BRAZILIAN JOURNAL OF RHEUMATOLOGYREVISTA BRASILEIRA DE REUMATOLOGIAOfficial Organ of Brazilian Society of RheumatologyÓrgão...
456   Prolactin, estradiol and anticardiolipin antibodies in premenopausal      women with systemic lupus erythematosus: a...
EDITORIAL             Estudo clínico em lúpus: falha na medicação                    ou falha no desenho do estudo© 2011 E...
EDITORIALdefinição de melhora dos desfechos usada em estudos de-         auxiliar na discriminação entre falha medicamentos...
ARTIGO ORIGINAL         Nefropatia por IgA em portadores de     espondiloartrites acompanhados no Serviço de   Reumatologi...
Azevedo et al.pode ser ou não acompanhada de outros sintomas ou sinais          of High Blood Pressure – JNC VII,24 e insu...
Nefropatia por IgA em portadores de espondiloartrites acompanhados no Serviço de Reumatologia do Hospital das Clínicas da ...
Azevedo et al.    A presença de hematúria não esteve associada ao tipo de       na metodologia (de duas ou mais hemácias p...
Nefropatia por IgA em portadores de espondiloartrites acompanhados no Serviço de Reumatologia do Hospital das Clínicas da ...
Azevedo et al.13. Sakellariou GT, Vounotrypidis P, Berberidis C. Infliximab                 29. Carvalho MAP, Lage RC. Esp...
ARTIGO ORIGINAL    Prevalência de manifestações clínico-laboratoriais     e comorbidades na polimiosite segundo o gênero  ...
Prevalência de manifestações clínico-laboratoriais e comorbidades na polimiosite segundo o gênero                         ...
Souza et al.    Os resultados foram expressos em média ± desvio-padrão                    67 anos) e duração média da doen...
Prevalência de manifestações clínico-laboratoriais e comorbidades na polimiosite segundo o gênero(2-3 mg/kg/dia), metotrex...
Souza et al.epidemiológicos, Limaye et al.42 demonstraram alto índice                            8.    Drake LA, Dinehart ...
Prevalência de manifestações clínico-laboratoriais e comorbidades na polimiosite segundo o gênero26. Specker C, Becker A, ...
ARTIGO ORIGINAL               Efeito imediato da utilização da joelheira                elástica em indivíduos com osteoar...
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Artigo_08
Upcoming SlideShare
Loading in …5
×

Artigo_08

1,944 views
1,824 views

Published on

0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total views
1,944
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
4
Actions
Shares
0
Downloads
3
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Artigo_08

  1. 1. BRAZILIAN JOURNAL OF RHEUMATOLOGYREVISTA BRASILEIRA DE REUMATOLOGIAOfficial Organ of Brazilian Society of RheumatologyÓrgão Oficial da Sociedade Brasileira de ReumatologiaSEPTEMBER/OCTOBER 2011 • VOLUME 51 • NUMBER 5SETEMBRO/OUTUBRO 2011 • VOLUME 51 • NÚMERO 5ISSN: 0482-5004 EDITORIAL | EDITORIAL408 Lupus clinical trials: medication failure or failure in study design410 Estudo clínico em lúpus: falha na medicação ou falha no desenho do estudo Morton Aaron Scheinberg ORIGINAL ARTICLE | ARTIGO ORIGINAL412 IgA nephropathy in patients with spondyloarthritis followed-up at the Rheumatology Service of Hospital das Clínicas/UFMG417 Nefropatia por IgA em portadores de espondiloartrites acompanhados no Serviço de Reumatologia do Hospital das Clínicas da UFMG Daniela Castelo Azevedo, Gilda Aparecida Ferreira, Marco Antônio P. Carvalho423 Prevalence of clinical and laboratory manifestations and comorbidities in polymyositis according to gender428 Prevalência de manifestações clínico-laboratoriais e comorbidades na polimiosite segundo o gênero Fernando Henrique Carlos de Souza, Maurício Levy-Neto, Samuel Katsuyuki Shinjo434 Immediate effect of the elastic knee sleeve use on individuals with osteoarthritis440 Efeito imediato da utilização da joelheira elástica em indivíduos com osteoartrite Flavio Fernandes Bryk, Julio Fernandes de Jesus, Thiago Yukio Fukuda, Esdras Gonçalves Moreira, Freddy Beretta Marcondes, Marcio Guimarães dos Santos447 Correlation of fatigue with pain and disability in rheumatoid arthritis and osteoarthritis, respectively451 Correlação de fadiga com dor e incapacidade na artrite reumatoide e na osteoartrite, respectivamente Gilberto Santos Novaes, Mariana Ortega Perez, Maria Beatriz Bray Beraldo, Camila Rodrigues Costa Pinto, Reinaldo José Gianini
  2. 2. 456 Prolactin, estradiol and anticardiolipin antibodies in premenopausal women with systemic lupus erythematosus: a pilot study460 Prolactina, estradiol e anticorpos anticardiolipina em amostra de mulheres pré-menopáusicas com lúpus eritematoso sistêmico: estudo-piloto Fabiane Tiskievicz, Elaine S. Mallmann, João C. T. Brenol, Ricardo M. Xavier, Poli Mara Spritzer465 Study of the frequency of HLA-DRB1 alleles in Brazilian patients with rheumatoid arthritis474 Estudo da frequência dos alelos de HLA-DRB1 em pacientes brasileiros com artrite reumatoide Magali Justina Gómez Usnayo, Luis Eduardo Coelho Andrade, Renata Triguenho Alarcon, Juliana Cardoso Oliveira, Gustavo Milson Fabrício Silva, Izidro Bendet, Rufus Burlingame, Luis Cristóvão Porto, Geraldo da Rocha Castelar Pinheiro REVIEW ARTICLE | ARTIGO DE REVISÃO484 Therapeutic effects of exercise training in patients with pediatric rheumatic diseases490 Efeitos terapêuticos do treinamento físico em pacientes com doenças reumatológicas pediátricas Bruno Gualano, Ana Lúcia de Sá Pinto, Maria Beatriz Perondi, Hamilton Roschel, Adriana Maluf Elias Sallum, Ana Paula Tanaka Hayashi, Marina Yazigi Solis, Clóvis Artur Silva497 Expression of complement regulatory proteins CD55, CD59, CD35, and CD46 in rheumatoid arthritis503 Expressão de proteínas reguladoras do complemento CD55, CD59, CD35 e CD46 na artrite reumatoide Amanda Kirchner Piccoli, Ana Paula Alegretti, Laiana Schneider, Priscila Schmidt Lora, Ricardo Machado Xavier CASE REPORT | RELATO DE CASO511 Phlegmasia cerulea dolens in patient with systemic lupus erythematosus in the remote postpartum period514 Flegmasia cerúlea dolens em paciente com lúpus eritematoso sistêmico no puerpério remoto José Marques Filho517 Septic arthritis due to Streptococcus bovis in a patient with liver cirrhosis due to hepatitis C virus – case report and literature review520 Artrite séptica por Streptococcus bovis em paciente com cirrose hepática devido ao vírus da hepatite C – relato de caso e revisão de literatura Ernesto Dallaverde Neto524 Takayasus arteritis in children and adolescents: report of three cases527 Arterite de Takayasu na infância e na adolescência: relato de três casos Ana Karina Soares Nascif, Marcelo Delboni Lemos, Norma Suely Oliveira, Paula Campos Perim, Ana Costa Cordeiro, Mariana Quintino LETTER TO THE EDITORS | CARTA AOS EDITORES531 The presence of the Brazilian rheumatology in the GRAPPA533 A presença da reumatologia brasileira no GRAPPA (Group for Research and Assessment of Psoriasis and Psoriatic Arthritis) Cláudia Goldenstein-Schainberg, Roberto Ranza, Rubens Bonfiglioli, Sueli Carneiro, Valderilio F. Azevedo, José Goldenberg, Morton Scheinberg
  3. 3. EDITORIAL Estudo clínico em lúpus: falha na medicação ou falha no desenho do estudo© 2011 Elsevier Editora Ltda. Todos os direitos reservados. heterogeneidade das manifestações do lúpus representa mostrou diferença nas taxas de exacerbação para as categoriasa importante desafio para o desenho de estudos clínicos. O pleomorfismo das manifestações clínicas, a gravi-dade da doença, a influência da etnia na sua atividade e os BILAG A e B.1 Belimumabe é um anticorpo monoclonal humano que inibe o fator estimulante de linfócitos B (B-lymphocyte sti-obstáculos para a realização de estudos com amostras maiores mulator – BLyS), e mostrou-se mais eficiente que placebodificultam a obtenção de significância estatística nos ensaios no tratamento de indivíduos com lúpus eritematoso sistêmicoclínicos para novas terapias. Muitos desses estudos excluem (LES) sorologicamente ativo. Análises de eficácia incluírampacientes com manifestações renais e do sistema nervoso cen- os índices de atividade da doença SELENA-SLEDAI, BILAGtral, na tentativa de detectar eficácia em estágios menos graves e SELENA-SLEDAI Flare Index (SFI). O desfecho primárioda doença. Neste editorial tecemos alguns comentários gerais ocorreu na semana 52, com melhora em várias aferiçõessobre estudos recentes. empregadas, inclusive a avaliação global pelo médico. O O estudo EXPLORER arrolou 257 pacientes com lúpus sucesso de belimumabe em 52 semanas (BLISS-52) podeextrarrenal e atividade variando de moderada a grave. Os ter resultado de uma nova subanálise em subpopulação depacientes foram randomizados para receber rituximabe e pacientes que melhorou com o tratamento. A maioria dosprednisona ou placebo e prednisona, tendo sido acompanha- pacientes mostrou estar na categoria “B” quanto à atividadedos por 78 semanas. Os desfechos primários e secundários da doença, o que significa que tinham mais autoanticorpos,do estudo não foram atingidos. O estudo LUNAR arrolou inclusive títulos mais elevados de anti-DNA e níveis maispacientes com nefrite lúpica comprovada por biópsia. O altos de imunoglobulinas séricas.desenho geral foi semelhante ao do EXPLORER, e o su-cesso foi definido como resposta renal em um ano. O uso Considerações gerais importantesdo medicamento não teve impacto nos desfechos primários Estudos futuros poderiam analisar se existe um racionale secundários. científico para que a avaliação de eficácia de tratamento O estudo The efficacy and safety of abatacept in patients enfoque a redução do número de exacerbações versus awith non-life-threatening manifestations of systemic lupus diminuição persistente da atividade da doença. Pacienteserythematosus: results of a twelve-month, multicenter, explora- com LES e exacerbações periódicas podem diferir daque-tory, phase IIb, randomized, double-blind, placebo-controlled les com lúpus cronicamente ativo. Pacientes com LES detrial (Eficácia e segurança do abatacepte em pacientes com grupos raciais diferentes podem apresentar patologias elúpus eritematoso sistêmico e manifestações que não oferecem condições diferentes, com um único paciente apresentandorisco de morte: resultados de um estudo randomizado, multi- diferentes variações ao longo do tempo. Os estudos futu-cêntrico, exploratório, fase IIb, duplo-cego, controlado com ros devem dar especial atenção à etnia como um fator queplacebo, de 12 meses) avaliou o efeito de abatacepte na exa- pode afetar o desfecho. O tamanho do estudo também écerbação da doença em um contexto de uso de glicocorticoides um importante desafio. Em geral, quanto maior o estudo,orais. Para serem incluídos na pesquisa os pacientes deveriam maior a probabilidade de se perder um efeito terapêuticoapresentar exacerbação de lúpus nos 14 dias anteriores à sua nas análises. Por fim, um pequeno estudo pode obter êxitoentrada no estudo e utilizar dose estável de prednisona inferior e resultados estatisticamente significativos. Outros pontosa 30 mg/dia. Foram tratados 175 pacientes: 118 randomizados a se considerar são tempo de doença, atual envolvimentopara receber abatacepte e 57 para receber placebo. O estudo não de órgãos específicos e tratamentos anteriores. Por fim, a410 Rev Bras Reumatol 2011;51(5):408-411
  4. 4. EDITORIALdefinição de melhora dos desfechos usada em estudos de- auxiliar na discriminação entre falha medicamentosa e falhaveria ser aceita universalmente como a melhor disponível. no desenho do estudo.Controvérsias em torno do uso do índice BILAG baseiam-se Morton Aaron Scheinberg, PhDem uma abordagem de intenção de tratar de acordo comuma extensa série de critérios para classificar pacientes com Clínico e Reumatologista do Hospital Israelita Albert Einstein Diretor científico e Coordenador de Pesquisa Clínica domanifestações de LES surgindo em diferentes sistemas de Hospital Abreu Sodré – AACDórgãos. Há limitações com o uso do índice BILAG isolado; Professor Llivre-Docente em Imunologia pela Universidade de São Paulo – USP PhD em Imunologia pela Universidade de Bostonpor exemplo, o uso de BILAG B como medida de desfechode atividade lúpica deveria ser considerado simultaneamente REFERENCESao uso de outros índices.2 REFERÊNCIAS 1. Merrill JT, Burgos-Vargas R, Westhovens R, Chalmers A, D’Cruz D, Wallace DJ et al. The efficacy and safety of abatacept in patients withCONCLUSÕES non-life-threatening manifestations of systemic lupus erythematosus: results of a twelve-month, multicenter, exploratory, phase IIb,Considerando-se o sucesso dos estudos sobre artrite reuma- randomized, double-blind, placebo-controlled trial. Arthritis Rheumtoide (AR), seria de se esperar que o mesmo acontecesse com 2010; 62(10):3077-87.o LES, mas isso não se mostrou verdadeiro. Espera-se que 2. Peirce A, Lipsky P, Schwartz BD. Mitigate Risk and Increase Successpossamos aprender com os nossos erros atuais e criar novos of Lupus Clinical Trials - Design strategies from a Lupus Researche diferentes elementos de desenho clínico, assim como que Institute conference. The Rheumatologist, August 2010. Available from: www.the-rheumatologist.org/details/article/863303/Mitigate_as considerações aqui esboçadas para estudos futuros possam Risk_and_Increase_Success_of_Lupus_Clinical_Trials.html.Rev Bras Reumatol 2011;51(5):408-411 411
  5. 5. ARTIGO ORIGINAL Nefropatia por IgA em portadores de espondiloartrites acompanhados no Serviço de Reumatologia do Hospital das Clínicas da UFMG Daniela Castelo Azevedo1, Gilda Aparecida Ferreira2, Marco Antônio P. Carvalho2 RESUMO Objetivo: Determinar a frequência das glomerulonefrites nos pacientes espondiloartríticos acompanhados em Serviço de Reumatologia Brasileiro e avaliar variáveis clínicas correlacionadas. Pacientes e métodos: Os pacientes foram avaliados quanto às características sociodemográficas, tipo de espondiloartrite, tempo e atividade da doença, uso de anti-inflamatórios não esteroides, presença do HLA-B27, níveis de creatinina e ureia séricas, presença de comorbidades e presença de hematúria e/ou proteinúria. Os pacientes com hematúria foram submetidos à pesquisa de dismorfismo eritrocitário, e aqueles com proteinúria submeteram-se à quantificação da proteína na urina de 24 horas. Biópsia renal foi indicada para aqueles com hematúria de origem glomerular e/ou proteinúria maior que 3,5 g. Resultados: Foram avaliados 76 pacientes. A alteração mais frequente no exame de urina de rotina foi a hematúria microscópica (44,7%), geralmente intermitente e em amostra isolada de urina durante o seguimento do paciente. Em oito (10,5%) dos pacien- tes a hematúria sugeriu origem glomerular. A biópsia renal foi realizada em cinco deles, e mostrou nefropatia por IgA em quatro (5,3%) e doença da membrana fina em um paciente. Conclusões: Notou-se alta frequência de alterações no exame de urina desse subgrupo de pacientes, assim como alta prevalência de nefropatia por IgA. Apesar de mais estudos sobre o assunto serem necessários para melhor esclarecimento desses resultados, a realização periódica de exames de urina deveria ser recomendável. Palavras-chave: glomerulonefrite, espondiloartropatias, glomerulonefrite por IgA, hematúria. © 2011 Elsevier Editora Ltda. Todos os direitos reservados.INTRODUÇÃO tumoral (anti-TNF), GNF membranosa e GNF com depósitos mesangiais predominantes de IgA.3-15 Há ainda uma hipótese deA pesquisa de glomerulonefrites (GNF) nos pacientes aco- que a nefropatia por IgA e a espondilite anquilosante poderiammetidos por espondiloartrite (EPA) não é uma recomenda- compartilhar mecanismos etiopatogenéticos.16ção rotineira.1,2 Apesar disso, tem sido mencionada maior As GNF englobam grande variedade de alterações imu-frequência de acometimento renal nas EPA.3,4 Os tipos de nomediadas que causam inflamação predominantemente noacometimento citados são amiloidose renal, nefropatia glomérulo renal. São a segunda causa de insuficiência renalrelacionada aos anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), terminal no mundo.17 Sua apresentação clínica tem comoGNF extracapilar relacionada aos agentes antifator de necrose constante a presença de proteinúria e/ou hematúria, queRecebido em 10/6/2010. Aprovado, após revisão, em 01/7/2011. Os autores declaram a inexistência de conflitos de interesse. Comitê de Ética: ETIC 086/07.Serviço de Reumatologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG; Departamento do Aparelho Locomotor e Departamento deCirurgia, Faculdade de Medicina da UFMG; Pós-graduação em Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto da Faculdade de Medicina da UFMG; áreas de concentraçãoem Reumatologia.1. Mestre em Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG; Médica Especialista emReumatologia2. Professor Adjunto Doutor da Faculdade de Medicina da UFMGCorrespondência para: Daniela Castelo Azevedo. Hospital das Clínicas da UFMG. Serviço de Reumatologia, Ambulatório Bias Fortes. Alameda Álvaro Celso,175, 2° andar – Santa Efigênia. CEP: 20130-100. Belo Horizonte, MG, Brasil. E-mail: az.dani@gmail.comRev Bras Reumatol 2011;51(5):412-422 417
  6. 6. Azevedo et al.pode ser ou não acompanhada de outros sintomas ou sinais of High Blood Pressure – JNC VII,24 e insuficiência renalclínicos.18 crônica (IRC), definida como a fração de filtração glomerular Diante dessas constatações, pretende-se estudar a prevalên- menor que 60 mL/min/1,73 m² por três meses ou mais. Outrascia das GNF nos pacientes acometidos por EPA acompanha- comorbidades relevantes descritas em prontuário médicodos no Serviço de Reumatologia do Hospital das Clínicas da também foram consideradas.Universidade Federal de Minas Gerais (HC/UFMG), além de Biópsia renal guiada por ultrassom foi indicada para ostentar correlacionar a presença da mesma com o tempo de do- pacientes em que a hematúria foi confirmada pelo exame doença, com as características e com o grau de atividade das EPA. sedimento urinário e sugeriu origem glomerular (cilindros hemáticos e/ou 80% ou mais das hemácias dismórficas) e/ou encontrou-se proteinúria isolada maior que 3,5 g na urina dePACIENTES E MÉTODOS 24 horas, já que essa é definida como proteinúria nefrótica eForam avaliados pacientes com EPA segundo os critérios indica fortemente a presença de glomerulopatia.18do Grupo Europeu para o Estudo das Espondiloartropatias,1 A biópsia renal foi contraindicada nos pacientes commaiores de 18 anos de idade, acompanhados no Ambulatório diátese hemorrágica incorrigível, rins menores que 9 cm aode Espondiloartrites do Serviço de Reumatologia do HC/ ultrassom de vias urinárias, HAS grave a despeito do uso deUFMG há pelo menos um ano, durante o período de setem- anti-hipertensivos, cistos renais bilaterais e múltiplos, neopla-bro de 2007 a fevereiro de 2009. Nesse ambulatório é praxe sia renal, hidronefrose, infecção renal ou perirrenal não tratada,pedir exame de urina de rotina a cada consulta. A presença pacientes pouco cooperativos, pacientes que se recusaram a sede hematúria e/ou proteinúria foi levantada inclusive em submeter ao procedimento.exames de urina de rotina pregressos. Foi considerada he- Os critérios de exclusão foram pacientes que não concor-matúria a presença de mais de duas hemácias por campo de dassem participar do estudo e menores de 18 anos.maior aumento no exame de microscopia óptica do sedimento O teste do qui-quadrado ou o teste exato de Fisher foramurinário ou uma fita reagente positiva,19-21 e proteinúria o usados para avaliar as variáveis categóricas. Já para as contí-exame de urina de rotina com os testes semiquantitativos nuas, aplicou-se o teste t de Student, se apresentassem caracte-positivos para proteína ou proteinúria maior que 150 mg/dL rísticas de normalidade, e, caso contrário, empregou-se o testena urina de 24 horas.22 não paramétrico de Mann-Whitney. Para todas as análises foi Os pacientes com exame de urina alterado, no caso de considerado nível de significância de 5% (P < 0,05). A análisehematúria, foram submetidos à sedimentoscopia e pesquisa de estatística foi realizada com o auxílio do software Statisticaldismorfismo eritrocitário em laboratório de referência (possível Package for Social Sciences (SPSS®) versão 16.0 (SPSS Inc.,tecnicamente nos pacientes com pelo menos nove hemácias por Chicago, IL, EUA).campo de maior aumento no exame de microscopia óptica). O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em PesquisaNo caso de proteinúria, foram submetidos à quantificação da da UFMG (parecer nº ETIC 086/07) e pela Diretoria demesma na urina de 24 horas. Ensino, Pesquisa e Extensão do HC/UFMG (processo Além da avaliação quanto às alterações no seu exame de nº 142/2006).urina, os pacientes foram avaliados quanto a característicassociodemográficas e econômicas; características da EPA RESULTADOS(tempo de doença a partir do diagnóstico, atividade da doençanaqueles pacientes com predomínio do acometimento axial Foram avaliados 76 pacientes com EPA. As principais caracte-pelo índice BASDAI – Bath Ankylosing Spondylitis Disease rísticas desses indivíduos podem ser vistas na Tabela 1. DentreActivity Index);23 medicamentos usados para o tratamento, os pacientes estudados, foi possível pesquisar o HLA-B27 eme, no caso do uso de AINEs, tempo do uso do mesmo; posi- 51, sendo positivo em 33 deles (43,4%).tividade para o HLA-B27 (por qualquer método de investi- A média do BASDAI encontrada, que varia de zero agação laboratorial); avaliação da função renal (creatinina e dez, foi de 3,86 ± 2,06, com mínimo de zero e máximo deureia séricas); atividade inflamatória (dosagem de proteína 7,64. A proteína C-reativa também foi medida, com o intuitoC-reativa), e diagnóstico de comorbidades clínicas, sobretudo de contribuir para a avaliação da atividade da doença; suahipertensão arterial sistêmica (HAS), definida pelos critérios mediana foi 6, sendo os percentis 25 e 75, respectivamente,do Joint Committee on Detection, Evaluation and Treatment 3 e 19,6.418 Rev Bras Reumatol 2011;51(5):412-422
  7. 7. Nefropatia por IgA em portadores de espondiloartrites acompanhados no Serviço de Reumatologia do Hospital das Clínicas da UFMG Com relação ao tratamento medicamentoso, a maioria dosTabela 1 pacientes estudados (82,9%) estava em uso de AINEs, em médiaCaracterísticas da população estudada 6,5 ± 6,2 anos, havendo uma variação no uso de zero a 29 anos. N (%) A hematúria microscópica foi detectada nessa amostra emGêneroMasculino 49 (64,5) pelo menos um exame de urina de rotina em 34 indivíduosIdade (44,7% da amostra), e em mais de uma ocasião em 22 indi-Média = 42,7 anos; mínima 22, máxima 75 víduos (28,9% dos casos). Nos pacientes com hematúria emBrancos 53 (69,7) mais de uma ocasião, essa mostrou-se intermitente na maioriaRemuneração mensal 68 (89,5) dos casos (22,4%), ou seja, não era detectada em todos os< 3 salários mínimos exames de urina. A hematúria contínua ocorreu em apenasAnos de estudo cinco pacientes (6,5%). A hematúria macroscópica foi menosMediana = 8 frequente que a micro, ocorrendo em 13 pacientes (17,1%).ComorbidadesHAS 29 (38,2) Dos 24 pacientes analisados quanto à presença de dismorfis-IRC 2 (2,6) mo eritrocitário, oito (10,5%) apresentaram mais de 80% dasDiabetes mellitus 2 (2,6)Sorologia positiva para HIV Zero hemácias com alterações dismórficas. Desses oito pacientes,Hepatopatia 1 (1,3) conseguiu-se realizar a biópsia renal em cinco, já que três seMedicamentos usados para recusaram a realizar o exame. Os resultados histopatológicoso tratamento da EPAAINEs 63 (82,9) foram: quatro (5,2%) com nefropatia por IgA e um com aCorticoide oral 34 (44,7) doença da membrana fina (hematúria familiar benigna). AsMetrotrexato 26 (34,2)Sulfassalazina 1 (1,3) características dos pacientes portadores de nefropatia por IgAInibidor de anti-TNFα 1 (1,3) estão expostas na Tabela 2.Prevalência dos tipos de EPA Outras causas de hematúria encontradas, que não GNF, fo-Espondilite anquilosante 47 (61,8)Espondiloartrite indiferenciada 11 (14,5) ram nefrolitíase (cinco pacientes (6,5%), dos quais um tambémArtrite psoriásica 11 (14,5) tinha nefropatia por IgA); um paciente com rim policístico eArtrite reativa 4 (5,3)Artrite das doenças 3 (3,9) outro paciente com hematúria de origem ginecológica, cada um inflamatórias intestinais desses representando 1,3% do total. Em 20 pacientes (26%) aManifestações clínicas articulares etiologia da hematúria permaneceu indeterminada.e extra-articulares associadasEntesite calcaneana 38 (50) A proteinúria foi incomum na amostra estudada, sendoUveíte anterior 29 (38,2) detectada em apenas três pacientes (3,9%), dos quais dois comCoxartrose 21 (27,6)Dactilite 9 (11,8) proteinúria superior a 3,5 g em 24 horas. Esses três pacientesFibrose pulmonar 1 (1,3) também apresentavam hematúria. Não houve pessoas comPiúria estéril 1 (1,3) proteinúria isolada.EPA: espondiloartrite; HAS: hipertensão arterial sistêmica; IRC: insuficiência renal crônica;AINEs: anti-inflamatórios não esteroidais.Tabela 2Características dos pacientes submetidos à biópsia renal com diagnóstico de nefropatia por IgAPacientes 1 2 3 4Gênero Masculino Masculino Masculino MasculinoIdade 36 43 33 44Tipo de EPA Artrite reativa Espondilite anquilosante Espondilite anquilosante Espondilite anquilosanteDuração da EPA (anos) 16 27 9 19HLA-B27 Positivo Positivo Positivo PositivoCreatinina (mg/dL) 1,01 2,85 0,6 0,8Proteinúria 24 horas (mg/dL) 300 2.350 173 1.900HAS Não Não Não SimEPA: espondiloartrite; HAS: hipertensão arterial sistêmica.Rev Bras Reumatol 2011;51(5):412-422 419
  8. 8. Azevedo et al. A presença de hematúria não esteve associada ao tipo de na metodologia (de duas ou mais hemácias por campo), queEPA (P > 0,20), bem como à atividade de doença, seja aferida privilegiou a sensibilidade do exame, pois o objetivo inicialpelo PCR (P = 0,954), seja pelo BASDAI (P = 0,251). Não era triar os pacientes para a realização da sedimentoscopiahouve também associação entre a positividade do antígeno e dismorfismo eritrocitário em laboratório de referência. NaHLA-B27 e a presença de hematúria (P = 0,251). Não se população geral, a prevalência de qualquer hematúria (única,encontrou associação estatisticamente significativa entre intermitente ou contínua) varia de 0,18% a 16,1%; é relativa-hematúria microscópica e IRC (P = 1), HAS (P = 0,81), pro- mente comum no adulto e geralmente não indica a presença deteinúria (P = 0,85) e aumento dos níveis séricos de creatinina doença, sendo com frequência um achado incidental.19,36-39 Pode(P = 0,40). ocorrer, por exemplo, como consequência de exercício físico, O uso de AINEs nessa amostra não se associou posi- de ato sexual nos dois dias precedentes à coleta da amostra e detivamente com o aumento dos níveis séricos de creatinina uso de anticoagulantes. As causas patológicas mais comuns são(P = 0,318), nem mesmo quando se levou em consideração anormalidades do trato urinário baixo (especialmente as queseu tempo de uso (P = 0,582). Também não houve associação afetam a uretra, a próstata e a bexiga). Em menos de 10% dosestatisticamente significativa entre o uso de AINEs e a presença casos a hematúria é de origem glomerular,19 e suas principaisde IRC (P = 0,31), hematúria (P = 1), proteinúria (P = 0,74) etiologias são a nefropatia por IgA e a doença da membranae HAS (P = 1). fina, ou hematúria familiar benigna.40 É importante distinguir a origem da hematúria, se glome- rular ou não. Na população estudada, oito (10,5%) apresen-DISCUSSÃO taram hematúria glomerular. Já o encontro de proteinúria foiO presente trabalho avaliou a frequência das GNF nos infrequente (3,9%) e sempre ocorreu associado à hematúria,pacientes acometidos por EPA acompanhados no Serviço o que reforçou sua provável origem glomerular.de Reumatologia do HC/UFMG, em Belo Horizonte, No presente trabalho a presença de hematúria não seMinas Gerais. relacionou com o tipo de EPA, com a presença do antígeno As características clínicas dos pacientes avaliados não HLA-B27, nem com a atividade da doença. Também não houvediferem, em geral, do que é relatado na literatura.1,25-33 O associação entre hematúria e presença de HAS, proteinúria egênero masculino foi o mais prevalente. Houve predomi- aumento dos níveis séricos de creatinina.nância da espondilite anquilosante entre o grupo, seguida A indicação da biópsia renal em pacientes com hematúriada EPA indiferenciada e artrite psoriásica. Estudos mais microscópica isolada é controversa. Nos casos em que a he-recentes mostram uma inversão dessa relação, com maior matúria sugere fortemente ser de origem glomerular, uma vezprevalência da EPA indiferenciada com relação à espondilite pesados os riscos e benefícios individuais, somente a biópsiaanquilosante.28 Houve maior frequência de entesite calcane- renal pode levar ao diagnóstico definitivo de uma GNF.41,42ana entre as manifestações associadas, e de uveíte anterior Assim, nos pacientes acometidos por EPA, em geral usuáriosentre as manifestações extra-articulares. A positividade para o de AINEs e com hematúria de origem glomerular, considerou-seHLA-B27 foi de 43,4% na população estudada. Infelizmente, justificável a realização da biópsia.a comparação desse dado com outras populações é difícil Dessa maneira, dos 76 pacientes avaliados, quatro (5,2%)porque a maioria dos trabalhos avalia a frequência desse apresentaram GNF com características de glomerulopatiaantígeno em pacientes com espondilite anquilosante, e não proliferativa mesangial com imunodepósitos de IgA, o queno grupo de EPA.34,35 caracteriza a GNF por IgA ou doença de Berger. Entretanto, Este estudo mostrou alta frequência de alterações no exame a prevalência da GNF por IgA nos pacientes do estudo podede urina dos pacientes com EPA. A alteração mais comumen- ter sido subestimada, uma vez que a hematúria microscó-te encontrada foi a hematúria microscópica em uma única pica intermitente dificulta a pesquisa do dismorfismo e aocasião, que ocorreu em 34 pacientes (44,7%). Em 22 desses confirmação de origem glomerular, além de três pacientespacientes (28,9%) a hematúria foi evidenciada em duas ou com suspeita de GNF terem se recusado a realizar a biópsiamais amostras de urina, dos quais 17 (22,4%) apresentavam renal. Esse achado contrasta com a prevalência da nefropatiahematúria intermitente, não ocorrendo em todos os exames por IgA na população geral, estimada em 25 a 50 casos porde urina. Hematúria contínua foi encontrada em apenas cinco 100 mil indivíduos.43,44pacientes (6,5%). A alta prevalência de hematúria nessa popu- Há escassa literatura sobre as alterações renais emlação pode ter sido consequente à definição de hematúria usada pacientes com EPA, a maioria baseada em série de casos.420 Rev Bras Reumatol 2011;51(5):412-422
  9. 9. Nefropatia por IgA em portadores de espondiloartrites acompanhados no Serviço de Reumatologia do Hospital das Clínicas da UFMGApesar de controversa, a maior ocorrência de GNF por IgA insuficiência renal.45 Outro motivo para esse achado serianos pacientes com EPA tem sido aventada com frequên- a prática corrente no Ambulatório de Reumatologia de secia.5-7 Em 1987, Jones et al.7 avaliaram a função renal de evitar o uso de AINEs nos pacientes com presença de alguma51 pacientes com espondilite anquilosante randomicamente dessas comorbidades.selecionados em clínicas reumatológicas. Desses, cinco pa- Este estudo sinaliza para a alta frequência de alteraçõescientes (10%) tinham anormalidades persistentes (em mais encontradas no exame de urina desse subgrupo de pacientes,de uma ocasião) nos exames feitos para avaliar a função bem como para a alta prevalência de nefropatia por IgA.renal (hematúria microscópica em todos os cinco pacientes, Assim, apesar de serem necessários mais estudos sobre odiminuição da função renal e aumento da proteinúria em 24 assunto para melhor esclarecimento das alterações renaishoras em quatro destes). Nos três que foram submetidos à nos pacientes espondiloartríticos, a realização periódica debiópsia renal, um tinha glomeruloesclerose segmental focal, exames de urina deveria ser recomendável. O diagnósticocom imunofluorescência negativa, outro tinha nefropatia por definitivo de GNF nesse grupo é extremamente relevante,IgA e, por último, um tinha infiltrado celular intersticial com tendo em vista as implicações no tratamento da EPA e nofibrose e atrofia tubular e imunofluorescência e microscopia prognóstico desses pacientes.eletrônica negativas. No Brasil, tentou-se avaliar a frequência e a gravidade REFERENCESdo acometimento renal em 40 pacientes com espondilite REFERÊNCIASanquilosante acompanhados em uma clínica especializada 1. Dougados M, van der Linden S, Juhlin R, Huitfeldt B, Amor B, Calin A et al. The European Spondylarthropathy Study Group preliminaryem reumatologia. Nessa amostra, 14 (35%) apresentaram criteria for the classification of spondylarthropathy. Arthritis Rheumum ou mais sinais de envolvimento renal; nove pacientes 1991; 34(10):1218-27.apresentaram hematúria, seis desses com hemácias dismór- 2. Sieper J, Rudwaleit M, Baraliakos X, Brandt J, Braun J, Burgos-ficas; quatro apresentaram microalbuminúria; dois tiveram Vargas R et al. The Assessment of SpondyloArthritis international Society (ASAS) handbook: a guide to assess spondyloarthritis. Annaumento dos níveis séricos de creatinina e quatro tiveram o Rheum Dis 2009; 68(Supl.2):ii1-44.clareamento de creatinina reduzido. Não houve associação 3. Strobel ES, Fritschka E. Renal diseases in ankylosing spondylitis:estatística significativa entre a hematúria microscópica e review of literature illustrated by case reports. Clin Rheumatola atividade ou duração da doença, nem associação entre 1998; 17(6):524-30.a hematúria microscópica e o nível de IgA sérica. No 4. Vilar MJ, Curry SE, Ferraz MB, Sesso R, Atra E. Renal abnormalities in ankylosing spondylitis. Scand J Rheumatol 1997; 26(1):19-23.entanto, houve associação significativa entre a hematúria 5. Mittal VK, Malhotra KK, Bhuyan UN, Malaviya AN. Kidneymicroscópica e a diminuição do clareamento da creatinina.4 involvement in seronegative spondarthritides. Indian J Med ResEsses pacientes não foram submetidos à biópsia renal. 1983; 78:670-5. Outro tipo de acometimento renal nos pacientes espon- 6. Wendling D, Hory B, Saint Hillier Y, Perol C. Reine et spondiloarthritediloartríticos que tem sido mencionado é aquele advindo ankylosante. Rev Rhum Mal Osteoartic 1985; 52(4):271-5.do uso regular dos AINEs.3-7 Na população geral, 1% a 5% 7. Jones DW, Mansell MA, Samuell CT, Isenberg DA. Renal abnormalities in ankylosing spondylitis. Br J Rheumatol 1987;dos pacientes desenvolvem efeitos adversos renais pas- 26(5):341-5.síveis de intervenção médica relacionada aos AINEs. Os 8. Gupta R, Sharma A, Arora R, Dinda AK, Gupta A, Tiwari SC.problemas renais atribuídos ao uso dessas medicações são Membranous glomerulonephritis in a patient with ankylosinginsuficiência renal aguda, síndrome nefrótica com nefrite spondylitis: a rare association. Clin Exp Nephrol 2009; 13(6):667- 70.intersticial, necrose papilar aguda e crônica.45 No presente 9. Jacquet A, Francois H, Frangie C, Yahiaoui Y, Ferlicot S, Micelli Cestudo, quase todos os pacientes faziam uso regular dessas et al. IgA nephropathy associated with ankylosing spondylitis is notmedicações (82,9%) e por tempo prolongado (média de 6,5 controlled by infliximab therapy. Nephrol Dial Transplant 2009;anos). Entretanto, não foi detectado nenhum efeito adverso 24(11):3540-2.renal ao uso de AINEs nesses pacientes. Observou-se ainda 10. Agarwal S, Das SK, Kumar P, Tripathi P, Mehrotra B. Amyloidosis in ankylosing spondylitis. J Clin Rheumatol 2009; 15(4):211.que o uso de AINEs não se associou positivamente com o 11. Wasilewska A, Zoch-Zwierz WM, Tenderenda E, Szynaka B. IgAaumento dos níveis séricos de creatinina e com a presença nephropathy in a girl with psoriasis and seronegative arthritis. Pediatrde hematúria, proteinúria, IRC e HAS. Isso pode ter ocorrido Dermatol 2008; 25(3):408-9.devido à baixa frequência de comorbidades que predispõem 12. Menè P, Franeta AJ, Conti G, Stoppacciaro A, Chimenz R, Fede Aaos efeitos adversos dos AINEs nessa população, tais como et al. Extracapillary glomerulonephritis during etanercept treatment for juvenile psoriatic arthritis. Clin Exp Rheumatol 2010; 28(1):91-3.idade avançada, doença hepática, insuficiência cardíaca eRev Bras Reumatol 2011;51(5):412-422 421
  10. 10. Azevedo et al.13. Sakellariou GT, Vounotrypidis P, Berberidis C. Infliximab 29. Carvalho MAP, Lage RC. Espondiloartropatias. In: Carvalho MAP, treatment in two patients with psoriatic arthritis and secondary IgA Lanna CCD, Bertolo MB (eds.). Reumatologia – diagnóstico e nephropathy. Clin Rheumatol 2007; 26(7):1132-3. tratamento. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2008. p. 335-63.14. Efstratiadis G, Tsiaousis G, Leontsini M, Gionanlis L, Papagianni A, 30. Reveille JD. HLA-B27 and seronegative spondyloarthopathies. Am Memmos D. Membranous glomerulonephritis complicating J Med Sci 1998; 316(4):239-49. ankylosing spondylitis. Clin Nephrol 2006; 66(1):75-6. 31. Hamideh F, Prete PE. Ophthalmologic manifestations of rheumatic15. Matsuda M, Suzuki A, Miyagawa H, Shimizu S, Ikeda S. Coexistence diseases. Semin Arthritis Rheum 2001; 30(4):217-41. of IgA nephropathy and undifferentiated spondyloarthropathy in a 32. Sampaio-Barros PD, Bertolo MB, Kraemer MH, Neto JF, Samara AM. female patient. Clin Rheumatol 2006; 25(3):415-8. Primary ankylosing spondylitis: patterns of disease a Brazilian16. Montenegro V, Monteiro RC. Elevation of serum IgA in population of 147 patients. J Rheumatol 2001; 28(3):560-5. spondyloarthropathies and IgA nephropathy and its pathogenic role. 33. Bomtempo CAS, Lage RC, Ferreira GA, Carvalho MAP. Curr Opin Rheumatol 1999; 11(4):265-72. Avaliação clínica, laboratorial e radiográfica de brasileiros com17. Chadban SJ, Atkins RC. Glomerulonephritis. Lancet 2005; espondiloartropatias. Rev Bras Reumatol 2006; 46(4):238-45. 365(9473):1797-806. 34. Scholosstein L, Terasaki PI, Bluestone R, Pearson CM. High18. Falk RJ, Jennetti JC, Nachman PH. Primary glomerular disease. In: association of HL-A antigen, W27, with ankylosing spondylitis. N Brenner BM, Rector FC, Livine SA (eds.). Benner & Rectors the Engl J Med 1973; 288(14):704-6. Kidney. Philadelphia: WB Saunders, 2003. p. 1293-380. 35. Brewerton DA, Hart FD, Nicholls A, Caffrey M, James DC,19. Mariani AJ, Mariani MC, Macchioni C, Stams UK, Hariharan A, Sturrock RD. Ankylosing spondylitis and HL-A 27. Lancet 1973; Moriera A. The significance of adult hematuria: 1,000 hematuria 1(7809):904-7. evaluations including a risk-benefit and cost-effectiveness analysis. 36. Sutton JM. Evaluation of hematuria in adults. JAMA 1990; J Urol 1989; 141(2):350-5. 263(18):2475-80.20. Fairley KF, Birch DF. Hematuria: a simple method for identifying 37. Hiatt RA, Ordonez JD. Dipstick urinalysis screening, asyntomatic glomerular bleeding. Kidney Int 1982; 21(1):105-8. microhematuria, and subsequent urological cancers in a population-21. Cohen RA, Brown RS. Clinical practice. Microscopic hematuria. N based sample. Cancer Epidemiol Biomarkers Prev 1994; 3(5):439-43. Engl J Med 2003; 348(23):2330-8. 38. Mohr DN, Offord KP, Owen RA, Melton LJ 3rd. Asymptomatic22. National Kidney Foundation. K/DOQI clinical practice guidelines for microhematuria and urologic disease. A population-based study. chronic kidney disease: evaluation, classification, and stratification. JAMA 1986; 256(2):224-9. Am J Kidney Dis 2002; 39(2 Suppl 1):S1-266. 39. Froom P, Ribak J, Benbassat J. Significance of microhematuria in23. Calin A, Nakache JP, Gueguen A, Zeidler H, Mielants H, Dougados M. young adults. Br Med J (Clin Res Ed) 1984; 288(6410):20-2. Defining disease activity in ankylosing spondylitis: is a combination 40. Tiebosch AT, Frederik PM, van Breda Vriesman PJ, Mooy JM, van Rie H, of variables (Bath Ankylosing Spondylitis Disease Activity Index) an van de Wiel TW et al. Thin-basement-membrane nephropathy in appropriate instrument? Rheumatology (Oxford) 1999; 38(9):878-82. adults with persistent hematuria. N Engl J Med 1989; 320(1):14-8.24. Chobanian AV, Bakris GL, Black HR, Cushman WC, Green LA, 41. Cohen AH, Nast CC, Adler SG, Kopple JD. Clinical utility of kidney Izzo JL Jr. et al. The Seventh Report of the Joint National Committee biopsies in the diagnosis and management of renal disease. Am J on Prevention, Detection, Evaluation, and Treatment of High Blood Nephrol 1989; 9(4):309-15. Pressure: the JNC 7 report. JAMA 2003; 289(19):2560-72. 42. Turner MW, Hutchinson TA, Barré PE, Prichard S, Jothy S. A25. Alexeeva L, Krylov M, Vturin V, Mylov N, Erdesz S, Benevolenskaya L. prospective study on the impact of the renal biopsy in clinical Prevalence of spondyloarthopathies and HLA-B27 in the native population management. Clin Nephrol 1986; 26(5):217-21. of Chukotka, Russia. J Rheumatol 1994; 21(12):2298-300. 43. D’Amico G. The commonest glomerulonephritis in the world: IgA26. Hukuda S, Minami M, Saito T, Mitsui H, Matsui N, Komatsubara Y et al. nephropathy. Q J Med 1987; 64(245):709-27. Spondyloarthopathies in Japan: nationwide questionnaire survey 44. Power DA, Muirhead N, Simpson JG, Nicholls AJ, Horne CH, performed by Japan Ankylosing Spondylitis Society. J Rheumatol Catto GR et al. IgA nephropathy is not a rare disease in the United 2001; 28(3):554-9. Kingdom. Nephron 1985; 40(2):180-4.27. Braun J, Bollow M, Remlinger G, Eggens U, Rudwaleit M, Distler A 45. Whelton A. Nephrotoxicity of nonsteroidal anti-inflammatory drugs: et al. Prevalence of spondylarthropathies in HLA-B27 positive and physiologic foundations and clinical implications. Am J Med 1999; negative blood donors. Arthritis Rheum 1998; 48(1):58-67. 106(5B):13S-24S.28. Liao ZT, Pan YF, Huang JL, Huang F, Chi WJ, Zhang KX et al. An epidemiological survey of low back pain and axial spondyloarthritis in a Chinese Han population. Scand J Rheumatol 2009; 38(6):455-9.422 Rev Bras Reumatol 2011;51(5):412-422
  11. 11. ARTIGO ORIGINAL Prevalência de manifestações clínico-laboratoriais e comorbidades na polimiosite segundo o gênero Fernando Henrique Carlos de Souza1, Maurício Levy-Neto2, Samuel Katsuyuki Shinjo3 RESUMO Objetivo: Analisar a distribuição e a influência do gênero na polimiosite (PM), quanto às manifestações clínico-labo- ratoriais, evolução e comorbidades. Métodos: Estudo de coorte retrospectivo, unicêntrico, em que foram avaliados 75 pacientes consecutivos com PM (Bohan e Peter, 1975) entre 1990 e 2010. Os exames complementares referem-se ao início do diagnóstico da PM. Resultados: Este estudo avaliou 52 mulheres e 23 homens (razão 2,3:1), a maioria de cor branca (84,0%), com média de idade de 42,7 ± 13,7 anos (16 a 67 anos), e duração média de doença de 6,9 ± 5,5 anos (0 a 20 anos). Aproximadamente 50% apresentaram recidiva da doença durante o acompanhamento, com 4,0% de óbitos. Apesar disso, dois terços encontravam-se em remissão no desfecho do estudo. Não houve diferença entre os gêneros quanto à distribuição das características demográficas, clínico-laboratoriais, evolução clínica e terapia medicamentosa instituída. Com relação às comorbidades, houve alta prevalência de hipertensão arterial sistêmica (38,7%) e diabetes mellitus (17,3%), igualmente distribuídas entre os gêneros. Verificou-se alta prevalência de depressão e fibromialgia, porém apenas no gênero feminino. Conclusões: A prevalência de PM entre mulheres foi maior (razão 2,3:1). A preva- lência de comorbidades foi alta na casuística estudada, cabendo-nos priorizar seus controles e, assim, oferecer melhor qualidade de vida aos pacientes. Palavras-chave: polimiosite, comorbidade, depressão, gênero e saúde, miosite. © 2011 Elsevier Editora Ltda. Todos os direitos reservados. A polimiosite (PM) é uma miopatia inflamatória sistêmicaINTRODUÇÃO crônica de causa desconhecida, que costuma afetar mais fre-As doenças autoimunes sistêmicas costumam predominar em quentemente mulheres6-8 e indivíduos entre 30 e 50 anos.8 Atémulheres, com incidência variando entre 2:1 a 10:1. O lúpus o presente momento não há estudos comparando o perfil daseritematoso sistêmico (LES) e a síndrome de Sjögren, por manifestações da PM entre os gêneros, exceto por uma impres-exemplo, apresentam razão 7-10:1, enquanto a artrite reuma- são geral e indireta obtida em trabalhos epidemiológicos.9,10 Portoide (AR) e a esclerose sistêmica têm razão 2-3:1.1 exemplo, a doença pulmonar intersticial na PM/dermatomiosite O gênero masculino é considerado fator de bom prognós- (DM) está associada a artrite e/ou artralgia, ao anticorpo anti-Jo-1tico em termos de remissão em pacientes com AR em uso de e ao gênero masculino.9 Chen et al.10 analisaram primariamenteanti-TNF,2 com melhores índices nas medidas de atividade os fatores preditivos de neoplasias na PM/DM, e observaram quede doença.3 Na doença de Behçet e na síndrome de Sjögren o gênero masculino foi fator de risco independente.primária, o gênero masculino encontra-se relacionado, respec- Portanto, o objetivo do presente estudo foi avaliar a distri-tivamente, a maior frequência de manifestações neurológicas4 buição e a influência do gênero na PM quanto às manifestaçõese envolvimento pulmonar.5 clínico-laboratoriais, evolução clínica e comorbidades.Recebido em 14/10/2010. Aprovado, após revisão, em 01/07/2011. Os autores declaram a inexistência de conflitos de interesse. Comitê de Ética: HC 0039/10.Disciplina de Reumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – FMUSP.1. Médico-Assistente do Serviço de Reumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – HC/FMUSP2. Doutor em Medicina; Médico-Assistente do Serviço de Reumatologia do HC/FMUSP; Professor-Colaborador da Disciplina de Reumatologia da FMUSP3. Doutor em Ciências; Médico-Assistente do Serviço de Reumatologia do HC/FMUSP; Professor-Colaborador da Disciplina de Reumatologia da FMUSPCorrespondência para: Samuel Katsuyuki Shinjo. Disciplina de Reumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Av. Dr. Arnaldo, 455,3° andar, Sala 3190 – Cerqueira César. CEP: 01246-903. São Paulo, SP, Brasil. E-mail: samuel.shinjo@gmail.com428 Rev Bras Reumatol 2011;51(5):423-433
  12. 12. Prevalência de manifestações clínico-laboratoriais e comorbidades na polimiosite segundo o gênero método de Westergren; a determinação quantitativa da proteínaPACIENTES E MÉTODOS C-reativa foi realizada no soro através de turbidimetria. ExamesForam avaliados 75 pacientes consecutivos com PM prove- complementares (eletroneuromiografia, biópsia muscular donientes da Unidade de Miopatias de nosso serviço terciário, bíceps – membro superior – e tomografia computadorizada doentre o período de 1990 e 2010. Todos os pacientes preen- tórax) foram solicitados de rotina nas primeiras consultas médi-chiam o critério classificatório de Bohan e Peter.11,12 O estudo cas. Uma vez excluídas as possibilidades de infecção e neoplasia,foi aprovado pelo Comitê de Ética local (HC nº 0039/10), e a recidiva da atividade da doença foi definida como recorrênciaas informações demográficas e referentes às manifestações da atividade clínico-laboratorial consequente à redução da doseclínico-laboratoriais foram obtidas dos prontuários médicos. de corticosteroide e/ou suspensão de imunossupressores entre Os dados laboratoriais foram os solicitados de rotina, no as consultas médicas, devido à estabilidade clínica.início do diagnóstico da PM. Creatina quinase (variação normal: As comorbidades analisadas foram hipertensão arterial24-173 U/L), aldolase (variação normal: 1,0-7,5 U/L), aspartato sistêmica (HAS), diabetes mellitus, depressão, fibromialgiaaminotransferase (até 37 U/L) e alanina aminotransferase (até (FM), neoplasias, infarto agudo do miocárdio (IAM) e acidente41 U/L) foram obtidas por método cinético automatizado. A vascular cerebral (AVC). FM foi baseada nos critérios classifi-pesquisa de autoanticorpos contra componentes celulares foi catórios do American College of Rheumatology,13 e depressãodeterminada por imunofluorescência indireta, utilizando células foi definida segundo Zimmerman et al.14 HAS foi baseada na VHep-2 como substrato; o anticorpo anti-Jo-1 foi determinado Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial,15 e diabetes mellituspor immunoblotting; a velocidade de hemossedimentação, por na American Diabetes Association.Tabela 1Perfil demográfico, clínico e laboratorial dos pacientes com polimiosite Todos (N = 75) Homens (N = 23) Mulheres (N = 52) PMédia de idade* ± DP (anos) 42,7 ± 13,7 (16-67) 42,3 ± 14,7 (16-66) 42,9 ± 13,2 (19-67) 0,874Tempo de doença ± DP (anos) 6,9 ± 5,1 (0-20) 6,8 ± 5,5 (1-20) 6,9 ± 4,9 (0-20) 0,993Duração dos sintomas ao 2,3 ± 4,4 (0-24) 1,9 ± 2,9 (0-12) 2,4 ± 5,0 (0-24) 0,580diagnóstico (meses)Cor: branca (%) 63 (84,0) 21 (91,7) 42 (80,8) 0,323Manifestação clínicaSintomas constitucionais (%) 35 (46,7) 12 (52,2) 23 (44,2) 0,618Acamado (%) 21 (28,0) 6 (26,1) 15 (28,9) 1,000Envolvimento articular (%) 39 (52,0) 13 (56,5) 26 (50,0) 0,626Envolvimento pulmonar Dispneia (%) 20 (27,4) 6 (26,1) 14 (26,9) 1,000Disfonia (%) 5 (6,7) 0 5 (9,6) 0,315Envolvimento gastrintestinal Disfagia (%) 22 (29,3) 6 (26,1) 16 (30,8) 0,787 Dispepsia (%) 21 (28,0) 7 (30,4) 14 (26,9) 0,785Doença em remissão (%) 49 (65,3) 15 (65,2) 34 (65,4) 1,000Recidiva da doença (%) 33 (44,0) 9 (39,1) 24 (46,2) 0,622Em seguimento (%) 59 (78,7) 17 (73,9) 42 (80,8) 0,549Óbito (%) 3 (4,0) 1 (4,4) 2 (3,9) 1,000Autoanticorpos Fator antinuclear (%) 38 (50,7) 12 (52,2) 26 (50,0) 0,804 Anti-Jo-1 (%) 12 (16,0) 3 (13,0) 9 (17,3) 0,745Enzimas musculares(início da doença) Creatina quinase ± DP (U/L) 4167,6 ± 4736,6 5023,0 ± 5481,3 3793,4 ± 4318,2 0,379 Aldolase ± DP (U/L) 62,6 ± 61,5 89,9 ± 89,7 52,3 ± 42,2 0,167 Aspartato aminotransferase (U/L) 186,6 ± 233,4 187,2 ± 255,6 186,5 ± 224,8 0,994 Alanina aminotransferase (U/L) 152,7 ± 180,5 160,1 ± 224,7 150,0 ± 160,8 0,893Proteína C-reativa (mg/L) 19,7 ± 33,0 38,8 ± 49,8 10,1 ± 11,1 0,120VHS (mm/1ª hora) 24,7 ± 20,9 22,0 ± 20,9 25,5 ± 20,9 0,680Tomografia computadorizada Fibrose pulmonar basal (%) 7 (9,3) 2 (8,8) 5 (9,6) 1,000 Lesão em vidro-fosco (%) 13 (17,3) 6 (26,1) 7 (13,5) 0,201*Idade quando foi realizado o diagnóstico de polimiosite.DP: desvio-padrão; VHS: velocidade de hemossedimentação.O valor de P refere-se a homens vs. mulheres.Rev Bras Reumatol 2011;51(5):423-433 429
  13. 13. Souza et al. Os resultados foram expressos em média ± desvio-padrão 67 anos) e duração média da doença de 6,9 ± 5,5 anos (0 a 20(DP) ou porcentagem, sendo utilizado teste t de Student para anos). O tempo entre o início dos sintomas e o diagnóstico dadados paramétricos, e de Fisher para os não paramétricos. Estes PM na amostragem geral foi de 2,3 ± 4,4 meses (0 a 24 meses).cálculos foram realizados com o programa de computador As características clínico-laboratoriais dos pacientes estão apre-STATA versão 7.0 (Stata, College Station, TX, EUA), e valores sentadas na Tabela 1. Aproximadamente metade dos pacientesP < 0,05 foram considerados estatisticamente significativos. apresentou recidiva da doença durante o acompanhamento. Apesar disso, dois terços deles encontravam-se em remissão da doença no desfecho do presente estudo, com 4,0% de óbitos. RESULTADOS Como tratamento medicamentoso inicial foi usado corticos-Foram analisados 75 pacientes consecutivos com PM entre o teroide (prednisona 1 mg/kg/dia, via oral, com redução gradualperíodo de 1990 e 2010, com tempo de seguimento em nosso em 1-2 meses após estabilidade clínica e laboratorial). Em casoserviço de 6,9 ± 5,5 anos, dos quais 52 eram mulheres e 23 ho- de gravidade da doença, realizou-se pulsoterapia com metil-mens, com respectiva razão 2,3:1. A maioria era branca (84,0%), prednisolona (1 g/dia, parenteral, três dias consecutivos). Comocom média de idade ao diagnóstico de 42,7 ± 13,7 anos (16 a poupadores de corticosteroide foram utilizados azatioprinaTabela 2Terapia medicamentosa instituída em pacientes com polimiositeTratamento medicamentoso Todos (N = 75) Homens (N = 23) Mulheres (N = 52) PCorticosteroide Prednisona (1 mg/kg/dia) (%) 73 (100,0) 23 (100,0) 52 (100,0) 1,000 Metilprednisolona (%) 35 (46,7) 13 (56,5) 22 (42,3) 0,323Metotrexato (%) 49 (65,3) 13 (56,5) 36 (69,2) 0,305Azatioprina (%) 40 (53,3) 12 (52,2) 29 (53,9) 1,000Ciclofosfamida (%) 15 (20,0) 4 (17,4) 11 (21,2) 1,000Ciclosporina (%) 15 (20,0) 4 (17,4) 10 (19,2) 1,000Micofenolato mofetil (%) 3 (4,0) 1 (4,4) 2 (3,9) 1,000O valor de P refere-se a homens vs. mulheres.Tabela 3Comorbidades diagnosticadas após a instituição da polimiositeComorbidades Todos (N = 75) Homens (N = 23) Mulheres (N = 52) PHipertensão arterial sistêmica (%) 29 (38,7) 10 (43,5) 19 (37,3) 0,618 Pré-polimiosite (%) 18 (24,0) 5 (21,7) 13 (25,0) 1,000 Pós-polimiosite (%) 11 (14,7) 5 (21,7) 6 (11,5) 0,306Diabetes mellitus (%) 13 (17,3) 6 (26,1) 7 (13,5) 0,201 Pré-polimiosite (%) 7 (9,3) 3 (13,0) 4 (7,7) 0,669 Pós-polimiosite (%) 6 (8,0) 3 (13,0) 3 (5,8) 0,363Depressão major (%) 11 (14,7) 0 11 (21,2) 0,028Fibromialgia (%) 6 (8,0) 0 6 (11,5) 0,169Neoplasia (%) 4 (5,3) 1 (4,4) 3 (5,8) 1,000Infarto agudo do miocárdio (%) 3 (4,0) 1 (4,4) 2 (3,9) 1,000Acidente vascular cerebral (%) 0 0 0 1,000O valor de P refere-se a homens vs. mulheres.430 Rev Bras Reumatol 2011;51(5):423-433
  14. 14. Prevalência de manifestações clínico-laboratoriais e comorbidades na polimiosite segundo o gênero(2-3 mg/kg/dia), metotrexato (20-25 mg/semana), ciclosporina presente estudo. O LES e a síndrome de Sjögren, por exemplo,(3-5 mg/kg/dia), micofenolato mofetil (2-3 g/dia), leflunomide apresentam razões 7-10:1, enquanto AR, esclerose sistêmica e(20 mg/dia), ciclofosfamida (0,5-1,0 g/m2 de superfície corpó- miopatias inflamatórias idiopáticas têm razão 2,3:1.1,16,18-25 Essarea), em monoterapia ou em associação, dependendo da tolerância, desigualdade na distribuição pode ser reflexo da influência deefeitos colaterais e refratariedade da doença (Tabela 2). De modo hormônios sexuais endógenos e de fatores genéticos.17-24geral, todos os indivíduos receberam prednisona (1 mg/kg/dia) Os dados apresentados mostram que a evolução e as ca-e aproximadamente metade dos pacientes recebeu terapia racterísticas demográficas e clínico-laboratoriais da PM foramadicional com pulso de metilprednisolona (1 g/dia, três dias similares em ambos os gêneros, diferente do que ocorre emconsecutivos). O uso de ciclofosfamida parenteral foi indicado outras doenças autoimunes sistêmicas, em que o gênero podepara o acometimento pulmonar, caracterizado por progressão influenciar no curso da doença. O LES, por exemplo, tendeda dispneia e achados de imagens compatíveis à tomografia a apresentar prognóstico pior em homens, embora isto sejacomputadorizada. Não houve diferença entre mulheres e ho- controverso na literatura.26-29mens quanto à distribuição das características demográficas, Aproximadamente metade dos pacientes apresentavaclínico-laboratoriais, evolução clínica e terapia medicamentosa sintomas constitucionais ou acometimento articular noinstituída (Tabelas 1 e 2). início da doença. Todos os pacientes apresentavam fraque- Com relação às comorbidades (Tabela 3), depressão e FM za muscular proximal dos quatro membros, e um quartoocorreram apenas no gênero feminino, e apenas depressão estava acamado apesar do pouco tempo da instalação dateve prevalência estatisticamente significativa em mulheres doença (cerca de dois meses). Observamos também envol-(P = 0,028), com nenhuma das pacientes apresentando trans- vimento pulmonar (dispneia) e gastrintestinal (disfagia outorno bipolar. Houve alta prevalência de HAS (38,7%), mesmo dispepsia) em aproximadamente um terço dos pacientes,antes dos sintomas e do diagnóstico da PM (24,0%); após esta- reforçando a necessidade de avaliar os portadores de PMbelecida a miopatia, houve aumento de aproximadamente 50% não só do ponto de vista do acometimento exclusivamentede HAS. Apresentaram diabetes mellitus 9,3% dos pacientes, musculoesquelético.e, com o estabelecimento da PM, a ocorrência foi de 17,3%, Depressão é frequentemente presente em doenças sis-com a mesma distribuição em ambos os gêneros. Neoplasia têmicas crônicas como AR, por exemplo, ocorrendo eme IAM ocorreram em 5,3% e 4%, respectivamente. Dentre as 13%-20%,30-33 enquanto em FM 33 e LES 29 está presente,neoplasias, foram diagnosticados um caso em homem e três respectivamente, em 39% e 34% dos casos. Na comunidadeem mulheres, a saber: um osteoma osteoide femoral (um ano em geral e no antedimento primário, a depressão ocorre, res-após o diagnóstico da PM), um carcinoma folicular tireoidiano pectivamente, em 2%-4% e 5%-10% dos pacientes do gênero(um ano após a PM), um carcinoma epidermoide metastático feminino,34 contrastando-se ao apresentado neste estudo, em(três anos após a PM) e uma neoplasia renal (15 anos após a que a depressão foi vista em aproximadamente 21,2% dasPM), respectivamente. Não foram identificados casos de AVC. mulheres. A depressão, particularmente em AR, está associada a maior frequência de hospitalização, maior número de visitas médicas, pior qualidade de vida, menor aderência à terapiaDISCUSSÃO medicamentosa e risco aumentado de mortalidade.34-37 Ela éO presente estudo envolveu grande casuística e avaliou duas vezes mais frequente em mulheres em comparação aostanto a distribuição quanto a influência do gênero na PM. homens,38 enquanto FM é aproximadamente dez vezes maisObservamos predomínio do gênero feminino (2,3:1), carac- prevalente.39 Nossos pacientes com depressão não tiveramterísticas clínico-laboratoriais e comorbidades similares em maior recidiva de doença ou de óbito. Apesar de a associaçãoambos os grupos, alta prevalência de HAS e diabetes mellitus, entre depressão e FM ser relativamente comum, no presentecom destaque à depressão major, presente apenas em mulheres. estudo essas duas comorbidades coexistiram apenas em A média de idade no início da doença, no presente trabalho, mulheres, tendo sido simultâneas em apenas uma paciente.foi de 40 anos, similar a outros trabalhos da literatura,16-33 con- Houve alta prevalência de HAS e diabetes mellitus,trastando apenas aos de Senegal e Singapura, que mostraram quando comparada com a população brasileira: 20% emédias de idade de 50 anos.24,25 9%, respectivamente.40,41 Após o diagnóstico de PM, os De um modo geral, as doenças autoimunes tendem a achados de HAS e de diabetes mellitus aumentaram empredominar no gênero feminino, inclusive nas miopatias in- 50% e 100%, respectivamente, podendo refletir o uso deflamatórias idiopáticas,1,15,18-25 fato reforçado pelos dados do corticosteroide. Recentemente, com base em banco de dadosRev Bras Reumatol 2011;51(5):423-433 431
  15. 15. Souza et al.epidemiológicos, Limaye et al.42 demonstraram alto índice 8. Drake LA, Dinehart SM, Farmer ER, Goltz RW, Graham GF, Hordinsky MK et al. Guidelines of care for dermatomyositis. Americande eventos cardiovasculares após o diagnóstico de todas Academy of Dermatology. J Am Acad Dermatol 1996; 34(5 pt 1):824-9.as miopatias inflamatórias idiopáticas (DM, PM e miosite 9. Chen YJ, Jan Wu YJ, Lin CW, Fan KW, Luo SF, Ho HH et al.por corpúsculo de inclusão). No presente estudo ocorreram Interstitial lung disease in polymyositis and dermatomyositis. Clinneoplasias ao redor de 5%, sem distinção entre os gêneros, Rheumatol 2009; 28(6):639-46.índices semelhantes aos descritos na literatura, quais sejam, 10. Chen YJ, Wu CY, Shen JL. Predicting factors of malignancy in dermatomyositis and polymyositis: a case-control study. Br J3,3% e 7,7%.43-45 Dermatol 2001; 144(4):825-31. Tivemos baixa prevalência de eventos cardiovasculares 11. Bohan A, Peter JB. Polymyositis and dermatomyositis. Pt I. N Engl(IAM e AVC), sem distinção entre os gêneros, sendo em parte J Med 1975; 292(7):344-7.justificada pelo curto período de tempo de acompanhamento 12. Bohan A, Peter JB. Polymyositis and dermatomyositis. Pt II. N Engl(aproximadamente oito anos), contrastando-se aos índices de J Med 1975; 292(8):403-7.6%-75% descritos na literatura.46,47 13. Wolfe F, Clauw DJ, Fitzcharles MA, Goldenberg DL, Katz RS, Mease P et al. The American College of Rheumatology preliminary Em termos evolutivos, dois terços dos pacientes encontra- diagnostic criteria for fibromyalgia and measurement of symptomvam-se em remissão sob corticoterapia e/ou imunossupresso- severity. Arthritis Care Res 2010; 62(5):600-10.res. Houve recidivas em metade dos indivíduos, sem distinção 14. Zimmerman M, Galione JN, Chelminski I, McGlinchey JB, Young D,entre os gêneros, reforçando a necessidade de acompanhamento Dalrymple K et al. A simpler definition of major depressive disorder. Psychol Med 2010; 40(3):451-7.médico regular desses pacientes. Óbito ocorreu em 4,0% dos 15. Sociedade Brasileira de Cardiologia – SBC; Sociedade Brasileiracasos, sem distinção entre os gêneros. de Hipertensão – SBH; Sociedade Brasileira de Nefrologia – SBN. Em resumo, a PM acometeu mulheres em razão 2,3:1, com V Brazilian Guidelines in Arterial Hypertension. Arq Bras Cardiolalta prevalência de comorbidades, tanto em homens como 2007; 89(3):e24-79.em mulheres, com destaque à depressão major que afetou 16. Toumi S, Ghnaya H, Braham A, Harrabi I, Laouani-Kechrid C,exclusivamente o gênero feminino. Ao avaliar pacientes com Groupe tunisien d’étude des myosites inflammatoires. Polymyositis and dermatomyositis in adults. Tunisian multicentre study. Rev MedPM devemos estar atentos às comorbidades, visando ao seu Interne 2009; 30(9):747-53.rápido controle, oferecendo, assim, melhor qualidade de vida 17. Weitoft T. Occurrence of polymyositis in the county of Gävleborg,aos pacientes. Sweden. Scand J Rheumatol 1997; 26(2):104-6. 18. Kaipiainen-Seppänen O, Aho K. Incidence of rare systemic rheumatic and connective tissue diseases in Finland. J Intern MedREFERENCES 1996; 240(2):81-4.REFERÊNCIAS 19. Araki S, Uchino M, Yoshida O. Epidemiologic study of multiple1. Lockshin MD. Sex differences in autoimmune disease. Lupus 2006; sclerosis, myasthenia gravis and polymyositis in the city of 15(11):753-6. Kumamoto, Japan. Rinsho Shinkeigaku 1983; 23(10):838-411983;2. Atzeni F, Antivalle M, Pallavicini FB, Caporali R, Bazzani C, Gorla R et al. 23:838-41. Predicting response to anti-TNF treatment in rheumatoid arthritis 20. Darin M, Tulinius M. Neuromuscular disorders in childhood: patients. Autoimmun Rev 2009; 8(5):431-7. a descriptive epidemiological study from western Sweden.3. Sokka T, Toloza S, Cutolo M, Kautiainen H, Makinen H, Gogus F Neuromuscul Disord 2000; 10(1):1-9. et al., and the QUEST-RA Group. Women, men, and rheumatoid 21. Hanissian AS, Masi AT, Pitner SE, Cape CC, Medsger TA Jr. arthritis: analyses of disease activity, disease characteristics, and Polymyositis and dermatomyositis in children: an epidemiologic treatments in the QUEST-RA study. Arthritis Res Ther 2009; and clinical comparative analysis. J Rheumatol 1982; 9(3):390-4. 11(1):R7. 22. Mastaglia FL, Phillips BA. Idiopathic inflammatory myopathies:4. Ideguchi H, Suda A, Takeno M, Kirino Y, Ihata A, Ueda A et al. epidemiology, classification, and diagnostic criteria. Rheum Dis Neurological manifestations of Behçet’s disease in Japan: a study Clin North Am 2002; 28(4):723-41. of 54 patients. J Neurol 2010; 257(6):1012-20. 23. Flachenecker P. Epidemiology of neuroimmunological diseases. J5. Yazisiz V, Arslan G, Ozbudak IH, Turker S, Erbasan F, Avci AB et al. Neurol 2006; 253(Suppl 5):V2-8. Lung involvement in patients with primary Sjögren’s syndrome: what are the predictors? Rheumatol Int 2010; 30(10):1317-24. 24. Koh ET, Seow A, Ong B, Ratnagopal P, Tjia H, Chng HH. Adult onset polymyositis/dermatomyositis: clinical and laboratory features6. Callen JP. Dermatomyositis. In: Callen JP (ed.). 2 nd ed. and treatment response in 75 patients. Ann Rheum Dis 1993; Dermatological signs of internal disease. Philadelphia: W.B. 52(12):857-61. Saunders; 1995. p. 13-20. 25. Diallo M, Fall AK, Diallo I, Diédhiou I, Ba PS, Diagne M et al.7. Fathi M, Lundberg IE. Interstitial lung disease in polymyositis and Dermatomyositis and polymyositis: 21 cases in Senegal. Med Trop dermatomyositis. Curr Opin Rheumatol 2005; 17(6):701-6. (Mars) 2010; 70(2):166-8.432 Rev Bras Reumatol 2011;51(5):423-433
  16. 16. Prevalência de manifestações clínico-laboratoriais e comorbidades na polimiosite segundo o gênero26. Specker C, Becker A, Lakomek HJ, Bach D, Grabensee B. Systemic 37. Ang DC, Choi H, Kroenke K, Wolfe F. Comorbid depression is an lupus erythematosus in men – a different prognosis? J Rheumatol independent risk factor for mortality in patients with rheumatoid 1994; 53(6):339-45. arthritis. J Rheumatol 2005; 32(6):1013-9.27. Miller MH, Urowitz MB, Gladman DD, Killinger DW. Systemic 38. Marcus SM, Young EA, Kerber KB, Kornstein S, Farabaugh AH, lupus erythematosus in males. Medicine (Baltimore) 1983; Mitchell J et al. Gender differences in depression: findings from the 62(5):327-34. STAR*D study. J Affect Disord 2005; 87(2-3):141-50.28. Molina JF, Drenkard C, Molina J, Cardiel MH, Uribe O, Anaya JM 39. White KP, Harth M. Classification, epidemiology, and natural history et al. Systemic lupus erythematosus in males. A study of 107 Latin of fibromyalgia. Curr Pain Headache Rep 2001; 5(4):320-9. American patients. Medicine (Baltimore) 1996; 75(3):124-30. 40. Passos VMA, Assis TD, Barreto SM. Hypertension in Brazil:29. Garcia MA, Marcos JC, Marcos AI, Pons-Estel BA, Wojdyla D, estimates from population-based prevalence studies. Epidemiol Arturi A et al. Male systemic lupus erythematosus in a Latin- Serviços Saúde 2006; 15:35-45. American inception cohort of 1214 patients. Lupus 2005; 14(12):938- 41. Goldenberg P, Schenkman S, Franco LJ. Prevalência de diabetes 46. mellitus: diferenças de gênero e igualdade entre os sexos. Rev Bras30. Hyrich K, Symmons D, Watson K, Silman A, BSRBR Control Centre Epidemiol 2003; 6(1):18-28. Consortium, British Society for Rheumatology Biologics Register. 42. Limaye VS, Lester S, Blumbergs P, Roberts-Thomson PJ. Idiopathic Baseline comorbidity levels in biologic and standard DMARD inflammatory myositis is associated with a high incidence of treated patients with rheumatoid arthritis: results from a national hypertension and diabetes mellitus. Int J Rheum Dis 2010; 13(2):132-7. patient register. Ann Rheum Dis 2006; 65(7):895-8. 43. Sigurgeirsson B, Lindelöf B, Edhag O, Allander E. Risk of cancer in31. Kellner H. Rheumatoid arthritis and depression. MMW Fortschr patients with dermatomyositis or polymyositis. A population-based Med 2009; 151(51-52):49. study. N Engl J Med 1992; 326(6):363-7.32. Katz PP, Yelin EH. Prevalence and correlates of depressive 44. Maoz CR, Langevitz P, Livneh A, Blumstein Z, Sadeh M, Bank I et symptoms among persons with rheumatoid arthritis. J Rheumatol al. High incidence of malignancies in patients with dermatomyositis 1993; 20(5):790-6. and polymyositis: an 11-year analysis. Semin Arthritis Rheum 1998;33. Wolfe F, Michaud K, Li T, Katz RS. Chronic conditions and health 27(5):319-24. problems in rheumatic diseases: comparisons with rheumatoid 45. Chen YJ, Wu CY, Shen JL. Predicting factors of malignancy in arthritis, noninflammatory rheumatic disorders, systemic lupus dermatomyositis and polymyositis: a case-control study. Br J erythematosus, and fibromyalgia. J Rheumatol 2010; 37(2):305-15. Dermatol 2001; 144(4):825-31.34. Katon W, Schulberg H. Epidemiology of depression in primary care. 46. Gonzales-Lopes L, Gamez-Nava JI, Sanchez L, Rosas E, Gen Hosp Psychiatry 1992; 14(4):237-42. Suarez-Almazor M, Cardona-Muñoz C et al. Cardiac manifestations35. Julian LJ, Yelin E, Yazdany J, Panopalis P, Trupin L, Criswell LA in dermato-polymyositis. Clin Exp Rheumatol 1996; 14(4):373-9. et al. Depression, medication adherence, and service utilization in 47. Lundberg IE. The heart in dermatomyositis and polymyositis. systemic lupus erythematosus. Arthritis Rheum 2009; 61(2):240-6. Rheumatol (Oxford) 2006; 45(Suppl 4):iv18-21.36. McNamara D. Depression interferes with anti-TNF therapy. Rheumatol News 2007; 6:1.Rev Bras Reumatol 2011;51(5):423-433 433
  17. 17. ARTIGO ORIGINAL Efeito imediato da utilização da joelheira elástica em indivíduos com osteoartrite Flavio Fernandes Bryk1, Julio Fernandes de Jesus2, Thiago Yukio Fukuda3, Esdras Gonçalves Moreira4, Freddy Beretta Marcondes5, Marcio Guimarães dos Santos6 RESUMO Introdução: A osteoartrite (OA) de joelho normalmente ocasiona dificuldades na realização de diversas atividades rotineiras, sendo um dos principais motivos de procura por serviços médicos e fisioterapêuticos. Existem diversas modalidades de tratamento, com resultados variados. A utilização da joelheira como recurso adjunto tem-se mostrado controversa na literatura. Objetivo: Analisar a eficácia imediata da joelheira elástica na dor e na capacidade funcional em indivíduos com OA de joelho. Métodos: Foram analisados 74 sujeitos sintomáticos (132 joelhos) com OA de jo- elho por meio dos testes Stair Climb Power Test (SCPT), Timed Up and Go (TUG) e Caminhada de 8 Metros (C8M), além da escala visual analógica (EVA) para dor. Os testes foram realizados com e sem joelheira; a ordem e a presença ou ausência das joelheiras durante os testes foram randomizadas e com avaliador cego. Resultados: Foi encontrada diferença estatisticamente significante entre as duas situações comparadas (com e sem joelheira) para EVA (P < 0,001), mostrando redução da dor com a joelheira. Análises com os três testes funcionais em ambas as condições foram rea- lizadas, resultando diferenças estatisticamente significantes para os testes C8M e TUG (P < 0,05), mas não no SCPT (P > 0,1339). Conclusão: A joelheira elástica foi eficiente na melhora imediata da capacidade funcional e da dor em indivíduos com OA de joelho, pois melhorou o desempenho durante os testes propostos. Sendo assim, entende-se que se trata de um recurso coadjuvante para o tratamento da OAJ por ser prático, útil, de fácil emprego clínico e que pode auxiliar e/ou facilitar a realização de exercícios terapêuticos. Palavras-chave: osteoartrite, articulação do joelho, reabilitação, instabilidade articular. © 2011 Elsevier Editora Ltda. Todos os direitos reservados. funcionais como levantar de cadeiras, subir escadas, ajoelhar-se,INTRODUÇÃO ficar em pé e andar, além de aumentar a suscetibilidade deA osteoartrite (OA) do joelho é um dos principais motivos de quedas.2procura por serviços médicos e fisioterapêuticos, e sua preva- Diversas formas de tratamento para OA são encontradaslência vem aumentando com o envelhecimento populacional.1 na literatura, porém as não farmacológicas e não cirúrgicas Os sinais e sintomas clínicos, em geral, são semelhantes e empregadas na fisioterapia são consideradas e recomendadasapresentam-se como dor, rigidez, instabilidade articular, edema como primeira linha de tratamento para a tentativa de solu-e fraqueza muscular, que acarretam diminuição de habilidades cionar esse problema.3Recebido em 30/11/2010. Aprovado, após revisão, em 01/07/2011. Os autores declaram a inexistência de conflitos de interesse. Comitê de Ética: 281/09.Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Diadema – Quarteirão da Saúde.1. Fisioterapeuta; Mestrando em Ciências do Movimento Humano pela Universidade Cruzeiro do Sul – UNICSUL; Professor Titular do Curso de Especializaçãoem Fisioterapia Músculo Esquelética (FME) da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo – ISCMSP2. Fisioterapeuta; Mestrando em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP3. Fisioterapeuta; Doutor em Ciências pela UNIFESP; Professor Titular do Curso de FME da ISCMSP e do Curso de Graduação em Fisioterapia do CentroUniversitário São Camilo – CUSC4. Fisioterapeuta pela Universidade Bandeirante de São Paulo – UNIBAN5. Fisioterapeuta; Mestrando em Ciências pela Universidade Federal de Campinas – UNICAMP; Fisioterapeuta do Instituto Wilson Mello, Campinas/SP6. Fisioterapeuta; Especialista em FME pela ISCMSP; Fisioterapeuta da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Diadema – Quarteirão da Saúde (ISCMD-QS)Correspondência para: Marcio Guimarães dos Santos. Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Diadema – Quarteirão da Saúde – Setor de Fisioterapia.Av. Antônio Piranga, 578 – Centro. CEP: 09911-160. Diadema, SP, Brasil. Telefone: +55 11 4043-8000. E-mail: marcio_guimaraes@superig.com.br440 Rev Bras Reumatol 2011;51(5):434-446

×