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04. a cidade e as serras 04. a cidade e as serras Document Transcript

  • A CIDADE E AS SERRASFUVEST / UNICAMP /2012 Valdir FerreiraAUTOR : José Maria Eça de QueirósÉPOCA : Realismo em Portugal (2ª metade do século XIX)GÊNERO : Narrativo — romance1. SÍNTESE DO ENREDO A CIDADE E AS SERRAS é um romance de Eça de Queirós, publicado em1901, um ano após sua morte. Pertence à terceira fase de sua obra. Narrado em primeira pessoa por José Fernandes, que não é prota-gonista, o livro conta a história de Jacinto (de Tormes), herdeiro rico de famíliatradicional portuguesa que fora obrigada a exilar-se na França após a guerracivil de 1832 – 1834, na qual D. Miguel foi derrotado por D. Pedro I. Seu pai, conhecido por Cintinho, morreu jovem, sem ver o nascimentodo filho. Jacinto nasceu e foi criado em Paris. Como era rico e favorecido pelasorte, era conhecido por “Príncipe da Grã-Ventura”. Levando uma vida de facilidades em seu luxuoso apartamento no centrode Paris, Jacinto norteava sua vida por uma equação matemática: “sumaciência x suma potência = suma felicidade”. Jacinto não tolerava o campo e a natureza que, para ele, anulavam ainteligência e reduziam o ser humano à bestialidade. Embora gozasse do privilégio de possuir os dois primeiros componentesda fórmula matemática, o tempo encarregou-se de mostrar-lhe o tédio e amelancolia que a civilização acabou proporcionando-lhe. Aos poucos, arealidade da vida revelou-lhe o interesse e a falsidade dos que se diziam amigose a futilidade das mulheres. Além disso, percebeu que a civilização não eratudo para que o homem pudesse afirmar sua superioridade como ser pensante.O pessimismo apossou-se de Jacinto que concluiu que a cidade era umailusão. Ao voltar para Paris, após uma viagem por várias cidades europeias, ZéFernandes ficou surpreso com a decisão tomada por Jacinto: viajar para suapropriedade em Tormes, Portugal. A região fora castigada por uma tempestadeque destruíra uma capela do século XVI e o cemitério onde estavam os restosmortais de seus antepassados. A viagem uniria o útil ao agradável, já queJacinto poderia inaugurar a reconstrução da capela e do cemitério e fugir dotédio e da melancolia em que vivia na cidade. Preparou-se durante três meses para a viagem. Despachou para Tormestudo o que ele julgava necessário para reproduzir nas serras portuguesas oconforto que desfrutava no apartamento 202, em Paris. A viagem teve muitos contratempos: criados com bagagens e caixas commóveis, livros, tapetes e objetos extraviaram-se. Jacinto e Zé Fernandeschegaram a Tormes somente com a roupa do corpo. E o pior: ninguém osesperava nem na estação nem na propriedade de Jacinto. O restante daviagem foi feito no lombo de uma égua e de um burro que lhes foramemprestados.
  • -2- Ao chegarem à sede da propriedade, mais decepção: o local aparentavaum aspecto triste, as reformas estavam atrasadas. Zé Fernandes propôs aoamigo que, no dia seguinte, fossem para sua quinta em Guiães, mas Jacintodecidiu que iria para Lisboa. Apesar de tudo, jantaram muito bem, coisa queJacinto não fazia há muito tempo. Dormiram em camas improvisadas no chão. No dia seguinte, Zé Fernandes foi para sua quinta e mandou para oamigo objetos necessários, roupas e livros. Dias depois, ao receber as bagagensextraviadas, tentou localizar Jacinto em Lisboa, mas não o encontrou. Ficousabendo que ele não saíra de Tormes. Foi para lá e encontrou o “Príncipe daGrã-Ventura” completamente transformado. Jacinto estava alegre e haviadescoberto a beleza da natureza e da vida campestre, que antes lhe causavamhorror. A ideia inicial de permanecer em Tormes dois meses para a inauguraçãoda igrejinha foi, aos poucos, desaparecendo. Ao tomar conhecimento das precárias condições em que viviam seusempregados, Jacinto fez grandes reformas na quinta, construindo casas novaspara eles e melhorando seus salários. Uma escola, uma creche, uma bibliotecae uma farmácia faziam parte de seus projetos. Com isso, Jacinto deixou-seficar em Tormes. Mais tarde, conheceu Joaninha, prima de Zé Fernandes. Em poucotempo se casaram e tiveram um casal de filhos. Vacinado contra a tentação de reproduzir em Tormes o luxo doapartamento 202, Jacinto manteve a simplicidade do solar, apenas colocandonele o necessário para uma vida sem grandes ambições. Embora, às vezes, manifestasse o desejo de levar a família para conhecerParis, não saiu de Tormes. Quem foi para lá e voltou decepcionado foi ZéFernandes.2. PERSONAGENS As personagens de AS CIDADES E AS SERRAS são típicas e planas. Deum modo geral, duas merecem destaque: • Jacinto: protagonista. É um cidadão do mundo identificado com o progresso. Representa a elite portuguesa civilizada. Nasceu, cresceu e viveu em Paris. Sua vida apresenta três momentos. O primeiro caracteriza-se pelo horror ao campo que, segundo ele, embrutecia e bestificava o ser humano; o segundo é marcado pela negação da cidade e pela valorização do campo; o terceiro, pela busca do equilíbrio entre a vida simples do campo e algumas conquistas da civilização. • Zé Fernandes: narrador da história. É também personagem, mas é o segundo em importância. Funciona como contraponto para Jacinto. Tem espírito realista, o contrário de Jacinto, que era idealista. Personifica a amizade verdadeira. Representa o fidalgo culto identificado com sua terra.
  • -3- • As demais personagens são tipos humanos apresentados rapidamente pelo narrador. Entre elas estão: Silvério (administrador da propriedade de Jacinto), Grilo (velho criado negro), Vicência (tia de Zé Fernandes), Joaninha (esposa de Jacinto), Jacintinho e Teresinha (filhos), Efraim (banqueiro judeu); Trèves (conde), Marizac (duque), Dornan (poeta), Casimiro (grão-duque e irmão de um imperador).OBSERVAÇÃO: As personagens ligadas à vida de Jacinto em Paris são vistasde forma caricata. O narrador acrescenta-lhes sempre um traço ridículo com afinalidade de criticá-las.3. CONSIDERAÇÕES FINAIS • A CIDADE E AS SERRAS é um romance desenvolvido a partir de um conto escrito por Eça de Queirós, intitulado CIVILIZAÇÃO. Nele o protagonista também se chama Jacinto, que inicialmente vive na cidade. A narrativa também tem o foco em primeira pessoa, mas o narrador não se identifica pelo nome. • O livro pertence à terceira fase da obra de Eça de Queirós. Uma mescla de realidade e fantasia é a marca dominante nessa fase. • Caracteriza-se como um romance de espaço e como narrativa alegórica. Romance de espaço porque evidencia a oposição cidade x campo, ambientes em que se passa a ação. Narrativa alegórica porque é uma narrativa simbólica, segundo a qual a felicidade se encontra na vida simples do campo e não no artificialismo enganoso da cidade. • Quanto à estrutura, o romance apresenta dezesseis capítulos que podem ser separados em dois blocos: Primeiro bloco (capítulos I a VIII) — vida no apartamento 202, em Paris: riqueza, luxo, conforto e infelicidade. Segundo bloco (capítulos IX a XVI) — vida nas serras de Tormes: simplicidade, natureza e encontro da felicidade. • Foco narrativo: primeira pessoa. O narrador é Zé Fernandes. É um narrador-personagem que acompanhará o protagonista em suas aventuras. • Há presença da paródia e da intertextualidade, quando o narrador faz referências irônicas ao pessimismo do livro bíblico ECLESIASTES e do filósofo alemão Schopenhauer. AS BUCÓLICAS e AS GEÓRGICAS, de Virgílio, poeta romano do século I a. C., também são motivos de ironia. O primeiro apresenta diálogos entre pastores e o segundo focaliza os tra- balhos no campo. • Tempo em que decorre a ação do romance: entre 1887 e 1893.
  • -4-• Temas: — crítica à civilização urbana, industrial e financeira. — idealização da vida rural. — superioridade da vida rural sobre a civilização urbana e desumaniza- ção do homem nas grandes cidades. _________________