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Ciclo de Aprendizagem Vivencial                                       Vivência:                                 Projetadas...
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  1. 1. O USO DE JOGOS E METODOLOGIAS VIVENCIAIS PARA DESPERTAR A CULTURA EMPREENDEDORA E AGESTÃO PARTICIPATIVA ________________________________________________________________ 3 1. INTRODUÇÃO __________________________________________________________________ 3 2. MUDANÇA DE PARADIGMAS: O PRINCIPAL DESAFIO DA INOVAÇÃO _______________________ 4 3. OS JOGOS E OS MÉTODOS VIVENCIAIS COMO UMA ALTERNATIVA DE EDUCAÇÃO PARA INOVAÇÃO _________________________________________________________________________ 6 4. OS JOGOS E MÉTODOS VIVENCIAIS NA PRÁTICA _______________________________________ 8 5. CONCLUSÃO __________________________________________________________________ 11 6. REFERÊNCIAS _________________________________________________________________ 12AUTORA ____________________________________________________________________________ 12
  2. 2. O USO DE JOGOS E METODOLOGIAS VIVENCIAIS PARA DESPERTAR A CULTURAEMPREENDEDORA E A GESTÃO PARTICIPATIVA 1. INTRODUÇÃO Já não é mais privilégio de poucos ouvir falar em inovação. Executivos, autores, estudiosos de negócio constataram há tempos que é importante inovar. A grande exposição deste assunto vem gerando perguntas acerca de como devemos encarar um tema complexo e que envolve mudanças de mapas mentais - de maneira natural. Como tratar a inovação cotidianamente emEste artigo demonstra empresas que possuem os mais diversos públicos? Mais: como trabalhar acomo o uso de jogos e inovação de forma instigante e, ao mesmo tempo, compreensível? Estestécnicas vivenciais questionamentos motivaram esta reflexão.pode contribuir para oentendimento do O principal objetivo deste artigo é demonstrar como o uso de jogos e técnicasprocesso de inovação vivenciais pode contribuir para o entendimento (1) do processo de inovação; ee desenvolvimento do (2) para o desenvolvimento do perfil empreendedor, que é tão importanteperfil empreendedor. para que a inovação ocorra contínua e sistematicamente na organização. Serão relatadas, para ilustrar as reflexões aqui colocadas, algumas situações de práticas com trabalho de grupos em que o principal objetivo é despertar uma cultura inovadora junto aos participantes. Para fazer esta reflexão foram utilizadas teorias sobre inovação tecnológica, jogos teatrais e perfil empreendedor.
  3. 3. 2. MUDANÇA DE PARADIGMAS: O PRINCIPAL DESAFIO DA INOVAÇÃO Dentro de uma organização, quando se inicia a estruturação de um trabalho para despertar nas pessoas a importância de inovar logo aparecem os principais obstáculos:O objetivo desteestudo é lançar outro  “Preciso ter resultados em curto prazo”olhar sobre como lidar  “Quero garantias de que vou obter retorno.”com barreiras culturais  “A empresa me diz para inovar, mas estou atolado em rotinas.”à inovação. Este artigo não pretende responder a todas estas perguntas, mas sim lançar um outro olhar sobre como lidar com barreiras culturais à inovação, como a pressão por resultados e a aversão a riscos. Normalmente, essas barreiras são práticas comportamentais enraizadas na cultura organizacional e, pior, continuamente reforçadas pela organização. É preciso, portanto, tratá-las no plano da cultura organizacional através de um plano de intervenções sério e focado na transformação positiva da cultura organizacional. Mudanças culturais, entretanto, não são fáceis. Uma organização tende a repelir mudanças culturais. O fato de a cultura organizacional ser constituída por práticas comportamentais que, em algum tempo, trouxeram ganhos satisfatórios para a empresa, dificulta a aceitação da mudança. Entretanto, na sociedade do conhecimento, as organizações que não se propuserem aNa sociedade do pensar de outra forma – e encarar mudanças culturais – perdem oportunidadesconhecimento, as de obter novos ganhos. Ao perpetuar práticas as empresas obtêm, noorganizações que não máximo, resultados iguais.se propuserem aencarar mudanças O professor Louis Jacques Filion (HEC Montréal - École de Gestion) jáculturais perdem mencionou em um de seus estudos que organizações que enfatizam muito ooportunidades de engano, ou seja, que são aversas ao risco, desestimulam as pessoas a agir. obter novos ganhos. Com isso, perpetuam seres mais próximos das máquinas, que simplesmente só reproduzem o que já está dado. Este processo tende a reforçar a alienação do ser humano que deixa de ser atuante no processo criador e passa a ser um objeto deste processo, tornando-se uma criatura sem desejos, sem sonhos e sem vida; uma pessoa que não olha as situações cotidianas como possibilidades de superação e aperfeiçoamento, e que não se vê como ator de mudança. Isso é muito prejudicial para o processo de inovação. Voltando à pergunta: como trabalhar questões tão complexas, profundas e específicas para cada organização e ser humano? Como transpor barreiras culturais para construir uma organização que inova mais? O processo de desenvolvimento de pessoas para a inovação não se resume, nem de perto, à exposição de informações e conhecimentos. Na verdade, trata-se de um processo de aprendizagem que passa mais pelo nível da habilidade e da atitude. Conhecimento é toda informação, dados formais, que podem ser aprendidos através de manuais ou cursos expositivos. A habilidade é a capacidade de aplicar o conhecimento já adquirido na prática.O processo de A atitude, por fim, é o desejo e a vontade do indivíduo de aplicardesenvolvimento de continuamente aquela competência no seu dia-a-dia. No processo depessoas para a inovação, a motivação, a energia interna e o espírito empreendedor -inovação não se requisitos que caracterizam-se no nível da atitude - são os fatores decisivos.resume à exposição Por isso é que a atitude é o nível de uma competência que precisa serde informações e desenvolvido no indivíduo para que ele se configure como um ator pró-ativoconhecimentos. no processo de inovação. Da mesma forma, a exposição pura de conhecimentos não será efetiva para desenvolver o indivíduo para a inovação, se não houver estímulos para que ele aplique os conhecimentos no seu trabalho. Para ilustrar, é só observarmos vários casos de indivíduos que não possuíam conhecimento técnico aprofundado, mas dispunham de atitude empreendedora, e obtiveram sucesso suprindo esta deficiência técnica com especialistas. O que determinou a prosperidade destes empreendedimentos foi a atitude empreendedora, que pode ser traduzida em ter clareza de uma
  4. 4. visão e o comprometimento para realizá-la. Quando fala-se em visão, é a clareza do que se quer a partir daquele negócio e o que determinará sucesso para aquele empreendimento. (FILION, 2004) Definido por Filion em 1999, o empreendedor é aquele que imagina, desenvolve e realiza visões. E o empreendedorismo é definido como oSão várias as processo pelo qual se faz algo novo (algo criativo) e algo diferente (inovador)estratégias utilizadas com a finalidade de gerar riqueza para indivíduos e agregar valor para apara desenvolver o sociedade. (In FILION 2004; KAO,1995; FILION, 1998, 1999a; BRUYAT; JULIEN, 2000; SHANE; VENKATARAMAN, 2000; KAO, 2002)perfil empreendedor,mas, neste artigo, Concluímos, portanto, que o desenvolvimento do indivíduo para a inovaçãoaprofundaremos no passa, necessariamente, pela construção de uma atitude empreendedoramétodo dos jogos e (que, vale reforçar, engloba a criação e o compartilhamento de visões).técnicas vivenciais. Quando se trata de inovar, o grupo deve: primeiro, identificar o que quer fazer; depois, construir uma visão; e, por último, encontrar a melhor forma de realizá-la. “Empreendedores e intraempreendedores parecem evoluir da concepção para a realização de um projeto por meio da formulação de visões a ser transformadas em realidade” (FILION – 2004) A partir destas constatações aparece um questionamento, o que pode ser feito para desenvolver o perfil empreendedor dentro das organizações? São várias estratégias utilizadas e que obtém resultados satisfatórios, mas nesta leitura aprofundaremos no método dos jogos e técnicas vivenciais.
  5. 5. 3. OS JOGOS E OS MÉTODOS VIVENCIAIS COMO UMA ALTERNATIVA DE EDUCAÇÃO PARA INOVAÇÃO Jogos Os jogos proporcionam, de forma dinâmica e lúdica, que os "jogadores" (os colaboradores da empresa) experimentem e compreendam processos empresariais. Viola Spolin, diretora teatral norte-americana, desenvolveu jogos teatrais. Tomaremos emprestado dos jogos teatrais de Spolin, trêsNos jogos, os conceitos: foco, instrução, avaliação.participantesexperimentam e A primeira fase de um jogo, segundo Spolin, é a construção do foco. É ocompreendem momento em que é definido claramente o desafio do jogo; ou o objetivo queprocessos deve ser alcançado pelos jogadores. É o que mantém o grupo instigado:empresariais. “Através do foco entre todos, dignidade e privacidade são mantidos e a verdadeira parceria pode nascer”. (p. 32) A partir da definição do foco, de forma espontânea os jogadores assumem papéis, tornando-se atores de mudança no ambiente. A definição do foco contribui para que os participantes tenham liberdade e criatividade necessárias para imaginarem – exercitarem a construção de visões - de como podem ganhar o jogo. Se os participantes não conhecerem o objetivo do jogo, eles não conseguirão participar da construção da visão. Sabendo o que representará sucesso, os participantes podem explorar, à sua maneira, a forma de alcançar o resultado esperado. Surgem, portanto, novas relações e papéis. A segunda fase do jogo, a instrução, permite guiar para o alcance do foco. É oO fato de ser uma decorrer do jogo, o momento em que os jogadores vão interagir eatividade lúdica, que experimentar estratégias para alcançar o objetivo – a visão - final. Se ossimula a realidade, jogadores tiverem construído uma visão coesa na primeira fase, as açõescolabora para a empreendidas por cada jogador serão coerentes e apontarão para o objetivoconstrução de um final do grupo – ou, a realização da visão do grupo.ambiente propício àexperimentação e à O fato de ser um jogo – lúdico, uma simulação da realidade – colabora para acriatividade. construção de um ambiente propício à experimentação, à criatividade. A última fase é a avaliação. Esta não se pauta em julgar ou criticar, mas simplesmente “contabilizar” o que foi apreendido ou realizado no decorrer do jogo. “A avaliação, muitas vezes, é uma oportunidade para o professor e os jogadores emitirem uma opinião sobre a „maneira certa‟ de fazer algo”. (Spolin, 2007, p. 35) Métodos vivenciais Os métodos vivenciais são uma maneira de proporcionar um aprendizado através de uma experiência em grupo. Isto é, primeiro, experimentar uma simulação através da proposição de uma atividade em que se tem um determinado objetivo de aprendizado; para depois avaliar o que aconteceu, relacionar com o cotidiano e criar novas práticas de comportamento para serem aplicadas futuramente.Os métodos vivenciaisproporcionam Existem várias teorias relacionadas aos métodos vivenciais, mas destaca-se aaprendizado por meio utilização do CAV (Ciclo de Aprendizagem Organizacional) desenvolvido porde experiências em Gramigna, em que são definidas 5 etapas para o aprendizado: a vivência, ogrupo. relato, o processamento, a generalização e a aplicação. E estas etapas num processo contínuo de experimentação.
  6. 6. Ciclo de Aprendizagem Vivencial Vivência: Projetadas para trabalhar características do empreendedor e também aspectos do Relato e plano de negócios Vivência processamento: Relato Participantes descrevem suaJogos e métodos experiência evivenciais aumentam a moderador dacapacidade inovadora, vivência orientauma vez que estimulam reflexões. Aplicaçãoo comportamentoempreendedor. Aplicação: Processamento O participante replica a experiência em seu contexto Generalização natural. Generalização: Transposição da discussão para outros contextos (*)Fonte: Maria Rita Miranda Gramigna. Jogos de Empresa. São Paulo. Makron Books, 1993 O leitor já pode perceber que os jogos e os métodos vivenciais impactam positivamente o aumento da capacidade inovadora, uma vez que estimulam o comportamento empreendedor, através do exercício de desenvolvimento e realização de visões. Na próxima parte relacionaremos o que foi explicitado aqui com algumas experiências com trabalho de grupos.
  7. 7. 4. OS JOGOS E MÉTODOS VIVENCIAIS NA PRÁTICA Para ilustrar o que foi exposto até aqui relataremos um jogo que foi construído pela autora e uma experiência com métodos vivenciais realizada dentro do EMBATE, um serviço da área de Educação e Cultura da Inventta. Quanto ao jogo trata-se de um Xadrez Humano, em que as peças são pessoas, e o tabuleiro, portanto, possui 5 m X 5 m. O jogo propicia, de forma lúdica, oQuando são propostos exercício das funções de planejamento, estratégia, tomada de decisão sobos jogos, inicialmente, pressão, foco em resultados. Os participantes experimentam funções e papéisas pessoas parecem diversos.perdidas. Foco Quando são propostos os jogos, inicialmente, as pessoas parecem perdidas. Elas sabem que possuem algumas regras que não podem ser descumpridas, mas o fato de terem que organizarem-se sozinhas é disruptivo. O objetivo do Xadrez Humano é colocar a rainha adversária em xeque-mate, movendo as peças em direções ortogonais (quantas casas desejarem, um sentido por jogada). Essa é a visão de cada um dos grupos. Existe um juiz. Cada grupo tem, pelo menos, 33 pessoas: 16 peças e um comunicador (aquele que dita as jogadas). Os jogadores que não assumem nenhum destes dois papéis, encontram funções através das quais podem ajudar no alcance da visão. As peças não podem falar nada e devem obedecer à ordem do comunicador, somente. Instrução É o jogo, efetivamente. Com o intuito de alcançar os resultados, o grupo se lança para alinhar o que precisa ser feito e enxergar qual é o grande desafio que possuem com aquela atividade, formando, assim, uma visão bem clara deO grupo se alinha para onde querem chegar. Há casos, sim, em que a visão não está alinhada, e odefinir o que precisa grupo parte precipitadamente para a realização.ser feito e enxergarqual é o grande desafio Com a visão alinhada, o que acontece na maioria das vezes, é que cada umdaquela atividade, encontra a sua função para contribuir na construção ou alcance da visão. Éformando, assim, uma comum alguns poucos jogadores emergirem e se firmarem comovisão bem clara de “conselheiros” do comunicador. Quando possuem coesão na visão e naonde querem chegar. estratégia, todos conseguem compreender as decisões tomadas, e verificar oportunidades para alcançar o objetivo proposto. O fato de haver regras explícitas faz com que as pessoas sintam-se à vontade para atuar, e isso gera um envolvimento de forma intensa com a atividade que está sendo realizada. Nesta fase de instrução, é possível verificar algumas situações no jogo que são análogas a experiências na rotina de trabalho, como:  A veemência com que os participantes buscavam contribuir na construção e na execução da estratégia;  A forma como alguns participantes conseguiram ganhar espaço e se fazer ouvir;  O stress, vivenciado pelo comunicador, de tomar decisões sob pressão de tempo e da equipe;  A frustração das peças por não poderem participar ativamente do jogo (elas não deveriam falar); e terem que executar algo (umaQuando há coesão na jogada) com o qual não concordavam;visão e na estratégia,todos conseguem  O surgimento de líderes estrategistas, que aconselhavam ocompreender as comunicador;decisões tomadas, e  A necessidade de reagir aos movimentos do grupo adversário, everificar adaptar estratégias.oportunidades paraalcançar os objetivos. Avaliação Na fase de avaliação, quando analisam o resultado que atingiram em grupo durante o jogo, de forma ágil e com qualidade, as pessoas se questionam porque trabalhar em grupo no dia-a-dia é tão difícil. Neste momento, eles
  8. 8. próprios já conseguem identificar os principais motivos, percebendo suaNa fase de avaliação, responsabilidade em cada situação, ao invés, de simplesmente culpar umquando analisam o outro por não dar certo.resultado queatingiram em grupo, as No quadro abaixo segue a relação entre as etapas da teoria dos jogos de Violapessoas se questionam Spolin com o Xadrez Humano e as Habilidades e Atitudes estimuladas peloporque trabalhar em jogo.grupo no dia-a-dia étão difícil. HABILIDADES E ATITUDES JOGO XADREZ HUMANO EMPREENDEDORAS DESENVOLVIDAS Comunicação da meta Construção e do jogo: colocar a compartilhamento de F É o que mantém o rainha adversária em uma visão; O grupo ligado ao jogo, xeque-mate; é o problema a ser C resolvido, o Corresponsabilidade; O Construção da instigador. estratégia – visão – de Exposição de ideias; jogo, por cada um dos grupos. Solução de problema. Movimentação das peças; Tomada de decisão; Definição de papéis formais: Tomada de decisão; Os participantes  Comunicador; I efetivamente jogam.  Peças; Foco no resultado; N Ou seja, as pessoasO quadro ao lado S tomam as decisões e Emersão de papéis Implementação demostra a relação entre implementam ações informais: T estratégias;as etapas da teoria com o intuito de  Conselheiro; R ganhar o jogo;dos jogos de Viola  Líder; Querer participar peloSpolin com o Xadrez U  Estrategista; desafio do jogo; Os participantesHumano e as Ç  Planejador; assumem papéis;Habilidades e Atitudes à  Analista do Envolvimento com a ambiente; resolução;estimuladas pelo jogo. O Os participantes reagem às ações dos Análise do ambiente; Habilidade para lidar outros jogadores. com mudanças. Reação às ações do grupo adversário; Reavaliação da estratégia para alcance da visão. A V Não julgar e não culpar o outro; A Das estratégias de jogo; L “Contabilização” do Aprender com erros; que foi aprendido com Das decisões; I o jogo. A Receber críticas; De jogadas específicas. Ç Tolerância ao risco. à O
  9. 9. Acontece também nos jogos de emergirem as principais dificuldades do grupo ou do indivíduo. No jogo, as dificuldades emergem de uma forma diferente daNo jogo, as do cotidiano, pois aquele momento é uma “encenação”, uma situação em quedificuldades emergem cada um está vivendo “outro papel”, desta forma as pessoas se permitemde uma forma mais e trazem suas fragilidades mais à tona.diferente da docotidiano, pois aquele Esta característica também é presente nos métodos vivenciais. Em outromomento é uma momento de trabalho em grupo e numa atividade direcionada para uma“encenação”, uma negociação entre dois grupos, um deles montou estratégias agressivas parasituação em que cada sugar tudo que fosse possível do outro. As partes não conseguiram chegar aum está vivendo “outro um acordo. E uma das pessoas deste grupo agressivo percebeu nitidamente opapel”. quanto essas características interferiam para que não obtivessem sucesso na negociação. Muitos dos que ali estavam também perceberam que possuem atitudes que só dificultam a construção de uma parceria. Até o momento da atividade, o grupo não visualizava como agir de tal forma poderia prejudicar a negociação. E foi a partir do processo vivencial que as pessoas se permitiram experimentar e depois avaliaram, individualmente e em grupo, o que havia acontecido e quanto aquele comportamento é repetido no seu cotidiano sem perceberem. O quadro abaixo destaca as habilidades e atitudes estimuladas com métodos vivenciais a partir da experiência no Ciclo de Aprendizagem Vivencial (CAV). ETAPAS DO CAV HABILIDADES E ATITUDESAs pessoas sepermitem mais etrazem suas Vivência Capacidade de experimentar novos papéis e situações;fragilidades mais àtona. Envolvimento com os resultados. Relato Habilidade para expor, escutar e compreender o outro; Empatia. Facilidade para se ver pertencente a um grupo; Processamento Percepção sobre incoerências entre o que penso e como faço. Capacidade de perceber comportamentos iguais para Generalização situações diferentes; Dinamicidade. Aplicação Capacidade de se permitir experimentar novas situações; Capacidade e querer mudar.
  10. 10. 5. CONCLUSÃO Este artigo apresentou uma nova perspectiva de educação de adultos para inovação. Os jogos e métodos vivenciais podem ser uma ferramenta eficaz para trazermos o que há de melhor nos indivíduos e para a construção de resultados mais eficazes. Este método funciona, principalmente, para as pessoas rapidamente identificarem onde estão falhando e sentirem o quanto podem se dedicarem e se envolverem mais. Além disso, permite visualizar vários caminhos possíveis para resolverem as falhas. O mais interessante é que estes caminhos de solução emergem do próprio grupo que já conhece muito o ambiente em que convive. Geralmente, pelo fato das pessoas estarem tão envolvidas com seus problemas, acabam enxergando somente um ângulo da situação. As possibilidades de atuação se tornam restritas comparadas a quando conseguimos refletir sobre nossa realidade e, assim, nos distanciarmos, possibilitando um olhar mais amplo sobre a problemática.Os jogos e métodos Oferecer situações em que as pessoas possam se permitir estar em outrovivenciais podem ser papel proporciona um aprendizado que não se consegue através dos métodosuma ferramenta eficaz tradicionais de ensino. Processo que possui nitidamente uma dualidade entrepara trazermos o que uma pessoa detentora do conhecimento e que fará a transferência do saberhá de melhor nos para o outro, que está em situação de menos instrução.indivíduos e para aconstrução de O aprendizado aqui discutido possibilita ao participante avaliar com nitidezresultados mais como está agindo para buscar resultados e o quanto esta constante avaliaçãoeficazes. é importante para conquistar melhores desempenhos. Relacionando o que foi exposto até aqui com o desenvolvimento da inovação - ou seja, o processo de levar uma ideia de um novo negócio ou produto ao mercado -, precisa, além de uma boa ideia inovadora, da existência de. pessoas que transformem um sonho em realidade. Pessoas assim são chamadas de empreendedoras, e isto quer dizer, pessoas com habilidades e atitudes necessárias para transformar uma boa ideia em uma inovação propriamente dita. E, para as pessoas perceberem o quanto o fato de se expressar comportamentos empreendedores é determinante para o sucesso de uma inovação, elas precisam entender esta diferença. Os jogos e métodos vivenciais são ferramentas que permitem, por meio da vivência de situações conflitantes, que se perceba a diferença entre aquele que fica no papel de seguir “o fluxo vigente” e o que escolhe ser um agente da transformação e constante aperfeiçoamento. São formas diferentes de encarar o mundo, e qual está certa? Depende dos objetivos que cada um ou cada organização possuem, pois ambos possuem seus prós e contras. Propor um trabalho que permita às pessoas vivenciarem e perceberem isto, é oferecer a oportunidade de criarmos indivíduos críticos, conscientes e atentos às incoerências entre o discurso e a prática.
  11. 11. 6. REFERÊNCIAS FILION, L.J. Entendendo os intraempreendedores como visionistas. Revista de Negócios. Blumenau, v.9, n.2, p.65-80. Abril/Junho 2004. GRAMIGNA, Maria Rita Miranda. Jogos de Empresa. São Paulo. Makron Books, 1993. SPOLIN, Viola. Jogos teatrais na sala de aula: o livro do professor. Tradução de Ingrid Dormien Koudela. São Paulo: Perspectiva, 2007, 321 p.AUTORABianca Richartz é graduada em Psicologia pela UFSC e pós-graduada em Orientação Profissional pelaUDESC. Acumula amplo conhecimento e vivência em todos os subsistemas de Recursos Humanos. Atuouem cargos de liderança em empresas de grande porte na área de prestação de serviços. Destaca-se otrabalho realizado na Aiesec, Employer Recursos Humanos e Gerencial Brasil. Nesta última, atendeugrandes clientes como Brasil Telecom, Samsung, Amazonia Celular, Telemig Celular e Claro. NaInventta, atua no núcleo de Educação e Cultura para Inovação Tecnológica elaborando diagnósticos dopotencial para inovação, intervenções culturais e ações de educação para inovação e em projetos deRecursos Humanos para Empresas de Base Tecnológica.

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