Cicatrizes da terra :: livro didático
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Livro didático publicado pela UFPB.

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Cicatrizes da terra :: livro didático Cicatrizes da terra :: livro didático Document Transcript

  • INÁC IO FERREIRA CicatrizesCicatrizesCicatrizesCicatrizes dadadada TerraTerraTerraTerra ___________ U F P B ___________
  • 2 Copyright © Inácio Ferreira do Carmo, 2002 Autor: Inácio Ferreira do Carmo Edição: Universidade Federal da Paraíba Versão Digitalizada: Koguen Gouveia (neto do Autor) Esta publicação pode ser reproduzida e utilizada para estudos pessoais ou didáticos, desde que sejam citados o Autor e a fonte. João Pessoa, 2002, 1a edição. Carmo, Inácio Ferreira. Cicatrizes da Terra; Inácio Ferreira do Carmo; João Pessoa, UFPB, 2002. 60 págs.: 14 x 21 cm. 1. Poesia brasileira, I Título.
  • 3 SUMÁRIO PREFÁCIO: 9 ESTÂNCIAS: Preâmbulo 12 A Natureza 16 O Povo 25 Vida e Diversão 34 Retrocesso 42 A Redenção 52
  • 4 PREFÁ CIO INÁCIO FERREIRA DO CARMO, um cidadão comum, aos 88 anos de idade, fez um esforço de memória para retratar a vida do lugarejo berço da sua juventude, recorrendo a uma despretensiosa e nunca antes revelada veia poética. Descreveu com exatidão uma época de vida comunitária, em que destaca o apogeu e decadência da natureza degradada pela ação humana. No seu trabalho, nota-se uma grande preocupação em transmitir às novas gerações a dura lição dos erros humanos cometidos no passado, com uma mensagem de esperança. Na sua narrativa, faz uma homenagem às famílias que plantaram a base social do lugar e que deixaram as suas marcas na terra. Louva-se este trabalho, por ser pioneiro como registro histórico, além de que poderá contribuir para inspirar ações em proveito da recuperação ecológica da região. É com especial admiração que os seus filhos subscrevem este prefácio: Severina, Geraldo, Adélio, Manoel, Maria Zilda, e Carlos Antônio.
  • 5 PRE ÂMBULO Vou contar uma história Que se você não sabia Vai ficar sabendo agora Nesta minha poesia: Evolução e passado Referente à “MELANCIA”. É história de uma época Que ninguém deve esquecer Pois nos anos que passaram Vi a terra padecer Degradada pelo homem Sendo cruel sem querer. Que saudade eu tenho agora Daquele tempo passado Tudo era maravilha Povo despreocupado Sem pensar que no futuro Perderia esse legado. Falando assim me refiro Ao povo da MELANCIA Como era a vida ali Tranquilamente, diria Naquele recanto suave Todos em grande alegria. Vou começar a falar Como era a região As coisas da natureza Tudo era perfeição Não faltava o necessário À sua população.
  • 6 A NA TUREZA Todas a propriedades Bem cobertas de madeira Árvores de todos os tipos Era angico e aroeira Baraúna e cumaru Mororó e caibreira. Havia o xiquexique O cacto da região Macambira e caruá P’ra fazer corda e cordão Umbuzeiro havia muito Até para alimentação. Mesmo o cedro havia ali Madeira de nobre valor Quando as árvores floresciam Atraíam o beija-flor Tinha muito malmequer E jurema-do-caçador. Havia muito cacto Também chamado facheiro Por todo canto se via O lastro de marmeleiro Havia mandacaru Com o nome de cardeiro. A vegetação que havia Não se pode imaginar Tinha capim pé de pato Para o gado alimentar Milhã e outros capins Que escondiam preá. Catingueira era demais Nela nascia a orelha Dentro dela era oco Onde morava a abelha Carrapicho e pega-pega Que grudava na ovelha. Tinha muito mussambé E frutas de trapiá Muita batata-de-purga P’ra quem quisesse tomar E também muita urtiga P’ro beija-flor aninhar.
  • 7 Ramagem de jetirana E frutinhas de juá A pimenta malagueta P’ra quem quisesse esquentar Tudo que plantasse ali Com certeza iria dar. O rio dava enchentes Que fazia admirar Era barreira a barreira O povo dentro a nadar Era uma festa linda Boa de se apreciar. Quando passava a enchente Descobria a ribanceira Ficava tudo adubado Se fazia a sementeira Batata e jerimum E muita carrapateira. Formava também muito poço O peixe se acumulava De tarrafa ou jereré Juntava gente e pescava Peixe não era vendido Chamava o vizinho e dava. Era todo em comum Não havia ambição Trabalhavam e brincavam Sem haver perturbação Tudo de boa vontade Tudo de bom coração. No rio tinha “piaca” Que até o gado comia Tinha tanto camarão Que você não avalia Tinha uma tal de “cruca” Que pescador não vencia. Essa cruca que se fala Dentro das pedras morava Ali mesmo ela crescia Logo se multiplicava Podia pescar à vontade E cruca nunca faltava. Piaba e peixe rei Acará, sabararu Aratu e aratanha Cobra d’água e muçu E o maior camarão Era o pitu açu.
  • 8 O rio era uma fonte De recurso e provisão Valia a pena se ver Ali muita plantação Em benefício de todos Sem nenhuma distinção. No rio Paraibinha P’ra quem queria pescar A pedra do roncador Era o melhor lugar O peixe vinha em cima E caía no puçá. À noite se reuniam De facho aceso e puçá Cumadre chamando a outra O esporte é fachear Era o facho do facheiro Caminho a alumiar. Enquanto existia a mata Muito bicho ali vivia Era uma boniteza A natureza em folia Difícil de acreditar P’ro povo de hoje em dia. Presentes na natureza Viviam ali os bichinhos Mesmo grilo e gafanhoto Comida de passarinho Bichos que moram na toca Outros que moram no ninho. Havia tantas espécies De causar admiração Era grande a quantidade E tipos de gavião E “arribação” comendo A semente do pinhão. A coruja enalta noite Com o seu triste cantar Passava o “risga mortalha” Que era augido e azar A sariema correndo E voando o carcará. Nesse reinado animal Tinha mocó e preá E também o punaré Todos vendo ele passar Apanhando o quixó Por quem não pôde atirar.
  • 9 Também vi inambu pé roxo E também o codorniz Rola branca e cascavel Cantando p’ra se ouvir É muito bom de lembrar Como era aquilo ali. Tanto galo da campina A juriti e o cancão Que revoava em bando Procurando o seu melão O melão de São Caetano Era sua alimentação. Via muito anum preto Que tirava o carrapato Pegado nas vacas magras Escondidas lá no mato E também o anum branco Presentes no mesmo fato. Corria gato do mato O mesmo maracujá Do bem grande e do pequeno Uma atração do lugar Pintado e muito bonito Dá vontade de criar. Muita cobra cascavel Salamanta e Jararaca Que são cobras venenosas Se facilitar ela ataca Se não curar com urgência Fica no brejo da vaca. Havia papa-capim Canários e periquito O periquito ganga Cantando muito bonito E entre todos os bichos Tinha também o caxito. Ali brigando com a cobra Eu vi o teju açu Tinha guará e raposa Camaleão, canguru E os dois mais perseguidos Tamanduá e tatu. De toda essa beleza Que até aqui foi falada À tardinha ainda via Espetáculo da jornada Os bandos de papagaios Que passavam em revoada.
  • 10 O POV O Com dez anos de idade Cheguei naquele lugar ITATUBA era Distrito O município era INGÁ Antes da emancipação Já começou a mudar. Refiro-me àquela época De longo tempo passado Setenta anos atrás Era um lugar atrasado Pois o povo não sabia Nem mesmo ler um recado. Mas, apesar dessa chaga Tudo era diferente Era um povo muito alegre Vivia ali muita gente Um povo unido e tranquilo Mais que no presente. Lá pela década de 30 Foi comprada uma fazenda De nome Santa Maria Ocupada sem contenda Por um “Senhor de Engenho” Cuja vida era uma prenda. Falo do Major Adélio Sendo Major por patente Era um homem servidor Orientou muita gente Era muito respeitado Por ser bom e competente. Ele, a mulher Dona Néia Mais os filhos que trazia Era um filho e duas filhas Urbano, Henriqueta e Baía Que trataram de ensinar A ler a quem não sabia. Construiu sua fazenda Empregou trabalhador Administrava seus bens Dando emprego à cabroeira Mas por um lado perverso Queimava muita madeira.
  • 11 Nesse tempo começou A despertar os habitantes Os que eram acanhados Tornaram-se participantes Ajudavam uns aos outros Todos muito confiantes. Era um tempo bem feliz De festa e animação O compadre MANOEL CHICO Soltava bomba e balão Suas “salvas” animavam Os festejos de São João. Também na beira do rio Era bem localizada A família dos CAMILO Gente muito organizada Mas que não sabia ler Porque não foi ensinada. O seu MANOEL JANUÁRIO Casado com JOANINHA Era um bom carpinteiro Fazia banco e mesinha Serrando madeira à mão Trabalho, cada um tinha. JOANINHA puxava a serra E seu MANOEL lhe ensinava Muitos troncos de caibreira Que o rio transportava Os dois tratando na serra O que MANOEL CHICO lavrava. Havia a família MARTINS Também CORREIA e FERREIRA Muitas outras mais além Que memória traiçoeira! Não lembro de todo mundo Que morava na ribeira. Havia a fábrica de queijo De seu FELIX PIANCÓ Muito bem localizada Nas terras do seu Major Comprava leite ao povo Do Cajá ao Recoló. PIANCÓ era animado Bem contente e falador Falava, ria e gritava No auge do seu fervor Dinheiro ali não faltava Fosse de qualquer valor.
  • 12 Vinha o povo da Jurema Onde morava seu TOTA Muita gente do Recoló Poço Verde e da Taboca Do outro lado do rio BIBIU DORADO e JANOCA. E a família CABRAL Os BABOSA e os MONTEIRO Tinha seu JOSÉ VALENTE Que era um bom cordoeiro E a família FRANCISCO Povo bom e verdadeiro. A descendência dos JORGE E a família MACHADO Trabalhadores honestos De um viver muito honrado E seu MANOEL HERCULANO Era ouro refinado. Vinha gente do Cajá Uruçu e Caibreira E também do Trapiá Vinha de qualquer maneira Melancia era uma festa Que parecia uma feira. Não podia esquecer Seu SEVERINO CABRAL Que nas novenas de maio Gostava de esbanjar Trazia cargas e fogos Para todos desbancar. Compadre MANOEL CORDEIRO Era seu competidor Trazia montes de fogos Para mostrar o seu valor Querendo ser o maior Mas tudo isso passou.
  • 13 V IDA e DIVERSÃO O major e a família Deram uma sugestão: Construir uma capela Um lugar de oração Homenagem a Stº Antônio O Santo da tradição. Aderiram os vizinhos Ao projeto verdadeiro E num grande mutirão Mesmo com pouco dinheiro A construção começou INÁCIO foi tesoureiro. Tomava conta da obra Recebendo doação Fazia os pagamentos E tocava a construção Ajuda vinha de todos Vizinhos em união. Mesmo antes da capela Já havia animação Rezar novenas nas casas Noites de maio e São João E também dos outros Santos Conforme a ocasião. Depois da capela feita A escola foi p’ra lá Até aquele momento Não havia melhor lugar O catecismo e as letras Se juntavam p’ra mudar. A professora da época Era ROZILDA ARAGÃO Que veio da Serra Velha Com sua nomeação Hospedada em nossa casa Exercia a profissão. Convivendo em nossa casa Era muito delicada Ensinava com prazer Àquela toda meninada Foi a mola do progresso P’ra gente hoje escolada.
  • 14 Ensinou p’ra muita gente Que bem depois se formou Gente que foi p’ra cidade Comerciante e Doutor Professora e até Freira Militar ou Construtor. Tinha missa todo mês Vindo o Padre do Ingá Motor, burro ou cavalo Era o transporte por lá Vinha rezava e dormia No outro dia, voltar. Colado na nossa casa Tinha um quarto isolado Quarto do Padre, diziam Pernoite sem ser cobrado Também hospedava às vezes Fiscal do Selo e Soldado. Lá em INÁCIO LULU Chegava o trio dos “chatos” Um Natal bem festejado Tocando música do mato E os matutos dançavam Até furar o sapato. Eles tocavam “zabumba” Pratos, flauta e batucada Bem no meio do terreiro Uma bandeira hasteada E levantavam poeira Na dança da umbigada. Botequins lá no terreiro O gelo não existia A cerveja Teotônia Era a marca que havia Mesmo quente eles tomavam Até amanhecer o dia. Ali também se brincava Bumba-meu-boi, pastoril Lapinha, coco-de-roda Sob um lindo céu anil Nas noites de lua cheia Alegria a mais de mil. Tudo fruto da riqueza Da colheita do algodão Mulheres compravam pano Menino comprava pão Tudo ali era festança Não faltava animação.
  • 15 Ao lado do “Paraibinha” Na maior mercearia Onde o povo se juntava INÁCIO tudo vendia E no caderno anotava Controlando a freguesia. Era ponto de pousada De tropeiro que passava “Matutos” indo e voltando Todo mundo ali parava Na “venda” do Seu INÁCIO Comprador nunca faltava. O povo comprava pano Do jeito que escolhia Seda, chita, brim ou “caque” De “cor lisa” ou fantasia Bacia, prato ou penico De tudo ali se vendia. A nossa casa era cheia Não faltava visitante Gente que vinha de fora Do Fagundes ou do Galante Pedro Velho e Bulandeira, E do Cajá, mais constante. Nossa casa hospedava A Professora e o Fiscal Inspetor, Guarda e Soldado Da guarda Nacional E também “Fiscal do Selo” Do imposto federal. Quem fala isso é INÁCIO Este que está escrevendo Testemunha da história Das lembranças que vai tendo Dum passado glorioso Que você lê revivendo.
  • 16 RE TROCE SSO É certo, tudo era bom Mas a coisa desandou Ficou tudo diferente Do tempo que começou Por intervenção humana O que era bom acabou. Por serem muitas famílias Residentes no lugar Vivendo de agricultura P’ra produção aumentar Começou uma loucura Daquelas matas estragar. Então os proprietários Ofereciam de graça Terra p’ra botar roçado E o povo veio em massa Queimando toda a madeira E só se via fumaça. Verdadeiros mutirões Para as matas explorar Mediam grande extensão Sem controle a derrubar E depois o mato seco Pondo fogo p’ra queimar. Havia pé de umburana Falo com sinceridade Que colônia de abelha Tinha cinco e é verdade Jandaíras destruídas Fogo! Que calamidade! Isso era em toda parte Nessa rota de tropeiro Queimadas p’ra todo lado Aroeira e marmeleiro Madeira grossa ficava Em pedaços no braseiro. Todo mundo achando bom Diante desse contraste A mata virando campo De árvore nem uma haste É morte da natureza Ninguém prevê o desastre.
  • 17 As terras, naquela época Tão cobertas de madeira Árvores com dez, quinze metros Grossas, finas, em carreira Caíam umas com as outras Era aquela bagaceira. Assim metendo o machado Sem dó e sem piedade Cada um fez o que quis Dono de sua vontade Preparando o caminho Da grande dificuldade. E assim continuou Tudo foi se agravando Ninguém tomou providência Continuou o desmando Quem viu ontem e vê hoje Fica logo lamentando. Tudo ali funcionava E só se via grandeza Só que ninguém lamentava O sofrer da natureza Bichos morrendo e fugindo De tanta fogueira acesa. Também disso foi culpada A indústria do carvão Que além de destruir Aumentou a maldição Os rios foram aterrados Com grande poluição. P’ra findar a destruição As levas de carvoeiros Cortaram todas as árvores Quixabeiras e umbuzeiros Queimando até as raízes De todos os juazeiros. Cortaram hastes de linha Madeira de construção Cortaram de rolo em rolo E enterraram no chão Cobriram com terra e mato P’ra transformar em carvão. Com a derrota das matas O rio prejudicado As chuvas trazendo terra Ficando todo aterrado Só sabe o que existiu Quem conheceu o passado.
  • 18 Hoje a areia dos rios Está toda impregnada Pois o pó preto de carvão Chuva arrasta de enxurrada Chegando dentro do rio Com areia misturada. Com o rio poluído Além de todo aterrado Água ruim ficou pior Com gosto de desagrado Fazendo mal à saúde Eis aí o resultado. Aí está o castigo Todo mundo “paga o pato” Lamentando o que foi feito E a destruição do mato Daquele tempo passado Não resta nem um retrato. Com a extinção das matas Tanto bicho exterminado Fugindo p’ra todo canto O que não morreu queimado Como a bomba de Hiroxima Deixando tudo arrasado. Trago estes comentários E tudo o que foi falado Sobre a devastação Mas eu também sou culpado Matei muitos passarinhos Hoje sei que fui malvado. Atirei em gaviões Arribação e peneira Tinha vez que atirava Somente por brincadeira Sem pensar que estava errado Agir daquela maneira. Ora armava uma arapuca Ou preparava um quixó Botava laço nos ninhos Enforcando ali sem dó Ave morta na postura Filhote morrendo só. Com tanta devastação A natureza sem vida Só trouxe dificuldade Mais sofrimento em seguida O povo foi se afastando Em busca de outra guarida.
  • 19 Começou a decadência Com a saída do Major E do Coronel Vicente O dono do Recoló E depois que se mudaram A vida virou um nó. Fazendas foram vendidas Fábrica de queijo fechou A família dos BEZERRA Dali também se mudou E os herdeiros BARBOSA Todo mundo se arredou. E muitas outras famílias Foram desaparecendo Alguns porque se mudaram Outros que foram morrendo Mudar p’ra sobreviver Não se queria querendo. Com a ausência do povo Que no apogeu se firmava Também desapareceu Tudo o que representava E todos os que bem serviam Quando alguém os procurava. O resultado é que ficou Difícil viver ali E quem precisa de ajuda Já não tem a quem pedir Ficou um lugar bem triste Sem meios p’ra se remir. Para melhor conclusão Veja que mau resultado O que é bom se escafedeu E de pensar no passado Fico triste a imaginar Que está mesmo acabado. Que tempo bom que passou Tempo que não volta mais Só nos resta essa lembrança Daqueles tempos atrás Alguém ainda se lembra Tempo bom dos ancestrais. Um tempo, se bem me lembro Não havia choradeira Povo vivendo contente Brincando à sua maneira Violeiro e cantador Divertindo a cabroeira.
  • 20 A R ED ENÇÃO Mas tudo na vida é mudança E se houver união P’ra quem luta e acredita Uma predestinação Não queira ser pessimista Problema tem solução. Por enquanto todo mundo Se sente desamparado Realmente o que se vê É tudo desmantelado Mas lute que no futuro Tudo será transformado. O recomeço é difícil Disto já temos certeza Refazer isto tudinho Não é coisa de moleza Mas chegou esta ajuda Falo da grande represa. E que levou desvantagem A solução do problema Digo na minha passagem Nasceu com esse projeto De construção da barragem Onde cantava ACAUÃ. Sei que o primeiro projeto Se tornou uma negação Engenheiros e mutretas Comeram um bom dinheirão E as obras prometidas Não saíram nem do chão. Dizem os filhos de CANDINHA Falando dum engenheiro Que não constrói nem cascata Mas come todo dinheiro E que d’água represada Não deixou sequer o cheiro. Mas mudou o Governador E o Doutor ZÉ MARANHÃO Com muito tino e coragem Tomou logo a decisão De construir a barragem Começo da rendeção.
  • 21 A barragem do Acauã Da Taboca à Melancia Fechada no Recoló Melhor lugar não havia Tem água p’ra todo mundo P’ro futuro é garantia. Governo fez sua parte Água tem em profusão A natureza pedindo Que você lhe dê a mão P’ra refazer o passado Nessa nova geração. A todos dou um conselho Meu povo, amigo e parente Não maltrate a natureza Seja muito paciente Confie em Deus que amanhã Tudo será diferente. Para se normalizar Será preciso união Comunidade unida Sem haver separação Trabalho com fé em Deus E sem haver divisão. Mesmo que não seja logo E p’ra quem tiver visão E quem viver bem à frente Encontrando a rendeção Erguerá um monumento Ao Doutor ZÉ MARANHÃO. Ainda faço homenagem Por um dever de cristão Àquelas pessoas de ontem Que viveram em comunhão Que o senhor Jejus Cristo Lhes conceda salvação. Aos familiares todos O meu agradecimento Com desculpas se de alguém Esqueci por um momento Pois se a memória me falha Não tenha ressentimento. Tanto parente e amigo Por muito canto espalhado Moram em meu coração E de todos sou lembrado Pois o tempo não destrói Um amor petrificado.
  • 22 Sou feliz em recordar Que todos eram unidos Todos se comunicavam Servidores e servidos Todos por um, um por todos Vivendo bem protegidos. A todos os que me lêem Quero fazer um pedido Porque trabalhar é bom Mas não seja esquecido Que sem Deus nada se faz Fique disto convencido. Não deixe de ler a Bíblia Para ser um bom cristão Ore pela paz do mundo Que é nossa obrigação Não faça parte de seitas Não troque religião. E lembre que esta terra Tem enorme cicatriz Reclamando uma cura Que se terá, você diz Se você faz sua parte! Planta na terra raiz. Por fim peço desculpas Se alguém prejudiquei Teria mais a dizer Além do que já falei O que lembrei tá falado E obrigado outra vez.
  • 23 F I M