Inovação nas médias empresas Brasileiras, um desafio para a competitividade

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Artigo do professor Carlos Alverto Arruda, da FDC, analisa a inovação na estratégia das empresas brasileiras de médio porte.

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Inovação nas médias empresas Brasileiras, um desafio para a competitividade

  1. 1. CI1204 Gestão Estratégica do Suprimento e o Impacto no Desempenho das Empresas BrasileirasInovação nas médias empresas brasileirasUm desafio para a competitividadeCarlos Arruda, Fabian Salum, Luiza Grisolia e Raoni Pereira. Apresentação devido ao fato de que essas companhias demonstram grande capacidade de adaptação frente às mudanças tecnológicas (PUGA, 2000). Sendo assim, em períodosE ste caderno de ideias pretende mostrar os resultadosda pesquisa, realizada pela Fundação Dom Cabral, que, de instabilidade econômica, são facilitadoras do processo de reestruturação, minimizando impactos sobre as grandes empresas.ao longo de dois anos de trabalho, buscou compreendere analisar a participação e relevância da inovação na Vale aqui ressaltar que qualquer estudo do perfil dasestratégia das empresas brasileiras de médio porte. empresas brasileiras encontrará uma clara dificuldade naDesse modo, além de gerar conhecimento, espera-se sua execução, principalmente em identificar o parâmetroque auxilie no desenvolvimento estratégico da inovação a ser seguido para diferenciar o porte das empresas.como um dos possíveis diferenciais competitivos para Não existe um critério único para essa definição, o queessas organizações. é uma prerrogativa para a comparação e referência dos dados. Número de empregados ou porcentagemEste trabalho está organizado em três seções. A de faturamento são alguns dos critérios mais utilizadosprimeira seção, além de descrever a definição de porte para definição de porte.adotada na pesquisa em questão, busca mostrar aimportância das médias empresas no cenário econômico Neste trabalho, a classificação adotada para asnacional, enfatizando a relevância da inovação para médias e média–grandes empresas brasileiras é ao desenvolvimento destas. A segunda seção expõe a mesma considerada pelo BNDES (Banco Nacionalmetodologia utilizada na pesquisa e a caracterização de Desenvolvimento e Econômico e Social), isto é,da amostra. Por último, a terceira seção faz uma análise uma empresa que se caracterize no setor industrial,descritiva dos dados coletados e conclui com uma comercial, de serviço e/ou agronegócio com receitaponderação do cenário traçado pela pesquisa, frisando operacional bruta anual maior que R$ 16 milhões e atéa importância do tema. R$ 300 milhões. (TAB. 1). TABELA 1 Porte das empresas segundo faturamento anual Seção 1 Porte Faturamento Anual Microempresa Até R$ 2,4 milhõesIntrodução Acima de R$ 2,4 milhões atéAs micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) Pequena empresa R$ 16 milhõesbrasileiras exercem extrema relevância no atual cenáriosocioeconômico brasileiro. É crescente o reconhecimento Acima de R$ 16 milhões até Média empresado papel desempenhado por essas organizações R$ 90 milhõesem promover crescimento econômico, geração de Empresa média- Acima de R$ 90 milhões atérenda e emprego. Além disso, as MPMEs estão grande R$ 300 milhõesdiretamente relacionadas à recuperação sustentável Grande empresa Acima de R$ 300 milhõesda economia no cenário global e regional (AYYAGARI;BECK; DEMIRGUÇ-KUNT, 2005). Isto acontece Fonte: BNDES, 2011.
  2. 2. De acordo com estudo realizado pelo IBGE a respeito da conjunto, as médias detêm maior participação no pessoaldemografia das empresas (TAB. 2), em 2009, das 30.935 assalariado, com 25,9%, enquanto as pequenas absorvemempresas de alto crescimento no Brasil, 51,3% eram somente 10,6%. Além disso, 36,7% das empresas quepequenas, 39,0% médias e 9,7% grandes. Entre as gazelas, eram de pequeno porte, em 2006, conseguiram tornar-setermo que se refere às organizações mais novas, 55,0% médias; e das organizações que já eram consideradas deeram pequenas, 38,4% médias e apenas 6,6% grandes. médio porte, 60,8% permaneceram, ao passo que 39,2%Apesar de as pequenas empresas predominarem nesse tornaram-se grandes. TABELA 2 Distribuição das empresas de alto crescimento segundo porteFonte: IBGE, Cadastro Central de Empresas 2006-2009.É, portanto, significativo o estudo das organizações organizações, é importante que a empresa estruturede menor porte, a fim de compreender a dinâmica e a processos, estratégias e gestão que venham a favorecerformação da estratégia por elas exercida. Entretanto, as atividades inovadoras (ARRUDA et al., 2009).a literatura especializada ainda é muito focada nas Nesse contexto, a inovação pode ser entendida comograndes empresas e, quando se trata das micro, alocação de recursos para exploração e desenvolvimentopequenas e médias empresas, estas são trabalhadas em de novos produtos e processos que visem explorarconjunto. Mesmo que aparentemente elas apresentem novas oportunidades de mercado (DOSI, 1988). Dacaracterísticas semelhantes, a categoria que usualmente mesma maneira, o processo inovativo é caracterizadorecebe menos importância relativa aos dados fornecidos pela apropriação de lucros diferenciados no mercadoé o de médias empresas que, por serem minoria no por parte da empresa inovadora (TEECE, 1986) e pelagrupo, possuem grande lacuna de conhecimento e geração de produtos/processos com aceitabilidade noescassez de dados, sendo necessários maiores estudos mercado. (HENDERSON, 1990; PAVITT, 1984; DOSI;sobre a dinâmica das empresas de médio porte. FREEMAN, 1992). Considerando o cenário brasileiro, foco deste trabalho, o investimento em inovação é ainda considerado incipiente, principalmente nas empresas de menor porte. De acordoInovação nas Médias Empresas com a Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica (PINTEC, 2005), realizada pelo IBGE, comprovou-seTendo em vista que a inovação está fortemente ligada que o porte das empresas tem relação direta com aà estratégia empresarial, esse é um importante fator realização e o perfil da inovação nas empresas, ou seja,de alavancagem das empresas, conduzindo-as a uma quanto maior é o porte das organizações, maiores sãosituação de destaque nos mercados (DRUCKER, 2002). as taxas de inovação, tanto geral quanto de produtos eDeste modo, a inovação constitui uma alternativa para processos. De fato, a taxa de inovação geral no estratomédias empresas se inserirem competitivamente num de maior porte (68,4%) foi mais que o dobro da taxaprocesso de demandas instáveis e diferenciadas (CARON, registrada para as empresas que ocupam de 10 a 492004). Entretanto, para que a inovação seja realidade nas pessoas (28,9%). (TAB.3) Caderno de Ideias - Nova Lima - 2012 - CI 1204 2
  3. 3. TABELA 3 Desempenho inovador por parte das empresas, período 2003-2005.Fonte: IBGE- PINTEC, 2005.Considerando que o tema “Inovação nas médias Foram enviados ao todo 825 questionários, e a taxaempresas” sofre da falta de estudos abrangentes de retorno foi de 28,2%. Participaram da análise 233e sistemáticos e que é evidente a relação entre o respondentes de 149 diferentes empresas distribuídascrescimento econômico, as atividades inovadoras e o em 4 regiões do Brasil. Como demonstrado na FIG. 1,papel desempenhado pelas médias empresas (INACIO a maior parte das empresas brasileiras participantes daJÚNIOR, 2008); este caderno de ideias pretende pesquisa localiza-se na região Sudeste, contribuindoacrescentar dados sobre o tema a fim de suprir a lacuna com 57,7% da amostra. Em seguida, estão as empresasde conhecimento existente e, desta maneira, entender nordestinas, que representam 22,8%; as empresas dacomo acontece a inovação nas médias empresas região Sul, com 16,8% e; por último, as organizaçõesbrasileiras. da região Centro-Oeste, com 2,7%. Seção 2Metodologia eCaracterização daAmostraA coleta de dados foi conduzida com aaplicação de questionários on-line por meio dosoftware SurveyMonkey, que, além de permitira montagem do instrumento de pesquisa,auxiliou o envio, a tabulação dos dados e ageração dos gráficos, possibilitando maiorconfiabilidade aos resultados. O acesso dosparticipantes ao questionário foi obtido, viae-mail, por um link gerado pelo programajuntamente com uma carta explicativa. Como intuito de facilitar o trabalho dos dados, foramcriados links separados por regiões do Brasil. Figura 1: Localização das empresas participantes da pesquisa Fonte: Elaborado pelos autores (2011) Caderno de Ideias - Nova Lima - 2012 - CI 1204 3
  4. 4. O GRAF. 1 demonstra que os cargos dos respondentes No que diz respeito ao perfil das organizaçõesda pesquisa são, em sua maioria, de presidentes, participantes da pesquisa, elas se dividem em quatrodiretores e gerentes de médias empresas brasileiras, diferentes setores de atuação: Indústria, Serviços,correspondendo a 77,7% da amostra. O restante está Agronegócio e Comércio. Como demonstrado no GRAF.entre coordenadores, supervisores e outros dirigentes. 2, a amostra analisada possui maior representatividade no setor de serviços, sendo 49,4% dos respondentes pertencentes a empresas desse setor. Em segundo lugar, encontra-se o setor industrial, que corresponde a 37,3% da amostra. Em seguida, situam-se os setores Comércio e Agronegócio, que contribuem com 10,7% e 1,7% da amostra, respectivamente.Gráfico 1: Cargo dos respondentes da pesquisaFonte: Elaborado pelos autores (2011)Gráfico 2: Setor empresarialFonte: Elaborado pelos autores (2011)O questionário em questão foi composto por seis respostas válidas ou item mais respondido como formablocos: Caracterização da empresa, Caracterização de garantir que as respostas à pesquisa representassemdo respondente, Estratégia de Inovação, Cultura com maior significância e relevância a opinião dosOrganizacional, Gestão da Inovação, Processos de executivos consultados nas empresas.Inovação e Barreiras à Inovação. A análise fatorial foi realizada com o auxílio do softwareAs respostas oriundas dos cinco últimos blocos possuíam de estatística SPSS que, através de uma série dede 9 a 15 itens e foram tabuladas e analisadas utilizando testes estatísticos, foi capaz de analisar a significânciaa escala Likert. Com o intuito de reduzir o número de e a correlação entre as variáveis do sistema. Por meioitens de cada questão e caracterizar de maneira mais de relatórios gerados pelo software, em conjunto comadequada e sucinta cada bloco, foi utilizada uma técnica a interpretação e análise dos critérios, fizemos umade análise multivariada de dados denominada Análise seleção de quais eram os itens que representavam deFatorial. Esse método teve como objetivo principal criar maneira mais adequada cada bloco. Dessa maneiracritérios de seleção para os principais itens respondidos foi possível reduzir cada questão para 3 a 5 itens semem cada bloco. Ao realizar a análise da qualidade dos comprometer as informações coletadas.dados, procurou-se identificar a concentração das Caderno de Ideias - Nova Lima - 2012 - CI 1204 4
  5. 5. Seção 3: que não: a inovação não aparece de forma evidente na estratégia de seus concorrentes.Análise Descritiva dosResultadosA inovação como parte integrante daestratégia da empresaOlhando para “dentro” de suas organizações, 153respondentes (71,2%) acreditam que a inovaçãoaparece de forma evidente na ideologia da suaempresa, sendo explicitada como um valor ou aindaclaramente identificada na visão da empresa. Emcontrapartida, conforme demonstrado no GRAF. 3, aoanalisar a concorrência, o “olhar para fora”, apenas 47respondentes (22,2%) afirmam que a inovação aparecede forma evidente na estratégia de seus principaisconcorrentes. 101 respondentes (47,6%) acreditam queem alguns concorrentes é evidente; 38 respondentes Gráfico 3: A inovação como parte integrante da estratégia das(17,9%) afirmam que é evidente somente em poucos empresasconcorrentes e 26 respondentes (12,3%) responderam Fonte: Elaborado pelos autores (2011)Práticas inovativas nas empresasConsiderando como principal prática inovativa a inovação em produtos, em serviços, em processos, na gestão e nacriação de novos modelos de negócios, podemos afirmar, conforme demonstrado no GRAF. 4, que as práticas dessasatividades nas organizações estão todas presentes e oscilam entre 16,7% e 23,3%. Verifica-se ainda que as mesmasnão seguem um padrão e variam, proporcionalmente, de acordo com o setor e a estratégia empresarial.Gráfico 4: Presença de práticas inovativas nas empresasFonte: Elaborado pelos autores (2011). Caderno de Ideias - Nova Lima - 2012 - CI 1204 5
  6. 6. Em contrapartida, nota-se que as atividades descritas no ver que menos de 50% das empresas que praticam essasGRAF. 4 não são utilizadas de forma sistemática, elas não atividades investem nelas em “alto grau”. As demais 50%,apresentam uma agenda parametrizada dentro da rotina na sua maioria, afirmam existir apenas, “algum” ou “pouco”organizacional. Através da análise do GRAF. 5, podemos investimento em práticas inovativas.Obs.: O respondente podia marcar entre 1 a 3 opções, o que totalizou 813 marcações.Gráfico 5: Frequência de práticas inovativas nas empresasFonte: Elaborado pelos autores (2011).Não são apenas essas práticas consideradas incipientes por essas organizações. Através do GRAF. 6, podemosno que diz respeito às médias empresas brasileiras. observar que é expressivo o número de empresas que nãoAtividades como pesquisa básica, pesquisa aplicada, exercem nenhuma dessas atividades ou que raramentedesenvolvimento experimental e nacionalização/ as praticam, sendo que esse percentual varia entre 40,5%tropicalização de produtos, que estão diretamente e 57,9%, referentes, respectivamente, a desenvolvimentorelacionadas à inovação, também são pouco praticadas experimental e nacionalização de produtos.Gráfico 6: Frequência de práticas relacionadas à InovaçãoFonte: Elaborado pelos autores (2011). Caderno de Ideias - Nova Lima - 2012 - CI 1204 6
  7. 7. Frente ao exposto, pode-se concluir que o investimento Indicadores de Controleem Inovação e P&D ainda é pouco recorrente nasmédias empresas brasileiras. Essa afirmação pode A maior parte das médias empresas brasileiras não utilizaser comprovada pelos dados do GRAF. 7, resultado indicadores de controle em seu planejamento para avaliarda resposta de 133 principais gestores dessas a gestão da inovação, pesquisa e desenvolvimento. Dosorganizações diante da pergunta: “Qual percentual do principais dirigentes das médias empresas brasileirasfaturamento anual, aproximadamente, é investido em participantes da pesquisa, apenas 33,2% disseramInovação e P&D?”. utilizar algum tipo de indicador, conforme demonstrado no GRAF. 8.Apenas 2% delas investem mais de 10% de seufaturamento anual nessas atividades, sendo que,do restante, 46% investem “nada” ou “muito pouco”.Sendo assim, a média do faturamento anual dasmédias empresas brasileiras nessas atividades é deapenas 2,01%. Gráfico 8: Utilização de indicadores de controle para avaliação da gestão da inovação, P&D Fonte: Elaborado pelos autores (2011). Desse percentual (33,2%), os indicadores mais citados foram, em sequência, número de novos produtos e serviços, correspondendo a 43,9% da amostra; percentual de faturamento, com 15,2%; número de pesquisas publicadas, correspondente a 12,1%; tempo de lançamento, com 4,5%, e número de novas tecnologias adquiridas com 3%.Gráfico 7: Investimento do faturamento anual emInovação e P&DFonte: Elaborado pelos autores (2011).Gráfico 9: Indicadores de controle mais utilizadosFonte: Elaborado pelos autores (2011).Outros indicadores (21,3%) foram citados pelo restante dos participantes, porém individualmente. Caderno de Ideias - Nova Lima - 2012 - CI 1204 7
  8. 8. Envolvimento com Universidades e Institutos Dentre essa grande maioria, os motivos explicitadosde pesquisa para a falta de envolvimento com instituições, a fim de promover a inovação, foram: 26,6% dos integrantesAs médias empresas brasileiras tem baixo teor de da pesquisa dizem não perceber a necessidade;envolvimento com universidades e institutos de pesquisa e 16% afirmam desconhecer oportunidades; 16% estãodesenvolvimento, o que, segundo autores e pesquisadores em processo de desenvolvimento; 13,8% enxergamdo tema gestão da inovação, é uma prerrogativa à dificuldade de acesso; 10,6% acreditam não fazervantagem competitiva. Apenas 30,6% dos participantes parte da cultura da empresa; 6,4% afirmam faltarda pesquisa afirmam ter parcerias com universidades e/ oportunidades; 6,4% assumem ser por falta de iniciativaou institutos de pesquisa, contra uma taxa esmagadora de da empresa e 4,3 % dizem ter falta de credibilidade em69,4% que declaram não ter nenhum tipo de associação bons resultados.e/ou parceria para a inovação no Brasil ou no exterior. O GRAF. 11 demonstra que em relação à minoria queEssa relação é mostrada no GRAF. 10. afirmou ter parcerias com universidades e/ou institutos de pesquisa e desenvolvimento, as mais citadas foram: FDC, com 14,8%; USP e Unicamp, com 9,9%; Senai com 8,6%; UFSC, com 6,2% Ital; com 4,9% e UFPR com 3,7%.Gráfico 10: Envolvimento das empresas com universidadese institutos de pesquisa e desenvolvimentoFonte: Elaborado pelos autores (2011).Gráfico 11: Instituições que fazem parcerias com as médias empresas brasileirasFonte: Elaborado pelos autores (2011).Muitas outras instituições foram citadas, porém individualmente. Juntas, correspondem a 42% da amostra. Algumasdelas foram: UFMG, Cefet, Unilavras, PUC-RS, FMRP, UFRGS, Ufscar, Unicid, ABC, UFB, UFC, ITFPR, Nutec, UNB,UFV, Unicastelo, PUC-RJ, Cetec, UFS, University of South Hampton e Institutos de Pesquisa na China. Caderno de Ideias - Nova Lima - 2012 - CI 1204 8
  9. 9. Ao analisar o gráfico 11, deve-se levar em consideração Detalhando e explicitando os motivos que foram citadosque a FDC deteve significativo destaque em relação pelos participantes e que resultam nessa alta taxaàs outras instituições pelo fato de que as empresas (79,8%) de empresas que não são usuários de incentivosparticipantes da pesquisa pertencem ao banco de para inovar, temos: 48,9% dizem desconhecer o assunto;empresas parceiras da FDC. 22,7% alegam falta de foco no assunto; 9,1% não têm percepção da necessidade; 5,7% tentaram, mas não tiveram aprovação de seus projetos; 5,7% afirmam ser a burocracia o principal fator; e 4,5% dizem ser falta deLinhas de Fomento à Inovação cultura da empresa.Como demostrado no GRAF. 12, do universo de Observa-se que, somando o número de pessoas queempresas pesquisadas somente 20,2% das médias responderam: “desconhecimento do tema” e a “faltaempresas responderam fazer uso de alguma lei ou de foco neste assunto”, elas representam 71,6% dosprograma de incentivo à inovação. Tal resultado está motivos para que as linhas de incentivo à inovação nãocompatível e proporcional com os dados obtidos pela sejam usadas. Esse dado é preocupante, uma vez quepesquisa do Pintec-2008 do IBGE. são diversas as linhas e programas oferecidos pelos governos federal e estadual que podem atender a grande parte dessas empresas. Ao analisarmos a qual tipo de incentivo as médias empresas recorrem, podemos ver que os recursos oriundos do BNDES dominam com 46,6%. Essa preferência pode ser explicada pela facilidade e menor burocracia do órgão na liberação de créditos que, no entanto, não oferece taxas tão atrativas e econômicas para o empresariado que deseja inovar (vide GRAF. 13).Gráfico 12: Uso de leis ou programas de incentivo ainovaçãoFonte: Elaborado pelos autores (2011).Gráfico 13: Tipos de incentivos à inovação mais indicados e usados pelas médias empresas brasileirasFonte: Elaborado pelos autores (2011). Caderno de Ideias - Nova Lima - 2012 - CI 1204 9
  10. 10. Estratégias de Inovação Gestão da InovaçãoA questão da estratégia empresarial é de fundamental “A gestão das atividades institucionais de ciênciaimportância para a sobrevivência das empresas. e tecnologia, bem como a gestão das atividadesConsiderando que o desafio de inovar constantemente é o de Inovação, é condição sine qua non para quefator de maior relevância na economia mundial (PORTER, empresas, setores e países sobrevivam comercialmente.”1985), esta deve estar inserida na estratégia das (ZAWISLAK, 1994).organizações. Porém menos de 50% dos respondentes Como explicitado, apesar da clara importância da gestãoenxergam claramente a presença da inovação na da inovação para o fortalecimento das empresas frenteestrutura das médias empresas brasileiras. ao mercado incerto e cada vez mais exigente, as médiasEm média 42,67% dos participantes afirmam que: empresas brasileiras se mostram pouco adeptas ao uso dessa alternativa como diferencial competitivo. •• nos princípios e valores estabelecidos em sua empresa está contemplada a inovação; 54,25% dos participantes dizem nunca ou raramente: •• a inovação ocupa um papel claro no projeto •• existirem critérios claros para a seleção dos empresarial da empresa; melhores projetos; •• a alta direção estimula nos colaboradores da •• possuir um processo estruturado de gestão do empresa uma atitude orientada a inovar. conhecimento associado a inovação, pesquisa e desenvolvimento; •• possuir um processo estruturado de inteligênciaCultura Organizacional de mercado que captura ideias para inovação, pesquisa e desenvolvimento;Para que uma cultura de inovação se consolide, é de •• haver mecanismos de alinhamento dos projetosgrande importância que o ambiente de trabalho seja às tendências do mercado.propício e favorável a sua implantação, estando, dessemodo, aberta a mudanças e a manifestações criativas.Em contraposição, é expressivo o número de gestoresque acreditam que a cultura organizacional inibe Parcerias para a Inovaçãoo desenvolvimento de atividades inovativas em A criação de parcerias, embora tenha o intuito deorganizações de médio porte. fortalecer e fomentar a inovação, é muito pouco utilizadoEm média 38,4% dos respondentes acreditam que pelas médias empresas brasileiras. Para Doz e Hamelnunca ou raramente: (1998), alianças estratégicas possibilitam a obtenção de novas competências através da aprendizagem •• Os colaboradores mais inovadores são organizacional e construção da co-opção - aliança valorizados quando surge uma oportunidade de temporária com concorrentes, empresas ou clientes promoção. com tecnologias, produtos ou serviços complementares •• Há autonomia dos funcionários para trabalharem – criando massa crítica capaz de desafiar concorrentes em ideias e projetos, próprios ou de colegas, que e criar novas oportunidades. Porém, fica claro que esse resultem em inovação. grupo ainda não se faz dessa estratégia. •• As inovações desenvolvidas pela empresa Em 73,6% das empresas integrantes da pesquisa, resultam muitas vezes de uma participação inexistem ou são incipientes as parcerias com: ampla de colaboradores de diversas áreas da •• centro(s) de P&D (Pesquisa e empresa. Desenvolvimento); •• A empresa disponibiliza tempo e recursos para •• fornecedores no Brasil; a concepção e o desenvolvimento de projetos inovadores. •• fornecedores no exterior; •• Nos programas de desenvolvimento dos •• universidades no Brasil; colaboradores, as competências de inovação e •• ICTs (Institutos de Ciência e Tecnologia) no empreendedorismo têm papel de destaque. Brasil. Caderno de Ideias - Nova Lima - 2012 - CI 1204 10
  11. 11. Barreiras à Inovação dos participantes acreditarem que a inovação aparece de forma evidente na ideologia da sua empresa, porémSão inúmeras as variáveis que afetam o potencial grande parte (48,9%) diz desconhecer programas deinovador das empresas. Como etapa final deste trabalho, incentivo à Inovação. Isso corrobora a percepção deo instrumento de pesquisa buscou avaliar as mais que, no Brasil, a criação de uma cultura para inovaçãosignificativas barreiras à inovação consideradas pelas é essencial para que o empresariado enxergue o valormédias empresas. dessa como forma de trazer ganhos competitivos para31,25% dos participantes consideram ser altas ou a empresa.grandes barreiras à Inovação: Existem grandes avanços a serem alcançados quando •• Cultura conservadora, sem espaço para inovar. o assunto é inovação. É preciso avançar no que tange a cultura, processos, parcerias etc. As empresas de •• Aversão ao risco. médio porte, se quiserem crescer, precisarão correr atrás •• Falta de patrocínio para as ideias inovadoras. de uma gestão mais eficiente da inovação, tornando o tema prioridade estratégica, podendo assim dar o salto •• Cultura departamental, hierarquizada e competitivo que elas precisam. burocratizada. Conclusão ReferênciasDe acordo com a literatura, uma empresa dita inovadora ANPEI - Associação Nacional de Pesquisa eé aquela capaz de mobilizar os seus colaboradores a Desenvolvimento das Empresas Inovadoras. Os novoscriarem novas rotinas e produtos que possam se tornar instrumentos de apoio à inovação: uma avaliação inicial,diferenciais e que tragam ganho para a organização. 2009.Uma estrutura para inovação inclui tê-la como opçãoestratégica, fomentar a cultura para inovação, além de ARRUDA, C; BARCELLOS, E. Criando Empresaster métodos de gestão que criem processos facilitadores, Inovadoras. Revista DOM, Minas Gerais, maio/ 2009.acompanhados de indicadores de gestão. Diante desse AYYAGARI, M.; BEEK,T.; DEMIRGUÇ-KUNT, A. Smallcenário, os resultados obtidos através da pesquisa and Medium Entrerprises across the Globe – 2005.realizada pela Fundação Dom Cabral com as médias CARON, A. A Inovação Tecnológica em Pequenas eempresas brasileiras comprovam o que outras pesquisas Medias Empresas, 2004.realizadas pela FDC sobre inovação vêm mostrando:as empresas brasileiras, independentemente do porte, DOSI, Giovanni, FREEMAN, C. (1992). The diversity ofdesconhecem o que é inovação e a sua importância no development patterns: on the processes of catching-up,que tange à competitividade e sustentação do negócio. forging ahead, and failing behind. Varena. (InternationalOs resultados apresentados neste caderno de ideias Economic Association, congress).demonstram que ainda há muito discurso e pouca DOSI, Giovanni. Sources,Procedures, and Microeconomicação nas empresas de médio porte quando o assunto Effects of Innovation. Journal of Economic Literature, Vol.é inovação. XXVI, 1988.Considerando relevância das médias empresas na DOZ, Y. L.; HAMEL. G. Alliance Advantage. Harvardeconomia e também na cadeia produtiva das grandes Business School, 1998.empresas, torna-se necessário que a inovação adquirauma posição de destaque dentro da estratégia e das DRUCKER, P. F. Inovação e espírito empreendedor:metas organizacionais. É preciso encarar o tema prática e princípios. São Paulo: Thompson/Pioneira,com uma nova percepção, tratando a inovação como 2002.prioridade e também como opção para o crescimento. HENDERSON, R.M; CLARK, K.B. ArchitecturalAs empresas de médio porte pesquisadas não possuem Innovation: The Reconfiguration of Existing Productuma direção clara da inovação em sua estratégia Technologies and the Failure of Established Firms.empresarial, sendo que a ausência do conhecimento Administrative Science Quarterly, 1990.do papel da inovação pode ser apontada como principal IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.motivo para esse baixo envolvimento. Um exemplo que Demografia das Empresas, 2009.explicita esse fato na pesquisa é a contradição de 71,2% Caderno de Ideias - Nova Lima - 2012 - CI 1204 11
  12. 12. IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.Pesquisa de Inovação Tecnológica – PINTEC, 2008.IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.Pesquisa de Inovação Tecnológica – PINTEC, 2005.INACIO JUNIOR, E. Padrões de inovação em pequenas emedias empresas e suas implicações para o desempenhoinovativo e organizacional. UNICAMP, 2008.PAVITT, K. Sectoral patterns of technical change:Towards a taxonomy and theory. Science Policy Unit,University of Sussex, Brighton, UK, 1984.PORTER, M. E. Estratégia Competitiva. Editora Campus,1985.PUGA, F. P. Experiências de apoio às Pequenas eMédias Empresas nos Estados Unidos, na Itália e emTaiwan.– BNDES, 2000.ZAWISLAK, P.A. A relação entre o conhecimento eo desenvolvimento: essência do progresso técnico -UFRGS,1994 Caderno de Ideias - Nova Lima - 2012 - CI 1204 12

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