Ofício - manifestação ao MAPA
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Ofício - manifestação ao MAPA Ofício - manifestação ao MAPA Document Transcript

  • Ofício nº 035 - ABZ/13 Brasília, 02 de abril de 2013Protocolado no MAPA sob o número 70000.001.003/2013-79EXMº SENHOR MINISTRO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTOANTÔNIO EUSTÁQUIO ANDRADE FERREIRAESPLANADA DOS MINISTÉRIOS - BLOCO D - 9º ANDAR (GABINETE), 70.043-900, BRASÍLIA, DF.ASSUNTO: RENOVA O MANIFESTO DOS ZOOTECNISTAS BRASILEIROS SOBRE CONCURSOPÚBLICO PARA FISCAL FEDERAL AGROPECUÁRIO DO MAPA Excelentíssimo Senhor Ministro, Inicialmente apresentamos a V.Excia cordiais saudações por parte dos 25.000Zootecnistas brasileiros que por ora representamos, ao tempo que manifestamos nossoscumprimentos por sua posse como Ministro em tão importante pasta do GovernoFederativo do Brasil. Temos por outro lado, satisfação em observar que os indicadores dedesenvolvimento do agronegócio em nosso País são pujantes e, com parcela substancial deêxito devido ao excelente trabalho desempenhado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária eAbastecimento - MAPA, em consonância ao elevado esforço dos empreendedores rurais,médios e pequenos agricultores e técnicos brasileiros. Reconhecemos em V.Excia a sensibilidade e respeito às causas sociais e, sobretudo, aclarividência em discernir sobre a alocação de inteligência estratégica para implementaçãodas políticas públicas. O que nos motiva dirigir algumas palavras a V.S.ª refere-se ao conhecimento quetivemos da autorização do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão para concursoa Fiscais Federais Agropecuários para a reposição parcial da fragilizada força de trabalhodeste segmento de vital atividade nesta pasta. Adiantamos que há cerca de um ano, tivemosoportunidade em audiência com o então Secretário-Executivo, ouvir que ainda não haviasido efetuado qualquer estudo que conduzisse concretamente a uma definição do referidoconcurso. Ficamos satisfeitos em perceber à disposição do MAPA em receber contribuições epropostas que pudessem ser apreciadas pelos setores competentes. Neste sentido, vimosque o momento era oportuno para o encaminhamento de manifesto, que efetivamenteconsubstanciasse a preocupação dos Zootecnistas brasileiros, tanto no tocante aoesclarecimento necessário da legalidade que ampara sua atividade e competênciaprofissional, quanto sua missão como profissão inserida formalmente nos quadros desteMinistério para o exercício da função de Fiscal Federal Agropecuário (FFA). Não podemos deixar de inferir que esta manifestação dos Zootecnistas brasileirosfora intensamente motivada pela estranheza de perceber que um comunicado interno doMAPA no ano passado (Aviso Ministerial nº 007/GM-MAPA, de 10 de janeiro de 2012),apontava pela reposição das vagas à FFA contemplando apenas à categoria de Médico Endereço: SEPS 709/909, BLOCO "D", SALA 113, BRASÍLIA - DF, CEP: 70390-089 e-mail: abz@abz.org.br – home-page: www.abz.org.br “Proteja a natureza, economize papel”
  • Veterinário, supondo então uma séria distorção diante das necessidades que sabemos sãoinerentes a esta função ao supostamente excluir as demais categorias que dela fazem parte. Com isto posto, não temos outra alternativa senão repetir nestas linhas uma visãomais pormenorizada de aspectos relativos à Zootecnia que entendemos serem muitoimportantes para compreensão epistemológica de nossa seara e, como consequencia,vislumbrar-se definitivamente nosso potencial de contribuição para a Sociedade e para aNação através de seus órgãos governamentais. Percebemos que no tocante à Zootecnia no corpo profissional do MAPA tem sido uminsistente equívoco indicar-se a atuação dos referidos profissionais a apenas dois itenspertinentes mas, muito aquém das possibilidades inseridas na formação e na autorizaçãopara o exercício da profissão de Zootecnista. Neste sentido, tomamos a liberdade de solicitara V.Excia que se digne em revisar tais funções previstas, que certamente como se encontra,impõe uma minimalização das possibilidades de inserção do trabalho competente por partedeste grupamento profissional no âmbito de vosso importante Ministério. Outrossim, aassertiva mantida com a visão distorcida da realidade profissional dos Zootecnistas, osEXCLUI de maneira simplória dos processos de concursos seletivos a esta pasta, como podeocorrer, por exemplo, na futura contratação de FFA, oportunizando somente a outrascategorias profissionais papéis próprios de Zootecnistas. Em um breve exercício à luz da Lei 5.550/68 que regulamenta a profissão deZootecnista e da Resolução nº 04 de 02 de fevereiro de 2006 do Ministério daEducação/Conselho Nacional de Educação, que regula as Diretrizes Curriculares Nacionais naformação dos Zootecnistas, pode-se com segurança inferir que esses profissionais sãosuficientemente capazes e habilitados em realizar as tarefas inerentes ao MAPA de Inspeçãoe fiscalização dos produtos destinados à alimentação animal; Rastreabilidade naagropecuária; Análise em laboratório – ÁREAS ANIMAL E VEGETAL;Controle de resíduos econtaminantes; Fiscalização e controle da classificação de produtos animais, subprodutos eresíduos de valor econômico;Biossegurança - fiscalização e controle de atividades queenvolvem OGM – ÁREAS ANIMAL E VEGETAL; Inspeção e fiscalização da produção e docomércio de animais;Fiscalização do trânsito internacional de animais, seus produtos esubprodutos, materiais biológicos e insumos pecuários. Os dois primeiros itens são catalogados no MAPA pelos códigos ZT-050 e ZT-100como as únicas atividades que seriam plausíveis a Zootecnistas. As demais não são atribuídasa Zootecnistas, embora sejam legalmente e perfeitamente ajustadas ao nosso papel. A questão que se coloca é então que quem está definindo a função de Zootecnistasno MAPA não conhece adequadamente a atribuição profissional que podemos nosresponsabilizar. Isto é muito preocupante na medida que se transparece como um "cabo deguerra" entre profissões que compõe o quadro ministerial e que as mais hegemônicas secolocam como privilegiadas em exercerem funções mais amplas em uma clara minimalizaçãode outras categorias. Nada mais que luta corporativa insana e desleal que produz reserva demercado de trabalho indevida e ilegal. Endereço: SEPS 709/909, BLOCO "D", SALA 113, BRASÍLIA - DF, CEP: 70390-089 e-mail: abz@abz.org.br – home-page: www.abz.org.br “Proteja a natureza, economize papel”
  • Para além desta distorção do entendimento das competências referidas aosZootecnistas, que vemos com tristeza tardarem em serem solucionadas no MAPA, nossaexposição também se presta a mostrar o protesto dos Zootecnistas em outras exclusões denossa ação profissional quando da promulgação de instruções normativas (IN) do próprioMinistério. Nosso alerta às autoridades mormente ocupando função pública nas quais seposicionam como instâncias deliberadoras destas IN é que como representantes de todo umgrupamento sistematicamente alijado de seu papel, não nos furtaremos em discutir e atébloquear na justiça federal todas as proposições que firam nosso direito de exercerplenamente nossa atividade profissional na seara da Zootecnia. Neste sentido, pedimos que se revise os textos de inúmeras IN que tratam de inferirresponsabilidade técnica em sistemas de produção animal, monitoramento, certificaçãoanimal ou controle de qualidade de alimentos e insumos a esta atividade onde sequer osZootecnistas são citados, muito embora as atividades prestadas sejam de sua competênciaprofissional. Fazemos, adicionalmente, uma reflexão sistêmica do papel dos Zootecnistas em duasquestões pontuais de forma a deixar mais evidente ainda nosso significado profissional quese relaciona diretamente com a produção animal e os desafios de Governo da atualidade,particularmente relativo aos temas "bem-estar animal" e "saúde e segurança alimentar" quese constituem em motes de alta repercussão social e econômica na vida contemporânea. São nossas reflexões também abstraídas de diversos estudos sobre os temas em tela:“Nas Universidades o assunto de bem-estar animal é em geral uma questão científica e éticaproposta em termos ambíguos que suscita numerosos dilemas para Ciência e Sociedade.Hesitação e polêmica surgem em um processo decorrente da prática de julgamentos devalor à medida que conceitos relacionados ao assunto de bem-estar são formulados ecritérios de avaliação desenvolvidos. Esta situação reclama um posicionamento mais coeso edeliberativo, pró-positivo à abertura de mais linhas de pesquisas e de consolidação dasdisciplinas e conteúdos programáticos no ensino de graduação em Zootecnia voltados para oestudo do comportamento, ambiência e do bem-estar animal. Não há na Zootecnia desenvolvida como ciência e na formação profissional doZootecnista qualquer dilema ou antagonismo entre os estudos de bem-estar dos animaisúteis ao homem e a finalidade com as quais concorrem suas relações em sistemasprodutivos ou de simples criação. Muito ao contrário, os conceitos de bem-estar animal noâmbito zootécnico para além de implicar em reconhecer os aspectos éticos, humanitários ede bom senso na manutenção de animais em cativeiro ou em sistemas de produção estãointrinsecamente relacionados às condições técnicas de ambiência e de expressãocomportamental associada a indicadores zootécnicos de produção e os biológicos oubioquímicos, bem como outros desta dimensão que possam permitir a interpretação doestado de saúde dos mesmos. Repetimos, a título de deixar clara nossa missão, que a Zootecnia é a ciência que sedesigna como sustentáculo do emprego de medidas e processos de adaptação econômica do Endereço: SEPS 709/909, BLOCO "D", SALA 113, BRASÍLIA - DF, CEP: 70390-089 e-mail: abz@abz.org.br – home-page: www.abz.org.br “Proteja a natureza, economize papel”
  • animal ao sistema de produção ou criação e da modificação deste ao animal.Substantivamente, não há nas técnicas de produção a falta de atenção aos preceitos queconcorrem em elevar o animal ao seu patamar produtivo associada a sua expressãocomportamental. No atual cenário mundial, o bem-estar animal ademais da consideração social passoua ter significação econômica. A cadeia produtiva de alimentos de origem animal em nossopaís, por exemplo, muitas vezes é imposta a adequar-se às exigências dos importadoresinternacionais para evitar retração do setor de exportação de produtos de origem animalproduzidos sem os critérios de bem-estar ou de restrição no sistema de produção. Há que se refletir que a despeito de qualquer ato de subserviência indevida a umaeventual barreira comercial algumas das exigências encontram-se com alguma pertinência epodem implicar, sobremaneira, em um sólido programa de rastreabilidade e demonitoramento das condições de criação. Nesta perspectiva, tem progredido com preponderância as certificações de sistemasde produção animal baseados na regulamentação do importador com pouca ou nenhumacondição do exportador. Não fosse a necessidade de conquistas de mercados amplos e dereconhecer que há problemas éticos e ambientais a serem solucionados, principalmente noâmbito do agronegócio, que assume uma dimensão diferente da agricultura do médio epequeno produtor, seria uma relação perversa realizar a produção animal configuradaapenas para atender os caprichos de mercados importadores. Mas, esta realidade bate à porta e precisa de técnicos e de respostas rápidas paragarantia de produtos e sistemas tutelados como nas diretrizes dos países importadores. Até meados do século XX a maior parte dos países europeus (União Europeia) e osEE.UU. tinham suas próprias regras para definir o que se entendia como bem-estar animal,enquanto as regras relativas aos sistemas de produção animal em relação ao ambienteexterior eram incipientes. Alguns textos legais, por exemplo, diziam simplesmente que "épunível o abuso a animais submetidos a condições de estresse; negligenciar ou outra formade tratar os animais irresponsavelmente". Ao longo das últimas décadas, as regras de bem-estar animal foram melhordesenvolvidas em particular na comunidade europeia e tornaram-se mais específicas emrelação a cada espécie animal e aos diferentes sistemas de produção impondo tanto aospaíses membros às regulamentações comunitárias o que de alguma forma afetou e mediouo mercado de importação de produtos animais de outros países como o Brasil. Muitas vezes as imposições ou restrições de aquisição de produtos animais são naverdade "pano de fundo" para servir a uma política protecionista ou como simples barreiracomercial. Os países que não se moldarem às exigências destes mercados acabam porperder competitividade e diminuem substancialmente suas receitas de exportação. Além dascondições de bem-estar animal, os produtores terão também que ter em conta o impacto daprodução animal sobre a atmosfera, em relação às emissões de gases de efeito estufa,amoníaco, odores e ruídos. Endereço: SEPS 709/909, BLOCO "D", SALA 113, BRASÍLIA - DF, CEP: 70390-089 e-mail: abz@abz.org.br – home-page: www.abz.org.br “Proteja a natureza, economize papel”
  • A regulamentação da produção animal europeia, em particular para aves e suínos, émuito abrangente e com absoluta segurança afetará os sistemas de produção dos paísesexportadores como o Brasil. Existem regulamentações muito detalhadas no que diz respeitoao espaço por animal, manipulação de materiais, idades e procedimentos de desmama emanutenção de marrãs, respectivamente etc. As regulamentações para bovinos dizem respeito principalmente ao alojamento debezerros e em poedeiras, o principal problema são os requisitos de espaço na gaiola porgalinha. Em todas as espécies há notada preocupação com o sistema de alimentação e como uso de antibióticos e aditivos. Além disso, todos os países mormente europeus têm suaspróprias regulamentações, que devem ser atendidas e às vezes são mais restritivas que ascondições constantes na regulamentação geral do grupo econômico. Há de se perceber também que os especialistas no setor da produção animal estãomuito preocupados com a emissão de gases na atmosfera e com o tratamento de resíduos. Para que se compreenda melhor a questão formativa é lícito dizer que a formação doZootecnista brasileiro que se encontra com ampla aderência conceitual no papel que seespera desempenhar este profissional nos sistemas de produção animal, tem fortecorrespondência ao Engenheiro Zootecnista Europeu e Argentino ou ao Bacharel em CiênciaAnimal Norte Americano, embora estas formações sejam mais tímidas na sua dimensãoformativa ao Zootecnista graduado no Brasil. Há assim formações profissionais no nível do ensino de graduação superior emZootecnia referidas no estrangeiro que são mais próximas ao caso brasileiro e outras menosprofissionalizantes já que nos acordos educacionais europeus e nos EE.UU. a fase degraduação é apenas entendida como primeiro ciclo formativo que mormente se completaem ciclos de ênfases complementares ou mesmo de pós-graduação, em destaque aespecialização. Temos na situação brasileira uma ideia gestada e bem evoluída desde a década de 50que resultou em um profissional mais completo e preparado para atuar já imediatamenteapós sua graduação. O Engenheiro Zootecnista Argentino recentemente homologado comoprofissão regulamentada naquele País, já possui uma formação mais ajustada ao nossomodelo que é de fato exemplar. Formamos aqui um grupamento profissional deZootecnistas muito bem preparados e com abrangência totalmente sistêmica para todas asatividades inerentes à intervenção na produção animal. Não podemos admitir falsa opinião e embasamento tendenciosamente corporativoque insiste em comparar de forma leviana o caso Brasileiro com os do exterior como se oque se faz fora do País fosse sempre melhor que a proposta autóctone. Ora, pelo querepresentamos na Produção Animal nestes últimos 45 anos e o que fazemos pelo melhorserviço profissional, o caso brasileiro deveria ser exemplo para o mundo, pois, afinal, somosnós os Zootecnistas brasileiros que colaboramos sem medidas em fazer bem feito odesenvolvimento da pecuária de nosso País. Isto posto, seria uma grave falta de observação cuidadosa de nossas diferençasformativas se absorvermos uma eventual concepção Europeia ou Norte Americana que Endereço: SEPS 709/909, BLOCO "D", SALA 113, BRASÍLIA - DF, CEP: 70390-089 e-mail: abz@abz.org.br – home-page: www.abz.org.br “Proteja a natureza, economize papel”
  • supõe, visualizando uma estreita visão de defesa sanitária, apenas Médicos Veterinárioscomo profissionais capazes de responder tecnicamente por sistemas de produção animal. Éuma percepção sem propósito quando se relaciona ao caso brasileiro, onde já temos provado valioso papel dos Zootecnistas em nosso crescimento tanto do agronegócio quanto daparticipação dos excedentes da agricultura familiar na balança comercial. Coincidentemente,o crescimento apontado na pecuária foi paralelo cronologicamente à experiência brasileirade fomentar a formação de Zootecnistas desde a década de 60 do século passado. Em um relatório de 2009 na UE, foram mencionadas as seguintes áreas entendidascomo críticas a serem estudadas ou incentivadas à formação técnica com produção deconhecimentos e inovações relacionadas direta ou indiretamente à agricultura e produçãoanimal: impactos na saúde humana de antibióticos e outros aditivos usados na alimentaçãopara animais; a produção de energia verde (digestão anaeróbia e produção debiocombustíveis); a obtenção e racionalização da utilização da energia e da água; a eficiênciada animal convencional versus outros sistemas de produção de proteína animal, incluindo aprodução de organismos aquáticos; utilização de biomassa e de resíduos; produção dealimentos em climas extremos; medidas contra o estresse térmico, causado peloaquecimento global. Não se pode excluir o Zootecnista da atenção formativa no contexto apresentadoanteriormente e indica-se que há um esforço notável dos mais de 100 cursos de graduaçãoem Zootecnia no Brasil para inserir bem estes conceitos na formação profissional. Porqueexcluir este grupamento profissional de sua real possibilidade de contribuição com aSociedade? Aonde residem os elementos motivadores desta insanidade corporativa dereserva indevida de mercado de trabalho? Certamente, não encontra amparo em nenhumargumento de ordem técnica ou de domínio científico. Enfatizamos que as premissas de ação profissionais anteriormente discorridas, jáestão inseridas no texto regulamentar e de avaliação vigentes dos cursos superiores deZootecnia e partiram tanto da evolução própria da Zootecnia como Ciência e Profissão comodo pressuposto legal conferido pela Lei 5.550 de 04 de dezembro de 1968, que institui eregulamenta a profissão de Zootecnista rezando em seu artigo Art. 3º que são privativas dosprofissionais mencionados no art. 2º desta Lei as seguintes atividades:a) Planejar, dirigir e realizar pesquisas que visem a informar e a orientar a criação dosanimais domésticos em todos os seus ramos e aspectos;b) Promover e aplicar medidas de fomento à produção dos mesmos instituindo ou adotandoos processos e regimes, genéticos e alimentares, que se revelarem mais indicados aoaprimoramento das diversas espécies e raças, inclusive com o condicionamento de suamelhor adaptação ao meio ambiente, com vistas aos objetivos de sua criação e ao destinodos seus produtos;c) Exercer a supervisão técnica das exposições oficiais e a que eles concorrem, bem como adas estações experimentais destinadas à sua criação;d) Participar dos exames a que os mesmos hajam de ser submetidos, para o efeito de suainscrição nas Sociedades de Registro Genealógico. Endereço: SEPS 709/909, BLOCO "D", SALA 113, BRASÍLIA - DF, CEP: 70390-089 e-mail: abz@abz.org.br – home-page: www.abz.org.br “Proteja a natureza, economize papel”
  • É inegável que as ações previstas em Lei são suficientemente abrangentes naconformação dos desdobramentos nas habilidades e competências desejáveis ao formandoem Zootecnia previstas nas Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino de Graduação daZootecnia. Quando no inciso “a” atribui-se que o Zootecnista planeja, dirige e realizapesquisas visando à orientação da criação animal em todos os seus ramos e aspectos (grifosnossos), é lúcido perceber que o legislador definiu os objetivos da Zootecnia como ciênciadando o devido valor ao seu caráter investigativo e a consequente aplicação das técnicas naorientação da criação animal. Não deve haver reducionismo quando a leitura desatenta do arcabouço legal implicaerroneamente interpretar que a ação de pesquisa restringe o papel profissional doZootecnista, muito ao contrário, amplia e confere a devida complexidade sofisticando suaatribuição no devido campo interpretativo da natureza e na manipulação dessasinformações para o bem comum do homem. Da mesma forma “promover e aplicar medidas de fomento à produção... com vistasao objetivo da criação e ao destino de seus produtos”, previsto no inciso “b” da citada Lei,confere ao Zootecnista uma atribuição central de gerador de desenvolvimento, de inovaçãoe aplicação de tecnologias na produção animal, ressaltando na definição o significado deZootecnia exercida nos trópicos proposto por Octávio Domingues, quando é colocado emdestaque o aprimoramento, acondicionamento e processo de adaptação das diversasespécies e raças (aqui também ultrapassando a ação do Zootecnista além do animaldoméstico!). Igualmente importante estão em evidência no texto legal as ações profissionaisrelativas ao destino dos produtos dos animais, que resultam especialmente no campo dossaberes das tecnologias dos produtos de origem animal. O significado literal de fomentar serefere estritamente a “promover o desenvolvimento, o progresso, estímulo, facilitação”.“Facilitar é a ação pelo qual se removem os obstáculos ou dificuldades”. Assim posto, implica na função de fomentador da produção animal a solução deproblemas e a superação de entraves na área em questão, tendo em vista, mais uma vez, obem-estar social. Os incisos “c” e “d” do artigo que se referem às atribuições do Zootecnistaconferem contornos muito especiais na ação profissional. O exercício de supervisão técnica de exposições de animais, bem como de estaçõesexperimentais, e ainda a participação nos exames necessários nos animais de criação paraefeito de inscrição em Sociedades de Registro Genealógico, mostra que a participação dosZootecnistas é insubstituível e fundamental na avaliação e na apresentação pública deanimais que se constituam em situações de interesse econômico. Isto credita em sua intervenção técnica um olhar privilegiado que deve estarpresente, irremediavelmente, em qualquer hipótese em que se constitua a necessidade dehabilitação ou exclusão de animais para sua permanência no âmbito do sistema produtivo,em exposições, leilões etc... Neste sentido, a Lei concede ao Zootecnista a função de chancelador do materialgenético de animais, tendo em vista os riscos ou vantagens de sua perpetuação nos Endereço: SEPS 709/909, BLOCO "D", SALA 113, BRASÍLIA - DF, CEP: 70390-089 e-mail: abz@abz.org.br – home-page: www.abz.org.br “Proteja a natureza, economize papel”
  • rebanhos. O Zootecnista ao exercer a ação profissional de instrução técnica da qualidade dosanimais deve participar de forma preponderante seu papel para o êxito dos processos eregimes de melhoria da produção animal. A interpretação correta do texto legal em epígrafe, considerando as situaçõespráticas nas quais o Zootecnista interpõe seu parecer, não deixa dúvidas e se desdobraobrigatoriamente na elaboração de exames, laudos e perícias em animais que com estaparticipação profissional se garante aferição técnica qualificada para todos os fins, inclusivepara uso judicial. Outro aspecto não menos importante relacionado aos estudos da produção animal emormente à Zootecnia refere-se ao conceito de saúde e de segurança alimentar na seara daZootecnia. O conceito de saúde aliado à produção animal seja ela inserida no âmbito daagricultura familiar orgânica ou mais ampla depende de uma abordagem que se remete aconceitos de saúde social (quando se pensa na promoção do bem-estar e da qualidade devida dos agricultores, respeitando o seu ambiente físico e social com repercussõesperceptíveis também na qualidade de vida do cidadão urbano), da saúde ambiental (a partirdo enfoque de preservação e conservação da biodiversidade e de cuidados com o meioambiente que repercutem na saúde de todos os indivíduos) e da saúde humanapropriamente dita (quando se aborda a oferta de alimentos com baixa toxicidade e de valornutricional equilibrado e a repercussão do seu consumo na promoção da saúde e prevençãode doenças. Todos esses conceitos são relevantes para se abordar quando relacionamos ointeresse da Zootecnia a partir da discussão sobre qualidade dos alimentos. O termo qualidade e segurança alimentar também é muito vasto e inclui uma sériede critérios que têm base especialmente na garantia do valor nutricional e na inocuidade doalimento frente aos agentes biológicos. Assim sendo, não é racional discutir Zootecnia semos elementos que a sustentam como atividade promotora de saúde. Neste aspecto, pode edeve o Zootecnista se entender e se formar como um dos agentes que transitam sim napromoção da saúde ainda que não tenha seu foco profissional voltado para a intervenção nofenômeno doença. O Zootecnista identifica com precisão os animais em condições saudáveis de seinserirem e de permanecerem nos sistemas produtivos, bem como detém habilidades deincursionar tarefas que protejam o sistema de produção e concomitantemente os animaisde agressões físicas, químicas e biológicas. Não se alija nos estudos de graduação do Zootecnista a oferta de conteúdos edisciplinas em tempo substantivo para dotar essas competências profissionais desejáveis aoZootecnista também como um dos agentes de promoção à saúde "em todas as suasacepções.” Sendo estas as considerações, manifesto e reflexões que gostaríamos que fossemlevadas em consideração para efeito de se perceber e se dotar o real potencial, significânciasocial e o respeito a um grupamento profissional habilitado e conformado para responderpor sua atividade, mas, sobretudo para salvaguardar a Sociedade do melhor serviço para seubenefício e desenvolvimento. Endereço: SEPS 709/909, BLOCO "D", SALA 113, BRASÍLIA - DF, CEP: 70390-089 e-mail: abz@abz.org.br – home-page: www.abz.org.br “Proteja a natureza, economize papel”
  • Propugnamos pela INCLUSÃO de substancial número de Zootecnistas nos concursos aFiscais Federais Agropecuários do MAPA e pelas revisões qualificadas e urgentes deInstruções Normativas que excluem deliberadamente esses profissionais de suasresponsabilidades nos sistemas de produção animal, assim como das atribuições desteprofissional enquanto integrante dos quadros do MAPA. Aguardamos ansiosamente por vossa distinguida consideração a este manifesto. Atenciosamente, Walter Motta Ferreira Presidente da ABZ Endereço: SEPS 709/909, BLOCO "D", SALA 113, BRASÍLIA - DF, CEP: 70390-089 e-mail: abz@abz.org.br – home-page: www.abz.org.br “Proteja a natureza, economize papel”