• Share
  • Email
  • Embed
  • Like
  • Save
  • Private Content
A pesquisa na formação de formadores de professores
 

A pesquisa na formação de formadores de professores

on

  • 933 views

 

Statistics

Views

Total Views
933
Views on SlideShare
835
Embed Views
98

Actions

Likes
1
Downloads
7
Comments
0

3 Embeds 98

http://pibidquimicafaec.blogspot.com.br 81
http://www.pibidquimicafaec.blogspot.com.br 10
http://pibidquimicafaec.blogspot.com 7

Accessibility

Categories

Upload Details

Uploaded via as Adobe PDF

Usage Rights

© All Rights Reserved

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Processing…
Post Comment
Edit your comment

    A pesquisa na formação de formadores de professores A pesquisa na formação de formadores de professores Document Transcript

    • A Pesquisa na Formação de Formadores de Professores: Em Foco, a Educação Química Claudio Roberto Machado Benite, Anna Maria Canavarro Benite e Agustina Rosa Echeverria Boa parte das iniciativas de formação de formadores, ainda que tímidas, tem permanecido no âmbito das políticas institucionais de cada universidade. Por meio de uma dessas iniciativas, esta investigação pretende explicitar como a adoção da pesquisa como princípio articulador pode contribuir para a formação do formador. Este trabalho se caracteriza como pesquisa-ação e apresenta uma possível proposta de intervenção em proces- sos formativos, visando à promoção de aprendizagem na docência e tendo o formador como foco. Os resultados indicam que o professor formador pode ser considerado um profissional autônomo e emancipado, porque foi capaz de refletir criticamente sobre a sua prática para compreender tanto as características dos processos de ensino-aprendizagem quanto o seu contexto de ação, de modo que sua atuação foi determinante para o de- senvolvimento de ações que contemplassem a formação autônoma e emancipadora também de seus alunos. formação de formadores, educação química, prática docente, pesquisa-ação 257 Recebido em 13/02/09, aceito em 08/09/10À guisa de introdução cultural que induz formas particulares abrangendo toda área científica. de desenvolvimento nos sujeitos Especificamente para os cursos de A construção de uma universidade que vivenciam suas práticas. Sendo formação de professores de química:moderna, que atinja os mínimos e assim, seu papel é de fundamen-nobres objetivos de produção e disse- tal importância e, para que possa As críticas são feitas, princi-minação do conhecimento, da cultura cumpri-lo, necessitará de autonomia palmente, pelos alunos dessese da tecnologia, não se completa num suficiente para desenvolver uma cursos quando começam acurto espaço de tempo. A universida- identidade sólida e socialmente legi- frequentar disciplinas de for-de europeia, nascida na Idade Média, timada (Moreira, 2003). mação pedagógica ou nosencontra-se num processo de intensa No que se refere à formação de encontros em que refletem areestruturação a partir da Declaração professores, há um consenso de sua formação. Os estudan-de Bolonha que, por sua vez, deflagrou que os cursos de tes criticam, como denominado Processo de Bolonha formação não con- razão, desde a(Hortale e Mora, 2004). A universidade seguem responder O despreparo e a falta de falta de didáticano Brasil, que foi temporã, mesmo se às necessidades de motivação, manifestados da maioria doscomparada com as universidades da nenhum nível de en- pelos licenciandos nas professores daAmérica espanhola, consolidou-se na sino. Isso se refere disciplinas pedagógicas, Graduação, pas-segunda metade do século XX sob a ao Brasil, onde cur- instituem-se como sando pela dico-forte influência dos diferentes projetos sos de licenciatura motivo de angústia dos tomia das aulaspolíticos em disputa. É possível afirmar são pouco eficien- encarregados pelas práticas e teóri-que, mesmo sendo uma universidade tes em proporcio- universidades de fazerem cas, até a faltanova, muito contribuiu e continua nar uma visão mais essa formação. de transparênciacontribuindo para o desenvolvimento ampla da atividade dos conteúdosdo país. docente (Schnetzler e Aragão, 1995), de Química para o ensino Concebemos a instituição de en- e também a outros países, como secundário e elementar. (Mal-sino superior como um componente Estados Unidos (Mcdermott, 1990), daner, 2003, p. 46-47)QUÍMICA NOVA NA ESCOLA A Pesquisa na Formação de Formadores de Professores Vol. 32, N° 4, NOVEMBRO 2010
    • Parece-nos que há um des- ção profissional dos professo- em conteúdos ainda perdura como preparo quanto ao conhecimento res nos cursos de licenciatura prática de formação docente inicial, pedagógico de conteúdo dos pro- e “normalmente, nenhuma na qual a ausência da perspectiva fessores universitários, e isso afeta tentativa especial é feita para pedagógica pode gerar situações a formação em Química de maneira levar em conta as necessida- que comprometam a mediação ade- geral, não só os licenciados. Apoia- des desses futuros professo- quada à significação dos conceitos mo-nos em Shulman (1986) para res”. A preocupação saliente científicos. Se não houve a incorpo- definir conhecimento pedagógico é a formação nos conteúdos ração do conhecimento pedagógico de conteúdo como “o conhecimento de Química, não importando originado por meio das pesquisas que permite ao professor perceber o contexto em que eles pode- educacionais, as questões pedagó- quando um tópico é riam ser significa- gicas que deveriam acompanhar os ‘mais fácil ou difícil’” tivos: na pesqui- conteúdos químicos estarão ausen- (p. 109), quais as Os cursos de formação de sa, na indústria, tes e, consequentemente, induzirão experiências prévias professores deveriam ser na agricultura e, os professores a invalidarem sua possuídas pelos alu- espaços de “reeducação” principalmente, formação inicial justamente no que nos e as relações para os estudantes, pois na formação Quí- é mais preservado nos cursos de possíveis a serem tendo ou não experiência mica nos diversos licenciatura: “dar uma boa base em estabelecidas, in- profissional, todos eles graus de ensino. conteúdos. Isso não quer dizer que cluindo todas as for- têm vivência de magistério (p. 47-48) não saibam o conteúdo específico, mas de que se utiliza como alunos que, mas é a sensação que têm diante para que um conte- certamente, merecem ser Grande parte dos de uma dificuldade que é de cunho údo seja apreendido revistas, questionadas, alunos que frequen- pedagógico” (Maldaner, 2003, p. 45). pelo aluno. reelaboradas. tam os cursos de Pesquisas mais recentes, no O despreparo e licenciatura possui âmbito da formação de professores, a falta de motivação, manifestados conhecimento prévio da ação docen- têm apontado para uma tendência de258 pelos licenciandos nas disciplinas te devido a estarem atuando como superação da racionalidade técnica. pedagógicas, instituem-se como tal, e esses conhecimentos advindos A partir daí, a formação de professo- motivo de angústia dos encarregados da experiência tácita não devem ser res ganha outra dimensão, passando pelas universidades de fazerem essa desprezados. Além do mais, até o a ser centrada na investigação do formação, ou seja, os professores licenciando que nunca atuou como próprio trabalho em sala de aula e na das faculdades de educação e/ou professor tem bagagem como tal, escola (Zeichner apud Nóvoa, 1997). centros pedagógicos. Tal fato pode acumulada durante sua trajetória Essa nova maneira de conceber a advir da visão pedagógica restrita que escolar. Certamente, os cursos de formação docente se baseia na ideia os estudantes manifestam sobre os formação de professores deveriam de que o professor deve desenvolver conteúdos, pois: ser espaços de “reeducação” para a capacidade de refletir sobre a sua os estudantes, pois tendo ou não própria prática, de modo a tornar ex- [...] admitem, consciente experiência profissional, todos eles plícitos os saberes tácitos provenien- ou inconscientemente, que o têm vivência de magistério como tes de sua experiência. Para Schön processo de ensino de Ciên- alunos que, certamente, merecem (1987), tornar-se consciente de seus cias (Química) se concentre na ser revistas, questionadas, reelabora- saberes tácitos é o primeiro passo transmissão e na cobrança de das (Gonçalves e Gonçalves, 1998). para que o profissional possa efetuar conteúdos científicos prontos, Como nos dizem Feinman-Nemser e questionamentos sobre as estraté- acabados, inquestionáveis, Buchmann (1987): gias e as teorias nas quais acredita, em que não há lugar para pro- o que lhe possibilitaria transformar blemas de ensino, mas só de [...] o processo de aprender seus modos de atuação. aprendizagem, já que aos alu- a ensinar começa muito antes Concordamos com Sacristán e nos é sempre atribuída a res- dos alunos frequentarem os Gómez (2000) que o objetivo dos pro- ponsabilidade pela ineficiência cursos de formação de profes- gramas de formação de professores: daquele processo. (Schnetzler, sores; por isso, temos de ter 1994, p. 64) em conta as ideias anteriores e [...] é preparar professores as regras que os alunos aliam à que tenham perspectivas críti- Ademais, segundo Maldaner experiência e devemos ajudá- cas sobre as relações, sobre a (2003): los a exteriorizá-las e a elaborá- escola e as desigualdades so- las segundo concepções mais ciais e um compromisso moral A desmotivação e a despre- apropriadas. (p. 108) para contribuir para a correção ocupação frente às questões de tais desigualdades median- pedagógicas podem advir do A separação da formação pro- tes as atividades cotidianas na pouco valor que se dá à forma- fissional específica da formação aula e na escola. (p. 26) QUÍMICA NOVA NA ESCOLA A Pesquisa na Formação de Formadores de Professores Vol. 32, N° 4, NOVEMBRO 2010
    • Assumidos esses pressupostos, coletivas e organizacionais, que se A opção metodológica pelaesta investigação versa sobre a desenvolve em contextos e momentos pesquisa-ação se sustenta na ne-adoção da pesquisa como princípio diversificados e em diferentes comuni- cessidade de que o professor sejaarticulador na formação do professor dades de aprendizagem constituídas crítico e reflexivo, já que enfrentaráformador, apresentando uma iniciati- também por outros formadores. na prática situações instáveis, sin-va para tal. Especificamente, apre- Boa parte das iniciativas de forma- gulares e incertas, sendo necessáriasentamos a utilização da reestrutu- ção de formadores tem permanecido uma formação que lhe possibiliteração de uma disciplina vinculada ao no âmbito das políticas institucionais refletir criticamente sobre suas pró-Estagio Supervisionado (componente de cada universidade (Echeverria et prias ações a partir de uma posturada formação do futuro docente) como al., 2007). Por meio de uma dessas investigativa (Schön, 1998; Elliot,lócus para metarreflexão do formador. iniciativas, esta investigação pretende 1997; Stenhouse, 2004). Nessa explicitar num contexto específico perspectiva, concordamos que a for-Sobre a formação de formadores: a mo- como a adoção da pesquisa, como mação extrapola a cultura do ensinotivação para a investigação princípio articulador, pode contribuir centrado na aula, vendo o trabalho Atualmente, vivenciamos no ce- para a formação do formador. Ob- docente como uma atividade críticanário brasileiro investimentos em jetivamos apresentar um ponto de e o professor formador como umelaboração, implementação e acom- partida que indica uma possível pro- sujeito capaz de compreender nãopanhamento de programas voltados posta de intervenção em processos só as características de seu trabalho,à formação de professores (André et formativos, visando à promoção de mas o contexto em que atua paraal., 1999). A ênfase dessas propostas aprendizagem na docência e tendo criar sua própria identidade e derecai notoriamente sobre os processos o formador como foco. seus alunos.de formação inicial e continuada de Esta investigação se caracterizaprofessores do ensino básico. Por sua como pesquisa-ação (Elliott,1997; O locus e o problema da pesquisa: avez, a docência no ensino superior é Stenhouse 2004) e tem por pressu- prática de ensino de química configu-ainda território que só recentemente posto que os sujeitos que nela se rando a pesquisa - açãopassou a fazer parte desse debate. envolvem compõem um grupo com 259Podemos evidenciar tal fato quando objetivos e metas comuns, interessa- O curso de Química modalidaderetomamos a produção apresenta- dos em um problema que emerge no licenciatura da Universidade Esta-da sobre o tema, por exemplo, nas contexto em que atuam e desempe- dual de Goiás (UEG) é estruturadoReuniões da Associação Brasileira nhando papéis distintos: professores em semestres, em sistema seriadode Pesquisas em Ensino de Ciências formadores e professores em forma- e busca interligar hierarquicamente(ABRAPEC), ou ainda se considera- ção inicial (PFI). Intencionamos inves- os conteúdos, minimizando a com-mos uma iniciativa mais recente da tir no processo for- partimentalizaçãoCoordenação de Aperfeiçoamento mativo do formador do conhecimento,do Pessoal de Nível Superior (CAPES) de modo que este Não há preparação integrando os con-que instaura a obrigatoriedade de possa ser produto formal para o formador, teúdos de Química,estágio docência no ensino superior. de suas concepções e que em muitas áreas do correlacionando-osDessa forma, podemos dizer que partilhadas. Assumi- conhecimento os processos com áreas afins enão há preparação formal para o mos a pesquisa na seletivos relacionados objetivando a in-formador, e que em muitas áreas do ação do formador à contratação docente terdisciplinaridade.conhecimento os processos seletivos como ferramenta em Instituições de Ensino Tempo de integra-relacionados à contratação docente formativa por exce- Superior (IES) priorizam as lização: mínimo deem Instituições de Ensino Superior lência: questionan- linhas de pesquisa na área oito e máximo de(IES) priorizam as linhas de pesquisa do, dando sentido técnica quatorze semestresna área técnica. Em consequência, os e relacionando seu (PPC UEG, 2005).processos de desenvolvimento profis- trabalho diário. Apoiamo-nos em Zei- Numa iniciativa de ressignificar asional ficam na dependência de cada chner (1987, p. 19) para afirmar que: práxis do formador, a disciplina deinstituição e de como esta concebe a Prática de Ensino de Química (PEQ)formação do formador. [...] a tradição radical na foi escolhida para esta investigação. Como professores formadores, formação do professor apóia Determinante para essa escolha foientendemos todos os profissionais [...] aqueles enfoques que pre- que esta, segundo o projeto peda-envolvidos nos processos de apren- tendem desenvolver ao mesmo gógico do curso, foi planejada comodizagem da docência de futuros pro- tempo o pensamento reflexivo momento de relacionar teoria e prá-fessores como, por exemplo, todos e a ação de reconstrução que, tica na formação do futuro docente.os professores dos cursos de licen- por definição, implica a pro- A disciplina de PEQ é trabalhadaciatura. Defendemos que a formação blematização tanto da própria na Unidade Universitária de Ciênciasdo formador é um processo contínuo, tarefa de ensinar, quanto do Exatas e Tecnológicas (UnUCET) deque envolve dimensões individuais, contexto em que se realiza. Anápolis como uma disciplina espe-QUÍMICA NOVA NA ESCOLA A Pesquisa na Formação de Formadores de Professores Vol. 32, N° 4, NOVEMBRO 2010
    • Tabela 1 - Caracterizando a disciplina de PEQ. Disciplina Ch*/ período Ementa Disciplina Ch*/ período Principais problemas do ensino de química. O ensino de química no Brasil, em Goiás e em Anápolis. Novas tendências do ensino/pesquisa Estágio Super- PEQ 1 30/ 5º em química. Ensino/aprendizagem de química – comunicação e relação visionado 1 100/ 5º professor/aluno. Observação de aulas e ambientes escolares no ensino médio e fundamental. Habilidades e competências na formação de professores. Relações entre Estágio Super- PEQ 2 saberes pedagógicos e saberes científicos. História da química. Compor- 30/ 6º visionado 2 100/ 6º tamento do professor no local de ensino. Tipos de professores. Semirre- gência em sala de aula no ensino fundamental e médio. Racionalidade técnica e racionalidade prático-reflexiva. Parâmetros Curriculares - ensino de química. Metodologia do ensino de química. O Estágio Super- PEQ 3 30/ 7º ensino de química no currículo das escolas de ensino médio do estado visionado 3 100/ 7º de Goiás: análise sob uma perspectiva histórica. Regência em sala de aula de aula de ciências no ensino fundamental. Contribuições didático-pedagógicas na formação de professores de química. Interdisciplinaridade e contextualização (uso de materiais para- Estágio Super- PEQ 4 30/ 8º didáticos). Contemplação reflexiva da prática de planejamento, seleção visionado 4 100/ 8º e produção de material didático. Elaboração e execução de projetos de ensino. Regência em sala de aula em química e no ensino médio. *Ch =carga horária. cífica com carga horária própria de As Diretrizes para Formação Inicial estabelecendo uma comunicação 30h/aula semestrais durante quatro de Professores da Educação Básica direta com o professor da disciplina260 semestres consecutivos, acompa- em Cursos de Nível Superior (Brasil, de PEQ, de modo que possibilite a nhando o trabalho de Estágio Super- 2002) determinam que a formação repercussão dos resultados do es- visionado conforme apresentado na para a docência seja desvinculada tágio e das discussões teóricas na Tabela 1. dos bacharelados, que seus perfis realidade da sala de aula. Os alunos realizam Estágio Su- sejam constituídos de disciplinas Em síntese, essa disciplina foi pervisionado em escolas de ensino integradoras desde o começo do pensada para ser uma tentativa de fundamental e médio, ambos da rede curso de licenciatura e que a teoria diálogo entre a teoria e a prática pública, observando e participando e a prática sejam articuladas a partir e, por isso, a ementa de PEQ (ver do cotidiano escolar, tanto no trabalho do segundo ano. É nessa perpectiva Tabela 1) orienta o desenvolvimento do professor quanto no tocante ao integradora que a disciplina de PEQ das atividades práticas do Estágio funcionamento administrativo da es- se relaciona com o estágio. Supervisionado. No entanto, quando cola. Ainda, assumem semirregência Nesse contexto, surge a possi- transferida para a execução do ato e regência de classe, orientados pelo bilidade de realização de pesquisas pedagógico, transforma-se em ação trabalho teórico-prático feito durante científicas relacionadas ao processo de alto grau de complexidade pelas as disciplinas de PEQ. de ensino-aprendizagem de química, dificuldades implícitas na sua realiza- as quais, quando ção. Entre os fatores Sabemos que as atividades realizadas, geral- determinantes de curriculares de Estágio Super- mente redundam A formação do formador seu sucesso ou in- visionado têm referências em em trabalhos de é um processo contínuo, sucesso se encontra concepções e teorias que o ca- conclusão de curso. que envolve dimensões a necessidade de racterizam e o orientam deixan- Essa introdução ao individuais, coletivas e formar formadores do de ser atividades eminente- universo da obser- organizacionais, que se que estreitem esse mente práticas. Neste sentido, vação participante desenvolve em contextos e diálogo: aqui reside o estágio deve ser conside- e atuação na prática momentos diversificados e o problema de nossa rado enquanto atividade que educacional em en- em diferentes comunidades investigação. Portan- permita ao aluno um contato sino de Química é de aprendizagem to, configura-se aqui com a realidade do campo acompanhada, via constituídas também por a primeira etapa da profissional, [...] utilizando-se de regra, por no- outros formadores. espiral de pesquisa- das teorias existentes como vas compreensões ação caracterizada possibilitadoras da reflexão e dos conceitos dos quais os futuros por diagnosticar uma situação prática da ação no campo profissional professores se apropriam para me- que se quer melhorar. e da formação humana. (PPC lhor compreender os fenômenos Identificado o problema, o contex- UEG, 2005) educacionais dos quais participam, to concreto que dá forma e conteúdo QUÍMICA NOVA NA ESCOLA A Pesquisa na Formação de Formadores de Professores Vol. 32, N° 4, NOVEMBRO 2010
    • à proposta curricular da disciplina foi entre si. A ênfase nos conteú- UEG, é vinculado a dois grupos dereestruturado pelo docente, por inter- dos em si, como se fosse uma pesquisa: Laboratório de Pesquisasmédio de seu plano de curso, para coisa a parte e existente em si em Educação Química e Inclusãoenvolver o aprofundamento de co- e por si mesma, é substituída (LPEQI) e Núcleo de Pesquisa emnhecimentos específicos de química pela ênfase no processo da Ensino de Ciências (NUPEC), ambose de aspectos pedagógicos, partindo educação, no qual, desde o pertencentes ao Instituto de Químicado conceito de currículo ensino fundamental, os conhe- na Universidade Federal de Goiás. cimentos de Química servem A avaliação da estratégia aplica- [...] como a construção so- de instrumento para os edu- da coincidiu com a coleta de dados cial que preenche a escolari- candos crescerem na capaci- desta investigação e foi realizada em dade de conteúdos e orienta- dade do conhecimento sobre duas etapas: a primeira, mediante ções e nos leva a analisar os a natureza, subordinando-o à aplicação de questionário (no meado contextos concretos que lhe emancipação dos homens e do curso) respondido voluntaria- vão dando forma e conteúdo, mulheres, não à subordinação mente pelos alunos; e a segunda, antes de passar a ter alguma deles. Este é fundamental- mediante a gravação em áudio e realidade como experiência de mente o campo vídeo das atividades aprendizagem para os alunos. de investigações de regência no Está- (Sacristán, 1998, p. 20) daqueles que são A formação extrapola gio Supervisionado. educadores quí- a cultura do ensino Contempla-se aqui A reestruturação se apoiou em micos. (p. 62) centrado na aula, vendo a terceira etapa daliteratura referendada em represen- o trabalho docente como espiral de pesquisa-tantes dos principais pesquisadores As disciplinas de uma atividade crítica e ação caracterizadada Educação Química do país: Sch- PEQ e Estágio Su- o professor formador pelo desenvolvimen-netzler, Maldaner, Chassot, Zanon, pervisionado foram como um sujeito capaz to da estratégia deEcheverría, Porto, entre muitos outros, planejadas (pelos de compreender não só ação e avaliação deincluindo pesquisas recentes sobre autores deste arti- as características de seu sua eficiência. 261ensino, metodologia da pesquisa go), privilegiando trabalho, mas o contexto Passare-educacional, epistemologia e história as discussões em em que atua para criar sua mos, então, a apre-da ciência. Compreendemos, dessa grupo sobre textos própria identidade e de sentação da quartaforma, a necessidade de conduzir os de autoria de edu- seus alunos. etapa da espiral defuturos professores na sua formação cadores em Química pesquisa-ação queinicial a partir das suas próprias con- (Schnetzler, 1992; 1994; Maldaner, se caracteriza pela ampliação ecepções, de ampliar seus recursos 2003; Chassot, 1995; 2003; Zanon compreensão da situação-problemae modificar suas ideias e atitudes de e Maldaner, 2007; Echeverria, 1996; por meio da análise das respostasensino (Gil-Pérez, 2003). A formação Porto, 2006) previamente escolhi- dos questionários. Este consistiu dedocente inicial já não pode mais ser dos e sobre as próprias práticas doze questões respondidas por es-reduzida ao estudo e domínio de pedagógicas, as aulas expositivas, crito, das quais, neste trabalho, serãoconteúdos e técnicas para serem a simulação de aulas, a confecção abordadas apenas cinco por razõesutilizadas em futuras práticas peda- de materiais didáticos, o estudo in- de espaço.gógicas, e até mesmo conduzindo dividual de textos e a elaboração defuturos professores a assumir uma planejamentos de curso e de aula. Interpretando as respostas do ques-postura acrítica como estagiários O plano de curso também instituiu tionárioe meros executores de tarefas so- a seguinte rotina: constatadas situa- Faz-se necessário esclarecerlicitadas pelos regentes de estágio ções práticas conflituosas (oriundas que a ordem das perguntas aquisupervisionado dentro das universi- da realização do Estágio Supervisio- apresentadas é a mesma de comodades. Configura-se aqui a segunda nado), o papel do professor formador aparecem no questionário original.etapa da espiral de pesquisa-ação consistiu em ajudar o grupo de 25 Cabe ressaltar que a análise doscaracterizada pela formulação de alunos a problematizá-las, ou seja, resultados descreve um movimentouma estratégia de ação. situá-los em um contexto teórico mais de metarreflexão que passaremos a Cabe ressaltar que, segundo amplo e, assim, possibilitar a amplia- enunciar.Chassot (1993): ção da consciência dos envolvidos, A pergunta a seguir foi elaborada com vistas a planejar as formas de objetivando investigar se foi possível Fazer educação através da transformação das ações dos sujeitos estabelecer relações entre a teoria Química significa um conti- e das práticas institucionais. estudada na universidade e a prática nuado esforço em colocar a O professor formador regente da desenvolvida no ambiente profissio- ciência a serviço do mundo, da turma, além de ter experiência em nal, isto é, entre a formação e a ação vida, na interdisciplinaridade, escolas pública e privada, sendo docente. Defendemos que a formação no intercâmbio das ciências pertencente ao quadro docente da docente não se constrói apenas porQUÍMICA NOVA NA ESCOLA A Pesquisa na Formação de Formadores de Professores Vol. 32, N° 4, NOVEMBRO 2010
    • acumulação de cursos, de conheci- mento ou nas inovações do sistema No que diz respeito à investigação mentos ou de técnicas, mas por meio educacional, bem como da pouca da ação do formador, apoiamo-nos de um trabalho de reflexão crítica utilização das pesquisas educa- em Shulman (1986) para refletir sobre sobre as práticas e de uma (re)cons- cionais nas estratégias de ensino a ação e redimensioná-la do seguinte trução permanente de uma identidade apontadas por Gatti (2002), esse modo: a partir da identificação das pessoal (Pimenta, 2002), e foi nesse resultado reflete uma aproximação experiências anteriores desse grupo sentido que a estratégia de reestrutu- entre a universidade e a escola e a de alunos, tentar estabelecer durante ração da PEQ pretendeu atuar. contribuição que um programa de o curso novas possíveis relações en- De igual modo, quando nos re- curso pautado na Educação Química tre o conteúdo ministrado e a prática ferimos aos ensinamentos de PEQ, parece oferecer diretamente para pedagógica a ser desenvolvida no estamos nos dirigindo à estratégia subsidiar a prática pedagógica. Tal Estágio Supervisionado. Referimo- por meio da qual foi desenvolvida consideração pode ser sustentada nos, dessa forma, ao exercício do a ementa dessa disciplina que en- pelas respostas aos questionários conhecimento pedagógico de conte- globou aspectos como: explicitar e como, por exemplo: údo por parte do professor formador. explorar as visões dos estudantes Nossa próxima questão foi elabo- sobre os conceitos científicos; oportu- PFI 1: “Utilizei os ensinamen- rada a partir da discussão do texto nizar a discussão sobre os conceitos tos de PEQ para planejar para de Driver et al. (1999) e objetivamos científicos por meio de atividades minhas aulas situações que coletar elementos que refletissem pedagógicas; dar suporte para os permitissem explorar as ideias a apropriação das reflexões sobre estudantes produ- dos estudantes. o texto por parte dos licenciandos, zirem significados Toda vez que especificamente sobre “o papel da individuais, internali- Essa introdução ao começava um interação social na promoção da zando os conceitos universo da observação novo conceito eu aprendizagem”, ou seja, o reconhe- científicos; e  opor- participante e atuação procurava uma cimento da função que a interação tunizar o estabeleci- na prática educacional situação proble- entre os pares exerce na significação262 mento de relações em ensino de Química é ma (um questio- conceitual. Vale destacar que essa entre os conceitos acompanhada, via de regra, namento) para questão foi direcionada ao Ensino científicos estudados por novas compreensões introduzi-lo.” Fundamental, porque esse é o pri- e diferentes contex- dos conceitos dos quais PFI 7: “Os en- meiro contato do aprendiz criança tos, transferindo aos os futuros professores se sinamentos da com a ciência. Apoiados em Vygotsky futuros professores apropriam para melhor disciplina me (2001), sustentamos que a criança se a responsabilidade compreender os fenômenos influenciaram a desenvolve à medida que é ensinada pelo uso desses con- educacionais dos quais incluir em meu e educada, ou seja, à medida que, ceitos. participam. planejamento ati- sob orientação de adultos ou compa- vidades em gru- nheiros mais experientes, apropria-se 1) Você utilizou os po que permitissem comparti- da cultura elaborada pela humanida- ensinamentos das disciplinas de PEQ lhar os resultados dos grupos de. Dessa maneira, essa etapa é uma para planejar suas atividades de Estágio com toda a classe. Eu planejei unidade indissociável do processo de Supervisionado? utilizar a confecção de murais educação. Essa primeira questão foi res- em sala para tornar os significa- É importante esclarecer que quan- pondida por 100% dos alunos que, dos compartilhados disponíveis do nos referimos às atividades de co- em geral, salientaram sua intenção para todos os alunos.” nhecimento químico, referimo-nos à de melhorar sua prática pedagógi- PFI 15: “Os estudos de PEQ ação pedagógica do futuro professor, ca em ensino de química de várias permitiram que na hora de ou seja, seu planejamento de aula em maneiras. A utilização constante dos planejar minhas aulas eu pen- ação durante a realização do estágio ensinamentos da referente disciplina sasse em criar atividades que supervisionado. no planejamento das aulas ministra- pudessem me ajudar a veri- 3) As atividades de conhecimento químico das nas escolas foi apontada por 52% ficar os significados que os para o Ensino Fundamental criaram dos participantes; já 48% deles res- alunos atribuíram para minhas ponderam que utilizam, às vezes, nos explicações. Eu planejei pedir condições para a construção de novas in- seus planejamentos. Esse fato pode aos alunos individualmente em terações entre professores/alunos e alunos/ ser interpretado como o resultado do cada aula que explicassem alunos? início da familiaridade e/ou interesse melhor sua compreensão na Nessa questão, novamente 52% dos alunos com as contribuições forma de texto (como feito na dos graduandos responderam que oferecidas pela disciplina. disciplina) que poderia me en- as atividades criaram condições para Ao contrário da insuficiente par- tregar e depois eu checava se a construção de novas relações – ticipação das instituições de ensino havia consenso entre os alunos exemplos dessas repostas são dados superior nos projetos de desenvolvi- solicitados.” a seguir –; já 48% deles responderam QUÍMICA NOVA NA ESCOLA A Pesquisa na Formação de Formadores de Professores Vol. 32, N° 4, NOVEMBRO 2010
    • que somente às vezes essas condi- também com os colegas mais ex- teúdos; o incentivo à participaçãoções eram criadas. perientes ou que tiverem vivências do aluno; a primeira apresentação diferenciadas. Ao professor, caberá, da Química por se tratar de ensino PFI 22: “Sim. Minhas aulas ao longo do processo, aglutinar fundamental; e o despertar do senso para ensino fundamental servi- todas as questões que aparecerem crítico (com maior ênfase). Exemplos ram para desencadear discus- e sistematizá-las de forma a garantir das respostas são dados abaixo: sões, em sala de aula, sobre os situações que possam promover a conhecimentos ensinados e as apropriação de novos conhecimentos PFI 12: “A linguagem científi- situações vividas pelos alunos. por todos os seus alunos. ca utilizada pelo professor pre- Acho que esta foi uma forma Admitindo que a dimensão intera- cisa ser acessível aos alunos de conhecer melhor quem era tiva é fator fundamental no desenvol- para atuar como instrumento na meu aluno.” vimento da ação docente, o professor mediação pedagógica.” PFI 5: “Sim. Para o ensino formador, no exercício de sua reflexão, PFI 8: “Tem papel funda- fundamental procurei utilizar procurou estimular (durante o anda- mental e determinante para aulas teóricas expositivas alia- mento do curso) atividades partilha- o aprendizado pois precisa das à realização de exercícios das, ou seja, processos cognitivos estabelecer vínculos com o sobre os conceitos ensinados realizados por vários sujeitos que en- conhecimento que o aluno traz em grupo. Estas volvessem, sobretu- para a sala.” atividades per- do, a verbalização de PFI 6: “Modificar algumas mitiram a criação É importante considerar que concepções, ideias e concepções equivocadas a de um ambien- não estamos esquecendo crenças internaliza- respeito do conhecimento te mais informal que a sala de aula tem das por estes. Nessa científico que possam ser tra- em sala de aula. papéis que precisam estar perspectiva, conhe- zidas pelos alunos, através de Acredito que por bem-definidos, porém, cer a bagagem inter- tornar o conhecimento científi- isso os grupos esses papéis não estão nalizada dos parcei- co acessível a estes alunos.” participaram ati- rigidamente constituídos, ou ros é relevante, pois 263 vamente buscan- seja, o professor ensina o a interação social só Admitimos que a linguagem cien- do maiores es- seu aluno, mas este poderá ocorrerá na medida tífica tem características próprias e clarecimentos e aprender também com os em que houver co- que estas que foram estabelecidas ao tirando dúvidas e colegas mais experientes nexões entre seus longo do desenvolvimento científico, eu pude aprovei- ou que tiverem vivências objetivos (conheci- como forma de registrar e ampliar o tar para reforçar diferenciadas. mento científico em conhecimento, tornando, muitas ve- os ensinamentos questão) e o universo zes, a linguagem científica estranha ministrados em sala de aula dos parceiros. É nessa dinâmica que e difícil para os alunos. Reconhecer recuperando significados esta- esperamos aumentar o número de essas diferenças implica em reconhe- belecidos por cada grupo para futuros professores que consigam cer que a forma pela qual o professor toda a turma.” utilizar esses ensinamentos para pro- ‘fala sobre’ as entidades químicas é mover a interação em suas aulas. Se tão importante quanto às próprias Quando propomos uma sala de interações sociais educativas reque- entidades. Desse modo, o confrontoaula como um processo interativo, rem o confronto e a manifestação de das concepções iniciais de mundo doacreditamos que todos terão possi- ideias, não caberia colocar apenas so- aprendiz com aquelas apresentadasbilidade de falar, levantar suas hipó- bre os professores em formação inicial pelos parceiros de seu ambienteteses e, nas negociações, chegar a a responsabilidade de promovê-las. torna-se fundamental para a apro-conclusões que ajudem o grupo a A questão quatro foi elaborada priação de significados diferenciadosse perceber parte de um processo a partir da discussão do texto de que, dialogicamente, constituirãodinâmico de construção. Sendo Mortimer et al. (1998), objetivando sentidos a serem negociados.assim, os resultados apontam que a coletar elementos que identificassem Nossos resultados permitem inter-disciplina de PEQ conseguiu introdu- a apropriação das reflexões sobre pretar que, por meio das diferenteszir a valorização das interações por o texto, especificamente sobre “o funções atribuídas à linguagem, os fu-parte dos professores (formador e papel da linguagem na construção turos professores parecem reconhe-em formação). de significados científicos em salas cê-la como veículo de negociação. É importante considerar que não de aula” (p. 7). É nas interações que os conceitosestamos esquecendo que a sala de científicos passam a ser discutidos 4) Qual o papel da linguagem do professoraula tem papéis que precisam estar em um processo descendente em na apropriação do conhecimento de seusbem-definidos, porém, esses papéis que adquirem mais “concretude”,não estão rigidamente constituídos, alunos? enquanto os conceitos cotidianosou seja, o professor ensina o seu As respostas dos licenciandos dos alunos tomam um caminho as-aluno, mas este poderá aprender focalizaram a transposição de con- cendente e são interpretados numQUÍMICA NOVA NA ESCOLA A Pesquisa na Formação de Formadores de Professores Vol. 32, N° 4, NOVEMBRO 2010
    • nível superior de abstração (Vygotsky, fessor na condução das atividades de que não se trata de formá-lo como 2001, p. 244-245). ensino. Essas respostas salientam a reprodutor de modelos práticos do- Quando a linguagem se dirige aos importância dos fatores subjetivos minantes, mas capaz de desenvolver outros, o pensamento torna-se passí- durante o processo de formação. a atividade material para transformar vel de partilha. Essa acessibilidade do o social humano, cumpre investigar pensamento manifesta-se na e pela PFI 4: “A partir do momento qual a contribuição que a Educação linguagem, expressando ao mesmo em que assumi a sala de aula.” Química pode dar nessa formação. tempo muitos outros aspectos da per- PFI 5: “Quando o professor sonalidade do sujeito. Entendemos supervisor saiu da sala e me 9) Quais as atividades do curso de melhor essas considerações quando deixou só na condução das formação que favorecem mudanças em assumimos que a fala é uma das for- atividades, os alunos se diri- mas de linguagem por meio da qual giram a mim e, percebi que suas concepções acerca da atividade os significados sociais são apreendi- estava ali como representante docente? dos e acordados. A fala encontra-se do ensino de química por isso Das respostas a esta questão, permeada por expressões afetivas minhas atitudes precisavam ser 48% dos estagiários relataram que que se tornam igualmente alvo das refletidas.” os conhecimentos adquiridos na interações: preferências, antagonis- PFI 6: “Quando estive no disciplina de PEQ favoreceram mu- mos, concordâncias, simpatias e período de observação do es- danças em suas concepções; numa antipatias. A ação e a fala unem-se na tágio tomei consciência que o margem próxima, 36% apontam para coordenação de várias habilidades: ensino é atividade deliberada e as atividades pedagógicas realiza- entre elas, o pensamento discursivo. por isso surgiu a necessidade das e o material didático utilizados Nesse sentido, as respostas revela- de planejar bem durante a disciplina ram que a disciplina de PEQ parece minhas aulas pois de PEQ; e por fim, colaborar para a formação. quando estivesse É nas interações que os 16% ressaltaram a Admitindo a linguagem como na regência seria conceitos científicos passam contribuição das dis-264 central no processo de elaboração eu, o conheci- a ser discutidos em um ciplinas de cunho conceitual, o professor formador mento químico processo descendente pedagógico ofere- pôde compreender a dinâmica de seu e os alunos. Isto em que adquirem mais cidas durante todo trabalho pedagógico. Adotar proce- exige responsa- “concretude”, enquanto curso de formação dimentos de pesquisa para dialogar bilidade.” os conceitos cotidianos inicial. Em relação com e refletir a ação docente permitiu dos alunos tomam um aos conhecimentos avanços na construção da identi- As falas mostram caminho ascendente e são adquiridos na disci- dade profissional do formador num a relação tensa, e interpretados num nível plina de PEQ, apre- movimento contínuo em constante dinâmica ao mesmo superior de abstração sentamos algumas transformação. Sobre esses avanços, tempo, entre a refle- respostas. podemos destacar: a) na introdução xão e a ação, e que a prática, sendo de um termo novo, relacioná-lo com idealizada e deliberada, é somente PFI 18: “A elaboração de um as ideias que os estudantes têm a em sala de aula que se realiza. Por material instrucional envolven- respeito e mostrar a diferença entre isso, as disciplinas que preparam do os conceitos químicos, em os dois significados; b) elaboração de para os estágios precisam estar num PEQ, fez com que eu tomasse aulas de natureza interativa com ênfa- processo contínuo de investigação e consciência de que o professor se na apropriação do conhecimento de ação. De igual modo, investir em não deve aceitar cegamente científico por meio de estratégias pesquisa na formação de formadores qualquer estratégia proposta como rever e/ou marcar os significa- representou o estudo de uma situa- por um livro didático.” dos apreendidos. ção social para tratar de melhorar a PFI 22: “As atividades de A questão 7 foi elaborada com o qualidade da ação que nela intervém. reflexão feitas em PEQ por objetivo de obter informações sobre A Questão 9 foi pensada com o meio de compartilhamento das a constituição da identidade profis- objetivo de obter informações sobre experiências da comunidade sional docente. a contribuição da didática especifica de educadores em química na formação de professores. Enten- ampliaram minhas concepções 7) Como você tomou consciência de seu demos que a atividade docente está sobre ser professor.” próprio papel na condução das atividades ligada à ação educativa mais ampla PFI 2: “As discussões sobre de ensino? que ocorre na sociedade, que é o tendências (dinâmicas, utiliza- Do quantitativo de respostas, 72% ensinar. Na sua acepção corrente, é ção de experimentos, técnicas) dos futuros professores afirmaram definida como uma atividade prática. pedagógicas da comunidade que é a partir do primeiro contato O professor em formação inicial está de pesquisadores do ensino com os alunos em sala de aula que se se preparando para efetivar as tare- de química.” define a importância do papel do pro- fas práticas de ser professor. Dado PFI 3: “A abordagem dos QUÍMICA NOVA NA ESCOLA A Pesquisa na Formação de Formadores de Professores Vol. 32, N° 4, NOVEMBRO 2010
    • textos em sala de aula dando Romper com a racionalidade técnica mica pode ser considerado um apoio a prática de estágio sem cair no espontaneísmo de sobre- profissional autônomo que refletiu possibilitou uma nova visão da valorizar qualquer prática demanda criticamente sobre a sua prática atividade docente pois o desa- um esforço contínuo e criterioso de para compreender tanto as ca- fio era vincular o aprendizado incorporação da racionalidade crítica racterísticas dos processos de da disciplina com a realização na reestruturação das disciplinares ensino-aprendizagem quanto o seu do estágio.” basilares dos cursos de formação de contexto de ação. PFI 7: “O diálogo, através da professores. Essa análise parece revelar que discussão dos textos, com a Esses resultados demonstram a ação docente de professores experiência de outros profes- que um plano de curso alicerçado na formadores contribuiu para seus sores de química.” Educação Química pode ser capaz processos de construção identitária PFI 20: “As discussões con- de fornecer apoios concretos, pró- de seus alunos. O formador, tendo ceituais sobre a natureza da ci- prios de um exercício profissional, a por base seus saberes pedagógicos ência me fizeram compreender professores formadores e a futuros fundamentados na necessidade de sobre os reais desafios do en- professores com a preocupação em superar o atual ensino de química, sino de química e as atividades situações que possam proporcionar tentou proporcionar o acesso a de elaborarmos aulas para a a manifestação de suas crenças e conhecimentos químicos que per- turma ajudaram a ter noção de a formação de outras convicções, mitissem a construção de uma visão como lidar com os desafios.” mais consentâneas com as teorias de mundo mais articulada e menos PFI 21: “PEQ, onde somos educacionais veiculadas nessas dis- fragmentada. Ao indagar até que colocados em contato com ciplinas. Assumir o eixo da pesquisa ponto o ensino (na disciplina PEQ) um professor de química e a na formação do formador consistiu teve significado para a atividade didática fornecendo subsídios em proporcionar elementos que pro- docente dos futuros professores teóricos para a prática de está- moveram o juízo prático em situações em suas realidades de trabalho nas gio supervisionado.” concretas e a validez das teorias e escolas, colocamos em questão a hipóteses. contribuição da Educação Química 265 Em sua grande maioria, as dis- Tendo em vista a ampliação da na constituição dos saberes peda-ciplinas pedagógicas oferecidas compreensão da situação prática ini- gógicos na formação inicial. E numnos cursos de formação de educa- cial, entendemos que o processo se movimento contrário, qual a contri-dores apresentam características modificou e seria necessário proce- buição das atividades dos futurosmarcantes por seus conteúdos que der aos mesmos passos para a nova docentes para a revisão dos cursosenfatizam uma preocupação de situação–problema, caracterizando a de PEQ e para a ressignificação dacaráter estritamente técnica. Suas quinta e última etapa de uma espiral prática pedagógica em ensino deabordagens dificilmente ultrapassam da pesquisa-ação. química no ensino superior.as dimensões técnicas do ensino. Nossos resultados demonstramFrequentemente, os conteúdos Considerações finais que o professor formador desenvol-giram em torno de uma temática Adotar a pesquisa como eixo da veu uma postura investigativa sobrecentral que pode ser resumida no formação do formador pode pro- sua área de atuação e, utilizandoplanejamento, na execução e na porcionar condições formativas que procedimentos de pesquisa comoavaliação do ensino. Por tudo isso, possibilitem explicar, refletir e superar instrumento de trabalho, conheceu eencontramos na maioria dos progra- aspectos gerais e específicos vincu- investiu na realidade concreta de suamas dessas disciplinas conteúdos lados à ação docente do formador. ação docente.que refletem uma preocupação Considerando a inserção da pesquisa A questão de como acontece ocom o estudo de técnicas de ensino para auxiliar o processo de formação processo de construção do saber-voltadas à aprendizagem humana, de formadores, que é contínuo e di- fazer docente num movimento de re-vindo a resultar num estudo isolado, nâmico, pudemos compreender essa flexão sobre a formação do professoraparentemente neutro. dinâmica para nela intervir. fundamentou a temática vivenciada O momento atual é, pois, o de Colocando a atividade docente por nós: pesquisadores e pesquisa-repensar a “razão teórica” e a “razão como objeto de nossa investigação, dos, sujeitos e atores de uma práticaprática” dessas disciplinas para va- foi necessário compreendê-la em social em movimento. Finalmente,lorizarmos a amplitude do fenômeno suas vinculações com a prática social enquanto problematizamos, tambémeducacional e, mais intensamente, a na sua historicidade e isso se fez a discutimos os problemas relaciona-relação do sujeito com a aprendiza- partir da verificação da mobilização dos ao contexto das diferentes situa-gem. De igual modo, a introdução de dos saberes adquiridos na disciplina ções que compartilhamos na troca deelementos que possam oferecer um para estruturar e tomar decisões na nossas experiências. Nesse sentido,conhecimento, mais preciso, das re- escola e na sala de aula de química. formaram-se os professores em for-alidades educacionais e sociais será Nessa iniciativa, o professor mação e os professores formadorescertamente uma tônica imperiosa. formador de professores de quí- de professores.QUÍMICA NOVA NA ESCOLA A Pesquisa na Formação de Formadores de Professores Vol. 32, N° 4, NOVEMBRO 2010
    • Claudio Roberto Machado Benite (claudio.benite@ Universitária de Ciências Exatas e Tecnológicas Química da UFG. Agustina Rosa Echeverria (agus- ueg.br), licenciado em química, especialista em ensino (UnUCET) - Universidade Estadual de Goiás (UEG). tina@quimica.ufg.br), bacharel, licenciada e mestre de ciências pela Universidade do Estado do Rio de Anna Maria Canavarro Benite (anna@quimica.ufg. em química pela Universidade da Amizade dos Povos Janeiro (UERJ), mestre em educação em ciências e br), bacharel e licenciada em química, mestre e dou- (Moscou), doutora em educação pela Universidade matemática e doutorando em química pela Universi- tora em ciências (química) pela Universidade Federal Estadual de Campinas (UNICAMP), é docente do dade Federal de Goiás (UFG), é docente da Unidade do Rio de Janeiro (UFRJ), é docente do Instituto de Instituto de Química da UFG. Referências em educação no Brasil. Brasília: Plano, SACRISTÁN, J. G. O currículo: uma re- 2002. flexão sobre a prática. 4. ed. Porto Alegre: ANDRÉ, M.; SIMÕES, R. H.; CARVA- GIL-PÉREZ, D. e Carvalho, A. M. P . Artmed, 1998. LHO, J. M. e BRZEZINSKI, I. Estado da Formação de professores de ciências: SACRISTÁN, J. G. e GÓMEZ, A. I. P . arte da formação de professores no tendências e inovações. São Paulo: Cor- Compreender e transformar o ensino. 4. Brasil. Educação e Sociedade, v. 68, p. tez, 2003. ed. Porto Alegre: Artmed, 2000. 301-309, 1999. GONÇALVES, T. O. e GONÇALVES, T. V. SCHNETZLER, R. P Construção do . BRASIL. Resolução CNE/CP1, de 18 O. Reflexões sobre uma prática docente si- de fevereiro de 2002. Institui Diretrizes conhecimento e ensino de ciências. Em tuada: buscando novas perspectivas para Aberto, 11, 17, 1992. Curriculares Nacionais, para a formação a formação de professores. In: GERALDI, de professores de Educação Básica, em ______. Do ensino como transmissão, C. M. G.; FIORENTINI, D. e PEREIRA, E. nível superior, curso de licenciatura, de para um ensino como promoção de M. A. (Orgs.). Cartografias do trabalho do- graduação plena. Diário Oficial da União, mudança conceitual nos alunos: um cente: professor(a)-pesquisador(a). Cam- Brasília, 9 de abril de 2002. Seção 1, p. 31. processo (e um desafio) para formação pinas: Mercado de Letras; Associação de Republicada por ter saído com incorreção de professores de química. Cadernos Leitura do Brasil, 1998. no original no D.O.U., de 4 de março de HORTALE, V. A. e MORA, J. G. Tendên- Anped, Belo Horizonte, Conferência na 2002. Seção 1, p. 8. cias das reformas da educação superior 16a Reunião Anual, n. 6, p. 55-89, 1994. CHASSOT, A. I. Catalisando transforma- na Europa no contexto do processo de SCHNETZLER, R. P e ARAGÃO, R. M. . ções na educação. 3. ed. Ijuí: Ed. Unijuí, Bolonha. Educação e Sociedade, v. 25, Importância, sentido e contribuições de 1993. n. 88, p. 937-960, 2004. pesquisas para o ensino de química. Quí- ______. Para que(m) é útil o ensino? MALDANER, O. A. A formação inicial e mica Nova na Escola, n. 1, p. 27-31, 1995.266 Alternativas para um ensino (de Química) continuada de professores de química: SCHÖN, D. A. Educating the reflective mais crítico. Canoas: Ed. ULBRA, 1995. professor/pesquisador. 2. ed. Ijuí: Ed. practitioner. San Francisco: Jossey-Bass, ______. Alfabetização científica: ques- Unijuí, 2003. 1987. tões e desafios para a educação. 3. ed. MCDERMOTT, L. C. A perspective on ______. El profesional reflexivo: cómo Ijuí: Ed. Unijuí, 2003. teacher preparation in physics and other piensan los profesionales cuando actúan. DRIVER, R.; ASOKO, H.; LEACH, J.; sciences: The need for special science Barcelona: Paidós, 1998. MORTIMER, E. e SCOTT, P Construindo . courses for teachers. American Journal of SHULMAN, L. Those who understand: conhecimento científico na sala de aula. Physics, 1990, 58, 734. knowledge growth in teaching. Educational Química Nova na Escola, n. 9, p. 31-40, MOREIRA, D. A. Didática do ensino su- Researcher v. 15, n. 2, p. 4-14, 1986. 1999. perior: técnicas e tendências. São Paulo: STENHOUSE, L. La investigación como ECHEVERRIA, A. R. Como os estudan- Pioneira Thomson Learning, 2003. base de la enseñanza. 5ª ed. Madrid: tes concebem a formação de soluções. MORTIMER, E. F.; CHAGAS, N. e ALVA- Morata, 2004. Química Nova na Escola, v. 3, 15, 1996. RENGA, V. T. Linguagem científica versus VYGOTSKY, L. S. A construção do ECHEVERRÍA, A. R.; BENITE A. M. C. linguagem comum nas respostas escritas pensamento e da linguagem. São Paulo: e SOARES M. H. F. B. A pesquisa na for- dos vestibulandos. Investigação no Ensino Martins Fontes, 2001. mação inicial de professores de química de Ciências, 1998, v. 3, 1. – a experiência do instituto de química ZANON, L. B. e MALDANER, O. A. PIMENTA, S. G. O estágio na formação da Universidade Federal de Goiás. Dis- Fundamentos e propostas de ensino de de professores: unidade teoria e prática?. ponível em: http://www.sbq.org.br30ra/ química para a educação básica no Brasil. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2002. Workshop%20UFG.pdf. Acessado em: PORTO, P A. O olhar do químico céptico . Ijuí: Ed. Unijuí, 2007. 26 ago. 2009. sobre os experimentos de Van Helmont. In: ZEICHNER, K. The ecology of field ex- ELLIOTT, J. La investigación-acción en ALFONSO-GOLDFARB, A. M. e BELTRAN, perience: toward an understanding of the educación. 3. ed. Madrid: Morata, 1997. M. H. R. (Orgs.). O saber fazer e seus mui- role of field experience in teacher develop- FAZENDA, I. Práticas interdisciplinares tos saberes: experimentos, experiências e ment. In: HABERMAN, M. e BACKUS, J. na escola. São Paulo: Cortez, 1991. experimentações. São Paulo: Livraria da M. Advanes in teacher education. v. 3. New FEIMAN-NEMSER, S. e BUCHMANN, M. Física; EDUC; FAPESP 2006. , Jersey: Ablex, 1987. When is student teaching teacher educa- PROJETO PEDAGÓGICO DE CURSO. ______. Novos caminhos para o practi- tion? Teaching and Teacher Education, v. Universidade Estadual de Goiás, 2005. cum: uma perspectiva para os anos 90. 3, p. 255-273, 1987. Disponível em: http://www.unucet.ueg.br. In: NÓVOA, A. Os professores e a sua GATTI, B. A. A construção da pesquisa Acessado em: 01 jun 2009. formação. Lisboa: Dom Quixote, 1997. Abstract: The Research In Training For Teachers Trainers: Focus Education In Chemistry. Most of professor’s formative’s initiatives – although timid – have been placed among institutional policies of each university. Among those initiatives, this study intends to explain how the adoption of research, as the articulator principle, can contribute to the formation of the professors. This work is characterized as research-action and presents a possible proposal for intervention in formative cases aimed at promoting a learning process in which the professor is the focus. The results indicate that the teacher responsible for the teacher’s formative process can be considered a standalone and an emancipated professional, because he/she was able to reflect critically on his/her practice to understand both the characteristics of teaching-learning processes and its context of action, so that his/her work was crucial to the development of actions that could contemplate the stand-alone and emancipating formative process of his/her students. Keywords: teacher’s formative’s initiatives, chemical education, teaching process, research-action. QUÍMICA NOVA NA ESCOLA A Pesquisa na Formação de Formadores de Professores Vol. 32, N° 4, NOVEMBRO 2010