CACHAÇA

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CACHAÇA

  1. 1. CACHAÇA Adriana Renata Verdi Em fins da década de 90, teve início para o segmento de produção da cachaça umprocesso de significativo crescimento das exportações e valorização do produto no mercadointerno, que tem sua origem na estruturação do quadro institucional do setor no país,principalmente a partir de 1997, com a criação do Programa Brasileiro de Desenvolvimentoda Cachaça (PBDAC), pela Associação Brasileira de Bebidas - ABRABE. Além das ações da FENACA (Federação Nacional das Associações de Produtoresde Cachaça de Alambique), da APEX (Agência de Promoção de Exportações eInvestimentos), do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas 1 )e do PBDAC, pode-se destacar ainda a instituição da Câmara Setorial da Cachaça peloMinistério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA em setembro de 2004,reunindo a cadeia produtiva do setor. Este novo aparato institucional, certamente, contribuipara a expansão do mercado da bebida, na medida em que proporciona capacitação técnicados produtores, valorização da imagem do produto e divulgação da cachaça no exterior. Nesse sentido, o volume exportado cresceu de 5,5 milhões de litros em 1998 para14,5 milhões de litros em 2002, sofrendo uma inflexão em 2003 para se estabilizar emtorno de 8,6 milhões de litros. Nos dez primeiros meses de 2005 ocorreu rompimento nessaestabilidade visto que a quantidade exportada já é de 8,7 milhões de litros. Paralelamente,observa-se uma trajetória crescente para o valor exportado pelo Brasil, que de um total deUS$ 8,15 milhões registrados em 2000, passou para um montante superior a US$ 11,071 A atuação do SEBRAE consiste principalmente na promoção de cursos aos agentes do setor. 1
  2. 2. milhões em 2004 e, considerando apenas os dez primeiros meses de 2005 já atingiu 10,5milhões de dólares (Tabela 1). Especificamente com relação a São Paulo, pode-se ressaltar que o estado detém amaior participação no total do volume exportado de cachaça do país, liderança assumidadesde 1997 e cuja participação só foi inferior a 40% em dois anos (2001 e 2004). A melhorposição foi conquistada em 2000, quando respondeu por mais da metade do total, enquantonos dez primeiros meses de 2005, a exportação, em termos de volume, já é maior que nosquatro anos anteriores. Tabela 1- Exportação de Cachaça – Brasil e São Paulo, 2000-2005*. Quantidade (mil litros) Valor (mil US $) Brasil São Paulo Participação Brasil São Paulo Participação Ano (BR) (SP) (SP)/(BR) % (BR) (SP) (SP)/(BR) % 2000 13.429 7.084 53 8.147 3.681 45 2001 10.150 3.237 32 8.453 3.880 46 2002 14.535 5.760 40 8.722 3.395 39 2003 8.648 3.698 43 9.008 5.130 57 2004 8.604 3.129 36 11.072 6.827 62 2005 8.693 3.955 45 10.458 6.182 59 * Os dados de 2005 referem-se ao período de janeiro a outubro. Obs: Os números correspondem à cachaça e caninha (rum e tafia). Fonte: Secex. Em termos de valor, o destaque da participação do estado nas exportaçõesbrasileiras com o produto é ainda maior. Assim, em 2004 o valor gerado pelas exportaçõesde cachaça paulista representou 62% do montante exportado pelo país. Situação semelhantedeve se confirmar em 2005, pois o estado já detém 59% do valor total das exportado atéoutubro. Quanto aos destinos internacionais da cachaça brasileira, a Alemanha encontra-seno topo do ranking dos 48 países importadores com 2,7 milhões de litros, ou seja, 31,5% da 2
  3. 3. quantidade total de cachaça exportada nos dez primeiros meses de 2005, correspondentes a20,2% do valor total no mercado exterior. A participação alemã também se destaca comoprincipal destino das exportações paulistas. Outros clientes significativos do destilado decana brasileiro em 2005 são, pela ordem de quantidade importada, Paraguai, Uruguai,Portugal, Estados Unidos, Argentina e Itália. Dada a manutenção da quantidade de cachaça exportada pelo país nos últimos trêsanos, o aumento do valor resultou dos preços médios por litro do produto. Apesar do estadode São Paulo deter suas exportações concentradas na cachaça produzida industrialmente, opreço médio da bebida exportada só foi inferior ao do nacional em dois anos, 2000 e 2002.Em 2004, o preço médio recebido pelos exportadores paulistas foi bem superior ao do país,atingindo o montante de US$ 2,18/litro (Tabela 2). Tabela 2- Preços Médios de Cachaça Exportada, Brasil e São Paulo - 2000 a 2005*. (US$/ litro) Preço Médio Brasil São Paulo Relação Ano (BR) (SP) (SP)/(BR) % 2000 0,61 0,52 -15 2001 0,83 1,20 45 2002 0,60 0,59 -2 2003 1,04 1,39 34 2004 1,29 2,18 69 2005 1,20 1,56 30 * Os dados de 2005 referem-se ao período de janeiro a outubro. Obs: Os números correspondem à cachaça e caninha (rum e tafia). Fonte: Secex. Um dos fatores que explicam esse comportamento nos preços da cachaça exportadapelo país é a estratégia adotada pelo governo brasileiro, notadamente do PBDAC e daCâmara Setorial quanto à indicação de procedência como bebida típica do Brasil e 3
  4. 4. regulamentação da qualidade do produto, além da intenção em dificultar a exportação agranel. Ressalte-se que o Brasil briga pela exclusividade de utilização do termo “cachaça”para o destilado de cana produzido no país desde 2001. Além da estratégia nacional, ações regionais e locais têm sido empreendidas com oobjetivo de conquista de nichos de mercado e maior agregação de valor ao produto. Nestaperspectiva, a diferenciação da produção da cachaça está se intensificando no Brasil. Cadaregião, cada lugar de produção procura buscar um diferencial, seja na utilização da técnicae da madeira no processo de envelhecimento, responsáveis por variação na coloração esabor, seja aderindo novos processos de produção, como a orgânica. Na realidade, aprodução local busca atribuir especificação de seu território. Vale reconhecer que todos esses esforços de estabelecimento de normas dequalidade, aperfeiçoamento do design e materiais utilizados na apresentação do produto,bem como de indicação de procedência, ao mesmo tempo em que implicam novos custosde transação, constituem estratégias importantes para agregação de valor ao produto. Estefato parece já influenciar as exportações de cachaça do Brasil a partir de 2003, a julgarpelos preços praticados. Os reflexos da estratégia organizacional do segmento também foram importantespara o posicionamento da cachaça no mercado interno. De bebida popular, voltada para oconsumidor de baixa renda, mais recentemente seu consumo se estendeu para as camadasde maior poder aquisitivo. A produção nacional da cachaça de alambique é cerca de 300 milhões de litros,contra 1 bilhão da indústria, realizada pelos grandes grupos2. Enquanto a produção de2 Os principais grupos de bebida destilada do país em termos de receita líquida em 2004 são: Müller debebidas SP e PE; Thoquino RJ, Boituva RS, Fazenda Santa Adélia SP, Capuava SP e Sagatiba SP. 4
  5. 5. cachaça industrial tem se mantido estável desde 1995, a cachaça de alambique apresentacrescimento de 5% ao ano, ritmo de crescimento que deverá ser mantido. Contudo, ovolume de cachaça artesanal embarcado ainda é muito pequeno (menos de 2%) emcomparação ao industrial, devendo se expandir nos próximos anos. Destaca-se aparticipação do Estado de São Paulo na produção de cachaça nacional, posicionando-secomo líder no ranking no processo industrial, enquanto que no artesanal, detém o segundolugar. Quanto ao custo de produção, dados fornecidos por agentes representativos dosetor3 permitem afirmar que a produção de uma garrafa de cachaça elaborada a partir doprocesso industrial fica em torno de R$ 0,46 a R$ 0,48, enquanto que na produçãoartesanal a estimativa é de pelo menos R$1,20. Para a cachaça envelhecida o custo envolveainda uma série de variáveis que acabam dificultando a elaboração de uma média. Aoscustos normais de produção, somam-se gastos com recipientes de envelhecimento, tipos demateriais destes recipientes, necessidade de controle da temperatura no local doenvelhecimento e embalagens especiais. Atualmente, em função da necessidade de adequação às normas de qualidadevigentes, despesas com certificação, selos, controle e fiscalização dos componentesprejudiciais à saúde (auditorias, análises químicas e sensoriais da produção) vão sendoincorporadas. Nesse sentido, vale ressaltar as influências a serem geradas pela vigência daInstrução Normativa n° 13 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento3 Trata-se dos produtores e principais representantes de instituições do setor que compõem o grupo dediscussão sobre as normas de qualidade para o Selo de qualidade da cachaça paulista, sob a coordenação daCODEAGRO (Coordenadoria de desenvolvimento dos Agronegócios da Secretaria de Estado do Ngócios daAgricultura e Abastecimento). 5
  6. 6. (MAPA), publicada em junho de 2005, cujas normas ampliam a lista de substânciasproibidas na composição da cachaça e exigem maior fiscalização e controle. Considerando a produção artesanal, convém destacar que a etapa de envelhecimentoem tonéis de madeira de diferentes espécies vem se tornando um recurso cada vez maisimportante para a incorporação de diferencial à produção e detendo, assim, grandecapacidade de agregar valor ao produto. Segundo a FENACA, enquanto a cachaçaindustrial é vendida no exterior por US$ 0,60/litro, a artesanal alcança preço de US$3,50/litro, uma agregação de valor próxima de 480%4 . Nesta perspectiva, convém salientarque a produção orgânica, que enfrenta grandes desafios na concorrência com a aguardenteindustrializada, também vem se tornando um recurso importante para construção de umaespecificidade detendo, por sua vez, um significativo potencial de mercado externo. Considerando que somente cerca de 1% do total de cachaça produzida no Brasil éexportada e que as ações de marketing da bebida são recentes no mercado externo, pode-seafirmar que o destilado de cana genuinamente nacional tem muito espaço a conquistar nocomércio internacional. É com esta perspectiva positiva que o setor estima que a bebidatem potencial para chegar a 50 milhões de litros exportados até 2010.4 Segundo o executivo “A cachaça de alambique possui um alto valor agregado em relação à industrial, que éa mais exportada” (DCI, 21/11/03, disponível: www.pbdac.com.br, acesso 02/05). 6

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