Sistema nervoso victor c speirs

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Sistema nervoso victor c speirs

  1. 1. 1"f o Sistema Nervoso COMPONENTES DO SISTEMA voluntário, e seus impulsos são transmitidos através NERVOSO dos neurônios craniais ou dos neurônios mais distais da medula espinhal. Para iniciar o movimento volun- Em termos gerais, o sistema nervoso é dividido to- tário, o NMS,que é localizado no cérebro, estimula o pograficamente nos componentes central e periférico NMI distribuído no tronco encefálico e no corno ven- com superimposição do sistema nervoso autônomo. tral da medula espinhal, cuia resposta é então trans- Funcionalmente, o sistema nervoso é dividido em re- mitida para o musculoesquelético da cabeça e resto giões sensorial, central e motora. A região sensorial do corpo nos nervos craniais e periféricos respectiva- contém os componentes aferentes, que, através de um mente, via axônios terminais. Cada unidade motora espectro de diferentes receptores e nervos sensoriais e consiste no NMI e no músculo que ele inerva. Para arcos reflexos, são responsáveis pela sensação do am- facilitar a avaliação, o sistema nervoso central é tam-o bienteexternoe internoe transmissãodesses dadosaté bém dividido em seções: a região central para integração na medula espinhal e cérebro.Asrespostasaos dados que chegam são executa- das pelo sistema motor ou eferente que consistenos ner- . . Cérebro Segmentos cervicais superiores da medula espinhal, vosmotores, nas placas terminais e nos órgãos efetores. O sistema motor é subdividido em sistemas moto- . C1-C5 Segmentos da tumefação braquial da medula res autonômico e somático. O sistema autonômico consiste em um sistema de subdivisões em oposição, . espinhal, C6-T2 Segmentos torácicos e lombares da medula simpática e parassimpática, distribuído pelo sistema nervoso e responsável pelo controle involuntário da . espinhal, T3-L3 Segmentos da tumefação pélvica da medula função das vísceras. Essa região do sistema nervoso não é muito envolvida no exame neurológico geral. A . espinhal, L4-S2 Segmentos da medula espinhal que inervam o reto, porção somática é também conhecida como sistema motor voluntário (em contraste com o sistema invo- luntário, mencionado há pouco) que, desde um pon- . ânus e bexiga, 53-55 Segmentos da medula espinhal que inervam a cauda, C01-C05 to de vista funcional, é considerado como sendo constituído de um neurônio motor superior (NMS) e um neurônio motor inferior (NMI). Na realidade, MANIFESTAÇÕES DE DOENÇA ambos os "neurônios" consistem em mais de um com- DO SISTEMA NERVOSO ponente. O NMI consiste em neurônio motor, em seu axônio e em suas conexões terminais no músculo. O Embora a doença do sistema nervoso possa resul- NMIpode ser uma célula do corno ventral da medula tar em elevação da temperatura corporal, bacteremia, espinhal ou a célula nervosa motora de um nervo cra- septicemia, dor e envolvimento de órgãos adjacentes, niallocalizada centralmente. O NMSé a célula nervo- o papel dominante desse sistema no controle da fun- sa motora no córtex responsável pelo movimento ção de vários órgãos faz com que os principais sinais
  2. 2. 84 VICTOR C. SPEIRSde doença sejam relacionados a uma alteração ou per-da de função. A variação na função é, portanto, um RESPOSTA A UMA LESÃO NOguia importante para a localização da lesão. A avalia- NEURÔNIO MOTOR SUPERIORção da função requer um entendimento de como oNMSe o NMIinteragem, assim como a capacidade dereconhecer os sinais clínicos associados com a varia- . Movimento voluntário reduzido ou ausenteção na função de cada unidade motora. Usando essaabordagem, uma lesão pode ser localizada em uma . (hiporreflexia, arreflexia) Resposta reflexa normal ou exagerada (hiper-parte específica do sistema. Esse conceito funcionamelhor para lesõessolitárias, mas freqüentemente um . reflexia) Aumento do tônus muscular (hipertônico),processo é distribuído pelo sistema como uma lesãocontínua (difusa) ou como uma série de lesões focais(multicêntrica). O NMI consiste em um componente . atrofia de desuso discreta Perda da propriocepção e da dor (hipoalgesia, analgesia)sensorial num órgão que se comunica com o neurô-nio motor na medula espinhal local e daí com um RESPOSTA UMALESÃONO NEURÔNIO Amúsculo efetor,via axônio. Issoé conhecido como arcoreflexo, através do qual um impulso sensorial pode . . MOTOR INFERIOR Movimento voluntário reduzido ou ausenteinduzir uma resposta imediata, sem passar pelo cére-bro. Há uma constante interação entre os sistemas de . Resposta reflexa reduzida ou ausente Tônus muscular reduzido (hipotônico) ouNMIcontrolando grupos musculares em oposição (p.ex., músculos flexores e extensores) que estão, em cir-cunstâncias normais, sob influência do NMSque, por . ausente (atônico) Perda da propriocepção e da dor, atrofia muscular gravesua vez, mantém um controle inibitório sobre o refle-xo local. Sinais de doença do NMSsão relacionados àperda dessa inibição, tendendo a causar aumento daatividade no órgão terminal. Isso contrasta com a le-são do NMIque causa uma redução na perda da fun- doença em outro órgão ou sistema e em parte paração, observada geralmente como perda no tônus. detectar a presença de doença que possa produzir si- nais neurológicos secundários. Hipóxia, anóxia, hipo e hiperglicemia, hepatopatia, uremia, hipocalcemia,EXAME FíSICO GERAL hiper e hipocalemia, acidose, alcalose e hipo e hiper- termia são freqüentemente associadas a sinais clíni- Os objetivosdo exame do sistema nervoso são ini- cos neurológicos. O método para exame do sistemacialmente estabelecer se há algum processo patológi- nervoso dado a seguir foi delineado a partir de outrasco presente e, então, caso exista, localizá-Io no sistema publicações.l,znervoso. Como foi dito, é necessário um entendimen-to completo dos aspectos neuroanatômicos e funcio- Cabeçanais do sistema nervoso. Embora qualquer examesistemático seja adequado, um objetivo inicial deveser Comportamentode localizar a lesão em uma ou mais das seguintesregiõesque aparecem listadas no sentido cranial a cau- Comportamento anormal indica mau funciona-dal, de acordo com o desenvolvimento geral do exa- mento do córtex cerebral. Conhecer o comportamentome: normal é necessário antes que se possa identificar um . . Cérebro comportamento anormal. Variaçõesdo comportamen- to freqüentemente reconhecidas incluem pressionar a . . Troncoencefálico Cerebelo cabeça, andar em círculos, lamber-se, alterar a voz e o apetite e tomar-se agressivo.Aspectosdo comportamen- . Medula espinhal Nervos eriféricos músculos p e to normal com os quais o clínico deve estar familiari- zado incluem: A progressão cranial a caudal do exame baseia-sena progressão semelhante do controle neurológico, do . Maneira com que cavalos reagem a pessoas e a outros cavalos. A incapacidade de manter amais alto para o mais baixo. Antes que um exame detalhado e específico do sis- . ordenação social pode indicar doença ou fraqueza Modo pelo qual os cavalos relaxam quando nãotema nervoso seja feito, deve ser realizado um exameclínico geral, em parte para detectar a presença de . perturbados Quantidade de tempo dedicado a comer e dormir
  3. 3. EXAME CLÍNICO DE EQÜINOS 85 . Freqüênciacom que se deveesperarver um cavalo deitadoe em que posiçãoele mais provavelmente do cavalo, ele geralmente flexiona a cabeça a fim de tomar o alimento na boca (apreender) (Figura 4-1). estará O animal deveser avaliado enquanto em repouso,para . Comportamentonormal de garanhõese de éguas. detectarem-se tremores ou postura anormal da cabe- Garanhões freqüentementesão mais agressivos que ça. Aposição da nuca em relação ao focinho deveser éguase cavaloscastrados,o que não deveser cuidadosamente avaliada. confundidocom desenvolvimento comporta- de mento agressivoem um indivíduoanteriormente Avaliação da Função dos Nervos Cranianos calmo.A agressividade a disposiçãogeral irritadi- e ça são sinaismuitasvezesrelacionadosa A localização de uma lesão no tronco encefálico é desequilíbrioshormonaisassociados tumores a facilitada por um exame cuidadoso dos nervos cra- ovarianosou retençãotesticular nianos. Aexemplo dos outros componentes do exame, é lógico proceder-se num sentido cranial a caudal.Estado Mental AVALIAÇÃO OLFATO(NERVO CRANIANOI DO Anormalidades no estado mental indicam um en- [NERVO OLFATIVO]). É extremamente difícilvolvimentodo tronco encefálico e córtex cerebral me- avaliar-se o olfato em cavalos e um déficit nesse senti-nor. Oestado mental pode ser comparado ao estado de do (anosmia) é, por isso, raramente relatado. Umaconsciência de um animal e reflete a capacidade fun- avaliação simples do olfato pode ser feita anotando-secional do sistema ativador reticular ascendente, loca- como o cavalo cheira coisas como alimento, mão dolizado no tronco encefálico, bem como de certas partes clínico, fezes ou urina, esta última sendo um testedo córtexcerebral.Normalmente,esses sistemasres- melhor para garanhões.pondem a impulsos sensoriais (aferentes) na formade estímulos visuais, tácteis, auditivos, olfativos e gus- AVALIAÇÃO DA VISÃO (NERVO CRANIANO 11tativos. O estado mental varia do normal, passando [NERVO ÓPTICOD. Avisão é testada pelo reflexopor uma série de estágios menores de anormalidade de ameaça, pelo qual um gesto ameaçador feito em(estupor, depressão, sonolência, delírio, letargia e de- direção do olho induzirá fechamento da pálpebra e àspressão), até o coma e semicoma. Coma ocorre quan- vezes recuo da cabeça (Figura 4-2). Deve-seter cuida-do não há qualquer resposta aos estímulos normais, e do para que com o gesto não se provoquem desloca-semicoma define um estado no qual não ocorre res- mentos de ar que possam ser percebidos pelo cavalo eposta a estímulos normais, mas há resposta a estímu- resultar em uma resposta semelhante. O reflexo podelos excessivamente nocivos. estar ausente em cavalos deprimidos ou excitados e potros recém-nascidos. O cavalo pode tornar-se refra-Postura e Coordenação da Cabeça tário se o gesto for repetido com muita freqüência. No Os movimentos normais suaves e coordenados dacabeça estão sob controle do cérebro, cerebelo e siste-ma vestibular. O movimento normal da cabeça envol-ve várias combinações de flexão lateral, rotação eextensão da articulação atlantoccipital. Uma posiçãoanormal pode ser devida à dor de fratura ou infecção.Lesões vestibulares freqüentemente causam uma ro-tação caracterizada por inclinação da cabeça com anuca desviada para um lado, mas com o focinho epescoço na linha média. Por outro lado, as lesões docérebro podem fazer com que o cavalo ande em círcu-los e mostre um desvio da cabeça e pescoço para olado da lesão, mas o focinho não gire ao redor da nuca.As lesões cerebelares interferem com a coordenaçãonormal e controle fino dos movimentos, resultando emmovimentos abruptos durante a movimentação volun-tária e em tremores finos quando o animal está emrepouso, conhecidos como tremores de intenção. Apostura e coordenação da cabeça podem ser ava- t FIGURA 4-1liadas durante a atividade normal. Se alguma comida Segurando uma porçãode alimentoadjacente paletaparatestara ca- àé segurada ao lado da paleta em qualquer dos lados pacidade cavalo flexionar cabeça pescoço do em a e lateralmente.
  4. 4. 86 VICTOR C. SPEIRScavalo, como resultado de um cruzamento (decussa-ção) quase completo no qui asma áptico, a visão emum olho é controlada, principalmente, no hemisfériocerebral contralateral. Avia aferente, portanto, envol-ve primeiro retina, nervo áptico e quiasma áptico paradaí, após a decussação, o trato áptico contralateral,núcleo geniculado lateral, radiação áptica e cártexoccipital. Avia eferente envolve o núcleo do nervo fa-cial ipsolateral que fornece uma resposta motora quetermina com o fechamento das pálpebras. Lesões daretina e do nervo áptico produzirão, portanto, ceguei-ra ipsolateral, enquanto lesões localizadas mais cen-tralmente causarão cegueira contralateral. Testesde visão incluem a capacidade de seguir umaluz em movimento e movimentar-se por um trajetocom obstáculos, evitando-os (Figura 4-3). Uma obser-vação cuidadosa enquanto o cavalo está comendo ou t FIGURA 4-3 Trajetocomobstáculosparatestara visão.Observe o atendenteper- quecaminhando, especialmente se for num ambiente es- miteque o cavaloescolha ondecaminha. portranho, pode permitir a detecção da cegueira ou visãodeficitária. A cegueira ou visão deficitária unilateralsão muito mais difíceisde detectar, e sua detecção podenecessitar vendar os olhos do cavalo (Figura 4-4). AVALIAÇÃO DO REFLEXO PUPILAR À LUZ (NERVOS CRANIANOS 11 [NERVO ÓPTICO] E 111 [NERVO OCULOMOTORD. O tamanho da pupila depende do equilíbrio entre os músculos cons- tritores, inervados por fibras parassimpáticas dos ner- vos oculomotores e músculos dilatadores, inervados por fibras simpáticas do gânglio cervical cranial. A ava- liação do reflexo pupilar à luz testa a função dos ner- vos áptico e oculomotor simultaneamente. Nela, os im- pulsos neurais, produzidos em resposta a um feixe de luz dirigido para o interior do olho, chegam ao cére- bro através do nervo áptico, são integrados na região pré-tectal do mesencéfalo contralateral e, então, ati- vam bilateralmente o componente parassimpático dos nervos oculomotores, fazendo as pupilas contraírem- se. Aconstrição no olho ipsolateral é conhecida como resposta direta, e a constrição no olho contralateral, " como resposta consensual. Avia à resposta ao feixe de luz dirigida para um olho é mostrada na Figura 4-5. Antes de realizar-se o teste, cada olho deve ser exami- nado para assegurar que não existam lesões, como aderências que possam interferir mecanicamente com a constrição. Oreflexo pupilar à luz não envolve o cár-I tex visual e, portanto, o reflexo pode ser positivo num cavalo com cegueira causada por dano nessa região. O mau funcionamento da inervação pelo nervo simpático ao olho produz uma síndrome conhecida como síndrome de Horner que consiste na constrição (miose), na queda da pálpebra superior (ptose) e nat FIGURA 4-2 produção da membrana nictitante. Há também sinaisReflexo ameaça. sdedossão rapidamente de O movimentados m dir~ e não-oculares como dilatação dos vasos sangüíneosçãoao olho,tomando-se cuidadode evitarcontatoou produzircorren- o faciais, hiperemia da conjuntiva nasal e tumefaçãotes de ar. do lado afetado da cabeça ou pescoço.
  5. 5. EXAME CLÍNICO DE EQÜINOS 87AVALIAÇÃO POSIÇÃO DO GLOBO OCULAR DA ritmicamente de posição, no sentido da nova localiza-(NERVOSCRANIANOS111[NERVO OCULOMO- ção, numa série de pequenos movimentos, ao invésdeTO R], IV [TROCLEAR] E VI [ABDUCEN- manterem-se no meio da órbita, movendo-se juntoTE]). A posição do olho é controlada ativamente com a cabeça. Essa última atividade é o nistagmo ves-pelos quatro músculos retos, pelos dois oblíquos e pe- tibular normal ou reflexo oculocefálico e resulta dalos músculos retratores do bulbo (do globo). Aposição interação entre os centros que controlam o equilíbriopode ser alterada por lesões que ocupam espaço nas (núcleos vestibulares) e os nervos responsáveis peloórbitas (abscesso, neoplasia) e podem produzir des- movimento dos olhos. Estrabismo verdadeiro é rarovios ou deslocamentos. Os únicos músculos do olho em cavalos, mas, quando presente, devido à associa-não inervados pelo nervo oculomotor são o reto late- ção anatõmica íntima dos nervos que controlam oral, os músculos retratores do bulbo, que são supridos movimento dos olhos, significa que todos os nervospelo nervo abducente (nervo craniano VI), e o múscu- estão afetados em algum grau. O estrabismo associa-lo oblíquo dorsal, suprido pelo nervo troclear (nervo do a dano em algum desses nervos irá ocorrer, inde-craniano IV). pendentemente da posição da cabeça, enquanto que A função desses músculos e nervos é avaliada ob- olhos com nistagmo associado a dano vestibular po-servando-se o posicionamento dos olhos nas órbitas e dem ser movidos e responderão ao movimento.também o movimento de cada olho. O posicionamen-to anormal é chamado de estrabismo, e o movimento CAPACIDADEDE MASTIGAR(NERVO CRANIA-anormal é conhecido como nistagmo. Antes que o NO V). Asfibras motoras para os músculos da mas-movimento anormal possa ser avaliado, os movimen- tigação são levadas no nervo trigeminal. Dano bilateraltos normais dos olhos precisam ser entendidos. Quan- a esse nervo reduz a efetividade da mastigação, en-do a cabeça do cavalo é elevada, os olhos tendem a quanto a paralisia causa incapacidade do fechamentopermanecer na posição horizontal e, ao fazer isso, gi- da mandíbula. Seguem-se atrofia do masseter, dosram ventralmente nas órbitas. Do mesmo modo, quan- músculos temporais e ventre distal dos músculos di-do a cabeça se move para um lado, os olhos mudam gástricos. Dano unilateral resulta num tõnus fraco da mandíbula e atrofia unilateral. AVALIAÇÃO DA SENSAÇÃO CUTÂNEA FACIAL (NERVO CRANIANO V). As fibras sensórias da maior parte da cabeça são levadas pelos ramos man- dibular, maxilar e oftálmico do nervo trigeminal. A função desses ramos sensórios é testada observando-se a resposta à estimulação. O movimento das pálpebras, orelha e lábios em resposta a testes com picadas leves serve para avaliar os ramos sensórios e os componen- tes motores do nervo facial, embora a apreciação cons- ciente do estímulo não seja necessária. Cada ramo pode ser testado, avaliando-se sua área de distribuição (Fi- gura 4-6). AVALIAÇÃODA SIMETRIA E MOVIMENTOS FACIAIS (NERVO CRANIANO VII). Os múscu- los responsáveis pela simetria e expressão faciais são controlados pelas fibras motoras do nervo facial (VII). Para começar, a cabeça deve ser examinada para veri- ficação de perda de tõnus, geralmente observávelcomo assimetria unilateral das pálpebras, orelhas ou lábios. A capacidade de movimentar essas estruturas é então testada, em resposta a testes de provocação. Aparalisia facial é geralmente caracterizada por "queda" da ore- lha e lábios, elevação incompleta da pálpebra supe- rior, desvio do focinho para o lado não-afetado e inca- pacidade de abrir a narina. A localização do dano no. FIGURA4-4 nervo determina quais estruturas estão afetadas. UmaColocação de venda. Permiteque os olhos sejam adequadamente cober- lesão proximal afeta a função de todas as estruturastos e que o cavalo não possa ver através da venda ou por suas bordas. supridas pelo nervo, enquanto que uma lesão distal,
  6. 6. 88 VICTOR C. SPEIRS Estímulo Estímulo Diminuição da luz Aumento da luz Nervo óptico esquerdo Nervo óptico direito Córtex visual esquerdo Colículosrostrais direitos Regiãopré-tectal esquerda ~ . ~ . Estimulaçãobilateral dos colículos Estimulaçãobilateral do rostrais e tratos tectoespinhais núcleo parassimpáticodos nervos oculomotores . + + ! ! Estimulaçãobilateral dos músculos Transmissãocaudal para Tl-3 com estimulação dos neurônios pré-gangliônicos dos esfíncterespupilares através dos gânglios ciliares ~ ~ Transmissãorostral do tronco ! ! Constriçãopupilar bilateral vagossimpático para os gânglios cervicaiscraniais + Estimulaçãodas fibras pós-gangliônicase ativação dos músculosdilatadores da pupila ~ ~ Dilatação pupilar bilateral. FIGURA 4-5Viasdo reflexopupilarà luz
  7. 7. EXAME CLíNICO DE EQÜINOS 89 do tônus extensor do membro contralateral ocorrem como resultado da perda do controle do trato vestibu- loespinhal. AVALIAÇÃODA APREENSÃO DO ALIMENTO. A apreensão de alimentos ou a transferência de ali- mentos para a boca envolve uma atividade coordena- da pelos lábios e mandíbulas, bem como uma coordenação central dos núcleos basais que coorde- nam a atividade motora de funções básicas como a atividade de comer e beber. A encefalomalácia nigro- pálida, causada pela ingestão da planta tóxica Cen- taurea solstitialis*, afeta os núcleos basais e causa incapacidade de apreender o alimento, de mastigá-Io ou de movê-Io para as porções caudais da boca. Omaut FIGURA 4-6 funcionamento do nervo facial com paralisia dos lá-Testando sensação a cutãnea(nervocranianoV). bios torna a apreensão difícil, mas o cavalo em breve aprende a mover o alimento para a boca, empurrando a cabeça no alimento e pegando-o com os dentes, deenvolvendo os ramos bucais, afeta apenas a função modo muito semelhante a um carnívoro. Em ambasdos lábios. as condições, a deglutição não é afetada, e uma vez que a comida ou água estejam na boca, a deglutiçãoAVALIAÇÃOA AUDIÇÃO (RAMO COCLEAROU D normal pode ocorrer.AUDITIVODO NERVO CRANIANOVII). Aper- A apreensão anormal ou dificultosa devido à doen-da unilateral da audição é difícil de ser detectada e por ça neurológica deve ser diferenciada de anormalidadeessa razão a surdez clinicamente aparente, que é rara, devido a lesões dolorosas como fraturas, corpos estra-é usualmente bilateral. A causa usual é otite média- nhos na língua ou abscessos retrofaríngeos. A apreen-interna. são pode ser avaliada pela alimentação manual (oferecer o alimento nas mãos ao cavalo) e pela colo-AVALIAÇÃO DO EQUILÍBRIO (DIVISÃO VES- cação dos alimentos numa superfície dura e plana.TIBULAR DO NERVO CRANIANO VIII). Essadivisãodo 8° nervo craniano fornece os principais im- AVALIAÇÃO DA DEGLUTIÇÃO (NERVOS CRA-pulsos aferentes para o sistema vestibular, que é, por NIANOS IX E X). Os nervos glossofaríngeo e vagoseu lado, responsável pelo equilíbrio e funciona con- inervam os músculos que controlam a deglutição. Atrolando a orientação da cabeça, corpo, membros e deglutição normal envolve.o transporte de alimento eolhos. O mau funcionamento do sistema é indicado água da orofaringe para o esôfago sem contaminaçãopor nistagmo, elevação da cabeça, fraqueza dos mem- da laringe ou nasofaringe. Omau funcionamento dessebros e perda do equilíbrio. processo resulta em drenagem de alimento e água pelo Nistagmo refere-se à oscilação rítmica do olho e nariz, presença de alimento ou água nas vias aéreasocorre com a cabeça na posição normal (nistagmo com aspiração para os pulmões e gotejamento de sali-espontâneo) ou em diferentes posições anormais (nis- va do nariz e boca. Pode haver uma incapacidade to-tagmo posicional).3 O movimento pode ser horizon- tal ou parcial em deglutir. No entanto, essas alteraçõestal, vertical ou rotatório, e o nistagmo é descrito pela não devem ser confundidas com obstrução esofágicadireção da fase rápida do movimento. Adireção da fase ou fenda no palato mole. A passagem de uma sondarápida pode ser usada para auxiliar na localização da gástrica não detectará nenhuma obstrução, mas tam-lesão. Por exemplo, uma lesão periférica sempre pro- bém demonstrará uma deficiência em deglutir.duz nistagmo com a direção da fase rápida opondo-se A endoscopia tanto esclarece possíveis defeitos noao lado da lesão. Alguma melhora na condição clíni- palato quanto ajuda a avaliar a desobstrução esofági-ca segue-se à adaptação à doença vestibular; no en- ca. As radiografias de contraste podem também sertanto, issopode ser abolido ou reduzido pela vendagem. usadas. Devido ao extenso envolvimento do nervo vago Quando ocorre inclinação da cabeça, essa é giradae flexionada em direção ao local da lesão, o olho ipso-lateral é desviado para baixo e .0 olho contralateral .N. de T. O nome comum da planta em inglês !yellow star thistle) signi- fica aproximadamente "estrela de cardo amarela", mas não há nomepara cima.3 Isso é associado a andar trôpego e andar popular para essa planta no Brasil, onde a intoxicação ainda não foi des-em círculos (movimento de rodeio) no sentido do lado crita. No Uruguai e na Argentina, onde a intoxicação já foi descrita, oda lesão. Fraqueza do membro ipsolateral e aumento nome comum de Centaurea solstitialls é "abre-punos".
  8. 8. 90 VICTOR C. SPEIRSna função da laringe, faringe e do trato gastrintesti- mente simétricos, embora algumas doenças sejamnal, uma função anormal desse nervo é também asso- caracterizadas por envolvimento assimétrico dos mem-ciada à intolerância ao exercício. bros. O modo mais fácil e melhor de detectar anormali-dades na deglutição é observar o cavalo cuidadosa- Posturamente enquanto ele come e bebe. Graus pequenos deanormalidade podem passar despercebidos, pois a tos- O cavalo deve ser avaliado enquanto estiver em re-se pode não ser estimulada e pode haver insuficiente pouso, para observar-se qualquer anormalidade pos-material para passar rapidamente para a parte exter- tura!. Cavalos em estação, com postura normal,na das narinas. Isso se aplica particularmente quando apresentam os membros posicionados regularmenteo bebedouro está no nível do chão, e a água pode pas- num quadrado abaixo do corpo, embora, quando emsar para a laringe e então novamente para fora sem repouso, possam posicionar-se com o boleto do mem-estimular um reflexo de tosse significativo. bro posterior flexionado e o casco repousando com sua ponta (pinça) ou superfície cranial tocando o solo. AAVALIAÇÃO FUNÇÃO DA LÍNGUA (NERVO DA posição de estação com os membros amplamente se-CRANIANOXII). Ainervação motora da língua é parados pode indicar fraqueza (paresia) ou falta depelo nervo hipoglosso. Aslesões nesse nervo produzem propriocepção (capacidade de perceber a localizaçãouma perda de função da língua no lado afetado. Se a dos membros nos espaço).perda for unilateral, o desvio da língua será para olado não-afetado e ela ficará fraca e, com o tempo, Andardesenvolverá atrofia. Se a lesão for bilateral, a línguanão poderá ser retraída para o interior da boca. Lesões O cavalo deve ser avaliado enquanto estiver cami-dolorosas na língua (corpo estranho) podem mimeti- nhando, trotando, sendo forçado a mover-se num pe-zar os efeitos de paralisia. Afraqueza é facilmente de- queno círculo e recuando. Outros testes incluemtectada aplicando-se gentilmente uma tração na atravessar ou subir e descer um monte ou rampa, ca-língua (Figura 4-7). minhar por um trajeto com obstáculos ou ser forçado a caminhar num trajeto pantanoso (ver Capítulo 5Andar e Postura para detalhes no exame de claudicação). O andar anor- mal deve ser localizado num ou mais membros e des- As lesões na medula espinhal, no sistema nervoso crito, conforme a alteração existente, como fraqueza,periférico e tronco encefálico podem causar anorma- ataxia, espasticidade ou dismetria.lidades no andar e na postura. O objetivo da análiseambulatorial e postural é decidir se existe ou não uma FRAQUEZAOU PARESIA. Fraqueza, ou paresia,anormalidade e, caso exista, determinar sua localiza- é caracterizada por sinais como arrastamento dosção. Aslesões podem ser focais, difusas ou multicên- membros, aumento do desgaste nas pinças ou superfí-tricas, e os sinais clínicos são geralmente caudais ao cie cranial do casco, tropeços, quedas e flexão do bole-local da lesão. Ossinais são, de modo usual, bilateral- to. ATAXIA. Ataxia é o termo usado para descrever a perda de propriocepção ou capacidade de identificar as relações espaciais entre os memb"os. Os sinais cau- sados pela perda da propriocepção incluem movimen- tos oscilantes (bambeira) , posicionamento assimétrico das patas, cruzamento dos membros, pisada no mem- bro oposto e circundação da pata do lado de fora ao voltar-se rapidamente. ESPASTICIDADE. Espasticidade é caracterizada por movimentos rígidos com pouca flexão das articu- lações e ocorre quando há perda do controle pelo neu- rônio motor superior sobre o neurônio motor inferior. DISMETRIA. Adismetria é usada para descrever at FIGURA 4-7 perda de controle sobre a direção e espectro de movi-Testando o tônus da língua. A capacidade do cavaloem retraira línguaé mentos dos membros e é caracterizada pelo alcancetestada puxando-a gentilmente da boca. exagerado do movimento, hipermetria (movimento
  9. 9. EXAME CLíNICO DE EQÜINOS 91 do e direito do corpo, na região da articulação do co- GRADAÇÃODAS ANORMALIDADES tovelo (Figura 4-1). AMBULATÓRIASRELACIONADASÀ DOENÇADE MEDULA ESPINHAL Reflexos do Pescoço em Membros . Anteriores GrauO (normal).Ausênciade distúrbio neuroló- RESPOSTAS CERVICAIS. A estimulação da pele . gico visível. Grau 1.O distúrbio neurológicoé quase imperceptível um andar normal, mas é n na porção lateral do pescoço, dorsal ao sulco da veia jugular, induz geralmente contração dos músculos cutâneos vistos como contrações da pele, contração do provocadoforçando-seo cavaloa recuar,virar, músculo braquiocefálico e, quando o teste é realizado balançarde um lado paraoutro e pelaextensão na região cranial, contrações das orelhas. Aestimula- do pescoçoe aplicaçãode força à região ção focal bem delimitada pode ser realizada com um lombar. alfinete, agulha, pinça hemostática ou com uma ca- . Grau2. O distúrbio neurológicoé detectado no neta esferográfica (Figura 4-8). andar normal e é grandementeexageradopelos . testesde provocaçãolistadosno Grau 1. Grau3. Os déficits neurológicossão bastante óbviosna ambulaçãonormal, com tendênciade RESPOSTAS CEREBRAIS. Oprocessamento cons- ciente de um estímulo nessa região, como foi descrito, está sob controle cerebral, e a consciência do estímulo quedasou tropeçosdurante os testesde pode manifestar-se por respostas como chamamento, . provocação. Grau4. Tropeçose quedasespontâneosaté paralisiacompleta. retirada, tentativa de escapar, balançar da cabeça ou mordidas. REAÇÃO DE BALANÇO. Esse teste é feito com o cavalo em estação e também caminhando. Consiste na tentativa de empurrar o cavalo lateralmente (Fi- gura 4-9). A avaliação envolve testar a resistência doexcessivo),hipometria(movimentodiminuído)e pas- cavalo a ser puxado ou empurrado lateralmente, bemsos longos (passo de ganso) ou curtos. como verificar ocorrência de tropeços. O teste é útil . Para facilitar o registro e comparação entre ani- para detectar-se fraqueza e ataxia. O cavalo pode sermais ou entre diferentes estágios do mesmo animal, a empurrado na paleta e também puxado lateralmentegradação de cada membro pode ser feita individual- com o cabresto.mente, usando-se uma escala de O a 4, como é mos-trado no quadro. RESISTÊNCIA À PRESSÃO DORSAL NA CER- NELHA. Pressão para baixo na cernelha geralmen-Pescoço e Membros Anteriores te causa arqueamento do dorso (lordose) em cavalos normais (Figura 4-10). No entanto, quando a fraque-Exame e Palpação O exame visual e a palpação cuidadosos detecta-rão assimetria e atrofia musculares que podem indi-car doença neurológica, defeitos esqueléticos óbvios,como deformidade congênita observada freqüentemen- , ./"te em cavalos Arabes e suores localizados, associados adanos na inervação simpática.Mobilidade do Pescoço Aincapacidade ou relutância em mover a cabeça eo pescoço em qualquer direção indicam, geralmente,uma lesão dolorosa ou mecânica. A mobilidade podeser testada pela manipulação manual da cabeça oupescoço ou através da estimulação para que o cavalomova a cabeça ou pescoço, tentando-o com algumalimento, como pasto, segurado em uma mão. É par- t FIGURA 4-8ticularmente útil segurar alimento nos lados esquer- Testando sensação a cutãneada regiãocervical.
  10. 10. 92 VICTOR C. SPEIRS saltitar lateralmente, apoiando-se no outro membro . (Figura 4-11). Parado de um lado só ou caminhando de um lado só. Ambos os membros esquerdos e, após, ambos os membros direitos são suspendidos de cada vez, e o cavalo é forçado a permanecer em estação e após mover-se de lado, usando os membros opostos. POSICIONAMENTO MANUALDE UM MEMBRO NUMA POSIÇÃO CRUZADA OU ANORMAL. O objetivo com esse teste é avaliar a capacidade de per- cepção de que o membro está numa posição incorreta e então retomá-lo à posição correta (Figura 4-12). Isso avalia especialmente a propriocepção.. FIGURA4-9Reação balanço,membrotorácico É aplicadapressão regiãoda de ácernelha, observando-sefacilidade a comqueo cavalo podeserempurra- Tronco e Membros Anterioresdo ou puxadoe a maneirapelaqualo equilíbrio restabelecido. é Palpação e Observação O tronco e os membros anteriores devem ser obser-za está presente, pode ocorrer incapacidade de resistir vados e palpados a fim de detectarem-se distúrbiosou colapso dos membros anteriores. como assimetria, atrofia muscular, malformações e . suores localizados. Atrofia muscular acentuada pro-REAÇÕES POSTURAIS TORÁCICAS, SALTITA-MENTO COM MEMBRO TORÁCICO. Em ca-valos menores (potros e pôneis), pode ser possíveltestarem-se algumas das reaçõesposturais comumenteavaliadas em cães e gatos que são úteis para detecta-rem-se defeitos sutis. . . Carrinho de mão. Ambos os membros são suspendi- dos, e força-seo animal a caminharsobre os . membrosdianteiros. Saltitamento lateral. Cada membro anterior é suspendido uma vez, e força-seo animal a de. FIGURA 4-10 . FIGURA 4-11 Saltitamento lateral.Mantendo-se membrodo cavaloelevado em- um eAplicandopressão cernelha à paratestara flexibilidade. pressão A firme purrando animallateralmente, o comoé mostrado,esta-se t suacapacida-geralmenteinduzo cavalo abaixarou flexionarventralmente dorso. a o de em saltitarlateralmente, poiando-se o outro membro. a n
  11. 11. EXAME CLÍNICO DE EQUINOS 93 . FIGURA 4-13 Testando sensaçãoutãneana regiãodo tronco. a c região Cs-TI onde estão localizados os neurônios mo- tores inferiores dos nervos torácicos laterais. REAÇÃOAO BALANCEAMENTO. Essa reação é testada empurrando-se a pelveou puxando lateralmen- te a cauda enquanto o cavalo está parado ou cami- nhando (Figura 4-14). Fraqueza ou ataxia são mais. FIGURA 4-12 aparentes durante essas manobras, se o examinadorCruzando s membros o paratestara propriocepção. for capaz de desviar o cavalo de seu trajeto com bas- tante facilidade ou fazê-Io tropeçar e mostrar abdução excessiva e acentuada e cruzamento dos membros.duz curvatura lateral da coluna (escoliose) com o ladoconvexo voltado para o lado da lesão. Lesões nos tra- REAÇÕESPOSTURAIS DOS MEMBROS PÉLVI-tos simpáticos da medula espinhal ou nervos periféri- COSo Esses testes são os mesmos descritos para ocosproduzirão suores localizados cuja posição será útil membro torácico e são interpretados do mesmo modo.em localizar a lesão. Cauda e ÂnusSensação Cutânea Nesse segmento estão as partes sacrais e coccígeas A sensação cutânea é avaliada aplicando-se uma dá medula espinhal, seus nervos associados e estrutu-agulha, caneta esferográfica ou pinças hemostáticas ras supridas por esses nervos.por toda a região do tronco (Figura 4-13). Adiminui-ção da sensação (hipoalgesia, analgesia) caudal a uma Tônus da Caudalesão na medula espinhal é uma indicação útil do lo-cal da lesão. Amaioria dos cavalos apresenta um tônus muscu- lar que resiste à elevação da cauda, embora a aplica-Reflexos do Tronco e dos Membros ção de uma força moderada permita a elevação daAnteriores cauda em todos os cavalos, exceto os mais nervososou excitados (Figura 4-15). A ausência de tônus ou fra-A RESPOSTA DO PANÍCULO. Essa resposta é um queza dos músculos voluntários geralmente indicareflexo caracterizado por contração dos tecidos asso- uma lesão no segmento sacrococcígeo da medula es-ciada à contração dos musculocutâneos rIo tronco, pinhal. No entanto, lesões graves localizadas mais pro-após a estimulação nos aspectos laterais do corpo. O ximalmente podem também produzir fraqueza.componente sensório desse reflexo é levado à medula Embora a torcedura da cauda seja, às vezes,associadaespinhal pelos ramos dorsais dos nervos espinhais ao à doença neurológica, é freqüentemente uma ativida-nível do estimulo, antes de seguir cranialmente para a de normal para alguns cavalos.
  12. 12. 94 VICTORC. SPEIRSt FIGURA 4-14 t FIGURA 4-15 Testando tônusda cauda. oReação balanceamento, ao membrosposteriores. pressão exercida A éempurrando-seregiãoda ancaou puxando-se caudae observando-se a aa facilidadecomqueo cavalo podeserempurradcJ puxadoe a manei- oura pelaqualo equilibrio restabelecido. é urgente de fazer-se um diagnóstico e realizar-se um tratamento ou a eutanásia. Para tomar-se essas deci- sões é necessária a localização anatõmica exata daReflexo Perineal lesão. Esse reflexo é testado cutucando-se gentilmente a Reflexo de Flexão do Membro Anteriorpele do períneo com um alfinete, ou caneta esferográ-fica, e observando a resposta, consistindo em contra- Esse reflexo é controlado ~los segmentos C6- 2 da Tção do esfíncter anal e abaixamento da cauda (Figura medula espinhal.4-16). É importante avaliar-se tanto os componentessensórios como os componentes motores do reflexo. Ainervação sensória é feita através dos ramos perineais . Estímulo. Com o membro estendido, a pele do membro distal é estimulada através da compressãodo nervo pudendo (SI-S3) A inervação motora do es-fíncter anal pelo ramo retal caudal do nervo pudendoe a flexão da cauda é mediada pelos nervos espinhais . com um pinça (Figura 4-17). Resposta. Recolhimento do membro, consistindo em flexão de todas as articulações.associados com os segmentos SI-CIO Apercepção consciente envolve fibras aferentes dosCavalos em Decúbito nervos mediano e ulnar e rotas sensoriais na medula espinhal cervical e tronco encefálico. Lesões craniais o decúbito é um sério problema em cavalos e, em- em C6permitem liberação do controle pelo NMS,o quebora alguns exames sejam excluídos pelo decúbito, leva à exacerbação do reflexo extensor.alguns reflexos espinhais que não podem ser avalia-dos com o cavalo em pé, podem ser avaliados com o Reflexos do Bíceps e do Trícepscavalo em decúbito. Quando o cavalo está em decúbi-to, a capacidade de localizar uma lesão é ainda mais Essesreflexos(segmentosCrTI da medula espi-importante que o usual, porque há uma necessidade nhal) são geralmentedifíceisde seremevocados fre- e
  13. 13. EXAME ClÍNICO DE EQÜINOS 95qüentementeé necessária a exacerbação provocada poruma lesão de NMS, antes que uma resposta positivapossaser obtida. . Estímulo. Como membro apoiado paralelamente ao chão e levementeflexionado, o tendão dos músculosbícepsou trícepsé golpeado levemente com um martelo neurológico.O tendão do bícepsé localizadocranialmenteà sua origem na escápula (Figura4-18),e o tendão do tríceps localiza-se proximalà sua inserçãono olécrano(Figura4-19). . Resposta. ma respostapositivaé observadacomo U uma contraçãobem marcadado músculoassociado (i. e., leveextensãodo cotovelo parao reflexo do trícepse leveextensãodo ombro (articulação escapuloumeral) flexão do cotovelo para o reflexo e t FIGURA 4-17 do bíceps). Testando sensaçãoutãneae resposta a c doflexorno cavaloemdecúbito.Reflexo de Flexão do Membro Posterior Esse reflexo tem um componente sensório (nervo . Resposta.Recolhimentodo membro, consistindo em uma flexão da articulação.ciático) e um componente motor (segmentos 1S-S3damedula espinha!). o componente sensório depende de onde ocorreu o . Estímulo.Com o membro estendido,a pele da sua porçãodistal é apertada com uma pinçacomo foi estímulo, sendo femoral para a pele da região medial da coxa, peroneal para a pele sobre a porção dorsal do tarso e metatarso e tibial para a pele do aspecto plan- descritopara o membro anterior. tar do metatarso. Reflexo Patelar Esse reflexo tem um componente sensório (nervo femora!) e um componente motor (segmentos 14-1s da medula espinha!). . Estímulo. Com o membro paralelo ao chão e levementeflexionado, o ligamento patelar media é It FIGURA 4-16 t FIGURA 4-18Testando reflexoperineal. o Reflexo bíceps cavaloem decúbito. do no
  14. 14. 96 VICTOR C. SPEIRS. FIGURA 4-19 . FIGURA 4-20Reflexo trícepsno cavaloem decúbito. do Reflexo patelarno cavalo decúbito. em golpeado levementecom um martelo neurológico tares da medula espinhal toracolombar no nível da . (Figura4-20). Resposta. grupo de músculoquadrícepsse O contrai e produz uma súbita extensãodo joelho e estimulação. A resposta passa cranialmente para Cs- T3onde os corpos celulares dos NMIs dos nervos torá- cicos são estimulados, produzindo contração dos membro. músculos. Portanto, a interrupção do fluxo cranial da estimulação sensória por uma lesão induzirá à perdaInterpretação da Capacidade do Cavalo em da resposta muscular, quando o estímulo for feito no ponto da lesão ou caudal a ele.Mover a Cabeça, Pescoço e Membrosquando em Decúbito Há várias hipóteses,geralmenteverdadeiras,que MÉTODOS DE EXAMES ESPECIAISpodemser feitascorrelacionando-se local da lesão ocom a capacidadedo cavaloem realizarcertosmovi- Coleta e Exame do Líquidomentos: Cefalorraquidiano . 5e o cavalo pode erguer apenas a cabeça, a lesão é Acoletado líquido cefalorraquidiano (liquor) éum . na parte cranialda região cervical. 5e o cavalopode erguer a cabeçae o pescoço,a lesãoé, geralmente,na parte caudalda região procedimento relativamente simples e pode fornecer informações muito úteis.4,5Uma amostra pode ser co- lhida em qualquer um de dois locais: atlantoccipital e . cervical. Seo cavalo nãopodeerguer-setéumaposição a sentado(posiçãode "cão sentado"),a lesãoé na lombossacral, a escolha sendo ditada pelo tipo e loca- lização da lesão suspeitada. Geralmente, a obtenção do liquor no local atlantoccipital é indicada para le- . medula espinhalcervical. Seo membro torácicoé funcionante,a lesãoé sões intracranianas, e o liquor do locallombossacral, para lesões mais distais. A vantagem da coleta lom- . caudala T2. Seo déficitneurológico notroncoou membros é bossacral é que ela pode ser feita com o cavalo em estação, apresenta poucos riscos e é geralmente útil . pélvicos,a lesãoé localizadaentre T2e 52, Suor localizadoindicauma lesãonos tratos simpáti- cos descendentes. para diagnosticar tanto lesões encefálicas como dis- tais. ProcedimentoResposta a Picadas na Pele (Reflexo doPaniculo) A coleta do líquido do espaço atlantoccipital é ge-, ralmente feita com o cavalo em decúbito lateral sob Aestimulação da pele, picando-se com um alfinete anestesia geral. Se um cavalo já está em decúbito de-ou beliscando-se com uma pinça, induz a contração vidoà enfermidade,podenão ser necessáriaa aneste-dos músculos cutâneos do tronco, cujos ramos sensó- sia geral, mas são necessárias analgesia e excelenterios localizam-se no ramo dorsal dos nervos segmen- contenção. A càleta do espaço lombossacral é geral-
  15. 15. EXAME CLÍNICO DE EQÜlNO5 97 ou atlas. Esseserros podem ser minimizados, atentan- iais para Coleta de do-se para os balizamentos anatômicos e posiciona- o Cefalorraquidiano mento da cabeça e pescoço. Caso se suspeite que a agulha foi mal direcionada, ela deve ser retirada e, então, redirecionada. É importante não se tentar cor- rigir o mau direcionamento, manipulando-se a posi- ção do cavalo enquanto a agulha está inserida. COLETALOMBOSSACRAL. Acoleta lombossacral é feita com o cavalo contido em troncos. A sedação é recomendada apenas quando absolutamente necessá- ria, porque tal medicação freqüentemente causa uma estação assimétrica, com a maior parte do peso do ca- valo apoiada em um membro, o que toma a coleta difícil. Embora a coleta seja possível em cavalos em decúbito, tal dificuldade associada à ausência de si- metria toma o procedimento ainda mais difícil. Se a coleta for feita com o cavalo em decúbito, o membro pélvico superior deveser elevado para assegurar-se que a região fique simétrica. Ambos os membros pélvicos podem ser avançados para aumentar o espaço lom-mente feita com o cavalo em pé, com sedação e con- bossacral e para estender o ligamento interarciformetenção apropriadas. e as meninges, incrementando as condições para a percepção da penetração. COLETAATLANTOCCIPITAL. Com o cavalo sob O local para inserção da agulha na linha média é anestesia geral e em decúbito lateral, uma área de 6 x mostrado na Figura 4-22. Há diferentes modos de lo- 6" (15 x 15cm), centrada sobre o espaço atlantoccipi- calizar a posição correta: tal, é tricotomizada e preparada para punção estéril. A cabeça é posicionada de maneira que fique em ângu- 1. Intersecçãoda linha médiacom uma linha imaginá- fo reto com o pescoço, e o focinho é elevado para tor- ria ligandoas bordascaudaisdas tuberosidades nar a cabeça paralela ao chão. Os balizamentos e a coxais. anatomia pertinentes são mostrados na Figura 4-21. A 2. PalpaçãoretaI da eminêncialombossacral entral v agulha, com o mandril, é inserida verticalmente na que fica aproximadamenteembaixo do local linha média, no encontro com uma linha que une os correto. Essemétodo é útil em animaisobesosnos pontos craniais das asas do atlas. A penetração da quaisos balizamentosnão são tão facilmente membrana atlantoccipital dorsal e dura-máter ocorre localizados. geralmente a uma profundidade de 5 a 7cm (2 a 3") e 3. Palpação dos processos espinhososdorsolombares é indicada por uma sensação de "pipocar" e perda de e sacraisna linha média. Na região lombossacral, resistência. Deve-se ter cuidado, apoiando a mão ao uma depressãoé geralmentepalpável.No entanto, avançar a agulha, para evitar uma súbita penetração deve-se em mente que L6e 51são, respectiva- ter excessiva.Quando se percebem os sinais descritos an- mente, maiscurtas que Lse 52,e que S1geralmente teriormente ou quando a profundidade for julgada su- não é palpável.Portanto,à medidaque apalpaçãoficiente, o mandril deve ser removido. Uma inserção progride no sentido caudal,a primeiradepressão ébem-sucedida é indicada pelo aparecimento de líqui- geralmentesobre L6e a localização corretaserádo cefalorraquidiano (liquor) na cabeça da agulha. caudal a esseponto.Se não aparecer líquido, a agulha deve ser rotada em90°, o que freqüentemente provoca o aparecimento A localizaçãodo ponto corretopara a inserçãoédo liquor. Caso não se obtenha liquor, o mandril é re- relativamente fácil se for lembrado que há uma consi-colocado, e a agulha é inserida ou redirecionada como derável variação entre cavalos e também que se de-indicado. A pressão do liquor pode ser medida aco- vem usar todos os balizamentos anatômicos disponíveispiando-se um manômetro à agulha antes que qual- como guias.quer quantidade de líquido seja removida. O cavalo é posicionado de tal maneira que seus Os problemas mais comuns são inserir a agulha membros pélvicos fiquem simetricamente colocados efora da linha média, errando assim o espa~, e dire- suportem pesos iguais. O local selecionado é tricoto-cionar a agulha demasiado cranialmente ou caudal- mizado, preparado para punção estéril e injetado commente, acertando, assim respectivamente, o occipital solução anestésica local. Uma incisão é feita com uma
  16. 16. 98 VICTORC. SPEIRS t FIGURA4-21 Coletado liquordo espaçoatlantoccipital. agulhaestácolocadano local,e o mandrilfoi removido. s balizamentos natômicos A O a usados sãoos bordoscraniais atlase a eminência do médiada cristanucal.(Fonte:deLahunta Veter/nary A: Neuroanatomy and O/n/calNeurology,2nd. ed., Saunders, Philadelphia, 1983,p 44. Reproduzidaompermissão.) clâmina de bisturi, e a agulha espinhal, com o man- cosoA dura-máter e aracnóide são penetradas geral-dril, é inserida verticalmente. Uma agulha de 15cm é mente de forma simultânea com o ligamento interar-de comprimento suficiente para quase todos os cava- ciforme, embora algumas vezes a agulha deva serlos, exceto os maiores. Normalmente o cavalo não se avançada um pouco mais. Mais uma vez, é importan-ressente com a introdução da agulha e ocorre pouca te apoiar (descansar) a mão que controla a agulharesistência. Como na coleta no espaço atlantoccipital, sobre o cavalo, de modo a evitar uma penetração ex-há geralmente a sensação de súbita redução na resis- cessiva súbita, caso o cavalo se mova repentinamente.tência quando o ligamento interarciforme é penetra- Se o liquor não é obtido, a agulha pode ser avança-do a uma profundidade de cerca de 11 a 12crn.Embora da para o assoalho do canal vertebral (passando atra-uns poucos cavalos reajam violentamente, na maio- vés da dura-máttJ e espaço subaracnóideo dorsais,ria.das vezes a penetração é acompanhada somente conus medullaris [cofle medular] e espaço subarac-por um leve movimento da cauda, tremores muscula- nóideo e dura-máter ventrais). Então, à medida queres localizados ou discreta flexão dos membros pélvi- se gira a agulha, ela vai sendo retirada vagarosamen-
  17. 17. EXAME ClÍNICO DE EQÜINOS 99 te, um milímetro de cada vez. A oclusão manual de é coletada em recipientes adequados e submetida para ambas as veias jugulares (manobra de Queckenstedt), exame citológico e, caso indicado, para avaliação bac- aumenta a pressão intra-espinhal e melhora as chan- teriológica (Apêndice C). cesde obter um volume adequado de liquor. Uma suc- ção suave deve ser usada para obter-se liquor, mas Resultados issodeveser feito muito cuidadosamente a fim de evi- tar hemorragia. Se a agulha tocar o osso antes que o O liquor é formado pela secreção e filtração, prin- liquor seja obtido, o clínico deve decidir se se trata do cipalmente, pelos plexos coróides ventriculares, flui assoalhodo canal medular, ou se agulha, mal direci- pelas aberturas laterais do quarto ventrículo e, então, onada, errou o espaço lombossacral e colidiu no sacro por sobre os hemisférios cerebrais ou caudalmente ao ou no dorso de 16. redor da medula espinhal, saindo através das reflexões da dura-máter dos nervos espinhais. Daí a tendência PREPARAÇÃO AMOSTRA. O liquor deve ser DA para as lesões craniais serem melhor diagnosticadas examinado o mais cedo possível após a coleta. Caso numa coleta atlantoccipital, e lesões caudais, numa issonão possa ser feito, ele deve ser diluído em igual coleta lombossacral. Existem barreiras anatômicas e volume de álcool para preservar as células. A amostra funcionais entre o sangue e o liquor, sangue e cérebro r-- At FIGURA 4-22Coletado liquordo espaçolombossacra!. A agulhaestácolocadano local,e o mandrilfoi removido.Osbalizamentosnatômicos A. a usados sãoosbordoscaudais cadatuberosidade de coxal,o bordocaudal a colunavertebral m L,;,o bordocranial a colunanasegunda d e d vértebrasacral o bordo ecranialde cadatuberosidade sacra!. Fonte:delahuntaA: Veterinary ( Neuroanatomy Clinical eurology.2nd. ed., Philadelphia, and N Saunders,1983,p42. Reproduzidaompermissão.) c
  18. 18. 100 VICTOR C. SPEIRS B . B.Seção FIGURA 4-22 Continuação transversaemonstrando agulhapassando d a portodosostecidos,incluindo conusmedu- o lIaris(conemedular),até atingir o espaçosubaracnóideentral.(Fonte:delahunta A: Veterinary v Neuroanatomy nd Clinical eurology, nd. ed., Philadelphia, a N 2 Saunders, 983,p 43. Reproduzida 1 com permissão.)e liquor e cérebro. Valoresnormais são apresentadospara adultos nas Tabelas 4-1 e 4-2, e para potros, na . Lesão tóxica. (p. ex., leucoencefalomalácia por ingestão de milho mofado). Aumento de proteína,Tabela 4-3. células mononucleares. Algumas categorias de doenças e achados espera-dos são os seguintes: COMPLICAÇÕES. Pode ocorrer contaminação . Doenças infecciosas. Aumento de neutrófilos com infecções bacterianas, pequenas células mononu- com sangue, o que dá ao liquor uma coloração aver- melhada. Ascaracterísticas a seguir podem ser usadas para auxiliar a determinar se o sangue está presente cleares com infecções virais, eosinófilos com como um contaminante ou se é associado a sangra- . infecções por protozoários e helmintos. Necrose e infecções crônicas. Aumento de macrófa- mento patológico para o liquor: . . gos ou células mononucleares grandes. Trauma. Xantocromia e aumento de proteína, eritrócitos,neutrófilossem alteraçõestóxicase Em contaminações pequenas, o sangue homogeneamente misturado, redemoinha na não é amostra e, geralmente, decresce à medida que mais macrófagos. liquor é retirado.
  19. 19. EXAME CLíNICO DE EQÜINOS 101 . TABELA4-1 poucos mililitros é indicativa dessa possibilidade. Se a LíQUIDOEFALORRAQUIDIANO C DEEQÜINOS (LlQUOR): VALORESE D pressão não cair excessivamente, um volume de 30 a REFERÊNCIA CAVALOS 24) EPÔNEIS = 21) NORMAIS. PARA (N (N LlQUOROLHIDO C NOSESPAÇOS ~ ATLANTOCClPITAL (AO)E 40mi pode ser colhido. LOMBOSSACRAL (LS) fu 1JII.mR.AÇ--- Radiologia do Sistema Nervoso Variável Média Desvio Padrão o exame radiológico do sistema nervoso pode ser Pressão abertura(mmH,O) de 308,80 75,15 extremamente útil para localizar e caracterizar lesões Retirada liquor(mR) de 14,93 4,07 relacionadas a traumatismo (fratura de vértebras, des- Pressão defechamento (mmH,O) 223,58 74,46 locamento de vértebras), infecção (abscessosvertebrais Leucócitos (nohR) 1,41 1,74 Eritrócitos (no.jR) 195,16 511,96 e osteomielite) e malformações (congênitas, síndro- Proteína(mgjdR) Cavalos 37,23 28,41 me de compressão da medula espinhal cervicalou "sín- Pôneis 60,48 20,45 drome de bambeira" [wobbler]). Ocasionalmente é Diferenças LS-AO -0,46 13,07 Glicose(mgjdR) AO 48,00 9,92 também necessário avaliar-se a cabeça para detecção LS 55,13 8,22 de traumatismo (fratura de crânio), infecção (infec- (%liquorjsoro) AO 51,65 8,77 ção dos ouvidos médio e interno com envolvimento LS 58,38 9,48 144,58 1,86 das cavidades timpânicas) e malformação (hidroce- Sódio (mEqjR) Potássio(mEqjR) 2,95 0,05 falia congênita e malformação atlantoccipital). Os Cloro(mEqfR) 109,22 6,90 procedimentos e achados são descritos em detalhe em Cálcio(mgjdR) 4,18 0,87 outra publicação.6 Fósforo(mgjdR) 0,83 0,20 CreatinafosfoquinaseUI) ( 1,08 3,13 Radiografias de qualidade aceitável da cabeça e das Transaminase aspartato de 30,74 6,31 porções proximais da coluna cervical podem ser obti- (unidades F) S das com filmes de alta velocidade e uma unidade mó- Desidrogenase láctica(LlI) 1,51 1,75 Fosfatasealcalina (UI) 0,83 0,95 vel de raio X. No entanto, caso sejam necessárias Nitrogênio (mgjdR) 11,82 3,26 radiografias de alta qualidade ou radiografias da por- Colesterol(mgjdR) 4,76 5,72 ção cervical caudal da coluna, ou mais caudal a essa porção, e, se o paciente for muito grande, serão neces- Observação: Eletrólitos medidos apenas para cavalos. Exceto ondefor indicado, todos os valores são dados combinados de cavalos e sários anestesia, um aparelho de alta potência e con-pône!.s e locais AO e 13 de coleta. (Fonte: Mayhew IG, Whitlock RH, siderável experiência. A identificação de lesões que Tasker JB: Equine cerebrosPinal fluid- Reference values of normal ocupam espaço é facilitada pela mielografia. Em qual- horses. AmJ Vet Res 1977;3: 1271. Reproduzida com permissão.) quer caso, radiografias simples (não-contrastadas) devem ser tomadas antes, a fim de definir a integrida- . Uma altamente contaminada pode coagu- amostra de óssea e a necessidade de técnicas de contraste. A . lar; amostras com hemorragia preexistentes não. A centrifugação de uma amostra contaminada produzirá um sobrenadante claro, enquanto que, existência de lesões demonstráveis apenas quando o pescoço assume uma posição de estresse (lesões dinâ- micas), como "síndrome de bambeira" (wobbler) , em casos de hemorragia, o sobrenadante será devem ser entendidas, e as técnicas apropriadas de- xantocrômico. vem ser conhecidas. Herniação subtentorial pode seguir-se à remoção Radiografia Simplesdo líquido quando há obstrução cranial ao local decoleta. A presença de pressão anormalmente alta que Aradiografia simples é executada como um proce-cai subitamente (25-50%) após a remoção de alguns dimento diagnóstico único ou preliminarmente à ra-t TABELA 4-2VALORESELETROFORÉTICOS LlQUOR DO -- l:L~--- Globulina (rngj100rnR)Proteína Total (rngj100rnR) Alburnina (rngj100rnR) Alta, Alta2 Beta Teta40,1 15,3 5,2 6,7 5,8 5.7I3,1 I1,2 IO,9 I 0,4 IO,6 IO,8Dados originados de Kirk GR, NeateS, McClure RC, et aI.: Electrophoreticpattern ofequine cerebrosPinalfluid. AmJ Vet Res 1974; 35:1263.

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