Revista veja   diabetes
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Revista veja   diabetes Revista veja diabetes Document Transcript

  • Revista Veja – Edição 1924 – 28 de setembro de 2005.DiabetesO início de uma revoluçãoOs médicos aprofundam o conhecimento sobreas causas da doença e novostratamentosjá estão em desenvolvimento Uma revolução está em curso no tratamento do diabetes. Não se via nada igual desde 1921, quando ospesquisadores canadenses Frederick Banting e Charles Best isolaram, pela primeira vez, o hormônio insulina emlaboratório. Medicamentos mais potentes, eficazes e seguros prometem mudanças drásticas na qualidade de vidados doentes. Pesquisas na área da biologia molecular possibilitam um mergulho cada vez mais profundo nafisiopatologia do mal – ou seja, em suas origens, sobretudo no que diz respeito à relação do diabetes com osdistúrbios cardiovasculares. "É o início de uma nova era", disse a VEJA o médico Nick Freemantle, professor deepidemiologia clínica da Universidade de Birmingham, na Inglaterra. O entusiasmo era um sentimento comum aosparticipantes do último congresso da Associação Européia para o Estudo do Diabetes, que reuniu recentemente, emAtenas, os principais estudiosos do assunto. O diabetes é uma doença crônica grave e em franca ascensão. Em2025, os 170 milhões de doentes de hoje devem chegar a 300 milhões. Apesar da alta taxa de mortalidade emdecorrência do problema, a adesão ao tratamento é baixíssima. No Brasil, por exemplo, apenas 20% dos pacientesdiagnosticados seguem as orientações médicas à risca. "Um dos aspectos mais importantes das novas terapias éque elas possibilitam também que esse triste cenário seja revertido", completa Freemantle. O diabetes se caracteriza por um defeito no metabolismo da glicose, um tipo de açúcar que serve decombustível para os mais de 100 trilhões de células do corpo humano. Para entrar em cada uma delas e fornecer aenergia necessária para a manutenção da boa saúde, é necessária uma chave, o hormônio insulina. Na faltacompleta ou parcial dele, a glicose não tem como entrar nas células e fica concentrada no sangue. Surge então odiabetes. Há duas versões da doença. O tipo 1, embora menos comum, é o mais agressivo. Por uma falha nasdefesas do organismo, as células do sistema imunológico destroem as células produtoras de insulina, as ilhotas deLangerhans, encontradas no pâncreas. Sem as injeções diárias do hormônio artificial, os pacientes morrem. Odiabetes tipo 2, responsável por 90% dos casos, evolui de forma silenciosa. No início, o pâncreas mantém aprodução de insulina como de hábito. Com o tempo, porém, as células adiposas e musculares tornam-se resistentesà ação do hormônio. Os níveis de glicose no sangue aumentam e, para compensar o excesso desse açúcar, opâncreas passa a fabricar mais insulina. Tamanha é a sobrecarga que o número de ilhotas de Langerhans vaiencolhendo, até o momento em que a secreção de insulina se torna insuficiente para controlar os níveis de glicose.Por isso, mais cedo ou mais tarde, os portadores do tipo 2 de diabetes têm de recorrer às injeções de hormôniosintético. Em cinco anos, metade deles não sobrevive sem as picadas. O principal motivo para a baixa adesão ao tratamento são as aplicações de insulina. "Muitos doentesrecusam-se a recorrer às injeções, por se tratar de um recurso incômodo, doloroso e constrangedor do ponto de vistasocial", disse a VEJA a médica americana Marcia Testa, professora de bioestatística da Escola de Saúde Pública daUniversidade Harvard. Um dos maiores desafios da medicina é justamente dar um fim às agulhadas, por intermédiode formas alternativas de administração de insulina. Ainda não se inventou uma versão do hormônio em comprimidoque, uma vez ingerido, resista incólume ao ataque das enzimas gastrointestinais. Mas já existe tecnologia parafabricar uma insulina inalável. A primeira delas deve chegar ao mercado em 2006 – o Exubera, dos laboratóriosPfizer e Sanofi-Aventis. Há duas semanas, por 7 votos a 2, um comitê de especialistas da FDA, a agência americanade controle de remédios e alimentos, recomendou a aprovação do medicamento. De ação rápida, o Exubera éindicado para o controle das taxas de açúcar que se elevam logo depois das refeições. O remédio reduz à metade onúmero de picadas diárias. Pode parecer pouca coisa. Para os diabéticos, no entanto, é uma senhora vantagem (vejaquadros). Num organismo sadio, a insulina funciona de maneira muito precisa, em perfeita sintonia com a produção deglicose. Acompanha os altos e baixos das taxas de glicose a que o organismo está sujeito durante o dia e a noite.Controlar os níveis de açúcar no sangue com o hormônio artificial, no entanto, é dificílimo. Se ele é administrado umpouco abaixo do necessário, não faz nenhum efeito. Acima, pode deflagrar uma crise de hipoglicemia, levar ao comae até matar. Por isso, investe-se pesado na criação de uma insulina que acompanhe as oscilações naturais dosníveis de açúcar no organismo. Também nesse campo a batalha contra a doença registra conquistas importantes. Jáexistem as insulinas de ação rápida e ultra-rápida, para a regulação dos níveis de açúcar depois das refeições. Háainda as de ação lenta, para os períodos de jejum. Nesse capítulo, a novidade (recebida com euforia no encontro deAtenas) foi a insulina detemir, do laboratório Novo Nordisk. Derivada da insulina humana e batizada comercialmentede Levemir, ela tem como principal vantagem a previsibilidade de sua ação, o que reduz os riscos de hipo ehiperglicemia.
  • Em meados da década de 80, chegou-se à conclusão de que o diabetes é fator de risco isolado para infartose derrames. Chegou-se a tal certeza com base em grandes estudos populacionais. Pela observação dos doentes,constatou-se que a probabilidade de um diabético ser vítima de um evento desse tipo é até três vezes maior que averificada em não-diabéticos. Em outras palavras, 65% dos diabéticos são vítimas de doenças cardiovasculares e80% morrem em conseqüência delas. "Pelo simples fato de ter diabetes, uma pessoa está automaticamente nomesmo patamar de risco de alguém com glicemia normal, mas que já sofreu um infarto", disse a VEJA o cardiologistaamericano Steven Haffner, uma das maiores autoridades do mundo no assunto. Em quantidades exageradas, asmoléculas de glicose machucam as artérias, o que facilita o depósito de gordura em suas paredes. Uma daspesquisas mais surpreendentes sobre o impacto do diabetes sobre a saúde cardiovascular foi divulgadarecentemente – o Diabetes ControlandComplicationsTrial. O trabalho foi patrocinado pelo NIH (Institutos Nacionais deSaúde dos Estados Unidos) e acompanhou 1.400 diabéticos tipo 1 durante 22 anos. Ao término da pesquisa, osmédicos constataram que a redução dos níveis de açúcar no sangue leva a uma queda de 43% na incidência deeventos cardiovasculares. Hoje já está mais do que claro que os laços entre o diabetes e as doenças cardiovasculares são muito maisestreitos do que se supunha. Para se ter uma idéia de quão íntima é essa relação, basta dizer que a resistência àinsulina já é considerada uma ameaça isolada para o coração. Essa condição pode preceder em até trinta anos oevento cardiovascular. Por causa dela, metade dos pacientes já apresenta comprometimento coronariano nomomento do diagnóstico de diabetes. "A produção de insulina está diretamente relacionada à de óxido nítrico pelascélulas da parede interna das artérias. Quando uma baixa, a outra também baixa. E, com níveis reduzidos de óxidonítrico, as artérias perdem elasticidade e ficam mais suscetíveis ao entupimento", diz o endocrinologista FreddyEliaschewitz, pesquisador do Hospital Heliópolis e da Universidade de São Paulo. Todo esse estrago, enfatize-se, éprovocado num estágio em que o diabetes ainda nem sequer se instalou. Uma das descobertas mais importantes é que a gordura visceral – a popular "barriga de chope" – está naorigem de 90% dos casos de diabetes tipo 2 associados a distúrbios cardiovasculares. Acumulada na cavidadeabdominal, entre o intestino, o estômago e o fígado, ela é responsável pela produção de quase duas centenas decompostos extremamente nocivos a todos os tecidos e órgãos. "A gordura visceral funciona como uma usina desubstâncias tóxicas dentro do abdômen", diz o cardiologista Raul Santos, diretor da unidade clínica de dislipidemiasdo Instituto do Coração, em São Paulo. Entre os efeitos nefastos da gordura visceral está o aumento daconcentração de toda espécie de gordura no sangue, como os ácidos graxos e os triglicérides, e de glicose, entreoutras substâncias. Ao mesmo tempo, ela provoca uma queda nas taxas dos compostos protetores das artérias,como o HDL, o colesterol bom (veja quadro). Com o aumento da obesidade e do sedentarismo, os "barrigas dechope" estão em franca expansão. Só no Brasil, eles representam 57% da população adulta. O tamanho ideal deuma barriga? Pelo menos para efeito de saúde, recomenda-se que a circunferência da cintura seja inferior a 94centímetros para os homens e menor do que 80 centímetros para as mulheres. A gordura visceral é produto da genética, de hábitos alimentares muito ruins e do sedentarismo. "A melhorimagem para um barriga de chope é a figura do homem preguiçoso, sentado por horas na mesa de um bar,enquanto se entope de calabresa e bebe copos e copos de cerveja", diz o endocrinologista Daniel Lerário, doHospital Albert Einstein, em São Paulo. Devido à pouca quantidade de estrógeno (o hormônio feminino porexcelência), os homens e as mulheres menopausadas são os principais candidatos à "barriga de chope". A falta deGH, o hormônio do crescimento, também leva ao acúmulo de gordura visceral. Por isso, ela é mais freqüente entre osmais velhos. Há a suspeita ainda de que o cortisol, hormônio liberado em períodos de stress e depressão, tambémcontribui para a formação da "barriga de chope". A aproximação cada vez maior do diabetes e das doenças cardiovasculares tem motivado a indústriafarmacêutica a buscar medicamentos de ação dupla. Ou seja, que sirvam tanto para o diabetes quanto para asdoenças cardiovasculares. O exemplo clássico é o das estatinas. Criadas para baixar o colesterol, elas ajudam areduzir drasticamente a probabilidade de um diabético vir a sofrer de um distúrbio cardiovascular. No congresso daAssociação Européia para o Estudo do Diabetes foram apresentados os resultados dos estudos com uma novaclasse de antidiabéticos orais, os glitazares. Primeiro representante da categoria, o muraglitazar (Pargluva, doslaboratórios Bristol-Myers Squibb e Merck &Co.) se propõe a aumentar a sensibilidade do organismo à ação dainsulina e, conseqüentemente, baixar as taxas de glicose no sangue. Além disso, reduz os níveis de triglicérides eincrementa os de HDL, o colesterol bom. Ou seja, é um antidiabético com características de remédio para o coração.Endocrinologistas e cardiologistas, uni-vos.