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  • 1. História e Ensino CriativoEste é um documento de trabalho que visou a integração das reflexões finais do Cursode Formação: História e Ensino Criativo, para docentes do 2.º Ciclo do Ensino Básiconuma perspectiva colaborativa e que teve como objectivo criar um documento reflexivofinal em torno dos temas, assuntos e novas abordagens tratadas ao longo das seisacções de formação que decorreram entre Janeiro e Março de 2011.Este documento foi trabalhado por cerca de cento e dez professores tendo por base asseguintes regras:1. Cada formando deve continuar o documento de trabalho conjunto com o máximo deduas frases (duas linhas) e;2. (Opcional) Cada formando deve, no máximo de um parágrafo (3 a 5 linhas), partilhara seguinte informação no espaço para textos individuais::a) Ideia(s) para actividade em sala de aula ou em gestão de projecto que possa vir arealizar com os seus alunos ou no contexto de trabalho na escola (retiradas do trabalhorealizado durante a formação ou outro);b) Análise da importância da Criatividade e Novas Tecnologias no ensino de História eGeografia de Portugal para o 2.º Ciclo do Ensino Básico .O texto será agora “organizado” e comentado, sendo o objectivo final o de criar umlivro/guia para o trabalho da criatividade no Ensino de História.
  • 2. Documento de Trabalho A História, a memória do que fomos e do que somos, a “linha do tempo” que uneos momentos em que nos construímos, como povo nação, tem de ser leccionada comimaginação, recreada, improvisada, ancorada em conhecimento. É urgente (re)criar, éurgente (re)educar, é urgente (re)formular, é urgente (re)motivarmos, é urgente(re)pensarmos. O prefixo re- pode surgir carregado de nostalgia e de receios porém, naconjuntura desta formação, ele irrompe recheado de imaginação, de criatividade, deideias futuras e de emoção. Cessem com o abstencionismo, o conformismo e onegativismo no palco educativo! Cessem de remeter os problemas para os dirigentesdeste país! Às Artes, Cidadãos! Atrevo-me a dizer: “Às Artes, Docentes!”. É urgentefazer sobressair o engenho e a arte! Difícil hoje ser engenhoso! Difícil ser criativo! Isto, quando julgamos que tudo foi inventado! Que só através das novas tecnologias é que conseguimos motivar! Ou quando consideramos que a invenção/criação emana do nada e é uma graça misteriosa e inata! “Genius is one percent inspiration, ninety-nine percent perspiration” (Thomas Edison, Harper´s Monthly, 1932). Será a tecnologia a solução de todos os nossos problemas? Será a tecnologia o último recurso para um mundo tão dependente dela? Será que ser imaginativo/criativo envolve obrigatoriamente conhecimentos recentes de como fazer coisas brilhantes em computador? Na minha opinião - Não! Descobri na acção de formação que com os saberespodemos fazer aulas interessantes, com humor e apelativas para os alunos. Estarei aser simplista ou será que a simplicidade é a “alma do negócio”? Sim, viva asimplicidade! Não precisamos de materiais topo de gama nem do último gritotecnológico, precisamos sim de uma mente aberta e de um espaço interior que nospermita partilhar e cooperar. Neste tempo de todas as tecnologias, é importante não esquecer o prazer da palavra dita. Ouvir falar quem sabe, é como ter em mãos um livro que se lê a si próprio. Assim, com alunos mais jovens, o professor de HGP deve assumir-se também como um “contador de histórias”, levando os alunos a imaginar, a contextualizar e, depois da curiosidade desperta, a procurar o conhecimento por si próprios. Só com professores que adorem ensinar, é possível ter alunos que gostem de aprender! Ser criativo é ser activo. A independência, a liberdade que despertam a imaginação e a curiosidade são elementos imprescindíveis à criatividade. Com efeito, a criatividade depende da preservação da curiosidade, mas também da capacidade de admiração e de descoberta - capacidades ausentes em muitos adultos. Daí, as crianças serem mais criativas e, muitas vezes, surpreenderem-nos com a sua simplicidade.É precisamente a atitude vital de curiosidade e dúvida que nos permite enriquecer o nosso “armazém” de informações e experiências a que recorremos sempre que queremos ser criativos. Um aluno motivado está atento, interessado,
  • 3. entusiasmado, sempre pronto a corresponder aos desafios propostos pelo professor. Devemos desenvolver nos alunos o espírito inquiridor para que aprendam a expressar adequadamente as suas ideias, consigam cada vez mais enfrentar novos desafios e acreditar em si próprios. A essência da criatividade está em criar o desconhecido a partir de coisas conhecidas. É acrescentar vida à vida! É a cereja no topo do bolo! É a oitava cor do arco-íris! É um músculo que todos nós possuímos e que necessitamos exercer todos os dias! Loucos? Talvez, mas “de louco, todos temos um pouco”! Mas uma coisa é certa: a criatividade não pertence única e exclusivamente ao artista, cada um de nós pode fazer de algo uma obra de arte! Citando Almada Negreiros: “E isto de haver sempre ainda uma maneira pra tudo?” Já pensou? Sendo a Escola um local de aprendizagem por excelência, valerá a pena reflectirsobre o papel que a criatividade poderá ter na formação do indivíduo. A nósformadores, impõem-se-nos dois desafios: sermos capazes de criar o ambiente e asmetodologias mais adequadas para estimular novas ideias e, acima de tudo, nãodesistirmos de derrubar os padrões e as barreiras que impedem os nossos alunos deCRIAR e de fazerem com a sua própria história, uma História diferente. Ensinar criativamente é simples e divertido. Exige que o professor seja tambémuma pessoa criativa, que transforme o seu material e os seus métodos em diferentespropostas. é uma possibilidade de transformarmos a tarefa de educar em algoprazeroso, capaz de modificar alunos e professores. A criatividade é um conjunto de elementos que pela natureza do seu compositor,dá origem à criação. Criatividade é da Vinci, Einstein, Dali ...é a alavanca do progressohumano! Criatividade é pegar nos alunos tal como um pintor olha para uma tela embranco! É levá-los a agir, a reflectir e até mesmo a argumentar, sendo esta umacompetência mais complexa de desenvolver...Contudo tudo é possível se voltarmos aacreditar que somos ser únicos! E porque “somos únicos mas não os únicos” importa também criar situações deensino/aprendizagem que permitam desenvolver a cooperação entre os nossos alunos,tarefa árdua mas não impossível! É importante que os alunos “discutam” e aprendam achegar a consenso, aprendam que a assertividade é caminho certo para a construçãode uma cidadania activa e participativa. O ensinar e o aprender ,necessitam doprazer ,o que oportuniza a liberdade de imaginar ,expressar e criar,transformando arotina escolar em momentos participativos,a aprendizagem passiva cede lugar assimà aprendizagem activa. Creio que a grande sedução mas talvez, simultaneamente, uma das maioresdificuldades do processo criativo seja a formulação adequada da sua etapa inicial: osdesafios que devo colocar a mim próprio e aos meus alunos e que pretendo que,embora simples, suscitem a curiosidade, o humor e o improviso, de forma adesencadear um processo harmonioso em que se trabalhem competências edesenvolvam talentos.
  • 4. Mas a gestão da criatividade e dos seus componentes é fulcral para a eficácia erelevância das aprendizagens. Não podemos esquecer que a liberdade criativa e deimproviso, a associação de ideias e conceitos e a sua aplicação a novas e diferentessituações devem servir sobretudo à prossecução dos objectivos que estabelecemospara os múltiplos contextos que decorrem das práticas lectivas. No contexto actual no ensino a criatividade revela-se necessária e urgente. Éuma boa via para promover no aluno o acto de pensar, de pensar criticamente,constituindo-se contra corrente, por exemplo, ao ato passivo das horas passadas emfrente à televisão. Éainda urgente porque libertadora do “eu” do aluno e do professor espartilhados hámuito pelos tradicionais modelos de ensino. A criatividade deve ser usada em sala deaula tanto pelos professores como pelos alunos pois existem duas partes interessadasno processo de ensino-aprendizagem: o aluno e o professor: para que a satisfação sejamútua, nada melhor que a diversificação, a experimentação e a inovação. Ecriatividade é . A criatividade posta ao serviço da educação e da formação decrianças ,jovens e istoaté adultos, prova que o conhecimento adquirido se vaipaulatinamente construindo e deste modo consolidando, o que por vezes se torna maisdifícil ( ou mesmo) impossível quando aquilo que se faz com os alunos se resume a umdespejar de informação remetendo para estes a aquisição dos conhecimentos quemais tarde irão ser testados.Assim não podemos desejar nem sonhar com o «sucesso» tão desejado na nossadisciplina e claro que o conhecimento dos garotos é efémero, compete-nos a nós comoveículos transmissores de conhecimentos ajudá-los a tornarem-se seres pensantes,com metodologias criativas e com desafios, os nossos alunos caminham na direcçãode um conhecimento sólido. “Quem tem imaginação mas não tem conhecimentos, temas mãos mas não tem os pés” Joseph Joubert. A importância do conhecimento éinquestionável. É evidente que não basta ter muitos conhecimentos para se ser criativo,mas estes constituem-se como alicerces para que os alunos desenvolvam capacidadescriativas capazes de darem melhores respostas aos desafios que se lhes colocam tantodentro como fora da sala de aula.Na minha actividade como docente de História e Geografia procuro em primeiro lugarcaptar o interesse dos alunos para os assuntos que vão ser estudados e e dentro dascondicionantes da faixa etária a que pertencem, levá-los a construir o pensamentohistórico. A partilha de ideias com outros colegas, a formação na área da didáctica e oempenho no desenvolvimento do gosto pela disciplina obrigam a pensar em novosprocessos tendo sempre em vista o envolvimento dos alunos na construção doconhecimento. É urgente pensar em História como uma disciplina que nos iráenriquecer enquanto portadores de uma identidade, de uma cultura e transmitir aosnossos alunos que a História não é estanque, é sim o conhecermo-nos a nós próprios,
  • 5. o moldar-nos. Esse é um ponto crucial numa abordagem “irreverente”, parafraseando oprofessor João Lima, pois implica também a consciencialização do próprio meio emque se está inserido e uma mudança de atitudes. É um novo despertar e o qual impõesairmos de um meio em que o que reina é o comodismo. Já um dos heterónimos,Ricardo Reis, apontava para a nobreza das atitudes “Para ser grande sê inteiro: nadateu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes”.Este sim é o lema. É conciliarmos o saber. a aprendizagem e a criatividade, semmedos nem tabus e conseguirmos motivar porque também estamos motivados. Tudose torna tão mais fácil e enriquecedor... Nesta época de todas as tecnologias, é importante não esquecer o prazer dapalavra dita. Ouvir falar quem sabe, é como ter em mãos um livro que se lê a si próprio.Assim, com alunos mais jovens, o professor de HGP deve assumir-se também comoum “contador de histórias”, levando os alunos a imaginar, a contextualizar e, depois dacuriosidade desperta, a procurar o conhecimento por si próprios. Só comprofessores que adorem ensinar , é possível ter alunos que gostem de aprender.As tecnologias são bem-vindas (quando funcionam), mas se a ideias simplesjuntarmos palavras, alguns recursos “rudimentares”, temperarmos tudo comentusiasmo e capacidade de comunicação, teremos a receita para aulas mais “vivas”para professores e alunos.Uma vez que o Programa de História e Geografia de Portugal não muda, cabe aodocente enveredar por uma abordagem diferente, criativa e adequada aos seus alunos.Neste sentido, o professor não deve deixar de tentar, e mesmo ousar, pôr em práticasoluções diferentes para problemas que são iguais e que se repetem frequentemente.Desta forma, tentamos preparar os alunos para serem cidadãos num futuro que nãoconhecemos, mas cujas ferramentas lhes transmitimos. No fundo, as aulas de Históriae Geografia de Portugal devem despertar a criatividade nos alunos, pois assim elesestarão preparados para transformar o seu futuro e a sua realidade.Ser professor hojesignifica acreditar e investir na nossa formação e na formação dos nossos alunosrespeitando a liberdade, aproveitando a inteligencia e desenvolvendo o sentido daresponsabilidade. Devemos abrir-lhes os olhos, soltar-lhes a imaginação na esperançaque desenvolvam o conhecimento. Assim “ Ser professor Hoje, Ontem, Amanhã implicaa introspecção permanente... o diálogo criativo com o mundo.”. Devemos privilegiar aulas que estimulem a imaginação e o pensamento crítico, aautonomia e a criatividade e que incentivem uma abertura ao mundo dos outros e àsmudanças do quotidiano permitindo aos alunos um protagonismo esclarecido. Oprofessor deve ter a pretensão de que os alunos se sintam confiantes nas suaspossibilidades, no valor dos seus contributos para a melhoria da sociedade e, que seassumam perante o mundo de forma crítica e responsável.
  • 6. Prevenir o preconceito e dar ênfase à igualdade entre culturas, sem sobrevalorizarqualquer umaou desqualificar outras, deverá ser sempre uma preocupação doprofessor numa abordagem intercultural dos conteúdos seja qual for a estratégia. Criar é estar a caminho. Criar é inovar a partir do real, daquilo que existe. É um caminho difícil, mas quevale a pena tentar. É a errar que se aprende, diz um velho provérbio. Mas será quetambém não poderemos dizer que é a errar que se inventa? Que se cria? Será que oerro não pode ser o ponto de partida para um exercício criativo? A Criatividade é a forma de fugir ás regras, de tornar algo importante einovador, de modo a que, seja aceite satisfatoriamente e impulsione a procura de seter mais. É, sem dúvida, uma das melhores armas a ser usada na nossa profissão, umavez que se formos criativos vamos conseguir estimular e exercitar as capacidades dosnossos alunos.O professor é um criador nos alunos do desejo de aprender, na escola e fora dela,mesmo quando o caminho é tortuoso. O difícil é conseguir que o «aprender como umdever» se torne num «aprender como um direito», isto é, que os alunos entendam oconhecimento não como uma imposição, um quase castigo, mas como uma ferramentaque lhes permitirá abrir o seu caminho. As inúmeras dificuldades que se deparam aotrabalho do professor, levam-o a munir-se de estratégias criativas que ajudam osalunos a adquirir ferramentas que lhes permitirão lidar com a realidade, mesmo quandose lhes deparam obstáculos. É o “ensinar” a cada um dos nossos alunos a procurar,em si próprio e no seu passado, a lição que no presente lhes permite construir o seufuturo.A partir da perspectiva contextualizada do presente poderemos - e sempre - construiruma “nova” visão do passado, através do ângulo de interesses e vivências dos nossosalunos, (criando-os e recriando-os: projectando-os no passado e com eles questionar ofuturo), de forma criativa.Ser professor?... Ser criativo?... Ser professor criativo?... Difícil?!... Claro! Tudo o que édifícil, diferente, complicado, deixa-nos “sem chão”. É clássico! Às vezes, vamos atémais longe.... Sabotamos o que nos parece arriscado, ameaçador ou até... imaginem...generoso! Temos uma resistência quase genética, e depois... bem depois sentimo-nosfrustrados! Santa dualidade! Então, o que fazer? Vencer a resistência ou afundarmo-nos na frustração? Desafiemos, pois, as nossas capacidades e com Engenho e Artefaçamos as coisas acontecerem...A criatividade revela-se essencial para o processo de criação de algo novo. Esseprocesso nem sempre é fácil e contínuo, pois envolve a testagem de vários factores.Envolve, por vezes, o abandono ou alteração da ideia inicial. O produto final pode ser
  • 7. bem diferente do que se tinha previsto inicialmente, mas julgo que é esse o grandedesafio do ensino actual: partir de algo (conteúdos programáticos / conhecimento), nãoter receio de ousar e de criar algo que seja original (imaginação / originalidade) e quenos surpreenda enquanto actores (quer professores, quer alunos, quer a própriacomunidade educativa) de uma História que se faz com recurso ao passado, presentee futuro. Este processo criativo faz-me lembrar uma frase de Cícero “nihil est simulinuentum et perfectum” (nada é, simultaneamente, criado e perfeito). É portanto,necessário um longo caminho desde a fase inicial até ao produto final. O importante énão desistir e adoptar uma atitude positiva em relação ao que poderemos criar de novo.Ser professor de HGP é cada vez mais ser capaz de renovar estratégias e métodos deensino, para fazer frente a uma sociedade onde os conhecimentos se renovam minutoa minuto, devido aos progressos científicos e tecnológicos.Cabe a nós professores sercapaz de descobrir o aluno que temos e descobrir como levá-lo à descoberta de simesmo e das suas capacidades de criar evitando que ele caia na estagnação .Masserá que a “escola” que temos encoraja a nossa criatividade?O estímulo à criatividade conduz a uma expressão original e pessoal, imaginandosoluções e experimentando fenómenos em respostas diversificadas na suaapresentação.Cabe-nos a nós professores, actores no sistema, abrir espaço, na nossa actividadelectiva, ao espírito crítico e à criatividade potenciando nos alunos capacidades de visãoestratégica e de conceptualização de soluções face aos problemas impostos por ummundo em permanente e acelerada mudança nos mais diversos domínios.Se permitir a “fossilização” da capacidade criativa dos meus alunos, bloqueando-lheshorizontes do imaginário simbólico, barrando-lhes a capacidade de serem sujeitoscognoscentes, despertos para o caminho do bem comum na acção e nos valores,então, não serei eu! Ser professor é ser missionário. São várias as tarefas que nosincumbem: ensinar, aprender e (re)criar. Contudo esta aprendizagem é mútua eportanto gratificante para ambas as partes.O professor deve ter a sensibilidade para despertar ou descobrir em cada aluno aspotencialidades que este encerra de modo a que o ensino da História faça sentido e acriatividade é a ferramenta que o professor e o aluno têm disponível para construirconhecimento significativo.O professor de HGP no mundo das novas tecnologias tem que ser ousado e criativo.Criar “estórias” da História, desenvolver e alimentar a criatividade serão estratégiassignificativas que certamente estimularão os nossos alunos.Um desafio: dar espaço à criatividade nas nossas aulas, nos temas que abordamos, nosaber que “construímos”. Através das Novas Tecnologias, um recurso, permitir que acriatividade flua, as aulas não tenham um registo “cinzento” e os alunos participem,criem, pesquisem, vivenciem os momentos da História e, no final, alguém diga: a aula
  • 8. já acabou? Mas não nos podemos cingir simplemente ao uso das novas tecnologias,pois caso contrário o criativo deixa de o ser! A aula tem de ser o espaço tempo onde ascompetências dos alunos são trabalhadas e os talentos desenvolvidos, o local decolaboração e partilha, com recurso não só às novas tecnologias que inundam omundo de hoje, mas às tecnologias “velhinhas” que apelem à criatividade deprofessores e alunos.Mas a verdade é que num mundo de “Nativos Digitais” a tecnologia ganha funçãoeducativa quando é colocada nas mãos dos alunos. E nós, professores, comoemigrantes nesse mundo temos de saber aprender com eles, com as motivações delese suscitar-lhes a curiosidade e o interesse para as matérias que também temos deleccionar. E serão esses interesses que permitirão depois, em sala de aula, umamelhor interacção sócio discursiva.Como dizia Agostinho da Silva «a escola não consegue dar aos aluno todas aspossibilidades que lhes deveria dar». Temos de agir, de fazer a diferença. Nãodevemos «impingir-lhes» conhecimentos, mas ensiná-los a pensar e a exercitar umahabilidade que está adormecida em cada um deles: a criatividade. A criatividade é oencontro entre o Homem e o Mundo, através do seu diálogo com a vida. Criar éegoísmo e altruísmo. Quem cria ama: a si próprio, o que faz, os outros. Quem criasonha e viaja e chama estúpida e sem sentido a linha que separa a realidade daimaginação e da ficção.Professor hoje/amanhã implica a introspecção permanente, a reflexão profunda sobreas coisas e o diálogo criativo com o Mundo. Este deve revelar uma «atitudepedagógica» assente no diálogo criativo. Criar para “permanecer”, para fazer História!Imaginação e criatividade para todos. Liberdade de pensar, sentir, reflectir e agir. Nasaulas, na escola e na sociedade. É tão bom sentirmos que os nossos alunos possamatravés das TIC irem mais longe, voar mais alto, reflectirem sobre o passado paraconstruirem o futuro. E se por acaso eles se perderem nesse caminho da imaginação,podemos sempre com um discurso lógico, chamá-los à terra, porque mesmo acriatividade tem o seu tempo. É nesta contagem que encontramos o tempo. O tempo da disciplina de HGP:tempo da História e tempo da aula, essencial para que façamos toda a diferença.Tempo que, muitas vezes, não temos ou aquele que está do nosso lado para podermosdar resposta aos nossos alunos, com actividades criativas, transformando as ideias,que surgem no seu estado original, em aprendizagens concretas e relevantes.Entretanto, nesse tempo, o de há milhares de anos e o da actualidade, o que está entreo verão e o outro verão, entre o primeiro e o último toque, entre a imaginação e oproduto final, há um Mundo que o professor deve explorar com toda a ousadia.
  • 9. É nesta “exploração do mundo” com toda a ousadia que reside a acçãoimprescindível do professor. A envolvência que deve gerar à sua volta, partilhandosaberes de um modooriginal, criativo, imaginativo e desafiador, sempre com o objectivo de fazer conhecer aHistória, de modo a levar os alunos a conhecerem o passado, compreenderem opresente e quiçá,o futuro. Devemos sublinhar esta questão de que o professor paraconseguir promover a criatividade nos seus alunos deve estar constantemente alançar-lhes desafios, a levantar-lhes problemas que eles vão procurar resolver edeslindar. Desta forma os alunos ao procurarem soluções para os seus problemas edesafios vão construindo o seu conhecimento sobre as realidades históricas. Oprofessor nunca deve ter receio do produto final que conseguiu com os seus alunos,pois foi fruto dessa sua ousadia neste processo de ensino/aprendizagem, que setornou concreto e relevante. Torna-se, hoje, imperativo ajudar os nossos alunos a desenvolver as suas“habilidades” levando-os a adaptarem-se a novas situações e a encontrarem soluçõespara os problemas com que vão sendo confrontados. Para tal, há que apelar à suacriatividade, mas primeiramente à nossa enquanto professores. Já todos percebemosque a criatividade é, muitas vezes, permitida pela imaginação e que, simples questõescomo “e se...?” os podem envolver, desempenhando um papel que se pretende cadavez mais activo, no processo ensino/aprendizagem e conduzir a resultadossurpreendentes. Eles serão também, construtores do conhecimento, num percurso emque lhes é permitido serem diferentes errando e brincando com as ideias. É da responsabilidade de todos nós, professores, valorizar e integrar as novastecnologias, utilizando-as de forma criativa fazendo delas ferramentas ao serviço de umensino envolvente e de aprendizagens significativas na disciplina de História eGeografia de Portugal. Contudo estas, como outra qualquer, não poderão ser as únicasa utilizar em contexto de sala de aula. Não poderemos esquecer o “velhinho” quadropreto e as palavras que só farão sentido se forem ditas ou escritas numa simples folhade papel.Mais do que nunca, hoje em dia, numa sociedade caracterizada por constantesmudanças, precisamos de desenvolver as habilidades criativas dos nossos alunos paraque possam adaptar-se e solucionar problemas trazidos pelo progresso social,científico e tecnológico .Devemos proporcionar-lhes o exercício da imaginação e dafantasia de forma a que vão desenvolvendo a capacidade de solucionar problemas.Conhecemos o passado, vivemos o presente e temos de estar preparados para asincertezas do futuro. Novos desafios, novas oportunidades, valha-nos a criatividade,novas ideias e venceremos os desafios que nos aguardam, juntamente com os nossosalunos.
  • 10. Ter medo é bom. O temor põe-nos a pensar e pensando, criamos. A criatividadenão é por isso mais do que a capacidade de pegar em algo “familiar” aos docentes ediscentes e recrear em função das ferramentas disponíveis. E a imaginação é o “limite”,um mundo infinito de estratégias podem surgir muitas vezes de simples atitudes... E, no entanto, criar é fazer nascer algo novo e inédito. Partindo de existênciasou mesmo inovando desde o princípio, o ensino criativo conduz o aluno aoconhecimento através um caminho novo, coloca questões que não surgiriam de outraforma, oferece experiências que de outra forma não seriam possíveis. Mas, experimentar e tentar é cada vez mais importante. Transmitir oconhecimento através da criatividade não só motiva, como também promoveconhecimento. No entanto, esse conhecimento tem de ser repensado pelo docentepara transformar as práticas de sala de aula. Nada melhor que levar a conhecer aHistória de forma criativa, num mosaico onde todas as cores estejam presentes e no qual possamos mexer, sem medo,para ensinar e aprender. Motivar...o que é motivar, senão despertar os sentidos mais profundos do serhumano, quiçá algures escondidos...e que necessitam de apenas um clic parasurgir...do nada! É este universo fascinante, desconhecido, esta curiosidade que nosleva ao conhecimento, logo à criatividade. Motivar, no sentido de determinar a motivação de, estimular e impulsionar,tarefa não menos criativa, fazendo despertar o gosto pelo representativo, girando essefantástico caleidoscópio que cada um pode criar, consolidando-o através de o explicar. Um aluno motivado esforça-se por vencer as suas dificuldades, mantém-seconcentrado na realização das actividades, manifesta interesse e entusiasmo e toma ainiciativa quando lhe é dada a oportunidade. Para tal o professor tem que respeitar osritmos das actividades de ensino-aprendizagem; praticar a pedagogia diferenciada erenunciar à predominância do método expositivo. A motivação e a criatividade têm queestar lado a lado. Um aluno motivado mais facilmente deixa vir à tona a suacriatividade. O “improviso” como resposta pressupõe um movimento para o instante e para ooutro. Abre a possibilidade não só de construir um conhecimento, mas também dedesenvolver a motivação, a auto - estima e sobretudo a consciência dos participantes.Nesta dupla, às vezes; o professor meta-operativo, poderá também tornar o imprevistoem algo construtivo, pois a História e Ensino Criativo, poderá, eventualmente ser daruma oportunidade da experiência em História.
  • 11. E se arranjássemos uma casa para todos nós partilharmos ideias e trabalhos?Casa da História Criativa?! Uma espécie de Clube de Poetas Vivos, numa visão departilha de ideias e produtos da História Criativa. Vejo esta “Casa” como um poderoso aliado colocando a criatividade ao serviçodo desenvolvimento da competência “ Comunicação em História”, um dos “calcanhares de Aquiles dos nossos alunos! Como eu gostaria de pertencer a esta nova Casa! Mellhor, precisamos criar uma espécie de páginas amarelas com os endereçosdas muitas “Casas” que alguns de nós, professores de H.G.P. (e não só...) têm. Como incentivar nas crianças/jovens do mundo actual, motivações para aescola e para os saberes? Através de algo que existe neles naturalmente - a curiosidade. O que existe para lá da porta e das janelas fechadas... e se a porta estiver entre-aberta... será que a criança/jovem espreita... entra. Tudo depende do mitico da entrada,dos sons, dos odores que emanam do interior e da sua própria imaginação. Tal comona história de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, em que a curiosidade, oimprevisto, o onírico, o maravilhoso, o fantástico se misturam e dão lugar a uma novarealidade, em que a lógica não segue os parâmetros tradicionais mas se reconstrói - alógica do “absurdo”... a lógica da criatividade. Mas talvez seja essa lógica que (CarlaMorais) esteja na motivação da curiosidade a chave do sucesso educativo. Despertar acuriosidade para conseguirmos chegar à criatividade. A criatividade é algo de quetodos precisamos até para encontrar caminhos ao longo da vida, vamos detectando osobstáculos e assim os vamos ultrapassando, nas nossas aulas fazemos o mesmo sóque os obstáculos transformam-se em oportunidades de aprendizagem. A criatividade deve estar sempre presente na sala de aula para que de ummodo inovador, imaginativo, novo, o professor transmita o “mesmo” mas, de umamaneira “diferente”, de uma forma criativa. Transmitindo de uma maneira diferente ecriativa,os alunos estarão mais receptivos aos temas que por vezes lhes são tãoindiferentes e tão distantes do seu quotidiano. E se a esta criatividade acrescentarmosum pouco de humor q.b., teremos, muito provavelmente, a nossa receita para o ensinode HGP com mais sucesso! De que matéria é feita a criatividade? A criatividade é uma mistura, sem receita exacta, da curiosidade, das ideias, dointeresse, da imaginação, do conhecimento, dos recursos e das técnicas. Quandoprecedemos à referida mistura surge “um mundo novo”.
  • 12. Como Sócrates afirmava ser a Maiêutica, arte da pesquisa em comum, oprofessor deve centrar a sua actividade no estímulo e despertar o interesse pelapesquisa, sendo o aluno construtor das suas aprendizagens. Se através do ensino daHistória e das estratégias utilizadas, nas quais se inclui a criatividade (claro!)conseguirmos que o aluno vá construindo o seu conhecimento, então julgo queestamos a proporcionar ferramentas muito úteis para que os nossos alunos se tornemadultos autónomos e capazes de lidar com os vários obstáculos que a vida lhes vaicolocar pela frente. A criatividade é como um labirinto a ser explorado, pois promete aos seusexploradores surpresas e percursos desconhecidos. Aprender é construir um labirinto, inventar percursos, procurar situaçõesdesafiantes, decifrar enigmas. “A imaginação não é um poder empírico e acrescentado da consciência, é aconsciência na sua totalidade quando realiza a sua liberdade. A imaginação é acondição necessária da liberdade do homem empírico, no meio do mundo”. Sartre et laRealité Humaine, pp. 184-186. A História acompanha o Homem desde a invenção da escrita e tem conhecidodiferentes suportes, de onde recolhemos a informação dos acontecimentos vividos.Forneçamos aos nossos alunos os conhecimentos, para que apoiados neles estesdesenvolvam a sua criatividade descobrindo novas formas de aprender e gostar deHistória. Simplicidade. É a palavra que me ocorre quando penso em criatividade. Asmelhores criações são, muitas vezes, as mais simples. E quantas vezes nemprecisamos de recorrer ao que é absolutamente novidade. A partir de velhos etradicionais «ingredientes» podemos confecionar um prato absolutamente inovador. Ésó deixar de lado velhas e rígidas estruturas de pensamento. Penso que o professor tem que dar asas à imaginação e procurar desenvolvertarefas simples, diversas/múltiplas, aliciantes e desafiadoras. Deve apostar nacriatividade dos alunos dando-lhes pouco tempo para desempenharem as tarefas. Primeira aula de HGP 5º Ano. Entro na sala com uma palavra – ÍCARO.Escrevo-a a giz no quadro preto. Chuva de perguntas. Conto o mito. Mais questões.Voámos até à Lua. Homem; sonho; evolução. No quadro preto o registo da frase “Voacomo Ícaro e esquece o sol”. Saímos. Fomos para o recreio.
  • 13. O processo criativo apresenta uma solução para um problema. A criatividade éimportante, mas o nosso objectivo é o conhecimento. O processo criativo implicaregras. É importante que o professor antes de ensinar saiba fazer. A maior parte dasvezes limitamo-nos a adaptar a criação de outro. O resultado do processo criativo temde ser algo novo no contexto em que se aplica e pode ou não requerer imaginação.Grandes imaginadores foram Julio Verne ou Lewis Carrol. Precisamos de imaginaçãocomo água no deserto aquando do processo criativo. Os alunos terão fases em queserão imaginativos e outras serão criativos. O processo de aprendizagem requer umabase de trabalho que tem a ver com o conhecimento. É preciso darmos a base doconhecimento para depois os alunos serem criativos. Os nossos alunos nasceram naépoca da tecnologia e usam-na como nós usámos os lápis de cor para criar. Os alunostêm de saber partilhar ideias em grupo e não só expôr individualmente as ideias.Maisinteressante ainda é partilhar os mesmos valores para a realização de um projecto. Agestão do projecto implica que não nos sintamos sós no projecto escolar. Cerca de90% dos projectos de sala de aula são esquecidos, não têm continuidade ou afixadospublicamente no placard da escola. Em Outubro do ano passado, a minha escola comemorou o centenário daRepública. Todos os departamentos colaboraram no projecto: aula de motivação,hastear da bandeira da República/coreografia (Monarquia vs República)/plantação daárvore do centenário/exposição dos Presidentes da República, e toda a comunidadeescolar esteve presente. A criatividade revela-se essencial diria mesmo, imprescindível para motivar osalunos para o Ensino/Aprendizagem. O professor tem que conseguir que a sua Turmao escute...Ao longo dos meus vinte e quatro anos de experiência pedagógica, constatoque cada vez é mais difícil consegui-lo... Assim sendo, é um desafio aliciante(pelomenos para mim) arranjar sempre novas maneiras, novos processos, de apresentar osconteúdos de História e Geografia de Portugal. Esta ação deu-me ideias excelentes e exequíveis que irei por em prática quandoos temas forem abordados. A criatividade pode e deve ser estimulada, para isso, poder-se-ia formar nasescolas, um Atelier das Ideias, onde alunos e professores de diferentes idadestivessem a liberdade de partilhar ideias e experiências. As aulas e as escolas ficariam ainda mais coloridas! Na disciplina de História eu posso partir da aventura, da acção, da fantasia, daatracção pelo diferente ou do desconhecido, de que tanto os alunos gostam, parachegar ao conhecimento. Mas o papel principal nem sempre é o meu: é ao aluno queeu peço para ser criativo, procurando deixar a sua imaginação o mais liberta possível.
  • 14. História e ensino criativo!? Como ensinar o passado de forma criativa? Comcriatividade. Imaginação. No processo criativo, o professor terá de pensar na ideia,simples, sempre simples e no(s) outro(s), nos seus alunos, naquele(s) para quem oconhecimento final que pretende transmitir se transforme na sua cana de pesca, emferramenta para a vida. Ao longo do seu processo criativo, o professor terá de sercapaz de ir adequando as estratégias a utilizar e ser capaz de avaliar, com a distânciapossível, o sucesso ou insucesso do seu ensino criativo. Necessária muita reflexão porparte do professor! Difícil, mas apaixonante tarefa! A paixão! Sempre ela! Motor e forçaque nos move e nos faz acreditar que é possível inovar num mundo de ritmoalucinante em informação. Informação que nos atordoa e retarda a reflexão...mas aimaginação não tem limites...é dela que flui o processo criativo, por vezes, adormecido.Estes encontros despertam-no. Obrigado a todos. As novas tecnologias ocupam, cadavez mais, um espaço relevante no processo de ensino-aprendizagem. A diversidade demeios e a variedade de recursos educativos, que utilizam as novas ferramentas deinformação e comunicação, constituem um valor acrescentado nos domínios damotivação e da compreensão histórica. No processo de ensino, não se deve confundir criatividade com originalidade,pois a primeira engloba um conhecimento profundo e bastante regrado na área emque está a ser manifestada , enquanto que a originalidade pode não configurarmanifestações criativas .Ex: Perguntem a uma criança: O que achas que faz um Rei? Todos somos criadores, cada qual à sua maneira; porém, é necessário usaresse dom para incentivar, entusiasmar, fazer a criança despertar, experimentar enavegar pelo conhecimento... Mas um conhecimento gerador que faz sentido econstitui uma ferramenta útil para a ação! A carreira de professor tem outras vertentes além da formação académica.Destaca-se aí a capacidade de conquistar os alunos pela criatividade. Brinquemos comas ideias e pensamentos. A criatividade desenvolve-se a partir do pensamentodivergente, pelo não cumprimento de regras. Façamo-lo quando estivermos a trabalharos nossos conteúdos curriculares. Assim, a criatividade poderá contribuir para a redução do insucesso escolar,despertando o interesse dos alunos na construção de projectos de aulas diferentes,para melhorar o seu desempenho e as relações interpessoais. No entanto, asobrecarga de trabalho que hoje em dia assoberba os professores, poderá ser umempecilho à criação de formas inovadoras que visam a apropriação dos conteúdospelos alunos.
  • 15. Se há situações concretas que o docente “provoca” (em situação de actividadeplanificada e controlada sobre determinado conteúdo), suscitando a resposta criativacom tudo o que lhe é inerente, outras haverá, no entanto, que poderão surgir nocontexto do insucesso escolar e de situações problemáticas, comentários ou questõesdesadequadas. Poderá o professor reconvertê-las numa oportunidade de integração,aproveitando uma situação “imprevista”, propor ao aluno uma descoberta e soluçõesdentro do horizonte dos seus saberes, dando-lhe a possibilidade de algo significativo econstrutivo, indo assim, ao encontro do desejo de ensino. O professor deve proporcionar espaço para a criatividade, fantasia ou iniciativados alunos ,utilizando na sala de aula estratégias e processos criativos de ensino,assim contribuirá de forma significativa para a aquisição do novo conhecimento. O conhecimento histórico deverá ser “construído” a partir do reconhecimento dosinteresses e saberes dos alunos, articulando-os num conjunto de estratégiasinovadoras e que sem prejuízo pelo respeito e cumprimento dos conteúdosprogramáticos. A criatividade será o elemento optimizador deste processo, uma vezque dinamiza o processo de motivação dos alunos. A criatividade é um elemento indispensável no contexto educacional tendo emconta que todos nascemos capazes de produzir elementos e conhecimentos novos.Estes devem ser desenvolvidos numa perspectiva sempre inovadora com recurso atécnicas criativas, por forma a proporcionar aos alunos a capacidade de adquirirconhecimentos pela necessidade de solucionar problemas. Com ideias simples criamos algo de inovador e surpreendente, pois através doconhecimento surge uma turbulência de ideias, de pensamentos e de actividadesoriginais, alcançadas a partir da criatividade de cada um. Há muito, muito tempo, antes das escolas, depois delas, as pessoas (crianças,jovens, adultos e velhos) contavam, ouviam, e devem continuar a contar e a ouvir,narrativas mitológicas, lendas, estórias/histórias, que lhes fertilizavam a imaginação edespertavam a necessidade de criar: « Rá criou-se a si próprio»; «No Princípio Nadaexistia senão Deus, e Deus dormia e sonhava»; « No princípio não existia terra, nemmar, nem céu só o vazio de Ginnungagap à espera de ser preenchido.»; «No começodos tempos era o caos, e o caos tinha a forma de um ovo de galinha.»; «Adapa, oinventor da linguagem, foi o primeiro dos sete sábios que o pai, Ea, deus da sabedoria,enviou a ensinar ao povo a arte de viver.» etc, etc... Esta necessidade primordial deprocura de explicações gera criação/criatividade, incitemo-la. É indiscutível que muitasvezes recorrendo as estas pequenas histórias podemos conseguir captar a atençãodos nossos alunos, despertar-lhes a curiosidade e a partir daí ao lançar-lhes desafioseles vão ser mais capazes de responder de forma assertiva e com criatividade.
  • 16. Construir grandes ideias a partir de pequenas ideias. Associar ideias. Combinar.Adaptar. Modificar. Aumentar. Diminuir. Reorganizar. E finalmente inverter as ideias.Será criatividade?Um dia disseram-me: “faz com que o teu filho crie raízes, mas proporciona-lhe osmeios para poder voar” Não será esse também o papel do Prof. de HGP? Ao professorcompete ajudar o aluno a descobrir e a compreender a História de Portugal, do seupovo, a perceber afinal aquelas que são as suas raízes. Simultaneamente deve criarcondições que permitam ao aluno dar-lhe asas para que um dia, de um modoconsciente e livre, seja um cidadão que participe activamente naconstrução/transformação daquilo que vai ser o seu mundo. Para isso é necessáriolançar ideias, propostas de trabalho ou desafios simples e diferentes. A simplicidade ea novidade dos desafios propostos tornam-se em factores que desinibem, quedesenvolvem a curiosidade, promovem o conhecimento, conduzem à acção e àprocura de novas soluções para problemas colocados. Metodologias activas, criativas ediversificadas levam os alunos a construírem o seu próprio saber, a serem autónomos,críticos e criativos.Para que a criatividade floresça é apenas e só necessário gerar espaços quedespertem a individualidade de cada discente...a criatividade que há dentro de cadaindividualidade! Descobrir a forma de o fazer é, em si, um grande exercício deimaginação! Obrigada pelo ponto de partida neste processo criativo.Fica o grandedesejo de ir cativando e envolvendo para o fascínio da História! Assim, a construção doconhecimento será verdadeiramente aliciante! História, Ensino, Criatividade. O que têm em comum estes três conceitos? Tudo.Hoje já não consigo pensar o ensino da história sem a criatividade, qual “leitmotiv”pedagógico, para fazer da aprendizagem momentos únicos que ficam para a vida. Esta acção permitiu-me alargar metodologias pro-activas no ensino da Históriaajudando a alcançar as metas de aprendizagem definidas pelo Ministério da Educaçãoem Outubro de 2010. A criatividade é “aquele condimento” que confere ao ensino dahistória aquele sabor especial. Serve para: motivar os alunos para que tenham emantenham elevados índices de motivação, aprendam de forma mais dinâmica elúdica, sejam intervenientes na construção do saber, exercitem a imaginação,questionem os acontecimentos e desenvolvam habilidades criativas para que tenhamcapacidade de adaptação a uma sociedade em constante mutação e aprendam asolucionar problemas/situações no futuro. Criatividade é manter no professor de HGP a ânsia de melhorar o ensino, de lhedar vida, de o ressuscitar dos escombros onde está! É pegar num conteúdo que tem deser abordado e conseguir trabalhá-lo de mil e uma maneiras, tal como se de um livro dereceitas se tratasse: HGP, com criatividade e humor, a História passa a não causar dor
  • 17. Ao professor permite inovar práticas pedagógicas, proporciona uma maior interacçãocom os seus alunos e a cativá-los para que tenham interesse e desejo de aprenderhistória “a nossa (e sua) história”. Como? Recorrendo a métodos e técnicasdiversificadas e inovadoras (que considera as mais eficazes), onde cabemnaturalmente as TIC, com o objectivo de desenvolver ao máximo as potencialidadesdos seus alunos e para que estes reconheçam valores fundamentais como a liberdadee a democracia. Diz o ditado popular “A necessidade aguça o engenho”, então professor,aguça oengenho, areja as ideias e desperta nos teus alunos o interesse e o gosto pelaHistória.É necessário seguir novas práticas e como diz o sociólogo Domenico Masi “olazer e a aprendizagem estão interligadas”, então usemos as “ferramentas”, que naacção nos foram fornecidas e provavelmente terás um futuro mais risonho na sala deaula e as Metas alcançadas. O mundo necessita de ser reinventado? Reinventa-se por si mesmo? Ou seráque as pessoas, simplesmente, constroem-no, inconscientemente? Seja qual for averdade, ou as verdades, a criatividade entrou, entra e entrará na construção de novasrealidades, sistemas, teorias, políticas, escolas, tecnologias, necessidades, mundos,...,na vida do homem! Sejamos criativos nas nossas vidas, nas nossas escolas, no nossomundo! Ideias precisam-se... Se os professores transmitirem as informações de uma maneira diferente ecriativa,os alunos estarão mais receptivos aos temas que por vezes lhes são tãoindiferentes e tão distantes do seu quotidiano.Basta uma história à volta de um certoacontecimento e um pormenor engraçado sobre determinada personagem para captartoda a sua atenção e para os levar a imaginar a época que estão a estudar de umaoutra forma, mais próxima e mais real.Se a partir das TIC eles conseguirem imaginarcomo era essa época tanto melhor pois dessa maneira interessar-se-ão mais pelahistória e pela vida dessas pessoas de outros tempos que para eles são tão estranhas. A escola deverá promover o ensino, com vista a uma educação integral dosnossos alunos. Por isso, é fundamental transmitir-lhes valores, tais como: - Promover atitudes de auto-confiança. - Motivação e envolvimento pessoal e grupal. - Praticar o espírito de tolerância, solidariedade e responsabilidade. - Aperfeiçoar o espírito de observação. … Este ensino deverá ser concebido com iniciativa, com análise do real edesenvolvimento da criatividade. O professor/educador tem um papel fundamental - estimular e praticar acriatividade. Ele é o «homem do leme», compete-lhe, então uma atitude pedagógicaassente no diálogo criativo (importante em História).
  • 18. Num contexto tecnológico global, é necessário colocar os meios de informação ecomunicação ao serviço da educação e da vida. A competência da comunicação, deveser orientadora, aberta e desafiadora numa relação critica entre aquele que questiona eaquele que é questionado. Como professora, faço uso de instrumentos que ajudem aodesenvolvimento de competências como resposta à curiosidade e à exploração,envolvendo os alunos na procura activa do conhecimento. Os alunos procuram, desejam e sentem. Procuram algo que lhes proporcionebem-estar. Querem conhecer o que os rodeia, o mundo em que vivem e integrá-lo emplenitude. Estejamos atentos e sensíveis aos seus interesses e ambições e saberemos, de forma ponderada e criativa auxiliá-los e orientá-los na procura e naconstrução das suas aprendizagens. A nossa disponibilidade mental para captar ossinais que, permanentemente, nos são dados pelos nossos alunos é uma ferramentaimportantíssima para a actualização e melhoria da qualidade do nosso trabalhoenquanto professores/educadores. Estejamos vigilantes e dispostos a permitir ainovação e a criatividade para uma prática lectiva mais adequada e eficaz. Hoje em dia ser professor de HGP não é só transmitir conteúdos e ter dominiode sala de aula. É necessário também, usar as tecnologias disponíveis e proporcionaraos alunos liberdade de pensar, sentir, refletir e agir, com o objectivo de os tornar cadavez mais criativos.“História e ensino criativo” Assim que me foi entrando no cérebro esta ideia, pensei:- Ora aqui está uma coisa que ainda me faltava, ao fim deste tempo todo de carreira.Os estereótipos que nós formatamos ao longo do tempo, as cópias, recopias, plágios eexperiências adquiridas pareciam esboroar-se logo na 1º sessão quando um colega,Dr. Lima, pôs tudo em questão. Soube nesse dia que o que eu pensava até aí ser ocaminho para a a perfeição, afinal era questionável: via o mundo e a escola através daminha janela e raramente na perspectiva dos meus alunos. Se algo este curso meajudou, foi a abrir horizontes mais largos e, talvez, fazer de mim um melhor profissional.Ser professor é sem dúvida e antes de mais uma missão. É aprender a criar, massempre em parceria com o aluno.Uma das missões do professor deverá ser: estimular e praticar a criatividade dos seusalunos, despertando deste modo as suas capacidades.De acordo com Edgar Fauvre: “a educação tem o duplo poder de cultivar ou abafar acriatividade”, sejamos então bons professores e trabalhemos em uníssono para que “aescola fique no lado doce das nossas memórias”.A aula de história deve ser como uma sessão de magia.O professor é o mágico quedeve criar o máximo de suspense,acção, amor e paixão ... “É o mistério que permite a
  • 19. fantasia” Carlos Amaral Dias. A verdadeira aventura está em conseguir explicar o quese passou no passado sonhando e projectando no futuro todo o conhecimento adquiridode uma forma criativa.Resolvi formar-me em História porque, num agradável verão à beira mar, li os“Combates pela História”, de Lucien Fèbvre. Com ele aprendi que um historiador(a)deve ser como o Príncipe Encantado que procura a Bela Adormecida e o castelo ondeela dorme. Quando a encontra, verifica que tudo à sua volta parara no tempo. Com umbeijo, ele devolve a vida à princesa, as cores e os cheiros às flores, os pássaros voltama cantar... tudo ganha vida. Perante tal poder e criatividade, quis tornar-me cavaleiradessa Ordem Mágica. Formações como esta, dão mais brilho à armadura e à espada, e,quando chegamos à sala de aula, levamos os nossos alunos à descoberta domaravilhoso castelo da História, e são eles, que , com o seu sangue quente e jovem,dão vida, por sua vez, à Bela Adormecida. Ensinar História com criatividade é encarado, em muitas escolas, como umaaplicação sofisticada e trabalhosa das últimas tecnologias na sala de aula - Power Pointe quadros interactivos... - em que o processo de ensino e aprendizagem decorremaioritariamente numa relação unilateral professor/aluno. Esta acção permitiu-meampliar esta perspectiva e reconhecer que a aprendizagem pode resultar de desafiosque os alunos ultrapassam com imaginação, pesquisando as soluções para resolver osproblemas apresentados pelo professor, que os motiva, comunicando de forma clara esimples. Aprendi a aplicar algumas ferramentas para que os alunos possam ser osverdadeiros actores do conhecimento. Será que na época das novas tecnologias aquilo que é inovador para os nossosalunos é o diálogo e a troca de ideias? Ser professor / educador é ser diferente / inventivo / criativo em todos osmomentos do processo de ensino aprendizagem. É fazer / experimentar / ensaiarestratégias diferentes com recursos distintos, tendo em vista o motivar e interessar osactuais alunos para o ensino de qualquer disciplina, em particular a História. Se perguntarmos aos nossos alunos: O que é a História?, Qual a utilidade daHistória? Facilmente temos a resposta: não serve para nada, não tem interessenenhum estudar a vida dos “antigos”. É contrariar esta atitude que se torna um desafio.Um desafio constante, diário. Ser diferente nas aulas é ter uma atitude criativa, distinta.É conseguir que no final de uma aula um aluno, e mesmo que seja só um, nos diga:gostei muito da aula. Obrigado, professora. É e será sempre esta atitude que memoverá enquanto professora. Mesmo ao fim de muitos anos ainda me entusiasma ensinar, apesar dos alunosserem muito diferentes. É nesta diferença que está o desafio. É motivar e descobrirestratégias para alunos que já quase dominam a última tecnologia e têm no horizonte
  • 20. fins mais abrangentes. É ser criativo, mesmo não sabendo que o era. E, enquanto estacentelha de luz ainda brilhar, o ensino ainda será e terá sempre, para mim, algo demotivador, de criativo, de original. Os serões à volta da lareira, no Inverno, ou a“apanhar” a aragem fresca da noite, no Verão, eram momentos de partilha, de relatosde assombrar, ou simplesmente oportunidades para escutar as palavras sábias dosmais velhos. Hoje, a criança cresce sem ter oportunidade de saborear momentos desses; aoserão,a família tem os seus espaços individuais (o quarto, a novela, a cozinha, ofutebol,...) e a partilha “ao vivo” vai sendo substituída por redes sociais e chats, ondeimpera a velocidade e o atropelo. Contando estórias e cativando os alunos para também eles serem contadores, osprofessores de História podem estimular esse lado imaginativo e fantástico, que aacelerada vida actual não permite. Devido a acções de formação como a de História e Ensino Criativo, osprofessores estão cada vez mais despertos para aquilo que é o acto de recriar – o sercriativo, pois só assim se consegue estimular e praticar a criatividade. Com esta ousadiade pensar e fazer diferente as aulas podem ser mais interessantes e inovadoras,suscitar a curiosidade dos alunos, ajudando-os a experimentar e a construirconhecimento. Deste modo se promove o desenvolvimento de competências,habilidades e atitudes do aluno. Os diferentes recursos educativos e pedagógicos ao dispor do professor assimcomo a sua capacidade de manter um espírito aberto e colaborativo permitem-lhe seractivo e ter a capacidade de gerar ideias novas para “formar” os alunos para que sejamcidadãos capazes de fazer de novo e “mudar o mundo” de modo consciente, crítico eresponsável. Neste espaço queria tão somente partilhar uma ideia para uma possívelactividade a realizar em contexto de sala de aula. Ao frequentar a Acção de Formação: ”Planificação de Experiências deAprendizagem para o Desenvolvimento de Competências em História”, abordei aseguinte temática:”A vida quotidiana nas terras senhoriais”, começando por identificaras ideias prévias dos alunos. A partir da realização da presente Formação, creio que seria interessante propôraos alunos que “vestissem a pele” de um nobre ou camponês e descrevessem um diadas suas vidas. Esse dia seria passado no castelo ou num senhorio. Só gostaria de acrescentar que embora as novas tecnologias sejam um recursomuito apreciado pelos alunos, cada vez é mais difícil encontrar actividades motivadoraspara os mesmos. É aí que o professor tem e deve ser criativo, a fim de exercitar aimaginação e a fantasia dos seus alunos.
  • 21. Cada individuo tem de sentir que “existe” para o outro. Ao sentir-se cativadotornar-se-á, facilmente, criativo. Enquanto professores a nossa função deve ser cativaros nossos alunos e, assim, despertar neles a criatividade. Os alunos desta faixa etária (2º ciclo) são por natureza curiosos. Partir destamais valia e estimular essa qualidade, pondo em prática as estratégias adquiridas nestaAcção de Formação, é um caminho aberto para motivá-los e acompanhá-los nodesenrolar do processo criativo.Vai ser certamente um grande desafio enquantoprofessor, que terá previamente,que planificar as aulas e estar receptivo às solicitaçõese dúvidas dos alunos, bem como sensível ao desenvolvimento da criatividade. Ainda nodecorrer desta Acção de Formação, os alunos trouxeram a meu pedido, blocos dePost-it e aderiram bem à ideia de construirmos uma maquete sobre a vida dos grupossociais do século XIII, que irão realizar em trabalho de grupo numa perspectivacolaborativa. Quanto ao uso das novas tecnologias, este recurso será um complemento,que poderá fomentar a imaginação, o espírito crítico, desenvolver a ideia inicial econsolidar os conhecimentos sobre a matéria. Sem dúvida que na época das tecnologias o que é inovador é o diálogo e atroca das ideias. Vive-se nos tempos presentes, numa sociedade que exalta o poder dacriatividade. Os conhecimentos renovam-se rapidamente em consequência dos progressoscientíficos e tecnológicos. Já não basta trabalhar bem é preciso faze-lo melhor. Há quedesenvolver nos alunos as capacidades que os ajudem a adaptarem-se mais facilmentea novas situações. Há que apelar à sua inteligência mas também à sua criatividade. Quando oeducador é capaz de encorajar o seu educando para que siga os seus interesses e seenvolva no processo de construção do seu conhecimento, este faz com que o alunoconsiga dar uma conotação às suas acções, tornando-se assim um ser motivado a criarconstantemente. Cabe assim ao educador identificar e procurar nos seus alunos ashabilidades, aptidões e competências que lhes permitam ter acesso ao conhecimentohistoricamente construído, aceitando divergências, inovações, transformações do saberinstituído. Deve também oferecer-lhes os recursos que os motivem a procurar no seureferencial humano respostas para as experiências vivenciadas, relacionandoaprendizagens antigas e actuais, integrando os aspectos sociais, éticos e culturais. É fundamental que utilizemos a criatividade e que solicitemos anos nossosalunos que sejam criativos, pois na sociedade actual as crianças e adolescentes estãoconstantemente a ser “bombardeadas” por várias informações sobre as quais nãoreflectem, nem têm capacidade de assimilação. Ao utilizarmos metodologias criativas eao solicitarmos que os nossos alunos também recorram a essas metodologias estamos
  • 22. a contribuir para que se habituem a adoptar atitudes reflexivas sobre o mundo que osrodeia. Concluo assim que a criatividade não é um dom, pode ser desenvolvida enecessita de certas condições para se manifestar. A criatividade não é um bemindividual, pois consiste em saber utilizar a informação disponível e ir além do que foiaprendido, sabendo aproveitar qualquer estímulo do meio para gerar alternativas nasolução de problemas. Aqui, colocam-se-me várias interrogações - será que o processo educativo ésuficiente para desenvolver a criatividade?; a educação formal dá oportunidade aodesenvolvimento do pensamento criativo?; qual o papel que a criatividade desempenhano sucesso ou insucesso dos nossos alunos e na qualidade do sistema de ensino?.Seria interessante discutir se a escola, como expressão do sistema social, esgota oufavorece a aptidão para a criatividade. Parece-me que o actual processo educativo é insuficiente para desenvolver acriatividade e que a educação formal não dá oportunidade ao ensino do pensamentocriativo. Como professora procuro estimular o potencial dos alunos, utilizando umaprática pedagógica que envolve mudança. Promover a mudança, a transformação, osair da rotina são experiências que provocam temor e que nos tiram da nossa zona deconforto e segurança. É porém gratificante observar que quando se oferece ao aluno a oportunidadede ser criativo se oferece também a abertura para a expressão de sentimentos,emoções e atitudes, mesmo que estas nos choquem. Em suma, a criatividade remete à consciência do ser singular, transgressor,inovador. No início de qualquer aula penso que é fundamental despertar a curiosidade e ointeresse dos nossos alunos para a História. Com uma pitada de criatividade, um toquede humor, uns recursos TIC (q.b.) é possível transportá-los numa máquina do tempofictícia e levá-los às tão desejadas aprendizagens significativas que ficam para toda avida. Uma certeza eu trouxe da acção sobre História e Ensino Criativo: para umproblema poderão existir vinte e oito soluções válidas e diferentes, tantas quanto onúmero de ocupantes da máquina do tempo! O professor deixou de ser o único detentor da transmissão dos saberes,coexistindo com outros meios de informação que têm muitas potencialidades e sãorecursos insuperáveis, mas que não o substituem. Apesar do professor ter que adaptar-se às novas Tecnologias da Informação eComunicação, isso não impede que tenha uma responsabilidade acrescida que é tornar-se no estimulador da curiosidade do aluno. Isso tornou-se bem patente na acção deformação que realizámos sobre “História e Ensino Criativo”. O contributo das excelentesideias que nos sugeriram como estratégias de motivação para estimular a criatividade e
  • 23. para redescobrir o prazer no ensino/aprendizagem da História e Geografia de Portugal éum desafio permanente para os professores, nos dias de hoje. Permitam-me apenas partilhar a experiência deste ano lectivo com os meusalunos através da Plataforma Moodle. Todos os meus alunos estão inscritos nas minhasdisciplinas; a utilização das novas tecnologias é muito do seu agrado e por isso tornam-se mais participativos, afirmam ser mais “giro” e chegam a revelar ansiedade porpoderem participar mais. De referir que todo este trabalho acontece extra-aula, paramim e para eles. Coloco propostas de trabalho, para efectuarem pesquisas e o elaborarem e pelosquais são avaliados e disponibilizo “janelas” por onde podem enviar trabalhos de suaautoria. São facultados recursos que podem utilizar. Algumas vezes combinamtrabalhos entre si, através do fórum do moodle, e solicitam espaço para poderem enviar.O fórum serve também para colocar dúvidas que são esclarecidas por mim e/ou pelosoutros colegas. Lanço quinzenalmente um tema, relacionado com os conteúdos que estamos aleccionar, onde escrevo e que os alunos devem comentar, ainda que seja de carizfacultativo. O que é notório é o seu grande empenho e participação, o que é muito bom paratodos, fazem-no de forma desinibida e descomplexada embora responsável. Quando iniciei esta tarefa apenas lhes pedi que fossem imaginativos e criativos.O resultado tem superado as minhas expectativas.