O MITO DE ORFEU para o mundo de hoje

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(/) O poder da música definido pelo alcance do nosso poder de amar.

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O MITO DE ORFEU para o mundo de hoje

  1. 1. Apesar de todas as dificuldades que vivemos na rotina do passado, sempre encontramos tempo para nos dedicar ao abstrato . Crédulos e férteis em imaginação, retratamos as existências de deuses e deusas, seres mitológicos, dezenas deles, centenas, milhares...
  2. 2. Pensando nisso, após observar o que temos vivido neste mundo que transborda conceitos enquanto carece de cons(c)ertos, eu me perguntei: qual de todos os seres mitológicos seria realmente importante para este nosso mundo de hoje?...
  3. 3. Lembrei-me de Orfeu, filho da musa Calíope e de Eagro, rei da Trácia (região da antiga Grécia.) De fato ele não foi um poeta e não se dedicou à oratória ou à arte da retórica. Foi o músico mais talentoso que já existiu.
  4. 4. Ganhou a sua lira diretamente de Apolo (que, segundo a interpretação de alguns, era o seu verdadeiro pai ― um deus.).
  5. 5. Por isso, talvez, Orfeu aprendeu a tocar o seu belo instrumento com tal perfeição que nada podia escapar ao encanto de sua música...
  6. 6. Os seres humanos, e todos os outros animais, abrandavam-se aos seus acordes e ficavam em transe, pacíficos, perdendo suas ferocidades.
  7. 7. As árvores e até os rochedos ou as rochas eram sensíveis ao seu canto, “quando perdiam algo de suas durezas: amaciadas pelas notas harmoniosas de sua lira”.
  8. 8. Assim eu fiquei imaginando a importância de Orfeu voltar a existir entre nós neste mundo: para abrandar nossas ferocidades além de amaciar nossas durezas.
  9. 9. E ainda me resta lembrar de que a música, relacionada a Orfeu, teve efeitos em feitos de importâncias históricas mais decisivas...
  10. 10. É o que a história deste mito revela. Ele foi um dos 50 notáveis que atenderam o chamado de Jason, d´os argonautas, para buscar o Velocino de Ouro. Na embarcação, em alto mar, com sua lira Orfeu acalmava as brigas que aconteciam entre os tripulantes.
  11. 11. E aconteceu mesmo que, durante a viagem de volta, Orfeu salvou a todos, quando seu canto silenciou as sereias, responsáveis pelos naufrágios terríveis das embarcações.
  12. 12. (!) Assim podemos imaginar o imenso poder da música de Orfeu..., capaz de silenciar as encantadoras sereias, cujos cantos eram celebrados como ... irresistíveis.
  13. 13. Enfim, em terra, o próprio Orfeu foi seduzido pelo romantismo de sua música..., este fator que até então não tivera a oportunidade para se mostrar externamente. E Orfeu foi levado ao amor, na extrema beleza da jovem Eurídice...,
  14. 14. por quem se apaixonou perdidamente ...,
  15. 15. o que deu início à sua legendária história propriamente dita... ou, pelo menos em parte, apropriadamente, humana.
  16. 16. Uma história de amor e, então, uma história com fatos de naturezas mais comuns... Conta a lenda que Eurídice atraiu a atenção de outro homem, um jovem pastor..., Aristeu.
  17. 17. No dia da boda, Eurídice, ao fugir daquele admirador enlouquecido de amor que a perseguia, pisou numa cobra que a picou mortalmente.
  18. 18. Orfeu, em vão tentou socorrê-la...,
  19. 19. e ela, então, foi imediatamente sugada para o reino dos mortos.
  20. 20. Orfeu não desanimou, mesmo em extremo desespero. Tomou a sua lira, desceu pelo Henaro às margens do Estige, domou pela doçura do seu canto as divindades infernais, tornou-as sensíveis às suas dores e obteve delas a ressurreição de sua noiva.
  21. 21. Porém, os deuses Plutão e Prosérpina impuseram-lhe uma condição, ficando Orfeu proibido de olhar para Eurídice antes de haver passado o último limite dos infernos...
  22. 22. E assim foi: “... Dirigia-se Orfeu para a saída das moradas infernais por um caminho em aclive... “Já os namorados alcançavam as portas do mundo, quando, impaciente para ver aquela que o seguia, o desgraçado amante se voltou...,
  23. 23. “― e viu Eurídice, mas pela última vez.
  24. 24. “Ela se esquivou aos seus braços...,
  25. 25. “e, para sempre, recaiu nos abismos .”
  26. 26. “Não tendo os deuses consentido uma nova descida aos infernos, Orfeu retirou-se para a Trácia onde não cessou de chorar e de cantar os seus sofrimentos.” (...)
  27. 27. “Orfeísmo”.
  28. 28. Uma das interpretações deste mito se refere àqueles tipos de pessoas que se dedicam a ajudar os outros ― mas que não se mostram capazes de se ajudarem... “Orfeísmo”.
  29. 29. E eu diria que a lenda de Orfeu diz respeito a um ser de natureza divina que amou para sentir a plenitude de ser humano. ...
  30. 30. SER HUMANO, esta criatura inspirada em deuses ou em Deus (se você for como este que acredita nas necessidades da existência de um Deus somente...). Deste que gerou o Homem para ser receptáculo de sua imaginação divina e de sua inspiração musical ― para enfim definir o alcance do imenso poder do amor..., poder de amar!
  31. 31. Assim, para nós, humanos, o amor não tem o poder da ressurreição. Mas mesmo assim ele nos é imprescindível, indispensável, e, se às vezes sofremos por amar, sempre sofremos pela solidão ― quando vazios de amor!
  32. 32. Enfim, para nós, a história de Orfeu parece corresponder a esta teoria existencial que nos diz: precisamos do amor para nos motivar a existir e, de fato, na realidade, só nos importamos com a perda do que amamos!
  33. 33. Uma teoria que também inegavelmente se mostra inspirada em Deus, este que nos deu belezas dignas de filhos e habilidades especiais dignas de serem apreciadas e até... amadas.
  34. 34. Por isso, pela nossa ARTE, Deus nos amou e ainda nos ama. E por isso ainda existimos..., eu imagino..., e até penso que, se um dia Ele deixar de nos amar..., não se importará em nos perder.
  35. 35. Luz, Setembro de 2011 Lanier Wcr

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