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"dormem" no emprego, muitas denunciam não terhora para acabar de trabalhar, quando não sofremagressões do patrão ou filhos...
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Estudos da Mulher, Fundação Carlos Chagas, 1988,pp. 40-41.     [ Links ]5. Palavras de professora negra, ao concordar empa...
17. Op. cit. nota 4, p. 24.18. Op. cit. nota 4, p. 42.19. CARNEIRO, Sueli. "A organização nacional dasmulheres negras e as...
requires combativeness, introspection, positive selfimage, as well as a critical stance towards socialrelations while putt...
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"Chegou a hora de darmos a luz a nós mesmas" - Situando-nos enquanto mulheres e negras

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  1. 1. "Chegou a hora de darmos a luz anós mesmas" - Situando-nosenquanto mulheres e negrasPetronilha Beatriz Gonçalves e Silva**RESUMO: O artigo, ao analisar manifestações demulheres negras, busca entender como seconstituem cidadãs numa sociedade que discriminaseu grupo e etnia. À indagação sobre o que significaser mulher e negra, formulada a mulheres militantesdo Movimento Negro nos estados do sul do país,mostrou que o configurar-se como mulheres negrasimplica enfrentar atitudes e posturas discriminatórias,além de exigir combatividade, introspecção, auto-imagem positiva, crítica a relações sociais epropostas para transformá-las. Buscando elucidar suapresença na sociedade, o estudo mostra que lutampara superar a invisibilidade conferida aosdescendentes de africanos, bem como para ter suasnecessidades atendidas por políticas públicas queresolvam os problemas que os afligem e suprimam asopressões que lhes são impingidas. Assim, lutam porjustiça para todos que são marginalizados pelasociedade. O artigo conclui com a afirmativa de queas fontes mais genuínas de conhecimento sobre asmulheres negras são elas mesmas, sendo necessárioque estudos que as tomem por temática, consideremseus pontos de vista de mulheres e negras.Palavras-chave: Mulheres negras, relações raciais ede gênero, educação, desvantagens, políticaspúblicasEste texto focaliza manifestações de mulheres negrasa respeito de vivências suas que situam as dimensõesdo constituirem-se cidadãs numa sociedade quediscrimina o grupo de gênero e o de raça/etnia queas inclui. Temos aqui, seguindo encaminhamentos
  2. 2. propostos por Collins1 e por Christian,2 como centrodas análises, a experiência de ser mulher e negra.Melhor dizendo, o propósito deste trabalho é o decompreender, a partir de seu ponto de vista asrelações que as mulheres negras vivem na sociedade,entre si, com mulheres não-negras, e com homensnegros e não-negros.Também é intenção fortalecer o entendimento de quenós, mulheres, não somos apenas fonte deconhecimento sobre nossa condição; muito mais:somos agentes de conhecimento. Por isso elegi, comomeio para atingir o objetivo do trabalho, palavras demulheres negras, quer tenham sido registradasdurante coleta sistemática de dados, ouvidas aqui eali, em palestras, no decorrer de conversasprolongadas ou casuais, na expressão de desabafos,contrariedades, dor, satisfação, alegria, quer tenhamsido lidas em textos. Estes atos de fala, sobretudocomo mirada que nós mulheres dirigimos para nossaprópria experiência, falando sobre o já vivido, oexperimentado agora, o que planejamos vir a sersão, assinala Ama,3 a expressão do movimento feitono sentido de deixarmos de ser objeto para sermossujeito, para nos constituirmos em vozes libertadas.Falar, para as mulheres negras, se constitui, pois,num ato de destruição gradativa da identidadeimposta pela sociedade racista e machista, bem comonum gesto decisivo de rompimento com o que asoprime enquanto seres humanos. Por isso, deixam"os brancos e os homens negros assustados", quandofalam; por isso são "olhadas com indiferença","postas de lado".4A fala dessas mulheres, de um modo geral, longeestá de ser um discurso individual e em busca debenefícios e reconhecimento meramente pessoais.Sobretudo entre aquelas que militam em prol dacausa negra, essa fala significa estarem atentas adiscriminações que possam sofrer seja "lá quem for,mulher ou homem, negro ou não, deficiente, gordo,velho, homossexual, pobre, analfabeto".5 Se"colocamos a mão no arado da luta contra toda formade discriminação... não podemos voltar atrás".6Partindo do que a vida ensina, vamos ajeitando nossomodo de ser, de atuar na sociedade, vencendo
  3. 3. estágios de alienação e concretizando lutassilenciosas ou abertas, formando-nos cidadãs. É estaa maneira como interpreto a exortação de Eliad,adotada como título deste artigo7 e que foi, em parte,assim traduzida, por outra mulher: "somos mulheres,somos negras e queremos descobrir mais sobre nósmesmas, sobre as outras mulheres..."8 O que conduz,antes de mais nada, à indagação sobre o quesignifica ser mulher e negra.O que é ser mulher negra, hoje?Esta pergunta, formulada a mulheres militantes,lideranças ou não, do Movimento Negro nos estadosdo sul do país obteve respostas que indicam oconfigurar-se como mulheres negras implicando fazerface permanentemente a atitudes e posturasdiscriminatórias, além de exigir combatividade,introspecção, auto-imagem positiva, bem comocrítica a relações sociais e propostas paratransformá-las.9Eis falas que expressam enfrentamento constante dediscriminações: Ser mulher negra significa"não viver e agüentar discriminação todos os dias";"engolir duro para não chorar em público,especialmente sendo pobre"; "ser discriminada pelosexo e pela cor", "pelo homem negro e pelosbrancos"; "ser oprimida... colocada em lugar desubmissão"; "ter dificuldade em arrumar emprego";"ser explorada pela mulher branca que não paga omínimo para a empregada doméstica"; "não serreconhecida pela sua capacidade intelectual"; "serolhada com indiferença"; "ser vista como `mulatapara ser exibida"; ter que mostrar que é igual aosoutros".Vejamos expressões que ilustram a combatividade: Amulher negra é"guerreira"; "vive lutando, minuto a minuto, paramudar o estado das coisas"; "exige o seu espaço";"luta contra tudo e contra todos, por um lugar aosol"; "luta para mudar alguma coisa"; "tem que teruma força incrível para vencer todos os obstáculos,
  4. 4. sobretudo se é viúva, sozinha"; "enfrenta barrapesada, uns apoiam outros não"; "deixa os brancos eo homens assustados, porque fala"; "temposicionamentos firmes"; "influi através dedenúncias"; "discute, em todas as formas deorganização civil, a problemática racial"; "luta contrao racismo"; "trabalha para ser sujeito no processohistórico"; "tem consciência de seus direitos políticos,profissionais, emocionais/sexuais".A introspecção, muitas vezes confundida comtimidez, atitude submissa, medo de se expor eincapacidade de se expressar, é entendida pelasmulheres negras como necessidade de "refletir muitoantes de agir". A auto-imagem positiva estárepresentada pelas afirmativas de que ser mulhernegra implica "gostar da sua figura", "acreditar em siprópria"; "não se sentir inferior, apesar daspressões"; "não abaixar a cabeça, empinar o nariz,gostem ou não gostem"; "dizer o que pensa";"assumir posições mesmo que pareça desaforada". Acrítica às relações sociais e às propostas paratransformá-las exige das mulheres negras:"ter consciência e abraçar a questão do negro";"perceber o tipo de democracia existente"; "romperbarreiras e relacionamentos"; "despertar fé, fazercom que as pessoas acreditem no ser humano";"valorizar outros negros, conscientizá-los de suaimportância, orientá-los para que mudem"; "realizaratividades que resgatem a cultura negra"; "despertara consciência da sociedade"; trabalhar as diferençassem desigualdades".Dessas palavras de mulheres negras de diferentesclasses sociais, escolaridade e atividades profissionaisse depreende que a participação das mulheres negrasdemanda expressão dos sofrimentos, reivindicações,anseios e metas do seu grupo racial/étnico.Da invisibilidade ao reconhecimentoSuperar "a invisibilidade" conferida aos descendentesde africanos "nas diferentes esferas da vida nacional"bem como "a displicência com que a cor tem sidotratada" nas estatísticas e nos estudos oficiais em
  5. 5. geral, conforme propuseram-se Carneiro e Santos10em trabalho pioneiro sobre as mulheres negrasbrasileiras, continua sendo, mais de dez anos depois,objetivo a ser cumprido. Quanto a isso, ilustrativassão a indignação e a decepção de uma aluna dahabilitação magistério, no estado de São Paulo, aocriticar palestras feitas em sua escola a respeito defracasso escolar:É estranho, todo mundo sabe... mas parece que osprofessores não enxergam... só quando é parareclamar, é claro: as crianças negras saem da escolamuito cedo, muitas mal vencem as primeiras séries.Pois é, as estatísticas que nos mostraram e o que ospalestrantes disseram faz pensar que não temdiferença de negro pra branco no Brasil. O pior é quequando comentei com minhas colegas, disseram queeu era negra racista. O pior ainda é que perguntei aum professor de geografia se no censo os dados nãolevavam em conta a cor das pessoas, ele respondeuque sim. Então, por que os palestrantes nãomostraram?!Desnecessário tecer considerações a respeito dadiscriminação que sofre a população negra, emparticular a mulher, ao ser-lhe negada a possibilidadede realizar estudos e ao ser afastada dos bancosescolares, seja por necessidade de trabalhar paraauxiliar no sustento da família, seja por verdesconsiderado seu modo de ser, viver, a cor da suapele, a cultura de seu grupo étnico. Entretanto, aexperiência de Lígia, aluna de escola de 1º grau nacidade de São Carlos,11 mostra o quanto ainda éimprescindível repetir e comprovar taisconsiderações:...não levando para o lado pessoal, aqui há umincentivo ao preconceito, e é bem aberto, dá praperceber, até professores incentivam e maltratampessoas negras. Infelizmente essa é a realidade. Nacabeça das pessoas brancas (existem exceções) onegro continuará escravo, para servi-lo até o fim dostempos. Na minha classe o preconceito não é sóracial, existe preconceito até entre eles mesmos(dependendo da escola que cada um veio).A situação de desvantagem da população negradiante da oferta de educação escolar é de tal modo
  6. 6. gritante que os dados estatísticos de que dispomos,embora escassos e não suficientementediscriminados, por si sós fazem a denúncia. Éimportante destacar que, durante boa parte desteséculo, ofertas de educação destinadas a meninasnegras, órfãs ou de famílias não podendo tê-las nacasa familiar estavam em orfanatos (para estas,internatos), locais criados para educar futurasempregadas domésticas e, na melhor das hipóteses,costureiras12 Algumas delas transformadas em "filhasde criação", isto é, babás, copeiras, cozinheiras emcasa de famílias abastadas, recebiam parcaremuneração, e era-lhes, às vezes, proporcionadaalguma instrução escolar.Mostram os dois últimos censos, com algumamelhora neste último, que grande parte das mulheresnegras com dez anos ou mais de idade não atingequatro anos de estudos; muito poucas chegam afreqüentar o ensino superior e entre estassignificativo número busca diploma de licenciatura,encaminhando-se para o magistério como profissão.Esse fato, no entanto, não garante que nas escolasem que estejam presentes a problemática enfrentadapelos descendentes de africanos no Brasil seja dealguma forma tratada.Talvez por não serem muitas e por não se sentiremencorajadas, nem todas assumem, ou o fazem commuita dificuldade, uma atitude aberta de combate aoracismo e às discriminações como escolha ideológicae pedagógica.13O desafio de construir uma auto-imagem positiva damulher negra em uma sociedade que a exclui ediscrimina é uma marca do processo de construçãoda identidade racial das professoras. Tarefa difícilmas não impossível. Tarefa que não apaga a força ea dignidade dessas mulheres.Esse processo desafiador e conflituoso nos revela queas professoras, de um modo geral, encontram-sedespreparadas para lidar com a questão racial naescola. A opção é pelo silêncio e pelo ocultamento.No caso da professora negra, somam-se aodespreparo a dificuldade e o desafio que estetrabalho representa, pois a remete à sua própria
  7. 7. história de vida e às marcas deixadas pelasexperiências com racismo e discriminação.14A "fragmentação da identidade racial" sublinhada porCarneiro e Santos15 ao analisarem as relações damulher negra com a população branca e com homensnegros parece ser menos corrosiva e causar menosmales entre professoras do que em outras profissõesem que as negras são menos numerosas, como, porexemplo, nas áreas de medicina, engenharia eministério religioso. É o que indicam experiênciaspedagógicas no sentido de combate ao racismo, sejaem nível de sala de aula, de formação continuada deprofessores ou de elaboração de leis municipais,lideradas por professoras negras ou por elasconduzidas isoladamente16. Salienta-se, entretanto,que embora encabeçadas em sua maioria pormulheres negras, tais propostas não têm dado aindaa ênfase necessária à problemática que aflige todasas mulheres deste grupo étnico-racial.Se na escola se tomasse conhecimento e seanalisasse as discriminações sofridas por todas asmulheres, em particular as mulheres negras,estariam sendo combatidas injustiças e haveriapossibilidade de construir novas relações entregrupos sociais distintos. Assim, a abordagem de taisquestões ensinaria serem inúmeras as mulheresnegras que são arrimo de família, ou que participamdecisivamente de sua manutenção. Mostraria quemuitas vivem nas periferias das regiõesmetropolitanas, em casebres ou malocas que nãorecebem serviços de saneamento, nem de água, luz eraramente contam com serviços de saúde eescassamente de educação para crianças ou jovens,muito menos para adultos. Mostraria também que aoferta de tais serviços, muitas vezes, passa a existirdiante de pressões e reivindicações que têm à frentemulheres, entre elas as negras.Saberíamos todos que de um modo geral as mulheresnegras, nas zonas urbanas, desempenham atividadesremuneradas na prestação de serviços domésticos oude faxina e limpeza. Tomaríamos conhecimento deque aquelas com o 1º grau costumam encontraremprego como operárias, comerciárias, atendentesem hospitais. E de que entre as que completaram o2º grau, a grande maioria é composta por
  8. 8. professoras em escolas do ensino fundamental;seguidas por auxiliares de escritório, bancárias,supervisoras de produção, e bem mais raramenteprofissões como técnica-eletricista, torneira-mecânicae tipógrafa.Se tais questões fossem tratadas na escola, aquelesque por ela passassem teriam conhecimento de quenas zonas rurais, as mulheres negras, não diferentede outras mulheres, exercem atividades na lavourafamiliar ou nas fazendas, nas estâncias, nasempresas rurais, onde realizam atividades ligadas àprodução ou tarefas como empregadas domésticas.Sendo as discriminações vividas pelas mulheresobjeto de discussão nas escolas, como esconder queas condições de trabalho e os salários oferecidos àsmulheres negras, em muitas situações, são inferioresaos proporcionados às brancas, segundo indicamdados dos censos, embora tenham a mesmaescolaridade, a mesma experiência, o mesmotreinamento e desempenhem as mesmas funções?Seriam desnecessárias pesquisas para mostrar que ajornada de trabalho da mulher negra dura de oitohoras até "dia e noite, enquanto as forças permitam";e que, conforme a atividade desenvolvida, o vínculoempregatício e o apoio com que possa contar para otrabalho doméstico, sua jornada é qualificada, porelas próprias, "quase sempre como duríssima,estafante, pesada, cansativa, com poucos frutos e,na melhor das hipóteses, razoável".17Ficaria mais difícil desrespeitar as trabalhadoras,especialmente as negras, cuja vida de trabalhadoramuitas vezes é iniciada precocemente, em muitoscasos ainda durante a primeira infância, e que para amaioria "é péssima, muito difícil quanto àremuneração, agitada, de muita preocupação", sejamelas empregadas, trabalhem como autônomas ou porconta própria,18 sendo que quase unicamente asportadoras de diploma de curso superior dizemencontrar satisfação e realização pessoal no trabalho,mesmo que sejam obrigadas a duplo ou triploemprego como as professoras.Quão surpresos não ficariam todos ao aprender quenem sempre são os homens os que mais discriminam
  9. 9. as mulheres negras, que "às vezes as mulherestomam posições assustadoras em relação a outrasmulheres!" E será que causaria impacto a afirmativasegura de uma empregada doméstica branca, a umapesquisadora do mesmo grupo racial, ao ser-lhe feitapergunta sobre seu relacionamento com colegasnegras? Eis a resposta:Eu só sei dizer que não trato igual uma negra comouma branca... Não tenho colegas pretas, só vizinhos,são todos muito bons, mas para conviver não dá. Jánão me dou igual como com um branco... Nas casasque já trabalhei, vi que quando chegava uma negraela não era tratada igual que eu... Às vezes apareciaalguma procurando emprego onde eu trabalhava defaxina, mas nunca conseguiram o emprego.Não haveria espanto diante da explicitação do fatoamplamente conhecido na sociedade de que oshomens brancos procuram desvalorizar acompetência da mulher negra, procurando "seduzi-la,em nome do exotismo sexual" que lhe seria próprio.Assim como não espantaria a atitude igualmentemachista dos homens negros procurando ignorar apresença da profissional mulher negra, até mesmodiscriminando-a seja aberta, seja camufladamente.Seria uma boa lição para os docentes das habilitaçõespara o magistério darem-se conta de que asprofessoras negras têm manejado com mais prestezae força, muitas vezes interpretada comoagressividade, do que mulheres negras em outrasprofissões e tarefas, as situações de discriminaçãoracial que sofrem no local de trabalho, reagindocriticamente. E seriam instados a comprometer-secom a questão, ao constatarem que se algumas sãotão combativas, outras se desajustam, nãoconseguindo enfrentar o problema como o faz umadas batalhadoras: "Tu tens que enfrentar e batalhar,mostrar que tu tens os mesmos direitos, que podesocupar as mesmas posições do que as outrascolegas."Se realmente as instituições de ensino estivessemempenhadas em combater as tensas relações raciaisque caracterizam o dia-a-dia dos brasileiros,tomariam cuidado de, em profissões em quemulheres são raridade, mormente as negras,
  10. 10. prepará-las para enfrentar as pressões futuras quechegam a ser de tal sorte, a ponto de comprometer asaúde mental, ou de levar ao abandono da carreirana qual investiram muitos anos de estudo. Naformulação dos currículos, o desabafo desta mãeseria considerado:É duro, a minha filha é engenheira civil... Tantoesforço de todo mundo... mas infelizmente ela não foiforte para não ligar quando apontavam a "negrona, atição"... acho que não foram tanto os colegas, mastambém foram... o pior ela achava eram os peões:mulher querendo fazer trabalho de homem erademais, além disso negra! O caso é que hoje ela édona de casa e faz pão para vender. Tem sentidouma coisa destas? Mas como diz meu marido: - Émelhor uma filha padeira sã do que uma engenheirano hospital.A preocupação dos currículos dos diferentes graus deensino em combater o racismo e as discriminaçõeslevaria à constatação de maneiras mais ou menosdelicadas e conscientes e de se relacionar com osnegros preconceituosamente. E depoimentos como osque seguem seriam, atentamente levados em conta.Vejamos as palavras de uma negra, advogada: "Tutens que ser muito competente no teu trabalho,então te respeitam, muitas vezes querem te usar,fazendo trabalhar pra eles e elas; mas o convívio nãoadmitem, visitar, sair junto pra uma diversão." E deoutra, faxineira: "Elas, as brancas, são deitadas, setu não te cuidas, o serviço delas acaba sobrando pragente."Em todos os níveis de ensino seriam analisadas ascondições de trabalho e se engajariam, todos, nabusca de formas de corrigir situações, como a dosbaixos salários, que obrigam mulheres, sobretudonegras, independentemente do nível de preparo, abuscar um segundo emprego, a se dedicar àprodução de objetos, de alimentos para vender, aenfrentar a prostituição. Seriam denunciadas equestionadas situações como a das empregadasdomésticas, quase todas negras, que além dereceberem muito freqüentemente baixos salários, àsvezes complementados com alimentação e algumasroupas, fazem face a diversas formas de exploraçãoe/ou dificuldades. Por exemplo, entre as que
  11. 11. "dormem" no emprego, muitas denunciam não terhora para acabar de trabalhar, quando não sofremagressões do patrão ou filhos da casa; entre as que"não dormem", boa parte necessita levantar ainda demadrugada para chegar cedo ao emprego, poisresidem em locais distantes, além de ter de deixaralmoço preparado para os próprios filhos; as quetrabalham por dia nem sempre recebem comopagamento o que cobraram, mas o que a patroa querpagar; faxineiras se queixam de ter de providenciar opróprio almoço, não tendo, entretanto, liberdade paraaquecê-lo.E, neste quadro, verificar-se-ia que grande parte dasmulheres negras aprende a trabalhar ou aprende umofício com a mãe, uma parente, uma vizinha, assimcomo com as patroas. Não com muita freqüência,paralelamente ao ensino regular (ou em conjuntocom ele), são-lhes oferecidas oportunidades decursos para aprendizagem e qualificação profissional.Verificar-se-ia, ainda, que o preparo requerido paraexercer profissões e assumir funções não garante àmulher negra oportunidade de emprego, visto ser,com certa regularidade, preterida diante de umaconcorrente de cor branca, mesmo com menorqualificação, sob "o pretexto de não ter boaaparência", isto é, de ser negra.Seria verificado também que a maioria dastrabalhadoras mães e negras vive em vilas dachamada periferia urbana, onde são poucas asinstituições para deixar seus filhos durante a jornadade trabalho, devendo valer-se da ajuda de algumaparente ou vizinha, ou do trabalho de mulheres que,mediante pagamento mensal, tomam conta dealgumas crianças em sua própria casa. Em muitoscasos, sendo as crianças já crescidas, tomam contadelas próprias e dos irmãos menores, enquanto amãe trabalha para garantir sua sobrevivênciabiológica, comprometendo às vezes seudesenvolvimento emocional.Diante de tudo isso, é de se perguntar como pode agrande maioria das mulheres negras no Brasil sersadia. A tendência manifesta entre elas à pressãoalta tem causa na constituição biológica, em hábitosnutricionais ou no racismo e no machismo quedeterminam as relações entre as pessoas? Como não
  12. 12. ter a saúde afetada, tendo em vista o estado depauperização em que vivem, a precariedade dasmoradias e as condições de higiene dos bairros onderesidem? Até quando a falta de informação e apoio àmulher pobre, na sua maioria negra, para decidir econtrolar o número de filhos levará à prática doaborto, nas piores condições de higiene e segurançae a custo muitas vezes da vida?E, finalmente, se currículos escolares levaremprofessores e alunos a deparar com as amargascircunstâncias de vida das mulheres negras,permitirão que conheçam formas de organizaçãodessas mulheres.19 Então estarão sendo conhecidas elembradas desde a liderança de Luiza de Nahim, narevolta dos malês; a de Felipa, chefiando quilombona Amazônia; a de Tia Ciata, no Rio de Janeiro,proporcionando apoio a artistas, como mãe-de-santoe descendente de africanos, o que resultou na criaçãodo samba; e de outras tantas mães-de-santo, comoMãe Menininha do Gantois, que corajosamenteenfrentaram investidas no sentido de extermínio dasreligiões de raiz africana. Será destacado o papel dasquituteiras nas lutas abolicionistas; o de todas asmulheres negras, no pós-abolição, para amanutenção física e psicológica da população negra;o das mulheres de hoje, nos grupos e associações deinteresse mútuo e de classe, nas organizaçõespopulares, em grupos do Movimento Negro e deorganização de mulheres, inclusive de mulheresnegras.É claro que não há ingenuidade em propor que todaessa experiência de vida, calcada na violência, seobjeto de estudos na escola, provocará consciênciada sociedade e melhoria de vida para as mulheres, asnegras em particular. Há, sim, a esperança de que seprofessores e estudantes, em todos os níveis deensino, dedicarem-se ao estudo dos sérios problemassociais em nosso país nesse trabalho centralizado namulher negra, serão preparados cidadãos aptos aconstruir uma sociedade justa para todos. Sobretudose formos a fundo na contribuição que cada um denós, com seus grupos de raça/etnia, vimos dandopara a construção da nação brasileira, buscandoentender como nossos grupos foram e vão recriando-se nas relações de uns com os outros, mostrando oquanto aprendemos uns com os outros. Em outras
  13. 13. palavras, a superação da invisibilidade dos gruposmarginalizados pela sociedade, entre eles asmulheres negras, e o reconhecimento de seu papelde cidadãos serão valorizados e reconhecidos atravésda educação de todos os brasileiros, inclusive daoferecida pelas escolas.Elucidando nossa presençaQueremos nos fazer ver e conhecer tal qual somos epara que isso aconteça o mais desprovidamentepossível de preconceitos são necessárias muitasiniciativas, desde fazer conhecer nossa história, aténos sentirmos representadas nas estatísticas.Queremos que nossas necessidades sejam atendidaspor políticas públicas que busquem resolver osproblemas que nos afligem, suprimir as opressõesque nos são impingidas.E para tanto fazem-se necessários estudos sobre ascondições de vida biológia e psicológica das mulheresnegras, tanto nos bairros das periferias urbanas comonos de classe média, aí presentes como integrantesdesta classe social ou como trabalhadoras para estaclasse. Para contar com tais dados, necessitamos daparticipação de prefeituras municipais, conselhos dacondição feminina, delegacias da mulher, secretariasde educação, trabalho, saúde, instituições de ensinosuperior e escolas de todos os graus de ensino,especialmente as freqüentadas por significativonúmero de estudantes negros.Há muitos aspectos das situações enfrentadas pelasmulheres negras que precisam ser explicitados.Nossa proposta, que evidentemente não é exaustiva,aponta necessidades fundamentais de coleta dedados para formulação de políticas públicascoerentes. Desnecessário se faz insistir que os dadose informações colhidos deverão sempre possibilitar oconfronto entre as variáveis: cor, ou melhor,descendência étnica/racial, sexo, faixa etária,situação do domicílio - rural, urbano, e, se urbano,periferia, não-periferia. A ambigüidade do termoperiferia, bem como a localização de agrupamentoscom características de periferia nos centros das
  14. 14. cidades, exige discussão cuidadosa e explicitação dosentido do termo conforme os levantamentos.Assim, os dados gerais sobre população, além dosquesitos já apontados, deverão ser discriminados porcredo religioso, sendo incluídas todas asdenominações, portanto também as afro-brasileirasàs quais pertencem significativo número dapopulação negra, assim como a muçulmana, abudista e outras tantas quantas houver.Tendo em vista necessidades da população negra, emespecial das mulheres, tais dados gerais precisam sercoletados, incluindo tipos de habitação utilizados,área total ocupada por número de habitantes, bemcomo meios de transporte disponíveis no bairro,freqüência de atendimento e distâncias médias entrehabitação e trabalho.Relativamente à educação será importante conhecerda população escolarizada: quantos são atendidos emclasses, serviços especiais, especificando, quando foro caso, os tipos de deficiência; a matrícula de alunosnovos e repetentes; o número de alunos aprovados ereprovados ao final do ano; de alunos transferidos eevadidos; de alunos concluintes de grau de ensino;de alunos que trabalham por tipo de atividadeexercida, aprovação e reprovação ao final do ano; dealunos que trabalham e número de anos de estudosaté a conclusão do grau de ensino. Ainda sobre oensino regular, deverão ser coletados dados arespeito do corpo docente, discriminando formação,carga horária, número de professores removidosdurante o ano. Quanto aos estabelecimento deensino, haverá interesse em conhecer o tipo demantenedora, a área física a as condições dosprédios, estado de conservação das instalações;metro quadrado por aluno em sala de aula; tipos desalas especiais; recursos didáticos. Os mesmosquesitos deverão ser considerados para o ensinosupletivo.Será também importante dispor de dados sobrematrícula, abandono e conclusões ou níveis/tipos deaprendizagens conseguidos, em estabelecimentosque oferecem cursos de qualificação eprofissionalização, em instituições que cuidam daformação de deficientes, assim como em albergues e
  15. 15. outras instituições de programas destinados ameninas/meninos de rua, por tempo de permanênciana instituição.Imprescindível será conhecer a população de zero aseis anos atendida em creches e estabelecimentos deeducação infantil e outros, por entidademantenedora, número de crianças atendidas,funcionários, segundo a formação; relaçãoatendentes/crianças; condições dos prédios einstalações; metro quadrado por criança; tipos deatendimentos oferecidos.No que diz respeito ao mercado de trabalho, serãonecessários dados sobre mulheres economicamenteativas, por número de filhos e faixa etária destes;população desempregada; população por número deempregos já ocupados; população por tipo deatividade, por exemplo, serviços domésticos esimilares, construção civil; população em atividadeinsalubre, por tipo de insalubridade; populaçãotrabalhando no setor informal da economia, por tipode atividade, por exemplo: biscateiro, artesão,prostituta; empregados em serviços domésticos esimilares, na construção civil.Tendo em vista a oferta dos serviços de saúde,interessará conhecer a localização de hospitais epostos de saúde, e respectivas instituiçõesmantenedoras; a relação população/ofertas deatendimento de saúde; pessoas atendidas, por tipode atendimento e causa; população por tipo dedoenças de que é acometida, por recursos que buscapara tratar doenças; tipos de medicamentos emezinhas mais usados, por causa do uso;planejamento familiar: mulheres que usamanticoncepcionais e outros recursos para evitar ou selivrar da concepção.Situações de violência agridem física e/oupsicologicamente, causando danos à saúde e aoequilíbrio emocional; portanto, os registros deatendimentos médico e hospitalar, bem como dedenúcias em delegacias policiais e outras instituiçõesprecisam conter informações, pelo menos, sobretipos de agressão e causas.
  16. 16. Como se pode ver, a obtenção de dados requererámais do que levantamentos estatísticos. Muitas vezesexigirá entrevistas e observações do modo de vidadas pessoas, principalmente quando os dadosbuscados forem relativos à saúde e à violência. Anão-disponibilidade de informações para oatendimento de necessidades prementes demandaaos órgãos responsáveis a definição, execução eavaliação de políticas e consulta às mulheres dascomunidades a serem atendidas, a fim de queprioridades possam ser definidas. Esta é aperspectiva de mulheres, como manifestam Roland eCarneiro,20 a respeito da saúde, que entendemdepender a melhoria das condições de vida "de nóspróprias mulheres negras, da nossa ação políticaorganizada, assumindo cada vez mais o controlesobre as informações..." Por isto, "a luta dasmulheres negras passa... pela exigência da coleta eanálise do quesito cor em todos os rencenseamentosoficiais, porque temos o direito de saber quantossomos e como vivemos."21Então, "saber-se negra é viver... a experiência decomprometer-se a resgatar sua história e recriar-seem suas potencialidades", buscando mudanças quecriem novas relações de poder na sociedade.Não se trata do poder representado pelo dinheiro, porinfluência, por autoridade vista como comando deuns sobre outros, pelo predomínio de valores econcepções de uma classe social, pelo atendimentoexclusivo de interesses pessoais e de classe ougrupo. Trata-se do poder que se exprime emliberdade, assumida com os grupos e classe social aque pertence, de cada um ser o que é, departicipação, de colaboração nas escolhas e decisões,de eqüidade que toma o critério da justiça para lidarcom a pluralidade, a diversidade dos grupos eclasses, de autoridade originada no diálogo erespeito, de solidariedade não confundida comtolerância, de empenho em atender a necessidadesde todos.22Mulheres negras, hoje, buscamos educar-nos para aliderança, tal como a entendem nossas raízesafricanas:23 todo o mundo deve ser líder, nãonecessariamente chefe, diretor, mas um líder nafamília, no trabalho, na comunidade, isto é uma
  17. 17. pessoa que contribui para o progresso e ofortalecimento de todos. Liderança, neste caso,implica educação escolar, acadêmica e sabedoriaedificada no convívio com as comunidades dedestino, a dos descendentes de africanos, a dasmulheres.Mulheres negras vivendo, entre nós, as tensões dosconfrontos de nossas diferenças de classe social,escolarização, faixa etária, entre outras, vivendocontraditórios sentimentos e discordâncias quanto aestratégias a adotarmos, vamos lutando por justiçapara nós, para todos os que são marginalizados pelasociedade. Não admitimos as equivocadas análisesque fazem de circunstâncias que nos são impostas,tampouco aceitamos limitadas definições do quesejam as mulheres negras. Somente nós mesmaspodemos nos definir. Somos as fontes mais genuínasde conhecimento sobre nós; exigimos que estudosque nos tomem por temática tenham comocentralidade nossos pontos de vista de mulheresnegras.Notas1. COLLINS, Patricia Hill. Black feminist thougt:Knowledge, consciousness, and politics ofempowerment. Nova York, Routledge, 1991, p. 221. [ Links ]2. CHRISTIAN, Barbara. "Diminishing returns: Canblack feminism(s) survive the academy"? In:GOLDBERG, David Theo (org). Multiculturalism: Acritical reader. Oxford-UK, Cambridge, USA, 1994,pp. 168-179, (p. citada 172). [ Links ]3. AMA, Ata Aidoo. "Ghana: To be a woman". In:KWAME, Safro (org.). Readings in Africanphilosophie; An Akan Collection. Mariland, UniversityPress of America, 1995, p. 260. [ Links ]4. SILVA, Petronilha B.G. e. A mulher negra nos anos80: Proposta para elucidação da presença ediagnóstico dos problemas da mulher negra nosestados do sul. UFRGS - Núcleo Interdisciplinar de
  18. 18. Estudos da Mulher, Fundação Carlos Chagas, 1988,pp. 40-41. [ Links ]5. Palavras de professora negra, ao concordar emparticipar de estudo sobre a situação de criançasnegras na escola onde trabalha.6. LIMA SILVA, Sílvia Regina. "Teologia negrafeminista latino-americana". In: ATABAQUE, ASSET.Teologia afro-americana. São Paulo, Paulus, 1997, p.127. [ Links ]7. A interpretação não é arbitrária, uma vez queparticipei das discussões que ensejaram a exortaçãoreferida.8. Op. cit. nota 2, p. 127.9. Op. Cit. nota 4, pp. 37-40.10. CARNEIRO, Sueli e SANTOS, Thereza. Mulhernegra. São Paulo, Nobel, Conselho Estadual daCondição Feminina, 1985, pp. 3-4. [ Links ]11. LOPES, Ademil. Escola, Socialização e Cidadania:Um estudo da criança negra numa escola pública deSão Carlos. São Carlos, EDUFSCar, 1995, p.106. [ Links ]12. SILVA, Petronilha B.G. e. Histórias de operáriosnegros. Proto Alegre, EST, Nova Dimensão, 1987, p.6 e pp. 68-80. [ Links ]13. SILVA, Petronilha B.G. e. "Quebrando o silêncio:Resistência de professoras negras ao racismo". In:SERBINO, Raquel V. e GRANDE, Maria A.L. A Escola eseus alunos: Estudos sobre a diversidade cultural.São Paulo, Ed. da UNESP, 1995, pp. 91-105. [ Links ]14. GOMES, Nilma Lino. A mulher negra que vi deperto: O processo de construção da identidade racialde professoras negras. Belo Horizonte, Maza, 1995,p. 188. [ Links ]15. Op. cit. nota 10.16. Op. cit. nota 4 e nota 13.
  19. 19. 17. Op. cit. nota 4, p. 24.18. Op. cit. nota 4, p. 42.19. CARNEIRO, Sueli. "A organização nacional dasmulheres negras e as perspectivas políticas". Revistade Cultura Vozes, nº 2. Petrópolis, mar./abr. 1990, v.84, pp. 211-219. [ Links ]20. ROLAND, Edna e CARNEIRO, Sueli. "A saúde damulher no Brasil - A perspectiva da mulher negra".Revista de Cultura Vozes, nº 2. Petrópolis, mar./abr.1990, v. 84, pp.204-210 (p. citada 210). [ Links ]21. CARNEIRO, op. cit. nota 19.22. SILVA, Petronilha B.G. e. "Vamos acertar ospassos? Referências afro-brasileiras para os sistemasde ensino". In: LIMA, Ivan C. e ROMÃO, Jeruse(org.). As idéias racistas, os negros e a educação.Florianópolis, Núcleo de Estudos Negros, 1997,pp.39-57 (pp. citadas 46-47). [ Links ]23. SILVA, P.B.G. e. "Em busca de compreensão depensamentos africanos em educação". Pretoria,1996, p. 11 (datilografado). [ Links ]"The moment has come for us to bringourselves forth" Positioning ourselves aswomen and as BlackABSTRACT: The article focuses on disclosures madeby black women in an attempt to establishdimensions of their self construction as citizens in asociety that discriminates against the gender andrace/ethnic group to which they belong.Militant women belonging to the Black Movement inthe southern states of the country were queried onthe meaning of being women and black. Theresponses highlight that self representation as blackwomen implies to permanently confrontdiscriminatory attitudes and postures. In addition, it
  20. 20. requires combativeness, introspection, positive selfimage, as well as a critical stance towards socialrelations while putting forward proposals for theirtransformation. The study points out that in search ofconstruing their presence in society, these womenstruggle to overcome the invisibility imposed on thedescendants of Africans. The women also struggle tohave the needs of this group met by social policiesthat would address the problems that afflict it andwould eliminate the oppressions that are inflictedupon it, fighting in this manner, for justice for allthose who are marginalized by society. The articleconcludes with the assertion that the most genuinesources of knowledge concerning the black womenare themselves, indicating the need for studies thataddress this theme, to have at center, the formerspoints of view as women and blacks.Cadernos Cedes, ano XIX, nº 45, Julho/98* Palavras da pastora Eliad D. Santos, durante oficinasobre "Teologia Negra Feminista Latino-Americana".In: ATABAQUE, ASSET. Teologia afro-americana; IIconsulta ecumênica de teologia e culturas afro-americana e caribenha. São Paulo, Paulus, 1997.** Docente do Departamento de Metodologia doEnsino/ UFSCar; integrante do Núcleo de EstudosAfro-brasileiros da mesma universidade; professora-visitante, junto ao Departamento de Didática deUniversity of South África, durante o primeirosemestre de 1996.

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