Caminhada da Quaresma

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  • 1. Juventude Mariana Vicentina do Sobreiro - Sector Mariano CAMINHADA DE QUARESMA Duc in altum (Lc 5, 4) NOTA INTRODUTÓRIAA beleza do Tempo Quaresmal é, este ano, enriquecida pelo Ano da Fé,proclamado pelo Romano Pontífice gloriosamente reinante, Bento XVI. Destemodo, propõe-se uma caminhada que nos ajude na subida para o Calvário deCristo, para que, três dias depois, o Ressuscitado ressuscite, não só no Seu Corpoglorioso, mas nas nossas almas arrependidas.Para isso, toma-se como mote a ordem de Jesus aos apóstolos: “Duc in altum” –“Faz-te ao largo” (Lc 5, 4), que já o Beato João Paulo II tomava como ponto inicialda sua encíclica Novo Millennio Inuente, acerca dos desafios que ficavam depoisdo Sacro Jubileu do ano 2000. Como a Pedro e aos discípulos, Jesus impele-nos a,destemidamente, largar as amarras com que o Demónio nos prende a si e ao seureino - os nossos confortos, as nossas seguranças, os nossos pecados – para nosfazermos ao mar do mundo, tirando daí uma pesca abundante: a conversão danossa e de muitas almas.Do ponto de vista esquemático, esta caminhada irá ter duas fontes: a liturgiadominical da Quaresma e a Mensagem para a Quaresma de 2013 do Santo Padre,o Papa Bento XVI. Deste modo, pretende-se ouvir, quer a Revelação de Deusatravés das Sagradas Letras, quer Tradição Apostólica, pela pena do nosso amadoSucessor de Pedro.
  • 2. 1. O LEMA E O TEMAAssim, são estas as temáticas de cada Domingo:1ª semana (tentações – ponto de partida): DIZER ADEUS AO CAIS2ª semana (transfiguração – a meta): RUMO AO CAIS DE CHEGADA3ª semana (parábola da figueira): AVISO À NAVEGAÇÃO4ª semana (parábola do pai misericordioso e dos filhos perdidos): CHEGAR ABOM PORTO5ª semana (mulher adúltera): VIRAR DE BORDO6ª semana (Semana santa): REMAR CONTRA A MARÉ 2. SEMANA APÓS SEMANAPara estas semanas vamos apontar para um grande símbolo da Igreja: a barca doAno da Fé. Da Quaresma à Páscoa, vamos construir a Barca, de acordo com osseus símbolos constituintes.Obviamente, o objetivo da dinâmica aqui proposta não pode reduzir-se a ummero trabalho manual, feito em família ou em ambiente paroquial. Importa que,na atividade proposta, na oração realizada e na assunção prática de uma atitudeconcreta, a quaresma se viva, segundo o desiderato, de uma “renovada conversãoao Senhor” expresso pelo Papa, na Carta Apostólica, para o Ano da Fé:“O Ano da Fé é convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, únicoSalvador do mundo. No mistério da sua morte e ressurreição, Deus revelouplenamente o Amor que salva e chama os homens à conversão de vida, por meio daremissão dos pecados” (Bento XVI, PF 6).Como nos diz ainda o Santo Padre, na sua Mensagem, “a Quaresma, com asindicações que dá tradicionalmente para a vida cristã, convida-nos precisamente aalimentar a fé, com uma escuta mais atenta e prolongada da Palavra de Deus e aparticipação nos Sacramento e, ao mesmo tempo, a crescer na caridade, no amor aDeus e ao próximo, nomeadamente através do jejum, da penitência e da esmola”(MQ2013, 3).Nesse sentido, para integrar as indicações quaresmais acima referidas, a nossadinâmica desenvolver-se-á, em três campos de ação: atividade, oração, atitude.
  • 3. 3. ORAÇÃOProporemos que se redescubram algumas fórmulas de orações comuns, quepropiciem “aquele encontro com Deus, em Cristo, que suscita em nós o seu amor enos abre o íntimo aos outros” (cf. DCE 31; cit. MPQ2013, n.1).Na verdade, a prioridade da fé e a primazia da caridade, encontram a sua fontecomum, numa renovada prática da oração cristã, como nos lembra o Santo Padre:“a existência cristã consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deus edepois voltar a descer, trazendo a força e o amor que daí derivam, para servir osnossos irmãos e irmãs, com o próprio amor de Deus” (MPQ2013,3). Vai neste sentido,a concretização do exercício da Oração, que propomos, semana a semana,destacando uma a uma, algumas das suas expressões:- na 1ª semana, a oração da Libertação (em PDF anexo)- na 2ª semana, “uma escuta mais atenta e prolongada da Palavra”, rezando oEvangelho de cada dia (em PDF anexo), como nos lembra o Papa na suaMensagem para a Quaresma (MPQ2013,3) ;- na 3ª semana, a prática tão esquecida e tão necessária do Exame de consciênciadiariamente;- na 4ª semana, a oração do pai-nosso, que nos introduz na experiência do seramado por Deus;- na 5ª semana, a oração do “acto de contrição”, numa das suas formas (em PDFanexo);- na 6ª semana, a oração penitencial feita pelo então Cardeal Ratzinger, na 9ªestação da Via Sacra de Sexta-Feira Santa, no Coliseu, em Roma, poucos diasantes de ser eleito Papa, com o nome de Bento XVI. Segue-se aqui o texto comalgumas adaptações.
  • 4. 4. ATITUDE - COMPROMISSOA Mensagem do Santo Padre para a Quaresma de 2013, articula, sob muitíssimosaspetos, a relação entre fé e caridade, na convicção expressa de que “crer no amorsuscita caridade” (cf. I Jo.4,16). Por isso mesmo, esta “caridade” não se esgota naprática da “esmola” ou da “partilha”. “De facto, por vezes, tende-se a circunscrevera palavra caridade à solidariedade ou à mera ajuda humanitária” (MPQ2013.3). Nestesentido, as atitudes ou compromissos, que sugerimos, ao longo da Quaresma, nãosão apenas «obras», “fruto do esforço humano” mas «obras que nascem da própriafé” (MPQ2013).Deste modo, procuramos amplificar o sentido da caridade, tendo em conta queesta também se manifesta, por exemplo, no anúncio do evangelho, no serviço daPalavra (cf. Paulo VI, EN, 16), no cultivo e na vivência da amizade com Cristo (cf. Jo.15,14-15), no esforço por caminhar na verdade (Ef.4,15), na prática do perdão acolhido nafé e oferecido aos outros. Neste enquadramento propomos:- na 1ª semana, dispor-se a renunciar, àquilo que mais pesa na “embarcação” danossa vida. Esta renúncia tem um duplo aspeto: renúncia ao pecado e renúncia aalgum ou alguns dos “bens deste mundo”, que possam ser obstáculo à prioridadeda fé e à primazia da caridade (cf.MQ2013, 4).- na 2ª semana, a par da leitura mais prolongada da Palavra de Deus, sugere-se aatenção concreta ao próximo, ao mais próximo, aos que vivem debaixo do mesmoteto. “Subir ao monte da oração, trazendo o amor e a força que daí derivam, paraservir os nossos irmãos e irmãs com o próprio amor de Deus” (MQ2013,3).- na 3ª semana, vamos colaborar, de forma mais urgente, na preparação de tudoo que for necessário para o acolhimento condigno da Imagem Peregrina de NossaSenhora;- na 4ª semana, o quadro bíblico da parábola do pai misericordioso e dos doisfilhos, sugere-nos a prática da Reconciliação, não apenas como sacramento (queterá também o seu momento, de acordo com o calendário paroquial), mas também como práticaconcreta de aproximação àquele (s) de quem andamos mais distantes. “Saber-seamado por Deus” terá como consequência uma capacitação maior para a práticada reconciliação.- na 5ª semana, é-nos sugerido que deitemos ao chão todas as pedras que temosna mão. Sugerimos, nesta semana, um diálogo, em casal e/ou em família, queresulte na partilha daquilo que, afinal, ainda temos uns contra os outros, e queescondemos, como pedras na mão.- na 6ª semana (Semana Santa), propomos que os fiéis “remem contra acorrente” que os atira para a diversão, para as férias, e participem maisassiduamente nas celebrações do tríduo pascal. Temos de remar contra a maré,contra ventos e costumes que se instalam e que nos levam, por exemplo, a viveruma semana santa sem exigência, sem combate, sem proximidade com o Senhor.
  • 5. DUC IN ALTUMSEMANA TEMÁTICA ATIVIDADE ORAÇÃO ATITUDE1ª semana A primeira semana coloca-nos no ponto de CONSTRUIR Oração de Quem vai para o partida. Iniciámos uma viagem, “impelidos O BARCO Libertação mar, avia-se emDIZER pelo sopro do Espírito Santo” (cf. Evº). A 1ª terra.ADEUS leitura lembra-nos que “o Senhor nos fez sair Criar condiçõesAO CAIS do Egipto”, que nos “fez atravessar o Mar”. E o para partir. próprio Jesus, também “se retirou das Que coisas tenho margens” para mergulhar no oceano infinit0 de largar? do amor do Pai. O desafio desta semana é Renúncia ao “dizer adeus ao cais”, para iniciar a grande pecado. viagem da fé. Renúncia aos bens. COLOCAR O “Subir ao monte da CÍRIO2ª semana A segunda semana coloca-nos perante a meta “Este é o meu oração, trazendo o NO BARCO de todo o caminho quaresmal: a Filho: escutai- amor e a força que Início doRUMO transfiguração, como experiência de O”. daí derivam, para desenho doAO CAIS transformação e antecipação da ressurreição. logotipo da servir os nossos Barca no círioDE É preciso divisar a meta. São Paulo exorta-nos Deixar-se guiar irmãos e irmãs comCHEGADA a pôr olhos na esperança da pátria futura. E Desenhar pelo evangelho o próprio amor de retângulo, Abraão, na 1ª leitura, é desafiado a olhar o céu do dia. Deus” (MQ2013,n.3). letras e e as estrelas. Para conhecer o rumo e chegar à números Maior atenção e meta, precisamos de percorrer o caminho Tomar a serviço às pessoas certo. A nossa Carta de marear é a palavra da Palavra, como que vivem debaixo Escritura que nos orienta, como bússola. uma bússola, do mesmo teto. Precisamos de ler e de escutar esta Palavra na rezando o voz do Filho: «Escutai-O» (cf. Evangelho). Evangelho de cada dia da Semana.3ª semana A terceira semana coloca-nos bem no coração “Quem se julga “Perder” tempo de uma quaresma de sabor penitencial. Quer Desenhar no de pé, tenha para ajudar aAVISO Jesus, quer São Paulo, deixam-nos claros círio cuidado para receber,À avisos ou advertências à navegação: «se não a barca não cair” (cf. 2ª condignamente, a
  • 6. NAVEGAÇÃO vos converterdes morrereis todos» (evº), «quem leitura) Imagem peregrina se julga de pé tome cuidado para não cair» (2ª de Nossa Senhora leitª). Passar através do mar, receber o batismo, Fazer todos os durante a próxima não é um seguro de viagem! É preciso mesmo dias o exame semana. mudar de rumo… de consciência.4ª semana Na quarta semana, experimentamos já a Desenhar no alegria do Povo de Deus, que celebra a Páscoa Responder ao Reconciliar-se, círio,CHEGAR «em terra», e a alegria do Pai por causa do dentro do amor do Pai, aproximar-se, quadrado oA BOM «filho que estava morto e voltou à vida», mas com amor de voltar à paz, trigramaPORTO sentimos ainda como é difícil fazer entrar na Filho: regressar mesma “barca” do amor divino, «o filho mais Rezar todos os ao diálogo. velho». A parábola do pai misericordioso dias o Pai- Confissão. sugere-nos o regresso a casa e ao coração do Nosso. Pai como experiência de quem chega ao bom «porto da misericórdia e da paz» (Pref. Quar.VI).5ª semana O Senhor abre caminhos através do mar (1ª Desenhar no “Vai e não Deitar para fora da leitura) e, com o seu perdão, dá-nos círio voltes a pecar”. barca da nossa vida,VIRAR possibilidade de refazer e de recriar a vida: o círculo Rezar todos os todas as «pedras»DE «vai e não voltes a pecar” (evº). No caminho da eucaristia dias o Acto de escondidas na mão,BORDO perfeição, a meta nunca está alcançada. É Contrição. contra os outros. preciso “cortar as ondas sem desanimar, pois em qualquer aventura, o que importa é partir, não é chegar” (M. Torga).
  • 7. 6ª Estamos em plena semana santa. Jesus é o Colocar ousemana – Servo, que tem de tornar o seu rosto duro desenhar Oração de ParticiparSemana como pedra, para afogar em abundância de debaixo do J. Ratzinger Nas celebraçõessanta bem, todas as forças do mal, que contra ela barco, as Via Sacra 2005 do Tríduo Pascal avançam. “Desmedida, a revolta imensidão, ondas 9ª EstaçãoREMAR transforma, dia a dia, a embarcação numa errante eCONTRA A alada sepultura, mas corto as ondas semMARÉ desanimar” (M. Torga). “Também Jesus sentirá medo e angústia: quando chegar a sua hora, Ele sentirá sobre si mesmo todo o peso dos pecados da humanidade, como uma onda alta Colocar no que está prestes a cair sobre Ele. Esta, sim, círio o traço será uma tempestade terrível, não cósmica, horizontal da mas espiritual. Será o derradeiro e extremo Cruz assalto do mal contra o Filho de Deus” (Bento XVI, Homilia, 21.06.2009)
  • 8. DOMINGO I DA QUARESMA – Dizer adeus ao CaisPasso Bíblico: Lc 4, 1-2Naquele tempo, Jesus, cheio do Espírito Santo, retirou-Se das margens do Jordão.Durante quarenta dias, esteve no deserto, conduzido pelo Espírito, e foi tentadopelo Diabo. Nesses dias não comeu nada e, passado esse tempo, sentiu fome.Da Mensagem do Papa:Toda a vida cristã consiste em responder ao amor de Deus. A primeira resposta éprecisamente a fé como acolhimento, cheio de admiração e gratidão, de umainiciativa divina inaudita que nos precede e solicita; e o «sim» da fé assinala oinício de uma luminosa história de amizade com o Senhor, que enche e dásentido pleno a toda a nossa vida. Mas Deus não se contenta com o nossoacolhimento do seu amor gratuito; não Se limita a amar-nos, mas quer atrair-nosa Si, transformar-nos de modo tão profundo que nos leve a dizer, como São Paulo:Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (cf. Gl 2, 20).Quando damos espaço ao amor de Deus, tornamo-nos semelhantes a Ele,participantes da sua própria caridade. Abrirmo-nos ao seu amor significa deixarque Ele viva em nós e nos leve a amar com Ele, nEle e como Ele; só então a nossafé se torna verdadeiramente uma «fé que actua pelo amor» (Gl 5, 6) e Ele vemhabitar em nós (cf. 1 Jo 4, 12).Reflexão:Não podemos querer seguir com Jesus e manter a nossa vida quotidiana namesma. Por isso, quem se vê desafiado por Jesus e aceita caminhar com Ele vê-setentado. E as tentações podem ser de várias ordens: podem, por exemplo levar-nos a querer manter a nossa vida na mediocridade que torna possíveis as insídiasdo Demónio.Não podemos deixar. Se, de facto, vale a pena seguir Jesus, não há porque temer.As seguranças, estão em Jesus; o amparo, em Jesus; o refúgio, em Jesus. Não hánada que valha que esteja garantido por Jesus.Comecemos por ter a ousadia de dizer “Basta!” ao pecado. Chega de preguiça, deconformismo, de inércia, de pacifismo. É preciso agir e largar o cais.
  • 9. DOMINGO II DA QUARESMA – Rumo ao Cais de ChegadaPasso Bíblico: Lc 28b-29. 34-35Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago e subiu ao monte, para orar. Enquantoorava, alterou-se o aspecto do seu rosto, e as suas vestes ficaram de uma brancurarefulgente.Enquanto assim falava, veio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra; e elesficaram cheios de medo, ao entrarem na nuvem. Da nuvem saiu uma voz, quedizia: «Este é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O».Da Mensagem do Papa:A existência cristã consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deuse depois voltar a descer, trazendo o amor e a força que daí derivam, para servir osnossos irmãos e irmãs com o próprio amor de Deus. Na Sagrada Escritura, vemoscomo o zelo dos Apóstolos pelo anúncio do Evangelho, que suscita a fé, estáestreitamente ligado com a amorosa solicitude pelo serviço dos pobres (cf. At 6, 1-4). Na Igreja, devem coexistir e integrar-se contemplação e acção, de certa formasimbolizadas nas figuras evangélicas das irmãs Maria e Marta (cf. Lc 10, 38-42). Aprioridade cabe sempre à relação com Deus, e a verdadeira partilha evangélicadeve radicar-se na fé (cf. Catequese na Audiência geral de 25 de Abril de 2012). Defacto, por vezes tende-se a circunscrever a palavra «caridade» à solidariedade ouà mera ajuda humanitária; é importante recordar, ao invés, que a maior obra decaridade é precisamente a evangelização, ou seja, o «serviço da Palavra». Não háacção mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o próximo do que repartir-lhe o pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da Boa Nova do Evangelho,introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangelização é a promoção maisalta e integral da pessoa humana. Como escreveu o Servo de Deus Papa Paulo VI,na Encíclica Populorum progressio, o anúncio de Cristo é o primeiro e principalfactor de desenvolvimento (cf. n. 16). A verdade primordial do amor de Deus pornós, vivida e anunciada, é que abre a nossa existência ao acolhimento deste amore torna possível o desenvolvimento integral da humanidade e de cada homem (cf.Enc. Caritas in veritate, 8).Reflexão:O Evangelho deste Domingo aponta o rumo para chegarmos a bom porto:ouvindo o “Filho muito amado”. Será Ele a guiar-nos com a Sua Palavra e a SuaVida e, para isso, vamos, durante esta semana, contemplar com particularatenção o Evangelho de cada dia. Mas, qual é, afinal, o nosso destino? O que éque nos move, de forma tão forte, que nos leva a voltar as costas à nossa vidainstalada e fácil? É, como vemos, o encontro com o Pai, é esta subida ao monteque faz com que tudo valha a pena. Ver a Deus face a face, mergulhar na sua
  • 10. existência e contemplá-lo perfeitamente, é isso que nos move e devecontinuamente mover. Foi por isso que Pedro, fascinado por aquele cenário, sesente tentado a ficar por ali, naquele sacro convívio. Contudo, há que ter presenteque o nosso encontro com o Pai tem um objectivo: conhecê-lo de modo aanunciá-lo mais perfeitamente ao nosso próximo.Continuemos, então, rumo ao cais.
  • 11. DOMINGO III DA QUARESMA – Aviso à NavegaçãoPasso Bíblico: Lc 13, 7-9Jesus disse então a seguinte parábola: «Certo homem tinha uma figueira plantadana sua vinha. Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou.Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueirae não os encontro. Deves cortá-la. Porque há-de estar ela a ocupar inutilmente aterra?’. Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, queeu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a darfrutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano».Da Mensagem do Papa:A propósito da relação entre fé e obras de caridade, há um texto na Carta de SãoPaulo aos Efésios que a resume talvez do melhor modo: «É pela graça que estaissalvos, por meio da fé. E isto não vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras,para que ninguém se glorie. Porque nós fomos feitos por Ele, criados em CristoJesus, para vivermos na prática das boas acções que Deus de antemão preparoupara nelas caminharmos» (2, 8-10). Daqui se deduz que toda a iniciativa salvíficavem de Deus, da sua graça, do seu perdão acolhido na fé; mas tal iniciativa, longede limitar a nossa liberdade e responsabilidade, torna-as mais autênticas eorienta-as para as obras da caridade. Estas não são fruto principalmente doesforço humano, de que vangloriar-se, mas nascem da própria fé, brotam da graçaque Deus oferece em abundância. Uma fé sem obras é como uma árvore semfrutos: estas duas virtudes implicam-se mutuamente. A Quaresma, com asindicações que dá tradicionalmente para a vida cristã, convida-nos precisamentea alimentar a fé com uma escuta mais atenta e prolongada da Palavra de Deus e aparticipação nos Sacramentos e, ao mesmo tempo, a crescer na caridade, no amora Deus e ao próximo, nomeadamente através do jejum, da penitência e da esmola.Reflexão:Eis que vamos sensivelmente a meio da viagem. Certamente já muito foialcançado, já muitos obstáculos foram superados. Mas ainda há muito a fazer e oSenhor chama-nos a não desanimar. Contudo, avisa-nos: temos este ano e nãosabemos se teremos o próximo para nos convertermos. Temos de dar, a cada dia,tudo para resgatar a nossa vida do pecado e da pequenez em que o Diabo nosaprisiona.Um grande pecado, que pode pôr por terra todo o trabalho já começado é asoberba. Para isso há que ter consciência do que nos diz S. Paulo na 2ª leitura:“Portanto, quem julga estar de pé tome cuidado para não cair.”Eis, então, o aviso à navegação.
  • 12. DOMINGO IV DA QUARESMA – Chegar a bom portoPasso Bíblico: Lc 15, 21-24Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamadoteu filho’. Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha.Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o.Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida,estava perdido e foi reencontrado’.E começou a festa.Da Mensagem do Papa:Enquanto dom e resposta, a fé faz-nos conhecer a verdade de Cristo como Amorencarnado e crucificado, adesão plena e perfeita à vontade do Pai e infinitamisericórdia divina para com o próximo; a fé radica no coração e na mente afirme convicção de que precisamente este Amor é a única realidade vitoriosasobre o mal e a morte. A fé convida-nos a olhar o futuro com a virtude daesperança, na expectativa confiante de que a vitória do amor de Cristo chegue àsua plenitude. Por sua vez, a caridade faz-nos entrar no amor de Deusmanifestado em Cristo, faz-nos aderir de modo pessoal e existencial à doaçãototal e sem reservas de Jesus ao Pai e aos irmãos. Infundindo em nós a caridade, oEspírito Santo torna-nos participantes da dedicação própria de Jesus: filial emrelação a Deus e fraterna em relação a cada ser humano (cf. Rm 5, 5).Reflexão:Eis o porto seguro: o abraço carinhoso do Pai. Nada há de mais reconfortante,mesmo na vida hodierna, que, chegados a casa cansados, sermos absorvidos numabraço caloroso e cheio de amor. Somos tão felizes neste abraço, tão seguros, tãocompletos. É com este abraço que, mesmo depois de um grande tempo fora decasa, o Pai nos recebe. Mesmo vivendo durante tanto tempo como se o estivessemorto, como fez o filho pródigo, o Pai acolhe-O, como que dizendo: “Mesmoassim, tive saudades tuas! Mesmo assim, quero-te comigo! Mesmo assim, Euamo-te!”.Há, contudo, um perigo neste amor incondicional: pelo facto de Deus nos amar,mesmo com todas as nossas falhas, isso não nos pode levar ao comodismo e àtibieza. Essa tendência é a condenação certa da nossa alma e deitará por terratodo o trabalho desta viagem.Chegados a bom porto, deixemos atracar.
  • 13. DOMINGO V DA QUARESMA – Virar de bordoPasso Bíblico: Jo 8, 7-11Como persistiam em interrogá-l’O, ergueu-Se e disse-lhes: «Quem de entre vósestiver sem pecado atire a primeira pedra». Inclinou-Se novamente e continuou aescrever no chão. Eles, porém, quando ouviram tais palavras, foram saindo umapós outro, a começar pelos mais velhos, e ficou só Jesus e a mulher, que estavano meio. Jesus ergueu-Se e disse-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém tecondenou?». Ela respondeu: «Ninguém, Senhor». Disse então Jesus: «Nem Eu tecondeno. Vai e não tornes a pecar».Da Mensagem do Papa:O encontro com Deus Amor envolve não só o coração, mas também o intelecto:«O reconhecimento do Deus vivo é um caminho para o amor, e o sim da nossavontade à d’Ele une intelecto, vontade e sentimento no acto globalizante do amor.Mas isto é um processo que permanece continuamente a caminho: o amor nuncaestá "concluído" e completado» (ibid., 17). Daqui deriva, para todos os cristãos eem particular para os «agentes da caridade», a necessidade da fé, daquele«encontro com Deus em Cristo que suscite neles o amor e abra o seu íntimo aooutro, de tal modo que, para eles, o amor do próximo já não seja ummandamento por assim dizer imposto de fora, mas uma consequência resultanteda sua fé que se torna operativa pelo amor» (ibid., 31). O cristão é uma pessoaconquistada pelo amor de Cristo e, movido por este amor - «caritas Christi urgetnos» (2 Cor 5, 14) - , está aberto de modo profundo e concreto ao amor dopróximo (cf. ibid., 33). Esta atitude nasce, antes de tudo, da consciência de seramados, perdoados e mesmo servidos pelo Senhor, que Se inclina para lavar ospés dos Apóstolos e Se oferece a Si mesmo na cruz para atrair a humanidade aoamor de Deus.«A fé mostra-nos o Deus que entregou o seu Filho por nós e assim gera em nós acerteza vitoriosa de que isto é mesmo verdade: Deus é amor! (...) A fé, que tomaconsciência do amor de Deus revelado no coração trespassado de Jesus na cruz,suscita por sua vez o amor. Aquele amor divino é a luz – fundamentalmente, aúnica - que ilumina incessantemente um mundo às escuras e nos dá a coragem deviver e agir» (ibid., 39). Tudo isto nos faz compreender como o procedimentoprincipal que distingue os cristãos é precisamente «o amor fundado sobre a fé epor ela plasmado» (ibid., 7).
  • 14. Reflexão:Depois do nosso acolhimento neste abraço amoroso que meditávamos a semanapassada, chega a hora a soltar as amarras para a viagem de volta. O querecebemos vamos agora devolver.Contudo, para caber na embarcação o que temos de levar, há que deixar em terrao que não fala, o que deixa passar para os outros a mensagem do abraço do pai.Vamos, portanto, deixar os azedumes, as iras, as invejas, as vinganças, osorgulhos e tudo o que há no nosso coração que nos pesa na relação com opróximo.Só assim vamos poder virar de bordo.
  • 15. DOMINGO DE RAMOS – Remar contra a maréPasso Bíblico:Quando estavam a soltar o jumentinho, os donos perguntaram: «Porque soltais ojumentinho?». Eles responderam: «O Senhor precisa dele». Então levaram-no aJesus e, lançando as capas sobre o jumentinho, fizeram montar Jesus. EnquantoJesus caminhava, o povo estendia as suas capas no caminho. Estando já próximoda descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos começou alouvar alegremente a Deus em alta voz por todos os milagres que tinham visto,dizendo: «Bendito o Rei que vem em nome do Senhor. Paz no Céu e glória nasalturas!». Alguns fariseus disseram a Jesus, do meio da multidão: «Mestre,repreende os teus discípulos». Mas Jesus respondeu: «Eu vos digo: se eles secalarem, clamarão as pedras».Da Mensagem do Papa:Caríssimos irmãos e irmãs, neste tempo de Quaresma, em que nos preparamospara celebrar o evento da Cruz e da Ressurreição, no qual o Amor de Deusredimiu o mundo e iluminou a história, desejo a todos vós que vivais este tempoprecioso reavivando a fé em Jesus Cristo, para entrar no seu próprio circuito deamor ao Pai e a cada irmão e irmã que encontramos na nossa vida.Reflexão:Tal como o Senhor Jesus, que passava pelas ruas de Jerusalém cheias de povo e,no entanto, experimentava um dos maiores momentos de solidão, também nós,depois deste Sagrado Tempo, somos chamados a caminhar, não a par com omundo, mas contra as suas insídias.Não será fácil, mas somos chamados a isso pelo Senhor, que já sofreu muito maisdo que qualquer um de nós há-de sofrer. Entreguemo-nos ao testemunho, aomartírio, à cruz.Tenhamos força para remar contra a maré.