A comunicação no pós-64
50 anos do golpe militar
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O conteúdo deste calendário corresponde a depoimentos do período
ditatorial no Brasil, tendo como base as obras: “Cale a b...
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Calendário 2014 (14pg)

  1. 1. A comunicação no pós-64 50 anos do golpe militar e as muitas histórias dessa história Calendário 2014
  2. 2. 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 1 Se, por um lado, a repressão e a censura deixam marcas profundas e justificam plenamente a expressão “anos de chumbo”, por outro, o balanço da produção cultural do período revela-se de uma riqueza impressionante. Trata-se de um paradoxo frequente em Estados totalitários: ao invés de fenecer, a produção cultural floresce, talvez espicaçada pelo poder ditatorial. CHICO HOMEM DE MELO Em “Linha do Tempo do Design Gráfico no Brasil” É PROIBIDO ESQUECER JANEIRO2014
  3. 3. 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 1 16 NÉLSON JAHR GARCIA Em “O que é propaganda ideológica” A propaganda no período da ditadura rendeu resultados, já que grande parte da população acreditou no que ouvia, confiando que os governos militares eram legítimos e defendiam seus interesses. Submeteu-se às decisões políticas e colaborou com o seu trabalho. Os objetivos que os militares tinham com a propaganda foram alcançados em sua maior parte. É PROIBIDO DESCONFIAR FEVEREIRO2014
  4. 4. 31 Nos tempos de Vlado, levar o jornalismo às últimas conseqüências, ou seja, contar tudo que está acontecendo e é de interesse da maioria da população, constituía atitude temerária, significava correr risco de vida. Por isso, Vlado, torturado, morreu. Hoje, o único risco que existe é o de perder o emprego – e esse parece ser mais amedrontador do que perder a própria vida ou perder a vergonha na cara. RICARDO KOTSCHO Em depoimento ao Instituto Vladimir Herzog 2014 É PROIBIDO SE ARRISCAR
  5. 5. 1 2 3 4 5 6 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 7 Apesar dos militares terem fechado redações, eles viam na imprensa uma forma de se sustentarem no comando. Assim, investiram nas propagandas políticas. Apelava-se para o orgulho patriótico da população, mas o amor à pátria acabou se tornando sinônimo de submissão ao governo. Aquele que contestasse o regime passava a ser considerado um antibrasileiro. FERNANDO JORGE Em “Cale a boca, jornalista!” 2014
  6. 6. 1 Dia Mundial do Trabalho / 3 Dia Mundial da Liberdade de Imprensa João Batista Figueiredo manteve um relacionamento áspero e difícil com os jornalistas. Tratava a imprensa de modo hostil ou brutal. No dia 19 de junho de 1980, em um discurso na cidade de Cuiabá, sua excelência declarou: "A imprensa usa de todos os meios para difundir o que é mau e esconde justamente aquelas coisas que o governo tem feito com sacrifício em benefício do povo brasileiro". FERNANDO JORGE Em “Cale a boca, jornalista!” 2 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 João Batista Figueiredo manteve um relacionamento áspero e difícil com os jornalistas. João Batista Figueiredo manteve um relacionamento áspero e difícil com os jornalistas. "A imprensa usa de todos para difundir o que é mau e justamente aquelas coisas governo tem feito com sacrifício benefício do povo brasileiro". "A imprensa usa de todos para difundir o que é mau e justamente aquelas coisas governo tem feito com sacrifício benefício do povo brasileiro". 1 3 É PROIBIDO TOLERAR MAIO2014
  7. 7. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 2014 11 Entre nós é proibido ser gente. Nós viramos máquinas – que pensam? – mas só podemos transmitir aquilo que nos é permitido. Do contrário, é expor-se a todas as torturas físicas e morais, como as que passei, como as que venho passando. Com orgulho máximo de mim mesma, mas com náuseas para tanta coisa que me cerca.
  8. 8. 1 2 3 4 5 6 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 7 Independência do Brasil / 30 Falecimento de Sérgio Porto 7 30 FERNANDO JORGE Em “Cale a boca, jornalista!” Sérgio Porto (ou Stanislaw Ponte Preta, seu pseudônimo) foi um jornalista que reparou como ninguém nos absurdos brasileiros. Certa vez, disse: “O Brasil está andando tanto para trás que quem não pegar a última caravela de volta, vai acabar virando índio”. Jornalista carioca que incluía em seus textos um sarcasmo devastador foi mais uma das vítimas fatais da ditadura militar. 2014
  9. 9. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 26 27 28 29 30 31 Tentei achar um jeito de me matar. Vocês não imaginam o que é chegar a conclusão que é melhor morrer para que os outros não venham a sofrer. Só quem passou por aquele lugar sabe como é duro perceber isto. Apesar de tudo, não guardo rancor. O que eu peço é que não mais existam lugares como esse e que haja liberdade, paz e justiça. 2014 25
  10. 10. É PROIBIDO SE ACOMODAR 19 15 Desde o ano de 1974, com a perda da capacidade de atuação do regime autoritário somada às dificuldades econômicas que a sociedade enfrentava, o eleitorado começava a se manifestar em favor da oposição. Consequente a essas insatisfações, em 1984, milhares de brasileiros saem às ruas exigindo eleições diretas para o cargo para presidente do Brasil, num movimento que ficou conhecido como Diretas Já. ALBERTO TOSI RODRIGUES Em “Diretas já: o grito preso na garganta” 2014
  11. 11. 1 2 3 4 5 6 7 9 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 2014 8 10 Tancredo Neves, depois de ser eleito presidente da República de maneira indireta em 1985, enalteceu o auxílio da imprensa na reconquista do bom e velho caminho democrático. Tancredo não mentiu, essa imprensa ousou bravamente enfrentar o poder para servir à liberdade do povo mesmo sob a censura policial e a coação política e econômica. FERNANDO JORGE Em “Cale a boca, jornalista!” É PROIBIDO IGNORAR
  12. 12. O conteúdo deste calendário corresponde a depoimentos do período ditatorial no Brasil, tendo como base as obras: “Cale a boca, jornalista” de Fernando Jorge; “Linha do Tempo do design gráfico no Brasil” de Chico Homem de Melo e Elaine Ramos (orgs.); “Cães de guarda - Jornalistas e censores, do AI-5 à Constituição” de Beatriz Kushnir e “O que é propaganda ideológica” de Nélson Jahr Garcia; As tipografias empregadas são ChunkFive (serifada) e Helvetica Condensed Heavy (sans-serif). Impressão realizada em papel Markatto Concetto Naturale 250 g/m², papel Duo Design 300 g/m² e papel Poliéster 90 g/m². Direção de criação Chico Neto Direção de arte Giu Cidade Impressão OriginalGraph Homenagear a resistência dos comunicadores da época ditatorial é, antes de tudo, compreender a complexidade e as evoluções da época, nas quais a imprensa teve lugar relevante, intermediando as relações entre população e regime. É, além disso, enxergar o universo no qual atuaram, resistir a uma memória que silencia a história, e lembrar-se daqueles que trilharam o caminho da liberdade de expressão. Lembrar dos jornalistas que resistiram ao arbítrio não significa esquecer daqueles (jornalistas e jornais) que estiveram a favor do mesmo. Jornais que louvaram em suas páginas os grandes feitos dos militares, suas conquistas econômicas e a pacificação do país, celebrando a eliminação dos terroristas e dos maus brasileiros que estavam ameaçando a ordem e o progresso. O calendário trata de um tema difícil e delicado: a censura e seu poder insidioso de negar a palavra e conquistar corações e mentes. Traz a tona, 50 anos depois, um tema que reabre feridas que nunca cicatrizarão de verdade, pois compreender não é perdoar. Este calendário é um convite ao reconhecimento de um passado recente, primeiro passo para a certeza de que com situações de cerceamento de expressão e seus terríveis desdobramentos não queremos viver nunca mais. Giulianne Cidade www.vladimirherzog.org www.dcs.ufc.br É PROIBIDO COMUNICAR

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