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O EFEITO DAS ESTRUTURAS URBANAS NAS VARIAÇÕES MICROCLIMÁTICAS                                     - CASO DE ESTUDO DE TELH...
Neste sentido, o presente estudo tem como objectivo analisar e caracterizar a qualidade doambiente urbano, tendo em conta ...
A simulação da direcção e velocidade média do vento foi elaborada considerando um pontode origem de 10m do solo a sul e a ...
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Nos obstáculos da área de estudo onde o vento incide num ângulo de cerca de 45 º emedifícios com forma de paralelepípedo e...
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Figura 6. Modelação da concentração de PM10 para diferentes direcções e velocidades do vento                            Ve...
3.3 Modelação da variação da sombra                    A figura 7 representa a trajectória aparente do Sol e a sua influên...
Equinócio de Março                                       Solstício de Junho                           Equinócio de Setembr...
3.4. Diagrama Polar                   A figura 8 representa a ocultação do céu para os três locais da área de estudo (iden...
Conclusão      O estudo microclimático de um quarteirão de Telheiras Sul permitiu tirar algumas conclusõesinteressantes. U...
Bibliografia:Alcoforado, M.J. ; Lopes, A.; Andrade, H. ; Vasconcelos J. (2005) - Orientações climáticas para oordenamento ...
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O EFEITO DAS ESTRUTURAS URBANAS NAS VARIAÇÕES MICROCLIMÁTICAS - CASO DE ESTUDO DE TELHEIRAS SUL -

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  1. 1. O EFEITO DAS ESTRUTURAS URBANAS NAS VARIAÇÕES MICROCLIMÁTICAS - CASO DE ESTUDO DE TELHEIRAS SUL - Igor Boieiro nº 32483 & Inês Frazão nº32811 Universidade de Lisboa Resumo: O presente estudo tem como objectivo analisar o efeito exercido pelas estruturas urbanas e avegetação na dispersão de poluentes atmosféricos, no conforto bioclimático e consequente impactona qualidade do ambiente urbano. Para tal, utilizou-se os programas informáticos, Envi-Met1(Bruse, 1999) e Rayman 2(Matzarakis, Rutz and Mayer, 1999), vocacionados para a modelação dasinteracções entre a estrutura urbana, a vegetação e a atmosfera. Como área de estudo foiseleccionado um quarteirão de Telheiras Sul, em Lisboa, devido às suas características urbanas e aoelevado tráfego rodoviário próximo desta área. Os resultados das simulações permitiram verificar que a área de estudo apresenta ummicroclima urbano bastante agradável. Palavras-chave: microclima, planeamento urbano 1.Introdução O efeito das estruturas urbanas no clima e na qualidade do ar devem ser tidos em conta noplaneamento urbano e regional de forma a garantir o bem-estar das populações (Fig.1). Para serealizar um planeamento urbano correcto é imperativo conhecer o clima urbano, no entanto, ébastante complexo caracterizá-lo uma vez que este composto por inúmeros subsistemas ligadosentre si, através de trocas de energia, de massa e impulsos/dinâmica. Há várias décadas que é reconhecida a influência da cidade na modificação, não apenasdos campos de vento, mas também de outros fenómenos climáticos como a humidade e atemperatura (ilha de calor urbano). (CHANDLER. 1965; ATKINSON, 1975 in Lopes, 2003). Figura 1 – Relações entre o clima e o Homem (WMO, 1999)1 Modelo tridimensional que simula as interacções entre a estrutura urbana, a vegetação e a atmosfera (microclima urbano).2 Modelo tridimensional projectado para simular os fluxos de radiação de onda curta e longa, tendo em conta a estrutura urbana, a atmosfera e avegetação. 1
  2. 2. Neste sentido, o presente estudo tem como objectivo analisar e caracterizar a qualidade doambiente urbano, tendo em conta a influência das estruturas urbanas na variação da exposição solar,dispersão de poluentes, conforto bioclimático e intensidade e direcção dos ventos. Como área de estudo foi seleccionado um quarteirão residencial de Telheiras Sul (fig.2),situado na ala norte da cidade de Lisboa (Lat:38º45’29.92’’N; Long: 9º10’40.98’’W). A áreaestudada tem uma altitude média que ronda os 95m e uma exposição predominante a sul / sudoeste.No que diz respeito ao edificado, este é principalmente multi-familiar com uma altura média queronda os 20 m. A área interior do quarteirão é ocupada por um amplo espaço verde e a área quecircunda as habitações é, de forma geral, utilizada como estacionamento e pautada por um númerosignificativo de árvores (figuras 2 e 3). N B A über 13.16 unter0.05 m/m Edificado C Árvores Fonte: Livemaps Figura 2- Área de estudo Figura 3 - Representação 3D da área de estudo2. Metodologia A modelação microclimática da área de estudo foi elaborada com recurso aos programasinformáticos Envi-Met e Rayman. Com recurso ao Envi-Met foram simulados os parâmetros velocidade e direcção média dovento e a sua influencia na dispersão de poluentes PM10 (partículas inaláveis, de diâmetro inferior a10 micrómetros) que constituem um elemento de poluição atmosférica, sendo neste projecto deorigem automóvel. A simulação foi elaborada numa grelha tridimensional, na qual foi desenhada aestrutura urbana (edifícios, espaços verdes e a Av. General Norton de Matos como fonte depoluição) com um pixel de 5m, que pareceu ser suficiente para a representação dos principaisaspectos da estrutura urbana. 2
  3. 3. A simulação da direcção e velocidade média do vento foi elaborada considerando um pontode origem de 10m do solo a sul e a norte. A escolha do vento do quadrante de sul deve-se ao factode aí se encontrar a fonte de poluição. A escolha do vento de quadrante de norte foi por este ser,segundo Lopes (2003), um dos ventos que tem mais importância no regime anual de Lisboa. Noque concerne às velocidades modeladas foram escolhidas as de 3m/s (vento fraco), 10m/s (ventoforte) e 20m/s (vento muito forte). Na variação da exposição solar, com recurso ao Raymam calculou-se o número de horas deradiação solar directa, a variação das sombras e o Sky View Factor 3 (SVF). Para isso foi realizadoum modelo da área de estudo com os edifícios e as árvores (tendo em consideração o tipo defolhagem - folha caduca e folha perene). Os períodos de estudo foram os equinócios (Março eSetembro) e solstícios (Junho e Dezembro). No que diz respeito, à modelação da variação dassombras, foram definidos períodos de duas em duas horas, iniciando às 8h e terminando às 20h. Emrelação ao SVF importa ainda salientar que foi calculado para três locais distintos assinalados nafigura 2.3. Resultados dos modelos3.1 Modelação do vento O vento é um factor que exerce influência sobre a qualidade do ar, o conforto (mecânico etérmico) e a saúde humana. No que diz respeito ao conforto e à saúde humana, a influência do ventopode fazer-se sentir através das transferências de calor do corpo humano para a atmosfera(termorregulação). Normalmente o vento desempenha a função de arrefecimento, podendo serpositiva ou negativa de acordo com a temperatura do ar. É positiva quando reduz a sensação decalor e negativa quando aumenta a sensação de frio. O conforto mecânico depende dos efeitos desagradáveis que o vento pode provocar, taiscomo, dificuldades na deslocação dos indivíduos e o levantamento de poeiras e lixo. O vento no meio urbano depende do vento regional, no entanto os padrões diários dependemdas forças de atrito que, por sua vez, resultam da rugosidade 4 da estrutura urbana e das diferençasna estabilidade atmosférica urbana/rural provocadas pela ilha de calor urbano, sobretudo à noite(Lopes 2003). Em resultado das forças de atrito ocorre uma diminuição significativa da velocidademédia do vento nas cidades, no entanto, podem suceder acelerações (em ruas por onde o vento écanalizado) e turbilhões locais (flutuações da velocidade e direcção do vento, tanto a barlavento3 O factor de visão do céu (sky view factor, SVF) e a razão entre a porção de céu observado a partir de um determinado ponto da superfície terrestre eaquela que esta potencialmente disponível (Oke, 1987, p. 404 in Lopes (2003)).4 Corresponde a altura a partir do solo, onde a velocidade do vento é igual a zero, se o perfil do vento tiver uma variação logarítimica com a altitude(Lopes, 2003) 3
  4. 4. como a sotavento dos edifícios). (Alcoforado, M.J. ; Lopes, A.; Andrade, H. ; Vasconcelos J. 2005).A rugosidade pode ser medida através do parâmetro roughness lenght, o qual depende da altura,forma e densidade de distribuição dos obstáculos. Neste estudo foi usado o valor típico para áreasurbanas. Da análise do modelo da velocidade média do vento de 10m/s e 20m/s (figura 3) constata-seque existem três áreas distintas na estrutura representada que são, nomeadamente, o jardim central,as áreas a oeste e este dos edifícios e a área a sul dos mesmos. As áreas com uma velocidade dovento mais reduzida são limitadas principalmente ao jardim central e as áreas que têm umaorientação perpendicular à direcção do vento. Importa ainda salientar que o efeito dos edifícios é muito superior ao das árvores devido aocarácter rígido e não permeável. As árvores são flexíveis e permeáveis. Os edifícios reduzem avelocidade mas geram turbulência, com fortes variações de velocidade e direcção do vento. No que diz respeito à movimentação dos fluxos de ar sobre a estrutura urbana GANDEMER(1975) apresentou uma sistematização e as suas implicações no conforto mecânico dos indivíduos.Segundo Lopes (2003) essa síntese, ainda hoje é largamente utilizada em manuais de planeamentourbano e o seu intuito foi o de generalizar esses conhecimentos e evitar situações de desconforto porvezes esquecidas. Dos fluxos de ar sobre a estrutura urbana determinados por GANDEMER (1975), ocorrem naárea de estudo os efeitos de venturi, de barra, de canalização, de esquina e de abrigo. Segundo Lopes (2003), dependendo da forma e área do edifício exposta ao vento formam-sesempre nas zonas de embate anomalias positivas de pressão (redução da velocidade a barlavento) enegativas (áreas de sucção a sotavento). Consequentemente, nos edifícios expostosperpendicularmente ao vento podem formar-se correntes transversais nas ruas em direcção aspressões mais baixas, facto que é bem visível nas figuras 4 e 5. Vento Forte de Norte Vento Forte de Sul (10m/s) (10m/s) 60 60 50 50 40 Limiares de Conforto 40 Limiares de Conforto below 5.0 m/s below 5.1 m/s 5.0 to 10.0 m/s 5.1 to 10.1 m/s 10.0 to 15.0 m/s 10.1 to 15.1 m/s Y (m)Y (m) 15.0 to 20.0 m/s 15.1 to 20.1 m/s 30 30 above 20.0 m/s above 20.1 m/s Obstáculos Existentes Estrutura Urbana Obstáculos Existentes Edificadp Edifícios 20 20 Árvores Árvores 10 10 0 0 0 10 20 30 40 50 60 0 10 20 30 40 50 60 X (m) X (m) Figura 4 - Modelação do vento forte nos quadrantes norte e sul 4
  5. 5. Nos obstáculos da área de estudo onde o vento incide num ângulo de cerca de 45 º emedifícios com forma de paralelepípedo extenso, sucede um movimento turbilhonar a sotavento ondeocorre um ligeiro aumento da velocidade (efeito de barra), que pode diminuir o conforto mecânicodos indivíduos, mas neste caso pode ser observar que são mantidos níveis de conforto mecânicorazoáveis. Foram também identificadas áreas designadas com abrigos do vento, as quais têm grandeinfluência sobre as condições bioclimáticas, neste caso o jardim central. Apesar da redução davelocidade do vento, a área é ampla e tem um nível de ventilação que promove a renovação do ar noseu interior. É também notório nas figuras 4 e 5 que as ruas orientadas no sentido do vento predominantepropiciam a canalização dos fluxos de ar e o aumento da velocidade e/ou turbulência. Este efeito é,particularmente, importante em situações de convergência do fluxo (efeito Venturi), onde podem seratingidos valores perigosos. Na área de estudo, apenas se verifica no estreitamento da entrada nortedo jardim central. Vento Muito Forte de Norte Vento Muito Forte de Sul (20m/s) (20m/s) 60 60 50 50 40 Limiares de Conforto 40 Limiares de Comforto below 5.0 m/s below 5.0 m/s 5.0 to 10.0 m/s 5.0 to 10.0 m/s 10.0 to 15.0 m/s 10.0 to 15.0 m/s Y (m) 15.0 to 20.0 m/s Y (m) 15.0 to 20.0 m/s 30 30 above 20.0 m/s above 20.0 m/s Obstáculos Existentes Obstáculos Existentes Edificado Edificado 20 Árvores 20 Árvores 10 10 0 0 0 10 20 30 40 50 60 0 10 20 30 40 50 60 X (m) X (m) Figura 5 - Modelo do vento muito forte nos quadrantes norte e sul Com seria de esperar com o aumento da velocidade do vento há uma redução geral das áreasonde existe conforto mecânico, a única que se mantém relativamente constante é a área entre abarreira e o primeiro conjunto de edifícios. É ainda notório que existem disparidades, em termos deáreas de conforto mecânico, dependendo do quadrante de origem vento, sendo assim quando este éde norte aumenta as áreas com o efeito perturbador, desagradável e perigoso para os peões. Noentanto, é de destacar que apesar de se ter modelado ventos muito fortes a área central apresenta 5
  6. 6. sempre níveis de conforto mecânico bastantes agradáveis. De salientar ainda, que com aaproximação à barreira existe uma redução da velocidade do vento em todas as simulações. É de referir, que não foram tidos em conta os resultados dos modelos para o vento fraco vistoque este, na área de estudo, tem pouca relevância em termos de conforto mecânico. 3.2. Modelação da concentração de PM10 para diferentes velocidades e direcções do vento Além de seus efeitos sobre o conforto térmico e dinâmico, o vento desempenha um papelfundamental na dispersão dos poluentes atmosféricos, pois funciona como meio de transporte epropagação. A localização e as características dos edifícios e da vegetação são factores queinfluenciam a dispersão de poluentes numa escala microclimática, principalmente por causa dasalterações que provocam na direcção e velocidade do vento local. A concentração de partículas diminui rapidamente com o aumento da distância às fontes depoluição mas, por outro lado, a velocidade do vento condiciona o volume de ar em que os poluentesse vão difundir e a distância de transporte. Quanto maior a velocidade do vento, maior é o volumede ar que passa pela fonte emissora por unidade de tempo e menor a concentração de poluentespor unidade de volume; no entanto, um aumento demasiado da velocidade pode ter um efeitonegativo na qualidade do ar ao reduzir a altura efectiva das emissões. A direcção do vento é ofactor que determina quais os locais mais afectados pelas emissões de diferentes fontes (Lopes2003). No que se refere ao transporte local dos poluentes, quando se tem em conta a proximidadedas fontes, a ventilação exerce um papel fundamental. Segundo Lopes (2003), se uma fonte depoluição e a sua área circundante for bem ventilada durante o período de maior concentração, oefeito do vento poderá melhorar a qualidade do ar ou até mesmo remover as substâncias poluentespara locais menos prejudiciais. Da análise da figura 6, que representa os níveis de concentração e dispersão do poluentePM10, pode-se retirar a conclusão que a área de estudo é pouco afectada pela dispersão depoluentes. Tal facto deve-se à existência da uma barreira junto a fonte de poluição que exerce umefeito retentor, que faz com que a poluição fique concentrada na fonte, em todas as velocidades edirecções modeladas, havendo apenas uma pequena dispersão quando o vento tem origem noquadrante sul, pois é aí que se situa a fonte de poluição. Há a salientar ainda dois factos, o primeiro é que a dispersão de PM10 varia na ordem inversada velocidade do vento, isto é, quanto menor a velocidade maior a dispersão de poluentes econsequentemente a área afectada. O segundo é que quando o vento é de sul a barreira exercer umefeito de positivo na protecção da área de estudo, enquanto, quando é de norte dificulta a dispersãode PM10 para esse quadrante, o que faz com a poluição fique muito concentrada na fonte. 6
  7. 7. Figura 6. Modelação da concentração de PM10 para diferentes direcções e velocidades do vento Vento Fraco de Norte Vento fraco de Sul (3m/s) (3m/s) 60 60 50 50 Concentração de PM10 Concentração PM10 below 0.11 µg/m³ unter 0.20 µg/m³ 40 40 0.20 bis 0.40 µg/m³ 0.11 to 0.22 µg/m³ 0.40 bis 0.60 µg/m³ 0.22 to 0.33 µg/m³ 0.60 bis 0.81 µg/m³ 0.33 to 0.44 µg/m³ 0.81 bis 1.01 µg/m³ 0.44 to 0.55 µg/m³ 1.01 bis 1.21 µg/m³ 0.55 to 0.66 µg/m³ Y (m)Y (m) 30 1.21 bis 1.41 µg/m³ 30 0.66 to 0.77 µg/m³ 1.41 bis 1.61 µg/m³ 0.77 to 0.88 µg/m³ 1.61 bis 1.81 µg/m³ 0.88 to 0.99 µg/m³ über 1.81 µg/m³ above 0.99 µg/m³ Obstáculos Existentes 20 Obstáculos Existentes 20 Classed LAD and Shelter Edificado Edificado Árvores Árvores 10 10 0 0 0 10 20 30 40 50 60 0 10 20 30 40 50 60 X (m) X (m) Vento Forte de Norte Vento Forte de Sul (10m/s) (10m/s) 60 60 50 50 Concentração PM10 Concentração de PM10 below 0.21 µg/m³ below 0.10 µg/m³ 40 0.21 to 0.40 µg/m³ 40 0.10 to 0.20 µg/m³ 0.40 to 0.59 µg/m³ 0.20 to 0.30 µg/m³ 0.59 to 0.78 µg/m³ 0.30 to 0.40 µg/m³ 0.78 to 0.97 µg/m³ 0.40 to 0.50 µg/m³ 0.97 to 1.16 µg/m³ Y (m) 0.50 to 0.60 µg/m³ 1.16 to 1.36 µg/m³ 30Y (m) 30 0.60 to 0.70 µg/m³ 1.36 to 1.55 µg/m³ 0.70 to 0.80 µg/m³ 1.55 to 1.74 µg/m³ 0.80 to 0.90 µg/m³ above 1.74 µg/m³ above 0.90 µg/m³ 20 Obstáculos Existentes 20 Obstáculos Existentes Edificado Edificado Árvores Árvores 10 10 0 0 0 10 20 30 40 50 60 0 10 20 30 40 50 60 X (m) X (m) Vento Muito Forte de Norte Vento Muito Forte de Sul (20m/s) (20m/s) 60 60 50 50 Concentração de PM10 Concentração PM10 below 0.07 µg/m³ unter 0.15 µg/m³ 40 0.07 to 0.14 µg/m³ 40 0.15 bis 0.29 µg/m³ 0.14 to 0.22 µg/m³ 0.29 bis 0.42 µg/m³ 0.22 to 0.29 µg/m³ 0.42 bis 0.56 µg/m³ 0.29 to 0.36 µg/m³ 0.56 bis 0.69 µg/m³ 0.36 to 0.43 µg/m³ 0.69 bis 0.83 µg/m³ Y (m)Y (m) 30 0.43 to 0.50 µg/m³ 30 0.83 bis 0.96 µg/m³ 0.50 to 0.57 µg/m³ 0.96 bis 1.10 µg/m³ 0.57 to 0.65 µg/m³ 1.10 bis 1.23 µg/m³ above 0.65 µg/m³ über 1.23 µg/m³ 20 20 Obstáculos Existentes Obstáculos Existentes Edificado Edificado Árvores Árvores 10 10 0 0 0 10 20 30 40 50 60 0 10 20 30 40 50 60 X (m) X (m) 7
  8. 8. 3.3 Modelação da variação da sombra A figura 7 representa a trajectória aparente do Sol e a sua influência na variação daquantidade de sombra na área de estudo. Os movimentos de rotação e translação da terra alteram osvalores do ângulo de incidência dos raios solares. Desta forma, verifica-se que é no solstício deJunho que ocorrem mais horas de radiação solar no local, pois, é fase em que o sol durante o seumovimento aparente na esfera celeste atinge o maior ângulo de incidência sobre o hemisfério norte.Em oposição, é no solstício de Dezembro que ocorrem menos horas de radiação solar, uma vez quenesta altura do ano os raios solares têm maior incidência sobre o hemisfério norte. Entre osequinócios, as semelhanças são muito grandes, pois nessa altura do ano os raios solares têm maiorincidência sobre o equador. No que diz respeito ao movimento de rotação da terra ao longo do dia,verifica-se que a sombra vai seguindo o sentido contrário aos raios solares, ou seja, existe maiorquantidade de sombra nas primeiras horas do dia no quadrante oeste dos edifícios e com o passardas horas esta vai passando para o quadrante este. Da observação retira-se ainda que a área central ao longo das horas e das estações do anoapresenta níveis de acesso solar significativos, tornado este local bastante agradável paraactividades de lazer e indirectamente poderá ter impactos positivos na eficiência energética dosedifícios. Equinócio de Março Solstício de Junho Equinócio de Setembro Solstício de Dezembro N N N N8h W E W E W E W E S S S S © 1999 - 2005 Ray Man Pro © 1999 - 2005 Ray Man Pro © 1999 - 2005 Ray Man Pro © 1999 - 2005 Ray Man Pro N N N N10h W E W E W E W E S S S S © 1999 - 2005 Ray Man Pro © 1999 - 2005 Ray Man Pro © 1999 - 2005 Ray Man Pro © 1999 - 2005 Ray Man Pro Figura 7 - Trajectória aparente do sol e a sua influência na variação da quantidade de sombra 8
  9. 9. Equinócio de Março Solstício de Junho Equinócio de Setembro Solstício de Dezembro N N N N12h W E W E W E W E S S S S © 1999 - 2005 Ray Man Pro © 1999 - 2005 Ray Man Pro © 1999 - 2005 Ray Man Pro © 1999 - 2005 Ray Man Pro N N N N14h W E W E W E W E S S S S © 1999 - 2005 Ray Man Pro © 1999 - 2005 Ray Man Pro © 1999 - 2005 Ray Man Pro © 1999 - 2005 Ray Man Pro N N N N16h W E W E W E W E S S S S © 1999 - 2005 Ray Man Pro © 1999 - 2005 Ray Man Pro © 1999 - 2005 Ray Man Pro © 1999 - 2005 Ray Man Pro N N N N18h W EW E W E W E S S S S © 1999 - 2005 Ray Man Pro © 1999 - 2005 Ray Man Pro © 1999 - 2005 Ray Man Pro © 1999 - 2005 Ray Man Pro Figura 7 - Trajectória aparente do sol e a sua influência na variação da quantidade de sombra (continuação) 9
  10. 10. 3.4. Diagrama Polar A figura 8 representa a ocultação do céu para os três locais da área de estudo (identificados nafigura 1) e os trajectos do sol para os solstícios e equinócios. Da observação do quadro 1, constata-se que é no Solstício de Junho que os locais em análise tem maior radiação solar directa. Comoseria de esperar é no Solstício de Dezembro que os locais têm menos horas com radiação solardirecta. Quadro 1 - Caracterização dos locais resultantes do diagrama polar Locais de Nascer do sol Pôr-do-sol Nº aproximado de horas com radiação solar Movimento Anual do Sol SVFObservação (h:mm) (h:mm) directa Local A 0.725 8 Local B 6:39 18:49 0.730 6 Equinócio de Primavera Local C 0.582 6 Local A 0.725 11 Local B 20:04 0.730 7 Solstício de Verão 5:11 Local C 0.582 7 Local A 0.725 8 Local B 6:22 18:33 0.730 6 Equinócio de Outono Local C 0.582 6 Local A 0.725 6 Local B 7:52 0.730 2 Solstício de Inverno 17:19 Local C 0.582 2 Segundo Andrade (2004), num ponto da superfície da terra (ou mais propriamente dooceano) do qual seja visível a totalidade do hemisfério celeste, o SVF é igual 1 (a ocultação visualdo céu é nula) e a exposição à radiação solar directa (na ausência de nuvens) tem duração máximapossível. Com a existência de obstáculos que obstruam parte do céu o SVF vai diminuir. No que serefere à posição dos obstáculos, estes podem provocar a ocultação do Sol numa das suastrajectórias. Com auxílio do quadro 1 e da figura 8 constata-se que os três locais em estudo têm umSVF relativamente elevado, ou seja, os edifícios circundantes às áreas escolhidas não provocamgrande ocultação do céu, o que tem como resultado um número bastante significativo de horas deradiação solar directa, principalmente no local A. N N N 10 10 10 20 20 20 30 30 30 40 22.6. 40 22.6. 40 22.6. 50 50 50 60 60 60 70 70 70 80 80 80 22.9. 21.3. 22.9. 21.3. W E W E 22.9. 21.3. 7 7 W E 7 18 18 18 8 8 17 17 8 9 9 17 16 16 9 10 10 16 15 15 11 11 10 14 12 14 12 15 13 13 11 21.12. 21.12. 14 12 13 21.12. S S © 1999 - 2005 Ray Man Pro © 1999 - 2005 Ray Man Pro S Local A Local B Local C © 1999 - 2005 Ray Man Pro Figura 8 - Diagrama polar dos respectivos Equinócios e Solstícios 10
  11. 11. Conclusão O estudo microclimático de um quarteirão de Telheiras Sul permitiu tirar algumas conclusõesinteressantes. Uma delas é que o vento dominante da cidade de Lisboa (N/NW) tem um efeitosignificativo no conforto mecânico da área, mas apenas se torna incomodativo quando são atingidasvelocidades superiores a 10 m/s, de resto apresenta níveis bastantes agradáveis no espaço verdecentral e na área entre a barreira e o bloco de habitação junta a mesma. Outro ponto a salientar é que a área de estudo é pouco afectada pela dispersão de poluentes.Tal facto deve-se à existência da uma barreira junto a fonte de poluição que exerce um efeitoredutor, na velocidade do vento e consequentemente na dispersão de poluentes, em todas asvelocidades e direcções modeladas. Em termos de acesso solar o quarteirão estudado apresenta também níveis de acesso solarbastante satisfatórios, tornado este local bastante agradável para actividades de lazer eindirectamente poderá ter impactos positivos na eficiência energética dos edifícios. Espaços públicos atractivos ao ar livre podem servir como elementos fundamentais parareforçar a concepção de qualidade de vida nas zonas urbanas e para diminuir os efeitos negativos daurbanização. Com o intuito de cumprir essa missão e também de servir como pequeno oásis noambiente artificial, os espaços ao ar livre visam satisfazer as expectativas dos potenciais utilizadorese oferecer a combinação certa entre a estrutura ambiental, económica e social. Segundo Bruse (2005), o microclima de uma área é um dos principais factores queimpulsionam a percepção individual e avaliação de um ambiente ao ar livre. A conjugação de sol,sombra e abrigos contra o vento proporciona condições agradáveis para atrair pessoas que, emcontrapartida, irão tornar estas áreas mais atraentes para lojas, restaurantes ou outras instalações, emfunção dos níveis de frequentação dos cidadãos. Por tudo o que foi anteriormente nomeado, os estudos microclimáticos devem ser tidos emconta no planeamento urbano, para que se reduzam os efeitos climáticos negativos e maximizem ospositivos. 11
  12. 12. Bibliografia:Alcoforado, M.J. ; Lopes, A.; Andrade, H. ; Vasconcelos J. (2005) - Orientações climáticas para oordenamento em Lisboa, Área de Investigação de Geo-Ecologia Centro de Estudos Geográficos daUniversidade de Lisboa.Andrade, H. (2004) - Bioclima Humano e Temperatura do Ar em Lisboa, Tese de Doutoramentoapresentada à Universidade de LisboaBruse, M. (1999) - Simulating microscale climate interactions in complex terrain with a high-resolution numerical model: A case study for the Sydney CBD Area Model Description, Bochum,Cologne, Department of Geography, University of Bochum, University of Cologne.Bruse, M. (2005) - Assessing urban microclimate from the user’s perspective – Multi-Agentsystems as a new tool in urban biometeorology. Ann. Meteorol. (41), 137-140Lopes, A. (2003) - Modificações no clima urbano de Lisboa como consequência do crescimentourbano. Vento, ilha de calor de superfície e balanço energético. PhD, Centro de EstudosGeográficos, Faculdade de Letras. Lisboa, Universidade de Lisboa: 375p.Matzarakis, A., Rutz, F; Mayer, H. (1999) - Estimation and calculation of the mean radiationtemperature in urban structures from the point of view of human biometreorology, Vol. 15ºInternational Congress of Biometeorology & International Conference on Urban Climatology,Sydney - Australia, Macquarke University.WMO, (1999) - Climate and human health. World climate News 14, 3-5. 12

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