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04891a Document Transcript

  • 1. 1
  • 2. LOGRADOUROS DE MIRACEMA...................................Luiz Carlos/MPmemória Atualização: 24/10/2009 Volume I S UMÁRIO Miracema, nossa gente, nossa vida!............................................................... (MIRA) (04) Apresentação........................................................................................ .......... (APRE) (04) Antecedentes........................................................................................ .......... (ANTE) (10) Ary Parreiras, praça (conhecida, também, como Praça das Mães) (Largo da Igreja, Largo da Matriz, Praça da Matriz) (contígua à Praça Dona Ermelinda e ao Largo Dona Magaly; início: Praça Dona Ermelinda; término: ruas S anto Antônio e Elpídio Portes Mendes; dela partem: Travessa Cônego Joaquim Tomaturgo de Albuquerque e as ruas João Pessoa e Paulino Padilha; formato: L) (Centro).... (APP) (37) Bruno de Martino, praça Jornalista (Praça Redentor) (transversal: Travessa Manoel Luiz dos S antos, altura do no. 20) (Centro Redentor)........................................................................................... (JBMP) (12) Ermelinda, praça Dona (Praça do Xafariz. Jardim) (tombada) (conhecida como Jardim; coração da Cidade de Miracema; junto ao Ribeirão S anto Antônio; início das ruas: Marechal Floriano e Cel. José Carlos Moreira e da Travessa Jamil Cardoso: contígua: Praça Ary Parreiras e ao Largo Dona Magaly) (Centro)................... (DEP) (34) 2
  • 3. Francisco Bruno de Martino, rua (início: Rua Marechal Floriano; término: Praça S alim Damian, junto à Avenida Nilo Peçanha; transversal: nenhuma) (Centro)..........,.....................(FBMR) (13) José Carlos Moreira, rua Cel. (Rua das Flores, Rua José Carlos) (início: Praça Dona Ermelinda; término: Rua Francisco Procópio; transversais: Travessa Azarias Guterres e Rua Cel. Josino; prolongamento: Rua João Rosa Damasceno; paralelas: ruas Marechal Floriano e S anto Antônio) (Centro)............................................................................... (CJCMR) (22) Josino, rua Cel. (Rua Chico Barbeiro, Rua Josino de Barros) (início: Rua Marechal Floriano, da qual é a primeira transversal; término: Rua Cel. José Carlos Moreira; transversal: nenhuma; como uma travessa) (Centro)............................................................................... (CJR) (08) Marechal Floriano, rua (Rua Direita, Rua Floriano Peixoto) (acompanhando o curso do Ribeirão S anto Antônio; início: Praça Dona Erminda; término: Praça Getúlio Vargas; transversais: ruas Cel. Josino; Barroso de Carvalho; Francisco Procópio; Matoso Maia; João Rosa Damasceno; Francisco Bruno Martino) (Centro).... (MFR) (20) S umário Simplificado (Vol. II)............................................................................ (S S2) (02) 3
  • 4. CAPA: Primeira Capela de Santo Antônio dos Brotos: • tela de Glória Maria da Conceição Freire Vargas de Oliveira; • foto: 12/09/2006, Jader Leal Alvim (Jadinho) (neste Vol. – APRE); • computação gráfica: Luís Felipe Pinheiro Sym (1981) (neste Vol. – ANTE). ORGANIZAÇÃO: • Ricarda Maria Leal Alvim (1936) (neste Vol. – APRE), coordenação de conteúdo (até o Vol. V): ricardalealvim@ig.com.br; Tel.: (0XX22) 3852-8519 ; • MPmemória/Luiz Carlos Martins Pinheiro (1930) (neste Vol. – APRE), coordenação-geral: mpmemoria@yahoo.com.br; Tel.: (0XX21) 2258-5412. Edição: 1ª. 20/11/2006. Índice Onomástico: só pela via eletrônica, gratuito e a pedido: mpmemoria@yahoo.com.br 4
  • 5. LOGRADOUROS DE MIRACEMA (APRE).......................Luiz Carlos/MPmemória Atualização: 10/10/2009 Apresentação Acreditamos na perfeita integração de idéias, quando iniciamos a montagem deste Projeto com o desejo de misturar sonhos às realidades existentes. Hoje lacramos todos os nossos esforços neste Documentário e oferecemos a cada Logradouro a fatia que lhe pertence, recheada com sua extraordinária história. E stá registrado neste roteiro cívico um trabalho extremamente cultural e através dele somos levados aos clássicos, antigos e impressionantes detalhes contidos em cada Rua de nossa cidade. Valeu a pena sonhar, lutar, ter esperanças e batido palmas para os momentos construídos, concretizados. No tempo de cada repaginação histórica florescia dentro de nossa alma uma sensação de descoberta, admiração e muito júbilo ao reconhecer cada etapa vencida. A realização deste Projeto passou a ser uma necessidade interior, como um artista que idealiza uma tela e vai incorporando luz para que tudo se torne belo, perfeito. Pouco a pouco vai transformando cores em versos, detalhes em ritmos e as imagens surgidas em poesias. Como um milagre ele sai de uma imensidão vazia e sente uma incontida emoção nascida de sua fantástica obra. Foi isto que aconteceu com o artista Luiz Carlos Martins Pinheiro (neste Vol. – ANTE) que sacralizou este Projeto com sua apurada visão artística, fértil imaginação, adotando uma visão ampla dos fatos, buscando sempre mais detalhes, exigindo que cada rua fosse transformada num retrato 5
  • 6. poético, trafegando junto com cada transeunte que deseja por ela passar. Todos com o direito de conservar o luar miracemense descendo lentamente sobre sua morada, prenúncio para diferentes emoções que irão sempre renascer. As páginas que se seguem são coletâneas de dados, biografias, fotos, pesquisas e documentos relacionados aos nomes das ruas existentes em Miracema. Hoje eles são eternizados na história que faz parte da vida e do progresso de nosso Município. Muitos miracemenses os conhecem, outros ouviram deles falar e para alguns são completamente desconhecidos. O objetivo deste Documentário – Logradouros de Miracema - é oferecer aos miracemenses uma caminhada reflexiva, fazendo um passeio com parada obrigatória em cada rua descrita e dentro dela encontrar a vida dos nossos antepassados na certeza de que todo trabalho realizado no presente está intimamente atados aos fatos de cada história aqui registrada. Alguns com heroísmo, garra, determinação. Outros com a simplicidade que a vida lhe ofereceu, mas de um valor extraordinário para nossa Comunidade. Muitos deixaram rastros poéticos embelezando nossa história, enchendo de emoção cada espaço, todos ligados à construção de nosso Município. Neste contexto destacamos a figura heróica de Dona Ermelinda Rodrigues Pereira (neste Vol. – D E P) que recebeu o troféu de fundadora do nosso Miracema. Agradecemos as pessoas que acreditaram neste itinerário histórico e hoje são partes integrantes com suas experiências poderosas, caminho para que tivéssemos os resultados arquivados neste trabalho. Foi um meio que achamos de 6
  • 7. penetrar na deliciosa aventura para resgatar a vida, a figura, os fatos e a história de todos, cujos nomes estão registrados em cada logradouro de nossa feliz cidade. E é esta a nossa real felicidade: termos participado deste valoroso documentário. Toda experiência vivida por nós cabe neste pensamento: “Para estarmos aptos a enfrentar novos públicos, devemos começar por ser capazes de enfrentar cadeiras vazias”. Nós tivemos esta coragem e com toda confiança enfrentaremos novos desafios ao iniciarmos: “Logradouros de Miracema” Volume II. “Os melhores prêmios da vida estão no fim de cada jornada, e não no começo”. Ricarda Maria Leal Alvim (Tia Ricarda). Ricarda Maria Leal Alvim (1936) Em sua residência: Praça Dona Ermelinda, 175. Foto: 01/10/2006; autor e cedente: filho Jader. Filha de José Vieira Leal e Isabel Domingues Leal nasceu no Município de S anto Antônio de Pádua, RJ, em 18/11/1936, mas registrada em 11/01/1936. 7
  • 8. Tem como manos - Jairo Domingues Leal e José Jader Domingues Leal, que é seu irmão gêmeo. Veio para Miracema em 1942 e aqui construiu sua vida em todos os sentidos. Vida simples, humilde, mas pautada nos valores morais ensinados por seus pais. Casou-se com Joel de Alvim e Silva. Eles possuem quatro filhos: Jader Leal Alvim, Peter Leal Alvim, Wilder Leal Alvim e Franklin Leal Alvim. A família é enriquecida com três netos: Lucas, Gabriel e Miguel; duas netas: Jhulia Hanna e Mariana e uma bisneta – Ana Clara. Formou-se professora pela E scola Normal do Colégio Miracemense (Vol. III – MM R), hoje Instituto de Educação no ano de 1955. Trabalhou em várias unidades em Miracema: E scola Cachoeira do Cedro (Zona Rural), E scola Córrego Raso (Zona Rural), E scola E stadual Dr. Ferreira da Luz (Vol. – DLFLA), E scola E stadual Manoel Rodrigues de Barros, Jardim de Infância Clarinda Damasceno (Vol. – JRD R), E scola E stadual Prudente de Moraes (Vol. – CA). E scola E stadual Joaquim Távora em Niterói. Aposentou como Implementadora de Alfabetização no Núcleo de Educação e Cultura. É Católica praticante e se sente muito feliz porque exerce a função de Ministra Extraordinária da Distribuição da sagrada Comunhão. É autora de: Mais de 200 poesias; Mais de 500 trovas; Da letra do Hino do Cinquëntenário de Miracema; Da letra do Hino homenageando os turistas que freqüentam Guarapari – E S. É cantado a cada ano na despedida dos mesmos, no final da Celebração Eucarística, pelo Coral da Matriz Nossa S enhora da Conceição. Diretora do Jornal Cultural ´´Liberdade de Expressão.`` 8
  • 9. De vários Projetos de Alfabetização: “Renascer” “Misturinha” Ocupa a cadeira nº 2 na Academia Miracemense de Letras. Ocupa a Cadeira nº 29 - Categoria Decano - Área Artes. Patrono José Mourão Fraga no Clube de E scritores de Piracicaba, S ão Paulo. Meu Canarinho Um canarinho vivia a cantar, alegrando o meu viver. Recebia o alpiste do amor, a água do meu carinho. Voava na gaiola que era o mundo que ele podia ter. Tudo lhe era oferecido, vida de rei, no seu cantinho. Seu trinado suave embalava os sonhos que eu vivia. Quando perto dele passava, curtia sua doce presença. Às vezes quieto, parado, bico para baixo, sono fingia. Achei que gostava de mim, de sua gaiola: minha crença. Abri a portinha devagar e o deixei sozinho a cantar. Ele foi embora sem se importar com a minha saudade. Ainda espero, olho a porta aberta, desejosa de seu voltar. Poleiro vazio, sem corpo, sem trinado, que infelicidade! Não tenho mais canto, nem alegria, vivo só, angustiada. Meu pássaro cantor dono de tantos troféus em meu lar, Deixou em minha vida tristeza, gaiola vazia, abandonada, Um dia também vou, levando a certeza de não mais voltar. Ricarda Maria (Liberdade de Expressão, no. 99, 01/2008). 9
  • 10. LOGRADOUROS DE MIRACEMA (ANTE).......................Luiz Carlos/MPmemória Atualização: 10/10/2009 ANTECEDENTES A busca pelas origens é uma constante ao pensamento, embora nunca possa ser satisfeita plenamente, já que os acontecimentos se sucedem interminavelmente e, sem um, outros posteriores poderiam não ser possíveis. Assim, nos reportaremos apenas a alguns fatos que tiveram como palco o Grupo dos Miracemenses e Amigos de Miracema, desde 2005, defendendo a necessidade de contribuir não só ao resgate da memória do primitivo Santo Antônio dos Brotos, como à sua divulgação, especialmente através da Genealogia Miracemense. Um dos instrumentos para isto seria contar a história das vias públicas urbanas, falando da gente, principalmente daqueles que lhes deram seu nome, e das coisas de grande interesse popular, que estejam ligadas à mesma, como residente, estabelecido, prestador serviço, transeunte etc. Outrossim, ajudaria a responder uma pergunta muito comum e quase sempre sem resposta: quem foi a pessoa que dá nome ao seu logradouro? A exemplo das obras que isto fazem, acaba contribuindo, não só à Genealogia Miracemense, como a outros aspectos da história não só da cidade como do município, embora este não seja objetivo desta. Em 18/06/2005, dirigimos correio eletrônico a Carlos Roberto de Freitas Medeiros (Vol. – SPMR), ilustre prefeito de Miracema (2005/2009), detalhando proposições que lhe fizéramos oralmente, no final do mês anterior, objetivando a Genealogia, sem a necessidade de mobilizar recursos não disponíveis. Destacamos: ´´Sem uma preocupação rotineira permanente à formação da memória da gente do município, não se conseguirá sair disto. É indispensável que algum servidor, com grande interesse pelo assunto, seja encarregado de pesquisar e obter o que seja encontrado, mesmo no domínio privado, sobre qualquer pessoa do município, cuidando de formar e preservar um acervo, acessível a qualquer interessado, com as facilidades oferecidas pelas bibliotecas. O que não seja possível ter cópia, pelo menos, deve constar de uma bibliografia, com as informações indispensáveis de onde possa ser encontrado. Concursos públicos sobre biografia de gente do município podem ser instituídos, aproveitando-se a oportunidade de festejos municipais, premiando os que mais se destaquem, ao ver de uma comissão julgadora, inclusive através do patrocínio de sua publicação, seja pelos cofres municipais e/ou pela iniciativa privada, distribuindo gratuitamente exemplares às bibliotecas do município e de fora dele. 10
  • 11. Através das escolas municipais, podem ser promovidos, como mero trabalho ordinário escolar de redação, temas sobre a história dos logradouros públicos, dos bairros e distritos, dos próprios estudantes, falando das coisas e pessoas do mesmo, passadas e/ou presentes. Os mais interessantes seria incorporados à memória do município. Naturalmente, muitas outras idéias a respeito podem e devem ser aproveitadas.´´ Ingressando no Grupo a ele submetemos tais idéias, salientando que muito do seu dia-a-dia já era um balcão permanente de informações históricas que devidamente organizadas seriam de grande valia à Memória de Miracema. Com o passar do tempo as mesmas foram se corporificando e ganhando apoio. No final de 2005, Antônio Raymundo Magalhães Siqueira (MUNDINHO) (Vol. VI - DAASR) propôs um plano de trabalho ao Grupo, atribuindo-nos a Memória de Miracema. Ao desempenho desta tarefa, encaminhamos algumas proposições concretas, inclusive a história das vias públicas de Miracema, inspirado em trabalhos, como: 1) História das Ruas do Rio de Janeiro (e da sua liderança na História Política do Brasil), de Brasil Gerson (1904/1981), já em sua 5ª. Edição, ano 2000; 2) Tijuca de rua em rua – da Praça da Bandeira ao Alto da Boa Vista, de Lili Rose Cruz Oliveira (1962) e Nelson Aguiar (1958), ano 2004. Em 19/11/2005 Carlos Augusto Tostes Macedo (Kazal) (1942) (Vol. VI - UMMR), criador do Grupo e responsável por ele, nos disse ´´Excelente a sua idéia. O site abaixo, que você enviou, realmente esclarece de forma direta e simples a questão da viabilidade do projeto. Miracema, por outro lado, muito iria se sobressair, até mesmo nacionalmente, pois suas ruas possuem curiosos nomes - ´´genéricos – como Rua do Sapo, Rua da Capivara, Rua das Flores, Rua da Lage, Rua do Biongo, Rua do Café (Vol. V- DAA), e por ai vai. Este projeto vem ao encontro da intenção de tornar Miracema uma atração turística. ´´ Evane Aparecida Barros Barbuto (Vol. V – MPTT) acrescentou: ´´Rua dos Prantos que ia em direção ao cemitério, ou dos Prontos, onde os moradores tinham baixo poder aquisitivo, hoje Elpídio Portes Mendes; Rua do Lixo porque servia de depósito para o mesmo, hoje Francisco Cardoso; Capivara, em direção à cidade de Palma que antigamente tinha este nome, hoje Cândido Dias Tostes, assim como a Rua da Laje, que seguia em direção à cidade de Laje do Muriaé, hoje Avenida Carvalho); Beco do Inferno, onde moravam diversas mulheres que brigavam todos os dias, precisando sempre da intervenção da polícia, hoje Pedro Elídio; Rua do Centenário, inaugurada em 1922, cem anos após a independência, hoje Barroso de Carvalho; Rua das Flores, por ser uma rua onde quase todas as casas tinham jardins ou jardineiras em suas frentes, hoje José Carlos Moreira; e Rua do Biongo onde havia dezenas de pequenas 11
  • 12. casas cobertas de sapé nas quais ficavam hospedados os integrantes de circos que por aqui passavam, hoje Deodato Linhares; Avenida, hoje Rua Santo Antônio, era onde havia diversas casas de lenocínio comandadas por uma mulher chamada japonesa, freqüentadas pelos homens da cidade; Praça dos Boêmios, onde os mesmos se concentravam no boteco de um turco chamado Farid, hoje Pça. José Giudice; e Rua Direita, única rua onde se pagava imposto predial, tinha os prédios melhores e era a mais organizada, hoje Marechal Floriano).´´ Adalberto aditou: ´´Resgatar a história do nome das ruas de Miracema é excelente, mas há MAIS uma característica de nossa Terrinha que creio ser importante manter. Como Vcs (pelo menos os mais antigos) sabem, a maioria das nossas ruas era e ainda são identificadas popularmente por apelidos inesquecíveis. Rua do Sapo, da Capivara, do Lixo, da Linha, da Usina, do Café, Nova, Rodagem, Direita, da Laje, e tantas outras, são muito mais lembradas que seus nomes oficiais. Por que não manter nas placas esta referência? Sendo a "Cidade das Festas" esta será mais uma característica que, ao lado de tantas outras, um dia será motivo de orgulho para os nossos futuros guias de turismo mirim terem na ponta da língua, ao mostrarem nossas atrações, a razão de tais e quais "apelidos"... ´´ Eliane Picanço Dutra (Vol. – VDMR): ´´Excelente idéia. Tenho muita vontade de fazer uma pesquisa sobre as Ruas de Miracema, mas encontro tantas barreiras que desisto. Mas, como sou brasileira e não desisto nunca, ainda vou ver este meu projeto pronto. Tem ainda a Rua do Chafariz, a Rua da Mina, Praça dos Boêmios e ai vai. Vamos lembrando, matando saudades, "caminhando contra o vento sem lenço e documento", o que vale é "que emoções eu vivi".´´ Em 19/03/2006, Ricarda Maria Leal Alvim (Tia Ricarda) (1936) (neste Vol. – APRE) escreveu: ´´Angeline, Por seu intermédio, minha "sobrinha Angeline", gostaria de me apresentar ao GRUPO MIRACEMENSE E AMIGOS DE MIRACEMA. Meu nome: Ricarda Maria Leal Alvim. Ainda não me manifestei porque estou igual a uma pessoa que vai à praia pela primeira vez. Olha primeiramente a imensidão do mar; num segundo momento pisa na areia e passeia pela orla. Na volta coloca os pés na água, com medo; aos poucos vai penetrando, mas sempre cheia de incertezas; até que se sente segura, pois sabe até onde pode ir sem o perigo de se afogar. Assim está acontecendo comigo em relação ao Grupo. Primeiramente estou tomando conhecimento dos nomes que dele fazem parte; passeio pelos questionamentos e vou sentindo o elevado nível cultural de cada componente, para depois, sem medo, poder participar. Sou Diretora do Jornal "Liberdade de Expressão´´. É um Jornal que tem grande aceitação não só em Miracema, mas por todos que têm o privilégio de lê-lo, devido ao seu corpo de Redatores: Regina Titonelli, Evane Barbuto, Joffre Geraldo Salim, Gilda Hermanny Tostes, José Erasmo Tostes, Glória Vargas, June de Souza Carvalho, Ana Lúcia Lima da Costa, Carlinhos Moreira, Neide Freitas Gutterres, Eunice do Carmo 12
  • 13. e Marta Corrêa Bruno. É um Jornal que tem como objetivo divulgar a cultura de nossa Terra. Eu colaboro com o Editorial, Minha Rosa de Hoje é Para Quem?, Sentimentos do dia-a-dia (Minhas Poesias), Cantinho das Trovas (Minhas Trovas). Vou solicitar ao Erasmo Tostes nomes de Ruas de Miracema. Qualquer dia enviarei. Abraços para você, "minha sobrinha" e aos novos amigos meu reconhecido agradecimento por já fazer parte desta cultural família.´´ Angeline Coimbra Tostes de Martino Alves (1972) (Vol. – FAAR) em 24/03/2006: "Tenha a certeza de que a contribuição da Tia Ricarda é de suma importância, dada a sua competência, seu interesse, sua tão vasta e conhecida habilidade em lidar com projetos dessa natureza. Tia Ricarda é uma das organizadoras e elaboradoras de toda a FESTA DO CINQÜENTENÁRIO DO JARDIM DE INFÂNCIA CLARINDA DAMASCENO, participei desse evento, bem como o José Souto e podemos comprovar. Além de ser um orgulho para eu ter a Tia Ricarda envolvida nesse grandioso projeto de Recuperação da Memória de Miracema. Volto a sugerir que sigamos o caminho de trabalharmos no DICIONÁRIO DOS LOGRADOUROS, pois estaremos tratando de temas que irão agregar ou inovar a BIBLIOGRAFIA da cidade e de sua gente, que é tão precária. Iremos também contribuir para futuros projetos turísticos na cidade. Estamos aqui com bons quilômetros andados; dadas as informações prestadas pela Tia Ricarda, com quem podemos nos juntar para apoiar a pesquisa.´´ Tia Ricarda em 02/04/2006: ´´Recolhi do acervo da Casa da Cultura oitenta biografias gentilmente emprestadas por Marcelo Salim. Tirei uma xerox de cada exemplar para o arquivo do Grupo. Existem mais de duzentos nomes de ruas sem biografias. Marcelo ficou de me ajudar dentro do possível. Estou telefonando para as famílias que conheço, pedindo socorro. Muitos nomes eu nunca ouvi falar, mas se Deus quiser e Ele quer, teremos respostas positivas."Nenhum caminho de flores conduz à glória". Creio que esta pesquisa servirá para um "fixamento" dos dados referentes a cada "vulto" que constará do trabalho idealizado por vocês, mas que dentro de pouco tempo será historicamente realizado.´´ Sendo o Grupo uma reunião espontânea de interessados, miracemenses e amigos de Miracema, na discussão de temas livres, revelou-se inviável oferecer uma sustentação mínima indispensável à execução do projeto. Diante da oferta da Tia Ricarda, em 25/06/2006, lhe propusemos uma parceria, aproveitando a experiência da MPmemória, então de 10 anos, para levá-lo avante. Pronta e entusiasticamente a aceitou, encarregando-se da coordenação do conteúdo e nós da editoração e distribuição, sem qualquer finalidade mercantil e sem a necessidade de patrocinadores. Não existem autores específicos da obra, sendo o mutirão espontâneo e não remunerado, a forma de trabalho. No mês de julho foi desenvolvido o protótipo a cada capítulo, a exemplo dos da MPmemória, com as devidas adequações. Não há nenhum propósito de originalidade, mas não conhecemos outra do gênero com projeto similar. 13
  • 14. Cada logradouro constitui um capítulo ilustrado, com numeração independente e extensão em função apenas do conteúdo disponibilizado ao mesmo, por qualquer interessado e poderá, a qualquer momento, ser revisto e ampliado. Divide-se em identificação, preâmbulo, biografia, depoimentos e suplementos. Sabia-se da imensa dificuldade para atingir tais objetivos, com recursos tão escassos. Uma equipe de duas pessoas, uma fundeada no Rio de Janeiro, com quase nenhum conhecimento de e em Miracema, e outra em Miracema, com muito conhecimento local, mas que nunca se haviam visto e tinham como meio de comunicação basicamente a Internet, na qual são calouros. O sítio a escavar oferecia poucas oportunidades às pesquisas documentais. Muito mais fontes orais, com raros conhecimentos do passando aquém de sua própria geração. Mesmo sobre alguns personagens históricos importantes, pouco ou nada, de fácil acesso. Dois arquivos municipais principais a farejar, Santo Antônio de Pádua e Miracema. Boa vontade de não muitos e fé em Deus, as principais armas a contar. De saída se estabeleceu como primeira meta a publicação da 1ª. Edição para até agosto de 2007, tendo em vista, inclusive a necessidade de detalhamento do projeto apenas pensado. Embora as dificuldades tenham se mostrado muito superiores às esperadas, a boa vontade se revelou bem maior, e, assim, em 5 meses (20/11/2006), este Volume foi lançado e já se dispunha de um bom material ao seguinte, que se esperava colocar à disposição pública até agosto de 2007 e foi em 07/07/2007. Em 01/03/2008 o III, em 27/09/2008 o IV, em 21/03/2009 o V e em 10/10/2009 o VI. Previsto o VII para março de 2010. Por questão de viabilidade econômica e de praticidade, optou-se por volumes deste porte, sem imposição de nenhuma divisão urbana, oficial ou imaginária. Ao fechamento do Volume I, adotou-se, entre o que já se tinha em condições de publicar, a parte mais primitiva e histórica da Cidade. É nada mais nada menos do que uma consolidação de informações dispersa que se dispôs, de diversas fontes, inclusive de fora de Miracema e de não miracemenses, que se pouco acrescenta de novo, espera-se tenha o mérito de torná-las de mais fácil acesso, para que sejam mais conhecidas e possam servir de mapa da mina histórica a investigar, por quantos se interessem em elucidar as obscuridades e/ou as controvérsias atuais, da Memória de Miracema. Bem mais do que se tinha de início. Outro crédito, por certo, é ter realçado a um considerável público o interesse pela História, mormente de Miracema. 14
  • 15. Espera-se que assim, o terreno às tarefas futuras, não só aos próximos volumes a editar, como à correção e enriquecimento dos editados, se torne mais fértil, dando melhores frutos. Só Deus sabe até onde se poderá ir. História, sem ficção, não se cria, se copia. É não só dinâmica, como inesgotável. Portanto, não tem início e nem meio, muito menos fim. Luiz Carlos Martins Pinheiro Coordenador-Geral da MPmemória Com a neta Andreza Magalhães Martins Pinheiro (1994). Almoço do 4º. Dia de ´´OS QUINTÕES PINHEIROS´´ no Rio de Janeiro, 17/09/06. Foto: 17/09/2006; autora e cedente: filha Márcia Regina Alcântara Pinheiro Martins (1960). LUIZ CARLOS MARTINS PINHEIRO (1930) Um dos sete filhos do tombense Francisco de Assis Pinheiro Júnior (Francisquinho) (1902/1985) com a cordeirense Alzimira Martins Pinheiro (1905/1990), unidos pelos laços do matrimônio, em 05/04/1926, na Igreja Matriz da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição dos Tombos do Carangola, criada pela Lei no. 605, de 21/05/1852, da Província de Minas Gerais, cidade e município de Tombos, MG, instituindo ´´OS MARTINS PINHEIROS´´. Ele filho do, também, tombense Francisco de Assis Pinheiro (Chiquinho) (1869/1952) e da porciunculense Alcides Quintão Pinheiro (1875/1941), casados em 13/09/1890, na mesma Igreja Matriz, formando o clã de ´´OS QUINTÕES PINHEIROS´´, tronco de ´´OS CARMOS´´, de ´´OS QUINTÕES´´ e de ´´OS PINHEIROS´´. Tiveram 16 filhos. Ela filha do galego-espanhol José Manoel Martins (1863/1950) e da fluminense Delphina Maria Martins (1869/1958), que se uniram no atual Município de Bom Jardim, RJ, constituindo ´´OS MARTINS´´, tronco brasileiro de ´´OS MARTÍNEZ´´. Tiveram 15 filhos. Por necessidade da assistência do tombense Doutor Gothardo Soares de Gouvêa 15
  • 16. (1890/1967), nasceu, em 01/06/1930, às 14 h, no CASARÃO de ´´OS MARTINS´´, Tombos, MG, sendo, o único não carioca da sua irmandade e o único nascido com assistência médica. Todos de parto natural, no domicílio, Rio de Janeiro, com parteiras. Batizado na referida Igreja Matriz, em 17/07/1930, tendo como padrinhos os avós- paternos e a tia-materna Maria Martins Fontes (Nena) (1901/1981). Irmãos: Paulo José (1927/2000), Sylvio César (1932), Glória Maria (1942/1942), Francisco Aloísio (1943), Ronaldo Fernando (1947) e Marco Aurélio (1949), todos Martins Pinheiro. Contudo, sempre viveu no Rio de Janeiro, principalmente na Rua Cuba, 30, Cidade Sorriso, Penha, Zona da Leopoldina, de onde saiu, em 1970, à Rua São Francisco Xavier, 146/601, Engenho Velho, Tijuca, lá ficando até 2000, quando passou à Avenida Professor Manoel de Abreu, 559/1301 e depois 1303, Maracanã, onde reside. Cursou: primário (1937/1942) na Escola Conde de Agrolondo, pública municipal, na Penha; admissão e ginasial (1943/1949) na Escola Santa Teresa, particular, em Olaria e no Colégio Pedro II, público federal, no Centro; científico (1949/1951) no Colégio Pedro I, particular, em Ramos; vestibular (1952/1953) no Curso COS, particular, Castelo; Engenharia (1954/1958) na jesuítica EPUC - Escola Politécnica da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, de início em Botafogo e logo a seguir na Gávea. Realizou inúmeros cursos de pós-graduação e outros de interesse à sua atividade profissional. Sem ser do tipo conquistador, namorou algumas garotas, mas uma de cada vez, todas obtidas fora de casa e de apresentações, até que, no ônibus ao trabalho, se interessou por uma jovem estudante. No Dia do Trabalhador de 1950, bordejando nas festividades públicas do Conjunto Residencial do IAPI (Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários), da Penha, encontrou-se com um companheiro, que ao ver dois brotinhos, disse do seu interesse em abordar um e se queria ficar com o outro. Nada menos que a sua encantadora do ônibus, Marly Alcântara Pinheiro (1934/2006). Assim iniciou uma convivência que, com a graça de Deus, completou 56 anos ininterruptos, em 01/05/2006. Sua patinha, carioca, segunda filha, dos sete filhos de Waldemar de Alcântara (1906/1982) e Maria de Lourdes Duque Estrada de Alcântara (1913/1988), genearcas de ´´OS DUQUES ESTRADAS DE ALCÂNTARA´´, nasceu em 04/03/1934, Rua Pereira Nunes, São Cristóvão, Rio de Janeiro. Neta de Paulo Pedro de Alcântara e Florentina Beltrani de Alcântara, por parte de pai e de Henrique Affonso Ferreira Duque Estrada e Maria José Duque Estrada, por parte de mãe. Surpreendentemente teve que se submeter a uma cirurgia no coração, no Hospital Quinta D´Or, vindo a falecer em 07/05/2006, no CTI – Centro de Tratamento Intensivo do mesmo. Sepultada no jazigo perpétuo de ´´OS MARTINS PINHEIROS´´, no Cemitério de São Francisco Xavier, Caju, Zona Portuária, Rio de Janeiro. Portanto a exatos dois meses, da 16
  • 17. comemoração das BODAS DE OURO. Em 1945 passou a ter emprego diurno e a estudar a noite. Já se decidira pela Engenharia, embora não soubesse como poder chegar lá, já que o curso era diurno. Começou como mensageiro, num escritório particular. Passou por outras empresas particulares, como auxiliar de escritório, escriturário e auxiliar de contabilidade, até que ingressou na EPUC, não mais podendo ser empregado. Em parceira com a Marly, estabeleceram comércio informal de venda de roupas, ela vendia e cobrava, principalmente, em seu trabalho e ele comprava, financiava e gerenciava. Embora o negócio de mascate estivesse bem, ao se formar, decidiram encerrá-lo definitivamente, para ele se dedicar somente à profissão e ela ao lar, no esquema de parceira conjugal mais tradicional. Em 28/05/1953, 51º. aniversário de seu pai, em sua residência, noivou e em 06 e 07/07/1956, no Rio de Janeiro, se casaram. O religioso celebrado, por seu primo-irmão Padre José Raphael Pinheiro (1929), na Capela de São Judas Tadeu, que precedeu a atual Basílica, no Cosme Velho, por devoção dos nubentes ao Santo. Surgiram ´´OS ALCÂNTARAS PINHEIROS´´, ramo dos troncos mencionados. Foram: padrinhos: 1) civil: Maria Apparecida Moreira Santos (1932), com o esposo Hélcio de Oliveira Santos (1930/1965) (Vol. II – HPSR), ambos miracemenses, primos dele; Ada Duque Estrada Porto (1924) com o esposo Manoel da Rocha Porto (Manduca), primos dela; 2) religioso: José Pinheiro da Costa (Zé Pinheiro, Zezé) (1922/2003) com a esposa Sulem Ruth Moreira da Costa (Neinha) (1927), primos dele; Jonny Chalréo com a esposa Irinéia Nicolino Chalréo, amigos de ambos. Vieram os filhos: Eliane (1959), com três filhos: Thelmo (1979) casado com Helen (1891), pais de Thelmo (Thelminho BIS) (2007); Luís Felipe (1981) e casado com Fabiana (Fafá) (1983); Rodrigo (1983) casado com Saide; Márcia Regina (1960) casada com Vinícius Lucena (1960), pais de Vinícius Lucena; Luiz Carlos (1964) casado com Adriana, pais de (1971) Andreza (1994) e enteada Daine (1987) e com Sandra Mara (1976) enteada Luana (1987). Em 1956, inesperadamente se viu envolvido com a política estudantil, elegendo-se, por mero acaso, representante externo do DA – Diretório Acadêmico da EPUC, chegando a 2º. Vice-Presidente da UME – União Metropolitana dos Estudantes. Em 05/1958, a laço, passou a estagiar na sede do DNOCS – Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, no Rio de Janeiro, que enfrentava uma das maiores secas do Nordeste do Brasil. Ao se formar, foi contratado como Engenheiro, para assessorar o Diretor-Geral. Em 1961, com a transferência da mesma sede ao Nordeste, não a aceitou a mudar-se do Rio de Janeiro, sendo, lotado no DNEF – Departamento Nacional de Estradas de Ferro, onde exerceu chefias técnicas desde 1963 até 1974, quando o órgão foi extinto. Não se dispondo a ir para Brasília, foi passado à sede da RFFSA – Rede Ferroviária Federal S/A, lá permanecendo até 01/06/1994, quando se aposentou, de 17
  • 18. direito e de fato. Responsabilizou-se pela publicação da revista EPUC – Engenharia e Arquitetura (1956/1958), do Boletim do DNOCS (1958/1961) e da Revista do Clube de Engenharia (1961/1963). Como chefe da fiscalização técnica das ferrovias brasileiras, percorreu a quase totalidade da malha ferroviária nacional, inclusive as longínquas e isoladas: E. F. Madeira Mamore (RO), E. F. Tocantins (PA) e E. F. Amapá (AP). A convite da ferrovia do Uruguay, a visitou. Na chefia de estudos técnicos, atuou no planejamento do DNEF, especialmente nas normas técnicas às estradas de ferro brasileiras e em estudos de viabilidade técnico-econômica. Por cinco meses (1971/1972), por designação do Ministério dos Transportes, estagiou em normalização técnica em Paris, em especial à ferroviária, percorrendo outras localidades francesas. Disto decorreu ter que implantar o CB-6 – Comitê Brasileiro do Equipamento e Material Ferroviário (1972/), da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, o qual presidiu, chegando a presidir, em média, mais de 100 reuniões técnicas/ano, no Rio e em São Paulo. Elaborou mais de 1 000 projetos de normas, atuando, também, na internacional, pan-americana e mundial. Ao se aposentar, não mais se interessando por atividades remuneradas, voltou-se, pouco a pouco, a um novo e inesperado propósito, desde que se sentiu ameaçado de morte, em decorrência de enfermidade no intestino, tendo passado por uma grade cirurgia em 14/10/1996 e outras em 08/05/2001 e 26/06/2009 à extração de pólipo no intestino. Assim chegou à MPmemória, cujo maior objetivo é contribuir à maior aproximação entre todos os seus familiares, para isto valendo-se de experiências adquiridas, pelo menos, desde quando foi forçado à política estudantil. As pesquisas que precisou fazer em Miracema sobre ´´OS MOREIRAS´´, desde 05/2004, o levaram a defender a necessidade de um melhor resgate, principalmente, da memória de sua gente, desde 05/2005, quando isto expôs ao seu ilustre prefeito, Carlos Roberto de Freitas Medeiros. Graças ao acolhimento encontrado no Grupo de Miracemenses e Amigos de Miracema, logo a seguir, chegou ao projeto LOGRADOUROS DE MIRACEMA em parceria com a incrível TIA RICARDA, lançando este Volume em 20/11/2006. Por iniciativa do vereador Paulo Rogério Lamarca, em 24/04/2007, numa solenidade nos salões do Clube XV, foi agraciado com o título de CIDADÃO MIRACEMENSE, concedido pela Câmara Municipal de Miracema, através da Resolução no. 894, de 19/04/2007. Leitura do Livro da Sabedoria (A MISSA, Rio de Janeiro, 15/10/2006): ´´Orei, e foi-me dada a prudência supliquei, e veio a mim o espírito da sabedoria. Preferi a Sabedoria aos cetros e tronos e encampação com ela, julguei sem valor a riqueza, a ela não igualei nenhuma pedra preciosa, pois, a seu lado, todo o ouro do mundo é um punhado de areia e diante dela, a prata, será como a lama. Amei-a mais que a saúde e a beleza, e quis possuí-la mais que a luz, pois o esplendor que dela irradia não se apaga. Todos os bens me vieram com ela, pois 18
  • 19. uma riqueza incalculável está em suas mãos.´´ 19
  • 20. LOGRADOUROS DE MIRACEMA (APP).........................Luiz Carlos/MPmemória Atualização: 24/10/2009 Praça Ary Parreiras (conhecida, também, como Praça das Mães) (Largo da Igreja, Largo da Matriz, Praça da Matriz) (contígua à Praça Dona Ermelinda e ao Largo Dona Magaly; início: Praça Dona Ermelinda; término: esquina ruas S anto Antônio e Elpídio Portes Mendes; dela partem: Travessa Cônego Joaquim Tomaturgo de Albuquerque e as ruas João Pessoa e Paulino Padilha; formato: L) (Centro Histórico – Tombada) (Centro) 1) No. 6 (1926) (tombado) (Suplemento 5) - residência que foi de ´´OS BRUNOS DE MARTINOS´´; início da arborização (tombada); 2) mesma residência em reforma e o novo coreto. Fotos: 1) a. 1934; autor: desconhecido; cedente: 2) Angeline Coimbra Tostes de Martino Alves (1972) (Vol. – FAAR); 3) 21/12/2008; autor e cedente: Carlos Sérgio Barbuto (1939) (Vol. V – MPTT). 1) Primitiva Ermida ou Capela de Santo Antônio (capa deste Vol.); tela da Acadêmica Glória Maria da Consolação Freire Vargas de Oliveira; 2) com primitivo coreto e sem palmeiras imperiais (plantadas em 1966). 20
  • 21. Fotos: datas e autores: desconhecidos; cedente: Carlos Sérgio. S/no. (tombado) - Evolução da Igreja Matriz da Paróquia de Santo Antônio de Miracema: 1) à esquerda sobrado prejudicando-a; 2) sem o sobrado e a praça com coreto; 3) com torres elevadas e acessos rampados; 4) com casa paroquial (tombada), obra do Padre Joaquim Thaumaturgo Comibra de Albuquerque, inaugurada em 12/08/1945 (Vol. – CJTAT). Fotos: datas e autores: desconhecidos; cedente: Marcelino Alvim Tostes (?/2009) (Vol. V – MPTT). Praça em formato de ´´L´´, com coreto e sem palmeiras. Dia da Raça em 1938 (ainda era Praça da Matriz, denominação oficial até 1950). Ao fundo: Igreja Matriz em forma de cruz (1931/1936), obra do Cônego Tomas de Aquino Menezes, duas torres baixas e sem casa e salão paroquial; à esquerda: Praça Dona Ermelinda (neste Vol. – DEP); à direita: sobrado de Eliezer Silva, na Esquina do Dover; a seguir, no. 88 (prédio de oito janelas e porta no meio) - extinto e saudoso Grupo Escolar Buarque de Nazaré atual Colégio Estadual Prudente de Moraes (Vol. – CA); após: casa dos herdeiros de Ururahy de Mattos Macedo (1912/1996) (Vol. VI - UMMR). Fotos: 1938; autor: Moacyr Schueler (1905/1980) (Vol. II – MSR); cedente: Carlos Sérgio. 21
  • 22. 1) S/no. (tombado) - Jardim de Infância Clarinda Damasceno inaugurado em 12/10/1934, no local da capela (Vol. – JRDR); 2) sem coreto, com palmeiras e concha acústica. Fotos: 1) 09/2006; autor: desconhecido; cedente: Otto Guilherme dos Santos Moura (1947) (Vol. – ME). 2) 15/08/2006; autor e cedente: Carlos Sérgio. Esquina do Dover: 1) reforma da praça, observe o rebaixamento: Casa Violeta; casa demolida à construção da residência de herdeiros do Dover; Grupo Escolar Buarque de Nazaré, transformado, na residência de Oswaldo Bastos e demolido à construção, 1978/1979, da residência da Família Barbuto; 2) 124 (tombado): 1º. sobrado: residência de herdeiros do Dover; 2º. sobrado: térreo: Casa Violeta, loja pertencente a Lourdinha, filha de Dover e Irajara, viúva de José Eduardo Pastor Tostes; superior: residência de Patrícia, filha de Lourdinha. Fotos: autores: desconhecidos; cedente: Carlos Sérgio: 1) 1931; 2) 2006. 1) Monumento às Mães; autoria não esclarecida; oriundo da reforma da praça, entre 1963 e 1966. Ao fundo: no. 6; 2) no. 88 - residência da família do Médico Carlos Sérgio Barbuto com a Acadêmica Evane Aparecida Barros Barbuto (Vol. V – MPTT) no portão. 22
  • 23. Fotos: 11/06/2006 e 01/09/2006; autor e cedente: Carlos Sérgio. 1) sítio da atual Prefeitura, quando nele se armava circo; 2) no. 171 (tombado) – Paço Municipal (1944); sede da Prefeitura de Miracema, que substituiu a derrubada pela enchente de 1940 do Ribeirão Santo Antônio (Vol. – SARI); construção de Massimilano de Poli (1892/1969) (Vol. V – MPR). Fotos: 1) data e autor: desconhecidos; cedente: Carlos Sérgio; 2) 20/08/2006; autor e cedente: Jader Leal Alvim (Jadinho) (neste Vol. – APRE). No. 156 - Centro Cultural Melchíades Cardoso e Museu Antônio Ventura Coimbra Lopes. 1) fachada anterior; 2) fachada atual; 3) entrada; 4) a 6) ambientes; 5) mesa da solenidade de reinaguração; 6) Banda Sete de Setembro (Vol. II – FPR) na solenidade. 23
  • 24. Fotos: 1) 20/08/2006; autor e cedente: Jader; 2) a 6) 20/12/2008; autor e cedente: Carlos Sérgio. Existe no coração de Miracema uma praça, reconstruída em 1931, no Governo do S r. Altivo Mendes Linhares (Vol. IV – DL R), que recebeu o nome de Ary Parreiras, em 1950, em homenagem ao Interventor do E stado que, em 1935, decretou a Emancipação Político- Administrativa de Miracema e que foi consolidada em maio de 1936 no Governo do Almirante Protógenes Ferreira Guimarães. Até a década de 60 ainda era a mesma construção e a mesma imagem, tendo, como símbolo daquele tempo, um coreto com grade de ferro, toda trabalhada, imitando arte em madeira. A Praça Ary Parreiras acolhe os olhares dos que nela residem, oferecendo o verde de suas anciãs palmeiras, que servem como inspiração para os poetas, compositores e pintores de nossa Terra. Uma concha acústica faz parte da época em que a praça foi remodelada no Governo Municipal Jamil Cardoso (Vol. II – JCT) e serve para espetáculos e outros eventos. Acompanhando ainda esse tempo, existe um ``Monumento às Mães ´´. E s se logradouro guarda, ao seu redor, pérolas que fazem parte integrante da nossa história. A Igreja Matriz inaugurada em 1889, que é admirada por sua privilegiada localização, bem no alto, Deus abençoando a nossa cidade. Não há quem não admire o deslumbramento de sua arquitetura. Nossa Igreja Matriz faz cada um que a observa, penetrar num mundo de paz celestial. O Jardim de Infância Clarinda Damasceno, o 2º do E stado do Rio de Janeiro, segundo informações do historiador miracemense, Dr. Maurício Monteiro (Vol. – ADM R). É um prédio lindo, aconchegante, que atrai as crianças e acompanha gerações, deixando um gosto de saudade em cada um que ali freqüentou quando pequenino. Foi fundado no Governo do S enhor Altivo Mendes Linhares, em 1934. É localizado onde foi construída a primeira capelinha em honra a S anto Antônio, que deu origem ao 24
  • 25. nosso Município. Entre as residências inseridas nessa Praça, destaca-se a casa do Jornalista Bruno de Martino, no nº 6, construída em 1926. Palco de tantas reuniões históricas relacionadas à emancipação do Município de Miracema. O imponente prédio da Prefeitura Municipal de Miracema também faz parte desse logradouro, no no. 171, e ocupa o lado esquerdo. Virando a esquina, acompanhado a lateral que também a ela pertence, logo à frente, existe uma repartição do D ET RAN. Do outro lado, no. 156, em frente à Prefeitura, é localizada a importante Casa da Cultura Melchíades Cardoso. É um local onde o passado se encontra arquivado nos acervos que conservam registros que nos fazem voltar no tempo, na certeza de que a história não se repete, mas deve ser conservada, cultuada, admirada, resgatada pelo povo que recebeu de graça tantas realizações. Nessa Praça residiram muitas famílias que deram suas importantes contribuições, alavancaram o progresso do nosso Município: S outinho da Cruz, Tardin Fáver, Bruno de Martino, S oeiro, Machado, Moura, Mattos Macedo, Bastos, Moreira, Dutra, Pinheiro, Tancredi, Pereira Tostes, Ramos, Cardoso, Major Emiliano, Tostes, Leitão e outras. A Praça Ary Parreiras vai mudando a sua roupagem de acordo com o pensamento de seus governantes, mas continua sendo o local em que se realizam, através das gerações, as festas do padroeiro da cidade - S anto Antônio. Não importa qual seja a sua aparência: coreto, concha, acústica, monumento às mães, parece que aquela primeira capelinha, erguida onde é hoje o "Jardim de Infância", depois demolida, mas que jamais se apagará com o tempo, deseja festejar, brindar àquele que fez um dos esteios brotar, oferecendo a certeza de que ele se transformou numa frondosa e imbatível árvore que é o nosso Município de Miracema. Ricarda Maria Leal Alvim (Tia Ricarda) (1936) (neste Vol. – AP R E). Ary Parreiras (1890/1945) 25
  • 26. Foto: s/data; autor: desconhecido; cedente: Tia Ricarda. Nasceu em Niterói, RJ, em 1890. Militar, assentou praça em 1907, matriculando-se no curso de máquinas da E scola Naval. Atuante na preparação da Revolução de 1930 foi considerado desertor e anistiado após a subida de Getúlio Vargas (Vol. II – GV P) ao poder. Ainda em 1930, foi nomeado oficial de gabinete do Ministro da Marinha e participou de uma comissão para fiscalizar a implantação das medidas preconizadas pela Revolução. Integrou o chamado ´´gabinete negro´´, denominação dada ao grupo de ´´tenentes´´ que se reunia em torno de Getúlio Vargas logo após na Revolução para discutir o futuro governo. Em dezembro de 1931 foi exonerado do gabinete da Marinha, para ocupar o cargo de Interventor Federal do Rio de Janeiro. Após deixar a interventoria em novembro de 1935, voltou ao serviço ativo da Marinha. Como interventor, pelo Decreto-lei no. 3.401, de 07/11/1995, criou o Município de Miracema. Faleceu em Niterói, em 1945. (Fontes: Abreu, Alzira & Beloche, Israel (coords.) – Dicionário histórico – bibliográfico brasileiro 1930/1983, Rio de Janeiro; Lacombe, Lourenço Luiz – Os Chefes do executivo Fluminense, Petrópolis). 26
  • 27. 1) marco comemorativo dos 55 anos de Miracema; 2) praça com calçamento (tombado), caramanchão e palmeiras imperiais; Largo Dona Magaly (Vol. VI – DML); Igreja Matriz; casa de Elieser Silva; 3) interior da Igreja; Fotos: 1) 29/04/2007; autora e cedente: Eliane Alcântara Pinheiro (1959) (neste Vol. – ANTE); 2) e 3) data, autor e cedente: desconhecidos. Ary Parreiras, esquina com Rua Francisco Dias Tostes (Vol, III – FDTR). 1) no. 302; 2) no. 272 (1924) (tombada) – Casa Amarela, sobrado onde reside Rui de Barros (no portão) (Vol. V – CAPA), com a esposa Elizabeth e a filha Isabela (Variant 1975 do Rui). Foto: 22/11/2006; autor e cedente: Luiz Carlos Martins Pinheiro (1930) (neste Vol. - ANTE). DEPOIMENTOS: 1) Altivo Mendes Linhares (1896/1986) (Altivo Linhares – Memória de um líder da velha província, de Maurício Monteiro; transcrições autobiográficas): ´´O Almirante Ary Parreiras foi o maior administrador que o Estado do Rio de Janeiro já conheceu: homem simples e honesto, um autentico representante das ideais revolucionários de 1922 que ficaram assinalados de forma imorredoura através da epopéia dos 18 do Forte de Copacabana. Ary Parreiras não quis de modo algum se imiscuir em política quando ele tinha predicados mais do que legítimos para tomar conta da política fluminense; limitou a sua ação, depois de ter demonstrado o seu grande valor de homem público em outras esferas da ação política tal como seja a sua atuação na Base Naval de Natal no período de guerra, e a sua cooperação política no período da redemocratização. Ary Parreiras ao deixar o governo do Estado do Rio, deixou construído o G. E. Ferreira da Luz em Miracema (Vol. III – MMR), G. E. Almirante Teffé em Pádua. A Estação Ferroviária de Pádua e Miracema, a criação do Jardim de Infância de Miracema e a majestosa, ponte sobre o rio Paraíba em Itaocara, ligando o Norte do estado a Niterói. Ary Parreiras antes de deixar o governo, praticou o ato administrativo pelo decreto estadual no. 3.041 de 07 de novembro de 1935 criando o município de Miracema. Ao mesmo tempo em que atribuía a Assembléia Legislativa já em funcionamento a incumbência de sua instalação e, Protógenes Guimarães veio à festa de instalação em 27
  • 28. 03 de maio de 1936. Se deve atribuir a Ary Parreiras a glória de ter criado o município que, enfrentando situações difíceis com a queda do café, pode através de uma administração honesta e laboriosa realizar tudo que de melhor pode existir no seio da comunidade. Miracema pode se apresentar depois de sua criação uma grande célula no concerto dos demais municípios fluminenses.´´ ´´Ary Parreiras fazia com os demais funcionários do Palácio a arrecadação para as despesas do cafezinho que era distribuído aos visitantes. Recebia de sua casa em marmita, a sua comida; não usava o veículo oficial senão em ocasiões muito específicas; viajava de bonde sentando ao lado do motorneiro nas suas viagens da casa para o Palácio e vice-versa.´´ ´´Em 1917 os Coronéis que dispunham dos destinos de Miracema – Giudice (Vol. – JGP) e Moreira (neste Vol. – CJCMR) – com o apoio de fazendeiros mais abastados decidiram construir um prédio para a instalação de um Grupo Escolar no distrito. Antes, porém, conseguiram do Dr. Nilo Peçanha a promessa da criação do referido G. E.; feito isto começaram a arrecadar dinheiro para a execução das obras e eu me lembro que existia aqui um terreno murado de pau a pique numa extensão talvez de cinqüenta ou sessenta metros que pertencia ao Cel. Firmino de Araujo; este foi terreno escolhido para o local e, ao mesmo tempo, a abertura da rua Barroso de Carvalho (Vol. II – BCR). Na realização dessas obras, José Giudice – se bem me lembro – com a interferência do Pedro Henrique Soares gerente da Cia. Força de Luz e comprador do terreno onde foi construído o Colégio Miracemense, também obra de sua iniciativa. Ainda me recordo do dia em que foi lançada a pedra fundamental do Grupo Escolar do mesmo nome ´´Ferreira da Luz´´ médico, poeta, escritor e companheiro de Nilo Peçanha na campanha republicana.´´ ´´A obra saiu rapidamente, mas não teve a necessária solidez porque os tijolos foram colocados sobre massa de barro e areia, o que fez com que na enchente de 1940, as águas subissem até a sua metade e daí atingir o seu desmoronamento como um verdadeiro castelo de cartas.´´ ´´Em 1934, passando por aqui... o Almirante Ary Parreiras, o qual sentido a precariedade do referido educandário, deliberou construir um novo prédio do G. E. Ferreira da Luz´´. Com o desabamento o governador Amaral Peixoto ´´prometeu prestigiar e auxiliar na construção do novo prédio com a quantia de cem contos de réis. Nesse sentido, encomendou ele ao engenheiro do Estado, Sr. Mário Abreu, projeto da obra, este que também foi utilizado para a prefeitura de Cambuci. Nesta época, a Prefeitura arrecadava menos de trezentos contos por ano e a obra foi feita com toda a economia; ficou em duzentos e sessenta e três contos de réis.´´ ´´Com dificuldade de recursos, tive de construir o prédio vagarosamente à espera de que os contos de réis fossem anunciados; já em fins de 1943, estava a obra em ponto de receber a última laje... e, como não vinha o dinheiro, resolvi telefonar ao Governador´´. Uma vez chegado o auxílio prometido, a obra foi terminada e, em princípio de 1944, inaugura.´´ 2) Angeline Coimbra Tostes de Martino Alves (1972) (Vol – FAAR): 1º.) correio eletrônico: 01/08/2006: ´´A Praça Dona Ermelinda tem uma mureta que a "enverga" ao alto, quando se une à Praça Ary Parreyras. Aquela fica na parte baixa e essa na parte alta em frente à Igreja Matriz. Além da mureta, o próprio terreno, por sua inclinação, faz uma natural 28
  • 29. separação. Do outro lado da Praça, bem de frente para a Igreja, encontra-se a "Casa de Bruno de Martino". O J. I. Clarinda Damasceno, que fica em uma das esquinas da Pça Dona Ermelinda, junto do Rink, foi a 2ª escola do Estado do Rio de Janeiro de ensino pré-escolar. Pela história que aprendemos no colégio, ali, onde hoje está o J. I., foi construída a primitiva capela de Santo Antônio Brotos, que deu origem ao nosso município, "onde um dos esteios brotou". Talvez a estrutura do terreno, (alto e baixo), tenha colaborado à separação em duas praças. Pelo que me consta, a Praça Ary Parreyras segue a Prefeitura até a esquina da Padaria do Garibaldi, onde se encontra com a Rua Paulino Padilha (Vol. - PPR). A casa da minha avó-materna, hoje não existe mais, o terreno pertence ao atual prefeito, Carlos Roberto (Vol. – SPMR), ficava no nº 270. Esse imóvel fica ao lado da Prefeitura, seguindo a Padaria do Garibaldi, perto da casa do Neném Braga, hoje pertencente ao Eduardo Tostes (Eduardo do Juju). Se nos dispusermos de frente para a Prefeitura (entrada principal), esse imóvel 270 fica de frente para a garagem da prefeitura, ao lado do Detran, na lateral direita da Prefeitura. Quanto à ESQUINA DO DOVER, um famoso empreendimento comercial do passado, fica na esquina da Praça Ary Parreyras, de frente à Igreja Matriz, antes da Casa da Cultura, hoje pertencente aos herdeiros do Sr. Dover.´´ 2º.) correio eletrônico: 03/06/2008: ´´Agora umas notícias fresquinhas para melhorar o ânimo de todos: saiu o edital (nº 051/2008): "OBJETO: Contratação de empresa para executar obra de Reforma do Solar Dona Brasileira (Patrimônio Histórico tombado conforme Decreto 031/2007) e construção de unidade escolar anexa ao Jardim de Infância Clarinda Damasceno, localizado à Praça Ary Parreiras, nº 06 - Miracema - RJ", previsão: R$ 500.000,00 (não sei se é estimativa da Prefeitura) e o edital (nº 050/2008): "OBJETO: Contratação de empresa para executar obra de Reforma e Revitalização da Praça D. Ermelinda A e B - Miracema - RJ", previsão: R$ 1.000.000,00 (não sei se é estimativa da Prefeitura). 3) Otto Guilherme: 1º.) correio eletrônico: 01/08/2006: ´´A Praça em voga no meu tempo de Miracema chamava-se Praça d. Ermelinda, ela tinha um coreto no centro era rodeada de árvores, alguns anos depois foi inaugurado uma estátua simbolizando uma mãe segurando uma criança, e acabou virando Praça das Mães, não sei se na Prefeitura o nome foi mudado. A praça era redonda rodeada de casas de um lado, inclusive na esquina tinha a casa de meu tio o Sr. Antônio Moura, ao lado a casa de Carlos Augusto, ao lado a casa do Dr. Egberto, na esquina frente à Igreja ficava a loja do Dover, a Igreja do outro lado da Praça, de frente a Igreja olhando para o lado direito todo ele é o Jardim até a esquina onde temos o Jardim de Infância Clarinda Damasceno, nos fundos da Praça, onde termina a Rua Marechal Floriano (neste Vol. – MFFR) e entre a Rua João Pessoa (Vol. – JPR), tínhamos a casa do Dr. Bruno de Martino, ao lado morava o Renato Mercante (Vol. IV – RMR), o Sr. Machado, e já no início da Rua João Pessoa antigamente tínhamos o Grupo Escolar Buarque de Macedo (Vol. – CA), depois transformado em uma fundação para crianças carentes brilhantemente administrado pela Prof. Orminda.´´ 2º.) correio eletrônico: 01/08/2006: 29
  • 30. ´´Vamos por parte. 1 - Bem pelo que sei a Praça D. Ermelinda é a mesma Pça das Mães. 2 - A inauguração da estátua foi no Gov. do Pref. Jamil Cardoso. 3 - Na realidade ela é oval, se ficarmos ante a Igreja (de costas) estaremos frente a Pça. duas ruas passam tangenciando pelas suas extremidades (do oval), olhando pela direita temos o Jardim de Miracema (neste Vol. – DEP) até a esquina que é o final da Rua Direita (Vol. I – MFR), tendo à esquina o Jardim de Infância Clarinda Damasceno, se passarmos pelo Jardim de Inf. passamos ao final da Rua Direita. As casas de Dr. Bruno de Martino, Renato Mercante, e do Sr. Machado ficam literalmente frente à Igreja separadas pela Praça, inclusive conta-se (historinha) que o Sr. Machado seria muito católico, porém uma mão de porco (pão duro, sem querer ofender a ninguém) e que assistia as Missas de sua Janela com binóculos e que não hora do sacristão correr a caçulinha ele imediatamente baixava a lupa, rsrsrs. Bem, a continuidade da Rua Direita (após passar pela Praça) passa a ter outro nome acho ser Paulino Padilha e não João Pessoa. Nesta Esquina, bem dentro da Praça morava meu tio, logo depois a casa de Dr. Ururahi (pai do Carlos Augusto).´´ 4) Tia Ricarda (1936) (neste Vol. - APRE): 1º.) correio eletrônico: 01/08/2006: ´´Não sei o porquê, mas a Praça Ary Parreiras não se limita somente ao espaço em que situa a Igreja Matriz, mas vem contornando a Casa Dover, a casa da Cultura, a Prefeitura, chegando na Padaria do Garibalde ela sobe até à esquina da Rua Santo Antônio (Vol. - SAR), seguindo já é a Rua Francisco Dias Tostes (Vol. III – FDTR). A Rua Paulino Padilha começa na lateral da padaria do Garibaldi, continuando até a Casa Marcelino.´´ 2º.) correio eletrônico: 08/08/2006): ´´Segundo o Dr. Maurício, a 1ª capela construída, onde é hoje o Jardim de Infância, nos fundos, havia um cemitério, tradição trazida de Minas, já que D. Ermelinda era mineira, que deveria ser sempre construído perto de uma igreja. O cemitério era localizado onde é hoje o Rinque Gerson de Alvim Coimbra.´´ 5) Marcelo Salim de Martino (1966) (Vol. II – MBMR) padrinho deste Capítulo: 1º) correio eletrônico: 02/08/2006: ´´A Praça Ary Parreiras foi construída em 1931, pelo Prefeito Altivo Linhares. Para a sua construção foi demolido um sobrado que era de propriedade do sr. Jorge Nacif. Olhando de frente p/a igreja, ficava mais ou menos onde hoje se encontra à volta (curva) da praça. Observem, também, que a calçada do sobrado da D. Brasileira (no. 6) ficou fora do nível da rua. Ali havia uma elevação que foi retirada para a construção da praça. Dizem que o Altivo fez aquilo por perseguição ao proprietário. Acho meio folclórico, porque tenho a impressão que em 1931 a casa já era da mãe dele. Até bem pouco tempo, quando ainda éramos crianças, costumávamos brincar no porão da casa das Mouras (Vol. – ME) e constantemente encontrávamos alças de caixão, ossos 30
  • 31. menores, provenientes do primeiro cemitério que era ali, atrás da capela de D. Ermelina, e que com a praça eles desceram com a terra, no sentido da rua João Pessoa. Assim, com o coreto central de balaústre, ela permaneceu até a década de 60. Antes, segundo mamãe, o coreto era coberto, c/grades de ferro fundido, tipo o da Praça em São Cristóvão no Rio. Entre 63 e 66, já no governo do Prefeito Jamil Cardoso, foi remodelada, com um projeto do engenheiro Expedito Antônio, muito moderno para Miracema, que nada tinha haver com a nossa arquitetura. A partir daí, por causa da escultura da mãe, a praça ficou conhecida como Praça das MÃES. Entre 83 e 89 foi construída a atual. O projeto atual é do arquiteto José Geraldo Nogueira. E já temos um projeto para ser encaminhado pelo Conselho M. de Cultura, solicitando a demolição da atual, voltando para o projeto de l931.´´ 2º) correio eletrônico: 07/08/2006: ´´Estapraça tinha o nome de Largo da Matriz, denominada pela Câmara de Pádua, em sessão de 07/01/1896, proposta pelo vereador Martiniano de Holanda Cavalcante. Antes dessa data era chamada de Largo da Igreja. Posteriormente, foi denominada de Praça da Matriz, tendo início na esquina da Rua Paulino Padilha, indo até a subida da Rua Santo Antônio, além de toda área que fica em frente à Matriz. Em 16 de junho de 1950, através da Lei nº 84, passou ser denominada de Praça Ary Parreiras.´´ 3º.) respondendo (correio eletrônico: 08/08/2006): P) que lei a denominou Largo da Matriz? R) ´´não temos o número da lei, em nossas anotações encontramos, apenas, a datada sessão da Câmara.´´ P) ela abrangia a área ocupada pelo atual prédio da Prefeitura? R) ´´sim. Toda a área da Prefeitura fazia parte, por esse motivo que recebeu o nome de Praça.´´ P) o que justifica não só tais limites, mas o fato de ter se constituído numa praça contígua com a Dona Ermelinda? R) ´´Tenho quase certeza de que foi para dar visibilidade à Matriz. Para retirar o sobrado que empachava a frente da Matriz, o jeito foi construir a praça.´´ P) Pelo que depreendemos, a área pertencia à mesma elevação na qual se encontra a atual Matriz. Certo? R) ´´Sim. Era a mesma área.´´ P) Nela se situara a primitiva capela, com um cemitério. Certo? Que área abrangiam? R) ´´Sim. Onde, justamente, está edificado o Jardim de Infância Clarinda Damasceno.´´ P) Em 1931 era ocupada por um sobrado, havendo um largo entre ele e a Matriz. Certo? R) ´´Não chegava a ser um largo. O sobrado ficava localizado exatamente em frente à gruta e a escada do lado esquerdo (vendo-se a Matriz de frente).´´ P) Qual a denominação oficial da escultura e de quem é a sua arte e execução? R) ´´Quanto ao escultor vou verificar no processo de pagamento da época para ver o nome. A denominação da escultura é MÃE.´´ 4º.) respondendo (correio eletrônico: 10/08/2006): P) para onde seria a capela voltada e quando foi demolida? P) onde se localizava o primitivo cemitério? Até quando? O que se passou com os 31
  • 32. restos dos nele sepultados? R) ´´Infelizmente, não sabemos para onde a capela estava voltada, supomos que era para a Praça do Rink, uma vez que o cemitério estava localizado atrás da Capela. Se encontrávamos fragmentos de ossos e de urnas na residência dos "Moura", acreditamos ser esta a localização.´´ P) o sobrado foi o único imóvel atingido? R) ´´Pelo que sabemos sim. Aquela era a parte mais alta da tal elevação, que ia caindo (diminuindo) para os lados.´´ P) em que ano se deu o plantio das palmeiras? foi simultâneo nas duas praças? R) ´´Na Praça D. Ermelinda foi em 1922, quando a Praça recebeu, vamos assim dizer, sua primeira grande reforma, antes da de 1931, que lhe deu o traçado atual. Já as palmeiras da Praça Ary Parreiras foi em 1966, quando a Praça foi inaugurada.´´ P) a Praça do Chafariz é que seria em ´´área pantanosa e selvagem``, portanto em nível baixo em relação ao da Capela? Como o chafariz era abastecido d´água? Qual o nome da rua? R) ´´Sim. A praça D. Ermelinda tinha o nome de Praça do Chafariz em nível bem mais baixo que a Capela. Não sabemos de onde vinha a água do chafariz e a rua onde estava localizado não tem nome, é Praça D. Ermelinda tb.´´ 6) Carlos Sérgio (correio eletrônico: 03/09/2006): ´´a residência ao fundo à esquerda pertence à viúva do Sr. Helson Machado que ali reside com mais 3 ou 4 filhos do primeiro casamento, já que ambos se uniram em segundas núpcias com idade já provecta e não tiveram prole. Aliás, o Sr. Helson não teve filhos nem com a primeira esposa. À direita reside dona Aifer, viúva do Artur, filho do Sr. Ventura Lopes (Vol. – AVCLR). Mais à direita fica o casarão de 2 andares, em ruínas, do Sr. Bruno de Martino que já fotografamos anteriormente. Ao fundo, aquele morro é chamado Calvário, onde existe uma representação da Igreja Católica, um painel sobre o tema. Chega-se até lá passando pelo horto florestal. Naquele morro existem várias pistas para caminhadas. É um local bastante agradável, muitas árvores, pássaros, uma brisa refrescante (Vol. V – MPR). Vale a pena conhecer. Mais à direita, entre as árvores (não dá para notar) está a residência do Dr. Renato Fáver Filho (Vol. – STFR), a única residência do local. E atrás fica a estrada do "Morro da Poeira" que sobe ao lado do Colégio Miracemense (Vol. III – MMR) e vai na direção da Lagoa Preta que fica exatamente atrás daquele morro.´´ 7) June de Souza Carvalho (Cadeira no. 03 da AML e atual presidente da mesma; coluna Lembranças, Liberdade de Expressão, no. 83, 09/2006): ´´Naquela janela da minha lembrança, chegou o dia em que nós miracemenses receberíamos a visita do candidato JK, viria na cidade conhecer o nosso povo e fazer sua campanha. Finalmente ele chegou e foi recebido na residência da minha tia Ziza e Melchíades Cardoso (Vol. – MCA), que era presidente do PSD. Mais tarde, foi organizada uma passeata pelas ruas da cidade e eis que de repente, na esquina da rua Cel. Josino com a rua das Flores (Cel. José Carlos Moreira) (neste Vol. – CJCMR), irromperia o homem imponente, sorridente, amável, cumprimentando a todos que o esperavam na beira das calçadas, convergindo suas atenções para como o girassol, procurando o sol. E assim passou ele, acenando e carregando com simpatia todos para a praça da Igreja (Praça das Mães), onde havia um ´´coreto´´, tradicional, de onde os políticos proferiram discursos, procurando cativar os eleitores. Foi dessa maneira que JK deixou marcas nas terras de Miracema. Centenas de outros candidatos 32
  • 33. passaram por aqui, mas não deixaram o carisma igual ao dele e nem puderam mais falar do alto do antigo coreto, parecia que o político ali se impunha mais, fazendo o povo acreditar que tudo daria certo e que os sonhos não se ruiriam. Porém o coretinho foi derrubado dando a praça atual, fico a pensar, será que ele era mágico? Pois além de ser utilizado por políticos, lá também aconteciam leilões por ocasião das festas de Santo Antônio e as ´´retretas´´ com a Banda XV de Novembro (extinta) e Banda 7 de Setembro que até hoje se mantém bem ativa, dando alegria uma vez por mês as pessoas presentes na praça D. Ermelinda, com suas melodias e arranjos de música popular.´´ 8) Maria Alice Barroso (carta de 16/01/2007 ao prefeito de Miracema (2005/2008) Carlos Roberto de Freitas Medeiros (Vol. – SPMR); correio eletrônico: 20/11/2009, Angeline): "A primeira vez que a vi eu saltara do trem que nos trouxera do Rio de Janeiro: meu olhar percorreu, ansioso, a comprida rua que ia serpenteando o caminho mais importante do distrito de Miracema até se localizar no final da chamada rua Direita (segundo me informaram depois); então essa avenida também possuía o nome oficial de Avenida Marechal Floriano. Portanto, fora no final dessa longa avenida que eu pude fixar meus olhos no casarão que dava a impressão de ter sido colocado assim, no alto de uma elevação, no mínimo obedecendo ao desenho de mãos familiares. Naquela ocasião eu começara a me adaptar a essa nova cidade, cujo nome indígena teria o significado de "terra do pau que brota". Talvez, pelo inusitado desse nome, meus olhos tentaram localizar, novamente, aquele casarão que eu passara a chamar de palacete, por sua semelhança com os palacetes luxuosos que estavam colocados no Rio de Janeiro, precisamente na Avenida Oswaldo Cruz. Também nessa época tivera início a curiosidade dos visitantes, que demonstravam interesse em conhecer o interior da grande casa, cuja posição, naquele elevado, a colocara bem defronte à paróquia do lugar. Confesso que consegui conhecer a divisão das salas e quartos do chamado "palacete", por ter feito parte do pequeno grupo de turistas que visitava a região. Ainda assim, não demorou muito a que eu descobrisse que os chamados "turistas" nada mais eram senão políticos que visitavam Miracema numa disfarçada coleta de votos. Foi, portanto, dessa forma que esse distrito teve sua primeira Escola Pública inaugurada: o casarão, pelo primor de suas instalações, também acolheu reuniões de políticos em que se destacavam prefeitos de outras regiões. Teve início, portanto, a campanha separatista de Miracema, o povo já se julgava preparado para ser um novo município, livre do comando de Pádua. Quando o separatismo tornou-se vencedor, naquela mesma noite a fim de celebrar a grande vitória, muitas casas tiveram suas luzes acesas: mas eu não consigo esquecer o casarão todo iluminado, os políticos galgaram as escadas para festejar Miracema liberta! Os miracemenses gravaram, em sua história, como o casarão foi o local onde se processaram os maiores eventos políticos em nossa terra. Podemos lembrar que a família que veio morar no sobradão também se multiplicou, e quando alcançaram a geração de netos, surgiram os chamados "vendilhos do templo", isto é, venderam o sobradão por um preço inferior. Na verdade, não era necessário pertencer à família para fazer oposição à venda daquele imóvel: exatamente naquele prédio muitas paixões tinham se desenrolado ali, amizades foram rompidas por motivos tolos, outros acordos espúrios calcados no chamado agro-negócio, e depois a inesperada notícia de que o candidato a comprar o sobradão se desinteressa do imóvel. Chegara o momento, enfim, de alguém afirmar que o sobradão deveria passar à gerência da Educação/Cultura, onde o aletramento seria uma das principais funções. Confiemos, portanto, que o povo miracemense saiba defender a magia do tempo contido no casarão e que seja ele tombado para sua segurança.´´ 33
  • 34. 9) Rachel (correio eletrônico: 17/04/2009): ´´Todos frequentavam nossa Fazenda, em Paraíso e a casa da Dindinha Áurea, irmã do meu saudoso Pai, Carlos Bruno (Vol. - JCMBR). Padres: Luiz (voltou para a Holanda quando descobriu-se doente e morreu por lá); Alberto (foi para Juiz de Fora e não sei se já é falecido); Antônio (mudou-se para Belo Horizonte e depois largou a batina e casou-se; dizem ter sido muito infeliz, mas, quando garotinha, era um dos mais alegres e brincalhões); André (mais novo não sei para onde foi); Guilherme (tão alto que parecia entortar-se, branco demais e carregava sua máquina fotográfica para onde ia; foi transferido para o Nordeste, onde adoeceu e voltou para a Holanda e morreu junto à Família, novo ainda); Jerônimo (houve muita fofoca com seu nome, ficou muito entristecido, mudou-se para Niterói; veio a ser meu vizinho de rua, dizem que casou-se, mas nunca o vi acompanhado e morreu de acidente), um doce de pessoa! Aliás, todos eram uns doces! Em suas férias, programadas, indo um de cada vez, traziam da Holanda chocolates e balas deliciosas para nós! Tomavam banho de cachoeira na Fazenda, mas somente meu Pai podia acompanhá-los, pois nós, crianças, não podíamos vê-los de calção. Comiam muito e adoravam a comida da minha Mãe e rezavam sentados, o que nos intrigava, pois Papai fazia-nos levantar em todas as refeições. "Por quê Padre pode e nós não? "pensávamos, mas obedecíamos quietinhos. Depois entendi a expressão: "Comer como um Padre!". 10) Miracema, 03 de maio de 1936! (KK Mello, miracemense, advogado e artistas plástico; Liberdade de Expressão, no. 115, 06/2009): ´´Talvez muitos miracemenses não saibam, que o nosso querido Município foi criado pelo Decreto número 3401, de 7 de novembro de 1935 e que somente após o cumprimento das obrigações e dispositivos legais, foi solenemente instalado em belíssima e concorrida cerimônia no dia 3 de maio de 1936, na sede da nossa Sub-prefeitura tornando-se esta a nossa “Data Magna”, que todos louvamos e comemoramos. Tantos e famosos foram os professores, poetas, jornalistas, escritores e pessoas do povo- homens e mulheres- que lutaram pela emancipação da nossa cidade, com tal fervor e independência, que para lhes reverenciar teríamos que evocar todos os seus nomes. Todavia, como uma eventual omissão de alguns nos levaria a uma imperdoável injustiça, a todos homenageamos na pessoa do único emancipacionista vivo e um dos maiores e mais cultos miracemenses, Senhor Joffre Geraldo Salim, que, não temos a menor dúvida, seria capaz de doar a própria vida, se necessário fosse, em prol da “libertação” da “ÁGUIA CATIVA DE GRILHÕES NOS PULSOS...” É bom lembrar, também, alguns dados importantes da nossa economia, naquela ocasião, que serviram de base e argumento para a conquista da nossa emancipação, pois uma cidade rica e progressista como Miracema, teria que se tornar, certamente, independente. Vejamos. Recursos Naturais: Entre as riquezas do solo miracemense foram constatadas a existência de cascalhos auríferos (comercialmente exploráveis) e água mineral iodetada, esta nos fundos da então Fábrica de Tecidos São Martino. Indústria e Comércio: A nossa cidade já comprovava ser tão progressista que, entre tantas fontes de receita, possuía: 6 oficinas de costura, 5 fábricas de gelo, 5 fábricas de queijo, 5 laticínios, 4 fábricas de aguardente, 10 ferrarias 11 máquinas de beneficiamento de café e 7 de beneficiamento de arroz, 13 moinhos de fubá, 10 oficinas de calçados, além de várias serrarias, selarias, tabacarias, fábrica de móveis, etc. Em função destas riquezas, cremos a circulação monetária já era grande o que atraiu o interesse de três estabelecimentos bancários que se fixaram na cidade: os bancos Comercial e Agrícola Norte Fluminense, Ribeiro Junqueira e um representante do Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais. 34
  • 35. Assim, divulgando esses dados tão importantes e ainda desconhecidos por muitos esperamos ter contribuído, uma vez mais, para manter viva parte da história da emancipação da nossa Feliz Cidade. Nota: dados extraídos do livro Miracema, publicado em 1936, pelo Departamento de Estatística e Publicidade do Estado do Rio de Janeiro.´´ 11) Luís Alberto da Mota Alvim (Bebeto) (Blog Moinho de Paz, 24/10/2009): ´´Nas retretas da original Praça Ary Parreiras, eu me escondia dos meus pais dentro das arvoretas que a circundavam. Sofria com as “lacerdinhas” mas me deleitava com a peripécia. Hoje, todo o cenário está de volta (o coreto, os bancos e as futuras novas arvoretas), exceto pela ausência do meu pai (que se foi), pela minha condição física (que também se foi) e pelas “lacerdinhas” (que já não mais existem?). Mas... Nesse intervalo... Transcorria a segunda metade da década de 60. A antiga praça tinha sido transformada. Se concordávamos ou não, não importava – a modernidade encantava! Pela arquitetura à "Niemeyer" e pelas poucas mas encantadoras plantas viçosas, estas mais por sua tenrura do que por sua ternura. Tais que pareciam transportar a jovialidade e o brilho do seu viço aos olhos dos jovens que ali faziam “ponto”. E eu era um deles... Loucura, gente! As cinco palmeiras eram ainda muito pequenas. Existia um “guarda-chuva” de concreto, na altura da casa do Dr. Ururahy. Atrás desse “monumento”, aquelas tais plantas, circundando os parcos e curvos bancos, serviam para algumas incursões desses enamorados. E eu era um deles... Que leve loucura, gente! Quando o espaço era pequeno para os... sei lá, como dizer... amassos?... dividíamos, irmãmente... e, até mesmo, nos acomodávamos nos balaústres da praça para o jardim, ou íamos para este quando não estava totalmente ocupado (bancos, palmeiras ou outros “escurinhos!”). E eu era um deles... Que doce loucura, gente! Ocorreu, porém, certa vez, que venho a “ter” com um dos moradores das imediações. Já idoso e sem outras perspectivas, ele se locupletava em observar de binóculo os incautos amantes. E dizia conhecer quase todos e o que faziam. E eu era um deles... Preocupante loucura, gente! Viro-me para outro lado, mudo o meu tom de voz e lhe pergunto; o senhor me conhece? Ele me perfila e seu cenho me revela a preocupação. (Pensei) Não... não! Eu não vou esperar. Sua fisionomia denotava o que eu não queria ouvir ou saber. Enquanto ele pensava o que ia responder, saí de “fininho”, a lhe dizer:” --Sr. Machado, preciso voltar ao trabalho.” À noite, voltei à praça. Avisei à minha acompanhante que devíamos ter cuidado. Apontei-lhe a casa, dizendo-lhe: “Vês aquela casa sem luzes acesas? Estás a ver aquela janela escura? Ela não parece ter um algodão com algo brilhando no meio? Pois é?! É o “coroa” de cabelos brancos que de binóculo fica a vigiar todos os movimentos de nós... supostos libidinosos.” E eu era um deles... Cativante (ou ardente) loucura, gente! Não deixei de fazer o que fazia. As carícias eram mais fortes que o medo de ser flagrado. Também não mais falei com ele. Por falta de oportunidade. Não por desavença. Assim como não a tenho com outros “olhos” (os paralelepípedos) que a tudo viram. Eu 35
  • 36. ainda vou “conversar” com eles. Será que eles vão me denunciar – dizer o que já fiz? É claro que não! Eles são de “boa paz”. Mas, infelizmente, os bons morrem primeiro. MORAL: Não vou mais pedir um paralelepípedo; mas deixarei no ar: Miracemenses: provavelmente, vocês terão incontáveis “tachões” no asfalto das suas vidas.´´ SUPLEMENTOS: 1) Legislação: 1.1) Câmara Municipal de Santo Antônio de Pádua – Sessão de 07/01/1896 (Heitor de Bustamante (1880/d. 1964) (Sertões dos Puris, 04/04/1964): ´´Nesse dia, presentes em sessão os vereadores João Luís de Araújo, Paulino de Araújo Padilha, José Bernardo Cândido de Figueiredo, Joaquim José de Macedo, José Perlingeiro, João Claudino Pinto, Martiniano de Holanda Cavalcante, Lídio José Pereira, João da Silva Viegas e Teófilo Gomes do Amaral, elegeram para êste ano, presidente e vice-presidente, o 1º e o 2º dos presentes. Nesta sessão ainda, por proposta do vereador Martiniano de Holanda Cavalcante, as ruas e praças de Miracema passaram a ter a seguinte denominação: onde era rua da Estação até o hotel Carmo, chamar-se-á, rua Firmo Pereira. Rua Direita até a Praça - Rua Floriano Peixoto. A praça do Xafariz - Praça Dª Ermelinda. Rua do Padre Domingos - Rua Dr. Monteiro. Rua dos Padeiros - Rua dos Bastos. Rua Chico Barbeiro - Rua Josino de Barros. Rua das Flôres - Rua José Carlos. Rua da Laje - Rua dos Padilhas. Rua do Aurélio - Rua dos Padeiros. Rua da Capivara - Rua dos Tostes. Rua do Café - Rua dos Gabriéis. Rua Olímpio Padilha - Rua tenente Coronel Manoel Felisberto. Largo da Igreja - Largo da Matriz." Não sabemos se em 1896 o Largo da Matriz incluía os sítios da atual Matriz e da Prefeitura. Há controvérsia que possa ter integrado a Praça Dona Ermelinda. Note-se que o trafego público ferroviário chegou a Miracema, em 08/1883 (Vol. II – GVP). 1.2) Lei no. 84, de 16/06/1950: (Vol. – CB) ´´A Câmara Municipal de Miracema decreta e eu sanciono a seguinte lei: Artigo 1º. Fica aprovada a nova nomenclatura dos logradouros públicos, nesta cidade. NOME ATUAL NOME A VIGORAR ...................... ................................ Praça da Matriz Ary Parreiras ...................... ................................... Artigo 2º. Revogam-se as disposições em contrário. Prefeitura Municipal de Miracema, 16 de junho de 1950. Ass. Altivo Mendes Linhares Prefeito Municipal´´ Quando à denominação anterior não nos foi possível apurar. 1.3) Decreto no. 349, de 02/01/1995 (tombamento) (Vol. - CB): Art. 1º.) ´´no. 272 (fachada e varanda lateral)´´. Art. 2º.) ´´Igreja Matriz de Santo Antonio (facha externa, interior, Gruta de Nossa Senhora 36
  • 37. de Lourdes e Casa Paroquial), Paço Municipal (facha interna e externa, inclusive a escada com corrimão, revestimento do piso – tacos e ladrilhos hidráulicos, guichês da Tesouraria e da Contabilidade´´). ´´Calçamento e árvores (oitis) das ruas: Mal. Floriano,... Praça Ary Parreiras´´. Nota: calçamento e árvores (oitis) destombadas pelo Decreto no. 0.144 de 01/04/2009. 1.4) Lei no. 1121, de 11/05/2006: ´´Dá nome de Largo Dona Magaly, o largo localizado em frente a Igreja Matriz, entre a Praça das Mães e a Igreja de Santo Antônio, nesta cidade.´´ (Vol. VI – DML) 1.5) Decreto no. 031, de 09/05/2007: (Vol. - CB): ´´ Art. 1º. – Fica tombado o imóvel localizado na Praça Ary Parreiras, no. 6, de propriedade de Luis Amorim Proença. Art. 2º. – Ficam preservadas a volumetria construtiva do prédio e sua fachada para a Praça Ary Parreiras, no. 06. 1.6) Edital do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Vol. – CB): Tomba o traçado, o calçamento em paralelepípedo e os imóveis: s/no. (escola), no. 06, no. 78, no. 124 e 124 sobrado, no. 171, no. 212, no. 230, no. 272, s/no. (Igreja Matriz), s/no. (Casa Paroquial), bem como o terreno (vazio) de esquina da Praça com a Rua João Pessoa. 2) Emancipação de Miracema: 2.1) Joffre Geraldo Salim (1920) (Vol. III – MMR) (A historia da emancipação de Miracema, Liberdade de Expressão). ´´A memorável campanha denominada Separatista, brotou no ano de 1906, quando um jovem jornalista, com apenas 16 anos de idade, esplendente de idealismo e de acendrado amor ao torrão natal, lançou através de um pequeno jornal que fundou e dirigia, denominado O Grupo, a semente para a liberdade e conseqüente criação do Município de Miracema, na época 2º. Distrito de Santo Antônio de Pádua. O nome desse jovem era o de Melquiades Cardoso, o inesquecível e legendário comandante da nossa gloriosa campanha. O movimento emancipacionista de Miracema, felizmente para nós, nasceu sob bons auspícios e foi caminhando com um notável crescente, arregimentado para as suas hostes as figuras expressivas dos nossos meios políticos, sociais, intelectuais, industriais e comerciais, em suma, o que Miracema tinha de oradores, destacando-se entre os seus pares a figura do nosso poeta maior, Gilberto Barroso de Carvalho autor da famosa e cintilante frase sempre citada em todo o curso da campanha e que até hoje ressoa nos nossos ouvidos como um eterno hino de luta e de incentivo: ´´Miracema, águia cativa que sofre o martírio dos que vivem sentido asas nos ombros e grilhões nos pulsos´´. Após 12 anos do lançamento da campanha para a criação do Município, isto é, em 1918, Miracema experimentou um período de grande desenvolvimento agrícola e de uma intensa atividade comercial e industrial, fazendo carrear para os cofres da sede 37
  • 38. do município a sua maior e mais considerável contribuição de impostos. Em contrapartida, o governo municipal de Santo Antônio da Pádua, aplicava aqui uma pequeníssima parte dos vultosos recursos arrecadados em Miracema. Esta situação discriminatória e injusta gerou no seio da comunidade miracemense um movimento de descontentamento, fazendo com que a campanha para a criação do tão sonhado município de Miracema se robustecesse cada vez mais. Interpretando os anseios e os sentimentos de Miracema, os grandes líderes José Carlos Moreira, José Giudice e Barroso de Carvalho, face ao que vinha ocorrendo em prejuízo do progresso da terra natal, pleitearam do então presidente do Estado do Rio de Janeiro, Dr. Raul Moraes da Veiga, a emancipação político-administrativa do 2º. Distrito; pedido que não foi aceito por sua excelência. Com o não atendimento..., os sonhos dos separatistas se intensificaram com mais vigor fazendo recrudescer o movimento da campanha. No ano de 1922, o Deputado Raul do Nascimento (Vol. – MNR), interpretando o sentimento dos seus conterrâneos, apresentou um projeto à Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, propondo oficialmente a emancipação do nosso 2º. Distrito. Frustrados nas suas pretensões, os miracemenses resolveram partir para uma arrancada definitiva, organizando um movimento denominado oficialmente de Partido Separatista, sendo a sua primeira reunião realizada na residência do Dr. Américo Homem (Suplemento 5), à Praça D. Ermelinda, no dia 10 de janeiro de 1926, contando com a presença de 159 miracemenses. A primeira reunião do novel partido foi convocada pelo Dr. Américo Homem, Dr. Teófilo Junqueira (Vol. V – DMJR) e Cel. José Carlos Moreira. Presidiu esta reunião o Dr. Teófilo Junqueira e teve como secretário o sempre brilhante jornalista e poeta Barroso de Carvalho. Por aclamação foi eleita a primeira Comissão Executiva da Campanha, composta por 30 membros. No dia 4 de novembro de 1926, na residência do Cel. José Carlos Moreira, a Comissão Diretora da Campanha se reuniu para tratar de vários assuntos de interesse do movimento, quando na oportunidade, foi aprovado por unanimidade o lançamento do insigne chefe político e um dos mais respeitáveis líderes separatistas Cap. Antônio Ventura Coimbra Lopes (Vol. – AVCLR), como candidato ao cargo de prefeito do Município de Santo Antônio de Pádua, às próximas eleições. Para alegria dos miracemenses Ventura Lopes foi eleito para um mandato de três anos. Um dos primeiros atos de Ventura Lopes foi à criação da Subprefeitura de Miracema, nomeando seu primeiro titular, o grande miracemense Virgílio Damasceno (Vol. – VDR), membro de um dos mais tradicionais e pioneiros clãs da terra. Com a criação da subprefeitura a maior parte da renda tributária do distrito de Miracema passou a ser aplicada em inúmeras obras públicas, tais como abertura de estradas, urbanização do distrito e início do calçamento das ruas locais, começando pela artéria principal, a rua Marechal Floriano Peixoto, apelidada na época de Rua Direita. A administração do subprefeito Virgílio Damasceno com o apoio total e supervisão do prefeito Ventura Lopes, foi muito fecunda em realizações e Miracema pode experimentar uma fase de desenvolvimento e progresso notáveis. O presidente do Estado na época foi solicitado por Ventura Lopes reiteradas vezes para criar o Município de Miracema, não o atendendo e ficando insensível às 38
  • 39. pretensões emancipacionistas. Nas eleições de 1929, o candidato a prefeito indicado e apoiado pelos separatistas foi derrotado, tendo sido eleito um ilustre miracemense, Pedro Bastos, apoiado por uma coligação de partidos cujos membros em sua maioria se opunham à separação de Miracema e que exigiam do nosso prefeito a extinção da subprefeitura de Miracema, tornado sem efeito o ato que a criara na já saudosa administração Ventura Lopes. Com a extinção da subprefeitura, os miracemenses vieram a sofrer um rude golpe e um clima de muito descontentamento se criou em todos os espíritos dos separatistas. Ao invés de terem os seus ânimos arrefecidos, os separatistas prosseguiram na campanha com redobrado estímulo, muita determinação e um vigoroso ardor cívico. Para júbilo dos miracemenses, nesta mesma ocasião foi eleito presidente do Estado o Dr. Manoel de Matos Duarte Silva, grande admirador do povo de Miracema e bom amigo do chefe separatista Ventura Lopes. O Dr. Manoel Duarte, que tinha pleno conhecimento do desenvolvimento e do progresso do distrito de Miracema, sensibilizou-se bastante com os sentimentos emancipacionistas dos miracemenses e passou a olhar com muito interesse e simpatia à causa maior da nossa terra, ordenando que fossem coligidos os documentos exigidos por lei para a criação do novo município. Imediatamente, os membros da Campanha Separatista providenciaram os documentos e os encaminharam ao governador Manuel Duarte para a sua aprovação e conseqüente criação do Município de Miracema, o que não veio a acontecer porque, desastradamente, para os filhos da terra de Barroso de Carvalho, às vésperas da concretização da tão sonhada separação, o Dr. Manuel Duarte foi destituído do poder pela Revolução de 1930. O Dr. Plínio Casado sucedeu ao Dr. Manoel Duarte, indicado que foi pela revolução para interventor federal no Estado do Rio de Janeiro, cujo governo se iniciou no dia 29 de outubro de 1930. Com Plínio Casado no Governo do Estado, o objetivo da Campanha Separatista não logrou êxito mais uma vez, porque sua excelência se mostrou frontalmente contra as pretensões emancipacionistas, a ponto de ameaçar até com prisão os lideres da campanha que tinham ido ao Palácio do Ingá, sede do governo, para tratar do assunto com ele. Com a nova Constituição Federal de 1934, foi extinto o regime de exceção instalado em 1930, e os emancipacionistas de Miracema, em especial, puderam continuar com a campanha separatista com novas forças e redobrada esperança para a concretização do seu desiderato. Em 1933, os antigos elementos do Partido Separatista voltaram a se reunir e formaram nova Comissão Executiva, composta por Antônio Ventura Lopes, Artur Monteiro Ribeiro da Silva (Vol. - CARR), Oscar Barroso Soares, Edgar Moreira (neste Vol. – CJCMR), Armando Monteiro Ribeiro da Silva (Vol. - CARR), Flávio Condé e Antônio Carlos Moreira (Vol. IV – ACMR). No dia 11 de maio de 1933, a Comissão Executiva lançou um boletim intitulado Aos Amigos de Miracema, dando reinício à campanha e apresentando os novos planos de ação. Daquele dia em diante, começou de fato a grande arrancada para a vitória final. O povo foi sacudido por uma grande onda de entusiasmo e de civismo e a chama separatista se reacendeu com vigor, trazendo para a luta homens e mulheres de todas as idades, operários e estudantes que se irmanaram no único e sagrado ideal de tornar Miracema livre e independente. Esta foi indiscutivelmente a grande fase da campanha 39
  • 40. separatista. O movimento passou a ser assunto permanente e obrigatório em todas as conversas, na imprensa, nas manifestações públicas, com destaque para os monumentais comícios que se realizaram em todos os cantos do distrito, principalmente na tribuna que foi considerada oficial, a sacada da residência do vibrante miracemense de além mar, na terra dos cedros milenares, Mole Líbano, nosso saudoso e inesquecível pai Chicralla Salim (Vol. II – AJCR). Tudo ao som da famosa Banca de Música 15 de Novembro, conduzida magnificamente pelo emérito maestro Políbio Gonçalves, que puxava os desfiles e inoculava no povo mais injeção de vibração e entusiasmo com os seus dobrados eternecedores, mais precisamente com o tradicional hino cívico Miracema Cidade, cuja letra é de autoria do antigo jornalista e professor Firmino de Carvalho e música do sempre lembrado maestro Alberto Peçanha. Os grandes oradores da campanha na fase decisiva, todos muito empolgantes, magníficos e eloqüentes, sem sombra de dúvidas foram: Cônego José Tomaz de Aquino (Suplemento 3), Dirceu Cardoso (Vol. – MCA), José Negle (Vol. - JNA), Bruno de Martino (neste Vol. – JBMP), Amadeu José Rodrigues e as talentosas e brilhantes professoras Carmem Lemos e Julieta Damasceno (Vol. – JDR). Em abril de 1934, a Comissão Executiva do Partido Separatista programou uma convenção a fim de que novas estratégias fossem adotadas para o completo êxito do movimento. Nesse ínterim, os adversários do movimento percebendo que a grande causa dos miracemenses estava para ser vitoriosa, começaram a deflagrar uma ação insidiosa com o intuito único e exclusivo de embargar a marcha que se anunciara consagradora. Falsas notícias de que em Miracema havia se instalado um clima de perturbação da ordem e que o então 2º. Distrito estaria em pé de guerra, alarmaram as autoridades e chegaram até ao então interventor do Estado do Rio de Janeiro, Comandante Ary Parreiras que, por precaução, enviou para cá uma força militar, comanda pelo aspirante Félix da Silva e uma autoridade civil na pessoa do Dr. Getúlio Azeredo, que trazia severas recomendações de evitar todo tipo de subversão da ordem pública. Os bravos e decididos líderes separatistas Melchiades Cardoso, Dirceu Cardoso, José Nelge e Bruno de Martino, que sempre estiveram ativamente na liderança da campanha, para tranqüilizar a população, após a chegada da força militar, fizeram circular na cidade um boletim com os seguintes dizeres: ´´Aos Miracemenses: os abaixo assinados, para fins de garantia da ordem pública, com a grande convenção miracemense de amanhã, declaram-se solenemente responsáveis pelo boletim saído ontem e por todas as ocorrências que por ventara dela resultarem. Ficam assim isentos de responsabilidade os demais signatários do citado Boletim. Miracema, 21 de abril de 1934. Ass.: Melquiades Cardoso, Bruno de Martino, Dirceu Cardoso e José Negle´´ Esse quatro valores da terra miracemense, com a atitude desassombrada que assumiram, granjearam mais simpatia e apreço do povo de Miracema que, carinhosamente, passou a chamá-los os quatro diabos, alcunha inspirada no título de um filme, então em exibição no Cinema XV de Novembro, onde os famosos quatro personagens eram verdadeiros e idolatrados heróis. A campanha continua em marcha e o seu desfecho glorioso está prestes a acontecer. No dia 22 de abril de 1934, sob a presidência do incansável valoroso separatista Antônio Ventura Coimbra Lopes, foi iniciada a grande, derradeira e vitoriosa convenção do Partido Separatista, no salão da Sociedade Musical 15 de Novembro, 40
  • 41. então sediada na Rua Cel. José Carlos Moreira, a nossa tão simpática Rua das Flores. Estavam presentes à convenção, o comandante da Força Militar, aspirante Félix da Silva e o delegado Dr. Getúlio Azeredo, como observadores do Governo do Estado. A mesa da convenção foi composta por Cícero Bastos, professoras Julieta Damasceno e Carmem Lemos, dignas representantes da mulher miracemense, Dr. José Amadeu Rodrigues, Artur Monteiro Ribeiro da Silva, Cônego Tomaz Aquino Menezes, Edgar Moreira, Bruno de Martino, Melquiades Cardoso, Dirceu Cardoso, Professor Alberto Lontra (Vol. – MPR), Antônio Carlos Moreira e José Negle. Depois de vários e retumbantes discursos, principalmente o proferido pelo Dr. José Amadeu Rodrigues, que a todos os presentes trouxe muita emoção, a reunião foi encerrada num clima de muito entusiasmo, de exaltação cívica e do mais absoluto respeito à ordem e às autoridades enviadas ao Distrito pelo interventor Comandante Ary Parreiras. O Dr. Getúlio Azeredo, contagiado pelo entusiasmo e pelo ardor cívico dos miracemenses, encantou-se com a nossa terra e com a nossa gente, a ponto de se colocar ao lado dos miracemenses para ajudá-los a conquistar a sua emancipação. Na grande convenção do dia 24 de abril de 1934, foi nomeada por aclamação uma comissão de 42 separatistas, destinada a solicitar, em nome do movimento, uma audiência em Palácio com o interventor Almirante Ary Parreiras, com o propósito exclusivo de entender-se com sua Excelência a respeito das pretensões emancipacionistas do 2º. Distrito do Município de Santo Antônio da Pádua. No dia 6 de maio de 1934, ainda sob a liderança do Capitão Antônio Ventura Coimbra Lopes, a comissão seguiu para a capital do Estado, a fim de representar ao Comandante Ary Parreiras as justas e insopitáveis reivindicações dos miracemenses, tendo sido recebida no dia 8 de maio de 1934. O Comandante Ary Parreiras, respondendo aos 42 miracemenses presentes, disse que embora contrário à criação de novas unidades administrativas no Estado, confessava- se vencido com relação ao caso de Miracema, prometendo breve a emancipação político administrativa do antigo Santo Antônio dos Brotos, após a consulta de um plebiscito e da aprovação pelo Conselho Consultivo do Estado. De volta a Miracema, a comissão foi recebida festivamente e o cônego Tomas de Aquino recebeu uma consagradora manifestação de apreço e gratidão de toda a população separatista pelo seu monumental discurso proferido no Palácio do Ingá, sustentando com incomum brilhantismo as fortes razões da necessidade da emancipação da nossa Miracema. O plebiscito foi realizado em Miracema no dia 13 de julho de 1935, nos dias 14 de julho em Paraíso do Tobias e em 15 de julho em Campelo. Paraíso do Tobias e Campelo eram as localidades que formavam o 2º. Distrito do Município de Santo Antônio de Pádua, que tinha por sede Miracema. Com o resultado favorável do plebiscito e reunidos os demais documentos exigidos por lei, foi formada uma comissão composta por Ventura Lopes, Melquiades Cardoso, Dr. Otávio Tostes, Professor Alberto Lontra, Waldemar Torres (Vol. V – WCTR) e José Negle, para fazer entrega ao Comandante Ary Parreiras de todo o dossiê contendo as exigências que se faziam necessárias para a criação do novo município. Cumprindo firmemente a promessa que fizera aos miracemenses, o comandante Ary Parreiras, através do Decreto No. 3.401, de 7 de novembro de 1935, cria o município de Miracema, que passou a ter três distritos, Miracema como sede e 1º. Distrito, Paraíso do Tobias como 2º. Distrito e Venda das Flores como 3º. Distrito. Em março de 1936, o governador de Estado, Almirante Protógenes Guimarães, 41
  • 42. convocou o líder Venturo Lopes para que comparecesse ao Palácio do Ingá, a fim de tratarem da instalação do novo município e da nomeação das autoridades para o mesmo. A instalação se deu por força da Lei no. 9, de 27 de abril de 1936, e no dia seguinte o Governador nomeou o Dr. Mário Pinheiro da Mota para ser o 1º. Prefeito do Município recém criado. No dia 3 de maio de 1936, o maior dia da história de Miracema, o Almirante Protógenes Guimarães, acompanhado do Dr. Arnaldo Tavares, presidente da Assembléia Legislativa e grande amigo de Miracema, e de outras autoridades do Estado, compareceu à antiga terra de Santo Antônio dos Brotos, para instalar o novel, glorioso e promissor Município de Miracema, em meio as maiores comemorações e retumbante festa, a maior de toda sua história, que esta terra já viveu. E assim, após 30 longos e laboriosos anos, Miracema, a nossa sempre amada terra comum, conseguiu arrebentar os grilhões que a tornavam cativa e se tornou um município livre e independente, para orgulho de seus bravos filhos e maior prosperidade e progresso do Estado do Rio de Janeiro e do Brasil.´´ 2.2) Decreto-lei no. 3.401, de 07/11/1935 (Miracema e Liberdade: Os Caminhos da Emancipação, Prefeitura de Miracema, 2006). ´´Ventura Lopes, em agosto de 1935, envia telegrama a Ary Parreiras reiterando os anteriores apelos dos separatistas no sentido de conceder a emancipação de Miracema. Ary Parreiras, em 13/08/1935, em resposta a Ventura Lopes, dizendo: ´´Acuso recebido vosso telegrama. Assuntos constantes vossas cartas serão tomadas devida consideração quando processo respectivo chegue minhas mãos o que se dará dentro de breves dias. Julgo desnecessário reafirmar o que já tenho mais de uma vez declarado sobre a matéria, isto é, que se a maioria população se manifestar pela separação estará decretada. Saudações Ary Parreiras.´´ Cumprindo a promessa que fizera aos miracemenses Ary Parreiras, através do Decreto..., criou o município de Miracema, composto pelos distritos de Miracema e Paraíso do Tobias, então 2º. e 7º. distritos de Santo Antônio de Pádua, estabelecendo que a data da instalação da nova unidade criada seria marca pelo Poder Legislativo, juntamente com a homologação do laudo a que se refere o Art. 34º., da Lei no. 2.316, de 30/01/1929 – Lei de Organização Municipal.´´ 2.3) Lei no. 09, de 02/04/1936 (Miracema e Liberdade: Os Caminhos da Emancipação, Prefeitura de Miracema, 2006). Mário Pinheiro Motta, 1º. prefeito de Miracema (03/05/1936-03/08/1936), discursando na sua posse, perante o governador do Estado do Rio de Janeiro, do prefeito de Santo Antônio de Pádua e outros. Foto: data e autor: desconhecidos; cedente: Tia Ricarda. 42
  • 43. ´´Conduzido em 1936, por eleições realizadas em 1935, ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, em substituição a Ary Parreiras, o Almirante Protógenes Pereira Guimarães, no início de março de 1936 concedeu audiência ao então presidente do Partido Separatista, Antônio Ventura Lopes, que demonstrou ao Governador a conveniência de se instalar o Município de Miracema antes das eleições municipais já marcadas. Na oportunidade, sensibilizado, Protógenes... assumiu o compromisso de interferir junto às lideranças de seu governo na Assembléia Legislativa, no sentido de designarem para um dos próximos dias, daquele em que dera a audiência anunciada, a data para instalação da nova unidade administrativa, declarando na oportunidade, que iria pessoalmente instalar o município de Miracema antes das eleições municipais que estavam próximas. Com a interferência do Governador..., através da Lei no. 09, de 02/04/1936, a Assembléia..., presidida pelo Dr. Arnaldo Tavares, grande e incansável colaborador da Campanha Separatista, designou o dia 3 de maio de 1936 para instalar o município de Miracema, e autorizou o Poder Executivo a praticar todos os atos necessários à efetivação dessa instalação. No dia 10 de abril de 1936, Ventura Lopes recebia telegrama do Palácio, solicitando sua presença para combinar autoridades a serem nomeadas no município. Cumprindo a promessa, há menos de dois meses, Protógenes..., acompanhado do Dr. Arnaldo Tavares e de outras autoridades, no dia 3 de maio de 1936, compareceu à terra de D. Ermelinda,,, e, festivamente, instalou o município, encerrando assim, vitoriosamente a Campanha Separatista, que exigiu total empenho, muitas despesas e uma imensurável soma de idealismo e de esforço dos miracemenses´´. 3) Paróquia de Santo Antônio de Miracema: 3.1) Miracema, sua História, sua Igreja e seus sacerdotes, de Climene Moreira (neste Vol. – CJCMR): A história conhecida começaria com a primeira capela, mandada erguer por Dona Ermelinda em honra de São Antônio. Segundo o memorialista Maurício Moreira: ´´Quanto à capela construída logo após a sua chegada, onde hoje se encontra edificado o Jardim de Infância, paira dúvidas devido a um registro na Igreja de Pádua que, em 1842, Frei Bento Ângelo de Gênova tirou licença para levantar uma capela no lugar denominado Ribeirão de Santo Antônio cujo terreno foi doado pela Senhora Ermelinda e depois de pronta, em 1843, foi benta pelo citado frei com autorização do Bispo do Rio de Janeiro, com isto, ficando filiada à Freguezia de Pádua.´´ ´´Só..., em 1897 – Dom Francisco do Rego Maia, Bispo de Niterói, conferiu plenos direitos, regalias e atribuições que, de direito, competem às igrejas Curatas, exigindo que tenham altar-mor, o Sacrário para conservar as espécies (hóstias); pia Batismal com tampa, em lugar fechado com paredes, e porta com chave; um altar pequeno para se guardar à chave, os santos óleos em vaso de metal e um pratinho com sal (para os Batizados). Pediu também arquivo com Livros de Tombo, Batizados, Casamentos e óbitos e, os mais necessários ao serviço da igreja curata. Ao declará-la, estabeleceu os limites com as freguesias de Pádua (RJ) e Palma (MG). Provè, então Dom Francisco..., no cargo de Cura da Capela Curata de Santo Antônio..., 43
  • 44. ao Revmo. Padre Marcelino José Ferreira – 30 de junho de 1897. Em 1898 – Dom Francisco, então Bispo de Petrópolis, envia como Cura do Curato de Santo Antônio..., o Padre Marcelino... – 1897 e 1898. Em 1900, pelo mesmo Bispo,..., foi nomeado o Padre Antônio Lira (19 de março de 1900) tendo antes determinado ao Vigário de Pádua, encarregado do Curato..., a benzer a Capela deste Curato dedicada a Santo Antônio (hoje Igreja Matriz de Miracema).´´ ´´Então, Dom Francisco..., concede licença para benzer, solenemente, as Imagens, a pia Batismal e, depois, aberta ao público, a nova Capela... (a nossa atual Igreja Matriz) e Dom João Francisco Braga, Bispo de Petrópolis, provê no cargo de Pároco Encomendado da Freguesia do Curato de Miracema, o Revmo. Padre Sieber (1900/1905).´´ Até a criação da Diocese de Campos, em 28/12/1923, à qual Miracema passou a pertencer, ficou aos cuidados dos padres: Benedito Alves, em 04/08/1908; Antônio Echerria, em 18/10/1909; José Belloti, em 02/12/1912; Júlio Braga, em 07/07/1921. Em 27/03/1924, Dom Henrique César Fernandes Moirão, Bispo de Campos, efetuou a primeira visita pastoral a Miracema. ´´Nessa ocasião, houve então, a elevação de Miracema a Paróquia... e, prorrogação da Provisão do Padre Júlio Braga se estende até 01 de março de 1928´´, que foi substituído pelo Padre José Albuquerque, que atuou de 16/11/1927 a 30/10/1931. ´´Fundou a Associação de Santa Terezinha do Menino de Jesus, na Paróquia, em 09/02/1930.´´ Sucedeu-o, ´´de 30/10/1931 a 20/03/1936, o Revmo. Cônego José Thomaz de Aquino Menezes. Natural de Belém do Pará foi o elaborador dos Estatutos da Associação de Santa Terezinha e, também um grande vulto destacado da emancipação de Miracema. Construiu as capelas laterais na Igreja Matriz e afastou o altar-mor deixando a igreja no formato de uma cruz. A Igreja Matriz fora inaugurada em 19/12/1926. Sucederam-no os padres: Francisco Melchíades de Mello, de março a setembro de 1936, quando faleceu em excursão na Europa; Estevão, sacerdote da Ordem do Sagrado Coração de Jesus; Jefferson Valqueire Diniz, novembro de 1937 a outubro de 1938, que foi o construtor da Gruta de Nossa Senhora de Lourdes; João Maria Chiaramonte, de novembro de 1937 a janeiro de 1938; José Nicodemos dos Santos, de 11 de fevereiro a maio 1944, ´´que construiu o Sacrário no Altar-Mor com porta revestida de ouro e prata e também a chave em ouro, com rubi´´; Joaquim Thaumaturgo Coimbra de Albuquerque (Vol. – CJTAT), de 1945 a 1954, que construiu a Casa Paroquial, ´´inaugurada com a presença do Bispo Diocesano – Dom Otaviano Pereira de Albuquerque´´; Olivácio Nogueira Martins, em 1954; Othon Deodato de Souza, de janeiro a outubro de 1955. ´´Os Padres Crúzios da Congregação da Ordem da Santa Cruz, da Holanda, em grande número, exerceram a função de Vigários de Miracema´´, ´´de 1955 até maio de 1973.´´ ´´Após os Crúzios – de 09/09/1973 a 26/11/1982 a paróquia recebe o Padre José Olavo Pires Trindade.´´ (1940) (Vol. V – WCTR) Registrem-se mais os padres: Olinto José Domingos, em 29/12/1982, também vigário de Palma; Roberto Gomes Guimarães, em 31/01/1983, hoje Bispo Diocesano; Gregório Guzowsk, polonês da Congregação dos Padres Palotinos, de setembro de 1983 a janeiro de 1984; Afonso Egídio Rauber S. C. J, em 06/01/1984; jesuíta Carlos Roberto Nascimento, de 29/01/1984 até 02/02/1986; Luiz Carlos Reis de Amorim, de 07/02/1986 a 05/05/1990; fundou o ´´Centro Social ´´São Francisco de Assis´´ com os diversos cursos ministrados graciosamente, tais como: bordados, corte e costura, crochê e tricô, corte e cabelo, manicura, culinária, datilografia e ainda, assistência dentária, médica (remédios) e alimentar aos mais carentes´´; indiano Mateus Panackakuzhy, em 44
  • 45. 22/07/1990; José Filipe Pulpayl, de 18/04/1994 a 18/06/1994; indiano José Vallanatu, em 107/1994; Alexandre Thannipara, em 30/10/1996; Carlos Roberto Nascimento, em 29/11/1996; Mateus, em 13/06/1996. MPmemória: ´´08/12/1926 – Decreto de elevação a paróquias dos curatos de Santo Antônio do Carangola, Santo Antônio de Miracema e São José de Avahy de Itaperuna, baixado por Dom Henrique César Fernandes Mourão, 1º. bispo da Diocese de Campos; os seus curas passaram aos respectivos párocos. 3.2) 22 comunidades da paróquia (autor desconhecido): Na cidade: 1 - Igreja Nossa Senhora Aparecida 2 - Igreja São José (CEHAB) 3 - Igreja Santa Teresinha 4 - Casa São Vicente de Paulo (Asilo dos Idosos) 5 - Capela São José (Hospital) (Vol. VI – JMBR) 6 - Capela São Sebastião (Bairro Jove) Distritos e Comunidades Rurais: 1 - Igreja Nossa Senhora do Paraíso (Paraíso do Tobias) 2 - Capela Sant'Ana (Venda das Flores) 3 - Capela Sant'Ana (Areas) 4 - Capela Nossa Senhora da Consolação (Fazenda Cachoeira – particular) 5 - Capela São Francisco de Assis (Barreiros) 6 - Capela Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (Estrada Miracema/Paraíso) 7 - Capela Santa Margarida (Campelo) 8 - Capela Nossa Senhora do Carmo (Fazenda Gratidão – particular) 9 - Capela São Sebastião (Fazenda Santa Maria) 10 - Capela Nossa Senhora Aparecida (Fazenda Nova Floresta – particular) 11 - Capela São Sebastião (Divisa de Palma) 12 - Capela Nossa Senhora do Imediato Consolo (Fazenda Santa Inês) 13 - Capela do Sagrado Coração de Jesus (Pernambuco) 14 - Capela Nossa Senhora do Montserrat (Duas Barras) 15 - Capela Divina Misericórdia (Pólo Industrial II) 16 - Comunidade São João Batista (Fazenda Saudade).´´ Capela Nossa Senhora de Fátima: Vol. V – WCTR. Nota: A única imagem disponível da capela é uma tela pintada (neste Vol. – Capa). Nada se sabe quanto à sua real locação, supondo-se que desse fundos à área do primitivo cemitério, cujo perímetro é desconhecido. Como era de costume, à aceitação de uma gleba a um futuro povoamento pela Igreja, era exigida a existência de um templo aos ofícios religiosos. Não se conhece em que termos foi feita esta doação e nem como se deu sua ocupação. A prática era ser feita ao patrimônio de santo, de Nossa Senhora etc, em geral, mediante documento próprio. A cessão pela Igreja de lotes, para residências, chácaras, comércio etc, era por aforamento, pelo qual o aforado não assumia a propriedade da área, se comprometia dar-lhe imediato aproveitamento, ficando proprietário das benfeitorias que realizasse etc. Não se conhece o ato que elevou Santo Antônio dos Brotos, à condição de curato, quando um cura é designado a responder por seu território, efetuando os sacramentos, mas subordinado a uma freguesia ou paróquia. 45
  • 46. 4) CCMC - Centro Cultural Melchiades Cardoso: 4.1) Inauguração (Página Um, 11/1997; Marcelino Alvim Tostes (Marcelininho) (?/2009) correio eletrônico: 15/02/2007): ´´Com a presença de Dirceu Cardoso (que "roubou" a festa), de vários outros familiares de Melchíades, do prefeito Gutemberg Damasceno (Vol. – JRDR) (entre outras personalidades), foi inaugurado o Centro Cultural, e entregue a Marcelo Salim de Martino o "Prêmio Mérito Cultural Dr. Hermes Simões Ferreira" (Vol. III – MMR), concedido pelo Conselho Municipal de Cultura. O Centro Cultural Melchíades Cardoso, que reúne um grandioso acervo recolhido aos longos dos anos por Marcelo Salim de Martino, foi inaugurado no dia 8 de novembro pelo prefeito Gutemberg Damasceno. Uma instituição que já existia como "Casa da Cultura Melchíades Cardoso", e que conseguiu financiamento do Ministério da Cultura (40%), que funcionava no antigo prédio do Tiro de Guerra, em frente à Prefeitura, começou a ser erguida no governo anterior, com os outros 60% bancados pela municipalidade, segundo Marcelo. No ato da inauguração, Gutemberg ressaltou a importância do Centro Cultural, inclusive citando que obras deste porte independem de quem esteja no poder, pois deu a ela a continuidade devida, incluindo a permanência de Marcelo no mesmo cargo anterior. Marcelo, além de permanecer no cargo e "tocar" a obra, foi agraciado com o prêmio "Mérito Cultural Dr. Hermes Simões Ferreira", instituído pelo Conselho Municipal de Cultura. Mas quem roubou a festa foi Dirceu Cardoso, ex-senador, ex-secretário de Estado do Espírito Santo, ex-emancipacionista (juntamente com seu pai) e haja "ex" para qualificar Dirceu. O Centro Cultural, além de preservar toda a documentação oficial da municipalidade, reúne também um grande acervo histórico/cultural recolhido entre particulares, em Miracema. Na oportunidade foi aberta uma sala denominada Ururahy de Mattos Macedo, onde, doados pela família, se reuniu todo o seu ambiente de trabalho, desde móveis, utensílios até sua grandiosa biblioteca. ´´ 4.2) Liberdade e Expressão (07/2000): ´´foi criado em 19 de abril de 1990, como Casa da Cultura Melchíades Cardoso, sendo sua atual sede inaugurada em 97 na gestão do Prefeito Gutemberg Medeiros Damasceno, com recurso do Ministério da Cultura e da Prefeitura Municipal de Miracema. Subordinado à Secretaria de Educação, Cultura, Esportes e Lazer, o Centro Cultural é uma instituição voltada para pesquisa e para a promoção cultural, preservando a memória coletiva do povo miracemense, criando uma importante identidade cultural. A natureza diversificada do atual acervo possibilita uma incursão no passado de Miracema. As datas – limites da documentação situam-se entre o final do século XIX até a atualidade, constituindo importante fonte de pesquisas sobre a escravidão negra, registro de terra, documentos da administração municipal, ações civis e criminais e habilitações de casamentos. Além dessa documentação, o Centro Cultural..., Possui, ainda, alguns outros conjuntos documentais privados pertencentes ao Cap. Antônio Ventura Coimbra 46
  • 47. Lopes, Melchíades Cardoso, Bruno de Martino, Cel. Pedro da Silva Bastos, Rotary Clube de Miracema (Vol. – RP), Aéreo Clube de Miracema (Vol. II – BCR), Tupam Esporte Clube, Clube Esportivo de Miracema, Sociedade Musical Sete de Setembro, Escola Estadual Dr. Ferreira da Luz , Partituras Musicais da Banda XV de Novembro e coleção iconográfica, que é constituída de plantas, mapas, registros sonoros e fotografias. Possui ainda o Centro Cultural..., um vasto e representativo acervo bibliográfico e museológico. A Biblioteca Dr. Ururahy de Matos Macedo, é uma recomposição do ambiente de trabalho de seu proprietário. O acervo atinge aproximadamente 1 600 volumes, empreendendo direito antigo, histórica, literatura, religião e obras de referência. Anexa à Biblioteca Dr. Ururahy..., está instalada a Biblioteca do Centro Cultural especializada em História do Estado do Rio de Janeiro, memória local, artes, folclore, arquitetura, arqueologia, antropologia, música, museologia, arquivologia, biografia, obras de referência e hemeroteca (coleção de jornais de Miracema e região, que vão do início dos séculos aos dias atuais). O acervo museológico reúne a coleção de objetos sacros provenientes da Matriz de Santo Antônio, da Capela de Paraíso do Tobias e da Capela do Hospital de Miracema. A coleção São Martino é composta por maquinários e artefatos da Fiação e Tecelagem São Martino Ltda, destacando-se um tear – manufatura inglesa do início do século em pleno funcionamento. A Coleção Arqueológica reúne objetos de pedra de uso dos índios Puris, que habitaram a região. A Coleção Instrumentos Musicais é formada por antigos instrumentos das corporações musicais XV de Novembro e Sete de Setembro, E, finalmente, a Coleção Maximiliano de Poly (Vol. V - MPR), que reúne objetos, fôrmas e algumas ferramentas usadas nas construções do início do século na cidade.´´ 4.3 Atual sede (Marcelo): ´´Quanto ao Centro Cultural Melchíades Cardoso estar instalado em local não apropriado, concordo... Seria muito bom se tivéssemos tido a oportunidade de tê-lo instalado em um dos imóveis tombados como o Hotel Braga. Porém, na época em que idealizamos a Casa da Cultura Melchíades Cardoso (primeira denominação que recebeu o Centro Cultural), em 1990, só havia disponível a casa onde havia funcionado por muitos anos o Tiro de Guerra de Miracema, que era de propriedade da Prefeitura. Em relação ao Centro Cultural Melchíades Cardoso, do qual fomos os idealizadores cabem as seguintes informações: Para que o projeto saísse, fizemos, naquela época, uma obra de limpeza, demolição de uma parede interna construída posteriormente e substituição da rede elétrica e do forro que ameaçava desabar. Mudamos para lá com todo o arquivo municipal, que estava ameaçado pela falta de espaço na Prefeitura e iniciamos o recolhimento da documentação de algumas entidades e instituições públicas e privadas. Com a divulgação através de ofícios circulares e folhetos informativos, passamos a receber pequenas coleções particulares. Um belo dia, quando já estávamos instalados há pelo menos uns quatro anos, chegamos para trabalhar e encontramos todas as estantes no chão. Haviam caído uma a uma, devido ao peso e ao fato de o piso ser de tábuas corridas. Ficamos um bom tempo com as estantes no chão e sobre as mesmas todas as caixas e livros que até aquela época formavam nosso modesto arquivo. Nessa época, recebemos a visita de alguns técnicos do INEPAC, que nos aconselharam que, mesmo reforçando o piso, e não deveríamos permanecer por muito mais tempo no imóvel, que já apresentava visíveis rachaduras, trincas, infiltrações e tudo o que se é possível de encontrar numa casa velha, que havia sofrido todo o tipo de intervenções irregulares durante anos, 47
  • 48. que serviu como sede do Tiro de Guerra, como residência dos instrutores do TG, sede do CEMIA, que era um programa do Governo Federal para atender crianças carentes e o principal, que era um imóvel do poder público, que não contou com a sensibilidade dos governantes anteriores, em realizar obras corretas no local. Mesmo assim, permanecemos por mais dois anos, porque não tínhamos para onde transferirmos todo o acervo reunido. Cabe aqui ressaltar, que já havíamos enviado um projeto para construção de uma nova sede ao Ministério da Cultura, desde 1993 e, somente, em 1996 foi aprovado e iniciada a construção. A casa como era já não oferecia segurança e não mais comportava os outros acervos de cunho museológico e bibliográfico como é o caso da biblioteca do Dr. Ururahy de Matos Macedo, doada pela família após a sua morte. Somos sabedores de que o local não é o ideal para esse tipo de acervo, o que temos tentado amenizar com a instalação de termômetros para controle da umidade, de aparelho desumidificador de ambiente para controlarmos a umidade que é muito alta e de um convênio com o Arquivo Público do Estado, que entrará com a orientação técnica, o que pretendemos realizar ainda este ano e que deverá se concretizar após a tão esperada visita técnica. O único terreno que possuíamos naquela época era esse, mesmo assim, só nos mudamos quando a verba foi depositada na conta bancária, porque a Câmara de Vereadores ventilava a possibilidade de construir sua sede ali. Entre perdermos o acervo por falta de local ou construirmos o prédio atual, mesmo não sendo o ideal, optamos pela construção. Durante todos esses meus 21 anos como Chefe da Divisão de Cultura, não fizemos outra coisa senão tentar reunir acervos, informações, muitas das quais retornam à população em forma de exposições temporárias, uma vez que não dispomos de espaço para a tão almejada e desejada exposição permanente, que é a parte principal de qualquer instituição museal. Vale lembrar, que antes de instalarmos o Centro Cultural Melchíades Cardoso, na referida casa, tentamos (conforme atestam os projetos em arquivo) o imóvel da CERJ na Rua Direita, a casa do Cel José Carlos Moreira, a casa do Quincas Josino, na rua Barroso de Carvalho e até mesmo um galpão que na época era um depósito de bebidas do Habib Damiam na rua Matoso Maia (Vol. III - MMR), foi tentado, mas, infelizmente, os proprietários não foram receptivos à idéia. Improvisar, usar e abusar da criatividade, “tirar leite de pedra”, como diz um ditado popular, tentando driblar as dificuldades de ordem orçamentária, já é tarefa rotineira entre nossa pequena equipe, a ponto de mantermos um cadastro, em um livro, em ordem alfabética, com nomes de pessoas, entidades e estabelecimentos comerciais que nos emprestam vitrines, suportes, acervos e todo o tipo de tralhas que encontramos pela frente e que um dia poderão servir para alguma coisa. Passados alguns anos, nos deparamos, novamente, com problemas quanto ao espaço físico, que já não mais atendia às nossas necessidades. Foi quando encaminhamos em 2005 um novo projeto ao Ministério da Cultura solicitando recursos para ampliação do Centro Cultural, no imóvel ao lado, que alias, adquirimos com o “Prêmio Estácio de Sá – categoria: Preservação do Patrimônio Cultural”, no valor de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais), recebidos do Governo do Estado do Rio de Janeiro, através do Conselho de Estado de Cultura, pela qualidade dos trabalhos desenvolvidos em prol da cultura fluminense.´´ 4.4) Ampliação (Jornal Dois Estados, 07/11/2007): ´´Numa parceira do Ministério da Cultura, através do Fundo Nacional de Cultura, com a Prefeitura Municipal de Miracema já comeram as obras de ampliação do Centro 48
  • 49. Cultural Melchíades Cardoso órgão vinculado à Divisão de Cultura da Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer da Prefeitura de Miracema. A obra será executada em imóvel adquirido pela municipalidade em 2001, com recursos oriundos do Prêmio Estácio de Sá, outorgado pelo Conselho de Estado de Cultura e Secretaria de Estado de Cultura, na categoria Preservação do Patrimônio Cultural, contará com um espaço multidisciplinar, ampliação do depósito do arquivo, área para exposição permanente do acervo, espaço para exposições temporárias, sala para projeção e espaço para oficinas de artes, artesanato e moda. Com projeto da arquiteta Mariana Faver (Vol. – STFR), ex-Secretária Municipal de Obras e Urbanismo, orçado em R$ 271.148,63, sendo R$ 215.997,00 repassados pelo Ministério da Cultura e R$ 55.151,63 como contra-partida da Prefeitura, a obra será executada pela firma Formato de Niterói Construtora Ltda., vencedora do processo licitatório realizado pela Municipalidade. Segundo Marcelo Salim de Martino Chefe da Divisão de Cultura, ´´Este sem dúvida, será mais um grande passo do Governo Municipal na área da Cultura. Somente com a realização desta obra conseguiremos garantir acesso e maior participação da população nos eventos, atividades e projetos oferecidos pelo Centro Cultural. O Centro Cultural que foi construído entre 96 e 97 não comporta nosso rico acervo documental, bibliográfico e museológico. Não havia mais espaços disponíveis e só não deixamos de realizar novas aquisições e de receber doações para suprir lacunas existentes nas coleções porque ocupamos o imóvel ao lado. Mas outras atividades inerentes a um centro cultural estavam sendo prejudicadas ou não eram realizadas pela falta de espaço.´´´´ 5) AML – Academia Miracemense de Letras: 5.1) June de Souza Carvalho (Marcas de Cultura na História de nossa Terra – Academia Miracemense de Letras, Liberdade de Expressão, Cadeira no. 03 da AML e atual presidente da mesma). ´´´´Um dia, um homem preocupado com as coisas que Deus criou e que ele as vezes não compreendia, resolveu perguntar ao Criador´´: - Senhor, você fez o Mundo, porém fez coisas inúteis, para que serve o horizonte? Quando eu vou em direção a ele, ele se afasta e quando eu me afasto, ele fica mais distante, Deus respondeu - Está certo, ele foi feito para isso, para você caminhar sempre em sua direção, sempre numa busca.´´ E é caminhando em direção ao horizonte, sempre numa busca cada vez maior que a Academia Miracemense de Letras, procura na cultura crescer dentro da própria cultura Miracemense. Foi fundada em três de maio de 2002. É uma sociedade sem fins lucrativos, tendo por finalidade cultuar vernáculo e a literatura, colaborando na elevação das artes. Conta atualmente com catorze membros que se reúnem no Centro Cultural Melchiades Cardoso, na primeira segunda-feira de cada mês às 16 h 30 min. No movimento literário, a Academia possui um Boletim bimensal denominado ´´Páginas Literárias´´, que apresenta valores da comunidade, informação de eventos que acontecem na cultura da cidade, apresentando novos alentos, levando poesias, crônicas, fazendo a integração entre acadêmicos e órgãos Municipais, Estaduais, assim como na comunidade, num espírito coletivo para uma melhor cultura na nossa terra. A Academia tem seu registro, assim como, o Estatuto, que rege a ética, a conduta e os 49
  • 50. caminhos dos Acadêmicos a seguirem dentro da cultura. No biênio de agosto 2003 a 2005, tem a seguinte Diretoria: Presidente: June de Souza Carvalho Vice-presidente: Silvana Duarte Gonçalves dos Santos Secretária: Maria da Graça Salim Nogueira Tesoureira: Neide Freitas Gutterres Bibliotecário: José Erasmo Tostes Fundadora: Ana Lúcia Lima da Costa Responsável pela publicação ´´Páginas Literárias: Evane Barros Barbuto Acadêmicos Marcelo Salim de Martino Glória Maria da Consolação Freire Vargas de Oliveira Maria Teresa Poly Alt Ricarda Maria Leal Alvim Mário Lúcio Lima da Costa Luciano Apolinário Geraldo Freitas Caldas.´´ 5.2) Glória Maria da Consolação Freire Vargas de Oliveira (Cadeira no. 05, da AML; coluna Barco de Papel, Liberdade de Expressão, no. 83, 09/2006): ´´E, foi criada a Academia de Letras Há alguns anos, houve uma reunião super agradável ao entardecer, na residência da professora Giovanina Mercante, ali na Rua Santo Antônio. O motivo, para assim nos reunirmos para tratar sobre a criação de uma Academia de Letras, o que era intento da Giovanina, durante o vai e vem da conversa o assunto versava sobre aquela intenção para grandiosidade a cultura em nossa terra. Entre tantos amigos: jornalista, colunistas, professor, poeta, artista plástico, gente de teatro, intelectuais em geral, lá estavam reunidos para essa finalidade cumprindo o desejo dela, eram todos seus convidados. A idéia amadurecia surpreendentemente durante o desenrolar da conversa e o delicioso chá dás 5 servido, era de fato o propulsor de enorme inspiração daquela idealizadora nossa anfitriã! E tudo transcorrendo da melhor maneira, muito bem com grande probabilidade de acontecer. Saímos de sua casa quase de noitinha, quando o sol se punha a colorir com seus últimos clarões a crista da cordilheira, ali à nossa frente... Mas alguma coisa ´´mais que imperiosa´´ e importante demais em sua vida fizera, pois com que ela se desvencilhasse daquela grandiosa e pioneira proposta. Naqueles dias precedentes de sua grande dor, e toda a família, tal acontecimento tão brusco e inesperado motivaram sua desistência naquilo que nos havia proposto tão cordial e sabiamente. Passado o tempo, nós que acompanhávamos o seu sofrimento que mudara seu itinerário vorazmente, por uma outra grande causa inalienável... só teríamos ontem e hoje a agradecer seu interesse pela fundação de uma Academia de Letras e também pela decisão e a crença avaliando-nos em nossa capacidade para uma nova empreitada. Sempre ao entardecer, as idéias parecem-nos sutis, tenho observado isso a todo tempo... Numa outra tarde ensolarada eis que surge a minha frente Ana Lúcia C. Lima, motivo: convite para que novamente eu, pudesse compor e indicar nomes para a academia que ela gostaria de naquele momento airoso de sua inspiração! Estava tão desarrumada eu ali naquele jardim, cuidando de plantas e meio desconcertada, diante 50
  • 51. de uma elegante jovem e sorridente idealista, a Ana Lúcia! Dali sai, para um banho, para indicar nomes que tivesse boa proposta a oferecer na construção desse advento. Depois de arrumadinha, saímos as duas, com nossa relação de nomes, alguns já estavam fazendo parte da história dessa nova Academia, porém eu enumerei dezenas de pessoas para sua aprovação, diante desses tantos nomes que foram bem conhecidos, estavam na minha lista: Diretor da Casa de Cultura Melchiades Cardoso, Marcelo Salim de Martino, museólogo e professor, que nos abriu as portas daquela instituição de Cultura. Seguidamente convidamos a professora Ricarda Leal Alvim, diretora do ´´Liberdade de Expressão´´, professora e poetisa; José Erasmo Tostes, venerável da loja Libertas II, historiador, colunista e poeta; Evane B. Barbuto, professora, pintora, poetisa, técnica em educação e colunista; professora Neide Guterres, pintora, poetisa e cantora de coral sacro; professora June Carvalho, pintora, escritora, colunista, tecladista, poetisa e bióloga; Maria das Graças Salim Nogueira, professora de língua portuguesa, catedrática, grande oradora e escritora. Jofre Geraldo Salim, nosso maior orador e conhecedor profundo dos fatos históricos miracemenses; Professora Maria Tereza Poly Alt, advogada, tradutora, poetisa e tecladista; Edson Felicíssimo de Souza, catedrático da língua portuguesa, crítico literário, (que posteriormente decidiu não continuar por motivos imperiosos) contra sua própria vontade. Esses nomes, entre tantos outros, faziam parte de uma de minhas listas e felizmente foram aprovados, mas eu gostaria que os outros também pudessem ter sido com certeza! Quero parabenisar a professora Junte frente da Academia num exímio trabalho como sua Diretora incansável e a Ana Lúcia pela lucidez de haver criado finalmente a tão esperada Academia e aos demais companheiros Silvana Duarte, professora, colunista, tradutora, poetisa e oradora; ao Doutor Geraldo Caldas, Advogado Jurista, orador e colunista; Mário Lúcio da C. Lima, grande estudioso da mitologia grega, entre outros atributos de sua grade curricular e também ao Luciano Apolinário, escritor, cinegrafista e crítico literário. Assim sendo humildemente eu que também faço parte desses imortais com minha pequena e emocionada contribuição.´´ 5.3) Evane Aparecida (Seis Anos de Sonho Realizado- Academia Miracemense de Letras, Liberdade de Expressão, no. 109, 12/2008): ´´Há seis anos aconteceu o sonho esperado e a Academia Miracemense de Letras mantém-se firme em seu desempenho cultural junto a nossa comunidade. Nesse final de ano, quando nos passa e repassa na cabeça, acontecimentos os mais variados e confusos do ano que se finda, e dos anos passados, prefiro me deter numa lembrança que reconforta e edifica – a do surgimento da AML. Guardo vivo na memória como tudo iniciou. Sinto, ainda, as emoções fortes vividas na ocasião em que, cheios de vida e esperanças, comemoramos a inauguração de tão preciosa aquisição para nosso meio social. Como acadêmica, modesta e orgulhosamente, ocupante da cadeira de n° 07, sempre me entusiasmei em pertencer a essa nobre confraria. Tudo começou no ano de 2002 com a arrojada iniciativa cultural da professora Drª. Ana Lúcia Lima da Costa, fundadora e membro participante, a quem agradecemos pela dinâmica decisão e inegável competência. Da união de nossas forças, animação e ideais surgiu o grande feito. O ato de posse aconteceu naquele relembrado dia 14 de junho de 2002 em cerimônia que, conforme afirmei em nosso boletim “Página Literária”, primou por características de alto estilo artístico e cultural, não faltando os arroubos da arte, da boa prosa e da poesia. Fomos empossados, quatorze membros efetivos e um membro benemérito. E 51
  • 52. assim permanecemos. E como valeu! Valeu muito sentirmo-nos ali cercados do carinho de nossos amigos, das autoridades locais e sociedade em geral. Fomos dignamente apadrinhados pelos amigos confrades Itaperunenses, ilustres membros representantes da vizinha Academia Itaperunense de Letras liderados por seu presidente. Assim, aconteceu o que todos aguardávamos - a existência da AML. A partir daquele momento, recebemos o apoio inconteste do Centro Cultural Melquíades Cardoso, onde temos nos reunido, através da Prefeitura Municipal de Miracema, das autoridades, da comunidade miracemense sempre presente em nossos eventos, como de nossas escolas marcando presença num franco entrosamento com a entidade. Nosso objetivo, dentre outros, constituiu-se, a partir dali, no fim precípuo de colaborar na elevação das artes e da cultura, visando expandir o patrimônio cultural de Miracema. E será sempre assim. Continuamos firmes e esperançosos, tendo como vanguarda a eficiente presença de nossa confrade June de Souza Carvalho, nossa competente, dinâmica e atuante presidente. Preservaremos, com certeza, todo nosso ânimo e ideal, venceremos dificuldades e carências, buscaremos sempre manter o entrosamento producente que deu início a nosso edificante trabalho, fortificaremos, com nossa garra e apoios recebidos, essa jornada lítero-artístico-cultural que todos nós queremos e merecemos. A locação própria para nossas atividades, organização e criações culturais ainda é algo que almejamos, mas sentimos que, certamente um dia, de alguma forma, esse objetivo será alcançado. Hoje, seis anos depois, reafirmo o emocionante brado com que, entusiasmada e esperançosa, encerrei breves palavras em nosso momento de posse, afirmando que o archote da cultura se fez mais forte e presente em Miracema a partir daquele dia: - Carregaremos o Lume! Sim, carregaremos!´´ 5.4) Academia Miracemense de Letras retoma atividades e ele a sua nova diretoria no dia 4 (Sítio da PMM, 26/08/2009): Foto: data e autor: desconhecidos; cedente: ASCOM. A nova diretoria da Academia Miracemense de Letras será eleita no próximo dia 4 de ´´ setembro, conforme ficou definido na última reunião da entidade, realizada no Centro Cultural Melchíades Cardoso. Apenas uma chapa foi apresentada, dela fazendo parte os acadêmicos Mário Lúcio Lima da Costa (presidente), Ana Lúcia Lima da Costa (vice- presidente), Graça Salim, José Erasmo Tostes e Ricarda Maria Leal Alvim, que pediu a sua substituição por motivos familiares. A AML tem 14 integrantes e são eles que elegem a diretoria. A Academia Miracemense de Letras foi fundada em 14 de junho de 2002, graças a iniciativa da miracemense Ana Lúcia Lima da Costa, que é doutora em Ciências da Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além de possuir 52
  • 53. mestrado em Letras pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Foi ela quem reuniu um grupo de amantes das artes e da cultura no município, dando início, assim aos trabalhos da AML. 6) Casa Amarela (Praça Ary Parreiras, 272; início da Rua Francisco Dias Tostes) (Vol. V – CAPA): 6.1) Júlio de Barros (correio eletrônico: 28/11/2006): ´´Osmoradores da casa antes do meu irmão Rui foi o casal Luiz Paulo Moreira e Onideia Moreira, pianista e regente de um importante coral de Miracema, no qual eu e meus irmãos Rui e Lúcio, cantávamos. O Luiz Paulo era dentista e irmão de ilustre médico também miracemense, Saulo Moreira. Contam que o casal morreu vitimado por suicídio.´´ 6.2) Angeline Coimbra Tostes de Martino Alves (1972) (Vol. – FAAR) (correio eletrônico: 01/12/2006): "Pelo que colhemos de nosso pai, Miguel Ângelo (1937) (Vol. – FAAR), o sobrado em questão, Praça Ary Parreyras, 272, foi mandado construir por meu bisavô-materno Marcelino Tostes Júnior (Vol. IV – CDTR), mas conhecido por "Celo Tostes", que foi casado com Maria Lúcia Tostes, conhecida por "Dona Lica". O sobrado foi construído sob uma base de pedra. Celo e Lica morreram nesse sobrado e foram proprietários de algumas fazendas, como a Fazenda da Serra. Após o falecimento dos meus bisavós-maternos o imóvel foi vendido para o casal Luiz Paulo Moreira, dentista e professor de Biologia, casado com Onidéia Moreira, pianista. Esse casal teve uma história de suicídio no sobrado e não tiveram filhos. (A história que gerou o suicídio é bastante controversa. O incidente reuniu muitas pessoas à porta do sobrado) Com a morte de Luiz Paulo e Onidéia, a família vendeu o sobrado aos atuais proprietários Rui Barros e Bebel que o conservam até os dias de hoje. No imóvel de nº 270, já demolido, terreno murado sem edificação, viveu Anísio Moreira Coimbra casado com Anna Bastos Coimbra, conhecida por "Vovó Nana" ou "Madrinha Nana", que se casaram em 01/11/1932, ele com 40 anos e ela com 30 anos, em Miracema, RJ. Ele filho de José Miguel Coimbra e Maria Porfíria Coimbra e ela filha de José Gomes Bastos e Maria Gomes Bastos. Nesse imóvel também faleceu minha avó- materna Dionísia Coimbra Tostes.´´ 53
  • 54. Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, construída 1937/1938, no alinhamento da praça e cuidada pela devota Helle-Nice Freitas Lima. Foto: 07/2006; autor e cedente: Jader. 7) Reforma da praça – 2008 Situações: 1) primitiva com coreto e sem palmeiras: 2) a 4) em obras; ao fundo casarão do no. 6, tombado e desapropriado, sendo restaurado pela Prefeitura. Fotos: 07/2008; autora e cedente: Rachel Bruno Siqueira (1956) (Vol. - JCMBR). Novo coreto e Monumento às Mães: 1) em construção; 2) inaugurado; 3) ao fundo no. 88. Fotos: 1) 10/12/2008; autor: desconhecido; cedente: Angeline; 2) e 3) 21/12/2008; autor e cedente: Carlos Sérgio. 54
  • 55. Vistas diurna e noturna. Fotos: 21/12/2008; autor e cedente: Carlos Sérgio 7.1) Carlos Sérgio (correio eletrônico: 22/12/2008, Angeline): ´´Descerraram-se as cortinas com a retirada dos tapumes, placas, outdoors, e ela surgiu plena de beleza e graça, reformada, iluminada, cheia de encantamento. Como espectador privilegiado eu a vi em todo seu esplendor. Senti-me como "A ave que volta ao ninho antigo". Até a natureza a respeitou, cessando o furor dos elementos que tanta tristeza, tanta perda, tanto desespero havia causado. Foi um lenitivo, foi um bálsamo. A claridade do sol invadiu a praça, tornando-a luminosa, serena e aconchegante. Cada canto, cada palmo de terreno invoca recordações, trazendo emoção e matando saudades. Miracema amanheceu radiosa e bela com a presença do passado. As folhas dos coqueiros centenários qual bandeiras desfraldadas ao vento e o leve silvar da aragem nas palmeiras de nosso jardim qual vozes daqueles que nos antecederam, entoavam hinos de alegria e paz. Neste chão generoso onde tantos miracemenses ilustres caminharam, seus passos ainda ecoam em nossos ouvidos reforçando nossa disposição e nos encorajando a continuar a lutar e honrar o nome de Miracema. Obra do homem miracemense, cuidadosamente estudada e construída com zelo e arte pelo nosso prefeito Carlos Roberto, um homem simples, mas de inegável valor como cidadão, pai de família e coordenador municipal. Um grande homem. Um obrigado a todos, desde o mais simples trabalhador aos engenheiros e arquitetos construtores. Miracema, a nossa princesinha está cada vez mais linda!" 55
  • 56. 7.2) Ademir Tadeu (correio eletrônico: 30/12/2008, Angeline): "Fiquei muito emocionado e porque não dizer, maravilhado, quando vi a praça remodelada. Sou também um saudosista, adepto do resgate de coisas antigas de nossa cidade, que apesar da velocidade do progresso no mundo em que vivemos, nos dá um prazer especial de cidade do interior, com coreto e banco de "madeira" da praça. No domingo retrasado pela manhã, assim que na praça cheguei, encontrei a Dona Sirene Salim a observar com encantamento a nova praça. Me aproximei dela e disse, a senhora deve estar recordando os bons e velhos tempos ao observar a praça toda reformada, do mesmo estilo de sua juventude. Ela com a voz embargada e os olhos marejando, o que também me emocionou, me respondeu, não tenho palavras para dizer o que estou sentindo. Virei para ela e disse, não precisa falar nada Dona Sirene, a emoção da senhora me dá a noção exata de tão boas lembranças e recordações de bons momentos aqui vividos e presenciados. A praça está LINDA!!!!!!!" 7.3) Prefeitura inaugura... (O Porta-Voz, no. 687, de 23/12/2008): ´´Construída conforme o projeto original de 1931, foi reinaugurada no dia 20 último, a Praça Ary Parreiras, com a presença de autoridades municipais, vereadores, secretários municipais, membros de diversos segmentos da sociedade e a comunidade em geral. O evento foi abrilhantado pela Banda 7 de Setembro em seus 110 anos de existência, consagrada Patrimônio Cultural do Estado do Rio de Janeiro. Esta obra foi financiada com recursos do Ministério do Turismo em parceria com a Prefeitura de Miracema. Foi também inaugurada a nova iluminação arquitetônica da Igreja Matriz e Jardim de Infância Clarinda Damasceno. O prefeito Carlos Roberto em seu pronunciamento, cumprimentou a todos os presentes, declarou que existem pessoas nas mais várias faixas etárias, mas com certeza aqueles que irão dar o grande valor a este empreendimento são os que brincam nesta praça, que tem história consagrada neste coreto e por aqui muitas coisas aconteceram que marcaram suas vidas. Em seguida todos se dirigiram ao Centro Cultural Melchíades Cardoso para a sua reinauguração, que após 1 ano e dois meses de obra, foi entregue à comunidade, onde a partir de agora contará com dependências mais amplas, tendo um espaço multidisciplinar, o depósito do arquivo ampliado, área para exposição permanente do acervo, espaço para exposições temporárias, sala para projeção e espaço para oficinas de artes, artesanato e moda. Durante o evento foi realizada a solenidade de entrega do Prêmio Mérito Cultural Dr. Hermes Simões Ferreira, onde a artista plástica Maria de Jesus Resende Faver (Santinha) (Vol. – STFR) foi a homenageada de 2008 e o lançamento do livro ´´Tipos e Fatos Inesquecíveis´´ de autoria do escritor José Erasmo Tostes. O diretor de Cultura Marcelo Salim, muito elogiado nos diversos discursos proferidos por algumas pessoas presentes, fez sob forte emoção um relato de todo o trabalho desenvolvido durante a sua gestão, oferecendo ao prefeito Carlos Roberto um baú com a relação dos projetos desenvolvidos na área cultural do município.´´ 7.4) A Nossa Praça está de Volta (Tia Ricarda, Liberdade de Expressão, no. 111, 02/2009): ´´O meu pensamento e minha alma permaneceram voltados para o encanto do 56
  • 57. imperdível momento. Vejo a Praça Ary Parreiras ser complementada com o que existia nela no passado. As árvores que haviam sido motivos de indagações, de impaciência daqueles que não sabem esperar pelo término de uma obra, estavam sendo plantadas. Surgiram como fadas verdes. Foi uma surpresa agradável, gostosa, que se transformou em imagem viva de tantas saudades. À noite, a magia das luzes, da brisa, fez com que o cenário voltasse com as lembranças mais coloridas, trazendo o sabor de uma Praça viva que há muito tempo estava adormecida e, como por encanto, conseguiu acordar. Com os seus olhos arregalados vai oferecendo a alegria do verde. Faz questão de cercar a presença do coreto esculpido com os nossos sonhos e as nossas saudades. Veio até nós um rol de recompensas e sensação de liberdade antes presas nas lembranças. Hoje podemos voar nos sonhos que um dia sonhamos e que se encontravam nas relíquias do passado. A nossa Praça está de volta, ressuscitou. Recanto perfeito de tirar o fôlego dos que ainda esperavam em nosso tempo por esse maravilhoso espetáculo. E ele chegou...´´ 7.5) Américo Homem Foi proprietário do afamado prédio Ary Parreiras, 6, cuja história muito pouco sabemos além de tê-lo vendido à família de Bruno de Martino e de ter servido palco a importantes reuniões políticas que culminaram com a emancipação política- administrativa, em que pese ter sido tombado pelo Decreto n. 031/2007 pela Prefeitura Municipal de Miracema, à sua preservação, após demorado período de destruição, sendo de propriedade de Luís Amorim Proença. Curiosamente, sobre Américo Homem, também pouco sabemos. Além disto foi personagem de relevante participação na referida emancipação. Espera-se contribuição a um autêntico histórico a respeito. 57
  • 58. LOGRADOUROS DE MIRACEMA (JBMP)......................Luiz Carlos//MPmemória Atualização: 10/10/2009 Praça Jornalista Bruno de Martino (Praça Redentor) (conhecida como Pracinha) (transversal: Travessa Manoel Luiz dos S antos, altura do no. 20) (Centro Histórico – Tombada) (Centro Redentor) Sem Jornalista. Foto: 12/09/2006; autor e cedente: Jader Leal Alvim (neste Vol. - APRE). Praça triangular formada pela Rua Francisco Dias Tostes (Vol. III – FDTR) e Rua José Honorato Carneiro (Vol. – JHCR), onde se situa o Parque Infantil Laurindo Garcia Pereira, assim denominado pela Lei no. 763, de 06/05/1999. Ao fundo, no. 20, templo do Racionalismo Cristão (Centro Espírita Redentor) (tombado). Foto: 20/08/2006; autor e cedente: Jader. 58
  • 59. A praça se esparrama no centro da Rua Francisco Dias Tostes, tendo como fundo, o Centro E spírita Redentor. É bom divulgar que “Redentor” era o antigo nome desse logradouro. Ao chegar na esquina da Rua Francisco Dias Tostes, desde o primeiro momento, a Praça “Bruno de Martino” é notada porque foi construída num prisma mais elevado. Logo os transeuntes analisam as suas características: é formada pela simplicidade de seu parquinho, pela beleza das antigas árvores, por ser o cartão postal daquele antigo lugar e pela alegria que desperta nos que têm o privilégio de nessa rua habitar. Antigamente não havia o parquinho. Hoje as crianças esparramam sorrisos como sinal de seus agradecimentos e apostam corridas para ocuparem os lugares nos brinquedos de suas preferências e o melhor é que é tudo grátis. Pela manhã, no Inverno, o S ol convida as pessoas para que recebam seus benéficos raios. No Verão, o convite parte das árvores. Elas esperam que todos venham se deliciar debaixo de suas sombras. Uma praça simples, aconchegante, ensolarada. Lá o calor, a alegria, os aplausos, a emoção, a inteligência, as mais lindas poesias, os mais eloqüentes discursos, e as mais belas crônicas fazem parte daquele pitoresco local. Tudo isso embutido no nome de Bruno de Martino que viveu para expressar o belo dentro de suas palavras faladas ou escritas. As árvores ali existentes abrigam, de um jeito afetivo, as suas obras que não só marcaram um tempo, mas continuam vibrantes nas pegadas gloriosas daquele que se fez e continua sendo personagem vivo da história de nosso Miracema. Ricarda Maria Leal Alvim (Tia Ricarda) (1936) (neste Vol. – AP R E). 59
  • 60. Praça Ary Parreiras, 6 (teria sido Praça Dona Erminda, 6) (neste Vol. – APP e DEP), Centro, Miracema. Casa construída em 1926, onde viveu Bruno de Martino, adquirida a Américo Homem (neste Vol. - APP), por sua mãe Brasileira Líbia Lobo de Martino (Sá Dona) (1868/1952) (Vol. – DLR). Com seu falecimento nela permaneceram a sua viúva e alguns filhos... ao final seu bisneto, Everson de Martino Mattos, filho de Iacycema de Martino. Nessa casa ocorreu a primeira reunião separatista de Miracema. Foto: 11/06/2006; autor: Carlos Sérgio Barbuto. Francisco Antônio Bruno de Martino Filho (Bruno de Martino) (1905/1961) 1) Bruno de Martino (de boina), com 19 anos, a bordo do “Almazorra”, a caminho da Itália, à cobertura jornalística do Ano Santo de 1925. Com ele os amigos Aristolino Berger (irmão ou primo da socialista Henry Berger) e um lutador de boxe não identificado; 2) Bruno de Martino. Fotos: datas e autores: desconhecidos; cedente: Marcelino Alvim Tostes (Marcelininho) (?/2009) (Vol. V – MPTT). 60
  • 61. 1) Pioneira Fábrica de Tecidos São Martinho (neste Vol. – FMBMR) e residência onde nasceu. 2) posterior fábrica, Praça Getúlio Vargas, 1, em frente à Estação de Miracema (Vol. II – GVP): tombada e destombada parcialmente. Fotos: datas e autores desconhecidos; cedentes: 1) Centro Cultural Melchiádes Cardoso (neste Vol. – APP); 2) Marcelino. Para se conhecer a vida e a obra de Francisco Antônio Bruno de Martino Filho (Bruno de Martino), torna-se necessário conhecer um pouco sua vida e sua origem. Em 1879, com apenas quinze anos de idade, vindo da Itália, da cidade de S alermo, pertencente à Nápoles, veio para Miracema, seu pai Francisco Antônio Bruno de Martino (1863/1918) (neste Vol. - FBM R). S eu pai, em Miracema, casou-se com Brasileira Líbia Lobo de Martino (Sá Dona) (1868/1952) (Vol. IV – DL R). Dessa união matrimonial nasceram os seguintes filhos (neste Vol. – FBM R): • Orlanda Bruno de Martino; • Maria Itália de Martino Mattos, nome de casada; • Orlando Bruno de Martino (1907/1947); • Maria Hermília Bruno de Martino (1909/1989); • E, finalmente, Francisco Antônio Bruno de Martino Filho, que ficou conhecido pelo nome profissional B RUNO D E MA RTINO. Nasceu no dia 21/11/1905, em Miracema, numa antiga e tradicional casa familiar que havia ao lado da extinta Fábrica de Tecidos S ão Martino, fundada por seu pai. Fatos importantes marcaram o dia 13 de maio de 1906, em Miracema: 61
  • 62. a) casamento de sua meia-irmã Olava Mendes Linhares (1888/?) (Vol. IV – DL R), com Rodolfo Alves Rodrigues (Vol. - RA R R); b) inauguração da Fábrica de Tecidos S ão Martino, fundada por seu pai; c) finalmente, o seu batizado cujo padrinho fora o Ex-Presidente da República do Brasil, o Excelentíssimo S enhor Dr. Nilo Peçanha (Vol. V – N PA), que se fez representar, por procuração outorgada, ao falecido Ex – Deputado Federal Dr. Temístocles de Almeida (Vol. – DT R). B RUNO D E MA RTINO fez seus primeiros estudos no histórico C OL É GIO S Ã O VIC ENT E D E PAULA, da cidade de Petrópolis, cidade então, berço da cultura no E stado do Rio de Janeiro. Exerceu várias atividades como: jornalista, escritor, poeta, orador, fazendeiro e político. Como jornalista, foi DI R ETO R-R E S P O N S ÁV EL de “MIRAC EMA ILU ST RA DA” onde o mesmo se revela um Jornalista, que trata de Jornal – Revista Independente e Moderno, da Literatura, Política e Agricultura. E s se Jornal foi editado na Praça Dona Ermelinda nº 36, número antigo. Ainda existem números de seus jornais datados de 1927, mas, ao que tudo indica o mesmo talvez tenha surgido desde 1924. O Jornalismo em B RUNO D E MA RTINO nasceu quando o mesmo era ainda menino de tenra idade, conta-se que o mesmo datilografava em uma pequena máquina de escrever e distribuía seus assuntos entre os seus companheiros de infância, como se fosse uma Editora de um Diretor de 10 a 11 de idade. Em 06 de novembro de 1924, Bruno de Martino, como Repórter, embarcou para Itália, Suíça, E spanha, Portugal e França, representando o Jornal “A Pátria”, editado no Rio de Janeiro. Nessa Tournée, fez a C O B E RTU RA D O ANO S A NTO, em Roma, em 1925, 62
  • 63. tendo viajado a bordo navio “ALMAZO R RA” (foto inicial desta biografia). Tocado de um verdadeiro sentimento de amor a Miracema, sua terra natal, preferiu abandonar a experiência do Velho Mundo e deixar o Rio de Janeiro, bem como outros centros grandes, para se dedicar à sua cidade. Aqui, chegando, cheio de ideais progressistas, publicou várias obras, entre elas, destacam-se “Brasas” e “Saias de Bronze”. Como poeta, foi amigo de Menot Del Pichia, Olegário Mariano e muitos outros. Uma de suas melhores poesias foi “MIRAC EMA”, constituída de versos alexandrinos (de onze sílabas), obra essa que pode constar da Antologia dos mais famosos poetas do mundo, dado ao elevado grau de cultura da Língua Portuguesa como da língua Tupi-Guarani. Outra poesia brilhante destaca-se “MIRAG EM” dedicada a seus filhos. Isso a apenas trinta dias antes de sua morte. Na Campanha Separatista (neste Vol. – APP) que culminou com a liberdade e separação de Miracema, que figurava como o 2º Distrito de Santo Antonio de Pádua, movimento esse que congregou todo o Povo Miracemense, BRUNO DE MARTINO se destacou sobremaneira, sendo cognominado, pela bravura, pela oratória, ao lado de Melchíades Cardoso (Vol. – DCA), José Negler (Vol. – JNA) e Dirceu Cardoso (Vol. – DCA), um dos “QUATRO DIABOS” DA EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DE MIRACEMA´´. Foi um dos líderes, que se dirigiram ao PALÁCIO D O INGÁ, em Niterói, para pleitear junto e pessoalmente do Governador – Comandante Ary Parreira (1890/1945) (neste Vol. – AP P), a libertação de Miracema de Pádua, isso em 1935, culminando com a vitória em 3 de maio de 1936. B RUNO D E MA RTINO conhecia os idiomas: italiano, francês, português, castelhano e tupy. O poeta miracemense ocupava uma cadeira na ACAD EMIA B ONJUEN S E de Letras, Cadeira essa que hoje em dia tem seu 63
  • 64. nome, para satisfação da cultura miracemense. Sua inteligência e cultura foram admiradas em Nova Friburgo a ponto de ser transcrita sua opinião na Obra de Juvenal Marques, intitulada “RITMO S D O C O RA ÇÃO”, fls.48. Nosso poeta foi correspondente de “A VOZ D O P OV O” de Bom Jesus de Itabapoana, tendo escrito para muitos outros jornais do nosso E stado. É importante que se diga, que foi ele, o primeiro S ecretário de nossa Câmara de Vereadores, logo após a Emancipação Política do Município, tendo tomado parte muito saliente na Revolução de 1930. Bruno de Martino exerceu importantes tarefas em nosso Município, tais, como:  Presidente do AE R O CLUB E D E MIRAC EMA (Vol. II - B C R) quando da ampliação de seu S alão S ocial.  Presidente da Liga Miracemense de E sporte, tendo procurado desenvolver o mesmo em nossa cidade.  Dirigente da S ociedade Musical S ete de S etembro (Vol. II – F P R).  Incentivou e procurou melhorar a antiga S ociedade Operária de Miracema.  Exerceu o mandato de Vereador em nosso Município e candidatou-se a Deputado estadual por Miracema pelo P S P – Partido S ocial Progressista, não chegando a eleger-se, devido ser o Município de poucos eleitores naquela época.  Dedicou-se à agricultura e manteve uma prole constituída de sete filhos, que ainda hoje, lutam uns em Miracema, outros em outras cidades de nosso estado.  Foi um dos organizadores e líderes da antiga UDN - UNIÃO D EM O C RÁTICA NACIONAL - em Miracema, sendo histórica sua participação em várias campanhas políticas de Miracema. Morreu aos 56 anos de idade, quando a vida muito lhe poderia sorrir, vítima de derrame cerebral. 64
  • 65. A CÂMA RA D E V E R EA DO R E S D E MIRA C EMA, por unanimidade, aprovou uma proposição, dando-lhe justa homenagem, quando denominou de JO RNALI STA B RUN O D E MA RTINO, a antiga Praça Redentor, que passou a chamar-se P RA ÇA JO RNALI STA “BRUNO D E MA RTINO”. A viúva, Dona M E R C E D E S B RUNO D E MA RTINO na comemoração do 42º aniversário do nosso Município, desfilou pelas nossas ruas, garbosamente, ocupando o lugar, que em vida o mesmo fez por merecer o cognome de “UM D O S QUAT RO DIABO S” de nossa emancipação, luta essa que contou com o apoio dos nomes já citados e mais com o apoio de ANTÔNIO V ENTU RA LO P E S (Vol. – AV CL R) e do C ÔN E G O TOMÁ S D E AQUINO (neste Vol. – AP P). (autor desconhecido) Em 09/06/1932 requereu ao juiz de Direito da Comarca de Santo Antônio de Pádua, a modificação de seu nome para Bruno de Martino, como se tornara conhecido, o que lhe foi negado em 06/09/1933. Faleceu em 29/11/1961, em sua residência, atual Praça Ary Parreiras, 6. DEPOIMENTOS: 1) Altivo Mendes Linhares (1896/1986) (Vol. IV – DLR) Altivo Linhares – Memória de um líder da velha província, de Maurício Monteiro (Vol – ADMR); transcrições autobiográficas): Referindo-se às eleições de março de 1930. ´´Quando ia a Palma, lembro-me de um incidente provocado pelo meu irmão Bruno de Martino em que ele, referindo-se ao antigo chefe político de Palma, Firmo de Araújo (Vol. II - BCR), teria dito que estava cansado de defender este político do passado em muitos lugares, mas que era um ladrão de cavalos. Um dos assistentes protestou com veemência, dizendo ser isto uma mentira do orador. O parte foi se confirmando pelos ouvintes, a ponto de se criar pânico – tive de intervir.´´ Num comício em Pádua em que falaram também, Amadeu e Bruno de Martino, eu e o Mário Miranda, houve um começo de arruaça: o jornalista Bruno teria dito coisas um pouco desagradáveis a respeito da política de Pádua; com isto, o então procurador da Prefeitura, Otacílio Carrilo, - prefeito de fato de Pádua – teria feito criar um ambiente de fuxico junto ao delegado regional, Ary Lobo, daí resultando o delegado sair pela rua, armado, ameaçando atirar no jornalista; fui nesse caso obrigado a intervir, para ver se punha ordem no barulho; cheguei mesmo a me atracar com o delegado, que estava visivelmente alcoolizado, segurando o seu revolver para não atirar em Bruno.´´ 2) poeta Pádua Filho (O MUNICÍPIO DE PÁDUA, no. 606, 03/12/1961): ´´POETA BRUNO DE MARTINO 65
  • 66. Não faz muito tempo, pelas colunas deste jornal, eu chorei a morte do poeta Octavio Lacerda. Hoje volto, novamente, para lastimar o passamento do meu saudoso amigo Bruno de Martino, poeta, jornalista e escritor, ocorrido em Miracema, na manhã de 29 de novembro último. Bruno não veio à festa de lançamento do meu primeiro livro de poesias, embora me houvesse manifestado todo o seu entusiasmo e assumido o compromisso solene de não figurar na lista dos ausentes. Mas o destino da gente é cheio de surpresas, alegres umas, melancólicas outras... O exemplar de ´´As Margens do Pomba´´ que lhe dediquei, ficará guardado na minha estante em sinal de respeito e de saudade à sua memória. Você não esperou, meu caro poeta, a minha visita a Miracema, sua encantadora cidade, pedaço de sua vida. Creio mesmo que a sua viagem para o mundo dos que dormem, antecipou-se nos seus desejos e nos seus sonhos de cantá-la, por muitos anos, no seu linguajar de poeta, pintando-a com a beleza de suas soberbas imaginações, na magia de seu pincel de verdadeiro artista. Você não era mais aquele... que eu conheci repleto de idéias revolucionárias, mas o Bruno alável, o Bruno católico, o Bruno piedoso, o Bruno reverente à excelsa bondade do Senhor. Vi-o, certa vez, contrito, ante à imagem do nosso glorioso Santo Antônio, aqui no altar da nossa Matriz, implorando a Deus toda a poesia do céu, para colorir a sua alma de cantor. Você, Bruno, não esperou o Natal, para comemorá-lo com os seus filhos e correu para o céu desejoso de assisti-lo com os anjos, obediente à vontade de Deus. Você tombou, inerte, mas não silenciou de todo, porque tudo aquilo que você cantou, ficou gravado no eco de sua voz, vindo dos morros que circundam a sua cidade, como aconteceu a Barroso de Carvalho. Não lhe fui visitar, porque não o sabia doente grave. Não fui também assistir aos seus funerais. Preferi penalizar a sua morte no meu silêncio, rabiscando estas linhas de saudade e respeito à sua memória e pêsames aos seus entes queridos.´´ 3) sobrinho Miguel Ângelo de Martino Alves (1937) (Vol. – FAAR): ´´Bruno de Martino o homem que foi repórter do Jornal "A Pátria" no RJ, que foi um dos quatro DIABOS da Emancipação Política de Miracema, que foi poliglota, pois conhecia até a língua tupi-guarani, que foi diretor do jornal de Miracema, que foi candidato a deputado estadual e lutou contra seu próprio irmão por ideais políticos, que foi o primeiro-secretário da primeira Câmara de Vereadores da história de Miracema, 1936, que era filho do fundador da fábrica Fiação e Tecelagem São Martino e que foi batizado pelo presidente Nilo Peçanha, em 1905, justamente na semana de festa em que se inaugurou a pedra fundamental da fábrica, e que foi tribuno e orador oficial na campanha a Presidência da República do Dr. Adhemar Pereira de Barros _ deixou para a eternidade um poema, em versos alexandrinos, que contém a história de Miracema, povoação oriunda dos índios da tribo dos Coroados: ´´"MIRACEMA" "Na clareira da mata enluarada, / Que argento riacho mais prateia / Surge festiva a tribo coroada, / Estaca, busca lenha, e o lume ateia. A hiverapeme! Joga abandonada, / Arcos, tacapes, flechas, tudo arreia, / Troca os troféus da guerra dominada, / Pelo boré, que as danças encadeia. Em copos de bambu, arde o cauim, / Fervem sensuais os ritos do festim, / Depressa, tudo muda! / Alguém, sacema no banho inaugural do igarapé! 66
  • 67. Foi batizado o chão, diz o pagé, / Que vai chamar por sorte: MIRACEMA!´´´´ (Bruno de Martino) 4) (Francisco Antônio) Bruno de Martino (Filho) (Centro Cultural Melchíades Cardoso, Miracema, 05/2004. Participação: Marcelino Alvim Tostes, ao PÁGINAS LITERÁRIAS. Projeto gráfico e revisão: professoras Maria da Graça Salim Nogueira e Vera Mota Gonçalves. Coordenação: Marcelo Salim de Martino (1966) (Vol. – MBMR), padrinho deste Capítulo): ´´Luiz Antônio Pimentel escreveu (Francisco Antônio) Bruno de Martino (Filho), jornalista, poeta, escritor, romancista, teatrólogo, orador, político e fazendeiro, filho de Francisco Antônio Bruno de Martino e de Brasileira Lídia Lobo de Martino, nasceu em Miracema, Estado do Rio de Janeiro, ao espocar de muitos fogos de artifícios, no dia 21 de novembro de 1906, na Fábrica de Tecidos São Martino, e faleceu na mesma cidade às 10 h 30 min, vítima de derrame cerebral, e nela foi sepultado, em 29/11/1961. Pertencia a uma prole de nove irmãos, pelo lado materno – quatro do primeiro matrimônio e cinco do segundo. Estudou as primeiras letras em sua cidade natal. Freqüentou vários ginásios, aqui e ali, e, como jornalista panfletário dos mais candentes, estudioso dos problemas sociais, tornou-se logo um dos mais combativos articulistas do Norte do Estado, escrevendo para vários jornais. Filho de pai italiano, pescador napolitano, resolveu visitar aquele país por ocasião de I Ano Santo, de 1924 para 1925, embora não fosse católico ou adepto de qualquer outra religião. Aproveitando sua estadia na Europa, percorreu dez países. Voltando a Miracema, prosseguiu em sua luta pela melhoria da região em campanhas pela imprensa. Participou das atividades para a criação do Hospital de Miracema (Vol. VI – JMBR), da Usina de açúcar (Vol. IV – RMR) e da revigoração das bandas de música locais. Em 1931 criou e organizou a Biblioteca Independência – na Sociedade Musical Sete de Setembro. Em 1936, foi eleito vereador para a primeira Câmara instalada no Município de Miracema e depois seu 1º Secretário. Sempre perseguido pela ditadura, em virtude de sua capacidade de liderança, acabou sendo preso durante seis meses na Penitenciária de Niterói, por ter escrito um artigo contra o ditador Getúlio Vargas. Trabalhou em vários jornais do Estado do Rio de Janeiro, inclusive para o “Jornal do Brasil”. Escreveu artigos para “Seleções” e outras revistas. Foi fundador e proprietário e diretor do jornal “A Voz do Povo”, em Miracema. Testemunhando sua combatividade, deixou publicados os seguintes livros: “Brasas” (1926); “Guerra aos Sinos” (1926); “Pedaços de Jornal” (1928); e “Saias de Bronze” (1928). Foi poeta e trovador dos mais queridos e festejados do Norte do Estado. Deixou inédita uma peça de teatro – “Surpresas dela”, e uma novela – “Débora”. Como líder separatista, ficou na história das lutas de Miracema para emancipar-se do Município de Santo Antonio de Pádua, do qual era 2º Distrito. Foi casado com Mercedes Dias de Martino, união que lhe deu sete filhos: cinco mulheres e dois homens – Facíola de Martino Fontes (professora); Leilah de Martino Lopes (professora); Darcy de Martino Bordallo (professora); Iacycema de Martino Mattos (professora); Edmundo Dias de Martino (comerciante); Maurício Dias de Martino (funcionário público), e Leda de Martino (professora).´´ 5) José Erasmo Tostes (1931) (Vol. IV – CDTR) (Tipos e Fatos Inesquecíveis. Liberdade de Expressão): 1º.) no. 81, 07/2006): Falando de Altivo Linhares. ´´Deodato Linhares, seu pai, recebeu a Fazenda Bonita, que fez parte de uma área de 800 alqueires, que começava em Minas Gerais, vindo até o Ribeirão Santo Antônio. Ao falecer, Deodato deixou quatro filhos: Homero, Antônio, Olato e Altivo. Dona Brasileira, ao ficar viúva, casou-se com imigrante italiano Francisco Antônio de Martino, tendo como padrinhos Cel. José Carlos Moreira e 67
  • 68. Geraldo de Matino.´´ 2º.) no. 100, 03/2008: ´´Bruno de Martino – separatista, foi um dos Miracemenses que mais obras publicou na década de 30. São dele os seguintes trabalhos: Brazas, Pedaços de Jornal, Guerra aos Sinos, Saias de Bronze. Jornalista combativo e, às vezes irreverente. Estudioso dotado de um espírito perquiridor e sutil, observa bem os fatos e sabendo dizê-lo em linguagem clara e acessível a todas as compreensões. Tem uma praça com o seu nome.´´ 6) José Renato Martins Mercante (1956) (Vol. IV – RMR) (correio-eletrônico: 03/02/2007): ´´Que grande justiça foi feita com a colocação do nome do saudoso, brilhante e exemplar jornalista e cidadão Bruno de Martino, um dos "Quatro Diabos" líderes do movimento separatista miracemense! Os outros três, todo mundo sabe, mas não custa nada repetir, até para reverenciar a memória deles: Melchíades Cardoso, Dirceu Cardoso e José Naegele. Não podemos esquecer também de outro monstro sagrado miracemense da luta separatista, o inesquecível ex-prefeito capitão Ventura Lopes. Então, complemento: a Praça Jornalista Bruno de Martino é popularmente conhecida como "PRACINHA". Nasci em uma casa da "Pracinha" e ali residi na minha infância. Lembranças maravilhosas! Tempos inesquecíveis aqueles! Cheguei a jogar no TIME DA PRACINHA (esse era o nome do time de futebol daquele logradouro, na minha época). Tive como vizinhos pessoas superespeciais, grandes cidadãos de Miracema! De um lado, meus padinhos de batismo Margarida e Nabor Alvim Braga, mais conhecido como "Cirote", antigo funcionário da Máquina de Arroz do Marcellino Pereira Tostes (Vol. V - MPTT); do outro lado, os padrinhos do meu irmão Larry - dona Carminda e seu Adail, tradicional barbeiro da cidade na época; em frente, do outro lado da Pracinha, também padrinhos nossos, seu Nenzinho Barroso e sua esposa, uma das maiores confeccionistas de bolos e doces da ocasião. Quem se lembra do Manezinho Barroso, acho que irmão do seu Nenzinho? O Manezinho Barroso fazia canecos a partir de latas de produtos alimentícios já usadas e descartadas pelas donas-de-casa na época. Já a dona Carminda e o seu Adail mudaram há muito tempo para Friburgo com toda a família. Tinham vários filhos. Um deles, pouquinho mais velho do que eu, jamais o esqueci: Afonso, um verdadeiro irmão mais velho que tive. Não dá para esquecer... "Ai que saudade me dá"!´´ SUPLEMENTOS: 1) Legislação: 1.1) Lei no. 66, de 03/10/1977: ´´Dá a designação de Francisco Antônio Bruno de Martino Filho a Praça denominada Redentor, localizada em frente ao centro Espírita Redentor´´. Não localizadas as alterações legais às designações de Jornalista Bruno e Martino e tão pouco de Bruno de Martino, esta conforme a foto inicial deste capítulo. 68
  • 69. 1.2) Decreto no. 349, de 02/01/1995: tombamento: Art. 2º.) ´´Centro Espírita Redentor (fachada e laterais – atual Racionalismo Cristão)´´. 1.3) Lei no. 763, de 06/05/1999: ´´Dá nome de Laurindo Garcia Pereira ao Parque Infantil localizado na Praça Bruno de Martino, no Bairro Centro Redentor, nesta cidade.´´ 1.4) Edital do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Vol. – CB): Tomba o traçado, o calçamento em paralelepípedo e o imóvel desta rua: s/no (Centro Espírita). De pé, bigodinho e óculos, parece Vivi Granato. À esquerda do Noca, entre dois, aparece, de perfil, o Dizinho Cacheado. À direita, depois do Noca Mercante, Hermete Pestana, Jobinho e Joninho. Ao lado do Claudinho Aquino, pai do Oswaldo, conhecido por Dibreu, João Batista, 69
  • 70. apelidado de Chapadão, antigo zagueiro do Esportivo, clube de coração do Gerson Alvim, pai do Gilson Coimbra. Seguindo ainda a turma em pé: de bigodinho (moda na época) o José Bretas, antigo gerente do serviço de águas de Miracema, tendo ao lado o Saliba Félix e, mais abaixo, meu pai Heleno Moura (Vol. – ME). Sentados, o primeiro de óculos, Roberto Ranquini Poeys, antigo funcionário do SAPS e depois do Banco do Estado do Rio de Janeiro, seguindo, por Bruno de Martino, o Dr. Nono... Nicanor de Abreu Campanário, até aquele momento, candidato a Governador do Estado do Rio, Roberto da Silveira, pai do ex-prefeito de Niterói Jorge Roberto Silveira (Vol. – GRSR). Ao lado, a ex-vereadora de Miracema, Maria Nolasco Tostes, apelidada de Santa, ladeada por Altivo Mendes Linhares (Vol. IV – DLR), que foi Prefeito de Miracema (1937/1945, 1959/1963) e Senador. Entre este e Jamil Cardoso (Vol. II – JCT), Prefeito de Miracema (1963/1967), os "meninos" Luiz Fernando Miguel, filho do Wady Miguel; o Luxo, filho do barbeiro Jeová, e mais abaixo o Guilherme Pinto Cardoso, filho do Jamil e Dulce, irmão do Alexandre Pinto Cardoso, e que foi casado com Eliane Tostes Cardoso. Ao lado do Jamil Cardoso o Rubens Pereira, tio do Júlio Barros e, finalmente, o Amim. Deixo de comentar alguns, pois, a memória não permite. Foto de cerca de 1958, Bar Pracinha, atual Supermercado Ramos, Rua Marechal Floriano (Rua Direita) (neste Vol. – MFR), Centro, Miracema, sacada após o discurso proferido pelo candidato Roberto Silveira à porta do antigo Cinema 7 (Vol. II – FPR). Foto: data e autor: desconhecidos; cedente: Gilson Coimbra. Legenda: Otto Guilherme dos Santos Moura (1947) (Vol. – ME). 70
  • 71. LOGRADOUROS DE MIRACEMA (DEP).........................Luiz Carlos/MPmemória Atualização: 10/10/2009 Praça Dona Ermelinda (tombada) (Praça do Xafariz) (conhecida como Jardim; coração da Cidade de Miracema; junto ao Ribeirão S anto Antônio; início das ruas: Marechal Floriano e Cel. José Carlos Moreira e da Travessa Jamil Cardoso; contígua: Praça Ary Parreiras e Largo Dona Magaly) (Centro Histórico – Tombada) (Centro) Degrau. Foto: 12/09/2006; autor e cedente: Jader Leal Alvim (Jadinho) (neste Vol. – APRE). Alinhamento: Praça Dona Ermelinda e Rua Marechal Floriano (neste Vol. – MFR), o mesmo da Praça Ary Parreiras (neste Vol. – APP) e da rua João Pessoa (Vol. – JPR), em três momentos bem distintos: 1) e 2) sem calçamento, arborização só na praça, sem muro; 3) com calçamento, pequena árvore na calçada e muro na praça. Fotos: autores desconhecidos; 1) e 2) antes de 1926; cedentes: 1) Marcelino Alvim Tostes (Marcelininho) (?/2009) Vol. V – MPTT); 2) Ana Lúcia Costa; 3) após 1925; cedente: Ana Lúcia. 71
  • 72. Alameda central e as tradicionais palmeiras plantadas em 1922 (tombadas). 1) ao centro chafariz com fonte luminosa; ao fundo Palace Hotel (neste Vol – MFR); 2) abate de palmeiras atacadas por cupim. Fotos: sem data; autor e cedente: Liberdade de Expressão. Antes da reforma de 2008: 1) e 3) vista noturna dupla; 2) e 4) poda das árvores (tombadas), bancos tradicionais (tombados) e Vinícius Lucena Pinheiro Martins (1989) (neste Vol. – ANTE); Depois: 5) a 7). Fotos: 1) a 3) 07/2002; autores e cedentes: Vinícius Lucena; 4) 07/2002; autor e cedente: Luiz Carlos Martins Pinheiro (1930) (neste Vol. – ANTE); 5) e 6) 01/01/2009 e 7) 13/01/2009; autor e cedente: Carlos Sérgio. 72
  • 73. Prego de linha asa de barata. ´´Exatamente neste cruzamento da rua Marechal Floriano com dona Ermelinda encontra-se um prego de dormente da antiga linha de ferro cravado no centro do cruzamento simbolizando o centro da cidade de Miracema. Para efeito de curiosidade ele é muito pouco lembrado pelas pessoas que transitam por lá (está localizado em frente à vídeo locadora) Guilherme Gutterres" (Vol. – AGT). Fotos: 01/02/2009; autor e cedente: André da Mota Alvim. 1) Fonte luminosa (tombada); 2) viveiros (tombados); 3) orquidário em lugar dos viveiros. Fotos: 1) e 2) 20/08/2006; autor e cedente: Jader; 3) 10/01/2009; autor e cedente: Rachel Bruno Siqueira (1956) (Vol. - JCMBR). 1) Natal na praça à noite; 2) Gilberto Barroso de Carvalho (Gilto) (1892/1926) (Vol. II - BCR) (tombado). Fotos: 1) 20/12/2005; autor e cedente: Carlos Sérgio Barbuto (1939) (Vol. – MPTT); 2) 20/08/2006; autor e cedente: Jader. 73
  • 74. Lado par: inicia com o atual no. 4 (1920) (tombado), residência dos Guttierrez (Vol. – AGT), junto ao atual no. 3, da Rua Marechal Floriano. 1) no. ? (Villa Ana) (1921) (tombado) – residiu Antônio Ventura Coimbra Lopes (1892/1975) (Vol. – AVCLR); 2) no. 62 (antigo 33) (1921) (tombado) – residiu José Carlos Moreira (1844/1929) (neste Vol. - CJCMR); adquirida por José Geraldo Nogueira (Vol. – MSR); primitiva arquitetura conservada; Fotos: 20/08/2006; autor e cedente: Jader. 1) no. 74 (1921) (tombado) – residência da Professora Áurea Moreira Bruno (1918) (Vol. – JCMBR) e de sua sobrinha Lia Márcia de Paula Bruno (ambas Vol. – JCMBR); 2) no. 94 - lateral voltada à travessa Jamil Cardoso (Vol. II – JCT); 3) no. 124 (tombado) - CAPS – Centro de Atenção Psico Social (Saúde Mental) Lydiane Moreira de Barros (Lei no. 1.077, de 09/12/2004); a seguir: no. 136 – residência junta ao no. 6 da Praça Ary Parreiras (neste Vol. – APP). Fotos: 12/09/2006; autor e cedente: Jader. Lado impar: no. 15 (tombado) esquina com Rua Marechal Floriano, 6. início: 1) no. 133 (tombado) – Sociedade Operária, fundada em 1926 (utilidade pública); 2) final no. 145 – residência da Família Musical Leal Alvim (neste Vol. - APRE), berço de Logradouros de Miracema. Fotos: 12/09/2006; auto e cedente: Jader. 74
  • 75. Reforma de 2008: inauguração do monumento em homenagem aos separatistas, sugestão de KK de Mello e Joffre Geraldo Salim; executor: Henrique Resende, de Itaocara, RJ: 1) esquerda a direita: irmãs Noey e Nohá Mury Coelho; Vice-Prefeito José Cabreira com a esposa Malfada; primeira-dama Márcia Medeiros; José Antônio Moreira; Prefeito Carlos Roberto; Maurício Duarte Monteiro (Vol. – ADMR); Vereador Armandinho Azevedo; Willer Roque Monteiro; 2) direita à esquerda: June de Souza Carvalho, Regina Titonelli, Tânia de Martino Salim; Joffre Geraldo Salim, Lia Márcia Bruno, Meirinha entre outros. Fotos: 31/12/2008; autor e cedente: Carlos Sérgio. A escolha do nome foi providencial, ´´Praça Dona Ermelinda``, pois a história desta senhora é tão linda como os espaços que recebem a presença verde das palmeiras centenárias; das velhas árvores, que cobrem de saudade tantas vidas; as folhagens rasteiras presenteando com as suas cores àqueles que transitam dentro do seu solo; as flores matizam de alegria a alma dos miracemenses; o parquinho que se oferece como felicidade às nossas crianças; os viveiros que mostram várias espécies de pássaros; fonte que à noite se veste de luz para iluminar os olhares dos que têm o privilégio de por lá passarem; bancos cheios de recordações dos tempos que fabricaram tantas saudades. Ricarda Maria Leal Alvim (Tia Ricarda) (1936) (Vol. I – AP R E). 75
  • 76. Fazenda da Mutuca. Foto: dado e autor: desconhecidos; cedente: Jornal Dois Estados. Ermelinda Rodrigues Pereira (1785/1855) ´´Um dia, mais ou menos no ano de 1846, apareceu, vinda de Minas Gerais, do Distrito de Remédios, no Município de Barbacena, Dona Ermelinda Rodrigues Pereira, seus filhos e alguns escravos. Olharam a terra que ainda não se chamava Miracema, toda sua beleza, suas riquezas e ficaram encantados. Gostaram de ver os verdes campos, os morros, o singelo riacho... Nos olhos deles um ar de donos da terra. Dona Ermelinda passou então, a escolher as terras para construir no local, onde é hoje o Jardim de Infância “Clarinda Damasceno”, uma capela para dedicá-la a S anto Antônio. (neste Vol. – AP P) Era intenção de Dona Ermelinda transformar suas propriedades em bens de uma Paróquia, que pretendia confiar, mais tarde, a um seu filho de nome Manoel, que terminava seus estudos no S eminário de Mariana, em Minas Gerais. Para realizar seu sonho, Dona Ermelinda doou 20 alqueires das terras que possuía para construir a área da Freguesia de Santo Antônio. Mandou também que construíssem uma capelinha. Acontece que um dos esteios da capelinha, seco, brotou. Os poucos habitantes do povoado recém criado atribuiu o fato a um milagre, acrescentando o nome do padroeiro Santo Antônio a designação de “Brotos”, ficando, então, o Povoado com o nome de Santo Antônio dos Brotos. Muito deve Miracema à sua fundadora Dona Ermelinda Rodrigues Pereira, que, além dos fatos citados, instalou ainda, em suas terras, muitas fazendas, entre as quais se destacavam por sua produtividade as de Água Limpa, Recreio, Fortaleza, Duas Barras e Morro Azul. Apesar de Dona Ermelinda querer fazer de seu filho mais novo um padre, tal não aconteceu. É que Manoel apaixonou-se por uma moça que atendia pelo nome de Maria da Glória. O jovem Manoel resolveu 76
  • 77. abandonar os estudos de padre e para livrar da vontade de sua mãe, fugiu de casa levando a moça que tanto amava. Notando a falta do filho, Dona Ermelinda encarregou um escravo de sua confiança, de trazê-lo de volta e de novo falharam os planos de Dona Ermelinda. S eu escravo passou a servir Manoel, a quem ainda por cima, entregou os melhores cavalos da fazenda de sua senhora. S egundo a lenda, só doze anos depois da fuga de seu filho, Dona Ermelinda o perdoou, consentido que ele a visitasse com sua esposa. Possuía, ainda Dona Ermelinda, mais três filhos: Luiza (casada com Antônio Luís de Araújo, pai de Firmo de Araújo (Vol. – B C R)), Luciana (casada com Marcelino Tostes, proliferando desse casamento a tradicional família Tostes) (Vol. – FDT R), e Antônio Mutuca, o frustrado seminarista. Foi assim, com amor, a fundação de uma das belas cidades do Noroeste do E stado do Rio de Janeiro. Dona Ermelinda faleceu em 1885 e o seu túmulo é o terceiro no Cemitério de Miracema. É com muita justiça que a Praça Dona Ermelinda, Cartão Postal de nossa cidade, tenha recebido o nome da fundadora de nosso Município.´´ (autor desconhecido) MPmemória: ‘’Arraial dos Remédios mudou o nome para Angoritaba, sendo desdobrado, em 1950, do Município de Barbacena, voltando à denominação de ‘’Cidade de Senhora dos Remédios’’. ‘’É a única cidade do Brasil que tem o nome de cidade´´. Segundo Ajax do Carmo Lannes (Rei dos Torresmos) (1912/d. 1976). DEPOIMENTOS: 1) Heitor Fortes de Bustamante (1880/d. 1964) (Sertões dos Puris, 04/04/1964); ´´As lendas dizem que Da. Ermelinda, atraída pelo filho Antônio Mutuca, veio para o ribeirão Santo Antônio em 1846 e, nas terras que adquiriu desse filho começou a construção de uma casa para a sede da fazenda que pretendia formar, casa essa logo transformada em igreja, em razão do esteio que brotou. Frei Bento Ângelo de Gênova diz no que deixou escrito na igreja de Pádua que, com licença do Sr. Bispo do Rio de Janeiro, em 1842, CONSTUIU UMA CAPELA NO LUGAR DENOMINADO RIBEIRÃO DE SNATO ANTÕNIO, EM TERRENO DOADO PELA SRA. DONA ERMELINDA. Disto conclui-se que Da. Ermelinda em 1842 já estava no ribeirão de Santo Antônio, mas não construiu a igreja, apenas doou-lhe 25 alqueires das suas terras para formação do seu patrimônio.´´ 77
  • 78. 2) Altivo Mendes Linhares (1896/1983) (Vol. IV – DLR) (Altivo Linhares – Memória de um líder da velha província, de Maurício Duarte Monteiro (Vol. – ADMR); transcrições autobiográficas): 1º.) ´´Passei a dirigir a política de Miracema sem ter nenhuma orientação de político profissional – os meus companheiros eram quase todos – lavradores como eu; quando comecei a ocupar cargos, foi com certa dificuldade que iniciei os primeiros passos e, o primeiro deles, o de posse na Prefeitura de Pádua, em Outubro de 1930.´´ ´´Iniciei obras de vulto, tais como o jardim em frente à Prefeitura de Pádua, a construção da estrada Pádua Miracema, o prosseguimento da estrada de Baltazar até o Posto de Itaocara, a remodelação da Praça D. Ermelinda... Todas estas obras eram executadas a enxada e enxadões, carroças de burro, sob a administração direta do prefeito – dinheiro quase nenhum – apenas a vontade de realizar.´´ ´´Aí começaram as futricas de Miracema: desaterrei um pouco, em frente à casa do Sr. Américo Homem (neste Vol. – APP) e Aristides Amaral; este caso criou um desdobramento político que resultou na saída do juiz de Direito de Pádua e do Secretário de Interior e Justiça, respectivamente Sidiney Azevedo Lima e Edgar Costa. ´´ ´´...existia um grande sobrado que tirava a vista da Igreja e cobria o terreno hoje ocupado pela gruta de Lourdes que fora construído por picardia, justamente porque na época, a comissão de construção da Matriz, teria se desentendido em matéria de escolha do terreno em que a mesma seria edificada; um grupo queria que o local fosse aquele em que está hoje, e que era o local da antiga capela de Miracema; venceu o grupo que optava pelo local onde foi construída a Matriz; então um dos elementos da comissão decidiu construir o sobradão em 1930 e que pertencia ao Sr. Jorge Nacif; ninguém antes teve a coragem de enfrentar o problema de sua demolição, e tão logo inciei a remodelação da Praça D. Ermelinda tive que projetá-la em dois planos, parte alta e parte baixa, e para conseguir este objetivo, tive que rebaixar a parte mais alta, que atingiu, em alguns casos, a dois metros de altura. Os moradores do lado da rua Marechal Floriano não se conformavam com o desaterro, que no caso deles, era muito menor do que do outro lado, o da Matriz, por serem doutores; quanto aos proprietários do lado oposto, Vicente Lovisi, o principal, nenhuma objeção fez, apesar de procurado pelos doutores. O sobrado em questão, construído de madeira e já bastante velho não valia na ocasião mais de três contos de reis; propus pagar pelas benfeitorias idêntica quantia com recursos próprios e, relutava o Sr. Jorge Nacif em aceitar a proposta, mas continuei com a terraplanagem da praça e preparação dos canteiros. Quando ele sentiu que a rua ficaria desalinhada e o rebaixamento atingiria os alicerces de seu sobrado, acabou concordando.´´ 2º.) ´´Falar de Miracema, deveríamos inicialmente, falar de D. Ermelinda Rodrigues Pereira, e para falar de D. Ermelinda, deveríamos ter a vocação de poeta para fazer um poema. Essa grande inspiradora da fundação de Miracema, se vivesse em uma terra em que se cultuasse a tradição, cada cidadão deveria ter o seu nome ou o seu retrato na parede da sala de visitas. Ela foi bem uma predestinada que teve um poder de vivência em relação ao que deveria ser no futuro a benfazeja terra miracemense. Município que se fez por si mesmo sem invejar ninguém mas invejada por muitos. Este município cortado pelo ribeirão Santo Antônio e colado na falda do Pontão de Santo Antônio, teve sua fase de prestígio quando as suas terras foram cobertas de lavouras de café. No seu período – uma fase relativamente curta – dada a existência também pequena da sua principal lavoura. Poucos foram aqueles que souberam aproveitar os recursos oriundos da terra em proveito de sua estrutura urbana. A 78
  • 79. maioria, à medida que enchia os bolsos, partia, aceleradamente no sentido dos grandes centros urbanos onde fazia a inversão dos seus capitais. Mas Miracema venceu.´´ ´´Iniciou D. Ermelinda a sua caminhada gloriosa ao vir fazer a construção de sua residência um pouco além da colina em que está construído o Jardim de Infância, local respeitado por ter sido o mesmo onde foi construída a antiga capela de Santo Antônio dos Brotos, marco inicial de Miracema. A residência de D. Ermelinda ficava quase no extremo do lado direito da rua Marechal Floriano e, um pouco aquém do local em que o Córrego Raso desemboca no ribeirão Santo Antônio. A inspiração maior de D. Ermelinda, foi ter ela construído a capela do padroeiro: Santo Antônio dos Brotos – Depois disso, ter doado o terreno, 25 alqueires, para construção do patrimônio da cidade. Além disso, ter sido a criadora da praça que levou o seu nome, praça essa que se tornou o maior atrativo que pode ter o logradouro público de uma cidade.´´ ´´...a Pça. D. Ermelinda deverá ser considerada monumento histórico´´. 3) José Frederico Magalhães Siqueira (Fred) (1942) (Vol. - DAASR): 1º.) O Alvorecer de Miracema (1842 - 1882) (Página UM, no. 25, 30/07/1997; correio eletrônico: 20/07/2005) (II, Vol. II – FPR): Fazendas em Miracema: 1) Cachoeira; 2) Santa Inez; 3) Pinheiro. Fotos: datas, autores e cedentes: desconhecidos. ´´O declínio da exploração do ouro, no final do século XVIII, provocou o surgimento de massas humanas com pouquíssimas perspectivas econômicas. Por outro lado, como resultado da política colonial de impedir rotas alternativas para o contrabando do ouro, a atual zona da Mata mineira e o Noroeste fluminense foram consideradas Zonas Proibidas, tendo o seu povoamento e exploração fortemente reprimido pelo governo colonial. Nessas condições, nada mais natural do que levantar as barreiras burocráticas e permitir que ali, tão próximos, na borda da região aurífera, fossem ocupados os milhares de quilômetros de matas virgens. Então, os mineiros desceram aos magotes! Do chão áspero e imantado do Sabaruçu, Queluz, Catas Altas, Santa Bárbara para a mata jurássica das grandes árvores, dos rios caudalosos e dos índios (uns se deixando facilmente dominar, outros lutando ferozmente). Como resultado, em menos de cinco décadas, onde existiam esparsas choças indígenas brotaram centenas de núcleos populacionais. A doação de terras públicas por autoridades provinciais, apesar de abolida após a independência, era prática comum. Entretanto, a terra pertenceria a quem conseguisse, efetivamente, ocupá-la. Os Rodrigues Pereira tinham certa influência no Queluz e em Barbacena e podem ter obtido cartas de doação de terras no vale do rio 79
  • 80. Pomba. Para dar início à exploração e ocupação foi designado Antônio Rodrigues Pereira (conhecido por Antônio Mutuca) que, ajudado por índios puris, construiu o núcleo do que seria a futura fazenda Floresta, dando condições para que D. Ermelinda e demais familiares se fixassem no vale do ribeirão Santo Antônio. Em 1842, D. Ermelinda, com auxílio do padre Bento de Gênova constrói a capela e doa 25 alqueires para o patrimônio do santo. Esta construção é considerada o marco inicial de Miracema. Nesse ano e nos seguintes chegam ao ribeirão de Santo Antônio os homens que vão povoar e expandir a localidade. Manuel Felisberto Pereira da Silva (fazenda da Cachoeira) (foto 1), Joaquim de Araújo Padilha (Recreio e Floresta) (Vol. – PPR), Anacleto Reveziano de Siqueira Alvim (São Pedro), Joaquim José Bastos (Tirol), Marcelino Dias Tostes (Água Limpa) (Vol. III – FDTR), Deodato e Reginaldo Mendes Linhares (Cachoeira Bonita) (Vol. – DLR), Lucas Mendes Linhares (Pinheiro) (foto 3), Gabriel Alves Rodrigues (São Luis), Antonio de Araújo Barbosa (Fortaleza), Plácido Antônio de Barros (Paraíso), Custódio Bernardino de Barros (São Luis) e Francisco Bernardino de Barros (Santa Inês) (foto 2). Por volta de 1855-58 esses homens já haviam implantado e consolidado suas fazendas, sendo o café a fonte de renda principal. As fazendas possuíam lavouras de subsistência, criações de porcos, galinhas, gado, engenhos de moer cana, moinhos de fubá. Os excedentes eram comercializados na distante São Fidélis... Mas, além da atividade agrícola, devia-se construir o poder político, pois a população, tendo como centro a capela, crescia e novos imigrantes não paravam de chegar. Manuel Felisberto tornou-se o principal líder não só do Ribeirão de Santo Antônio como de toda a freguesia de Pádua a qual o Ribeirão pertencia. Quando da fundação do município de São Fidélis, em 05 de março de 1855, foi o vereador representante da região. Vamos encontrá-lo em 1863 como subdelegado de polícia (na Cachoeira ficava o tronco e a roda de bacalhau...), foi ainda juiz de paz e provedor de ordens religiosas. Tenente-coronel da guarda nacional, monarquista, escravista, conservador, exerceu o mando político praticamente sem oposição até o seu falecimento em 1872. Outro líder importante, desse período inicial de Miracema, foi Joaquim de Araújo Padilha (genro de Manuel Felisberto) organizador da companhia de transporte ferroviário que levou o primeiro trem a Miracema (Vol. II –GVP), transformando-a na povoação mais populosa, mais desenvolvida e mais rica da freguesia. Foi elevada a categoria de distrito de paz em 1882. Nesse momento, novos lideres exerciam o poder político: Francisco Procópio Alvim e Silva (filho de Manuel Felisberto) (Vol. II – FPR), José Carlos Moreira (neste Vol. – CJCMR), Ferreira da Luz (Vol. III – MMR), Firmo de Araújo (Vol. II – BCR). Entretanto, o ardor da campanha republicana e da libertação dos escravos, quebrou a estrutura política hegemônica, colocando esses líderes em campos opostos. 2º.) Os filhos de D. Ermelina (Blog do zéfred, 01/01/2008): ´´Dos temas controversos sobre a fundação de Miracema o da descendência de D. Ermelinda é um dos mais intrigantes. As versões mais comuns dão conta que D. Ermelinda foi mãe de quatro filhos: Antônio, Luciana, Luísa e Manoel. O advogado/historiador Maurício Monteiro, em depoimento para o LM I, mencionou nove filhos: Antônio, Maria Herculana, Manoel, Luiza, Luciana, Ana, Francisco e Arthur, todos Rodrigues ou Rodrigues Pereira. Alguns e-mails circulados pelo Grupo, principalmente pela Angeline e pelo Rui Barreto, tendiam a confirmar tal menção. O genealogista Douglas Fazolatto me passou um resumo de sua pesquisa sobre a família Rodrigues Pereira. Estão listados nove filhos: Maria Herculana Rodrigues 80
  • 81. Pereira, Manoel Pereira Rodrigues, Anna Senhorinha, Francisco José Pereira do Vale, Antônio Rodrigues Pereira, Lucianna Rodrigues Pereira, Luiza Rodrigues Pereira, José Pereira do Vale e Anna. Maria Herculana teria vivido no distrito do Divino Espírito Santo, atual Guarará, MG. Manoel, Antônio, Lucianna e Luísa foram os que vieram para Miracema, ao que parece, em diferentes épocas. Francisco José e José assumiram o sobrenome Pereira do Vale e tornaram-se fazendeiros em Muriaé. Anna Senhorinha e Anna sem nenhuma referência. Dos irmãos miracemenses, Manoel é considerado como aquele que deveria ser padre, tendo estudado em Mariana e renunciando ao sacerdócio para se casar com a Maria da Glória. No livro do Bustamante, no capítulo que trata das declarações dos fazendeiros em face da Lei das Terras, Manoel é citado como fazendeiro e como ex- proprietário de fazendas, apesar de não haver declaração do próprio Manoel. Vejamos algumas dessas declarações: "Gabriel Alves Rodrigues, declarou que possui na freguesia de Santo Antônio de Pádua uma fazenda denominada S. Luis, situada no Ribeirão de Santo Antonio dos Brotos, a qual foi do reverendo Anacleto Alves Lopes e de Manoel Pereira Rodrigues, e divide pelo lado de baixo com Joaquim de Araújo Padilha, ... , e pelas cabeceiras com Manoel Pereira Rodrigues. Em 24 de novembro de 1855." "Deodato Mendes Linhares e Reginaldo Mendes Linhares, declararam que possuem na freguesia de Santo Antônio de Pádua, uma fazenda denominada - Cachoeira Bonita, - no Ribeirão de Santo Antônio dos Brotos, a qual foi de Manoel Pereira Rodrigues com as seguintes divisões: pelo lado de baixo com... Em 30 de março de 1856." "Lucas Mendes Linhares, declarou que possui na freguesia de Santo Antônio de Pádua uma fazenda denominada - Pinheiro - sita na Ribeirão Santo Antônio dos Brotos, a qual foi de Manoel Pereira Rodrigues, cujas divisões são as seguintes: pelo lado de baixo divisa com Gabriel Alves Rodrigues,... Em 30 de março de 1856." Tendo em vista essas declarações percebe-se que Manoel, não D. Ermelinda, foi dono de enorme extensão de terras que incluíam as fazendas São Luis, Cachoeira Bonita, Pinheiro, além da própria não declarada. Teria sido Manoel o filho desbravador?´´ 3º.) Os filhos de D. Ermelina (Blog do zéfred, 14/01/2008): ´´O outro filho de D. Ermelinda que veio para Miracema é Antônio Rodrigues “Mutuca”. Pela tradição miracemense Antônio Mutuca é o desbravador, o fundador da fazenda Floresta, o filho que estabeleceu as condições para que D. Ermelinda também viesse. A figura de Antônio Mutuca é bem controvertida, na maioria dos relatos aparece como indivíduo de péssimo caráter, aventureiro, ao pernoitar na casa do amigo, deu sumiço em 4 contos de réis! Papai contava que as crianças morriam de medo quando se mencionava, nas conversas caseiras, o nome do Mutuca. Era o bicho-papão das crianças. Na declaração de terras de Joaquim de Araújo Padilha, afirma possuir em 1857 a fazenda Floresta, não há menção de Antônio Mutuca como o anterior proprietário. Já a declaração de Gabriel Alves Rodrigues indica que sua fazenda São Luís fazia divisa, pelo lado esquerdo, com Antônio Rodrigues Mutuca. Este, por sua vez, não fez declaração de terras. No Almanaque Laemmert dos anos de 1855, 1856, 1857, 1858, 1859, na secção da província do Rio de Janeiro e nos dados sobre a freguesia de Santo Antônio de Pádua aparece o Alferes Antônio Rodrigues Mutuca como fazendeiro de café. No mesmo almanaque, ano de 1870, encontramos a relação dos membros da Guarda Nacional que formavam a 6ª Companhia pertencente ao 15º Batalhão de Infantaria do 81
  • 82. Cammando Superior de São Fidélis. Nela, conforme assinalamos, consta o nome do, agora, Tenente Antônio Rodrigues Mutuca. Podemos ver que o Antônio Rodrigues Mutuca alcançou uma certa posição social, distanciando-se da imagem tradicional depreciativa.´´ 3º.) Os filhos de D. Ermelina (Blog do zéfred, 09/03/2008): ´ ´ Das filhas de D. Ermelinda, Luciana e Luzia foram as que vieram para Miracema. Luciana nasceu em 1818, possivelmente, em Senhora dos Remédios e faleceu em Miracema em 1878. Foi casada com Marcelino Dias Tostes (1809 – 1864) deste casamento nasceram os filhos: Antônio, José, João, Francisco, Marcelino, Isabel, Luciana, Ana, Rita. Moravam na fazenda Água Limpa, comprada ao Cap. Bento Pereira Rodrigues, conforme declaração de Marcelino perante o pároco de Pádua em 1855. Luzia, também nascida em Senhora dos Remédios, foi casada com Antônio de Araújo Barbosa. Do casamento nasceu o filho único Firmo de Araújo em 1847 na fazenda da Mutuca. Por troca com o Barão de Itaverava adquiriram a fazenda Fortaleza situada no Ribeirão de Santo Antônio dos Brotos, conforme declaração de Antônio em 1855. Do blog história de cisneiros, palma e itapiruçu, extraímos o seguinte: “Em 24 de fevereiro de 1864, Firmo de Araújo esteve no cartório do Capivara, representando seu pai Antonio Araújo Barboza e vendeu a Lourenço Mendes da Silva uma parte de terras que lhes coube por herança da morte de sua finada mãe e sogra Donha Hermelinda Rodrigues da Conceição, próxima à povoação de Santo Antonio dos Brotos, por 500 mil réis à vista. Tanto comprador como vendedor declararam serem moradores de Pádua. E sendo o documento firmado no Capivara, confirma que toda a área onde hoje fica Miracema pertencia a Palma. Do relato podemos inferir que Luzia Rodrigues Pereira falecera antes de fevereiro de 1864.´´ 4) Maurício (Liberdade de Expressão, no. 59, 05/2004). ´´´´Miracema de sempre``... é o título sugerido por Joffre Geraldo Salim (Vol. III – MMR) para o livro que pretendemos editar em parceria com Avelino Ferreira que já tem um título de cidadania miracemense e, sobretudo pelo seu gosto pela História. Assim é que fizemos uma viagem a Barbacena e depois à N. S. dos Remédios, então distrito do grande município mineiro que naquele dia estava completando 215 anos de emancipação política, segundo noticiário que ouvi na rádio local. Vale dizer que o município foi fundado quando no final do século XVIII, possivelmente desmembrado de Ouro Preto que era a capital do Estado. São dados oficiosos apenas. O então distrito de N. S. dos Remédios, onde fica situada a fazenda da Mutuca, que foi arrematada em 1801 em hasta pública por José Vidal de Barbosa Lage, que pertencia a Luís Alves de Freitas Belo, avô paterno do Duque de Caxias, foi comprada em 1819 pelo Francisco Leite Ribeiro, que possuía o primeiro plantel de escravos no distrito, cerca de setenta e um. Era a monocultura do café. Nos idos de 1840, o Capitão Francisco Leite Ribeiro vendeu o imóvel rural para Manoel Antônio de Araújo. A primeira dúvida que encontrei foi esta: se D. Emerlinda se casou em 1806, aos 21 anos, com o Capitão Manoel Pereira passou a residir na fazenda Mutuca ou ela era casada com o cunhado e residia na imensa sede (que em 1922 foi reformada e diminuída) com a morte de seu marido em 1839 pode ter havido uma série de desavenças familiares, isto porque, dois anos após, o filho primogênito Antônio Rodrigues ´´Mutuca´´ veio para Miracema e posseou uma área no Conde, onde denominou Floresta, que é uma das fazendas antigas da Mutuca, a região que sediava a Sesmaria. 82
  • 83. A segunda, é que ela era proprietária rural e devia ter recursos, pois um dos filhos, o Manoel, cursou o Seminário de Mariana, a pequena cidade vizinha de Ouro Preto e uma de suas irmãs casou-se com um ex-seminarista. (Maria Herculana e Jacinto da Silva). A terceira é que ela veio quatro anos após, em 1846, não com toda a família, pois Luiza estaria grávida de Firmo de Araújo Pereira, nascido em 1847 e não resistiria uma viagem de mais de três meses numa tropa de Remédios a Miracema, sim, porque a estrada de ferro no Brasil foi inaugurada uma década depois, do Rio à Raiz da Serra, terra de Garrincha, por iniciativa de Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá. A máquina recebeu o nome de baronesa, segundo a memória do medíocre aluno da Profa. Áurea Bruno. Ela teria chegado em 1846 pelas trilhas dos índios Puris (Vol. III – PURI) e de ter demorado mais de três meses. A quarta é que ela teve nove filhos, a saber: Antômio Rodrigues ´´Mutuca´´, Maria Herculana, Manoel Rodrigues Pereira, Luiza (casada com o Cap. Antônio de Araújo Barbosa), Luciana (casa com o Cap. Marcelino Dias Tostes), Ana Rodrigues Pereira, Francisco R. Pereira e Arthur Rodrigues. Isto só será por nós confirmado depois de uma consulta a um Cartório de Campos onde processou o inventário. Resta saber se não foi incendiado ou microfilmado. Quanto à capela construída logo após a sua chegada, onde hoje se encontra edificado o Jardim de Infância, paria dúvidas devido a um registro na Igreja de Pádua que, em 1842, Frei Bento Ângelo de Gênova tirou licença para levantar uma capela no lugar denominado Ribeirão de Santo Antônio cujo terreno foi doado pela Senhora Ermelinda e depois de pronta, em 1843, foi benta pelo citado frei com autorização do Bispo do Rio de Janeiro, com isto, ficando filiada à Freguezia de Pádua. Estas informações encontram-se no livro ´´Os Sertões dos Puris´´, de Heitor Bustamante, o que lança dúvidas sobre as datas das diásporas da família Rodrigues Pereira para Miracema, uma vez que, em virtude de um decreto provincial datado de 1854, de no. 1818, artigo 91, foram intimados os possuidores de sítios e fazendas a fazerem os seus registros de glebas de terra perante os Vigários Joaquim Pereira de Carvalho e Torquato Antônio Leite. Isto em 1854, um ano antes do falecimento de Sa. Ermelinda, que falecera em 1855, aos setenta anos de idade, somente os filhos e genros compareceram à Igreja para fazer o respectivo registro de terras. Como se vê, existe muita coisa para ser pesquisada, aprofundada, para que se aproxime da realidade, o que é uma coisa difícil, devido à distância do tempo decorrido e a falta de registros que nos leve a um porto seguro. A tradição oral é muito falha e não queremos fazer fantasias a respeito da família que ocupou um espaço nos meados do século XVIII e que até hoje é completamente desconhecida pela maioria da população, que desconhece a saga de seus fundadores a não ser por estórias mal contadas. O capítulo dos índios já está concluído. Tivemos que nos valer de estudos da FUNAI e outros escritos para dar uma idéia de suas vidas. O mesmo ocorrendo com a escravidão que tinha na fazenda Cachoeira Bonita e sua última senzala de pé. E também o registro histórico deste tempo tem pouquíssimos subsídios, a não ser a sede de algumas fazendas que ainda estão de pé, construídas pelos braços dos escravos. Publicado o livro, que esperamos ainda para este ano, será mostrado um roteiro para que os professores e alunos que queira conhecer o município de Remédios – que se compara a Paraíso do Tobias um pouco maior – e a fazenda da Mutuca que fica a 50km de Barbacena. Sair com os alunos pela manhã e voltar à noite numa viagem que, mesmo sendo de ônibus não leva mais de quatro horas até à sede do município ou da fazenda. É uma boa motivação para que aprendamos a história de nosso município.´´ 83
  • 84. MPmemória: a primeira ferrovia do Brasil é a Estrada de Ferro de Petrópolis, da Companhia Imperial de Navegação e E. F. de Petrópolis, propriedade de Erineo Evangelista de Souza, inaugurada por D. Pedro II, em 30/04/1854, quando lhe concedeu o título de Barão e conseqüentemente a primeira locomotiva, ainda existente, recebeu a denominação de Baronesa, em homenagem à sua esposa. Ligou Guia de Pacobaiba, orla da Baía de Guanabara, à Raiz da Serra da Estrela, Município da Estrela, atual Magé. Encontra-se em total abandono. 5) José Erasmo Tostes (1931) (Vol. IV – CDTR) (Liberdade de Expressão, no. 62, 08/09/2004): ``Um Passeio em Volta da Praça Levanto cedo e vou dar um passeio em volta da praça Dona Ermelinda. Praça essa que foi reformada em 1931 e mais tarde sofreu outra reforma em 1966 pelo Prefeito Altivo Linhares. Vem a minha memória o meu tempo de criança onde eu e meus colegas jogávamos bola de gude e futebol no rinque. Corríamos a noite brincando de pique. E nesse retorno ao passado começo andando pela Agência Ford, do Waldemar Torres (Vol. – WCTR), tendo à frente de sua agência, Romero Braga, Cleber Padilha, Juca Torres e o Jacy, mecânico. Mais à frente, a residência e farmácia do Azarias (Vol. – AGT) e depois a casa da Aída Perlingeiro, uma mulher alta, sempre de sandálias, distraída como sempre. Logo após, a casa do Antenor Rego, saindo com sua bicicleta velha para atender pessoas necessitadas que precisavam de remédio ou tomar injeção. Mais ao lado, Dona Afife, com sua casa de rendas e aviamentos. A coletoria do Edgar Moreira (neste Vol. – CJCNR), sempre falando sobre política e Miracema. Demerval Moreira (neste Vol. – CJCMR), com seu consultório dentário que mais tarde seria do filho Luiz Paulo, juntamente com o consultório médico do Dr. Saulo. Heitor Bruno, fazendeiro, saindo com seu caminhãozinho Ford 29, apelidado de caixa de fósforo. Geremias Freitas, também fazendeiro, tendo como vizinho Sr. Dolores, chefe do Departamento Nacional do Café. Sua casa foi demolida para dar lugar à criação de uma rua que vai na direção do correio (seria Vol. II – JCT). Ali havia uma pinguela onde Joffre Salim pescava lambari. Mais à frente, o casarão onde morou o médico Aristides do Amaral, depois o professor Manoel Soutinho da Cruz. Ao lado, Dona Paulina Sodré. Em frente à sua residência havia um pé de sapoti, onde a molecada fazia a festa. Depois o solar da Dona Brasileira (Vol. IV – DLR), que mais tarde seria de seu filho Bruno de Martino (neste Vol. – JBMP), o separatista e poeta miracemense. Volto e começo a andar, outra vez em direção à esquina da Casa Cacheado, de tecidos. Mais à frente, o sobrado do Ventura Lopes, denominado Vila Ana. Na parte de baixo moravam diversas famílias. Mais à frente, a professora Wanda Perbelis, com parede e meia com o funcionário do DNC Adelino Souza, que todas as manhas praticava com seus filhos, ginástica pelo rádio, dirigida pelo professor Oswaldo Diniz Magalhães. Um pouco à frente, Álvaro Gonlçalves, que fabricava urnas artesanalmente. Na esquina, Oscar Barroso. Do outro lado da rua a cadeia pública, com o carcereiro Zé Ranheta e o soldado Atleta. Ao lado uma casa assombrada, onde morava a família Magacho, depois ocupada pela família do Sr. Said Mansur, tendo como vizinho João Cláudio. E, ao lado, Zinho Saco Frio, motorista. Em seguida a Casa do Operário. Dona Ruth Passos e o italiano Paulante. Mais à frente, a padaria do Zé do Povo, pai do Dudute e da Florinda. A última casa da praça foi a do Pedro Soares, onde havia uma oficina de motores elétricos e mais tarde, após a venda, foi ocupada, nos fundos, pela Fábrica de Malas Leader, que tinha como proprietários: Ely Coimbra, 84
  • 85. Amim Amim e Newton Gouvêa. Atualmente tem como moradores Magaly Siqueira (Vol. – DML) e ao lado a residência do Sr. Joel Alvim e família (neste Vol. – APRE). Nos fundos a família de Manoel Reynaldo. Hoje, olho para a praça novamente. Vejo que pouca coisa mudou. As árvores são as mesmas. Mesmas são as palmeiras Imperiais. Diminuíram os pés de jambo. Fizeram uma fonte luminosa e um viveiro. Calçaram os passeios... Trocaram os bancos de madeira por cimento. Colocaram grade no Jardim de Infância e tiraram a cobertura do rinque. Os moradores são outros. Subo as escadarias em direção à minha residência levando nos ombros uma mala cheira de recordações. Numa das mãos, um pote de saudade, na outra um baú de esperanças. Recordações do tempo de mocidade. Saudades dos moradores antigos da praça que já se foram. Esperança de uma Miracema cada vez mais progressista.´´ 6) Marcelo Salim de Martino (1966) (Vol. II – MBMR) padrinho deste Capítulo: ´´Não podemos deixar de registrar a grande participação do Dr. Raul Moreira do Nascimento (Vol. – MNR). Foi dele o projeto da Praça D. Ermelinda. As mudas das palmeiras foram trazidas por ele de algum lugar. Trouxe os coquinhos, fez uns cestinhos de palha, semeou e depois de pegas, fez o plantio definitivo. Infelizmente, foi dele tb a idéia de demolir a Capela de D. Ermelinda p/abrir a praça, que era uma área pantanosa e selvagem. A Praça era conhecida como Praça do Chafariz, porque existia onde, atualmente é a rua que fica em frente à casa do Ventura Lopes. Como inexistia o calçamento, a praça ia até a calçada das residências. Ali existia um chafariz que abastecia toda a parte central da cidade.´´ 7) Avelino Ferreira: 1º.) Miracema: de Ermelinda à emancipação - Fazenda da Mutuca (foto página), onde residiu Dona Ermelinda. O que é verdade e o que é lenda? (Jornal Dois Estados, 15/05/2006): ´´Miracema começou a existir, de acordo com os relatos existentes, embora não haja documentos a respeito (pelo menos não para os autores deste trabalho), na década de 40 do século XIX, quando Antônio Rodrigues Pereira veio para a região e constituiu, no vale entre as matas, uma propriedade com cerca de 2 mil alqueires. Ele era o filho mais velho da mineira Ermelinda Rodrigues Conceição Pereira e o Capitão Manoel José Pereira (ex juiz de Paz), que moravam em sua propriedade no Arraial dos Remédios, na Fazenda Mutuca em Barbacena (MG), era uma das quatro maiores sesmarias e banhado por um riacho denominado Mutuca. Antônio, o filho mais velho ficou conhecido como Antônio Mutuca; tendo este recebido um dote que sua mãe de 200 réis, migrou para Miracema, por volta de 1842, relacionou-se com os puris e iniciou a colonização. Depois, trouxe sua mãe, que já era uma senhora viúva, os quatro irmãos (Luiza, Luciana, Manoel e Anna (Suplemento 4)), escravos e muitas cabeças de gado. Há muitas versões para a chegada de Ermelinda e seus familiares em Miracema. A versão mais popular é a de que Ermelinda adquiriu as terras e veio, trazendo a família, em 1846. No entanto, é difícil supor que uma senhora de posses, viúva, tenha tido, ela mesma, a iniciativa de se mudar, com a família, para uma terra desconhecida, sem nenhuma povoação que não a dos índios, sem estradas, enfim, sem nada que motivasse uma pessoa de posses, estabelecida numa fazenda, com 85
  • 86. toda segurança, a mudar-se definitivamente. Daí, parece mais verossímel a versão de que seu filho é que a trouxe, após ter estruturado a base para que a família não ficasse privada do atendimento às suas necessidades. Sob a orientação da matriarca, a família ajudou a fundar um povoado, com a chegada de outros aventureiros que iam se estabelecendo nas redondezas. É aceitável que tenha doado 25 alqueires de terra para que se erigisse uma igreja.´´ ´´Para reforçar mais ainda a tese de que a história sobre a origem de Miracema é fantasiada, reproduzimos aqui um trecho do livro Sertão dos Puris (Bustamante: 500): “Em 1842 o vigário de Santo Antônio de Pádua tirou licença para levantar uma canela no lugar denominado Ribeirão de Santo Antônio, cujo terreno foi doado pela Sra. Ermelinda, e depois de pronta, em 1843, Frei Bento a benzeu, com licença do Bispo do Rio de Janeiro e ficou ela filiada a esta freguezia”.´´ ´´Então, o que se depreende é que, em 1842, Ermelinda doou as terras para que se erguesse uma igreja (ou capela) e não que ela tenha construído. Segundo: se ela doou as terras em 1842, sua chegada a Miracema, necessariamente, é anterior e, portanto, as versões existentes, de que seu filho chegou em 1842 e ela veio depois, não são verdadeiras. Assim como a versão que Ermelinda chegou em Miracema em 1846.´´ ´´No caso específico de Miracema, se forem analisados minuciosamente os documentos encontrados pelos que escreveram sobre o passado, como Bustamante e Rogério Piccinini entre outros, veremos que por ocasião da chegada da família de Dona Ermelinda (1842), ou seja, antes que ela, que residiu na Fazenda Floresta (onde hoje é o centro da cidade, segundo Bustamente) constituísse ou ajudasse a constituir o povoado, as terras do lugar estavam ocupadas ou sendo ocupadas por outras famílias. Como exemplo, Plácido Antônio de Barros, que teria recebido em sesmarias suas terras (hoje, Paraíso do Tobias) em 1832. E mais: quando se fala em aquisição, o que em suma, quer dizer que foi comprada ou trocada por bens móveis e/ou imóveis, temos que atentar para o fato de que toda essa região pertencia a irmandades religiosas, que recebiam as terras da Coroa Portuguesa justamente para catequizar e aldear os índios. Quando as irmandades perderam apoio, justamente porque os índios já não eram ameaça, só restaram aos próceres da Igreja doar as terras. E, como era comum à época, vastas extensões foram cedidas. Daí não ser possível afirmar, sem documento comprobatório, que Dona Ermelinda (ou seu filho Antônio) tenha adquirido 2 mil alqueires de terra. É certo, também, que muita gente que recebeu a terra em doação, venderam-na depois.´´ ´´a localidade denominada Santo Antônio passou a se chamar Santo Antônio dos Brotos e com esta denominação foi elevada à condição de distrito de São Fidélis, quando aquela freguesia se desmembrou de Campos, em 1850, passando à condição de vila em 19 de abril daquele ano, pela lei nº 503. E, em 03 de dezembro de 1870, tornou-se município, emancipado de Campos. E é justamente nesses pouco mais de 100 anos, entre 1832 e 1940, que Miracema passou a fazer parte da história contemporânea.´´ ´´Observando os registros de terras, constata-se a grande quantidade de propriedades já existentes em 1855/57. Sem muito esforço, pode-se imaginar que, pelas dificuldades existentes, até porque a região contava, ainda, com imensas matas nativas, não era fácil constituir uma fazenda, com casas, roças, currais, etc. Assim é difícil supor que todas elas tenham sido instaladas a partir de 1846 quando supostamente Dona Ermelinda veio morar na sua. É razoável que se pense que essas fazendas foram se instalando aos poucos. Assim, para que todas elas existissem e estivessem regularizadas em 1855, incluindo as que pertenciam, então, aos herdeiros de Dona Ermelinda (como consta nos documentos) seriam necessárias algumas décadas.´´ ´´Foi... em 1846, que uma das filhas de Dona Ermelinda, Luiza, casou-se com o capitão 86
  • 87. Antônio de Araújo Barbosa e foi para Barbacena (MG). Mais tarde, em 1854, Antônio adquire a fazenda Fortaleza, em Santo Antônio dos Brotos, e o casal muda-se para a nova residência.´´ 2º.) Firmo – Figura Lendária (O Assassinato do Coronel Firmo de Araújo, Maurício Monteiro, 2006, Rio de Janeiro, RJ): ´´Com suas diversas fazendas, num total aproximado de 2 mil alqueires de terra, Dona Ermelinda Rodrigues Pereira desenvolveu o local e, de um dos seus filhos, a bela moça Luiza, nasceu um menino que faria história, uma das mais ricas histórias da região, a ponte de se ter transformado numa lenda: trata-se de Firmo de Araújo Pereira, filho de Luiza Pereira com Antônio de Araújo Barbosa. Antônio e Luiza casaram-se e foram para Barbacena, onde possuíam terras. Em 1847, o destino quis que um neto e filho de mineiros nascesse em Minas Gerais. E foi em Barbacena, em 1847, que nasceu Firmo.´´ (Vol. II – BCR) 7) Joffre (1920): ´´Miracema nasceu de um gesto religioso da grande e progressista latifundiária D. Ermelinda Rodrigues Pereira, primitiva proprietária do território do nosso atual município. Cumprindo uma promessa para que o seu filho de nome Manoel, cursando o seminário de Mariana, ao ordenar-se sacerdote, viesse a dirigir a paróquia a ser a ser instalada em sua propriedade, D. Ermelinda doou 25 alqueires de terra dos 2 mil que possuía, destinado-os para a área da futura freguesia de Santo Antônio, mandando erigir em 1846 a primeira capela da localidade. A lenda conta que um dos esteios da capela brotou, fato que levou o povo a denominar o pequeno templo e lugarejo de Santo Antônio dos Brotos.´´ 8) Luiz Carlos Martins Pinheiro (1930) (neste Vol. - ANTE): ´´Desde o início dos estudos a esta obra, ficou evidente ser esta praça a célula-mãe da Cidade de Miracema. Daí se procurar em consolidar o máximo de informações sobre a sua história. O que foi possível reunir, dentro dos recursos que se dispôs para isto, está neste Capítulo, complementado por outros, especialmente o da Praça Ary Parreiras (neste Vol. - APP). Fica evidente uma certa obscuridade até os idos de 1930, exceto quanto à criação de Miracema e à movimentação da emancipação municipal; um verdadeiro queijo suíço. De saída buscamos conhecer a topografia da área, quando na posse da Nação Puri (Vol. III – PURI). Nada além de indícios foi conseguido. Deixa-nos a impressão que a encosta do morro atrás da Matriz chegasse até as barrancas do Ribeirão Santo Antônio, através do que é a Ary Parreiras e na Dona Erminda, propriamente, houvesse um charco. É voz corrente que a capela dedicada por Dona Ermelinda a Santo Antônio, situou-se onde está hoje o Jardim de Infância, mas foto antiga parece isto não confirmar. Era tradicional que tais edificações, ficassem em local de destaque, acima de inundações, o que não seria o caso desta localização. Não se conseguiu saber para onde estaria voltada sua fachada principal e nem quando foi destruída. Foi substituída por outra, 87
  • 88. que teria havido no local da atual Matriz, sem dúvida muito mais apropriado. Contestado por alguns, afirma-se ter havido um cemitério junto à capela primitiva. Isto foi muito comum, aos sepultamentos católicos. Tais campos santos pertenciam à Igreja. Mas onde foi situado e o que lhe aconteceu? Também não se encontrou rastro do mesmo. Outra questão: a razão das duas praças contíguas e dos desníveis entre elas. Pelo que diz Altivo Mendes Linhares (1896/1983), fica-nos a impressão de que, em suas obras de ´´remodelação da Praça Dona Ermelinda´´, seria tudo a mesma praça e que o desnível foi a solução para viabilizar a adequação do relevo natural à urbanização da área, com o menor movimento de solo. Fala-nos de cortes que chegaram a 2 m de altura e que a movimentação de solo se fazia em carroças com burros treinados. O atual endereço Praça Ary Parreiras, 6, teria sido Praça Dona Ermelinda, 6. Em 1896 esta denominação foi adotada, em substituição à de Praça do Xafariz e o Largo da Igreja passou a Largo da Matriz, antecessor da Praça Ary Parreiras (neste Vol. - APP). Sabe-se que na praça existira um chafariz, onde se pegava água ao consumo no entorno, mas não onde era capitada e como era transportada. Não foi possível saber muitas outras coisas, como, por exemplo, que artista se incumbiu do monumento às Mães. Com respeito à biografia de Dona Ermelinda pouco também se conseguiu acrescentar, mormente quanto à sua genealogia. Nada se conseguiu quanto às outras controvérsias levantadas e registradas neste capítulo. Certamente que muitas destas respostas devem poder ser encontradas nos arquivos das prefeituras e câmaras de Santo Antônio de Pádua e/ou de Miracema, bem como, secretarias de paróquias, em cartórios e até com particulares, mas são de muito difícil acesso. Todavia, precisam ser procuradas. Impressionante a falta de sintonia entre os dois governos municipais a respeito.´´ 9) Angeline Coimbra Tostes de Martino Alves (1972) (Vol. – FAAR): 1º.) ´´Tivemos informações pelo Diego, que o bisavô de Ermelinda Rodrigues da Conceição casada com Manoel José Pereira, Barbacena, MG - BISAVÔ Manoel Pacheco Pimenta, teria no Arquivo de Barbacena, carta de sesmaria de 1762. "Sobre os parentes dela, tem uma carta de sesmaria para o bisavô materno dela, Manoel Pacheco Pimenta, de 1762, para a região da Ressaca, no Arquivo de Barbacena. " 2º.) correio eletrônico: 20/08/2009: "Dona Ermelinda da Conceição Rodrigues Pereira, nasceu em 15/8/1785, em MG e faleceu em Miracema, no dia 14/9/1855, conforme Informações de seu jazigo no Cemitério Municipal de Miracema. Filha de Manoel Rodrigues Valle Ribeiro e Maria Ritta da Conceição. Essas informações constam do Projeto Compartilhar, Bartyra Sette. Sobre seus pais consta: “Manoel Ribeiro Valle (também Manoel Rodrigues Valle Ribeiro) aos 31/01/1784 casou com Maria Rita da Conceição, Prados, MG. Casada com o Capitão Manoel José Pereira em 28/07/1802, filho do Alferes Bento José Pereira e Theresa Umbelina de Jesus. O casamento ocorreu em Ressaca, Freguesia de Prados, MG. Tiveram 9 filhos, segundo informações divulgadas por Rui Barreto, mas só temos informação dos seguintes: Lucianna, Luíza, Antônio (Mutuca) e Manoel. Luísa Ermelinda de Araújo casada com Antônio Araújo Barbosa. Tiveram: Firmo de Araújo Pereira nascido em 1847 na Fazenda da Mutuca; batizado em 23 de junho, sendo padrinhos o Major Manoel Gomes de Oliveira, pelo Capelão Joaquim dos Reis Menezes, na Capella de Nossa Sen[ho]ra dos Remédios, MG.´´ 88
  • 89. 10) Bartyra Sette e Regina Moraes Junqueira (Projeto Compartilhar) (correio eletrônico: 21/09/2007): ´´Não temos documentalmente a ascendência dos pais do Manoel José Pereira. Os pais de Ermelinda: Manoel Rodrigues Valle Ribeiro, filho de João Rodrigues Valle e Izabel Ribeiro (casados em Barbacena aos 22-02-1751). Como Manoel Ribeiro Valle casado em Prados, Ressaca, aos 31-01-1784 com Maria Ritta da Conceição, filha de João Pacheco Pimenta e de... Ritta Maria de Jesus. http://geocities. yahoo.com. br/projetocompar tilhar´´ ´´Manoel José Pereira, filho de Bento José Pereira e Teresa Umbelina de Jesus; casado aos 28-07-1802 com Ermelinda Rodrigues da Conceição, filha de Manoel Rodrigues Valle Ribeiro e Maria Ritta da Conceição. Naturais desta freguesia de Prados. Não temos documentalmente a ascendência dos pais de Ermelinda.´´ ´´Manoel casou com o nome de: Manoel Ribeiro Valle no casamento das filhas é nomeado como: Manoel Rodrigues Valle Ribeiro´´. 11) Paulo Cezar Ribeiro Luz (Gen-Minas) (correio eletrônico: 12/11/2008): No dicionário Histórico e Geográfico de Minas Gerais, do Waldemar de Almeida Barbosa encontrei o seguinte: Ao procurar por Borda do Campo, veio a informação que deveria buscar Correira de Almeida. Vou transcrever o que encontrei ali. "Borda do Campo era o nome da Fazenda onde se estabeleceu, em 1703, o Cel. Domingos Rodrigues da Fonseca Leme, que foi quem concluiu o caminho novo do Rio de Janeiro. Regressando à Capitania de São Paulo, transferiu a fazenda, que passou por várias mãos. Na época da Inconfidência Mineira era propriedade de José Aires Gomes, um dos inconfidentes. Borda do Campo foi o núcleo inicial do povoamento, na região de Barbacena. Segundo o Cônego Trindade, mais remotamente se chamou de Borda do Campolide. A freguesia em Borda do campo foi criado por ato do bispo do Rio de Janeiro, de 19 de agosto de 1726 (D. Frei Antonio de Guadalupe). A igreja do Registro Velho servia de matriz. Em 1738, já possuía companhia de ordenanças. Em meados de século XVIII, foi construída a igreja nova, que deu origem a Barbacena, Na Borda do campo foi construída a igreja do Rosário, em 1770, segundo provisão de 5 de setembro..." A Fazenda da Borda do campo existe até hoje. Trata-se de uma linda construção. Está totalmente preservada. Fica ao sul de Barbacena, no caminho que vai para Antonio Carlos, Bias Fortes e outros. Se tiver interesse em conhecer irá se surpreender.´´ 12) Carlos Roberto... (O Porta-Voz, no. 668, de 08/01/2008): ´´Concluindo seu mandato à frente do Executivo Miracemense no período 2005/2008, o prefeito Carlos Roberto de Freitas Medeiros entregou à comunidade algumas importantes obras:´´ ´´Em seguida foi reinaugurada a Praça Dona Ermelinda, que passou por uma ampla reforma, com um novo piso, confeccionado com a ´´Pedra Miracema´´, a substituição do viveiro de pássaro por um orquidário, a Fonte Luminosa voltando a funcionar, a 89
  • 90. instalação de um monumento em homenagem aos separatistas, que foi confeccionado pelo escultor itaocarense Henrique Resende. Várias autoridades e convidados presentes usaram a palavra durante o evento, destacando a importância da obra da Praça Dona Ermelinda, um dos cartões postais da cidade, que sempre é referência, sendo muito visitada por ocasião de datas festivas no município.´´ 13) Marcelino Tostes Padilha Neto (blog O Vagalume, 08/10/2009): ´´Seria bom se um dia eu pudesse contar aos meus filhos toda a estória que as palmeiras da Pça D. Ermelinda contaram a mim e a gerações passadas. Interessante é que a gente começa ouvindo-as ainda pequenos, balançando no parque, fazendo zigue-zagues em velocípedes ou simplesmente repousando recostados nas pequenas mesinhas do "Clarinda Damasceno". Naquela época sonhávamos alto, sonhávamos verde, sonhávamos vento. Lembro-me das vezes em que a D. Titina nos perseguia das fugas da sala de aula e, no meio do jardim, brincávamos de pique-esconde nos troncos destas árvores. Depois, já nos vendo maiores, testemunharam grandes conversas de amigos, de namoros, a descoberta do sexo, a do primeiro cigarro, a de pequenas greves que deixavam D. Oraide de cabeça quente no "Deodato Linhares". E todas as tramas que eu e o Arthur programávamos para a Escola eram decididas ali. E sempre elas estavam ali. Silenciosamente cúmplices; suas copas embalavam sonhos, traçando no céu azul dos dias ou estrelado das noites, perspectivas de vida. Eram apóstolos posicionados em torno da ceia que saciava de sede e fome nossos anos dourados. Vendo-as assim, perfiladas em procissão, chego a pensar que estão conscientes da comunhão perfeita com a história de nossa terra; mesmo fixas, percorreram longos caminhos livres, altaneiras. altivas, servindo de cartão postal a governos libertários e idealistas, autoritários e empreendedores, corruptos e nepotistas. Receberam sóis escaldantes e brisas refrescantes, noites de lua cheia e tempestades de granizo. Respiraram profundamente o néctar das Rainhas da Noite. Palmeiras, seus troncos corroídos pelo tempo, pelas pragas, pelos açoites, mostram muitos de nossos sonhos também corroídos, espreguejados, açoitados. Vossa beleza e decadência convivendo de forma tão harmoniosamente poética, servem-nos de lição de vida para a estória que um dia contaremos às próximas gerações.´´ SUPLEMENTOS: 1) Legislação: 1.1) Câmara Municipal de Santo Antônio de Pádua – Sessão de 07/01/1896 (Heitor Fortes de Bustamante (1880/d. 1964) (Sertões dos Puris, 04/04/1964)): ´´Nesse dia, presentes em sessão os vereadores João Luís de Araújo, Paulino de Araújo Padilha, José Bernardo Cândido de Figueiredo, Joaquim José de Macedo, José Perlingeiro, João Claudino Pinto, Martiniano de Holanda Cavalcante, Lídio José Pereira, João da Silva Viegas e Teófilo Gomes do Amaral, elegeram para êste ano, presidente e vice-presidente, o 1º e o 2º dos presentes. Nesta sessão ainda, por proposta do vereador Martiniano de Holanda Cavalcante, as ruas e praças de Miracema passaram a ter a seguinte denominação: onde era rua da Estação até o hotel Carmo, chamar-se-á, rua Firmo Pereira. Rua Direita até a Praça - Rua Floriano Peixoto. A praça do Xafariz - Praça Dª Ermelinda. Rua do Padre 90
  • 91. Domingos - Rua Dr. Monteiro. Rua dos Padeiros - Rua dos Bastos. Rua Chico Barbeiro - Rua Josino de Barros. Rua das Flôres - Rua José Carlos. Rua da Laje - Rua dos Padilhas. Rua do Aurélio - Rua dos Padeiros. Rua da Capivara - Rua dos Tostes. Rua do Café - Rua dos Gabriéis. Rua Olímpio Padilha - Rua tenente Coronel Manoel Felisberto. Largo da Igreja - Largo da Matriz." Tudo indica que a Praça Dona Ermelinda, na sua configuração, tenha englobado, pelo menos, a parte fronteira à Igreja Matriz, da atual Praça Ary Parreiras. 1.2) Lei no. 147, de 20/08/1947: ´´Dá a denominação de Dona Ermelinda a uma via pública da cidade.´´ Não conseguimos apurar o que decorreu desta lei, pois, já havia a Praça Dona Ermelinda, desde 1896. 1.3) Deliberação no. 9, de 01/08/1967: ´´Passam a constituir patrimônio Histórico do Município, os túmulos onde se acham os restos mortais dos veneráveis miracemenses Gilberto Barroso de Carvalho e Dona Ermelinda Rodrigues Pereira localizados no cemitério local.´´ 1.4) Deliberação no. 10. de 01/10/1967: ´´Fica considera da utilidade pública a Sociedade Operária de Miracema, entidade sediada nesta cidade de Miracema, a Praça Dona Ermelinda no. 133.´´ 1.5) Decreto no. 349, de 02/01/1995 (tombamento) (neste Vol. - TMM): Art. 1º.) ´´números 17 (fachada do 2º. pavimento), 74 (total, inclusive varanda lateral e no. 82), 124 (total inclusive lateral da travessa Jamil Cardoso), 136 (total, inclusive, varanda lateral e o no 82), 62 (total, inclusive varanda lateral) e 39 (total)´´. Art. 2º.) ´´Praça D. Ermelinda (traçado dos passeios, busto do poeta Gilberto de Carvalho, parque infantil, casa de jardinagem, mureta balaustrada, viveiros de pássaros, bancos de cimento com nomes de casas comerciais, bancos de madeira com pés de ferro, o repuxo da fonte luminosa, árvores e palmeiras – que só poderão ser substituídas por outras da mesma espécie, caso sejam consideradas ameaçadoras para a comunidade)´´. ´´Calçamento e árvores (oitis) das ruas:.. Praça D. Ermelinda... e Sociedade Operária de Miracema (fachada).´´ 1.6) Decreto no. 037, de 14/06/2007 (tombamento) (neste Vol. - TMM): ´´Art, 1º. – Ficam tombadas, as fachadas dos pavimentos térreos dos imóveis situados nos números 26, 184 e 281 da Rua Marechal Floriano e o de número 17 da Praça Dona Ermelinda. Cabendo ressaltar que estes imóveis já possuem as fachadas dos segundos pavimentos tombados, por meio do Decreto no. 349/95.´´ 1.7) Edital do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Vol. – CB): Tomba o traçado, o calçamento em paralelepípedo e os imóveis: no. 04 e 10, no. 15 (Rua Marechal Floriano, no. 06), no. 17, no. 39, no. 40, no. 54, no. 62, no. 74, no. 117/123, 91
  • 92. no. 124, no. 133, no. 136, no. 161. 2) Terra de D. Ermelinda (Marcelino Alvim Tostes (?/2009) (Vol. – MPTT), Página Um, no. 0, 03/05/1995, Baú do Marcelino, 12/11/2008): ´´Como acontece à grande parte dos municípios brasileiros, falar sobre a história de Miracema, desde sua criação, é mergulhar num mundo mágico de fragmentos, espalhados em cada canto do município ou guardados saudosamente na memória de admiráveis homens que contribuíram de alguma forma para a construção dessa história. Os registros encontrados estão nas mãos de alguns particulares, descendentes dos heróis dos primeiros tempos, no acervo cultural reunido na Centro Cultural Melchíades Cardoso (Vil. I – APP), sob a responsabilidade do criterioso Marcelo Salim de Martino, ou reunidos no livro auto biográfico de Altivo Linhares, transcrito por Maurício Monteiro ou na fantástica memória de Joffre Geraldo Salim. Após uma pesquisa elaborada, a sensação é a de estar se montando um intrincado quebra-cabeça onde as peças apresentam sensível dificuldade em se encaixar. Quando se chega ao momento da luta emancipacionista o quebra-cabeça se divide, pois os nomes se sobrepõem, num arrojado jogo de poder, onde os interesses, presos as castas familiares, ameaçam subjugar o poder cívico. Mas que grandes homens e arrojados eram aqueles! Homens como Antonio Ventura Coimbra Lopes - o general da luta separatista - José Carlos Moreira, José Giudice (Vol. JGP), Barroso de Carvalho, Américo Homem, Teófilo Junqueira (vol. – DMJR), Virgílio Damasceno (Vol. – VDR), Artur Monteiro Ribeiro da Silva, Oscar Barroso Soares, Edgar Moreira, Armando Monteiro Ribeiro da Silva (Vol. - CARR), Flávio Condé, Chicrala Salim, Melchíades Cardoso (Vol. – MCA), Dirceu Cardoso (Vol. – MCA), Bruno de Martino... (neste Vol. – JBMP) e até mesmo Altivo Linhares, que foi contra a emancipação até ser convencido pela maioria, mas que trouxe, no entanto, muitos benefícios ao município por aqueles tempos e que, até hoje, servem a comunidade. Tudo começou por volta de 1846, com o encantamento de Dona Ermelinda Rodrigues Pereira por estas terras, que eram virgens, cobertas de árvores centenárias e entrecortadas por riachos cristalinos. Aqui ela fundou uma pequena colônia onde construiu a capela, que seria a herança de seu filho Manoel, seminarista em Mariana, mas que não resistiu aos encantos da paixão e casou-se com seu primeiro amor, fugindo clandestinamente do matriarcado e da Igreja. Segundo a lenda, a pequena capela parecia desejar muito mais que um padre e o destino do filho de Dona Ermelinda veio de encontro à esse desejo. Um de seus esteios, feito de madeira seca, não resistindo a luxúria daquela terra, brotou, semeando entre os que habitavam à sua volta o sentido do milagre da vida. Daí a origem do nome Miracema, sugerido por Dr. Francisco Antunes Ferreira da Luz, dos termos indígenas Tupi-Guarani ybira (pau, madeira) e cema (brotar), trocando-se apenas yb por M, ficando assim Miracema - pau que brota, gente que nasce. Assim como brotou, o vilarejo cresceu e se multiplicou, dando origem a um povoado, sendo sua população acrescida pelos imigrantes italianos, libaneses, espanhóis e os bandeirantes mineiros, que formaram o que compõe hoje a maior parte das famílias miracemenses. A economia, exclusivamente agro pastoril e a política liderada por uns poucos nomes esclarecidos, em conformidade com o homem do campo, constituíam o que pode-se hoje classificar como um capitalismo imperialista, posto que, mesmo devido às grandes distâncias dos centros urbanos desenvolvidos, existia um intenso intercâmbio cultural e político com a então capital do país, o Rio de Janeiro. 92
  • 93. Miracema, com suas terras virgens e férteis, ao contrário do que vemos hoje, era uma mãe de seios fartos para com seus novos filhos. A produção crescia a olhos vistos, o que permitiu que os produtos da terra fossem comercializados em outros centros urbanos. Devido às dificuldades encontradas para escoar o excedente, em 1883 foi inaugurada a estrada de ferro (Vol. II _ GVP), que trouxe consigo não só esta facilidade como também inúmeros outros benefícios. E haja festa para comemorar tal conquista! Homens de fraques e cartolas, mulheres empoadas em vestidos de gala, banda de música, grandes oradores, poetas e poesias. A locomotiva foi recebida com as pompas das mais altas damas! Também não era para menos. Para se ter uma idéia, foi graças ao serviço e a pontualidade dessa dama que Miracema chegou a ter uma lavanderia automática, que prestava serviços à grandes hotéis da capital. Um fato marcante que desperta especial interesse foi a forma como surgiu a campanha separatista. Em meio aquela vida bucólica existiam também grandes cabeças pensantes, que enxergavam muito além daquele universo limitado, tal como acontece nos dias atuais. Em 1906, foi um jovem, de apenas 16 anos - Melchíades Cardoso - que lançou a semente da separação, quando, inconformado com os mandos e desmandos daqueles que geriam a terra, fundou um jornal denominado O Grupo, com o objetivo de esclarecer a população para que esta tivesse condição de se posicionar. Foi através desse jornal que o desejo de emancipação deixou de ser apenas uma quimera. Já em 1918, após 12 anos do lançamento da campanha para a criação do município, Miracema viveu um grande período de desenvolvimento agrícola (com destaque para a produção de café, que era o boom da economia na época) e de uma intensa atividade comercial e industrial. Apesar disso, pouco da renda tributária do distrito era usada em seu benefício. A maior parte era utilizada na sede do município, em Pádua, ou gerida pelos Coronéis - grandes senhores da terra que dominavam a região pela lei do mais forte. Estes, educavam seus filhos nas capitais para serem futuros senhores, ou futuros advogados ou médicos de família, ou então qualquer outra habilitação que proporcionasse um status independente. Aos pobres e sem terra (hoje correspondendo os descamisados) restavam a obediência e subserviência, além do analfabetismo e a mais completa ignorância política. Só em 1917 foi inaugurado o primeiro grupo escolar no distrito, o Dr. Ferreira da Luz, construído por iniciativa particular e doações espontâneas do povo. A vontade cívica de alguns intelectuais da época, aliada às rixas dos clãs familiares que detinham o poder político e econômico e a obstinação daqueles que acreditavam que somente através da liberdade se alcançaria a prosperidade almejada, fez ressurgir o movimento separatista por volta de 1918. A luta efetiva pela emancipação miracemense durou longos 18 anos, durante os quais teve altos e baixos e onde se confirmaram suas lideranças, até o desfecho final com a instalação do município em 3 de maio de 1936.´´ 3) Minha Praça (Ricarda Maria Leal Alvim (1936) (neste Vol. - APRE): ´´Olho o verde na Praça tingindo a cidade / com as esperanças guardadas nas velhas palmeiras. / Delas germinam no meu universo a saudade, / Que passeia na penumbra de suas fileiras. / Vejo nas sombras o que passou - só lembrança... / Juventude, que sem querer deixei pra trás, / Folhinha – verde escondendo uma feliz criança, / E dentro da brincadeira um grito de paz. / As árvores são as mesmas e o que de mim ficou? / Elas são fiéis cercaduras, anjos da Praça, / O sonho que prendi em suas asas voou, / 93
  • 94. Deixando a saudade em minha velha carcaça. / Debruço o meu coração na minha volta, / Minhas doces acácias, meus, tão meus jambeiros, / Pertinho dos meus sonhos, minha inspiração solta, / Minha Praça, meu amor antigo, verdadeiro!´´ Trova: ´´Acácia. Minha acácia só dançando, Enfeita a minha janela. Com suas flores vou sonhando E durmo no cacho dela.´´ Trova: ´´Praça A Praça. é meu cofre antigo, Onde guardo o meu tesouro, Saudades que ainda abrigo, Valem mais que o próprio ouro.´´ 4) Bancos da Praça (tombados) (frutos do debate pelo Grupo de Miracemenses e Amigos de Miracema, sobre a preservação do patrimônio e artístico de Miracema, em 2006/2007): 4.1 Gilson Coimbra (correio eletrônico: 23/06/2006): ´´Sim... realmente somos jovens e o modo de vida de nossos habitantes realmente não coaduna com o que queremos. Não sou conservador (muito pelo contrário), nem faço parte da TFP (ainda existe?) mas acho o respeito à história muito importante. Acho que o antigo e o moderno podem conviver com harmonia. Exigir do povo brasileiro/miracemense este reconhecimento realmente é difícil. Mas aí eu vou concordar com o Doc Zé Souto. Tem que haver responsabilidade do governante. Mesmo que ele não concorde com preservação ("ficar perdendo tempo com essas velharias"), a cidade/país não é dele e sim de toda a comunidade: se alguns pensaram em preservar e, principalmente, se isto estiver de acordo com a lei, o dever dele é cuidar daquilo com responsabilidade. Não deixar que se estrague. Existem casos difíceis, como preservação de prédios inteiros, que acarretam recursos vultuosos para um município pequeno como Miracema: eu entendo. Mas em outros casos não. Este caso do banco, por exemplo, foi feito o mais difícil e deixado de fora o mais fácil e o mais importante (o nome do doador). No meu entender, posso estar errado, a "restauração" deveu-se mais a necessidade de um lugar pra se sentar... só isso. Como educar o povo deste jeito ? O nome "Camisaria Gerson" é a história.... Mas eu concordo, em parte, sim... um com um povo que destrói orelhões... placas de sinalização... pisa na grama... toma banho na fonte luminosa, realmente é difícil lidar. Mas alguém tem que dar o exemplo. Mas vida que segue... sem problemas maiores... como vc disse: "serve como alerta..." P.S.: Não sei qdo foi tombado... qdo ocorreu o "acidente"... quem restaurou... pra mim não vem ao caso. Só me importa o fato em si.´´ 4.2) Gleyser Coimbra (correio eletrônico: 24/06/2006): ´´Vou me permitir participar. Ia com meu pai de mãos dadas, caminho para escola, pelas manhãs frias da 94
  • 95. "Miracema de minha época". Ali, pelo jardim. E ele ia comentando o que víamos pela frente. Ele parava na loja, comprava balinhas no "Mocambo" pra mim (lembram?) e eu ia para o Ferreira da Luz. Sei que ele fazia o mesmo caminho na volta. Agora não mais com balinhas. Mas com uma "rosca doce recheada com goiabada" que comprava no Leco. E quando esse pão chegava em minha casa era uma alegria em minha vida. Ai! Os pães do Leco... Dá uma saudade!!!!!! Nunca mais comi uma delícia como aquela... Diferente de meus irmãos, meu pai se foi muito cedo de minha vida. E essas lembranças me são raras! O tal "banco da praça" era um orgulho pra mim! E foi uma decepção ver que um fato banal o fez sumir da cidade onde nasci, de um lugar onde tenho irmãs, amigos, lembranças... Ah, e meu "umbigo enterrado" como dizia minha mãe. Também fiquei pasma qdo procurei a placa com nome de papai no "rinque" e não encontrei. Na época que o então Prefeito Salim Bou-Issa arrumou aquela praça de esportes e colocou o nome de papai, o fez por uma amizade sincera. Depois que a praça de esportes virou "praça da bagunça", confesso que ficava incomodada com seu nome ali. Mas acho que sua retirada poderia ser comunicada à família (assim como o "problema" com o banco...) apenas por uma gentileza. Onde está a placa? E o banco? E a tal gentileza de quem os retirou? (ou mandou que os retirasse...) É! Não dá pra exigir que alguém goste ou sinta saudades daquilo que gostamos e sentimos. Mas dá pra esperar que alguém seja pelo menos gentil com gente que teve "atitude" numa época boa de Miracema. Acho que Miracema precisa disso: de alguém que ainda more lá, ou que vá para lá, goste muuuiiiito da cidade, arregace as mangas e faça! Feliz de meu irmão, Gilson, que conseguiu tirar uma foto "no banco da Camisaria" com suas filhas. Eu não pude fazer o mesmo com meu filho... 5) Anna filha de Manoel José e Ermelinda (certidão de batismo cedida por Maurício): ´Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Mariana Certidão de Batismo Arcebispado de Mariana O Diretor do Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Mariana, (AEAM) in fine assinado, aqui certifica que no livro de Batismo de Barbacena, período 1829 – 1882, no Arquivo da Cúria (Prateleiras E – 2, na página 19 verso) pode-se ler o registro do teor seguinte, ´´Anna – Remédios: Á sete de Fevro (Fevereiro) de 1929, na Capella dos Remdédios, o Rdo (Reverendo) Franco (Francisco) Antonio Ferra (Ferreira) Armindo batizou solmte (Solenemente) = Anna = inte (innocente) fa (filha) Lgma (Legitima) de Mel (Manoel) José Pera (Pereira) de D. Ermelinda Rodrigues da Conceição p.p. (padrinhos) Franco de Paula Coelho, e D. Anna Senhorinha Roz (Rodrigues) O vigro Joaquim Camillo de Brito´´ Nada mais continha o dito registro que fielmente copiei do original a que me reporto. Mariana, 23 de setembro de 2004 95
  • 96. Ita in fide Presvyteri Mons. Flávio Carneiro Rodrigues Diretor do Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Mariana´´. Não informa sobre local e data de nascimento, bem como sobre o sobrenome. 6) Curiosidades (Informativo CCMC, no, 4, 04/2008):  ´´Você sabia que na Praça Dona Ermelinda, mais precisamemte onde esta edificado o J. I Clarinda Damasceno, foi o local escolhido por Dona Ermelinda para edificar uma capela?  Que foi a partir da construção dessa Capela, demolida em 1914, que surgiu o povoado de Santo Antônio dos Brotos (atual Miracema)?  Que esta área era pantanosa?  Que o Cel. José Carlos Moreira, importante chefe político residente à Praça D. Ermelinda atual no… 62 matou um cervo no local onde está a fonte luminosa?  Que o nome inicial da Praça era ´´Parque Dr. Raul Veiga, em homenagem ao Presidente do Estado do Rio de Janeiro (1918-1922), por ter resolvido a célebre ´´Questão de Limites´´, com o Estado de Minas Gerais?  Que resta da primeira intervenção praça seguindo o estilo romântico, a construção conhecida como ´´casinha´´, em forma de tronco de árvore?  Que possuía nesta Praça um banco de cimento que era denominado de ´´geladeira´´, por que era muito frio?  Que possuía, onde hoje é o parque infantil um coreto de ferro fundido?  Que o busto de Getúlio Vargas localizado, atualmente, na praça que tem o seu nome estava, inicialmente, na entrada da Praça D. Ermelinda?  Que a fonte luminosa foi inaugurada na última gestão de Altivo Linhares (1959/1962, como prefeito de Miracema?  Que as palmeiras imperiais foram plantadas pelo Dr. Raul Moreira Nascimento, em 1917, ocasião em que o então distrito de Miracema recebeu a visita do Dr. Nilo Peçanha em Campanha à Presidência da República?  Que as festas de Santo Antônio eram realizadas na Praça Dona Ermelinda com barracas típicas, ornamentadas de acordo com a nacionalidade libanesas, italiana, portuguesa, etc?  Que por ocasião dessas festas, o Rink era transformado em área para bailes, inclusive com a montagem tablado de madeira?  Que no meio da rua, em frente a residência do Sr. Ventura Lopes existia um chafariz onde a população se abastecia até a década de 20 de água potável?´´ 96
  • 97. 7) Reforma, Revitalização e Iluminação Arquitetônica 1) Placa Ministério do Turismo e Prefeitura Municipal de Miracema; 2) tapumes; 3) a 6) demolição da Liga Desportiva; 7) fonte; 8) parque infantil. Fotos: 1) 07/2008; autor: desconhecido; cedente: Blog Logradouros de Miracema; 2) 27/09/28; autor e cedente: Vinícius Lucena; 3) a 6) 05/12/08; autor e cedente: Carlos Sérgio; 7) e 8) 08/12/2008; autor e cedente: José Souto Tostes (1970) (Vol. - JGSR). 7.1) Nossa Praça e o “Vestido Novo”. "Toda Miracema está aguardando com ansiedade o “Vestido Novo” que a Praça Dona Ermelinda ganhará com todas as honras. Há quantos anos ela está vestida com esta indumentária! Adquiriu um perfil bem pessoal. Ela sempre foi considerada um espaço íntimo, requintado pela beleza natural, um reencontro com os tempos que invocam recordações, que provocam inspirações mágicas na vida dos poetas, cronistas, músicos e artistas plásticos. Todos esperam que o novo projeto continue com o mesmo charme, leveza e notabilidade, deixando assim, janelas para que todos possam enxergar o passado histórico de nossa Terra - arquivos visíveis que registram fatos antigos e explodem emoções quando nossas saudades são restauradas dentro deste “paraíso” citado pelo arquiteto Dr. Carlos Fernando de Moura Delphim em seu texto publicado no Informativo CCMC. Ele “está prestando consultoria à prefeitura de Miracema no 97
  • 98. Projeto de revitalização e de reforma da Praça Dona Ermelinda”. Suas colocações são cheias de encantamento poético que não caminham no vazio, mas penetra na alma de cada um que tem o privilégio de beber suas palavras que convencem e são extremamente delicadas, provocando o desejo de conhecer o novo sem sacrificar a história que continua presa ao passado, revelando os múltiplos sentimentos guardados em cada fase da vida. A restauração de cada pedaço de nossa Praça não bloqueará as nossas saudades. Elas ficarão retidas em nossas lágrimas que acompanharão as imagens formadas dentro da tradição que faz parte de um povo acostumado com o jeito de visualizar cada ângulo que forma esse “paraíso” em nossa cidade interiorana. Ao mesmo tempo é um projeto que merece aplausos, pois temos certeza de que inaugurará uma nova era sem sepultar as palmeiras, as velhas árvores, os oitizeiros, os jambeiros e as minhas eternas acácias. Elas continuarão testemunhando tudo o que passou, nos mesmos lugares onde habitam há mais de um século. O espaço também será o mesmo, mas oferecerá um outro surpreendente cenário prometido pelos engenheiros que estudaram cada passo a ser dado. Este “paraíso” será enaltecido pelo gosto apurado dos paisagistas e dos responsáveis pela jardinagem. Eles deixarão suas experiências decalcadas no verde, nas flores nas folhagens e na mistura das cores que bordarão os detalhes do “Vestido Novo” de nossa Praça. Ela continuará antiga em nossas lembranças, não será apagada a sua imagem romântica que celebrará cada tempo como um palácio que abriga a natureza e tem o poder de hospedar sonhos em sua tranqüilidade e pureza celestiais. Lugar de meditação e de paz, confirmando que a Praça Dona Ermelinda continuará sendo o nosso eterno “Paraíso”, brindada por beijos iluminados, que refletirão a luz do sol e das estrelas, sendo visitada pela deslumbrante lua miracemense. Nossa rosa de hoje é para quem ama verdadeiramente nossas praças - antigas ou modernas, porque o mais importante é o que elas representam para cada miracemense: beleza, verde, saudade..." 7.2) Nossa Praça (Ricarda Maria): ´´Olho verde na Praça tingindo a cidade / Com as esperanças das velhas palmeiras. / Delas germinam no meu universo a saudade, / Que passeia nas penumbras de suas fileiras. / Vejo nas sombras o que passou – só lembranças... / Juventude que sem querer deixei para trás. / Folhinha verde, jogo, escondendo uma criança / E dentro da brincadeira um sorriso de paz. / As árvores são as mesmas e o que de mim ficou? / Elas são fiéis cercaduras anjos verdes da Praça. / O sonho que prendi em suas asas angelicais, voou, / Deixando a saudade presa em minha velha carcaça. / Debruço o meu coração na estrada da minha volta: / Vejo minhas acácias, meus, tão meus jambeiros. / Pertinho dos meus sonhos, minha inspiração solta, / Minha Praça, você será sempre o meu amor primeiro!´´ 7.3) Por que restaurar a Praça Dona Ermelinda? (Carlos Fernando de Moura Delphim, O Porta-Voz, no. 678, 30/08/2008): ´´Segundo a maior parte das explicações mitológicas e religiosas do mundo, sobretudo as que maior influência exercem na formação da sociedade ocidental, o homem teve a sua origem em um paraíso. O paraíso, terrestre ou celestial, assume sempre a forma simbólica de um jardim, um jardim que é mais um estado de espírito do que um lugar. Era ai que o ser humano convivia em uma situação de amor e de perfeita harmonia com todos os seres, exercendo um domínio espontâneo sobre todas 98
  • 99. as outras formas de vida existentes. Mesmo após ter perdido essa condição original, o jardim continua sendo para o ser humano um símbolo de perfeição, de um perfeito convívio entre o homem e a natureza. Visitar um jardim é entrar em comunhão com o mundo natural. Tão logo são introduzidas em seus caminhos, as crianças debandam e dão início a brincadeiras. É aí que os adolescentes se entreolham e têm seus primeiros encontros amorosos. É onde as famílias se reúnem, onde os velhos descansam. Em um jardim natureza e cultura fundem-se em perfeito equilíbrio. Será por termos nos originado de um jardim que a simples contemplação de uma flor nos conduz a estados de grande relevo? Por que as flores tanto nos encantam? Por que nos fazerem evocar as delícias de um mundo perdido? Sobretudo as mulheres, criaturas mais sensíveis, são afetadas de forma mais intensa pela beleza das flores. Por mais barato que custe uma flor, ainda que alguém a arranque de um arbusto à margem do caminho, quando ela é entregue a uma mulher, seja ela a mãe, a irmã, a namorada, a esposa ou a filha de quem a oferece, seja ela um simples desconhecida, qual mulher não sente seu coração iluminar-se ao receber uma flor? Advindos do paraíso, todos nós reconhecemos a importância transcendente de uma flor, reconhecendo um valor que ultrapassa qualquer valor material. Restaurar um jardim é restaurar um pedaço do paraíso que remanesceu na terra. Não é tarefa fácil. É tarefa complexa e por demais onerosa. Envolvem diferentes especialistas, Técnicos em arquitetura, engenharia, paisagismo, agronomia, botânica, meio ambiente, jardinagem, entre outras disciplinas. Restaurar um jardim não é como restaurar uma edificação: trata-se também de restaurar a vida, as relações entre os seres vivos que o jardim abriga. As árvores, os arbustos, as flores, o relvado. Os animais que nele vivem, desde os pássaros que voam e alegram o céu com seu canto, até as minhocas que ocultas sobre o solo, colaboram para torná-lo mais fértil. Um jardim é um complexo ecossistema, é um pequeno modelo do universo. Conhecer essa miniatura do universo é conhecer um pouco mais sobre o Universo. Compreendê-lo é compreender o cosmo. No jardim se forma o amor à natureza. Nas praças das pequena cidades os cidadãos aprendem a conviver em sociedade, em paz e solidariedade. Não só entre si mesmos como também com toda a cidade, com o mundo natural e com as outras formas de vida com as quais compartilhamos o planeta. Se a praça, situada no coração da cidade, achar-se abandonada e degradada, o que se pode esperar de outros locais onde o cidadão não tem acesso? Como se pode esperar que o cidadão respeite o meio ambiente se o jardim por onde ele passa diariamente não é respeitado? Sem este respeito, todos se sentirão no direito de estragar a natureza. Vivemos hoje um momento em que só existem duas opções: a restauração do paraíso perdido ou a entrega às forças apocalípticas que ameaçam a vida no planeta. Ou o homem detém suas ações negativas e as reverte ou o planeta não poderá resistir aos crescentes impactos sobre a terra, o ar, o clima. Por pequena que pareça se pensarmos num nível global, uma ação como esta, de restauração de uma praça de uma pequena cidade, tal ação tem um efeito exemplar e altamente educativo. As crianças da rede escolar de Miracema deveriam acompanhar todas as etapas de recuperação da sua praça com o objetivo de aprenderem a amar a lição de quem, no passado, legou-nos a Praça Dona Ermelinda e o respeitoso exemplo de quem, no presente, dedica-se a sua recuperação, transmitindo-a como um legado ainda mais valioso para o futuro.´´ ´´Carlos Fernando de Moura Delphim é arquiteto formado pela UFMG. É Assessor da Direção do INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL no Rio de Janeiro. É o pioneiro na defesa dos jardins históricos do Brasil, passando a tratá-los com bens culturais, segundo as 99
  • 100. normas internacionais de preservação. É autor do primeiro manual de intervenções em jardins históricos no Brasil e está prestando consultoria à Prefeitura de Miracema no Projeto de Revitalização e de Reforma da Praça D. Ermelinda, executado com os recursos específicos do Ministério do Turismo para esta finalidade.´´ 7.4 Andamento 1) praças Ary Parreiras e Dona Ermelinda cercadas com tapume; 2) Praça Ary Parreiras, 6, em restauração; 3) nova árvore da Tia Ricarda. Fotos: 28/09/2008; autor e cedente: Vinícius Lucena Pinheiro Martins (1989) (Vol. I – ANTE). 7.4.1) Informativo CCMC (07/2008): ´´O conjunto de obras de revitalização dessa área, abrange a restauração da Praça Dona Ermelinda, devolvendo-lhe a energia, o glamour e o colorido das flores; a reconstituição da Praça Ary Parreiras, com seu coreto balaustrado, equivocadamente demolido na década de 60, cujo retorno é aguardado, ansiosamente, há muitos anos, por grande parte do nosso povo; a aquisição, a preservação, a restauração e o novo uso dado ao solar D. Brasileira, como escola de educação infantil; a iluminação arquitetônica da Igreja Matriz, um dos nossos principais pontos de referência e de visitação turística e do Jardim de Infância Clarinda Damasceno, edificação de grande valor sentimental para a grande maioria da população que freqüentou aquela que foi, até a década de 60, a única escola de educação infantil da cidade.´´ 7.4.2) Angeline Coimbra Tostes de Martino Alves (1972) (Vol. – FAAR): 1º.) correio eletrônico: 11/10/2008: ´´Como pude observar em Miracema, realmente, a forma como estão protegidas, as praças, não dá ao pedestre a visibilidade devida das obras. Hoje tive a oportunidade de ver um pedaço da Praça Ary Parreiras, já com o coreto em construção. O Solar Dona Brasileira está em obra pelo menos desde quinta-feira, pois passei por lá na quinta e na sexta, e entrava e saía um pedreiro com um carrinho e dentro, vários pedreiros paredes já reparadas, telhados já sendo refeito... etc. A Praça Dona Ermelinda, realmente, não dá para ver. Tenho grande otimismo com relação ao resultado das obras e que Miracema só terá a ganhar, a população se sentirá, certamente, com o a auto-estima elevada de viver numa cidade bela e com as praças valorizadas.´´ 2º.) correio eletrônico: 02/11/2008: 100
  • 101. ´´Estive no alto de um prédio da Rua da Flores (ao lado da Sociedade Operária), de onde pude usufruir de uma visão privilegiada de nossa terrinha, SEM CÂMERA FOTOGRÁFICA INFELIZMENTE: - PRAÇA ARY PARREIRAS BEM ADIANTADA, COM A APARÊNCIA APRESENTADA NAS FOTO DO BLOG LM, A ÚNICA DIFERENÇA É A MANUTENÇÃO DA ESTÁTUA; - PRAÇA D. ERMELINDA COM O PISO QUASE CONCLUÍDO EM PEDRA MIRACEMA, CANTEIROS DA LATERAL, EM FRENTE AO DR. NEY (Vol. – AGT), DIFERENTES, NO MAIS CREIO QUE ILUMINAÇÃO E REFORMA SERÃO OS DESTAQUES; - ALÉM DISSO, O CASARÃO DO PAI DO DR. NEY (Vol. I – MFR) REFORMADO ESTÁ SALTANDO AOS OLHOS, DE TÃO BONITO E ATRAENTE; - DESTAQUE PARA O MORRO DA VENTANIA E O PONTAL DO SINAL... VISTA PRIVILEGIADA DO PREDIO!´´ 7.4.3) Antônio Raymundo Magalhães Siqueira (MUNDINHO) (correio eletrônico: 19/10/2008): ´´ESSA PRAÇA (Ary Parreira) FOI DESTRUIDA EM NOME NÃO SEI DE QUE, SEGUNDO A LENDA POR FALTA DE SONORIDADE DO CORETO E O MESMO SER UTILIZADO PARA COLOCAÇÃO DE DEJETOS HUMANOS DOS SEM TETO DE MIRACEMA. O PIOR DE TUDO QUE A PRAÇA FOI REFORMADA PELO IVANY TAMBÉM, O MONUMENTO DAS MÃES PARECE QUE É PROJETO DO GOVERNO DELE. INTÃO (G.R.) EXISTE A POSSIBILIDADE DE PEDIDO DE NOVO PROJETO DE REFORMA E MIRACEMA PELA QUINTA VEZ MUDA A PRAÇA E O DINHEIRO PÚBLICO É MAL APLICADO. QUANTO À PRAÇA DAS MÃES (Ary Parreira) REALMENTE HORRÍVEL, JÁ O JARDIM (Done Ermelinda) AÍ QUE MORA O PERIGO, LINDO ANTERIORMENTE COM SEU TAPETE VERMELHO DOS JAMBEIROS, DUVIDO QUE POSSA SE TORNAR MELHOR, NO MÁXIMO A MAUTENÇÃO DO JÁ EXISTENTE. (APOSTO QUE VAO DERRUBAR O FONTE ( RSSSSS HEHEHEHE)) PARA EVITAR ESSA TENDÊNCIA DE ATROCIDADE HISTÓRICA DO COMANDO POLITICO DA CIDADE, VIDE CORETO E FÁBRICA DE TECIDOS SAN MARTINO, MAIS AINDA O QUASE O SOLAR DO BRUNO DE MARTINO - 1ª ESCOLA POLITICA FLUMINENSE - temos de falar sobre a política de reforma de pra;as e jardins dos coronéis da década de trinta em diante. BOM ESPERO QUE MAIS ESSE GASTO PÚBLICO SEJA BEM APLICADO.´´ 7.4.4) José Souto Tostes (1970) (Vol. - JGSR) (correio eletrônico: 19/10/2008): ´´O monumento das mães já existia, mas na gestão do Ivany a praça foi reformada, na primeira gestão (01/04/1883-31/12/1988). Acho que com o tempo a praça se deteriorou mesmo e precisava de uma reforma, mas não é isso que estão fazendo. Pelo que vi, a praça menor, de cima (Ary Parreiras), foi toda destruída. Já colocaram as novas calçadas, que são daquela pedra da calçada da outra praça (Copacabana... hehehehe). Achei que pode ficar bonito. Já na praça maior, de baixo (Dona Ermelinda), está tudo quebrado, menos a fonte, sem nada construído até o momento. A sensação que dá é de que ainda vai demorar a ficar pronta. Vou sugerir ao prefeito eleito (Ivany) a criação de uma sala da transparência, que já foi criada em algum lugar do Brasil, aberta para qualquer cidadão, devidamente 101
  • 102. orientado, obter todas as informações sobre gastos e aplicação de verbas públicas.´´ 7.4.5 A Fonte II (Carlos Moreira Nunes (Carlinhos Moreira) (1963) (Vol. - SCMR) (Liberdade de Expressão, no. 110, 01/2009): ´´Já dizia a canção: "A mesma praça o mesmo banco..." Só que não é mais a mesma praça, nem o mesmo banco... Veio à reforma e com ela a expectativa, a dúvida e a decepção. Expectativa pelo impacto da obra, praças cercadas, como vai ficar? Dúvida: será que termina a tempo? Decepção pelo resultado inacabado, pela perca da gaiolinha e do passa-passa, que foram cercados, pelos bancos uns de frente pro outro, pela iluminação no chão que nos obriga a usar óculos escuro, pelo coreto que nem a Banda aprovou, e que pouco uso terá. Não estou criticando as pessoas que fizeram a obra, que são pessoas que eu admiro, estou, alias, estamos criticando o resultado que infelizmente não foi o esperado. Sabemos da boa intenção cultural e histórica da reforma, mas os tempos são outros, imaginem a próxima festa de Santo Antônio na nova Pracinha das Mães, provavelmente montarão um palco ou vão por uma cobertura no coreto. Mas, feitas as críticas (construtivas), duas coisas merecem aplausos: o marco dos separatistas e a fonte que finalmente depois de muitos anos voltou a jorrar. E pra quem lembra do texto "A FONTE", escrito a tempos atrás no "PÁGINA UM" (en memória ao Marcelininho) (Vol. V – MPTT), sabe que pelo menos agora as águas vão rolar, isso ninguém pode negar... ´´ 7.5) Vândalos destroem partes da Fonte Luminosa da Praça Dona Ermelinda (Jornal Dois Estados, 02/04/2009): ´´Três adolescentes - duas jovens e um rapaz - são apontados como os prováveis autores da destruição das oito peças confeccionadas em gesso, na forma de peixes que jorram jato de água pela boca, que ficavam na borda do lago da Fonte Luminosa, principal cartão-postal de Miracema, situada no centro da Praça Dona Ermelinda. A Prefeitura acionou a Polícia, que periciou o local, registrou a ocorrência e abriu sindicância para apurar responsabilidades. Em frente à Fonte há uma câmera de vigilância. Porém, a obra de reforma da praça ainda não foi oficialmente entregue à Prefeitura pela empresa responsável e a câmera permanece desligada. O ato de vandalismo teria sido praticado por volta das 21 h desta terça-feira (31). Chovia no momento. O funcionário municipal que trabalha como vigia estava em um abrigo nas proximidades. Ele teria visto os três jovens tomando banho no lago da Fonte Luminosa. A destruição causou revolta e indignação na opinião pública miracemense. Desde cedo, quem passava pelo local e via o resultado do vandalismo, manifestava desejo de verem os responsáveis punidos pela Justiça, tamanho é o significado que a Fonte Luminosa tem para a população de Miracema.´´ 8) O Ipê Amarelo - Em homenagem à Professora Áurea (José Geraldo Antonio; Liberdade de Expressão, no. 117, 08/2009): 102
  • 103. ´´O ato de vandalismo teria sido praticado por volta das 21 h desta terça-feira (31). Chovia no momento. O funcionário municipal que trabalha como vigia estava em um abrigo nas proximidades. Ele teria visto os três jovens tomando banho no lago da Fonte Luminosa. A destruição causou revolta e indignação na opinião pública miracemense. Desde cedo, quem passava pelo local e via o resultado do vandalismo, manifestava desejo de verem os responsáveis punidos pela Justiça, tamanho é o significado que a Fonte Luminosa tem para a população de Miracema.´´ ´´No dia dois de julho de 1981, depois de um século de existência, em pleno vigor físico, um ipê foi derrubado pela administração pública do município de Miracema. No momento em que ia ser cortado, uma professora, moradora da casa, em cujo quintal a árvore fora cultivada, num gesto patético, prostrou-se junto ao tronco do ipê e, comovida, mas resoluta, proclamou: “ NÃO CORTEM. O IPÊ CAIRÁ SOBRE MIM.” O então prefeito, que pessoalmente comandava a derrubada, insensível, ordenou: “ CORTA”. Esse acontecimento de triste memória completou 28 anos no último 2 de julho e dele me lembrei, ao ver as primeiras folhas surgirem nos ipês amarelos, antecipando a chegada da primavera, quando eles voltam ao seu exuberante e completo florescimento. Reli o texto que na época escrevi. O texto não foi publicado em jornal. Por se tratar de um tema que não se esgota e abordar a defesa da natureza, resolvi aproveitar o momento para publicá-lo em homenagem àquela professora que, apesar da fragilidade física, se agigantou com sua força moral e enfrentou o poder prepotente com a dignidade e a bravura da mulher consciente dos valores que merecem ser defendidos, até com a própria vida se preciso for, o que só não ocorreu porque foi retirada do local. Com o mesmo título deste artigo, escrevi: “Nascestes do amor e vicejastes com a sensibilidade dos que te cultivaram; - Crescestes sob os olhos dos que te amavam e tuas raízes alimentaram-se do solo fértil do sentimento pela natureza; - Deixastes de pertencer, apenas, àqueles que te cultivavam desde a primeira infância e passastes a ser admirado por todos os que habitavam esta terra, orgulhosos do teu esplendor; 103
  • 104. - Quando a primavera chegava e eras envolvido pelo manto amarelo de tuas folhas, os miracemenses, cheios de vaidade, exibiam-te como um símbolo da beleza esfuziante com que a natureza abençoou a cidade; - O teu florido incomum, de amarelo singular, ofuscava a própria lua e coloria as noites de Miracema; - Quando Setembro findava e abria o espaço para a entrada do verão, Tu, já desfolhado e adormecido, aguardavas sonhando o retorno da primavera para voltares a florir com a mesma exuberância; - Tua beleza, contudo, não foi suficiente para espancar o ódio, fruto da ignorância e da prepotência; - Impiedosamente, arrancaram-te do solo. O desamor violentou tuas entranhas e as raízes que te sustentavam foram trituradas pela insensibilidade e ignorância de um governante mentalmente enfermo; - A primavera em Miracema jamais seria a mesma e o mês de setembro na cidade ficaria marcado para sempre pelo cinzento da tua destruição; - Sem a cor alegre da copa amarela que deixava a própria lua enciumada, a primavera em Miracema sempre estará enlutada pela tua ausência; - O tronco do ipê certamente não irá brotar, mas suas folhas amarelas permanecerão florindo os corações dos que olham a vida com amor e poesia.” Como na vida não se há de ter tudo absolutamente ruim, devemos tirar lições dos fatos, por mais ignominiosos e cruéis que sejam, como o da inexplicável, injustificável e criminosa derrubada do Ipê Amarelo. Infelizmente a vida não é feita só de bondade. Há os que se alimentam do ódio e fazem do mal o seu norte. Dentre eles estão os depredadores da natureza e os demolidores da memória de um povo. Mas, esses não vencerão. O gesto heróico da Professora Áurea Bruno fez ecoar no espaço o grito da indignação, robustecendo a consciência dos que lutam pela preservação da natureza. À PROFESSORA ÁUREA BRUNO, com o respeito e o preito de gratidão por mais essa lição de vida emanada do seu profícuo magistério, dedico o texto que escrevi na ocasião, como forma de externar minha indignação pela violência e covardia do ato injustificável de um insano administrador público.´´ 9) Nosso Ipê (Glória Maria da Consolação Freire Vargas de Oliveira; O Vagalume, 05/10/2009): ´´De manhã era o sol / eu ia pé na estrada para além daqui.../ vi a o ipê enfeitando a linha do horizonte / de amor e cor a paisagem mas... / voltava, lá estava ele exuberante majestosamente! desperdiçando o vento na tarde / Pétalas douradas, caídas, coloridas / Era o ipê, tão bonito,tão simbólico / assim eterno enquanto durou... / E, tão efêmero o que o cortou Mas vivo na reminiscência saudosa!... / Na retina de nossos olhos / Era o pano de fundo do quintal, / denunciando, uma beleza imensa! / iluminada... E o contraste das cores misturadas?/ Só de amarelo e preto... / Ah! e assim... meio ao verde / da vegetação escassa / Era o ipê, tão meu, tão nosso / De ninguém... / Vivo, morto, arrancado, / desfigurado! / Só porque no tempo e no espaço / embelezou! Enfeitiçou a toda gente! /Nasceu, cresceu, enfeitou / Virou poema, / Virou saudade!...´´ 104
  • 105. Atualização: 10/10/2008 Rua Francisco Bruno de Martino (início: Rua Marechal Floriano; término: Praça S alim Damian, junto à Avenida Nilo Peçanha; transversal: nenhuma; margem esquerda do Ribeirão S anto Antônio, que atravessa). (Centro). Faz parte da cidade de Miracema uma rua que se inicia na “Marechal Floriano” (neste Vol. – MF R) e termina na Praça S alim Damian (Vol. – S D P). Ganhou o nome de alguém considerado como o propulsor da indústria têxtil de nosso Município: - Francisco Bruno de Martino. Ele ofereceu um novo olhar, acreditou, investiu, valorizou o nosso pequeno lugar, fundando a Fábrica de Tecidos S ão Martino (Suplemento 2), oferecendo oportunidade de trabalho a tanta gente. Dentro deste nome existem momentos inesquecíveis, inexplicáveis, guardados na profunda saudade de Francisco Bruno de Martino que continua, através dos tempos, uma figura incomparável. O valor desta Rua está nos moradores que fazem parte de sua vida e eles observam na eternidade dos acontecimentos a presença de tantos operários. Cada etapa é olhada por todos com a devida reverência, enaltecendo cada momento construído. Direcionando nosso pensamento para a “Francisco Bruno de Martino” encontramos a S ecretaria Municipal de Promoção S ocial e belíssimas residências. Temos certeza de que os seus moradores sempre agradecem por morarem numa rua que tem o nome do fundador da Fábrica de Tecidos S ão Martino construtor de uma deslumbrante história. 105
  • 106. Tia Recarga Francisco Antônio Bruno de Martino (1863/1918) Foto: data e autor: desconhecidos; cedente: Página Um. S an Giovani Piro era uma pequena cidade situada na Província de Palermo, na Itália, e de lá que são oriundos os De Martinos que imigraram para o Brasil no século XIX. O primeiro deles foi o Padre Francesco de Martino (Vol. II – MBM R) que chegou a ser responsável pela Capela de S anto Antônio dos Brotos em 1867. O outro Rocco Bruno continuou a sua vida em Piro. Como pescador, sustentava a família, com quatro filhos adolescentes que seguiram os passos do pai no comércio de peixes. Por certo, em pequena embarcação, o que deixava a sua esposa (Giovanna de Martino) aflita, aflitíssima, quando se distanciava muito da terra com os filhos menores. Francisco (Francisco Antônio Bruno de Martino), o mais velho, aconselhado pela mãe, resolve deixar o povoado e o país, vindo para o Brasil em companhia dos irmãos menores: Geraldo, Miguel e Pepito (Giuseppe); o primeiro, tinha 15 anos de idade, ficando sob os cuidados do pároco da Capela; e os outros dois se dirigem para o Uruguay. Francisco inicia a sua vida em Miracema como camareiro da Pensão Braga, uma pequena hospedagem. No resto do dia fazia entrega nas casas com uma pequena carroça, atividade que rendeu 106
  • 107. frutos, pois comprou mais uma carroça, e outra mais. Ficou conhecido como Chico Carroceiro. Francisco prosperou, abriu uma pequena venda e as suas carroças traziam os produtos da lavoura para o comércio no incipiente povoado. A seguir abriu uma barbearia e, com sua tesoura solingem melhorava o visual dos nossos antepassados e tosava cabelo dos índios Puris (Vol. III – P U RI). Deixa de ser conhecido como Chico Carroceiro para se tornar o Chico Barbeiro. Por essa época chegou ao distrito uma senhora com uma filha única, menor de idade, e acompanhada por duas escravas, se instala no final da rua da Capivara (Vol. – C DT R) e se dedica à criação de perus. Por essa época, Deodato Mendes Linhares (Vol. – DL R) era proprietário da fazenda Cachoeira Bonita e tinha um bom plantel de escravos e, vez por outra, vinha ao povoado para fazer compras quando passava bem em frente à casa de Brasileira Lídia S ouza Lobo (Vol. - DL R), que vivia com sua mãe, Sra. Lobo, como era mais conhecida. Deodato teve a sua atenção despertada para a rapariga que, apesar de pouca idade, ajudava a mãe no comércio de aves e, vez por outra, vinha ao centro da cidade para fazer compras na venda de Francisco de Martino. Daí nasceu um pequeno flerte, platônico, entre a jovem e o italiano. Mas, Brasileira acabou por aceitar um convite para morar na fazenda Cachoeira Bonita com Deodato, que era quase cinqüentão e ela, uma menina-moça. Da união nasceram quatro filhos: Olava, Homero, Antônio e Altivo, o caçula dos Linhares que era o “barulho”. Francisco de Martino não conseguiu se casar com o seu flerte, mas deixou os seguintes versos: “Debalde o mundo me chama E eu para o mundo já morri Perdi o gosto das festas Desde o dia em que te vi. Triste a vida de quem ama oculto Dobrada pena padece Passando por seu bem, 107
  • 108. Fingindo que não conhece.” Vez por outra, Deodato e Lídia vinham com os filhos até a E stação (Vol. II – GV P) para visitar os parentes em S ão Fidélis e em Pádua. De Martino então contraiu núpcias com Angélica da Silva Vidal, que falece pouco depois do casamento, não deixando herdeiros. Quase uma década depois quem falece é Deodato e um casamento às pressas foi feito para que os herdeiros, filhos de Deodato e Brasileira, não ficassem sem a fazenda Cachoeira Bonita. Ambos viúvos, Francisco e Brasileira, o antigo namoro é reatado e se casam novamente. Desta união com Francisco de Martino nasceram: • Orlanda Bruno de Martino (Tudinha) (1901/1926), nome de solteira ou Orlanda de Martino Amim, nome de casada, nascida em 02/06/1901, Fazenda Cachoeira Bonita, Miracema, RJ; casada com Chicrala Amim; estudou no Colégio S anta Isabel de Petrópolis, juntamente com sua irmã Maria Itália e a caçula Maria Hermília. Enquanto seus dois irmãos Orlando e Bruno estudaram no colégio S ão Vicente de Paula em Petrópolis e mais tarde no Colégio Aldridg em Botafogo, Rio de Janeiro, RJ; herdou no inventário de seu pai a Fazenda Córrego Raso, com 99 alqueires geométricos de terra. É a atual fazenda em que viveu e morreu seu tio Homero Mendes Linhares (Vol. – DL R), que comprou essa fazenda de Orlanda. Com o que adquiriu da venda dessa fazenda, Chicralla adquiriu a Concessionária General Motors, Rua Marechal Floriano (Vol. I – MF R), Miracema, a mais antiga do Brasil. Faleceu em 30/09/1926, vítima de eclampsia, após o parto de seu único filho, no sobrado da esquina da Rua Marechal Floriano com a Rua Cel. Josino (neste Vol. – CJ R), que incendiou em 1982; (Vol. III – WMAP) • Maria Itália Bruno de Martino (Lilita) (1903/2002) nome de solteira ou Maria Itália de Martino Mattos, nome de casada, nascida em 14/03/1903, Fazenda Cachoeira Bonita, Miracema, RJ; casada com Milton Garcia Mattos (1895/1926), nascido em 07/10/1895, Natividade, RJ e falecido em 26/08/1926, em Miracema; filhos: Maria do Carmo, Alberto (Betinho), Lezita e Creusa; falecida em 11/10/2002, Rio de Janeiro, onde residia, 108
  • 109. Rua Osvaldo Cruz, Flamengo, com a filha Creusa; • Orlando Bruno de Martino (Landinho) (1907/1947), nascido em 21/10/1907; casado em 05/06/1923 com Lídia Torres Dias (1909/1931); filhos: Dalton, Débora, Orlanda e Maria José; casou-se em 29/09/1934 com Manira Amaral Abugaux; filhos: Cristóvão, Maria Ilna (Didila), Stênio, Geusa, José Francisco (Tonga); Orlando Bruno (Landinho); Marcos Rogério (Marquinhos), Genilse e Mirian Sheila; falecido em 18/12/1947, em Miracema; • Maria Hermília Bruno de Martino (Doninha) (1909/1989), nascida em 30/10/1909, no domicílio, ao lado da Fábrica de Tecidos S ão Martino; casada com Francisco Azeredo Alves (Chico Alves) (1911/1991) (Vol. – FAA R); falecida em 03/04/1989, em Miracema, RJ, vítima de melanoma; • E, finalmente, Francisco Antônio Bruno de Martino Filho, que ficou conhecido pelo nome profissional B RUNO D E MA RTINO (neste Vol. – JBPM P). Enteados (Vol. – DL R):  Olava Mendes Linhares (1888/?);  Homero Mendes Linhares (1890/?);  Antônio Mendes Linhares (1893/?) (Vol. – AMLA);  Altivo Mendes Linhares (1896/?). Frente à Estação, atual Praça Getúlio Vargas, 1 (não há o no. 2) (Vol. II – GVP) - Fábrica de Tecidos São Martino. Foto: data e autor: desconhecidos: cedente: Jornal Dois Estados. 109
  • 110. Imigrante de uma nação com vocação industrial, Francisco inicia então uma grande empreitada: dotou Miracema da maior fábrica de tecidos do norte do estado. Já no alvorecer do século X X ele encomenda nove teares da Holanda, movidos à lenha, o locomóvel, que produzia a vapor, e o apito da fábrica, símbolo da industrialização. O s operários italianos especializados também aqui chegaram. Assim, em 1906, a fábrica de tecidos começou a funcionar regularmente. Um pouco antes, em 13/10/1905, o deputado federal Themístocles de Almeida e o governador Nilo Peçanha (Vol. – N PA) vieram prestigiar o início das obras, ocasião em que foi batizado o filho de Francisco, Bruno de Martino e celebrado o casamento da enteada, Olava, com Rodolfo Rodrigues (Vol. – RA R R). Um ano depois a fábrica estava inaugurada. Dois anos depois, um título: Campeão Nacional de Tecelagem numa exposição no Campo de S ão Cristóvão, no Rio de Janeiro. Francisco morre de colapso, aos 55 anos de idade, em 1918, deixando para Sinhá Dona, como era chamada sua esposa, duzentos contos de réis em algodão estocado, mais três fazendas, Baú, Ubá e Conde e mais de sessenta casas de operários à beira da linha férrea. Francisco ampliou os bens da esposa, mas faleceu sem realizar o sonho que acalentava há algum tempo: instalar uma filial da S ão Martino em Juiz de Fora, na época chamada de Manchester mineira, numa alusão à cidade homônima na Inglaterra, cujo parque industrial era invejável. 1) Francisco Antônio, pai e filho, no interior da fábrica; ao fundo: Leno Alves, contador 110
  • 111. da mesma. Fotos: 1) 1915; autor: desconhecido; cedente: Jornal Dois Estados. 2) data e autor: desconhecidos; cedente: JDE. Foi por iniciativa de Francisco de Martino que se fundou a S ociedade Operária de Miracema em virtude de sua amizade com Ricardo do Valle (Vol. – RV R), dono de uma olaria nos arredores da cidade e que tinha idéias socialistas. Com o falecimento de Francisco, a fábrica passou a ser dirigida pelo irmão, Miguel de Martino (Vol. II – MBM R), que inicia uma nova fase com a instalação de mais duzentos teares, o que só foi possível graças à instalação da luz elétrica, que chegou à região em 1915, como também a ampliação da fábrica para receber novas máquinas de fiação. A partir daí a fábrica passou a ser chamada de Fiação e Tecelagem S ão Martino. 1) Fabrica de Tecidos São Martino, Praça Getúlio Vargas, 1, em frente à Estação de Miracema: tombada e destombada parcialmente (neste Vol. - TMM); 2) portal que continuou tombado. Fotos: 1) data e autor: desconhecidos; cedente: Centro Cultural; 2) 02/04/2006; autor e cedente: Carlos Sérgio Barbuto. Miguel convidou o desenhista Francisco Lemos Júnior para projetar a efígie de S ão Martino, um antigo bispo francês, protetor dos pobres. A chamada Revolução Industrial, promovida na Inglaterra por James Watt (que inventou a máquina a vapor) se espalhou para o mundo; o Brasil chegou a ter a segunda malha ferroviária da América Latina. Depois veio Henri Ford que, passou a fabricar carros em série e provocou uma nova revolução industrial no mundo. E ste homem visionário, que implantou uma fábrica no distrito numa 111
  • 112. época em que se usava ainda os Lampiões Belga, distrito que só tinha duas ruas mal traçadas e apenas a via férrea como fator de civilização, além de zelar pelo conforto de seus empregados com a construção de uma Vila só para eles e uma S ociedade Operária, oito anos após a Revolução Russa, fazendo-se amigo das personalidades da vida pública e social de Miracema, este homem, Francisco de Martino, deve ser reverenciado como um benemérito do município, pois foi ele um dos grandes impulsionadores do progresso de Miracema. Poderia ter realizado muito mais se a morte não cortasse as suas asas tão cedo. A flor do reconhecimento chegou tarde para ele, com quase um século de atraso. A ele, esta modesta homenagem. (A Diáspora da família De Martino, Maurício Monteiro, JDE, 25/07/2004). DEPOIMENTOS: bisneta-paterna Angeline Coimbra Tostes de Martino Alves (1972) (Vol. – FAAR): 1º) correio eletrônico: 16/10/2006: • timbre de documento da São Martino: ´´Fábrica de Tecidos São Martino Tecidos Premiados com Medalha de Ouro na Exposição Nacional de 1908. Manufactura de brins de algodão, riscados, zephires, tecidos phantasia, algodão, etc. ----------------------------------------------------- VIÚVA DE MARTINO Successora de Francisco Antonio Bruno de Martino ---------------------------------- RUA MARECHAL FLORIANO Nº 6 --- TELEPHONE 5 MIRACEMA - E. F. LEOPOLDINA - Estado do Rio´´ • ´´Importante destacar que os terrenos de propriedade da fábrica são muitos, iam até o Colégio Nossa Senhora das Graças, casas de operários da Av. Eiras (Vol. – EA), seguiam na Rua da Estação (Vol. – SCR) e abrangia uma área muito ampla... Não só onde está hoje o pórtico.´´ Note-se que a Rua Marechal Floriano (neste Vol. – MFR) iniciava na Estação (Vol. II – GVP); 2º.) correio eletrônico: 24/10/2006: 112
  • 113. ´´Quando afirmei no envio da reportagem sobre A DIÁSPORA DE MARTINO que algumas informações não eram pertinentes ou verdadeiras, esse é o motivo da minha busca. Estamos chegando a entender que meu bisavô (1863), veio primeiro com 15 anos, e seus irmãos depois. Tanto assim, que BRUNO MICHELANGELO, que seria seu irmão, MIGUEL BRUNO DE MARTINO (1875) chegou a se alistar na Itália, tendo vindo para Argentina e depois ao Brasil. Portanto, estamos sendo levados a entender, que a versão da vinda de nossos antepassados, separadamente é a VERDADE!´´ 3º.) correio de 23/01/2007: Nasceu em 03/4/1863, às 15 h, no domicílio, Via Marina, San Giovanni a Piro – AS e foi batizado na Freguesia de São João a Pyro. ´´Casado em primeiras núpcias com Maria Nogueira de Martino. Não deixaram filhos. Companheiro de Angélica da Silva Vidal, por 3 anos, esta faleceu logo depois e não deixou herdeiros (Silvana de Martino?, que Francisco doou uma casa para Sra. Angélica, na Rua das Flores, como indenização pelos anos vividos com ela. Essa doação está registrada em Pádua, no Cartório do Tabelião da época – Antonio Carlos Manhães de Aquino).´´ Viúvo casou-se, em 01/08/1899, às 14 h, no Curato de Santo Antônio e, em 03/08/1899, no civil, com a viúva Brasileira Lídia de Souza Lobo. Residente em Miracema. Testemunhas no religioso: José Carlos Moreira (1844/1929) (Vol. I – CJCMR), Salvador Ciuffo (Vol. – SCR), Ricardo José Barinazo, Nicolao Del Giudice e Giuseppio Jaconai. Faleceu a 23/9/1918, Fábrica de Tecidos São Martino, Miracema, RJ; atestante: Dr. Monteiro Lobato; declarante: José Giudice (Vol. – JGP). 4º.) correio eletrônico: 28/06/2007: ´´Acabo de receber um e-mail, resultado de pesquisa feita na Itália, com cópia do Atto di Nascitta de meu bisavô FRANCESCO ANTONIO GAETANO BRUNO, conhecido na terrinha por FRANCISCO ANTONIO BRUNO DE MARTINO. Além disso, recebi dados até meus sexto-avós por parte de meu trisavô também italiano. Como profissão, ano de nascimento, casamento e falecimento, esses dados chegam a ascendentes falecidos no ano de 1788, nascimento não confirmado, pois estava ilegível, mas aproximadamente em 1728. Essas maravilhas nos foram proporcionadas e incentivadas p Luiz Carlos.´´ 5º.) correio eletrônico: 30/06/2007: ´´Olha recentemente, aproveitei carona de um amigo, em lista de genealogia italiana. Ele disse que ia até o comune de meus antepassados, para pesquisar os dele... Então, pouco tempo depois estava de posse de cópia do livro com o Atto di Nascitta de meu bisavô e dados genealógicos até meu sexto-avô por parte de meu trisavô, família BRUNO. Além de ter ficado feliz, fiquei alegre em saber que existem muitas pessoas com o intuito de colaborar com as pesquisas. Além disso, a família Bruno é um pouco desconhecida de todos os familiares brasileiros, por vários motivos: meu trisavô faleceu na Itália, apenas minha trisavó veio ao Brasil quase 30 anos após a chegada dos filhos, depois de ter ficado viúva; nosso sobrenome no Brasil era Bruno de Martino, ao invés de de Martino Bruno, não sei o motivo; enfim, devido à cultura machista, talvez, o de Martino foi supervalorizado em detrimento do Bruno, mas tivemos agora a oportunidade de conhecer pelo menos os nomes, datas de nascimento, falecimento e casamento dos nossos antepassados. Isso fará com que futuramente, todos aqueles que queiram conhecer melhor sua história familiar, tenha dados já armazenados e divulgados. ´´ 113
  • 114. SUPLEMENTOS: 1) Legislação: não encontra a aprovação desta denominação; 2) Fiação e Tecelagem São Martino: 2.1) Heitor Fortes Bustamante (1880/d. 1964) (Sertões dos Puris, páginas 268 e 270, falando do Município de Santo Antônio de Pádua): ´´5 – Por iniciativa, outra vez de um estrangeiro, uma era promissora de progresso surge no município, após longo período de decadência, com a instalação da primeira indústria têxtil, cuja glória coube a Miracema, no dia 13 de outubro de 1906. Nesse dia é fundada ali, então segundo e próspero distrito do município, a fábrica de tecidos São Martino, grande empreendimento que nasceu da feliz e inteligente visão de Francisco Antônio Bruno de Martino, homem operoso, de origem italiana, que tudo sacrificou para dar à terra que adotou como sua, uma indústria nova, que reputava de grande futuro para a pequena vila em que vivia. E não se enganou. Começou pequena, como dizer de Henry Ford - ´´nenhuma indústria pode ser pequena, mas, nenhuma indústria pode começar grande´´, - num modesto cômodo que construiu no mesmo local onde hoje se encontra grande, opulenta, com as suas novas e modernas instalações, fazendo a fortuna de outros, porém, prestando os mesmos e incalculáveis benefícios com que o seu benemérito fundador sonhou para aquela terra e sua gente. Sofreu muito, ironizado muitas vêzes pelos que não alcançavam o futuro valor daquela obra. Também, não podia ser por menos; pensar-se naqueles tempos, em que a mentalidade, no interior, pouco evoluía, não indo além do arcaico moinho de fazer fubá, do ripes e do monjolo, - em empresa de tanto vulto, era mesmo muito arrojo, uma temeridade. Lutou muito, mas venceu, morreu com essa glória. Há duas fôrças cujo poder outras não suplantam, outras não dominam: - a da ignorância e a da vontade: antagônicas, mas, nos seus desígnios – igualmente tenazes, irresistíveis. Novos teares, apenas e um filatório, êste, importado da Itália por um conto e oitocentos mil réis, acionados por um locomóvel a lenha, assim se projetou na vida. Hoje é um notável estabelecimento: possui cerca de 200 teares e fôrça elétrica. Miracema contraiu para com êsse benemérito Bruno de Martino, uma dívida de gratidão que não resgatou, porque, não basta o seu nome como patrono de uma escusa viela – distinção muito comum; êle merece muito mais e está em tempo ainda de os miracemenses lhe darem num dos seus jardins ou praças – um busto – que perpetue a sua passagem pela terra que êle tanto quis e tanto serviu. Com a morte de Francisco Antônio Bruno de Martino, em setembro de 1918, passou a fábrica São Martino à propriedade de seu irmão Miguel e, com o desaparecimento deste, também por morte, em março de 1931, foi todo o acervo vendido em leilão a Francisco Amim, Dr. Otávio Armond Tostes da Fonseca e outros, que mais tarde a transferiram aos atuais, uns sírios oriundos de Campos que, com honestidade, zelo e boa técnica a exploram, mantendo um número considerável de operários que ajudam aquela, hoje cidade, a crescer e progredir.´´ (Vol. – EAKR) 2.2) Altivo Mendes Linhares (1896/1986) (Vol. – DLR) (Altivo Linhares – Memória de 114
  • 115. um líder da velha província, de Maurício Monteiro (Vol. – ADMR); transcrições autobiográficas): ´´Em 1929, foi o ano da debâcle do Café, foi o ano também da minha maior coleta deste produto; consegui colher mais de 15 mil arrobas de café e pelo mau viso de querer prestigiar e proteger os outros resultou no maior prejuízo da minha vida; a política fez com que me aproximasse do meu velho amigo Nicolau Bruno e, para atender a esse amigo eu deixei de vender todo o meu café na praça de Miracema para encaminhá-lo à firma de Araujo Maia e Cia do Rio de Janeiro; acontece que, o verdadeiro representante dessa firma era o Sr. Heitor Bustamante e assim deixei de vender o meu produto a trinta mil réis a arroba para vender a sete e quinhentos, ou seja, pela quarta parte e, nessa, ocasião já tinha estocado no Rio, seis mil arrobas. Essa porção foi vendida pelo prelo acima com o qual eu concorri para ajudar a pagar uma dívida vencida da Fábrica de Tecidos São Martino.´´ 2.3) Evane Aparecida Barros Barbuto (Vol. – MPTT) (Liberdade de Expressão; correio eletrônico de 02/04/2006). ´´ Surgiu em tempos remotos, pelos idos de 1906. Fundada graças à tenacidade de Francisco Bruno de Martino foi o grande evento para o simples lugarejo. Em 1925, Miguel Bruno de Martino aumenta a fábrica acrescentando-lhe a seção de Fiação que foi importada diretamente da Inglaterra. Em 1932, gozando de maior progresso, toma a frente dos destinos da fábrica uma sociedade constituída por quotas de responsabilidade limitada. Os membros eram: Dr. Otávio Tostes, Francisco Amim, Chicrala Amim (Vol. III – WMAP), Dr. J. M. Ribeiro Junqueira (Vol. – DMJR), Banco Ribeiro Junqueira, Irmãos Junqueira Botelho. No ano de 1937 foi acrescida de uma Usina de beneficiamento, descaroçador e prensa de algodão e a Fiação e Tecelagem São Martino contribuía com uma grande parcela na exportação do Estado do Rio, consumindo 64 000 kg de matéria prima. Em seus últimos anos, possuía cerca de 200 operários, 95 teares e 2 428 fusos. Obedecia, então, à orientação técnica do Sr. Joaquim Luiz Pereira, tendo como contra- mestre de Fiação, o Sr. Bento Gomes de Souza, e como guarda-livros (contador) durante aproximadamente 20 anos o major Emiliano Pinto de Almeida. Como podemos ver a nossa antiga extinta Fábrica de Tecidos guarda no tempo valorosa história de empreendimentos e progresso enraizada à tradição miracemense. Muito mais se deve pesquisar sobre este assunto. Estes dados foram extraídos do Jornal "O RESGATE" valoroso documento produzido pelas pesquisas dos alunos das sétimas e oitavas séries do Colégio Estadual Deodato Linhares com a liderança do aluno (redação, diagramação, editoração eletrônica) Matheus Matos Ferreira Pereira e ajuda de professores. Era objetivo do jornal resgatar a identidade histórica e política de Miracema. Hoje Matheus trabalha na diagramação do "Liberdade de Expressão", e o “RESGATE”, rico e promissor divulgador de nossa história ficou na lembrança do primeiro e único número editado. Obs. Este pequeno texto nos solicita a procurar novas e importantes biografias para o enriquecimento da Memória Miracemense.´´ 2.4) A Fábrica dos meus Sonhos (Lucas Almeida Peys, 4ª. Série, Escola Municipal 115
  • 116. Álvaro Augusto da Fonseca Lontra;1º. lugar Projeto ´´Escrevendo o Futuro´´, Banco Itau, Miracema): ´´Ainda criança tinha um grande sonho: trabalhar na Fábrica de Tecidos da minha cidade. Fui crescendo e imaginando como iria conseguir realizar essa idéia que a cada dia se tornava mais persistente em minha vida. O dia amanhecia com o apito acordando e anunciando que existia vida na cidade. Todos acordavam pensando já nos afazeres. Mãe chamando criança para a Escola, trabalhadores correndo para mais uma jornada. Eu acordava com o apito como se aquele som fosse música para os meus ouvidos. Mamãe colocava o café e falava: “corre, menino, senão você chega atrasado para o colégio”. Eu nem ouvia direito, porque meus pensamentos estavam lá na fábrica, imaginando os trabalhadores chegando, cada um com sua marmita, alegres, porque iam trabalhar. Terminava o horário da Escola na mesma hora em que o apito tornava a anunciar que era hora do almoço. Corria para a casa apressado, pois eu também iria para a fábrica. Trocava o meu uniforme e ia para lá só para ouvir aquele barulho das máquinas trabalhando e pensava: “ainda vou ser um desses que está lá dentro”. Ali ficava sentado por horas ouvindo o que para uns era horrível, mas que para mim era maravilhoso. O tempo passou, cresci, completei meus vinte e um anos. Essa era a idade exigida para ir trabalhar lá. Criei coragem e lá fui eu tentar realizar a idéia fixa que me perseguiu durante toda a minha infância e adolescência, Cheguei no grande portão e pedi para falar com o encarregado. Dei sorte, pois tinha uma vaga. Meu coração batia forte. Na hora em que o encarregado falou: “O emprego é seu, meu rapaz, pulei de alegria. No outro dia bem cedo, antes mesmo de a fábrica anunciar o dia, eu já havia me levantado e acordado a minha mãe para preparar a marmita. Na hora do primeiro apito, eu já estava lá. Todos iam chegando dos mais diversos pontos da pequena cidade. Os portões foram abertos e naquele momento parecia que tinha aberto só para mim. Estufei o peito e entrei, bati o ponto e alguém veio ao meu encontro para me ensinar a trabalhar naquelas máquinas. Começava uma nova e linda jornada na minha vida. Empenhei-me ao máximo para aprender todo o serviço, porque sabia que ali escreveria minha história. Tornei-me “MESTRE” em pouquíssimo tempo. Agora quem ensinava manusear as máquinas era eu. Na fábrica existiam mais de trezentas máquinas e umas quinhentas pessoas. Ali, por quarenta e sete anos vivi os melhores momentos de minha vida. Vi muitas coisas tristes como, vários acidentes, pessoas sendo mutiladas, outras perdendo a audição, ficava triste por elas, mas feliz por estar ali. A vida naquela época havia time de futebol e festas. O horário de almoço era uma festa: trocavam quitutes, papos dos mais variados. Por trás daqueles portões existiam vidas que durante a jornada de trabalho nem se lembravam de que, lá fora o Sol brilhava. Passo o tempo e eu ali, naquilo que escolhi para me sustentar. Num dia meio cinzento chega a terrível notícia: “Vamos fechar a Fábrica”. Aquela voz e as palavras soaram como chicotadas nos nossos ouvidos. Todos abaixaram suas cabeças com vergonha de mostrar as lágrimas, mas que rolavam pelo rosto. Eu pensei: E o apito? E o dia primeiro de maio que era a maior festa para os trabalhadores da fábrica, e o sustento dessas pessoas, e os sonhos das outras crianças? 116
  • 117. Fiquei sem respostas.... No outro dia perdi a hora. Não ouvira o apito, mas mesmo assim fui lá ver o que eu mais temia: Portões trancados, tudo quieto, uma grande faixa preta esticada e outra escrita: A Fábrica está fechada. Hoje aos setenta e sete anos, fecho esses meus olhos e ainda ouço o apito e o barulho, as conversas das tecelãs... mas são as memórias... Ás vezes as pessoas me perguntam se tenho saudades. Sinto neste momento o meu coração bater mais forte. Hoje, o que restou da fábrica é apenas uma máquina. Quando alguém quer apresentá- la me chama. Visto minha melhor roupa e vou ligar, ouvir de novo aquele som que jamais vou esquecer: a música que a máquina emitia.´´ 2.5) Edificação (MPmemória) (Vol. II – GVP): Desconhecemos quando foi desativada a produção industrial, vendida a fábrica à CAPPS – Caixa de Assistência, Previdência e Pensões Servidores Públicos Municipais de Miracema e procedida sua demolição. Com o Alvará de 01/04/2004, processo no. 381/04, a PMM autorizou a construção de um prédio comercial, administrativo e residencial, tendo como responsável técnico Newton dos Santos Filho, CREA/MG 188 334-D, com 1 537,84 m2 de área a construir. Nada esclarece quanto ao pórtico tombado. Em 17/11/2006 estaria concluído, aguardando habite-se, faltando para isto à aprovação do Corpo de Bombeiros. Em 28/04/2007 nela estava instalada a CAPPS e se encontrava em início de execução, pela PMM, um reforço estrutural do pórtico. O Advogado Miguel Ângelo de Martino Alves (1937) (Vol. – FAAR), OAB/RJ 3 755, sustentou representação junto ao Promotor de Justiça, Núcleo de Santo Antônio de Pádua, RJ, pela manutenção do pórtico. Em 17/01/2007 entrou com nova petição. 3) TOMBAMENTO E DESTOMBAMENTO (TMM): 3.1) Decreto no. 349, 02/01/1995: ´´Art. 1º. - Ficam tombados nos termos da Lei no. 281, de 18/11/85, que recebeu nova redação através da Lei no. 440, de 05/11/92, os imóveis... Números 1 e 2 (fachada), da Praça Getúlio Vargas´´; 3.2) Decreto no. 573, de 18/08/2003: ´´Artigo 1º. – Ficam tombados, nos termos da Lei no. 281, de 18/11/85, que recebeu nova redação através da Lei no. 440, de 05/11/92, os imóveis... e os nos. 1 e 2 (pórtico central da fachada medindo 7.22 m (...), onde se encontram fixadas a imagem de São Martino, a inscrição: Fiação e Tecelagem São Martino Ltda., 1943, um lampião e os mastros para bandeiras) da PRAÇA GETÚLIO VARGAS´´. (Vol. II – GVP) MPmemória: na atual numeração da Praça Getúlio Vargas, não há o no. 2, e os números pares ficam no lado oposto ao dos números impares; desconhecida a razão deste; destombamento com parecer contrário do INEPAC – Instituto Estadual do Patrimônio Cultural. 117
  • 118. Pórtico da São Martino e rampa de acesso ao novo edifício, com Agenline. Foto: 17/11/2006; autor e cedente: Luiz Carlos Martins Pinheiro (1930) (neste Vol. – ANTE). 118
  • 119. LOGRADOUROS DE MIRACEMA (CJCMR)....................Luiz Carlos/MPmemória Atualização: 10/10/2009 Rua Cel. José Carlos Moreira (Rua das Flores, Rua José Carlos) (início: Praça Dona Ermelinda; término: Rua Francisco Procópio; transversais: Travessa Azarias Gutteres e Rua Cel. Josino; prolongamento: Rua João Rosa Damasceno; paralelas: ruas Marechal Floriano e S anto Antônio) (Centro Histórico – Tombada) (Centro) Placa em desacordo com a denominação atual e de acordo com a anterior à mesma. Foto: 12/09/2006; autor e cedente: Jader Leal Alvim (Jadinho) (neste Vol. – APRE). Localizada no centro de nossa cidade, importante pelo nome com que foi “batizada” e pelas famílias tradicionais que ela sempre abrigou. Carinhosamente é chamada de Rua das “Flores”. Ela se inicia na Praça Dona Ermelinda (neste Vol. – D E P) e termina na esquina da Rua João Rosa Damasceno (Vol. – JRD R). No. 6 – Centro Especializado de Odontologia, esquina com Travessa Azarias Gutteres (Vol. – AGT), de Jairo Domingues Leal. Foto: 20/08/2006; autor e cedente: Jader. Nela existem: aconchegantes residências, Clínica Odontológica, a 119
  • 120. Primeira Igreja Batista, E scola Municipal de Música, Clínica Oftalmológica, Supermercado, Prédio da Telemar, Loja especializada em artigos para bebês, Casa de Material de Construção, E scritório, um Bar e a Fundação Leão XIII. 1) no. 41 (tombado) – Primeira Igreja Batista (06/03/1922) (Suplemento 3); 2) no. 70 (tombado) – Escola Municipal de Música 7 de Setembro (Suplemento 4) – Imóvel da Família Moreira. Fotos: 20/08/2006; autor e cedente: Jader. 1) no. 87 – Residência de June de Souza Carvalho, com flores em homenagem à rua; 2) no. 93 – Residência de Maria José Siqueira, com mais flores. Fotos: 20/08/2006; autor e cedente: Jader. 120
  • 121. Esquina com Cel. Josino: 1) no. 111 (tombado) - Banco do Pirai (1929). Atual residência de Linhares. O garoto: Dauto Moreira Schueler (1944) (Vol. II – MSR). 2) TELEMAR, frente à Cel. Josino, s/no.; era uma casa adaptada a posto telefônico; em construção em 1977, pela CTB – Companhia Telefônica Brasileira. Foto: 1) cerca de 1951; autor: Moacyr Schueler (1905/1980) (Vol. II – MSR); cedente: Marcelino Alvim Tostes; 2) 20/08/2006; autor e cedente Jader. Traz em seu “interior”, muito do início do desenvolvimento. Nossa história principiou a sua construção tendo o apoio permanente deste respeitado nome: Cel. José Carlos Moreira. 1) no. 192 (tombado) – Fundação Leão XIII. 2) no. 200 - Sociedade Musical 15 de Novembro – Cine Teatro 15, fundado em 1910, por Miguel Bruno de Martino (Vol. II – MBMR) e atual residência de Maria do Carmo Tostes Silveira. Fotos: 1) 20/08/2006; autor e cedente: Jader. 2) data e autores: desconhecidos: cedente: Ana Lúcia Alvim. Tia Ricarda José Carlos Moreira (1844/1929) 121
  • 122. 1) Carlos José Moreira (1819/1884) pai; 2) filho; 3) Anna Joaquina de Paula (?/1895) mãe. Fotos: sem data; autores: desconhecidos; 1) e 3) 22/11/2006; autor e cedente: Walter Moreira dos Santos (Waltinho) (1959) (Vol. II – HOSR), Diretor de ´´O Porta-Voz´´, sacadas de quadros na residência de Áurea Moreira Bruno (1918) (Vol. - JCMBR); 2) data e autor: desconhecidos; cedente: Dauto. ´´Nasceu em 14 de maio de 1844, em Dores do Rio do Peixe (atual município de Lima Duarte), MG. Casou-se em 30 de abril de 1870 com Theresa Guimarães, nascida a 29 de outubro de 1847 em S ão Paulo, S P e falecida em 13 de novembro de 1877 em Miracema, RJ, vítima de tuberculose pulmonar. Em segundas núpcias, casou-se com Mafalda Maria da Conceição, nascida e falecida em Miracema. Em terceiras núpcias, casou-se em 22 de julho de 1886 com Maria Baptista do Nascimento Moreira (Inhazinha) (Vol. – MN R), viúva de seu irmão Antônio Carlos e filha de Justino Fagundes do Nascimento e Maria Baptista Teixeira. Inhazinha nasceu em 7 de setembro de 1860 em Piedade do Rio Grande, MG e faleceu em 2 de outubro de 1936 em Miracema, RJ. O Cel. José Carlos faleceu em Miracema em 18 de fevereiro de 1929. De seu primeiro casamento, com Theresa Guimarães, teve os filhos: 122
  • 123. Áurea Guimarães Moreira — nasceu em 12 de maio de 1877 e faleceu em 29 de setembro de 1901 e José Guimarães Moreira. Do segundo casamento, com Mafalda Maria da Conceição, teve os filhos: Aldano de Oliveira; Alfredo Moreira (Vol. – N PA); Aurélio Moreira; Adelino Moreira; Adauto Moreira e Alzira Moreira. Do terceiro casamento, com Maria Baptista Nascimento (Inhazinha), teve os seguintes filhos: Maria Nascimento Moreira (Micótinha) nascida em 31 de julho de 1887 e falecida em 21 de maio de 1971; Isaura Moreira; Zulmira Nascimento Moreira; Demerval Nascimento Moreira; Edgar Moreira (Vol. – S C M R) e Dagmar Nascimento Moreira.´´ sobrinho-bisneto-materno Dauto Moreira S chueler (1944) (Vol. II - M S R) padrinho deste Capítulo. ´´Irmãos (Suplemento 2): (1)  Cesário José de Paula Moreira (1850/1908) (Vol. III – CMT);  Rita Moreira do Nascimento (1854/1885);  Innocencia Moreira do Nascimento (1856/1944);  Luiza de Paula Moreira (?/1871);  Carlos José Moreira Júnior (?/1889);  Belisário de Paula Moreira (?/?);  Maria de Paula Moreira Coelho (Zizinha) (?/?);  Umbelina Ornélia de S ão José do Nascimento (?/1871);  Constança Moreira do Nascimento (?/1907);  Antônio Carlos de Paula Moreira (?/1884);  Henriqueta Cândida Moreira Coutinho (ou Ollevant) (Quequeta) (?/?);  Felício Caetano de Paula Moreira (?/?);  Anna Moreira Monteiro (Donona) (?/?). Teria vivido na Fazenda Jacob, Barbacena, MG, não se sabendo quando teria chegado a S anto Antônio dos Brotos.´´ (1) ´´Proprietário da Fazenda da Lagoa Preta, em Miracema. 123
  • 124. Tesoureiro de arrecadação da zona contestada em Miracema, na disputa fronteiriça entre RJ/MG (1814/d. 1930).´´ (1) ´´Vereador da primeira legislatura da Câmara Municipal do Município de S anto Antônio do Pádua, criado em 02/01/1882, pelo Decreto no. 2.597 e instalado em 26/02/1883, como representante de S anto Antônio dos Brotos. A Câmara regia-se pelas ordenações do reino, alteradas por alvarás, cartas régias e leis do Império. Couberam-lhe as funções legislativas e executivas dos governos municipais. Os vereadores eram eleitos por três anos; a cada ano elegiam o seu presidente, entre os vereadores com mandato para isto, que além de presidir os trabalhos legislativos, chefiava o executivo (atual prefeito). Governos municipais semelhantes, ainda, existem na Península Ibérica; práticos e eficientes, especialmente a pequenos municípios.´´ (1) Nota: Santo Antônio de Pádua foi desmembrado do Município de São Fidélis, que por sua vez, foi desmembrado do Município de Campos dos Goytacazes. ´´Já naquelles tempos passados, Miracema, simples arraial, projetava a força do seu prestígio até a sede do Municipio. José Carlos Moreira, esse venerando ancião, e Firmo de Araújo (Vol. II – BCR) e outros elementos locaes foram vereadores á Camara Municipal de S. Fidelis. Creado o Municipio de Padua, Miracema continuou a influir no governo municipal.´´ (3) Em 07/04/1883 leu à Câmara, ´´uma representação dos habitantes do arraial de ´´Brotos´´ em que pedem a substituição deste nome pelo de ´´Miracema´´, que, em língua indígena, exprime: mira – madeira, cema – brotar, alegando por haver em S ão Paulo outra localidade, como o nome de ´´Brotos´´, estão sempre sofrendo extravio de correspondência e outros inconvenientes. A Câmara autorizou a mudança e o Governo Provincial a aprovou em deliberação de 13 do mesmo mês e ano.´´(2) O ´´dr. Ferreira da Luz (Vol. III – MM R), buscou na linguagem geral dos índios – o IEIENGAQTU - os vocábulos que formassem a mesma significação de páu-que-bróta, e encontrou YBIRA – C E MA. Como o fato de brotar era simples e não em si nenhuma baliza ou transcendência, e existia no mesmo famoso idioma a palavra MIRA, que quer dizer gente, povo, quase com igual pronuncia, o dr. Ferreira da Luz, não trepidou e concluiu logo pela formação etymologica – MIRA C EMA, gente ou povo que nasce.´´ (3) 124
  • 125. Por sua indicação, em 14/01/1884, ´´a Câmara autorizou o seu engenheiro a fazer o levantamento cadastral do arraial de Miracema, não excedendo a 300$000 a despesa, discriminando os prédios, os devolutos e competente arruamento, estendendo-se esse serviço também à planta Cadastral da Vila, a fim de que, se vá aplicando o excedente da verba de – obras públicas, no calçamento das ruas. ´´(2) ´´07/01/1885 eleito Vice-Presidente da Câmara Municipal. 01/07/1886 reeleito Vice-Presidente da Câmara Municipal. 07/01/1887 reeleito vereador e Vice-Presidente da Câmara Municipal. 07/01/1889 reeleito Vice-Presidente da Câmara Municipal.´´ (1) ´´Em 03/08/1889, testemunhou o casamento de Siá Dora (Sinhá) (87 anos), mãe viúva de Altivo Linhares (03 anos) (Vol. – DL R) e proprietária da Fazenda Cachoeira Bonita, Miracema, com 450 alqueires, sendo 300 em mata virgem, com o italiano Francisco Bruno de Martinho (neste Vol. – FBM R). Diversas fazendas que pertenceram ao E stado do Rio foram transferidas para Minas Gerais pela intervenção direta de Firmo (Vol. II – B C R), que obrigava, em caso de inventários, que os mesmos fossem requeridos em Palma, o que, aliás, pretendeu fazer com a Fazenda Cachoeira Bonita, o que motivou a intervenção do juiz de Pádua Faria S outo, com a respectiva polícia´´; Lucas e Deodato Mendes Linhares, teriam sido os formadores da Fazenda da Cachoeira Bonita, com os Pinheiro e Córrego Raso, também, em Miracema.´´ (1) ´´1890 eleito Presidente da Câmara Municipal, extinta com o advento da República. Note-se que a mesma era o executivo e o legislativo municipal, cabendo ao seu presidente a chefia do executivo. Na República, o Decreto 33, de 04/01/1890, substituiu as Câmaras Municipais pelos Conselhos de Intendência, de livre nomeação, cassando o mandado dos vereadores. A constituição de 1891 restabeleceu as câmaras de vereadores. 125
  • 126. Teria buscado um acordo com Theófilo Junqueira (Vol. – DMJR), Gerente do Banco Ribeiro Junqueira, à separação de Miracema, do Município de S anto Antônio de Pádua e repartição da chefia do novo município.´´ (1) S egundo a neta Professora Áurea (1918) (Vol. - JCMB R), além de chefe político emancipacionista, foi o primeiro a introduzir máquinas de café em fazendas e trabalho em empresa comercializadora de café. ´´Circunscrito ao extremo, leal amigo, chefe político prestigioso, respeitado e respeitável, foi, a seu tempo, embora muitas vezes discordante em idéias partidárias – considerado com Joaquim de Araújo (Vol. – P P R), Francisco Procópio Alvim e Silva (Vol. II – F P R) e Jósimo Antônio de Barros (neste Vol. – CJ R) – padrões de austeridade, lídimos condutores dos homens´´. (1) Falecido em 08/02/1929 (84 anos), às 15 h, Praça Dona Ermelinda, 33 (atual 62), Miracema, RJ, residência que fez edificar por Massimiliano de Poli (1892/1969) (Vol. – M P R); natural de MG e funcionário público estadual. Casado, 2as. (de fato 3as.) núpcias com Maria Baptista Nascimento Moreira; filhos: Maria Moreira Nascimento, casada com Arnulpho Moreira Nascimento (Vol. – MN R); Zulmira Moreira Bruno, casada com Heitor Bruno (Vol. – NBT); Demerval do Nascimento Moreira, casado com Elvira Pinto Moreira; Dagmar Moreira casada com Afrânio Moreira; Edgar Moreira, casado com Emília Coutinho Moreira (Vol. – S C M R). Atestante: Dr. Ornelos Sylvio de Campos Reis, Declarante: Jecoymo Alfarefi Lima, representante comercial em Nictheroy. De acordo com o registro de óbito no Livro 14, fls. 179, Termo 32. (1) ((1) MPmemória; (2) Sertões dos Puris (04/04/1964), de Heitor de Bustamante (1880/d. 1964); (3) Miracema – Memória da Fundação desse Município Fluminense, Serviço Technico de Publicidade, Departamento de Estatística e Publicidade, Secretaria do Trabalho, 1936). 126
  • 127. Carlos Roberto de Freitas Medeiros, Prefeito de Miracema (2005/2008), recebe de Luiz Carlos Martins Pinheiro (1930) (neste Vol. – ANTE), Coordenador-Geral da MPmemória, em casa de sua mãe, Maria Aparecida de Freitas Medeiros, Rua Dr. Monteiro, 158, como doação ao acervo público da Prefeitura, um de três exemplares da mesma, sobre ´´OS MOREIRAS´´, especialmente elaborados à celebração, em 26/05/2005, do natalício de sua tia-materna, a centenária Eshter Martins Moreira (1904), 80 anos de Miracema, residente no no. 183, da mesma rua. Foto: autor e cedente: Júlio César Moreira Santos (Julinho) (1964) (Vol. II – HOSR), Diretor de ´´O Porta-Voz´´. DEPOIMENTOS: 1) Altivo Mendes Linhares (1896/1986) (Vol. – DLR) (Altivo Linhares – Memória de um líder da velha província, de Maurício Monteiro; transcrições autobiográficas): ´´Mas entremos nos fatos que interessam à comunidade: o restabelecimento definitivo da divisa dos dois estados, Minas e Estado do Rio na parte que interessa a Miracema; era a velha pendenga criada por Firmo de Araujo, dos Rezendes, de Cataguases, de que a divisa de Minas deveria vir até o ribeirão Santo Antônio. A frouxidão dos políticos que dominavam o município de Santo Antônio de Pádua foi deixando que os políticos mineiros incursionassem, pelo território fluminense; partindo da Fortaleza, já em 1851, pertencente ao Estado do Rio e viesse tomando as fazendas como: São Roque, Fortaleza, Morro Azul e Ubá. Foi estabelecido então um convênio entre os dois governos, segundo o qual, a arrecadação desta área – do ribeirão Santo Antônio para o lado de Minas – seria considerada contestada. Aí o Cel. José Carlos Moreira passou a ser o tesoureiro da arrecadação referente a esta zona.´´ ´´O Cel. Firmo apesar de militar na política mineira era muito cortejado pelos ``Coroneizinhos´´ da política fluminense; assim é que, o Cel. José Carlos Moreira, casando-se em 1895 com Carmélia Cúrcio, convidara para padrinho de casamento o Cel. Firmo de Araujo´´ (Vol. – BCR). 2) José Frederico Magalhães Siqueira (1942): 1º.) O Alvorecer de Miracema (II) (ce: 16/08/2005, MPmemória): ´´Ainda sob regime monárquico, em 1883, ocorreu a emancipação de Pádua; de distrito de São Fidélis para vila independente. Esta transição foi quase como um 127
  • 128. passeio. Não houve disputas e tão logo o dinheiro, para a construção da Câmara e Cadeia, ficou disponível, instalou-se o município. A disputa política podemos dizer, passa da sala de visitas para a cozinha! Em Miracema, como uma espécie de direito hereditário, o poder era exercido por Francisco Procópio tendo como correligionário José Carlos Moreira. Por outro lado, Ferreira da Luz, Joaquim de A. Padilha e seu genro Josino Antônio de Barros (Fazenda da Liberdade) fundam um clube republicano, polarizando-se as diferenças entre os monarquistas e os, agora, novos republicanos. A campanha republicana, por estes lados, foi muito mais intensa do que normalmente imaginamos. Nilo Peçanha foi apedrejado em Laje do Muriaé e enfrentou monarquistas em Miracema. Silva Jardim na sua conferência em Pádua discursou tendo sempre o revólver ao alcance da mão. Com a proclamação da república Ferreira da Luz tornou-se o principal político do município. Adotou orientação política contrária a do interventor no estado do Rio, Francisco Portela, provocando inevitável choque entre ambos. Então, Francisco Portela funda, em Pádua, um diretório político tendo entre seus integrantes F. Procópio, Firmo de Araujo e José C. Moreira. O fato provoca protestos, pois estas personalidades eram consideradas monarquistas pelos clubes republicanos. O desenrolar das disputas culmina com os acontecimentos de 1891, quando Ferreira da Luz e Josino Antonio de Barros comandam um contingente de 600 homens armados que cercam a intendência municipal, assumindo o governo até as eleições de 1892. Nestas eleições o grupo de Ferreira da Luz venceu de forma total e Francisco Procópio foi o grande derrotado (meu pai, Bené Siqueira, contava a história de que esta derrota foi de tal modo traumatizante que um mês após os resultados, aos 56 anos, F. Procópio falecia, em profundo estado depressivo). Já Firmo de Araújo voltou-se para Palma e conseguiu, junto a antigos companheiros secundaristas, a emancipação, tornando-se o líder político do novo município e, aproveitando a instabilidade reinante, reintroduziu o velho problema dos limites entre Minas e Rio de Janeiro. Por sua vez, José C. Moreira, apesar das condições adversas, obteve sua eleição. O período entre 1894-1915 foi dramaticamente trágico, tendo como conseqüência, imensa agitação política e social. Iniciou-se com a tragédia de Ferreira da Luz, eleito deputado, no auge de seu prestígio político, foi acometido de grave doença, praticando o suicídio. Continuou com a luta do Contestado, com o assassinato do jornalista Otávio M. Barros, com a atuação do grupo “mão negra”, com a invasão pelo “grupo da morte” da cidade de Palma, cujo desfecho foi a morte de Firmo de Araújo. Contudo, o noroeste fluminense era uma das principais áreas de desenvolvimento do país, a cafeicultura experimentava notável crescimento, implantavam-se novas indústrias, o comércio ampliava-se, as cidades cresciam, surgiam as bandas de música, os cinemas, a iluminação elétrica, percebia-se um nítido movimento do campo para a cidade. Por esses tempos Custódio de Araújo Padilha, cujas raízes estão fincadas na velha Cachoeira, comandava a corrente padilhista. Em Miracema o padilhismo teve como seus líderes Josino Antônio de Barros, Francisco Dias Tostes (Vol. III – FDTR), José Alvim Tostes, Joaquim Bernardino de Barros e muitos outros. Como adversários os padilhistas enfrentavam o grupo cuja liderança era exercida por Themístocles de Almeida, que recebia apoio, em Miracema, de José da Silva Bastos (outra tradicional família de raízes cachoeirenses ). Já o experiente José C. Moreira associava-se às forças emergentes e de características urbanas, entre esses novos agentes apareciam os imigrantes, principalmente italianos e libaneses. Esses dois povos possuem pelo menos uma característica comum: a imensa emotividade, neles a paixão jorra incontida, a vida queima no fluxo livre das emoções. Temperadas pela matreirice mineira e pelo amor à 128
  • 129. terra miracemense de um Melchiades Cardoso (o primeiro separatista) (Vol. – MCA) essa mistura desencadeou forças cuja resultante conduzia, quase sempre, a vitórias eleitorais e que acabaria desaguando na idéia separatista. Por volta de 1920, Raul Nascimento (sobrinho de José C. Moreira) apresentou na assembléia fluminense o projeto de emancipação de Miracema. Notável reforço para o lado separatista significou a adesão de Ventura Lopes (Vol. – AVCLR), eleito prefeito para o período 1927-1929. O movimento separatista tornou-se o tema central da política municipal, levando antigos e ferrenhos inimigos padilhistas e themistoclistas a unirem forças para derrotá-lo. Enquanto transcorria a disputa separatista, gestava-se, em nível nacional, o movimento tenentista. Para o jovem fazendeiro Altivo Linhares, ideologicamente livre, não foi difícil acolher e apoiar as novas idéias. Quando estas triunfaram, tornou-se o seu principal representante. Mas o movimento separatista também foi vitorioso, conseguindo a emancipação! Emergiu, então, a tríade, Ventura Lopes, Altivo Linhares, Melchíades Cardoso que nos trinta anos seguintes, para o bem ou para o mal, iriam canalizar e conduzir as esperanças, os desejos e as emoções da nascente comunidade.´´ 2º.) correio eletrônico: 12/10/2006: ´´do livro "Sertões dos Puris". Na sessão de 7 de janeiro de 1896 da Câmara Municipal, o vereador Martiniano de Holanda Cavalcante propôs e os logradouros de Miracema passaram a ter as seguintes denominações: - a rua das Flores, rua José Carlos.´´ 3) Heitor de Bustamante (1880/d. 1964) (Sertões dos Puris, 04/04/1964): ´´Tenente-Coronel José Carlos Moreira, mineiro, do município de ´´Lima Duarte´´, onde nasceu a 14 de maio de 1845. Muito moço ainda veio para a freguesia de Pádua, casando-se em Miracema com uma irmã do fazendeiro Francisco Batista do Nascimento, também mineiro. Foi proprietário da fazenda da Lagoa Preta e por muitos anos funcionário da Secretaria de Finanças deste Estado, num posto arrecadador ali mantido. Circunspeto ao extremo, leal amigo, chefe político prestigioso, respeitado e respeitável, foi, no seu tempo, embora muitas vezes discordantes em idéias partidárias, - considerado como Joaquim de Araújo Padilha, Francisco Procópio de Alvim e Silva e Josino Antônio de Barros – padrões de austeridade, lídimos condutores de homens. Faleceu em 18 de fevereiro de 1929, contando 84 anos de idade.´´ 4) Joffre Geraldo Salim (1920) (Vol. III - MMR). ´´Interpretando os anseios e os sentimentos de Miracema, os grandes líderes José Carlos Moreira, José Giudice (Vol. – JGP) e Barroso de Carvalho (Vol.II – BCR), face ao que vinha ocorrendo em prejuízo do progresso da terra natal, pleitearam do então presidente do Estado do Rio de Janeiro, Dr. Raul Moraes da Veiga, a emancipação político-administrativa do 2º. Distrito; pedido que não foi aceito por sua excelência. Com o não atendimento..., os sonhos dos separatistas se intensificaram com mais vigor fazendo recrudescer o movimento da campanha. No ano de 1922, o Deputado Raul do Nascimento, interpretando o sentimento dos seus 129
  • 130. conterrâneos, apresentou um projeto à Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, propondo oficialmente a emancipação do nosso 2º. Distrito. Frustrados nas suas pretensões, os miracemenses resolveram partir para uma arrancada definitiva, organizando um movimento denominado oficialmente de Partido Separatista, sendo a sua primeira reunião realizada na residência do Dr. Américo Homem, à Praça D. Ermelinda, no dia 10 de janeiro de 1926, contando com a presença de 159 miracemenses. A primeira reunião do novel partido foi convocada pelo Dr. Américo Homem, Dr. Teófilo Junqueira (Vol. - DMJR) e Cel. José Carlos Moreira. Presidiu esta reunião o Dr. Teófilo Junqueira e teve como secretário o sempre brilhante jornalista e poeta Barroso de Carvalho. Por aclamação foi eleita a primeira Comissão Executiva da Campanha, composta por 30 membros. No dia 4 de novembro de 1926, na residência do Cel. José Carlos Moreira, a Comissão Diretora da Campanha se reuniu para tratar de vários assuntos de interesse do movimento, quando na oportunidade, foi aprovado por unanimidade o lançamento do insigne chefe político e um dos mais respeitáveis líderes separatistas Cap. Antônio Ventura Coimbra Lopes, como candidato ao cargo de prefeito do Município de Santo Antônio de Pádua, às próximas eleições. Para alegria dos miracemenses Ventura Lopes foi eleito para um mandato de três anos. Um dos primeiros atos de Ventura Lopes foi a criação da Subprefeitura de Miracema, nomeando seu primeiro titular, o grande miracemense Virgílio Damasceno (Vol. – VDR), membro de um dos mais tradicionais e pioneiros clãs da terra. Com a criação da subprefeitura a maior parte da renda tributária do distrito de Miracema passou a ser aplicada em inúmeras obras públicas, tais como abertura de estradas, urbanização do distrito e início do calçamento das ruas locais, começando pela artéria principal, a rua Marechal Floriano Peixoto, apelidada na época de Rua Direita.´´ 5) Avelino Ferreira (Miracema: de Ermelinda à emancipação Fazenda da Mutuca, onde residiu Dona Ermelinda. O que é verdade e o que é lenda?) (Jornal Dois Estados, 15/05/2006): ´´A campanha separatista, embora alguns apaixonados digam que começou em 1906, com um artigo de Melchiades Cardoso, então com 16 anos, para seu jornal O Grupo, na verdade, só começou, efetivamente no início da década de 20, quando José Carlos Moreira e Gilberto Barroso de Carvalho pleitearam do presidente do Estado, Raul Moraes da Veiga, o desmembramento de Miracema do município de Pádua. Pedido negado. Em 1922, após ouvir as lideranças políticas de Miracema, o deputado Raul Nascimento apresenta projeto na Assembléia Legislativa propondo a emancipação. Aquela Casa de Leis não aprovou o projeto. Com a criação do Partido Separatista, cuja primeira reunião foi realizada na casa de Américo Homem, na Praça Dona Ermelinda, no dia 10 de janeiro de 1926, com a presença de 159 miracemenses que atenderam a convocação feita pelo próprio Américo, Teófilo Junqueira e José Carlos Moreira. Secretariou a reunião Gilberto Barroso de Carvalho. Esta reunião foi, efetivamente, o início da campanha pela emancipação. Os presentes aprovam e elegeram uma comissão de 30 membros para a vanguarda do movimento. No dia 04 de novembro de 1926, na casa de José Carlos Moreira, a comissão se reuniu e foi aprovado o 130
  • 131. lançamento do nome de Antônio Ventura Coimbra Lopes para candidato a prefeito de Santo Antônio de Pádua.´´ 6) José-Itamar de Freitas (Vol. – GR) (correio eletrônico de 22/09/2006, à Tia Ricarda): ´´Sabe, eu nasci na Rua das Flores, que tem oficialmente o nome de meu bisavô, “Coronel” e político José Carlos Moreira, que teve 6 filhos bastardos com uma jovem e linda escrava. Filho bastardo, você sabe, é “naturalmente” discriminado, excluído – ainda mais naqueles tempos. Mas o “Coronel” teve seu lado bom: apesar de se casado com outra (e entra aqui outro capítulo de novela), legalmente, mais tarde, reconheceu os filhos bastardos. Meu avô, as vezes cordeiro, às vezes lobo, era um desses 6 filhos “ilegítimos”. E eu, para meu orgulho (e sabendo dos detalhes ricos que eu sei), eu sou bisneto da linda, desaforada e fogosa escrava, que infelizmente não conheci. Nasci naquela casa vizinha à do meu tio-avô Aurélio Moreira, pai da Climene Moreira; naquela pequena casa onde morou por anos e anos Carmindo Feijó, dona Quita e o Carmindinho. Voltei a morar na Rua das Flores aos 15 anos, desta vez na casa pertencente a João Souto. Sou de lembrar, um por um, salvo raras exceções, quem morou em cada casa da Rua das Flores, dos 40 a 60. Da velha Igreja Batista, saíam músicas lindas, que jamais deixaram a minha memória - embora até hoje até jure que certas mesmas canções – por exemplo, “Deixa a luz do céu entrar” – eu as ouvi entoadas tanto por batistas, quanto por católicos. Minha mãe lamentava que o Cinema 15 que já não tinha a ver com o Quinze do seu tempo. Virara um cinema, mas fora mais um cinema e fizera brilhar a Rua das Flores – é que morreram as Sociedades, o Quinze e o Sete, símbolos de uma época. Vamos a um rápido resumo desta história que tem lances novelescos, mas que não testemunhei, pois ainda não era nascido, e que fazem parte das minhas muitas anotações, de menino e adolescente, e mais tarde, como jornalista, através de depoimentos de dezenas de pessoas já se foram. Climene Moreira é a filha do primeiro casamento do farmacêutico Aurélio Moreira. A mãe da Climene nasceu em Palma (ex-Capivara) e, por motivos novelescos, foi entregue a uma estranha mulher que morava em Miracema (ou Sto. Antônio de Miracema ou São Antônio dos Brotos). Para ser mais objetivo (estas histórias sempre me fascinaram): a mãe da Climene se chamava Izaura ou Isaura (“Zizinha´´). Morreu quando a Climene era pequenininha, na casa em que a família morava, anexa a uma farmácia, na divisa entre a Rua das Flores e a Praça Dona Ermelinda, bem perto do local em que o Jairo Domingues Leal,..., iria construir a casa dele. A Climene era a mais nova dos filhos de Aurélio/Izaura. Eles chamavam Clairval (ou Clarival – conhecido como Vavate); Clemilda (Miúda); Clélio; Clair (Nenzinha) e Aurélio Filho. Algum tempo depois, Tio Aurélio fez a bela casa na Rua das Flores; casou-se com Dorvila Barbi, que foi uma maravilhosa, santa madrasta para os filhos do Aurélio com Isaura. Do casamento de Aurélio/Dorvila, nasceram: Dorinéa, Dorival e Magali. Foi na casa tio Aurélio/Dorvila que se realizou, por motivos familiares, a pequena recepção do casamento de meu pai (João Baptista de Freitas) e minha mãe (Lélia Moreira de Freitas). Como vê, a Rua das Flores é a rua do meu coração, vindo a seguir o Jardim (Praça Dona Ermelinda – o Jardim), onde meu avô paterno, o português José de Freitas, construiu a casa dos seus e dos meus sonhos, aquela onde eu vivi até os 11 anos e 131
  • 132. que foi vendida, para decepção nossa, pela minha avó, para o fazendeiro e político Ventura Lopes. Lá está escrita, na frente e no alto deste sobrado, a última declaração de amor de meu avô, que veio menino e só da Ilha da Madeira, era inteligente e esperto, mas inacreditavelmente analfabeto. A última declaração de amor de um homem ao mesmo rude e (envergonhadamente) romântico, que morreu logo após a inauguração da sobrado: Vila Anna. Sei muito mais; um dia, se um houver um dia, eu conto muito, muito mais. Ou escolho um sobrinho ou sobrinha, jornalista, para contar o que recolhei vendo ou ouvindo, observando, anotando. Pena a vida seja tão curta e cheia de imprevistos. Desculpe se falei demais; fugiu-se do assunto, por instantes. A culpa é de uma rua que, teimosamente, insiste em ser chamada pelo velho, expressivo e revogado nome. - mas expressivo – de RUA DAS FLORES.´´ 7) June de Souza Carvalho (Cadeira no. 3 e Presidente da AML; Coluna Lembranças, Liberdade de Expressão, 02/2006): ´´Flores são para enfeitar, flores são para agradecer, flores para demonstrar amor, flores que expressam saudades, flores... flores... Rua das Flores, rua eterna que viveu momentos de alegrias, tristezas, carnavais e grandes histórias. Rua das Flores musical, com o piano de Carmindinho Feijó e da professora Zeni Seixas, enchendo-a de melodia e que nas manhãs de domingo no prédio do antigo Cine XV de Novembro, ouvíamos a banda do mesmo nome ensaiando, e, que à noite em frente a ele, formava uma imensa fila de pessoas para assistirem filmes. Era o melhor da semana. Rua das Flores da algazarra de alunos quando saiam da Escola São Genaro da professora Esmeralda Lemos Lontra e da Escolinha da D. Quita Feijó. Rua das Flores com suas histórias dos idos quando era iluminada por lampiões, contada pelo meu pai (coisas de sua juventude), sobre o homem de máscara de ´´duas caras´´, com capa preta e que descia a rua de cima (hoje Santo Antônio) por uma trilha, onde é a escadaria, escondendo-se na veste fantasmagórica a fim de não ser identificado pelos pecados que praticava. Rua das Flores, que por algum tempo foi só alegria quando o bloco do Jair Polaca fazia seus bailes carnavalescos aos sábados e matinês aos domingos no prédio da esquina (Loja Mulin). Rua das Flores onde viveu e morreu em plena juventude o nosso poeta Gilberto de Carvalho, deixando seu nome gravado para todos miracemenses com ´´PONTAS DE FOGO´´. Rua da Flores, com cadeiras nas calçadas, conversas descontraídas, com gente iluminada pelo clarão da lua cheia. Com famílias cuja convivência amiga e solidária que deixaram forte marca de saudade. Rua das Flores, que viu nascer e crescer pessoas que foram rosas, lírios, jasmins em suas profissões, em seu bem querer, perfumando toda a sua extensão, assim também como presenciou o nascimento de estrelas e astros brilhantes na cultura miracemense. Rua das Flores pequena, mas que seduz a alma de seus moradores, começando na esquina do jardim, terminando na esquina da rua João Rosa Damasceno. Rua das Flores, das famílias italianas que vieram de Minas Gerais e da própria Itália, dos libaneses vindos de outras plagas distantes e que escolheram-na para seu recanto. 132
  • 133. Rua das Flores, adocicada pelo aroma das taxadas de goiabadas feitas pelo senhor Antenor Seixas, homem tranqüilo e doce em sua solidariedade. Rua das Flores, com o som da gráfica imprimindo os acontecimentos que se passava na cidade e arredores e, também papéis importantes para o comércio e industrias; rua de casarões antigos, poucos ainda restantes e tombados pelo patrimônio, com histórias em suas fachadas e nas almas de quem ficou. Rua das Flores infantil, alegre e inesquecível, dos rolimãs, amarelinha desenhada nas calçadas, da peteca, do pular corda, dos piques, do soltar pipas, enfim... Brincadeiras mil e nas tardes ensolaradas, as crianças davam voltas no quarteirão sem encontrar empecilhos, De esquina a esquina, podia-se vê-la inteira, larga, recebendo uma leve brisa vinda da praça, tocando os cabelos e as almas de quem por ali andava. Hoje ainda é a Rua das Flores, testemunha silenciosa em seu calçamento de pedras, presenciando anos e anos o que ali passou e passa. O tempo alterou um pouco seu nome, parecendo estar murchando, mas as flores que ficaram na lembrança viverão nos corações, embora sentidas pelas diferenças acontecidas na rua. As recordações não se esvanecem das pessoas queridas e de tudo que passou, da época daqueles que nela viveram. Os poucos residentes que restam de lembrança, ainda curtem a Rua das Flores, visualizam-na de outra maneira e procuram se adaptar a mudança dela. Pela manhã os moradores são despertados por sons, que saem de grandes caixas, alertando-os da atualidade e tornando as ´´flores´´ da memória: - metálicas, ousadas e sem perfume, que vai como uma fumaça subindo, turva e se elevando cada vez mais acompanhada das estridentes músicas, cujos ritmos aos poucos agem como uma máquina impressora na mente, deixando lá dentro o calypso, vozes sertanejas, forrôs, funk, tudo num embalo frenético. Realmente, a Rua das Flores não é a mesma, hábitos vão sendo incorporados a cada morador e vai aos poucos se tornando rotina. São novos tempos. Rua das Flores, por que seu nome? Pesquisei, indaguei, mas nem mesmo meus familiares souberam explicar seu apelido. Então formei uma suposição: - seria por causa de muitas moças bonitas, as primeiras moradoras, ou para diferenciá-las daquelas que moravam na rua de cima (Sto Antônio), chamadas de moças de vida fácil? Contudo a Rua das Flores ainda é poderosa, pois tem moradores que zelam para mantê-la bela, enfeitando suas calçadas com canteiros verdes ao redor das árvores, com seus pequenos jardins em frente às casas, mesmo curtindo o som moderno das músicas, Deus não a abandonou, porque no casarão número setenta (antiga residência de Barbi Moreira), a Escola Municipal de Música, leva para o ambiente da rua, pelas clássicas musicais, vozes infantis e juvenis em coral, equilibrando as lembranças dos moradores que a ama e que permanecerão nela até poderem chegar ao final da caminhada, levando uma ´´flor´´ de saudade dessa pequena rua, para sempre.´´ 8) José Erasmo Tostes (1931) (Vol. – CDTR) (Tipos e Fatos Inesquecíveis. Liberdade de Expressão, no. 100, 03/2008): ``Coronel José Carlos Moreira – Nascido no estado de Minas Gerais veio novo para Miracema aqui residiu até o resto de sua existência lutando para o progresso da terra. O seu nome está ligado a todas as iniciativas tornadas e realizadas pelo engrandecimento de Miracema. Tem uma rua com o seu nome.´´ 9) bisneta-paterna Rachel Bruno Siqueira (1956) (Vol. - JCMBR) (correio eletrônico: 22/05/2008): 133
  • 134. ´´Os filhos do meu Bisavô, José Carlos Moreira, eram: Isaura, Zulmira, Dagmar, "Micotinha" (acho que é Maria), Dermeval e Edgar. 1. Isaura casou-se com Heitor Bruno e tiveram meu Pai, José Carlos Moreira Bruno, mais conhecido por Carlos Bruno. Vovó Isaura faleceu de tifo quando o Papai estava com 10 meses, ficando este aos cuidados da sua Tia Zulmira. 2. Zulmira apegou-se demais ao meu Pai e, ao anúncio do meu avô, Heitor, de que procuraria outra esposa, minha, até então Tia, disse-lhe que não levaria o Carlos, então ele propôs-lhe casamento, o que aceitou, por amor, inicialmente, ao meu Pai. Desta união nasceram: Áurea e Isaura Moreira Bruno; mas prevaleceu sempre a opinião do Carlos, para minha avó, não fazendo nada sem antes consultá-lo (como Dindinha Áurea e Tia Isaurinha devem ter sofrido!....). Vovô Heitor morreu no dia 01/01/1956, de derrame. 3. Tia Dagmar casou-se com.... e teve Afrânio, Neuza, Maristela e criaram Leila, irmã do Dr. José Danir, por parte de Pai; sempre moraram em Barra Mansa. Só está viva a Neuza, em Juiz de Fora, dentista aposentada há anos, solteira. 4. Tia "Micotinha" casou-se com seu primo-irmão Arnulpho Nascimento e nasceram: Paulo de Tarso, Geraldo Magella, Clóvis, "Irmã" Lúcia (não me lembro se era Cacilda ou outro nome, pois, para ser Irmã de Caridade, mudava-se o nome) e uma que faleceu nova, talvez pelo grau de parentesco, mas não sei seu nome. - Paulo de Tarso, engenheiro da Rede Federal Ferroviária, casou-se com Olinda, descendente de Portugueses e não tiveram filhos. - Geraldo, autônomo, casou-se com sua prima-irmã, Tia Isaura (irmã da Dindinha Áurea), já bem mais velhos e adotaram uma bebê, que lhes deu muito trabalho e sofrimento e hoje vive da herança deles em Juiz de Fora, mas não mantém contato com ninguém. Os 2 já são falecidos. - Clóvis, Médico Veterinário formado pela Universidade de Viçosa, 1ª turma, me parece, passou no concurso do Ministério da Agricultura e, já noivo, foi fazer um trabalho no Rio Grande do Sul, onde conheceu este docinho, "Tia" Olga Martins, se não me engano no sobrenome, filha de um proprietário de uma estância em Santana do Livramento, onde nasceu e foi criada e apaixonaram-se. Ele voltou, terminou o noivado e casou-se com esta pérola de Tia Olga e tiveram: Cacilda, Bióloga e Professora da UFF; Beatriz, Médica Veterinária aposentada do Ministério da Agricultura e moradora de São Paulo; Nélson, também Médico Veterinário, com o 2º casamento foi morar em Antônio Carlos, ao lado de Florianópolis, onde estão felicíssimos há alguns anos, depois de terem seu sítio-clínica-hotel de animais em Jacarepaguá assaltado várias vezes e a Tia Olga vive pagando a Gol, pois, apesar dos 85 anos, viaja para todo lado e, depois de um vinhozinho ou whysky, dança uma noite inteira! - Irmã Lúcia (é Cacilda mesmo, 2º a Lia, que aniversaria hoje e ficamos gêmeas até domingo) dedicou sua vida aos pobres, velhinhos etc... Um docinho! 5. Tio Dermeval, dentista, casou-se com Elvira Pinto e tiveram: Saulo Pinto Moreira, Médico, casado com Zoé Rezende, de Juiz de Fora, onde residem. Ele é médico do Itamar Franco, grandes amigos, foi Vice-Prefeito do Itamar para este sair para o Senado e o Padrinho Saulo ser o Prefeito; depois foi seu assessor em Brasília, na Presidência e no Governo de Minas, também assessorou-o e em todos estes cargos viajou como Médico e Assessor do Itamar; Luiz Paulo, casado com Onidéa (foram os 2 que tiveram aquela morte horrível e que me machuca até hoje) e ele era dentista; Fernando, o caçula, era Médico aqui no Rio, mas já faleceu. 134
  • 135. 6. Tio Edgar, trabalhava no Cartório ao lado da sua casa, casou-se com Tia "Miluta" (não sei o nome verdadeiro) e tiveram: Antônio Coutinho, Agrônomo da EMATER, Luiz Carlos, Consuelo, Loudete e Solange Moreira. Resumindo: Todos são chamados por nós de Tios ou Padrinhos por serem bem mais velhos que nós e Mamãe nos ensinou a chamá-los por Tio e o Padrinho Saulo é padrinho só do meu irmão mais velho, mas copiamos igual papagaio... Todos são do ramo Moreira, incluindo o Tio Clóvis Moreira Nascimento, Professor e respeitado pesquisador da UFRRJ, que residiu no Campus até aposentar-se.´´ 10) Angeline Coimbra Tostes de Martino Alves (1972) (Vol. – FAAR) (correio eletrônico: 03/01/2009): ´´No dia 29 de dezembro de 2008 o mobiliário e todos os instrumentos da Escola Municipal de Música Sete de Setembro , foi transferido para a biblioteca da E. M. Prof. Álvaro Augusto da F. Lontra (Vol. – MPR) ficando provisoriamente sem sede oficial, pois o prédio onde funcionava era emprestado em regime de comodato e foi solicitada sua desocupação . Esperamos que seja resolvido o mais rápido possível o local da nova sede, pois os alunos não devem ser prejudicados. Mais um compromisso adiado para nova gestão.´´ SUPLEMENTOS: 1) Legislação: 1.1) Câmara Municipal de Santo Antônio de Pádua – Sessão de 07/01/1896 (Heitor Fortes de Bustamante (1880/d. 1964) (Sertões dos Puris, 04/04/1964): ´´Nesse dia, presentes em sessão os vereadores João Luís de Araújo, Paulino de Araújo Padilha, José Bernardo Cândido de Figueiredo, Joaquim José de Macedo, José Perlingeiro, João Claudino Pinto, Martiniano de Holanda Cavalcante, Lídio José Pereira, João da Silva Viegas e Teófilo Gomes do Amaral, elegeram para êste ano, presidente e vice-presidente, o 1º e o 2º dos presentes. Nesta sessão ainda, por proposta do vereador Martiniano de Holanda Cavalcante, as ruas e praças de Miracema passaram a ter a seguinte denominação: onde era rua da Estação até o hotel Carmo, chamar-se-á, rua Firmo Pereira. Rua Direita até a Praça - Rua Floriano Peixoto. A praça do Xafariz - Praça Dª Ermelinda. Rua do Padre Domingos - Rua Dr. Monteiro. Rua dos Padeiros - Rua dos Bastos. Rua Chico Barbeiro - Rua Josino de Barros. Rua das Flôres - Rua José Carlos. Rua da Laje - Rua dos Padilhas. Rua do Aurélio - Rua dos Padeiros. Rua da Capivara - Rua dos Tostes. Rua do Café - Rua dos Gabriéis. Rua Olímpio Padilha - Rua tenente Coronel Manoel Felisberto. Largo da Igreja - Largo da Matriz." Nada sabemos quanto à aprovação de sua atual denominação 1.2) Decreto no. 349, de 02/01/1995: Art. 1º) ´´tombamento: números 70 (total) e 111 (total, inclusive parte da Rua Cel. Josino)´´. Art. 2º.) Calçamento e árvores (oitis) das ruas:... Cel. José Carlos Moreira´´. Nota: calçamento e árvores (oitis) destombados pelo Decreto no. 0.144 de 01/04/2009. 135
  • 136. 1.3) Edital do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Vol. – CB): Tomba o traçado, o calçamento em paralelepípedo e os imóveis: no. 41, no. 69, no. 70, no. 111 (esquina c/ Rua Coronel Josino, que inclui o no. 62 – 2º. pavimento da mesma rua), no. 114 e no. 120, no. 124, no. 179, nos. 192 (no. 91). 2) Família Moreira (Dauto Moreira; correio eletrônico: 20/01/2006): ´´O maior volume de informações sobre a família Moreira de que tenho conhecimento está contido em http://www.ffbnfrancisco.hpg.ig.com.br/ (desativado). Estou montando um pequeno trabalho sobre a família, voltado especificamente para o ramo ao qual pertenço... Neste trabalho, faço menção à origem dos Moreiras no Brasil, com apontamentos extraídos do livro Godofredo Rodrigues de Oliveira: Seus Ancestrais e Sua Vida, de Francisco Rodrigues de Oliveira. 1 José Candido Rodrigues (José Caetano Rodrigues?) – O mais antigo ancestral da família do qual se conhece alguma coisa escrita tem seu nome ainda controverso. Seu neto, Cesário José de Paula Moreira, deixou um caderno de recordações, iniciado em 20 de novembro de 1884, e que foi copiado pelo filho deste, Antonio Carlos Moreira (Ninico Moreira), no qual se lê que José Candido Rodrigues era casado com Antonia Theodora de São José. José Candido faleceu “quase que de repente” em 20 de setembro de 1864. Antonia Theodora de São José faleceu em 14 de novembro de 1881. Há também o livro Godofredo Rodrigues de Oliveira: Seus Ancestrais e Sua Vida, de Francisco Rodrigues de Oliveira, com mais detalhes a respeito. Nesse livro, José Cândido aparece com o nome de José Caetano Rodrigues e a seu respeito informa: “José Caetano Rodrigues/Antonia Theodora de São José - ´José Candido Rodrigues (José Caetano Rodrigues?) – O mais antigo ancestral da família de que se alguma coisa escrita tem seu nome ainda controverso. Seu neto, Cesário José de Paula Moreira, deixou um caderno de recordações, iniciado em 20 de novembro de 1884, e que foi copiado pelo filho deste, Antonio Carlos Moreira (Ninico Moreira), no qual se lê que José Candido Rodrigues era casado com Antonia Theodora de São José. José Candido faleceu “quase que de repente” em 20 de setembro de 1864. Antonia Theodora de São José faleceu em 14 de novembro de 1881. Há também o livro Godofredo Rodrigues de Oliveira: Seus Ancestrais e Sua Vida, de Francisco Rodrigues de Oliveira, com mais detalhes a respeito. Nesse livro, José Cândido aparece com o nome de José Caetano Rodrigues e a seu respeito informa: “José Caetano Rodrigues/Antonia Theodora de São José — ele faleceu em 20 de setembro de 1864 e ela faleceu na Fazenda Oliveira, distrito de São Domingos, então município de Rio Preto, em 14 de novembro de 1881. Consta que vieram de Bagagem, hoje Estela do Sul, no Triângulo Mineiro. No inventário de Antonia, constam como herdeiros: Carlos José Moreira; Ana Cândida (casada com Arcanjo Borges de Abrantes); Maria (casada com José Basílio de Paula); Gerônimo Rodrigues de Oliveira, casado; Inocência (casada com Manoel José de Paula); Umbelina (casada com João Caetano Rodrigues); José Rodrigues de Oliveira, casado; Gabriela (casada com Pedro Carlos Gonçalves Franco); Antonio Carlos de Oliveira, casado; Francisco José Moreira (já falecido, tendo deixado viúva e 10 136
  • 137. filhos). Foram inventariados terrenos, benfeitorias, móveis e utensílios domésticos, gado, escravos e uma casa no arraial de São Domingos. Eram 12 escravos, devidamente ‘matriculados’ em Barbacena. É praxe a sub-avaliação dos bens nestes casos, mas mantendo sempre um valor relativo. Um escravo adulto podia valer o equivalente a 60 vezes o preço de uma vaca leiteira. O filho mais velho do casal, Carlos José Moreira (1819/1884), foi casado com Ana Joaquina de São José (?/1885), e adquiriram a fazenda do Jacó e outras fazendas nas imediações de Barbacena, tiveram 12 filhos e geraram a família “Moreira” na região. É um dos ‘troncos’ da descendência agregada à Fundação Francisco Batista do Nascimento, atualmente com cerca de 7.000 associados.” Nota-se uma verdadeira confusão no tocante aos sobrenomes dos filhos de José Caetano Rodrigues. Uns adotaram “Moreira” e outros “Oliveira”. A explicação encontrada nas pesquisas do autor do livro é a seguinte: Os que adotaram Oliveira utilizaram-se do nome da fazenda Oliveira onde viveram. Sobre esta propriedade, há, no livro, a seguinte declaração dada por José Caetano Rodrigues: “Digo eu abaixo assinado, que sou senhor de uma fazenda de campo e cultura denominada Oliveira, no distrito de São Domingos da Bocaina, da Freguesia de Ibitipoca, que levará de cultura cento e tantos alqueires para mais, ou menos, divisa com os herdeiros de Alexandre Alves, para o nascente, para o norte com Francisco Maximiano, para o poente com José Joaquim, para o sul com o mesmo José Joaquim. Possuo mais uma sorte de terras na fazenda dos Brejos, de cultura e campo, em comum com os herdeiros do falecido João Cunha. Hoje, 3 de abril de 1856. José Caetano Rodrigues” Já os “Moreiras” teriam adquirido este sobrenome da seguinte forma: “A constatação da origem do nome ‘Oliveira’ trouxe uma outra indagação: qual a origem do sobrenome ‘Moreira’, adotado por alguns filhos de José Caetano e Antônia, já que eles não usavam esse sobrenome? Nos inventários mais antigos no Fórum de Lima Duarte não constam famílias ‘São José’, cujo nome não foi adotado pelos descendentes de José Caetano e Antônia. Os mais antigos da família Moreira deixaram um relato oral dessa origem: ‘Dois irmãos vindos de Portugal, de sobrenome ‘Moreira’, estabeleceram em locais diferentes. Um na Bahia e o outro no Sul do país. O primeiro contraiu hanseníase e veio tratar-se em Araxá. Prometeu que se curasse ou melhorasse, adotaria o sobrenome ‘São José’. José Caetano e Antônia vieram de Bagagem (hoje Estrela do Sul), no Triângulo Mineiro e supõe-se que ela e mais uma irmã, sogra de Carlos José Moreira, sejam descendentes desse Moreira, que também é ascendente de Ana Jacinta de São José”, a ‘Dona Beja’, de Araxá, responsável pela anexação do Triângulo a Minas e dotada de uma personalidade forte e que muito influiu na região.’ Esses fatos continuam a ser pesquisados.” Filhos de (1.1) Carlos José Moreira e Anna Joaquina de Paula 1.1.1 José Carlos Moreira (Coronel José Carlos Moreira) – nasceu em Dores do Rio do Peixe (atual município de Lima Duarte-MG) a 14 de maio de 1844. Casou-se em 30 de abril de 1870 com Teoriza Guimarães (nascida a 29 de outubro de 1847 em São Paulo – SP e falecida em 13 de novembro de 1877 em Miracema – RJ, vítima de tuberculose pulmonar). Em segundas núpcias, casou-se com Mafalda Maria da Conceição. Em terceiras 137
  • 138. núpcias, casou-se em 22 de julho de 1886 com Maria Batista do Nascimento Moreira (Inhazinha - viúva de seu irmão Antônio Carlos). O Cel. José Carlos faleceu em Miracema em 18 de fevereiro de 1929. Filhos: biografia. 1.1.2 Cesário José de Paula Moreira (Vol. III – CMT). 1.1.3 Rita Moreira – nasceu em Barbacena, a 24 de julho de 1854, casou-se em 1872 com Francisco Batista do Nascimento (Chichico) (Vol. – MNR). Rita Moreira do Nascimento faleceu em Miracema, a 24 de setembro de 1885, vítima de “uma febre”. Filhos (Vol. – MNR): Arnulfo Moreira do Nascimento, Maria Baptista Nascimento Lima (Titista), Prodóxima Moreira Nascimento Monteiro (Dodóxa), Calos Baptista do Nascimento (Cacute), Durval Moreira do Nascimento (Vavate) (1882/1977) e Raul Moreira do Nascimento. 1.1.4 Innocencia Moreira – nasceu em Barbacena (MG) em 17 de abril de 1856. Casou-se com Francisco Batista do Nascimento (Chichico, viúvo de sua irmã Rita) (Vol.- MNR) em 21 de julho de 1886. Innocencia Moreira do Nascimento faleceu em 06 de julho de 1944 em Barbacena. Filhos (Vol. – MNR): Euclides Moreira do Nascimento, Ranulpho Moreira do Nascimento e Nair Moreira do Nascimento Coutinho. 1.1.5 Luiza Moreira – faleceu em 09 de setembro de 1871, “vítima de uma suspensão”. Filhos: sem. FFBN (Vol. MNR) 1.1.6 Carlos José Moreira Júnior – faleceu no Rio de Janeiro em 31 de maio de 1889, vítima de febre remitente biliosa, faltando apenas defender tese para se formar em Medicina. Vítima de ´´febre amarela´´; sepultado em vala comum. Filhos: sem. FFBN 1.1.7 Belisário de Paula Moreira – Casou-se com Etelvina Castro Moreira (Vivina). Filhos: Gil de Paula Moreira, Aldemar de Paula Moreira (Mazinho), Corina Moreira Paes, Odete Moreira Coelho, Raul Moreira, Mauro Moreira, Geraldo de Paula Moreira, Milton Moreira, Paulo Moreira e Maria Helena Moreira Florentino. FFBN 1.1.8 Maria de Paula Moreira (Zizinha) – casou com José Thomas da Silva Coelho (falecido no Rio de Janeiro em outubro de 1911). Filhos: Célia Moreira Coelho, José Moreira Coelho, Carlos Moreira Coelho e Augusto Moreira Coelho. FFBN 1.1.9 Umbelina Ornelia de São José – casou-se com Estevão Teixeira do Nascimento em 14 de setembro de 1864. Estevão nasceu em Piedade do Rio Grande (MG) e faleceu em Barbacena em 18 de janeiro de 1916. Umbelina Ornelia de São José do Nascimento faleceu de pneumonia em 29 de janeiro de 1871. Filhos: Isolina Moreira Nascimento de Souza e Maria Umbelina Moreira Nascimento. FFBN 1.1.10 Constança Moreira – casou-se em 1871 com Estevão Teixeira do Nascimento (viúvo de sua irmã Umbelina Ornelia). Estevão nasceu em Piedade do Rio Grande (MG) e faleceu em Barbacena em 18 de janeiro de 1916. Constança Moreira do Nascimento faleceu em Barbacena em 02 de abril de 1907. 138
  • 139. Filhos: Estevão Teixeira do Nascimento (Estevinho), Carlos Moreira do Nascimento, Antônio Nascimento, Onésima Moreira do Nascimento Cunningham, Umbelina Moreira Nascimento Andrade, Alberto Moreira Nascimento e Isaú Moreira Nascimento. FFBN 1.1.11 Antônio Carlos de Paula Moreira – nasceu em Barbacena (MG), casou- se em 27 de novembro de 1876 com Maria Batista do Nascimento (Inhazinha - nascida em 07 de setembro de 1860 em Piedade do Rio Grande – MG e falecida em 02 de outubro de 1936 em Miracema - RJ de pneumonia). Antônio Carlos faleceu em Barbacena em 22 de novembro de 1884. Filhos: sem. FFBN. 1.1.12 Henriqueta Cândida Moreira (Quequeta) – casou-se com Antonio de Azeredo Coutinho Ollevant em 19 de maio de 1883. Em algumas fontes, Henriqueta adotou o sobrenome Coutinho e em outras Ollevant. Filhos: Maria de Azeredo Coutinho Nascimento (1884/1927), Laura de Azeredo Coutinho de Araújo Lima, Mário de Azeredo Coutinho, Petrina de Azeredo Coutinho, Emília Adelaide de Azeredo Coutinho Moreira (Miluta), Carlos Azeredo Coutinho, Rubem de Azeredo Coutinho (padre) e Anna Maria de Azeredo Coutinho (Anita). FFBN 1.1.13 Felício Caetano de Paula Moreira – casou-se com Ignacia de Oliveira Moreira em 25 de julho de 1883. Ignacia faleceu em Barbacena em 02 de dezembro de 1904. Filhos: Carlos José Moreira, José de Paula Moreira, Oscar de Paula Moreira, Maria José Moreira Vidigal, Ester Moreira, Zilda Oliveira Moreira, Alaíde Moreira de Castro, Armando de Paula Moreira, Hilda Oliveira Moreira e Omar de Paula Moreira. FFBN 1.1.14 Anna Moreira (Donana) – casou-se com Ernesto Monteiro do Nascimento em 05 de maio de 1886. Donana, com o casamento, parece ter adotado o nome de Anna Moreira Monteiro. Filhos: sem. FFBN 3) Primeira Igreja Batista (sem data; Noah Mury Coelho): ´´A história da Primeira Igreja Batista em Miracema começou na rua dos Gabriéis (Vol. III – GR), vulgo Rua do Café, lá pelos idos de 1914 – 1918, quando para o arraial de ´´Santo Antônio dos Brotos´´ vieram alguns irmãos oriundos do 1º. Distrito de Pádua, de Paraoquema, de Carangola, de Natividade e das Cabeceiras de Ubá que se agregavam em cultos residenciais. A esse tempo, a população desse arraial, então 2º. Distrito de Pádua (Miracema), contava pouco mais de dois mil habitantes. ´´Os Bíblias´´, assim rotulados, não existiam aqui. Dominavam os Católicos Apostólicos, Romanos. Ao raiar de 1920, o distrito acalentava os ideais de emancipação político- administrativa, já que gozava de produtividade agrícola vantajosa e um bom começo industrial e comercial, com algumas obras públicas relevantes, o que resultava em impostos interessantes para a municipalidade. Os pioneiros do trabalho batista somavam esforços, tanto assim que, a 06 de março de 1920, uma igreja se organizou com 27 membros, tendo à frente o destemido desbravador – o evangelista Elias Portes Lessa Filho. O concílio organizador foi constituído dos pastores: Alberto Lessa, Joaquim Lessa, Joaquim Alves Pinheiro e o Dr. L. M Bratcher. E o seminarista Elias 139
  • 140. Portes Filho consagrado já para exercer o ministério da novel Igreja. Convém observar que o Templo ainda não existia, todavia, a Igreja funcionava com vigor em território paduano (Miracema usufruiu autonomia somente em 1935, formada pelos 2º. e 7º. Distritos de Pádua). É importante também considerar o fato que parte do território que interessava aos paduanos e, por conseguinte, à Miracema, desde 1814 se arrastava numa pendenga entre os Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, constituindo uma área contestada, os quais disputavam os limites geográficos delimitados pelo Ribeirão Santo Antônio. Se vencessem os mineiros, o nosso Templo estaria hoje fora da área fluminense, então construído na ´´Rua das Flores´´, para aquém da linha divisória que foi legalmente definida após a Revolução de 1930. Em virtude do impasse, fora nomeado como tesoureiro, arrecadador dos impostos dessa região, o Sr. Coronel José Carlos Moreira que mais tarde foi homenageado com o seu nome para ser a atual rua na qual temos o Templo, mesmo porque, foi ele também um dos propugnadores da Campanha Separatista. Curioso é que todas as ruas daquele tempo eram conhecidas por apelidos característicos às próprias posições despertadas: Rua das Flores, do Café, Direita, do Lixo, da Laje, do Sapo, do Biongo, da Capivara, dos Prontos, dos Velhacos, da Rodagem etc. Em nenhuma delas havia calçamento. Era chão mesmo! Quando chovia, as estradas ficavam intransitáveis, com atoleiros assustadores. Até a topografia de nossa linda Praça Dona Ermelinda, então cercada de arame farpado para reter os animais, era desigual, constituída de parte baixa e parte alta, no que foi nivelada após 1930, no Governo do Sr. Altivo Mendes Linhares. Miracema ligava-se ao 1º. Distrito de Pádua pelo Ramal da Estrada de Ferro Leopoldina (Vol. II – GVP), com dois vagões para passageiros e dois para cargas. Os meios de transporte comuns se constituíam nos carros-de-boi, carroças de burros e charretes. Assim o obreiro que executava a gloriosa missão evangelista, fazia-a a pé ou em lombo de burro pelas estradas barrentas e poeirentas, atingindo as cercanias até o 7º. Distrito de Pádua (então, Paraíso do Tobias). Possuído de uma grande visão, o Pastor Elias Portes Filho enfrentava enorme desafio na construção do Templo, este mesmo sob o qual nos congregamos, sendo o construtor o Sr. João Caetano de Oliveira, o mesmo que acompanhou as obras do Templo da Primeira Igreja Batista em Aperibé, em 1919. Já havia luz elétrica e as Sociedades Musicais: XV de Novembro e Sete de Setembro. Rádio só para quem se permitia ligação elétrica. Estávamos no ano do 8º. Presidente civil do Brasil: Epitácio Pessoa. É governador do Estado o Sr, Raul Veiga. Era o ano do Centenário da Proclamação da Independência! O dia designado: 06 de março! Tudo estava arranjado para os festejos da inauguração do templo; até a Banda Sete de Setembro viria para abrilhantá-la! Porém uma forte tempestade impediu que o missionário e visitantes chegassem a tempo, em virtude do atraso do trem. Os visitantes locais se evadindo. Com isso não houve festa, acontecendo a solenidade às pressas e às escuras. Ao longo do tempo nossa igreja foi admitindo membros de outras regiões, batizando outros, excluindo, transferindo... e outros, partindo para a Igreja Triunfante. Chegamos a criar duas Agência-filhas: a Segunda Igreja Batista em Miracema (1994) e a Igreja Batista em Lajinha (Palma – MG / 1998). Alguns Pontos de Pregação instalados nos quatro cantos do Município e Congregações: em Paraíso do Tobias, Palma e, recentemente, em Campelo (Pádua). 140
  • 141. Vinte e seis anjos vocacionados ajudaram nessa Igreja a alcançar maturidade cristã (de 19120 a 2006), cada qual com seu ministério peculiar, métodos e expressivas manifestações de suas capacidades e habilidades administrativas no plano material e espiritual. São eles: Elias Portes Filho, Erodice de Queiroz, Benedito Borges, Antônio Soares Ferreira, Abelar Susano Siqueira, João Barreto da Silva, José Basílio de Souza, Daniel Silvério Faria, José Joaquim Silveira, Tiburtino Alves do Nascimento, Alfredo Reis, Nilo Cerqueira Bastos, Antônio Coelho Varela, José de Souza Herdy, José Fernandes Murta, José Francisco da Rosa, Itamar de Souza, João José Soares Filho, José Pereira da Silva, Francisco Quirino da Costa, Wandis José dos Santos, Élcio Augusto dos Santos, Amaury José Boaventura, Walcir Ney de Souza, Aurecino Coelho da Silva e, atualmente, Francisco Carlos da Conceição Jucá. Colaboram alguns evangelistas nas ausências de pastores. Participamos com a formação teológica de vários seminaristas. Não podemos olvidar aqueles irmãos que adquiriram o ´´passaporte celestial´´, deixando marcas indelevelmente registradas em nossos arquivos e corações pelo muito que fizeram em cumprimento ao ´´Ide´´ de Jesus, consagrando tempo e bens em prol do trabalho do Senhor, tornando a existência desta Igreja e deste Templo um atestado real e impressionante dos conturbados desafios e problemas que passaram (nos aspectos político, religioso. Social e material), legando-nos, conservando e ampliando, em pleno centro da cidade de Miracema, este portentoso patrimônio. A eles, rendemos nosso eterno preito de gratidão.´´ 4) Escola Municipal de Música 7 de Setembro: Autorizada pela Lei no. 680/? e fundada em 30/10/1997, funciona num prédio da família Moreira, cedido em comodato pelo Dr. José Barbi com a Prefeitura Municipal de Miracema, desde o Governo (01/01/1997-31/12/2000 e 01/01/2001-31/12/2004) do Dr. Gutemberg Medeiros Damasceno (Vol. – JRDR). A partir de 2003, passou a ser Pólo II da Escola Vila Lobos do Rio de Janeiro. Da criação até 2002 foi dirigida pelo Maestro Antônio Paiva. Desde então, o ingresso dos alunos passou a ser através de concurso e o diretor foi o Professor Carlos Moreira Nunes (Carlinhos Moreira) (1963) (Vol. - SCMR). Em fevereiro de 2003, assumiu a Professora Patrícia Miccichchelli Abreu e de maio de 2005 a Professora Nedymélia Félix El Khouri. Número de alunos: 166. Aulas ministradas: Prática Vocal e Vocal Infantil, Musicalização com crianças de 08 a 12 anos, Leitura Musical, Panorama Musical, Apreciação Musical, Estruturação Musical, Harmonia, Prática de Conjunto, Teclado, Violão, Clarineta, Flauta Doce e Transversa e Trompete. Apresentações na Praça Dona Ermelinda – Projeto Viver Legal, Viver Cantando e Tocando - em escolas públicas e em seminários. 141
  • 142. LOGRADOUROS DE MIRACEMA (CJR).........................Luiz Carlos/MPmemória Atualização: 10/10/2009 Rua Cel. Josino (Rua Chico Barbeiro, Rua Josino de Barros) (início: Rua Marechal Floriano, da qual é a primeira transversal; término: Rua Cel. José Carlos Moreira; transversal: nenhuma; como uma travessa) (Centro Histórico – Tombada) (Centro). Foto: 12/09/2006; autor: Jader Leal Alvim (Jadinho) (Vol. – APRE). Esquina com Cel. José Carlos Moreira (neste Vol. – CJCMR): 1) no. 111 (CJCMR) (1928) (tombado); construtor Massimiliano de Poli (1892/1969) (Vol. – MPR); Banco de Barra do Pirai (1929); atual residência de Linhares; 2) s/no. (CJR) em construção em 1977 à CTB – Companhia Telefônica Brasileira, depois TELERJ e atual Telemar Norte Leste S/A. Foto: 1) data e autor: desconhecidos; cedente: CCMC – Centro Cultural Melchíades Cardoso (neste Vol. – APP); 2) 12/09/2006; autor e cedente: Jader. Dizem que a primeira impressão é que fica. E ste pensamento é confirmado quando chegamos na esquina da Rua Cel. Josino com a Cel. José Carlos Moreira e visualizamos na beira da calçada, posicionado na metade da rua, um verdadeiro jardim suspenso. As 142
  • 143. cores das buganvílias se encontram no ar e nos brindam com momentos de verdadeira beleza. No começo da rua, do lado esquerdo, enfrentando o tempo, um prédio erguido no ano de 1928, esnoba a sua construção arquitetônica, orgulho dos miracemenses. Na parte térrea desse prédio, uma loja de material de construção que expõe, o que lá existe, do lado de fora do prédio. Um verdadeiro chamativo para os que estão envolvidos com construção. Várias residências conservam estilos antigos, convite aos saudosistas para um mergulho no passado. De repente penetramos no belo, que é o momento citado em primeiro lugar. Ali são vendidas várias espécies de folhagens, flores diversas e tudo o que se relaciona à vida rural. É o verde tomando conta dos olhares de todos que por ali passam. Mais à frente, nós nos deparamos com um imponente edifício. Ele foi construído em 1918. O andar térreo é aproveitado para o comércio: Posto Telefônico, Tele Moto – venda peças de moto, Gráfica, Papelaria e um bar que movimenta as noites dos jovens e de todos que gostam de um saudável bate-papo. No lado direito, no início da Rua Cel Josino está localizada a Telemar, atual responsável pelos serviços telefônicos em nosso Município. Mais à frente casas residenciais e um salão de cabeleireiro. S eguindo a calçada, um depósito de uma grande loja comercial. Na esquina com a “Marechal Floriano” existe uma imponente casa de eletrodomésticos e utilidades para o lar. E s sa rua abriga ainda um Ponto de Táxi. Podemos definir a “Cel. Josino” como uma rua tranqüila, simpática e privilegiada por ser abraçada por um nome de um antepassado que deu início ao progresso de nosso Município. Ricarda Maria Leal Alvim (Tia Ricarda) (1936) (Vol. I – AP R E). 143
  • 144. Calçamento tombado: 1) no. 10 (tombado) (1918), onde residiu Alfredo Efren El-Kik, último proprietário da Fiação e Tecelagem São Martino Ltda. (neste Vol. – FBMR) e hoje reside seu filho Assed Efren El-Kik (Vol. – EAKR). 2) no. 30 (tombado) – Floricultura. Jardim da rua. Fotos: 20/08/2006; autor e cedente: Jader. Fazenda Liberdade: 1) e 2) desenho de Walccy, 08/1994; 4) e 5) móveis no acervo CCMC. Fotos: datas e autores: desconhecidos: 1) e 2) cedente: desconhecidos. 3) cedente: Álbum Digital Carlos Augusto Tostes Macedo (Kasal) (Vol. – UMMR); 4) e 5) cedente: CCMC. Josino Antônio de Barros (1840/1909) 144
  • 145. Foto: data e autor: desconhecidos; cedente: Sertões dos Puris, de Heitor Fortes de Bustamante (1880/d. 1964). Filho de Antônio Bernadino de Barros e de Silvana do Vale Barros (2º matrimônio), nascido em 1840, em Rio Preto, Minas Gerais, na fazenda das Três Ilhas, pertencente aos seus pais. Com amplos conhecimentos de lavouras diversificadas, Antônio Bernadino de Barros dedicou-se com afinco ao plantio da famosa rubiácea, o café, visto estar em expansão, no início de século XIX a lavoura cafeeira. Antônio Bernadino de Barros, de posse de amplas e seguras informações de que as terras do Noroeste Fluminense eram muito férteis e propícias à cultura do café, logo adquiriu em terras de Miracema, então 2º distrito de S anto Antônio de Pádua, habitadas, na época, por índios Puris (Vol. III – P U RI), uma grande sesmaria. Ao falecer, pouco depois de 1840, Antônio Bernadino de Barros deixou o seu filho Josino Antônio de Barros ainda muito jovem e que ficou sob os cuidados de seu tio Gabriel Antônio de Barros – Barão de S ão João Del Rei, que a ele dedicou os maiores desvelos, matriculando-o, incontinenti, no famoso e histórico Colégio Caraça, Catas Altas, MG, dirigido pelo emérito bispo e escritor brasileiro Silvério Gomes Pimenta, considerado um dos melhores educadores do Brasil. Três dos filhos do primeiro matrimônio de Antônio Bernadino, que haviam herdado a sesmaria em Miracema, vieram aqui se 145
  • 146. estabelecer, criando as fazendas de S ão Luiz, de Custódio Bernadino de Barros, casado com Rita Alvim Barros, “Paraíso”, de Plácido Antônio de Barros e “Santa Inez”, de Francisco Bernadino de Barros, casado com Ana Josefa de Magalhães Barros. Nesta altura dos acontecimentos, Josino Antônio de Barros, já havia terminado os seus estudos no “Caraça” onde teve uma educação aprimorada, de lá saindo portando uma vasta e sólida cultura, falando vários idiomas e profundo conhecedor do latim. Resolveu, então, visitar os seus irmãos que se tornaram fazendeiros em Miracema. Durante esse período, Josino conheceu e fez amizade com o insigne pioneiro Cel. Joaquim Araújo Padilha (Vol. II – P P R) e sua ilustre família e se encantou com a filha do casal, senhorita Amélia, a quem passou a namorar e com ela se casando. Com os seus grandes conhecimentos, Josino sonhava desbravar horizontes mais amplos do que os circunscritos à vida rural. Contudo, ele se sentia atraído pela exuberância e beleza das nossas terras, na época do florescimento das fazendas consideradas modelares, tudo isso acrescidos de fortes razões de ordem afetiva, resolveu se dedicar ao campo, entretanto, sem abandonar os sonhos da juventude. Daí a razão de entrar na política local, motivo de atuação compatível com as suas luminosas idéias. Logo após a sua decisão de permanecer no campo, adquiriu uma grande área de matas virgens com vários mananciais, dedicando-se à cultura do café, como o seu pai. Josino Antônio de Barros, como abolicionista e republicano, deu o nome à sua Fazenda de “Liberdade”, como uma homenagem à abolição da escravatura que tanto defendia e que estava para ser consumada. Com o decorrer do tempo, aperfeiçoou a sua Fazenda com os melhores métodos existentes, dando-lhe maior expansão e progresso. Chegou, na primeira safra, a colher dez mil arrobas de café, representando 150 mil quilos. 146
  • 147. Josino, dentro de suas possibilidades, libertou vários escravos, adotando para todos o regime de assalariados, antecipando assim, o que iria acontecer de um modo geral para todos os escravos. Dispensava também toda assistência aos seus empregados, sendo que para os doentes ele criou uma enfermaria em cômodo anexo à sede. Ele costumava a tratar dos doentes pelo famoso guia “do Dr. Chamoviz´´, famoso clínico polonês, naturalizado brasileiro. Supria, assim, a carência de médicos que se fazia sentir no interior do Brasil. Devido a sua grande cultura e polidez, Josino granjeou a simpatia e a amizade de influentes chefes políticos da época e muitos deles se hospedavam na Fazenda. Atendendo aos impulsos da sua tendência política filiou-se ao partido Republicano, chegando em pouco tempo de militância à presidência da Câmara Municipal de Pádua, no período de 1897 a 1900, cargo que lhe atribuía funções executivas, quando dotou o Município de grandes melhoramentos. “Por mais de três vezes consecutivas foi escolhido Deputado E stadual. Destacou-se como orientador dos seus pares, revelando-se um líder a quem não faltavam os atributos de um espírito compreensivo, enérgico, conciliador”. Na Fazenda “Liberdade”, nasceram os seus filhos, todos ligados às atividades agrícolas e que são os seguintes: Arquimedes, Ana, Joaquim, Mariana, Leopoldina, Henedina. Antônio Rattes, Israel e Lucília, do primeiro matrimônio com Amélia Padilha Barros, falecida em 1889; e Aristeu, Constança, Mercedes, Lígia, Gedeão, Adiles e Maria do Carmo do segundo matrimônio com Bernadina Teixeira de Barros, filha do fazendeiro João Evangelista de Barros e de Constança Teixeira de Barros. Alguns dos filhos do Cel. Josino Antônio, do 1º matrimônio – Joaquim, cujo nome completo era Joaquim Bernardino de Barros (Vol. – CJBB R), que tinha o cognome de Quinca Josino; Antônio Rattes de Barros, conhecido como Totonho Josino, assim chamado carinhosamente por amigos e parentes do 2º. Aristeu Teixeira de 147
  • 148. Barros, Constança Barros Albuquerque, Lígia Barros Nacif, Gideão Teixeira de Barros, todos já falecidos. A Fazenda da “Liberdade” continua com o vínculo de Josino Antônio de Barros, o seu grande fundador, pois está nas mãos de seus netos, filhos de Antônio Rattes de Barros. O Cel. Antônio Josino de Barros, tem apenas uma homenagem singela em Miracema. É nome de Rua bem no centro da cidade, constando simplesmente o nome de Cel. Josino falta imperdoável que precisa ser logo retificada para o nome completo do homenageado que era uma verdadeira legenda de glórias. Importante depoimento: É bem possível que das existências dos nossos antepassados surjam modelos que ensejam, nas letras, a ressurreição de uma era que passou e que mercê um conhecimento mais amplo e mais aprofundado. A rapidez dos dados reunidos está a sugerir até mesmo o arcabouço de um romance de sentido histórico Regional. E olhem que Miracema já deu ao País o seu romance de repercussão. Quem sabe da vida de um Josino Antônio, de um Antônio Araújo Padilha, Francisco Bernardino ou João Evangelista não surgirá substância para uma obra de vulto? E aí está outra tarefa para gente nova. Francisco Magalhães Joffre Geraldo Salim (1920) (Vol. III – MM R) (“Liberdade de Expressão”, nº 58). MPmemória: contemporâneo do Cel. José Carlos Moreira (1844/1909) (neste Vol. – CJCMR) , de Joaquim de Araújo Padilha (Vol. – PPR) e do Francisco Procópio de Alvim e Silva (Chico Perico) (?/1892) (Vol. II - FPR). DEPOIMENTOS: 1) José Frederico Magalhães Siqueira (1942) (correio eletrônico: 12/10/2006): 1º.) ´´do livro "Sertões dos Puris". Na sessão de 7 de janeiro de 1896 da Câmara Municipal, o vereador Martiniano de Holanda Cavalcante propôs e os logradouros de Miracema passaram a ter as seguintes denominações: - a rua Chico Barbeiro, rua Josino de Barros.´´ 2º) ´´A... suposição é correta, trata-se de sessão da Câmara de Santo Antônio de Pádua, sendo a proposta feita e aprovada na mesma sessão. Quanto à rua Josino de Barros concordo tratar-se da atual 148
  • 149. Cel. Josino. Interpreto, contudo, que seja uma homenagem ao Tenente-Coronel Josino Antônio de Barros, patente outorgada pela Guarda Nacional. Nascido em Rio Preto por volta de 1840. Casado em primeiras núpcias com Amélia Alvim Padilha, enviuvando a 30 de dezembro de 1888, casou-se com Bernardina Teixeira de Barros. Faleceu em Miracema em 21 de maio de 1909. Foi vereador (1892-1895 ), (1898-1901). Proprietário da fazenda Liberdade, que continua na posse de seus descendentes. Um dos mais importantes acionistas da Estrada de Ferro Santo Antônio de Pádua (Vol. II – GVP). Foi, também, ativo participante dos movimentos republicano e de libertação dos escravos.´´ 2) Lailton Barros (correio eletrônico: 24/06/2007): ´´Antonio Bernardino de Barros foi o fundador da antiga freguesia de S. José do Rio Preto, MG, hoje distrito de Rio Preto, município de Juiz de Fora. Comprou as duas sesmarias das Três Ilhas do guarda-mor João Francisco de Souza. Também comprou a sesmaria da Várzea, que pertencera ao espólio de "Tiradentes", dedicando-se às lavouras de cana e café, num tempo de prosperidade do Vale do Paraíba. Adquiriu também uma sesmaria em área do Município de S. A. Pádua, que veio a ser Miracema, habitada ainda, na época, pelos índios da tribo dos Puris. Antônio Bernardino de Barros era casado, em primeiras núpcias, com Inês Ribeiro Moura de Barros, filha de José Francisco de Moura e Antonia Ribeiro. Casou-se pela 2ª vez com Silvana do Vale Barros. Desta união teve um único filho, Cel. Josino Antonio de Barros, proprietário da Fazenda Liberdade, Miracema. Filhos do primeiro matrimônio de Antônio Bernardino de Barros: 1) José Bernardino de Barros (Barão de Três Ilhas), herdou do pai a Fazenda Boa Esperança, MG; Gabriel Antônio de Barros (Barão de S. José d`El Rei), herdou do pai a Fazenda S. Gabriel, MG; Plácido Antonio de Barros, casado com Maria Candido de Barros, herdou do pai a Fazenda Paraíso, Miracema; Francisco Bernardino de Barros, proprietário da Fazenda Stª Inez, Miracema, herdada do pai; Custódio Bernardino de Barros, proprietário da Fazenda S. Luiz do Ypirangaty, também conhecida como Fazenda do Bonito, Miracema, também herdada do pai. Estes dados me foram fornecidos por um primo e extraídos do Álbum de Juiz de Fora, de Oscar Vidal Barbosa.´´ SUPLEMENTOS: Legislação: 1) Câmara Municipal de Santo Antônio de Pádua – Sessão de 07/01/1896 (Heitor Fortes de Bustamante (1880/d. 1964) (Sertões dos Puris, 04/04/1964): ´´Nesse dia, presentes em sessão os vereadores João Luís de Araújo, Paulino de Araújo Padilha, José Bernardo Cândido de Figueiredo, Joaquim José de Macedo, José Perlingeiro, João Claudino Pinto, Martiniano de Holanda Cavalcante, Lídio José Pereira, João da Silva Viegas e Teófilo Gomes do Amaral, elegeram para êste ano, presidente e vice-presidente, o 1º e o 2º dos presentes. Nesta sessão ainda, por proposta do vereador Martiniano de Holanda Cavalcante, as ruas e praças de Miracema passaram a ter a seguinte denominação: onde era rua da Estação até o hotel Carmo, chamar-se-á, rua Firmo Pereira. Rua Direita até a Praça - Rua Floriano Peixoto. A praça do Xafariz - Praça Dª Ermelinda. Rua do Padre Domingos - Rua Dr. Monteiro. Rua dos Padeiros - Rua dos Bastos. Rua Chico Barbeiro - Rua Josino de Barros. Rua das Flôres - Rua José Carlos. Rua da Laje - Rua dos Padilhas. Rua do Aurélio - Rua dos Padeiros. Rua da Capivara - Rua dos Tostes. Rua do Café - Rua dos Gabriéis. Rua Olímpio Padilha - Rua tenente Coronel Manoel 149
  • 150. Felisberto. Largo da Igreja - Largo da Matriz." Nada sabemos quanto à aprovação de sua denominação atual. 2) Decreto no. 349, de 02/01/1995: tombamento (neste Vol. - TMM): Art. 1º.) no. 10 (total). Art. 2º.) ´´Calçamento e árvores (oitis) das ruas:.. Cel. Josino´´. Nota: calçamento e árvores (oitis) destombados pelo Decreto no. 0.144 de 01/04/2009. 3) Edital do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Vol. – CB): Tomba o traçado, o calçamento em paralelepípedo e os imóveis: no. 10, no. 30, no. 38 e no. 54. 150
  • 151. LOGRADOUROS DE MIRACEMA (MFR).........................Luiz Carlos/MPmemória Atualização: 24/10/2009 Rua Marechal Floriano (Rua Floriano Peixoto, Rua Direita) (acompanhando o curso do Ribeirão S anto Antônio; inicio: Praça Dona Ermelinda; término: Praça Getúlio Vargas; transversais: ruas Cel. Josino; Barroso de Carvalho; Francisco Procópio; Matoso Maia; João Rosa Damasceno; Francisco Bruno Martino) (Centro Histórico – Tombada) (Centro). Foto: 12/09/2006; autor e cedente: Jader Leal Alvim (Jadinho) (neste Vol. – APRE). Vistas da Praça Dona Ermelinda (neste Vol. – DEP), sem calçamento e arborização. Fotos: data, autor e cedente: Centro Cultural Melchíades Cardoso (neste Vol. – APP). 151
  • 152. Concentrações populares: 1) desfile cívico; 2) antiga sede da Prefeitura. Fotos: datas e autores: desconhecidos; cedentes: 1) Luciane De Martino Almeida (1969); 2) Centro Cultural. Desfile dos 70 anos da emancipação político-admistrativa de Miracema, chegando à Praça Dona Ermelinda: 1) Calixto Damiam (bandeira do Estado do Rio de Janeiro), Ana Torres de Oliveira, Roberto Monteiro Ribeiro Coimbra Lopes (bandeira do Brasil) (Vol. – AVCLR), Nádia Cardoso Soares (bandeira de Miracema); 2) Chicralina Salim de Martino (1925) (Vol. II – AJCR), Lia Márcia de Paula Bruno, Gutemberg Medeiros Damasceno, Joffre Geraldo Salim (1920) (Vol. - JGSP), Marly Salim Amim e June de Souza Carvalho. Fotos: 03/05/2006; autor e cedente: Álbum Miracema 70 anos, Carlos Augusto Tostes de Macedo (Kasal) (Vol. – UMMR). A Rua Marechal Floriano é mais conhecida como Rua Direita, considerada a principal da cidade de Miracema. Ela inicia na Praça Dona Ermelinda e segue até a Praça Getúlio Vargas, retratando o movimento e a vida ativa de nossa cidade. Nos períodos de festas ela se transforma numa enorme passarela para acolher: o tradicional Carnaval com suas E scolas de S amba, Blocos, Grupos Folclóricos como o Boi Pintadinho que vem sempre trazendo a esperada Mulinha; o Mineiro Pau, marcando o compasso da música com uma coreografia formada 152
  • 153. pelos movimentos de paus que cada componente carrega, oferecendo o ritmo certo, de acordo com as batidas. Os desfiles Cívicos, no Dia da Pátria, e os alegóricos, na tradicional festa da cidade, realizados no dia três de maio, data em que se comemora a Emancipação Político - Administrativa de nosso Município. Todos os seguimentos transformam a ´´Marechal Floriano” num gigantesco palco e o próprio povo numa poderosa platéia que aplaude e vibra com tudo que é apresentado. S ão realizadas caminhadas, lembrando os dias: da Paz, da Ecologia, da Criança E special, S ão Francisco de Assis, anexo à Igreja Católica. O Projeto Viver Legal - Viver Cantando e Tocando, promove shows com os artistas miracemenses, oferecendo crescentes oportunidades para mostrar os valores de nossa Terra. Nessas noites, jovens e adolescentes fazem a festa e deixam extravasar toda alegria que é própria dessas maravilhosas etapas da vida. E sta Rua que é tradicionalmente chamada por “Direita” acolhe o comércio e a profissão liberal: casas de tecidos, eletrodomésticos, móveis, papelarias, artigos para presentes, escritórios, calçados, supermercado, butiques, jóias, restaurantes, perfumaria, vidraçaria, floricultura, farmácias, bares, manicura, joalherias, aluguel de roupas, material agrícola, imobiliárias, garagem, IN S S – Instituto Nacional do S eguro S ocial, Cartórios do Primeiro (imóveis, títulos e documentos) e do S egundo Ofícios (nascimento, casamento e óbito) e relojoaria. A Rua “Marechal Floriano” guarda em suas entranhas a história da nossa Emancipação Político - Administrativa, seus animados comícios que procuravam mostrar a necessidade de uma liberdade digna, através de inflamados discursos, proferidos por todos que lutaram pela liberdade de nossa Terra. O dia em que foi confirmada a separação de nosso Município que estava, para desespero de todos, acorrentado ao de S anto Antônio de Pádua, foi realizada uma histórica passeata pela ´´Marechal Floriano ´´. 153
  • 154. Por ocasião do final da S egunda Guerra Mundial houve uma manifestação de alegria, agradecimento a Deus e muita emoção pelo Dia da Vitória. Tudo de importante que aconteceu e continua acontecendo em nossa cidade passou e tem que passar pela “Marechal Floriano”, talvez por ser mãe de todas as outras ruas, deseja sempre testemunhar em primeiro lugar, os célebres acontecimentos, sentindo de perto o carinho de todos que reúnem em seu colo maternal para aplaudir suas inúmeras conquistas. Ricarda Maria Leal Alvim (Tia Ricarda) (1936) (Vol. I – AP R E). 1. Lado Esquerdo (impar) No. 3 – Palace Hotel, desde 05/02/2007, Centro Educacional São José, oriundo da Rua Mattoso Maia, 247 (Vol. – MMR). Com o falecimento de Romero, o hotel ficou desativado pelos herdeiros, desde cerca de 1996. Prédio anterior: Praça Dona Ermelinda, 4 – residência dos Gutterres (Vol. – AGT). Fotos: 1) 09/2006; autor e cedente: Carlos Sérgio Barbuto; 2) 12/2007; autor e cedente: O Porta-Voz. 154
  • 155. No. 73 (tombado) - 1) e 2) Bazar Leader, antes bar do Oswaldo Passos (Vol. – OMPR); 3) e 4) Magazine Leader, da União de Lojas Leader S.A. Iniciou suas atividades, em 1953, como Casa Nova, retalhos e calçados, filial da Cidade de Palma, comprada por Newton Fernandes Gouvêa, com a venda do Bar Leader, onde é hoje a Miragás, em Miracema. Mais tarde Bazar Leader. De acordo com anúncio publicado em O MOMENTO, no. 74, de 04/1977 o Bazar Leader, situava-se no 37, tinha filiais em Niterói (3), São Gonçalo (2), Itaperuna e Miracema (Marechal Floriano, 73) e filiadas em Niterói, Conc. de Macabu e Macaé (Suplemento 2). Fotos: 1) a 3) datas e autores: desconhecidos; cedente: 1) e 3) Marcelino Alvim Tostes; 2) Angeline; 4) 20/08/2006; autor e cedente: Jader. ´´Onde hoje está erguido o no. 3 Palace Hotel, construído por Romero Bastos era a Agencia Fiat de Waldemar Torres. Ao lado morava o S r. Antônio Gomes onde uma de suas filhas dava aula de datilografia. Logo a frente morou Alfredo Moreira, depois Chicrala S alim e família com um comércio. Na esquina o Grupo E scolar Dr. Ferreira da Luz e depois a Prefeitura. O prédio ruiu devido a uma enchente em 1941, sobrando somente duas palmeiras. Tempos depois foi construído o Edifício Deodato Linhares, onde foi o antigo bar do Sr. Oswaldo e Dona Conceição com o seu famoso doce quero mais e S orveteria Sibéria. Ao lado Banco Fluminense da Produção, que foi a falência, passando a funcionar ali a Biblioteca Pública. Na parte de cima morou o prefeito Altivo Linhares, mais tarde Jamil Cardoso. Onde é hoje a Caixa Econômica, no. 87 foi uma casa residencial do Sr. Paulo S eixas que era o gerente do E scritório da Companhia de Água e E sgotos. Anos depois foi construído o prédio 155
  • 156. do Banco Crédito Real. Ao lado o prédio da antiga Companhia Força e Luz Norte Fluminense. Na parte de cima era a residência do S r. Carlindo Feijó marido da professora Dona Quita. Substituindo o Sr. Carlindo veio o Sr. S ebastião Pereira. Ao lado, no. 93 (tombado), o antigo morador foi Virgílio Damasceno seguido de João B. de Freitas. Na parte de baixo a Relojoaria Siene de Geraldo Rodrigues. Ao lado a antiga Mercearia Adega Lusitana de Antônio Pinheiro. Havia na calçada uma bomba manual para a venda de querosene. Com a saída do Pinheiro, ocupou o lugar no prédio os Correios e Telégrafos. Hoje os moradores no. 103 (tombado) são S alvador Mercante e família. E na parte de baixo, no. 109 (tombado), o IN S S. Ao lado foi a loja de José Giudice. Mais à frente quatro casinhas onde eram recebidos os imigrantes italianos. Anos depois foram adquiridas por Dr. Otávio Tostes. Depois O scar Barroso que chegou a jogar no América do Rio de Janeiro. Foi construída a Garagem de Osmar Resende. Hoje existe uma galeria. Ao lado, foi construída a S eção de Peças de Gilberto Tostes, no. 123, onde moram seus familiares. S eguia o Banco Ribeiro Junqueira (Vol. – DMJR) e na parte de cima residia o Gerente Carlos Pereira Maia. Mais à frente o S alão de Sinuca e Bar Duque E strada. No no. 145, a Agência Chevrolet de Chicrala Amim, hoje Auto Center. Depois o prédio feito por Pedro Bastos no. 163, onde morou Basileu Meneses e o fiscal do IAA Nelson Prestes Vieira e outros. Na escadaria havia um lindo desenho de um cão perlingeiro. Na parte de baixo uma Loja de Móveis do Inaldo. Ao lado, era a antiga casa onde morava o Sr. Odilon Botelho e Dona Palmira com as nove filhas e dois filhos. Depois de demolida, no prédio construído morou Walter Padilha e Clandirio Magacho. Mais à frente, Melchiades Cardoso. Ao lado uma gráfica do Humberto de Martino com o Jornal ´´Estado Novo´´, depois a Farmácia de Geraldo Medeiros Fontes e nos fundos o consultório do Dr. Bruno. Mais à frente a residência de Nacibe Gandour. Em seguida o açougue do Chicralinha Antônio, que mantinha uma Rinha de Galos nos fundos e Felício Antônio, sempre de gravata borboleta e chapéu, seu irmão. Cada um com um açougue. Mais a frente foi construída moderna residência do Sr. Felício Antônio. Ao lado a antiga 156
  • 157. No. 183. Casa de Melchíades Cardoso (Vol. – MCA): 1) em demolição; 2) demolida. Fotos: 1) 2006 e 2) 13/08/2006; autor e cedente de ambas: Carlos Sérgio. Loja de José Ferreira de Assis com o S erviço de Alto Falante tendo como locutores Dalton Moreira e Chiquito. Ao sair José de Assis, no local foi construída a casa de José Pedra. Barbearia e Camisaria do Gerson na parte de baixo. Ao lado do antigo Bar Assete Nascife e dos irmãos José Maia e Joalpe. Depois Walter Padilha onde ao fundo havia um salão de sinuca e jogo do Campista onde funcionava a cozinha do Giludo com seu saboroso bife a cavalo. Ao lado o bar do Abdo com sorvetes. Neném Amaral com loterias, a antiga Farmácia do Chico Queirós, hoje residência de Hermes Alvim, depois a padaria do Naninho que foi adquirida por Dalton de Martino. Ao ser demolida, José Heler fez a sua relojoaria. O antigo morador antes de Moacyr S chueler chamava- se Cristiano. Ao lado o Hotel Braga, sob a direção de João Barbosa Smith. O Rotary fazia suas reuniões no salão do Hotel Braga e na esquina funcionava o bar S avoya, depois o Mercado de Clandírio Magacho. Dona Elisa foi dona do Hotel Braga por muitos anos. Com a saída de Dona Elisa veio Dona Hilda Tancredi. Do outro lado da rua, na esquina, um sobrado, um comprador de café Avelar & Cia. e na parte de baixo catava-se o café. Após, Ulisses Padilha. Mais à frente a garagem de ônibus Otílio Ávila. Nos fundos, morava um cego chamado Pepino e funcionava um bar que foi do Caboclo. Depois José Luís, mais tarde foi adquirido por José Jardim, que ao servir um prato grátis de pé de porco a três fregueses: S éqüito, Chico S apateiro e seu filho Argemiro, José Jardim foi apelidado, daquele dia em diante, de Zé Pé de Porco, como é chamado até os dias de hoje. Tinha Gibi, como ajudante, figura popular e fazedor de mandados. José Jardim morava de parede e meia com Juca Moura e família. 157
  • 158. Ao lado, Ubaldo Mool, Toninho Richard, Chico S apateiro, Anibinha, Ilda Arruda, Dizinho, Sinhô Dono, Dalila do Claudinho, o bar do Plínio Tostes e a residência da família Barbosa. Mais à frente, na esquina o Hotel Carvalho que foi do João Abdala. Do outro lado da rua, na esquina, oficina de móveis do libanês José Elias. Mais à frente a Rio Ita, a Padaria do Olegário e o Hotel Assis de Aristeu Barros, depois Dona Hermínia e Arquimedes Barros (Boi Bravo). 1) No. 263/293 (tombado) – Hotel Braga (1918), Grande Hotel que Salvador Ciuffo (Vol. IV – SVR), fez construir: antes do hotel, com marquise, relojoaria do José Heller, depois, residência de Moema Schueler, Luiz Clóvis e família, e, as duas portas, lojas de seus sobrinhos: Moracyr e Karine; No. 313 (tombado) - esquina com Rua Mattoso Maia, 2; prédio de Ulisses Padilha com as lojas, na parte térrea: Tim (celular) e Casa Padilha, do proprietário do prédio, Nortcel (Internet), de Marco Aurélio Alvim e Loja 10 (tombado), de Silza Rodrigues Moreira, esta voltada à Rua Marechal Floriano. 2) Detalhe da fachada principal do Hotel Braga, voltada à Rua Marechal Floriano. Seria de propriedade de Sebastiana Almeida Moreira, viúva do advogado Magno de Castro Moreira (Vol. III – CMT). Posto a venda, conforme os dois anúncios na sacada, sem preço. Fotos: 1) 1948; autor: Moacyr Schueler (1905/1980) (Vol. II – MSR); cedente: Marcelino. 2) 12/08/2006; autor e cedente: Carlos Sérgio; 3) 10/01/2009; Rachel Bruno Siqueira (1956) (Vol. - JCMBR). Atualmente do lado esquerdo no. 189 está sendo demolida a casa que pertencia a Melchiades Cardos, que não havia sido tombada pelo Município, para ser construída no local uma galeria. Assim também como seu Filho Dirceu Cardoso teve destruído os pavilhões do Colégio que chegou a ter 374 alunos internos que foi por ele fundado em Muqui, E S. José Erasmo Tostes (1931) (Vol. IV – C DT R). 158
  • 159. 2. Lado Direito (par) Esquina com Praça Dona Ermelinda, ontem e hoje: 1) Casa Cacheado dos irmãos Francisco e Chicrala Amim. Residência em cima e comércio em baixo. Fotos: 1) 1910; autor: desconhecido; cedente: Marcelino; 2) 09/2006; autor e cedente: Carlos Sérgio. ´´No sobrado da esquina no. 6 morou a família João Abdala. Depois João Campanário que ao se mudar ficou como morador o seu genro Dr. Leandro. Tempos depois João Barros de Oliveira, ao lado no. 20 (tombado) Chico Cacheado e na parte de baixo a Casa Cacheado, e Armazém de atacado, tempos depois Loja de Ferragens de Nacibe Gandour. Ao lado no. 28 Michel S alim casa de tecidos. Professora de canto dona Emerita, Loja da Arlete Coimbra depois Casa Rainha de Jofre S alim, no. 34 Dante Barbi com alfaiataria, no. 42 (tombado) Paulo Pereira Pires com a Casa Brasil e no beco ao lado os moradores foram Ya Ya casado com Iracema. Dona Guilhermina. Os irmãos Leci sapateiro sua irmã Letícia e Uique e Dona Tiaminga. Mais à frente no. 52 a Padaria do Olímpio Silva (Vol. – OM P R), (Leco) no. 68 Armazém do João Siqueira. Mais a frente existia, uma padaria da dona Djamira, no. 74 Mercearia do Paulino Machado Jr. Ao lado no. 80 Ernesto Granato alfaiate. No. 92 Chico Damasceno com a Loja S amaritana, no. 104 Marcos Gemino e Elias Gemino 159
  • 160. Fotógrafo. No prédio da esquina, na parte de cima, existia uma pensão sob o comando de uma mulher apelidada de Russa. Na parte de baixo, no. 108 a padaria do libanês Ignácio, depois a Casa Americana do Dover. Tempos depois Gerson Alvim Coimbra com barbearia e camisaria. Hoje Kiskina. No outro lado da esquina no. 140 (tombado) na parte de cima morou Chicrala S alim, Nacib Gandour, Shubert gerente do Crédito Real, Ernesto Moraes Tostes, na parte de baixo funcionou a Loja Chicrala Amim depois Banco Crédito Real, mais a frente na parte de cima morou Waldemar Cavalcante, tempos depois Chicrala Amim. Sem calçamento, que se deu em 1927, e sem arborização: 1) Esquina com Cel. Josino, 10 (1918): padarias de diversos donos, hoje Bar Kiskina; sobrado: residência da família El-Kik. Antes, uma residência e o Armazém do Arnóbio, hoje Loja Samaritana. Atravessando: prédio consumido por incêndio, hoje Loja Miragás. Do lado esquerdo: onde residiu o Virgílio Damasceno (Vol. – VDR), hoje é residência de Salvador Mercante e família (Vol III – FMR). A seguir era a oficina mecânica do Osmar Rezende, hoje existem butiques e uma galeria. 2) quase em frente à rua Coronel Josino. Nº 103, primeiro prédio, construído em 1917, por Virgílio Damasceno: sua residência, no sobrado e a Casa Damasceno, na loja; hoje residência de Salvador Mercante, no sobrado, e Agência do INSS, na loja (no. 109); segundo prédio, à esquerda, construído na mesma época, à Cia Força e Luz Norte Fluminense; hoje AMPLA (Ampla Energia e Serviços S/A). Fotos: 1) década de 1920; autor: Demértrio Damasceno; cedente: Marcelo Salim de Martino; 2) década de 1920; autor: desconhecido; cedente: Marcelino. Antes da construção da Casa José de Assis, no. 152 (tombado), os moradores foram, José Pelegrini latoeiro Euzébio Dutra de Morais, e Aristóbulo Caldas, Chaquibe Cardoso da Fábrica de Tecidos casado com Creuza Carvalho mais à frente no 158 Hastinpharo Barbosa com farmácia. No fundo consultório de Dr. Moacir Junqueira (Vol. – DMJR). Mais adiante no. 180 Residência de Otávio Aversa, as portas com dois degraus, e Otília Aversa com aula de datilografia. Ao lado no. 184 (tombado) a Casa Alemã de Francisco Lovisi depois Casa Pernambucana, Casa Brasil, onde funcionou também o Banco de 160
  • 161. Crédito Real, e Super Mercado de Clandirio Magacho hoje Walas Barros e ao lado Netinho Barbeiro. Funcionou naquelas imediações uma sorveteria de Altivo Linhares mais à frente no. 200 (tombado) na esquina Farmácia de Paschoalino Granato. Atravessando a rua no sobrado da esquina morava S alim Damiam no. 222 (tombado). Ao lado Emílio e Rosa filha de S alim, na parte de baixo existiu o Bar Pracinha, Casa Martins Loteria, no. 244 (tombado) Bar do Antônio Rego, S alão de Sinuca e Bar de Rubens Carvalho, depois armazém de Benedito Siqueira, e Homero Cardoso e Casa das Máquinas, Casa Nice do Demetrio Damasceno e a Família S ouza na parte de cima e a Casa Azul dos irmãos Libaneses Nascei. Casa de calçado de Wady João no. 268 (tombado) , no. 278 na esquina morava Humberto Poly com sapataria, Amaro Leitão com alfaiataria, e Jeová barbeiro. Mais à frente no. 302 o depósito do comprador de café Amaro Alexandre e S aliba Felix, Jorge Felix no. 312 onde sua família ainda vive no mesmo lugar, Loja Nagib e Geraldo Assad, Posto do Walace Mercante no. 340, Hoje Banco do Brasil. No. 340: loja: agência do Banco do Brasil; sobrado: Câmara Municipal de Miracema. Fotos: 15/08/2006; autor e cedente: Jader. No. 366 Pintinho com loja de ferragem, Justo Cunha com garagem de bicicleta, Cetano Caloi com fábrica de colchões, Residência de Plímio Moreira, Bar do S antinho, Na esquina no. 384 o Correio. Com a saída do Correio veio Wagner Rezende com a Loja de Bicicleta e Wandinho com montagem de Rádio e Clarindo Chiapim, com um comércio. Do outro lado da esquina no. 298 Bar de dona Yaya, Juci Granato, no. 414 Basileu Meneses, Buca o motorista, no. 432 Juca Peixoto dono do café Moka. No. 446 Deodato Rezende, Dentista Abelardo Freire, Farmácia do Alfredo Moreira. S apataria do Garcia com um jacaré na 161
  • 162. porta, Manoel Rabelo Contador da Fábrica de Tecidos. Hoje onde está localizado um posto de gasolina existia uma congelação e borracharia que pertencia ao Tatão. Depois David Arantes um português que recebia o leite e vendia gelo. José Erasmo Tostes (1931) (Vol. IV – C DT R). Floriano Peixoto (1839/1895) ´´O segundo presidente do Brasil nasceu em Ipioca, Alagoas, em 30 de abril de 1839. S eus pais eram tão pobres que ele foi criado por um tio, o Coronel José Vieira de Araújo Pessoa. Participou de importantes batalhas na Guerra do Paraguai, tendo sido elogiado pelo comandante argentino Bartolomé Mitre. Casou-se com sua prima Josina e recebeu dois engenhos em Alagoas como dote, os quais nunca dirigiu pessoalmente. Participou do golpe republicano, mas sempre manteve sua característica atitude cautelosa.´´ ´´Floriano... estava em casa, de pijama e chinelas de lã, quando foram chamá-lo para assumir a chefia suprema da nação. Em pouquíssimo tempo, ele seria conhecido como o ´´Marechal de Ferro ´´, que recebeu a presidência como quem o comando de uma praça de guerra. Na verdade, o país que... teria que governar passava por uma profunda crise econômica. Abolição da escravatura gerara a carência de braços para a agricultura, que só as áreas de maior desenvolvimento capitalista conseguia suprir com a importação de trabalhadores livres europeus.´´ ´´O Brasil sobrevivia às custas das exportações de café e borracha, cujas receitas (de 22 milhões e 5 milhões de libras respectivamente) 162
  • 163. conservavam quase o mesmo nível de 1889. Era também uma nação convulsionada que... assumia. E stado de Sítio, Congresso dissolvido, governadores depostos. Forças Armadas rebeldes, setores populares inativos e com apoio único da jovem oficialidade e do grupo cafeicultor, que já o havia levado à vice- presidência em fevereiro de 1891.´´ ´´Os antideodoristas radicais e os republicanos históricos, membros do contragolpe, não participaram do seu ministério. Dos conspiradores de 23 de novembro, apenas dois se mantiveram...´´ ´´Os ministérios foram reduzidos a seis por medida de economia...´´ ´´Os monarquistas exilados desencadearam forte campanha de descrédito à República, e os partidários de Deodoro não tardaram a se reorganizar.´´ ´´De novembro de 1891 a março de 1892 sucederam-se deposições de governantes estaduais ligados a Deodoro.´´ ´´Assembléias legislativas e tribunais foram dissolvidos.´´ ´´O estilo popular adotado por Floriano... na Presidência da República angariou-lhe a simpatia das camadas populares do Rio de Janeiro.´´ ´´Sem demora... nomeou um novo Conselho de Intendência e, em 1892, criou o cargo de Prefeito do Rio de Janeiro, confiando-o a Cândido Barata Ribeiro.´´ ´´O primeiro teste decisivo para a energia e capacidade de Floriano... deu-se em 1893, quando estourou a Revolução Federalista, no Rio Grande do Sul, a mais sangrenta guerra civil da História brasileira.´´ ´´O primeiro objetivo dos conspiradores era revogar a Constituição castilhista, mas para isto, teriam de enfrentar o protetor de Castilhos: Floriano Peixoto. Assim, acabaram voltando a mira para o regime presidencialista, pretendendo substituí-lo pelo regime parlamentarista, que os adeptos do marechal... logo aproveitaram para taxar de sinônimo de restauração monárquica.´´ 163
  • 164. ´´A Revolução Federalista entrava no sétimo mês quando irrompeu, no Rio de Janeiro, a Revolta da Armada, conflito que colocou a aristocracia da Marinha contra o Exército´´. ´´Alguns políticos antiflorianistas viam na Marinha um importante instrumento para derrubar o marechal e, assim satisfazer até as ambições políticas do almirante Custódio de Melo, que aspirava a sucessão de Floriano..., mas se viu frustrado pelo lançamento da candidatura de Prudente de Moraes à Presidência da República.´´ ´´A guerra civil no sul, que envolveria Paraná, S anta Catarina e Rio Grande do Sul até 1895, e mesmo a Revolta da Armada propiciaram a Floriano... a possibilidade de adiar as eleições presidenciais de 20 de outubro de 1893 para 1º. de março de 1894, sendo que as eleições parlamentares já haviam sido postergadas duas vezes.´´ Falecido em 29/06/1895, em Divisa, atual Floriano, Barra Mansa, RJ. (dados de Brasil 500 Anos, Editora Abril, 2000). DEPOIMENTOS: 1) Marcelo Salim de Martino (1966) (Vol. II – MBMR) (correio eletrônico: data desconhecida): ´´O decreto de tombamento que está completando 11 anos, também, possui muitas falhas. Na época, o Conselho M. de Cultura selecionou o que entendiam como sendo o que havia de mais representativo para o Município em termos arquitetônicos. Muitas casas de interesse histórico ou até mesmo mais simples, mas de interesse para a conservação do conjunto não foram contempladas. Assim, deveríamos ter incluído a residência do Melchíades Cardoso, que agora acabou sendo demolida como os senhores puderam constatar. Tentamos, por reiteradas vezes, sensibilizar os herdeiros, em especial, o Dr. Dirceu Cardoso, para que a família doasse a casa para que lá fosse instalado o Centro Cultural que tem o nome de seu pai, mas nada conseguimos, porque o Dr. Dirceu dizia “que nem todos da família pensavam como ele e não concordariam”. Cabe aqui lembrar que só possuímos a documentação que, atualmente, recebe o nome de “Coleção Melchíades Cardoso”, porque o próprio havia me confiado os documentos mais importantes antes de seu falecimento e o restante, nos foi entregue pela sua companheira Iracy após a sua morte. Inúmeras vezes pedimos que doassem alguns dos móveis da residência, confeccionados, em quase toda sua totalidade por ele na velha “Serraria Miracema”, como era o caso de um armário para som e discos, feita com o último jacarandá da cidade, retirado a muitos anos de nossas extintas matas. Pelo que consta, nem nós nem a família ficou com as peças. Ninguém sabe onde foram parar. 164
  • 165. Mas, de volta em relação à casa, que foi o tema principal da conversa do grupo, e, quanto a sua demolição, temos a esclarecer o seguinte: Quando fomos solicitados a informar a Secretaria de Obras e Urbanismo se os imóveis de nº 183 e 189 da Rua Mal. Floriano faziam parte do Patrimônio Histórico do Município, o que se deu através do Processo Administrativo nº 2753, de 24/04/2006 (solicitando autorização para demolição), emitimos o seguinte parecer: “Informamos, para os devidos fins, que nada temos a opor quanto à demolição do imóvel nº 189 (imóvel comercial), da Rua Mal. Floriano. Quanto ao de nº 183 (residência), muito embora não esteja incluída no Decreto que determinou o tombamento de bens imóveis do município, a mesma está situada na área considerada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural – INEPAC, como centro histórico da cidade, em estudo para efeitos de tombamento pelo Governo do Estado, objeto de ofícios encaminhados ao então Prefeito Dr. Gutemberg Medeiros Damasceno e o atual Carlos Roberto de Freitas Medeiros. O imóvel não possui elementos decorativos e arquitetônicos significativos, porém, é de relevante interesse histórico, uma vez que foi residência do eminente homem público, líder da histórica Campanha Separatista, Prefeito Municipal, Deputado Estadual e industrial Melchíades Cardoso. Sugerimos que seja proposto aos proprietários a execução de um projeto que preserve a fachada do já referido imóvel, que poderá ser utilizada para fins comerciais, desde que integrada de forma harmoniosa com a obra que se pretende realizar. Miracema, 10 de maio de 2006. Ass. Marcelo Salim de Martino – Chefe da Divisão de Cultura”. A partir daí, o processo retornou para a Secretaria M. de Obras e Serviços Urbanos, que autorizou a demolição, baseada no parecer do Engenheiro Luiz Godoi Neto, alegando que a fachada estava altamente comprometida e prestes a desabar.´´ 2) José Renato Mercante (1931) (Vol. IV – CDTR) (correio eletrônico: 27/12/2006): ´´Lamentável mesmo: localizado na Rua Direita, em Miracema, O BAR DO ZÉ CARECA FECHOU. Os motivos não estão ainda muito claros. Mas, a realidade é que não funciona mais. Suas portas estão fechadas. O BAR DO ZÉ CARECA, com os seus 50 anos ou mais de existência, era o mais tradicional de Miracema, verdadeiro ponto de encontro de várias gerações. 3) Angeline Coimbra Tostes de Martino Alves (1972) (Vol. – FAAR): 1º.) correio eletrônico: 07/09/2006: ´´Resolvi reler o livro intitulado "ALTIVO LINHARES - Memórias de um líder da velha província", de Maurício Monteiro, advogado miracemense, porém a maior parte do livro foi escrita pelo próprio Capitão Altivo. Encontrei algumas menções, já no início da leitura à Rua Direita, mesmo que superficiais, como a que segue. Pretendo me focar a registrar aqui, tudo o que se referir ao resgate e informações da RUA DIREITA, citando a fonte e página, para contribuir a algum traçado para pesquisas melhores. Espero que seja útil. À medida que forem aparecendo, vou enviando... Primeiro achado: "O CALÇAMENTO DE MIRACEMA O primeiro calçamento de Miracema começou em 1926 quando resolveram criar uma Sub-prefeitura que foi entregue ao Sr. Antonio Ventura Lopes e Theófilo Junqueira (Vol. – DMJR). Foi quando conseguiram que os proprietários dos prédios urbanos da principal rua da cidade, a Marechal Floriano, pagassem, cada um, o correspondente a 165
  • 166. um terço da área da testada da sua casa, ficando a Sub-prefeitura com a parte central da rua. O calçamento era feito morosamente devido à dificuldade de pedras apropriadas e calceteiros de modo que, ficava sempre, em cada cruzamento, um trecho sem calçar por falta de consolidação e, como o transporte dos produtos da lavoura era feito por carros de bois e só tinha a via norte da cidade, até a Estação Ferroviária, obrigando por isto a passar sobre o calçamento. O jornal da cidade, que se esmerava por agradar aos dois chefes políticos, atacou o Cel. Joaquim Bernardino de Barros que não lia sob a sua cartilha; e ele, desrespeitando as obras do calçamento tangia os seus próprios carros-de-bois sobre as obras. Essa deferência desairosa ao fazendeiro Bernardino de Barros teria provocado uma violenta reação do capitão Pedro Bastos, cunhado do agredido. Dr. Carlos Tinoco, o genro de Bernardino, então presente numa festa, repeliu com ênfase a pecha de carreira dada ao seu ilustre sogro, estando ali presente o Sr. Virgílio Damasceno que era o vice-prefeito na ocasião."´´ 2º.) correio eletrônico: 30/11/2006: ´´Carmo de Martino está incluído na Rua Direita, pois antes do Hotel Braga, construído em 1918, parece que por Salvador Ciuffo, existia ali uma pensão de Carmo de Martino. Essa pensão foi onde meu bisavô teve seu primeiro trabalho na terrinha, como camareiro. É uma pesquisa difícil, pois não estamos conseguindo muito sobre o Carmo, essa será nossa tentativa, que pode prometer algumas informações. Daremos notícias.´´ 4) José Frederico Magalhães Siqueira (Fred) (1942) (Vol. - DAASR) (correio eletrônico: 12/10/2006): ´´do livro "Sertões dos Puris". Na sessão de 7 de janeiro de 1896 da Câmara Municipal, o vereador Martiniano de Holanda Cavalcante propôs e os logradouros de Miracema passaram a ter as seguintes denominações: - a rua Direita até a Praça, chamar-se-á rua Floriano Peixoto.´´ 5) Luiz Carlos Martins Pinheiro (1930) (neste Volume – ANTE): Como se pode verificar deste Capítulo, muito pouco se sabe da história da principal e, provavelmente, a mais antiga via pública da Cidade de Miracema, embora o empenho desta obra em mais esclarecer. Entre as muitas incógnitas, destacamos: 1) qual a razão de ter desprezado a beira do Ribeirão Santo Antônio (Vol. – SARI), sem dúvida, razão de ser à localização do seu povoamento, deixando-o de costa a tão importante recurso natural? 2) como se deu seu desenvolvimento?  Tendo o desenvolvimento urbano do povoado irradiado a partir do que era a atual Praça Dona Ermelina e sendo uma de suas vias públicas pioneiras, é de se supor que seu início possa ter sido na mesma.  Consta que, com a chegada da ferrovia (Vol. II – GVP), em 08/1883, somente alcançava a altura do atual Hotel Braga, provável limite urbano de então.  Tendo o pátio da Estação ocupado a área entre a atual Praça do Mercado (Vol. – MP) e o atual início da Av. Eiras (Vol. – EA), aberta à via férrea, a legislação faz crer que, em 1896, este trecho teve sua denominação trocada de Rua da Estação 166
  • 167. para Rua Firmo Pereira. Mais tarde, fora incorporado à já Rua Marechal Floriano; curioso é que a Rua da Estação conhecida como tal é a atual Rua Salvador Ciúffo (Vol. SCR), do lado oposto ao pátio, contrariando a tradição a respeito, a menos que passa-se pela via férrea na entrada do pátio. 3) qual o ato legal de sua atual denominação? 4) sua numeração foi invertida? Quando?  Está comprovado que a São Martino era o no. 6, da Rua Marechal Floriano, portanto, iniciava na Estação, que, ainda, não estava na Praça Getúlio Vargas.  A aprovação de 07/01/1896 de sua denominação diz: ´´Rua Direita até a Praça – Rua Floriano Peixoto´´ (não era Marechal), o que nos faz crer que a numeração, já se iniciava na Estação e a suspeitar que a rua não terminava ao chegar à praça (esta após 1929 teve sua numeração modificada). 6) Luís Alberto da Mota Alvim (Bebeto): 1º.) Blog Moinho de Paz, 30/09/2009: -- Eles estão vindo. Vamos pegá-los. -- Ainda não! Deixem eles chegarem mais perto. -- Mas, Doutor... -- Eu já disse: vamos esperar. A surpresa é uma arma sempre poderosa. -- E se eles... -- Quieto. Eles estão chegando. Cinco minutos atrás (como nos bons filmes de suspense): Às portas fechadas do bar do Vavate, após várias inúteis partidas de sinuca e doses sempre úteis de destiladas, era possível, ainda, ouvir o vozerio dos profissionais pinguços de Miracema, liderados pelo Duduca do Alberto Richa e César do Erotides: -- Quem topa? -- Quanto vale? -- Um litro de “Maravilhosa”. Ou de “Guarda-chuva de Pobre”. -- Confere. Roupas dobradas nas soleiras do já sonolento bar, eles, todos (oito), desnudos, estavam a apostar corrida pela rua até o Jardim e voltar ao ponto onde se encontravam. Lá se foram eles. Algumas coisas balançavam. Às duas horas da madrugada, entretanto, a Rua Direita já dormia e ninguém testemunhava. E voltaram. Só que na volta... Acabaram-se os cinco minutos atrás (como nos bons filmes de suspense): -- Doutor... --Cale-se! Eles já estão em nossas mãos. Prenda-os. -- Doutor Expedito, nada fizemos de mal. Estávamos até a praticar uma atividade física. -- Vão praticá-la melhor na Delegacia. Pessoal: leve-os. -- Doutor, e nossas roupas? -- Ora, se vocês delas se abdicaram para a corrida e porque delas não precisam. Vão do jeito que estão. E lá vai indo a procissão. Sem círio e sem ladainha. O Delegado à frente, um 167
  • 168. batalhão de pelados (sem saber onde botar a mão) e alguns fardados soldados a carregar as trouxas (de roupas) dos infelizes “maratonistas”. Ao curvar o final da Rua Direita (que se dá lá pela rodoviária) para a Irineu Sodré (Vol. – ISR), a mente maquiavélica do cachaça está a meditar: “o que vou fazer – preciso bolar alguma coisa, pois, passar a noite enjaulado é o que eu não quero” . A dez metros da Delegacia, o César Linhares “voa” sobre o balaústre da ponte sobre o Ribeirão Santo Antônio e, das águas, naqueles tempos ainda profusas, desafia o Doutor, que vocifera:“Primo, você não pode fazer isso comigo!” Ao que responde o suposto (mas nem tanto) suicida:“Se você é meu primo, por que me está a me prender?” O Delegado, já destemperado, determina: “Saiam das minhas vistas e nem pensem em entrar na minha Delegacia. Vocês serão capazes de aprontar alguma pior e complicar minha vida. Pessoal! Devolvam as roupas desses loucos e mande-nos embora. Já!” O que esses olhos (paralelepípedos) já viram, heim! PS: Será que o “cara” não escorregou no primeiro quebra-molas de Miracema? MORAL: Não vou mais pedir um paralelepípedo; mas deixarei no ar – Miracemenses: provavelmente, vocês terão um “tachão” no asfalto das suas vidas. ´´ 2º.) Miracema de Ontem e de Hoje – Doce Rainha (Blog Moinho de Paz, 23/10/2009): ´´Roliças pernas evidenciadas pela curta saia de largo plissado adentravam a sala; costumeiramente, à hora do início da aula. Esbaforida, mas sempre sorridente. Simpática e muito bonita. Éramos crianças e vivíamos um clima de irmandade. Eu me despedi da Maria das Graças Alves e de outros colegas da 4ª série do G. E. Dr. Ferreira da Luz quando da minha admissão ao ginásio, um ano antes do previsto, por força da orientação da Dª Orlanda (minha grande preceptora). Embora não compartilhássemos os mesmos bancos escolares, eu continuava a vê-la. Na maioria das vezes, na loja “Casa Rainha”, de sua mãe, Arlete Alves. O comércio era de roupas femininas e de tecidos finos.Segunda metade da década de 60. Aproximava-se mais um fim de semana. De repente, a loja não abriu as portas. Estranho! Naquele tempo, na “Terrinha”, as pessoas gostavam mais umas das outras. E todos se preocuparam. Os esclarecimentos não vieram e o mistério persistia. E o domingo chegou! E com ele a sessão das dezoito horas do cine XV. Após, era certo o “passeio” pela Rua Direita. “SURPRESA!!!” “Tchan, tchan, tchan, tchan!!!” Eis que, “sem aviso e sem nada”, nos deparamos com a “Casa Rainha” de portas abertas, com luzes acesas e mais brilhantes. A curiosidade tomou conta da mente de cada um: “Por que uma loja de tecidos reabriria num domingo à noite?”. A aglomeração de pessoas às suas portas foi inevitável. -- Ohhh!-- Ohhh!. Bocas abertas e olhos arregalados. —Vou entrar. -- Eu também. 168
  • 169. Os que estavam mais atrás, espremidos a outros, tentavam empurrar os que estavam à frente. —O que que é? —O que tem lá? Inusitada, louca e deliciosa idéia tomou conta dos “Alves”. Todas as grandes vitrines, inteiramente de vidro, cederam o espaço, antes destinado aos manequins, a novidades antes não vistas em Miracema. Guloseimas variadas – de apetitosos salgadinhos a finos doces – arrumadas com esmero em bandejas dispostas com classe e bom gosto. Sucesso total! Difícil era passar por suas portas sem se sentir tentado. Criatividade e ousadia miracemenses. E o novo nome: “PEG-PAG”. O primeiro (?) de que se tem notícia. Interessante ressaltar a peculiaridade dos consumidores: “pegavam e pagavam”. Bonito e emocionante. Evidenciava-se a nobreza da honestidade que existia. A propósito desta história: antes que sepultem os paralelepípedos, eu podia pegar “unzinho só” e pagar. Eu queria ser enterrado com um! Ihhh! Eu esqueci que não quero mais paralelepípedos! MORAL: Não vou mais pedir um paralelepípedo; mas deixarei no ar: Miracemenses: provavelmente, vocês terão intermináveis “tachões” no asfalto das suas vidas.´´ SUPLEMENTOS: 1) Legislação: 1.1) Câmara Municipal de Santo Antônio de Pádua – Sessão de 07/01/1896 (Heitor Fortes de Bustamante (1880/d. 1964) (Sertões dos Puris, 04/04/1964)): ´´Nesse dia, presentes em sessão os vereadores João Luís de Araújo, Paulino de Araújo Padilha, José Bernardo Cândido de Figueiredo, Joaquim José de Macedo, José Perlingeiro, João Claudino Pinto, Martiniano de Holanda Cavalcante, Lídio José Pereira, João da Silva Viegas e Teófilo Gomes do Amaral, elegeram para êste ano, presidente e vice-presidente, o 1º e o 2º dos presentes. Nesta sessão ainda, por proposta do vereador Martiniano de Holanda Cavalcante, as ruas e praças de Miracema passaram a ter a seguinte denominação: onde era rua da Estação até o hotel Carmo, chamar-se-á, rua Firmo Pereira. Rua Direita até a Praça - Rua Floriano Peixoto. A praça do Xafariz - Praça Dª Ermelinda. Rua do Padre Domingos - Rua Dr. Monteiro. Rua dos Padeiros - Rua dos Bastos. Rua Chico Barbeiro - Rua Josino de Barros. Rua das Flôres - Rua José Carlos. Rua da Laje - Rua dos Padilhas. Rua do Aurélio - Rua dos Padeiros. Rua da Capivara - Rua dos Tostes. Rua do Café - Rua dos Gabriéis. Rua Olímpio Padilha - Rua tenente Coronel Manoel Felisberto. Largo da Igreja - Largo da Matriz." Pelo que conseguimos apurar quanto à Rua Firmo Pereira, seria o trecho entre o local do atual Hotel Braga e a Estação. Nada sabemos quanto às aprovações das denominações da Rua da Estação e da atual Rua Marechal Floriano, que certamente é anterior a 1964. 1.2) Lei no. 444, de 28/11/1964: ´´Fica desmembrada a atual Rua Marechal Floriano a partir da esquina do Hotel Braga 169
  • 170. até o Hotel Assiz, e conseqüentemente, denominada José Venâncio Garcia.´´ 1.3) Decreto no. 349, de 02/01/1995 (tombamento) (neste Vol. - TMM): Art. 1º.) ´´no. 281 (fachada do 2º. Pavimento, inclusive parte, parte da esquina com Rua Matoso Maia), 244 (fachada do 2º. pavimento), 236 (fachada do 2º. pavimento), 222 (fachada do 2º. pavimento, inclusive parte da esquina com Rua Francisco Procópio), 196 (total, inclusive parte da esquina com a Rua Francisco Procópio), 184 (fachada do 2º. pavimento), 317 (total, inclusive parte da esquina com a Rua Matoso Maia), 167 (total, inclusive o no. 163), 138 (total, inclusive o no. 140), 103 (total, inclusive nos. 115 e 109), 26 (fachada do 2º. Pavimento), 40 (total, inclusive no. 42) e 93 (fachada do 2º. Pavimento)´´. Art. 2º.) ´´Calçamento e árvores (oitis) das ruas: Mal. Floriano´´. Nota: calçamento e árvores (oitis) destombados pelo Decreto no. 0.144 de 01/04/2009. 1.4) Decreto no. 037, de 14/06/2007 (tombamento) (neste Vol. - TMM): ´´Art, 1º. – Ficam tombadas, as fachadas dos pavimentos térreos dos imóveis situados nos números 26, 184 e 281 da Rua Marechal Floriano e o de número 17 da Praça Dona Ermelinda. Cabendo ressaltar que estes imóveis já possuem as fachadas dos segundos pavimentos tombados, por meio do Decreto no. 349/95.´´ 1.5) Edital do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Vol. – CB): Tomba o traçado, o calçamento em paralelepípedo e os imóveis: no. 10. no. 15, no. 20/no. 26, no. 30, no. 40/no. 42, no. 73 (inclusive o sobrado no. 12 da R. Barroso de Carvalho), no. 75, no. 93, no. 99/no. 103 e no. 115, no. 138, no. 148, no. 152, no. 167, no. 184/no. 188 e no. 194, no. 196/no. 200 (esquina R. Comendador Francisco Procópio, no. 64), no. 203, no. 222, no. 231/no. 227, no. 236, no. 244, no. 261 e no. 293, no. 313/no. 315 e no. 317, bem como, o terreno (vazio) onde esteve edificado o no. 268 e o no. 140, na esquina com a Rua Cel. Josino, onde se acha instalada a Miragás -Miracema Gás Ltda. 2) Leader: 2.1) sítio Cidade Biz: 1o.) 05/09/2008: ´´Renner desembolsa R$ 670 milhões pelo controle integral da Leader Magazine. Concretizada a compra, a rede gaúcha somará mais 39 lojas da varejista, que atua no segmento popular. O conselho de administração das Lojas Renner aprovou nesta quinta-feira a aquisição da Leader Magazine, do Rio de Janeiro, por R$ 670 milhões. Em fato relevante, a empresa informa ainda que assume 50% da Leader Crédito, que se dedica à comercialização de serviços financeiros aos seus clientes e lojistas credenciados. Os outros 50% pertencem ao Bradesco. A Leader Varejo possui 39 lojas em operação e dedica-se ao comércio varejista voltado para moda feminina, masculina e infantil, utilidades para o lar, cama, mesa e banho, brinquedos, lingerie, calçados e acessórios, nos estados do Rio de Janeiro, 170
  • 171. Espírito Santo, Minas Gerais, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. O grupo teve origem pelas mãos da família Gouvêa, em 1951, em Miracema (RJ). As Lojas Renner surgiram em 1922, em Porto Alegre, como parte do Grupo A. J. Renner. A rede varejista tornou-se operação independente em 1965. Possui hoje 102 lojas em todo o país. A aquisição da Leader foi apresentada pela Renner ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) em 1º de abril de 2008, e aos demais órgãos de defesa da concorrência. Atualmente está em análise da Secretaria de Acompanhamento Econômico (SAE), do Ministério da Fazenda. O negócio ainda precisa ser ratificado pelos acionistas da Renner em assembléia geral extraordinária marcada para 15 de outubro.´´ 2o.) 15/10/2008: "Varejista não esconde que decisão deve-se às incertezas provocadas pela crise financeira. A Lojas Renner remarcou do dia 20 para 30 de outubro a assembléia de acionistas que iria deliberar sobre a compra da rede Leader Magazine, do Rio de Janeiro. Em fato relevante, a Renner não dá detalhes sobre a negociação. Diz apenas que, em razão da crise financeira mundial, reavaliou certos termos da operação com os acionistas da Leader, mas "não chegaram a bom termo".´´ 2.2) ´´no contrato de venda houve negociação de manterem seus nomes "fantasia" diferenciados e a manutenção e até ampliação de outras Lojas, EVITANDO DESEMPREGO, segundo informações recebidas por mim com meus parentes e fundadores das Lojas Leader; sendo a 1ª, "BAZAR LEADER", em Miracema. Os donos majoritários (únicos na época), compraram do meu sogro o Bar Líder (não Leader), negociação que envolveu carro " Impala ", garrucha, trocadinhos em dinheiro, prazo a perder de vista... e estes, que vieram de Palma, MG, abriram a 1ª Loja (olha a visão EMPREENDEDORA DELES, Newton, José Laênio) em frente ao ponto ônibus que ia para Cataguazes, Itaperuna etc... e iam oferecer cafezinho aos passageiros, enquanto estes esperavam suas conduções, oferecendo junto uma visitinha à Loja. Meu sogro é que sabe toda a História, José Freitas Siqueira, mais conhecido por "Zé Durão", no time em que jogava em Miracema.´´ 2.3) Angeline (Valor Online e Valor Econômico, 27/10/2008): ´´A Lojas Renner desistiu de comprar a Leader, rede varejista com lojas nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. De acordo com fato relevante enviado à CVM, o distrato do negócio foi amigável e se deveu à ´´relevante alteração do cenário econômico-financeiro brasileiro e mundial verificada nas últimas semanas´´. A Renner frisa que a desistência não implicará nenhum ônus ou multa para nenhuma das partes. Também foi cancelado, sem multas, o acordo com o Bradesco ´´cuja finalidade era regular suas relações na condição de acionistas da Líder S.A. Administradora de Cartões de Crédito. O negócio foi anunciado pela primeira vez em março, quando foram fechados os 171
  • 172. entendimentos iniciais. A transação foi efetivamente acertada em 3 de setembro, por R$ 670 milhões, mais a dívida de R$ 74 milhões da Leader, que seria assumida pela Renner. No começo, a Renner pretendia pagar R$ 440 milhões à vista e o restante R$ 230 milhões em parcelas ao longo de cinco anos. No fim de setembro, com o agravamento da crise, a Renner propôs fazer o pagamento dos R$ 440 milhões em seis parcelas, sendo que a última seria em janeiro de 2011. No entanto, a desvalorização das empresas de varejo de capital aberto nas últimas semanas deixou o preço da operação muito alto em comparação com outros ativos do setor.´´ 3) Centro Educacional São José: 1º.) traz para Miracema nova tecnologia educacional (O Porta-Voz, no. 684, de 06/11/2008): ´´A Direção do Centro Educacional São José informa que a partir de 2009, estará oferecendo o Sistema Positivo, onde os conteúdos são construídos de forma envolvente e coerente. Os assuntos abordados estarão disponíveis no Portal Positivo, um espaço virtual que possibilitará ao aluno um vasto conteúdo para pesquisa e aprofundamento, através de senha e login que cada aluno receberá. Além da excelente metodologia e conteúdo, o Centro Educacional São José também conta com o Sistema Positivo de Ensino na formação continuada dos Professores (cursos e capacitação).´´ 2º.) contrata novos profissionais para revolucionar a Educação de Miracema (O Porta- Voz, no. 685, de 23/11/2008): ´´Visando revolucionar a educação de Miracema o Centro Educacional São José, contratou um importante reforço para a sua equipe pedagógica. Trata-se do professor Antônio Carlos de Oliveira (ex-Diretor do Cepra – Licenciado e Especialista em Química), para juntamente com sua equipe de professores coordenar o 6º. Ano do Ensino Médio. Sem contar que o Centro... já conta com os pedagogos Juscelino da Silva Mendes e Luciana Moura e, também, contratou recentemente a pedagoga Fabíola Tostes.´´ 172