estudo revela que, de cada 100 traficantes, 75 estão desempregados, e decada 100 usuários e dependentes, 76 estão igualmente desempregados. Quanto àescolaridade, do total de traficantes presos pelo DENARC no ano de 1997, 87.4%estudaram até o primeiro grau completo. Além disso, a pesquisa mostra que a grandemaioria dos usuários e dependentes detidos têm entre 15 e 30 anos. Assim, o perfilque este estudo apresenta é o de uma população na faixa etária mais afetada pelodesemprego e que, em decorrência da baixa escolaridade, encontra-se impossibilitadapara a inserção e a competição no mercado de trabalho. No outro lado da moeda, estudos no Brasil e alhures mostram a relação entre oconsumo de psicotrópicos e os atos de violência. Segundo pesquisa realizada peloInstituto Nacional de Abuso de Álcool e Alcoolismo dos EUA, o uso excessivo debebida é um fator verificado em 68% dos homicídios culposos, 62% dos assaltos, 54%dos assassinatos e 44% dos roubos ocorridos no país (In: ALCOHOLALERT,1997). Omesmo estudo chama à atenção sobre o uso de álcool em casos de violênciadoméstica: cerca de dois terços dos casos de espancamento de crianças ocorremquando os pais agressores estão embriagados. O mesmo ocorre nas agressões entremarido e mulher. No Brasil, pesquisadores do CEBRID analisaram em 1996 mais de 19.000laudos cadavéricos feitos entre 1986 e 1993 no IML central de São Paulo econstataram que, de cada 100 corpos que entraram no Instituto Médico Legal nesteperíodo, vítimas de morte não natural, 95 tinham álcool no sangue.Drogas e trânsito Embora os acidentes de trânsito estejam entre as principais causas externas demorte no Brasil, só recentemente tem sido objeto de estudo a relação entre estes e ouso de drogas. Em 1997, pesquisa realizada nas cidades de Recife, Brasília, Curitiba e
  • 74. Salvador, mostrou a alta presença do uso de drogas, especialmente álcool, nassituações de violência no trânsito. A média para as quatro cidades é de 61% de casosde alcoolemia positiva entre as pessoas envolvidas em acidentes (Melcop et. al., 1997). A mesma pesquisa também verificou o uso de outras substâncias psicoativaspelas pessoas envolvidas em acidentes de trânsito, em diferentes proporções paracada cidade. No Recife, uma em cada 10 vítimas de acidentes havia feito uso demaconha (10%), o dobro do percentual detectado em Brasília (4.5%). Com relação àcocaína, não houve detecção entre os acidentados de Recife, mas nas outras trêscidades os valores variaram entre 3.8% em Salvador, 3.4% em Brasília e 3% emCuritiba. Foi constatado ainda o uso de outras substâncias como os benzodiazepínicos(3.4%), barbituricos (1.5%), anfetaminicos (0.6%) e opióides (0.3%). Números ainda mais altos foram encontrados em outra pesquisa, desta vezrealizada no período de Carnaval, na cidade de Recife: 88.2% das vítimas fatais deacidentes de trânsito tinham consumido álcool (Melcop et.al. 1997). O novo Código Nacional de Trânsito vai ao encontro desta preocupação eestabelece que dirigir sob influência do álcool (níveis de alcoolemia iguais ou acima de0,6g/L) é crime. Estão previstas multa e prisão para aqueles que infringirem a norma.Drogas e trabalho Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 7,9% do PIB (US$ 28 bilhõesao ano) são gastos em função da perda de produtividade e de mortes prematuras emdecorrência do uso de drogas psicoativas. De 1993 a 1997, o número de internaçõesna rede pública de saúde (SUS) em decorrência da dependência de drogas triplicou,pulando de US$ 900 mil ao ano para quase US$ 3 milhões. O uso indevido de drogas é responsável por 50% dos casos de absenteísmo elicenças médicas e está relacionado com 15 a 30% dos acidentes de trabalho,demonstrou pesquisa desenvolvida em 1993 pela Federação das Indústrias do Estadode São Paulo (FIESP). Um estudo realizado em 1997 pela Associação Brasileira dos Departamentos deTrânsito (Abdetran) detectou a presença de álcool em 61% das vítimas dos acidentesde trânsito ocorridos em Salvador, Recife, Brasília e Curitiba. Segundo os dados, emRecife, 10% das vítimas de acidentes haviam consumido maconha. Levantamentos
  • 75. recentes mostram a tendência de crescimento do consumo das drogas de uso ilícito nopaís. Igualmente, é preciso chamar a atenção para os problemas relativos ao uso dedrogas e sua influência no trabalho, tanto no que diz à segurança do trabalhador, físicae social, quanto à produtividade das empresas. No Brasil, estudo realizado no ano de 1993 pela Federação das Indústrias doEstado de São Paulo - FIESP (Waismann, 1995) aponta que de 10 a 15% dosempregados têm problemas de dependência, e que este abuso: • é responsável por três vezes mais Licenças Médicas que outras doenças; • aumenta cinco vezes as chances de Acidentes de Trabalho; • está relacionado com 15 a 30% de Todos os Acidentes no trabalho; • é responsável por 50% de Absenteísmo e Licenças Médicas; • leva à utilização de oito vezes mais Diárias Hospitalares; • leva a família a utilizar três vezes mais Assistência Médica e Social. Esses dados são confirmados por outras pesquisas (Dias et.al. 1997, Campana,1997).Drogas e AIDS Com uma estimativa de 530 mil infectados entre 15 e 49 anos, a epidemia deHIV/AIDS é o maior desafio atual em saúde pública no Brasil. O link entre drogas eAIDS se estabelece na medida em que o uso indevido facilita a infecção pelo HIV, sejapela utilização de seringas contaminadas, no caso de usuários de drogas injetáveis,seja por aumentar as práticas de risco, como sexo sem proteção. Isso porque, sob o efeito de algumas dessas substâncias, aumentam asprobabilidades de uma pessoa se envolver em práticas de risco, como ter relaçõessexuais sem preservativo. No caso do usuário de crack, as chances de contrairdoenças aumentam porque a droga diminui a resistência física da pessoa. Éinteressante observar que, entre os dependentes de crack, as mucosas do corpo ficammais frágeis, o que facilita a infecção pelo HIV por contato sexual.
  • 76. Entre os usuários de drogas, são altos os índices de infecção pelo HIV. OMinistério da Saúde informa que, atualmente, 25% dos registros ocorrem entreusuários de drogas injetáveis. Além disso, 52% dos brasileiros usuários de drogasinjetáveis são portadores do vírus da AIDS. Mas especialistas afirmam que a doençacresce, também, entre os usuários de drogas não-injetáveis (especialmente o crack),embora ainda não exista uma estatística nacional completa a respeito dessa categoria. Se, em 1986, quando a epidemia ainda era recente no Brasil, 60% dosindivíduos infectados tinham nível médio ou superior de instrução, hoje o quadro é bemdiferente - 74% dos casos de AIDS (o dado é referente a 1999/2000) ocorrem entrepessoas analfabetas ou com até oito anos de escolaridade. Entre as mulheres, aestatística se agrava: cerca de 67% das soropositivas têm apenas o nível fundamental,de acordo com dados do Ministério da Saúde. Além disso, uma das estatísticas consideradas mais preocupantes diz respeito àquantidade de mulheres que vivem com o vírus. Se, há quinze anos, havia 16 homenspara cada mulher infectada, hoje essa proporção é de 2 para 1. Estudos mostram quea AIDS já é a principal causa de morte entre as brasileiras e que, se as medidas decontrole da doença não se intensificarem, logo os casos de infecção entre pessoas dosexo feminino serão mais numerosos do que entre homens. Já os homossexuaismasculinos, grupo que ficou estigmatizado quando dos primeiros registros da doença,hoje respondem por 16% dos casos da infecção no País. Mulheres e populações carentes, com pouco nível de instrução, estão maisvulneráveis a contrair o HIV, segundo vários estudos do Ministério da Saúde. Outrodado importante dentro das novas tendências da epidemia está ligado ao que secostuma chamar de "interiorização". Ou seja, a AIDS deixou de ser uma doença quaseque restrita às capitais; agora, atinge também áreas rurais e, principalmente, regiõesde fronteira. Com a expansão da epidemia da AIDS, o consumo de drogas requer umaatenção ainda maior. Desde 1982, quando se registrou o primeiro caso de AIDS entreusuários de drogas injetáveis no país e, principalmente, a partir de 1985, o curso doscasos de AIDS entre esta população vem tendo um aumento expressivo. Em 1985 estenúmero representava 2,7% do total (14 casos), já em 1990 chegou a 18,2% (736casos). Atualmente, cerca de 25% dos casos de AIDS notificados ao Ministério daSaúde estão relacionados com o uso de drogas injetáveis. Dados do "Projeto Brasil" indicam que em cidades como Santos (SP) e Itajaí(SC) a prevalência de HIV entre usuários de drogas injetáveis alcança o índice de mais
  • 77. de 60%, dos casos identificados. Nas quatro cidades pesquisadas (Santos, Salvador,Rio de Janeiro e Itajaí), o índice de compartilhamento de seringas varia de 56% naregião centro-oeste a 85% no Sul. A transmissão através do compartilhamento deseringas é, também, um dos fatores responsáveis pelo crescimento do número decasos de AIDS entre as mulheres, parceiras sexuais dos usuários e,conseqüentemente, da AIDS pediátrica.Conclusões Sem dúvida, os dados apresentados justificam o apelo aos diversos setores -governamental e não governamental - para que estes possam responder à demandagerada pelo uso indevido de substâncias psicoativas. A assistência aos transtornosrelativos decorrentes do consumo de drogas deve espelhar a realidade nacional ecaminhar no sentido de propiciar a atenção integral a saúde do indivíduo, emambientes alternativos à internação hospitalar, através da atuação interdisciplinar dasequipes técnicas, e com a participação comunitária, possibilitando não somente arecuperação clínica do dependente, mas principalmente sua reabilitação e reinserçãosocial. As discussões e propostas apresentadas neste documento mostram uma visãopanorâmica das alternativas de alguns dos agentes envolvidos nesta problemática nonosso país.Texto extraído da home page do Senado Federal (Relatório Preliminar do I Fórum Nacional Antidrogas):www.senad.gov.br/Relfinal.htm.BibliografiaRevistas • Passos, SRL, Camacho, LAB Características da clientela de um centro de tratamento para dependência de drogas, . Rev. Saúde Pública, 32 (1): 64-71, 1998.
  • 78. • Tavares, BF; Bériab, JU e Lima, MS Prevalência do uso de drogas e desempenho escolar entre adolescentes Rev Saúde Pública 2001;35(2):150-158 • Muza, GM; Bettiol, H; Barbieri, MA Consumo de substâncias psicoativas por adolescentes escolares de Ribeirão Preto, SP (Brasil). I - Prevalência do consumo por sexo, idade e tipo de substância Rev. Saúde Pública, 31 (1): 21-9, 1997Sites da internet • http://noticias.ul.com.br/inter/reuters/2002/09/04/ult27u25577.jhtm • http://www.senad.gov.br/Relfinal.htm • http://ar2001.emcdda.eu.int/multimedia/Annual_Report_2001/ar01_pt.pdf • http://annualreport.emcdda.org/en/home-en.htmlConceitos Gerais: dependência, abstinência, tolerância.Pequeno GlossárioDependênciaVínculo extremo, em que a droga é priorizada em detrimento de outras relações. Nafalta da droga, as pessoas que se acostumaram a consumi-la, são invadidas porsintomas penosos.Pode ser a conseqüência de um desejo sem medida.Termo recomendado em 1964, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), parasubstituir outros com maior conotação moral como "vício".A dependência constitui-se a partir de três elementos: • a substância psicoativa com características farmacológicas peculiares; • o indivíduo com suas características de personalidade e sua singularidade biológica; • o contexto sócio-cultural dinâmico e polimorfo, onde se realiza o encontro entre o indivíduo e o produto.
  • 79. Existem dois tipos de dependência: dependência física e dependência psíquica.Por ocasião da 9ª Revisão da Classificação Internacional das Doenças, os aspectospsicológicos e físicos foram unificados sob a definição de dependência de drogas. Estamudança ocorreu, pois no passado julgou-se erroneamente que as drogas queinduziam a dependência física (e, conseqüentemente, a síndrome de abstinência)seriam aquelas perigosas (foram por isso chamadas de drogas pesadas - "hard drugs")ao contrário das que induziam apenas dependência psíquica (as drogas leves - "softdrugs"). Sabe-se hoje, que várias drogas sem a capacidade de produzir dependênciafísica geram intensa compulsão para o uso e sérios problemas orgânicos. Portanto,soaria estranho classificá-las como drogas "leves". Assim, hoje aceita-se que umapessoa seja dependente, sem qualificativo, enfatizando-se que a condição dedependência seja encarada como um quadro clínico (ver dependente).Dependência CruzadaCapacidade de um fármaco ou droga suprimir as manifestações da síndrome deabstinência induzida por uma outra substancia e manter o estado de neuroadaptação.Pode ser parcial ou completa e o grau está mais relacionado a efeitos farmacológicosque a semelhanças químicas.Dependência físicaÉ um estado de adaptação do corpo, manifestado por distúrbios físicos quando o usode uma droga é interrompido. Quando se utiliza uma droga em quantidades efreqüências elevadas, o organismo estabelece um novo equilíbrio em seufuncionamento, como forma de adaptação à droga, de tal forma que, na sua falta,funciona mal.Na dependência física, a droga é necessária para que o corpo funcione normalmente.Dependência psíquicaÉ a dependência fundamental. A droga acaba produzindo um sentimento de satisfaçãoe um impulso psicológico forte, quase incontrolável, exigindo o uso contínuo da drogapara ter seus efeitos prazerosos ou evitar um mal-estar intenso ("fissura"), na suaausência.
  • 80. DependenteUma pessoa só deve ser considerada dependente se o seu nível de consumo incorrerem pelo menos três dos seguintes sintomas ou sinais, ao longo dos últimos dozemeses antecedentes ao diagnóstico: • forte desejo ou compulsão de consumir drogas; • consciência subjetiva de dificuldades na capacidade de controlar a ingestão de drogas, em termos de início, término ou nível de consumo; • uso de substâncias psicoativas para atenuar sintomas de abstinência, com plena consciência da efetividade de tal estratégia; • estado fisiológico de abstinência; • evidência de tolerância, necessitando doses crescentes da substância requerida para alcançar os efeitos originalmente produzidos; • estreitamento do repertório pessoal de consumo, quando o indivíduo passa, por exemplo, a consumir droga em locais não propícios, a qualquer hora, sem nenhum motivo especial, ou negligência progressiva de prazeres e interesses outros em favor do uso de drogas; • persistência no uso de drogas, a despeito de apresentar clara evidência de manifestações danosas; • evidência de que o retorno ao uso da substância, após um período de abstinência, leva a uma reinstalação rápida do quadro anterior. SINDROME DE DEPENDÊNCIA CONCEITO – CID 10 Conjunto de fenômenos fisiológicos, comportamentais e cognitivos, no qual o uso de uma substancia ou de uma classe delas alcança uma prioridade muito maior para um determinado individuo, do que outros comportamentos que antes tinham maior valor. Característica principal: DESEJO Critérios de diagnóstico Forte desejo ou compulsão para consumir a substância; Dificuldade para controlar o comportamento de consumo (inicio, término ou dose); Abandono progressivo de prazeres ou interesses alternativos em favor do uso; Persistência do uso a despeito de clara evidência de conseqüências nocivas; Evidência de tolerância: necessidade de aumento de dose para obtenção do efeito desejado (diminuição marcante dos efeitos quando a dose é mantida)
  • 81. DrogaDe origem controversa, a palavra droga pode ter origem do persa droa (odoraromático), do hebraico rakab (perfume) ou do holandês antigo droog (folha seca,porque antigamente quase todos os medicamentos eram feitos à base de vegetais).Qualquer entidade química ou mistura de entidades (mas outras que não aquelasnecessárias para a manutenção da saúde, como, por exemplo, água e oxigênio), quealteram a fisiologia do organismo ou o seu comportamento.No sentido figurado: "coisa de pouco valor; coisa enfadonha; desagradável" (NovoDicionário Aurélio, 1986); "gíria: coisa ruim, imprestável; interjeição: exclamação queexprime frustração no que se está fazendo" (Dicionário Brasileiro da Língua PortuguesaMirador Internacional, 2a. Ed., 1976). Desta forma, o termo embute significaçõessubjetivas e negativas, dificultando sua utilização em contextos que se pretendemobjetivos tais como para se referir à substância propriamente dita, ou seja, umsubstantivo. Se a droga é uma droga (no sentido figurado), isto já implica questõescomo morais e de valores.Droga ou fármaco de abusoFármacos ou drogas que atuam sobre os mecanismos de gratificação do cérebro,usados com propósito não médicos, devido aos seus efeitos estimulantes.FármacoSubstância de estrutura química definida que, quando em contato ou introduzida numsistema biológico, modifica uma ou mais de suas funções.FarmacodependênciaFenômeno biopsicosocial que compreende um conjunto de alterações fisiológicas,cognitivas e de comportamento, em que o uso compulsivo de um ou mais fármacos oudrogas passa a ser o objetivo principal na vida do usuário.NeuroadaptaçãoAlterações no SNC devido à presença de uma droga, após exposição única ourepetida, que se manifesta pelo aparecimento de transtornos físicos intensos quandose interrompe o uso (síndrome de abstinência) ou pela resposta diminuída para umamesma concentração no sitio de ação (tolerância farmacodinâmica).
  • 82. Potencial de abuso de drogas ou fármacosCapacidade de um fármaco ou droga desenvolver um padrão de comportamento deuso abusivo que depende de seus efeitos farmacológicos agradáveis (reforço primário),da aversão à síndrome de abstinência, do desenvolvimento de tolerância e de fatoresindividuais, ambientais e sócias (reforços secundários).Reforço primárioEfeitos farmacológicos agradáveis decorrentes da ação de uma substância nos centrosde recompensa do cérebro, que condicionam sua auto-administração contínua.Reforço secundárioAtitudes sociais ou estímulos ambientais que contribuem para fortalecer um padrão decomportamento de auto-administração de droga ou fármaco, inteiramenteindependente de seus efeitos farmacológicos.Regressão da tolerânciaFenômeno observado em individuo tolerante, quando, nas mesmas condições deexposição a um fármaco ou droga, apresenta efeitos de maior intensidade, devido adanos celulares e/ou alterações na biodisponibilidade do fármaco.Síndrome de abstinênciaConjunto de sinais e sintomas de gravidade variável decorrentes da interrupção total ouparcial do uso repetido (geralmente prolongado) e/ou excessivo de drogas em usuáriosdependentes.Caracteriza-se por sensações de mal-estar e diferentes graus de sofrimento mental efísico, particulares para cada tipo de droga.Algumas síndromes de abstinência podem ser tão graves a ponto de colocar em risco avida da pessoa, como é o caso da abstinência do álcool e da heroína. Síndrome de abstinência Sinais e sintomas característicos das drogas utilizadas quando o consumo é interrompido; As drogas são consumidas para redução destes sintomas de abstinência.
  • 83. TolerânciaQuando o organismo reage à presença de um produto químico, através de umprocesso de adaptação biológica.No caso da presença contínua de uma determinada substância, o organismo seacostuma a ela e a incorpora em seu funcionamento. Assim, ele responde cada vezcom menor intensidade aos efeitos da droga consumida, necessitando aumentar adosagem para obter os mesmos efeitos.O aumento de doses, muito mais elevadas do que as iniciais, aumenta o risco de umamorte súbita por overdose. Isto ocorre, por exemplo, quando se administra um produtomais "puro", isto é, menos adulterado que habitualmente.Taquifilaxia ou Tolerância agudaTolerância farmacodinâmica que se desenvolve rapidamente após exposição por umcurto período de tempo, a uma ou poucas doses de uma droga.Tolerância cruzadaFenômeno em que o individuo tolerante a um fármaco ou droga, apresenta tolerância aoutro de estrutura química e ação farmacológica não necessariamente relacionadas.Tolerância farmacodinâmicaTolerância em que as alterações adaptativas do sistema biológico a uma droga, queresulta na necessidade de doses maiores destes agentes no sítio de ação paraobtenção de efeitos de mesma intensidade e duração do que os obtidos originalmente.Tolerância metabólica ou disposicionalOcorre quando as alterações adaptativas do sistema biológico a uma droga,decorrentes do aumento na capacidade de biotransformação, resulta na necessidadede doses maiores para atingir a mesma concentração no sítio de ação.Tolerância reversaFenômeno de hipersusceptibilidade adquirida pela utilização contínua de uma droga oufármaco, quando os efeitos obtidos são de maior intensidade que os originalmenteobtidos, nas mesmas condições de exposição.
  • 84. UsuárioA Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a seguinte classificação para aspessoas que utilizam substâncias psicoativas:Não-usuário: nunca utilizou;Usuário leve: utilizou drogas, mas no último mês o consumo não foi diário ou semanal;Usuário moderado: utilizou drogas semanalmente, mas não diariamente no último mês;Usuário pesado: utilizou drogas diariamente no último mês.Segundo considerações de saúde pública, sociais e educacionais, uma publicação daOrganização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO)distingue quatro tipos de usuários:Usuário experimental ou experimentador: limita-se a experimentar uma ou váriasdrogas, por diversos motivos, como curiosidade, desejo de novas experiências,pressão de grupo etc. Na grande maioria dos casos, o contato com drogas não passadas primeiras experiências.Usuário ocasional: utiliza um ou vários produtos, de vez em quando, se o ambiente forfavorável e a droga disponível. Não há dependência, nem ruptura das relaçõesafetivas, profissionais e sociais.Usuário habitual ou "funcional": faz uso freqüente de drogas. Em suas relações já seobservam sinais de ruptura. Mesmo assim, ainda "funciona" socialmente, embora deforma precária e correndo riscos de dependência.Usuário dependente ou "disfuncional" (dependente, toxicômano, drogadito,farmacodependente, dependente químico): vive pela droga e para a droga, quase queexclusivamente. Como conseqüência, rompe os seus vínculos sociais, o que provocaisolamento e marginalização, acompanhados eventualmente de decadência física emoral.Uso abusivoExposição a qualquer fármaco ou droga, geralmente por auto-administração, de umamaneira que se desvie dos padrões médicos ou sócio-culturais aceitáveis.
  • 85. Uso compulsivoExposição repetida a fármaco ou droga pela necessidade intensa de sentir os seusefeitos ou para evitar o mal-estar decorrente de sua privaçãoUso não médico de drogas ou fármacosExposição a uma droga ou fármaco pelo uso ocasional, freqüente ou mesmocompulsivo, aceito ou não pelos padrões de uma dada sociedade.VícioTermo usado popularmente para designar o fenômeno de farmacodependênciaOutras fontes de consulta: • Goodman e Gilman – As bases Farmacológicas da Terapêutica – 9a edição, 1996. O capitulo 24 – Dependência e uso abusivo de drogas, tem alguns conceitos e um resumo sobre as principais drogas: cocaína, maconha, nicotina. O texto tem alguns exemplos, com experimentos, etc. • Rang e Dale – Farmacologia – Cap 33. Outro bom guia. • Seizi Oga - Fundamentos de Toxicologia –– 1996 – Ed Atheneu – Cap 4.1 • MIDIO, A. F. e col – Glossário de Toxicologia. São Paulo, Ed Roca • http://www.usp.br/fm/grea • http://www.imesc.sp.gov.br • http://www.senad.gov.br
  • 86. AlucinógenosLSD O mais antigo alucinógeno conhecido é o cogumelo fly-agaric, Amanitamuscaria, descoberta na Sibéria por observação do comportamento na rena. Aingestão de alcalóides de ergot era utilizado por religiões na Grécia. A legião deAntônio retirou-se na primeira parte do século d.C. devido a periódicas epidemias deergotismo causado pela ingestão de centeio infectado com fungo Claviceps purpúrea,praga na Europa que matou 40.000 pessoas em 944 d.C. O termo alucilogênio tem origem do latim: alucinare que significa vagar pelamente. Hoje a definição de alucinógenos é: qualquer agente que causa alteração napercepção, cognição, humor e ações biológicas primárias com presença ou ausênciasensorial. Em 1938, dois químicos trabalhando para a companhia farmacêutica Sandozsintetizaram LDS (encontrado no fungo ergot) no laboratório. Este foi estudado em1943 pelo descobridor, pesquisador suíço Albert Hoffman que estudava alcalóidesextraídos de fungos que atacavam o centeio e o trigo. Ele estudava especificamente aergotina, sobretudo dietilamida ácido lisérgico-25. Hoffman ingeriu propositalmente oLSD e descreveu os seguintes efeitos: • a ingestão de 25-50 µ g levou a um efeito de pequena duração com pequena labilidade e ilusão visual, mas sem alucinação • a percepção foi intensificada, mais que distorcida, as experiências se tornam místicas e experiências antigas são re-experimentadas. • já numa ingestão maior, a tontura e a ansiedade ocorrem após 20 a 30 minutos de ingestão, os sintomas pareceram mais com a exacerbação do sistema nervosos simpático: o aumento dos batimentos cardíacos e pressão cardíaca, dilatação da pupila, hiperreflexia, pirexia. As alucinações podem ocorrer em qualquer modalidade sensorial comumente sendo visual e auditiva. As ilusões foram freqüentes. A percepção do tempo foi alterada, sinestesia (mistura de sentidos). Os sentimentos ficaram alterados e os tipos de alucinações dependem do estado de humor antes da “viagem” e podem durar de 6 a 12 hs.
  • 87. Os alucinógenos alteram a sensação e percepção. Estas alterações podem seramenas ou violentas. LSD altera a percepção, pode causar experiências de cores vivascom mudanças de tamanho e forma. O usuário tem a função mental alterada, amemória não é prejudicada, a concentração e outros aspectos cognitivos sãoprejudicados dependendo da dose. O efeito começa a aparecer depois de 30 a 90minutos de ingestão e os efeitos físicos são: dilatação de pupilas, aumento datemperatura corpórea, aumento da taxa de batimento cardíaco e pressão sanguínea,suor, perda do apetite, insônia, boca seca, e tremores. Ambos, o LSD e a serotonina (5HT), tê um anel benzênico e um nitrogêniocontido num anel adjacente. As moléculas têm o mesmo receptor no cérebro comoalvo, mas o LSD desencadeia respostas diferentes no interior da célula porque atuacomo agonista parcial do receptor de serotonina. O receptor de serotonina, acoplado à proteína G, gera segundos mensageirosque regulam as duas principais vias de sinalização, que são a de adenilato ciclase efosfolipase C, por fosforilação/desfosforilação de proteínas intracelulares. Muitos usuários experimentam as sensações de flashback recorrentes de certosaspectos da sua vida, mesmo não tendo tomado a droga numa janela de 12 horas;estes flashback podem ocorrer dentro de dias ou anos. A maioria dos usuáriosvoluntariamente diminui ou para o consumo, mas o LSD não é considerado uma drogade vício, pois não cria no usuário um comportamento compulsivo de ingerir a droga,como no caso da cocaína, anfetamina, heroína, álcool e nicotina. Entretanto, muitosusuários vão aumentando as doses progressivamente até o estado de intoxicação. LSD causa tolerância e tolerância cruzada; a tolerância e alteração de humorpronunciada se desenvolvem com o consumo deste de 4 a 7 dias, com administraçãodiária. A tolerância cruzada tem sido demonstrada em LSD, psicocibina e a mescalina,mas não em anfetamina ou maconha. Não causa síndrome de abstinência. LSD é solúvel em água, e é rapidamente absorvido depois de administradooralmente em pequenas quantidades. Uma dose de 25 mg pode produzir efeitossignificativos durante 10 a 12 horas; sua potência é impressionante (300 mil vezesmais ativa que a maconha) porque o tecido cerebral mantém uma baixíssimaconcentração de LSD em relação a qualquer outro tecido do corpo, durante todo otempo posterior à ingestão da droga. A tolerância ao LSD ultrapassa a maioria dosoutros alucinógenos, incluindo os derivados de anfetamina alucinógena e a mescalina,mas não se estende à maconha. Os usuários de LSD, portanto repetem as doses após
  • 88. longos intervalos e não o substituem nem o administram simultaneamente com outrosalucinógenos.Catabolismo: o mesmo da dopamina. Nos anos cinqüenta, o ácido lisérgico dietillamida -125 (LSD) e a mescalinaforam utilizadas em experimentação médica como prova de sua segurança e eficiência- já havia preocupações médicas quanto ao uso. Nesta década, drogas como ácidolisérgico causaram grande expectativa, pois diferentemente de outras drogastranqüilizantes e antidepressivas esta droga transformava a personalidade. Até o fim da década, no pico de aceitação de LSD, psicoterapeutas tratavammilhares de pacientes com LDS para superar neurose, disfunção sexual, alcoolismo,ansiedade, bloqueio de criatividade e indisposição no geral. Inspirados nos artigos deHuxley, e depois nos comentários de Timothy Leary, milhões de pessoas (o estimadosão de 5 milhões de pessoas) embarcaram no uso sem acompanhamento de LSDmanufaturado ilegalmente. Os alucinógenos utilizados em rituais entre as populações indígenas podem serutilizadas como estudo porque estas populações usam alucinógenos por questõesreligiosas (não há então nos estudos, associação do usuário de outras drogas).Religiões deste tipo são: união vegetal (Brasil), culto iboga em Gabão, Huichol noMéxico, Tarahumara no México e igreja nativa americana, cujos membros ingeremalucinógeno proveniente de cactos nos sacramentos religiosos (250.000 membros).Outros alucinógenosMescalinaÉ sintetizada a partir de um cacto, peiote, natural do México. O cacto era usado háséculos em cerimônias religiosos, desde os tempos remotos, na América central emrituais religiosos. Ele ganhou maior importância há alguns anos. A mescalina temestrutura semelhante a neurotramissores do cérebro, como a dopamina enoradrenalina. Causa mais ansiedade e efeitos visuais pronunciados.PCPUm anestésico, único alucinógeno fumado.CogumeloAlucinógenos provenientes de plantas e fungos são:
  • 89. Psilocibina (N, N-dimetil-4-fosforiloxitriptamina)N,N-dimetiltriptamina (DMT)Mescalina (3,4,5-trimethoxiphenetilamine) Estes foram suplantados por LSD (ácido lisérgico dietilamida) em 1943 seguidopor N,N-dipropiltriptamina (DPT), 2,5-dimethoxi-4-metilmfetamina (DOM), 3,4metilenedioxi-N-etilamfetamina (MDE), 3,4 metillenedioxi-N-metilamfetamina (MDMA) einumeráveis outras estruturas análogas. No Brasil, as principais espécies de cogumelo alucinógeno são Psiloybecubensies e os cogumelos pertencentes ao gênero Panelus. Jurema: o vinho juremapreparado à base de Mimosa hostilis é utilizado por índios e caboclos do interior doBrasil. Jurema sintetiza um potente alucinógeno, a dimetiltriptamina ou DMT. Há dúziasde espécies de psilocibina ou cogumelos mágicos pertencentes a gêneros de psilocite,panaeolus e copendia (espécie não correlata do psicoativo amanita). Os efeitos deingestão parecem com os sintomas da pequena ingestão de LSD, produzindosignificativos efeitos fiscos, visuais e perceptivos. A ingestão em doses recreativas é de1 a 5 mg de cogumelo seco dependendo da espécie. A dose de cogumelo não seco éde 10 vezes maior. Por causa da diversidade de tamanho e espécie de cogumelos, asgramas de ingestão variam. Efeitos: Os cogumelos e plantas alucinógenas podem sercomidos e usados na forma de chá, variam de pessoa para pessoa e dependem doambiente em que a droga é ingerida. De modo geral, esta provoca alucinações,delírios, dilatação de pupila, suor excessivo, taquicardia e náusea. Podem desencadearpânico (alguns tipos de alucinógenos), delírios de grandeza e perseguições.Religião santo DaimeBaseada no consumo da ayahuasca, um chá de propriedades alucinógenas feito complantas da Floresta Amazônica. Com uniforme branco, os adeptos varam a noitecantando hinos de tom monocórdico. Os temas são religiosos e o português é a línguaoficial do Santo Daime. Em intervalos regulares, eles fazem uso da ayahuasca, abebida de cor de terra e gosto amargo. Preparada a partir do cipó-jagube e da folhachacrona, próprios da floresta equatorial, a ayahuasca induz estados alterados depercepção. A ingestão do líquido costuma provocar vômitos e diarréia, mesmo emusuários de longa data. De acordo com depoimentos dos adeptos, depois da limpezado organismo atinge-se um estágio chamado de miração. Segundo os daimistas, équando se entra em contato com o Espírito Santo e tem início um processo de
  • 90. autoconhecimento e melhor compreensão do mundo. Os extratos vegetais são fervidose dão origem ao chá ayahuasca. Os índios usavam este chá na forma terapêutica.Sem efeito comprovado na gravidez, não é causa de mortes, embora possam ocorreracidentes durante o efeito da droga. Também não há registro de má formaçãogenética. Podem induzir pânico temporário (24h). Provocam flashbacks (15% dosconsumidores), depressões, comportamento paranóico, episódios psicóticos.Para pesquisar maisLivroAs bases farmacológicas da terapêutica Autores: Goodman e Gilman, Ed. Guanabara.Sites • www.nida.nih.gov/Infofax/lsd.html • www.mtregis.com/display_article.asp?article=2490 • http://www.geocities.com/tentesoma/literatura.htm • http://www.anavitor.hpg.ig.com.br/livro.htm
  • 91. CafeínaReferências eletrônicas • http://www.medikka.com/revistamed/tema.html • http://www.psiqweb.med.br/farmaco/cafeina.html • http://sulcus.berkeley.edu/mcb/165_001/papers/manuscripts/_442.html • http://www.acnp.org/G4/GN401000165/CH161.html - Cafeína: Uma droga de abuso? • http://www.quimica.matrix.com.br/artigos/cafeina.html - Cafeína: A droga predileta • http://web.sfn.org/content/Publications/BrainBriefings/adenosine.html - Efeitos no sono • http://www.nottingham.ac.uk/~mqzwww/adenosine.html - Receptores de adenosina • http://www.t-mag.com/articles/219caff.html - Cafeína e sua relação com a adrenalina
  • 92. Álcool O etanol é conhecido em quase todas as partes do mundo desde a Pré-História,com primeiros relatos datados de cerca de 6000 anos atrás, no Egito e Babilônia. Asbebidas alcoólicas mais antigas eram fermentadas e de baixo teor alcoólico. Na IdadeMédia, os árabes introduziram a técnica de destilação para aumentar a concentraçãode álcool nas bebidas. O álcool é pouquíssimo utilizado na medicina moderna, exceto como solventepara algumas drogas administradas na forma líquida. A maior parcela da sua utilizaçãoestá ligada a fins recreativos. Desde o início de seu consumo e por todas as diferentessociedades que o utilizavam, os efeitos do álcool sobre o indivíduo e sua capacidadede alterar o comportamento já eram conhecidos. Entre todas as substâncias psicoativas, o álcool é a mais utilizada e asconseqüências deste uso, como acidentes de trânsito ou de trabalho, hepatopatias equadros de dependência, são bastante elevados. Estima-se que no Brasil, uma emcada dez pessoas tenha problemas conseqüentes ao uso indevido do álcool, incidênciaalta e que poucas patologias se igualam.O álcool no organismo O álcool, um composto lipossolúvel, é absorvido por difusão simples através desuperfícies mucosas. Esta difusão ocorre no estômago (20%), mas é mais rápidaatravés da mucosa fina do intestino delgado (75%), de forma que qualquer coisa queretarde o esvaziamento gástrico (por exemplo, alimento, exercício e drogasanticolinérgicas) retardará a absorção do etanol. Assim, a redução do fluxo sangüíneovisceral, a diluição excessiva do álcool ingerido ou qualquer outra forma de diminuir ogradiente de concentração através da mucosa também diminuirá sua absorção. De todo o etanol ingerido, a maior parte é metabolizada no fígado (veja aatividade desenvolvida em aula) e 2-7% são eliminados inalterados através de rins epulmões. A pressão de vapor do etanol no ar alveolar está em equilíbrio com aquela noplasma e este é o princípio do teste de Breathanalyzer, ou teste do bafômetro.
  • 93. Teste do Bafômetro A existência de restrições à ingestão de álcool no código de trânsito de diversospaíses data das décadas de 1930-1940. Até por volta de 1945, a única maneira desaber se um motorista estava sóbrio era coletar amostras do seu sangue ou urina eenviá-las aos laboratórios para análise. Porém, estas análises envolviamprocedimentos complexos e lentos. Em busca de métodos alternativos que pudessem ser realizados no local dainfração, fornecendo resultados rápidos e confiáveis também do ponto de vista legal,surgiram nos anos 50, os primeiros analisadores do ar soprado pelos motoristassuspeitos, os bafômetros. Um dos primeiros bafômetros usados comercialmente, cujo princípio continuaainda a ser empregado nos dias de hoje, opera utilizando um método colorimétrico deanálise. O ar soprado pelo suspeito é bombeado numa solução de dicromato depotássio fortemente acidulada com ácido sulfúrico e o etanol introduzido na soluçãoreage com os íons dicromato, produzindo ácido acético e íons Cr3+. Conforme o etanolreage, há mudança na coloração laranja para um tom esverdeado que é utilizada paraquantificar o etanol. 3CH3CH2OH +2Cr2O72- +16H+ → 3CH3COOH + 4Cr3+ + 11H2O Para que seja possível quantificar o etanol contido no ar soprado pelo suspeito,primeiro, o ar amostrado deve corresponder ao ar alveolar dos pulmões, que seencontra em equilíbrio com o sangue envolvido no transporte de gases do metabolismohumano. Assim, o ar soprado através do tubo deve preencher primeiro um amostrador,do tipo pistão, que introduz no sistema somente a última parte do sopro, formada peloar alveolar. Segundo, a reação de oxidação do etanol pelos íons dicromato é lenta,mesmo em meio fortemente ácido, e requer o uso de nitrato de prata como catalisadore deve ser mantida a 50ºC. Nestas condições, a reação se completa em 90s. A absorção e a metabolização variam de pessoa para pessoa. Isto depende defatores como peso, sexo, estado geral de saúde, e raça. Em geral, quanto maior é apessoa, maior é o fígado e mais rapidamente o álcool é metabolizado e removido dacirculação. Além disso, se um homem e uma mulher ingerem exatamente a mesmaquantidade de álcool, a mulher quase sempre apresentará um conteúdo alcoólico nosangue maior do que o homem. O corpo da mulher contém mais tecido adiposo emenos água em relação ao do homem e, portanto, o álcool estará mais concentrado. O tipo de bebida também influencia no efeito alcoólico no organismo. As bebidasfermentadas, por ser meio residual de cultura de leveduras, contêm outros nutrientesque prolongam o tempo de absorção do álcool. Isto não acontece com bebidasdestiladas, que são constituídas essencialmente por água e etanol, apresentandoabsorção mais rápida. O consumo agudo de álcool mostra que há uma relação entre os níveisplasmáticos de etanol e os efeitos clínicos observados, como mostra a tabela seguinte.
  • 94. Um porre. Etanol no sangue e significação: Etanol no Estágio Sinais Clínicos/Sintomassangue (g/L) Nenhuma influência aparente. Testes especiais revelam0,1 a 0,5 Sobriedade pequenos transtornos subclínicos. Suave euforia, sociabilidade; decréscimo das inibições.0,3 a 1,2 Euforia Diminuição da atenção, julgamento e controle. Perda da eficiência em testes especiais. Instabilidade emocional; decréscimo das inibições. Perda do julgamento crítico. Enfraquecimento da memória e da0,9 a 2,5 Excitação compreensão. Decréscimo da resposta sensitiva. Alguma descoordenação muscular. Desorientação, confusão mental e vertigens. Estado emocional exagerado (medo, aborrecimentos, aflição, etc.). Distúrbios da sensação (diplopia, etc) e da percepção às1,8 a 3,0 Confusão cores, formas, movimentos e dimensões. Debilidade no equilíbrio, descoordenação muscular, vacilação no modo de andar e dificuldade na fala. Apatia; inércia geral. Diminuição marcada das respostas aos estímulos. Marcada descoordenação muscular com2,7 a 4,0 Estupor instabilidade para suportar o andar. Vômitos. Incontinência da urina e das fezes. Debilidade da consciência. Completa inconsciência; coma; anestesia. Debilidade e3,5 a 5,0 Coma abolição dos reflexos. Incontinência da urina e das fezes. Dificuldades circulatórias e respiratórias. Morte possível.Acima de Morte Parada respiratória. 4,5 Laurini, L. Toxicologia, 1991.
  • 95. Álcool e doençasFígado A ingestão a curto prazo de até 80 g de etanol por dia (8 cervejas), em geralproduz alterações hepáticas ligeiras e reversíveis, tais como fígado gorduroso. A ingestão diária de 160 g ou mais de etanol por 10 a 20 anos está associada maissistematicamente a lesões graves. Assim, o consumo crônico de álcool pode ocasionartrês efeitos adversos no nível hepático:• Esteatose hepática• Hepatite alcoólica• Cirrose São formas distintas, apesar de superpostas, e também podem aparecerindependentemente umas das outras e não apresentam necessariamente uma formaprogressiva de alterações. Agrupam-se na chamada doença hepática alcoólica. Destas, a cirrose alcoólica é a forma final e irreversível de hepatopatia alcoólicae evolui de forma lenta e insidiosa. Após alguns anos, o fígado é transformado em umórgão marrom, contraído e sem gordura. Apenas 10 a 15% dos alcoólicos desenvolvemcirrose. Formam-se septos fibrosos que, inicialmente, se organizam em micronódulos eque, com o passar do tempo, podem adquirir dimensões consideráveis (mais de 2 cmde diâmetro). A estimulação da fibrose induzida pelo álcool é multifatorial e continuasendo pouco compreendida. A patogenia da doença hepática alcoólica envolve:• indução dos citocromos P450,• aumento de radicais livres gerados pela oxidação através do sistema microssômico,• ação direta sobre a função microtubular e mitocondrial, assim como na fluidez de membranas,• ligação do acetaldeído com proteínas, induzindo um ataque imunológico aos neoantígenos hepáticos.
  • 96. Miocárdio O álcool causa um bloqueio cardíaco autônomo, com diminuição significativa dacontratilidade. Há também uma ação tóxica direta do etanol e do acetaldeído sobre acélula miocárdica. Esses efeitos acarretam uma miocardiopatia alcoólica, sendo umaforma de miocardiopatia dilatada.Aparelho gastrointestinal O álcool causa gastrite, provavelmente por ruptura da barreira mucosa gástrica.Quando ingerido a ponto de causar intoxicação, leva à interrupção total das funçõesgastrointestinais secretoras e motoras.Pâncreas No alcoolismo crônico há a formação de tampões proteináceos nos ductospancreáticos pequenos, causando atrofia dos ácinos drenados pelo ducto obstruído.Isso leva à pancreatite.Gota O acúmulo de lactato, aliado a uma renovação excessiva dos nucleotídeos deadenina, leva a um aumento das taxas de ácido úrico, facilitando o aparecimento dagota.Desvitaminose O álcool induz um estado carencial em vitaminas e em oligoelementos, atravésde vários mecanismos. O primeiro mecanismo evocado pela maioria dos autores é ainsuficiência na ingestão destes micronutrientes. Também foi observado um aumentodas necessidades. Os outros mecanismos relacionam-se a um distúrbio dometabolismo vitamínico como: má-absorção, falta de conversão em forma ativa,diminuição das afinidades teciduais. A manifestação clínica de estados de carência vitamínica induzidos pelo álcool éconhecida parcialmente:• Problemas neurológicos com polineurites, encefalopatia de Gayet-Wernicke, síndrome de Korsakoff, para a tiamina.• Anemia megaloblástica, para o ácido fólico• Hiper-hemólise na síndrome de Zieve, para o tocoferol• Alteração da visão noturna, para o retinol
  • 97. • Anemia sideroblástica e polineurite, para a vitamina B6• Pseudopelagra, para a niacina.Tiamina A síndrome de Wernicke é o sinal clínico mais proeminente da subnutrição nosalcoólicos crônicos e caracteriza-se por marcha atáxica, paralisia dos músculosoculares, polineuropatia, estado confusional e amnésico e, em certos casos hipotermiae hipotensão. A origem da neuropatia reside em um comprometimento axonal e mielínico aonível do hipotálamo, do mesencéfalo e do tronco cerebral. A associação da síndrome com a deficiência da tiamina é reforçada pelodesaparecimento dos sintomas com a administração parenteral de fortes doses detiamina. Entretanto, o mecanismo exato do comprometimento celular continua sendodesconhecido. Os mecanismos através dos quais o álcool leva a uma deficiência de tiaminasão:• Substituição dos alimentos ricos em tiamina por álcool• Má-absorção intestinal da tiamina• Alteração das reservas hepáticas dessa vitamina• Aumento das necessidades de tiamina devido ao metabolismo do álcool.Ácido Fólico É a vitamina mais afetada pelo alcoolismo. Clinicamente, a carência de folatocaracteriza-se por anemia megaloblástica e macrocitose do epitélio intestinal,freqüentemente associadas a diarréias e mal-absorção dos constituintes do boloalimentar. A etiologia dessa carência compreende:• insuficiência na ingestão• má-absorção intestinal• perturbação do ciclo entero-hepático e• aumento da excreção urinária. A elevada incidência de diarréia em alcoólicos é em parte explicada pelosefeitos da carência em folato sobre as estruturas epiteliais da mucosa intestinal e sobreos mecanismos de absorção de líquidos.
  • 98. O consumo de álcool altera a fixação e/ou a estocagem de folatos ou aumenta asua excreção hepática. O álcool afeta o ciclo entero-hepático, durante o qual os folatosendógenos são concentrados e excretados na bile, o que permite a sua conservação. A importante diminuição do teor hepático em folatos quando da administraçãocrônica de álcool sugere uma alteração do transporte membranoso dos folatos peloetanol. O fato de que a diminuição dos teores hepáticos em folatos seja associada a: • diminuição da absorção intestinal • diminuição da acumulação hepática • aumento da excreção urinária,sugere que existem vários pontos onde o efeito inibidor do álcool podem exercer sobreo transporte através de membranas de folatos.Vitamina B6 A deficiência da vitamina B6 é freqüente entre os alcoólicos crônicos, porém, émais elevada entre os que já se apresentam com insuficiência hepática do que entre osque não a possuem. Clinicamente essa deficiência causa desordens hematológicas eneurológicas. Ela é causada por: efeitos do acetaldeído:  diminuição da sínteses de piridoxal-5’-fosfato (PLP);  diminuição da afinidade do PLP por suas proteínas de ligação, acelerando assim sua degradação pela fosfatase alcalina hepática e circulante . ingestão deficiente problemas na absorção intestinal.Mulheres e álcool Mulheres que consomem álcool têm maior probabilidade de desenvolver câncerde mama e problemas ginecológicos do que uma mulher que não bebe. Além disso,algumas pesquisas sugerem que reação de uma mulher ao álcool pode variar nosdiferentes estágios do ciclo menstrual devido a diferenças nos níveis hormonais.Mulheres que tomam pílula anticoncepcional, em sua maioria, levam um maior tempopara metabolizar o álcool.
  • 99. Gravidez Algumas mulheres que bebem muito durante a gravidez têm filhos que sãopequenos, prematuros e alguns podem apresentar anormalidades, incluindo aSíndrome Fetal do Álcool (FAS). Crianças com FAS podem apresentar danoscerebrais, traços faciais anormais, e serem menores e mais claros do que as outras.Elas também podem ter dificuldades de aprendizado. Não se sabe ao certo qual a quantidade que afeta a criança antes de nascer,portanto, a melhor medida é não ingerir álcool durante a gravidez.Alcoolismo Embora o alcoolismo seja amplamente considerado como uma doença, é maisapropriado, talvez, considerá-lo como uma forma de comportamento condicionado. Seo álcool for usado repetidamente e em grandes quantidades para conseguir aliviarproblemas que a pessoa não sabe como resolver por outros meios, o ato de bebertorna-se uma resposta comportamental firmemente estabelecida e automática paratoda espécie de dificuldade. Como uma forma de comportamento adquirido, não se poderia esperar que oalcoolismo tivesse uma causa única. Evidências recentes sugerem que pode existir umfator predisponente hereditário. Atitudes dos pais e aquelas da sociedade em relaçãoao ato de beber e à embriaguez, conflitos emocionais pessoais, a disponibilidade e ocusto relativo do álcool, e o ato de beber dos amigos estão diretamente ligados àquantidade de álcool consumida pela sociedade como um todo e por qualquerindivíduo que vive nesta sociedade em particular. As conseqüências do alcoolismo incluem taxas elevadas de acidentesautomobilísticos e outros, perda de produtividade de trabalho e do salário, conflitossociais e familiares, assim como uma alta incidência de várias espécies de moléstias.Existem três problemas farmacológicos principais: a redução da dieta e do consumo deproteínas e vitaminas, já que o álcool supre as necessidades calóricas do organismo;os efeitos diretos nas células hepáticas e no trato gastrointestinal que leva aocomprometimento de outros órgãos; e a exposição crônica do cérebro a altasconcentrações de álcool conduzindo a alterações adaptativas.
  • 100. Tolerância e Dependência Doses maiores são necessárias para produzir o mesmo efeito, o que reflete umatolerância metabólica produzida pela degradação mais rápida do etanol no fígado, euma tolerância funcional no sistema nervoso. Os efeitos depressores do álcoolprovocam uma hiperexcitabilidade adaptativa nos neurônios afetados. Deste modo, osistema nervoso funciona de forma relativamente normal na presença contínua dadroga, e o indivíduo é considerado tolerante. Quando o etanol é retirado, as alterações no sistema nervoso ficam emdesequilíbrio, e a hiperexcitabilidade se revela. Isto constitui a síndrome de abstinênciaao álcool que pode ser aliviada pela ingestão de mais álcool; diz-se que a pessoadesenvolveu uma dependência física ao álcool. Critérios para o diagnóstico de dependência de álcool. Presença de três oumais critérios, ocorrendo num período de doze meses.1. Tolerância caracterizada por uma das seguintes situações a necessidade de aumentar a quantidade da substância usada para obter o mesmoefeito. b. diminuição do efeito com o uso contínuo da mesma quantidade da substância.2. Abstinência: a síndrome de abstinência. b. substância é utilizada para aliviar ou evitar sintomas de abstinência.3. A substância é usada freqüentemente em quantidades maiores ou por períodos maiores do que o indivíduo deseja.4. Desejo persistente ou tentativas mal sucedidas para diminuir ou controlar o uso.5. Indivíduo despende grande parte do tempo em atividades para obter a substância, usá-la ou recuperar-se de seus efeitos.6. Atividades profissionais, sociais ou recreativas anteriormente importantes são abandonadas ou reduzidas devido ao uso de drogas.7. Uso da substância é mantido apesar de problemas físicos e psicológicos recorrentes, sabidamente causados ou exacerbados pela droga. Oga, S. Fundamentos de Toxicologia, 1996 A síndrome de abstinência pode variar de moderada a muito severa. Depois deuma intoxicação prolongada durante dias ou semanas, os sintomas de abstinênciageralmente incluem insônia, tremor, reflexos exacerbados e perda de apetite. Noscasos de intoxicações mais sérias pode haver alucinações e convulsões. A ocorrênciamais grave inclui ainda, febre, delírio, hiperatividade intensa e taquicardia, a qual podeterminar em colapso cardiovascular e morte.
  • 101. Síndromes agudas de abstinênciaDELIRIUM TREMENS Constitui o tipo mais grave de abstinência aguda do álcool. Os pacientes afetados mostram-se desorientados, agitados, com alucinações,trêmulos e transpirando. O pulso e a respiração apresentam-se rápidos, a pressãoarterial pode estar alta ou baixa e a temperatura corpórea geralmente está elevada. Pode haver fortes cãibras devido a uma miopatia aguda associada ouparestesias generalizadas devido a uma polineuropatia difusa. Ocorre cerca de três a cinco dias após a retirada ou declínio da ingestão deálcool. Com um tratamento adequado os sintomas mais graves desaparecem dentro dedez dias; os de menor gravidade podem durar até seis meses. Os benzodiazepínicos são os agentes de escolha para induzir a sedação. Osuprimento de eletrólitos e vitaminas, principalmente a tiamina é de vital importância.CONVULSÕES DA ABSTINÊNCIA As convulsões geralmente ocorrem em um período de 12 a 48 horas após acessação da ingestão alcoólica. Vários mecanismos causais foram sugeridos, incluindoa hipocapnia ou hipomagnesemia crônicas, mas nenhum deles foi comprovado. Curiosidade: Em 1935, dois alcoolistas desesperançosos – Bob Smith e Bill Wilson –descobriram que podiam permanecer sóbrios ajudando-se mutuamente e fundaram osAlcoólatras Anônimos. Hoje é uma irmandade de homens e mulheres, composta porcerca de 2 milhões de alcoolistas, em aproximadamente 150 países, que compartilhamsuas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum eajudar outros a se recuperarem do alcoolismo. Esses homens e mulheres se reúnemem Grupos de A.A. locais, que podem contar com um número pequeno de membrosem lugares menores e com centenas de membros em lugares maiores. Atualmente, asmulheres representam 35% do total de membros (EUA / Canadá). No Brasil ainda nãoexistem estatísticas a esse respeito. http://www.alcoolicosanonimos.org.br/ Escritório de Serviços no Brasil Gerais de A.A. no Brasil Caixa Postal 3180 CEP 01060-970 - São Paulo - SP Fone /fax: (011) 229 3611
  • 102. Inalantes Inalante é toda a substância capaz de ser inalada, isto é, introduzida no organismo através da aspiração pelo nariz ou pela boca. Comumente, todo solvente é uma substância altamente volátil, isto é, se evapora muito facilmente e, sendo assim, pode ser facilmente inalada. Um número grande de produtos comerciais como esmaltes, colas, tintas, tiners propelentes, removedores, etc. contêm esses solventes. Eles podem ser aspirados tanto involuntariamente (por exemplo, trabalhadores de indústrias ou de oficinas de pintura expostos ao ar contaminado por essas substâncias) ou voluntariamente (por exemplo a criança de rua que cheira cola de sapateiro, o menino que cheira o corretivo líquido carbex, etc). O nosso estudo irá focar somente o consumo voluntário, ou seja, o inalante como droga de abuso. CATEGORIAS DE INALANTES Tipo de Inalante Produtos Ingredientes Mais ComunsADESIVOS Colas, borrachas Tolueno, hexano, meti butilcetona, tricloroetileno, tetracloroetilenoAEROSSÓIS Tinta spray, spray para Butano, propano, tolueno, cabelo, desodorantes hidrocarbonetos, fluorcarbonetosAGENTES DE LIMPEZA Limpeza a seco, Tricloroetileno, tetracloroetileno, desengordurantes, xileno, tetracloroetano removedores de manchasSOLVENTES DE USO Tiners, removedores, Tolueno, acetona, butano,COMUM corretivos líquidos, isopropano, metanol, cloreto de marcadores de texto, metileno combustível de isqueirosGASOLINA Querosene, combustível Hidrocarbonetos, cádmio, benzeno, de aviação, petróleo tolueno, chumboNITRITOS Salas Odorizadas Amil (“poppers”, “snappers”), butil (“rush”, “locker room”, “bolt”, “Climax”, também vendido com limpadores de cabeçote de vídeo.GASES E SOLVENTES Anestésicos, Oxido nitroso, éter, clorofórmio, lança-perfume, loló cloreto de etila
  • 103. Além de serem facilmente encontradas, seu baixo custo permite a aquisiçãopelos principais usuários como drogas de abuso: os meninos de rua e umaconsiderável parcela dos estudantes de 1o e 2o graus. O uso maciço dos solventesiniciou-se no início da década de 60 nos Estados Unidos, sendo que as primeirasreferências sobre seu uso como drogas de abuso no Brasil datam do período de1965/1970.Possíveis Efeitos: Euforia, sonolência, diminuição da fome, alucinações. Tosse,coriza, náuseas, e vômitos, dores musculares. Visão dupla, fala enrolada, movimentosdesordenados e confusão mental. Em altas doses, pode haver queda da pressãoarterial, diminuição da respiração e dos batimentos cardíacos, podendo levar à morte.O uso continuado pode causar problemas renais e destruição dos neurônios (células dosistema nervoso), podendo levar à atrofia cerebral. O uso prolongado estáfreqüentemente associado a tentativas de suicídio. “Os solventes são em geral usados de modo intermitente, freqüentemente comoparte de uma ‘moda’ entre adolescentes ou grupos com acesso limitado às drogas. Osadolescentes tendem a abandonar o uso dos solventes após um ano ou dois, à medidaque crescem e mudam para outras substâncias (...).” Já o livreto Normas e Procedimentos na Abordagem do Abuso de Drogas,elaborados pela Secretaria Nacional de Assistência à Saúde (SNAS), diz o seguinte:“(...) Dados levantados por diferentes autores em diferentes cidades e em duaspesquisas mais amplas abrangendo cerca de 47.000 estudantes de 17 cidades doBrasil, em escolas públicas e particulares, apontaram que as drogas mais utilizadas(exceto álcool e tabaco) são, pela ordem, os solventes ou inalantes (17% de nossosescolares já os experimentaram, de acordo com inquérito realizado em 1989), osansiolíticos e benzodiazepínicos (7%), as anfetaminas e anorexígenos (4%), amaconha (3,5%), os barbitúricos (2%), os xaropes antitussígenos (1,5%), osanticolinérgicos (1%) e a cocaína (0,7%). Estes números referem-se ao ‘uso na vida’,ou seja, aqueles casos em que o estudante utilizou qualquer droga pelo menos umavez na vida.” Deduz-se então que os inalantes podem ser a porta de entrada para oconsumo de outras drogas entre nossos jovens. As drogas e a vida: uma abordagem biopsicossocial, livro organizado porRichard Bucher, traz ainda estas valiosas informações sobre os inalantes:
  • 104. “... Os efeitos geralmente começam com o início da inalação e perduram por 15-45 minutos depois que a inalação cessa.” “Até o momento não foi comprovado que essas drogas provoquem dependênciafísica ou psíquica. A tolerância pode-se desenvolver, em caso de inalação regular, numespaço de 2 a 3 meses.” A síndrome de abstinência provocada pelos inalantes entre seus usuários podetrazer hiperatividade, alucinações, delírios, ansiedade, calafrios e irritabilidade.Efeitos dos Inalantes no Cérebro De acordo com o aparecimento dos efeitos após inalação de solventes, elesforam divididos em quatro fases: Primeira fase: é a chamada fase de excitação e é a desejada, pois a pessoafica eufórica, aparentemente excitada, ocorrendo tonturas e perturbações auditivas evisuais. Mas pode também aparecer náuseas, espirros, tosse, muita salivação e asfaces podem ficar avermelhadas. Segunda fase: a depressão do cérebro começa a predominar, com a pessoaficando em confusão, desorientada, voz meio pastosa, visão embaçada, perda doautocontrole, dor de cabeça, palidez; a pessoa começa a ver ou ouvir coisas. Terceira fase: a depressão se aprofunda com redução acentuada do alerta,descoordenação ocular (a pessoa não consegue mais fixar os olhos nos objetos), faltade coordenação motora com marcha vacilante, a fala "engrolada", reflexos deprimidos;já podem ocorrer evidentes processos alucinatórios. Quarta fase: depressão tardia, que pode chegar à inconsciência, queda dapressão, sonhos estranhos, podendo ainda a pessoa apresentar surtos de convulsões("ataques"). Esta fase ocorre com freqüência entre aqueles cheiradores que usamsaco plástico e após um certo tempo já não conseguem afastá-lo do nariz e assim aintoxicação torna-se muito perigosa, podendo mesmo levar ao coma e morte. Finalmente, sabe-se que a aspiração repetida, crônica, dos solventes pode levara destruição de neurônios (as células cerebrais) causando lesões irreversíveis docérebro. Além disso, pessoas que usam solventes cronicamente apresentam-seapáticas, têm dificuldade de concentração e déficit de memória.
  • 105. EntrevistaFonte: A Ponte25 de janeiro de 2002 "Eu cheiro lança" Por Ivan Moraes Filho Quem já passou um Carnaval em Pernambuco e nunca sentiu o cheirinho doceda lança-perfume, provavelmente ficou o tempo todo em casa assistindo ao desfile dasescolas de samba do Rio de Janeiro. Sensação nos bailes dos anos 50 e proibida nogoverno de Jânio Quadros, em 1961, a substância à base de éter, clorofórmio e cloretode etila é tão comum na Folia de Momo quanto confete e serpentina. Diferente do que acontece com outras drogas ilícitas e ao contrário do que podepensar o Jornal Nacional, o uso da lança raramente é um segredo. Como era permitidohá menos de 50 anos, nem os mais caretas associam o adepto da substância àmarginalidade. Falar sobre um porre em casa é tão tabu quanto discutir um pilequinho.Encontrar um tubo na mochila do herdeiro adolescente está longe de ser o passaportepara o hospício e pode gerar, no máximo, um esporro ou um sermão sobre osmalefícios do uso inadvertido. Até a polícia é orientada para pegar leve. Quando abordam alguém de posse dadroga, provavelmente apreendem o vidrinho e mandam o usuário embora. A não serque você esteja com um carregamento de caixas, é improvável que vá parar no xadrezpor causa de um tubinho da substância. O barato consiste numa sensação de euforia, normalmente acompanhadapor um sininho que insiste em tocar na cabeça de quem toma um porre. Ocoração dispara, podendo chegar até a 180 batimentos por minuto (o normal éem torno de 70 bpm). Em alguns casos, a pessoa pode ter alucinações ou perdera consciência temporariamente. Assim como age imediatamente após o uso, adroga para de fazer efeito rapidamente.
  • 106. Mal, faz. A substância, considerada um solvente, às vezes faz com que ousuário apague, caindo no chão e machucando-se. Também pode causardepressão do sistema respiratório ou mesmo uma parada cardíaca seguida demorte, especialmente em usuários que já têm problemas no coração. A lança não causa dependência física ou química, mas tem gente que seempolga e passa a associar a droga a qualquer evento social. Esses casos,porém, são raros. A avassaladora maioria dos adeptos do spray limita o uso aocasiões especiais, como o Réveillon, formaturas e, claro, o Carnaval. Depois de um bom período de quase tolerância, a fiscalização começou a pegarmais pesado. Principalmente depois de a Globo exibir incansavelmente a imagem dagarotada cheirando loucamente no Recifolia de 2000. Em dois anos, o preço do tubinhochegou a dobrar. Hoje, o consumidor final pena para encontrar frascos a menos que R$20,00. Durante a farra momesca, piora. Há casos de quem chegue a comprar até porR$ 50,00 nas ladeiras de Olinda. Isso por um produto que dificilmente é vendido a maisde R$ 3,00 na Argentina ou no Paraguai, onde é fabricado. Ao contrário do que se pode imaginar, a juventude não fica de cara. Quem temdinheiro, continua investindo no prazer-relâmpago da lança. Quem não tem, apela paraoutras substâncias de efeito parecido. A loló, primo pobre feito em casa e vendido emtubos de ensaio por cerca de R$ 2,00 ou mesmo para o benzeno.Enquanto a Época se lascou para arranjar uma galera que admita o uso da maconha, aA Ponte nem trabalhou tanto para convencer quatro foliões pernambucanos a contarsem frescura que curtem (ou curtiram) uma cheiradinha nos lencinhos em homenagema Momo.
  • 107. Morte Cardíaca Súbita e Substâncias deAbusoSubstâncias voláteis de abuso sensibilizam o coraçãoàs catecolaminas circulantes, podendo causar mortesúbita.Os mecanismos falência cardíaca podem ser: (1)Arritmia cardíaca. (2) Anóxia, depressão respiratória.O maior risco de morte é de arritmia cardíaca, mais amorte súbita está associada a depressão respiratória.Durante a inalação de refis de acendedores (butano),estes são cerrados entre os dentes e pressionadospara liberar o conteúdo, um jato fluido resfriado atemperaturas menores que -20oC causandoqueimaduras na garganta e pulmões. Comoconseqüência ocorre hipóxia e o rápido resfriamento dalaringe podendo causar estimulação vagal (nervovago), levando à bradicardia (diminuição dosbatimentos cardíacos) severa e falência cardíaca.(Ressuscitation 1995 Jun, 29, 3: 219-21)