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Desafios da Sustentabilidade

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O estado das cidades e a perspectiva das cadeias produtivas do setor da construção

O estado das cidades e a perspectiva das cadeias produtivas do setor da construção

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  • 1. CI1111 Gestão estratéGica do suprimento e o impacto no desempenho das empresas BrasileirasdesaFios da sustentaBilidade:o estado das cidades e a perspectiva das cadeias produtivas do setor daconstrução.Rafael Tello, Lucas Amaral Lauriano - Núcleo Petrobras de Sustentabilidade APRESENTAÇÃO sustentabilidade, buscamos relacionar alguns pontos discutidos com pressupostos do arcabouço teórico utilizado pelo CDSC em suas atividades: o Modelo dao Centro de Desenvolvimento da Sustentabilidade naConstrução promoveu um encontro de sua Comunidade Base Tripla para Ação Sustentável (B3A).1de Prática no dia 29.04.10, convidando seus associados erepresentantes setoriais e do governo para uma discussãopreliminar sobre indicadores de sustentabilidade decadeias produtivas do setor da construção. O evento teve INTRODUÇÃOduração de um dia e foi dividido em duas partes.Na parte da manhã o objetivo foi inspirar os participantes Em 2008, pela primeira vez na história, mais da metadesobre como traduzir os desafios da sustentabilidade para da população mundial, atualmente em torno de seteindicadores, que podem ser acompanhados e geridos, bilhões de habitantes, vive nas cidades. E até 2030, adando base para estratégias e planos de ação. Para população urbana deverá chegar a quase 5 bilhões –-isso, foram convidados o professor Carlos Leite, da 60% da população mundial. (UNFPA, 2007) A mudançaUniversidade Mackenzie, para abordar o atual estado é avassaladora, como pode ser observado abaixo:das cidades no mundo; e o pesquisador Elvis Bonassa,da Kairós Desenvolvimento Social, para reportar sua População Urbana População Rural Anoexperiência com a criação de sistemas de indicadores (%) (%)para avaliação das cidades. 1900 10 90O período da tarde teve como o foco a tradução dasexperiências com as cidades para a realidade das 2007 50 50cadeias produtivas do setor da construção. Assim,foram elaboradas atividades para que os participantes 2030 60 40pudessem indicar os temas de sustentabilidade ligadosàs suas atividades e quais os mais relevantes a serem 2050 75 25acompanhados para observar a sua evolução. Quadro 1: Tendência do Aumento da População UrbanaEste texto pretende apresentar os principais pontos Fonte: UN-Habitat (2007)discutidos no dia do evento com contribuições dosautores para que o leitor que não tenha participadodo evento possa entender com clareza os temas lá 1 Para se aprofundar no modelo teórico B3A recomendamosdiscutidos e avaliar os resultados alcançados. a leitura do artigo: Um Modelo de Ação Sustentável FocadoPara contextualizar os temas no atual ambiente no Mundo Contemporâneo. (TELLO et al, 2011), publicado na Revista da Fundação Dom Cabral – DOM – número 14. Mar-global e observar sua relação com a promoção da Jun. 2011. p. 51-57.
  • 2. Contudo, segundo dados apresentados pela UN-Habitat, (BAUMAN, 2010) é estimulada especialmente nasagência da ONU responsável por questões habitacionais cidades, fazendo dos seus habitantes causadores eo vigente processo de urbanização não é o desejado, vítimas dos problemas ambientais supracitados. Elauma vez que em 2007 estimava-se que um bilhão de faz com que mesmo poucos habitantes provoquempessoas viviam em favelas espalhadas pelo mundo. Este um alto impacto ambiental, como se pode observarnúmero tenderia a seguir em crescimento, atingindo 1,3 na comparação entre a pegada ecológica do mundobilhões em 2020. desenvolvido e do subdesenvolvido (WWF et al, 2008)Do quadro acima surge um problema, pois, apesar de, Por estar no centro da sociedade de consumo eem superfície, as cidades ocuparem apenas 2% da terra, concentrar as melhores oportunidades de boa qualidadeestas geram um impacto ambiental gigantesco. Alguns de vida para seus habitantes (UN HABITAT, 2007), asexemplos podem ser citados, como erosões causadas cidades atraem um constante contingente de habitantes,pelo desmatamento e construções em áreas íngremes, especialmente nos países em desenvolvimento. Istoimpermeabilização do solo, poluição dos rios por esgoto provoca também sérios impactos sociais, como asnão tratado, poluição provocada por veículos e indústrias, favelas, alta desigualdade social e surtos de doenças,além da grande geração de resíduos provocadas pelo por exemplo, uma vez que as cidades, na maior partealto nível de consumo da população (PAVIANI, 1999; das vezes, não têm condições de acolher todos os novosUN HABITAT, 2007). habitantes de forma digna.É importante perceber que estes impactos não são O papel central das cidades no mundo contemporâneo,decorrentes apenas da grande população urbana sendo ao mesmo tempo causadoras de problemasmundial. O atual sistema de produção e consumo vigente socioambientais e de desenvolvimento econômico ena maior parte dos países do mundo, inclusive aqueles cultural é sintetizado no Modelo da Base Tripla paraem desenvolvimento, se baseia no alto consumo de Ação Sustentável (B3A) (Figura 1), que aponta astodo tipo de bens, estimulando uma produção maciça principais esferas e agentes relacionados ao alcancee constante. A atual cultura do consumo e do crédito da sustentabilidade no mundo.Figura 1: Modelo da Base Tripla para Ação Sustentável (B3A)Fonte: Arquivo Pessoal Caderno de Ideias - Nova Lima - 2011 - CI 1111 2
  • 3. Mas conhecer o atual cenário não é suficiente. A busca portanto, excludente.” (COSTA, 2005). Segundo Ferreirapor soluções para as cidades passa pela compreensão (2005) as cidades brasileiras possuem em média entrede como elas atingiram este estado. A próxima seção 40% e 50% de sua população vivendo na informalidadeaborda esta evolução. urbana, situação que incorpora inadequação físico- construtiva e ambiental da habitação, ausência de infraestrutura urbana ou ainda ilegalidade da posse da terra ou do contrato de uso. O DESENVOLVIMENTO As cidades evoluíram com o poder público realizando melhorias e obras de urbanização nas regiões centrais, URBANO ATRAVÉS DO TEMPO que acabaram se valorizando e impossibilitando sua aquisição pelas classes mais pobres. Além disso, nos planos de industrialização nas maiores cidades do Brasil,As cidades são parte de sociedades estratificadas. com destaque para o ocorrido no Rio de Janeiro, houveNelas habitam não fazendeiros, como soldados e uma expulsão explícita da população pobre de cortiços eburocratas, que demandam alimentos, mas não o áreas centrais para áreas mais distantes. Esse processoproduzem. Por esta razão, o crescimento das cidades gerou uma concentração de infraestrutura e serviçosdepende do aumento do excedente agrícola, que se urbanos nas áreas centrais, que foram ocupadas pelasdá via aumento da fronteira agrícola ou inovações elites, e deixou as áreas periféricas ocupadas pelatecnológicas (DIAMOND, 2007; JÚNIOR, 2006). Esta população mais pobre sem serviços básicos, reduzindocombinação de fatores – a estratificação da sociedade assim a sua qualidade de vida. (FERREIRA, 2005).nas cidades e a oferta de alimentos de fora dascidades – permitiu que a população urbana no ocidente Cabe ainda lembrar do processo de urbanizaçãocrescesse constantemente após o fim do feudalismo, descontrolada ocorrido em Belo Horizonte, inicialmentetanto pelo aumento do número de cidades quanto na projetada para ter seus limites na Avenida do Contorno. Emexpansão de sua população. sua fase inicial, a cidade abarcava a periferia como sendo o alto da Avenida Afonso Pena. Porém, com a ampliaçãoO crescimento demográfico das cidades ocidentais da infraestrutura e outros serviços urbanos para estasfoi ainda favorecido pelas importantes medidas de regiões elas passaram a ser uma área nobre, promovendosaúde pública implementadas, como tratamento da o deslocamento da população mais pobre que vivia naágua, construção de meios sanitários para coleta área. Assim, fica claro que a região periférica pode sedo esgoto (fossas e redes de esgoto), coleta de lixo, “locomover”, de certa forma, com a ampliação das cidadesentre outras. (OFÍCIO DO PROFESSOR 6 – MEIO e conseqüente necessidade de melhorias públicas.AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA, 2002 apud MEIOAMBIENTE, 2003) Por outro lado, São Paulo é uma situação extrema, na qual o crescimento populacional chegou a níveis tãoObserva-se que as cidades apresentam algumas altos que o rico e o pobre convivem literalmente lado acaracterísticas que tornam os impactos ambientais lado, porém com interação mínima, como é observadoinerentes à sua existência até os dias de hoje. Alguns na conhecida imagem abaixo:deles são: a necessidade de se levar bens aos habitantesurbanos, que obrigam as cidades a terem espaços paraa disposição de lixo; o papel central do comércio, queestimula o consumo dos habitantes urbanos em níveismais altos que os observados no meio rural; e a altadensidade demográfica que gera pressões, como porexemplo, de geração de esgoto. Estes pontos mostramque as próprias características das cidades geramimpactos ambientais (MEIO AMBIENTE, 2003) e quaisdificuldades podem surgir na busca pela redução dapoluição no ambiente urbano.No Brasil, o processo de expansão das cidades se deude maneira tal que as diversas classes sociais foramdemarcadas no espaço, “[a]s políticas de regulaçãourbana estiveram sempre associadas às políticas de Figura 2: Exemplo de desigualdade urbana no Brasilinvestimento, orientadas pela mesma lógica seletiva e, Fonte: Tuca Vieira Caderno de Ideias - Nova Lima - 2011 - CI 1111 3
  • 4. O crescimento desordenado e segregado das cidades são, sobretudo, muito mais intricadas, envolvendobrasileiras apresenta mais dificuldades para a construção uma extensa gama de stakeholders, cujas relaçõesde um desenvolvimento urbano sustentável, pois as são complexas e mais rápidas que as observadas nocidades sofrem problemas muito distintos, mas de grande passado. Além disso, surgem grandes desafios no queimpacto em seus diferentes espaços. Os problemas se refere à governança e infraestrutura necessárias paraadvindos do crescimento desordenado são ainda promover a integração dos cidadãos dessas grandesampliados com o fenômeno recente de aglomeração extensões geográficas e estimular o crescimentopopulacional em algumas poucas áreas, gerando o que econômico destas regiões, cujas soluções demandamchamamos de megacidades, cujos exemplos no Brasil inovações e parcerias de todos os stakeholders.são São Paulo e Rio de Janeiro. (GLOBESCAN e MRC McCLEAN HAZEL, 2007)Mas, afinal, o que é este fenômeno exatamente? E quais As megacidades são aglomerações cada vez maissuas implicações para o desenvolvimento urbano e a comuns no cenário mundial. Em 1950 havia apenassustentabilidade? duas, Tóquio e Nova Iorque. Em 2004 já eram 22, contendo 9% da população mundial (GLOBESCAN e MRC McCLEAN HAZEL, 2007). Há hoje uma dispersão entre as tendências para megacidades em AS MEGACIDADES países ricos e pobres. As primeiras apresentam baixa taxa de crescimento, população mais envelhecida e infraestrutura já construída, cujo desafio é suaParte significativa da população mundial vive em renovação. Já as megacidades de países pobres têm altaum planeta aglomerado em pólos gigantescos, que taxa de crescimento, população jovem, especialmentese denominam megacidades. Megacidades são masculina, devido às migrações e alto nível de pobreza,aglomerações urbanas com mais de 10 milhões de com infraestrutura precária para o atendimento dahabitantes (GLOBESCAN e MRC McCLEAN HAZEL, população local (GLOBESCAN e MRC McCLEAN2007). Segundo a ONU, estas cidades já abrigam HAZEL, 2007). Uma mostra dessa disparidade pode seraproximadamente 280 milhões de habitantes e são ao observada na figura abaixo, que mostra a localização emesmo tempo centros cada vez mais importantes na o crescimento populacional por hora nas megacidades.promoção do crescimento das economias de seus países Percebe-se que a maior concentração das megacidades(GLOBESCAN e MRC McCLEAN HAZEL, 2007) e fontes está nos países em desenvolvimento. Também sede graves problemas como desemprego e subemprego, observa a alta taxa de crescimento das cidades emtrabalho informal, crescimento de favelas, e poluição do países pobres em relação aos ricos, por exemplo, aar, águas e solo (LEITE, 2010). população de Dhaika, que aumenta em 50 pessoas a cada hora, e 42 em Lagos, enquanto em Nova IorqueAs metrópoles do século XXI, não são apenas muito este número é de treze e em Londres de um.maiores do que as cidades de meados do século XX, Caderno de Ideias - Nova Lima - 2011 - CI 1111 4
  • 5. Figura 3: Crescimento Populacional por HoraFonte: Urban AgeNa tabela abaixo é possível observar as maiores megacidades na atualidade: # População em População em Cidade milhões (2007) milhões (2015) 1 Tóquio (Japão) 36 36,2 2 Cidade do México (México) 19,4 20,6 3 Nova Iorque (EUA) 18,7 22,8 4 São Paulo (Brasil) 18,3 20,0 5 Mumbai (Índia) 18,2 22,6 6 Nova Delhi (Índia) 15,0 20,9Quadro 2: Maiores MegacidadesFontes: UN-HABITAT e GLOBESCAN e MRC McCLEAN HAZEL, 2007O crescimento das megacidades está dando origem ao Stretch, faixa entre Boston e Washington, na qual asfenômeno das mega-regiões, espaços conurbados que cidades estão conectadas não apenas geográfica, comoaglomeram um conjunto de cidades, como o BosWash economicamente. Estas regiões concentram grande Caderno de Ideias - Nova Lima - 2011 - CI 1111 5
  • 6. população, capital e organizações públicas e privadas de O movimento inspirador de todas as iniciativas locaisgrande importância, o que dá a elas poder e as tornam no Brasil foi o Bogotá Como Vamos, um programa deagentes relevantes no mundo (LEITE, 2010). seguimento periódico e sistemático das mudanças naAs megacidades e mega-regiões estão fortemente qualidade de vida da cidade. A meta é cumprir o que foirelacionadas. Elas cooperam em alguns aspectos, mas previsto pela administração do município em seu Planosimultaneamente competem por recursos limitados. de Desenvolvimento; dessa forma, pressionando porRoggero (2010) cita que as cidades globais, em sua maior acesso a bens e serviços de qualidade para amaioria megacidades, são especializadas em serviços, população. Para tal, indicadores técnicos são utilizados,como aeroportos internacionais, hotéis e bolsas de valores, como a percepção cidadã. O projeto foi criado em 1997,voltados para players globais, que são globalmente diante da ausência de um exercício cidadão de rendiçãointerconectados. Nesse aspecto as megacidades se de contas que verificasse o cumprimento das promessasapresentam como partes de uma rede internacional do candidato, já eleito como prefeito, e seu impacto naonde ocorrem as maiores negociações comerciais e qualidade dos moradores da cidade. (BOGOTÁ COMOonde estão os agentes com maior poder de tomada de VAMOS, 2010)decisão no mundo. Por outro lado, o relatório Desafio das No Brasil surgiram diversos movimentos locais queMegacidades (GLOBESCAN e MRC McCLEAN HAZEL, buscaram adotar o sistema de Bogotá, com a finalidade2007) mostra que as grandes regiões conurbadas do de não apenas acompanhar a evolução das cidades,mundo disputam recursos financeiros e humanos para mas também promover a sustentabilidade urbana. Entrepromover seu desenvolvimento, independentemente do os movimentos de destaque no país está o Movimentoseu estágio de desenvolvimento. Nossa São Paulo, lançado em 2007 com o objetivo deA evolução das megacidades e mega-regiões continuará construir uma força política, econômica e social capaz desendo definida por estas relações e pelos objetivos oferecer uma melhor qualidade de vida aos habitantesdefinidos pelos gestores locais. Observa-se que os da cidade. (NOSSA SÃO PAULO, 2010)problemas econômicos, sociais e ambientais estão O movimento é uma iniciativa que busca a democraciapresentes em todas elas, porém, não está clara a deliberativa, por entender que este é o caminho para omelhor forma de combatê-los e de acompanhar os desenvolvimento sustentável da cidade. Dessa forma,resultados obtidos por estas ações. Daí a importância a participação de toda a população é mais do quedos movimentos sociais que se espalham pelo mundo esperada, é essencial.defendendo a adoção de objetivos transparentes pelosgovernos locais e o acompanhamento sistemático A atuação do movimento é baseada em 4 grandesdos resultados obtidos por eles. Estes pontos são eixos: acompanhamento cidadão; educação cidadã,apresentados na próxima seção. mobilização cidadã e o programa de indicadores e metas 2. Estes eixos fazem uso de indicadores de sustentabilidade urbana das mais diversas formas e naturezas, sempre buscando um panorama sistêmico da situação da cidade. Dessa forma, é possível MOVIMENTOS SOCIAIS conscientizar a população e estabelecer planos de ação concisos, que visam sempre a melhoria da qualidade de E INDICADORES DE vida da população. SUSTENTABILIDADE URBANA A base se todos os movimentos sociais são os indicadores. Eles são construídos a partir da percepção das principais questões a serem enfrentadas pelasNo Brasil, o desenvolvimento de indicadores de cidades e devem “traduzi-los” em valores quantificáveis,avaliação das cidades está intimamente relacionado aos que possam ser observados e acompanhados pelosmovimentos sociais, que surgiram neste início de século cidadãos. Existem alguns aspectos que devem serpara pressionar gestores públicos a cumprirem suas observados na sua criação, para que eles cumprampromessas de campanha e acompanhar os resultados seus objetivos e sirvam de ferramenta para movimentosobtidos por cada gestão. sociais e governos locais. (BONASSA, 2010)De uma maneira geral, movimentos sociais emergem Os indicadores de sustentabilidade urbana devem gerarpela iniciativa de cidadãos conscientes, engajados uma mensuração freqüente e constante, para permitirpoliticamente na busca por um arcabouço político legal monitoramento e avaliação por parte das instituições.capaz de promover o desenvolvimento sustentável das 2 Maiores informações no website www.nossasaopaulo.com.cidades onde atuam. br. Caderno de Ideias - Nova Lima - 2011 - CI 1111 6
  • 7. Além disso, os indicadores terão mais valor quanto CADEIAS PRODUTIVASmais detalhada for a informação produzida por ele.Um exemplo é a área que cada informação é gerada. E DESAFIOS DAA capacidade do poder público em construir açõeseficientes para promover a saúde em uma cidade SUSTENTABILIDADEserá muito maior se ele dispuser de indicadores paracada bairro, ao invés de um único para toda a cidade.(BONASSA, 2010) O Centro de Desenvolvimento da Sustentabilidade naO pesquisador Elvis Bonassa apresentou diversos Construção da Fundação Dom Cabral convidou seusaspectos ligados a indicadores urbanos. Os principais associados para uma discussão sobre os desafiospontos explorados por ele foram: da sustentabilidade para suas cadeias produtivas. A proposta do CDSC é que indicadores sejam criados • Objeto da avaliação: território (esforços, para acompanhar a evolução das cadeias e como estrutura existente...) X intervenção (resultados, elas estão lidando com os desafios que o processo de impactos...). desenvolvimento sustentável impõe a elas. • Capacidade de comparação: interno (comparação Analisando-se o B3A, observa-se que as empresas com próprio desempenho em diferentes do setor da construção se encontram pressionadas momentos) X externo (comparação com outros para atuarem de forma mais sustentável, tanto por espaços análogos). pressões de cidadãos conscientes, que se engajam em • Forma de medição: direta (o objeto de interesse movimentos sociais, como já mencionamos previamente; é analisado diretamente) X indireta (o objeto quanto de consumidores conscientes, que demandam é avaliado medindo-se uma causa ou efeito produtos da construção mais sustentáveis, como por relacionados a ele). exemplo, habitações com alta eficiência energética e materiais que possuam menor impacto no meio natural. Observa-se que o setor tem ainda importânciaA simples construção de indicadores não é suficiente na pressão sobre algumas fronteiras planetárias, comopara a análise de uma realidade complexa, como uma o câmbio climático, decorrente da emissão de gasescidade. Assim, deve-se adotar uma visão sistêmica da de efeito estufa, especialmente dos produtos quesituação, pois um fenômeno, ou conceito, também pode demandam muita energia para sua produção.necessitar de diversos indicadores para ser medido, por A promoção da sustentabilidade nas cadeias produtivasisso deve-se considerar um sistema de indicadores, e do setor da construção dependem da atuação denão somente um. profissionais conscientes, como apresentado noChega-se então ao índice, uma forma sintética de B3A, capazes de compreender as pressões acimacomparação entre territórios, como o IDH, IDH-M, Índice apresentadas e agirem para atende-las, seguindo osde vulnerabilidade, etc. que pode ser contraposto ao princípios da sustentabilidade.sistema, que abre analiticamente os componentes dos Ainda seguindo o B3A o setor da construção foi avaliadofenômenos medidos. segundo suas cadeias produtivas. Deste modo, o CDSCNeste contexto, os movimentos sociais municipais propôs a seus associados o estudo de três cadeiasapresentam um sistema de indicadores que permite produtivas:analisar a situação de suas cidades, tanto em termos • Edificaçõesintraurbanos quanto com relação a outras cidades.No Brasil foi formada a Rede Social Brasileira por • Construção PesadaCidades Justas e Sustentáveis, que tem como objetivo • Infraestruturapromover a troca de informações entre os movimentossociais, ajudando no desenvolvimento de ações emdiferentes cidades no país. Seguramente o sistema de Os participantes do evento relataram desconforto comindicadores desenvolvido pelos movimentos facilitará a divisão, afirmando que a construção pesada envolveo intercâmbio de dados e análise dos resultados em elementos de infraestrutura e construção civil, nãodiferentes cidades. demarcando diferença com as outras cadeias. Do debate surgiu uma nova proposta de divisão, desta vez aceita pelo grupo de participantes: Caderno de Ideias - Nova Lima - 2011 - CI 1111 7
  • 8. • EdificaçõesFigura 4: Cadeia Produtiva de EdificaçõesFonte: Arquivo pessoal • Construção Pesada e Montagem industrialFigura 5: Cadeia Produtiva da Construção Pesada e Montagem industrialFonte: Arquivo pessoal • InfraestruturaFigura 6: Cadeia Produtiva de Obras de InfraestruturaFonte: Arquivo pessoalNa figura abaixo é possível observar em qual parte da cadeia de valor da construção cada uma das categoriasse encontra: Caderno de Ideias - Nova Lima - 2011 - CI 1111 8
  • 9. Figura 7: Cadeias de Valor da ConstruçãoFonte: Arquivo pessoalFoi apontado que a cadeia de Montagem Industrial responsabilidade e sustentabilidade das atividades dasse diferencia claramente das demais, contendo cadeias produtivas.características particulares que permitem seu estudo deforma independente. Além disso, foi relatado que as trêscadeias cobrem a maior parte do setor da construção,não havendo a necessidade de inclusão de outrascadeias para a obtenção de um retrato do setor. DESAFIOS DEDefinidas as cadeias a serem estudadas, foram SUSTENTABILIDADEapresentados aos participantes os desafios dasustentabilidade, elaborados pelo Núcleo Petrobras RELEVANTES PARA ASde Sustentabilidade. da FDC no âmbito da pesquisaDesafios da Sustentabilidade e o Planejamento CADEIAS PRODUTIVASEstratégico das Empresas no Brasil de 2009. Estapesquisa teve como objetivo verificar até que pontoas empresas brasileiras incorporam os desafios da Os desafios da sustentabilidade foram organizados emsustentabilidade na sua estratégia de negócios e em um baralho com 48 cartas3, para que os participantessua gestão. Os 48 desafios destrincham os principais pudessem analisar livremente cada desafio e organizá-aspectos a serem enfrentados pela sociedade mundial los da forma que achassem mais adequado. A primeirapara a promoção do desenvolvimento sustentável. atividade dada aos participantes foi dividir os desafios em relevantes e irrelevantes. O objetivo era conhecer suaOs participantes foram divididos de acordo com a cadeia opinião sobre a relação entre sua cadeia produtiva e osprodutiva na qual estão inseridos. Cada grupo deveria desafios da sustentabilidade e obter insumos para limitaranalisar os desafios da sustentabilidade sob a ótica o campo de análise de um observatório das cadeiasde sua cadeia, gerando informações que orientarão produtivas. O resultado é mostrado a seguir:o CDSC a elaborar indicadores capazes de verificar a 3 Segue em anexo os 48 desafios. Caderno de Ideias - Nova Lima - 2011 - CI 1111 9
  • 10. DESAFIOS RELEVANTES PARA AS CADEIAS Infraestrutura Edificações Montagem Industrial1. Mudança cultural 1. Mudança cultural 2. Governança global e local 3. Liderança para a sustentabili-2. Governança global e local 3. Liderança para a sustentabilidade dade3. Liderança para a sustentabili- 4. Impactos globais de políticas na- 6. Estrutura tributáriadade cionais e regionais7. Impactos no equilíbrio dos 7. Impactos no equilíbrio dos ecos-ecossistemas e na provisão de sistemas e na provisão de serviços 6. Estrutura tributáriaserviços ambientais ambientais 8. Demanda por energia 7. Impactos no equilíbrio dos ecos-11. Vulnerabilidade aos riscos as- sistemas e na provisão de serviçossociados às mudanças climáticas ambientais 8. Demanda por energia12. Impactos nos recursos hídricos 12. Impactos nos recursos hídricos13. Migrações 13. Migrações 9. Oferta de energia15. Saúde pública 17. Habitação 13. Migrações 18. Precariedade e má distribuição17. Habitação 15. Saúde pública dos sistemas de infra-estrutura18. Precariedade e má distribuição 20. Desigualdade de renda 16. Pandemiasdos sistemas de infra-estrutura 18. Precariedade e má distribuição24. Qualidade da educação básica 24. Qualidade da educação básica dos sistemas de infra-estrutura27. Corrupção, ilegalidade e falta 29. Oportunidades de trabalho 23. Envelhecimento da populaçãode ética decente e renda29. Oportunidades de trabalho 30. Empregabilidade 24. Qualidade da educação básicadecente e renda30. Empregabilidade 33. Consumo consciente 25. Educação para a sustentabilidade34. Padrões de produção e con- 35. Mercados sustentáveis 26. Investimento em capital socialsumo 37. Sustentabilidade na cadeia 37. Sustentabilidade na cadeia 27. Corrupção, ilegalidade e falta de produtiva produtiva ética38. Precarização do trabalho local 39. Concorrência desleal 28. Violência e tráficoe global39. Concorrência desleal 43. Inovação e mudança organiza- 29. Oportunidades de trabalho de- cional orientada para a sustentabili- cente e renda dade Caderno de Ideias - Nova Lima - 2011 - CI 1111 10
  • 11. Conitnuação DESAFIOS RELEVANTES PARA AS CADEIAS Infraestrutura Edificações Montagem Industrial 40. Impactos econômicos locais 44. Sustentabilidade Integrada ao 35. Mercados sustentáveis balanço de desempenho organiza- cional 41. Responsabilidade e ética no 37. Sustentabilidade na cadeia apoio político e na influência em produtiva políticas públicas 42. Governança corporativa orien- 38. Precarização do trabalho local e tada para a sustentabilidade global 43. Inovação e mudança organiza- 39. Concorrência desleal cional orientada para a sustent- abilidade 44. Sustentabilidade Integrada ao 40. Impactos econômicos locais balanço de desempenho organiza- cional 45. Coerência e comprometimento 41. Responsabilidade e ética no com valores e princípios apoio político e na influência em políticas públicas 46. Equilíbrio entre trabalho e vida 42. Governança corporativa orien- pessoal tada para a sustentabilidade 47. Felicidade e equilíbrio pessoal 43. Inovação e mudança organizacio- nal orientada para a sustentabilidade 48. Cidadania 44. Sustentabilidade Integrada ao balanço de desempenho organiza- cionalApós a apresentação dos desafios, foi perguntado aos 19 desafios. Algumas possíveis explicações para essaparticipantes se havia algum desafio na visão deles que disparidade na quantidade de desafios consideradosnão tenha sido considerado nos 48 apresentados. Os relevantes para a cadeia de edificações é que seusgrupos de Edificações e Montagem Industrial relataram projetos têm escala muito menor que as das duas outrasque deveria haver desafios explícitos sobre resíduos e cadeias, são concentrados nas cidades e apresentamlogística reversa, problemas especialmente graves para impactos menores e mais concentrados que os projetoso setor da construção, mas também para muitos outros das duas outras cadeias.na economia. Devido às grandes diferenças entre as cadeias é difícilA consulta aos participantes resultou em diferentes convergir as opiniões dos grupos, entretanto algunsresultados. Analisando-se a quantidade de desafios pontos em comum podem ser observados. Todosconsiderados relevantes para as cadeias, percebe-se apontaram como irrelevantes os seguintes desafios:que os participantes dos grupos de infraestruturas e demontagem industrial coincidentemente apontaram comorelevantes 27 dos 48 desafios. Já o grupo que analisoua cadeia de Edificações considerou relevantes apenas Caderno de Ideias - Nova Lima - 2011 - CI 1111 11
  • 12. ligados ao setor, pois as construções nas cidades e a DESAFIOS IRRELEVANTES PARA TODAS AS CADEIAS infraestrutura de transportes têm influência direta no 5. Sistema político-partidário desafio de construir formas sustentáveis de mobilidade, e o setor, em todo o mundo, vive com problemas de 10. Mitigação das mudanças climáticas alta desigualdade de renda e restrições ao trabalho feminino. 14. Segurança alimentar A análise dos desafios considerados irrelevantes mostra 19. Mobilidade sustentável que é preciso obter outras visões dos desafios da sustentabilidade para o setor da construção para verificar 21. Discriminação e desigualdade racial se estas opiniões são apenas do grupo participante ou 22. Desigualdade de gênero se efetivamente há uma “miopia” entre os agentes do setor sobre seus impactos. 31. Influência do marketing e da mídia Para compreender a visão do setor sobre sua relação 32. Consumo infantil com a sustentabilidade é ainda necessário observar os desafios que foram considerados relevantes pelos três 36. Impactos da produção de alimentos grupos. A relação deles é apresentada abaixo:Uma interpretação plausível para tal resultado é osetor em que estas empresas estão inseridas. Mesmo DESAFIOS RELEVANTES PARA TODAS AS CADEIASque os grupos representem diversos componentes daconstrução civil, eles estão ontologicamente na mesma 3. Liderança para a sustentabilidadeconfiguração setorial, e, portanto, possuem pontos de 7. Impactos no equilíbrio dos ecossistemas e navistas similares em algumas áreas. provisão de serviços ambientaisAnalisando as unanimidades não relevantes observam-se dois grupos de desafios. O primeiro é formado por 13. Migraçõesquestões que dificilmente podem ser associadas àatividade da construção. Podem ser inseridos neste 18. Precariedade e má distribuição dos sistemas degrupo desafios ligados a questões alimentares (desafios infra-estrutura14 e 36), marketing (desafios 31 e 32) e, até mesmo,o sistema político partidário (desafio 5), este com 24. Qualidade da educação básicaressalvas, uma vez que o setor público é de extrema 29. Oportunidades de trabalho decente e rendarelevância para o setor, tanto como financiador, quantocomo cliente. 37. Sustentabilidade na cadeia produtivaO segundo grupo de desafios, por outro lado, mostraque os participantes ainda têm uma visão limitada dos 39. Concorrência deslealimpactos de suas cadeias para o planeta e a sociedade. Odesafio mitigação de mudanças climáticas, considerado 43. Inovação e mudança organizacional orientadairrelevante, demonstra este ponto. Considerando-se para a sustentabilidadeque algumas matérias primas fundamentais para o 44. Sustentabilidade Integrada ao balanço desetor, como cimento, aço, vidro e materiais cerâmicos, desempenho organizacionalbem como as edificações residenciais, comerciais epúblicas em sua fase de uso são grandes consumidorasde energia fica clara a forte relação do setor com o Entre os desafios apontados como relevantes, umdesafio de mitigação dos gases de efeito estufa e, ponto a ser ressaltado é o fato de que mesmo os maisconsequentemente, contribuição para que câmbio amplos, quando ligados a atividade das empresas, seclimático fique nos níveis definidos pelas Fronteiras tornam relevantes. Este é o caso dos desafios 13, 24Planetárias (ROCKTRÖM, 2009). e 29, aspectos marcantes na mão de obra utilizada noAlém do desafio supracitado, também compõem o setor, especialmente nas atividades de construção.segundo grupo os desafios de mobilidade sustentável Já os desafios também amplos de Liderança para(desafio 19) e os relacionados à discriminação e sustentabilidade e Impactos no equilíbrio dosdesigualdade (desafios 21 e 22). Estes temas estão ecossistemas e na provisão de serviços ambientais Caderno de Ideias - Nova Lima - 2011 - CI 1111 12
  • 13. também foram apontados de maneira unânime como observáveis por um sistema de indicadores, precisandorelevantes, mas não têm relação tão clara com as de ferramentas especiais para ser acompanhados. Daí oatividades das empresas no setor e este posicionamento pedido pela caracterização dos desafios, com o objetivomerece análises mais aprofundadas. Uma possibilidade de entender quais os pontos centrais a serem estudadosé que exista um grau de desenvolvimento de consciência pelo CDSC e como eles devem ser analisados para quedos profissionais que participaram do evento, cujo um observatório das cadeias produtivas da construçãopercepção do copertencimento já esteja em processo eficiente possa ser construído.de desenvolvimento. O resultado da atividade pode ser visto na tabela abaixo.Os desafios restantes (18, 37, 39, 43 e 44) têm relação É difícil realizar uma análise de resultados para cadeiasdireta com o negócio das empresas ao longo das cadeias tão diversas, no entanto há algumas constatações queprodutivas. O desafio Precariedade e má distribuição podem dar indícios dos temas centrais para o setor eda infraestrutura mostra um campo fértil para a atuação como deve ser construído um observatório para asde empresas no setor. Os outros desafios mostram cadeias.mudanças que as empresas precisam realizar para apromoção de sustentabilidade no setor, com destaquepara ações de âmbito setorial como sustentabilidadepara a cadeia produtiva e concorrência desleal.Alguns desafios apontados apresentam uma concepçãomais ampla da sustentabilidade. Por si só, estes pontosenglobam outras questões e se tornam, por extensão,mais relevantes, como os desafios de número 3, 37,43e 44. Nestes pontos a palavra “sustentabilidade” temum peso importante, já que, ao se discutir quais pontossão relevantes e quais não são para que se cheguea um ambiente laboral sustentável, o conceito desustentabilidade se torna central. PRIORIZAÇÃO DOS DESAFIOS DA SUSTENTABILIDADEDefinidos os desafios relevantes, era necessário agoraidentificar os principais. Para isso foi solicitado aosparticipantes que dentre os desafios consideradosrelevantes, fossem escolhidos os dez principais. Issopermitirá que os principais desafios sejam priorizadosna construção dos indicadores.Mas além de conhecer os principais desafios, foisolicitado que os participantes já imaginassem numsistema de indicadores quais aqueles que deveriam,poderiam e não precisariam ser acompanhados. Aatividade foi estimulada pela percepção do CDSC deque alguns dos desafios, mesmo que muito relevantes,podem apresentar resultados apenas no longo prazo,ou dependem de articulações extra-setoriais paraserem superados, e por essa razão dificilmente serão Caderno de Ideias - Nova Lima - 2011 - CI 1111 13
  • 14. Infraestrutura Edificações Montagem Industrial 2. Governança Global e Local 6. Estrutura tributária 24. Qualidade da educação 7. Impactos no equilíbrio dos 37. Sustentabilidade na cadeia 27. Corrupção, ilegalidade e falta ecossistemas e na provisão de produtiva de ética serviços ambientais 18. Precariedade e má 37. Sustentabilidade na cadeia distribuição dos sistemas de 35. Mercados sustentáveis produtiva infra-estrutura Devem 43. Inovação e mudança 38. Precarização do trabalho 40. Impactos econômicos locais organizacional orientada para a local e global sustentabilidade Resíduos - Logística Reversa 42. Governança corporativa (Reaproveitamento; reciclagem; orientada para a sustentabilidade destinação adequada) 44. Sustentabilidade Integrada ao balanço de desempenho organizacional 7. Impactos no equilíbrio dos ecossistemas e na provisão de 8. Demanda por energia 9. Oferta de energia serviços ambientais 11. Vulnerabilidade aos riscos 18. Precariedade e má 37. Sustentabilidade na cadeia associados às mudanças distribuição dos sistemas de Podem produtiva climáticas infra-estrutura 43. Inovação e mudança 13. Migrações 28. Violência e tráfico organizacional orientada para a sustentabilidade 35. Mercados sustentáveis 48. Cidadania 17. Habitação 13. MigraçõesPodem não 24. Qualidade da educação 28. Violência e tráficoComo único desafio unânime apresentado como um dos da sustentabilidade em empresas, e de Mercadosmais importantes, a busca pela Sustentabilidade nas sustentáveis, que trata das condições para queCadeias Produtivas aparece como desafio central a ser atividades e produtos sustentáveis possam ter espaçoenfrentado pelo setor da construção. A construção de para serem desenvolvidas.indicadores capazes de analisar como as cadeias estão Observa-se que, assim como apontado anteriormente,tendo melhor desempenho em relação à sustentabilidade os desafios escolhidos como desnecessários dede forma integrada é ponto central de um observatório. acompanhamento são amplos, que extrapolam açõesComo possíveis fontes de indicadores foram destacados setoriais e demandam estudos aprofundados para serempor duas cadeias os desafios de Inovação e mudança mensurados.organizacional orientada para a sustentabilidade,que determina as bases para o desenvolvimento Caderno de Ideias - Nova Lima - 2011 - CI 1111 14
  • 15. CONCLUSÕES BONASSA, Elvis. Construção e uso de indicadores. Belo Horizonte: CDSC-FDC. 2010. 16 slides: color. COSTA, Arkana Kelly Silva. A Apropriação Da NaturezaO encontro promovido pelo CDSC buscou apresentar Nos Condomínios Horizontais De Eleite Na Regiãopara os participantes a sustentabilidade em uma Metropolitana De Campinas. 2005? (possível data)perspectiva urbana e como ela está sendo observada, Disponível em: <http://webcache.googleusercontent.acompanhada e gerida. Além disso, o evento procurou com/search?q=cache:14ZnI7r9JVQJ:www.fec.unicamp.captar as lições aprendidas no âmbito urbano e definir br/~sapsa05/3sapsa/resumoparasapsaArkana.docos principais desafios enfrentados por cada cadeia +expansão+das+cidades+brasileiras&cd=6&hl=pt-produtiva do setor, que serão a base para a construção BR&ct=clnk&gl=br> Acesso em: 16 jun 2010de indicadores capazes de tornar o tema gerenciável DIAMOND, Jared. Colapso, como as sociedadespelas empresas . escolhem o fracasso ou o sucesso. Rio de Janeiro, SãoObserva-se que existem grandes desafios a serem Paulo: Editora Record, 2007. 5 edenfrentados pelo setor da construção, muitos deles vão ESCOLA DO POVO. A Primeira Favela do Brasil Quealém da fronteira das empresas, o que demanda ações Vai Erradicar o Analfabetismo. 2007. Disponível em:integradas nas cadeias produtivas e conscientização <http://www.escoladopovo.org/a-primeira-favela-do-de profissionais e consumidores, o que demanda brasil-que-vai-erradicar-o-analfabetismo/> Acesso em:apoio do setor acadêmico e governamental. Só assim 16 jun 2010.será possível construir as bases para a construção demercados sustentáveis como esperado no B3A, isto é, ESTADÃO. População de Favelas Cresce 2 Vezesque privilegiam empresas com atuação responsável e Mais em São Paulo. 2010. Disponível em: <http://www.punem as irresponsáveis. estadao.com.br/noticias/geral,populacao-de-favelas- cresce-2-vezes-mais-em-sao-paulo,363898,0.htm>Conclui-se ainda que é urgente uma maior compreensão Acesso em: 16 jun 2010.dos desafios da sustentabilidade enfrentados pelascadeias produtivas do setor e sua tradução em FERREIRA, João Sette Whitaker. A cidade paraindicadores, que permitam o acompanhamento poucos: breve história da propriedade urbana nosistemático de sua evolução, para observar onde Brasil in Interfaces das representações urbanas emestão acontecendo melhorias no desempenho da tempos de globalizacão. Bauru, 21 a 26 ago 2005.sustentabilidade e onde são necessárias ações para Disponível em <http://www.fag.edu.br/professores/promovê-las. deniseschuler/P%D3S%20GRADUA%C7%C3O%20 2009/Textos%20de%20apoio/cidade_para_poucos.O Centro de Desenvolvimento da Sustentabilidade na pdf> Acesso 07 jul 10Construção continua avançando em pesquisas para aidentificação de desafios relevantes e construção de GLOBESCAN; MRC McCLEAN HAZEL. Desafios dasindicadores de sustentabilidade para empresas e cadeias Megacidades. Munique: Siemens AG, 2007. Disponívelprodutivas do setor da construção, como forma de em < http://www.siemens.com/pool/en/about_us/auxiliá-las a entenderem sua realidade e desenvolverem megacities/megacity_studie_port_1464489.pdf> Acessoprocessos de gestão capazes de tornar sua atuação 07 jul 10consonante com os princípios da sustentabilidade. HAZEL, George; HAZEL, McLean; MILLER, Doug. Desafios das Megacidades. 2007. Disponível em: <http://www.siemens.com/pool/en/about_us/megacities/ megacity_studie_port_1464489.pdf> Acesso em: 19 maio 2010. REFERÊNCIAS HEILBRONER, Robert L; MILBERG, William. a BIBLIOGRÁFICAS Construção da Sociedade Econômica. Porto Alegre: Bookman, 2008. 12 ed. JÚNIOR, Arlindo Matos de Araújo. Geografia – ImpactosBAUMAN, Zygmunt. Capitalismo Parasitário. Rio de Ambientais. 2006. Disponível em: <http://www.Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2010. juliobattisti.com.br/tutoriais/arlindojunior/geografia036.BOGOTÁ COMO VAMOS. 2010. Disponível em: <www. asp> Acesso em: 26 maio 2010.bogotacomovamos.org> Acesso em: 21 jun 2010. Caderno de Ideias - Nova Lima - 2011 - CI 1111 15
  • 16. LEITE, Carlos. As Megacidades e o Desenvolvimento WWF; ZOOLOGICAL SOCIETY OF LONDON; GLOBALSustentável. DOM – A Revista da Fundação Dom FOOTPRINT NETWORK. Living Planet Report 2008.Cabral. Belo Horizonte. n. 9. p. 56-63. 2009. Disponível em <http://assets.panda.org/downloads/ living_planet_report_2008.pdf> Acesso em 7 de jul 10.LEITE, Carlos. o estado das cidades: desaFiose oportunidades.Belo Horizonte: CDSC-FDC. 2010.30 slides: color.MEIO AMBIENTE. As Primeiras Cidades, O PrimeiroLixo. 2003. Disponível em: <http://www.clienteg3w.com. ANEXO Abr/celiarusso/site/encarteunibanco_vol2.pdf> Acessoem: 18 maio 2010. 48 desaFios da sustentaBilidadeMOREIRA, João Carlos; SENE, Eustáquio de, Unidade7, Geografia Geral e Do Brasil. 2008. Disponível em<http://www.scipione.com.br/ap/ggb/unidade7_c1_a01. 1. Mudança culturalhtm> Acesso em 18 maio 2010. ▪ Baixa relevância da empatia, da ética, da virtude cívica, e dos sensos deMOVIMENTO NOSSA SÃO PAULO. 2010. Disponível identidade planetária e de responsabilidadeem: <http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/> Acesso compartilhada nas atitudes, nos valores eem: 17 jun 2010. na visão de mundo que compõem a culturaPARAKATIL, Slagin. Defining ‘Quality of Living’. vigente na sociedade.2010. Disponível em: <http://www.mercer.com/referencecontent.htm?idContent=1380465> Acesso 2. Governança local e globalem: 16 jun 2010. ▪ Ausência de cultura, de estruturas políticas e de gestores que possam conduzir a sociedadePAVIANI, Aldo. Urbanização: Impactos Ambientais a um futuro sustentável, agravada por umada População. 1999. Disponível em: <http://www. fiscalização falha e pelo forte atrelamentoportalmedico.org.br/revista/bio2v4/urbaniza.html> dos sistemas de governança atuais a valoresAcesso em 18 maio 2010. e objetivos de desenvolvimento conflitantesPORTALGEO. Glossário. 2010. Disponível em: <http:// com a idéia de sustentabilidade.portalgeo.rio.rj.gov.br/mlateral/glossario/gloss.htm#q>Acesso em: 16 jun 2010. 3. Liderança para a sustentabilidade ▪ Visão fragmentada, por parte das liderançasROGGERO, Rosemary. São Paulo, Megacidade do políticas e empresariais, das dimensõesSéculo XXI: Reflexões sobre a Educação para uma envolvidas em sua esfera de decisão, e asSociedade Sustentável. Disponível em: <http://www. conseqüentes distorções que isso gera nogrupoelefante.com.br/clientes/ethos/assets/docs/Artigo/ desenvolvimento das organizações e daFinalistab_PA09.pdf> Acesso em: 18 jun 2010. sociedade como um todo.TELLO, Rafael; LAURIANO, Lucas Amaral; NUNES,Benedito; BOECHAT, Cláudio. Um Modelo De Ação 4. Impactos globais de políticas nacionais eSustentável Focado No Mundo Contemporâneo. regionais2011. DOM 14. p.51-57. ▪ Divergência entre as políticas (internas eUNFPA. Relatório de 2007. 2007. Disponível em: externas) dos países e os desafios para o<http://www.unfpa.org.br/relatorio2007/swp_mensagem. desenvolvimento sustentável de maneirahtm> Acesso em: 18 maio 2010. global.UN-Habitat. Business for Sustainable Urbanisation 5. Sistema político-partidário- Challenges and Opportunities. 2007. Disponível ▪ Baixa participação política das pessoas eem: <http://www.unhabitat.org/pmss/listItemDetails. inadequação do sistema político-partidário,aspx?publicationID=2344> com partidos fracos em conteúdo programáticoAcesso em: 18 maio 2010 e políticos de baixa representatividade, que não atuam como catalisadores dasURBAN AGE.Disponível em: < http://www.urban-age. demandas sociais.net/> Acesso em: 6 jul 10VIEIRA, Tuca. Foto sem título. 1 fot. Caderno de Ideias - Nova Lima - 2011 - CI 1111 16
  • 17. 6. Estrutura tributária 14. Segurança alimentar ▪ Estrutura tributária complexa com carga ▪ Dificuldade de se garantir o acesso à sempre crescente, pesando mais sobre a alimentação para as populações mais pobres população de baixa renda, sem contrapartida e de se reduzir sua exposição às variações em melhores serviços públicos, e que no mercado agrícola. favorece a informalidade, a sonegação e a distribuição desigual de renda. 15. Saúde Pública ▪ Acesso restrito da população a medicamentos7. Impactos no equilíbrio dos ecossistemas e e serviços médicos (prevenção, tratamento e na provisão de serviços ambientais orientação em geral). ▪ Impactos da expansão populacional e industrial no equilíbrio dos ecossistemas e seus prejuízos 16. Pandemias à estabilidade climática, à biodiversidade e a ▪ Velocidade com que novos vírus se espalham outros serviços ambientais. mundialmente, podendo causar a perda de milhares de vidas.8. Demanda por energia ▪ Demanda energética crescente associada 17. Habitação ao crescimento populacional e aos padrões ▪ Precariedade e escassez de infra-estrutura atuais de tecnologia e de consumo. habitacional para a população de baixa renda.9. Oferta de energia ▪ Dificuldades para viabilizar alternativas 18. Precariedade e má distribuição dos sistemas energéticas renováveis, capazes de atingir de infra-estrutura escalas significativas na matriz energética sem ▪ Escassez de investimentos na manutenção, gerar novos desequilíbrios socioambientais expansão e distribuição mais eqüitativa para as gerações atuais e futuras. da infra-estrutura (saneamento básico, transporte, energia) no país.10. Mitigação das mudanças climáticas ▪ Incapacidade das políticas atuais de reduzir 19. Mobilidade sustentável de maneira significativa as emissões globais ▪ Impactos indesejáveis de preferências de gases do efeito estufa e seus efeitos na políticas e individuais no sistema de transporte estabilidade climática. e seus efeitos na economia, no meio ambiente, na qualidade de vida das pessoas11. Vulnerabilidade aos riscos associados às e na equidade do direito aos benefícios da mudanças climáticas urbanização. ▪ Baixa capacidade de adaptação e de redução das vulnerabilidades, principalmente 20. Desigualdade de renda nas populações mais pobres, aos riscos ▪ Desigualdade acentuada nos níveis de renda associados à instabilidade climática, em vista entre indivíduos e entre regiões. da magnitude de seus impactos na economia, 21. Discriminação e desigualdade racial no meio ambiente e na sociedade em geral (agricultura, segurança alimentar, indústria, ▪ Discriminação étnica e desigualdade recursos hídricos, saúde pública, ambiente socioeconômica entre as populações branca, construído, qualidade de vida, etc.). negra, parda e indígena.12. Impactos nos recursos hídricos 22. Desigualdade de gênero ▪ Impactos da expansão populacional e ▪ Desigualdades socioeconômicas entre industrial no equilíbrio dos recursos hídricos. homens e mulheres.13. Migrações 23. Envelhecimento da população ▪ Impacto, no médio e longo prazo, do ▪ Impactos socioeconômicos resultantes movimento de pessoas em direção a do aumento do percentual de idosos na ambientes e culturas despreparados para população. absorvê-las. Caderno de Ideias - Nova Lima - 2011 - CI 1111 17
  • 18. 24. Qualidade da educação básica 33. Consumo consciente ▪ Acesso restrito da população a uma educação ▪ Baixo grau de conscientização do consumidor básica de qualidade. em relação aos impactos ambientais, sociais e econômicos de seus hábitos de25. Educação para a sustentabilidade consumo e dos padrões de produção a eles ▪ Incapacidade dos modelos educacionais associados. de desenvolver o pensamento sistêmico e ampliar a percepção das pessoas quanto 34. Padrões de produção e consumo aos efeitos diretos e indiretos de suas ações ▪ Padrões de produção e consumo incompatíveis individuais e coletivas, nas dimensões social, com o bem-estar da sociedade como um todo econômica e ambiental. e com o equilíbrio urbano e ambiental, tanto em nível local quanto global.26. Investimento em capital social ▪ Baixa capacidade local de propiciar 35. Mercados sustentáveis conectividade entre pessoas, setores ou ▪ Ausência de mecanismos de mercado comunidades, que favoreça o desenvolvimento que recompensem e incentivem práticas da confiança, a formação de redes de inovadoras no sentido da sustentabilidade cooperação, o empoderamento para a social e ambiental. solução de problemas e o empreendimento em projetos coletivos. 36. Impactos da produção de alimentos ▪ Dificuldade de se combater os impactos27. Corrupção, ilegalidade e falta de ética ambientais e socioeconômicos negativos ▪ Banalização da corrupção e de práticas ilegais resultantes da maneira como é produzida a (inclusive sonegação fiscal) e antiéticas em maioria dos alimentos. todos os níveis da sociedade. 37. Sustentabilidade na cadeia produtiva28. Violência e Tráfico ▪ Falta de uniformidade, ao longo das cadeias ▪ Violência e tráfico de pessoas, armas, produtivas, de padrões éticos e de práticas drogas e mercadorias pirateadas, e suas ambientais, trabalhistas, econômicas e conseqüências para a sociedade. sociais compatíveis com o desenvolvimento sustentável.29. Oportunidades de trabalho decente e renda ▪ Carência de um sistema de inclusão produtiva 38. Precarização do trabalho local e global que gere oportunidades de trabalho decente ▪ Ocupação informal e deterioração das e renda. condições de trabalho ao longo da cadeia produtiva, tanto no nível local quanto30. Empregabilidade global. ▪ Despreparo das pessoas para a contínua renovação de competências exigida pelo 39. Concorrência desleal mercado de trabalho. ▪ Concorrência pautada por práticas irregulares e antiéticas (pirataria, informalidade,31. Influência do marketing e da mídia descumprimento de legislações, etc.), e por ▪ Influência do marketing e da mídia em geral na valores incompatíveis com um mercado, uma disseminação de valores e comportamentos sociedade e um meio ambiente robustos. incompatíveis com o bem-estar das pessoas e com uma cultura para o desenvolvimento 40. Impacto econômico local sustentável. ▪ Insuficiência de foco em modelos de negócio cujos impactos econômicos gerem benefícios32. Consumo infantil às comunidades locais mais necessitadas. ▪ Efeitos adversos da exposição infantil à mídia excessiva e da elevação da criança à 41. Responsabilidade e ética no apoio político e categoria de consumidor antes que ela tenha na influência em políticas públicas um desenvolvimento físico, mental e cidadão ▪ Utilização do apoio político e da influência adequado para isso. em políticas públicas para o favorecimento Caderno de Ideias - Nova Lima - 2011 - CI 1111 18
  • 19. de interesses particulares em detrimento da ANEXO B ética e das condições sociais, ambientais ou econômicas essenciais ao desenvolvimento INSTITUIÇÕES PARTICIPANTES DO sustentável. EVENTO42. Governança corporativa orientada para a sustentabilidade • Mendes Jr. ▪ Os sistemas de governança corporativa • Precon predominantes caracterizam-se por um modelo que sobrevaloriza o desempenho • Holcim econômico-financeiro em detrimento do • Diedro desempenho social e ambiental. • MASB43. Inovação e mudança organizacional orientada • Odebrecht para a sustentabilidade ▪ Ausência de visão sistêmica e de integração • Petrobras da sustentabilidade à cultura organizacional, • DEOP - MG à gestão de pessoas e ao processo de • Sinduscon - MG inovação e de desenvolvimento de novos produtos, tecnologias, processos e modelos de negócio.44. Sustentabilidade integrada ao balanço de desempenho organizacional ▪ Os sistemas de avaliação de desempenho predominantes caracterizam-se por um modelo que privilegia o desempenho econômico-financeiro em detrimento do desempenho social e ambiental.45. Coerência e comprometimento com valores e princípios ▪ Incoerência entre atitudes, valores e princípios éticos professados e os praticados na atuação individual ou institucional.46. Equilíbrio entre trabalho e vida pessoal ▪ Desequilíbrio entre a dedicação ao trabalho e à vida pessoal.47. Felicidade e equilíbrio pessoal ▪ Desequilíbrios físicos, psicológicos, espirituais e sociais decorrentes da ênfase dada a padrões elevados de consumo em detrimento dos demais fatores de influência na felicidade das pessoas, como relações familiares, amigos, comunidade, liberdade, trabalho e valores pessoais.48. Cidadania ▪ Baixo engajamento das pessoas nas questões do bem-estar coletivo e no esforço pelo cumprimento de seus direitos e responsabilidades como cidadão. Caderno de Ideias - Nova Lima - 2011 - CI 1111 19
  • 20. Caderno de Ideias - Nova Lima - 2011 - CI 1111 20