Tcc

1,939 views
1,839 views

Published on

Trabalho de Conclusão de Curso, sobre Movimento Operário, redigido pelo aluno Igor Santana de Lima da Escola Estadual Valdomiro Silveira

0 Comments
1 Like
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total views
1,939
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
0
Actions
Shares
0
Downloads
25
Comments
0
Likes
1
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Tcc

  1. 1. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60 1 INTRODUÇÃO Este Trabalho de Conclusão de Curso tem como objetivo relatar de uma maneiraclara e sucinta o que foi o movimento operário e quais as principais manifestações,mostrando assim quais eram os objetivos e quais os ganhos que isso iria trazer para asociedade. As manifestações da classe operária tiveram inicio durante a Revolução Industrial,e a partir dai a classe operária começou a ter mais força e poder nas lutas,lutando pelosseus próprios interesses, visto que o ambiente de trabalho na época não era muito favorávela eles. A primeira conquista da classe operária foi o direito de voto, onde eles puderamcontar com a ajuda da classe burguesa. Os operários contaram com a ajuda tanto da classeburguesa como dos sindicatos, que foram os principais ajudantes nesta batalha travadacontra o governo da época. As lutas operárias ganharam mais poder logo depois que ossindicatos foram sendo criados, pois a partir daí eles começaram a ficar mais organizados efortes para travar a batalha árdua que eles tanto queriam. As lutas operárias ficaram bastante marcadas na história do país, pois houve umaépoca conhecida como Ludismo, onde os luditas (toda pessoa que se opõe àindustrialização intensa ou às novas tecnologias) invadiam as fábricas e quebravam asmáquinas, pois segundo eles essas máquinas tiravam o trabalho dos homens - essasmáquinas tinham como objetivo substituir o trabalho manual, e assim colocar as máquinaspara trabalhar no lugar da classe operária. Muitas foram as conquistas da classe operária durante o movimento, a presentepesquisa irá relatar quais foram e quais tiveram maior destaque. A presente pesquisa abordará também a obra de Engels, onde ele declara qual é areal situação da classe operária durante as primeiras décadas pós Revolução Industrial,segundo sua obra a classe operária vive num cenário cruel e de extrema exploração. Suaobra tem relatos verídicos de como eram tratadas as crianças na época. Página | 10
  2. 2. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60 2 MOVIMENTO OPERÁRIO2.1 Definição Entende-se como movimento manifestações realizadas por determinados tipos depessoas ou grupos em prol de determinado fim, e operário é todo aquele que trabalha numafabrica. Então, pode-se definir o movimento operário como manifestações realizadas portrabalhos de fábricas, mais conhecido como operários. Porém, um movimento só acontece para reivindicar algo. Antes de se falar sobre omotivo do movimento operário acontecer, deve-se primeiro analisar como era o ambientede trabalhos de tais, como trabalhavam, qual horário que eles deviam cumprir e quais osdireitos que eles recebiam na época (Século XVIII e XIX).2.2 Os operários no século XVIII e XIX O ambiente de trabalho dos operários é bastante precário, muitos acidentes ocorremcom muita frequência, pois não existe segurança, muito menos meios de proteção cabíveis.Os operários trabalham 16 horas por dia e muitas vezes até o limite de suas forças, elesnunca usufruem de folgas. O salário que eles recebem não é proporcional ao trabalho quetais realizam. Os operários geram uma produção com uma única finalidade que é a deproduzir lucro a classe burguesa. A classe operária utiliza meios de produção que não lhes pertencem e nunca vãopertencer, pois tudo o que eles usam, ou utilizam é da classe burguesa. A Burguesia tem como preferência contratar mulheres e rapazes menores de 18anos, por se tratar de uma mão de obra barata e de fácil adestramento – eles são tratadoscomo animais e não exercem nenhum direito -, o uso de rapazes e mulheres no mercado detrabalho resultou no desemprego de muitos homens adultos. O surgimento de doenças é grande, por falta de limpeza e organização do local detrabalho dos operários muitos adquirem doenças graves e acabam falecendo, a classeburguesa não se interessa em realizar mudanças no ambiente de trabalho, pois pensam queos trabalhadores estão por um único objetivo que é o de trabalhar sem parar. Página | 11
  3. 3. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60 A classe operária não tinha direito a férias, o local onde eles moravam eramcortiços, e muitas das vezes eles se estabeleciam em prédios velhos na mais absoluta faltade higiene e segurança, como escreve um relator da 5ª Delegacia de Saúde do DistritoFederal: “Casas escuras, úmidas e velhas, acham-se repletas de moradores que aí vivem acumulados em cubículos impróprios, mal arejados e deficientemente iluminados. Tudo aqui ocorre para contrariar a higiene; parecendo que o infeliz recanto esteve de há muito condenado pelos poderes públicos que jamais procuraram atender as necessidades dos seus moradores. [...] Nos morros, então, crescem essas condições de desasseio: aí vê-se lixo em toda parte [...] Um outro elemento concernente à falta de limpeza é a escassez d’água, que distribuída em quantidade insuficiente, em nada satisfaz as exigências da população.”2.3 As condições de trabalho nas fábricas Os operários das indústrias do século XIX tinham de suportar condições muitoduras, como:- Os horários eram excessivamente longos e ultrapassavam 12 horas diárias, e ostrabalhadores tinham direito a uma pequena pausa somente no almoço;- Os operários eram castigados quando abandonavam o posto por qualquer motivo, ouquando falassem ou assobiavam durante o trabalho;- A insegurança era total: o operário devia colocar um substituto se ficasse doente, nãorecebia os dias em que ficava parado e podia ser despedido sem qualquer direito. E geral afábrica não reunia as mínimas condições de higiene e salubridade – nas têxteis o pó damatéria prima provocava doenças respiratórias;- O trabalho infantil era uma cena bastante degradante, ainda que as leis delimitassem asidades, o horário e o tipo de trabalho, as crianças apanhavam quando chegavam atrasadasou diminuíam o ritmo de trabalho. Por serem mais submissas e receberem salário bemmenor, constituíam uma mão de obra bastante lucrativa. Página | 12
  4. 4. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60 3 O SURGIMENTO DO MOVIMENTO OPERÁRIO O surgimento do movimento operário surgiu como uma reação às consequências daRevolução Industrial, esse movimento surgiu por parte dos artesãos que se viram privadosde seus meios originais de trabalho. Os artesãos atacavam as fábricas e quebravam asmaquinas, pois elas, segundo eles surgiriam para substituí-los. Porém, com o tempo, aclasse operária percebeu que as crises de desemprego não estavam ligadas as fabricas, nemnas maquinas em si, mas na forma como a burguesia havia organizado os meios deprodução. Foi nessa época que surgiram os sindicatos como uma nova força no cenáriopolítico. Muitos crianças e mulheres foram explorados para trabalhar nas fábricas, pois elestinham um custo beneficio muito baixo, e com isso os adultos foram perdendo seusvalores, e a partir dai o desemprego entre eles começou a ter um crescimento muito grande. A partir do século XIX os operários começaram a se organizar em movimento eassociações que buscavam melhorar suas condições políticas, de trabalho e de vida, etambém, logicamente, diminuir ou exterminar, o abuso de trabalho infantil.3.1 A luta da classe operaria A luta de classes foi uma denominação dada pelos filósofos Karl Marx e FriedrichEngels, ambos eram considerados comunistas, essa classificação tinha como objetivodesignar o confronto entre os que se consideravam os opressores, a burguesia, e osoprimidos, o proletariado, considerado classes antagônicas e existentes no modo deprodução capitalista. A luta de classes segundo Karl Marx e outros filósofos seria a força do movimentopor trás das grandes revoluções na historia. A luta de classes começou com a criaçãoda propriedade privada dos meios de produção. A partir daí, a sociedade passou a serdividida entre proprietários, que era a Burguesia, e trabalhadores que era o Proletariado, ouseja, possuidores dos meios de produção e possuidores unicamente de sua força detrabalho. Na sociedade capitalista, a burguesia se apodera da mercadoria produzida peloproletariado, e ao produtor dessa mercadoria sobra apenas um salário que é pago de acordoapenas com o valor necessário para a sobrevivência desses. Os trabalhadores eramforçados a vender seu trabalho por uma fração mísera do real valor da mercadoria que Página | 13
  5. 5. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60produziam, enquanto os proprietários se apoderavam do restante. Outra característicaimportante do capitalismo é o conceito criado por Karl Marx da mais-valia. A mais-valia consiste basicamente dessa porcentagem a mais que os capitalistas retiram da classedo proletariado. Essa porcentagem pode ser atingida, por exemplo, aumentando o tempo detrabalho dos operários e mantendo o salário. A luta de classes, segundo Karl Marx, sóacabará com o fim do capitalismo e com o fim das classes sociais. O socialismo, que seriacomo uma fase de transição do capitalismo para o comunismo, já foi implementado emdiversos países. A proposta mais radical é abolição do Estado e sua reorganizaçãodescentralizada em moldes federativos anarquistas. O Capitalismo privilegia uma sociedade dividida em classes, e simplifica a luta declasses ao separar toda a sociedade em apenas duas classes; a dominadora e a dominada.3.2 A organização da classe operaria Nos primeiros anos da industrialização, os operários foram proibidos de formarassociações para a defesa de seus interesses. Depois de uma luta longa, no século XIX, osEstados aos poucos foram reconhecendo o direito de associação, e começaram a surgir ossindicatos. O direito de organização foi reconhecido pela primeira vez na Grã-Bretanha,em 1825, e no resto da Europa isso foi acontecer por volta da segunda metade do séculoXIX. Umas das conquistas do movimento operário foi o estabelecimento da AssociaçãoInternacional de Trabalhadores (AIT) em 1864, que embora tenho fracassado alguns anosdepois, tinha como objetivo unir todas as organizações operarias no mundo. O instrumentode batalha dos operários eram as greves, suas principais reivindicações eram: redução dajornada diária, fim do trabalho infantil, melhorias das condições de trabalho, aumento dossalários e criação de um seguro para situações de desemprego, doença e velhice. Os patrões tentaram acabar com as lutas operárias demitindo os trabalhadores quefaziam parte dessas manifestações. Os governos, por sua vez, viram nos sindicatos umaameaça à ordem social e utilizaram a policia e o exército para pôr fim as greves emanifestações. Página | 14
  6. 6. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60 4 O SURGIMENTO DOS SINDICATOS O sindicato é considerado uma associação fundada para a defesa comum dosinteresses de seus aderentes. Os tipos mais comuns que se conhecem hoje são osrepresentantes de categorias profissionais, conhecidos como sindicatos laborais ou detrabalhadores, e de classes econômicas, conhecidos como sindicatos patronais ouempresariais. No movimento operário os sindicatos surgiram durante a revolução industrial, ondemuitos trabalhadores das indústrias têxteis, doentes e desempregados se viram obrigados ase juntar nas sociedades de socorro mútuos. Durante a revolução o capitalismo teve um crescimento bastante crucial, pois,devido à constante concorrência que os fabricantes capitalistas faziam entre si, as máquinasforam ganhando cada vez mais lugar nas fábricas, tomando assim, o lugar de muitosoperários, estes se tornaram o que é chamado excedente de mão de obra, logo o capitalistatornou-se dono da situação e tinha o poder de pagar o salário que quisesse ao operário. Novas classes sociais surgiram, o capitalista e o proletário, onde o capitalista é oproprietário dos meios de produção: fábricas, máquinas, matéria-prima; por outro lado, oproletário, que era proprietário apenas de sua força de trabalho, e passou a ser empregadodo capitalista, que pagava salários cada vez mais baixos para obter mais lucros, oferecendoo proletário a trabalhar em uma jornada de trabalho que chegava até 16 horas. Vendo esta situação o proletariado percebeu a necessidade de se associarem e,juntos, tentarem negociar as suas condições de trabalho. Com isso surgem os sindicatos,associações criadas pelos operários, buscando lhes equiparar de alguma maneira aoscapitalistas no momento de negociação de salários e condições de trabalho, e impedir que ooperário seja obrigado a aceitar o que lhe for imposto pelo empregador. Durante a revolução francesa surgiram ideias liberais, que estimulavam a aprovaçãode leis proibitivas à atividade sindical, a exemplo da Lei Chapelier que, em nome daliberdade dos Direitos do Homem, considerou ilegais as associações de trabalhadores epatrões. As organizações sindicais, contudo, reergueram-se clandestinamente no séculoXIX. No Reino Unido, em 1871, e na França, em 1884, foi reconhecida a legalidade dossindicatos e associações. Com a Segunda Guerra Mundial, as ideias comunistas esocialistas predominaram nos movimentos sindicais espanhóis e italianos e americanosafricanos. Página | 15
  7. 7. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60 Nos Estados Unidos, o sindicalismo nasceu por volta de 1827 e, em 1886, foiconstituída a Federação Americana do Trabalho (AFL), contrária à reforma ou mudança dasociedade. Defendia o sindicalismo de resultados e não se vinculava a correntesdoutrinárias e políticas.4.1 Sindicalismo no Brasil O movimento sindical mais forte no Brasil ocorreu em São Paulo, onde osimigrantes integravam a massa de trabalhadores das fábricas e indústrias. Os sindicalistasativos eram os anarquistas italianos que, surpreendendo os governantes, desencadearamuma onda de rebeliões, ulteriormente contida mediante violenta repressão policial. No Riode Janeiro, o movimento sindicalista foi diferente do ocorrido em São Paulo. Suaspreocupações estavam em causas mais imediatas, tais como a melhoria de salários e aredução do horário de trabalho. Portanto, tal movimento não visava a uma transformaçãoda sociedade através dos sindicatos, princípio básico do anarcossindicalismo. Em 1930, o Governo Federal criou o Ministério do Trabalho eem 1931 regulamentou, por decreto, a sindicalização das classes patronais e operárias.Criou as Juntas de Conciliação e Julgamento e, com a promulgação da Constituiçãodo Estado Novo, a unicidade sindical. A regulamentação do trabalho e os institutos de previdência social ocorreramtambém naquele momento histórico. As organizações sindicais passaram a ter caráterparaestatal, a greve foi proibida e foi instituído o imposto sindical. Em 1955, o movimentosindical brasileiro voltou a expandir-se, havendo sido formados, em 1961, o ComandoGeral dos Trabalhadores (CGT) e o Pacto de Unidade e Ação (PUA). Com o golpe militar de 1964, contudo, os sindicatos e sindicalistas foramduramente reprimidos, limitaram a Lei de Greve e substituíram a estabilidade no empregopelo Fundo de Garantia, dentre outras medidas. Em 1968, em Osasco, SãoPaulo e Contagem, os trabalhadores se levantaram em greve de grande envergadura.Em 1970 surgiram novas lideranças sindicais e, a partir de 1980, os trabalhadores ruraisdas usinas de açúcar e álcool, no Nordeste e São Paulo, e das plantações de laranja dointerior de São Paulo, juntaram-se aos desempregados, e sob a influência da Central Únicados Trabalhadores (CUT), de partidos de esquerda e de poucos parlamentares Página | 16
  8. 8. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60progressistas, organizaram-se em movimentos a exemplo do Movimento dos SemTerra(MST).4.2 Sindicalismo do ABC O crescimento econômico dos anos 1970 trouxe a criação de novas fábricas e oressurgimento do movimento sindical, favorecido pela concentração industrial na região doABC paulista e pela formação de novas lideranças, distantes do sindicalismo peleguistaanterior.4.2.1 O novo sindicalismo Em 1978, logo após a divulgação pelo Banco Mundial da taxa real da inflação dopaís, os operários do setor automobilístico e metalúrgico iniciaram um movimentoexigindo a reposição das perdas salariais. Diante da negativa recebida, os trabalhadores daScania-Vabis não hesitaram em iniciar uma paralisação. Esse fato marcou o nascimento do novo sindicalismo, que se posicionava contra alei de greve imposta pelos militares. Diferentemente do sindicalismo peleguista e populistados anos 1940, 1950 e 1960, o novo sindicalismo era reivindicativo e tinha raízes naprópria classe trabalhadora, pois seus lideres (entre eles Luiz Inácio da Silva – Lula)nasciam dentro do próprio movimento. Concentrando-se na região mais industrializada do país, o novo sindicalismocontava com o apoio e a simpatia de outros movimentos sociais, que também lutavamcontra a ditadura militar, de modo que as greves deixaram de possuir caráterexclusivamente de classe e se tornaram manifestações políticas favoráveis ao retorno dademocracia.4.2.2A reação do governo e o surgimento das centrais sindicais Em 1979, o governo passou a intervir violentamente no novo movimento sindical,que se manteve vivo e retornou as mãos do operário em 1980, quando este iniciou acriação de uma central congregando toda a classe trabalhista. A necessidade de uma centralsindical refletia a diversificação do movimento, que não se limitava mais ao operário da Página | 17
  9. 9. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60fabrica, mas também contava com a organização de carreiras ligadas aos profissionaisliberais. O passo decisivo para a organização de uma central sindical foi dado em 1981, como I Congresso Nacional das Classes Trabalhadoras (Conclat), realizada na Praia Grande emSão Paulo. A conferência deixou claro que a categoria se achava dividida em dois grupos:  Os que desejavam manter uma posição combativa, sustentando um discurso de enfrentamento pautado no uso da greve como instrumento de pressão. Lula e o Partido dos Trabalhadores/PT se colocavam ao lado deste grupo, que se autodenominava autênticos ou defensores do sindicalismo combativo;  Os que procuravam obter ganhos de forma mais pragmática, optando pela negociação. O PCB se colocava ao lado desse grupo, chamado de sindicalismo de resultados. Essa cisão levou a criação de duas grandes centrais sindicais:  A Central Única dos Trabalhadores (CUT), criada em 1983 ligada a Conclat e ao PT;  A Conclat Geral dos Trabalhadores (CGT), criada em 1986 com vínculos junto ao PCB. Apesar das divergências, as duas tendências optaram pela negociação direta com opatronato, abrindo mão da tutela e da mediação do Estado e da Justiça do Trabalho, outraprova de que o novo sindicalismo se descolara completamente da maquina estatal. Talforma de negociação acabou se tornando parte integrante da política trabalhista a partirdessa data, mesmo porque as grandes empresas multinacionais já mantinham esse modelode negociação em suas matrizes, estando acostumadas a lidar com o operariado frente afrente. Página | 18
  10. 10. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 604.3 O Sindicalismo Rural Mesmo com a perseguição promovida pelo governado militar as LigasCamponesas, a desigualdade existente no campo levou a estruturação dos trabalhadoresrurais em sindicatos, que não possuíam, porém a capacidade de negociação e mobilizaçãode seus similares urbanos. Seu crescimento ocorreu de forma intensa durante o período militar, vindo a seequiparar em numero de sindicalizados aos sindicatos urbanos no final dos anos 1970. Essaexpansão esta relacionada ao incentivo vindo da Conferencia Nacional dos TrabalhadoresAgrícolas (Contag). Em 1968, a Contag começou a agir independentemente do governo e aincentivar a organização dos trabalhadores do campo. Em poucos anos, o numero desindicatos aumentou, e no inicio dos anos 1980 havia mais de 2mil, segundo o historiadorBoris Fausto. O próprio governo estimulou essa expansão, pois as características do movimentorural eram distintas da cidade. No primeiro caso, as reivindicações possuíam caráterassistencialista, objetivando a garantir uma sobrevivência mínima. O agravamento dos conflitos no campo, motivados pela concentração fundiária epela extensa exploração da mão de obra, associado a participação mais ativa da Igrejacatólica por meio das Comissões Pastorais da Terra (CPT), modificou a estrutura dessessindicatos, que intensificaram o combate a exploração no final dos anos 1970, vindo autilizar o recurso da greve como forma de pressionar os latifundiários. Fruto do envolvimento da Igreja e dessa radicalização,uma nova organizaçãoganharia importância e projeção social e política dos anos 1990: o Movimento dosTrabalhadores Sem Terra (MST). Página | 19
  11. 11. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60 5 LUDISMO – REVOLUÇÃO INDUSTRIAL O ludismo foi um movimento que ia contra a utilização de maquinas nas fábricas,pois as maquinas surgiriam para substituir o trabalho manual que os operários realizavam,fazendo assim com que a taxa de desemprego aumentasse cada vez mais. Hoje em dia, otermo ludita é utilizado para todos aqueles que se voltam contra a industrialização intensaou as novas tecnologias. O movimento teve seu momento ápice no assalto noturno à manufatura de WilliamCartwright, no condado de York, em Abril de 1812. No ano seguinte, na mesma cidade,teve lugar o maior processo contra os ludistas: dos 64 acusados de terem atentado contra amanufatura de Cartwright, 13 foram condenados à morte e 2 a deportação para as colônias.Apesar da dureza das penas, o certo é que o movimento ludista não amainou, dado que osoperários viviam em péssimas condições.CartistaO movimento cartista foi organizado pela Associação dos Operários, exigindomelhores condições de trabalho, incluindo: A limitação de oito horas para a jornada de trabalho A regulamentação do trabalho feminino A extinção do trabalho infantil A folga semanal O salário mínimo Este movimento lutou ainda pela instituição de novos direitos políticos, como oestabelecimento do sufrágio universal (nesta época, o voto era um direito dos homens,apenas), a extinção da exigência de ter propriedades para que se pudesse ser eleito parao parlamento e o fim do voto censitário. Esse movimento se destacou por sua organizaçãoe por sua forma de atuação, chegando a conquistar diversos direitos políticos para ostrabalhadores. Página | 20
  12. 12. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60 6 AS PRINCIPAIS DOUTRINAS OPERÁRIAS6.1 Marxismo A mais importante das teorias socialistas, é o marxismo. Seu nome deve-se a KarlMarx, que com Friedrich Engels lançou as bases do socialismo científico. Para a teoriamarxista, as sociedades são determinadas pelo desenvolvimento das forças matérias e poruma luta de classes permanente. Em meados do século XIX essa luta se concentrava noconfronto entre a burguesia e os operários. Segundo Marx, a luta se concluiria com o triunfo dos proletários por meio de umarevolução, e depois de uma ditadura do proletariado, o comunismo seria estabelecido. Nasociedade comunista não haveria classes sociais nem propriedade privada. Marx defendeu a intervenção das organizações e partidos operários na luta política.Isso deu origem aos partidos socialistas, que se desenvolveram, a partir de 1875. Suaprincipal reivindicação foi o sufrágio universal, pois os operários não tinham direito aovoto.6.2 Anarquismo O denominador de todas as correntes anarquistas é a recusa de qualquer forma deorganização imposta às pessoas. Em consequência, os anarquistas se opõem ao Estado epretendem substituí-lo por algum tipo de associação voluntária. Também recusam apolítica, os partidos políticos e a participação eleitoral. Entre os anarquistas de meados do século XIX, destacam-se o francês PierreProudhon, defensor dos meios pacíficos de ação, e os russos Mikhail Bakunin e PiotrKropotkin, para quem a violência era necessária para destruir o Estado. Página | 21
  13. 13. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60 7 AS CLASSES SOCIAIS A sociedade de classes nasceu no século XIX, porém era bem diferente daestamental. Nela, as sociedades se diferenciam em função do nível econômico, em vez degrupos fechados. O proletário formava o grupo social mais numeroso e era o que passavamais dificuldades.7.1 O apogeu da burguesia No século XIX o termo burguês designava grupos muito diversos: a antiga nobrezaestamental, os empresários (industriais, negociantes, banqueiros); os homens de renda, queviviam dos lucros e suas fortunas; os altos funcionários; os intelectuais; e os profissionaisliberais (advogados, médicos entre outros). Os burgueses viviam nas cidades, nos novos bairros residenciais; davam grandeimportância as aparências; frequentávamos clubes, salões e bailes; casavam-se entre si.Alguns de seus valores chegaram a ser predominantes: o culto do trabalho, a poupança e asobriedade como meios de alcançar a prosperidade, além da exaltação da família e do lar.7.2 A classe média A classe média, antes uma pequena minoria urbana, tornou-se bastante numerosa apartir do século XIX. Eram um grupo heterogêneo formado por artesãos que trabalhavamem oficinas (costureiras, ferreiros, carpinteiros), pequenos comerciantes e proprietáriosrurais, funcionários públicos, profissionais liberais e professores. Sua posição econômica eseu nível de instrução eram superiores aos das classes pobres e inferiores aos da burguesia. Geralmente viviam nos bairros residenciais, embora ocupassem casas piores que asda burguesia, cuja forma de vida tinham grande desejo de imitar. Página | 22
  14. 14. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 607.3 O proletariado urbano Essa nova classe social era formada pelos operários industriais, que trabalhavam emfábricas, realizando tarefas que requeriam pouca qualificação. As condições de trabalhoeram as piores possíveis, ganhavam pouco (sobretudo as mulheres e as crianças), suajornada de trabalho superava as 12 horas diárias, trabalhavam em ambientes insalubres,não contavam comas leis de proteção para caso de enfermidades, desemprego ouaposentadoria, e não tinham direito a descanso semana remunerado. Viviam em casaspequenas e superlotadas próximas as fabricas. Os bairros operários eram degradantes edestituídos de qualquer serviço básico, como esgoto e transporte. A falta de higienefacilitava a proliferação de doenças infecciosas.7.4 Os camponeses Apesar da industrialização, a maior parte da população continuava sendocamponesa, havendo grandes diferenças entre o povo de uma região europeia e outra:- No norte e no oeste da Europa, a maioria dos camponeses era dona de suas terras e foiincorporando maquinas e novas técnicas de cultivo;- No sul da Europa, nas regiões latifundiárias (Andaluzia e sul da Itália) eram numerososos jornaleiros, camponeses assalariados que recebiam baixos salários por jornada e tinhamvida miserável. Nelas as inovações agrícolas demoraram a ser incorporadas;- No centro e no leste da Europa, a situação dos camponeses era pior, muitos continuaramservos ate a segunda metade do século XIX. O número de camponeses foi diminuindo ao longo do século XIX, pois muitosdeles emigraram para as cidades em busca de trabalho e melhores condições de vida. Página | 23
  15. 15. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60 8 1º DE MAIO DE 1886 No dia 1º de maio de 1886, em Chicago (EUA), numerosos trabalhadores foramdetidos e condenados por terem se manifestado a favor da jornada de trabalho de oito horasde trabalho, o que foi conquistado alguns anos depois. Em 1889, para perpetuar a memóriadesses operários, passou-se a celebrar a data como o Dia Internacional do Trabalhador. Emquase todos os países democráticos, esse dia é festivo, e os sindicatos convocammanifestações em defesa dos direitos dos trabalhadores. No dia 1º de maio de 1940 foi instituído o salário mínimo aqui no Brasil, porémessa lei só passou a vigorar a partir de 1º de julho daquele ano. Foram então definidoscatorze níveis salariais diferentes, a serem aplicados em regiões delimitadas pelo GovernoFederal, a partir de pesquisa nacional que permitiu aferir o valor mais frequente dasremunerações mais baixas praticadas em cada uma das áreas. Pouco a pouco, o saláriomínimo foi sendo unificado por regiões geográficas, até chegar a um só, em 1984. A evolução de mais de meio século do salário mínimo no Brasil experimentouquatro fases bem distintas. A primeira fase, de consolidação, compreendeu o período que vai desde 1940 até1951. Corrigido para valores de março de 2004, o primeiro valor decretado correspondia aR$ 828,00. No ano de 1943, o salário mínimo foi reajustado duas vezes e, embora a leiprevisse correções em períodos não superiores a três anos, permaneceu congelado até1951. A queda violenta de seu poder de compra de 1946 até 1951 ocorreu simultaneamenteao desmonte dos controles da economia, parte dos objetivos da política liberal do governoDutra. A segunda fase, de recuperação do salário mínimo, correspondeu ao período 1952 a1964. Entre 1952 e 1959, houve um forte crescimento de seu poder aquisitivo, que chegou,em 1957, ao maior valor da história: R$ 1.036,00 a preços de março de 2004. De 1960 a1964, seu valor permanece estável. O crescimento do salário de base na década de 50 ocorreu simultaneamente aoprocesso deindustrialização no Brasil. Isso se deu tanto pelo compromisso do governo com umamelhor distribuição dos frutos do desenvolvimento, quanto em função das lutas sindicaistravadas no período. A pauta de reivindicações incluía reajustes salariais; 13º salário, Página | 24
  16. 16. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60conquistado em 1962; salário família, decretado em 1963 e as campanhas nacionais pelasreformas de base, registradas até 1964. A terceira fase, marcada pela restrição do salário mínimo, iniciou-se em 1965 e seprolongou até meados da década de 90. Durante o governo militar (1964 –1984), arepressão ao movimento sindical, a eliminação da estabilidade no emprego e a política dearrocho salarial caminharam para uma efetiva concentração de renda. Entre 1965 e 1974, osalário mínimo mantinha, na média anual, apenas 69% do poder aquisitivo de 1940. Amudança da política salarial, a partir de 1974, e a introdução dos reajustes semestrais, em1979, chegaram a sinalizar uma recuperação do valor real do salário mínimo até o ano de1982 (21,2%). Ao longo da década seguinte – que passou para a história como a “décadaperdida” – o salário mínimo retomou a trajetória de perda crescente do poder de compra.De 1983 a 1991, o poder aquisitivo do salário mínimo caiu acentuadamente, passando avaler, em média, apenas 43% do vigente em 1940. Essa tendência prolongou-se até 1994,quando chegou a 24% do valor instituído em 1940. Finalmente, a partir de maio de 1995, o salário mínimo inicia um movimento derecuperação, que o levou a 31% de seu valor inicial no ano de 2003. Página | 25
  17. 17. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60 9 AS CONQUISTAS DA CLASSE OPERÁRIA A partir de 1890, alguns governos elaboraram leis trabalhistas para acabar com osabusos dos empresários e melhorar as condições de vida e de trabalho dos operários. Essasleis focavam a proibição da mão de obra das crianças, as primeiras licenças maternidade ea indenização monetária obrigatória aos operários em caso de acidente.9.1Algumas conquistas do Movimento Operário na Grã-Bretanha 1802 – Limitação da jornada do trabalho infantil para 12 horas diárias; 1819 – Proibição do trabalho de crianças menores de nove anos nas fábricas de algodão; 1824 – Reconhecimento do direito de organização operária; 1833 – Limitação do trabalho de crianças entre 10 e 13 anos a 48 horas semanais, entre 13 e 18 anos a 69 horas semanais. As crianças deviam frequentar a escola por duas horas durante seu período de trabalho; 1842 – Proibição do trabalho de mulheres e crianças nas minas; 1878 – Limitação do trabalho fabril feminino a 56 horas e meia por semana. Leis para controlar a segurança, ventilação, alimentação; 1908 – Primeiros sistemas de previdência (seguro) social; 1919 – Reconhecimento da jornada diária de oito horas de trabalho. Página | 26
  18. 18. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60 10 A CRIAÇÃO DA CLT A CLT surgiu em 1943, pelo Decreto-Lei nº 5.452 sancionada pelo então presidenteGetúlio Vargas, unificando toda legislação trabalhista existente no Brasil. A CLT é vistacomo um resultado de 13 anos de luta, desde o início do Estado Novo até 1943. A Consolidação das Leis Trabalhistas tem como objetivo regulamentar as relaçõestrabalhistas, tanto do trabalho urbano quanto do rural. Desde sua publicação a CLT jásofreu várias alterações, visando adaptar o texto às nuances da modernidade. Apesar disso,ela continua sendo o principal instrumento para regulamentar as relações de trabalho eproteger os trabalhadores. Os principais assuntos discutidos pela CLT são: Registro do Trabalhador/Carteira de Trabalho (CTPS); Jornada de Trabalho; Período de Descanso; Férias; Medicina do Trabalho; Categorias Especiais de Trabalhadores; Proteção do Trabalho da Mulher; Contratos Individuais de Trabalho; Organização Sindical; Convenções Coletivas; Fiscalização; Justiça do Trabalho e Processo Trabalhista Apesar das críticas que vem sofrendo, a CLT cumpre seu papel, especialmente naproteção dos direitos do trabalhador. Entretanto, pelos seus aspectos burocráticos eexcessivamente regulamentador, carece de uma atualização, especialmente parasimplificação de normas aplicáveis a pequenas e médias empresas. Página | 27
  19. 19. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 6011 CUT (CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES) A CUT é uma organização que envolve de uma forma geral todos os sindicatos doBrasil, ela foi criada em 28 de agosto de 1983, e representou um passo na ruptura com aestrutura sindical oficial, que era baseada na Carta Del Lavoro, de Benito Mussolini,imposta desde os anos 30 pela ditadura do presidente brasileiro, Getulio Vargas, epreservada na sua essência, apesar dos períodos de redemocratização experimentados pelopaís. A Central Única dos Trabalhadores, nasceu das mobilizações populares contra aditadura militar no final dos anos 70, das lutas contra a unicidade sindical(sindicato únicoimposto pela legislação), o imposto sindical(contribuição financeira compulsória), o direitonormativo da Justiça do Trabalho, a ingerência do Estado nas relações entre capital etrabalho, e da defesa da livre negociação. A criação da CUT deu início a uma nova etapa na história do movimento sindicalbrasileiro. O compromisso com a defesa dos interesses imediatos e históricos da classetrabalhadora, a luta por melhores condições de vida e trabalho e o engajamento noprocesso de transformação da sociedade traduzem o caráter classista da CUT. Os ideais democráticos defendidos pela CUT traduzem-se na luta pela ampliação dacidadania e dos direitos políticos dos trabalhadores, como também na composição e nofuncionamento dos seus organismos internos de decisão. Página | 28
  20. 20. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60 12 A CLASSE OPERÁRIA NA INGLATERRA A Revolução Industrial significou uma transformação nas técnicas de produzir, nasfontes de energia e nas formas de organização do trabalho. Isso levou a um enormecrescimento da população em série. Na Inglaterra, em meados dos século XVIII, teve inicio um conjunto de mudançaseconômicas, sociais e de organização do trabalho que ficou conhecido como RevoluçãoIndustrial. Elas aconteceram sem o uso de armas nem golpes de governo, originando umnovo tipo de sociedade, marcada pela mecanização das fabricas e pela abundancia de mãode obra na produção de bens objetivando o lucro. A Revolução Industrial delimitou apassagem da sociedade agrícola e artesanal para sociedade industrial. Podemos distinguir a Revolução Industrial em três simples fases: A primeira, de 1760 a 1850, durante a qual se desenvolveu a industria do vapor; A segunda, de 1850 a 1900, onde foi a fase em que houve a difusão da industrialização pela Europa, pela America e pela Ásia, e em que surgiram novas formas de energia, como a hidrelétrica, e novos combustíveis derivados do petróleo; E a terceira fase, de 1900 até hoje, período de diferentes e sucessivas inovações, inclusive a disseminação da informática. A Revolução Industrial teve inicio na Inglaterra, devido a confluência de váriosfatores, como: O país estava experimentando um acelerado crescimento populacional, o que significava tanto o aumento da demanda de produtos, como o da mão de obra; A produtividade agrícola havia sido incrementada graças a inovações como a rotatividade de culturas e o arado de ferro. De um lado, isso permitiu alimentar melhor a população, de outro, diminuiu a necessidade de mão de obra agrícola; O país era muito rico em recursos, principalmente em carvão mineral, que era barato e abundante, além de ser uma fonte de energia capaz de mover as novas máquinas a vapor; A Inglaterra dominava o transporte marítimo e fluvial; Página | 29
  21. 21. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60 Possuía colônias que forneciam matérias primas e dispunham de mercados consumidores para seus produtos. Assim, o país fortaleceu sua hegemonia comercial em vários continentes; Consolidou-se uma mensalidade burguesa dominada pelo espírito de empresa e a busca de lucros. Página | 30
  22. 22. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60 13 MOVIMENTO OPERÁRIO BRASILEIRO E A REPÚBLICA VELHA Na República Velha temos a vivência de todo um processo de transformaçõeseconômicas responsáveis pela industrialização do país. Não percebendo de forma imediatatais mudanças, as autoridades da época pouco se importavam em trazer definições clarascom respeito aos direitos dos trabalhadores brasileiros. Por isso, a organização dosoperários no país esteve primeiramente ligada ao atendimento de suas demandas maisimediatas. Na primeira década do século XX, o Brasil já tinha um contingente operário commais de 100 mil trabalhadores, sendo a grande maioria concentrada nos estados do Rio deJaneiro e São Paulo. Foi nesse contexto que as reivindicações por melhores salários,jornada de trabalho reduzida e assistência social conviveram com perspectivas políticasmais incisivas que lutavam contra a manutenção da propriedade privada e do chamadoEstado Burguês. Entre os anos de 1903 e 1906, greves de menor expressão tomavam conta dosgrandes centros industriais. Tecelões, alfaiates, portuários, mineradores, carpinteiros eferroviários foram os primeiros a demonstrar sua insatisfação. Notando a consolidaçãodesses levantes, o governo promulgou uma lei expulsando os estrangeiros que fossemconsiderados uma ameaça à ordem e segurança nacional. Os trabalhadores dos setores alimentício, gráfico, têxtil e ferroviário foram osmaiores atuantes nesse novo movimento. A tensão tomou conta das ruas da cidade e uminevitável confronto com os policiais aconteceu. Durante o embate, a polícia acaboumatando um jovem trabalhador que participava das manifestações. Esse evento somente inflamou os operários a organizarem passeatas maiores pelocentro da cidade. Atuando em outra frente, trabalhadores formaram barricadas que seespalharam pelo bairro do Brás resistindo ao fogo aberto pelas autoridades. No anoseguinte, anarquistas tentaram conduzir um golpe revolucionário frustrado pela intercepçãopolicial. Vale lembrar que toda essa agitação se deu na mesma época em que as notíciassobre a Revolução Russa ganhavam os jornais do mundo. Passadas todas essas agitações, a ação grevista serviu para a formação de ummovimento mais organizado sob os ditames de um partido político. No ano de 1922,inspirado pelo Partido Bolchevique Russo, foi oficializada a fundação do PCB, Partido Página | 31
  23. 23. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60Comunista Brasileiro. Paralelamente, os sindicatos passaram a se organizar melhor,mobilizando um grande número de trabalhadores pertencentes a um mesmo ramo daeconomia industrial. Página | 32
  24. 24. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60 14 GETÚLIO VARGAS Getúlio Vargas usou de força para reprimir e enfraquecer o movimento operário eproibiu as greves, reconhecendo apenas os sindicatos alinhados ao governo federal. Mastambém fez concessões, aprovando leis trabalhistas. Assim, o Estado populista funcionou baseado na capacidade de liderança e dearticulação política de Getúlio Vargas. Atuando em função de um projeto que acreditavapoder levar ao desenvolvimento econômico do país, provocou o enfraquecimento dasinstituições democráticas, reprimiu liberdades públicas e perseguiu e silenciou seusopositores com uso de violência. Suas armas foram a propaganda, a censura e a repressão. Trecho do discurso de Getúlio Vargas, proferido nas comemorações peloDia do Trabalho, em 1º de maio de 1951, no Estádio São Januário, na cidade do Rio deJaneiro: “Trabalhadores do Brasil! Depois de quase seis anos de afastamento, durante os quaisnunca me saíram do pensamento a imagem e a lembrança do grato e longo convívio que mantiveconvosco, eis-me outra vez aqui ao vosso lado para falar com a familiaridade amiga de outrostempos, e para dizer que voltei a fim de defender os interesses mais legítimos do povo e promoveras medidas indispensáveis ao bem estar dos trabalhadores. Esta festa de 1º de maio tem, para mim e para vós, uma expressão simbólica: é o primeirodia de encontro entre os trabalhadores e o novo governo, e é com emoção que retorno ao vossoconvívio neste ambiente de regozijo e de festa nacional em que revemos uns aos outros, a céuaberto, em que o governo fala ao povo, de amigo para amigo, na linguagem simples, leal e francacom que sempre vos falei. Trabalhadores do Brasil! Não me elegi sob a bandeira exclusiva de um partido, e sim porum movimento empolgante e irresistível das massas populares. Não me foram buscar na reclusãopara que viesse fazer mera substituição de pessoas ou simples mudanças de quadrosadministrativos. A minha eleição teve significado muito maior, e muito mais profundo, porque opovo me acompanha na esperança de que o meu governo possa edificar uma nova era de umaverdadeira democracia social e econômica – e não apenas para emprestar o seu apoio e a suasolidariedade a uma democracia meramente política que desconhece a igualdade social. Percam a ilusão os que pretendem separar-me do povo ou separá-lo de mim. Juntosestamos e juntos estaremos sempre na alegria e no sofrimento, nos dias de festa como o de hoje enas horas de dor e de sacrifício. E juntos haveremos de reconstruir um Brasil melhor, onde haja Página | 33
  25. 25. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60mais segurança econômica, mais justiça social, melhores padrões de vida e um clima novo desegurança e de bem estar para este bom e generoso povo brasileiro.” Getúlio Vargas referia-se aos brasileiros como “Trabalhadores do Brasil”. Isso é umdos elementos que representa a ideologia trabalhista de seu governo: o fator que unia oestadista ao povo era o trabalho. Vargas acreditava que o governo precisava ser dirigido por um líder que apontassee programasse soluções para os problemas nacionais, que percebesse as necessidades dasmassas populares, independentemente de grupos políticos. Portanto, o Estado populistafuncionaria baseado na sua capacidade pessoal de liderança e articulação política e noapoio popular a seus projetos. Pode-se citar o último parágrafo: “Percam a ilusão os quepretendem separar-me do povo ou separá-lo de mim. Juntos estamos e juntos estaremossempre na alegria e no sofrimento, nos dias de festa como o de hoje e nas horas de dor e desacrifício. E juntos haveremos de reconstruir um Brasil melhor, onde haja mais segurançaeconômica, mais justiça social, melhores padrões de vida e um clima novo de segurança ede bem estar para este bom e generoso povo brasileiro”. Getúlio Vargas refere-se a seus opositores como aqueles que pretendem separá-lodo povo, situação que impediria a construção de um Brasil melhor, segundo seu ponto devista.14.1 Estado Novo: trabalhismo e subordinação da classeoperária Um dos maiores objetivos de Getúlio Vargas, desde o inicio de seu governo,sempre foi a obtenção do apoio da classe trabalhadora urbana. Visando a essa meta, opresidente criou leis que regulamentavam o trabalho urbano para apaziguar a massatrabalhadora. A exclusão dos trabalhadores rurais não foi um descuido do governo – não lheinteressava entrar em conflito com a elite oligárquica, que, mesmo enfraquecida, eraimportante para a economia nacional. Afinal, apesar do inicio do processo deindustrialização, a maior parte da pauta de exportações brasileiras era de produtosprimários, principalmente café. Página | 34
  26. 26. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60 As leis trabalhistas criadas durante o Estado Novo foram reunidas em uma únicalegislação, a CLT. Inspirada na legislação da Itália fascista de Benito Mussolini, a Carta doTrabalho, a CLT aprofundou o sistema de proteção do trabalhador, garantindo-lhesegurança e estabilidade no emprego. Página | 35
  27. 27. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60 15 CONSIDERAÇÕES FINAIS Problemas existem e sempre existiram na nossa sociedade e para que hajamudanças são necessários movimentos sociais organizados. Este trabalho focou seu estudono movimento operário brasileiro. O movimento operário foi uma luta travada pela classe trabalhadora que lutavapelos seus direitos, visto que a rotina de trabalho no século em que eles viviam não erafavorável e muito menos justa. Muitas reivindicações ocorreram durante o longo percursoda história humana, e sua luta continua até os dias de hoje. Como todo movimento precisa de uma organização, assim foi também omovimento da classe operária; as lutas travadas pela classe impulsionaram a criação desindicatos, que foram uma peça chave para as conquistas do povo trabalhador. A primeira conquista dos operários foi o direito de voto, e a partir dai muitos outrosdireitos foram sendo adquiridos, como a criação da CLT, que pode possibilitar umambiente de trabalho digno e uma vida melhor para a classe trabalhadora; proibição dotrabalho infantil e pessoas com idade avançada; férias remuneradas e entre outras. O início da industrialização foi uma catástrofe para os artesãos, vendedoresambulantes e outros, pois o padrão de vida de tais declinou bastante, visto que a taxa dedesemprego teve um aumento, porque segundo eles as máquinas e as novas tecnologiasque surgiam estavam ali para substituí-los de uma forma ou de outra. Portanto, pode-se concluir que muitas foram às chances da classe burguesa paraacabar com a luta da classe operária, porém isso não aconteceu porque os operários semantiveram firmes e fortes na batalha que eles travaram, e também por causa da ajudavinda dos sindicatos criados na época. Deve-se ter sempre em mente que mudanças só vão acontecer se houver quem aslute para que elas ocorram. Página | 36
  28. 28. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60 16 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASBRAZ, Marcelo. Partido Proletário e Revolução: sua problemática no século XX.2006. Rio de Janeiro.FARAONI, Alexandre. Estado Novo: trabalhismo e subordinação da classe operária.São Paulo – SP. Editora: Moderna. 2008 p. 171FARAONI, Alexandre. A Era Vargas. São Paulo – SP. Editora: Moderna. 2008 p. 158-184FARAONI, Alexandre. A ditadura militar. São Paulo – SP. Editora: Moderna. 2008 p.222FARAONI, Alexandre. O sindicalismo do ABC. São Paulo – SP . Editora: Moderna. 2008p. 242GODOY, Paulo. A situação da classe trabalhadora na Inglaterra. 2008. UnespMÉREGA, Herminia. A Revolução Francesa. São Paulo – SP. Editora: Moderna. 2008p.204MÉREGA, Herminia. A primeira Revolução Industrial. São Paulo – SP. Editora:Moderna. 2008 p.220MÉREGA, Herminia. A sociedade de classes. São Paulo – SP. Editora: Moderna. 2008p.228MÉREGA, Herminia. O movimento operário. São Paulo – SP. Editora: Moderna. 2008p.228MÉREGA, Herminia. A Primeira Guerra Mundial. São Paulo – SP. Editora: Moderna.2008 p.244 Página | 37
  29. 29. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60MÉREGA, Herminia. A Revolução Russa. São Paulo – SP. Editora: Moderna. 2008 p.248NEVES, Prof. Ricardo dos Reis. Era Vargas (1930-1945). (Data?). AngloWERNER, Rosiléia Clara. O movimento sindical e a luta pela saúde do trabalhador.(Data?) Cascavel – PR.- Eletrônicahttp://www.historia.uff.br/nec/materia/grandes-processos/condi%C3%A7%C3%B5es-da-classe-oper%C3%A1ria-%C3%A0-%C3%A9poca-da-revolu%C3%A7%C3%A3o-industrialAcessado em: 23 de novembro de 2012http://www.guiatrabalhista.com.br/tematicas/clt.htmAcessado em: 23 de novembro de 2012http://www.saudedafamilia.org/funcionarios/informe_sobre_clt.pdfAcessado em: 23 de novembro de 2012http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=9237&revista_caderno=25Acessado em: 23 de novembro de 2012http://www.juliobattisti.com.br/tutoriais/adrienearaujo/historiadobrasil005.aspAcessado em: 23 de novembro de 2012http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/anos20/QuestaoSocial/MovimentoOperarioAcessado em: 23 de novembro de 2012http://www.pco.org.br/conoticias/ler_materia.php?mat=13421Acessado em: 23 de novembro de 2012 Página | 38
  30. 30. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60http://www.brasilescola.com/historiab/movimento-operario-brasileiro.htmAcessado em: 29 de novembro de 2012http://historycomaluno.blogspot.com.br/2009/04/os-operarios-no-seculo-xviii.htmlAcessado em: 29 de novembro de 2012http://www.ceedo.com.br/agora/agora9/trabalhoevidadaoperaraianofinaldoseculoXIXnobrasil_RodrigoJanoniCarvalho.pdfAcessado em: 29 de novembro de 2012http://pt.wikipedia.org/wiki/Luta_de_classesAcessado em: 30 de novembro de 2012http://pt.wikipedia.org/wiki/SindicatoAcessado em: 30 de novembro de 2012http://pt.wikipedia.org/wiki/SindicalismoAcessado em: 30 de novembro de 2012http://pt.wikipedia.org/wiki/LudismoAcessado em: 30 de novembro de 2012http://artigos.netsaber.com.br/resumo_artigo_619/artigo_sobre_historia_do_direito_do_trabalhoAcessado em: 1 de dezembro de 2012http://www.brasilescola.com/historiab/movimento-operario-brasileiro.htmAcessado em: 1 de dezembro de 2012http://base.d-p-h.info/fr/fiches/premierdph/fiche-premierdph-279.htmlAcessado em: 2 de dezembro de 2012 Página | 39
  31. 31. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60 17 GLOSSÁRIOAnarquismo: Sistema político e social segundo o qual o individuo deve ser emancipadode qualquer tutela do Estado e suas instituições. Prega a destruição do capitalismo e dasociedade burguesa. Baseia seu projeto na igualdade social e no discurso anticlerical.Capitalismo: Sistema econômico, político e social que se caracteriza pela propriedadeprivada dos meios de produção e pelo livre mercado. O capital pertence a empresasprivadas ou a empresários que contratam mão de obra em troca de salário.Comunismo: Doutrina econômica, política e social idealizada por Karl Marx e FriedrichEngels em que a organização do Estado esta baseada no sistema coletivo de propriedadedos meios de produção e na distribuição da riqueza. O comunismo seria o ultimo estagiodo desenvolvimento histórico da sociedade após atingir o socialismo, e visa acabar com asdesigualdades com uma sociedade sem classes sociais, em que os meios de produçãotornam-se públicos.Constituição: Conjunto de leis fundamentais de uma nação que determina o regimepolítico, a organização dos poderes e os direitos e deveres de seus cidadãos.Democracia: Regime político no qual o povo é soberano, participando da escolha dosgovernantes pelo voto, e os direitos são iguais para todos os cidadãos.Ditadura do proletariado: Segundo a teoria marxista, fase da implantação dosocialismo científico em que o proletariado assume o poder como transição para ocomunismo, a sociedade sem classes preconizada pelo regime comunista.Estado: O governo de um país.Movimento Operário: Conjunto de ações da classe operária em defesa de seusdireitos. Página | 40
  32. 32. MOVIMENTO OPERÁRIO: Movimento Operário na década de 50 e 60Revolução Francesa: Processo revolucionário ocorrido na França entre 1789e 1815,liderado pela burguesia ascendente e pelos setores populares, que desejavam derribar oAntigo Regime, caracterizado pelo poder da monarquia absoluta e da aristocracia.Revolução Industrial: Transformações econômicas e tecnológicas que iniciaram naInglaterra, na segunda metade do século XVIII, e se difundiram pela Europa no decorrer doséculo XIX. Provocaram mudanças no modo de produção, elevando as oficinas ao statusde fabricas, consolidando a economia capitalista e desenvolvendo a sociedade de classes.Sindicato: Associação de classe formada por trabalhadores de determinada categoriaprofissional, com o objetivo de defender seus direitos e interesses trabalhistas.Socialismo: Doutrina econômica, social e política, proposta, entre outras teorias, pelomarxismo, que tem por principio a luta pela igualdade social, obtida com a transferênciados meios de produção e da propriedade privada das mãos de particulares para um governocoletivo organizado pelos trabalhadores.Sociedade de classes: Tipo de sociedade que tem por características a mobilidadesocial e o critério da riqueza para caráter hereditário. Página | 41

×