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Criando condições para competir

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Carlos Arruda, Fabiana Madsen e Daniel Berger, do Núcleo de Inovação da FDC, falam sobre os objetivos do relatório de competitividade mundial e das perspectivas para o biênio 2012-2013.

Carlos Arruda, Fabiana Madsen e Daniel Berger, do Núcleo de Inovação da FDC, falam sobre os objetivos do relatório de competitividade mundial e das perspectivas para o biênio 2012-2013.

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  • 1. CI1222 Gestão Estratégica do Suprimento e o Impacto no Desempenho das Empresas BrasileirasCRIANDO CONDIÇÕES PARA COMPETIRGLOBAL COMPETITIVENESS REPORT 2012-2013Carlos Arruda, Fabiana Madsen e Daniel Berger O QUE É O RELATÓRIO DE As decisões tomadas no presente têm consequências futuras e, nesse sentido, o relatório possui a capacidade COMPETITIVIDADE GLOBAL? de apontar os principais desafios de cada nação na busca por prosperidade e crescimento sustentado. Por RESULTADOS GERAIS E se tratar de um estudo comparativo, ele ajuda a explicar por que alguns países são mais bem-sucedidos do que PERSPECTIVAS DO BIÊNIO outros em relação, por exemplo, às políticas econômicas, oportunidades para a população em geral e reformas 2012-2013 institucionais. Desde 2005, o relatório baseia-se em um índice básico chamado Global CompetitivenessO Index - GCI - que fornece uma pontuação (ou score) panorama da economia mundial, mais uma vez, se para cada nação. A pontuação final é resultado de ummostra frágil. O crescimento global permanece baixo pelo trabalho estatístico realizado em cima de um grupo desegundo ano consecutivo. E aumenta o nível de incerteza dados secundários provenientes de fontes nacionaisem função da crise que atinge as economias europeias, e internacionais e de outro grupo de dados primáriosdas vulnerabilidades na economia norte-americana e provenientes de uma pesquisa de opinião de executivosda desaceleração do crescimento econômico na China aplicada em cada país. Dessa forma, ressalte-se quee demais economias emergentes. Nesse cenário é algumas informações referem-se ao ano anterior àdivulgado o Global Competitiveness Report – GCR –, publicação (ou o dado mais recente disponível) e outrasrelatório de competitividade internacional elaborado se referem ao próprio ano em que o relatório é divulgadoanualmente pelo World Economic Forum - WEF. A (notadamente os dados da pesquisa de opinião). Nopartir da análise comparativa de diversos indicadores Brasil, as instituições responsáveis pela etapa deem 144 países, o estudo tem a capacidade de oferecer, pesquisa de opinião são a Fundação Dom Cabral e opara gestores e formuladores de políticas, ferramentas Movimento Brasil Competitivo.capazes de contribuir para a compreensão dos fatores Em relação aos resultados específicos da última edição,que determinam o crescimento competitivo de uma o GCR mostra que a Suíça lidera o ranking geral pelanação. quarta vez consecutiva, conforme TAB. 1.
  • 2. TABELA 1 Dez principais economias competitivas em 2012 e 2011 País GCI 2012 GCI 2011 País GCI 2012 GCI 2011 Suíça 1 1 Alemanha 6 6 Cingapura 2 2 Estados Unidos 7 5 Finlândia 3 4 Reino Unido 8 10 Suécia 4 3 Hong Kong 9 11 Holanda 5 7 Japão 10 9Fonte: WORLD ECONOMIC FORUM. Global Competitiveness Report.Elaboração dos autores.Sobre o comportamento dos países europeus, aqueles nação ainda possui mercados eficientes e é consideradasituados ao norte do continente vêm consolidando suas o “berço” de inovações globais. Por fim, no grupo dasposições competitivas. Já os países situados ao sul, maiores economias emergentes - conhecido pela siglacomo Portugal, Espanha, Itália e Grécia, continuam a BRICS - o Brasil foi o único a ganhar posições este anoapresentar desequilíbrios macroeconômicos, reduzido (subiu da 53ª para a 48ª colocação). Apesar da quedaacesso a financiamentos, mercados de trabalho rígidos de três posições, a China continua a liderar o grupo (29ªe déficit em inovação, entre outros indicadores (WEF, posição), seguida por Brasil, África do Sul (52ª posição),2012). Destaca-se também o comportamento dos Índia (59ª posição) e Rússia (67ª posição).Estados Unidos, que, pelo quarto ano consecutivo, A FIG. 1 mostra como os países se dividem ou seperde posições no ranking geral e chega agora à agrupam em termos de competitividade. Mais do quesétima posição. A equipe do WEF aponta que, dentre as isso, ela deixa claros os gaps existentes entre asfragilidades apresentadas pelo país, estão o surgimento nações, principalmente em relação às economias maisde vulnerabilidades macroeconômicas e de preocupações desenvolvidas. Em vermelho estão destacadas as dezquanto ao ambiente institucional (por exemplo, a redução economias mais competitivas de 2012.da confiança da sociedade em seus políticos). Mas aFigura 1: World Heat Map 2012 – Charting the competitiveness divideFonte: WORLD ECONOMIC FORUM. The Global Competitiveness Index 2012-2013 data platform.Sobre as perspectivas da economia mundial, o fundador um mesmo continente ou região estão no cerne dae executive chairman do WEF, Klaus Schwab, pontua turbulência econômica que afeta o mundo em temposque as quebras competitivas observadas dentro de recentes. E, por isso, a importância de ações mais Caderno de Ideias - Nova Lima - 2012 - CI 1222 2
  • 3. decisivas dos governos, principalmente através da empresas e renda (ou prosperidade) para a população.adoção de medidas voltadas para o longo prazo, de Nesse sentido, o desempenho empresarial resulta damodo a aprimorar a competitividade e restaurar o combinação de fatores que se encontram no contexto nocrescimento sustentado dos países. O professor Xavier qual a empresa está inserida, como o sistema político-Sala-i-Martin, da Universidade de Columbia, completa institucional e as características socioeconômicas dosque o índice permite a percepção de uma janela de mercados nacionais.oportunidades em relação às tendências de longo prazoque estão moldando a economia mundial. E, assim,otimizar a produtividade e o desempenho econômico. Competição entre empresas ou competição entre países? Some scholars claim that nations themselves do not compete, rather, their enterprises do. There is no doubtE O QUE É COMPETITIVIDADE? that competitive enterprises are the main engines of a country’s competitiveness. They are at the origin of QUAL O SENTIDO EM SE wealth creation. However, over the past 30 years, the economic responsibilities of governments have – forANALISAR A COMPETITIVIDADE better or worse – increased to such an extent that it is simply impossible to ignore their influence on modern DE UM PAÍS? economics. Despite globalization, several recent studies continue to underline the key role of nations in shaping the environment in which enterprises operate.A diversidade de definições que existe hoje sobrecompetitividade é um indicador do quão multifacetado Such involvement is more evident when it comes to enhancing the attractiveness of a country. A significantvem a ser o desenvolvimento desse conceito. Diversas part of the competitive advantage of nations stems frominstituições, escolas e autores espalhados pelo mundo far-reaching incentive policies emphasizing tax breaks,que estudam o tema propõem definições próprias para subsidies, etc. which are designed to attract foreigna competitividade. O World Economic Forum define investment. Ireland is an example of such approach.competitividade como o conjunto de instituições, políticase fatores que determinam o nível de produtividade de The most convincing support for the argument thatum país. E esse nível de produtividade, por sua vez, there is competition among nations can be seen inestabelece o nível de prosperidade e as taxas de retorno the areas of education and know-how. In a moderndos investimentos na economia. Em outras palavras, é economy, nations do not only rely on products andesse conjunto de elementos disponíveis no ambiente que services. They also compete with brains. The abilitypermite a uma nação se tornar mais competitiva e, assim, of a nation to develop an excellent education systemmanter um crescimento sustentado. and to improve knowledge in the labor force through training is vital to competitiveness. The InternationalNa mesma linha de raciocínio, Coutinho e Ferraz Association for the Evaluation of Educational(1994) apresentam o conceito de competitividade Achievement in Washington, DC, makes an annualsistêmica ao afirmarem que a competitividade das assessment of the educational performance of nationseconomias nacionais vai além da simples agregação around the world. In recent years, the results highlightdo desempenho de suas empresas, uma vez que as the formidable efforts that East Asian nations havecaracterísticas internas ao sistema econômico afetam made to improve education. In addition to beingde alguma maneira os fatores competitivos. Assim, competitive (temporarily) because of cheap labor, theyconforme coloca Porter (1990), a competitividade de uma aim to develop their competitiveness level so that isnação depende da capacidade de sua indústria de inovar based (permanently) on an educated workforce.e crescer, sendo que o sucesso competitivo é cada vez Knowledge is perhaps the most critical competitivenessmais determinado por elementos como a assimilação factor. As countries move up the economic scale,de conhecimento, as estruturas econômicas, a cultura the more they thrive on knowledge to ensure theire os valores nacionais, as instituições, entre outros. Em prosperity and to compete in world markets. How thatconsonância, Garelli (2006) mostra a competitividade knowledge is acquired and managed is each nation’scomo um campo de estudo da teoria econômica capaz responsibility. Indeed, nations do compete.de analisar os fatos e as políticas que afetam a criaçãoe manutenção de um ambiente capaz de sustentar Fonte: INTERNATIONAL INSTITUTE FOR MANAGEMENTa geração de lucro (ou criação de valor) para as DEVELOPMENT. World Competitiveness Yearbook. Caderno de Ideias - Nova Lima - 2012 - CI 1222 3
  • 4. Por fim, o Banco Interamericano de Desenvolvimento Brasil Competitivo. No ano de 2012, a pesquisa alcançou(2001) mostra que o sucesso de uma economia o recorde de mais de 15 mil questionários respondidos,competitiva está relacionado ao contexto no qual as em um total de 144 economias, entre os meses de janeiroempresas, ou ambiente de negócios, estão inseridos e à e junho. Seguindo os processos de seleção de dadossua capacidade de conduzir ao crescimento sustentado pontuados pela equipe do WEF, foram consideradosda produtividade e da renda per capita da sociedade, válidos 14.059 questionários, o que representa uma médiaconsiderando um ambiente internacionalmente integrado. de aproximadamente 100 questionários por país.Mais do que isso, aponta que qualquer país é capaz de As mais de 100 variáveis analisadas no estudo sãoexpandir seu potencial econômico, independentemente agrupadas em doze pilares competitivos, para os quaisde seu nível de desenvolvimento. Para tanto, basta que são apresentados resultados competitivos individuais.consiga criar um ambiente interno que disponibilize os Apesar disso, é importante lembrar que eles não sãoelementos produtivos, tecnológicos e organizacionais independentes, em se tratando do contexto econômicoadequados ao desenvolvimento. de um país: eles se reforçam, e a fragilidade em um pilar pode influenciar negativamente outro deles. Os pilares, por sua vez, são agrupados em três sub-índices, a saber: i) Requisitos Básicos, ii) Propulsores de Eficiência e iii) A METODOLOGIA DO GLOBAL Inovação e Sofisticação Empresarial. Além disso, cada pilar afetará determinada economia de uma maneira COMPETITIVENESS REPORT diferente. Não se pode esperar que os meios para um - INFORMAÇÕES BÁSICAS E país como o Camboja ganhar competitividade sejam os ALTERAÇÕES NO RELATÓRIO mesmos que os da França, por exemplo. Isso porque eles estão em diferentes estágios de desenvolvimento, DE 2012 de acordo com o estudo do WEF. À medida que um país se desenvolve, os salários tendem a aumentar e, para sustentar altos níveis de renda, a produtividade doO Global Competitiveness Index, criado em 2004 pela trabalho também se eleva.equipe do World Economic Forum, em conjunto com o Nesse sentido, o índice assume que as economiasprofessor Xavier Sala-i-Martin, da Columbia University, é no primeiro estágio de desenvolvimento são guiadasformado por uma série de dados hard, ou secundários, por fatores (factor-driven economies) e competem nae por dados soft, ou primários. Os dados hard são base de preços e de venda de produtos básicos ouprovenientes de fontes nacionais e internacionais, e sua commodities, com baixa produtividade e salários. Agrande maioria é referente ao ano anterior da publicação manutenção da competitividade nesse estágio dependedo relatório (ou o dado mais recente disponível). Os do bom funcionamento das instituições públicas edados soft são provenientes da pesquisa de opinião de privadas, de uma infraestrutura bem desenvolvida, deexecutivos conduzida pelas instituições parceiras nos um ambiente macroeconômico estável e de uma forçapaíses considerados. No caso do Brasil, quem realiza de trabalho saudável que tenha um mínimo de educaçãoessa etapa é a Fundação Dom Cabral e o Movimento básica (WEF, 2012). Determinado por um quadro jurídico e administrativo em que indivíduos, empresas e governos interagem Instituições para gerar prosperidade. A infraestrutura ampla e eficiente é fundamental para o funcionamento da economia. Reduzir os efeitos da Infraestrutura distância, integrar o mercado nacional e conectar aos mercados de outros países a baixo custo são fatores Factor Driven essenciais à competitividade. Requisitos Por si só, a estabilidade macroeconômica não é capaz de garantir aumentos de produtividade de uma nação, Ambiente Básicos mas a instabilidade deste ambiente consegue imperdir os ganhos competitivos e o crescimento sustentado da Macroeconômico economia como um todo. Avalia a importância de uma força de trabalho saudável para que um país possa ser produtivo e competitivo. Saúde e Educação Também busca identificar a quantidade e qualidade da educação primária, elemento primordial para que haja Primária uma força de trabalho capacitada, que possa se adaptar a processos e técnicas de produção mais avançadas.Quadro 1: Economias guiadas por fatores – Global Competitiveness Report 2012Fonte: WEF, 2012. Elaboração dos autores. Caderno de Ideias - Nova Lima - 2012 - CI 1222 4
  • 5. À medida que aumenta sua competitividade, a produtividade da competitividade nesse ponto acontece através dae os salários também se elevam. O país então caminha educação superior e da capacitação da força de trabalho,para o segundo estágio de desenvolvimento, no qual é da eficiência do mercado de bens, da adequação dosguiado pela eficiência (efficiency-driven economies). Nesse mercados de trabalho, do desenvolvimento de mercadossentido, precisa desenvolver processos de produção mais financeiros, da habilidade em aproveitar novas tecnologiaseficientes e produtos de maior qualidade. A manutenção e do tamanho dos mercados interno e externo. A economia globalizada de hoje exige que os países preparem e eduquem sua população para que Educação Superior possam atuar em tarefas complexas, adaptar-se rapidamente a diferentes ambientes e acompanhar e Capacitação as necessidades da economias. Eficiência no Um mercado considerado eficiente apresenta o mínimo possível de impedimentos ao Mercado de Bens desenvolvimento dos negócios, e está ligado às condições da demanda. Eficiência no Os mercados de trabalho precisam ser flexíveis o suficiente para permitir aos trabalhadores mudar de Efficiency Driven Mercado de atividades a baixos custos e sem grandes variações salariais. E deve oferecer os incentivos Propulsores Trabalho necessários para que produzam sempre da melhor maneira possível. de Desempenho do Um setor financeiro eficiente apresenta condições para canalizar os recursos poupados, bem como Eficiência Mercado aqueles provenientes do exterior, em projetos empresariais ou investimentos com as maiores taxas Financeiro de retorno esperado. Avalia a agilidade com a qual uma economia consegue adotar tecnologias existentes para aprimorar a Prontidão produtividade de suas indústrias, e a capacidade de alavancar o uso de tecnologias de informação e Tecnológica comunicação em atividades diárias e processos de produção. Tamanho do Tamanho dos mercados interno e externo que orientam as empresas. MercadoQuadro 2: Economias guiadas por eficiência - Global Competitiveness Report 2012.Fonte: WEF, 2012. Elaboração dos autores.Por fim, o país chega ao estágio em que é guiado pela inovação (innovation-driven economies), no qual a manutençãode níveis elevados de renda e padrão de vida irá depender da capacidade de competição via produtos, serviços,modelos e processos novos ou únicos. Nesse estágio, a competição ocorre com a produção (adicionada de tecnológica)de novos ou diferentes bens e através da sofisticação dos processos e modelos de negócios. A sofisticação das práticas de negócios permitem maior eficiência na produção de bens e Innovation Driven Sofisticação dos serviços. Dois elementos chave são a qualidade geral das redes de negócios no país e a Inovação e Negócios qualidade das operações e estratégias das firmas. Sofisticação A inovação pode ser tecnológica ou pode estar relacionada ao know-how, habilidades e Empresarial condições de trabalho que são incorporadas em organizações. O último pilar da Inovação competitividade foca nas inovações tecnológicas.Quadro 3: Economias guiadas por inovação - Global Competitiveness Report 2012Fonte: WEF, 2012. Elaboração dos autores.A alocação dos países em cada um dos estágios de devem ser analisados por cada país criteriosamente,desenvolvimento ocorre a partir de dois critérios: i) PIB uma vez que podem ser reflexo de ganhos ou perdasper capita, medida abrangente que é utilizada como proxy absolutas em determinado quesito, ou podem se tratarpara salários e que permite comparabilidade internacional de ganhos ou perdas relativas aos demais paísese ii) riqueza dos países, medida através da parcela de estudados. E, a cada ano, os indicadores são revisitadosexportações de bens minerais em relação ao total de de modo a avaliar sua relevância para o estudo. Em 2012,exportações (países cuja exportação mineral ultrapassa foram removidos os indicadores de i) spread bancário,70% das exportações totais são em grande parte guiados pertencente ao pilar de ambiente macroeconômico,por fatores). E existem ainda aquelas economias que se devido às limitações de comparabilidade internacionalencontram em estágios de transição, nos quais o cálculo do indicador, e ii) índice de rigidez do emprego,do score final leva em consideração os elementos que pertencente ao pilar de eficiência do mercado de trabalho, que deixou de ser calculado pelo Bancoestão se tornando mais importantes para o país. Mundial (fonte oficial do dado). Dois novos indicadoresPor fim, lembramos que este é um estudo comparativo que entraram para a análise: o número de assinaturas deestá em constante aprimoramento. Os resultados finais internet móvel (pilar de prontidão tecnológica) e uma Caderno de Ideias - Nova Lima - 2012 - CI 1222 5
  • 6. variável proveniente da survey que avalia a provisão de avaliar o comportamento competitivo do grupo das 20serviços governamentais para o ambiente empresarial maiores economias do mundo. Para adequar essa análise(pilar de instituições). Por último, o indicador de aos dados provenientes do Global Competitivenesspatentes tem uma nova fonte, de modo a eliminar um Index, deixamos de lado os países que compõem a Uniãopossível viés geográfico na fonte anterior. Europeia e que são membros do G20 apenas como parte desse grupo, e não individualmente. O GRAF. 1 a seguir mostra o desempenho competitivo, entre os anos de 2006 e 2012, dos 19 países O DESEMPENHO selecionados, quais sejam: África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, COMPETITIVO DAS 20 China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia MAIORES ECONOMIAS DO e Turquia. Por se tratar de um grupo heterogêneo em MUNDO se tratando das condições que são desenvolvidas no ambiente competitivo, era de se esperar a ausência de um movimento comum ao grupo. Entretanto, podem-se notar alguns destaques pontuais ao longo de todo oNa tentativa de realizar uma análise um pouco mais período, apresentados na sequência.abrangente das economias globais, nos propusemos aGráfico 1: Índice de competitividade global - 20 maiores economias do mundoFonte: WORLD ECONOMIC FORUM. The Global Competitiveness Index 2012-2013 data platform.Observação: As linhas de alguns países podem estar sobrepostas e, por isso, não é possível visualizá-las.Em primeiro lugar, percebe-se uma subdivisão entre é observado, porém ele reflete uma redução nasos membros do grupo. Na parte superior do gráfico, diferenças competitivas desse conjunto, que parece estarencontram-se os países de maior desempenho se tornando mais “homogêneo” ao longo do período.competitivo (grupo I) e, na parte inferior, aqueles com Em segundo lugar, cabe destacar o comportamentomenor competitividade (grupo II). Sobre o grupo I, de Arábia Saudita e da China, que parecem ter saídodestacamos que, nos últimos sete anos, houve um do grupo II para caminhar em direção ao grupo I. A“achatamento” em termos de valores gerais, reflexo Arábia Saudita vem acumulando ganhos competitivosda perda de competitividade relativa dos países do em termos de scores desde que foi incluída no estudoconjunto. Os scores que antes variavam entre 5,07 e do World Economic Forum em 2007, e hoje parece5,8 aproximadamente, hoje estão entre 5,11 e 5,4. Em ocupar um lugar cativo no conjunto dos países derelação ao grupo II, o mesmo tipo de comportamento Caderno de Ideias - Nova Lima - 2012 - CI 1222 6
  • 7. melhor desempenho. De acordo com o WEF, esse O ambiente de negócios relativamente sofisticado aindadesempenho é fruto de uma série de aprimoramentos aproveita os benefícios de um dos maiores mercadosque resultaram em uma estrutura institucional sólida, interno do mundo. Paralelamente a isso, os acessosmercados eficientes e um ambiente de negócios a meios de financiamentos para investimentos porsofisticado. O ambiente macroeconômico do país parte das empresas mostram-se razoavelmente fáceistambém se aproveitou da elevação nos preços da e competitivos. Dentre os desafios para a economiaenergia (que permitiu maior superávit na balança brasileira, estão os baixos níveis de confiança nosorçamentária) e de uma predominância cada vez maior políticos e de eficiência das políticas de governo,do uso das tecnologias de informação e comunicação associados às excessivas regulações governamentaispara alavancar a produtividade. (incluem-se aqui os procedimentos necessários à abertura de novos negócios) e gastos desnecessários.Após cinco anos de ganhos incrementais, mas estáveis e Outros fatores que tradicionalmente mostram-se comoprogressivos, em seu desempenho competitivo, a China gargalos à competitividade do Brasil (e neste ano não seenfrenta um declínio que a coloca de volta à posição que comportaram de maneira diferente) são a qualidade daocupou em 2009. Por um lado, indicadores que avaliam infraestrutura de transportes, a qualidade da educaçãoo desenvolvimento do mercado financeiro, a prontidão e o volume de taxação como limitador ao trabalho etecnológica e a eficiência do mercado perderam investimentos.posições competitivas e se tornaram elementos críticospara o país. Por outro lado, a situação macroeconômica Procederemos com uma análise dos elementos de maiorpermanece bastante favorável e a nação apresenta destaque do Brasil no ano de 2012 (QUADRO 4). Osbom desempenho quanto aos indicadores que analisam quadros completos, com todos os indicadores de cadaa educação básica, a educação superior e a saúde. um dos 12 pilares, poderão ser consultados ao finalNesse sentido, a China permanece em uma posição de deste caderno.transição entre os dois grupos considerados na análisee, por isso, merece atenção nos próximos anos.Por fim, temos a Turquia, país pertencente ao grupo II,mas de destaque no posicionamento competitivo geral.Desde 2008, o país apresenta desempenhos positivosem termos de scores e é um dos mais bem posicionadosdo grupo. Em uma próxima seção, iremos analisarcom mais detalhes o comportamento competitivo daeconomia turca. O DESEMPENHO COMPETITIVO DA ECONOMIA BRASILEIRAO Brasil entrou para a lista das 50 economias maiscompetitivas do mundo, ao ganhar cinco posições naúltima edição do Global Competitiveness Index, relatóriode competitividade internacional elaborado pelo WorldEconomic Forum. O país chegou à 48ª colocação,acumulando um ganho competitivo de dez posições nosúltimos dois anos.Como causas gerais para esse comportamento,o WEF aponta uma melhora relativa na condiçãomacroeconômica do país (apesar da manutençãode índices inflacionários elevados) e o aumento nautilização de tecnologias de informação e comunicação. Caderno de Ideias - Nova Lima - 2012 - CI 1222 7
  • 8. 2009-2010 2010-2011 2011-2012 2012-2013 GCI (133) (139) (142) (144) Desempenho Geral 56 58 53 48 Requisitos Básicos 91 86 83 73 1st pilar: Instituições 93 93 77 79 2nd pilar: Infraestrutura 74 62 64 70 3rd pilar: Ambiente Macroeconômico 109 111 115 62 4th pilar: Saúde e Educação Primária 79 87 87 88 Propulsores de Eficiência 42 44 41 38 5th pilar: Educação Superior e Capacitação 58 58 57 66 6th pilar: Eficiência do Mercado de Bens 99 114 113 104 7th pilar: Eficiência do Mercado de Trabalho 80 96 83 69 8th pilar: Desempenho do Mercado Financeiro 51 50 43 46 9th pilar: Prontidão Tecnológica 46 54 54 48 10th pilar: Tamanho do Mercado 10 10 10 9 Inovação e Sofisticação Empresarial 38 38 35 39 11th pilar: Sofisticação dos Negócios 32 31 31 33 12th pilar: Inovação 43 42 44 49Quadro 4: Brasil – Elementos de maior destaque – 2009-2012Fonte: WORLD ECONOMIC FORUM. Elaborado pelos autores.Em Instituições, os ganhos em indicadores que avaliam afirma Alberto Ramos, do Goldman Sachs, em entrevistaas instituições privadas como a eficácia dos conselhos ao Financial Times, essa estratégia não garante umde administração e o nível de proteção aos acionistas crescimento rápido no curto prazo, mas com certeza temminoritários demonstram que a capacidade das a capacidade de elevar o potencial de crescimento.empresas em aprimorar a transparência de suas açõese apresentação de resultados está cada vez maior. Poroutro lado, variáveis que avaliam as instituições públicas Com PAC das Concessões, Dilmaainda estão mal posicionadas. Como exemplo, o desvio retoma as privatizaçõesde verbas públicas, a falta de confiança nos políticos,o desperdício nos gastos governamentais e o peso da O governo federal anunciou (...) o Programa deregulação governamental. Ainda são evidentes no Brasil Investimentos em Logística - Rodovias e Ferrovias. Oa corrupção, a desonestidade em lidar com contratos plano, apelidado de “PAC das Concessões”, prevê apúblicos e a desconfiança em relação às políticas e aos concessão à iniciativa privada de 7,5 mil quilômetrospolíticos. Além disso, o excesso de regulamentações e de rodovias e 10 mil quilômetros de ferrovias federaisburocracias, a impossibilidade de prestar os serviços - entre modais antigos e outros que serão construídos.adequados e a falta de transparência desestimulam Os leiloes não exigirão o pagamento de outorgas,a atividade empresarial. Todos esses fatores impõem mas sim serão definidos com base em lances quecustos às atividades e retardam o crescimento econômico oferecerem a menor tarifa de uso das vias.sustentado. O programa contempla investimento da ordem deEm Infraestrutura, a qualidade da infraestrutura de 133 bilhões de reais em 25 anos, sendo 79,5 bilhõestransportes se mantém um nítido gargalo nacional. de reais apenas nos primeiros cinco anos. Entre oPor se tratar de um dado proveniente da pesquisa de quinto e o vigésimo ano serão realizadas inversõesopinião de executivos, percebe-se a insatisfação do setor no valor restante de 53,5 bilhões de reais. As rodoviasempresarial com o desempenho da infraestrutura, que receberão ao todo 42 bilhões de reais entre 2013trava o escoamento da produção e eleva os custos de e 2038, sendo 23,5 bilhões de reais apenas nosprodução e transporte, entre outros. Entretanto, deve-se cinco primeiros anos e 18,5 bilhões de reais nolembrar o recente pacote de infraestrutura e logística período seguinte. O programa de ferrovias prevê oanunciado pelo governo, que prevê a concessão à desembolso de 56 bilhões de reais nos primeiros cincoiniciativa privada de 10 mil quilômetros de ferrovias e anos e, subsequentemente, 35 bilhões de reais a maissete 7.500 quilômetros de rodovias federais. Conforme de 2018 a 2038. As concessionárias, Caderno de Ideias - Nova Lima - 2012 - CI 1222 8
  • 9. tornam a economia dependente da poupança externa segundo o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio para tais financiamentos, o que deixa o país vulnerável Passos, somente poderão começar a cobrar tarifas a momentos de crises internacionais. E um desses após a conclusão de, no mínimo, 10% das obras. momentos de crise tem pautado a economia mundial Conforme o ministro, ao lado da criação de uma atualmente. Vários países da zona do Euro enfrentam companhia para gerir o trem bala, a Empresa de desastrosas crises relacionadas ao crescimento (e não Planejamento e Logística (EPL), a nova etapa de pagamento) das suas dívidas públicas, associados ao atuação do governo amplia a escala dos investimentos risco de colapso do sistema bancário da região. Os públicos e privados em infraestrutura. “Falamos em Estados Unidos também vêm enfrentando problemas ferrovias e rodovias destacando a duplicação dos políticos e macroeconômicos, o que abala e reduz mais principais eixos rodoviários do País”, disse. “Se a confiança dos investidores. E a China, em decorrência precisamos reforçar nossa condição institucional, do arrefecimento da demanda internacional, também isso se faz a partir de planejamento e logística”, apresenta sinais de desaceleração econômica. acrescentou. (...) Uma “ausência” que merece destaque é o indicador Custo-Brasil  - A presidente Dilma Rousseff destacou que, após avanços significativos de spread bancário, muito negativo para o Brasil e que no controle da inflação e na diminuição da precisou ser cortado da análise neste ano. Segundo desigualdade social, chegou o momento de o país justificou o próprio WEF, o conceito norteador para avançar na redução do custo Brasil - e na melhoria a escolha da variável é o grau de eficiência do setor de sua competitividade. “Agora temos de avançar bancário no país. Entretanto, o indicador de spread na construção de um país que, para continuar bancário não era capaz de explicar essa ideia de justo, tem de focar na competitividade”, afirmou. maneira confiável, e com comparabilidade internacional. A presidente frisou que a opção do Planalto é Porém, esse indicador sempre foi problemático para o contribuir para a construção de uma infraestrutura país e sua ausência pode ter uma grande parcela de que, não somente seja de boa qualidade, mas responsabilidade no salto de 53 posições no ranking também se ofereça a “mais módica possível”. do pilar de ambiente macroeconômico. Sem dúvida, “Não estou fazendo a demagogia da infraestrutura as medidas tomadas pelo governo nos últimos meses, barata, mas sim a defesa da infraestrutura mais dentre elas a redução da taxa básica de juros na barata possível”, declarou. economia, e o consequente acompanhamento dessa Dilma destacou que seu governo, nos novos tendência por parte dos bancos, teria um retorno por si planos para melhoria e expansão da infraestrutura só favorável para a competitividade do Brasil. Mas esse logística, leva em conta as dificuldades particulares fato, sozinho, não explicaria o grande salto observado. do setor, as características próprias do país, Conforme mostrou uma reportagem da revista The sobretudo suas dimensões continentais, e a Economist, o spread médio aplicado no Brasil em 2011 atração do interesse dos empresários para foi de mais de 30 pontos percentuais. participar desta empreitada. (...) Fonte: VEJA ONLINE. Disponível em: <http://veja.abril.com. br/noticia/economia/com-pac-das-concessoes-dilma-retoma-as- privatizacoes>.O Ambiente Macroeconômico foi o grande destaquecompetitivo do Brasil no relatório de 2012. Pelo segundoano consecutivo, a taxa de poupança nacional ganhaum significativo número de posições competitivas,acumulando um total de 23 posições nos dois últimosanos. Apesar da movimentação positiva, várioseconomistas acreditam que a taxa ainda não se encontraem um nível adequado, restringindo a capacidade deinvestimentos em áreas essenciais ao crescimentode longo prazo como educação e infraestrutura.Além disso, o crescimento insuficiente da poupançainterna para financiar os investimentos que costumamacompanhar os surtos de aceleração econômica, Fonte: THE ECONOMIST, 21 abr. 2012. Caderno de Ideias - Nova Lima - 2012 - CI 1222 9
  • 10. Sobre a Saúde e Educação Básica, evidencia-se, dispensa de funcionários. O Desempenho no Mercadomais uma vez, o gargalo na qualidade da educação Financeiro continua apresentando comportamentofundamental, fato resultante de uma estrutura delicada, estável na economia brasileira.com baixos salários dos professores, pais que não Em Prontidão Tecnológica, foi inserida nova variável departicipam ativamente da educação dos filhos, falta de análise, número de assinaturas de internet móvel, queinvestimentos em materiais adequados, entre outros. praticamente dobrou no ano de 2011. E a expectativaDados recentes divulgados em reportagem da Equipe é de aumento ainda maior em 2012. Mas os maioresBrasil Escola mostram que a cada grupo de 100 alunos ganhos ficaram por conta das assinaturas de internetque entram na primeira série, somente 47 terminam o banda larga no país. Criado por um decreto em maio9º ano na idade correta, 14 concluem o ensino médio de 2010, o Programa Nacional de Banda Larga temsem interrupção e apenas 11 chegam à universidade. por objetivo expandir a infraestrutura e os serviços deConsequência direta é observada na Educação telecomunicações, aumentando também a qualidade dosSuperior e Capacitação, onde indicadores mostram serviços. A meta, até o fim de 2012, é atingir cerca de 40que as empresas brasileiras sentem a necessidade de milhões de domicílios. Sobre o Tamanho do Mercado, ocapacitar seu trabalhador recentemente absorvido no mercado interno do país continua forte, e é consideradomercado, uma vez que o ensino básico não prepara o a principal arma do governo para minimizar os efeitossuficiente para atuar nos cargos e tarefas necessárias. das crises mundiais. A Sofisticação dos NegóciosOu seja, a maior parte da capacitação essencial às continua sendo um dos pilares de melhor posicionamentonecessidades de uma economia competitiva está sendo competitivo do Brasil, apesar da generalizada perda deadquirida internamente às empresas, e não no sistema posições este ano, em função de uma diminuição node ensino formal como deveria ser. descrédito do corpo empresarial brasileiro diante dasSobre a Eficiência no Mercado de Bens, um dos graves práticas de negócios.problemas é efeito dos impostos para a economia. Por fim, o indicador com a principal perda em Inovação foiDe acordo com pesquisas do Instituto Brasileiro de a disponibilidade de engenheiros e cientistas, cujo frágilPlanejamento Tributário - IBPT –, o cidadão brasileiro desempenho está diretamente relacionado à falta de mãoprecisa trabalhar até o dia 29 de maio de cada ano apenas de obra qualificada no país. A economia se aqueceu epara pagar impostos. Entretanto, de acordo com o mesmo aumentou a demanda por trabalhadores qualificados,instituto, o Brasil é o país com o pior retorno dos valores porém o número de profissionais capacitados disponíveisarrecadados em prol do bem-estar da sociedade. Conforme é muito baixo, quando comparado à necessidade do país.mencionou a presidente, Dilma Rousseff, o sistema Enquanto o Brasil forma cerca de 40 mil engenheiros portributário brasileiro necessita de uma revisão, pois sua ano, a Rússia, a China e a Índia formam 190 mil, 220 milextrema complexidade não favorece o desenvolvimento e 650 mil, respectivamente. Além disso, desses 40 mildos negócios e a economia do país. Os impostos são engenheiros diplomados anualmente, mais da metade fazaltos e os custos enfrentados pelas empresas para o opção pela engenharia civil. E áreas que mais empregamentendimento da legislação dificultam a manutenção e o tecnologia como petróleo, gás e biocombustível sofremsurgimento de novos negócios. Por exemplo, enquanto com a escassez dos profissionais.os empresários de países desenvolvidos precisam lidarapenas com dois impostos em média (imposto de rendae imposto sobre o valor agregado), no caso do Brasil asempresas precisam lidar com pelo menos oito impostos(IRPJ, CSL, PIS, Cofins, ICMS, IPI, ISS, IOF). O exemplo da TurquiaA percepção dos executivos sobre a Eficiência noMercado de Trabalho melhorou em função das medidasque foram propostas pelo governo para a desoneração Entre os anos de 2009 e 2012, a Turquia acumulou umda folha de pagamentos em diversos setores, como salto de 18 posições no relatório de competitividadeparte do Plano Brasil Maior. Um das justificativas para global do World Economic Forum – WEF. Somente notal medida, anunciada em abril de 2012, é o aumento ano de 2012, o país ganhou 16 posições no rankingda capacidade de emprego e formalização dos geral, conforme mostra o GRAF. 2. O Brasil, no mesmotrabalhadores por parte das empresas a um custo menor. período de quatro anos, apresentou um comportamentoAlém disso, está em discussão um projeto que propõe oscilante, conquistando no máximo dez posiçõesa redução da multa de 10% sobre o FGTS cobrado na competitivas. Caderno de Ideias - Nova Lima - 2012 - CI 1222 10
  • 11. julgam a estrutura institucional, passando ainda por ganhos de eficiência no setor empresarial. Um dos pilares de desempenho relevante trata das instituições do país, que saltou da 88ª posição para a 64ª nos dois últimos anos. O empresariado local começa a valorizar a sua estrutura e isso afeta de maneira positiva os negócios em geral. Com ganhos acumulados em praticamente todos os indicadores do pilar (ver quadro),Gráfico 2: Desempenho Competitivo da Turquia e do Brasil – podemos destacar que regulamentações relativamente2009-2012 simples, possibilidade de prestação de serviçosFonte dos dados: WORLD ECONOMIC FORUM, GLOBAL adequados e, principalmente, a transparência do governoCOMPETITIVENESS REPORT. Elaborado pelos autores. em suas atitudes aumentam a confiança do setor privado, o que favorece o seu crescimento sustentado. RealizandoMas quais são os destaques da Turquia no período? De um exercício comparativo com o desempenho do Brasilacordo com o WEF, além do crescimento econômico no pilar (79ª posição), observa-se o diferencial dade 8,4% em 2011 (aliado a sua privilegiada localização Turquia, uma vez que as estruturas institucionais degeográfica), a Turquia vem apresentando uma série nosso país são consideradas extremamente frágeis ede progressos consideráveis em vários indicadores do as atitudes do governo parecem impor custos cada vezrelatório. Os ganhos englobam desde variáveis que mais elevados ao empresariado.avaliam o ambiente macroeconômico até aquelas que Turquia - Quadro institucional Global Competitiveness Report Caderno de Ideias - Nova Lima - 2012 - CI 1222 11
  • 12. O ambiente macroeconômico também apresentou país em realizar processos burocráticos, a aplicação demelhora significativa (em dois anos saltou da 83ª para políticas antimonopólio assertivas e demais fatores quea 55ª posição no ranking), ultrapassando a economia fomentam um ambiente competitivo.brasileira no quesito (62ª posição). Esse desempenho A Turquia foi capaz de criar oportunidades e aproveitá-lasestá apoiado no comportamento do setor financeiro da maneira mais adequada possível. Conforme aponta a- que se mostra mais estável, acessível e digno de OCDE, a Turquia deverá ser a economia de mais rápidoconfiança, conforme pontuam os empresários turcos - e crescimento entre os países membros da organizaçãonos ganhos de eficiência das empresas, provenientes no período de 2011-2017, com uma taxa de crescimentodo tamanho do mercado interno (15ª posição) e da médio anual de 6,7%. Como resultado do aquecimentointensa competição local. da economia, o país ainda enfrenta desafios nas áreasOutro grande salto positivo diz respeito à eficiência de educação e saúde, que representam um grupo deno mercado de bens, pilar que galgou 21 posições indicadores que requerem atenção e investimento.competitivas no acumulado dos dois últimos anos e que Entretanto, estudo do Fundo Monetário Internacionalrepresenta um misto entre variáveis de percepção do mostra que uma sólida estratégia macroeconômicaempresariado e dados da economia do país. Diferente adotada no país nos últimos anos (e que permitiudo Brasil, que se encontra na 104ª posição nesse uma resposta razoavelmente boa à crise financeira depilar, a Turquia saltou da 59ª para a 38ª posição. Para 2009), associada a políticas fiscais prudentes e grandesexemplificar, selecionamos o número de dias para se reformas estruturais em vigor desde 2002, permitiuabrir uma empresa, variável proveniente do relatório a integração global do país e o ganho de vantagensDoing Business, elaborado pelo Banco Mundial. Na competitivas, como mostra o seu posicionamento noTurquia são necessários apenas seis dias para se iniciar relatório do WEF. Não devemos esquecer que, nãoum novo negócio (16ª posição), enquanto no Brasil é obstante, entre os anos de 2002 e 2011, o crescimentopreciso um total de 119 dias (139ª posição). Além desta, econômico médio da Turquia foi de 6,7%, como mostraoutras variáveis também demonstram a facilidade do o GRAF. 3.Gráfico 3: Crescimento econômico médio – 2002-2011 - Turquia e demais paísesFonte: TURKISH STATISTICAL INSTITUTE. IMF World Economic Outlook, Apr. 2012. Caderno de Ideias - Nova Lima - 2012 - CI 1222 12
  • 13. O Brasil, nos últimos anos, ganhou posições significativas Tais ações podem ser tratadas como reflexo dasno ranking de competitividade do WEF, mas o caso da atitudes de um governo comprometido. Uma vez queTurquia é um exemplo claro de que o avanço brasileiro são os elementos sistêmicos que permitem a um paíspoderia ser maior. Os setores público e privado do nosso desenvolver ou não as condições adequadas parapaís poderiam se atentar às estratégias turcas, que competir, o Brasil vive um período interessante deestão permitindo uma grande reestruturação nacional criação dessa capacidade competitiva. Entretanto,e, consequentemente, fomentam a competitividade para que se alcancem resultados no longo prazo - queinternacional do país. O Brasil tem espaço e possibilidades deveria ser o objetivo maior de qualquer política sériapara criar essas condições e se colocar bem próximo às -, reiteramos a importância do comprometimento e30 economias mais competitivas do mundo. Espelhando- da adoção de mais medidas assertivas, em outrasse no comportamento turco, e desenvolvendo de fato as importantes áreas estruturais.medidas adequadas, quem sabe o Brasil não consegue Há um espaço enorme de crescimento competitivoobter o mesmo sucesso? brasileiro – na área de infraestrutura, por exemplo. Como era de se esperar, a percepção dos executivos sobre a qualidade da infraestrutura de transportes (aéreo, rodoviário, portuário e ferroviário) é extremamente negativa. Caso as ações anunciadas pelo governoREFLEXÕES FINAIS - ESTAMOS sobre a parceria público-privada para o Programa de CRIANDO CONDIÇÕES PARA Investimentos em Logística saiam de fato do papel, aumentam-se as perspectivas de ganhos do país nesse COMPETIR? quesito. A atitude é boa, mas a implementação não pode ser lenta, pois o problema é urgente. O marco regulatório é outro aspecto que vem sendo considerado um dosA edição 2012 do Global Competitiveness Report foi maiores entraves ao desenvolvimento dos negócios norefinada. Indicadores foram removidos (spread bancário país e precisa ser simplificado. A percepção não seriae rigidez do emprego) devido à ineficiência das variáveis diferente, haja vista um país onde são necessários (emem medir o que pretendiam, outros indicadores foram média) 119 dias para se abrir uma empresa. O governoincorporados à análise (assinaturas de internet móvel tem sido habilidoso em tomar determinadas medidase provisão de serviços governamentais) e, ainda, sem fazer muito barulho - como as apresentadasum indicador teve sua fonte alterada (patentes). anteriormente. Mas, outra vez, é importante a manutençãoTais ajustes são necessários, mas deixaram a da postura assertiva.análise um pouco mais superficial em se tratando Por fim, o Brasil tem a capacidade de atrair de maneirado Brasil. Principalmente se considerarmos que, adequada profissionais qualificados de modo anos dois indicadores removidos do estudo, o país compensar a ausência dos mesmos no mercado devinha apresentando um desempenho extremamente trabalho do país, que é um dos principais gargalos ànegativo, situando-se nas últimas posições dos produtividade e ao crescimento sustentado. Enquantorespectivos rankings. Não fossem essas mudanças ainda persistem as deficiências internas, uma soluçãona metodologia, o Brasil talvez não tivesse ganhado seria a “importação de cérebros”, aproveitando-se doscinco posições na competitividade geral. altos níveis de desemprego atualmente na Europa. OPor outro lado, destaca-se a percepção positiva da Brasil continuaria a investir na qualidade da educaçãocomunidade empresarial em relação às mudanças formal, o que já acontece em velocidade um pouco lenta,provocadas pelo governo nos últimos meses, sejam mas minimizaria o problema momentâneo.elas voltadas para a simplificação de procedimentos ou As ações do governo estão adequadas, e aparentementeredução de custos. Como exemplo, a desoneração da no momento certo. Mas é a manutenção dessas açõesfolha de pagamentos em alguns setores e a proposta que irá determinar a real capacidade de competir doda redução da multa de 10% sobre o FGTS em caso de país. Elas devem se tornar políticas, e seu retorno sódispensa de funcionário. irá aparecer no longo prazo. Caderno de Ideias - Nova Lima - 2012 - CI 1222 13
  • 14. REFERÊNCIASBRASIL TURQUIA CENTRO CULTURAL. Disponível em:<http://www.brasilturquia.com.br/index.php/economia-sobre-economia-turca/informacoes-a-relatorios-dados-da-economia-turca/perspectivas-da-economia-turca>.COUTINHO, L.; FERRAZ, J. C. Estudo da competitividadeda indústria brasileira. Campinas: UNICAMP, 1994.FINANCIAL TIMES, Aug. 2012. Disponível em:<http://www.ft.com/intl/cms/s/0/8a8d5caa-f0ee-11e1-b7b9-00144feabdc0.html>.GARELLI, S. Top class competitors: how nations,firms and individuals succeed in the new world ofcompetitiveness. Chichester: Wiley, 2006.INTER-AMERICAN DEVELOPMENT BANK.Competitiveness: the business of growth. In: ECONOMICAND SOCIAL PROGRESS IN LATIN AMERICA.Washington, D.C., 2001.INTERNATIONAL INSTITUTE FOR MANAGEMENTDEVELOPMENT. World Competitiveness Yearbook2011. Lausanne, 2001.INTERNATIONAL MONETARY FUND. IMF WorldEconomic Outlook. Turkish Statistical Institute, Apr.2012.PORTER, M. The competitive advantage of nations.New York, 1990.REVISTA VEJA, ago. 2012. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/noticia/economia/com-pac-das-concessoes-dilma-retoma-as-privatizacoes>.THE ECONOMIST, Abr. 2012. Disponível em: <http://www.economist.com/node/21553077>.WORLD ECONOMIC FORUM. Global competitivenessreport. Genebra: Palgrave, 2011. Caderno de Ideias - Nova Lima - 2012 - CI 1222 14
  • 15. ANEXO – Desempenho competitivo do Brasil no Global Competitiveness Report 2012Os indicadores marcados com (*) referem-se a dados secundários coletados pela equipe do WEF. Osdemais indicadores são provenientes da pesquisa de opinião de executivos. Caderno de Ideias - Nova Lima - 2012 - CI 1222 15