9 erros que voce deve evitar na gestao do seu dinheiro
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    9 erros que voce deve evitar na gestao do seu dinheiro 9 erros que voce deve evitar na gestao do seu dinheiro Document Transcript

    • 9 erros que você deve evitar na gestão do seu dinheiroE como aprender com eles para controlar suas dívidas, fazer seu patrimônio crescer e abrir um negócio de sucessoDegustar um bom vinho e escolher uma roupa de grife já são hábitos incorporados àrotina de muitos brasileiros. Aliás, comprar, gastar, consumir parecem não ter qualquermistério para a maioria. Mas, quando o assunto é controlar e administrar cominteligência as próprias finanças, a situação muda completamente.Muita gente erra. E não é difícil entender por que isso acontece. Decisões relacionadasa dinheiro geralmente são complexas e envolvem o lado emocional das pessoas. Umgrande passo mal dado ou uma sucessão de equívocos menores pode colocar tudo aperder. "Seja nas bolsas de valores, no mercado imobiliário ou no supermercado, nóssempre cometemos erros financeiros que nos causam enormes perdas", afirmaThomas Gilovich, professor da Cornell University, nos Estados Unidos, e autor do livroWhy Smart People Make Big Money Mistakes and How to Correct Them (Por quepessoas inteligentes cometem grandes erros financeiros e como corrigi-los), ainda nãotraduzido no Brasil.Os enganos podem começar pelas pequenas economias que deixam de ser feitas nodia-a-dia, passar pela falta de informação na hora de aplicar o dinheiro que sobra echegar às grandes decisões, como a compra de um imóvel ou a abertura de umnegócio próprio. Mesmo o investimento em imóveis, tido como um negócioincondicionalmente lucrativo, pode não trazer o retorno esperado.Endividar-se além das possibilidades também está entre os maiores pecadosfinanceiros que se podem cometer. Você certamente deve conhecer alguém que temum bom carro, uma casa confortável, freqüenta os melhores restaurantes, mas viveatolado em dívidas (ou será você mesmo?). Pessoas assim não poupam um centavosequer porque querem manter o status. Pagam altos juros no cartão de crédito e nocheque especial e nem se dão conta de quanto isso é prejudicial para o seu bolso.Outro engano comum é pensar mais no curto prazo do que em planejamentos maislongos.Muita gente ainda pensa como nos tempos de inflação alta - em que o importante era asobrevivência imediata - e acaba por tomar decisões erradas. "Não há problema emcometer erros, isso acontece até com os especialistas", diz a americana Ilyce R. Glink,consultora de finanças pessoais. "Mas você realmente terá dificuldades se nãoaprender com eles ou se continuar a cometer os mesmos erros um dia depois dooutro." Melhor ainda do que aprender com os próprios erros, como sugere Ilyce Glink, époder antecipar-se e conhecer os erros dos outros para não repeti-los.Por isso, MEU DINHEIRO fez um levantamento com consultores, acadêmicos,administradores de recursos e executivos de bancos de primeira linha para chegar àlista dos nove principais erros cometidos na gestão do patrimônio, publicada a seguir.
    • 1 - Investir naquilo que você não conheceÉ provável que você já tenha ouvido falar de alguém que perdeu grandes quantias numnegócio próprio que não deu certo ou num investimento exótico oferecido por umvendedor mal-intencionado. Pode ser que você mesmo já tenha passado por umasituação semelhante e, no final, vociferado contra o gerente do banco ou qualqueroutra pessoa que o tenha estimulado a tomar aquela decisão. Infelizmente, nessasocasiões, encontrar culpados não costuma ser recomendável para a sua saúde física emental nem alivia o tamanho da sua perda. O erro maior, segundo os especialistas,não está em ouvir a opinião de fulano ou beltrano, mas em deixar de conferir se o quese diz tem real fundamento antes de entrar numa barca furada. "Se você não for capazde compreender em que está investindo, não o faça", afirma o americano WarrenBuffet, um dos maiores investidores do mundo, cuja fortuna alcança 32,3 bilhões dedólares, de acordo com a revista americana Forbes. Muitas vezes, alguns investidoresse empolgam com o que acreditam ser um verdadeiro "negócio da China", aquele quevai torná-los milionários em pouco tempo e sem grande esforço. Mas a verdade é quemamatas assim não existem - ou são raras, raríssimas. "Já vi várias famílias perderemmuito dinheiro tentando fazer o negócio de suas vidas", diz Roy Martelanc, professorde administração financeira da Faculdade de Economia, Administração e CiênciasContábeis da USP. Por isso, antes de tomar uma decisão, é aconselhável informar-se,primeiro, sobre as características do negócio ou da aplicação nos quais você estáinteressado. Mergulhar em algo novo sem conhecer as suas especificidades pode serum convite ao fracasso. Em 1999, o advogado Renato Ochman, de São Paulo, decidiuinvestir num negócio de bombas de gasolina digitais, de tecnologia americana. Suaintenção era trazer o equipamento para ser montado no Brasil. Só que a Petrobras, queseria o principal cliente da nova empresa, não comprou a idéia. Resultado: Ochman eseus três sócios tiveram um prejuízo master, de 1 milhão de reais. "Aprendi a lição", dizOchman. "Nunca mais aposto num negócio que não conheço." A promessa de lucrosfabulosos também pode, muitas vezes, não se concretizar. Se for possível, osconsultores sugerem que você procure saber com gente do ramo qual é o retornohistórico que o negócio ou a aplicação costumam dar. Quem quiser investir em boigordo, por exemplo, deve pesquisar com as empresas do setor o rendimento que osclientes receberam em diferentes períodos. E saber quais são os fatores que podeminfluenciar o seu ganho (ou perda). Em tempo: não se esqueça de que o olho do donoengorda a boiada. Quem deixa a cargo de um conhecido ou de um profissional asdecisões de sua empresa ou de todos seus investimentos pode abrir uma brecha parasurpresas indesejáveis. Os inventários e as heranças, muitas vezes, são terreno fértilpara aproveitadores. Mesmo que você acredite que um expert possa trazer melhoresresultados na gestão de seu patrimônio, você será sempre a melhor pessoa paraadministrar o seu dinheiro. Não é à toa que o McDonalds só aceita franquear suaslojas para empresários que irão ficar à frente do negócio.2 - Concentrar seus investimentos em imóveisA concentração de quase todo o patrimônio em imóveis é um dos principais erroscometidos pelos investidores brasileiros. Nem poderia ser diferente. Nossos avóscostumavam dizer que um bem de raiz, como o imóvel, é o melhor investimento domundo. E, realmente, durante a era da superinflação, ter um imóvel era uma forma
    • eficiente e segura de proteger o dinheiro contra a desvalorização da moeda e asbruxarias heterodoxas geradas pelos economistas do governo. Ao contrário do dinheiroque está no banco, o imóvel é um bem palpável, real. Você vê, os outros vêem. Alémdisso, viver num imóvel confortável e, de preferência, luxuoso ainda é o maior sonho demuita gente - nem que isso custe todas as suas economias. Uma família típicabrasileira chega a ter 90% do patrimônio em imóveis, segundo consultores de finançaspessoais. O ideal, no entanto, de acordo com os especialistas, seria imobilizar de 35%a, no máximo, 60% do patrimônio, contando com a sua própria casa. "O brasileiroprecisa da percepção de segurança que o imóvel dá", diz Ronaldo Magalhães, diretorexecutivo da Sul América Investimentos, empresa de gestão de recursos ligada àseguradora do mesmo nome. "Mas a compra de imóveis nem sempre compensa." Éclaro que, do ponto de vista do investimento, tudo depende do tipo de imóvel do qualse está falando, da região, do bairro e até do trecho da rua em que ele se localiza.Lojas, escritórios, flats, residências, sítios e fazendas são mercados muito diferentesentre si e cada um deles possui dinâmica própria. Investir num flat, por exemplo, numadeterminada região do país, em certo momento pode ser um bom negócio, enquantocomprar um apartamento no mesmo local, uma péssima decisão. Mas, num mercadotão diversificado, existem alguns inconvenientes comuns à concentração do patrimônioem imóveis. Talvez a principal desvantagem seja a falta de liquidez. Você coloca oimóvel à venda, mas entra mês, sai mês e o negócio simplesmente não acontece. Seestiver precisando do dinheiro com urgência, você, provavelmente, terá de baixar opreço. Conseguir o valor que você acredita ser justo leva tempo, às vezes, anos. E, nofinal, é possível que você se dê conta de que aquele imóvel ao qual se afeiçoou tantopode não valer a quantia imaginada. É preciso considerar também o impacto negativoda depreciação do imóvel, normalmente negligenciado pelos investidores na hora dacompra. É fácil entender isso. Imagine duas casas exatamente iguais, só que umanova e outra construída há dez anos. A mais antiga estará, obviamente, mais propensaa ter problemas de encanamento, pintura, eletricidade etc. Essas coisas todasprovocam uma queda progressiva no preço ao longo dos anos. Outro ponto importante:a mudança do tipo de construção e das necessidades das famílias dos profissionaisliberais e das empresas. Por exemplo: um apartamento de alto padrão, há 20 anos,tinha, em geral, três dormitórios espaçosos, um banheiro com azulejos verdes, umlavabo com piso lilás e apenas uma vaga na garagem. Hoje, mesmo apartamentosmenores têm três dormitórios, uma suíte e, no mínimo, duas garagens, além de umamplo espaço de lazer na área comum. Além disso, a rua ou a região na qual o imóvelse localiza pode se desvalorizar e o proprietário ainda pode ter a surpresadesagradável de, um dia, descobrir que no terreno ao lado haverá uma escola, umhospital ou... uma discoteca. Quem pode prever? Ninguém está dizendo que a casa ouo apartamento em que você mora com a família não precisa ser seu. Mas, uma vezrealizado o sonho da casa própria, comprar outro imóvel nem sempre está entre asmelhores opções de investimento. O empresário carioca Luis José Ramalho, de 45anos, espelhou-se no exemplo de parentes que viviam da renda proveniente dealuguéis e decidiu seguir o mesmo caminho. "Tenho 11 imóveis, mas o rendimento decada um deles é muito inferior às minhas expectativas", diz. Segundo ele, 70% de seupatrimônio estão imobilizados, e os 30% restantes, aplicados em fundos de rendafixa. "Se tivesse de investir meu dinheiro hoje, não concentraria tanto o patrimônio em
    • imóveis", afirma. Com o dinheiro "empatado" em imóveis, o investidor deixa de ganharcom sua aplicação no mercado financeiro. Pode parecer algo desprezível, mas não é.Historicamente os aluguéis residenciais rendem cerca de 1%. Mas, como o mercadonão está aquecido, o preço do aluguel mensal de uma residência varia hoje, em média,de 0,6% a 0,8% do valor do imóvel. No caso de um apartamento de 100000 reais, porexemplo, a renda anual do proprietário ficaria entre 7 200 e 9 600 reais por ano. Isso émais ou menos o que o investidor ganharia se aplicasse os mesmos 100000 reais nomercado financeiro, sem correr risco algum. Num imóvel alugado, pode acontecer de oinquilino não cuidar bem da propriedade, atrasar o pagamento ou até mesmo ficarinadimplente. Há também a possibilidade de o imóvel ficar desocupado por um longoperíodo. Nesse caso, em vez de uma fonte de renda, o imóvel torna-se uma torneira dedespesas. O proprietário precisa arcar com os custos do condomínio (no caso de umapartamento), de manutenção (se for uma casa) e do imposto predial. O total dedespesas pode chegar a milhares de reais por ano a fundo perdido.3 - Não ter uma reserva para emergênciasVocê gasta tudo o que ganha mensalmente e não tem uma reserva, por menor queseja, no banco? Se a resposta for positiva, cuidado! Você pode estar no fio da navalha.O que você faria se precisasse de um dinheiro extra para cobrir acidentes de percurso:uma doença, um falecimento na família, uma demissão ou um período de entressafrano seu negócio? Provavelmente, ficaria na mão ou teria de recorrer a parentes ouamigos. Ou pediria um empréstimo no banco a juros estratosféricos. Portanto, se vocêfaz parte do time dos sem-reserva, talvez seja conveniente começar a formá-la. Emprincípio, essa poupança deve ser feita para não ser usada. Mas, se for preciso, elaestará lá. Segundo os especialistas, essa reserva não deve ser misturada com a suapoupança de longo prazo. Deve ficar numa conta à parte. Como ela pode sernecessária quando você menos espera, é recomendável que esteja investida emaplicações de alta liquidez, ou seja, que permitam resgate a qualquer hora, como avelha caderneta de poupança ou um fundo de renda fixa. O objetivo aqui não éconseguir a melhor rentabilidade do mercado. Apenas preservar o valor dodinheiro. "Para a pessoa física, manter uma reserva para emergências é umaobrigação, assim como uma empresa não pode viver sem capital de giro", afirmaReinaldo Zakalski, ex-Deutsche Bank e hoje responsável pela Boutique deInvestimentos, com escritórios em São Paulo, Ribeirão Preto e Brasília. E qual é o valorque você deve poupar para cobrir gastos inesperados? Os consultores geralmentedizem que é preciso guardar o equivalente a, no mínimo, seis meses de despesasfamiliares. Ou seja, se sua família gasta 3 000 reais por mês com alimentação, moradiae serviços essenciais - como água, luz e telefone -, a reserva deveria somar, aomenos, 18 000 reais. Mas, na vida real, a conta nem sempre é igual para todos. Quemnão possui um seguro de vida, por exemplo, precisará poupar um capital adicional paracobrir as necessidades de sua família se acontecer um imprevisto. Nesse caso, areserva deve ser suficiente para garantir o sustento da família por um período que giraem torno de dois anos. E a renda mensal usada como base do cálculo deve levar emconta que as despesas serão menores, caso você lhes falte. Se o desemprego lheparecer uma situação remota, é possível reduzir o valor da reserva. Quem está emascensão na carreira, faz cursos de atualização na sua área profissional e acredita
    • que, no caso de ser demitido, não ficaria sem trabalho por mais de três meses, podepensar em diminuir o valor citado acima para 9000 reais. "O emprego é uma questãode mercado e de quanto você aceita ganhar", diz Martelanc, da USP. No caso doprofissional autônomo, é preciso levar em conta que qualquer lesão que o impossibilitede trabalhar provocará uma redução imediata na renda da família. Se um dentistamachucar a mão, certamente recorrerá ao fundo emergencial da família para cobrirsuas despesas básicas habituais.4 - Perder o controle das dívidasFicar no vermelho por causa de uma emergência ou de um descuido eventual não édemérito para ninguém. O crédito bancário existe exatamente para isso. Mas pagarjuros no cartão de crédito ou no cheque especial com freqüência é, obviamente, umerro drástico. Seja simplesmente pelo fato de se gastar mais do que se ganha, seja pornão querer sacar o dinheiro aplicado no banco. Não há investimento que compense osjuros exorbitantes do cheque especial e do cartão de crédito, os maiores do mercado,hoje na faixa de 9% ao mês. A essas taxas, uma dívida dobra de valor em apenasapenas oito meses. Imagine, por exemplo, que você pagaria, em média, 450 reais dejuros por mês ao banco se tivesse com um saldo devedor no cheque especial de 5 000reais durante o mês inteiro. Se a sua renda líquida mensal fosse de 3 000 reais, issorepresentaria 15% do seu ganho total. Trata-se de um dinheiro que poderia ir para apoupança ou custear os prazeres da vida. Num ano, numa conta grosseira, issorepresentaria 5400 reais, ou seja, o equivalente a quase dois meses de salário!Segundo especialistas do mercado, muita gente incorpora o limite de crédito dado porbancos e administradoras de cartões como parte da renda familiar. Às vezes, ao juntartodas essas facilidades, a capacidade de compra pode até dobrar. O cliente fica com asensação equivocada de poder consumir mais, sem se dar conta de que, na prática, aousar boa parte de sua renda para o pagamento de juros, estará dimi- nuido o seupadrão de vida. Algumas famílias, ao perceber que ultrapassaram seus limites decrédito, vão além: decidem vender terrenos, imóveis, carros e outros bens parasolucionar seus problemas financeiros. Isso pode até ajudá-las a sair do sufoco. E émesmo preferível usar esse capital para pagar dívidas com taxas de juro elevadas acontinuar no vermelho. Mas de nada adiantará vender os bens para liquidar as dívidasse não houver um corte nos gastos, pois o problema reaparecerá a médio prazo. Hácerca de um ano, o consultor Erasmo Vieira, da Planner Finanças Pessoais, de BeloHorizonte, diz ter sido procurado por um médico de uma tradicional família mineira.Segundo o consultor, a renda mensal de seu cliente era de 39 000 reais, valor mais doque suficiente para qualquer mortal levar uma vida extravagante. No entanto, diz ele, afamília do médico, cujos gastos chegavam a 46 000 reais por mês, vivia endividada.Eles atrasavam até o pagamento da conta de luz e, dos nove cartões de crédito quetinham, apenas um era pago em dia. Só de juros a conta somava na época 6 000 reaismensais, de acordo com o consultor. Durante cinco anos, a família contou ter vendidoimóveis e outros bens para tentar sanear suas finanças. Até perceber que, se nãodecidisse fazer alguns cortes nas despesas, acabaria dilapidando todo seu patrimôniosem conseguir equilibrar o orçamento. Dá para acreditar?5 - Dar importância às grandes decisões e menosprezar as pequenasQuase todo mundo costuma se preocupar com os grandes gastos, como a compra de
    • um carro ou de um imóvel, mas acaba se esquecendo das pequenas despesas do dia-a-dia. Não há dúvida de que um negócio de 20 000, 50 000 ou 100 000 reais podeafetar o orçamento de qualquer um. Mas quantas operações desse porte alguém faráno ano ou na vida? Uma? Talvez duas? Três? Certamente, para a maioria, não muitasvezes mais. Mas, quando o que está em pauta são as compras no supermercado, acoisa muda de figura. Como as compras, em geral, são semanais ou mensais, cada idaao supermercado oferece uma infinidade de possibilidades de economizar preciosostrocados. Quem conseguir economizar 10 reais uma vez por semana a cada ida aosupermercado terá acumulado no final de um ano 540 reais, o suficiente para passar,no mínimo, dois fins de semana com a família na praia. O mesmo princípio vale para asidas ao restaurante, à padaria, a consultas médicas e a outras atividadescorriqueiras. "O importante não é poupar muito, mas poupar sempre", afirma Vieira, daPlanner. É claro que ninguém vai quebrar porque paga uma tarifa de 20 reais por umpacote de serviços de um banco, enquanto poderia estar gastando apenas 5 reais emoutra instituição. Ou até na mesma, muitas vezes, dependendo do pacote de serviçosque contratar. Mas, ao longo de um ano, esses 15 reais de diferença se transformarãoem 180 reais. E se você somar os 180 reais que poderiam ser economizados emtarifas bancárias com os 540 reais do supermercado, já seriam 720 reais num ano. Issopara ficar em apenas dois exemplos banais. A compulsão pelas compras com chequepré-datado, essa instituição nacional que se popularizou na era da superinflação, émais uma armadilha que consome valiosos reais que poderiam estar reforçando suapoupança. Muita gente pensa que um desconto de 5% nas compras à vista édesprezível. Mas é preciso levar em conta que, num cenário de economiarelativamente estável como o atual, representa muito. A maioria das aplicaçõesfinanceiras hoje em dia não rende nem 1% ao mês. O mesmo vale para ospagamentos em três, quatro, cinco ou até dez vezes "sem juros" oferecidos por muitaslojas. O dinheiro, como qualquer outra mercadoria, tem um custo, e ne- nhumcomerciante, absolutamente nenhum, vai cobri-lo para você de graça. Na verdade, oque costuma acontecer nesses casos é que o lojista, que deveria viver da venda desuas mercadorias, acaba atuando como se fosse um banqueiro. Com a diferença deque você acha que ele está sendo "bonzinho".6 - Não seguir os objetivos financeiros que você mesmo definiuVocê decide economizar para comprar um apartamento. No meio do caminho, nãoresiste a uma promoção tentadora e desvia aquele suado dinheiro para a compra deum carro. Resultado: tem de recomeçar do zero a poupança para o apartamento. Esejamos sinceros: se a cada novo impulso consumista você deixar de lado oapartamento, dificilmente vai conseguir comprá-lo. O mesmo raciocínio vale para asimples compra de um computador, a tão sonhada temporada no exterior ou aquelarenda complementar para aproveitar tranqüilamente a aposentadoria. Por falta dedisciplina, muita gente não estabelece prioridades em seus objetivos e acabadesviando seu foco de atenção daquilo que realmente importa. A maioria das pessoasnão traça planos nem sequer controla seus hábitos de consumo. Simplesmente saigastando sem se planejar, endivida-se além da conta e depois reclama que não ganhao suficiente. A culpa, como sempre, sobra para o patrão. De acordo com osconsultores, a palavra-chave para se ater às suas prioridades é disciplina. Sem ela, fica
    • difícil conseguir realizar qualquer um de seus sonhos. E disciplina significa, quasesempre, poupar, fazer uma reserva para alcançar seus objetivos, separar uma parte dasua renda mensal, de 10% a 20%, para aplicar e esquecer que esse dinheiro existe. Osespecialistas recomendam ter uma conta para o dia-a-dia, outra para objetivos demédio prazo, como uma viagem, e uma terceira para metas de prazo mais longo, comoa aposentadoria e a poupança para a faculdade de seus filhos. Embora muita genteacredite que é preciso estar bem de vida para conseguir economizar alguma coisa, ohábito de poupar, independe da sua renda. É muito mais uma questão de atitude, quepode ser incorporada ao cotidiano de qualquer um. Tem gente que ganha pouco econsegue guardar seu rico dinheirinho. Outras pessoas, que recebem verdadeirasfortunas, gastam absolutamente tudo. Isso quando não entram no chequeespecial. "Um dos grandes erros do brasileiro é investir apenas o que sobra no final domês e não ter disciplina de guardar um pouco de seu dinheiro com regularidade", dizFábio Garcia, responsável pela área de produtos de investimento do BankBoston.7 - Usar mais a emoção do que a razão na hora de investirEis aqui outro erro clássico do brasileiro. É difícil, mas é fundamental deixar a emoçãode lado na hora de aplicar seu dinheiro. "O investimento deve ser racional", afirma oinvestidor americano Warren Buffet. Em razão do sucesso de Buffet, o segundohomem mais rico dos Estados Unidos, sua afirmação pode e deve ser vista como umaespécie de mantra por qualquer aplicador do planeta. Em geral, por medo oudesconhecimento, as pessoas agem precipitadamente e acabam perdendo dinheiro porisso. "Para se sentir livre em relação ao dinheiro, é essencial perder o medo que setem dele", diz Suze Orman, uma das consultoras financeiras americanas de maiorprestígio atualmente, autora de diversos livros, entre eles A Coragem para Ser Rico, aser lançado no ano que vem pela editora Rocco (leia um trecho do livro na pág. 76). Omercado acionário costuma ser um dos melhores testes para avaliar o lado emocionaldos investidores. O sobe-e-desce faz parte da dinâmica das bolsas, sujeitas aturbulências provocadas pela variação de resultado das empresas e pelas expectativasde investidores em relação ao desempenho econômico do Brasil e de outros países.Quem investe em ações sabe (ou deveria saber) que bolsa não é o lugar apropriadopara cardíacos. Mesmo assim, é comum encontrar investidores que se desesperamnos piores momentos do mercado. Agem de forma emocional e tiram o dinheirojustamente quando a ação chega ao seu nível mais baixo, teoricamente o melhormomento para comprar. Se agissem racionalmente, provavelmente manteriam seusinvestimentos até que passasse o pânico e o cenário clareasse (faça o teste da pág. 28para medir sua tolerância ao risco). "As reações emocionais causadas pela perda sãoenormes e muitos investidores comuns não conseguem suportá-las", diz William EidJr., professor de finanças da FGV de São Paulo e coordenador do Centro de Estudosde Finanças da instituição. Pular de galho em galho na tentativa de sempre acertar omelhor alvo também é uma atitude emocional. A probabilidade de ser bem-sucedido émínima - nem os experts costumam conseguir essa proeza. De acordo com um estudofeito pela Corretora Souza Barros, uma das mais tradicionais de São Paulo, oinvestidor assíduo, que aplica sempre, com consciência e sob o império da razão, temmais chance de se dar bem do que aquele que está sempre em busca do melhormomento para entrar e sair do mercado. O levantamento da corretora mostra que
    • quem tivesse investido mensalmente numa carteira semelhante à do índice Bovespa,que reflete o desempenho médio dos papéis mais negociados na Bolsa de São Paulo,teria ganho 384,6% nos últimos 20 anos (em dólar). No mesmo período, de acordo como estudo, os investidores que tivessem procurado acertar os momentos de baixa paracomprar e de alta para vender teriam obtido um lucro bem menor, de 284,9%.Obviamente, ser racional não significa ser omisso. Quem fica parado é poste. Masmuita gente acaba por avaliar seus investimentos pelo que eles eram quando foramfeitos, e não pelo que valem hoje ou pelo seu potencial futuro de valorização. E issovale para tudo, não apenas para o mercado financeiro. Um prédio no centro de SãoPaulo, por exemplo, poderia ser muito valioso nos anos 30, mas hoje, com adesvalorização da região, é quase um mico. Mesmo assim, muitos proprietários deescritórios na região central da cidade não se desfazem do imóvel por uma questãosentimental, seja porque o receberam de herança, seja porque passaram boa parte desuas vidas por lá. "As pessoas casam com o mau resultado para não admitir queerraram", diz Ronaldo Magalhães, da Sul América Investimentos.8 - Não correr riscosDesde pequeno, todo mundo aprendeu a evitar riscos. "Cuidado com o escorregador,não brinque perto do carro", diziam e dizem as mamães. A lição começou em casa,continuou na escola e entrou na vida das pessoas - a insegurança, o medo de trocar ocerto pelo duvidoso, ainda é muito forte para a maioria, principalmente na carreira enos assuntos relacionados a dinheiro. Não é raro encontrar quem se acomode numaposição na qual o salário não parece bom e o trabalho não satisfaz. Afinal, para quearriscar? "É difícil evoluir profissionalmente sem correr riscos", afirma o headhunterGuilherme Velloso, diretor da PMC Amrop, uma das principais empresas derecrutamento do país. "Na carreira, assim como nos investimentos, as grandesoportunidades embutem risco, por isso as recompensas são maiores", diz Velloso.Com as aplicações financeiras não é diferente. A maioria não suporta a idéia de investirsuas economias e não tê-las de volta integralmente. Uma máxima do mercadofinanceiro, no entanto, diz justamente que, quanto maior for o risco de uma aplicação,maior a possibilidade de ganho. "Essencialmente, toda decisão que nós tomamos é umrisco, de uma forma ou de outra", afirma o consultor econômico americano Peter L.Bernstein, autor do livro Desafio aos Deuses: A Fascinante História do Risco (editoraCampus), considerado o livro de negócios mais inovador e criativo dos Estados Unidosem 1996. Em razão do que diz Bernstein, talvez convenha aprender a gerenciar orisco, em vez de evitá-lo. No dia-a-dia, já fazemos isso sem nos dar conta. Quandodeixamos de ir a um caixa eletrônico à noite, num lugar escuro, por exemplo, estamosminimizando o risco de ser assaltados. Se não fizermos esportes radicais, tambémteremos menor probabilidade de morrer ou de nos acidentar (toc, toc, toc). Que talaplicar esse princípio para fazer a gestão de risco de seus investimentos? Aodiversificar as suas aplicações, por exemplo, você poderá diminuir o risco de ver o seupatrimônio minguar. "A idéia do gerenciamento de riscos é não ser surpreendido", dizBernstein. "Se estiver errado, não quero ser eliminado, quero estar seguro de que vousobreviver."9 - Não levar em conta a inflação, por menor que ela sejaQuando se fala em investimento, um dos maiores erros que se podem cometer é
    • desprezar a inflação, independentemente de ela ser alta ou baixa. A inflação podeanular parte ou todo o ganho que o investidor acredita estar obtendo com umaaplicação financeira. Principalmente quando o que está em pauta é uma poupança delongo prazo, seja para custear a sua aposentadoria, seja para pagar a faculdade dascrianças dentro de alguns anos. É certo que, hoje em dia, com a estabilidade trazidapelo Plano Real, implementado em 1994, esse problema já não é tão grave quantoalguns anos atrás. Afinal, desde então, o salário deixou de ser corroído diariamentepela inflação e as pessoas puderam organizar seus gastos. Muita gente temconseguido até se planejar para realizar objetivos futuros. Mas nem por isso a inflaçãodeve ser desprezada por qualquer investidor digno do nome. Mesmo nos EstadosUnidos, onde a inflação está hoje na casa dos 2% ou 3% ao ano, essa é uma questãoque merece atenção dos consultores mais respeitados do mercado. Aqui, desde que asuper inflação foi domada, muitos investidores praticamente a esqueceram. Só que,mesmo em patamares civilizados, ela continua presente. E é melhor contar com ela nahora de aplicar o seu dinheiro do que ignorar sua existência. Basta ir à padaria ou aosupermercado e conferir. Desde o começo deste ano, por exemplo, a inflaçãoacumulada chega a 2,41%, segundo dados do IPCA, calculado pelo IBGE. No anopassado, em dois meses, a poupança chegou a render menos que a inflação (1,61%de inflação contra 0,66% de rendimento da poupança, em julho, e 1,31% de inflaçãocontra 0,70% da poupança, em agosto). Em dezembro, os dois índices praticamenteempataram. A longo prazo, se isso se repetir muitas vezes, pode ser algo fatal parasuas economias. A tendência é que a inflação continue sob controle. Ao menos é o quese espera. Mas a recente desvalorização cambial mostra que nem tudo pode serprevisto. Para se garantir, é importante, sempre, levar em conta o rendimento real, ouseja, descontado da inflação, de seus investimentos. Muitas vezes, ao descontar osimpostos e a inflação, os ganhos que você julgava extraordinários são mínimos e, emalguns casos, até inexistentes. Isso significa que, em termos reais, o investidor estáperdendo dinheiro ou diminuindo o seu patrimônio. "A única maneira realmente efetivapara resguardar o valor das aplicações é obter um rendimento maior do que a taxainflacionária do período em que você está aplicando seu capital", afirma LouisFrankenberg, consultor de finanças pessoais, no livro Seu Futuro Financeiro, editoraCampus. l