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  1. 1. REAd – Edição 21 Vol. 7 No. 1, maio-junho 2001INOVAÇÃO TECNOLÓGICA E INTELIGÊNCIA COMPETITIVA: UM PROCESSOINTERATIVOLia Krücken-Pereira1Campus Universitário Trindade, CP 467CEP: 88040-970 Florianópolis/SC BrasilTel: 55-048-3319554E-mail: lia@enq.ufsc.brFernanda Debiasi 1Campus Universitário Trindade, CP 467,CEP: 88040-970 Florianópolis/SC BrasilTel: 55-048-3317030E-mail: fdebiasi@eps.ufsc.brAline França de Abreu, PhD 1Campus Universitário Trindade,CP 467,CEP: 88040-970 Florianópolis/SC BrasilTel: 55-048-3317030E-mail: aline@eps.ufsc.br1Universidade Federal de Santa Catarina - UFSCPrograma de Pós Graduação em Eng. de ProduçãoCEP: 88040-970 Florianópolis/SC BrasilResumo:A Inteligência Competitiva tende a assumir um papel cada vez mais destacado no mercado atual,caracterizado por fatores como alta competitividade, clientes e consumidorescada vez mais exigentes, redução da vida útil de produtos e serviços e alta velocidade dedesenvolvimento de tecnologias. Para as organizações, a Inteligência Competitiva surge comouma forma de disponibilização de informações que possam ser utilizadas como apoio para oprocesso de tomada de decisão e revertidas em vantagens competitivas. Neste contexto, aInteligência Competitiva assume papel relevante para os processos e estratégias de InovaçãoTecnológica. O principal objetivo deste trabalho é discutir a inter-relação entre a InteligênciaCompetitiva e a Inovação Tecnológica. Desta forma, duas abordagens são apresentadas: a
  2. 2. Inovação Tecnológica e Inteligência Competitiva: Um Processo InterativoREAd – Edição 21 Vol. 7 No. 1, maio-junho 2001 2Inteligência Competitiva como geradora de Inovação Tecnológica e esta, por sua vez, comoferramenta para o processo de Inteligência Competitiva.Palavras-chave: inteligência competitiva, inovação tecnológica, conhecimento, estratégiastecnológicas, organização.
  3. 3. Lia Krücken-Pereira, Fernanda Debiasi & Aline França de AbreuREAd – Edição 21 Vol. 7 No. 1, maio-junho 2001 3INOVAÇÃO TECNOLÓGICA E INTELIGÊNCIA COMPETITIVA: UM PROCESSOINTERATIVOIntroduçãoO fator chave para o sucesso de uma organização é entregar a seus consumidores produtos ouserviços com maior valor agregado possível (performance / preço) atendendo suas necessidades,em menor tempo e melhor que a concorrência.A concorrência é um fator crítico para o sucesso ou fracasso das organizações, determinandocomo as atividades de uma organização devem ser conduzidas para garantir o sucesso a longoprazo da mesma.Muitas das grandes empresas vêm desenvolvendo ou aprimorando seus processos de inteligência,pois cada vez mais acredita-se que informações relevantes e rápidas são fundamentais para atomada de decisões estratégicas. Dentre os diversos tipos de inteligência da organização citadosna literatura, a Inteligência Competitiva está voltada para uma questão chave: informação externae estratégias de inteligência possibilitando inovação(Mensch apud Pozzebon e Freitas, 1998).Segundo Tyson (1998) a Inteligência Competitiva tem evoluído para um processo híbrido dePlanejamento Estratégico e atividades de pesquisa de mercado, estruturando processos de coletae análise de informações de forma sistemática e rotineira.Assim, o presente artigo aborda a relação interativa entre a Inteligência Competitiva e aInovação Tecnológica: a necessidade de se utilizar inovações tecnológicas para acelerar oprocesso de Inteligência Competitiva com o objetivo de coletar, analisar e distribuir informaçõesrelevantes para a organização o mais rápido possível. Por outro lado, aborda a InteligênciaCompetitiva como ferramenta de análise da indústria trazendo informações como tendênciastecnológicas e participando das decisões de estratégias tecnológicas da organização em questão.2 O Processo de Inovação TecnológicaDiversas definições para processo de Inovação Tecnológica podem ser encontradas na literatura(Valeriano, 1985; Sheth e Ram, 1987; Tornatzky e Fleischer, 1990; Markides, 1997, dentreoutros). Apesar dos diferentes focos de abordagem, os diversos autores salientam que esseprocesso envolve mudanças que sempre trazem incertezas, dificuldades e riscos, apesar deseremvitais para a sobrevivência da s organizações. Tornatsky e Fleischer (1990) consideram que
  4. 4. Inovação Tecnológica e Inteligência Competitiva: Um Processo InterativoREAd – Edição 21 Vol. 7 No. 1, maio-junho 2001 4o processo de Inovação Tecnológica envolve o desenvolvimento e a introdução de ferramentasderivadas do conhecimento através das quais as pessoas interagem com seu ambiente. Valeriano(1985) define Inovação Tecnológica sob um ponto de vista fundamentalmente econômico: “aInovação Tecnológica é o processo pelo qual uma idéia ou invenção é transposta para aeconomia", ou seja, ela percorre o trajeto que vai desde esta idéia, fazendo uso de tecnologiasexistentes ou buscadas para tanto, até criar o novo produto ou serviço e colocá-lo emdisponibilidade para o consumo ou uso.Uma Inovação Tecnológica pode ser incremental ou radical. A Inovação TecnológicaIncremental se adequa geralmente ao contexto da organização que está adotando-a, bem como aseus valores e crenças, necessitando de poucas adaptações nos processos já existentes naorganização para sua implementação.Já a Inovação Tecnológica Radical introduz conceitos completamente novos para a organização,necessitando da criação de processos completamente novos, muitas vezes a extinção de processosexistentes, além de envolver, algumas vezes, a mudança de valores da organização.Logicamente, a Inovação Tecnológica Radical envolve muito mais incertezas, resistências e,consequentemente, riscos.3 A Inovação Tecnológica como um Processo de Geração e Utilização de ConhecimentoA Inovação Tecnológica pode ser analisada como um processo constituído por diversas fases,desde a pesquisa para desenvolvimento da tecnologia até a utilização da inovação pelo usuário deforma rotineira. De forma genérica, durante a fase de desenvolvimento, o processo de InovaçãoTecnológica passa pela pesquisa, desenvolvimento, avaliação, manufatura e disseminação(Tornatsky e Fleischer, 1990). Já a fase de utilização pode segue as etapas: conhecimento dainovação, persuasão, decisão, implementação e confirmação (Rogers, 1995). Afigura 1 sintetizao Processo de Inovação Tecnológica definindo quem executa cada fase. Focalizando a geração deconhecimento, Guimarães (1998) define o processo de inovação como uma síntese deconhecimentos diversos, integrados à base privada de conhecimento de uma empresa através deum processo de aprendizagem. Este processo demanda duas condições básicas: a oportunidadetecnológica e a apropriação de benefícios gerados pelas atividades inovativas, atuandosimultaneamente. A autora salienta a importância do contexto social, de como uma interaçãosocial pode gerar conhecimento e como o curso do desenvolvimento tecnológico é moldado por
  5. 5. Lia Krücken-Pereira, Fernanda Debiasi & Aline França de AbreuREAd – Edição 21 Vol. 7 No. 1, maio-junho 2001 5estas interações. Drucker (1998) considera que a inovação deve ser uma prática sistemática eapresenta como fontes de inovação: pesquisa e desenvolvimento, ocorrências inesperadas,necessidades do processo, incongruências, mudanças no mercado ou indústria, mudançasdemográficas,mudanças na percepção e novos conhecimentos.Em todas as fontes de inovação citadas, a informação tem papel relevante, tanto na sua formatácita como explícita, endógena ou exógena à organização. Tal observação implica que quantomaior o aproveitamento das informações que chegam na organização e quanto mais sistematizadasua busca e disseminação, maior a probabilidade de se aproveitar as oportunidades de inovação.Dependendo do contexto, essas fontes podem assumir diferentes níveis de importância com otempo. As três últimas fontes de inovação citadas por Drucker representam oportunidadesexistentes no ambiente externo da empresa. Mudanças demográficas representam oportunidadesde inovação devido a mudanças no número de pessoas - sua distribuição etária, educação,ocupações, localização geográfica – e, portanto, requerem informações de fundo social,econômico e demográfico. São consideradas como um investimento de baixo risco e de granderetorno. Mudanças na percepção podem constituir grandes oportunidades de inovação. Umamudança de percepção não altera os fatos, mas sim seu significado, rapidamente. Asconseqüências dessa mudança de visão são concretas, podem ser definidas e exploradas.Informações sobre tendências de mercado e mudanças nos hábitos dos consumidores são deextrema importância. Inovações baseadas em novos conhecimentos diferem dos outros tipos deinovação devido ao tempo que tomam, suas taxas de ocorrência e aplicabilidade, bem comomudanças que provocam na organização. O processo baseia-se na identificação do novoconhecimentoemergente e na sua transformação em tecnologia utilizável. O tempo que leva parauma inovação deste tipo chegar ao mercado é longo - algo como 50 anos - e envolve vários tiposde conhecimento. Constatado que uma inovação é tanto conceitual como perceptiva, aInteligência Competitiva pode ser vista como uma ferramenta para o processo de inovação, poispossibilita observar o mercado, analisar as estratégias de seus competidores e suas repercussões,o comportamento e as tendências dos consumidores, seus valores, expectativas e necessidades. Acapacidade de uma organização em inovar está relacionada à incorporação de conhecimento emseus processos e produtos e as vantagens econômicas advindas do controle deste conhecimento.Assim, conhecimento é a chave para a inovação, seja ela tecnológica ou não.
  6. 6. Inovação Tecnológica e Inteligência Competitiva: Um Processo InterativoREAd – Edição 21 Vol. 7 No. 1, maio-junho 2001 6Figura 1. Processo de Inovação Tecnológica.Fonte: Adaptado de Rogers (1995); Tornatsky e Fleischer (1990).4 Conceito de Inteligência CompetitivaO conceito de Inteligência Competitiva é antigo e vem sendo praticado inconscientemente pormuitas organizações. Nota-se uma certa imprecisão, pois muitas expressões são empregadascomo sinônimos de Inteligência Competitiva : “Business Intelligence”, “IntelligenceÉconomique”, “Competitor Intelligence”, etc. Segundo Jacquet (1999), os resultados de umapesquisa feita na França pela agência Pouey mostrou que 69% das 250 pequenas e médiasempresas francesas questionadas praticam inteligência econômica sem saber, utilizando termos
  7. 7. Lia Krücken-Pereira, Fernanda Debiasi & Aline França de AbreuREAd – Edição 21 Vol. 7 No. 1, maio-junho 2001 7como: "informação estratégica", "vigília estratégica, técnico-econômica ou da concorrência","informação de negócios".Para as organizações, a Inteligência Competitiva é “colocar à disposição informações úteis deorigem econômica, financeira, comercial, jurídica e legislativa, científica e técnica”. É asensibilização da organização para a utilização da informação, que se reverte em vantagemcompetitiva (Comité pour la Competitivité et la Securité Économique, 1995).Uma visão mais abrangente do conceito de Inteligência Competitiva é dada por Rothschild (apudRichard Combs Associates, 1999) que a define como “uma maneira de pensar”. Gilod et. al(1999) conceitua Inteligência Competitiva como a atividade de monitoramento do ambienteexterno da empresa para a coleta de informações que sejam relevantes para o processo de tomadade decisão da organização (apud Richard Combs Associates, 1999).Jakobiak (1998) apresenta a Inteligência Competitiva como o conjunto de ações coordenadas queenvolvem pesquisa, tratamento e distribuição de informações úteis aos atores econômicos,visando sua exploração.Observa-se que diversos autores salientam a diferença entre a prática da Inteligência Competitivae da espionagem. A Inteligência Competitiva utiliza apenas informações públicas, que podem serlegalmente e eticamente identificadas e acessadas (Malhotra, 1996).Assim, a informação que sempre foi considerada como subproduto das atividades empresariaistorna-se a base da organização. Segundo Bogliolo (1998), a informação é a única fonte de valorde uma organização.Para uma efetiva compreensão e interpretação da informação, possibilitando que a mesma resulteem tomadas de decisão, são necessários tanto o conhecimento tácito como o explícito (Skyrme,1998). Além disso, reconhecer uma informação valiosa no mercado ou transformar dados eminformações, relacionando-as a um conhecimento prévio, é um processo complexo,que envolveconstante aprendizagem. Portanto, é importante ressaltar o papel do capital humano daorganização, ou seja, das capacidades de seus indivíduos, salientado por diversos autores atravésde conceitos que envolvem, entre outros fatores, a inteligência humana: “Absorptive Capacity 1(Cohen, 1990), “Learning Organizations 2 ” (Skyrme, 1998; Bogliolo, 1998), "KnowledgeManagement 3 " (Thil, 1998).Os motivos para a crescente e acelerada difusão da Inteligência Competitiva provêm da situaçãoeconômica e política atuais. Sob este aspecto, cita-se as políticas de exportação/importação, que
  8. 8. Inovação Tecnológica e Inteligência Competitiva: Um Processo InterativoREAd – Edição 21 Vol. 7 No. 1, maio-junho 2001 8conduziram muitas organizações a uma situação de guerra, ou seja, a um mercado altamentecompetitivo, ao invés da antiga estabilidade de mercado proporcionada pelas barreiraslegislativas e alfandegárias vigentes anteriormente. Pode-se representar graficamente aInteligência Competitiva como a Figura 2.Figura 2. Representação do Processo de Inteligência Competitiva.O processo de Inteligência Competitiva permite à organização identificar ameaças competitivas,eliminar ou reduzir surpresas, reduzir o tempo de reação, identificar oportunidades latentes,gerenciar clientes, antecipar necessidades e desejos dos consumidores, monitorar as estratégiasdos concorrentes, difundir as informações na organização, preservar a vantagem competitiva,monitorar as tecnologias em desenvolvimento, dentre outras ações.Entre as empresas mais respeitadas pelos seus trabalhos com Inteligência Competitiva pode-secitar: Motorola e General Eletric; Microsoft; Hewlett-Packard; IBM e AT&T; Intel; 3M; Xerox;Merck; Coca-Cola e Chrysler (Health, 1996).Segundo o consultor Bill DeGenaro, citado por Health (1996), o que diferencia, por exemplo, aMotorola das demais empresas é o comprometimento da alta gerência e diretoria com aInteligência Competitiva. Seus executivos acreditam na importância da Inteligência Competitivapara todo o processo de decisão.Um exemplo de ação relacionada a Inteligência Competitiva da Motorola é o monitoramento deinformações em embaixadas e órgãos governamentais de países onde atua. Informações sobre os
  9. 9. Lia Krücken-Pereira, Fernanda Debiasi & Aline França de AbreuREAd – Edição 21 Vol. 7 No. 1, maio-junho 2001 9planos de investimento de países como o Japão orientam as estratégias da empresa para trabalharmais próximo aos fabricantes e clientes, fortalecendo sua posição competitiva.5 Elementos da Inteligência CompetitivaAs principais etapas da Inteligência Competitiva definidas por Jakobiak (1998) sãoapresentadasno gráfico a seguir. A estrutura do sistema é constituída por três famílias ou redes de atoresintervenientes: os observadores (REDE 1), os especialistas (REDE 2) e os decisores (REDE 3).Figura 3. Principais atividades da Inteligência Competitiva.Fonte: Adaptação de Jakobiak (1998).Os papéis desenvolvidos pelos profissionais de cada uma das três redes são fundamentais.Através da figura 4, pode-se visualizar como esses papéis interagem entre si. Observadores ou
  10. 10. Inovação Tecnológica e Inteligência Competitiva: Um Processo InterativoREAd – Edição 21 Vol. 7 No. 1, maio-junho 2001 10gatekeepers são indivíduos que têm como força monitorar o ambiente e traduzir a informaçãotécnica em uma informação compreensível para o grupo de pesquisa (Cohen, 1990).Os especialistas em tecnologia da informação são responsáveis pelo tratamento dos dadoscoletados de forma a difundir seletivamente as informações, ao invés de simplesmente transferi-las aos diversos setores da organização. Seu papel é de suma importância.Figura 4. Configuração das redes de profissionais envolvidos no processo de InteligênciaCompetitiva.Fonte: Adaptação de Jakobiak (1998).As atividades desenvolvidas em cada etapa do processo de Inteligência Competitiva sãoapontadas por diversos autores e apresentadas no quadro sinóptico a seguir (Jakobiak, 1998;Bruno, 1999; Davis, 1997; Grenetier, 1998).
  11. 11. Lia Krücken-Pereira, Fernanda Debiasi & Aline França de AbreuREAd – Edição 21 Vol. 7 No. 1, maio-junho 2001 11Quadro 1. Atividades desenvolvidas em cada etapa da Inteligência Competitiva.ETAPA ATIVIDADESPESQUISA Busca em fontes de informação1. Gerais: periódicos, enciclopédias, teses, patentes, bases de dados e internet.2. Específica: informações públicas mas pouco difundidas, informações informaise informações internasCOLETA Definem-se três categorias de coleta:1. Coleta consecutiva a uma pesquisa em base de dados (procura por referência,documentos originais)2. Coleta periódica de certos dados (relatórios anuais da organização, catálogosde fornecedores de equipamentos para novas tecnologias, matéria-prima, novosprodutos etc).3. Coleta como um processo contínuo (agentes que trazem informações para aorganização devido a sua força social): técnicos, clientes, engenheiros deprojetos, concorrentes, pesquisadores, comerciantes, responsáveis demarketing, participantes de feira, exposições, eventos da área, agentes da redede venda etc. São os chamados “outros observadores” na Figura 4, quedesempenham um papel vital.DIFUSÃO Existem duas formas de difusão:1. Difusão de informações brutas – secundárias (referência) ou primárias(documentos completos);2. Difusão de informações estruturadas (relatórios, comunicações, programas,jornais internos, boletins);A difusão se dá em diferentes níveis, conforme o papel hierárquico dosindivíduos e a confidencialidade da informação.EXPLORAÇÃO Tratamento É a operação que transforma dados em informações, ou seja,agrega valor a dados dispersos.Existem três tipos de tratamento a serem considerados:ü Tratamento específico, conforme os critérios dodestinatário (usuário final);ü Tratamento de análise estratégica;ü Tratamento de informática.Análise /Validaçãoü Análise é o estudo aprofundado da documentação pararecuperar as informações essenciais que possam auxiliar atomada de decisão ou ações estratégicas;ü Validação é a verificação das fontes e credibilidade dosdados.UTILIZAÇÃO É a tomada de decisões de importância estratégica para a organização, como porexemplo:ü Novos projetos de pesquisa;ü Novos programas de desenvolvimento;ü Acordos de cooperação;ü Transferência de tecnologia, venda ou compra de licença;ü Compra / venda / arrendamento de unidades de produção;ü Atividades debenchmarking;ü Uso ofensivo da informação;ü Reação às intenções / ações da concorrência.ETAPAATIVIDADES
  12. 12. Inovação Tecnológica e Inteligência Competitiva: Um Processo InterativoREAd – Edição 21 Vol. 7 No. 1, maio-junho 2001 126 A Inteligência Competitiva como ferramenta de auxílio na definição das estratégiastecnológicas de uma organizaçãoNo cenário atual, devido a concorrência cada vez mais globalizada e as constantes mudanças,tanto internas à organização quanto externas a ela, é imprescindível que informações vitais paraos processos de tomada de decisão sejam disponibilizadas no tempo ideal para os responsáveispor estes processos. Dentre as diversas decisões a serem tomadas por uma organizaçãoencontram-se decisões relacionadas a estratégias tecnológicas, definindo, por exemplo, como,quando e se um inovação tecnológica deve ser adotada ou desenvolvida. Neste contexto, aInteligência Competitiva torna-se um processo fundamental, possibilitando a identificação deoportunidades de inovações, novas tendências tecnológicas, estratégias dos competidores,clientes e fornecedores, antecipação de necessidades etc.Dentre as ferramentas e técnicas usadas na Inteligência Competitiva podem ser citadas:"benchmarking competitivo 4", "inteligência defensiva5", engenharia reversa 6, observações in-loco (Malholtra, 1996).Um exemplo que mostra claramente a aplicação da Inteligência Competitiva é o caso dosfabricantes de computadores, ramo no qual a engenharia reversa nos produtos concorrentes é umaprática comum. Através da desmontagem e observação das estruturas de produtoscomercializados, pode-se implementar inovações em produtos - como a utilização decomponentes plásticos em substituição aos tradicionais, confeccionados em metal. Através daánalise e do melhoramento das estratégias utilizadas em produtos concorrentes pode-se reduzircustos (em relação à produção, aos materiais utilizados, aos investimentos em pesquisa edesenvolvimento), melhorar características funcionais dos produtos (peso, desempenho, tempoútil etc). Novamente observa-se a importância de respeitar a fatores éticos e a propriedadeindustrial, normalmente estabelecida através de patentes.7 A Inovação Tecnológica como ferramenta para a Inteligência CompetitivaComo visto anteriormente, o processo de Inteligência Competitiva busca coletar, analisar edistribuir informações relevantes sobre indústria, clientes, competidores, tendências etc, nomenor tempo possível. A velocidade com que os outputs da Inteligência Competitiva vêm sendo
  13. 13. Lia Krücken-Pereira, Fernanda Debiasi & Aline França de AbreuREAd – Edição 21 Vol. 7 No. 1, maio-junho 2001 13requisitados também é dinâmica, aumentando a cada dia. Para que o processo de InteligênciaCompetitiva possa responder às necessidades na velocidade desejada, ferramentas tecnológicasapropriadas se fazem necessárias. Uma grande dificuldade inerente a esse processo é asistematização dos diferentes tipos de dados e informações de forma a disponibilizá-los, avaliarseu valor, pertinência e nível de interdependência, contextualizando-os às transformações sociaise econômicas do mercado. Bruno (1999) classifica os diferentes tipos de informação emcientíficas, técnicas, tecnológicas, econômicas, ambientais, de segurança, regulamentares,jurídicas e comerciais. Como pode-se prever, a estrutura dessas informações não sãopadronizadas e necessitam de diferentes suportes (papel, bases de dados, internet, comunicaçãooral etc.) Pozzebon e Freitas (1998) ressaltam a necessidade de se desenvolver "um ambiente queforneça informações internas, informações externas, informações sobre as percepções dosclientes e consumidores, e que permita análises e simulações, enfim, um ambiente integrador dasinformações disponíveis para o sucesso da organização e que crie condições para usuários pró-ativos". Segundo o autor, tais ambientes vêm sendo gradativamente implementados nasorganizações com base em métodos voltados para a identificação de dados estratégicos e aspectoscríticos dos negócios. Concluindo, a Inteligência Competitiva vem provocando inovações na áreade tecnologia da informação, pois os sistemas de informações tradicionais não possibilitam lidarcom dados informais, contextos, ambigüidades, significados, formatos heterogêneos. Além disso,o processo de Inteligência Competitiva é global e sistemático, não possui linearidade e podemudar de orientação ou objetivo em função de conhecimentos adquiridos durante sua evolução.Desta forma, cria-se uma interação entre a Inovação Tecnológica e a Inteligência Competitiva,uma precisando da outra para sua sobrevivência. Focalizando-se estritamente o caso datecnologia da informação como suporte para a Inteligência Competitiva e esta, por sua vez, comoferramenta para a busca de Inovações Tecnológicas para a tecnologia da informação, pode-seobservar como ocorre esta interação na figura 5.
  14. 14. Inovação Tecnológica e Inteligência Competitiva: Um Processo InterativoREAd – Edição 21 Vol. 7 No. 1, maio-junho 2001 14Figura 5. Processo interativo entre a Inteligência Competitiva e o processo de Inovação Tecnológica na tecnologia dainformação.Pode-se citar como exemplo de ferramenta tecnológica para a Inteligência Competitiva ocaso dosoftware PUZZLE®, apresentado por Lesca (1996). Basicamente, as vantagens de se utilizar essesoftware residem na sua capacidade de armazenamento, permitindo composições e validações dasinformações armazenadas ou elaboradas; no seu formato, o qual aceita todo ormato deinformação - texto, imagem, voz; na possibilidade de realizar múltiplos arranjos de informaçõesatravés de diversos vínculos de causalidade, analógicos, de contigüidade etc; na possibilidade deverificar a coerência das informações agrupadas e na possibilidade de acessar de forma rápida efácil as informações derivadas. Segundo o autor, este software atende três necessidades práticas:fornecer representações significativas, dinâmicas, referentes ao ambiente da empresa semconceitos pré-definidos; orientar a escuta do ambiente da empresa, ou seja, tornar mais seletiva eobjetiva a escuta do ambiente e, por conseqüência, permitir aumentar a eficácia e a dinâmica daInteligência Competitiva e deduzir informações inacessíveis de forma direta. O conceito depuzzle, que deu nome ao software citado acima, é juntar as peças em desordem de um quebra-cabeças, montando representações significativas para o usuário final - o responsável pela tomada
  15. 15. Lia Krücken-Pereira, Fernanda Debiasi & Aline França de AbreuREAd – Edição 21 Vol. 7 No. 1, maio-junho 2001 15de decisão. No contexto utilizado por Lesca et al (1996), puzzle se refere a "uma metodologia detratamento de sinais fracos e um sistema aplicativo (software) que sustenta esta metodologia".8 Considerações finaisA Inteligência Competitiva tende a assumir um papel cada vez mais destacado no mercado atual,caracterizado por fatores como alta competitividade, clientes e consumidores cada vez maisexigentes, redução da vida útil de produtos e serviços e alta velocidade de desenvolvimento denovas tecnologias.Teoricamente todas as organizações têm acesso às mesmas informações, que atualmente estãodisponibilizadas em grande volume, o que pode ser utilizado como vantagem competitivaporalgumas organizações e funcionar como barreira para outras.As organizações estão plenas de informações, mas têm muito pouca inteligência. Segundo Lescaet al (1996) dados e informações não se qualificam como inteligência até que eles tenham sidoprocessados por uma mente humana que sabe quais questões precisam ser respondidas. É nestecenário que um programa de Inteligência Competitiva bem estruturado tem papel fundamentalpara sustentar a vantagem competitiva de uma organização, possibilitando otimizar o uso dasinformações. Por exemplo: o direcionamento de ações estratégicas maximizando a segurança desucesso, a criação de uma postura proativa ao invés de reativa da organização em relação aomercado. Portanto, é crucial que uma organização disponibilize recursos para investimentos emtecnologia da informação como suporte e investimentos no capital humano da organização deforma a desenvolver as capacidades e habilidades dos indivíduos para colaborar e possibilitar amanutenção de um sistema de Inteligência Competitiva .Notas1 Absorptive Capacity: habilidade de explorar (avaliar e utilizar) conhecimentos externos combase em conhecimentos prévios. (Cohen,1990)2 Learning Organizations: organização em constante processo de aprendizado, com objetivo deaumentar sua flexibilidade e adaptação a mudanças, buscando garantir sua sobrevivência em ummercado altamente imprevisível e mutável. (Bogliolo, 1998)3 Knowledge Management: um dos conceitos citados é o esforço de buscar, manter, filtrar e
  16. 16. Inovação Tecnológica e Inteligência Competitiva: Um Processo InterativoREAd – Edição 21 Vol. 7 No. 1, maio-junho 2001 16disseminar o conhecimento dentro de uma organização. (Thil, 1998)4 benchmarking competitivo: é usado para comparar as operações de uma organização às de seusconcorrentes.5 inteligência defensiva: envolve o monitoramento e análise das atividades da própriaorganização e como seus concorrentes e indivíduos as vêem.6 engenharia reversa: adquirir informações sobre um produto (ou serviço) - como é produzido,custo e qualidade, partindo do produto acabado.
  17. 17. Lia Krücken-Pereira, Fernanda Debiasi & Aline França de AbreuREAd – Edição 21 Vol. 7 No. 1, maio-junho 2001 17BibliografiaBogliolo, D. KM, Knowledge Management - 1/3. Itália, 1998. http://www.uniroma1.it/Documentation /km1.html [04 fev. 1999].Bogliolo, D. KM, Knowledge Management - 2/3. Itália, 1998. http://www.uniroma1.it/Documentation/km2.html [04 fev. 1999].Bruno, M. La Veille Technologique. Automated Research Systems.http://ms161u06.u3mrs.fr/vtdef. html [04 jan. 1999].Comité pour la Competitivité et la Securité Économique (CCSE). LIntelligence Économique.França, 1995. http://www.finances.gouv.fr/pole_ecofin/intelligence/intelligence_economique.htm[04 jan. 1999].COSTA, Marilia Damiani; KRUCKEN, Lia; ABREU, Aline França. Gestão da informação ougestão do conhecimento. In: Anais do Congresso Brasileiro de Biblioteconomia eDocumentação, 19, 2000, Porto Alegre. Porto Alegre, 2000. (cd-rom)DAVENPORT, T.; PRUSAK, L. Conhecimento empresarial: como as organizações gerenciam ocapital intelectual. Rio de Janeiro: Campus, 1998.Davis, M. Applying Technology to Competitive Intelligence. New Information Paradigms, 1997.http://www.nipltd.htm[04 fev. 1999].Drucker, P.F. The Discipline of Innovation, Harvard Business Review, nov-dec, 1998.Galvin, R.W. Knowledge makes tne difference at Motorola. Strategy and Leadership, Mar/Apr,1996.Grenetier, I. Business Intelligence: pour décider efficacement. Valoris Amplitude, nº 13, hiver1998.Guimarães, M.C.S. Tecnologia como Conhecimento: o Público e o Privado; o Social e oEconômico. Doutorado em Ciência da Informação, Convênio CNPq/IBICT - UFRJ/ECO, Rio deJaneiro, 1998.Health, Rebecca P. The Competitive Edge. September, 1996. http://www.demographics.com/publications/mt/96_mt/9609_mt/9609mf02.htm[18 mai. 1999].Jacquet, L. Information Stratégique: des PME-PMI Averties. Le Moci Moniteur du CommerceInternational, nº1359, du 15 au 21 ocotbre 1998.Jakobiak, F. LIntelligence Économique en Pratique. Paris: Éditions dOrganisation, 1998.Lesca, H.; Freitas, H.M.R.; Cunha Jr., M.V.M. Instrumentalizando a Decisão Gerencial. Decidr,
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