Tratado de terapia de vidas passadas

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Esta obra, pioneira no Brasil, aborda os principais aspectos da Terapia de Vidas Passadas. …

Esta obra, pioneira no Brasil, aborda os principais aspectos da Terapia de Vidas Passadas.

Cada vez mais essa revolucionária forma de terapia vem sendo reconhecida por profissionais de saúde, psicólogos e médicos, e vem recebendo uma adesão maciça do público em geral.

O livro faz um resumo da teoria e da prática da TVP. Foi escrito numa estilo simples e agradável de ler. Qualquer pessoa pode se beneficiar de sua leitura e encontrar um significado para muitas de suas experiências de vida, inexplicáveis pela Psicologia, Medicina e a pela ciência convencional.

A dimensão espiritual do homem, assim como seus sentidos interiores, são desvelados e explicados em detalhes, a fim de tornar mais clara sua compreensão.

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  • 1. Tratado de Terapiade Vidas Passadas Volume Único Hugo Lapa
  • 2. 1ᵃ edição - 2012 2
  • 3. Observação importante: Este material é o resultado de um esforçoque tem como principal objetivo divulgar o estudoteórico da Terapia de Vidas Passadas. A totalidadedas informações aqui contidas poderá ser utilizadalivremente em cursos de formação para terapeutasde regressão e também como informativo para apropagação da Terapia de Vidas Passadas junto aopúblico em geral. Seu conteúdo está devidamente protegidopela lei dos direitos autorais. Qualquer citação departes desse texto deve obrigatoriamente conter aindicação da fonte. O infrator estará sujeito à pena-lidade conforme a legislação brasileira. O conteúdo aqui exposto não pode ser con-siderado suficiente para a formação de um profis-sional de terapia de vidas passadas. Este Tratadodeve ser encarado apenas como um manual teóricodo nosso campo de estudos, e não como materialque basta para a certificação do terapeuta. De igualforma, não há possibilidade de que as informaçõesaqui contidas possam servir para o ensino das téc-nicas terapêuticas hipnóticas, regressivas ou psí-quicas, pois estas só podem ser aprendidas emcursos regulares e oficiais de formação. Este material não foi escrito numa sequên-cia de ideias. Isso significa que a leitura dos primei-ros capítulos não é pré-requisito para entendimentodos subsequentes. O leitor pode sentir-se à vontadepara ir a qualquer ponto que seja de seu interesse. Desejamos a todos uma leitura edificante!Que todos possam encontrar o objetivo máximo daexistência: a natureza divina eternamente presenteno interior de cada um. 3
  • 4. Contato com Hugo LapaTelefone: (11) 9502 2176E-mail: lapapsi@gmail.comBlog: http://hugolapa.wordpress.comSite: www.terapiadevidaspassadas.netFacebook:http://www.facebook.com/profile.php?id=100001215440079&ref=tsTwitter: @HugoLapaMsn: hugolapatvp@hotmail.comSkype: Hugo-lapaEntre em minha lista de discussão sobre TVP:terapiadevidaspassadastvp@yahoogrupos.com.br 4
  • 5. Certa vez perguntaram ao Dalai Lama:"O que o surpreende mais na humanidade?"Ele respondeu:"Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro edepois perdem o dinheiro para recuperar a saúde.Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, eacabam por não viver nem no presente e nem no futuro...Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tives-sem vivido.""Para ser grande, sê inteiroNada teu exagera ou exclui.Sê todo em cada coisa.Põe quanto és no mínimo que fazes.Assim, em cada lago,a lua inteira brilha,Porque alta vive."(Poeta e Místico Fernando Pessoa)“Sede vós mesmos vossa própria bandeira e vosso próprio refúgio.Não confieis a nenhum refúgio exterior a vós. Apegai-vos fortementeà Verdade. Que ela seja vossa bandeira e vosso refúgio. Aqueles queforem eles próprios sua bandeira e seu refúgio, que não se confiarema nenhum refúgio exterior a eles, que, apegados à Verdade, a tenhamcomo bandeira e refúgio, atingirão a meta suprema.” (Buda)“A fonte corre cantandoDa nascente para o mar,Serve e luta no percursoPara ser pura ao chegar...”(Chico Xaver; Emmanuel)“Se queremos progredir, não devemos repetir a história, mas fazeruma história nova.”(Mahatma Gandhi)“Felizes os mansos, porque possuirão a terra.6 Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.7 Felizes os que são misericordiosos, porque encontrarão misericórdia.8 Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.9 Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos deDeus.” (Jesus) 5
  • 6. DedicatóriaEste tratado é dedicado ao nosso queridoMorris Netherton, o primeiro sistematizador da Terapia de VidasPassadas. 6
  • 7. Agradecimentos Agradeço a minha esposa Camila pelo grande incentivo queme deu durante a elaboração desta obra e pela disposição em criaras condições para que ela pudesse ser escrita. No cerne de seuesforço está a certeza de que a Terapia de Vidas Passadas é uminstrumento eficaz para o aperfeiçoamento e a purificação da huma-nidade. 7
  • 8. ÍNDICECapítulo 1 – Introdução -------------------------------------------------- 16A Terapia de Vidas PassadasAs ContraindicaçõesAs Distorções da Terapia de Vidas PassadasA História da Terapia de Vidas PassadasCapítulo 2 – As Leis Naturais -------------------------------------- 67A ReencarnaçãoA MetempsicoseO Conceito Annata BudistaO Karma ou Lei de Causa e EfeitoO Karma ColetivoO Karma BumerangueO Livre arbítrioA Evolução EspiritualO DharmaO Princípio HolonômicoA SincronicidadeA CoincidênciaCapítulo 3 - As Correntes Espirituais ---------------------------- 106O EspiritismoA TeosofiaBudismo Tibetano (O Livro Tibetano dos Mortos)As Ordens IniciáticasCapítulo 4 - A Ciência --------------------------------------------- 120Considerações sobre o Saber CientíficoO EmpirismoCapítulo 5 - A Hipnose ------------------------------------------- 130O Mesmerismo de Franz Anton MesmerA HipnoseO TranseA Amnésia pós-hipnóticaA Hipnose RegressivaA Hipnose EricksonianaAs Ondas cerebraisCapítulo 6 - Tempo, Memória e História Oculta ------------- 141 8
  • 9. O TempoA Memória ExtracerebralOs Arquivos AkashicosO Continente Perdido da AtlântidaO Continente Perdido de Mu (Lemúria)Capítulo 7 – O Psiquismo Humano ------------------------------- 153O EgoA PersonalidadeO InconscienteO CaráterA AptidãoAs EmoçõesOs SkandhasOs SonhosO COEXCapítulo 8 – A Anatomia Sutil ----------------------------------- 172A Anatomia SutilO EspíritoA AlmaO Eu SuperiorO Corpo AstralO Cordão de PrataO Corpo EtéricoO Corpo FísicoA AuraOs ChakrasOs NadisOs Átomos PermanentesCapítulo 9 – As Terapias dos Estados Incomuns ------------- 190Os Estados IncomunsO Isolamento SensorialA Terapia PrimalA Respiração HolotrópicaTreinamento AutógenoEMDRMétodo Silva de Controle MentalA Psicologia TranspessoalA PsicossínteseO PsicotranseO RenascimentoA PsicorregressãoA Captação Psíquica 9
  • 10. A AcupunturaA Astrologia KármicaO ClearingCapítulo 10 – Os Tipos de Regressão ----------------------------- 222A Análise de Vidas PassadasA RegressãoA Regressão espontâneaA Regressão em grupoA Regressão SimbólicaA Regressão à vida animalA Regressão à vida mineralA Regressão em EspíritosA Regressão a vidas felizesRegressão a vidas paralelasProgressão a vidas futurasA AutorregressãoOutros tipos de vidasVida imediatamente anterior à atualVidas de drenagemVida mais espiritualVida ExtraterrestreVida mais insignificante e simplesA AutorregressãoCapítulo 11 – As Fases da Regressão ---------------------------- 252O Roteiro Kármico (ou Plano de Vida)Os Senhores do KarmaA Vida intrauterinaO NascimentoA DescidaO AbortoA MorteA Morte conscienteA Revisão de vidaO SuicídioA Experiência de Quase-MorteO KamalokaO BardoO DevachanO EntrevidasA Metaconsciência de Joel WhitonCapítulo 12 - A Influência das Vidas Passadas --------------- 301A Personalidade de vida passadaO Véu do Esquecimento 10
  • 11. A Família de AlmasAs Almas GêmeasO Povo da LuzAs DoençasA CargaAs Marcas de NascençaAs Marcas de Nascença ExperimentaisOs SamskarasO SpotOs Opostos PsíquicosO Padrão e ContrapadrãoO EngramaO ComplexoA Ressonância SimbólicaA Repercussão kármicaO TraumaO HangoverA AlienaçãoO Postulado de caráterA Pseudo-ObsessãoInversão de PapelOs Votos de Fidelidade ou CompromissoO Pacto de SangueO Voto de CelibatoO Voto de PobrezaO Voto de SilêncioA HomossexualidadeAs Habilidades de Vidas PassadasA Iniciação EspiritualOs Padrões de EvoluçãoOs ArquétiposCapítulo 13 - Vida Afetiva e Familiar ------------------------------- 371O Amor de Vidas PassadasA Dependência EmocionalOs Conflitos FamiliaresO Reconhecimento de FamiliaresA Nossa Missão com a FamíliaO CiúmeA CulpaRelações de Poder FamiliarSacrifício pelo outroAversão e RaivaFamiliar EsponjaCapítulo 14 - Os Papéis de Vidas Passadas -------------------- 406A Vítima 11
  • 12. O AlgozO SalvadorO ObservadorO PerpetradorCapítulo 15 - As Explicações Alternativas ----------------------- 409O MaterialismoO Coletivismo PsíquicoO CriacionismoO TraducionismoA Transferência PsíquicaA FraudeA CriptomnésiaA Memória GenéticaO Efeito PlaceboA FantasiaCapítulo 16 - A Parapsicologia -------------------------------------- 423Os Poderes PsíquicosO Treinamento de TemploA TelepatiaA PrecogniçãoA GlossolaliaO MédiumA Experiência fora do corpoCapítulo 17 - A Psicopatologia -------------------------------------- 433A PsicopatologiaA DepressãoO Transtorno de PânicoA FobiaA Adicção às DrogasA ParanóiaO Transtorno Dissociativo de IdentidadeObsessões e CompulsõesO RacismoCapítulo 18 - A Influência Espiritual ------------------------------- 464O MestreOs AnjosOs DevasOs ElementaisObsessão espiritualA IncorporaçãoA Possessão Espiritual 12
  • 13. A Possessão AnimalOs ImplantesO VampirismoO UmbralOs DemôniosMaya (A Ilusão Cósmica)Capítulo 19 - Os Extraterrestres ------------------------------------ 491Os ExtraterrestresOs ExiladosA AbduçãoCapítulo 20 - A Magia --------------------------------------------------- 502A Influência PsíquicaA MagiaA Magia NegraCapítulo 21 - O Terapeuta de Regressão ------------------------- 510A Ética do TerapeutaA Relação TerapêuticaA EmpatiaA Equipe Espiritual do TerapeutaA IntuiçãoComo encontrar um bom terapeutaCapítulo 22 - O início da sessão ------------------------------------ 521A Influência das Vidas PassadasA Questão da CobrançaTempo da sessãoRegistrar as sessõesA questão do barulhoPosição para a regressãoIngestão de substânciasIdentificação do transeA Iluminação do localA Música de fundoA AnamneseA InduçãoO ComandoA Experiência TranspessoalO Ponto de entradaAs PontesO BloqueioA CatarseO Insight 13
  • 14. A Terapia da Catarse e Terapia do InsightCapítulo 23 - Técnicas de Indução --------------------------------- 566O RelaxamentoO Relaxamento ProgressivoVisualização CriativaA Concentração em pontos específicos e nos chakrasA Focalização no sintoma ou problemaA Verbalização e repetição do conteúdoA Regressão por meio de objetosAs Mind MachinesA Cinesiologia AplicadaCapítulo 24 - Técnicas de Condução e Tratamento ---------- 585O AnfiteatroA Consciência ElípticaA DissociaçãoA Imagem de FilmeA Visão de PássaroAs Imagens CatatímicasOs Estados de EgoAtravessar o ProblemaO HomingA Exploração da AuraA Exploração VerbalO Tratamento das “presenças” espirituaisA AncoragemA Técnica ISISO Resgate da AlmaA Terapia da Pré-CriaçãoA Transação KármicaA Viagem XamânicaA Reprogramação do Roteiro KármicoO PerdãoCapítulo 25 - Terapia de Vidas Passadas com Crianças ---- 616As Crianças e suas Vidas PassadasA Terapia de Vidas Passadas InfantilO Amigo InvisívelCapítulo 26 - Personalidades ---------------------------------------- 626Sigmund FreudHans TendamHelen WambachRoger Woolger 14
  • 15. Edith FioreBrian WeissMorey BersteinMorris NethertonBibliografia 15
  • 16. Capítulo 1 Introdução à Terapia de Vidas Passadas Definição e Aspectos Gerais A Terapia de Vidas Passadas (TVP) é uma abordagem te-rapêutica, ainda não vinculada à Psicologia e à Medicina, que temcomo hipótese fundamental a realidade do renascimento sucessivo,ou a teoria da reencarnação. A Terapia de Vidas Passadas usa técnicas semelhantes àHipnose regressiva, que tem como meta regressar no tempo até osprimeiros períodos da vida atual – como infância, nascimento e vidaintrauterina. A TVP, por sua vez, declara ser possível conduzir o serhumano a estados de consciência anteriores ao nascimento físico e afase intra-uterina; estados que transcendem a perspectiva de suapersonalidade atual. A TVP deriva seu nome da experiência de re-gressar à vidas passadas, tendo como objetivo o tratamento de outrasexistências, para o alívio de sintomas físicos e psíquicos. A Terapia de Vidas Passadas trabalha com o pressupostode que muitas experiências originárias de encarnações passadaspodem ter criado marcas profundas em nosso psiquismo. Essasmarcas podem ter sua gênese em momentos determinados durante avida ou no momento da morte. Com a amnésia pós-nascimento davida seguinte, nossa memória fica velada, mas as repercussõesdecorrentes das marcas deixadas de vidas passadas continuamressoando em nosso ser, gerando múltiplos e variados problemas,como dores, fobias, traumas, angústia, ansiedade, sintomas físicos eemocionais. Os dois pilares do tratamento da Terapia de Vidas Passa-das ou TVP são a catarse e o insight. Catarse é a descarga de ener-gias emocionais e psíquicas não elaboradas e não digeridas do pas-sado recente ou remoto. Insight é uma compreensão súbita e inefávelde uma grande verdade sobre nós mesmos, uma percepção panorâ-mica de nossa condição, algo que muda radicalmente nossa visão deperspectiva. Tanto a catarse como o insight são fundamentais paraque ocorra o alívio dos sintomas e o autoconhecimento. A Terapia de Vidas Passadas é considerada por muitoscomo uma modalidade expandida da Terapia de Regressão. Porém,vai um pouco além disso. A TVP trata das personalidades do nossopassado encarnatório, trata de nossos complexos ou subpersonalida-des (parte dissociadas do eu atual) e também pode tratar entidadesobsessoras ou possessoras. Alguns autores chamam essas consci- 16
  • 17. ências externas ao cliente de “presenças” espirituais. Há muitasevidências clínicas de que boa parte dos problemas enfrentados peloser humano sejam reforçados e alimentados pelas “más companhias”espirituais. O Objetivo da TVP não é apenas conhecer intelectualmentenosso passado além da vida atual. Durante a regressão, entramosnum processo mais profundo que nos permite atravessar novamenteuma situação, revivenciar, reatualizar os eventos passados e senti-loscom grande intensidade, sem, no entanto, perder a referências denossa mente objetiva atual e nos mantendo conscientes durante todoo processo. Diz-se que a intensidade da experiência, seja ela física,emocional ou psíquica, é proporcional ao efeito terapêutico. Essarevivência é como um psicodrama, ou seja, uma retomada do dramainicial reproduzido pelo nosso psiquismo. A TVP pode tratar diversas fases de nossa vida ou vidaspassadas. A fase adulta, a adolescência, a infância, o nascimento, afase intrauterina, o plano de vida, o espaço entrevidas, as vidas pas-sadas, a morte na vida passada, dentre outras possibilidades. Éinteressante mencionar como os hipnotizadores que trabalham com aregressão de idade (sem a hipótese das vidas passadas), muitasvezes ouvem relatos dos seus clientes que aparentam ser reminis-cências de vidas passadas. Mesmo quando encontramos uma aparente causa da quei-xa do paciente em algum evento da vida atual, como, por exemplo, ainfância, ainda existe a chance de esse acontecimento ter uma ori-gem ainda anterior à infância desta vida. É possível que apanhar decinto na vida atual possa evocar emoções fortíssimas de uma vida deescravo, quando apanhávamos de chicote. Assim, dizemos queexistem algumas situações traumáticas da vida atual que são reesti-muladores de traumas ainda mais antigos. O paciente que se submete à TVP não precisa ter qualquercrença em reencarnação nem em vida após a morte. Pode mesmoser cético ou agnóstico, não ter qualquer crença religiosa. Mesmoassim os efeitos terapêuticos se fazem presentes. Ou seja, a TVPfunciona independente das crenças dos indivíduos. Por outro lado, aTVP é uma terapia mais curta do que as psicoterapias convencionais,mas cada sessão regressiva é mais intensa do que as sessões depsicologia clínica. Sobre a rapidez da TVP, o psiquiatra Denis Kelsey disseque, comparando seu trabalho (como terapeuta de regressão a vidaspassadas e como psiquiatra) com o trabalho de seus colegas, eleafirmou que "Em um período máximo de doze horas de terapia deregressão, eu posso realizar aquilo que um psicanalista demorariatrês anos." As palavras de Denis Kelsey refletem a observação demuitos terapeutas que trabalham diariamente com a TVP. Trata-se deuma terapia rápida e eficiente na maioria dos casos. A Terapia de Vidas Passadas não tem como foco de traba-lho a produção de evidências que venham a comprovar a reencarna-ção. Embora isso seja uma consequência natural do processo tera- 17
  • 18. pêutico, não é isso o que se busca. Por outro lado, a TVP nada tem aver com religiões e os terapeutas são unânimes em declarar que aTVP não herdou conceitos religiosos de nenhuma corrente mística ouconfessional, embora existam paralelos muito significativos entre aTVP e certos princípios de algumas correntes religiosas. É precisodizer que dificilmente uma pessoa conseguirá, através da TVP, acomprovação da realidade das vidas passadas; aqueles que entramna terapia com esse objetivo, podem não a estar buscando pelomotivo correto. As pessoas procuram a regressão pelos mais variados mo-tivos. Há uma ideia falsa que circula em alguns meios espiritualistasde que a maioria das pessoas procura a TVP por curiosidade, masesse equívoco é facilmente contestável pela experiência diária dosterapeutas que acolhem as mais diferentes queixas. Há um percen-tual extremamente reduzido de indivíduos que buscam a TVP apenaspor curiosidade ou para saber quem eram no passado. Uma pesquisarealizada em 1988 por instituições americanas, sendo conduzida porterapeutas como Rabia Clark (1995), Garritt Oppenheim (1990), HansTen Dam (1993) e Shakuntala Modi (1998) revelaram que existemalguns motivos mais comuns da procura por esse tipo de terapia.Esses motivos são: 1) Medos e fobias 2) Problemas de relacionamento 3) Depressões 4) Sintomas físicos sem explicação médica ou que não res- pondem a nenhum tratamento medicamentoso. 5) Problemas sexuais 6) Vícios 7) Obesidade e transtornos alimentares. Não me estenderei muito nessa introdução, até por que osmais variados aspectos da TVP estarão descritos com detalhes naspáginas que se seguem nesta obra. Desejamos que sua leitura sejarica, profunda e inspiradora, pois o objetivo da TVP é elevar o homema sua real identidade: a de Homem Primordial, criado a imagem esemelhança de Deus, num vínculo indissociável com o Universo. As Contraindicações As Contraindicações se referem a casos onde a Terapia deVidas Passadas não pode ser realizada. Os terapeutas não aconse-lham a realização da Terapia de Vidas Passadas em alguns casosespeciais, como segue:Gravidez: a energia despedida em momentos de catarse forte podeinfluenciar o feto de várias formas. Há ainda o agravante do espíritoque espera à reencarnação ser uma das pessoas envolvidas na vida 18
  • 19. que será evocada. No entanto, existem terapeutas no Brasil quetrabalham com grávidas e relatam que, em sua experiência, nuncativeram qualquer problema nos atendimentos.Psicose e pré-psicose: Uma das principais razões para se evitar aregressão em psicóticos e pré-psicóticos é a ausência de uma estru-tura de ego bem formada. Outra justificativa citada pela literatura epelos terapeutas é a incapacidade do psicótico em concentrar suaatenção nos procedimentos terapêuticos, nos comandos e na tramaresgatada de sua memória. Diz-se que alguns psicóticos e esquizo-frênicos não conseguem manter o foco de sua consciência num dadoaspecto por muito tempo, perdendo-se em seguida numa rede deassociações mentais aparentemente desconexas. ―Num surto psicó-tico não é geralmente possível uma concentração suficiente paraobter uma entrada em transe hipnótico e, portanto, a terapia regres-siva não pode ser tentada‖, diz Lívio Túlio Picherle no livro “Terapiade Vida Passada”. De qualquer modo, há pesquisas na literatura queapontam para a possibilidade de tratamento do psicótico ou esquizo-frênico com a regressão.Problemas Cardíacos: Pessoas com problemas cardíacos acentua-dos não devem realizar a TVP. Esse impedimento se justifica no fatode que, durante a TVP, muitos núcleos traumáticos serão remexidos,muita emoção virá à tona e o cardíaco pode ter complicações nessemomento. Uma forte taquicardia pode levar a pessoa a algum preju-ízo. É aconselhável somente aceitar pessoas com descompensaçõescardíacas com autorização médica em laudo.Surdez: Infelizmente, o surdo não pode acompanhar a fala do tera-peuta de olhos abertos. A comunicação através da linguagem dossinais também não é possível. Por isso, coloca-se a surdez, nãocomo contraindicação, mas como impossibilidade ao tratamentoregressivo.Epilepsia: Há perigo de um ataque epilético durante a regressão, oqual o terapeuta pode não estar apto a lidar. No caso de ocorrer umataque epilético, deve-se ligar imediatamente ao hospital e solicitarajuda especializada.Asma: A asma só deve ser realizada quando o cliente possuir oaparelho de contenção da crise. Caso contrário, durante a TVP acrise pode vir à tona e provocar sérios problemas à pessoa.Pressão Alta: Com as emoções ao extremo, indivíduos com esseproblema podem ter um aumento significativo da pressão, o que podeacarretar problemas clínicos diversos. Da mesma forma que nosproblemas cardíacos, um atestado médico poderá ser solicitado peloterapeuta ao médico. 19
  • 20. Deficiências mentais, retardamento: O indivíduo com retardo men-tal, pela sua própria condição, não está apto a realizar uma regressãoterapêutica. Pessoas com problemas degenerativos cerebrais, comoMal de Alzheimer, infelizmente também estão incapacitadas de pas-sar pelo processo.Pós-prandial: período que sucede refeições copiosas ou “pesadas”.De acordo com alguns terapeutas, aumenta-se o risco de transtornosgastrointestinais ao cliente. As Distorções Da Terapia de Vidas Passadas A Terapia de Vidas Passadas, infelizmente, ainda é muitoincompreendida pelo público em geral. Por isso, é importante men-cionar as mais comuns distorções que ocorrem na percepção dopúblico perante a TVP. Muitos utilizam a palavra “mito” como signifi-cando falso, mentiroso, irreal - “os mitos da TVP” - mas a palavra mitonão possui o sentido que comumente lhe emprestam. Assim, certasideias falsas ou destituídas de embasamento sobre as técnicas re-gressivas podem atrapalhar muitas pessoas necessitadas de trata-mento. As principais ideias distorcidas são as seguintes:Posso ficar preso ao passado ou a uma vida passada: Essa éuma distorção muito comum, mas é totalmente irreal. Ninguém podeficar preso ao passado pelo simples motivo de que ninguém se des-loca ao passado. A pessoa em regressão não quebra a barreira dotempo físico, mas apenas acessa arquivos de memória não digeridosou traumáticos que permanecem até o momento presente. O quepode ocorrer é o cliente ficar tão relaxado após o tratamento de seupassado; tão desprendido de várias cargas passadas que o molesta-vam, que ele pode apresentar certa dificuldade de retornar e perderaquele estado “nirvânico”. Lívio Túlio Picherle comenta no livro ―Psi-coterapias e Estados de Transe‖ que, em 25 anos de prática de Hip-nose e regressão, nunca seus atendidos demoraram mais de 5 minu-tos para retornar à consciência objetiva. Além disso, as pessoas jáestão, de certa forma, presas a muitas experiências passadas. O quea Terapia de Vidas Passadas realiza é retirar as pessoas dessepassado e fazê-las viver mais plenamente no presente. De qualquerforma, se por acaso uma pessoa tiver dificuldade em retornar doestado regressivo, o máximo que pode ocorrer é a passagem doestado regressivo para o estado de sono, adormecendo e acordandonaturalmente algum tempo depois, não resultando desse processoqualquer dano ao psiquismo.Reviver uma vida passada pode fazer a pessoa surtar ou enlou-quecer: Se uma pessoa tem uma pré-disposição à loucura, qualquerevento ou acontecimento de sua vida que provoque um estado emo-cional mais forte – levando-a a conteúdos psíquicos que ela deseja 20
  • 21. dissimular, esconder de si mesma, reprimir e até esquecer por com-pleto – pode, ao menos em tese, levar a pessoa ao surto e à loucura.Qualquer coisa em nossa vida pode provocar um surto quando temosessa pré-disposição. No entanto, a loucura, enquanto estrutura psi-cológica, já estava presente na constituição do indivíduo. A possibili-dade do surto já existia dentro da pessoa em estado potencial, e aomenor estímulo, esse depósito de emoções poderia ser ativado aqualquer momento, levando a pessoa a um possível “surto” de maiorou menor intensidade. Aqui estamos nos referindo, obviamente, aosurto psicótico. Lembrando que o termo surto psicótico pressupõesempre um desequilíbrio com o poder de provocar uma desestrutura-ção da organização psíquica. Trata-se de um episódio que marcauma dissociação na estruturas psíquica, e não o despertar de umatorrente de emoções que ficam mal assimiladas pelo ego. Um surto é,na maioria das vezes, temporário e tem algumas característicasprincipais como um comportamento paranóide, alucinações, confusãomental, dissociação, emoções confusionais e delírios. Assim, nãopodemos dizer que foi a TVP ou qualquer técnica associada queprovocou aquele estado de loucura, mas sim a estrutura ou constitui-ção própria da pessoa. Porém, os terapeutas de regressão devemficar sempre atentos a indivíduos que demonstrem a uma clara condi-ção de pré-psicose, e esses sujeitos devem ser encaminhados àLogoterapia, às terapias de reestruturação psíquica e à avaliação depsiquiatras e psicólogos. De qualquer forma, o autor deste tratadodesconhece qualquer caso em que a regressão tenha levado umapessoa ao surto. Essa parece ser mais uma ideia criada por pessoasque não se deram ao trabalho de pesquisar e não têm qualquer expe-riência na área.Posso dizer ou fazer coisas que não quero: Esse é outra distorçãomuito comum, mas que não encontra qualquer base na realidade. Ospesquisadores do Hipnotismo sempre procuram desconstruir essaideia de que a pessoa fica submetida ao domínio do terapeuta e éenfraquecida em sua vontade consciente. Ninguém vai expor durantea TVP nada do que não deseje. Vários experimentos já foram realiza-dos a esse respeito e já está amplamente demonstrado que isso nãopassa de uma falsa noção sobre a Hipnose e a regressão. Porém,todos os conteúdos de vidas passadas que interfiram de algum modona harmonia da vida presente devem ser atravessados, revistos epurificados, para se atingir os almejados objetivos terapêuticos.Ficarei inconsciente e não me lembrarei de nada depois: Nastécnicas de indução com Hipnose ativa, relaxamento e outras técni-cas de concentração verbal, emocional, somática e de visualizações,a pessoa mantém total consciência de todo o processo, mas mergu-lha num estado mais profundo que a permite acessar dados além dolimiar da vida atual. Assim, geralmente as pessoas permanecemconscientes e recordam de toda a vida. São muito raros os casos dachamada “amnésia pós-hipnótica” dentro das técnicas de indução 21
  • 22. mental utilizada pela maior parte dos terapeutas de regressão. Estasó ocorre em alguns indivíduos e mesmo assim a pessoa precisaentrar num estado de transe mais profundo.A maior parte das pessoas que fazem regressão diz ter sidopessoas famosas: Essa é uma noção tão difundida quanto irreal ecentenas de vezes já demonstrou ser algo sem qualquer sentido. Aspesquisas empíricas de Helen Wambach e centenas de terapeutasrespeitados ao redor do mundo sugerem que a maioria das pessoasem regressão se depara com existências simples e comuns, porvezes até chatas e sem graça. Raríssimos são os casos em que nospercebemos como alguém famoso, tal como um ícone da História.Porém, no caso disso ocorrer, não se pode descartar a hipótese dosujeito ter acessado uma memória coletiva da humanidade.A TVP é uma técnica perigosa: Não há qualquer perigo em serealizar uma regressão com um profissional capacitado e bem for-mado. Sempre faço a analogia da rua onde passam os carros. Seuma pessoa atravessa a rua sem olhar para os lados, há o perigo desermos atropelados por um carro. Mas se olhamos para os doislados, nos certificamos de que nenhum veículo está vindo e entãopassarmos de um lado a outro, não pode existir qualquer perigo. NaTVP ocorre a mesma coisa. Quando um profissional é bem formado eexperiente, não há qualquer possibilidade de riscos ao atendido.Mesmo quando algumas pessoas passam mal após a regressão, issopode ser uma catarse, ou seja, pode fazer parte da descarga deenergias próprias de todo processo de desintoxicação mental e emo-cional. Porém, esse processo de descarga das energias pós-regres-são tem uma duração média de 2 a 4 dias e depois desse período,tudo volta ao normal e a pessoa sente-se melhor.Conhecer uma vida de algoz pode causar culpa ou remorso: Emalguns meios espiritualistas costuma-se afirmar equivocadamente queconhecer vidas de algoz pode causar culpa ou remorso. Se faço umaregressão e me vejo fazendo mal a pessoas que me são caras (comoparentes e amigos), eu poderia desenvolver um sentimento de culpaapós essa percepção, situação que atrapalharia para sempre a minharelação com essa pessoa. Não há nada mais falso do que essa ideia.É preciso deixar claro que, no caso de uma ou várias vidas de algoz,a culpa ou o remorso já existe na pessoa antes de fazer a TVP. Apessoa sente uma culpa inconsciente perante as pessoas que elaferiu ou provocou sofrimento no passado atual ou encarnatório. Aculpa está presente antes da realização do tratamento e o que acon-tece após a regressão terapêutica é o tratamento, diminuição ou aremissão completa dessa culpa. Muitas pessoas supõem que conhe-cer eventos traumáticos ativa novamente as emoções originais dotrauma. Isso é verdadeiro por um lado, porém, trazer à tona as emo-ções envolvidas no trauma é uma condição definitiva para a sua cura.Após a revivência ou reatualização do trauma, ele desaparece, pois 22
  • 23. pode ser descarregado e conscientizado pelo cliente. Assim, essaideia da culpa pós-tratamento em vidas de algoz não possui nenhumabase empírica e só é difundida por pessoas que desconhecem com-pletamente a TVP.A TVP só deve ser procurada em último caso: É verdade que, emcasos de doença física, devemos procurar em primeiro lugar umaajuda médica e realizar um diagnóstico, com seu conseqüente trata-mento. Porém, nada impede que a pessoa busque paralelamente ede forma complementar ao tratamento médico um tratamento psicoló-gico e espiritual como a Terapia de Vidas Passadas. Por outro lado,muitas pessoas passam anos recorrendo a tratamentos médic os epsicológicos caros e prolongados, quando já poderiam optar porencararem seu problema sob um prisma novo e amplificado. Essaideia equivocada parece supor que a TVP, por ser um tratamentomais forte e intenso, só deve ser procurada em circunstâncias extre-mas, igualmente fortes e intensas. ―Como já estou muito mal, nadapode me fazer piorar. O que vier a partir de agora é ganho‖ pensamalguns. A TVP só é forte por que nos coloca frente a frente com o quesomos. A intensidade da experiência é diretamente proporcional àintensidade do problema que já está presente dentro do indivíduo.Por isso, um problema mais forte, pede uma intervenção de nívelmais profundo e capaz de penetrar mais diretamente na raiz do pro-blema.Procurar a TVP em último caso é sem dúvida um erro que só atrasa otratamento das vidas e prolonga o sofrimento dos indivíduos. Deze-nas de pessoas já comentaram comigo que, em apenas algumassessões de regressão, já tinham conquistado mais resultados do queem anos de tratamentos convencionais. Então, qual o motivo de adiarum método que tem se mostrando eficaz ao longo das últimas trêsdécadas?Os espíritos de luz podem bloquear o processo quando a pessoanão está preparada: Não há nenhuma referência mais contundentena bibliografia que indique tal possibilidade. O que os autores costu-mam enfatizar é sobre os mecanismos de defesa do ego, que blo-queiam a passagem de certas informações que poderiam desestrutu-rar a pessoa. Quando isso ocorre, não é nenhum mestre ou espíritode luz que bloqueia, mas a própria pessoa que criou uma barreiranatural protetora. Mas no caso de supor que os espíritos de luz pos-sam bloquear o processo, eles não farão nada mais do que a própriapessoa já fez ou faria com os recursos de suas defesas naturais.Assim, não parece haver qualquer possibilidade do espírito de luzfazer algo que a própria pessoa já faz.Certa vez estava conduzindo uma regressão e o cliente perguntou aoseu mestre: ―posso ver as verdades a meu respeito? Isso me seráconcedido?‖ O mestre respondeu: ―Você pode ver tudo o que vocêquiser, a questão é que você não quer conhecer muitas coisas sobre 23
  • 24. você. Então, naturalmente, você verá dentro dos limites do seu pró-prio desejo‖.É preciso equilibrar a pessoa antes de fazer a regressão a vidaspassadas: Esse é outro erro corrente. Se a terapia de vidas passa-das necessitasse de um equilíbrio ou uma harmonização antes de serrealizada, não seria ela mesma uma forma de terapia, mas necessita-ria de outra terapêutica prévia que lhe desse sustentação. Mas narealidade, é a própria TVP que realiza esse equilíbrio e essa susten-tação.Algumas pessoas conservam esse equívoco por acreditar que a TVPpode representar certos riscos, o que já vimos ser falso. A TVP servejustamente para a conquista do equilíbrio e da harmonia do psi-quismo. Além disso, qual forma de psicoterapia convencional dariabase para se tratar as vidas passadas se nenhuma delas faz dasencarnações anteriores seu objeto de tratamento?Na TVP, geralmente as vidas passadas mais brandas e menos gra-ves vem primeiro, como defende Roger Woolger. Provavelmentenosso psiquismo vai liberando os conteúdos mais leves para que nosacostumemos com o processo. Logo depois, emergem os conteúdosmais arraigados, porém igualmente com mais poder transformador.Assim, quanto mais adiantado estiver o tratamento, mais a pessoaconseguiu penetrar, remexer e purificar seu lado obscuro de vidaspassadas. A História da Terapia de Vidas Passadas Para que se possa contar a História da Terapia de VidasPassadas é necessário dividi-la em três fases distintas: a primeira é afase pré-mesmerismo, quando a regressão era usada nos templosantigos e nas religiões. A segunda é a fase pós-mesmer, quando omagnetismo animal foi descoberto na Europa. A terceira fase teveinício após o lançamento do livro do psicólogo clínico americanoMorris Netherton, “Past Live Therapy”, considerado o primeiro codifi-cador da terapia de regressão a vida passadas. Netherton foi o pri-meiro pesquisador que deu um formato a TVP, criando os principaisconceitos, estabelecendo uma linha de atuação definida e criandouma distinção entre a técnica de hipnose regressiva e a técnica doque ficou então conhecido como terapia de vidas passadas. Decidimos denominar cada uma das fases da seguinte for-ma: Em primeiro lugar, chamaremos de “História antiga” a fase emque o transe, o êxtase e a regressão eram usados nos templos porsacerdotes, religiosos, magos, místicos, iniciados, dentre outros. Essemomento histórico é muito vasto, e pode ser considerado como todasas referências que se apresentaram na História antes de Mes mercriar o Magnetismo animal, ou Mesmerismo. Isso ocorreu antes dofinal do século XVIII. A outra fase chamaremos de “História Moder-na”, que começou depois da definição do método mesmérico. Essa 24
  • 25. foi a etapa considerada “científica” do magnetismo ou da Hipnose. Aterceira fase chamaremos de “História Recente”, que se deu após aformulação do método de Morris Netherton, onde foram estabelecidasos princípios e o método da Terapia de Vidas Passadas como éconhecida até os dias atuais. Por esse motivo, é preciso ter em mente que a TVP, tal co-mo era praticada na antiguidade, pouco se assemelhava a terapia devidas passadas da forma como é praticada pelos médicos, psicólogose terapeutas nos dias de hoje. As sociedades pré-industriais, feudaisou tribais conheciam métodos diversos de indução ao êxtase espiritu-al, mas nenhum destes pode ser comparado a TVP tal como foi for-mulada por Morris Netherton. Quando muito, os antigos praticavamtécnicas que lembravam a Hipnose da época de Mesmer e depois. Dequalquer forma, é preciso considerar que as técnicas arcaicas doêxtase detêm o potencial de ativar memórias ocultas, e quando esseprocesso é conduzido de uma forma organizada, o efeito pode ser decura e libertação. Um bom exemplo são algumas formas de medita-ção onde, em consequência do desenvolvimento e aprofundamentodo estado meditativo, as reminiscências de vidas passadas podemser experimentadas e assimiladas. Neste contexto, o efeito terapêuti-co não é central, mas é apenas um dos seus benefícios. Esses tam-bém podem ser filosóficos, metafísicos, religiosos, de harmonizaçãoespiritual, autoconhecimento, dentre outros. Por esse motivo, não podemos denominar certas práticas,mesmo que envolvam o resgate de vidas passadas, de terapia deregressão a vidas passadas, pois esta possui uma série de caracte-rísticas que a distinguem das técnicas arcaicas dos antigos. Isso sefaz claro pelo motivo de que, nessa época, o conhecimento era as-sistemático (sem a formulação de um sistema) e a finalidade religiosaera preponderante, enquanto os resultados terapêuticos (que sãocaracterísticas centrais da TVP) ficavam sempre em segundo plano.Para os antigos, não havia essa divisão que hoje se faz entre o êx-tase místico que busca o contato com o divino e a cura de uma do-ença: ambos estão interligados e um não poderia ocorrer sem o outro.A função do ritual, o êxtase, o desdobramento da alma, o conheci-mento das regiões celestiais e a comunhão mística com o divino eramos pilares que norteavam a maior parte dos ritos na antiguidade. Começaremos então citando algumas referências históricasdo êxtase religioso ou místico onde o indivíduo abria as portas doinconsciente e suas vidas passadas podiam lhe ser reveladas. História Antiga Buscaremos nossa primeira referência no oriente, berço damística profunda contemplativa e fonte de duas das cinco maioresreligiões do planeta, o Budismo e o Hinduísmo. O Budismo teve seuimpulso inicial nas palavras originais de Buda, compiladas por seusdiscípulos, conservadas e passadas adiante nas escrituras sagradas.No Hinduísmo, temos a prática milenar da Yoga, um conjunto de 25
  • 26. técnicas diretas de estados de êxtase através do despertar das capa-cidades latentes do espírito humano. A grande figura inicial da Yoga ésem dúvida o sábio Patânjali, considerado o primeiro codificador daYoga; o indivíduo que organizou um conhecimento de práticas queaté então se encontravam dispersas por toda a Índia arcaica. Já nos referimos a essas palavras originais de Buda no Tra-tado volume 1, mas pelo valor deste texto, devemos insistir aqui emseus pontos fundamentais, que são: 1) a percepção de Buda de suas vidas passadas; 2) a percepção de Buda das relações de causa e efeito, oresultado de cada ato humano em regresso a si mesmo e, 3) a percepção de Buda sobre as condensações da mente,os cancros, ou samskaras em sânscrito, as feridas mentais, formadaspor impressões gravadas no plano mental e emocional, moderna-mente denominados de “complexos” por Jung, que funcionam comogrilhões para a consciência aprisionando-a ao mundo de maya (ilu-são). Um dos relatos mais antigos que sobreviveram até os diasde hoje, é, provavelmente, a referência à regressão de memóriaespontânea realizada por Sidharta Gautama, o Buda, quando estavameditando durante seis anos e tentando encontrar a verdade dalibertação dos sofrimentos. A explicação de Buda sobre esse estadonos informa não apenas sobre uma regressão espontânea em si, mastambém sobre uma clara percepção dos mecanismos que sustentamo retorno das ações e reações do mundo, que produzem nascimentose mortes, e, também muito importante, uma percepção de como sepode vencer, superar, libertar-se dessas correntes mentais. Desdeessa época, Buda havia redescoberto o grande mecanismo da ―rodade samsara‖ e qual seria o caminho para se sair dela, uma extraordi-nária lucidez que até hoje serve de base ou princípio para a libertaçãodos samskaras de vidas passadas no trabalho dos próprios terapeu-tas de regressão. Vejamos essa incrível experiência mística de Buda: ―Com o coração assim resoluto, assim aclarado e purifi-cado, limpo e purgado de coisas impuras, manso e apto a servir, firmee imutável – foi assim que adeqüei meu coração ao conhecimento deminhas existências passadas – um só nascimento, depois dois … [eassim sucessivamente até] … cem mil nascimentos, muitas eras dedesintegração do mundo, muitas eras de sua reintegração, e nova-mente muitas eras de sua desintegração e de sua reintegração. Nestaou naquela existência passada, lembrava-me de meu nome, meu clã,minha casta, meu regime alimentar, minhas alegrias e sofrimentos, eduração da minha vida. Depois passei a outras existências subse-qüentes nas quais tais e tais eram meus nomes e assim por diante.Depois passei à minha vida atual. E assim recordei-me de minhasdiversas existências passadas em todos os detalhes e características.Este, Brâmane, foi o primeiro conhecimento que alcancei na primeiravigília daquela noite – a dissipação da ignorância e a conquista doconhecimento, a dissipação da escuridão e a conquista da ilumina- 26
  • 27. ção, como convinha à minha vida estrênua e fervorosa, purgada doeu. Com esse mesmo coração resoluto eu procurava agora en-tender a partida de outros seres, deste local, e seu reaparecimentoalhures. Com o Olho Celestial, que é puro e em muito transcende avisão humana, vi criaturas no ato de partir deste local e reapareceralhures – criaturas nobres e abjetas, agradáveis ou abomináveis àvista, bem-aventuradas ou desgraçadas; todas elas colhendo o quesemearam. Havia seres comprometidos com o mal em suas ações,palavras e pensamentos, que denegriram o Sublime; foram vítimas desua falsa perspectiva; na dissolução do corpo após a morte, essesseres reapareciam em estado de sofrimento, infortúnio e adversidade,e no purgatório. Por outro lado, havia também seres afeiçoados aobem em suas ações, palavras e pensamentos, que não denegriam oSublime; tinham a perspectiva correta e recebiam a justa recom-pensa; na dissolução do corpo após a morte, reapareciam em estadode bem-aventurança no céu. Tudo isso vi com o Olho Celestial; eeste, brâmane, foi o segundo conhecimento que alcancei na segundavigília daquela noite – a dissipação da ignorância e a conquista doconhecimento, a dissipação da escuridão e a conquista da ilumina-ção, como convinha à minha vida estrênua e fervorosa, purgada doeu. Com o mesmo coração resoluto eu procurava agora o co-nhecimento de como erradicar os samskaras. Compreendi o malcorretamente e em toda sua extensão, a origem do mal, a cessaçãodo mal e o caminho que leva a cessação do mal. Compreendi corre-tamente e em toda a sua extensão o que eram os samskaras, suaorigem, cessação, e o caminho que leva a sua cessação. Quandopercebi isso e quando vi isso, meu coração libertou-se do samskarados sentidos, do samskara do retorno à existência e do samskara daignorância; e assim liberto, veio-me o conhecimento de minha Salva-ção na convicção de que cessara o ciclo dos renascimentos; vivi naplenitude da virtude; minha tarefa está terminada; aquilo que fui nãosou mais. Este, Brâmane, foi o terceiro conhecimento que alcancei naterceira vigília daquela noite – a dissipação da escuridão e a con-quista da iluminação, como convinha à minha vida estrênua e ferv o-rosa, purgada do eu.‖ (“Majjhima-nikaya”, VI [“Bhaya-bherava-sutta”]) Tradução para o inglês de Lord Chalmers, Futher Dialoguesof the Buddha, I (Londresm 1926), pp. 15-17. Além dessa experiência de Buda antes de consolidar o es-tado nirvânico de iluminação espiritual, encontramos um trecho de umlivro de Yoga chamado de ―Yoga Sutras‖ de Patanjali. Como já dis-semos, Patanjali foi o primeiro compilador das técnicas de Yoga. Nãoexistem informações adicionais históricas sobre esse personagem,que alguns chegam até mesmo a considerá-lo como mítico. De qual-quer forma, é provável que Patanjali tenha sido o autor do primeirotratado conhecido que organizou a Yoga com um formato mais oumenos definido. 27
  • 28. Esse texto é uma coleção de aforismos e está dividido emquatro partes. A obra não faz qualquer referência a ritualismos ou asacrifícios, muito comuns à Índia antiga - rompendo assim com umacaracterística da tradição hindu pré-clássica - e trata de definir eensinar apenas as técnicas mais básicas do Yoga. Na terceira parte,em que são abordados os ―siddhis‖, ou poderes supranormais, Pa-tanjali dá indicações precisas de como cada praticante pode desen-volver cada um dos siddhis descritos por ele. Já falamos sobre ossiddhis no Tratado volume 2, e por esse motivo, não nos deteremosmais nesse ponto. Vamos mencionar apenas a parte onde se fala dodesenvolvimento de percepções sobre as existências prévias. É naterceira parte, (Livro III), no aforismo 18, onde vemos uma exposiçãosobre como se pode adquirir o conhecimento do que patanjali chamade ―nascimentos prévios‖ na tradução para o português. Esse afo-rismo diz o seguinte: 18 Pela realização das impressões latentes, o conheci- mento dos nascimentos prévios é adquirido. Essa foi a primeira vez na história escrita e oficial em quefoi apresentado uma espécie de técnica ou uma metodologia definidapara se recordar de nossas vidas passadas. Observamos que a ideiade um método específico capaz de trazer à tona reminiscências dopassado anterior ao nascimento físico é bastante antiga. Patanjaliescreveu o Yoga Sutras, provavelmente, em 150 antes de Cristo.Porém, alguns autores consideram-no anterior. A técnica conhecida nas tradições orientais, em especial atradição Hindu e yogue, para se reativar as impressões latentes devidas passadas é chamada de prati prasav sadhana, em sânscrito,que significa basicamente “tomar o nascimento novamente”, ou seja,“renascimento”. A prática do prati prasav vem sendo experimentadohá séculos ou talvez milênios pelos yogues. Ela parece ter sido bas-tante conhecida na Índia arcaica. Consiste essencialmente em remon-tar no tempo psicológico a fases anteriores de nossa existência atuale das existências prévias, a fim de que se possa atingir a origem dealguma impressão latente e dessa forma esgotá-la e pôr-lhe um fim. Na tradição hindu há duas visões gerais sobre o tempopassado e sua natureza: a primeira é que passado, presente e futuroexistem todos no eterno agora, sendo o momento presente o instanteem que se vive na eternidade. Quando nossa mente está dispersanos termos da memória do passado e da expectativa do futuro, entãonão estamos vivendo na eternidade, mas nos fragmentos esparsos docampo temporal. A outra visão declara que nós somos como umreflexo de tudo aquilo que vivemos em nosso passado. Essa segundavisão é a perspectiva mental que permite a acumulação do karmapassado. O karma sobrevive em nós em estado potencial e tem suaraiz nas impressões latentes da consciência, os cancros ou samska-ras, dessa ou de vidas passadas, que devem ser buscados em suaorigem e liberados em seguida. De acordo com Swami Veda Bharati, 28
  • 29. no livro ―Yoga Sutras of Patanjali with the Exposition of Vyasa‖ asdissoluções das impressões latentes são o caminho para se atingir osdiferentes graus de samadhi (estado de consciência de união com oreal). A prática do prati prasav vem sendo experimentado há séculosou talvez milênios pelos yogues. Esse retorno em busca da origem das impressões latentes,as sementes primordiais do karma, os conteúdos mentais, podem serdissolvidos de dois modos distintos: 1) através da prática da medita-ção, onde se atinge uma consciência mais integral e nossa mente seabre para todo o campo mental de impressões latentes da consciên-cia; é quando um yogue ou místico recorda, em perspectiva, todos osseus nascimentos prévios. 2) através da prática do prati prasav s a-dhana, que consiste em remontar as origens de uma impressãolatente em particular, situar-se nessa origem e vencer esse samskaradentro dele mesmo, obtendo-se assim a libertação dele e de suainfluência sobre nós. Essa segunda via é hoje muito semelhante aoque se faz na terapia de vidas passadas. Não é apenas Patanjali que menciona a recordação de e-xistências anteriores na tradição Hindu. Além dele, há também outrascitações sobre a capacidade de recordar-se de prévias existências noBhagavad Gita, porém sem o recurso de um método. Nessa obra,considerada uma pérola da literatura espiritual de todos os tempos,Krishna chega a aludir em várias partes do texto a respeito da reali-dade de outras existências, e chega a dizer que ele próprio lembrava-se de suas vidas passadas. Arjuna: ―Tu, Senhor, nasceste muito depois de Vivasvan (odeus do sol); como, pois, devo entender que foste tu a revelar estadoutrina?‖ Krishna: ―Muitas vezes já nascemos, eu e tu; mas tu, óvencedor, esqueceste os teus nascimentos; eu, porém, conheçotodos os meus. Após dizer isso, Krishna acrescenta: “Toda vez que aordem morre e a desordem impera, torno a nascer em tempo opor-tuno – assim exige a Lei.‖ (Bhagavad Gitá Cap: IV; 4, 5 e 7) Em seu diálogo com Arjuna, Krishna deixa claro que possuia lembrança de todas as suas vidas passadas, uma característicacomum que pode ser encontrada em todos os grandes avatares. Oconhecimento das vidas passadas por parte dos mestres espirituais,como no caso de Buda e Krishna, parece ser uma constante e atémesmo uma pré-condição para a iluminação espiritual. Tanto é assimque Buda recordou-se de suas existências pretéritas antes de atingira iluminação. Além de Krishna, Agni também ―conhece todos os seusnascimentos anteriores‖ (visva veda janima, Rig Veja, VI, 15, 13) ―e éonisciente‖ (visvavit, Rig Veda, III, 29, 7). agni significa “fogo”, masnão se trata apenas do fogo físico, mas também do fogo no sentidoda renovação periódica da natureza, o fogo do renascimento cíclico.Diz-se que Agni é eternamente jovem, pois o fogo vem do “nada” epara o “nada” retorna, assim como a alma. O fogo pode ser aceso 29
  • 30. todos os dias; como a essência, ele vem do desconhecido e para odesconhecido retorna. O fogo nunca se perde e nunca se destrói,como a alma, pois sua essência não pertence a este mundo. De qualquer forma, para a tradição oriental, incluindo o Bu-dismo e o Hinduísmo, a capacidade de lembrar-se de vidas passadasnão é um fim em si mesmo, mas apenas um conhecimento que podecontribuir no caminho espiritual. Porém, para se chegar ao estado deperfeição, é preciso ativar a memória de todos os nascimentos pré-vios, mas não só isso: é preciso restabelecer a memória do tempoprimordial, ou seja, do Tempo além do tempo. Isso implica em, deuma sucessão temporal encaminhar-se para a eternidade; aqui de-vemos entender a eternidade não como um tempo infinito, bilhões outrilhões de anos, mas como um estado além de qualquer tempora-lidade. Essa noção fica patente no diálogo de Buda com os brâma-nes de sua época. Os brâmanes (líderes da casta sacerdotal doHinduísmo), por terem o conhecimento de algumas de suas existên-cias prévias, acreditavam que o mundo era estável e sempre o mes-mo. Como eles viram apenas algumas de suas vidas, pensavam queo mundo sempre lhes aparecera com uma forma definida, e a partirdessa experiência especulavam sobre o funcionamento univer sal domundo. Mas o Buda, que tinha o conhecimento de todas as suasexistências, podia ver além do tempo, uma percepção total que osbrâmanes e pessoas comuns, que vislumbraram algumas de suasvidas, ainda não possuíam. Mircea Eliade afirma que Buda se lembrava de todas as su-as vidas passadas, enquanto os arhats se lembravam apenas de umnúmero considerável de vidas, mas não de todas. Além de Buda,alguns de seus discípulos, como ananda e outros, eram chamados dejarissara (“aqueles que recordam seus nascimentos”). Se Buda e Krishna lembraram de fato de suas vidas passa-das, seria possível que Jesus também tivesse essas recordações?Pela altitude do espírito do Cristo, é bem provável que sim. Masparece que Jesus jamais mencionou o conhecimento de suas pró-prias existências passadas, pelo menos nada consta nos evangelhoscanônicos sobre isso. No entanto, ele era capaz de revelar as vidaspassadas de outras pessoas, como fez no caso de João Batista, nafamosa passagem de Mateus 17,12-13. Nessa passagem, Jesus falaque "Elias já veio, e não o reconheceram". "Então, os discípulosentenderam que lhes falara a respeito de João Batista". Jesus estavafalando de João Batista e deu a entender que João Batista havia sidoElias numa outra encarnação, mas que ninguém o havia reconhecido,posto que Elias, no passado, estava agora no corpo de João Batista.Então, se Jesus conseguia saber das existências prévias de outraspessoas, provavelmente também conhecia as suas próprias vidas. Assim, observamos que o oriente místico possui muito bemassentado em seus pilares a ideia do renascimento cíclico. E o maisimportante: a possibilidade de sua recordação, seja espontânea ouprovocada por técnicas específicas, como no caso da Yoga e de 30
  • 31. práticas psicoespirituais de meditação, algo semelhante ao que se fazmodernamente com a ajuda dos profissionais médicos e psicólogosda terapia de regressão, mas com algumas diferenças significativas. Vale ressaltar que a Índia não é integralmente reencarna-cionista nos dias de hoje e tampouco o foi no passado. É verdade queuma boa parte dos indianos acredita em reencarnação, mas as no-ções que o povo indiano possui sobre esse tema são diferentes umasdas outras, até mesmo contraditórias. Não há um consenso bemdefinido, uma teoria muito bem organizada e codificada do seja areencarnação. Os textos clássicos sagrados do Hinduísmo citam aideia do renascimento sucessivo, mas não formulam uma teoriauniforme sobre ela. Além disso, na Índia muitos camponeses jamais ouviram f a-lar da ideia do renascimento. Por outro lado, muitas escolas budistaschegam até mesmo a negar o renascimento, e fazem isso tomandopor base a ideia de annata, o não-eu, que já citamos no Tratadovolume 1. Se não existe um eu, uma individualidade, ou uma almaque renasce, então fica difícil acreditar num retorno cíclico a essa vidade uma pessoa. Se não há uma alma, ou um espírito, o que reencar-na? Na falta de uma explicação sobre isso, há um ceticismo sobre orenascimento, principalmente a ideia da reencarnação tal como épropagada no ocidente. Alguns budistas acreditam que não é umaalma que reencarna, mas sim o karma do indivíduo, a sua memória,ou mesmo um “fluxo de consciência”. Isso serve para ilustrar o fato deque, apesar dos cânones das religiões orientais darem sustento anoção reencarnacionista, há muita diversidade de ideias a esse res-peito, além da diferença notória que há entre o renascimento orientale o princípio da reencarnação dentro do Espiritualismo moderno. A História do oriente é extremamente vasta e muita coisa foiperdida ao longo dos séculos. Mas alguns escritores modernos seempenharam em desvendar a mística sagrada do oriente e trouxeramao ocidente alguns resquícios de uma sabedoria transcendente perdi-da na noite dos tempos. Um exemplo disso é o livro de Glycia Modes-ta de Arroxellas Galvão, cujo pseudônimo era Chiang Sing, umajornalista e escritora brasileira que visitou vários países, como China,Senegal, Tibete, Índia, Japão, Egito. Mas foi provavelmente no Tibetonde ela teve suas mais extraordinárias experiências com a tradiçãosecreta do Budismo. Dentre várias situações que viveu no Tibet, Chiang Sing re-latou a seguinte experiência: após ser convidada por um dos lamas,ela entrou numa parte de um dos mosteiros. Viu famosas pinturas deBudas. Depois encontrou-se com uma mulher de idade indefinível eesta lhe disse ―Há vários ciclos que estávamos à tua espera, peque-nina irmã! Os pés do deus do destino foram lentos em conduzir-te...Mas chegou o tempo, não é mesmo?‖ Sing nada entendeu das pala-vras da mulher. Então, o Lama pegou sua mão direita e murmurouuma oração mágica desconhecida. Sing sentiu que estava se afas-tando de si mesma, viu uma névoa e cores diferentes. Então o Lamadisse ―Em nome de todos os Budas eu te confiro o poder de lembrar 31
  • 32. existências passadas, através da imensidão do tempo... Regressa aopassado! Fixa tua mente e lê o teu passado.‖ Sing conta que, após essas palavras ―Visões se desenrola-ram ante meus olhos assombrados. Não sabia se estava acordada ousonhando. Vi-me como uma princesa chinesa, vestida com sedasmacias e jóias raras. Senti como se fosse uma vestal de um temploperdido nas montanhas. E toda uma encarnação de 4.000 anos atrásfoi recordada. (...) Tive uma visão das pirâmides... Vi o templo dodeus Amon... E logo, como se eu fosse um sacerdote desse templo‖.―Depois, vi um templo da deusa Kali, a mãe dos mundos, às margensdo rio Ganges. Um grupo de bailarinas sagradas dançava diante daestátua da deusa... E uma delas era eu. A visão desapareceu. Outrapesada névoa passou antes meus olhos. Vi uma terra muito estranhacom pessoas de pele cor de cobre avermelhada... Numa colina, ummenino apascentava cabras. E, de repente, o menino era eu!‖ ―Estásna velha Atlântida - disse uma voz – agora volta!‖ O lama explicou-lhe que ela teve a oportunidade de ver vá-rias de suas vidas passadas, uma delas no continente perdido daAtlântida. Disse também que ela não encarnou novamente desde quefoi vestal no templo e isso foi há 4.000 anos. Ou seja, Sing passou4.000 anos no período entrevidas e isso ocorreu por que ela traiu osvotos de castidade e por conta disso acabou sendo amaldiçoada.Uma forte magia negra se abatia sobre ela, mas naquele momento oLama havia quebrado aquela maldição. Essa experiência de Singindica que a regressão de memória era usada no Tibet há muitotempo, provavelmente muitos séculos e realizada por processosmísticos desconhecidos. Na antiguidade, além da Índia e Tibet, havia muitos santuá-rios que ficaram posteriormente conhecidos como ―templos de sono‖.O epíteto “sono” nada tem a ver com dormir, mas com um estadoprofundo de consciência que lembrava o sono físico, assim como oestado hipnótico lembra o estado do adormecer. Há indícios da exi s-tência de templos como esse na Grécia, Roma, Egito, Oriente Médioe Índia. Nos templos do sono, os indivíduos eram colocados numestado alterado de consciência, o “sono dos mistérios”. Isso era feitocomo forma de abrir um canal do homem com os deuses. Naquelaépoca não havia terapeutas; todo o processo do sono místico eraconduzido pela figura do “mistagogo”, o mestre dos mistérios, o inic i-ador da Grécia antiga, aquele que ensinava as cerimônias religiosas eos ritos. Esse é o correspondente do que no Egito se chama de “hie-rofante”, o mestre da iniciação espiritual. O que ficou atualmente conhecido como o “sono mágico”existe desde épocas imemoriais. Livio Túlio Picherle afirma que ―Oshebreus, os astecas, os índios americanos Chippewas e os Arauca-nos do Sul do Chile sabiam induzir o ―sono mágico‖ e outras formasde transes grupais e individuais. Podiam produzir analgesia, gravarsugestões pós-hipnóticas e curar dores físicas ou patologias psíqui-cas‖. 32
  • 33. Na mitologia grega, lembramos quase automaticamente dafigura da medusa. Tratava-se de um ser sobrenatural, um mostroctônico, ou seja, um ser do mundo subterrâneo, que vivia nas profun-dezas da terra. Possuía cobras no lugar de seus cabelos. Aquelesque olhassem diretamente para ela se transformariam imediatamenteem pedra. Ela fascinava os homens com sua aparência para colocá-los a sua mercê. Esse pode ser um símbolo do poder que o olharmagnético de alguns indivíduos exerce sobre algumas pessoas maissensíveis. Essa capacidade é explorada na Hipnose com o método dafixação do olhar, e também da fascinação, técnicas de indução hipnó-tica, porém quase nunca são utilizadas na TVP. Outro exemplo defascinação exercida por um ser lendário é o poder do canto de umasereia. Reza a lenda que as sereias podem afundar embarcaçõesfascinando os homens com seu canto suave e hipnótico. No Egito antigo, existem indícios da utilização do transe te-rapêutico em alguns documentos históricos. No papiro de Erbs, porexemplo, podemos ler informações sobre os antigos sacerdotes dostemplos que dominavam a técnica da indução e dos estados nãoordinários com finalidades de alívio da dor e cura de males físicos epsíquicos. Esse documento contém aproximadamente 700 fórmulasmágicas de cura e muitas receitas de medicamentos que eram usa-dos na época, além de uma descrição do sistema circulatório quemuito se assemelha a descobertas recentes da medicina. Dentre suasfórmulas mágicas, há técnicas para se expulsar os maus espíritoscausadores de doenças físicas e mentais. Dizemos doenças mentaisporque também consta no papiro a descrição de alguns transtornosmentais, como depressão e demência. Esse papiro é um dos mais antigos do mundo e nos dá umaideia remota de como era praticada a medicina egípcia por volta doano 1550 A.C. em seus vários aspectos. Porém, alguns autores,como Jennifer Gordetsky, acreditam que esse papiro tenha sidocopiado de documentos ainda mais antigos, que remontam o ano de3.400 A.C., bem antes do que se acredita. Para se ter uma ideia daimportância desse registro, doenças como diabete e vitiligo já seencontravam descritas nesse pergaminho, assim como o uso medici-nal do alho, que hoje é amplamente aceito. Neste documento, encontra-se uma passagem onde o sa-cerdote egípcio colocava suas mãos sobre a cabeça de um homem,recitava fórmulas mágicas, com o uso de sons sagrados, e a cura domal era obtida. Essa é uma das primeiras, senão a primeira referênciahistórica do uso da indução ao transe de que se tem notícia. Pelosnossos estudos com a terapia de vidas passadas sabemos que, umavez em estado alterado, o sujeito pode entrar naturalmente em re-gressão e percorrer várias de suas vidas passadas. Durante a históriado magnetismo e da hipnose, podem ser encontrados muitos casosonde os sujeitos hipnotizados regressaram espontaneamente a umaou várias vidas passadas. Se isso ocorria sem uma intenção na Euro-pa, também deveria ocorrer na antiguidade, quando o “sono dosmistérios” era abundantemente induzido nos templos. Neste sentido, 33
  • 34. embora não haja nenhum registro documental que aponte nessadireção, se o uso do “sono terapêutico” era utilizado em larga escalano Egito e em outros países, é muito provável que a regressão avidas passadas também já fosse conhecida e até mesmo aplicadacom finalidades curativas. No livro ―O Sono do Templo: o sono hipnótico das escolasde mistério do Egito‖ a autora Gabriele Quinque explica sobre o sonomisterioso provocado nos templos sagrados: ―No autêntico sono dosmistérios faz-se com que o corpo da pessoa adormeça, mas fiqueespiritualmente acordada. O mistagogo libera a força da imaginaçãodo seu protegido na câmara secreta da identificação do eu e levaessa imaginação, que tem o peso de uma pena, para os espaçossutis da estrutura da consciência, aos quais normalmente não se temacesso. Em épocas antigas, tratava-se de uma viagem astral extra-corpórea; atualmente é um estado afastado da realidade predomi-nante semelhante ao dos sonhos lúcidos, nos quais a visão da pes-soa se abre para o seu interior. Seu espírito vai buscar os valiosostesouros na profundeza úmida primordial da alma.‖ Outro exemplo de utilização do sono dos mistérios era du-rante o cerimonial de iniciação espiritual. Já falamos sobre a iniciaçãono Tratado volume um. Mas nesse momento pode ser importanteabordar mais alguns de seus aspectos, de uma forma mais resumida,para que nos seja possível desenvolver uma compreensão maisampla do sagrado sono iniciático e sua relação com a terapia de vidaspassadas. Sabemos que, no antigo Egito, as iniciações aconteciamdentro das pirâmides. Ao contrário do que se pensa, as pirâmidesjamais foram locais para se guardar as tumbas dos faraós. Essa tesedemonstra apenas a incapacidade dos arqueólogos e historiadoresde compreender os profundos princípios da iniciação templária. Apirâmide forma a geometria ideal para a canalização de níveis eleva-dos de energias sutis. A forma piramidal é a mais perfeita para seentrar em contato com os planos superiores. Dentro desse climavibratório adequado, ocorreram num período de vários milênios,provavelmente 9.000 anos, a iniciação dos mistérios em milhares oumesmo milhões de candidatos. A iniciação espiritual, como já disse-mos, são ritos de morte e nascimento: a morte para o eu físico dapersonalidade, o velho homem, e o nascimento de um novo homem,regenerado, sutilizado e espiritualizado. Como disse Jesus ―Na verdade, na verdade te digo que a-quele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus‖ (João3:3). Algumas pessoas acreditam que essa passagem fala apenas dareencarnação, mas seu significado mais profundo nos remete aosegundo nascimento, o nascimento iniciático, o nascimento da vidaespiritual regenerada. Essas iniciações podem ocorrer nos templos,sendo provocadas pelos mestres (mistagogos, hierofantes, etc) du-rante um ritual específico programado para ativar uma transformaçãointerior, ou podem ocorrer naturalmente, quando a pessoa já se en-contra preparada para um novo nascimento; quando ela está apta a 34
  • 35. “trocar de pele”, ou a romper a casca da ignorância, do materialismoou da ilusão do ego, ou a fazer a transição de um estado a outro,como a lagarta se torna borboleta, entendendo aqui o símbolo dasasas como um símbolo da ascensão ou do “vôo da consciência” àsalturas espirituais. Na mais famosa iniciação do antigo Egito, o candidato eracolocado num sarcófago e, por meio da indução ao “sono dos misté-rios”, que era produzido por recursos místicos especiais, e não ape-nas por hipnose sugestiva, ele entrava no processo iniciático. Nesseprocesso, o objetivo é fazer o iniciando entrar em contato consigomesmo e experimentar, de uma vez só, uma parte do seu karmaacumulado; parte essa que ainda o estaria impedindo de subir a umnível espiritual mais adiantado. Então, o candidato era colocadodiante da sua grande dificuldade: se tivesse medo de ser desprezado,logo apareciam em sua consciência as cenas em que foi objeto dedesprezo; se tivesse um trauma de abuso sexual, cenas de abusoatravessavam com toda intensidade a sua consciência; se tivessequalquer outro bloqueio, essas barreiras eram rompidas e determina-das circunstâncias lhe vinham a mente com toda a realidade. Ou seja,tudo aquilo que ele possuía dentro de si como conteúdo mental emdesequilíbrio lhe era apresentado, em toda a vivacidade, por meio decenas e experiências que ele vivia como se elas de fato estivessemocorrendo. Se tivesse medo de enfrentar uma pessoa, essa pessoalhe apareceria; se tivesse medo de cobras, centenas de cobras pode-riam passar por ele; se tivesse ódio de uma pessoa que muito oprejudicou, essa pessoa se faria presente para “assombrá-lo” até queele fosse capaz de perdoá-la e transcender seu ódio. O que ele deti-nha dentro de si, como uma impureza, imperfeição de caráter, açõesnegativas ou qualquer conteúdo mental sujo, pecaminoso, sórdido,limitante etc aparecia a ele dotado de intenso realismo. O objetivo da iniciação era descobrir se o discípulo iria su-cumbir às tentações de sua materialidade e de suas tendências psí-quicas, ou se conseguiria colocar a vida espiritual e o plano divinocomo prioridade. Caso tivesse superado as provas, nada mais pode-ria abalá-lo dentro do nível que foi vencido, tornando-se assim um serrenascido que superou uma parte de suas imperfeições. Como exis-tiam vários níveis de iniciação, cada um deles buscava transcenderos grilhões de um degrau da grande escada da consciência, e seiniciava uma preparação para outras etapas mais elevadas. Por contado estado de “sono” iniciático, ou estado alterado de consciênciaprofundo, tudo que visse lhe pareceria muito real, como se estivessede fato ocorrendo com ele. Então, assim que essas visões assaltavam sua consciência,com um conteúdo reprimido ou inconsciente, ele deveria enfrentar ascenas e finalmente vencer esses conteúdos mentais desarmônicos.Isso não era nada fácil para o candidato, mas quanto maior a dificul-dade vencida, maior o mérito atingido e também maior o benefícioespiritual conquistado. As correntes mentais que fluem de formaantagônica no psiquismo começavam a fluir numa mesma direção; o 35
  • 36. discípulo conseguia vencer a natureza fragmentária de sua mente epassava a assumir o controle de sua energia e seu psiquismo. Alémdisso, após vencer as provas, ele conquistava poderes incomuns erecebia um influxo espiritual elevado, que o fazia renascer em váriosplanos, mental, emocional e até físico, com a recuperação da saúde ebem estar. Na realidade, esse aspecto da iniciação dos mistérios mos-trava o enfrentamento de uma realidade puramente psíquica do indi-víduo, algo que muito se assemelha ao que hoje se faz nos con-sultórios de terapia de regressão a vidas passadas. Por outro lado,esse processo continha certos aspectos que obviamente transcen-dem o que acontece num consultório, pois existem leis mais profun-das envolvidas e a presença e orientação de verdadeiros MestresRealizados. Iniciações como essa também são comparadas com oestado do bardo, o estado descrito da vida após a morte da tradiçãotibetana (falamos sobre o bardo e o Livro dos Mortos Tibetano noTratado volume 1). A grande chave da iniciação é essa: tudo aquilo que sepassa em nosso plano mental, em forma de tendências, pensamen-tos, sentimentos, crenças, enfim, todo nosso conteúdo psíquico, umdia se tornará manifesto na Terra; se transformará em expressão nomundo. Isso significa que, de alguma forma, esses conteúdos vãopassar do plano da consciência para o plano da ação e da experiên-cia no mundo. Do mundo subjetivo se traduz ao mundo objetivo. Omental passa para o físico, em forma de acontecimentos e experiên-cias terrenas. Em suma, o que nos ocorre no exterior nada mais é doque uma exteriorização do que já ocorreu ou ocorre em nosso interior.A grande vantagem da iniciação é antecipar a manifestação dessesconteúdos, experimentá-los, desgastá-los e vencê-los no própriomundo interior, antes que se materializem como circunstâncias davida, formando o cenário e o contexto de nossa existência. Esseprocesso abrevia nossa caminhada e nos dá a oportunidade sagradade vencer dentro da consciência aquilo que invariavelmente, de formainequívoca, se materializará na Terra. ―Em essência, você experimentaria seu própria karma pes-soal desde o início de sua primeira encarnação. Em lugar de deixá-losurgir em seu futuro você teria a oportunidade de experimentá-lo emsonhos que lhe pareceriam reais. Assim, a iniciação era um processode descer as profundezas da alma para confrontar tudo o que nãofosse de Deus.” (Joshua David Stone) Neste ponto começa a ficarmais clara a relação estreita entre a iniciação dos mistérios e a tera-pia de vidas passadas. Antes que o karma de nossas vidas passadastome forma no mundo exterior, com o regresso de nossas ações,podemos tratá-lo durante a regressão e harmonizar nossos conteúdosmentais. Por isso dissemos que a TVP é uma terapia iniciática. Outambém pode ocorrer o contrário: após a manifestação dos conteúdosmentais criando os arredores de nossa existência, por meio de técni-cas específicas, visitando nosso passado kármico, é possível trans-mutar o karma e anular os efeitos que ele teria sobre o rumo dos 36
  • 37. acontecimentos da vida, regendo nosso corpo, nossa mente e nossodestino. Existem duas formas de se evoluir, desenvolver-se espiri-tual ou ascender. O primeiro é deixando que o karma se manifeste nomundo e que nós o enfrentemos no campo da existência material,através de provas, expiações, sofrimentos, desafios, experiências,doenças, limitações, deformidades, confusão, brigas, medo, angústia,etc. Essa é a via natural, a via da experiência no campo da existência.A segunda forma é a via iniciática, que abrange todo esse processoque nós descrevemos nas linhas precedentes; são recursos queprovocam crises de despertar, provas de experiência de nossa pró-pria realidade interior, antes mesmo que elas ocorram no mundo damaterialidade, no campo de experiências da vida humana. Infelizmente, a maioria das pessoas prefere a primeira via,o caminho natural, e espera que seu karma e seus conteúdos mentaisconscientes ou inconscientes se concretizem no mundo. Como jádissemos, a terapia de vidas passadas também é uma forma de seresolver nosso karma antes que ele se manifeste ou, caso as liçõesainda não tenham sido bem assimiladas, antes que ele volte a serepetir. Dizemos “repetir” porque sabemos que tudo aquilo que nãofor bem compreendido e assimilado tende a ser reeditado em nossavida. O mesmo problema aparece com uma nova roupagem no futuro,caso as lições e aprendizados não tenham sido devidamente entendi-dos. Por outro lado, a maioria dos indivíduos do nosso tempo aguardaaté que o karma aperte e cause sofrimento, para só depois procurarharmonizar seu material psíquico desarmônico e seu karma passadoatravés da regressão. Dessa forma, compreendemos como o trata-mento kármico de nossas vidas passadas estava presente, de umaforma ou de outra, nas antigas iniciações dos mistérios e se configuracomo uma parte importante da História dos estados não ordinários deconsciência e da regressão a vidas passadas. Após o declínio da sociedade Egípcia, até onde sabemoshá pouquíssimas referências sobre o uso dos estados incomuns quepodem evocar vidas passadas. É certo que os estados de transe e osestados alterados foram abundantemente utilizados ao longo dosséculos. Porém, infelizmente, há pouquíssimo material histórico des-critivo a esse respeito. É preciso lembrar que estamos falando sem-pre de estados de consciência que detêm um potencial terapêutico, enão apenas os ritos religiosos que envolvem práticas de adoração àdivindade ou contato com espíritos (embora em algum momento ounível estes também possam ter efeitos terapêuticos). Porém, aqui nosinteressa trazer à tona alguns resquícios de uma história tão ampla eainda muito pouco conhecida do público. Na Grécia antiga, conhecemos a figura do filósofo Empédo-cles. Esse filósofo dizia que existiam apenas quatro princípios nanatureza, ar, água, terra e fogo. Dizia que o amor une todas as coi-sas, enquanto o ódio separa. Afirmava também que tudo faz parte deum todo e que esse todo se renovava em ciclos. Ensinava o filósofoque a vida humana se desenrolava numa série imensa de nascimento 37
  • 38. e mortes sucessivos, confirmando assim a crença na reencarnação.Sua filosofia pode ter sido influenciada pelas suas recordações dopassado. Suas recordações incluíam a lembrança de ter sido rapaz emoca em vidas passadas. Outro filósofo que acreditava e defendia areencarnação foi Pitágoras. Diz-se que Pitágoras se lembrava de trêsde suas vidas passadas. Parece que suas recordações indicavamque ele havia sido Hermotine, Euphorbe e um dos Argonautas. Ainda na Grécia antiga, dizem que Heráclito também eraum reencarnacionista e acreditava nas vidas sucessivas. A filosofiadesse grande pensador indica de forma clara os elementos essenci-ais do renascimento cíclico. Heráclito já mencionava que na naturezatudo se move, tudo flui, tudo está sempre numa corrente, tal como umrio, sendo impossível algo estar completamente ausente de movi-mento. E o mais importante, o grande fluir da vida é sempre umaconsequência da alternância entre os contrários. Segundo o filósofo,não pode existir vida sem antagonismo e o ser profundo das coisas éuma unidade de opostos. Porém, para Heráclito, essa contradiçãosempre se harmoniza de acordo com as leis da vida. A mesma ideiaserve de base para a compreensão do renascimento cíclico, ondevida e morte se unem num fluir infinito de contrários que sempreencontra uma harmonia na unidade da existência. Nada há maispróximo da reencarnação do que o pensamento de que a ideia davida e morte sucessiva e a constante renovação da natureza. Na antiguidade romana, sabemos que o imperador Juliano,o apóstata, que governou Roma por 20 meses, afirmava ter recorda-ções de suas vidas passadas. Ele dizia ter sido ninguém menos queAlexandre, o Grande. Avançando vários séculos após os templos do sono e as i-niciações espirituais, chegamos à idade média, a época que ficouconhecida como a idade das trevas. Nessa época o sistema feudalimpunha um modo de vida extremamente precário à população, comquase nenhuma chance de progressão de classe social. Havia ape-nas três classes, a nobreza, o clero e o povo. A Igreja dominava acultura e definia os valores e normas morais a serem seguidas, assimcomo determinava a filosofia, a ciência e as crenças vigentes. Dentro desse cenário, havia pouquíssima chance de um es-tudo mais aprofundado dos estados de transe. No entanto, como osestados incomuns fazem parte da natureza humana, eles se expres-sam de uma forma ou de outra, dentro da cadeia de significantes dacultura de uma época. Na idade média, os senhores do êxtase foramos santos católicos, reconhecidos ou não reconhecidos em sua santi-dade. Mas nada sobre vidas passadas foi mencionado nessa época,a não ser com os cátaros ou albigenses, os cristãos místicos, queacreditavam na reencarnação e possuíam ensinamentos divergentesaos da Igreja Romana. A expansão dos cátaros ocorreu rapidamente e atingiu oseu auge no final do século XI. Logo eles foram considerados heréti-cos pela Igreja Romana e acabaram sendo inteiramente exterminadospor recusarem-se a abrir mão de suas crenças, sendo uma delas a 38
  • 39. reencarnação. Pesquisas mostram que o catarismo possuía umconjunto de práticas rigorosas que previam, dentre outras coisas, arenúncia de si mesmo em favor do outro, o vegetarianismo, o jejumperiódico, a resistência ao sofrimento do corpo e uma vida de po-breza. Uma informação interessante sobre o catarismo é que oscátaros acreditavam que esse mundo, impuro e imperfeito, havia sidocriado não por Deus, mas pelo Diabo. Segundo os cátaros, Deus criaos mundos felizes e elevados, mas só o diabo pode criar os mundoscorrompidos como esse em que vivemos. Ainda na Idade Média, e um pouco antes dos cátaros, noséculo X D.C., Avicena, um grande médico e filósofo árabe, já men-cionava o poder que a mente e a imaginação poderiam conferir ao serhumano. Certa vez Avicena disse o seguinte: "A imaginação podefascinar e modificar o corpo de um homem, tornando-o doente ourestaurando-lhe a saúde". Suas palavras confirmam muitas desco-bertas da psicoterapia atual, em especial as que lidam com os esta-dos incomuns dentro da imaginação ativa ou visualização criativa. História Moderna Começaremos agora a descrever a história moderna da Te-rapia de Vidas Passadas. Podemos localizar seu início temporal naspesquisas iniciais de uma figura genial chamada de Franz AntonMesmer. Ao longo de sua vida, Mesmer foi chamado de bruxo, char-latão, louco, mágico, prestidigitador, por alguns; e de gênio, inovador,revolucionário e benfeitor da humanidade por outros. O mesmo acon-tece com a maior parte das personalidades ilustres que estiveram àfrente de seu tempo e só tiveram seu trabalho reconhecido décadasdepois, ou mesmo mais de um século ou nos séculos posteriores. Mesmer nasceu em 1734. Formou-se em medicina e escre-veu uma tese em 1766 sobre a influência dos planetas sobre os sereshumanos. Foi maçom e freqüentou a mesma loja que o jovem Mozartem Viena na época. Era também astrólogo, alquimista e um estudiosovoraz das ciências ocultas. Não era nem perto de um médico conven-cional. No início de sua carreira, começou a tratar seus pacientes como magnetismo irradiado por imãs, uma prática que não era rara emsua época. Foi então que, refletindo sobre isso, começou a deduzirque, se o corpo humano também é dotado de magnetismo (já queabsorve o magnetismo do imã), por que não usar o magnetismohumano para tratamento de doenças? Mesmer então se pôs a aplicarconstantemente suas mãos sobre as pessoas e a imaginar que esta-va emitindo uma espécie mais sutil de magnetismo, diferente domagnetismo mineral. Mesmer denominou essa energia de “magne-tismo animal”. Futuramente, seu método seria chamado de “Mesme-rismo”, em homenagem ao criador (ou redescobridor) da técnica domagnetismo. Dizem que Mesmer teria baseado suas pesquisas do mag-netismo animal nas obras de Paracelso, Van Helmont, Robert Fludd,Maxwell e do Padre Kircher. Ele acreditava que esse fluido magnético 39
  • 40. era universal, sutil, gravitacional e poderia ser encontrado comoemanação dos planetas, das estrelas, da lua, de todos os corposcelestes e também dos seres humanos. Tratava-se de um remédioinvisível, imponderável, mas não menos capaz de produzir efeitosterapêuticos em diversas pessoas. Esse magnetismo foi chamado de“agente geral” e teria uma influência sobre a saúde e a doença hu-mana. Esse fluido se manifesta sobre várias formas, sendo as maiscomuns a eletricidade, o magnetismo, a gravidade, o magnetismoanimal, etc. Algumas pessoas possuem-no mais fortemente que outras,por isso elas seriam mais “magnéticas” em sua forma de agir. Épossível a transferência direta desse fluido de uma pessoa a outra e apartir dessa emanação, modificar e harmonizar o fluido positivo enegativo que existe em todas as pessoas (para Mesmer, a desarmo-nia do fluido positivo e negativo seria a causa das doenças). Mesmerusava não apenas a transferência do fluido magnético pelas mãos,mas também por objetos, água, vaso, e até árvores. Bastaria queuma pessoa ou um grupo de pessoas entrassem em contato comuma árvore para serem beneficiadas com esse magnetismo. Neste caso, Mesmer já falava sobre a possibilidade de se“carregar” objetos, impregnar-lhes de energias magnéticas e fazercom que elas fossem posteriormente assimiladas por indivíduosnecessitados de uma corrente do magnetismo em seu corpo. A teoria de Mesmer é obviamente muito próxima de algu-mas ideias ancestrais de povos tribais e orientais que falam a respeitode um maná universal, como na Oceania, na Índia (com o prana), naChina (t´chi) no Japão (ki), dentre vários outros. A crença num fluidomístico de natureza divina e desconhecida remonta aos primórdios dahumanidade e talvez à pré-história. A cura pela imposição de mãossempre foi uma constante em algumas religiões. O prestígio de Mesmer logo de espalhou pela Europa, pri-meiramente em Viena, onde residia, e depois em Paris, onde a altaclasse da sociedade européia o procurava para experimentar umpouco da nova e polêmica terapia mesmeriana. Mas não eram ape-nas os cidadãos abastados que tinham o privilégio de se submeteremao mesmerismo. Apesar de Mesmer ter sido acusado, durante toda asua vida, de interesseiro, charlatão, megalomaníaco, sabe-se que elededicava boa parte do seu tempo para atender os pobres de formagratuita, o que irritava ainda mais os críticos sedentos na tentativa deencontrar seus erros e desmerecê-lo em público. É verdade queMesmer tinha, de fato, um jeito muito pouco ortodoxo de expor seusmétodos. Fazia apresentações públicas de forma muito extravagantee teatral, o que lhe conferiu um rótulo de egocêntrico e pedante. Masessa sua atitude se dava, acreditam alguns autores, para explorar ofator sugestivo de suas curas, já se aproximando do fenômeno quesurgiria posteriormente com Puysegur e Braid, com o advento daHipnose. Mesmer atraiu muitos seguidores, fez muitos discípulos emParis e logo a terapia mesmérica foi difundida pela Europa. O mesme- 40
  • 41. rismo atraía seguidores prestigiados, inclusive ganhara o respeito daRainha Maria Antonieta. Vários centros de cura mesmérica começa-ram a abrir em diversas partes de Paris e nos arredores. Rapida-mente os médicos ortodoxos da época começaram a sentir-se amea-çados pela nova terapia. Por esse motivo, as autoridades resolveramavaliar mais de perto o pretenso sucesso do magnetismo animal. Foi então que duas comissões de cientistas da época foramdesignadas para testar e dar um veredicto sobre a eficácia de suascuras. Estavam presentes na comissão cientistas como Lavoisier,Bejamin Franklin, o Dr. Guillotin (inventor da guilhotina), o astrônomoBailly, dentre outros. Com a impossibilidade de negarem as curasefetuadas por Mesmer (devido ao imenso registro de curas guardadopor Mesmer), a comissão optou por considerar que os efeitos domagnetismo animal não provinham de um magnetismo real, maseram tão somente o efeito da “imaginação” das pessoas. Poucossabem disso, mas esse veredicto não foi unânime. O botânico Jus-sieu publicou um relatório separado dos seus colegas e apresentou-se contrário as conclusões da comissão, asseverando que, de acordocom sua análise, existia de fato um agente desconhecido atuando nascuras pelo magnetismo animal. Não se pode negar que a imaginação é um componenteimportante em todas as curas magnéticas. No entanto, diversaspesquisas atuais sugerem que o magnetismo animal ou humano nãoé apenas efeito da sugestão, posto que ele funciona também emanimais e vegetais. O Dr. Bernard Grad produziu pesquisas científicassobre a capacidade de cura do magnetismo que emana das mãos decuradores. Uma dessas experiências foi com sementes de cevada.Dentro da pesquisa, Grad verificou que as sementes de cevada queeram tratadas por curadores magnéticos cresciam mais rapidamentedo que outras sementes que não haviam se submetido ao magne-tismo humano. Em outra pesquisa, Grad deu água pura para pacientespsiquiátricos segurarem durante certo tempo. Essa mesma água foijogada na areia em que as sementes de cevada cresciam. Gradobservou que o crescimento da cevada foi sensivelmente menor doque a cevada que havia sido tratada com água normal e bem menordo que a cevada tratada pelo magnetizador. Em outra experiência,Grad fez uma análise da composição química da água e descobriuque, após a magnetização da mesma, ocorreu uma alteração físicamensurável na diminuição da tensão das pontes de hidrogênio. Numapesquisa realizada com ratos, Grad provocou a doença conhecidacomo bócio nos animais e pediu ao famoso curador Oskar Stabanypara que pegasse em todos os ratos de um grupo durante 15 minutostodos os dias, por 40 dias. Os ratos do outro grupo não foram pegosou tratados pelo curador. O resultado foi que os ratos que tiveramcontato com Stabany apresentaram uma proporção mais baixa deaumento da tireóide. Há ainda uma pesquisa muito interessante, conduzida naUSP, pelo psicobiólogo Ricardo Monezi. A pesquisa procurava verifi- 41
  • 42. car se o Reiki poderia ter um efeito em ratos independente da fé deuma pessoa. No caso da pesquisa com ratos, efeito placebo é iso-lado, pois esses animais não possuem crenças, fé e nem empatiapelos curadores. Monezi fez uma pesquisa parecida com as experi-ências de Grad, dividiu três grupos de ratos e provocou tumores emtodos eles. No primeiro grupo, nenhum tratamento foi feito; no se-gundo grupo, Monezi fez uma intervenção com luva e chamou de“controle-luva” (a luva posta sobre os ratos poderia talvez ter o efeitode fazer os roedores se sentirem cuidados e, por isso, desenvolveramalgum tipo de melhora); e no terceiro grupo aplicou o Reiki. Após osacrifício dos animais, os pesquisadores procuraram medir a respostaimunológica dos animais aos três tipos de tratamento. No grupo quefoi tratado com Reiki a análise revelou que o sistema imunológicoestava operando com o dobro da capacidade dos outros dois gruposque não haviam recebido o tratamento com Reiki. Esse experimento,realizado com rigor científico, mostrou que o Reiki funciona indepen-dente do efeito da sugestão e contribui para o fortalecimento dosistema de defesas do organismo. Todas essas experiências suge-rem que a existência das energias sutis dos seres humanos não é ummito e que elas ultrapassam o efeito da sugestão, indicando queMesmer estava correto desde o final do século XVIII. Uma informação interessante sobre Mesmer e que nos re-mete a uma técnica muito usada nas regressões de memória a vidaatual e a vidas passadas é a de que, segundo Mesmer, o caminho dacura dos sintomas passa necessariamente por uma espécie de “crise”ou de variadas e sucessivas crises. Mesmer dizia que, antes desobrevir a cura, era preciso “purgar o mal”, e isso se fazia pelo con-curso de uma crise onde se colocava todo o mal da doença para fora,de forma expressiva. A incrível intuição de Mesmer e suas constantesobservações o haviam levado a compreender a importância da ca-tarse no processo de cura muito antes de Freud. Muitos não possuemessa informação, mas Mesmer também se valia da prática da catarsepara obter os resultados terapêuticos. Os detratores de Mesmer, noentanto, acusaram-no de “fabricar crises” e de provocar efeitos con-vulsivos em pessoas como parte de seu show particular. Mas paraaqueles que compreendem o valor da catarse no caminho da cura ésimples perceber o quanto é necessário expressar as desarmoniasexistentes em nosso interior, desvelando as impurezas de nossoinconsciente, para depois obter o alívio dos sintomas. Portanto, acatarse já existia na época de Mesmer, e era representada pelascrises com as quais ele criava as condições para que a cura fosseestabelecida. Após o Mesmerismo, o ponto mais marcante da História daTerapia de Vidas Passadas foi a descoberta ou redescoberta daHipnose por Armand Marie Jacques de Chastenet, ou apenas Mar-quês de Puysegur. Puysegur foi discípulo fiel de Mesmer e atendiacom o magnetismo animal até que um acontecimento inesperadomudou completamente o rumo do seu trabalho. Certo dia, ele estavaatendendo um jovem camponês, cujo nome era Victor Race, que 42
  • 43. sofria de pneumonia. Puysegur aplicou a técnica mesmérica normal-mente, mas de pronto percebeu que Race havia caído numa espéciede sono, porém conservando sua consciência. Puysegur foi conver-sando com Race e notou que o rapaz falava com ele com uma lucidezmaior do que o habitual e respondia a várias perguntas nesse “estadode sono”. Depois dessa experiência, Puysegur ficou admirado emconstatar que Race não possuía qualquer recordação do fato. Essateria sido a primeira experiência catalogada do transe, ou estadoalterado de consciência, após uma sessão de magnetismo. Puysegur notou que esse “sono” se constituía de um efeitoterapêutico e reparador por si mesmo. Pessoas submetidas a essesono eram capazes de responder a várias perguntas de forma lúcida,como também pareciam ser capazes de dar o diagnóstico da própriadoença de que eram portadores. E não só isso: algumas pessoaseram capazes de diagnosticar outras pessoas, e elas sequer precisa-vam estar presentes para que esse diagnóstico se tornasse possível.Essas experiências indicavam que havia uma inteligência maiortrabalhando durante os períodos em que alguém se encontrassenesse sono misterioso. O tratamento da doença também era prescritopelas pessoas dentro desse estado incomum. Dizem que, no meio de diversas experiências, algumaspessoas, porém em número bem reduzido, eram capazes de prevercertos acontecimentos com bastante exatidão, o que nos leva a cogi-tar a possibilidade do despertar de certa intuição superior e tam bémde uma precognição, ou visão do futuro. Esse fenômeno é estudadohoje em dia na terapia de vidas passadas e recebe o nome de ―pro-gressão ao futuro‖. Falaremos sobre a progressão ao futuro ou avidas futuras em capítulo próximo. De qualquer forma, parece que oMarquês havia começado a descobrir o estado de transe provocado,e por meio deste aberto as portas da consciência para a descobertade vários fenômenos que até então eram muito pouco conhecidos eaceitos na Europa. Nesse sentido, tudo indicava que todo um uni-verso novo e amplo de possibilidades estava se revelando aos olhosatentos do observador. Após o ano de 1850, o magnetismo animal assistiu a umaqueda expressiva de interesse, e boa parte dessa tendência se deveao desenvolvimento considerável da ciência após um bom número denovas descobertas científicas e tecnológicas. Darwin houvera desfe-rido um golpe fatal no criacionismo ao lançar o clássico ―A Evoluçãodas Espécies‖. Começou a florescer com bastante força a ideia deque o racionalismo seria a ideologia dominante e que a ciência ins-trumental seria a chave para a resolução de todos os problemashumanos. A metafísica e a metapsíquica começaram a ser postas delado em troca do crescente espírito positivista que invadia toda aEuropa e aumentava as pretensões de uma ciência de pura racionali-dade em oposição às tradições místicas e esotéricas. O mesmerismofoi então relegado a alguns círculos de entusiastas que jamais perde-ram a fé nas capacidades inatas de cura do homem. 43
  • 44. Curiosamente, foi nessa mesma época que o magnetismoanimal começou a tomar um viés bem mais próximo das ciênciasmaterialistas e bem mais afastado do esoterismo. Essa orientaçãocientificista começou a se estabelecer com as pesquisas do médicoinglês James Braid. Esse estudioso começou a entender o magne-tismo como um simples efeito de sugestão e retirou de seu bojo todasas técnicas relacionadas à interação entre o magnetizador e o mag-netizado. Braid acreditava que o hipnotizador desempenhava (oudeveria desempenhar) um papel secundário e impessoal (como erade costume dos médicos da época), enquanto que o mais importanteera o que se passava com o hipnotizado. Foi Braid que cunhou otermo “Hipnotismo”, tomando emprestado o termo da mitologia grega.Hypnos era o deus do sono que tinha olhos e cabelos dourados evivia no paraíso dos campos Elíseos atrás do muro das lamentações.Esse termo, porém, como todos já sabem, é equivocado, pois a hip-nose, tanto em seu sentido clássico quanto no seu sentido atual,nada tem a ver com o sono fisiológico, mas com estados alterados deconsciência onde certas capacidades podem brotar. Braid foi considerado o iniciador da Hipnose científica. ParaBraid, a função do hipnotizador se resumia a provocar um efeitomecânico no paciente e permitir que ele mergulhasse no transe.Observa-se a diferença entre o transe induzido pelos meios mecâni-cos, e o transe induzido pelo magnetismo animal, sendo este último,provavelmente, um estado mais profundo onde a inteligência interiordo paciente estará mais desperta. É preciso dizer que, os terapeutasde regressão que ainda praticam a hipnose de potência sugestivaestarão mais propensos a criar uma dependência entre terapeuta ecliente. Quanto maior for a intensidade que se coloque na sugestão,tanto maior será a relação de dependência. Na TVP o que se quernão é a dependência, mas se criar as condições para o desenvolvi-mento de uma independência de ação e pensamento. Sem esseselementos, pouco se conseguirá dentro do campo do desenvolvi-mento pessoal. Sobre esse ponto, Jean Leréde, no livro “Além da Razão: ofenômeno da sugestão”, nos dá explicações preciosas e muito verda-deiras: ―Em estado de Hipnose, o paciente não tem vontade próprianem discernimento. Aceita sem discussão as afirmações mais inve-rossímeis. Pratica docilmente as ações mais absurdas. Não se poderazoavelmente esperar que tudo isso contribua para robustecer umapersonalidade que em estado de vigília já estaria dando sinais deinstabilidade e fraqueza. Praticar a hipnose, durante certo tempo,sobre uma pessoa tem por efeito diminuir de maneira geral sua re-sistência às sugestões coercitivas da vida diária. A hipnose reiteradadiminui o senso de responsabilidade da própria pessoa sobre a qualela é exercida. Ela cria automatismos incontroláveis. Enfraquece apersonalidade em seu conjunto e arrisca-se a anulá-la completa-mente, em certos casos‖. Um bom exemplo dessa dependência criada foi um casocontado por Albert de Rochas onde o sujeito de sua experiência com 44
  • 45. hipnose já havia sido tantas vezes submetido a hipnose sugestiva porele que, em estado normal de vigília, desenvolveu uma tendência aacatar automaticamente as ordens dadas por Rochas. Ele contavaque, quando passeava com Rochas pela rua, o magnetizador lhedizia “Sua perna está paralisada”, e imediatamente ele perdia o con-trole de sua perna. Isso é um exemplo de como a sugestão realizadaem excesso pode levar uma pessoa a aumentar sua vulnerabilidade. Por esse motivo, a terapia de vidas passadas aboliu quaseinteiramente a prática da hipnose de potência sugestiva no consultó-rio. A maioria dos terapeutas opta em utilizar técnicas de relaxa-mento, visualização criativa e concentração para despertar um estadode consciência incomum, que tem pouca relação com a hipnose deviés sugestivo. É triste verificar como, durante tantas décadas, ahipnose, em seu sentido mais profundo, tenha sido tão desmerecidaem sua essência com as apresentações sensacionalistas da Hipnosede palco. Todo o caráter de respeito à subjetividade do cliente éabolido dentro dessas demonstrações e isso inspira um medo nopúblico, para não dizer um terror, de ter sua vontade conscienteenfraquecida sob a forte influência da personalidade do hipnotizador.Isso prejudica muito os profissionais sérios que desejam fazer daHipnose uma fonte de cura e regeneração da humanidade. Essa opinião não é nem de longe exclusiva de alguns pou-cos hipnólogos. Para dar apenas um exemplo, vemos um dos maio-res, se não for o maior, hipnólogo brasileiro, Paulo Paixão, dizendonuma recente entrevista que ele considera que a Hipnose de palco éprejudicial à Hipnose em sua forma terapêutica. De qualquer forma, aterapia de vidas passadas tal como é praticada nos dias de hoje nãopossui essa orientação e está quase que inteiramente divorciada dahipnose de natureza essencialmente sugestiva. Para completar essas considerações, vejamos mais umavez as palavras de Jean Leréde sobre a diferença entre a hipnose e osono magnético: ―Ao contrário, no sono magnético o paciente guardasempre o controle da sua consciência. Ele se torna sugestionável:permanece livre, aberto, apto a acolher sugestões positivas, prepa-rado para o despertar dos recursos latentes do seu ser físico e psí-quico. A hipnose é dependência. O sono magnético é autonomia eautodesenvolvimento‖. Após Braid ter produzido várias obras que direcionavam omagnetismo animal para uma orientação mais científica e mecânica,não tardou até alguns pesquisadores, em número bem reduzido éverdade, começarem a desvelar novas possibilidades do sono mag-nético. O fenômeno da hipermnésia já era bem conhecido dos primei-ros magnetizadores e hipnotizadores. Por exemplo, o Dr. Pitre, daFaculdade de Medicina de Bordéus, no seu livro LHystérie et1Hypnotisme, conta o caso de uma jovem de 17 anos que em suainfância aprendera o idioma gascão e depois, em sua juventude,aprendera o francês e esquecera completamente do idioma de suainfância. Sob efeito do transe, ela pôde falar fluentemente o idiomaque em vigília já havia esquecido e estava incapacitada de falar 45
  • 46. novamente o francês, língua que aprendera em sua juventude e erasua língua corrente. Pitre chamou esse fenômeno de Ecmnésia. O Dr.Burot fez experiências muito parecidas com as do Dr. Pitre e chegouas mesmas conclusões. Muitos magnetizadores já haviam iniciado estudos com ex-perimentações de hipermnésia, expansão da capacidade de evocarmemórias de fatos dessa vida. Dentre os fenômenos passíveis deserem estudados com a hipno-magnetização, a regressão de memó-ria começou a chamar a atenção dos estudiosos. A princípio, nomescomo Pitres, Bourru, Burot, Pierre Janet, dentre outros iniciaramessas pesquisas. Esses pioneiros do fenômeno da regressão perce-beram que fases anteriores da vida, mesmo que fosse as idadesiniciais de nossa tenra infância, poderiam não apenas recordadas emdetalhes, mas revividas dentro de uma forte experiência de uma faseespecífica. Não sabemos se esses hipnólogos tiveram experiênciascom vidas passadas, mas outros pesquisadores encontraram evidên-cias de vidas passadas em suas sessões. Na realidade, é bom lembrar que as pesquisas atuais comExperiências de Quase Morte confirmam, de uma maneira bastanteclara, que todos os acontecimentos de nossa vida ficam perfeita-mente arquivados em nossa memória extracerebral. Isso é bemdemonstrado em inúmeros casos de pessoas que, após um episódiode morte clínica, relatam ter vivenciado um momento onde toda a suavida teria passado diante de sua consciência, com todas as cenas eeventos, em detalhes, numa visão retrospectiva e panorâmica. Hámilhares de casos documentados de pesquisadores em todo o mundoque atestam a realidade desse fenômeno, revelando de forma inequí-voca que existe um registro preciso de todos os acontecimentos denossa existência atual. Numa pesquisa realizada por Jeffrey Long e Paul Perry nolivro “Evidências da Vida após a Morte”, os autores pesquisaram orelato de mais de 600 pessoas que passaram por uma EQM. Verifica-ram que 22,2% dos indivíduos que tiveram uma EQM, responderamafirmativamente a pergunta sobre a revisão da vida. Em várias obrasque versam sobre EQMs encontraram relatos muito parecidos, etodos convergem para os mesmos pontos fundamentais da experiên-cia. Um relato pormenorizado sobre a revisão da vida pode ser en-contrado no livro ―Salvo pela Luz‖, também escrito por Paul Perry, queconta a história de Dannion Brinkley, co-autor do livro junto comPerry. Essas são evidências científicas de que existe uma memóriaextracerebral e de que essa memória engloba todos os aconteci-mentos de uma vida inteira, como já haviam assinalado os antigoshipno-magnetizadores. Aqueles que desejarem se aprofundar nãoapenas no estudo dessa memória e da revisão da vida, mas tambémnas Experiências de Quase Morte podem se reportar a autores comoRaymond Moody (quem cunhou o termo EQM e também estudou comprofundidade a regressão a vidas passadas), Kenneth Ring, ElizabethKubler-Ross, dentre outros. 46
  • 47. Um bom exemplo de revisão de vida foi o que se passoucom Roger, um dos sujeitos que teve a EQM analisada por PaulPerry. Roger contou que: ―Fui para um lugar escuro sem nada ao meuredor, mas não tive medo. Havia, de fato, muita paz lá. Comecei,então, a ver a minha vida inteira se desenrolando diante de mim comoum filme projetado numa tela, desde quando era bebê até a vidaadulta. Foi tão real! Eu estava olhando para mim mesmo, mas melhordo que num filme 3D, uma vez que também fui capaz de sentir asemoções das pessoas com as quais interagi ao longo dos anos. Pudesentir as emoções boas e ruins pelas quais as fiz passar. Também fuicapaz de ver que quanto melhor as fiz sentir, e quanto melhores asemoções que tiveram por minha causa, [mais] crédito [karma] [euacumularia] e que as [emoções] ruins extrairiam uma parte dele...como numa conta bancária, mas aquilo foi como uma conta de karma,pelo que entendo‖. Observemos que Roger conta que viu sua vidadesde que era bebê. Pessoas que passaram pela EQM e presencia-ram esta recapitulação contam como recordaram de eventos em ternainfância que há muito já escapara de sua memória consciente. Esse éum bom indício de que nossa memória está integralmente guardadanum arquivo além do cérebro. Se admitirmos a hipótese das vidassucessivas, por que desconsiderar a existência de uma memóriaextracerebral que se mantém intacta, e que a qualquer momento, eao menor estímulo, principalmente em transe ou em casos de desdo-bramento dos corpos espirituais, não possa ser recobrada e atéreexperimentada em toda a intensidade? Para aqueles que acreditamque essa revisões de vida, como a de Roger, podem ser apenas umproduto de nossa cultura já predisposta a experimentar as revisõespela crença de que é isso que deve ocorrer, como explicar que pes-soas do século retrasado já faziam relatos de experiência similar aesta, com revisões e recapitulações muito semelhantes as dos diasde hoje? Nessa época o surgimento de memórias de vidas passadasnão era muito comum, ou ao menos não fora registrado em casosmais numerosos, com pessoas comuns. Eram mais comuns os casosde médiuns que, em experimentações realizadas pelos metapsiquis-tas, se recordavam de suas próprias vidas passadas. Porém, muitosdesses relatos eram interpretados não se levando em consideração ateoria do renascimento sucessivo. Um exemplo de recordação deuma vida passada foi relatado pela famosa médium Katie King, querealizou várias experiências com o metapsiquista Willian Crookes. Nofinal de suas aparições e experiências, King chegou a relatar aosfilhos de Crookes a respeito de uma de suas vidas passadas. Nessavida, Katie teria vivido na Índia, e contou-lhes muitos fatos que lheteriam ocorrido. O primeiro pesquisador a começar a explorar o terreno daregressão de memória e, além disso, das possibilidades da recorda-ção de vidas passadas foi José Maria Fernandez Colavida, um militarespanhol entusiasta das obras espíritas. Colavida foi perseguido, aolongo de sua vida, por questões políticas ligadas ao cargo que seu 47
  • 48. pai ocupou. Numa de suas batalhas, foi feito prisioneiro e ainda den-tro do cárcere soube da morte de seu pai. Passou por muitas turbu-lências em sua vida, e por isso mesmo foi tomado pelo espírito deque a guerra não era o caminho, mas sim a paz entre os povos.Conheceu o Espiritismo quando lhe veio às mãos um exemplar de ―OLivro dos Espíritos‖. Sempre pregou a caridade desinteressada eempregava boa parte de seu tempo em ações beneméritas pelospobres. Pelas suas realizações em prol da divulgação do Espiritismona língua espanhola foi apelidado de “o Kardec espanhol”. Colavida se tornou conhecido por um ser hábil magnetiza-dor. Realizou inúmeras sessões de magnetização de médiuns provo-cando efeito sonambúlico com lucidez (estado de transe hipnótico) eestudando os fenômenos que se desenvolviam a partir desse estado.Muitos consideram que Albert de Rochas foi o primeiro a desenvolverum trabalho de regressão a vidas passadas por intermédio da mag-netização dos sujets da experiências, mas a verdade é que, antesmesmo do Coronel Rochas, o igualmente Coronel Fernandes Cola-vida o precedeu nesse trabalho, levando várias pessoas a experi-mentarem suas vidas passadas por intermédio de passes magnéti-cos. Albert de Rochas, no entanto, não era membro do movi-mento espírita e não possuía ligação com estudiosos da mediunidadena época, ao contrário de Colavida, que foi a alma do movimentoespírita da língua espanhola, seu precursor e tradutor das obras deKardec. Os conhecimentos extraídos do néctar das obras espíritasabriram seus horizontes de pesquisa e lhe permitiu realizar umasíntese, talvez a primeira da história pós revolução científica, entre omagnetismo científico (ou sono hipnótico) e o espiritualismo e astradições reencarnacionistas do mundo. Colavida criou as condiçõespara que, pela primeira vez na História moderna, a reencarnaçãopudesse ser objeto de pesquisa com metodologia científica, comtécnica provocada e passível de reprodução, tal como ocorria comoutros objetos da pesquisa das ciências naturais. Tudo começou quando Colavida, exímio magnetizador, le-vou um dos médiuns de seu grupo a um estado de transe por meio depasses magnéticos, como era de costume na época. Colavida pediuentão que o médium relatasse o que fizera na véspera, na antevés-pera, uma semana atrás, um mês atrás, um ano antes e provocou oavivamento de sua memória até a infância, fazendo o sujeito des-crevê-la em detalhes. Indo além, o médium começou a relatar fatosque ultrapassavam o período de sua existência atual na Terra, rela-tando sua estadia no que seria o plano espiritual antes de seu nasci-mento. Colavida continuou conduzindo-o além e o médium regressoua quatro existências prévias, inclusive a uma vida de ambiente pura-mente “selvagem” e primitivo. Contou também como tinha se desen-rolado sua morte na última encarnação. Colavida percebeu que cadaexistência revivida trazia a marca de uma feição diferente do médium,como que imitando a expressão facial de uma possível personalidadepassada. O sujeito foi então trazido de volta. 48
  • 49. Colavida ainda não estava convencido da autenticidade daexperiência, e resolveu pôr o sujeito à prova. Resolveu que outromagnetizador iria testá-lo, mas dando uma sugestão, antes da indu-ção, de que as lembranças do passado longínquo eram apenas histó-rias inexistentes. Apesar de ter sido sugestionado nesse sentido, oexperimento seguiu o mesmo curso, remontando as mesmas recor-dações, uma após a outra, na mesma sequência e com o mesmo teorde informações. O magnetizador espírita espanhol já conhecia o poder deevocação de memórias através do sono magnético. Colavida tambémpesquisava fenômenos espíritas com os médiuns do grupo “Paz”;grupo espírita que ele fundou na Espanha. Levantou a hipótese,apenas verificada em experiências esparsas de hipno-magnetizado-res da Europa, de que o sono magnético poderia ativar lembrançasde vidas passadas. A reencarnação, como todos sabem, é um dospilares da doutrina espírita, por isso, para Colavida, não foi tão difícilde aceitar a autenticidade dessas recordações, o que não ocorreucom outros pesquisadores céticos desses fenômenos. De qualquerforma, Colavida procurou se manter neutro e aprofundar nessasexperiências, pois entendeu que elas traziam um novo campo deestudos espirituais. Essa experiência de lembrança provocada de vidas passa-das foi testemunhada por Ernest Marata, que também era membro dogrupo “Paz”. Marata contou essa experiência no Congresso Espíritaparisiense de 1900. Segundo Leon Denis, Ernest Marata, presidenteda União Espírita de Catalunha, também realizou experiências comvidas passadas estabelecendo em algumas pessoas o estado detranse magnético. Marata repetiu a mesma experiência que Colavidaem sua esposa a fim de comprovar uma informação que lhe forapassada por um espírito sobre uma de suas vidas passadas. A mé-dium regrediu ao seu passado longínquo e pôde averiguar a veraci-dade das informações do espírito sobre sua existência anterior. Depois dessas experiências iniciais dos pioneiros Colavidae Marata, a experiência hipno-magnética de recordação provocada devidas passadas começou a ser reproduzida em vários centros deestudos diferentes, com resultados semelhantes aos iniciais. Denisafirma que: ―Têm-se obtido assim numerosas indicações a respeitodas vidas sucessivas da alma; essas experiências hão de provavel-mente multiplicar-se a cada dia‖. Leon Denis, um dos maiores expo-entes do movimento espírita mundial, conta que ele próprio, com ouso do magnetismo animal, fez estas experiências e comprovou ofenômeno da hipermnésia (a ampliação da memória) desta e deoutras existências físicas. Porém, adverte que é necessário cuidadocom essas experiências, pois há possibilidade de existirem enganos.De qualquer forma, é fato que os enganos são sempre uma possibili-dade real dentro de qualquer técnica de nível psíquico, como a medi-unidade, a hipnose, os fenômenos de PES, os fenômenos de estadosincomuns, as práticas de imaginação ativa, as técnicas de desblo-queio emocional e de desenssibilização, dentre outros. 49
  • 50. Denis diz o seguinte: ―Os Espíritos ensinavam a preexistên-cia, a sobrevivência, as vidas sucessivas da alma. E eis que as expe-riências de F. Colavida, E. Marata, as do Coronel de Rochas, asminhas, etc. estabeleceram que não somente a lembrança das meno-res particularidades da vida atual até a mais tenra infância, mas tam-bém a das vidas anteriores estão gravadas nos recônditos da consci-ência. Um passado inteiro, velado no estado de vigília, reaparece,revive no estado de transe. Com efeito, essa rememoração pôde serreconstituída num certo número de pacientes adormecidos‖. Vale lembrar que os primeiros magnetizadores, espíritas ounão, tinham como principal foco a pesquisa psíquica e mediúnica, e,salvo em raros casos, não entravam no mérito das conseqüênciasterapêuticas do processo regressivo. No entanto, sempre que setrabalha com os estados incomuns, na época denominados de sonomagnético ou transe hipnótico, há possibilidade de se produzir o alíviode sintomas ou mesmo a cura. Esse é o caso contado por Robert H.Russel Davis, também magnetizador, que aplicou passes magnéticosem sua esposa, tomada de grande dor de cabeça. Após algum tem-po, começou a entreter-se com a leitura de um artigo sobre a políticafrancesa. Foi então que sua esposa, mergulhada que estava no sonomagnético, pôs-se a comentar, com surpreendente propriedade esegurança, a respeito do estado político e dos negócios da França,mostrando um conhecimento fora do comum sobre a história france-sa, informações que, em hipótese alguma, ela detinha em seu estadohabitual de vigília. Russel Davis deduziu que a mensagem estavasendo proferida por um espírito e indagou sobre isto a ela. De pronto,veio a resposta:– Não é um Espírito estranho, mas o meu. Quando me magnetizaste,meu corpo adormeceu e meu espírito logo se achou livre. Percebi oprofundo interesse que te causava a leitura desse artigo e entrei aestudá-lo em teu proveito.– Mas – perguntei-lhe –, como podes estar tão a par da história e dapolítica francesas, tu, que em teu estado normal, nada sabias disso enenhum interesse lhe davas?– Quando retomo meu corpo, essas coisas e muitas outras, queconheço muito bem em estado de espírito, apagam-se imediata-mente, e eu não me lembro de mais nada.– Mas, por que os assuntos de que acabas de tratar te são familiaresao espírito? Pareces ter conhecimentos extraordinários sobre a di-plomacia francesa.– Por certo, visto que eu conheço perfeitamente a França e os fran-ceses; fui outrora uma senhora francesa e representei um papelhistórico dos mais importantes.A conversa durou ainda certo tempo, depois do que ela me disse:– Devo agora tomar o corpo; chegou o momento; boa-noite. Russel Davis declara que, um minuto depois, sua esposa“acorda” do sono magnético bem disposta e, o mais importante, 50
  • 51. curada de suas fortes dores de cabeça. Essa experiência possui umcaráter valioso, primeiro porque sobreveio espontaneamente, semque fosse provocada com intenção de ver vidas passadas. Segundoporque o autor não poderia possuir qualquer conhecimento sobre ostrabalhos dos magnetizadores (como Colavida, Rochas e Flournoy)que haviam experimentado, posteriormente a esse evento, recorda-ções de vidas passadas. Terceiro, porque houve uma cura ou alíviode sintoma físico após a experiência que deixou evidenciado o fato deque ocorrera uma profunda e real experiência nessa ocasião. As sessões dessa época que trazem experiências de vidaspassadas são ainda mais preciosas do que as experiências da épocaatual. Isso por que, na Europa do final do século XIX, pouquíssimo seconhecia sobre parapsicologia, espiritismo ou mesmo reencarnação.A maioria das pessoas que reviverem existências prévias nada sabiaa esse respeito e sequer acreditavam em suas visões e recordaçõesapós a retrospectiva delas pelos magnetizadores. Sobre isso, acres-centa Leon Denis que: ―Decerto, não é possível ver nisso um reflexodas opiniões dos sujets, visto que, a tal respeito, nenhuma noção elespossuem, por não terem sido preparados de modo algum pelo meioem que viveram, nem pela educação que receberam, para o conhe-cimento das vidas sucessivas, como o atestam os observadores‖. Os antigos hipno-magnetizadores de orientação espíritacompreendiam as recordações de vidas passadas e outros fenôme-nos psíquicos como resultado de uma exteriorização ou expansão doperispírito. Já que o perispírito é o receptáculo que arquiva a memóriade todos os nascimentos terrestres, assim como a memória da atualexistência, era evidente o entendimento de que, quanto maior a liber-dade do perispírito, maior a capacidade da recordação de suas vidaspassadas. Para os magnetizadores espíritas, como Leon Denis eGabriel Delanne, o sono magnético tinha como principal propriedadeinduzir ao desprendimento do perispírito do corpo físico. ―Para recu-perar a plenitude das suas vibrações e reaver o fio das lembrançasem si ocultas, é necessário que ele saia e se separe do corpo; entãopercebe o passado e pode reconstituí-lo nos menores fatos. É isso oque se dá nos fenômenos do sonambulismo e do transe‖ afirma LeonDenis. Isso se tornaria ainda mais claro para eles pelo fato de que,após a morte física, o perispírito recupera, de forma total ou parcial,as faculdades que lhe são inerentes, incluindo nelas a renovação desua memória espiritual. Leon Denis acreditava que ―o sono maisprofundo faz surgir a memória mais extensa‖. Isso significa que,quanto mais fundo se estabelecer o estado de sono hipno-magnético,camadas mais profundas da memória milenar podem ser remexidas eevocadas. O mais importante é entender que o desprendimento doperispírito colocaria o encarnado numa condição semelhante ao deum espírito desencarnado, de modo que, podemos asseverar, oencarnado possuiria, assim como o espírito livre do corpo físico, amaior parte das faculdades de que é dotado o desencarnado, ou atémesmo todas elas. Isso se daria, por conseguinte, como decorrência 51
  • 52. do sono magnético profundo. Em suma, tudo o que um espírito pode-ria fazer sem o corpo, um encarnado também o poderia sem que seuperispírito estivesse aprisionado nos liames da matéria densa. Essaideia é corroborada por outros pesquisadores. No livro “Animismo eEspiritismo” Ernesto Bozzano diz o seguinte: ―o que um espírito de-sencarnado pode realizar, também deve podê-lo um espírito encar-nado‖. Porém, não seriam todos os espíritos que podem resgatarsuas memórias. Neste caso, se faz necessária a aplicação de passesmagnéticos no médium ligado ao espírito para que este libere suascamadas mais profundas e possa entrar em estreito contato com suasreminiscências. Essa recordação de vidas passadas pelos espíritos é fatoaceito com naturalidade no Espiritismo, tanto é assim que, comoafirma Delanne, há um número bastante considerável de casos deespíritos que descrevem, em sessões mediúnicas, suas própriasvidas passadas. Na Revista Espírita, Allan Kardec menciona, bemantes de Colavida, Rochas, Marata, Flournoy, Denis e outros, a pos-sibilidade de um espírito, em estado de magnetização, reviver, comintensidade, suas individualidades passadas, assim como os encar-nados as reviviam pelo mesmo estado sonambúlico de transe. Kardeccita o caso de um espírito do médium Dr. Cailleu, recém desencarna-do. Essa entidade teria conseguido, através da devida magnetização,reviver várias de suas vidas passadas e perceber uma sequência dedesenvolvimento entre elas tendo como derradeira sua última exi s-tência que acabara de deixar. Diz o espírito através do médium: ―Eu estava, pois, ador-mecido por um sono magnético espiritual; vi o passado formar-se emum presente fictício; reconheci individualidades desaparecidas nocorrer dos tempos e que não tinham sido mais que um e único indiví-duo. Vi um ser começar uma obra médica, outro mais tarde continuara obra, apenas esboçada pelo primeiro, e assim por diante. Cheguei aver, em menos tempo do que vos estou a falar, formar-se, no decorrerdas idades, aumentar e tornar-se ciência, o que, no princípio, nãopassava dos primeiros ensaios de um cérebro ocupado com o estudodo alívio do sofrer humano. Vi tudo isso, e quando cheguei ao últimodestes seres que tinham trazido, sucessivamente, um complemento àobra, reconheci-me então. Aí tudo se apagou e voltei a ser o Espírito,ainda atrasado, do vosso pobre doutor.‖ A única diferença entre Kardec e os magnetizadores queele precedeu é que, ao que parece, Kardec não fala diretamentesobre a possibilidade de se recordar nossas existências prévias pelamagnetização, tal como seria possível de ocorrer com os espíritos. Dequalquer forma, se aceitarmos que o desprendimento do perispíritocoloca o ser encarnado numa perspectiva espiritual então pode nãohaver contradição entre o resgate de memórias de um espírito (gra-vadas em seu perispírito) e a mesma recordação de um encarnado(também gravadas em seu perispírito e acessadas pela sua temporá-ria exteriorização). 52
  • 53. De qualquer forma, é preciso reconhecer que Allan Kardecfoi um dos primeiros, ou quem sabe até mesmo o primeiro ocidental amencionar a possibilidade, até então desconhecida na Europa, deque o resgate de nossas vidas passadas poderia servir de base aoaprimoramento humano e seu desenvolvimento pessoal e espiritual.Esta referência é encontrada em “O Livro dos Médiuns”, e fala decomo uma vida passada pode ser conhecida. Kardec se aproxima dosatuais pesquisadores e cientistas que se dedicam ao tema quandoafirma que as existências passadas só devem ser conhecidas doindivíduo quando há um motivo útil. Kardec também adverte quesomente pela vontade dos espíritos superiores é que nossas vidaspodem vir à tona, mas não explicita no texto se a pessoa que lembraou toma conhecimento das existências prévias deve necessariamenteperceber a presença dos espíritos superiores. Lemos em “O Livro dos Médiuns”, capítulo 26: ―Das Per-guntas que se podem fazer aos espíritos‖, item: 290 - Perguntassobre as existências passadas e futuras:b) Assim como não podemos conhecer a nossa individualidade ante-rior, segue-se que também nada podemos saber do gênero de exis-tência que tivemos, da posição social que ocupamos, das virtudes edos defeitos que em nós predominaram?"Não, isso pode ser revelado, porque dessas revelações podeistirar proveito para vos melhorardes. Aliás, estudando o vossopresente, podeis vós mesmos deduzir o vosso passado." Os espíritos a quem Allan Kardec interrogou sobre o conhe-cimento das existências passadas são bastante claros em afirmar queas revelações sobre o nosso passado encarnatório podem ser pro-veitosas para o melhoramento do ser humano. Na descoberta dasvantagens de se conhecer nossas vidas passadas com fins de de-senvolvimento pessoal e espiritual, Kardec foi inegavelmente umprecursor. É bem conhecido que o nome “Allan Kardec” é um pseu-dônimo de uma das existências prévias de Hepolite Leon DenizardRivail, quando ele foi um druida. Mas voltando aos magnetizadores, não há como negar, a-pesar de considerarmos o trabalho de Colavida como o de um pre-cursor, que as experiências conduzidas pelo Coronel francês EugèneAuguste Albert de Rochas dAiglun, ou apenas Albert de Rochas, sãobem mais robustas e consistentes. Elas foram registradas no clássico“As Vidas Sucessivas”, a primeira obra a tratar especificamente dasrecordações de vidas passadas ativadas pelo sono magnético outranse hipnótico. Rochas era administrador-chefe da École Polytechnique deParis, mas acabou tendo de renunciar a esse cargo por conta do seujá bem conhecido interesse nas ciências ocultas. Rochas foi umpesquisador dos fenômenos psíquicos e possui várias obras dedica-das a esses temas, escritas entre 1880 a 1913. Dentre as mais im- 53
  • 54. portantes destacamos: “A Levitação”; “Os Estados Profundos deHipnose”; “A Exteriorização da Sensibilidade”, dentre várias outras.Rochas também escreveu dezenas de artigos científicos em suaépoca. Estudou sobretudo a exteriorização da sensibilidade e o des-dobramento do corpo astral. Foi o primeiro a realizar estudos siste-máticos e devidamente catálogos sobre a regressão de memória avidas passadas no ano de 1893. O trabalho de Rochas provocou boa impressão entre os te-osofistas de sua época, em especial o também Coronel Olcott, que foico-fundador e presidente da Sociedade Teosófica. Olcott era adeptoda doutrina espírita, mas depois de conhecer Helena Blavatsky pas-sou a endossar e pesquisar a Teosofia e as tradições antigas, alémde se converter ao Budismo. Quando Olcott visitou Rochas ficoupositivamente surpreso com seus experimentos. Diferente de Olcott,parece que a maioria dos teosofistas pouco reconheceram o trabalhode Rochas, talvez por que Rochas conduzira seus experimentos deuma forma empírica ao invés de buscar em fontes revelatórias, iniciá-ticas e tradicionais como fazia a Teosofia. Uma das poucas divergências diz respeito ao espaço entre-vidas. Rochas descobrira com seus sujeitos que o período que a almapassa nos planos invisíveis é bem menor do que o apregoado pelosteosofistas antigos. Outra divergência era a respeito do uso do mag-netismo e a hipnose para se colocar pessoas em transe. Essa res-salva também é feita nos dias de hoje pela TVP. É preferível a utiliza-ção de métodos não sugestivos, menos propensos a deixar a pessoasubmissa e dependente do hipnotizador. Essa crítica só peca no quediz respeito a influência do hipnotizador no conteúdo da regressão.Segundo defendem alguns, o hipnotizar poderia influenciar o que apessoa sente e vê com algumas sugestões. Dentro da TVP podemosdizer que é muito difícil existir essa influência, principalmente quandoa pessoa entra na consciência elíptica, como afirma Tendam. Emminha própria experiência, sempre que faço uma pergunta que nãoprocede com a visão do remigrante, de pronto recebo a resposta“não, não é isso que vejo”. Se fosse possível toda essa influência,pessoas em regressão estariam sempre fadadas a responder “sim” aqualquer pergunta que o terapeuta fizesse sobre o conteúdo experi-mentado. Muito raramente acontece de se encontrar um indivíduo quesempre corrobore com o que o terapeuta lhe pergunta. No caso deisso ocorrer, devemos sempre estar atentos para a possibilidade deque a fantasia possa estar presente. Outro teosofista que admitiu o valor da obra de Rochas foiVan Ginkel. Esse autor, em 1917, fez uma previsão que se concreti-zou quando afirmou que a regressão se tornaria, no futuro, um mé-todo para se recordar vidas passadas. De qualquer forma, tantoRochas quanto a Teosofia chegam a conclusões parecidas comrelação a alguns temas, mesmo que por caminhos distintos. Além das vidas passadas, Rochas foi mais longe e pesqui-sou igualmente a progressão ao futuro ou a vidas futuras, que elechamou de “previsão”. Foi a partir das experiências desse pesquisa- 54
  • 55. dor psíquico que a reencarnação começou a ser considerada uma leinatural passível de verificação direta. Foi a primeira sistematização dahistória da regressão de memória a vidas passadas, mas que aindanão continha o componente terapêutico, tão valorizado nos dias dehoje pelos terapeutas de regressão. O viés terapêutico da regressãosó viria mais de 60 anos depois com a publicação do livro de MorrisNetherton. Ao que tudo indica, a descoberta das reminiscências devidas passadas se deram por acaso, assim como em outras experi-ências, sem a intenção do coronel de testar essa hipótese. O método utilizado por Rochas era o mesmo dos outrosmagnetizadores: ele aplicava passes longitudinais de cima parabaixo, e mantinha a mão direita sobre a cabeça do sujet (do sujeito daexperiência). Rochas definia cinco níveis de transe: 1) Vigília; 2)sonambulismo (aumenta da sugestionabilidade e insensibilidade dapele); 3) Rapport (Percebe apenas o magnetizador e mais ninguém;sensação de bem estar; exteriorização da sensibilidade e visões de“eflúvios exteriores”; 4) Simpatia ao contato (aumento da exterioriza-ção da sensibilidade com sensações do magnetizador; sensibilidadecutânea se anula; amnésia pós-sessão) e 5) Simpatia à distância:Neste estado, o sujet desperta para uma percepção do que pareceser o seu corpo espiritual, duplo etérico ou perispírito, contendo umacoluna nebulosa azul e outra vermelha. Ambas ligam-se ao corpo poruma espécie de cordão umbilical (cordão de prata?). Essa estruturasutil possui a tendência à elevar-se ou expandir-se até certa altura.Passes transversais conduzem o sujet de volta ao corpo físico. Alémdisso, capta as sensações dos magnetizados; visão dos órgãos inter-nos; só reconhece ele e o magnetizador. Rochas contribuiu de forma considerável para a classifica-ção dos níveis de transe com suas pesquisas. O autor também expõealgumas pesquisas onde os sujets, em estado de magnetização,exteriorizam seu corpo astral e podem moldá-lo da forma que quise-rem. Ele percebeu que o corpo astral é uma reprodução do corpofísico. A sensibilização do corpo astral pôde ser verificada nas experi-ências com a médium Eugénie que, com os olhos fechados, indicadacom precisão o ponto onde o Dr. Bordier (que acompanhou algumasexperiências de Rochas) tocava acima de seu corpo, sem tocar a suapele. As experiências de Rochas com regressão de memória fo-ram feitas em 19 pessoas. Quando iniciou, ele desconhecia o trabalhode outros magnetizadores que haviam reproduzido experiênciasanálogas. Sobre a probabilidade do fenômeno ser falso, Rochaslembra que, apesar das noções arraigadas de inferno, céu e purgató-rio estarem impregnadas pelos quatro cantos da Europa, nenhum dosseus sujets os mencionou no período entre uma vida e outra. Seriabastante natural acreditar que, se as pessoas estivessem inventandohistórias, seu enredo deveria corresponder às crenças centrais de suaformação e cultura. Rochas acrescenta que as informações passadas pelos su-jeitos em regressão podiam, algumas vezes ser verificadas. O que se 55
  • 56. experimentava do passado da vida atual era muitas vezes passível deverificação e confirmava a autenticidade da experiência regressiva.“Tem-se podido reconhecer – diz o Coronel de Rochas – que asrecordações assim avivadas eram exatas e que os sujets tomavamsucessivamente as personalidades correspondentes à sua idade.”Podemos deduzir que, como já aludimos, se as informações sobre opassado de sua vida atual eram exatas, por que haveriam os sujeitosde, após transpor o limiar da vida intra-uterina, começariam um pro-cesso misterioso de fantasias com supostas vidas passadas? Esta-mos pensando em termos de 1893, 94, 95, 96... e um pouco depois,onde a crença na reencarnação era praticamente inexistente noocidente para a população em geral. Rochas lembra que o carátersomático da experiência também é um componente importante queindica serem estas experiências reais e não produto da fantasia:Como ele próprio diz numa artigo escrito para a Revista Espírita: ―setem plena certeza da sua boa-fé e de que as suas revelações sãoacompanhadas de característicos somáticos que parecem provar, demaneira absoluta, a sua realidade‖. Alguns pesquisadores sucederam o trabalho de Rochas,como o sueco John Bjorkhem e o psiquiatra inglês Alexander Cannon.Era também hipnotizador e ocultista. Cannon ficou muito conhecidopelas experiências que fez com regressão a vidas passadas, porémcom um diferencial muito importante: possuía nove títulos universitá-rios e gozava de prestígio acadêmico. Recebeu o título de mestre edoutor, além de PHD. Apesar disso, escreveu livros de cunho ocul-tista e de hipnose e se notabilizou nestas áreas no início do séculoXX. Durante anos foi praticante de disciplinas psicoespirituaisdo oriente, tendo viajado à Índia, China e Tibet. Escreveu livros como“Hypnotism, Suggestion and Faith Healing (1932)”, “The InvisibleInfluence (1933)”, “The Power of Karma in Relation to Destiny (1936)”,“Sleeping Through Space (1938)”, “The Power Within (1953)”, dentreoutros. No livro The Invisible Influence Cannon escreve seus diálogoscom mestres orientais, yogues, místicos e sábios. Ao longo de suavida, Cannon realizou regressões em nada mais nada menos do quequase 1.400 voluntários. Inicialmente Cannon não endossava a reen-carnação, mas após tantas pesquisas ele acabou por concluir que areencarnação é um fato natural. Sobre a psicanálise, muito em vogaem sua época, ele chegou a dizer que “A maioria das pessoas não sebeneficia da psicanálise porque o trauma não reside nesta vida, masem uma existência passada”. Não sem resistência, Cannon terminou por endossar a teo-ria da reencarnação após amplas e exaustivas pesquisas. Ele chegaa admitir que a reencarnação inicialmente foi como um pesadelo paraele, mas posteriormente acabou por aceita-la pela força das evidên-cias: ―Durante muitos anos, a teoria da reencarnação foi um pesadelopara mim; eu me esforcei ao máximo para invalidá-la, chegando atémesmo a discutir com os meus pacientes em transe dizendo que elesestavam dizendo tolices. Todavia, com o decorrer dos anos, um 56
  • 57. paciente após outro me contava a mesma história a despeito dasdiferentes e variadas crenças. Agora, mais de 1.000 casos foraminvestigados e eu tenho de admitir que a reencarnação existe.‖ Depois de Cannon, um autor muito controvertido começariaa enveredar pelos caminhos da regressão de memória a vidas passa-das, já pensando nos termos de um viés terapêutico. Ele é conside-rado o pai da Cientologia e da Dianética (que é uma sudisciplina daCientologia). Uma boa parte das proposições da Cientologia é consi-derada especulativa, de caráter supostamente revelatório, além de tera Cientologia toda uma organização com características de seita quecultiva dogmas e faz proselitismo. Infelizmente, ela é vista hoje comouma instituição que cobra altos valores financeiros de seus membrospela participação em suas atividades espirituais. A despeito das críticas, Hubbard teria sido um dos pioneirosna arte de cura pela regressão de memória a vidas passadas. Se-gundo Tendam, seu trabalho merece ser lido, mas é preciso cuidadona apreciação de certas ideias e fatos expostos, pois há exagero nadescrição dos procedimentos. De qualquer forma, o estudioso podeencontrar algumas demonstrações sobre a aplicação de técnicas emtraumas passados, dessa e de outras vidas. Hubbard chamou essaslembranças arraigadas traumáticas de engramas. A técnica utilizada para o tratamento dos engramas é cha-mada de “Auditing” (literalmente “auditoria”). Uma técnica de escutadas causas oriundas dos traumas. Essa é uma técnica de aconse-lhamento, ou uma técnica terapêutica que visa remontar a fasesanteriores em busca de traumas não elaborados. Em 1958, Hubbardafirmou, baseado em estimativas de sua própria prática de auditoria,que a regressão a vidas passadas era responsável pela melhora dospacientes em 82% dos casos. Tendam, no Panorama da Reencarna-ção 2, afirma ter chegado a números semelhantes, em torno de 80%dos remigrantes melhoraram consideravelmente. Hubbard dividiu a consciência em duas instâncias princi-pais: a mente analítica, nossa mente de vigília objetiva; e a “mentereativa”, algo semelhante ao inconsciente freudiano. É na mentereativa onde residem os traumas, os mecanismos de defesa, sensa-ções negativas, dores, impressões latentes, etc. O objetivo do audi-ting é eliminar os engramas contidos na mente reativa para transfor-mar a pessoa no que Hubbard chamou de clear (em inglês “claro”). Oclear é um indivíduo que conseguiu transformar a maioria ou mesmoa totalidade dos seus engramas e não possuiria mais a mente reativa. Esses procedimentos foram inicialmente reconhecidos co-mo o princípio de uma nova abordagem psicoterápica profunda, mascom o tempo, infelizmente, foram tomando uma direção mais religio-sa, o que descaracterizou sua função terapêutica e deu um rumo pordemais ortodoxo em sua aplicação. Apesar de tantos percalços,algumas ideias de Hubbard são muito semelhantes às ideias queforam posteriormente desenvolvidas na Terapia de Regressão e nãose pode negar o papel pioneiro que ele desempenhou. 57
  • 58. Em 1952, o empresário e hipnotizador norte-americano Mo-rey Berstein tornaria a regressão a vidas passadas pela primeiraconhecida do público. Essa maciça popularização ocorreu após adivulgação de um caso de regressão conhecido como o “caso BrideyMurphy”. Bridey Murphy teria sido o nome de uma das vidas passa-das de Virginia Burns Tighe, uma pessoa simples, dona de casa queresidia no Colorado, EUA. O impacto do caso Bridey Murphy foi com-parado ao caso das Irmãs Fox: o que as irmãs Fox representarampara o surgimento do moderno Espiritismo ou Espiritualismo, BrideyMurphy representa para a Terapia de Vidas Passadas em termos dedivulgação e clamor popular. Berstein contou que inspirou sua pesquisa com Bridey Mur-phy na obra de Alexander Cannon. Durante as sessões de regressão,Berstein fez Virginia regredir até a infância, o que ocorreu. Posterior-mente, arriscou-se a ir além e pediu que ela fosse ainda mais longeem seu passado. Foi então que Virginia começou a se ver comoBridey Murphy, a filha de um advogado irlandês do século XVIII.Virginia lembrou-se de vários detalhes dessa vida, inclusive o bairroem que viveu, o nome do irmão, o nome de sua professora, do ma-rido, até do padre que fizeram seu casamento. Além disso, depois de um tempo ela começaria a falar comsotaque irlandês e uma entonação de voz diferente da habitual. Asessão foi muito rica em informações sobre a cultura da Irlanda e suahistória, e o mais importante: tudo era passível de ser verificado.Bridey chegou a contar estórias sobre a cultura local, a cantar e atédançar. No relato, Berstein conta que Bridey chegava até mesmo aexplicar algumas palavras em irlandês quando ele não as compreen-dia, idioma que Virginia jamais estudara. Virginia seria a vida seguintede Bridey Murphy, com um período intermissivo (espaço entre umavida e outra) de 59 anos. Sob Hipnose, Bridey (Virginia) desenhou omapa de onde morava e os arredores. Um episódio teria modificadoprofundamente a sua vida: certo dia ela caiu da escada de sua resi-dência em Belfast e quebrou o quadril. A partir desse dia, ela come-çou a sentir-se “um fardo”, disse que “começou a definhar” e se sentiu“deprimida”. Essa já era uma repercussão de vida passada que Bers-tein poderia ter tratado, mas provavelmente não o fez, pois o objetivoainda não era terapêutico. Após a publicação do livro, a história foi aclamada mundi-almente; jornais e revistas falaram sobre ela; um filme buscou retrataro caso em sua trama. O público ficou maravilhado com recordaçõestão impressionantes, e logo milhares de pessoas procurariam assessões de hipnose para tentar conhecer suas próprias vidas passa-das. Bernstein é considerado o grande responsável pela divulgaçãoda hipnose regressiva a vidas passadas nas décadas de 50 e 60. Olivro Céticos e religiosos ortodoxos procuraram de todas as for-mas questionar o caso Bridey Murphy. É certo que a vida monótonade Virginia tornava bastante difícil a tentativa de explicar a riquíssimagama de informações transmitida por uma dona de casa simples e 58
  • 59. com pouquíssima instrução. Por outro lado, é também verdade que asinvestigações levadas a cabo para verificar as informações encontra-ram alguns erros, o que é natural em qualquer caso que se vá inves-tigar. Acreditar que 100% de todas as informações devem ser com-pletamente reais é um contra-senso. Mas de uma forma geral, inves-tigações realizadas demonstraram que a maioria das lembrançaseram surpreendentemente exatas. Tanto é assim que Berstein foiacusado de fraudar os dados para ganhar dinheiro vendendo oslivros. Isso nos faz pensar que, se não for fraude, a regressão trouxedados muito convincentes e que só poderiam ser questionados pelahipótese da fraude. Ainda na década de 50, mais precisamente em 1955, surgeoutro livro, além da obra de Hubbard, que expõe casos de vidaspassadas relacionados a aspectos terapêuticos. Esse livro é ―Psiqui-atria em Face da Reencarnação‖ do psiquiatra espírita brasileiroInácio Ferreira. Porém, Inácio não utilizou a regressão de memória nopróprio atendido, mas em médiuns de seu grupo. Os médiuns deInácio Ferreira conseguiram identificar 11 casos em que as vidaspassadas causam repercussões psíquicas diversas na vida atual.Trata-se de uma obra de muita relevância para os estudiosos doassunto. O autor faz uma análise da lei de causa e efeito dentro docontexto dos problemas psiquiátricos e como essas reminiscênciasatravessam de uma vida a outra. Sobre as repercussões de vidas passadas, Ferreira diz que―Lembranças estereotipadas se armazenam em nosso perispírito,representando impulsos bons ou maus e que se revelam a cadapasso na vida presente, à proporção que os acontecimentos quotidia-nos, quais clarões passageiros, iluminam o passado, deixando-nosantever as passagens que ficaram impressas em nossa imaginação,passagens que marcaram acontecimentos primordiais em nossamarcha evolutiva‖. Assim como outros pesquisadores ligados aoEspiritismo, Ferreira deduz que as repercussões de vidas passadasficam armazenadas no perispírito, e assim seguem de uma vida aoutra em forma de impulsos e tendências inconscientes. Já na década de 60, um dos maiores personagens a se de-dicar a regressão terapêutica foi o psiquiatra britânico Denys Kelsey.Utilizando-se da hipnose, Kelsey começou a conduzir seus clientes avivenciar aquilo que pareciam ser existências anteriores ao nasci-mento atual. Já no início de sua carreira, seus estudos o levaram aconclusão de que há um componente no ser humano que não éapenas físico. Em 1948, Kelsey teve o primeiro contato com a hip-nose de uma forma espontânea. Exercendo a profissão de médiconum grande hospital militar, uma epidemia de influenza infectou todoo hospital. Esse episódio, segundo o próprio Kelsey conta em seu livro―Nossas Vidas Anteriores‖ foi responsável por uma mudança radicalno curso de toda a sua vida. Ele foi então convocado às pressas parasedar um paciente que havia se tornado agressivo subitamente.Kelsey então se sentou ao lado do doente e começou a conversar 59
  • 60. com ele usando um tom de voz suave e tranqüilizador. Kelsey nemimaginava que estaria usando uma das técnicas reconhecidas e maisaplicadas da Hipnose. Deduziu então que, caso fizesse o pacientemanter seu foco de atenção em algo externo, talvez ele se tornassemenos agitado ao pensar apenas em suas angústias interiores. Kel-sey então pediu ao homem que se concentrasse numa luz suave noteto e que diminuísse o ritmo de sua respiração. Depois ponderou queele deveria estar cansado e que poderia dormir um pouco. Imedi-atamente o homem fechou os olhos e aparentemente estava dor-mindo, mas na verdade era um “sono” diferente do habitual e Kelseyconsiderou que poderia tê-lo hipnotizado. Já que a técnica haviasurtido efeito e acalmado o homem, o diretor do hospital deu suapermissão para que essa técnica fosse usada novamente, e maisuma vez o hipnotizador natural havia conseguido sucesso em suatentativa. A partir de então Kelsey começou a praticar a hipnose e es-tudar a respeito. Ele afirma que a hipnose é muito importante napsiquiatria, pois ―permite ao médico trazer à tona material do incons-ciente do paciente com uma rapidez muito maior do que seria nor-malmente possível‖. Sobre a técnica de regressão, Kelsey afirma que ―costumousar essa técnica quando um paciente expressa sentimentos queparecem, de forma gritante, não ter relacionamento com o aconteci-mento que descreve, pois quase sempre é uma indicação de queexiste um significado especial para ele, além do simples valor apa-rente‖. Nesse sentido, Kelsey procura atos, ideias, ou comportamen-tos que estão em desproporção com os fatos atuais, e considera quenessa lacuna reside uma possível ligação com um passado queinterfere no presente trazendo conteúdos fora do contexto atual. Issoserve para a vida atual, mas principalmente para as vidas passadas.Quase 20 anos depois Morris Netherton iria tomar essa ideia comobase para o desenvolvimento de sua própria técnica e sistema. Denis Kelsey casou-se com a romancista inglesa JoanGrant e juntos escreveram livros, fizeram atendimentos e teorizaramsobre vários aspectos da hipnose regressiva a vidas passadas. Den-tre os conceitos inovadores que criaram, encontramos a denominaçãode “memória distante” que visava caracterizar as memórias que tive-ram origem antes da formação do cérebro físico, ou que não perten-ciam à vida atual. Os autores começaram a observar que seus clien-tes relatavam abertamente sobre eventos ocorridos antes da gesta-ção da estrutura cerebral, onde sequer havia possibilidade de reten-ção de memórias. Daí surgiu a ideia de que existiria uma memóriaque se situa além do cérebro e que pode sobreviver a este. JoanGrant foi uma grande vidente de sua época e descreveu visões desuas vidas passadas em estórias recheadas de detalhes. Infeliz-mente, os livros de Kelsey não dão exemplos de casos clínicos, o queajudaria a situar a contribuição de Kelsey dentro da TVP e ajudaria ainferir quão longe ele foi em suas descobertas precoces e em seupioneirismo. De qualquer forma, o outro livro de Kelsey, editado pos- 60
  • 61. tumamente em outros países, mas não no Brasil, dá alguns exemplosde sessões, segundo Tendam. História Recente Apesar de Kelsey ter sido o primeiro a trabalhar profissio-nalmente com a regressão a vidas passadas em consultório, a siste-matização dessa nova abordagem emergente só surgiu alguns anosdepois. O primeiro livro de TVP lançado e que define toda a metodo-logia e a sistemática dessa abordagem foi a obra clássica do psicó-logo clínico Morris Netherton. Falaremos mais detalhadamente sobreNetherton neste Tratado. E por se tratar de fatos mais atuais e co-nhecidos, daremos apenas informações gerais sobre o homem e suaobra. Netherton lançou seu livro sobre TVP em 1978. O livro se cha-ma Vida Passada: uma abordagem psicoterápica (em inglês: Past-Lives Therapy). Esta obra foi traduzida para vários idiomas e se tornou co-nhecida no mundo inteiro como o primeiro livro a apresentar a reen-carnação como fato passível de reprodução e estudo em consultóriovisando o alívio de sintomas. Ele conta a história da descoberta desua própria encarnação passada, descreve seu método de regressão,aborda a teoria e conta vários casos clínicos. O autor fala ainda sobresuas pesquisas com a fase pré-natal, o nascimento físico, a experiên-cia da morte e o espaço entre uma vida e outra. Nem seria preciso dizer que a obra de Netherton é leituraobrigatória nos cursos de formação de terapeutas de regressão. Atémesmo leigos no assunto podem muito se beneficiar com a leituradesse livro inovador. Falaremos também sobre a metodologia utili-zada por Netherton, portanto, não é necessário mencioná-la aqui. Osinteressados poderão ler sobre ela no capítulo sobre as técnicas deindução, mais especificamente na técnica de “Verbalização e Repe-tição do Conteúdo”, onde é descrito com detalhes a técnica utilizadapor Netherton. Outra grande precursora, que começou a pesquisar a re-gressão terapêutica a vidas passadas quase ao mesmo tempo queNetherton foi a doutora em Psicologia Edith Fiore. Essa autora rec e-beu uma educação psicológica clássica, com toda a rigidez dos pa-râmetros científicos de sua época, além de ter pertencido a escolasprotestantes as quais concluiu sua educação básica. Apesar dessaformação ortodoxa, tanto científica como religiosa, Fiore acabouenveredando por caminhos essencialmente espirituais e alternativos,principalmente após a publicação do seu livro “Possessão Espiritual”,no qual aborda teoria e casos de obsessão ou possessão espiritualrelatados por seus clientes durante o transe hipnótico e a regressãode memória. No início de sua vida, Fiore era uma religiosa fervorosa: a-creditava em Deus e seguia uma religião. Anos depois conheceu oagnosticismo e sentiu-se inclinada a seguir por este caminho. Conhe-ceu a obra de Freud e tinha plena convicção que o gradual desenvol- 61
  • 62. vimento do ser humano passava necessariamente pela investigaçãodo seu inconsciente. Porém, notou que o tratamento psicanalítico erademasiadamente longo e caro, e começou a buscar meios maisrápidos de acesso ao material psíquico oculto. Foi nesse momentoque iniciou seus estudos com hipnose como forma de atalho ao sub-consciente, participando de seminários e demonstrações. Ensinoualgumas técnicas de autohipnose a seus pacientes, que deram bonsresultados e convenceram-na a investir mais tempo no estudo da Hip-nose. Os resultados com a nova técnica aplicada em seus pacientesforam bastante animadores, Fiore chegou a dizer que “Repensandoalguns dos meus casos complexos, vi que aquilo que no passadolevara anos a curar era muitas vezes resolvido numa questão demeses ou semanas‖. Fiore começou a se utilizar da hipnose regressiva nos seuspacientes de psicanálise. Ela conta que os levava a ingressar nosacontecimentos passados de sua vida, e em muitos casos percebeuque seus problemas remontavam os primeiros anos de vida, e aconsequência dessa regressão mental ao passado era simplesmentea remissão dos sintomas. Depois Fiore foi ainda mais longe, e emalguns casos enviava seus pacientes aos estágios iniciais de suainfância, aos primeiros meses de vida, e até mesmo ao momento donascimento físico. A autora explica que, muitas vezes, o nascimento éa chave do problema, pois ―deixava frequentemente a pessoa comum sentimento de culpa, de que não era desejada e, por vezes, pro-duzia sintomas físicos durante toda a vida, tal como dores de cabeçaregulares. Gradualmente fui retrocedendo mais, descobrindo proble-mas emocionais surgidos naqueles meses de suposto recolhimentono útero‖. Finalmente a autora conseguiu romper o limiar entre umavida e outra. Foi quando pediu a um de seus clientes que, durante oestado alterado de consciência, buscasse a origem do seu problema.Nesse momento, o cliente relatou o seguinte: ―Há duas ou três vidas,fui um padre católico‖. Fiore se surpreendeu com a resposta. Eleacrescenta que: ―Percorremos a sua vida no século XVII, observandoas suas atitudes sexuais como padre italiano, e encontramos a fontedas suas dificuldades sexuais‖. Fiore recebeu outro sujeito que regre-diu a vidas passadas. Esse homem tinha dois sintomas e viu algumasvidas passadas: ―O primeiro [sintoma] era o forte e perigoso impulsoque sentia para se atirar pela borda fora; o outro, paradoxalmente, eraum medo irracional de se perder no mar. Sob hipnose viu-se comoum garoto norueguês, Sven, no barco de seu pai, sendo intimado asaltar quando o barco se desfazia contra as rochas. Desobedeceu aopai e morreu afogado. Durante a mesma sessão viu-se em duasoutras vidas, uma como pescador e outra como marinheiro - ambosperdidos no mar, possivelmente afogados. Quando se libertou dahipnose exclamou que já compreendia tanto a sua fascinação pelomar como a origem dos seus sintomas‖. Apesar de Fiore ter a impres-são de que esses dois casos eram apenas uma fantasia, pois ambosacreditavam na reencarnação, tanto um como outro relataram uma 62
  • 63. melhora quase total nos sintomas. O homem chegou a relatar remis-são completa dos dois sintomas. Depois disso, Fiore tratou mais uma pessoa, mas dessavez, para a surpresa paciente não possuía qualquer crença na reen-carnação: ―Perguntei-lhe se tivera algum encontro com cobras antesde ter nascido. Ela viu-se como uma rapariguinha asteca de quinzeanos, em frente de uma pirâmide, observando os sacerdotes quedançavam com cobras venenosas na boca. Tremeu de emoção erelatou os rituais bizarros com vibrantes pormenores. De regresso aopresente, mas ainda profundamente hipnotizada, ficou espantadacom o que acabara de experimentar. Perguntou quem tinha sido.Estava bastante perturbada e declarou com veemência: ‗Não acreditoem nada disso!‘ Aqui estava uma pessoa que decididamente rejeitavaa reencarnação, mas que acabara de reviver uma vida ocorrida háquatrocentos anos‖. Depois dessa sessão, Fiore começou a levar um poucomais a sério a hipótese da reencarnação, embora tratasse a reencar-nação dessa forma, apenas como uma hipótese possível. Quando oinconsciente de uma pessoa apontava que o problema poderia tersua origem num passado remoto, Fiore fazia questão de investigaressas supostas lembranças e trabalhá-las terapeuticamente, pois, emsuas próprias palavras: ―Na realidade, se as vidas anteriores ‗revivi-das‘ são fantasias ou, pelo contrário, experiências reais vivida semépocas passadas, isso, como terapeuta, não me interessa — o impor-tante é obter resultados‖. Assim, Fiore começou a aperfeiçoar a técni-ca e a trabalhar mais especificamente com as vidas passadas. Edith Fiore escreveu dois grandes livros sobre Terapia deVidas Passadas. O primeiro é sua obra inicial, na qual ela lança asbases de sua prática com o livro ―Já Vivemos Antes‖ (em inglês ―YouHave Been Here Before‖) ou, em outra tradução ―Você já Viveu An-tes‖ de 1978, o mesmo ano em que Morris Netherton lançou o seuprimeiro livro. O seu segundo livro é ―Possessão Espiritual: uma psicote-rapeuta aponta o caminho para a descoberta e a cura da possessãoespiritual‖. Este também foi um livro revolucionário nos métodospsicoterapêuticos, pois definiu as estratégias centrais do tratamentodos pacientes em correlação com as presenças espirituais que osacompanhavam, ou energias intrusas: no popular, espíritos obsesso-res. Pela primeira vez, técnicas de psicoterapia e hipnose eram utili-zadas conjuntamente com uma abordagem espiritual que se propu-nha a tratar os espíritos presos à Terra. Outro livro muito interessante da autora, porém já mais dis-tante da TVP, é o livro - ainda não publicado na língua portuguesa -que trata da regressão de supostas abduções alienígenas. A obra é“Encounters: A Psychologist Reveals Case Studies of Adbuctions byExterrestrials‖. Apesar de ter lançado apenas três livros, Fiore serevelou uma autora bastante prolífica em suas ideias e, sem dúvida,uma pesquisadora com mentalidade além de sua época. Depois de 63
  • 64. descobrir a regressão a vidas passadas, Fiore chegou a treinar maisde mil terapeutas em sua técnica com o passar dos anos. Em 1968, um jovem psicólogo começara a realizar algunsexperimentos com a técnica da hipnose em leigos interessados notema. Thorwald Dethlefsen, psicólogo e ocultista alemão, não imagi-nava que essas pesquisas seriam o ponto de mutação de toda a vidae que transformariam radicalmente sua visão de mundo. Dethlefsenpediu a um dos seus pacientes, um engenheiro de mais ou menos 25anos que participava das experiências, que regredisse até a suainfância. O objetivo era de que ele pudesse experimentar seu próprionascimento. O engenheiro pôde ver e sentir seu o momento em quenasceu com bastante precisão, com mudança em sua voz e no ritmode sua respiração. Com o sucesso dessa empreitada, Dethlefsenpediu então a ele que regredisse ainda mais, a alguns meses antes,indo direto à fase intrauterina. O paciente pôde experimentar assensações de ser um feto em gestação. Nesta mesma noite, Dethlefsen quis saber um pouco mais,então pediu ao homem para retornar ainda mais no tempo, para ver oque ocorria. De repente, nas palavras de Dethlefsen, o homem ―co-meçou a respirar com dificuldade e, com a voz embargada, descreviasuas impressões e respondia às minhas perguntas. Configurou-se,então, a história de um homem chamado Guy Lafarge, nascido em1852, e que viveu na Alsácia, trabalhando como verdureiro, e morreuem 1880, como cavalariço‖. O jovem engenheiro contou a Dethlefsenque não se recordava de nada, apenas de que havia adormecidoprofundamente. Depois disso, repetiu essa mesma experiência comoutros sujeitos, e obteve resultados similares: pessoas envolvidasintensamente na experiência e relatando histórias do que parecia seroutra existência. Thorwald Dethlefsen escreveu seu primeiro livro sobre a re-gressão a vidas passadas em 1976, oito anos depois de sua primeiraexperiência com as vidas passadas. A obra se chama “Regressão aVidas Passadas como Método de Cura”. Este livro ficou muito conhe-cido na Alemanha, onde se criou toda uma escola terapêutica queficou conhecida como “Terapia da Reencarnação”. Fundou o “Institutopara a Psicologia Extraordinária” a fim de ensinar essa técnica erelacioná-la ao esoterismo, o qual era entusiasta e pesquisador.Dethlefsen é, sem dúvida, o maior nome da Terapia de Vidas Passa-das na Alemanha. O que há algumas décadas atrás alguns círculosesotéricos reservavam apenas a alguns eleitos, desde então se tor-nou de conhecimento público. Infelizmente, não foram poucos aque-les que se aproveitaram do sucesso da Terapia de Regressão a vidaspassadas para auferir lucro em detrimento da seriedade que umacondução regressiva exige. Na realidade, Thorwald Dethlefsen e Edith Fiore descobri-ram a regressão a vidas passadas dentro de um aspecto terapêuticoquase ao mesmo tempo que Netherton. Porém, esse autor é conside-rado o maior precursor por ter desenvolvido uma técnica própria que,pela primeira vez, dispensava a necessidade da hipnose de base 64
  • 65. sugestiva. Logo depois que esses três autores divulgaram suas o-bras, finalmente a terapia de vidas passadas pôde se estabelecercomo uma prática clínica independente, com uma teoria própria,técnica e metodologia específica. A partir daí surgiu o que hoje éconhecido como Terapia de Vidas Passadas. Outros autores que tiveram papel central no desenvolvi-mento da nova abordagem de regressão terapêutica a vidas passa-das foram Roger Woolger, um psicoterapeuta junguiano, autor do livro“As Várias Vidas da Alma”, seu livro principal, e também “HealingYour Past Lives”, ainda não traduzido para o português. Woolger,infelizmente, passou pela transição há alguns dias atrás, durante aelaboração deste livro. Outro grande escritor e terapeuta, presidentedo EARTH (European Association for Regression Therapy), é HansTendam, autor dos livros “Cura Profunda” e “Panorama sobre a Re-encarnação Volumes 1 e 2”. Tendam é autor do livro mais rico, infor-mativo, técnico e diversificado sobre terapia de vidas passadas, que éo “Cura Profunda”. Esse livro é a base essencial da Terapia de VidasPassadas dentro da prática clínica. Dentre outros autores de peso e que são parte indissociávelda História da TVP são: Dr. Winafred Blake Lucas, organizadora dolivro: “Regression Therapy: a Handbook for professionals”, outro livroriquíssimo com técnicas e teoria de treze autores de destaque. Infe-lizmente, este livro não foi publicado em língua portuguesa. Temostambém Raymond Moody, um dos principais pesquisadores dasEQMs (Experiências de Quase-Morte). Moody cunhou o termo EQM,e resolveu também pesquisar a Terapia de Vidas Passadas, che-gando a dedicar boa parte de seu tempo no atendimento terapêuticode casos de regressão. Seu livro ―Investigando Vidas Passadas‖ éleitura obrigatória para os interessados. Outro terapeuta importante,co-autor do livro “Vida Transição Vida” é Joel Whitton. Neste livro,Joel Whitton e Joe Fisher abordam sobre a terapia de vidas passadasdentro do estágio entrevidas. Autores como Bruce Goldberg, Michael Newton e BrianWeiss foram os maiores responsáveis pela divulgação da Terapia deVidas Passadas para o público. Neste quesito, o médico psiquiatraamericano Brian Weiss é destaque total. Seu livro “Muitas Vidas,Muitos Mestres” é o maior best-seller da TVP de todos os tempos.Graças a esse livro, que vendeu mais de dois milhões de cópiasapenas no Brasil, a TVP ficou conhecida mundialmente. Weiss teveseu primeiro contato com a regressão a vidas passadas na década de80 após hipnotizar uma de suas pacientes, a quem chamou de Cathe-rine. A moça sofria de ataques de ansiedade e fobias. A psicoterapiaclássica não estava surtindo efeito, então Weiss resolveu propor umasessão de hipnose. Aconteceu que Catherine reviveu uma vida pas-sada há 4.000 anos e se lembrou ter vivido uma existência no EgitoAntigo. Catherine também teve profundos contatos com mestresespirituais de luz, e essas experiências transformaram a visão demundo do autor para sempre. Weiss também escreveu outros livros eestudou a progressão a vidas futuras. 65
  • 66. Bruce Goldberg também contribuiu para a proliferação daTVP. Participou de diversos programas de TV e ficou conhecido dopúblico. Autor prolífico, Goldberg enveredou por diversas áreas, comovidas passadas, vidas futuras (Livro: “Vidas Passadas, Vidas Futu-ras”), espaço entrevidas, técnicas de morte consciente (Livro: “UmaTranquila Transição”), viajantes do tempo (Livros: “Time TravelersFrom Our Future”; “Time Traveler Confidencial: the apocalypse” e“Egypt”), quinta dimensão (livro: “Exploring de Fifth Dimension”),contatos com guias espirituais (Livro: Spirit Guide, viagens astrais(Livro: “Astral Voyages”), autohipnose (Livro: “Self-Hipnosis”), poderespsíquicos (“Unleash Your Psychic Powers”), dentre outros temas. Ohipnoterapeuta Michael Newton também é outro grande divulgador,porém não muito conhecido no Brasil, pois seus livros não foramvendidos em nosso país. Newton se especializou no estudo do perí-odo entrevidas e considera que a cura dos sintomas pode estar ligadoao trabalho com essa fase. Escreveu os livros “Journey of Souls”(1994); Destiny of Souls (2000); “Live Between Lives” (2004); “Memo-ries of the Afterlife” (2009). Outros autores que muito contribuíram para a história daTVP e sua constituição enquanto prática clínica são os autores Flo-rence Wagner McClain, que escreveu um manual muito interessantee prático sobre a TVP. Glenn Williston & Johnstone Judith que escre-veram o livro “Em Busca de Vidas Passadas” em 1983. Um livro muitointeressante para se iniciar. Além deles, podemos encontrar boasobras de referência nos autores Garrett Oppenheim, Dick Sutphen eTaylor Lauren (1987), Robert Jarmon, Shakuntala Modi, Rabia LynnClark (1995), Andy Tomlinson (2006), Werner Koch (1992), Jan-ErikSigdell (1993, 2006), Ulrich Kramer (2006), Marianne Carolus (2006). Os terapeutas iniciantes que seguirem pelos caminhos des-critos aqui estarão em boas mãos e terão, sem dúvida, um trabalhosério e consistente. Os interessados em geral na TVP e em suasfartas e promissoras possibilidades terapêuticas de autoconhecimentoe cura poderão estar dando um passo importantíssimo no rumo doseu desenvolvimento espiritual. 66
  • 67. Capítulo 2 As Leis naturais A Reencarnação Reencarnação é um termo considerado o grande pilar ex-plicativo, a principal hipótese da Terapia de Vidas Passadas. Reen-carnação significa literalmente “retorno à carne”. Processo pelo qual aalma vai tomando vários corpos por meio de uma sequência de nas-cimentos e mortes, até a libertação final daquilo que os orientaischamaram de ―roda de samsara‖: a roda da ilusão do mundo ou ciclodas encarnações sucessivas. Apesar da importância da reencarnação para a TVP, os te-rapeutas são unânimes em afirmar que o paciente não precisa acre-ditar em reencarnação para submeter-se ao processo. Além da teoria da reencarnação, existe a hipótese da me-tempsicose (falaremos dela à frente). Essa tese preconiza o retornoda vida humana à vida animal e vegetal. Um homem poderia, deacordo com essa hipótese, encarnar-se como sendo um animal edepois nascer novamente como homem. É importante dizer que aspesquisas com regressão não endossam essa teoria. A Metempsi-cose é comum no Budismo Tibetano, mas é possível que o sentido deseu ensinamento seja mais simbólico do que literal. Encontramos a doutrina da reencarnação em várias partesdiferentes do mundo, desde a Antiguidade até a Idade Contemporâ-nea. A reencarnação é, possivelmente, a crença mais difundida detoda a História. Na antiguidade, Orfeu, Pitágoras, Empédocles, Platãoe alguns gnósticos foram reencarnacionistas. Na modernidade, aTeosofia de Helena Blavatsky, o Espiritismo de Allan Kardec. NoOriente, o Hinduísmo desde o ano V A.C, após os primeiros Upani-shads e o Bhagavad Gita. Além da Yoga e do Jainismo, o Budismo(popular e tibetano) também é reencarnacionista. A Cabala, o esote-rismo judaico, também ensina a reencarnação. Platão fala claramente da reencarnação quando diz ―A almado homem é imortal e num momento chega ao fim – o que se chamade morte – para nascer outra vez em outro, sem nunca perecer…Compreendemos então que a Alma é imortal, que nasceu muitasvezes, que viu todas as coisas deste mundo e do Hades e que apren-deu todas as coisas, sem exceção; por isso, não é de se surpreenderque ela possa lembrar-se de tudo o que soube antes sobre a virtude eoutras coisas‖. Em nosso livro “Regressão e Espiritualidade‖ fizemos algu-mas observações sobre o significado do termo reencarnação: ―Apesardo termo ‗reencarnação‘ ter se tornado mais conhecido e popular, elenão expressa de forma exata a significação da lei que lhe dá suporte 67
  • 68. e existência. Reencarnar tem o sentido de ―retornar à carne‖, voltar aviver num corpo carnal. Porém a reencarnação, conforme admitidapor diversas tradições, inicia-se no mineral, vegetal, indo ao animal eao hominal, e indo além do hominal a reinos ainda desconhecidos,pois não existe qualquer limite para a evolução. Dessa forma, se areencarnação ocorre também nos dois primeiros reinos (mineral evegetal), não podemos falar em ―retorno à carne‖, pelo simples motivode que os minerais e os vegetais não possuem uma constituiçãocarnal. Dessa forma, talvez a ideia mais próxima da realidade doprocesso de nascimento e morte seja a noção não de ‗retorno àcarne‘, mas de ‗retorno à forma‘. Tudo o que existe na natureza ma-nifesta-se sucessiva e periodicamente através do retorno a diferentesformas. Outra ideia mais verossímil é o princípio dos ciclos e ritmos,no qual a alma vai oscilando suas manifestações dentro da dualidade,até atingir níveis mais elevados além da expressão dual. Assim, paraa melhor compreensão do processo, devemos sempre lembrar que setrata de um retorno à forma, à múltiplas e variadas formas em diver-sos níveis, dentro de uma variação cíclica. Falaremos mais sobre oprincípio do ritmo no próximo tópico. Por enquanto, vamos continuarutilizando o termo ―reencarnação‖, mesmo limitado em sua abrangên-cia, apenas por se tratar de um conceito mais corrente‖. O termo reencarnação não é suficiente para abranger todosos aspectos que a lei do renascimento sucessivo deveria abraçar. Porisso, a ideia mais completa não seria a da utilização de “retorno àcarne”, mas de “retorno à forma”. O que ocorre no renascimentosucessivo é a constante modificação das formas que revestem oprincípio espiritual. Citar apenas o retorno à carne nos parece seruma conceituação limitada dentro de uma perspectiva mais universal. A doutrina das vidas sucessivas dos seres é também cha-mada de palingenesia. Essa palavra contém os radicais gre-gos palin (de novo) e genesis (nascimento, começo). Reencarnaçãoou renascimento sucessivo é o princípio espiritual da vida que semanifesta em tudo o que existe. Desde o mineral, passando pelovegetal, até o animal, cruzando o reino humano e partindo daí parasua passagem ao reino transhumano, o reino angelical ou o reino dasalmas puras e mais evoluídas. Tendo em vista que tudo evolui, todasas coisas e seres progridem numa ascensão inexorável, a alma, aodesligar-se do envoltório físico, atravessando o limiar entre a vida e amorte, após uma estadia mais ou menos longa no plano espiritual,deverá retornar à matéria para outra experiência num corpo físico. Alei cósmica deve se cumprir, por isso a alma necessita nascer muitase muitas vezes, em corpos diferentes, sendo pessoas diferentes emépocas e geografias diferentes do planeta. Sem a reencarnação,renascimento sucessivo, palingenesia, ou outros nomes que se quei-ram chamar, tornar-se-ia quase impossível conceber o progressoindividual e coletivo, de povos e nações, ou a evolução geral dahumanidade. A vida humana praticamente estaria carente de umsentido amplo; não haveria esperança ou consolo possível; tudo seria 68
  • 69. impulsionado por uma maré de sorte ou azar; os acontecimentos nãoseriam ordenados, organizados ou harmônicos, tudo seria caótico,desordenado e sem significado. A reencarnação é uma lei natural. Ela será, mais cedo oumais tarde, absorvida oficialmente como um princípio, ideia ou leigeral do universo. No futuro, ela terá a mais ampla aceitação e nãopoderá mais ser negada. A ideia de que a alma faz uma transmigra-ção de um corpo a outro ao longo dos séculos será espalhada denorte a sul, de leste a oeste, e será ensinada nas escolas humanas,tal como hoje se ensina a Física e a Matemática. Apesar de ser um termo ainda incompleto, a reencarnaçãoé uma dessas palavras, um desses conceitos-chave que prometetransformar a visão de mundo da humanidade. A reencarnação podeexplicar todas as diferenças sociais, os privilégios de classe, as ten-dências humanas, as diferenças fisionômicas, os graus de inteli-gência, as habilidades e faculdades que emergem em terna idade.Pode explicar o motivo de pertencermos a uma família, as disputasentre as pessoas, as simpatias e as antipatias, as semelhanças depensamentos e modos de ser. O que diferencia os homens e os fazsuperiores e outros inferiores; os conflitos entre as nações, as guerrasentre países que devastaram milhões; a aparência, a beleza física, asmarcas de nascença, as deformidades orgânicas, as malformaçõesfísicas, as inclinações boas ou ruins, as aspirações, os desejos maisocultos do coração humano, os ideais e as tendências, tudo isso podeser perfeitamente explicado pela reencarnação e a lei do karma (quefalaremos adiante). A reencarnação se impõe naturalmente pela força de suasevidências e pela clareza das explicações. O ser humano pode retor-nar à Terra para refazer aquilo que não conseguiu completar numavida. A reencarnação sugere que a alma vive uma sucessão inin-terrupta de existências, até conquistar o desprendimento da ilusão domundo, o que os orientais chamaram de véu de maya. Com a reen-carnação, a alma vem habitar vários e vários corpos, tanto quantolhes seja necessário, a fim de romper os grilhões que os aprisionamna matéria planetária e no apego aos seus prazeres e desejos. Se onascimento físico é possível uma vez, não há motivo para considerá-lo impossível outras vezes. A reencarnação nos faculta consertarnuma vida os erros que cometemos em outras vidas; o que numaexistência ficou pendente, em outra pode ser reparada. Refazer asexperiências físicas é a forma mais pura que a inteligência divinaconcebeu para criar o fértil terreno da evolução espiritual. Em apenasuma vida seria impossível desenvolver-se, melhorar-se a aperfeiçoar-se a tal ponto para começar a compreender as obras de Deus e apercorrer a longa jornada da imortalidade. Todos nós sabemos que há, em nosso mundo, pessoas nosmais variados graus de adiantamento. Na vida planetária é possívelobservar a existência de pessoas nos mais diferentes níveis de men-talidade. Há homens e mulheres superiores e homens e mulheres 69
  • 70. inferiores, em moralidade e em conhecimento/sabedoria. De ondeviria as claras e evidentes diferenças e variações entre pessoas senão repousasse sobre as habilidades, talentos, desenvolvimento dequalidades diversas e aquisição de conhecimento se não fosse porvariados renascimentos neste planeta ou em outros planetas? Comoexplicar que, por um efeito inusitado do acaso, pela aleatoriedade dagenética, ou por fatores caóticos e sem nexo ou significado, um indi-víduo possa nascer com faculdades que vão muito além da médiacomum dos homens de sua época? Qualquer pessoa sensata, de bom grado, a de aventar aóbvia hipótese da existência de um mecanismo natural de desenvol-vimento que está oculto à vista e ao entendimento dos seres huma-nos deste planeta. Ao menos, esse princípio ainda permanece obs-curo a boa parte da humanidade atual, posto que uma parcela signifi-cativa das pessoas já incorporou em si o sagrado ensinamento dapalingenesia ou transmigração da alma. Nós trocamos de roupa inúmeras vezes, e continuaremosalternando nossa vestimenta corpórea até nos libertemos do cicloquase infindável das existências sucessivas. Essa roupagem podevariar sensivelmente conforme formos ascendendo em espírito e emverdade, ou seja, conforme nosso adiantamento espiritual. A cadaperíodo de mundo, cada ciclo cósmico, vamos revestindo corposmenos pesados e de menor densidade; a corporeidade dos veículosda consciência vai se tornando mais etérea e sutil, mas a lei do retor-no, e lei do renascimento cíclico é contínua e permanece regendo aexistência e os próximos passos da alma que se encontra em proces-so de despertar. A lei da reencarnação traz, pois, um suave e tonificante a-lento para um novo começo. Que esperança haveria para a humani-dade se não pudéssemos nos redimir de nossos erros e procurarfazer tudo diferente numa próxima oportunidade na Terra? Que pro-gresso, ou que evolução nos traria a vida humana e cósmica se oprocesso da existência e do aprendizado simplesmente fosse inter-rompido para sempre com a morte, sem nenhuma chance de ir alémdo que conquistamos em uma vida? Não teria mais oportunidade deacertar um indivíduo que nasceu num meio propício ao despertar desuas faculdades humanas? Não haveria menos probabilidade decrescimento um jovem pobre nascido nas condições mais precárias edegradantes que a espécie humana possa imaginar? O que dizer deindivíduos como Jesus, Buda, Krishna, Lao Tsé, Confúcio, Gandhi,Madre Tereza de Calcutá, São Francisco de Assis, e tantos outrosseres reluzentes que vieram a Terra? Onde teriam conquistado tam a-nha soma de talentos, inteligência e sabedoria, se não fosse por umaexperiência de dezenas, centenas ou mesmo milhares de vidas emais vidas onde gradualmente fossem aperfeiçoando-se até atingirum nível elevadíssimo de expressão do potencial humano? A vidadeve ter um significado, os seres humanos aspiram por algo superior.Em que repousaria esse desejo pela transcendência, pela superaçãode sua condição humana ordinária, se a alma não pudesse ir além, 70
  • 71. perseguir horizontes mais amplos, alcançar alturas mais sublimes oumesmo buscar uma proximidade mais íntima com a eternidade e oinfinito? Somente a ideia do renascimento nos proporciona a pers-pectiva para o melhoramento individual e coletivo da humanidade. A ideia da reencarnação não compactua com a ideia de queo homem é o resultado de forças materiais, orgânicas e sociais dasquais não detém nenhum poder e a reencarnação e o princípio decausa e efeito é a base disto. Não há acaso ou indeterminação. Coma reencarnação, tudo é regido por uma causa, tudo ocorre de acordocom um propósito; o mundo e as pessoas não são regidos pela sorteou pelo azar, ou mesmo por decretos divinos arbitrários e distantes deuma noção de justiça. Não há acidente nem fatalidade; nada é fortuitoou aleatório; há uma ordem inteligente regendo tudo, e na maioria dasvezes somos incapazes de entreve-la. Como disse Einstein ―Deusnão joga dados‖, a trama da vida contém leis que criam um arranjo decausas e efeitos a que os homens estão vinculados. Como diz oCaibalion ―O Acaso não existe. É apenas um nome dado a uma leinão reconhecida‖.Ceticismo sobre a Reencarnação: Muitas pessoas se negam ape-nas por uma ma interpretação do que ela é, ou por estarem rigida-mente aprisionadas em doutrinas dogmáticas e extremistas, quereforçam em seus adeptos o fanatismo e o exclusivismo diante daverdade. Outras pessoas podem até mesmo ter sofrido perseguiçõesreligiosas sérias em outras vidas, e nessa existência acabaram cri-ando um bloqueio a tudo o que diga respeito, ou a qualquer ensina-mento, fato ou ideia associada à crenças metafísicas, religiosas eespirituais. Por outro lado, algumas pessoas podem rejeitar a ideia dareencarnação por que supõem que viver várias vezes seria extrema-mente cansativo e sofrido. Essas pessoas pensam que, se uma vidaque tiveram já lhes causou tantos transtornos, que dirá retornar àTerra várias e várias vezes. Mas essas pessoas devem entender queessa ideia não faz sentido. Seria o mesmo que alguém recusar-se aexistir no dia seguinte, dado visto que, se o dia de hoje já foi muitocansativo, que dirá o dia de amanhã, e os dias seguintes, semanas,meses e anos. Se o dia anterior foi duro e sofrido, é possível criarmelhores condições para os dias vindouros, dado que o ser humanotem o poder de criar o seu céu e o seu inferno na Terra e que ambosexistem em sua consciência. A sabedoria divina é perfeita, e nosconcede as ferramentas necessárias para o enfrentamento das ad-versidades deste mundo. De uma vida a outra, a alma realiza ummerecido descanso; ela permanece suspensa e completamenterelaxada, recarregando suas energias após a morte. Por esse motivo,ela não sentirá cansaço de uma vida a outra. Da mesma forma quepodemos descansar a noite de um fatigante dia de trabalho, e ter aenergias renovadas no dia seguinte, de uma existência para outra,nossa alma pode renovar completamente suas possibilidades, de 71
  • 72. modo que ela sente-se incrivelmente bem, descansada e motivadapara recomeçar uma nova existência. Outro motivo da negação do princípio do renascimento re-pousa sobre a ideia de que, caso existisse a reencarnação, nós deve-ríamos nos lembrar de nossas vidas passadas. A isso devemos aler-tar que, apesar de não nos lembrarmos da maior parte dos nossosprimeiros anos de vida, não há dúvida de que eles ocorreram. Apesarde não nos recordarmos do momento de nosso nascimento, tambémé certo que ele aconteceu. Igualmente não nos recordamos do mo-mento em que estávamos no útero materno, mas ninguém duvida quetodos atravessam esse estágio de desenvolvimento. Por que nãoadmitir, ao menos por um instante, que vivemos antes do nascimento,por várias e várias vidas, e estamos aqui neste plano para aprender eevoluir? O que dizer a uma mãe que acabou assistir a morte de seuúnico filho, sem mencionar-lhe a respeito da vida após a morte, dareencarnação, da lei kármica e da evolução espiritual? Como consolaruma esposa que perdeu o companheiro que a acompanhava há trintaanos? Como se pode preencher o vazio que fica após uma cegueira,após a perda de um dos membros do corpo, ou mesmo após umadoença em estado terminal? Pode o materialismo fechar as chagasprofundas que ferem o espírito humano? Pessoas que creem nareencarnação e que nasceram paralíticos, cegos, surdos, deformadospodem melhor elaborar a sua condição passageira e olhar para ohorizonte com esperança? Pode o materialismo, que crê firmementenuma organização fortuita da matéria, no acaso, no fatalismo, conso-lar uma pessoa que está mergulhada num oceano de angústias esofrimentos? A reencarnação é a única ideia que traz uma possibili-dade de renovação do espírito humano.Grandes personalidades que acreditavam na reencarnação:Vamos citar algumas personalidades expressivas que acreditavam nareencarnação: Jesus (O Cristo, o Ungido, o Redentor, maior persona-lidade ocidental conhecida de todos os tempos), Buda (significa o“desperto” ou “o iluminado”; personalidade que inspirou a criação doBudismo), Krishna (o oitavo avatar de Vishnu, o inspirador do Bhaga-vad Gitá e figura central do Hinduísmo), Goethe, Lessing, GiordanoBruno, Platão, Pitágoras, Allan Kardec, Charles Fourier, Schope-nhauer, Frederico, o Grande, Goethe, Swedeborg, Gandhi, ImmanuelKant, William Blake, Schiller, Mazzini, Leon Tolstoi, Arthur ConanDoyle, Gustav Mahler, Henry Ford, General Paton, Aldous Huxley,Plotino, Orígenes, Tertuliano, Jâmblico, Pórfiro, Cícero, dentre muitosoutros. Existem alguns aspectos gerais a se considerar sobre a re-encarnação:A vida é uma só: Quando se fala em reencarnação ou Terapia deVidas Passadas é preciso sempre ter em mente que não existem 72
  • 73. várias e várias vidas, mas apenas uma única vida. Essa vida única éa vida do espírito. Apesar de o espírito revestir vários invólucros oucorpos físicos; apesar dele mudar constantemente de estados econdições, isso não implica na existência de múltiplas vidas, mas tãosomente vários fluxos diferentes, miríades de fases diferentes de ummesmo continuum temporal, que é a vida una do espírito. Quando sefala em reencarnação ou em vidas passadas, é preciso lembrar queisso é apenas uma representação para que nosso entendimentocapte melhor o sentido geral, mas não deve ser levado ao pé da letra.Responsabilidade pessoal: A lei do nascimento cíclico nos fazsenhores de nosso destino. Tudo o que nos acontece é o resultadode nossas ações em vidas passadas ou na vida atual. Isso representaum senso de responsabilidade total pelo que nos acontece. Tudo oque experimentamos na vida, sejam as alegrias ou tristezas, são ofruto de uma ação e uma escolha prévia.Assim, nossa existência não é determinada pelo acaso e tampoucopor decretos divinos arbitrários, mas sim regido por uma lei. Essa lei éa lei da reencarnação e a lei de causa e efeito. Não existe nenhumgrande administrador gerindo nosso destino: o que plantamos, nósmesmos colhemos. Isso significa que a qualquer momento podemosmudar o rumo de nossa vida, só depende de certo gradiente de esc o-lhas e ações corretas.Retorno não compulsivo: As pesquisas com a regressão a vidaspassadas mostram que é pequeno o número de pessoas que nascecontra a vontade. Porém, todas as pessoas são atraídas para a vidapela força de seus próprios desejos. Seja o desejo de sentir prazeressexuais, seja o desejo de ter sensações materiais, seja o desejo decomida, de bebida, de viciar-se em substâncias, em guerrear, etc. Odesejo é o pilar dos nascimentos e mortes; ele impulsiona o espírito aretornar ao mundo sensório para ter as experiências desejadas. Issoocorre também em decorrência da atração do magnetismo da Terra,que puxa os espíritos para suas proximidades por questões de afini-dade, simpatia e vibrações similares.Quando uma pessoa perde o desejo pela vida, isso não implica emdizer que aquele desejo está morto, completamente extinto. Ele podeestar adormecido e aguardando um corpo físico mais propício paraaparecer. Enquanto estamos no mundo, o desejo nos move para onascimento, a vida e a morte. Por esse motivo Buda disse que ―A dornasce do desejo‖.Tanto um fardo quanto uma benção: Dizem os mestres espirituaisque a reencarnação – e todo o cárcere que lhe é inerente – é tantoum peso, um fardo, uma prisão, quanto uma oportunidade de liberta-ção, aprendizado e evolução. Enquanto estamos encarnados, perma-necemos submetidos a todo tipo de provas, expiações, desafios,tribulações, sofrimentos, conflitos, transtornos, dor, perda, etc. Osliames do corpo físico são a maior fonte de prazer e também (e prin- 73
  • 74. cipalmente) de sofrimento e desespero. Percorremos a longa e tortu-osa jornada da existência a fim de dissipar todas as impurezas donosso ser e de atingir a libertação dos estados primitivos de existên-cia. É necessário vivenciar tudo isso, toda a dor e o sofrimento domundo, para se libertar do mundo. Por isso se diz que a reencarna-ção é tanto uma maldição quanto uma benção; tanto um fardo quantouma oportunidade de libertação. De acordo com Hans Tendam, há seis fontes modernas so-bre a reencarnação, são elas:Tradição Hinduísta antiga: Com a tradução dos textos hindus, aospoucos o Ocidente foi conhecendo as quase insondáveis profundezasda cultura e sabedoria Hinduísta. Tendam aponta duas visões sobre areencarnação na filosofia Hindu: 1) As almas são produzidas a partir do ser supremo. Ao longo do tempo, elas vão se distanciando do absoluto, perdendo sua memória e vivendo longa série de manifestações su- cessivas, na qual ficam limitadas, adormecidas, embotadas e confundidas pela ilusão. Porém, elas mantêm a natureza do absoluto em si mesmas, seu atman, ou centelha divina, o núcleo de toda a vida, que jamais as deixará. 2) As almas, ou jivas, iniciam sua jornada rumo ao absoluto desde as formas mais simples e primitivas às mais eleva- das, passando pelos reinos mineral, vegetal, animal e hu- mano, até atingir o estágio divino, o atman, que cada jiva já guarda encoberto e latente dentro de si mesmo, mas que não é ainda consciente.Espiritismo de Allan Kardec: Segundo a doutrina espírita, o espíritoencarna-se numa sucessão ininterrupta de vidas até atingir a perfei-ção. Cada existência traz a necessidade de enfrentar provas e expia-ções, para com isso obter adiantamento moral e espiritual. Vai evolu-indo de encarnação em encarnação, fazendo o bem, depurando-sedas imperfeições e aprendendo com os erros. Falaremos com maisdetalhes do Espiritismo no capítulo 3.Teosofia de Helena Blavatsky: A Teosofia propagou a reencarnaçãoem suas várias publicações. O trabalho de Blavatsky teve seguimentocom Leadbeater e Anie Besant, além de outros discípulos. A visão daTeosofia é direta, proveniente de insights e leitura dos campos ener-géticos através da clarividência ou expansão da consciência.Blavatsky teria escrito o seu célebre “A Doutrina Secreta” com a ajudados Mahatmas, ou Adeptos, seres de altíssima evolução. Diz o Glos-sário Teosófico: ―a Alma, o princípio vivo, o Ego ou a parte imortal dohomem, depois da morte do corpo em que residia, passa sucessiva-mente para outros corpos, de modo que para um mesmo indivíduo há 74
  • 75. uma pluralidade de existências ou, melhor dizendo, uma existênciaúnica de duração ilimitada, com períodos alternados de vida objetivae vida subjetiva, de atividade e repouso, comumente chamados de―vida‖ e ―morte‖, comparáveis de certo modo aos períodos de vigília ede sono da vida terrestre; cada uma dessas existências na Terra é,por assim dizer, um dia da Grande Vida Individual‖.Albert de Rochas: Hipnotizador francês que pesquisou muitos casosde recordação de vidas passadas através da Hipnose regressiva.Rochas foi o primeiro experimentador a pesquisar a fundo a recorda-ção de vidas passadas. Já em 1898 descobriu que seus sujeitos,quando colocados em transe, obtinham recordações da infância, donascimento e até do que pareciam ser outras existências físicas.Além de vidas passadas, Rochas descobriu que alguns indivíduostambém começavam a falar de vidas futuras. O trabalho de Rochasnão obteve tanto reconhecimento na época e suas pesquisas acaba-ram ficando um pouco esquecidas. De qualquer forma, ele é o pre-cursor da Terapia de Vidas Passadas.Edgar Cayce: Considerado por alguns como um dos maiores clarivi-dentes de todos os tempos. Além de revelar as vidas passadas e okarma das pessoas, prescrevia medicamentos com os olhos fecha-dos, previa eventos futuros e realizava outros prodígios. Cayce prati-camente nada escreveu, mas suas palestras e sessões compiladasrendem até hoje uma fonte quase inesgotável de conhecimentossobre a reencarnação, a lei de causa e efeito e outros ensinamentosespirituais. Vejamos algumas das maiores evidências da existência dareencarnação:Doenças e sintomas congênitos: Como explicar pessoas que nas-ceram com doenças ou sintomas congênitos e aliar isso a justiçadivina? Esses são doenças e fatores congênitos, ou seja, nascidoscom a pessoa, que causam uma série de transtornos ao longo de suavida. Por que algumas pessoas nascem com uma doença congênita eoutras nascem sadias? Qual seria a lógica que cria a doença empessoas logo no seu nascimento? Esse mecanismo da formação dedoenças, malformações e sintomas congênitos é perfeitamente expli-cado pela reencarnação. Muitos indivíduos nascem com uma patolo-gia de nascença em consequência de suas ações, traumas e esc o-lhas em vidas passadas.Sonhos repetidos: Os sonhos repetidos são resquícios de vidaspassadas que brotam à consciência quando a mente objetiva emestado de vigília se retira e a consciência fica mais livre para percor-rer todos os seus arquivos espirituais. Os sonhos repetidos revelamsituações e experiências de vidas passadas. As características des-ses sonhos são a vivacidade da experiência, a sucessão ordenada e 75
  • 76. coerente de acontecimentos e as relações íntimas entre o conteúdodo sonho e as situações da vida atual (o sonho explica muitas coisasque vivemos hoje, se encaixa muito bem na trama de nossa vidaatual).A genialidade, os meninos prodígio e as vocações: criançassuperdotadas que manifestam desde cedo uma incrível facilidade deaprendizado, inteligência e dons incomuns, sem o aprendizado e odesenvolvimento comumente necessário. De onde viriam certasideias inatas, certos talentos, algumas aptidões e habilidades senãode reminiscências de outras existências corporais? Algumas voca-ções precoces que são observadas em crianças em tenra idadedevem ter vindo, provavelmente, de um desenvolvimento anteriorprévio, realizado e muito bem assentado em outras encarnações,quando a alma teve tempo de treinar exaustivamente e de desenvol-ver-se em algum campo da instrumentalidade do conhecimento hu-mano.Marcas de nascença: É comum encontrar marcas de nascimento emcrianças ou adultos e estabelecer uma relação com uma vida pas-sada. De onde viriam certas marcas se não houvesse uma baseorgânica ou genética que justificasse seu aparecimento? Muitosestigmas, como sinais, manchas, vermelhidão, etc, só podem serexplicados satisfatoriamente com a hipótese da reencarnação.Traumas, fobias e outros sintomas psíquicos sem causa apa-rente: Esses são mais comuns do que se imagina. Muitos não pos-suem uma explicação orgânica na vida atual. Que dizer de pessoasque sentem dores fortes no estômago, sem que nenhuma anomaliaseja verificada após exames médicos? Que dizer de medos inexplicá-veis? Ou mesmo de fobias que chegam a atrapalhar consideravel-mente a vida de alguém, como por exemplo, a fobia social em indiví-duos que nunca passaram por situações traumáticas graves, vexató-rias ou humilhantes? Muitos sintomas físicos e psíquicos não sãoexplicáveis pela etiologia médica e, muitas vezes, têm sua origem emcircunstâncias que somente são encontradas se voltarmos nossosolhares a um período anterior ao nascimento.Afinidades e antipatias não explicadas: Pessoas que mal se co-nhecem, ou que acabaram de iniciar uma relação, expressam simpa-tias ou antipatias gratuitas, sem nenhuma causa aparente, sem queuma não tenha feito ou dito qualquer coisa hostil a outra. Que dizerdos casos do famoso “amor à primeira vista”? Ou da sensação extre-mamente comum de quando parece que conhecemos uma pessoa hámuito tempo, mesmo tendo a conhecido há alguns dias? Ou mesmoda repulsa involuntária que sentimos de alguém? Algumas dessasreações podem ser explicadas dentro de um padrão de similaridadede comportamentos e ideias, ou da energia emanada pelas pessoas, 76
  • 77. mas em outras situações podem vir de afetos ou desafetos provoca-dos por experiências pretéritas.Recordação de vidas passadas em crianças: As crianças se recor-dam com muita facilidade e naturalidade de suas vidas passadas. Hátodo um estudo relacionado à reencarnação em crianças. Durante asúltimas quatro décadas, pesquisadores como Ian Stevenson, Hemen-dra Banerjee e Jim Tucker coletaram dados de milhares de casos quesugerem a existência de memórias espontâneas de vidas passadasem crianças.Recordação de vidas passadas espontânea ou provocada (verRecordação de Vidas Passadas)O testemunho de sábios e videntes: Edgar Cayce é, provavel-mente, o maior vidente do mundo contemporâneo. Ele revelou umaquantidade de material imensa sobre vidas passadas de milhares depessoas ao longo de muitos anos. As visões de Cayce puderamlançar nova luz sobre a natureza da lei de causa e efeito e da reen-carnação, ajudando pesquisadores do mundo inteiro. Cayce eracapaz de entrar em estados de consciência elevados e ver clara-mente as vidas passadas de outras pessoas, além de fazer diagnósti-cos médicos e prescrever seus respectivos tratamentos. Outro exem-plo é Joan Grant, uma romancista e terapeuta de regressão queconsegue captar psiquicamente suas vidas passadas e as vidaspassadas de outras pessoas. Ela atribui sua capacidade ao desenvol-vimento realizado na época do antigo Egito, quando participou deexercícios psicoespirituais e despertou sua sensibilidade. Além deEdgar Cayce e Joan Grant, muitos videntes e místicos podem revelaras vidas passadas de outras pessoas e trazer esclarecimento sobre oprocesso do nascimento e morte, assim como as leis envolvidas.Para Tendam (1994) existem quatro níveis de encarnação:Natural: Consiste numa encarnação natural, ou seja, sem o consen-timento ou escolha consciente da alma. O espírito não faz planeja-mento de vida e sente-se apenas sendo “aspirado” ao útero materno.Isso pode ocorrer com espíritos que permaneceram longos períodospresos à Terra, obsedando pessoas, confusos, agindo instintivamentee apegados à condição humana e aos apetites da vida anterior.Educacional: Esse nível se relaciona com uma encarnação comdeterminadas metas kármicas a cumprir. Nesse sentido, há variadasobrigações de pendências deixadas em vidas pretéritas que precisamser trabalhadas durante a existência. Os espíritos anseiam por rece-ber aprendizado dentro de experiências e condições de vida que lhesensinem a se libertarem de suas imperfeições. Em outras situações,os espíritos desse nível têm uma encarnação compulsória e recusam 77
  • 78. as oportunidades concedidas pelos Senhores do Karma. Falaremosmais sobre os Senhores do Karma no capítulo 10.Volitivo: Neste nível, o espírito compreende a importância de umbom planejamento de vida e aceita as condições da encarnação. Elerealiza a programação de vida juntamente com os Senhores de Kar-ma, sem oposição, uma vez que já entende suas necessidades epossui um forte desejo de evoluir espiritualmente.Missionário: Os chamados missionários não planejam uma encarna-ção apenas para o seu próprio benefício pessoal de adiantamento,mas o fazem em correlação com uma missão que pode representarum despertar coletivo de um ou vários grupos humanos específicos. Aencarnação de missionários é mais raro de ser encontrada, mas dia adia cresce o número de almas em vias de vir ao mundo para cumprirmissões de cunho global. O retorno é voluntário e tem como principalobjetivo tornar-se um servidor da humanidade e ser um farol a indicara direção para almas sedentas de luz.Um missionário se torna um exemplo ou modelo; uma personificaçãodos ideais mais elevados. No Budismo, esses são os chamadosBodhisattwas, seres que encarnam por compaixão à humanidade. Umbodhisattwa deseja compartilhar o amor e a sabedoria que eles con-quistaram. Uma pessoa não precisa ser santa ou perfeita para seruma missionária, basta elaborar um plano de vida onde sua missãoseja coletiva e não meramente individual. Diz-se que, atingindo umcerto nível de crescimento espiritual, as almas passam a se tornarresponsáveis não apenas por eles e seu karma pessoal, mas tambémpelo karma coletivo. A Metempsicose Termo de origem grega, sendo “meta” (depois, mudança)“em” (em) e psiquê (“alma”). É a mudança ou transição, transmigra-ção, de um corpo onde a psiquê ou alma virá “animar” outro corpo. Ateoria da Metempsicose admite a passagem ou transmigração daalma do vegetal, animal e humano e também o contrário: do humanopodendo nascer como animal e vegetal. Ou seja, na metempsicoseacredita-se na alternância entre as encarnações humanas e encarna-ções animais. Posso nascer numa vida como humano e na vidaseguinte como animal. A Metempsicose era comum na antiguidade. Recebeu aadesão de alguns gregos, egípcios, romanos, chineses, tibetanos eoutros. ―Os que tiverem vivido no mal e na impiedade, não só lhesserá recusado o retorno ao céu, como ficarão condenados a passa-rem para corpos de uma outra espécie, através de uma migraçãovergonhosa, indigna da santidade do espírito‖ (Corpus Hermeticum,Asclepius) 78
  • 79.  A Terapia de Vidas Passadas não admite a metempsicose. E o faz não por uma ideia preconcebida, mas por que não existem evidências que apontem para um retorno da condi- ção de humanidade para uma existência animal. ―A recor- dação de vidas passadas definitivamente ratifica a reencar- nação, mas dá pouco apoio à metempsicose‖. (Tendam, Panorama 1)  Ensinam algumas doutrinas que, a partir do momento que o ser humano desenvolveu certos centros, que são próprios do estado humano, não há mais possibilidade de retorno ao reino animal, vegetal ou mineral.  Há possibilidade de a metempsicose ser uma espécie de distorção do princípio original da reencarnação. Quando os povos antigos aprendiam sobre a reencarnação, começa- ram a associá-la com o retorno compulsivo também à ani- mais. Na época, a convivência com os animais eram muito mais vasta que hoje. Posteriormente, comportar-se mal se tornou sinônimo de regresso a estágios de vida em reinos inferiores. Os Benefícios da ideia da reencarnação para a humanidade A ideia da reencarnação, caso seja aceita e considerada verda-deira, trará grandes benefícios a humanidade. Chegará o tempo emque a reencarnação será ensinada nas escolas e nas universidades.Isto trará uma revolução sem precedentes no pensamento humano ena organização social. Podemos afirmar que, após endossar plena-mente a reencarnação, a humanidade nunca mais será a mesma.Existem inúmeros benefícios que a propagação da ideia da reencar-nação pode trazer. Decidi reunir os benefícios que considero maisimportantes e significativos para a humanidade. Vejamos:O senso de justiça: A ideia da reencarnação nos traz a certeza deque nada fica impune. A injustiça de que nos sentimos envoltos sem-pre possui uma explicação e uma solução. Com a reencarnação,percebemos claramente que a injustiça é algo que inexiste no uni-verso, pois tudo que nos acomete, sejam sofrimentos, frustrações ouquaisquer supostos males são campo fértil para o desenvolvimentoda alma. No futuro, não haverá mais o sentimento de injustiça, poiscom o estudo da reencarnação compreenderemos que tudo o quepassamos nós mesmos criamos num passado remoto, ou escolhe-mos experimentar para a remissão mais rápida de nossas imperfei-ções, acelerando nosso desenvolvimento espiritual. A maior certezade que existe justiça no universo é a lei natural de causa e efeito, oulei do karma. Tudo o que plantamos, colhemos; tudo o que fazemos,a nós poderá ser feito; todo sofrimento impingido a outrem reverbe- 79
  • 80. rará em nosso ser nas próximas existências. Simplesmente nãoexiste injustiça no universo, tudo ocorre como tem de ocorrer, tenha-mos consciência disso ou não. O senso de injustiça é apenas umanão compreensão das leis da vida atuando sobre nós e sobre outraspessoas.A responsabilidade pessoal: Todas as tentativas de vitimização seesgotam e não terão mais espaço após a adoção plena da ideia dareencarnação. Um homem que culpa o Estado pela indenização nãorecebida sabe que, de uma forma ou de outra, isso ocorre por suaprópria participação ou permissão, consciente ou inconsciente. Eletem consciência que pode mudar esse estado de coisas, e que tudodepende dele mesmo. Uma mulher que foi vitimada por um estuprosabe que essa provação pode ser necessária ao seu desenvolvi-mento pessoal, e pode ser apenas um resultado de seus própriosatos passados. Tudo que nos acomete sai da esfera do meio em quevivemos e passa a ser de nossa total responsabilidade. Não existemvítimas no mundo, existem apenas pessoas que são inconscientes desuas necessidades evolutivas. A noção de uma responsabilidadepessoal acaba com a ideia de que somos um “produto do meio”.Somos, isso sim, um produto de nossas próprias ações passadas,que criam o campo de experiência positivo ou negativo que viveremosem vidas futuras. O meio em que vivemos é o mais adequado asexperiências necessárias ao nosso progresso, e de certa forma elerepresenta uma parte de nosso karma se repercutindo em nós. Seusméritos e deméritos os fazem merecedores ou devedores das leisdivinas, e apenas a alma pode criar seu céu ou seu inferno. Porém, épreciso tomar cuidado para não se cair numa culpabilização pessoal.Somos responsáveis, não culpados. A culpa vem, em grande medida,de um orgulho e de uma negação de nossa natureza humana deimperfeições e limites. A responsabilidade pessoal é isenta de culpa.O homem responsável toma as rédeas de seu destino nas mãos e setorna o artesão de sua vida a partir do momento presente.A perda do medo da morte: Quando a humanidade aceitar a ideiada reencarnação, o medo da morte não fará mais sentido. Entre umavida e outra, a alma passa um tempo num plano de consciência maissutil, imaterial, revê suas decisões na última vida e faz uma prepara-ção para a próxima existência. Não há perda de qualquer coisa namorte, há uma sobrevivência daquilo que adquirimos de mais ele-vado. Aqui entra a frase de Pascal quando diz: ―Na natureza nada seperde, nada se cria, tudo se transforma‖. Ressaltamos também oensinamento do sábio Rumi quando diz: ―Não lamente. O que seperde retorna em outra forma‖. O supérfluo se esvai de nossa almaassim como as folhas secas que caem de uma árvore são carregadaspelo vento e se resolvem em seus componentes mais básicos naterra. Quando uma pessoa sabe da reencarnação e recorda váriassituações de morte em vidas passadas, ela toma consciência de quea morte é apenas uma passagem de um estado a outro, e nada há o 80
  • 81. que temer. O medo da morte é, na maioria dos casos, um medo queconcentra vários outros. Estando resolvido o medo da morte, muitosoutros medos deixam de ter importância e se esvaem naturalmente.O propósito de tudo e a inexistência do acaso: Uma humanidadeque conquista a consciência da reencarnação sabe que tudo seencaminha a um propósito superior; tudo faz parte de um plano supe-rior. As noções arcaicas de acaso, sorte, ou azar caem por terra eficam arquivadas no rol das ideias que ficaram no passado. O quechamamos de acaso é apenas um nome dado a um processo deacontecimentos que ainda não fazem sentido para nós, pois nãopercebemos seu valor para nossa melhora enquanto almas viventes.Se existe a reencarnação, com vidas sucessivas, existe um plano dedesenvolvimento da alma ao longo de muitas existências, logo, há umdesígnio maior, uma explicação, uma finalidade suprema para todasas tribulações, aflições, angústias, tormentos, martírios, tudo que aalma vivencia em suas múltiplas vidas, e o resultado inexorável é oavanço, a ascensão da alma, sua subida a outros níveis mais eleva-dos de expressão e existência. O propósito da vida é a ligação, aconexão, o retorno do ser ao infinito divino.As diferentes classes sociais: O mundo em que vivemos sempre foidesigual na distribuição de suas riquezas. A propriedade privada gerariqueza para uns e pobreza para outros. Antigamente existiam osfeudos, onde trabalhadores eram forçados trabalhar aos senhoresdas terras. Recuando ainda mais no tempo, os homens eram dividi-dos entre escravos e homens livres. Nos dias de hoje, ainda existe otrabalho escravo e existem severas e desumanas diferenças sociais.Na Índia, por exemplo, existe o sistema de castas, onde as pessoassão rotuladas desde o nascimento e estão fadadas a nunca ascenderem seu nível social e ter melhores condições de vida. A pobreza nomundo atual é vasta, abrangente, cruel, bárbara, atroz. Nosso sis-tema foi chamado de “capitalismo selvagem”, por permitir a concen-tração excessiva de riquezas nas mãos de uns enquanto outros, amaioria, não possui sequer as condições mínimas de sobrevivência eintegridade humana. Quando a reencarnação passar a impregnartodo o mundo, as diferenças de classes sociais, a pobreza, o poderde uns sobre outros, a selvageria da competitividade, tudo isso ten-derá a ser transformado. Passaremos a viver num mundo mais igua-litário, com menos miséria e fome. Os seres humanos vão descobrirque, se hoje estamos com excesso de bens e não os dividimos comoutros, numa próxima existência podemos estar submetidos a condi-ções muito precárias de vida. As pessoas vão retomar o profundosignificado da doação, da caridade, da dádiva ao próximo. Não adi-anta ficar acumulando bens, nada disso fará as pessoas felizes esatisfeitas, tampouco oferecerá a segurança e estabilidade que tantobuscam. Quando entendemos a reencarnação, descobrimos que jáfomos ricos e pobres em diversas vidas, e há uma quebra dos pre-conceitos de classe. Saberemos que, se hoje eu recuso ajuda, ama- 81
  • 82. nhã eu serei aquele que necessita ser ajudado. Se hoje tenho escas-sez de recursos, amanhã posso estar numa condição de maior pros-peridade. Com a reencarnação, nascerá uma consciência de que nãoexistem ricos e pobres, mas pessoas em diferentes contextos evoluti-vos. Aprenderemos a nos colocar no lugar do outro, a ver que, numpassado distante ou num futuro próximo, o mendigo que observamosna rua pode ser nós mesmos. Ou então podemos ser tão miseravel-mente ricos que a única coisa que teremos é o dinheiro, mais nada. Areencarnação fará a humanidade dissolver todas as barreiras declasses sociais e ajudará a propagar um mundo mais justo e igualitá-rio na distribuição de suas riquezas.O preconceito e a xenofobia: Os preconceitos e a xenofobia sãoatitudes que perderão o sentido após a validação da reencarnação.Os preconceitos são motivados por um desconhecimento em relaçãoao diferente, um julgamento precipitado e um extremismo ou imposi-ção de nossa visão do real. A xenofobia é a rejeição ou aversão aodiferente, geralmente a outras raças e culturas, mas também pode sercaracterizado como um transtorno mental quando essa aversão setorna algo fóbico, descontrolado e irracional. Todos os preconceitosde raças, culturas, religiões tendem a cair quando a reencarnaçãorevelar que todos pertenceram a raças diferentes, a religiões diferen-tes e culturas diversas ao longo da história. O ódio lançado contraoutra raça pode ter como base uma experiência de desgosto, mágoaou tormento vivido em outra existência quando pertencemos a essaraça, ou quando fomos vitimados por membros dela, seja numa guer-ra ou em situações correlatas. Toda a repugnância sentida diante deuma cultura ou religião pode trazer a marca de uma ferida passadaque pode ser reparada pelas vias terapêuticas adequadas, e maisespecificamente pela TVP. Todas as fronteiras culturais, raciais ereligiosas caem quando descobrimos que somos um ser em curso devidas sucessivas, atravessando muitos pontos do globo e experi-mentando todas as possibilidades de vida para nos instruir e assimilaras verdades da vida. Não há sentido em agredir um negro quandodescobrimos que nós mesmos fomos negros em vidas passadas; nãohá sentido em judeus conflitarem muçulmanos quando fica claro queambos podem ter sido membros das culturas que hoje digladiam; nãohá sentido em ofender e afrontar um homossexual quando sabemosque, em vidas pretéritas, podemos ter aproveitado existências inteirasexperimentando a sexualidade com parceiros do mesmo sexo. Poroutro lado, identificando as causas que fazem as pessoas serem oque são hoje, ficamos mais tolerantes ao saber que nossas própriasdificuldades também foram geradas de uma forma semelhante.Quando combatemos com veemência o diferente, provavelmentetemos algo dentro de nós que representa uma chaga, uma lesão, ummachucado que carregamos inconscientemente e que, por um meca-nismo de defesa, projetamos no outro. Assim que a reencarnação forestabelecida como ideia endossada pela humanidade, nenhum dos 82
  • 83. preconceitos que caracterizaram nossa civilização por milênios farásentido.A Criminalidade: Nossa sociedade atual está deveras violenta.Muitos falam numa “cultura da violência” que está impregnando acivilização há décadas. Com o advento dos meios de comunicação,da mídia impressa e eletrônica, há uma proliferação da violência pelorádio, pela TV e pelos jornais. Os veículos de mídia expõem diaria-mente cenas chocantes de violência para a grande massa, e comessa massificação, acabam por tornar a violência algo comum, corri-queiro, natural e que supostamente faz parte integrante de nossarealidade. Há uma banalização da violência em suas várias formas, euma difusão generalizada de uma crença de que a violência é algonormal. De qualquer forma, a violência sempre existiu em nossomundo conhecido. Nos tempos atuais, a criminalidade é uma dasprincipais preocupações dos governantes e da sociedade em geral.No entanto, tão logo a reencarnação seja aceita oficialmente, a crimi-nalidade perderá totalmente sua força. Os criminosos, que se apóiamnuma possível impunidade, descobrirão que nenhuma crime com-pensa, posto que deveremos prestar contas de nossos atos em futu-ras existências. Será que um marginal optaria um estuprar uma moçaquando ele tem total consciência de que, nesta mesma vida ou emvidas futuras, ele mesmo poderá ser o molestado? Quando ele tiveruma ideia, mesmo que imprecisa, das consequências destes atos eda inescapável lei de causa e efeito - onde colhemos tudo o queplantamos – ele abandonará seu intento. Todo aquele que comete umcrime contra outrem, sabe que está cometendo esse crime contra simesmo. E quem, em sã consciência, com a noção do retorno denossas ações dentro da lei da reencarnação, vai agredir, molestar,ferir, ou cometer qualquer tipo de crime contra si mesmo? A reencar-nação dissolverá todas as chagas que hoje permeiam nossa humani-dade, extinguindo atos insanos, crimes, ataques, agressões, delitos,transgressões, barbaridades, estupros, torturas, crueldades ou selva-gerias. Nada disso combina com a reencarnação, posto que os trans-gredidos seremos nós mesmos.A política e os governos: A política e os governos dos diversospaíses são parte integrante do mundo moderno. Não há um ser hu-mano que não influenciado, de forma direta ou indireta, pelas dec i-sões políticas. Aristóteles disse certa vez que “o homem é um animalpolítico”. Apesar de a civilização ocidental ter perdido, em boa parte, afé na política e nas transformações por meio da política, ela represen-ta um grande avanço em relação ao que existia antigamente. A políti-ca foi o espaço encontrado pelos homens onde as diferentes forças etendências sociais podem negociar e chegar a acordos conjuntos.Apesar das muitas críticas que recebe, graças a política a humanida-de conseguiu superar a barbárie e encontrar um meio de diálogo eentendimento entre as diferentes correntes da sociedade. São as leise normas sociais que possibilitam a organização social e a segurança 83
  • 84. da vida moderna. Não se envolver com a política, ser “apolítico”, eignorar o que ocorre no cenário da tomada das decisões políticas éum erro que ninguém deveria cometer, posto que a política definecomo será, em grande parte, a nossa vida no que diz respeito a muitacoisa que nos ocorre no plano material. Por pior que ela seja, é me-lhor existir uma política do que não existir. Apesar de ser um espaçode negociações e de onde emanam todas as normas que definem aorganização social e a segurança da sociedade, a política se tornou,ou sempre foi, um local de negociatas, onde existe uma elite econô-mica que domina as classes menos favorecidas e instruídas. A demo-cracia se tornou algo bem próximo de uma ilusão, pois há sempre umgrupo que se fixou no poder e que passa a influenciar as deliberaçõesdos governantes eleitos pelo sufrágio universal. Por esse motivo, nostempos atuais, a política não responde mais aos anseios e necess i-dades da população, que começa a aspirar um novo paradigma naforma de governo dos três poderes: executivo, legislativo e judiciário.Esse novo governo deve necessariamente passar pela ideia da reen-carnação. Não há como se fazer uma política democrática, igualitária,justa, imparcial, onde todas as forças e camadas da população este-jam ali representadas, e não apenas um pequeno grupo cimentado nopoder. Quando a reencarnação for acolhida no seio da política, sabe-remos o quanto são inúteis os esforços de que manter o máximo detempo no poder, pois em ocasiões futuras, nessa ou em outras vidas,a inteligência do universo nos colocará na outra posição, e teremosde experimentar tudo o que foi subtraído das massas oprimidas.Quem impõe seu poder, será subjugado; quem saqueia o eráriopúblico, será furtado; quem faz negociatas, perderá muitos negócios;quem usa sua influência política para sugar a população, será vampi-rizado. Assim, a lei universal se cumpre. A política se tornará umarede de compartilhamento, e não mais de conflitos, choques, brigas,revoltas, disputas, guerras e jogos de interesse. Num futuro não muitodistante, todos os seres humanos, com base na reencarnação e nasleis naturais, terão plena consciência de seu papel na sociedade e doque devem ou não fazer na convivência uns com os outros. Cadaaglomeração urbana vai se gerir por si mesma, pois o respeito, asolidariedade, as regras e normas de trocas sociais serão algo inter-nalizado dentro de todos, sem necessidade de um estado mantene-dor, regulador e punitivo.A não identificação com os problemas e a leveza do curso davida: Com a ampla aceitação da teoria da reencarnação, mais e maispessoas desejarão praticá-la e senti-la em si mesmas. A recordaçãode nossas vidas passadas será algo recorrente e comum. Toda essaabertura dará maior desprendimento e liberdade em torno dos pro-blemas que afetam os seres humanos. Quando descobrimos que nãovivemos apenas uma vida, mas teremos ainda muitas encarnaçõespela frente, poderemos corrigir nossos erros e refazer nossa vida.Nesse sentido, o peso que caracteriza nossos problemas cotidianosserá sumamente amenizado. As pessoas conduzirão suas vidas com 84
  • 85. mais leveza, mais tranquilidade, sem identificarem-se com os des-gostos, as aflições, os perigos. Elas deixarão de se preocupar tãofortemente com seus problemas, posto que tudo caminha no rumo dodesenvolvimento espiritual. Nada se perde, nada se esvai, tudo con-corre do inferior ao superior dentro da harmonia universal. As pess o-as vão perceber na prática que tudo é transitório, nada é definitivo,que os pequenos percalços enfrentados têm um prazo de validade erapidamente vão perder a força e esgotar-se. O Conceito Annata Do Budismo Significa ausência de eu, ou mesmo ―não-eu‖. Trata-se deum aspecto da filosofia budista que nega a existência de qualquerrealidade ou essencialidade inerente àquilo que conhecemos comoego ou eu. A realidade do eu ou de individualidade não pode serencontrada nem nos fenômenos corporais, nem nas estruturas men-tais e nem mesmo além disso. Algumas escolas budistas não aceitam a transmigração decoisa alguma que detenha em si mesmo uma realidade essencial eisolada de tudo. Segundo a noção do annata, não há uma individuali-dade que esteja ligada à realidade. Segundo essa doutrina, não há nenhuma substância ine-rente, nenhuma essencialidade na noção de eu ou de individualidade.A doutrina do annata nega veementemente a concepção de um espí-rito ou alma imortal individual. Após a morte, não há sobrevivência doespírito, posto que o eu individual é ilusório e não pode transpassar àmorte. Não haveria uma continuidade de consciência, uma identidadee nenhuma possibilidade de se estabelecer uma concepção de umcontinuum psíquico ou espiritual, pois o eu encontra-se influenciadopor maya, pelas ilusões e transitoriedades da existência condiciona-da. O que há é uma descontinuidade de formas de corporeidade econsciência. Segundo essa visão, não se pode falar em um eu per-manente. Essa concepção tem frequentemente contrastado com a i-deia de um espírito, tal como no Espiritismo, que passa de uma vidapara outra e carrega consigo marcas, conhecimentos e uma identi-dade de suas vidas passadas. Dentro da visão budista do annata,não há nenhum ego autônomo e contínuo que reencarne. Dessaforma, ensina-se apenas a repetida e constante alternância de múlti-plos e variados estados de ser e existir, em contínuo processo desurgimento e desaparecimento, com as transformações inevitáveisdos fenômenos mentais e corporais. Alguns budistas, como MatthieuRichard, falam de um ―fluxo de consciência‖ que sobrevive a morte, enão de uma alma ou espírito. Embora a hipótese da inexistência de uma identidade queatravessa de vida em vida não seja universal no Budismo, ela é s e-guida à risca por vários ramos, principalmente o Budismo Therava-dha, que é uma das escolas mais ortodoxas do Budismo. 85
  • 86. Por outro lado, isso não significa que não haja a possibili-dade de recordação de nossas vidas passadas. Para os budistas, opróprio Buddha recordara-se de centenas de suas encarnaçõesanteriores. Roger Woolger, no livro “As Várias Vidas da Alma” conta aestória de um discípulo que questiona ao seu mestre sobre a conti-nuidade das identidades: O rei perguntou: ―Venerável Nagasena, a pessoa que re-nasce é a mesma pessoa (que morreu) ou é uma pessoa diferente?‖ ―Nem é a mesma pessoa, nem é outra diferente.‖ ―Dê-me um exemplo.‖ ―...Suponha, Majestade, que um homem estava para acen-der uma lâmpada. Será que a lâmpada queimaria a noite toda?‖ ―Sim, venerável Senhor, queimaria.‖ ―Bem, majestade, a chama que queima na primeira hora danoite é a mesma que queima na segunda hora da noite?‖ ―Não, Venerável Senhor, não é.‖ ―A chama, Majestade, que queima na segunda hora da noi-te é a mesma que queima na terceira?‖ ―Não é, Venerável Senhor.‖ ―Então, majestade, a lâmpada da primeira hora era dife-rente da lâmpada da segunda e diferente ainda da lâmpada em umaterceira hora?‖ ―Não, Venerável Senhor, a luz vem da mesma lâmpada du-rante a noite toda.‖ ―Exatamente deste modo, Majestade, um ser humano estána sucessão ininterrupta de estados físicos e mentais. Assim que umestado se desvanece, nasce um outro, e isso ocorre de tal maneiraque não há diferenciação entre os estados precedentes e os suce-dentes. Portanto, nem é a mesma pessoa, nem é uma pessoa dife-rente que chega à totalidade final da consciência.‖ Esse conto é muito esclarecedor. A analogia com a chamada lâmpada é muito pertinente para clarear o que acontece a nossaidentidade após a morte. Podemos comparar a chama com o espírito(analogia muito utilizada na antiguidade) e as mudanças na chamaseriam comparadas aos sucessivos estados físicos e mentais que sealternam na consciência. Assim, há uma só chama (espírito) que éuniversal e está além das transformações do mundo. Por outro lado,num nível inferior, há o caráter ilusório da existência, com suas su-cessivas mudanças de estados, representados pelas modificaçõessofridas pela chama, tal como a o corpo e a mente no mundo. Essachama nunca é a mesma na primeira hora, na segunda e na terceira,nem é idêntica a qualquer outra chama, mas sua essência é a mes-ma. Conclui-se que o ser humano é dotado de uma chama, umespírito que encarna em sucessivos estados de ser e existir, sendoestes transitórios e ilusórios. 86
  • 87. O Karma A Lei do karma está plenamente relacionada com a lei dosnascimentos e mortes cíclicos, a reencarnação. Por isso, é importantefalar com mais detalhes sobre ela e dar-lhe a atenção necessária. A palavra sânscrita karma significa literalmente “ação”, “ato”ou “feito”. As ações que estão sendo produzidas são chamadas deKriyas, as que já foram finalizadas recebem a denominação de “kar-ma” (livro: “Da Morte ao Renascimento”). Segundo a doutrina Hindu,toda ação que produzimos no mundo tende a retornar para nós namesma medida, grau e natureza.  A noção do karma é comum a boa parte das maiores filoso- fias orientais, como o Budismo, Hinduísmo, Cabala, Gnose e Jainismo, e encontra adesão também entre as correntes ocidentais da Teosofia, do Hermetismo e do Espiritismo. O karma é entendido, de forma mais geral, como o conjunto de ações humanas e suas correspondentes e inexoráveis consequências.  Essa é a conhecida lei de causa e efeito, ou lei de ação e reação. Na Física, essa lei é a expressa como ―Para toda ação existe uma reação de força e sentido contrário‖. New- ton deu um revestimento científico e mecânico a essa anti- ga e sagrada lei oriental, porém, na Física, suas qualidades teriam apenas um viés material e fenomênico. De outro modo, a lei de causa e efeito, ou lei do karma, é encontrada tanto na matéria quanto nas fases mais sutis do espírito, in- cluindo vários níveis, como nossas emoções, nosso com- portamento e nosso plano mental e psicológico. Assim, tan- to nossas ações, quanto nossas emoções e pensamentos teriam também o poder de gerar uma quantidade de karma e não apenas nossos atos manifestos e objetivos.  Várias tradições concordam que a intenção humana é muito importante na geração de karma. Se minha intenção era positiva, mas eu cometi um erro, o karma será muito menor. Se minha intenção era negativa, mas a ação não gerou tan- tos efeitos negativos, o karma poderá ser ainda maior. A in- tenção é encarada como a matéria-prima da produção de karma positivo ou negativo e seu aspecto mais decisivo.  A teoria do karma nos leva a explicação de que tudo o que plantamos nós inevitavelmente colheremos. Jesus afirmou esse princípio através de uma metáfora simples quando disse ―A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória‖. O ser humano tem sua vida e sua morte regida sob a tutela do seu próprio karma. Buda afirmou isso de uma forma mais direta quando declarou que "Eu sou o resultado de meus 87
  • 88. próprios atos, herdeiro de meus próprios atos; os atos são meu parentesco; os atos recaem sobre mim; qualquer ato que eu realize, bom ou mal, eu dele herdarei‖. O Budismo ensina que as sementes do karma se alojam no “alaya-vijnana”, que significa algo como “armazém da consciência”. Essas sementes vêm à manifestação quando encontram um terreno fértil para seu crescimento e expressão, ou seja, quando as condições apropriadas ao seu aparecimento são criadas. Um ditado budista explica isso de forma mais simples: ―Todos os atos, bons ou maus, geram consequências. É só uma questão de tempo até se manifestarem". A sabedoria popular traduz isso de uma forma objetiva: ―A justiça tarda mas não falha‖. Ainda segundo o Budismo, há duas formas de extinção do karma: 1) a prática de bons atos e pensamentos, com poder de neutralizar o mau karma; 2) a prática da meditação, que pode libertar a consciência do mundo dos fenômenos (que geram ações que têm consequências) através dos estados superiores de consciência. O karma é gerado a partir de nossas escolhas. O livre arbítrio do homem, usado com fins positivos ou negativos, é fator essencial. Se escolhi um caminho de acomodação, só encontrarei estagnação; se escolhi a luta, serei atingido por ela; se escolhi o amor, ele se fará presente em minha vida. As escolhas nos fazem seguir certos caminhos que engendram nossa vida. Toda essa energia formada a partir de nossas ações ficam impregnadas em nossos corpos sutis, ficam então suspensas em nosso ser até que num dado momento essa vibração começa a se precipitar e vem à manifestação. Como falaremos mais a frente, o nosso roteiro kármico é elaborado com base numa parcela do nosso karma. O roteiro kármico é nosso plano de vida, ou seja, um programa prévio que foi planejado antes do nosso nascimento e que contém a maioria dos acontecimentos que precisamos passar numa existência material. Assim, o nosso programa encarnatório é definido, em parte, com base em nosso karma passado. Isso porque aquilo que erramos no passado pode nos ajudar a melhor compreender as lições necessárias ao nosso aperfeiçoamento e adiantamento espiritual. 88
  • 89.  Aquilo que chamamos de destino e livre arbítrio está estreitamente ligado ao nosso karma passado. Podemos mesmo afirmar que a noção do karma explica e integra as aparentes contradições existentes entre a teoria da liberdade de escolha (livre arbítrio) e a teoria das causas determinantes (destino). Filósofos se debatem durante séculos para compreender como conciliar a questão do livre arbítrio com o destino. É o que nos propomos a fazer nesta oportunidade utilizando os conhecimentos explicativos fundamentais da Terapia de Vidas Passadas. Quanto mais instruída é a alma, mais ela deverá se responsabilizar pelos seus atos e decisões. Não pode haver responsabilização em seres que não tem consciência nem conhecimentos dos resultados de suas ações. Pode-se culpar um gato por ter avançado sobre um prato de peixe deixado sobre a mesa? Se tenho plena visão das consequências nefastas de minhas ações e mesmo assim opto em executa-las, isso acarretará um karma bem mais pesado. Um indivíduo considerado ignorante terá menor responsabilidade, ou seja, o seu peso kármico será menor. Isso não significa que um ignorante deixará de colher os frutos de suas ações e decisões, mas sim que sua carga será menor. Antes de nascer, a alma pode escolher a natureza e a quantidade de carga kármica de uma vida. Desastres, doenças, fracassos, pobreza, assim como sucesso, saúde, abundância, tudo isso é fruto dos nossos méritos anteriores e também da carga kármica maior ou menor a ser atravessada. Em outras palavras, nós mesmos decidimos o quanto de nosso karma será trabalhado numa vida. Podemos acelerar a manifestação do nosso karma numa vida, ou ele pode aparecer aos poucos. No entanto, caso a alma não esteja empenhada em melhorar-se e mais e mais karma venha se acumulando durante as vidas, prejudicando o espírito, os senhores do karma podem forçar um pouco a sua expressão durante as vidas. Nesse sentido, nem sempre temos poder de escolha, pelo simples motivo de que nosso nível de consciência ainda é rudimentar e primitivo. É como uma criança de 5 anos que não deseja tomar uma vacina que futuramente irá imunizá-la contra várias doenças. Nenhum pai se recusaria a dar a vacina se a criança alegar que não quer tomá-la porque esta lhe causa dor. 89
  • 90. Segundo a tradição Hindu, existem três tipos principais dekarma:Karma adormecido (Sanchita): O sentido literal desse karma é―karma armazenado‖. Este é o karma que já foi produzido, masencontra-se guardado nos arquivos espirituais da alma. Esse karmamantem-se arquivado ou adormecido até que as condições propíciasprecipitem sua manifestação em forma de destino, tal como asemente jogada no solo aguarda a chuva, a estação e os nutrientespara florescer. Esse é o karma que foi gravado nos arquivos daconsciência, mas que ainda não está ativo.Karma Ativo (Prarabda): Nesse tipo de karma, podemos denomina-lo pela expressão ―já no processo de produzir frutos‖ ou ―karmacomeçado‖. O karma ativo é o karma que começou a se expressarem nós e nada pode ser feito para impedir o processo. É como umum acidente que já aconteceu e que trará todas as inevitáveisconsequências. Esse é o karma que ocorre no momento atual, é okarma que está se abatendo sobre nós, ou seja, está ativo. Éconstituído por todas as circunstâncias que fazem parte do momentopresente.Esse é considerado o karma do destino, pois é aquele que acontecesem que tenhamos poder sobre ele. Apesar de não ter muito o quefazer, podemos colher esses frutos com sabedoria e extrair as liçõesnecessárias para evitar erros futuros. O karma Prarabda é como aflecha que já foi atirada pelo arqueiro: uma vez lançada, não há maiscomo ir buscá-la antes de atingir o alvo.Karma Potencial (Kriyamana): Esse é literalmente o ―karma a serrealizado‖. Nesse tipo de karma, ainda não cometemos a ação, mastudo indica que o faremos, ou seja, todas as condições foram criadaspara que pratiquemos o ato. É como produzir uma flecha para matarnossos inimigos. A flecha está presente e estamos indo para o campode batalha: tudo leva à conclusão que a flecha será usada contra uminimigo e o karma será consumado. Esse karma ocorre quando todosos elementos estão presentes para a sua concretização, restandoapenas sua execução.Biblia e Karma: Como abordamos bastante a visão oriental do Kar-ma, seria justo que incluíssemos algumas referências sobre a lei decausa e efeito na tradição cristã. Apesar do cristianismo não endossaro karma explicitamente, da mesma forma que o Budismo e o Hindu-ísmo, há muita sabedoria na Bíblia que nos leva a considerar a reali-dade da lei de causa e efeito. Seguem alguns exemplos:―Quem ama o perigo, nele perecerá.‖ (Eclesiastes 3, 27)Quem cava uma fossa, nela cairá... quem põe uma pedra no caminhodo próximo, nela tropeçará... quem arma uma cilada a outrem, nela 90
  • 91. será apanhado; o desígnio criminoso volta-se contra o seu autor.(Eclesiastes 27, 29)Semearão ventos, colherão tempestades. (Oseias 8, 7)Quem procura prender, será preso. Quem fere pela espada, pelaespada será ferido. (ap. 13,10)Tribulação e angústia cairá sobre todo aquele que pratica o mal.(Romanos 2, 9)O que muito dá, muito receberá. (Provérbios 11, 25) O Karma Coletivo Karma Coletivo é o vínculo de causa e efeito compartilhadopor uma coletividade de indivíduos, família, grandes grupos ou na-ções inteiras. Diferente do karma individual, o karma coletivo é produ-zido por vários indivíduos, centenas, milhares, milhões e até bilhões.Dentro do karma coletivo, há o karma familiar, nacional, étnico, pla-netário, galático e cósmico. O que acontece com uma coletividade de indivíduos, sejamconsequências positivas ou negativas, pode ser um efeito do karmacoletivo. Assim, uma pessoa não é influenciada apenas pelo karmaindividual, mas também pelo karma coletivo. ―Isso acontece porque com frequência as nossas ações es-tão estritamente relacionadas, e há ligações e inter-relações sutis quenos influenciam reciprocamente e que fazem com que se forme umaespécie de ‗destino‘ de grupo‖, diz a ocultista Angela Maria La SalaBata no livro “Conhecer para Ser‖.  Acidentes envolvendo grande número de pessoas estavam previamente determinados? Hans Tendam no livro “Cura Profunda” afirma que eventos catastróficos de grandes pro- porções não têm necessariamente relação com karma co- letivo, embora ele admita que exista o karma grupal. Se- gundo ele, ―É uma experiência, e aprendemos, mas ela não foi planejada para criar aprendizagem. O significado vem depois do fato (…) tudo isso é evolução, não karma.‖ Ao in- vés de enxergarmos tudo pela ótica do karma, podemos sempre enxergar uma evolução, cujo significado foi produ- zido após o evento.  Pode também ocorrer do significado evolutivo preceder o evento catastrófico. Em outras palavras, é possível que um grupo de indivíduos tenha a necessidade de aprender cer- tas lições por intermédio de uma catástrofe. Se for este o caso, todos os participantes de um desastre de avião, por 91
  • 92. exemplo, seriam reunidos pela força das leis de atração e do karma àquela aeronave. Talvez o karma individual se some ao karma de cada pessoa e acione a queda do veí- culo. De qualquer forma, essa é uma questão polêmica e pode suscitar diferentes visões e interpretações. O Karma Bumerangue Karma Bumerangue é o princípio de que toda a ação reali-zada por alguém retorna invariavelmente para ela na mesma vida ouem vida seguinte, com o regresso de uma ação de mesma qualidade,grau e natureza. Por exemplo: se matei alguém com uma faca, al-guém deverá matar-me com uma faca numa vida futura; se roubeialguém, serei roubado; se traí, serei traído, e assim por diante. Ahipótese do karma bumerangue foi trazida para a Terapia de VidasPassadas por Gina Cerminara.  Em algumas doutrinas espiritualistas e místicas, como o Ja- inismo, o karma bumerangue ainda resiste com força total, talvez por ser uma maneira de entender o karma bem sim- ples e acessível à maior parte do público leigo. Porém, de- vemos alertar que, embora o processo do karma bume- rangue seja uma possibilidade real, ele não explica a totali- dade dos fenômenos envolvidos e apresenta uma visão do karma bem limitada.  A TVP não aceita o karma bumerangue. Argumentos bem simples podem desconstruir essa visão do karma. Podemos nos reportar para a primeira e a última ação realizada den- tro do processo do karma bumerangue. Imagine um homem que matou o filho de outro homem. Na vida seguinte, esse assassino terá o próprio filho assassinado e assim vai se seguindo vida após vida. Se adotarmos a visão do karma bumerangue, então a última ação de matar o filho um do outro simplesmente não teria fim, pois em cada vida um sempre estaria assassinando ou sendo assassinado. Ou seja, se numa vida matei o filho de alguém, na outra mata- rão meu filho, e na outra matarei o filho deste, que matará novamente meu filho na outra, e assim sucessivamente.  Tendam (1994) explica isso: ―a improbabilidade é clara pela consequência: jamais terminaria. Se é preciso ser zombado para reparar a minha própria zombaria na vida anterior, os que zombam de mim agora terão que ser zombados nas vi- das seguintes, ad infinitum‖.  Por outro lado, se voltarmos à primeira ação realizada (e deve necessariamente ter existido um início nas mortes), 92
  • 93. veremos que em algum momento no passado o primeiro homem que teve seu filho morto não matou o filho do outro, mas foi o algoz inicial e o outro foi a vítima inicial. Assim, chega-se a um momento no passado em que um deles de- ve agir sem que outros tenham agido sobre ele. Por outro lado, o outro deve sofrer a ação sem que tenha produzido a mesma ação numa situação pretérita. Neste caso, sempre é possível voltar no tempo e ver alguém que praticou uma ação anterior, e outro que a praticou antes desta, e outro que a realizou ainda antes, e assim sucessivamente. Nunca seria possível encontrar a primeira ação executada que ge- rou toda a reação em cadeia do karma bumerangue.Dessa forma, como entender um início desse karma sem algum momento no passado que o teria antecedido? Essa visão do karma retira do homem aquilo que ele possui como um dos seus maiores bens: seu livre arbítrio. Trata-se de uma concepção mecânica e determinista do karma, algo que simplesmente não existe na TVP. Se considero que o homem deve necessariamente matar o outro por força e de- terminação do karma, estou negando sua capacidade de escolher, retirando a possibilidade do desenvolvimento de um aprendizado, do perdão e de seu próprio livre arbítrio. Aceitar o karma bumerangue é negar que um assassinato pode ter outras consequências. Por exemplo, o assassino da vida anterior poderia sentir medo de pegar em armas; ou poderia sentir o horror pela morte; ou poderia sentir-se cul- pado diante da pessoa que ele assassinou (que pode ser algum parente atual); ou poderia ainda sofrer uma morte trágica para valorizar a vida. Também é possível que o as- sassino da vida anterior seja morto por outra pessoa, e não aquela que ele matou numa vida passada. Fica claro que o karma não possui uma relação do tipo “Se A, então B”. Não há determinismo, pois cada alma encarnada pode reagir de formas totalmente diferentes diante de uma mesma ação. É possível que o karma bumerangue ocorra de fato, mas ele é apenas uma dentre várias possibilidades de aplicação da lei do karma e não deve ser tomado como uma lei geral do mecanismo de causa e efeito. Judy Hall afirma que esse é um nível do karma, dentre outros que existe. Esse seria o nível do karma „dente por dente‟ ou „olho por olho‟. Podemos ainda dar outros exemplos para demonstrar que uma atitude não se manifesta num mesmo grau, natureza e qualidade que a ação passada: se eu cortei o braço de al- guém numa vida passada, posso não ter meu braço cortado pela mesma pessoa, mas posso nascer sem o mesmo bra- 93
  • 94. ço, com a finalidade de aprender alguma lição. Neste caso, estarei experimentando em mim mesmo o que fiz a outros sem que o outro tenha que produzir a mesma ação sobre mim. Esse tipo de mecanismo causal é mais comum de ser visto na TVP do que o karma bumerangue. O Livre Arbítrio Livre arbítrio é o termo que define a capacidade humana deescolher os rumos do seu destino. Com o livre arbítrio, o ser humanoseria o senhor de sua vida. Ele pode optar seguir pelo caminho queseja orientado pela sua vontade e seus desejos. A liberdade de escolha é um tema recorrente nas tradiçõesespirituais e muitas delas afirmam que o homem precisa libertar-sedos apegos, do erro e da ilusão para retirar o véu de seus olhos eenxergar suas mais altas possibilidades. A alma tem a capacidadenatural de escolher. Essa faculdade está ligada ao seu nível de cons-ciência. Somente assim, o ser humano alcançará a verdadeira liber-dade e terá real poder sobre o curso de sua vida.  Os estóicos acreditavam que um ato, para ser considerado livre, deve conter em si mesmo a causa ou o princípio. Nesse sentido, afirmavam que apenas o sábio é livre e que os ignorantes são escravos de sua própria criação ilusória. A Tradição da Yoga segue essa mesma linha. Afirma que a condição do ser humano é de “escravidão” em relação a sua identidade, sentidos, apegos e paixões. A liberdade pu- ra reside apenas na realização de sua real identidade: a suprema consciência, o atman. Antes disso, o ser humano não tem, na maioria das vezes, consciência daquilo que es- colhe, e por esse motivo, as consequências de suas ações nem sempre trazem aquilo que ele esperava ao praticar uma ação ou tomar uma decisão. Por exemplo, uma mãe escolhe ajudar seu filho, mas não sabe que essa ajuda po- de atrapalhar sua independência, autonomia e de- senvolvimento próprio. É preciso que ela sinta as conse- quências de suas ações para tomar consciência disso.  Segundo o Hinduísmo, nossas vontades e escolhas deter- minam toda a nossa existência. Isso ocorre graças ao me- canismo inteligente da lei do karma, ou lei de causa e efei- to. Enquanto o ser humano produzir efeitos a partir de suas próprias ações, ele estará aprisionado a esses efeitos, sen- do um escravo do seu próprio karma (o acumulo das ações que geram reações em tempos futuros). ―Enquanto nos i- dentificarmos com o corpo e a mente limitados, ou per- sonalidade humana, não podemos ser livres‖ (Feuerstein, 1997). Ou seja, nossas ações são a causa de uma prisão, e 94
  • 95. essa prisão se constrói a partir dos efeitos dessas mesmas ações. O Budismo segue a mesma linha de pensamento com rela- ção ao karma e ao livre arbítrio. Esse princípio encontra-se perfeitamente representado e explicado na seguinte má- xima: O Livre arbítrio gera o karma que determina qual será o nosso destino. Diz Buda que ―o homem é o herdeiro e es- cravo do seu karma‖. O homem é o criador das ações que se tornarão o princípio ou a natureza do seu destino. Ele realiza as ações e fica vinculado a elas. Em última instân- cia, o ser humano é a causa inconsciente de si mesmo. Nesse sentido, nos tornamos escravos da própria rede que tecemos; própria teia de fiamos. Todo esse emaranhado de efeitos acabam por obscurecer nossa visão; como se uma cortina fosse colocada em nossos olhos. A consequência disso é a diminuição da nossa capacidade de escolha, pois aquele que não enxerga bem as coisas, só poderá escolher de forma imperfeita e limitada. O cenário existencial criado pelo karma detém o terreno mais fértil para o nosso aprendizado e libertação da ilusão das causas, efeitos e condições. É preciso penetrar na ilu- são para sair dela; da mesma forma que precisamos mer- gulhar na água para aprender a nadar ou a sair dela. Apesar de muitas doutrinas e religiões acreditarem no livre arbítrio, este não pode ser considerado absoluto, muito lon- ge disso. Por exemplo, se consigo enxergar dois caminhos possíveis dentre outros vinte que não consigo perceber, meu poder de decisão fica consideravelmente reduzido. Se eu pudesse ver ao menos 4 ou 5 caminhos, e não apenas 2, provavelmente meu poder de decisão seria usado de ou- tra forma. Por isso que alguns pensadores afirmam que o livre arbítrio do homem é muito relativo. Isso significa que a minha visão maior ou menor da vida determina também a- quilo que vou escolher. Em suma, as opções que temos são aquelas que podemos enxergar; se não as vemos, não podemos escolhê-las. As escolhas estão intimamente rela- cionadas com nossa consciência e visão do mundo e das possibilidades que temos. Para o Espiritismo, o livre arbítrio é uma realidade, mas en- contramos em algumas obras espíritas uma noção de seu caráter relativo e das suas limitações. Deolindo Amorin (2005), no livro “Análises Espíritas”, diz que ―O livre arbítrio aumenta à medida em que o espírito se adianta - não ape- nas em conhecimento, mas principalmente em moralidade. Contrariamente, o determinismo é mais forte quando o es- 95
  • 96. pírito é mais ignorante ou grosseiro‖. Essa ideia encontra base na Terapia de Vidas Passadas. Vemos, por exemplo, Joel Whitton afirmar algo semelhante, no que diz respeito ao planejamento da encarnação antes do nascimento: ―Nem todos os planos são realizados com termos assim tão específicos. Personalidades menos de- senvolvidas parecem precisar da orientação de um plano esquemático detalhado [isso implica num livre arbítrio redu- zido], ao passo que almas mais evoluídas concedem a si mesmas apenas um esboço geral, para que elas possam então agir mais criativamente em situações decisivas [livre arbítrio sensivelmente maior]‖. Fica claro que o grau de li- berdade de escolha da alma antes de encarnar é direta- mente proporcional ao seu nível de esclarecimento espiri- tual. O momento em que mais verificamos a maior evidência do livre arbítrio na TVP é no período anterior ao nascimento. Nessa fase, os espíritos realizam o planejamento ou pro- posta encarnatória, também chamada de plano de vida ou ―roteiro kármico‖. A elaboração desse roteiro de vida é rea- lizada pelos ―legisladores cósmicos‖, que regulam as leis do karma para os espíritos. Esses são também chamados de Senhores do Karma. Esses espíritos muito evoluídos demonstram à alma prestes a encarnar seus erros e virtudes de vidas passadas e dei- xam patente, através da revisão de uma ou várias vidas, quais são os defeitos e as imperfeições que ela precisa de- purar a fim de elevar-se cada vez mais. Nesse momento, o espírito tem acesso a um amplo panorama de sua existên- cia espiritual ao longo das centenas ou milhares de encar- nações. Podendo conhecer-se, ele possui uma consciência privile- giada que lhe confere grande poder de escolha e decisão sobre o seu destino. Assim, a máxima instância do livre ar- bítrio é o momento em que, no espaço entrevidas, o espírito passa a tomar conhecimento de todo o seu karma, e assim pode elaborar sua próxima vida de modo que as circuns- tâncias em que será colocado lhe facilitem a purificação, li- bertação e adiantamento espiritual. Há pessoas que, mesmo tendo acesso a esse incrível insi- ght sobre seus próximos passos evolutivos, se negam a percorrer o caminho. É nesse momento que os senhores do karma podem tomar a frente e forçar a escolha para o ca- minho que eles sabem ser melhor para o espírito. Uma pro- vação muito dura pode ser empreendida em prol de um de- senvolvimento superior. Como já exemplificamos, eles fa- zem tal como o pai que, sabendo dos benefícios de uma 96
  • 97. vacina, obriga seu filho a tomá-la, mesmo que este berre e se agite recusando a dor que a injeção proporciona.  A Terapia de Vidas Passadas, com todo o seu cabedal de conhecimentos e prática terapêutica, deixa clara a verdade de que a alma é a causa e o efeito de si mesma. Ela per- corre a eternidade a fim de encontrar a verdadeira liberdade de ser e existir. Por outro lado, quanto mais conseguimos tratar nossas vidas passadas, mais descobrimos quem so- mos e maior autonomia, independência e liberdade con- quistamos para a nossa evolução. A Evolução Espiritual A evolução espiritual é a ascensão espiritual do homem,sua progressiva purificação e regeneração ao cabo de inumeráveisrenascimentos. A evolução não se restringe apenas ao reino humano,ela existe em todas as formas animadas e inanimadas: no homem,animal, vegetal, mineral, atômico, elemental, dévico, angélico,extraterrestre, dentre outros. Tudo no cosmos possui umaconsciência mais ou menos elevada, conforme o nível em que seencontre. Existem três visões gerais da evolução:1) Evolução linear: A evolução, dentro dessa visão, ocorre atravésde experiências sucessivas da alma no campo material eexperiencial, onde o espírito vai adquirindo conhecimentos,aprendizagem, habilidades e capacidades, resguardando econservando em si mesmo estas experiências e aprendizado. Dessaforma o espírito vai evoluindo. Trata-se de um modelo de evoluçãolinear, progressista e positivista, o qual René Guenon e outrosmetafísicos procuraram contestar.Em outras palavras, a evolução é um processo de aquisição gradual,algo que não possuímos em nosso ser essencial, mas algo quedevemos buscar. A evolução aqui descrita assemelha-se a umaescada na qual devemos subir degrau por degrau para atingir o cume,onde supostamente existe uma perfeição que está a nossa espera.2) Evolução cíclica: Nessa visão, a evolução não se apresenta demodo estritamente linear, mas de forma cíclica. Há subidas edescidas; há desníveis e descontinuidade. Aparentemente estamosavançando, mas logo decaímos e enfrentamos um pesado karma.Uma parte de nosso karma passado se manifesta e tudo parecedesabar. Aqui a aquisição de lições e aprendizados não é linear, masvai oscilando em altos e baixos. Nessa perspectiva, a alma poderegressar, mas esse retorno também provoca a força para umimpulso que eleva e compensa a queda anterior, projetando a alma auma ascensão cada vez mais sutil. 97
  • 98. Exemplo1: uma pessoa vai praticando meditação e sente-se bem etranquila. Conforme vai aprofundando nas práticas, ela vai remexendoas camadas mais sombrias do seu inconsciente e do karma passado.Toda sorte de samskaras adormecidos, como raivas, desequilíbrios,impulsos negativos, tristezas, dentre outros, vão assombrando opraticante. Assim, o que aparentemente era estável, passa amanifestar as impurezas de centenas de nascimentos e mortesanteriores. Sob um ponto de vista restrito, isso parece uma decaída eaqui muitos praticantes espirituais se desviam de seu caminho, poracreditar que não estão tendo progressos ou mesmo que estãopiorando sua situação.Exemplo2: uma pessoa pode ser uma cristã convicta numa vida e sernazista na última vida. Isso só acontece quando uma parte de seuser, (digamos mais autoritária e negativa) não se manifestou na vidade cristã e se expressou mais plenamente na vida de nazista. Issonão implica numa involução, mas tão somente num aparecimento deaspectos negativos numa vida (a vida de nazista) que não tinhamainda aparecido em outra (na vida de cristã convicta).Alguns impulsos podem se fazer presentes numa existência e não emoutras. Tais impulsos podem existir em estado potencial durante umtempo, mas tão logo as condições lhes sejam propícias, essesimpulsos podem se manifestar, dando a falsa impressão de que setrata de uma involução. Dessa forma, dentro dessa visão, a evoluçãocíclica é feita de subidas e descidas onde vamos equilibrando osopostos e atingindo níveis cada vez maiores.3) Despertar da consciência: Aqui a evolução ocorre através dodespojamento, desapego e despreendimento das múltiplas camadasde consciência inferior que envolvem a alma. A evolução se dariacomo um descascar de uma cebola, onde os estratos ou níveis vãosendo transcendidos. Ou seja, os véus de maya vão se rasgando amedida que a alma vai despertando e sua visão passa a ser ampla emais clara. O que antes a alma não enxergava, passa agora a vermais nitidamente. Nessa visão, várias camadas ou invólucrosobscurecem a plena manifestação de nossa essência espiritual, comoa luz de uma lâmpada impedida de brilhar pela sujeira acumulada aoseu redor. Dentro dessa perspectiva, toda a evolução já está dentrode nós; está a nossa disposição em estado potencial, como centelhadivina esperando o momento de se expressar plenamente. Comouma semente que contém a árvore em estado potencial. Bastaapenas descobrir que já somos luz divina. A evolução aqui descritaassemelha-se a um despertar, como se tivéssemos caído num sonoprofundo do espírito, e num certo momento começássemos a abrir osolhos e ver a realidade universal já presente em nosso interior. A primeira visão é mais comum ao Espiritismo, aoespiritualismo e neo-espiritualismo dos EUA e Europa, além de sertambém encontrada no movimento New Age mais popular. A terceiravisão é mais comum ao Budismo, Hinduísmo, Yoga e diversas outras 98
  • 99. tradições espirituais. A Teosofia, a Antroposofia e outras correntesesotéricas abordam a segunda e terceira visões, embora ensinemaspectos da segunda. Parece que muitos esoteristas e espiritualistasapenas divulgam a primeira visão por ser mais simples de assimilaraos olhos do público, apesar de carecer de uma lógica mais bemfundamentada. A segunda visão, apesar de ser mais refinada, ainda éincompleta, carecendo da abrangência da terceira visão. No Zen Budismo, por exemplo, não se usa o termo“evolução”, fala-se em atingir a consciência de Buddha. Umametáfora revela bem o entendimento zen: alguns mestres defendemque a mente é como um espelho brilhante e a missão do monge deveser a contínua purificação desse espelho, limpando a poeiraacumulada, para que nela não se assente o pó. Assim, a mente seriacomo um espelho que reflete a perfeição clara e límpida da verdade,nossa natureza real. Nesse sentido, não existe para o zen a evolução gradual nosentido da soma de habilidades e conhecimentos (visões 1 e 2), masum despertar da natureza de Buddha presente em tudo. É como se apessoa estivesse caída num sono profundo e num certo momento,começasse um processo de despertar, “acordando” para a verdade epara a natureza íntima do ser. Além das três visões supracitadas, há duas visões maisgerais sobre a evolução no que se refere a origem das almas e suaqueda e ascensão. A primeira visão é antiga e tradicional, enquanto asegunda é mais recente:A Doutrina da “Queda do espírito”: A doutrina da queda é comum avárias tradições antigas. Ela é mais conhecida do ocidental através daparábola de Adão e Eva, da queda do paraíso ao reino da matéria.Essa condição de perda do paraíso implica na perda de seu estadonatural, considerado como divino pelas religiões. A condição divina éa condição anterior à queda.Para os judeus e cristãos, a queda tem origem no “pecado original”,onde Adão comeu os frutos da árvore do conhecimento do bem e domal. A aspiração ao paraíso perdido é quase universal nas culturastribais e nas religiões. Tanto nas alegorias Bíblicas quanto nasparábolas Hindus, se fala de um rompimento das relações entre o céue a terra, quando o paraíso primordial foi perdido.Nesse sentido, as tradições falam de uma involução que precede umaevolução. A involução seria a perda do paraíso, onde comungamoseternamente com a divindade e somos seres perfeitos, criados ―àimagem e semelhança de Deus‖. Ou seja, primeiro a alma devedescer de uma condição perfeita e experimentar os reinos inferiores,para depois preparar o seu retorno, a sua volta ao plano daeternidade e do infinito. Esses seriam os chamados “arcodescendente” e “arco ascendente”.Essa ideia parece contraditória, pois como seria possível perder-seum estado de perfeição? Se somos perfeitos, íntegros e completos,por que agora somos limitados, carentes, imperfeitos e errantes? 99
  • 100. Costuma-se explicar que o ser humano ainda guarda, em suaessência, a perfeição divina. Porém, o espírito perdeu seu estadodivino e caiu no mundo da ilusão, acreditando que não é herdeiro doinfinito. Mas, em última instância, a perfeição continua latente dentrodo seu ser e nunca o abandonará. Na Teosofia, vemos Alfred Sinnet,em seu livro “O Budismo Esotérico”, afirmando que tanto no início dacadeia descendente quanto no final ou a meta espiritual de todos, aúltima etapa da caminho ascendente é, de igual forma, perfeita. Há evidências dentro da TVP de que viemos do superior enão do inferior? Muitas pesquisas indicam que sim. Há suficientematerial empírico que abre brechas para a interpretação de umaorigem divina no ser humano, que aos poucos foi sendo perdida maise mais, até cair numa condição inferior como a que vivemosatualmente. Porém, esse tópico ainda merece mais pesquisa. Alémda pesquisa, é possível que seja um assunto que demande certo graude entendimento e não apenas um conjunto de dados objetivos.A Doutrina do inferior ao superior: Essa doutrina é mais aceita nomeio espiritualista. Diz-se que a evolução começou no reino atômico,depois no mineral, animal e humano, passando deste para o divino.Léon Denis diz o seguinte: ―A lei do progresso não se aplica unica-mente ao homem. Ela é universal. Há, em todos os reinos da natu-reza, uma evolução que foi reconhecida pelos pensadores de todosos tempos. Desde a célula verde, desde o embrião flutuando naságuas, a cadeia das espécies, no decurso de séries variadas, tem-sedesenrolado até nós. Nessa cadeia, cada elo representa uma forma de existênciaque conduz a uma forma superior, a um organismo mais rico, maisbem adaptado às necessidades, às manifestações crescentes davida. Mas, na escala da evolução, o pensamento, a consciência, aliberdade aparecem apenas depois de muitos degraus. Na planta, ainteligência fica adormecida; no animal, ela sonha; apenas no homemela acorda, conhece-se, possui-se e torna-se consciente. A partir daí o progresso, de alguma sorte fatal nas formasinferiores da natureza, só pode realizar-se pelo acordo da vontadehumana com as leis eternas”. Assim, a ideia da evolução progressiva e positivista impreg-nou a consciência dos primeiros estudiosos metapsíquicos que anali-savam a evolução do espírito. Eles consideraram que o espírito vaievoluindo dos reinos inferiores aos superiores, numa cadeia suces-siva e ininterrupta. No Hinduísmo existe tanto a primeira quanto a segundavisão. Na segunda visão, as almas, jivas, começam nos estágios maisprimitivos; iniciam sua jornada num grau infinitamente inferior e vãoprogredindo gradualmente, alcançando estágios mais elevados,passando pelos reinos mineral, vegetal, animal, humano e sobrehu-mano. Cada alma ou jiva contém em si mesma o princípio universaldivino, ou atman, em estado potencial, e esse atman vai sendo des- 100
  • 101. perto a medida que vai avançando espiritualmente nas diversasfases. Na primeira visão, as almas se originaram em atman, o sersupremo, o único e absoluto ser universal, do qual todas as almasvieram. Mesmo tendo sua origem na perfeição, as almas começam apercorrer várias encarnações e acabam se esquecendo dessa natu-reza divina, que se torna latente e escondida no fundo da alma, sufo-cada pelos limites impostos pelo esquecimento de nossa real condi-ção como ser supremo. As várias vidas seriam, nesse sentido, umcaminho para o retorno a essa fonte eterna, perfeita e infinita, deonde todos os seres emanaram. Consegue-se o desprendimento doesquecimento e da ilusão através do que os hindus chamam deMoksha, a libertação. A grande controvérsia dessa noção de progresso do inferiorao superior é a noção de origem divina. A pergunta que se faz é:como Deus pode, sendo perfeito, criar seres imperfeitos? Poderia aperfeição criar o imperfeito? Mas nesse caso o imperfeito não seria,ele mesmo, perfeito, já que foi criado por um ser perfeito? Se os seressão criados pela perfeição, eles não deveriam ser, tal como Deus,seres perfeitos? Além desse questionamento, podemos indagar: emque momento começa a forma mais inferior de existência? Se essaforma infinitamente inferior tem um início, não haveria sempre apossibilidade de se criar algo ainda mais inferior? Algo infinitamenteinferior não seria também, de certa forma, infinito? Esse “ponto deinício” da criação universal nunca poderia ser identificado nem notempo nem no espaço, pois sempre haverá uma brecha para algo quelhe seja anterior em origem e inferioridade. Assim, quanto a essasduas visões, trata-se ainda de uma incógnita. Ou pode-se tentar uniras duas em uma só: as almas nasceram da perfeição, mas a perde-ram após penetrarem no ilusório e, após essa perda, iniciaram suajornada do inferior de volta ao superior, de onde sairam. De qualquerforma, a criação das almas permanece ainda sendo um mistério a serdesvendado.  Evolução das espécies é bem diferente da evolução espiri- tual. Enquanto a primeira diz respeito ao desenvolvimento das espécies dentro do plano físico, a segunda descreve as etapas do crescimento, purificação e despertar do espírito.  O ser é uno com o infinito, o todo universal. Sua evolução se dá na medida em que ele se aproxima da unidade. Em última instância, não há qualquer divisão entre o espírito u- niversal e os seres viventes. Somos como uma imagem do sol num espelho empoeirado, incapaz de externar seu grandioso brilho. Na medida em que esse espelho vai sen- do purificado, o sol (nosso ser real) vai expandindo sua lu- minosidade, que é sua verdadeira natureza.  O ser sempre existiu; nunca teve um começo temporal. Vi- ve desde a eternidade e viverá para sempre. Suas formas 101
  • 102. de manifestações e seus estados e condições podem variar ao longo de sua jornada, mas sua essência permanece in- tocável.  O objetivo da vida é um só: a evolução. O progresso e o a- diantamento incessante do espírito em sua jornada cós- mica. Tudo na vida do espírito sempre conspira para a a- bertura de possibilidades sempre crescentes. Há um pro- pósito em toda a vida e em tudo o que nos acontece, mas ainda somos incapazes de percebê-lo em nossa rudimentar compreensão.  A eternidade e o infinito são aqui e agora. Não existe eterni- dade do passado ou do futuro, assim como não há espaço infinito que não seja aqui mesmo. O presente é o único momento eterno que existe e o infinito está em todos os lu- gares.  ―O renascimento ocorre em zonas materiais ou imateriais que correspondem a nossa sintonia, desejos, aspirações e necessidades. O padrão de energia que estamos, com ba- se em tudo o que vivemos em existências anteriores e em nosso grau de consciência, determinará as condições do nascimento, da vida e da morte seguinte‖ (Livro: Regressão e Espiritualidade)  ―O ser não retrograda nunca em sua evolução, assim como não ascende se não possuir méritos. Todo aperfeiçoamento realizado de uma experiência bem atravessada é terreno seguro conquistado, sem o qual ele não poderá elevar-se ainda mais e, da mesma forma, não poderá retornar a graus inferiores, posto que aquilo que é do espírito, não se- rá perdido nunca.‖ (Livro: Regressão e Espiritualidade). O Dharma Dharma é uma palavra sânscrita muito conhecida no Hin-duísmo e no Budismo. Dharma vem da raiz (dhr = suster; manter) queagrega múltiplos significados. Dharma é uma palavra que não temtradução direta para as línguas ocidentais, mas costuma-se defini-lacomo Lei universal, doutrina maior, justiça, dever, ordem cósmica,dentre outros. No Hinduísmo, o Dharma é compreendido como uma Lei ouprincípio universal que rege o mundo e que deve ser seguida dentrode certos preceitos e deveres, formando uma ética comum a todos.Para o Hindu, o Dharma tem um sentido prático, de convivência evalores morais. Este abrange o comportamento em nossa casa, asorações, a meditação, a alimentação, dentre outros. No Budismo, o 102
  • 103. Dharma indica a Doutrina e a Lei de Buda. Em tempos recentes, oDharma passou a assumir um sentido mais metafísico e passou a serconsiderado o fundamento último da existência (Abbagnanno, Dicio-nário de Filosofia). Dharma e Karma são dois conceitos que muitas vezes for-mam um contraste entre si. Diz-se que estar de acordo com o Dhar-ma, não gera karma e ajuda no despertar espiritual. Porém, aquelesque se afastam do Dharma, começam a gerar um karma que traráfrutos negativos futuramente, que atrasa o nosso progresso. Algumasreferências citam o karma como o débito do passado e o Dharmacomo o crédito do passado, mas essa comparação parece não sermuito precisa. O Princípio Holonômico Princípio Holonômico é um termo citado no livro de RogerWoolger (1978) que representa um princípio segundo o qual cadaelemento psíquico reproduz a totalidade de todo o psiquismo. Emqualquer parte ou aspecto do psiquismo é possível encontrar a suatotalidade em cada uma de suas partes. Segundo Woolger, “tudo napsique espelha todas as outras coisas‖. Esse princípio é semelhante ao princípio do holismo. Acres-centa Woolger que ―a terapia não se limita mais a um ponto de en-trada no complexo. Não importa mais se eu começo na infância, como corpo, com a situação da realidade, com o trauma do nascimentoou com vidas passadas; qualquer destes aspectos pode levar-nos aosentimento nuclear do complexo quando trabalhado de maneira ade-quada‖. Isso significa que, através de qualquer ponto de entrada,podemos atingir o núcleo de um complexo, sem a necessidade decomeçar por um aspecto ou por outro, da mesma forma que qualquerponto de uma circunferência tem a mesma distância do centro de umcírculo. Um elemento específico da consciência pode trazer à tona opotencial da totalidade. Esse é o mesmo princípio da visão holísticaque afirma que a parte reproduz o todo. Esse é o paradigma holísticoou paradigma holográfico. As tradições espirituais de sabedoria também professamesse princípio. Para a Tradição, o mundo físico e objetivo é encaradocomo um reflexo do absoluto. Para darmos um exemplo, no BudismoMahayana, o universo é comparado a uma grande rede de jóias, emque o reflexo de uma destas jóias está contido em todas as jóias, e oreflexo de todas as outras está contido em uma. Isso significa que amultiplicidade dessa rede de jóias é formada por uma única jóia e atotalidade delas reflete uma jóia fundamental, que está em todas e emnenhuma. 103
  • 104. A Sincronicidade Sincronicidade é um termo criado por Carl Gustav Jung pa-ra definir os acontecimentos que não possuem uma relação causal,mas uma relação por nexo de significados. Trata-se de um princípionão causal de compreensão. ―Coincidência significativa‖ é outro termoque define o processo da sincronicidade. As circunstâncias de umdado evento não aparecem aleatoriamente, mas subjaz um padrão designificado que une os elementos. Quando a sincronicidade aparece,ela revela um sentido que deve ser compreendido pela mente, masnem sempre obedece a uma lógica formal e concreta. É necessárioque sobrevenha um insight para a melhor assimilação dos termos derelação. Exemplo 1: Uma mulher acabou de perder seu emprego.Caminha pela rua e ouve dois homens falando ―Em momentos difí-ceis, é preciso não desistir, pois uma hora acabamos conseguindo oque queremos‖. Esta situação não possui um vínculo causal entre asituação da moça desempregada e a fala dos homens, mas por pro-cessos sutis de significado, a fala se refletia à situação da moça. Oque Jung chamava de sincronicidade, os antigos chamavam de “s i-nais”. É necessário compreender os sinais que o universo nos trans-mite para completarmos nosso plano de vida ou roteiro kármico, alémde alcançar o autoconhecimento. Exemplo 2: Exemplo dado pelo próprio Jung no seu livroSincronicidade: "Na manhã do dia 1º de abril de 1949 eu transcreverauma inscrição referente a uma figura que era metade homem, metadepeixe. Ao almoço houve peixe. Alguém nos lembrou o costume do‗Peixe em Abril‘ (primeiro de abril). De tarde, uma antiga pacienteminha, que eu já não via por vários meses, me mostrou algumasfiguras impressionantes de peixe. De noite, alguém me mostrou umapeça de bordado, representando um monstro marinho. Na manhãseguinte, bem cedo, eu vi uma outra antiga paciente, que veio mevisitar pela primeira vez depois de dez anos. Na noite anterior elasonhara com um grande peixe. Alguns meses depois, ao empregaresta série em um trabalho maior, e tendo encerrado justamente a suaredação, eu me dirigi a um local à beira do lago, em frente à minhacasa, onde já estivera diversas vezes, naquela mesma manhã. Destavez encontrei um peixe morto, de mais ou menos um pé (30cm) decomprimento, sobre a amurada do lago. Como ninguém pôde estar lá,não tenho ideia de como o peixe foi parar ali." O terapeuta pode ajudar a pessoa a reconhecer os sinaisque o universo nos fornece. Porém, todo cuidado é pouco para nãoforçar certas interpretações. Quando a sincronicidade acontece, ela ébem clara como mensagem, embora ela possa ser aprofundada emseu significado ao infinito, pois não existem fronteiras para o sentidodos símbolos. Lembrando sempre que o terapeuta não é nenhumguru que interpreta os sinais para a pessoa. Uma investigaçãoregressiva pode até mesmo se valer do conteúdo dos sinais para 104
  • 105. revelar um sentido mais profundo em que, no estado de vigília, nãohouve o adequado entendimento. A Coincidência Um tópico que tem total relação com a sincronicidade é achamada “coincidência”. Para a Terapia de Vidas Passadas, a coinci-dência ou o acaso são processos ainda não compreendidos por nós,mas que possuem um encadeamento lógico de eventos e aconteci-mentos sutis. Muitas vezes, esses acontecimentos impulsionam aalma para a evolução ou o despertar de sua consciência. Como diz o Caibalion: ―O acaso é um nome dado a uma leinão reconhecida‖. Tendam manifesta isso de forma mais direta:―Como uma série de ‗coincidências‘ significativas de encontro compessoas, chegar a algum lugar ou encontrar livros que desempenha-rão papéis importantes em nossa vida‖. 105
  • 106. Capítulo 3 As Correntes Espirituais O Espiritismo O Espiritismo é uma doutrina religiosa codificada pelo fran-cês Hippolyte Léon Denizard Rivail, ficando posteriormente conhecidocomo Allan Kardec (nome de uma de suas encarnações como dru-ida). Allan Kardec proclamou que o Espiritismo possui três as-pectos principais: ciência, filosofia e religião. Trata-se de uma doutrinaque acredita na comunicação dos seres humanos com espíritos depessoas falecidas. Toda a doutrina espírita foi fundamentada nosensinamentos dos espíritos através do recurso da mediunidade.―Diremos, pois, que a doutrina espírita ou o Espiritismo tem por prin-cípio as relações do mundo material com os espíritos ou seres domundo invisível.‖ (Kardec). O Espiritismo é considerado pelos espíritas como um con-junto de princípios e leis revelados pelos espíritos superiores para aregeneração da humanidade. Allan Kardec publicou em 1857 a obra que seria conside-rada a principal fonte dos ensinamentos espíritas, o chamado “O Livrodos Espíritos”. O Livro dos Espíritos foi recebido mediunicamente porduas médiuns parisienses. O Espiritismo da França migrou para oBrasil e encontrou grande receptividade entre os brasileiros. O Espiritismo conta com vários livros principais, como o jácitado “O Livro dos Espíritos”, o “Evangelho Segundo o Espiritismo”,“O Livro dos Médiuns”, “O Céu e o Inferno”, “A Gênese”, “O que éEspiritismo” e os volumes da “Revue Spirite”, ou Revista Espírita(pesquisas da sociedade parisiense de estudos espíritas). Além daschamadas “obras básicas”, existem as obras que foram denominadasde “obras complementares” dentro do movimento espírita brasileiro,algumas delas são as conhecidas obras do médium mineiro FranciscoCândido Xavier que ganhou grande repercussão no Brasil e no mun-do ao psicografar mais de 400 obras em quase 70 anos de trabalhomediúnico. As principais críticas feitas ao Espiritismo é que a forte per-sonalidade e influência de Allan Kardec pode ter modificado as res-postas dos espíritos às principais perguntas da obra “O Livro dosEspíritos”. Segundo o francês René Guenon, expoente do esoterismoe do estudo da Tradição, o mestre lionês teria utilizado as médiunsinconscientemente como um “espelho mental”, ou seja, as médiunsteriam tão somente reproduzido aquilo que Kardec as transmitia pelopensamento, captando as respostas não dos espíritos, mas da pró-pria mente e crenças de Kardec. De qualquer forma, as pesquisas de 106
  • 107. Allan Kardec confirmam as pesquisas atuais no campo da Experiên-cia de Quase-Morte e da Terapia de Vidas Passadas. O Espiritismo tem como princípios básicos:1) A existência de Deus: ―Sendo considerado inteligência suprema,a causa primária de todas as coisas.‖ (…)‖Deus é eterno, infinito,imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo ebom.‖ Deus nunca esteve inativo e cria os espíritos a todo momento.A prova da existência de Deus seria o axioma de que “não há efeitosem causa” e de que o nada não pode criar coisa alguma.2) A existência e imortalidade do espírito: O espírito é o ―Princípiointeligente do universo‖. (…) ―A inteligência é um atributo essencial doespírito‖. Segundo os espíritos, não é fácil explicar o espírito na lin-guagem humana. Os espíritos não teriam uma forma determinada aosolhos dos encarnados, mas eles podem ser considerados uma ―cha-ma, um clarão ou uma centelha etérea‖. Eles viajam ―rápido como opensamento‖. Cada espírito é uma ―unidade indivisível, mas podeestender seus pensamentos para muitos lugares‖. O espírito é imor-tal, viverá para sempre, não havendo um fim para ele.3) A Lei de Causa e Efeito: Conhecida dos orientais como lei dokarma. Tudo que fizermos aos nossos semelhantes e ao mundoretorna para nós. Colhemos aquilo que plantamos. Toda causa temseu efeito e todo efeito tem sua causa. Essa é a lei base para a com-preensão do mecanismo da reencarnação.4) O Livre arbítrio: O homem possui livre escolha para seguir osrumos do seu destino. Mas ao mesmo tempo é responsável por tudoo que decide e colherá posteriormente os frutos de suas obras. Oespírito escolhe o gênero de provas pelas quais quer passar, masessas dependem das suas necessidades evolutivas. Escolhe-seapenas o gênero das provas, mas os detalhes são consequência dascondições do meio.5) O contato com os espíritos: Essa comunicação com os espíritosse dá através do fenômeno da mediunidade. A mediunidade, diz-se, éum fenômeno de cunho universal, sendo encontrada em praticamentetodas as culturas antigas. O que varia é a sua forma de utilização naspráticas dos diferentes povos. Allan Kardec codificou diversos tiposde mediunidade: médiuns de efeitos físicos, médiuns sensitivos,audientes, videntes, sonambúlicos, curadores, pneumatógrafos,escreventes, dentre outros.6) A pluralidade dos mundos habitados: Segundo o Espiritismo,todos os mundos ou globos são habitados, pois não haveria sentidoem dizer que Deus teria feito algo inútil no universo. A vida em outrosmundos é adaptada ao meio em que vivem. ―Se nunca tivéssemos 107
  • 108. visto os peixes, não compreenderíamos que seres pudessem viver naágua‖, diz “O Livro dos Espíritos”.7) A lei da evolução espiritual: Todo espírito deverá adiantar-seespiritualmente e atingir a condição de espírito puro em sua últimaencarnação. O espírito não pode elevar-se sem passar pelos degrausanteriores da escala. O número de níveis nessa escala é ilimitado,mas costuma-se dividi-los com fins didáticos. Há dez classes deevolução na escala espírita: espíritos impuros, espíritos levianos,espíritos pseudo-sábios, espíritos neutros, espíritos batedores eperturbadores, espíritos benevolentes, espíritos prudentes ou sábios,espíritos de sabedoria, espíritos superiores e espíritos puros. Quantomais o espírito é puro, mais inclinado está para fazer o bem e para selivrar das paixões que o degradam. Elevação do espírito nada tem aver com posição social. O brilho dos espíritos varia de uma sombra aobrilho de um rubi.8) A existência de um corpo espiritual (perispírito): Para o Espiri-tismo, existe o chamado perispírito: ―O espírito é envolvido por umasubstância vaporosa para vós, mas ainda bem grosseira para nós; ésuficientemente vaporosa para poder se elevar na atmosfera e setransportar para onde quiser. O perispírito retira seu envoltório semi-material do fluido universal de cada globo. (…) Ao passar de ummundo a outro, o espírito muda de envoltório, como trocais de roupa‖.O espírito, por meio do perispírito, toma a forma que melhor lhe con-vém para a sua manifestação. A TVP e o Espiritismo encontram muitos paralelos, analo-gias e semelhanças. Obviamente, tanto as semelhanças quanto asdiferenças entre os dois daria um volume inteiro e nem tudo seria dito.Por isso, vamos apenas citar alguns dos pontos em comum paradeixar esse tópico mais claro a terapeutas e espíritas. Para um maioraprofundamento, podemos nos reportar ao livro escrito pelo terapeutade regressão Milton Menezes ―TVP e Espiritismo: distancias e apro-ximações‖. Algumas das similaridades mais importantes são:  A existência de uma alma ou espírito.  A realidade da reencarnação.  A lei de causa e efeito (também chamada de Lei do Karma na TVP).  A existência de um corpo espiritual, o perispírito (por vezes chamado de corpo astral na TVP).  A possibilidade do resgate das memórias de encarnações passadas (perguntas 395 e comentários da 399). 108
  • 109.  A pluraridade dos mundos habitados (a vida extraterrestre vista pelos remigrantes, ou pessoa que faz a regressão).  A vida após a morte (amplamente conhecida e estudada na TVP).  A simpatia e antipatia entre os espíritos.  A escolha das provas (o plano de vida ou roteiro kármico na TVP).  A evolução espiritual (o propósito supremo da vida).  A influência dos espíritos sobre os encarnados (chamada por vezes de obsessão ou possessão espiritual).  Os espíritos protetores (mestre, mentor ou guia espiritual).  O livre arbítrio do homem, dentre outros. Além dos paralelos mencionados acima, que são parte in- tegrante dos escritos do francês Allan Kardec, encontramos obras do Espiritismo brasileiro que dão indicações de outras similaridades, como:  Os centros de força (chamados de chakras na TVP e no esoterismo).  O campo magnético ou biomagnético, chamado no esote- rismo de aura (na TVP existe uma técnica de exploração da aura).  O desdobramento espiritual, ou emancipação da alma (cha- mada de experiência fora do corpo na TVP e na parapsico- logia).  A existência dos espíritos da natureza (elementais ou de- vas na TVP, no Esoterismo e na Teosofia); os espíritos da natureza são mencionados nas obras do movimento espí- rita brasileiro e também em O Livro dos Espíritos, pergunta 536 à 540, dentre outras ideias parecidas. Observamos, nesse sentido, que o Espiritismo e a Terapiade Vidas Passadas têm bastante em comum. Por outro lado, háalgumas diferenças fundamentais que também merecem ser citadasnesta oportunidade: O Espiritismo vai da revelação à experiência: Isso signi-fica que o Espiritismo não surgiu como método empírico, mas surgiu a 109
  • 110. partir das revelações de espíritos superiores dadas à Allan Kardec eoutros partidários e entusiastas da doutrina. Quando uma doutrinanasce da revelação e não de experiências empíricas, há uma tendên-cia a se considerar a revelação como definitiva e intocável, como setudo já tivesse sido dito e ensinado. Essa noção, no entanto, contra-diz a própria recomendação de Allan Kardec, quando diz em váriaspassagens que o Espiritismo deve permanecer como uma ciência daobservação e progredir com o tempo e os avanços da ciência. Apesar de o próprio Allan Kardec ter sido também, de certaforma, um empírico, sua doutrina tem o caráter de revelação, e issoacaba tendo como consequência certa estagnação dentro de algunssetores espíritas. Nesse sentido, as pesquisas empíricas, as observa-ções sistemáticas acabam cedendo lugar a respostas prontas e fe-chadas tendo como base única e exclusivamente as obras da codifi-cação de Allan Kardec. Isso é, obviamente, totalmente contrário aoesforço de pesquisa empírica que deveria ter caracterizado o Espiri-tismo desde os seus primórdios. Por outro lado, TVP surgiu a partir das pesquisas com aHipnose clássica e a Hipnose regressiva. Relatos espontâneos devidas passadas foram surgindo, sem qualquer base numa revelaçãosuperior, mas apenas como resultado de uma experimentação comvários indivíduos. Assim, a TVP deve ir da experiência a sua valida-ção através de mais e mais testes empíricos e resultados terapêuti-cos. A partir desses dados empíricos, pesquisados exaustivamente,uma teoria vai tomando forma e sendo sistematizada. Mas mesmoesta teoria não deve ser considerada jamais um conjunto de princí-pios fechados e inalteráveis, pois eles devem sempre ser confirmadospela prática. O Espiritismo considera a autoridade dos espíritos: Pa-ra a doutrina espírita, a autoridade dos chamados espíritos superioresou puros é irrefutável, pois se encontram num nível de progresso eadiantamento moral e espiritual muito mais avançado do que a médiados encarnados. Dessa forma, qualquer modificação que se possarealizar na doutrina espírita deve necessariamente passar pela apro-vação desses seres elevados. Uma vez escrito na codificação deAllan Kardec, o princípio ensinado conquista ares de eterno e nãopode ser revisto, a não ser por descobertas científicas que o refutem. Já a TVP não considera a autoridade de nenhum mestreexterno, mas focaliza suas pesquisas no material empírico e experi-mental que vai surgindo conforme suas pesquisas e sua prática tera-pêutica. Embora exista o contato com o “mestre” ou com o Eu Superi-or, a autoridade de sua mensagem deve ser corroborada por umaamostra significativa de relatos semelhantes, com terapeutas e pes-quisadores em diferentes lugares e épocas para que se forme umpadrão a ser considerado como válido. O Espiritismo é essencialmente cristão: A obra espírita“O Evangelho Segundo o Espiritismo” ressalta os aspectos espíritas 110
  • 111. que encontram ressonância no cristianismo. O Espiritismo se autoin-titula o ―cristianismo redivivo‖ e o ―consolador prometido‖ e aceita odesafio de renovar o cristianismo, trazer-lhe as noções corretas,restaurar a ideia da reencarnação e realizar outras modificações. ATVP não professa nenhuma visão devocional, confessional, sacerdo-tal, seja cristã, budista, judaica, islâmica etc. Mas procura extrair dastradições de sabedoria o néctar dos ensinamentos para uma com-pletamentação ou explicação de algumas lacunas que surgem emsua prática experimental. O Espiritismo não estuda os símbolos: O Espiritismopossui sua base bem assentada numa herança positivista e raciona-lista da metade do século XIX. Allan Kardec, de certa forma, reproduza ideologia positivista e procura uma síntese entre o cientificismoclássico e o cristianismo ortodoxo. Dessa forma, o Espiritismo nãocorrobora o estudo dos símbolos da psiquê ou arquetípicos. Por outrolado, a TVP dá grande importância à produção simbólica do inconsci-ente, inclusive dotando-a de poder terapêutico, tal como a Psicaná-lise, a Psicologia Junguiana, Psicossíntese e outras abordagens depsicoterapia. A Teosofia A palavra é composta dos radicais gregos Theos (Deus) eSophia (saber). Significa “sabedoria de Deus” ou “sabedoria dascoisas divinas‖. Inicialmente o termo Teosofia foi utilizado por alguns neo-platônicos, (Dicionário de Filosofia, Ferrater-mora), em especial Amô-nio Sacas. Jacob Boehme também usou o termo “teósofo” em dois deseus livros. A palavra Teosofia ficou amplamente conhecida após afundação da Sociedade Teosófica, tendo como figura central a ocul-tista Helena Petrovna Blavatsky (HPB). Segundo Helena Blavatsky a Teosofia pode serconsiderada "o substrato e a base de todas as religiões e filosofias domundo, ensinada e praticada por uns poucos eleitos, desde que ohomem se converteu em ser pensador. Considerada do ponto devista prático, é puramente ética divina". A Teosofia modernaressurgindo a partir dos escritos de HPB e de outros escritores daSociedade Teosófica se assenta sobre algumas bases e princípiosessenciais, como os que seguem:  Todas as coisas do Universo têm sua origem a partir de uma fonte infinita, ilimitada, incognoscível e eterna. Após um período de manifestação sobrevém uma fase de repouso da energia expressa retornando ao imanifesto. ―O universo é a combinação de milhares de elementos, e con- tudo é a expressão de um simples espírito – um caos para os sentidos, um cosmos para a razão‖ (Blavatsky). 111
  • 112.  Tudo no cosmos é vivo, inteligente, vibrante, consciente e divino. As leis naturais e os princípios da vida são impulsionados e regulados por inteligências hierárquicas superiores. Uma das leis mais importantes é a lei de causa e efeito, ou lei do karma, que preside toda a manifestação em vários graus de escala universal. A reencarnação é um dos principais pilares da doutrina. Acreditam os teósofos numa série numerosa de nascimentos do mesmo Ego. Há, no entanto, uma distinção entre personalidade e individualidade. A personalidade é temporal e passageira; a individualidade não é perdida após a morte. ―A doutrina fundamental da filosofia esotérica não admite privilégios ou dons especiais no homem, salvo aqueles adquiridos por seu próprio eu, através de esforços e méritos pessoais, durante uma longa série de metempsi- coses e reencarnações‖ (Blavatsky). Para a Teosofia não há criação, mas ressurgimento cíclico. Os teósofos crêem nas manifestações sucessivas e periódicas do cosmos por emanação ou irradiação da essência divina. Essas manifestações são cíclicas e se assentam na lei dos ciclos e do ritmo. Tudo no Universo é regido pela lei do setenário, seja no metafísico ou no físico. Esse fenômeno universal decorre do mistério do número sete, representando uma lei chave para a existência universal. Os números não são meras abstrações matemáticas de raciocínio objetivo e mensurável do concreto. Os números são verdadeiros princípios; são ideias supremas, arquétipos, ou noções filosóficas adiantadas. Neles encontram-se a chave para a compreensão de inúmeros fatos ocultos. ―Pitágoras ensinava que todo o universo é um vasto sistema de combinações matematicamente corretas. Platão mostra a deidade geometrizada. O mundo é sus- tentado pela mesma lei do equilíbrio e harmonia sobre a qual foi construído‖ (Blavatsky). A evolução é um princípio universal e não se limita a Terra, mas existe no mundo físico e no anímico. “A evolução na Terra, afetando homens, animais, vegetais e minerais procede da evolução de outros planetas” (A Doutrina Teosófica, Blavatsky). 112
  • 113.  Existem sete raças-raízes. Atualmente estamos na quinta raça-raiz. Cada raça desaparece por ocasião do surgimento da próxima.  A Teosofia apresenta o universo e o ser humano composto de sete níveis, sendo constituído de três princípios e quatro veículos.  A humanidade tem uma mesma origem espiritual, herdeira de uma unidade essencial infinita, eterna e incriada.  A raça lemuriana era a terceira raça-raiz e os atlantes a quarta raça. Existiram evoluções significativas nesse período.  A alma ou espírito desce ao mundo da ilusão e transição para aprender, adquirir experiências e autoconsciência, purificando seu ser e despojando-se gradualmente dos seus veículos inferiores ou camadas de consciência, quando então vai retornando à fonte primordial de onde vieram todas as almas, quando se fundem numa unidade paradoxalmente sem qualquer perda de quem somos.  O princípio da correspondência ou lei das analogias rege o universo e é a chave para a compreensão da estrutura fundamental do cosmos. Isso foi descrito no axioma hermético: ―Assim como é em cima é também embaixo‖.  O pensamento, os desejos e nossas energias se projetam e ultrapassam os limites do nosso corpo e mente, influenciando e modelando os arredores de nossa existência, contaminando a sequência de acontecimentos futuros e atraindo energias de mesma natureza.  Enquanto nos planos inferiores o pensamento é abstrato e intangível, nos planos superiores ele é tangível e tão real como uma parede é real para nossos sentidos físicos.  Em manifestações sucessivas os grandes instrutores e redentores da humanidade nascem no mundo. Eles trazem mensagens espirituais, servem de exemplo moral e ético, impulsionam o desenvolvimento do pensamento humano, promovem reformas variadas em correntes espirituais e organizações iniciáticas, além de ajudar a purgar certa parcela do karma planetário. Os Teosofistas acreditam que há cinco aspectos queinduzem uma alma a reencarnar. Essas condições poderiam ser 113
  • 114. resumidas em alguns fatores, como apego, desejo, karma, omagnetismo terrestre e a necessidade de manifestar-se paraconhecer-se. Para que fique mais bem compreendido, vejamos osfatores principais: 1) A atração exercida pelo planeta Terra 2) O nosso karma individual ligado ao karma coletivo do planeta. 3) O desejo de obter impressões externas a fim de reforçar nossa autoconsciência. 4) O desejo de autoexpressão no plano da manifestação. 5) O apego a objetos materiais e a estados e condições sensório-físicas. Obviamente, verificamos facilmente que todas as ideiasexpostas guardam semelhanças claras com os conceitos da Terapiade Vidas Passadas. No entanto, há certas divergências superficiais,conforme assinalaram Hans Tendam e outros pesquisadores. Umadas maiores discordâncias é o tempo do entrevidas. Alguns teósofosacreditam em intermissões de vários séculos. Diz Tendam que aolongo do desenvolvimento da Teosofia, a ideia dos teósofos sobre otempo do entrevidas vai ficando cada vez mais curto. As pesquisas deIan Stevenson com crianças também parecem não confirmar asideias teosóficas sobre o tempo de intermissão. Outra divergência seria a mudança de sexo. Teósofosafirmam um caráter cíclico para essa mudança, com três ou seteencarnações em cada sexo, masculino ou feminino. Até o momento,as pesquisas com regressão não confirmaram nem refutaram essadeclaração, trata-se ainda se uma questão em aberto. Mas aprincípio, não parece existir essa sucessão. Como esse assunto éextremamente vasto, nos limitaremos a algumas consideraçõesgerais. Para maiores informações a esse respeito, ver os livrosPanorama da Reencarnação 1 e 2, de Hans TenDam. O Budismo Tibetano (O Livro Tibetano Dos Mortos) Também chamado de Bardo Thodöl, cujo significado é ―Li-bertação pela audição no plano pós-morte‖. Trata-se de um textotibetano muito antigo cuja mensagem era oculta ao público em geral,sendo apenas transmitida de mestre a discípulo ao longo do tempo.Porém, por algum motivo desconhecido ou não especificado, seuconteúdo passou a ser aberto e qualquer pessoa poderia ter acesso. Ninguém sabe ao certo há quantos séculos o Livro tibetanodos mortos foi escrito. Não existem registros de sua origem, portratar-se de uma tradição secreta e oral, passada de boca a ouvido aolongo do tempo. No entanto, acredita-se que o texto remonte a VIIId.C., na época do grande mestre tibetano Padma Shambava. 114
  • 115. O Livro Tibetano dos Mortos afirma não apenas que existevida após a morte, mas que é possível morrer de forma consciente ede um modo que seja proveitoso para o despertar espiritual. O livro égeralmente lido em voz alta a uma pessoa que está bem próxima damorte e continua a ser recitado mesmo após a passagem do indiví-duo. Isso é uma indicação de que os tibetanos acreditavam que,mesmo após a morte, a pessoa permanecia de alguma forma man-tendo contato com o local onde morreu (ao menos por algum tempo)e assimilava aquilo que era proclamado com a leitura do livro. Dessaforma, uma pessoa que passa pela transição entre a vida e a mortecom conhecimento de causa e sabendo com profundidade o queacontece “do outro lado da vida” pode aproveitar essas informações esaber como se conduzir nos diferentes estados e planos de consciên-cia do pós-morte. Nesse sentido, o Livro Egípcio dos Mortos possui amesma intenção: ajudar o moribundo no passamento do limiar damorte e ser um guia para esse momento de suma importância na vidada alma. O Livro Tibetano dos Mortos foi trazido ao ocidente pelo Dr.graduado em Oxford T. W. Evans-Wentz, que escreveu um livro noinício do século XX (1927) traduzindo e explicando o Livro Tibetanodos Mortos. Carl Gustav Jung escreveu um prefácio de uma dasedições do livro analisando seu conteúdo do ponto de vista psicoló-gico. Jung declarou ter sido um leitor assíduo do livro e que devia aele muitas de suas ideias. Jung escreveu que ―todo leitor sério forço-samente irá perguntar-se se estes antigos e sábios lamas, afinal decontas, não poderiam ter vislumbrado a quarta dimensão, arrancandoassim o véu dos maiores mistérios da vida‖. Jung ressalta ainda quepor se tratar de um livro aberto hoje em dia, isso não significa quetodos consigam compreende-lo em sua essência. Assim, se tornouaberto para o público, mas continua “fechado” ao entendimento demuitos. A mensagem central do livro tibetano dos mortos é basica-mente a seguinte: o texto explica que após a morte, a pessoa desen-carnada se confrontará com várias cenas, visões, aparições etc. Emcada um dos bardos, a pessoa terá a experiência de cenas e visõesdiferentes, mas ela deve atravessar tudo isso com total tranquilidade.Para tanto, é necessário compreender uma coisa essencial: tudo oque ela vir e experimentar lhe parecerá real, mas trata-se tão so-mente do conteúdo de sua própria mente projetado no exterior etornado perceptível tal como se fosse realidade. O texto adverte queas visões não são verdadeiras, são apenas uma emanação da cons-ciência do observador. O livro insiste que a pessoa deve focalizar a Lua Clara enão se abalar com tudo o que lhe vier de percepções aparentes. Aúnica verdade é a Luz Clara, uma manifestação do vazio de formas esubstâncias, mas plena de vida. Concentrando-se na Luz e deixandode lado todo o resto, o morto poderá atingir o universal, a iluminação.Caso não tenha sucesso, a alma cairá novamente no mundo fenomê-nico e retornará ao ciclo dos renascimentos. 115
  • 116. Como o conteúdo da mente projetado no espaço e tornadovisível à pessoa depende de suas crenças e criações mentais, cadapessoa verá uma coisa diferente. As imagens descritas no livro sãoadaptadas à cultura tibetana, que possui uma visão específica do queocorrerá após a morte. Por isso, os autores do texto consideram queo tibetano terá certas visões, que são típicas dos costumes religiososdo povo. Mas o que está descrito pode variar de pessoa para pessoa,de cultura para cultura, dependendo das expectativas dos recém-desencarnados. Dessa forma, os cristãos ortodoxos poderão tervisões sobre o purgatório, o inferno ou mesmo o paraíso. Tudo issovaria de acordo com as crenças, pensamentos, sentimentos e ex-pectativas de cada um. Essas indicações do Bardo Todhöl assemelham-se signifi-cativamente às recentes pesquisas da Terapia de Vidas Passadas.Na TVP, autores escreveram que a alma se depara com suas cria-ções mentais e expectativas e percebe mesmo aquilo que espera queaconteça. Podemos nos questionar se além desta, há outras seme-lhanças entre o Bardo Todhöl e as recentes pesquisas com regressãoa vidas passadas. Podemos enumerar outras possíveis semelhanças:Vida após a morte: A própria realidade da vida após a morte. Essaideia é abordada em todo o livro e enfatiza claramente que o real nãopode ser encontrado na rede de ilusões do mundo, mas apenas noesplendor dos planos superiores.Planos de realidade: A existência de outros planos de realidadealém do plano físico. O Bardo Thodöl vai descrevendo os diversosestágios ou níveis de percepção da ascensão do eu.A Luz Clara: A existência da Luz Clara, a famosa luz no fim do túnelque relatam alguns remigrantes. . ―O teu ego e teu nome estão emjogo de acabar. Estás pondo-te em frente da Luz Clara.‖ O livro falada existência da Luz Clara, mas vai além: diz que existem três níveisdessa luminosidade, em cada um dos bardos.Transcendência e liberdade: A sensação de transcendência eunidade conferida pelo contato com a Luz Clara. ―Quando o corpo e amente se separam, experimentas uma rápida visão da verdade pura,sutil, radiante, brilhante. Vibrante, gloriosa.‖A ilusão das formas e o vazio de realidade: A percepção da au-sência de formas, objetos, tempo e espaço; mas apenas do vaziosupracósmico. ―Não-pensamento, não-visão, não-cor. É vazio. Essevazio não é o nada‖, afirma o livro. Mas é pleno de consciência erealidade universal. ―O intelecto brilhando é cheio de felicidade esilencioso. Este é o estado de perfeita iluminação‖.As criações mentais exteriorizadas: Há três estados de perda dosinvólucros ou camadas da consciência, as três diferentes formas de 116
  • 117. expressar a individualidade no plano objetivo (etérico, astral e men-tal). ―Agora vais experimentar três bardos. Três estados de perda doeu‖. O que o livro chama de ―jogos de alucinações fantasticamentevariados‖ são as formas percebidas por aqueles que acabaram demorrer, mas que ainda acreditam e afirmam a realidade das formas-pensamentos concentradas na última vida. Vemos aquilo que criamosmentalmente ao longo da vida. ―Para ti é suficiente saber que estasaparições são as formas de teu próprio pensamento‖.Em outra parte, o livro ressalta que a libertação do jogo ilusório daexistência é possível através da observação das formas psicológicasque atravessam nossa mente: ―Medita calmamente sobre o conheci-mento de que estas visões são emanações de tua própria consciên-cia. Desta maneira podes obter conhecimento próprio e libertar-te. Noretorno ao plano dos nascimentos e mortes, a alma aguarda seunascimento‖.Roteiro Kármico ou Plano de vida: O Livro Tibetano dos Mortosdeclara, assim como a TVP, que é possível selecionar e antever apersonalidade da próxima vida. O Bardo Thodöl não dá detalhessobre isso, mas afirma que ―É quase tempo de voltar. Faz a seleçãode tua futura personalidade de acordo com os melhores ensinamen-tos. Escuta bem: os sinais e características do nível de existência avir aparecerão ante ti em sinais premonitórios. Reconhece-os‖. Em-bora isso não esteja especificado, é possível que a frase ―de acordocom os melhores ensinamentos‖ seja uma indicação dos ensinamen-tos que vêm de fontes superiores, como os Senhores do Karma, os―planejadores‖ da futura encarnação, tal como evidenciam as pesqui-sas da TVP.Predisposições na geração do feto: Pouco antes do nascimento, ofuturo encarnado é compelido a unir-se a um feto. Nesse sentido, OLivro Tibetano dos Mortos afirma que ―Teu estado mental agora,afetará seu posterior nível de ser‖. Isso pode demonstrar que, antesdo nascimento e na fase intrauterina, o estado mental, nossas rea-ções ao que ocorre no meio e nossa predisposição psíquica podeminfluenciar a geração do feto, o nascimento e as tendências futuras.Isso combina muito bem com as atuais pesquisas de regressão à faseintrauterina e antes do nascimento. As Ordens Iniciáticas As Ordens Iniciáticas são organizações, fraternidades, con-frarias ou associações de sábios, mestres ou iniciados que se unemem torno da preservação e transmissão de certo conhecimento espi-ritual e tradicional. As Ordens Iniciáticas, em sua maioria, possuemum sistema de desenvolvimento espiritual e do despertar das facul-dades latentes do ser humano baseado em graus de estudo e prática.Os membros vão ascendendo as etapas da iniciação e aperfeiço- 117
  • 118. ando-se interiormente. Muitas Ordens iniciáticas existem no planofísico e sutil; outras apenas nos planos sutis. Segundo Pierre Riffard, um dos maiores representantes a-cadêmicos do estudo do Esoterismo e das Ordens esotéricas, umaorganização iniciática pode ser definida como um ―Grupo social res-trito e fraccionário cuja estrutura, tipo, funções e funcionamento sãosecretos, não de forma exterior (sociedade secreta), mas de formainterior, já que a forma e o conteúdo são mistérios e fundamental-mente incomunicáveis.Frequentemente é exigido o juramento deguardar segredo sobre os ritos e símbolos‖. Segundo Dion Fortune (1982), consagrada ocultista, as fra-ternidades esotéricas possuem sempre dois níveis: elas existem tantono nível físico (como expressão de uma egrégora), quanto nos planossutis (a egrégora em si). Muitos acreditam que quando uma organiza-ção é extinta no plano físico, ela simplesmente deixa de existir, massegundo pesquisadores isso não é verdade. As fraternidades iniciáti-cas que encerraram sua participação no plano material podem s eracessadas mentalmente pelos discípulos, ou qualquer pessoa de boavontade e intenção pura. Elas estão eternamente gravadas na auraplanetária e por isso, sua presença sutil permanece inviolável nosplanos interiores. Dessa forma, quando se fala em ―Ordem iniciática‖não estamos fazendo referência apenas à organização ou instituiçãodo plano físico. Na Terapia de Vidas Passadas é possível retomar muitasvidas onde os atendidos foram discípulos ou iniciados nessas frater-nidades ocultas. Muitos dos juramentos prestados nessas organiza-ções, quando retiradas do seu contexto, podem provocar desequilí-brios e desadaptações na vida atual. Geralmente, as vidas dedicadasàs ordens esotéricas são muitos fortes, energéticas, agudas e pene-trantes. Elas podem induzir a comportamentos não condizentes comas necessidades culturais de hoje. Em outras situações, as vidaspodem trazer certa nostalgia, principalmente como uma fuga daconfusão dos dias de hoje, pois muitas dessas vidas eram dedicadasà meditação e interiorização e muitos clientes hoje têm certa dificul-dade de se adaptar a um mundo moderno corrido, materialista ecompetitivo. Outro exemplo de problemas são os votos de silêncio, votosde celibato, votos de pobreza e outras práticas comuns que podemgerar alguns problemas para o cliente. Não se pode afirmar queesses votos sejam negativos em si mesmos; prejudicial é o apegoque se tem em relação a eles. Muitos discípulos dessas organizaçõesantigas fizeram votos solenes de compromisso e fidelidade e seapegaram aos costumes e mentalidades de uma época. Esses votosficaram gravados em sua consciência. O apego à vida contemplativapode ser a origem dos problemas de adaptação à vida moderna. As confrarias ou fraternidades iniciáticas são em grandenúmero, mas podemos dar alguns exemplos para que o leitor consigasituar as principais organizações iniciáticas conhecidas na História,que são: 118
  • 119.  Os mistérios do Egito, na grande pirâmide de Quéops e nos vários centros iniciáticos, como Saís, Busíris, Bubástis, Pa- premes, Ombos, Abidos. Os mistérios de Elêusis, na Grécia; Os mistérios Órficos, também na Grécia; Os mistérios de Mitra, em Roma; Os mistérios do druidismo (povo Celta), na Gália e Irlanda; Os mistérios dos Essênios, próximos de Jerusalém; Algumas seitas gnósticas antigas; A corrente esotérica do Shingon budista, das palavras se- cretas (mantras) e da Yoga dos três mistérios; A Ordem dos Drusos, entre o Líbano, a Síria e Israel; A tradição da Cabala Hebraica, movimento esotérico dentro do Judaísmo (que dizem tem dado origem ao próprio juda- ísmo); A confraria dos dervixes dançarinos do Sufismo, o esote- rismo árabe; A corrente mística dos cátaros, o esoterismo dentro do Cris- tianismo; A franco-maçonaria, que dizem ser herdeira da sabedoria iniciática do Templo de Salomão e Hiran Abiff; O esoterismo da escola pitagórica de Crotona; Os mistérios da Ordem dos Templários; Os mistérios da Ordem da Rosacruz Primitiva, dentre ou- tros. 119
  • 120. Capítulo 4 A Ciência Considerações sobre o saber científico A palavra paradigma significa basicamente um modelo deprincípio e regras que orientam a prática científica e delimitam asmetodologias existentes a critérios pré-determinados. Um paradigmaé a base ou fundamento de um saber científico, seu ―pano de fundo‖,tornando-se um padrão de princípios e ideias que orientam a práticacientifica numa fase histórica. Apesar de o termo paradigma ter seexpandido popularmente e passado a significar qualquer modeloexistente, sua definição original era referente apenas aos modeloscientíficos. Platão usou o termo paradigma como significando o mun-do dos seres eternos, do qual o mundo sensório é apenas uma ima-gem (Abbagnanno). Todo paradigma nasce como um pressuposto filosófico,uma teoria abrangente que define os passos da investigação cientí-fica num dado momento histórico. A tendência dos cientistas queseguem um paradigma é não extrapolar os limites por ele demarca-dos. Os defensores de um paradigma não chegam a conclusõesdistintas do que prevê o seu modelo teórico pré-estabelecido. O conceituador do termo paradigma é o físico americanoThomas Kuhn. Kuhn tornou-se conhecido por sua contribuição àfilosofia da ciência e ao estudo das revoluções científicas ao longo dahistória. O livro “A Estrutura das Revoluções Científicas” tornou-secélebre por seus insights sobre o modo como o conhecimento étratado dentro da ciência. Raymond Moody, no livro “Investigando Vidas Passadas”diz que a ciência se fixou tanto num determinado paradigma, que setornou muito rigorosa, tão dura que acaba sendo extremamente difíciltranspor os limites pré-fixados quando a pesquisa tem como objeto deestudo os indivíduos humanos. Enfatiza Moody que provavelmente aciência terá que criar um novo paradigma para que certas pesquisasse tornem possíveis. Existe um debate sobre a cientificidade da TVP, será elacientífica ou não? Essa questão sempre nos remete ao paradigma noqual estamos tentando encaixar a TVP. Se desejamos que a Terapiade Vidas Passadas concentre suas pesquisas dentro dos limites dapesquisa do paradigma das ciências naturais, é muito provável queela jamais seja considerada uma ciência. Nos moldes das ciências naturais, nem mesmo a psicologiae a psiquiatria conseguem o status de ciência. Assim, seria necessá-rio que a ciência modificasse seu paradigma para que a regressão avidas passadas pudesse adquirir alguma autoridade dentro do campo 120
  • 121. científico. De nada adianta querer reduzir as pesquisas de regressãodentro de paradigmas mais limitados, pois é provável que poucosbenefícios brotem dessa iniciativa. Podemos fazer algumas breves considerações sobre o sa-ber científico:  A ciência é a busca pela verdade das leis gerais, de forma clara e universal, através da utilização do método científico, que visa produzir conhecimentos válidos e úteis através de práticas sistemáticas.  O conhecimento científico não está livre de ser interpretado de acordo com as crenças e pré-disposições pessoais dos indivíduos. Por isso diz-se que, embora a ciência deva per- seguir ao máximo a isenção, não há neutralidade ou impes- soalidade no que diz respeito ao conhecimento científico. O observador sempre interfere no seu objeto de estudo.  A ciência se opõe a opiniões, crenças e dogmas. O cien- tista deve ser, antes de qualquer coisa, um investigador, e não um acumulador de verdades prontas já comprovadas.  A visão da ciência como um depósito de certezas, um re- servatório de ideias fixas e imutáveis, um campo fechado de temas protegidos por normas atemporais, essa concep- ção de ciência é algo que já se esgotou há bastante tempo, e somente os cientistas que não estudam a filosofia da ci- ência ainda defendem esse conceito equivocado. Devemos inverter as coisas e tratar a ciência como aquilo que ela sempre foi, a saber, tão somente um método de investiga- ção da natureza e suas leis. A ciência é um caminho, den- tre outros, para se descobrir certos princípios que norteiam a vida. Ela é um campo aberto de pesquisa, um modo de se produzir conhecimentos válidos. Todos devem pensar bem numa coisa: a ciência é um meio para se atingir um fim. Ela não é um fim, ela não é o final do caminho.  A ciência é um campo aberto. Ela não possui opiniões so- bre algum tema. “O que a ciência diz sobre...” é uma frase mal formulada e inverídica. Quem possui opiniões são os cientistas. A ciência não tem dono e qualquer cientista pode refutar ou validar um conhecimento, desde que se valha do método correto e de uma forma de pesquisa que dê pouca margem a erros.  O cientista não deve permitir que a antecipação se sobre- ponha a observação. Antecipar uma conclusão com base no que já se conhece é contrário a tudo que apregoa a boa ciência. 121
  • 122.  O termo “prova científica” é incorreto. É mais adequado se falar em evidências. Uma “prova” na ciência quase sempre tem uma validade. Prova requer a certeza, mas ninguém pode garantir que, futuramente, haverá uma refutação de algum conhecimento que atualmente é reconhecido como “comprovado”. O conhecimento da falseabilidade de uma hipótese é mais aceita hoje do que a ideia da “prova científica”. Isso signi- fica que, se uma tese não pode ser questionada, por esca- par do alcance dos métodos de pesquisa vigentes, ela não pode ser considerada científica. Uma hipótese sujeita a desmentidos futuros é mais bem encarada como científica. Por isso, as “verdades científicas” sempre podem ser ques- tionadas e postas de lado. As “provas” ou “verdades” científicas possuem sempre um prazo de validade. Se uma ideia é reconhecida hoje, no fu- turo ela pode ser questionada e refutada por outros conhe- cimentos. Esse processo vem ocorrendo desde o início da pesquisa científica. Assim, não podemos tratar a ciência como um campo de verdade. A ciência é, antes de tudo, um campo livre de métodos, experimentações e produção de conhecimento. A ciência não é nem materialista nem espi- ritualista, ela é tão somente um método a ser utilizado por ambos. Antigamente o mundo, a vida ou a realidade era vista como sagrada, e a Terra era considerada um organismo vivo. A- pós o advento da era científica e tecnológica, o mundo pas- sou a ser encarado como um objeto, muitas vezes como material inerte a ser dissecado e usado exclusivamente pa- ra o interesse humano. Nos tempos atuais assistimos a uma reviravolta, ainda que tímida, da noção do mundo co- mo sendo um espaço sagrado, e a Terra como sendo um ser vivo. Estudos recentes do Escritório de Integridade Científica, que é uma agência de monitoramento científica dos Esta- dos Unidos, concluiu que a fraude na ciência é mais comum do que o público pensa. A noção muito difundida em nossa cultura da “pureza” de uma descoberta científica seria algo mais distante do que imaginamos a princípio. A pesquisa verificou que muitos cientistas fraudam os dados para che- gar a conclusões que lhes interessam, seja por interesses econômicos, seja para projetar seu nome dentro da comu- nidade científica. É certo que vários cientistas já presencia- ram fraudes na ciência, com modificação de dados, exa- 122
  • 123. gero, ou mesmo a fabricação deles, tudo isso para alterar os resultados e atingir fins específicos que os beneficiem por lucro ou status. Tendo em vista que os cientistas não desejam que a imagem da ciência seja manchada, muitos deles preferem manter o silêncio a denunciar as fraudes. Portanto, o número de condutas não condizentes com a éti- ca na pesquisa e modificação dos dados pode ser ainda mais comum do que se pensa, principalmente quando inte- resses econômicos de grandes empresas estão em jogo. Mas parece que a fraude na ciência não é recente: diz-se que Galileu teria exagerado o resultado de seus experi- mentos; diz-se que os dados de Mendel são muito favorá- veis para serem considerados verdadeiros e que até mes- mo Newton teria manipulado informações na obra Principia para corroborar sua teoria do poder preditivo. Um exemplo de fraude foi a descoberta de que Jan Hendrik Schon, em 2002, um físico que trabalhava nos Laboratórios Bell, plane- jou e executou uma fraude de amplas proporções na adul- teração dos resultados de pesquisas que tem repercussões em várias áreas da Física, como os supercondutores e a nanotecnologia. Outro exemplo foi do cientista sul-co- reano Woo-Suk Hwang que forjou dados sobre embriões humanos por clonagem. Experimentos maiores acabam sendo reproduzidos e algumas fraudes podem ser verifica- das, mas experimentos de menor proporção têm uma chance muito menor de serem verificados por grupos inde- pendentes, o que abre espaço para que a fraude siga adi- ante sem ser notada e cause danos a população. O maior exemplo de dano são as pesquisas fraudulentas com al- guns medicamentos, onde existe toda uma pressão das in- dústrias farmacêuticas para que certos remédios sejam lo- go liberados para serem vendidos comercialmente, mesmo com dados ainda pouco demonstrativos. Eu mesmo conhe- ci uma pesquisadora de um grande centro científico brasi- leiro que me garantiu que essa pressão existe e que algu- mas pesquisas acabam sendo comprometidas por conta disso. Após a bomba atômica, a humanidade começou a discutir mais seriamente a ética e os limites do saber científico. Ca- so as devidas precauções não sejam tomadas, certas pes- quisas podem conduzir o ser humano à destruição em massa. O desenvolvimento da espiritualidade deve acom- panhar o desenvolvimento científico, sob o risco de nossa falta de ética e desejo por poder arruinar a vida humana e trazer conseqüências indesejáveis para o futuro da huma- nidade. 123
  • 124.  Novas descobertas não surgem com o avanço linear das áreas científicas já conhecidas. Novas idéias nascem com rupturas, às vezes drásticas, dos velhos paradigmas, tra- zendo uma nova compreensão e um novo estado de coi- sas. Como diz Alberto Oliva ―Exagerando, pode-se dizer que novos pontos de vista descortinam ‗novos mundos‘.‖ Muitas descobertas científicas ocorrem em forma de insi- ghts. É como se o pensamento concreto fosse deixado de lado e um novo panorama se descortinasse, de forma a- brupta e não-linear, ao pesquisador. Aqui cabe a famosa história do “Eureca!” de Arquimedes. Muitas das novas descobertas ocorrem “por acaso”, em momentos de es- pontânea criatividade. Einstein disse: ―Penso 99 vezes e nada descubro. Deixo de pensar, mergulho no silêncio, e a verdade me é revelada‖. Podemos indagar, o pensamento é real? Ele é palpável? É tangível? Possui a suposta solidez da matéria? O pensa- mento é tão impalpável que sequer podemos saber se ele existe mesmo ou não, a não ser por um mero detalhe: to- dos nós temos a experiência do pensamento, de forma a- bundante, em nossas vidas. O pensamento é o que me permite escrever essas linhas e conceber os mistérios da ciência, da espiritualidade, do universo e do ser humano. No entanto, ele não é tangível e não pode ser medido. Sabemos que a base da Física atual é a matemática. Mas se pararmos para refletir veremos que a matemática é for- mada de números. Mas o que são os números? Os núme- ros são materiais? Eles são uma coisa tangível, sólida? Ou melhor dizendo: os números existem na natureza? Pode- mos pensar em 2 árvores, 3 árvores, mas onde está o nú- mero 2 e o 3 na natureza? Temos apenas árvores e não números. Porém, mesmo não tendo realidade objetiva no mundo, eles são considerados a base da ciência. Tanto que, pela matemática, muitos cientistas chegaram a teorias que depois foram confirmadas pela Física experimental. En- tão, onde está a solidez dos números? Onde existe um nú- mero? Onde existe um pensamento? Alguns dirão, no cé- rebro! E onde se encontra o pensamento no cérebro? Nin- guém nunca mediu um pensamento no cérebro, só con- seguem medir as correntes elétricas e ondas cerebrais. Há teorias que localizam o pensamento em regiões cerebrais, mas ainda assim pode-se perguntar, onde está o pensa- mento aí? Ou melhor, onde está a mente? Se formos pensar que tudo é energia, e que os fenômenos são efeitos da energia, temos que avaliar qual seria a natu- 124
  • 125. reza da energia. Aliás, qual é a natureza da energia? Nin- guém sabe, é bem difícil definir energia, com precisão em termos de Física teórica. Que base nos sobra então? Será que não devemos abandonar um pouco essa visão de que a matéria é a origem de tudo, a referência e o modelo de fundação, sustentação, solidez, realidade? Essa é uma pergunta que fica para a reflexão de todos. Reencarnação, lei do karma, aura, chakras e outras ideias “místicas” e “impalpáveis” são como o pensamento, os nú- meros, a mente, a energia. Não podem ser medidas, pesa- das, classificadas, definidas com exatidão, mas isso não significa que elas não existam, ao contrário. Existe uma fra- se no misticismo que diz ―Tudo é primeiro concebido nos planos invisíveis para depois ser expresso no plano visível‖. Lao Tsé certa vez disse ―Do um nasce o dois, do dois nas- ce o três, do três nascem todas as coisas‖. Será que Lao Tsé já estava intuindo as recentes pesquisas da Física on- de a matemática é o principal norteador para a aferição das descobertas científicas, ou ao menos como um dos cami- nhos que apontam para elas? Não haverá alguma verdade nessa ideia de que do impalpável nasce o palpável, do in- tangível nasce o tangível, ou que do pensamento (como um projeto elaborado mentalmente) nasce uma ação ou uma realização? Na sua área, por exemplo, primeiro se concebe um projeto num plano ideal, e depois de tudo definido, se tenta manifestar o ideal para o plano objetivo. Até nisso o tangível procede do intangível. Tudo nasce na mente do homem e depois pode vir a se materializar no mundo. Há um princípio hermético que diz “O Todo é mente; o universo é mental”. É preciso dizer também que princípios e ideias como a re- encarnação, a lei do karma, a aura, os chakras, a vida após a morte, não são coisas impalpáveis, intangíveis e por isso, menos reais. Se for assim, a matéria é algo igualmente im- palpável e intangível. Antigamente existia a ideia de que o átomo é uma partícula indivisível. A própria palavra “átomo” significa isso, “aquilo que não se divide”. Acreditava-se que o átomo era a menor partícula do universo. Hoje em dia já se sabe que existe uma quantidade imensa de vácuo no á- tomo, muito mais do que se acreditava no início, e também se sabe hoje que o átomo não é indivisível (com experimen- tos que deram origem a bomba atômica). Além disso, hoje se sabe que aquilo que entendíamos como átomo é com- posto de milhares de outras partículas, e cada vez mais se descobrem as nuances e facetas desse grande universo que se mostrou ser o átomo. Isso significa que, o átomo que conhecíamos há 100 anos já não é o mesmo átomo 125
  • 126. que conhecemos hoje, mas sim uma estrutura totalmente diferente. O mesmo pode ocorrer com as leis que hoje co- nhecemos, é possível que cada uma delas seja um peque- no fragmento de uma lei maior, mais vasta, e que estamos começando a vislumbrar. É importantíssimo lembrar, e até enfatizar, que o conheci- mento científico não está livre das influências dos interes- ses econômicos. Cientistas que trabalham para uma insti- tuição precisam cumprir certo protocolo que atenda aos in- teresses a que estão vinculados em suas profissões e nas instituições, caso contrário serão desligados, e podem até ser “queimados” na comunidade científica. Infelizmente, como a construção do conhecimento científico exige toda uma estrutura de apoio, isso acaba envolvendo financia- mentos altos, que somente grandes corporações - com inte- resse exclusivamente lucrativo - podem arcar. Essas corpo- rações desviam a orientação de uma ciência voltada para o benefício da humanidade para uma ciência produzida em causa própria, onde se visa o lucro irrestrito. Um exemplo são as indústrias farmacêuticas que produzem medica- mentos com patentes e os vendem caríssimo, fazendo com que seja inacessível a grande parte da humanidade ca- rente. Um exemplo do comportamento oposto é o do mé- dico americano Jonas Salk, descobridor da vacina da poli- omielite. Salk liberou o uso da vacina totalmente gratuito para a utilização mundial, sem cobrar nada dos direitos de patente. Segundo Salk, a vacina era essencial para o mun- do, e por isso não deveria ser cobrada. A esse médico é a- tribuída a famosa frase: "A quem pertence a minha vacina? Ao povo! Você pode patentear o sol?" Essa atitude caridosa de Salk ajudou na erradicação da paralisia infantil em qua- se todo o mundo, imunizando e salvando a vida de milhões de crianças. Ao invés de rodear um objeto, tirar milhares de fotos, anali- sar, pesar, classificar, dissecar, mensurar, rotular, dentre outros. O tempo, por exemplo, é dividido em dias, horas, minutos, segundos, centésimos, mas o tempo em si mesmo não possui essas divisões. Essa forma de enxergar o real apenas sobrevive porque ela compensa em seus fins práti- cos e está bem estabelecida na visão convencionada de mundo. Mas podemos ter uma posição diferente diante da pesquisa de um objeto. Outra forma de apreensão da ver- dade pode fazer uma ligação ou apreensão pessoal, íntima e direta com o objeto; como se entrássemos nele e desco- bríssemos a sua natureza. Esse processo é semelhante ao que o filósofo Henri Bergson chamou de intuição. Isso pode ser feito quando deixamos momentamente o estado de na- 126
  • 127. tureza analítica e fragmentária da mente e passamos a en- globar um estado de apreensão imediata e direta, com ex- periência própria de um princípio.  Para finalizar, há uma forma muito mais sutil de comungar com a realidade. Os místicos de todos os tempos sentiam que eram um só com o universo; da mesma forma que Je- sus disse “Eu e o Pai somos Um”, ou da mesma forma que Buda disse “Eu atingi o imortal”. Essa percepção da reali- dade, se é que podemos chamar de “percepção”, é a expe- riência fundamental que está na base de todas as religiões. Ela é chamada de ―a experiência mística‖. É quando o mi- crocosmos (ser) e o macrocosmos (universo) se tornam uma mesma unidade. O Empirismo Como estamos falando em ciência, se faz necessário co-nhecer os aspectos gerais que orientam a prática da terapia de vidaspassadas do ponto de vista científico. Não é possível entender a TVPapenas como uma abordagem espiritualista. Aqueles que fazem issoestão reduzindo de uma forma bastante grosseira o seu potencial dealcance. A TVP tem um aspecto espiritualista, mas também deve sercompreendida dentro de sua qualidade científica. Se desejamos queela seja difundida e aplicada pelo bem de toda a humanidade, nãopodemos renegar o seu caráter de ciência. Para entender melhor o aspecto científico da TVP, precisa-mos saber onde ela se situa dentro das ciências. A TVP é um sistemaempírico, que tem sua origem no Empirismo. Mas o que é empirismo?Empirismo é um modo de se produzir conhecimento científico atravésda experiência e da observação. Ele foi concebido inicialmente pelofilósofo Francis Bacon. Pode-se afirmar que Bacon foi o pai do mé-todo científico moderno e formulou as primeiras leis científicas quesão baseadas essencialmente em dos pilares gerais: a observação ea experiência (ou experimentação). Qualquer pesquisa científicaprecisa ser caracterizada por estes dois aspectos para receber ostatus de ciência. É possível que uma das maiores revoluções do pensa-mento humano tenha sido, de fato, a passagem da mentalidadedevocional, confessional, de revelação, para a valorização da obser-vação, da experiência e da testagem das ideias. O grande ―saltoquântico‖ do pensamento humano ocorreu no momento em que osgrandes pensadores começaram a considerar a importância da exp e-rimentação direta do conhecimento, em detrimento da estagnaçãodoutrinária ortodoxa em torno de verdades supostamente intocáveis.Neste sentido, a TVP se apresenta como uma ciência da observação,baseada na testagem de ideias e princípios pautados na experimen-tação dessas ideias e na sua verificação direta. Qualquer lei, modelo, 127
  • 128. princípio, hipótese pode ser testado e averiguado na prática, semnecessidade de recorrermos a crenças. Neste caso, o que forma umateoria é o consenso em torno das experiências. Isso significa que, seum número expressivo de pessoas tem uma experiência similar, umpadrão pode ser identificado, classificado e tomado por evidênciatemporária, formando uma teoria a esse respeito. Francis Bacon escreveu um livro chamado “Novum Orga-num” onde expõem as principais noções sobre o empirismo. O livrofoi lançado em 1620 e até hoje é uma fonte de conhecimento sobre aciência da observação dos fenômenos e de como se pode produziruma experiência válida onde o conhecimento é verificado de umaforma confiável e mais precisa. Antes de Bacon, ainda não existia ométodo científico bem constituído e os filósofos se utilizavam dométodo dedutivo para se produzir conhecimentos válidos e racionais.Em resumo, o método empírico consiste no seguinte: ―Recolher umamassa de fatos através de observações e experiências, analisar osfatos através da elaboração de tabelas de ocorrências negativas,positivas e variáveis do fenômeno, elaborar hipóteses a partir dasevidências, recolher novas provas para avançar em direção a umateoria mais geral‖ diz Surendra Verma no livro “Ideias Geniais”. Esse grande filósofo criou o método empírico para diminuirsensivelmente, ou até eliminar, as preferências pessoais dos indiví-duos e suas crenças na busca pelas leis naturais. Segundo Bacon, aleitura que fazemos do mundo é uma conseqüência de uma interpre-tação a partir de um ponto de vista pessoal. Se pudéssemos eliminarao máximo nossa subjetividade, nossas pré-disposições e tendênciasprévias não poderiam mais deformar o real. Além disso, a linguagemhumana dá origem a erros e nem sempre as palavras correspondemàs coisas que elas se propõem a descrever. Por esse motivo, a me-lhor forma de entendimento do real não seria o método dedutivo,cheio de artimanhas e deturpações, mas o método indutivo. O métodoindutivo fornece instrumentos úteis à pesquisa experimental. O que é a indução? Ubaldo Nicola, no livro “Antologia Ilus-trada da Filosofia nos dá uma resposta: ―Processo cognitivo que, apartir do exame de certo número de casos, chega à formulação deuma lei geral, cujo alcance se estende para além dos casos conside-rados. Tem-se a indução perfeita quando se examinam todos oscasos em que um fenômeno pode verificar-se e a imperfeita quandoisso não é possível‖. Diz-se que a indução é o oposto da dedução. Adedução examina o geral e traz uma conclusão para um caso parti-cular. A indução é o contrário: examina casos particulares e os es-tende como conclusão para um quadro geral. E como tudo isso se aplicaria à TVP? Por exemplo, nas re-gressões encontramos um grande número de pessoas que tem expe-riências com uma mesma alma em várias vidas. Isso significa que,aquele mesmo grupo de almas, ou grupo anímico vem reencarnandoconjuntamente, mas assumindo papéis diferentes em cada existência.Numa vida somos pai, na outra vida irmão, na outra marido ou es-posa, e assim por diante. Esse grupo de almas forma o que foi deno- 128
  • 129. minado de “família de almas” ou “grupo anímico”. Essa noção dogrupo anímico se constitui como uma experiência comum a centenasou milhares de indivíduos. Ela veio à tona por intermédio das pesqui-sas dentro da terapia de vidas passadas e hoje é aceita como umateoria dentro de nossa área. Esse é um exemplo bem consistente decomo a TVP se configura como uma ciência de observação e comoalgumas hipóteses podem ser levantadas a partir do consenso queexiste entre as experiências dos sujeitos em regressão. Esse seriaum exemplo da aplicação do método empírico na TVP. 129
  • 130. Capítulo 5 A Hipnose O Mesmerismo De Franz Anton Mesmer Também conhecido como magnetismo animal, o nomeMesmerismo vem do responsável pelo descobrimento de um magne-tismo sutil dos seres humanos e animais, o médico austríaco FranzAnton Mesmer. Mesmerismo é o termo que vem definir as técnicas decura magnética que se utilizam das mãos do operador para tratarcasos de doenças físicas. Inicialmente, Mesmer começou suas pesquisas com o imã ecom a magnetização de objetos. Depois descobriu que não apenas osminerais, mas também os animais e o homem eram possuidores deuma forma especial de magnetismo, a qual chamou de magnetismoanimal. Mesmer acreditava no espiritual, havia lido Paracelso e bus-cava a chave da lei das analogias ou correspondências, tão estudadapelos místicos renascentistas, alquimistas, hermetistas e astrólogos,da antiguidade e da Idade Média. O princípio básico do Mesmerismo diz que tanto os animaisquanto os seres humanos seriam também possuidores de uma formade magnetismo, tal como o magnetismo de um ímã. O nome magne-tismo animal vem diferenciar-se do magnetismo mineral. Mesmer fezsua descoberta devido a sua convicção de que todas as coisas eramconstituídas de um magnetismo especial, distribuído por todas ascoisas, como um agente magnético universal. A analogia do magne-tismo nos minerais permitiu a Mesmer criar uma correspondênciadesse magnetismo com os seres humanos. Esta energia teria umpoder curador, já que sua origem é o próprio cosmos infinito criadopor Deus. Assim, o magnetismo não existe apenas na natureza, mastambém no ser humano. Esse magnetismo humano pode ser transfe-rido a outras pessoas com uma finalidade curativa. Mesmer ficou conhecido por aplicar o que hoje em dia cha-mamos de “passes magnéticos” em pessoas enfermas. Obviamente,em sua época, Mesmer recebeu duras críticas e intensa oposição demédicos ortodoxos, chegando mesmo a ser banido da Medicina. Segundo os pensamentos de Mesmer, ―existe uma influên-cia mútua entre os corpos celestes, a terra e os corpos inanimados”.Essa influência se dá por intermédio de um “fluido universalmentedifundido e contínuo‖. Parece que o Espiritismo de Allan Kardec tomou por baseas noções mesméricas e incluiu em seu corpo doutrinário a noção deum “fluido cósmico universal”, muito similar à concepção do Mesme-rismo. Inclusive, Mesmer ensina que a ação dos astros sobre os 130
  • 131. seres humanos ocorre graças ao magnetismo animal sofrendo ainfluência do magnetismo celeste. Apesar do sucesso de Mesmer em muitas de suas curas,uma comissão médica composta por sábios da época f oi reu-nida,sendo alguns muito conhecidos, como Benjamin Franklin eLavoisier. Eles foram orientados a avaliar a eficácia dos efeitos curati-vos do magnetismo animal. Infelizmente, essa comissão deu parecerdesfavorável à existência e aos resultados dos experimentos deMesmer, classificando as curas como puro efeito de sugestão. Porém,outra comissão de cientistas formada anos depois veio demonstraralguns dos erros da comissão de Franklin e Lavoisier, assumindo arealidade das curas magnéticas. É curioso observar que a Hipnose foi descoberta graças àação magnética do Mesmerismo. Como explicamos no livro “Regres-são e Espiritualidade”: ―Desde a época de Mesmer, alguns mesme-ristas, em especial o Marquês Chastenet de Puységur (que teve oprimeiro caso de Hipnose registrado) começaram a perceber que omagnetismo animal, quando aplicado, poderia induzir uma pessoa auma espécie de sono magnético, onde se entrava num estado maisprofundo de grande sensibilidade interna e externa, ficando sugestio-nável aos comandos do mesmerista. Victor Race, um dos pacientesdo Marquês Chastenet de Puységur, se viu curado de dores torácicase dispnéia após o ―sono misterioso‖. A partir desse momento apare-ceu a Hipnose (e outras técnicas de indução também surgiram), masa aplicação do magnetismo animal ficou conhecida como uma possi-bilidade de estabelecer um estado hipnótico‖. Dessa forma, o Mesme-rismo, o passe magnético e outras formas de cura magnética podeminduzir uma pessoa ao transe hipnótico. Inclusive Tendam (1988)aconselha utilizar-se dos passes magnéticos quando nos deparamoscom algum bloqueio nas regressões. Nos dias atuais, o Mesmerismo tomou diversos nomes eformas distintas. Dentro do Espiritismo ele é conhecido como “PasseMagnético”. Na Igreja Messiânica ele é chamado de “Johrey”. ChoaKok Sui criou a expressão “Cura Prânica”, uma forma de magnetismoemanado pelas mãos. Outro termo conhecido é a denominada “Pola-ridade” difundida pelas pesquisas de Richard Gordon, que consiste noequilíbrio e harmonia das energias do corpo através do magnetismocurativo irradiado pelas mãos. A técnica de cura sutil conhecida comoReiki também consolidou-se como terapêutica vibracional e contahoje com milhões de adeptos espalhados pelo mundo. O Reiki trazuma inovação diante de outras técnicas de cura magnética: a utiliza-ção de símbolos com funções variadas. Há também a possibilidadede realizar irradiações de energia sutil à distância. Pesquisas atuais realizadas por Ricardo Monezi para o seumestrado na USP constataram que os ratinhos com câncer que rece-beram Reiki tiveram uma resposta imunológica do dobro da capac i-dade dos ratinhos que não foram submetidos ao Reiki (Revista Gali-leu). Isso é muito significativo, pois vem demonstrar, por experi- 131
  • 132. mentação científica, os benefícios que há séculos os sábios já atri-buem ao magnetismo sutil irradiado pelas mãos. De qualquer forma, o Mesmerismo deve ser lembrado e ogênio de Mesmer não deve ser relegado ao esquecimento. Sua vida eobra permanecem uma fonte preciosa de reflexões. A Hipnose Hipnose é um termo que caracteriza um estado especial deconsciência induzido por recursos diversos, que variam da fixação doolhar na chama de uma vela ao relaxamento profundo. Atualmente, omédico que usa a Hipnose é chamado de Hipniatra, ou seja, aqueleque pratica a Hipniatria. A Hipnose pode ser induzida por músicas, voz, cantos, ba-tidas, imagens, fixação do olhar, dentre outros. Na Hipnose clássicaficamos mais sensíveis às sugestões do hipnotizador. Muitos conside-ram a Hipnose como uma técnica para atingir um estado de transe. Onome Hipnose foi dado pelo médico britânico James Braid. Ao contrário do que muitos pensam, a Hipnose nada tem aver com sono ou com adormecer. Apesar do grego Hipnos significar“sono”, hoje em dia se reconhece que a Hipnose nada tem a ver comdormir, mas com atingir estados de consciência diferenciados dohabitual. Todas as características relacionadas com o estado de vigí-lia são preservadas. No estado hipnótico, nossa atenção é maisorientada para o nosso interior, há uma expansão de nossa memóriae uma abertura do nosso psiquismo, principalmente dos nossosconteúdos inconscientes. A Hipnose tem sido usada no tratamento deinúmeros transtornos e sintomas físicos e psíquicos. Suas aplicações nas dores crônicas já são bem conhecidase seus efeitos analgésicos já foram comprovados por testes experi-mentais e por aparelhos detectores de zonas cerebrais.Testes reali-zados na Universidade de Montreal, sob a supervisão de Pierre Rain-ville, com o Pet-scam, permitiram verificar mudanças fisiológicas nocérebro após a indução hipnótica. Pierre Rainville mergulhou a mãode mulher numa água com 46 graus e acompanhou as mudanças emseu cérebro com o Pet-Scam. O resultado foi que o cérebro nãoregistrou em sua atividade a resposta da dor. Isso demonstra que aHipnose não é apenas simulação, pois há uma alteração concreta emnosso cérebro após a indução. Além disso, a capacidade do transe hipnótico de ampliaçãoda memória, que é o mais importante recurso da Terapia de VidasPassadas, também já está extensamente demonstrada. Essa capacidade foi atestada até mesmo pelo conhecidoPrograma de TV Myth Busters, ―Caçadores de Mitos‖. Os própriosapresentadores se submeteram a um experimento onde somenteconseguiram resgatar informações sob Hipnose; informações essasque não puderam ser recordadas em estado de vigília. No final do 132
  • 133. programa, eles consideraram que o mito da hipermnésia, ou seja, doaumento significativo da memória durante o transe é real, e não ummito. Existe uma diferença básica entre Hipnose e estado hipnó-tico. A Hipnose é uma técnica praticada por terapeutas, dentistas,médicos ou psicólogos que ocorre apenas durante uma sessão comum hipnólogo. Porém, o estado hipnótico pode estabelecer-se emnossa vida diária, em toda uma série de situações que nos induzemao transe espontâneo. As sugestões de natureza hipnótica podem serencontradas em muitos locais diferentes. Isso ocorre porque focali-zamos a atenção fortemente sobre um ponto qualquer e esquecemostodo o contexto a nossa volta. O cientista mais conhecido que se utilizou vários anos daHipnose é o criador da Psicanálise, Sigmund Freud, que convenceu-se da autenticidade do fenômeno após conhecer as experiências deCharcot, um hipnotizador que difundiu a Hipnose e lhe conferiu certoprestígio entre médicos e cientistas em sua época. Ao contrário da noção corrente que tentava associa-la aodomínio do ocultismo, Freud insistiu na construção de uma imagemda Hipnose como técnica que ajudava a revelar leis psicológicas dofuncionamento dos indivíduos e permitia a investigação direta doinconsciente. Freud chegou a usar a Hipnose regressiva em váriospacientes e obteve resultados positivos. Apesar de Freud ter posteri-ormente largado a Hipnose, suas experiências com a técnica foramdecisivas para a formulação da teoria psicanalítica, que veio posteri-ormente. Freud largou a Hipnose após a descoberta do método da“associação livre”. As propagandas de TV frequentemente lançam mão de re-cursos imagéticos e mensagens subliminares que são essencial-mente sugestivos, capazes de induzir ao transe momentâneo. Essespequenos transes passageiros tornam a mente mais receptiva àssugestões de um anúncio na TV. Quando estamos absorvidos por um programa televisivo,lendo um livro, fazendo sexo, usando drogas, vendo uma peça deteatro, podemos despertar para um estado que pode ser consideradocomo hipnótico. É preciso dizer que meditação e Yoga nada têm a ver comtécnicas hipnóticas ou autossugestão. Embora muitas escolas demeditação ensinem a concentração, a focalização nos pensamentos ena respiração, o desligamento dos estímulos externos, dentre outrosrecursos, essas técnicas (se é que podemos assim chamar), nadatêm a ver com a autohipnose no sentido de tornar as pessoas maissuscetíveis e sugestionáveis. Dentro da Hipnose há um ramo que se denomina Hipnote-rapia. A Hipnoterapia não é apenas uma técnica, mas uma aborda-gem terapêutica criada para provocar efeitos curativos através dastécnicas hipnóticas. A Hipnoterapia clássica trabalha com a transfor-mação de reações negativas, condicionando-as através de programa-ções mentais positivas. Ao invés de investigar as causas da negativi- 133
  • 134. dade, alguns hipnoterapeutas optam por apenas realizar a chamada“reprogramação” de nossa mente. Porém, a programação mentalapenas tem efeito temporário e dispensa a participação consciente doindivíduo, o que não é recomendável. Além disso, não liberta a pes-soa dos seus traumas, apenas os encobre de alguma forma com umtecido supostamente positivo. Os terapeutas de vidas passadas preferem ir em busca daspossíveis causas dos problemas ao invés de inverter a polaridademental através de programações diversas. Fica claro que uma pro-gramação negativa não pode ser substituída por outra positiva. Épreciso, ao contrário, buscar o núcleo ou a causa da programação. A Terapia de Vidas Passadas pode valer-se das técnicashipnóticas ou não, dependendo da preferência do terapeuta. EdithFiore, por exemplo, ainda fez uso da Hipnose clássica, assim comoJoel Whitton. Já Tendam, Woolger e Netherton utilizaram outrosrecursos de indução que não são exatamente hipnóticos. O Transe Hipnótico O transe hipnótico pode ser definido como um estado alte-rado de consciência. Nesse estado podem ocorrer vários fenômenosneurofisiológicos e mentais modificados. Os mais comuns são: aanestesia (ausência de dor), a alta sugestionabilidade (fenômenomental), paralisia (incapacidade de mover o corpo ou partes dele),hiperestesia (aumento dos sentidos e das sensações), a amnésia(perda temporária da memória), visões de imagens e audição de sonsou vozes (por vezes encaradas como alucinações visuais e auditivas),dentre outros. Além destes, há outros sinais possíveis de serem verifica-dos que evidenciam o transe. Lívio Túlio Picherle nos dá indicações aesse respeito:  Alterações Pupilares  Alterações Musculares e Sensoriais  Lentificação do Reflexo de Piscar  Lentificação do Pulso  Lentificação da respiração  Catalepsia  Distorção do tempo  Ideação autônoma  Mudança de qualidade da voz  Relaxamento  Economia de movimentos  Enrijecimento facial  Sensação de distância  Falta de resposta de susto  Diminuição da salivação, dentre outros. 134
  • 135. A palavra transe está historicamente associada a sua utili-zação com Hipnose. O objetivo da Hipnose não é o transe, mas estedeve ser considerado como um meio através do qual pode-se atingirum objetivo qualquer, seja terapêutico ou não. Apesar do termo tran-se ter sido, principalmente no Brasil, associado a estados modificadosde consciência durante experiências religiosas ou místicas, a palavradeve ser empregada dentro de um contexto científico, principalmenteentre pesquisadores que usam a Hipnose. O transe hipnótico possui diversos graus de intensidade.Pesquisadores procuram classificar o transe em três níveis principais:transe leve, transe médio e transe profundo. O primeiro e o segundosão os mais usados dentre os terapeutas e psicólogos em suas abor-dagens de tratamento; o terceiro é mais comum nas práticas deHipnose na Odontologia, onde se visa atingir uma anestesia naturalsem a necessidade do uso de substâncias a fim de se realizaremcirurgias e outros procedimentos. Porém, na maioria das vezes nãose pode controlar o grau do transe, pois isso vai depender da pessoae de sua capacidade de “mergulhar” mais ou menos no estado deconsciência alterado. Dentro do trabalho com TVP, o transe não deve ser enca-rado como uma supressão da consciência, mas como uma interiori-zação do indivíduo dentro de si mesmo, visando focalizar nas origensdos seus problemas atuais. Diz-se que o transe é a porta de acessoaos conteúdos inconscientes. Além disso, qualquer focalização ouconcentração num tema pode provocar o estado de transe, ou estadoalterado de consciência. O transe pode ser provocado espontaneamente, mesmopor uma simples pergunta. A insistência de frases repetidas (comodemonstrou Morris Netherton), tal como os postulados (falaremossobre isso mais adiante), podem induzir uma pessoa ao transe eserem as portas de entrada para uma vida passada. A focalização daatenção em partes do corpo, em emoções, em palavras, frases ousentenças e em imagens que brotam espontaneamente podem sersuficientes para ativar o estado de transe e também podem ser, elasmesmas, um efeito do transe previamente estabelecido. Apesar do termo transe ter tomado uma significação maisvoltado ao seu aspecto neurofisiológico e médico, é possível conside-rar o transe, assim como os estados alterados de consciência, comosendo o resultado de uma emancipação de nossa vibração mental;uma expansão de nossas capacidades psíquicas. Talvez o transeseja um provocador tanto de uma internalização quanto de umaexternalização de nossa energia: internalização para recuperar algoque já esteve em nós; externalização para atingir algo que está alémde nós. Léon Denis se referia ao transe magnético como sendouma emancipação de nosso ser: ―O estado de transe é esse grau desono magnético que permite ao corpo fluídico exteriorizar-se, des-prender-se do corpo carnal, e à alma voltar a viver por um instantesua vida livre e independente‖. É preciso mencionar que na Terapia 135
  • 136. de Vidas Passadas, existe a preferência pelo termo “estado alteradode consciência” em vez do termo transe. A Hipnose Regressiva A Hipnose Regressiva é uma técnica realizada por meio daHipnose que faculta ao indivíduo revivenciar, mediante um estado detranse leve, médio ou profundo, certas fases anteriores de sua vida.Essa também é chamada de Regressão de Idade. A Hipnose Regressiva não é necessariamente aplicada comfins terapêuticos. Ela pode ser realizada com finalidades de pesquisa.Mas quando o objetivo é o tratamento de problemas de ordem emo-cional e psíquica, o hipnoterapeuta deve investigar fatos e eventos davida do cliente que possam ser a força motriz ou o desencadeador daqueixa. Diz Lívio Túlio Picherle que a Hipnose regressiva ―pode serusada para regressão de curto prazo, para melhorar a memória dedeterminados detalhes parcialmente esquecidos ou para regredir afases traumáticas da infância, do parto, da gravidez, e em certoscasos para voltar a supostas vidas anteriores‖. O objetivo da Hipnose Regressiva é usar as técnicas co-muns de Hipnose para se percorrer o passado do atendido e reviverou reativar reminiscências ou arquivos que estejam de alguma formavinculados ao quadro clínico apresentado. Essa abordagem procuralevar a pessoa a experimentar várias fases diferentes de sua vida,como a adolescência, a infância, o nascimento e a fase intrauterina.Além desse limiar, os terapeutas de vidas passadas afirmam existirum vasto e profundo arquivo desconhecido, e até então não acessívelà consciência, que pode ser a causa de inúmeros males que assolamo ser humano. A Hipnose regressiva não necessariamente nos faz revivervidas passadas, embora isso seja uma possibilidade sempre pre-sente. Mesmo os terapeutas de regressão que não consideram comohipótese de trabalho a realidade da transmigração da alma, ou reen-carnação, podem já ter presenciado vários casos em que a pessoa,durante a regressão de memória (que deveria reviver acontecimentosda vida atual), começa a relatar cenas, imagens e eventos associadosa situações que parecem pertencer a um passado longínquo, além desua existência atual. Porém, quando isso ocorre, alguns terapeutascéticos interpretam esses dados e o material psíquico evocado comosendo produto da fantasia ou mesmo um conteúdo simbólico dopsiquismo, como um psicodrama. A Hipnose Ericksoniana A Hipnose Ericksoniana é uma modalidade de Hipnose clí-nica que teve origem com as pesquisas do psiquiatra norte-americano 136
  • 137. Milton H. Erickson. Erickson é considerado um dos maiores ou mes-mo o maior hipnotizador de todos os tempos. Ganhou fama de con-seguir induzir qualquer pessoa ao transe com grande simplicidade.Isso ocorre por que, na Hipnose clássica, as pessoas têm certa resis-tência a colocar-se sob o comando do terapeuta, pois temem a perdado controle consciente. Na Hipnose Ericksoniana, ao contrário, traba-lha-se com a sensação da transferência desse poder e controle doterapeuta para o paciente, deixando-o muito mais tranquilo e aberto. Erickson entendia que a eficácia de uma técnica universalda Hipnose era significativamente reduzida, por isso optou em seespecializar no entendimento da forma singular que cada pessoapossui de entrar em transe. Desenvolveu então um estilo próprio dese realizar a Hipnose. Erickson verificou que a Hipnose deveria seradaptada à realidade psíquica de cada cliente e acredita-se que issoconferiu uma maior qualidade ao seu trabalho. Erickson evitava entrarem confronto com as crenças dos pacientes e procurava segui-los emsua subjetividade. Dessa forma, na Hipnose Ericksoniana, não seprocura incutir nenhuma sugestão que possa atrapalhar o transe, jáque tudo ocorre de forma natural quando se “segue” a singularidadedo paciente. O psiquiatra desenvolveu aos poucos um método em que aresistência do cliente era sensivelmente diminuída, sem que o própriocliente se desse conta disso. Inclusive, segundo Erickson, seu mé-todo permite tratar uma pessoa usando a Hipnose com um mínimo deresistência, o que garante os melhores efeitos terapêuticos. Pode-seinclusive, tal como na TVP, utilizar-se dos próprios sintomas, crenças,ideias fixas e até mesmo sua própria resistência para fazê-lo entrarem transe. O hipnólogo que segue o método Ericksoniano presta bas-tante atenção nas pistas não verbais, ou seja, na linguagem corporaldo paciente, tal como a sua forma de se sentar, o movimento dosolhos, a expressividade com mãos e braços, as posturas diversas, aexpressão facial, dentre outros. Desse modo, pode-se inclusive adap-tar nossa linguagem de forma sutil à linguagem do paciente, para queeste se sinta ainda mais a vontade. Apesar de Erickson não formular uma teoria uniforme e tãopouco preocupar-se em definir sua metodologia, outros pesquisado-res estudaram seus métodos. É importante mencionar que foi a partirdo seu trabalho que pesquisadores como Richard Bandler, GregoryBateson, William H. O‟Hanlon, Ernest Rossi e outros desenvolveram oque ficou conhecido como PNL (Programação Neurolinguística). Opróprio Erickson curiosamente declarava não saber exatamente comolevava as pessoas ao transe e sequer como as curas eram realiza-das. Muito ainda poderia ser descrito sobre o método, mas não énossa intenção aprofundar-nos na Hipnose Ericksoniana. Falando umpouco do homem, parece que Erickson é um desses poucos seresque trazem o conhecimento da Hipnose de forma intuitiva e aplicam 137
  • 138. aquilo que está guardado em seus arquivos espirituais sem compre-ender bem seus mecanismos lógicos. Talvez esses mecanismossejam menos para ser compreendidos e mais para serem vivencia-dos. As Ondas Cerebrais Ondas Cerebrais é um termo que caracteriza a atividadecerebral a partir da medição das ondas elétricas das células neuro-nais. Essas ondas também são chamadas de bioelétricas. A forma demensuração mais conhecida é o chamado Eletroencefalograma ouEEG. A unidade de medida se dá através dos ciclos de ondas elétri-cas a cada segundo. Ou seja, em cada segundo quantas ondas semanifestaram na atividade cerebral. A quantidade dessas ondas éconsiderada a frequência da atividade cerebral. Os estados de consciência, como vigília, sono e sonho pro-fundo são medidos por intermédio da frequência de ondas, tam bémchamados de HZ ou Hertz (ciclos por segundo). Há quatro estados deconsciência mais conhecidos. Cada um deles corresponde a umafase do processo de adormecer. Esses estados são mensurados emondas e frequências cerebrais. As frequências são medidas atravésde tensões elétricas oscilantes do cérebro. Essas frequências são:  Estado Beta: Essa é a frequência cerebral associada a es- tados de vigília, onde a concentração, a cognição e o ra- ciocínio lógico são comuns. As características do estado beta são o trabalho, ações objetivas no mundo, atividades que demandam atenção e concentração. O Beta oscila nu- ma faixa de 13 a 30 ciclos por segundo ou Hertz. A leitura de livros e o estudo exigem o estado de ondas beta. Este é o estado de consciência de vigília sem relaxamento, onde a consciência objetiva e concreta está em plena atividade. É o estado em que permanecemos a maior parte do tempo quando acordados. Estado relacionado a tarefas do dia a dia.  Estado Alfa: Essa frequência está relacionada com o sono, o relaxamento, a visualização e o estado de ausência de uma focalização mental. É comum a estados de relaxa- mento antes de adormecer. Oscilam na faixa de 8 a 13 ci- clos por segundo ou Hertz. No estado alfa não há um foco de atenção definido, não há muito trabalho mental objetivo, apenas subjetivo; a consciência fica mais livre. Com o a- frouxamento da musculatura e a diminuição do metabo- lismo, as imagens hipnagógicas começam a aparecer.  Estado Teta: Associado a estados de sono mais profun- dos. Em teta a pessoa já está dormindo, mas ainda não se 138
  • 139. encontra em sono profundo. O Teta oscila numa faixa mé- dia de 4 a 7 Hertz.  Estado Delta: Este é o chamado sono profundo, também denominado sono REM (Rapid Eyes Moviment). É quando o cérebro físico entra na sua menor atividade conhecida pe- la ciência. É no estado Delta que a ciência afirma ocorre- rem os sonhos. O Delta oscila em torno de 4 a 1 Hertz. Estudos científicos demonstraram que a meditação podeprovocar uma redução da atividade cerebral. Talvez para algumaspessoas isso possa ser um indicativo de algo anti-produtivo e semnenhuma eficácia. De que adiantaria o cérebro não funcionar? Aresposta é que o cérebro tem sua maior atividade para trabalhosrealizados no mundo objetivo, como raciocínio, estudos, atividadesdiversas e tarefas do dia a dia. Quando o objetivo é uma interioriza-ção e harmonização, devemos almejar uma diminuição da atividadecerebral. Alguém consegue pensar com calma e avaliar tranquila-mente uma situação mais profunda com a mente agitada? Quantomais nos interiorizamos, maior abertura existe para nossa vida inte-rior, mais conseguimos ter equilíbrio para fazer qualquer coisa, comotomar decisões importantes, não agir emocionalmente, não se deixarenvolver com problemas diversos, dentre outros. ―Os que são capa-zes de alcançar um estado de atenção relaxada e absorta não sãotão afetados pelas coisas exteriores que provocam estresse‖ dizSandra Horn no livro “Técnicas Modernas de Relaxamento”. Além disso, a atividade objetiva se reduz, mas a atividadeinterior, que suscita a criatividade, o acesso ao inconsciente, a ampli-ação da memória, o despertar de vários insights sobre nós mesmos ea vida, dentre outras capacidades, são aumentadas quando há essadiminuição da atividade bioelétrica. Como diz Dharma Singh Khalsano livro “Longevidade do Cérebro”: ―Muitas vezes, quando as pessoasexperimentam as ondas teta, elas têm acesso às informações do seusubconsciente. Frequentemente elas veem imagens do passado outêm vívidos devaneios. Às vezes, têm profundos insights pessoais. Écomum terem ideias criativas e soluções engenhosas para os pro-blemas. As ondas cerebrais teta associam uma sensação agradável erelaxada com vivacidade extrema‖. As ondas teta são comuns em meditadores já experientes,com maior tempo de prática. Esses meditadores apresentam o tra-çado de ondas teta durante a meditação, mas também podem apre-senta-las fora desses períodos, em sua vida diária comum. Diz Khal-sa que ―quanto mais uma pessoa pratica meditação, mais apta ela setorna para produzir ondas teta de acordo com sua vontade‖. Uma das personalidades que conseguiu realizar as ondasbioelétricas em Delta (as ondas mais baixas e profundas) foi a yoguiniindiana Dadi Janki. Após alguns experimentos científicos, ela foiconsiderada pelo Instituto de Pesquisa Médica e Científica da Univer- 139
  • 140. sidade do Texas como a “mente mais estável do mundo”. Dadi Jankiperegrina pelo mundo e difunde uma mensagem de paz e fraterni-dade, já tendo recebido vários títulos internacionais, inclusive umdado pelas Nações Unidas que a identifica como uma das ―guardiãsda sabedoria do mundo‖ sendo condecorada durante a conferência“Cúpula da Terra”, em 1992, no Rio de Janeiro. A noção mais difundida na TVP é a de que a regressão o-corre nas variações de ondas alfa, que ocorrem entre 13 Hertz e 8Hertz. Trutz Hardo divide o estado alfa em seis fases distintas. Cercade 6% dos remigrantes permanecem no primeiro e mais baixo estágiode alfa, ao menos na primeira tentativa, mas afirma que em sessõesposteriores podem atingir níveis mais profundos de ondas alfa. Hardo admite que, até o terceiro nível de alfa (11 hertz) aspessoas ainda podem duvidar do que viram, pois a experiência não étão vívida e clara. Média de 25% dos remigrantes atinge esse nível naprimeira sessão. No quarto nível (10 hertz) a pessoa começa, namaioria dos casos, a aceitar a experiência como real. As imagens ecenas são mais claras. No quinto nível (9HZ), a pessoa tende a seentregar mais à experiência e as sensações vividas inspiram maiorconfiança, pois são mais claras e intensas. O sexto e último nível deestado alfa é mais difícil de ser atingido. Hardo estima que 10% daspessoas o atinjam. O lado esquerdo do cérebro fica desligado, en-quanto o inconsciente fica 90% aberto, segundo Hardo. 140
  • 141. Capítulo 6 Tempo, Memória e História Oculta O Tempo O tempo pode ser considerado uma medida humana base-ada no fluir dos acontecimentos da vida e dos processos naturais,como, por exemplo, o dia e a noite, a passagem das estações, omovimento do sol no céu, dentre outros. Todos esses eventos natu-rais servem de marcadores da duração temporal. Observa-se que otempo é uma medida que possui sempre um referencial objetivo,medido em segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos,séculos, milênios, eras etc. A medição do tempo não é o tempo em simesmo, assim como o símbolo de um número não é o número per si. A Terapia de Vidas Passadas dá considerável valor aotempo. Porém, é reconhecido que o tempo objetivo é diferente dotempo psicológico. Uma pessoa pode sentir a passagem do tempototalmente diferente de outra, pois isso dependerá do seu estadointerno e emocional. Por exemplo, alguém que assiste a um filme degrande qualidade e mergulha em sua trama, pouco percebe a passa-gem do tempo; se, no entanto, o filme lhe desagrada consideravel-mente, ela tenderá a perceber os minutos fluindo bem lentamente.Num engarrafamento o tempo parece passar bem devagar; numabraço do ser amado, o tempo parece passar bem rapidamente.Observa-se que o tempo depende em grande medida da apreensãoconsciente de cada indivíduo, sendo este relativizado dentro da subje-tividade humana. Em outro exemplo, uma pessoa pode ter morrido de fomenuma existência pretérita e essa fome ainda ser sentida no presente,como uma ressonância ou repercussão do evento original que jápassou. De acordo com a teoria da TVP, isso pode até mesmo esti-mular a formação de obesidade na vida atual. Neste caso, a fomeestá presente na consciência de momento a momento. Diante dessefato, afirma-se então que a consciência é atemporal, pois suas reper-cussões não respondem apenas a períodos históricos, mas a deter-minações de natureza psíquica. Algo que ocorreu há dez anos pode estar tão vivo em nossaconsciência que parece estar ocorrendo neste instante. Esse é ocaso, por exemplo, das fortes emoções provocadas por traumas dopassado. Eles ainda causam um efeito tangível em nossa vida queparecem estar ainda acontecendo. Na TVP é bem clara a naturezapsíquica do tempo quando observamos os traumas de vidas passa-das se reatualizarem no momento presente e aparecerem com toda aforça do evento original. É como se aquele acontecimento não tivesse 141
  • 142. passado, mas ainda estivesse aqui, dentro de nós, vivo, presente eatuante. Desde Newton, com o advento da física clássica, o ocidentepós-revolução industrial passou a observar a passagem do tempocomo sendo puramente linear, ou seja, a percepção de que o tempo éo fluir de acontecimentos do passado ao presente e deste ao futuro.Essa ideia ganhou grande força nos meios intelectuais após esseperíodo histórico. Segundo essa visão, haveria uma continuidadeúnica de passado, presente e futuro. É como se nos dirigíssemos emdireção a algo desconhecido no futuro, tal como uma pessoa quesegue por uma estrada infinita e não enxerga além do horizonte. Paraos ocidentais modernos, o tempo começou em algum ponto, seguiuem frente e continua a avançar. Essa é uma forma de entender asucessão temporal. Por outro lado, muitas culturas antigas e também as tradi-ções contemplativas da humanidade, como o Hinduísmo, o Budismo,a Yoga, o Cabala, o Rosacrucianismo, os Maias, os Sumérios, osBabilônios, até mesmo algumas tribos indígenas e xamânicas, conce-bem a passagem temporal como cíclica. Para eles, um evento queocorreu há algum tempo tende a ocorrer novamente, numa infinitaseriação rítmica. É fácil de ver essa ideia na própria passagem do tempo. Odia de hoje se repetirá amanhã. O amanhecer que aconteceu no dia14 de fevereiro se repetirá no dia 15 de fevereiro. O início da prima-vera ocorrerá novamente no mesmo período do próximo ano. A luarepetirá sua fase crescente ciclicamente de 28 em 28 dias, e assimpor diante. Todos os fenômenos naturais tendem a se repetir numasérie de ciclos naturais que configuram uma sucessão temporal. Há também o eterno retorno dos grandes ciclos cósmicos,chamada pelos antigos de Palingenesia cósmica: ―Após um períodode vários milhares de anos (O Grande Ano) as mesmas coisas repe-tem-se, exatamente, e isso por toda a eternidade‖ (Dicionário deEsoterismo). A vida humana estaria contida numa cadeia temporalcíclica bem mais ampla do que nossa vida individual. Os ciclos e osritmos regem tudo na natureza e o tempo deve ser visto, sob essaperspectiva, como sendo essencialmente cíclico. Essa lei se manifesta na natureza e no ser humano. Aindanão temos plena percepção deste fato, mas tudo o que ocorre com oser humano é cíclico: sono e repouso, os ciclos circadianos, nasci-mento e morte, trabalho e descanso, juventude e velhice etc. Assim, otempo considerado cíclico condiz muito mais com a realidade dascoisas do que a noção de tempo linear. Na TVP, a noção de tempocíclico e da atemporalidade da consciência é de grande importânciapara nosso referencial teórico e suas aplicações práticas. No entanto, as tradições também afirmam que passado efuturo são meros joguetes ilusórios de nossa consciência e que, emessência, o único momento que existe é o presente. Não há comoatribuir existência a outro tempo que não seja o presente. Mesmoimaginando o que aconteceu no passado, somos obrigados a admitir 142
  • 143. que no momento em que aquilo ocorreu, estávamos no presente edeste passado guardamos apenas a memória. O passado existe, assim, apenas como um registro mne-mônico de algo que não possui mais realidade fora de nossa consci-ência. A única forma de imaginar o passado e o futuro é recorrendo aconsciência, que deverá resgatar a memória de certo acontecimento.Mesmo assim, esse acontecimento passado ou futuro também ocor-reu no presente. Isso prova que a consciência é o grande fundamentoda existência do tempo, mais precisamente nossa consciência obje-tiva. Além dela, a única realidade é o eterno presente. A noção de tempo linear tem atrapalhado consideravel-mente algumas abordagens da psicoterapia convencional. Algunspsicólogos acreditam que quanto mais distante no tempo está aorigem de um problema, mais inconsciente ele é e mais difícil seria aintervenção sobre ele. De qualquer forma, a psicanálise admite anatureza atemporal da consciência, mas ainda possui resquícios daconcepção linear do psiquismo. Considerando a natureza atemporal da consciência, tal co-mo fazemos na TVP, o tempo se relativiza a ponto de se tornar poss í-vel um tratamento direto de qualquer samskara ou complexo, mesmoque para isso precisemos remontar a experiências multimilenares.Como observamos em nossas pesquisas com a TVP, longas e muitoextensas experiências milenares podem estar muito presentes aindana pessoa justamente porque se repetiram e foram gravadas ao longodos séculos. Assim, a TVP acredita na qualidade atemporal da cons-ciência e no acesso direto a qualquer situação que cause uma cons i-derável repercussão na vida atual. Mesmo admitindo a atemporalidade da consciência, não sepode negar que muitas das memórias de um passado muito longín-quo ainda nos são desconhecidas, e possivelmente são vedadas aoacesso consciente. Isso se refere a arquivos bem antigos: muitos naAtlântida, Lemúria, no período entrevidas, em encarnações extrater-restres, ou mesmo em dimensões de energia, a maioria delas incon-cebíveis para a nossa consciência atual. Há, sem dúvida, um bom motivo para não lembrarmos detodas as nossas experiências do passado; muitas delas poderiamatrapalhar nossa vida atual, revelar certos conhecimentos que aindanão estamos preparados para receber e mesmo causar perturbação edesequilíbrio. Podemos identificar na prática dos terapeutas de vidas pas-sadas muitos indícios de que o tempo não seja linear, mas que sejaum efeito de nossa percepção objetiva, ou seja, que a noção detemporalidade é relativa à consciência:  As repercussões de vidas passadas, ou seja, todos os efei- tos que nossas vidas passadas provocam em nossa vida atual. 143
  • 144.  A possibilidade de resgatar memórias e experiências de vi- das passadas com grande intensidade, como se tivessem acontecendo agora.  A revisão da vida no pós-morte: um total fluir de aconteci- mentos que se apresentam todos ao mesmo tempo e que trazem ensinamentos sobre a vida que acabamos de dei- xar.  A perda da noção do referencial do espaço-tempo no perí- odo entrevidas.  A metaconsciência de Joel Whitton, dentre outros. Essa noção confere uma dimensão amplificada à Terapiade Vidas Passadas, pois sempre devemos pensar todas as repercus-sões do passado como existindo tão somente no presente. Os trau-mas, por exemplo, não existem no passado, existem todos agora.Qualquer problema que seja não existe no passado, ele só pode tersua existência no presente, pois o passado não tem qualquer reali-dade. Devemos nos libertar da errônea visão de que o passadocria o presente, quando é o presente que cria o passado. O presenteque estamos vivendo sempre cria o passado que será apenas umamemória. Isso se explica pela consciência de que, antes de qualquercoisa ser passado, ela foi, inevitavelmente, o momento presente.Resumindo: no passado, estávamos no presente. Sempre estamosno presente. Mesmo quando era passado, ainda assim era presente.Assim, é o presente que cria o passado e não o passado que cria opresente. Tendo isso em vista, nossa vida pode dar um salto imensode qualidade. Toda essa nova visão de passado, presente e futuroforma uma base na qual se assenta a teoria da Terapia de VidasPassadas. A Memória Extracerebral Já que falamos do tempo e colocamos o passado comosendo apenas uma memória, cabe agora uma explanação sobre amemória e a chamada memória extracerebral. Mas o que é exata-mente a memória? Memória pode ser considerada a capacidade de registrar ouadquirir, armazenar (consolidar) e evocar (resgatar ou recuperar)informações e dados em nosso cérebro e mente. A memória extrace-rebral é considerada um registro que não depende do cérebro físicopara existir. O termo foi batizado por Hemendra Banerjee. Basicamente,a denominação de memória extracerebral veio para caracterizar todotipo de memória que não existe no cérebro físico, mas só pode existir 144
  • 145. numa fonte sutil além da fisiologia cerebral. A criação desse conceitofoi uma tentativa de conferir um formato científico e neutro ao pro-cesso de memórias de outras encarnações, impregnadas de ideáriosreligiosos e muitas vezes ortodoxos. Memória extracerebral é um armazenamento de informa-ções que está além do cérebro, em alguma fonte espiritual que ultra-passa o corpo e a personalidade atual. É um tipo de memória que nãopertence ao cérebro físico, pois não foi registrada por este. Trata-sede uma memória que armazena a vida do espírito, registrando tudo oque lhe ocorre. A memória extracerebral pode vir à tona espontaneamente(no caso da regressão espontânea) ou através de técnicas especiais(regressão provocada). A recordação das memórias de vidas passa-das recebeu vários nomes diferentes como forma de distingui-los damemória comum: pré-memória, memória distante, retrocognição,memória paranormal e o mais reconhecido, memória extracerebral. Nossos processo mentais, como o pensamento e a emo-ção, podem ser considerados ativos. Já a memória tem uma quali-dade passiva, é apenas um registro estático de informações. Porém,o pensamento e a imaginação podem trabalhar com esse banco dedados e torná-lo dinâmico e vivo. Nesse momento, a memória dopassado passa a fazer parte do presente. Muitas vezes, a imaginaçãoestá tão cheia de vivacidade, que a mente não capta a diferençaentre a memória e a realidade atual, fazendo com que ambas semisturem e passem a fazer parte de uma mescla de conteúdos. Entãoo passado (pela memória) passa a influir no presente. A despeito disso, a memória extracerebral, ou memória daalma, não é passiva, mas ativa. Se a memória influi decisivamente napersonalidade atual, no comportamento e em vários campos da vidahumana, ela só pode ser considerada dinâmica e ativa. A memóriacerebral é passiva, mas a memória espiritual é ativa. Mas como algoque ocorreu há quatro séculos na Inglaterra e “já passou” pode serencarado como ativo? O maior exemplo é a autonomia das personalidades de vi-das passadas. Os arquivos do espírito tomam vida de acordo com aenergia que conferimos a eles. A energia canalizada pelo indivíduopode evocar nossos arquivos mentais e espirituais e dar atividade ànossa memória, como se ela ainda estivesse viva. Dessa forma, aTerapia de Vidas Passadas propõem uma ruptura com o velho para-digma que proferia o caráter estático da memória, modificando essavisão para dentro de um enfoque dinâmico.  As Tradições contemplativas afirmam que, não apenas hu- manos e animais, mas também vegetais, minerais, estrutu- ras atômicas, planetas, corpos celestes e tudo o que existe no cosmos possui uma memória. As células de nosso corpo possuem uma memória, nossos órgãos, o ar, a água, a ter- ra, o fogo, e até mesmo o próprio universo. Esse banco de 145
  • 146. dados universal é chamado de arquivos akashicos. Do a- tômico ao cósmico, tudo possui seus arquivos de memória.  A memória é um tema central para a Terapia de Vidas Pas- sadas. As ações do terapeuta e do cliente, seja condução, indução e tratamento, têm relação direta com a memória. Remexendo nos arquivos da alma, conquistamos a auto- nomia sobre nós mesmos e despertamos para o autoco- nhecimento.  É amplamente reconhecido por cientistas e pelo público que a memória é armazenada com maior eficiência quando existe um interesse real naquilo que posteriormente é re- gistrado. Além disso, tudo que tem base na experiência di- reta tem maior probabilidade de ser armazenado e resga- tado. Por isso, em algumas regressões, os detalhes da vida não são lembrados com tanta clareza. As principais experi- ências, felizes ou dolorosas e as experiências mais fortes e intensas, que foram capazes de mudar o curso de uma e- xistência passada, essas sim serão recordadas e reviven- ciadas com mais força e nitidez.  Alguns pesquisadores, como Pierre Weil, defendem a hipó- tese de que o cérebro físico não é exatamente o local onde estariam contidas as memórias, como um registro armaze- nado num local. Mas o cérebro teria a função apenas de re- cepcionar a memória contida em uma fonte além da estru- tura orgânica (memória extracerebral). Assim, o cérebro se- ria como uma televisão. A televisão apenas recebe e traduz os impulsos elétricos vindos de uma central distante. As imagens que passam na TV não vêm de um registro do próprio aparelho de TV, mas de uma fonte externa. A tele- visão apenas capta e transforma os impulsos elétricos em som e imagem. O mesmo ocorreria com o cérebro. Ele se- ria um órgão que realizaria a codificação de informações vindas de uma instância que vai além do corpo e da perso- nalidade. Os Arquivos Akashicos Além da memória cerebral e da memória extracerebral, vi-mos que todas as coisas possuem uma memória. O universo nãopoderia ser diferente; ele também guarda uma memória que é univer-sal. Esta é chamada de arquivos akashicos pelas doutrinas esotéri-cas. Trata-se de uma memória da natureza, um arquivo cósmico ondesão guardados todos os eventos e acontecimentos desde o princípiodos tempos. Todos os atos humanos, naturais e cósmicos gerammarcas que ficam gravados nessa memória do universo. 146
  • 147. O akasha é um conceito maciçamente divulgado por váriascorrentes de pensamento espiritualistas e esotéricas. Os místicos,esoteristas e paranormais afirmam que esse arquivo encontra-sesuspenso num infinito oceano suprassensível de informações. Roger Woolger chama essa memória de “Grande Memória”.Afirma ele que se trata da ―crença de que todos temos acesso, emsonhos, meditação ou Hipnose, a um estado da mente inconscienteque é universal (…). Essa postura afirma que todos temos a capaci-dade, se corretamente preparados, de mergulhar no vasto banco dememórias coletivas da humanidade‖. Dizem que na Terapia de Vidas Passadas, os atendidosmantêm acesso aos arquivos akashicos para conseguirem revivenciarsua história encarnatória. Além disso, essa memória pode ser aces-sada por indivíduos com considerável desenvolvimento psíquico. Acapacidade que alguns sensitivos possuem de captar eventos passa-dos de outras pessoas, de coletividades ou da história do própriouniverso é chamada de “leitura dos arquivos Akashicos”. A noção dos arquivos akashicos ou memória universal já foiutilizada como explicação alternativa das lembranças de vidas passa-das. O renomado filósofo William James pesquisou médiuns e usouessa hipótese para explicar as surpreendentes informações quechegavam durante o transe mediúnico. Supõe-se que, quando umatendido se recorda de uma existência pretérita, não significa queaquela seja a vida dele, mas ele estaria realizando uma leitura psí-quica dessa memória cósmica e percebendo a vida de alguém queviveu no passado. Porém, essa hipótese não fornece elementos para explicarpor que os atendidos acessam a vida de uma pessoa em vez da vidade qualquer outra; ou por que as pessoas revivem a vida de alguémque viveu no século III d.C. e conseguem curar-se, por exemplo, deum sintoma físico; ou por qual motivo a vida de um camponês daIdade média possui estreita relação com nossa vida atual, como umencadeamento causal quase instantâneo à percepção. Não explicapor que as pessoas veem vidas de épocas diferentes e não da mes-ma época.Também não explica como algumas pessoas identificamespontaneamente pessoas com as quais conviveram na vida passadacomo parentes, amigos ou conhecidos da vida atual. Alguns autores defendem a possibilidade de um atendidonão apenas reviver uma vida passada pessoal, ou seja, que estácontida em seu arquivo de memória pessoal, mas também, num nívelmais profundo, ter livre abertura aos arquivos akashicos e lembrar-seda vida de personalidades históricas, como se fosse ele mesmoatravessando as circunstâncias de vida do personagem. Ou seja, numnível menor, acessamos nossas próprias vidas passadas, nossamemória pessoal; num nível maior, podemos acessar uma memóriacoletiva, e captar, não apenas nosso arquivo pessoal, mas tambémmemórias de indivíduos que viveram em várias épocas. Essa hipó-tese é levantada por Judy Hall no livro “Quem é você?”. Assim, aprincípio, cada pessoa pode ver não apenas as suas existências 147
  • 148. passadas, mas também as vidas de outras pessoas, geralmente deícones da História mundial, ou de pessoas que participaram de gran-des eventos históricos que mudaram o curso dos acontecimentos dahumanidade. A pessoa também pode, por exemplo, se ver partici-pando de eventos grandiosos, e acessar a memória de, por exemplo,um dos escravos que participaram da construção das pirâmides doEgito. Explicamos esse processo com mais detalhes no livro “Re-gressão e Espiritualidade” que diz o seguinte: ―Pode ser que essepersonagem possua alguma qualidade ou atributo que a pessoaprecisa experimentar para inspirar-se a se desenvolver. Assim, écomo se a pessoa bebesse da "sabedoria do planeta" para sentir, poralguns momentos, como tal pessoa conseguia ter, por exemplo, acoragem que tinha. Como o exemplo de vida e as experiências deuma pessoa como Joana D‘arc foram muito importantes na História ecriaram um caminho de virtude que pode ser benéfico a boa parcelada humanidade, muitas pessoas podem espontaneamente procuraracessar a sabedoria e experiência contida no reservatório planetário evivenciar a energia de uma personagem como Joana D‘arc que fezdiferença na História da humanidade‖. ―Dentro do esoterismo e da magia, esse processo recebeuo nome de ‗assunção‘. O que ocorre quando um mago ou esoteristarealiza conscientemente a assunção é semelhante a uma pessoa querealiza a Regressão e se vê como alguém ―famoso‖. Assunção é umprocesso espiritual, conseguido através de certas práticas que exigemmeditação, concentração, uso da vontade e perda parcial da consci-ência de identidade, que elevam a pessoa a um nível em que conse-gue assumir a personalidade de algum ícone da História, de algummestre, de alguma figura arquetípica, de um deus, um ser mitológicoetc. Considerando que isso seja possível, é provável que as experi-ências de regressão possam abrir certos canais espirituais e facilitarespontaneamente a assunção de personalidades marcantes da hu-manidade, pessoas que são reconhecidas pelo seu exemplo, poralguma obra, alguma descoberta e sua realização ficou gravada nosarquivos planetários‖. O Continente Perdido Da Atlântida A memória da humanidade parece ser mais extensa do queo homem de nossa época acredita. Há indícios e relatos históricos,assim como ensinamentos de tradições e organizações esotéricas,que falam sobre um continente perdido no meio do oceano atlântico. Esse continente recebe a denominação de Atlântida. Trata-se de um continente muito antigo que teria desaparecido nas águasdo oceano atlântico aproximadamente há 11.500 anos. A primeirareferência que encontramos na História sobre a Atlântida foi Platão,no seu livro “Timeu e Crítias”. 148
  • 149. De acordo com Platão, nas viagens de Sólon ocorreu umencontro com um alto sacerdote de Sais, no Egito. O sacerdote lhecontou a respeito de uma memória já perdida na noite dos temposrelacionada a uma guerra entre os atenienses e o povo atlante, pormais incrível que isso possa parecer. Conta a lenda que a Atlântida teria sido destruída por umdesastre natural, como terremotos, inundações e uma gigantescaonda que se abateu sobre toda a extensão de suas terras no OceanoAtlântico. Isso ocorreu, pois, segundo algumas fontes esotéricas, osatlantes ambicionavam dominar o mundo e muitos dos seus magosestavam utilizando equivocadamente o conhecimento sagrado dosseus ancestrais e fazendo mau uso das energias e potências cósmi-cas. Afirmam alguns esoteristas que a Atlântida teria sido destruídapelo uso da energia vril. Essa é uma energia liberada a partir da açãosobre cristais. Há hipóteses de que a Atlântida seja apenas um mito criadoa partir da ideia do dilúvio universal, presente em várias culturas.Outros, no entanto, acreditam que o dilúvio seria a própria retrataçãodo afundamento da Atlântida. Há um sem número de referências daexistência da Atlântida na literatura mundial e muitos escritores procu-raram indícios de sua realidade. Os sobreviventes da catástrofe naAtlântida foram os homens que projetaram e supervisionaram a cons-trução das pirâmides do Egito há cerca de 12.000 anos, ao menos é oque afirmam alguns pesquisadores esotéricos. Existem também diversas pirâmides espalhadas pelo mun-do inteiro, como China, México, Guatemala, Peru, Japão, Iraque eoutros países, o que talvez demonstre uma interação desconhecidaentre as diversas culturas da antiguidade, tendo os atlantes como“pano de fundo”. Isso parece indicar que uma cultura antiga maisavançada em termos de conhecimento e tecnologia seja a responsá-vel pela construção das pirâmides. Nos ensinamentos de algumas escolas iniciáticas constaque os iniciados atlantes mais avançados em conhecimento teriamutilizado suas capacidades psíquicas para profetizar o dilúvio em seucontinente. Tomaram então medidas para rapidamente migrarem aoutros lugares do mundo, a fim de preservar intacta a tradição espiri-tual e iniciática de sua cultura. Dizem que essa tradição era riquís-sima e extremamente profunda; algo incomparável ao conhecimentoatual. Dessa forma, os sacerdotes atlantes realizaram o maior ê-xodo já conhecido de toda a História desse planeta. Eles se desloca-ram pelo mundo inteiro a fim de conservar a tradição espiritual eensiná-la em cada recanto do mundo, adaptando seus ensinamentosà cultura e ao modo de vida dos diferentes povos. Assim, após a elitesacerdotal se instalar em definitivo no Egito, eles decidiram construiras grandes pirâmides: os maiores santuários iniciáticos da Históriaconhecida. Posteriormente, foram surgindo as chamadas escolas demistério. As escolas de mistério ou Ordens Iniciáticas eram organiza-ções e fraternidades cujo propósito era difundir a sabedoria espiritual 149
  • 150. ao mundo, além de treinar discípulos capazes de transmitir essemesmo conhecimento a futuras gerações. Por exemplo, uma dasescolas de mistério existente na época era a Ordem do Olho de Hó-rus. Tendam (1993) afirma que, de acordo com as pesquisasempíricas, cerca de 90% das regressões abordam vidas de até 3.000atrás. Aproximadamente 10% dos clientes em regressão relatamvidas, ou em locais desconhecidos, ou no continente da Atlântida. Sea pessoa regride há mais de 10.000 anos pode se encontrar emdimensões de luz e energia, na Atlântida e até em outros planetas(Goldberg, 1982). Além disso, Tendam lembra que muitos dos trei-namentos de templo mencionados pelos clientes foram realizados naAtlântida, por se tratar de um continente onde o uso das capacidadespsíquicas era amplamente explorado e aceito. O Continente Perdido Da Lemúria Além da Atlântida, há outro continente perdido que é muitofalado nas tradições espirituais e que, algumas vezes, é citado emregressões a vidas passadas: a Lemúria, também chamada de Conti-nente perdido de Mu. Trata-se de um antiquíssimo continente que existia numaárea de imensa extensão localizado provavelmente no Oceano Pací-fico. O Havaí, nos dias atuais, era um local de grande altitude doantigo continente lemuriano. Em decorrência de ser uma área bas-tante alta, o Havaí sobreviveu ao cataclisma que varreu com as águasesse vasto continente. Um dos maiores pesquisadores antigos a buscar evidênciasda existência da Lemúria foi James Churchward, um escritor britânicoe autor do clássico “O Continente Perdido de Mu: Pátria do Homem.”No livro, Churchward afirma ter encontrado provas documentais daexistência de Mu. Apesar da maioria dos cientistas ignorar estasdescobertas, o autor afirmou ter decifrado antigas inscrições empedra cujas citações traziam várias informações sobre a Lemúria. Além de relatar a existência do continente, essasinscrições, segundo Churchward, mencionavam a sua localização e asua extensão (9.600 quilômetros de Leste a Oeste, e 4.800quilômetros de Norte a Sul). Churchward ainda afirma que acivilização da Lemúria teria existido há cerca de 200.000 anos e seriao berço, ou a pátria-mãe de toda a civilização humana. O Continente de Mu, ou Lemúria, parece ter existido na Ter-ra na pré-história, há dezenas ou centenas de milhares de anos.Alguns afirmam que a Lemúria é ainda mais antiga que essa estimati-va. Consagrados ocultistas como Helena Blavatsky, Rudolf Steiner eMax Heindel arriscaram-se a redesenhar a história humana trazendoà tona a hipótese da Lemúria. Para muitos pesquisadores, a Lemúria teria sido contempo-rânea da Atlântida, inclusive com a ocorrência de várias guerras 150
  • 151. sérias e prolongadas entre os habitantes desses continentes. Fala-setambém em várias guerras mágicas ou psíquicas entre moradoresdesses dois lugares. A Teosofia de Helena Blavatsky confirma a existência daLemúria e declara que esse continente abrigou uma raça de sereshumanos que compunham a chamada terceira raça-raiz. Diz a litera-tura Teosófica que a Lemúria foi o primeiro local onde moraram asprimeiras raças que se manifestaram em corpo físico do planeta.Antes desse tipo humano, existiram mais duas raças que eram ape-nas etéreas, ou seja, sem organismo físico. Na “Doutrina Secreta”, Blavatsky afirma que a raça-raiz le-muriana era hermafrodita nos seus primórdios e que com o passar dotempo foi se criando a distinção entre macho e fêmea. Blavatskychama essa raça de “nascidos do ovo”, pois a princípio os seres sereproduziam por meio de um ovo. No final do ciclo da terceira raça o homem já possuía a re-produção sexuada tal como se conhece hoje. De qualquer modo,essas informações são o resultado de percepção clarividente e até omomento ainda não foram confirmadas pelas pesquisas com regres-são. Encontramos referências na literatura esotérica e na pala-vra de clarividentes de que a Lemúria foi o berço de uma antiga civili-zação em que os homens possuíam uma ligação mais íntima com seuEu Superior. Dizem os esoteristas que o povo da Lemúria não estavalimitado por qualquer barreira psíquica restritiva no contato direto comos planos espirituais. Isso era possível porque os lemurianos possuí-am corpos etéreos antes do corpo se tornar denso e material. Dessaforma, a visão clarividente e outros poderes psíquicos eram de usocorrente para todos eles. Além disso, os lemurianos estavam plena-mente integrados com a natureza e, por este motivo, ao menos porum tempo, não sofreram de doenças como as que conhecemos hoje. Com o passar do tempo, porém, parece que essa situaçãofoi se modificando e as distorções foram se tornando mais frequentes,até que o egoísmo, o orgulho, desejo de poder e outros defeitos queainda fazem parte do cotidiano do homem atual levaram a totalidadedo continente de Mu à ruína e à destruição completa. Diz-se quealguns dos seus habitantes teriam sobrevivido ao grande cataclisma emigrado para as Américas e outras partes do mundo. Os habitantes de Mu possuíam seu terceiro olho muito de-senvolvido. Os lemurianos foram associados à lenda dos antigosciclopes: seres com um olho só. Esse olho seria a expressão orgânicada glândula pineal, uma estrutura material que lhes permitia um gran-de poder paranormal, como telepatia, telecinesia, dentre outros. Hojeem dia a glândula pineal tornou-se uma estrutura interna no cérebrohumano e foi gradativamente atrofiando, pela ausência de uso ouutilização equivocada. Pesquisas modernas, como as do psiquiatrabrasileiro Sérgio Felipe de Oliveira, indicam grande potencial daglândula pineal na mediunidade e na produção de poderes psíquicos. 151
  • 152. Embora esses relatos não sejam tão comuns, é possívelaos terapeutas de vidas passadas ver junto aos seus clientes casosem que uma pessoa teve vidas na Lemúria. Por se tratar de umaexistência extremamente antiga, essa memória pode não ser tãovívida como a memória, por exemplo, de nossa última existência. Dequalquer forma, muitos terapeutas relatam já terem visto casos depessoas que viveram nesse misterioso continente. Segundo HansTendam, a Lemúria foi o palco de muitas guerras por poder. Helen Wambach, no livro “Recordando Vidas Passadas” a-firma que uma pequena amostragem dos sujeitos que participaram desuas pesquisas relataram vidas na América pré-colombiana bemantiga. É curioso notar que, segundo Wambach, ―Os sujeitos queregressaram a vidas na América do sul em 2000 A.C. descreveramcivilizações que pareciam muito mais adiantadas‖. Um dos sujeitos daexperiência relatou o seguinte: ―Era uma civilização muito adiantada eartística. Parece deslocada em quadra tão remota. Procurei saber adata de minha morte e verifiquei ser o ano de 2031 A.C. Vi com ab-soluta nitidez o índio que eu era, com meus cabelos pretos e corri-dos‖. Wambach afirma que vários sujeitos descreveram coisas se-melhantes em sua vida em 2000 A.C. na América. Os relatos também falavam do mesmo tipo de construção,com grandes templos com pedras lisas, o clima quente e gostoso,uma escrita simbólica desconhecida e ensinamentos espirituais ele-vados. Um deles falou que um dos ensinamentos era da existência deque ―O sol espiritual é Deus ou uma força‖. Isso nos remete a crençados antigos Maias a respeito do deus-sol, assim como possíveisconexões com o Egito da dinastia do deus-solar. Wambach completa questionando se por acaso algumas desuas descobertas com os relatos dos sujeitos não seriam indivíduosoriginários de continentes desconhecidos, como a Atlântida [ou mes-mo a Lemúria] que estariam fundando ali uma nova civilização. Talvezalguns povos da antiguidade, como egípcios, maias, povos da Améri-ca pré-colombiana e outros tenham como herança comum os conti-nentes desconhecidos da Atlântida e da Lemúria. 152
  • 153. Capítulo 7 O Psiquismo Humano Essa parte mais voltada ao aspecto psicológico pode nãoser do interesse de alguns leitores. Se for esse o seu caso, não hesiteem passar direto ao próximo capítulo. O Ego Agora que já abordamos as estruturas sutis que fazemparte da constituição humana multidimensional, cabe descrever umpouco, mesmo que resumidamente, aquelas estruturas mais próximasde nosso persona humana comum, como o ego, a personalidade, ocaráter, o inconsciente, a emoção etc. Esta área, apesar de ser aprofundada por estudos da psico-logia moderna, também é muito valiosa ao profissional de regressãode memória, principalmente quando ela se apresenta dentro de umenfoque correlacionado ao ensinamento das tradições espirituais. Porisso, vamos começar pela principal instância do nosso psiquismo, quemais gera polêmica e cujo significado é difícil de definir: o Ego. O termo Ego é originário da Psicanálise. Dentro do sistemapsicanalítico, ele significa, na segunda tópica freudiana, o mediadorentre o Id (pulsões, desejos, impulsos) e o Superego (autorrestrições,exigências). Em filosofia, é o Eu (Ego) que permite a autoconsciênciae fazer de si mesmo um objeto do pensamento. O Ego é reconhecidocomo o ponto focal da consciência, seu centro ordenador, onde seconstitui a nossa individualidade humana. Falamos individualidadehumana pois existe uma individualidade muito maior, que é nossaindividualidade cósmica, a mônada. Não falaremos da mônada, poisas explicações sobre ela não seriam muito proveitosas para estaobra. Ao contrário do eu, o Ego seria mais um construto apren-dido através das influências do nosso meio, dos nossos pais e dasociedade. Nosso ego se estrutura a partir de nossas crenças cen-trais e visão de mundo. É o somatório dos pensamentos, sentimentos,comportamentos. É a forma como nós enxergamos a nós mesmos. É um termo também definido como o centro de um senti-mento de autoimportância, de investimento afetivo em nós mesmos.Levado ao extremo pode conduzir a disfunções como orgulho, vai-dade e egoísmo, egocentrismo, narcisismo. A expressão “egocen-trismo” define bem uma pessoa voltada unicamente para os interes-ses do ego, suas próprias vontades e aspirações. Uma pessoa vol-tada apenas para si mesmo acaba quase sempre ignorando as ne-cessidades de outros e pode sentir o desejo de impor suas vontadesdiante do meio em que vive. 153
  • 154. No plano da matéria, temos um corpo físico, o que ajuda nasensação de que somos entidades dissociadas de tudo. Porém,pessoas que adentram em estados intensificados de consciência,tendo o que comumemente se chama de “experiência mística”, sen-tem um afrouxamento do sentido do eu, e aumentam infinitamentesua consciência, reportando-se a um “sentimento de eternidade” -uma “Experiência Oceânica” - como definiu Freud. Sujeitos que pas-saram por essa experiência de pico tendem a transformar totalmenteas suas vidas e passam a ensinar que o conceito de eu é apenasuma ilusão, pois, segundo os místicos, estamos todos interligadosuns aos outros, à eterna fonte da vida. Os mestres orientais aconselham o desapego do nosso e-go, nos libertar de seu jugo, a fim de soltar as amarras que nos pren-dem ao mundo da imperfeição. Para algumas tradições espirituais, oego é a fonte de todo o sofrimento humano. Quanto mais uma pessoase identifica com seu ego, mais ela se sente instável, perdida e cai nador e no desespero. Buddha dizia que ―o ego é a morte, a verdade éa vida‖. Vê-se claramente uma distinção nítida entre o ego e a verda-de, taxando-o de algo ilusório, mentiroso, falso e sem realidade.Dizem ainda as tradições espirituais que o ego é revestido com apa-rências do mundo ilusório; o ego seria Maya, a ilusão cósmica a qualtodos os seres devem se libertar para atingir a perfeição, ou o Nirvanados budistas. O ego se diferencia da personalidade por estar mais ligadoao nosso sentimento de individualidade, de sermos nós mesmos aoinvés de outras pessoas. Muitos indivíduos podem ter personalidadescom traços em comum, podem reproduzir comportamentos seme-lhantes com base nos padrões de uma personalidade, mas nosso egoindica a existência de um ser autônomo e distinto dos demais, algoque é apenas dele e de mais ninguém. Alguns Mestres espirituaispodem contestar essa afirmação, defendendo que não há nenhumasingularidade nos indivíduos. Se fossemos prescrever uma singulari-dade absoluta, o homem deveria tornar-se isolado de tudo e de todos.Como declaram os rosacruzes: ―Até nisso somos iguais, cada um édiferente‖. A percepção de um eu isolado e autônomo é uma ilusão.Lao Tsé já dizia: ―Por que você sofre? Por que 99% das coisas quevocê faz são para você e você não existe‖. Há uma frase que afirma:"Se você se sente só é porque construiu muros em vez de pontes‖(autor desconhecido). Apesar de não possuir uma realidade inerente, o ego existepara nós e tem certa importância no mundo concreto. Muitas vezesprecisamos vestir certas máscaras em situações sociais, pois a cole-tividade nos exige isso. Assim, o valor do ego está na sua “importân-cia de função” na vida humana. Ele nos ajuda a fixar nosso espíritodentro das tarefas comuns do dia a dia. Diz Helen Wambach que afunção do ego ―consiste em bem desempenhar nossas atividadesenquanto estamos despertos‖. 154
  • 155. Na Terapia de Vidas Passadas não há muita distinção dostermos Ego e Personalidade. Porém, o ego é encarado como tendoaspectos relacionados à determinada existência, mas que pode guar-dar uma memória de experiências anteriores conservando-as edetendo seus caracteres positivos ou negativos. A Personalidade Personalidade é o conjunto de características psicológicase comportamentais que distinguem os indivíduos de acordo comdeterminados traços psíquicos. O termo personalidade tem sua ori-gem no grego persona, com a significação de máscara, capa ouaparência utilizada por atores gregos em suas apresentações teatrais.Estudos demonstram que a personalidade vai se formando através deinterações do indivíduo com o meio, influenciada pela criação dospais, pela genética e também por influências culturais e históricas. Personalidade também pode ser considerada uma organi-zação dos componentes psíquicos em torno de um núcleo central,que permitem a adaptação à sociedade e ao meio ambiente. A perso-nalidade não é um conjunto de elementos irregulares, desordenadose descompassados, mas sim uma síntese desses elementos. A Psicanálise tenta definir a personalidade nos termos deuma dinâmica inconsciente. Para Freud existem motivos ocultos quecontribuem para a constituição de nossa personalidade. Para ele, apersonalidade é formada pela interação de três componentes dinâmi-cos que interagem, o Id (desejos e impulsos), o Ego (um orientadorvoltado para o mundo objetivo) e o Superego (um agregado de ideiasfixas introjetadas). De acordo com pesquisas, a personalidade não é estática,ao contrário do que se pensa. Ela é dinâmica e pode mudar ao longodo tempo. Por outro lado, existe a teoria dos traços de personalidade,que busca descrever objetivamente a personalidade em termos depadrões identificáveis. Segundo essa visão, a personalidade seriaformada por características mais estáveis, seguras e mais ou menosprolongadas. Os traços de personalidade definem determinadospadrões verificáveis, ao invés de reportarem a um conteúdo causalinconsciente. A Terapia de Vidas Passadas aceita ambas as visões econsidera que existem estes dois níveis de compreensão da persona-lidade. É como a lava incandescente que posteriormente se molda emformas estáveis. Por analogia, tanto a lava quanto a pedra são formasdiferentes de se apresentar a mesma substância básica componenteda personalidade. Na TVP, estudamos o componente reencarnatório presentena formação de cada personalidade. Há possibilidade de a personali-dade ser formada por meio do somatório das tendências de outrasvidas e o meio onde se vive na atual encarnação. Os estudos apon-tam para uma pré-disposição de tendências que seriam inatas, adqui- 155
  • 156. ridas em experiências anteriores ao nascimento físico, relacionadasàs fases uterina, pré-encarnatória, intermissiva e de vidas passadas. Pesquisas mais recentes apontam para a autonomia daspersonalidades de vidas passadas, à semelhança das ideias de Jungsobre os complexos. Tendam reforça essa ideia em seu “Panoramasobre a Reencarnação”. Não apenas as subpersonalidades (aspectos dissociadosda vida atual) podem ser independentes do conjunto do psiquismo,mas também as personalidades de vidas passadas podem adquirircerta autonomia, provavelmente na medida exata da energia que apersonalidade atual confere à parte dissociada. Dentro da práticaterapêutica, é possível dissociar a personalidade, estabelecer umdiálogo e realizar o seu tratamento. Ver mais em personalidades devidas passadas. O Inconsciente O Inconsciente é uma instância psíquica ou um construtohipotético contrário ao consciente. Dizemos construto psíquico poisele não pode ser identificado objetivamente. Trata-se de uma hipóte-se de trabalho, pois ninguém pode observar o inconsciente direta-mente, tal como se observa uma estrutura mental. O inconsciente éconsiderado um reservatório de conteúdos de experiências, afetos,emoções, que são inacessíveis à compreensão do eu consciente ouda mente objetiva. Na antiguidade a ideia do inconsciente sempre existiu, em-bora não tenha sido elaborada sistematicamente. O homem sempreintuiu a existência de uma realidade interna desconhecida. O transe,os sonhos, as profecias, as visões espirituais e os diversos graus ouestados de percepção transpessoal eram evidências de uma realida-de psíquica da qual os homens não tinham consciência. Os sonhossempre foram encarados como o veículo pelo qual os deuses secomunicam com os homens, e por ser assunto antigamente associa-do às divindades, é algo não controlável pela esfera de influência daconsciência humana. A noção do inconsciente não foi criada pela psicanálise,embora com Freud é que tenha sido possivelmente melhor formuladae definida. Leibniz já falava sobre as pequenas percepções que nãotemos consciência. No entanto, o que estabeleceu mais firmemente aideia de um inconsciente em si foram as grandes metafísicas alemãesde Von Schelling, Hegel, Schopenhauer, Carus, Von Hartman e Ni-etszche (Tipos de Diversidade Humana, José Zacharias). Além da contribuição na filosofia, a noção de inconscienteencontra base em vasto material empírico retirado dos hipnotizadoresdepois de Mesmer, como Charcot, Janet, Braid, entre outros. Poucoantes de Freud, membros da Sociedade Teosófica já ensinavam arespeito da constituição setenária do ser, composto por sete corposou níveis de consciência. Segundo Helena Blavatsky, os níveis de 156
  • 157. consciência mais elevados, atman/buddhi/manas são inconscientesno homem mediano, mas conscientes nos Adeptos, arhats e avata-res. Dizia-se que os homens são inconscientes de sua naturezaverdadeira, são afetados pelas ilusões do mundo e vivem como queadormecidos da vida real do ser. Ideia semelhante é defendida pelamaior parte do pensamento do extremo oriente. Freud começou suas pesquisas com Hipnose e logo se de-parou com alguns fenômenos que o levariam a considerar a existên-cia de um inconsciente no homem. Essas pesquisas deram a Freud abagagem necessária para a construção de um modelo que dali emdiante viria a influenciar toda a Psicologia do ocidente. Um experimento simples desenvolvido pelo Dr. Bernheimdeu a Freud material suficiente para muitas reflexões. Um pacientesob Hipnose recebeu uma sugestão para abrir um guarda chuva apóso contato com um sinal qualquer. Já fora do transe, os experimenta-dores provocaram o sinal, e o paciente levantou-se, pegou o guardachuva e o abriu. Ao ser questionado do motivo de ter feito isso, elerespondia coisas do tipo: “eu queria saber a marca do guarda chuva”ou ―queria saber quem era o dono do guarda chuva‖ ou ainda ―vimapenas olhar o guarda chuva, pois gostei de sua estética‖. Na reali-dade, o paciente executava o ato, mas não tinha consciência domotivo de fazê-lo. Algo dentro dele o movia para a ação e ao realizá-la, sua consciência transformava a justificativa em algo que conscien-temente lhe parecia ser a razão verdadeira, mas que de fato não era.Assim, a ideia de um inconsciente já estava clara para os hipnólogosque realizavam experimentos como esse, mas coube a Freud cons-truir todo um novo paradigma baseado na realidade de uma instânciapsíquica subliminar à vida consciente. É preciso dizer que raras sãoas vezes que esse tipo de instrução implantada surte efeito. Prova-velmente é necessário um estado de transe mais profundo. Afirma Freud que ―Quando nessa divisão da personalidadea consciência fica constantemente ligada a um desses dois estados,chama-se esse o estado mental consciente e o que dela permaneceseparado o inconsciente. Nos conhecidos fenômenos da chamada‗sugestão pós-hipnótica‘, em que uma ordem dada durante a Hipnoseé depois, no estado normal, imperiosamente cumprida, tem-se umesplêndido modelo das influências que o estado inconsciente podeexercer no consciente‖. Assim, a conclusão a que chegamos é de que, se no estadohipnótico podemos sugestionar o inconsciente a dar uma ordemqualquer que poderá ser posteriormente cumprida, de igual forma, oinconsciente pode ser acessado diretamente também através doestado hipnótico para desfazer outras possíveis sugestões autoim-postas do nosso passado. A ideia do inconsciente chegou em definitivo ao cenário ci-entífico após a publicação do clássico ―A Interpretação dos Sonhos‖de Sigmund Freud. Nesta obra, Freud aborda a significação dossonhos traduzindo-os em termos de um conteúdo manifesto (o signifi-cante) e um conteúdo latente (o significado oculto do sonho). Rom- 157
  • 158. pendo com a tradição clássica, os sonhos são finalmente codificadosem termos de símbolos para o consciente. Dessa forma, os sonhos apenas poderiam ser explicados apartir de uma noção de um inconsciente agindo e reagindo, semexplicação aparente e consciente no psiquismo. O estudo dos sonhose a prévia verificação empírica a partir dos seus estudos com Hipnosedeu a Freud os elementos para a formulação da hipótese do incons-ciente. ―O inconsciente é a verdadeira realidade psíquica, em suanatureza mais íntima, é tão desconhecido de nós quanto a realidadedo mundo externo e é tão incompletamente apresentado pelos dadosda consciência quanto o mundo externo pelas comunicações denossos órgãos sensoriais‖ (Psicologia dos Processos Oníricos, Freud,1901). Porém, mais à frente no mesmo artigo, Freud ressalta que nãosabe até que ponto se pode considerar os desejos inconscientescomo uma “realidade”, sendo esta uma realidade psíquica, que nãopoderia ser confundida com uma realidade material. Freud e outros teóricos comparam o inconsciente a um ice-berg. O iceberg tem uma parte visível fora da água, digamos 10% euma imensa camada embaixo da água, digamos 90%. Os 10% são anossa apreensão consciente das coisas e os 90% restantes nãotemos qualquer percepção pelos meios intelectivos e mentais. A repressão das energias sexuais e psíquicas também é f a-tor responsável pela concentração das emoções no nível inconsci-ente. Segundo Freud, a repressão vem restringir a percepção consci-ente de pensamentos e emoções relacionados a aspectos dolorosose difíceis de serem digeridos pelo ego, sendo então relegados aoinconsciente em decorrência de um mecanismo de defesa do ego.Além disso, a própria repressão também é inconsciente, pois ninguémdeseja reprimir algo conscientemente. Assim, a repressão se tornatanto o efeito quanto a causa. Na abordagem cognitiva e comportamental o inconscientenão existe enquanto instância ou função psíquica. Não há um incons-ciente enquanto reservatório de experiências ou símbolos, mas umconjunto de crenças disfuncionais que determinam a cognição, opensamento, as emoções e o comportamento. Na Gestalt-terapia oinconsciente é encarado não como uma instância, mas como umprocesso. Ken Wilber, o grande ícone da Psicologia Transpessoal,que hoje a denominou de Psicologia Integral, no início de sua obrafaz uma descrição dos tipos de inconsciente. Segundo Wilber, exis-tem:1) Inconsciente base (ou Primordial): Este é o inconsciente maisbásico e original, onde se possui, nas palavras de Wilber ―todas asestruturas profundas que existem como potenciais prontos a aflorar,por meio da recordação, em algum momento futuro‖. Este inconsci-ente é formado por todo o potencial original e essencial da humani-dade, em todas as suas estruturas, em sua totalidade. Aqui não há 158
  • 159. repressão, há apenas a plenitude das potencialidades latentes eimperceptíveis. Segundo Wilber, a evolução da consciência ocorre apartir do desdobramento desse inconsciente formando todas as fasesdo desenvolvimento, da mais inferior à superior. “Tudo é consciênciacom o Todo”, diz Wilber.2) Inconsciente Arcaico: Formado pela repetição das experiênciashumanas ao longo da cadeia filogenética; a experiência instintivaherdada da espécie, semelhante à herança genética da raça. Umaesfera inconsciente filogenética foi admitida posteriormente na obrade Freud, ressaltando que o inconsciente não coincide apenas com omaterial reprimido, mas também com a natureza instintiva do Id (s e-gunda tópica). “É verdade que tudo o que é reprimido está no incons-ciente, mas nem tudo que é inconsciente é reprimido‖ diz Freud em“O Ego e o Id”. Freud, assim como Jung, admitiu a existência do quedenominou de ―fantasias primordiais‖ como um bem filogenético deeras passadas. Assim, o inconsciente Arcaico é formado pela repeti-ção das experiências filogenéticas arcaicas da história da raça.3) Inconsciente Imergente: O início do processo de repressão. Oinconsciente imergente é o mecanismo pelo qual o consciente ou egose protege da emergência do material do Id. O conteúdo da estruturado inconsciente arcaico pode vir à tona e ser reprimido e relegado aoinconsciente imergente. Nesta esfera, os conteúdos reprimidos jáforam um dia conscientes, mas deixaram de ser pela via da repres-são. Algum material originário do Id pode ainda permanecer nestesem nunca ter sido tocado pela consciência, mas outros conteúdospodem ser ativados e aparecer à consciência, e esta já pode realizara repressão.4)Inconsciente Incorporado: Parte do ego que não é reprimida, masera inconsciente e não pode ser vítima da repressão posto que é aprópria parte repressora. A essa parte repressora e inconscienteFreud chamou na segunda tópica de Superego. É o Superego quepromove a repressão, apesar de ser inconsciente.5) Inconsciente Emergente: É a incapacidade de perceber as esfe-ras transpessoais que, pela natureza de apego ao ego, ainda nãopuderam se manifestar à consciência, e são por isso inconscientes.Os níveis superiores de consciência só deixarão de ser inconscientesquando o indivíduo ascender da esfera pessoal para a esfera trans-pessoal. Na Terapia de Vidas Passadas o inconsciente não é ape-nas um reservatório de memórias traumáticas e reprimidas de nossasfases do desenvolvimento, ele é uma esfera ou nível psíquico atem-poral que sobrevive à morte física e concentra emoções, afetos,crenças, sofrimentos, angústia, tristeza, etc, de experiências além dolimiar da vida atual. O inconsciente na TVP toma uma profundidade 159
  • 160. muito maior, pois é uma esfera transpessoal que concentra a influên-cia de experiências milenares e arquetípicas. A TVP também adere àteoria do inconsciente coletivo como reservatório dos arquétipos, oufiguras estruturantes e originais do psiquismo. O Caráter Caráter é um termo bem próximo de personalidade, emboranão seja exatamente a mesma coisa. Frequentemente confundidocom personalidade, mas sua definição varia levemente desta. Se-gundo o Dicionário Técnico de Psicologia, caráter é um ―sinal identifi-cador da natureza de qualquer ser ou coisa‖. O caráter é um conjuntode constituições do ego que nos permite distinguir uma pessoa daoutra, mas não inclui, tal como a personalidade, a soma total dascaracterísticas da personalidade, como afetos, impulsos, crenças,traços, dentre outros. Por um lado, a personalidade é um conjunto de característi-cas mais externas, mais vulneráveis a força do meio. Caráter já en-cerra uma qualidade mais básica, mais estrutural, algo relacionado agenética. São caracteres pessoais tão primários que diz-se que nas-cemos com eles. Obviamente, considerando essa definição, pode-selevantar a hipótese de que o caráter seja uma herança de nossasvidas passadas, enquanto a personalidade é parte dessa herançaque foi modificada pelo meio, pela criação e pelas experiências davida atual. Caráter também pode ser considerado, no popular, o con-junto de traços morais e éticos de um indivíduo. Diz-se que João é―uma pessoa de bom caráter‖ enquanto Alfredo é um “mau caráter‖. Para Tendam, caráter deve ser entendido como ―O total dehábitos no pensar, sentir e fazer com o qual o indivíduo se identifica eque forma parte de sua auto-imagem‖. Na TVP afirma-se que algunstraços marcantes do caráter podem sobreviver de uma vida paraoutra, constituindo a composição primária do nosso nível mental.Porém, esses traços não são permanentes, eles vão se modificandoconforme a vivência de várias vidas, apenas a sua base continuafixada por algum tempo. Tão logo seja possível, devemos abandoná-los para adiantar nossa evolução espiritual. Dessa forma, não se pode falar, como supõem alguns tera-peutas, numa espécie de ―personalidade permanente ou contínua‖que vai evoluindo de vida em vida. Essa ideia é absurda, pois a per-sonalidade é algo que muda de uma vida para outra, às vezes para oseu oposto. Além disso, numa única vida não se manifestam a totali-dade de nossas tendências; uns aspectos se expressam numa vida,enquanto outros podem aparecer numa vida seguinte. A única coisaque existe de eterna no ser é o espírito, o atman, a centelha divina,que não evolui, pois já é divina em sua natureza. 160
  • 161. A Aptidão Aptidão é uma palavra que define a capacidade ou facilida-de com que certos indivíduos aprendem ou solucionam questões devários campos do conhecimento ou da prática humana. O termoaptidão tem como sinônimos talentos e dons. Na TVP uma aptidão é explicada, em parte, com base nasexperiências passadas de indivíduos. Isso explica como certas crian-ças aprendem rapidamente certas coisas, ou mostram extrema habili-dade com, por exemplo, um instrumento musical, cálculos matemáti-cos, desenho, pintura e assim por diante. A Emoção O termo emoção, para a ciência convencional, é um com-plexo estado de ser que se associa a condições orgânicas, produzin-do impulsos internos que podem determinar atitudes, crenças e com-portamentos. Não se consegue definir com exatidão o que é umaemoção. Geralmente psicólogos e psiquiatras recorrem a explicaçõesde base orgânica físico-química, de impulsos neurais e carga instinti-va para obter elementos básicos de definição. Até hoje há poucas teorias que sustentam com propriedadeo mecanismo das emoções e sua verdadeira conceituação. A teoriaJames-Lange foi uma das primeiras a tentar conceituar as emoções.No entanto, tal como o psiquismo, as emoções vibram numa densida-de além da matéria física e não se pode explicar a emoção tomando-se por base o organismo, sob o perigo de se cair num extremo redu-cionismo. Assim como outras instâncias do nosso ser, as emoçõessomente podem ser apreciadas fisicamente pelos seus efeitos, masnão pelo que elas são de fato. As emoções seriam um produto da atividade do nosso nívelastral e se manifestam pelas vibrações sutis do corpo astral do ho-mem, dentro de sua configuração imaterial. As emoções são fluxos deconsciência que despertam estados de ser e perceber o mundo.Dentro de uma designação mais geral, o sentimento é considerado aforma como um indivíduo se relaciona com a vida e as pessoas. O papel das vidas passadas sobre as emoções humanas éum dos objetos centrais da Terapia de Vidas Passadas. Muitos pes-quisadores buscam a explicação dos intrincados mecanismos dosresquícios de vidas passadas e como estes af etam o sentir e o agirdo homem. Os Skandhas Skandha é uma palavra sânscrita muito corrente no Budis-mo e usada também pelo Hinduísmo e pela Teosofia. Literalmente 161
  • 162. são “faces” ou grupos de atributos. Os Skandhas são conhecidoscomo agregados mentais que formam cada personalidade individual.Há cinco skandhas principais: 1) forma 2) sensação 3) percepção (ou discriminação; cognição) 4) formações mentais (samskaras); vontade 5) consciência. Esses são os chamados “cinco agregados” no Budismo. Dacombinação dessas categorias de elementos, forma-se o sensoilusório de eu. Destes cinco agregados, apenas o primeiro é materiale objetivo. Os outros quatro elementos são subjetivos e mentais. Dizem os budistas que não se pode compreender esses e-lementos separadamente, pois eles formam um todo com a consciên-cia (Budismo: psicologia do autoconhecimento). Os skandhas definema existência como objetos de apego e reforçam o sentimento de quealgo “é meu” ou “sou eu”. Os skandhas existem ao longo da vida deuma pessoa e aos poucos vão se degenerando e perecendo juntocom a personalidade. De acordo com a Teosofia, a pessoa permanece após amorte um certo tempo num plano chamado Kamaloka. No Kamaloka,os resíduos astrais e etéricos da personalidade que acabou de de-sencarnar são vivenciados até um ponto máximo, onde se desgastame decaem naturalmente, ficando seus resíduos retidos no próprioKamaloka, um dos subplanos do astral inferior. Após a morte, os skandhas permanecem como reminiscên-cias, ou melhor dizendo, memórias de experiências. Eles se mantémno plano astral e ficam aguardando uma nova encarnação e a forma-ção de uma personalidade. Dessa forma, os skandhas de vidas pas-sadas formam a base para o ressurgimento do karma numa novaencarnação. Os skandhas, para os teósofos, são os elementos que atra-em as almas para o plano da Terra e a nova encarnação. “(…) são osvínculos que atraem o ego quando se reencarna” (Glossário Teosóf i-co). Os Sonhos Os sonhos são um material ou conteúdo psíquico que brotana consciência durante o sono do corpo físico. Os sonhos são se-quências de imagens, pensamentos, emoções e sensações queocorrem involuntariamente na consciência durante algumas fases desono. 162
  • 163. Por outro lado, os sonhos são encarados como despertarde aspectos subjetivos da interioridade humana. Trata-se de umprocesso inconsciente do psiquismo que, por vezes, é recordado pelamente objetiva no estado de vigília. De acordo com o pensamentovigente da antiguidade, os sonhos possuíam propriedades premonitó-rias, além de serem um veículo de comunicação entre o humano e odivino. Em geral, os sonhos são manifestações psíquicas de ques-tões e problemáticas enfrentadas em nosso dia a dia. Há profundarelação dos sonhos com nossas emoções. Não é raro ver pessoassonhando com situações temidas por elas, como término do casa-mento, um acidente, o filho morrendo, ser reprovado num exame, sersubmetido a eventos angustiantes, dentre outros. Se eu tive umtrauma recente, é normal que eu sonhe com a repetição da situaçãotraumática. Os traumas são grandes ativadores de sonhos, por issoalguns psicólogos costumam afirmar que o sonho é uma produção dopsiquismo na tentativa de elaborar/trabalhar aquele conteúdo. É umaforma de adaptar a experiência a nossa subjetividade, fazendo comque ela seja mais suportável. O livro “A Interpretação dos Sonhos” de Sigmund Freud(1900) marcou a história do estudo dos sonhos como sendo a pri-meira obra a abordar o tema com um enfoque mais científico. Nestelivro, Freud toma por base material já publicado sobre os sonhos eacrescenta visões revolucionárias sobre o tema. Basicamente, Freuddefine os sonhos como sendo parte de uma repressão dos nossosdesejos inconscientes e uma tentativa de realizá-los subjetivamente. Para Freud, há dois níveis de apreciação dos sonhos. Oprimeiro é o conteúdo manifesto (o que aparece em formas, imagense acontecimentos). O segundo é o conteúdo latente (o significadointerior do sonho, que é revestido pelas formas simbólicas do conte-údo manifesto). A partir dessas primeiras pesquisas de Freud, os sonhospassam a ser compreendidos de uma perspectiva simbólica, comorepresentações diversas das experiências humanas. Dizem que ossonhos têm a sua linguagem própria, pois através dos símbolosexpressos é possível revelar o conteúdo emocional e mental do s o-nhador. Além disso, são trabalhados as aspirações e os desejos queele procura esconder de outros e dele mesmo. Por exemplo, um homem casado sonha que está saindocom outras mulheres. Mesmo sem reconhecer objetivamente que elese sente atraído sexualmente por outras mulheres, no sonho elepoderá experimentar aquilo que esconde para si mesmo. Um dos fenômenos mais comuns no que se refere ao ladoespiritual dos sonhos são os famosos “sonhos repetidos”. Muitosterapeutas acreditam que quando um sonho se repete, há grandechance do sonho estar revelando uma memória de vida passada.Pessoas descrevem os sonhos repetidos como sendo mais reais doque os sonhos comuns. 163
  • 164. Centenas de pessoas que nos procuram têm relato seme-lhante. Sonham com a mesma trama quase todos os dias, geralmentesituações literais, onde vivenciam cenas que parecem ter ocorridonuma vida passada. Ao realizar a regressão, em muitos casos cons-tatamos que o sonho era um prenúncio de uma vida passada. Issoacontece quando uma vida passada possui uma demanda de trata-mento e encontra a via dos sonhos para se expressar e liberar-se. Emnosso psiquismo, tudo o que está oculto tende a se expressar dealguma forma, mesmo que seja traduzido em símbolos ou sintomas.Como disse Jesus: ―Não há nada de escondido que não venha a serrevelado, e não existe nada de oculto que não venha a ser conhe-cido" (Matheus 10, 26). Como descobrir se os sonhos repetidos nos remetem amemórias reais de vidas passadas? Os sonhos que representamrecordações geralmente têm um nexo sequencial entre os aconteci-mentos. Os sonhos comuns carecem de elementos lógicos e tempo-rais, tudo vai se mesclando e ocorrendo sem muito sentido. Os sonhos de vidas passadas têm uma sequência lógica esão muito vívidos, além de algumas vezes ativarem emoções fortes.Quando isso ocorre, a pessoa não tem nenhum controle sobre osacontecimentos, tudo vai se desenrolando e ela nada pode fazer paraevitar. Isso ocorre porque são provavelmente informações gravadasem nosso psiquismo e se configuram como eventos literais. Podemos resumir isso em alguns pontos:  A coerência do sonho: No sonho, quando vemos as situa- ções sucedendo-se de forma linear, coerente, com ocorrên- cias sequenciais e lógicas, há grande chance de ser uma memória, ou mesmo uma projeção astral. Exemplo: Vejo-me caminhando numa rua de pedras, paro em frente a uma casa, sai uma pessoa dessa casa, me cumprimenta e vamos a um bar. Nesse bar, entra um ho- mem alto com um facão. Inicia-se uma luta entre ambos e ele crava o facão em minha barriga, levando-me à morte. Nesse exemplo, todas as circunstâncias foram acontecendo com uma sequência lógica e coerente de fatos. Em sonhos normais ocorre o contrário. Não há nexo nem coerência en- tre as cenas.  Falta de controle: Quando um sonho revela uma memória, não temos nenhum controle sobre os acontecimentos. Tudo vai se passando como se nada pudéssemos fazer a res- peito. Não dominamos as situações que fluem. Isso pode indicar que se trata de uma memória, algo que já ocorreu e não pode ser mudado por nossa vontade. Em sonhos lúci- dos, podemos definir o que vamos fazer, para onde vamos, o que falar e escolher outros rumos dos acontecimentos, algo que não ocorre nos sonhos mnemônicos. 164
  • 165.  Experiência vívida: Quando o sonho apresenta sensações e situações que são mais vivas, mais presentes, mais vi- brantes, a ponto de chegarmos a sentir quase sensações físicas mais sutis, isso é outra evidência de que é real. Exemplo: Encontramos uma pessoa no sonho e ela nos toca. Temos uma sensação de toque que não é física, mas que parece muito com a sensação física do toque, sendo bem semelhante a esta. Isso pode ser uma memória de vi- da passada ou pode ser uma projeção astral em que en- contramos essa alma nos planos sutis. Sonhar com pessoas desconhecidas: Já ouvi muitos re- latos de pessoas que afirmam sonhar constantemente com pessoas desconhecidas. Para alguns, a impressão que dá é de que estamos numa espécie de reunião, e dialogamos com pessoas que nunca vimos na vida e nem descon- fiamos quem sejam. Sonhos assim podem indicar que de fato encontramos com almas no plano astral, durante a sa- ída do corpo astral do corpo físico. Talvez nossa consciên- cia objetiva não reconheça aquelas pessoas, mas nossa alma se encontre com elas nos planos invisíveis há muito tempo. Sonho de época: No caso de um sonho revelar caracterís- ticas históricas diferentes das atuais, há grande chance de ser um sonho de vidas passadas. Podemos nos ver como sendo outra pessoa, com outra aparência, com roupas dife- rentes que parecem vestimentas típicas de outros períodos históricos. Observamos e convivemos com pessoas que usam roupas semelhantes a nossa. Algumas vezes, encon- tramos alguém que nos parece familiar, e até o reconhece- mos como algum parente, amigo ou conhecido atual. Ape- sar de enxergar essa pessoa com outra aparência, temos a forte impressão de que ela é nossa mãe, nosso pai, nosso irmão, nosso colega de trabalho, nosso vizinho, ou mesmo alguém que hoje nutrimos simpatias/antipatias sem causa aparente. Tanto o sonho de época quanto o reconhecimen- to de pessoas do nosso convívio atual podem ser fortes in- dícios de sonhos como recordações. Emoções fortes: Geralmente, quando o sonho é um en- contro real, as pessoas que encontramos nos despertam emoções. Às vezes, essas emoções são tão fortes que po- demos acordar chorando ou profundamente emocionados e sensíveis. Em outras ocasiões, sentimos saudade de al- guém que vimos no sonho; sentimos vontade de ver essa pessoa novamente; sentimos uma emoção positiva ou rea- ções diversas. Por outro lado, a pessoa também pode nos evocar emoções negativas, como raiva, medo, rancor, a- 165
  • 166. versão, tristeza, apego etc. Essas emoções são uma gran- de evidência de que o encontro espiritual é real e não ima- ginário. É interessante notar como os sonhos podem ser o sinal dealgum grande feito, como por exemplo, o anúncio do nascimento deum filho. Ocorre muitas vezes da mãe, antes mesmo da gravidez,sonhar com a alma que está para nascer. Esse sonho é geralmenteconsiderado bastante real pelas mães e às vezes há considerávelconteúdo emocional. Durante o sonho, é comum a criança declarar que estáprestes a nascer. Em alguns casos, o espírito lhe pede a permissãopara nascer como seu filho ou filha. Por mais incrível que isso possaparecer, muitas mães chegam a conhecer a forma física do filho (a)antes do nascimento. As imagens do sonho aparecem com o mesmoformato do futuro corpo físico da criança de vários anos depois. Háconsiderável número de relatos a esse respeito para que passemos aconsiderar esse fenômeno como real. Roger Woolger (1987) aborda em seu primeiro livro de TVPsobre como os sonhos de sua paciente Peggy traziam conteúdos devidas passadas, os quais uma análise junguiana convencional nãoconseguiria dar conta. Apesar disto, com o desenvolvimento dassessões, Peggy fez emergir de seu inconsciente representações econteúdos psíquicos que até então só poderiam brotar através dossonhos. Os estudos dos sonhos apontam para várias de suas fun-ções. Os sonhos podem ser reveladores não apenas de vidas passa-das, mas de outros processos. Vejamos alguns de seus aspectos:Experimentação dos desejos: Os sonhos são, frequentemente, umatentativa do psiquismo de usufruir dos seus desejos e prazeres. Umapessoa que deseja possuir uma casa pode sonhar com essa casa.Um homem que deseja sexualmente sua vizinha pode sonhar com aconsumação do ato sexual entre ambos. Uma pessoa pode aspiraruma posição de destaque em sua empresa e sonhar com sua ascen-são profissional.O sonho como manifestação dos nossos desejos conscientes ouinconscientes foi uma das pesquisas centrais da psicanálise. Ossonhos também podem nos colocar em cenários temidos, comosituações que em nossa vida prática procuramos ao máximo evitar.Por exemplo, se tenho medo que meu filho morra, posso sonhar queele está morrendo; se tenho fobia de cachorros, posso sonhar que umcachorro está me mordendo.Por outro lado, num nível mais inconsciente, os sonhos podem trazema nossa presença certas informações que desejamos ocultar de nósmesmos. Por exemplo, uma pessoa está infeliz com seu casamento,mas procura ignorar esse sentimento a fim de manter sua estabili-dade financeira. Ela pode sonhar que tudo está dando errado em seucasamento e o sentimento de infelicidade pode se agravar durante o 166
  • 167. sonho. Há inúmeros exemplos de casos como esse. Os sonhos reve-lam nossos desejos, emoções e reproduzem várias tramas da vidahumana através de uma linguagem própria.Arquétipos: Essa foi uma pesquisa revolucionária trazida pelo psi-quiatra suíço C. G. Jung. Os sonhos podem trazer figuras simbólicasou mitológicas de significado universal. Tratam-se de temas que sãoparte integrante da própria estrutura comum do psiquismo humano.Vidas Passadas: Como já dissemos, por meio das imagens oníricaspodemos ter acesso a um conteúdo de nossas vidas passadas.Visão do futuro: Na antiguidade, os sonhos eram reconhecidoscomo proféticos, trazendo sinais dos deuses para os homens. Exis-tem inúmeros relatos de precognições em sonhos. Precognição é acapacidade humana de prever o futuro. Relatos como esse são bas-tante corriqueiros. Os sonhos de precognição são geralmente bastan-te vívidos e reais. Há muitas pessoas que se assustam com essessonhos, pois ficam sabendo com antecipação de catástrofes, mortesou acidentes variados. Elas percebem eventos negativos com seusfamiliares antes mesmo deles acontecerem. Inclusive, há casos emque alguns acidentes já foram evitados por conta dessa habilidadepsíquica.Projeção astral: Os sonhos são também resíduos de locais visitadosno astral, mas modificados pela subjetividade do sonhador. Em outraspalavras, alguns sonhos podem ser uma forma de interação comoutros planos. Sentir a presença de pessoas nos sonhos pode seruma indicação de que estivemos em contato com ela nos planossutis. Muitas percepções oníricas podem ser atribuídas às energiasdo plano astral ou mesmo a formas-pensamentos.Sonhos com filhos antes de nascer: Segundo Stevenson, citadopor Whitton (1986) é comum o relato de sonhos premonitórios da mãeantes do nascimento de uma criança. O sonho anuncia a chegada deuma alma que será nosso próximo filho. Esse sonho provavelmenteindica uma projeção consciente ou inconsciente onde o pai ou a mãepassam a conhecer seu futuro filho. Não é difícil encontrar mães maisintuitivas que alegam ter contato psíquico com o espírito do filho antesda concepção ou durante a fase intrauterina. Existem algumas técnicas usadas por psicólogos e terapeu-tas para uma avaliação, diagnóstico ou tratamento psicológico porintermédio das imagens oníricas. Seguem três das principais técnicasutilizadas: 167
  • 168. Técnica para os sonhos (1) A primeira técnica se refere tão somente à análise objetivados sonhos. O terapeuta, por associações mentais, vai desvendandoo significado de cada imagem simbólica e correlacionando à vidacorrente e à subjetividade do cliente. Essa é a principal técnica dapsicanálise dos sonhos. As técnicas mais recentes são consideradasmais profundas e diretas; esse é o caso de quando experimentamosdiretamente uma situação onírica, ao invés de percorrer os laços deassociação entre um aspecto e outro do sonho. Apesar desta técnica já apresentar um avanço em relaçãoao que se conhecia cientificamente sobre os sonhos e seu tratamentoantigamente, ela permanece apenas na superfície e exige que amente objetiva compreenda algo que não é de sua esfera de enten-dimento. As técnicas mais atuais e mais diretas são as mais reco-mendadas, pois procuram revelar seu significado latente através do“mergulho” do sonhador no próprio sonho. Técnica para os sonhos (2) Levando-se em consideração que os sonhos são sinais in-dicativos de processos inconscientes disfuncionais, existem algumastécnicas que nos permitem dar vida ao sonho e investigar mais dire-tamente os símbolos gerados pela nossa realidade psíquica. Umadessas técnicas é realizada através da Imaginação Ativa de Jung.Essa técnica funciona através do relacionamento do cliente com suaspróprias imagens oníricas. Pede-se ao cliente que relaxe e deixe livre o fluxo da cons-ciência. Em seguida, pode-se seguir a mesma sequência da técnicada imaginação ativa, porém ativando os conteúdos oníricos que nãofazem sentido à mente objetiva. Através da liberação da fantasia, o cliente pode dar conti-nuidade ao sonho e ver como as imagens vão se desenrolando. Épossível conversar com as partes do sonho, descobrir subpersonali-dades, deixar a emoção livre, realizar catarses, buscar o entendi-mento dos símbolos, investigar as relações entre o sonho e o cotidi-ano, e até mesmo transformar as imagens oníricas negativas em algopositivo para o cliente. Bill Anderton, no livro “Prática da Meditação hoje”, chamaessa interação com imagens mentais criadas através da visualizaçãode “Visualização Interativa”. Pode-se também verificar o significadodos arquétipos emergentes na psique e como eles se associam à vidaprática do indivíduo. É possível, nesse momento, que as imagensoníricas possam aos poucos ir cedendo lugar a imagens de experiên-cias reais de vidas passadas. No caso de isso ocorrer, o terapeutadeve aprofundar nas imagens que levam à regressão e deixar queelas prossigam. 168
  • 169. Técnica para os sonhos (3) Essa técnica é descrita na obra ―O Monge e o Filósofo‖ deMatthieu Richard e Jean-François Revel e trata-se de algo ainda maisprofundo que as duas primeiras abordagens. Pierre Weil também acita num dos seus livros. ―Há toda uma progressão de práticas contemplativas liga-das ao sonho. Primeiro, a pessoa se exercita em reconhecer que estásonhando no próprio momento em que isso acontece; depois, emtransformar o sonho; e, finalmente, em criar a vontade as diversasformas de sonho. O ponto culminante dessa prática é a cessação dossonhos. Um meditador excepcionalmente consumado não sonhamais, diz-se, a não ser quando, ocasionalmente, tem sonhos premo-nitórios‖ diz Richard. Dentro da Yoga, essa abordagem é chamada deYoga do sonho lúcido. Aqui não interessa o conteúdo dos sonhos, como nas abor-dagens psicoterápicas ocidentais; aqui interessa-nos ficar conscientedurante o sonho. Essa técnica é geralmente utilizada por meditadoresmais avançados, mas não há impedimento de que o terapeuta possaensiná-la ao seu cliente e trabalhar com ela, caso seja possível. As explicações de Richard podem nos levar a conclusõesinteressantes sobre as técnicas budistas do sonho. Num primeiromomento, a pessoa faz esforço para reconhecer que está sonhando.Esse é o primeiro nível de lucidez durante os estados oníricos, o quenos deixa mais próximos do nosso inconsciente. Em seguida, ele adquire controle sobre os sonhos, passa amodificá-los através do contato direto com as imagens; esse é osegundo nível de proximidade com o inconsciente. E por fim vem o terceiro nível, a criação de outras imagensoníricas dentro do próprio sonho, que pode ser considerado o mesmoque criar uma nova configuração positiva para o nosso inconsciente,tal como o desenhista é senhor de sua criação e pode, a partir domaterial existente, criar uma obra de arte. Porém, como admite Ri-chard, a cessação de todas as formas de sonho é o ápice dessaspráticas. O yogue avançado não sonha mais, a não ser que recebauma mensagem premonitória. No Livro Caminhos Além do Ego um dos autores, StephenLaberge, fala sobre uma das etapas finais de uma prática chamadaIoga onírica do Tibet, muito semelhante a Yoga do sonho lúcido:―Depois de desenvolver um controle suficiente sobre suas reações aoconteúdo de seus sonhos lúcidos, o iogue passa a exercícios maisavançados por meio dos quais domina a capacidade de visitar – emseu sonho lúcido – qualquer domínio da existência‖. Quando se do-mina o corpo astral, nosso corpo dos desejos e das emoções, cons e-guimos guia-lo a qualquer nível de realidade. O domínio do inconsci-ente tem muita relação com o domínio do corpo astral. Assim, quando temos controle sobre o nosso inconsciente,nos tornamos os senhores de nossa vida. Quando conseguimoslançar luz sobre a nossa sombra, restam poucos limites entre nosso 169
  • 170. espírito e o divino. As etapas dessa técnica podem ser ensinadaspelo terapeuta ao seu cliente e, assim que o cliente conseguir reco-nhecer que está sonhando, pode ser orientado a transformar a própriaconstituição do inconsciente. O COEX COEX é uma palavra que significa ―Sistemas de Experiên-cia Condensada‖. Trata-se de um termo cunhado pelo psiquiatratcheco Stanislav Grof, um dos precursores da Psicologia Transpes-soal. COEX pode ser compreendido como uma constelação de me-mórias associadas entre si tendo por núcleo uma pesada e intensaconcentração de energia emocional e sensações físicas, agrupadasem torno de um mesmo tema básico. Essa carga emocional retidaestá associada a momentos históricos específicos da vida de umapessoa. Essa constelação pode existir de maneira autônoma e inde-pendente da totalidade do psiquismo. Falando de outra forma, COEX são sistemas psíquicos queorganizam experiências em torno de memórias com qualidades emcomum. As energias condensadas são tanto emocionais quantosensoriais e se agrupam em torno de elementos de mesma naturezano psiquismo. Esse conceito é semelhante ao que Jung chamou decomplexo, embora existam algumas diferenças teóricas de superfície. Grof diferencia o COEX positivo do COEX negativo. O posi-tivo agrega experiências consideradas boas e prazerosas; o negativoconcentra experiências consideradas ruins e desprazeirosas. Segundo Grof, o COEX está relacionado diretamente com omecanismo perinatal, ou do nascimento. Essa é a chamada “MatrizPerinatal”, que se compõe de ricos mecanismos de experiênciasrelacionadas ao nascimento físico. A Matriz perinatal, trabalhadaclinicamente, utiliza a revivência incrivelmente direta, nítida e real dasexperiências de várias etapas do nascimento, como, por exemplo, aproteção única do ventre materno, a fusão com a mãe, a sensação dapassagem pelo canal do parto, dentre outras. Assim, o COEX estápresente em várias dessas fases, formando conjunções de energiasemocionais e sensoriais que devem ser tratadas. Além disso, Grof fala em quatro matrizes perinatais básicase cada uma delas encontra correspondência com a dinâmica psicoló-gica humana de múltiplas formas. Grof também aponta correlaçõesdiretas entre a matriz perinatal e a experiência da morte. As etapasque antecedem o nascimento seriam similares às etapas posterioresà morte do corpo físico. Afirma Grof que ―Nascimento e morte pare-cem ser o Alfa e o Omega da existência humana, e qualquer sistemapsicológico que não os incorpore permanece superficial e incom-pleto‖. A experiência do nascimento e seus temas teriam, segundoGrof, estreita conexão com as fases transpessoais. Grof ressalta aimportância de uma perspectiva não-linear no estudo das constela- 170
  • 171. ções dinâmicas sobre a correlação de temas do nascimento e omaterial transpessoal. Isso significa que a consciência não obedece a fases de-terminadas pelo tempo ou espaço, não segue sequências rígidaslineares segundo a física newtoniana. O tempo não faz muita dife-rença, pois se podem acessar temas correlatos dentro de épocastotalmente distintas. As distinções entre a experiência humana e aanimal caem diante de uma perspectiva atemporal, assim como afases objetiva da mente, comparando-a com as experiências arquetí-picas e transpessoais. 171
  • 172. Capítulo 8 A Anatomia Sutil A Anatomia Sutil O estudo da anatomia sutil humana não poderia faltar emnosso tratado. Ele é importante fonte de informações para se com-preender o complexo multidimensional e vibratório do ser. A TVP lidadiretamente com as energias humanas, e por isso, todo terapeutadeve conhecer bem sua natureza, propriedades e funções. A anatomia física é o estudo das estruturas corporais dosseres vivos em sua constituição interna e externa. A anatomia médicainteressa-se pela “dissecção”, sendo este o seu significado original dalíngua grega antiga. Já a anatomia sutil é o ramo do esoterismo que estuda a contraparte sutil e vibratória dos seres vivos, tendo como foco o estudo das bioenergias humanas. Enquanto a anatomia física se preocupa em seccionar ocorpo e estudar a forma objetiva, a anatomia sutil interessa-se, so-bretudo, em conhecer os mecanismos sutis de circulação e expressãodas bioenergias. A Terapia de Vidas Passadas ensina sobre a existências deinumeráveis correntes sutis de bioenergia percorrendo o corpo. Essascorrentes vitais que podem ser a expressão etérica do surgimento devários sintomas físicos. De acordo com as terapias holísticas, o blo-queio do livre fluxo da energia vital no organismo pode dar origem avários sintomas físicos. Na Terapia de Vidas Passadas é possível visualizar a cir-culação das energias sutis através da mente num estado mais pro-fundo. As retenções, os bloqueios e os desequilíbrios da energia sutilpodem ser captados interiormente. O trabalho desenvolvido por HansTendam da “Exploração da Aura” mostra o modo de aplicação desseprocedimento. Essa técnica ajuda, não apenas no reconhecimento doestado de nosso biocampo, como também ajuda a desobstruir oscanais e a anatomia sutil. Através da Exploração da Aura (tópico quefalaremos em capítulo futuro) pode-se entender quando e comosurgiram as causas desses desequilíbrios. As várias tradições espirituais, como o Hinduísmo, a Yoga,a Teosofia, o Rosacrucianismo, Antroposofia, Budismo, Lamaísmo,assim como a Medicina Tradicional Chinesa e a Medicina Ayurvédica,investigam, procuram mapear e ensinar a respeito das correntes sutisque impregnam e influenciam o corpo físico, além de suas diversascamadas ou níveis. Porém, as interpretações e os modelos das cor- 172
  • 173. rentes, canais, centros, plexos, camadas ou níveis sobre a sua locali-dade, função, grau, aparência, forma, cor e luminosidade são múlti-plas e variam de tradição para tradição, embora existam muitas corre-lações e a identificação de um padrão em comum. A multiplicidade de modelos e modos de ver e compreendera anatomia sutil pode ser explicada pelo fato de não serem essasestruturas sutis totalmente objetivas e localizadas espacialmente.Seriam, antes de tudo, realidades de energia e consciência. Elaspodem variar conforme o grau de clareza e o avanço espiritual dopraticante ou do paranormal. Assim, seu modo de apreensão(ou seja,a visualização dessas estruturas) passa necessariamente pela subje-tividade do observador e deixa clara a “elasticidade” do significado daestrutura sutil. Fica claro que a constituição da anatomia invisível nãopode ser analisada objetivamente, tal como se faz em Física e Biolo-gia. Apesar disso, as tradições ensinam sobre as várias partes daanatomia sutil. Os principais são: 1) Nadis. 2) Meridianos. 3) Pontos de acupuntura. 4) Chakras ou Cakras. 5) Corpos Espirituais. 6) Aura humana. 7) Prana. O Espírito O estudo da anatomia sutil deve ter seu início na noção deespírito. Isso porque o espírito é o fundamento de tudo. Vamos procu-rar dar várias definições de espírito e averiguar o que a Terapia deVidas Passadas tem a nos dizer sobre esse tema. Espírito é um termo de grande amplitude de significado,sendo usado de formas diferentes por grupos de pensadores dife-rentes. Na Terapia de Vidas Passadas a palavra espírito é comu-mente usada para definir o princípio inteligente individualizado, sendosinônimo de “alma” ou centelha divina, a individualização do univer-sal. Em seu sentido original, na maioria das linguas antigas, como osânscrito (atman), o Hebraico (ru´ah) e o grego (pneuma), a palavratem um sentido de “sopro”, sendo considerada o sopro vital. Mastambém agrega em seu significado original termos como vitalidade,ar, atmosfera, vida, exalação, dentre outros. A partir deste significado,todos os outros foram derivados. Espírito, em sua origem, significa basicamente “aquilo que vivifica”. Para facilitar a apreensão correta do sentido, vamos distin-guir os significados mais comuns do termo: 173
  • 174. Na Filosofia Moderna: A palavra espírito aqui toma uma acepçãodistinta, abarcando o sentido de alma racional ou intelecto, ou seja,tudo o que diga respeito a racionalidade humana no seu apogeu epureza. É também usado, muitas vezes, em oposição à “letra”. ―Aletra mata, mas o espírito vivifica‖ (Coríntios, 3:6). Em Filosofia otermo toma o significado de algo que visa demonstrar a essência deum ensinamento. Por exemplo, “O Espírito das Leis” de Montesquieu.Nas crenças: Aqui o espírito é um ser sobrenatural, incorpóreo,etéreo, bom ou mau, tal como descrito nas teologias e nos mitos,como por exemplo, anjos, demônios etc.Nas tradições: é um ser imaginário, como no paganismo, um ser quepertence a contos, mitos e lendas antigas, com maravilhosos e in-compreensíveis poderes. Aqui podem ser citados os elementais,duendes, gnomos, fadas, silfos, gênios etc. Estes são também cha-mados de espíritos da natureza e formam uma classe especial deentidades.No Cristianismo: O Espírito Santo, a terceira pessoa da trindade.No Espiritismo: ―O Princípio inteligente do Universo‖ (O Livro dosEspíritos, Allan Kardec, q. 23). ―Os espíritos são a individualização doprincípio inteligente, como os corpos são a individualização do princí-pio matéria‖ (q. 79). Seriam almas humanas desencarnadas, semcorpo físico. Por um lado, de acordo com o “O Livro dos Espíritos”, oespírito não é ―um ser abstrato, indefinido (…) É um ser real, circuns-crito que, em certos casos, se torna apreciável pela vista, pelo ouvidoe pelo tato‖. Ainda no mesmo “O Livro dos Espíritos”, vemos a afirma-ção de que ―Pela sua essência espiritual, o espírito é um ser indefi-nido, abstrato, que não pode ter ação direta sobre a matéria, sendo-lhe indispensável um intermediário, que é o envoltório fluídico, o qual,de certo modo, faz parte integrante dele‖. Essas duas passagens deO Livro dos Espíritos pareceriam uma contradição se não levássemosem conta os dois níveis do espírito. Num nível menos elevado e maispróximo à matéria, quando revestido pelo envoltório fluídico, ele setorna definido e circunscrito, podendo ser apreciado pela vista e peloouvido. Num nível mais universal, ele não pode ser bem definido, poisnos falta a inteligência e a elevação para esse fim. O livro acrescentaainda que ―O Espírito é, se quiserdes, uma chama, um clarão ou umacentelha etérea‖ (q. 88). Esse é o sentido que a maioria dos terapeu-tas de vidas passadas confere ao termo espírito.No Misticismo: Nas Tradições místicas o sentido geralmente empre-gado é o de espírito como sendo um princípio universal; uma eterni-dade e um infinito. A própria expressão da divindade dentro de nossacompreensão. Nesse caso, o espírito não é tido como individualidade,como um ente, mas como a energia primeira de Deus, que permeia o 174
  • 175. Universo inteiro. O espírito é uma centelha divina presente em nós eda qual somos o receptáculo. ―Não sabeis que sois o Templo de Deuse que o Espírito de Deus habita em vós?‖ (1Corinthius 3, 16).O espírito é a não-dualidade: a unidade primordial. É o fundamentode tudo o que existe. Para Wilber, é o nível mais alto da realidade:matéria, corpo, mente alma e espírito. Para Wilber e para o misti-cismo oriental, o espírito inclui matéria, corpo, mente e alma, mastranscende e está além de todos estes.No Rosacrucianismo: A energia que dá origem ao mundo material.Esta é chamada de Energia Espírito. Esta seria uma matéria sutilís-sima e intangível que tem o poder de animar as coisas, ou seja, osobjetos e fenômenos do mundo. Os estóicos já usavam o termoespírito nesse sentido, assim como os magos da renascença (Abag-nanno, Dicionário de Filosofia). Também os alquimistas e os rosacru-zes usavam espírito dessa forma: ―Os grandes rosacrucianos sabempreparar um líquido a que dão o nome de ‗espírito universal‘. Esselíquido seria extraído da atmosfera, da neve, da chuva ou do orvalho.É uma condensação do espírito da natureza que tudo vivifica‖. (O. M.Aïvanhov) Na Terapia de Vidas Passadas, o termo empregado estámais próximo do Espiritismo, embora tenha algo também de Misti-cismo. O espírito é uma individualização da unidade total. Seria comoo ponto dentro do círculo; ao mesmo tempo em que o ponto tem anatureza do círculo, o primeiro é menor que o segundo e está neleincluído. É também considerado o ser humano na ausência de corpofísico, após a morte. A Alma A palavra animus, que derivou o termo alma, tem correla-ção com o grego anemos e com o sânscrito aniti (Dicionário de Sím-bolos). Esses dois termos tem o significado de “sopro”. Nesse sen-tido, a palavra alma tem o mesmo sentido de “espírito”, que significasopro, alento etc. Essa palavra possui uma diversidade imensa desentidos, como o religioso, teológico, filosófico, epistemológico, psic o-lógico e antropológico. O termo atualmente é mais usado dentro deum contexto religioso e teológico; o que antes era chamado de alma,hoje recebeu a denominação de mente, psiquê, ou psiquismo. Oestudo da alma está relacionado ao estudo ontológico, do eu, doespírito, da psique e principalmente da consciência. Em algumas culturas, o homem pode ser representado comvárias almas, duas, três, quatro ou até mais. Essas almas têm fun-ções diferentes e residem em graus de densidade mais ou menoselevados (Dicionário de Símbolos). Porém, podem-se identificar trêssignificados principais sobre a palavra alma, que nos remetem a trêsníveis de consciência distintos, que formam a constituição do ser: 175
  • 176. Alma como princípio divino: Aqui a alma aparece como sendo oprincípio divino inerente a todos os seres. Essa alma é invisível, masnão se desloca no espaço, posto que para se transportar ela deveriaser necessariamente limitada. A dimensão divina (se é que podemosusar a palavra “dimensão”) não pode ter limites, ela está ligada epertence ao infinito.Antigamente, a concepção de alma unia-se a de espírito, significando“sopro, hálito, alento, vida, respiração‖. Em outras situações, a almaera concebida como uma “chama” ou um “fogo perene”, uma chispaou “centelha divina”. Há uma ideia de que a alma humana está indis-sociavelmente ligada à alma universal. Dizem alguns místicos quenão se podem falar em alma individual, pois sempre que falamos emalma, ela é universal, pois o princípio divino, mesmo que seja umprincípio latente no ser humano, não pode nunca ser pessoal, masuniversal e transcendente.Alma como duplo do homem: Várias culturas consideram que aalma deixa o corpo nos períodos de repouso e sono, podendo encon-trar-se com a alma dos mortos. No Egito antigo, esse princípio aní-mico era chamado de Ba, ou seja, o duplo do homem, sua almainvisível, que pode se deslocar a grandes distâncias, é independentedo suporte físico e apresenta-se com a aparência do próprio corpo.Essa alma deixa o veículo material durante o sono do corpo físico epode viajar a grandes distâncias. Esse é o chamado corpo astral dosesoteristas. ―As primeiras especulações filosóficas acerca da alma secongregam principalmente em torno da ideia de simulacro ou fan-tasma do ser vivo, simulacro ou fantasma que podem sair ou afastar-se desse ser (aparecer em sonhos) até mesmo no decorrer da vida‖diz José Ferrater Mora (Dicionário de Filosofia vol.1). Assim, a noçãode alma tem o significado de um duplo do homem, uma espécie deprincípio independente do corpo físico, que pode deixá-lo após amorte e que tem sua origem num princípio transcendente.Alma como princípio vital: Esse nível também é denominado deElan Vital. Termo conceituado pelo filósofo Henri Berson, no seu livro“A Evolução Criativa” de 1907, que designa um princípio, força ouenergia vital, que se acredita ser responsável pela criação de toda avida. É também definido como o princípio de evolução da natureza; aenergia básica que faz as coisas evoluírem. Esse é o nível da vitali-dade do organismo físico. Não pode deixar o corpo físico, pois casoisso ocorresse, o corpo seria destituído de vitalidade, o que provoca-ria irremediavelmente a morte. Há uma essência espiritual que “ani-ma” a vida orgânica e ativa o funcionamento dos órgãos. Esse é ochamado ki dos japoneses, o chi dos chineses, a força vital dos ros a-cruzes, o princípio vital do Espiritismo, o prana dos Hindus e assimpor diante. 176
  • 177. Na Terapia de Vidas Passadas a alma é o princípio, funda-mento ou “essência” do ser. Diz-se que a alma encarna de vida emvida, num ciclo de mortes e nascimentos até atingir a iluminação, ou odespertar de todas as suas faculdades arquetípicas e universais.Nesse sentido, a alma seria sinônimo de espírito, ou seja, uma indivi-dualização do universal. De qualquer forma, a TVP considera, assim como a maioriadas culturas e tradições, os diversos níveis da alma, tal como os trêscitados anteriormente. Parece ser um fenômeno quase universal aalma ser tratada em diversos planos ou graus de realidade. O Eu Superior O espírito e a alma são realidades espirituais, mas em nos-sa visão humana, são apenas abstrações teóricas. O espírito repre-sentando a essencialidade individualizada do ser, enquanto a alma,apesar de ser divina, se constitui como a apresentação dos maiselevados níveis ou camadas que revestem o espírito. Por outro lado,o Eu Superior, apesar de ser ainda algo distante do entendimentohumano, está mais próximo de nós. Podemos até mesmo entrar emíntima conexão com ele por intermédio de certas técnicas da TVP. O Eu Superior, ou Eu interior, é conhecido como a fonte denossas intuições e da sabedoria que emana de nossa consciência.Algumas vezes ele é denominado tal como o espírito, como um pe-queno microcosmos do grande macrocosmos. Seria uma partículaindividualizada de Deus latente no homem. Como se diz nas tradiçõesde mistérios, uma centelha ou chispa divina, eternamente presenteem nosso interior. Contrastando com ele, o Eu inferior seria uma sombra doEu Superior, ou seja, um aspecto extremamente limitado dele. Damesma forma que a sombra do planeta Terra não se opõe ao Sol, oEu inferior não é contrário ao Eu Superior, mas apenas um reflexodistorcido deste. Enquanto o Eu Superior é o reflexo da vida divinaem nós, o Eu inferior é um reflexo modificado e sombrio do Eu Supe-rior. O Eu Superior conhece o passado, o presente e o futuro.Nele estão contidas todas as nossas vidas passadas como memória enossas vidas futuras em estado potencial. É com a matéria prima doEu Superior que o Eu inferior e a personalidade (juntamente com ainfluência do meio e de múltiplas outras vidas), são moldados e for-matados a cada encarnação. O Eu Superior tudo sabe e tudo vê. Muitos místicos e iniciados conhecem técnicas, meios e re-cursos de comunicação direta com esse centro nuclear de consciên-cia. As técnicas mais conhecidas para isso são a meditação e osilêncio. A harmonização com o Eu Superior nos oferece um ponto de 177
  • 178. vista total sobre tudo em nossa vida. Nossa capacidade de ver todasas coisas do ponto de vista do infinito se origina nessa elevada ins-tância psíquica, que é o Eu Superior. Tendam chama, por vezes, o EuSuperior de Eu maior. Há uma diferença entre Eu Superior e o mestre espiritual dopaciente. O primeiro é a própria individualização das potencialidadesdivinas em nosso âmago; o segundo é uma entidade que já atingiu ouestá prestes a atingir a iluminação ou o despertar total. Nos mestresespirituais, o Eu Superior está plenamente desperto, ao contrário depessoas comuns. Segundo Sanaya Roman o Eu Superior é uma ―parte denosso ser que supervisiona e observa as outras partes‖. Ele tambémé responsável por coordenar todas as outras partes do nosso psi-quismo, nossas subpersonalidades. Nossa missão seria fazer evoluiressas subpersonalidades dentro do nosso Eu Superior, de ondetodas se formaram. A harmonização das diferentes partes do psiquismo abrecaminho para o aparecimento do Eu Superior. O Eu Superior é oorientador do diálogo das diversas facetas da consciência. Como já dissemos, existem técnicas precisas para se invo-car o Eu Superior e se valer de seu influxo e de uma consciência maiselevada. Porém, Tendam adverte ainda para o cuidado em não ficarinvocando o Eu Superior, assim como mestres e guias espirituais,com a intenção de demonstrar parceria com os seres de luz – jul-gando-se assim alguém muito especial, praticamente sentindo-secomo um ser de luz tal como os espíritos que invocamos (Tendam,1988). Por outro lado, Tendam (1994) menciona que quando usamoso termo “Eu Superior” devemos evitar a conotação de “meu Eu Supe-rior”, posto que o Eu Superior é algo que nós somos e não algo quenós temos. O Eu Superior é da esfera do “ser” e não do “ter”. Há uma técnica na Terapia de Vidas Passadas cujo nome é―Intervenção do Eu Superior‖. Essa técnica foi divulgada por HansTendam. Consiste em pedir ao cliente que se desloque em consciên-cia a um ponto extremamente elevado de visão total. Tendam diz que―sugerimos ir até um lugar panorâmico de visão global onde você étotalmente você mesmo‖. Nesse ponto, além das medidas humanas, podemos verqual caminho encarnatório seguimos até chegar ao presente mo-mento ou num outro ponto qualquer. Ou seja, esse ponto de vistatotal nos mostra, em perspectiva, o caminho percorrido em nossasvidas passadas e como chegamos ao estado atual. Descortinamosnossas vidas passadas sob uma visão superior e entendemos muitascoisas sobre nós. Essa visão se torna possível graças ao olhar a-brangente do nosso Eu Superior. Nessa técnica devemos tomar cuidado para não cair nasmalhas de camadas inferiores, ou de personalidades passadas pseu- 178
  • 179. do-espirituais. O contato com o Eu Superior deve ser libertador eoferecer um feedback geral. Todo cuidado é pouco para não cair nasarmadilhas dos níveis inferiores tentando se passar por superiores.Nesse sentido, Tendam afirma que a responsabilidade do cliente e doterapeuta não deve ser posta de lado sob a justificativa de aceitarinstruções imprecisas do “Alto”. Os Corpos Do Ser Humano É importante abordar rapidamente sobre a hierarquia ocultado ser humano, com suas várias camadas. Os corpos do ser humanosão invólucros, envoltórios ou roupagens do Eu Superior, alma ouespírito. Na Terapia de Vidas Passadas, o corpo tem vários níveis,são todos eles os veículos de expressão da essência espiritual. Oespírito se manifesta a partir dos seus veículos, que são chamadosde corpos. O princípio básico dos corpos pode ser mais bem compre-endido com o axioma dos rosacruzes que afirmam que ―O ser é múlti-plo em manifestação, mas um só em essência‖. Os corpos ou invólucros do espírito são uma hierarquia devários graus de expressão, cada qual vibrando numa faixa ou planode consciência. Os corpos vão do mais inferior, o próprio corpo físico,ao mais elevado, o atman, a centelha divina, ou mônada (unidade deconsciência universal individualizada). Do físico ao atman, existemmúltiplos envoltórios sutis de manifestação da essência, cada qualdentro de um plano vibratório. A existência da natureza multidimensional humana é umarealidade para as religiões e tradições de sabedoria. O catolicismofala de corpo e alma. Paulo de Tarso já falava sobre corpo, alma eespírito (1 Tes 5, 23). No antigo Egito ensinava-se uma anatomia sutilde sete níveis hierárquicos diferentes. A Yoga transmite uma sabedo-ria prática de sete invólucros ou koshas. A Cabala fala de dez sephi-roths, as dez dimensões humanas e cósmicas das emanações divi-nas. O Budismo clássico ensina sobre cinco agregados de consciên-cia, mas o Budismo vajrayana já fala dos sete chakras. Maomé so-nhou com os “sete céus”, sendo levado pelo Anjo Gabriel quandoascenderam juntos ao Trono de Deus. Vemos que as tradições con-cordam num ponto muito importante: existe uma anatomia sutil hu-mana e ela é mais real do que a realidade do corpo físico, pois quantomais elevado, mais se aproxima do divino. Cada um desses veículos superiores serve de base para amanifestação da centelha divina dentro de um plano de consciência.Os corpos superiores são, para a maioria dos indivíduos encarnadosnesta época, totalmente inacessíveis, posto que existem em esferasextremamente sutis. Em meditação profunda, é possível elevar-se aonível dos veículos superiores, como o mental superior e o causal.Apesar disso, o homem moderno, pela vida agitada, tensa e inconsci-ente que leva, possui pouquíssima percepção consciente dos seusveículos sutis. 179
  • 180. Uma das demonstrações científicas do modelo dos níveissutis do ser pode ser investigado através da bioeletrografia (kirlian-grafia). No entanto, como já dissemos, essas pesquisas demonstramapenas uma pequena parcela da anatomia sutil humana, mais nota-damente uma faceta do corpo etérico. O melhor método de investiga-ção ainda é a percepção direta dessa realidade, tal como sugeridapelas tradições místicas e esotéricas. As pesquisas científicas maisconhecidas nesse ramo são:  a pesquisa do corpo etérico com a bioeletrografia,  os pontos de acupuntura e os meridianos,  evidências elétricas da posição dos chakras,  os estudos do desdobramento ou projeção do corpo psí- quico ou astral. Mais informações sobre essas pesquisas podem ser en-contradas no livro “Medicina Vibracional” de Richard Gerber. Os Corpos Espirituais A classificação dos corpos espirituais tem sido objeto de es-tudo das mais antigas tradições de sabedoria da humanidade. NaTradição da Yoga, os yogues têm procurado mapear esse terrenonebuloso e desconhecido do homem comum através de intensapesquisa introspectiva e meditativa. O estudo dos corpos foi denominado de anatomia esotérica,e tem sido alvo de pesquisas incansáveis ao longo das eras. Porém,o principal objetivo desse estudo não são definições e descriçõeslineares, mas oferecer abertura para um caminho de experiênciadireta através de exercícios psicoespirituais. Após a morte, os envoltórios ou corpos da centelha divinavão sendo descartados um após o outro. Primeiro descartamos ofísico, logo depois o etérico, em seguida o astral, indo para o mental.Até mesmo o mental é posteriormente descartado, dando lugar aocorpo budhico ou causal. Durante o processo do nascimento, noperíodo pré-encarnatório, vai ocorrendo justamente o oposto disso: oespírito vai começando a adquirir veículos, a revestir-se de invólucroscada vez mais densos e deixando de lado a pura expressão dos seusníveis mais sutis. Finalmente, no nascimento físico ele toma umaroupagem extremamente densa com o corpo físico e inicia sua jor-nada no mundo material e objetivo. Dessa forma, vemos que, en-quanto a morte é o despojamento dos corpos, o nascimento é o atode adquirir veículos cada vez mais densos. Os envoltórios sutis do espírito podem ser investigadostambém através da TVP, porém, esse não é exatamente o foco dapesquisa clínica. Como já aludimos, a matéria prima da TVP é abusca da qualidade de vida e da cura do ser humano, tendo comobase o despertar de sua consciência e o autoconhecimento. 180
  • 181. O Corpo Astral Começaremos agora a falar dos dois corpos mais densosdo ser humano, que são o corpo astral e o corpo etérico. O corpoastral é o veículo ou invólucro composto de matéria astral imediata-mente superior em vibrações ao corpo físico e ao corpo etérico; einferior ao corpo mental (que se situa “acima” do astral). O corpo astral não é muito diferente do etérico e do físico; éconstituído de menor densidade e de matéria mais fina, sendo maisluminoso e tendo sua forma menos delimitada que os dois corpos quelhe são inferiores (físico e etérico). É o corpo que permite a expressãodas emoções, paixões e dos desejos. Cada partícula do corpo físicotem sua contraparte no corpo astral. Quanto mais elevada é a consciência do homem, maior se-rá sua lucidez durante o sono. O veículo astral permite desloca-mentos no espaço, na chamada projeção astral, e também podeinteragir com seres do próprio plano astral. Muitos fenômenos deaparição têm relação com o corpo astral. O corpo físico é penetrado pelo corpo astral, conferindo-lhea capacidade de ter sentimentos e emoções. O corpo astral tem setegraus, que representam sete estados diferentes de emoções, dasemoções mais inferiores às mais superiores. Essas sete subdivisõesé que possibilita o homem sentir desde emoções grosseiras a emo-ções mais sutis. O corpo astral atua como ponte entre a mente e ocorpo físico (Arthur Powell). O corpo astral responde prontamente a maus pensamentose sentimentos, em velocidade muito superior as reações do corpofísico. Nesse sentido, o corpo físico do homem serve como umaespécie de proteção às vibrações que, caso o atingissem com maiorprontidão, poderiam desestabilizá-lo de alguma forma. Logo após amorte, o corpo etérico é descartado e a pessoa permanece no nívelastral e seu respectivo veículo, o corpo astral. O conhecimento da anatomia sutil do homem tem a sua im-portância na Terapia de Vidas Passadas. As marcas de nascença, ostraumas físicos, os defeitos congênitos e outras cargas kármicasmanifestadas no físico têm sua contraparte no astral e são moldadospor este. O veículo astral é o chamado “modelo organizador biológico”(MOB) pelo brasileiro Hernani Guimarães Andrade no livro “Espírito,Perispírito e Alma”. O MOB seria como um domínio informacionalhistórico e é nele que se localizam as primeiras impressões queposteriormente vão se expressar no corpo físico. Através da percepção do corpo astral, é possível determinaro estado emocional do cliente, além da possibilidade de tratamentosenergéticos serem realizados diretamente na origem de nossas em o-ções. É possível verificar o estado do corpo astral da vida passada eentender como aquela vida afetou a sua constituição. Nesse sentido,a técnica da exploração da aura pode ser usada e surtir bons resulta-dos. 181
  • 182. Alguns terapeutas brasileiros trabalham com a reconstitui-ção do corpo astral do atendido. Em outras palavras, um corpo astralque parece debilitado por alguma carga, doença ou trauma do pas-sado poderia ser restaurado graças a procedimentos determinados.Essa técnica, obviamente, tem a sua importância, mas parec e que,muito mais importante do que esses artifícios, é estabelecer as cor-relações entre o passado e o presente em forma de insight através doalívio proporcionado por uma catarse eficaz e bem realizada. Essaparece ser a melhor forma de se tratar e purificar o corpo das emo-ções. A esse respeito, a conscientização da problemática passada,trazendo à tona sua origem, é a via mais eficaz de se tratar nossoscorpos. O Cordão De Prata O cordão de prata pode ser considerado um fio ou filamentoprateado composto de vibrações sutis que tem a função de conectaros corpos espirituais ao corpo físico do homem, servindo de interme-diário vibratório. Também chamado de “fio de prata” ou “cabo deprata”. Durante a projeção astral ou psíquica, o cordão de prata podeser visualizado pelo projetor e por sensitivo treinado. Diz-se que ocordão de prata, ou fio de prata, liga o corpo físico ao corpo astral dohomem. O rompimento desse fio de luz e energia provoca inevita-velmente a transição (morte). Tanto a Teosofia, quanto a OrdemRosacruz AMORC falam sobre o cordão de prata. Diz-se que umareferência ao cordão de prata indicando a morte é encontrada naBíblia, no livro de Eclesiastes: ―Antes que se rompa o cordão de prata, e se quebre o copode ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se quebre a rodajunto ao poço, e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte aDeus, que o deu.‖ Diz-se que durante as experiências extracorpóreas, o cor-dão de prata vai se alongando conforme o projetor vai se distanciandodo corpo físico. Segundo autores, o fio de prata teria a capacidade dese prolongar infinitamente. Esoteristas afirmam que o corpo de prata não apenas liga ocorpo astral ao físico, mas é uma extensão energética que desce damônada e vai conectando todos os veículos sutis do ser, dos superio-res aos inferiores. Assim, existiria um fio de prata do físico ao etérico;do etérico ao astral; do astral ao mental, e assim por diante. Há al-guns metafísicos que dizem que, durante a projeção astral, nuncaperceberam o cordão de prata, embora todos sejam unânimes emdeclarar que sentem uma profunda ligação com o corpo físico (Couti-nho, Além do Corpo, a arte tradicional). 182
  • 183. O Corpo Etérico Falaremos agora do chamado corpo etérico. O corpo eté-rico é o corpo de vitalidade, onde se situam os meridianos e pontosde acupuntura. Também denominado corpo elétrico, ou corpo bio-plasmático na Parapsicologia. É o elán vital de Paracelso. Não se pode confundir corpo etérico com a aura. O corpoetérico é o duplo do homem, também chamado de duplo etérico.Envoltório de energias densas e grosseiras; é o primeiro corpo acimado corpo físico. Invólucro onde residem os instintos, a sexualidade eas paixões inferiores. Possui diversos canais sutis que percorremtodo o corpo físico alimentando com energia vital o núcleo de todasas células. De acordo com Richard Gerber (1989), ―o corpo etérico éum modelo ou campo de energia holográfico que contém informaçõesrelativas ao crescimento, desenvolvimento e regeneração do corpofísico‖. O corpo etérico tem a propriedade de orientar ―o desdobra-mento espacial do processo genético‖, tendo uma função reguladorados processos vitais e formativos do corpo físico. Além disso, ―o corpoetérico é constituído de matéria que vibra numa frequência maiselevada que a do corpo físico e que é chamada de matéria sutil‖. Oautor diz ainda que ―o corpo etérico é um molde energético que nutree energiza o corpo físico‖. É encarado como uma ―neblina prateada que se estendealguns centímetros além da pele‖. O corpo etérico é a sede dos cha-kras ou vórtices, os centros psíquicos do homem. Cada chakra do corpo etérico distribui as energias vitais pa-ra o corpo físico e entre os próprios chakras. O corpo etérico é cons i-derado uma verdadeira usina geradora de energia, regulando a vitali-dade das atividades do dia a dia e o funcionamento dos órgãos inter-nos, como o batimento do coração, a digestão e outras funções vitais.Na realidade, caso o corpo etérico retirasse do físico toda a suaenergia, este morreria imediatamente. O corpo etérico leva ao corpo físico correntes de energia sutil que se distribuem ao longo de todo o organismo. As doenças que se manifestam no corpo físico iniciam noscorpos mais sutis, o corpo mental e o astral, e tomam forma imedia-tamente no corpo etérico, criando miasmas, bloqueios na circulaçãode energia, até que essas retenções vêm atrapalhar o funcionamentodos órgãos físicos aos quais está ligado e a consequência inevitável éa doença. O duplo etérico recebe este nome pois é o talhe que repro-duz com fidelidade o corpo físico, com tudo o que ele contém. Ocorpo etérico, apesar de penetrar cada molécula do corpo, vai alémdele. Apesar de muita confusão em torno do tema, uma pequenaparcela rarefeita e nebulosa do corpo etérico pode ser visualizada pormeio da fotografia kirlian, ou bioeletrografia. Porém, Gerber adverte 183
  • 184. que ―As energias empregadas no processo Kirlian não têm a mesmafrequência que as do corpo etérico. Elas são constituídas de harmôni-cos ou oitavas mais baixas dessas energias vibracionais mais elev a-das‖. Por meio da bioeletrografia, cientistas descobriram padrões deformas diversas que podem ser sinais da instalação de doençasfísicas. Assim, tornou-se possível diagnosticar doenças antes mesmodelas se expressarem no corpo físico. Quando um indivíduo perde algum membro ou parte docorpo, mesmo assim muitas pessoas ainda relatam sentir dor nomembro que não está mais lá. Apesar de existirem hipóteses neurofi-siológicas para tal fato, algumas tradições espirituais e a Terapia deVidas Passadas ensinam que a dor sentida reside no corpo etérico. Adespeito da inexistência física do membro, a contraparte etéricapermanece existindo e vibrando no mesmo local e pode ainda perma-necer por longos períodos de tempo. O corpo etérico é nutrido a partir de três fontes. Primeiro,das energias sutis que têm origem nos corpos superiores, astral,mental e búdhico. Em segundo lugar, de duas fontes ditas “materiais”,que são a energia proveniente da respiração humana e dos alimentosingeridos e processados. Por fim, o corpo etérico é nutrido pelo prana,ou energia vital proveniente do sol. Parece que o prana ainda nãopode ser mensurado por aparelhagem científica moderna, mas podeser visualizado por qualquer indivíduo. Para tanto, não há a necessi-dade ser clarividente, desde que observe atentamente, com olharconcentrado, qualquer espaço com pouca luminosidade, de preferên-cia antes do anoitecer. Quando uma pessoa passa pela transição (morte), umaparte de seu corpo etérico ainda se conserva no corpo físico emestado de putrefação; outra parte do etérico se retira do físico e apósalgumas horas é dissolvida no espaço astral, quando a alma entãoperde seu invólucro etérico e passa a encontrar-se no corpo astral,dentro do plano de consciência correspondente ao nível de evoluçãoespiritual atingido durante a encarnação. A Aura A palavra aura vem do grego, e significa “brisa ligeira, so-pro”. A aura é vista como uma espessa nuvem luminosa de cores ematizes distintos, com tonalidades, nuances e gradações de densi-dade variantes. Em esoterismo e espiritualismo, a aura é conhecidacomo um campo de energias magnéticas e sutis que envolvem ocorpo físico dos seres vivos, dos animais, vegetais, minerais, átomos,planetas e galáxias. Nos seres humanos a aura consiste na expressão vibratóriados diversos veículos dentro de várias camadas de consciência. Aocontrário do que se pensa, a aura não se irradia a partir do corpofísico, ela existe nos níveis sutis. 184
  • 185. Os rosacruzes falam da aura como possuindo três níveisdistintos e hierárquicos: aura física, aura emocional e aura espiritual.A aura física reveste o corpo físico; a aura emocional representa aexpressão de nossas emoções traduzida em vibrações e numa sutilluminosidade; a aura espiritual abrange nossos níveis mais elevadosde consciência, nossas cargas kármicas acumuladas e nossa ligaçãoe interação com o divino. Na iconografia cristã, encontramos na arte sacra as pinturasdos santos com um halo luminoso ao redor da cabeça. Esse halo deluz é uma indicação de sacralidade, pureza e autoridade divina. Essaé também conhecida como auréola ou nimbo; simboliza a glória doser em sua totalidade. A imagem circular da auréola nos evoca osignificado do simbolismo do círculo, que traz a ideia de totalidade,unidade, perfeição, universalidade etc. Clarividentes afirmam que aaura tem forma ovóide, o que nos remete à representação do ovocomo gérmen simbólico da criação (Dicionário dos Símbolos). Na Yoga, a aura é associada a irradiação dos diferenteskoshas, ou invólucros, chamados de corpos ou níveis de consciência.―São perfeitamente visíveis para a visão intensificada do yoguin, ou‗olho divino‘ (divya-cakshus). Em sânscrito, as palavras que significamaura são chaya (‗sombra‘), prabha-mandala (‗círculo radiante‘) edipta-cakra (‗roda fulgurante‘), sendo que as duas últimas se referemà luminosidade do campo de energia‖ (Feuerstein, 1997). A aura humana pode irradiar uma quantidade significativade intensidade de brilho e cores diferentes. Estudos psíquicos afir-mam que as cores variam desde o marrom e negro, como uma som-bra, até a luminescência do branco mais puro e cristalino. No Espiri-tismo, vemos uma referência semelhante ―88-a. Esta flama ou cente-lha [do espírito] tem alguma cor? Para vós, ela varia do escuro aobrilho do rubi, de acordo com a menor ou maior pureza do Espírito‖.Há nessa passagem uma ideia de um certo teclado, com níveis dife-rentes de variações da aura, ―ela varia do escuro ao brilho do rubi‖.Há uma noção de um espectro que corresponde a evolução de cadaespírito e a estados emocionais e mentais. Dentro desse espectro, encontramos várias cores, comoamarelo, laranja, vermelho, azul, violeta, verde, dentre outras. Cadacor tem um significado especial e representa um conjunto de estadose qualidades humanas. Por exemplo, o vermelho pode indicar umapessoa mais voltada para a sexualidade; o amarelo, uma pessoamais intelectualizada, com grande atividade mental e racional; onegro representa um indivíduo extremamente negativo ou incrivel-mente depressivo; o branco puro representa uma pessoa de altíssimaespiritualidade, altruísta, caridosa, sábia e compassiva. Uma disfunção física, com sintomas e doenças orgânicas,impregna a aura física, tendo como consequência um bloqueio emnossas energias, uma diminuição do seu brilho, uma mudança decores, dentre outras modificações. Um corpo físic