FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE FERNANDÓPOLIS        FACULDADES INTEGRADAS DE FERNANDÓPOLIS                  ALLAN VIDOTI DIAS    ...
ALLAN VIDOTI DIAS                AMANDA MANZATO VOLPE             ELIZÂNGELA BATISTA DO PRADO           LARISSA GABRIELE B...
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Dedicamos este trabalho primeiramente a Deus, quenos permitiu a graça da vida, pois sem ele nãoestaríamos aqui presentes r...
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RESUMOOs idosos representam o estrato etário com maior utilização de medicamentos nasociedade. Os aspectos farmacocinético...
ABSTRACTThe elderly represent the age stratum with greater drug use in society. Thepharmacokinetic aspects, chronic diseas...
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LISTA DE SIGLASARA II - Antagonista dos Receptores da Angiotensina IICNS - Conselho Nacional de SaúdeDA - Doença de Alzhei...
SUMÁRIOINTRODUÇÃO....................................................................................................121 Q...
11 RESULTADOS E DISCUSSÃO.....................................................................3912 CONSIDERAÇÕES FINAIS......
12                                    INTRODUÇÃO       Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (I...
13                                A chegada da terceira idade traz consigo limitações sobre                               ...
14saúde quanto na sua rotina em casa, e os resultados obtidos poderão ser utilizadosna assistência ao idoso, pois sabendo ...
15        De acordo com o capítulo seis exemplifica a farmacologia geriátrica dealgumas doenças mais acometidas nos pacien...
161 SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA DO IDOSO       O aumento da longevidade e a redução das taxas de mortalidade, nasúltimas déc...
17          O envelhecimento passa a ser caracterizado pela incapacidade progressivade o organismo adaptar- se às condiçõe...
182 RESPONSABILIDADES INSTITUCIONAIS         A Portaria 1395/GM- Política de Saúde do Idoso dispõe que caberá ao SUS,de fo...
19perfil de uso obedece a peculiaridades de idade, gênero, inserção social, estado desaúde e classe terapêutica. A inadequ...
20         O padrão de consumo elevado de medicamentos entre os idosos que vivemna comunidade tem sido descrito tanto no B...
21foram aprofundadas na década de 90, com o crescente e rápido desenvolvimentotécnico e científico neste campo. A equidade...
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23Tabela 1 - Responsabilidade da PNM______________________________________________________________Possuir em vista a imple...
24resultados concretos e da melhoria da qualidade de vida da população (BRASIL,2004).         Assegurar o acesso a medicam...
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29encontro das necessidades sanitárias, retrata as motivações econômicas dosfabricantes (ROZENFELD, 2003).       O uso ina...
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35racionalidade da prescrição é indispensável para diminuir esses efeitos adversosrelacionados da terapia farmacológica (A...
36   7-   Revisar regularmente o plano terapêutico e descontinuar as drogas        desnecessárias: acompanhamento constant...
37isso não é suficiente. É preciso conhecer o perfil das reações adversas, dimensioná-las, identificar os seus impactos cl...
3810 MÉTODO       Para execução deste trabalho, utilizou-se uma pesquisa exploratória, entrehomens e mulheres acima de 60 ...
3911 RESULTADOS E DISCUSSÃO       A Figura 1 mostra que 40% dos entrevistados têm idade entre 66 anos e 70anos, 30% entre ...
40                 Figura 1 – Faixa etária dos entrevistados (n=100)                                2%                    ...
41       Comparando esses dados de alfabetização dos idosos com o estudo naUnidade de Saúde da Família, a porcentagem de i...
42                 Figura 4 - Trabalho da unidade de saúde (n=100)                                18%                     ...
43   Figura 5 - Questão sobre medicamentos encontrados na rede pública (n=100)                                            ...
44        Figura 6 - Uso correto de medicamentos, posologia e tratamento (n=100)                                          ...
45             Figura 7- Uso de medicamentos próximo às refeições (n=100)                                                 ...
46   Figura 8 - Orientações do farmacêutico e funcionários em relação ao uso dos                                medicament...
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52                               Figura 13 – Automedicação (n=100)                                         3%             ...
53  Figura 15 - Desistência de uso do medicamento por apresentar efeitos adversos                                         ...
54                Figura 16 - Embalagens de medicamentos (n=100)                                         3%               ...
55           Figura 17 - Local de armazenamento dos medicamentos (n=100)                                       4%         ...
Uso racional de medicamentos em idosos no município de fernandópolis
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Uso racional de medicamentos em idosos no município de fernandópolis

  1. 1. FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE FERNANDÓPOLIS FACULDADES INTEGRADAS DE FERNANDÓPOLIS ALLAN VIDOTI DIAS AMANDA MANZATO VOLPE ELIZÂNGELA BATISTA DO PRADO LARISSA GABRIELE BARRETO ANGELOO IDOSO E O USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS NO MUNICÍPIO DE FERNANDÓPOLIS FERNANDÓPOLIS 2011
  2. 2. ALLAN VIDOTI DIAS AMANDA MANZATO VOLPE ELIZÂNGELA BATISTA DO PRADO LARISSA GABRIELE BARRETO ANGELOO IDOSO E O USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS NO MUNICÍPIO DE FERNANDÓPOLIS Trabalho de conclusão de curso apresentado à Banca Examinadora do Curso de Graduação em Farmácia da Fundação Educacional de Fernandópolis como exigência parcial para obtenção do título de bacharel em farmácia. Orientador: Prof. MSc. Giovanni Carlos de Oliveira FERNANDÓPOLIS – SP 2011
  3. 3. ALLAN VIDOTI DIAS AMANDA MANZATO VOLPE ELIZÂNGELA BATISTA DO PRADO LARISSA GABRIELE BARRETO ANGELO O IDOSO E O USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS NO MUNICÍPIO DE FERNANDÓPOLIS Trabalho de conclusão de curso aprovado como requisito parcial para obtenção do título de bacharel em farmácia. Aprovado em: 09 de dezembro de 2011. Banca examinadora Assinatura ConceitoProf. MSc. Giovanni Carlos deOliveiraProfa. Valéria Cristina José ErédiaFancioProf. MSc. Roney Eduardo Zaparoli Prof. MSc. Giovanni Carlos de Oliveira Presidente da Banca Examinadora
  4. 4. Dedicamos este trabalho primeiramente a Deus, quenos permitiu a graça da vida, pois sem ele nãoestaríamos aqui presentes realizando este trabalho.Aos nossos pais que depositaram total confiança emnós e proporcionaram a maravilhosa oportunidadede ingressar no ensino superior.Aos familiares que nos apoiaram durante esta fasetão importante de nossas vidas.
  5. 5. AGRADECIMENTOS Aos professores, especialmente ao Prof. MSc. Giovanni Carlos de Oliveira,pela contribuição, dentro de suas áreas, para o desenvolvimento de nossamonografia. Aos familiares, principalmente aos nossos pais, pelo apoio e compreensão,aos quais devemos todo nosso esforço e dedicação. Agradecemos a Deus por nos abençoar com sabedoria, inteligência e forçade vontade para concluir a fase final da nossa graduação. E por fim agradecemos uns aos outros do nosso grupo, pois sem a nossaunião nada seria realizado e não estaríamos preparados para enfrentar asdificuldades que passamos.
  6. 6. Que os vossos esforços desafiem asimpossibilidades, lembre-vos de que as grandescoisas do homem foram conquistadas do queparecia impossível. Charles Chaplin
  7. 7. RESUMOOs idosos representam o estrato etário com maior utilização de medicamentos nasociedade. Os aspectos farmacocinéticos, doenças crônicas que acometemgeralmente esta faixa etária, os medicamentos utilizados nessas doenças sãoabordados neste trabalho, demonstrando as mudanças fisiológicas e os processospatológicos que ocorrem na terceira idade. Este trabalho tem como objetivo geralverificar o uso racional de medicamentos em idosos, através de pesquisas na redepública de saúde do município de Fernandópolis. Foi aplicado um questionárioabordando 22 perguntas relacionadas ao uso racional de medicamentos e aspectosenvolvidos na terapêutica da população idosa, aplicado em forma de entrevistadireta com os pacientes idosos. No momento em que eles esperavam por umaconsulta médica ou quando passavam pela unidade de saúde para buscarmedicamentos. A automedicação tem sido objetivo de muitas pesquisas e assumeuma importância maior quando é realizada em idosos, pois geralmente representamum grupo polimedicado. O presente estudo teve relevância para reflexão aotratamento com os idosos, que juntamente com as crianças, são as classes quemais requer cuidado e atenção. Contudo a prática do uso racional de medicamentosprecisa ser exposta cada vez mais, tanto para os profissionais da saúde, que sãoresponsáveis pelo auxílio, atenção e cuidados com a saúde dos pacientes, quantopara a sociedade, que necessita estar sempre informada sobre os cuidados quedevem ser adotados na terapêutica medicamentosa dos idosos, para proporcionar aqualidade de vida a esta classe.Palavras-chave: Uso racional de medicamentos. Qualidade de vida. Idoso. Saúde.
  8. 8. ABSTRACTThe elderly represent the age stratum with greater drug use in society. Thepharmacokinetic aspects, chronic diseases that typically affect this age group, thedrugs used in these diseases are discussed in this work, demonstrating thephysiological and pathological processes that occur in old age. This study aims toverify the general rational use of drugs in the elderly through research in the publichealth of the city of Fernandópolis. We applied a questionnaire with 22 questionsrelated to the rational use of medicines and therapeutic aspects involved in theelderly population, applied in the form of direct interview with the elderly. Themoment they were waiting for a doctors appointment or when they passed by thehealth unit to get some medicine. Self-medication has been the subject of muchresearch and assumes greater importance when it is performed in the elderlybecause they generally represent a group receiving multiple medications. This studyhas relevance for reflection to treatment with the elderly, who along with children, arethe classes that require more care and attention. However the practice of rationaldrug use must be increasingly exposed both to health professionals who areresponsible for their help, support and care for the health of patients and for society,which needs to be kept informed about the care that should be adopted in the drugtherapy of the elderly, to the quality of life for this class.Keywords: Rational use of medicines. Quality of life. Elderly. Health.
  9. 9. LISTA DE FIGURASFigura 1- Idade dos entrevistadosFigura 2- Sexo dos entrevistadosFigura 3- Escolaridade dos entrevistadosFigura 4- Trabalho da Unidade de SaúdeFigura 5- Questão sobre medicamentos encontrados na rede públicaFigura 6- Uso correto de medicamentos, posologia e tratamentoFigura 7- Uso de medicamentos próximo às refeiçõesFigura 8- Orientações do farmacêutico e funcionários em relação ao uso dos medicamentosFigura 9- Adesão ao tratamentoFigura 10- Problema relacionado a não utilização do medicamento necessárioFigura 11- Uso de medicamentos em doenças crônicasFigura 12- Classes dos medicamentos utilizados no tratamento das doenças crônicasFigura 13- AutomedicaçãoFigura 14- Classes dos medicamentos utilizados na automedicaçãoFigura 15- Desistência de uso do medicamento por apresentar efeito adversoFigura 16- Embalagens de medicamentosFigura 17- Local de armazenamento dos medicamentosFigura 18- Uso de cigarro e bebida alcoólicaFigura 19- Tipo de líquido ingerido na administração do medicamentoFigura 20- Hábito de leitura da bulaFigura 21- Entendimento da bulaFigura 22- Locais de procura dos medicamentos não encontrados na rede pública
  10. 10. LISTA DE SIGLASARA II - Antagonista dos Receptores da Angiotensina IICNS - Conselho Nacional de SaúdeDA - Doença de AlzheimerDSM-IV - Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos mentais da associaçãoAmericana de PsiquiatriaFDA - Food And Drug AdministrationGABA - Ácido Gama-aminobutíiricoIBGE - Instituto Brasileiro de Geografia EstatísticaIECAS - Inibidores da Enzima de Conversão da angiotensinaMAO- A - MonoaminoxidaseNAI - Núcleo de Atenção ao IdosoOMS - Organização Mundial da SaúdePA - Pressão ArterialPNAF - Política Nacional de Assistência FarmacêuticaPNM - Política Nacional de MedicamentosPSF - Programa de Saúde da FamíliaRAM - Reações adversas a medicamentosRENAME - Relação Nacional de Medicamentos EssenciaisSUS - Sistema Único de SaúdeUERJ - Universidade do Estado do Rio de JaneiroUNATI - Universidade Aberta da Terceira IdadeUSF - Unidade de Saúde da Família
  11. 11. SUMÁRIOINTRODUÇÃO....................................................................................................121 QUALIDADE DE VIDA DO IDOSO.................................................................162 RESPONSABILIDADES INSTITUCIONAIS....................................................183 ORIENTAÇÃO AO PACIENTE SOBRE O USO DE MEDICAMENTO..........183.1 REORIENTAÇÃO DA ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA.............................213.2 DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS........................................................253.3 USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS.......................................................254 IATROGENIA...................................................................................................264.1 MEDICAR O IDOSO.....................................................................................265 ADESÃO DO PACIENTE AO TRATAMENTO................................................275.1 PREVALÊNCIA, FATORES ASSOCIADOS E USO INADEQUADO DEMEDICAMENTOS ENTRE IDOSOS...................................................................286 FARMACOLOGIA GERIATRICA....................................................................296.1 DEMÊNCIA...................................................................................................296.1.1 DOENÇA DE ALZHEIMER........................................................................306.2 DIABETE MELITO.........................................................................................306.3 HIPERTENSÃO ARTERIAL..........................................................................326.4 DEPRESSÃO................................................................................................337 VARIÁVEIS FISIOLÓGICAS NO IDOSO QUE ALTERAM OS EFEITOS DOSFÁRMACOS........................................................................................................337.1 ASPECTOS FARMACOCINÉTICOS............................................................348 PRESCRIÇÕES EM IDOSOS..........................................................................358.1 PRINCÍPIOS DE PRESCRIÇÃO DE DROGAS NOS IDOSOS....................359 O FUTURO EM RELAÇÃO AO USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS EMIDOSO.................................................................................................................3610 MÉTODO........................................................................................................38
  12. 12. 11 RESULTADOS E DISCUSSÃO.....................................................................3912 CONSIDERAÇÕES FINAIS...........................................................................61REFERÊNCIAS...................................................................................................63APÊNDICE..........................................................................................................69
  13. 13. 12 INTRODUÇÃO Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), noBrasil a população idosa vem crescendo quase oito vezes mais que os jovens equase duas vezes mais que a população geral, passando de 6,3%, em 1980, para acifra estimada de 14% no ano de 2025, o que em números absolutos posiciona-sena sexta maior população de idosos do mundo (COSTA et al., 2009). Com esse elevado aumento da população idosa no Brasil a qual segue umatendência já ocorrida em países desenvolvidos, ocorre um aumento de desafios aosserviços e aos profissionais da saúde. Consequentemente verifica-se um grandenúmero de patologias encontradas com sintomatologias diversas e, ademais, aprevalência de doenças crônicas degenerativas, as quais frequentemente dependemde terapêuticas medicamentosas prolongadas ou contínuas. Por esse motivo, essesindivíduos tornam-se grandes consumidores de medicamentos sendo,possivelmente, o grupo etário mais medicalizado na sociedade (ANDRADE; SILVA;FREITAS, 2009). Por esse motivo a promoção do uso racional de medicamentos e a educaçãoterapêutica são indispensáveis nos dias de hoje e a aplicação dessa racionalidadepode ser feita através de aconselhamentos, os quais permitem um maiorrelacionamento entre os profissionais de saúde e o paciente. Isso torna o tratamentomais eficaz e capacita o idoso a lidar com possíveis efeitos colaterais e interaçõesmedicamentosas contribuindo para a adesão ao tratamento (ANDRADE; SILVA;FREITAS, 2009). Refletindo o aumento da população de idosos se observa aumento doconsumo de medicamentos por essa população. Mais de 80% desses indivíduosutilizam, pelo menos, um medicamento por dia, e cerca de um terço consome cincoou mais simultaneamente. Esse público constitui aproximadamente 50% dosmultiusuários, sendo ate considerados o grupo etário que mais consomemedicamentos na sociedade, fato justificado pelo aumento da prevalência dedoenças crônicas relacionadas à idade (COSTA et al., 2009).
  14. 14. 13 A chegada da terceira idade traz consigo limitações sobre um corpo já muito vivido. Já não se tem a mesma vitalidade, a rapidez dos movimentos e do raciocínio, a mesma coordenação motora da época da juventude. Há mais tempo disponível, mas os idosos não sabem o que fazer com ele... Acostumados a fazer, não sabem o que é ser (COSTA et al., 2009). De acordo com Andrade; Silva; Freitas (2009) em função da presençafrequente de múltiplas patologias, requerendo terapias diferentes, as quais podemresultar no uso concomitante de vários medicamentos, por isso, o aconselhamentoacerca do uso racional de medicamento é uma pratica importante e essencial tantopara a população em geral e em especial, para o idoso. Por isso, uma boa estratégiade administração que diminua os riscos de efeitos colaterais ou adversos e deinterações medicamentosas é muito necessária e muito eficaz. Somam-se a istovários fatores, entre outros: a) automedicação com produtos de venda livre, e aqueles indicados e atéfornecidos por pessoas próximas; b) a não adesão ao tratamento que aumenta com a idade. Segundo Andrade; Silva; Freitas (2009) este quadro pode ser agravado poralterações fisiológicas como: a) redução da memória, da visão, da destreza manual; b) não acesso ao (s) medicamento(s); c) perda da capacidade de reserva funcional de órgãos vitais; d) deterioração do controle homeostático e, e) alterações na velocidade e extensão de metabolização do fármaco, comconsequência na ação farmacológica. Escolheu-se este tema devido à relevância do mesmo em relação à saúdepública e ao aumento da população de idosos, esse público vem se destacando comrelação a sua expectativa de vida que é cada vez maior. O uso racional de medicamento em idosos é um assunto muito discutido nosdias atuais. Por isso, considerou-se fazer uma pesquisa sobre o uso demedicamentos e outros aspectos ligados a saúde dos idosos, a nível municipal, eatravés desta, coletaram-se dados, buscando saber qual a situação dos idosos nomunicípio de Fernandópolis. Outro fato importante é que com os resultados do trabalho, podem-seobservar vários problemas enfrentados pelos idosos, tanto nas unidades básicas de
  15. 15. 14saúde quanto na sua rotina em casa, e os resultados obtidos poderão ser utilizadosna assistência ao idoso, pois sabendo dos problemas enfrentados por eles, ficarámais fácil orientá-los, contribuindo para melhora da qualidade de vida. Foi utilizada uma pesquisa exploratória com 22 questões em três unidadesde saúde com 100 pessoas modo a buscar dados para a elaboração do trabalho. Este trabalho tem como objetivo geral verificar o uso racional demedicamentos em idosos, através de pesquisas na rede pública de saúde domunicípio de Fernandópolis. O estudo tem como objetivos específicos a observação da (s):  Prática de assistência farmacêutica tem influências positivas na administração dos medicamentos e reafirma quanto à dispensação e orientação do seu uso;  Saúde e qualidade de vida do idoso: alimentação adequada, atividade física, uso de álcool e tabaco;  Reações adversas e adesão ao tratamento; Este trabalho foi dividido em oito capítulos. Sendo o primeiro, saúde e qualidade de vida do idoso, abordando aspectosda longevidade, atividades físicas, melhores alimentações, controle demedicamentos de acordo com suas reais necessidades. O segundo capítulo relata sobre responsabilidades institucionais, aoSistema Único de Saúde (SUS) caberá prover meios para alcance do propósito dapolítica nacional de saúde do idoso. No terceiro capítulo apresenta a orientação ao paciente sobre o uso demedicamento, relacionando a promoção do uso racional com a Política Nacional deMedicamentos brasileira (PNM). Relata a prática da assistência farmacêutica, asfinalidades de sua reorganização, responsabilidades da PNM e dispensação demedicamento. Já no quarto define iatrogenia e os fatores que levam ao acontecimento damesma, como é o funcionamento do organismo do idoso e como acertar naprescrição do medicamento. O capítulo cinco aborda a adesão ao tratamento, o idoso tem dificuldade deadesão ao tratamento, observam-se com maior frequência de erros deadministração, fatores sócios econômicos, fatores associados ao mau uso domedicamento entre idosos.
  16. 16. 15 De acordo com o capítulo seis exemplifica a farmacologia geriátrica dealgumas doenças mais acometidas nos pacientes idosos, demência como oAlzheimer, diabete melito, hipertensão arterial e depressão. No capítulo sete destaca as principais variáveis fisiológicas no idoso quealtera os efeitos dos fármacos, isso decorre devido à idade avançada, tornando oidoso mais sensível. O fator fisiológico próprios do idoso pode alterar afarmacocinética e farmacodinâmica. O capítulo oito tem como tema prescrições em idosos, comentando asexigências contidas nas bulas dos produtos com orientações sobre o uso empacientes acima de 65 anos; os princípios da prescrição e fatores relacionados. O capítulo nove traz a finalização do desenvolvimento teórico, com o tema ofuturo em relação ao uso racional de medicamentos em idoso, e aborda fatoresrelacionados à farmacologia, e ao uso indevido de medicamentos que ocorre comesta faixa etária. Comenta o que deve ser feito para diminuir o uso inadequado demedicamentos pelos idosos.
  17. 17. 161 SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA DO IDOSO O aumento da longevidade e a redução das taxas de mortalidade, nasúltimas décadas do século passado, mudaram o perfil demográfico. No Brasil, em1900, a expectativa de vida ao nascer era de 33,7 anos; nos anos 40, de 39 anos;em 50, aumentou para 43,2 anos e, em 60, era de 55,9 anos. De 1960 para 1980,essa expectativa ampliou-se para 63,4 anos, isto é, foram acrescidos vinte anos emtrês décadas, segundo revela o Anuário Estatístico do Brasil de 1982 (IBGE). De1980 para 2000, o aumento deverá ser em torno de cinco anos, ocasião em quecada brasileiro, ao nascer, esperará viver 68 anos e meio. As projeções para operíodo de 2000 a 2025 permitem supor que a expectativa média de vida dobrasileiro estará próxima de 80 anos, para ambos os sexos (PINTO et al., 2003). Segundo Braga (2003) o aumento na expectativa de vida, tem sidoobservado, a partir da década de 60, um declínio acentuado da fecundidade,levando a um aumento importante da proporção de idosos na população brasileira.De 1980 a 2000, o grupo etário com 60 anos ou mais deverá crescer, as projeçõesapontam para um crescimento de 130% no período de 2000 a 2025. Isso faz comque se criem algumas diretrizes para cuidar desse público tais como a promoção doenvelhecimento saudável; a manutenção da capacidade funcional; assistência àsnecessidades de saúde do idoso; a reabilitação da capacidade funcionalcomprometida; o apoio ao desenvolvimento de cuidados informais; e o apoio aestudos e pesquisas. Esse fenômeno delineia uma série de implicações sociais, culturais eepidemiológicas, uma vez que nesse grupo etário, a prevalência de morbidades eincapacidades é maior. Apesar disso ainda são escassos os estudos referentes aidosos de forma a permitir o conhecimento das condições de saúde desse grupo nopaís (NOGUEIRA et al., 2010). O envelhecimento humano provoca modificações no corpo comoconsequência de mudanças durante todo o processo evolutivo: alteraçõescardiovasculares, metabólicas, respiratórias, na pele, no sistema digestivo, ósseo,neurológico, gênito-urinário e muscular. No entanto, o poder de percepção destasalterações não se altera fundamentalmente com idade (ANDRADE; SILVA;FREITAS, 2009).
  18. 18. 17 O envelhecimento passa a ser caracterizado pela incapacidade progressivade o organismo adaptar- se às condições variáveis do seu ambiente. Osmecanismos implícitos neste episódio apresentam as seguintes características: sãoprogressivos, nocivos, irreversíveis e geralmente comuns a inúmeros organismos,sendo semelhantes na mesma espécie. Os primeiros sinais que se notam são osfísicos: cabelos brancos, pele enrugada, atividade física diminuída entre outros. Emgeral, à medida que se envelhece os órgãos reduzem o número de células ediminuem o funcionamento do organismo tendo um impacto significativo nosaspectos biopsicossocial, espiritual e na multidimensionalidade da sua saúde,características marcantes na vida do idoso (ANDRADE; SILVA; FREITAS, 2009). O uso racional de medicamentos contribui com a qualidade de vida dosidosos, para que o paciente receba o medicamento apropriado à sua necessidadeclínica na dosagem e posologia corretas, por um período de tempo adequado e aomenor custo, além de diminuir a não adesão ao tratamento farmacológico, reaçõesadversas, interações entre medicamentos e risco de hospitalização (MOREIRA et al.,2010). O envelhecimento da população tende a proporcionar, nas próximasdécadas, desafios cada vez maiores aos serviços de saúde. No bojo desseprocesso, o delineamento de políticas específicas para pessoas idosas vem sendoapontado como altamente necessário, sendo imprescindível o conhecimento dasnecessidades e condições de vida desse segmento etário (ANDRADE; SILVA;FREITAS, 2009). De acordo com a Portaria 1395/GM- Política de Saúde do Idoso, o apoioinformal e familiar constitui um dos aspectos fundamentais na atenção à saúdedesse grupo populacional Isso não significa, no entanto, que o estado deixa de terum papel preponderante na promoção, proteção e recuperação da saúde do idosonos três níveis de gestão do SUS, capaz de aperfeiçoar o suporte familiar semtransferir para a família a responsabilidade em relação a este grupo (BRASIL, 1999).
  19. 19. 182 RESPONSABILIDADES INSTITUCIONAIS A Portaria 1395/GM- Política de Saúde do Idoso dispõe que caberá ao SUS,de forma articulada e na conformidade de suas atribuições comuns e específicas,proverem os meios para o alcance do propósito desta Política Nacional de Saúde doIdoso, que é a promoção do envelhecimento saudável, a manutenção e a melhoria,ao máximo, da capacidade funcional dos idosos, a prevenção de doenças, arecuperação da saúde dos que adoecem e a reabilitação daqueles que venham a tera sua capacidade funcional restringida (BRASIL, 1999).3 ORIENTAÇÃO AO PACIENTE SOBRE O USO DE MEDICAMENTO As orientações sobre medicamentos fornecidas aos pacientes sãofundamentais para o sucesso do tratamento, uma vez que a ausência delas é umadas principais causas do uso incorreto dos medicamentos. O uso racional demedicamentos, almejado pela Política Nacional de medicamentos brasileira, é oprocesso que compreende a prescrição apropriada, a disponibilidade oportuna e apreços acessíveis, a dispensação em condições adequadas e o consumo nas dosesindicadas, nos intervalos definidos e no período de tempo determinado demedicamentos eficazes, seguros e de qualidade (OENNING; OLIVEIRA; BLATT,2011). A implementação dessa prática tem como objetivo melhorar o padrão deatendimento, colaborando significativamente com a redução de gastos. Ao contrário,o uso inadequado de medicamentos pode causar malefícios à saúde dos usuários,tais como efeitos adversos, eficácia limitada, resistência a antibióticos efarmacodependência. Entre os fatores que contribuem para o uso inadequado demedicamentos não pode deixar de ser destacadas às estratégias de promoção evendas das empresas farmacêuticas e o papel assumido pelo medicamento naatualidade. Sendo que, este segundo, está em grande parte relacionado com oprimeiro (OENNING; OLIVEIRA; BLATT, 2011). Atualmente, o uso de medicamentos pelos idosos tem gerado preocupaçãoquanto aos gastos excessivos e aos possíveis efeitos, benéficos ou indesejáveis. O
  20. 20. 19perfil de uso obedece a peculiaridades de idade, gênero, inserção social, estado desaúde e classe terapêutica. A inadequação traduz-se por quantidade e qualidadeimpróprias dos produtos empregados. O aprimoramento da farmacoterapia dependeda atuação no campo da prescrição e no da investigação científica (ROZENFELD,2003). Novos produtos surgem de modo permanente. Entre eles, destacam-se osempregados para o controle das doenças crônicas e aqueles que aprimoram aqualidade de vida. Assim sendo, é importante criar mecanismos que permitem aoclínico acompanhar e interpretar a literatura médica, bem como prescrever com baseem evidências epidemiológicas consistentes (ROZENFELD, 2003). Segundo Rozenfeld (2003) há medidas importantes a serem seguidas diantedo paciente idoso: estímulo ao emprego de medidas não farmacológicas;acompanhamento, com revisão periódica, do conjunto dos medicamentos e de seuspossíveis efeitos adversos; preferência por mono drogas, em detrimento dasassociações em doses fixas; preferência por fármacos de eficácia comprovadaatravés de evidências científicas; suspensão do uso, sempre que possível;verificação da compreensão da prescrição e das orientações farmacológicas ou nãofarmacológicas; simplificação dos esquemas de administração; atenção aos preços. No Sistema Único de Saúde, o acesso aos medicamentos é mediado pelaapresentação da prescrição, sendo esta uma ordem escrita dirigida ao farmacêutico,com a definição do medicamento que deverá ser fornecido ao paciente, bem comocom a maneira que este deverá utilizá-lo. A prescrição constitui um documento legalpelo qual se responsabilizam quem prescreve (médico, dentista) e quem dispensa omedicamento (farmacêutico), ambos os sujeitos à legislação de controle e a açõesda vigilância sanitária (OENNING; OLIVEIRA; BLATT, 2011). O profissional da saúde que dispensa medicamentos exerce um importantepapel na utilização correta deles. A dispensação é uma das últimas oportunidadesde identificar, corrigir ou reduzir possíveis riscos à terapêutica medicamentosa, pois,além de dispensar o medicamento com qualidade e de maneira correta, ofarmacêutico deve complementar as informações passadas pelo médico ao pacientesobre os medicamentos prescritos, como os cuidados na administração e asorientações não farmacológicas, de forma a contribuir com seu uso racional e para amelhora do quadro clínico do paciente, sem o eventual aparecimento de efeitosindesejados para este (OENNING; OLIVEIRA; BLATT, 2011).
  21. 21. 20 O padrão de consumo elevado de medicamentos entre os idosos que vivemna comunidade tem sido descrito tanto no Brasil e no mundo. Em média, 2 a 5medicamentos são prescritos regularmente a idosos e a prevalência de uso é maiorentre as mulheres independentemente da faixa de idade. É consenso que odesenvolvimento de medicamentos representa um grande avanço na história daciência e que contribui com relevante significância para a melhoria da qualidade devida da população. No entanto, a possibilidade de um dano induzido em decorrênciada utilização de fármacos, mesmo quando utilizados nas doses preconizadas e comindicação terapêutica adequada se constitui em fato real. A população idosa possuirisco elevado o de problemas relacionados a medicamentos (MEDEIROS et al.,2011). Segundo Medeiros et al.,(2011) a vulnerabilidade dos usuários demedicamentos, em especial os idosos, torna-se pronunciada quando se pratica ouso indiscriminado de medicamentos. A utilização dos medicamentos envolvendomau uso e abuso de consumo, e a não adesão a tratamentos importantes temprovocado impacto sobre as medidas públicas para prevenção de agravos epromoção da saúde, assim como sobre o ciclo econômico envolvido na prestaçãodos serviços de saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais dametade de todos os medicamentos são prescritos, dispensados ou vendidosinadequadamente, e que, aproximadamente 50% de todos os pacientes não osutilizam corretamente. Ao longo do século XX, o medicamento deixou de ser somente uminstrumento de ação terapêutica para converter-se em um elemento complexo –técnico e/ou simbólico atualmente a prescrição farmacoterapêutica tornou-se quaseque obrigatória nas consultas médicas, sendo o médico avaliado pelo paciente poresta prática. Assim, a prescrição do medicamento tornou-se sinônimo de boaconduta médica, justificando sua enorme demanda, portanto, a medicalização davida reforça a necessidade por uma abordagem multidimensional do atendimento,pautada no modelo interdisciplinar aplicado ao envelhecimento e cujo foco está nosujeito da intervenção (MEDEIROS et al., 2011). Assistência farmacêutica no Brasil até o ano de 1997, quando foi desativada,sendo suas atribuições transferidas para diferentes órgãos e setores do Ministério daSaúde. No que se refere à ampliação do acesso aos medicamentos no Brasil, asinstâncias gestoras e de controle social têm buscado sanar importantes lacunas que
  22. 22. 21foram aprofundadas na década de 90, com o crescente e rápido desenvolvimentotécnico e científico neste campo. A equidade no acesso aos medicamentos no SUStem sido discutida a partir da premissa de que o direito à assistência integralfarmacêutica implica a partilha entre os entes federativos das responsabilidadeslegais do Estado, de propiciar o acesso igualitário e universal aos medicamentos eprocedimentos terapêuticos para a assistência integral à saúde dos cidadãos. Anecessidade de apontar aos gestores um rumo para a área resultou na formação deum grupo de profissionais que atuavam na mesma, o qual discutiu os principaisaspectos relacionados aos medicamentos no país. Foi estabelecida, como resultadodessas discussões, a Política Nacional de Medicamentos, publicada pela PortariaGM/MS n. 3916, em 1998 (BRASIL, 2002). Essa política estabelece diretriz e prioridades que resultaram em importantesavanços na regulamentação sanitária, no gerenciamento de medicamentos e naorganização e gestão da assistência farmacêutica no SUS (BRASIL, 2007).3.1 Reorientação da assistência farmacêutica As principais finalidades da reorganização da assistência são:  A garantia da necessária segurança, da eficácia e da qualidade dos medicamentos;  A promoção do uso racional dos medicamentos;  O acesso da população naqueles medicamentos considerados essenciais. Destas diretrizes, foram consideradas como prioridades a revisãopermanente da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME), areorientação da Assistência Farmacêutica, a promoção do uso racional demedicamentos e a organização das atividades de Vigilância Sanitária demedicamentos para regular esta área. A implementação dessas diretrizesdemandam ações que vêm sendo desenvolvidas ao longo dos anos (BRASIL, 2007). Um aspecto importante a ser mencionado em relação à PNM é aexplicitação do caráter sistêmico e multidisciplinar da assistência farmacêutica,definindo-a como:
  23. 23. 22 Grupo de atividades relacionadas com o medicamento destinadas a apoiar as ações de saúde demandadas por uma comunidade. Envolve o abastecimento de medicamentos em todas e em cada uma de suas etapas constitutivas, a conservação e o controle de qualidade, a segurança e a eficácia terapêutica dos medicamentos, o acompanhamento e a avaliação da utilização, a obtenção e a difusão de informação sobre medicamentos e a educação permanente dos profissionais de saúde, do paciente e da comunidade para assegurar o uso racional de medicamentos (BRASIL, 2002). Para alcançar um dos objetivos prioritários estabelecidos pela PNM,relacionado à reorientação da Assistência Farmacêutica, faz-se necessáriopromover a descentralização da sua gestão, o desenvolvimento de atividades paraassegurar o uso racional dos medicamentos e ações que aperfeiçoem e tornemeficaz o sistema de distribuição no setor público e iniciativas que possibilitem aredução nos preços dos produtos (BRASIL, 2002). Muitas dessas ações foram e estão sendo desenvolvidas na área deassistência farmacêutica no SUS. É de responsabilidade da PNM:
  24. 24. 23Tabela 1 - Responsabilidade da PNM______________________________________________________________Possuir em vista a implementação da política de assistência farmacêutica no SUS;Promover a formulação da política estadual de medicamentos;Prestar cooperação técnica e financeira aos municípios no desenvolvimento dassuas atividades e ações relativas à assistência farmacêutica;Coordenar e executar a assistência farmacêutica no seu âmbito;Apoiar a organização de consórcios intermunicipais de saúde destinados àprestação da assistência farmacêutica ou estimular a inclusão desse tipo deassistência como objeto de consórcios de saúde;Promover o uso racional de medicamentos junto à população, aos prescritores e aosdispensadores;Assegurar a adequada dispensação dos medicamentos, promovendo o treinamentodos recursos humanos e a aplicação das normas pertinentes;Participar da promoção de pesquisas na área farmacêutica, em especial aquelasconsideradas estratégicas para a capacitação e o desenvolvimento tecnológico, bemcomo do incentivo à revisão das tecnologias de formulaçãofarmacêuticas;Investir no desenvolvimento de recursos humanos para a gestão da assistênciafarmacêutica;Coordenar e monitorar o componente estadual de sistemas nacionais básicos para apolítica de medicamentos;Programar as ações de vigilância sanitária sob sua responsabilidade;Definir a relação estadual de medicamentos, com base na RENAME, e emconformidade com o perfil epidemiológico do estado;Definir o elenco de medicamentos que serão adquiridos diretamente pelo Estado;Investir na infra-estrutura das centrais farmacêuticas, visando garantir a qualidadedos produtos até a sua distribuição;Receber, armazenar e distribuir adequadamente os medicamentos sob sua guarda.Fonte: BRASIL, 2007. Em 2003, um amplo debate sobre a assistência farmacêutica foi realizadocom a sociedade na I Conferência Nacional de Medicamentos e, com base naspropostas nela emanadas, o Conselho Nacional de Saúde (CNS) aprovou e publicoua Resolução CNS n. 338, de seis de maio de 2004, que estabelece a PolíticaNacional de Assistência Farmacêutica (PNAF), definindo-a como: Um conjunto deações voltadas à promoção, proteção e recuperação da saúde, tanto individual comocoletiva, tendo o medicamento como insumo essencial e visando o acesso e seu usoracional. Este conjunto envolve a pesquisa, o desenvolvimento e a produção demedicamentos e insumos, bem como a sua seleção, programação, aquisição,distribuição, dispensação, garantia da qualidade dos produtos e serviços,acompanhamento e avaliação de sua utilização, na perspectiva da obtenção de
  25. 25. 24resultados concretos e da melhoria da qualidade de vida da população (BRASIL,2004). Assegurar o acesso a medicamentos é uma das questões cruciais no SUS,constituindo a assistência farmacêutica, considerando que estes insumos são umaintervenção terapêutica muito utilizada, impactando diretamente sobre aresolubilidade das ações de saúde. Nesta área, em especial após a publicação daPolítica Nacional de Medicamentos e da Política Nacional de AssistênciaFarmacêutica, muitos foram os avanços e as conquistas (BRASIL, 2007). Paralelamente à necessidade de se dar acesso aos medicamentos àquelesque deles necessitam, é preciso ficar alerta para o uso indiscriminado que vemocorrendo em nossa sociedade, que tem, entre outras causas, a fragilidade daregulamentação e a atuação das empresas farmacêuticas. Mesmo com os avançosno acesso aos medicamentos no SUS, observa-se procura crescente pelo seufornecimento por demanda judicial. Estas requerem desde o fornecimento demedicamentos básicos, não incluídos na Relação Nacional de MedicamentosEssenciais, até medicamentos prescritos para indicações não previstas em bula,experimentais e sem registro no país (BRASIL, 2007). Segundo Marin et al., (2003) trabalhar de forma conjunta na perspectiva deuma assistência farmacêutica que, além do acesso, assegure o uso racional dosmedicamentos é papel a ser assumido por todos os gestores, prescritores, órgãosde vigilância e controle, população em geral. A seleção de medicamentos é a etapa inicial e provavelmente uma das maisimportantes do ciclo da assistência farmacêutica, sendo seu eixo, pois todas asoutras atividades lhe são decorrentes. É a atividade responsável peloestabelecimento da relação de medicamentos a serem disponibilizados na redepública, sendo uma atividade decisiva para assegurar o acesso aos mesmos. Adisponibilidade de medicamentos no mercado, a constante introdução de novosprodutos, a influência da propaganda sobre a prescrição médica tornam fundamentaluma seleção racional de medicamentos, de maneira a proporcionar maior eficiênciaadministrativa e uma adequada resolubilidade terapêutica, além de contribuir para aracionalidade na prescrição e na utilização de fármacos (MARIN et al., 2003).
  26. 26. 253.2 Dispensação de medicamentos A dispensação de medicamentos foi definida na Política Nacional deMedicamentos como: É o ato profissional farmacêutico de proporcionar um ou mais medicamentos a um paciente, geralmente, como resposta a apresentação de uma receita elaborada por um profissional autorizado. Neste ato o farmacêutico informa e orienta o paciente sobre o uso adequado do medicamento. São elementos importantes da orientação, entre outros, a ênfase no cumprimento da dosagem, a influência dos alimentos, a interação com outros medicamentos, o reconhecimento de reações adversas potenciais e as condições de conservação dos produtos (BRASIL, 2002). Nesse conceito, a dispensação não se configura apenas como ofornecimento do medicamento prescrito, devendo atender a aspectos técnicos, como objetivo de garantir a entrega do medicamento correto ao usuário, na dosagem ena quantidade prescrita, com instruções suficientes para seu uso adequado e guardacorreta. Entre as orientações a serem repassadas, destaca-se a forma deadministração; a possibilidade de ocorrência de reações adversas; interações comoutros medicamentos e com alimentos. Desta forma, o usuário do medicamento teráas informações necessárias para seu uso seguro e correto (BRASIL, 2007).3.3 Uso racional de medicamentos Sob o aspecto conceitual, a Política Nacional de Medicamentos refere o usoracional de medicamentos como sendo o processo que compreende a prescriçãoapropriada; a disponibilidade oportuna e a preços acessíveis; a dispensação emcondições adequadas; e o consumo nas doses indicadas, nos intervalos definidos eno período de tempo indicado de medicamentos eficazes, seguros e de qualidade(BRASIL, 2002). A Organização Mundial da Saúde considera que há uso racional demedicamentos quando pacientes recebem medicamentos apropriados para suascondições clínicas, em doses adequadas às suas necessidades individuais, por umperíodo adequado e ao menor custo para si e para a comunidade. Lidera, emconjunto com outras instituições gestoras e de pesquisa, movimentos que buscam aprescrição e o uso racional de medicamentos, a seleção de medicamentos
  27. 27. 26essenciais e a disponibilização de informações científicas e independentes aosprofissionais de saúde, por meio de boletins e de formulários terapêuticos(ORGANIZAÇÃO PAN AMERICANA, 2007). A promoção do uso racional dos medicamentos deve contar com aparticipação de diversos atores sociais: pacientes, profissionais de saúde,legisladores, formuladores de políticas públicas, indústria, comércio e governo. Osresultados disponibilizados pelos estudos de utilização de medicamentos podemcontribuir com a instrumentalização do profissional para o reconhecimento darealidade cotidiana que envolve o uso de medicamentos (OENNING; OLIVEIRA;BLATT, 2011).4 IATROGENIA Segundo Lopes et al., (2006) complicações iatrogênicas são definidas comodoenças induzidas pelo médico ou outros profissionais da saúde. A iatrogenia podeser produzida por medicamentos, orientações errôneas, como o simples repouso noleito prolongado, intervenções cirúrgicas e reabilitação inadequada. Consideram-se como afecções iatrogênicas aquelas decorrentes daintervenção do médico e∕ou de seus auxiliares, seja ela certa ou errada, justificadaou não, mas da qual resultam consequências prejudiciais para a saúde do paciente;as pesquisas indicam que sua maior ocorrência é em pacientes idososhospitalizados. A iatrogenia adquire maior importância nos indivíduos idosos, nosquais tanto sua incidência como a intensidade de suas manifestações costuma sermais acentuadas (GOMES; CALDAS, 2008). O uso de fármacos em idoso deve receber especial atenção dosprofissionais pelas mudanças que ocorrem na farmacocinética e farmacodinâmicados medicamentos no organismo após os 60 anos de idade (LOPES et al., 2006).4.1 Medicar o idoso Com o aumento da idade, incidência de reações adversas pode chegar atésete vezes maiores do que nos jovens. Há modificações nos mecanismos deabsorção, distribuição, metabolização e excreção dos medicamentos no idoso. Hámodificações nos receptores e sítios de ação relacionados ao envelhecimento. Há
  28. 28. 27também modificações nos receptores das drogas. O idoso é mais sensível aosbenzodiazepínicos por alterações nos receptores de ácido gama-aminobutírico(GABA). Os neurotransmissores também sofrem alterações que podem facilitar aconfusão mental induzida por drogas. Alguns reflexos fisiológicos através dosbaroreceptores e do Sistema Nervoso Central estão diminuídos o que leva a maiorsuscetibilidade a hipotensão postural ocasionada por drogas e consequentementequedas. A alta prevalência das doenças crônico-degenerativas no idoso leva anecessidade da utilização de mais de uma droga, o que potencializa o risco deinterações medicamentosas (LOPES et al., 2006). A população idosa apresenta peculiaridades em relação a uso demedicamentos, uma vez que as alterações fisiológicas decorrentes doenvelhecimento interferem na farmacocinética e na farmacodinâmica dosmedicamentos e fazem com que eles atuem de forma diferente do que ocorre comadultos jovens, podendo ocasionar ausência de efeitos farmacológicos esperados,bem como o aumento do risco de iatrofarmacogenia no idoso (MOREIRA et al.,(2010). Várias queixas comuns levam o idoso ao serviço de saúde, como quedas,perda da memória, confusão mental, lentidão motora podem ser fruto de efeitosmedicamentosos (LOPES et al., 2006).5 ADESÃO DO PACIENTE AO TRATAMENTO De acordo com Aizenstein (2010) o idoso tem dificuldade de adesão aotratamento, observa-se maior frequência de omissão, erros de administração, superdosagens intencionais ou acidentais, além de uso incorreto do medicamento, comvalidade vencida ou prescrita para outros indivíduos. Segundo Oenning; Oliveira; Blatt (2011) a falta de informações ou a nãocompreensão das informações transmitidas pelos profissionais da saúde aospacientes podem trazer consequências como: não adesão ao tratamento, com oconsequente insucesso terapêutico; retardo na administração do medicamento,agravando o quadro clínico do paciente; aumento da incidência de efeitos adversos,por inadequado esquema de administração e/ou duração do tratamento; dificuldadesna diferenciação entre manifestações da doença e efeitos adversos da terapêutica; e
  29. 29. 28incentivo à automedicação, bem como outras sérias consequências, que podempiorar o estado de saúde do paciente. A falta de adesão pode relacionar se a fatores socioeconômicos e culturais,ao passo que resulta de uma avaliação do paciente de relação custo beneficio dotratamento, e representa a maior parte dos casos de falta de adesão. O dialogoentre os profissionais de saúde e o paciente é hoje considerado de extremaimportância para o envolvimento do paciente no seu próprio tratamento. A prescriçãoao paciente idoso deve considerar inicialmente se a terapêutica é fato necessário ese existem alternativas não medicamentosas, se for o caso as instruções sãoimportantes e devem ser feitas de forma clara e pausada, pois os idosos lembrammelhor das primeiras informações, sobretudo se são simples e em pequenosnúmeros (AIZENSTEIN, 2010).5.1 Prevalência, fatores associados e uso inadequado de medicamentos entreidosos Segundo Rozenfeld (2003) as características do consumo dosmedicamentos fornecem elementos para a eleição das prioridades em assistênciafarmacêutica e para a regulamentação de produtos. A partir daí, cabe aos gestoresdo SUS garantir o acesso aos produtos e a oferta de fármacos com o melhor perfilquanto à relação benefício versus risco. O potencial para a ocorrência e a gravidadedas reações adversas aos medicamentos, sobretudo em idosos não internados é apreocupação básica. As distorções no campo da fabricação traduzem-se no número elevado demarcas comercializadas com duas, ou mais, substâncias associadas num mesmoproduto. As associações em doses fixas são prática condenada em virtude do seupotencial de causar reações adversas e da impossibilidade de individualizar asdoses de cada fármaco. Elas só são recomendadas caso se comprove havervantagens acumuladas: maior eficácia, melhor cumprimento da prescrição e reduçãode custos. Os órgãos de regulamentação, no Brasil denominado vigilância sanitária,autorizam a comercialização de incontáveis produtos farmacêuticosinsuficientemente testados, sem comprovação satisfatória de eficácia e desegurança, sem monitoração pós-comercialização e com efeitos similares aos deoutros já registrados. Como resultado, o “cardápio” de produtos, em vez de ir ao
  30. 30. 29encontro das necessidades sanitárias, retrata as motivações econômicas dosfabricantes (ROZENFELD, 2003). O uso inapropriado de medicamentos tem se tornado uma preocupaçãohumanística e econômica. Essa prática pode ocasionar graves conseqüências, comoa elevação dos índices de morbidade e mortalidade (MOREIRA et al., 2010). Segundo Moreira et al.,(2010) os principais fatores contribuintes paraproblemas relacionados aos medicamentos são: polifarmácia, prescrição demedicamentos inapropriados, má complacência, uso de medicamentos nãoprescritos e falta ou inadequação nas orientações aos pacientes e cuidadores sobreos perigos dos medicamentos.6 FARMACOLOGIA GERIATRIA Segundo Pereira (2006) o estudo de farmacologia geriátrica tem especialinteresse nos dias atuais devido ao envelhecimento populacional em todo o mundo.No Brasil, esse fenômeno tornou-se marcante no ano de 1950, trazendo grandesdesafios, inclusive no campo da saúde. Paralelamente a essa alteração demográfica, observou-se um processo demudança no perfil de morbimortalidade, predominando as doenças crônicas nãotransmissíveis. Com o aumento da expectativa de vida, frequentemente a pessoaidosa é portadora de várias doenças, fazendo uso de diferentes medicamentosconcomitantes. Apesar de constituírem aproximadamente 10% da população,consomem mais de 205 das drogas prescritas (PEREIRA, 2006).6.1 Demência É uma síndrome que se manifesta pela diminuição global das funçõescognitivas, embora não necessariamente de modo uniforme, associada a um estadopreservado da consciência. Demência é definida como um distúrbio adquirido epersistente das funções intelectuais que compromete pelo menos três atividadesmentais: linguagem, memória, capacidade visoespaciais, personalidade e cognição(LEVY; MENDONÇA, 2000).
  31. 31. 30 A demência é classificada como uma síndrome degenerativa, caracterizadapela deterioração de habilidades intelectuais previamente adquiridas que interfere naatividade ocupacional ou social. Afeta milhões de pessoas em todo o mundo, sendoa doença de Alzheimer (DA) a causa mais comum, compreendendo 70% dasdemências. As únicas drogas que tem demonstrado eficácia e segurança em grandeescala, através de trabalhos multicêntricos, randomizados, placebo - controlados,são os inibidores da colinesterase. Eles inibem a degradação da acetilcolina liberadapelos neurônios colinérgicos pré- sinápticos, aumentando a disponibilidade desseneurotransmissor na sinapse. As substâncias aprovadas pela Food and DrugAdministration (FDA) são o donepezil, a rivastigmina e a galantamina (PEREIRA,2006).6.1.1 Doença de Alzheimer É considerada a causa mais frequente demência, ocorrendo em 4,4% dapopulação acima de 65 anos, segundo estatística realizada nos Estados Unidos. Adoença se inicia por alterações de memória, com desorientação têmporo-espacial,confabulação e falsos reconhecimentos. A seguir se instalam as alterações dasfunções simbólicas, outras características da doença. Apraxia construtiva, agnosiaespacial e afasia costumam serem os primeiros achados. Posteriormente, se instalaapraxia de vestir-se, apraxia ideomotora, somatognosias e global comprometimentodas funções cerebrais (LEVY; MENDONÇA, 2000).6.2 Diabete Melito De acordo com Pereira (2006) o diabete melito acomete 7,45 da populaçãobrasileira, com maior percentual nos idosos, nos quais entre 60 e 69 anos aumentapara 17,4%, seis vezes maior que entre 30 e 39 anos. Ocorre pelo aumento daintolerância aos carboidratos, devido ao aumento da gordura corporal e paraleladiminuição da massa magra, diminuição da atividade física, co-morbidades, maioringestão de carboidratos e uso de drogas com ação hiperglicemiante. Concorre paradesencadear essa doença o fator genético diminuição da secreção e aumento daresistência periférica à insulina e liberação hepática noturna de glicose.
  32. 32. 31 O diabetes melito é uma síndrome decorrente de alterações metabólicascaracterizadas pela hiperglicemia inapropriada, em consequência da ausência daação biológica da insulina. Este fato ocorre por deficiência de sua secreção ou porimpossibilidade de desencadear os eventos resultantes da interação da insulina comseu receptor (MARCONDES; THOMSEN, 2000). O diabete melito tipo 2 é o mais comum entre os idosos, ocorrendo maiorfreqüência de complicações macrovasculares. Essas compreendem o acidentevascular encefálico, infarto agudo do miocárdio e doença vascular periférica,comprometendo a qualidade de vida dessas pessoas, justificando o investimento notratamento. As manifestações clínicas podem ser inespecíficas, como fraqueza,adinamia, estado confusional agudo, incontinência urinária e hipotensão postural. Odiagnóstico é feito como nos jovens adultos (PEREIRA, 2006). Segundo Pereira (2006), para a população idosa é necessário definir metasde tratamento. Geralmente fazem-se o controle glicêmico adequado paradesacelerar a progressão das complicações crônicas e, para os indivíduoscronicamente doentes, com expectativa de vida curta, manter o controle glicêmiconão rigoroso, evitando sintomatologia de complicações agudas. Para esse últimogrupo estão incluídos os pacientes portadores de quadro demencial em faseavançada, aqueles com insuficiência renal crônica, cirróticos, alcoolistas, e aquelescom alto grau de dependência ou restrição alimentar. Para eles o controle glicêmicovisa facilitar a cicatrização, prevenir a desidratação, sintomas de hiper ouhipoglicemia e a perda de peso. Devido à diminuição da função renal, o limiar deexcreção da glicose apresenta-se alterado, aumentando os riscos de hipoglicemiapor elevar a vida média das drogas. Pelo mesmo motivo, a monitorização pelaglicofita perde sua utilidade. No tratamento com os antidiabéticos orais estão as sulnolinureias. Dá sepreferência neste grupo para a glicazida e a glipizida, por terem curto tempo de açãonão gerarem metabólitos ativos. A clorpropamida e contra-indicada no idoso peloseu tempo muito prolongado de ação. A glibenclamida e a glimepirida exigemcuidado no uso, devido à maior chance de desencadear hipoglicemia pelos seusmetabólitos ativos. As metiglinidas (repaglinida e nateglinida) são seguras para oidoso. Agem na primeira fase de secreção da insulina, cerca de 30 minutos após aingestão alimentar. A metformina, representante das biguanidas, é indicada empacientes com excesso de peso. Deve ser evitada nos idosos com idade maior de
  33. 33. 3280 anos. Tem maior risco de desencadear acidose lática, principalmente sobestresse orgânico pré e pós-operatório, desidratação, infarto agudo do miocárdio,entre outras situações. As glitazonas (rosiglitazona e pioglitazona) aumentam asensibilidade da insulina no músculo. Podem fazer retenção hídrica e ganho depeso, não estando indicadas nos pacientes com insuficiência cardíaca. A acarbose éum anti-hiperglicemiante por inibir a alfa-glicosidase. Pode ser associado aossecretagogos de insulina nos pacientes com pouca adesão à dieta. A insulinoterapiaé realizada quando o controle metabólico não é alcançado com medidas dietéticas emedicamentos orais (PEREIRA, 2006).6.3 Hipertensão Arterial De acordo com Pereira (2006) a diminuição da pressão arterial (PA) é efetivaem reduzir eventos cardiovasculares fatais e não fatais nos idosos, comodemonstram ensaios clínicos randomizados, duplo-cegos, placebo-controlados.Devido à grande variabilidade da PA nos indivíduos essa faixa etária, deve-se tomaros seguintes cuidados: com o paciente relaxado, medir PA três vezes, com intervalomínimo de 5 minutos entre as variaçõe, medir PA nas posições deitada e sentada,observar a rigidez da parede arterial devido à calcificação. A pressão arterial obtidapode não ser a mesma da pressão intra-arterial, alterando a conduta terapêutica. Para o tratamento da hipertensão arterial em idosos, deve se levar em contaos níveis de PA, os fatores de risco cardiovasculares (idade acima de 60 anos,tabagismo, dislipidemia e história familiar de doença cardiovascular) e as lesões eórgão-alvo (PEREIRA, 2006). Segundo Carvalho Filho; Pasini; Papaléo Netto (2000) o conceito dehipertensão arterial na pessoa idosa exigiu a análise de levantamentos realizadosem grupos populacionais de diferentes, faixas etárias, com o intuito de estabeleceros limites máximos normais das pressões arteriais sistólica e diastólica, bem comosuas variações com o avançar dos anos. Possibilitando definir os níveis, a partir dosquais pode se considerar o paciente como hipertenso. Entre 40 a 70 anos a pressãoarterial sistólica aumenta em média 25 a 35mmHg e a diastólica 5 a 10mm Hg. Baseando-se em estudos, a OMS considerou os valores 140 a 160x90 a 95mmHg como limítrofes em adultos. Estabeleceu também que o idoso é consideradohipertenso quando, em posição supina, apresenta pressão sistólica igual ou superior
  34. 34. 33a 160 mmHg e/ou pressão sistólica igual ou superior a 95 mmHg (CARVALHOFILHO; PASINI; PAPALÉO NETTO, 2000).6.4 DEPRESSÃO É uma desordem funcional do cérebro devido à deficiência deneurotransmissores (noradrenalina, serotonina e dopamina). Segundo o ManualDiagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Americana dePsiquiatria (DSM-IV), a depressão maior é definida por humor deprimido na maiorparte do dia, com marcada diminuição de interesse ou prazer em atividades antesagradáveis, durante pelo menos 2 semanas. Simultaneamente, somam-se quatrodos seguintes sintomas: perda ou ganho de peso, insônia, retardo psicomotor,fadiga, perda de energia, sensação de culpa excessiva, dificuldade de concentração,indecisão, pensamentos recorrentes de morte e planos específicos para suicídio(PEREIRA, 2006).7 VARIÁVEIS FISIOLÓGICAS NO IDOSO QUE ALTERAM OS EFEITOS DOSFÁRMACOS Segundo Aizenstein (2010), o declínio funcional em vários órgãos e sistemasdecorre da idade avançada, tornando o idoso mais sensível em situações desobrecarga. Embora ocorra envelhecimento variável entre indivíduos, alguns fatoresfisiológicos próprios do idoso podem alterar a farmacocinética e a farmacodinâmica.Dentre os principais:  Diminuição dos líquidos corpóreos  Aumento da gordura corpórea  Diminuição das proteínas plasmáticas  Diminuição da massa muscular  Diminuição no metabolismo hepático  Diminuição da velocidade e do volume de filtração glomerular  Diminuição do fluxo sanguineo renal
  35. 35. 34  Diminuição da secreção tubular  Diminuição funciona (absorção, secreção e motilidade) e morfológica (atrofia) do trato gastrintestinal  Aumento do ph gástrico  Diminuição do fluxo sanguineo gastrintestinal  Diminuição da resposta imune  Redução da eficiência respiratória  Intolerância a carboidratos (diabetes)  Diminuição da sensibilidade nos centros da fome e da sede.7.1 Aspectos farmacocinéticos A medicina preventiva, em nosso meio, é pouco praticada, os idososacumulam doenças e utilizam múltiplas medicações simultaneamente, aumentandoa chance de interações não desejadas. Além disso, as modificações orgânicasfisiológicas, próprias do envelhecimento, alteram a farmacocinética (a absorção,distribuição, metabolismo e excreção) e a farmacodinâmica (local e mecanismo deação, relação entre dose e efeito e variação da resposta) das drogas, obrigando arealização de estudos apropriados para essa faixa etária, o que muitas vezes não éfeito pelos laboratórios. Quando o conjunto desses fatos não é considerado, osmedicamentos tendem a ser prescritos da mesma forma que são para adultos,podendo levar à iatrogenia. Essa é classificada como um dos “Cinco Gigantes daGeriatria” acompanhada por imobilidade, instabilidade postural, incontinênciaesfincteriana, insuficiência cerebral, problemas comuns da velhice, difíceis dediagnosticar e tratar, que comprometem a qualidade de vida do paciente idoso(PEREIRA, 2006). A mudança no perfil farmacocinético em idosos pode predispor os pacientesa reações adversas a medicamentos, resultantes de interações farmacológicas, quese apresentam com maior gravidade em idosos quando comparados aos adultosnão idosos. Estudos mostram que os idosos com idade superior a 80 anos são osmaiores prejudicados pela ocorrência de tratamentos farmacológicos múltiplos ereações adversas a medicamentos, quadro se agrava quando há aumento doconsumo de medicamentos decorrente de doenças do envelhecimento. A
  36. 36. 35racionalidade da prescrição é indispensável para diminuir esses efeitos adversosrelacionados da terapia farmacológica (AIZENSTEIN, 2010).8 PRESCRIÇÕES EM IDOSOS Segundo Witzel (2001) pacientes idosos recebem uma quantidadedesproporcional de medicamentos, cerca de um terço de todas as prescrições demedicamentos. Aumentando-se a idade do paciente verifica-se que aumentam oscustos de internação, tempo de hospitalização, e o risco de reações adversas amedicamentos (RAM). O FDA passou a exigir que os fabricantes de medicamentos incluam umasubseção na bula dos produtos com orientações sobre o uso em pacientes acima de65 anos, com especial atenção a oito grupos de drogas: psicotrópicos,antiinflamatórios não esteroidais, digoxina, antiarritimico, bloqueadores de canal decálcio, hipoglicemiantes orais, anticoagulantes e quinolonas (WITZEL, 2001).8.1 Princípios de Prescrição de Drogas nos Idosos 1- Avaliar a necessidade de farmacoterapia: sempre que possível deve-se tentar lançar mão de terapias não medicamentosas. 2- Traçar um histórico cuidadoso sobre hábitos e uso de medicamentos: devem-se incluir drogas prescritas, não prescritas, fitoterápicos, álcool, cafeína, e outras informações dietéticas e sobre alergias. 3- Conhecer a farmacologia das drogas: aprofundar-se nas drogas mais utilizadas no paciente idoso. 4- Geralmente as drogas prescritas devem ser menores: especialmente para doenças crônicas, onde o controle, e não a cura, é o objetivo. 5- Monitorar níveis plasmáticos de drogas e sua resposta farmacológica: os pacientes devem ser continuamente questionados sobre o efeito das drogas em relação à eficácia e efeitos colaterais. 6- Simplificar os regimes terapêuticos e encorajar a adesão ao tratamento: pacientes idosos normalmente apresentam déficits de memória e quanto mais simples forem os regimes posológicos, menor será o risco de esquecimento e trocas de medicamentos.
  37. 37. 36 7- Revisar regularmente o plano terapêutico e descontinuar as drogas desnecessárias: acompanhamento constante garante melhores resultados terapêuticos. 8- Recordar das drogas que podem causar doenças: efeitos adversos de drogas podem apresentar-se atipicamente nos idosos ou podem mimetizar doenças (WITZEL, 2001).9 FUTURO EM RELAÇÃO AO USO RACIONAL DE MEDICAMENTO EM IDOSO Novos produtos surgem de modo permanente. Entre eles, destacam-se osempregados para o controle das doenças crônicas e aqueles que aprimoram aqualidade de vida. Assim sendo, é importante criar mecanismos que permitem aoclínico acompanhar e interpretar a literatura médica, bem como prescrever com baseem evidências epidemiológicas consistentes (ROZENFELD, 2003). De acordo com Rozenfeld (2003) no campo da investigação, é precisoconhecer o perfil dos usuários, segundo as diferentes realidades sociais, geográficase sanitárias; avaliar a qualidade do conjunto dos produtos consumidos e, ao mesmotempo, identificar os principais preceptores do uso indevido. É com base nessesúltimos que será possível propor estratégias de correção, sejam elas na forma deprogramas educativos para profissionais ou para leigos, seja como sugestões pararegulamentação, controle de qualidade e fiscalização de fabricantes e de produtos. Entre os indicadores da qualidade da terapia dos idosos destacam-se: • número de produtos empregados por pessoa; • a proporção de produtos com associações em doses fixas; • a proporção dos fármacos contra-indicados; sem efeitos benéficos comprovados; eficazes, mas empregados em formas farmacêuticas, doses, duração de tratamento ou indicação terapêutica impróprias; com potencial inaceitável de provocar interações; • uso redundante de fármacos da mesma classe terapêutica. O conhecimento dos padrões de uso e de prescrição entre os idososconstitui uma medida indireta da ocorrência dos efeitos danosos. É o primeiro passopara se conhecerem os riscos subjacentes à terapêutica farmacológica. No entanto,
  38. 38. 37isso não é suficiente. É preciso conhecer o perfil das reações adversas, dimensioná-las, identificar os seus impactos clínicos, sociais e monetários (ROZENFELD, 2003).
  39. 39. 3810 MÉTODO Para execução deste trabalho, utilizou-se uma pesquisa exploratória, entrehomens e mulheres acima de 60 anos de idade que buscavam atendimento na redepública de saúde do município de Fernandópolis. Participaram do questionário 100 idosos, dos quais 54 eram do sexomasculino e 46 do sexo feminino, respondendo sobre uso racional demedicamentos. Foi aplicado um questionário abordando 22 perguntas relacionadas ao usoracional de medicamentos e aspectos envolvidos na terapêutica da população idosa. As entrevistas foram realizadas através do contato direto com os pacientesidosos. No momento em que eles esperavam por uma consulta médica ou quandopassavam pela unidade de saúde para buscar medicamentos. As unidades de saúde onde foram realizadas as entrevistas foram no ProjetoSaúde da Família (PSF) Heitor Maldonado no bairro Jardim Araguaia, PSF AntônioPivato no bairro Jardim Paulista e PSF Waltrudes Baraldi no bairro Jardim Planalto,na cidade de Fernandópolis- SP, durante o período do dia 20 de junho a 11 deagosto de 2011.
  40. 40. 3911 RESULTADOS E DISCUSSÃO A Figura 1 mostra que 40% dos entrevistados têm idade entre 66 anos e 70anos, 30% entre 71 e 80 anos, 28% entre 60 e 65 anos e apenas 2% tem idademaior que 80 anos. Estes dados são semelhantes aos resultados de um estudo proposto acaracterizar as necessidades de saúde entre idosos da área de abrangência de umaUnidade de Saúde da Família (MARIN; CECÍLIO, 2009). O presente estudo aponta que quase a metade dos idosos entrevistados seencontrava na faixa etária dos 60 a 69 anos. Como mostra a Figura 2, 54% dos idosos entrevistados na pesquisa, eramdo sexo masculino e 46% do sexo feminino. Estes dados se diferem aos resultados obtidos no mesmo estudo realizadoem idosos da área de abrangência de uma Unidade de Saúde da Família Além dedemonstrar a idade dos idosos entre 60 a 69 anos, também demonstrou o predomínio dosexo feminino, retratado nos estudos epidemiológicos sobre o processo deenvelhecimento. Também relatam que na velhice, atribui-se ao sexo feminino,quando comparado ao sexo masculino, maior vulnerabilidade no estado de saúdeem relação a risco de quedas, presença de múltiplas doenças, uso de múltiplosmedicamentos, obesidade, pobreza e dependências diversas. Destaca-se tambémquanto ao estado marital que 93 (50%) mulheres vivem sem o companheiro,enquanto apenas 18 (15,7%) homens vivem sós (MARIN; CECÍLIO, 2009).
  41. 41. 40 Figura 1 – Faixa etária dos entrevistados (n=100) 2% 28% 30% Entre 60 e 65 anos Entre 66 e 70 anos Entre 71 e 80 anos Acima de 80 anos 40% Fonte: Elaboração própria. Figura 2 - Sexo dos entrevistados (n=100) 46% masculino Feminino 54% Fonte: Elaboração própria. Dos entrevistados 55% possuem o ensino fundamental incompleto, 14%ensino fundamental completo, 26% são analfabetos e 5% possuem ensino médioincompleto (Figura 3).
  42. 42. 41 Comparando esses dados de alfabetização dos idosos com o estudo naUnidade de Saúde da Família, a porcentagem de idosos analfabetos tem um índicemaior, porém a questão da alfabetização é semelhante, já que a maioria dos idososde ambas as pesquisas não concluíram o tempo de escolaridade suficiente. O estudo demonstra que a baixa escolaridade dos idosos apresenta-secomo um aspecto importante a ser considerado na implementação das ações desaúde, à medida que se constatou que 68,1% são analfabetos ou tiveram poucotempo de escolaridade (MARIN; CECÍLIO, 2009). Figura 3 - Escolaridade dos entrevistados (n=100) 5% 14% 26% Analfabeto Ensino fundamental incompleto Ensino fundamental 55% completo Ensino médio incompleto Fonte: Elaboração própria. Quando foi perguntado aos entrevistados sobre o trabalho das unidades desaúde, foi constatado que vem sendo feito um bom trabalho por parte das unidades,82% dos entrevistados responderam positivamente a pergunta, apenas 18%consideraram que o trabalho da unidade não é bom (Figura 4).
  43. 43. 42 Figura 4 - Trabalho da unidade de saúde (n=100) 18% Sim Não 82% Fonte: Elaboração própria. Um problema que a entrevista apontou é a falta de medicamentos nasunidades de saúde, pois 54% dos entrevistados relataram não encontrar todos osmedicamentos que são receitados pelo médico, e 46% relataram encontrar na redepública os medicamentos que necessitam (Figura 5). A maioria dos idosos entrevistados utiliza medicamentos disponíveis nosistema público de saúde, tendo acesso aos medicamentos por meio dos programasde farmácia básica e popular, que vem sendo implantado no país, mas esse sistemaainda não consegue suprir todas as necessidades, pois a maioria não é encontrada.
  44. 44. 43 Figura 5 - Questão sobre medicamentos encontrados na rede pública (n=100) 46% Sim Não 54% Fonte: Elaboração própria. Quando foi perguntado aos idosos sobre o uso racional de medicamentos, aresposta foi unânime, pois como mostra a Figura 6, 100% dos entrevistadosresponderam que fazem o uso correto dos medicamentos. Estudos mostram que 25% das pessoas com mais de 65 anos apresentamperda auditiva. Esta perda é correlacionada com disfunção cognitiva em pacientesidosos, e presumivelmente com suscetibilidade a erros de medicação. Deficiência éo déficit sensorial mais comum nesta população, com 90% necessitando de lentescorretivas. Perto de 20% dos idosos com mais de 80 anos de idade mostram-seincapazes de ler um jornal, mesmo com óculos, ou de enxergar as gotas dosmedicamentos que precisam medir. Doenças crônicas como artrite e parkinsonismopodem interferir na capacidade de segurar a colher de medida do medicamento,abrir um blister de alumínio ou um frasco com tampa. A diminuição da audição podeinterferir no entendimento das instruções sobre o tratamento (SÃO PAULO, 2003).
  45. 45. 44 Figura 6 - Uso correto de medicamentos, posologia e tratamento (n=100) Sim 100% Fonte: Elaboração própria. A Figura 7 mostra que 57% dos entrevistados relataram não fazer uso demedicamentos próximo as refeições, respeitando as orientações médicas. Já 43%fazem uso de medicamentos perto das refeições, pois, muitas vezes, mesmo sendobem orientados, não possuem conhecimento sobre as possíveis interações quepodem ocorrer administrando certos fármacos perto das refeições.
  46. 46. 45 Figura 7- Uso de medicamentos próximo às refeições (n=100) 43% Sim Não 57% Fonte: Elaboração própria. Em relação às informações sobre o uso dos medicamentos dispensados, foiperguntado aos entrevistados se eles recebiam algum tipo de informação dofarmacêutico ou de outro funcionário sobre o uso correto de medicamentos, onde77% dos entrevistados afirmaram receber orientações, 15% relataram receberalgumas vezes e 8% relataram não receber informações (Figura 8). Estes dados são semelhantes a um estudo realizado com idosos, ematendimento em um Ambulatório Privado de Especialidades Médicas, na cidade deRibeirão Preto, que apontou dados mais elevados. Quando indagados se haviam recebido informação sobre uso dosmedicamentos, 97,9% responderam afirmativamente, sendo que destes, 88,4%mencionaram tratar-se de orientação médica e 10,5% seguiam orientações domédico e enfermeiro. Sobre o tipo de orientação recebida, 81,1% referiram a terrecebido de uma forma verbal e escrita e 14,7% de forma escrita, 78% negaram terficado com dúvidas sobre o uso da medicação, após a orientação (FREIRE, 2009).
  47. 47. 46 Figura 8 - Orientações do farmacêutico e funcionários em relação ao uso dos medicamentos (n=100) 0 15% 8% Sim Não As vezes Nunca 77% Fonte: Elaboração própria. A Figura 9 mostra que, a maioria, ou seja, 86% dos entrevistados nãodesistem do tratamento, mesmo quando há falta de orientação relacionada ao usodo medicamento pelos profissionais da saúde, 8% algumas vezes desistem eapenas 6% não aderem ao tratamento devido a falta de orientação sobre o uso domedicamento. Em geral, os idosos aderem melhor a tratamento do que os indivíduosjovens, porém muitos fatores podem levar a uma baixa adesão, resultando em falhasna terapêutica. Estes fatores podem ser intencionais: por não gostar de tomarcomprimidos, do sabor do medicamento, por acreditar que o medicamento pode seruma química, não tolerar bem os efeitos do medicamento. Ou não-intencionais comodiminuição da memória, da visão, da audição, da capacidade mental, dificuldade emdeglutir os comprimidos, polifarmácia, esquemas terapêuticos complicados,ausência de auxílio de familiares e deficiência física. Estudos demonstram que cercade 40% a 75% dos idosos não tomam seus medicamentos nos horários equantidades certas (SÃO PAULO, 2003). Os dados de um estudo relacionado à adesão a prescrição médica emidosos, o qual fez parte do Projeto Idosos da Prefeitura do município de PortoAlegre, em parceria com o Instituto de Geriatria e Gerontologia da Pontifícia
  48. 48. 47Universidade Católica do Rio Grande do Sul, se diferem aos deste estudo, pois emrelação à classificação da adesão, 37,1% dos idosos se auto-relataram aderentes e62,9%, não-aderente (ROCHA et al., 2008). Figura 9 - Adesão ao tratamento (n=100) 8% 6% Sim Não As vezes 86% Fonte: Elaboração própria. A Figura 10 mostra que 69% dos entrevistados não apresentam problemaspor não utilizarem os medicamentos que necessitam, pois, relataram que antesmesmo de acabar o medicamento administrado, vão até as unidades de saúde parapegar mais medicamento, para não ocorrer interrupção do tratamento. Entre esses28% afirmaram ter problemas por não utilizar o medicamento necessário e 3%algumas vezes tem problemas pela não utilização do medicamento.
  49. 49. 48 Figura 10 - Problema relacionado a não utilização do medicamento necessário (n=100) 3% 28% Sim Não As vezes 69% Fonte: Elaboração própria. Doenças crônicas fazem parte da vida dos idosos, e demonstrando isso, aFigura 11 aponta que 74% dos entrevistados fazem uso regular de medicamentospara o tratamento de doenças crônicas e 26% não fazem uso de medicamentos paradoenças crônicas. Estes resultados são semelhantes aos encontrados no estudo realizadojunto à população do ambulatório do Núcleo de Atenção ao Idoso (NAI) daUniversidade Aberta da Terceira Idade (UNATI), da Universidade do Estado do Riode Janeiro (UERJ). A percepção de morbidade, a resposta à pergunta se tem alguma doençasegue o que se poderia esperar de uma população idosa, praticamente todos comexceção de dois casos de idosos neste estudo, têm a percepção de que há algumdistúrbio ou doença crônica em suas vidas. Observa-se que apenas 20% dospacientes declaram apenas uma doença crônica. A maioria relata apresentar dois outrês problemas de saúde (SAYD; FIGUEIREDO; VAENA, 2000). A Figura 12 mostra que 48% dos entrevistados sofrem de hipertensãoarterial e fazem uso de anti-hipertensivos, para manter a pressão estável. Dosdemais 24% utilizam outras classes de medicamentos para tratamento de demaisdoenças crônicas, 11% utilizam hipoglicemiantes, 8% antidepressivos, 6%antissecretores, 2% antiparkinsonianos e apenas 1% insulina.
  50. 50. 49 Um estudo realizado com o objetivo de caracterizar as classes maisprescritas de anti-hipertensivos aos idosos que utilizam os serviços de diferentesUnidades de Saúde da Família (USF) do município de Marília mostrou que entre osidosos cujos prontuários foram analisados, a proporção daqueles que utilizam anti-hipertensivos foi em média de 69% entre as quatro unidades onde foi realizado oestudo. Esses dados assemelham-se à prevalência constatada no Brasil, em que60% dos idosos são hipertensos (MARCHIOLI et al., 2010). Entre as consequências decorrentes do envelhecimento estão às múltiplaspatologias e a ingestão de medicamentos diversos. Em um estudo realizado comidosos residentes na área de abrangência de uma Unidade de Saúde da Família,localizada na região central de Marília, as doenças cardiovasculares foram que maisincidiram. Como as doenças cardiovasculares lideram as causas de morbi-mortalidadeem indivíduos idosos, os medicamentos que atuam nesse sistema são os maisprescritos (MARIN et al., 2008). Porém várias doenças além das cardiovasculares acometem os idosos, e oestudo realizado na USF em Marília, demonstrou várias outras classes demedicamentos que os idosos administram através do uso contínuo. Os anti-hipertensivos lideraram com 20,4%, seguido dos diuréticos com9,7%. Dentre os idosos participantes do estudo, 4,9% se medicavam com insulina eagentes antidiabéticos, 4,4% com antidepressivos, 3,4% com antissecretores, 0,6%com antiparkinsonianos, 19,9 se medicavam com outras classes de medicamentospara doenças crônicas. Esses valores se diferem ao do presente estudo, o dado semelhante é aprevalência do uso de anti-hipertensivos pelos idosos, já que a hipertensão acometegrande parte da população idosa.
  51. 51. 50 Figura 11 - Uso de medicamentos em doenças crônicas (n=100) 26% Sim Não 74% Fonte: Elaboração própria. Figura 12 - Classes dos medicamentos utilizados no tratamento das doenças crônicas (n=100) 24% Antihipertensivos Hipoglicemiantes orais 48% Insulina 6% Antidepressivos 2% Antiparkisonianos 8% 11% Antissecretores 1% Outros Fonte: Elaboração própria. A automedicação tem sido objetivo de muitas pesquisas e assume umaimportância maior quando é realizada por idosos, pois geralmente representam umgrupo polimedicado.
  52. 52. 51 A Figura 13 mostra dados alarmantes, pois 60% dos entrevistados relatarampossuir hábitos de automediação, o que pode levar vários riscos a saúde. Dosdemais 37% não se automedicam e 3% afirmaram se automedicar às vezes. Os resultados deste estudo se assemelham ao estudo que foi realizado paraavaliar a automedicação em idosos participantes de grupos da terceira idadelocalizados em uma cidade do sul do Brasil. Segundo Cascaes; Falchetti; Galato (2008) o estudo no sul do Brasil foibaseado em entrevistas com idosos participantes de grupos da terceira idade, sendosolicitados além de dados do perfil, informações sobre os problemas de saúde,medicamentos prescritos, prática da automedicação e as alternativas utilizadas namesma. Dos 77 idosos entrevistados, 87% foram mulheres, com idade média de69,9 anos, viúvos (51,9%) e com baixo grau de instrução. Estes possuíam diversosproblemas de saúde (3,5) e utilizavam em média 4,1 medicamentos. A Figura 14 mostra que 40% se automedicam com analgésicos, 34% comantipiréticos, 12% antiinflamatórios, 6% antibióticos, 6% usavam outras classes demedicamentos e apenas 2% utilizavam anti-histamínicos. O uso indiscriminado de analgésicos é hábito não somente dos idosos, mastambém de grande parte das pessoas com outra faixa etária, o que também podeser constatado no estudo em idosos participantes de grupos da terceira idadelocalizados em uma cidade do sul do Brasil. A maioria (80,5%) se automedicava, em especial com medicamentos devenda livre (analgésicos) e por plantas medicinais. Sendo estas alternativasadotadas principalmente pela praticidade e pelo fato dos problemas de saúde serconsiderados simples. A influência descrita pelos idosos para esta prática éprincipalmente exercida pelos amigos, vizinhos e familiares (55,9%). Não foiobservado associação entre o perfil dos idosos e a automedicação. Os idososmesmo sendo uma população polimedicada realizam a automedicação sem aorientação de profissionais da saúde, adotando principalmente plantas medicinais emedicamentos de venda livre por considerarem mais prático para o manejo dosproblemas de saúde que identificam como simples (CASCAES; FALCHETTI;GALATO, 2008).
  53. 53. 52 Figura 13 – Automedicação (n=100) 3% 37% Sim Não As vezes 60% Fonte: Elaboração própria. Figura 14 - Classe dos medicamentos utilizados na automedicação (n=100) 2% 6% 12% 34% Antipiréticos 6% Analgésicos Antibióticos Antiinflamatórios 40% Anti histamínicos outros Fonte: Elaboração própria. A Figura 15 mostra que 67% não desistem do tratamento medicamentosopor sentirem algum efeito adverso e 33% dos entrevistados interromperam otratamento medicamentoso devido aos efeitos adversos. Isso é um dadosignificativo, pois nem sempre as pessoas que interrompem o tratamento buscamoutro tipo de medicamento, o que pode levar ao agravamento da patologia.
  54. 54. 53 Figura 15 - Desistência de uso do medicamento por apresentar efeitos adversos (n=100) 33% Sim Não 67% Fonte: Elaboração própria. Um problema enfrentado por muitos idosos é a confusão com asembalagens de medicamentos durante o uso, pois a grande maioria utiliza mais deum medicamento. A deficiência visual dificulta a leitura das bulas, receitas, rótulos, hámedicamentos que apresentam embalagens semelhantes. A perda da discriminaçãocorreta das cores pode levar a erros de administração (SÃO PAULO, 2003). No entanto, a maioria, 86% dos entrevistados afirmam nunca ter seconfundido, apenas 11% relataram já ter se confundido e 3% às vezes seconfundem com embalagens de medicamentos (Figura 16).
  55. 55. 54 Figura 16 - Embalagens de medicamentos (n=100) 3% 11% Sim Não As vezes 86% Fonte: Elaboração própria. Foi questionado aos entrevistados, locais onde ocorre o armazenamento dosmedicamentos em casa. Uma pesquisa com idosos inseridos em dois projetos para idosos no Rio deJaneiro, Universitário e municipal, demonstrou que foram encontrados nas visitas,medicamentos acondicionados com perfumes, talcos, abertos em cima degeladeiras, em caixas de sapatos e também guardados em gavetas fechadas semventilação. Além desses locais, outro local preferido para manter os medicamentos éna cozinha e geralmente perto de fogões (SILVA et al., 2002). O que se assemelha com os dados mostrados na Figura 17, onde 52% dosentrevistados armazenam seus medicamentos na cozinha, 43% no quarto, 4% emoutros locais da casa e 1% no banheiro.
  56. 56. 55 Figura 17 - Local de armazenamento dos medicamentos (n=100) 4% Cozinha Banheiros 43% 52% Quarto Outros 1% Fonte: Elaboração própria. Sobre o tabagismo e alcoolismo, 72% dos idosos não fazem uso denenhuma das substâncias relacionadas, 17% fazem uso de cigarro, somente 10%consomem bebida alcoólica, e apenas 1% dos idosos fazem uso de ambos (Figura18). Estes resultados se diferem aos encontrados no estudo realizado junto àpopulação do ambulatório do Núcleo de Atenção ao Idoso (NAI) da UniversidadeAberta da Terceira Idade (UNATI), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro(UERJ). Apenas dez entrevistados são fumantes, cerca de 6% do total, semdiferença significativa entre os sexos. Quanto à ingestão de bebidas alcoólicas,verifica-se uma freqüência maior entre o sexo masculino, mais da metade respondeupositivamente à pergunta se tem o hábito de beber, contra apenas 1/4 do sexofeminino. Na pesquisa 31% fazem uso de bebida alcoólica e 69% não fazem uso(SAYD; FIGUEIREDO; VAENA, 2000). A diferença da porcentagem de idosos que fazem uso de álcool e tabaco ésignificativamente relevante entre os estudos, uma vez que o consumo de álcool émaior entre os idosos do NAI, e o consumo de tabaco é maior entre os idososentrevistados nas unidades de saúde do município de Fernandópolis.

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