Artigo Tijolos e Alvenaria - no Âmbito da Construção Civil

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Artigo Tijolos e Alvenaria - no Âmbito da Construção Civil

  1. 1. FACULDADE DE TECNOLOGIA E CIÊNCIA - FTC HUGO MENDES KLEBER MARCELO BRAZ CARVALHO TÂMARA ESTEVES BORGES TIJOLOS E ALVENARIA: no âmbito da construção civil ITABUNA - BAHIA 2012
  2. 2. LISTA DE FIGURASFigura 1: Olaria localizada em Itabuna – BAFigura 2: Alvenaria de tijolo maciço como muro de arrimoFigura 3: Residência com alvenaria de tijolo cerâmicoFigura 4: Paginação de alvenaria de tijolo maciçoFigura 5: Pilares com tijolos maciçosFigura 6: Formato das peças de concreto
  3. 3. SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO......................................................................................................04 1.1Justificativa ......................................................................................................04 1.2 Objetivos .........................................................................................................04 1.2.1. Objetivo Geral ......................................................................................05 1.2.2. Objetivos Específicos ...........................................................................052. TIJOLO DE ARGILA ............................................................................................05 2.1 Fabricação de Tijolos de Argila .....................................................................06 2.2 Extração da Matéria-prima ............................................................................06 2.3 Processos de formação ................................................................................06 2.4 Secagem .......................................................................................................08 2.5 Queima ..........................................................................................................08 2.6 Embalagem e distribuição .............................................................................113. ESPECIFICAÇÕES DE TIJOLO DE ARGILA ....................................................11 3.1 Tipos de Tijolos ..............................................................................................12 3.2 Características ...............................................................................................12 3.3 Controle de qualidade ....................................................................................134. ALVENARIA COM TIJOLOS DE ARGILA .........................................................13 4.1 Alvenaria decorativa .......................................................................................15 4.2 Execução ........................................................................................................16 4.3 Blocos sílico-calcáricos ..................................................................................16 4.4 Tijolo de cimento .............................................................................................17 4.5 Piso intertravado com tijolos de concreto .......................................................17 4.6 Tijolo maciço de solo cimento .........................................................................185. CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................196. REFERÊNCIAS ...................................................................................................19
  4. 4. 41. INTRODUÇÃO Entre os sistemas construtivos, a alvenaria é um dos mais antigos. O tijolo porsua vez, faz parte desse sistema. Utilizando o uso do solo, que facilmentemanipulada se presta a formação de blocos ou mesmo de aglomerado no sistemade taipa, tornando a alvenaria uma solução econômica e rápida. Os blocos sólidos, também constituem as alvenarias, podendo ser simplesblocos de pedra, obtidos pela extração de pedreiras graníticas ou outro tipo derocha. Esse sistema milenar remonta desde a construção do Templo de Salomão. A alvenaria com tijolos foi difundida no Brasil pela colonização portuguesa, naconstrução de casas e sobrados da época. Em paralelo, foi utilizado blocos depedra, principalmente, em Igrejas e obras militares e a alvenaria de taipa. Com aevolução da construção civil foi se utilizando outros materiais como as rochas sílica-cálcarica e o cimento na fabricação de tijolos. Ainda assim, o tijolo tem sido utilizadona arquitetura como ornamento. Os produtos cerâmicos, sob o ponto de vista dos materiais de construção civil, são obtidos pela moldagem, secagem e queima de argila ou de misturas contendo argila. A argila é um material composto basicamente por silicatos de alumínio hidratados, formando com a água uma pasta plástica, susceptível de transformar-se nos diversos materiais cerâmicos utilizados na construção civil. A indústria cerâmica é uma das mais antigas do mundo, pela abundância da matéria-prima e pela facilidade de moldagem. (RIBEIRO, 2002, p. 85)1.1. Justificativa Os sistemas construtivos apresentados neste trabalho são amplamenteutilizados e fazem parte da história da construção civil e estão presentes no nossodia-a-dia.1.2. Objetivos O estudo em questão apresenta dois tipos de objetivos: um geral e trêsespecíficos.
  5. 5. 5 1.4.1. Objetivo geral O objetivo geral deste trabalho é apresentar os tijolos, seja de argila ou decimento, como material na construção civil. 1.4.2. Objetivos específicos Para alcançar o objetivo geral proposto, enumeram-se os seguintes objetivosespecíficos deste trabalho: a) Definir e apresentar a argila como matéria-prima, fabricação de tijolos esua utilização como alvenaria; b) Definir e apresentar blocos sílicos-calcáricos e sua utilização naconstrução civil; c) Definir e apresentar o tijolo de cimento e seu uso na construção civil; 2. TIJOLOS DE ARGILA Existe uma ampla gama de argilas adequadas para fabricação de produtoscerâmicos, dando diversidade para os produtos disponíveis. As argilas foram formadas na crosta terrestre pela desintegração de rochasígneas sob a ação contínua dos agentes atmosféricos. A argila, sendo o resultadoda ação variável desses fatores, apresenta-se em grande variedade de tipos, comampla gama de coloração, plasticidade e composição química, que determinam assuas características e propriedades. (RIBEIRO, 2002) Os principais constituintes da fabricação de tijolos de argila são: a sílica(areia) e a alumina, mas com diferentes quantidades de giz, cal, óxido de ferro eoutros constituintes de acordo com a fonte de extração. As argilas que contém altoteor de ferro produzem tijolos com colorações avermelhadas e azuladas, e se o teorde ferro for baixo, os tijolos produzidos são amarelados.
  6. 6. 6 2.1. Fabricação de Tijolos de Argila De acordo com Ribeiro (2002), o processo de fabricação consta da extraçãoda argila, moldagem dos produtos, secagem ao ar ou em estufas e queima emdiferentes tipos de fornos, em variadas temperaturas que dependem da matéria-prima e que vão definir a utilização do produto cerâmico. Além das etapas de extração da matéria-prima, o processo de fabricação, asecagem e a queima, há a etapa final que é a embalagem e distribuição. 2.2. Extração da Matéria-Prima O processo começa com a extração da matéria-prima da jazida e seutransporte para as indústrias de produtos cerâmicos Primeiro é removido a partesuperior do solo, pois é inadequado a fabricação dos tijolos, e após a remoção dobarro utilizável, o solo superior é utilizado para recuperação do local. A matéria-prima é peneirada para remover quaisquer rochas, emseguida é moída em pó fino por uma série de trituradores e rolos, sendo removidaqualquer partícula de tamanho desproporcional. Pequenas quantidades depigmentos ou outras argilas podem ser misturadas nessa fase para produzir váriosefeitos de cor, por exemplo, dióxido de manganês irá produzir um tijolo refratárioquase preto e dá um efeito marrom escuro. Ocasionalmente, coque é adicionado naargila como fonte de combustível para o processo de queima. Pode ser adicionadoaté 25% de água para se obter a desejada plasticidade dependendo do tijolo a serprocessado. 2.3. Processo de Formação Os processos de formação dos tijolos são os seguintes: • Tijolos feito à mão. • Tijolos moldados com argila fresca. • Tijolos prensados. • Tijolos extrudados.
  7. 7. 7 2.3.1. Tijolos feito à mão O processo é artesanal, sendo que consiste em arremessar uma porção deargila úmida em um molde de madeira em um banco. A argila excedente é retiradacom a ajuda de um arame, com a matéria do tijolo ainda fresca. Os tijolosproduzidos são de forma irregular com arestas suaves e superfícies dobradas. 2.3.2. Tijolos moldados com argila fresca. O processo artesanal já foi em grande parte automatizado, com a argila sendomecanicamente lançada nos pré-moldes; a argila em excesso é em seguidaremovida e os tijolos são libertados do molde. Esse processo apesar de seassemelhar com a individualidade de produção associada com os verdadeiros tijolosfeitos à mão possui um custo menor. 2.3.3. Tijolos prensados. No processo semi-seco usado para tijolos Fletton, a quantidade apropriada deargila é submetida a uma sequência de quatro prensagens dentro de moldes de açopara produzir o tijolo verde. Para produzir os tijolos, é feita uma texturizaçãoaplicando uma série de rolos. Um spray de água para umedecer a superfície,seguido por uma explosão de uma mistura de areia e pigmento, produzindo oacabamento com areia. Com argilas que requerem uma água ligeiramente comconteúdo superior para moldagem, o processo de endurecimento é utilizado, sendoforçados a moldes. Uma única pressão é então necessária para formar o tijolo. Emtodos os casos, o tamanho do molde é calculado para permitir a antecipadasecagem e retração de queima.
  8. 8. 8 2.3.4. Tijolos extrudados. Neste processo, a argila com um teor de água de até 25% é alimentado emum extrusor que consolida a argila e extrai o ar. A argila é forçada através de ummolde e forma uma coluna continua com dimensões iguais para o comprimento e alargura de um tijolo verde. A superfície pode então ser texturizada ou polida, antesda coluna de argila ser cortada em unidades de tijolo por uma série de fios. Sãofeitas perfurações pela incorporação de hastes para permitir uma uniformidade desecagem e queima dos tijolos sem perda significativa de força. Desempenho térmiconão é significativamente melhorado pela incorporação de vazios. 2.4. Secagem Para evitar rachaduras e distorção durante o processo, tijolos verdesproduzidos a partir de argilas molhadas devem ser autorizados a secar e encolher.Encolhimento é tipicamente 10% em cada dimensão dependendo do teor deumidade. Os tijolos verdes, definindo um padrão são verificados para assegurar umaperda uniforme da umidade, sendo empilhados e passados através de câmaras desecagem que são aquecidos com o calor residual do processo de queima.Temperaturas de secagem e níveis de umidade são cuidadosamente controladaspara garantir o encolhimento sem distorção. 2.5. Queima Os fornos intermitentes e contínuos são utilizados para queimar tijolos.O primeiro é um processo em lotes em que o forno único é carregado, disparado,arrefecido e descarregado. Em fornos contínuos, o processo de queima é sempreativo; os tijolos verdes são movidos através de um disparo fixo, o fogo égradualmente transferido em torno de uma série das câmaras de interligação com ostijolos não queimados. Os sistemas contínuos são mais eficientes do que osprocessos intermitentes. Geralmente, para produção em larga escala, o forno detúnel contínuo e do forno Hoffman são os utilizados. Fornos baixo, grampos e forno
  9. 9. 9à gás intermitente são utilizados para os produtos mais especializados. Dependendoda composição da argila e da natureza do produto desejado, as temperaturas dequeima são definidas para sinterizar ou vitrificar a argila. Variações de cor ocorremonde os tijolos estavam em contato um com outro dentro do forno e sãoparticularmente notável em Flettons. 2.5.1. Queima em Túnel. No processo de forno túnel, os tijolos são carregados para alto forno emcarros que são movidos progressivamente através de pré-aquecimento, de queima ezonas de arrefecimento. O perfil de temperatura é cuidadosamente controladodentro do forno e uma velocidade apropriada do carro forno assegura que os tijolosverdes estão corretamente acionados com o uso mínimo de gás combustível,geralmente natural. A temperatura máxima de queima dentro da faixa de 940o C e1200o C dependendo da argila, mas é normalmente cerca de 1050o C, com umtempo de forno médio de três dias. O teor de oxigênio dentro da atmosfera do fornovai afetar a cor dos produtos de tijolo. Tipicamente a temperatura elevada e baixoteor de oxigênio são utilizados na produção de tijolos azuis. O maior teor de oxigêniotransformará qualquer óxido de ferro existente dentro do barro em vermelho. 2.5.2. Queima em forno Hoffman. Introduzido em 1858, o forno Hoffman é um processo contínuo, no qual o fogoé transferido em torno de uma série de câmaras, que pode ser interligado com aabertura de amortecedores. Pode haver 12, 16 ou 24 câmaras, embora 16 é a maisusual. As câmaras são cheias, com tipicamente 100 mil tijolos verdes. As câmarasem frente ao fogo, uma vez que se move em torno, são pré-aquecido e, em seguidaexpostos a temperaturas em torno de 960o – 1000o C, seguido por arrefecimento,descarga e reposição da carga seguinte. A sequência se move sobre uma câmarapor dia, com três dias de queima. O combustível habitual é o gás natural, apesar decarvão de baixa qualidade e metano de aterros sanitários serem usados por algunsfabricantes.
  10. 10. 10 2.5.3. Queima em forno à gás intermitente. Fornos intermitente à gás são frequentemente usados para fazer cargasmenores, particularmente especiais. Em um sistema, tijolos verdes são empilhadosem uma base de concreto e um forno móvel é abaixado sobre os tijolos para oprocesso de queima. As condições podem ser precisamente controladas paracoincidir com aquelas dentro de fornos contínuos. 2.5.4. Grampos A base do processo é a inclusão de coque na argila, que atua então comofonte principal de energia durante o processo de queima. No processo tradicionalcamadas alternadas de tijolos crus e coque adicional são empilhados e depoisselados com mais resíduos de tijolos e barro. O grampo é então incendiado comgravetos e permite queimar por duas a cinco semanas. Após a queima, os tijolos sãoescolhidos a dedo por causa de sua variabilidade a partir de sob ou sobre o fogo.Mais recentemente, os grampos movidos à gás tem sido desenvolvidos, pois dá umprocesso de queima totalmente controlado, mas ainda produzem tijolos com asmanchas escuras, características em suas superfícies devido ao conteúdo brisaqueimada. 2.5.5. Forno baixo Os projetos de baixo forno são utilizados para altas temperaturas decozedura, especialmente de tijolos de engenharia, em um processo intermitente. Ocombustível é queimado em torno do perímetro do forno, que é empilhado comtijolos verdes. Os gases quentes sobem em direção ao teto, forçando para baixo osgases frescos através de um piso perfurado e para fora da chaminé. Assim, o calor éretido e a temperatura é elevada de forma que os tijolos alcancem altastemperaturas.
  11. 11. 11 2.6. Embalagem e Distribuição Tijolos danificados ou rachados são removidos antes da embalagem. Amaioria dos tijolos são agora organizados em embalagens lacradas com filmeplástico com 300 a 500 unidades, para facilitar o transporte por empilhadeira aocaminhão. 3. ESPECIFICAÇÕES DE TIJOLOS DE ARGILA Também conhecido como tijolo de barro cozido, são produzidos através daargila - material proveniente da decomposição de rochas feldspáticas como o granitoe o gnaisse. Os solos de natureza argilosa apresentam características deplasticidade, ou seja, ao ser misturado à água adquirem a forma desejada, a qual semantém após secagem e cozimento (CAPUTO, 1988). Fator fundamental para sermoldado e fabricar os tijolos com o formato desejado. Pela facilidade de se encontrar solos argilosos, é comum encontrar olarias,local que produzem objetos de barro em pequeno escala, principalmente próximo amananciais de água, produzindo de forma artesanal os tijolos de argila. Figura 1: Olaria localizada em Itabuna/BA
  12. 12. 12 3.1. Tipos de tijolos Em geral os tijolos de argila são utilizados como alvenaria auto-portante,muros, encunhamento, ornamentos e formas de vergas ou cintas amarrações(AZEREDO, 2009). Os principais tipos são: Tijolo comum – fabricado em fôrmas de ferro ou madeira, com barroqueimado, em fornos de alta temperatura, na ordem de 950 a 1100ºC. São blocos debarro comum, moldados com arestas vivas e retilíneas. Tem uma resistência quevaria de 1,5 a 4,0 Mpa, e o peso aproximado de 2,50 kg e medidas: 5,7x9,0x19,0cm. Tijolo refratário – fabricado segundo as normas vigentes, resistente a altastemperaturas – 1200°C (fornos, fornalhas, lareiras, churrasqueiras), mais resistenteà compressão que tijolo comum. Tijolos laminados – considerados uma evolução do tijolo comum, tendo maiorresistência mecânica e menos porosidade, com menor absorção de água. Sãoindicados para alvenaria aparente. 3.2. Características As principais características do tijolo de argila que podem ser consideradascomo vantagens para uso deste material são: • Uniformidade de cor; • Homogeneidade da massa com cozimento uniforme e completo; • Regularidade de forma e igualdade de dimensões; • Arestas vivas e centros resistentes; • Ausência de fendas, trincas ou materiais estranhos; • Fratura homogênea; • Resistência à compressão compatível com a aplicação; • Absorção de água entre 10 e 18%.
  13. 13. 13 3.3. Controle de qualidade Os tijolos de argila possuem normas que padronizam as suas formas edimensões (NBR 8041), sua resistência (NBR 6460) e recebimento de tijolos emobras de alvenaria (NBR 7170). Segundo Ribeiro (2002), a qualificação dos produtos cerâmicos é feita emfunção da sua resistência ao desgaste ou abrasão, da resistência de agentesquímicos e da resistência a manchas. São estipulados alguns índices que sãoutilizados por fabricantes e usuários para adequar os produtos ao emprego a que sedestinam. 4. ALVENARIA COM TIJOLOS DE ARGILA Alvenaria é toda obra constituída de elementos como pedras naturais, tijolosou blocos de concreto, ligados ou não por argamassa. As alvenarias de tijolos deargila são utilizadas basicamente em paredes de vedação ou como paredesportantes em pequenas estruturas, além de blocos de fundação, muros de arrimo ecolunas, além de obras estruturais como arcos e abóbadas, como se utilizava naantiguidade. Neste tópico vamos enfatizar o tijolo maciço de argila que o tipo maisutilizado em nossa região. Figura 2: Alvenaria de tijolo maciço como muro de arrimo
  14. 14. 14 O uso de alvenaria com bloco de argila, mais conhecido com tijolo maciço,está em desuso. Ele tem perdido espaço para alvenarias como o bloco cerâmico e ode cimento. Essa situação decorre devido às suas dimensões, causa da baixaprodutividade da mão-de-obra na execução dos serviços. Fato de consumirem maisblocos por m2, mais argamassa de assentamento e mais mão-de-obra de execução. Figura 3: residência com alvenaria de tijolo cerâmico As paredes feitas com tijolo maciço se diferenciam pela espessura e pelamaneira com que os tijolos são assentados. Assim, temos as espessuras de ½ tijolo,1 tijolo, 1 ½ tijolo e até de 2 tijolos ou mais. Para cada largura de parede é feito umtipo de amarração dos tijolos. A intenção é desencontrar as juntas, com isto atingirmaior resistência ao cisalhamento e melhorar o comportamento geral da alvenariaquando recebe as cargas. Desta forma, a parede fica mais resistente com as juntasdevidamente amarradas. O tijolo maciço pode ser assentado da seguinte forma:
  15. 15. 15 Figura 4: Paginação de alvenaria de tijolo maciço (RODRIGUES, 1999)4.1. Alvenaria decorativa A aplicação para alvenaria de argila tem sido adotada por arquitetos comodetalhe arquitetônico para decoração de interiores, fachadas e muros. Umautilização que não demanda produtividade e prevalece a estética. Como exemplo,citamos a execução de pilares decorativos ou mesmo com função estrutural sendocomuns em varandas.Figura 5: pilares com tijolos maciços
  16. 16. 164.2. Execução Para executar com qualidade uma alvenaria de tijolo maciço pode se utilizar omesmo fundamento de execução de outros tipos de alvenaria como de blococerâmico e de cimento. As ferramentas básicas são o escantilhão, o prumo depedreiro e da linha. A argamassa de assentamento tem seu traço composto porcimento, cal e areia no traço 1: 2: 8. A sua função básica é solidarizar a alvenaria,transmitindo e uniformizando a tensões entre os tijolos, absorvendo pequenasdeformações e manter a estanqueidade da edificação.4.3. Blocos Sílico-calcáricos De acordo com a norma NBR 14974, os blocos sílico-calcários são blocosprismáticos para alvenaria, fabricados com cal e agregados finos, de naturezapredominantemente quartzo, que depois da mistura íntima são moldados em peças,por pressão e compactação, sofrendo posteriormente endurecimento sob ação decalor e pressão de vapor. Na construção civil, pode ser utilizada como elemento de alvenaria devedação e estrutural. Os blocos podem ser maciços, furados, perfurados ouvazados. Sua utilização pode substituir os blocos convencionais, devido algumasvantagens, como relativa simplicidade no processo de manufatura, excelenteuniformidade geométrica e aparência, resultando em elevada qualidade técnica.Podem ser usados em todas as formas e tamanhos de conformidade com omercado e com os padrões específicos (ANDRADE, 2009). Outra vantagem queinfluencia na redução de custos é a dispensa de chapisco e emboço no revestimentoe pode ficar aparente ou receber uma fina camada de revestimento. Uma desvantagem é que a matéria prima, rocha calcária, não se encontra emqualquer região. Caso o local para aplicar este bloco fique distante de uma jazidade rocha calcária e pontos de britagem e manufatura, com certeza os custos serãomaiores frente as outras alternativas de blocos. Assim, tornando inviáveleconomicamente a sua utilização.
  17. 17. 174.4. Tijolo de Cimento Também chamado bloco de concreto pré-moldado é bastante utilizado comopisos para pavimento que compõe os pavimentos intertravados. A combinação desolo e cimento está surgindo como alternativa para alvenaria. Estas duas aplicaçõesserão destacadas abaixo.4.5. Piso intertravado com tijolos de concreto Os tijolos de concreto para pavimentos são confeccionados individualmente,sem armaduras, não podem ter deformações e nem fendas. As peças sãoassentadas sobre camada de areia ou pó de pedra. O intertravamento do pavimentoé a capacidade que os blocos adquirem de resistir a movimentos de deslocamentoindividual, seja ele vertical, horizontal ou de rotação em relação a seus vizinhos. Ointertravamento é fundamental para o desempenho e a durabilidade do pavimento.Este tipo de pavimento possui grande facilidade de colocação, tanto manual quantomecânica, e reduz o tempo global de execução, se comparado com os pavimentosasfálticos e de concreto. Os blocos intertravados apresentam várias possibilidades de ordem estética ede dimensões, conforme figura abaixo. Figura 6: Formato das peças de concreto (MARCHIONI, 2011)
  18. 18. 18 As peças de concreto são produzidas industrialmente em vibroprensas queproporcionam elevada compactação às peças, aumentando sua resistênciamecânica e durabilidade. Após a moldagem nas vibroprensas, as peças são curadasem câmaras que mantém constante a umidade relativa acima dos 95%. O período de cura na câmara gira em torno de 24 horas e a cura final no pátiodepende de algumas condições industriais, ficando entre 7 e 28 dias. Portanto, aspeças já chegam prontas à obra e o processo industrializado garante ainda auniformidade de cor, textura e das dimensões das peças.4.6. Tijolo maciço de solo cimento O solo cimento é técnica é o resultado da mistura homogênea de solo,cimento e água em proporções previamente determinadas, depois compactadas naforma de tijolos, blocos ou paredes monolíticas. Desde que bem executado, ocomponente apresenta boa durabilidade e resistência à compressão. As paredes monolíticas são construídas usando-se guias. As guias são peçasde madeira ou aço (recuperáveis) ou concreto (irrecuperável), onde uma de suasdimensões deve ser da espessura desejada para a parede. As paredes executadas em blocos de solo-cimento prensados seguem amesma técnica construtiva dos blocos convencionais e possuem as mesmascaracterísticas de resistência à compressão simples e à absorção, dos blocos. As vantagens desse sistema são a dispensa de revestimento, argamassa deassentamento, além de não necessitar de queima de madeira ou óleo combustívelpara sua produção, o que barateia o processo construtivo. Assim como a paredemonolítica, os blocos de solo-cimento são fabricados, normalmente, com o própriosolo do local, o que reduz custos com relação à matéria-prima de construção e o seutransporte. Apesar das vantagens ecológicas, esse sistema não se encaixa no ritmo deprodução industrializada que a construção determina. Não há como competir com aalvenaria estrutural e parede de concreto, por exemplo, quando o enfoque éprodutividade. Acreditamos que esse sistema se encaixa em comunidades isoladas,
  19. 19. 19necessitando apenas de uma prensa hidráulica para fabricar os blocos e asmatérias-primas já elencadas.5. CONSIDERAÇÕES FINAIS A discussão sobre os tijolos e seu uso como alvenaria é bastante ampla.Sobretudo quando se verifica que a sua presença na história da humanidade comoum dos principais sistemas construtivos. Dessa forma coube a este trabalho umasucinta apresentação sobre: Tijolos e Alvenaria, mostrando suas especificações eaplicabilidade no âmbito da construção civil. Notamos que apesar de sua versatilidade, as dimensões dos tijolos nãofavorecem a produtividade na execução de alvenarias, perdendo espaço para osblocos cerâmicos e de cimento. Esses sistemas estão mais próximos a novarealidade da construção civil, que busca maior produtividade e industrialização deseus processos construtivos. Apesar da redução de seu uso, alternativas foram apresentadas, como obloco de sílica e calcário; piso com tijolos de cimento para pavimentação; o uso detijolos de solo-cimento para pequenas habitações isoladas e a utilização de tijoloscomo elementos de decoração.6. REFERÊNCIASASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIMENTO PORTLAND. Manual de PavimentoIntertravado: Passeio Público. Associação Brasileira de Cimento Portland – ABCP,São Paulo, 2010. 36p.ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14974. Bloco sílico-calcário para alvenaria. Parte 1: Requisitos, dimensões e métodos de ensaio. Rio deJaneiro, Ago/2003.ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6460 - Tijolo maciçocerâmico para alvenaria - Verificação da resistência à compressão - Método deensaio. Rio de Janeiro, Jun/1983.
  20. 20. 20ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7170. Tijolo maciçocerâmico para alvenaria. Rio de Janeiro, Jun/1983.ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8041 - Tijolo maciçocerâmico para alvenaria – Formas e dimensões. Rio de Janeiro, Jun/1983.AZEREDO, H. A. O Edifício Até Sua Cobertura. 2. ed. São Paulo: Edgard Blücher,1977.CAPUTO, H.P. Mecânica dos solos e suas aplicações. 6ª. Edição. Rio de janeiro:Editora LTC. 1988.FIQUEROLA, V. Alvenaria de solo-cimento. Matéria de Capa. Disponível em: <http://www.revistatechne.com.br/engenharia-civil/85/artigo32709-1.asp>. Acesso em:28 maio.12LYONS, A. Materials for architects and builders. 3. ed. Oxford: Elsevier, 2007.MARCHIONI, M.; SILVA, C. O. Pavimento Intertravado Permeável - MelhoresPráticas. Disponível em: <http://www.blocobrasil.com.br/uploads/downloads/Cartilha_Pav_Intertravado_Permeavel.pdf>. Acesso em: 01jun.12RIBEIRO, C. C. Materiais de construção civil. 2. Ed. Belo Horizonte: Editora UFMG,2002.RODRIGUES, E. Execução de Alvenarias. Disponível em: <http://www.ufrrj.br/institutos/it/dau/profs/edmundo/Cap%EDtulo4-Alvenaria.pdf>.Acesso em: 28 maio.12YAZIGI, WALID. A Técnica de Edificar. 7. ed. São Paulo: Pini, 2006

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