Cibercultura e Ciberespaço - Presentation Transcript
No mundo da Cibercultura e do Ciberespaço Quatro conceitos que subsidiam a pesquisa virtual
Conceitos a serem desenvolvidos: 1-O “estreitamento” das dimensões on e off line (virtual e real) 2-As três formas de sociabilidade 3-As epidemias sociais e a formação de redes (O caso do Orkut) 4-Web 2.0, mídia social, etc...
Gráficos gerados no Google Trends: http://www.google.com.br/trends Decréscimo das buscas por “aids” na internet ano a ano e com picos somente no dia 1° de dezembro. Pergunta: As pessoas estão se preocupando menos com a AIDS?
Gramado (a cidade turística do Rio Grande do Sul) é objeto de interesse, com maior proporção, somente nos dias de inverno (temporalidade e espacialidade unidos). Obs.: mas poderiam ser também buscas pelo termo “gramado” relacionado a jardins.
Sim, as pessoas só se preocupam com “formatura” no final do ano mesmo.
Por que a palavra “antropologia” é mais pesquisada início do segundo semestre?
Estabilidade de buscas pela palavra “sexo” com maior incidência no final de ano.
Sim, “sadomasoquismo” não está mais em moda!
“ Natal” é algo para ser pensado no final de ano.
Nas férias não se fala em religião nem em política.
O uso da internet reflete quem nós somos. Ou melhor, o que nós somos se reflete também nas formas de utilização da internet, que pode ser tanto o objeto de pesquisa em si mesma, quanto a highway para o nosso objeto de pesquisa nos motivando a fazer perguntas e explorar melhor tendências que se manifestam no ciberespaço.
O “estreitamento” das dimensões on e offline (virtual e real) Os indivíduos transitam entre esses dois universos da experiência social e acumulam um certo tipo de capital que será trocado em uma ou outra esfera (virtual ou real). Ciberespaço e realidade face-to-face são instâncias que se completam e não se anulam. Existe um prolongamento dos limites da constituição da noção de pessoa com o advento das plataformas de interação social. O internauta perdura no tempo e no espaço. Ele pode ser acessado a longas distâncias ou em tempos assincrônicos aos seus. Como resultado ocorre uma ampliação dos limites do sujeito contemporâneo inserido na cibercultura.
O “estreitamento” das dimensões on e offline (virtual e real) A tese de que há esse “estreitamento” é compartilhada, por exemplo, por Bill Tancer, pesquisador que defende a relação próxima entre eventos da realidade social e consequências no ciberespaço (do livro “Click”). O contexto social e a temporalidade (sazonalidade) incidem diretamente sobre a navegação na internet. Em um movimento de “volta” podemos formular perguntas e hipóteses sobre recorrências, similitudes e padrões comportamentais identificados no ciberespaço.
As três formas de sociabilidade Primeira: mesmo tempo e espaço (contato face a face, conversa de bairro) Tipo clássico segundo Alfred Schutz e Georg Simmel Segunda: mesmo tempo mas espaço virtual (contato face a tela, chat de Internet) Terceira: tempo e espaço desconectados (Orkut, sociabilidade “elástica”)
As três formas de sociabilidade As três formas de sociabilidade coexistem e os indivíduos acionam uma ou outra dependendo de suas motivações e interesses. Existe uma associação entre formas de sociabilidade e estratégias de cultivo da vida social (interesses, motivações).
As três formas de sociabilidade Uma sociabilidade de primeira forma (tradicional) poderá ser útil para um tipo de interação. Assim como uma sociabilidade de terceira forma (materializada principalmente na utilização de plataformas Web 2.0) poderá ser útil para outros fins.
As três formas de sociabilidade O ciberespaço coloca diante dos indivíduos contemporâneos um leque maior de opções de agregações societárias que serão classificadas segundo um conjunto de interesses equalizando meios e fins, sendo que as redes sociais são “úteis” para determinados fins, mas têm limitações.
As epidemias sociais e a formação de redes Malcolm Gladwell, “ The Tipping Point” (O ponto de desequilíbrio das epidemias sociais) Contexto favorável: Condições epidêmicas propícias Lei dos poucos casos: Quem descobre (maven, para tancer é o inovador e para a publicidade é o earl adopter) Quem difunde (connector) Quem convence (salesman) Fator de fixação: Características inerentes sedutoras
O princípio básico das epidemias sociais é que: “ Poucas pessoas fazem a grande diferença” e São capazes de: descobrir uma idéia nova; propagar essa idéia; e, convencer outras pessoas a adotarem essa mesma idéia. Além disso temos outros dois fatores importantes que são: o “poder de fixação dessa nova idéia”; e, o “ contexto em que ela se desenvolve”. avançar Todos nós influenciamos e somos influenciados
Um simples exemplo de epidemia social: Meu colega é um sujeito atual e bem informado. Percebi que ele comprou uma bicicleta importada do tipo dobrável/compacta e está agora indo ao trabalho pedalando. avançar
Um simples exemplo de epidemia social: Meu colega de trabalho é um sujeito moderno e bem informado. Percebi que comprou uma bicicleta importada do tipo dobrável/compacta e está agora indo ao trabalho pedalando. Gostei da idéia, pois o design do modelo é inovador e inteligente (poder de fixação do produto). Em poucos dias aderi a essa nova prática, pois em minha cidade os congestionamentos são um problema (contexto). avançar
Um simples exemplo de epidemia social: Meu colega de trabalho é um sujeito moderno e bem informado. Percebi que comprou uma bicicleta importada do tipo dobrável/compacta e está agora indo ao trabalho pedalando. Gostei da idéia, pois o design do modelo é inovador e inteligente (poder de fixação do produto). Em poucos dias aderi a essa nova prática, pois em minha cidade os congestionamentos são um problema (contexto). Comecei a postar em meu blog fotos com minha nova bicicleta e comentários sobre os benefícios desse novo comportamento. Meu blog é visitado inclusive por pessoas de outras cidades do meu país. avançar
Um simples exemplo de epidemia social: Meu colega de trabalho é um sujeito moderno e bem informado. Percebi que comprou uma bicicleta importada do tipo dobrável/compacta e está agora indo ao trabalho pedalando. Gostei da idéia, pois o design do modelo é inovador e inteligente (poder de fixação do produto). Em poucos dias aderi a essa nova prática, pois em minha cidade os congestionamentos são um problema (contexto). Comecei a postar em meu blog fotos com minha nova bicicleta e comentários sobre os benefícios desse novo comportamento. Meu blog é visitado inclusive por pessoas de outras cidades do meu país. Algum tempo depois outras pessoas de minha cidade já tinham obtido a mesma marca de bicicleta. Gradativamente a marca penetrou no mercado local e agora não é mais importada, pois foi inaugurada uma fábrica no meu país onde o mercado consumidor cresceu exponencialmente. avançar
Comunicação constante Poder de influência Contextos de interação + + = Epidemias sociais avançar
As epidemias sociais e a formação de redes O caso do Orkut A estrutura das epidemias sociais de Gladwell é aplicável no caso do Orkut no Brasil e todos os elementos listados (os poucos casos, contexto e poder de fixação) puderam ser identificados.
Países onde o computador já faz parte do cotidiano das pessoas avançar 2002 2007 Entre os anos de 2002 e 2007 o Brasil foi o país em que o crescimento relativo interno do número de usuários de computadores foi o maior observado em comparação com todo o mundo. O percentual de usuários de computadores no Brasil passou de 22% para 44% conforme dados de uma pesquisa realizada em 47 países de todos os continentes (Pew Institute, 2007)
quinta-feira, 24 de abril de 2008 SÃO PAULO (Reuters) – O número de internautas residenciais ativos no Brasil subiu para 22,7 milhões em março, maior número já apurado em pesquisa mensal feita pela Ibope//NetRatings desde setembro de 2000, informou a companhia nesta quinta-feira. Na medição relativa a pessoas com acesso à Internet em todos os ambientes, que inclui local de trabalho, cibercafés e telecentros, o país se manteve com 40 milhões de usuários, número relativo ao quarto trimestre de 2007. avançar
Acessar a Internet significa: Pesquisar sites Baixar arquivos Participar de blogs e Comunidades virtuais O site de notícias da Rede Globo divulgou a seguinte matéria: “ Orkut e MSN viram febre em Paraisópolis - Sites de relacionamento são os mais acessados em favela de SP. Lan houses são alternativa para público que não tem computador.” (http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL138749-5605,00.html) avançar
Exemplo de ocupação de uma cultura em uma comunidade virtual: O caso do Orkut para os brasileiros, que se tornou “a” comunidade virtual. Ingressar no ciberespaço significa também ter uma página na comunidade e interagir com as outras pessoas. avançar
As epidemias sociais e a formação de redes O caso do Orkut Usar o Orkut no Brasil significa ingressar na cibercultura. É ser moderno, atualizado, bem relacionado. I program my home computer, be myself into the future (Kraftwerk, Computer Word) Existem razões simbólicas e não somente práticas para se usar o Orkut. O mesmo comportamento pode ser identificado entre outros usuários de plataformas virtuais, tais como o Twitter. É um comportamento de classe, de grupo, é uma tentativa de estabelecer novos padrões de comportamento para evocar um tipo de pertencimento e distinção sociais.
Web 2.0, mídia social, etc... Web 2.0 é um termo criado em 2004 pela empresa estadunidense O'Reilly Media [1] para designar uma segunda geração de comunidades e serviços, tendo como conceito a " Web como plataforma", envolvendo wikis , aplicações baseadas em folksonomia , redes sociais e Tecnologia da Informação . Embora o termo tenha uma conotação de uma nova versão para a Web, ele não se refere à atualização nas suas especificações técnicas, mas a uma mudança na forma como ela é encarada por usuários e desenvolvedores, ou seja, o ambiente de interação que hoje engloba inúmeras linguagens e motivações. http://pt.wikipedia.org/wiki/Web_2.0
Atualmente a mídia virtual e a internet se consolidaram como espaço de compartilhamento de informações e de vivência humana . Graças a tecnologias inseridas no âmbito da Web 2.0, o internauta contemporâneo pode criar uma identidade digital e participar ativamente de comunidades virtuais , blogs e outras interfaces de interação compartilhando diversos formatos de informação: texto, áudio e vídeo. A esse conjunto de informações trocadas e disponibilizadas na internet por diversos internautas é dado o nome de “ mídia social ”, ou em inglês: social media . Para os pesquisadores em geral é um terreno fértil de exploração da sociedade e da cultura e de suas diferentes formas de representação da realidade. Se antes o ciberespaço era um universo que poderia gerar discussões e dúvidas sobre a validade dos dados ali existentes, atualmente o seu status como lócus de pesquisa e de investigação sobre a realidade de uma sociedade, que deposita suas experiências diárias sobre o meio virtual, assume uma postura de maior seriedade e credibilidade no meio científico. Web 2.0, mídia social, etc...
Depois de um período de ascensão e estabilização da internet como mídia e meio de comunicação de acesso popular, que se inicia em meados da década de noventa no Brasil seguindo até os dias atuais, chegamos ao final da primeira década do século XXI diante de um panorama em que prevalecem diversas formas independentes, autônomas e instantâneas de representação da subjetividade no ciberespaço (principalmente as páginas pessoais e as identidades digitais). A Web 2.0, termo cunhado ainda em 2004, possibilita que cada pessoa que acesse a internet tenha ferramentas capazes de serem usadas para expressar opiniões e publicar informações sobre qualquer assunto com suporte textual, imagético ou sonoro . São os chamados espaços públicos virtuais e que são notoriamente conhecidos como: blogs , comunidades e redes sociais, assim como as categorias de sites que possibilitam que sejam feitos uploads de vídeos, fotos e arquivos de som. Web 2.0, mídia social, etc...
conclusão
O ciberespaço atingiu um status de “seriedade”, pois os indivíduos depositam ali aspectos de suas rotinas diárias através da constituição de identidades digitais.
A pesquisa antropológica se beneficia desse panorama tanto desenvolvendo estudos sobre aspectos inerentes da cibercultura, quanto utilizando o ciberespaço como ferramenta de coleta de dados e complementação da narrativa.
É preciso ousar e considerar o ciberespaço uma instância passível de estudos, pesquisa e interface com os nativos, tanto ao estilo de uma observação participante mais clássica, quanto através de técnicas de pesquisa mais contemporâneas que envolvam a análise dos conteúdos publicados pelas culturas (grupos, comunidades, movimentos, redes) na internet.
Sugestões de leitura:
Malcolm Gladwell – The Tipping Point
Bill Tancer – Click
Manuel Castels – A era da informação
Zygmunt Bauman – Modernidade Líquida – Amores Líquidos
Sugestão de sites:
Anthro Goggles: Business and Web 2.0 through anthropology lenses
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